Page 1


MATÉRIA DE CAPA

Jaqueline Montoya Juventude Feminina – Atibaia/SP

O

s 75 anos ainda não chegaram oficialmente para a Juventude Feminina de Schoenstatt (JUFEM) do Brasil (o aniversário de fundação é somente em 18 de outubro), mas se depender do entusiasmo das jovens, o jubileu de diamantes já deixou marcas profundas nesta “Geração 2014”. Reunidas em Londrina (PR) entre os dias 5 e 7 de setembro, 500 'jufens' de sete estados e 44 cidades anteciparam a festa e, unidas a muitas gerações, celebraram a alegria de ser Lírio do Pai, Tabor para o Mundo no XV Encontro Nacional do ramo. O encontro teve um caráter importante: o olhar para o futuro. Depois de um ano com muita formação e reconhecimento da história, é a vez desta geração assumir a herança e escrever as novas páginas da Juventude Feminina no Brasil. Ao analisar as conclusões do encontro, vê-se o compromisso missionário destacado e uma juventude consciente da sua importância dentro da Igreja. Além disso, a JUFEM abre os olhos para a necessidade de evangelizar em novos campos, como o mundo digital, e de se manter a unidade nacional.

Expectativa e reencontros Jacicleide Morais, da JUFEM de Garanhuns (PE), conta um pouco sobre a expectativa para o Nacional. “O primeiro encontro que participei foi o Cor Unum, em 2013, e tive experiências maravilhosas conhecendo a JUFEM de muitos outros lugares, vendo tantos lírios que aspiram nosso ideal nos mais variados lugares do mundo. Eu esperava viver isso novamente, só que dentro do nosso país, ver o rostinho da JUFEM Brasil! E também conhecer as gerações que construíram nossa história até hoje”, explicou.

20

TABOR EM PÁGINAS - EDIÇÃO 95

E para viver essa alegria do reencontro, a viagem foi longa. As meninas de Guaranhuns saíram de casa às 18h do dia 3 de setembro, passaram a madrugada no aeroporto e somente no dia seguinte, às 5 da manhã, partiram para mais duas paradas: uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. Depois da maratona, foi a hora de chegar ao tão esperado destino: Londrina – isso já na sexta-feira (4) por volta das 15h. Pra quem veio de Santa Maria (RS), Brasília e outros extremos, a viagem não foi muito mais tranquila, mas quem disse que isso atrapalha? “Fomos de ônibus, levamos umas 20 horas, mas parece que passou muito rápido, pois fomos cantando, conversando, jogando, rezando e dormindo, claro!”, lembrou Maiara Madrid, da JUFEM Santa Maria. Outra Maiara, essa de Mairiporã (SP), conta da alegria dos reencontros durante o Nacional “Adorei poder reencontrar algumas meninas que não via há algum tempo e poder fazer novas amizades. Ali, unidas fisicamente, percebemos o quanto somos unidas pela Aliança; sentimos essa união, que somos uma família e que não estamos sozinhas”, frisou. Depois de tanta contagem regressiva, é hora de começar o encontro! E o primeiro dia foi de muitas emoções. Reconhecer, renovar e partir O encontro foi organizado com um tema central por dia. No primeiro, a temática foi reconhecer. A proposta era trabalhar todo o contexto histórico dos 75 anos da JUFEM. Logo de cara, já um grande presente: finalmente o hino nacional da Juventude Feminina seria executado pela primeira vez. Após um concurso para escolha do hino, a música de Denise Maimoni Lima, de Poços de Caldas (MG), foi a eleita.


