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Quem já não ouviu comentários de que nossas crianças estão tendo cada vez menos tempo para brincadeiras, aquela parte lúdica e espirituosa da vida? São compromissos, hábitos, formas de se ensinar, uma complexidade de ações que deixam os pais meio desnorteados. O excesso de informações a respeito do tema contribui com esta certa confusão. É preciso brincar. Aliás, “brincadeira é coisa séria!”, como diz nosso texto da página oito deste especial. E é aí que está o ‘fio da meada’. Em todas atividades que vamos desenvolver com nossos pequenos precisamos acrescentar esta parte recreativa, meio sem sentido, que aguça o lado imaginativo e que vai educar. Quando se atinge isso aquela parte “sem sentido” passa a ter significado especial para a criança. Ela gosta da

interação, do toque, do sorriso franco e da gargalhada descontrolada. Nestas 12 páginas produzidas com muita dedicação e carinho, procuramos chamar a atenção para isso: que competência o seu ‘pimpolho’ pode aprender, o que o diferenciará na vida futura, cuidados com sua saúde, dicas gourmet para estimular o jovem paladar, bons hábitos, interação dos pequeninos com os animais e muitos, mas muitos brinquedos. Ah... sem esquecer do tema “da hora” como tecnologia: seu lado bom e seu lado ruim. E, para isso, interagimos com diversos profissionais e empresas que nos deram suporte para gerar um conteúdo diferenciado, prático e belo, como nossas crianças, razão de todo este trabalho... ótima leitura!


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Competências

que seu filho precisa aprender

Os grandes diferenciais do profissional do futuro são desenvolvidos desde a primeira infância. A escola pode até ajudar, mas a família é determinante. Por Suzana Lakatos Para ser bem-sucedido num mundo de mudanças rápidas e valores sociais em alta, o profissional do futuro terá que mostrar habilidades e comportamentos. No dia a dia, com pequenas atitudes, você pode contribuir para o desenvolvimento das dez competências e habilidades que vão fazer do seu filho um profissional bem-sucedido e antenado com o futuro.

1. Flexibilidade: É fundamental cultivar múltiplos interesses, manter-se atualizado. Os livros ensinam a pensar, imaginar, criar, analisar o mundo e as pessoas. Estimule seu filho a ler. 2. Convivência: Conviver

e lidar com pessoas de outras culturas, ritmos, estilos, valores e crenças são indispensáveis no mundo atual. Mostre a importância de respeitar regras, como horários e uso do uniforme escolar.

3. Iniciativa: Em um mundo dinâmico e

em constante transformação, ficar preso a antigas fórmulas pode ser um tiro no pé, para o desenvolvimento de uma carreira de sucesso. Proporcione programas variados, nas artes, na música, no esporte, para que seu filho adquira interesses diversificados e se sinta especialmente motivado a buscar atividades em áreas múltiplas.

5. Criatividade: Está ligada à

4. Ética: As próximas gerações precisarão adotar posturas íntegras em relação a trabalho, colegas, fornecedores, clientes e parceiros. Valores claros dentro de casa contribuem para consolidar atitudes éticas. Outra boa medida é discutir em família fatos cotidianos que coloquem aspectos éticos em xeque, como os recentes casos de corrupção.

capacidade de mudança e inovação, à imaginação, à sensibilidade e ao senso estético. Varie os caminhos entre casa e escola, busque programas diferentes para realizar em família e proponha desafios, como o de preparar a própria comida em vez de descongelar uma pizza.

6. Escolha: Curso de inglês ou de música? Intercâmbio cultural agora ou uma poupança para fazer MBA no exterior mais tarde? Boas escolhas exigem boa visão de conjunto e análise de prós e contras.

7. Autoestima: A convicção de ter um papel ativo no mundo e a confiança na própria capacidade caracterizam a autoestima, que fornece a coragem necessária para levar adiante qualquer projeto. 9. Controle: Em tempos de competição

sa qualidade 8. Maturidade: Esbilidade, sa envolve respon gridade. te in e disciplina

acirrada, quem respeita os próprios limites e aprende a relaxar na hora certa tem maior serenidade para fazer boas escolhas, focar metas, eleger prioridades e lidar com fatos novos.

