Issuu on Google+

Pessoas, serviços e produtos comprometidos com a sua saúde.

saúde

em foco

Publicação bimestral da Farmácia Sensitiva

03 EDIÇÃO Nº

JULHO AGOSTO

2013

HOMEOPATIA Tratando o indivíduo e a sua doença FITOTERAPIA Uso tradicional comprovado pela ciência ACUPUNTURA Modulando o sistema imune

Rinite alérgica

Quando a resposta passa do limite


03 em saúde foco JULHO

AGOSTO

No inverno, com o tempo seco e o ar frio, as doenças do trato respiratório se manifestam com maior intensidade. Dentre elas, destacamos nesta edição a Rinite Alérgica. Embora comum, pode ter consequências severas se não for bem administrada. O tratamento por terapias integrativas e complementares tem sido escolhido por muitos pacientes e com ótimos resultados. Nesta edição, além de esclarecer um pouco mais sobre esta manifestação, procuramos trazer o que a homeopatia, fitoterapia e acupuntura tem feito para tratar estes pacientes. Aproveite o inverno para se preparar para a mais bela das estações. Boa leitura! Diretora Técnica

Márcia Aparecida Gutierrez Farmacêutica | CRF - SP 12880

vila mariana

Tel.: (11) 5089 6646 Rua Joaquim Távora, 1524 CEP 04015-014 vila madalena

Tel.: (11) 3031 0222 Rua Luminárias, 211 CEP 05439-000

www.sensitiva.com.br

Tratando o indivíduo e a sua doença

A

homeopatia tem sido uma terapêutica de escolha para pacientes com rinite alérgica que se mostram contrários ao tratamento convencional em geral pelos efeitos colaterais relacionado ao uso de antiinflamatórios e corticoides por longo tempo. A homeopatia pode atuar em três frentes no tratamento e alívio dos sintomas desses pacientes.

Foto: iStockPhotos

EDITORIAL

HOMEOPATIA

2013

Medicamento sintomático Também a homeopatia poderá ser empregada em conjunto com as demais estratégias tratando os sintomas na medida em que eles aparecem. Exemplos dos medicamentos homeopáticos mais comuns utilizados no tratamento dos sintomas da rinite alérgica são: Hydrastis canadensis, Sabadilla, Sambucus nigra, Allium cepa, Luffa operculata e Pulsatilla.

Similimum O homeopata tem sempre como principal escolha o uso do medicamento de base, de fundo ou, como muitos chamam, de terreno (similimum). Esse medicamento definido após conhecimento profundo dos sintomas e características individuais do paciente, deve Medicamentos de uso oral são tão coreequilibrar a Força Vital que é a resmuns quanto formulações homeopáponsável pela manutenção do estado ticas de uso nasal. Um bom exemplo de saúde do indivíduo. Em 2009, um é o medicamento Euphorbium comtrabalho desenvolvido na faculdade de positum™ Spray Nasal, composto por Medicina da USP utilizando esta aborEuphorbium resinífera; Pulsatilla pratendagem terapêutica concluiu que houve sis; L. operculata; Mercudiferença significativa na rius iodatus ruber; Muqualidade de vida dos A Força Vital é cosa nasalis suis; Hepar pacientes tratados. sulphuris calcareum; responsável pela Isopatia Argentum nitricum e A imunoterapia, que manutenção do Sinusite nosódio. Este classicamente pode ser composto homeopáestado de saúde utilizada no controle tico foi amplamente do indivíduo. dos sintomas dos estaestudado e os estudos dos alérgicos, tem uma mostraram melhora estratégia similar na homeopatia. A Isonos sintomas em mais de 80% dos patia, como é conhecida, utiliza agenpacientes portadores de rinite alérgica. tes alergênicos preparados segundo a É bom lembra que faz parte de qualtécnica homeopática para estimular o quer tratamento para rinite alérgica sistema imune a buscar um equilíbrio na evitar a exposição aos agentes alergêresposta, modulando-a. Assim, é comum nicos e manter a mucosa nasal semo homeopata, diante de um quadro pre hidratada. Assim, ambientes livres de manifestação alérgica como a rinite de poeira, o uso regular de soro fisioe após identificar os possíveis agentes lógico além da ingestão de líquidos já alergênicos, prescrever formulações que minimizam boa parte dos sintomas. ao primeiro momento podem parecer estranhas. São fórmulas compostas por substâncias como pelo de animais (cão, PRESCRITOR gato), ácaros, poeira doméstica, fumaça MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESSE ARTIGO de cigarro, dentre outras. Nesta estratéAcesse a página gia, o paciente pode fazer uso frequente www.sensitiva.com.br/ prescritor de tais formulações mantendo o sistema imune regulado.


