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TERESINA - PI, SETEMBRO DE 2008 • Nº 17 • Ano v


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Fazer saber para saber fazer

Tratamos nesta edição de uma temática que, a pretexto de valorizar o conceito de inovação, é ela mesma inovadora: a experiência das incubadoras de empresas no interior das universidades públicas. As esferas pública e privada, sob muitos aspectos, sempre estiveram em pólos opostos como os conceitos de pesquisa básica e pesquisa aplicada ou pesquisa acadêmica e mercado. A discussão acerca das diferenças entre teoria e prática é antiga e não deve ser superada plenamente de uma hora para outra. Claro, como nos ensinou certa percepção marxista, a teoria é produzida, a partir da observação das práticas sociais. Mas este é um aspecto a respeito do qual não há a clareza necessária capaz de popularizar a sua compreensão. Do mesmo modo, durante muito tempo, pareceu uma temeridade que o setor público pudesse investir conhecimento e, pior, financiamento a empresas do setor privado. E aí é que está a “novidade”. Um conjunto de leis vem amparar

e estimular não apenas a aproximação entre estes pólos, mas, principalmente, colocar a pesquisa e os pesquisadores das universidades públicas a serviço do desenvolvimento de idéias inovadoras e do empreendedorismo com vistas a tornar mais competitivas as empresas desde o seu nascimento. A ciência que, essencialmente, busca produzir conhecimento e, portanto, idéias inovadoras, põe-se a investir na produção de tecnologia. Além das incubadoras e das empresas juniores, outras práticas de mercado antes restritas à esfera privada, ganham espaço nas universidades públicas brasileiras. Evidentemente, este processo está ainda iniciando, podemos dizer assim, apesar de algumas experiências já apresentarem resultados de sucesso. Mas as resistências do setor acadêmico ainda existem como existe também a necessidade de que a pesquisa básica seja fortalecida e ampliada nos institutos que a praticam. Ainda levará algum tempo até que se verifique melhor

os resultados advindos destas novas práticas e se possa ampliar os seus horizontes de expectativas. A despeito de todo o entusiasmo com que vêm sendo acolhidas as leis de inovação que tratam desta nova realidade, não somos pessimistas com relação a tais novidades e nem mesmo estamos sendo tímidos; apenas consideramos que a academia, principalmente no que diz respeito às instituições públicas, deve ter o cuidado de perceber que o fortalecimento da pesquisa aplicada, voltada para o desenvolvimento do mercado e com toda a preocupação com geração de produtos competitivos, de inovação, etc. não significa enfraquecer a pesquisa básica de que se tem ocupado primordialmente todo este tempo, mas que um e outro foco devem servir para espelharem-se e, deste modo, essas instituições possam manter o espaço crítico e o crescimento da ciência.

Cultura empreendedora: Incubadoras de Empresas na UFPI

O Empreendedorismo tem como tema principal o resgate e promoção da dignidade humana através de si próprio, inserido no contexto do desenvolvimento local e sustentável, criando Miguel Cavalcante* capacidades de uma comunidade ser autora dos processos de mudanças essenciais ao seu crescimento e acesso à riqueza gerada. O conceito tem várias vertentes, mas todas incluem as iniciativas coletivas ou individuais e o aproveitamento de oportunidades. O empreendedorismo, originalmente, é uma área de estudo da Administração preocupado com o fenômeno de criação de empresas. Este campo de estudo, com apenas duas décadas e meia no Brasil, tem histórias remotas de sucesso no território americano do Vale do Silício, onde nasceu a empresa, mundialmente conhecida Hewlett Packard (HP). No Brasil, a iniciativa partiu do Estado de Pernambuco na década de 80 e nos dias de hoje, o empreendorismmo está se consolidando rapidamente como uma área do conhecimento com status científico, sendo repassada à cultura acadêmica em vários cursos da Universidade Federal do Piauí (UFPI), como informática, química, enfermagem, engenharia agronômica e administração de empresas. O empreendeorismo ainda é muito novo em seus aspectos práticos dentro da UFPI. Difícil de ser implantado devido à resistência da comunidade acadêmica, pois, sua concepção vai de encontro

a alguns paradigmas da educação tradicional, a ponto de ser trabalhado na forma de aculturamento. Não estar sendo posto como uma obrigação, mas como uma opção de educar, de criar e de desenvolver novas formas de agir, especialmente, dentro de uma instituição pública, onde se deve ter preocupação com a sua responsabilidade social. Desde o ano de 2004, atitudes acadêmicas com esta roupagem estão sendo desenvolvidas em segmentos da UFPI, que estão apontando para um passo além do ensino e pesquisa, ou seja, a formação de cidadãos responsáveis pela geração de emprego, renda e qualidade de vida. Um exemplo dessa prática são as Incubadoras de Empresas como ferramentas a viabilizar estas atitudes e comportamentos. A Incubadora de Empresas do Agronegócio Piauiense - INEAGRO é um projeto de extensão de caráter especial, homologado pela resolução 223/03 e 06/04 do CEPEX, com seu regimento interno atualizado aprovado pela resolução 023/07 do CONSUR da Universidade Federal do Piauí, que é sua instituição gestora em parceria científicocultural, financeira e econômica com SEBRAE/PI, EMBRAPA MEIONORTE e FADEX. Atualmente presta apoio a sete empresas, três já graduadas e quatro em período de incubação. Os produtos/serviços de suas empresas de maior alcance no mercado estão sendo máquinas para beneficiamento integral do coco babaçu, mudas de bacurizeiros e cajazeiras e serviços de planejamento agropecuário. A experiência vivida entre a universidade-empresa permite

Laerte Magalhães

estabelecer vínculos entre seus pesquisadores e o setor produtivo, na figura de contratos de transferência de tecnologia, desafio ainda a ser vencido, mas, já vivido por pesquisadores dos cursos de engenharia agronômica. Como exemplo, a produção de mudas frutíferas de pesquisas em melhoramento genético conduzida por doutores e mestres do quadro da UFPI e EMBRAPA MEIONORTE que é repassada às empresas incubadas. Nestes 45 meses de atividade, a INEAGRO proporcionou a geração de 15 empregos diretos, dois depósitos de patentes ainda no nome das empresas, e um registro de marca no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Até este ano, a INEAGRO recebeu 46 propostas de negócios, qualificou 31 desses empreendedores, construiu 20 planos de negócios, dos quais 10 foram transformados em empresas incubadas. Em conjunto com seus parceiros, a INEAGRO realizou 08 eventos, atendendo 210 empreendedores, sendo 187 acadêmicos e 23 docentes. Todo este ambiente de inovação e também de enlaces comerciais ganhou lastro jurídico após a instituição da Lei de Inovação Tecnológica na forma da Política de Proteção da Propriedade Intelectual, aprovada em junho último pelo Conselho Universitário da UFPI. * Prof. Dr. do CCA da UFPI Coordenador da Incubadora do Agronegócio – INEAGRO miguelcavalcante@ufpi.br ineagro.pi@ufpi.br

Nº 17 * Ano V* Setembro de 2008 ISSN - 1809-0915 Informativo produzido trimestralmente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí FAPEPI Fone: (86) 3216-6090 Fax: (86) 3216-6092

Diretor Editorial

Acácio Salvador Véras e Silva

Conselho Editorial

Acácio Salvador Véras e Silva Francisco Laerte J. Magalhães Welington Lage

Editora

Márcia Cristina

Reportagens e fotos

Márcia Cristina (Mtb-1060) Roberta Rocha (Mtb-1856)

Revisão Gramatical

Assunção de Maria S. e Silva Foto Capa Luciano klauss

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica Invista Publicidade (86) 3221-0215

Impressão

GRAFISET (99) 3212-2177

Tiragem

8 mil exemplares

Governador do Estado Wellington Dias

Presidente

Acácio Salvador Véras e Silva

Críticas, sugestões e contatos: sapiencia@fapepi.pi.gov.br marcia@fapepi.pi.gov.br • Fones: (86) 3216-6090 / 3216-6091 Fax: (86) 3216-6092 • www.fapepi.pi.gov. br


