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Pelotas, quarta-feira, 04 de julho de 2012

Ano 01 - R$15,00

NOVO COMPORTAMENTO, NOVO REBOLADO E NOVO TOPETE:

HELLO, WE ARE THE SIXTIES! PÁGINA 6

ENCARTE ESPECIAL

FICHA TÉCNICA

The Beatles: todos aqueles que vieram depois fracassaram na tentativa de imitá-los

Conheça melhor algumas bandas e cantores que dominaram este cenário musical dos anos 60. Graças ao baby-boom do pós-guerra, o mundo no início da década de 60 estava repleto de jovens. Só que, ao contrário daqueles das gerações anteriores, agora eles eram mais instruídos e tinham poder de consumo. E, naturalmente, sonhavam com um mundo diferente daquele que tinham herdado e que, de preferência, tivesse uma nova “trilha sonora” como acompanhamento. PÁGINA 14


FOTO: Aquivo/Reprodução

“- Este é Ringo, John, Paul e George, você consegue dizer Beatles?”

READERS ONLY Os anos 60 foram um período muito feliz no qual eu não vivi. Foi nessa década que nasceram as melhores bandas do mundo e por isso ela é tão importante. E quando procuro me informar sobre as bandas de hoje, me incomoda o fato de hoje em dia a imprensa é ser muito mais invasiva. Nos anos 1960, os jornalistas participavam das mesmas festas e ninguém tinha interesse em perder a bocada devassando a vida dos artistas. Por isso gosto do 60’S. Vocês não falam do namoro do Ringo com a prima do irmão da cunhada do Paul, vocês falam do que precisamos saber, se somos realmente fãs. Aquilo que pelo menos devia interessar: a história, os detalhes. E principalmente, gosto do 60’s porque vocês dão espaço pra quem tem paixão por pó e mofo, pois sabe que é lá no fundo do baú que se encontram os grandes nomes.

Gabriela Viana Carmo, Rio Branco, Acre. Na edição passada, fiquei sentindo falta de fotos do Ringo. Ai gente, ele é tão estranhozinho que chega a ser lindo. Porque não explorar esse lado mais bleatlemaníaco das meninas que lêem o 60’s? Fora isso achei bárbara a seção instrumental. Finalmente decidi que quero aprender a tocar baixo. Fiquei horas pesquisando mais coisas na internet, vendo vídeos e me apaixonando cada vez mais.

Ah! Será que vocês podiam colocar alguma coisa sobre preços? Eu preciso ir preparando meus pais pra quanto vou ter que gastar! 60’s: MUITO OBRIGADA pelos elogios, Fernanda. A gente fica muito satisfeito quando descobre que também temos fãs! Quanto à seção instrumental, vamos tentar para a outra edição, incluir alguns lugares onde você pode encontrar bons instrumentos. É muito complicado, como você mesma percebe, aliar preço e qualidade. Mas vamos fazer um esforço, ok? Tdo mundo aqui da redação manda beijo!

Matheus Fonseca, Rio de Janeiro, capital. Oi! Sou muito fã da 60’s, adoro a forma descontraída como vocês abordam assuntos que tinham tudo para ser super sérios e quadradões. Mas desde a primeira edição acho que vocês falam pouco de bandas que não ficaram tão populares na década, como Beach Boys, Velvet Underground e Creedence. Façam um daqueles gráficos bonitinhos e cheios de imagens sobre os “apagados da década”... Não! Criem um título vocês. Tenho cá minhas dúvidas a cerca da minha capacidade criativa, hahaha! 60’s: Que email bem humorado, Matheus! Demos risada aqui na redação. :) Seguinte, na próxima edição, vamos preparar um especial sobre essas bandas aí, que ficaram fora dos holofotes mas que tocavam o maior som. Certo? Abraço!

A matéria foi legal porque sabendo como funcionam os instrumentos ficou fácil achar o que melhor combinava comigo!

Ana Maria Dantas, Bagé, Rio Grande do Sul. Finalmente um jornal que valoriza a boa música e aprecia as bandas antigas! Sou fanática pelo Hendrix e não encontrava material de qualidade sobre ele... até a ultima edição da 60’s. Um amigo me passou o site e nossa, depois de ler a descrição vi que era exatamente o que eu procurava! Quase chorei lendo sobre a matéria completa sobre ele, falando da fase boa, da não tão boa, e da ruim, quando ele estava colhendo os frutos do uso de tantas drogas. Mas, tirando todo o exemplo ruim que ele foi, pude me concentrar no exemplo bom que ele também foi: O maior guitarrista de todos tempos! Aquelas fotos e curiosidades...matéria incrivel e completa! Nunca tinha lido um panorama mais completo de Jimi Hendrix antes. Para a próxima edição eu tenho uma sugestão: que tal repetir a dose com o Elvis Presley? Quero saber tudo por trás daquele topete, e acredito que mais leitores também querem!!!

E você? Também te algum pedido, comentário, reclamação (sim, também queremos essas!) para nos mandar? Não esquece de colocar nome, cidade e estado. O endereço eletrônico é: contato@sixties.com.br E pra nos seguir nas redes sociais, o endereço é: @sixties http://www.facebook.com/sixties

Foto: Arquivo/Reprodução

Fernando Concentino Hoffmeister, Piracicaba, São Paulo.


FOTO: Aquivo/Reprodução

O Brasil, nos anos 50, até o golpe de 64, vive um período de euforia política e econômica. É a época do governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), que empreende uma política econômica industrial e desenvolvida. Propondo à nação um Plano de Metas que permitiria ao país desenvolver cinqüenta anos de sua história em cinco, onde Juscelino abre as portas do Brasil ao capital estrangeiro, que instala indústrias com facilidades fiscais e mão-de-obra barata e abundante. A construção de Brasília, a geração de novos empregos na indústria e no comércio, a ampliação do consumo - tudo isso cria uma atmosfera de euforia no país.

Foto: Arquivo/Reprodução

E o resto do mundo?

O PASSADO DOS ANOS 60 Como entender os anos 60? A gente acha que é conhecendo o que veio antes, ou seja, os anos 50. Entao aí vai um panorama do que aconteceu nessa década, ou melhor, naquela, ah, você entendeu.

O Brasil estava um loqueteio só

Dois estilos de beleza feminina marcaram os anos 50, o das ingênuas chiques, encarnado por Grace Kelly e Audrey Hepburn, que se caracterizavam pela naturalidade e jovialidade e o estilo sensual e fatal, como o das atrizes Rita Hayworth e Ava Gardner, como também o das pin-ups americanas, loiras e com seios fartos. Entretanto, os dois grandes símbolos de beleza da década de 50 foram Marilyn Monroe e Brigitte Bardot, que eram uma mistura dos dois estilos, a devastadora combinação de ingenuidade e sensualidade. As pioneiras das atuais top models surgiram através das lentes dos fotógrafos de moda, entre eles, Richard Avedon, Irving Penn e Willian Klein, que fotografavam para as maisons e para as revistas de moda, como a Elle e a Vogue. A Guerra Fria, travada entre os Estados Unidos e a então União Soviética ficou marcada, durante os anos 50, pelo início da corrida espacial, uma verdadeira competição entre os dois países pela liderança na exploração do espaço. A ficção científica e todos os temas espaciais passaram a ser associados a modernidade e foram muito usados. Até os carros americanos ganharam um visual inspirado em foguetes. Eles eram grandes, baixos e compridos, além de luxuosos e confortáveis. Os Estados Unidos estavam vivendo um momento de prosperidade e confiança, já que haviam se transformado em fiadores econômicos e políticos do mundo ocidental após a vitória dos aliados na guerra. Isso fez surgir, durante esse período, uma juventude abastada e consumista, que vivia com o conforto que a modernidade lhes oferecia. Melhores condições de habitação, desenvolvimento das co-

