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Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal

A Traço Alternativo, Arquitectos Associados, Lda é uma empresa de Arquitectura sedeada no Porto, que presta serviços nas áreas da Arquitectura, Urbanismo, Design e Consultoria. Foi criada em 2004, como resultado natural de parcerias que inicialmente se foram estabelecendo entre colegas de faculdade, permaneceram pontualmente durante os primeiros anos em que as experiências de trabalho se ramificaram em caminhos diversos e finalmente se uniram numa fase mais sólida. É constituída por uma equipa de trabalho multidisciplinar e com experiência profissional alargada. As especializações através de pós-graduações e mestrados em áreas como a Intervenção no Património Arquitectónico, a Gestão Imobiliária e a Economia e Gestão das Cidades foram momentos importantes na consolidação da equipa.

We thank all the Architectural Offices/Architects that collaborated with us by providing information and photographs of their works. We also thank all the photographers (professionals and lovers of photography) who assigned us their photographs for this publication.

Traço Alternativo - Arquitectos Associados, Lda

Architectural Guide | North and Centre of Portugal

Agradecemos também a todos os fotógrafos (profissionais e apaixonados por fotografia) que nos cederam fotografias da sua autoria para esta publicação.

Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal

Agradecemos a todos os Gabinetes de Arquitectura/Arquitectos que colaboraram connosco fornecendo informações e fotografias das suas obras.

Traço Alternativo, Arquitectos Associados, Lda. is an architectural office based in Porto, offering services in the fields of Architecture, Urban Planning, Design and Consultancy. Founded in 2004, resulting naturally from collaborations that initially took place between college colleagues, and then remained on occasion during the first years where work experiences branched in different directions until they finally united in a more solid phase. It is composed of a multidisciplinary work team with a wide professional experience. The specializations through post-graduations and masters in fields such as Intervention in Architectural Heritage, and Real Estate Management and the Economy and Management of Cities were important moments in the team’s consolidation.

Rua do Freixo 1071, sala 4, 4300-219 Porto Tel:+351 225105331 | Fax:+351 225105331 www.talternativo.com


Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal


Ficha técnica Autoria, Documentação e Organização de Conteúdos Nuno Campos e Patrícia Matos

Textos Nuno Campos e Patrícia Matos

Tradução Incubadora id, Lda Fernando Torres e Ana Antunes

Design Gráfico Hugo Maia, Agitato

Consultoria de Gestão Value Added Partners, Consultoria Estratégica e Financeira António Vale

Produção Agitato - www.agitato.pt Traço Alternativo - Arquitectos Associados Lda

Edição Traço Alternativo - Arquitectos Associados Lda Rua do Freixo 1071 - Sala 4 4300 - 219 Porto

Impressão

Distribuição Vida Económica

Depósito Legal ISBN 978-972-788-347-9


Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal

1975 - 2010 Aveiro Braga Bragança Castelo Branco Coimbra Guarda Leiria Portalegre Porto Santarém Viana do Castelo Vila Real Viseu

Traço Alternativo - Arquitectos Associados, Lda


Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal

índice index

Apresentação Presentation

Álvaro Siza Vieira

Porquê um Guia de arquitectura?... Why an architectural guide?...

7 8

Sobre o processo de elaboração e selecção... On the process of the elaboration and selection...

10

Aveiro

12

Braga

26

Bragança

46

Castelo Branco

56

Coimbra

64

Guarda

76

Leiria

82

Portalegre

90

Porto

98

Santarém

158

Viana do Castelo

164

Vila Real

174

Viseu

184

índice | obras index | works

189

índice | obras e autores index | works and authors

193

contactos autores author contacts

199

créditos fotográficos photo credits

205

contactos fotógrafos photographer contacts

207

contactos câmaras municipais city council contacts

209

contactos marcas brand contacts

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6 GUIA DE ARQUITECTURA


Apresentação

Presentation

Álvaro Siza Vieira

Álvaro Siza Vieira

É de utilidade evidente a publicação de um Guia de Arquitectura Contemporânea em Portugal. O primeiro volume, agora editado, refere-se ao norte e centro do país, apresentando através de mapas, fotografias e textos uma significativa selecção de obras realizadas a partir de 1974.