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Prospecção de Peptídeos Antimicrobianos com ação Anti-Leishmania a partir da Secreção cutânea de Anfíbios do Delta do Parnaíba O Brasil é o país com a maior biodiversidade de anfíbios do planeta, com mais de 600 espécies de anuros. Dessas espécies, 60% são endêmicas, o que enfatiza a necessidade de José Roberto de Souza sua preservação de Almeida Leite* e m e l h o r conhecimento de seu potencial biotecnológico (MITTERMEIER et al., 1992; LEITE et al., 2006). Os estudos de nosso grupo indicam que uma significativa percentagem dos anuros investigados são fontes de compostos bioativos com potencialidade para Leishmaniose e Doença de Chagas como, por exemplo, as espécies Phyllomedusa oreades e a Phyllomedusa hypochondrialis (BRAND et al., 2006; LEITE et al., 2007). A derme dos anfíbios possui um sistema de defesa inato que funciona como um sistema imunológico primitivo, baseado na produção e na secreção de moléculas bioativas por glândulas especializadas (glândulas granulosas) no tecido epitelial desses animais. A secreção cutânea de anuros contém uma ampla gama de classes de biomoléculas, como alcalóides, aminas biogênicas,

proteínas e peptídeos antimicrobianos (BRAND et al., 2002; LEITE et al., 2005). Os peptídeos antimicrobianos (AMPs) são agrupadas de acordo com sua estrutura química, afinidade de ligação com receptores e/ou espectro de atividade biológica. Considerando a variedade destes peptídeos e também de sua função fisiológica, a pele dos anuros vem sendo considerada uma fonte riquíssima de peptídeos que podem servir como modelos para a prospecção de novos fármacos (PRATES et al., 2004; BRAND et al., 2006). Brand (2002) isolou um peptídeo antimicrobiano denominado dermaseptina (DS 01) da secreção cutânea de um anfíbio endêmico do Cerrado (P. oreades). Este peptídeo apresentou uma atividade muito potente contra bactérias patogênicas de humanos, como o S. aureus. Nesse mesmo contexto, a atividade antiprotozoária de dermaseptinas foi testada em formas livres (tripomastigota) de T. cruzi (agente causador da Doença de Chagas no Brasil) e promastigotas

de L. amazonensis (Leishmaniose), demonstrando pela primeira vez a atividade biológica contra parasitas de patologias humanas. Em 2005, o IBAMA lançou uma campanha contra a biopirataria no Brasil, onde a P. oreades foi escolhida como animal símbolo da campanha devido aos trabalhos pioneiros, numa tentativa de utilização da biodiversidade animal na geração de riquezas. A Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba, representada pelos estados do Maranhão (70%) e Piauí (30%), possui aproximadamente 80 ilhas formadas pela foz do Rio Parnaíba. Uma região com transição de floresta amazônica e alta taxa de endemismo. O grupo de pesquisa em “Biodiversidade e Biotecnologia” (CNPq/UFPI) através do Projeto Biodiversidade do Delta (PROBID) levantou até o momento 29 espécies de anfíbios na região deltaica. O município de Ilha Grande (PI) apresentou a maior biodiversidade, inclusive com presença de espécie desconhecida pela ciência (Dendrophysophus sp.) e a Phyllomedusa

nordestina (Foto de Palê Zuppani) espécie com potencial elevado para a medicina humana, devido à semelhança com a P. hypochondrialis. Os primeiros resultados das pesquisas realizadas pelo grupo serão publicados, neste ano, nos periódicos “Nanomedicine” e “Biochemical Systematics and Ecology ”. Em um dos trabalhos, foi demonstrada a atividade in vitro contra L. chagasi, além da construção de sensores eletroquímicos para detecção de atividade leishmanicida, a partir destes peptídeos antimicrobianos em colaboração com o Instituto de Doenças Infecto Contagiosas Natan Portela (IDTNP) e o LAPETRO. Estes resultados são oriundos de projeto de pesquisa financiado pela FAPEPI (Programa Primeiros Projetos) e CNPq/Universal 2007, e demonstram a importância na conservação dos recursos naturais no Estado do Piauí, principalmente o Delta, que estão sendo ameaçados pela especulação imobiliária, ao invés da imensa biodiversidade ser utilizada como fonte sustentável para o desenvolvimento e melhoria na qualidade de vida.

Não faz muito, as lesões cariosas destacavam-se como as maiores responsáveis pela sintomatologia dolorosa dos pacientes e Raimundo Rosendo conseqüente busca Prado Júnior* da assistência odontológica. Hoje, a redução da incidência de cárie é indiscutível, porém nota-se crescimento contínuo na ocorrência de lesões cervicais nãocariosas. Tais lesões são caracterizadas pela perda de tecido dental duro na região próxima à junção cemento-esmalte que, ao promoverem a exposição de dentina, podem desenvolver sensibilidade dolorosa. As lesões cervicais apresentam grande variedade de forma e podem ocorrer nas superfícies vestibular, lingual e/ou proximal de adultos e idosos na coroa dental, próximo ao tecido gengival, embora possam se manifestar

em todos os grupos etários. Quanto mais idosa a população, maior a prevalência de indivíduos que apresentam essas lesões e maior o número de lesões profundas neles encontradas. Freitas et al. encontraram prevalência de 52% de lesões de abfração ao avaliar 25 pacientes portadores de hábitos de bruxismo. O conhecimento da etiologia dessas lesões é importante para prevenir o desenvolvimento de novas lesões, interromper a progressão de lesões já existentes e determinar o tratamento apropriado. Os fatores etiológicos mais comuns que podem levar ao desenvolvimento de lesões cervicais são os de natureza erosiva, abrasiva e os que provocam abfração. Normalmente, fatores de risco atuam com intensidade, duração e freqüência variáveis, de forma isolada ou em associação, o que caracteriza a condição como de natureza multifatorial. Quanto ao tratamento, a primeira medida terapêutica a ser adotada consiste na remoção dos fatores causais e,

posteriormente na análise individual de aspectos como a profundidade da lesão e a presença de sintomatologia dolorosa para determinar a necessidade ou não de procedimento restaurador. Conhecer o quanto cada agente etiológico contribui em uma determinada etapa no processo da lesão instalada é fundamental para tratar e prevenir futuras lesões. Falhas na detecção desses fatores podem resultar em perda continuada da estrutura dental, sensibilidade dental a estímulos térmicos ou mecânicos, redução da resistência do dente, necessidade de tratamento endodôntico, ou perda do dente e a ocorrência de novas lesões em outros dentes. Evidências clínicas sugerem que a restauração de lesões cervicais nãocariosas pode ser necessária para prevenir sua ampliação. As principais indicações para o tratamento dessas lesões são sensibilidade e deficiência estética. Outras situações que justificariam a restauração dessas lesões seriam: quando

o dente está sob risco de exposição pulpar, a possibilidade de comprometer o planejamento de prótese parcial removível ou fixa devido à localização da lesão, quando a integridade estrutural do dente está ameaçada, para deter ou retardar o desenvolvimento da lesão e para melhorar a saúde gengival por facilitar o controle de placa. Existem várias possibilidades para a restauração de lesões cervicais, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Entre os materiais restauradores mais indicados estão aqueles que se utilizam da técnica restauradora adesiva, como resinas compostas, cimento de ionômero de vidro e compômeros. Nos casos em que a restauração ainda não estiver indicada, a sensiblilidade pode ser reduzida ou controlada pelo uso tópicos de agentes desensibilizantes, apenas como paliativo.

* Prof. Dr. Adjunto da UFPI Campus Ministro Reis Vellosao – CMRV jrleite@ufpi.br

Lesões dentais de origem não cariosa

* Prof. Dr. do Departamento de Odontologia Restauradora da UFPI rosendo@ufpi.br


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Lei de Inovação estimula parcerias entre universidade e empresas

Foto: Márcia Cristina

A Lei de Inovação, nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, regulamentada pelo decreto 5.665/2005, assinada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, regulariza as parcerias entre as Instituições Científicas e Tecnológicas – ICT (Universidades, Institutos de Pesquisa) e empresas, no tocante à produção científica e a inovação tecnológica. A Universidade Federal do Piauí (UFPI) começa a adequar suas políticas em prol desta nova realidade. A instituição criou, em 2007, o Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (NINTEC), coordenado pela Profa. Dra. Maria Rita de M. C. Santos. O Núcleo funciona em rede, envolvendo outros estados da região Nordeste, entre eles a UFBA e UFPB e dispõe sobre os direitos de Propriedade Industrial (PI), resultantes de produção intelectual da UFPI. Para Maria Rita, a necessidade de se criar um mecanismo regulatório de incentivo à cultura de inovação tecnológica no Brasil era evidente e urgente, haja vista o número elevado de artigos científicos produzidos de grandes impactos, anualmente, dentro das ICT. “Entretanto, temos poucos produtos tecnológicos oriundos dessas pesquisas. Este fato se explica pelo pouco diálogo com o setor produtivo, mostrando assim um distanciamento entre quem produz o conhecimento e a tecnologia e quem comercializa os produtos que são gerados dessa tecnologia. O reflexo da aplicação da Lei de Inovação é o despertar do interesse da comunidade acadêmica que irá gerar mudança de hábitos no que diz respeito a cada pesquisador, onde agora não só a publicação de artigos científicos terá papel preponderante, mas também os depósitos de patentes. Com um portfólio de patentes é possível que a instituição

possa dialogar com o setor produtivo, transformando essa tecnologia em produtos comercializáveis”. Além da Lei de Inovação que regulamenta e incentiva este setor, tem-se também a Lei do Bem, que trata de subvenção em termos de incentivos fiscais para as empresas que investirem em P&D, propiciando uma ponte entre esses dois setores. “Cabe a nós, como responsável pelo NINTEC, criados nas ICTs, disseminar esta nova cultura para o pesquisador e para o pequeno e médio empresários” Declarou a coordenadora do Núcleo. A UFPI tem participado de projetos em âmbito nacional com o intuito de se engajar no processo de discussão e implantação da inovação na Instituição. “O NINTEC, no primeiro momento, tem focado na disseminação e divulgação no meio acadêmico da importância do patenteamento das tecnologias desenvolvidas na UFPI. Em um segundo momento, realizará o licenciamento das tecnologias produzidas e protegidas e os empresários do setor produtivo. Além disso, vale ressaltar a importância de outras instituições que realizam pesquisa em nosso Estado estejam engajadas no processo de difusão da cultura da Propriedade Intelectual (PI)”, informou Dra. Maria Rita. Através da Lei de Inovação ficou claro, inclusive em termos quantitativos, como um funcionário público de uma ICT, que utiliza todo espaço físico, incluindo insumos e diversos e equipamentos, deverá ser agraciado caso o resultado de sua pesquisa vire uma patente negociada ou mesmo um produto comercializável. A lei de Inovação assegura a partilha de 1/3 dos ganhos econômicos para cada parte envolvida: a instituição, o setor de desenvolvimento da pesquisa (laboratório) e os pesquisadores, respectivamente.

