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A Propriedade de Um Rule – Lynda Chance Série House Of Rule #2

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A Propriedade de Um Rule – Lynda Chance Série House Of Rule #2

Sinopse Quando Courtney Powell fica órfã aos dezessete anos perde tudo: seus pais, seus amigos e aquela segurança básica que sempre fez parte da sua vida. Afogada e totalmente debilitada de tanta tristeza muda-se para St. Louis para viver com sua madrinha viúva. Desde o início, todos naquela casa a aceitam e a consideram como um membro daquela família... ...Mas há algo sobre aquele irmão do meio que provoca uma desconfiança inexplicável dentro dela... O tempo passa enquanto Courtney luta para superar a sua dor e quando finalmente emerge alguns anos mais tarde, torna-se evidente que em algum momento ao longo daquela caminhada, sem que percebesse, tornou-se uma propriedade exclusiva de Nick Rule.

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Prologo Seis anos antes Fechando os olhos, Courtney se recostou na banheira e procurou um único indício de felicidade. Quando não surgiu nada, abriu os olhos e soltou um suspiro de derrota. Pegando um punhado de bolhas, deixou lentamente peneirar entre seus dedos. Um décimo oitavo aniversário era algo para ser divertido, emocionante e feliz. Mas para ela aquele dia não tinha nenhuma dessas coisas. Desde que se mudou para a casa dos Rule no ano anterior, seu único objetivo era manter a sua respiração. Não era como se ela fosse uma suicida, porque realmente não era. Tudo o que ela queria era que o tempo passasse o mais rápido possível, para que aquela dor enorme no seu coração começasse a desaparecer. Ela não se importava nem com o fato da sua vida ser totalmente chata. Seu coração estava tão cheio de angústia que isso não importava com aquilo e nem com o fato de não ter nenhum amigo íntimo. Seu único objetivo na vida era viver um dia de cada vez, seguir adiante, um dia miserável após o outro. Em seu coração percebeu que estava apenas a cada dia um pouco mais do que existir, não realmente vivendo a sua vida. Ainda assim, um vislumbre de esperança permanecia no seu intimo e sabia que um dia seria capaz de finalmente, ter vontade de viver de novo, ser capaz de encontrar o amor e a felicidade, e finalmente, não ficaria mais tão sozinha. Ela respirou fundo e segurou o ar em seus pulmões. Fechando os olhos se afundou debaixo da água e começou a contar. Quanto tempo poderia prender a respiração? Será que isso realmente importava para ela?

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Quando exatamente a sua vida se tornaria uma vida de verdade? Quando toda aquela dor diminuiria e o choque do ocorrido iria embora de vez? Perder aos pais numa idade tão precoce não poderia ser nada menos do que devastador, mas com certeza depois de quase um ano, as coisas deveriam ter começado a melhorar. É claro que tinha consciência que nada era assim tão simples. Ela não só havia perdido seus pais, havia sido separada de seus amigos, porque os Rule viviam em St. Louis e aquele lugar era muito longe do seu estado natal, a Florida. Quando aconteceu o acidente, não teve escolha senão sair da Flórida, afinal não tinha mais ninguém e nenhum lugar para ir. Nenhum de seus pais tinha irmãos e Courtney tinha nascido tão tarde em suas vidas que seus avós já haviam partido há muito tempo. Ela havia sido deixada sem parentes... sem irmãos... sem tias ou tios... sem primos... nada e nem ninguém. Ela emergiu da água e se sentou, respirando fundo e forçando o oxigênio entrar nos seus pulmões famintos. Todo mundo aqui tinha era tão gentil com ela. A Sra. Rule havia sido a melhor amiga de sua mãe, assim havia se tornado a sua madrinha e após o acidente havia assumido todas as responsabilidades de Courtney, sem nem ao menos lhe dar tempo de piscar os olhos. - Você não deve me chamar Sra. Rule, querida. Esta é a sua casa agora e será sempre. Minha família é a sua família agora e eu quero que saiba e se lembre sempre disso. - Como devo chamá-la? - Courtney se lembrava de ter perguntado através daquela névoa de dor. Um olhar de extrema simpatia havia tomado as suas feições quando colocou seus braços em torno de Courtney. - Eu poderia sugerir que você me chamasse de mãe, mas nós duas sabemos que a Jenny era a sua mãe e eu não posso tomar o seu lugar, nem pretendo fazer isso, então quero que sempre me chame de Justine? - Ok. - Mesmo ela sendo alguns anos mais velha do que eu, sua mãe sempre foi a minha melhor amiga. A mulher mais velha parou um momento para engolir com dificuldade, como se estivesse tentando conter a própria dor, olhando de uma forma como se pudesse combater as suas lagrimas.

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Ela limpou a garganta e continuou calmamente: - Eu a amava como uma irmã. Nós vamos chorar muito por ela e sempre nos lembrarmos de como era bom estarmos juntas, certo? Courtney sabia que não estava sendo nada fácil para sua madrinha estar ali com ela. Seu próprio marido havia morrido repentinamente de um ataque cardíaco há apenas seis meses e Courtney sabia que ele tinha sido o grande amor da vida de Justine. Porem, ela tentava não pensar em si mesma como um projeto de terapia para a sua nova guardiã, porque isso não era justo com Justine, mas muitas vezes, era assim que se sentia. Todos os filhos de Justine já estavam pelo mundo quando ela veio morar com Justine. Todos os seus três filhos homens, bem como a sua filha mais nova, a Erin, que era apenas um ano mais velha do que ela, mas já estava na faculdade no momento em que Courtney chegou a St. Louis. Ela ia para casa quase todos os finais de semana e era sempre muito bom para Courtney quando a viu. Era como se a outra menina ficasse feliz ao saber que alguém estava em casa com Justine, então assim não se sentia culpada por ter que ir para a faculdade quando a sua mãe ainda estava de luto pela perda de seu marido, tão recente. Courtney admitia que a Erin era um doce e a cada vez que a via, a outra garota tentava deixa-la à vontade e fazê-la se sentir como se realmente fosse da família. Erin ainda a provocava lhe chamando de ‘irmãzinha’, como se elas compartilhassem uma conexão mais profunda do que realmente era. Os irmãos de Erin eram mais velhos e Courtney raramente os via. Gerenciavam os negócios da família em conjunto, não que eles tivessem muita escolha naquilo, pelo menos, era o que achava. Quando seu pai morreu de forma tão inesperada, tiveram que assumir a responsabilidade pela empresa da família e assim tinham que trabalhar muito duro e nunca estar presentes na casa, o que acabou tornando todos eles mais do que estranhos para Courtney. Especialmente o Damian, o mais velho. O peso da responsabilidade havia pousado em seus ombros e Courtney poderia contar nos dedos de uma única mão quantas vezes havia lhe visto. Ou ele visitava a sua mãe quando Courtney estava na sua nova escola ou então ele não lhe fazia nenhuma visita. E pior ainda era o irmão mais novo, o Garrett. Desde que chegou, ele estava fora do estado frequentando uma escola de pós-graduação,

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evidentemente sendo preparado pelos seus irmãos mais velhos para assumir uma posição corporativa dentro da empresa. E então havia o Nick, o irmão do meio. Seus nervos ficavam inquietos todas as vezes que pensava nele. Ela supôs que era o que conhecia melhor, porque assim como Damian, ele também vivia aqui em St. Louis. E também porque como só tinha vinte e quatro anos, era ainda jovem o suficiente para que a sua mãe se preocupasse com o seu bem-estar. E como havia ido varias vezes com a Justine ate o seu apartamento para deixar refeições quentes ou mantimentos, certificando-se assim de que estivesse bem alimentado, o que realmente pareceu aliviar a mente dela, então achava que o conhecia melhor do que os outros. Mas na verdade ela não conhecia nenhum dos irmãos Rule muito bem, porem todos eles estariam aqui esta noite para o seu jantar de aniversário. Justine havia convidado muitas pessoas, mas eram todos mais velhos, todos adultos com seus trinta e quarenta e tantos anos. Courtney pensou que era mais uma coisa muito triste em sua vida, ter uma festa de aniversario e não ter sequer um amigo ou alguém da sua idade para compartilhar o dia. Era triste, muito triste e infelizmente aquilo não iria ficar melhor tão cedo. Ela respirou fundo e deslizou sob a água novamente.

**** Courtney ainda se permitiu chorar por uma hora naquela noite antes de lavar todas as suas lágrimas e colocar a sua maquiagem no lugar. A falta que sentia dos seus pais estava no mesmo lugar de sempre, como uma ferida aberta em seu coração que nunca se curava. Mas em seu aniversário de dezoito anos, sentia a dor daquela perda ainda mais intensamente. Sabendo que ainda era cedo, mas cansada de estar confinada em seu quarto, desceu as escadas no novo vestido que a sua madrinha havia insistido tanto em comprar. Se havia uma coisa que Courtney sabia sobre Justine, era que ela tinha um grande senso de estilo, ate mesmo porque estava refletido em todos os lugares: nas roupas em que ela e Courtney usavam e na casa que havia criado para a sua família.

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Quando Courtney se olhou no espelho com aquele vestido pela primeira vez, houve pouca dúvida em sua mente que havia deixado à infância para trás. Se estava pronta para ele ou não era outra historia, pois ao atingir o seu aniversário de dezoito anos, ganhou o status de adulta. Infelizmente, encontrou pouca alegria naquela transição. Ela vagou pelo andar de baixo por alguns minutos, estava ainda muito cedo para sua festa de aniversário e como já previa, as únicas pessoas que encontrou foram os fornecedores e a governanta. Forçando uma animação em seu rosto e um sorriso em seus lábios, agradeceu-lhes, enquanto olhava para todo o trabalho que estavam fazendo. Saindo da cozinha, caminhou até as portas francesas e olhou para a piscina e para as suas luzes brilhando e cintilando no escuro para fora da água. Enquanto olhava aquela imagem um novo nó de angústia se estabeleceu em seu estômago e uma dor já familiar tomou conta dela. Quando criança, ela e a sua família não tiveram o mesmo tipo de estilo de vida dos Rule. Eles nunca tiveram uma piscina no quintal de casa, mas os pais dela haviam lhe levado para um parque aquático a cada ano no verão, até mesmo porque a Florida estava cheio deles. Assim que aquela memória caiu sobre ela, um sorriso agridoce cruzou o seu rosto e uma lágrima rolou. Ela afastou aquelas lembranças respirando de uma forma constante, ao mesmo tempo em que forçava a sua dor para baixo da superfície. Ela não podia chorar. Ela só se permitia chorar no 'seu' quarto, onde ninguém mais poderia ver as verdadeiras profundezas da sua miséria. Por que contar a esta família maravilhosa que ela não estava ficando melhor? Não era como se eles pudessem fazer algo a respeito, afinal, eles tinham seus próprios problemas e também, ainda tinham que lidar com os seus próprios sofrimentos com a morte do Sr. Rule, para não mencionar as complexidades dos negócios que ele tinha deixado para trás. Courtney sabia que jamais poderia contar aquilo para Justine. Alguns dias, a pobre mulher parecia que mal conseguia se levantar. Então, apenas respirou ainda mais fundo e ao estremecer sentiu quando outra lágrima escapou no seu rosto.

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Ela enrijeceu os ombros, recusando-se a ceder ao seu remorso e decidiu voltar para o seu quarto e esperar. Assim que se afastou das portas, estancou imediatamente e o que viu a fez ofegar. Nick Rule estava naquele instante a poucos metros de distância dela, contemplando-a num silêncio pensativo. O oxigênio ficou congelado na sua garganta e ela correu as mãos no seu rosto tentando apagar a evidência de sua tristeza. Ele a estudava em silêncio com as suas sobrancelhas se unindo em uma careta quando, sem dúvida, viu as lágrimas em seu rosto que ela não tinha sido capaz de esconder. Estando completamente imóvel, Courtney mordeu o lábio e tentou lhe dar um sorriso e quando sentiu que ele havia saído um pouco trêmulo, soube que havia falhado miseravelmente. Envergonhada, o seu olhar deixou o dele e passou a fitar ao chão, mesmo assim ainda sentia os seus olhos varrendo de cima para baixo o seu corpo e em seguida, novamente. Enquanto continuava a olhar para o tapete, sua voz saiu bruscamente. - Você está bem? Diante daquela simpatia inesperada que havia em sua voz, ela fechou os olhos em desespero e foi incapaz de manter aquele sentimento fora do seu rosto. Assim que novas lágrimas escorreram pelo seu rosto, respondeu a sua pergunta balançando a cabeça negativamente, mas depois horrorizada por estar se tornando um fardo, mudou de direção e começou a balançar a cabeça positivamente em seu lugar. Ele soltou uma risada áspera que não tinha nenhum humor e até mesmo com seus olhos fechados, sabia que ele havia caminhado até ficar parado na sua frente. Ele inclinou seu queixo com um dedo suave e seus olhos se abriram para olhar diretamente os seus. Seu polegar acariciou a sua bochecha e ela foi atingida com uma sensação estranha no corpo que nunca havia sentido antes... Mas havia pouca dúvida em sua mente que tinha algo a ver com toda aquela sua masculinidade ostensiva. - É difícil, não é? - Ele perguntou com uma voz rouca.

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Ela assentiu com a cabeça enquanto novas lágrimas continuavam a correr silenciosamente pelo seu rosto. Com uma mão segurando seu queixo, a outra veio e quase distraidamente pegou uma mecha do seu cabelo loiro. - Você tem todo o direito de chorar, meu amor. Todo o direito do mundo. - Ele disse mais suavemente. Seu polegar continuou a acariciar o seu rosto num ritmo suave e calmante enquanto seus olhos prendiam os dela. - Eu entendo o que você está passando... Pelo menos, um pouco. Ela o ouvia em silêncio, deixando seu toque suave e calmante e palavras quentes fluírem através dela e confortá-la. - Perder o meu pai foi muito ruim. - Disse ele, deixando escapar um suspiro torturado. - Mas sou mais velho do que você e foi apenas o meu pai. - Seus lábios se achataram, mas ela continuou agarrada a aqueles seus olhos castanhos quentes, enquanto ele continuava. - Eu tentei imaginar como deve ser estar no seu lugar, mas honestamente, não consegui. Aquelas suas palavras compassivas e calorosas, a acalmaram, bem como enviaram um arrepio cru por sua espinha. E principalmente, a fizeram lembrar o que havia perdido e um novo lote de lágrimas derramou pelo seu rosto. Ela fechou os olhos novamente, mas ele inclinou o queixo ainda mais para cima, em uma tentativa dela manter seu olhar nele. E assim ela fez, ela voltou a abrir as suas pálpebras e olhou em seus olhos escuros apaixonados, quando ele recomeçou a falar novamente. - Você é muito forte, querida. Eu nunca conheci uma garota tão forte quanto você. Quando penso sobre o que você tem de suportar... Ele respirou fundo. - Ser tirada da sua família, sabendo ainda que estávamos passando por uma grande provação... saber que em nenhum momento pediu a nossa ajuda... nunca esperou ou necessitou de tanta atenção. Não pense que não notei a sua força e a sua maturidade. Perder ambos os pais aos dezessete anos e ser arrancada de sua casa e seus amigos... Uma grande e afiada onda de miséria perfurou seu coração com aqueles seus lembretes. - Pare. - Ela engasgou e então olhou de volta para baixo com angústia e constrangimento ao mesmo tempo. - Foda-

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Diante daquele palavrão duro, seus olhos voaram de volta para os seus mostrando todo o seu choque tanto com aquela palavra como pelo tom tão fora de sincronia com a maneira como estava se comportando a momentos atrás. Havia um olhar de recriminação amarga em suas feições. - Sinto muito. Sinto muito mesmo. Estava apenas tentando tornar as coisas melhores, mas euAbruptamente, Courtney estendeu a mão e colocou seus dedos sobre os lábios dele, pressionando levemente para interromper o fluxo de palavras. Ele não lhe devia desculpas. Seus olhos se arregalaram e depois se estreitaram. Ele assobiou uma respiração quente que ela pôde sentir através de seus dedos. A mão em seu rosto se apertou um pouco mais enquanto os dedos em seu cabelo a agarraram mais firmemente, ate que sentiu o puxão em seu couro cabeludo. Seus lábios estavam quentes e firmes contra o seu toque e assustada com a intimidade, ela respirou fundo. Diante da sua reação, ele se acalmou completamente e Courtney sentiu uma tensão ultrapassar seus músculos enquanto se endureciam completamente. Sem acreditar que tinha tido a audácia de tocar os seus lábios, ela retirou a mão com horror e a escondeu atrás de suas costas, inconscientemente esfregando os dedos, não querendo deixar o calor dele morrer. Enxugando as lágrimas com a outra mão, ela olhou para baixo novamente e esperou que ele falasse. Ela sabia que ele estava respirando profundamente, quase como se estivesse sem fôlego, mas depois de um momento, ele pareceu se acalmar. Ele colocou a mão no bolso e tirou uma pequena caixa. - Eu tenho algo para você. Ela levantou a cabeça surpresa. - Um presente de aniversário? Ele deu de ombros. - Eu acho que você pode chamá-lo assim. Mas quero que você abra agora, antes que todo mundo apareça aqui, você vai fazer isso por mim?

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Ela assentiu com a cabeça e quando um velho ritual voltou para ela, de forma mecânica fechou os olhos e ergueu suas mãos com as palmas para cima, uma segurando a outra. Ela ficou em silêncio à espera de seu presente até que finalmente, ele limpou a garganta. - O que você está fazendo? - Ele perguntou suavemente, mas seu tom de voz estava perplexo. Seus olhos se abriram e uma onda de constrangimento assim como outra de tristeza deslizou por ela. Rapidamente, ela puxou as mãos para os lados. Ela não estava fazendo nada certo hoje. - Nada, sinto muito. Para seu horror seus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez e ela murmurou em tom de confissão: - Estou apenas tendo um dia ruim. - Minha querida. Ele se inclinou e muito brevemente beijou a sua testa. - Diga-me por que você fez aquela coisa com as mãos. Sei que deve ter algum significado para você. Diante daquele seu beijo abreviado e a sua expressão de carinho, novamente voltou a sentir aquela onda quente de borboletas no estômago. Bem, ele era mais velho e muito bonito e é claro que ela poderia vir a sentir uma quedinha por ele. Afinal, isso era normal, não era? Ela decidiu não pensar sobre isso, então, apenas respondeu à sua pergunta, não importa o quão juvenil soasse aos seus próprios ouvidos. - Antes que meus pais me dessem um presente a minha mãe sempre dizia: 'feche os olhos e estenda as suas mãos’. Ela respirou de uma forma dura e estremecer diante daquela lembrança agridoce, admitindo: - Eu sinto falta disso. Após a sua explicação, os braços de Nick passaram em volta dela e ele a abraçou contra o calor do seu corpo. Suas mãos corriam para cima e para baixo por sua coluna em uma calmante e consoladora carícia enquanto ainda a mantinha em seus braços. Ela respirou o seu perfume e abraçou todo o conforto que ele estava oferecendo.

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Seu corpo era grande, forte e quente e ela deitou a cabeça em seu peito e deixou aquela sólida e tranquilizando força masculina se infiltrar em sua alma. Ele a balançou para lá e para cá, enquanto murmurava sons suaves em seu ouvido. A segurou assim por um longo momento, na verdade, ate que as suas lágrimas secaram. Em seguida, se inclinou e sussurrou: - Feche os olhos e estenda as mãos. Com aquelas suas palavras, Courtney sentiu uma lavagem de conforto e nostalgia, assim como uma onda quente de ternura por ele e então sorriu. Saindo dos seus braços ela sussurrou: - Obrigado. Ele inclinou a cabeça e levantou uma pequena caixa, segurando-a no ar entre eles e esperou que ela cumprisse a sua parte. Ela continuou a sorrir enquanto fechava os olhos e com muito cuidado, levantou as mãos novamente. Em poucos segundos, a caixa foi colocado em suas mãos e ela abriu os olhos e olhou para ele. - O que é isso? - Abra. - Disse ele suavemente. Antecipação correu através dela e ela reconheceu que era a primeira vez que experimentava aquela sensação a mais de um ano. Ela empurrou a tampa superior e a caixa se abriu. No interior, encontrou um coração de prata pequeno decorado com três pedras de cores diferentes suspensas por uma corrente delicada. Ela estudou seu presente por um momento e em seguida, olhou para ele confusa. Ele a estava observando atentamente e ela franziu a testa com confusão, antes de olhar de volta para o seu presente. Sem esperar por mais tempo, ele pegou a caixa de seus dedos trêmulos e removeu a corrente, colocando a caixa de qualquer jeito sobre a mesa lateral. Ele segurou aquela joia em suas mãos para que ela pudesse vê-la melhor. - É demais. - Ela sussurrou. - Você gostou? - Perguntou ele. Ela assentiu com a cabeça e estendeu o dedo para tocar o presente, como se esperasse que tanto ele como aquele momento desaparecesse no ar.

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- Você sabe o que significa? - Nick perguntou com a sua voz profunda. Algo estava fazendo cócegas em seu cérebro, mas ele estava tão perto dela que não conseguia colocar o seu cérebro para funcionar corretamente. Ela balançou a cabeça. - Representa a sua família. Seus olhos voaram até ele e mostraram toda a vibração que estava no seu coração. - Você, sua mãe e o seu pai. - Ele elaborou. - Eu que criei. Prazer e dor correram juntos e pousaram em seu coração. A sua família! Aquilo era algo que ela poderia usar sempre para manter a sua pequena unidade familiar intacta, pelo menos dentro de seu coração. Um pequeno sentimento de pertencer a alguém novamente se estabeleceu no seu coração. A joia era tão perfeita que não podia esperar para usá-lo. Mas também não poderia envolver a sua mente apenas em torno do fato de que Nick faria algo tão especial para ela. Ela precisava agradecer-lhe. Limpou a garganta e lentamente lambeu os lábios. - NickEla começou, mas parou abruptamente quando ele tomou uma súbita ingestão de ar. Ela olhou para cima e encontrou o seu olhar congelado em seus lábios. Sua mandíbula estava tão apertada que retesava ate o seu pescoço de tanta tensão. Lentamente, quase como se estivessem sendo forçados por alguém, seus olhos saíram de sua boca e voltou para os seus olhos. Um sentimento estranho encheu o ar enquanto um estrondoso silêncio pulsava entre eles. Por fim quando ela não conseguiu mais suportar seu olhar, desviou seus olhos para a joia que ele continuava a segurar firmemente entre os dedos. - Posso colocar, por favor? Ele limpou a garganta e aquele gesto acabou lhe abalando e fez com que desejasse colocar o seu próprio coração na palma da mão virada para cima.

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Através daquelas emoções turbulentas e estranhas no seu corpo, forçou um sorriso e tentou trancar aquilo tudo dentro dela. Ela lutou com o fecho da joia totalmente sem jeito e quando suspirou de frustração, ele o pegou de suas mãos e girou em torno dela. Ele ergueu o cabelo do seu pescoço, colocando-o sobre um dos ombros. Rapidamente colocou a joia no lugar e ficou na sua frente de novo, mas mantendo as suas mãos em seus ombros. Ela olhou para baixo e pegou a joia que estava aninhada em seu peito. - Eu amei isso. - Disse ela através de um sorriso e levantou os olhos para ele, com prazer. Sem nenhum aviso a cabeça de Nick caiu e seus lábios pousaram sobre os dela e a primeira coisa que Courtney notou foi um rugido em seus ouvidos. Ela tinha sido beijada apenas uma vez antes, aos dezesseis anos e havia sido rápido e muito confuso. Mas desta vez era tudo diferente. Nick assumiu o controle completo. Seus lábios eram quentes e firmes, deslizando sobre os dela lentamente com uma carícia que a mantinha totalmente encantada. Inconscientemente deixou cair a joia e levantou as suas mãos ate seus ombros para encontrar sustentação em um mundo que, de repente, estava totalmente fora de controle. Com aquela sua reação, um braço passou ao redor da sua cintura e a puxou para mais perto, enquanto ele mantinha a outra mão na parte de trás de sua cabeça, movendo-a para frente e lhe segurando no lugar certo. Quando seu torso bateu contra o dele ela engasgou e os seus lábios se abriram com o choque. Ele apenas aproveitou totalmente resoluto aquela oportunidade enviando a sua língua para dentro e entrelaçando com a dela. Foguetes instantâneos explodiram em sua cabeça. Seu sabor e aroma a inundaram instantaneamente e o seu mundo imediatamente se reduziu apenas para aquele cômodo e o seu abraço. Enquanto ele continuava a beijá-la, uma dor doce e quente começou a se construir em sua corrente sanguínea e quando a sua língua girava em torno dela, como se pedisse mais, ela hesitantemente deu a ele o que parecia querer, empurrou a língua na direção da sua e se juntou a ele naquele beijo.

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Seu braço a apertou com ainda mais força, a sua estrutura tornouse aço e o seu beijo muito feroz. Um gemido irrompeu de seu peito e ele levantou a boca da dela apenas o suficiente para morder o seu lábio inferior antes de voltar para mais. Após aquela sua ação, Courtney respirou fundo e tremendo se afastou um pouco da sua boca, deslizando as mãos dos seus ombros ate o seu peito, tentando segurá-lo no comprimento de um braço, para que pudesse estudá-lo. Seus olhos se abriram e eles se olharam fixamente, ambos ofegantes, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Mesmo em meio àquela confusão, Courtney imediatamente viu quando a sua expressão mudou, assim que percebeu o que havia feito. O prazer residual que estava estampado em seu rosto se dissolveu numa expressão torturada de horror e incredulidade. - Está tudo bem. - Ela sussurrou, tentando acalma-lo e mandar para longe aquele seu olhar de ansiedade. - Não, não está - Ele disparou de volta, mas ainda assim não a soltou. - Foi apenas um acidente. - Disse ela suavemente. Ele soltou um silvo de ar e balançou a cabeça em refutação. - Um acidente pelo qual estive sonhando por semanas. O sangue drenou do seu rosto quando seus nervos entraram em choque. Merda. Será que fui baleada? De repente, ele se afastou dela, soltando-a completamente e recuou um pouco para trás. Virou como se fosse sair dali, mas rapidamente, tornou a virar na sua direção e encará-la. - Eu aposto que aquela sua escola só para meninas e de educação cristã não a preparou para isso, não é mesmo? - Perguntou ele com uma raiva que de alguma forma ela sabia era dirigida apenas para si mesmo e não para ela. Ela balançou a cabeça sem nem mesmo considerar a hipótese de mentir para ele. Ele deu mais um passo na sua direção e ela imediatamente se sentiu despojada, quase desolada. Ele a estudou com tantas emoções diferentes cruzando o seu rosto que Courtney não conseguiu identificar a maior parte delas. Depois de

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um momento, deixou escapar um profundo suspiro e passou os dedos pelo seu cabelo, estragando tudo completamente. Seu olhar se suavizou enquanto ele a olhava. - Querida, sinto muito. Por favor, não deixe que isso lhe assuste. Isso não vai acontecer novamente. Você está segura comigo, eu prometo. - Ele balançou a cabeça. - Eu não posso acreditar que fui tão descuidado. - Está tudo bem. - Disse ela novamente, reagindo mais ao seu tom de voz do que as suas palavras. - Não está nada bem. Eu sou uma grande merda. - Sua mandíbula se apertou. - Eu quero que você esqueça isso que acabou de acontecer, ok? Tudo o que a Courtney era capaz de fazer era se manter em pé, enquanto seu cérebro continuava em curto-circuito. - Ok? - Ele perguntou de novo, obviamente querendo que desse a sua conformidade em alguma coisa. - Ok, o quê? - Ela perguntou confusa e com os seus sentidos sobrecarregados. Ele cerrou os dentes. - Eu quero que você esqueça o que aconteceu entre nós, você pode fazer isso por mim? Esquecer o seu beijo? De jeito nenhum. Sem chances. Isso jamais iria acontecer. - Tudo bem. - Ela mentiu com um sussurro. - Muito bem. - Ele limpou a garganta e mudou de assunto. - Então, você gostou do seu presente? Lembrando-se do seu presente, ela balançou a cabeça, pegando-o de novo e esfregando ele entre os dedos enquanto o prazer de seu beijo ainda permeava e corria através de seu sistema. - Feliz aniversário. - Disse ele em um tom duro. - Obrigada. - Respondeu ela um pouco sem jeito. Ele a observou em silêncio por mais um momento e em seguida, soltou um som derrotado. - Eu preciso de uma bebida. - Caminhou até o aparador e começou a misturar um coquetel. Poucos segundos depois Courtney ouviu a porta da frente ser aberta. Depois de um momento, Erin entrou no cômodo com um sorriso.

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Ela jogou ao seu irmão apenas um sorriso e em seguida caminhou ate a Courtney. - Feliz décimo oitavo aniversário, irmãzinha. - Brincou ela enquanto envolvia Courtney em um abraço caloroso. Ainda abraçando Erin, Courtney olhou por cima do ombro da menina e viu Nick olha-las com uma irritação mal disfarçada e seus nervos sofreram outro abalo. Certamente ela não estava lendo a sua expressão corretamente, pois as suas feições refletiam um olhar enlouquecido e cheio de ressentimento. As suas pernas estavam separadas e seus dentes cerrados, enquanto uma tensão parecia lhe segurar dentro das suas garras. Enquanto ela continuava a lhe observar sobre o ombro de Erin a sua carranca só se intensificava. E quando olhou para ela novamente a manteve cativa do seu olhar. Observando-a atentamente, manteve seus olhos presos ao dele, enquanto levantava o copo e bebia todo o seu conteúdo com um único tiro.

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Capítulo Um Seis anos depois Nick olhou com uma carranca quando Damian entrou no seu escritório e jogou uma pasta sobre a sua mesa. Não apreciando a interrupção, Nick jogou a caneta de lado e murmurou: - O que diabos eu deveria fazer com isso? Ignorando o mau humor de Nick, Damian inclinou a cabeça na direção da pasta. - São os dados do Garrett para aquisição de uma nova propriedade na Costa Leste. Preciso que dê uma olhada sobre isso e nos ajude a tomar uma decisão o mais breve possível. Parece bom para mim, mas é você que tem experiência imobiliária na Florida e não eu. Silenciosamente reconheceu aquela verdade, pois já havia feito mais viagens à Flórida do que podia contar. Então, abriu a pasta. Com um grunhido examinou a folha de rosto e olhou para várias fotos em cores ousadas. - Outro hotel? O que há de tão diferente sobre este que tenho que dar a minha opinião? Confio em seu julgamento. Você não acha? - Sim, mas desta vez há um pouco mais do que apenas comprar, reestruturar e vender para obter um lucro rápido. Sua atenção foi presa com aquela afirmação, Nick olhou diretamente para Damian. - O que está acontecendo? - Ele quer ficar com ele. - Damian respondeu categoricamente. - Mantê-lo? Que porra é essa? A Corporação Rule não mantém merda nenhuma. Pelo menos, só raras exceções. Será que o Garrett não tem o suficiente para viver? Será que precisamos enviar aquela sua bunda de volta para a escola? - É um pouco tarde para isso. Damian riu olhando para fora da janela e em seguida de volta para a pasta.

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- Basta dar uma olhada, certo? Na verdade, acho que é uma boa ideia. Você sabe que ele quer ramificar a empresa neste momento. Na verdade, a expansão é provavelmente uma ótima ideia. E nós temos que começar por alguma coisa e pode ser muito bem o campo imobiliário. Porra, quanto dinheiro nós fizemos desde que compramos aquele prédio. Nick inclinou a cabeça em concordância. Não havia dúvida de que a compra daquele arranha-céu no centro da cidade foi um golpe de gênio. E tinha sido ideia de seu irmão mais novo. - Eu vou dar uma olhada, mas já adianto que não tenho tempo para executar outra subsidiária. Você tem alguma ideia de quanto tempo de viagem isso implicaria? Nós teríamos que contratar novas pessoas. - Garrett pode lidar com isso, pois é um projeto pessoal dele. Mas você tem que admitir, o garoto está no caminho certo. Quase duplicamos os nossos lucros com os aluguéis corporativos apenas através desta construção. - É verdade. - Nick concordou, olhando para as fotos na sua frente. Damian parou por um momento antes de continuar. - Falando em edifício... Você não vai gostar de... - O quê? Nick perguntou levantando a cabeça e estreitando os olhos para Damian, já totalmente puto apenas com o tom de voz de seu irmão. - Sua querida mãe. - Nossa mãe? Nick rapidamente interrompeu o sarcástico lance inicial de seu irmão. - A nossa mãe. - Damian admitiu sorrindo. - Ela está redecorando a casa e perguntou se podia usar a cobertura- Eu moro naquela maldita cobertura. - Nick o interrompeu com uma impaciência que não podia conter. - Eu sei disso. Obviamente por isso que tenha prefaciado a afirmação de ‘você não vai gostar disso’. - Damian respondeu suavemente. - Porra, não me diga que você lhe deu o cartão-chave. - Nick cuspiu. - Não. - Damian afirmou com um sorriso malicioso. Nick estudou a expressão no rosto de seu irmão com raiva e instintivamente se preparando para o que estava por vir. - Não brinque comigo. - Ele assobiou. - Eu não lhe dei nada.

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A boca de Damian se retorceu em um sorriso maldoso antes de completar a sua sentença. - Eu dei a Courtney. Todos os músculos do corpo de Nick se congelaram ao mesmo tempo em que o oxigênio parava em sua garganta. - Quando Courtney voltou para casa? - Ele conseguiu forçar a saída daquelas palavras. - Ontem, eu acho. - Damian respondeu de forma imparcial. - E onde você a viu? - Nick perguntou, tentando não soar como se estivesse interrogando o seu irmão, apenas consciente de que as suas palavras estavam se tornando abrupta e o seu corpo tenso. - Ontem à noite em casa. A menina está muito bem e bem amadurecida. Finalmente perdeu aquela aparência de criança. Entregueilhe o meu cartão e o de Garrett, afinal, ele não vai precisar já que está morando na casa do lago, quando não está viajando. O único cartão que restou foi o seu, então nada de perdê-lo. Nick levantou uma sobrancelha, expressando a sua irritação com aquele aviso desnecessário. Ele permaneceu em silêncio, querendo saber se sua linguagem corporal indicava que as suas emoções estavam se deslocando para um território perigoso. Damian continuou com um tom de desculpas. - Você sabe que eu não queria concordar, mas o que diabos deveria fazer? Os músculos de Nick ficaram tensos quando tentou focar naquele assunto, tentando não dar qualquer indicação sobre os seus verdadeiros pensamentos. - Que tal lhe dizer não? Oferecer colocá-la em um hotel? Ou melhor, a deixar ficar na sua casa? - Ele sugeriu. - Não foi possível fazer isso. - Afirmou Damian. - Minha casa é muito longe da cidade e Courtney tem entrevistas de emprego agendadas para toda esta semana. - Courtney? O que ela tem a ver com isso? - Nick perguntou confuso. Seu irmão olhou para ele como se tivesse lhe crescido uma cabeça extra. - O que diabos há de errado com você hoje? Eu disse que ela voltou para casa após a sua formatura. Eu disse que lhe entreguei dois cartões chaves para a cobertura. Onde você acha que ela vai ficar exatamente? Se

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a nossa mãe não pode viver em casa enquanto ela está sendo reformada, como você acha que Courtney conseguiria? Nick soltou um suspiro exageradamente lento enquanto tentava colocar seu cérebro para trabalhar. Mantenha focado na porra dessa conversa, Rule. Você pode fazer isso. Tire a sua cabeça maldita desse jogo e fora das calças daquela garota. - Eu acho que não é mais necessária a minha opinião sobre esse assunto, certo? Obrigou-se a fazer uma pergunta que não soaria suspeito para o seu irmão. - Olha Nick, sinto muito. Vai ser apenas por algumas semanas, ok? Talvez ate menos. A cobertura possui quatro suítes. Você nunca saberá que elas estão vivendo por lá. Nick franziu a testa e disse: - Tudo bem. - Tudo bem? Você está desistindo assim tão facilmente? - Damian perguntou incrédulo. Desistir? Sentia apenas um puro contentamento no seu lugar. Era verdade que o pensamento de sua mãe viver com ele por algumas semanas, era extremamente horrível. Mas Courtney vivendo sob seu teto? Isso era algo completamente diferente. - O que diabos você quer que eu diga Damian? Você não me deixou com nenhuma escolha. - Estou apenas apreciando o fato que você não está tentando arrebentar um fusível sobre isso. Afinal, eles provavelmente estão se movendo na sua cabeça enquanto nós falamos. Os lábios de Nick se apertaram e ele expulsou o seu irmão da sua sala. - Você me deve uma. E uma grande pra caralho. - Sim, eu já percebi isso. Damian respondeu quando saia da sua sala.

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Courtney estava desfazendo a sua mala na segunda suíte da cobertura, localizada na Rule Corporação. O apartamento continha quatro suítes e agora, apenas uma continuava vazia. No inicio do dia, havia ajudado a Justine Rule se estabelecer na suíte três, mas ela já não estava mais lá, havia saído há pouco tempo para uma reunião com os empreiteiros que fariam a reforma da casa. Esta manhã, quando haviam chegado à cobertura juntas, sua madrinha havia sido tão carinhosa e atenciosa como sempre ao insistir que ela ficasse com a suíte mais ampla. É claro que Nick ocupava a maior suíte. Felizmente ou infelizmente, Courtney não conseguiu chegar a um acordo se aquela suíte em que estava se estabelecendo neste momento, estaria ao menos próxima a dele. Ela soltou um suspiro alto. Nick. Ele era tanto o seu inimigo como o seu salvador. Courtney sabia que aqueles termos eram totalmente inconsistentes, mas mesmo assim quando eles passaram por sua cabeça ela apenas encolheu os ombros. Nick era o que era e não podia esperar algo diferente. Desde quando se mudou para aquela família, sabia que Nick considerava e usava toda a cobertura para o seu próprio uso pessoal e também sabia, dito pela própria Justine, que ele não estava nada feliz por compartilhar o seu espaço com a sua família. Ela sorriu maliciosamente diante daquele pensamento. O quão aborrecido ele estava? Nick estava sempre em seus pensamentos e isso há muito, muito tempo. Uma flecha de aborrecimento trespassou o seu coração quando se deu conta de que estava mais uma vez pensando nele. Era inacreditável. Continuava totalmente doida por ele. E já era uma mulher de 24 anos. Vinte. Quatro. Anos. E ainda por cima virgem. Como diabos aquilo havia acontecido? Ela gostava de pensar em si mesma como uma pessoa normal e certamente saudável. Mas evidentemente, em algum lugar ao longo do

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caminho, havia se tornado uma propriedade de Nick Rule e ele jamais permitia que ela esquecesse aquele fato. Para o resto da família Rule, ela era apenas Courtney Powell, uma órfã, uma extensão da família, afilhada e ex-dama de companhia de Justine Rule. Mas, para o Nick, ela era... algo a mais. O que exatamente ela não tinha certeza, pois ninguém mais na família parecia perceber ou ate mesmo saber o que se passava na sua cabeça. Após pensar sobre isso, embora ainda não totalmente certa, achava que Damian tinha que ter uma pista sobre como Nick a tratava, e se não tivesse, não tinha ideia de como havia perdido isso. Ela certamente agora teria algum tempo para descobrir quem realmente era o Nick, pois ainda havia varias peças naquele quebra cabeça fora do lugar, mas depois de conseguidas seriam muito bem vindas e fariam com que pudesse entendê-lo, eventualmente. E viver com tal proximidade ajudaria muito, pelo menos, achava que sim. Quando sacudiu outra blusa e a colocou em um cabide, achava que provavelmente era a sua imaginação, mas quase podia sentir o cheiro persistente de Nick no apartamento. Apenas o pensamento de estar em sua casa por algumas semanas, mesmo com sua mãe por perto, estava deixando as suas pernas trêmulas. Maldito. Ele sempre fazia com que as suas pernas tremessem. Desde o início. Com ela, tudo era sempre sobre Nick. Sempre. Mas seu processo de pensamento estava sempre tão nublado pela dor que havia levado anos para descobrir que queria muito dizer algo para ele. No começo, ela pensou que seus sentimentos eram unilaterais. Claro, houve aquele único beijo louco em seu aniversário de dezoito anos, mas na época, não tinha ideia do seu real motivo. Talvez tivesse sido apenas mera simpatia da sua parte ou simplesmente um acaso. Talvez ele estivesse pensado em outra pessoa.

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A única coisa que ela havia compreendido na época era de que ele se importava com ela, pelo menos um pouco, de modo que não tinha certeza sobre os seus sentimentos, apenas que não eram da mesma forma dos que ela estava começando a sentir por ele. Depois de seu aniversário nada mais aconteceu, ele havia voltado a ignorá-la, considera-la apenas como mais um membro da população feminina da sua casa, assim como havia feito antes, a tratando de uma forma semi-amigavel, quando se dignava a notá-la. Então, ela havia feito o seu melhor para colocá-lo fora da sua mente e continuar com a reconstrução da sua vida, como vinha tentando fazer desde que chegou a St. Louis. Seu último ano no ensino médio não havia sido nada além de um teste de perseverança. Depois que seus pais morreram no acidente de carro, Justine havia lhe transferido de uma prestigiosa escola só para meninas da Flórida para uma ainda mais prestigiosa nos subúrbios de St. Louis. Uma vez que se formou no colegial, Courtney não conseguiu encontrar o desejo ou a coragem para ir a faculdade, mas no fundo de sua mente vinha sempre àquela vontade de voltar para a Flórida e se juntar aos seus amigos de lá, mas sempre se sentia ambivalente com aquele desejo, quase com medo de perder a sua vida atual novamente. Assim passou os primeiros dois anos após o ensino médio em uma faculdade pequena nos arredores de St. Louis, indo e vindo todos os dias para casa e se mantendo próxima a Justine, que havia se tornado uma mãe de aluguel para ela. Nick via a tudo isso, mas mesmo assim lhe ignorou durante todo o tempo em que frequentou aquela faculdade, o que fez o seu orgulho ignorá-lo também. Havia sido extremamente difícil depois daquele beijo insano, embora tentasse se controlar da melhor forma possível. Mas às vezes não conseguia deixar de sentir dor, pois percebia quando ele lhe sorria totalmente forçado e às vezes a olhava como se ela fosse um incômodo que ele tinha que aturar. Tinha sido impossível, mesmo naquela época, não perceber que Nick a tratava de forma diferente do resto da sua família. Mas quando começou a entender que era porque ele estava atraído por ela e que estava tentando se manter afastado, tudo mudou.