municações, a busca pelo novo, pelo conforto e consumo são algumas das características dessa época. A televisão se popularizou e permitia que as pessoas assistissem aos acontecimentos que cercavam os ricos e famosos, que viviam de luxo, prazer e elegância, como o casamento da atriz Grace Kelly com o príncipe Rainier de Mônaco. A tradição e os valores conservadores estavam de volta. As pessoas casavam cedo e tinham filhos 9 meses depois. Nesse contexto, a mulher dos anos 50, além de bela e bem cuidada, devia ser boa dona-de-casa, esposa e mãe. Vários aparelhos eletrodomésticos foram criados para ajudá-la nessa tarefa difícil, como o aspirador de pó e a máquina de lavar roupas. Em contraposição ao estilo norte-americano de obsolescência planejada, ao criarem produtos pouco duráveis, na Europa ressurgiu, especialmente na Alemanha, o estilo modernista da Bauhaus, com o objetivo de fabricar bens duráveis, com um design voltado a funcionalidade e ao futuro, refletindo a vida moderna. Vários equipamentos, como rádios, televisores e máquinas, foram criados seguindo a fórmula de linhas simples, durabilidade e equilíbrio. Ao som do rock and roll, a nova música que surgia nos 50, a juventude norte-americana buscava sua própria moda. Assim, apareceu a moda colegial, que teve origem no sportswear. As moças agora usavam, além das saias rodadas, calças cigarrete até os tornozelos, sapatos baixos, suéter e jeans. O cinema lançou a moda do garoto rebelde, simbolizada por James Dean, no filme “Juventude Transviada” (1955), que usava blusão de couro e jeans. Marlon Brando também sugeria um visual displicente no filme “Um Bonde Chamado Desejo” (1951), transformando a camiseta branca em um símbolo da juventude. Já na Inglaterra, alguns londrinos voltaram a usar o estilo eduardiano, mas com um componente mais agressivo, com longos jaquetões de veludo, coloridos e vistosos, além de um topete enrolado. Eram os “teddy-boys”. Ao final dos anos 50, a confecção se apresentava como a grande oportunidade de democratização da moda, que começou a fazer parte da vida cotidiana. Nesse cenário, começava a ser formar um mercado com um grande potencial, o da moda jovem, que se tornaria o grande filão dos anos 60.


MUDANÇA NO CENÁRIO MUSICAL Nos anos 60 houve uma significativa mudança no universo da música. A forma e o conteúdo do rock estavam esgotadas e a juventude ansiava por uma forma inovadora para se expressar musicalmente. Graças ao baby-boom do pós-guerra, o mundo no início da década de 60 estava repleto de jovens. Só que, ao contrário daqueles das gerações anteriores, agora eles eram mais instruídos e tinham poder de consumo. E, naturalmente, sonhavam com um mundo diferente daquele que tinham herdado e que, de preferência, tivesse uma nova “trilha sonora” como acompanhamento. Afinal o rock’n’roll dos anos 50 já não parecia tão transgressor como quando Elvis Presley apareceu rebolando pela primeira vez. Em 1961, surgiu na Califórnia a primeira novidade musical da década nos Estados Unidos, a surf music, que estourou na costa oeste com os Beach Boys. Ainda nessa época, a Motown, uma gravadora americana promotora de artistas negros, como Diana Ross, Marvin Gaye, The Supremes, Jackson Five, entre outros, começou a fazer sucesso (até entre os brancos) com um estilo de soul próprio, mais suave e comercial, considerado o precursor da era disco dos anos 70.

Janis Joplin é o símbolo do movimento de contracultura na música, uns dos principais ícones do anos 60.

Da bossa nova ao tropicalismo A fase de versões de sucessos norte-americanos prosseguiu no começo dos anos 60, mas pelo menos com ídolos que se identificavam com a juventude, como os irmãos Celly e Tony Campello. O interesse da televisão pelo sucesso do rock ajudou a impulsionar ainda mais sua popularidade, que atingiu seu primeiro auge em 1965 com o lançamento do Jovem Guarda, programa dominical da TV Record. O programa projetou nacionalmente Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos, Renato e seus Blue Caps, Ronnie Cord e The Fevers, entre outros. A rebeldia e o imaginário urbano eram os elementos essenciais do rock no Brasil. Na Jovem Guarda, esses elementos também estavam presentes, mas carregados de ingenuidade, e os temas das canções giravam em torno da figura do “playboy”. No final da década de 60, a guinada que o rock anglo-americano deu com o psicodelismo alcança as terras brasileiras e influen-

Foi somente em 1963, do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Liverpool, na Inglaterra, que surgiu o verdadeiro fenômeno musical dos anos 60, os Beatles. Embora ainda muito influenciados pelo rock dos anos 50, com letras ingênuas e uma postura bem-comportada, não demorou para que eles e a novidade musical que traziam se tornassem uma verdadeira febre entre os jovens no Reino Unido. E, no ano seguinte, estourassem também nos Estados Unidos, o que abriu caminho para uma verdadeira invasão britânica em território americano e no restante do mundo ocidental. Nessa mesma época, Bob Dylan, já antecipando a guinada musical que ocorreria na segunda metade dos anos 60, começou a fazer sucesso nos Estados Unidos com canções com um tom diferente. Com seus folks, que falavam de temas sociais e políticos de forma poética, transformou-se em símbolo dos protestos que logo se intensificariam. Em meados da década, golpes de estado na América Latina acabaram com o sonho de liberdade do pós-guerra. Acontecimentos que contribuíram para que pipocassem em vários países, como no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Tchecoslováquia, manifestações estudantis contra a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, o racismo, os regimes autoritários nos países subdesenvolvidos, o capitalis-

Summer of Love Nos EUA, o verão de 1967 ficou conhecido como “Summer of Love”. Naquele momento nascia o movimento hippie, uma nova forma de contracultura, sob o lema “Paz e Amor”, que inspirou bandas como The Grateful Dead, Jefferson Airplane, Moby Grape, entre outras, a produzir um rock psicodélico. Caracterizado pela experimentação e inspirado pelo uso de drogas como a maconha e o LSD, o gênero influenciou também o rock britânico de grupos e artistas como Beatles, The Rolling Stones, Pink Floyd, The Who, The Animals e Cream, entre outros. Nessa época surgiu também o estilo ópera rock, com longas produções musicais que tinham como objetivo contar uma história. “Tommy”, do The Who, a mais famosa delas, narra a saga de um menino cego, surdo e mudo, que mesmo assim consegue se tornar um campeão de pinball e líder de uma nova “religião”. História que deu origem a inúmeros filmes, peças teatrais e concertos produzidos ao longo das décadas seguintes, como “The Wall”, do Pink Floyd, “The Celebration Of The Lizard King”, do The Doors, e ”Quadrophenia”, do The Who. Em 1969, enquanto a humanidade curtia o frisson de ver o primeiro homem pisar na Lua, aqui mesmo, no planeta Terra, mais de meio milhão de jovens fariam a maior viagem astral da década. Munidos de muito amor, drogas e liberdade, compareceram em massa para assistir ao festival de Woodstock, nos Estados Unidos. Evento que reuniu os principais grupos e artistas de rock, folk e blues, que tinham em comum a defesa das bandeiras erguidas pela transformação cultural que acontecia no planeta naquela fase. Capazes finalmente de se fazer ouvir, os jovens mostraram abertamente que não concordavam com a forma como o mundo estava estruturado. Muito do que era rebeldia, no final da década, foi incorporado e transformou-se em moda. O espaço da cultura jovem no mundo estava definitivamente conquistado.

cia o movimento tropicalista, que propunha uma ruptura com a tradição da música popular brasileira e tinha pretensões de internacionalizá-la. Uma das novidades da estética tropicalista era justamente a de incluir os instrumentos eletrificados e as sonoridades do rock e misturá-las com os ritmos tipicamente brasileiros. Pretendiam os tropicalistas realizarem na canção a proposta do Manifesto Antropofágico, feita pelo movimento modernista cerca de quatro décadas antes. Isto é, incorporar o que de mais moderno está acontecendo na arte no exterior e a partir daí produzir uma arte brasileira, original, moderna e internacional. No tropicalismo, quem melhor realizou isso em relação ao rock foram Os Mutantes, que misturaram ao rock psicodélico da época elementos do samba, da umbanda e da música caipira, entre outros. Pela qualidade e inventividade de suas canções, Os Mutantes tornaram-se um grupo de rock nacional com espaço na imprensa especializada internacional e uma referência de um rock brasileiro e alternativo.