10. Comunicação:

Significa dizer o que pensa, mas na hora certa, para a pessoa certa e do jeito certo. Essa qualidade envolve a capacidade de expressar ideias e pensamentos, sempre de maneira clara, fluente e organizada.

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Hábitos Bucaisna infância

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s dentes decíduos (dentes de leite) exercem um papel relevante no desenvolvimento mastigatório e facial das crianças. Cada dente tem um papel a cumprir na arcada dentária, desde a mastigação até a manutenção do espaço para seu dente sucessor permanente. A presença de hábitos bucais na dentição decídua poderá acarretar alterações graves. Os ossos da face crescerão de forma desarmônica, as arcadas dentárias e os ossos nasais poderão sofrer estreitamento, assim prejudicando também as funções de deglutição, mastigação, fala e respiração. Crianças com hábitos de sucção não-nutritiva apresentam 12 vezes mais chance de desenvolver problemas oclusais do que crianças sem hábito.

• Hábitos de sucção não nutritiva: dedo e chupeta deverão ser suspensos até por volta dos 18-24 meses. O bebê chupa o dedo desde a barriga e, durante o seu desenvolvimento, especialmente nos períodos de desconforto e irritação provocados pela erupção dentária (inicia a partir dos 4-6 meses até em torno dos 3 anos, quando a dentição decídua estará completa), é normal que ele leve um ou mais dedos à boca. Nessa fase devemos proporcionar variedade de estímulos, como alimentos de consistência dura, mordedores, além de brincadeiras diversas, atenção, carinho, paciência e peito; a fim de que o hábito cesse espontaneamente. A chupeta não deveria ser oferecida ao bebê, mas caso seja usada optar por aquelas de bico de silicone e ortodôntico. Em relação a mesma, jamais: empurrar a chupeta novamente para a boca da criança após ela soltar, oferecer a mesma em sinal de desconforto do bebê (bengala emocional!), passar produtos como mel, açúcar, pendurar objetos na mesma e prender a chupeta

na roupa da criança.

- Hábitos de sucção nutritivo-aleitamento artificial : a partir dos seis meses, quando a mãe

começar a introduzir outros alimentos (desmame), deverá fazê-lo usando apenas copos e colheres, evitando o uso da mamadeira. Existe copos treinadores que são indicados para isso. Quando a criança não for amamentada o ideal é usar aquelas ortodônticas e de silicone em relação ao bico. Jamais introduzir outros líquidos, com exceção do leite, na mamadeira evitando o uso de açúcar e achocolatados. Aos doze meses tente substituir totalmente a mamadeira pelo copo com canudo até chegar ao copo e canecas convencionais, principalmente à noite, quando a criança adormecer mamando, pois a higiene não será realizada e poderá formar a “cárie de mamadeira”.

- Hábitos de respiração bucal: observar como a criança dorme, tipo se ronca, dorme de boca aberta, olheiras, lábios ressecados, postura corporal, pois poderá ser respiradora bucal. Assim, mais chance de desenvolver problemas respiratórios, deglutição atípica, dificuldades na fala e má- oclusão dentária. O tratamento será muitas vezes com a fonoaudióloga, otorrinolaringologista e ortodontista. - Hábitos como Onicofagia (roer unhas), morder lábio inferior, bruxismo: esses hábitos

mastigatórios podem estar relacionado ao estresse, tensão e/ou ansiedade. Podem ocorrer alterações nos dentes desde desgastes até problemas na articulação Têmporo-Mandibular. Por isso após os 6 meses de idade: • Estimular a alimentação com alimentos fibrosos e em pedaços para que possam desenvolver uma mastigação vigorosa e eficiente. • Aos 2 – 3 anos de idade a criança já estará com a dentição completa, então poderá se alimentar com comida normal de adulto. • Ter cuidados com hábitos prolongados de chupeta e mamadeira. Eles alteram a mordida da criança podendo criar interferências dentais e alterações musculares e ósseas. • Procurar propiciar um ambiente tranquilo que anteceda o sono. Evite deixar luzes acesas, assistir televisão ou usar o computador ou Playstation antes de ir para a cama. • Atenção na hora de programar a rotina de seu filho. Lembre-se que crianças precisam de tempo para brincar e atenção dos pais através de atividades educativas, carinho e muito amor. Procure um profissional especializado. Dra. Claudia Guidolin CRO 15921Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial - Centro Clínico

Sanduíche no espeto

Crianças adoram espetinhos. Quer surpreendêlas? Prepare esta sugestão. Monte um sanduíche no espeto: use pedacinhos de pão integral, queijo, picles, peito de peru e tomatinhos. Saboroso e nutritivo.