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E isso só foi possível, sem dúvida, depois que estava na faculdade na Flórida já algum tempo e após isso, não lhe restou muitas dúvidas sobre os seus verdadeiros sentimentos. Mas olhando para trás, percebeu que houve varias pistas antes disso, mesmo quando ainda morava em St. Louis, embora não as tivesse reconhecido na época. De repente as lembranças começaram a passar por cima dela.

**** Academicamente, seus dois anos na pequena faculdade haviam transcorrido melhor do que imaginava. Felizmente, conseguir notas altas era sempre muito fácil para ela e durante aqueles dois anos todas as vezes que os meses quentes finalmente chegavam, ela sempre passava muito tempo na piscina do quintal. Ela gostava de ter um brilho sutil de um bronzeado em sua pele e ficar deitada por uma hora ou mais em um flutuador aqui e ali era incrivelmente pacificador para ela. Por esta altura, Garrett havia voltado para casa após a sua pósgraduação. Embora estivesse à procura de um lugar para morar, temporariamente havia se mudado para o seu antigo quarto e Courtney finalmente teve a chance de realmente conhecê-lo. As poucas vezes que esteve em casa no seu período de férias, não haviam sido suficientes sequer para arranhar a superfície de sua personalidade. Mesmo sendo apenas um ano mais novo do que Nick, Courtney lhe achou mais acessível do que qualquer um dos seus outros irmãos. Talvez fosse porque era mais jovem do que Damian e certamente Garret nunca havia lhe tentado agarrar e beija-la como Nick. A verdade é que ela se sentia muito confortável com ele e uma camaradagem profunda se desenvolveu muito rápida, enquanto o mesmo estava apenas começando a experimentar com Erin e de forma muito lenta. Era como se ela finalmente tivesse um irmão, um do tipo muito adulto e bem grande. Durante as três semanas em que ele estava se estabelecendo antes de assumir a sua parte de responsabilidade na empresa, os dois haviam se tornado muito próximo.

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Eles tinham desfrutado todos os tipos e profundidade de discussões filosóficas. Eles conversavam sobre cinema, televisão e debatiam sobre o impacto da tecnologia digital na literatura. Eles discutiam sobre a política mundial, religião, o escopo do universo e se existia ou não quaisquer outros seres fora da terra. Garrett havia compartilhado varias confidências com ela, confidências que provavelmente não compartilhava de forma alguma com os seus irmãos. Eles riram e discutiam, mas nunca Courtney sentiu por Garrett algo diferente de uma profunda amizade, aquela do tipo familiar e respeitosa... e nunca sentiu da sua parte algo que não fosse uma relação de irmão. Essa verdade foi sublinhada um dia, quando Erin se aproximou e os três passaram algum tempo juntos. Não escapou a Courtney que Garret parecia tratá-la exatamente como tratava a sua irmã e essa percepção não lhe perturbou em nada, para dizer o mínimo. Ela simplesmente teve o efeito oposto, a fez se sentir mais ligada àquela família. Ela estava se enraizando e aquele conhecimento a envolveu com um sentimento de contentamento, do qual não sentia há muito tempo. Com Garrett aparentemente sem saber que ela era uma fêmea disponível, os dois estavam flutuando na piscina à noite, quando o sol já terminava de se afundar, depois de passar a manhã lhe ajudando a carregar suas caixas para o seu novo apartamento, ate pouco instantes, Justine estava sentado sob um guarda-sol conversando com eles, mas havia entrado na casa poucos minutos antes, para verificar a ceia. Quando sua mãe saiu Garrett puxou a sua boia de forma que as suas cabeças ficassem juntas. Deitada de bruços, ele ancorou o seu flutuador com os braços e olhou para a casa para se certificar que a sua mãe estivesse lá dentro. Voltando a olhar para Courtney, disse: - O teste de DNA deu negativo. Aquela cadela mentiu. - Oh, graças a Deus. - Disse Courtney quando o alívio passou pelo seu corpo. - Sim. Ela não é nada mais do que uma c... uma prostituta. Porra. Eu odeio as mulheres. - Ele jurou com veemência. – E para que tudo isso. Para nada, apenas mais uma querendo fuder com um homem rico. Juro por Deus, Courtney, eu nunca mais vou confiar em uma mulher.

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A fúria em sua voz era tão profunda que a preocupou. Procurou por um momento ouvir ou sentir dor em sua voz, mas não havia nada daquilo. Seu tom estava completamente atado com fúria. Agarrando a sua boia de ambos os lados enquanto levantava a cabeça, rapidamente começou a tentar acalmá-lo. - Isso vai passar com o tempo, sabia? Há boas mulheres, assim como há más... Você vai encontrar uma boa, tenho certeza. - Não quero uma. Não preciso de uma. Então não preciso procura-la, mas te afirmo com todas as letras que terei mais cuidado no futuro. Diante da determinação em seu olhar, o coração de Courtney se afundou por ele. - Garrett- Não estou pronto para falar sobre isso. - Disse Garrett. - Apenas queria que você soubesse o resultado. Vamos falar sobre algo maisSuas palavras foram interrompidas por uma profunda voz retumbante: - O que está acontecendo aqui? Courtney e Garrett olharam para cima ao mesmo tempo e encontraram Nick de pé ao lado da piscina, com as pernas abertas e as bordas de sua boca retorcidas com irritação. Obviamente não sentia nenhuma culpa ou constrangimento por estar dentro do espaço pessoal de Courtney. Garrett continuou a segurar firmemente a sua boia enquanto respondia ao seu irmão. - Nada demais, cara. Apenas aproveitando o dia. Se troca e coloque esse seu rabo aqui dentro. Deixando de lado a sua boia, Garrett tentou jogar água em Nick. - Vamos lá, a água está impressionante. Nick deu um passo e o seu rosto ficou completamente fechado e apesar da sua postura ter relaxado minuciosamente, a sua resposta veio com força total: - Não tenho tempo. A ceia já está quase em cima da mesa. Quando nem Garrett e nem Courtney fizeram um movimento para sair da piscina, Nick mudou de direção e fuzilou o seu olhar sobre ela. - Fora da água, Courtney. O tempo já esfriou. - Ordenou em termos implacáveis. - Mas a água está morna. Na verdade ela está excelente-

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O argumento de Garrett foi cortado quando Nick deu a seu irmão um olhar esmagador. - Ela esteve doente há pouco tempo com um caso grave de gripe. Quer que ela tenha uma recaída? Garrett parecia surpreso quando olhou de volta para Courtney. - Quando foi isso? Ela revirou os olhos como se Nick estivesse sendo ridículo. - No mês passado. Estou bem agora. - Ela respondeu de forma neutra, recusando-se a saltar para cumprir as suas ordens. Nick estalou os dedos quando seu antagonismo surgiu de repente, ele nunca tinha esse tique ate que a sua fúria estivesse no auge. Ele rosnou diretamente para ela. - Tire o seu traseiro para fora dessa piscina, agora. Enquanto ele rosnava, Justine passou pelas portas francesas e falou com ela. - Querida, o Nick está certo, apesar da sua escolha terrível de palavras. Está ficando tarde e você pode pegar um resfriado. Não vamos esquecer que perdeu cinco quilos durante a sua doença e quase desenvolveu pneumonia. - Seu olhar mudou para o seu filho mais novo. Garrett, sei que não sabia que ela esteve doente, mas não vamos dar um mau exemplo, ok? Garrett se movimentou para sair da piscina. - Se vocês não me contam todas as merdas que acontece nessa casa, como diabos vou saber? Justine inclinou a cabeça para um lado. - Melhore a sua linguagem, querido. Ela o repreendeu suavemente ao mesmo tempo em que pegava uma toalha para o seu filho. - Nick, seja educado e pegue uma toalha para a Courtney. Courtney nadou até a escada e começou lentamente a subir. Enquanto Justine voltava para dentro da casa com Garrett a seguila, fazendo um comentário sobre estar morrendo de fome, Nick acompanhou toda aquela locomoção e assim que eles estavam fora de vista, sua postura relaxou um pouco. Então ele se virou para ela com uma toalha aberta e pronta, algo passou repentinamente em seu rosto quando ela parou na sua frente.

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Sua grande estatura pareceu tornar-se ainda maior e de repente, sentiu vergonha ao se encontrar encharcada e com um biquíni minúsculo, algo que não havia sentido nem um pouco de vergonha ate pouco tempo. Não aguentando mais aquele seu olhar, simplesmente abaixou o rosto. Ele a envolveu com uma toalha grande até que estivesse totalmente coberta dos ombros aos joelhos. Ela agarrou as duas extremidades em sua garganta para segurá-la juntas como forma de proteção. Descalça, enquanto ele usava sapatos, ela ficou totalmente ciente de como ele se elevava sobre ela, mais ainda do que o habitual. Ele lhe deu um aperto com a sua mão masculina em um de seus ombros e logo após levantou seu queixo com um dedo determinado, mas foi apenas quando se inclinou com aquela sua postura intratável que Courtney perdeu a batalha e voltou a olhar para dentro dos seus olhos. - Você precisa se cuidar melhor. - Ele falou com precisão. Ela lambeu os lábios e tentou desanuviar a sua cabeça que estava vazia diante da situação em que se encontrava, pois Nick não havia lhe dado nenhuma atenção há vários meses, mesmo que fosse apenas raiva. - Eu estou bem. Soltando uma risada dura, ele levantou uma sobrancelha e a olhou não muito feliz. - Isso é um fato, querida. Antes que tivesse tempo para digerir o significado daquelas suas palavras, as suas feições tornaram-se ameaçadoras mais uma vez. - Mas eu estou lhe dizendo neste momento que você precisa tomar cuidado e se certificar de que não tenha uma recaída, entendeu? Mais uma vez seu cérebro se fragmentou em total confusão por causa de Nick Rule. Balançou apenas a cabeça em confirmação, pois naquele momento, também estava com a língua amarrada e sequer cogitou a ideia de começar uma discussão com ele. - Vá se vestir. - Ele retrucou. Ela o observou por apenas um par de segundos, totalmente confusa com as suas mudanças de humor, então se virou e fugiu dele... Courtney saiu daquela sua reminiscência. Após o episódio na piscina, Nick havia ficado longe da casa por várias semanas. Quando ele finalmente voltou a visitar a casa, fazia de

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uma forma esporádica, na melhor das hipóteses, e voltou a lhe ignorar o máximo possível. Mas, logo em seguida, outra memória surgiu. Esta ocorrência aconteceu muitos meses após o episódio na piscina e ela já tinha por volta de 20 anos de idade na época. Courtney havia feito alguns amigos ocasionais em St. Louis, mas nenhum como as suas amigas de longa data que havia deixado na Flórida. Jill e Trish eram colegas de quarto na universidade da Flórida e ficavam implorando a todo o momento para que Courtney mudasse de faculdade e voltasse para casa. E quando a sua outra companheira de quarto havia abandonado a escola de forma inesperada, deixando um quarto desocupado em seu apartamento, as duas meninas intensificaram a campanha para que Courtney se juntasse a elas. Elas tinham feito Courtney sentir um sentimento de pertencer de novo a algo, de ter as suas tão queridas amigas de volta e inesperadamente, encontrou-se animada pela primeira vez desde que havia perdido aos pais. Levou anos, mas finalmente, começou a se preocupar com o seu futuro. Ela queria voltar para a Flórida. Com a bênção de Justine e uma promessa de ajuda financeira, Courtney tinha preenchido o requerimento e foi aceita como aluna de transferência. A noite seguinte depois que havia aberta a carta de aceitação e ter contado a sua madrinha a boa notícia, ela ouviu uma discussão vinda do estudo lá embaixo. As vozes estavam tão alta que a mantiveram congelada no lugar. Justine havia saída às compras com as suas amigas e evidentemente, Nick e Damian tinha chegado antes da sua mãe chegar em casa. Courtney facilmente reconheceu a voz acalorada de discussão entre os irmãos e isso a travou em seu caminho enquanto passava pela porta que estava apenas alguns centímetros entreaberta. Nick foi à primeira voz que Courtney reconheceu e estava preenchida com tanta fúria que seus pés vacilaram imediatamente. - Droga. - O que diabos há de errado com você, Nick? Damian o desafiou.

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- Nada. Não há uma maldita coisa de errado comigo. Agora, o que diabos há de errado com você? Porque você acha que é aceitável para Courtney sair correndo sozinha por todo o país? Ao som do seu nome, Courtney desistiu de qualquer pretensão de não ouvir e se encostou na parede com as palmas das mãos segurando os lambris. - Ela já tem vinte anos de idade. - Damian continuou a discutir com ele. - Nós deixamos a Erin sair quando tinha apenas dezoito anos. - Erin permanece no nosso estado. - Nick quase gritou. – Há apenas um par de horas de distância. Isto é totalmente diferente. - Nick. Acalme-se porra e pare para pensar nisso. Garrett foi para uma escola no Texas e você não criou nenhum problema com isso. - Eu era jovem demais para me importar... Eu mesmo ainda frequentava uma faculdade. Além disso, Garrett é homem e não é a mesma coisa. Quando Courtney se encostou ainda mais na parede, ela realmente conseguiu ouvir o suspiro de Damian antes dele voltar a falar. - Então, tudo isso é porque ela é uma garota? E para você isso muda tudo? - Foda-se, é claro que ela ser uma garota não é a razão principal. - Como é que você vai explicar isso para ela?- Damian exigiu saber. Porque estou certo de que não serei eu a lhe dizer que não poderá ir. - Eu não vou lhe explicar porcaria nenhuma. - Nick rosnou. – Apenas vou lhe dizer que não irei pagar a sua faculdade caso ela se mude para a Flórida. Não concordo com isso e fim com a porra dessa conversa. Houve um longo momento de silêncio antes de Damian responder: - Você não está sendo razoável e vou fingir que essa sua ultima declaração não saiu da sua boca. Essa menina não tem sido nada alem de miseravelmente triste e sozinha pelos últimos três anos. Sabe que essa é a verdade, afinal, está muito claro para qualquer um ver. Houve mais silêncio, enquanto Courtney prendia a respiração e esperava que Damian continuasse: - Esta não é uma situação normal, Nick. Courtney quer voltar para a Flórida e ficar com as suas amigas. Por que diabos você não iria querer dar a ela uma chance de ser feliz? Ela é uma garota doce e merece algo melhor do que como a vida está lhe tratando. - É isso mesmo, Damian. - Nick rosnou mais uma vez. - Você pensa isso sobre ela? Que ela é uma garota doce.

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O fluxo de palavras parou e Courtney não voltou a ouvir nada por um momento. - O que você está sugerindo? - Perguntou Damian. - Estou apenas lhe fazendo a porra de uma pergunta. Universidade na Flórida, certo? Será que essa é a única da região? Tem que realmente ser em Gainesville? - Sim. - Damian respondeu. Demorou alguns segundos e Courtney percebeu que Nick estava olhando os dados da escola na Internet. Quando voltou a falar, ele parecia ainda mais nervoso do que antes. - Essa escola o caralho. - O quê? - Damian perguntou resignadamente. - Droga! Ela tem cinquenta mil alunos. Cinquenta mil malditos alunos. -Reiterou Nick com o calor. - Você quer me dizer como Courtney vai se encaixar com tantas pessoas, quando está acostumada a nada além de uma pequena faculdade e antes disso as escolas particulares só para meninas? - Nick. Vamos tomar uma bebida, sentar e conversar sobre isso de forma mais racional. - Não há nada para se conversar e eu não quero a porra de uma bebida. - O que você quer, exatamente? - Perguntou Damian. – Nossa mãe não vai acreditar que não temos dinheiro suficiente para mantê-la nesta escola. É uma quantidade irrisória para nós e a nossa mãe sabe muito bem disso. Que é que você vai dizer a ela? - Vou lhe dizer a mesma coisa que estou lhe dizendo. Courtney não está pronta para uma escola desse tamanho. Ela não está pronta para viver longe de casa- Droga, Nick. Florida é a sua casa. Você pode agir como se ela fosse a sua irmã e que deve fazer apenas tudo o que você quiser, mas saiba que isso não lhe dá o direito-. - Ela não é a porra da minha irmã. O veneno repentino na voz de Nick fez uma reviravolta dentro de Courtney. Ela continuou a ouvir através de um choque congelado enquanto ele continuava: - Ela é apenas uma garota inocente e me parece que você não tem nenhum problema em jogá-la de lado, mas tudo o que estou tentando fazer é protegê-la.

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Houve um silêncio súbito e em sua imaginação, Courtney viu os dois homens olhando duro um para o outro. - Eu preciso de uma bebida. - Disse Damian, alguns segundos antes de Courtney ouvir seus passos. Rapidamente ela se levantou em toda sua estatura e se manteve longe da parede, preparando-se para aquele confronto, com o coração martelando no peito. A porta do escritório abriu e os passos de Damian vacilaram quando a viu parada no corredor. Ele se aproximou dela e a olhou com o rosto cheio de linhas de tensão. - Você ouviu a nossa conversa? Ela assentiu com a cabeça enquanto tentava colocar as suas cordas vocais para funcionar. - Um pouco apenas. - Ela finalmente respondeu. Damian lhe dirigiu um olhar de comiseração. - Não se preocupe com Nick. Vou fazê-lo concordar com isso, eventualmente. - Ele garantiu. - Nós vamos cobrir todas as suas despesas, ok? Ela se mexeu desconfortavelmente, mas tentou sorrir. - Obrigada. Vou pagar tudo de volta para vocês. - Ela respondeu com sinceridade. Damian deu-lhe um olhar penetrante e um meio sorriso. - Não, você não vai nem sequer pensar sobre isso. Nós cuidamos sempre da nossa família e você é parte dela. Courtney sentiu um brilho quente em seus olhos e se deu conta de que aquelas eram as palavras que o Damian jamais havia falado para ela. Ele balançou a cabeça como se para limpá-la e disse: - Eu vou deixá-lo remoer um pouco o assunto enquanto preparo uma bebida. Você quer alguma coisa? - Não, obrigada. Acho que vou entrar para tentar acalmá-lo um pouco. Ela apontou para a biblioteca com uma inclinação de cabeça. Damian parecia surpreso. - Tenha muito cuidado. Ele não está nada feliz com isso. Eu não sei por que ele considera que o seu futuro é algo que ele apenas pode decidir, mas diante de todas as provas, é sempre ele quem decide tudo. Courtney deu-lhe um sorriso trêmulo. - Obrigada pelo aviso.

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Damian foi embora e tomando uma respiração profunda, Courtney entrou na biblioteca fechando a porta atrás dela. Ela ficou por um momento encostada nela, esperando que Nick a notasse. Ele estava de frente para a janela olhando para fora, os músculos dos seus ombros largos estavam visivelmente tensos, como se estivesse antecipando outro confronto com seu irmão. Quando ele começou lentamente a se afastar da janela, manteve as suas pernas levemente abertas como se estivesse pronto para o ataque. - Você não vai mudar de ideia, não é mesmo? - Sua mandíbula estava cerrada e a sua voz pingava com uma determinação intimidante. – Saiba que não há nenhuma maneira dela ir para aquela malditaSuas palavras foram cortadas abruptamente quando a viu em pé contra a porta. Seus olhares se ligaram e ela sentiu a mesma cascata de calor através de seu sangue, que sentia a cada vez que o via. Assim que ele se tornou consciente de sua presença, era como se uma metamorfose ocorresse dentro dele. A sua postura agressiva relaxava e a sua raiva lentamente recuava do seu corpo, fazendo com que seus traços se suavizassem. Eles estavam em lados opostos da sala, estudando um ao outro em silêncio. Courtney foi a primeira a falar e o fez de forma muito tímida. - Você não quer que eu vá para a faculdade? Ele soltou um longo suspiro e disse muito suavemente: - Eu não disse isso. Estava apenas me referindo a uma faculdade na Flórida. - Eu não entendo. - Disse ela. - Quanto você ouviu? - Ele perguntou com uma careta. - O bastante. Algo provavelmente que não deveria ter escutado, mas mesmo assim o fiz. Seus olhos ficaram tempestuosos diante da sua resposta, mas mesmo assim ela perguntou: - Você não quer que eu seja feliz? Seus lábios se torceram e seus ombros caíram. - A única coisa que eu quero é que você seja feliz. Observando-o suplicante, ela disse: - Eu quero ir para a Flórida, Nick. Por favor, deixe-me ir. Seu corpo estremeceu como se tivesse levado um golpe. - Querida, você é tão jovem.

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Ele balançou a cabeça lentamente, como se na verdade, estivesse debatendo consigo mesmo, mas sabendo que aquilo não era uma boa ideia. - Você sempre foi muito protegida. Ela balançou a cabeça, discordando dele sobre o fato de ser jovem demais, mas incapaz de falar aquilo verbalmente. - Você não acha que foi muito protegida durante toda a sua vida? Perguntou ele. Ah, sim, ela sabia que havia sido mais que protegida. Afinal, se isso não fosse verdade ela não estaria aqui, neste momento, imaginando-se apaixonada por ele, enquanto ele apenas a viu como um fardo, ainda que se preocupasse muito com ela. Mas realmente não podia lhe dizer o que pensava. - Eu vou ficar bem. Sei que sou inteligente e você sabe disso também. Argumentou o caso dela suavemente, de alguma forma, sabendo que tinha que manter o seu tom de voz exatamente suave com ele. - Eu vou fazer boas escolhas e ficar fora de problemas. Você não terá que se preocupar comigo em nenhum momento. Enquanto a ouvia, ele permaneceu em silêncio, mas a sua expressão mostrava que as suas palavras estavam lhe causando dor. - Por favor, Nick. Vou estudar, tirar boas notas e vou... Vou pagar tudo de volta para você assim que conseguir um emprego. Seus olhos se estreitaram. - Isso não tem nada a ver com dinheiro. Realmente não tem nada a ver com o dinheiro. Ela sentiu um arrepio ao olhar em seus olhos e tudo o que conseguiu fazer foi sussurrar: - Por favor. Ele olhou para ela com atenção, como se estivesse sendo rasgado em dois. Ele virou, caminhou alguns passos ao redor da mesa, e em seguida, abruptamente a encarou novamente. - Você promete... Você jura por Deus, que vai ter muito cuidado? Prendendo a respiração ela balançou a cabeça. - Você promete que vai me ligar se precisar de alguma coisa? Você promete que você vai me ligar mesmo se fizer alguma asneira e entrar em apuros? - Sim - Ela sussurrou.

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Seus traços se transformaram em pedra. - Você promete que não vai fazer asneira e nem entrar em apuros? Ela sorriu e acenou com a cabeça, mas o seu olhar tornou-se mais sério do que já havia visto antes. Ele respirou fundo e perguntou: - Você promete que vai voltar para casa depois de se formar? O oxigênio engatou em seus pulmões quando ela engoliu. - Eu prometo. Ele olhou diretamente para ela, mas Courtney sabia que ele estava falando consigo mesmo. - Eu deveria ser eletrocutado. - Ele murmurou. Courtney começava a ressurgir a partir da memória de quatro anos atrás. Mas ainda se lembrou da emoção que tinha construído dentro dela com as suas palavras. - Eu posso ir? - Ela lhe perguntou. Ela nunca esqueceria seu suspiro de derrota e a resposta que ele parecia estar forçando para sair. - Você pode ir. A memória se dissolveu completamente quando pegou outra blusa. Ela estremeceu quando percebeu que iria vê-lo novamente em breve, provavelmente dentro de algumas horas. Ela tentou controlar o tremor involuntário nas suas pernas diante daquele conhecimento. Mas isso era algo simplesmente impossível. Nick Rule sempre a fez tremer e sempre faria.

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Capítulo Dois Nick tamborilou seus dedos sobre a mesa com grande impaciência. Courtney estava lá em cima e sozinha. Na parte superior do edifício. Na sua cobertura. Ele sabia disso porque a sua mãe havia aparecido em seu escritório pouco tempo depois de Damian ter saído. O abraçou, agradecendo-lhe por deixá-las ficar com ele. Ela lhe falou que iria ficar fora por toda a tarde escolhendo amostras de pisos e perguntou se ele gostaria que ela lhe trouxesse alguma coisa para o jantar quando retornasse. Ele sorriu e respondeu distraidamente. - Por que não? Depois que ela saiu de seu escritório, Nick olhou fixamente para a sua tela antes de fechar as janelas do seu computador e comunicar à sua secretária que ficaria fora o resto do dia. Ele esperou o máximo de tempo que conseguiu antes de entrar no elevador e seguir até o topo do edifício. Durante aquela subia ele fervia de frustração. A coisa mais difícil que já havia feito na vida havia sido permitir que a Courtney fosse estudar na Flórida. Foi dez vezes mais difícil para ele do que ficar longe dela enquanto vivia na casa de sua mãe... cinquenta vezes mais difícil... pensando melhor, cem vezes mais difícil. Enquanto ela vivia na casa de sua mãe e ia para uma faculdade próxima, ele tinha sido capaz de verificar tudo sobre ela regularmente. Ele tinha sido capaz de manter o seu olho sobre ela, mesmo que para isso, significasse fazer varias visitas à casa da sua mãe, de uma forma mais frequentemente do que considerava confortável. Courtney sempre estava ali, onde ele poderia estuda-la e tentar identificar até mesmo a menor mudança de suas emoções. Ele podia vê-la, mesmo que não pudesse tocá-la. Ele sabia que não tocá-la lhe causava cada vez mais uma pura agonia, mas aquilo era algo que ele poderia viver, mesmo que muitas vezes quase se perdesse naquele processo. 37


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Depois daquele seu passo em falso e horrendo no seu aniversário de dezoito anos, ele suportou cada dia viver sem tocá-la, esperando que ela crescesse... esperando ela se tornar menos vulnerável com o passar do tempo. Ele ainda teve que lutar com a sua consciência o tempo todo. Ela era apenas uma órfã que morava na casa da sua família, pelo amor de Deus! Ele deveria absolutamente deixá-la em paz. Sua família a abraçou como se fosse um deles. Por que diabos ele não conseguia fazer o mesmo? Mas esse jamais foi o jeito que ele se sentiu com relação a ela. Nem por um minuto. Ela não era um deles. Ela não era sua irmã. Ela não era nem mesmo a sua meia-irmã. Ela não carregava o seu sobrenome e não havia um pingo de sangue compartilhado entre eles. Não importava o quão duro ele tentasse esquecer tudo aquilo, simplesmente não conseguia. Ele havia ficado intrigado com ela desde o momento em que havia chegado a St. Louis, mesmo não entendendo exatamente o porquê. Certamente ela era muito bonita, mesmo para uma adolescente, mas mesmo possuindo aquela beleza calma, ela não parecia reconhecer ou se gabar daquele fato. Mas foi o seu forte caráter e a sua coragem o que chamou realmente a atenção, pelo menos no início. Ela era apenas uma garota e realmente, as suas emoções não se transformaram em paixão por meses, talvez quase um ano. Mas um pouco antes do seu décimo oitavo aniversário tudo mudou, seus pensamentos curiosos e simpatizantes em direção a ela se transformaram em pensamentos sexuais. Ele começou a ter um desejo enorme de querer segurá-la em seus braços e acariciar o seu cabelo... de querer segurá-la debaixo dele e acariciar o seu corpo. Ela tornou-se algo que ele queria fervorosamente e não podia ter. Todo aquele sentimento o fazia se sentir como um tarado, mesmo assim, nunca foi capaz de abalar os seus sentimentos ou a sua necessidade por ela.

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Então o fato de ter deixado Courtney ir para a Flórida foi à coisa mais difícil que já fez na vida e quando era suposto que teria que aguentar toda aquela tortura por dois malditos anos, devido a sua pós-graduação se transformou em quatro. Mas agora ela estava de volta e totalmente crescida. E provavelmente não seria mais tão vulnerável. E seria um condenado se permitisse deixá-la sair de novo. Ele se encostou na parede do elevador, uma vez que chegou ao topo do edifício e tentou conter o tumulto de emoções que se agitavam através de sua corrente sanguínea, mas descobriu que aquilo era impossível. Courtney estava de volta. E ela era sua. E em alguns momentos, saberia daquela verdade.

**** Courtney começou a empilhar os sapatos na estante embutida da parte de trás do seu armário. Por mais que tentasse se manter focada em algo produtivo, como a preparação para as suas entrevistas de emprego, não conseguia manter a sua mente fora de Nick. Se o argumento que dera a Damian antes de ter deixado a Flórida que havia deixado para trás todos aqueles anos ruins, não se comparava com a forma que havia sido para ela durante aqueles quatro anos de distância. Quando Courtney havia deixado St. Louis, seu plano inicial era ficar apenas dois anos, o necessário para concluir o seu bacharelado. Justine havia feito a viagem com ela no carro de Courtney ate a faculdade. Sua madrinha ainda havia ficado por um par de dias, ajudandoa a se estabelecer no novo apartamento fora do campus, junto as suas amigas, antes de voar de volta para o Missouri. Os primeiros meses na Flórida haviam praticamente voado para Courtney. Fixar em suas aulas e se familiarizar com a enorme universidade era realmente algo secundário para ela, agora se encontrar e ter novamente as suas amigas, isso sim, era a coisa mais importante e maravilhosa, na verdade, incrível.

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Era exatamente o que Courtney precisava emocionalmente para que aquele esmagamento de sua alma e aquela sempre presente tristeza finalmente começasse a diminuir. Embora estivesse se divertindo na escola e se adaptando bem, Courtney estava surpresa por sentir tanta saudade de St. Louis e isso a confundia muito. Como poderia estar com saudades de casa quando estava finalmente em casa? Mas ela não se sentia como se estivesse em casa e estava com muitas saudades de casa. Ela e Justine haviam se tornado muito próximas ao longo dos anos, se tornando uma segunda mãe para ela, bem como uma amiga e assim sempre se falavam ao telefone com muita frequência. Justine sempre se envolvia na vida de Courtney e sempre lhe perguntava sobre os meninos. No início, pelo menos, Courtney sempre lhe falava a verdade. Às vezes, havia algo a dizer e às vezes não havia nada. Por vários meses ficou bastante interessada em um cara da fraternidade. O rapaz obviamente, não se comparava com Nick, mas Courtney sabia que tinha que superar aquele fato, para acabar com tudo o que sentia por ele. Naquele momento sentia que embora Nick fosse muito protetor, ele não sentia os mesmos sentimentos por ela. Então, como aquele garoto da fraternidade estava mais do que interessado nela e era realmente inteligente e de boa aparência, porque não arriscar? Olhando para trás em retrospecto, Courtney sabia que provavelmente havia falado sobre ele um pouco demais para Justine, mas não poderia ter adivinhado a reação de Nick quando descobriu aquilo. Ele havia aparecido em sua porta em menos de 24 horas. Ele tinha voado quase mil quilômetros por todo o país e ido direto para o seu apartamento. Mesmo assim, ainda teve tempo de criar uma desculpa, algo sobre “dar uma olhada numa propriedade não muito longe dali.” Ele ainda havia insistido em se encontrar não apenas com as suas companheiras de quarto, mas também com ‘o garoto que havia falado para a minha mãe’.

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Courtney tentou argumentar sobre isso, mas Nick estava totalmente inflexível. Ele tinha seguido a sua maneira e conheceu o seu novo namorado. Courtney ainda podia lembrar de como a expressão de Nick havia congelado e seus músculos ficaram totalmente rígidos. Tudo o que havia feito foi lhe dar um simples olhar feroz e uma severa advertência e o rapaz fugiu e nunca mais voltou. Courtney observou a tudo aquilo, totalmente lívida. Mas assim que o rapaz foi embora, Nick limpou a sua raiva como se isso não significasse nada para ele e a levou para jantar, ficaram juntos por um par de horas falando sobre suas aulas, seus professores e seus amigos. Depois que ele voltou para Missouri e passado várias semanas, a sua raiva havia começado lentamente a sumir e foi quando recomeçou a sua vida novamente. Era incrível, olhando para trás agora, que não tivesse reconhecido o tamanho do ciúme de Nick para com ela. Mas como não percebeu nada, a sua vida continuou. Demorou vários meses antes de encontrar outro cara que a intrigasse o suficiente para querer começar a namorar com ele. E quando o fez, o mesmo ciclo entrou em jogo. Courtney contou o fato para Justine e Nick reapareceu inesperadamente, conclusão, seu novo namorado foi despachado com grande rapidez. Foi quando se iniciou as suas primeiras dúvidas sobre tudo que ela acreditava ser verdade sobre Nick quando havia deixado St. Louis. Como poderia ter alguma dúvida quando ele parecia preparado para voar pela metade do país apenas para se livrar de seus namorados? Ela havia ficado completamente confusa e suspeita, porque essas eram as únicas vezes que ouviu ou via ele. Depois que vários meses se passaram, começou a pensar que tudo tinha sido obra da sua imaginação e que a probabilidade de Nick ter sentimentos mais profundos por ela estava próxima à zero. Mas só por segurança, quando começou a namorar alguém novo, não mais mencionou para Justine. Mas o problema era que ninguém poderia se comparar com Nick Rule.

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Nem um único beijo poderia se comparar com aquele beijo que estava totalmente incutido em sua memória e que poderia aparecer a qualquer momento, seja de dia ou noite. Ninguém conseguia fazer seus joelhos tremerem e não havia absolutamente ninguém que ela se importasse o suficiente a ponto de querer perder a sua virgindade. Ela não estava propositadamente guardando aquilo para o Nick, realmente não estava. Mas seja qual for o motivo, o resultado foi o mesmo. Seu interesse em namorar outros caras tornou-se cada vez menor e com o passar dos meses, colocou tudo aquilo em segundo plano e se jogou em seus estudos e na felicidade de ter as suas amigas. Ela começou a amar ser uma estudante universitária. Ela estudava muito, festejava ainda mais e ia para a praia sempre que podia. Teve a liberdade de experimentar coisas que nunca havia experimentado antes como: camas de bronzeamento artificial, calcinhas fio dental e muitas doses de tequila. A vida de repente estava se tornando divertida novamente. Seus pais se tornaram uma memória sentimental sempre em seu coração, mas enfim, a vida se tornou verdadeiramente divertida novamente. Tudo correu bem por um tempo, exceto que as suas poucas viagens ate St. Louis, não haviam sido satisfatória para ela. Por uma razão ou outra, sempre que ia visitar Justine, ela e Nick nunca estavam na casa ao mesmo tempo. E isso a incomodava. Seria por coincidência ou um projeto dele? Uma noite no meio da semana, estava estudando para um teste, mas não importa o quanto tentasse, não conseguia se concentrar. Nessa altura, ela estava no segundo semestre do seu segundo ano na Flórida, perto de se graduar com o seu bacharelado. Então, por que ela de repente sentia tantas saudades de novo? E então ficou claro para ela. Ela percebeu que fazia quase um ano desde que tinha visto Nick. E foi quando percebeu que estava na verdade, sentindo muita falta dele. Falta de verdade. Uma falta tão grande que estava lhe deixando doente. Ok, aquilo era uma coisa muito ruim.

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Ela literalmente não conseguia arrastar a sua mente para fora de Nick e é claro, voltou a pensar nos momentos em que ele voava ate a Flórida apenas para se livrar de seus namorados. Será que todas aquelas vezes em que ele apareceu era apenas uma coincidência ou não? Quanto mais ela deliberava sobre a pequena quantidade de evidências à sua disposição, mais forte aquela ideia se enraizava em sua cabeça. Em pouco tempo, desenvolveu uma hipótese, ele vinha para a Flórida com o expresso propósito de se livrar de seus namorados, não para olhar imóveis, como sempre lhe falava. Louca aquela ideia... Talvez não tão louca, mas quanto mais sentia falta dele, mais o seu raciocínio parecia sem sentido. Foi quando ela criou um plano brilhante para testar a sua hipótese. Aquilo era muito mal, com certeza. Embora não estivesse namorando com ninguém no momento, na verdade a um longo tempo, tinha vários amigos homens e um deles era excepcionalmente brilhante e de boa aparência. Então, incapaz de se conter, pegou o celular e ligou para Justine. Elas tiveram um adorável bate-papo de mais ou menos uma hora falando sobre o sol e meninos. Nick apareceu na sexta-feira, menos de uma semana após aquela conversa, depois da sua última aula. Suas companheiras de quarto haviam ido para a praia de Daytona, passar o fim de semana, mas ela ficou em casa, não estava se sentindo muito bem para se juntar a elas, estava sendo vítima de cãibras desde o início do dia. Naquela noite as suas dores estavam na maioria sob controle, graças a três ibuprofeno e uma almofada de aquecimento. Ela estava no sofá assistindo a televisão de pijama, quando a campainha tocou. Ela verificou pelo sistema de segurança e foi quando o seu coração parou, para em seguida, começar a bater mais rapidamente. De jeito nenhum. Não podia ser ele. Não podia ser verdade. Lentamente se pôs de pé e caminhou até a porta, agradecendo ao bom Deus que mesmo se sentindo mal, havia ido para a aula naquele dia,

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porque isso significava que o seu cabelo estava limpo e ainda com um pouco de maquiagem. Ela olhou pelo olho mágico e quase teve um infarto. Droga. Ele realmente estava aqui. E esse foi o dia em que a sua vida havia mudado completamente. E esse foi o momento exato em que ela soubesse. Ela não sabia exatamente o que sentia, mas tinha plena consciência do fato de que Nick estava atraído por ela. Ela soube naquele instante, enquanto olhava pelo olho mágico e via a forma como ele estava na porta de sua casa e toda aquela irritação estampada no seu rosto, que Nick era ciumento e possessivo, e que ele não pensava nela apenas como uma irmã. Ela abriu a porta se esquecendo completamente do pijama ultra pequeno, apenas tentando conter o espancamento violento do seu coração. - Olá. - Ela disse tentando conter o seu olhar de surpresa agradável, pois assim que seus olhos começaram bebê-lo, se sentiu tão feliz que quase se atirou sobre ele. Atordoada além da crença com a sua nova compreensão dele. Nick não lhe deu resposta e não fez nenhuma tentativa de abraçála. Tudo o que ela via eram quase dois metros de pura testosterona emputecida e imóvel na sua porta. Ele estava completamente parado, com as mãos apoiadas sobre o batente da porta. Usava roupas extremamente casuais e a sua camiseta era apertada, moldando o seu estômago e mostrando o seu tanquinho por baixo. Seus bíceps estavam bem pronunciados enquanto flexionava as mãos, segurando a madeira acima dele. - Você vai me deixar entrar? - Ele perguntou, estreitando os olhos para ela. Combatendo as borboletas na sua barriga e a sua perda de palavras devido ao reconhecimento que Nick tinha sentimentos por ela, apenas balançou a cabeça e abriu totalmente a porta. Ele entrou e olhou em volta para o apartamento vazio, com um brilho suspeito. - Onde estão as suas amigas?

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- Eles foram passar o fim de semana na praia. - Ela respondeu de forma neutra. Ele deu mais um passo para frente e fechou a porta, deslizando a trava no lugar com um sonoro clique. - Que praia? Engolindo em seco, pois seu sangue estava batendo tão rapidamente que seu cérebro começou a girar, mesmo assim ainda conseguiu lhe responder: - Daytona. - E por que você não está com elas? - Perguntou ele, inclinando-se contra a porta ao mesmo tempo em que colocava um pé sobre o outro de uma forma falsamente preguiçosa. Não querendo deixar escapar que teria ido se não estivesse doente, ficou em silêncio por um momento muito longo. - Será que é porque você não tinha dinheiro suficiente? - Ele falou em um tom que sugeria que não acreditava que aquela era a verdadeira razão. Tentando com toda sua força acompanhar aquela conversa ao mesmo tempo em que se sentia totalmente chocada por ele estar realmente parado aqui em seu apartamento, ela murmurou: - Não, tenho dinheiro suficiente. - Você tem certeza? Posso aumentar o seu subsídio se precisar de mais. - Disse ele em um tom neutro que de alguma forma conseguia soar como se estivesse apenas atraindo ela. Sua mente estava correndo. Ele estava aqui. Ele estava realmente aqui. Era. Ele. Realmente. Aqui. Meu querido Deus. - Não, estou bem. Eu só não tive vontade de ir. Aquele beijo. Oh, meu Deus. Aquele beijo em seu décimo oitavo aniversário. Ele quis realmente fazer aquilo. Ele realmente estava a fim dela. Ela começou a respirar fundo e depois mais uma vez. Ela não podia hiperventilar na frente dele. - Não me parece. Repetiu ele sem rodeios como se não acreditasse nela.

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- Com as suas melhores amigas na praia? Você não espera que eu acredite nisso? Seus olhos brilharam e o seu coração continuou a bater triplamente. - É a verdade. Seus lábios se curvaram em um grunhido. - Onde ele está? Oh, meu Deus. Oh. Meu. Deus. Sério, ele era muito ciumento. - Onde está quem? – Ela perguntou, o mais uniformemente possível. - O seu novo namorado. - Ele falou com a sua ira se transmitindo descaradamente. Seus músculos ficaram tensos quando percebeu o quão chateado ele estava. Ela o havia enganado num esforço de trazê-lo ate aqui. - Eu não tenho um novo namorado. - Ela negou rapidamente. Seus braços se cruzaram sobre o peito. - Courtney. - Ele exalou o seu nome em uma respiração. – Tive um dia muito longo. Um voo totalmente tedioso. Então, quero apenas a verdade. Ela ergueu o queixo quando um sentimento lento e insidioso de igualdade abateu sobre ela. Eles realmente tinham o mesmo sentimento. Ele se preocupava com ela também. Meu Deus, isso era literalmente demais para se acreditar. Onde deveriam passar a sua lua de mel? Será que ela já estava pensando muito à frente? Pare com isso, Courtney. - Eu realmente não sei do que você está falando. Ele apertou a sua boca com irritação. - Você disse à minha mãe que tem um novo namorado. Ela balançou a cabeça em negação. - Eu não falei nada a esse respeito. Quando foi isso? E ela não havia dito que tinha um namorado, não realmente. Apenas havia falado do seu amigo um pouco demais. O olhar de Nick se intensificou. - No início desta semana.

