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NOROESTE, SEXTA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2017

No dia 31 de outubro de 1517 a cidade de Wittenberg, na saxônia alemã, testemunhou o início de uma revolução. Martin Lutero, monge, teólogo e professor, afixava 95 teses na Igreja do Castelo de Wittenberg, contestando diversas práticas da Igreja Católica, das quais ele não concordava. Nascia ali um movimento que alterou profundamente a realidade religiosa em toda a sociedade. Na verdade Lutero queria instalar um debate franco sobre algumas ações do clero, sendo a principal delas a venda de indulgências. Filiado à ordem de Santo Agostinho, o monge escreveu e passou a defender seus conceitos junto aos líderes de seu sacerdócio. Era preciso mudar! Seus 95 argumentos escritos em latim e de conteúdo explosivo, logo se espalharam pela Alemanha, Espanha e Itália. Traduzidas para outros idiomas revolucionaram a Igreja. Pela solidez no seu conteúdo, a iniciativa de Lutero espalhou-se para as artes, para a ciência, educação e política. Transformou a sociedade e a maneira de pensar de cada cidadão. Para destacar esta histórica data o Sínodo Noroeste Riograndense, a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Da Paz, Instituto Sinodal da Paz e SETREM uniram-se ao Jornal Noroeste para produzir este caderno especial, que traz em seu conteúdo um pouco da história de Martin Lutero e da caminhada do luteranismo na região. São os 500 anos da Reforma Luterana, uma história que mudou o mundo.


O

Nascido para influir

ano de 1483 marcou época na história da Igreja. No dia 9 de agosto foi inaugurada a Capela Sistina, inspirada no Templo de Salomão e situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa na cidade do Vaticano, em Roma, Itália. Longe dali em território denominado Alta Saxônica, na cidade de Eisleben, Alemanha, nascia Martin Lutero (em alemão Martin Luther) no dia 10 de novembro. Filho dos camponeses católicos Margarethe Lindermann e Hans Luther, recebeu disciplina rígida, própria da época. O menino logo aprendeu como orar aos santos, realizar boas tarefas e respeitar ao Papa e sua Igreja. Este condicionamento levou-o a estudar latim em uma escola local, aos cinco anos. Como seu pai dirigia diversas minas de cobre, Lutero mudou-se para Mansfeld e um pouco mais tarde para Magdeburgo e Erfurt. Criado na dificuldade do campo, Hans queria que o filho se tornasse um funcionário público, para melhorar as condições de vida de toda família. Seguindo o desejo materno ingressou na Universidade de Erfurt, em 1501, aos 17 anos. Lá tocava alaúde e pela sua dedicação ao estudo da filosofia logo recebeu o apelido de “O Filósofo”. Sua entrega era tal que graduou-se bacharel em 1502, concluiu seu mestrado em 1505, sendo o segundo entre dezessete candidatos, para em seguida inscrever-se na escola de direito. Mas algo inusitado aconteceu. Naquele mesmo ano Martin voltava de uma visita a casa dos pais, quando enfrentou uma grande tempestade. Com várias descargas elétricas um raio caiu próximo de onde passava e, aterrorizado, teria gritado: “Ajuda-me, Sant´Ana! Eu me tornarei um monge!” Sobreviveu, vendeu praticamente todos seus livros e entrou no Mosteiro Agostiniano de Erfurt, onde foi ordenado em 1507. Abnegado ao estudo e a vida no mosteiro, dedicou horas à meditação, às autoflagelações e orações. Notando tal devoção seu superior, Johann von Stauptuioz, pensou em afastá-lo um pouco dessa excessiva rotina, ordenando que o monge iniciasse uma carreira acadêmica. No ano seguinte Lutero começou a dar aulas de teologia, na Universidade de Wittenberg. Buscando mais conhecimento para poder ensinar melhor recebeu seu bacharelado em estudos bíblicos no dia 19 de março de 1508. Em 19 de outubro de 1512 graduou-se Doutor em Teologia e dois dias depois foi acolhido no Senado da Faculdade Teológica com o título de Doutor em Bíblia. Tal distinção e sapiência levaram sua ordem a nomeá-lo vigário, em 1515, passando a coordenar 11 monastérios. Lutero tinha muito contato com as Escrituras e isso o levou ao estudo de grego e hebraico, para aprofundar-se no significado e na origem das palavras. Este conhecimento ele utilizaria mais tarde na tradução da sua própria Bíblia. Martin Lutero 27 DE OUTUBRO DE 2017 2 NOROESTE,

O monge angustiado

Este saber deixava Lutero aflito. Durante todo este tempo ele se perguntava: “se o coração da pessoa é governado pelo pecado, como pode esperar salvação diante de Deus?” A resposta veio da Bíblia, que dizia que somente através da fé em Jesus Cristo que os pecados podem ser perdoados por Deus. Esta “doutrina da justificação pela fé”, tornou-se um dos pilares do pensamento sagrado de Lutero. Um conflito apresentava-se logo a frente. Sua Igreja vinha oferecendo indulgências aos fiéis como se fossem uma espécie de mercadoria. A gota d´água foi quando o Papa Leão X passou a conceder este perdão a quem doasse qualquer quantia para a reforma da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Um frade foi recrutado para percorrer os territórios episcopais para arrecadar valores, transformando a campanha em algo insólito para uma linha de venda de remissão. Lutero viu aquilo como um abuso, pois confundia as pessoas levando-as a acreditar apenas nas indulgências, deixando de lado a confissão e o arrependimento verdadeiros. Começou a pregar e a escrever textos com o objetivo de provocar o debate, não só sobre este tema, mas também em outras questões que ele achava serem merecedoras de mudanças. Chegou a 95 teses. Em 31 de outubro de 1517 elas foram afixadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, onde o monge costumava pregar. Neste momento, a autoridade do Sumo Pontífice ainda não estava sendo questionada. Isso veio a acontecer em uma convenção dos agostinianos, na cidade de Heidelberg, quando apresentou argumentos sobre a escravidão do homem ao pecado e a graça divina. No calor do embate a controvérsia se elevou até o ponto de duvidar da autoridade absoluta do Papa. Martin, que antes proferia obediência à Igreja, passou a negar abertamente a autoridade papal e solicitava para que fosse realizado um Concílio – reunião de autoridades eclesiásticas para discutir e deliberar sobre questões pastorais, de doutrina, fé e costumes. O embate se intensificou. Sabedor do caso o Príncipe da Saxônia, Frederico ‘o Sábio’, interveio tentando manter relações amistosas na tentativa de alcançar uma solução pacífica para o caso. Em Augsburgo realizou-se um encontro para tratar do conflito, mas Lutero se recusou a mudar de opinião. Já estava convicto de suas teorias.

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Cisão eminente A

s esperanças de reconciliação eram cada vez menores. Ainda mais que suas teses, por força do advento da imprensa desenvolvida cerca de 100 anos antes por Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, logo se espalharam pela Europa. França, Inglaterra e Itália conheceram seus conceitos, levando estudantes a Wittenberg para ouvir e conhecer Martin Lutero. Por outro lado o monge despertou o interesse de parte da nobreza alemã, que estava cansada da submissão ao Papa e também pelo fato de ter de enviar riquezas a Roma com certa frequência. Cada movimento aumentava a cisão, preMartin Lutero pregando ocupando sobremaneira a Igreja. no Castelo de Wartbug A advertência do Papa Leão X veio no dia 15 de junho de 1520. Nela o pontífice o ameaçava de excomunhão, a menos que ele repudiasse 41 pontos de sua doutrina destacados pela Igreja, dando-lhe um prazo de 70 dias para se manifestar. No mês de outubro Lutero respondeu: “Eu não me submeto a leis ao interpretar a palavra de Deus.” Leão X excomungou-o no dia 3 de janeiro de 1521. Mesmo assim em abril daquele ano, Lutero foi ouvido na Dieta de Worms – reunião governamental e religiosa coordenada pelo imperador Carlos V, na cidade de Worms, no sudoeste da Alemanha, onde novamente negou a revogação de sua doutrina. Com medo de um desfecho pior, Lutero abandonou Worms. Seu protetor Frederico “o Sábio”, levou-o para o Castelo de Wartburg, em Eisenach. Ficou lá por cerca de um ano. Deixou crescer a barba e passou a vestir-se como um

cavaleiro para reforçar seu esconderijo, já que no dia 25 de maio o imperador Carlos V declarou Martin Lutero fugitivo e herege. No período em que ficou em Wartburg o monge passou a desenvolver mais a fundo suas doutrinas, concentrando-se principalmente em três consagrações: a eucaristia, o batismo e a penitência. Para ele somente estes três poderiam ser considerados sacramentos, pois sua associação ao divino e a promessa de salvação de Deus tinha guarida nestes princípios. De volta a Wittenberg, em março de 1522, recomeçou a pregar sobre uma reforma cuidadosa, já que aquela parte da Saxônia, governada pelo Duque Jorge, proibia os escritos de Lutero. Aos poucos as pessoas eram persuadidas a entenderem sua doutrina.