O refrão já era conhecido das jovens, mas o restante da melodia uma grande incógnita. A emoção tomou conta do ginásio durante a execução. “O lançamento do hino foi de arrepiar, todas cantando o refrão juntas foi lindo. Sentimonos representadas na letra”, lembra Maiara Madrid. A música foi um dos grandes destaques do encontro. A todo instante, era fácil ver as jovens entoando em bom e alto som: “Cumpra-se, ó Pai, somente o Teu querer, que a pureza esplandeça em nosso viver. Toda bela és Maria, Maria queremos ser, Tabor para o mundo e no Santuário permanecer! ” As atividades do primeiro dia O primeiro tema foi baseado na palestra “Eu saúdo os lírios”. As palavras do Pai e Fundador dirigidas à JUFEM Londrina, em 1947, ganharam um olhar. Conduzido pela Ir. Diná Batista de Souza, o foco foi uma reflexão sobre o ser “lírio” nos dias de hoje. “Nossa missão é levar o que já trazemos dentro de nós. E o que trazemos? O forte impulso ao ideal de pureza e amor. Tornar o século XXI um Tabor para o mundo significa nadar contra a corrente”, reforçou a Irmã. Na parte da tarde, foi a vez da JUFEM refazer os passos do Pai e Fundador em Londrina. Divididas em grupo, as meninas realizaram visitas a lugares históricos, como o hall de entrada do Colégio Mãe de Deus e o trono da Mãe, a Capela histórica e o pátio do Colégio Mãe de Deus, o Santuário e a Santa Casa. Em cada lugar, uma reflexão sobre a herança deixada pelo Pe. José Kentenich a toda família de Schoenstatt. “Poder conhecer os locais que o Pai e Fundador passou foi algo muito especial”, lembrou Maiara Oliveira, de Mairiporã (SP). Para

quem mora pertinho, a visita também trouxe um novo olhar. “Eu estudei no Colégio Mãe de Deus e agora tenho um olhar diferente, pois descobri toda história que existe aqui. De agora em diante, passarei a pedir a intercessão do Pai em cada um desses lugares. Isso é bem forte para mim”, afirmou a jovem Maria Eugênia Ulbrich, da JUFEM Londrina. Também houve tempo livre para as jovens visitarem o Museu da JUFEM: cada cidade levou um símbolo importante e histórico, que ficou exposto com uma explicação. Assim, cada um que passava por ali pôde conhecer um pouco mais sobre a JUFEM no Brasil e a história de cada cidade. Eram bandeiras, camisetas, peregrinas, símbolos... tudo para abrilhantar o jubileu de diamantes. Um encontro de gerações e corações Os 75 anos foram tratados, desde o início, como uma grande festa de gerações. A JUFEM percebeu a necessidade de resgatar sua história e personagens. Por isso, também foram previstos para o Nacional alguns momentos especiais: o lançamento do livro Lírio do Pai, guarda e cultiva sua herança, missa de ação de graças e o jantar festivo das gerações. O livro foi escrito por uma comissão formada por jovens e assessoras dos quatro regionais brasileiros. As páginas perpassam toda a história do ramo, começando desde a fundação na Alemanha até a geração atual do centenário, dando ênfase aos dez encontros nacionais da JUFEM e às visitas do Pai e Fundador ao Brasil. O jantar das gerações também foi um dos pontos altos do encontro. Durante a refeição, diversas gerações puderam se apresentar e compartilhar os momentos marcantes de sua época. Maria Helena Guariente, “Sempre JUFEM” de