Foto: Arquivo/Reprodução

Foto: Arquivo/Reprodução

A febre Beatles

mo, o imperialismo, entre outras. Bandeiras que passaram a influenciar fortemente a produção musical do período. No Reino Unido, o The Who se tornava a principal banda mod do momento, com uma performance nada comportada, o que incluía arrebentar os instrumentos no palco e canções curtas e agressivas.

Musicalmente, os anos 60 no Brasil começaram com a bossa nova, música eleita pela juventude para simbolizar uma nova era. A novidade musical apareceu em 1959 com uma proposta de modernização do samba e de internacionalização de nossa canção. De temática leve e sonoridade sofisticada, ela logo caiu no gosto dos jovens brasileiros e começou a fazer sucesso no exterior.

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A ÉPOCA QUE MUDOU O MUNDO por estela polidori

Década de excessos, de ânsia de liberdade. Sobretudo, a certeza de que era possível transformar o mundo. No Brasil, marca o final do governo Kubitschek, um país otimista e jovem (a maioria da população em torno dos 20 anos). A face do mundo, inconformada e revolucionária, investia na solidariedade e nas mudanças. Na promoção do Homem enquanto possibilidade.

Foto: Arquivo/Reprodução

Os anos 60, acima de tudo, viveram uma explosão de juventude em todos os aspectos. Era a vez dos jovens, que influenciados pelas idéias de liberdade “On the Road” [título do livro do beatnik Jack Keurouac, de 1957] da chamada geração beat, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. O movimento, que nos 50 vivia recluso em bares nos EUA, passou a caminhar pelas ruas nos anos 60 e influenciaria novas mudanças de comportamento jovem, como a contracultura e o pacifismo do final da década.

Uma nova moda Nesse cenário, a transformação da moda iria ser radical. Era o fim da moda única, que passou a ter várias propostas e a forma de se vestir se tornava cada vez mais ligada ao comportamento. Conscientes desse novo mercado consumidor e de sua voracidade, as empresas criaram produtos específicos para os jovens, que, pela primeira vez, tiveram sua própria moda, não mais derivada dos mais velhos. Aliás, a moda era não seguir a moda, o que representava claramente um sinal de liberdade, o grande desejo da juventude da época. Algumas personalidades de características diferentes, como as atrizes Jean Seberg, Natalie Wood, Audrey Hepburn, Anouk Aimée, modelos como Twiggy, Jean Shrimpton, Veruschka ou cantoras como Joan Baez, Marianne Faithfull e Françoise Hardy, acentuavam ainda mais os efeitos de uma nova atitude.

Na moda, a grande vedete dos anos 60 foi, sem dúvida, a minissaia. A inglesa Mary Quant divide com o francês André Courrèges sua criação. Entretanto, nas palavras da própria Mary Quant: “A idéia da minissaia não é minha, nem de Courrèges. Foi a rua que a inventou”. Não há dúvidas de que passou a existir, a partir de meados da década, uma grande influência da moda das ruas nos trabalhos dos estilistas. Mesmo as idéias inovadoras de Yves Saint Laurent com a criação de japonas e sahariennes [estilo safári], foram atualizações das tendências que já eram usadas nas ruas de Londres ou Paris. Em 1965, na França, André Courrèges operou uma verdadeira revolução na moda, com sua coleção de roupas de linhas retas, minissaias, botas brancas e sua visão de futuro, em suas “moon girls”, de roupas espaciais, metálicas e fluorescentes. Enquanto isso, Saint Laurent criou vestidos tubinho inspirados nos quadros neoplasticistas de Mondrian e o italiano Pucci virou mania com suas estampas psicodélicas. Paco Rabanne, em meio às suas experimentações, usou alumínio como matéria-prima. Os tecidos apresentavam muita variedade, tanto nas estampas quanto nas fibras, com a popularização das sintéticas no mercado, além de todas as naturais, sempre muito usadas.

Os anos 60, acima de tudo, viveram uma explosão de juventude em todos os aspectos. Era a vez dos jovens, que influenciados pelas idéias de liberdade, começavam a se opor à sociedade de consumo vigente. Foto: Arquivo/Reprodução

Os anos 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, filhos do chamado “baby boom”, que vivia no auge da prosperidade financeira, em um clima de euforia consumista gerada nos anos do pós-guerra nos EUA. A nova década que começava já prometia grandes mudanças no comportamento, iniciada com o sucesso do rock and roll e o rebolado frenético de Elvis Presley, seu maior símbolo. A imagem do jovem de blusão de couro, topete e jeans, em motos ou lambretas, mostrava uma rebeldia ingênua sintonizada com ídolos do cinema como James Dean e Marlon Brando. As moças bem comportadas já começavam a abandonar as saias rodadas de Dior e atacavam de calças cigarette, num prenúncio de liberdade.

Londres, cidade modelo Nessa época, Londres havia se tornado o centro das atenções, a viagem dos sonhos de qualquer jovem, a cidade da moda. Afinal, estavam lá, o grande fenômeno musical de todos os tempos, os Beatles, e as inglesinhas emancipadas, que circulavam pelas lojas excêntricas da Carnaby Street, que mais tarde foram para a famosa King’s Road e o bairro de Chelsea, sempre com muita música e atitude jovens. Nesse contexto, a modelo Jean Shrimpton era a personificação das chamadas “chelsea girls”. Sua aparência era adolescente, sempre de minissaia, com seus cabelos longos com franja e olhos maquiados. Catherine Deneuve também encarnava o estilo das “chelsea girls”, assim como sua irmã, a também atriz Françoise Dorléac. Por outro lado, Brigitte Bardot encarnava o estilo sexy, com cabelos compridos soltos rebeldes ou coque no alto da cabeça [muito imitado pelas mulheres]. Entretanto, os anos 60 sempre serão lembrados pelo estilo da modelo e atriz Twiggy, muito magra, com seus cabelos curtíssimos e cílios inferiores pintados com delineador. A maquiagem era essencial e feita especialmente para o público jovem. O foco estava nos olhos, sempre muito marcados. Os batons eram clarinhos ou mesmo brancos e os produtos preferidos deviam ser práticos e fáceis de usar. Nessa área, Mary Quant inovou ao criar novos modelos de embalagens, com caixas e estojos pretos, que vinham com lápis, pó, batom e pincel. Ela usou nomes divertidos para seus produtos, como o “Come Clean Cleanser”, sempre com o logotipo de margarida, sua marca registrada. As perucas também estavam na moda e nunca venderam tanto. Mais baratas e em diversas tonalidades e modelos.

O estilo da “swinging London” culminou com a Biba, uma butique independente, frequentada por personalidades da época. Seu ar romântico retrô, aliado ao estilo camponês, florido e ingênuo de Laura Ashley, estavam em sintonia com o início do fenômeno hippie do final dos anos 60. A moda masculina, por sua vez, foi muito influenciada, nos início da década, pelas roupas que os quatro garotos de Liverpool usavam, especialmente os paletós sem colarinho de Pierre Cardin e o cabelo de franjão. Também em Londres, surgiram os mods, de paletó cintado, gravatas largas e botinas. A silhueta era mais ajustada ao corpo e a gola rolê se tornou um clássico do guarda-roupa masculino. Muitos adotaram também a japona do pescador e até mesmo o terno de Mao. No Brasil, a Jovem Guarda fazia sucesso na televisão e ditava moda. Wanderléa de minissaia, Roberto Carlos, de roupas coloridas e como na música, usava botinha sem meia e cabelo na testa [como os Beatles].