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Quando disse aquelas palavras, seu olhar caiu para os seus pés descalços, onde ficou estudando por um momento as suas unhas dos pés pintadas cor-de-rosa, antes de subir e se fixar em suas pernas de uma forma que lhe causou um calor úmido entre as suas coxas. - É por isso que você está aqui? - Ela perguntou, baixinho e inocentemente. Talvez muito inocentemente. Com a sua pergunta ou talvez, pelo seu tom de voz, os seus olhos voltaram para o seu rosto e ele se acalmou por completo, deixando claro para ela nesse momento, que de repente percebeu que algo mais estava acontecendo aqui. Ele a observou atentamente por um longo momento, seus olhos se estreitando quando uma tensão sutil invadiu o seu corpo. - O que você está tentando fazer comigo, gata? - Ele perguntou em voz baixa. Courtney arrastou seu lábio inferior entre os dentes e balançou a cabeça com o coração batendo forte. Gata? Cristo, ele só havia lhe chamado de bebê ou garota ate o momento! - Nada. - Ela sussurrou, enquanto seus olhos seguravam os seus, aumentando a escalada de seu pulso a cada segundo. Ele a observou em silêncio por mais um momento e então pareceu sacudir algo em sua cabeça, quase visivelmente. - Você está mentindo para mim? Você disse à minha mãe que tem um novo namorado. - Ele repetiu a acusação parecendo confuso mais uma vez, como se não acreditasse naquilo totalmente. - Não, eu possa ter mencionado algo sobre um dos meus amigos, mas ele não é de modo algum meu namorado. - Você está me dizendo que entendeu tudo errado? - Ele perguntou incrédulo. - Acho que sim. - Ela mentiu. Ele balançou a cabeça com firmeza, obviamente, não acreditando nela. - Deixe-me ver se entendi. Você propositalmente a fez pensar que tem um novo namorado. - Não- Sim, você fez isso. - Ele disse com uma voz baixa e firme. – Mas por que você faria isso?

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Ela balançou a cabeça de novo, não se sentindo pronta para admitir a verdade e sem saber como dizer o que sentia. - Por quê? - Ele perguntou de novo, de forma mais sucinta, desta vez, querendo uma resposta para sua pergunta. Com o sangue correndo rápido demais por suas veias, Courtney segurou seus lindos olhos castanhos. Olhando para ele através de seus cílios, confessou em um sussurro: - Porque senti a sua falta. Com a sua admissão ele congelou por um segundo. Então, seus olhos se fecharam e ele caiu para trás contra a parede mais próxima, se apoiando nela enquanto se inclinava para frente. Quando ele reabriu os olhos, ela não soube o que dizer, ou o que fazer, ou como agir, ou como controlar o rubor selvagem em seu rosto que estava demonstrando todos os seus sentimentos. Com as sobrancelhas franzidas, ele a estudou por alguns segundos antes de varrer o seu corpo novamente com o seu olhar e pela primeira vez, parecia se lembrar do pijama que ela estava usando. - Courtney. Temos um grande problema aqui. O pulso dela assumiu uma batida ainda mais rápida. - Não há nenhum problema. - Ela negou. - Você tem certeza, gata? Ela balançou a cabeça. Ele olhou para ela e mostrou os dentes em uma careta dolorosa. Courtney poderia dizer que ele estava pensando muito, contemplando a situação. Ela ficou apenas esperando, deixando-o assumir a liderança. Depois de um momento ele pareceu perder a batalha com ele mesmo e perguntou: - Você sentiu a minha falta? Lentamente, ela começou a acenar com a cabeça. Depois de uma pausa abreviada enquanto a contemplava em silêncio, levantou o punho e começou a bater em seu queixo, como se a ideia de seu desaparecimento estivesse lhe causando um grande atrito na sua alma. Seus olhos permaneciam nos dela. Em seu contínuo silêncio, ela limpou a garganta e falou: - Eu realmente achava que você não viria. - Ela admitiu a verdade suavemente.

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Com as suas palavras e no significado por trás delas, seu corpo ficou imóvel. - Mas eu vim, não foi? - Ele admitiu diante de um gemido baixo que vinha do fundo de seu peito. – Agora, preciso sair daqui antes que eu foda tudo completamente. - Não vá. - Ela implorou como algo vindo da sua alma. Seus braços subiram sobre o seu peito se cruzando de novo, como uma defesa contra ela. Quando ele falou suas palavras eram duras, como se tivesse chegado a uma decisão que ela não teria qualquer tipo de influência. - Quantos meses faltam? Três? Ela sabia o que ele estava pedindo. E como estaria terminando seu curso em três meses, apenas confirmou. - Sim. - Quais são os seus planos? Você vai voltar para casa, certo? A palavra 'casa' estava um pouco confusa para Courtney agora. Flórida não era mais a sua casa? O seu lar agora em Missouri? Realmente, o único lugar onde queria estar era onde Nick estava. Mas ela não deveria ser demasiadamente óbvia para ele. Já era ruim o suficiente ele saber que ela sentia falta dele tanto que havia criado uma mentira apenas para vê-lo. - Sim, provavelmente. - Provavelmente? O que significa isso? - Eu preciso encontrar um emprego. Se possível, quero ficar em um lugar familiar para mim. Isto é tanto na Florida como em Missouri. - St. Louis. - Ele a limitou enfaticamente. Ela assentiu com a cabeça, mas apenas disse: - Talvez. Com sua resposta, ele se afastou da parede e começou a caminhar na sua direção. Seu estômago se apertou com uma antecipação quente. Seus passos pararam apenas quando ele estava a poucos centímetros de distância dela. Suas feições se tornaram tensas enquanto se segurava em movimento suspenso. - Você me prometeu que ia voltar para St. Louis.

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- Eu sei. - Precisa fazer isso. Sua promessa foi à única razão pela qual deixei você partir, em primeiro lugar. Ao olhar em seus olhos, ela sentiu como se tivesse que acabar com aquele seu controle. - Nick. - Ela começou lentamente. - Você não deixou partir, não sou uma propriedade sob controle. Ela o estudou observando a sua raiva lentamente se espalhar pelo seu rosto com suas palavras. Ela continuou, tentando mostrar um pouco de independência, que sinceramente, não lhe importava muito. - Eu quero voltar para St. Louis. Se não conseguir um emprego aqui após terminar a minha graduação, eu vou-. Ele a cortou entrando em seu espaço pessoal com um olhar. - Não é minha? Ela recuou um passo e ele a seguiu até que bateu o seu bumbum na parte de trás do sofá. Ele não a tocou, mas a ameaça estava lá. Quando ela parou ele repetiu totalmente incrédulo. - Você não é minha? Ele estendeu a mão e tocou o colar que ela sempre usava. Seu coração batia forte em seus ouvidos quando ele a manteve presa naquele encanto. Seus olhos se estreitaram e ele perguntou pela terceira vez com uma ferocidade que não podia ser ignorado. - Você não é minha? O oxigênio ficou preso em sua garganta e ela balançou a cabeça, enquanto permanecia presa em seu olhar. Ele inclinou a cabeça como se aquele pensamento fosse algo sarcástico. - Se você não pertence a mim, a quem você acha que pertence? Ele perguntou com uma voz demasiadamente distante e macia e que não refletia qualquer gentileza. Quando ela permaneceu muda, ele continuou. - Eu não vejo ninguém tomando conta de você. Não vejo ninguém voando do outro lado do país para se certificar de que está tudo bem e que não há nenhum filho da puta tentando tirar vantagem de você. - Ele sugou o oxigênio e continuou: - E quem exatamente você acha que paga as suas contas?

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Ela engoliu em seco e se afastou dele, sentindo a força daquela corrente em torno de sua garganta, mas ele não a soltou. Ela olhou para o fio tendões em seu pescoço e em seguida, de volta para o fogo em seus olhos quando ele continuou: - Quem você acha que pagou por esse seu pijama pequeno e inútil que você está vestindo? Quem você acha que paga todas as suas roupas, o alimento que você come, os subsídio que você recebe todos os meses? Seus olhos agora tinham uma intenção cruel. - Quem você acha que pagou por tudo isso, sem mencionar o carro que você dirige? Culpa a atravessou quando ele enumerou todas as coisas que a sua família havia lhe fornecido ao longo dos anos, ela lambeu os lábios e sussurrou: - A sua família. Ele começou a abanar a cabeça como se tivesse entendido tudo errado e uma nova agitação tomou conta de seus sentidos. - Não foi a sua família? - Ela perguntou em voz baixa. - Não. Nem a empresa. - Seus olhos não desviavam dos dela. - Eu. Apenas eu. - E... Por quê? - Ela gaguejou. - Não entendo. - Não há nada para entender, gata. Ele ergueu a mão livre e tomou uma mecha de seu cabelo e começou a torcê-la entre os dedos. - Damian assumiu a responsabilidade de Erin. Você chegou logo em seguida e assumi você. - Me assumiu? - Ela guinchou enquanto seus dedos continuavam a torcer o seu cabelo. - Figura de linguagem. - Respondeu ele lentamente enquanto sua mão se espalhava através do seu couro cabeludo. - Eu assumi total responsabilidade pela sua manutenção. Courtney começou a ouvir um zumbido alto em sua cabeça. - JustineEle a cortou. - Não há nenhuma herança em seu nome. Não tem ações da empresa. Nosso pai era um bom homem, mas morreu totalmente atolado em dívidas. Quero que você entenda que tivemos que construir a partir do zero aquela empresa, nós três. Então todo o dinheiro de nossa mãe vem de nós.

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Seu coração parou antes de bater novamente, correndo muito rápido com aquele novo conhecimento. Ainda segurando a joia com uma de suas mãos, jogou com a outra o seu cabelo para fora do seu rosto e passou um único dedo pela sua bochecha com uma suave carícia ainda que totalmente possessiva. - Agora você quer discutir comigo sobre a quem você pertence? Ela permaneceu completamente imóvel e se concentrou em tomar uma respiração de cada vez. - Mas isso não é realmente sobre o dinheiro, certo? Aborrecimento sombreou o seu rosto para em seguida, se transformar em linhas de implacabilidade. - Aqui está o que vai acontecer. Você irá terminar seu curso e voltar para nossa casa em St. Louis, exatamente como prometido. Quando você chegar lá, vamos descobrir o que irá fazer. Mas lembre-se que me deve isso, Courtney, entendeu? Ela hesitou por um momento antes de responder com varias emoções conflitantes a frustrando. - Compreendeu Courtney? - Ele retrucou. - Tudo bem. - Respondeu. Ele olhou para o rosto dela como estivesse medindo a sua honestidade naquele acordo. - Ok. - Ele concordou. - Nesse meio tempo, fique bem longe dos homens. Mantenha-se afastada dos meninos. Você não precisa de distração e eu não preciso de uma maldita dor de cabeça. Sua respiração foi roubada com a sua demanda. - Você entendeu? - Ele questionou com veemência diante do seu silêncio. - Você ainda é jovem demais para toda essa merda e eu juro por Deus, eu não posso lidar com isso agora. Certo? Muito jovem? Cristo, ela tinha vinte e dois anos. Seus olhos mantiveram os seus ate que ela balançou a cabeça. Concordar com aquela demanda era fácil, porque realmente, todos os outros homens eram basicamente invisíveis para ela. Com a sua confirmação não verbal, ele respirou fundo. - Ok, estamos entendidos? Quando ela acenou com a cabeça novamente, ele colocou a joia com muito cuidado, sobre seu pijama. Movendo-se lentamente, envolveu

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seus braços ao redor dela e a segurou contra o seu peito através de um abraço que ela estava desejando há meses. Courtney fechou os olhos e absorveu toda aquela força. Ela respirou seu cheiro e se sentiu relaxar contra ele. Seus braços se apertaram quase imediatamente. Sua boca pousou em seu ouvido e ele sussurrou: - Eu também senti muito a sua falta. Sua respiração rosnou em seus pulmões e ela se sentiu tonta fechando seus olhos e se alegrando em seu abraço. Ele a segurou assim durante alguns minutos e então se afastou e colocou um único beijo fugaz na sua testa. - Vejo você em três meses, tudo bem? - Ok. - Fique segura. - Sim, você também. Ele a olhou fixamente por um momento e depois a soltou, se afastou dela e saiu do apartamento. É claro que não funcionou do jeito que ele havia demandado naquele dia, pois ela ganhou uma bolsa de estudos para sua pósgraduação e acabou ficando na Flórida por mais dois anos. Tudo aquilo havia sido um teste de coragem para terminar o seu curso, pois sabia que iria precisar dele no seu futuro. E, meu Deus, Nick havia ficado tão chateado com aquele atraso, que ela sabia que esses dois anos extras, quase o levou a loucura. Mas agora esses anos tinham finalmente acabado. E ela estava finalmente em casa, assim como ele exigiu. Mas agora era hora dela descobrir o que queria da sua vida e lutar por isso. E ela queria apenas Nick Rule.

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Capítulo Tres Courtney voltou ao presente quando ouviu um barulho atrás dela. Virando agarrou com tudo um par de botas de salto baixo em seu peito enquanto seu batimento cardíaco acelerava. Nick havia entrado na sua suíte e estava parado na porta do seu closet, como se fosse o dono do lugar, o que supostamente era. Ele estava em silêncio, enquanto olhava para ela e o sangue bombeava furiosamente em suas veias. Como geralmente só visitava St. Louis nos grandes feriados, fazia meses desde que o tinha visto pela ultima vez. O seu cabelo escuro estava muito comprido e precisava urgentemente de um corte e aquele sulco entre as suas sobrancelhas parecia ainda mais pronunciado do que o habitual. Quando ele permaneceu em silêncio, ela limpou a garganta e falou: - Sua mãe saiu há pouco tempo e aqui não é a suíte dela. Ele olhou para ela por um momento, seus olhos correndo sobre o seu corpo e em seguida, para o conteúdo do seu closet. Enquanto estudava suas coisas guardadas lá, um olhar de satisfação cruzou o seu rosto e seus olhos voltaram para os dela. - Você acha que vim ate aqui para ver a minha mãe? Ela sabia que não e tinha a completa certeza que ele havia interrompido a sua jornada de trabalho, apenas por uma razão. Para vê-la. Ela sabia que ele ainda estava com raiva, porque havia sempre se mostrado irritado e impaciente a cada vez que ela tinha tentado falar com ele, naqueles últimos dois anos. Com certeza, essas tentativas haviam sido muito esporádicas na melhor das hipóteses, mas o que ela deveria ter feito? Jogado fora uma boa oportunidade de ter um mestrado sem despesa? E para quê? Ele nunca havia lhe prometido alguma coisa.

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Promessas nunca foram o forte de Nick. Não, a sua especialidade eram ameaças, isso sim era o que ele gostava de fazer. Ela se recusou a responder a sua pergunta e ele continuou a falar sobre a sua mãe. - Eu a vi lá embaixo. Na ocasião, ela me falou que estava de saída e que não vai voltar tão cedo. Ele olhou diretamente em seus olhos e a sua voz se aprofundou ainda mais. - E não conseguiria entrar aqui mesmo que quisesse, pois mudei temporariamente o código de acesso. Outra ameaça mal disfarçada. E dessa vez, com implicações sexuais. Quando reconheceu o teor daquela ameaça sua respiração e seu coração acelerou e ela teve que se concentrar ainda mais para se manter estável na sua frente. Enquanto a observava com um brilho territorial em seus olhos, seu sangue se aqueceu, mas ela conseguiu ignorar aquelas suas palavras sexualmente desafiadoras quando lhe respondeu friamente. - Como vai, Nick? Ficou orgulhosa do seu mesmo tom, mas ao mesmo tempo, não pôde deixar de virar e continuar mexendo em seus sapatos, o que estava em seus braços ela guardou e acabou endireitando outro par apenas para manter as mãos ocupadas. Quando ele não respondeu, lentamente virou para encará-lo. Ele estava de pé, com os braços apoiados no batente da porta e o closet de repente, pareceu encolher de tamanho enquanto ele a mantinha prisioneira dentro daquele pequeno espaço. Ela não conseguia decifrar a expressão em seu rosto, pois todas as suas feições estavam encapuzadas e ilegíveis. Sob seu exame minucioso, seus joelhos fraquejaram e o seu interior começou a tremer. Depois de um momento, seus olhos se estreitaram e ele anunciou secamente: - Tenho algumas perguntas para lhe fazer. Borboletas levantaram voo na sua barriga. - Tudo bem. - Ela concordou o mais uniformemente que conseguiu. - Você voltou de vez para casa? - Perguntou ele de forma rápida. O oxigênio parou em seus pulmões com a pergunta.

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- Eu acho que sim. Pelo menos enquanto eu procuro um trabalhoEle parecia ignorar a segunda parte da sua afirmação quando a cortou. - Você está bem crescidinha agora? Seu pulso se acelerou quando o seu torso se movimentou infinitamente para mais perto. Controle-se, Courtney. Você que está no controle aqui. - Eu já sou ‘bem crescidinha’ há muito tempo. Seus lábios se achataram diante da sua ousadia, mas logo ele falou com um toque desafiador. - Tem certeza disso? Seu coração parou antes de começar a bater novamente. Sem conseguir colocar as suas cordas vocais para trabalhar, acabou balançando a cabeça. Seus olhos correram lentamente por seu corpo antes de voltar para o seu rosto, mais uma vez. Puxando as mãos para longe do batente da porta, ficou totalmente ereto, exibindo toda aquela sua altura intimidante por completo e deu um passo para dentro do armário, um passo que gritava todas as suas intenções. Ele ainda fechou a porta atrás dele. Oh, merda. Calma. Ele queria fazer isso agora. Mas o agora ainda não estava em seus planos. Ela ainda não tinha tido a oportunidade de avaliar quais seriam as suas chances ou como iria aborda-lo. Ainda não havia planejado a sua estratégia. Sabia apenas que teria que jogar duro para conseguir a ele... ou talvez não. Mas antes de tudo queria lhe mostrar que era ela que estava no controle agora, e não ele? Fazer aquilo sem nenhuma preparação seria um inferno... Ela precisava de tempo... apenas um pouco de tempo... Mas que inferno. Quando a altura e largura de Nick dominaram a área, o espaço imediatamente ficou menor e as quatro paredes começaram a se fechar em torno deles.

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Será que ela realmente acreditava que algum estaria no controle diante dele? O pensamento fugiu enquanto rapidamente contava às portas que Nick havia se assegurado de trancá-las com eles dentro. A porta da cobertura, a porta do quarto, a porta do closet. Três malditas portas. Não havia escapatória, mesmo se quisesse uma. O que nem em mil anos ela iria querer. As borboletas voando na sua barriga e a rápida batida de seu coração confirmava o seu desejo. Ele deu mais quatro passos para frente até que ficou a poucos centímetros de distância. Seus músculos estavam todos tensos e as suas feições pareciam estar gravadas em granito com todas aquelas linhas de força intimidante. Erguendo os braços, ele colocou as mãos sobre a prateleira atrás dela, prendendo-a. Ele não estava lhe tocando, mas estava tão perto que Courtney podia sentir a cada vez que ele respirava e o tremor que passava pelo seu grande corpo. Ela esperou com ansiedade que ele a tocasse quando um som alto muito parecido com água correndo enchia seus tímpanos. Seis anos. Fazia seis anos que ele havia lhe beijado. E durante todo aquele tempo, cada dia havia sido uma espera angustiante por mais um beijo. Uma mão grande se abaixou e ergueu o seu queixo, os dedos espalmados sobre seu pescoço como se a sua pele lhe pertencesse. Seus olhos estavam quentes sobre os dela e a sua voz saiu áspera: - Você sabe do que se trata tudo isso, certo? Afinal descobriu as minhas reais intenções há dois anos, não é mesmo? Com o coração batendo forte, sabia que não havia nenhuma razão para negar. - Sim. - Ela disse, enquanto engoliu com dificuldade. Quando um braço lhe rodeou com um aperto intratável, ele enfiou a outra mão no bolso da frente do seu terno, mesmo assim continuou a olhar em seus olhos com um ardente foco. Ao puxar a mão do bolso, ele levantou um pequeno quadrado de plástico, entre eles.

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Ele mostrou a ela, quase em desafio, com uma falsa negligência que não podia enganá-la, no mínimo. Quando seus olhos se deslocaram dele e olhou para o pequeno objeto, sentiu seu rosto pegar fogo quando a camisinha entrou totalmente em foco no seu cérebro. Uma dor quente pulsou dentro dela quando o seu olhar colidiu fortemente com o dele mais uma vez. Seus olhos tinham toda a sua intenção aquecida, o que fez o seu corpo vibrar freneticamente enquanto a sua atenção era mantida cem por cento em seu rosto. Sua respiração ficou presa na garganta ao ver a expressão de determinação e intensidade gravadas como uma pedra em suas feições. Um chiar sexual e cru encheu o ar entre eles quando seus olhos se estreitaram e a sua boca se retorceu antes de falar com toda aquela sua determinação. - Apenas para registro. Eu tenho sido um santo com você e ainda estou tentando continuar sendo um santo com vocêEla o interrompeu bruscamente quando a sua raiva tentava entrar em ebulição por ele a fazer esperar tanto tempo. - Não quero um santo. Isso tudo já passou da hora de acontecer. Estou cansada de você ser tão cuidadosoSem perder mais tempo, seus lábios pousaram sobre os dela, interrompendo o seu fluxo de palavras, enquanto sua mão deslizava do seu pescoço para acariciar aos seus cabelos. Seus dedos apertaram o seu cabelo quando a eletricidade chiou entre eles. Seus lábios foram forçados a se separar com o movimento e quando a sua língua disparou para dentro, Courtney sentiu uma grande onda de alívio, como se tivesse finalmente voltado para casa. Seu torso pressionou contra o dela e o seu braço que estava na parede, envolveu em torno da sua cintura com um aperto sem piedade. Sua língua girava em torno da dela, fazendo luzes dançar na sua cabeça. Courtney vagamente percebeu que esse beijo não era nada parecido com o beijo que ele lhe dera seis anos antes. Esse beijo detinha a posse... uma força dominante... uma propriedade inquestionável. Pura intenção sexual. Um prazer inebriante começou a pulsar em suas veias e ela ergueu ainda mais o seu queixo e o beijou de volta com tudo o que tinha.

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Ao som de seu rosnado baixo, colocou os braços em volta do seu pescoço e ficou na ponta dos pés, morrendo de vontade de sentir cada centímetro de seu corpo contra o dela. Uma fome imediata e afiada deslizou por sua espinha e se fundiram com uma grande necessidade que queimava entre as suas coxas. Seus seios doíam onde eram pressionados contra ele e seus mamilos se tornaram pequenos pontos brilhantes de excitação. Seu peito vibrou com um som de impaciência quando ele a soltou e com movimentos rápidos e impacientes colocou a embalagem do preservativo entre os dentes e o segurou lá enquanto suas mãos deslizavam para a fixação de sua calça e começou a trabalhar em seu botão e zíper. Ela engoliu em seco e com uma sensação não muito diferente de choque, suas mãos caíram para seus bíceps enquanto continuava olhar para baixo entre eles, vendo o momento que ele estava empurrando as sua calça para baixo de seus quadris, levando a calcinha junto com ela. Sua mente girava devido as suas emoções estar entrando em convulsão. Em algum lugar na sua mente pensava que primeiramente deveriam ter tido um jantar tranquilo, com luz de velas... Mas ao olhar para cima e encontrar os seus olhos grudados na pele branca que havia descoberto tudo mudou... Seu rosto estava ruborizado e quando um tique começou a pulsar em sua bochecha, qualquer pensamento de romance fugiu de seu cérebro e seu corpo começou a gritar de necessidade. Ele levantou um grande pé masculino e com a sola do seu sapato, tentou tirar de vez as suas roupas. - Sai fora delas. Ele assobiou por entre os dentes cerrados e o preservativo ainda entre eles, e através de um rugido em seus ouvidos, Courtney tentou cumprir aquela sua ordem. Ela se enroscou com seus sapatos e roupas e com um barulho muito parecido com um animal cheio de dor, Nick se abaixou e com nenhuma sutileza e muita velocidade, tirou os seus sapatos e as roupas e as jogou para longe. Ele a abraçou longamente com o preservativo ainda entre os dentes e foi com um sentimento de antecipação, completamente atordoada e

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surpresa com a velocidade das coisas, que Courtney olhou para ele durante a tentativa de regular a sua respiração. Ele pegou a camisinha de sua boca e a colocou na mão que lhe segurava e com a outra, segurou o seu quadril nu entre os dedos e apertou. Ela engoliu em seco quando seu corpo estremeceu sob seu toque. Ele olhou para baixo, onde as coxas nuas se uniram e o som que ele fez foi animalesco. - Eu tenho ainda mais uma pergunta, mas quero que compreenda quando digo que se me der à resposta errada, eu vou sair daqui e cometer um assassinato em primeiro grau, certo? Sua respiração ficou presa na garganta quando ela sabia intuitivamente qual seria a sua pergunta. Uma onda de raiva se levantou e misturado com a maré quente do desejo que estava sentindo. Como ele ousava esperar que ela ainda estivesse intacta depois de tanto tempo? Sentiu uma grande raiva por si mesma naquele momento por ter mantido a sua virgindade e ainda mais raiva por ele estar esperando por aquilo. Isso fez a sua coluna enrijecer. Quando ele levantou o rosto e olhou dentro dos olhos, ficou se perguntando se não deveria postergar aquele dado. Será que ele merecia ouvir a verdade? Será que ele merecia saber que ela ainda era virgem? Que ela havia esperado por ele todo esse tempo? Ele certamente não tinha tido uma vida de abstinência durante os últimos seis anos, embora não tenha tido nenhuma prova do contrario. Ela nunca havia lhe visto levar uma mulher para a casa da sua mãe durante o tempo em que morava lá ou quando estava de visita. Nem sequer uma única vez. Além disso, ela nunca tinha ouvido sua mãe ou qualquer um dos seus irmãos se referir a uma mulher como de Nick. Nunca. Ela até tinha procurado o nome dele na Internet, tentando encontrar informações. Graças a Deus, ela nunca encontrou nenhum romance ou algo parecido.

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Tinha encontrado toneladas de elogios nos negócios, toneladas de informações sobre a empresa, mas para seu alívio, nem uma única imagem de Nick com uma mulher ou mesmo uma referência a uma mulher em tudo. Se Nick havia dormido com outra pessoa, ele tinha sido muito escrupuloso para manter todas as informações totalmente secretas e longe dela, pois ela sabia que ele nunca iria machucá-la dessa forma, Courtney estava tão certa disso quando descobriu aquele novo ponto em seu relacionamento. Quando ele continuou a observá-la, sem falar, era como se estivesse com medo de que a sua resposta não fosse a que estava esperando ser. Ela lambeu os lábios e perguntou: - Ok, qual é? Seus olhos se transformaram em reluzentes fendas de advertência. - Você já sabe o que eu quero saber. Ela respirou tentando se acalmar. - Será que sei? Suas narinas dilataram e ela sabia que ele estava se esforçando para controlar ao seu temperamento. - Você é minha. Só minha. Eu sei e você sabe disso. Agora eu quero ouvir você garantir isso para mim. Idiota arrogante. Como ela poderia amá-lo tanto? Será que ela estava errada ao ter se guardado para ele? Talvez tudo aquilo fosse culpa sua. Ela poderia ter facilmente se livrado da sua virgindade, se realmente quisesse. Estava apenas irritado naquele momento porque ele havia esperado muito tempo para finalmente se decidir ficar com ela e toda aquela espera havia sido mais do que ridícula. Eles poderiam ter ficado juntos a cada vez que ele aparecia na Flórida ou todas as vezes que tinha vindo para St. Louis de férias. Ela nunca teria lhe rejeitado e ele sabia disso. Ela fez uma pausa apenas por um momento e respondeu de forma propositadamente autoritária. - Eu sou sua. Sua resposta irreverente detonou um olhar perigoso sobre ele. Suas sobrancelhas se vincaram em uma careta irritada, enquanto a sua mão

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deslizava pelo seu quadril nu ate o ‘v’ entre as suas coxas, onde ele o segurou com um aperto forte. - Agora não é a hora de brincar comigo, gata. Courtney engasgou quando uma forma de calor em espiral correu através de seu sangue. Nenhum homem jamais havia lhe tocado lá. Outro golpe de raiva acendeu o seu sangue com o pensamento. Porra, ela havia se mantido tão inocente que nenhum outro homem nunca havia lhe tocado lá. Talvez não fosse de tudo culpa sua, mas naquele momento, Courtney não estava raciocinando direito e estava direcionando toda culpa apenas para ela. Com esse pensamento os seus sentimentos se estilhaçaram de vez. Ela ficou furiosa e também tão ligada sexualmente que mal conseguia ficar de pé, pois seus joelhos viraram mingau debaixo dela. Com um excesso de emoção passando através do seu corpo, ela levantou as mãos e as enrolou em torno da sua mandíbula. Ficando na ponta dos pés, empurrou seu tronco para frente e encostou seus lábios nos dele. Ela o beijou com toda a emoção que estava sentindo e em poucos segundos, ele estava gemendo e esfaqueando a sua língua entre seus lábios. Sua mão estava quente e fundido de necessidade quando ele a agarrou intimamente. Suas pernas tremeram quando caiu em seu beijo e começou a experimentar uma espécie de desejo que só tinha conseguido uma dica quando havia se tocado intimamente ao fantasiar sobre ele. Ele a beijou longo, duro e profundo, como se ela pertencia a ele e somente a ele. Suas pernas começaram a tremer quando ele a agarrou e aproximou ainda mais o seu corpo ao dele com dedos fortes. Ela sentiu a ponta afiada do plástico que ele ainda segurava com a mão que estava nas suas nádegas e aquilo criou uma sensação tátil que a mandou girando ainda mais para as profundezas do desejo. Sua respiração tornou-se irregular quando ele puxou a sua boca para longe da dela. Ainda lhe segurando com uma mão na frente e a outro atrás, ele abriu os olhos e olhou diretamente em seus olhos. Ele respirou fundo e disse:

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- Eu preciso da verdade. Engolindo em seco, ela balançou a cabeça, mantendo-se teimosa e lhe negando uma resposta. Seus olhos brilhavam e suas palavras continham uma borda afiada. - Courtney. Há um problema mais imediato do que o meu ego maldito neste momento. Se você não me disser a verdade, eu posso fazer a suposição errada e não ter o tipo de cuidado do qual deveria. Seus olhos permanecia nos dela enquanto o seu controle parecia deslizar e ele murmurou. - Você entende gata, que neste momento estou meio que enlouquecido por você. Mas se há alguma chance de vir a te machucar, é melhor me dizer agora. Aquele significado bateu nela de uma vez. Provavelmente era ridículo, mas quando percebeu que Nick estava cheio de testosterona e numa quantidade suficiente para parar um trem em movimento e totalmente impaciente para cair em cima dela, seu rosto empalideceu, olhou para trás sem conseguir falar, com um medo súbito totalmente feminino lhe segurando em suas garras. Suas mãos lhe apertaram e ele buscou uma resposta. - Eu preciso de alguma coisa aqui. Dá-me alguma coisa para seguir em frente. Ela respirou fundo e segurando seus olhos, tomou uma decisão, ate mesmo porque não só desprezava a dor de qualquer espécie, e também porque só poderia perder a sua virgindade uma vez e mesmo que eles estivessem em pé dentro de um armário, ela queria que fosse especial entre eles. - Então, tenha cuidado. - Ela sussurrou. Ele olhou para ela pela contagem de dois segundos antes dos seus olhos fecharem e ele se inclinar mais uma vez na sua direção. Ele colocou seus lábios suavemente em sua testa e não houve outro jeito que Courtney poderia descrever aquele seu ato. Ele a beijou a abençoando. Era como se um interruptor tivesse sido invertido dentro dele. Foi embora aquele homem sexualmente agressivo de instantes atrás e em seu lugar, estava o Nick, como havia sido no seu décimo oitavo aniversário. Com um movimento suave, tomando-a pela mão, a levou para fora do closet ate o seu quarto.

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Ele a levou ate a cama, mas em seguida, com um movimento rápido, a pegou em seus braços e levou pelo corredor na direção da sua suíte. Ele estava prestes a coloca-la na cama quando ouviram bater na porta do vestíbulo ao lado do elevador. O barulho era alto e cacofonico, uma vez que ressoava pelo ar e aquilo fez o aperto de Nick sobre Courtney se tornar ainda mais forte imediatamente. Ambos olharam na direção da porta e em seguida, ouviram a voz de Garrett. - Nick! Que porra é essa? Você está aí ou não? Courtney sentiu o corpo de Nick tenso quando a sua cabeça desceu ate o seu ouvido e disse baixinho: - Nem uma palavra. Não mova um músculo. Não vou deixá-lo entrar. Percebendo que ela estava seminua e que Garrett tinha que saber que eles estavam dentro do apartamento, ela começou a se contorcer, querendo sair dos braços de Nick. Suas mãos se apertaram quando ele não a soltou, até Garrett mudou de direção, gritando: - Courtney! Eu sei que você está aí. Preciso falar com você. Vamos abra a porta, porra. Nick rosnou baixo em sua garganta. - Deixe-me sair. - Ela sussurrou para Nick e com um baixo ruído de raiva, ele a soltou dos seus braços. Ela não esperou nem mais um segundo, correu de volta para o seu quarto e em seguida, para o seu closet, onde pegou novamente a sua calça jeans e calcinha que Nick havia tirado dela a menos de cinco minutos. Sessenta segundos depois ela abriu a porta da frente, ainda descalça e encontrou um Garrett claramente chateado do lado de fora. Nick estava no aparador da sala de jantar derramando uma bebida e Courtney não podia acreditar que ele estava misturando aquele show de agitação com Bourbon no meio da tarde. Até onde ela sabia, ele nunca bebia durante o dia, a menos que absolutamente forçado por razões de negócio e certamente não em uma tarde de quinta-feira normal. Mas como havia passado tanto tempo fora, poderia ter mudado de habito.

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Quem diria? - Olá. - Ela cumprimentou enquanto Garrett caminhava para dentro e olhava primeiro para ela e em seguida, ao seu irmão com um brilho suspeito nos olhos. - O que diabos está acontecendo aqui? - Ele perguntou enquanto continuava a olhar entre os dois. Courtney se sentiu culpada ao ficar ciente de que seu cabelo estava todo bagunçado e do rubor em seu rosto. Ela olhou para Nick, que estava fazendo uma careta antes de engolir uma dose forte do seu Bourbon. Ele não fez nenhuma tentativa de responder ao seu irmão, na verdade, ele nem sequer olhou em sua direção. - Nada. - Respondeu Courtney a Garrett com o tom mais neutro possível. - Eu estava desempacotando as coisas no closet e não ouvi quando chegou. Onde está o meu abraço? Com outro olhar interrogativo na direção de Nick, Garrett tomou-a nos braços e abraçou-a calorosamente. - Parabéns. - Obrigada. - Disse ela olhando para ele. - Estamos todos orgulhosos de você, sabia? - Sua voz profunda ressoou pela sala. Uma sensação de prazer se infiltrou com aquele seu cumprimento. - Eu sei. Mas obrigada. Quando ele bagunçou ainda mais o seu cabelo e a soltou, ela disfarçadamente olhou para Nick que estava vestindo uma carranca de lutador enquanto os observava. Courtney deu um passo para trás quando Garrett voltou a sua atenção para Nick novamente. - Por que diabos você está bebendo? São duas horas da tarde. - Quem é você? A minha mãe? - Nick zombou. Garrett estreitou os olhos e colocou as mãos nos quadris. Ignorando a piada sarcástica de Nick, questionou seu irmão com raiva. - O que diabos está acontecendo com você, Nick? Está tentando chegar a Courtney primeiro? Eu te disse que eu vou levar ela para mim. Na verdade tenho lhe dito exatamente isso nos últimos seis meses. Courtney respirou fundo quando a confusão coloriu a sua expressão. - Levar? Mas que diabos está acontecendo?

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Nick bateu com o copo no aparador com tampo de vidro e finalmente, se virou plenamente para o seu irmão, com os olhos brilhando de raiva. - E eu te disse que de jeito nenhum ela vai andar por aí com você. Isso não vai acontecer, caralho. Andar por aí? Courtney tinha certeza de que estava faltando alguma coisa naquela declaração e tentando entender a dinâmica brusca no quarto, olhou entre os dois homens. - Você não é a porra do seu guardião, Nick. Ela é uma mulher adulta agora e pode tomar as suas próprias decisões. - Garrett atirou de volta. Courtney já tinha ouvido o bastante. - O que está acontecendo aqui? É melhor um dos dois começar a me explicar. E parem de falar como se eu não estivesse parada aqui no mesmo lugar que vocês. Os irmãos continuaram a olhar um para o outro e em seguida, começaram a falar com ela ao mesmo tempo. - Eu quero que você vá trabalhar no campo de aquisições. - Garret anunciou. - Você irá trabalhar no campo de reestruturação. - Nick atirou para fora, olhando diretamente para ela. Garrett se virou e explodiu com um olhar de descrença. - Você tem mais pessoas do que o necessário no campo de reestruturação. Vou construir uma nova empresa com ou sem a Rule Corporação me apoiando e a Courtney vem comigo nessa. - O que diabos você quer dizer com isso? - Nick se irritou. A voz de Garrett se aprofundou e o que Courtney ouviu era quase arrepiante. Como havia pensado que este homem era o mais acessível dos irmãos? - Estou malditamente doente e cansado dos meus queridos irmãos me dizendo o que posso ou não fazer. Está na hora de começar a fazer algum dinheiro de verdade e sei exatamente como fazer. Se você e Damian quiserem participar da trama, muito bem, mas se não, vou fazer isso sozinho e estou certo de que vou levar a Courtney comigo. - Jesus Cristo, Garrett, você acha que nós não estamos fazendo dinheiro de verdade? - Nick gritou em descrença.

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- É hora de expandir, Nick. Alavancagem estrutural, que é o que desejo. Podemos fazer uma tonelada de merda de dinheiro. Os dois homens se olharam enquanto Courtney tentava diminuir aquele aperto. Discussão na família não era uma coisa boa. No contínuo silêncio de Nick, Garrett começou a afirmar o seu caso. - Vai ser simples. Formamos uma carteira de investimento. Nós financiamos, subsidiaremos e manteremos tudo aberto-. Nick o interrompeu com um tom que pingava impaciência. - Eu sei muito bem como uma holding funciona, Garrett. Mas há um problema que você não está pensando. Damian e eu não gostamos de dívida de qualquer tipo e você sabe disso. Quando Garrett estreitou os olhos e cerrou os dentes, Courtney olhou para Nick. Quando o silêncio continuou a pulsar entre os dois homens, ela respirou fundo e disse o que estava pensando: - Sim, mas o risco seria mínimo. É uma ideia incrível. Nick se virou para ela com uma expressão que não sabia ler, mas ela não ficou se debatendo naquilo e continuou: - Você deveria, pelo menos, considerá-lo, Nick. Como Garrett disse você poderia comprar os investimentos através de um conjunto de uma carteira de investimento. Você realmente só tem que contribuir com uma pequena percentagem, fixada para cada um e elaborar um acordo operacional onde permita outros investidores comprar algumas ações. Enquanto os dois irmãos ouviam com a atenção totalmente fixa nela, continuou: - Se o restante da dívida para cada investimento for financiada através de empréstimos garantidos, então o seu risco real seria insignificante. Quando a declaração de Courtney chegou ao fim, Nick pareceu totalmente assombrado, enquanto Garrett irrompia em um sorriso enorme e falava para ela: - Não lhe disse que a MBA seria uma coisa boa? - Então ele se virou para Nick. - E eu disse a você, que ela é minha. Quando as duas últimas palavras saíram da boca de Garrett, Nick virou-se para seu irmão com fúria em seus olhos. - Ela não é sua e é melhor você nunca mais dizer isso de novo.

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Um longo momento de silêncio aquecido encheu a sala enquanto os dois irmãos se entreolhavam. - Que porra é essa, Nick? - Garrett sussurrou. - Foi ideia sua ela ficar esses dois anos extras na Flórida? - Nick perguntou com veemência. - Não, apenas apoiei a sua decisão de ter um mestrado. - Garrett respondeu. Quando Garrett continuou a olhar para ele cheio de confusão em seu rosto, Nick respirou fundo e voltou para a conversa original. - Nós temos dois problemas aqui. Uma delas é a questão da formação de um holding e se nós vamos fazer elaGarret o cortou. - Eu estou fazendo isso. A questão é saber se meus irmãos querem ou não participar. Nick olhou e continuou: - E a outra questão é Courtney. Ela não está pronta para trabalhar com você e ponto final. Courtney sentiu um choque quente de raiva por aquela decisão estar sendo feito para ela. - Sinto muito, mas como? - Ela perguntou sarcasticamente. - Você não vai trabalhar para ele. - Nick reafirmou enquanto voltava seu olhar para ela. De repente, estava tão louca de raiva que mal conseguia respirar, então retrucou: - Eu acho que você não deve tomar uma decisão que cabe apenas a mim. Nick a criticou com um olhar e em seguida, olhou para Garrett, que tinha de repente ficado calado, apenas olhando para os dois com desconfiança. Nick se virou completamente para ela e Courtney pode perceber que ele estava, pelo menos, tentando controlar a sua impaciência. - Ele terá que viajar pelo mundo inteiro, querida. Pessoalmente, acho melhor ganhar dinheiro o suficiente apenas dentro dos EUA, mas se ele quer correr atrás de mais, não posso impedi-lo. Viagens ao exterior é perigoso e você não está pronta para isso. Courtney olhou para Nick. Porque ela ainda ficava surpresa?

