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AGRADECIMENTOS Agradeço a inestimável colaboração dos meus filhos Ricardo Franco Moura e Rodolfo Machado Moura, na elaboração dos textos, e, também, do meu enteado André Luís Ferretti Taboquini, designer das nove capas da coleção.


OS VELHOS NA PADARIA A população brasileira está envelhecendo. Lentamente, porém de forma constante, a parcela de idosos está aumentando, ao longo dos anos. A expectativa de vida do brasileiro cresceu substancialmente durante o século XX. Por outro lado, a qualidade de vida que Brasília oferece é significativamente melhor que a das outras metrópoles brasileiras. Isso faz com que muitos aposentados que poderiam retornar às suas origens, deixam-se ficar na Capital Federal. Alguns por causa dos netos candangos, outros por preguiça de alterar rotinas, como a de se reunir com antigos colegas ou amigos de longa data, para jogar conversa fora. Assim, quem passava pela Padaria Lago Sul no Centro Comercial Gilberto Salomão, via, todas as manhãs, meia dúzia de velhos, reunidos em torno de uma mesa na calçada, tomando café ou comendo pão de queijo, mas sobretudo discutindo sobre qualquer assunto, em animado bate-papo. Neste ano de 2010, com a expectativa da conquista pelo Brasil de mais uma Copa do Mundo, o futebol foi o tema da maioria das conversas matinais. Fazem parte do grupo permanente dos “velhos da padaria”, além de outros participantes eventuais: Roberto Mauro Machado, 72 anos, engenheiro, carioca, torcedor do “Fluminense”; Pedro Paulo Paredes, 75 anos, arquiteto, paulista, torcedor do “São Paulo”; Brian Butler, 79 anos, ex-adido cultural da Embaixada Britânica, natural de Londres, torcedor do “Arsenal”, que aqui se deixara ficar após sua aposentadoria, por ser casado com brasileira; Cristiano Ferreira, 81 anos, comerciante, mineiro, natural de Uberaba, torcedor do “Atlético” de Minas Gerais; Marcos Pereira, 76 anos, contador, gaúcho de Cruz Alta, torcedor do “Internacional”. _ Vocês conhecem as origens do futebol? Perguntou Roberto Mauro. _ É claro que é a Inglaterra o berço do futebol, respondeu Brian. _ Isso, todo mundo sabe, seu “ingrês” pernóstico, interveio Pedro Paulo Paredes, o PPP, com a liberdade que lhe era permitida pela amizade de longos anos, iniciada quando elaborou alguns projetos

arquitetônicos para melhoramentos no prédio da embaixada. _ Sim, o que eu quero saber são os precedentes, como surgiu esse jogo empolgante que se convencionou chamar de esporte bretão, esclareceu o Roberto. ¬_ “Well”, eu vou ter que pesquisar na “internet”. Me dêem um prazo, redargüiu o Brian. Dois dias depois, conforme prometido, o inglês apresentou o seguinte relato, denominado “Origens do Futebol”.

AS ORIGENS DO FUTEBOL Todos sabem que a Inglaterra é o berço do futebol. Muitos imaginam, acertadamente, que o outrora chamado esporte bretão teve suas primeiras regras estabelecidas no século XIX. Entretanto, as raízes do jogo são muito mais antigas. Supõe-se que seja derivado dos jogos praticados na Bretanha e na Normandia e levados para a Inglaterra por ocasião da invasão dos normandos. Era um esporte violento, sem muitas regras. Em conseqüência, eram tais jogos, muitas vezes proibidos. O primeiro registro de um jogo de bola, disputado com os pés, data de 1280, em Ulgham, perto de Ashington na região de Northumberland, quando um jogador foi morto ao correr contra um oponente armado de punhal. A mais antiga referência a um jogo chamado futebol é de 1314, quando o Prefeito (“Lord Mayor”) de Londres, Nicholas de Farndome, baixou um decreto, em nome do Rei Edward II, proibindo-o, sob pena de prisão. O Rei Henry IV, em 1409, emitiu uma proclamação tornando ilegal a coleta de dinheiro destinada ao futebol. Ainda no século XV (data incerta, entre 1481 e 1500), surgiu a primeira descrição de um jogo de futebol ocorrido em Cawston, Nottinghamshire, contendo diversos aspectos semelhantes ao futebol moderno: exclusivamente com os pés, batendo em uma grande bola, fazendo-a rolar sobre um campo com seus limites previamente demarcados. Já no século seguinte, em 1526, foi feito o registro da aquisição


de um par de chuteiras (“football boots”) pelo Rei Henry VIII. Richard Mulcaster, estudante do Eton College e, posteriormente, diretor de diversas escolas inglesas, fez, em 1581, um relato mencionando, pela primeira vez, a existência de equipes, com posições (“standings”), treinador (“trayning meister”) e de um árbitro (“judge over the parties”). De acordo com Mulcaster, no século XVI, o futebol inglês já evoluíra bastante a partir dos violentos embates, passando a ser um saudável exercício para o corpo, muito popular e largamente praticado pelos estudantes. Entretanto, a violência ainda perdurava na prática do futebol, conforme os arquivos da paróquia de North Moreton, Oxfordshire, que registram duas mortes em maio de 1595. A primeira referência conhecida a gols também é datada do século XVI (1584), sendo da autoria de John Norden. O futebol passou a receber citações literárias a partir do século XVII. Na peça teatral O Mendigo Cego de Bethnal Green, apresentada logo no início do referido século, mas só publicada em 1659, consta uma referência a marcar um gol no “camp-ball” (uma variedade extremamente violenta do futebol, praticada na região de East Anglia). Da mesma forma, o poeta Michael Drayton, em 1613, menciona o gol, nos versos abaixo: “When the ball to throw, And drive it to the gole, In squadrons forth they goe” Outro poeta inglês, Edmund Waller, em 1624, apresenta, em seus versos, o conceito de atuação em equipe pelos praticantes do futebol da época. Entretanto, o esporte continuava ilegal em várias cidades inglesas, como Manchester (onde tem sede hoje o Manchester United, clube que é uma das maiores forças do futebol mundial), que, em 12 de outubro de 1608, proibiu o jogo em suas ruas, por causa dos distúrbios causados e quebras dos vidros de janelas. Sua popularidade, porém, continuava crescente, como atesta o relato de James Howell sobre a participação, durante o reinado de James I, dos nobres Lord Willoughby e Lord Sunderland em uma partida de futebol, juntamente com seus empregados e outros camponeses. Em 1660, surge o primeiro estudo objetivo sobre futebol, escrito

por Francis Willughby em seu livro “Book of Sports”, que descreve: 1) o campo: um espaço cercado, com um portão, chamado gol, em cada extremidade; 2) a tática: deixar alguns dos melhores jogadores guarnecendo o gol; 3) a maneira de formar os times: dividir os jogadores igualitariamente, de acordo com sua força e agilidade; 4) a contagem: a equipe que primeiro conseguir fazer a bola ultrapassar o gol adversário vence a partida; 5) a lei da bola dividida: quando dois adversários chutam juntos a bola, eles não podem atingir mais alto que a bola.

DOIS DIAS DEPOIS _ Puxa, essa de jogar armado de punhal, me lembra alguns zagueiros de 50 anos atrás, nos subúrbios do Rio, disse Roberto Mauro. _ Parabéns Mister Butler, disse Marcos, com o tom cerimonioso que o caracterizava, ao se dirigir ao diplomata inglês. _Trate-me por Brian. De qualquer forma, obrigado! Aprendi muito, consultando a Wikipédia. É uma ótima fonte. _ Realmente, um excelente trabalho, elogiou o PPP. _ Achei interessante duas coisas no estudo de 1660, citado. Primeiro, dividir os times de forma igualitária. É o que fazíamos em nossas peladas de garotos, na praia de Ipanema. Os dois melhores jogadores tiravam par ou ímpar e a escolha era feita, um a um, de forma alternada Em segundo lugar, a primeira regra estabelecida:”é proibido chutar os culhões do adversário”, comentou Roberto. _Tive uma idéia. Talvez possamos estudar e aprender, uns com os outros, sobre o futebol ao redor do mundo, disse Brian. _Magnífica sugestão, Mr. Butler, ou melhor, Brian, apoiou Marcos. _ Mas, em todo o mundo é muito amplo. Vamos morrer antes de terminar, objetou o PPP. _ Vamos estabelecer alguns limites. Em primeiro lugar, o futebol na Inglaterra, berço do futebol, como diz o nosso Brian. Em segundo lugar, a introdução e a evolução no Brasil. Outro país importante é a Itália... sugeriu o carioca. _Acho que podemos considerar, apenas, os países que têm maior tradição, ou seja, os que já conquistaram a Copa do Mundo, falou o


PPP. _ Na minha modesta opinião, temos dois tipos de limites: o temporal, que deve ser o mais amplo possível, desde os primórdios do futebol, em cada país, até a Copa de 2010, recém terminada. O segundo limite é o espacial, no qual concordo com o PPP: somente campeões mundiais, Marcos disse. _Isso significa incluir, além dos já citados Inglaterra, Brasil e Itália, os sul-americanos Uruguai e Argentina e mais os europeus Alemanha e França, sintetizou o arquiteto paulistano. _Estou de acordo, embora essa solução implique a exclusão da Hungria, que assombrou o mundo, em 1954, com Puskas e Cia, e a Holanda da revolucionária laranja mecânica...manifestou-se Roberto. _ Não podemos nos esquecer da Espanha, que entrou nesse seleto rol de campeões, agora. Além da história do futebol, podemos relatar casos jocosos e, talvez, dados biográficos de alguns ídolos, especialmente dos brasileiros, Marcos acrescentou. _ Ainda bem que a meticulosidade do nosso contador não nos deixa esquecer nada. Precisamos, agora, dividir as tarefas de pesquisa, argumentou PPP. _Na condição de único inglês do grupo, e considerando ser a Inglaterra o berço do futebol, proponho-me a fazer o primeiro relato, tendo como tema o futebol inglês, desde o seu início até a partida da Copa de 2010, quando a bola chutada pelo Lampard entrou quase meio metro e o juiz não assinalou o gol...,Brian se ofereceu. _ Nós aceitamos seu oferecimento. Quanto ao gol, legítimo mas não anotado pelo árbitro, lembre-se daquele outro lance, ocorrido muito antes em Londres, quando a Inglaterra, também contra a Alemanha, teve um gol assinalado sem a bola entrar. Foi uma espécie de divina compensação... concluiu Roberto.

O FUTEBOL NA INGLATERRA (de 1844 a 2010)

Em 1844, o futebol já era muito popular na Inglaterra, inclusive em Londres, onde o jornal “The Guardian” publicou, em 14 de dezembro desse ano, um anúncio referente à procura de um campo para

futebol nas proximidades da “London Road” ou “Oxford Street”. Muito praticado nas escolas públicas inglesas, o futebol precisou ser regulamentado para permitir disputas entre as mesmas, pois cada escola tinha suas próprias regras. Assim, os anos 40 do século XIX foram pródigos em encontros de representantes escolares na busca de consenso sobre um regulamento para o jogo. O primeiro fruto desse esforço foi o aparecimento das regras de Cambridge (“The Cambridge Rules”), em 1848. Em 1857, surgiu o primeiro clube de futebol do mundo: “Sheffield Football Club”, que estabeleceu suas próprias regras, datadas de 1862. A primeira entidade mundial dedicada ao esporte que é, hoje, o mais popular do planeta, a associação de futebol inglesa (“Football Association”) foi fundada em 1863. Coube-lhe a tarefa de unificar os diversos regulamentos do jogo existentes. Entretanto, alguns clubes continuaram a jogar sob as regras de Sheffield até 1878. De acordo com C. W. Alcock, o estilo Sheffield deu origem à moderna prática do futebol, baseada em passes. Em 1866, foram incorporados ao regulamento Sheffield: o travessão superior nas balizas, o intervalo entre dois tempos iguais e os tiros livres. No mesmo ano, ocorreu a introdução no regulamento da “Football Association” da regra do impedimento (“offside rule”). A adoção dessa regra que causa tantas polêmicas e discussões nas mesas redondas dos programas esportivos de TV, nos dias atuais, foi feita em decorrência do posicionamento permanente de jogadores próximos ao gol do adversário, à espera do passe de um companheiro de time. O mais antigo troféu instituído para uma disputa futebolística foi a “Youdan Cup”, em 1867. A primeira competição nacionalmente organizada na Inglaterra pela “Football Association” foi a “FA Cup”, disputada a partir de 1871, sob o sistema de jogos eliminatórios, vencida nesse ano pelo “Wanderers”. O profissionalismo não era permitido e os times, constituídos por onze jogadores, eram formados por colegas de trabalho ou ex-alunos de escolas, como os Old Etonians (antigos alunos do “Eton College”). Dessa forma, a mais renomada equipe inglesa, com o melhor jogo de conjunto, em 1872, era a do “Royal Engineers AFC”. Por iniciativa do inglês C. W. Alcock, foram realizados, de 1870 a 1873, quatro jogos entre ingleses e escoceses (dos quais, a maioria


radicada na Inglaterra). As partidas disputadas em 1870 e 1871 não foram reconhecidas como oficiais pela FIFA. Assim, o primeiro jogo internacional de futebol (Escócia x Inglaterra) foi o realizado em 30 de novembro de 1872, na capital da Escócia (Glasgow), que terminou empatado. No ano seguinte, a Inglaterra venceu a Escócia na peleja realizada em Londres. Neste mesmo ano, 1873, a “Scotish Football Association” separou-se da FA. Os anos de 1874 a 1884 foram dominados pelo conflito entre os que defendiam o profissionalismo e aqueles que desejavam manter o futebol amador. Os clubes da Escócia e do norte da Inglaterra defendiam o jogo profissional, pois o esporte era mais difundido entre as classes trabalhadoras, que não podiam sacrificar seu sustento pessoal para jogar futebol. Já no sul da Inglaterra, o esporte era muito popular na classe média, que defendia os valores do amadorismo. A acusação de empregar profissionais que pesava sobre alguns clubes, entre os quais o “Blackburn Rovers”, levou a FA a legalizar o procedimento, em 1885, para evitar uma cisão. O advento do profissionalismo trouxe a necessidade de um maior número de competições, resultando na criação da “Football League”, em 1888. Essa liga de futebol profissional foi obra de William McGregor, diretor do “Aston Villa”. Foram doze os clubes fundadores, sendo seis da região de Lancashire: “Blackburn Rovers”, “Burnley”, “Bolton Wanderers”, “Accrington”, “Everton” e “Preston North End”; e seis da área chamada de Midlands: “Aston Villa”, “Derby County”, “Notts County”, “Stoke”, “West Bromwich Albion” e “Wolverhampton Wanderers”. Nenhum clube de Londres ou do sul da Inglaterra aderiu á liga, nesse momento inicial. O primeiro vencedor do campeonato da “Football League” foi o “Preston North End”, que ganhou, também a “FA Cup”. A rede para o gol foi inventada pelo engenheiro John Alexander Brodie no ano de 1891, em Liverpool. Nesse período, entre 1889 e 1900, os clubes de maior sucesso, além do “Preston”, foram: “Blackburn Rovers”, “West Bromwich Albion” e “Aston Villa” que, em 1897, venceu o campeonato da liga e a copa da FA. Em 1892, foi criada a segunda divisão da liga, permitindo a

inclusão de diversos clubes, oriundos das várias regiões do país. O primeiro clube da capital a se filiar à liga foi o “Woolwich Arsenal”, em 1893. No mesmo ano, registrou-se a filiação do “Liverpool”. Em 1898, as duas divisões foram ampliadas para 18 clubes em cada uma. Outras ligas existentes, de pequeno porte e âmbito local, foram eclipsadas pela “Football League”. No entanto, a “Northern League” e a “Southern League”, de onde proveio o único vencedor da “FA Cup” não filiado à principal liga _ o “Tottenham Hotspur”, em 1901_ ambas, continuaram existindo até a suspensão das atividades esportivas em 1914, por motivo da 1ª Guerra Mundial. Na virada do século, os clubes de Sheffield foram o destaque, com o “Sheffield United”, conquistando um título de campeão da liga e duas copas da FA, tendo ainda disputado e perdido para o “Tottenham” a final de 1901; e o “The Wednesday” (posteriormente “Sheffield Wednesday”) vencendo dois campeonatos e duas copas, apesar de ter sido rebaixado em 1899 e retornado à primeira divisão no ano seguinte. O “Sunderland” e o “Newcastle United” também estiveram em primeiro plano: o primeiro conquistou quatro campeonatos, entre 1892 e 1902; o segundo ganhou os títulos de 1905, 1907 e 1909 e disputou sete finais da copa, entre 1905 e 1911, embora tenha vencido apenas uma. O “Manchester City” parecia estar atingindo o nível mais elevado dos clubes ingleses ao vencer, pela primeira vez em 1904, a “FA Cup”. Constataram-se, porém, irregularidades financeiras, entre as quais o pagamento aos atletas de 6 ou 7 libras por semana, quando o máximo permitido era de 4 libras. Em conseqüência, o clube foi punido com o afastamento de cinco diretores e quatro jogadores. Entrementes, seu vizinho e rival “Manchester United” alcançou a primeira divisão em 1906 e sagrou-se campeão dois anos depois. No ano seguinte, 1909, venceu a copa e conquistou outro campeonato da liga em 1911. Nesse início do século XX, outros clubes do noroeste inglês sobressaíram-se: o “Liverpool”, que venceu os campeonatos da liga, em 1901 e 1906; e o “Everton”, vencedor da copa de 1906. No período imediatamente anterior à primeira grande guerra, destacou-se o “Blackburn Rovers”, campeão da liga em 1912 e 1914. Os clubes do sul tiveram desempenhos insatisfatórios, nesse período. O “Woolwich Arsenal” foi o primeiro clube de Londres que


ascendeu à primeira divisão, em 1904. Na mesma época, vários clubes da capital filiaram-se à liga, entre os quais: “Chelsea”, “Totenham Hotspur”, “Fulham” e “Clapton Orient”. Os jogos “internacionais” entre os quatro integrantes da GrãBretanha continuaram a ocorrer, nesses primeiros anos do século XX, com ligeira vantagem para a Escócia. Para disputar os jogos olímpicos, porém, os quatro países preferiram se unir , formando uma seleção britânica que veio a conquistar as medalhas de ouro no futebol nas três Olimpíadas realizadas antes da Primeira Guerra Mundial. Após o término da guerra, a “Football League” voltou a se expandir, a partir de 1920, mediante a criação de sua terceira divisão, logo subdividida em “Division Three South” e “Division Three North”. Cada divisão era composta por 22 clubes, totalizando 88. Em 1923 foi inaugurado o estádio de Wembley que passou a ser considerado o templo sagrado do futebol, tendo abrigado a final da “FA Cup” desse ano entre “Bolton Wanderers” e “West Ham United”, vencida pelo primeiro por 2x0. A “Football Association Cup” de 1927 foi vencida, pela primeira e única vez, por um clube do País de Gales: “Cardiff City” que derrotou, na final, o “Arsenal” por 1x0. O futebol inglês, no período entre as duas grandes guerras, foi dominado pelos clubes “Everton” e “Arsenal”. A vitória no campeonato da liga, em 1928, obtida pelo “Everton”, foi devida em grande parte ao seu jovem (21 anos) centroavante (“centre-forward”) Dixie Dean que marcou 60 gols, estabelecendo um novo “record”. O “Everton” venceu também os campeonatos, em 1932 e 1939, além da copa de 1933. Já os sucessos do “Arsenal” devem-se principalmente ao seu técnico Herbert Chapman que o levou à vitória em uma “FA Cup” e em dois campeonatos, no início dos anos 30, e que veio a falecer subitamente durante a temporada 1933-34, quando estava a caminho de mais um título da liga. Antes de ser contratado pelo “Arsenal”, Chapman havia conduzido o “Huddersfield Town” à conquista de seus dois primeiros campeonatos, nas temporadas 1923-24 e 1924-25. Ainda nos anos 30, o “Arsenal” voltaria a se sagrar campeão da liga por mais duas vezes e a conquistar mais uma Copa FA.

A grande contribuição de Herbert Chapman à evolução do futebol, foi a criação do Sistema WM, em 1930, já como técnico do “Arsenal”. Essa nova disposição tática foi criada por ele devido à alteração da lei do impedimento, efetuada em 1925, que passou a dar condição de jogo ao atacante que tivesse à sua frente (entre ele e a linha de fundo) dois defensores, no mínimo, e não mais três, como exigido anteriormente. Até então, o sistema adotado por todos os times era o chamado clássico ou piramidal, formado por 1 goleiro, 2 zagueiros, 3 médios e 5 atacantes:1x2x3x5. A nova formação, introduzida por Chapman, previa o recuo do centromédio, passando a compor com os dois zagueiros o trio da base do M defensivo: o W do ataque era formado graças ao recuo dos dois meias, permanecendo no ataque três homens: os dois pontas e o centroavante. Assim, o 2-3-5 usual transformou-se em 3-4-3 ou 3-2-2-3. Sob o comando técnico de Chapman, adotando o WM, o “Arsenal” passou a usar o contra-ataque veloz como sua maior arma ofensiva. Quando atacado, recuava e compactava a defesa com seus três zagueiros e dois volantes. Ao recuperar a bola, partia em velocidade com seus meias armadores ou recorria à ligação direta, com lançamentos longos. Dessa forma a equipe londrina obteve grandes sucessos em 1933, 1934 e 1935. Outro clube de relativo sucesso nesse período foi o “Sheffield Wednesday”, vitorioso no campeonato da liga, temporada 1929-30, e na Copa FA, edição de 1935. Além disso, de 1930 a 1936, classificouse sempre entre os três primeiros no campeonato, com exceção de uma temporada. Na área internacional, a seleção inglesa perdeu seu primeiro jogo para um país de fora do arquipélago britânico, em 1929 (contra a Espanha, em Madrid). Além disso, recusou-se a participar das Copas do Mundo de 1930, 34 e 38. Logo após a interrupção causada pela Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, a Copa FA voltou a ser disputada, com seu início ainda em 1945 e término em 1946, sendo conquistada pelo “Derby County” que derrotou, na final, o “Charlton Athletic” por 4x1. O campeonato da liga voltou na temporada 1946-47, tendo o “Liverpool” como vencedor. Nos anos pós-guerra, o “Arsenal” conquistou mais dois títulos da liga e uma Copa FA, mas, após a vitória no campeonato de 1953,


entrou em declínio, não ganhando mais nenhum troféu por cerca de 20 anos. Também o “Liverpool”, vencedor de um campeonato nessa época, sofreu uma queda ainda maior, sendo rebaixado para a 2ª divisão em 1954. Da mesma forma, o “Portsmouth”, tendo vencido a última “FA Cup” disputada antes da guerra, veio a ser bi-campeão da liga nas temporadas 1948-49 e 1949-50, mas foi rebaixado logo no início da década seguinte. O “Manchester United” ressurgiu como uma força do futebol inglês, sob o comando do novo gerente técnico Matt Busby, vencendo a “FA Cup” de 1948 e o campeonato de 1952, pela primeira vez em sua história. O seu time, chamado de “Busby Babes” (Bebês do Busby) por ser formado por jogadores muito jovens, oriundos de suas divisões de base, veio a ser uma das mais brilhantes equipes inglesas de todos os tempos, tendo, como destaques, Bobby Charlton, Albert Scanlon e Duncan Edwards. Esse time, campeão da liga em 1956 e 1957, foi esfacelado em 6 de fevereiro de 1958 pelo acidente aéreo ocorrido em Munique, que resultou na morte de oito jogadores, entre os quais Edwards, e no término da carreira de outros dois. Busby, que se salvou com sérias injúrias físicas, conseguiu remontar uma equipe com os jogadores sobreviventes, outros jovens formados no clube e novas contratações, vindo a ser recompensado, cinco anos depois, com a conquista de mais uma Copa FA. Outro time de sucesso, nessa época, foi o “Wolverhampton Wanderers”, também chamado de “Wolves” (Lôbos), que, embora tenha passado grande parte do período entre guerras (1919-1939) nas divisões inferiores, veio a conquistar, no pós-guerra, uma Copa da Inglaterra (1949), três supercopas inglesas (1949, 1954 e 1959) e três campeonatos da primeira divisão (1954, 1958 e 1959), sob o comando técnico de Stan Cullis, tendo Billy Wright como capitão. O “West Bromwich Albion” e o “Aston Villa”, após longos períodos estéreis, conquistaram a Copa FA, em 1954 e 1957, respectivamente. Esses troféus representaram, para o primeiro, uma quebra de jejum de 23 anos, e para o segundo, de 37 anos. O primeiro clube inglês que venceu o campeonato da liga, imediatamente após subir para a primeira divisão, foi o “Tottenham Hotspur”, em 1951. O “Chelsea” ganhou o seu primeiro e único título do

século XX, em 1955. Um dos jogos mais lembrados dessa era foi a final da “FA Cup” de 1953, que se tornou conhecida como a “Mathews Final” em homenagem ao extraordinário jogador Stanley Mathews, um dos maiores responsáveis pela vitória do seu time “Blackpool” sobre o “Bolton Wanderers” por 4x3. Essa partida é considerada até hoje a maior glória do “Blackpool”. StanleyMatthews nasceu em 1º de fevereiro de 1915, em Hanley, cidade que fica no centro do triângulo formado pelos importantes pólos industriais que são Liverpool, Manchester e Birmingham. Em 1932, iniciou sua trajetória como futebolista no “Stoke City”, da cidade de mesmo nome. Dois anos depois, estreiou na seleção inglesa, que derrotou o País de Gales, por 4x0. Cogitada sua transferência para outro clube, em 1938, a saída do “Stoke” foi impedida por uma manifestação popular: “Stan must stay” diziam os cartazes e gritos. Em 1939, iniciada a Segunda Guerra Mundial, Stan foi servir na base da “RAF – Royal Air Force” em Blackpool. Finda a guerra, transferiu-se para o “Blackpool”, em 1947, já com 32 anos. Stanley Mathews tinha verdadeira obsessão pela saúde e condicionamento físico. Ponta-direita extremamente veloz, era dotado de grande habilidade para o drible. Pelo “English Team”, disputou 54 partidas oficiais, entre 1934 e 1957. Alguns desses jogos foram memoráveis, como a vitória sobre Portugal por 10x0. Em 1948, a Inglaterra goleou também a Itália por 4x0. Nesse jogo, diz a lenda, Mathews disparou com tanta velocidade em direção à linha de fundo, que teve tempo para parar e pentear o cabelo, antes que o seu marcador o alcançasse. Em 1956, já com 41 anos, em amistoso com a seleção brasileira, coube-lhe duelar contra outro mito do futebol, Nílton Santos. Levou a melhor, contribuindo para a vitória inglesa, por 4x2, em Wembley. Ganhou a primeira Bola de Ouro da revista France Football, eleito o melhor jogador da Europa, em 1956. Voltou a jogar palo “Soke City” em 1961. No ano seguinte, seu clube foi campeão da segunda divisão e Stan foi escolhido, novamente, como o melhor futebolista do ano, aos 46 anos. Stanley Mathews tornou-se Cavaleiro do Império Britânico, por relevantes serviços ao esporte. Em 6 de fevereiro de 1965, com 50 anos,


jogou sua última partida como profissional. Disputou ainda uma partida beneficente, aos 66 anos, em Grangemouth, no ano de 1981. Morreu com 85 anos, no dia 23 de fevereiro de 2000, em Stoke-on-Tent. Seu cortejo fúnebre foi homenageado por cerca de 100.000 pessoas, nas ruas da cidade. Sua cidade natal, Hanley, ergueu uma estátua em sua homenagem. No plano internacional, entretanto, o futebol inglês passou a sofrer, por conta da ingenuidade de suas táticas, que não acompanharam a evolução do esporte em outras partes do mundo. A sua seleção na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, sofreu uma humilhante derrota para os Estados Unidos, que, na época, não tinham nenhuma tradição no futebol, por eles chamado de “soccer”. Em seguida, no ano de 1953, a Inglaterra foi destroçada pela Hungria, sendo derrotada por 6x3, em casa, e por 7x1 em Budapest. As primeiras disputas de copas entre clubes europeus aconteceram nessa época. Inicialmente, a “Football Association” opôs-se à participação de times ingleses. Mesmo depois de superada essa resistência, as equipes da Inglaterra não fizeram grande sucesso. Entre os grandes jogadores ingleses da década de 50, cumpre mencionar os já citados Stanley Mathews e Billy Wright, além de outros veteranos como Tom Finney, Nat Lofthouse, Johnny Carey, Bert Williams e Stan Mortensen; e, ainda, os mais jovens, que atingiram o auge de suas carreiras nessa década: Duncan Edwards e Tommy Taylor (falecidos em 1958, na tragédia aérea de Munique), Bobby Charlton, Denis Law, Bobby Robson, Peter Sillett, Danny Blanchflower, Norman Deeley, Joe Mercer r Denis Compton. Os técnicos, então chamados de gerentes (“managers”), que se destacaram nessa época foram, além dos já citados Matt Busby e Stan Cullis: Ted Drake, Tom Whittaker e Stan Seymour. William Ambrose Wright, mais conhecido como Billy Wright, nasceu em Ironbridge, no dia 6 de fevereiro de 1924. Com dez anos, começou a praticar futebol no “Wolverhampton Wanderers”, ao qual foi fiel durante toda a sua carreira. Quatro anos depois, com a idade de quatorze, passou a integrar a equipe B do “Wolves”, e aos quinse anos, estreiou na equipe principal, vencendo o “Notts County” por 2x1, em partida não oficial, no ano de 1939. Com 17 anos, Wright assinou seu

primeiro contrato profissional, em 1941. A Segunda Guerra Mundial causou a interrupção do campeonato e dos torneios oficiais, mas Billy continuou a atuar em partidas regionais do “Wolverhampton”. Finalmente, após o término do conflito armado, ele estréiou em uma partida oficial, na temporada 1945/46, pela Copa da Inglaterra, que terminou com um empate de 2x2 entre o “Wolves” e o “Lovells Athletic”. Pouco depois, foi promovido ao posto de capitão da equipe. Seguiu-se uma fase áurea para o “Wolverhampton Wanderers” e seu capitão, com a conquista de uma Copa da Inglaterra (1949), três edições da Supercopa da Inglaterra (1949, 1954 e 1959), e três títulos do campeonato da primeira divisão (1954, 1958 e 1959). Em 1952, foi eleito o melhor jogador inglês. Além de sua grande habilidade e visão de jogo, o meiocampista Billy Wright era muito disciplinado, nunca recebendo advertências dos árbitros ou sofrendo expulsão da partida. Sua estréia na seleção aconteceu em 19 de janeiro de 1946, em partida amistosa contra a Bélgica. Em 1948, passou a ser o capitão do “English Team”. Capitaneou a equipe em 90 partidas, durante 12 anos, inclusive nas Copas do Mundo de 1950, 1954 e 1958. Foi o primeiro jogador a completar 100 jogos pela sua seleção nacional. William Wright foi agraciado com a Osdem do Mérito do Império Britânico, no grau de Cavaleiro, e mereceu uma estátua. Sua última partida pela Inglaterra, com a qual chegou a 103 jogos, em 1959, foi contra os Estados Unidos, derrotados por 8x1. Após ter pendurado as chuteiras, ainda atuou como técnico por alguns anos, tendo treinado o “Arsenal”, da capital inglesa, entre 1962 e 1966. Faleceu em Londres, no dia 3 de setembro de 1994. A modernização do futebol inglês teve início na transição dos anos 50 para a década de 60. Em 1958, houve a fusão das terceiras divisões Norte e Sul em uma única “Division Three” nacional, dando origem, também, à quarta divisão. A introdução da “League Cup” aconteceu em 1960, tendo como primeiro vencedor o “Aston Villa”. O ganhador da nova copa nas disputas de 1961 e 1962, foi o “Tottenham Hotspur”, vitorioso ainda na final da Copa dos Campeões da UEFA de 1963, derrotando o “Atlético de Madrid” pelo convincente placar de 5x1, tornando-se assim o primeiro clube britânico a conquistar um troféu europeu e a força dominante no cenário futebolístico da Inglaterra.


Enquanto isso, o técnico Matt Busby conseguiu, no “Manchester United”, recriar o time dos “Busby Babes”, com destaque para o craque George Best. Por outro lado, antigos gigantes como a equipe dos “Wolves” principiaram uma fase decadente, culminando com o rebaixamento em 1965. Com a participação dos craques Bobby Moore, Geoff Hurst e Martin Peters, a equipe londrina do “West Ham United” venceu a “FA CUP” (Copa da Inglaterra) de 1964 e a Copa dos Campeões (Recopa) de 1965. A seleção nacional inglesa, sob o comando do técnico Alf Ramsey, mostrou algum progresso, chegando às quartas de final da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Em 1966 a Copa do Mundo realizou-se na Inglaterra, que foi a campeã, vencendo a Alemanha na final, pelo controvertido placar de 4x2 ao término da prorrogação de 30 minutos, pois houve um empate, ao fim do tempo normal. O motivo principal da controvérsia foi que, em um dos três gols atribuídos a Geoff Hurst, a bola não chegou a entrar, havendo um erro clamoroso do juiz que o validou. Um dos jogadores ingleses que se sagraram campeões foi o grande craque Bobby Charlton, sobrevivente do desastre aéreo que dizimou o time do “Manchester United”. Outro grande jogador da equipe vitoriosa foi o seu capitão Bobby Moore. A campanha do “English Team” foi a seguinte: Uruguai (0x0), México (2x0), França (2x0), Argentina (1x0), Portugal (2x1) e Alemanha Ocidental (4x2). Orientados por Alf Ramsey, atuaram os seguntes jogadores: Gordon Banks, George Cohen, Ramon Wilson, Norbert Stiles, John Charlton, Bobby Moore (capitão), Bobby Charlton e Roger Hunt, nas seis partidas; Martin Peters, em cinco jogos; Alan Ball, em quatro; Geoffrey Hurst e James Greaves, em três; John Connelly, Terence Paine e Ian Callaghan, em uma partida, cada. Robert Charlton, mais conhecido como Bobby Charlton, nasceu em Ashington, no dia 11 de outubro de 1937. Seu início no futebol deu-se nas categorias de base do “Manchester United”, e sua promoção para a equipe prncipal aconteceu em 1954. Marcou dois gols em seu jogo de estréia. Fez parte da geração carinhosamente chamada de “Busby Babes”, composta por jovens talentos revelados pelo técnico do time, o escocês Matt Busby. Nas temporadas seguintes (1955/56 e 1956/57), o “Manchester United” foi bicampeão inglês e fez boa campanha na Copa

dos Campeões da UEFA, perdendo na semifinal, para a força dominante do fuebol europeu, na época, o “Real Madrid” de Alfredo di Stéfano. Em 1958, a equipe de Bobby Charlton, após vencer o Estrela Vermelha, da Iugoslávia, em seu estádio de Old Trafford, foi a Belgrado disputar a segunda partida. Com o empate de 3x3, o “United” garantiu a vaga na semifinal da Copa dos Campeões. No retorno, em fevereiro, o avião fretado pelo clube fez escala em Munique. Na decolagem do aeroporto da cidade da Bavária, sobreveio o trágico acidente que vitimou oito jogadores da equipe. Entre os feridos que sobrviveram estavam Charlton e o técnico Busby. Três meses depois, Bobby já estava atuando na final da “FA Cup”, perdida para o “Bolton Wanderers”. No mês seguinte foi convocado para a seleção, visando à disputa da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. A estréia de Charlton na seleção da Inglaterra foi feita em 1958, na vitória por 4x0 sobre a Escócia, no Campeonato Britânico de Nações. No seu segundo jogo, um amistoso com Portugal,em Wembley, ele marcou os dois gols da vitória por 2x1. Ainda em 1958, ficou na reserva durante o campeonato mundial. Na Copa do Mundo seguinte, realizada no Chile em 1962, já titular, marcou o seu 25º gol como artilheiro do “English Team”, na vitória de 3x1 sobre a Argentina. Bobby Charlton, um atacante cerebral, com notável visão de jogo, participou ativamente da recuperação do “Manchester United”, durante os anos seguintes à tragédia de Munique. O primeiro fruto obtido foi a conquista da “FA Cup” em 1963. Seguiram-se dois títulos de campeão da liga inglesa entre 1965 e 1967. Àquela altura, o clube já contava com dois outros craques excepcionais: o escocês Dennis Law e o norte-irlandês George Best. Esses dois jogadores, juntamente com ele, formaram a chamada “Trindade do United (Best, Law e Charlton)”, celebrizada até em estátua. Na Copa dos Campeões de 1966, o time comandado por Busby ultrapassou o “Benfica”, de Portugal, que tinha em suas fileiras o célebre jogador fora-de-série Eusébio, com uma retumbante vitória por 5x1. Mas, foi derrotado na semifinal pelo “Partizan” da Iugoslávia. Pela seleção, Charlton que, além de habilidoso e exímio driblador, era um “gentleman” da esportividade e “fair play”, liderou s campanha que levou os ingleses à vitória na Copa do Mundo de 1966, da qual foram


os anfitriões. A exemplo do que fizera, em 1958, num amistoso, marcou os dois gols da vitória inglesa por 2x1, na semifinal do campeonato mundial, contra o excelente time português, que contou com o prodigioso atacante Eusébio, que viria a ser o artilheiro da competição com nove gols. Embora tenha marcado só três tentos no certame, e nenhum na final contra a Alemanha, quando foi marcado pelo também craque fora-de-série Franz Beckenbauer, Bobby Charlton sagrou-se Campeão Mundial, ao vencer a decisão por 4x2. Ao final de 1966, Charlton recebeu a Bola de Ouro da France Football, como o melhor jogador do continente europeu. Em 1968, após a decepção de perder o título do campeonato inglês, por dois pontos, para o rival “Manchester City”, os “Red Devils” conquistaram a Copa dos Campeões da Europa, obtendo a vitória sobre o “Benfica” na prorrogação por 4x1, depois de um empate em 1x1 no tempo normal. Bobby fez dois gols: um, no decorrer do jogo de 90 minutos; e o outro, durante o tempo extra. Disputou, ainda, a Copa do Mundo de 1970, na qual a Inglaterra foi eliminada peã Alemanha Ocidental, quando perdeu por 3x2. Foi essa a sua última partida pelo “English Team”, do qual ainda é o maior goleador com 49 gols marcados. Em 1973, deixou o “Manchester United”, após 758 jogos e 249 gols anotados (recorde até hoje). Atuou, simultâneamente, como técnico e jogador do “Preston North End”, da 2ª divisão, na temporada 1973/74. Em melancólica campanha, o clube terminou em penúltimo lugar e foi rebaixado para a 3ª divisão. A Rainha Elizabeth II conferiu-lhe o título de “Sir”, em 1974. No ano seguinte, Robert Charlton encerrou sua carreira de jogador no modesto “Waterford United”. Em 1976, foi, por um curto período, técnico do “Wigan Athletic”. Os clubes de maior sucesso, entre 1963 e 1971, época considerada de ouro para o futebol inglês, foram: “Manchester United”, “Leeds”, “Manchester City”, “Liverpool” (que foi promovido em 1962 e campeão em 1964 e 1966) e “Everton”. Entre os jogadores, destacaram-se: Bobby Moore, Bobby Charlton, Geoff Hurst, George Best, Gordon Banks (goleiro que defendeu sensacionalmente uma cabeçada do Pelé, à queima-roupa), Jimmy Greaves, Denis Law, Francis Lee, Roger Hunt e Jeff Astle. Também

estiveram nas manchetes esportivas, antigos ídolos, próximos do encerramento de suas carreiras, como: Bert Trautmann, Danny Blanchflower, Dennis Violet, Harry Greg, Jimmy Adamson, Noel Cantwell, Norman Deeley, Peter McParland, Syd Owen e o cinqüentão Stanley Mathews (talvez o único jogador de renome que tenha atuado profissionalmente até essa idade, em todo o mundo). Gordon Banks nasceu em Sheffield, no dia 30 de dezembro de1937. Atuou nos clubes ingleses “Chesterfield”, “Leicester” e “Stoke City”, vencendo a Copa da Inglaterra em duas oportunidades. Considerado um dos melhores goleiros do futebol mundial, guarneceu a meta do “English Team” em 73 jogos, entre 1963 e 1972. Foi um dos esteios da seleção inglesa na conquista da Copa do Mundo de 1966. Proporcionou a todos nós, amantes do bom futebol, um momento inesquecível, no campeonato mundial de 1970, ao defender, de forma sensacional, uma forte cabeçada de Pelé, à queima-roupa. Teve uma perda parcial da visão, decorrente de um acidente automobilístico, em 1972. Ainda assim, jogou no “Fort Lauderdale Strikers”, dos Estados Unidos, antes de encerrar sua carreira. Robert Frederick Chelsea Moore, ou, mais simplesmente, Bobby Moore, nasceu em 12 de abril de 1941, na cidade de Londres. Zagueiro habilidoso, destro, com 1,81m de altura e 80kg de peso, só jogou por clubes de pequeno porte, apesar de sua incontestável categoria. Desenvolveu praticamente toda a sua carreira no “West Ham United”, a partir de 1958. Com esse modesto clube londrino, conquistou a Copa da Inglaterra de 1964 e a Recopa, em1965. Transferiu-se para o “Fulham”, também de Londres, em 1974. Foi para os Estados Unidos em 1977, jogando pelo “S.A. Thunder” e encerrou a carreira no “S. Sounders”, na temporada seguinte. Foi na seleção inglesa, porém, que sua classe invejável mais se sobressaiu. Atuou soberano na defesa do “English Team”, por onze anos, em 108 jogos, entre 1962 e 1973. Participou de três Copas do Mundo: 1962, 1966 e 1970. Suas atuações seguras foram fundamentais na conquista do campeonato mundial de 1966, quando teve a honra de levantar a taça no Estádio de Wembley, como capitão da Seleção Inglesa. Em sua homenagem, foi erguida uma estátua no novo Wembley. Participou, em 1981, da filmagem de “Victory” (Fuga para a Vitória), junto com


outros ídolos do esporte. Faleceu em 24 de fevereiro de 1993, vítima de câncer. Em 2004, na comemoração do jubileu da UEFA, Bobby Moore foi escolhido como o melhor jogador da Inglaterra durante os 50 anos da entidade. A lista dos técnicos ingleses de sucesso, nessa época áurea (1963 a 1971), inclui: Bill Nicholson, Bill Shankly, Don Revie, Harry Catterick, Joe Mercer, Matt Busby e Ron Greenwood. A década dos anos 70 foi decepcionante no que se refere ao selecionado da Inglaterra que não logrou classificar-se para as Copas do Mundo de 74 e 78. No entanto, os clubes ingleses dominaram o cenário futebolístico europeu, vencendo oito das copas anuais. O “Arsenal”, após dez anos desanimadores, quando perdeu inclusive a final da “League Cup” de 1969 para um clube da terceira divisão (“Swindon Town”), finalmente conquistou, conduzido por Bertie Mee, a “Fairs Cup” de 1970 e, logo em seguida, os títulos da liga e da copa em 1971. Seu troféu seguinte veio só em 1979, já sob o comando de Terry Neill. Outro clube londrino, o “Chelsea” também teve sucesso no início dos anos 70, vencendo a “FA Cup” de 1970 e a “Winners Cup”, em 1971. Finalmente, o também de Londres “Tottenham” conquistou a “UEFA Cup” e a “League Cup”, em 1971 e 1973, respectivamnte. Entretanto, no período 1972-1985, o time inglês predominante não foi de Londres e, sim, da região noroeste, o “Liverpool”, que ganhou os campeonatos da liga em 1973, 1976, 1979, 1980, 1982, 1983 e 1984. Foi vencedor, também, de três copas européias, três “FA Cups” e quatro “League Cups”. O seu comando técnico, durante esses anos vitoriosos, esteve a cargo, inicialmente, de Bill Shankly e, depois, de Bob Paisley, que se aposentou em 1983, sendo substituído por Joe Fagan. Jogadores como Emlyn Hughes e Alan Hansen foram responsáveis pela solidez da equipe, que tinha também o artilheiro matador Kevin Keegan, até 1977, quando foi vendido para o “HSV Hamburg”, sendo substituído por Kevin Dalglish. O meio de campo foi reforçado com a chegada de Graeme Souness e com a nova safra do início dos anos 80, incluindo o atacante matador Ian Rush, o talentoso meiocampista Craig Johnson e o habilidoso defensor Steve Nicol. Outros clubes que fizeram sucesso nessa época foram: “Derby

County”, “Nottingham Forest”, “Everton” e “Aston Villa”. O “Derby”, liderado por Brian Clough e, posteriormente, por Dave Mackay, foi o único time, além do “Liverpool”, a vencer o campeonato da liga por mais de uma vez nos anos 70. No entanto, entrou em rápida decadência ao final da década. O “Forest”, então um esforçado clube da 2ª Divisão, também conduzido por Brian Clough ascendeu à 1ª Divisão em 1977 e, um ano depois, ganhou o título da liga e, em seqüência, dois triunfos sucessivos na “European Cup”, e, ainda, duas “League Cups”. O “Everton” iniciou a década de 70 muito bem cotado, em face da conquista do campeonato em 1970, mas não esteve mais presente nas principais disputas decisivas até 1985 quando venceu a “FA Cup”, sob o comando de Howard Kendall. O “Aston Villa”, que havia descido até a 3ª Divisão em 1970, conseguiu retornar ao topo em 1975 e, no mesmo ano, conquistar a “League Cup” e, de novo, em 1977. Além disso, venceu o campeonato de 1981 e, no ano seguinte, ao derrotar o “Bayern” de Munique por 1x0 em Rotterdam, sagrou-se campeão da “European Cup”. Também o “Leeds” iniciou esse período com sucesso, vencendo a “FA Cup” em 1972 e o campeonato da liga na temporada 1973-74. Porém quando o técnico Don Revie, em 1974, deixou o clube para assumir a seleção, acabaram-se as vitórias e o “Leeds” terminou rebaixado em 1982. O clube londrino “West Ham United’, vencedor da copa de 1975, voltou a conquistá-la em 1980, batendo, na final, o também de Londres “Arsenal”, que fora o ganhador no ano anterior, ao vencer o “Manchester United” por 3x2. Este último, rebaixado em 1974, retornou à primeira divisão logo na temporada seguinte e chegou à final da copa em três oportunidades: 1976, 77 e 79, tendo sido vitorioso em 1977. “ O “Manchester United” venceu, ainda outra vez, a “FA Cup” em 1983. Por outro lado, seu vizinho “Manchester City” chegou à final da copa em 1981, mas entrou em declínio rapidamente, sendo rebaixado em1983. Entrementes, o “Chelsea”, após vencer a “FA Cup” em 1970 e a copa dos campeões europeus em 1971, entrou em uma fase de turbulências, em decorrência de problemas financeiros, agravados pela perda de jogadores importantes, fazendo com que o clube oscilasse entre a primeira e a segunda divisões durante esse período. Em 1983, escapou por pouco do rebaixamento para a terceira divisão, mas conseguiu retornar à elite no ano seguinte. O “Wolves”, um dos melhores times dos anos 1950


e ainda uma força respeitável em 1980, quando conquistou a “League Cup”, sofreu um declínio fantástico entre 1984 e 1986, com três rebaixamentos sucessivos que o levaram para a quarta divisão. Da mesma forma, o pequeno “Bristol City”, após apenas quatro anos na primeira divisão, foi sucessivamente rebaixado entre 1980 e 1982, chegando à quarta divisão. Também o “Huddersfield Town” saiu da primeira divisão em 1971 e chegou à quarta em 1975. O “Portsmouth”, bi-campeão da liga em 1949 e 1950, caiu para a quarta divisão em 1978, mas começou o caminho de volta em 1980. O “Derby County” (campeão da liga em 1972 e 1975) desceu para a segunda divisão em 1980 e para a terceira em 1984. Essa época (1972 – 1985) foi marcada, ainda por surpreendentes vitórias de pequenos clubes (inclusive alguns das divisões inferiores) vencendo rivais da elite nas finais da “FA Cup”. Assim, o “Sunderland” derrotou o “Leeds United” em 1973; o “Southampon” bateu o “Manchester United” em 1976; e o “Arsenal” perdeu para o “West Ham United” (1980). O “Ipswich Town”, com Bobby Robson no comando, foi mais um pequeno clube que obteve sucesso, vencendo a “FA Cup” em 1978 e a Copa da UEFA em 1981. Além disso, foi vice-campeão da liga em 1981 e 1982. Os jogadores de maior prestígio na década de 70 e início dos anos 80 foram: Alan Hansen, Bryan Robson, Glenn Hoddle, Graeme Souness, John Wark, Kenny Dalglish, Kevin Keegan, Liam Brady, Peter Shilton e Steve Perryman. Peter Leslie Shilton nasceu no dia 18 de setembro de 1949, em Leicester. Começou a praticar futebol em sua cidade natal, no ano de 1963, nos times de base do “Leicester City”. Sua carreira na equipe profissional teve início em 1966, quando ele era ainda muito jovem. Em 1968, foi convocado para a seleção nacional, na categoria sub-23, tendo disputado treze jogos, até 1972. Entretanto, desde 1970, já integrava também o “England squad” principal. Durante os vinte anos seguintes (1970-1990), esse goleiro, com 1,90m de altura e grande categoria, foi um baluarte na defesa inglesa. É, até hoje, com 125 partidas, o recordiste em número de participações na seleção. Shilton permaneceu no “Leicester” até 1974, quando se trans-

feriu para o “Stoke City”. Decorridos mais três anos, nova mudança, e Peter passou a defender a meta do Nottingham Forest, em uma fase brilhante para o clube, que conduzido pelo técnico Brian Clough foi promovido, em 1977, da segunda divisão para a elite do futebol inglês. Logo em seqüência, conquistou o título da liga, duas “European Cups” e duas “League Cups”. Seu vínculo com o “Forest” perdurou até 1982, quando assinou contrato com o “Southampton”. A permanência de Peter Shilton no clube do sul durou até 1987. Durante esse período, participou das Copas do Mundo de 1982 e 1986. Entre 1987 e 1992, atuou pelo “Derby County”. Jogou pelo “Plymouth Argyle”, de 1992 a 1995, acumulando as funções de arqueiro e treinador. Em 1995, foi contratado pelo “Bolton Wanderers”. Como não teve êxito, saiu no mesmo ano, indo para o “Coventry City”. No ano seguinte, 1976, foi para o “West Ham United”, onde não chegou a disputar nenhuma partida, e mudou novamente de clube. No “Leyton Orient”, jogou nove partidas da temporada 1996/97, e finalmente se aposentou, aos 47 anos de idade. Peter Shilton teve uma participação fundamental na Copa do Mundo de 1990, sua terceira e última, quando foi peça-chave na boa campanha inglesa (a segunda melhor, inferior apenas à de 1966)., apesar dos aeus quarenta anos, na ocasião. Entretanto, ele é mais lembrado por ter sido vítima, durante o jogo Inglaterra e Argentina, no mundial de 1986, do famoso gol de Maradona, feito com a mão, e denominado, pelo autor da irregularidade, como “la mano de Dios”. A lista dos grandes craques, que encerraram suas brilhantes carreiras nessa época, inclui: Alex Stepney, Billy Bremner, Bobby Charlton, Bobby Moore, Denis Law, Emlyn Hughes, George Best, Gordon Banks, Jack Charlton e Jimmy Greaves. Os técnicos de maior sucesso foram: Bill Shankly, Bob Paisley, Bobby Robson, Brian Clough, Don Revie, John Lyall, Keith Burkinshaw, Ron Atkinson e Ron Saunders. Durante os anos 70 e 80, o futebol inglês passou a sofrer dos malefícios causados pelos “hooligans” (baderneiros). O ápice do problema ocorreu em 1985, na final da “European Cup” entre o “Liverpool” e o “Juventus” de Turim, no “Heysel Stadium”. Trinta e nove torcedores do clube italiano foram mortos em decorrência dos conflitos provocados pelos baderneiros ingleses em um estádio antigo, sem boas condições de


segurança e um policiamento deficiente. Em conseqüência desse triste episódio, os times ingleses foram banidos das competições européias por cinco anos e o “Liverpool” por seis. Outra tragédia foi a de Hillsborough, em 15 de abril de 1989, onde ocorreram 94 mortes e mais de 300 feridos, dos quais mais dois vieram a falecer. Esse desastre, envolvendo também o “Liverpool”, não foi causado diretamente pelos “hooligans”, mas proveniente da precariedade das instalações de um estádio antigo, com cercas colocadas por causa do “hooliganism”, e um policiamento falho. O inquérito realizado, cujas conclusões constam do relatório denominado “Taylor Report”, apontou como causa principal o fracasso do controle policial. O resultado benéfico da investigação foi a conversão realizada em muitos estádios para terem apenas lugares sentados. Os esforços feitos para retirar os “hooligans” dos campos de futebol e as melhorias efetuadas nos estádios mais importantes, fizeram com que o número de torcedores presentes nos jogos voltasse a aumentar na década de noventa, após o longo declínio iniciado nos anos setenta. Logicamente houve também fatores externos importantes, como o fortalecimento da economia inglesa e a diminuição do desemprego, que contribuíram para isso. Entre 1986 e 1991, começou a findar a era de domínio do “Liverpool”. Nesse período, ocorreu a espetacular ascensão do “Wimbledon” que subiu da 4ª Divisão para a Primeira em apenas quatro temporadas, e conquistou a “FA Cup” de 1988, derrotando, na final, o “Liverpool” por 1x0. O “Swansea City” que também havia subido da Quarta para a Primeira Divisão, entre 1977 e 1981, iniciou o caminho inverso em 1982 e voltou à 4ª Divisão em 1986. Outros clubes pequenos fizeram sucesso, nesse período. O “Charlton Athletic” foi promovido à 1ª Divisão em 1986, após cerca de 30 anos no ostracismo, e, desafiando os incrédulos, permaneceu na elite até 1990, quando foi rebaixado. O “Norwich City” desceu para a 2ª Divisão em 1985, mas sua queda foi atenuada pela conquista da “League Cup”. Voltou para o topo no ano seguinte e chegou às semi-finais da “FA Cup”, em 1989 e 1992. O “Oxford United”, filiado à liga somente em 1962, alcançou a Primeira Divisão em 1985 e levantou a “League Cup” no ano seguinte. O “Luton Town” conquistou a copa da liga em

1988. Com o declínio do “Liverpool”, o “Arsenal”, sob o comando de George Graham, voltou a ser o maior ganhador de troféus, tendo vencido a “League Cup” de 1987 e os campeonatos em 1989 e 1991. Foi, ainda, vencedor da “Cup Double” em 1993, e da “Cup Winners’ Cup” em 1994. Na Copa do Mundo de 1986, a seleção inglesa teve boa participação, mas perdeu para a Argentina, de forma controversa. Em 1990, ficou em quarto lugar, após perder, na decisão por pênaltis, uma semifinal para a Alemanha. Nesse período, de 1986 a 1991, surgiram muitos novos jogadores de valor: David Platt, Lee Sharpe, Matt Le Tissier, Paul Gascoigne, Paul Merson e Ryan Giggs. Entre os veteranos em plena atividade de alto nível, podemos citar: Bryan Robson, Gary Lineker, Ian Rush, Neville Southall, Peter Beardsley, Ray Wilkins e Steve Bruce. Entre os craques que penduraram as chuteiras, mencionamos: Alan Hansen, Andy Gray, Billy Bonds, Craig Johnston, Gary Bailey, Norman Whiteside e Ray Clemence. A relação de técnicos que obtiveram êxitos inclui: Alex Ferguson, Bobby Gould, Dave Bassett, George Graham, Howard Kendall, Howard Wilkinson, Jim Smith, John Lyall, Kenny Dalglish e Maurice Evans. Gary Winston Lineker nasceu no dia 30 de janeiro de 1960, em Leicester. Começou a praticar o futebol na cidade de seu nascimento, em 1976, no “Leicester City”. Em 1979, assinou o seu primeiro contrato profissional, com o mesmo clube, então integrante da 2ª divisão. Com Lineker, que, aos poucos, foi assumindo o papel de líder do time, o “Leicester” obteve sua promoção para a elite. Na temporada 1983/84, Gary foi o artilheiro do campeonato inglês, com 24 gols. Sua primeira convocação para a seleção inglesa data de 1984. Seu sucesso atraiu o interesse de um clube maior, o “Everton”, justamente o campeão da temporada, que o contratou em 1985. No mesmo ano, pelo clube azul de Liverpool, Gary Lineker conquistou a Supercopa da Inglaterra. Foi também o artilheiro da temporada 1985/86, com 30 gols marcados. Convocado para o “English Team” que disputou a Copa do Mundo de 1986, no México, suas boas atuações fizeram-no o maior goleador da competição e ser contratado pelo “Barcelona”, da Espanha.