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Os avanços na medicina, as viagens espaciais, o Concorde que viaja em velocidade superior à do som, são exemplos de uma era de grande desenvolvimento tecnológico que transmitia uma imagem de modernidade. Essa imagem influenciou não só a moda, mas também o design e a arte que passaria a ter um aspecto mais popular e fugaz. Nesse contexto, nenhum movimento artístico causou maior impacto do que a Arte Pop. Artistas como Andy Warhol, Roy Lichetenstein e Robert Indiana usaram irreverência e ironia em seus trabalhos. Warhol usava imagens repetidas de símbolos populares da cultura norte-americana em seus quadros, como as latas de sopa Campbell, Elvis Presley e Marilyn Monroe. A Op Art [abreviatura de optical art, corrente de arte abstrata que explora fenômenos ópticos] também fez parte dessa época e estava presente em estampas de tecidos. No ritmo de todas as mudanças dos anos 60, o cinema europeu ganhava força com a nouvelle vague do cinema francês [“Acossado”, de Jean-Luc Godard, se tornaria um clássico do movimento], ao lado do neo-realismo do cinema italiano, que influenciaram o surgimento, no início da década, do cinema novo [que teve Glauber Rocha como um dos seus iniciadores] no Brasil, ao contestar as caras produções da época e destacar a importância do autor, ao contrário dos estúdios de Hollywood. No final dos anos 60, de Londres, o reduto jovem mundial se transferiu para São Francisco (EUA), região portuária que recebia pessoas de todas as partes do mundo e também por isso, berço do movimento hippie, que pregava a paz e o amor, através do poder da flor [flower power], do negro [black power], do gay [gay power] e da liberação da mulher [women’s lib]. Manifestações e palavras de ordem mobilizaram jovens em diversas partes do mundo. A esse conjunto de manifestações que surgiram em diversos países deu-se o nome de contracultura. Uma busca por um outro tipo de vida, underground, à margem do sistema oficial. Faziam parte desse novo comportamento, cabelos longos, roupas coloridas, misticismo oriental, música e drogas. No Brasil, o grupo “Os Mutantes”, formado por Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Batista, seguiam o caminho da contracultura e afastavam-se da ostentação do vestuário da jovem guarda, em busca de uma viagem psicodélica. A moda passou a ser as roupas antes reservadas às classes operárias e camponesas, como os jeans americanos, o básico da moda de rua. Nas butiques chiques, a moda étnica estava presente nos casacos afegãos, fulares indianos, túnicas floridas e uma série de acessórios da nova moda, tudo kitsch, retrô e pop.

Liberdade a todo custo Toda a rebeldia dos anos 60 culminaram em 1968. O movimento estudantil explodiu e tomou conta das ruas em diversas partes do mundo e contestava a sociedade, seus sistemas de ensino e a cultura em diversos aspectos, como a sexualidade, os costumes, a moral e a estética. No Brasil, lutava-se contra a ditadura militar, contra a reforma educacional, o que iria mais tarde resultar no fechamento do Congresso e na decretação do Ato Institucional nº 5. Talvez o que mais tenha caracterizado a juventude dos anos 60 tenha sido o desejo de se rebelar, a busca por liberdade de expressão e liberdade sexual. Nesse sentido, para as mulheres, o surgimento da pílula anticoncepcional, no início da década, foi responsável por um comportamento sexual feminino mais liberal. Porém, elas também queriam igualdade de direitos, de salários, de decisão. Até o sutiã foi queimado em praça pública, num símbolo de libertação. Os 60 chegaram ao fim, coroados com a chegada do homem à Lua, em julho de 1969, e com um grande show de rock, o “Woodstock Music & Art Fair”, em agosto do mesmo ano, que reuniu cerca de 500 mil pessoas em três dias de amor, música, sexo e drogas.

Foto: Arquivo/Reprodução

A contracultura


por taline velasques | Fotos: Reprodução / Arquivo pessoal

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TECLA SAP Foto: Arquivo/Reprodução

ESPECIAL BEATLES

“Lá, lá, lá, lá, heeey jude. Jude? Woow....” Não sabe cantar as músicas dos garotos de Liverpool? Não tem problema. A 60’s te ajuda. A discografia dos Beatles se inicia toda em vinil já que na década de 60 não existia ainda o compact disc. Até 1975 era possível que as gravadoras responsáveis pelo lançamento das músicas da banda fizessem seus próprios álbuns com seleções de músicas diferentes daquelas lançadas na Inglaterra, por isso a discografia dos Beatles nesse período é muito confusa de ser definida. Utilizaremos neste caderno, a ordem de álbuns e músicas lançadas em seu país de origem. Enraizada do skiffle e do Rock and Roll da década de 1950, a banda veio mais tarde a assumir diversos gêneros que vão do folk rock ao rock psicodélico, muitas vezes incorporando elementos da música clássica e outros em formas inovadoras e criativas. Sua crescente po-

pularidade, que a imprensa britânica chamava de “Beatlemania”, fizeram com que eles crescessem em sofisticação. Os Beatles vieram a ser percebidos como a encarnação de ideais progressistas e sua influência se estendeu até as revoluções sociais e culturais da década de 1960. Com a formação inicial de Lennon, McCartney, Harrison, Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria), os Beatles construíram sua reputação nos pubs de Liverpool e Hamburgo durante um período de três anos a partir de 1960. Sutcliffe deixou o grupo em 61, e Best foi substituído por Starr no ano seguinte. Abastecida de equipamentos profissionais moldados por Brian Epstein, que depois se ofereceu para gerenciar a banda, e com seu potencial reforçado pela criatividade do produtor George Martin, os Beatles alcançaram um sucesso imediato no Reino Unido com seu primeiro single “Love Me Do”. Ganhando popularidade internacional a partir do ano seguinte, excursionaram extensivamente até 1966, quando retiraram-se para trabalhar em estúdio até sua dissolução definitiva em 1970. Cada músico então seguiu para uma carreira independente. McCartney e Starr continuam ativos; Lennon foi ba-

leado e morto em 1980, e Harrison morreu de câncer em 2001. Durante seus anos de estúdio, os Beatles produziram o que a crítica considera um dos seus melhores materiais, incluindo o albúm Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967).

Mixes únicos O álbum contou com uma série de mixagens em estéreo que tinham sido previamente indisponíveis nos Estados Unidos da América: • O primeiro lançamento nos EUA do mix estéreo britânica de “I Am the Walrus”. Versões anteriores da música tiveram a introdução editada com o mix mono, embora uma edição da versão britânica apareceu na Rarities dois anos antes; • A estréia oficial das canções “A Hard Day’s Night” e “Ticket to Ride” em estéreo verdadeiro; • A edição de som originais de “I Should Have Known Better”, com o erro de gaita na introdução fixado. Esta versão foi publicada apenas no Capitólio e nunca apareceu em nenhum outro registro.

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Blackbird

Can’t buy me love

Blackbird singing in the dead of night, Take these broken wings and learn to fly. All your life, You were only waiting for the moment to arise.

Can’t buy me love, love Can’t buy me love

Blackbird singing in the dead of night, Take these sunken eyes and learn to see. All your life, You were only waiting for the moment to be free. Black bird fly, black bird fly Into the light of the dark black night. Black bird fly, black bird fly Into the light of the dark black night. Blackbird singing in the dead of night Take these broken wings and learn to fly. All your life You were only waiting for this moment to arise You were only waiting for this moment to arise You were only waiting for this moment to arise You were only waiting for this moment to arise You were only waiting for this moment to arise

I’ll buy you a diamond ring my friend If it makes you feel all right I’ll get you anything my friend If it makes you feel all right ‘Cause I don’t care too much for money Money can’t buy me love I’ll give you all I’ve got to give If you say you love me too I may not have a lot to give but what I’ve got I’ll give to you I don’t care too much for money Money can’t buy me love Can’t buy me love Everybody tells me so Can’t buy me love No, no, no, no Say you don’t need no diamond rings And I’ll be satisfied

Tell me that you want those kind of things that money just can’t buy I don’t care too much for money Money can’t buy me love Can’t buy me love Everybody tells me so Can’t buy me love No, no, no, no Say you don’t need no diamond rings And I’ll be satisfied Tell me that you want those kind of things that money just can’t buy I don’t care too much for money Money can’t buy me love Ooh, can’t buy me love, love Can’t buy me love, no Say you don’t need no diamond rings And I’ll be satisfied Tell me that you want those kind of things that money just can’t buy I don’t care too much for money Money can’t buy me love Ooh, can’t buy me love, love