The publication of a Guide to Contemporary Architecture in Portugal is of evident usefulness. The first volume, now published, refers to the north and centre of the country, illustrating through maps, photographs and texts, a significant selection of works built since 1974.

Posso pessoalmente prever o interesse que despertará a publicação deste Guia, considerando as frequentes visitas ao meu estúdio, com o objectivo de colher informação sobre como encontrar e visitar obras de que há conhecimento, da minha autoria como de outros arquitectos. Sobre algumas, igualmente procuradas, acontece não ter informação eu próprio ou quem possa atender os visitantes. A procura de Guias de Arquitectura, não só por parte de arquitectos, acompanha hoje o hábito e gosto generalizados de viajar. O turista que antes procurava quase exclusivamente os monumentos e o ambiente dos centros históricos revela agora interesses mais abrangentes, sempre que os ambientes e a Arquitectura fora do centro expõem qualidade comparável. Essa procura é sinal e estímulo para que não se cuide da cidade como se partida em duas: património e periferia. É pelo diálogo entre o património conservado e o que se faz de novo (o que será património amanhã, se exigirmos hoje o ambiente a que temos direito) que se consolida e constrói a qualidade de um e de outro.

Porto, 25 de Abril de 2010 Álvaro Siza

I can personally foresee the interest the publication of this Guide will arouse, considering the frequent visits to my studio, with the intent to obtain information on how to find known works, of mine and by other architects. It often happens that neither I nor whoever can attend the visitors has information regarding some, equally searched for, works. The demand for Architectural Guides, not only by architects, seems to now accompany the habit and generalized joy of travelling. The tourist that used to almost exclusively search for monuments and the environment of the historical centres now reveals broader interests, whenever the environments and the Architecture outside the centre presents comparable quality. That search is a sign and stimulus to not treat the city as if it is divided in two: heritage and outskirts. It is from the dialogue between the conserved heritage and what is newly built (that will be the heritage of tomorrow, if we now demand the environment we are entitled to) that consolidates and builds the quality of one and the other.

Porto, 25th of April of 2010 Álvaro Siza

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Porquê um guia de arquitectura?...

As razões que motivaram a elaboração deste guia foram essencialmente razões de ordem prática. Ver obras de arquitectura in loco sempre foi para nós uma necessidade, um prazer, e porque não dizê-lo: um vício. Porém, sempre que regressávamos das inúmeras viagens, que tinham por objectivo ver obras de arquitectura, verificávamos que tínhamos perdido metade do tempo à procura das mesmas!... Se a viagem tinha como destino uma cidade específica, ainda era possível com alguma sorte encontrar guias com pequenos mapas, mas se as viagens eram feitas tendo por base um dado país, as informações disponíveis nos guias cingiam-se às moradas e pouco mais. Essa lacuna revela-se catastrófica, pois é frustrante para quem tem pouco tempo, não conseguir ver tudo aquilo que deseja, e se vê obrigado a fazer imensos quilómetros sob stress à procura de determinadas obras. Recordo uma viagem realizada à Suíça, com o intuito de conhecer essencialmente as obras de Herzog & De Meuron e de Peter Zumthor, e de termos perdido uma manhã inteira à procura do estúdio de Rémy Zaugg, uma pequena obra de Herzog & De Meuron bastante divulgada, mas que ninguém nas imediações conhecia, pois era propriedade privada e encontrava-se murada. É verdade que um GPS teria sido útil, mas o seu uso não estava ainda vulgarizado em 2002. Foi por pura sorte que conseguimos encontrar a rua. Entusiasmados tocámos à campainha, tendo o próprio Rémy Zaugg vindo ao portão da propriedade. Explicámos que vínhamos de Portugal, e que tínhamos perdido toda a manhã à procura da obra, com o intuito de a visitar. Simpaticamente ele lamentou o facto, e de seguida informou-nos que não seria possível visitá-la. Decepcionados, compreendemos a situação e partimos.