Prof.ª Dr.ª Maria Rita Santos, coordenadora do NINTEC

“Nossos pesquisadores têm competência científica comprovada por suas publicações em periódicos de renome, o que não existe é a cultura de patentear os resultados de sua pesquisa. Antes tínhamos o pensamento: ‘publique ou morra’, agora o pensamento deve ser: ‘patenteei, publique e sobreviva’. É importante destacar que o fato de patentear não implica em uma diminuição dos artigos publicados pelo pesquisador. Deve ser feito é um estudo preliminar para ver se a tecnologia é passível de proteção para que seja efetuado o depósito e posteriormente o pesquisador pode realizar suas publicações com a devida segurança”, explicou a coordenadora do NINTEC. O NINTEC tem uma missão enquanto gestor da Propriedade Intelectual da UFPI, em particular, no que concerne às incubadoras e incentivos a criação de novas empresas, a partir de seu maior potencial em formação que são os alunos. “Estamos levantando todos os dados e diagnosticando a realidade de cada

incubadora e seus gargalos, onde pretendemos prestar assessoria a todos os aspectos possíveis. Estamos num momento ideal para estas iniciativas e aqui fazemos uma chamada sobre o Programa PRIME, um programa da FINEP que se destina ao incentivo às pequenas empresas e depois em um segundo momento financiará outro montante a Juro Zero. O edital será lançado em novembro/2008. O NINTEC fará a divulgação e intermediará os interessados em participar desta chamada” informou Maria Rita. mrita@ufpi.br ou mrita_morais@hotmail.com Coordenação NINTEC-UFPI / nit.ufpi@ufpi.br Fone: (86) 3237 1638


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Foto: Márcia Cristina

Incubadoras na UFPI geram mudança de comportamento

*Miguel Cavalcante mostra coco babaçu

A incubadora é um ambiente ou uma política de inovação que proporciona aos empreendedores desenvolver suas idéias e seus negócios com sucesso, cabendo, neste ambiente, quatro estruturas fundamentais: infra-estrutura para o negócio, como a concessão de escritórios dentro da universidade; capacitação empresarial, através de parcerias, com o Sebrae e Embrapa, por exemplo; apoio técnico, disponibilizado por meio de laboratórios; e marcas, agregando ao produto ou serviço a parceria com as instituições envolvidas. O programa de incubadora da UFPI, regido pela Resolução N° 036/08, permite o compartilhamento de seus laboratórios, equipamentos, instrumentos, materiais e demais instalações com micro e pequenas empresas em atividades voltadas à inovação tecnológica, para a consecução

de atividades de incubação. O primeiro sinal da política de inovação na UFPI aconteceu com a Incubadora de Empresa de Agronegócio Piauiense (INEAGRO) do Centro de Ciência Agrárias (CCA). Com coordenação dos professores doutores Miguel Cavalcante e Max César, ela existe há quatro anos e abriga atualmente quatro empresas incubadas (Mercopec, Agroplan, Agromudas e a Rononi). Pela INEAGRO, a empresa ou a idéia passa pela análise na incubadora. Depois é implantada, desenvolvida e após três anos começa o processo de desencubação, para que a empresa possa seguir seus passos. Miguel Cavalcante disse que 60% das microempresas vão à falência por falta de algum dos quatro elementos citados acima (infra-estrutura, capacitação, apoio técnico e marcas). “Quando são empresas

incubadas, têm taxa de sobrevivência de 80%”, diz o coordenador. As empresas incubadas passam pelo crivo de um comitê técnico para avaliar os projetos propostos e o resultado da viabilidade é concedido em até três meses. Depois de selecionado como viável, o sócio deverá apresentar um plano de negócio a ser cumprido durante o período de incubação. “Recebemos em torno de 50 projetos, desses 20 foram selecionados, mas apenas sete aprovados e transformados em empresas. Destes, três já se graduaram e deixaram o projeto, entre elas a Babaçu Brás”, concluiu o professor Miguel Cavalcante. Prof. Dr. do CCA da UFPI INEAGRO miguelcavalcante@ufpi.br (86) 3215-5748

Inovação Tecnológica no Piauí: uma difícil realiade Brasil ocupa a 15ª posição mundial em produção de conhecimentos científicos, o que engloba o número de artigos publicados e o número de patentes registradas. O Governo Federal vem investindo nas áreas de engenharias, que são as que mais produzem patentes nos países desenvolvidos e a Lei de Inovação Tecnológica está aí para ampliar esta visão, levando o conhecimento do pesquisador para dentro das empresas. No Centro Federal de Educação Tecnológica do Piauí – CEFET/PI, apesar da tentativa de transformar idéias em negócios, a Incubadora de Empresas INEMP está, na prática, com as propostas aprovadas, mas os empreendimentos não estão atuando por falta de interesse dos próprios empreendedores. A INEMP é um programa que apóia o desenvolvimento de empreendimentos baseados em conhecimentos nas áreas de Tecnologias de Alimentos; Ambiental; Informação; Comunicação; Construção Civil; Gestão (Contabilidade, Administração); Turismo e ainda Indústria (Eletrônica, Mecânica, Eletrotécnica e Refrigeração). O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas

Empresas (SEBRAE) começou, em 2001, o Programa SEBRAE de Incubadoras de Empresas no Piauí. O objetivo deste programa é estimular o surgimento de novos negócios e consolidar os que já existem. O SEBRAE trabalha também mecanismos de incubação à distância com empresas que já atuam no mercado, estabelece parcerias regionais, nacionais e internacionais e oferece às empresas incubadas, de forma gratuita, treinamentos, consultorias, passagens aéreas para visitar centros, participação em eventos, estrutura física, dentre outros; atualmente, estão inseridas 16 empresas, conforme declarou Francisco Chaves, da Unidade de Conhecimento e Tecnologia (UCT). INEMP – (86) 3215-5217 inemp@cefetpi.br SEBRAE/UCT - (86) 3216-1392 franzechaves@pi.sebrae.com.br

Francisco José Chaves, coordenador da Unidade de Conhecimento e Tecnologia – UCT/SEBRAE

Foto: Roberta Rocha

A relação dos professores, maior do que apenas formar pessoas, pesquisadores, técnicos e bolsistas deve também criar condições para envolvidos com os donos das empresas gerar emprego e renda. A parte que incubadas é importante, pois as cabe ao dono da empresa é ser um bom trocas estimulam o desenvolvimento empreendedor, tem que ter a idéia e de negócios, que mais tarde serão trabalhar pelo sucesso dela, tem que ter essenciais para o desenvolvimento do a coragem de fazer acontecer. Nós damos Estado. O pesquisador empresta seus o suporte, mas o sucesso do negócio conhecimentos e experiência à idéia da está no empreendedorismo”, considera empresa. Esse conhecimento emprestado Miguel Cavalcante. tem que ser patenteado, a princípio. Com tudo isso, as dificuldades A empresa licencia, ainda são grandes. O Governo Federal vem comercializa e Os pesquisadores investindo nas áreas de repassa um percentual envolvidos não recebem engenharias, que são as que financeiro, de acordo recursos extras para esse mais produzem patentes nos com o montante do trabalho emprestado às países desenvolvidos e a Lei de Inovação Tecnológica que é vendido por empresas. Não existe está aí para ampliar esta ela à instituição. A orçamento próprio para universidade ganha por visão, que é tirar o professor o seu funcionamento e, pesquisador do mundo todos os lados, uma para piorar, falta material acadêmico para emprestar vez que contribui para humano para pensar seus conhecimentos também a responsabilidade e planejar as idéias e dentro das empresas. sócio-ambiental e demais serviços a serem econômica, ao garantir executados. Miguel para o consumidor produtos e serviços Cavalcante lamenta estar praticamente de qualidade, testados e aprovados sozinho na incubadora. “Se não fosse a por um corpo técnico competente força de vontade, pouco teríamos feito. e especializado; além disso, se a Os recursos que entram são por editais empresa incubada der certo, estará e para manter a parte estrutural e de ainda contribuindo para a geração de pessoal só mesmo com o estímulo que emprego e renda. vem de nós mesmos. Alguns professores “A nossa idéia é a de que não deveriam despertar mais para esse podemos apenas formar profissionais, programa. Muitos não encontram tempo temos algo mais a fazer, que é capacitar ou estímulo. Falta-nos maturidade pessoas para a sobrevivência no mercado. para pesquisar pensando no produto”, O governo não tem condição de empregar acredita. toda a população. A universidade tem Ainda não existe nenhum produto condição de ter um alcance social patenteado pelas incubadoras no Piauí. O