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

All my loving Close your eyes and I’ll kiss you Tomorrow I’ll miss you Remember I’ll always be true And then while I’m away I’ll write home everyday And I’ll send all my loving to you I’ll pretend that I’m kissing The lips I am missing And hope that my dreams will come true And then while I’m away I’ll write home everyday And I’ll send all my loving to you All my loving I will send to you All my loving, darling, I’ll be true Close your eyes and I’ll kiss you Tomorrow I’ll miss you

Remember I’ll always be true And then while I’m away I’ll write home everyday And I’ll send all my loving to you All my loving I will send to you All my loving, darling, I’ll be true All my loving, All my loving All my loving I will send to you

A Hard day’s night It’s been a hard day’s night And I’ve been workin’ like a dog It’s been a hard day’s night I should be sleepin’ like a log But when I get home to you I find the things that you do You make me feel alright You know I work all day

To get your money to buy your things And it’s worth it just to hear you say You’re gonna give me everything So why on earth should I moan? ‘Cause when I get you alone You know I feel okay When I’m home Everything seems to be right When I’m home Feeling you holding me tight Tight, yeah It’s been a hard day’s night And I’ve been workin’ like a dog It’s been a hard day’s night I should be sleepin’ like a log But when I get home to you I find the things that you do You make me feel alright


Let’s dance

Let it be

Hey baby won’t you take a chance? Say that you’ll let me have this dance

When I find myself in times of trouble Mother Mary comes to me Speaking words of wisdom: Let it be

Well let’s dance, well let’s dance We’ll do the twist, the stomp, the mashed potato too, Any old dance that you wanna do But let’s dance, well let’s dance Hey baby, yeah, you thrill me so Hold me tight, don’t you let me go But let’s dance, well let’s dance We’ll do the twist, the stomp, the mashed potato too Any old dance that you wanna do But let’s dance, well let’s dance

And in my hour of darkness She is standing right in front of me Speaking words of wisdom: Let it be Let it be, let it be Let it be, let it be Whisper words of wisdom: Let it be And when the broken hearted people Living in the world agree There will be an answer: Let it be

SPOKEN: OK, wail now. Oh, yeah Hey, baby, if you’re all alone Maybe you’ll let me walk you home But let’s dance, well let’s dance We’ll do the twist, the stomp, the mashed potato too, Any old dance that you wanna do But let’s dance, well let’s dance Hey, baby, things are swingin’ right Yes, I know that this is the night Well let’s dance, well let’s dance We’ll do the twist, the stomp, the mashed potato too Any old dance that you wanna do But let’s dance, well let’s dance

For though they may be parted there is Still a chance that they will see There will be an answer: Let it be Let it be, let it be Let it be, let it be There will be an answer: Let it be Let it be, let it be Let it be, let it be Whisper words of wisdom: Let it be And when the night is cloudy There is still a light that shines on me Shine on until tomorrow Let it be

But let’s dance But let’s dance But let’s dance Hey, baby, if you’re all alone Maybe you’ll let me walk you home Well let’s dance, well let’s dance We’ll do the twist, the stomp, the mashed potato too Any old dance that you wanna do But let’s dance, well let’s dance But let’s dance But let’s dance But let’s dance

I wake up to the sound of music Mother Mary comes to me Speaking words of wisdom Let it be Let it be, let it be Let it be, let it be There will be an answer: Let it be

Let it be, let it be Let it be, let it be Whisper words of wisdom: Let it be

Like Dreamers Do

I knew when you first said hello that’s how I know that I will love you. And I-I-I waited for your kiss, waited for the bliss like dreamers do. And I-I-I-I, oh I’ll be there, yeah, waiting for you you you you you. You, you came just one dream ago and now I know that I will love you. Oh I knew when you first said hello that’s how I know that I will love you. And I waited for your kiss, waited for the bliss like dreamers do, oh like dreamers do, like dreamers do.

Yesterday Yesterday All my troubles seemed so far away Now it looks as though they’re here to stay Oh, I believe in yesterday Suddenly I’m not half the man I used to be There’s a shadow hanging over me Oh, yesterday came suddenly Why she had to go I don’t know She wouldn’t say I said something wrong now I long For yesterday Yesterday Love was such an easy game to play Now I need a place to hide away Oh, I believe in yesterday Why she had to go I don’t know She wouldn’t say I said something wrong now I long For yesterday Yesterday Love was such an easy game to play Now I need a place to hide away Oh, I believe in yesterday Yesterday Love was such an easy game to play Now I need a place to hide away Oh, I believe in yesterday

I-I saw a girl in my dreams and so it seems that I will love her. Oh you, you are that girl in my dreams and so it seems that I will love you. And I waited for your kiss, waited for the bliss like dreamers do.

e pr o d O: R

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

O disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi o primeiro disco no mundo a vir com um encarte com fotos e letras das músicas.

F OT

And I-I-I-I, oh I’ll be there, yeah waiting for you you you you you. You, you came just one dream ago and now I know that I will love you.

Curiosidade

uç ã o / A rq uivo a Pesso l


Foto: Arquivo/Reprodução

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FICHA TÉCNICA por estela polidori

Os anos 60 foram o caldeirão onde se “cozinharam” as manifestações artísticas que deixaram marcas e reflexos até hoje - o teatro, o cinema, a televisão, as artes plásticas, a moda, em todas essas áreas houve uma ebulição e uma busca de saídas novas. E o rock foi a linha que costurou todas essas manifestações, a grande forma de expressão da década. Conheça melhor algumas bandas e cantores que dominaram este cenário musical dos anos 60. Bob Dylan Bob Dylan é um cantor e compositor norte-americano. Nascido no estado de Minnesota, aos dez anos de idade Dylan escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu piano e guitarra sozinho. Começou cantando em grupos de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, voltou-se para a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie, a quem foi visitar em Nova York em 1961. Em 2004, Bob Dylan foi escolhido pela revista Rolling Stone, como o 2º melhor artista de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles, e uma de suas principais canções, “Like a Rolling Stone”, foi escolhida como a melhor de todos os tempos. Influenciou diretamente grandes nomes do rock americano e britânico dos anos de 1960 e 1970. Em agosto de 1962, Dylan deu dois importantes passos em sua carreira musical ao modificar seu nome legalmente para Robert Dylan na Corte Suprema de Nova Iorque e ao firmar um contrato de representação com Albert Grossman. Grossman foi o empresário de Dylan até 1970 e se caracterizou por sua personalidade algumas vezes confrontativa e pela extrema proteção que mostrava para seu principal cliente. Enquanto as primeiras canções de Dylan solidificaram sua reputação inicial, The Freewheelin’ Bob Dylan também incluía canções de amor mescladas com

uma lírica irônica e blues falado surreal. O humor se converteu em um dos pilares da personalidade de Dylan e a variedade de material impressionou muitos ouvintes, incluindo os Beatles. George Harrison comentou: “Só colocávamos e nos viajava. O conteúdo das letras de suas canções e só a atitude - era incrivelmente original e maravilhoso”. Mas logo Dylan mudou de rumos artísticos, afastando-se do movimento folk de protesto e voltando-se para canções mais pessoais, introspectivas, ligadas a uma visão muito particular de mundo. As questões sócio-políticas de seu tempo: racismo, guerra fria, guerra do Vietname, injustiça social, cedem espaço para a temática das desilusões amorosas, amores perdidos, vagabundos errantes, liberdade pessoal, viagens oníricas e surrealistas. Em maio de 1966, após uma tumultuada turnê pela Inglaterra, devido ao formato rock dos shows, Dylan sofreu um grave acidente de moto que o afastou dos palcos e gravações até 1968. Em seu retorno, surpreendeu o público e a crítica com o álbum “John Wesling Hardin”, fortemente influenciado pelo country, tendência que acentuou-se no trabalho seguinte, “Nashville Skyline”, que trouxe o clássico “Lay Lady Lay” para as paradas. Limitando-se a apresentações esporádicas, das quais a mais importante foi sua participação no Festival da Ilha de Wight em agosto de 1969, além de sua participação no Concerto para Bangladesh, organizado por George Harrison em 1971, Dylan só voltaria a realizar turnês em 1974. Foto: Arquivo/Reprodução

