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saúde

em foco

Publicação bimestral da Farmácia Sensitiva

EDIÇÃO Nº

04 SETEMBRO OUTUBRO

2013

Nutrição essencial Vitamina D – Além dos ossos

Foto: Fotolia

Ômega 3 – Nutriente antigo para o cérebro moderno


04 em saúde foco SETEMBRO OUTUBRO

Frequentemente nos deparamos com notícias que colocam alguns nutrientes ora como vilões ora como mocinhos. O que se tem certeza é que excessos e carências podem levar o organismo a um estado de desquilíbrio. Manter uma dieta saudável e equilibrada, a maior parte do tempo, parece ser uma tarefa insana para os hábitos modernos, em especial para os que vivem em grandes metrópoles. Nesta edição, abordamos dois nutrientes que nos últimos anos além de se firmarem como fundamentais para a saúde, já podem ser entendidos como fundamentais no tratamento de algumas patologias. O Ômega 3 é um nutriente essencial, ou seja, não é produzido pelo organismo humano e precisa ser obtido da dieta, mas temos tido dificuldade em mantê-lo em níveis adequados. Estima-se que 90% da população das grandes cidades tem níveis baixos de vitamina D. Embora ela seja produzida em ambudância pelo organismo quando exposto ao sol. nós não tomamos o sol necessário. Ao tratarmos nesta edição do tema nutrição essencial estamos nos referindo ao conjunto de fatores que tornam alguns nutrientes essenciais para a manutenção do estado de saúde. Boa leitura! Diretora Técnica

Vitamina D, além dos ossos

A

vitamina D (Colecalciferol), na sua forma ativa, é um hormônio esteroide cuja principal função consiste na regulação do equilíbrio de cálcio no organismo e na formação e reabsorção óssea através de sua interação com as paratireoides, os rins e os intestinos. O Colecalciferol é uma substância produzida em abundância pelo nosso organismo quando nos expomos ao sol. Por exemplo, um indivíduo exposto ao sol por 1 hora é capaz de produzir 10.000 UI de vitamina D. Uma exposição diária ao sol de 15 a 20 minutos entre 10h e 15h e sem protetor solar é adequada para manter níveis satisfatórios dessa vitamina. Cada vez mais, a população das grandes cidades, tem se exposto menos ao sol e quando o faz se protege usando filtro solar. É indiscutível a importância do uso do filtro solar na prevenção de doenças de pele de alta gravidade como o melanoma, mas somente nos últimos anos tem-se atribuído à falta de vitamina D o surgimento de inúmeras doenças igualmente graves, como as doenças autoimunes (esclerose múltipla, lúpulos, vitiligo, psoríase, artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal) e câncer, em especial os de mama, próstata e colón. Estima-se que mais de 90% da população das grandes cidades não tenham níveis adequados de vitamina D e por isso muitos clínicos têm incluído em seus protocolos a solicitação da dosagem de Colecalciferol (25-hidroxicolecalciferol) no sangue de seus pacientes. Os baixos níveis encontrados somados à pouca exposição solar têm levado, na maioria dos casos, à necessidade de suplementação. Indicadores de saúde para vários níveis séricos de vitamina D 25-OHD3 (ng/mL)

25-OHD3 (nmol/L)

Indicador de saúde

Menor que 20 20 - 32 32 - 100 54 - 90 Maior que 100 Maior que 150

Menor que 50 50 a 80 80 a 250 135 - 225 Maior que 250 Maior que 325

DEFICIÊNCIA INSUFICIÊNCIA SUFICIÊNCIA NORMAL EM PAÍSES ENSOLARADOS EXCESSO INTOXICAÇÃO

Adaptado de Grant e Holick

EDITORIAL

MATÉRIA DE CAPA

2013

Márcia Aparecida Gutierrez Farmacêutica | CRF - SP 12880

Como produzimos Vitamina D? vila mariana

Tel.: (11) 5089 6646 Rua Joaquim Távora, 1524 CEP 04015-014 vila madalena

Tel.: (11) 3031 0222 Rua Luminárias, 211 CEP 05439-000

www.sensitiva.com.br

Uma substância chamada 7-dehidrocolesterol, derivada do colesterol, está presente na epiderme (camada externa da pele). Durante a exposição solar, os raios-ultravioleta B são absorvidos e a transformam em Colecalciferol. No fígado ele é transformado em 25-hidroxicolicalciferol e é no rim que o Colecalciferol é transformado na sua forma ativa, o 1,25-hidroxicolicalciferol. O efeito biológico da forma ativa da vitamina D é desencadeado a partir da conexão entre esse hormônio e os receptores celulares específicos e que são encontrados em inúmeros tecidos. Cérebro, próstata, mama, intestino, sistema imunológico, entre outros, possuem receptores específicos para Vitamina D, e inúmeras doenças nesses tecidos estão associadas à sua deficiência.