ENTREVISTA: Josealdo Tonholo TERESINA - PI, SETEMBRO DE 2008

As incubadoras de empresas objetivam O Diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimento Inovadores (ANPROTEC), Josealdo Tonholo é professor e Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Alagoas, atua na área de Gestão em Ciência, Tecnologia e Inovação, além disso, desempenha atividades empreendedoras no campo da degradação de petróleo e derivados, corrosão, polímeros condutores e materiais odontológicos. Empreendedor e Eletroquímico, possui mestrado (1991) e doutorado (1997) em Físico-Química pelo Instituto de Química de São Carlos (USP). Também é diretor do Instituto do Bambu, instituição que aposta na articulação empresarial, nacional e internacional, em torno do econegócio do bambu, e membro do Conselho Regional de Química da XVII Região – AL. Tem trabalhos publicados no Brasil e no exterior, que tratam de eletroquímica e as interações Universidade e Incubadoras de Empresa. Josealdo Tonholo é o entrevistado desta edição e fala sobre incubadras de empresas, inovação tecnológica e empreendedorismo.


ENTREVISTA: Josealdo Tonholo TERESINA TERESINA - PI, -SETEMBRO PI, SETEMBRO DE 2008 DE 2008

m o desenvolvimento sócio-econômico Sapiência – Qual o objetivo de uma incubadora e quais os requisitos para participar de uma incubadora? Tonholo – As incubadoras de empresas objetivam, em última instância, trazer desenvolvimento social que só pode ser alcançado com a geração de riquezas, empregos e impostos gerados. Para gerar riquezas e postos de trabalho, as incubadoras atuam no apoio à formação de negócios inovadores, buscando proporcionar infra-estrutura e condições de gestão para garantir o sucesso dos empreendimentos. Para participar de uma incubadora, como empresário, deve-se ter claramente em vista que o negócio deve ser inovador e estar disposto a percorrer o ciclo de aprendizado mínimo de gestão. Via de regra, as incubadoras atuam sobre qualquer público, analisando as idéias que estejam consolidadas em Planos de Negócios. Algumas incubadoras têm o programa de pré-incubação, onde ajuda o candidato a empresário a estruturar suas idéias e montar o seu Plano de Negócios. Não há restrições de gênero, raça, escolaridade ou outro tipo para ingresso nas incubadoras. Geralmente os melhores empreendimentos são spin-offs de laboratórios de pesquisas de universidades ou de empresas sólidas. Sapiência – As incubadoras surgiram na Europa e nos Estados Unidos nos anos cinqüenta, embora saibamos que elas chegaram ao Brasil por volta dos anos 80, desde quando se pode dizer que elas fazem parte da experiência brasileira como uma prática regular? Tonholo – No Brasil, as primeiras iniciativas datam de 1984, com apoio do CNPq. Mas o elemento fundamental para a alavancagem das incubadoras no país foi o SEBRAE, que investiu fortemente no setor no final dos anos 90 e meados deste novo século. Mais recentemente, com injeção de recursos oriundos dos fundos setoriais, o setor experimentou um “boom” de qualidade e quantidade. Atualmente o Brasil tem cerca de 400 incubadoras, espalhadas por todo território nacional, com empresas que faturam cerca de R$ 3 bilhões/ano. Sapiência – Não há risco de se privilegiar no futuro apenas o que pode ser transformado em produto de mercado, direcionando assim, os fins da Universidade para o mercado? E o que as universidades têm a ganhar com esta experiência? Tonholo – Este é um equívoco comum e já está virando uma falácia... Não podemos cair nela! Cabe à universidade zelar pelo conhecimento desde a gênese científica e prover eventualmente soluções para os problemas da socie-

dade. De forma alguma a instituição “Universidade” será relegada ao plano de desenvolvedora de soluções exclusivas para o mercado. A liberdade de pensamento está na raiz da academia e não pode ser alocada em outra instituição. Por outro lado, vemos claramente que nossas pesquisas ficam cada vez mais caras, face o grau de complexidade que se quer atingir, implicando em direcionamento de alguns setores de acordo com as fontes de financiamento. Mas o conhecimento básico é intrínseco à academia. Assim, o máximo que se pode esperar é que haja vários pesquisadores atuando fortemente no desenvolvimento tecnológico, mas amparados por um conhecimento científico bem sedimentado. Chamamos isto de “Quadrante de Pasteur”. Sapiência – Como pode ser avaliada a experiência com as empresas que surgiram de incubadoras? Tonholo – Via de regra, as empresas que se estruturaram no ambiente de inovação das incubadoras são mais saudáveis e tem índice de quebra muito inferior às que se fazem sozinhas, aos sabores do mercado. São empresas que têm sobrevida e faturamento maiores que as concorrentes, e daí trazem mais impacto na região onde estão assentadas. Sapiência – Qual a contribuição desta experiência para a pesquisa em inovação tecnológica nas universidades brasileiras? Tonholo – Recentemente tivemos a Conferência Regional de Educação Superior na Colômbia, organizada pela UNESCO/IESALC, onde pelo menos 20 experiências de sucesso de brasileiros foram apresentadas. O interessante é que são experiências nas mais diversas áreas do conhecimento, de química fina até engenharia de trânsito, e estão localizadas em todas as regiões do país. As Universidades Brasileiras parecem estar descobrindo agora a potencialidade de agregarem valores aos seus esforços acadêmicos, com geração de postos de trabalho altamente qualificados, a partir da transferência de sua tecnologia para empresas nascentes. Sapiência – Como estimular a participação do docente/pesquisador na criação de empresas incubadas? Tonholo – Esta é uma tarefa difícil, tendo em vista que o professor universitário, particularmente o da Universidade Pública, nunca foi treinado para exercer o papel de gestor de uma empresa. Um conflito interno ainda maior ocorre quando o professor já tem vários anos de casa: apenas após vários anos de estudo ele tem quantidade de

material pesquisado suficiente para ser transformado em produto ou serviço tecnológico mas, ao mesmo tempo, ele perdeu por completo a capacidade de se atualizar em gestão de negócios. Aí é que entra a capacidade do gerente da incubadora, de conseguir conciliar a posição do pesquisador como empresário, mas agregando novos valores que façam a gestão do negócio, como, por exemplo, jovens que atuem como gerentes da empresa, e eventualmente sócios do pesquisador. Alguns programas federais, como o PIBITI do CNPq e - em breve - o PRIME da FINEP estão sendo usados por algumas Universidades para estimular o contato do pesquisador sênior com os estudantes que tem mais habilidades com a gestão dos negócios, para que surjam empresas saudáveis. Sapiência – Como construir um ambiente de inovação no meio acadêmico (docentes / pesquisadores)? Tonholo – É fundamental ter decisão institucional para isso seguir adiante. O reitor(a) tem que comprar a causa! No Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas, realizado anualmente pela ANPROTEC e SEBRAE, temos uma reunião dos Dirigentes Universitários em prol do empreendedorismo inovador. No último ano, em Belo Horizonte, participaram 40 reitores adeptos do tema. Esse ano, em Aracaju, de 22 a 26 de setembro, esperamos ter mais de 50 reitores participando. De posse da decisão, todo o ferramental está disponível de forma aberta na internet. A ANPROTEC desenvolveu um kit para o Banco Mundial (www.idisc. net) que tem todos os detalhes e dicas para constituir incubadoras de empresas nas Universidades e outros loci de inovação. As instruções vão desde os acordos de parcerias necessários, pessoal qualificado, contratos com empresários, espaço físico/arquitetura/ urbanismo, gestão da incubadora, treinamentos, etc. Sapiência – Porque é escassa e difícil a qualificação de pessoal para a área de incubadoras de empresas? Tonholo – A bem da verdade, pessoal qualificado para atuar na área de inovação é escasso e raro, independente do equipamento. Como as equipes gestoras das incubadoras acabam tendo uma formação eclética e muitas relações institucionais, os convites para mudar de posição são freqüentes. Considerando a carreira instituída para gerente de incubadora, estes profissionais – verdadeiros coringas – ficam expostos aos convites do mercado, e são facilmente cooptados por vencimentos mais vanta-