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Esse era exatamente o seu método de operação e por que ainda isso a chocava, ate agora não entendia. Ela tinha um casal de diferentes de pensamentos clamando por um espaço em seu cérebro. A primeira e mais importante era o fato de que Nick não queria lhe autorizar a sair da sua vista, para tratá-la como se fosse sua marionete. A segunda era que, neste caso, ia ser difícil provar a sua independência, porque não pretendia viajar para o exterior a negócios. Dentro dos EUA tudo bem, mas não queria viver com uma mala na mão em um futuro próximo, ela não era um viajante por natureza. Então, o que deveria dizer? Ela decidiu ignorar o seu comportamento homem das cavernas e virou para Garrett em seu lugar. - Obrigado por ter tanta fé em minhas habilidades. Mesmo que o seu irmão esteja errado quando pensa que pode tomar decisões por mim. - Ela se virou e deu a Nick um olhar irritado antes de se voltar para Garrett. - Independentemente disso, eu não quero ter que ficar viajando por todo o mundo. Garrett respondeu de volta rapidamente. - Vocês dois estão errados. Eu não preciso de você no exterior para nada. Preciso de alguém focado, alguém confiável e ambicioso para executar as coisas aqui enquanto eu estiver fora. Você é a pessoa perfeita. Você é muito inteligente e isso ninguém pode negar. Você é da família, assim não há dúvida de sua lealdade. Mas sinto muito se fiz a suposição errada de que ao se formar, iria querer trabalhar com a gente. Erin tem se encaixado perfeitamente e nós apenas assumimos, após a sua volta para casa, que gostaria de subir a bordo, também. Se eu pensei errado, peço desculpas. - Não, tudo bem. Estou honrada que vocês pensem tão bem de mim. - Bem, merda, Courtney. E não é só isso. - Disse Garrett. - Claro que ajuda o fato de você ser brilhante. Mas, você é da família. É claro que você vai receber algo. Mesmo que o Nick e eu não possamos concordar que essa divisão vai acontecer algum dia, mas você sempre terá um lugar na corporação, se assim o desejar. - Ele olhou para o irmão pedindo a sua comprovação. - Diga a ela, Nick.

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Courtney olhou para Nick e não estava nem um pouco surpreso com o que viu. Uma máscara havia descido sobre seu rosto, mas a sua linguagem corporal falava em alto e bom som. Seus braços eram mantidos de forma rígida ao seu lado e seus músculos estavam como fios de aço. Embora ela não pudesse ler seus olhos, as suas feições falavam tudo o que ela precisava saber. Sua pele facial estava esticada através das suas maçãs do rosto, a sua mandíbula apertada em linhas de tensão e quando finalmente respondeu a sua voz era plana e concisa: - É claro. Família em primeiro lugar. Seu olhar saiu dela e se fixou em Garrett. - Nós já terminamos aqui? Eu tenho trabalho a fazer.

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Capítulo Quatro Courtney endureceu, consternada por Nick ter acabado de sair da cobertura de uma forma tão abrupta. Garrett soltou uma respiração reprimida, após a saída repentina do seu irmão. - Ignore-o. Ele simplesmente é extremamente controlador, assim como Damian. Então, você concorda? Se ela concorda? Ela gostaria muito daquele acordo, mas não queria trabalhar diretamente ou próxima ao Nick. Garrett, no entanto, trabalhar para ele seria perfeito, especialmente se não tivesse que viajar o tempo todo. - Isso soa muito bem, mas já tenho um par de entrevistas agendadas. Eu realmente gostaria de participar. - Claro, faça isso. - Ele lhe deu um olhar medido. - Na verdade, isso vai ser uma boa experiência para você quando tiver que começar a contratar pessoas para nós. Ela sorriu. - Pensando dessa maneira, ir para uma entrevista será extremamente fácil. Os lábios de Garrett se contorceram em um sorriso. - Absolutamente. E quando você estiver pronta, tenho certeza de que vai adorar o fato do seu primeiro trabalho ter sido com a gente. - Ah, é? - Ela perguntou inclinando a cabeça. - Sim. - Contanto que você não me mande viajar para aqueles lugares loucos, que nenhuma pessoa normal gostaria de ir. - Não? - Garrett perguntou com uma nota de brincadeira. - E se eu te dissesse que preciso de você na Flórida por duas semanas? Diante de suas palavras, um chute forte de prazer passou pela sua espinha. Florida seria perfeito. Ficar longe de Nick por um tempo, para poder planejar a sua estratégia, seria ainda melhor.

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- Feito. - Ela concordou alegremente. - Bem-vinda a bordo.

**** Nick se sentou em sua mesa e pressionou os dedos na sua têmpora. Ele já havia tomado de uma única vez três ibuprofeno, mas os analgésicos não estavam lhe ajudando em nada, pelo menos ainda. Por que diabos os seus sentimentos em relação à Courtney, por vezes, o fazia se sentir vagamente... Incestuoso? Um rio de culpa percorria o seu sangue. Pela centésima vez, ele reiterou a si mesmo que ela não era a sua irmã. Não havia nenhuma ligação de sangue. Eram de sobrenomes diferentes. E nunca haviam vivido na mesma casa ao mesmo tempo. Então, nada de errado com os seus sentimentos por ela. Obrigado. Mas foda, agora que ele poderia tê-la, não conseguia mais esperar, as suas bolas estavam tão azuis que já estava começando a ficar preocupado. Courtney era dele... Ela sempre foi apenas dele... Agora a sua família teria que conviver com aquele fato.

**** Três semanas mais tarde Courtney se afastou dos empreiteiros de remodelação a ponto de arrancar seus cabelos. Por que diabos eles não conseguiam seguir uma instrução tão simples? Era como se alguém estivesse sabotando tudo o que fazia ou dizia. Como as coisas poderiam continuar indo tão mal? Esta viagem a Florida era supostamente para ter sido algo simples. Nada mais do que a remodelação de um hotel. Será que o Nick estava escondido em algum lugar, tentando agravar a sua vida de uma forma que ela sairia correndo para casa em St. Louis?

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Ela caminhou de volta para o escritório e jogou o notebook sobre a mesa que estava usando e olhou através da sala, para a jovem que havia trabalhado para o hotel desde que era adolescente. Maria tinha a sua idade ou possivelmente, um pouco mais jovem, mas é aí que as semelhanças terminavam. Enquanto Courtney era loira e de estatura média, essa garota era morena escura, alta e voluptuosa em todos os outros. Quando a menina olhou para cima e não pôde conter um leve brilho em seus olhos, a verdade surgiu dentro de Courtney de uma só vez. Naquele exato momento, estava olhando para a culpada. Esta menina era simplesmente o espinho no seu sapato. Ela era a pessoa que estava minando todos os pedidos de Courtney, pois assim como percebeu, era extremamente fácil para a outra garota realizar todas as suas manipulações. Sem dizer uma palavra, Courtney virou e subiu para a suíte que estava usando desde quando retornou para a Flórida. Ela pegou o celular e apertou o botão de discagem rápida para falar com o Garrett, não dando a mínima para a diferença de fuso horário. Quando ele respondeu, ela não perdeu tempo. - Estou prestes a matar a Maria. - Courtney anunciou com fúria em sua voz. Houve um silêncio morto na outra extremidade da linha. - Você me ouviu, Garrett? - Sim. Ele limpou a garganta e uma grande moleza era apresentada em sua voz. - Então, o que há de errado? Qual é o problema? - Ela é uma raposa num galinheiro, isso é o que ela é. Ela está mudando as ordens de compra, mudando o itinerário das entregas, manipulando toda a ordem que dou e arrastando para o ralo toda a remodelação. Especificamente, ela não está do nosso lado. - Sim, tudo bem, ouvi tudo. Você pode me fazer um favor, primeiramente deixe-me voltar para os Estados Unidos, antes de fazer qualquer coisa? - Quanto tempo? - Courtney exigiu de forma sucinta. - Já finalizei tudo aqui, inclusive tenho um voo programado para amanhã de manhã.

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Como nunca na vida havia demitido ninguém e não estando exatamente ansiosa para fazer isso, Courtney acabou respirando fundo, antes de falar. - Você terá que lidar com isso? - Sim. Quanto tempo falta para os empreiteiros terminarem?Perguntou Garrett. - Cerca de uma semana ou duas, no máximo, lógico que se nada mais desastroso acontecer. - Respondeu Courtney após ter se acalmado um pouco. - Tudo bem. Você quer tirar uma pausa nas questões de lixa e serragem por um tempo? Basta se afastar um pouco de tudo e quando eu chegar aí, você volta para St. Louis e começa a organizar as coisas em seu novo escritório, ok? - Parece bom. Mas Garrett? Courtney estava apenas um pouco mais tranquila, porem ainda tinha muita irritação correndo em suas veias. - Sim? - Perguntou ele. - Eu estou falando sério. Essa pequena bruxa tornou a minha vida um inferno desde o primeiro dia e isso exige uma revanche. Houve um momento de silêncio antes de Garrett voltar a falar de uma forma que quase fez a Courtney sentir pena da garota. - Confie em mim, ela vai ter o que merece.

**** Garrett chegou à tarde do dia seguinte e pela primeira vez, Courtney estava muito feliz ao deixar a Flórida para trás. Tinha planejado em ir de táxi para o apartamento, mas Justine insistiu em pegá-la no aeroporto. Agora, enquanto inclinava a cabeça para trás no encosto do carro e fechava os olhos, perguntou para a sua madrinha: - E a reforma já terminou? - Sim, querida, e está tão lindo! Agora que você está de volta, eu acho que devemos fazer uma festa, não é mesmo? Não dando tempo Courtney para formular uma resposta, Justine continuou: - Eu espero que sim, porque já planejei tudo. Courtney gemeu por dentro.

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As festas de Justine eram sempre uma desculpa velada para que ela pudesse praticar as suas habilidades de casamenteira. Quem seriam as vítimas de suas maquinações dessa vez? Sua madrinha continuou: - Vai ser algo pequeno, talvez doze ou no máximo dezesseis pessoas. Garrett não está aqui, é claro, e não será capaz de voltar a tempo, mas não vejo o porquê do resto dos meus filhos não participem do evento. - Nick ainda está fora da cidade. Courtney advertiu, sabendo que ele ainda estava na costa oeste, já que a sua viagem emergencial para a Califórnia era a única razão pela qual ela ainda mantinha a sua virgindade. - Ah, é? Ele nunca fica fora por muito tempo. Talvez esteja de volta a tempo de participar. - Respondeu Justine. Courtney manteve os olhos fechados enquanto escutava em silencio os comentários da sua madrinha sobre a festa. Justine falou brevemente sobre que tipos de alimentos deveria servir e que gostaria de convidar apenas casais. Após um momento começou a adormecer e só conseguia ouvir pequenos pedaços daquele diálogo unilateral. - Damian virá... Aquele menino está tão bonito... Acho que vocês formariam um lindo casal. Eu sei que você concorda com isso, não é mesmo, querida? Especialmente porque não há ninguém especial neste momento em sua vida, certo? Os olhos de Courtney se abriram de repente e a sua cabeça virou para Justine enquanto uma grande descrença a consumia. - Sinto muito, o quê disse? Justine não respondeu, enquanto se concentrava em mudar de pista naquele tráfego pesado. Courtney voltou a lhe perguntar com impaciência: - Você disse algo sobre Damian... E eu formar um casal? Ela não pôde conter o grito horrorizado que saiu de sua garganta. - Bem, sim, querida. Você não acha que ele é perfeito... E muito bonito? Obviamente, sou suspeita em falar já que ele é meu filho, mas você não pode negar o quão bonito ele é. Courtney não conseguia parar de manter a boca aberta. Damian... e ela? Apenas aquela ideia era absurda.

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Totalmente ridícula. Damian era como um... irmão para ela... um irmão mais velho e totalmente distante. Ele era bonito? Sem dúvida. Desde que você gostasse de um cínico ou um homem de negócios totalmente voltado para o dinheiro e cem por cento impassível. Ela imediatamente se sentiu culpada diante daquela sua avaliação dura do caráter de Damian, afinal ela realmente o amava, mas não de uma forma romântica. Deus, não. Só em pensar sobre aquilo já se sentia doente. Com o seu contínuo silêncio, Justine olhou na sua direção. - Oh, querida, você estava dormindo? Sinto muito. Feche os olhos novamente, chegaremos em casa daqui a pouco. Courtney aceitou aquelas desculpas e fez como sugerido, rapidamente fechando os olhos.

**** Os dias seguintes a sua chegada voaram e Courtney propositadamente ignorou as referência de Justine para um relacionamento com Damian, agia como se a mulher nunca tivesse mencionado isso na vida. Logo, se jogou com tudo em seu novo trabalho. Garrett lhe enviava uma lista de instruções todas as manhãs e elas eram tão meticulosas que raramente precisava de alguma orientação. Quando à noite chegava, realizava a mudança das suas coisas que estavam na cobertura de Nick de volta para a casa de Justine. Apesar de saber que aquele arranjo de vida havia sido algo temporário, o mesmo que sentia com relação à casa de Justine, tinha a consciência de que precisava encontrar o mais rápido possível o seu próprio lugar. Desde que Nick estava fora da cidade por alguns dias, isso havia tornado mais fácil àquela mudança para Courtney, pois como ele não tinha conhecimento sobre a mesma, então, não tinha como tentar impedila enquanto ela a executava.

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Não que ela tivesse tido a oportunidade de desempacotar todos os seus pertences, pois havia passado apenas algumas noites aqui antes de voltar para a Flórida e começar a trabalhar com o Garrett. Mas mesmo que Nick não estivesse por perto, isso não significava que ele não iria cuspir fogo sobre ela através de mensagens de texto. O primeiro texto veio na mesma noite em que chegou a St. Louis. Já chegou em casa? Sem dúvida, Garrett havia lhe falado sobre o seu retorno. Sua resposta foi curta e doce. Sim. Logo em seguida enviou uma nova mensagem. O que você está fazendo? Hmmm. Ele não ia gostar de saber. Mas por que não acabar logo com isso e dizer-lhe a verdade? Voltando para a casa da sua mãe. Mal enviou a mensagem ele já estava lhe questionando Por quê? Ela respondeu com toda sinceridade. Porque é onde eu moro. Sua resposta voltou imediatamente. Não mais, você não pertence mais aquele lugar. Uau. Ok. Isso não seria nada fácil. E como deveria responder a aquele seu comentário?

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Você está pensando em contar a sua mãe que iremos viver sob o mesmo teto? Ele apenas digitou. Ela vai ter que descobrir mais cedo ou mais tarde. Sem pensar antes nas consequências acabou digitando. Provavelmente será mais cedo. Ela vai dar uma festa amanhã à noite e acho que já tem tudo arquitetado em sua mente desta vez. Ele digitou. Como assim. Courtney respirou fundo e digitou. Ela está tentando me unir com o seu irmão. Nick estava lhe respondendo quase que automaticamente ate aquele momento, mas após a sua ultima mensagem não veio nada. Courtney esperou. E então ela esperou um pouco mais. Até que não conseguiu mais se segurar e acabou mandando uma nova mensagem. Nick? Dessa vez ele respondeu. Sim? Ugh. Às vezes falar com ele era como extrair um dente! O que você acha sobre isso?

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Ele respondeu. Como o Garrett está fora da cidade, então, estou supondo que ela está lhe empurrando o Damian? Ela estava quase em pânico. Sim. Sua resposta veio rapidamente. Ela quer ficar tranquila com relação ao seu futuro ou ela sabe que algo está acontecendo entre nós. Courtney olhou para aquelas palavras e engoliu em seco. Bem, isso era o mais próximo da verdade. Ela e Nick sabiam disso, mas será que realmente havia algo acontecendo entre eles? E será que Justine havia percebido isso? Será que estava tentando jogar Damian para cima dela apenas para forçar uma confissão de Courtney? Ou um confronto com Nick? Ela respirou fundo e pensou sobre isso. Não restava nenhuma dúvida na sua cabeça que Justine poderia ser muito astuta, quando queria. Cristo. Pobre do Damian, pois ele havia sido pego no meio de tudo isso. Courtney quase se encolheu de vergonha. Será que ele já tinha conhecimento sobre o que a sua mãe estava tramando? Ela esperou muito tempo para responder aquele seu ultimo comentário e seu celular acabou vibrando novamente com uma nova mensagem de Nick. Tanto faz. Não vá embora da cobertura. Olhando para a última caixa, percebeu que a sua verdadeira intenção era de realmente passar essa noite ali, então suspirou antes de responder.

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Já estou de partida. Ele respondeu. Melhor não. Ela digitou. Sou eu quem decide isso. Nenhuma resposta. Após esperar um momento levou a ultima caixa para o seu carro. Assim que estava prestes a sair do estacionamento, seu celular vibrou novamente. Completamente paralisada ficou olhando para o texto de Nick por um bom tempo. Fique bem longe de Damian. Ela estudou aquelas palavras e uma propagação de calor surgiu em seus membros diante da demonstração de ciúme do Nick que não conseguiu conter, nem mesmo através de uma mensagem. Ela se esforçou para controlar o prazer que estava invadindo a sua corrente sanguínea, pois na verdade, não havia nada de bom sobre o ciúme, porem rapidamente perdeu a batalha e um pequeno sorriso que não podia controlar eclodiu em seus lábios. Mas, ainda assim, recusou a responder aquele seu comentário.

**** Nick pousou no Aeroporto Internacional e em menos de 45 minutos estava estacionando seu carro na casa recém-reformada da sua mãe. O evento que ele se recusava a participar parecia estar em pleno andamento, de acordo com as luzes flamejantes e a garagem repleta de veículos top de linha.

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Mas ele não estava no clima para uma festa... Ele não estava no clima para um bate-papo ocioso... Ele não estava com disposição para lidar com sua mãe ou os seus amigos. Então, por que diabos ele estava aqui? Ele confiava plenamente em Damian. Mas como nunca havia saído e afirmado para quem quisesse ouvir que a Courtney era apenas sua, Damian não poderia saber das suas reais intenções para com ela. Por isso, era provavelmente melhor afastar de uma vez por todas aquela determinada colisão, da melhor forma possível. Com determinação andou em volta da casa e entrou pela porta de trás, tomou um caminho em torno da escadaria secundária, até chegar ao ponto em que a sala de estar se fundia com o corredor traseiro. Ele podia ver as pessoas dali, mas eles não eram capazes de vê-lo, a menos que estivessem olhando para o local exato onde ele estava. Não era a sua intenção participar daquela festa. A sua intenção era apenas observar a tudo e a todos. E daquele seu ponto de vista, podia ver claramente a sala de estar e a porta da frente. Ele olhou em volta e viu Courtney imediatamente. Ela usava um vestido amarelo brilhante que tornava a sua pele e o seu cabelo totalmente luminoso. O material se agarrava ao seu corpo e acentuava as curvas dos seus seios. Mesmo a essa distância, ele podia ver que ela estava usando a joia que havia lhe dado há muitos anos, mas isso não era nenhuma surpresa, pois ela sempre usava. Enquanto ela conversava com uma amiga da sua mãe, percebeu quando ela pegou a joia e o tocou levemente. A joia que ele lhe deu envolvida em torno do seu pescoço. Um movimento brusco de posse deslizou por sua espinha e produziu um calor latejante em seus jeans. Ele estava olhando para a curva de seus lábios quando ouviu a chegada de Damian. Nick viu claramente quando a cor sumiu do rosto de Courtney assim que percebeu a chegada de seu irmão, mas logo depois, a sua expressão de pânico foi subitamente transformada por um sorriso radiante. Que porra era aquilo? Torcendo a cabeça para longe da sua figura, ele imediatamente percebeu o que tinha causado aquela sua apreciação.

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Damian tinha trazido uma mulher. Nick não conseguiu controlar a onda de prazer e satisfação perversa que passou por ele diante da rebelião de seu irmão contra as inferências da sua mãe. Ele observou enquanto Courtney seguia atrás da sua mãe, na direção de onde Damian estava parado com a mulher que ele havia trazido, esperando a sua vez de cumprimentar o casal. Após Damian fazer as apresentações a sua mãe, Courtney colocou um lindo sorriso no rosto e deu um beijo na bochecha de Damian. Nick continuou a olhar para aquela cena com um pouco de espanto ao verificar a menina que mantinha Damian colado ao seu lado num aperto de morte. A mulher não se encaixava de forma alguma no modo conservador habitual de seu irmão. O seu estilo de se vestir definitivamente era totalmente inclinado para o gótico. Ela era muito bonita e não havia nenhuma dúvida com relação a isso, assim como também não havia dúvida de que Damian a mantinha presa junto a ele com uma mão territorial apertada em volta da sua cintura. Nick nunca tinha visto aquele olhar no rosto de seu irmão e duvidava muito que Damian fosse capaz de fingir tão bem apenas para enganar a sua mãe. Interessante. Muito interessante. Nick estava prestes a relaxar quando a sua mãe entrou em ação. Filho da puta. Antes de qualquer preâmbulo aquela sua mãe manipuladora separou Damian da sua convidada e agora mantinha a pobre moça encurralada lhe interrogando ou assim parecia a Nick, do seu ponto de vista. Vários empresários assediaram o Damian e de alguma forma, Courtney acabou parada no mesmo círculo de convidados, ao lado do seu irmão. De onde estava Nick podia ver as linhas finas do corpo dela enquanto era mantida a força dentro daquele círculo de homens. Ele podia ver o sorriso forçado que estava estampado em seu rosto e a curva feminina da sua cintura, aquela ultima visão fez com que o seu pênis se contorcesse e inchasse ainda mais em suas calças. Ele tentou lutar contra a sua excitação, mas não adiantou. Seu pênis pulsava com uma grande necessidade primitiva.

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Quando ele passou a olhar através do anel de convidados, viu um par de olhos masculinos colados à frente do vestido de Courtney e todo o seu controle foi embora. Uma grande onda de fúria iluminou o seu interior, mas no momento exato em que Nick estava prestes a sair de seu esconderijo e fazer uma cena, Damian fez para o filho da puta uma pergunta incisiva e o olhar daquele idiota foi forçado a deixar Courtney ao ser incluído na conversa. Nick relaxou um pouco, mas continuou sentindo aquela necessidade de permanecer a uma curta distância do seu alvo, então aproveitou uma oportunidade e escorregou de volta para o corredor, em seguida, entrou por uma porta lateral que dava diretamente atrás de Courtney. Ele rondava por trás dela com passos silenciosos e não querendo ser visto por ninguém, deslizou por trás de um grande vaso de palmeira e uma tela chinesa, utilizando-os como cobertura ate que ficou a poucos centímetros de sua espinha delicada. Sem poder controlar o movimento do seu corpo acabou se inclinando, sentindo o perfume do seu cabelo e do seu pescoço, mas quando a sua essência afundou em sua corrente sanguínea, ele sentiu a tensão sutil que invadiu o seu corpo e soube naquele instante que ela havia percebido que havia alguém atrás dela. Não querendo participar da festa e querendo Courtney só para ele não perdeu tempo, passou os dedos em torno do seu pulso ao mesmo tempo em que se inclinava ate o seu ouvido e falava baixinho para que apenas ela lhe ouvisse. - Silêncio. Ela ficou rígida e completamente congelada no lugar. Ele olhou para cima e viu que todos os olhos estavam sobre o seu irmão enquanto ele comandava a conversa. Nick viu a oportunidade surgir e agiu rapidamente. Segurando o pulso de Courtney em um aperto firme, a puxou para trás um passo de cada vez ate que estivesse ao seu lado e depois a puxou para fora da sala, inteiramente.

**** Enquanto Courtney estava no círculo de homens, ela tentou bravamente manter o foco na conversa, mas era algo quase impossível, já que se sentia entediada ate a alma, pois detestava totalmente a classe

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executiva em particular e até hoje, era difícil até mesmo fingir que estava interessada em qualquer coisa que eles estivessem inclusos. Ela escutava apenas com metade da sua atenção Damian controlar toda a conversa e enquanto ficava completamente imóvel ao seu lado se perguntava como diabos havia parado naquela situação. Justine novamente. Aquela mulher era tenaz quando queria algo para um de seus filhos. Uma grande suspeita formou um nó na sua barriga. O que exatamente a sua madrinha estava tramando agora? Incapaz de conter as suas suspeitas, seu olhar viajou por todo o ambiente ate encontrar Justine sorrindo para a acompanhante de Damian, a uma mulher que havia se apresentado como Angie Ross. Será que Justine tinha realmente a intenção de forma o casal Courtney e Damian hoje à noite? Ate aquele momento a sua madrinha não havia demonstrado qualquer remorso com a atitude do seu filho, ao contrario, ela estava falando animadamente com a acompanhante de Damian, como se estivesse sinceramente muito satisfeita que seu filho mais velho havia trazido aquela mulher para a festa. Angie Ross parecia ser apenas um pouco mais velha que Courtney, porem duvidava seriamente que fosse, e era verdadeiramente requintada, lógico, se alguém olhasse além dos cosméticos radicais que usava. Ela era totalmente diferente do habitual tipo de mulher que o Damian andava, com aquela sua pele pálida acentuada pelo cabelo preto e a pesada maquiagem. A forma como estava vestida e maquiada parecia ser uma camuflagem, como se estivesse se escondendo do mundo ou talvez, apenas escondendo a sua verdadeira personalidade de Damian. Quem diria? Mas enquanto continuava a lhe observar, notou que a outra mulher parecia estar totalmente fora do seu elemento, totalmente perdida dentro de um grupo de pessoas que não se sentia confortável, e Courtney não pode deixar de notar o ligeiro tremor que passou pelo corpo da outra menina, como se ela não quisesse nada mais do que fugir daquela cena, naquele instante sentiu um pouco de pena dela por causa da situação em que havia sido jogada. Com aquele pensamento em mente começou a formular um plano para escapar de onde estava agora e ir falar com a menina, para que pudesse fazê-la se sentir mais confortável.

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Mas quando Courtney estava prestes a pedir licença e se retirar, inexplicavelmente, uma sensação tentadora percorreu-lhe a espinha. De repente, sem explicação alguma, um arrepio provocante arrepiou toda a sua pele, ao mesmo tempo em que sentia alguém vindo por trás dela. Ela não conseguiu mais respirar ao sentir uma respiração bem próxima aos músculos do seu pescoço e um peito de aço em suas costas. Um perfume inebriante tomou conta dela e invadiu seus sentidos. Apenas um homem carregava aquele cheiro incrível. Mas esse único homem deveria estar fora da cidade. Assim que aquele pensamente passava pela sua cabeça, sentiu dedos ásperos e masculinos se fechar em seu pulso de uma forma que ela sabia muito bem que não poderia se soltar. Não que ela tivesse qualquer intenção de tentar se soltar algum dia dele. Um calor imediato e abrangente começou a correr por sua espinha e ela teve que conter um gemido enquanto aquela sensação lhe percorria. Nick. Deus... Era o Nick. Seus dedos ao redor de seu pulso lhe comunicavam todo o seu sentimento de posse ao lhe demonstrar a sua força e lhe causar um pouco de dor. Ela foi atingida por emoções inconsistentes, sentia-se tanto indefesa como poderosa ao exalar uma respiração fraca e permanecer totalmente imóvel, apenas esperando o seu próximo movimento. Uma umidade floresceu e umedeceu a sua calcinha enquanto era inundada por um calor sexual. Seu estômago se apertou de necessidade enquanto permanecia presa por uma única mão grande ao redor dos ossos menores de seu pulso. Seu polegar massageava suavemente o seu pulso enquanto sentiu todos aqueles seus músculos vigorosos nas suas costas. Sua boca deixou seu pescoço e percorreu a sua orelha, a fazendo sentir toda aquela sua perigosa força dominante, ate que ele sussurrou. - Silêncio. Seu estômago se apertou ainda mais quando a sua necessidade aumento ao lhe puxar para trás e lhe arrancar para longe da multidão.

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Em apenas poucos segundos ele havia lhe escoltado para fora da sala por completo. Parando seus passos no corredor escuro, que levava para a cozinha, a colocou contra a parede. Os dedos de uma mão se afundaram em seus cabelos e a outra pousou em seu queixo, o levantando até que ela foi forçada a olhar dentro dos seus olhos. Ela notou que as maçãs do seu rosto estavam vermelhas e a sua mandíbula apertada com força enquanto ele cuidadosamente olhava apenas para ela. Seus olhos percorreram seu rosto, estudaram seus lábios, seus olhos e seu cabelo por alguns segundos antes de falar abruptamente. - Vamos lá. Ela engoliu em seco e tentou ganhar algum controle sobre as suas emoções. - Vamos? Para onde? Sua boca se achatou diante da sua pergunta. - Eu não vejo você há quase um mês. Onde você acha que devemos ir? Vamos voltar para a cobertura. Onde está a sua bolsa? - Eu não posso sair agora. - Ela sussurrou freneticamente. Seus olhos se estreitaram e seus lábios ficaram tensos diante da sua implacabilidade. - Oh, mas eu tenho toda a certeza do mundo que você pode. Ele declarou com uma precisão que aumentou ainda mais o aperto na sua barriga. Mas quando o seu olhar começou a se acender dentro do dela com aquela sua demanda inflexível, o seu batimento cardíaco acelerou e ela sentiu um tremor fino invadir as suas pernas. - O jantar... O jantar ainda não foi servido. Todo mundo vai notar que não estou mais presente. Um olhar severo surgiu nas suas características, mas em vez de uma repreensão verbal, ele começou a sacudir a cabeça para trás e para frente de forma lenta e cheia de uma autoridade inflexível, não permitindo de forma alguma um ‘não’ como resposta. Ela abriu a boca para contestar. - NickCom um movimento rápido sua mão saiu do seu queixo e voou para a sua boca, cortando todas as palavras que ela iria proferir.

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Ela prendeu a respiração quando o seu pulso começou a bater freneticamente atrás de seu esterno e sentiu seus olhos se incendiarem enquanto ele se aproximava com a intenção de invadir o pouco espaço que restava entre eles. - Você tem duas opções, querida. Ele anunciou definitivamente. - Nós podemos sair e ir para o meu apartamento ou eu vou carregala agora mesmo para a sua cama lá em cima. Seus olhos continham um brilho feroz quando acrescentou: - A mesma cama que era minha, antes de se tornar sua. Você sabe quantas vezes eu fantasiei sobre o fato de você dormir no meu antigo quarto? Atrás de toda aquela aderência intransigente que saia de sua boca, ela engoliu em seco e conseguiu fazer apenas um pequeno aceno de cabeça. Seus olhos deixaram os dela e caíram sobre seus seios antes de levantar de novo com uma nova luz sensual. - Mais vezes do que me lembro. Eu conhecia cada centímetro daquele ambiente, então podia imaginá-la lá triste e sozinha. Queria consolá-la, mas acho que não é nenhum segredo o porquê de não poder correr esse risco. Courtney sentiu a sua postura se tornar ainda mais rígida enquanto ele admitia: - Você faz coisas no meu interior que ninguém jamais chegou perto de fazer, sabia? Ela olhou fixamente sem piscar em seus olhos castanhos e atraentes enquanto ouvia as suas palavras. - Tem sido um longo tempo, Courtney. Parece que eu esperei por você por toda a vida. Seu queixo caiu enquanto seus olhos perfuraram os seus. - Mas agora a espera acabou, entendeu? Seu tom ficou duro enquanto continuava. - Eu deixei você ir para uma faculdade com todos aqueles malditos quilômetros de distância, mesmo isso quase me matando. Eu esperei por você concluir a pós-graduação e Deus sabe que isso quase me enterrou. Eu mesmo segurei a minha maldita língua quando você voltou para a Flórida e decidiu correr por aí com o Garrett, quando poderia ter ficado e

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ido para a Califórnia comigo. Agora preciso que me entenda quando digo que estou cansado de esperar. Ok? O que ela poderia dizer? Ele ainda segurava sua mão sobre a sua boca, então não conseguiria mesmo lhe responder, mesmo se soubesse o que dizer. Restou apenas tentar transmitir seus sentimentos com os olhos, mas não tinha nenhuma maneira de saber se estava funcionando. Seus dedos em seu couro cabeludo se tornaram inflexíveis quando ele se inclinou e tirou a mão da sua boca, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus lábios pousaram lá com uma forte intenção. Ele enfiou a língua em sua boca e começou a beijá-la como se isso fosse à coisa mais importante no mundo para ele. Foi quando estrelas começaram a explodir em sua cabeça. Deus, ela sempre esperou por ele, também. Para ser mais precisa, a sua vida inteira. Ela nunca sentiu por alguém o que sentia por Nick. Ela o amava tanto que não conseguia nem enxergar direito. Então começou a beijá-lo de volta. Seus lábios se inclinaram sobre os dela e foi como se ele estivesse saciando uma sede há muito tempo negado. E ela sofria do mesmo mal, pois estava totalmente sedenta dele. Ela gemeu baixinho e diante daquele ruído, ele levantou a cabeça e a observou. - Eu sei que você também quer ficar comigo. - Afirmou categoricamente. - Sim. - Ela disse rapidamente enquanto borboletas flutuavam em seu estômago. - Então, como é que vai ser? Tenho que admitir, eu meio que gosto da ideia de cimentar a nossa relação lá em cima e naquele quarto em particular. Uma onda de medo a percorreu. - Não com uma festa rolando aqui em baixo. Por favor, Nick. Seus traços se suavizaram. - Isso é bom, baby. Você quer voltar para a cobertura? - Gostaria de ficar até a festa acabar, desta forma a sua mãe não me faria um milhão de perguntas. Ele balançou a cabeça.

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- Nós iremos agora. Mas vá ate ela e invente uma desculpa. Diga que está com uma dor de cabeça- Você é uma dor de cabeça. - Disse ela com um brilho de um sorriso. Ele estreitou os olhos ao reconhecer aquele seu tom de provocação. - Diga-lhe que irá para a cobertura em busca de um pouco de sossego, afinal, ela não sabe que estou de volta à cidade. Ela nunca vai questioná-la por querer ficar longe do barulho. Além disso, Damian trouxe uma acompanhante com ele e você deve deixa-lo fazer o seu teatrinho da melhor forma possível. - Ela não vai se importar com isso, mas ficará preocupada. Seu polegar acariciou o seu queixo. - Baby, ela sempre está preocupa com um de nós. Mesmo quando essas palavras saíram de sua boca, Courtney viu seu rosto se escurecer com uma carranca. Ela percebeu que ele tinha acabado de incluí-la como uma das crianças de Justine, assim como os seus irmãos e era óbvio que ele não gostava do fato de que havia cometido esse deslize. Ele sempre tinha um problema com isso. Mas o que ela poderia fazer? Sua mãe havia lhe criado durante a última fase da sua adolescência, alem disso, Justine era a sua madrinha e também a sua tutora, então não havia absolutamente nada que Courtney pudesse fazer sobre esses fatos e ela não podia ajudá-lo se isso fazia com que Nick se sentisse culpado. Mas havia uma coisa que ela não tinha nenhuma duvida. Nick estava mais que certo ao afirmar que havia chegado a hora. Ela estava tão cansada de esperar como ele estava. - Eu vou pegar a minha bolsa e vou lhe dizer que estou indo embora. Vou seguindo o seu carro ate a cobertura, ok?

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Capítulo Cinco

Nick não queria que Courtney o seguisse, queria que ela estivesse presa dentro do seu veículo, sentada ao seu lado e totalmente sem transporte para deixar seu apartamento, se ele inadvertidamente fizesse algo para perturbá-la ou irritá-la. Ele só queria ela. E que diabos havia de errado com isso? - Eu prefiro que você venha comigo, mas o seu carro precisa sair daqui, pois assim não haverá perguntas. Ele a estudou atentamente, tentando avaliar o que estava acontecendo naquele cérebro dela. Ele estava doente de haver tantos subterfúgios entre eles, a partir desse momento queria tudo em aberto, mas também não queria chatea-la com aquilo. - Você não quer responder a quaisquer perguntas, certo? Ela balançou a cabeça. - Ainda não. Ele ia, por enquanto, permitir que ela mantivesse aquele segredo por alguns dias enquanto se habituava ao fato, mas essa situação não iria durar indefinidamente. Ela era dele e ele queria que toda a sua família tivesse esse conhecimento. - Ok, tudo bem. Mas pegue algumas roupas, pois você irá precisar, tenha em mente que deverá ficar comigo por no mínimo uma noite, mas realmente estou contando com um par de dias. Mesmo quando falava aquelas palavras, sabia que elas eram totalmente inverdades, pois ela não iria voltar para a casa de sua mãe nunca mais. Ele não ia permitir que isso acontecesse. E com a possessividade absoluta que estava sangrando através de sua corrente sanguínea, não havia dúvida de que ela iria perceber essa verdade, mais cedo ou mais tarde.

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Quando eles chegaram ao estacionamento subterrâneo do edifício Rule Corporações, Nick a guiou para a cobertura no elevador privado, se mantendo o tempo todo encostado na parede de trás tentando conseguir algum controle sobre a testosterona furiosa que corria em suas veias. Porém, não ajudava em nada o fato de ao olhar para ela notar que seu rosto estava corado e a alça de seu vestido de verão ter caído de um dos seus ombros brancos. Ela a puxou de volta para o lugar sem olhar para ele, pois mantinha seu olhar firmemente colado às portas na frente dela, como se estivesse à procura de uma rota de fuga. Merda. Ela nunca mais teria uma rota de fuga e estava prestes a ter certeza disso. Ele desviou o olhar dela com uma impaciência crescente para estudar o display digital enquanto o elevador continuava a subir. Courtney Powell estava prestes a estar em sua cama. Mas já não era sem tempo. Ele inalou uma respiração profunda e lentamente a soltou tentando recuperar o controle. Seis anos. Seis malditos anos. Isso é tudo o que ele tinha esperado por ela. Agora não parecia mais ter sido grande coisa, certo? Errado. Os seis anos tinha sido um inferno, mas ele poderia ter esperado o dobro desse tempo se tivesse que fazer. Esperaria uma vida inteira por Courtney se essa fosse a sua única opção. Pois ele a amava muito. Ele apertou a mandíbula forçando-se a não estender a mão e agarrá-la e se permitiu apenas correr os olhos sobre a linha fina de suas costas enquanto a impaciência arranhava a sua espinha. Será que ela sabia que ele a amava? Será que tinha a maldita certeza do quanto a queria. Será que sabia que ele a amava com tudo o que tinha para dar e que foi sempre dessa forma? Foda-se.

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Seus irmãos poderiam criar um grande problema com isso e neste momento deveria se preocupar, ele realmente deveria. Mas não o fez. Não mais. As portas do elevador finalmente se abriram e com uma mão firme na parte inferior das suas costas, ele a acompanhou para dentro da sua cobertura e para o futuro que havia traçado para ela.

**** As luzes estavam suaves quando Courtney seguiu Nick para a sua suíte de quartos. A sua mão estava apertada em torno dela de uma forma totalmente inflexível e o seu coração começou a ficar um pouco subjugado ao considerar o que eles estavam prestes a fazer. Será que estava em estado de choque ou apenas em transe? Qualquer que fosse o seu estado, estava feliz pelo seu pulso estar firme e ela parecer estar no controle de suas emoções. Afinal, tudo poderia estar seguindo na direção oposta neste momento. Ela finalmente conseguiria o que queria. O que queria desde que tinha 18 anos de idade. Há seis anos para ser mais precisa, mas realmente, quem estava contando? Ela iria finalmente ficar com o Nick. Ou melhor, estava prestes a dormir com ele. Seu pulso começou a acelerar quando a realidade começou a penetrar em seu cérebro. Quando ele trancou a porta do quarto e virou na sua direção, ela apenas respirou fundo e deixou escapar: - Estou tomando pílula. Ele congelou por um momento, parecendo digerir as suas palavras. - Desde quando? Ela engoliu em seco. Como responder a isso? - Sinceramente... desde o incidente do armário. Ele não respondeu e ela não conseguia decifrar a sua expressão, mas tinha que conseguir colocar alguma coisa para fora, pois seus nervos estavam muito esticados e dessa forma não conseguia pensar direito. - Você sabe que eu nunca fiz isso antes.

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Ela deixou escapar um profundo suspiro de alívio depois que pronunciou aquelas palavras. Mesmo que já tivesse insinuado a sua virgindade, queria admitir para ele de verdade. Sua expressão mudou e desta vez, não teve nenhum problema em decifra-la, quando um olhar duro de satisfação brilhou em suas feições. - Eu não estava completamente certo, mas me sinto culpado por ter esperança de que esse fosse o caso. Courtney limpou a garganta querendo saber à resposta para uma pergunta que a muito lhe incomodava. - Nós esperamos muito tempo... Mas você não deveria ter feito isso conosco. Isso não foi justo. Agora me diga o que faria se eu lhe falasse que não era mais... Sua voz sumiu. Ele balançou a cabeça, embora uma expressão de dor abrangesse todas as suas feições. - Isso não importa, não posso negar que eu quero... Eu quero a sua inocência, mas eu a quero mais do que isso Talvez você não entenda, mas eu não tinha outra escolha. Eu tive que deixá-la ir... Eu tinha que lhe dar tempo para crescer... e agora que você voltou e eu pude encontrá-la, terei que agradecer a Deus todos os dias por ter você. - Então, é só você e eu? - Ela perguntou, querendo não ter nenhuma duvida em seu coração. - Claro que sim. Eu não aguento mais viver separado de você e não quero mais que isso aconteça. - Ele disse entre dentes. Ela respirou e continuou quando a sua resposta a satisfez e a agradou até os ossos. - Então, eu não quero ter que usar um preservativo, pelo menos, não neste primeiro momento. Será que é possível? Felizmente a sua voz estava firme. Seus olhos se afiaram quando ele começou a andar os poucos metros que o separavam dela. Tomando a bolsa de seu braço, ele a jogou para o lado. Enquanto olhava para ela, as palmas das suas mãos pousaram nos seus ombros nus. - Por que não seria desta forma? Sua frequência cardíaca aumentou e ela teve que dar tudo o que tinha para continuar a respirar uniformemente. - Você vai me fazer perguntar sobre a sua saúde pessoal, Nick?

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Muito sutilmente seus dedos apertaram em sua pele e a sua voz baixou uma oitava. - Eu não posso acreditar que você acha que precisa perguntar, mas vá em frente. Talvez ele não se importasse com o fato dela poder duvidar dele, mas naquele instante tinha a sua própria saúde a considerar e não era nem um pouco estúpida. - É seguro? Você sabe com certeza que você não vai... Não vai me causar algo? Seu olhar tornou-se pontiagudo e a sua boca se achatou, mas ele deu-lhe a resposta que procurava. - Sim, totalmente seguro e sim, sei disso com certeza. Courtney deu um suspiro de alívio. Não só pela sua resposta, mas pelo fato de que ela tivesse sido corajosa o suficiente para confrontá-lo sobre esse assunto. Ela não queria perder a virgindade com um preservativo entre eles e lhe parecia menos do que romântico de alguma forma. Ela umedeceu os lábios quando ele passou um braço ao redor da cintura dela e levantou os olhos para ele. - Isso faz você se sentir melhor, querida? - Ele perguntou em um tom mais suave. Sentiu quando o seu rosto corou. - Sim. - Eu nunca faria nada para machucá-la ou colocar a sua saúde em risco. Prefiro cortar o meu braço direito em primeiro lugar. Diante do seu silêncio ele perguntou: - Tudo bem? Ela respirou lentamente. - Tudo bem. - Ela conseguiu falar, mas era pouco mais que um sussurro. Era como se ela tivesse usado toda a sua força ao lhe fazer aquela pergunta e agora a sua mente voltava para o ato em si, o que estava prestes a acontecer. Ela não estava levando isto de ânimo leve, afinal, esperou muito tempo para realizar aquela decisão monumental e viver aquele momento em sua vida. Enquanto seus lindos olhos castanhos olhavam para os dela, ele deslizou uma alça de seu vestido de verão pelo seu ombro e depois o outro.