Esse habilidoso atacante de 1,77m de altura, com excelente faro de gol, destacou-se também pelo “fair-play”, jamais sendo advertido e, muito menos, expulso de um jogo, durante toda a sua trajetória nos clubes e na seleção. Foi no “Barça” que ele ganhou dois títulos expressivos (entre os poucos de sua coleção): a Copa do Rei, em 1988; e a Recopa Européia, em 1989. Com a seleção, Lineker participou da Eurocopa 1988. Após a conquista da Recopa, ele deixou os “blaugranas” de “Camp Nou” e retornou para a Inglaterra, passando a defender o “Tottenham Hotspur”, de Londres. No ataque dos “spurs”, foi, novamente, o artilheiro do campeonato inglês, com 24 tentos, na temporada 1989/90. Voltou a disputar a Copa do Mundo de 1990, na qual a Inglaterra chegou à semifinal, marcando gols importantes e formando boa dupla de atacantes com seu companheiro do “Tottenham”, Gascoigne. Na temporada 1990/91, o clube londrino venceu a Copa da Inglaterra, que se tornou o mais importante troféu britânico de Lineker. No fim da temporada seguinte (1991/92), deixou “White Hart Lane” e também se despediu do “English Team”, depois da Eurocopa 1992. Foi jogar no “Nagoya” do Japão, onde ficou dois anos até pendurar as chuteiras, em 1994. O seu prestígio fez com que fosse usada sua imagem e seu nome no jogo eletrônico “Gary Lineker’s Superstar Soccer”, lançado em 1987. Após sua aposentadoria, tornou-se comentarista esportivo da BBC. Empenhou-se, em 2002, para salvar da falência seu time do coração e sua primeira equipe, o “Leicester City”, que precisava de 7,8 milhões de dólares. O consórcio liderado por Lineker obteve sucesso, angariando recursos das empresas e moradores da cidade, e negociando com os credores em janeiro de 2003. Paul John Gascoigne é natural de Duston. Nascido em 27 de maio de1967, começou a jogar bola, aos treze anos, no “Newcastle United”, em 1980. Sua carreira prfissional teve início no mesmo clube, em 1985. Permaneceu no “Newscatle” até 1988, quando se transferiu para o “Totenham Hotspur”. Em 1992, deixou a Inglaterra para jogar pela “Lazio”, da Itália. Retornou à Grã-Bretanha, em 1995, passando a defender, até 1998, o “Rangers”. De volta à Inglaterra, passou a jogar pelo “Middlesbrough”, até o ano 2000. Na mudança do século, trocou de clube, indo para o “Everton”. Em 2002, transferiu-se para o “Burn-

ley”, onde fez apenas quatro jogos. Após a Copa do Mundo de 2002, foi jogar na China, no modesto “Gansu Tianma”. Voltou para a Inglaterra, em 2004, para atuar no “Boston United”, onde pendurou as chuteiras. Pela seleção inglesa, esse atacante, de 1,77m de altura, com 73kg de peso e dotado de boas qualidades técnicas, além de grande senso de oportunismo, disputou 57 partidas, entre 1988 e 1998. Sua única Copa do Mundo foi a de 1990, pois a Inglaterra não se classificou para disputar a de 1994, e Gascoigne foi barrado pelo técnico Glenn Hoddle, no campeonato mundial de 1998. Em 1990, na Itália, protagonizou um episódio inusitado e comovente. Na semifinal contra a Alemanha Ocidental, recebeu o seu segundo cartão amarelo do torneio, significando que não poderia jogar a partida seguinte, que seria a final, na eventualidade de vitória britânica. Ciente disso, começou a chorar, compulsivamente, em pleno gramado, tão grande era a sua vontade de colaborar, de forma efetiva, para mais uma conquista do “English Team”. O ano de 1992 deu início a um nova era no futebol inglês, com a formação da “Premier League”. Os vinte e dois clubes de mais alto nível formaram-na, visando a aumentar seus ganhos por meio da venda direta, independentemente da “Football League”, dos direitos de transmissão dos jogos pela TV. A “Premier” tornou-se a elite, passando a “Division One” (posteriormente rebatizada para “Football League Championship”) para o segundo nível. O “Manchester United” foi o primeiro ganhador do campeonato da “Premier League” e, sob o comando de Alex Ferguson, passou a dominar o cenário do futebol inglês, obtendo cinco títulos e levantando uma “League Cup” e uma “Cup Winners’ Cup”. Em 1999, uma façanha inédita do “Manchester United” foi a tríplice vitória em uma só temporada: “FA Cup”, “League” e “Champion League”. A realçar, também, o trabalho efetuado na formação de jovens talentos que permitiu o lançamento simultâneo de vários craques, entre os quais: David Beckham, os irmãos Gary e Philip Neville, e Paul Scholes. David Robert Joseph Beckham, natural de Leytonstone, nasceu em 2 de maio de 1975. David Beckham começou a brincar com a bola de futebol, ainda criança, no “Brimsdown Rovers”. Aos doze anos, em 1987, foi jogar na equipe infantil do “Totenham Hotspur”. Em 1991, aos dezesseis, passou a atuar no time juvenil do “Manchester United”. Sua


carreira profissional teve início, em 1993, no mesmo “United”. Já no ano seguinte, foi convocado para a seleção nacional sub-21, disputando nove partidas, entre 1994 e 1996. Foi emprestado, em 1995, ao “Preston North End”. De volta a “Old Trafford”, participou de uma fase extremamente profícua em títulos para os “Red Devils’, a partir de 1996. Com magníficas atuações, Becks contribuiu decisivamente para as conquistas de seis campeonatos da “Premier League” (1995/96, 1996/97, 1998/99, 1999/2000, 2000/01 e 2002/03); da “UEFA Champions League” de 1998/99; e da Copa Intercontinental (Europa/América do Sul) de 1999, derrotando o “Palmeiras”; além de outros títulos. Sua primeira participação na seleção principal da Inglaterra ocorreu em 1996. De lá até agora, foram 115 partidas disputadas, o que lhe confere a segunda colocação entre os jogadores que mais atuaram pelo “English Team”, superado apenas pelo goleiro, já aposentado, Peter Shilton. David Beckham tem 1,83m de altura, pesa 73kg, e é considerado um dos maiores meio-campistas do futebol mundial, defendendo com eficiência e atacando com desenvoltura. Exímio cobrador de faltas, destaca-se, também, pelas exelentes assistências presenteadas aos companheiros. Seu ano de ouro, com o “United”, foi o de 1999, quando ganhou quatro títulos: Campeão Inglês, Copa da Inglaterra, Liga dos Campeões da UEFA e Mundial Interclubes. No final desse ano, foi escolhido, pela UEFA, como o melhor jogador europeu. Em 2002, num jogo contra o “Deportivo La Coruña”, pela Liga dos Campeões da UEFA, sofreu uma fratura no pé direito. Ameaçado de não poder disputar a Copa do Mundo de 2002, conseguiu se recuperar a tempo. Ficou de fora, entretanto, do campeonato mundial de 2010, disputado na África do Sul, devido à ruptura de um dos seus tendões de Aquiles. Assim, Beckham participou, até hoje, de três Copas do Mundo: 1998, na França; 2002, na Ásia (Japão e Coréia do Sul); e 2006, na Alemanha. Em 2003, agraciado com a Ordem do Império Britânico, Becks deixou o “Manchester United”, transferindo-se para o “Real Madrid”, onde integrou o famoso time dos “galáticos”, ao lado de outros astros do futebol, como Ronaldo, Zidane, Roberto Carlos e Figo. Transferiuse para o “Los Angeles Galaxy”. dos Estados Unidos, em 2007. Foi

cedido, por empréstimo, ao “Milan”, da Itália, estreiando em janeiro de 2009. Nesse mesmo ano, retornou ao “LA Galsxy”, que chegou à final da “Major League Socccr” norte-americana, perdendo-a para o “Salt Lake”, na disputa por pênaltis. No início de 2010, voltou ao “Milan”, em novo empréstimo. Sofreu, então, a lesão no calcanhar que o impediu de jogar na Copa do Mundo de 2010. Neste mesmo ano de 2010, já recuperado e, outra vez no “Galaxy”, conquistou seu primeiro título estadunidense. Apesar de sua fama e riqueza, proporcionadas pelo futebol, David Beckham prima pela disciplina e profissionalismo. Outrossim, possui boa estrutura emocional, o que lhe permite administrar bem os percalços ocasionados pela intensa exposição à mídia e pelos excessos dos “paparazzi”. Os principais rivais do “Manchester United” nos primeiros anos da “Premier League” foram o “Blackburn Rovers” e o “Newcastle United”. Em 1995, o número de participantes da “Premier League” diminuiu de 22 para 20 clubes. O “Arsenal”, embora tenha tido um desempenho discreto nos primeiros campeonatos da ‘Premier”, destacou-se na disputa das copas, tendo, por duas vezes, vencido as duas copas domésticas, na mesma temporada. O futebol inglês tornou-se ainda mais popular e mais rico nos últimos anos do século XX, com o dispêndio de dezenas de milhões de libras nas contratações e salários dos jogadores, chegando a superar a quantia de cem mil libras por semana para os mais renomados. A seleção da Inglaterra teve altos e baixos no período. Não logrou classificar-se para a Copa do Mundo de 1994. Na Euro 96, chegou a uma semi-final contra a Alemanha, perdendo nos pênaltis. Em 1998, na Copa do Mundo, logrou classificar-se na fase de grupos, sendo eliminada na fase seguinte pela Argentina, na disputa de pênaltis. Entre os jovens talentos que surgiram nessa época, mencionamos: Chris Sutton, David Beckham, Gary Neville, Michael Owen, Rio Ferdinand, Robbie Fowler, Ryan Giggs e Sol Campbell. Houve também a contratação pelos clubes ingleses de grandes jogadores estrangeiros, entre os quais: Dennis Bergkamp, Eric Cantona, Gianfranco Zola, Jur-


gen Klinsmann, Patrick Vieira e Peter Schmeichel. A relação de veteranos que continuavam a brilhar no futebol inglês, inclui: Alan Shearer, Colin Hendry, David Seaman, Gary Pallister, Mark Hughes, Paul Ince e Tony Adams. A lista de astros que encerraram suas carreiras entre 1992 e 2002 é composta por: Bryan Robson, Gordon Strachan, Ian Rush, John Barnes, Peter Beardsley, Peter Shilton e Steve Bruce. Rio Gavin Ferdinand nasceu em Peckham, no dia 7 de novembro de 1978. Começou a brincar de jogar futebol, aos nove anos, no “Millwall”. Com 14 anos, em 1993, integrou o time infantil do “Queens Park Rangers” e, um ano depois, o juvenil do “West Ham United”. Nesse clube, iniciou sua carreira profissional, com 16 anos de idade, em 1995. Zagueiro alto (1,91m) e habilidoso, foi convocado para a seleção sub-21, em 1997. No mesmo ano, foi chamado, pela primeira vez, também para o “English Team” principal. Snoop (seu apelido) realizou 5 jogos pela equipe nacional de jovens, entre 1997 e 2000; e, até o momento, 75 partidas nn time da Inglaterra, do qual se tornou o capitão. Foi atleta do “West Ham” de 1995 até 2000, tendo jogado no “Bournemouth”,em 1996, por empréstim. Participou, em 1998, da Copa do Mundo, na França, onde a Inglaterra foi eliminada nas oitavas-definal. Em novembro de 2000, Rio Ferdinand transferiu-se para o “Leeds United”. Sua mudança seguinte, para o “Manchestr United”, aconteceu em 2002, após a Copa do Mundo, realizada no Japão e Coréia do Sul, na qual a seleção inglesa chegou às quartas-de-final, e Ferdinand foi um dos seus melhores valores. Com os “Red Devils”, conquistou seu primeiro campeonato da “Premier League”, logo na temporada 2002/03. Venceu, em seguida, a Supercopa da Inglaterra de 2003. Em setembro de 2003, não compareceu a um exame antidoping. Embora tenha tentado se justificar, por estar se mudando de residência, a federação o suspendeu por oito meses. Em conseqüência, não jogou pela seleção s Euro 2004, disputada em Portugal. Pelo clube, foi vencedor da Copa da Inglaterra, ainda em 2004. Foi convocado, em maio de 2006, para defender o “English Team”, na Copa do Mundo da Alemanha, efetivada nos meses de junho e julho daquele ano, na qual os ingleses ficaram, novamrnte, nas quartas-de-final. No cenário doméstico, Rio contiinuou a colecionar títulos, pelo “Manchester United”: Campeão Inglês, nas

temporadas 2006/07. 2007/08 e 2008/09; Copas da Liga Inglesa, de 2006 e 2009; e a Supercopa da Inglaterra, em 2007 e 2008. Ainda com o clube rubro de Manchester, conseguiu mais as seguintes conquistas de expressão internacional: Liga dos Campeões da UEFA. 2007/08; e Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, em 2008. Jar Jar Binks (seu outro apelido) foi cortado da seleção inglesa que disputou a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, por motivo de contusão, tendo sido o posto de capitão ocupado por Steven Gerrard.. Michael James Owen é natural de Chester, onde nasceu em 14 de dezembro de 1979. Apoiado por seu pai, Terry Owen, que fora jogador do “Everton”, o pequeno Michael já fazia sucesso, antes dos dez anos, no time infantil onde jogava, bem como na equipe da escola do ensino fundamental. Com 12 anos, contiuou a jogar no time da escola secundária, e ingressou no “Liverpool”. Induzido pelo clube, matriculou-se, em 1994, na Escola de Excelência da FA (“Fooiball Association”) em Lilleshall, Shropshire. Esse centro de excelência em futebol, mantido pela federação inglesa até 1999, destinava-se a desenvolver o talento de jovens promessas do esporte, entre 14 e 16 anos. Para conciliar os estudos regulares com o treinamento esportivo, Michael, o futuro Golden Boy, trocou sua escola Hawarden High pela Idsall Scool, no mesmo condado de Shropshire. Aos 16 anos, recém-saído de Lilleshall, voltou ao “Liverpool” e ganhou a Copa da Inglaterra de Juniores de 1996. Quatro meses depois, com 17 anos recém completados, Owen assinou seu primeiro contrato profissional. Sua estréia, na qual marcou um gol, aconteceu no jogo “Liverpool” x “Wimbledon”, em maio de 1997. Com 18 gols, foi o artilheiro da “Premier League” (empatado com Chris Sutton e Dion Dublin) na temporada1997/98. Foi, então, escolhido como o melhor jovem jogador inglês do ano. Esse excelente atacante destro, com 1,75m de altura, extremamente habilidoso, após uma bem sucedida passagem pelas seleções de base, foi alçado para o “English Team” principal, aos 18 anos, em 1998. Convocado para a Copa do Mundo de 1998, foi suplente no primeiro jogo. Na segunda partida, entrou no seu decorrer, como substituto, e marcou um gol. Passou a ser titular e, nas oitavas-de-final, contra a Argentina, assinalou um tento antológico, em belíssima jogada pessoal. No final do ano, foi eleito, pelo público inglês, como a personalidade


esportiva do ano, da emissora BBC. Owen voltou a atuar pela Inglaterra ns Euro 2000. Pelo “Liverpool”, continuou a ser um grande goleador, colaborando decisivamente para o glorioso ano de 2001, no qual o clube ganhou a Copa da Liga, a “FA Cup” e a Copa da UEFA. Participou, em seqüência, na temporada 2001/02, da conquista da “Community Shield”, batendo o “Manchester United”, com um gol seu; e da campanha da vitória na Supercopa Européia, vencendo o “Bayern München”, na final, por 3x2, sendo da sua autoria o gol decisivo. Uma semana depois, pela seleção, Owen fez o que os ingleses chamam de “hat trick” (três gols em uma só partida) contra a Alemanha, em Munique, na histórica vitória por 5x1, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002. No final de 2001, o “Golden Boy” foi premiado com a Bola de Ouro da France Football, como o melhor jogador europeu do ano. Em abril de 2002, em partida contra o Paraguai, Michael Owen assumiu o posto de capitão do “English Team”, face à ausência, por contusão, de David Beckham. Participou, em seguida, da Copa do Mundo de 2002, realizada na Ásia, na qual a Inglaterra teve bom desempenho, mas foi eliminada nas quartas-de-final, ao perder por 2x1 para o Brasil, que viria a ser o campeão. A permanência de Owen no “Liverpool” terminou em 2004, quando ele assinou contrato com o “Real Madrid”, da Espanha, no mês de agosto. Seu início no clube “merengue” não foi feliz, tendo amargado a condição de reserva. Porém, as suas ótimas atuações pela seleção inglesa na Eurocopa 2004, no mês de outubro, levantaram o seu moral e, no retorno ao time espanhol, com novo ânimo, foi titular e marcou o único gol do jogo contra o “Dynamo” de Kiev, na “UEFA Champions League”. No campeonato da Espanha, voltou a encontrar o caminho das redes, contribuindo para a conquista do vice-campeonato da equipe da capital, superada apenas pelo “Barcelona”. Em 2005, Michael Owen retornou ao seu país, assinando, no dia 31 de agosto, contrato com o “Newcastle United”. Marcou o seu primeiro gol pelo clube alvi-negro, na segunda partida disputada, em 18 de setembro, contribuindo para a vitória, por 3x0, sobre o “Blackburn Rovers”. No dia 17 de dezembro, fez um “hat trick” perfeito (três

gols, sendo um com o pé direito, outro com o esquerdo e, mais um, de cabeça), na derrota imposta ao “West Ham United” por 4x2. No último dia do ano de 2005, em partida contra o “Tottenham”, Owen sofreu uma fratura no pé. Foi a primeira de uma série de contusões que prejudicaram seu desempenho no “Newcastle” e na seleção inglesa. Submetido a uma cirurgia, foi prevista a sua recuperação para o final de março de 2006. Entretanto, isso não ocorreu e foi necessária uma nova operação, realizada em 24 de março. Em 29 de abril, retornou em jogo contra o “Birmingham”, no qual atuou por cerca de 30 minutos. Foi constatado, então, que ele não estava ainda 100% recuperado, motivando sua ausência na partida seguinte. Com a finalidade de obter condições físicas para disputar a Copa do Mundo de 2006, Owen aceitou jogar pels seleção B inglesa, enfrentando a Bielorússia. em 25 de maio de 2006. Na sua 80ª partida pelo “English Team”, na Copa do Mundo de 2006, contra a Suécia, o “Golden Boy” sofreu séria lesão no joelho, com menos de um minutode jogo, forçando-o a abandonar a partida e o torneio. Owen foi submetido a uma cirurgia para a reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho em 6 de setembro de 2006, com previsão de retorno ao futebol somente no segundo trimestre de 2007. Michael Owen voltou a jogar pelo “Newcastle” na temporada 2007/08, participando de 29 partidas pelo campeonato e assinalando 11 gols; na temporada 2008/09, foram 27 jogos na “Premier League” e 8 gols. Em 3 de julho de 2009 foi contratado pelo “Manchester United”. Embora apoiado pelo técnico Alex Ferguson, que o integrou a uma equipe que já contava com outros astros do naipe de Wayne Rooney, Rio Ferdinsnd e Ryan Giggs, sua permanência entre os “Red Devils” foi curta, uma vez que se transferiu, neste ano de 2010, para o “Aston Villa”. A realçar, em sua breve passagem por “Old Trafford”, o seu gol da vitória sobre o rival da mesma cidade, o “Manchester City”, por 4x3, aos 50 minutos do segundo tempo, em 20 de setembro de 2009, e as conquistas da Copa da Liga Inglesa e da Supercopa da Inglaterra, em 2010. Da relação de técnicos bem sucedidos na época (última década do século XX), citamos: Alex Ferguson, Arsène Wenger, Brian Little, Frank Clark, George Graham, Gianluca Vialli, Joe Royle, Kenny Dalglish, Martin O’Neill e Ruud Gullit. O início do século XXI, foi marcado na Inglaterra e na Europa,


em geral, pela crise financeira conhecida como estouro da bolha (“financial bubble burst”) que levou ao colapso a “ITV Digital” em maio de 2002. Os clubes que contavam com as cotas da TV para pagar os altos salários de seus jogadores, ficaram de bolsos furados. Embora nenhum clube tenha falido, alguns enfrentaram dificuldades financeiras como “Leicester City”, “Bradford City” e “Leeds United”. Os clubes mais ricos, no entanto, continuaram a crescer. O “Manchester United” consolidou sua trajetória de sucessos: venceu a “FA Cup” em 2004 e a “League Cup” em 2006, além dos títulos da liga em 2000, 2001, 2003, e 2007. O “Arsenal” conquistou, pela terceira vez, em 2002, as duas taças; e, em 2004, ganhou o campeonato, de forma invicta. Em 2003 e 2005, quando não ganhou o título, levantou a “FA Cup”. O “Chelsea”, comprado pelo russo Roman Abramovich, em 2003, foi vice-campeão em 2004, com o técnico Claudio Ranieri e, posteriormente, sob o comando do português José Mourinho, conquistou a “League Cup” de 2005 e dois títulos de campeão , em 2005 e 2006. Embora sem ganhar o campeonato nesses primeiros anos do novo século, o “Liverpool” obteve sucessos na disputa das taças, conquistando uma tríplice vitória em 2001 (“League Cup”, “FA Cup” e “UEFA Cup”). Em 2003 e 2006, obteve novos triunfos na “FA Cup”. Porém, a maior c mais memorável conquista do “Liverpool”, na década, ocorreu em 2005, com a vitória sobre o “Milan”, que lhe assegurou a “Champions League”. Pela primeira vez em sua história, a equipe nacional da Inglaterra veio a ser dirigida por um técnico não inglês, em face da contratação do sueco Sven-Göran Eriksson. Na Copa do Mundo de 2002, a seleção inglesa foi eliminada ao ser derrotada pelo Brasil, que viria a ser o campeão. Na Euro 2004, perdeu para Portugal, que era o anfitrião. Voltou a perder para a seleção portuguesa, em uma disputa de pênaltis, na fase semi-final da Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Em 1º de agosto de 2006, Eriksson foi substituído pelo inglês Steve McClaren que, entretanto só foi mantido até 22 de novembro de 2007, tendo em vista a não classificação da Inglaterra para o campeonato europeu de 2008. Seu substituto foi o italiano Fabio Capello, que dirigiu o time inglês na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Na temporada 2006-07, o “Manchester United” foi o campeão da “Premier League”; o “Chelsea” terminou em segundo lugar: o ter-

ceiro foi o “Liverpool”; e o “Arsenal” ficou em quarto. Em 2007-08, repetiu-se o resultado: “Manchester United” em 1º e “Chelsea” em 2º. Nas 3ª e 4ª colocações, houve uma inversão: “Arsenal” e “Liverpool”, respectivamente. A temporada 2008-09 assinalou a terceira vitória consecutiva do “Manchester United” no campeonato da “Premier League”, com o “Liverpool” em segundo, o “Chelsea” em terceiro e o “Arsenal” em quarto. Foi nessa temporada, também, que ocorreram as duas transferêcias de maior valor, até então, no futebol inglês: o “Manchester City” pagou 32,4 milhões de libras pelo atacante brasileiro Robinho e o “Manchester United” dispendeu 30,75 milhões de libras para ter o artilheiro búlgaro Dimitar Berbatov. Foi ainda o “Manchester United” o ganhador da “League Cup”, mas perdeu para o “FC Barcelona” a final da “European Cup”. Ao término de 2009, o “Manchester United” recebeu o maior valor já pago, em todo o mundo, pela transferência de um jogador de futebol, quando cedeu, por 80 milhões de libras, o atacante português Cristiano Ronaldo, então considerado o melhor do mundo, para o “Real Madrid”. O time nacional da Inglaterra, sob o comando de Fabio Capello, que fora anteriormente técnico do “Real Madrid” e da “AC Milan”, fez brilhante campanha nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, vencendo todas as partidas com exceção de uma. Com a convincente vitória sobre a Croácia por 5x1, no estádio de Wembley, a Inglaterra assegurou sua qualificação com duas rodadas de antecipação. Entretanto, sua participação na Copa da África do Sul foi decepcionante. Empatou por 1x1 com os Estados Unidos e por 0x0 com a Argélia. Ao vencer por 1x0 a Eslovênia, classificou-se para a fase seguinte. Foi, então, eliminada ao ser derrotada pela Alemanha por 4x1. É bem verdade que o árbitro uruguaio Jorge Larrionda deixou de assinalar, quando o placar estava 2x1 para a Alemanha, um gol inglês, pois a bola (a famosa “Jabulani”) chutada por Lampard, após bater na parte inferior do travessão, chegou a entrar por mais de 30 cm. O episódio serviu para reavivar o debate sobre o uso de tecnologia para evitar as falhas humanas na arbitragem dos jogos de futebol, e poderá vir a ser benéfico, caso a FIFA se sensibilize a essa necessidade. Classificada em 13º lugar, foi o pior resultado da Inglaterra em Copas do Mundo.


A relação de jovens talentos desse período inclui: Frank Lampard, Joe Cole, Steven Gerrard, Thierry Henry (francês) e Wayne Rooney. Entre os veteranos em plena atividade de alto nível, citamos: David Beckham (que não atua na Inglaterra desde 2003), Michael Owen, Rio Ferdinand, Ryan Giggs e Sol Campbell. Os grandes craques que encerraram suas carreiras nessa década foram: Alan Shearer, Dennis Bergkamp, Denis Irwin, Paul Ince e Roy Keane. Mencionamos, entre os técnicos de sucesso: Alan Curbishley, Alex Ferguson, Arsène Wenger, Bobby Robson, David O’Leary, Gerard Houllier, José Mourinho, Rafael Benitez, Sam Allardyce e Steve McClaren. Frank James Lampard Jr. é natural da capital inglesa, onde nasceu em 20 de junho de 1978. Seu início e sua evolução no futebol aconteceram nas divisões de base do “West Ham United”. O começo como profissional ocorreu em 1994, no mesmo clube. No ano seguinte, foi emprestado ao “Swansea City”, do País de Gales. Retornou, mais experiente, ao plantel dos “Hammers”, em 1996. Entre 1997 e 2000, realizou 16 partidas pela seleção nacional sub-21. Com 1,83m de altura e 78kg esse hábil meia destaca-se pela potência e precisão do seu chute com o pé direito. As suas boas atuações no “West Ham” motivaram a sua primeira convocação para a seleção inglesa principal, na qual estreiou em 1999. Em junho de 2001, transferiu-se para o “Chelsea”. Seu apogeu se iniciou na temporada 2003/04, quando os “blues” se reforçaram graças aos investimentos em contratações feitos pelo russo Abramovich, e Lampard cresceu junto, tornando-se um dos melhores jogadores da Europa. Além dos eventuais gols marcados graças à força e colocação de suas conclusões, de longa e média distâncias, Frank aperfeiçoou suas assistências, transformando-se em exímio “garçon”, para a alegria de seus companheiros atacantes. Pelo “English Team”, participou da Eurocopa 2004. Pelo “Chelsea”, foi bicampeão da “Premier League” em 2004/05 e 2005/06. Considerado o melhor jogador do seu clube em 2004 e 2005, e líder de assistências na “Premier League” (2004/05), Frank Lampard foi escolhido, também, como o melhor jogador inglês da temporada 2004/05. De novo na seleção, disputou as Copas do Mundo de 2006 e 2010. De acordo com suas declarações, o “Chelsea” conquistou seu coração e é o clube onde esse excelente meio-campista, hoje com 32

anos, pretende encerrar sua vitoriosa carreira, no futuro. Entre as inúmeras conquistas dos “blues” de Londres, com a eficiente colaboração de Lampard, salientam-se: “FA Cup”, de 2006/07, 2008/09 e 2009/10; e mais um, além dos mencionados anteriormente, campeonato inglês, na temporada 2009/10. Nas duas primeiras campanhas vitoriosas das Copas da “Football Association” (2006/07 e 2008/09), ele foi considerado o melhor jogador do certame. Frank Lampard detém, hoje, o galardão de meio-campista com mais gols desde a criação da “Premier League” (130 tentos) e foi considerado o Jogador da Década (2000 – 2009) da primeira divisão do campeonato inglês. Steven George Gerrard nasceu no dia 30 de maio de 1980, em Whiston. Ingressou nas categorias de base do “Liverpool” em 1987, com apenas sete anos. Profissionalizou-se, em 1998, no mesmo clube, que defende até hoje Quatro anos depois, recebeu a braçadeira de capitão, identificando-se ainda mais com os “reds”. Para Gerrard, meiocampista fisicamente forte, com 83 kg de peso, dotado de poderoso chute e habilidade no trato com a bola, e, ainda, grande capacidade de marcação, o “Liverpool” é, além de seu empregador, sua paixão no futebol. O clube, uma das forças nos anos 70 e 80, conquistara seu último título em 1990 e estivera decadente na década 1991-2000. O início do ressurgimento, já com Gerrard no time, aconteceu na temporada 2000/01, na qual o “Liverpool” ganhou cinco troféus: Copa da Inglaterra, vencendo o “Arsenal”; Copa da Liga Inglesa, com a vitória sobre o “Birmingham City”; Copa da UEFA, derrotando o “Deportivo Alavés”, da Espanha; Supercopa da Inglaterra, abatendo o grande rival “Manchester United”; e Supercopa Européia, vitorioso na final contra o “Bayern München”, da Alemanha. Dois anos depois, já como capitão, “Stevie G” levantou a taça da Liga Inglesa, graças a uma nova vitória em cima do “Manchester United”. Na temporada 2004/05, o “Liverpool” disputou a Liga dos Campeões da UEFA e enfrentou, na final, o “Milan”. A equipe italiana começou vencendo e chegou a abrir 3x0 no placar. Os “reds”, entretanto, iniciaram, com um gol marcado por Gerrard, uma fantástica reação, chegaram ao empate e venceram, na decisão por pênaltis. Em seguida, conquistaram novo título, ao vencer o “CSKA Moscou”, da Rússia, na final da Supercopa Européia. Em 2006, o “Liverpool” conquistou a Copa da Inglaterra, vencendo o “West


Ham”, em jogo no qual “Stevie G” marcou um belo gol com um chute de 32 metros que alcançou a velocidade de 110 km/h. Após atuar, em 1999, pela seleção nacional inglesa sub-21, Steven Garrard foi chamado para o “English Team” principal em 2000, em um amistoso contra a Ucrânia. Foi reserva na Eurocopa 2000, tendo atuado somente em um jogo. Ficou de fora da Copa do Mundo de 2002, devido a uma contusão no músculo adutor da coxa. No campeonato mundial seguinte, realizado na Alemanha, em 2006, formou um excelente quadrado no meio-de-campo, com David Beckham, Frank Lampard e Joe Cole. Voltou a defender a Inglaterra, juntamente com Lampard, na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Wayne Mark Rooney, nascido em 24 de outubro de 1985, é natural de Liverpool. Seu início no futebol ocorreu em 1996, nas divisões de base do “Everton”. Seis anos depois, estreiou na equipe principal. Duas temporadas com os “toffees” foram suficientes para que ele demonstrasse seu grande potencial e despertasse o interesse de grandes clubes ingleses. Terminada a temporada 2003/04, o “Manchester United” o contratou, em agosto de 2004, antes que Wayne completasse 19 anos de idade. Em seu primeiro jogo pela equipe de “Old Trafford”, no dia 28 se setembro de 2004, fez um “hat trick” (três gols) na vitória por 6x2 sobre o “Fenerbahçe”, da Turquia, pela “UEFA Champions League” de 2004/05. Ao final dessa sua primeira temporada com os “Red Devils”, Rooney totalizou 43 jogos, com 17 gols marcados, e foi eleito o “Melhor Jogador Jovem do Ano” na “Premier League”. Na temporada seguinte (2005/06), atuou em 48 partidas e assinalou 19 tentos; recebeu, novamente, o galardão de melhor jogador jovem e foi escolhido, pelos torcedores do “Manchester United” como o “Jogador do Ano” do clube. Em 2006/07, após um longo jejum de gols, voltou a marcar de forma esplêndida, com um “hat trick” contra o “Bolton Wanderers”. Assinalou gols importantes, também, na UEFA “Champions League”, marcando nos jogos de ida e volta das quartas-de-final com a “Roma”, e mais dois na semifinal contra o “Milan”, que, entretanto, levou a melhor, graças ao talento do brasileiro Kaká, em grande fase. Wayne terminou a temporada com 23 gols em 55 jogos. Logo no início da temporada 2007/08, “Shrek” (um dos seus apelidos) teve a infelicidade de fraturar o metatarso esquerdo (mesma

lesão que sofrera, três anos antes, no pé direito). Depois do afastamento de um mês e meio, retornou ao time no dia 2 de outubro de 2007, em um jogo contra a “Roma”, válido pela Liga dos Campeões da UEFA, cabendo-lhe a autoria do gol da vitória pelo placar mínimo. Porém, contundiu-se no tornozelo, em um treino, um mês depois, ficando inativo mais duas semanas. Embora prejudicado pelas lesões, ele participou de 43 jogos, marcando 18 gols nessa temporada, na qual o “Manchester United” conquistou a tríplice coroa: o campeonato da Inglaterra, a “Champions League” da UEFA e o Mundial de Clubes da FIFA. Na temporada 2008/09, Rooney voltou a se machucar, num jogo com o “Wigan Athletic”, tendo que ficar no “estaleiro” por três semanas. Ao final, “Wazza” (outro apelido seu) participou de 49 partidas, assinalsndo 20 gols (seis a menos que seu companheiro de ataque, o português Cristiano Ronaldo). 2009/10 foi a melhor temporada de Wayne Rooney em seu clube. Com excelentes atuações, marcou 34 gols em 44 jogos. Em outubro deste ano de 2010, renovou seu contrato com o “Manchester United”, por mais cinco anos. A primeira convocação de Rooney para a seleção nacional inglesa foi para a Euro 2004. Com 1,76 m de altura e 82 kg, é um atacante muito veloz que finaliza com muita categoria, mas seu temperamento o leva a receber cartões amarelos e vermelhos, com freqüência. Jogou a Copa do Mundo de 1966, na qual a Inglaterra foi derrotada, nas quartasde-final, por Portugal, em jogo no qual ele foi merecidamente expulso. No último campeonato mundial (África do Sul, 2010) seu desempenho, junto com o do “English Team”, como um todo, foi muito abaixo das expectativas.


DUAS SEMANAS SE PASSARAM Finalmente, passadas duas semanas, o inglês Brian Butler chegou à Padaria Lago Sul, com cinco cópias de um texto debaixo do braço. À sua espera, na tradicional mesa do café matinal, já estavam os seus amigos Roberto Mauro e Pedro Paulo. Marcos chegou em seguida. Logo após os cumprimentos efusivos, Brian distribuiu com orgulho as cópias do seu trabalho sobre o futebol inglês, que todos passaram a ler, com olhos ávidos, em silêncio. O primeiro a se manifestar foi Roberto Mauro: _ Interessante, o profissionalismo começou na Inglaterra ainda no século XIX. _ É verdade, redargüiu Brian. Curioso, também, o aparecimento do primeiro “Football Club”, o “Sheffield” em 1857. Depois, já na parte final do século, com o profissionalismo, começaram a despontar com sucesso os clubes das regiões de Lancarshire e Midlands. Já os clubes de Londres somente vieram a se sobressair no século XX. O meu “Arsenal” chegou à primeira divisão em 1904. _ Apreciei muito, Brian, aprender sobre a evolução das regras desde o regulamento de Cambridge, passando pela criação da lei do impedimento, e a unificação dos procedimentos adotados nas diferentes escolas, comentou PPP. _ Também gostei muito do relato. Agora sei que o travessão superior nos gols foi adotado em 1866 e a rede foi inventada em 1891, Marcos manifestou-se. _Ainda sobre a evolução do esporte, li um livro chamado “Na Boca do Túnel” que apresentava as idéias de diversos técnicos brasileiros, dos anos sessenta. O que mais chamou minha atenção foi o texto de apresentação escrito pelo jornalista João Saldanha (acho que antes de ter sido técnico da seleção) no qual ele comenta com muita propriedade a importância do WM criado pelo Chapman, do qual derivaram todos os demais sistemas de jogo, de acordo com o Saldanha, acrescentou o PPP. _Achei muito boa a escolha, feita pelo Brian, dos jogadores cujas biografias foram resumidamente apresesentadas, simbolizando as diversas épocas do futebol inglês, comentou, novamente, o Marcos, que prosseguiu: _Bem, agora que temos um bom conhecimento sobre as

origens do futebol a sua evolução histórica na terra dos seus inventores, está na hora de pensarmos no futebol brasileiro. Qual de nós fará a pesquisa inicial? Quem se habilita?. _Como, certamente, vamos ter uma abundância de informações, acho que podemos dividir a história do futebol no Brasil em duas partes; antes e depois da Copa de 50, provocou o inglês Brian. _Realmente, a derrota para o Uruguai, que ficou conhecida como “Maracanazo” é um marco histórico significativo, concordou Roberto. _Se adotarmos a idéia de dividir o trabalho, proponho-me a fazer o relato dos últimos 60 anos, ou seja, de 1950 a 2010, quando a nossa seleção ganhou cinco mundiais, admitiu Pedro Paulo. _Acho que podemos enriquecer o estudo com a inclusão de dados biográficos dos nossos maiores craques, ao longo de todos esses anos, como Friedenreich, Leônidas, Nílton Santos, Pelé e tantos outros. É uma pesquisa que me agradaria fazê-la, Marcos ofereceu-se. _Vejo que sobrou para mim a tarefa de fazer o levantamento dos últimos anos do século XIX e da primeira metade do século XX. Como gosto de História...,concluiu o carioca Roberto Mauro.

O FUTEBOL NO BRASIL (1878 – 1950) O primeiro registro de uma partida de futebol disputada no Brasil data de 1874, quando marinheiros estrangeiros (a maioria ingleses, logicamente) jogaram em uma praia carioca. Entretanto, a sua informalidade e o fato de ter sido praticada na areia fazem com que ela não seja aceita como marco inicial. Quatro anos depois (1878), houve outra partida, também no Rio de Janeiro, disputada por tripulantes do navio Criméia, em caráter de exibição para a corte imperial, contando com a presença da Princesa Isabel. Esse jogo, mais formal, pode ser considerado como a introdução do esporte em solo pátrio. Entretanto, consta que já teria havido, em 1875 ou 1876, uma partida de futebol entre funcionários de duas companhias estrangeiras no Rio de Janeiro, no Paissandu Atlético Clube. Da mesma forma que na Inglaterra, onde o futebol começou sendo


praticado nas escolas, aqui no Brasil, em 1886, no Colégio Anchieta, dirigido por padres jesuítas em Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, já era uma atividade regular a prática futebolística. De acordo com o historiador Loris Baena Cunha, há o registro de uma partida entre funcionários ingleses da “Amazon Steam Navigation Company”, da “Parah Gaz Company” e da “Western Telegraph” no ano de 1890, em Belém, no Pará. O “Bangu Atlético Clube” reivindica o pioneirismo da implantação do futebol no Brasil para o escocês Thomas Donohoe, da firma inglesa “Platt Brothers and Co.” de Southampton, contratada para a implantação da fábrica de tecidos Bangu, no Rio. Donohoe trouxe da Inglaterra um bola, com a qual foi disputado o primeiro jogo em maio de 1894. Entretanto, a versão mais difundida aponta para Charles William Miller ser considerado “o pai do futebol brasileiro”, conforme John Mills (Panda Books, 2005). Na década iniciada em 1871, seu pai, o britânico John Miller veio trabalhar na construção ferroviária do empreendimento da “São Paulo Railway”. Em 1884, John enviou o seu filho Charles, nascido no Brasil e então com 10 anos, para estudar na Inglaterra, mais precisamente em Southampton, na “Bannisters School”. Habilidoso como atleta, ele rapidamente assimilou o jogo de futebol e ajudou, como rápido artilheiro, o time da escola a conquistar algumas glórias, habilitando-se ainda a ingressar na equipe do “Southampton Football Club” e, mais tarde, no time do condado de Hampshire. Ao retornar para o Brasil, em 1894, Charles Miller trouxe duas bolas e um livro de regras de futebol. Já aos 78 anos de idade, em 1952, Charles Miller concedeu entrevista à revista “O Cruzeiro” e relatou: “Numa tarde fria de outono em 1895, reuni os amigos e convidei-os a disputarem uma partida de football. Aquele nome, por si só, era novidade, já que naquela época somente conheciam o críquete.” Em 14 de abril de 1895 houve, na Várzea do Carmo, uma partida entre ingleses e anglo-brasileiros, funcionários da Companhia de Gás e da São Paulo Railway, vencida pelos ferroviários por 4x2. Esse jogo é considerado o primeiro realizado em São Paulo. O “São Paulo Athletic Club”, fundado em 1888, foi o primeiro

clube brasileiro a ter um time de futebol, criado por Charles Miller, logo após seu retorno da Inglaterra. Pouco depois, o esporte começou a ser difundido por outros estados. Em 1897, o estudante Oscar Cox, ao regressar da Suíça, introduziu o futebol no Rio de Janeiro. A “Associação Atlética Mackenzie College” criou a primeira equipe de futebol composta por brasileiros, em 1898. O primeiro clube destinado ao futebol foi o “Sport Club Internacional” de São Paulo, fundado em 1899 e já extinto. No mesmo ano, foi fundado pelo alemão Hans Nobiling o “Sport Club Germânia”, que ainda existe hoje sob a denominação de “Esporte Clube Pinheiros”, mas sem o departamento de futebol. No Rio Grande do Sul, o futebol foi introduzido por Johannes Minerman e Richard Woelckers, fundadores do “Sport Club Rio Grande” na cidade de Rio Grande, em 1900. Devido à extinção do futebol no “Germânia”, o “Sport Club Rio Grande”, ainda em atividade, é considerado o primeiro clube de futebol fundado no país. A primeira equipe carioca de futebol foi o “Rio Team”, criada por Cox, em 1901. Na Bahia, o futebol foi introduzido por José Ferreira Filho, o Zuza Ferreira, em 1901, ao retornar da Inglaterra, depois de cinco anos de estudos. Da mesma forma, o futebol foi levado para Pernambuco por Guilherme de Aquino Fonseca, em 1903, após ter estudado na Inglaterra, na Hooton Lown School. O responsável pela introdução do esporte em Minas Gerais foi Vitor Serpa, em 1904. O aparecimento do futebol no Paraná foi obra de Charles Wright, em 1908. O primeiro jogo entre cariocas, representados pelo “Rio Team”, formado por Cox em 1901, e paulistas aconteceu em 19 de outubro de 1901, no campo do “São Paulo Athletic Club” e terminou empatado por 1x1. Logo no dia seguinte, realizou-se no mesmo local, nova partida que resultou em outro empate: 2x2. A “Liga Paulista de Football” foi criada por Antonio Casemiro da Costa, em 19 de dezembro de 1901. O primeiro campeonato oficial, o Campeonato Paulista de Football, realizou-se pela primeira vez no ano seguinte, com a participação de cinco clubes: “CA Paulistano”, “São Paulo AC”, “AA Mackenzie College”, “SG Germânia” e “SC Internacional”. O vencedor desse primeiro campeonato foi o “São Paulo Athletic Club”, hoje já extinto. O “Fluminense Football Club”, o primeiro clube do Rio de


Janeiro dedicado ao novo esporte, foi fundado em 21 de julho de 1902, por Oscar Cox, Manoel Rios, Horácio Costa Santos e mais 17 amigos. A sua primeira partida oficial foi realizada em 19 de outubro de 1902, quando o “Fluminense FC” venceu o “Rio FC” por 8x0, no campo do “Payssandu Cricket Club”. A estréia do “Fluminense” em jogos inter-estaduais ocorreu em setembro de 1903 na capital paulista. Após quatorze horas de viagem, o time foi a campo, no dia 6, para enfrentar o “Sport Club Internacional”, empatando por 0x0. Nos dias seguintes, mais dois jogos e duas vitórias: 2x1 sobre o “Club Athletico Paulistano” e 3x0 em cima do “São Paulo Athletic”. O primeiro jogo inter-estadual no campo do “Fluminense”, então na Rua Guanabara, foi realizado em 14 de agosto de 1904, contra o “Paulistano”. Em 15 de julho de 1904, em Assembléia Geral Extraordinária, o “Fluminense” decidiu trocar o seu uniforme branco e cinza pela camisa tricolor: verde, branco e grená. A estréia do novo uniforme, entretanto, só ocorreu em 7 de maio de 1905, em um amistoso contra o “Rio Cricket”, vencido pelo agora tricolor por 7x0. No mês de julho de 1905, o “Club Athletico Paulistano” veio ao Rio enfrentar o “Fluminense Football Club”. Foram duas partidas: a primeira, no dia 14, foi vencida pelos cariocas, por 2x0; na segunda, dia 16, 3x2 para os paulistas. Esses jogos foram assistidos por cerca de 2.500 pessoas, cada um, entre os quais o Presidente da República Rodrigues Alves. No mesmo ano de 1905, em 22 de outubro, aconteceu o primeiro jogo entre “Fluminense” e “Botafogo”, vencido pelo primeiro por 6x0. Foi a primeira edição do “Clássico Vovô”, assim chamado por ser o clássico de futebol mais antigo do Brasil. A fundação do “Botafogo” ocorreu no dia 12 de agosto de 1904 por iniciativa de Flávio Ramos e Emmanuel Sodré, então jovens adolescentes que estudavam no Colégio Alfredo Gomes. A reunião promovida com alguns colegas, todos na faixa etária de 14 e15 anos, resultou na criação de um clube de futebol que recebeu inicialmente o nome de Electro Club. Sabiamente, os meninos residentes no bairro carioca de Botafogo convidaram pessoas de mais idade e maior experiência para administrá-lo, como Alfredo Gomes de Mello, empossado presidente na reunião havida no dia 18 do mês seguinte, quando também foi decidida a modificação da denominação para “Botafogo Football Club”. A primeira partida, um amistoso contra o “Football and Athletic Club”,

que venceu por 3x0, aconteceu logo em seguida, no dia 2 de outubro de 1904. A partir de 1904, surgiram no Rio novos clubes, entre os quais, além do “Botafogo Football Club” (hoje “Botafogo de Futebol e Regatas”), o “América Football Club”. A “Liga Carioca” foi fundada em 8 de junho de 1905, sob a denominação de “Liga Metropolitana de Football – LMF”, composta pelos seguintes clubes: “Rio Cricket and Athletic Association”, “Fluminense Football Club”, “Football Athletic Club”, “América Football Club”, “Bangu Atlético Club”, “Botafogo Football Club”, “Sport Club Petrópolis” e “Paysandu Cricket Club”. O primeiro Campeonato Carioca foi disputado em 1906, sagrando-se campeão o “Fluminense”. No campeonato de 1909, o “Botafogo” estabeleceu o recorde de maior goleada do futebol brasileiro, no dia 30 de maio, vencendo por 24x0 o “Sport Club Mangueira”. O maior goleador da parida foi Gilbert Hime, com 9 gols, recorde que perdurou até 1976, quando Dario marcou dez tentos no jogo “Sport’ 14X0 “Santo Amaro”, pelo Campeonato Pernambucano. No Estado de São Paulo, foram também surgindo novos clubes: “SC Americano”, “AA São Bento” e “Ypiranga”, que hoje não mais existem ou deixaram de praticar o futebol. No Rio Grande do Sul, após a fundação, em 19 de julho de 1900, do “Sport Club Rio Grande”, surgem: em 1902, o “14 de Julho” de Sant’Ana do Livramento; em 1906, o “Sport Club Bagé”; e, em 1907, o “Guarany Football Club”, também de Bagé. Na capital gaúcha, em setembro de 1903, surgem o “Grêmio de Football Portoalegrense” e o “Fuss-Ball Club Porto Alegre”(extinto nos anos 40). O “Sport Club Internacional” foi fundado em abril de 1909, constituindo-se, junto com o “Grêmio”, nas duas grandes forças do futebol gaúcho, até os dias atuais. A primeira agremiação esportiva de Belo Horizonte dedicada ao futebol, o “Sport Club Football”, foi fundada, em 10 de junho de 1904, pelo estudante carioca Vítor Serpa, que aprendera a praticar o esporte na Suíça. O “Atlético Mineiro Football Club” (hoje “Clube Atlético Mineiro”) surgiu em março de 1908; o “Yale”, clube da colônia italiana, foi criado em 1910; e o “América Football Club” nasceu em 30 de abril de 1912.


