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BH: Capital Mundial

dos bares

1a Edicao 2009

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BH: Capital Mundial dos Botecos Belo Horizonte, SENAI/Cecoteg, 2009 72 páginas, 20cm x 20cm

Coordenação Editorial Décio Guanabarino Capa Tamara Pinto Lacerda Imagem da capa Décio Guanabarino Diagramação e Projeto Gráfico Tamara Pinto Lacerda Fotos Tamara Pinto Lacerda Filipe Muniz de Souza Textos Tamara Pinto Lacerda

1a Edição Novembro de 2009 tamaralacerda_dg@hotmail.com

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Algumas pessoas foram essenciais para realização deste e gostaria de agradecer em especial ao meu orientador Décio Guanabarino, pela extrema boa vontade em colaborar, ao professor Rangel Sales, a minha mãe por todo o apoio e a Matheus Felipe e Filipe Muniz por terem me auxiliado em todos os momentos.

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Apresentação Belo Horizonte... a capital das Minas Gerais onde o sol brilha com mais encanto, que nasce e morre majestoso por detrás das montanhas. Belo Horizonte... berço da arquitetura modernista brasileira. Cidade de Niemayer. Cidade jardim, onde há sempre belos lugares para se descansar e encantar. Belo Horizonte... cidade de clima agradável, pessoas tranquilas e vida pacata. Belo Horizonte. Cidade sem mar. Sem neve. Sem Carnaval. Há quem pense que os mineiros e em especial os belo-horizontinos levam uma vida sem graça. Mas nós temos algo muito melhor. Algo único. Algo insubstituível. Temos os botecos. Sim! Quem precisa de praia, de carnaval ou o que for se temos o bom e velho botequim! No boteco não existe data nem hora, não existe pobre nem rico, dias de semana ou fins de semana. Luxo é artigo opcional. Regras de etiqueta passam longe. No boteco todo dia é sábado, qualquer um amigo. Luxo? Pra que isso! Para o botequeiro de verdade basta que haja um baquinho, uma boa companhia e é claro, ela: a cerve-

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ja gelada! É bem verdade que há muitos que troquem o artigo por outros, mas isso jamais se tornará um problema. No boteco é tradição sim tomar cerveja com os amigos. Mas no boteco também se prova tira-gostos, se almoça... Em BH o boteco é programa pra toda a família. Desde os “copos sujos” aos mais sofisticados,os botecos já fazem aprte da tradição de Belo Horizonte. Esse ambiente é palco de tudo: alegria e tristeza, diversão e ressaca, casamentos e separações, amores e dores de cotovelo. Ali, freqüentadores tornam-se testemunhas, garçons viram psicólogos. Todo belo-horizontino já passou por alguma dessas situações num boteco e se ainda não passou, acredite, ainda irá passar. O boteco faz parte de BH e BH faz parte do boteco. Não é a toa que a cidade foi eleita a “capital mundial dos bares”. O título justo dado à cidade é de extrema importância, mas para o povo de Belo Horizonte o mais importante não é o título e sim a sua sagrada ida ao boteco, o convívio com os amigos, a descontração daquele ambiente simples que traz tanta alegria. É por tudo isso ou simplesmente por isso que nós, belo-horizontinos, sentimos tanto orgulho em dizer: “Já

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que não tem mar... vamos pro bar!”


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Cardápio 01) Bh : Capital mundial dos bares ..................................... pág. 13 02) Cultura de Butiquim ........................................................ pág. 19 03) A tradicional cerveja ...................................................... pág. 31 04) A tradicional cachaça ...................................................... pág. 45 05) O tradicional tira-gosto ................................................ pág. 53 06) Festival comida di buteco .............................................. pág. 59

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BH: A capital mundial dos botecos

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“O povo daqui é discreto, tem receptividade e é hospitaleiro” . “A ausência de praias é substituída por outros atrativos” .

“Uma boa conversa resgata tradições e origens” .

“Belo Horizonte é sede de eventos de

grandeza a nível nacional.”

Esses e outros motivos foram grandes responsáveis pelo título dado à cidade que já pleiteava o título há anos. Agora é oficial. Belo Horizonte é a Capital Mundial dos Botecos. No dia 25 de Junho de 2009 a lei no 9.714 foi sancionada pelo vereador Alberto Rodrigues. A decisão foi muito bem recebida por todos e promete ser muito bem comemorada, afinal, em BH, tudo é motivo pra comemoração no boteco.