A família Lutero

A notícia sobre a Reforma chegou também aos conventos. Pela sua solidez e profundidade de conceitos despertou o interesse de 12 freiras que, com a ajuda de Lutero, fugiram do Convento de Nimbschen, em abril de 1523. Entre elas estava Catarina von Bora, que aprendera no monastério a manipular produtos medicinais naturais para cuidar das pessoas. Dois anos depois Catarina e Lutero se casaram. Da união nasceram seis filhos, sendo três homens e três mulheres. Culta e organizada, tornou-se uma excelente administradora. Cuidava de tudo que se relacionava ao trabalho na lavoura da família e, para ampliar as receitas, transformou uma parte de sua casa em pensionato para estudantes. Com tantas atividades ainda achava tempo para coordenar as diversas publicações de Lutero, além de participar de intensos debates teológicos da época. Este suporte, aliado ao seu conhecimento de línguas, possibilitou que ele fizesse uma das primeiras traduções da Bíblia para o alemão, algo que não era permitido sem a autorização do alto clero. Textos, hinos, doutrinas, eram inúmeras as produções do monge, que acabou influenciando não só a Igreja, mas transmitindo suas ideias à política, às mais diferentes manifestações artísticas e às comunidades como um todo. Martin Lutero faleceu na madrugada do dia 18 de fevereiro de 1546, em sua cidade natal, Eisleben, aos 63 anos. Foi sepultado na Igreja do Castelo de Wittenber, local onde foram afixadas suas 95 teses que revolucionaram toda a sociedade.

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Um toque

feminino

Toda mudança histórica tem consigo a participação de mulheres. Ativas, determinadas e com conceitos apurados, foram decisivas para os debates e as transformações que culminaram na Reforma Luterana. Além de esposas que apoiavam seus maridos e cuidavam da família, tinham profundo conhecimento da Bíblia, auxiliando na divulgação da nova doutrina. Suas vivências no dia a dia das comunidades foi decisivo para que muitas localidades se tornassem protestantes. Com um sentimento de liberdade para estudar as Escrituras, incentivavam a leitura da Bíblia para que suas convicções pudessem ser discutidas com ampla lucidez. Todos os grupos sociais contribuíram com suas mulheres. E isto desde o início. Os meios eram os mais diferentes: músicas e poesias, por exemplo. Eram intelectuais, escritoras, teólogas, poetisas, princesas, entre outras que davam um forte impulso ao movimento. Catarina von Bora seja, talvez, a mais renomada. Esposa de Martin Lutero era administradora de mão cheia. Com perfil parecido, Catarina Zell ficou conhecida pela sua coragem ao escrever diversas cartas teológicas, fez pregações públicas e foi sacerdotiza. Culta, era filha de um respeitado marceneiro de Estrasburgo. Em suas preleções defendia que as mulheres não deviam permanecer caladas e que tinham de intervir com suas ideias dentro das suas comunidades. Considerada como a primeira escritora protestante, Argula von Grumbach que vinha de uma família de nobres, foi outra que destacou-se nesta história. Seus textos defendiam com propriedade a Reforma Protestante, pois agregava citações da Bíblia, tinha conhecimento teológico e anexava concepções de inclusão e igualdade. Olympia Morata, intelectual italiana, tinha profundo entendimento da língua grega. Com isso tinha facilidade com as chamadas “línguas antigas” o que permitiu que ela conhecesse a fundo os filósofos clássicos. Influenciada pelos humanistas italianos simpatizou logo com o movimento reformista. Como os ideais da Reforma atingiram todas as instâncias sociais, as mulheres viram ali uma oportunidade de aprimorar suas qualidades, já que novos espaços com mais liberdade de manifestação estavam sendo criados. Lutero considerava que todo tipo de trabalho tinha a sua importância, não somente o espiritual. Significava que o trabalho cotidiano, normalmente feito pelas mulheres, também era relevante. Isso foi tão bem assimilado que elas dirigiam diversas casas onde recebiam jovens estudantes, tratavam de doentes, cuidavam de idosos, tudo de acordo com os princípios acobertados pela Reforma. Elas foram decisivas para sua consolidação.

Catarina von Bora

N

ascida em 29 de janeiro de 1499 no povoado de Lippendorf, Alemanha, logo cedo perdeu a mãe e aos cinco anos foi deixada no portão de um convento beneditino na cidade de Brehna. Seu pai estava convencido de que lá receberia uma boa educação. E de fato aprendeu latim, numa época em que as mulheres sequer conseguiam ler na sua própria língua, lições de costura, cozinha e jardinagem. Além destes diferenciais entendeu como utilizar ervas medicinais, conhecimento que utilizou durante toda sua vida. No ano de 1515 foi ordenada freira, aos 16 anos. Mas as notícias sobre a reforma chegaram também aos monastérios. Após conhecerem mais destas novas ideias, às vésperas da Páscoa de 1523, Catarina e mais um grupo de monjas resolveram abandonar a clausura e refugiarem-se na cidade de Wittenberg, onde Lutero estudava, ensinava e pregava. A maneira de pensar aproximou os dois. Somado ao convívio Catarina e Martin casaram-se em 1525, ato que incentivou ao matrimônio outros padres e freiras que haviam optado pela reforma. Foi o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Tiveram seis filhos, sendo três meninos e três meninas, e por ser uma mulher culta e organizada, tornou-se uma excelente administradora. Fez de uma parte de sua casa um pensionato para estudantes. Zelava por tudo que se relacionava com as atividades da lavoura da família e utilizou seus conhecimentos medicinais para cuidar de pessoas doentes. Agia para manter a casa e o grupo funcionando. Com todas estas atividades ainda achou tempo para coordenar diversas publicações de Lutero, além de participar de intensos debates teológicos da época. Lutero viajava muito e por um infortúnio, numa dessas jornadas, ele morreu em 1546, em Eislebem, longe de Catarina que tanto o cuidou. Anos mais tarde, em consequência de um acidente, Catarina von Bora adoeceu e faleceu no dia 20 de dezembro de 1552, aos 53 anos, em Torgau na Alemanha.

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Os 500 anos da Reforma

e as mudanças

A

na igreja

Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil -IECLB- é presidida desde janeiro de 2011 pelo pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich. Ele é casado com Sofia Friedrich e pai de Paula e Laura. Formando pelo Instituto Pré-Teológico (1971- 1977), cursou sua graduação em Teologia formando-se em 1982. Em 1999 concluiu seu doutorado em Teologia. Na atividade pastoral, já atuou nas Paróquias de Canguçu/Piratini – DE (Distrito Eclesiástico) Rio Camaquã / RE (Região Eclesiástica) IV, em Dr. Maurício Cardoso - DE Buricá / RE III e Nova Hartz – Sínodo Nordeste Gaúcho. Nestor concedeu entrevista ao Jornal Noroeste e fala um pouco da importância que Lutero tem na Igreja Luterana, além dos desafios diários de estar à frente desta grande Instituição. NOROESTE: Como você avalia a importância da chegada dos luteranos no Brasil? Nestor: Avalio como contribuição de grande envergadura. Talvez ainda não tenha sido suficientemente compreendido – tanto pelos próprios luteranos e luteranas, quanto pela sociedade brasileira – o que a Teologia Luterana tem como contribuição para a nossa sociedade. Registre-se que as famílias que para cá vieram não foram em busca de praia e sol! Esse povo veio em busca de condições de vida digna. Na sua terra natal era gente empobrecida, sofrendo toda sorte de agrura. Isso faz com que também se reconheça nessa parcela de gente luterana, assim como em outras levas de imigrantes, como católicos italianos, etc., sua garra na luta por vida e dignidade, dimensões que para nós hoje já estão esquecidas. E, nessa luta, sua convicção de fé foi essencial para persistir em escrever sua história. NOROESTE: Qual foi a participação no desenvolvimento da comunidade? Nestor: Por sinal, neste ano do Jubileu dos 500 anos da Reforma Protestante, várias Comunidades da IECLB celebram seu jubileu de 100 e 150 anos. Se vamos falar em participação do desenvolvimento, há muito que dizer, com alegria e gratidão. Citemos, como exemplo, o papel decisivo de famílias luteranas no Rio Grande do Sul para a área da educação. Os grupos que migravam para os lugares ermos e isolados na época, tinham um ditado: Eine Kirche, eine Schule. Uma igreja, uma escola. Na maioria das vezes, a escola era providenciada antes mesmo do local de culto. Isto não é pouca coisa. Com muito orgulho e gratidão a essa gente lutadora temos que dizer: Obrigado por seu empenho pela escola! Na verdade, a influência luterana no âmbito da educação, particularmente no Rio Grande do Sul, ainda precisa ser contada no detalhe. E aí vamos nos surpreender!