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Seu sangue se aqueceu e ela sentiu seus olhos se incendiarem. Diante da sua reação, ele olhou para o corpete em forma de coração de seu vestido que permanecia no lugar apenas seguro pelos seus seios, e depois lentamente, deslizou o zíper todo o caminho. Quando seu corpete se soltou, ela deu um pequeno suspiro. O vestido era forrado e por isso a única coisa que ela estava vestida por baixo dele era uma calcinha de cetim muito pequena. Ela olhou para baixo e viu quando Nick agarrou o material de seu vestido com as duas mãos. Bastou um pequeno puxão para que o seu vestido estivesse agrupado ao redor de seus pés. Ela continuou a olhar para baixo entre eles, quando uma pequena memória, na verdade um frisson fez cócegas ao longo de suas terminações nervosas e se misturou com a consciência sexual batendo através de seu sangue. Ela estava no mesmo lugar que ele, olhando para ele e tentando conter a emoção crua que sentia. Quando ela estava quase completamente nua na sua frente, a tensão sexual pareceu preencher todo o seu corpo e ela soube, sem realmente olhar para o seu rosto, que ele estava olhando para os seios nus. Ela tentou ficar mais ereta enquanto colocava as mãos nos seus lados para poder facilitar que ele cobrisse os seus seios nus. Sonhar com esse momento e estar na realidade quase nua diante dele era um assunto completamente diferente. Suas mãos encontraram as dela lhe cobrindo com as suas, ao mesmo tempo em que as segurava firmemente nos seus lados, mas seu toque era suave, os polegares corriam para trás e para frente sobre a pele de forma suave. Ele limpou a garganta e falou. - Eu quero ter certeza de que você saiba antes de uma coisa... Só para constar. Quando ela continuou a olhar para o chão, ele soltou uma de suas mãos e um dedo masculino começou a fazer pressão sobre o seu queixo até que ela foi forçada a levantar o rosto para ele. Seus olhos se encontraram com os dele enquanto seu polegar corria para frente e para trás ao longo de seu lábio inferior em uma carícia tão suave e gentil que os seus joelhos fraquejaram. Enquanto esperava que ele continuasse, seu pulso saltou de forma irregular. Ele apenas a observou em silêncio, a respiração igual à dela, mas com o rosto definido em linhas suaves.

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Seus olhos refletiam algo que ela só teve alguns vislumbres no passado e agora estava ali, totalmente ao seu alcance. Diante da sua expressão, seu coração começou a martelar em seu peito e ela se assustou ao sentir uma lágrima rolar pelo seu rosto, na expectativa do que ele poderia dizer. Ele soltou um meio sorriso torto e limpou a lágrima com o dedo suave. Ele respirou fundo e parecia procurar forçar antes de declarar de forma inequívoca: - Eu sou completamente apaixonado por você, Courtney. Uma felicidade pura e absoluta explodiu dentro dela, tão grande que ela teve que morder o lábio e fechar os olhos por um instante. Quando ela reabriu as suas pálpebras e seus olhares se encontraram novamente, seus olhos se encheram de lágrimas e ela acabou sorrindo timidamente. Diante da sua reação ele deu uma risada alegre e sufocada e seus dedos deixaram o seu queixo para se lançar através de seu cabelo. Seu outro braço passou em volta da sua cintura, trazendo-a contra seu torso. - Eu te amo, meu amor. - Reiterou. - Eu sempre te amei e sempre irei te amar. Sua garganta se fechou. Ela tentou dizer alguma coisa, tentou lhe dizer que o amava muito, mas ela não conseguia encontrar força suficiente para falar aquelas palavras. Apenas o ato de respirar era possível naquele momento. Ela limpou o seu rosto molhado com as costas da mão e limpou a garganta, ao mesmo tempo em que começava a acenar com a cabeça para cima e para baixo vigorosamente e sua boca formava um sorriso completo. Liberando seu couro cabeludo, ele arrastou os dedos para baixo ate a joia que estava pendurado por uma corrente descansando sobre seu peito. Ele o levantou, segurando com força entre os dedos e perguntou quase hesitante. - Você me ama? Ela abriu a boca e seus lábios tremeram. - Sim. - Ela sussurrou e era tudo o que era capaz de fazer naquele momento. Ele fechou os olhos por dois segundos e ela viu quando um profundo alívio passou pelo seu rosto. Quando os reabriu, lançou o seu encanto sobre ela passando os dedos em torno de seu queixo novamente.

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- Você pode me dizer isso? Uma seta de desejo feroz disparou em linha reta através dela quando ouviu o traço de vulnerabilidade em seu tom. - Eu amo você, Nick. - Você? - Ele perguntou a sua voz caindo um pouco enquanto procurava uma confirmação. Sua voz voltou totalmente. - Sim. Eu te amo com todo meu coração e desde que era uma adolescente. Eu sempre amei você, Nick. Sempre foi só você. Suas palavras pareciam ser o bálsamo que ele precisava, pois uma expressão cheia de vontade encheu seu rosto. E então, com uma mudança rápida, suas feições viraram para uma posse não adulterada. Seu braço lhe apertou com mais firmeza e o estômago dela revirou diante daquela sua transformação súbita. Quando ele voltou a falar o seu tom de voz transmitia uma ameaça cativante de propriedade inequívoca. - Então é isso. Você é minha. O braço em volta da sua cintura voltou a lhe apertar inexoravelmente. - Você sempre foi minha, mas agora é algo que todos devem saber. Courtney respirou fundo e pôs tudo de uma vez para fora. - Se eu sou sua, então você é meu. Ela falou com uma voz firme e não como forma de pergunta e sim afirmando um fato. E isso era algo muito difícil de fazer quando estava de pé, vestida apenas com os seus saltos altos e uma ínfima calcinha, sem falar naquele seu grande corpo plantado em torno dela, irradiando masculinidade e testosterona e com todas as suas intenções imediatas aparentes. Mas ele não ligou muito para a sua demanda, pois seus lábios formaram um sorriso tentador que lhe causou um calor fundido preenchendo as suas veias. - Sim. Assim é como será a coisa entre nós. - Afirmou com inflexibilidade. - Você é minha e eu sou seu. Se alguém tenta se meter entre nós, ele vai descobrir rapidamente o seu erro. Minha família parece achar que você pertence a eles, mas isso não é o jeito que eu quero as coisas e essa não é a forma como isso vai funcionar, não mais. Sua mão esquerda saiu do seu rosto e se arrastou para baixo ate chegar a um seio e abarca-lo na palma da sua mão.

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Ela deixou escapar um pequeno suspiro quando ele passou o polegar sobre o seu mamilo. - Certo baby? Nada e nem ninguém vai ficar entre nós. Estamos começando algo que só diz respeito a nós. Você concorda? - Sim. - Respondeu ela simplesmente. Quando ele continuou a arrastar o dedo para trás e para frente através de seu mamilo túrgido, os olhos de Courtney começaram a se fechar devido à excitação que percorria as suas veias. Ela sentiu seus lábios em sua testa quando ele a abraçou. - Eu vou dar tudo o que você quiser. - Eu só quero você. - Ela murmurou contra seu peito. - Isso é fácil, então. Com isso ele a levantou com um braço sob as costas e outro sob seus joelhos e a carregou por toda a sala, andando com um movimento fluido de um gato selvagem na direção da sua cama. Ele a largou no colchão da sua cama king size, bem no centro e em seguida, sem perder uma batida, deu um passo para trás e começou a se despir. Seus olhos ficaram fixos em seu rosto quando ele tirou seus sapatos e meias. Suas narinas dilataram e com o coração batendo em seu peito, viu quando ela olhava para ele tirando o cinto da sua calça, logo após ela olhou para cima e ele começou a retirar a sua camisa e com um encolher de ombros jogou a roupa no chão sem nenhum cuidado. Seu peito era enorme e tonificado com músculos duros. Ela puxou uma respiração irregular ao vê-lo se despir. Ela tinha visto o seu peito antes, é claro, na piscina do quintal de sua mãe. Mas nunca antes tinha visto seu peito nu como agora, seus seios subiam e desciam freneticamente enquanto lutava por oxigênio. Quando ele estendeu a mão para o zíper de suas calças, seus olhos caíram para os seus seios e um tique começou a surgir em seu rosto e quando ele recomeçou a deslizar as calças para baixo, Courtney sentiu um momento de vergonha e desviou o olhar. Com um movimento apressado, ela deslizou as sandálias de seus pés, puxou as cobertas para trás e deslizou para baixo. Não havia dúvida de que ela queria fazer isso, mas se sentia mais calma dessa forma. Quando ela se acomodou debaixo das cobertas, ela percebeu um borrão de movimento.

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Músculos duros, uma pele bronzeada e um puro homem nu deslizando sob os lençóis com ela. Ela estava deitada de costas e ele deslizou ao seu lado mantendo o lençol cobrindo os seus quadris. Ele passou o braço em volta de sua cintura enquanto permanecia deitado de lado e o seu comprimento longo pressionando contra ela, enquanto ele se inclinava. Sua mão apertou o recuo de sua cintura e Courtney sentiu um puxão sexual afiado quando olhou para baixo e viu o seu escuro braço masculino contra a pele pálida de sua barriga. Ele baixou a cabeça e colocou a sua boca em torno de seu mamilo, o que fez uma onda de calor surgir dentro dela. Os dedos em sua cintura a apertaram por um momento e depois começou a lhe acariciar, enquanto o toque em seu mamilo era uma lambida suave depois da outra. E então o toque suave desapareceu e com um grunhido ele chupou o mamilo para dentro até atingir o céu da boca, com uma sucção tão forte que ela sentiu uma pontada entre suas coxas. Desejo explodiu na cabeça de Courtney. Com o seu gemido, a mão que estava na sua cintura deslizou para cima e fechou sobre o outro seio, começando a brincar com ele, segurando seu peso na palma da sua mão e em seguida, acariciando-lhe o mamilo com os dedos e o polegar. As carícias gêmeas em ambos os seios faziam com que Courtney levantasse seus quadris para fora da cama, em resposta imediata. Ela sentiu-se inundar com calor úmido enquanto os lábios de Nick puxavam o seu mamilo, mais firme e mais forte. Ela gemeu de novo e ele soltou um gemido apertado em resposta e em seguida, arrastou a mão de seu seio, por todo o seu torso ate pousar entre as suas pernas. Ele a segurou ali, mas sobre a seda de sua calcinha por um momento e depois com um movimento brusco, ergueu-se sobre ela para poder retirar a sua calcinha pelas pernas e joga-las de lado. Ele ficou equilibrado sobre os joelhos enquanto olhava para o seu corpo nu e Courtney se sentiu inflamando com uma onda de fogo. Enquanto corria os olhos sobre ela, ele deslizou um dedo entre os seus seios ate o local onde as pernas se encontravam. Seus músculos do estômago tremeram quando ele lentamente moveu a mão para baixo e a segurou novamente, só que desta vez ela estava nua e o sentimento era ainda mais requintado.

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Ela gemeu e seus olhos se levantaram para os dela, a prendendo com a mesma intensidade que os seus dedos se apertavam na junção de suas coxas. Eles ficaram se olhando enquanto Courtney tentava controlar a respiração entrando e saindo de seus pulmões. Ele estava respirando da mesma forma que ela e enquanto ainda a olhava seus dedos separaram as suas dobras ate encontrar a sua entrada. Ela deu um puxão de resposta e foi dilacerado por seu olhar territorial. A pele do seu rosto estava totalmente esticada quando falou: - O que você quiser baby. - Enquanto ele falava seu dedo circulou pela sua abertura úmida. - Está tudo bem, querida. Eu quero o que você quiser, ok? Ela assentiu com a cabeça. - Eu quero você. Seus olhos se arrastaram pelo seu corpo nu uma última vez e rapidamente tirou a coberta que estava sobre eles e se deitou na sua posição original, ao seu lado. Sua mão deslizou de volta para seu calor molhado e ele a segurou ali. - Você vai ter que se acostumar com o fato de eu olhar para você dessa forma. Ela tremeu o lábio inferior. - Hoje não. Com a boca fechada ele deu um demorado beijo em seus lábios e depois lhe disse; - Ok, esta noite não. Ele levantou seu rosto para que pudesse estudar um ao outro por um mero segundo antes que seus lábios caíssem sobre os dela novamente. O beijo que eles compartilhavam agora era totalmente carnal e se destacando ainda mais por aquela sua mão que continuava a lhe segurar intimamente. Courtney colocou os braços em volta do pescoço e lhe apresentou todos os sentimentos que estava correndo através de seu corpo.

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Capítulo Seis Nick sentiu como se sua vida estivesse finalmente se resolvendo e que havia mudado para um mundo perfeito. Courtney estava aqui... com ele... em sua cama. E que Deus o ajudasse, eles iriam ficar juntos para sempre. Juro por Deus. Ele não seria capaz de viver sem ela por mais tempo. A sensação de ela estar com ele era perfeita. O cheiro dela... Perfeito. Sua pele era como seda e quando enfiou o dedo no calor úmido que ele havia fantasiando por anos... Jesus, sim. Perfeito. Quando ele começou a rodar o dedo dentro do seu canal apertado e empurrar a palma da sua mão contra o seu clitóris, sentiu-a ofegar para depois apertar os braços em volta de seu pescoço. Ele sentiu aquela sua reação como uma flecha de necessidade direto na sua virilha e seu beijo explodiu. Ela começou a lamber e morde-lo e apenas a súbita consciência de que não iria ser capaz de resistir por muito mais tempo quase fez com que entrasse em pânico. Ele cerrou os dentes e tentou proteger a sua modéstia, tanto quanto podia para que ela não se preocupar com nada, então encerrou o beijo e foi descendo vagarosamente para baixo até que a sua cabeça estava entre as suas pernas. Agarrando os seus joelhos com as mãos, ele separou suas pernas e beijou o longo de suas coxas até chegar a sua feminilidade úmida. Um grunhido escapou dele quando enganchou as suas pernas sobre seus ombros. Ela ficou rígida, mas apenas por um segundo e em seguida, quando ele deslizou seus dedos em suas dobras delicadas e os separou ele a sentiu relaxar um pouco. - É isso aí, baby. Apenas relaxe. - Ele murmurou.

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Ele passou a língua de baixo para cima e em seguida, repetiu a ação. Seu gosto o nocauteou como algo viciante. Agarrando seus quadris em suas mãos, ele olhou para cima e encontrou seus olhos quentes sobre ele. - Você gosta disso? - Sim. - Ela ofegava. Ele fez de novo. Passou a língua de cima para baixo e mal sabia que provavelmente estava machucando seus quadris, apenas passou as mãos para baixo e depois para cima para manter a sua essência aberta para ele. Seu gosto, seu cheiro, era algo que ele não podia negar e se já tinha uma queda por ela antes, agora ele sabia, o seu desejo por ela nunca mais iria embora. Querendo mais ele arrastou seus dedos até a seda de um mamilo e o puxou entre os dedos e o polegar, até que se transformou em um pequeno pico, tão duro que quase o deixou louco. Ela choramingou e levantou os seus quadris, implorando por mais. Ele obedeceu imediatamente. Ele arrastou a mão para baixo e com os dentes puxando seu clitóris, ele deslizou seu dedo do meio para cima e dentro dela até não conseguir mais. Ela ofegou e começou a suar. Ela era tão apertada. Tão apertada. Ele tentou encontrar um pouco de controle. Ele poderia fazer isso. Ele poderia fazê-la gozar assim e tinha que fazer, porque se não fizesse, no próprio segundo em que colocasse seu pau dentro, ia explodir, afinal, estava esperando há muito tempo por isso. Ele redobrou seus esforços e concentrando-se nos sons suaves que ela estava fazendo, lambeu ainda mais o seu clitóris, para logo após puxalo com os dentes e depois lamber novamente. Cada vez mais e mais, enquanto continuava a manipular o dedo para dentro contra o seu ponto mais sensível. Ela estava perto, ele sentia isso e como uma nova onda de luxúria lhe acertando com força total, ela soltou um gemido suave e começou a gozar. Seus dedos apertaram os seus cabelos e seu corpo endureceu sob suas mãos. Ela gritou e ele sabia que ela estava caindo sobre a borda.

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Uma afiada satisfação feroz se misturou com a uma necessidade voraz que corria por sua espinha enquanto ele a deixava montar no seu orgasmo. Depois de um momento, ela se acalmou e com pouco ou nenhum controle a soltou, se levantou e se aproximou dela mantendo as suas pernas mais afastadas enquanto se empurrava entre elas. Fogo agarrava as suas entranhas, ardendo por sua espinha e uma necessidade primária totalmente fora de seu controle exigia que ele a reclamasse neste exato instante. Uma grande antecipação apertava o seu pescoço como se fossem tiras de aço, enquanto a sua ereção se projetava entre eles. Precisando de algo como nunca havia sentido antes, ele ergueu seus braços acima da sua cabeça, cercando-os com uma mão e a segurou presa ao colchão. Com uma fome primitiva arranhando em suas veias ele guiou a cabeça de seu pênis para a abertura suave e molhado que ansiava há anos.

**** Courtney estava apenas começando a ressurgir dos efeitos alucinantes de seu orgasmo quando se vira apanhada e presa pelo corpo forte de Nick. Ele segurava suas mãos presas com dedos firmes e seu corpo a dominava completamente enquanto se mantinha entre as suas coxas abertas. Sua respiração fraquejou quando o seu coração bateu mais forte assim que reabriu os olhos e o encontrou olhando para o seu rosto, a apenas alguns centímetros de distância. Suas narinas estavam dilatadas e um tique batia violentamente no seu rosto corado. Sua boca estava achatada e seus dentes cerrados enquanto ele empurrava a sua ereção diretamente para sua abertura e permanecia lá, enquanto pairava sobre ela. Ele ficou em silêncio enquanto segurava seus olhos cativos tão firmemente e levantava suas mãos acima da cabeça. Apertado e implacável. Ela remexeu os seus braços um pouco, testando a força do seu aperto. Não havia nenhuma folga.

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Ele balançou a cabeça como se para bloquear a sua libertação, ao mesmo tempo em que rodava a cabeça de seu pênis em torno dela para em seguida, empurrar um pouco dentro do seu interior. Seus olhos se abriram de forma mais ampla assim que se sentiu mais esticada. Suas sobrancelhas se juntaram e a luxúria em seu rosto era fácil de ler, ate mesmo com os seus lábios torcidos. - Você gosta disso? Ela lambeu os lábios e seu pulso acelerou. - Eu acho que... Acho que sim. - Ela gaguejou. Ele franziu a testa para sua resposta antes de se inclinar e beija-la com a sua língua mergulhando profundamente em sua boca e soltando fogos de artifício em sua cabeça. Ao mesmo tempo, ele fechou um seio na palma da sua mão e começou a manipular o mamilo para a sua satisfação. Oh, sim, ela gostava e muito. Aquele estimulo duplo quase a fez perder a cabeça. Seus quadris se elevaram freneticamente e a sua respiração tornou-se superficial. Ele levantou a boca da dela e seus olhos se abriram novamente. Ele olhou para ela, seus dedos acariciando o mamilo enquanto ele se afundava ainda mais no seu interior quando o seu calor úmido, permitiu a sua entrada. - Você gosta disso? - Ele perguntou de novo, como se a sua primeira resposta não o tivesse deixado satisfeito. - NickEle afundou mais e puxou seu mamilo. Seus olhos se fecharam em êxtase quando ela sentiu pela primeira vez, o comprimento e a largura da sua masculinidade dentro dela. - Você gosta disso, baby? - Ele exigiu novamente. - Sim. Diante da sua resposta ele se empurrou totalmente dentro dela e manteve-se lá. - Nick- Sim. - Ele assobiou, quando a sua boca caiu em seu ouvido. - Eu quero tocar em você, por favor. Ele soltou as suas mãos imediatamente e ela colocou uma volta do pescoço e abriu os dedos em seus cabelos. Ele levantou novamente para olhar em seus olhos quando deu o primeiro golpe dentro dela.

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Ela respirou fundo. - Você é forte. - Ele sussurrou em reverência e olhos cheios de luxúria. Ela se sentia tão cheia e aquela era a coisa mais intensa e incrível que já havia sentido em sua vida. Sim, havia um pouco de dor, mas estava enterrada tão profundamente debaixo da sua necessidade por ele que mal sentiu. - Tudo bem? - Ele mordeu fora. - Sim. - Ela disse com os olhos se fechando diante do prazer que existia entre eles. - Abra os olhos. - Ele exigiu no próximo golpe. Ela obedeceu e o encontrou olhando diretamente em sua alma. Ele mergulhou varias vezes enquanto mantinha preso o seu olhar e quando as suas mãos se afundaram em seu cabelo e apertava o seu couro cabeludo, falou: - Eu te amo. Seus olhos se fecharam reflexivamente por um momento antes de reabrir diante de uma nova onda de êxtase surgindo através dela. - Eu também te amo. Ele gemeu e então começou a bombear novamente. - Você me deixa louco. Ele a acariciou novamente mais, seus movimentos se tornam mais duros e com menos controle. - Deus, eu espero que você goste disso. Seu mundo estava girando fora de controle novamente enquanto ele atingia a um ponto interior que estava fazendo coisas malucas para ela. - Eu gosto muito disso... na verdade eu amo isso. - Isso é muito bom. Seus olhos se estreitaram quando algo primitivo cruzou o seu rosto. - Eu quero que você goste. Você precisa gostar, porque será sempre assim. Ninguém mais vai encostar um dedo em você, não enquanto eu estiver vivo e respirando. Suas palavras fizeram seu coração parar, assim como os seus dedos apertando ainda mais firmemente o seu cabelo e o brilho dos seus olhos. Ele começou a meter nela incansavelmente e quando endureceu e começou a deslizar sobre a borda, Courtney o seguiu e mal ouviu quando ele disse:

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- Nunca mais vou deixar você ir embora.

**** Ao acordar no domingo de manhã se sentia diferente, mas de uma forma agradável. Courtney nunca havia dormido nos braços de um homem antes e surpreendentemente, mesmo com todas as suas emoções reviradas, foi capaz de adormecer facilmente. Ao longo da noite havia acordado varias vezes e em todas, sem nenhuma exceção, estava presa em um abraço tão apertado que quase a fez acreditar que Nick não estava dormindo. Mas ele estava. Pouco tempo após ter acordado, ele despertou e foi logo solicitando o café da manhã. Após ter feito aquela refeição com ele, acabou fugindo para a ‘sua’ suíte e trancando a porta para tomar uma ducha privada e muito necessária. Ela surgiu após uma hora e encontrou Nick sentado no sofá com um olhar estranho no seu rosto. Seus passos pararam abruptamente quando ele deu um tapinha no assento ao lado dele. Seu cabelo estava molhado como se estivesse acabado de sair do chuveiro apressado, vestido uma calça jeans velha... sem tempo para nada mais. Varias borboletas levantaram voou em seu estômago enquanto caminhava lentamente na sua direção. Quando ela parou na sua frente, ele pegou a sua mão através de um aperto inflexível, logo após, a puxou até que estivesse no meio das suas pernas. Sua mão pousou na pele nua das suas coxas que eram reveladas pelo short que estava usando e em seguida, seus dedos começaram a deslizar para cima e para baixo com uma carícia forte e íntima, enquanto olhava dentro dos seus olhos. - Você está bem? - Ele perguntou com uma voz profunda. Diante daquele seu toque, uma onda de puro prazer percorreu a espinha de Courtney, mas a preocupação que ouviu em sua voz e viu em suas feições quase a suplantou, então acabou desviando o seu olhar para longe daquela sua expressão e começou a fitar o aperto de morte que seus dedos executavam em sua coxa.

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Ela se sentia muito bem, pelo menos no quesito fisicamente como ele estava perguntando, mas a constatação de que o que havia acontecido na noite anterior, trazia uma nova direção para o relacionamento deles era um pouco incompreensível, pelo menos ainda. Era verdade que amava muito ao Nick e queria ficar com ele, mas por que de repente sentia como se nunca tivesse tido escolha sobre esse assunto? Será que realmente queria ter uma? Quando ela balançou a cabeça em resposta à sua pergunta, sentiu que ocorria um grande debate no seu interior. Será que realmente importava o fato dele ser o tipo de homem que quer assumir o controle total de tudo? Ela sempre soube que esse seria o caso, então por que sentia aquele turbilhão de emoções? Ele dava a entender que nunca havia se importado com ela, mas na verdade, sabia sem sombras de dúvidas que o seu caráter e a sua personalidade, faziam parte da razão pela qual estava tão atraída por ele em primeiro lugar. Mas agora, confrontada com as consequências de seu ato de amor e do conhecimento de que isso estava acontecendo com ela, pressentia que uma decisão precisava ser tomada, aqui no presente e esse fato era mais do que um pouco desconcertante. Mas se focasse apenas no cerne da questão, a verdade era que confiava e muito nele, sem falar que o amava para além do que poderia ter imaginado e sabia com uma crença profunda de que ele não só a amava, mas que a adorava e que jamais a machucaria. Ela sempre soube que o Nick estava apenas esperando que ela amadurecesse, mesmo quando isso tudo havia sido um enorme teste para o seu controle. Ela respirou fundo e soltou o ar lentamente. Ela sempre estaria segura com ele. Então porque estava tão preocupada com o seu futuro? Ela sentiu todos os seus músculos relaxarem quando uma paz interior deslizou por suas veias e foi quando criou coragem para voltar a olhar dentro dos seus olhas e sussurrou: - Estou muito bem.

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Sua expressão mudou para uma cheia de satisfação e com um movimento brusco que a assustou, a puxou para cima dele até que estivesse montada sobre os seus quadris. Suas mãos caíram para seus ombros em busca de estabilidade e seu coração começou a acelerar. - Você está pronta para começar a sua educação sexual? Ele perguntou enquanto levantava a sua camiseta e a jogava no chão. Assim que seus seios nus entraram em contato com o seu peito nu, seu coração pulou uma batida. Enquanto ela permanecia calada, seus dedos correram na direção do seu short e com movimentos rápidos, ele começou a tirar o resto das suas roupas do seu corpo. - Eu lhe fiz uma pergunta, senhorita Powell. - Disse ele com um tom sinistro que transmitia apenas uma dica de provocação abaixo do aço. Quando a sua pele ficou totalmente nua a sua respiração ficou ofegante e uma sensação inebriante de poder feminino correu através da sua espinha. Recusando-se a permitir que qualquer indício da timidez que sentia fosse revelado, procurou estabilizar a sua respiração e permitiu-se apenas sentir o desejo que estava rapidamente inundando seu sangue. Ela se levantou do seu colo e deslizou de joelhos entre as suas coxas. Quantas vezes havia sonhado em fazer isso? Naquele instante, tinha plena certeza que não conseguiria esperar mais nenhum segundo, nem que a sua vida dependesse disso, para poder experimenta-lo. Seus dedos foram para o botão e o zíper da sua calça jeans e quando ela começou a puxar, notou que os seus olhos castanhos escuros, de repente, se tornaram totalmente pretos, devido à luxúria. - Sim, senhor. - Ela sussurrou. - Tudo o que você quiser. - Ela brincou enquanto deslizava o zíper para baixo. Ouviu o silvo da sua respiração e notou a flexão da sua mandíbula, enquanto ele a ajudava a empurrar os seus jeans e cuecas boxer para baixo. Confrontado com a ereção de Nick pela primeira vez em plena luz do dia, Courtney fechou os olhos por um segundo e uma onda de calor sexual fez o seu pulso bater mais rápido.

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A Propriedade de Um Rule – Lynda Chance Série House Of Rule #2

Cristo. Não é de admirar que houvesse se sentido tão esticada na noite passada. Durante um momento ficou apenas olhando para ele, observando as suas mãos fechadas em punhos ao lado do seu corpo e a forma como ele arrastava oxigênio para dentro e fora de seus pulmões enquanto esperava pelos seus próximos movimentos. Courtney tirou uma mão do seu joelho e a envolveu em torno da base de seu pênis. Com aquele seu movimento ele imediatamente empurrou seu torso de volta para o sofá. Ao erguer o olhar do seu membro inchado encontrou imediatamente seus olhos e notou que ele olhava para a mão que o segurava com os dentes cerrados, como se mal conseguisse se controlar. Curiosa, totalmente incapaz de se conter, sem falar que estava morrendo de vontade de explora-lo, passou a ponta dos dedos sobre aquela pele suave como a seda que cobria a sua carne dura como aço. Com isso ele mostrou ainda mais os seus dentes quando uma expressão de um animal enfurecido cruzou o seu rosto. Supondo que havia feito algo errado retirou a sua mão e a colocou de volta em seu joelho. Ele rosnou baixo em sua garganta enquanto pegava a sua mão e a levava de volta, onde colocou os dedos em torno de seu pênis, mais uma vez, o segurando lá com um poderoso aperto. Seus olhos voaram até os seus e durante um bom tempo ficaram olhando de um para o outro, enquanto cada um arrastava o oxigênio tão necessário aos seus respectivos pulmões. Seu coração batia tão forte que quase doía, mas mesmo assim ainda podia sentir a sua pulsação também acelerada através da sua ereção, bem como em seu pulso, enquanto a sua mão continuava a segurar a dela no lugar com um aperto que desafiava a morte. Deixando saber inequivocamente que ele não queria que ela a soltasse de forma alguma. Depois de um momento abreviado ele perguntou com os dentes cerrados. - Você me ama, Courtney? Seu corpo tremeu em resposta. - Sim. Seus olhos brilharam.

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- Você quer me fazer o filho da puta mais feliz desse planeta? Uma nova onda de calor percorreu a sua espinha e ela balançou a cabeça enquanto um brilho de excitação surgia através dos seus olhos diante daquela pergunta. - Tem certeza disso? -Sim. - Ela respondeu rapidamente enquanto permanecia totalmente hipnotizada pelos seus olhos castanhos escuros. - Você sabe o que eu quero, certo? Ela assentiu com a cabeça novamente e logo após abaixou os seus olhos para a junção das suas mãos em torno da sua ereção. - Realmente não sei o que fazer, no entanto gostaria de tentar. - Ela disse suavemente. - Confie em mim querida, enquanto você não me soltar nada sobre isso pode dar errado. Diante daquele seu tom tranquilo, uma nova onda de necessidade sexual atravessou o seu corpo e se transformou em umidade entre as suas pernas. - Eu vou solta-la agora, mas isso não significa que eu quero que você pare, ok? - Ele falou bruscamente. - Tudo bem. - Respondeu ela observando enquanto ele tirava lentamente a sua mão da dela e a colocava ao lado do seu corpo. Ao mesmo tempo em que sentia a pulsação da sua ereção em sua mão, sentiu uma mão deslizar sensualmente em sua garganta e parar sobre o seu mamilo. O calor acendeu ainda mais as suas entranhas e ela sentiu quando mais umidade deslizou entre as suas coxas. Ela cambaleou em direção a ele enquanto deslizava os dedos para cima e para baixo pelo seu comprimento duro, em um movimento experimental. Ele gemeu de novo e ao mesmo tempo em que alisava o seu mamilo com uma mão a outra pousava sobre o topo da sua cabeça, porem manteve o seu olhar fixo nos dela até que ela voltou a deslizar seus dedos para cima e para baixo novamente. Seus olhos rolaram para a parte de trás da sua cabeça e um prazer puro preencheu as suas feições. Ela percebeu que ele começou a remexer muito com aquele seu movimento, ate que a mão que segurava a sua cabeça tornou-se cada vez mais controladora.

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Com um movimento sutil, porem firme, ele começou a empurrar a sua cabeça na direção do seu pau. Ela tomou uma respiração rápida e quando ele começou a beliscar mais forte o seu mamilo, ela sentiu tanto o seu torso como a sua cabeça balançando na sua direção. E enquanto ele continuava a massagear os seus seios cada vez mais forte, ela não resistiu e inclinou na sua direção para provar pela primeira o gosto dele.

**** Nick se sentia no céu e soube naquele momento que só havia mais uma coisa capaz de torna-lo o homem mais feliz do mundo. Colocar a sua aliança de casamento no dedo de Courtney. Mas ele teria que cruzar aquela em outro momento. Agora tinha que reunir todas as suas forças para não perder o controle e a chance de realizar todos os seus planos, aqui e agora. A primeira lambida acertou o seu pau em cheio e o seu rosto ruborizou. Ele se preparou diante da sua expressão metade medo e metade careta que ela fosse parar de fazer o que estava fazendo, mas graças a Deus isso não aconteceu. Ao contrario, a sua pequena abriu a boca completamente e o levou para dentro. Enquanto ela fazia isso ele continuava firmemente a manipular o seu peito para ter certeza de que ela manteria um elevado estado de desejo. E isso funcionou. Ela soltou um pequeno gemido e começou a quase devorá-lo. Ele notou que ela era iniciante naquele jogo, pois tanto a sua mão como a sua boca eram desajeitados, mas em vez de transformar o ato em si num total desastre, as suas ações exerciam exatamente o efeito oposto. Para ele não importava que os seus movimentos eram descoordenados, porque ela estava tão concentrada no que estava fazendo que não era errado, no mínimo, era o paraíso ou céu. Nick aproveitava da sua inexperiência com uma necessidade que era quase insuportável e foi quando uma imagem passou brevemente pela sua cabeça, uma do tempo em que ele a beijou em seu décimo oitavo aniversário.

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Naquela época ela era maravilhosamente inocente e neste momento a sensação que estava experimentando era à mesma, só que ampliada por mil. Aquela era a remuneração final por toda a paciência necessária que teve que manter durante os últimos seis anos e sem dúvida viria mais e queria ver quem tinha coragem de dizer que ele não merecia cada toque. Com a cabeça dela afundada em seu colo e seus dedos entrelaçados em seu cabelo, ele fechou os olhos por um momento antes de abri-los novamente. Este era o céu e não havia uma chance de ficar de fora dele sequer um segundo, pois ver Courtney envolvida em torno de seu pênis era quase melhor do que senti-la. Quase. Quando ele olhou para ela novamente um sentido de urgência superou tudo o que estava sentindo e não conseguindo se controlar, passou suas mãos sob seus braços e a puxou até que não tivesse mais escolha a não ser solta-lo. Quando ela abriu os olhos e se concentrou nele, eles estavam vidrados com um desejo tão forte que fez o pulso se descontrolar. - Mais tarde. - Ele conseguiu falar. Com um movimento rápido e sem nenhum controle, a puxou para cima dele até que ela estivesse lhe montando mais uma vez. Totalmente fora de controle colocou seus dedos entre as suas pernas e sentiu o calor úmido que lhe mostrava que ela estava pronta para ele. - Eu estava fazendo algo errado? - Ela perguntou enquanto se inclinava totalmente contra ele. - Não. Ele engasgou, quase não acreditando que ela poderia ter dúvidas quanto ao quão perto ele estava de gozar. Ele voltou a manipular o seu dedo até que estivesse totalmente dentro dela, um lugar onde precisava estar desesperadamente. - Sua boca é perfeita, mas neste momento eu quero isso. Ela soltou um gemido em resposta enquanto seu corpo continuava seguindo na direção dele. Ele pegou um mamilo entre os lábios e começou a leva-lo ate o céu da boca. Jesus Cristo, jamais me senti tão bem em toda a minha vida.

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Não conseguido mais suportar a espera, ele tirou o dedo e a levantou até que ficou rondando por um momento antes de se afundar de uma única vez sobre o seu pênis. Ela suspirou e ele passou as mãos em volta do seu rosto enquanto a segurava firmemente. Eles olharam um para o outro enquanto ela percorria todo o caminho mais uma vez e quando ele estava totalmente dentro dela os dois fecharam os olhos em êxtase. Ela começou a se mover sobre ele com um movimento tão antigo quanto o tempo e enquanto ela se levantava e caia, Nick apertava ainda mais os dentes e não conseguia parar as suas mãos de tocar cada centímetro dela que ele conseguia alcançar. Ele lhe acariciou a espinha, com os dedos movendo de cima para baixo sobre os planos de suas costas antes de voltar a apertar aqueles seus mamilos duros que o fascinavam. Ele sentiu o momento do seu êxtase começar a se construir dentro dele e mais que tudo, queria que ela fosse com ele. Seus dedos pousaram em seu clitóris e começou a dedilha-los sem quebrar o movimento e rapidamente a empurrou para o ponto onde eles iriam voar sobre a borda juntos. Seu pênis endureceu mais uma vez com o fluxo de sangue e sêmen quando Courtney começou a soltar um gemido sem fim, demonstrando que ela estava quase lá. Ele permitiu que ela montasse o seu orgasmo quando o seu próprio começou a causar curto-circuito no seu cérebro. Seu corpo ficou rígido sobre o dele e eles gemeram juntos, até que ele não aguentou mais e teve que se fundir a ela de todas as maneiras possíveis. Ele a agarrou pela parte de trás do pescoço e puxou a sua boca para a dele. Empurrando a sua língua dentro e a segurando lá, ele perdeu todo o sentido do mundo exterior, do tempo e de qualquer outra coisa, menos do momento exato em que Courtney se consumiu pelo êxtase ao seu redor. Lentamente ele começou a voltar ao presente e soltou a sua boca. Suas mãos deslizaram ao redor dela enquanto seu tronco caia contra ele e a sua cabeça descansava em seu ombro. Ela respirou fundo varias vezes.

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Suas mãos se apertaram instintivamente quando seus lábios pousaram em seu ouvido e ele não conseguiu parar as palavras que saíam da sua boca. - Eu nunca mais vou deixar você ir embora. Quero você ao meu lado para sempre.

**** Courtney estava ausente do apartamento na manhã seguinte e enquanto Nick caminhava pelo corredor de seu escritório em direção ao dela, um calor escaldante impregnou todo o seu ser. Ontem à noite havia sido perfeita, foi como se os últimos seis anos nunca houvessem existido e agora, ele poderia finalmente ter a única coisa na vida que sempre quis acima de tudo. Mas quando chegou ao seu escritório, a sua secretária informou que Courtney estava pegando um avião naquele momento para o Texas. - Para onde exatamente? Nick estava tão chateado que não conseguiu controlar o seu tom de voz. Ele sabia que aquela mulher estava trabalhando na empresa há pouco tempo, que ela foi contratada com o propósito expresso de ajudar a Courtney, então não tinha como saber do seu mau gênio. Então, ao olhar para o seu rosto e perceber que ele estava totalmente pálido Nick tentou controlar a sua impaciência. Ela engoliu em seco e respondeu: - Houston, senhor. - Você tem alguma ideia do por que dessa viagem? - Ele perguntou ao mesmo tempo em que tentava sorrir, mas acabou constatando que aquilo era impossível. - Eu acredito que tem algo a ver com um pedaço de terra. Nick agradeceu a mulher e seguiu direto para o computador em seu escritório, onde começou a procurar os arquivos de aquisição pendente, mas ele estava vazio. Ele não conseguiu encontrar nenhum motivo que justificasse a presença de Courtney em Houston. Que diabos o seu irmão estava aprontando agora? Nick respirou fundo e pegou seu telefone, preparando-se internamente para entrar em contato com Garrett e obter o mais rápido

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possível uma resposta para tudo aquilo, mas antes que pudesse discar o numero do seu irmão, recebeu uma mensagem. Ele suspirou alto quando sentiu um forte alívio percorrer o seu corpo diante da mensagem tranquilizadora de Courtney. Ela havia escrito que havia ido para Houston a negócios e não porque propositadamente estava fugindo dele. Seu irmão é um feitor de escravos. Nick introduziu uma resposta sem ao mesmo fingir que não sabia onde ela se encontrava. Você ainda está no aeroporto? Volte que eu direi ao Garrett que a partir desse momento você trabalhará apenas para mim. Sua resposta foi rápida. Não. Eu não posso trabalhar para você : ) Ele digitou. Não? Ela respondeu. Não. Ele digitou Por quê? Sua resposta veio rapidamente. Após este fim de semana? Acho que você sabe a resposta. Ele retrucou.

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Para mim o final de semana foi mais que perfeito. Ela respondeu. Sim, foi muito bom. Mas agora estou embarcando no meu voo. Diante da sua resposta Nick respirou fundo antes de digitar uma resposta rápido. Tenha cuidado e deixe-me saber quando você pousar com segurança. Ela digitou. Ok. Eu te amo. O coração de Nick ficou apertado quando ele leu aquelas palavras. Eu também te amo. Venha para casa o mais rápido que puder. Para sua surpresa ela respondeu. Eu gostaria que você pudesse estar aqui comigo neste momento. Nick não pôde resistir à oportunidade de provocá-la. Isso vai acontecer, baby. Nós só precisamos ter um pouco de paciência. Ela digitou. Mais ainda!

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Com aquela sua resposta, ele riu alto e o som foi tão forte que acabou ecoando através do seu escritório. Rapidamente digitou. Volte para casa o mais rápido que puder ou vou ter que bater no meu irmão ate que ele a dispense do trabalho. Ela escreveu. Eu estarei em casa cerca de uma semana. Ele suspirou antes de digitar. Fique bem. Seu ultimo texto chegou logo em seguida. Você também.

**** Nick estava tão impaciente que sentia como se estivesse acorrentado. De apenas uma semana, a viagem de Courtney havia se transformado em um mês e quase ao mesmo tempo em que ela estava resolvendo os seus negócios no Texas, ele havia sido chamado para a Califórnia novamente. Mas agora, depois de dois meses longos e tediosos, eles finalmente estavam de volta juntos a St. Louis. É claro que ele não tinha sido capaz de ficar longe dela por dois meses, havia cedido aquela necessidade dela várias vezes ao pegar um voo apenas para dormir em sua cama e ficar com ela por algumas horas e embora aquelas viagens fossem um alivio na sua saudade, aqueles intervalos curtos não haviam sequer arranhado a superfície do que ele queria ter com ela em seu futuro. Agora, após conter aquela sua irritação e a agonia da separação forçada, que mais parecia um fogo ardente através de seu sistema,

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mesmo que fosse por motivos comerciais, Nick decidiu colocar as rodas em movimento para manter Courtney ligada a ele para sempre.

