Issuu on Google+

A Adesão ao FMI e as “Décadas Perdidas” Profº Daniel Campelo danielcampeloUPE@gmail.com


Crise Mundial e a Taxa de Juros Em fins de 1979, apareciam os primeiros sinais de uma nova recessão mundial, que se estende até 1982. O peso dessa crise recairia sobre os países mais débeis. De 1978 em diante, a taxa de juros não parou de crescer. Como consequência, o pagamento do juros pelo Brasil aumentou de US$ 2,7 bilhões no primeiro ano (1978) para US$ 10,5 bilhões do último (1982). O violento crescimento da dívida externa não se deveu somente ao financiamento interno, mas tão-somente à exigência desde crescente déficit nas contas.


Caminhos Opostos ao II PND O General Figueiredo (1979 – 1984) assumiu em um momento em que o Brasil estava em fraco processo de aceleração promovido pelos investimentos públicos implementados pelo General Geisel. Em 1980, devido à maxidesvalorização cambial, o governo adotou uma política ortodoxa de ajustamento voluntário. O resultado permaneceu sendo o excesso de demanda interna. Seu governo terminou optando por um caminhos oposto ao II PND: adotou o caminho do “ajuste estrutural”. Isto só aumentaria a subordinação externa da economia, levando a violenta recessão no final da década de 80 até 84. No final de 1982, o Brasil foi obrigado a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de empréstimos de modo a evitar uma crise ainda maior.


A Dívida Externa O Brasil passou a implementar o processo de ajustamento externo, através da busca de superávits, processo que se aprofundou em 1982, já sob tutela do FMI. Tal política tinha como objetivos: - Conter a demanda excessiva, redução do déficit público, dos gastos e dos investimentos, o aumento da taxa de juros interna e a redução do salário real. - Tornar a estrutura de preços favoráveis ao setor externo, incentivando à exportação e a competitividade da indústria brasileira.


A Dívida Externa Entre 1981 a 1983 o Brasil viveu profunda recessão e baixo crescimento. Em 1984, houve superávit e a recuperação do produto, o que mostra o sucesso do II PND, que ocasionou mudanças estruturais na economia. O ajustamento da balança comercial trouxe consigo um problema. As obrigações da dívida externa não eram direcionadas igualmente entre os setores. Sendo assim, 80% da dívida eram do setor público por conta do processo de estatização da dívida externa.


A DĂ­vida Externa Brasileira


A Crise Mundial Com o agravamento da Crise Mundial: -A Dívida Externa que ainda era “administrável” naquele primeiro momento, adquiriu trajetória explosiva. -Queda da Taxa de lucro interna; -Desaceleração dos Investimentos Privados; -Aceleração da inflação. Depois de vários anos estabilizada a taxa de inflação acelerou a partir de 1979. A taxa de inflação (IGP %), que era de 33,8% em 1974 e 30,1% em 1975, passa a ser de 110,2% em 1980 e 95,2% em 1981.


“Década Perdida” O violento corte nos investimentos públicos foi ainda mais fatal. Como foi observado em aulas anteriores (milagre econômico) a preservação de elevados investimentos públicos permitiu que nossa economia continuasse crescendo. O caminho recomendado por Delfim de tentar crescer dentro do modelo econômico vigente havia se esgotado, mas ele parecia resistir. Problemas estruturais políticos também aconteceram nesta década, como a tentativa de divisão da oposição, com a criação de novos partidos. Por volta de 1982 o Brasil (sem reservas cambiais) se encontrava totalmente refém do governo estadunidense e do FMI.


O superávit e um novo governo Embora tenha havido uma política recessiva adotada por Delfim, a economia voltou a crescer (contraditório) e gerou um superávit bem superior ao imposto pelo FMI: o compromisso era um saldo de US$ 9 bi, mas se obtiveram US$ 13 bi. O segredo foi a expansão da capacidade produtiva resultante dos programas setoriais, que começou a tomar corpo no final da década de 70. Em 1985, no novo governo (Tancredo Neves), no momento que ele assumiu (março) as exportações e a produção industrial nacional estavam desacelerando. Esse processo só não levou a uma nova recessão, devido a uma redinamizada que o novo governo deu no mercado interno, que foi a locomotiva do desenvolvimento da economia nacional.


Aula 6 - A Adesão ao FMI e as Décadas Perdidas