O “Sport Club do Recife” foi fundado em 1905 por Zuza Ferreira. A “Liga Bahiana de Sports Terrestres”, também criada em 1905, teve quatro clubes fundadores: “São Paulo Clube”, “Clube Internacinal de Cricket”, “Sport Club Victoria” e “Sport Club Bahiano”. O primeiro campeonato, cujo vencedor foi o “Internacional de Cricket”, não contou com a participação do “São Paulo”, mas teve a presença do “Clube de Natação e Regatas São Salvador”, que se filiou à liga pouco antes do início do certame. Hoje, somente o “Esporte Clube Vitória”, fundado em 1899 com a denominação de “Club de Cricket Victoria”, continua atuante no futebol. Em 1910, por iniciativa de Charles Miller, o “Corinthians”, time amador de Londres, veio ao Brasil. Em decorrência do entusiasmo despertado por essa visita, foi criado, no mesmo ano, o “Sport Club Corinthians Paulista”. Em 1912, em virtude de uma dissidência havida no “Fluminense”, o “Clube de Regatas Flamengo” passou a ter um time de futebol. Hoje, o “Flamengo” e o “Corinthians” são as equipes de maiores torcidas no Brasil. O primeiro torneio oficial de futebol na capital mineira realizouse em 1914, tendo sido vencido, de forma invicta, pelo “Atlético Mineiro”, que se sagrou, também, campeão do primeiro campeonato, em 1915. Entretanto, a partir do ano seguinte, a hegemonia passou a ser do “América” de Minas que realizou a incrível façanha de conquistar por dez anos sucessivos, de 1916 a 1925. o campeonato, sendo, portanto, decacampeão. O “Clube de Regatas Vasco da Gama”, fundado no século XIX para a prática do remo, veio a se dedicar também ao futebol a partir de 1915. Até essa época, o futebol brasileiro era um esporte de elite, praticado amadoristicamente por jovens das classes média e alta, brancos em esmagadora maioria. No campeonato carioca de 1914, o “Fluminense’ tinha em sua equipe um jogador mulato chamado Carlos Alberto. Escalado para enfrentar o “América”, seu ex-time, o atleta mestiço resolveu, por conta própria, cobrir-se com pó-de-arroz para parecer branco. Entretanto, no decorrer do jogo, o suor desfez o seu disfarce. A torcida do “América”, já descontente com o jogador que fora um dos que saíram

do clube na cisão interna havida logo após a conquista do campeonato de 1913, não o perdoou. “Pó-de-arroz”, eram os gritos dos torcedores, sempre que o Carlos Alberto tocava na bola. O apelido, entretanto, foi absorvido por toda a equipe do “Fluminense” e sua torcida, muito maior que a do “América”. Até hoje, os torcedores tricolores saúdam a entrada do seu time em campo com “pó-de-arroz” (na verdade, “maizena” ou talco), em tal quantidade que chega a prejudicar a visão da partida, em seus minutos iniciais. O futebol foi se popularizando cada vez mais e se tornando um esporte de massa, especialmente a partir de 1920. O “Vasco” foi o primeiro clube brasileiro a contar com um grande número de mulatos e negros em sua equipe. A “Federação Brasileira de Sports (FBS)” foi fundada em 1914. Logo em seguida foi formada a primeira Seleção Brasileira, que disputou seu primeiro jogo internacional, no campo do “Fluminense FC”, então na Rua Guanabara (hoje Pinheiro Machado), no Rio de Janeiro, contra o clube britânico “Exeter City”. O primeiro gol do Brasil foi assinalado por Oswaldo Gomes, jogador do “Fluminense”, perante um público de 10.000 pessoas, aproximadamente. A vitória foi brasileira por 2x0, mas a FIFA considerou a partida não oficial. Assim, o primeiro jogo oficial do selecionado do Brasil ocorreu dois meses depois, na cidade de Buenos Aires, no campo do “Club de Gimnasia y Esgrima”, com mais uma vitória, esta sobre a Argentina por 1x0, conquistando a “Copa Roca”. Uma das figuras marcantes do primeiro time que representou o Brasil foi o seu goleiro, que apresentamos nas linhas seguintes. Marcos Carneiro de Mendonça nasceu em Cataguazes, na Zona da Mata de Minas Gerais, no dia 25 de dezembro de 1894. Radicado, desde os seis anos de idade, no Rio de Janeiro, iniciou a prática do futebol aos treze anos no “Haddock Lobo Football Club”. Com a absorção dessa agremiação pelo “América”, passou a guarnecer a meta da equipe rubra carioca. Marcos foi um goleiro excepcional que estudava, geometricamente, as suas melhores posições para fechar o ângulo dos chutes adversários. Extremamente alto para os padrões da época (1,87m), esguio e de braços longos, tinha reflexos apurados, tranqüilidade e excelente


senso de colocação. Usava sempre o mesmo uniforme: camisa branca e calção também branco, preso na cintura por uma fita roxa (dada por sua esposa). Foi Campeão Carioca em 1913, pelo “América”. Juntamente com muitos outros atletas e sócios do clube da Rua Campos Sales, descontentes com a diretoria, transferiu-se, em 1914, para o “Fluminense”. Foi o titular da meta tricolor até 1922, conquistando o Torneio Início de 1916, o Tricampeonato Carioca de 1917/18/19 e a Taça Ioduran (precursora do Torneio Rio-São Paulo) de 1919. Em decorrência de um desentendiento entre o goleiro Batalha e a diretoria do clube, foi chamado de novo para defender o gol tricolor em agosto e setembro de 1928. Foi o primeiro “goal-keeper” da Seleção Brasileira, estreiando em 1914, junto com o próprio selecionado. Tinha apenas 19 anos e detem, até hoje, o título de mais jovem goleiro a defender o Brasil. Titular por nove anos, conquistou a Copa Roca de 1914, e foi Campeão Sul-Americano, em 1919 e 1922. Disputou quinze partidas pela equipe brasileira, das quais dez oficiais. Historiador conceituado, foi Presidente do Fluminense entre 1941 e 1943, quando o clube foi Bicampeão Carioca (1941/42). Faleceu em 1988, aos noventa e quatro anos. A popularização do futebol no Brasil não foi feita sem percalços. Nos anos iniciais do século XX, as incipientes lideranças sindicais, formadas em sua maioria por comunistas e anarquistas, consideravam o futebol como uma alienação incentivada pelos industriais para desviar a atenção dos operários da causa proletária. De acordo com Pereira (2000), o futebol era, para essas lideranças “mera expressão da manipulação consumista e alienante da burguesia”. Por outro lado, o futebol sofria críticas também de setores intelectuais. O grande escritor Graciliano Ramos, célebre por sua obra “Vidas Secas”, chegou a afirmar que a popularidade do futebol seria apenas “fogo de palha”, ou seja, passageira, devido ao frágil biótipo dos brasileiros. Mais contundente foi Lima Barreto, autor do romance “Bruzundangas”, que considerou ser o futebol “primado da ignorância e da imbecilidade”, conforme relatado por Franzini (2003). O escritor chegou a propor a proibição do esporte no país, usando como justificativa a ocorrência de brigas e mortes. Embora sua campanha não tenha tido êxito, pois jamais foi o futebol

proibido no Brasil, algumas restrições chegaram a ser discutidas. A Academia Nacional de Medicina, em 1916, analisou a hipótese de não permitir a prática do esporte por menores de 18 anos. No tradicional Colégio Pedro II, do Rio, o futebol foi vetado em 1919. Entretanto, o “Fluminense” já havia criado, em 1914, o seu departamento de futebol infantil, com 30 meninos entre 7 e 12 anos. Dois anos depois, os quadros infantis do “Fluminense” já contavam com 110 jogadores. À medida que o futebol continuava a se popularizar entre todas as camadas sociais, nos anos 10 do século passado, a desconfiança dos líderes sindicais foi sendo superada, inclusive porque alguns, mais lúcidos, perceberam que poderiam utilizar o esporte como fator de mobilização para a causa operária. Assim, passaram a ser comuns partidas amistosas entre times de operários. Em 1919, foi organizado o Festival Operário, com a disputa de jogos de futebol entre equipes de trabalhadores de diversas fábricas e empresas. Inicialmente, os campeonatos no Brasil eram apenas municipais ou estaduais, não havendo um campeonato nacional entre clubes, mas somente disputas entre seleções. Por ser o Rio de Janeiro a Capital Federal, o Campeonato Carioca era o de maior repercussão entre todos os torneios regionais. O primeiro jogo da história do Campeonato Carioca aconteceu no dia 3 de maio de 1906, quando o “Fluminense”, no seu campo, em Laranjeiras, venceu pelo expressivo placar de 7x1 o “Payssandu”, com a presença de cerca de 1.000 assistentes, elegantemente vestidos, como de praxe, na época. O período de 1906 a 1911 foi de amplo domínio do “Fluminense” no futebol do Rio, pois venceu 5 dos 6 campeonatos disputados. Nesses seis primeiros campeonatos, o “Fluminense” obteve 43 vitórias e 5 empates, sofrendo apenas 4 derrotas. Foram 217 gols a favor e só 49 contra (saldo positivo de 168). Em 1907, houve um empate entre o “Botafogo” e o clube tricolor, em número de pontos ao final do campeonato, mas o “Fluminense” levou vantagem no confronto direto e no saldo de gols. Passados quase 90 anos, em 1996, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro decidiu, salomonicamente, considerar ambos os clubes campeões de 1907. No campeonato seguinte, 1908, foi campeão invicto o “Fluminense”, repetindo o feito em 1909 e, novamente, em 1911, quando não perdeu um ponto sequer. O campeonato de 1910 foi vencido pelo “Borafogo”,


que se celebrizou por vencer de goleada muitos de seus jogos. Além dos 24x0 sobre o Mangueira, em 2009, os placares de 15x1em cima do “Riachuelo”, 13x0 e 11x0 contra o “Haddock Lobo” e 9x0 no “Internacional”, fizeram-no merecedor do apelido de “O Glorioso”. . A “Liga Metropolitana de Football” teve sua denominação alterada, em 18 de fevereiro de 1907, para “Liga Metropolitana de Esportes Terrestres”, que, entretanto, teve existência efêmera, sendo substituída, em 29 de fevereiro de 1908, pela “Liga Metropolitana de Sports Athleticos – LMSA”, fundada por “Fluminense”, “Botafogo”, “América”, “Paysandu”, “Rio-Cricket” e “Riachuelo”. Em São Paulo, as primeiras edições do campeonato paulista foram todas vencidas pelo time de futebol dos ingleses, o “São Paulo Athletic Club”. Em 1911, um dos principais jogadores do “Fluminense”, Edwin Cox, e seu cunhado, o alemão Bruno Schuback, deixaram o clube, mudando-se para Porto Alegre, e passaram a jogar pelo “Grêmio Football Porto Alegrense”. No final do ano, houve uma grave crise no futebol tricolor, resultando em uma cisão, na qual mais nove titulares saíram do clube, indo criar o departamento de futebol do “Clube de Regatas do Flamengo”, sob a liderança do ex-jogador do “Fluminense” Alberto Borgerth. Assim, realizou-se, em 1912, o primeiro “Fla-Flu” da história, clássico que, até hoje, é um dos mais importantes do futebol carioca e brasileiro. Essa disputa inicial, na qual o time do “Flamengo” foi formado, basicamente, pelos antigos titulares do time adversário, e a equipe tricolor, pelos seus ex-reservas, terminou, surpreendentemente, com a vitória por 3x2 do “Fluminense”. Ainda em 1911, o “Fluminense” contratou um técnico profissional por longo prazo, trazendo de Londres o inglês Charles Williams, sendo o primeiro clube brasileiro a fazê-lo. É verdade que, em 1907, o “Paulistano” havia contratado o técnico Jack Hamilton, também inglês, mas o fez por apenas três meses, findos os quais, o treinador retornou ao “Fulham FC”. Outro episódio de 1911, foi o protesto do “Botafogo” por ter tido um jogador suspenso por um ano, que culminou com a saída do clube da liga e a fundação da “Associação de Football do Rio de Janeiro – AFRJ” que, porém, teve vida muito curta, sendo, em 1913, reabsorvi-

da pela “Liga Metropolitana de Sports Athleticos – LMSA”. O modesto campeonato paralelo realizado pela AFRJ, em 1912, foi vencido pelo “Botafogo”, como era de se esperar. Em 1913, o “América Football Club” foi o campeão carioca. Logo no ano seguinte, houve uma séria crise interna, resultando na saída de setenta americanos, entre jogadores e outros associados, que resolveram se tornar sócios do “Fluminense FC”. Também na “Liga Paulista de Football”, aconteceu uma cisão em 1913, decorrente de um problema havido com o “CA Paulistano”. O jogo desse clube contra o “Americano” foi programado pela entidade para ser realizado no gramado do Parque da Antarctica, com o que não concordou o “Paulistano”, alegando já ter sido escolhido o campo do Velódromo como local da partida. No dia marcado e na hora certa, o “Americano” estava no Parque da Antártica e o “Paulistano” no Velódromo. Como não houve o jogo, ao julgar o incidente, a liga atribuiu os dois pontos correspondentes à vitória (os três pontos é um critério relativamente novo) ao “Americano”. De imediato, o “Paulistano” saiu da Liga e fundou a “Associação Paulista de Sports Athleticos”, com a adesão da “AA das Palmeiras”. Em decorrência desses fatos, de 1913 a 1916, foram disputados, em São Paulo, dois campeonatos anuais de futebol em paralelo: o da Liga e o da APEA, sigla pela qual ficou conhecida a Associação, aportuguesando o “Sports” para “Esportes”. Em 1917, finalmente o problema foi sanado, com a filiação dos oito clubes da extinta liga à APEA, que passou a ter dezoito filiados, separados em duas divisões. Após o domínio inicial do futebol paulista pelo “São Paulo Athletic”, que foi total porém efêmero, outros clubes começaram a se sobressair, como o “Corinthians”, campeão em 1914, e sobretudo o “Paulistano”, tetracampeão em 1916/17/18/19, que passou a deter a supremacia futebolística em São Paulo durante todo o período do amadorismo. No dia 26 de agosto de 1914, foi fundada por imigrantes italianos a “Societá Sportiva Palestra Itália”, com as cores da bandeira italiana: verde, branco e vermelho. Sua primeira partida foi realizada em 24 de janeiro de 1915, obtendo uma vitória por 2x0 sobre o “Savoia”, clube do interior paulista, sediado onde hoje é o município de Votoran-


tim e que, na época, era um distrito de Sorocaba. Pouco anos depois, conquistou seu primeiro campeonato paulista. No Rio, o “Clube de Regatas do Flamengo”, cuja atuação no futebol teve início em 1912, tendo vencido o “Mangueira” por 16x2 em sua primeira partida, realizada em 3 de maio, no campo do “América”, foi bicampeão logo em 1914/15, sendo o título de 1915 conquistado de forma invicta. O “Fluminense” foi tricampeão em 1917, 18 e 19, disputando, nesses três anos, 54 partidas, das quais venceu 44, empatou 5 e foi derrotado em 5. O seu artilheiro Henry Welfare marcou 56 dos 178 gols tricolores do triênio. O “Botafogo”, em 1917, foi o responsável involuntário por ter sido criado pela imprensa um termo, usado até hoje, para designar, geralmente com conotação pejorativa, os dirigentes esportivos: “cartolas”. Os seus diretores entraram em campo para receber a equipe uruguaia do “Dublin FC”, com trajes a rigor: fraques e cartolas. Em 1917, o Brasil foi indicado pela Confederação Sul-Americana de Futebol para sediar o terceiro Campeonato Sul-Americano de Seleções programado par a 1918. Para a realização de tal evento, o Governo recorreu ao “Fluminense”, que contraiu um empréstimo no Banco do Brasil, além de obter recursos junto aos seus sócios e torcedores. Por motivo da epidemia de gripe, que ficou conhecida como Gripe Espanhola, e atingiu vários países do continente, o campeonato foi adiado para 1919. No dia 11 de maio de 1919, então, foi inaugurado o Estádio das Laranjeiras com o jogo entre as seleções brasileira e chilena, tendo a presença de espectadores em número superior à lotação oficial de 18.000 pessoas, que viram a vitória do Brasil por 6x0. A final, entre Brasil e Uruguai, que havia sido o campeão dos dois torneios anteriores (1916 e 1917), aconteceu em 29 de maio, no mesmo local, despertando tamanho interesse que o comércio carioca decidiu não abrir as portas e o Presidente da República Delfim Moreira decretou ponto facultativo. A vitória do Brasil significou o seu primeiro título de campeão sulamericano e um verdadeiro marco do início da paixão brasileira pela sua seleção. A partida só foi decidida em sua terceira prorrogação, graças a um gol de Friedenreich, que foi carregado, logo após o término do jogo, nos ombros dos torcedores pelas ruas do Rio. As chuteiras do craque

brasileiro, apelidado de “El Tigre” pelos próprios adversários, foram expostas em uma joalheria da cidade. Fried, como era tratado Arthur Friedenreich, mulato de nome germânico, pois era filho do alemão Oscar Friedenreich e de sua esposa Matilde, negra brasileira, nasceu em 18 de julho de 1892, na cidade de São Paulo, e começou a jogar futebol pelo “Germânia” (atual “Pinheiros”) em 1909. Atuou em diversos outros clubes, como o “Ypiranga” e o “Mackenzie”, também da capital paulista, entre 1910 e 1917. Celebrizou-se, porém, como atacante do “Paulistano”, então o melhor clube de São Paulo, onde atuou de 1917 a 1929. Foi Campeão Paulista em 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929. Foi a estrela maior da equipe paulistana que excursionou a Europa, em 1925, vencendo nove das dez partidas disputadas. Friedenreich foi um centroavante objetivo, inteligente e corajoso, que usava imaginação e capacidade de improvisar. Foi um dos primeiros jogadores brasileiros a utilizar o drible curto, a finta de corpo e o chute com efeito. Entre 1930 e 1935, jogou no “São Paulo”, sagrando-se, mais uma vez, Campeão Paulista, em 1931. Uma atitude infeliz do presidente da Liga Paulista, Elpídio de Paiva Azevedo, impediu a participação de Friedenreich na Copa do Mundo de 1930, no Uruguai, causando-lhe a maior decepção de sua carreira. Ao saber que a comissão técnica da Seleção Brasileira não seria paulista, impediu a ida dos jogadores do Estado de São Paulo. Com a Seleção Brasileira, conquistou a Copa Roca em 1914, e os Campeonatos Sul-Americanos de 1919 e 1922. Sua estréia na seleção ocorreu em 1912, em um amistoso contra o ecrete paulista, vencido pelo Brasil por 7x0, com dois gols de Fried. Seu último jogo aconteceu em 1935, com uma vitória por 2x1 sobre o clube argentino “River Plate”. El Tigre não quis se profissionalizar e encerrou sua carreira no “Flamengo”, logo depois do seu 43º aniversário, despedindo-se dos gramados no dia 21 de julho de 1935, em um FlaxFlu, que terminou empatado (2x2). Arthur Friedenreich morreu aos 77 anos, em setembro de 1969, em sua cidade natal. Na zona leste de São Paulo, no bairro de Vila Alpina, existe um parque com seu nome. A cidade do Rio de Janeiro também homenageou o


grande ídolo do futebol brasileiro, dando o seu nome a uma escola, localizada no complexo esportivo do Maracanã. Fried foi considerado, pela FIFA, o maior artilheiro do futebol mundial, com 1.329 gols em 26 anos de carreira. De acordo, porém, com Alexandre da Costa (livro “O Tigre do Futebol”), foram 554 gols em 561 partidas. Já no livro “Fried versus Pelé”, de Orlando Duarte e Severino Filho, constam 558 gols e 562 jogos. A primeira música brasileira relativa ao futebol foi um choro denominado “1x0”, inspirado na memorável partida final do Sul-Americano de 1919, e composto por Benedito Lacerda, Nelson Ângelo e pelo célebre Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho). Em São Paulo, após a pacificação entre a Liga e a APEA, ocorrida em 1917, houve um período de relativa tranqüilidade até 1926, quando o “Paulistano” se desligou da associação, denunciando o falso amadorismo e criando a LAF – Liga de Amadores de Football. Destarte, o futebol paulista voltou a ter dois campeonatos simultâneos nos anos de 1926 a 1929. Em 1930, graças à decisiva atuação do jornalista Cásper Líbero, houve um nova paz, com a volta dos clubes dissidentes à APEA. O “Paulistano”, porém, manteve-se irredutível, fiel à defesa dos princípios amadorísticos, e preferiu extinguir o seu departamento de futebol. Em 1921, na cidade de Belo Horizonte, devido a uma dissidência no “Yale”, surgiu a “Societá Sportiva Palestra Itália” que viria a trocar sua denominação para “Cruzeiro Esporte Clube”, em 1942, por causa da animosidade provocada pela Segunda Grande Guerra. A popularização do futebol, crescente nos anos 20, trouxe à tona a luta que já se tratava entre o amadorismo ainda vigente e o profissionalismo. As raízes do futebol profissional no Brasil são encontradas nos jogos entre operários. Encarado inicialmente como lazer e fator de coesão interna, despertando o espírito de equipe e de atuação em conjunto dos empregados, o sucesso dos times das fábricas mostrou-se eficaz como meio de divulgação de produtos e de promoção institucional de marcas. Embora a publicidade ainda não fosse a ciência que é hoje, intuitivamente os patrões perceberam as vantagens de investir no esporte. Os trabalhadores que se mostravam bons de bola passaram a usufruir de regalias, como a dispensa para treinar e trabalho menos pesado. No livro “O Negro no Futebol Brasileiro”, o notável jornalista e escritor

Mário Filho, que mereceu ser imortalizado ao ter seu nome colocado no Estádio do Maracanã, escreveu: “Operário que jogasse bem futebol, que garantisse um lugar no primeiro time, ia logo para a sala do pano. Trabalho mais leve. (...) Os garotos que jogavam no largo da igreja sabiam que, quando crescessem, se fossem bons jogadores de futebol, teriam lugares garantidos na fábrica. (...) Depois de trabalhar muito, e principalmente, de jogar muito, o operáriojogador ganhava o prêmio da sala do pano. E podia ser ainda melhor se continuasse a merecer a confiança da fábrica, do Bangu. Havia o escritório, o trabalho mais suave do que na sala do pano. E o ordenado maior.” Embora o escritor tenha abordado o caso específico da “Fábrica Bangu”, de tecidos, e do clube por ela patrocinado, o “Bangu Atlético Club”, as idéias expostas eram utilizadas, também, por outros estabelecimentos fabris ou comerciais. Há, ainda, uma certa semelhança com a prática da concessão de bolsas aos atletas de destaque, ainda hoje usada pelas universidades norte-americanas. Um benefício que foi criado para o chamado operário-jogador e depois transformado em praxe por todos os clubes, foi o chamado “bicho” (prêmio por vitória). A denomimação de “bicho” que se popularizou até hoje, surgiu porque as gratificações nem sempre eram pagas em dinheiro. Eventualmente, alguns clubes as pagavam em animais (galinhas ou porcos), com os quais, as mães ou esposas dos jogadores, reforçavam o cardápio familiar. Assim, o futebol começou a ser uma segunda fonte de renda. O famoso zagueiro Domingos da Guia, de enorme sucesso nos anos 30, declarou, em entrevista, que se iniciou no futebol muito mais por necessidade financeira do que por gostar do esporte. Seu grande interesse eram os “bichos” por vitória. O Centenário da Independência do Brasil, em 1922, foi motivo de grandes comemorações, incluindo uma importante Exposição Internacional. No futebol, foi realizado, novamente no campo do “Fluminense”, que arcou com os elevados custos da ampliação do seu estádio para 25.000 espectadores, o Campeonato Sul-Americano de Seleções. O selecionado brasileiro repetiu o feito de 1919, sagrando-se novamente campeão da América do Sul. O ano de 1923 teve um grande significado para a futura implantação


do regime profissional no futebol brasileiro. A subida do “Vasco” para a primeira divisão do Campeonato Carioca, após ter sido o campeão da 2ª divisão, mostrou a todos uma realidade que muitos não queriam ver. Durante algum tempo, o futebol carioca conviveu com um dilema: o amadorismo puro na divisão principal; e o amadorismo “marrom” ou semi-profissionalismo nas divisões inferiores. Os times dos grandes clubes de elite eram formados, basicamente, por estudantes universitários, brancos e provenientes de famílias abastadas ou de renda, ao menos, razoável. Os times de subúrbio, por seu turno, apresentavam uma grande mistura racial e de classes sociais. Entre os jogadores do “Vasco da Gama”, alinhavam-se: os negros Nicolino (estivador), Ceci (pintor de paredes), Bolão (motorista de caminhão) e Nelson da Conceição (chofer de táxi); além de quatro brancos analfabetos. A conquista do campeonato carioca de 23 pelo “CR Vasco da Gama”, de forma insofismável, logo na sua primeira participação na divisão de topo, não foi bem aceita pelos clubes tradicionais, visto representar uma intromissão de indivíduos das classes mais baixas em uma prática esportiva que era restrita a pessoas de maior status social. O impacto causado pela vitória vascaína mereceu as seguintes considerações do jornalista Mário Filho; “Desaparecera a vantagem de ser de boa família, de ser estudante, de ser branco. O rapaz de boa família, o estudante, o branco, tinha de competir, em igualdade de condições, com o pé-rapado, quase analfabeto, o mulato e o preto para ver quem jogava melhor. Era uma verdadeira revolução que se operava no futebol brasileiro.” A reação dos chamados grandes clubes não se fez esperar. Exigiram uma mudança no regulamento da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres – LMDT, instituindo o voto qualificado, no qual a maior pontuação caberia aos seguintes clubes da elite: “América”, “Botafogo”, “Flamengo” e “Fluminense”. Não atendidas suas exigências, os quatro clubes citados e mais alguns outros desligaram-se da liga e criaram, em 1º de março de 1924, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos – AMEA, cujo primeiro presidente foi o patrono do “Fluminense” Arnaldo Guinle. No estatuto da nova associação, ficaram explícitos sua opção pelo amadorismo e seu caráter elitista, conforme a transcrição a seguir:

“CAPÍTULO IX – Da inscripção dos amadores, suas formalidades e requisitos ............................................................................................... Art. 65 – Não poderão, porém, ser inscriptos: ................................................................................................. Ítem 2 – os que tirem os seus meios de subsistência de qualquer profissão braçal, entendendo-se como tal a em que predomine o esforço physico; .................................................................................................. .................................................................................................. Ítem 7 – os que não saibam ler ou escrever correntemente; .................................................................................................. Ítem 9 – os que habitualmente não tenham profissão ou empregos certos” A existência de duas ligas acarretou a disputa simultânea de dois campeonatos de futebol com os inconvenientes e prejuízos decorrentes. O fim do amadorismo no futebol, entretanto, era apenas uma questão de tempo. Na Itália, em 1923, o Juventus aliciou o jogador Viri Rossetta mediante pagamento. O seu antigo clube recorreu à justiça, que deu o ganho da causa ao clube de Turim, abrindo o precedente para as transferências serem feitas por dinheiro. Foi esse o passo inicial para a implantação do profissionalismo no futebol italiano. Em 1924, a Espanha e a Áustria também adotaram o profissionalismo, da mesma forma que a Argentina e o Uruguai, na América do Sul. Após ter conseguido o terceiro lugar nos campeonatos de 1923 e 1924, o “São Cristovão”, sob o comando do técnico Luís Vinhaes, conquistou o Campeonato Carioca de 1926, vencendo por 5x1 o “Flamengo” no último jogo, realizado no estádio da Rua Paysandu. Com os três tentos marcados nessa parida, o seu goleador Vicente assegurou a artilharia do certame. A primeira Copa do Mundo, organizada pelo novo Presidente da FIFA, o francês Jules Rimet, e realizada em 1930, no Uruguai, já admitiu a participação de jogadores profissionais. A Seleção Brasileira era amadora e tinha, entre os seus destaques, o defensor Fortes, incansável marcador, campeão sul-americano de 1919 e 22, e como capitão o grande


craque Preguinho (João Coelho Netto), que jogava no “Fluminense” e marcou o primeiro gol do Brasil na disputa mundial. Entretanto, o escrete brasileiro perdeu por 2x1 para a Iugoslávia, na estréia, e venceu o jogo seguinte, contra a Bolívia, por 4x0, mas não se classificou para a segunda fase. O técnico brasileiro foi Píndaro Rodrigues. Apresntamos, a seguir, os dados biográficos, do craque Preguinho, símbolo da Seleção do Brasil, em 1930, e da era amadorista que se aproximava do fim. João Baptista Coelho Neto, mais conhecido como Preguinho, nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de fevereiro de 1905. Sócio do “Fluminense” desde 1916, quando tinha onze anos, começou a praticar futebol nos infantis do clube. Filho do escritor Coelho Neto, de família abastada, Preguinho pode se dedicar aos esportes e praticou, com êxito, nove modalidades. Seu pai incentivou os quatorze filhos à prática desportiva, uma forma eficaz de manter a saúde, no seu entender. Assim, o menino João foi aprender a nadar e foi jogado n’água. Afundou como um prego, e ganhou o apelido. Defendeu as cores do clube das Laranjeiras no atletismo, basquete, vôlei, natação, saltos ornamentais, pólo aquático, hóquei sobre patins, além de sua paixão, o futebol. Em todos, foi um vencedor, conquistando glórias (55 títulos) e medalhas (387). Praticou também remo, pelo “Guanabara”, uma vez que o tricolor do seu coração não disputava esse esporte. Alto e forte, foi um virtuoso da bola no futebol , dotado de um chute muito potente, chamado de tijolo quente pelos torcedores. Aos dezesseis anos, começou a se destacar pelo seu excelente tino para marcar gols. Seu único clube foi o “Fluminense”, de cuja equipe principal ele foi titular de 1925 a 1935 e de 1937 a 1938. Preguinho jogou como meiocampista e como atacante, especialmente na ponta-esquerda. Mesmo após a implantação do profissionalismo, continuou sendo amador. Foi Campeão Carioca em 1937 e 1938, vencedor do Torneio Início em 1925 e 1927, e Campeão do Torneio Aberto do Rio de Janeiro em 1935. Foi artilheiro do Campeonato Carioc em 1928 e 1932. Um fato pitoresco ocorreu em 1928. Na véspera do clássico FlaxFlu, Preguinho recebeu do goleiro rubronegro Amado o seguinte telegrama: “Amanhã não farás nenhum gol. Vai ser canja para o Flamengo. E a

zero”. Então, ele entrou em campo com gana de gol e logo, aos dois minutos, marcou, de longa distância. Fez, em seguda, o segundo, de calcanhar. No final, o tricolor venceu por 4x1 e Amado nunca mais brincou com o seu amigo, menosprezando-o como adversário. O gol que Preguinho considerava o mais bonito de sua carreira, foi um no qual ele recebeu a bola na sua intermediária e, ao ver o goleiro do “Botafogo” adiantado, desferiu um petardo, encobrindo-o e marcando um golaço. Disputou, como capitão da Seleção Brasileira, a primeira Copa do Mundo, realizada em 1930, no Uruguai. Foi o autor do primeiro gol do Brasil em campeonatos mundiais, no jogo em que a equipe brasileira perdeu para a iugoslava por 2x1. Na segunda partida, Prego, como ainda era chamado (o diminutivo carinhoso foi-lhe dado, posteriormente, pela torcida tricolor), marcou dois gols, na goleada sobre a Bolívia (4x0). Após pendurar as chuteiras, continuou a participar ativamente das decisões político-administratativas do clube da Rua Álvaro Chaves. Foi ele o diretor de futebol que aprovou a entrada de Telê, ainda juvenil, nas Laranjeiras. Em 1952, o “Fluminense Football Club” concedeu a João Coelho Neto o primeiro título de Grande Benemérito Atleta, seu maior motivo de orgulho. Preguinho morreu em 1979, em sua cidade natal. Sua memória está perpetuada no “Fluminense” na denominação do ginásio do clube, e com um busto na sede social. Também no Brasil, crescia a pressão pela adoção do profissionalismo. Um grupo de atletas publicou no jornal especializado Gazeta Esportiva, em 1932, um manifesto a favor da profissão de jogador de futebol. O livro “Grandezas e Misérias do Nosso Futebol”, de autoria do jogador Floriano Peixoto Correa, publicado em 1933, faz veementes críticas ao falso amadorismo então vigente, conforme exemplo a seguir: “E o ‘amadorismo’ foi-se desmascarando. Em 1915 já não era escândalo a gratificação aos jogadores feita às claras em qualquer clube de São Paulo ou do Rio, de Pernambuco ou do Rio Grande do Sul.” Os clubes brasileiros, que eram amadores, não tinham como impedir que seus melhores atletas se transferissem para o exterior, quando recebiam tentadoras propostas de clubes profissionais. Assim, o “Barcelona” da Espanha contratou o craque Fausto dos Santos, em 1931. No mesmo livro acima referido, o jogador-escritor Correa cita o caso do


colega Amilcar Barbuy, transcrevendo o seu desabafo, conforme segue: “Vou para a Itália. Cansei de ser amador no futebol onde essa condição há muito deixou de existir, maculada pelo regime hipócrita da gorjeta que os clubes dão aos seus jogadores, reservando-se para si o grosso das rendas. Durante 20 anos prestei desinteressadamente ao futebol nacional os meus modestos serviços. Que aconteceu? Os clubes enriqueceram e eu não tenho nada. Sou pobre. Sou um pária do futebol. Não tenho nada. Vou para o país onde sabem remunerar a capacidade do jogador.” Em função desse clima a favor do profissionalismo e percebendo a inevitabilidade do fim do amadorismo no futebol de alto nível, os clubes cariocas “América”, “Bangu”, “Fluminense” e “Vasco”, em 1933, desfiliam-se da AMEA – Associação Metropolitana de Esportes Amadores, criada em 1924, e fundam a LCF – Liga Carioca de Football, primeira entidade brasileira a oficializar a inscrição de jogadores profissionais. Logo em seguida, em agosto de 1933, a APEA – Associação Paulista de Esportes Athleticos adota a mesma prática. Assim, as duas mais importantes ligas regionais decidem romper com a CBD – Confederação Brasileira de Desportes e criar a FBF – Federação Brasileira de Football. Passam, então, as duas entidades nacionais a disputar, em renhida luta, o direito de representar o Brasil em competições internacionais, sobretudo naquelas que tinham o aval da FIFA. Enquanto a FBF adotava o profissionalismo, já corrente em outras federações nacionais e aceito pela FIFA, a CBD permanecia fiel ao amadorismo, ainda que eivado de vícios. A FBF, baseada em um artigo da FIFA, que estabelecia que suas filiadas deveriam dedicar-se exclusivamente ao futebol, confiava em vencer a luta, uma vez que a CBD congregava todos os esportes. Entretanto, a CBD já dispunha de um poder de fogo muito maior e conhecia melhor a arte da barganha. Assim, conseguiu o apoio de alguns clubes cariocas: “Vasco”, “São Cristovâo” e “Bangu”; e dos paulistas: “Palestra Itália” e “Corinthians”. Com um registro provisório na FIFA, continuou comandando o futebol brasileiro na área internacional, até que, muitos anos depois, alterou seus estatutos e sua estrutura, passando a se constituir na CBF – Confederação Brasileira de Futebol, e regularizou-se junto à FIFA.

A Copa do Mundo de 1934, cujo país sede foi a Itália, coincidiu com o auge da briga CBDxFBF e a seleção do Brasil, composta ainda por amadores, teve uma participação muito modesta, sendo eliminada logo no primeiro jogo, ao ser derrotada pela Espanha por 3x1 (os jogos foram eliminatórios desde o início, ou seja, mata-mata já na 1ª fase). Dos convocados para o escrete brasileiro, nove atletas jogavam pelo “Botafogo”, entre os quais o artilheiro Carvalho Leite. O único gol do Brasil foi marcado por Leônidas da Silva, então jogador do “Vasco da Gama”. O técnico do selecionado brasileiro foi Luiz Augusto Vinhaes. Carlos Antônio Dobbert de Carvalho Leite nasceu em Niterói, RJ, no dia 26 de maio de 1912. Iniciou sua atividade futebolística no “Petropolitano FC”, aos quinze anos. Depois de três anos no clube da serrana Cidade Imperial, começou, em 1930, sua carreira no “Botafogo”, do Rio de Janeiro. onde atuou até 1941. Carvalho Leite foi um centroavante trombador e artilheiro, com marcante presença de área. Ídolo alvinegro, foi Campeão Carioca em 1930, 1932, 1933, 1934 e 1935. Realizou 326 partidas, marcando 273 gols, pela equipe botafoguense. Com a Seleção Brasileira, disputou as Copas do Mundo de 1930 e 1934. Marcou 15 gols em 25 jogos, entre 1930 e 1937. Médico, exerceu essa atividade no “Botafogo”, nos anos 40, e também colaborou com o clube, como treinador, em quatro oportunidades. Faleceu em 2004, aos 92 anos de idade. A profissionalização do futebol no Brasil propiciou o surgimento de grandes craques, legítimos sucessores do “El Tigre” Friedenreich: Fausto dos Santos, Domingos da Guia, Leônidas da Silva e Waldemar de Brito. Fausto dos Santos, nascido em 1905, tinha 1,86 m de altura (muitíssimo alto, se considerarmos os padrões médios brasileiros da época) e jogava no meio de campo, na posição hoje chamada de volante. Aliava muita disposição à grande habilidade, com um toque de bola refinado de elegância e precisão nos passes. Iniciou sua carreira em 1926, no “Bangu”. Em 1930, atuava no Vasco, quando integrou a seleção brasileira e recebeu a alcunha de “Maravilha Negra”. No ano seguinte, ao participar de uma excursão do “Vasco” à Espanha, acabou sendo contratado pelo “Barcelona”. Ficou pouco tempo no país ibérico por ter sido alvo de


discriminação racial. Morreu aos 34 anos, vítima da tuberculose. Domingos Antônio da Guia nasceu no Rio de Janeiro em novembro de 1912. Foi revelado, em 1929, pelo “Bangu”, clube pelo qual tinha grande ligação afetiva e onde encerrou sua carreira em 1949. Domingos foi um zagueiro de grande habilidade que se caracterizou por realizar, com sucesso, uma jogada de grande risco que consistia em sair da sua área com a bola nos pés, driblando os adversários. Essa jogada ficou conhecida como “domingada”. Anos mais tarde, alguns locutores, passaram e empregar esse termo, com certo tom pejorativo, quando zagueiros menos habilidosos tentavam fazê-la, colocando em perigo a sua meta. Domingos da Guia foi campeão carioca pelo “Vasco” (1934) e pelo “Flamengo” (1939, 1942 e 1943), uruguaio pelo “Nacional” (1933) e argentino pelo “Boca Juniors” (1935). Pela seleção do Brasil, conquistou a Copa Rio (1931 e 1932) e a Copa Roca, em 1945, além do terceiro lugar na Copa do Mundo de 1938. Waldemar de Brito nasceu em 1913, em São Paulo. Foi artilheiro do campeonato paulista de 1933, com 21 gols. Defendeu, principalmente, as cores do “São Paulo FC”, tendo atuado no Rio de Janeiro pelo “Botafogo” e “Flamengo”, clube no qual foi campeão carioca, em 1939. Jogou pela seleção do Brasil na Copa do Mundo de 1934. Atuou também na Argentina, envergando o uniforme do “San Lorenzo”. Posteriormente, como técnico do “Bauru Atlético Clube”, revelou, em 1954, um jovem jogador chamado Edson Arantes do Nascimento, cujo apelido na ocasião era “Dico”, mas se tornou mundialmente famoso como “Pelé”. Em 1913, nasceu, no Rio de Janeiro, Leônidas da Silva, que começou a jogar futebol no time infantil do São Cristovão, em 1923. Conhecido como “Diamante Negro”, embora também chamado de “Homem Borracha”, por sua elasticidade, celebrizou-se como o inventor da “bicicleta” no futebol, embora alguns reivindiquem essa glória para outro jogador brasileiro, Petronilho de Brito. Além de ter disputado as Copas do Mundo de 1930, 1934 e 1938, pela seleção brasileira, Leônidas atuou por vários clubes cariocas, entre os quais, “Bonsucesso”, “Vasco”, “Botafogo”, e “Flamengo”; “Peñarol”, no Uruguai; e “São Paulo”, na capital paulista. Com a Seleção Carioca, conquistou o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, em 1931. Ganhou os títulos de Campeão Carioca em

1935 (“Botafogo”) e 1939 (“Flamengo”); e de Campeão Paulista, em 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949 (“São Paulo”). Pela Seleção Brasleira, com a qual fez 37 gols em 37 jogos, venceu a Copa Rio Branco de 1932 e a Copa Roca de 1945. Leônidas da Silva encerrou sua brilhante carreira de jogador, em 1950. Tornou-se renomado comentarista em São Paulo, até 1974, quando teve que interromper suas atividades, devido ao “Mal de Alzheimer”. Faleceu aos 90 anos, em janeiro de 2004, na capital de São Paulo. Finalmente, em 1937, a CBD rendeu-se ao profissionalismo, tendo em vista a manutenção do seu controle sobre o futebol do Brasil. Com a idéia de usufruir das vantagens oferecidas pela CBD, o “Palestra Itália” (hoje “Palmeiras”) e o “Corinthians” saíram da APEA e fundaram a Liga Bandeirante de Football com a adesão de: “CA Juventus”, “São Paulo Railway AC”, “Hespanha FC”, “Santos FC”, “AA Portuguesa” e, posteriormente, do “São Paulo FC”. Pouco depois, a Liga Bandeirante veio a se chamar Liga Paulista de Football e promoveu um campeonato, paralelo ao da APEA. Com o desaparecimento da APEA, em 1937, o campeonato paulista \voltou a ser um só, agora sob o comando da LPF, que alterou novamente, em 1938, sua denominação para Liga de Football do Estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, o “Vasco”, contando em sua equipe com um naipe de craques como Leônidas, Domingos da Guia e Fausto, venceu o Campeonato Carioca de 1934. No final do ano, precisamente no dia 11 de dezembro de 1934, oito clubes reunidos na sede do “Botafogo”, a saber, além do anfitrião: “Andaraí”, “Bangu”, “Carioca”, “Madureira”, “Olaria”, “São Cristovão” e “Vasco”; resolveram fundar a Federação Metropolitana de Desportos – FMD, de cunho amador. Assim, novamente, nos anos de 1935, 36 e 37, passaram a coexistir dois campeonatos: o da Liga Carioca de Football – LCF (fundada em janeiro de 1933, adotando o profissionalismo) e o da recém-criada FMD. Além disso, passou a existir o Torneio Aberto, assim chamado por ser uma competição na qual se enfrentavam os times profissionais e os amadores. No dia 29 de julho de 1937, foi selada a paz, com a fusão da LCF e da FMD e o surgimento da Liga de Football do Rio de Janeiro que, em 1941, teve seu nome alterado para Federação Metropolitana de Football - FMF.


Em 1930, a extinção do departamento de futebol do “Paulistano” fez com que alguns de seus integrantes, juntamente com outros desportistas vinculados à “Associação Atlética das Palmeiras” criassem um clube de futebol que se denominou “São Paulo Floresta”. Logo em 1931, graças à herança da forte base da equipe do “Paulistano”, foi o campeão de São Paulo. Entretanto, pouco tempo depois surgiu uma crise decorrente de uma pretendida fusão com o clube de regatas “Tietê”, que resultou em uma paralisação temporária de atividades, que cessou graças à refundação do clube, com nova denominação: “São Paulo Football Club”, em 1935. O campeão carioca de 1930 foi o “Botafogo”, liderado pelos craques Carvalho Leite e Nilo. Pouco depois, “O Glorioso” alvi-negro conquistou o tetracampeonato (1932/33/34/35) na liga amadora. Em 1935, o “Fluminense” no afã de reconquistar sua antiga supremacia no futebol do Rio de Janeiro, que a partir de 1925 viu a ascensão de “São Cristovão” e “Bangu”, que passaram a dividir com “América”, “Botafogo”, “Flamengo”, “Vasco” e o próprio tricolor, as glórias cariocas, contratou nada menos que 11 jogadores da seleção paulista, bicampeã do campeonato brasileiro de seleções estaduais, entre os quais o goleiro, Algisto Lorenzato, o Batatais. Em seguida, nos anos seguintes, reforçou-se, ainda mais, com jogadores de altíssimo nível, como: Brant, Russo, Hércules, Pedro Amorim, Carreiro e o argentino Rongo (vindo do “River Plate”). Explica-se assim a grande hegemonia do tricolor das Laranjeiras no período de 1936 a 1941, quando conquistou cinco campeonatos cariocas. A exceção foi o campeonato de 1939, vencido pelo “Flamengo”. Memorável foi a campanha tricolor no tricampeonato de 1936/37/38, com um time que teve expoentes como o goleiro Batatais; os defensores Ernesto, Marcial, Brant e Orozimbo; e os atacantes Sobral, Romeu, Russo e Hércules; além da participação do então já veterano Preguinho. Sobre o ponteiro esquerdo Hércules, dizia o cronista Geraldo Romualdo da Silva: “tem um canhão no pé esquerdo e um míssil no direito”. No bicampeonato de 1940/41, o “Fluminense” marcou 106 gols, só em 1941(recorde no Campeonato Carioca). Algisto Lorenzato nasceu em Batatais, S.P., em 1910. Com nome tão incomum aos ouvidos brasileiros, foi natural que ficasse conhecido pela alcunha advinda de sua cidade natal. O goleiro Batatais iniciou sua car-

reira profissional no “Comercial F C”, de Ribeirão Preto. Transferiu-se, em 1933, para a “Portuguesa de Desportos” e, para o “Palmeiras”, em janeiro de 1935, onde ficou apenas seis meses. Em junho do mesmo ano, foi para o “Fluminense” onde teve o seu auge, como o melhor goleiro do país, sendo tri-campeão carioca em 1937/38/38 e bi em 1940/41. Teve atuação decisiva no célebre Fla – Flu da Lagoa, quando embora contundido no braço, pisado pelo centro-avante Pirillo, garantiu o empate que assegurou o Campeonato de 1941 ao tricolor das Laranjeiras. Esse jogo ficou famoso porque, realizado no campo rubro negro, junto à Lagoa Rodrigo de Freitas, os jogadores do “Flu”, com um a menos, para resistir à pressão do “Fla”, chutavam a bola para a água (na época, jogava-se com apenas uma bola), obrigando os remadores flamenguistas a irem buscá-la para recomeçar a partida. Apesar do esforço do Flamengo em buscar a vitória, Batatais evitou que o time da Gávea a alcançasse e a disputa terminou 2 X 2. Na Copa do Mundo de 1938, Batatais foi o “goal-keeper” da Seleção Brasileira. Terminou sua carreira em 1946, no “América F C”. Romeu Pellicciari, nascido em Jundiaí (SP), no ano de 1911, iniciou-se no futebol em times amadores de sua cidade natal. Sua carreira profissional começou, em 1930, no “Palestra Itália”, clube pelo qual foi tricampeão paulista (1932/33/34). Integrou a excelente seleção de São Paulo, bicampeã (1934/35) do Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, cuja base foi totalmente contratada pelo “Fluminense”, transferindo-se para o Rio. Pelo tricolor carioca, foi tricampeão (1936/37/38) e tornou-se ídolo nacional. Careca e gordinho, era exímio lançador, deixando sempre seus companheiros de ataque em condições de marcar. Entretanto, não foi a precisão nos passes a sua maior qualidade e, sim, os seus sensacionais dribles. Em seu enorme repertório, destacava-se o “Passo de Ganso”, jogada precursora da “pedalada” praticada nos dias atuais, especialmente pelo craque Robinho. No célebre FlaxFlu da Lagoa, após a expulsão de Carreiro, que, com seu potente chute, jogou a bola, inúmeras vezes, para o meio do espelho d’água, Romeu incumbiuse de gastar os minutos finais, driblando os adversários, de um lado para o outro. Disputou a Copa do Mundo de 1938, na França, onde foi artilheiro. Ainda no “Fluminense”, Romeu conquistou o bicampeonato carioca de 1940 e 1941. Voltou para o Palmeitas, para se sagrar nova-


mente campeão paulista, em 1942. Encerrou a carreira em 1947. Tim, o Elba de Pádua Lima, nasceu em 1916, em Rifaina, interior de São Paulo. Aos 12 anos, em 1928,começou a jogar na equipe infantil do “Botafogo F C”, de Ribeirão Preto. Com 15 anos, em 1931, passou para o time principal, profissional. Aos 18, em 1934, foi vendido à “Portuguesa Santista”. No ano seguinte, atuou pela Seleção Paulista, vencendo o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Em 1936, participou da Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Sui-Americano. No mesmo ano, foi para o “Fluminense”, onde o seu futebol atingiu o apogeu e, como meia armador, foi cinco vezes campeão carioca (1936/37/38 e 1940/41). Pela Seleção Brasileira, jogou na Copa do Mundo de 1938, realizada na França, e na Copa da América de 1942, disputada na Argentina, onde recebeu o apelido de “El Peón”, pela sua facilidade de conduzir o time, como meia de ligação. Em 1947, ainda como jogador, passou a exercer, simultâneamente, a função de técnico, no “Olaria” do Rio de Janeiro; em 1948, voltou ao “Botafogo” de Ribeirão Preto, ainda acumulando as funções de jogador e técnico, até 1950. A partir de 1951, com 35 anos, continuou sua carreira como técnico, exclusivamente. Alguns anos depois, obteve muitas glórias nessa atividade, conquistando os campeonatos cariocas de 1964, 1966 e 1970, pelo “Fluminense”, “Bangu” e “Vasco”, respectivamente; foi campeão do Torneio do Povo, em 1972, no Paraná, pelo “Coritiba”; e, na Argentina, foi campeão pelo “San Lorenzo de Almagro”, em 1968. Assumiu a Seleção do Peru, em 1982, e conseguiu a sua classificação para a Copa do Mundo daquele ano; nesse mundial, o time peruano foi eliminado, após dois empates (Cameroun e Itália) e uma derrota (Polônia). Na Copa do Mundo de 1938, disputada na França, o Brasil teve uma participação mais expressiva que nas duas edições anteriores. A seleção brasileira, tendo Adhemar Pimenta no comando técnico e a equipe do “Fluminense”, como base, conquistou o honroso terceiro lugar, ao vencer a Suécia por 4x2. O artilheiro da competição, com 8 gols, foi o centroavante brasileiro, jogador do “Flamengo” na época, Leônidas, o “Diamante Negro”. A estréia foi um jogo emocionante, contra a Polônia, que terminou 4x4 no tempo normal. Na prorrogação, vitória brasileira por 2x1, totalizando o resultado final: Brasil 6 x Polônia 5. No jogo seguinte, o adversário foi a Tchecoslováquia, registrando-se novo

empate por 1x1 no tempo normal. Como o empate permaneceu até o fim da prorrogação, houve necessidade de um novo jogo, vencido pelo Brasil: 2x1. Depois dessas duas emocionantes, porém cansativas vitórias, coube ao Brasil enfrentar, em uma das semifinais, a Itália, campeã em 1934, desfalcado de Leônidas, seu melhor atacante (posteriormente eleito o melhor jogador da Copa de 38), por motivo de contusão. Ocorreu, então, a derrota brasileira por 2x1. Assim, a Itália conquistou o bicampeonato, vencendo por 4x2 a Hungria, na final. Após a fase de predomínio do “Fluminense” no futebol carioca (1935 a 1941), foi a vez do rubro-negro “Flamengo” mostrar a sua força, conquistando o tri-campeonato de 1942, 43 e 44. Entre seus valores, pontificavam: Domingos da Guia (1942/43), na zaga; Biguá e o paraguaio Bria, na linha média; e, no ataque, o melhor de todos, Zizinho, o goleador Sylvio Pirillo e o argentino Valido, que já aposentado, voltou a jogar em 1944, atendendo convite do técnico Flávio Costa, e marcou o gol do último jogo (vitória de 1x0 sobre o “Vasco”), assegurando o primeiro tricampeonato da história rubro-negra. Sylvio Pirillo Camerino nasceu em Porto Alegre, no dia 26 de julho de 1916. Após o início, em 1934, no “Americano” de sua cidade natal, transferiu-se para o “Internacional” em 1936. Defendeu o colorado gaúcho até 1939, quando foi para o Uruguai jogar no “Peñarol”. Em 1941, retornou ao Brasil, contratado pelo “Flamengo”. No Rio de Janeiro, passou a ter mais destaque, conquistando, logo no seu primeiro ano, a artilharia do campeonato carioca, com a marca recorde de 39 gols. Sylvio Pirillo foi um atacante (centroavante) com grande vocação para goleador. Jogou na Seleção Brasileira em 1942. Com a camisa rubronegra, que vestiu até 1947, foi Tricampeão Carioca (1942/43/44). Voltou a ganhar o título de Campeão Carioca, em 1948, com o “Botafogo”, onde pendurou as chuteiras e começou suas atividades de treinador. Como técnico, a sua melhor fase ocorreu no comando do “Fluminense” (1956 a 1958), quando conquistou o Torneio Rio–São Paulo de 1957. Pirillo também treinou a Seleção do Brasil, em 1957 (quando convocou, pela primeira vez, o ainda muito jovem Pelé para disputar a Copa Roca) e em 1962. Encerrou a carreira de treinador em 1980, aos 64 anos e faleceu com 74 anos, em 1991. Tomás Soares da Silva, o Zizinho, nasceu em São Gonçalo, Estado do


Rio de Janeiro, em 1921. De 1939 a 1950, jogou pelo rubro negro carioca. Pouco antes do início da Copa do Mundo de 50, na qual foi considerado o melhor jogador, foi cedido para o ‘Bangu Atlético Clube”. Em 1957, transferiu-se para o São Paulo, conquistando o título de Campeão Paulista no mesmo ano. De 1958 a 1962, quando encerrou sua magnífica carreira, atuou pelo “Audax Italiano” do Chile. Na década de 1940, o “Mestre Ziza” , como era carinhosamente chamado, integrou a seleção brasileira, formando um dos melhores ataques da sua história de glórias: Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir. Além do vice-campeonato mundial de 1950, Zizinho foi Campeão SulAmericano em 1949. No dia 8 de dezembro de 1942, surgiu o “Botafogo de Futebol e Regatas”, resultante da fusão entre o “Club de Regatas Botafogo” e o “Botafogo Football Club”. Ainda antes da fusão, em 1938, o “Botafogo FC” havia reformado seu estádio, na Rua General Severiano, com a construção de novas arquibancadas e, em 1939, viu surgir o substituto do ídolo Carvalho Leite, o grande craque Heleno de Freitas que viria a ser o maior nome da equipe do novo “Botafogo” até 1947. Em São Paulo, a inauguração do Estádio Municipal do Pacaembu, em 1940, significou o advento de uma nova era para o futebol local. Até 1941, os clubes hegemônicos na capital paulista eram o “Corinthians” e o “Palmeiras” (“Palestra Itália”). Em 1942, porém, o “São Paulo” fez uma fantástica contratação: Leônidas da Silva. O objetivo do clube vermelho, preto e branco ao fazer tão grande investimento, era o de conquistar o seu segundo título de campeão paulista. Na reunião havida na Federação Paulista para definir o calendário do campeonato de 1943, o representante do “Corinthians”, com a soberba característica da sua torcida, afirmou que, para saber de antemão o futuro campeão, bastava jogar uma moeda ao ar: se desse cara, seria o seu clube; coroa, significaria o triunfo do “Palmeiras”. Questionado sobre as possibilidades do São Paulo, o corintiano afirmou que o tricolor só ganharia se a moeda parasse em pé; e, se ficasse no ar, o campeão seria a “Portuguesa”, debochou. E, não deu outra! O “São Paulo” foi o campeão de 1943 e comemorou, fazendo um carro alegórico com uma moeda em pé. Além disso, confirmou ser o melhor da década, conquistando os bicampeonatos paulistas de 1945/46 e 1948/49.