**** Na segunda-feira de manhã, Courtney de repente sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e quando olhou para cima da tela de seu computador, na direção da porta do seu escritório, encontrou a razão para aquela reação em seu corpo. Nick estava encostado na sua porta, observando-a atentamente. Ela tirou a caneta da boca e a colocou sobre a mesa, logo após se inclinou para trás em sua cadeira e ficou por um instante lhe encarando. Que belo trabalho a sua secretária havia feito para proteger sua privacidade, quando havia se deparado com um dos irmãos Rule! - Você está ocupada? - Perguntou. - Você me paga para estar sempre ocupada. - Ela respondeu. - Eu não pago o seu salário. Garrett, talvez. Mas tecnicamente a empresa lhe paga. Ela revirou os olhos e balançou a cabeça. - Tanto faz. - Sério? Mas acredito que você tenha permissão para sair para almoçar. Porem, hoje deverá avisar a sua secretaria que ficará fora por várias horas. Ela franziu a testa enquanto o estudava. Era muito estranho ver Nick pensar em qualquer coisa que não fosse trabalhar duro durante o horário comercial. - O que está acontecendo? - Ela perguntou, intrigada com a situação. - Nada, na verdade. Apenas consegui uma folga na minha agenda e gostaria de gastá-lo com você. - Não podemos começar a escapar todos os dias durante o nosso horário de trabalho, Nick. Ele endureceu minuciosamente. - Não iremos fazer isso. Hoje será apenas uma exceção devido ao tempo em que estivemos separados e também porque eu preciso de um tempo com você. Preciso saber que você está realmente bem. Ela sentiu aquelas suas palavras atingirem ao seu coração e a sua expressão se suavizou.

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- Eu estou muito bem e você sabe disso. - Courtney. Ele falou, enquanto o seu tom se tornava mais duro. - Faça o que tem de fazer e me encontre lá embaixo em meia hora. Suas palavras não eram de forma alguma uma pergunta. - Então, não estamos simplesmente indo lá para cima? - Para uma rapidinha? Não, quero primeiramente alimentá-la - Disse ele com um meio sorriso. Ela sorriu de volta. - Tudo bem. Te encontro lá embaixo em meia hora.

**** Courtney se sentou no banco de couro da BMW de Nick. Ele estava dirigindo em direção à beira do rio, então deduziu que ele estava indo para um restaurante próximo, mas assim que o carro deixou para trás o Gateway Arch e começou a atravessar o rio Mississipi, em Illinois, ela viu o quanto estava errada. Após alguns minutos ela olhou para cima e estudou o perfil de Nick enquanto ele dirigia. - Para onde vamos? - Eu não sei. Só estou dirigindo. - Por quê? Ele olhou para ela por um segundo antes de voltar a olhar para a estrada. - Eu precisava ficar sozinho com você por um tempo, querida. Será que isso é tão difícil de entender? Uma onda de prazer percorreu o seu corpo. - Acho que não. - Ela sorriu. - Quer ver a erupção? - Perguntou ele. Courtney sabia que ele estava se referindo ao Gateway Gêiser à beira do rio Illinois, a fonte mais alta do mundo e o pano de fundo para o St. Louis Arch que ficava ao lado do rio Missouri. Apesar da fonte não funcionar continuamente, apenas três vezes por dia, durante certas épocas do ano, ela não conseguiu lhe dizer não. - Claro, isso parece divertido. Ela só havia apreciado a fonte em funcionamento por duas vezes e havia sido incrivelmente impressionante.

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Quando Nick estacionou o carro e se encaminharam na direção da plataforma de Overlook, ele pegou a sua mão, antes de começar a caminhar pelo terreno. Ao chegar ao topo, ele se posicionou atrás dela, passou os braços na sua cintura e levemente apoiou o queixo no topo de sua cabeça. A vista de onde se encontravam era realmente incrível com o horizonte de St. Louis, o Gateway Arch e o poderoso rio Mississippi na frente. Quando a erupção começou ao meio-dia, Courtney suspirou com prazer e os braços de Nick apertaram ao seu redor. Eles assistiram a tudo em um silêncio confortável e quando tudo acabou alheio aos turistas em torno deles, Nick a virou nos braços e lhe beijou como se não houvesse amanhã. Suas pernas tremiam durante todo o caminho de volta para o carro dele. Ela engoliu em seco e soube que guardaria aquela memória para sempre. Nick se aproximou e em seguida começou a lhe acariciar a bochecha com os dedos. - Quer ir ate Belleville almoçar comigo? Totalmente desfeita pelo inesperado romance do dia, Courtney assentiu com a cabeça. - Ok. Nick sorriu como se aquela resposta tivesse lhe agradado e em seguida, bateu em seu nariz com a ponta do dedo antes ligar o carro e se afastar do estacionamento. Eles levaram menos de meia hora para chegar a Belleville, Illinois e rapidamente estavam sentados em um restaurante tranquilo, com duas taças de vinho entre eles. - Álcool durante o dia, Nick? - Ela perguntou baixinho e um pouco envergonhada, porque o garçom ainda estava próximo à mesa aguardando os pedidos. - É uma ocasião especial. - É mesmo? - Ela perguntou, agitando o líquido em seu copo. Sua comida chegou e depois que o garçom foi embora, Nick tocou seu copo com o dele. - É sempre uma ocasião especial quando estou com você.

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O coração de Courtney quase parou, pois nunca, nem em um milhão de anos, havia pensado que Nick poderia ser tão charmoso ou romântico. Depois de beber mais um copo de vinho e finalizar aquela refeição descontraída, Courtney nem sequer parou para prestar atenção para onde eles estavam indo, só se dando conta quando olhou ao redor e notou que Nick estava parando dentro de um estacionamento, a poucos minutos do restaurante. Um grande e imponente edifício surgiu na frente deles. Ela respirou fundo quando algo passou pelo seu cérebro, de repente, perceber que o objetivo real daquele passeio estava dentro daquele lugar. - Onde estamos? Ela perguntou baixinho enquanto forçava as suas cordas vocais voltar a trabalhar, ao mesmo tempo em que olhava para o enorme edifício de aparência governamental com desconfiança. - Um cartório civil. Anunciou ele pouco antes de sair do veículo e dar a volta para abrir a porta dela. Enquanto ele abria a sua porta, ela sentia como se uma névoa tivesse lhe coberto e sem perceber acabou soltando o cinto de segurança e segurando a mão dele. Ela se pôs de pé como se estivesse em transe e colocou a alça de sua bolsa ao redor do seu ombro enquanto olhava para o enorme edifício. Ele empurrou a porta do carro que se fechou com um estalo suave e rapidamente começou a seguir na direção do prédio, porem seus pés pararam ao notar que ela não lhe acompanhava. - O que estamos fazendo aqui? - Perguntou ela com mais firmeza quando finalmente encontrou a sua voz. Ele parou, voltou na direção do seu carro brilhante e se sentou por um momento sobre o capo. Por um momento permaneceu calado, apenas olhando para o seu rosto erguido. - O que você acha que estamos fazendo aqui? Ela balançou a cabeça recusando-se a responder, ou melhor, recusando-se a adivinhar. Se Nick estivesse tramando o que ela achava... Ela ia ficar muito, mas muito chateada.

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Ele estendeu a mão e segurou o seu queixo com um aperto que a fez querer se aproximar dele, ao mesmo tempo em que a fez querer se afastar, em igual medida. Diante daquele conflito interno, ela ficou completamente imóvel, sem conseguir pensar ou agir. Seu polegar correu pelo seu lábio inferior produzindo um calor com aquele toque, ao mesmo tempo em que fazia aquelas malditas borboletas baterem as asas em seu estômago. Mesmo quando não queria ter nenhuma reação com aquele seu toque, ficou completamente tonta. Ele abriu a boca e aquelas palavras que ela estava com muito medo ate de simplesmente pensar nelas, acabou se derramando da sua boca. - Vamos solicitar a nossa licença de casamento.

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Capítulo Sete Courtney sentiu piscar incontrolavelmente enquanto as suas emoções tumultuavam a sua cabeça. Onde diabos estava a sua proposta de casamento? Ele estava apenas anunciando que iriam se casar sem ao menos saber a sua opinião? Sim, ele havia se superado ao lhe oferecer uma tarde romântica... mas aquilo não era o suficiente. Onde estava o anel? Onde estavam as palavras românticas? Ela continuou a olhá-lo fixamente enquanto tentava não se machucar. Depois de um momento olhou para o prédio e em seguida, mais uma vez para Nick enquanto um nó se formava em seu estômago. Muito suavemente ela balançou a cabeça e diante da sua ação uma carranca se construiu em suas feições. - Não? - Ele perguntou incrédulo. Ela balançou a cabeça novamente. Ele pegou a mão dela e por um momento Courtney pensou que iria conseguir pelo menos um pouco do que sempre havia sonhado... Quem sabe ate uma proposta tardia... Mas de repente, ele virou a sua mão para cima e a prendeu dentro da sua e com o outro braço a enjaulou até que estivesse bem e verdadeiramente debaixo do seu controle físico. - Qual é o problema aqui, baby? Courtney realmente não queria lhe falar que os seus sentimentos estavam feridos, então acabou optando por outro caminho. - Tenho certeza de que não temos conosco neste momento todos os documentos necessários. Certamente precisamos de algo mais do que uma carteira de motorista. Ele deu tudo de si para manter as suas palavras totalmente neutras. - Eu tenho o seu passaporte e a sua certidão de nascimento comigo. Vários sinos começaram a ressoar em seus ouvidos.

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- O quê? - Perguntou ela quando a raiva começou a se misturar com a grande dor que estava sentindo. Sua boca se achatou quando ele, sem dúvida, percebeu que seu plano não estava indo na direção que havia planejado. - Mais uma vez, qual é o problema? - Eu sinto muito, mas estou apenas tentando entender tudo isso. Disse ela, enquanto lhe lançava um olhar fulminante. - Como você conseguiu os meus documentos pessoais? Pediu a sua mãe? - Não, eu os retirei do cofre. Mas isso não foi grande coisa. - Não é grande coisa? Sua coluna se enrijeceu, puxou seu braço e olhou para ele com olhos de reprovação. - Deixe-me em paz. - Droga. - Nick. - Ela sussurrou com raiva. Mas ele não a soltou. Seu rosto se aproximou do dela e toda a sua impaciência estava estampada em suas feições. - Eu não estou compreendendo você, Courtney. Você realmente pensava que tudo isso não tinha nenhuma relação com o nosso casamento? Isso sempre foi sobre nosso casamento. Na verdade, é desta forma a tanto tempo que não consigo mais nem precisar quando tudo começou. Fervendo tanto de raiva como de dor, não conseguiu conter uma lágrima de rolar pelo seu rosto, mas a limpou rapidamente não querendo mostrar fraqueza diante dele e apesar de já estar completamente ferida, sabia que não havia espaço para o seu orgulho naquele instante. - Eu sempre imaginei que isso teria algo haver com o casamento. Ela admitiu. – Na verdade, sonhava que isso tivesse algo haver com casamento. O rosto dela caiu quando seus olhos se encheram de lágrimas e um nó de dor apertou o seu coração. - Mas eu queria uma proposta, Nick. Eu queria um anel. - Ela murmurou. Logo após engoliu em seco e ergueu os olhos para ele ao mesmo tempo em que a raiva rugia de volta.

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- Mas em vez de uma proposta, você roubou os meus documentos? Foi uma jogada de merda da sua parte. Nick congelou, mas permaneceu em silêncio. Mil emoções diferentes atravessaram o seu rosto e ela facilmente reconheceu algumas: tortura, raiva, remorso, paixão, choque e impaciência. Ela se concentrou apenas no seu grande remorso e tentou fazer com que ele enxergasse o que havia feito. - Você não compreende a situação, não é mesmo? Você é a única pessoa que realmente tenho de verdade. Você é a única pessoa na minha vida que me ama pelo que sou. - Ela olhava para ele enquanto permanecia em silêncio, ouvindo atentamente o que ela lhe falava. Sua voz suavizou enquanto as lágrimas começaram a fluir livremente após reconhecer a preocupação flagrante registrada em seu rosto. - Sua família não conta, porque eu fui forçado a eles e você sabe disso. Ela fez uma careta e olhou para o lado antes de relutantemente correr os olhos para os dele mais uma vez. - Eu não tenho mais os meus pais. Você é tudo para mim. Eu te amo com todo o meu coração... Achei que a essa altura soubesse o quão especial você é para mim... que é muito importante o fato de me pertencer... ser totalmente meu... achei que você seria uma pessoa totalmente atenciosa com os meus sentimentos e compreenderia a minha necessidade das palavras certas... dos movimentos... o ritual... Sua voz sumiu quando ela estendeu a sua mão livre e colocou sobre o seu peito, tentando transmitir todas as suas emoções reprimidas com aquele gesto e o seu olhar ao mesmo tempo. Courtney finalizou o seu discurso e ficou por um momento em completo silêncio. Nick estava olhando para ela com um olhar de tristeza e horror ao mesmo tempo enquanto colocava a sua mão sobre as delas. Ele engoliu em seco e seu queixo tremeu. - Baby, eu sinto muito. Eu só... Eu não sei o que dizer. Visualizar o seu grande tumulto suavizou o seu coração. Ela balançou a cabeça apenas uma vez. - Você não tem que falar muita coisa. Saiba que nunca vou permitir que um pequeno solavanco estrague tudo entre nós. Apenas me diga que

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você quer se casar comigo. Diga-me que você vai me manter segura e ser a minha família para sempre. Ela respirou fundo. - Se você me prometer que irá parar de fazer as coisas sem me consultar antes, irei caminhar agora mesmo para dentro daquele tribunal com você e vamos obter uma licença de casamento, porque eu quero me casar com você tanto que mal consigo pensar em outra coisa.

**** Nick estava chocado com o seu comportamento após Courtney ter sido tão aberta e honesta com ele, mas mesmos assim, ainda havia uma parte dele que queria lhe esconder desesperadamente a verdade, porem achava que não conseguiria mais adiar o inevitável. Não havia dúvidas, ele tinha que corrigir aquela situação e tinha que corrigi-lo agora. Mas só havia uma maneira de fazer isso. Teria que lhe contar a verdade. Ele precisava parar de ter tanto medo e começar a agir como um homem de verdade. Afinal, tinha certeza que ela o amava. Ela havia acabado de lhe dizer isso mais uma vez, e ele sabia que ela estava falando a verdade. Deixando de lado uma de suas mãos, ele muito gentilmente passou um braço por trás das suas costas e com a outra, ergueu seu queixo para poder ver melhor os seus belos olhos azuis, os mesmo que lhe mantinha encantado por mais anos do que poderia contar. - Eu te amo demais. Te amo desde que você era uma adolescente e parece que estou te esperando desde o meu nascimento. Tudo o que eu sempre quis foi que você me amasse da mesma forma e quisesse se casar comigo... que me permitisse ser a sua família. Ele olhou para aquele seu rosto tão bonito, que era como um vício para ele. - Baby, você é a única que não consegue entender o tamanho da minha obsessão... Você é a pessoa mais importante na minha vida e é por sua causa que tenho trabalhado e vivido durante todos esses anos. Quero que saiba que tenho fantasiado sobre esse momento desde que você era muito jovem. Ele abaixou o rosto e plantou um beijo em sua testa, obrigando-se a manter seu aperto sobre ela suave para que ela fosse capaz de respirar.

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Quando voltou a olhar para o seu rosto ela estava segurando seus olhos como se eles fossem a sua tábua de salvação, então aquilo foi o suficiente para lhe dar força e continuar colocando tudo para fora. - Então, se quiser pode ficar com raiva de mim por ter orquestrado todo esse esforço para que chegássemos ate aqui. Eu não sei por que me sinto tão vulnerável quando se trata de você... realmente não sei. Você é a única pessoa no mundo que tenho medo de perder ou ate mesmo de decepciona-la... fico ate suando frio só de pensar nisso. Então sim, confesso que hoje foi tudo planejado, mas também devo confessar que não havia previsto a parte onde teria que lhe fazer todas essas confissões... eu... poderia muito bem sobreviver esse dia sem ter que lhe dizer tudo isso. Ele olhou para ela, um pouco hesitante em ter que confessar exatamente o quão ferrado ele estava. - Diga-me. - Ela sussurrou. Ele cerrou os dentes e falou de todo coração com ela. - Os últimos dois meses foram um inferno para mim, porque não estávamos juntos e eu preciso pra caralho ter a certeza de que você pertence a mim. Ele respirou fundo e soltou o resto de sua confissão, esperando que ela não achasse que ele era louco. - Eu intencionalmente atravessei o estado de Illinois hoje porque só terei uma folga de 24 horas em vez de três dias como esperava. Depois de dizer aquelas palavras sentiu que ela perdeu o seu equilíbrio e se ele não estivesse lhe segurando firmemente, ela teria caído no chão. - Sinto muito. - Ele disse rapidamente. - Eu acho que estava tentando apressar você para se casar comigo amanhã por que... Por que... Não sei realmente o porquê. Acredito apenas que estou morrendo de medo de você mudar de vez para longe de mim ou algo assim. Ela ainda permanecia calada. - Eu não posso aceitar isso, sabe? Eu não posso correr esse risco. Ele viu a pulsação vibrar em seu pescoço. Finalmente ela limpou a garganta e perguntou: - Você quer se casar comigo amanhã? - Sim. Quero isso com cada célula do meu corpo.

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Ela olhou para ele totalmente muda, ate que finalmente lambeu os lábios e perguntou: - E se eu concordar você vai... Você vai me dar um anel? Diante daquela sua pergunta uma flecha atravessou o coração de Nick. - Querida. Eu sou totalmente louco por você. Ele abaixou a cabeça e fechou os olhos por um momento antes de voltar a olhar para aquele seu rosto tão doce. - Você não vai acreditar... Ele lambeu os lábios e admitiu: - Está no porta-luvas. - Há um anel no porta-luvas? Ela repetiu em estado de choque. - Eu estava com isso na cabeça desde ontem, uma vez que ambos estaríamos aqui na cidade. Tenho esse anel comigo há tanto tempo que sinceramente ao ser tão egoísta hoje e centralizar todos os meus pensamentos apenas nas minhas necessidades... sem falar no desespero de amarrá-la a mim... acabei ignorando o que você precisava. Sem solta-la nem por um segundo, ele caminhou até a porta do passageiro e a abriu. Ele a manobrou para dentro do carro até que ela estava sentada com as pernas para fora e abriu o porta-luvas. Após abrir o compartimento tirou uma caixinha de veludo e a estendeu entre eles. Enquanto ela olhava para a caixa ele acariciou o seu cabelo. Agachou-se na frente dela e sussurrou: - Querida, você pode fazer uma coisa para mim? Quando ela acenou com a cabeça, continuando a olhar para a caixa, ele engoliu em seco e perguntou: - Você pode fechar os olhos e estender as suas mãos? Ela levantou a cabeça e seus olhos se chocaram com os dele. Ele viu as lágrimas nadando por lá, assim como o seu sorriso trêmulo e ambos causaram uma dor tão forte em seu peito, como nunca havia sentido antes. Ela fechou os olhos e com os dedos trêmulos estendeu as mãos. Ele colocou a caixa em suas mãos, mas não a soltou, ao contrario, manteve ambas presas em suas mãos.

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- Eu sempre vou cuidar de você, Courtney. Juro por Deus, eu vou ser esse homem que você tanto quer que eu seja. Serei a sua família e vou adorar o chão que você pisa. Abrindo a tampa Nick pegou o anel de três quilates da caixa e ergueu a sua mão esquerda notando como os seus dedos estavam trêmulos. - Você quer se casar comigo? Seus olhos se inundaram de lágrimas novas e uma onda quente de emoção percorreu toda a sua coluna vertebral. Ele iria cuidar para sempre dela. Ele iria tratá-la com luvas de pelica, do jeito que costumava fazer antes daquela sua possessividade egoísta. Que diabos ele estava pensando, afinal? Courtney era especial. Ela precisava de algo que apenas ele estava determinado a dar a ela. Quando ele olhou dentro dos seus olhos, ela sussurrou. - Sim. Ele fechou os olhos por alguns instantes ao sentir um grande alívio e então colocou o anel em seu dedo. Logo após abaixou a cabeça e beijou seu dedo com reverência. Engolindo em seco ele perguntou: - Você vai entrar no tribunal comigo agora? - Sim. - E só por isso não haverá mais confusão ou desacordo? Vamos poder voltar amanhã e nos casar? - Sim. - Não vamos dizer a ninguém até que tudo isso esteja concretizado. Não quero qualquer atraso e a minha mãe iria tentar nos deter... Tenho certeza que ela gostaria de fazer um grande casamento- Eu não quero um grande casamento. Interrompeu Courtney. - Eu não conseguiria suportar a ideia de não ter o meu pai lá para me levar até o altar. Porra, ele era um grande filho da puta. Por que ele não havia levantado o assunto ‘casamento’ antes? Como ele poderia não ter pensado nisso? Mas sabia muito bem o porquê.

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Tudo o que ele havia levado em consideração era o atraso que aquilo causaria. E também sabia que jamais mudaria a forma como havia realizado as coisas ate agora, apesar de admitir que ela estava certa e que apesar de ser uma pessoa muito imprudente, precisava aprender a fazer melhor as coisas. A partir de agora. Ele se inclinou mais uma vez na sua direção e beijou a sua testa. - Ok, então. Será um segredo apenas até que tudo se concretizar, mas depois, todo mundo precisa saber, ok? Ela respirou profundamente antes de lançar um sorriso radiante na sua direção. - Certo. - Ela concordou. Graças a Deus.

**** Mais tarde Nick havia sido inacreditável, acariciando cada centímetro de sua pele de uma forma tão lenta que mais parecia como se estivesse em transe, demonstrando para ela como seria amorosa e gentil a sua vida sexual a partir daquele momento. Ela estava naquele instante acordada, apenas escutando a sua respiração profunda, enquanto as suas células cerebrais estavam em tumulto. Meu Deus, ele realmente a amava. Tudo o que havia precisado era de uma pequena conversa... apenas dois minutos para lhe contar o que precisava dele... de algumas lágrimas reais... e ele havia ouvido cada palavra. Ele a ouviu e hoje à noite havia adorado ao seu corpo com cada toque suave... cada curso cheio de amor... e uma profunda necessidade por ela. Ela fechou os olhos diante da imensa onda de prazer que percorria o seu corpo. Eles seriam tão felizes juntos. Eles se amavam tanto... tinham plena confiança um no outro... precisavam tanto um do outro... e se encaixam como uma luva. A vida era tão boa. Finalmente, a sua vida realmente seria boa. Nada poderia dar errado.

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Agora como uma mulher casada, a viagem de volta através do rio Mississippi estava sendo diferente do que havia sido uma hora mais cedo. Courtney não conseguia precisar o que estava acontecendo, mas sentia que o Nick segurava a sua mão um pouco mais forte do que antes. Ao mesmo tempo em que controlava o volante com a mão esquerda, sua mão direita segurava a dela sobre o console enquanto rodava tanto o anel de noivado como a sua aliança de casamento ao redor do seu dedo. Ela olhou para a mão dele no volante e viu mais uma vez a sua aliança de casamento em seu dedo anelar igual à dela. Um arrepio de prazer percorreu a sua espinha. Este homem era realmente dela. Por Deus, ele era realmente dela. Ele olhou para ela brevemente antes de voltar para a estrada. - Vamos para a casa da minha mãe primeiramente pegar um pouco das suas coisas, assim podemos aproveitar e contar para ela sobre o nosso casamento, tenho certeza de que ela ira gostar de espalhar a noticia. Ainda este fim de semana, podemos pegar o resto de suas coisas. Tudo bem? - Mm-hmm. Ela concordou, ate mesmo porque naquele momento concordaria com qualquer coisa que ele dissesse, já que o seu cérebro estava flutuando entre felicidade plena e uma grande antecipação. - Você parece feliz. - Disse ele com um grunhido de satisfação. Ela sorriu e apertou seus dedos nos dele. - Isso é porque eu estou muito feliz. - Garrett vai ficar chateado quando você parar de viajar. Nick anunciou com determinação em sua voz. Courtney revirou os olhos, pois tinha plena consciência que viajaria sempre que precisasse, mas sentia que não precisava relatar esse fato para ele neste momento, ate mesmo porque não queria que nada interrompesse a euforia que percorria através de seu sangue no momento. Quando ela não fez nenhum comentário, continuando apenas a sorrir na sua direção, ele acabou sorrindo de volta, obviamente deixando aquele assunto de lado. - Quando você quer começar a trabalhar em um bebê? Saiba que estarei mais que pronto assim que você tiver. Ele brincou.

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- O que você acha? O estômago de Courtney caiu quando sentiu a cor sumir do seu rosto. Nada poderia interromper a euforia através de seu sangue... exceto... - O... o que? - Ela perguntou em meio a uma gagueira. Nick parou o carro num farol vermelho e olhou para ela com uma pergunta em seus olhos. - Estou apenas brincando, querida. Não tenho a intenção de compartilhar você por um longo, longo tempo. Ele passou a sua mão pelos cabelos dela enquanto sorria. - A menos que um acidente aconteça daí então, não vou ter outra escolha, não é mesmo? Ele brincou. Felizmente o sinal ficou verde e Courtney foi poupada de lhe responder. A felicidade tinha acabado de sair do seu corpo como se fosse um balão violentamente estourado. Merda. A felicidade tinha acabado de sair de dentro dela. Mas. Que. Inferno. Não tinha pensado sobre isso ate este momento. Enquanto seguiam pela cidade, Courtney sabia que não podia dizer nada a Justine sobre o casamento, pelo menos por enquanto. Não até que tivessem falado mais sobre isso. Assim, quando ele estava prestes a embarcar na rodovia em direção à casa de sua mãe, ela o impediu. - Nick. - Ela conseguiu falar com todo o seu medo mal disfarçado. Ao ouvir o tom de sua voz ele olhou para ela. - Sim? - Vamos primeiramente para a cobertura, ok? - Mas já não havíamos decidido que contaríamos as novidades a minha mãe e começaríamos a sua mudança para a cobertura? Ele perguntou de maneira empolada. - Sim, eu sei, mas mudei de ideia. Não estou me sentindo muito bem. Você pode me levar de volta para a cobertura? Por favor? Suas feições endureceram, mas acabou virando o carro na direção apropriada.

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Os cinco minutos que levaram para chegar ao estacionamento subterrâneo foram os mais longos da sua vida, enquanto sentia o pânico como um peso morto instalado no seu corpo. Mas ela tinha que dizer a ele. Ela sabia que tinha que lhe dizer. E então ela tinha que deixá-lo ir embora. Ela amava muito ao Nick, mas tinha que deixá-lo ir embora. Para a sua felicidade. Ate parar de tremer, ela mordeu tanto o seu lábio até que sentiu o gosto de sangue.

**** Os minutos no elevador foram alguns dos momentos mais confusos da vida de Nick, afinal, tudo havia sido perfeito o dia inteiro. Courtney havia usado branco para a cerimônia, assim como ele havia pedido e como não tinha ideia de que tipo de flores que ela iria querer, se é que queria alguma, acabou comprando uma dúzia de rosas de haste longa, algo suave para seu vestido e outro arranjo que pudesse usar em seu pulso, e finalmente, um buquê de flores para que ela pudesse levar para a cerimônia, se assim escolhesse. Ela por um momento ficou espantada com todas aquelas flores, mas acabou sorrindo e jogando os braços ao redor dele. Fizeram amor antes de partirem para o cartório, o que resultou em exatamente 25 minutos de atraso. O atraso ocorreu porque Nick havia arruinado o cabelo de Courtney juntamente com a sua maquiagem e ela havia insistido em repará-los. Em sua opinião ela estava linda toda bagunçada e aquilo foi quase o suficiente para recusar-lhe aquele tempo e começar logo o futuro deles juntos, mas acabou engolindo a sua pressa e foi extremamente atencioso. A cerimônia em si foi rápida, mas parecia que mesmo assim, havia deixado Courtney feliz, afinal ela havia sido agradável durante todo o dia e mesmo após ele fazer aquela piada sobre ela não viajar mais ela não havia mudado. Sabia com toda a certeza que aquilo não foi à causa do seu problema, afinal, após o seu comentário tinha a visto revirar os olhos, como se ele não fosse seu chefe, mas o sorriso nunca havia deixado seus olhos.

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Não até que ele mencionou um bebê. Diante daquele assunto, toda a sua animação havia deixado seu rosto e ela ficou totalmente pálida, parecendo quase doente em questões de segundos. Droga. Que diabos havia de errado com ele? Por que ele não conseguia dar uma dentro? Por que ele não podia pensar no futuro como um ser humano racional e segurar toda àquela sua ansiedade por pelo menos uma vez? É claro que uma conversa sobre ter filhos tão cedo poderia assustar ou deixa-la preocupada, afinal, havia uma série de razões para isso e como um grande idiota apenas vomitou algo que deveria ter abordado com muito cuidado. Ela estava certa. Ele era muito imprudente. Insensível. Mas internamente fez uma oração para que antes que o dia terminasse, ele tivesse a porra de uma ideia para lhe dar tudo o que ela queria. Porque só havia uma coisa na vida que ele queria e era Courtney Powell. Não, nada disso. Agora era Courtney Rule. Oh sim. Ele gostou muito do som disso. Agora ele sabia que apesar do ocorrido já era extremamente tarde para ela se afastar dele, por este motivo, precisava parar de se preocupar tanto. Ela se casou com ele. Ela era dele agora. Ele concertaria aquele erro inicial com ela de alguma forma e eventualmente, facilitaria quaisquer temores que tinha com relação a ter filhos. Sim, ele queria ter filhos algum dia, porem ainda eram jovens e tudo podia acontecer. Talvez eles tivessem uma casa cheia de crianças, talvez não tivessem nenhum. Pois a única certeza que tinha era de que queria e precisava da Courtney todos os dias para ser feliz.

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Bem e feliz ao seu lado. Sim, isso é tudo o que ele queria.

**** Courtney atravessou a suíte em direção ao closet assim que a porta do elevador se abriu. Sabendo que não conseguiria iniciar uma discussão logo de cara, trocou primeiramente o seu vestido branco por um jeans e camiseta, tentando esquecer de vez como o dia mais feliz de sua vida havia acabado de uma hora para outra. O que havia de errado com ela? Por que não conseguia desejar ter um bebê? Só que sabia que isso tudo era uma grande loucura. Ela queria sim um filho. Ela queria desesperadamente. Mas como poderia ser tão egoísta a ponto de trazer uma criança ao mundo, só porque desejava desesperadamente um? O que aconteceria com o bebê se algo acontecesse com ela e o Nick? Ele seria deixado sozinho no mundo para enfrentar todo aquele sofrimento e dor. Courtney não poderia permitir nem mesmo a mais remota chance de isso acontecer. Discutia aquilo internamento enquanto a memória do que havia passado voltava como uma vingança impiedosa. Uma onda de pânico frio correu através de seu sangue ao se recordar do seu grande trauma. E ela admitiu naquele instante que tudo havia sido muito traumático e agora olhando para trás, sabia que não deveria ter escondido toda a sua dor tão bem de Justine. Ela havia feito de tudo para aliviar os encargos da sua madrinha. Como era ainda muito jovem naquela época, apenas achou que estava fazendo a coisa certa, mas agora, percebia que deveria ter procurado ajuda, pois quem sabe se tivesse tido algum tipo de aconselhamento, agora tudo seria diferente. Mas não havia como voltar atrás. Ela tremeu quando se preparou para enfrentar Nick. Ela não poderia ter um filho.

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Ela realmente não podia. Essa era uma decisão que teria que conviver para sempre, mas não havia nenhuma razão para que Nick tivesse que passar pelo mesmo vazio em sua vida. Ela o amava demais para sequer pensar em deixar isso acontecer. Com o coração apertado, se arrastou de volta para a sala de estar e não foi nenhuma surpresa encontrar Nick totalmente tenso de pé ao lado da parede de janelas, com um copo alto em sua mão. Após a sua entrada ele virou na sua direção e tomou a bebida de uma vez. Como tentativa de acalmar seus nervos sentou-se na cadeira ao lado do sofá e esperou. Porem sabia que não teria que esperar por muito tempo. Ele pousou o copo, mas em vez de se sentar no sofá como ela esperava ou como pretendia, ele caminhou ate parar na sua frente, manobrando as suas pernas com as mãos sobre os joelhos, logo após ficou de joelhos entre suas pernas com um suspiro. Com uma mão suave enrolou uma mecha do seu cabelo no seu dedo e finalmente olhou para ela com o coração nos olhos. - Querida, eu não deviria ter falado sobre esse assunto tão cedo, afinal, não há nenhuma necessidade de pressa. Então acho que você está se preocupando por nada. Incapaz de controlar a sua necessidade de tocá-lo, ela afundou os dedos em seu cabelo e descobriu que a química que sempre havia sido tão forte entre eles não havia diminuído nenhum pouco. Seus olhos fitavam os seus enquanto ela saboreava o que havia acontecido entre eles, mesmo que só tivesse sido por um período tão curto. Por um momento teve medo de proferir aquelas palavras que mudaria para sempre tudo entre eles. Ela respirou fundo para se estabilizar. - Sinto muito que o tema de um bebê nunca tenha surgido entre nós. Não sei por que isso aconteceu. Ela engoliu em seco e continuou. - É claro que você quer uma família. Seus olhos se encheram de lágrimas e ela deu de ombros, enquanto sua mão saia dos seus cabelos para pousar em seu colo. - Mas eu não posso ter um filho, Nick.

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Ele ficou em silêncio por um momento e embora estivesse olhando para as suas mãos, ela sabia que ele a estudava atentamente, antes de falar com muito cuidado. - Por que, meu amor? Existe algum problema físico que impede de você carregar um bebê? Ela mordeu o lábio e balançou a cabeça quando sentiu uma dor profunda em seu coração. - Qual o problema, então? - Ele sussurrou enquanto esfregava o polegar ao longo de sua bochecha. Ela respirou fundo e levantou o rosto, mas manteve os olhos baixos. - A minha orfandade foi... Foi devastadora. - Respondeu ela, apesar daquilo ser apenas a ponta do iceberg. Ele se encolheu diante suas palavras e seu toque em seu rosto ficou mais forte. - Sim, mas agora você tem a mim. Na verdade, nós temos um ao outro. Sua voz refletia confusão e uma preocupação genuína, ao mesmo tempo, que uma posse definitiva. Courtney mordeu o lábio se segurando com todas as forças para não se debruçar em seus braços, porque já sabia que ele iria dizer aquilo e também finalizar com a declaração de que não precisavam de filhos. Mas sabia do fundo do coração que ele queria uma família... pior, ele merecia uma família. Mas se permanecesse com ela jamais teria isso. Prendeu seus lábios entre os dentes enquanto ele olhava para o seu rosto, ate que teve que desviar o olhar, incapaz de continuar a encara-lo. Lágrimas escorreram pelo seu rosto e ele as limpou carinhosamente. - Eu sei que perder o seu pai foi muito duro para você e seus irmãos. Não quero... Eu não quero de forma alguma minimizar a sua perda. Mas mesmo após você ainda pode contar com a sua mãe e a casa em que cresceu. Você teve essa estabilidade por toda a sua vida. Suas palavras foram interrompidas enquanto repassava sobre como deveria seguir. Seus dedos voaram mais uma vez para a sua cabeça e voltou a lhe acariciar o couro cabeludo.

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- Eu percebi que você não estava bem, baby. Eu sempre soube disso. E essa é uma das razões que eu sempre sofri para cuidar de você. Você não entende isso? Ela assentiu com a cabeça. - Eu sei e te amo ainda mais por isso. Ela finalmente encontrou a coragem de olhar dentro dos seus olhos. - Isso é tão triste, sabia? - Por que tem que ser triste? Ele questionou com algo perto de pânico em sua voz. Ela olhou para longe dele novamente. - Eu não posso lhe dar a família que você tanto quer, realmente não posso fazer isso. E jamais conseguirei trazer uma criança para este mundo, sabendo que há uma possibilidade dela passar pelo que eu passei. Sua garganta começou doer com as lágrimas não derramadas, mas mesmo assim perseverou antes de se quebrar totalmente. Ela tinha que fazê-lo entender. - Veja, se eu nunca tiver um bebê, então não há nenhuma chance de que ele possa perder a sua mamãe e o seu papai algum dia. A sala estava mergulhada em um silêncio absoluto, exceto pelo tique-taque do relógio antigo em cima da lareira. Depois de alguns segundos, ela sentiu a mão de Nick liberar seu cabelo e em seguida, ele ergueu o queixo. Seus olhos se encontraram e ela foi imediatamente atingida pela angústia que estava refletida ali. E não era apenas a angústia pela perda de uma criança, ela podia perceber e sentir uma grande angústia pelo que ela estava sentindo. Sua voz quando saiu estava áspera e implacável. - Então simplesmente não teremos nenhum filho. Courtney fechou os olhos e começou a chorar de verdade. - Eu sabia que você ia dizer isso. - Ela falou entre lágrimas. E começou a chorar ainda mais ao mesmo tempo em que sacudia a cabeça e quanto mais ela chorava, mais balançava a cabeça. Nick tentou toma-la em seus braços, mas ela empurrou as mãos dele e se levantou para atravessar a sala antes de enfrentá-lo novamente. Assim que estava em uma distancia segura cruzou os braços sobre o peito defensivamente. - Eu te amo demais.

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Ela viu a dor e a confusão em seus olhos, então tentou fazê-lo entender o quanto o amava. Ela respirou fundo e continuou mais suavemente. - Eu amo o jeito que você me esperou todos esses anos. Eu amo o jeito que você nem sempre consegue esconder sua impaciência. Eu amo o jeito que você é tão egoísta sobre mim que você às vezes se esqueça de pensar em mim em primeiro lugar. Eu amo o jeito que você é. E eu amo o homem que você se tornou. Ela parou quando a sua voz falhou e foi obrigada a lamber os lábios para continuar. - Mas não podemos continuar casados. Não posso ter os filhos que eu sei que você quer. Ela mordeu o lábio e deu um suspiro trêmulo. - Eu sempre vou te amar e lhe prometo, na verdade, juro por Deus, que irei amar todas as crianças que você vai ter um dia. Ela engoliu em seco forçando as palavras. - E também lhe prometo que jamais vou criar problemas para você. Que eu... E que vou ficar feliz por você... Sua voz se transformou em um soluço. - E pela mulher que você eventualmente se casar. Com essas palavras Courtney virou e fugiu para a sua suíte, trancando a porta atrás dela.

**** Nick deu alguns passos vacilantes para trás até que caiu sentando no sofá. Sua cabeça caiu em suas mãos e ele soltou um torturado e tremulo gemido. O que diabos ela havia sido obrigada a passar? Ele sabia que o ocorrido havia lhe afetado, mas por que ele não tinha visto exatamente o quanto à morte de seus pais havia lhe marcado? Se ele tivesse percebido ou se ela não tivesse escondido tão bem, ele teria feito coisas de forma diferente. Porque será que havia achado que sabia como contornar sozinho aquela situação? Ele deveria ter visto que ela precisava de ajuda profissional... que ela precisava de aconselhamento.

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Ou talvez devesse ter se casado com ela no segundo em que havia feito dezoito anos? Quem sabe assim pelo menos, poderia ter mantido ela junto dele durante os últimos seis anos, dando-lhe conforto todos os dias... mostrando todas as noites que lhe pertencia... que não estava sozinha... e o quanto era amada. Sua dor era tão profunda que era quase incompreensível para ele, embora de certa forma pudesse entender a sua lógica. Mesmo com todo aquele seu medo e emocionalmente frágil, ela estava sendo corajosa e altruísta ao tentar proteger seus filhos que ainda nem haviam nascido. Ele podia sentir o quanto ela amava profundamente o pensamento de ter filhos, para que ela desistisse deles antes de conhecê-los ou tê-los, apenas para protegê-los da dor que ela havia sofrido. Esta era uma agonia que teria que carregar por toda a sua vida. De repente começou a ver o futuro da maneira que ela estava vendo e aquilo não era algo que ele desejasse para ela, mas também não era capaz de mudar o resultado. Sentia do fundo do coração que se ela continuasse a recusar a ter filhos, jamais conheceria a alegria de ser mãe e aquela constatação de repente o deixou tão triste por ela. Mas ela não conseguia negar que o queria em sua vida, como seu marido, disso ele tinha certeza, mesmo que parecesse tão determinada a libertá-lo. Porem ele nunca iria querer ser livre de Courtney. E não havia nenhuma razão no mundo que o obrigasse a ser desse jeito. Porem, não lhe escapou o que aquela sua decisão representava para ele, afinal, nunca havia lhe ocorrido de que não seria um pai, mas tudo o que importava era a felicidade de estar para sempre com a Courtney. Estar lá para ela... como seu marido... seu amante... seu protetor... e tudo o que ela precisasse. Para sempre. O fato de que ela havia declarado que eles não poderiam se casar quase o havia aniquilado. Graças a Deus eles já eram casados. E que ela não tinha mais escolha no assunto. E graças a Deus que nunca haviam conversado sobre crianças antes de trocarem os votos... Porque agora, eles estavam unidos para sempre.

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Ele respirou fundo varias vezes a fim de se acalmar. Ele poderia desistir da ideia de ter filhos no futuro se isso fosse preciso, afinal isso seria apenas um bônus adicional no seu casamento e realmente poderia viver sem, se necessário. Mas não havia nenhuma possibilidade dele desistir de Courtney algum dia.

**** Nick manteve seus olhos presos à porta do quarto de Courtney durante toda a noite, mas ela não tentou em nenhum momento deixar sair daquela suíte. Na manhã seguinte, seu rosto parecia abatido, mas estava totalmente vestida para o trabalho quando surgiu na sala de estar. Ele estava na cozinha tomando uma xícara de café enquanto ela caminhava até o elevador. - Você vai para o trabalho? - Sim. - Ela disse enquanto mantinha seus olhos fixos a porta. - Eu te vejo mais tarde, então. Nick a observou enquanto ela balançava a cabeça antes de entrar no elevador.