Led Zeppelin Led Zeppelin foi uma banda britânica de rock, formada em setembro de 1968, por Jimmy Page, John Bonham, John Paul Jones e Robert Plant. Célebre pela sua inovação, com seu som pesado orientado pelo blues-rock, o grupo é frequentemente citado como um dos grandes progenitores do heavy metal e do hard rock, embora o estilo da banda tenha sido inspirado por fontes diversas e tenha transcendido qualquer gênero musical definido. Foi uma das bandas de rock a vender mais álbuns em toda a história, com mais de 300 milhões cópias em todo o mundo. Foram também os únicos a colocar todos seus álbuns no Top 10 da parada norte-americana Billboard. Desde a morte do baterista John Bonham, em 1980, que colocou fim da banda, o Led Zeppelin reuniu-se apenas em ocasiões especiais. A primeira delas foi em 1985 quando participaram do concerto beneficente Live Aid - com Phil Collins e Tony Thompson na bateria. Três anos depois, tocaram no aniversário de 40 anos da gravadora

Atlantic. Em 10 de dezembro de 2007, os três membros originais do Led Zeppelin e Jason Bonham reuniram-se para um tributo a Ahmet Ertegün, fundador do selo Atlantic. Originalmente, a banda foi formada pelo guitarrista Jimmy Page e pelo baixista Chris Dreja em Julho de 1968 com o nome de “The New Yardbirds” . Quando Dreja saiu para se tornar fotógrafo, John Paul Jones, estimulado pela esposa, procurou Jimmy Page, a quem conhecia por terem atuado juntos como músicos de estúdio, e se ofereceu para tocar baixo na nova banda. Oferta aceita, estava formado o quarteto que viria a se transformar em uma das mais bem sucedidas bandas de rock dos anos 70. Após alguns concertos como “The New Yardbirds”, a banda mudou o nome para Led Zeppelin. Esse nome surgiu depois que Keith Moon e John Entwistle comentaram que um “supergrupo” contendo eles dois, Jimmy Page e Jeff Beck cairia como um “balão de chumbo” (do inglês “lead zeppelin”). A palavra “lead” é propositadamente mal escrita para que a pronúncia correta seja usada.

Foto: Arquivo/Reprodução

60’S QUINTA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2012 14


The Rolling Stones The Rolling Stones é uma banda de rock inglesa formada em 25 de maio de 1962, sendo uma das bandas mais antigas ainda em atividade. Ao lado dos Beatles, foram considerados a banda mais importante da chamada Invasão Britânica ocorrida nos anos 1960, que adicionou diversos artistas ingleses nas paradas norte-americanas e que decisivamente influenciaram na música pop e nos costumes. Formado por Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo calcava sua sonoridade no blues. Em cinquenta anos de carreira, sucessos como “Paint It, Black”, “Lady Jane”, “(I Can’t Get No) Satisfaction”, fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial. Tudo começou em 1960, quando os dois amigos de infância, Mick e Keith, se reencontraram em um trem na estação de Dartford e descobriram um interesse em comum por blues e rock and roll. Foram convidados pelo guitarrista Brian Jones em 1962 a montar a definitiva banda de R&B branca, que se chamaria The Rolling Stones, inspirado no nome de uma canção de Muddy Waters, Rollin’ Stone, cujo nome foi utilizado oficialmente, pela primeira vez, em sua apresentação no Marquee Club de Londres em 12 de julho de 1962. Em 6 de dezembro de 1969, o grupo chegou a Altamont, na Califórnia, para uma grande apresentação ao ar livre

- com uma platéia pelo menos duas vezes maior do que a do Hyde Park. Bem antes dos Stones subirem no palco já havia problemas. A segurança do espetáculo estava sob a responsabilidade de um bando de Hell`s Angels de São Francisco, uma gangue de motoqueiros grossos e arrogantes que não sentiam nada a não ser desprezo pela multidão de mais de 500 mil hippies. Qualquer um que tentasse subir no palco era agredido e escorraçado de volta para a platéia por Angels que portavam tacos de sinuca. Durante a apresentação da banda Jefferson Airplane, que antecedeu a atração principal, fãs estavam sendo carregados para as cabanas da Cruz Vermelha em maior quantidade do que os médicos de plantão podiam dar conta. Quando os Rolling Stones finalmente foram se apresentar, a multidão ficou histérica, e os Hell`s Angels reagiram ficando ainda mais selvagens. Os Stones tinham noção de que alguma coisa havia acontecido, embora do palco fosse difícil dizer exatamente o quê. No dia seguinte é que os Rolling Stones descobriram que quatro pessoas (incluindo Meredith Hunter) haviam morrido naquele dia. O que aconteceu naquele dia fatídico está registrado no filme Gimme Shelter, de 1970. Ainda em 1969 os Stones lançaram Let It Bleed (título geralmente visto como sátira a Let It Be, dos Beatles, disco que de fato só seria lançado seis meses depois). Em 1970 sai Get Your Ya-Ya’s Out, o primeiro disco ao vivo, com estéreo autêntico e alta fidelidade, gravado de sua apresentação no Madison Square Garden, em Nova York.

Foto: Arquivo/Reprodução

Foto: Arquivo/Reprodução

The Who The Who é uma banda de rock britânica surgida em 1964. A formação original era composta por Pete Townshend, Roger Daltrey, John Entwistle e Keith Moon. O grupo alcançou fama internacional, se tornou conhecido pelo dinamismo de suas apresentações e passou a ser considerado uma das maiores bandas de rock and roll de todos os tempos. Eles também são julgados pioneiros do estilo, popularizando entre outras coisas a ópera rock. No princípio de sua carreira a banda ficou famosa por arrebentar completamente seus instrumentos no final dos shows (especialmente Townshend, cuja destruição de guitarras tornar-se-ia um clichê do rock). Seus primeiros álbuns mod, repletos de canções pop curtas e agressivas foram influências primordiais no surgimento do punk rock e do power pop. A primeira banda que pode ser considerada a base do Who foi um grupo de “trad jazz”, chamado The Confedereates. O guitarrista Roger Daltrey conheceu Entwistle na rua e o chamou para entrar para sua banda. No princípio essa banda era conhecida como The Detours. Assim como muitos de seus contemporâneos britânicos, o grupo era fortemente influenciado pelo blues americano

e country music, inicialmente tocando mais rhythm and blues. O Detours mudou de nome para “The Who” em 1964 e, com a chegada de Keith Moon, a formação estava completa. Em fevereiro de 1970 o Who gravou Live at Leeds, considerado por muitos o melhor álbum ao vivo de rock de todos os tempos. O álbum, relativamente curto em sua versão original e trazendo as canções mais pesadas do show, foi sendo relançado com o passar dos anos em diversas versões expandidas e remasterizadas, que pretendiam consertar problemas técnicos na gravação e acrescentar as demais partes da apresentação. No mesmo ano o Who começou a trabalhar em um EP, ou “maxi single”, com meia dúzia de canções gravadas no estúdio caseiro de Townshend. No Festival da Ilha de Wight em agosto, o grupo apresentou “I Don’t Even Know Myself” e “Water”, que seriam parte deste novo álbum. Alguns meses depois Townshend compôs “Pure and Easy”, uma canção que ele mais tarde descreveria como o “pivô central” do que se tornaria um ambicioso projeto multimídia chamado Lifehouse, que afastou a banda do trabalho no EP, já então abandonado.