Muito possivelmente, o nome mais famoso do futebol em São Paulo, na década 1941/50, tenha sido o de um goleiro, que recebeu o sugestivo apelido de “A Muralha”, por feehar o gol do “Palmeiras” e da Seleção Paulista, em muitas oportunidades. Oberdan Cattani nasceu em Sorocaba (Estado de São Paulo), no dia 12 de junho de 1919. Começou a jogar futebol, na posição de guardião (“goal-keeper”, como se dizia, na época), muito jovem, como amador, tendo atuado em diversos clubes de sua cidade, entre os quais o “Estrada de Ferro Sorocabana Futebol Clube” e o “Esporte Clube São Bento”. Oberdan foi um goleiro excepcional, dotado de ótimo senso de colocação e reflexos aguçados. Foi ídolo da torcida palmeirense e titular do gol da Seleção Paulista durante muitos anos. Disputou nove jogos pela Seleção Brasileira, nos anos de 1944 e 1945. Sua carreira profissional teve início em 1940, no “Palmeiras”. Permaneceu no Parque Antártica até 1954, tendo guarneido a meta palestrina em 351 jogos. Foi Campeão Paulista em 1942, 1944, 1947 e 1950. Em 1951, foi vencedor do Torneio Rio-São Paulo e conquistou a Copa Rio (campeonato mundial de clubes). Transferiu-se em 1954 para o “Juventus”, da capital paulista, onde encerrou a carreira, em 1955. Em junho de 2011, completou 92 anos, na cidade de São Paulo, onde reside. Nos anos 40, o futebol gaúcho foi amplamente dominado pelo “Internacional”, hexacampeão (1940/41/42/43/44/45) e bicampeão (1947/48), restando ao Grêmio contentar-se com os títulos de 1946 e 1949. A equipe colorada, composta por grandes craques, ficou conhecida como o “Rolo Compressor” do Rio Grande do Sul. O campeão carioca invicto de 1945 foi o “Vasco”, cuja equipe, celebrizada sob o apelido de “Expresso da Vitória”, tinha um trio atacante temido pelos goleiros adversários, formado por Ademir, Lelé e Jair. Ademir Marques Menezes, nascido no Recife, em 1922, foi revelado pelo “Sport Club do Recife”, em 1937/1938, ao conquistar o bicampeonato juvenil. Campeão pernambucano e artilheiro em 1941, transferiuse para o “Vasco”, no final do mesmo ano, sem concluir seus estudos universitários de Medicina, que cursava no Recife. Sua estréia ocorreu em março de 1942, contra o “América”, com vitória vascaína por 2x1, em disputa do troféu da Paz. Desde então o jogo Vasco x América passou a ser conhecido como “Clássico da Paz”. Dotado de excepcional


velocidade, sua jogada mais característica era o chamado “rush”, que consistia em uma arrancada com a bola dominada, vencendo os adversários na corrida ou driblando-os, até a área adversária, de onde desferia um tiro certeiro, geralmente sem defesa. Devido à proeminência de seu queixo, que se destacava em seu rosto magro, recebeu o apelido de Queixada. O consagrado jornalista Armando Nogueira, botafoguense de quatro costados, recentemente falecido, em belíssima crônica publicada, nos anos 80, em “O Globo, escreveu: “Quantas vezes amaldiçoei os “rushes” de Ademir. Ele arrancava do meio campo, temível, e, como um raio, entrava pela grande área, fulminante. O desfecho da jogada era sempre o mesmo. Uma bola no fundo da rede, um goleiro desvalido e o meu coração magoado.” Terminado o campeonato de 1945, o técnico Gentil Cardoso, do “Fluminense” lançou um desafio à sua diretoria: “Me dêem o Ademir que eu lhes dou o título de campeão”. E Ademir Menezes foi para as Laranjeiras. Entretanto, o Campeonato Carioca de 1946 terminou empatado entre quatro clubes, sendo necessária uma fase final extra, chamada de “Supercampeonato”. Promessa feita, promessa cumprida! Na disputa extra, o tricolor obteve 5 vitórias e 1 empate, sagrando-se “Supercampeão”. E o grande astro da campanha foi o supercraque Ademir. O jogo final contra o “Botafogo” terminou com a vitória do “Fluminense” por 1x0, gol de Ademir, perante cerca de 35.000 pessoas, no Estádio de São Januário. Ademir Menezes brilhou intensamente ao atuar pela Seleção Brasileira em diversas oportunidades, tendo sido o artilheiro da Copa do Mundo de 1950, com 9 gols. Seu companheiro de ataque no “Expresso da Vitória”, Lelé, foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1945. Nascido em 1918, Manuel Pessanha integrou um excelente trio atacante do “Madureira”, jocosamente alcunhado de “Os Três Patetas”, formado por ele, Isaías e Jair. Despertado o interesse vascaíno, os três foram contratados de uma só vez. Lelé não era rápido, mas tinha um potente chute de pé direito. Atuou no “Vasco” de 1943 a 1948, e após a vitória de 45, foi citado na marchinha do carnaval de 1946 “No boteco do José”, de autoria do famoso Wilson Batista e de Augusto Garcez, interpretada pela não menos famosa Linda Batista.

Jair da Rosa Pinto, o “Jájá de Barra Mansa”, nasceu em 1921, em Quatis, na época distrito do município de Barra Mansa. Iniciou sua carreira em 1938 no “Madureira”. Ingressou no “Vasco” em 1943. Após a espetacular campanha invicta de 1945, transferiu-se, no ano seguinte, para o “Flamengo”. Jair foi o melhor cobrador de faltas do futebol brasileiro da época. A sua saída do rubro-negro, em 1949, foi causada por um episódio lamentável, sob todos os aspectos. Seu ex-clube, o “Vasco da Gama” havia formado um grande time, tanto que veio a ser, no ano seguinte, a base da seleção brasileira convocada para a Copa do Mundo. Entrementes, o time do “Flamengo”, dirigido por Kanela, competente técnico de basquete, mas neófito em futebol, era constituído por muitos veteranos, alguns ainda remanescentes da equipe tricampeã de 42/3/4. Na concentração, o radialista e compositor Ary Barroso, fanático flamenguista que transmitia os jogos, saudando os gols de seu time com uma famosa gaitinha, o inquiriu: “Vamos ganhar do “Vasco”, Jair?”. Desanimado, o craque respondeu: “Não sei não. Se Deus ajudar...”. Iniciado o jogo, o “Flamengo” surpreendeu, abrindo uma vantagem de 2x0. Em seguida, Jair, frente à frente com o goleiro vascaíno, o excelente Moacir Barbosa, perdeu o gol. Logo após, o time rubro negro, inclusive seu maior craque, o Jair, recuou e permitiu a reação do rival que marcou cinco gols. Indignado, Ary não conteve seu fanatismo. Em plena transmissão, relembrou seu diálogo com o jogador e, acusando-o de covarde, incitou a torcida a queimar a camisa do, até então, ídolo. Efetivamente, uma camisa rubronegra foi queimada (não se sabe se a usada pelo Jair ou outra qualquer) e, pior, ele foi acusado de ter sido subornado pelo Major Póvoas, dirigente do clube da Cruz de Malta. Inconformado e sem ambiente, Jair transferiu-se, uma semana depois, para o “Palmeiras”. Heleno de Freitas, nascido em 1920, é considerado o primeiro “craque problema” do futebol brasileiro. Genioso, freqüentemente era expulso de campo, prejudicando sua equipe. Foi apelidado de “Gilda”, título e personagem principal de um famoso filme de Hollywood, interpretado pela belíssima Rita Hayworth, por causa de seu estrelismo. Filho de pai rico, Heleno estudou em um dos melhores e mais tradicionais educandários cariocas, o Colégio São Bento; depois obteve o


bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Alto (1,82 m), extremamente hábil com a bola nos pés e dotado de excelente cabeceio, instruído e de boa aparência, tinha tudo para fazer sucesso, como fez; por outro lado, seu temperamento irritadiço, sua pinta de galã e sua propensão à boemia, levaram-no à derrocada, com problemas de sífilis e morte prematura, em 1959. Após ser descoberto por Neném Prancha, conhecido olheiro botafoguense do futebol de areia na praia de Copacabana, iniciou sua brilhante carreira no “Botafogo” em 1937. Heleno defendeu as cores alvinegras até 1948, marcando 209 gols em 235 jogos disputados. Curiosamente, o “Botafogo não conquistou nenhum campeonato carioca nesse período, só vindo a fazê-lo, em 1948, logo depois da saída do seu então maior ídolo, transferido para o “Boca Juniors”, da Argentina, na maior transação do futebol brasileiro da época. Retornou ao Rio, no ano seguinte, para jogar pelo “Vasco”, sagrando-se campeão carioca de 1949. Em seguida, atuou pelo “Atlético Juniors” de Barranquilla, na Colômbia, e pelo “Santos”, voltando ao Rio para encerrar sua carreira no “América” pelo qual atuou apenas 35 minutos, pois em sua estréia e primeira (e única) partida no Estádio do Maracanã, foi expulso por falta violenta, ainda no tempo inicial. Ainda fez uma tentativa de voltar a jogar profissionalmente pelo “Flamengo”, mas se desentendeu com os futuros companheiros de time, em um jogo-treino, e não chegou a ser contratado.Pela seleção brasileira, Heleno de Freitas marcou 15 gols em 18 partidas, tendo vencido a Copa Roca de 1945 e a Rio Branco, em 1947. O “Fluminense” conquistou o título de Supercampeão, em 1946, com um ataque fabuloso, formado por Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues, contando, ainda, no meio-de-campo,com o valioso apoio do Pé-de-Valsa. Nascido em 1º de dezembro de 1924, no Rio, Antônio Machado de Oliveira recebeu o apelido pela facilidade que tinha para driblar os adversários e pela sua grande mobilidade no gramado. O “Vasco” voltou a triunfar em 1947, com o “Expresso da Vitória”, repetindo a façanha, novamente, em 1949. Depois de quatro vice-campeonatos seguidos (1944/45/46 e 47), finalmente o “Botafogo F R” foi campeão em 1948, quando, pela primeira

vez, utilizou números em suas camisas alvinegras. Foi uma campanha memorável, com fé e superstição, tendo à frente o Presidente Carlito Rocha com suas gemadas, o ex-centromédio Zezé Moreira, como técnico, e o vira-lata preto e branco Biriba, como mascote. Apesar de ter perdido por 4x0 para o “São Cristovão” no jogo de estréia, o time da Estela Solitária venceu 17 das 19 partidas seguintes, empatando as outras duas. Contando com Sylvio Pirillo e Octávio de Moraes, no ataque; Gérson dos Santos e Nílton Santos, na zaga; e Osvaldo Baliza no gol, a equipe botafoguense venceu o “Expresso da Vitória” vascaíno por 3X1 no jogo final, em General Severiano, no dia 12 de dezembro de 1948. Nessa época, disputava-se também o Torneio Municipal, do qual o “Fluminense” fora vencedor em 1938. Dez anos depois, em 1948, o tricolor das Laranjeiras voltou a conquistá-lo após excelente campanha com 8 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota em 13 jogos. Entretanto a conquista do título não foi fácil, pois foi necessária uma série de três partidas contra o “Vasco” para definir o campeão. O “Flu” venceu a primeira por 4x2; perdeu a segunda por 2X1; e venceu o jogo desempate por 1X0, com um gol do Orlando Pingo de Ouro, de bicicleta. Orlando de Azevedo Viana nasceu no Recife, em 1923. Começou sua carreira no “Náutico”, onde jogou de 1942 a 44. Seu apogeu ocorreu no “Fluminense”, onde atuou de 1945 a 54. Pelo tricolor, foi campeão carioca em 1946 e 1951; conquistou também o título de campeão do Torneio Municipal de 1948, Foi campeão sul-americano de 1949, pela seleção brasileira. Era um ponta de lança veloz, de extrema habilidade, que jogava com inteligência e sutileza. De porte físico pequeno, era excelente finalizador, motivo de seu apelido: “Pingo de Ouro”. Moacir Cordeiro, mais conhecido como Biguá, nasceu em 1921, em Irati, no Paraná. Revelado no infantil do “Atlético” paranaense, foi para o “Flamengo” em 1941. Foi tricampeão carioca (1942/3/4). Atuou na Seleção do Rio de Janeiro em 1943 e 1944, e na Seleção do Brasil, pela qual foi campeão sul-americano, em Santiago do Chile. Marcador implacável, jogando como “half” direito, Biguá destacava-se pela garra e foi um dos precursores dos modernos laterais, pois também apoiava o araque, com eficiência. Encerrou sua carreira em 1953, devido a uma contusão que afetou os ligamentos do joelho. Pedro Amorim Duarte, natural da cidade de Senhor do Bonfim, na


Bahia, era filho de um rico fazendeiro e comerciante que desejava vê-lo formado em medicina. Entretanto, o garoto, nascido em 13 de outubro de 1919, só queria jogar futebol. Mandado pelo pai para estudar em Salvador (internato do Liceu Salesiano e Colégio Ipiranga) logo foi jogar no “Esporte Clube Bahia”. Pouco depois, já emprestado ao ‘Botafogo” de Salvador, como ponta direita, despertou o interesse do “Fluminense” que o contratou. No Rio, foi convocado para a Seleção Brasileira, em 1941, formando um ataque memorável: Pedro Amorim, Romeu, Leônidas, Tim e Patesco. Cinco anos depois, formou-se em Medicina. Além disso, o ano de 1946 foi-lhe excelente, também, no aspecto esportivo; supercampeão carioca pelo “Flu”, participando de uma linha de ataque excepcional: Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues; campeão brasileiro, pela Seleção Carioca, formando outro magnífico ataque: Pedro Amorim, Zizinho, Heleno, Ademir e Vevé. Cabe aqui um comentário sobre os ataques constituídos por cinco jogadores. A formação típica da época era: uma zaga composta por dois beques ou “backs”, como se dizia; uma linha média, com três jogadores, os “halfs” (um “center-half” e dois laterais, direito e esquerdo): e o ataque, com dois pontas ou extremas (direita e esquerda), dois meias (direita e esquerda) e um centro-avante ou “center-forward”. Essa formação, utilizada pela imprensa, era oriunda da formação clássica ou piramidal (pirâmide invertida) 2-3-5, embora os esquemas táticos mais comuns já fossem o chamado WM (importado da Inglaterra) ou a variante brasileira denominada diagonal, implicando o recuo dos dois meias, incumbidos da armação das jogadas ofensivas, no sistema inglês, ou pelo menos de um (pela direita ou pela esquerda, podendo ser de forma alternada ou não) na diagonal brasileira. Moacir Barbosa Nascimento, o goleiro Barbosa, nasceu em Campinas, no dia 27 de março de 1921. Iniciou sua carreira, em 1940, como ponta esquerda do extinto “Comercial” da capital paulista, Transferiu-se em 1942, já como goleiro, para o “Ypiranga”, também de São Paulo. Demonstrando excelente colocação, coragem de se atirar aos pés dos atacantes adversários, elasticidade e firmeza em suas defesas, atraiu o interesse do “Vasco da Gama” que o contratou em 1945. Foi campeão carioca em 1945, 1947,1949,1950,1952 e 1958, Em 1948, participou da conquista do Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões (torneio

precursor da atual Copa dos Libertadores). Pela Seleção Carioca, foi bicampeão brasileiro em 1950. Pela Seleção do Brasil, foi vencedor da Copa Roca de 1945; da Copa Rio Branco em 1947 e 1950; Campeão Sul-Americano, em 1949; Vice-Campeão do Mundo em 1950. Entretanto, ficou marcado negativamente por ter sofrido o gol do ponteiro Ghiggia que deu o título ao Uruguai. Porém, o renomado jornalista Armando Nogueira, a propósito do episódio, refere-se a Barbosa, com as seguintes palavras: “Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais eu vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.” João Ferreira, o Bigode, nasceu em 4 de abril de 1922, em Belo Horizonte. Começou, em 1940, a jogar futebol pelo “Sete de Setembro FC” de Minas Gerais. Transferido, logo em seguida, para o “Atlético Mineiro”, sagra-se bicampeão de Minas (1941/42). No ano seguinte, vai para o Rio de Janeiro, defender o “Fluminense”, até 1949. Nesse período, conquista o título de supercampeão carioca (1946) e, pela Seleção Brasileira, o Campeonato Sul-Americano de 1949. Transfere-se para o “Flamengo” em 1950 e integra a Seleção do Brasil, Vice-Campeã da Copa do Mundo. O gol marcado por Ghiggia, aos 36 minutos do segundo tempo da partida final, após vencê-lo na corrida, tornou-se o maior trauma da carreira vitoriosa do Bigode, transformado, juntamente com o goleiro Barbosa, em bodes expiatórios da derrota. Entretanto, se houve falha dos dois, ela precisa ser compartilhada também pelo zagueiro Juvenal que não fez a devida cobertura ao lateral esquerdo. Francisco Rodrigues, o ponta esquerda Rodrigues, nasceu em São Paulo, em 1925. Começou no “Ypiranga”, em 1942. Foi para o “Fluminense” em 1945, permanecendo até 1950, quando se transferiu para o “Palmeiras”. No tricolor carioca, integrou o esquadrão supercampeão de 1946. Em seu primeiro período no alviverde paulista (1950 a 1955), marcou 125 gols, ganhou o Campeonato Paulista de 1950 e foi decisivo na conquista da Copa Rio de 1951, marcando gols nos dois jogos finais contra a “Juventus” de Turim, Itália. Pela Seleção do Brasil, participou das Copas do Mondo de 1950 e 1954.


Danilo Faria Alvim, o “Príncipe Danilo”, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 3 de dezembro de 1920. Começou a jogar profissionalmente no “América”, em 1939. O seu apogeu ocorreu no “Vasco”, onde atuou de 1946 a 1954. No clube da Cruz de Malta, foi um dos principais valores da equipe celebrizada pelo apelido de Expresso da Vitória, conquistando os títulos cariocas de 1947, 1949,1950 e 1952, além do Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, em 1948. Com seu estilo fino de jogo, com passes precisos, foi Campeão Sul-Americano de 1949 e ViceCampeão do Mundo, em 1950, pela Seleção do Brasil. Após encerrar sua vitoriosa carreira de jogador, tornou-se técnico, tendo dirigido a Seleção Boliviana na inédita conquista do Campeonato Sul-Americano de 1963. Tesourinha, ou melhor, Osmar Fortes Barcellos nasceu em Porto Alegre, no dia 3 de dezembro de 1921 (era exatamente um ano mais novo que o Danilo, seu companheiro no lendário Expresso da Vitória). O apelido é oriundo do bloco carnavalesco “Os Tesouras”, do qual o jovem Osmar era participante. Jogando pelo “Ferroviário”, clube amador da capital gaúcha, Tesourinha foi descoberto por um olheiro do “Internacional”, onde estreou em 1939. Passou, então, a atuar como ponteiro direito, integrando a equipe colorada hexacampeã gaúcha nos anos 40, que mereceu o apelido de Rolo Compressor. Em 1944, foi convocado pelo técnico Flávio Costa para a Seleção do Brasil que venceu o Uruguai, em um amistoso, por 6x1, tendo marcado um dos gols brasileiros. No Sul-Americano de 1945, titular da ponta direita do time brasileiro, foi eleito o melhor jogador da competição, láurea que novamente obteve em 1949, quando o Brasil se sagrou Campeão Sul-Americano, tendo Tesourinha assinalado 7 tentos. Nesse mesmo ano, transferiu-se para o “Vasco”, onde foi campeão carioca, em 1950. Não participou da Copa do Mundo de 1950, por motivo de grave contusão. Em 1952, voltou para o Rio Grande do Sul, contratado pelo “Grêmio”. Embora não tenha sido o primeiro atleta negro do aristocrático clube porto-alegrense, sua presença no tricolor gaúcho ainda foi vista com estranheza por alguns, apesar de já estar se iniciando a segunda metade do século XX. José Carlos Bauer foi considerado, por muitos, o melhor jogador da Copa do Mundo de 1950, o “Gigante do Maracanã”. Filho de mãe brasileira e pai suíço, Bauer nasceu na cidade de São Paulo, no dia 21 de

novembro de 1925. Começou a jogar no infantil do “São Paulo”, onde foi campeão, pela primeira vez em 1942, já como juvenil. Pelo time profissional do São Paulo, formou uma linha média inesquecível, juntamente com Rui e Noronha. Foi campeão paulista em 1945, 1946, 1948, 1949 e 1953. Pela Seleção Brasileira foi Campeão Sul-Americano em 1949 e Vice-Campeão Mundial em 1950, tendo defendido o Brasil, também, na Copa de 1954. Nesse mesmo ano transferiu-se para o “Botafogo” do Rio. De físico forte, praticava, porém, um futebol elegante, com muita classe e habilidade. Após rápida passagem pela “Portuguesa” de São Paulo, encerrou sua magnífica carreira no “São Bento” de Sorocaba. Em seguida, continuou ligado ao futebol, como técnico, tendo treinado as equipes do “Guadalajara”, no México, e do “Millonários”, na Colômbia. Bem, assim chegamos ao meio do século XX, nesse despretencioso relato da rica história do futebol brasileiro. Está na hora de abordarmos a Copa do Mundo de 1950, a excelente Seleção Brasileira, que realizou magnífica campanha, ofuscada ao final pela inesperada derrota perante o Uruguai, no episódio que ficou conhecido como “Maracanazo”. Já apresentamos as belas biografias de alguns participantes daquela fatídica tarde de 16 de julho: o goleiro Barbosa, os integrantes da linha média Bauer, Danilo e Bigode, os atacantes Zizinho, Ademir e Jair. Completaram o time brasileiro: os zagueiros Augusto e Juvenal; e os pontas Friaça e Chico. Augusto da Costa nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de outubro de 1920. Começou sua carreira no “São Cristovão”, onde já demonstrou, além do seu bom futebol, grande capacidade de liderança e espírito de equipe. Essas qualidades levaram-no ao “Vasco”, clube que defendeu de 1945 a 1953, como zagueiro firme e eficaz. Logo tornou-se o capitão do time, respeitado por todos os companheiros. Foi também o capitão da Seleção do Brasil, de 1948 a 1950, tendo sido Campeão Sul-Americano em 1949 e Vice-Campeão Mundial de 1950. Embora profissional de futebol, Augusto era também soldado da famosa Polícia Especial, unidade militar incumbida da repressão a desordens e manifestações no Rio, então Capital Federal. Juvenal Amarijo nasceu em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, em 27 de novembro de 1923. Iniciou sua trajetória, em 1945,


no “Brasil” de Pelotas (RS). Zagueiro vigoroso, logo estava no Rio de Janeiro, para jogar pelo “Flamengo”. Transferiu-se, depois, para o “Palmeiras”. Em seguida, atuou pelo “Bahia” e encerrou sua carreira em 1959, no “Ypiranga” (BA). Pela Seleção Brasileira, disputou somente onze partidas, obtendo oito vitórias, dois empates e apenas uma derrota, que, para sua infelicidade, foi justamente a final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, no Rio Albino Friaça Cardoso, ou simplesmente Friaça, nascido em 20 de outubro de 1924, no Estado do Rio (Porciúncula), foi um atacante veloz, de chute forte. Jogou no “Vasco”, de 1943 a 1949. Nesse mesmo ano, transferiu-se para o “São Paulo”, onde ficou até 1950, quando foi para a “Ponte Preta”, de Campinas. Retornou ao clube cruzmaltino em 1951. Voltou à “Ponte Preta” em 1953, mas logo foi, outra vez, para o “Vasco”. Pendurou as chuteiras em 1958, no Guarani, de Campinas. Foi campeão carioca pelo “Vasco da Gama” em 1945e 1947, tendo vencido, também, o Torneio Municipal, em 1946 e 1947, e o Campeonato SulAmericano de Clubes de 1948 ; pelo “São Paulo”, conquistou o título paulista de 1949. Pela Seleção Brasileira, participou da conquista dos seguintes títulos: Copa Rio Branco, de 1947 e 1950; Taça Oswaldo Cruz, de 1950; e Campeonato Pan-Americano, de 1952. Foi, ainda, Vice-Campeão do Mundo em 1950. Friaça foi o autor do único gol brasileiro na partida final, atuando na ponta direita. Para sua tristeza, o ponta direita do adversário, Ghiggia, fez o segundo gol do seu time, dando a vitória e o título de Campeão do Mundo ao Uruguai. Francisco Aramburu, o ponta esquerda Chico do “Vasco” e da Seleção do Brasil, nasceu no dia 7 de janeiro de 1922, em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Jogou no “Vasco da Gama” de 1942 a 1953. Chutava forte com os dois pés e fazia cruzamentos certeiros. Era veloz e driblava bem na corrida. Não fugia das jogadas ríspidas. Seus duelos contra seu marcador Biguá, do “Flamengo”, ficaram famosos, especialmente por causa de um episódio ocorrido em 1945. O jogo estava empatado em 1x1 e se aproximava do final, quando o centro-avante do “Vasco”, Lelé, avançou com a bola dominada. Biguá, de olho em Chico, que aguardava um passe, ficou de costas para o gol. Ao invés de passar, Lelé chutou em gol, com força. A bola bateu na trave e, ao voltar, chocou-se contra a nuca do lateral rubro-negro e entrou no gol. Biguá foi ao chão. Chico

ao invés de comemorar o gol, correu para ajudá-lo, conforme o relato do próprio Biguá: “E a primeira mão que se ergueu para me ajudar foi a do meu grande adversário, Chico. Ele me levantou, me abraçou com carinho, me consolou”. Na Copa do Mundo de 1950, Chico marcou quatro gols. O futebol brasileiro vivia um grande momento em 1950. Vencera, com brilho, o Campeonato Sul-Americano (Copa América) de 1949 e dispunha de uma plêiade de craques que permitiu ao técnico Flávio Costa, no ano seguinte, disputar, antes da Copa do Mundo, duas importantes competições, simultaneamente, com duas seleções de alto nível. Vamos rememorar os jogos disputados pelo Brasil, em 1950. Esses certames foram: a Copa Rio Branco, disputada contra o Uruguai, em três jogos que terminaram com uma vitória uruguaia e duas brasileiras; e a Copa Oswaldo Cruz, contra o Paraguai, também conquistada pelo Brasil, com uma vitória e um empate. Apresentamos a seguir, em ordem cronológica as súmulas resumidas dessas partidas: 1) Data: 6 de maio de 1950 Local: Estádio do Pacaembu (São Paulo) Adversário: Uruguai (Copa Rio Branco) Resultado: Uruguai 4x3 Brasil Seleção Brasileira: Barbosa, Mauro Oliveira e Nílton Santos; Ely, Rui e Noronha; Tesourinha, Zizinho, Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto e Chico. Gols do Brasil: Ademir Menezes (2) e Zizinho. 2) Data: 7 de maio de 1950 Local: Estádio de São Januário (Rio de Janeiro) Adversário: Paraguai (Copa Oswaldo Cruz) Resultado: Brasil 2x0 Paraguai Seleção Brasileira: Castilho, Nílton Santos e Juvenal (Nena); Bauer, Danilo Alvim e Bigode; Friaça, Maneca, Baltazar, Pinga e Rodrigues Gols do Brasil: Pinga (2). 3) Data: 13 de maio de 1950 Local: Estádio do Pacaembu (São Paulo) Adversário: Paraguai (Copa Oswaldo Cruz) Resultado: Brasil 3x3 Paraguai Seleção Brasileira: Castilho, Juvenal e Nena; Bauer, Danilo Alvim e


Bigode; Friaça, Maneca, Baltazar, Pinga e Rodrigues Gols do Brasil: Baltazar, Maneca e Pinga. 4) Data: 14 de maio de 1950 Local: Estádio de São Januário (Rio de Janeiro) Adversário: Uruguai (Copa Rio Branco) Resultado: Brasil 3x2 Uruguai Seleção Brasileira: Barbosa, Mauro Oliveira (Juvenal) e Nílton Santos; Ely, Rui e Noronha; Tesourinha (Friaça), Zizinho, Ademit Menezes, Jair da Rosa Pinto (Baltazar) e Chico Gols do Brasil: Ademir Menezes (2) e Chico. 5) Data: 17 de maio de 1950 Local: Estádio de São Januário (Rio de Janeiro) Adversário: Uruguai (Copa Rio Branco) Resultado: Brasil 1x0 Uruguai Seleção Brasileira: Barbosa, Juvenal e Nílton Santos; Ely, Danilo Alvim e Bigode; Friaça, Zizinho (Jair da Rosa Pinto), Baltazar, Ademir Menezes e Chico Gol do Brasil: Ademir Menezes. Além dessas partidas oficiais, a Seleção do Brasil, que se preparava para a Copa do Mundo, disputou, já no mês de junho de 1950, dois jogos-treinos, conforme súmulas resumidas, a seguir: 1) Data: 3 de junho de 1950 Local: Estádio de São Januário (Rio de Janeiro) Adversário: Seleção Gaúcha Resultado: Brasil 6x4 Seleção Gaúcha Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Mauro Oliveira; Ely (Bauer), Danilo Alvim (Rui) e Alfredo (Noronha); Maneca, Zizinho (Jair da Rosa Pinto), Baltazar, Ademir Menezes e Chico Gols do Brasil: Ademir Menezes (3), Jair da Rosa Pinto (2) e Chico. 2) Data:11 de junho de 1950 Local: Estádio de São Januário Adversário: Seleção Paulista de Novos Resultado: Brasil 4x3 Seleção Paulista de Novos Seleção Brasileira: Barbosa (Castilho), Nílton Santos (Augusto) e Nena (Juvenal); Bauer (Ely), Rui (Danilo Alvim) e Bigode (Alfredo); Friaça, Ademir Menezes, Baltazar (Adãozinho), Jair da Rosa Pinto e Chico

(Rodrigues) Gols do Brasil: Ademir Menezes, Jair da Rosa Pinto, Baltazar e Rodrigues. Após esses jogos, foram definidos, pelo técnico Flávio Rodrigues Costa, os 22 jogadores (não se cogitava, ainda de relacionar 23 jogadores em decorrência da inscrição de um terceiro goleiro) componentes da delegação brasileira, a saber (em ordem alfabética): Adãozinho, Ademir Menezes, Alfredo II, Augusto, Baltazar, Barbosa, Bauer, Bigode, Castilho, Chico, Danilo Alvim, Ely, Friaça, Jair da Rosa Pinto, Juvenal, Maneca, Nena, Nílton Santos, Noronha, Rodrigues, Rui e Zizinho. Já apresentamos a maioria dos craques acima. Vamos, agora, conhecer as biografias resumidas dos demais. O centroavante Adão Nunes Dornelles, conhecido como Adãozinho, nascido na cidade de Porto Alegre, em 2 de abril de 1925, começou a jogar futebol em um clube de várzea chamado “Diário Oficial”, em 1938, com 13 anos. Cinco anos depois, foi convidado a atuar profissionalmente pelo “Internacional”. No ano seguinte, 1944, passou a ser titular da fortíssima equipe colorada que dominou o futebol gaúcho nos anos 40. Pela Seleção Brasileira, disputou duas partidas contra o Uruguai (Copas Rio Branco de 1947 e 1948). Fez parte do grupo vice-campeão mundial em 1950, mas não foi titular em nenhum jogo. Transferiu-se para o “Flamengo” em 1951. Conquistou os títulos do Campeonato do Rio Grande do Sul nos anos de 1944, 1945, 1947, 1948 e 1950. Alfredo Ramos dos Santos ou Alfredo II, como se tornou mais conhecido, nasceu no Rio, no dia 1º de janeiro de 1920. Foi um atacante que fez toda sua carreira, de 1937 a 1956, no “Vasco”, exceto no ano de 1949, quando atuou pelo “Flamengo”. Participou das conquistas cruzmaltinas dos campeonatos cariocas de 1945, 1947, 1950 e 1952, além do título de Campeão Sul-Americano de Clubes, em 1948. Pela Seleção do Brasil, jogou apenas uma partida, na Copa do Mundo de 1950, contra a Suíça (2x2), tendo marcado um dos gols brasileiros, logo aos três minutos de jogo. Manuel Marinho Alves, o Maneca, nascido aos 28 dias de janeiro de 1926, na cidade de Salvador (Bahia), foi um atacante que, embora reve-


lado pelo “Galícia Esporte Clube” de sua cidade natal, fez praticamente toda sua carreira no Rio de Janeiro, atuando pelo “Vasco da Gama”, de 1947 a 1955. Obteve os títulos de: Campeão Carioca em 1947, 49, 50 e 52, Campeão Sul-Americano de Clubes de 1948 e Campeão da Copa Rio de 1953, todos pelo “Vasco”; Vice-Campeão do Mundo, em 1950, pela Seleção Brasileira. Olavo Rodrigues Barbosa, o zagueiro Nena, nasceu na cidade de Porto Alegre, em 1923 (11 de junho). Começou na várzea portoalegrense, jogando pelo “Esporte Clube Paraná”, onde foi descoberto e levado para o “Internacional”. Estreou na equipe colorada em 1942 e passou a integrar o lendário time apelidado de “Rolo Compressor”, ao lado de outros craques do naipe de Tesourinha e Adãozinho. Com bom porte físico, muito seguro na disputa de bolas aéreas, Nena era, também, chamado de “Parada 18”, pelos torcedores do Inter. A “Parada 18” era um ponto de ônibus, localizado em frente a uma loja, cuja propaganda no rádio afirmava que todos os passageiros ali ficavam, ninguém passava. Foi Campeão Gaúcho em 1942, 43, 44, 45, 47 e 48. Em 1948, foi convocado para disputar a Copa Rio Branco pela Seleção do Brasil. Integrou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 1950, mas ficou na reserva, não chegando a jogar. Transferiu-se, em 1951, para a “Portuguesa” de São Paulo, compondo o melhor time que o clube já teve, até hoje, com craques como Júlio Botelho, Pinga e Simão. Pela equipe lusa, foi Campeão do Torneio RioSão Paulo em 1952 e 1955. Alfredo Eduardo Ribeiro Mena Barreto de Freitas Noronha foi, certamente, o jogador brasileiro de nome mais aristocrático e comprido. Noronha, como ficou conhecido, nasceu em 25 de setembro de 1918, na capital do Rio Grande do Sul. Atuou, com zagueiro e lateral esquerdo, nos seguintes clubes: “Grêmio Portoalegrense”, “Vasco da Gama”, “São Paulo” e “Portuguesa”. Sua fase áurea aconteceu no São Paulo, onde formou, com Bauer e Rui, uma linha média inesquecível. Por esse clube foi campeão paulista em 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949. Tinha espírito de liderança e, quando necessário, falava grosso com os companheiros. Essa característica fez com que ele tivesse alguns atritos com Leônidas, então a estrela do time sãopaulino e, posteriormente, seu técnico, quando as rusgas ainda continuaram. Fez parte da Seleção

do Brasil, Vice-Campeã da Copa do Mundo de 1950, como reserva do Bigode. Nílton dos Santos, ou simplesmente Nilton Santos, nasceu no Rio de Janeiro, em 16 de maio de 1925. Começou a jogar futebol na praia. Em 1948, foi levado para o “Botafogo”, único clube que defendeu até o final da carreira, em 1964. Com 1,84 m de altura e ambidestro, foi, com certeza, o melhor lateral esquerdo brasileiro de todos os tempos, e, possivelmente, o melhor do mundo. No mínimo, o melhor da América do Sul, conforme enquete realizada com cronistas esportivos das mãos diferentes nacionalidades. Chamado de “A Enciclopédia” por saber tudo de futebol, foi o precursor das jogadas ofensivas por parte dos laterais, numa época em que os técnicos recomendavam, aos jogadores dessas posições, uma postura exclusivamente defensiva. Foi antológico o gol marcado por ele contra a Áustria, na Copa do Mundo de 1958, quando saiu da defesa driblando praticamente rodos os adversários e fazendo o técnico da Seleção Brasileira Vicente Feola suar frio. Para seu alívio, a conclusão do lance foi magnífica: com um excelente chute, Nilton Santos venceu o goleiro austríaco e assinalou o gol. Na Copa do Mundo de 1962, foi protagonista de outro lance que ficou famoso. No jogo contra a Espanha, Nilton Santos cometeu uma falta dentro da grande área, próximo à sua linha demarcatória. O árbitro apitou. Com a bola já parada, êle deu, discretamente, um passo à frente e ficou parado, perfilado fora da área. Aproximando-se para determinar o local exato da infração, o juiz acabou por marcá-la onde estava o defensor brasileiro, não assinalando o pênalti. Pelo alvinegro carioca, Nílton Santos conquistou os títulos dos Campeonatos de 1948, 1957, 1961 e 1962; do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1962 e 1964; e do Torneio Ibero Americano, em 1964, na cidade de Buenos Aires, entre outros. Na Seleção do Brasil, estreou em 1949, vencendo o Campeonato SulAmericano. Participou de quatro Copas do Mundo: 1950, 1954, 1958 e 1962. Na primeira, ainda como reserva, foi Vice-Campeão; sagrou-se Bicampeão em 1958/62. Foi, também, Campeão Pan-Americano em 1952. Venceu as edições de 1950, 1955, 1956, 1958, 1961 e 1962 da Taça Oswaldo Cruz (disputada com o Paraguai); e de 1950, da Copa


Rio Branco (contra o Uruguai), entre outros títulos. Nílton Santos é autor do livro “Minha Bola, Minha Vida”, relato de sua exitosa carreira de futebolista. O “Botafogo” expressou sua gratidão ao atleta que jamais atuou por outro clube, homenageando-o com um busto na sede da Rua General Severiano e uma estátua inaugurada em 2009, no Estádio do Engenhão. Rui Campos, ou simplesmente Rui, nascido no dia 2 de abril de 1922, na cidade de São Paulo formou, com Bauer e Noronha, uma famosa linha média, que brilhou no “São Paulo FC” e na seleção paulista, na década iniciada em 1941. Jogador de elevado nível técnico, foi Bicampeão Paulista em 1945/46 e 1948/49, sempre defendendo o tricolor paulistano. Integrou a Seleção Brasileira, sendo Campeão Sul-Americano de 1949 e Vice-Campeão Mundial em 1950. Pendurou as chuteiras em 1953. Oswaldo Silva nasceu em Santos, no dia 14 de janeiro de 1926. Conhecido como Baltazar, teve seu auge como centroavante do “Corinthians”, onde recebeu o apelido de “Cabecinha de Ouro”, graças à sua extraordinária capacidade de marcar gols de cabeça. Participou das Copas do Mundo de 1950 e 1954. Carlos José Castilho nasceu em 27 de novembro de 1927, na cidade do Rio de Janeiro. Jogou inicialmente pelo “Olaria”, clube tradicional do subúrbio carioca. Pelas mãos do grande craque Ademir Menezes, foi levado ao “Fluminense”, em 1947. O goleiro Castilho defendeu a meta tricolor de 1947 até 1964, disputando 696 partidas, das quais 255 sem ser vazado. Com 1,81m de altura (alto para os padrões da época, embora baixo em comparação com os goleiros do século XXI), foi, seguramente, o melhor arqueiro brasileiro, nos primeiros anos da década iniciada em 1951, e um dos melhores do mundo, rivalizando com o russo Iachin. Entrou para a história futebolística, como um jogador milagroso, autor de defesas incríveis, inclusive de pênaltis. Como ele próprio reconhecia, possuía uma grande boa sorte. Quando a bola passava por ele, acabava batendo na trave e não entrava, para desespero dos atacantes e, principalmente, dos torcedores adversários. Por isso, a torcida do “Fluminense” o chamava de “São Castilho”, enquanto as rivais o apelidaram de “leiteiro” (alcunha designativa de sujeito sortudo, naqueles tempos). Em um clube que, ao longo dos anos teve grandes

goleiros, em nível de seleção brasileira, como Marcos Carneiro de Mendonça, Batatais, Veludo (reserva do Castilho, no clube e no time do Brasil), Félix e Paulo Victor, Castilho foi o melhor de todos, até os dias atuais. Por ser daltônico, acredita-se que era favorecido por ver com mais destaque as bolas amarelas usadas então nos jogos diurnos. Entretanto, a vantagem indubitável que ele tinha era a rapidez de seus reflexos. Castilho demonstrou seu grande amor ao “Flu”, quando ouviu do médico do clube a recomendação de passar dois meses inativo, em tratamento da quinta contusão do dedo mínimo da sua mão esquerda. Com coragem e estoicismo, preferiu amputar o dedo. Duas semanas após a cirurgia, já estava em campo, guarnecendo a meta tricolor. Campeão Carioca três vezes (1951, 1959 e 1964), vencedor da Copa Rio (o maior torneio mundial de clubes da época), em 1952, e duas vezes Campeão do Torneio Rio - São Paulo (1957 e 1960) foram os principais títulos do “Fluminense” com Castilho no gol. Um dos poucos craques que disputaram quatro Copas do Mundo, Carlos Castilho, da mesma forma que Nílton Santos, participou da Seleção Brasileira em 1950, 1954, 1958 e 1962. Ainda pelo Brasil, foi Campeão Pan-Americano em 1952, vencedor da Taça Oswaldo Cruz em 1950 e 1962, da Copa Bernardo O’Higgins de 1955, e da Copa Roca em 1957. Atuou, também em defesa do selecionado canarinho, nos Campeonatos Sul-Americanos de 1953 e 1959. Após encerrar sua brilhante carreira de jogador, Castilho continuou a trabalhar, como técnico de diversos clubes brasileiros, tendo se destacado: no Vitória, nas temporadas 1973/1974, conquistando bons resultados na 1ª Divisão do Campeonato Brasileiro; no modesto Operário de Mato Grosso, que chegou às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1977; e no Santos que, sob seu comando, foi o Campeão Paulista de 1984. Em reconhecimento aos seus méritos e. sobretudo, à sua dedicação ao clube , o “Fluminense FC” colocou, em 2007, um busto de Carlos José Castilho na entrada da sua bela e aristocrática sede social, na Rua Álvaro Chaves, em Laranjeiras. Após a apresentação de todos os integrantes da equipe brasileira, finalizada com os dado biográficos do então reserva de Barbosa, vamos


recapitular a campanha brasileira na Copa do Mundo de 1950. Depois de doze anos, devido à interrupção causada pela Segunda Guerra Mundial, que impediu a realização do grande evento esportivo em 1942 e 1946, a Taça Jules Rimet voltou a ser disputada no IV Campeonato Mundial de Futebol. Por não ter sofrido danos em seu território, o Brasil foi escolhido como país sede da Copa de 1950, assim como a Suíça para 1954. A definição do Brasil como o país sulamericano anfitrião do campeonato de 1950, desagradou à Argentina, que também pleiteava sediar o grandioso evento, motivando a sua não participação, em protesto. Em compensação, a Seleção da Inglaterra, terra dos inventores do futebol, que havia se recusado a participar das três edições anteriores (1930, 1934 e 1938), fez a sua estréia na Copa de 1950. Para assegurar o sucesso do campeonato mundial, a cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, investiu pesadamente, construindo o maior estádio de futebol do mundo, o Maracanã. Prevista para ser disputada por 16 seleções, a Copa de 1950 acabou contando com apenas 13 participantes: Bolívia, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Iugoslávia, México, Paraguai, Suécia, Suíça e Uruguai. As eliminatórias prévias reuniram 34 países em disputa de 14 vagas, uma vez que a Itália (última campeã) e o Brasil (país sede) estavam automaticamente classificados. Assim, a competição foi organizada com base em uma distribuição das 16 seleções previstas em 4 grupos com quatro participantes em cada um. Com as desistências ocorridas, o grupo nº3 ficou com somente três seleções: Itália, Suécia e Paraguai; e o grupo nº4, com dois países apenas: Uruguai e Bolívia. O grupo nº1 reuniu: Brasil, Suíça, Iugoslávia e México; e, no grupo nº2, ficaram: Espanha, Inglaterra, Estados Unidos e Chile. As regras previam duas fases: a primeira destinava-se a classificar os quatro vencedores dos grupos para a disputa da segunda fase: um quadrangular final, visando a apontar o campeão. Dessa forma, foram vencedores dos seus respectivos grupos, classificando-se para o quadrangular: Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai, que só precisou vencer um jogo, derrotando a Bolívia, por 8x0. Vamos, agora, detalhar a campanha brasileira. Primeira Fase da Copa do Mundo de 1950:

1) Data: 24 de junho de 1950 Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro) Adversário: México Resultado: Brasil 4 x 0 México Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Ely, Danilo e Bigode; Maneca, Ademir, Baltazar, Jair e Friaça. Gols do Brasil: Ademir (2), Jair e Baltazar. 2) Data: 28 de junho de 1954 Local: Estádio do Pacaembu (São Paulo) Adversário: Suíça Resultado: Brasil 2 x 2 Suíça Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Rui e Noronha; Alfredo II, Maneca, Baltazar, Ademir e Friaça. Gols do Brasil: Alfredo II e Baltazar. 3) Data: 1° de julho de 1950 Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro) Adversário: Iugoslávia Resultado: Brasil 2 x 0 Iugoslávia Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Gols do Brasil: Ademir e Zizinho. Segunda Fase (Quadrangular Final) da Copa do Mundo de 1950 1) Data: 9 de julho de 1950 Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro) Adversário: Suécia Resultado: Brasil 7 x 1 Suécia Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Gols do Brasil: Ademir (4), Chico (2) e Maneca. 2) Data: 13 de julho de 1950 Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeiro0 Adversário: Espanha Resultado: Brasil 6 x 1 Espanha Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Gols do Brasil: Ademir (2), Chico (2), Jair e Zizinho.