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NOROESTE: Qual a importância das teses de Lutero nos dias de hoje? Nestor: Vivemos um tempo difícil. As dificuldades são outras que Lutero vivenciou e com as quais se confrontou. Mas há também semelhanças. Por exemplo, hoje convivemos com práticas religiosas que se assemelham à venda de indulgências. Se você fizer isto e aquilo, se você der tanto dinheiro... então o seu problema será resolvido. A Teologia Luterana não subscreve essa compreensão. Em Jesus, recebemos a oferta do perdão gratuitamente. Basta que o reconheçamos e confessemos. Não cremos que haja prática religiosa biblicamente fundamentada que possa garantir resolver tais e tais problemas. Deus ouve a nossa oração, sim. Nisso cremos. Mas Deus poderá nos atender de forma distinta do que nós queiramos. O que a Teologia Luterana afirma é que a vida nos coloca diante de situações difíceis, como na doença. E ali a Teologia Luterana tem o que dizer: Deus nos carrega em meio à dor. E Ele faz isso através da comunidade cristã que é sensível ao sofrimento e é solidária. Das teses de Lutero, temos a valorizar a importância da sua visão de ética. Ética na política, que tanto faz falta no Brasil. Lutero não mistura e nem confunde ética cristã e política. Ele distingue e relaciona. Fazer política é cuidar de quem sofre e impedir que atue quem quer fazer o mal. Cadê essa política? Ética é saber que, como pessoa cristã, tenho responsabilidade cidadã. Lutero, aliás, tem uma singela e profunda definição de ética: Se eu soubesse que morreria amanhã, ainda hoje pagaria minhas dívidas. Pensemos como seria nossa convivência em sociedade se essa ética governasse nossos atos! NOROESTE: Como os luteranos conciliam a educação e o Evangelho? Nestor: Já o expressamos acima ao mencionar a importância que as primeiras Comunidades deram à

Dr. Nestor Paulo Friedrich Pastor Presidente da IECLB-Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil educação. Lutero foi enfático nisso. Ele constatou que na sua época a população era engambelada pela religião e pela política, e grande parte disso se devia ao fato de o povo ser iletrado. Ouviam pregações como se fossem o Evangelho, mas o Evangelho não era. Daí que ele defendeu a importância da escola. Para ele, em linguagem de hoje, para cada real investido em armas deveriam ser investidos 100 reais na educação. Educação é parte da dignidade humana. E, lembremos, Lutero defendeu o direito da educação também para mulheres. Justiça de gênero já era mote no tempo de Lutero!!! NOROESTE: Como a igreja se “adapta” às tecnologias e a modernidade? Nestor: Obviamente há toda uma dimensão de necessidade de adaptação e de acompanhamento desse mundo. Como exemplo, citemos a importância do celular, ao menos o lado bom do celular como meio de comunicação. Não há como negar a importância de novas tecnologias. Se elas estão aí, podem ser recebidas como fruto da inteligência humana, dom de Deus. Infelizmente há o outro lado dessa moeda. Toda a tecnologia e a modernidade com seus frutos podem ser direcionadas para fazer o mal. Como exemplo, os radicalismos e extremismos até nas Redes Sociais. Ou, ainda: as tecnologias que favorecem a defesa da vida, como na medicina, mas que têm acessibilidade restrita. São para quem pertence a determinadas castas sociais. Portanto, não se trata de adaptar-se, mas de compreender o que há de positivo e fazer bom uso, sem deixar de alertar e opor-se aos abusos.


Debate para o esclarecimento do valor das indulgências pelo Dr. Martin Luther, 1517, por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martin Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém. Ao dizer: “Fazei penitência”, etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas)paraproduzirapenadopurgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.

No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne. Por consequência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones. O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontramforadoestadodeméritooudecrescimentonoamor. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos. Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.

Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena. NOROESTE, 27 DE OUTUBRO DE 2017

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O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos. Em contrapartida,otesourodasindulgênciaséomaisbenquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraemardilosamenteodinheiro,mesmoqueparaisto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deuseapiedadenacruz. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências, Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1 Co 12.

É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa por si só é suficiente.

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A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão insignificante?

Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos? Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta, por amor gratuito? Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais de fato e por desuso já há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor? Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis? Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária? Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis? Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes? Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: “Paz, paz!” sem que haja paz! Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: “Cruz! Cruz!” sem que haja cruz! Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno; e, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.


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Foco nas questões regionais

astor Vilson Emilio Thielke, atual Pastor Sinodal, é formado na Faculdades EST de São Leopoldo/RS em julho de 1993. Fez o seu Perí odo Prático para a Habilitação Ministerial (PPHM) (na época se denominava PPHP) na Paróquia Evangélica de Confissão Lutera São Tomé de Porto Lucena, hoje Porto Xavier. Após a conclusão deste período, que teve a duração de um ano (julho de 1993 a julho de 1994), foi designado pela direção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) para a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Guarani, pastorado da Linha Quinze de Novembro, município de Ubiretama, onde atuou como ministro pastor por sete anos e sete meses. Em fevereiro de 2002 transferiu-se para a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Tuparendi, onde permaneceu até janeiro de 2015. Em agosto de 2014 foi eleito Pastor Sinodal e em janeiro do ano seguinte transferiu-se para Três de Maio, cidade sede do Sínodo Noroeste Riograndense. O Sínodo Noroeste Riograndensne é composto por 22 paróquias e 156 comunidades e abrange o noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, estendendo-se desde a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Tenente Portela até a Paróquia de São Borja. A IECLB constitui-se a partir de suas comunidades. As comunidades unidas formam uma paróquia e várias paróquias se unem em um Sínodo. Sendo que a IECLB é composta por dezoito Sínodos. O Pastor Sinodal, juntamente com a Diretoria do Conselho Sinodal, é responsável pelo cuidado das 22 paróquias que compõem o Sínodo, sendo assim a extensão da administração central da IECLB em sua região. Além das atividades religiosas, a Igreja também preocupa-se com as necessidades básicas de seus membros e com a criação maravilhosa de Deus. Por isso, o Sínodo Noroeste Riograndense aprovou na sua assembleia de 2016 o seu Planejamento Missionário, no qual foram escolhidos quatro prioridades: 1) Formação de ministros, leigos, jovens e o trabalho com crianças; 2) Comunicação: através de seminários qualificar a comunicação em nossas comunidades e no próprio Sínodo; 3) Música: através da qualificação na área da música, auxiliar as comunidades em sua missão e 4) Programas Sócio diaconais, são programas de acompanhamento a membros necessitados, incentivando a solidariedade e a organização na vida social, apoiando a agricultura familiar e a proteção do meio ambiente, acompanhando e auxiliando os possíveis atingidos pelas barragens que estão previstas para serem construídas no Rio Uruguai.

Pr. Vilson Emilio Thielke Além disso, a preocupação com a educação acompanha o povo luterano. Essa é uma herança que recebemos da Reforma Luterana. Era normal, no início da IECLB, que ao lado de cada templo houvesse uma escola. Ou aonde isso não era possível, o templo, durante os dias da semana era usado como escola e nos domingos como local de culto. Em nosso Sínodo ainda temos cinco escolas ligadas à Igreja: Instituto Sinodal da Paz de Santa Rosa; SETREM de Três de Maio, Centro Tecnológico Frederico Jorge Logemann e FAHOR de Horizontina; Colégio Ipiranga de Três Passos e Colégio Rui Barbosa de Giruá.