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Eram três horas da tarde e o dia na Suíça, em Abril, não permite muitas mais horas de luz. Com a intenção de rentabilizar essas horas, decidimos ver uma obra localizada a poucos quilómetros dali, que descobrimos num guia de arquitectura suíça. Os autores da obra eram desconhecidos e as fotos pouco esclarecedoras, não dando para averiguar se efectivamente era merecedora de uma visita. Contudo, arriscámos. Perante o edifício, que nos parecia ser o que constava no guia, ficamos desiludidos, como acontece mais vezes do que o desejável. Perder tempo desta forma é inglório! Como devem calcular a frustração era grande: tinha sido um dia inútil. Todavia, foi nesse mesmo dia, já na presença de um bom café, que surgiu a ideia de concebermos um guia de arquitectura que respondesse de forma eficaz aos anseios de quem gosta de visitar obras de arquitectura: um guia com boas obras ou pelo menos obras merecedoras de uma curta visita, com fotos esclarecedoras (nada de fotos com intuitos artísticos, essas têm lugar noutro tipo de publicações), com informação sobre o tipo de visita possível, com mapas bem desenhados e com coordenadas GPS. Um guia fiável e prático, que para além de possibilitar a selecção das obras, contivesse alguma informação que permitisse contextualizar as mesmas no tempo e no espaço. Sim, esse seria um guia perfeito para Portugal, país que apresenta excelentes obras de arquitectura, que é visitado por milhares de arquitectos vindos de todo o mundo e que ainda não possuía nenhuma publicação do género.


Why an architectural guide?...

The reasons that motivated the elaboration of this guide were essentially practical ones. To us, visiting architectural works in loco has always been a need, a pleasure, and why not say it: an addiction. Although, whenever we returned from the countless trips, whose objective was to see architectural works, we discovered that we had spent half of our time looking for them!... If the trip had a specific city as its destiny, with a little luck, it was sometimes possible to find guides with small maps but, if the trip was done with an entire country in mind, the information provided in the guides would be very little more than listed addresses. That lack of information becomes catastrophic, as it is very frustrating for someone with little time, not to see all that is desired, and finds ones-self forced to travel many kilometers under stress to search for certain works. I recall a trip to Switzerland, with the intent to essentially get to know the works by Herzog & De Meuron and Peter Zumthor, and having spent an entire morning looking for the Rémy Zaugg studio, a small building by Herzog & De Meuron, that although widely published, no one in the proximities seemed to know of because it was an enclosed private property. It’s true that a GPS would have been helpful, but its use was not yet common in 2002.

were unknown and the photos quite unclear, making it impossible to determine whether it would be worth the visit. Nevertheless, we risked it. Standing before the building that seemed to be the one in the guide, we were disappointed, as it happens more often than desired. To waste time this way is inglorious! As you can imagine frustration was high: it had been a useless day. It was on that very day, however, amidst a good cup of coffee, that we came to the idea of developing an architectural guide that would efficiently respond to the yearnings of those who enjoy visiting architectural works: a guide with good works or at least worthy of a quick visit, with enlightening photographs (not photos of artistic intent, those find their place in other publications), with information regarding the type of possible visit available, with well drawn maps and GPS coordinates. A trustworthy and practical guide, that not only contained a selection of works, but compiled some information that helped contextualize them in time and space. Yes, that would be a perfect guide for Portugal. A country that possesses excellent architectural works, is visited by thousands of architects from all over the world and had no publication of this kind yet.

It was through sheer luck that we managed to find the street. Enthusiastic we rang the doorbell, and the Rémy Zaugg himself came to the gate of the property. We explained that we had come from Portugal, and had spent the whole morning looking for the studio, with the intent to visit it. Zaugg kindly lamented the fact and then informed us that it would not be possible to visit the studio. Although disappointed, we understood the situation and left. It was three in the afternoon and in April, in Switzerland, the day does not allow for many more hours of light. With the intent to make the most of those hours, we decided to visit a building we discovered in a Swiss architectural guide, located just a few kilometers away. The building’s authors

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Sobre o processo de elaboração e selecção...