josos que as bolsas de estudos, geralmente pagas aos nossos colaboradores. Sapiência – Que indicadores econômicos, financeiros ou sociais podem ser extraídos como reveladores do sucesso do processo de incubação de empresas? Tonholo – No Brasil, nossas 6 mil empresas incubadoras já apontam para um faturamento de R$ 3 bilhões por ano, com geração de cerca de 25 mil postos de trabalho diretos e quase 4 vezes mais que isto de forma indireta. Outra vantagem é que são postos de trabalho altamente qualificados, em ambientes férteis e produtivos. Sapiência – Quais as principais políticas de sustentação de um programa de incubadoras de empresas e que ferramentas e/ou instrumentos podem ser incrementados ou introduzidos para estimular e/ou criar um permanente ambiente de inovação? Tonholo – A auto-sustentabilidade das incubadoras é um tema corrente, ainda não alcançado por nenhuma incubadora no país. Nem por isto deve sair de pauta... Hoje, para manter incubadoras, conta-se com o apoio das instituições como Universidade, Governos Municipais, Estaduais e Federais, além de financiamento de entidades como SEBRAE, CNPq e FINEP. Outros atores locais também podem tomar a liderança como, por exemplo, as Associações Comerciais e Industriais e Sistema Indústria. Os recursos alocados nos Fundos Setoriais prometem fazer o diferencial das incubadoras e empresas de inovação nos próximos anos, seja com recursos de subvenção econômica, Programa Primeira Empresa, Programa Juro Zero, etc. Serão algumas centenas de milhões de reais, já no ano de 2008. Sapiência – Como o senhor vê as políticas nacionais para o incentivo a inovação no Brasil? O arcabouço legal evoluiu? Tonholo – O grande marco para o setor foi a Lei da Inovação, de 2004. Hoje conseguirmos conversar abertamente sobre o tema com Governos Federal e Estaduais. Mesmo alguns municípios já tem posição firmada com o tema. A regulamentação da Lei da Inovação nos Estados deve permitir mais avanços no setor, como exemplo do que ocorreu em São Paulo, que cria um Sistema Estadual de Parques Tecnológicos. Alguns dos maiores defensores do tema estão na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal – ativos participantes das discussões do meio, inclusive aportando emendas pessoais e de bancadas para incubadoras e parques.


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Foto: Roberta Rocha

Incubadoras de Empreendimentos Solidários como agentes do desenvolvimento

Prof. Fábio Nobrega

A Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Solidários (ITES) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), ligada ao Departamento de Planejamento e Política Agrícola, do Centro de Ciência Agrárias (CCA), é um projeto de formação universitária que incorpora a compreensão da extensão e possibilita mútua correlação entre o ensino e a pesquisa. A ITES foi criada em 2006, iniciando sua atuação em 2007, com o objetivo de construir um processo educativo e para induzir alterações na maneira de pensar e agir do corpo discente. Desta forma, a incubadora uniu o saber popular a um saber científico inter-relacionando às atividades de ensino pesquisa e extensão; orienta o corpo discente para o mercado de trabalho; divulga a comunidade estudantil a importância da extensão em âmbito universitário; acrescenta conhecimentos básicos de trabalho cooperativo e técnicas específicas de produção e gestão administrativa; de forma a proporcionar aos estudantes troca de conhecimentos com os integrantes dos empreendimentos incubados. De acordo com o coordenador da incubadora, o professor Fábio Nóbrega, a ITES tem atuado em empreendimentos agrários, diferentemente das incubadoras tradicionais, pois as empresas não funcionam dentro da universidade. “Nós incubamos na fonte, não queremos trazer o empreendimento para dentro da universidade, pois nosso trabalho é baseado prioritariamente em extensão, possibilitando a correlação com o ensino e a pesquisa e permitindo, assim, repassar ou trocar conhecimentos adquiridos na universidade com os conhecimentos que a sociedade possui”, acrescenta Nóbrega. A sede da ITES funciona no CCA da

UFPI, outro diferencial deste projeto é que não disponibiliza infra-estrutura (salas, telefone e computadores) para os incubados, mas apóia o empreendimento na sua organização social, na capacidade de organizar pessoas em torno do aspecto coletivo, onde todos têm o poder de auto-gestão e que tenham como finalidade gerar emprego e renda, pois cabe a incubadora prospectar o empreendimento de forma a articular recursos humanos da universidade e parceiros para financiar os projetos. A ITES atua no município de Picos, a 320 quilômetros da capital, com dois empreendimentos incubados que são a Central de Cooperativas dos Cajucultores do Estado do Piauí (COCAJUPI), atualmente formada por nove (09) cooperativas singulares e a Central de Cooperativas Apícolas do Semi-árido Brasileiro (CASA APIS), atualmente formada por sete (07) cooperativas singulares. Para se ter uma idéia, o complexo da CASA APIS congrega 10 casas de mel e uma unidade de beneficiamento com mais de cinco mil metros de área construída, utiliza tecnologia de ponta, sendo destaque por ser considerada o maior complexo de beneficiamento de mel da América Latina e que recebe diariamente visitas de europeus para conhecer as atividades da CASA APIS. A idéia da incubadora é acompanhar os empreendimentos pelo período de um a três anos. Dentre as atividades desempenhadas, a ITES realizou aplicação de pesquisa

socioeconômica da Cajucultura para a COCAJUPI servindo de modelo para os empreendimentos acompanhados pelas Incubadoras de Empreendimentos Solidários dos Estados da Bahia (Mandiocultura e Cajucultura), Ceará (Cajucultura) e do Rio Grande do Norte (Cajucultura); elabora projetos como o da construção de Unidade Industrial de Fabricação de Cajuína para as cooperativas integradas à COCAJUPI; fornece assessoria de imprensa para divulgação dos empreendimentos através do Projeto de Comunicação e Mobilização Social; acompanha e participa das reuniões do comitê gestor das Centrais de Cooperativas; elabora projeto para pesquisa socioeconômica dos atores envolvidos nas cadeias produtivas da Cajucultura, Extrativismo Vegetal (babaçu) e Ovinocaprinocultura na região dos Cocais (Aglomerado 3); elabora planos de assistência técnica permanente e de capacitação em cooperativismo, economia solidária, desenvolvimento sustentável e meio ambiente; dentre outras atividades. Fábio Nóbrega revela que mais de 10 alunos já passaram pela incubadora e todos estão envolvidos em projetos financiados pelos parceiros da incubadora. “Ao participar dos projetos da incubadora, a universidade tem um resultado positivo, pois aproxima os alunos de atividades na prática, proporcionando experiência e acaba funcionando como celeiro de grandes

idéias, pois os alunos entram em contato com os empreendimentos e utilizam a extensão como base da pesquisa, identificando processos de carências que são reais e efetivos, assim a universidade se encarrega de desenvolver atividades dentro da própria instituição” afirma o coordenador que considera a equipe da incubadora como agentes de desenvolvimento e acrescenta “nós enxergamos estes empreendimentos como um ninho de conhecimentos transversais, pois ao trabalhar na incubadora, observa-se as mais diversas necessidades possíveis e como a empresa demanda projetos para capitalizarem recursos, sem contar a necessidade de profissionais de áreas específicas”. Parceiros da ITES: Fundação Cultural de Fomento à Pesquisa Ensino e Extensão; Ministério do Desenvolvimento Social; Fundação Banco do Brasil; Fundação Inter-Universitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (Rede UNITRABALHO); Companhia Nacional de Abastecimento; SEBRAE; Universidade Solidária; a CODEVASF; Secretaria de Desenvolvimento Rural; a Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional; Banco do Brasil; Universidade Estadual do Piauí; Banco do Nordeste do Brasil, dentre outros.

Professor do CCA/UFPI Coordenador da Incubadora - ITES nobrega_ufpi@yahoo.com.br


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A inovação tecnológica adquiriu lugar destacado na agenda nacional do século XXI, diz Plonski universitário, o estudante será: a) exposto ao conhecimento consolidado em sua área de interesse (função: ensino; local sala de aula); b) participará da produção sistemática de novos conhecimentos, com método científico (função: pesquisa; local: laboratório); c) vivenciará o processo de

transformação do conhecimento, em especial do que foi fruto da pesquisa, em bens e serviços relevantes para a sociedade (função: extensão empreendedora; local: incubadora)”, explica Plonski, engenheiro químico, mestre e doutor em Engenharia de Produção pela USP, com Pós-Doutorado no Center for Science and Technology Policy (Troy, NY - EUA). Para Guilherme Plonski, que foi Diretor Superintendente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT (2001-2006), incubadora é o hábitat de inovação para novos empreendimentos. Seu objetivo é contribuir para o desenvolvimento sócio-econômico de uma região pela preparação de empresas inovadoras nascentes para operarem no mercado de forma sustentável. “Os requisitos básicos para um novo empreendimento ser incubado, entre outros, são: a) ser inovador e b) ter bom potencial de se tornar uma empresa sustentável”, garante. A ANPROTEC - Associação fundada em 1987, objetivando criar mecanismo de apoio às incubadoras de empresas, parques tecnológicos, pólos e outras entidades promotoras de

Foto: Arquivo pessoal

O presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), Guilherme Ary Plonski, é um conhecedor das políticas de inovação tecnológica do país. Professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e professor associado do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica, ambos pela Universidade de São Paulo (USP), onde é responsável pela disciplina de Pós-Graduação “Gestão de Tecnologia e da Engenharia”, Plonski considera que hoje os centros acadêmicos não podem mais atuar em um mundo longe das políticas de inovação. Para ele, as incubadoras são essenciais para que as universidades ofereçam um ambiente de aprendizagem que permita a vivência integral e integrada do triângulo do conhecimento. “Ao realizar o curso