Banana com chocolate Experimente fazer esta receita de banana com chocolate, que é prática e muito saborosa. As crianças vão adorar se você chamá-las para ajudar a preparar. A fruta é opcional, pode-se usar outras. Ingredientes: 6 unidades de banana nanica madura, 200gr de chocolate ao leite e granulado a gosto. Modo de preparo: Deixe as bananas com casca no freezer durante 3 horas no mínimo. Derreta o chocolate em banho-maria. Deixe esfriar e coloque em copo alto. Retire as bananas do freezer, tire as cascas e corte-as ao meio. Espete palitos de sorvete, banhe-as no chocolate e em seguida cubra com chocolate granulado. Coloque-as em um prato e leve à geladeira até firmar. Dica: Consuma as bananas no mesmo dia de preparo.

Sorvete de uva com iogurte Ingredientes: 1 1/2 xícara (chá) de suco integral de uva, 3/4 xícara (chá) de açúcar e 3 copos de iogurte desnatado. Modo de preparo: Em uma panela, aqueça o suco com o açúcar, mexendo até dissolver. Depois bata a mistura no liquidificador com o iogurte e coloque em forminhas. Deixe no congelador por cerca de 4 horas ou até firmar. Sirva com calda de goiaba ou com outra que desejar.


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equilibrar a vida de seu filho

O que fazer para ajudar seu filho a minimizar os efeitos de uma vida repleta de atividades e aproveitar a infância? Aprenda 10 coisas que como pais, vocês precisam atentar para seu filho ser um adulto feliz. Por C. A. Ayres

1. Gerencie o tempo 2. Estabeleça prioridades 3. Não pressione 4. Preste atenção no que a criança gosta e quer fazer 5. Não se preocupe com a universidade por agora 6. Limite o número de atividades 7. Pondere cada atividade pelo custo-benefício 8. Equilibre os tipos de atividades extracurriculares 9. Escolha atividades que ajudem a incluir os valores familiares 10. Planeje horários onde todos possam se reunir

Tecnologia

para crianças

Psicólogos atendem cada vez mais crianças viciadas em tecnologia. Elas apresentam quadro de dependência em celulares, tablets e games, saiba como identificar o problema. Por Sérgio Quintella.

A maior frequência nos consultórios psicológicos e psiquiátricos especializados em crianças e adolescentes por causa do uso intensivo da internet. Um estudo da Unifesp, pela psicóloga Fernanda Davidoff com 264 estudantes paulistanos dá uma ideia do nível de abuso. A pesquisa revelou que 65% deles dormem pouco para continuar logados, 51% acessam a internet enquanto almoçam ou jantam e 33% usam os dispositivos até no banheiro. Segundo os especial istas, a dependência digital pode levar a outros distúrbios, como ansiedade, depressão e até uso de entorpecentes no futuro. Trata-se de um problema que afeta o mundo inteiro, tanto é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) pretende classificar o vício em jogos eletrônicos como distúrbio psiquiátrico. Muitas vezes, a dependência parte dos adultos, que também têm dificuldade em controlar o uso. Vários sintomas claros aparecem quando a situação começa a sair do controle. Os jovens passam a se descuidar dos estudos e ficam extremamente irritados se alguém tenta pôr l imites, entre outras coisas. Com um acompanhamento terapêutico, em parceria com os pais, é possível reverter o problema. Elaboramos estratégias para ampliar a prática de outras atividades e incluímos reforços positivos, como elogios em casa e passeios em famíl ia. O ideal, claro, é não deixar que se chegue a um ponto crítico. Antes dos 3 anos, os especialistas não indicam o uso de aparelhos eletrônicos. Para os mais vel hos, duas horas d iárias, no máximo, incluindo o tempo gasto com televisão. Mais do que isso é disfuncional, afirma Daniel de Sousa Fil ho, psiquiatra do Hospital Albert Einstein.