Depois do momento revelador na Suíça em 2002, descrito no texto anterior, outras viagens se seguiram sucedendo-se os mesmos problemas. Continuávamos convictos da necessidade de uma publicação deste género, mas por motivos profissionais e pessoais o projecto continuava na gaveta. Só em 2006 decidimos avançar. Depois de um árduo período de pesquisa (1), reservámos algumas semanas para viajar por Portugal, visitando e fotografando centenas de obras. Fizemos milhares de quilómetros, ficamos a conhecer muito bem o país e a realidade da sua arquitectura. A selecção das obras, corresponde, por uma questão de organização do próprio guia, a um período balizado no tempo. Pareceu-nos fazer sentido proceder a uma espécie de check-up da produção arquitectónica do país pós-revolução 25 de Abril de 1974 (começo do período democrático em Portugal). Se no início do processo ficámos com dúvidas sobre a quantidade de material disponível, rapidamente percebemos que teríamos de desdobrar o guia em dois volumes. O critério que definiu a divisão foi meramente geográfico. O primeiro volume teria por base o Porto e iria abranger o Norte e Centro do país; o segundo volume teria por base Lisboa e abrangeria o Sul, Madeira e os Açores. A publicação deste segundo volume está prevista para o próximo ano. As obras seleccionadas obedeceram a critérios de qualidade (2), sendo essencialmente obras de equipamentos públicos por dois motivos: por um lado, pelo seu carácter de excepção e, por outro, por serem facilmente visitáveis pelo exterior e pelo interior. Foram também incluídas algumas obras privadas, cujo programa é sobretudo habitação, onde a possibilidade de serem visitadas exteriormente foi determinante (as obras que, apesar da sua qualidade, não se localizam junto de uma via pública ou que sejam muradas, não foram incluídas). Fazendo o balanço final deste projecto, concluímos

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que este foi fundamental, até decisivo, para a nossa formação como arquitectos. Conhecemos lugares, pessoas e obras inesperadas. Depois desta experiência sentimo-nos ampliados. É este o desafio que lançamos com o guia. Como dificilmente poderá visitar todas as obras no período de apenas algumas semanas, recomendamos que utilize critérios de selecção (essencialmente no caso de ser um visitante estrangeiro) e que tenha este guia no porta-bagagens do automóvel, pois pode revelar-se proveitoso tê-lo por perto naquelas pequenas viagens que por vezes temos de realizar dentro do país. Por último, se o seu interesse é ser um arquitecto ou um apreciador de arquitectura, com maior espírito crítico e com uma intuição mais rica e apurada, então o uso deste guia é obrigatório. Boas viagens! (1) Fizemos uma longa e exaustiva pesquisa que procurou incluir todas as publicações nacionais e estrangeiras que divulgam a arquitectura em Portugal. De seguida, embrenhámo-nos num meio ainda mais prolífero como a Internet, onde conseguimos descobrir algumas obras de arquitectos mais jovens e ainda pouco conhecidos. Por fim, fizemos trabalho de campo, ou seja, não nos limitámos a ir directamente às obras que já estavam seleccionadas mas “passeámos” pelos diferentes distritos e encontrámos algumas surpresas muito agradáveis (e outras nem tanto…). Apesar de todo o nosso esforço, é possível que algumas obras tenham escapado às nossas buscas, motivo pelo qual pedimos desculpa. Convém ainda referir que apenas foram seleccionadas obras concluídas e que algumas foram retiradas da publicação a pedido dos seus autores. (2) A selecção das obras obedeceu a critérios de qualidade arquitectónica inerentes aos autores deste guia. Essa qualidade é por vezes difícil de descrever e ainda mais de justificar, pois é analisada simultaneamente por dois prismas que podem mesmo ser antagónicos. De um lado, temos a necessária racionalidade teórica que é a base da formação de qualquer arquitecto e, do outro, temos o incontornável campo sensitivo. Se um aponta os elementos concretos e as opções projectuais e construtivas, o outro divaga por elementos de índole mais abstracta e pessoal. Tudo isso desperta no foro interior de cada um reacções insuspeitas muito difíceis de explicar. A selecção das obras reflecte esta problemática. Em última instância talvez aconteça o mesmo que em relação à música: comove ou não? Acreditamos que dependendo dos autores a selecção seria certamente algo diferente. Porém, esta é, com as consequências que dai advêm, a nossa selecção.