O Sínodo na Região

Em 1997 a IECLB, em seu Concílio Geral, na cidade de Ivoti/RS, aprovou a sua nova forma de organização. Até então a Igreja estruturava-se em oito Regiões Eclesiásticas e estas eram subdividas em Distritos Eclesiásticos. Com a nova estrutura, os Distritos Eclesiásticos foram extintos e as oito Regiões Eclesiásticas deram lugar a dezoito Sínodos. Desta forma, as atividades do Sínodo Noroeste Riograndense, como as dos demais Sínodos, iniciaram em 1998, com sua sede na cidade de Três de Maio. O primeiro Pastor Sinodal foi o P. Dari Jair Apeltt, de 1998 a 2006, o segundo Pastor Sinodal foi o P. Renato Künzer

2007 a 2014. Atualmente o Pastor Sinodal é o P. Vilson Emilio Thielke, cujo mandato teve início em 2015. O Sínodo Noroeste Riograndense é formado por três dos extintos Distritos Eclesiásticos: Distrito Eclesiástico Santa Rosa; Distrito Eclesiástico Buricá e Distrito Eclesiástico Yucumã, mais as Paróquias de Santo Ângelo e Buriti. Um de seus pilares é manter a fidelidade com o evangelho, a pregação reta da palavra de Deus, a administração pura dos sacramentos e também o auxílio à questões sociais, acompanhando não só seus membros, mas a comunidade como um todo. Atender pessoas dentro de suas necessidades, acompanhamento a doentes, enlutados, famílias, assistir a grupos que vivem próximos ao Rio Uruguai e que estão ameaçados pela construção das barragens, são outros compromissos. Como Sínodo, devido a ameaça ao meio ambiente, que é criação de Deus, a instituição se considera responsável por isso, apresentando sua opinião contrária a construção de represas. Questões psicológicas e histórias são levadas em conta. “São pessoas que se criaram no local, e terão que sair. Temos ainda a preocupação com as indenizações”, afirma o pastor Vilson. Para isso a IECLB trabalha em conjunto com o Movimento de Atingidos por Barragens-MAB. “Realizamos encontros com intuito de levantar a demanda, discutir e contestar os problemas. Nossa mobilização é grande, e temos que nos preocupar se as barragens acontecerem. As pessoas não podem ficar no prejuízo. Pensamos e defendemos projetos de reassentamento”, reiterou. Iniciativas para formação bíblica teológica de lideranças, preparando o pessoal para o trabalho dentro das comunidades é outra missão. “Precisamos frisar que o objetivo é fortalecer a Igreja, estando assim, aberto a receber pessoas que desejam participar dela. As comunidades trabalham o planejamento missionário (estratégico) e o objetivo é de que a maioria de suas comunidades elaborem o seu planejamento missionário para o ano que vem, analisando assim seus pontos fracos e fortes,” defende. Questionado sobre a contribuição dos evangélicos na sociedade em geral o pastor destaca a postura crítica, sempre defendendo a justiça e a verdade, com posicionamentos nas questões de políticas públicas, com base na sagrada escritura. “Trabalhamos a necessidade de ser solidários a frente de catástrofes, sendo uma instituição que acompanha e auxilia os municípios diante de uma necessidade”, finaliza Vilson. NOROESTE, 27 DE OUTUBRO DE 2017

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A Comunidade Da Paz

primeiro livro de atas da Comunidade da Paz coloca que: “no ano Domini de 1920, no dia 31 de outubro, Dia da Reforma, foi fundada na Colônia Santa Rosa (Sede 14 de Julho) a Comunidade Evangélica da Paz. Foram aceitos os estatutos a seguir e foi resolvido registrá-los para que a Comunidade adquirisse os direitos de pessoa jurídica”. Mas, mesmo antes de sua constituição oficial, os cultos eram celebrados nas residências de membros e na escola. Sensível a isso, em 1921, João Pedro Timm doou dois terrenos e uma casa na Rua Mauá. Mais tarde esta casa foi ampliada e serviu como local para os cultos, residência do pastor e escola. Em 1928 houve a constituição de uma comissão para concretizar a construção de uma igreja. Todavia, vislumbrouse que era imprescindível, naquele momento, a construção de uma nova casa pastoral. Esta obra foi concluída somente em 1935, pois o pastor foi transferido à Tuparendi, ficando a coletividade de Santa Rosa como filial. Em meados de 1945 foram adquiridos dois terrenos na Avenida Santa Cruz com o objetivo de ali, futuramente, construir-se a igreja e a casa pastoral. No dia 23 de novembro de 1947 era feito o lançamento da pedra fundamental do novo templo. Na assembleia do dia 09 de junho de 1948 foi aprovada a reabertura das atividades da escola, então denominada Escola Evangélica da Paz. As aulas iniciaram efetivamente no dia 1º de março de 1949, sob a responsabilidade de dois professores e com 45 alunos matriculados. Já em 25 de janeiro de 1956, foi inaugurado o sino adquirido através de campanha da OASE. Nos anos que se seguiram muitas foram as realizações e os trabalhos comunitários desenvolvidos por todos os membros, sempre na busca de fortalecer o espírito cristão. A Da Paz prossegue trilhando seu caminho procurando fazer do seu legado histórico, exemplo para novas gerações, valorizando iniciativas que venham ao encontro de uma sociedade mais justa, fraterna e participativa. O fortalecimento destas ações é fruto do envolvimento pessoal de todos os seus integrantes, que acreditam e vivenciam o Evangelho, construindo algo que melhore a vida das pessoas de Santa Rosa e região, além de ser referência à quem crê no potencial desta parte do Rio Grande do Sul. A partir de 2009 houve a divisão da área da Paróquia e a partir de então, a Comunidade da Paz tornou-se uma comunidade com funções paroquiais, com dois pontos de pregação, no bairro Sulina e Beatriz/Oliveira. A Comunidade da Paz é uma comunidade grande,

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mas é também uma grande comunidade, de pessoas acolhedoras, entusiasmadas com o trabalho comunitário, com lideranças comprometidas com o crescimento espiritual, bem como com a sua sustentabilidade. Somos em torno de 4.000 (quatro mil) pessoas batizadas, que se reúnem em culto todos os domingos, para louvar, agradecer, interceder e nos deixar desafiar pelo evangelho, ou seja, pela Palavra de Deus ali anunciada. Além dos cultos semanais, temos vários outros grupos de trabalho que atingem todas as faixas de idade: Diretoria da comunidade, o presbitério que envolve lideranças de todos os setores de trabalho e é onde são discutidas e decididas questões pertinentes à Comunidade como um todo; a OASE (Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas) que se reúne semanalmente para estudo e partilha de vivências e tem também um coral de vozes femininas; os Casais Reencontristas reúnem todos os meses os casais que já fizeram o Reencontro a nível Sinodal; o grupo de trabalho Missão e Diaconia que presta ajuda aos menos favorecidos da comunidade e do município; o Missão Criança,

que trabalha com as crianças a partir de seu Batismo, buscando transformá-lo em comprometimento. Temos também a Equipe do Culto Infantil que realiza seus encontros com as crianças em todos os domingos de culto, além de atividades extras em datas festivas. Os(as) Confirmandos(as), que durante dois anos se preparam para a sua Profissão de fé no dia da Confirmação; o grupo da JEPAZ (Juventude Evangélica da Paz) tem seus encontros todos os sábados à tarde; o Grupo de Oração, que tem seus momentos todas as quartas-feiras na Igreja no final da tarde; os grupos de Estudos Bíblicos acontecem mensalmente nas casas das famílias, em oito bairros espalhados pelo município. O trabalho com música acontece através do Grupo Ágape, que ensaia todas as sextas-feiras e participa das celebrações; além disso, a Comunidade da Paz é a mantenedora do Instituto Sinodal da Paz, que conta em 2017 com 704 alunos, com perspectivas de crescimento para 2018. Os Pastores Mauri e Eliana Binsfeld, que estão na Comunidade da Paz desde fevereiro de 2016, estão inseridos em todas as frentes de trabalho da Comunidade, além da visitação aos membros e a visitação dentro dos hospitais do município.