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O título foi mais que justo, pois

para assistir um jogo de fu-

a cidade tem aproximadamente

tebol ou para “jogar conver-

12.000 bares e botecos. É a cida-

sa fora “com os amigos.

de que mais tem bares e restau-

Qualquer coisa vira motivo para

rantes no Brasil com a concen-

o belo-horizontino ir para um

tração per capita de botequins

boteco saborear um gostoso

de um para cada 250 habitan-

tira-gosto e tomar uma cerveji-

tes. Aqui tem boteco de todo

nha bem gelada ou a tradicional

jeito... tem uns que funcionam

e bem mineira

em garagens, os sofisticados...

cachaça.

e tem até o Boteco do Caixo-

Além

te, onde o freguês aprecia a

dar a todos e

sua geladinha acomodado e m

a p e n a s o f i c i a-

caixotes na calçada!

lizar uma fama

Os bares daqui geralmente

são de boa qualidade. O belo-

nacionalmente,

horizontino frequenta os bo-

o título só veio

tecos para um happy hour,

a ajudar o cená-

para comemorar aniversário,

rio turístico da

de

agra-

conhecida


cidade. A notícia teve até repercussão internacional, com uma matéria publicada no “The New York Times”. Como se não bastasse, para a alegria dos belo-horizontinos, o terceiro sábado de maio será feriado municipal dos botecos! O feriado nessa data foi intencionalmente escolhido para coincidir com um dos maiores festivais gastronômicos da cidade, o “Cumida di Buteco”. A partir de agora a ida ao boteco torna-se “dever oficial” dos belo-horizontinos e isso, com certeza, fará com que a festa fique muito melhor!


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Cultura de

Butiquim

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Pra quem pensa que botequim é coisa de gente sem classe esta muito enganado. Ele vem do grego apotheke, substantivo que designava os armazéns do porto de Atenas nos tempos da Grécia Clássica. A palavra , ao contrário do que se pode pensar, tem certa origem nobre.

Quando falamos em botequim acabamos rotulando pra gente mesmo um lugar não muito limpo, onde a higiene não é prioridade, mas que a tal da cerveja está sempre gelada. É um lugar considerado especial, afinal de contas, num botequim você faz até verdadeiros amigos, tem sempre alguém afim de ouvir suas abobrinhas, suas lamentações, nem que seja o próprio garçon. É um lugar informal, onde não existe etiquetas, nem conceitos de comportamento, só se ouve muita conversa, muito barulho de talheres, pratos lavando e copos caindo da mesa. Chega ser engraçado, mas sempre alguém olha pra você, com um olhar meio perdido dizendo que te conhece de algum lugar e geralmente senta na sua

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mesa sem pedir licença e manda uma prosa que geralmente não entendemos nada, mas sempre damos a maior atenção. E a comida do botequim, é o que existe de melhor, e em muitos chega a ser uma atração, afinal em nenhum restaurante requintado vamos ter o prazer de saborear uma carne seca no feijão as duas da madrugada, uma costelinha frita, um torresminho ou um fígado acebolado. Tudo isto regado com uma cerveja que quase congela o copo de tão gelada. O botequim é tudo de bom. É preciso eliminar alguns preconceitos e parar de achar que quem freqüenta botequim é vulgar ou coisa parecida. É preciso ter a curiosidade de conhecer a cultura do botequim... Petiscos bem feitinhos, clima despojado, cerveja e bom papo são os ingredientes que fazem parte da boa cultura de boteco. O boteco é o sonho realizado de todos os brasileiros: a igualdade social. Nos balcões de mármore, se apóiam lado a lado, o advogado e o pedreiro, o alcóolatra e o abstêmio, o empresário e o taxista, o recém-casado e a patroa, o enganado e o traidor, o cético e o esperançoso. É onde uma pessoa só, depois de descer com vontade uma branquinha, uma gelada, caipirinha, breja ou um imprová-

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vel vinho suave, pode respirar fundo, fechar os olhos, virar para o lado e, em toda tranqüilidade, dizer o que pensa. É também nos botecos que se encontra praticamente uma nova Acrópole. A filosofia dos botecos é algo digno de ser conservada em museus. Todo bêbado é intelectual, todo garçom é professor. No boteco a criatividade emana de todo ser e o resultado é o retrato da cultura popular brasileira ou a chamada “Filosofia de Buteco”.