On the process of the elaboration and selection...

After the revealing moment in Switzerland back in 2002, described in the aforementioned text, other trips followed with the occurrence of the same problems. We remained convicted of the necessity of a publication of this kind, but because of professional and personal reasons the project remained in the drawer. Only in 2006 did we decide to go ahead. After an arduous research period (1), we reserved a few weeks to travel through Portugal, visiting and photographing hundreds of works. We drove thousands of kilometers, got to know the country and its architectural reality very well. The selection of works corresponds, for the guides’ organizational purpose, to a period bound in time. It seemed to make sense to perform a kind of check-up of the national architectural production, post-revolution of the 25th of April of 1974 (the beginning of democracy in Portugal). If in the beginning of the project we had doubts about the quantity of material available, we rapidly became aware that we would have to divide the guide into two volumes. The criteria that defined the division of the guide was merely geographical. The first volume would focus on Porto and include the north and centre of the country; the second volume would be centered on Lisbon and include the southern region, Madeira and Azores. The edition of the second volume is expected for next year. The selected works complied with quality criteria (2), most are public facilities for two reasons, on one hand, for their character of exception, on the other because can be easily visited both outside and inside the buildings. Some private works were also included, mainly residential, where the possibility of being visited from the outside was determinant (works that, regardless of their quality, are not close to a public access or are enclosed, were not included). As a final balance of this project, we conclude that it was fundamental, even decisive, to our development as architects. We got to know unexpected places, people and works. After this experience we felt enlarged. This is the challenge we launched with the guide. As it would be difficult to visit all the works in a period of only

a few weeks, we recommend that you use selective criteria (essentially in the case of foreign visitors) and to always carry this guide in the glove compartment of your car, as it may prove to be handy during those little trips that we often have to take within the country. Finally, if your interest is to be an architect or an appreciator of architecture, with a wider critical spirit and an enriched and refined intuition, then the use of this guide is compulsory. Happy traveling!

(1) We made an exhaustive research that intended to include all the national and international publications that promote architecture in Portugal.Then, we entered into a more prolific media such as the internet, where we managed to discover some works by younger and less known architects. Finally, we did field work, which means we did not limit ourselves to go directly to the buildings that were selected but “wondered� through different districts and found some pleasant surprises (others not so much...). Despite all our efforts, it is possible that some works may have escaped our search, for which we apologize. It should be mentioned that only finished works were selected and that some were removed from publication at the request of their authors. Those requests are based on problems (that all architects, unfortunately experience with greater or minor extent) of respect for the project during the construction of the work or later with their appropriation/inhabitancy. (2) The selection of works complied with architectural quality criteria inherent to the authors of this guide. That quality is often hard to describe and more so to justify, as it is simultaneously analyzed in two prisms that can be antagonistic. On one side, we have the necessary theoretical rationality that is the basis of every architects training, on the other, we have the inevitable sensitive field. If one accounts for concrete elements and the design and constructive options, the second wanders through more abstract and personal elements. All of this, triggers inside each person unsuspected reactions that are difficult to explain. It may even result in something similar to what happens with music: does it move you or not? We believe that depending on the authors, the selection would most likely be different. This is however, with all the consequences that it may entail, our selection.

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AVEIRO

Em Aveiro, temos a Universidade de Aveiro que, por ser relativamente recente, obedeceu a um plano de pormenor responsável pela organização urbanística do Campus Universitário. Foram convidados vários arquitectos conceituados para projectarem a arquitectura dos diversos edifícios previstos, entre eles Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Adalberto Dias, Alcino Soutinho, Vítor Figueiredo, Aires Mateus e Joaquim Morais Oliveira. Em Ílhavo, o atelier ARX é responsável por duas obras - a Biblioteca Municipal de Ílhavo e o Museu Marítimo de Ílhavo - e o arquitecto Ilídio Ramos é o autor do Centro Cultural. No Buçaco, o arquitecto José Paulo dos Santos elaborou o projecto para a Renovação do Palácio Hotel do Buçaco. Em Águeda, o arquitecto Álvaro Siza Vieira concebeu o Edifício Revigrés e em Oliveira de Azeméis desenhou uma Agência Bancária.