Guilherme Ary Plonski, Presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC)

empreendimentos inovadores em todo o país, estima que em 20 anos foram investidos cerca de R$ 430 milhões nas incubadoras de empresas e ainda que as empresas geradas pelo movimento recolhem cerca de R$ 400 milhões/ ano de impostos e tributos. Plonski afirma que, no Brasil, as incubadoras surgiram em meados dos anos de 1980, embora tenham surgido na Europa e nos Estados Unidos nos anos de 1950. De 1984 a 1993, foram estabelecidas 13 incubadoras. De 1994 a 2008, o número passou a 400, o que equivale a uma taxa média de crescimento de 26% ao ano. Ele argumenta que a principal política para sustentação de um programa de incubadoras de empresas é inseri-las no planejamento da cidade, da região e do estado como vetores do desenvolvimento econômico e social direcionado pela inovação. Elas devem estar articuladas com outras iniciativas de políticas públicas, tais como sistemas locais e regionais de inovação e arranjos produtivos locais. A criação ou consolidação de um ambiente de inovação é sensível ao contexto específico. “As cerca de 1.500 empresas graduadas de nossas incubadoras geram um faturamento anual de mais de dois bilhões de reais; criaram 30 mil empregos novos diretos”. Plonski diz que a contribuição das incubadoras para a pesquisa em inovação tecnológica nas universidades brasileiras é gerar um maior número de dissertações e teses e ressaltou que os professores/pesquisadores precisam conhecer melhor a Lei de Inovação nº 10.973/04. “Os professores precisam combinar o imprescindível rigor da pesquisa acadêmica com a incessante busca de relevância econômica e social para os seus resultados”. Ele afirma também que já existem políticas razoáveis para estímulo à inovação no País, porém ainda com grau incipiente de articulação e dificuldades de implementação ágil. “O arcabouço legal evoluiu, mas com obstáculos elevados na adoção plena do espírito da legislação. O prognóstico é favorável, uma vez que a inovação passou de fator apenas desejável à condição necessária para uma sociedade ser sustentável em termos econômicos, ambientais, sociais e culturais”, considera.


TESES

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Isolamento, Purificação, Caracterização Parcial e atividade Biológica de uma Lectina de Sementes de Lonchocarpus sericeus (Leguminosae-papilionoideae-tribo tephrosieae)

VOZES DE RAPPERS: experiências juvenis em Teresina

A escrita da dor: testemunhos da ditadura militar

Lila Cristina Xavier Luz Professora no Departamento de Serviço Social da UFPI Defesa: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2007 lilacluz@gmail.com

Fabrício Flores Fernandes Bolsista PRODOC/CAPES – UFPI Defesa: Universidade Estadual de Campinas, 2008 fabricioflores@gmail.com

O estudo teve como objeto as práticas sociais dos rappers, inseridos em grupos de raps de Teresina. Dessa forma, localizados em tempo e espaço determinados, Teresina dos anos 2000, investigou as práticas desses jovens na cidade com relação aos grupos de amigos, aos espaços de lazer, ao enfrentamento da violência e aos diversos afazeres, percorrendo suas trajetórias para apreender essas relações. Para tanto, definiu os seguintes objetivos específicos: apreender as trajetórias dos rappers na cidade, os espaços ocupados, as tensões e os conflitos enfrentados, com vistas a recuperar as motivações que os conduziram ao movimento; resgatar e analisar as relações estabelecidas e os significados das práticas juvenis, tendo como referência a história de vida de oito jovens, sendo quatro do sexo masculino e quatro do sexo feminino. Algumas indagações nortearam a investigação: que significados esses jovens atribuem às suas experiências? Que desafios, investimentos e novidades emergem em suas vidas a partir da entrada no movimento hip-hop? Que novos espaços/relações de sociabilidades são construídos por eles? O recurso à história de vida permitiu a apreensão e compreensão das trajetórias dos rappers na cidade de Teresina, com especial relevância às experiências de risco e reclusão. Sobre estas duas experiências pôde-se observar especificidades marcadas pelas diferenciações de gênero: as jovens vivem risco no espaço privado e são punidas com a reclusão em casa; os jovens arriscam-se no espaço público e se punem com a reclusão em casa ou são punidos pelas diferentes instâncias sociais com a reclusão em espaços prisionais. Foi possível concluir, ainda, que os jovens viveram muito cedo algumas experiências que lhes possibilitaram não apenas um encurtamento da fase de infância, mas também, a substituição de práticas muito particulares a esta — como as lúdicas e a freqüência escolar — pelo trabalho, pela mendicância e por atividades ilícitas. Também, estas mesmas histórias permitem afirmar que o pertencimento a grupos de rap, o envolvimento e a participação em atividades político-culturais, como aquelas propiciadas a partir da inserção no movimento hip-hop, contribuíram para o estabelecimento de novas relações e, portanto, a ressignificação de suas práticas.

Esta pesquisa teve como objeto de estudo as obras testemunhais de Luiz Roberto Salinas Fortes, Retrato calado (1988), e de Flávio Tavares, Memórias do esquecimento (1999), em que os autores narram acontecimentos vividos durante os anos da ditadura militar no Brasil (1964-1985), entre os quais suas passagens por sessões de tortura. Exploraram-se, neste trabalho, os motivos por que os relatos apresentam determinadas características estruturais, tais como a cisão do narrador ante a descrição de eventos de extrema violência, a incorporação de um interlocutor a quem o narrador se dirige, a aparente impossibilidade de ordenação cronológica dos fatos e a repetição de termos e construções sintáticas em um mesmo período. A hipótese interpretativa com a qual se trabalhou é a de que semelhantes dispositivos, somados à evidência de que longo tempo transcorreu entre a vivência dos fatos e sua narração, indicam que esse narrador hesitante é vítima de experiências traumatizantes. Como forma de validação da hipótese, abordou-se uma série de trabalhos teóricos que versam sobre a relação entre o ato testemunhal e os traumas sofridos. Concomitantemente, no intuito de melhor compreender as condições de surgimento dos relatos, investigaram-se textos de perpetradores, cujas visões sobre o período são diametralmente opostas às dos autores estudados aqui. Por fim, analisou-se minuciosamente a estrutura discursiva dos testemunhos de Salinas e Tavares, identificando nos relatos elementos indicativos das dificuldades enfrentadas no ato de escrever a dor.

Kátia Bonfim Leite de Moura Sérvulo Profª. Adjunto I Campus Sen. Helvídio Nunes de Barros Defesa: Universidade Federal do Ceará, 2004 katia_leite@hotmail.com

Lectinas formam um grupo diverso de proteínas que têm em comum a habilidade de reconhecer especificamente carboidratos. A LsL é uma lectina de sementes de Lonchocarpus sericeus que foi isolada e purificada por cromatografia de afinidade em coluna de quitina, seguida de cromatografia de troca iônica em coluna de Mono Q acoplada a um sistema de HPLC. Quando analisada por PA G E S D S , a p r e s e n t a u m a m a s s a m o l e c u l a r aparente de 25 kDa, sendo essa confirmada por espectrometria de massa. A lectina LsL teve sua atividade hemaglutinante inibida por a-Metil-D-glicopiranosideo e N-acetilglicosamina. Quanto à composição de aminoácidos, a LsL é rica em resíduos de ácido aspártico/asparagina, ácido glutâmico/glutamina e leucina, e não apresenta resíduos de cisteína e tirosina. A lectina LsL foi capaz de inibir o crescimento da bactéria gram neg a t i v a ( X a n t h o m o n a s a x o n o p o d i s p v. P a s s i florae), uma bactéria patogênica de espécies vegetais do gênero Passiflora (Maracujá), possivelmente por se ligar à membrana bacteriana. A lectina LsL desencadeou no modelo de peritonite infecciosa induzida em ratos à redução da leucocitose, redução da migração de neutrófilos, redução na atividade da adenosina desaminase (ADA) na cavidade peritoneal e a diminuição do número de bactérias viáveis no fluído peritoneal. Neste efeito parece haver envolvimento do domínio lectínico, visto que a associação da lectina com seu açúcar específico (N-acetilglicosamina), reverteu parcialmente os seus efeitos sobre a migração de neutrófilos e atividade da ADA na cavidade peritoneal.

 PIAUHY das origens à nova Capital

Literatura de subversão: três estudos

Autor: Cid de Castro Dias R$ 54,00 404 páginas cidcastrodias@uol.com.br

Organizadores: Saulo Brandão, Wander Nunes Frota e Ana Maria Koch R$ 25,00 416 páginas saulo@ufpi.edu.br

Trata-se de um livro de suma importância para todos aqueles que querem entender a história do Estado do Piauí, bem como serve de instrumento para um aprofundamento histórico dos estudiosos da área. Fruto da necessidade de suprir a ausência de material condensado que abrangesse a formação histórica deste estado nordestino, traz uma leitura palatável a todos aqueles que se interessam pela História. Sem dúvida, uma grande obra que traz orgulho aos piauienses.

Este livro é uma coleção de três estudos sobre produções ficcionais que, apesar dos seus conteúdos de críticas sociais e políticas, foram publicados e vendidos durante o período de ditadura militar pós-1964. Os autores apontam para as elaborações estilísticas adotadas ou revelam a agudeza das críticas que, muitas vezes, passavam despercebidas pelos censores. O livro conta ainda com textos de apresentação escritos por Alamir Aquino Correa, Ana Maria Koch e Assis Brasil.