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Dez formas de

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O minuto que pode valer uma

vida V

ocê sabia que o momento mais importante das nossas vidas con siste no nascimento? O 1º minuto de vida é conhecido como o “minuto de ouro” e determina quem seremos por toda a nossa existência. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 1 em cada 10 bebês precisam de ajuda para respirar ao nascer. Para que a asfixia neonatal não deixe sequelas nem resulte na morte do bebê, é fundamental o atendimento já nos primeiros 60 segundos de vida, sendo o neonato-logista o profissional mais capacitado para tal. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a asfixia ao nascer contribui para a morte precoce (em até 7dias) de 5 bebês nascidos de tempo certo por d ia no Brasil. Fazer um bom pré-natal e escol her um neonatologista capacitado para o seu fil ho no momento do parto podem assegurar uma vida com mais qualidade desde o nascimento. Dra. Lucas Soares Sanguebsche Pediatra e Neonatologista CRM 27.365 RQE 25.756


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na infância

A percepção de beleza influencia no desenvolvimento psicológico desde a infância até a fase adulta. A face é a característica chave na determinação da beleza do ser humano e, por isso, é cada vez mais precoce a busca das pessoas pelo tratamento ortodôntico. Quando uma criança chega para definir o diagnóstico, cabe ao ortodontista verificar a necessidade do tratamento pela presença da má oclusão e a melhor época para este tratamento. Existem más oclusões que exigem tratamento precoce e, para algumas crianças, a interceptação desta má oclusão proporcionará melhora na autoestima, redução do desconforto estético, função mastigatória adequada, melhor posicionamento e espaço para os dentes permanentes, além da diminuição da incidência de traumas dentários e também do tempo da terapia ortodôntica na segunda fase do tratamento. O acompanhamento odontológico das crianças é fundamental para o desenvolvimento de sua saúde e determinação de suas necessidades. Dorotéa Zottis Arend Especialista em Odontopediatria Especialista em Ortodontia

*Dra. Beatriz dos Santos Carvalho (CRFa7 8618) e Daniela Bonfantidos Santos (CRFa7 9940) Fonoaudiólogas do Centro Clínico

O uso de aparelhos

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Brincadeira é coisa séria! É através da brincadeira que a criança aprende e desenvolve a linguagem e o raciocínio. Enquanto brinca, ela organiza seu pensamento e testa regras que usará na comunicação e na execução de tarefas. Por isso, a tarefa mais importante da criança é BRINCAR. Mas o brincar não pode ser só individual ou com objeto eletrônico (TV, tablet, celulares, computadores). Para desenvolver-se plenamente, é muito importante a presença do “outro” na brincadeira. Esse “outro” pode ser a mãe ou o pai, os irmãos, a babá, os avós, os primos, os vizinhos, os coleguinhas, a professora... Quanto mais variação houver desse “outro”, mais formas diferentes de brincar a criança irá conhecer, consequentemente, mais contextos comunicativos e imaginários ela irá experimentar e desenvolver. Ao brincar com um bebê precisamos usar bastante repetição, pois é através dessa que a criança irá memorizar padrões. No entanto, a medida que a criança cresce, ela precisa experimentar novos contextos. Então devemos variar as brincadeiras ou a forma de brincar o máximo possível. A mesma brincadeira pode ganhar uma cara nova com pequenas modificações! Por exemplo: a comidinha feita de brincadeira não precisa estar sempre deliciosa. Pode estar faltando sal, ou açúcar, ou quente demais, ou dura, ou crua. Pode ser para uma refeição “imaginária” entre os pais e a criança ou pode ser para uma festa de aniversário, uma encomenda para a padaria ou para levar a um picnic. Pode usar ingredientes invisíveis imaginários, ou pode usar pedaços de grama, pedrinhas, grãos, areia pra ser “cozida”. Sempre que fazemos a criança experimentar novos contextos ajudamos ela a construir uma série de novos raciocínios, estar em contato com novos vocabulários, aprender a manipular objetos diferentes, experimentar situações comunicativas variadas. Esse aprendizado levará a criança para as situações reais da vida dando a ela um suporte para saber como agir nos diferentes momentos. Crianças que brincam pouco ou em contexto muito restrito são menos criativas, têm a linguagem menos evoluída, apresentam maior dificuldade de adaptação aos ambientes ou pessoas diferentes e menor habilidade em encontrar solução para os problemas do dia a dia. Então... Vamos tentar brincar mais com nossas crianças? Afinal, em se tratando do desenvolvimento infantil, brincadeira é coisa séria!