Elvis Presley Elvis Aaron Presley (East Tupelo, 8 de janeiro de 1935 — Memphis, 16 de agosto de 1977) foi um famoso músico e ator, nascido nos Estados Unidos, sendo mundialmente denominado como Rei do Rock. É também conhecido pela alcunha Elvis The Pelvis, apelido pelo qual ficou conhecido na década de 1950 por sua maneira extravagante e ousada de dançar. Uma de suas maiores virtudes era a sua voz, devido ao seu alcance vocal, que atingia, segundo especialistas, notas musicais de difícil alcance para um cantor popular. A crítica especializada reconhece seu expressivo ganho, em extensão, com a maturidade; além de virtuoso senso rítmico, força interpretativa e um timbre de voz que o destacava entre os cantores populares, sendo avaliado como um dos maiores e por outros como o melhor cantor popular do século XX. Acompanhado pelo guitarrista Scotty Moore e pelo baixista Bill Black, Presley foi um dos criadores do rockabilly, uma fusão de música country e rhythm and blues. Entre seus sucessos musicais podemos destacar “Hound Dog”, “Don’t Be Cruel”, “Love me Tender”, “All Shook up”, “Teddy Bear”, “Jailhouse Rock”, “It’s Now Or Never”, Foto: Arquivo/Reprodução

“Can´t Help Falling In Love”, “Surrender”, “Crying In The Chapel”, “Mystery Train”, “In The Ghetto”, “Suspicious Minds”, “Don’t Cry Daddy”, “The Wonder Of You”, “An American Trilogy”, “Burning Love”. Em 1956, Elvis tornou-se uma sensação internacional. Com um som e estilo que, uníssonos, sintetizavam suas diversas influências, ameaçavam a sociedade conservadora e repressiva da época e desafiavam os preconceitos múltiplos daqueles idos, Elvis fundou uma nova era e estética em música e cultura populares, consideradas, hoje, “cults” e primordiais, mundialmente. Suas canções e álbuns transformam-se em enormes sucessos e alavancaram vendas recordes em todo o mundo. Elvis tornou-se o primeiro “mega star” da música popular, inclusive em termos de marketing. Após sua morte, novos sucessos vieram, como “Way Down”, “Always On My Mind”, “Guitar Man”, “A Little Less Conversation” e “Rubberneckin”. Trinta anos depois de morrer, Presley ainda é o artista solo detentor do maior número de “hits” nas paradas mundiais e também é o maior recordista mundial em vendas de discos em todos os tempos com mais de 1 bilhão e meio de discos vendidos em todo o mundo.


60’S QUINTA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2012 16 Foto: Arquivo/Reprodução

Jimi Hendrix veste jaqueta militar Gap R$ 320,00 e anel Lojas Renner R$ 29,90.

Você sempre quis aquele terninho do Fab Four? Ou um daqueles casacos grandes e estilosos da Janis? Bom, como os originais custam alguns milhares de dólares, a gente fez uma seleção de marcas alternativas pra você conseguir um visual parecido, quase igual. Então vá guardando uma grana e saia pelas ruas exibindo as peças do seu ídolo favorito.

DRESS THEIR DRESS

Foto: Arquivo/Reprodução


Foto: Arquivo/Reprodução

Mick Jagger veste blazer masculino listrado Rockstter R$ 350,00, chapéu Panamá R$ 89,90 e camisa branca Renner R$ 75,00.

les vestem terno completo John Varvatos R$ 2.200,00 e botas com fecho al da mesma marca R$ 600,00. Foto: Arquivo/Reprodução

Nico veste vestido preto básico Zara 180,00 e usa brincos de pedras pretas Someday R$ 92,00.

Foto: Arquivo/Repro

Janis Joplin veste casaco de pele falso Tassle da Topshop R$ 250,00, calça jeans preta Triton R$ 269,00, camisa preta M Officer R$ 170,00 e sapato oxford branco Bottero R$ 185,00.


por taline velasques

Nesta edição, trazemos a história do maior instrumento inventado e de maior prestígio atualmente: a guitarra. Os anos 60, conhecidos comumente como anos rebeldes, foram extremamente importantes para a música. Sobretudo no desenvolvimento de instrumentos elétricos, devido ao boom de bandas de rock estourando os tímpanos de seus fãs com as guitarras, baixos e baterias ligados à todo volume em suas caixas de som.

LAS GUITARRAS As guitarra acústicas (ou “violões” como é conhecido no Brasil), que se utiilza apenas de métodos acústicos para projetar o som produzido por suas cordas.

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

Durante o século 20, a guitarra estabeleceu-se como o mais popular instrumento do mundo. Permite que se desenvolva solos ou ritmos contínuos de uma melodia e o seu som pode ser ouvido em todos os países de todos os contimentes com uma diversidade inigualável.

Normalmente, são designadas “guitarra” e são instrumentos constituidos de 6 à 12 cordas. Elas ficam subdivididas em: As semi-acústicas são as que possuem uma caixa de propagação acústica, seu som natural é maisi intenso.

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

mas e estilos de composição, aparecendo desde a música Barroca, passando pelo Jazz, Blues e até o Rock’n Roll. Certos gêneros musicais tem uma associação imediata com a guitarra, em particular o flamenco, o country, o blues, o pop e o rock. Nos últimos 70 anos, a guitarra tornou-se o mais popular instrumento para solos e acompanhamentos, tanto para artistas solos, ou para banda.

A guitarra moderna Depois de mais de 150 anos, ela mudou radicalmente. De um pequeno instrumento com um som delicado, baixo volume, é agora rica em timbres e dinâmica. Alguns desenhos de guitarra, tem se tornado verdadeiros ícones, e ela tornou-se hoje um elemento essencial para a música. Originada na família dos instrumentos de cordas antigos, as primeiras guitarras, apareceram na Itália e na Espanha durante a Renascensa, e daí espalhou-se gradativamente pela Europa. A Espanha é o berço da guitarra clássica moderna, que emergiu durante o século 19. Neste período ocorreu também o desenvolvimento das cordas de aço, e o aparecimentos de guitarras flat-top e das archtop na América do Norte. Os modelos elétricos foram lançados em 1930 como resultado de experimentos com a amplificação de instrumentos.

Estilos musicais Hoje a guitarra é usada em uma grande variedade de for-

Tradicao inicial No início do século 16, apareceu em um livro uma descrição, que seria para um instrumento chamado vihuela. Os compositores escreviam peças para serem executadas diante da Corte Real e dos membros da Aristocracia. Neste tempo, em muitos países da Europa, a guitarra era usada por músicos profissionais. Era também tocada como fundo para as apresentações teatrais. Durante o século 18, o uso freqüente do piano e de outros instrumentos de teclas afetaram a popularidade da guitarra. Entretanto, com o desenvolvimento de técnicas, e o surgimento de uma nova geração de virtuoses, levaram ao ressurgimento da guitarra (fim do século 18 e início do 19). O uso de cordas únicas, ao invés de pares de cordas, facilitou a execução, e artistas como Dionisio Aguado, Mauro Giuliani e Fernando Sor produziram músicas repletas de virtuosismo. Durante o século 19, a guitarra tornou-se mais popular, com vários métodos de execução, e com um grande repertório. Francisco Tarrega foi uma figura chave

As elétricas são as de corpo maciço e, em sua maioria, feitas de madeira. Não possui caixa de propagação acústica e seu som natural é pouco intenso e sustenta uma nota por mais tempo.

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

tanto como executor como professor. Neste tempo, novos instrumentos foram desenvolvidos por Antonio de Torres, que levaram a guitarra a um novo nível. Na América a guitarra tinha um importante lugar tanto na tradição clássica quanto no folk. No século 20, Andres Segovia, Ramón Montoya e Robert Johnson foram quem ajudou a estabelecer a força do instrumento nos mais diversos estilos musicais. A guitarra também faz parte da música country, popular nos anos 30. Também começou a substituir o banjo no Jazz. A guitarra foi um dos primeiros instrumentos a se adaptar com sucesso à amplificação. A guitarra elétrica foi pioneira no jazz, pelas mãos de Charlie Christian nos anos 30. Depois da 2.ª guerra mundial, o interesse pela guitarra aumentou, e uma nova geração de virtuosos apareceu. No anos 50 e 60, a guitarra começou a tornar-se moda em todo o mundo, em vários campos da música.

A guitarra hoje A diversidade de estilos, requer uma grande diversidade de técnicas de execução para a guitarra. As guitarras para música clássica e flamenco, usam cordas de nylon e são tocadas com os dedos, enquanto que as guitarras que usam cordas de aço são normalmente tocadas com palhetas. Hoje estima-se que exista mais de 50 milhões de guitarristas no mundo. Devido ao grande número de possibilidade, e ao grande número de guitarristas, as técnicas de guitarra são muito pessoais.

60’S QUINTA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2012 18


Termo grego para designar qualquer instrumento de corda, a guitarra sofreu transformações drásticas ao longo do tempo. Mais do que um simples objeto musical, a guitarra elétrica é um ícone.