O que é Robótica Autor: Agenor Martins R$ 17,00 102 páginas agenor44@hotmail.com Os robôs entraram em funcionamento muito recentemente, por volta de 1962. Apesar disso, é incrível a popularidade dessas “criaturas” entre pessoas de culturas tão diferentes e de todas as idades. Neste livro, você descobre que robótica não é ficção científica, mas uma tecnologia de expressivas implicações sociais e que interage com outras disciplinas, como engenharia industrial, economia, eletrônica, sociologia do trabalho e computação inteligente

Envelhecimento e trabalho no tempo do capital: implicações para a proteção social no Brasil Autor: Solange Maria Teixeira R$ 39,00 326 páginas solangemteixeira@hotmail.com A temática do envelhecimento do trabalhador sob a ótica da questão social e das formas de proteção social engendradas pelo Estado e pela sociedade para responder às desigualdades e aos antagonismos sociais produzidos pelo capitalismo é a questão central abordada nesta obra. Fundamentada no referencial marxista, a autora busca uma abordagem crítica do modo hegemônico de interpretar a problemática social do envelhecimento, desmistificando expressões que mascaram o modo de envelhecer do trabalhador na sociedade capitalista brasileira.

Comunicação Novo objeto, novas teorias? Organizador: Gustavo Said R$ 25,00 196 páginas gsaid@ufpi.br Coletânea com oito artigos que recuperam grande parte das reflexões sobre a constituição do campo científico da comunicação, sobretudo na sua relação histórica com diversas outras disciplinas, e alerta para a necessidade de repensar essa mesma relação num momento de vertiginosa mudança paradigmática, seja no âmbito teórico, seja no que diz respeito às diversas práticas sociais, culturais e profissionais ensejadas pelas novas tecnologias de comunicação e informação.

Vou te contar Autor: Maria Dilma Ponte de Brito R$ 15,00 127 páginas mdilmabrito@yahoo.com Maria Dilma Ponte de Brito é uma escritora piauiense, mais precisamente da cidade de Parnaíba, integrante da Academia de Letras local, professora universitária e que já tem uma profusa produção literária no campo da crônica. “Vou te contar” traz-nos crônicas leves e interessantes que retratam o dia-a-dia, as preocupações corriqueiras, com um leve toque de humor. Trata-se de um livro recheado de histórias que não se vêem mais no dias de hoje, contos curtos e gostosos de se ler.


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Foto: Roberta Rocha

Piauí possui incubadora cultural

Pólo Cerâmico: a marca do empreendedorismo das famíliaas do bairro Poty Velho Na região do bairro Poty Velho, às margens do Rio Poty, na cidade de Teresina (PI), está instalado um Complexo Turístico, compreendido por um Pólo Cerâmico com mais de 25 barracões, responsável pela produção de grande parte do artesanato cerâmico de Teresina e um Parque Ambiental Encontro dos Rios, ponto turístico cultural e de lazer. O complexo corresponde a um empreendimento da Prefeitura Municipal de Teresina e da Associação dos Artesãos em Cerâmica do Poty Velho – Acerpoty, cuja contribuição está no crescimento corporativo dos seus filiados. Esse arranjo institucional favoreceu o crescimento qualitativo do setor, ampliando a comercialização. Os produtos já atendem tanto o mercado regional, como o nacional e internacional em menor escala. Foi nesse contexto sócio-econômico e cultural que surgiu uma incubadora de cunho

cultural, a INART – Incubadora do Artesanato Artístico de Teresina, ligada a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico - SEMDEC e coordenada por Teresinha de Jesus Ferreira. Esta Incubadora tem como missão apoiar o fortalecimento do artesanato do Piauí, proporcionando o despertar do empreendedorismo, da geração de emprego, renda e adequação de novas tecnologias, respeitando o meio-ambiente. A INART inicialmente teve a difícil missão de incorporar tecnologia e empreendorismo a um segmento tradicional, carente de espaço físico para a produção e comercialização do artesanato. O primeiro fato concreto que veio com a incubadora foi a desapropriação do terreno onde estão instalados os barracões, algo necessário para o começo do planejamento do sonhado Pólo Cerâmico do Poty Velho. Paralelamente, foram

desenvolvidas ações de curto e médio prazo, buscando uma mudança comportamental dos artesãos, proporcionando um reconhecimento do potencial a partir de cursos voltados para melhoria de técnicas de produção, consultoria em design, apoio a comercialização, gestão de finanças, além do financiamento de viagens e visitas para prospecção de mercado, como forma de ampliar o mercado e tornar conhecido o produto local. Com esse arcabouço de conhecimento, foi possível proporcionar uma melhoria no padrão do artesanato e na diversificação da produção. De acordo com Samantha Leal, técnica da Inart, para participar da incubadora o artesão passa por uma seleção, tendo como critérios: o interesse em fazer parte do projeto e a necessidade de cada artesão, em seguida, a incubadora proporciona infra-estrutura aos artesãos, além de fornecer estandes em feiras e a divulgação das peças dos incubados através da Prefeitura. Outro ponto importante revelado pela técnica é a parceria firmada com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE no que se refere à capacitação dos incubados. O artesão Edmar Pereira, incubado há 04 anos, trabalha há 15 anos com artesanato, para ele a incubadora é de grande importância, pois, a partir da Inart, os artesãos passaram a ter acesso a computadores, viagens para participação em feiras, cursos de capacitação e considera ainda que melhorou as vendas após receberem instruções de como manter o estoque, calcular o que se vende e perda de peças. “Antes de o Inart ser implantado havia poucos artesãos, hoje vem se multiplicando e mais de 200 famílias passaram a trabalhar na área e querem ter a mesma oportunidade que tivemos, pois fui beneficiado ao participar do Inart e se tiver a oportunidade de entrar novamente farei o possível. Até porque mesmo saindo da incubadora ainda recebo um suporte desde cartões de visita e divulgação dos nossos

produtos”, declara Edmar. Para a equipe de apoio do Inart ainda existe muito a planejar e a executar para que o empreendedorismo e a inovação se tornem a realidade do Pólo Ceramista do Poty Velho. Barreiras como o imediatismo, a falta de visão global de mercado, ainda estão arraigadas no imaginário dos artesãos, mas com ações concretas pode-se romper as dificuldades e tornar competitivo o artesanato local, gerando assim emprego e renda, melhorando o bem estar de todos. Um exemplo desta realidade é Maria da Luz, antes de virar artesã era costureira, a mudança de profissão surgiu a partir do ingresso do filho no artesanato, o que proporcionou uma melhor fonte de renda. Há cinco anos, a artesã disponibilizou a sua casa para a abertura de uma pequena loja com a intenção de vender algumas peças produzidas pela sua família e para a primeira sede do Inart. “Hoje tenho quatro pessoas trabalhando na minha fábrica e tenho meu próprio negócio, não passo mais necessidade e minha fonte de renda aumentou. Valeu a pena participar deste projeto, pois antes morava em uma casa de palha e hoje minha casa é de alvenaria”, revela Maria da Luz. Outro fato importante citado pela artesã é que, através da Incubadora, pôde conhecer outras realidades e tipos de artes visitando São Raimundo Nonato (PI) e Recife (PE), participou de feiras em shoppings locais, com estandes gratuitos, sendo possível vender cerca de R$ 16 mil reais de peças ligadas a incubadora em um dos eventos. “Além da procura dos produtos para decoração, minhas peças são destinadas mais para revenda, para se ter uma idéia há uma boa procura no Maranhão e no interior do Estado e assim, depois que sai da incubadora, vou caminhando com minhas próprias pernas”, revelou.