O pastorado e a relação com a comunidade

A importância da mulher

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na Igreja Luterana

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liana Wegner Binsfeld, pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, com 27 anos de Ministério, reside em Santa Rosa desde fevereiro de 2016. Casada há 33 anos com o também pastor, Mauri Binsfeld e mãe de dois filhos, Ana Carolina de 25 anos e Richard de 15, a pastora afirma que não é novidade, para a igreja luterana, a existência de pastoras, já que desde 1979 existem pastoras formadas . Questionada sobre o papel da mulher nas mudanças, Eliana diz que ao olhar para o início do movimento de reforma, as mulheres tiveram um papel fundamental, visto que, ao lado de Lutero, sempre esteve Catarina. Esposa de Lutero, a freira que fugiu do convento era quem gerenciava a casa, as plantações e os negócios, já que ele nunca teve habilidades em relação ao dinheiro. Na comunidade atual, em Santa Rosa, a pastora afirmou que o presbitério é composto de forma diversificada. São homens e mulheres que atuam junto na direção da comunidade. Além da participação no presbitério, a igreja conta com o grupo OASE, formado por cerca de 70 mulheres e mantém um coral de vozes femininas regido pela Pastora Eliana. O grupo que preocupa-se com a renovação: "Precisamos de novas integrantes e buscamos nos readequar a essa nova geração, para que mulheres que trabalham fora e cuidam da casa, possam ter tempo para as reuniões" afirma Eliana. O Grupo de Missão e Diaconia também é formado exclusivamente por mulheres. Elas se reúnem todas as terças-feiras, e com a doação de roupas usadas, fazem brechós e arrecadam dinheiro para dar assistência a quem precisa, além de semanalmente realizarem trabalhos manuais, a partir de doações que recebem de retalhos e outros. Cada ano uma entidade é escolhida pelo grupo que busca sanar as dificuldades, com serviPastores ços voltados ao próximo, para pessoas de dentro e de fora da comunidade. Durante muito tempo a igreja foi exclusividade dos homens, mas depois dos anos 70, quando novos movimentos vieram à tona e grandes transformações aconteceram no mundo, as mulheres começaram a lutar também por maior participação "É importante dizer que desde a minha formação, a participação das mulheres na igreja cresceu de forma considerável e hoje em dia já chega a 40% o número de mulheres ministras da igreja" ressaltou a pastora.

Eliana e

auri Binsfeld, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, com 27 anos de Ministério, mudou-se para Santa Rosa com a esposa, também pastora, com quem é casado há 33 anos, Eliana Wegner Binsfeld, em fevereiro de 2016. Pai de Ana Carolina de 25 anos e Richard de 15, o pastor falou sobre sua paróquia e as mudanças na comunidade luterana, passados 500 anos da reforma. A Comunidade Da Paz, que tem dois pontos de pregação, no Bairro Sulina e na Vila Beatriz, abrangendo também a Vila Oliveira, conta com cerca de 1300 famílias relacionadas. O pastor Mauri conta que em seu dia a dia ele se encontra a disposição de seus fies "Buscamos ir atrás de nossos membros, fazemos visitações em hospitais, aos membros afastados, doentes em suas residências, auxiliamos pessoas que estão com problemas e que vem em busca de conselho. Dentro da igreja oferecemos suporte também pelos grupos OASE, Diaconia, grupo de oração, de famílias, de jovens e com o culto infantil". Questionado sobre a Reforma Luterana o pastor foi honesto ao afirmar que a história era pouco debatida antes da eminência da celebração dos 500 anos e que nestes últimos 500 dias investiu-se muito em reencontrar o sentido, não só da igreja, mas também da educação, que foi a herança mais valiosa passada por Lutero. Para alavancar a educação, Lutero lutou pela transcrição da Bíblia para a linguagem do povo. As celebrações passaram a ser feitas e celebradas nesta linguagem e isso fez com que as pessoas pudessem ler, estudar e interpretar a palavra de Deus. Segundo Mauri, a igreja deveria auxiliar dentro das escolas, não apenas as privadas como vem acontecendo, mas públicas, porém afirma que não tem o espaço necessário para isso "A reforma vingou porque tinha lideranças preparadas para levar adiante. Sobre o foco nos próximos 500 anos, ele afirmou que teme pela sobrevivência das igrejas, já que elas deixaram de investir em lideranças. Mauri "Novas lideranças são necessárias para formar uma nova história ou reencontrar a história verdadeira da igreja que Lutero nos deixou. Toda transformação da igreja passa pela formação de novos líderes, porque se as mudanças não vierem de baixo para cima, elas não vão acontecer. Devemos começar pelas crianças porque se você não educá-las desde pequenas dentro do caminho, depois elas não vão voltar". Para os próximos anos, Mauri espera que as igrejas cristãs possam se unificar, e levar a diante pelo menos uma parte do progresso que Lutero conseguiu em todos esses anos, usando a mídia e as novas tecnologias a favor, sem nunca deixar de se atualizar.

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A comunidade

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ilberto Parlow (foto), atual presidente da Comunidade Evangélica Da Paz, está participando de uma diretoria, onde a coordenação dos departamentos é de extrema importância para que as ações continuem acontecendo. O Colégio Da Paz é um dos exemplos, que desenvolve um importante trabalho educacional, cumprindo seu papel no ensino e na formação de cidadãos. Na escola todos são bem vindos, indiferente de credo religioso. Gilberto conta que são os departamentos que dão vida as ações da igreja. A OASE, o Grupo de Jovens, Grupo Infantil, Missão Criança e Diaconia são fundamentais para que as atividades se mantenham. O presidente conta que o objetivo é incluir todos os departamentos em ações contínuas. “Estamos buscando melhorar cada vez mais o atendimento aos membros. O departamento de diaconia desenvolve um trabalho importante, apoiando aos que precisam de auxílio. Um exemplo disso é a Feira do Barato que realizamos, onde se arrecadam agasalhos, roupas diversas, fazendo alguns reparos e repassando para reutilização com pequenos valores para as pessoas”. A comunidade tem se voltado ao trabalho de despertar o interesse das pessoas em participar. O objetivo é fazer com que encontrem um conforto maior na espiritualidade. Como qualquer outra sociedade, precisamos trazer o jovem de volta para as comunidades, buscando formatos de atraí-los e mantê-los. Os 500 anos da Reforma estão sendo comemorados e nos desafiando para que as mudanças positivas continuem. “Nosso objetivo é reorganizar, com o firme propósito de trazer as pessoas para uma participação mais ativa, com espírito fraterno e harmonioso”, mesmo sendo difícil de chegar a todos os participantes, faremos o possível. Reiterou.

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A Juventude Luterana e seu papel na comunidade

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duarda Martin, 16 anos, estudante do 1º Ano no Da Paz, atua na liderança do grupo de jovens da Comunidade Evangélica da Paz (JEPAZ) há nove meses. Exerce a função de apoiar e incentivar os jovens a participar dos encontros e eventos realizados pela Juventude. É representante da JEPAZ, no presbitério da Comunidade e no COSIJI (Conselho Sinodal da Juventude Evangélica). A Juventude Luterana é um movimento organizado, vinculado a uma comunidade da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Surgiu a partir de desafios concretos e que responde aos interesses específicos de jovens. As atividades da Juventude Evangélica realizam-se de acordo com a constituição da IECLB e pelas normas complementares estabelecidas em conselho. É exercido um papel importante na comunidade. São ações com jovens de responsabilidade da própria IECLB, devendo as mesmas organizar os trabalhos de acordo com os desafios existentes na igreja e na sociedade. As atuações são realizadas nos mais diferentes grupos e idades incluindo jovens de fora da comunidade, bem como em cooperação com outras equipes. Atualmente integram 27 jovens, os encontros acontecem aos sábados das 16h às 18h no Instituto Sinodal da Paz. Diversas ações foram desenvolvidas desde o ano passado (2016), relacionadas aos 500 anos da Reforma Luterana, como por exemplo, o Congresso Nacional da Juventude Evangélica – CONGRENAJE, em Timbó/SC, evento nacional que reúne jovens de dois em dois anos de todos os sínodos e também jovens de fora do Brasil, tendo como tema “Pela Graça não temos Valor”. O Acampamento Repartir Juntos (ARJ), que aconteceu de 18 á 22 de janeiro deste ano, com o mote “do passado ao futuro”, abordando os quatros pilares da reforma protestante (Graça, Fé, Escritura e Cristo), o Seminário Sinodal da JE, destacando o tema “Agora são outros 500”, no qual o foco principal foi as 95 teses, que Martin Lutero pregou na porta da igreja de Vietenberg, no Mosteiro