TABOR EM PÁGINAS - EDIÇÃO 95

21


Londrina da geração dos anos 1980, ajudou na organização e apresentação do jantar. Ela conta um pouco sobre esse momento: “Foi maravilhoso participar do jantar festivo que possibilitou o encontro de gerações de 'Sempre JUFEM' das décadas de 50 até 2010! A tônica foi muita alegria ao recordar os bons tempos que tivemos na JUFEM. Foi lindo ver como muitas 'Sempre JUFEM' vieram de longe e de perto participar deste momento e a cada encontro, muitos abraços e fotos que nos fizeram experimentar grande orgulho de ter sido deste ramo da Família de Schoenstatt. Nos sentimos novamente da JUFEM, pois uma vez JUFEM, sempre JUFEM!” Ellen Maimoni, de Poços de Caldas (MG), foi uma dessas visitantes ilustres que abrilhantaram o jantar. Ellen pertenceu ao ramo de 1999 a 2011 e viajou com outras “sempre jufens” de Poços para o momento. “Enquanto estive na JUFEM, nunca tive antes a oportunidade de presenciar uma reunião de gerações. Foi lindo ver aquelas senhorinhas dando seu testemunho! Cada uma em uma época diferente, que exigia desafios diferentes, segundo a necessidade de cada tempo, mas todas nós vinculadas e unidas pela Mãe de Deus na Aliança de Amor! Com certeza Schoenstatt encontrou um lugar especial no coração de todas, isso era visível! Uma chama que nunca se apagou”, contou. E depois de tantas emoções, era hora de sair para mais uma missão. Para muitas, foi a vez de partir e conhecer a casa de família onde ficariam hospedadas. A oportunidade incentivou o caráter missionário do encontro e a possibilidade de levar ou compartilhar Schoenstatt no lar onde estivessem. Lírio do Pai, torna-te pequena Regina Ter Admirabilis O segundo dia de encontro foi a vez de renovar os compromissos assumidos pela JUFEM Brasil, também no nível internacional, unindo-se a corrente da Coroa RTA. A coroa foi um presente do Pai e Fundador à JUFEM Alemanha e, posteriormente, presenteada a toda Juventude Feminina Internacional, tornando-se um dos grandes símbolos da unidade entre os países. O roubo da coroa RTA, durante uma peregrinação internacional, fez com que a JUFEM de todo mundo assumisse o compromisso de ser “coroa viva” para a Mãe de Deus. A Juventude do Brasil está intimamente inserida nessa corrente e buscou, neste dia, resgatar também o compromisso, reforçando a aspiração assumida como Geração 2014, que renovou a entrega da coroa RTA à Mãe de Deus no Santuário Original. O lema do ano da JUFEM Brasil foi justamente o tema da segunda palestra: Lírio do Pai, torna-te pequena Regina Ter Admirabilis. Após a aplicação do tema por parte da assessora Ir. Lidiane Francisconi, foi a vez da JUFEM Brasil partir para a prática. Divididas em temas, as jovens participam de oficinas em que discutiram como viver o ideal e serem pequenas 'reginas ter admirabilis' em diversas situações: na escola, balada, casamento, redes sociais, vocação, universidade, horário espiritual, ideal pessoal, amizade, vínculos e no trabalho. As oficinas foram ministradas por representantes de vários ramos 22

TABOR EM PÁGINAS - EDIÇÃO 95

da Família de Schoenstatt, o que marcou também a interação entre a família. Durante a noite, após uma vivência musical preparada pela JUFEM de Ibiporã, as 500 jovens tiveram a oportunidade de renovar o compromisso de se tornarem pequenas reginas ter admirabilis. Cada uma foi convidada a assumir esse compromisso e receber uma pequena coroa RTA como símbolo desta grande missão. “Ao término da vivência, entregamos os gravetinhos que simbolizavam nossas misérias e ganhamos a nossa coroa, que foi abençoada na frente do Santuário. Foi na frente do Santuário que cantamos o nosso hino com todo ardor. Nessa hora, o hino soou como a mais perfeita oração para aquele momento de graças. A Mãe do Céu estava ali de modo muito especial”, lembrou Jaci, da Jufem Garanhuns. Uma juventude em saída O encontro nacional foi a oportunidade ideal para refletir as palavras do Papa Francisco dirigidas à Juventude de Schoenstatt, durante a audiência com a Família em outubro de 2014. Após relembrarem os conselhos deixados pelo Papa, de testemunho, oração e missão (estar em saída), a JUFEM apresentou os trabalhos missionários que já realiza. Foram enfatizados projetos como o trabalho com as Apóstolas no Centro Catarina Kentenich, no Jaraguá (SP); formação de catequese e crisma realizada com Apóstolas pela Juventude Feminina do regional Sul; encontro de formação “Menina Moça” (regional Sul) e as Missões JUFEM, realizadas pela primeira vez neste ano de 2015, em Tomazina (PR). Após esses estímulos, foi a vez de sair para trabalhos em grupo e definir objetivos claros para os próximos passos da Juventude Feminina do Brasil, no âmbito apostólico. Pontos concretos para os próximos anos No campo do apostolado, as jovens destacam a importância do trabalho nas paróquias, vivendo Schoenstatt para Igreja; expandir o trabalho das Missões da JUFEM para outros regionais, além de garantir a participação em projetos missionários da Família de Schoenstatt; desenvolver ações sociais; preparação de encontros para outros jovens e também o trabalho com a Peregrina Universitária. No mundo digital, um novo campo de apostolado ganha força. A Juventude percebe a importância de usar hashtags comuns para expandir o alcance de publicações; aumentar a divulgação de Schoenstatt em redes sociais, tornando também o mundo virtual um lugar para viver o Tabor para o mundo; além da importância de usar bem os canais existentes, como o Youtube. O destaque também foi para a importância de não dar contra testemunho nas redes sociais. Sobre a vida de testemunho e oração, as jovens percebem a importância de aprofundar os conhecimentos sobre a pedagogia de Schoenstatt, especialmente o Horário Espiritual; conhecer mais a fundo o livro de orações da Família, o Rumo ao Céu; serem fieis nas coisas pequenas; levar a imagem da MTA para os ambientes onde estão (mesa do trabalho, car-