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In Aveiro, we have the University of Aveiro, because it is relatively recent it complied with a detailed plan responsible for the urban organization of the University Campus. Many renowned architects were invited to develop architectural projects for many of the foreseen buildings, amongst them are Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Adalberto Dias, Alcino Soutinho, Vítor Figueiredo, Aires Mateus and Joaquim Morais Oliveira. In Ílhavo, the ARX office is responsible for two works – The Municipal Library of Ílhavo and Maritime Museum of Ílhavo – and Ilídio Ramos is the author of the Cultural Centre. In Buçaco, architect José Paulo dos Santos developed the project for the renovation of the “Palácio Hotel of Buçaco”. In Águeda, architect Álvaro Siza Vieira conceived the Revigrés Building and in Oliveira de Azeméis designed a Bank Agency.

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AVEIRO Campus Universitário

Arquitectura | Architecture

Aveiro

Gabinete de Estudos da FAUP

Localização | Localization

Campus Universitário (Polo I) GPS. 40° 37.820’N | 8° 39.667’W

Visita | Visit

Interior | Exterior Inside | Outside

AV01

O plano de pormenor do Campus Universitário estabeleceu premissas ao nível da arquitectura, nomeadamente em relação aos materiais de revestimento das fachadas. Assim, a unidade do conjunto foi garantida pelo uso do tijolo cerâmico face à vista. A única excepção à regra foi o edifício do Departamento de Geociências da autoria de Eduardo Souto Moura. Merecem também destaque os edifícios da autoria de Adalberto Dias, Joaquim Morais Oliveira e Vítor Figueiredo. Adalberto Dias projectou ainda a Residência de Estudantes. Um dos edifícios mais emblemáticos, a Biblioteca da Universidade, ficou a cargo de Siza Vieira. Numa fase posterior, Carrilho da Graça desenha a Ponte Pedonal que liga os Pólos I e II, e os irmãos Aires Mateus a Cantina Universitária no Pólo II.

The detailed plan of the University Campus established architectural premises, namely regarding the finishings of the façades. Thus, the unity of the whole was guaranteed through the use of apparent solid brick. The only exception to the rule was the Geoscience Department building by Eduardo Souto Moura. The buildings by Adalberto Dias, Joaquim Morais Oliveira and Vitor Figueiredo should also be noted. Adalberto Dias also designed the Student Residence. One of the most emblematic buildings, the University Library, was trusted upon Siza Vieira. In a later phase, Carrilho da Graça designed the pedestrian bridge that connects Polos I and II, and the brothers Aires Mateus the University Canteen in Polo II.

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AVEIRO Arquitectura | Architecture

Biblioteca Universitária de Aveiro

Álvaro Siza Vieira

1988 - 1995 | Aveiro

Localização | Localization Campus Universitário (Polo I)

Visita | Visit

GPS. 40° 37.820’N | 8° 39.667’W

Interior | Exterior Inside | Outside

AV02

O edifício da biblioteca desempenha um papel de destaque na organização do Campus Universitário da Universidade de Aveiro. A fachada Oeste apresenta uma singular forma ondulada, que parece actuar como reflexo das salinas existentes na paisagem. O interior apresenta zonas com pés-direitos diferenciados, resultado dos vazios verticais que permitem que a luz, que penetra através de um sistema de lanternins cónicos existentes na cobertura, seja conduzida de forma indirecta a todos os espaços. O objectivo perseguido por Álvaro Siza Vieira, era o de permitir que todos os lugares de leitura fossem iluminados por luz natural.