Eduarda Martin de Santa Rosa, de 29 à 30 de junho. Também participaram do Acampa 500, em Horizontina de 6 à 8, organizado pela Rede Sinodal de Educação, destinado aos estudante da rede, e o Encontro Esportivo Sinodal da JE - de 13 à 15 de outubro em Bela União/Santa Rosa, com o tema “Nele vivemos, nos movemos e existimos. Atos 17.28a” Dentre diversas atividades elaboradas durante o ano, destacam-se os retiros de confirmados, culto jovem, atividades na comunidade, acampamentos e encontros semanais da Juventude. As ações desenvolvidas visam a formação de lideranças, para que possam atuar futuramente nas comunidades, tendo esse como maior objetivo. Quando perguntamos a Eduarda do sentimento em ser parte da liderança jovem em uma data tão importante, ela nos fala do privilégio que sente em participar dessa comemoração, “é algo emocionante, me sinto privilegiada em fazer parte desse momento histórico em nossas vidas e também para a IECLB, e assim se passaram 500 anos de aprendizado e conhecimentos, e agora são outros 500.


OASE presente na comunidade

Willi e Meieli A Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE) foi fundada como instituição independente da comunidade após a segunda guerra mundial. A finalidade era preparar os membros para tarefas específicas de mulheres e mães evangélicas. Uma vez por semana à tarde reunia-se um grupo de senhoras que até 1951 foi reduzido, mas após um apelo feito pelo Dia Das Mães aumentou. Em suas reuniões costumeiras a OASE ocupa-se com estudos bíblicos, ensaio de hinos, orações e trabalhos manuais. Sempre colaborou ativamente em campanhas para arrecadação de fundos para projetos. Entre as participantes do grupo está Meieli Lorentz, 84 anos, que foi vice-presidente da OASE diversas vezes, e presidente nos anos de 1978, 1979 e 2003. “No passado, devido às grandes necessidades, realizávamos pintura, bordados, além de ações como o preparo de pratos que eram comercializados e geravam um bom retorno financeiro. Meieli conta que seu esposo Willi Lorentz também atuou fortemente na comunidade, presidindo a mesma por diversas vezes. Ambos participaram ativamente, porém a falta de registros não nos possibilita precisar datas. “Lembro que nos reuníamos em ações conjuntas para arrecadar fundos para compra de medicamentos e repassá-los aos necessitados”, disse. Segundo ela, hoje o trabalho continua. Saudosa, nos fala das festas da comunidade, quando ainda tinha seus filhos pequenos: “existia muita união”, conclui Meieli. Uma frase marcante dela que ficou nos registros é: “se cada um dedicar uma hora de seu dia para doar amor e carinho, conseguiríamos fazer do mundo um lugar melhor”.

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adir Maria Gutknecht (foto), que é atualmente a presidente da Ordem Auxiliadora de Se nhoras Evangélicas - OASE é casada com Wilson Gutknecht e mãe da Vanessa. O grupo conta com aproximadamente 100 senhoras membro e em torno de 30 que se reúnem todas as quintas-feiras. Acompanhadas da pastora Eliana têm seu momento de meditação e após desenvolvem suas atividades. A OASE de Santa Rosa completou 73 anos em julho deste ano. Neste período muitas senhoras já integraram o grupo e fizeram um belíssimo trabalho. Através do Coral, a OASE participa das celebrações da Comunidade da Paz e demais comunidades de variadas religiões, sempre que são convidadas. Anualmente as senhoras produzem lasanhas, que são comercializadas e o lucro é dividido entre o grupo e a comunidade. Como forma de arrecadar fundos o grupo também promove o chá de aniversário e bazar da OASE, que acontece sempre no mês de julho. Elas auxiliam na manutenção e reformas no salão de festas, fazem visitas a membros idosos e/ou enlutados. No período de advento fazem visitas aos membros, sempre levando uma lembrança e a palavra de Deus por parte dos pastores. Também são produzidos sapatinhos de lã e mantas em soft para doar ao berçário do Hospital Vida & Saúde. Todos os anos a Instituição promove o encontro de PCDs – Pessoas com Deficiências – onde entidades como APAE, APADA, APADEV, ADEFISA, AFAPENE e ASDEVI (Três de Maio) participam com seus alunos, trazendo belas apresentações teatrais e musicais, e após acontece confraternização com lanche. Uma vez por mês as senhoras são responsáveis pela recepção aos membros que vêm às celebrações e auxiliam no decorrer dos cultos. Visitam os idosos no lar do idoso, levam carinho, atenção e um lanche gostoso. As demais casas que cuidam de idosos na cidade também recebem atenção. “Então ser OASE é viver COMUNIDADE, acompanhar as atividades, membros, estar presente, se doar de coração em prol de fazer o bem e levar a palavra de Deus. Poderíamos dizer que o papel da OASE é levar o carinho, atenção e auxílio a todos” afirma Nadir.

EXPEDIENTE

O trabalho das mulheres luteranas

Jornalista Responsável: Luciano Mallmann Textos: Jardel Hillesheim e Taciara de Vargas Revisão Ortográfica: Taciara de Vargas

“Além disso, estamos sempre presentes nos eventos da comunidade, cuidando da parte da alimentação”. Seja nos almoços que a Comunidade Da Paz promove, retiro de Confirmandos, encontros da Juventude e demais eventos, a alimentação está sempre a cargo da OASE. “Temos participação direta na organização do Dia Sinodal da Igreja em Comemoração aos 500 anos da Reforma Luterana”, declara Nadir. Segundo a presidente, o grupo de senhoras participa de todos os encontros e discussões sobre o evento, e vai auxiliar na alimentação. Estarão expondo seu bazar e disponíveis para auxiliar em todos os momentos necessários. Quando perguntamos a Nadir sobre o sentimento em fazer parte deste momento tão significativo, que é a comemoração dos 500 anos da Reforma, ela nos relata, “é uma honra, um prazer imenso ser liderança de um grupo tão importante, neste momento de comemoração dos 500 anos da Reforma Luterana. A convivência na OASE e na vida da Comunidade é um constante aprendizado e através disto, a gente cresce mental e espiritualmente. Esse aprendizado nos permite olhar com outros olhos para a história e ao comparar com os dias de hoje, buscar sempre o melhor para o futuro. O conhecimento que agregamos nos desperta a vontade, a fé, nos determina a lutar pelo bem, pela paz, pelo amor. Tenho imensa gratidão por cada ano de caminhada que tenho com a OASE, ao grupo sempre unido e disponível e a cada momento vivido. E de agora em diante são outros 500 que vamos encarar com muita determinação, sempre com nossa missão de sermos a Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas. Aproveito a oportunidade para estender um convite para quem ainda não faz parte do grupo, venham participar, todas serão bem vindas”! Editoração Gráfica: Comercialização: Impressão: Tiragem

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O caderno UMA HISTÓRIA QUE MUDOU O MUNDO - LUTERO 2017, 500 ANOS DE REFORMA é um produto da EMPRESA JORNALÍSTICA NOROESTE LTDA, encartado no Jornal Noroeste do dia 27 de outubro de 2017 - CNPJ: 87687703/0001-18 Praça da Bandeira, 36 - Santa Rosa/RS Tel.: (55) 3512-5757 e 3512-6939 ejn@jornalnoroeste.com.br | www.jornalnoroeste.com.br