**** Cinco vezes naquele dia havia passado pelo seu escritório e em todas às vezes pode perceber que ela se mantinha em segurança no interior. A primeira vez que havia passado a porta do seu escritório estava entreaberta e ele percebeu imediatamente que ela não estava usando a suas alianças. Aquilo o irritou ao mesmo tempo em que o deixou perturbado, mas mesmo assim acabou deslizando o seu próprio anel pelo seu dedo e o guardou em seu bolso, num movimento que esperava ser uma demonstração de respeito por seus desejos. O que estivesse ocorrendo entre os dois, permaneceria apenas entre eles, realmente não tinha a intenção de tornar isso ainda mais difícil para ela do que precisava ser.

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Ela deve ter percebido quando ele passou pela sua porta, porque depois daquela primeira vez a sua porta permaneceu fechada com firmeza. As cinco em ponto ao passar novamente, notou que a porta estava aberta, mas ela não estava mais lá. Fazendo careta pegou o elevador para a cobertura. Graças a Deus, assim que saiu ouviu ela se mover em torno da sua suíte. Não querendo apressá-la e tentando o seu melhor para ser mais atencioso acabou solicitando comida para os dois e foi tomar um banho. Uma hora depois bateu em sua porta. - Olá. Quer comer comigo? Alguns segundos se passaram antes da porta se abrir. Ela estava vestida com jeans desbotados e uma camiseta da universidade e sem encontrar seus olhos caminhou até a cozinha. Ele se encostou ao balcão enquanto ela abria as caixas e quando notou o seu dedo anelar nu aquilo quase o matou. Em silêncio ela preparou um prato para ele e em seguida, uma versão menor para si. Eles comeram juntos enquanto sentavam casualmente nas banquetas, mas ela acabou consumindo tão rapidamente a sua pequena porção que ele mal teve tempo de registrar a sua saída e quando murmurou: - Estou com dor de cabeça. Vou tomar um banho de banheira para ver se melhora. Boa noite. - Boa noite. - Ele disse entre dentes enquanto sentia a frustração e impotência comê-lo vivo.

**** Durante duas semanas seus dias e noites seguiram aquela mesma rotina. Eles apenas trabalhavam, subiam para a cobertura, comiam em silêncio e então Courtney se trancava dentro do seu quarto. Desde que Courtney havia começado a trabalhar na Torre Rule, passava cada vez menos as noites em casa com a sua mãe, na verdade, só quando ele estava fora da cidade, desta forma, Nick achava que a sua família pensava que eles eram apenas colegas de quarto dividindo o apartamento de cobertura.

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Ele ainda não havia conversado com ninguém da sua família sobre eles, assim, os pertences da Courtney ainda estavam espalhados entre as duas casas. Ela ainda continuava totalmente inacessível e dia após dia ele foi obrigado a se manter afastado, mesmo que isso lhe causasse uma dor extrema. Toda vez que ela deixava o prédio, o que era muito raro graças a Deus, ele experimentava um surto de pânico e tinha que se forçar a não sair correndo atrás dela e exigir que ficasse... tinha que se esforçar para não segui-la... tinha que se forçar a dar-lhe algum espaço. Mas sabia qual era a verdade diante daquela sua atitude, sabia quão grande era o seu medo de empurrá-la e com isso ela acabar com o casamento. Porem não queria de forma alguma admitir isso nem para si mesmo. E como aquele conhecimento o irritava, além de ir contra todos os seus instintos internos ao não agir. Mas quando os dias e noites começaram a passar sem que ocorresse muita interação entre eles, sentia a sua raiva e frustração começar a ferver e cada vez mais subir para a superfície. Ele sabia que não conseguiria permanecer desta forma por muito tempo e que já estava muito cansado dessa merda toda, ate mesmo porque todo o tempo em que permaneciam afastados daquela forma só servia para enfatizar o quanto pertenciam um ao outro. Quanto mais o seu humor caia, mas se lembrava daquela última conversa onde ela tão lindamente disse a ele que amava o homem que ele havia se tornado e que iria amá-lo para sempre, ao mesmo tempo em que lhe explicava o motivo pelo qual eles não poderiam ficar juntos. Uma onda grande de ressentimento estava se instalando como uma bomba relógio em seu intestino. Então quer dizer que ela gostava do homem que ele havia se tornado? Isso era muito bom, porque ela estava prestes a descobrir que ele sempre conseguia o que queria. E neste caso... O que ele queria era que o seu casamento com ela fosse para sempre.

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Sim, realmente era muito bom ter aquele tipo de conhecimento, pois a partir desse momento ela estava prestes a conhecer o homem que havia se tornado, um pouco mais detalhadamente.

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Capítulo Oito Nick chegou ao seu ponto de ruptura um dia após e não havia nenhuma maneira de permitir que a Courtney escapasse dele novamente. Ele abriu uma garrafa de vinho e quando a chamou para jantar com ele, já estava com tudo arrumado na sala de estar, pronto para ser mais uma refeição casual entre os dois. Ele havia escolhido um novo filme e quando ela se sentou, rezou internamente para que ela ainda não tivesse assistido a ele. Balançando a cabeça ela olhou em volta com uma expressão de pânico, antes de relutantemente se afundar no sofá, onde ele havia colocado estrategicamente as refeições lado a lado. Ele sabia que a mudança de local e a garrafa de vinho eram os responsáveis por aquele olhar de medo em seu rosto, mas que porra, ele estava lutando pela sua vida... pela sua felicidade. Empurrando aquela ansiedade de sua mente, se recusou a mudar o percurso que havia determinado para aquela noite. Quando pegaram seus respectivos pratos, ele apertou o controle remoto para iniciar a comédia leve. Ele já tinha tudo arquitetado. E nada poderia dar errado. Mais cedo havia tirado uma pausa do trabalho para subir ate a sua suíte e pegar a caixinha que continha seus anéis de casamento. Ele estava naquele momento mais que pronto para colocar seus problemas para trás e começar a sua vida de casado com ela. Ele queria que Courtney superasse toda aquela besteira. Ele queria que a sua família soubessem finalmente que eles haviam se casado. Ele queria que ela aceitasse o casamento deles. Ele queria direitos exclusivos sobre ela para sempre. Ele queria a sua submissão. E queria tudo isso essa noite. Sexo era parte disso e ele estava mais do que preparado para seduzi-la ate ela se render em seus braços.

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Nick sabia que não era um cara romântico, mas estava tentando o seu melhor aqui e rezava internamente que ela gostasse da sua surpresa. Na verdade, ela tinha que gostar ou a sua felicidade estaria para sempre condenada. Assim que o filme estava na metade e as refeições finalizadas, ele pegou a garrafa de vinho e encheu as taças ate a borda. Seus olhos permaneciam na televisão e os seus sobre ela e assim que lhe entregou a sua taça, se aproximou o máximo possível dela, até que não restasse muito espaço entre eles. Ele passou o braço em volta da parte de trás do sofá e começou a girar uma mecha de seu cabelo loiro por entre os dedos. Ela prendeu a respiração, uma veia em seu pescoço começou a tremer e o vinho em seu copo espirrou um pouco sobre sua mão. Ele assobiou uma respiração em reação, pois todo o seu sangue correu para o seu pênis imediatamente. Foi com muito esforço que conseguiu pegar o copo de seus dedos trêmulos e o colocar de lado. Seu olhar permanecia preso à televisão, mas com as pálpebras caídas apenas o suficiente para lhe dizer que não estava vendo nada na tela. Ele apertou um botão no controle remoto para silenciar o som e sem esperar, virou seu rosto para o seu com um único dedo a fim de estudá-la. Ela permitiu aquele seu movimento, mas fechou totalmente os olhos em retaliação. Ele decidiu deixar passar aquele pequeno gesto de rebelião. Ele se inclinou e a beijou nos lábios, mais suave do que imaginava ser capaz e foi quando um sussurro de som escapou de seus lábios e ele a apertou com mais firmeza. Tomou o seu tempo e obrigou-se a ir devagar, mesmo quando todos os instintos em seu corpo gritavam com ele para rasgar as suas roupas e espalhar as suas coxas. Ele teve que apertar fortemente a sua mandíbula para continuar a seguir lentamente. Ele lhe beijou ao longo de sua linha da mandíbula... ao longo da pequena concha de sua orelha... e de volta em seus lábios. Mas assim que sentiu uma mão pequena e trêmula em seu cabelo, soube que estava perto de vencer.

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Abrindo sua boca com a língua a adorou com tudo o que tinha dentro dele. E isso era muito fácil e tão natural de se fazer. Quando seus dedos se fecharam com mais força e ela começou a buscar o ar, ele baixou a cabeça em seu peito e começou a acariciar o seu mamilo com a boca e a sua língua. Ela gemeu um som pouco e logo a sua camiseta ficou toda molhada naquele ponto. Precisando de algo mais, ele passou a mão pelo seu corpo até a ‘v’ macio entre as suas pernas. O short que ela usava era de veludo e embora isso dificultasse a sua coragem de ir devagar, não conseguia ficar sem tocá-la intimamente por um segundo a mais. Então, simplesmente forçou seus dedos a serpentear lentamente dentro da bainha de seu short e empurrar a sua calcinha de lado. Quando sentiu o seu calor úmido se perdeu completamente. Ela estava pronta para ele e sem se conter acabou deslizando um dedo dentro dela, ao mesmo tempo em que manipulava seu mamilo com os dentes através do material fino de algodão de sua camisa. Ela começou a gemer sons que vinham do fundo de sua garganta. Nick levantou a boca apenas por tempo suficiente para afundar seus dedos em torno do material de seu short e calcinha e puxa-los para fora do seu corpo. Ele olhou para cima e percebeu que o seu rosto parecia chocado, mesmo enquanto ela respirava descontroladamente, assim como ele. Querendo acalmá-la, deslizou a mão sob o assento e pegou os anéis que havia escondido lá mais cedo e rapidamente enfiou a sua aliança de casamento em seu próprio dedo, parou por um instante lhe observando, ate que ergueu a sua mão esquerda e colocou a sua aliança, logo após fechou seus dedos e beijou a sua pequena mão enquanto olhava para ela fixamente. Ela mordeu o lábio e começou a sacudir a cabeça. Não querendo que ela ganhasse tempo para pensar sobre tudo aquilo, colocou a boca de volta na dela enquanto a sua mão voltava para o meio das suas coxas. Ela estava quente de novo em poucos segundos e aquilo quase o matou, saber que a estava seduzindo contra a sua vontade. Mas ele não podia deixar isso acontecer, pois precisava muito desse ato entre eles.

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Ele precisava dela em seus braços e em sua cama novamente. Ele iria perder toda a sua sanidade caso não pudesse ter isso e rapidamente. Continuando a seduzi-la com a boca e as mãos, tirou a sua camisa, jeans e cueca enquanto ela era incapaz de perceber. Quando ficou de joelhos no chão na sua frente e arrastou a sua bunda para a beirada do sofá, sua mão foi infalivelmente para o seu clitóris. Seus olhos se arregalaram e ela respirou fundo. Foi quando ele percebeu que ela recuperou um pouco as suas faculdades. E isso quase o matou. - Nick, não. - Não? Cristo, ele ia morrer. Seu rosto se enrugou quando ela colocou a sua mão sobre a dele e tentou impedi-lo de acariciar o seu clitóris. - Eu não posso fazer isso. Nós não podemos fazer amor. - Por que não, baby? - Ele perguntou forçando a voz para manter um grau de normalidade. Ao mesmo tempo enquanto permaneciam olhando nos olhos um do outro, ele agarrou seus dedos com uma manipulação suave e os levou ate o seu clitóris para que pudesse se tocar com a sua própria mão e manteve os seus dedos cativo lá. Ela engasgou e tentou recuar a partir desta nova intimidade, mas com uma pegada forte ele segurou a sua mão sobre seu clitóris, enquanto massageavam em conjunto. Nick olhou para baixo e o erotismo daquele momento foi quase mais do que conseguia suportar. Ela começou a empurrar seus quadris naquela direção de uma forma suave, mas sentiu que o seu cérebro ainda estava lutando contra o seu corpo quando disse: - Nós não podemos fazer amor porque assim, não seremos capazes de obter uma anulação do casamento. O absurdo daquela declaração o acertou em cheio e o fez soltar uma grosa e dura risada sarcástica. Isso era o que estava passando durante todo aquele tempo naquele seu cérebro feminino e louco dela?

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- Mas não há nenhuma chance no inferno de entrarmos com um pedido de anulação. - Ele cuspiu as palavras. - Por favor, Nick. - Ela implorou em súplica. - Estou tão confusa agora. O que quer que estivesse acontecendo dentro de sua mente era algo que o Nick não compreendia completamente, mas mesmo assim se lembrou daquele seu discurso no dia em que ele havia lhe manipulado para ir ao tribunal. E neste momento, embora aquilo pudesse matá-lo, ele sabia que tinha que ser o homem que ela precisava que ele fosse e ele decidiu que não queria mais nada a não ser aquela pessoa. Ele queria de uma vez por todas que ela entendesse que não poderia ou conseguiria viver sem ele. - Tudo bem, querida. Ele a acalmou, prometendo-lhe algo que ia contra a sua grande necessidade. - Mas preciso pelo menos tocar em você. Ele a seduziu novamente. - Mas apenas tocar, sem penetração, eu prometo, está bem? Seus olhos brilharam quando ela imediatamente entendeu o significado das suas palavras. Nenhuma relação sexual, mas eles iriam jogar. Alguns segundos tensos se passaram enquanto olhavam nos olhos um do outro e Nick continuava a acariciar seu monte, tentando seduzi-la ainda mais. - Tudo bem. - Ela finalmente sussurrou. - Gosto de tocar em você e quero tanto isso nesse momento. Disse ele lentamente, enquanto continuava a provocar o seu clitóris com os dedos em cima dos dela. - Você quer isso também, baby, certo? Ela assentiu com a cabeça e diante daquela confirmação ele deslizou a mão para baixo encontrando a sua abertura molhada e deslizou um dedo para dentro. Ele ouviu a sua respiração e logo ela estava se movendo contra ele de uma forma que lhe mostrava como ela estava completamente pronta. Mas porra, ele também estava. Ele estava desesperado por ela e precisando gozar imediatamente. Ele olhou para cima e o mais suavemente possível, tirou seu dedo de dentro dela enquanto a deitava no sofá e como ela estava flexível em

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seus braços, ele aproveitou a oportunidade para deslizar a sua camisa sobre a sua cabeça. Ele se levantou apenas mantendo um joelho sobre o sofá próximo de onde ela estava deitada de costas e colocou um dedo sobre o seu mamilo delicioso. O corpo dela estremeceu em reação. Ela parecia completamente indefesa e aquilo deixou tudo ainda mais difícil do que já era. - Você confia em mim? - Ele perguntou logo, sabendo exatamente o que queria fazer com ela se não pudesse realmente penetrá-la com seu pênis. - Sim. - Ela suspirou. Observando-a por um segundo a mais puxou o seu pequeno mamilo firme mais uma vez e depois começou a virar o seu corpo até que estivesse deitada de lado na direção do quarto e de frente para ele. Com um joelho afundado no sofá ao lado dela, colocou a mão em seu peito por um momento, querendo mantê-la o mais quente possível e então ele deslizou seus dedos para tocar seu calor úmido. Ela começou a ondular novamente e em poucos segundos ele estava se deitando ao seu lado dela só que em uma posição invertida o que lhe deixava com a cabeça dela entre as suas coxas e virilha e tão perto de sua pequena e doce boca que ele teve que morder o interior de sua bochecha até sentir o gosto de sangue, apenas para que pudesse recuperar um pouco de controle. Sentiu quando ela respirou forte e sem perder tempo colocou as mãos sobre ela, espalhando seus doces lábios molhados, até que a sua abertura quente ficasse totalmente exposta para ele. Ele lhe acariciou com a língua para baixo e depois para cima e não contente repetiu aquele movimento umas cinco ou seis vezes, até que ela começou a gemer alto e agarrou a sua ereção em sua mão. Sua cabeça quase explodiu com o impacto. Ela o agarrou com força quando ele deslizou um dedo dentro dela cada vez mais profundo até que estava tocando o seu ponto mais sensível. Naquele instante ele se tornou totalmente egoísta e incapaz de se conter começou a lamber, esfrega-la e manipulá-la da forma que era mais prazeroso para ele. Enquanto ela continuava com aqueles movimentos tímidos que estava lhe deixando louco, ele percebeu que a razão do porque ela lhe

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amava tanto era porque ele era e fazia exatamente o que ela mais gostava. E concluiu isso quando ela agarrou ainda mais forte o seu pênis lhe demonstrando que ela estava tão desesperada quanto ele. Ele rosnou baixo em sua garganta e deixou escapar o que tanto precisava. - Sua boca, baby. Eu quero a sua boca. Não demorou nem dois segundos e ela o levou para dentro de sua boca e começou a chupar. Seu controle quebrou e ele se empurrou contra ela, acariciando dentro e fora de sua boca com os seus quadris, apenas consciente de que ela mantinha a sua mão ao redor da base de seu pênis para manter algum controle sobre a situação. Seus dentes e língua continuavam a adorá-la ao mesmo tempo em que tirava e dava a ela um mundo de prazer. E quando chegou a hora, não foi possível controlar o fogo correndo por sua espinha e se desembarcando com a fúria daquela sua necessidade incontrolável ao começar a gozar dentro da sua boca. Foi inacreditável... Fantástico... mas ele queria mais. Ele tinha que sentir o prazer dela. Ele precisava dela vindo com ele e para ele. Ele moveu sua boca, mordeu o seu clitóris, ao mesmo tempo em que colocava dois dedos dentro dela e quando seu gemido rasgou o ar, era impossível para ele não saber que ela estava vindo com ele.

**** Courtney sentou-se em um turbilhão de emoções, se afastando de Nick primeiramente e depois do sofá completamente. A posição em que havia estado... o que eles tinham acabado de fazer... o que ela tinha acabado de engolir. Ela pegou suas roupas do chão e olhou para ele incrédula. Ele estava sentando lentamente como se o que tinha acabado de fazer não era nada fora do comum. Sua indiferença não era nada calmante para ela. Ele estava completamente nu, sua ereção ainda dura e brilhante e ele usava um leve olhar questionador no rosto. Enquanto as suas emoções estavam em tumulto, saltando para todo o lugar.

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Então, eles não tinham tido relações sexuais. Ele tinha apenas tocado nela. Mas o que eles tinham feito... quando ele deslizou na sua frente e ela levou... Cristo, ela já havia lido sobre sexo oral, mas realmente não tinha pensado sobre ter que fazê-lo. Ela não podia ficar casada com ele. Deus, ela queria que ele fosse embora. Por que não tinha ido embora da cobertura? Enquanto todos aqueles pensamentos passavam na sua cabeça ela disse a si mesma para deixar de ser estúpida e apenas ser feliz com ele, pelo amor de Deus. Mas não conseguia ser assim. Ainda não. Olhando para baixo viu a sua aliança em seu dedo e aquilo fez tudo desmoronar dentro dela, cobrindo o seu rosto com as mãos soltou um som alto, tanto torturado de frustração como cheio de angustia. Quando voltou a tirar as mãos do rosto ele ainda estava olhando para ela, mas com uma máscara em seu rosto que lhe escondia todos os seus pensamentos. Ela engoliu em seco enquanto balançava a cabeça e em seguida, retirou a sua aliança do seu dedo, colocando sobre a mesa ao lado de sua taça de vinho. Fugiu rapidamente para o seu quarto, fechando a porta atrás dela.

**** Na manhã seguinte, Courtney havia ido embora da cobertura quando Nick foi ate a sua suíte. Embora nada estivesse fora do lugar, pelo menos visivelmente, depois de ontem à noite, estava com um mau pressentimento. Ele caminhou através do seu quarto, fazendo uma nova verificação, mas ela definitivamente não estava lá. Ele se recusava a deixar a sua ansiedade subir ou a sua raiva. Depois que seguiu para a empresa caminhou diretamente para o seu escritório, mas ela também não estava lá e como era ainda muito cedo para a sua secretária estar no seu posto, Nick não poderia questionar a mulher.

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Ele virou e fez o seu caminho ate o seu próprio escritório, respirando profundamente, com as mãos tensas ao seu lado enquanto tentava conter o tumulto furioso que passava pelas suas veias. Em pé diante das grandes janelas que davam para a cidade, Nick mal continha a fúria violenta e o medo que estavam gritando para que ele socasse o punho através do vidro. Ele estava a poucos segundos de se perder quando sentiu seu celular vibrar. Respirando fundo ele leu a mensagem de texto. Garrett precisa de mim no Texas. Estou prestes a embarcar em um voo. Emoções gêmeas agarraram Nick pela garganta. Um: ele iria matar seu irmão. Dois: ele não sabia exatamente o que era, mas era algo muito parecido com alívio. Mesmo que detestasse quando Courtney viajava pelo estado por causa da corporação, sentia naquele instante que era uma razão melhor do que correr dele porque a havia seduzido na noite anterior. Ele digitou uma resposta, mesmo que não soubesse ao certo o que realmente queria lhe dizer. Tenha cuidado e deixe-me saber quando você pousar com segurança. Sua resposta veio rapidamente. Ok. Nick olhou para a única silaba. Ok? Ok? Era apenas isso? Que porra é essa? Onde estava o seu "eu te amo"? E por que diabos ele não podia digitar aquelas mesmas palavras e dizer-lhe isso em primeiro lugar? Jesus Cristo, isso ia ser ainda mais difícil do que pensava.

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Capítulo Nove Nick sabia exatamente quando Courtney estaria de volta e já tinha tudo planejado perfeitamente. As semanas que ela tinha estado fora haviam sido um inferno e agora, se ela resolvesse que não iria usar o seu anel, ele colocaria seu plano em ação: seduzi-la para consumar seus votos de casamento. Seu pênis endureceu quando pensou sobre aquele seu último momento juntos. Sedução havia funcionado antes, então tinha que funcionar novamente. Ele não aguentava mais. Seu casamento tinha que ser consumado. Quando o elevador se abriu para a cobertura e Courtney entrou pela porta, Nick sentiu inflamar ate a atmosfera. Ele estava sentado no sofá como um tigre enjaulado, deliberadamente descalço e vestindo apenas calças jeans, ouvindo o som monótono da televisão enquanto assistia a porta, esperando a sua chegada. Quando ela entrou na sala olhou para ele, mas logo seus olhos seguiram para o seu peito nu, antes de rapidamente se desviar. - Olá. - Ela murmurou. Sentindo que a tensão era tão forte que estava prestes a explodir, Nick ficou de pé e caminhou até ela, recolhendo a sua mala e a levando direto para a sua suíte. - Nick- Sim? - Ele perguntou com uma pitada de desafio, sabendo que ela estava bem atrás dele. Movendo-se apenas um pouco para dentro do quarto, ele abandonou a mala e virando agarrou a mão dela e a puxou com ele, prendendo-a contra a parede.

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Courtney tentou respirar uniformemente e permanecer no controle, mas era impossível quando Nick estava no comando. Ele era fisicamente mais forte do que ela, possivelmente, mais esperto do que ela e definitivamente mais hábil nesse jogo de gato e rato que parecia estar jogando, mas quando ele a segurou presa à parede, as semanas de separação que eles sofreram não ajudava em nada aquela situação. Ela o queria, na verdade, precisava dele. Ela ainda estava totalmente confusa, mas havia uma coisa que não tinha nenhuma duvida. Ela o queria tanto quanto ele a queria. E sempre seria assim. Suas mãos a liberaram de seu domínio apenas para tirar as roupas de seu corpo com movimentos bruscos e agitados. Ofegando baixinho, ela deixou que ele seguisse aquele caminho, porque era o que ela queria também. Quando estava completamente nua, a sua boca se abaixou sobre a dela e a sua mão pousou em seu peito com um movimento de posse completa. Ele a beijou com uma intenção cruel e ela jamais tentou lutar, suas mãos corriam para cima e para baixo por seu corpo nu. Sua masculinidade era um vício que ela não conseguia lutar e foi quando começou a se afundar sob seu feitiço. Sua mão deslizou de seu peito, mas sua boca ficou presa a dela e quase não conseguiu perceber que ele estava tirando a sua calça jeans. Ele voltou para ela, abrindo as suas pernas, mas de repente, mudou de direção e a pegou no colo e a carregou ate o centro da sua cama. Seguindo-a, ele se empurrou entre as suas coxas. Suas mãos deslizavam sobre o seu tronco, sentindo seu tanquinho e uma antecipação começou a deslizar por sua espinha e foi quando sentiu o calor úmido entre suas coxas. Seu toque era inebriante, uma compulsão sedutora que ela sabia que nunca iria aprender a vencer, não importa o que aconteceu entre eles. Acabou empurrando todos aqueles pensamentos desnecessários de sua mente quando ela o beijou de volta. Sua mão deslizou para baixo e encontrou a sua ereção, mais dura e mais forte do que ela já tinha percebido. Será que isso era apenas a sua imaginação?

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Ele ergueu a boca para longe e ela abriu os olhos para encontrá-lo olhando para ela com uma demanda masculina. Suas pernas forçaram passagem entre as suas ainda mais. - Eu quero estar dentro de você. Agora mesmo, neste instante, minha linda esposa. Courtney respirou fundo e congelou debaixo dele. Foi o 'minha esposa' que fez isso. Droga, por que aquela maldita lembrança bem agora? Ela não podia ser sua esposa ou poderia? - Nick... Que eu... Eu não sou a sua esposa. - Ela sussurrou. - O quê? Ele agarrou as suas mãos e as puxou para cima da cabeça. Mantendo presas suas mãos apenas com uma das suas, ele estendeu a outra e trouxe a cabeça de sua ereção para a sua abertura molhada. Ele permaneceu parado lá e diante do seu silêncio, ele perguntou: - Explique isso. Deus, ela se sentiu tão bem. Daquela forma era muito mais difícil lutar contra ele. - Acho que devemos solicitar uma anulaçãoEle soltou um riso amargo. - Você está me pedindo para parar de novo? Eu não vou conseguir neste momento. Com a ponta do seu pênis exatamente onde ele deveria estar ele movimentou a sua mão e começou a acariciar seu clitóris. - Eu acho que você não quer que eu faça isso também, certo? Os olhos de Courtney rolaram para a parte de trás de sua cabeça enquanto ele massageava no mesmo lugar que ela precisava. Quando ela se concentrou novamente, pode perceber claramente o olhar de contenção no seu rosto e o quanto aquilo estava lhe custando. Ela tentou ignorar seus dedos mágicos e sussurrou: - Se tivermos sexo, não podemos obter uma anulação. - Nós não vamos precisar de uma porra de anulação. - Ele sussurrou. – Alem disso, isso é ridículo e arcaico. - Talvez. Mas é a verdade. Se tivermos sexo, o casamento não pode ser anulado. Quando ele continuou a manter-se em cima dela notou que uma gota de suor deslizava pela sua testa.

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- Eu não quero uma anulação. Ele fez uma pausa por um momento e Courtney tinha que saber o que ele estava pensando. Quando ele falou, disse a última coisa que ela esperava. - Se você quiser, depois podemos entrar com o divórcio, ok? Courtney apertou seu lábio inferior entre os dentes. Quando ela não respondeu, ele continuou a tocá-la com seus enlouquecedores dedos hábeis. - Pode ser baby? - Ele perguntou como se estivesse morrendo de vontade de estar dentro dela. Seus dedos tornaram-se implacáveis e ela sentiu o quanto precisava dele dentro dela, desesperadamente. Ela respirou fundo. - Certo. No mesmo instante em que aquela palavra saiu dos seus lábios ele bateu em seu interior. Courtney respirou fundo e sentiu as repercussões ao longo de toda a coluna. Deus fazia tanto tempo. Ela perdeu tanto com isso. Ele a puxou fazendo ajuste para que pudesse entrar cada vez mais dentro dela, enquanto estrelas pipocavam nela de todos os lados. Ele olhou fixamente em seus olhos enquanto continuava com aquela pressão. Tinha sido bom antes, todas às vezes, mas havia algo naquele momento que tornava tudo mais especial, foi quando ela percebeu que eles estavam consumando o seu casamento. Ela era a sua esposa agora. De verdade. Talvez não para sempre, mas por agora, pelo menos. Ela não poderia alegar que não o amava e ele não iria reclamar que não havia amor entre eles. Esquecendo por um momento das suas angústias deixou-se deliciar com a sua necessidade por ele. Nick era seu amante perfeito. Ele sabia o que seu corpo queria e o local exato em que ela precisava dele. E assim que chegou a aquele lugar manteve um bom tempo metendo nele, ate que levou a sua mão de volta ao seu clitóris. Diante daquela nova onda de prazer, se balançou contra ele e os seus golpes se tornaram ainda mais poderosos a cada segundo.

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Ele ficou de joelhos e a levou com ele, forçando-a a afundar ainda mais nele, entrando tão profundamente que ela quase engasgou. Nada poderia ser melhor. Ela começou a cavalgar enquanto o segurava pelos ombros. Foi necessário apenas subir e descer três, quatro, cinco vezes até que com um grande rugido de sua garganta, ele começou a vir. Ela deslizou em êxtase e seguiu-o sobre a borda.

**** Courtney acordou lentamente na manhã seguinte após ter dormido tão profundamente, com a mente e corpo totalmente saciados. A noite anterior voltou para ela e permitiu que a lembrança de sua vida amorosa afundasse dentro de si enquanto acordava, imaginando se Nick estava na cama com ela. Ela abriu os olhos e tentou se concentrar. Seus braços estavam enrolados em torno de um travesseiro e ela estava deitada de bruços. Erguendo o torso para cima e olhando ao redor, percebeu que estava sozinha e Nick obviamente estava perdido em outro quarto. Ela suspirou ao mesmo tempo em que jogava o travesseiro de lado e se preparava para tomar uma ducha, quando notou a sua mão esquerda. Sua aliança de casamento e anel de noivado estavam mais uma vez em seu dedo. Ela não tinha sentido quando ele a colocou lá e pior ainda, não sabia o que deveria sentir por ele tomando toda essa liberdade. Mas o fato é que o que haviam feito na noite passada havia lhe tornado a sua esposa, certo? Um grande formigamento passou pelo seu corpo. Ela suspirou novamente. Se ela apenas pudesse seguir o fluxo. E em seguida, superar isso tudo. Por que não podia seguir com o fluxo? O casamento já estava consumado e sem chances de obter uma anulação. Será que haveria algumas outras razões no século XXI, onde uma anulação era permitida?

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Não sabia, apenas tinha a certeza que o toque de Nick tinha a capacidade de deixa-la insana. Tinha certeza que isso não era razão o suficiente para solicitar uma anulação. Ao sair da cama tirou os anéis e cuidadosamente os colocou na mesa de cabeceira. Ela não ia ceder tão facilmente. Nick ainda merecia tudo o que ela não poderia lhe dar. Somente o fato de pensar sobre crianças já abria um buraco em seu coração. Ela com certeza não estava pronta para ter uma família completa. E ao atravessar o quarto na direção do chuveiro, se perguntou insistentemente se algum dia estaria.

**** Nick olhou para dentro do seu quarto quando ouviu o chuveiro sendo ligado, quando seguiu totalmente para dentro, parou por um minuto e inalou o doce e persistente cheiro de Courtney. Sua esposa. Ele deixou a paz interior de saber que ela estava aqui, pelo menos por agora, viajar e se estabelecer em seu sistema. Ele respirou fundo e olhou para a cama desarrumada onde muitos de suas fantasias mais profundas tinham ganhado vida durante o escuro da noite. Ele não pôde conter um ímpio e sorriso satisfeito. E então, seus olhos caíram para a mesa de cabeceira e viu as alianças de ouro que mais uma vez, ela havia deixado de lado. Seu humor caiu quando uma grande onda de irritação na sua forma mais pura lhe apertou a garganta e logo depois percorreu a sua espinha. Ele sentiu uma onda alucinante de ressentimento se levantar e prendê-lo, ameaçando quebrar o último pedaço de disciplina e paciência que era tão difícil de manter. Ser atencioso e gentil havia sido a sua meta até agora. Foda-se essa merda. Ela queria uma batalha? Ele lhe daria uma guerra.

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**** A semana seguinte foi um inferno para os nervos abalados de Nick. Todas as noites depois de terem jantados juntos, onde não tinham nenhuma conversa significativa, ele pegou Courtney nos braços e levava até a sua suíte para fazer amor com ela. Fazer amor com ela era a única maneira que ele sabia se comunicar com ela durante esses dias. Ele tentou fazê-la colocar na cabeça que a amava, que a queria, que precisava dela, não só hoje, mas sempre. Embora ele não disse exatamente essas palavras, ele pensava que os seus sentimentos eram claros. Droga, ele tinha certeza que os seus sentimentos eram muitos claros para ela. Mas não estava dando certo. Ele todas as noites colocava as suas alianças no dedo depois de ter caído no sono, mas todas as manhãs, ele as encontrava na mesa de cabeceira. Toda aquela situação estava lentamente o empurrando cada vez mais para um abismo.

**** Quando chegou o sábado, Courtney estava sentada em uma mesa ao lado de Nick, num pequeno bistrô, no lado oeste da cidade. Eles estavam tentando ter um almoço descontraído, mas era óbvio que os dois estavam totalmente infelizes. Ela sabia que nada disso era fácil para ele, mas esta tarde, ele parecia ainda mais irritado do que o habitual. Será que era por ter tirado mais uma vez a sua aliança hoje pela manhã? Será que ele não percebia que aquela era uma forma de lhe dizer que ainda não havia resolvido os seus tumultos internos sobre o casamento deles? De repente, lembrou como ele havia ficado tão contente na noite passada e também o motivo. Ela disse a ele que o amava duas vezes durante a noite, pois não tinha sido capaz de controlar seus sentimentos quando ele havia feito 160


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amor com ela com uma adoração tão clara que ela ainda podia senti-la gravada em seus ossos ate o momento. Porem, isso não a impediu de retirar sua aliança esta manhã. Estúpida e também muito confusa. Ela não podia culpá-lo por estar tão chateado com ela, afinal, estava muito chateada com ela mesma. E agora tinha que tentar contê-lo, pois não havia dúvida de que Nick estava muito chateado. Ela olhou ao redor do restaurante ate encontrar um jovem casal com dois filhos pequenos. As crianças eram totalmente barulhentas, e quando voltou a olhar para Nick, ele estava contemplando a mesma família com uma expressão quase melancólica no rosto. As entranhas de Courtney se apertaram de tanta dor e quando pegou seu copo de coca Diet., percebeu que aquela sua expressão era tão perturbadora para ela que deixaram seus dedos trêmulos. Um segundo depois o copo escorregou de sua mão derramando todo o liquido sobre a mesa e em seguida, para seu horror, em cima de Nick. Ele olhou para ela e sem dúvida alguma identificou qual era a emoção estampada em seu rosto, a qual não conseguia esconder. Ignorando o líquido pegajoso escorrendo por sua camisa e se infiltrando em seus jeans, seus olhos cresceram escuros e tempestuosos. - Eu não preciso de filhos. - Ele sussurrou enquanto bebia o resto da água que estava em seu copo. Ela engoliu em seco, mas não respondeu. Como já haviam terminado a refeição, Nick pagou a conta e começou a acompanhá-la para fora do restaurante, mas ao passarem pelo vestíbulo do restaurante antes de atravessar as portas principais, Courtney olhou para a prateleira de jornais e panfletos que estavam expostos, se detendo por um momento em uma prateleira que continha uma revista imobiliária divulgando apartamentos para locação. Ela fez uma nota mental, sabendo que se realmente fosse cair fora daquele casamento, seria sem dúvida mais fácil se encontrasse algo que gostasse, mais cedo ou mais tarde. Quando ela olhou para cima, Nick estava olhando para ela com muito cuidado, mas era perceptível a fúria em suas feições e assim que continuou a andar, sabia que não era obra da sua imaginação o fato da

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mão que estava pousada em suas costas parecia ter se tornado ainda mais controladora. Quando voltaram para casa e entraram na cobertura as chaves de Nick bateram com força na mesa ao lado da porta e seus dedos apertaram ainda mais o seu pulso. - Estou indo tomar um banho rápido e quando voltar será melhor você estar pronta para conversar comigo. Entendeu? Courtney respirou fundo e só foi capaz de fazer uma única coisa naquele momento. Ela assentiu com a cabeça.

**** Cinco minutos mais tarde Nick saiu do banheiro com os pés descalços, uma calça jeans e mais nada. Ainda passando uma toalha por seu cabelo saiu do quarto com a intenção de um confronto com Courtney. Ele estava tão chateado que ate podia sentir o gosto da sua fúria. Eles precisavam resolver toda aquela merda entre eles e isso iria acontecer agora, neste instante. Mas quando começou a procurar pelo apartamento, algo, um sino tocou dentro de sua cabeça imediatamente. Ela havia lhe deixado. Xingando vários santos, Deus e a sua mãe, Nick pegou o telefone e ligou para o celular de Courtney, mas ela não respondeu. Filho da puta. Ele estava completamente vestido e com as suas chaves nas mãos em menos de três minutos. Tentando o seu melhor para não entrar em pânico ou ficar chateado consigo mesmo por ter lhe empurrado muito longe e muito rápido, desceu até a garagem e descobriu que o carro dela não estava na sua vaga habitual. Xingando baixinho seguiu um palpite que lhe surgiu do nada e foi para a casa de sua mãe. Assim que viu o Volvo vermelho de Courtney estacionado na garagem de carros, não conseguiu conter a sensação de alívio que sangrou através de seu sistema. Alivio misturado com uma raiva crua e territorial. Ele caminhou para dentro em passos silenciosos e encontrou a mãe dele e Courtney sentadas na sala de estar. As costas de Courtney estavam voltadas na sua direção, mas assim que a sua mãe lhe viu soltou um

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sorriso que parecia estar tentando lhe comunicar algo, mas ele não entendia o que era. - Nick, meu amor. Ela começou a dar tapinhas no assento ao seu lado, no sofá. - Venha se juntar a nós. - Claro. - Ele falou enquanto se dirigia até o aparador primeiramente. Ele realmente não precisava de uma bebida, na verdade, não queria uma, mas precisava de um momento para obter algum controle sobre seu temperamento e ter uma noção sobre os sentimentos e humor da Courtney. Sob o pretexto de misturar uma bebida, ele seria capaz de fazer isso, pelo menos o suficiente para respirar uniformemente. Enquanto preparava um Bourbon muito fraco, perguntou: - Alguém quer uma bebida? Ambas as mulheres se recusaram, então ele caminhou até o sofá e beijou a sua mãe no rosto. - O que está acontecendo? - Perguntou o mais normalmente possível enquanto direcionava o seu olhar para Courtney e notava o quanto ela havia ficado pálida assim que ele se sentou, sem falar que seus lábios se achataram quando o seu estado de espírito se esvaziou diante daquele confronto. - Nada de mais, querido. - Respondeu Justine. – Apenas ouvindo o quanto Courtney está cansada de correr entre aqui e a cobertura e que por este motivo está tentando decidir onde viver. Sua mãe falou aquilo com o que parecia ser uma indiferença forçada. - Está se decidindo agora? Nick levantou uma sobrancelha e olhou através da mesa de café para o seu alvo pretendido. Saindo da cobertura? Ah, mas essa merda não iria acontecer. Daquela sua posição no sofá ele podia olhar o quanto quisesse para a sua esposa, sem que a sua mãe percebesse e era exatamente isso que fazia agora. Enquanto mantinha Courtney dentro da sua mira, tomou um pequeno gole da sua bebida e logo após equilibrou o copo em seu joelho. - Obviamente há muito espaço para nós dois na cobertura.

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- Isso é exatamente o que eu disse a ela. - Sua mãe comentou. - E uma vez que ela trabalha todos os dias ali, o que no mundo a faria dirigir até aqui só para dormir à noite? Depois que a sua mãe disse essas palavras, ela se virou para Courtney. - Querida, você não tem que se preocupar comigo. Aprendi a gostar de viver sozinha desde meus anos na faculdade e isso é bastante tempo. Claro que você pode viver aqui se quiser, pois adoraria ter você, mas será que realmente não acha muito inconveniente ter de fazer toda essa viagem de carro duas vezes por dia? Enquanto Nick ouvia o discurso de sua mãe e esperava a Courtney responder, ocorreu-lhe que ele estava certo na sua avaliação de alguns meses atrás. Sua mãe sabia sobre eles. Obviamente não sabia nada sobre o seu casamento, mas sabia que havia alguma coisa acontecendo entre eles e era por isso que estava tentando falar para Courtney ficar na cobertura. Nick também podia sentir a aprovação da sua mãe e só por essa razão, ele era capaz de perdoá-la por suas maquinações anteriores. Pobre Damian que havia sido apanhado no meio de tudo isso. Toda aquela sua estratagema havia sido apenas com o objetivo de tornar ele ainda mais ciumento. Mas agora que havia descoberto aquilo, será que a Courtney também havia percebido? Ela tinha que perceber que a sua mãe na realidade estava tentando empurrar os dois e não o Damian, como havia fingido há vários meses. Isso certamente iria trabalhar ao seu favor. Assistindo Courtney agora sentada discretamente na sua cadeira e tentando ao máximo não olhar em seus olhos, ele sentiu a sua agressão crescer ainda mais. Mas sendo o atencioso marido que era, decidiu poupála de mais sofrimento na frente de sua mãe. Além disso, ele precisava ficar sozinho com ela o mais rápido possível. Colocando a sua bebida na mesa de centro com tampo de vidro, ficou de pé. Sem se importar com o que a sua mãe pensaria, de fato, ate mesmo achando que ela iria aprovar o seu movimento, caminhou ate Courtney e agarrou-lhe a mão puxando-a de seu assento automaticamente.