saúde 03 em foco JULHO

AGOSTO

Rinite alérgica Quando a resposta passa do limite

A

rinite alérgica é a inflamação da mucosa de revestimento nasal, mediada por IgE (imunoglobulina E - anticorpos produzidos pelo próprio organismo, cujas atividades desempenham um papel no funcionamento do sistema imune). A sua alta concentração tem sido associada com hipersensibilidade alérgica, após exposição a alérgenos, cujos sintomas (obstrução nasal, rinorréia aquosa, espirros e prurido nasal) são reversíveis espontaneamente ou com tratamento. De acordo com a frequência das manifestações clínicas, as rinites alérgicas podem ser classificadas em: sazonais (ocorrem em determinados períodos do ano); perenes (durante todo o ano); circunstanciais (sintomas esporádicos na presença dos alérgenos); e ocupacionais (sintomas presentes nos dias de trabalho, melhorando em fins de semana e feriados). Segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a classificação da rinite alérgica deve considerar a duração e a gravidade dos sintomas, assim como características e peculiaridades. Neste caso, ela pode ser classificada em intermitente (sintomas < 4 dias por semana ou < 4 semanas); persistente (sintomas > 4 dias por semana e > 4 semanas); leve (sono e atividades normais, sintomas não incomodam); e moderada (sono e atividades comprometidos, sintomas não incomodam). Segundo a sua duração, as rinites também podem ser classificadas em: aguda, subaguda e crônica. A rinite pode reduzir a qualidade de vida, interferir na assiduidade e performance na escola e no trabalho. Tanto as rinites alérgicas quanto as não alérgicas estão associadas ao desenvolvimento da asma, portanto, são doenças coexistentes, uma vez que os sintomas da rinite são encontrados em 75-80% dos pacientes com asma. A rinite alérgica é a forma predominante em crianças, mas responde por 1/3 dos casos em adultos. Apesar de não estar entre as doenças respiratórias crônicas de maior gravidade, é um problema de saúde pública, porque afeta a qualidade de vida dos pacientes e dificulta o controle da asma. Muitos indivíduos não a reconhecem como uma doença e não procuram atendimento médico, mas a rinite alérgica encontra-se entre as Alérgenos presentes dez razões mais frequentes para a procura de atenno ar dimento primário à saúde. • Ácaros da poeira • Fungos • Animas (cão, gato, hamster) • Pólens Alérgenos ocupacionais • Trigo • Poeira de madeira • Detergentes • Látex Alérgenos Irritantes poluentes • Intradomiciliares: fumaça de cigarro, poluentes ambientais • Extra-domiciliares: ozônio, óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre

Os alérgenos precursores de rinite alérgica de maior relevância clínica são os oriundos de ácaros da poeira, baratas, fungos e de outras fontes alergênicas (pelos, saliva e urina de animais domésticos; restos de insetos; alimentos). A rinite alérgica também pode ser desencadeada ou agravada pela exposição a mudanças bruscas de clima, inalação de irritantes inespecíficos (odores fortes, gás de cozinha, fumaça de cigarro), inalação de ar frio e seco e em indivíduos predispostos. Inclui também a história clínica pessoal e familiar de atopia (asma, conjuntivite alérgica e eczema atópico - um tipo de dermatite), além de exames físicos e complementares, como o das cavidades nasais. É interessante pesquisar as condições ambientais em que o paciente vive, observando-se: ventilação, pre-

sença de carpete ou tapete, material e revestimentos de colchão, travesseiros e cobertores, convívio com animais de pelo e pena, presença de baratas, exposição a irritantes inespecíficos (produtos de limpeza), e outras possíveis fontes de agentes alérgenos. Os sintomas de rinite alérgica podem ocorrer em qualquer idade, iniciando-se geralmente na infância.

Foto: iStockPhotos

MATÉRIA DE CAPA

2013

Tratamento A estratégia não medicamentosa é o controle dos fatores ambientais, com o objetivo de evitar o contato com os alérgenos. Dentre as medidas de controle ambiental pode-se citar: combate ao mofo e à umidade; manter ambientes ventilados; evitar bichos de pelúcia e animais de pelo e pena. A remoção ou a prevenção do contato com alérgenos é sempre recomendada, no entanto, o tratamento farmacológico é geralmente necessário. Estudos tem demonstrado que medicamentos homeopáticos, acupuntura, medicina chinesa e fitoterapia tem contribuído como formas alternativas ou complementares no tratamento dos sintomas da rinite alérgica. No entanto, a escolha da estratégia terapêutica depende de uma grande variedade de outros critérios e da individualização do paciente.