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A história da

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o final do século XIX chegou ao Brasil uma avalanche de imigrantes procedentes dos mais diversos países da Europa. A fim de assegurar-se da manutenção de sua cultura, traziam consigo um pastor que exercia também a função de professor e poderia manter então, viva a língua materna e a própria cultura. Foi o caso dos imigrantes alemães. Assim, construíram as escolas ao lado das igrejas. Uma capelinha, uma escola e um centro social sempre ocupavam lugar de destaque na vida das novas comunidades. Entre elas, em 1918, quando "tudo era mato fechado", chegaram às primeiras famílias evangélicas, trazendo consigo a Bíblia, o catecismo, o hinário, a fé e a vontade de vencer. Fundaram na década de 1910 a 1920, a então colônia Santa Rosa-Buricá; hoje, município de Três de Maio. A escola iniciou as suas atividades em 1922, sendo o Senhor Kreutler o primeiro pastor aqui residente, também o primeiro professor. As aulas foram ministradas na Casa da Comunidade (Gemeindehaus). Em 1º de janeiro de 1923 foi filiada a Serra-verband (Associação Serrana das Escolas) e decidido em junho daquele ano, desvincular a sua administração da Comunidade e passar esta atribuição a uma diretoria própria. Em 1931, a tutela da escola foi transferida a recémfundada, Sociedade Escolar Santa Rosa (Deutsch – Brasilianischer Schulverein), continuando com as aulas na Casa da Comunidade. Divergências várias fizeram com que a Sociedade Escolar Santa Rosa construísse prédio próprio, onde hoje, se encontra a agência do Banco do Brasil. Em janeiro de 1932, a Comunidade re-encampou a escola, voltando a mantê-la, dando-lhe o nome de Colégio Centenário. Durante o período da Segunda Guerra Mundial, em 1944, após a escola ter sido fechada por alguns meses, a diretoria da Comunidade, em 15 de fevereiro de 1945, resolveu reabri-la, solicitando à Secretaria de Educa-

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ção um professor e autorização para funcionar com a denominação "Escola Sinodal São Paulo. Neste período, durante a II Guerra Mundial, a escola ficou fechada por um ano, pois o professor da época havia sido denunciado e preso. A escola devia orientar e preparar as pessoas para a vida. Ideias para ampliar as ações da escola, aliadas a ajuda do deputado federal Germano Dockhorn e à obtenção de auxílios financeiros tornou possível este desejo. A diretoria da Comunidade Evangélica São Paulo se mobilizou e desenvolveu projetos para atuar em novos cursos. Foi criada então, a SETREM, Sociedade Educacional Três de Maio, em 22 de setembro de 1950, fundada por membros da própria comunidade. Os primeiros professores registrados na SETREM, em 1952, respectivamente foram a professora Brunilda Tesche Matzembacher, e o professor Olímpio Deon (já falecidos). A Escola era mantida através do pagamento de mensalidades e doações. Para complementar a receita realizava-se festas. Era uma época difícil. Havia cerca de cento e vinte alunos matriculados, dois professores. A primeira e segunda séries funcionavam na mesma sala. Posteriormente a direção da Escola ficou a cargo do Professor Florêncio Berger. A Instituição, em 10 de maio de 1954, assumiu, além do curso primário, a Escola Normal Rural Presidente Getúlio Vargas, cujo objetivo era preparar professores para o meio rural e contribuir para a transformação das comunidades. Por volta de 1956/57, os professores passaram a receber salários por turno de trabalho. As dificuldades de manutenção eram muitas. Em março de 1964 foram conseguidas as cedências de alguns professores através do governo estadual, viabilizando a

continuidade do trabalho. Desde o princípio, a SETREM e a Comunidade Evangélica São Paulo, mantinham as escolas com o único propósito, proporcionar educação à juventude desde o pré-primário e, se possível, até o ensino superior. Com a reforma do ensino promovida pela Lei 5692/71 determinando profundas mudanças no sistema educacional do país, a Escola "Getúlio Vargas", cujo Curso Normal Rural, já em vias de extinção, deu lugar, ao Colégio Presidente Getúlio Vargas, com o Curso Técnico em Agropecuária. Ao longo da sua história foram significativos os auxílios financeiros vindos da Alemanha e dos Estados Unidos da América, intermediados pela Igreja Luterana, com o propósito de melhorar a sua indispensável infra-estrutura. Diante do crescimento, por volta de 1970, promoveu-se uma organização administrativa mais centralizada e estruturada em dois focos: o Administrativo e o Pedagógico. Posteriormente em 1973, deu-se a incorporação do Curso Superior de Administração, em convênio com a Universidade Federal de Santa Maria - UFSM. Em 1975, quando a mantenedora SETREM completou 25 anos, oferecia cursos nos níveis Pré-primário, Fundamental, Médio, Técnico (Agropecuária) e Superior (Administração). Contava então, com aproximadamente 400 estudantes. A SETREM é uma "associação que tem por finalidade propugnar pela formação cívica, moral, cultural, religiosa, artística, literária e científica do povo brasileiro, organizando, auxiliando ou instalando, dentro de suas possibilidades e sem finalidades lucrativas, instituições assistenciais, culturais, filantrópicas e educacionais com cursos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, Educação Profissional de Nível Básico, Técnico e Tecnológico e Ensino Superior" (Art. 2º do Estatuto Social). Atualmente tem duas mantidas: o Centro de Ensino Médio que oferece Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, oito Cursos Técnicos e Centro de Idiomas; e a Faculdade Três de Maio que oferece dez cursos de Graduação, Especialização e Extensão nas áreas das graduações. Conta com cerca de 320 colaboradores, entre professores e funcionários e mais de 2,5 mil estudantes. Sua missão é a de "Promover a sabedoria, alicerçado em valores Cristãos".


Setrem, novos desafios

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andro Ergang, Diretor Geral da Setrem, é graduado em Administração, especialista em Marketing pela SETREM e mestre em Engenharia da Produção pela UFSM. Tem trajetória de mais de 16 anos junto à SETREM, atuando de 2000 a 2016 como docente, de 2004 a 2007 na assessoria de comunicação, de 2009 a 2012 na coordenação do bacharelado em Administração e desde 2012 na vice-direção da Faculdade Três de Maio. Também foi diretor do Instituto Sinodal da Paz de Santa Rosa em 2011. Quais são os projetos desenvolvidos em parceria entre escola e Luteranos?

A SETREM está estruturando, em seu Campus, o "Caminho da Reforma", que provisoriamente leva o nome de "Jardim da Reforma", pois estamos avaliando ainda a criação de alguma campanha junto aos alunos para escolha do nome definitivo. Para este espaço, que ficará em área nobre do Campus, com bastante circulação de alunos, estamos

preparando uma estrutura bem valorizada, que contemplará fonte de água, a Rosa de Lutero e ainda, um espaço para colocação de plaquinhas com as 95 teses escritas por alunos da SETREM, uma atividade desenvolvida ainda em 2016 recriando para os dias atuais, no pensamento dos próprios alunos, as 95 teses de Lutero. No dia 30 de outubro, o plantio da 5ª macieira. Como forma de celebrar a aproximação dos 500 anos da Reforma Protestante, desde 2013, ano após ano, uma macieira é plantada em frente ao prédio administrativo da SETREM, ato que envolve direção, professores, funcionários e alunos. A escolha da macieira se deve a uma frase de Lutero que ficou muito famosa. Perguntaram a ele se o mundo acabasse amanhã, o que faria. Ele respondeu: ‘Se eu soubesse que amanhã acabaria o mundo, ainda hoje plantaria uma macieira’. Essa frase simboliza a questão da esperança no futuro, então, a SETREM integra-se neste movimento. Também realizaremos um culto, no mesmo dia do plantio da macieira, para os funcionários e ensino superior, contemplando assim, atividades que envolvem três níveis de ensino da instituição. Além disso, outra importante atividade que vai marcar a celebração desta data é o plantio de 500 mudas nativas no Campus da SETREM, com apoio dos alunos do Ensino Fundamental e Educação Infantil. As mudas serão distribuídas por todo o Campus da instituição.

Como a direção pensa o educandário e o adapta as novas tecnologias?

Uma das nossas prioridades é a transformação da Faculdade Três de Maio – SETREM - em um Centro Universitário. A Faculdade Três de Maio vem conquistando, no decorrer da última década, resultados significativos no que se refere a qualidade do ensino da pesquisa e da extensão. É preciso evidenciar também que a infraestrutura que se oferece para o Ensino Superior é de alta qualidade, comparativamente a média das faculdades privadas do Estado e do País. Nosso próximo desafio é credenciar a Faculdade como Centro Universitário.

Quais os novos cursos almejados?

Também estamos retomando nosso planejamento estratégico para definir os novos rumos para

2020-2025. Temos em vista a Engenharia de Computação, que está aguardando liberação do Ministério da Educação, além de outros cursos sendo pensados. No mais é manter a instituição com 10 a 11 cursos superiores, mais os cursos técnicos, com meta de três mil alunos. É o que comportaria 10 cursos consagrados de ensino superior, aliados a nossa capacidade de expansão na Educação Básica.