3) Data: 16 de julho de 1950 Local: Estádio do Maracanã (Rio de Janeirp) Adversário: Uruguai Resultdo: Brasil 1 x 2 Uruguai Seleção Brasileira: Barbosa, Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Seleção Uruguaia: Maspoli, Matias Gonzalez e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Andrade; Ghiggia, Julio Perez, Miguez, Schiaffino e Moran. Gol do Brasil: Friaça Gols do Uruguai: Schiaffino e Ghiggia. Para o Brasil sagrar-se campeão, bastaria empatar com o Uruguai, uma vez que havia vencido os outros dois participantes do quadrangular, Suécia e Espanha, com exibições de gala e goleadas retumbantes; ao passo que o Uruguai ficara em um empate, por 2 x 2, com a Espanha e vencera a Suécia, pelo apertado placar de 3 x 2. A derrota para o Uruguai, presenciada por mais de 200 mil pessoas (174 mil pagantes e cerca de 50 mil não pagantes), transformou-se em verdadeira tragédia nacional. Era enorme e justificada a expectativa para a conquista do título de campeão mundial pelo Brasil. A seleção brasileira era a grande favorita, com inteira justiça, pois fizera, até aquele fatídico dia, uma excelente campanha, encantando a imprensa esportiva mundial. Era um time realmente muito bom, que praticava um futebol extremamente veloz, mas com uma característica inteiramente nova, segundo os cronistas especializados da Europa _ a alegria de jogar! Assim, a justa expectativa transformou-se em certeza antecipada de vitória em um jogo que ainda não acontecera, contagiando a todos os brasileiros: torcida, imprensa, dirigentes esportivos e políticos. O excesso de otimismo que levou a um clima de festejos, antes da hora, contribuiu muito para a débâcle final. Na véspera da partida com o Uruguai, os jogadores viram-se obrigados a deixar a tranqüila concentração do Hotel das Paineiras, mudando-se para as instalações do “Vasco da Gama” no Estádio de São Januário, onde não tiveram mais sossego, devido ao assédio de torcedores, jornalistas e políticos. Ainda antes da mudança, um fotógrafo pediu aos jogadores para tirar fotos destinadas

à publicidade da cerveja “Faixa Azul” da Antártica, que estava sendo lançada. Embora ainda não existisse o computador e, muito menos, o programa “Photoshop”, já se faziam fotomontagens. Assim, na véspera do jogo, os jornais estamparam as fotos dos craques brasileiros, ostentando faixas de campeão, em alusão à faixa cervejeira. Logicamente, os atletas do Brasil ficaram aborrecidos; mais chateados, ainda, ficaram os uruguaios. O triste episódio serviu de mote para o técnico do Uruguai chamar pelo brio de seus comandados, sendo seguido pelo capitão Obdulio Varela, que pediu raça aos seus companheiros. O assédio de políticos, que queriam aparecer junto com os então já considerados campeões do mundo, continuou até no vestiário, quando os jogadores do Brasil estavam se preparando para entrar em campo. Para descrever o que aconteceu em seguida, julgamos oportuno transcrever, parcialmente, as palavras do jornalista Jorge Tadeu, em seu texto “A derrota que abalou um país inteiro”: “Maracanã, 16 de julho de 1950. Augusto, capitão da seleção brasileira, surgiu no túnel e as duzentas mil pessoas que lotavam o estádio quase entraram em delírio. Aquela tarde de domingo tinha sido reservada para o Brasil ser campeão do mundo. Bastava um empate contra os uruguaios. Mas ninguém falava em empate. Afinal, o Brasil havia vencido o México por 4x0, a Iugoslávia por 2x0, a Suécia por 7x1 e a Espanha por 6x1. Um empate com a Suíça já tinha sido um erro de percurso. Era o que todos pensavam naquela tarde. O Maracanã também havia sido construído para a festa da vitória. O jogo começou e os uruguaios foram resistindo. Resistiram o primeiro tempo e, até aos quatro minutos do segundo, quando Friaça abriu a contagem para o Brasil. Um gol que quase desencadeou uma alucinação coletiva. Na Tribuna de Honra, trazendo na mão um pedacinho de papel, o velho Jules Rimet, Presidente da FIFA, ainda tentava decorar uma pequena saudação, em português, quando entregasse a taça ao capitão Augusto. Mas, dezessete minutos depois, os uruguaios empataram e, a nove minutos do final, fizeram o segundo gol. Um gol que provocou paradas cardíacas e tentativas de suicídio por todo o país. Jules Rimet viu o jogo até o gol de empate. Em seguida, com a taça na mão, tomou o elevador para descer até o campo. No gramado


haveria uma guarda de honra e, perfilado ao lado dos campeões, ele ouviria o hino nacional. O empate favorecia ao Brasil e quando Jules Rimet descia, o estádio se agitava como numa tempestade que se abate sobre o mar, e as vozes se avolumavam como os rumores de um furacão. Cinco minutos depois, quando o presidente da FIFA chegou à boca do túnel, um silêncio de morte havia substituído todo aquele tumulto. Quando o jogo acabou, Jules Rimet se viu sozinho, com a taça na mão e sem saber o que fazer com ela. Terminou por descobrir o capitão Obdulio Varela e lhe entregou a taça, sem nenhum discurso. A festa era dos uruguaios. Realmente, o 16 de julho de 1950, a partir daquele momento, entraria na história esportiva do Brasil como um novo dia de finados. O título a caminho de Montevidéu era mais que uma lição. Flávio Costa e os jogadores, de heróis, se transformaram em réus. O tribunal da opinião pública os condenou como autores de um crime monstruoso. O crime de perder a última batalha. E o Maracanã, construído para a vitória, somente para a vitória, ficou marcado para sempre pelo gol de Ghiggia. Foi uma lembrança eterna e triste de uma tarde que os campeões do mundo deixaram de ser campeões para ser pobres e desacreditados vice-campeões.” O chamado “Maracanazo” trouxe algumas conseqüências para o futebol brasileiro, principiando pela troca do uniforme da seleção (camisa branca) por outro calcado nas cores da bandeira nacional, fazendo surgir a hoje já tradicional camisa amarela e dando origem ao apelido de “canarinho” para o time. Mais importante, porém, foi a idéia do jornalista Mário Filho de promover a disputa do Torneio Rio – São Paulo, anualmente, com a participação das principais equipes desses dois centros de excelência do esporte. Posteriormente, esse torneio, ampliado, serviu de base, anos depois, para a criação do campeonato nacional, o popular “Brasileirão”.

SURPRESA Marcos foi o primeiro a saber do boato: a Padaria Lago Sul iria fechar. Procurado, o proprietário do centro comercial, o simples e acessível, embora milionário, Gilberto Salomão confirmou a triste notícia.

Pelo telefone celular, o contador comunicou-se com Roberto. _Só nos resta, então, procurarmos outro lugar para os nossos papos futebolísticos. Sugiro dois locais, Ambos no mesmo centro comercial, onde estamos acostumados: aquela casa de empadas, que tem uma excelente de camarão e um ótimo café expresso; ou o velho Bier Fass, onde o Palhares e a Dona Maria garantem que o chope é sempre bem tirado. _Porque não os dois? retrucou Marcos. _ Ótima idéia! Temos, apenas, que mudar nossos horários. Ao invés de encontros matinais, vamos fazê-los à tarde, quando for na Empada Brasil, e no início da noite, quando for a vez do chope, ponderou o engenheiro. _ E vamos ter que limitar, por razões de saúde, por causa de nossa faixa etária, e de bolso, por sermos aposentados sem aumento correspondente ao do custo de vida, a freqüência de nossas reuniões. Que tal duas vezes por semana, uma em cada local? Acrescentou o gaúcho. _ Sugiro, então, comer empada nas terças feiras e tomar chope nas quintas, propôs o carioca. _ De acordo. Vou me comunicar com o Brian e o Pedro Paulo para ver se eles concordam. Vou contatar, também, o Cristiano, pois soube que ele acabou de chegar, após seu longo cruzeiro marítimo, finalizou o Marcos. Com a concordância de todos, inclusive do mineiro Cristiano, que não sabia ainda do projeto futebolístico, mas estava ansioso por se reintegrar ao grupo dos velhos, foi marcada uma reunião para as 16 horas da terçafeira seguinte, na Empada Brasil. No domingo, Roberto Mauro encaminhou cópias do trabalho elaborado com a ajuda do Marcos, para que os demais tomassem conhecimento prévio. Dessa maneira, no dia marcado, estavam todos prontos para a discussão. _Que beleza de trabalho, quanta riqueza de fatos históricos! Elogiou PPP, acrescentando: _ Assim, vamos acabar fazendo um magnífico livro. _Também gostei. Achei muito interessantes os dados biográficos levantados pelo Marcos, desde Arthur Friedenreich até Carlos Castilho. Minha mulher, que é botafoguense, adorou a biografia do Nílton Santos,


seu ídolo de infância, comentou o Brian. _ Realmente, não me esqueci nem de mencionar o pênalti cometido por ele no jogo contra a Espanha, na Copa do Mundo de 1962, que acabou não marcado. Entretanto, a meu ver, esse episódio não enriquece a sua bela biografia. Mais nobre foi o procedimento do atacante Leonardi, da seleção argentina, na disputa da primeira Copa Roca, em 1914. O Brasil vencia por 1x0, quando o jogador argentino recebeu um lançamento, dominou no peito e marcou um belo gol, empatando a partida. O árbitro brasileiro Alberto Borgerth validou o lance, normalmente. Antes que a seleção brasileira desse a nova saída, porém, Leonardi dirigiu-se ao árbitro: “_Anule o gol, senhor juiz, porque ajeitei a bola com a mão” . Após apertar a mão do autor de tão honesta atitude, Borgerth assinalou a infração e mandou continuar o jogo, que terminou com a vitória brasileira por 1x0, concordou, sem modéstia, o Marcos. _Realmente, uma bela atitude que poderia servir de exemplo para o seu compatriota Maradona, que até hoje se gaba de “La mano de Dios”, comentou PPP. _ Não podemos nos esquecer que o nosso conterrâneo Luiz Fabiano também aprontou uma dessas, agora recentemente, na Copa de 2010, ponderou Roberto Mauro. _ Eu acho que essa atitude altamente elogiável do tal Leonardi, de quem eu nunca havia ouvido falar, só foi possível porque aconteceu em 1914, época ainda do amadorismo puro no Brasil e também na Argentina, creio. Nos dias atuais se o “Fabuloso”, como os narradores esportivos o chamam, ou o hoje técnico Diego Maradona, tivesse confessado seu deslize, seria execrado pelos próprios companheiros e, até, pelo seu treinador, falou o mineiro Cristiano, em sua primeira intervenção. _ A meu ver foram muito esclarecedoras as detalhadas considerações sobre a Copa de 50, inclusive quanto ao seu regulamento que previu a inusitada forma de decisão em um quadrangular, comentou Brian. ¬ ¬__Pois eu acho que a FIFA errou na formação dos grupos, Se haviam apenas treze equipes ao invés das dezesseis previstas, o lógico seria formar três grupos com três seleções e um com quatro. Da maneira como foi feita a distribuição: dois grupos com quatro times, um com três e outro com apenas dois; o Uruguai acabou favorecido, pois jogou somente uma partida na primeira fase, classificando-se com uma única

vitória sobre a reconhecidamente fraca, na época, seleção da Bolívia, criticou Cristiano Ferreira. _Foi muito bom ficar sabendo que a primeira música brasileira, que teve como tema o futebol, foi composta pelo grande e inolvidável Pixinguinha, comentou o PPP. _Uma das glórias da minha juventude carioca foi a de ter conhecido pessoalmente o Pixinguinha, logicamente muito tempo depois do chorinho “1 X 0”, e com ele tomar um bom uísque escocês, às 10 horas da manhã, em sua mesa cativa na famosa Uisqueria Gouveia, na Travessa do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro, vangloriou-se Roberto Mauro. _Gostei muito das curiosidades relatadas, como a origem da expressão “pó de arroz”, adotada pela torcida do tricolor carioca, e a razão do termo “cartola” para designar os dirigentes esportivos, interveio Marcos. E acrescentou; _Vou contar-lhes o porquê de ser chamado de “olímpico” o gol obtido, de forma direta na cobrança de um escanteio: em 1928, o “Vasco da Gama” enfrentou o time uruguaio do”Wanderers”, em um amistoso, no seu Estádio de São Januário. O clube carioca venceu por 1x0, graças a um gol marcado por seu jogador Santana, na cobrança de um escanteio (corner, com se dizia,então), que entrou direto no gol. Como os uruguaios eram, na época, os campeões olímpicos de futebol, esse gol foi chamado de olímpico, denominação que perdura até hoje. _Vou contar-lhes outra curiosidade referente ao jargão futebolístico brasileiro, decorrente, também, de uma característica de um jogador vascaíno. Em 1939,quando se usava apenas uma bola durante as partidas, atuava no “Vasco”, um bom meia-esquerda, argentino, chamado Bernardo Gandula. Esse jogador, conhecido pelo sobrenome, embora profissional, tinha o hábito, que eu classifico como amador, de não gostar que o jogo parasse. Assim, quando a bola saía pela lateral, ele corria para pegá-la e a trazia para ser reposta em jogo, ainda que pelo adversário. Assim, quando, tempos depois, surgiram nos campos de futebol os garotos incumbidos de buscar a bola, alguém se lembrou do ex-craque, e o seu nome próprio acabou transformado em substantivo comum, designando esses meninos, explicou o Cristiano. _Eu, como bom paulista, apesar de defender o pioneirismo do


Charles Miller, reconheço que na primeira metade do século passado, quando o Rio era a capital federal, o futebol carioca era o que tinha maior repercussão nacional. Assim, dou razão ao Roberto Mauro por ter enfatizado a história do futebol na Cidade Maravilhosa, sem descuidar de apresentar a evolução do esporte em São Paulo, nem deixar de mencionar os fatos mais significativos do futebol mineiro, gaúcho, paranaense, pernambucano e baiano, elogiou o arquiteto Pedro Paulo. _ Muito obrigado, agradeceu Roberto e acrescentou: _Agora, você, PPP, com a ajuda do Cristiano, que voltou com muita disposição, e do Marcos, que se revelou ótimo biógrafo, precisam contar a história do futebol no Brasil, desde 1951 até 2010. Nesse dia, em comemoração ao seu retorno, o Cristiano quebrou a praxe estabelecida de sempre dividirem a conta, fazendo questão de pagá-la integralmente. Diga-se, de passagem, que o mineiro de Uberaba, apesar de ser o único do grupo que não tinha curso superior, era o mais abastado de todos, pois fizera fortuna como comerciante de materiais de construção desde os primórdios de Brasília, com sua loja instalada inicialmente na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante, e posteriormente na W3 Sul. Antes de se despedirem, ficou combinado que, nas próximas três reuniões, a conversa giraria sobre generalidades e, inclusive, a longa volta de navio feita pelo Cristiano Ferreira, após ter assistido à Copa do Mundo, na África do Sul. O relato e a discussão sobre o futebol brasileiro pós Maracanazo ficaria para a primeira quinta feira de setembro, no Bier Fass.

O FUTEBOL BRASILEIRO (1951 – 1960) A partir de 1951, além das alterações havidas no futebol brasileiro, provocadas, direta ou indiretamente, pela derrota de 16 de julho de 1950, desabrocharam novos valores nos gramados. Alguns, como Castilho e Nílton Santos, já haviam sido revelados no final da década anterior, tanto que fizeram parte da seleção vice-campeã da Copa de 1950, embora ainda na condição de reservas. Outros, como Pinga e Didi, embora não tivessem sido selecionados pelo

técnico Flávio Costa para a Copa de 50, já haviam demonstrado suas qualidades de grandes craques. José Lázaro Robles, nascido na capital paulista em 11 de fevereiro de 1924, tornou-se conhecido no mundo do futebol como Pinga. Antes que algum desavisado associe seu apelido a alguma bebida alcoólica, é preciso esclarecer que o José, quando menino, era chamado de “pinga-fogo”, por seu temperamento irrequieto e travesso. Essa alcunha, encurtada para “pinga”, passou a acompanhá-lo até sua morte, em 1996. Pinga estreou no time profissional da “Portuguesa de Desportos”, de São Paulo, em marco de 1944, como meia-esquerda. Seis anos depois, foi convocado para disputar a Taça Oswaldo Cruz de 1950 pela Seleçâo do Brasil, que conquistou o troféu, tendo Pinga marcado três dos cinco gols brasileiros contra o Paraguai, nas duas partidas realizadas. Entretanto, não fez parte do selecionado que jogou na Copa do Mundo de 50. Nesse ano de 1950, foi o artilheiro do campeonato paulista, com 22 gols, pela “Portuguesa”. Voltou a atuar pelo Brasil na conquista do Pan-Americano de 1952. Nesse mesmo ano, obteve seu único título de campeão pela associação lusa: o Torneio Rio –São Paulo, do qual foi o artilheiro, com 11 gols. No início de 1953, transferiu-se para o “Vasco”, no Rio, onde foi deslocado para a ponta-esquerda. Foi novamente convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1954, na Suíca, na qual assinalou dois gols. Ganhou dois Campeonatos Cariocas (1956 e 1958) e um Torneio Rio-São (1958), pela equipe da Cruz de Malta. Cedido para o “Juventus (SP)” em 1962, pendurou as chuteiras no ano seguinte. Waldir Pereira, o Didi, nasceu em Campos, norte fluminense, no dia 8 de outubro de 1928. Após ter começado a jogar futebol em sua cidade natal, pelo “Americano”, em 1946, o meio-campista atuou, a partir de 1947, pelo “Madureira” do Rio, transferindo-se para o “Fluminense”, em 1949. Jogou no tricolor das Laranjeiras até 1956. Nesse período atingiu o estrelato, tendo sido o autor do primeiro gol marcado no Estádio do Maracanã, em favor da Seleção Carioca, no dia 16 de junho de 1950. Chamado de “O Príncipe Etíope” pelo jornalista e grande dramaturgo Nelson Rodrigues, tricolor de quatro costados, Didi, com seu estilo refinado e preciso de toques na bola, foi peça-chave nas conquistas do Campeonato Carioca de 1951 e da Copa Rio de 1952 (mais importante


torneio internacional de clubes na ocasião), pelo “Fluminense”, incluindo uma vitória por 3x0 sobre o “Peñarol”, base da Seleção Uruguaia, Campeã do Mundo. Pela Seleção do Brasil, Didi participou, junto com seus companheiros de equipe Castilho, Pinheiro e Bigode, da conquista do Campeonato Pan-Americano de 1952, no Chile. Integrou, também, a equipe brasileira na Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Cedido ao Botafogo em 1956, permaneceu no alvinegro carioca até 1964, com breves interrupções: de 1959 a 1960, para atuar no célebre time do Real Madrid, da Espanha, que contava, entre seus astros, com os famosos Di Stéfano (argentino) e Puskas (húngaro), tendo sido vencedor da Liga dos Campeões da UEFA; e, em 1963, para jogar pelo Sporting Cristal, do Perú. Defendendo o Botafogo, foi Campeão Carioca em 1957, 1961, 1962 e vencedor do Torneio Rio-São Paulo de 1962. Pela Seleção do Brasil, sua maior glória: bicampeão mundial em 1958 e 1962. Nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1958, no jogo contra o Perú, Didi marcou um gol, em cobrança de falta, que ganhou notoriedade, por ser fruto da sua criação chamada de “folha seca”. Consistia em bater na bola com a parte externa do pé, conferindo-lhe um efeito especial, semelhante ao de uma folha ao vento, ao se aproximar da meta adversária. Essa forma de usar o lado externo do pé para chutar se tornou comum, sendo hoje denominada de “trivela”. É muito utilizada, atualmente, em passes longos, mas, raramente na cobrança de faltas, como Didi fazia, com maestria. Foi ele considerado o melhor jogador da Copa do Mundo de 1958, sendo apelidado de Mr. Football, pela imprensa especializada da Europa. Durante seu longo tempo botafoguense, teve grandes craques como companheiros de equipe: Garrincha, Nílton Santos, Zagallo, Gérson, Quarentinha, Manga e Amarildo. Em 1964, transferiuse para o “São Paulo FC”; voltou ao “Botafogo”, ainda no mesmo ano; no seguinte, 1965, foi para o México, contratado pelo “Veracruz”; em 1966, finalmente, encerrou sua carreira de jogador vitorioso, após ter retornado ao “São Paulo”. Continuou em atividade como treinador, colecionando alguns títulos: Campeão Peruano de 1968 (“Sporting Cristal”); Campeão Turco (1973/74 e 1974/75) pelo “Fenerbaçe”; Campeão Carioca pelo “Fluminense” (1975); Campeão Mineiro de 1977 (“Cruzeiro”). Como técnico da Seleção do Perú, obreve a sua classificação para a Copa de 1970, onde terminou derrotada pela Seleção do Brasil.

Foi, ainda, técnico do “River Plate” da Argentina. No futebol paulista, a grande estrela do timr sãopaulino. que coseguiu se sobressair nos anos 40, Leônidas, se aposentou. Ao mesmo tempo, tomou força, dentro do clube, o movimento pela construção do Estádio do Morumbi, que teve inpicio em 1953. Assim, a performance do futebol foi relegada a um segundo plano, no “São Paulo”. O “Corinthians” foi o vencedor dos campeonatos estaduais de S. Paulo, em 1951, 1952 e 1954. Essa última conuista revestiu-se de uma glória especial por ser referente ao ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Sob o comando do técnico Osvaldo Brandão, formou no jogo final com: Gilmar, Homero e Alan; Idário, Goiano e Roberto; Cláudio, Luisinho, Baltazar, Rafael e Simão. Nos Torneios Rio-São Paulo, além do título obtido em 1950 (último ano da década iniciada em 1941), foi vitorioso em 1953 e 1954. O grande feito do “Palmeiras”, na década iniciada em 1951, ocorreu nesse mesmo ano: a conquista da Copa Rio Internacional, considerada na época como o primeiro mundial de clubes. Ainda em 1951, foi vitorioso no Torneio Rio-São Paulo. A “Portuguesa de Desportos”, com uma excelente equipe, onde pontificavam legítimos craques como Djalma Santos, Julinho, Pinga e Brandãozinho, venceu o Torneio Rio-São Paulo, em 1952 e 1955. O “Santos”, fundado em 1912, na cidade praiana e portuária de mesmo nome, foi, até a década iniciada em 1951, um mero coajuvante na disputa do campeonato paulista. Como destaque na primeita metade do século XX, registre-se o período de 1927 a 1930, quando foi, por três vezes, vicecampeão com um ataque fabuloso, onde pontificavam o jovem craque Araken e o mais experiente Feitiço. No campeonato de 1927, com a extraordinária média de 6,25 gols por partida, a linha ofensiva santista assinalou 100 tentos, recebendo o apelido de “limha dos 100 gols”. O único título de Campeão Paulista foi obtido em 1935, com o retorno do Araken, ausente do “Santos” desde 1931. Em 1955, finalmente, o alvi-negro praiano voltou a ser Campeão em São Paulo, com uma equipe na qual foram destaques: Zito, Formiga, Ramiro e Vasconcelos. Mas, o fato que modificou a história do “Santos” aconteceu em 1956. O craque do passado Waldemar de Brito levou para a Vila Belmiro um menino de 15 anos, chamado Edison e apelidado Pelé.


Nesse mesmo ano, prenunciando a fase áurea que iria se iniciar, o time do Santos, com o reforço do excelente ponta-esquerda Pepe, conquistou o bicampeonato paulista. Pelé marcou o seu primeiro gol pela equipe santista em um amistoso, contra o Corinthians de Santo André, em 1958, ano em que o Santos foi novamente Campeão Paulista, tendo Pelé como artilheiro, com a marca recorde de 58 gols. Assim começou a era Pelé, de grande sucesso para o Santos, que conquistou o Rio-São Paulo de 1959 e, encerrando a década, o título paulista de 1960. No Rio Grande do Sul, ao início dos anos 50, continuou a supremacia já mostrada pelo “Inter” na década anterior, conquistando um tetracampeonato (1950/51/52/53) . Surpreendentemente, o campeão de 1954 foi o “Renner”. A partir de 1955, a hegemonia passou a ser do “Grêmio” que se sagrou pentacampeão gaúcho (1955/56/57/58/59/60). Em Belo Horizonte, na década 1951-60, o cenário futebolístico era dominado pelo “Atlético Mineiro”. Esse clube, após revelar, na década anterior, como grande goleador, o centroavante Carlyle, que se transfeiu para o Fluminense, propiciou a ascensão de Ubaldo, o centroavante dos gols inexplicáveis, chamados de “espíritas”, que se tornou o grande ídolo do time. Em 1955, a marcha do carnaval carioca “Tem nego bebo aí”, de Miabeau e Ayrton Amorim, transformou-se em sucesso nacional, e foi adotada pelos atleticanos para saudar o sru jogador, com o refrão modificado para “tem nego Ubaldo aí”. A equipe do “Vasco”, base da Seleção do Brasil derrotada pelo Uruguai no último jogo da Copa do Mundo, embora abalada pela perda do título, conquistou o Campeonato Carioca de 1950. E, ainda praticamente com o mesmo time, venceu também o de 1952. No ano seguinte, houve uma renovação e novos craques, como Bellini, Pinga e Sabará, vieram juntar-se a Vavá, contratado em 1952. Assim, o time cruzmaltino veio a ser Campeão Carioca em 1956 e 1958, novamente. Nesses mesmos anos, mais duas importantes conquistas: em 1956, a Pequena Copa do Mundo, enfrentando equipes de renome como Real Madrid, Porto e Roma, na Venezuela; em 1958, o Torneio Rio-São Paulo. Após esse triunfo e duas importantes vitórias internacionais (4x3 sobre o bicampeão europeu Real Madrid, no Torneio de Paris: e 7x2 em cima do Barcelona, no seu Estádio de Camp Nou) obtidas em 1959, o clube da colônia portuguesa no Rio iniciou uma fase adversa, com jejum de títulos.

O “Botafogo de Futebol e Regatas”, muito embora contasse com um time de jogadores excepcionais, entre os quais Garrincha e Nílton Santos (melhores do século XX, em suas posições, de acordo com a FIFA), na década iniciada em 1951 foi Campeão Carioca somente uma vez, em 1957 Apesar da má campanha realizada em 1950, quando a sua equipe recebeu da crônica esportiva o epíteto de “timinho”, o “Fluminense” iniciou a década, em 1951, sob novos ares. Venceu, no Maracanã, dois clubes ingleses: o “Arsenal”, por 2x0; e o “Portsmouth”, por 2x1. Sob o comando técnico de Zezé Mooreira, a formação básica do “timinho” era: Castilho, Píndaro e Pinheiro; Vítor, Edson e Lafayete; Telê, Didi, Carlyle, Orlando e Robson. Conquistou o Campeonato Carioca, vencendo o Bangu nos dois jogos extras, necessários à decisão do título. No primeiro FlaxFlu, realizado no Maracanã e vencido pelo Fluminense, registrou-se a presença de 109.212 torcedores. Como houve um grande derrame de ingressos falsos, é possível que cerca de 40.000 pessoas a mais também tenham adentrado o estádio., além dos registrados, para assistir ao “Clássico das Multidões”. Em 1952, sagrou-se Campeão da Copa Rio, de forma invicta, com cinco vitórias e dois empates. Também invicto, em 1957, o “Fluminense” venceu o “Torneio Rio-São Paulo”, com sete vitórias e dois empates, incluindo uma goleada de 5 a 1 sobre o “Palmeiras”. Com uma equipe que contava com o grande artilheiro Waldo e os craques Castilho, Pinheiro, Altair, Maurinho e Telê, foi o Campeão Carioca de 1959. No último ano da década, 1960, obteve novamente o título do Torneio Rio-São Paulo, com apenas uma derrota, dois empates e seis vitórias, inclusive uma por 7 a 2, em cima do “São Paulo”. O “Flamengo”, nesse período, obteve o seu segundo tricampeonato carioca (1953/54/55). Fizeram parte das memoráveis campanhas os seguintes craques; o goleiro paraguaio Garcia (1953/54); os médios Servílio, Dequinha e Jordan; os meias Rubens, Benitez (1953), Evaristo (1954) e Dida (1955); e os pontas Joel e Zagallo (1954/55). Os zagueiros Tomires e Pavão, tecnicamente menos dotados, jogavam com muita disposição e vigor. Apresentamos, a seguir, alguns dos principais personagens dessa década.


Carlyle Guimarães Caedoso nasceu na cidade de Almenara, interior de Minas Gerais, em 15 de junho de 1926. Ficou famoso pelos gols assinalados como centroavante do “Atlético Moneiro”, onde jogou de 1947 a 1950. Em 1948, foi convocado para a Seleção Brasileira, tendo sido o segundo jogador atleticano a merecer tal honraria, até então. Carlyle transferiu-se para o “Fluminense”, do Rio de Janeiro, em 1950. Integrou, então, a Seleção Carioca que inaugurou, em 16 de junho de 1950, o grandioso Estádio do Maracanã, em jogo com a Seleção Paulista. No tricolor das Laranjeiras, foi “Canpeão Carioca” e artilheiro do certame com 23 gols, logo em 1951. Píndaro Possidente Marconi nasceu em Pádua, interior do Estado do Rio de Janeiro, em 12 de março de1925. Atuou pelo “Fluminense” de 1948 a 1955, tendo tido participação em mais de 250 jogos. Formou, com Castilho e Pinheiro, um trio final quase inexpugnável, chamado pelos torcedores tricolores de “Santíssima Trindade”. Foi convocado para a Seleção do Brasil em 1950, mas pediu dispensa, após desentendimento com o técnico Flávio Costa. Píndaro sagrou-se “Campeão Carioca” em 1951, e vencedor da Copa Rio de 1952, competição considerada na época como o campeonato mundial de clubes. João Carlos Batista Pinheiro , conhecido pelo seu sobrenome Pinheiro, nasceu no norte fluminense, na cidade de Campos, no dia 13 de janeiro de 1932. Seu primeiro clube foi o “Americano”, em sua cidade natal. Nesse time, jogou como goleiro, centroavante, meia-armador e, finalmente zagueiro, posição em que se consgrou, mais tarde, no “Fluminense” e na Seleção Brasileira. Com 1,87 m de altura e extremamemte forte, Pinheiro foi um zagueiro viril, porém não violento. Com muita categoria, visava somente a bola, desarmando os adversários e se transformando em um verdadeiro paredão na defesa. Era o xerife da zaga tricolor, tendo efeuado 605 jogos pelo “Fluminense”, entre 1949 e 1961. Com a camisa amarela da Seleção Brasileira, disputou 17 partidas, tendo marcado 1 gol. Foram 11 vitórias, 3 empates e 3 derrotas. Pelo Brasil, foi Campeão Pan-Americano de 1952, no Chile, e vencedor da Taça Bernaedo O’Higgins, em1955. Participou, como zagueiro titular, da Copa do Mundo de 1954, na Suíça, onde o Brasil foi eliminado, ao perder para a espetacular equipe da Hungria, de Puskas & Cia, por 4x2, em jogo conturbado. Quando pendurou as chuteiras, Pinheiro continuou

a trabalhar no “Fluminense”, como técnico das categorias de base, tendo conquistado diversos títulos e revelado inúmeros jovens talentos. Como técnico principal de times profissionais, Pinheiro foi Campeão da Copa do Brasil de 1993, pelo “Cruzeiro”; Vice-Campeão Brasileiro pelo “Bangu”, em 1985; e Vice-Gampeão da Taça de Prata, pelo “Goytacaz”, de Campos, RJ. Prestou, ainda, bons serviços como treinador do “Americano”, do “América” de Minas Gerais, e do próprio “Fluminense”. Telê Santana da Silva, nascido em 26 de julho de 1931, é natural de Itabirito, MG. Nos anos 40, começou a jogar futebol no “América Recreativo” de São João del Rey, cujo presidente era seu pai, que acumulava também as funções de técnico. Logo depois, foi levado para o time juvenil do “Fluminense”, onde atuou como centroavante. Em 1951, promovido à equipe principal, foi deslocado para a pontadireita do chamado “timinho” que se sagrou “Campeão Carioca”. Telê era extremamente magro, pesando apenas 57 kg com pouco mais de 1,70 m de altura, quando iniciou sua arividade profissional. Além de muito habilidoso, destacava-se pela excelente visão de jogo e fôlego exreaordinário, que lhe permitia atacar e auxiliar a defesa durante os 90 minutos da partida. O seu porte franzino, aliado à sua fenomenal capacidade de luta, fez com que lhe fosse conferido o apelido de “Fio de Esperança”, título de um filme de grande sucesso, estrelado por John Wayne, lançado em 1954. Pelo “Fluminense”, clube que defendeu com brilho até 1962, foi, também, Campeão do Rio-São Paulo de 1957, Campeão Carioca em 1959 e Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1960. Antes de encerrar sua carreira de jogador, em 1965 no “Vasco”, passou por clubes de menor expressão (“Madureira”, no Rio, e “Guarani”, em Campinas,SP). Embora tenha sido um ídolo da torcida tricolor e reconhecido como um craque de inestimável valor pela crítica esportiva, Telê nunca jogou pela Seleção Brasileira. Entretanto, o “Mestre Telê” foi técnico do Brasil, nas Copas do Mundo de 1982 e de 1986. Como treinador competente, adepto do futebol bem jogado, eficaz e bonito, granjeou fama e comquistou glórias. Da mesma forma que como jogador, seu início como técnico aconteceu no juvenil do “Fluminense”, em 1967. Pouco depois, assumiu o comando da equipe principal que foi Campeã Carioca de 1969. Em seguida, obteve o título


do campeonato mineiro pelo “Atlético”, em 1970. Foi Campeão do Rio Grande do Sul, em 1977, pelo “Grêmio”. Após excelente trabalho no “Palmeiras” em 1979, Telê foi convidado para ser o técnico da seleção brasileira que se preparava para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Fez um ótimo trabalho, armando uma equipe, com jogadores do naipe de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, que jogou o melhor futebol da competição. Infelizmente, Fortuna, a mitológica deusa romana da sorte, decidiu favorecer seus compatriotas, e um lance desafortunado do consagrado volante brasileiro Toninho Cerezo acabou propiciando a vitória da Itália sobre o Brasil. Assim, da mesma forma que acontecera em 1954 e 1974, quando as melhores seleções de cada torneio (o esquadrão húngaro e o carrossel holandês, respectivamente) não foram vitoriosas, também o Brasil não logrou sucesso em 1982. Então, Mestre Telê foi para a Arábia, como técnico do “Al Ahli”. De retorno ao Brasil, foi novamente contratado pela CBF para comandar a seleção nacional na Copa de 1986, a ser disputada no México. Mais uma vez não contou com a ajuda da sorte e passou a ser considerado “pé frio”. No entamto, suas maiores vitórias ainda estavam por vir. A partir de 1991, como técnico do “São Paulo”, conseguiu os seguintes títulos: Bicampeão Paulista, em 1991/92; Campeão Brasileiro de 1992; Bicampeão da Copa Libertadores da América, em 1992/93; Bicampeão Mundial de Clubes, em 1992/93; Campeão da Super Copa de 1993; Bicampeão da Recopa Sul-Americana, em 1993/94; e Campeão da Copa Conmebol de 1994. Evaristo de Macedo Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 22 de junho de 1933. Iniciou sua profissão de jogador de futebol em 1950, no “Madureira”, o tricolor suburbano do Rio Transferiu-se para o Flamengo, dois anos depois, e começou a se projetar no cenário futebolístico, ao conquistar o tricampeonato carioca, em 1953/54/55. Foi para a Espanha, onde defendeu o “Barcelona”, de 1957 a 1962, ganhando os campeonatos espanhóis de 1959 e 1960, e as Copas da UEFA de 1958, 1959 e 1960. Entre 1963 e 1965, atuou pelo “Real Madrid”, sando Tricampeão Espanhol em 1963/64/65. Evaristo de Macedo retornou ao Brasil, logo em seguida, e encerrou suas atividades no mesmo clube onde começou a ter sucesso, o “Flamengo”. Atacante habilidoso, Evaristo integrou a Seleção Brasileira em 14 partidas, marcando 8 gols, sendo 5 em um único jogo. Após pendurar as chuteiras, começou sua carreira de técnic

em 1967, no “América” do Rio, e chegou a dirigir a Seleção do Brasil, em 1985. Dirigiu equipes de grandes clubes, como os cariocas “Fluminense”, “Flamengo” e “Vasco”; “Corinthians”, de São Paulo; o gaúcho “Grêmio”; “Atlético Paranaense”; o mineiro “Cruzeiro”; “Bahia” e “Vitória”, da Bahia; e o pernambucano “Santa Cruz” Por esses clubes, foi seis vezes Campeão Baiano (1970, 1971, 1973, 1988, 1998 e 2001); três vezes Campeão Pernambucano (1972, 1978 e 1979); uma vez Campeão Gaúcho (1990); e Campeão do Brasil, em 1988, comandando o Bahia. Mário Jorge Lobo Zagallo nasceu no dia 9 de agosto de 1931, em Maceió, Alagoas. Seu primeiro clube, no Rio de Janeiro, foi o “América”, em 1948 e 1949. No ano seguinte, foi para o “Flamengo”. Nesse clube, começou a se destacar na ponta-esquerda, especialmente quando, em 1955, conquistou o tricampeonato carioca. Recebeu o apelido de “formiguinha” por sua característica de recuar para ajudar o meio-campo. Participou da Seleção Brasileira, Campeã do Mundo, em 1958, na Suécia. Taticamente foi importantíssima sua atuação na campanha do time brasileiro, que inovou ao adotar o sistema 4-3-3. Transferiu-se para o “Botafogo”, em 1958, sendo Bicampeão Carioca (1961/62). Sagrouse Bicampeão Mundial pela Seleção do Brasil, na Copa so Mundo de 1962, no Chile. Ainda como jogador do alvi-negro carioca, venceu os Torneios Rio-São Paulo de 1962 e 1964. Após terminar sua vitoriosa carreira de ponta-esquerda, iniciou suas atividades de técnico, treinando os juvenis do “Botafogo” onde permaneceu de 1966 a 1970, tendo logo assumido o comando do time principal e conquistado o título de Bicampeão Carioca (1967/68). Foi contratado para preparar, como técnico, a Seleção Brasileira que se sagrou Campeã do Mundo, pela terceira vez, em 1970, no México. De 1971 a 1972, foi o técnico do “Fluminense”, transferindo-se, a seguir, para o “Flamengo”, onde ficou de 1972 a 1974, tendo vencido o campeonato carioca de 1972. Voltou a dirigir o selecionado brasileiro que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, mas não teve o mesmo sucesso, ficando em 4º lugar. De 1975 a 2001, treinou diversos clubes: “Botafogo”, “Vasco da Gama”, “Bangu”, “Portuguesa” e “Flamengo”, pelo qual voltou a ser Campeão Carioca em 2001, já quase com 70 anos completos. Além desses clubes brasileiros, o Velho Lobo, como também veio a ser chamado, treinou a Seleção


do Kuwait (1976 a 1978) e a Seleção da Arábia Saudita (1981 a 1984), tendo obtido sua classificação para os Jogos Olímpicos de Montreal. Também na Arábia, foi técnico do clube “Al Hilal”, em 1979. Ainda trabalhou com a Seleção dos Emirados Árabes, classificando-a para a Copa do Mundo de 1990, na Itália. Voltou a colaborar com a Seleção Brasileira, integrando sua comissão técnica, na posição de auxiliar de Carlos Alberto Parreira, conquistando a Copa do Mundo de 1994. Foi, novamente, o técnico do Brasil, em 1997, conquistando a Copa América e a Copa das Confederações. Continuou como o técnico brasileiro na Copa do Mundo de 1998, quando foi Vice-Campeão. Voltou a ser o auxliar técnico de Parreira, na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, prestes a completar 75 anos de idade. Edvaldo Alves de Santa Rosa, o craque Dida, nasceu em 26 de março de 1934, na cidade de Maceió, capital do Estado de Alagoas. Seu primeiro clube foi o CSA, da sua cidade natal, onde jogou, de 1950 a 1954, conquistando o Campeonato Alagoano de 1952, do qual foi o artilheiro com 9 gols. Curiosamente, o meia- esquerda Dida foi descoberto, em 1954, por uma delegação de vôlei do “Flamengo” que assistiu a uma partida entre as seleções de futebol de Alagoas e da Paraíba, na qual ele marcou três gols. No Rio de Janeiro, passou a integrar a euipe de aspirantes do rubro-negro. Conseguiu a posição de titular no ano seguinte, participando assim do último ano da campanha do tricampeonato (1955). Permaneceu no “Flamengo” por dez anos, onde voltou a ser Campeão Carioca, em 1963, tendo, antes, conquistado o Torneio Rio-São Paulo, de 1961. Em 1964, transferiu-se para a capital paulista, onde defendeu a “Portuguesa”, até 1965. Mudou-se para Colômbia, em 1966, para atuar pelo “Atlético Júnior” até 1968. Na Seleção Brasileira, participou da vitória na Copa Roca de 1957. Convocado, como o titular da camisa 10, para a Copa do Mundo de 1958, perdeu a posição, por motivo de contusão. Entretanto, seu substituto foi o jovem Pelé, que assumiu a vaga, para não mais perdê-la. Assim, Dida fez apenas 8 jogos pelo Brasil, tendo assinalado 5 gols. José Ely de Miranda, apelidado de Zito, nasceu em Roseira, interior do Estado de São Paulo, no dia 8 de agosto de 1932. Revelado pelo “Taubaté”, da cidade de mesmo nome, jogou no “Santos” durante quinze anos, de 1952 a 1967, tendo disputado 733 partidas. Foi um

volante de excelente qualidade técnica que se caracterizou como ótimo marcador. Entretanto, foi a liderança exercida dentro de campo o seu maior destaque, que motivou os seus companheiros da equipe santista a chamá-lo de “gerente”. Zito foi “Campeão Paulista” por nove vezes (1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967). Conquistou quatro Taças do Brasil (1961, 1962, 1963 e 1964), duas Copas Libertadores (1962 e 1963), dois Mundiais de Clubes (1962 e 1963) e quatro Torneios Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964 e 1966). Pela Seleção do Brasil, foi Bicampeão Mundial (1958 e 1962), tendo marcado um dos gols brasileiros na final de 62, contra a Tchecoslováquia. Rubens Josué da Costa, talentoso meia-direita, jogou no “Flamengo”, de 1951 a 1957. O “Doutor Rubens”, como foi apelidado pelos flamenguistas, nasceu em Barra Funda, interior de S. Paulo, no dia 24 de novembro de 1928. Começou a jogar futebol no “Ypiranga”, de São Paulo, em 1943. Permaneceu nesse pequeno clube atá 1950, quando, contratado pela “Portuguesa”, participou de uma excursão pela Europa. No ano seguinte, deixou a capital paulista para adquirir fama no Rio. Foi Tricampeão Carioca (1953/54/55) pelo “Flamengo”. Permaneceu no rubro-negro até 1957, ano em que passou a atuar pelo “Vasco”. Por esse clube, que foi seu último, conquistou o Campeonato Carioca de 1958 e o Torneio Rio-São Paulo do mesmo ano. Pela Seleção Brasileira foi Campeão Pan-Americano em 1952. Luís Trochillo iniciou sua carreira no “Corinthians”, em 1949. Nascido em São Paulo, no dia 7 de março de 1930, permaneceu no grande clube paulistano até 1962. Devido a um desentendimento com o ténico Sylvio Pirillo, transferiu-se, em 1963, para o “Juventus”, também da capital paulista. Retornou, porém, logo no ano seguinte, ao “Corinthians”, onde ficou até 1967, quando pendurou as chuteiras. Luizinho, como era conhecido, foi um atacante que se destacava pela extrema facilidade que tinha para aplicar dribles nos adversários, dos quais costumava debochar. Apesar de sua baixa estatura (1,65 m), que lhe valeu o apelido de “pequeno polegar”, era bom cabeceador, marcando alguns gols dessa forma. Fez parte da Seleção do Brasil, entre 1955 e 1957, jogando 11 partidas e marcando 1 gol, tendo sido vitorioso na Copa O’Higgins de 1955, Taça Oswaldo Cruz, também em 1955, e Copa Roca de 1957. No clube alvinegro, conquistou os Campeonatos Paulistas de 1951, 1952


e 1954 (ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo) e os Torneios Rio-São Paulo, em 1950, 1953 e 1954. Foi homenageado, em 1994, com a instalação de um busto, no jardim do Parque São Jorge (campo corintiano). Cláudio Christovam de Pinho, hábil ponta-direita, nasceu em 18 de julho de 1922, na cidade de Santos. Revelado pelo “Santos FC”, foi contratado pelo “Palmeiras”, tendo, em 1942, marcado o primeiro gol pasmeirense sob essa nova denominação (anteriormente chamava-se “Palestra Itália”). Entretanto, foi no rival “Corinthians” que Cláudio, como ficou conhecido, viveu sua fase mais expressiva. Com grande facilidade para chutar a bola, colocando-a onde queria, tanto nos cruzamentos para a área, como nos chutes a gol, foi o maior artilheiro da história corintiana, com 306 gols assinalados. Pelo alvinegro do Parque São Jorge, foi Campeão Paulista de 1951, 1952 e 1954 e do Torneio Rio-São Paulo, em 1950, 19553 e 1954. Pelo alviverde do Parque Antártica, já havia sido Campeão Paulista em 1942. Foi, também, Campeão Sul Americano, pela Seleção do Brasil, em 1949. Cláudio jogou até 1957 no “Corinthians”, onde assumiu o lugar de técnico, no ano seguinte, substitundo Osvaldo Brandão que se trnsferira para o “Palmeiras”. Entretanto, em 1959, voltou a atuar como jogador profissional, defendendo o “São Paulo”, por mais um ano, e pendurou as chuteiras. Gylmar dos Santos Neves, goleiro que ficou famoso como Gilmar, nasceu em Santos, no dia 22 de agosto de 1930. Começou a jogar futebol, em 1945, no “Jabaquara”, pequeno clube de sua cidade natal, onde ficou até 1951, quando foi cedido ao “Corinthians”, seu primeiro grande clube. Tanto o início como o término de sua permanência de dez anos no Parque São Jorge foram conturbados. Ao começar a jogar no campeonato paulista, foi considerado o culpado principal pela contundente derrota por 7x3, diante da “Portuguesa de Desportos”. Ficou, então, na “geladeira” por mais de quatro meses. Pior ainda foi sua despedida do alvinegro paulistano, em meio a brigas com o presidente Wadih Helou, que o acusava de fazer corpo mole. Ao sair de um treino com o braço inchado, em 1961, procurou um médico particular e ficou sabendo que vinha jogando há meses com um tendão partido, razão das fortes dores que sentia, às quais o médico do clube não dera a menor importância.

Por sua conta, submeteu-se a uma cirurgia, e decidiu sair do “Corinthians”. Para dificultar seu intento, o presidente do clube estabeleceu um valor altíssimo para o seu passe. Mesmo assim, o “Santos” se interessou, e, graças a uma doação do empresário José Ermírio de Moraes e a um empréstimo junto à Federação Paulista de Futebol, conseguiu contratá-lo. Gilmar não ganhou nada, mas conseguiu mudar de time. Segundo o jogador, teria sido financeiramente melhor para ele e para o clube alvinegro paulistano, aceitar uma proposta do “Peñarol” do Uruguai: “O Peñarol” ofereceu uns 12 milhões para o “Corinthians”, mais uma fortuna na minha mão, mas resolvi não ir. Não queria dar mais nenhum tostão para o “Corinthians”. Eles me judiaram demais.” Entretanto, o goleiro deu muitas glórias ao clube que o projetou, participando das conquistas corintianas dos campeonatos paulistas, em 1951, 1952 e 1954, quando recebeu o título de “Supremo Guardião do Campeão do IV Centenário”. Foi, também, Campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1953 e 1954. Alto (1,81m), segundo os padrões da época, magro (69 kg), Gilmar tinha excelente senso de colocação e reflexos rápidos. Sua qualidade mais reconhecida era a de manter a tranqüilidade, mesmo após uma falha. Sua estréia na Seleção Brasileira ocorreu em 1953, no Campeonato Sul Americano, disputado no Peru. Participou das Copas do Mundo de 1958, na Suécia, e de 1962,no Chile, sagrando-se Bicampeão. Jogou ainda duas partidas no Mundial de 1966, sendo posteriormente substituído pelo goleiro Manga (Haílton Corrêa de Arruda). Sua última partida pelo Brasil, aconteceu em 1969, com uma vitória de 2x1 sobre a Inglaterra, em um amistoso disputado no Maracanã. Sua fase mais brilhante teve início em 1962, aos 32 anos, quando além de Campeão Mundial pela seleção “canarinho”, conquistou, pelo “Santos”, seu clube de coração, os títulos de Campeão Paulista, da Taça Brasil, da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes. Em 1963, as vitórias santistas na Taça Brasil, Copa Libertadores e Mundial de Clubes, novamente. No ano de 1964, Campeão Paulista, da Taça Brasil e do Torneio Rio-São Paulo, quando foram proclamados dois vencedores: “Botafogo” e “Santos”. Continuaram as vitórias em 1965: Campeonato Paulista e Taça Brasil. Em 1966, houve um empate quádruplo no primeiro lugar da classificação do Torneio Rio-São Paulo, entre “Botafogo”, “Corinthians”, “Santos” e “Vasco da Gama”. No ano seguinte, somente o título


de Campeão Paulista de 1967. Finalmente, em 1968, mais duas conquistas: o Trneio Roberto Gomes Pedrosa e a Recopa dos Campeões Mundiais. Encerrou sua vitoriosa carreira no “Santos”, em 1969. José Macia nasceu em 25 de fevereiro de 1935, na cidade de Santos. Pepe, como se tornou conhecido, fez toda sua carreira de grande pontaesquerda em um único clube: o “Santos FC”, entre 1954 e 1969. Participou de 750 partidas e marcou 405 gols. É o segundo maior artilheiro da história do clube alvinegro da Vila Belmiro, perdendo apenas para o extraordinário Pelé. De acordo com ele próprio, é “o maior artilheiro humano da hstória do “Santos”, porque Pelé não é humano.” Devido ao seu fortíssimo chute de pé esquerdo, ganhou o apelido de “Canhão da Vila”. No time praiano, conquistou os seguintes títulos: Bicampeão Paulista, em 1955/56; Campeão Paulista de 1958; Tricampeão Paulista, em 1960/61/62; Bicampeão Paulista, em 1964/65; Tricampeão Paulista, em 1967/68/69; Campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1959 e 1966; Bicampeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1963/64. Pentacampeão da Taça Brasil, em 1961/62/63/64/65; Bicampeão da Libertadores, em 1962/63; Bicampeão Mundial de Clubes, em 1962/63; e, em 1968, Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, da Recopa Sul Americana e da Recopa Mundial. Pela Seleção Brasileira, participou e venceu as seguintes competições: Taça do Atlântico, de 1956 e 1960; Copa Roca, de 1957 e 1963; Copa Bernardo O’Higgins, em 1961; Taça Oswaldo Cruz, de 1961 e 1962; e, como reserva de Zagallo, as mais importantes _ as Copas do Mundo de 1958 e 1962. O canhão da Vila encerrou suas atividades de artilheiro, em 1969. Continuou ligado ao futebol,como técnico, obtendo novos sucessos: Campeão Pauliste de 1973, com o “Santos”; Campeão Cearense de 1985, pelo Fortaleza; Campeão Paulista de 1986, com o “Internaconal” de Limeira; Campeão Brasileiro de 1986, com o “São Paulo”; Campeão Brasileiro da Série B, em 1988, pelo “Internacional” de Limeira; Campeão Japonês de 1993, com o “Yomiuri Vesdy”; Campeão Brasileiro da Série B, em 1995, pelo “Atlético Paranaense”. José João Altafini, conhecido como Mazzola, é natural de Piracicaba, Estado de São Paulo, nascido em 24 de julho de 1938. Iniciou sua carreira de futebolista no Palmeiras. Recebeu a alcunha de Mazzola por sua semelhança física com o famoso jogador italiano Valentino