teira…) e resgatar os dez pontinhos da JUFEM. Já para manter a vinculação nacional, fica marcada a importância de atividades em datas comuns (como os encontros regionais, vivências e missões); determinar a periodicidade dos encontros nacionais; o maior intercâmbio entre as cidades, para que toda a juventude saiba das conquistas e aspirações dos regionais; e a inserção da JUFEM Brasil na corrente RTA. Disposição para cumprir essas metas não falta. Ao menos é o que lembra Maiara Oliveira. “Acho que por conta dos jubileus, nossa juventude esta cada dia mais animada e entusiasmada em conquistar o mundo. Saímos do encontro superrecarregadas e como já estamos trabalhando esse 'para Igreja' há um tempo, acredito que teremos bons resultados! Se formos analisar a preparação para o Nacional, com os desafios, olha quanta coisa conseguimos produzir durante o ano! Tenho certeza que conseguiremos trabalhar todos os compromissos assumidos, ainda por serem tão práticos e objetivos”, finaliza. Despedida A missa de encerramento foi realizada na Catedral de Londrina e contou com a presença das famílias de acolhida. Ao final da celebração, a JUFEM renovou o compromisso com a Igreja, assumido em 2014 ao presentear o Papa Francisco com uma coroa RTA. O arcebispo emérito, Dom Albano Cavallin, recebe das jovens uma coroa RTA e os livros da coleção JUFEM Brasil: o histórico e o de palestras proferidas pelo Pe. Kentenich ao ramo. O maior presente, porém, é a disposição das jovens em colocar-se a serviço da Igreja, como coroas vivas.

Um dos momentos mais bonitos do encontro: ao final, todas as jovens se reuniram em frente ao altar para uma foto oficial e cantar o hino mais uma vez! Quinhentas vozes unidas, mostrando para todas as famílias que as acompanhavam que a Igreja pode ter esperança na juventude. O adeus entre famílias de acolhida e JUFEM também deixa marcas. No almoço de encerramento, outra despedida emocionante: algumas jovens participam deste encontro pela última vez como JUFEM. Como agradecimento, recebem uma homenagem. Lágrimas marcam o momento. É a mistura de gratidão e de saudade que já tomam espaço do encontro. Após o almoço, o ginásio começa a ficar vazio, os ônibus vão surgindo na rua lateral do Santuário e a JUFEM parte para uma nova missão: levar tudo o que viveu nestes dias para o dia a dia. É hora de ser TABOR PARA O MUNDO! Vida pós-nacional E se o Nacional acabou, a missão não: “O que eu espero da JUFEM para o futuro é que continuamos unidas pelo nosso ideal, que cada vez mais nos tornemos Coroas Vivas para a Igreja, Pequenas RTAs e espalhando a alegria que é pertencer a Schoenstatt. Que 'As gerações futuras nos julguem'”, destaca Maiara Madrid. E as gerações “passadas” também deixam seu recado. “É imensa a felicidade de ver que nossa JUFEM está em ótimas mãos! Como o hino nos diz: 'Tua mão ó Pai se inclinou e elegeu pequenas filhas prediletas'. O Pai não se cansa de eleger seus lírios e eles estão aí, honrando a missão! Esse encontro ficará gravado no coração, e tenho certeza, não podemos nem imaginar tamanhas graças e frutos que ele produziu e produzirá”, declarou a 'Sempre Jufem' Ellen Maimoni.

TABOR EM PÁGINAS - EDIÇÃO 95

23

Tabor em Páginas  

Edição 95

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you