Quais os projetos destaques da SETREM?

Estamos investindo bastante nas tecnologias e novidades na educação em todos os níveis de ensino, como MindLab, Mente Inovadora, Robótica e diversas outras novas metodologias. Há destaque também para a Incubadora Tecnológica SETREM, com novos projetos, expansão visando desenvolver o potencial tecnológico da região. Desde 2014 foram intensificadas as atividades e várias parcerias foram formadas, como com o Sebrae – através do Projeto Cerne. Além disso, houve ainda maior aproximação com o acadêmico e comunidade, através de palestras, workshops, oficinas, desafios e reuniões com o objetivo de instigá-los à inovação e ao empreendedorismo. O resultado foi imediato, com a ampliação da procura pela Incubadora e do número de empresas incubadas.

Quais os avanços obtidos com o projeto?

Vários negócios obtiveram crescimento, como a Bendita, empresa na área de moda, idealizada pelas então acadêmicas do curso de Design de Moda, Bruna Winkelmann e Daniela Gnoatto - hoje graduadas, que já têm seu próprio atelier no centro de Três de Maio. Outros negócios também vêm obtendo ampla ascensão com apoio dos serviços da Incubadora, como a Power Dry, empresa na área de sistemas de informação, especificamente atuando com agricultura de precisão (irrigação) e chatbot, formada pelos sócios Charles Stein, Fauzi Shubeita e Tiago Pasieka. Temos ainda a Humanize, empresa na área de modernização no recrutamento e seleção de pessoas, dos sócios Leonardo Ribas de Souza e Ediane Faoro, que atua no suporte aos mais diversos subsistemas da gestão de pessoas das empresas, como descrição de cargos, treinamento e desenvolvimento, gestão de desempenho, gestão de clima organizacional e gestão de conflitos. NOROESTE, 27 DE OUTUBRO DE 2017

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O Instituto Sinodal Da Paz e a influência de LUTERO

diretora do Instituto Sinodal Da Paz, Leila Zielke Rebellato, destaca que a preparação para a comemoração dos 500 anos começou em 2014. Uma turma de alunos que hoje está no chamado “terceirão”, produziu neste período uma Rosa de Lutero, a qual será inaugurada amanhã, 28 de outubro. Outra iniciativa dos alunos foi plantar uma macieira, também um símbolo da Reforma, numa frase Lutero diz: “Se morrer amanhã, ainda hoje plantaria uma macieira”. “Estamos trabalhando nas atividades regulares das escolas com materiais que foram confeccionados pela Rede Sinodal, para este acontecimento,” coloca Leila. Ela destaca que há mais de 500 anos Martin Lutero afirma que educação é fundamental. Ele dizia que sempre ao lado de uma igreja deveria existir uma escola. Hoje, seu posicionamento filosófico e ético é aplicado no ensino. “Não trabalhamos a teologia. Isso deixamos para que os pastores abordem na igreja. Não falamos em catecismo, mas sim em valores, pois temos isso como missão,” diz. A diretora comenta que o ato da Reforma mostra uma mudança significativa no ensino, a partir de 1517. “Lutero defendia uma escola pública para todos, mas como ele não conseguiu colocar isso em prática, uma instituição assumiu isso”. Segundo ela, o Da Paz está discutindo estes conceitos há três anos, ampliando mais neste mês. Um exemplo é a preparação para a Caminhada Da Paz pela Paz, onde os alunos apresentarão as 95 teses com didáticas de sala de aula, como a produção de textos, além de jogos e ações artísticas. “Toda a escola está envolvida e as ações são coordenadas pela comissão, onde as atividades são distribuídas, pois trabalhamos em grupo”, reiterou. Sobre a influência de Lutero, Leila explica que a Comunidade Evangélica Da Paz é mantenedora do educandário, tendo um trabalho em conjunto com uma comunidade ativa. Na área didática o foco é a preparação do jovem para o mundo. Entre as novidades estão a Língua Alemã, além da base curricular normal estipulada pelo Ministério da Educação. A escola presa muito pela qualidade de ensino, realizando simulados constantes, onde se pode avaliar o aprendizado aplicado com alguns conceitos e de que forma se pode melhorar e ampliar a demanda. Outro lado está à relação sociemocional. “O aluno Da Paz é completo, pois ele sai com os conhecimentos estabelecidos na didática, mas com condições de trilhar o caminho que quiser. Nós preparamos nosso aluno para estar lá fora”, afirmou. Ela explica que o educando é orientado a seguir seu sonho, seja ele no empreendedorismo, ou na área que desejar atuar. “Trabalhamos diretamente todas as áreas do conhecimento. O te-

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Leila Zielke Rebellato

atro, a música, a dança e o esporte, são todos muito incentivados. O esporte por si é muito a questão disciplinar. Nos jogos estudantis, por exemplo, tivemos oito primeiros lugares. O estudante, mesmo sendo competitivo, precisa entender que deve agir de forma correta, dentro da disciplina e do respeito. Nas outras áreas que não são competitivas, eles dão seu melhor e mostram seu talento”, destaca. Os ensinamentos de Lutero são aplicados no comportamento dos alunos, em atitudes que mostram ter ética. Os alunos convivem com todos sem distinção de cor, raça ou religião. Para Lutero, ‘nenhum pecado exterior pesa tanto sobre o mundo... quanto justamente aquele que cometemos contra as crianças quando as educamos’. Na nossa escola os ensinamentos estão presentes em todos os momentos”, salienta Leila.


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A história do Da Paz

anta Rosa no dia 1º de março de 1949, passou a contar com a Escola Evangélica da Paz, na mesma sala em que, aos domingos, se reunia a comunidade para celebrar o culto. Um grupo de 30 crianças faziam parte da primeira turma de Jardim da Infância e de alunos das três primeiras séries, sob a direção do pastor Gustavo Schünemann. No início de 1952 a grande sala de aula (e de cultos dominicais) foi dividida em duas, somando-se a ela um galpão adjacente e recém reformado. Em 26 de julho de 1953, na presença do então Governador do Estado Gal. Ernesto Dornelles, lançou-se a pedra fundamental do prédio de dois pisos com três salas de aula, um auditório, secretaria e instalações sanitárias, sendo construído com contribuições da Comunidade Evangélica da Paz e de subvenções recebidas do governo. Esse prédio foi inaugurado em 31 de julho de 1955. Com o apoio importante da Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE), foi então lançada em 15 de janeiro de 1959 a pedra fundamental para a construção de um Jardim de Infância, sendo o mesmo inaugurado em 21 de fevereiro do ano seguinte. Em 1967, com a transformação da Escola Primária

em Ginásio, passou a denominar-se “Ginásio da Paz” e, no dia 08 de maio de 1971, com agregação de recursos vindos da Federação Luterana Mundial com sede na República Federal da Alemanha, a obra foi inaugurada pelo então Governador do Estado, Euclides Triches.

A Rosa de Lutero em mosaico, foi construída pelos alunos que atualmente estão no “TERCEIRÃO”. Este trabalho quando a turma cursava a 7ª série e será inaugurado durante as comemorações dos 500 anos da Reforma.

Na década de 90, a Escola empenhou-se em ampliar suas instalações, construindo um novo prédio que abriga laboratórios, salas especiais e quadras de esporte. Partindo de reformulação legal, em 2000, o educandário passou a denominar-se Instituto Sinodal da Paz e, hoje, atua nos níveis de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, tendo como mantenedora a Comunidade Evangélica da Paz. O Instituto Sinodal da Paz é uma instituição alicerçada na Confissão Luterana e a professa. Toma decisões que se baseiam na graça, na fé, na esperança. O reconhecimento da população pela instituição é resultado da seriedade, dedicação e competência de todos os profissionais envolvidos no processo educativo, que reforça um trabalho de ação integrada em benefício do aluno e da coletividade. Em 2017, o Instituto Sinodal da Paz comemora 68 anos contando com 704 alunos. O educandário é destaque nas áreas do conhecimento, bem como em competições esportivas e culturais. Entre as novidades está o incentivo a língua alemã iniciou em 2014, como possibilidade para graduação na Alemanha. NOROESTE, 27 DE OUTUBRO DE 2017

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500 anos da Reforma Luterana  
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