Mazzola. Centroavante de técnica apurada, logo foi convocado para a Seleção Brasileira, ainda muito jovem. Na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, disputou as duas primeiras partidas, como titular. Nas partidas seguintes, a posição de centroavante passou a ser ocupada pelo mais experiente Vavá. Já Campeão Mundial aos 20 anos de idade, e neto de italianos, Mazzola foi contratado pelo “Milan”, ainda em 1958. Na Itália, passou a ser tratado por Altafini, seu verdadeiro sobrenome. Foi Campeão Italiano já em sua primeira temporada pelo “rossonero” de Milão. Voltou a conquistar o mesmo título em 1962, tendo sido um dos artilheiros do campeonato, com 22 gols. Em 1965, transferiu-se para o “Napoli”, onde ficou até 1972. No ano seguinte, conquistou, mais uma vez, o título de Campeão Italiano, pela “Juventus”, de Turim. A sua última conquista do título italiano aconteceu em 1975, ainda pela “Vecchia Signora”. No ano seguinte, encerrou sua participação na Séria A da Itália, após 459 jogos e 216 gols marcados. Transferiu-se, então, para o “Chiasso” e, depois, para o “Mendrisio”, ambos da Suíça, onde atuou por quatro temporadas, antes de pendurar as chuteiras aos 42 anos. Por ter dupla nacionalidade, sendo, também, cidadão da Itália, Altafini, graças ao seu excelente futebol, integrou a Seleção Italiana. Após sua aposentadoria, continuou ligado ao esporte que o consagrou, como renomado comentarista de TV, na Itália. Joel Antônio Martins, natural do Rio de Janeiro, nasceu em 23 de novembro de 1931. Revelado, em 1950, pelo “Botafogo”, transferiuse, em 1951, para o “Flamengo”, deflagrando uma crise entre os dois clubes, sob a acusação de aliciamento. Ponta-direita habilidoso e bom driblador, foi um dos destaues do ótimo ataque rubronegro, na década iniciada em 1951, tendo conquistado o Tricampeonato Carioca de 1953/54/55. Em 1958, após ter se sagrado Campeão do Mundo pela Seleção do Brasil, foi para a Espanha, defender o “Valencia”. Na Copa do Mundo, realizada na Suécia, Joel, inicialmente titular, perdeu o lugar, de forma inquestionável, para o fenomenal Garrincha. Em 1961, retornou à Gávea, vencendo o Torneio Rio-São Paulo. Esse seu segundo período flamenguista durou até 1963, qundo se transferiu para outro rubronegro, o “Vitória” da Bahia, onde encerrou a carreira, no ano seguinte. Edvaldo Izídio Neto, o Vavá, nasceu na localidade de Lagoa dos Gatos, no Estado de Pernambuco, em 12 de novembro de 1934. Começou


a jogar futebol, ainda menino, em 1948, no “América F. C.”, do Recife. No mesmo ano, foi para outro pequeno time, o “Íbis Sport Club”. Finalmente, em 1949, foi para o “Sport Clube do Recife”, onde ficou até 1950. No ano seguinte, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a atuar pelo “Vasco”. Ao chegar a São Januário, Vavá era meia-esquerda, de ligação. O técnico Flávio Costa alterou sua posição e suas características. Passando a jogar na área, destacou-se por unir a boa técnica ao oportunismo, faro de gol e valentia. No ano de 1952, foi Campeão Carioca Amador, Campeão Brasileiro de Amadores e titular da Seleção Olímpica do Brasil. Ainda em 1952, o garoto Vavá foi escalado para enfrentar o Bangu pela penúltima rodada do campeonato de profissionais, em face de vários desfalques, por motivo de contusões dos titulares. A vitória por 2x1 foi obtida graças a um gol seu. Como, no dia seguinte, houve um empate no Fla-Flu que deu o título ao “Vasco da Gama”, por antecipação, esse gol do Vavá se transformou em decisivo para o campeonato. Consagrou-se na equipe cruzmaltina, como centroavante matador, recebendo a alcunha de “Peito de Aço”. Além do título de 1952, conquistou também os Campeonatos Cariocas de 1956 e 1958 e, ainda, o Torneio Rio-São Paulo de 1958. Pela Seleção Brasileira, foi Campeão da Taça Oswaldo Cruz, em 1958 e 1962; e Campeão das Copas do Mundo, também de 1958 e 1962. Após a Copa de 58, transferiuse para o “Atlético de Madrid”, ficando na Espanha até 1961. De 1961 a 1964, defendeu o “Palmeiras”. De 1964 a 1965, atuou no México, pelo “América”. Foi novamente para a Espanha, em 1965, para jogar no “Elche”, onde permaneceu até o ano seguinte, quando voltou ao “América” do México. Em 1967 e 1968, continuou no México, mas em outro clube: “Toros Naza”. Ainda em 1968, transferiu-se para o “San Diego Toros”, dos Estados Unidos, onde ficou até 1969, quando retornou ao Brasil e encerrou sua bela carreira na “Portuguesa” do Rio. Após pendurar as chuteiras, ainda prestou sua colaboração à Seleção do Brasil, como auxiliar técnico de Telê Santana na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Hilderaldo Luiz Bellini nasceu no dia 7 de junho de 1930, em Itapira, interior de São Paulo. Em 1946, começou a jogar futebol no “Itapirense”, pequeno clube de sua cidade, nele permanecendo até 1948. De 1949 até 1951, atuou pelo “Sanjoanense”. O seu primeiro grande clube

foi o “Vasco da Gama”, que o contratou em 1952 e o manteve até 1961. Bellini ficou famoso no clube vascaíno e conquistou vários títulos, entre os quais: Campeão Carioca em 1952, 1956 e 1958; vencedor do Torneio Rio-São Paulo de 1958 e do Troféu Teresa Herrera, em 1957. Cedido ao São Paulo, em 1962, defendeu o tricolor paulistano até 1968, não tendo conseguido mais nenhum título expressivo. Em 1968, foi para o “Atlético Paranaense”, onde pendurou suas chuteiras, em 1969, aos 35 anos de idade. Bellini foi um zagueiro raçudo, que aliava o vigor físico à lealdade. O ponto alto de sua vitoriosa carreira foi obtido na Seleção Brasileira, na qual assumiu o posto de capitão, graças à seriedade com que sempre jogava. Sua foto com a Taça Jules Rimet, levantada acima da cabeça, após a vitória de 1958 na Suécia, tornou-se um ícone do futebol brasileiro. Além do bicampeonato mundial conquistado em 1962, no Chile, Bellini obteve, pelo Brasil, outros títulos de expressão: Copa Roca, em 1957 e 1960; Tçaa Oswaldo Cruz de 1958, 1961 e 1962; Copa O’Higgins em 1959; e Copa do Atlântico, em 1960. Bellini, como capitão e representante da Seleção do Brasil, Campeã do Mundo, pela primeira vez em 1958, foi homenageado com uma estátua colocada em uma das entradas do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Mauro Ramos de Oliveira, mineiro, natural de Poços de Caldas, nasceu em 30 de agosto de 1930. O zagueiro Mauro, muito alto para a época, com 1,85 m, jogava limpo, na bola, sendo preciso nos botes para desarmar os adversários. Começou a jogar futebol em sua cidade natal, na “Caldense”. Em 1947, quando ele tinha ainda 16 anos, o grande time do “São Paulo” foi à estância hidromineral do sul de Minas, enfrentar a “Caldense”. Mauro não se intimidou por ter de marcar o famoso astro Leônidas. Assim, foi contratado pelo clube paulistano no ano seguinte. Foi Campeão Paulista logo em 1948, e Bicampeão em 1949. Repetiu o feito em 1953 e 1957. Ainda muito jovem (19 anos), foi convocado para a Seleção do Brasil, que conuistou o Campeonato Sul Ameicano de 1949. Participou, como reserva do Pinheiro, da Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Integrou o selecionado Campeão do Mundo em 1958, na Suécia, como reserva do Bellini. Em 1962, sagou-se Bicampeão do Mundo, como sagüeiro titular e capitão da equipe. Em 1960, aos 30 anos e após uma cirurgia de meniscos, havia se transferido para o “Santos”, onde colecionou títulos: Campeão Brasileiro por cinco vezes;


Campeão Paulista, também cinco vezes; Bicampeão da Libertadores; Bicampeão do Mundial de Clubes; e Campeão do Torneio Rio-São Paulo. Pendurou as chuteiras em 1967 e, no ano seguinte, começou nova atividade futebolística, como técnico do “Oro”, em Guadalajara, no México. Depois treinou o “Coritiba”, o “Santos” e o “Jalisco”, também do México. Aposentou-se em 1974. Mauro Rafael nasceu em Araraquara, interior paulista, no dia 6 de junho de 1933. Garoto pobre, trabalhava como engraxate no centro velho da cidade e batia bola, com os pés descalços, num campinho de terra batida, no bairro São José, onde morava. Entretanto, sua habilidade era notória, fazendo antever o excelente ponta-direito que Maurinho viria a ser. Assim, em 1948, o “Paulista FC”, de sua cidade natal resolveu darlhe uma oportunidade e o escalou no seu time para enfrentar o bichopapão “Palmeiras” que foi jogar em Araraquara. O goleiro pameirense era o famoso Oberdan, um dos maiores ídolos do futebol paulista, na época. Muitos anos depois, o próprio guardião comentou: “Me lembro perfeitamente: o garoto calçou chuteiras pela primeira vez e, em questão de segundos, aparecia cara a cara comigo, vindo lá da intermediária; tomei três e quase perdemos o jogo”. Maurinho, segundo ele mesmo, não conseguiu dormir àquela noite, pois marcara três gols no time da capital.Três anos depois, em 1951, Maurinho foi contratado pelo “Guarani”, de Campinas. Ao disputar o campeeonato paulista, despertou o interesse dos grandes clubes paulistanos e acabou indo para o “São Paulo”. O ponta magrinho, oportunista, veloz e bom cabeceador, destacou-se no tricolor paulista. Foi Campeão Paulista em 1953 e, convocado para a Seleção do Brasil, disputou a Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Voltou a conquistar o título do Campeonato Paulista em 1957. Depois de atuar várias vezes pela Seleção Paulista, Maurinho mudou-se para o Rio, ao se transferir para o “Fluminense”. No tricolor das Laranjeiras, foi Campeão Carioca, logo em 1959, seu primeiro ano. Em 1962, já no “Boca Juniors”, conquistou o Campeonato Argentino. Retornou ao tricolor carioca para ser tratado de um problema no joelho e, em 1967, com 34 anos, pendurou as chuteiras. Waldo Machado da Silva, natural de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, nascido em 9 de setembro de 1934, começou sua carreira de futebolista no Rio, pelo “Madureira”. Centroavante de estilo rompedor, matador

por excelência, raramente perdia uma oporunidade de gol, aproveitando-as sempre, com muita objetividade. Transferiu-se, em 1954, para o “Fluminense”, onde obteve suas maiores glórias, em sete anos (até 1961). Waldo conquistou os títulos de Campeão Carioca em 1959, e de Campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1957 e 1960. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca de 1956 e do Torneio Rio-São Paulo, em 1957 e 1960. Com ele como comandante, o tricolor das Laranjeiras teve o ataque mais positivo nos Torneios Rio-São Paulo de 1954, 1955, 1957 e 1960, e na Taça Brasil de 1960. Waldo assinalou 304 gols para o “Fluminense”, em 403 jogos, sendo, até hoje, o seu maior goleador. Nesse período, jogou algumas vezes pela Seleção Carioca, marcando seis gols. Pela Seleção do Brasil, foi Campeão da Copa do Atlântico, em 1960, tendo assinalado dois gols. Transferiu-se, em 1962, para o “Valencia” da Espanha, onde, logo em seu primeiro ano, conquistou o título de Campeão da Copa UEFA e a artilharia do certame. Repetiu o feito, tornando-se Bicampeão da Copa UEFA, em 1963. Na temporada 1966/67, foi o artilheiro da Liga Espanhola. Sagrou-se Campeão da Copa del Rey, em 1967. Ao encerrar sua exitosa carreira de jogador, decidiu permanecer na Espanha, radicando-se na cidade de Valência. Caetano da Silva Nascimento, o Veludo, era carioca, nascido em 7 de agosto de 1930. Antes de começar a jogar, como goleiro do “Fluminense”, trabalhava como estivador no cais do porto do Rio. Era um negro extremamente forte e com cara de brabo. Jogava sempre com uma camisa cinza chumbo, colada ao corpo, que realçava sua compleição física. Pelo tricolor, foi Campeão Carioca de 1951, como reserva do Castilho. Pela Seleção Brasileira, convocado mesmo sendo suplente em seu clube, jogou nove partidas, sofrendo apenas três gols. O seu mais memorável jogo pelo Brasil aconteceu em 7 de março de 1954, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Era uma partida muito importante, contra o Paraguai, em Assunção, no Estádio Defensores del Chaco, que era um alçapão onde a equipe guarani dificilmente era batida. O Brasil venceu por 1x0, graças a um gol de Baltazar, o “Cabecinha de Ouro”. Mas, o grande nome da peleja foi Veludo que fechou o gol brasileiro, garantindo o zero paraguaio. Naquela época, não existiam as medidas de segurança hoje adotadas e a proteção aos jogadores e árbitros era muito precária. A inflamada torcida local transformou o


estádio em um verdadeiro caldeirão e apedrejou Veludo, o tempo todo. Terminado o jogo, o goleiro saiu de campo, com a cabeça ferida e o corpo todo doído das pedradas, mas de alma lavada pela vitória e esplêndida atuação. Foi o píncaro da glória. Dois anos e meio depois, em dezembro de 1956, porém, Veludo viveu situação inversa. O reverso da medalha ocorreu em um FlaxFlu, vencido pelo Flamengo pelo alarmante “score” de 6x1. Dos seis gols rubronegros, pelo menos quatro foram atribuídos a falhas do arqueiro. Veludo saiu de campo chorando e, segundo alguns, cheirando a cachaça. O episódio foi determinante para sua saída imediata do “Fluminense”, que o cedeu ao pequeno “Canto do Rio”. No ano seguinte, no entanto, voltou a defender um grande clube, ao ser contratado pelo “Santos”. Em 1958, transferido para o “Atlético Mineiro”, sagrou-se Campeão de Minas Gerais. Voltou ao Rio, em 1961, para atuar no “Madureira”. Em 1963, foi para o pouco conhecido “Renascença”, de Minas Gerais, onde encerrou sua carreira. Veluso morreu, aos 40 anos, de cirrose hepática, em uma clínica do bairro de Botafogo, no Rio. Luís Morais, o Cabeção, nasceu no dia 23 de agosto de 1930, em Areado, MG. Começou a jogar futebol no “Corinthians”, ainda muito menino, em 1938, no time infantil. Foi goleiro da boa equipe de aspirantes, cujos jogadores começaram a subir para o time principal em 1949. Seu período no Parque São Jorge perdurou até 1966, embora entremeado por temporadas em outros clubes: “Portuguesa de Desportos”, especialmente, além de “Bangu” e “Comercial”, de Ribeirão Preto. Pelo alvinegro paulistano, foi Campeão Paulista, em 1951, como titular. Na conquista do Bicampeonato, no ano seguinte, ficou na suplência de Gylmar, não tendo jogado uma partida, siquer. Participou da Seleção do Brasil que disputou a Copa so Mundo de 1954, como reserva de Castilho. Era voz corrente que o grande goleiro Cabeção não apresentava, nos jogos noturnos, a mesma eficácia que nos diurnos. Entretanto, não há registro médico de qualquer deficiência visual que comprove isso. Em 1966, trocou o “Corinthians” pela “Portuguesa Santista”, onde encerrou a carreira, no ano seguinte. Nílton De Sordi nasceu em Piracicaba, Estado de São Paulo, no dia 14 de fevereiro de 1931. Começou a jogar, em 1949, no “XV de Piracicaba”. Lateral direito dotado de boa técnica, era ótimo marcador e

tinha boa noção de cobertura. Como era comum no seu tempo, muito raramente apoiava o ataque, para não desguarnecer a defesa, tanto assim que, em toda sua carreira, jamais marcou um gol. Em janeiro de 1952, foi contratado pelo “São Paulo”, no qual permaneceu até o final da carreira em 1965. Pelo tricolor do Morumbi, jogou 536 partidas, tendo sido Campeão Paulisa em 1953 e 1957. Pela Seleção Brasileira, realizou 25 jogos. De Sordi participou da Copa do Mundo de 1954, na Suiça, e da Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Nessa campanha que deu o primeiro título mundial ao Brasil, foi titular em todas as partidas, exceto na final, quando foi substituído por Djalma Santos. Apesar de sua baixa estatura, tinha boa impulsão, o que lhe permitiu jogar como zagueiro central, em algumas oportunidades. Em 1966, após ter pendurado as chuteiras, De Sordi foi treinador do “União Bandeirante” do Paraná. Voltou a treinar esse mesmo clube outras vezes, a última das quais em 1977. Djalma dos Santos, ou simplesmente Djalma Santos, como se tornou conhecido, nasceu em São Paulo, no dia 27 de fevereiro de 1929. Seu primeiro grande clube foi a “Portuguesa de Desportos”, de sua cidade natal, onde começou em 1948 e permaneceu até 1959. Fez parte, ao lado de outros craques como Julinho Botelho, Pinga e Brandãozinho, de um dos melhores times que a associação lusa já teve. Lateral direito de elevada capacidade técnica, era um exemplo de disciplina, jamais tendo sido expulso, em toda a sua longa e brilhante trajetória. Realizou 434 partidas pela “Portuguesa” e conquistou o Torneio Rio-São Paulo em 1952 e 1955. Contratado pelo “Palmeiras” em 1959, ficou no Parque Antártica até 1968. Venceu o Campeonato Paulista em 1959, 1963 e 1966; a Taça Brasil, em 1960 e 1967; o Torneio Rio-São Paulo de 1965; e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967. Participou, nesse período, de 498 jogos, defendendo o chamado Verdão. Pela Seleção Brasileira, disputou mais de cem jogos, tendo estado presente em quatro Copas do Mundo (1954, 1958, 1962 e 1966). No primeiro campeonato mundial vencido pelo Brasil, o de 1958, foi reserva do De Sordi até a partida final, quando o substituiu. Um único jogo foi suficiente para conagrá-lo como o melhor lateral direito do certame. Uma de suas marcas registradas era a cobrança de laterais com arremesos fortes, colocando a bola na área adversária. Em 1963, integrou a seleção da FIFA que enfrentou


a Inglaterra no lendári Estádio de Wembley, em Londres. O seu último clube foi o “Atlético Paranaense” de Curitiba, para onde se transferiu em 1968. Conquistou o Campeonato do Paraná em 1970 e se aposentou, no início de 1972, com quase 43 anos de idade. Paulo de Almeida Ribeiro, o Paulinho de Almeida, era gaúcho, natural de Porto Alegre. Nascido em 15 de abril de 1932, começou a jogar futebol no time amador do “Partenon”, no bairro de mesmo nome, na capital do Rio Grande do Sul, sua cidade natal. Seu primeiro clube profissional foi o “Internacional”, no qual jogou de 1950 a 1954. Pelo colorado, foi Tricampeão Gaúcho, em 1951/52/53. Recebeu dos colegas de time a alcunha de “Capitão Piranha”, em virtude da sua liderança sobre os companheiros e dos seus dentes saltados, além do hábito de comer muito rápido. Paulinho foi um lateral direito extremamente técnico, com excelente domínio de bola, que marcava com muita precisão, sem dar espaço aos adversários. Em 1954, foi negociado com o “Vasco”. Convocado para a Seleção do Brasil pelo técnico Zezé Moreira, participou da Copa do Mundo de 1954, como reserva do Djalma Santos. Ainda pela Seleção Brasileira,colaborou, em 1955, para as conquiatas da Copa O’Higgins e da Taça Oswaldo Cruz; e, em 1957, da Copa Roca. Ao todo, defendeu o Brasil em nove jogos. Deixou de ser convocado para a seleção que disputou a Copa do Mundo de 1958, porque quebrou a perna, em um jogo contra o “Flamengo”, no início daquele ano. Pelo clube de São Januário, conquistou os títulos de Campeão Carioca, em 1956 e 1958; e Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1958. Pendurou as chuteiras em 1964, e começou sua carreira de tácnico, treinando os jovens das categorias de base do “Vasco da Gama”. Se, em seus 14 anos de jogador profissional, defendeu apenas dois clubes, como técnico atuou em 24 diferentes agremiações, do sul ao norte do Brasil, entre 1966 e 1995, conforme segue: “Internacional”, “Vasco”, “Olaria”, “Náutico”, “Bangu”, “Botafogo”, “Vitória”, “América-RJ”, “Remo”, “Coritiba”, “Sport”, “Ceará”, “Vila Nova”, “Campo Grande”, “Grêmio-RS”, “Palmeiras”, “Fluminense”, “Atlético-MG”, “Bahia”, “Rio Branco”, “Santa Cruz”, “São Paulo”, “Paysandu” e “Joinville”. Alfredo Ramos Castilho nasceu em 27 de outubro de 1924, na cidade de Jacareí, S.P. Iniciou sua trajetória como profissional de futebol no “Santos”, em 1945. A partir de 1947, começou a se sobressair, como um

lateral com grande poder de marcação. Transderiu-se, em 1950, para o “São Paulo”, onde atuou em diversas posições da defesa, tanto pelo lado direito como pelo esquerdo, tanto como lateral ou zagueiro. Conquistou o título de Campeão Paulista de 1953 e recebeu o apelido de “O Polvo”, graças à sua capacidade de marcar muito bem. Até 1957, realizou 315 partidas pelo tricolor do Morumbi. Nesse ano, foi para o “Corinthians”, mas, em seu primeiro confronto com o ex-clube, no dia 20 de outubro de 1957, fraturou a perna em um lance casual. Acabou ficando parado cerca de um ano. Permaneceu no Parque São Jorge até 1959, quando encerrou a carreira de atleta profissional. Pela Seleção do Brasil, Alfredo Ramos participou de dois Campeonatos Sul-Americanos, da Taça Oswaldo Cruz e da Copa Bernardo O’Higgins, além da Copa do Mundo de 1954. Disputou, efetivamente, apenas 9 jogos (4 vitórias, 3 empates e 2 derrotas). Após ter pendurado as chuteiras, voltou aos campos de futebol, como técnico. Dirigiu vários times paulistas. Em 1972, teve uma passagem expressiva pelo São Paulo, com 23 vitórias, 15 empates e, só 4 derrotas. Entretanto, esses poucos resultados negativos ocorreram, justamente, nos jogos decisivos, o que levou à sua demissão. Júlio Botelho, o ponta-direita Julinho, nasceu na capital paulista, em 29 de julho de 1929. Começou a jogar futebol nas divisões de base do “Corinthians”. Por ter sido dispensado pelo clube do Parque São Jorge, Julinho procurou, aos 19 anos, o “Clube Atlético Juventus”, também da sua cidade natal. Promovido ao time principal do clube da Moóca, em 1950, foi contratado, seis meses depois, pela “Portuguesa de Desportos”. No Canindé, tornou-se logo titular, estreando no dia 18 de fevereiro de 1951. Integrou, junto com outros grandes nomes do futebol brasileiro, como Djalma Santos, Brandãozinho e Pinga, talvez a melhor equipe que já tenha envergado o uniforme vermelho e verde da lusa paulista. Foi venedor do Torneio Rio-São Paulo, em 1952 e 1955. Nesse último ano, deixou o Brasil para jogar na Itália, pela “Fiorentina”. Enquanto vinculado à “Portuguesa”, serviu à Seleção Brasileira, conquistando os títulos de Campeão Pan-Americano em 1952 e o de Vice-Campeão Sul-Americano em 1953, e disputando a Copa do Mundo de 1954, quando foi considerado um dos melhores jogadores da competição. Em 1960, já vinculado ao “Palmeiras”, Julinho voltou a defender as cores do Brasil, vencendo a Copa Roca. Quando estava em


Florença, declinou da convocação para a Copa de 1958, por não considerar justo que um jogador atuando no exterior, como era o seu caso, tomasse o lugar de outro colega brasileiro que jogasse em seu próprio país. Julinho só voltou a vestir a “amarelinha”, após seu retorno ao país, em 1959. Nesse ano, o dia 13 de maio teve um significado especial para a sua carreira. Foi marcado um amistoso Brasil x Inglaterra, no Rio de Janeiro. O genial Garrincha, que jogava no “Botafogo”, clube tradicional do futebol carioca, e que se consagrara como ídolo nacional, na vitoriosa campanha da Copa do Mundo de 1958, era o favorito da torcida para ocupar a ponta-direita da Seleção Brasileira. Entretanto, o escalado pelo técnico Vicente Feola, foi Julinho Botelho. Por isso, seu nome foi estrondossamente vaiado ao ser anunciado pelo locutor oficial do Estádio do Maracanã. Porém, ele não se abalou e, com magnífica atuação, marcando inclusive um belíssimo gol, calou as vaias e as tranformou em uníssonos aplausos dos mais de 150 mil torcedores presentes. Na Fiorentina, Julinho foi um dos pricipais responsáveis pelo primeiro título de Campeão Italiano, conqustado na temporada 1955/56. O clube de Florença, com a ajuda de Júlio Botelho, foi ainda Vice-Campeão, nas duas temporadas seguintes; 1956/57 e 1957/58. No “Palmeiras”, foi ídolo da torcida, e conquistou os títulos de: Campeão Paulista, em 1959, 1963 e 1966; Campeão da Taça Brasil , em 1960; e Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1965. Pendurou as chuteiras, encerrando sua gloriosa carreira, em 1967. Antenor Lucas, o Brandãozinho, nasceu em Campinas, S.P., no dia 9 de junho de 1925. Jogava, com talento invulgar, como médio, coforme a denominação então usada, ou volante, como é chamada, hoje, a posição. Brandãozinho iniciou suas atividades de jogador de futebol no “Velo FC”, clube da chamada várzea de ouro da Vila Induatrial de Campinas. Em seguida, foi para o “Campinas FC”, também da Vila Induatrial campineira. Em 1943, foi contratado pela “Portuguesa Santista”, que defendeu até 1948. A partir do ano seguinte, passou a atuar pela “Portuguesa de Desportos” da capital paulista. Fez parte da Seleção Paulista que, enfrentando a Seleção Carioca, inaugurou o Estádio do Maracanã, em 16 de junho de 1950. Pelo clube do Canindé, foi Campeão do Torneio Rio-São Paulo, em 1952 e 1955. Disputou 18 partidas pela Seleção Brasileira, conquistando o título de Campeão Pan Americano, em 1952,

e participando da Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Devido ao insucesso de uma cirurgia decorrente de fratura, viu-se obrigado a encerrar prematuramente sua carreira de atleta profissional, passando a dedicarse à sua outra profissão, a de professor de matemática. José Mendonça dos Santos, o Dequinha, nascido em Mossoró, Rio Grande do Norte, no dia 19 de março de 1929, iniciou sua trajetória de futebolista, como ponta-esquerda do “Atlético de Mossoró”, em 1945. Transferido para o “Potiguar”, no ano seguinte, transformou-se em centro-médio. Nova transferência, em 1947, levou-o para o “ABC”, clube pelo qual foi Campeão Potiguar, no mesmo ano, e onde permaneceu até 1949. Seu estilo refinado de jogo despertou o interesse do “América” de Pernambuco que o contratou, em 1950. Entretanto, o clube pernambucano era presidido por um torcedor fanático do rubronegro carioca que, imediatamente, o cedeu ao time do seu coração. No “Flamengo”, participou da campanha vitoriosa do tricampeonato do Rio de 1953/54/55, e se tornou um dos maiores ídolos de sua imensa torcida. Suas boas atuações, sempre com classe, conduziram-no à Seleção do Brasil, tendo participado da Copa do Mundo, em 1954, e da conquista da Copa Bernardo O’Higgins de 1955. Terminou seu ciclo flamenguista em 1960, quando se transferiu para o “Botafogo”. Entretanto, foi cedido, no mesmo ano, para o “Campo Grande”, clube de pouca expressão no cenário carioca, onde encerrou sua exitosa carreira, em 1962. Dequinha é citado, ao lado de Rubens e Pavão, na música, de Wilson Batista e Jorge de Castro, Samba Rubro-Negro. Humberto Barbosa Tozzi nasceu em São João de Meriti, Estado do Rio, no dia 4 de fevereiro de 1934. Foi descoberto pelo pequeno “Coqueiros Futebol Clube”, de sua cidade natal, em 1952. Transderiu-se no mesmo ano para o “São Cristovão” e foi convocado para as Olimpíadas de Helsinque, na Finlândia. Humberto era um meia que jogava bem, tanto no ataque como no meio-campo. Contratado pelo “Palmeiras”, mudouse, em 1953, para a capital paulista, onde se consagrou. Rápido e habilidoso, foi Campeão Paulista, logo no seu primeiro ano como jogador do alviverde. Foi também o artilheiro desse campeonato de 1952, com 22 gols. No ano seguinte, foi novamente o artilheiro do certame, melhorando sua marca para 36 gols. Esses feitos fizeram-no merecer a convocação para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1954,


na Suíça. Em 1956, trocou o “Palmeiras” pela “Lazio”, na Itália. Pela equipe romana, venceu a Copa da Itália de 1958. Retornou ao Parque Antártica, em 1960, e conquitou a Taça Brasil desse ano. Pelo “Palmeiras”, Humberto assinalou um total de 129 gols, o que lhe confere uma magnífica média se 0,95 por partida. Transferiu-se, em 1961, para o “Fluminense” e, pouco depois, encerrou sua bela carreira. Aluísio Francisco da Luz, mais conhecido pela alcunha se Índio, nasceu em Cabedelo, Estado da Paraíba, no dia 1º de março de 1931. Iniciou sua trajetória futebolística, aos 16 anos, no “Bangu”, clube que defendeu, por dois anos, até 1949, quando se transferiu para o “Flamengo”. No time da Gávea, foi o centroavante de um ataque fabuloso, no qual pontificaram grandes craques, como os seus companheiros Evaristo, Rubens, Zagallo e Joel. Foi Trcampeão Carioca, em 1953/54/55, pelo rubronegro. Participou da Copa do Mundo de 1954, na Suíça, pela Seleção Brasileira. Em 1957, foi para São Paulo, atuar pelo “Corinthians”. Ficou no Parque São Jorge até 1959. Mudou-se para a Espanha, em 1960, para jogar no “Espanyol”, lá permanecendo até 1964. Nesse ano, retornou ao Rio de Janeiro, contratado pelo “América”. Encerrou sua carreira, em 1965, no clube rubro da Rua Campos Sales. A década 1951/1960 foi estremamente importante para o futebol brasileiro. Ainda sob os efeitos do “Maracanazo” de 1950, a Seleção Brasileira teve que disputar, pela primeira vez, as eliminatórias para poder participar da Copa do Mundo, de 1954. Sob o comando técnico de Zezé Moreira (Alfredo Moreira Júnior), que substituíra o tácnico Flávio Costa, o Brasil armou um time de excelente nível. Inicialmente, a Seleção Brasileira conquistou, de forma brilhante, com invencibilidade em cinco jogos, sendo quatro vitórias e apenas um empate, 14 gols pró e só dois contra, o Campeonato Pan-Americano de 1952, realizado em Santiago, no Chile. Os resultados foram: Brasil 2x0 México; Brasil 0x0 Peru; Brasil 5x0 Panamá; Brasil 4x2 Uruguai; e Brasil 3x0 Chile. Nas eliminatórias do mundial, a Seleção Brasileira fez parte do Grupo 11, da América do Sul. Com a desistência do Peru, apenas três países se enfrentaram, em partidas de ida e volta. O Brasil foi o vencedor invicto, com quatro vitórias em quatro jogos (100% de aproveitamento), marcando oito gols e sofrendo somente um. Os resultados foram os seguites: em Santiago do Chile, no mês de fevereiro de 1954, Brasil

2x0 Chile; em Assunção, no Paraguai, mês de março de 1954, Brasil 1x0 Paraguai; março de 1954, no Rio de Janeiro, Brasil 1x0 Paraguai; e, no Rio, março de 1954, Brasil 4x1 Chile. Assim, o Brasil e o Uruguai, classificdo automaticamente por ter sido o Campeão em 1950, foram os únicos países sul-americanos que participaram do evento na Suíça, juntamente com doze europeus (Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Escócia, França, Hungria, Inglaterra, Itália, Iugoslávia, Suíça, Tchecoslováquia e Turquia), um da América do Norte (México) e um da Ásia (Coréia do Sul). Pela primeira vez, o Brasil inscreveu três goleiros, sacrificando um meio-campista (volante) para não ultrapassar o limite estipulado pela FIFA de 22 atletas por seleção. Os seguintes jogadores foram inscritos pelo Brasil: Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho, Nílton Santos, Ely, Bauer, Julinho, Didi, Baltazar, Pinga, Veludo, Paulinho de Almeida, Mauro Ramos, Alfredo Ramos, Dequinha, Maurinho, Rubens, Índio, Humberto Tozzi, Rodrigues e Cabeção. Isso foi possível porque Brandãozinho e Alfredo Ramos eram polivantes, atuando o primeiro tanto na zaga, ou como médio (volante) e o segundo podendo jogar na lateral esquerda ou como zagueiro, permitindo ao técnico levar ainda mais um atacante. Os dados biográficos de todos esses craques já foram apresentados. Nessa delegação, apenas seis jogadores (Castilho, Nílton Santos, Ely, Bauer, Baltazar e Rodrigues) eram remanescentes da campanha de 1950. Além da natural vontade de dar cara nova à seleção, principiando pela camisa, houve necessidade de uma grande renovação, pois a maioria dos convocados, já veteranos em 1950, tinha ultrapassado a barreira dos 30 anos, em 1954, e se aproximava da aposentadoria. De qualquer forma, o gupo era muito bom e contava com revelações de grande valor como Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho, Julinho e Didi. Pela primeira vez, a Copa do Mundo teve cobertura pela TV. Também, foi a primeira vez que a Seleção Brasileira usou, no campeonato mundial, o uniforme de camisa amarela e calção azul, aposentando a camisa branca usada no Maracanã, em 16 de julho de 1950, pela última vez. Outra novidade introduzida, a partir desse certame, foi a numeração fixa, para cada jogador, durante toda a competição. Apesar do sucesso que foi alcançado, graças especialmente à fantástica seleção húngara, a


maior responsável pela incrível média de 5,4 gols por partida, considerados todos os jogos do torneio, o regulamento apresentou falhas gritantes. Na fase inicial, cada um dos quatro grupos, composto por quatro participantes, tinha dois cabeças de chave que não se enfrentavam, assim como as duas equipes restantes, que não jogavam entre si. Dessa forma, ao invés de três jogos para cada time, como acontece tradicionalmente no sistema todos contra todos, realizaram-se apenas dois jogos por equipe. Na fase seguinte, enfrentavam-se entre si, pelas quartas de final, os primeiros de dois grupos e os segundos dos mesmos. Como não era o primeiro de um versus o segundo do outro, não havia vantagem alguma em ser vencedor do grupo. O Grupo 1 foi composto por Brasil, França, Iugoslávia e México, sendo os dois primeiros citados considerados cabeças de chave, com base no ranking da FIFA à época. No primeiro jogo, o Brasil venceu o México, de forma convincente, por 5x0, com gols de Pinga (2), Baltazar, Didi e Julinho. Como a Iugoslávia vencera a França por 1x0, bastava um empate no jogo Brasil x Iugoslávia, para que ambos se classificassem. Foi o que aconteceu: 1x1, sendo da autoria de Didi o gol brasileiro. Assim, pelo saldo de gols, a Iugoslávia ficou em segundo lugar, e o Brasil classificou-se como o primeiro da sua chave (Grupo 1), cabendo-lhe, por infelicidade, enfrentar a Hungria, primeira colocada no Grupo 2. Em seus dois jogos pela primeira fase, a seleção magiar aplicou duas goleadas: 9x0 sobre a Coréia do Sul e 8x3 em cima da Alemanha Ocidental. A Seleção Húngara já fora Campeão Olímpica em 1952. Embora as Olimpíadas fossem teoricamente disputadas por amadores, os países da então chamada Cortina de Ferro, enviavam suas equipes formadas por militares, pagos pelo Estado exclusivamente para jogar futebol. Dessa forma foi montado um time praticamente imbatível, de acordo com a abalizada opinião de Armando Nogueira. Além disso, os húngaros inovaram na preparação física. O segredo, hoje difundido no mundo todo, era fazer um bom pré-aquecimento, antes de iniciar o jogo. Como os adversários, em sua maioria, ainda ignoravam essa prática elementar, eram massacrados logo no início da partida, decidida ainda no primeiro tempo. Assim, foi marcado para o dia 27 de junho de 1954, às 17 h, no Wank-

dorf Stadium, o jogo Brasil x Hungria, que ficou tristemente famoso como a “Batalha de Berna”. Embora desfalcada de seu principal astro, Puskas, por motivo de contusão, a equipe magiar começou, como de praxe, de forma arrasadora. Em menos de 10 minutos, já vencia por 2x0 (gols de Hidegkuti, aos 4 min, e Kocsis, aos 7 min). Após se aquecer, refazer-se do susto inicial e, finalmente, entrar no jogo, o time brasileiro começou a reagir e marcou, aos 18 minutos, por intermédio de Djalma Santos, cobrando pênalti, cometido por Buzanski sobre o centroavante Índio. Com 15 minutos no segundo tempo, novo pênalti marcado pelo árbitro inglês Arthur Ellis, dessa vez contra o Brasil. Lantos cobrou, sem possibilidade de defesa para Castilho, fazendo Hungria 3x1. Mas o Brasil continuou atacando e, em belíssima jogada pela direita, Julinho descontou. Começaram, então as cenas de violência, que culminaram com os lamentáveis episódios ocorridos perante cerca de 60.000 espectadores e tornaram o jogo conhecido como a “Batalha de Berna”. Nílton Santos e Boszik trocaram socos e foram expulsos. Logo após, Humberto Tozzi perdeu a cabeça e também foi expulso, por desferir um pontapé em Kocsis, pelas costas. Com apenas nove em campo, o Brasil perdeu sua capacidade de reação e ainda foi castigado com o quarto gol húngaro, marcado por Kocsis, faltando dois minutos para o apito final. Após o encerramento da partida, o pau cantou, havendo agressões mútuas, ficando célebre a chuteirada aplicada pelo técnico Zezé Moreira no magiar Gustav Sebes, flagrada pela objetiva da câmera fotográfica do jornalista Armando Nogueira. A Seleção Brasileira atuou com: Castilho; Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho e Nílton Santos; Bauer e Didi; Julinho, Índio, Humberto Tozzi e Maurinho. Conforme vimos, a redenção do escrete brasileiro não se deu em 1954, muito embora sua campanha não tenha sido fraca, como alguns desavisados a consideram. Na verdade, o Brasil venceu as eliminatórias com 100% de aproveitamento; e, na fase inicial da Copa, classificou-se como primeiro do seu grupo, de forma invicta, com seis gols marcados e apenas um sofrido. A falta de sorte foi ter de enfrentar, logo no primeiro jogo mata-mata, a fortíssima e quase imbatível equipe da Hungria, por falha do regulamento, como exposto. De acordo com o critério do revezamento então vigente, a Copa de 1958 deveria ser realizada na América do Sul. Entretanto, a FIFA escolheu


a Suécia como país-sede, sob protestos dos sul-americanos. Mais de cinqüenta países disputaram, nas eliminatórias, as dezesseis vagas que foram preenchidas por: Alemanha Ocidental (classificada automaticamente como campeã), Argentina, Áustria, Brasil, Escócia, França, Gales, Hungria, Inglaterra, Irlanda do Norte, Iugoslávia, México, Paraguai, Suécia (classificada automaticamente como anfitriã), Tchecoslováquia e União Soviética. Das doze seleções européias classificadas, algumas podiam ser apontadas como favoritas. A União Soviética, embora estreante em Copa do Mundo, tinha como time base a fortíssima equipe campeã olímpica de 1956, nos Jogos de Melbourne. O goleiro soviético era o excelente e famoso Yashin. A Alemanha Ocidental, campeã de 1954, colhera maus resultados, perdendo sete dos dez amistosos disputados nos meses que antecederam à competição. Sua equipe base era quase a mesma que vencera o último campeonato, inclusive com o seu capitão Fritz Walter (já com 38 anos), mais alguns novatos como Karl-Heinz Schnellinger e Uwe Seeler. Em decorrência da revolução havida em 1956, a Hungria viu-se desfalcada de Ferenc Puskas, Sándor Kocsis e Zoltán Czibor que deixaram o país, indo atuar em clubes espanhóis. Os remanescentes do fantástico escrete de 1954 Gyula Grosics, Lászlo Budai e Jozsef Bozsik não eram suficientes para manter o brilho. A Inglaterra montara uma excelente equipe, mas uma tragédia aérea ocorrida em Munique, seis meses antes da Copa de 1958, vitimou os craques da seleção Duncan Edwards, Tommy Taylor e Roger Byrne, além de outros grandes jogadores do “Manchester United”, então tricampeão inglês. Finalmente, a Suécia, embora sem maior tradição, tinha a grande vantagem de jogar em casa e de contar com atletas de qualidade e experientes, por atuarem na Sére A do “calcio” italiano: Niels Liedholm, Kurt Hamrin, Agne Simonsson e Gunnar Gren. Para a disputa das eliminatórias sul-americanas, foram formados três grupos. Um deles foi composto por Brasil, Peru e Venezuela. Como este último desistiu, houve apenas dois jogos Brasil x Peru. No primeiro, na capital peruana, Lima, aconteceu um empate por 1x1. O segundo foi realizado no Rio, no Estádio do Maracanã, tendo terminado com a vitória brasileira por 1x0, gol de Didi, com uma “folha seca”. Foi, portanto, uma classificação difícil, obtida com muito suor.

A preparação para a Copa do Mundo de 1958 foi cercada de muitos cuidados especiais. A delegação brasileira, chefiada por Paulo Machado de Carvalho, incluía, slém do técnico Vicente Feola, do médico Hilton Gosling e do preparador físico Paulo Amaral, o dentista Mário Trigo e o psicólogo João Carvalhaes. O massagista continuou sendo o já tarimbado Mário Américo. Os atletas foram previamente submetidos a uma bateria completa de exames médicos, além da consulta e eventual tratamento dentário.. O condicionamento físico foi rigoroso, utilizando os mais modernos aparelhos disponíveis na época. Foram impostas regras de conduta, sendo distribuída uma cartilha com quarenta restrições. Os jogadores selecionados e aprovados nos exames foram: Gylmar, Castilho, De Sordi, Djalma Santos, Bellini, Mauro, Orlando, Zózimo, Nílton Santos, Oréco, Dino, Zito, Didi, Moacyr, Joel, Garrincha, Mazzola, Vavá, Dida, Pelé, Zagallo e Pepe. Desses, Castilho e Nílton Santos haviam sido reservas em 1950 e titulares em 1954. Djalma Santos, Didi e Mauro participaram da campanha de 1954, sendo titulares os dois primeiros. Os demais erm estreantes em campeonatos mundiais. Os que participaram, anteriormente, da maior competição promovida pela FIFA, bem como outros integrantes do grupo de 1958, já tiveram a oportunidade de serem apresntados. Vamos mostrar, a seguir, os dados biográficos dos demais: Orlando Peçanha de Carvalho nascido em Niterói, RJ, no dia 20 de setembro de 1935 foi um grande zagueiro, que se destacava pela sua excepcional capacidade de antecipação aos adversários. Jogou no “Vasco” de 1955 a 1960. Devido à sua habilidade, aliada à força física e grande aplicação, foi convocado para a Seleção Brasileira de 1958, formando a segura zaga titular ao lado do seu companheiro de clube Bellini. Pelo Vasco, conquistou os títulos de Campeão Carioca de 1956 e 1958. Defendendo o escrete do Brasil, conquistou, além da Copa do Mundo de 1958, a Copa Bernardo O’Higgins de 1959 e a Taça do Atlântico de 1960. Mudou-se para Buenos Aires, em 1960, contratado pelo “Boca Juniors”. Pelo clube platino, foi Campeão Argentino em 1962 e 1964, tendo tido, entre seus companheiros de time, outros brasileiros: Dino Sani, Paulo Valentim e Almir Pernambuquinho. Em 1965, voltou para o Brasil, ao transferir-se para o “Santos”. No clube alvinegro praiano, foi Campeão Paulista de 1965 e 1967, tendo conquistado a Taça Brasil, em


1965. De volta à Seleção do Brasil, participou da Copa do Mundo de 1966. Pelo escrete canarinho, jogou 34 partidas, com 25 vitórias, 7 empates e apenas 1 derrota. Pendurou as chuteiras em 1970. Teve, ainda, uma curta carreira como técnico, treinando o “CSA”, de Alagoas, em 1977, e o “Vitória” da Bahia, em 1980. Dino Sani, nascido na cidade de São Paulo, em 23 de maio de 1932, começou sua carreira na “SE Palmeiras”, em 1950. No ano seguinte, teve uma rápida passagem pelo “Jaú”. Atuou pelo “Comercial” entre 1952 e 1953. Finalmente, transferiu-se para o “São Paulo”, em 1954. Sua posição inicial de meia, foi modificada para volante, tendo se sbressaído pela excelência dos seus passes e pela precisão nas roubadas de bola. No tricolor paulistano, conquistou o título de Campeão Paulista de 1957; tendo participado da Seleção Paulista de 1955, foi convocado pars a equipe do Brasil, campeã do mundo em 1958. Permaneceu no São Paulo até 1959, quando se tranferiu para o “Boca Juniors”, da Argentina, onde atuou ao lado de outro brasileiro campeão mundial: Orlando Peçanha. Em 1961, trocou Buenos Aires por Milão, passando a defender as cores vermelho e preta do “Milan”, onde foi Bicampeão Italiano (1961/62) e Bicampeão da Liga de Campeões da Europa (1962/63). Permaneceu no “rossonero” da Itália até 1964. No seu retorno ao Brasil, jogou pelo “Corinthians” de 1965 a 1968, onde conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1966 e encerrou a carreira em 1968. Iniciou-se como técnico no próprio clube do Parque São Jorge e treinou outros times de renome, como os do “Internacional”, “Flamengo”, “Peñarol” do Uruguai, “Palmeiras” e “Coritiba”, tendo sido o responsável pelo aparecimento de vários craques que vieram a se consagrar como Falcão e Carpeggiani (no “Internacional”), Leandro (zagueiro do “Flamengo”), Rubens Paz (do “Peñarol”) e Jorge Mendonça (“Palmeiras”). Foi, ainda, técnico da Seleção do Quatar. Zózimo Alves Calazans nasceu em Salvador, Bahia, no dia 19 de junho de 1932. A maior parte de sua carreira esportiva foi desenvolvida no “Bangu”, do Rio de Janeiro. Zózimo era um defensor de estilo clássico, muito seguro. Integrou, em 1952, a Seleção Olímpica do Brasil que disputou os Jogos de Helsinki. Pela seleção principal, foi Bicampeão Mundial em 1958 e 1962. Participou, ao todo, de 36 partidas pela Seleção Brasileira, todas enquanto jogador banguense. Posterirmente, atuou pela

“Esportiva de Guaratnguetá”, do interior paulista, “Flamengo” e “Sport Boys”, da Argentina. Faleceu em um acidente de automóvel, em 1977. Valdemar Rodrigues Martins, o Oréco, era gaúcho de Santa Maria, nascido no dis 13 de junho de 1932. Graças à sua capacidade de adaptação, foi um versadeiro jogador polivalente, tendo atuado no ataque, como ponta-esquerda, e em diversas posições da defesa: quarto zagueiro, lateral –direito e lateral-esquerdo. Ganhou destaque nessa última posição, tendo chegado à Seleção Brasileira. Sua carreira teve início, em 1949, no “Internacional” de sua cidade natal. Logo no ano seguinte, foi contratado pelo “Internacional” de Porto Alegre. Foi Campeão Gaúcho em 1950, 1951, 1952, 1953 e 1955. Ficou na capital gaúcha até 1957, quando se transferiu para o “Corinthians” Permaneceu oito anos no Parque São Jorde, mas não conquistou nanhum título de campeão paulista. Mudou-se de São Paulo em 1965, indo para a Colômbia, jogar pelo “Millonarios”, até 1966. Em seguida, foi para o México, defender o “Toluca” nos anos de 1967 e 1968, sagrando-se Bicampeão Mexicano. De 1969 a 1971, atuou pelo “Dallas Tornado”, dos Estados Unidos, seu último clube, despedindo-se do futebol como Campeão da “North American Soccer League”, em 1971. Pela Seleção Brasileira foi Campeão Pan-Americano em 1956; Campeão da Copa Roca de 1957; e Campeão do Mundo, em 1958 (reserva do Nílton Santos). José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro era natural de Coroatá, no Maranhão, e nasceu em 24 de setembro de 1932. Começou sua carreira profissional em 1949, no “América” de Fortaleza. Integrou, pouco depois, a Seleção do Ceará. Teve uma rápida passagem pelo “Paysandu”,de Belém doPará, antes de se transferir para o “São Paulo”, em 1954. Canhoteiro, que media 1,68 m e pesava 73 kg, foi um ponteiro-esquerdo muito talentoso, veloz e dono de um chute forte e certeiro, mas sua principal característica eram os dribles desconcertantes, com os quais infernizava seus marcadores. Com o tricolor paulistano, foi Campeão Paulista em 1957. Sofreu, em 1963, uma séria contusão, após a qual a qualidade de seu futebol diminuiu sensivelmente. Deixou o Morumbi, no mesmo ano, e foi tentar a sorte no futebol mexicano. No México, onde ficou três anos, defendeu o “Nacional” e o “Toluca”. Retornou ao Brasil, para jogar nos modestos


“Nacional”, de São Paulo, e “Saad”, de São Caetano do Sul, no qual pendurou as chuteiras. Pela Seleção Brasileira, disputou dezesseis partidas, entre 1955 e 1959, marcando apenas um gol. Canhoteiro, que levava uma vida boêmia, morreu cedo, em agosto de 1974, antes de completar 42 anos. Darcy Silveira dos Santos, mais conhecido como Canário, nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de maio de 1934. Iniciou sua carreira no “Olaria”, de sua cidade natal, mas ganhou destaque a partir de 1955, quando se transferiu para o América, também do Rio. Em seu primeiro ano na equipe rubra, foi vice-campeão carioca. Em função das suas boas apresentações, foi convocado, em 1956, para a Seleção Brasileira, e participou da Copa Oswaldo Cruz e da Copa do Alântico, tendo sido campeão, em ambas. Canário foi um ponta-direito incisivo, de boas qualidades técnicas. Não teve maiores oportunidades na seleção, porque havia, na sua época, igualmente na “cidade maravilhosa”, um gênio chamado Garrincha, que também era ponta-direita. Com a camisa amarela, disputou sete jogos e assinalou dois gols, em 1956. Transferiu-se, em 1959, para o “Real Madrid”, no qual integrou um ataque fabuloso, formado por ele, Del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento. Com os “blancos”, conquistou os seguintes títulos: Copa dos Campeões da Europa (1960); Copa Intercontinental (mundial interclubes, de 1960); Campeonato Espanhol (1960/61 e 1961/62); e a Copa do Rei da Espanha (!961/62). Defendeu o “Sevilla”, na temporada 1962/63 e o “Zaragoza”, de 1963 a 1968. Com o clube aragonês conquistou a Copa do Rei da Espanha, em 1963/64 e 1965/66, além da Copa das Cidades com Feiras de 1963/64, importante torneio internacional, na época. Atuou pelo “Mallorca” na temporada 1968/69. Pendurou as chuteiras em 1969, com 35 anos de idade. Naturalizado espanhol, fixou residência em Saragoça, passando a se dedicar ao ramo da hotelaria. Moacyr Claudino Pinto, nascido em São Paulo, no dia 18 de maio de 1936, foi um meia armador que se destacou no “Flamengo”, clube que defendeu de 1956 a 1961, não tendo conseguido vencer o campeonato carioca, mas conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1961. Em seguida, jogou duas temporadas pelo “River Plate”, da Argentina (1961/62), e mais duas no “Peñarol”, do Uruguai (1962/63), pelo qual foi Campeão

Uruguaio em 1962. Mudou-se para o Equador, onde atuou pelo “Everest FC” (1963/64) e “Barcelona de Guayaquil” (1964 a 1966), conquistando o título de Campeão Equatoriano em 1966. Esse foi o seu último clube. Pela Seleção Brasileira, foi Campeão da Copa Roca em 1957; Campeão da Copa do Mundo em 1958 (reserva do Didi); e Campeão da Taça do Atlântico de 1960. Jogou sete partidas com a camisa canarinho, somando cinco vitórias, um empate e uma derrota. Após pendurar as chuteiras em 1966, aos 30 anos, Moacyr radicou-se no Equador, fixando residência em Guayaquil. Propositadamente, deixamos por último os dois craques que passaram de reservas a titulares no decorrer do certame mundial de 1958 e, muito mais do que isso, revolucionaram positivamente o futebol brasileiro e alteraram o cenário futebolístico do mundo: os gênios Garrincha e Pelé. Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha, nasceu em 28 de outubro de 1933, na localidade de Pau Grande, situada na raiz da serra de Petrópolis, no Distrito de Magé, Estado do Rio de Janeiro. Suas paixões de menino pobre, de família humilde e numerosa (quinze irmãos), eram a bola e os passarinhos. Seu apelido, dado por uma irmã, provém de um pequeno pássaro, muito comum na região da sua infância e adolescência e em muitas partes do Brasil, conhecido por vários nomes: garrincha, garrinchão, garricha, corruíra e cambaxirra, entre outros. Garrincha tinha as pernas tortas. O joelho esquerdo era desviado para o lado de fora; o direito para dentro. De acordo com Ruy Castro, autor de sua mais completa e conceituada biografia intitulada Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha, era um defeito de nascença. Outros atribuem os desvios a seqüelas de uma poliomielite. Em 1948, ainda com 14 anos, começou a jogar no time amador do “Pau Grande Esporte Clube”, mantido pela fábrica de tecidos, onde o jovem Mané chegou a trabalhar. Teve uma passagem pelo “Serrano” de Petrópolis, e tentou ser aproveitado por um dos grandes clubes do Rio, tendo procurado o “Flamengo”, o “Fluminense” e o “Vasco”. Não logrou sucesso, talvez prejudicado pela aparência de suas pernas arqueadas. Em 1953, porém, sua sorte mudou. Levado ao campo do Botafogo, possivelmente pelo ex-jogador Arati, foi apresentado ao técnico Gentil Cardoso, que lhe perguntou: “Você joga de que, meu filho?” “De chuteiras” respondeulhe Garrincha, acrescentando: “Mas posso jogar descalço. Jogo de


qualquer jeito.” Após as risadas gerais, e um pouco constrangido, o rapazinho de talento promissor entendeu que a pergunta referia-se à posição no time. Esclarecida a questão, Gentil o escalou na ponta-direita da equipe reserva. Isso significava que seria marcado pelo lateralesquerdo da Seleção Brasileira, o já consagrado Nílton Santos. Para saber o que aconteceu, naquele 10 de junho de 1953, vamos nos apropriar das palavras de Ruy Castro: “Quando aquele ponta novato dominou a bola e parou para esperá-lo, Nílton Santos partiu tranqüilo para dominá-lo. Tranqüilo até demais, porque quando se deu conta, já havia sido driblado para fora. Correu atrás dele, e quando emparelharam, o ponta freou cantando os pneus. Ficaram de novo frente a frente. Nílton entrou duro para assustá-lo, mas foi driblado outra vez, e do mesmo jeito. Em outra jogada, minutos depois, o pontinha cometeu a suprema indelicadeza e enfiou-lhe a bola entre as pernas. Até então, Nílton Santos nunca permitiria tal desfeita a ninguém. Tudo isso é fato, mas o tempo exagerou o que aconteceu. Os relatos futuros criaram a ilusão de um fantástico baile de Garrincha em Nílton Santos. E não foi bem assim. Houve lances em que Nílton Santos também desarmou Garrincha com facilidade, e igualmente o driblou”. Logicamente, os dirigentes botafoguenses imediatamente se interessaram em contratá-lo. Consultado, Nílton Santos se manifestou: “O garoto é um monstro. Acho bom vocês o contratarem. É melhor ele conosco do que contra nós.” Assim começou sua carreira no “Botafogo”, clube que defendeu por doze anos, até 1965, e no qual viveu seu auge, participando de 614 jogos e marcando 245 gols. Pela Seleção Brasileira, jogou 61 partidas, marcando 17 gols, entre 1955 e 1966, tendo sofrido apenas uma derrota, justamente em seu último jogo, perante a Hungria, na Copa do Mundo de 1966. Jogando junto com Pelé, nunca foi vencido. Pela Seleção Carioca, entre 1955 e 1962, atuou 9 vezes, assinalando 7 gols. Transferiu-se para o Corinthians, em 1966, onde jogou alguns meses ( de março a outubro), já na sua fase de declínio, decorrente das inúmeras infiltrações no joelho e da bebida, tendo, porém, realizado 13 partidas e 2 gols. Nesse período, disputou uma partida amistosa pelo “Vasco”, que não se interessou em contratá-lo, devido à sua má condição física. Em 1967, jogou pela “Portuguesa” do Rio de Janeiro. No mês de janeiro de 1968, fez uma partida pelo “Fortaleza”, no Ceará; em fevereiro, jogou uma vez pelo