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Patrícia Barbosa Sucolotti

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uem tem um animal de estimação sabe a diferença que ele faz no ambiente. Mais que uma sim ples companhia, ele acaba se tor nando um membro da família. E quando o assunto envolve o convívio com crianças, são inúmeros os benefícios que os bichinhos podem trazer aos pequenos. A partir da convivência com animais, a criança aprende a se relacionar com as outras pessoas. “Vários estudos indicam que as crianças que ‘falam’ com os animais são menos tímidas e ansiosas, mais afetivas e solidárias. Elas compreendem melhor os acontecimentos, são mais observadoras e se sensibilizam mais com as situações e as pessoas”, explica a psicóloga Patrícia Barbosa Sucolotti. A profissional pondera que, apesar de o animal ocupar uma posição prazerosa na vida da criança, ele não supre a relação que ela necessita ter com humanos, que é muito complexa. “Aprende-se a lidar com pessoas lidando com pessoas. Mas esses amiguinhos especiais são muito importantes para o desenvolvimento a nível emocional e social”, afirma. Os animaizinhos também podem ser fortes aliados no desenvolvimento físico das crianças. O bebê exercita a coordenação motora fina ao ter de controlar sua força para acariciar um cachorro, um gato ou um coelho. Treina a marcha ao engatinhar ou tentar andar (por vezes, correr) atrás do animal. Olfato, visão e audição são provocados pelos sons, cheiros e movimentos dos bichos. “Outro benefício para a saúde está no fato da criança respirar o pó de casinhas de cachorro e até pelos de gatos. Uma pesquisa na Austrália apontou que isso desencadeia uma proteção natural no organismo humano contra o vírus RSV, responsável por diversas infecções e problemas respiratórios”, acrescenta Patrícia.

Crianças que ‘falam’ com os animais são menos tímidas e ansiosas, mais afetivas e solidárias.

Cuidados com seu bicho

Ter um animal de estimação requer vários cuidados básicos, que também devem ser ensinados às crianças. “Todo mundo adora o bicho, mas na hora de dar banho e catar as fezes dele ninguém quer ser o dono. E é nessa hora que se ensina o conceito de responsabilidade”, diz a psicóloga. “Crianças menores de 10 anos não têm capacidade para cuidar plenamente do animal, mas a partir dos 7 anos, os pais podem atribuir uma tarefa para ela.” Cuidar da limpeza do animal, da alimentação, do seu habitat e medicá-lo quando necessário são algumas tarefas que podem ser estimuladas e acompanhadas por um adulto. “Isso favorece o desenvolvimento do vínculo afetivo e a lidar com os mais diferentes sentimentos, da frustação à alegria, da vida até a morte. Nessa relação a criança já aprende a lidar com a perda, com a dor”, explica a psicóloga Patrícia. Os limites entre criança e animal também precisam ser estabelecidos. “Ela deve entender que o animal é irracional e muitas vezes não sabe o que está fazendo, que nem sempre ele vai fazer o que ela quer”, diz a psicóloga. É fundamental que um adulto acompanhe de perto cada brincadeira. “Nunca se deve deixar uma criança pequena sozinha com um animal, mesmo que ele já esteja há anos na família”, alerta Patrícia. Nenhum bicho faz mal à criança (a menos que seja alérgica a pêlos), desde que seja respeitado, cuidado e amado.

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Dia da Criança