The library building stands out in the organization of the University Campus of the University of Aveiro. The Western façade shows a singular wavy form that seems to act as a reflex of the existing salt pans in the landscape. The interior presents areas with differentiated ceiling heights, resulting from the vertical emptiness that allow the light, that penetrates through the system of conical skylights existing in the roof, to be indirectly lead to all the spaces. The objective set forth by Álvaro Siza Vieira, was to allow that all the reading places be illuminated by natural light.

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AVEIRO Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro 1989 - 1994 | Aveiro

Arquitectura | Architecture Eduardo Souto Moura

Localização | Localization Campus Universitário (Polo I)

Visita | Visit GPS. 40° 37.738’N | 8° 39.470’W

Interior | Exterior Inside | Outside

AV03

O plano do Campus Universitário de Aveiro definia o perímetro de implantação do edifício, a cércea e o tijolo aparente como material de revestimento nas fachadas exteriores. Eduardo Souto Moura, com a irreverência que lhe é característica, subverteu as regras do jogo e anulou o tijolo aparente, optando por fachadas em vidro protegidas por um brise-soleil conformado por placas de mármore na horizontal. A excepção à regra ajuda a realçar a regra e não a enfraquecê-la. Foi com base neste argumento que o arquitecto impôs o seu edifício. O resultado conduziu, sem dúvida, a um dos edifícios mais interessante do Campus.

The plan of the University Campus of Aveiro defined the buildings perimeter, the height and the use of solid apparent bricks in the external walls. Eduardo Souto Moura, with the irreverence that characterizes him, subverted the rules of the game and put aside the use of brick, opting for the use of glass façades protected by a brise-soleil made of horizontally placed marble slabs. The exception to this rule helps to enhance and not undermine it. It was on the basis of this argument that the architect imposed his building. It resulted, without a doubt, in one of the Campus’ most interesting buildings.

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AVEIRO Arquitectura | Architecture Adalberto Dias

Localização | Localization

Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Aveiro 1992 - 1994 | Aveiro

Campus Universitário (Polo I)

Visita | Visit

GPS. 40° 37.769’N | 8° 39.511’W

Arquitectura | Architecture

Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro

AV04

Interior | Exterior Inside | Outside

Joaquim Morais Oliveira

Localização | Localization

2000 - 2004 | Aveiro

Campus Universitário (Polo I)

Visita | Visit

GPS. 40° 37.755’N | 8° 39.493’W

AV05

Interior | Exterior Inside | Outside

DE ARQUITECTURA GUIAGUIA DE ARQUITECTURA 17


Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal

notas

CIN GUIA DE ARQUITECTURA


Guia de Arquitectura Norte e Centro de Portugal Architectural Guide | North and Centre of Portugal

notas

ROCA GUIA DE ARQUITECTURA


VISEU

Viseu foi um distrito que, numa primeira visita, constituiu uma enorme decepção pois apresentava poucas obras que pudessem constar nesta publicação. Este cenário encontrado noutros distritos do interior revela a forte assimetria presente em Portugal entre o interior e o litoral. Foi com enorme satisfação que vimos em 2008 a situação alterar-se. Nesse ano, com as inaugurações da Remodelação do Museu Grão Vasco, levada a cabo pelo arquitecto Eduardo Souto Moura, e da Pousada de Viseu, projecto do arquitecto Gonçalo Byrne, a cidade passou a contar com duas obras de grande interesse cuja visita recomendamos vivamente.

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Viseu was a district that, on a first visit, constituted an enormous disappointment as it presented very few works worthy of a mention in this publication. This same scenario found in other inland districts revealed the strong asymmetry that exists between Portugal’s inland and coastal regions. It was with great satisfaction that in 2008 we saw that situation change. In that year, with the openings of the renovation of the “Grão Vasco” Museum, taken on by Eduardo Souto Moura, and the “Pousada de Viseu”, designed by Gonçalo Byrne, the city went on to have two works of great interest whose visit we recommend vividly.