“Alecrim”, de Natal; no mês de agosto do mesmo ano, atuou na Colômbia, em um único jogo do “Atlético Júnior”, de Barranquilla. Finalmente, em novembro de 1968, estreiou no “Flamengo”, onde ficou até o fim de 1969, participando de 15 partidas e assinalando 4 gols. Durante o vínculo com o clube da Gávea, jogou uma vez pelo “Esporte Clube Novo Hamburgo”, no Rio Grande do Sul, em 2 de julho de 1969. Não há registro de suas atuações nos anos de 1970 e 1971. Por último, jogou no “Olaria”, do Rio de Janeiro, de fevereiro a agosto de 1972, realizando 10 jogos e marcando só um gol, o último como profissional, em 23 de março de 1972. Os títulos mais importantes, conquistados pelo “Botafogo” com Garrincha, foram: Campeão Carioca em 1957, 1961 e 1962; Torneio Rio-São Paulo, de 1962 e 1964; Torneio Internacional da Colômbia, em 1960: e Torneio Intercontinental de Clubes, na França, em 1963. Pela Seleção do Brasil: Copa Bernardo O’Higgins, em 1955, 1959 e 1961; Taça Oswaldo Cruz, em 1958, 1961 e 1962; Copa Roca, em 1960; e as Copas do Mundo, de 1958 e 1962. Pelo “Corinthians”, o Torneio Rio-São Paulo de 1966. Mané Garrincha, o Anjo de Pernas Tortas, a Alegria do Povo, foi o maior ícone do futebol irreverente, moleque mesmo, de muitos dribles, alguns até desnecessários, e das brincadeiras carregadas de ingenuidade. O “Anjo das Pernas Tortas” é o título de um poema do renomado Vinicius de Morais: “A um passe de Didi, Garrincha avança / Colado o couro aos pés, o olhar atento. / Dribla um, dribla dois, depois descansa, / como a medir o lance do momento. / Vem-lhe o pressentimento, ele se lança / mais rápido que o próprio pensamento. / Dribla mais um, mais dois, a bola trança / feliz entre seus pés _ um pé de vento! / Num só transporte a multidão contrita, / em ato de morte se levanta e grita / seu uníssono canto de esperança. / Garrincha, o anjo, escuta e atende: Goooooool. / É pura imagem: um G que chuta um O. / Dentro da meta um L. É pura dança”. Sobre ele, assim se manifestou o dramaturgo e jornalista esportivo Nelson Rodrigues: “Eu digo: não há no Brasil, não há no mundo ninguém tão terno, ninguém tão passarinho como o Mané.” Ainda Nelson Rodrigues: “Um Garrincha transcende todos os padrões de julgamento. Estou certo de que o próprio Juízo Final há de sentir-se incompetente para opinar sobre o nosso Mané”. Companheiros e adversários na Copa de 58 expressaram sua admiração: “Eu fazia o lançamento e tinha vontade de


rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente” (Didi, meia armador do Brasil); “Eles começaram marcando no mano a mano. Tsarev contra Garrincha. De repente, passaram a amontoar vários outros naquele lado esquerdo do campo Era hilariante o desmanche que Mané fazia por ali” (Nilton Santos, na partida contra a Rússia); “Eles eram infernais. Ninguém os conteria. Se você marcasse o Pelé, Garrincha escapava e vice-versa. Se você marcasse os dois, o Vavá entraria e faria o gol. Eles eram endemoniados” (Just Fontaine, atacante francês, maior artilheiro em uma única Copa do Mundo); “Estávamos em pânico pensando no que Garrinchapoderia fazer. Não existe marcador no mundo capaz de neutralizá-lo” (Nils Liedholm, meia da seleção sueca, vice-campeã); “Em cinqüenta anos de futebol jamais apareceu um jogador como Garrincha” (jornal inglês Daily Mirror). Na Copa de 62, o técnico soviético Gavril Katchalin comentou: “Garrincha é um verdadeiro assombro. Não pode ser produto de nenhuma escola de futebol. É um jogador como jamais vi igual”. E o jornal chileno El Mercurio indagou, em manchete: “De que planeta viene Garrincha?” Algumas declarações do Garrincha, plenas de ingenuidade ou ironia, ficaram famosas: “E o senhor já combinou isso com eles? rederindo-se aos russos, em 1958, quando, antes do jogo, o técnico Feola tentava explicar-lhe uma jogada; “Campeonatozinho mixuruco, nem tem segundo turno!”, durante a comemoração da conquista do título mundial, em 1958; “Você viu, Didi, o São Cristovâo está de uniforme novo!”, reparando no uniforme inglês, na Copa de 1962; “A bola veio para a esquersa e eu não chuto bem de esquerda, mas não dava para trocar de pé. Então chutei de esquerda fazendo de conta que era de direita” sobre o gol que marcou contra o Chile, no Mundial de 1962. Garrincha foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1962 e considerado pela FIFA o melhor jogador da mesma. Em 1999, foi galardoado como o Segundo Maior Jogador Brasileiro do Século XX e Quarto Maior Jogador Sul-Americano do Século XX, pela IFFHS (International Federation of Football History and Statistics). No ano seguinte, foi reconhecido pelo Grande Júri FIFA 2000 como o Sétimo Maior Jogador do Mundo no Século XX. Dois filmes foram feitos, a seu respeito: Garrincha, Alegria do Povo (Joaquim Pedro de Andrade, 1962) e Garrincha – Estrela Solitária (baseado no livro de Ruy Castro, 2003). O

maior estádio de futebol de Brasília, Capital Federal do Brasil, recebeu o nome de Mané Garrincha. Existe um busto seu, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Garrincha tinha o hábito de chamar de João todos os seus marcadores. De acordo com Gérson Soares, filho da cantora Elza Soares, e que conviveu muitos anos com o Mané, esse hábito surgiu na adolescência do jogador, quando, em toda Semana Santa, assistia a um filme sobre a Vida de Criato, no qual a cena mais marcante para ele era a entrega da cabeça de João Batista à Salomé, numa bandeja. Num domingo de Páscoa, aconteceu um jogo do time de Pau Grande, contra a equipe de uma fábrica de Petrópolis. Sem condições técnicas e físicas, o lateral esquerdo levou um baile e apelou para a violência contra o jovem Garrincha. Depois, murmurou: “Desculpe, perdi a cabeça”.”Você é João Batista?”, retrucou-lhe, gozador, o Mané, para quem, a partir daí, todos os seus adversários diretos passaram a se chamar João. Manoel Francisco dos Santos faleceu em 20 de janeiro de 1983, vítima de cirrose do fígado. No dia seguinte, um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade, publicou no Jornal do Brasil: “Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um Deus cruel, tirou do estnteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”. Edison Arantes do Nascimento, o Pelé, nasceu em 23 de outubro de 1940, na cidade de Três Corações, Estado de Minas Gerais. Seu pai, João Ramos do Nascimento, também jogou futebol, sendo conhecido como Dondinho. Ao assistir aos jogos do “São Lourenço” equipe do sul de Minas, da qual o pai era atacante, o menino Edison, com três anos, entusiasmado com as atuações do goleiro, cuja alcunha era Bilé, gritava: “Dá-lhe Bilé. Defende Bilé”. De tanto incentivar o Bilé, acabou ele próprio sendo apelidado de Bilé. Entretanto, alguns de seus amiguinhos, todos de tenra idade, com dificuldade em pronunciar Bilé, transformaram seu apelido para Pelé. Em 1945, sua família mudou-se para Baurú, no Estado de São Paulo. Aos dez para onze anos, já começou a


jogar em um time infanto-juvenil, chamado “Canto do Rio”, no qual os garotos tinham, no mínimo, treze anos de idade. Estimulado pelo pai, Pelé e seus companheiros decidiram criar o seu próprio time, que se chamou “Sete de Setembro”. Pelé trabalhava como engraxate e, para poder adquirir camisas, calções e bolas para o time, ele e seus amigos passaram a vender o que podiam na praça e na porta do cinema. Logo depois, porém, em 1952, foi convidado por Antoninho, responsável pela equipe juvenil do “Bauru Atlético Clube - BAC”, para jogar no time, conhecido como Baquinho. O técnico do time principal do “Bauru” era o famoso ex-jogador Valdemar de Brito, que percebendo o potencial do jovem atacante, levou-o em 1956 para o “Santos”. Sua estréia ocorreu no dia 7 de julho daquele ano, quando marcou um gol na vitória santista sobre o “Corinthians de Santo André” por 7x1. Pelé permaneceu na Vila Belmiro por dezoito anos, até 1974, defendendo o alvinegro praiano em 1.115 jogos, nos quais marcou 1.091 gols. De 1975 a 1977, atuou pelo “New York Cosmos”, nos Estados Unidos. Além do “Rei do Futebol”, outros astros, como o alemão Beckenbauer e Carlos Alberto, capitão da Seleção Brasileira, Campeã do Mundo em 1970, foram contratados pelo clube nova-iorquino, com o intuito de popularizr o esporte naquele país. No dia 1º de outubro de 1977, aconteceu sua última partida pelo “Cosmos”, que enfrentou e venceu o “Santos” por 2x1. Pelé jogou um tempo por cada uma das equipes e marcou um gol para o time estadunidense. Edison Arantes do Nascimento foi o grande responsável pala vertginosa ascenção do “Santos FC” à elite do futebol brasileiro e internacional. Foi Campeão Paulista em 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973; Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1959, 1963, 1964 e 1966; e Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1968. Também pelo “Santos”, conquistou: Taça Brasil, em 1961,1962, 1963, 1964 e 1965; Copa Libertadores, em 1962 e 1963; Copa Intercontinetal (campeonato mundial de clubes) de 1962 e 1963; Recopa SulAmericana e Recopa dos Campeões Intercontinentais, ambas em 1968. Além dos títulos dos campeonatos paulistas, Pelé foi o artilheiro da competição nos seguintes anos: 1957, com 20 g0ls; 1958, com 58 gols (marca recorde até hoje); 1959, com 45 gols; 1960, com 34 gols; 1961, com 47 gols; 1962, com 37 gols; 1963, com 22 gols; 1964, com 34 gols; 1965, com 49 gols; 1968, com 26 gols; e 1973, com 11 gols. Também

conquistou a artlharia nos Torneios Rio-São Paulo de: 1961 (7 gols); 1963 (15 gols); 1964 (3 gols); e 1965 (7 gols); e, ainda, na Taça Brasil, em 1961, com 11 gols e 1963, quando assinalou 12 gols e na Copa Libertadores de 1963, marcando 11 gols. Em 1959, já Campeão do Mundo, Pelé integrou a equipe do 6º grupo de Artilharia de Costa Motorizado, conquistando o Campeonato Brasileiro das Forças Armadas, do qual foi o maior goleador, com 11 tentos; logo, em seguida, no mesmo ano, participou da Seleção Brasileira das Forças Armadas que venceu o Campeonato Sul-Americano Militar, tendo sido, mais uma vez, o artilheiro, com 11 gols. Após brilhantes atuações por um combinado Vasco-Santos, Pelé foi convocado pela primeira vez para a Seleção do Brasil, em 1957, pelo técnico Sylvio Pirillo. Estreiou ainda com 16 anos, em julho de 1957, num jogo contra a Argentina, que venceu por 2x1, tendo sido o autor do gol brasileiro. Pela seleção nacional, Pelé disputou, entre 1957 e 1971, 114 partidas, assinalando 95 gols. Seu jogo de despedida da Seleção Brasileira, em 18 de julho de 1971, aconteceu no Maracanã, com público de 138.575 pagantes, enfrentando a Iugoslávia, que obteve um empate, por 2x2. Aos 17 anos, foi novamente convocado para disputar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. No início da competição, ficou na reserva de Dida. Entrou no terceiro jogo, contra a URSS, junto com Garrincha e Zito. Segundo consta, a escalação dos três foi solicitada ao técnico Feola pelos líderes da equipe: Didi, Nílton Santos e o capitão Bellini. A canisa 10 foi destinada a Pelé por acaso. Antes do início da competição, a CBF deveria ter enviado a relação dos números atribuídoa aos jogadores, pois já na edição anterior do campeonato mundial (1954) a numeração passara a ser fixa para cada atleta. Como a entidade brasileira não o fez, a FIFA assumiu esse encargo e designou o número 10 para o Pelé, embora ele ainda fosse reserva no início do certame. Suas magníficas apresentações no campeonato mundial de 1958 fizeram com que a imprensa esportiva francesa o chamasse de “Rei do Futebol”. Pelé participou de quatro copas do mundo (1958, 1962, 1966 e 1970), tendo sido Campeão em 58, 62 e 70. O seu último título de campeão foi o da Liga Norte-Americana de Futebol, em 1977, pelo “Cosmos”. O Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi o palco grandioso de algumas das mais brilhantes e marcantes atuações de Pelé. No dia 5 de março de 1961, em um jogo “Fluminense” x “Santos”, ele marcou um belís-


simo gol, após partir do meio de campo, driblando vários adversários e concluir de forma indefensávelpara o grande goleiro Carlos Castilho. Entusiasmado, o jornalista Joelmir Betting cunhou a expressão “Gol de Placa” e mandou confeccionar uma placa alusiva ao feito, que foi colocada no saguão principal do estádio. Na noite do dia 19 de novembro de 1969, também no Maracanã, em partida válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Santos” enfrentou o “Vasco”. Aos 33 minutos do segundo tempo, Pelé marcou seu milésimo gol, cobrando pênalti, com o pé direito, no canto esquerdo do goleiro Andrada. Entretanto, o seu gol mais bonito, segundo ele próprio, teria sido marcado no Estádio do “Juventus”, na Rua Javari (bairro da Mooca), em 2 de agosto de 1959, no jogo “Juventus” x “Santos”, pelo campeonato paulista. Pelé foi um meia atacante, ambidestro, chutando forte com ambos os pés. Com altura de 1,72 m, mas dotado de grande impulsão, foi também exímio cabeceador Jogador completo, destacava-se pelo seu incomparável domínio da bola, que nunca lhe escapava em suas célebres matadas de peito. Diferentemente do Garrincha que, muitas vezes, driblava até por brincadeira, os dribles que Pelé aplicava eram sempre produtivos. Seu repertório de jogadas era fantástico: “chapéus”, “lençóis”, dribles “da vaca”, e até “tabelas” com as canelas dos adversários, mas com um padrão de jogo muito objetivo. Devido à sua categoria inigualável que o tornava difícil ou quase impossível de ser marcado, ele sofria, algumas vezes, entradas duras ou mesmo desleais. Na Copa de 1966, Pelé foi verdadeiramente caçado em campo. Sabia, entretanto, se defender, batendo nos adversários com sutileza, tanto que muitos árbitros siquer percebiam seus revides. No entanto, em alguns casos, ele exagerou. Em 1965, causou s fratura da perna do jogador Kiesman, da Seleção Alemã, em uma partida Brasil x Alemanha Ocidental, disputada no Maracanã. Quebrou também a perna do zagueiro cruzeirense Procópio, em um jogo “Cruzeiro” x “Santos”, no ano de 1968. Pelé tinha devoção pelo gol e vocação para artilheiro. Ameaçado de perder a artilharia do campeonato paulista de 1964, interrompendo sua série de conquistas sucessivas desde 1958, ele se esmerou e marcou oito gols em um só jogo: “Santos” 11x0 “Botafogo de Ribeirão Preto”. O “Rei Pelé” disputou, em sua carreira de jogador profissional, um total de 1.375 partidas, assinalando 1.284 gols, o que lhe confere a ex-

traordinária média de 0,93 gol por jogo. É o maior artilheiro da Saleção Brasileira com 95 gols em 115 partidas. Além das camisas do “Santos” e do “Cosmos”, Pelé envergou, em ocasiões excepcionais, mais dois uniformes de clubes cariocas. Em 1978, em uma excursão do “Fluminense” pela África, Pelé usou a camisa tricolor na cidade de Kaduba, em um jogo contra o “Racca Rovers”, Campeão da Nigéria naquele ano, que perdeu por 2x1. Pouco antes, no dia 22 de abril de 1978, visando a promover as apresentações da equipe das Laranjeiras no continente africano, o “Rei” atuou durante 35 minutos pela Seleção da Nigéria. A camisa rubronegra do “Flamengo” foi usada por ele, no dia 6 de abril de 1979, em um jogo contra o “Atlético Mineiro”, com renda destinada às vítimas das enchentes em Minas Gerais. Pelé é considerado o melhor jogador de futebol do mundo, de todos os tempos. Em 1999, foram-lhe outorgados, entre outros, os seguintes prêmos: Atleta do Século, eleito pelo Comitê Olímpico Internacional; Maior Jogador de Futebol do Século XX, pela IFFHS (International Federation of Football History & Statistics); Jogador de Futebol do Século, escolhido pela UNICEF. Em 2000, a FIFA o reconheceu como o Maior Jogador do Século. A importância de Pelé no cenário mundial é tamanha que, já em 1969, a guerra civil no Congo Belga foi interrompida temporariamente para permitir a viagem em segurança da delegação do “Santos” entre Kinshasa e Brazzzaville. Em 1974,quando ainda atuava como jogador, Edison Arantes do Nascimento formou-se pela Faculdade de Educação Física da Universidade Metropolitana de Santos. Foi Ministro dos Esportes do Brasil de 1995 a 1998. É dessa época, a chamada “Lei Pelé”, referente à contratação de jogadores, que segue, em linhas gerais, as diretrizes internacionais preconizadas pela FIFA. Pelé também se aventurou como cantor, tendo gravado junto com a inesquecível Ellis Regina, em 1969, um compacto chamado “Tabelinha”, com as canções “Vexamão” e “Perdão Não Tem”. Além disso, existe uma extensa filmografia a seu respeito, com a sua participação como ator em muitos dos filmes: “Isto é Pelé” (documentário), “Os Trombadinhas”, “Pedro Mico”, “Fuga para a Vitória”, “A Marcha”, “Os Trapalhões e o Rei do Futebol”, e “Pelé Eterno” (documentário); e, ainda,


uma telenovela: “Os Estranhos”. Em reconhecimento aos seus méritos, o Governo Britânico conferiu-lhe o título de Sir da Ordem do Império Britânico (“Knight Commander of the Order of the British Empire”). Após apresentarmos todos os craques que participaram da memosável conquista do primeiro título de Campeão do Mundo pela Seleção do Brasil, vamos recordar a campanha de seis jogos, na Suécia, com cinco vitórias e um empate; 16 gols marcados e 4 sofridos. Primeira Fase Brasil 3 x 0 Áustria Data: 8 de junho de 1958 Local: Rimervallen (Uddevalla) Seleção do Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Dino e Didi; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo Gols do Brasil: Mazzola (2) e Nílton Santos Brasil 0 x 0 Inglaterra Data: 11 de junho de 1958 Local: Nya Ullevi (Gotemburgo) Seleção do Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Dino e Didi; Joel, Mazzola, Vavá e Zagallo Brasil 2 x 0 URSS Data: 15 de junho de 1958 Local: Nya Ullevi (Gotemburgo) Seleção do Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo Gols do Brasil: Vavá (2) Quartas de Final Brasil 1 x 0 País de Gales Data: 19 de junho de 1958 Local: Nya Ullevi (Gotemburgo) Seleção do Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos: Zito e Didi; Garrincha, Mazzola, Pelé e Zagallo Gol do Brasil: Pelé Semifinal Brasil 5 x 2 França Data: 24 de junho de 1958

Local: Raasunda (Estocolmo) Seleção do Brasil: Gylmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo Gols do Brasil: Vavá, Didi e Pelé (3) Final Brasil 5 x 2 Suécia Data: 29 de junho de 1958 Local: Raasunda (Estocolmo) Seleção do Brasil: Gylmar; Djalma Santos, Bellini,Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo Gols do Brasil: Vavá (2), Pelé (2) e Zagallo. Um fato marcante e, possivelmente, decisivo para o sucesso brasileiro foram os três minutos iniciais da partida contra a União Soviética. Logo após a saída, Garrincha foi acionado e, após driblar três adversários, chutou em gol, acertando a trave. A pressão foi mantida e coroada de êxito aos três minutos de jogo, quando Vavá venceu o goleiro Yashin, abrindo o marcador. Esse episódio ficou conhecido, na imprensa esportiva mundial, como “os três minutos mais grandiosos da história do futebol”.

BIER FASS, 2 DE SETEMBRO DE 2010 Conforme combinado, o grupo se reuniu, pontualmente, às 18 horas da primeira quinta-feira de setembro, no Bier Fass. Servidos os chopes, Pedro Paulo tomou a palavra: _Meus caros amigos: o Cristiano, o Marcos e eu trabalhamos duro, mas só relatamos, como vocês já viram nas cópias que enviamos por e-mail, até a década 1951-60. A verdade é que o futebol brasileiro, nessa época, passou por uma fase de transição, pós Copa de 50, e teve um ponto de inflexão, em 1958, dando início a uma era de ouro. É uma história muito rica e nós optamos por detalhá-la, inclusive com os dados biográficos de todos os jogadores de destaque. Vocês estão de acordo com essa orientação? _ Eu acho que sim. Estamos adotando a prática salutar de informar, independentemente das preferências clubísticas que todos nós temos. Os torcedores mais fanáticos, que só se interessam pelos ídolos do seu


time, podem pular as biografias dos demais. respondeu Roberto Mauro. _Também concordo. Vou aproveitar que estou com a palavra, para tirar umas dúvidas. Vi muitas referências a competições como Copa Roca, Taça Oswaldo Cruz e outras que eu não conhecia. Alguém pode me esclarecer? Perguntou o inglês Brian. _Vou tentar. Eu também tive essa curiosidade de saber mais sobre essas disputas sul- americanas, pois embora soubesse que a Copa Roca envolvia jogos entre Brasil e Argentina, eu tinha muito pouco conhecimento a respeito. Por sorte, fiz uma pesquisa, cujos resultados estão aqui na minha pasta, informou o PPP. –Vamos ver: a Copa Roca foi instituída em 1913, quando era Presidente da Argentina o General Julio Roca. A disputa do troféu era inicialmente feita em uma única partida. Assim, a primeira competição aconteceu em 1914, em Buenos Aires, com a vitória do Brasil. A segunda edição só ocorreu em 1922. O jogo foi disputado em São Paulo, com novo triunfo brasileiro. No ano seguinte, a Argentina venceu, em Buenos Aires. Após uma longa interrupção, a taça voltou a ser disputada, sendo realizadas quatro partidas: duas no Rio de Janeiro, em janeiro de 1939; e mais duas em São Paulo, no mês de fevereiro de 1940. O resultado final foi favorável à Argentina, com duas vitórias, um empate e uma derrota. Em março de 1940, nova conquista argentina que venceu dois dos três jogos realizados em Buenos Aires, tendo perdido apenas a segunda partida. A edição seguinte foi realizada no final de 1945, com a disputa de três jogos. A Argentina ganhou o primeiro, em São Paulo. O Brasil venceu os dois seguintes, no Rio de Janeiro, conquistando a Copa Roca daquele ano. Houve nova interrupção até 1957, quando aconteceram duas partidas. O primeiro jogo, no Rio de Janeiro, teve a Argentina como vencedora. No segundo, em São Paulo, o Brasil foi vitorioso, conquistando o troféu em decorrência do melhor saldo de gols. A disputa seguinte ocorreu em Buenos Aires, no ano de 1960, em dois jogos, com uma vitória de cada seleção. Novamente a taça coube ao Brasil, graças ao melhor saldo de gols. O fato se repetiu em 1963, quando a Argentina ganhou o primeiro jogo, realizado em São Paulo, por 3x2 e sofreu uma goleada do Brasil, por 5x2, na outra partida, disp utada no Rio. Na competição seguinte, em 1971, o título foi dividido, pois os dois jogos, realizados em Buenos Aires, terminaram empatados. Finalmente, a última edição, em 1976, teve o

primeiro jogo em Buenos Aires, com vitória argentina; no segundo, no Rio de Janeiro, o triunfo foi brasileiro. Mais uma vez, o Brasil ficou com a taça, em virtude do melhor saldo de gols. Em resumo, foram oito conquistas do Brasil e quatro da Argentina, no decorrer do Século XX. Prevê-se a volta da disputa da Copa Roca, em 2011. Terminada a longa exposição, Pedro Paulo parou para tomar fôlego, saboreando seu chope, ainda gelado. Marcos veio em seu socorro: _Vou continuar, lendo a pesquisa do PP sobre a Copa ou Taça Rio Branco. Ela foi criada em 1916, recebendo seu nome como uma justa homenagem ao grande diplomata brasileiro. O seu objetivo foi o de colocar, frente a frente, as seleções de futebol do Brasil e do Uruguai. Entretanto, sua disputa efetiva só começou em 1931, com vitória brasileira, que se repetiu na edição seguinte, realizada em 1932. O terceiro confronto só veio a ocorrer em 1940, com o Uruguai conquistando o troféu. Em 1946, nova disputa e nova vitória uruguaia. A quinta edição, em 1947, teve o Brasil como vencedor. No ano seguinte, o Uruguai voltou a vencer. Em 1950, pouco antes da Copa do Mundo, aconteceu a sétima disputa da Copa Rio Branco, no mês de maio, com três jogos Brasil x Uruguai. No primeiro, no Pacaembu, em S. Paulo, vitória uruguaia por 4x3. O segundo e o terceiro, realizados no Rio, no Estádio de São Januário, terminaram com vitórias brasileiras por 3x2 e 1x0, respectivamente. Aliás, apresentamos as resenhas desses três jogos quando comentamos a respeito da Seleção Brasileira. Assim, o Brasil conquistou a Copa Rio Branco de 1950, sobre o Uruguai. Esse triunfo foi, no entanto, totalmente ofuscado pela derrota brasileira na final da Copa do Mundo, em julho do mesmo ano. A oitava edição aconteceu somente em 1967, quando as três partidas efetuadas terminaram empatadas (0x0, 2x2 e 1x1), sendo o título dividido entre as duas equipes, de comum acordo. A disputa seguinte, em 1968, terminou com uma conquista brasleira. Finalmente, a décima e última edição, realizada em 1976, premiou novamente a Seleção do Brasil. Resumindo, seis vitórias brasileiras, três uruguaias e um empate, nos dez anos em que houve a competição, entre 1931 e 1976. Com a chegada de uma nova rodada de chopes, foi a vez do Cristiano socorrer o Marcos, tomando a palavra: _Vou continuar, relatando o que aprendemos sobre a Taça Oswaldo Cruz, cujo nome relembra o grande


médicico e sanitarista brasileiro. Foi um torneio de futebol, disputado de 1950 a 1976, entre as seleções do Brasil e do Paraguai, para promover o intercâmbio esportivo entre os dois países. Foram realizadas, ao todo, oito edições, noa anos de 1950, 1955, 1956, 1958, 1961, 1962, 1968 e 1976. Em todas as disputas havidas, o Brasil conquistou a taça. Tendo terminado o seu segundo chope, o arquiteto Pedro Paulo Paredes retomou o relato de sua pesquisa: _Falta-nos dizer alguma coisa sobre a Taça ou Copa Bernardo O’Higgins, assim batizada em homenagem a esse general, gande herói do processo de libertação chileno Trata-se de uma competição entre as seleções de futebol do Brasil e do Chile, que foi disputada cinco vezes, entre 1955 e 1966. O sistema adotado era o de dois jogos realizados no mesmo país, alternando-os em cada edição. Na primeira disputa, em 1955, no Rio de Janeiro e em São Paulo, aconteceu um empate e uma vitória da seleção brasileira, cabendo o troféu ao Brasil. A segunda edição, realizada em 1957 na cidade de Santiago, foi vencida pela Seleção Chilena, com uma vitória e um empate. Em 1959, no Brasil, novamente no Rio e em S. Paulo, aconteceram duas vitórias brasileiras, sendo a primeira por 7x0. Dois anos depois, no Chile (Santiago), nova conquista da taça pelo Brasil, com duas vitórias. A última edição foi realizada de novo no Chile, com jogos em Santiago e Viña Del Mar, cujos resultados foram uma vitória brasileira por 1x0 e uma do Chile por 2x1. Em face do empate no resultado acumulado, não havendo saldo favorável de gols para nenhuma das duas equipes, o título foi dividido entre as duas seleções. No total, três conquistas brasileiras, uma chilena e um empate. Acho que terminei. _Não, interveio Marcos, e continuou: _ Existiu, também, a Taça do Atlântico, que, por acaso, eu também pesquisei e tenho aqui o que achei. O troféu foi criado com o objetivo de estimular a competição entre os países sul-americanos onde se praticava o melhor futebol do continente, coincidentemente, banhados pelo Oceano Atlântico: Argentina, Brasil e Uruguai. Esse torneio foi disputado em 1957, 1960 e 1976. A partir da segunda edição foi incluído o Paraguai. Na última edição foram efetuados jogos de ida e volta. O Brasil foi o campeão em todas as disputas, tendo a Argentina como vice. Em 1976, a Seleção Brasileira conquistou o troféu de forma invicta com cinco vitórias e um empate. _Ótimo, comentou Roberto. _Vou me vangloriar, mais uma vez, da

minha infância e juventude cariocas. Eu morava em Ipanema e freqüentava a praia em frente à minha rua, Paul Redfern, justamente no trecho entre o canal do Jardim de Alá e o Bar Vinte (ponto final dos bondes Ipanema, na época) O Nílton Santos também morava no bairro e , quando não tinha que jogar pelo Botafogo ou pela seleção, ia à praia, no mesmo local. Assim, tive algumas oportunidades (poucas, a bem da verdade) de bater uma bola com ele em animadas linhas de passes. Isso foi por volta de 1953, quando eu tinha meus quinze anos, e o Nílton, aos vinte e oito, já estava em vésperas de disputar sua terceira Copa do Mundo Dois anos depois, em 1955, aluno do científico do Colégio Mello e Souza (um dos melhores do Rio, na época), e jogador do seu time de futebol, tive a oportunidade de enfrentar a equipe do Colégio Rio de Janeiro, na final do campeonato colegial. O grande nome do nosso time era o meu colega de turma Ronald, apelidado de Marreta, que jogava no juvenil do Botafogo. Em contrapartida, nossos adversários contavam com três integrantes da equipe de aspirantes do Flamengo: Luís Roberto, Babá e Dida, que três anos mais tarde, em 1958, seria Campeão Mundial na Suécia. Perdemos só por 2x1, sendo os dois gols deles marcados pelo pequenino ponta-esquerda Babá, em bolas paradas: uma falta com barreira e um pênalti. _Recordar é viver..., comentou, com uma ponta de ironia, o PPP. Tenho uma sugestão: como eu já disse, a história do futebol brasileiro, nos últimos cinqüenta anos, é extremamente interessante e, certamente, vamos querer apresentá-la com riqueza de detalhes, uma vez que dispomos de muitas fontes. Assim, proponho que intercalemos os relatos brasileiros com a história do futebol em outros países, alternando também de acordo com sua localização geográfica: Europa e América do Sul. A minha sugestão é tratarmos, agora do “calcio”. Após alguns comentários, houve consenso na aceitação do proposto, e, também, na escolha dos relatores: Brian e Roberto. _Antes de encerrarmos nosso bate-papo de hoje, tenho mais uma pergunta: por que a grafia de Gylmar, goleiro da Seleção Campeã de 1958, com Y quando0 em todos os jornais da época aparecia com I? E também por que Edison e não Edson Arantes do Nascimento, como é mais comum vermos na imprensa?, indagou o Brian. PP esclareceu:_É simples. Procuramos respeitar a grafia constante em


suas certidões de nascimento. O mesmo ocorreu com o meia Moacyr. .

O FUTEBOL NA ITÁLIA (1893-2010) O primeiro clube italiano, pioneiro na prática do futebol, foi o “Genoa Cricket and Athletic Club” (atual “Genoa Cricket & Football Club”). As primeiras ligas de futebol na Itália foram criadas por imigrantes ingleses na década iniciada em 1891. Existiram, inicialmente, ligas separadas para italianos e estrangeiros, que vieram a fundir-se, antes de 1897, possibilitando a criação, em março de 1898, da Federação Italiana de Futebol (Federazione Italiana del Football, posteriormente chamada de Federazione Italiana Giuco Calcio). Existem registros históricos de que, na época do Império Romano, já era praticado um esporte, chamado harpastum, usado inclusive como forma de aprimoramento físico dos soldados. Entretanto, esse jogo praticado com os pés e as mãos era mais parecido com o “rugby” do que com o futebol (socccr) hoje tão popular. Sabe-se, também , que o “calcio” já era praticado na Itália do Século XVI, especialmente nas praças de Veneza e de Florença. Os times tinham 27 jogadores e usavam-se tanto os pés como as mãos. Até hoje, ainda acontece, uma vez por ano, um jogo de “calcio storico” na “Piazza Santa Croce”, em Florença. Entretanto, não se deve confundir esse esporte com o “calcio” hoje jogado, ou seja, o futebol originário da Inglaterra. Assim, a cidade de Gênova, com seu importante porto e intenso comércio com a Inglaterra, foi um dos berços do futebol italiano, datando de 1893 a fundação do “Genoa”. Outro centro pioneiro na introdução do esporte bretão na Itália foi Turim. A criação do “Internazionale di Torino” (precursor do “Torino FC”), em 1891, foi anterior à do clube genovês. Entretanto, a implantação do futebol foi mais rápida na cidade portuária, berço de Cristovão Colombo. Cumpre assinalar o papel desempenhado pelo médico James Spensley, que beneficiou o desenvolvimento do futebol, ao conseguir, em 1895, a admissão de italianos no quadro social do “Genoa”, até então restrito aos membros da comunidade britânica. No mesmo ano, foi fundado, na área do porto, o clube “Andrea Doria” e, em 1899, a “Sampierdarenese”. Esses dois clubes,

após um longo e conturbado processo de tentativas mal sucedidas de fusão, vieram a se unir em 1946, dando origem à “Sampdoria”. Outro importante pioneiro foi Edoardo Bosio, nascido em Turim, que viveu na Inglaterra em decorrência de sua atividade comercial ligada à indústria têxtil. De retorno à sua cidade natal, em 1897, com algumas bolas de couro (então pouco conhecidas na Itália), criou um grupo dedicado à prática do esporte. Pouco depois, em 1899, outra equipe de futebol foi criada sob o nome de “Time dos Nobres”, uma vez que era liderada pelo Duque de Abruzzi e pelo Marquês Ferrero de Ventimiglia. A fusão dos dois grupos de entusiasmados futebolistas deu origem ao clube “Internazionale di Torino”, em cuja equipe jogavam juntos nobres e operários. Em 1894, foi fundado o “Football Club Torinese” e, em 1897, a “Reale Societá Ginnastica Torino”, estabelecida desde 1844, criou o seu departamento de futebol. Com a instituição da “Federazione Italiana del Football” em 1897, foi possível a realização, no ano seguinte, do primeiro campeonato, com a participação de quatro clubes: “Internazioale di Torino”, “Football Club Torinese”, “Ginnastica di Torino” e “Genoa”. Essa primeira competição foi disputada em um único dia, pelo sistema de partidas eliminatórias. Embora realizado em Turim, com a participação de três equipes locais, o vencedor do torneio foi o “Genoa”. Esse clube, a primeira grande força do futebol italiano, voltou a ser o campeão em 1899, 1900, 1902, 1903 e 1904. Ainda em 1897, e na mesma Turim, foi fundado por estudantes e outros membros da comunidade britânica, o “Sport Club Juventus” que, dois anos mais tarde, alteraria sua denominação para “Foot-Ball Club Juventus” e se tornaria, posteriormente, o mais famoso da cidade. Em 1899, na cidade de Milão, também por obra dos ingleses ali residentes, surgiu o “Milan Cricket and Football Club”. O primeiro campeonato vencido pelo “Milan” aconteceu logo em 1901, interrompendo a vitoriosa seqüência de títulos do “Genoa”. Aconteceu, em 1900, a absorção do “Internazionale di Torino” pelo “Football Club Torinese”. Em 1906, com a participação de dissidentes do “Juventus”, houve a transformação para “Foot-Ball Club Torino”. Em 1905, ocorreu a primeira conquista do título de campeão pelo “Juventus”. O “Milan” voltou a ser campeão em 1906, repetindo o feito,


mais uma vez, em 1907. Na cidade piemontesa de Vercelli, localizada entre Milão e Turim, foi fundada, em 1892, a “Societá de Ginnastica Pro Vercelli”, que adotou o futebol em 1903 e venceu cinco campeonatos entre 1908 e 1913 (1908, 1909, 1910/11, 1911/12, e 1912/13). Alguns dos clubes que hoje fazem parte da elite do futebol italiano, integrando a Série A do “calcio”, são bastante antigos, embora não tenham se destacado na fase inicial da implantação do esporte na península. O “Udinese Calcio” foi fundado em 1896; a “Societá Sportiva Lazio” surgiu na cidade de Roma, em 1900; o “Atalanta Bergamasca Calcio” é de 1907; a “Unione Sportiva Lecce” foi criada em 1908; o “Bologna Football Club” teve sua fundação no ano de 1909; e a “Parma Associazione Calcio” data de 1913. Em 1908, uns dissidentes do “Milan”, suíços em sua maioria, descontentes com os privilégios dados pelo clube aos seus sócios britânicos, juntaram-se a alguns associados da “Unione Sportiva Milanese” para fundar o “Internazionale Football Club di Milano”. Após o primeiro campeonato de 1898, as edições seguintes continuaram adotando as partidas eliminatórias, mas utilizando o sistema “challenge”, no qual o campeão do ano anterior disputa apenas a final contra o vencedor das elimnatórias. Em 1905, aconteceu a mudança da sede da federação de Turim para Milão, e a alteração da forma de disputa do campeonato que passou a ser no sistema de todos contra todos. Entretanto, o número de participantes continuou reduzido (quatro ou cinco clubes) até o final da década. A partir de 1909, o campeonato passou a ser iniciado em um ano para témino no ano seguinte. Assim, o campeão da temporada 1909/10 foi o “Inter”. Já o torneio de 1911 teve quatorze equipes inscritas. Foram, então, criados grupos regionais. Dois anos depois, visando à incorporação ao campeonato dos clubes da Itália central e meridional, criaram-se mais três grupos, denominados: Toscano, Laziale e Campano. Ainda em 1905, a federação italiana filiou-se à FIFA. Internamente, porém, o seu poder enfrentava muitas resistências, oriundas do bairrismo e rivalidades entre as cidades. A formação de uma equipe nacional foi a bandeira desfraldada pela federação, que lhe permitiu integrar, aos poucos, os clubes das várias regiões. Assim, a primeira seleção itali-

ana de futebol foi convocada em 1910. Essa convocação foi feita em meio a controvérsias e polêmicas. O título da temporada estava por ser decidido na partida final, entre a “Pro Vercelli”, campeã do ano anterior, e o “Internazionale” de Milão. Em sinal de protesto, a “Societá Pro Vercelli” mandou a campo sua equipe infantil, composta por meninos entre 10 e 13 anos. O resultado, lógico, foi a vitória da equipe principal do “Inter” por 10x3. A punição, imposta pela federação, foi a não participação dos jogadores do clube de Vercelli, então o melhor time do país, na seleção nacional. Dessa forma, após três treinos, o técnico Umberto Meazza escalou, sob o calor das disputas bairristas, o time com oito jogadores de clubes de Milão (três da “Unione Sportiva Milanese”, dois do “Ausonia”, dois do “Milan” e um do “Internazionale”), dois de Turim (ambos do “Torino”) e um do clube “Andrea Doria”, da cidade de Gênova. O primeiro jogo da Seleção Nacional, com uniforme branco (a célebre camisa azul veio depois), aconteceu no dia 15 de maio de 1910, no Stadio Cívico Arena di Milano, com a convincente vitória por 6x2 sobre a França, assistida por cerca de quatro mil torcedores. O primeiro gol da história da Seleção Italiana foi marcado por Pietro Lana, do “Milan”. Pouco tempo depois, com as hostilidades da Primeira Guerra Mundial (1914-18), houve uma interrupção das atividades esportivas na Itália. Entretanto, ainda chegaram a ser disputados os campeonatos de 1913/14, vencido pelo clube “Casale”; e o de 1914/15, cujo campeão foi o “Genoa”. Conforme vimos, desde o primeiro campeonato, em 1898, até o início da primeira guerra, em 1914, os dois clubes, que dominaram o cenário futebolístico da Itália, foram o “Genoa”, com nítida supremacia até 1904, e a “Pro Vercelli”, a partir de 1908. Como terceira força no período, aparece o “Milan”, campeão de 1901 e bicampeão em 1906 e 1907. Após o término da guerra em 1918, o “calcio” voltou a ganhar espaço com o aumento da sua popularidade. O primeiro campeonato disputado após a interrupção causada pela Primeira Guerra, o da temporada 1919/20, foi vencido pelo “Inter”. A campeã seguinte (1920/21) foi, novamente, a “Pro Vercelli”. Dezoito ligas regionais, compostas por clubes extremamente diferenciados no tocante à sua qualificação ténica e poderio econômico, forçaram sua participação no campeonato da fed-


eração (FIGC), em 1921. Isso provocou uma imediata reação dos clubes maiores que se desligaram da FIGC e criaram outra associação, a “Confederazione Calcistica Italiana” (CCI), no mesmo ano. Por isso, houve dois campeonatos na temporada 1921/1922, sagrando-se campeões a “Pro Vercelli” (CCI) e a “Union Sportiva Novese” (FIGC). No final da temporada, houve uma reconciliação e a reintegração de todos à FIGC. Ainda em 1922, foi organizada a primeira Copa da Itália. Trinta e cinco clubes a disputaram, sob a forma de eliminação direta. A final reuniu o “Udinese” e o “Vado”, sendo vencida por este último pelo placar mínimo (1x0). Ao longo dos anos, a Copa da Itália não conseguiu rivalizar com o campeonato, sendo a conquista do “scudetto” muito mais valorizada. O único atrativo da copa é garantir uma vaga na Recopa da Europa. A sede da Federazione Italiana Giuco Calcio (FIGC) foi transferida de Milão para Bolonha, em 1926. Nesse mesmo ano, o ditador fascista Benito Mussolini fez uma intervenção no futebol, passando a indicar o presidente da FIGC. Sob sua tutela, a federação foi reestruturada e incentivado o profissionalismo. Em 1927, o campeonato nacional passou a ser disputado por vinte times, divididos em dois grupos de dez, classificando os três primeiros colocados de cada grupo para uma fase final. Em 1929, a sede da FIGC foi novamente mudada, de Bolonha para Roma, e o campeonato passou a ser realizado pelo sistema adotado na Inglaterra, ou seja, por pontos corridos, com partidas de ida e volta. A primeisa edição do certame nos novos moldes, em 1929/30, contou com dezoito participantes e teve, como vencedor, o “Internazionale” de Milão, sob a denominação, motivada por razões da política nacionalista vigente na época, de “Ambrosiana-Inter”. No período entre as duas grandes guerras mundiais, surgiram outros importantes clubes de futebol na Itália. O “Piacenza Football Club” foi criado em 1919; a “Associazione Calcio Fiorentina” foi fundada em 1925; a “Societá Sportiva Calcio Napoli” é de 1926; a “Associazione Sportiva Roma” resultou da união entre quatro agremiações da capital italiana (“Alba”, “Fortitudo”, “Pro Roma” e “Roman”) determinada por Mussolini, em 1927. A “Associazione Sportiva Bari” surgiu em 1928. O futebol ainda era, oficialmente, um esporte anador, mas os clubes ofereciam aos jogadores vultosos incentivos financeiros. O “Juventus”,

graças aos seus fortes laços econômicos com a fábrica de automóveis Fiat, estabelecidos desde o final da primeira guerra, foi o primeiro a promover a importação maciça de craques estrangeiros, dando início à prática que coloca a Serie A do “calcio”, nos dias atuais, como uma das maiores vitrines de jogadores de alta qualidade, provenientes de todas as partes do mundo. Entre 1922 e 1929, antes da mudança para o sistema de pontos corridos, foram campeões italianos: “Genoa” (bicampeão das temporadas 1922/23 e 1923/24); “Bologna” (1924/25); “Juventus” (1925/26); “Torino” (campeão da temporada 1926/27, teve o “scudetto” revogado pela federação, devido à suspeita de suborno); “Torino” (novamente em 1927/28); e “Bologna” (1928/29). A primeira Copa do Mundo organizada pela FIFA aconteceu em 1930, no Uruguai, porém não contou com a participação italiana. A edição seguinte, em 1934, teve a Itália como anfitriã. A esquadra “azzurra”, sob a batuta do técnico Vittorio Pozzo, contou com os seguintes jogadores: goleiros: Cavanna, Combi e Masetti; defensores: Allemandi, Caligaris, Monzeglio e Rosetta; meio-campistas: Bertolini, Castellazzi, Ferraris, Monti, Pizziolo e Varglieri; atacantes: Arcari, Borel, Demaria, Ferrari, Guaita, Guarisi (o ítalo-brasleiro Anfilogino Guarisi, também conhecido como Filó, no Brasil), Meazza, Orsi e Schiavio. Após obter sua qualificação (a classificação automática do país sede só passou a vigorar a partir da copa seguinte), os “azzurri” fiseram a seguinte campanha: Primeira fase Data: 27 de maio de 1930 Itália 7x1 Estados Unidos Gols da Itália: Schiavio (3), Orsi (2), Ferrari e Meazza Quartas de final Data: 31 de maio de 1930 Itália 1x1 Espanha Col da Itália: Ferrari Quartas de final (jogo desempate) Data: 1º de junho de 1930 Itália 1x0 Espanha Col da Itália: Meazza Semifinal


Data: 3 de junho de 1930 Itália 1x0 Áustria Gol da Itália: Guaita Final Data: 10 de junho de 1930 Itália 2x1 Tchecoslováquia Gols da Itália: Orsi e Schiavio O jogo final, disputado no Estádio do Partido Nacional Fascista, foi emocionante, pois os tchecos abriram o placar, já aos 31 minutos do segundo tempo. A Itália conseguiu empatar quando faltavam apenas 9 minutos para o término. Na prorrogação, finalmente, assinalando mais um gol, a Itália venceu e assegurou o título, cuja conquista era considerada questão de honra nacional. Em 1938, na Copa do Mundo realizada na França, a Itália não precisou disputar a fase de qualificação, pois obteve a classificação automática, como equipe campeã da edição anterior. Novamente com Vittorio Poz no comando técnico, a “azzurra” contou com os seguintes atletas: goleiros: Ceresoli, Masetti e Olivieri; defensores: Foni, Monzeglio e Rava; meio-campistas: Andreolo, Chizzo, Donati, Genta, Locatelli, Olmi, Perazzolo e Serantoni; atacantes: Bertoni, Biavati, Colaussi, Ferrari, Ferraris, Meazza, Pasinati e Piola. Desses, apenas quatro eram remanescentes do grupo de 1930: o goleiro Masetti; o meio-campista Ferraris, agora convocado como atacante; e Meazza e Ferrari, também “forwards”. A campanha italiana vitoriosa foi a seguinte: Primeira fase Data: 5 de junho de 1938 Itália 2x1 Noruega (empate de 1x1 no tempo normal) Gols da Itália: Ferraris e Piola (na prorrogação) Quartas de final Data: 12 de junho de 1938 Itália 3x1 França Gols da Itália: Colaussi e Piola (2) Semifinal Data: 16 d junho de 1938 Itália 2x1 Brasil Gols da Itália: Colaussi e Meazza (de pênalti)