F ilosofia de Buteco Engraçadas, machistas, feministas, provocativas e sobretudo criativas! Boteco que é boteco sempre tem algumas daquelas plaquinhas com frases inusitadas. Nem que seja plaquinha de não vendo fiado. Uma coisa que acontece muito é que as frases e pérolas que os frequentadores desse ambiente falam acabam se popularizando. Há também aqueles que são extremamente fiéis ao boteco de preferência e criam prosas, músicas, poesias... tudo envolvendo o cotidiano do lugar.

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Oração

do

Frequentador

M ercado C entral P ermita

abraça - nos .

que os ventos vindos de longe abracem o calor artificial produzido pelo homem e protejam nossa casa .

C asa Casa

de sabores , casa de amores .

d a c a ch a ç a , d a c e r v e j a e s t u p i d a m e n t e g e l a d a

Casa

do fígado acebolado com jiló.

M ercado C entral Para

mande - nos toda sua energia mística

que nossa casa esteja sempre aberta e acolhedora a todos que querem entrar

S em

distinção de classe , idade ou credo .

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M ercado C entral Não

olhe por nós .

deixe faltar aquela fatia de abacaxi que derrota o suor de nosso estafante trabalho.

N ão N em

deixe faltar o queijo com doce de leite

a caipirinha estonteante que nos acode ao ouvir o som de nossos corações se partindo .

M ercado C entral R eceba

bem os formandos bêbados do

Os

camelôs sem destino ,

As

mulheres mais lindas ,

As

Q ue

M inascentro

bocas mais famintas .

M ercado C entral

ensine - nos .

nunca falte os contadores de causos ,

As

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afague - nos .

discussões futebolísticas ,


As

tramas políticas , as anedotas e as resenhas da vida alheia .

M ercado C entral E nsine - nos E nsine - nos

guie - nos .

as delícias da boa mesa .

também a ter boa saúde para que possamos desfrutar de todos os seus mistérios e surpresas .

E

finalmente ,

M ercado C entral ,

D esejo Para

cuide - se .

a ti vida longa

que meus descendentes possam conhecer - te

e amar - te .

(Texto criado em homenagem ao Mercado Central, um dos locais mais tradicionais de Belo Horizonte)

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“Bebo

porque é líquido, se fosse sólido come-loa-ia.

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A Tradicional Cerveja

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Sempre ela...

a gelada , a breja , a

a chercela ,

a redonda ....

loira ,

a CERVEJA!

Apesar de sua origem alemã se tornou paixão nacional e é a personagem principal dos botecos de Belo Horizonte. Homens, mulheres, jovens, idosos. Não há classe ou tipo de gente que se restrinja à cerveja. E para o belo-horizontino então? Tudo é motivo pra tomar uma gelada. Se está frio? Vamos tomar uma pra esquentar! Se está calor? Vamos tomar uma pra refrescar! Brigou com a namorada? Vamos tomar todas pra afogar as mágoas! E se voltou coma namorada? Ah! Então vamos tomar todas pra comemorar. É nesse raciocínio que o boteco vive dentro de muitas pessoas. A cerveja reúne amigos depois do serviço num belo happy hour, faz a farra de um sábado a noite, a alegria de um domingo animado. É claro que um boteco é composto de vários elementos essenciais, mas um boteco sem ela, a tão amada cerveja, não pode ser um boteco.

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Como pedir uma cerveja no boteco Nada de mandar degelar na água corrente, procurar promoção nos cartazes de mulheres semi-nuas. Muito menos conferir a validade e fazer malabarismo com a garrafa para ver se a bebida está choca. Tomar sem colarinho, para não fazer bigode de espuma, e pedir para embrulhar o que sobrou é vexame na certa. Conclusão: simplesmente peça a garrafa. Butiquim que é butiquim serve a loira de 600 ml. Para saber se a cerveja é consumível, o ideal é dar uma de migué: “Ô Ernesto, faltou luz na região ontem ou hoje? Não? Então me dá uma bem gelada. Tira lá do fundo”.

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O

chopp

Uma versão da cerveja que caiu nos gosto dos brasileiros , o chopp vem cada dia mais ganhando adoradores e criando novas versões. Ele agita os happy hours, é servido em algumas lanchonetes, restaurantes e principalmente dos bares mais sofisticados da cidade. Há lugares inclusive que se especializaram na bebida e apresentam uma cartela completa de chopp e as mais variadas cervejas, como a cervejaria Devassa, que fica na zona sul da cidade, a choperia Pelicano, no centro de BH, a rede Bares Redentor, etc. Por ser uma produto muito consumido e consumido de diversas formas, a bebida foi se multiplicando em uma variedade de sabores, formas de ser servido e cores. Pra se ter ideia, já se encontra chopp de vinho, chopp de morango... o brasileiro já tem até uma seleção de seus preferidos.