OBJETO OU ÍCONE? Sofrendo diferenciação no seu nome apenas no Brasil o primeiro instrumento de cordas a chegar num design próximo ao que temos hoje foi a GUITARRA BARROCA, datada do final do século XVI. Cordas de tripa de carneio e um pequeno corpo, a GUITARRA BARROCA pode ser considerada a principal origem do instrumento que temos hoje. Diversas modificações no design ocorreram nessa época, a fim de garantir volume sonoro satisfatório para apresentações. Mas, só no final do século XVII que teremos um modelo aceito e padronizado: A GUITARRA ROMÂNTICA, como era chamado o violão nessa época. Que tinha como característica uma caixa de ressonância maior, em forma de um “8”, e em sua grande maioria seis cordas. Embora, o design não tenha mudado, foi só no século XIX, nas mãos do espanhol Antônio Torres que as cordas de tripa deram lugar as cordas de nylon. O século XX se inicia, e o maior passo em direção à guitarra elétrica foi dado pelo luthier Christian Friederich Martin, que trocou as cordas de nylon pelas cordas de aço e fez modificações na estrutura interna do instrumento, a fim dar suporte à tamanha tensão das mesmas. A busca por volume e praticidade não tinha chegado ao seu fim. Das várias tentativas que ocorreram a que teve maior sucesso foi a invenção de Adolph Rickenbacker e George D. Beauchamp: a “FRYING PAN”, considerada a primeira guitarra elétrica. Corpo circular e um captador eletromagnético é o que resume a “Frying Pan”. O princípio de funcionamento dos captadores eletromagnéticos é simples e utilizado até hoje. Uma bobina é imersa em um campo magnético, e conectada a um amplificador. As cordas, obrigatoriamente de um material magnético (o aço), são colocadas para vibrar no campo magnético que esse imã gera. Essa vibração causa uma variação de tensão nos terminais da bobina, que amplificada gera o som final.

Fender Broadcaster Foi em 1948, que Leo Fender (criador de uma das maiores marcas de guitarra até hoje) trouxe ao mundo sua primeira criação de sucesso: a Fender Broadcaster. Com um design que já se distanciava do formato clássico (em forma de “8”), a Broadcaster se baseava apenas nos captadores, ou seja, o formato não tinha nenhuma projeção sonora natural, libertando-se do formato básico e abrindo caminho para diversas modificações possíveis no campo da estrutura visual da guitarra. O sucesso da Fender Broadcaster despertou na Gibson (outra renomada marca de guitarras) interesse na invenção de um músico da época. Temendo o fracasso da mesma, os executivos da Gibson batizaram a invenção com o nome do músico que a criara: em 1951 nascia a Gibson Les Paul. Tanto a Gibson Les Paul, quanto a Fender Broadcaster seguem com o seu design inalterado desde aquela época. Hoje temos guitarras que não utilizam madeira, novos acessórios, cordas de cores variadas. Mas, todas essas invenções, são baseadas diretamente nas cordas de aço de Christian Friederich Martin, nos captadores do Adolph Rickenbacker e das estruturas do Leo Fender, Orville Gibson e Les Paul.

Les Paul Lester William Polfus ou, como ficou conhecido após a invenção que revolucionou o mundo da música: Les Paul. Nasceu em Waukesha no dia 9 de junho de 1915 e morreu

FOTO: Reprodução / Arquivo Pessoal

em agosto de 2009 aclamado por rockstars do mundo inteiro. Guitarrista e pioneiro no desenvolvimento de técnicas e instrumentos musicais elétricos. Foi considerado o 18º melhor guitarrista do mundo pela revista norte-americana Rolling Stone. Começou a se interessar por música aos oito anos de idade, quando começou a tocar gaita. Logo aprendeu banjo e posteriormente guitarra. Aos 13 anos de idade já era guitarrista de música country e já tocava profissionalmente. Após participar de algumas bandas, Paul lançou seus dois primeiros discos em 1936: um deles com o nome de Rhubarb Red, e outro como músico da banda de Georgia White. Aos poucos Les Paul adquiria fama e surpreendia o mundo inteiro por seu talento fantástico com o instrumento e sua virtuosidade e velocidade anormal nos solos, que até os dias atuais surpreende a todos que o ouvem. A guitarra Gibson Les Paul: A paixão de quase 100% dos roqueiros, de 50% dos guitarristas, dos clásicos, dos saudosistas, dos modernos, dos atuais, em um dos modelos Gibson Les Paul Guitarra Gibson Les Paul a Lenda do Rockde guitarra mais cobiçados e amados do Mundo. Esta é a Gibson Les Paul. Mas em 1951, a rejeição inicial, tornou-se em uma das parcerias de maior sucesso da história da produção de instrumentos musicais. Foi acordado que a nova guitarra Les Paul era para ser um instrumento de altíssimo nível, caro e de tradição da Gibson. Apesar de sempre se ter histórias diferentes a respeito de quem contribuiu com o quê para o projeto da Gibson Les Paul, com certeza, a Les Paul era uma guitarra diferenciada, bem diferente das Fenders, que lideravam o mercado da época. Desde 1930, a Gibson era conhecida por suas Guitarras Acústicas e Semi Acústicas, como a ES-150 (foto ao lado). Estes modelos elétricos de corpo oco forneceram um boa gama de sugestões para o projeto básico da nova guitarra Gibson, incluindo um corpo curvado e o braço colado no corpo, em contraste com as Fenders em que os braços eram parafusados.


COLUNISTAS DA 60’S Júlia Reinhardt

Taline Velasques

Ah os anos... 60.

Dress their dress

Las Guitarras

“Os anos 50 chegaram ao fim com uma geração de jovens, filhos do chamado “baby boom”, que vivia no auge da prosperidade financeira, em um clima de euforia consumista gerada nos anos do pós-guerra nos EUA.“

“Você sempre quis aquele terninho do Fab Four? Ou um daqueles casacos grandes e estilosos da Janis? A gente fez uma seleção de marcas alternativas pra você conseguir um visual parecido, quase igual.”

“Permite que se desenvolva solos ou ritmos contínuos de uma melodia e o seu som pode ser ouvido em todos os países de todos os contimentes com uma diversidade inigualável.”

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Estela Polidori

BEATLES’ BOYS? Desde aquele 10 de abril de 1970, quando McCartney anunciou publicamente a dissolução dos Beatles, o mundo sonhava em ver os Fab Four reunidos outra vez. O sonho acabou quando John Lennon foi assassinado, em 1980. Mas agora os sobrenomes famosos podem novamente formar uma banda. Por ironia histórica, quem acenou com a, embora remota, possibilidade foi um dos filhos de Paul, James McCartney. O filho de Paul McCartney, James McCartney, que hoje tem 34 anos de idade, pretende formar uma banda com os filhos dos outros ex-beatles. Ele disse que o projeto de reunir os herdeiros do quarteto de Liverpool já foi discutido em outras ocasiões, mas agora está perto de se tornar realidade. Sean Lennon, filho de John, e Dhani Harrison, filho do guitarrista George Harrison, seriam a favor da ideia. Já Zak Starkey, filho do baterista Ringo Starr, não demonstrou tanta receptividade com relação ao assunto.

Cenário musical

Tecla Sap

Expediente

Nos anos 60 houve uma significativa mudança no universo da música. A forma e o conteúdo do rock estavam esgotadas e a juventude ansiava por uma forma inovadora para se expressar musicalmente.

“Lá, lá, lá, lá, heeey jude. Jude? Woow....” Não sabe cantar as músicas dos garotos de Liverpool? Não tem problema, a 60’s te ajuda a com as letras do Fab Four no caderno Especial The Beatles.

Universidade Federal de Pelotas Curso de Design Gráfico Design editorial Profa. Ana Bandeira

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Estela Polidori | Júlia Reinhardt | Taline Velasques Tipografias utilizadas: Baskerville* e Placart MT* Impressão digital | Papel couchê fosco 75g Foto capa: João Salaberry - especial * As fontes tipográficas aqui utilizadas, servem apenas para fins de demonstração. Seu uso requer compra de licença.

60s - Jornal  

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