INART incubadora.inart@bol.com.br (86) 3215-7479

Foto: Márcia Cristina

Empresa de consultoria na área do agro-negócio começa a colher os frutos

Controle da qualidade em animal a ser exposto em feira agropecuária Há quatro anos formada e há três como empresa incubada pelo programa Ineagro do Centro de Ciências Agrárias – CCA da UFPI, a empresa AGROPLAN surgiu em 2004, a partir da idéia empreendedora do então estudante de medicina veterinária Sérgio Medeiros. Ele disse que não tinha o pensamento de, ao se formar, trabalhar para uma empresa, seja pública ou privada, executando projetos prontos. “Eu não queria trabalhar ou abrir uma clínica para trabalhar com gatos ou cachorros. Eu sempre me interessei por empreendedorismo, capacitação, inovação, uso de tecnologia. Eu tinha a idéia

de gerir, desde quando estava na graduação”, completou. No início, com o apoio e motivação de alguns professores, ele e o sócio Eduardo Pires criaram a empresa e, um ano depois, tornouse empresa incubada na UFPI, recebendo apoio técnico, estrutural e de capacitação da UFPI, Sebrae, Embrapa e Fadex. Há três anos, melhorando o potencial e a proposta de trabalhar, de uma forma ampla, com o agro-negócio, oferecendo educação rural, Sérgio Medeiros trocou de sócio e juntou-se a outro médico veterinário, Mário Assunção. “Para nós a força dessas instituições abriu os

caminhos”, considera. Os sócios receberam orientação em forma de cursos e de apoio intelectual. “Pude fazer vários cursos, a princípio. Entre eles, o Empretec, um treinamento de formação para melhorar as características de um empreendedor, que utiliza metodologia da ONU. No nosso caso, a idéia virou um negócio”. Um dos aspectos importantes para os proprietários de uma empresa incubada é o incentivo para a continuidade dos estudos, incluindo a pós-graduação. Isso porque eles estão sempre próximos de pesquisadores e professores. Tanto o é que Sérgio Medeiros fez Mestrado, na própria UFPI, na área de Ciência Animal. “Sem dúvida, no nosso caso, vimos que a qualificação é fundamental. Como empresa incubada, despertou a busca por titulação, como especialização e mestrado”. A AGROPLAN é uma empresa de capital intelectual, de planejamento e de confecção de projetos no setor do agro-negócio. Os dois sócios prestam serviços para instituições, pequenos proprietários e negócios, como feiras e eventos na área, principalmente com consultoria para controle de qualidade de caprinos e ovinos, além de realização de cursos e palestras sobre sanidade, controle de verminose, entre outros. Eles já prestaram consultoria para órgãos como a Codevasf, Embrapa, Sebrae, Fetag, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural - SDR e para programas federais, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar

- Pronaf, elaborando projetos de linhas de crédito para pequenos produtores rurais, via associações, cooperativas e para assentamentos rurais. No caso do Sebrae, que atua, entre outros setores, com pequenos produtores, a AGROPLAN já se tornou parceira. O Sebrae contrata a empresa incubada para oferecer consultoria, cursos e outros serviços, na busca da melhoria da qualidade do que é produzido pelos produtores, por exemplo, a galinha caipira para fins comerciais, de forma a garantir o desenvolvimento rural sustentável. Da UFPI, os sócios contam com orientação e apoio técnicointelectual e estrutural (abertura da empresa, logomarca, site da empresa). A universidade disponibiliza espaço para escritório ou sede das empresas incubadas por um período limitado: “Estamos em fase de transição no programa de incubadora. Já estamos prestes a deixar a universidade para nos instalarmos em nosso próprio escritório, que não precisa de muito, a não ser uma sala, um computador, internet e o nosso capital intelectual. A empresa, podemos dizer, já caminha com suas próprias pernas. Hoje, do nosso faturamento mensal, repassamos 1% de royalties para o programa”, orgulha-se Sérgio Medeiros. AGROPLAM Gestão em Agronegócios LTDA. agroplam@kacatudo.com.br (86) 9994-6808


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 TERESINA - PI, SETEMBRO DE 2008

Fotos: Márcia Criatina

Agromudas contribui para a preservação de espécies frutíferas selvagens

Adriana Lopes e o professor Edson Basílio em estufa cercada de mudas de cajá

A proposta da empresa Agromudas e Cactos Ltda surgiu da iniciativa do agrônomo Julio César Lopes, ainda estudante da UFPI e por algum tempo bolsista do PIBIC, orientado pelo professor mestre Edson Basílio, do Departamento de Fitotecnia da instituição. Incubada pela Ineagro desde o final de 2006, a proposta surgiu da vontade de restaurar a área de viveiros do departamento. Foi aí que o estudante começou a se destacar na área da fruticultura, enxertia e podas. Para tocar o projeto Júlio César inseriu sua irmã bióloga Adriana Lopes na sociedade. Além de trabalhar com o que gostavam, Júlio e Adriana aliaram a proposta com a possibilidade de gerar uma fonte de renda. Após graduado, a dupla começou os trabalhos. Registraram então a empresa Agromudas e Cactos Ltda que atua com espécies frutíferas nativas, especialmente bacuri e cajá. Este ano, eles começaram a trabalhar com mudas do pequi enxertada, mangaba e bacuri enxertado. A empresa também trabalha com espécies

não ameaçadas e que tem procura no mercado, como goiaba, manga, acerola, caju e laranja. “Nosso problema maior é a demora na formação da muda. O bacuri não produziu no ano passado porque não teve porta-enxerto, que é onde a gente vai formar a muda, ou seja, planta a semente, espera enraizar, brotar e quando tiver num porte ideal a gente faz a enxertia, que é formar a muda enxertada. Então, pra gente produzir o porta-enxerto leva muito tempo. Para ela atingir o tamanho ideal, leva-se um ano e meio”, explicou Adriana Lopes. Ela informou que, em 2008, só conseguiram enxertar cerca de 200 mudas. O bacuri é uma espécie difícil de reproduzir em viveiro, por isso é ameaçada de extinção, tanto que no Piauí a planta só é encontrada nos municípios de Barras e Palmeirais. Além da demora de enraizar, germinar e formar o porta-enxerto, Adriana explicou que ainda há o problema da enxertia. “Esse é um desafio dos pesquisadores. O índice de ‘pegamento’ da enxertia é pequeno. Dessas 200 mudas que conseguimos enxertar, a expectativa é que vinguem apenas 20%. A biologia da planta é muito selvagem”. As espécies enxertadas pela empresa foram selecionadas de uma fazenda em Palmeirais. A planta é nativa dos estados do Maranhão e do Pará e sabe-se que, devido ao desmatamento desenfreado, se esse trabalho de resgate da espécie não for levado a sério, a planta deixará de existir em pouco tempo. A madeira do bacuri é bastante procurada

pelo tráfico, por ser utilizada na indústria da construção. “A nossa preocupação, além da dificuldade em encontrar mudas, é contribuir para sua preservação na natureza. Em áreas do Maranhão, não existe mais vegetação nativa, conseqüentemente, não existem mais mudas de bacuri”. Os irmãos afirmaram que, como empresa incubada, eles conseguiram, através da pesquisa agregar valor aos negócios. “A nossa preferência em trabalhar com essas mudas, é pela dificuldade em encontrar esses tipos de poupa no mercado. A gente tenta trabalhar ainda produzindo mudas de qualidade. Essa permanência nossa aqui no campus, adquirindo conhecimento, nos dá essa obrigação de trabalhar com mudas de qualidade, frutos mais saborosos. Os compradores se preocupam com a qualidade da muda, são valores como tamanho da planta, boa produção e o período de produção do fruto. No caso do cajá, catalogamos todas as mudas de variedades diversas e com todas as análises feitas desse fruto, ou seja, teor de polpa, teor de açúcar e produtividade. Esse trabalho foi feito com base na tese de mestrado do professor Edson Basílio, que cedeu o resultado da sua pesquisa para a empresa”, ressaltou Júlio César Lopes. FUTURO - A empresa entrará em processo de desincubação em 2009, dependendo de resultados que obtiver. Trata-se de um negócio que depende do desenvolvimento de espécies difíceis de adaptação em reprodução de mudas, já que algumas levam até mais que um ano para serem enxertadas, além de ter o tempo de espera que depende da própria biologia da planta e da época ideal para plantar as sementes e fazer enxertia. “A nossa preocupação maior, em relação a resultado, é com essas peculiaridades ao se trabalhar com mudas. Então, ainda precisamos de mais tempo para estarmos aqui no meio dos professores e pesquisadores que conseguem transferir conhecimentos para

podermos melhorar. Não obtemos lucro rapidamente”, disse Adriana Lopes. “Com todas as mudas que trabalhamos aqui, a gente tem catalogado época de floração, época de produção, época de coleta de material para enxertar, época de plantar a semente. Esse foi o nosso trabalho inicial como empresa”, destacou Júlio César Lopes. No caso do bacuri, até se chegar a obter uma muda, leva no mínimo 18 meses. Entre julho e agosto, Adriana fez a enxertia, porque somente nesse período é que é possível fazer, pois tem que ser antes da floração da planta. Na natureza, o bacurizeiro começa a dar fruto entre 10 e 15 anos de vida. Na Agromudas, a pretensão é que comece a produzir com quatro anos. Para Edson Basílio, a contribuição das empresas para o programa e para a universidade é grande. “O Júlio César teve a idéia. Essas espécies geralmente não são produzidas em outros viveiros. Frutas como o cajá e bacuri não merecem atenção da maioria dos produtores. As dificuldades em produzir essas plantas nativas são porque não conhecemos a fundo o seu desenvolvimento. Eles estão na etapa de domesticação, ainda terão que ver como a planta se comportará. O que é interessante é trazer essas culturas para modelos agronômicos e econômicos”. Edson Basílio disse que a importância de uma empresa dentro da universidade contribui para o treinamento dos estudantes e até para ampliar o pensamento do empreendedorismo deles. “Essas empresas aqui dentro podem dar uma forte contribuição nesse sentido. A empresa pode ser a janela do futuro e do desenvolvimento do Estado e não seria bom vermos apenas os alunos à procura do emprego publico. No caso da Agromudas, acho que estamos contribuindo para a consolidação de espécies ameaçadas e para o equilíbrio ambiental”, considera. Agromudas e Cactos LTDA agromudas@ufpi.br (86) 3237-1763


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