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SELEÇÃO BRASILEIRA DE CHOPPS

Tradicional Foi com esse pioneiro que o Brasil aprendeu a beber chopp. Calderete de 350 ml, na medida certa, e creme com 3 dedos de chopp claro. Melhor que qualquer clássico, um show de bola.

P elourinho Tradicional chopp escuro com colarinho de 3 dedos de creme em caldereta de 350 ml. Negrinho elegante, joga liso e desce bem.

M oreno A leveza do claro misturada ao sabor marcante do escuro, com 3 dedos de creme claro.

Tio B arnabé Corpo escuro e cobertura branca, como o baixinho do Gol Mil. Caldereta de 350 ml, com chopp escuro e 3 dedos de creme claro.

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G arotinho Tal qual o Tradicional, em menor estatura. Êta garotinho bom. Caldereta de 220 ml com colarinho de creme com dois dedos de pressão.

M ulatinho Pequeno escurinho, tão bom quanto Pelourinho. Cheio de manha. Caldereta de 220 ml com colarinho de creme com dois dedos.

G auchão Grande, bom de combate, se impõe p e l a p o s t u r a g e r m â n i c a . Tu l i p a d e 500 ml, para botar banca e intimidar qualquer adversário. Claro, com colarinho de creme, com 3 dedos de chopp claro.

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R io N egro Um craque de porte, bom de ataque, se posiciona bem e sempre chega junto. Tulipa de 500 ml de chopp escuro com 3 dedos de creme.

A mador Para quem gosta, mas ainda é iniciante na arte de beber chopp e tem pouco domínio sobre as regras do esporte. Joga bem e tem futuro. Caldereta de chopp claro, sem colarinho.

Z é C remoso Leve e solto, joga limpo e passa com precisão. Caldereta de 350ml, só de creme de chopp claro.

P reto Veio Veterano, só se for no nome. Um jovem cheio de energia que sempre joga bem. Caldereta de 350 ml, só de creme escuro.

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Hino de Boteco Ouviram num boteco um berro mágico De um bêbado, um pedido refrescante A Skol da liberdade em raios fúlgidos Brilhou na mão do dono nesse instante Se o Senhor, tiver vontade Vem beber com a gente até ficar de porre Copo Cheio, e liberdade Aprecie este líquido a vontade

Oh, Skol amada, idolatrada, Salve, Salve

Bebendo todo dia desse líquido Tem vezes que parece, a terra desce Meu Deus do céu, se penso nesse líquido Nãoexiste nada mais que me interesse

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Gigante após as três mais que beleza Chorão depois da décima ó tristeza No dia seguinte oh dor de cabeça Skol dourada!

Entre outras mil, és tu Skol Cerveja amada. Dos filhos deste bar és mãe, gentil A Skol do meu Brasil.

Sentado eternamente em bar esplendido Falando sobre a vida de um pinguço Saiu daqui e foi beber lá na América Bebeu cerveja de primeiro mundo. Mas a terra, parece um imã Caiu de cara num jardim cheio de flores. Mijou no poste, de uma vila Apanhou do guarda e foi dormir com de dores

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Oh, Skol amada, idolatrada, Salve, Salve

Saiu pela manhã buscando o líquido Que o sustenta todo dia alcoolizado Se em teu formoso bar tiver o líquido Fará¡ a felicidade de um coitado. Por mais que a cerveja seja forte Verás que um bêbado não foge a luta. Eu sei que vou beber até a morte, Skol dourada.

Entre outras mil, és tu Skol Cerveja amada. Dos filhos deste bar és mãe, gentil

Skol do meu Brasil!!

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A Tradicional Cachaรงa

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Se você pensa que cachaça é água

Cachaça

não é água não

Cachaça vem do alambique E água vem do ribeirão...