saúde 04 em foco SETEMBRO OUTUBRO

Foto: iStockPhotos

2013

Fontes Naturais

Uma fonte alternativa, porém menos eficaz de vitamina D, é a dieta, responsável por apenas 20% das necessidades corporais, mas que assume um papel de maior importância em idosos, pessoas institucionalizadas e habitantes de climas temperados. Alimento

Leite Gema de ovo Fígado Peixes (salmão,

pescada, sardinha)

Ostras Manteiga

Quantidades individuais para obter as doses diárias recomendadas

5 Litros 9 gemas 2 Kg 50 g, 40 g, 25 g respectivamente 10 Kg 250 g

doenças autoimunes

A vitamina D interage com o sistema imunológico através da ação sobre a regulação e a diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células Natural Killer (NK) que são um tipo de linfócitos com papel importante no combate a infecções virais e na destruição de células tumorais.

Ômega 3

Outro exemplo é o uso De maneira geral, o Estima-se que da Vitamina D no trataefeito da Vitamina D no mais de 90% da mento de Vitiligo e Psosistema imunológico se ríase, também doenças traduz em aumento da população das Um estudo imunidade inata, que é grandes cidades autoimunes. piloto realizado por um responsável pelas resnão tenham grupo de pesquisadores postas rápidas na presença de microrganismos ou níveis adequados em São Paulo tratou pacientes portadores mesmo células tumorais, de vitamina D de Psoríase e Vitiligo e da imunidade adquicom altas doses de virida, ou seja, aquela restamina D durante um período de 180 ponsável por “lembrar” e responder mais dias. Todos os pacientes com Psoríase vigorosamente às exposições a agentes tiveram seus parâmetros de controle alergênicos como microrganismos. melhorados. Pacientes com Vitiligo tiA Vitamina D não só previne o desenveram até 75% de repigmentação das volvimento de doenças autoimunes áreas afetadas. como também vem sendo utilizada para tratá-las. Um exemplo disto são os resultados positivos obtidos no tratamento da Esclerose Múltipla com Vitamina D em altas doses. Da mesma forma como acontece em outras doenças autoimunes, na Esclerose Múltipla o sistema imunológico identifica células do próprio organismo como potencial inimigo e inicia uma batalha para eliminá-las. Neste caso, há a destruição do conjunto de células que revestem as fibras nervosas, chamado de bainha de mielina, e que funciona como um isolamento elétrico que garante a qualidade da condução do impulso nervoso. Estudos mostram que pacientes portadores dessas doenças possuem níveis muito baixos de vitamina D o que pode ter permitido o desenvolvimento da doença. A administração de latas doses de vitamina D sob rigoroso controle médico e laboratorial tem melhorado sua qualidade de vida além da regressão dos sintomas.

Nutriente antigo para o cérebro moderno

O

Ômega 3 e o Ômega 6 fazem parte dos chamados ácidos graxos essenciais. São assim denominados, pois não são produzidos pelo organismo humano e precisam ser adquiridos a partir da dieta. Os dois são produzidos na natureza exclusivamente por vegetais, que por sua vez não são capazes de produzir as formas derivadas destes ácidos graxos , as quais possuem importante papel no organismo humano na manutenção do estado de saúde. O Ômega 6 no homem é transformado em Ácido Gama Linolênico importante

A investigação científica do uso da vitamina D em outras doenças, que não somente as do músculo esquelético, abrirão possibilidades terapêuticas inimagináveis até bem pouco tempo. Recomendações

A suplementação não dietética de Colecalciferol, quando necessária, deve ser feita sempre sobre orientação profissional. A quantificação dos níveis séricos da vitamina e a associação com patologias em andamentos são fundamentais para avaliar qual a melhor dose suplementar ou mesmo terapêutica a ser utilizada. A administração de altas doses de Vitamina D deve estar acompanhada do controle de alguns parâmetros de segurança, como, por exemplo, níveis de paratormônio. A melhor recomendação será sempre uma dieta equilibrada e com nutrientes essenciais associada à exposição regular e controlada ao sol levando a hábitos mais saudáveis que terão influência direta na sua qualidade de vida e, portanto na sua saúde. para manutenção do estado de saúde da pele e no ácido araquidônico, um importante mediador da resposta inflamatória. A principal fonte alimentar para Ômega 6 são os óleos vegetais comuns na culinária (óleo de milho, soja, girassol) e a linhaça dourada. O Ômega 3 por sua vez passa por três transformações sendo que na primeira origina o EPA (Ácido eicosapentaenoico), em seguida é metabolizado a DPA