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VISEU Remodelação do Museu Grão Vasco 1993 - 2004 | Viseu

Arquitectura | Architecture Eduardo Souto Moura

Localização | Localization Paço dos Três Escalões

Visita | Visit GPS. 40° 39.608’N | 7° 54.683’W

Interior | Exterior Inside | Outside

VS01

O arquitecto encontrou o edifício num avançado estado de degradação. Apenas os elementos de cantaria, pelo seu desenho, elegância e proporções, remetiam para uma arquitectura qualificada a preservar. Estes registos construídos, de elevado valor, foram potenciados com a intervenção minimalista e depurada levada a cabo por Eduardo Souto Moura. Num primeiro olhar, a ausência de telhado e de caixilhos (apenas se tem percepção exterior dos vidros) induz no visitante a sensação do estado de “ruína” do edifício, parecendo que a reabilitação não foi ainda efectuada. A intervenção poderá ser entendida como um “restauro crítico”. É possível afirmar que a conservação – “restauro integral” – protege os monumentos como “resíduos” culturais, cujo valor documental está precisamente na sua antiguidade. O “restauro crítico”, por sua vez, permite que depois de interpretado o monumento este indique a forma de se completar.

The architect found the building in an advanced state of decay. Only a few masonry elements, for their design, elegance and proportion, pointed to qualified architecture worthy of preservation. These built records, of elevated value, were enhanced with the minimalist and clean intervention taken on by Eduardo Souto Moura. At a first glance, the absence of a roof and window frames (on the outside we can only perceive the glass) induces upon the visitor the sense of a state of “ruin” of the building, seeming like the rehabilitation of the building has not yet taken place. The intervention may be understood as “critical restoration”. It is possible to affirm that the conservation – “integral restoration” – protects the monuments as cultural “remains”, whose documental value lies precisely in its antiquity. In turn, “Critical restoration”, allows the monument to indicate how it should be completed after it has been interpreted.

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VISEU Arquitectura | Architecture

Pousada de Viseu

Gonçalo Byrne

2004 - 2009 | Viseu

Localização | Localization Rua do Hospital

Visita | Visit

GPS. 40° 39.281’N | 7° 54.764’W

Interior Condicionado | Exterior Inside Conditioned | Outside

VS02

A intervenção no antigo edifício, praticamente em ruínas, testemunho deixado pelo arquitecto em múltiplas fotografias expostas nas paredes deste novo equipamento hoteleiro das Pousadas de Portugal, é digna de uma visita demorada (de preferência acompanhada de estadia se as possibilidades económicas assim o permitirem). Ali encontramos a sobriedade do luxo, a espessura da história e uma ambiência delicada e calma. O arquitecto Gonçalo Byrne desenvolve o projecto em torno de uma ideia arrojada: a cobertura envidraçada do pátio existente. Este espaço assume-se como área de estar central (onde funciona um restaurante/bar) e eixo em torno do qual os espaços públicos da pousada se organizam.

The intervention in the old building, practically in ruins, a testimony left by the architect in various photographs exhibited on the walls of this new hotel facility that belongs to the “Pousadas de Portugal”, is worthy of an extended visit (if possible combined with a stay, if financial possibilities allow for it). There we find luxury’s sobriety, the thickness of history and a delicate and calm atmosphere. Architect Gonçalo Byrne develops a project around a bold idea: the glass roof of the existing courtyard. This space claims itself as a central living area (where the restaurant/ bar operates) and the axis around which the public spaces of the “Pousada” are organized.

GUIA DE ARQUITECTURA 187


CIN - Corporação Industrial do Norte S.A. E.N.13 (Km6), Apartado 1008, 4471-909 Maia, Portugal Tel:+351 218363681/229405000 Fax:+351 218363603/229485661 www.cin.pt

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Apartado 45, 3781-909 Anadia Tel:+351 231519500 | Fax:+351 231511024 info@sanitana.pt | www.sanitana.pt

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Viroc Portugal, S.A. Vale da Rosa, E.N. 10 (Km 44,7), 2914-519 Setúbal, Portugal Tel:+351 265739491/2/3 | Fax:+351 265739496 info@viroc.pt | www.viroc.pt

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Guia de Arquitectura - Norte e Centro de Portugal  

(219 obras / coordenadas GPS / mapas) Contém a maioria das obras dos dois vencedores do Prémio Pritzker de Arquitectura no Porto: Álvaro S...

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