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- Vamos dar uma olhada em seu quarto e ver se a ideia de viver aqui é mesmo viável. Você precisa de um escritório e um armário bem maior que o antigo. A casa da sua mãe era tão grande que ele sabia que as suas palavras soaram totalmente ridículos, mas realmente não dava a mínima para aquilo, afinal, eram apenas desculpas. Então com isso, ele puxou Courtney por todo o caminho até o quarto que ela sempre usou. Fechando a porta atrás deles encostou-se a ela e cruzou os braços sobre o peito. Courtney caminhou até o centro do quarto, obviamente, tentando ignorá-lo, mas Nick podia ver seu corpo sutilmente tremendo. Sua cabeça começou a latejar enquanto ela ia ate a sua cama e pegava um robe, o único item fora do lugar em todo o quarto e o pendurava em seu armário. Em seguida foi ate a sua mesa de cabeceira e endireitou a imagem de seus pais, que sempre era mantida no mesmo lugar. Quando ela continuou a ignorá-lo abrindo a gaveta de cima, ele explodiu. - Courtney. - Ele exigiu categoricamente. Ela continuou a mexer com o conteúdo de sua gaveta como se estivesse sozinha no quarto. - Courtney. - Disse novamente. - Olhe para mim. Com uma ostentação de relutância a fim de irritá-lo, ela se virou para encará-lo, mas após uma fração de segundo ele notou o que se escondia em seus olhos e então, o seu temperamento morreu enquanto seu coração se apertava. Necessidade. Pura e simples. Necessidade. Dele. Sabendo que ele não era o único com aquele sentimento de angústia, engoliu em seco e foi quando seus músculos relaxaram um pouco. - Vamos lá, baby. Vamos para casa. Exalando um suspiro triste ela balançou a cabeça. Diante daquela sua recusa obstinada ele tentou ponderar tanto a sua voz como a sua impaciência. - Querida. Nós vamos ter que resolver isso, mas iremos precisar de um pouco de privacidade para fazê-lo.

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- Não há nada para se resolver. – Ela respondeu em voz baixa, olhando para o chão. - Bom, já que você é a minha mulher, vou ter que discordar de você. Seus olhos se levantaram. - Isso não uma escolha sua, Nick. Entenda isso. Chateado agora respirou forte e cerrou seus dentes. - Não e acho que você também não pensa isso. Seus olhos se afiaram. - Não fale assim. Ele apertou os dentes mais uma vez enquanto afastava as suas pernas. - Estou perdendo a paciência aqui, de modo que vou conseguir tudo o que preciso. Estou pronto para ir embora. - Eu não vou com você. Cada músculo em seu corpo se apertou novamente. - Eu acredito que você está muito enganada. Hesitante balançou a cabeça mais uma vez. Nick respirou fundo e tentou não perder aquele seu ínfimo controle, tentou se lembrar de que a Courtney achava que aquilo era para o bem dele, mas ela estava errado sobre isso e mesmo assim, precisava ser gentil com ela. Onde diabos ele estava quando as lições de gentileza haviam sido dadas? Ele rangeu os dentes e tentou falar com um tom calmo. - Já lhe ocorreu que a minha mãe obviamente sabe sobre nós? Ela quer que fiquemos juntos, querida. Ela te ama e quer mantê-la na família. Ela é inteligente, então provavelmente descobriu anos atrás que eu tenho uma queda por você. Porque diabos você acha que eu era a primeira pessoa que ela chamava toda maldita vez que um garoto começava a andar em torno de você quando estava na Flórida? Quando ele disse aquelas palavras, percebeu que estava apenas começando a entender a profundidade das manipulações do passado de sua mãe. Nick ficou totalmente ereto e foi quando o rosto de Courtney empalideceu. Enquanto ela permanecia em silêncio com uma cara de dor, como se estivesse perfurando os seus próprios calcanhares, ele desgrudou da porta e caminhou em direção a ela.

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- Nós podemos jogar este jogo. Ele a ameaçou quando começou a perder a sua paciência em busca de uma solução automática. - Você pode pegar algumas coisas que precisar e voltar para casa comigo, que é o lugar onde você pertence, ou eu posso ficar aqui esta noite. Ele parou por um momento. - Com você neste quarto. Ele a deixou absorver essa declaração antes de continuar. - Confie em mim, minha mãe iria adorar se isso acontecesse. Ela estaria preparando para nós um belo casamento pela manhã, você sabe que ela iria. Você quer que isso aconteça? Suas sobrancelhas franziram e seus olhos começaram a nadar com lágrimas, enquanto uma imagem de miséria cruzava seu rosto. - Por que está fazendo isso comigo? Ele endureceu a sua coragem diante daquela sua angústia. Será que ela realmente achava que ele ia simplesmente deixá-la ir embora? Ele não ia perdê-la. Ele. Não. Iria. Perdê-la. Incapaz de esconder seus sentimentos acabou perguntando com uma voz cortante: - Você está brincando comigo? Por que você está fazendo isso comigo? Uma cor rosa se destacou nas suas maçãs do rosto. - Você sabe por quê. Desta vez foi Nick que balançou a cabeça. - Você não está pensando direito e já estou cansado de esperar. Pegue as suas coisas. Ela ficou completamente imóvel por um momento, parecendo atordoada. - Você não vai dormir aqui comigo. - Ela ousou. – Não com a sua mãe em casa, pois isso seria muito embaraçoso. Para todos nós. Nick manteve seus olhos fixos nos dela, lutando tanto com a sua excitação quanto com o seu temperamento. Ele sabia que ela estava tentando acabar com um blefe. Deus abençoe aquele seu coração de bebê. Mas ela precisava aprender e agora que ele nunca blefava. - Não me tente.

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Ele lançou aquele desafio em um tom que exigia a sua rendição imediata. Quando ela olhou para ele obviamente lutando por controle, Nick pode visualizar o momento exato em que ela percebeu que havia perdido aquela batalha. Com um movimento gracioso que mexia com cada uma das suas células, ela se afastou dele, foi até o armário e tirou um pequeno saco da prateleira de cima. Ele soltou um suspiro aliviado lentamente, ao mesmo tempo em que, se recusava a pensar sobre o quão mal as coisas poderiam ter terminado.

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Capítulo Dez Courtney chegou à cobertura sete minutos antes de Nick e ficou extremamente satisfeita consigo mesma. Atravessou correndo a cobertura e ainda teve tempo de sobra para ir ate a sua suíte e travar a porta do quarto contra a sua possível intrusão. Possivelmente? Tinha absoluta certeza que ele estaria tentando entrar no seu quarto a qualquer momento. Depois de trocar de roupa começou a desembalar a sua bolsa, não porque estivesse feliz por ainda estar aqui, mas porque não queria que as suas roupas ficassem cheias de rugas. A batida forte na porta à fez saltar, mesmo que estivesse esperando por ela mais cedo ou mais tarde. - Courtney. Maldição abra essa porta. Ela olhou para a porta enquanto tentava respirar uniformemente. - Não, estou aqui onde você queria que eu estivesse. Agora, vá embora. - Respondeu em voz alta para que ele pudesse ouvir, mas mantendo o tom abaixo de um grito. Infelizmente Nick não tinha nenhum problema com gritos. - Abra. Essa. Porta. Agora. -Vá. Embora. Empurrando as sílabas para fora uma de cada vez, assim como ele, Courtney afundou-se na cama e esperou, sabendo muito bem que esta era mais uma batalha que ela ia perder. - Você quer que eu quebre essa sua maldita porta? - Ele perguntou, mudando o rumo quando a sua voz saiu quase que agradável. - Não, não quero. - Ela respondeu de volta com uma falsa doçura. - Então faça a sua escolha. Você tem cinco segundos. O pulso de Courtney começou a martelar. - Cinco. A palavra veio de uma forma dura e ameaçadora. Ele parecia ainda mais nervoso do que ela pensava que estaria. Mas ela não achava que Nick iria arrombar a porta. - Quatro.

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Ele poderia arrombar a porta? Ele provavelmente poderia, mas sabia que teria que consertá-la mais tarde. - Três. Merda. - Dois. Courtney abriu a porta e olhou para ele. Seus olhos se estreitaram quando viu uma chave na sua mão. - Você tem a chave do meu quarto? Sua expressão estava chateada, mas a sua postura parecia totalmente casual. Ele estava descalço obviamente assim que entrou tirou seus sapatos e meias e o fato de que ele começou a se desnudar estava fazendo com que o seu coração batesse mais rápido. - Sim. É claro que eu poderia arrombar a porta, mas por que não usar uma chave? - Então você mentiu para mim? - Perguntou ela. - Você estava tentando me assustar? Será que não acha que a ameaça de usar a chave seria ruim o suficiente? Tinha que ameaçar arrombar a porta? Ele deu de ombros como se estivesse despreocupado e deu um passo para frente, enquanto ela deu um passo para trás. - Tudo é justo no amor e na guerra. Ela o estudou por um momento notando todo o aço em seu comportamento, o qual estava fazendo pouco esforço para esconder. De repente, cansada de tanta mágoa, boa parte da vontade de lutar contra ele foi embora. - Assim é o amor ou a guerra? - Ela perguntou em voz baixa. Seus olhos se estreitaram quando ele embolsou a chave. - Eu acho que no amor é sempre assim, mas, evidentemente, você pretende tornar tudo isso entre nós uma guerra. O coração de Courtney bateu três vezes mais quando notou em seus olhos a certeza de que ele poderia quebrar a sua porta a qualquer hora que ele quisesse. Ela endureceu a espinha quando Nick deu mais um passo para frente e depois outro até que a manteve apoiada contra a parede. Ele levantou uma das suas mãos e a segurou acima de sua cabeça, pressionando seu torso contra o dela.

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Ele olhou para baixo e ela não poderia apagar todo aquele fogo em seus olhos. Segurando duas mãos cativas contra a parede, se empurrou ainda mais contra ela. Seus músculos estavam tensos e seu corpo rígido quando ele falou. - Estou prestes a mostrar-lhe o quanto amo você. Como você está errada em querer ficar longe de mim. Mas tenho uma coisa para dizer a você em primeiro lugar. Sua inflexão mudou nas últimas palavras e Courtney ouviu toda a sua raiva se infiltrar ao seu tom. Quando ele caiu em um silêncio ofendido ela engoliu em seco e se preparou para o que estava por vir. Seus olhos perfuraram os dela e em seguida, ele continuou com uma voz mais dura ainda: - Se eu te pegar dirigindo tão rápido novamente, você vai se arrepender, entendeu? Seu tom ficou tão antagônico que ela congelou sem conseguir se mover ou falar. - Você entendeu Courtney? Juro por Deus que você nunca mais terá uma chance como essa novamente ou eu pessoalmente, vou retirar as suas calças e espancá-la na sua linda bunda com tanta força que ficará sem conseguir se sentar por uma semana. Seus pulmões paralisaram diante do seu ar de ameaça. Seus traços escureceram e ficaram ainda mais tempestuosos. Entendeu querida? Courtney engoliu em seco, ao mesmo tempo em que ponderava as suas escolhas. Ela sabia que havia sido um pouco descuidada, mas não estava prestes a admitir isso. - Eu estava sendo muito cuidadosa. E sei dirigir muito bem. - Ela retrucou enquanto aquela sua beligerância durou apenas um batimento cardíaco. Seu olhar ficou ainda mais aguçado e sua mandíbula flexionou diante da sua raiva. -Que porra de resposta errada é essa. Com isso seus braços fortes a puxaram para longe da parede ate parar sobre a cama. Ela começou a lutar cavando seus saltos no chão quando ele se apoiou na cama para se sentar, mas era totalmente inútil, ele era muito forte e quando ele a puxou para baixo, sobre suas coxas, na pose clássica de uma surra, Courtney começou a lutar a sério.

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- Vamos. Pare. Agora. - Ela enunciou em voz alta e clara, movimentando a cabeça enquanto empurrava suas pernas tentando fugir. Mas era impossível. Nick colocou um braço musculoso em volta de suas coxas para mantê-la presa no lugar. - Você nunca mais vai dirigir tão rápido novamente, entendeu? Ele empurrou para fora com dificuldade e um tom irritado. Courtney não conseguia mais mover as suas pernas e o pânico começou a tomar conta dela quando tentou girar o corpo em direção ao seu para tirar o seu bumbum para longe de sua linha de fogo, mas seu aperto era forte demais. - Eu quero o divórcio! Em um esforço para fazê-lo parar o que ele estava prestes a fazer, ela tamborilou repetidamente um braço em sua perna até que percebeu que era inútil e que ela só estava machucando a si mesma. Quando ela sentiu que ele abaixava seu short de cetim para baixo e o mantinha enrolado em torno de suas coxas, expondo seu bumbum nu ela foi à loucura. - Pare com isso! Porra, Nick, pare com isso! - Você não vai ter nenhum maldito divorcio. - Ele gritou de volta enquanto a sua mão descia em um tapa, para depois ficar lá, agarrando sua nádega fazendo uma compressão. Ela bateu com a perna novamente tentando fazê-lo parar. - Pare com isso. Não se atreva. Seus dedos continuaram a apertar em torno de sua nádega de uma forma ameaçadora. - Você vai parar de dirigir como uma mulher selvagem? - Ele gritou. E baby, é melhor você responder corretamente desta vez ou quer pagar novamente? Com isso uma de suas mãos rapidamente tirou completamente o seu short, para logo após lhe jogar de lado, porem durante todo aquele período ele continuou controlando seus movimentos. Quando ela permaneceu num silêncio furioso, ele a levantou até que estava montada nele com seus torsos unidos. Ela aproveitou a oportunidade para lhe bater no peito. - Você não pode me bater! - Eu não bati em você. - Ele negou arreganhando os dentes. – Dei apenas um tapa na sua linda bunda. Uma única vez.

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- Bem, você não pode me bater na bunda. Quando ele apenas olhou para ela, ela lhe bateu novamente, desta vez no ombro. - Compreende idiota? Ele ignorou seus golpes como se fossem nada mais do que uma mosca irritante sobre ele. - Você não pode dirigir daquela forma, pois acabará se matando ou matando alguém. Vou fazer o que for preciso para me certificar de que isso não aconteça novamente. E não me chame de idiota. - Saiba que me ameaçar com uma surra não é uma opção. Você acha que vou ficar em um casamento onde você me maltrata contra a minha vontade? Foda-se! É melhor pensar em outra maneira de passar as suas mensagens. Diante das suas palavras, obviamente, tomando-as como um desafio, ele a virou até que ela estava deitada de costas e ele estava inclinado sobre ela em uma posição sexualmente ameaçadora, com sua expressão mostrando pouco ou nenhum remorso. - Nós podemos passar para a opção dois. Posso subjuga-la desta forma e confie em mim, não há nada mais que eu ame do que isso. Ele olhou em seus olhos, seu cabelo, seu rosto, seu torso ate parar em suas coxas nuas. Seus traços formaram uma carranca ate que finalmente começou a respirar com mais firmeza e murmurou. - Sei que não te machuquei. - Sim, você me machucou! Ele não tinha, realmente não tinha, mas ela ainda estava muito furiosa. Qualquer gentileza que lhe restava deixou seu rosto. - Você também está me machucando. De repente, após ver toda aquela dor estampada em seu rosto, não estava preparada para quando a sua boca cobriu a dela. Seu beijo era forte, feroz e aniquilador. Sua língua se empurrou possessivamente e ele começou a acariciar a sua boca de dentro para fora, como se ele não fosse capaz de ter o suficiente dela e foi quando o seu aroma lhe subiu a cabeça, era um afrodisíaco poderoso que nunca deixava de lhe seduzir. Então quando o beijo continuou, contra a sua vontade, Courtney começou a derreter em seus braços.

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Ele levantou-se apenas o tempo suficiente para descascar a sua camisa. Agora ela estava completamente nua com ele lhe segurando presa à cama e uma mão indo para o seu seio. Seus dedos eram como mágica contra o seu mamilo, amassando-a ali, ate que Courtney perdeu todo pensamento e a razão. Ele levantou a cabeça e rosnou: - Você não pode dirigir de forma imprudente. Vou morrer se alguma coisa acontecer com você, entendeu? - Nick- Eu vou morrer se não tiver você comigo. Porra, isso é tão simples de se entender. Ele exalou profundamente enquanto se levantava para retirar a sua calça jeans, camisa e cueca. Ele voltou para ela e se empurrou entre as suas coxas, pronto para entrar dentro dela. Erguendo a cabeça olhou profundamente para ela enquanto a sua respiração se acelerava. - Você está me matando aos poucos. - Ele rosnou parando na sua entrada. - Isso tudo está me matando também. - Ela respondeu de volta, levantando a mão para passar através de seu cabelo. - Eu te amo. - Ele rosnou parecendo nem um pouco feliz com isso. - Eu também te amo. - Ela retrucou com as suas emoções transbordando dela, pouco antes de sua boca voltar para a dela. Ele a beijou duro, longo e com muita força. E então sem nenhum aviso levantou a boca da dela e ele olhou em seus olhos. Ele mudou um pouco a sua posição e forçou um joelho entre as suas pernas, empurrando-o contra o seu monte desprotegido. - Você é a minha esposa? Ela respirou fundo, tentando controlar a febre que consumia todo o seu sangue. - Sim, mas- Nada de, mas. É uma pergunta sim ou não. Você é a minha esposa? - Nick- É uma maldita pergunta completamente simples, querida. Você. É. A. Minha. Esposa?

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Ela soltou um suspiro. - Sim. - E você quer permanecer dessa forma? Ele respirava furioso sobre ela e as suas palavras vinham quentes e escaldantes. Quando ela permaneceu muda ele disse: - Aquela cena no restaurante. Isso era besteira e você sabe disso. Eu não me importo com as crianças. Eu não dou a mínima para ter uma família. Quantas vezes mais terei dizer isso para você? O que eu tenho que fazer para passar essa mensagem para você? Ele estava sobre ela e como poderia não ser mais claro que isso? Courtney lambeu os lábios e gaguejou: - Talvez agora não... Talvez não perceba o olhar de saudade que surgi em seu rosto todas as vezes que olha para uma criança. Sua expressão se apertou. - Deixe-me perguntar uma coisa, querida. Uma de suas mãos voltou a pegar as dela e as fixa-las acima de sua cabeça. - Crianças são uma coisa bonita de ver, não é mesmo? Assim como filhotes. Está me dizendo que não tenho o direito de acha-los bonitos? Você está me culpando por olhar para um casal com filhos? Prendendo a respiração ela balançou a cabeça. Seus lábios se achataram. - Nós nunca tivemos uma conversa séria sobre isso. Sobre por que você está com tanto medo de ter filhos. Seus olhos se estreitaram sobre ele, engolindo seco enquanto ele continuava a pressionar o joelho contra ela. - Eu já lhe disse por quê. Nick lançou um olhar quente enquanto suas mãos seguravam as mãos dela cativas no colchão. - Você prometeu ficar comigo diante do melhor ou pior. Entendo que você acha que isso é um problema enorme, mas estou dizendo a você que não precisamos ter filhos. Gostaria que eu lhe provasse isso? Quer que eu faça uma vasectomia para que então possamos parar de brigar? Ela se empurrou contra ele horrorizado com aquela sua sugestão. - Não se atreva!

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- Ah, então agora o que eu faço com o meu corpo é escolha sua? Isso não parece justo! Considerando que você não está me dando uma escolha sobre o nosso casamento. As palavras de raiva saíram de sua boca para logo em seguida, ele soltar um suspiro, como se para se acalmar. - Tudo bem. Você não quer falar sobre o fato de me privar de um dia ter filhos. Eu entendo isso. Suas palavras pararam um instante e depois suavizaram. - Você é tão doce e é por isso que eu te amo. Ela sentiu seu coração se derreter, mas permaneceu em silêncio e ele continuou: - Então, vamos falar sobre ter filhos. Courtney sentiu seus olhos se alargarem de pânico quando começou a empurrar contra ele, porem Nick parecia lhe segurar ainda mais firmemente, possessivamente e protetoramente. - Aqui está a coisa que você não está entendendo. Você não tem uma escolha se quer ou não passar o resto da sua vida comigo. Essa é a parte da equação que você não está entendendo. Nenhuma escolha. Estou aqui agora e não vou sair. Você não vai a lugar nenhum e pode colocar isso de uma vez nessa sua cabeça. Você não vai mudar para outro lugar. Jamais. Ele soltou um suspiro e depois a intimou. - A escolha é bem simples. Ter ou não ter filhos. Diante daquele seu ultimato Courtney vacilou por causa dos seus sentimentos divididos. Suas palavras eram tão fortes e verdadeiras que estava seguro de que ela iria ficar para sempre com ele. Uma onda de alívio correu através dela, ele estava retirando todas as possibilidades dela deixá-lo. Mas ainda assim, o fato de que deveria ser ela a pessoa a decidir o que queria da vida não parecia justo e ela disse isso a ele. - Isso não é justoSua expressão tornou-se mais dura. - Eu não quero ouvir o que é justo ou não é justo. Segurando-lhe os pulsos com uma mão, ele arrastou a outra até a sua bochecha olhando em seus olhos intensamente antes que de continuar com um tom áspero: - O que não é justo para mim é viver toda a minha vida sem você. Você não pode ver que eu vou perder a minha sanidade mental, se eu não puder tê-la comigo?

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- Nick. - Ela protestou em voz baixa. - Certo. Você não está querendo entender. Eu posso ver isso em seus olhos. Então me diga, por que temos que fazer esta escolha sobre as crianças agora? Por enquanto a gente pode não pensar em filhos. Vamos sempre ter o cuidado de ficarmos protegido. E se você mudar de ideia mais tarde, a opção vai estar lá. - Não é tão simples assim. - É completamente simples. Ela relaxou as mãos doando-se a ele, mas não disse mais nada. - Baby. - Ele começou suavemente. - Você não tinha família quando aconteceu o acidente. Nenhuma. Nosso filho ou nossos filhos, se os tivermos, terá a minha mãe e os meus irmãos e primos com as futuras famílias que se formaram. Confie em mim, meus irmãos acabarão se casando e construindo as suas próprias famílias e todas as crianças que poderíamos ter serão amadas não apenas por nós, mas por sua avó, tias, tios e primos. Courtney respirou fundo quando suas palavras bateram em seu cérebro. Nick tinha uma família enorme. E eles eram a sua família também. Ela sentiu seu rosto corar e em seu silêncio, ele pareceu entender que ela estava realmente ouvindo aquelas palavras, pois ele a apertou ainda mais. - O que devemos fazer, se você decidir que quer um filho, é simplesmente ter uma tonelada deles. Poderíamos ter quatro ou cinco e desta forma, eles nunca ficariam sozinhos. Deus me livre, mesmo se algo acontecesse com a gente, eles têm um ao outro, certo? Ela lambeu os lábios secos totalmente chocada enquanto segurava seus olhos. - Eu nunca... Eu nunca pensei sobre isso dessa forma. A ideia de ter filhos, deixa-lo órfão, sempre me aterrorizou tanto que eu nunca pensei em ter um grupo, em vez de apenas um. Ele levou a sua mão para cima ate tocar no seu cabelo, segurando-a ainda mais perto. Sua testa caiu sobre a dela e ele disse gentilmente. - Bem, agora pense sobre isso, mas saiba que não tem que decidir nada neste momento. Ele levantou a cabeça e continuou: - Continue a tomar a pílula, se quiser. Vou até usar preservativos para proteção dupla se isso lhe fizer se sentir melhor. Porem, vamos decidir essas coisas mais tarde. Mas, baby, por favor, por favor, diga que

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vai continuar casada comigo. Deixe-me colocar suas alianças em seu dedo e, por favor, deixe-os lá. - Você tem certeza, Nick? Pois jamais vai poder mudar de ideia. - É um risco que estou disposto a correr. Preciso de uma coisa e apenas uma coisa na minha vida para me fazer feliz. E isso é você. Eles olharam um para o outro quando um forte tesão entre eles começou a se construir. Seus olhos caíram para os lábios e Courtney sentiu uma labareda de fogo percorrer as suas veias, ao mesmo momento em que uma onda de calor úmido derramava entre as suas coxas. - Eu te amo. Nick gemeu quando a boca dele caiu mais uma vez sobre a dela. Seu beijo era todas as coisas: gentil, carinhoso, possessivo, vigoroso e uma promessa. Courtney o beijou de volta, empurrando a mão que segurava a dela presa. Ele soltou e imediatamente ela afundou os dedos em seu cabelo. O cheiro dele era tudo ao seu redor, seus músculos rígidos em torno dela e ela tentou se controlar, mas não conseguia conter a sua grande necessidade dele. Ela teve que levantar os quadris, apenas um pouquinho. Sua mão se arrastou por um momento e ergueu seu queixo. Peça. - Nick, por favor. - Ela sussurrou não querendo dizer aquelas palavras. - Não, eu quero ouvir você dizer as palavras. Você me colocou no inferno e agora me trouxe de volta. Ele abaixou a cabeça e a beijou-a tão agressivamente que seu cérebro quase se estilhaçou em dois. Sem conseguir se controlar mais uma vez seus quadris se levantaram contra ele novamente, implorando por ele. Ele soltou seus lábios. - Eu já te prendi contra a sua vontade e abusei da sua bunda doce, de um jeito que posso ser acusado de um crime ou coisa pior. Suas palavras foram meio-provocação e meio séria, o que fez Courtney passar os dedos pelo seu cabelo e sorrir para ele. - Você está perdoado. Agora me ame, Nick. Faça amor comigo, por favor. Um chiar surgiu no ar quando um olhar feroz transformou a sua expressão. Ele movimentou as suas pernas, surgindo de volta entre ela

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com um poder e dominação que ela nunca tinha sentido antes dele e quando se empurrou dentro dela foi com um único golpe poderoso. Courtney foi inundada pela plenitude requintada que ela passou rapidamente a desejar. Quando ele se empurrou mais uma vez e ficou parado dentro dela, ela soube naquele segundo que a situação entre eles poderia facilmente matá-la também. Ela não podia viver sem ele e ela nunca quis nem tentar fazer isso. Isso que estava matando os dois tinha que acabar, não podia mantê-lo assim por mais nenhum momento. Engolindo em seco e decidindo confiar nele para saber que tudo daria certo, ao mesmo tempo em que confiava nele com todo o seu coração, ela sussurrou; - Nick. Continuando parado dentro dela ele tomou-lhe o queixo com uma mão e mordeu o seu lábio inferior, antes de abrir os olhos. - O que foi querida? Ela olhou para ele durante vários segundos enquanto mais uma onda de calor começava a construir entre eles. - O que foi baby? - Ele perguntou mais suavemente. - Você quis realmente dizer o que disse?- Ela perguntou com uma voz cheia de súplica. - Eu sempre costumo dizer aquilo que realmente quero dizer de fato. - Respondeu ele com cuidado, beijando-a nos lábios antes de se acalmar novamente e prender seus olhos com os dele. - Aquilo... Sobre as crianças. - Ela elaborou. Seus ombros se enrijeceram quase infinitamente quando ele respirou fundo. - O que sobre eles? - Ele perguntou suavemente. - Podemos ter um monte? - Ela perguntou rapidamente. - Você realmente quis dizer isso, certo? Enquanto ela o observava não conseguiu fazer parar de tremer seus lábios. - Eu não poderia ter apenas um. Precisaríamos de quatro ou cinco anos, pelo menos. Você está certo, eles vão precisar ter sempre alguém, sabe? No caso de algo acontecer com a gente. Nick fechou os olhos por um instante quando uma paz abrangeu todas as suas características. Quando ele abriu os olhos e olhou para ela em total concentração, ela viu alívio misturado com alegria.

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- Eu realmente quis dizer isso. Sua respiração engatou quando suas palavras de garantia foram proferidas. - E se... E se algo acontecer após o primeiro e precisarmos adotar o resto? Você ficaria bem com isso? - Absolutamente, baby. Eles vão ser nosso. Vou ser capaz de amar a todos, da mesma forma. Ela respirou fundo e um forte sentimento de contentamento sangrou através de todo o seu ser. - Obrigada. Ele passou os dedos pelo seu cabelo e logo após agarrou o seu couro cabeludo quando um olhar de alívio absoluto e felicidade surgiu em suas feições. Sem perder o ritmo ele perguntou: - Quer dizer que a partir de agora irá usar a sua aliança? - Sim. - Ela sussurrou. - E toda a família pode saber sobre o nosso casamento? Amanhã por exemplo? Ela sorriu ao sentir que ele se empurrava ainda mais para dentro dela, insistindo em uma resposta. - Sim. Ele olhou para o céu e em seguida, de volta para ela. - Obrigado. Enquanto ele falava as palavras, Courtney não sabia se ele estava agradecendo a ela ou um ser superior. Mas isso realmente não importava. Tudo o que importava era o amor que sentiam um pelo outro e a possibilidade do futuro que os aguardava.

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Epílogo Muitos anos mais tarde... Courtney corria à frente de Nick enquanto este andava de uma forma mais vagarosa atrás dela, olhando para o seu traseiro de uma forma safada, mesmo após todos esses anos. - Os senhores estão no quintal com as crianças. - Disse a governanta enquanto os conduzia pela casa de Damian e Angie até às portas traseiras que se abriram para o enorme quintal paisagístico. No momento em que Nick caminhou pelas portas duplas, Courtney já estava bem a frente dele, tirando os sapatos para logo após mergulhar ate o segundo degrau da piscina, ignorando completamente a bainha de seu vestido que estava agora na água. Seus braços estavam abertos, esperando enquanto Emily, sua filha de apenas quatro anos, nadava até ela com um grande sorriso. Depois de abraçar ela com força, a menina perguntou: - Onde está o papai? Courtney beijou a testa de Emily e apontou atrás dela enquanto Nick surgia com seu filho mais novo nos braços. A cena no quintal era caótica. Havia crianças por toda a parte, com as suas risadas contagiantes. Damian estava grelhando hambúrgueres na cozinha ao ar livre, enquanto Angie vigiava as crianças de sua cadeira ao lado da piscina. - Melissa! Pare de espirrar água em seus primos. - Ela protestou com a sua filha de quatorze anos, enquanto colocava um curativo sobre o outro filho de sete anos, que se contorcia em volta, pronto para voltar à piscina, apesar da recente raspada em seu joelho. Nick estudou a piscina, contando cabeças até que identificou os seus outros três filhos em meio ao caos. Deixando Courtney com a Angie e seus filhos mais velhos, Nick começou a caminhar na direção do seu irmão com Emily pendurada em seu pescoço, toda molhada e tagarelando para ele o tempo todo.

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- Madison teve problemas ontem à noite. - Ela sussurrou de uma forma conspiratória quando se aproximaram do tio Damian. Apenas quando estava do outro lado do quintal, Nick parou e olhou para a sua filha, surpresa. Angie e as meninas gêmeas de Damian eram sempre uns anjos, tanto quanto ele tinha tido conhecimento. - O que aconteceu? - Ninguém quis me dizer por que sou muito nova. – Sua filha reclamou, fazendo um biquinho com seus lábios. - Seus irmãos não te falaram? - Ele perguntou, sabendo que seus quatro filhos eram totalmente grudados. - Os meninos não falaram, pois são todos estúpidos. E acho que a Jenny também não sabia de nada, pois ela me disse apenas que a tia Angie pegou o celular da Madison. Nick beijou a sua bochecha e a repreendeu em voz baixa: - Não chame os seus irmãos de estúpidos, baby. - Mesmo quando eles estão sendo estúpidos? - Emily perguntou, olhando para ele com olhos tão grandes iguais o da sua esposa. Nick riu. - Mesmo assim. Ele a beijou novamente e depois a colocou sobre seus pés. - Você tem vinte minutos para brincar com seus primos, antes de ir para casa. Você quer fazer isso ou ir comigo falar com tio Damian? - Brincar! - Ela gritava enquanto corria de volta pelo gramado em direção à piscina. Nick surgiu ao lado do irmão e bateu-lhe nas costas em saudação. - Ei, cara. - Ele o cumprimentou enquanto Damian virava os hambúrgueres. - Olá. - Damian respondeu com um aceno de cabeça. - Obrigado por ficar com as crianças. - Não é problema. Afinal, você ficou com os nossos no último mês antes de voltarmos para o nosso inferno. Damian brincou. - Então, como foi no Caribe? - Incrível, como de costume. Apesar de ter que ir e voltar sozinho como sempre. Mesmo depois de todos esses anos, sua esposa não viajava no mesmo voo com ele. Ela disse que era mais perigoso do que colocar o

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Presidente e o Vice-Presidente no mesmo plano. Ele ainda não conseguia conviver com isso. Damian riu. - Você tem que manter isso, afinal Courtney nunca conseguira superar isso completamente. - Você provavelmente está certo. Nick respondeu, sabendo que teria que lidar com esse pequeno inconveniente em sua vida perfeita. Pelo menos Courtney concordava em viajar com ele uma vez por ano e deixar seus filhos tanto com a sua mãe ou com os seus irmãos e cônjuges. Sua vida estava trabalhada de forma brilhante na medida em que ele estava preocupado, ele não podia na verdade reclamar de nada. Ele sabia que era o homem mais sortudo do mundo. - Então, o que aconteceu com Madison ontem à noite? - Ele perguntou ao seu irmão. Damian olhou para longe da grade e para ele com um sorriso que não alcançou seus olhos. - Você já ouviu falar sobre isso? - As notícias correm rápido quando um dos anjos começa a ter problemas. Brincou Nick, embora parecesse que seu irmão não estava nada feliz. Damian franziu a testa e Nick podia dizer o quão chateado seu irmão estava. - Nós a tínhamos alertado três vezes sobre trocar mensagens de texto tarde da noite. Merda. Ela deveria estar dormindo. Não particularmente chocado e sem pensar muito sobre como aquela transgressão era muito terrível, Nick perguntou suavemente. - Como vocês descobriram? - Através do bip do seu telefone celular. - Respondeu Damian. - Ela havia passado da sua hora de dormir de novo? Nick estava escarnecido, esperando que a terminologia de ' hora de dormir ' fosse algo como 23:15 ou coisa assim. - Cara eram duas horas da manhã. Nick apenas olhou para seu irmão atordoado. - Você tem que estar brincando comigo. - Eu te juro cara.

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- Que diabos uma garota de quatorze anos de idade precisa conversar tão tarde da noite? Damian virou completamente na sua direção e lhe sorriu com condescendência. - Você tem muito que aprender irmãozinho. - O que você quer dizer com isso? - Nick perguntou confuso. - Madison não estava teclando com uma menina. Claro que não. Não era nada tão simples assim. Nick estava completamente tonto. - Ela estava teclando com um garoto, às duas da manhã? - Oh, isso fica ainda pior. Damian anunciou quando seus músculos enrijeceram diante da raiva que se tornou evidente em seu rosto. Nick não podia acreditar no que estava ouvindo. - Preciso me sentar? - À vontade. - Diga-me. - Nick exigiu. Damian baixou o tom. - O garoto que ela estava trocando mensagens de texto tem dezesseis anos. Nick olhou para o seu irmão por um momento antes de olhar para a Madison que estava deitada em uma espreguiçadeira com fones de ouvido. Cristo. Era permitido aquelas curvas em crianças? Passando os olhos para Melissa a sua irmã gêmea, ele viu exatamente as mesmas curvas, mas ela estava indisciplinadamente brincando na piscina com seus primos e irmão de uma forma tão transparente. Nick engoliu em seco e olhou de volta para o seu irmão. - Você já procurou o garoto e deu um ultimato a ele? - Ele perguntou com provocação. - Gostaria de poder. Basta esperar e você vai ver como é, afinal, um dia também vai acontecer com você. Ignorando aquela previsão para o seu futuro, Nick perguntou: - Onde ela o conheceu? - Na escola. Práticas de verão. Ele está no time de futebol. Nick parou rapidamente, sentindo a dor do irmão.

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- Foda... Ela é uma das líderes de torcida. - Sim e as aulas começam na próxima semana. E não é como se pudesse afasta-la da escola. - Disse Damian categoricamente. - Você acha que nada está acontecendo? - Nick perguntou, quase vacilando com aquele pensamento. - Nós pensamos que não, mas somos muito ultrapassados, sabia? Você acha que nós crescemos rápido? Essas crianças crescem na velocidade da luz. Nick balançou a cabeça, não gostando do som dessas coisas. Como a Angie está cuidando disso? Ao ouvir o nome da sua esposa, Damian se virou procurando por ela ate encontra-la. - Melhor do que eu. Ela está falando com a Madison sobre isso e muito mais. - Disse ele, continuando a assistir a sua esposa caminhar por todo o quintal. - Bem, isso é bom, eu acho. - Respondeu Nick, embora parecesse que tinha perdido seu irmão em algum lugar. A atenção de Damian estava firmemente em sua esposa e quando Nick olhou na direção de Angie, ele viu que ela estava assistindo seu marido também. Seu olhar mudou para Nick por apenas um segundo e foi quando ela corou antes de rapidamente sorrir e olhar para longe. Sentindo-se como se estivesse interrompendo um momento repentinamente privado, Nick pigarreou. A atenção de Damian se virou para Nick e a grelha que estava lhe esperando. - Vocês vão ficar para o almoço? Temos muita coisa aqui. Seu irmão ofereceu quase como uma reflexão tardia. - Podemos ficar apenas por um momento? - Perguntou Nick. - Nós ainda temos um milhão de coisas para preparar antes de iniciar as aulas na próxima semana. - Claro, não há nenhum problema. - É melhor eu falar com ela. - Nick suspirou. - Você sabe quanto tempo vai levar para terminar com isso. Damian apenas riu, acenou com a cabeça e começou a virar os hambúrgueres novamente.

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Mais tarde naquela noite, as quatro crianças estavam em seus quartos prontos para dormir. Nick recostou-se na cama, com as mãos atrás da cabeça e esperou por Courtney vir do chuveiro, seu corpo endurecendo com o simples pensamento. Ele adorava o cheiro de Courtney o tempo todo: quando ela estava pronto para sair, quando tinha acabado de dar um mergulho no oceano e mesmo quando ela estava coberta de sujeira de trabalhar no jardim. Mas o seu cheiro quando saia do chuveiro mexia com ele todas às vezes. Não era tanto por causa de seu aroma completamente limpo ou porque sabia que ela estaria nua sob suas roupas de dormir. Era porque ela estava pronta para dormir. E a conotação de que aquilo era como uma bandeira vermelha diante de um touro como ele, era demais. Ele certamente não amava a sua vida apenas por causa da sua vida amorosa. Ele amava cada segundo de cada dia de sua vida. Ele amava a família que haviam construídos juntos, pois as crianças significavam tudo para ele e Courtney e agora que estava completamente feliz, ela havia se tornado a mãe perfeita. Mas quando ela tomava um banho à noite e vinha para a cama para ficar apenas com ele... Ele não se incomodava em dividir ela durante o dia com as crianças, ou mesmo durante a noite, se um deles estivesse doente, mas na maioria das noites, noites como esta, ela era apenas dele. Nunca havia diminuído o amor que ele sentia por ela. Ele sempre esteve lá, desde os seus primeiros vinte anos, e ele só tinha crescido e aprofundado como o passar dos anos. Ele ouviu quando a água parou e em poucos minutos ela começou a caminhar em direção à cama, tirando o seu cabelo do elástico que havia amarrado antes. À medida que os cachos loiros suaves caiam ao redor de seus ombros ele gemeu e sem conseguir se controlar falou: - Eu te amo. Ela olhou para ele e sem dúvida, acabou percebendo a intensidade que ele não conseguiu manter fora de sua voz e aquilo fez com que o coração dela refletisse em seus olhos. - Eu também te amo. Ele deu um tapinha no lugar ao lado dele:

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- Venha para a cama. Ela sorriu e começou a desligar a luz. - Não. - Ele falou. Ela respirou fundo e em seguida, enviou-lhe um pequeno sorriso sedutor. - Vamos jogar um jogo? Deixar a luz acesa normalmente significava que Nick estava com certo humor e Courtney o conhecia bem o suficiente para reconhecer esse fato. Eles, hoje em dia, raramente jogavam jogos sexuais. Realmente não havia necessidade. O sexo era fantástico sem nenhum extra, mas por alguma razão, havia certo pensamento que estava lhe atormentando esta noite. Ele levantou uma sobrancelha. - Você quer jogar? Seus olhos se iluminaram e ela balançou a cabeça enquanto colocava primeiro um joelho na cama e depois o outro, parando por um momento apenas para sussurrar: - Diga-me as suas regras. - Minhas regras? - Ele perguntou mal conseguindo manter a diversão fora de sua voz. As palmas das suas mãos foram para seus seios e com o seu toque quente contra sua pele nua, sua diversão fugiu. - A situação é você quer ou não. Ela suavemente correu a boca ao longo de sua orelha, de uma forma ansiosa querendo agradá-lo. Suas mãos pousaram em seus quadris lhe agarrando de uma forma firme, onde ela se ajoelhou ansiosamente ao seu lado, pronto para tentar qualquer coisa que quisesse. - Tudo bem. Você tem dezoito anos e eu acho que você está em casa sozinha. - Oh, eu gosto do som disso. - Ela sorriu maliciosamente. Uma onda de sangue atingiu a sua virilha. - Merda, eu também, baby. Ela levantou a cabeça prestes a começar, mas Nick passou as mãos pelos seus ombros e ela fez uma pausa, procurando seus olhos. Ele engoliu em seco.

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A Propriedade de Um Rule – Lynda Chance Série House Of Rule #2

- Você tem dezoito anos, Courtney. Você tem dezoito anos, eu tenho vinte e quatro anos e eu estou indo tê-la nua como nunca fui capaz antes. Seus olhos brilharam e seu coração começou a correr quando ele perguntou. - Mas você está feliz, entende baby? Ela continuou a procurar a sua expressão, seus olhos ficando sério, até que um pequeno sorriso ergueu os lábios. - Tudo bem, eu entendo. - Serio querida? - Sim. Ela lhe lançou um sorriso suave, agridoce quando passou os dedos pelo seu cabelo. - Você nunca quer que eu fique triste novamente, nem mesmo no faz de conta. Ele ergueu as mãos para o cabelo dela, segurando-a no couro cabeludo. - Isso mesmo. Eu quero que você seja feliz. Sempre feliz. Assim como você me faz e as crianças. Seu sorriso agridoce ficou tão doce que seu estômago revirou. - Você não precisa se preocupar. Estou sempre feliz, Nick. Você e as crianças são a minha felicidade. Ele sentiu uma dose de alívio imediato e incapaz de esperar mais um segundo, seus lábios caíram sobre os dela e começou a beijá-la como ele planejava fazer pelo resto da sua vida.

Fim

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