Assim como a cerveja a cachaça é uma paixão dos brasileiros, sobretudo dos mineiros. Porém há uma diferença. A cachaça é um produto de origem brasileira e é símbolo do país no mundo inteiro. Como o boteco é um poço de tradição e de cultura popular, não podia lhe faltar a cachaça. Em cada canto do país e em cada canto da cidade escutam-se os mais variados “apelidos carinhosos” dados a ela. Branquinha, pinga, marvada, caninha, água doce... seja como for é um produto muito apreciado por todas as classes sociais e com a sua popularização, em alguns lugares a cachaça é tida como produto sofisticado. Além de todas as suas propriedades gastronômicas e culturais,

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a “marvada” sempre é culpa-

se tem motivos para o seu

da de tudo e amiga de todos

consumo. Ah! O seu consumo.

quando preciso. Dá coragem e

Esse sim fomenta a criativi-

traz dores. Ajuda, mas atrapa-

dade das pessoas. A cachaça

lha. Uma briga no bar? Culpa

é sim consumida pura, mas

da cachaça. Seu time ganhou?

pode dar origem a um univer-

Ô que bom! Vamos tomar uma

so de outras bebidas. O que

cachaça! A verdade é que as-

seria da brasileiríssima caipi-

sim como a cerveja, nos bo-

rinha sem ela. E tem também

tecos de Belo Horizonte não

a pinga com mel, pinga com


limão. E não podemos esquecer as bebidas com nomes e receitas super criativos, afinal de contas, estamos no Brasil. Vale a pena explicar o “Cu de burro”. Basta que se tenha uma dose de cachaça, sal e limão. Assim é feito todo o ritual. Coloca-se um pouco de sal na mão, toma-se a dose e em seguida chupa-se o limão. Além de cair no gosto dos belo-horizontinos, a bebida também é tida como brincadeira, e mais uma vez, tradição ‘butequense’. E por falar em tradição ‘butequense’, não poderíamos esquecer: a cachaça é uma das grandes geradoras, alimentadoras e personagens da filosofia de boteco! Não custa dar uma olhada.

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“E se a vida não tem graça, encha a cara de cachaça!!!”

“Pra curar sua amargura, b

“Contra Contra falta de cari dor de “Pra esquecer um fals cotovelo, Pra acalmar seu co S e b r i g a r c o m a n beba m i s t u r a d a . . . ” “Caç cachaça cachaça...eu com gelo.”Mulher e cachaça sao iguais!! 50


“Se alguém só te faz mal Beba pinga com curaçau.”

beba pinga sem mistura!”

inho: cachaça, cerveja e vinho!

so amor, beba pinga com licor.” oração, beba até cair no chão;

namorada, beba pinga

çhaceiro é quem fabrica

sou só consumidor!”

!! No começo é bom! Depois só dá dor de cabeça! 51


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O Tira-gosto

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Tira gosto essencial Falamos das tradicionais cerveja e cachaça o tempo todo. Que os belo-horizontinos vão aos botecos todos os dias atraídos por elas, que existe uma imensa variedade de ambas. Mas ainda não falamos de um elemento essencial, indispensável á cachaça e à cerveja: o tira gosto! Esse sim, muito mais que a cerveja e a cachaça, possui uma infinita variedade com os mais diversos ingredientes. Em Belo Horizonte os tira-gostos são atrações nacionais e até internacionais. Chefes da culinária passam tempos inventando pratos que sejam de agradável sabor em companhia a cerveja e cachaça e que utilizem ingredientes típicamente mineiros na sua receita. E os resultados são dos mais agradáveis. Muitos mais tradicionais, usando couve, folhas de taioba, o famoso queijo minas. Dessas misturas saem muitos pratos da alta culinária, muito apreciados por todos.

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Mas apesar de servirem à cozinha sofisticada, não há nada que substitua os tira-gostos tradicionais, servidos em cumbucas de madeira ou plástico sobre aquele forro xadrez vermelho. Há algo de diferente em tudo preparado no boteco. Há quem diga que a gordura impregnada nas cozinhas, o sal usado na batata, o preparo daquela pimenta caseira têm algo especial. Jamais a porção de fritas com filet acebolado do boteco da esquina será como a batata frita com picadinho de carne de nossas casas. Tudo tem um gosto especial quando se trata de tira-gosto. Há até aqueles que possuem histórias e participam de histórias. Em Belo Horizonte quem nunca provou do fígado acebolado do Mercado Central ou do tropeiro do bar 13 do Mineirão em dia de jogo, não sabe o que está perdendo. Mandioca frita, fritas com bacon, torresminho, caldo de frango com quijo minas, frango a passarinho... todas essas delicias tipicamente preparadas você só vai encontrar nos botecos de BH.

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Festival Cumida de Buteco

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O C omida di B uteco ajudou a criar no imaginário popular um orgulho em relação à típica tradição do boteco, reforçando uma identidade cultural até então marginalizada.