04 em saúde foco SETEMBRO OUTUBRO

(Ácido docosapentaenóico) e por fim é transformado em DHA (Ácido docosaexaenóico). As enzimas que fazem as transformações nas formas ativas de Ômegas 3 e 6 são as mesmas e por isso competem entre si. Há uma preferência metabólica destas enzimas pelo Ômega 3 o que nos faz pensar que haja uma importância maior para o organismos nos ativos (EPA e DHA) provenientes dele e uma necessidade de consumo maior de Ômega 6 em relação ao Ômega 3. As fontes naturais de Ômega 3 são as mesmas que as de Ômega 6. Os peixes de águas frias contribuem como

a maior fonte natural de Ômega 3 e seus derivados (EPA+DHA). Algas marinhas e fito plânctons são os únicos vegetais com capacidade de transformar Ômega 3 em EPA e DHA e por alimentarem-se delas, estes peixes, que também fazem essa transformação, se enriquecem de EPA e DHA.

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2013

O mercado de suplementos alimentares disponibiliza uma grande diversidade de produtos preparados a partir de óleo de peixe contendo diferentes proporções de EPA e DHA. Para quem faz uso desses suplementos é bom esclarecer qual está mais indicado para cada paciente ou finalidade.

EPA e DHA Sistema Cardiovascular

Desde a década de 40 os cientistas tem relacionado a dieta rica em óleo de peixe com a prevenção de doenças cardiovasculares. As principais evidências apareceram nos estudos feitos com povos esquimós cuja dieta baseia-se quase que exclusivamente de frutos do mar. Os estudos mostraram que a dieta rica em Ômega 3 estava diretamente ligada aos benefícios no sistema cardiovascular e que os benefícios advém do EPA metabolizado a partir do Ômega 3. Ômega 3 diminui o risco de trombose por inibir a agregação plaquetária, diminui a síntese e a secreção de VLDL (very low density lipoprotein) que na corrente sanguínea é transformado em LDL (low density lipoprotein) , popularmente conhecido como “colesterol ruim”. Por seus efeitos anti-inflamatórios, o Ômega 3 pode não só prevenir a formação de placas de aterosclerose como também estabilizá-las evitando que se soltem e provoquem danos obstrutivos, resultando, por exemplo, em acidente vascular cerebral (AVC). Sistema neurológico

Mais recentemente autores têm dedicado tempo de observação e estudo quanto às propriedades do DHA. Enquanto a metabolização do Ômega 3 em EPA é rápida e simples, a metabolização em DHA é mais complexa e acontece em proporção menor.

As células nervosas do sistema nervoso de elementos importantes para a macentral são revestidas de fosfolipídeos nutenção da saúde. que necessitam de DHA, Se a dieta já é rica em porém não são capazes A principais óleos vegetais e outras de produzi-lo, necessifontes naturais de fontes de Ômega 6, tando serem abastecidas sugere-se a inclusão na Ômega 3 são os dieta de frutos do mar e pelo DHA produzido nos astrócitos. Astrócitos frutos do mar e peixes de água fria e salsão células que nutrem gada. Ao menos duas a em especial os os neurônios permitindo três porções por semapeixes de água boa atividade dos axôna são requeridas para nios, ambos componencobrir as necessidades fria e salgada tes celulares fundamende Ômega 3. tais para uma adequada A suplementação, quando necessária, condução do impulso nervoso. pode ser feita com a administração de Nos últimos anos houve um crescimento no interesse pelo estudo do DHA como um nutriente importante e fundamental para o desenvolvimento do sistema neurológico e cognitivo, na prevenção e tratamento das doenças neurodegenerativas, além da prevenção de doenças neuropsiquiátricas e de desordens afetivas. Suplementação

A dieta ocidental é rica em Ômega 6 e pobre em Ômega 3 o que pede um balanceamento da dieta ou suplementação com Ômega 3. A proporção mais adequada entre eles é a de 4 partes de Ômega 6 para 1 parte Ômega 3. O que se observa na dieta ocidental é uma proporção de até 30:1. O excesso de Ômega 6 em relação ao Ômega 3 o que pode estar privando o organismo

1 a 3 gramas diárias de Ômega 3, preferencialmente os que sejam ricos em EPA e DHA. Lembrando sempre que EPA está indicado para a prevenção de doenças do sistema cardiovascular e DHA na preservação e equilíbrio do sistema neurológico. Os teores de EPA e DHA em Ômega 3 são informações disponíveis no rótulo dos produtos. Havendo dúvida na interpretação, procure pelo farmacêutico. Mantenha seu médico sempre informado sobre seus hábitos alimentares e o uso de suplementos alimentares. PRESCRITOR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESSE ARTIGO

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