PRESCRITOR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESSE ARTIGO

Acesse a página www.sensitiva.com.br/ prescritor


03 em saúde foco JULHO

AGOSTO

Uso tradicional comprovado pela ciência

N

a medicina convencional as rinites alérgicas são tratadas com corticosteróides e anti-histamínicos orais e nasais. No entanto, alguns pacientes estão insatisfeitos com estes tratamentos, e alguns podem ser incapazes de utilizar estes tratamentos por várias razões. As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) tem sido uma modalidade de tratamento popular entre os pacientes de doenças alérgicas. Em um estudo sobre a prevalência do uso de PICs, mais de um terço dos entrevistados relataram usar e, em um relatório de tratamentos alternativos específicos em adultos com asma ou rinossinusite, 64% dos participantes relataram o uso de tratamentos dentro dessa linha. A fitoterapia é a forma de medicina mais ancestral e disseminada no Brasil. Tradicionalmente usadas por populações rurais carentes, as plantas medicinais vêm sendo largamente utilizadas também nos centros urbanos, por pacientes de todo nível socioeconômico e cultural. Aliás, o mercado de fitoterápicos movimenta cifras da ordem de bilhões de dólares anualmente na Europa e na América do Norte. O Ginseng Coreano (Panax ginseng) é usado freqüentemente como uma terapêutica complementar no tratamento das rinites alérgicas. Seus principais componentes são saponinas, também conhecidas como ginsenósidos. Até o momento, mais de 40 ginsenósidos foram identificados, e exibem várias propriedades biológicas, incluindo atividade anti-inflamatória, anti-alérgica, e as atividades anti-tumor. Em estudo recente (abril de 2013) realizado na Korea e que aplicou um modelo de pesquisa da medicina clássica, foi demonstrado que o Ginseng Vermelho reduz os sintomas da rinite alérgica. As evidências mostram que o fitoterápico atua reduzindo a produção de citocinas, que são substâncias envolvidas no desencadeamento da resposta imune.

ACUPUNTURA

Outro fitoterápico popularmente utilizado no tratamento da rinite alérgica e seus sintomas é a Luffa operculata (buchinha-do-norte), seu uso está baseado na tradi-

Modulando o sistema imune

A

Acupuntura foi desenvolvida a partir das técnicas da medicina tradicional chinesa e os primeiros registros datam do século II aC. A técnica baseia-se na estimulação, em geral por meio de agulhas, de pontos que estão localizados nas linhas de meridianos e que correspondem ao fluxo de energia através do corpo. A acupuntura moderna tem evoluído para outros métodos de estimulação dos acupontos incluindo a utilização de uma corrente elétrica, através da aplicação de pressão ao ponto de acupuntura ou usando um laser de baixa intensidade. As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) estão se tornando cada vez mais populares no mundo e também no Brasil. Não há dados nacionais, mas no Reino Unido

estima-se que a população gaste uma média de £ 1,6 bilhão por ano (quase R$ 5 bilhões) com acupuntura que é o quarto tratamento mais comum ficando atrás da aromaterapia, homeopatia e fitoterapia. Existem justificativas biológicas para a utilização de acupuntura no tratamento de alergias. Alguns estudos sugerem que a acupuntura pode modular os níveis de citocinas e outros mediadores anti-inflamatórios. A acupuntura pode estimular a liberação de endorfina, que, juntamente com o lançamento do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) atua sobre o córtex adrenal para estimular a liberação de cortisol, oferecendo outro possível efeito antiinflamatório. Provando-se eficaz, a acupuntura seria uma alternativa atraente para o tra-

ção, mas apesar disto deve ser utilizada com cautela. Evidências clínicas demonstram sua efetividade, mas a administração deve ser feita sob supervisão já que o uso inadequado pode causar efeitos colaterais importantes como sangramento da mucosa nasal e irritação nasal. PRESCRITOR MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESSE ARTIGO

Acesse a página www.sensitiva.com.br/ prescritor

tamento sintomático convencional para alguns pacientes. Estudos anteriores demonstraram que efeitos colaterais são raros em acupuntura e geralmente se restringem a irritação no local da agulha. O custo de sessões de acupuntura é comparável ao da medicação sintomática, contudo no Brasil desde 2006, a Política de Práticas Integrativas e Complementares do SUS prevê o atendimento em acupuntura nas Unidades Básicas de Saúde. Na cidade de São Paulo a PRESCRITOR unidade BosMAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESSE ARTIGO que da Saúde Acesse a página www.sensitiva.com.br/ oferece não prescritor só acupuntura como outros tratamentos que fazem parte das PICs.

Foto: iStockPhotos

FITOTERAPIA

2013


Saude em foco-Ed03-Julho-Agosto2013