O Comida di Buteco é um concurso de gastronomia típica de botecos, cuja proposta de resgatar a culinária de raiz e valorizar a tradição dos típicos botecos da cidade ganhou de imediato a adesão popular e não demorou para se consolidar como o maior evento gastronômico de Belo Horizonte, firmando-se também como uma atração e referência turística da capital mineira. O concurso despertou a curiosidade da mídia nacional e internacional, tendo sido notícia no The New York Times e no La Nacion, na Argentina. Como a cultura do boteco não é uma exclusividade de BH, o festival, sempre realizado pela CDB Produções, rompeu as fronteira da Serra do Curral, e já fincou bandeira em várias cidades

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do interior mineiro e algumas das principais capitais do País, tais como: Rio de Janeiro/RJ , Salvador/BA e Goiânia/GO. A trajetória do Comida di Buteco em Belo Horizonte revela claramente o potencial do concurso. Em 1999, Eduardo Maya - então produtor e apresentador do programa “Momento Gourmet”, veiculado pela Rádio Geraes - apresentou à emissora a proposta de um concurso que elegesse o melhor tira-gosto de boteco da capital e resgatasse a culinária de raiz. A idéia logo ganhou adesão de João Guimarães -proprietário da emissora - e de Maria Eulália Araújo – então diretora-executiva da mesma rádio - que, imediatamente, sugeriu o nome do evento. Sobre esse tripé - o gastronômo, a publicitária e o empresário de comunicações - e com os investimentos e divulgação do evento feitos inicialmente pela Rádio Geraes, o Comida di Buteco nasceu planejado para se tornar o principal produto promocional da empresa. A rádio foi extinta em 2004 e o projeto seguiu com sucesso, pilotado pela empresa de produção criada para sua realização. Logo na primeira edição do evento, em 2000, quando apenas 10 botecos participaram, o sucesso da iniciativa ficou eviden-

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te. A novidade foi abraçada pela cidade, mobilizando toda uma tradição cultural e de lazer e despertando sua importância econômica e social. Após nove edições, o concurso se transformou num evento grandioso, que integra o calendário oficial da capital mineira e figura no Guia 4 Rodas (Editora Abril) como um dos principais festivais do País. Para contribuir com esse crescimento, dois novos sócios se uniram ao projeto: Ronaldo Perri e Flávia Rocha. Eles trazem consigo uma importante bagagem como executivos de empresas de produtos de consumo de massa. Flávia trabalhou 15 anos na AMBEV, enquanto Ronaldo foi Diretor Geral da Lucky, empresa do grupo PEP-

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SICO, onde trabalhou durante 16 anos. A cada ano, no mês de abril, o circuito, formado agora por 41 botecos, é percorrido por um público estimado em cerca de 400 mil pessoas (Vox Populi / 2007), entre moradores e turistas. No ano de 2007, o instituto de pesquisas apurou o número de 136 mil votos válidos. A festa “A Saideira” - que marca o encerramento e a premiação do concurso - se tornou um dos eventos mais esperados pelos belo-horizontinos, reunindo um público estimado em mais de 40 mil pessoas, durante os dias em que é realizada. A partir de BH, o Comida di Buteco também se tornou um fenômeno de

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comunicação. Em 2008, a mídia espontânea do projeto superou o valor de 12 milhões, tendo o Comida di Buteco figurado nos principais veículos da mídia nacional e importantes publicações internacionais, como o NYTimes e La Nacion.

Arte no Banheiro Paralelamente ao festival gastronômico Comida di Buteco acontece o projeto Arte no Banheiro. A idéia do projeto é utilizar e questionar esse espaço tão desprezado, o banheiro (principalmente o público). Os suportes são diversos: instalações, fotografias, desenhos, pinturas e esculturas. Todas as obras são especialmente produzidas para a exposição, que dura durante todo o festival e depois algumas escolhidas vão para exposições programadas anteriormente. É a arte próxima do urinol novamente. Uma ida ao banheiro não será só uma ida ao banheiro. Você pode aproveitar e, no retorno à mesa, discutir fotografia, artes plásticas, etc

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Tipografia utilizada Fontin regular, italic e bold Miolo couchĂŠ fosco 72 pĂĄgs., 20x20

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BH- Capital Mundial dos Botecos  

Projeto de conclusão de curso. Livro criado com objetivo de mostrar a paixão belo-horizontina pelos botecos e suas tradições. Projeto Gráfic...

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