Final Data: 19 de junho de 1938 Itália 4x2 Hungria Gols da Itália: Colaussi (2) e Piola (2) A vitória italiana no Estádio Olímpico de Colombes, em Paris, consagrou a “azzurra” como a primeira equipe bi-campeã do mundo. Alguns argumentam que os jogadores húngaros _ ou, no mínimo, seu goleiro _ facilitaram a vitória da Itália, com o intuito de salvar a vida dos seus colegas “azzurri”, que haviam recebido telegramas do ditador Mussolini com a mensagem: “Vincere o Morire”. O goleiro Antal Szabó declarou: “Eu posso ter permitido quatro gols, mas, pelo menos, salvei suas vidas”. A versão predominante, entretanto, é a de que os dizeres não continham uma ameaça de morte, mas seriam apenas um “slogan” fascista com significado de encorajamento, onde “morire” teria a conotação de desonra ou degradação. Efetivamente, o regime realçava muito as glórias esportivas, que eram usadas por sua máquina de propaganda. Outra ingerência do fascismo na competição foi o uniforme utilizado no jogo contra a França, com uma provocativa cor preta, simbolizando o partido. No plano interno, os anos 30 e os primeiros da década iniciada em 1940 foram de intensa movimentação, com as maiores glórias cabendo ao “Juventus”, pentacampeão nas temporadas 1930/31, 1931/32, 1932/33, 1933/34 e 1934/35. O “Bologna” conquistou o bicampeonato e mais dois títulos de campeão nas temporadas seguintes (1935/36, 1936/37, 1938/39 e 1940/41); a “Ambrosiana-Inter” venceu dois campeonatos (1937/38 e 1939/40). Os últimos dois certames, realizados antes do acirramento do conflito, tiveram como vencedores a “Roma” (1941/42) e o “Torino” (1942/43). A fórmula de disputa do campeonato em pontos corridos, com turno e returno, não foi mais abandonada, exceto durante a II Guerra Mundial. Em 1944, no auge dos combates em território italiano, o campeonato iniciado em 1943, não deixou de ser disputado, embora em condições bastante precárias, com a presença apenas dos clubes coja localização geográfica permitia a participação. A “Spezia” venceu a competição, que, entretanto, não teve o reconhecimento oficial da federação. Pela mesma razão, o campeonato de 1944/45 foi suspenso. A atividade


futebolística foi retomada na temporada 1945/46, ainda no meio do avanço das tropas aliadas pela península. Em face da impossibilidade de organizar o campeonato na modalidade de todos contra todos, pois era muito arriscado viajar pelo país, a FIGC optou por programá-lo em dois grupos definidos geograficamente: “Alta Itália” e “Centro-Sud”; seguidos por uma fase final (“play-off”), com os quatro primeiros colocados de cada grupo. Foram vencedores dos grupos o “Torino” e o “Napoli”. O vencedor do “play-off” e , coseqüentemente, campeão da temporada foi o “Torino”. No pós-guerra, já normalizado o sistema de todos contra todos, o “Torino” voltou a ser o vencedor nas três temporadas seguintes, sagrando-se tetracampeão (1945/46, 1946/47, 1947/48 e 1948/49), já tendo sido também o último campeão de antes da guerra. Infelizmente, o período mais glorioso da história do “Torino”, indubitavelmente a grande força do futebol italiano nos anos 40, foi brutalmente interrompido pela tragédia aérea ocorrida no dia 4 de maio de 1949, em Superga, perto de Turim. A delegação do clube retornava de Lisboa, onde disputara um amistoso contra o “Benfica”, quando o avião se chocou contra a basílica da pequena cidade, morrendo todos os passageiros e tripulantes. O elenco da equipe principal do “Torino” ficou reduzido a três jogadores, que não haviam viajado. Por isso, o restante do campeonato 1948/49 foi disputado por uma equipe composta por juvenis, em sua maioria, ganhando o título, mesmo assim. O baque foi muito grande e o “Torino” só voltaria a ser campeão na temporada 1975/76, embora tivesse ganho a Copa da Itália em 1967/68. Durante o ostracismo, o “Torino” chegou a ser rebaixado para a série B, em 1959, mas logo retornou à elite. O campeão da temporada 1949/50 foi o clube rival de Turim: o “Juventus”. No plano internacional, a Itália também sentiu os efeitos do desastre de Superpega, tendo a “Azzurra” sido desclassificada logo na primeira fase da Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Entre 1950 e 1960, foram campeões nacionais: “Milan” (1950/51); “Juventus” (1951/52); “Inter” (bicampeão 1952/53 e 1953/54); “Milan” (1954/55); “Fiorentina” (1955/56); “Milan” (1956/57); e “Juventus” (bicampeão 1959/60 e 1960/61). A seleção italiana também fracassou nas Copas do Mundo de 1954, quando ficou na primeira fase, e de 1958, quando siquer logrou

qualificar-se. Por oportuno, apresentaremos os dados biográficos de alguns dos ídolos do futebol italiano que brilharam na primeira metade do Século XX: Giuseppe Meazza nasceu em Milão no dia 23 de agosto de 1910. Começou, aos 17 anos, como centroavante do “Inter” de sua cidade natal, em 1927. Marcou 33 gols em sua primeira temporada (1928/29) e, na seguinte, 1929/30, foi o artilheiro do campeonato com 31 gols. Chegou a marcar seis gols em um único jogo (“Inter” 10x2 “Venezia”, em 12 de maio de 1929). Nas 13 temporadas em que defendeu as cores do “Internazionale”, foi campeão italiano em 1929/30 e 1937/38. Voltou a conquistar a artilharia do campeonato em 1935/36 e 1937/38. Pela “Azzurra” assinalou 33 gols em 53 partidas. Foi Bicampeão Mundial em 1934 e 1938, jogando como meia atacante. Foi o capitão da Seleção Italiana, campeã na Copa do Mundo de 1938. “Peppino” Meazza transferiu-se para o “Milan” no final de 1939, onde atuou por duas temporadas. Também defendeu o “Juventus” e encerrou a carreira em 1945, no “Atalanta”. Em 440 partidas na Série A, assinalou 269 gols. Após pendurar as chuteiras, tornou-se técnico, iniciando sua atividade novamente no “Inter”, cujo estádio, hoje, leva seu nome. Valentino Mazzola nasceu no dia 26 de janeiro de 1919, em Cassano D’Adda, localidade próxima de Milão. Começou no futebol, jogando pela equipe da fábrica Alfa-Romeo, em Milão. Em 1939, em decorrência do serviço militar, foi levado para Veneza, onde passou a atuar profissionalmente pelo ���Venezia”. Sua estréia na Série A ocorreu em 31 de março de 1940. Em 1941, conquistou a Copa Itália, a primeira e única glória do clube veneziano. No ano seguinte, mudou-se para Turim, onde defendendo a camisa grená do “Torino”, como meia atacante, tornou-se o maior jogador italiano da sua geração. Seu primeiro jogo pela “Azzurra” aconteceu em 5 de abril de 1942 (Itália 4x0 Croácia). Pelo clube de Turim, conquistou cinco campeonatos, mais uma Copa da Itália e fez mais de cem gols na Serie A, entre 1942 e 1949, apesar da não realização de dois campeonatos durante a II Guerra Mundial. Morreu trágica e precocemente, aos 30 anos, no desastre aéreo de Superga, em 1949. Giampiero Boniperti, nascido em 4 de julho de 1928, em Barengo, foi um atacante que iniciou sua carreira aos 16 anos, nas categorias


de base da “Juventus”. Era o ano de 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, quando “Il Marisa”, apelido que lhe foi dado por causa da cor de seus cabelos, começou a despertar atenção pelas suas qualidades de atacante e, sobretudo, de artilheiro. Versátil, também jogava muito bem pela ponta direita. Logo foi chamado para a equipe principal da “Velha Senhora”, onde atuou de 1946 a 1961. Não conquistou nenhum título durante os seus primeiros anos defendendo a camisa “bianconera” da “Juve”, seu único clube durante toda sua brilhante carreira, uma vez que era nítida a supremacia do rival “Torino”. Entretanto, foi o artilheiro do campeonato 1947/48 e mereceu sua primeira convocação para a “Squadra Azzurra” em 1947, aos 19 anos. Pela seleção nacional, disputou 38 jogos e assinalou 8 gols. Integou a equipe que participou da Copa do Mundo de 1950, no Brasil. Na “Juve”, “La Fidanzata D’Italia”, conquistou o campeonato da temporada 1949/50, no qual marcou 21 gols em 35 partidas. Assinalou 22 tentos na temporada 1950/51. Partcipou da Copa Rio, em 1951, sagrando-se vice-campeão, no Brasil. No campeonato italiano de 1951/52, marcou 19 gols. Assim, ultrapassou a barreira de 100 gols na Série A, antes de completar 24 anos. Voltou a conquistar o “scudetto” em 1951/52, quando a “Juventus” contou com o reforço dos dinamarqueses John Hansen e Karl Praest. Os anos seguintes foram de domínio dos clubes milaneses “Inter” e “Milan”, mas a “Juve” voltou a vencer na temporada 1957/58, com a chegada dos novos reforços internacionais John Charles e Omar Sivori, que juntos com Boniperti passaram a formar o chamado “Trio Mágico”. Com esses três fantásticos jogadores, a “Juventus” ganhou três campeonatos italianos e duas edições da Copa da Itália. Giampero Boniperti aposentou-se em 1961, como o maior artilheiro da história juventina e o jogador que mais vezes vestira sua camisa alvinegra até então. Dez anos após pendurar as chuteiras, foi convidado pela família Agnelli, proprietária do clube, para assumir sua presidência. Como presidente, Boniperti foi um grande vitorioso, pois sob sua administração, a “Juventus” conquistou dezoito títulos, entre os quais nove campeonatos, uma Copa dos Campeões Europeus e um Mundal de Clubes. Ocupa, hoje, aos 82 anos, o cargo de Presidente de Honra da “Juventus”. Os técnicos de futebol italiamos da época pós II Guerra são acusados de impor sistemas exageradamente defensivos, chegando ao extremo do

“catenaccio” (retranca). Entre 1961 e 1970, foram campeões os seguintes clubes: “Milan”, duas vezes (1961/62 e 1967/68); “Inter”, três vezes (1962/63, 1964/65 e 1965/66); “Bologna” (1963/64); “Juventus” (1966/67); “Fiorentina” (1968/69); e “Cagliari” (1969/70). A Seleção Italiana, nas Copas do Mundo de 1962 e 1966, realizadas no Chile e na Inglaterra, não coneguiu ir além da primeira fase. No entanto, em 1968, obteve uma significativa vitória no Campeonato Europeu, quando derrotou a Iugoslávia por 2x0, em Roma. Dois anos depois, disputou com brilho a Copa do Mundo de 1970, no México, quando foi vice-campeã, perdendo a final para o Brasil por 4x1. Escolhemos três, entre os muitos craques italianos de relevo, nessa década: Giovanni Rivera nasceu no dia 18 de agosto de 1943, no Valle San Bartolomeo, em Alessandria (regão de Piamonte, norte ocidental da Itália). Gianni, como também era tratado, foi cria da academia de futebol para jovens de Alessandria e estreou, aos quinze anos, na Serie A, no dia 2 de junho de1959, atuando pelo “Alessandria” contra o “Internazionale”. Jogou 26 partidas por seu primeiro clube, até ser transferido, um ano depois, para o “Milan”. Conquistou, então, seu primeiro “scudetto”, em 1962. Em seguida, no mesmo ano, Rivera, apelidado de “Golden Boy” italiano, participou da conquista, pelo “AC Milan”, da Copa Européia, vencendo o “Benfica” de Portugal, na final, por2x1. Ainda em 1962, o meia de ligação Abatino (seu outro apelido), aos dezoito anos, estreiou na “Azzurra” em jogo contra a Alemanha Ocidental, válido pela Copa do Mundo de 1962, no Chile. Na temporada 1967/68, o “Milan” de Rivera conquistou o título de Campeão da Itália e a Copa dos Vencedores da UEFA. Na temporada seguinte Gianni Rivera conduziu o seu time à vitória na Copa dos Campeões e ganhou o troféu Bola de Ouro. Pela Seleção Italiana, partcipou da Copa do Mundo de 1970, sagrando-se vice-campeão, ao perder a final contra o Brasil. Jogou também na Copa de 1974, na qual a Itália foi eliminada pela Polônia, ao ser derrotada por 2x1. Foi a sua despedida da “Azzurra”, após 60 jogos e 14 gols marcados. Com a equipe rubro-negra de Mlão, Rivera participou das finais da Copa dos Vencedores da UEFA em 1973e 1974, vencendo a primeira e perdendo a segunda. O seu último título de Campeão da Itália foi o


da tmporada 1978/79. Ao todo, Giovanni Rivera defendeu o “Milan” em 501 jogos da Série A e assinalou160 gols. Após sua aposentadoria, tornou-se vice-presidente do clube. Quando Silvio Berlusconi adquiriu o “AC Milan” em 1986, Rivera afastou-se e ingressou na política, vindo a ser membro do Parlamento Italiano. Foi, ainda, Subsecretário da Defesa no Gabinete de Romsno Prodi. Sandro Mazzola, filho de Valentino Mazzola, nasceu no dia 8 de novembro de 1942, em Turim. Sua carreira, como excepcional meia apoiador foi desenvolvida na “Internazionale” de Milão. Estreiou na Série A em 10 de junho de 1961. Sandro tornou-se um símbolo da “Inter”, tendo conquistado quatro “scudettos” (1962/63, 1964/65, 1965/66 e 1970/71). Foi o artlheiro da Série A em 1965, e vencedor de duas Copas Européias e duas Copas Intercontinentais, em 1964 e 1965. Sua estréia na “Azzurra” ocorreu no dia 12 de maio de 1963, em jogo contra o Brasil, vencido pela Itália por 3x0. Para infelicidade do técnico Ferruccio Valcareggi, da Seleção Italiana entre 1966 e 1974, os seus dois melhores jogadores na Copa de 1970, Gianni Rivera e Sandro Mazzola, atuavam ambos na mesma posição, obrigando-o a fazer um revezamento entre os dois. Sandro teve importante participação na conquista italiana do título de Campeão Europeu, em 1968, e de Vice-Campeão do Mundo em 1970. Atuou, ainda, na Copa do Mundo de 1974. Pela seleção, atuou em 70 jogos e marcou 22 gols. Com a camisa neroazzurra da “Inter”, realizou mais de 400 jogos e 116 gols na Série A. Pendurou as chuteiras em 1977, mas continuou a colaborar com o seu clube, desempenhando várias funções. Mais tarde, entretanto, não resistiu à tentação de enfrentar um desafio para tentar reerguer o clube onde seu pai tanto brilhou, o “Torino”. Dino Zoff nasceu no dia 28 de fevereiro de 1942, em Mariano del Friuli. Aos dezenove anos, estreou na Série A, guarnecendo o arco da “Udinese” contra a “Fiorentina”, em 24 de setembro de 1961. Dotado de grande técnica e habilidade, com 1,82 e 81 kg, era considerado um goleiro alto para os padrões da época. Após duas temporadas, transferiu-se, em 1963, para o “Mantova”, onde atuou por quatro temporadas até 1967, quando foi contratado pelo “Napoli”. Foi, então, convocado para a seleção italiana e participou da conquista da Eurocopa de 1968, tendo estreiado na partida contra a Bulgaria, pela quartas de final.

Continuou entre os “azzurri” na Copa do Mundo de 1970, realizada no México, como reserva do goleiro Enrico Albertosi, com o qual passou a se revezar até 1972, quando o titular decidiu se aposentar da seleção nacional. Nesse mesmo ano, Zoff transferiu-se para a “Juventus”. No seu primeiro ano no novo clube, estabeleceu o recorde de 902 minutos sem ser vazado, entre 3 de dezembro de 1972 e 18 de fevereiro de 1973. Na “Azzura”, tornou-se o titular absoluto da meta por onze anos (1972 a 1983). Participou da Copa do Mundo de 1974, na qual a campanha italiana foi fraca (eliminada na primeira fase). No campeonato mundial seguinte, na Argentina em 1978, os “azzurri” tiveram um desempenho melhor, conquistando o quarto lugar. Melhor ainda, foi a atuação italiana na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, quando Zoff, como capitão, ergueu a taça de Campeão, com 40 anos de idade. É dele o recorde de invencibilidade em jogos internacionais (1143 minutos sem sofrer gol, de 20 de setembro de 1972 a 15 de junho de 1974, quando o Haiti conseguiu marcar um gol na Itália, em jogo vencido pela “Azzurra” por 3x1, na Copa do Mundo de 74). Pelo alvinegro de Turim, Dino Zoff conquistou os seguintes títulos: Campeão Italiano seis vezes (1972/73, 1974/75, 1976/77, 1977/78, 1980/81 e 1981/82); uma Copa da UEFA (1976/77); e duas Copas da Itália (1978/79 e 1982/83). Aposentou-se como goleiro em 2 de junho de 1983, após ter disputado 570 partidas na Série A e 112 jogos, dos quais 59 como capitão, pela seleção italiana. Foi considerado o melhor jogador da Itália pela UEFA, nos cinqüenta anos de existência da entidade européia. Imediatamente após pendurar as chuteiras, iniciou nova carreira, começando somo treinador de goleiros da “Juventus”. Entre 1986 e 1988, foi o técnico da seleção olímpica da Itália, que disputou os Jogos de Seul. Dirigiu a equipe da “Vecchia Signora” entre 1988 e 1990, conquistando a Copa da Itália e a Copa da UEFA, ambas na temporada 1989/90. Entre 1990 e 2005, foi técnico dos clubes “Lazio” e “Fiorentina” e da “Azzurra” (de 1998 a 2000). Na década iniciada em 1971, os seguintes clubes foram proclamados campeões italianos: “Inter” (duas vezes, no começo e no fim do período, 1970/71 e 1979/80); “Juventus” (cinco vezes, incluindo dois bicampeonatos, 1971/72 e 1972/73, 1974/75, 1976/77 e 1977/78); “Lazio” (1973/74); “Torino” (1975/76); e “Milan” (1978/79).


A seleção nacional, no campeonato europeu, chegou às quartas de final em 1972; e não se qualificou, em 1976. Após ter sido finalista no campeonato mundial de 1970, não passou da fase inicial na Copa do Mundo de 1974; quatro anos depois, em 1978, a Itália, com uma seleção renovada, contando com Conti, Scirea e Paolo Rossi, entre outros craques, venceu os seus três jogos da primeira fase, sobrepujando inclusive a anfitriã Argentina por 1x0. Na segunda fase, a “Azzurra” empatou com a Alemanha Ocidental por 0x0, venceu a Áustria por 1x0, e perdeu para a Holanda por 2x1. Coube-lhe então disputar o terceiro lugar com o Brasil, quando foi derrotada por 2x1. Paolo Rossi foi premiado com a Bola de Prata, como o segundo melhor jogador da competição. Selecionamos alguns poucos craques como símbolos do “cálcio” nessa época: Gaetano Scirea nasceu no dia 25 de maio de 1953 em Cernusco sul Naviglio, uma província de Milão. Iniciou sua carreira como meiocampista no “Atalanta”. Aos 19 anos, estreiou na Série A no dia 24 de setembro de 1972, na Sardenha, no jogo “Cagliari” 0x0 “Atalanta”. Participou de 20 jogos nessa sua primeira temporada na Série A. Entretanto o “Atalanta” viu-se rebaixado e na temporada 1973/74, Scirea disputou todas as 38 partidas do seu clube na Série B, e passou a atuar como líbero.No verão de 1974, a “Juventus”, sob a presidência de Boniperti, o contratou. Seu primeiro jogo com a camisa “bianco-nera” aconteceu no dia 28 de agosto de 1974, pela Copa da Itália (“Juventus” 4x0 “Varese”). Gai, como também era chamado, foi um zagueiro que disputou 686 jogos oficiais sem jamais ter sido expulso. Caracterizava-se por sua tranqüilidade, mantendo sempre a calma, aliada a uma grande categoria, com excelente senso de posicionamento e estilo clássico de jogo. Conquistou o “scudetto” logo em sua primeira temporada na “Vecchia Signora” (1974/75). Scirea jogou 13 temporadas pela”Juve”, vencendo sete campeonatos. Foi o capitão da equipe nas duas últimas conquistas: 1983/84 e 1985/86. Ganhou, também, duas Copas da Itália, uma delas como capitão. Seu primeiro troféu europeu foi a Copa da UEFA de 1976/77. Prosseguiu, vencendo mais quatro competições, como capitão do time: Copa dos Vencedores da UEFA, 1983/84; Super Copa Européia, de 1984; Copa dos Campeões, 1984/85; e Copa Intercontinental, em 1985. Além disso, ganhou, na temporada 1982/83, o campeonato

mundial de clubes (não oficial) denominado “Mondialito”. Um episódio marcante e triste aconteceu em 29 de maio de 1985, em Bruxelas (Bélgica), antes da partida final da Copa dos Campeões da Europa entre “Juventus” e “Liverpool”, quando os baderneiros ingleses conhecidos como “hooligans” provocaram um conflito sangrento no qual perderam a vida 38 pessoas (31 italianos, 4 belgas, 2 franceses e 1 inglês). Como capitão, Scirea cumpriu a missão de falar aos torcedores, antes do início do jogo, para tranqüilizá-los. A “Fidanzata d’Italia” (outro apelido da “Juve”) venceu por 1x0. Estreou na seleção nacional sub-23 em 29 de setembro de 1974, e participou de mais quatro partidas. Pela “Azzurra” principal, Gaetano Scirea jogou durante onze anos, durante os quais disputou 78 jogos, tendo sido o capitão da seleção em 10 partidas. Ele teve uma participação muito importante, especialmente em três ocasiões: na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando a Itália foi a quarta colocada; no Campeonato Europeu de Seleções de 1980, na própria Itália, em que os “azzurri” ficaram, também, com o quarto lugar; e a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, conquistada pela Itália. Foi, ainda, o capitão da seleção italiana na campanha da Copa do Mundo de 1986, no México, onde sua equipe foi derrotada pela seleção francesa, na segunda fase do torneio, em17 de junho de 1986. Foi esse o seu último jogo com a camis azul da Itália. Ao término da temporada 1986/87, Scirea decidiu, aos 34 anos, encerrar sua belíssima carreira, na qual defendeu as cores alvi-negras do clube de Turim em 377 jogos, tendo assinalado 23 gols, na Série A. Aceitou, porém, continuar prestando seus bons serviços à “Juventus”, como assistente do técnico Dino Zoff, seu amigo pessoal de longa data. Foi no desempenho dessas atividades que Scirea veio a falecer, prematuramente aos 36 anos, em um acidente automobilístico numa rodovia da Polônia, onde ele fora com a missão de observar o próximo adversário da “Juventus” na Copa da UEFA, o “Gornik Zabrze”. Bruno Conti nasceu no dia 13 de março de 1955, em Nettuno, província de Roma. Iniciou sua carreira na equipe principal da “AS Roma”, aos 18 anos, em 1973. Criativo, rápido e incisivo são adjetivos que se aplicam ao ponta-direita, mas não são suficientes para definir o futebol mágico que ele praticava. Entretanto, em seus primeiros anos de


atividade profissional, Conti não demonstrou todo seu potencial, tanto assim que a “Roma” o emprestou ao “Genoa” em duas oportunidades (temporadas de 1975/76 e 1978/79). Efetivamente, foi a partir de 1980 que seu talento floresceu, tornando-o um dos maiores esteios da equipe “gialorossa”, juntamente com o brasileiro Falcão. É interessante que o seu estilo de jogo fazia com que ele parecesse mais brasileiro que o seu companheiro nascido no Brasil. Juntos, formavam a dupla dos “alquimistas da Roma”. Bruno Conti conquistou o título de Campeão Italiano em 1982/83 e quatro Copas da Itália (1980, 1981, 1984 e 1986). Pela “Squadra Azzurra” venceu a Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Ao todo, atuou pela Seleção Italiana 47 vezea e marcou 5 gols, entre 1980 e 1986. No time da “Lupa”, disputou 304 jogos, assinalando 37 gols. Pendurou as chuteiras em 1990, encerrando sua carreira de jogador da “Roma”. Continuou suas atividades ligadas ao futebol, como técnico. Até hoje, tem vínculos com a “Lupa gialorossa”. A década seguinte inicia-se com o bicampeonato (1980/81 e 1981/82) conquistado pela “Juventus”, que se sagrou campeã mais duas vezes no período (1983/84 e 1985/86). O título de 1982/83 coube à Roma; o “Verona” foi Campeão Italiano em 1984/85; o “Napoli” venceu em 1986/87 e 1989/90; no campeonato de 1987/88, o “Milan” foi o vitorioso; e, na temporada 1988/89, a “Internazionale” obteve a vitória. Memorável a campanha do Napoli, campeão 1989/90, com um time excepcional, onde pontificavam o argentino Maradona e os brasileiros Alemão e Careca. A “Juve”, maior vencedora da época, especialmente entre 1980 e 1985, também contava com jogadores fora-de-série como Paolo Rossi e o francês Michel Platini. Esse período (1981-1990) foi esplendoroso para a Seleção Italiana, graças à conquista da Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Após uma qualificação sem brilho e uma primeira fase sofrível, na qual superou Camarões apenas no saldo de gols, a “Azzurra” deslanchou nas quatro últimas partidas, com vitórias convincentes sobre adversários de alto nível: Argentina (2x1); Brasil (3x2); Polônia (2x0), na semifinal; e Alemanha (3x1), no jogo final. A equipe campeã formou com: Zoff, Graziani, Bergomi, Scirea, Collovati, Gentile, Conti, Rossi, Oriali, Cabrini e Tardelli. Na edição seguinte do campeonato mundial (México, 1986), ficou nas oitavas de final, obtendo um decepcionante décimo-segundo

lugar, embora contasse com craques do quilate de Bergomi, Scirea, Cabrini e Conti. Quatro depois, porém, na própria Itália (Copa de 1990), conquistou o terceiro lugar. Na primeira fase, a Itália, uma das maiores favoritas, teve 100% de aproveitamento, com três vitórias em três jogos: 1x0, sobre a Áustria; também 1x0, nos Estados Unidos; e 2x0 em cima da Tchecoslováquia. A “Azzurra” venceu o Uruguai por 2x0, nas oitavas de final. Nas quartas de final, deu Itália 1x0 Irlanda. O adversário da semifinal foi a Argentina, de Diego Maradona, jogador do “Napoli”, na época. A partida foi realizada no Estádio San Paolo, de Nápoles, onde o grande craque argentino era ídolo. O resultado, ao final dos 90 minutos, foi 1x1. Esse empate persistiu até o término da prorrogação. Na decisão por pênaltis, a Seleção Italiana foi derrotada por 4x3. Assim, restoulhe disputar o terceiro lugar, enfrentando a Inglaterra e vencendo-a por 2x1, em partida muito bem disputada. Integraram a “Azzurra”: Zenga, Maldini, Berti, Ferri, Carnevale, Bergomi, De Napoli, Donadoni, Baresi, Vialli e Giannini. No jogo final, a Alemanha Ocidental derrotou a Argentina por 1x0, sagrando-se campeã. Alguns dos maiores símbolos do “cálcio” nessa década foram: Giuseppe Bergomi nasceu em Milão. Começou sua carreira, aos 17 anos, durante a temporada 1980/81, no “Internazionale”, que foi seu único clube durante 19 campeonatos. Nesse período com o grande zagueiro que foi Bergomi, a equipe de Milão conquistou a Copa da Itália em 1981/82 e apenas um campeonato nacional (1988/89). Igualmente longa e mais brilhante foi sua trajetória na “Azzurra”. Começou muito cedo, quando não havia disputado mais que trinta partidas na Série A e o técnico Enzo Bearzot o convocou para a Copa do Mundo de 1982. Embora tenha começado o torneio no banco de reservas, Giuseppe integrou a equipe titular nos três últimos jogos e tornouse Campeão do Mundo. Continuou sendo titular absoluto da seleção italiana até 1990, tendo participado dos campeonatos mundiais de 1986 e de 1990, quando os “azzurri” obtiveram o terceiro lugar, sendo ele o capitão. Continuou sendo convocado para a seleção durante a década iniciada em 1991, embora ficando na reserva. Sua última participação foi na Copa de 1998 (sua quarta copa do mundo), sob o comando técnico de Cesare Maldini. Depois, ainda disputou mais uma temporada pelo “Inter” e se aposentou, aos 36 anos.


Walter Zenga nasceu no dia 28 de abril de 1960, em Milão. Iniciou sua carreira em 1978, nas divisões inferiores do “cálcio”. Seu primeiro clube foi a “Salernitana” da Série C1. Transferiu-se, em 1979, para o “Savona” e, em 1980, para a “Sambenedettese”. Finalmente, em 1982, o goleiro de 1,88 m de altura e excelente elasticidade conseguiu despertar a atenção de uma equipe da Série A e foi contratado pela “Internazionale”. No ano seguinte assume a titularidade na meta “neraazzurro”, onde permanece por mais onze temporadas. Participa da Copa do Mundo de 1986, como reserva da seleção italiana. Em seguida torna-se titular e fica 517 minutos sem levar gol na Copa de 1990, na qual a Itália conquista o terceiro lugar. Realizou ao todo 58 partidas pela “Azzurra”. Foi escolhido pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) como o melhor goleiro do mundo, em 1989, 1990 e 1991. Em sua última temporada na “Inter” conquista a Copa da UEFA e, logo após. transfere-se para a “Sampdoria” (1994). Dois anos depois, muda novamente, passando a atuar pelo “Padova” (1996 a 1997). Vai para os Estados Unidos, em 1997, defender o “New England Revolution”. Interrompe, temporariamente, seu contrato para tentar uma carreira de ator de novela. Volta a jogar pelos “Revs” em 1999, sendo simultâneamente seu treinador. Depois de um ano encerra sua carreira de goleiro, mas continua em atividade como técnico, em diversos países. Desde 2009, treina o “Palermo”. Paolo Rossi nasceu no dia 23 de setembro de 1955, em Santa Lucia di Prato, na Toscana. Após jogar, como ponta-direita, nas categorias de base da “Juventus”, iniciou sua carreira profissional, em 1976, na segunda divisão do campeonato italiano, pelo “Como”, onde atuou em seis partidasa apenas, pois logo se transferiu para o “Vicenza”. Passou, então, a atuar com centro-avante. Com seus 21 gols na temporada 1976/77, Rossi muito contribuiu para a ascensão do clube à Série A. No campeonato seguinte (1977/78) assinalou 24 gols, conquistando a artilharia, e o “Vicenza” fou vice-campeão. Foi, então, convocado pela “Azzurra” para disputar a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, tendo marcado três gols. No segundo semestre de 1978, foi transferido para o Perugia. O “Bambino D’Oro” viu-se envolvido em um escândalo de apostas, o chamado “totonero”, sendo acusado de manipular o resultado da partida “Perugia” 2 x 2 “Avellino”. Em conseqüência, foi suspenso,

em 1980, por dois anos. Voltou a jogar em abril de 1982, de volta à “Juve”, que conquistou o “scudetto” da temporada 1981/82, com uma pequena contribuição de Rossi, que só atuou em três partidas e marcou apenas um gol. Convocado para a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, foi o artilheiro do certame e ganhou a Bola de Ouro. Nos três jogos da primeira fase, não atuou bem, nem marcou gol. Entretanto, a Itália conseguiu passar para a fase seguinte, com três empates. Sua estrela começou a brilhar, a partir daí. Após uma boa atuação na vitória contra a Argentina de Maradona, Rossi marcou os três gols “azzurri” contra a magnífica seieção “canarinha” do Mestre Telê, que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, para citar só quatro, no jogo que ficou conhecido, no Brasil, como o “desastre de Sarriá”. Na semifinal contra a Polônia de Lato e Boniek, Paolo Rossi definiu, de novo, o placar, assinalando os dois gols da vitória por 2x0. Contribuiu com mais um gol, para a conquista italiana do título máximo, na final contra a Alemanha, vencida por 3x1. Consagrado, Rossi voltou para a “Vecchia Signora”, onde venceu a Copa da Itália, em 1983. Conquistou o campeonato italiano de 1983/84, vencendo também a Copa dos Campeões da Europa e a Supercopa Européia, em 1984. Na sua última temporada com a camisa alvinegra de Turim, ganhou mais um “scudetto” (1985/86) e a Copa da UEFA. Transferido para a “Associazione Calcio Milan”, foi convocado para a Copa do Mundo de 1986, mas não jogou por motivo de contusão no joelho. Após o campeonato mundial, foi para o “Verona”, pelo qual atuou em uma única temporada e pendurou as chuteiras, em 1987, com somente 31 anos de idade. Em 2002, publicou um livro autobiográfico, sugestivamente intitulado “Ho fatto piagere Il Brasile” (“Fiz o Brasil chorar”), no qual se defende das acusações que provocaram sua suspensão em 1980. O campeão italiano na temporada 1990/91 foi a “Sampdoria”. Mas o domínio da década de 1991 a 2000 foi do “Milan” que conquistou cinco “scudettos” (1991/92, 1992/93, 1993/94, 1995/96 e 1998/99), seguido pela “Juventus” com três (1994/95, 1996/97 e 1997/98). O último título do período coube à Lazio. A supremacia do “rossonero” de Milão tem muito a ver com a sua aquisição, em 1986, pelo rico empresário e influente político Silvio Berlisconi. Com um alto investimento, foram contratados o técnico Ar-


rigo Sacchi e os três craques holandeses Marco Van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard. Esse magnífico trio começou a jogar pelo Milan em 1987 (Gullit e Van Basten) e 1988 (Rijkaard) e deu início a uma seqüencia de equipes vitoriosas. Também se destacaram no time milanês dessa época: o meio-campista croata Zvonimir Boban (1992-2001); os italianos Franco Baresi (zagueiro, 1977-1997), Roberto Baggio (atacante, 1995-1997), Roberto Donadoni (meio-campista, 1986-1999), Filippo Galli (zagueiro, 1983-1997), Paolo Maldini (zagueiro, 19852009), Daniele Massaro (atacante, 1986-1995), Christian Panucci (zagueiro, 1993-1997), Marco Simone (atacante, 1989-2002), Mauro Tassotti (zagueiro,1980-1997); o zagueiro francês Marcel Desailly (1993-1998) e o atacante liberiano George Weah (1995-2000). O rival “bianconero” da vizinha Turim secundou o Milan nas glórias conquistadas nos anos 90. Efetivamente, a contratação do técnico Marcello Lippi pela “Juventus”, no início da campanha 1994/95 deu início a uma era de sucesso. Entre os seus jogadores de maior realce, nessa década, estão: Ciro Ferrara, Roberto Baggio, Gianluca Vialli e um jovem Alessandro Del Piero. Após a conquista da Liga dos Campeões da UEFA, batendo o “Ajax” da Holanda, nos pênaltis depois de um empate por 1x1, a “Juve” fez novas contratações de vulto: Zinedine Zidane, Filippo Inzaghi e Edgard Davids. Vieram então as vitórias na Supercopa UEFA de 1996 e o título da Copa Intercontinental, também em 1996. Na Copa do Mundo de 1994, a Itália, após o terceiro lugar de 1990, subiu mais um pouco no pódio, sagrando-se Vice-Campeã, nos Estados Unidos. Apesar da pouca tradição do futebol (“soccer”) no país sede, esse campeonato bateu o recorde de público. A participação da “Azzurra” foi distinta nas duas fases: discreta na primeira fase, tendo se classificado apenas graças ao critério do maior número de gols marcados, em um grupo no qual as demais seleções foram México, Irlanda e Noruega, todas consideradas de nível inferior ao da Itália. No jogo contra a Noruega, o goleiro italiano Gianluca Pagliuca foi espulso (primeira expulsão de “goal-keeper” na história das Copas do Mundo). Na segunda fase, entretanto, os “azzurri” brilharam, especialmente Roberto Baggio. Na partida pelas oitavas de final, a Nigéria abriu o marcador, mas Baggio empatou e voltou a marcar na prorrogação, estabelecndo a vitória por 2x1. Por esse mesmo placar, a Itália venceu sucessivamente

a Espanha e a Bulgária, que fez uma campanha brilhante, liderada pelo artilheiro Stoichkov, tendo vencido a Argentina e a Alemanha. Assim, a Itália se credenciou a disputar a final contra o Brasil. Ambas as seleções já haviam conquistado três títulos mundiais. O jogo, muito equilibrado, terminou 0x0 no tempo normal e na prorrogação. Era a primeira vez que a final da Copa do Mundo iria ser decidida na cobrança de pênaltis. O goleiro brasileiro Taffarel defendeu um dos pênaltis. Dois dos cobradores italianos, justamente os ídolos Franco Baresi e Roberto Baggio, chutaram para fora. O Brasil conquistou seu quarto título e a Itália teve que se contentar com o vice-campeonato. Na disputa da Copa do Mundo de 1998, na França, a “Azzurra”, contando com o então novato Francesco Totti, chegou às quartas de final, classificando-se em quinto lugar, após disputar cinco partidas, com três vitórias e dois empates. Em 1998, a Copa do Mundo da FIFA voltou a ser disputada na Europa, entre 10 de junho e 12 se julho, tendo a França como país sede. Nada menos que 172 países participaram das eliminatórias regionais que definiram os 32 competidores do torneio. As seleções nacionais qualificadas (15 européias, 8 das Américas, 5 africanas e 4 da Ásia) foram divididas em oito grupos. A Itália foi incluída no Grupo B, juntamente com Chile, Áustria e Camarões. A “Azzurra” empatou com o Chile por 2x2 e, em seguida, venceu Camarões (3x0) e a Áustria (2x1), classificando-se no primeiro lugar desse grupo. Na fase seguinte (mata-mata), a seleção italiana venceu a norueguesa por 1x0, pelas oitavas de final. Coube-lhe, então, enfrentar os donos da casa, pelas quartas de final. O jogo, muito equilibrado, terminou 0x0, no tempo normal, e na prorrogação. Na decisão por pênaltis, Baggio, Costacurta e Vieri converteram, ao passo que Albertini e Di Biagio desperdiçaram suas cobranças. Como a França marcou em quatro das suas cinco oportunidades, a “Azzurra” foi eliminada, ficando com o 5º lugar, em função dos onze pontos conquistados. Com cinco gols assinalados, Christian Vieri foi um dos vice-artilheiros. Embora tenham desperdiçado as suas cobranças de pênaltis na decisão da Copa de 1994, Baggio e Baresi merecem estar entre os melhores jogadores do “calcio” dessa década. Roberto Baggio, nascido em Caldogno, localidade próxima à cidade de


Vicenza, na região do Vêneto,no dia 18 de fevereiro de 1967, foi um dos mais brilhantes e populares atacantes do futebol italiano. Aos treze anos, jogando pelo time juvenil da sua terra natal, o “Caldogno”, foi alvo da atenção de um olheiro que o levou para o “Vicenza”. Em 1982, com quinze anos, iniciou sua carreira profissional, na Série C1. A sua primeira conquista foi, justamente, o título da Série C1, em 1985. A conquista seguinte, ainda pelo “Vicenza” foi o campeonato da Série CA, em 1986. Roberto foi, então, contratado pela “Fiorentina”. Sua estréia na Série A, entretanto, demorou a acontecer, devido a uma séria lesão no joelho que necessitou de 220 pontos cirúrgicos. Finalmente, em 21 de setembro de 1986, defendeu a equipe de Florença em jogo contra a “Sampdoria”. No entanto, seu primeiro gol na divisão principal só ocorreu no início do ano seguinte, na partida entre a “Fiorentina” e o “Napoli”. Seu futebol começou a florescer a partir de 1988, em virtude da sua enorme habilidade para marcar gols, muitos dos quais de excelente feitura. Na temporada 1989/90, o clube florentino foi vice-campeão da Copa UEFA, perdendo a final para a “Juventus”. E foi justamente para a “Vecchia Signora” que a família Pondella, dona da “Fiorentina” decidiu vendê-lo, contra sua vontade, e sob protestos violentos da torcida violeta. No primeiro confronto do alvinegro de Turim contra seu ex-clube, Baggio não quis cobrar um pênalti, que acabou desperdiçado pelo companheiro encarregado de batê-lo. A derrota subseqüente fez com que a torcida “bianconera” o hostilizasse. Aos poucos, porém, suas excelentes atuações conquistaram os torcedores da “Juve”. Em 1993, quando conquistou a Copa da UEFA, foi considerado o melhor jogador da Europa, recebendo a Bola de Ouro da revista France Football. No mesmo ano, mereceu da FIFA o galardão de melhor do mundo. A temporada de 1994/95 teve seu scudetto entregue à “Juventus” de Roberto Baggio, apelidado de “Il Codino Divino” (“O Rabo-de-Cavalo Divino”). Ainda em 1995, a “Juve” ganhou a Copa da Itália e chegou à final da Copa da UEFA, sendo derrotada pelo “Parma”. Ao final da temporada, Baggio foi transferido para a “Milan”, pelo qual sagrou-se logo campeão, na temporada 1995/96. Entretanto, sua permanência no time “rossonero” não foi longa, tendo se transferido para o “Bologna”, pelo qual disputou a temporada 1997/98, marcando 22 gols. Voltou então para Milão, para defender o “Internazionale”, por duas temporadas. Seu próximo clube

foi o então emergente Brescia, na temporada 2000/01. Esteve ausente do time durante a primeira metade do campeonato, em virtude de nova contusão grave. Entretanto, graças às suas atuações, a equipe saiu das últimas posições para o sétimo lugar. Manteve sua boa fase na temporada seguinte (2001/02). Nova lesão, porém, cortou suas esperanças de disputar a Copa do Mundo de 2002, aquela que seria sua quarta participação. Em 16 de maio de 2004, o jogo “Brescia” x “Milan”, no Estádio San Siro, marcou sua despedida, perante 80.000 pessoas que o aplaudiram demoradamente. Foi importantíssima sua trajetória na Seleção Italiana, que teve início em 1988, quando Roberto Baggio ainda atuava pela “Fiorentina”, seu primeiro clube da Série A. Participou dos campeonatos mundiais de 1990, 1994 e 1998. Fez sua despedida da “Azzurra” em abril de 2004, em um amistoso. A carreira de Baggio foi prejudicada, seguramente, por suas constantes lesões no joelho e, possivelmente, por seu mau relacionamento com os técnicos Arrigo Sacchi e, principalmente, Marcello Lippi. Franco Baresi, cujo nome de bstismo é Franchino Baresi, nasceu em Travagliato, no dia 8 de maio de 1960. Com 14 anos de idade, em 1974, começou nas categorias de base da “AC Milan” seu time de coração e único clube que defendeu, de 1977 a 1997, como profissdonal. Sua estréia pela equipe principal “rossonera” aconteceu em 1978, pouco antes de completar 18 anos. Seu espírito de liderança levou-o ao posto de capitão da equipe quatro anos depois, aos 22 anos de idade. Com 1,81m de altura e 70 kg de peso, foi um zagueiro de grande categoria, com excelente senso de colocação e precisão no desarme, sem recorrer a faltas excessivas. Celebrizou-se pelas suas magníficas atuações como líbero. Disputou 719 partidas pelo rubro-negro de Milão, marcando 33 gols. Conquistou seis “scudetti” (temporadas de 1978/79, 1987/88, 1991/92, 1992/93, 1993/94 e 1995/96), três Copas dos Campeões da Europa (1989. 1990 e 1994), dois Mundiais Interclubes (1989 e 1990), três Supercopas Européias (1989, 1990 e 1994) e quatro Supercopas da Itália (1988, 1992, 1993 e 1994). Seu jogo de despedida aconteceu em 1997, perante cerca de 70.000 torcedores. Foi convocado para a Seleção Italiana, pela primeira vez, para a Eurocopa de 1980, mas não chegou a jogar. Sua estréia na “Azzurra” aconteceu em 1982. Participou de três Copas do Mundo (1982, 1990 e 1994). Ao todo, Baresi jogou 81 parti-


das pela Seleção da Itália e marcou apenas um gol. O primeiro título de Campeão Italiano no Século XXI (temporada 2000/01) coube à “Roma”, dezoito anos após o seu último “scudetto” (1982/83). Seguiu-se um bicampeonato da “Juventus” (2001/02 e 2002/03) e uma conquista da”Milan” na temporada 2003/04. O campeonato seguinte (2004/05) voltou a ser vencido pela “Juventus”, mas o título foi revogado em maio de 2006, por ter sido apurado o envolvimento do clube, juntamente com outros quatro (“Lazio”, “Fiorentina”, “Reggina” e “Milan”), em uma escandalosa armação de resultados de jogos da Série A. Além de perder o “scudetto”, a “Vecchia Signora” foi, pela primeira vez em sua história, rebaixada para a Série B. Alguns jogadores importantes, como Thuram, Ibrahimovic e Fabio Cannavaro, deixaram o clube. Outros grandes nomes, porém, entre os quais Buffon, Del Piero e Nedved, permaneceram em suas fileiras. Assim, os “bianconeri” venceram o campeonato da segunda divisão na temporada 2006/07 e voltaram à Série A. Enquanto isso, o “Inter” de Milão assume a supremacia incontestável da década, sagrando-se pentacampeã, ao vencer todos os campeonatos subseqüentes da Série A (temporadas de 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09 e 2009/10). Em verdade, a equipe “neroazzura” terminou o campeonato 2005/06 em terceiro lugar, mas com as punições impostas ao primeiro e segundo colocados (“Juventus” e “Milan”, respectivamente) ascendeu ao posto de honra. A era de sucesso da “Inter” foi possível graças aos reforços contratados, cujo início ocorreu em 2004, com as chegadas de Adriano e Stankovic, que supriram as lacunas surgidas com a saídas de Crespo e Seedorf . Entre os demais jogadores de realce que integraram a equipe nessa fase áurea entre 2005 e 2010, salientam-se: o zagueiro Marco Materazzi, o atacante sueco Zlatan Ibramovic, o brasileiro Mancini, o ganês Sulley Muntari, o português Ricardo Quaresma, o zagueiro brasileiro Lúcio, o também brasileiro Thiago Motta, o camaronês Samuel Eto’o, o lateral brasileiro Maicon, o argentino Diego Milito, o meia holandês Wesley Sneijder, o volante argentino Esteban Cambiasso, o goleiro brasileiro Julio Cesar, o zagueiro argentino Walter Samuel e o também argentino Javier Zanetti, lateral esquerdo, que é o atual capitão do time. Recentemente, o “Football Club Internazionale Milano” contratou o jovem brasileiro muito promissor Phillipe Coutinho. Entre 2004 e 2008, o comando técnico da

equipe coube a Roberto Mancini, sucedido por José Mourinho (2008 a 2010) e Rafa Benitez (recentemente contratado). Nesta primeira década do Século XXI, a Itália teve uma participação discreta, com fraco desempenho, na Copa do Mundo de 2002, cuja sede foi compartilhada por Japão e Coréia do Sul. Eliminada nas oitavas de final, classificou-se em 15º lugar entre as 32 seleções disputantes, com uma vitória, um empate e duas derrotas nos seus quatro jogos. Na disputa seguinte, reverteu completamente a situação, conquistando a Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha, de forma invicta, com cinco vitórias e dois empates, marcando 12 gols e sofrendo apenas dois. Foi seu quarto título mundial. Divididas as trinta e duas seleções competidoras em oito grupos de quatro por meio de sorteio dirigido, no qual a Itália foi cabeça-de-chave, a “Azzurra” teve como adversários na primeira fase: Gana (vitória por 2x0); Estados Unidos (empate de 1x1); e República Tcheca (vitória por 2x0). Com sete pontos, classificou-se no primeiro lugar do Grupo E. Na segunda fase, a Itália venceu a Austrália, por 1x0, no seu jogo das oitavas-de-final. A seguir, nas quartas-de-final, derrotou a Ucrânia por 3x0; na disputa de uma das semifinais, infligiu 2x0 na Argentina. A final, contra a França, aconteceu em Berlim, no dia 9 de julho. O resultado foi um empate de 1x1. Na disputa dos pênaltis, os “azzurri” venceram os “bleus” por 5x3. Seus cobradores, que não desperdiçaram nenhuma oportunidade, foram: Pirlo, Materazzi, De Rossi, Del Piero e Grosso. O italiano Gianluigi Buffon recebeu o prêmio de melhor goleiro da campetição. Além dos já citados, tiveram atuações destacadas no onze comandado pelo tácnico Marcello Lippi: Fabio Cannavaro, Gennaro Gattuso, Francesco Totti e Luca Toni. Na recente Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o desempenho italiano foi pífio, sendo a “Squadra Azzurra” eliminada logo na primeira fase, sem nenhuma vitória, e ficando na 26ª colocação entre as 32 seleções participantes Selecionamos dois monstros sagrados dos “tiffosi” como símbolos dos grandes craques italianos dessa última década. Alessandro Del Piero nasceu em Conegliano, província de Treviso, no dia 9 de novembro de 1974. Começou a jogar, em 1988, nas categorias de base do “Padova”, onde se profissionalizou a partir de 1991. Disputou apenas 14 partidas pelo clube da cidade de Pádua, pois logo se


transferiu para a “Juventus”, cuja equipe defende até hoje. A partir de 1993, conquistou os seguintes títulos pelo alvinegro de Turim: “scudettos” das temporadas 1994/95, 1996/97, 1997/98, 2001/02 e 2002/03; Copa da Itália (1995); Supercopa italiana (1995, 1997, 2002 e 2003); Liga dos Campeões da UEFA (1996); Supercopa européia (1996); Intercontinental de Clubes (1996) e campeão da Série B (2006/07). Foi o artilheiro nas seguintes competições: Liga dos Campeões da UEFA, em 1997 e 1998; Campeonato Italiano da Série B, em 2006/07; Campeonato Italiano da Série A, em 2007/08. Recebeu os prêmios de Futebolista Europeu Sub-21 do Ano de 1996 e de Melhor Atacante da Europa nos Anos 90. Ale, como também é chamado, havia disputado, até o final da temporada 2008/2009, 595 jogos pela equipe da “Juve”, da qual é o capitão, tendo assinalado 258 gols. Pela seleção nacional, que defende desde 1996, foram 91 partidas e 27 gols. Participou das Eurocopas de 1996, 2000, 2004 e 2008, e das Copas do Mundo de 1998 e 2006, quando ds sagrou Campeão Mundial. Del Piero, que mede 1,73 m e pesa 73 kg, é um meia atacante extremamente habilidoso, oportunista, com faro de gol, e excelente cobrador de faltas. Francesco Totti, nascido em 27 de setembro de 1976, na capital italiana, só jogou profissionalmente pela “AS Roma” equipe que ainda defende e da qual é o capitão, donde lhe surgiu o apelido de “Il Capitano”. Com 1,80 m de altura e peso de 82 kg, Totti é um meia com extraordinária técnica, cuja principal característica é a precisão dos seus passes, com excelentes assistências para seus companheiros, embora também seja exímio finalizador. Seu outro apelido, “O Menino da Porta Metronia”, adveio do fato de ser natural do bairro romano Appio Latino, situado nas proximidades da Porta Metronia, onde viveu sua infância. Em 1986, começou a jogar no time infantil do “Lodigiani” e, três anos depois, com treze anos, ingressou na “Roma”. Sua estréia na equipe principal aconteceu no dia 28 de março de 1993, na partida “Roma” 2x0 “Brescia”, na qual ele entrou no segundo tempo, em substituição a Rizzitelli. Em 1996, conquistou o título de Campeão Europeu Sub21, atuando pela seleção italiana da categoria. A estréia de Totti na seleção proncipal, dirigida por Dino Zoff, ocorreu em 10 de outubro de 1998, contra a Suíça, em Udine. Na Euro 2000, ele teve uma boa participação com a “Azzurra”, mas o título acabou ficando com a França.

Finalmente, na temporada 2000/01, a “Roma” ganhou o “scudetto”, vencendo, no dia 17 de junho de 2001, o “Parma” por 3x1. “Il Capitano” marcou o primeiro gol do jogo e foi escolhido como o jogador italiano do ano. Em 2002, ao fim da temporada 2001/02, a “Roma” foi vice-campeã e Francesco Totti foi titular na Seleção da Itália que disputou o mundial daquele ano e foi eliminada ainda nas oitavas-definal. Participou, também, do primeiro jogo da “Azzurra” na Eurocopa 2004, em Portugal, mas foi suspenso por três partidas, devido a uma cusparada no dinamarquês Poulsen, e a Itália foi eliminada, durante sua suspensão. Sua maior glória foi o títulode Campeão Mundial, obtido na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Após essa magnífica conquista, resolveu se aposentar da seleção. De volta ao seu clube de coração, o eterno capitão levantou a Copa da Itália, em 2007. No campeonato da temporada 2006/07, a equipe “giallorossa” foi novamente vice-campeã, mas Francesco foi o artilheiro do certame, com 26 gols e ganhou, ainda, a Chuteira de Ouro da Europa. Na temporada seguinte (2007/08), outro vice-campeonato da “Roma” e nova conquista da Copa da Itália. Em 16 de dezembro de 2009, Totti renovou seu contrato com a “Lupa” até 30 de junho de 2014, quando estará próximo dos 38 anos de idade.

UM JOVEM NO GRUPO Brian Butler e Roberto Mauro Machado, que haviam sido escolhidos, na reunião anterior, para relatar a história do futebol na Itália chegaram, pontualmente, à Empada Brasil, acompanhados de um homem com cerca de 35 anos. Qundo Pedro Paulo, o último a chegar, sentou-se, todos fizeram seus pedidos de empadas e bebidas, quentes ou geladas. Roberto Mauro, então, tomou a palavra: _Quero apresentar-lhes o advogado Rodolfo Moura. Ele foi convidado a participar da nossa reunião na condição de um dos maiores experts brasileiros em futebol italiano. O Rodolfo é o titular do blog “calcioseriea.blospot.com” onde ele apresenta, regularmente, magníficas análises sobre tudo que acontece no “calcio”. Embora amador, seus conhecimentos sobre o tema rivalizam com o do renomado comentarista Sylvio Lancellotti.


_Isso é bondade sua, retrucou modesto o Rodolfo. _ Eu sou, isto sim, um dos maiores admiradores do Lancellotti. Li o texto que o Brian e o Roberto prepararam e o achei ótimo. _Eu também considero excelente o trabalho. Mas vou aproveitar a presença do Rodolfo, para perguntar-lhe sobre a participação de jogadores estrangeiros na seleção italiana, Marcos interveio. _ Conforme vocês sabem, o futebol italiano é um grande importador, desde longa data, de excelentes jogadores estrangeiros. Para vocês terem uma idéia, de acordo com as minhas anotações, nada menos que 57 jogadores que atuam na Itália fiseram parte das suas seleções nacionais de origem que participaram da Copa do Mundo de 2010. Se computarmos os 23 integrantes da “Azzurra”, são 80 atletas atuantes na península da “Bota” que estiveram na África do Sul. Só na Seleção do Brasil, foram oito: Júlio César (“Inter”), Doni (“Roma”), Maicon (“Inter”), Lúcio (“Inter”), Juan (“Roma”), Thiago Silva (“Milan”), Felipe Melo (“Juventus”) e Júlio Baptista (“Roma”). Na seleção da Argentina, seis; da Eslovênia, cinco; do Uruguai, quatro; também quatro na seleção de Gana; mais quatro participaram da delegação suíça; três, da Grécia; na seleção da Sérvia, outros três; da Dinamarca, mais três; o Chile, da mesma forma, contou com três; na vice-campeã Holanda, dois; na equipe da Eslováquia, dois também; dois foram integrantes da seleção hondurenha; da mesma forma que outros dois jogaram pela Argélia; e, ainda, mais dois pela Austrália; os times dos Estados Unidos, Paraguai, Japão e Camarões tiveram um, em cada. Bem, isso tudo foi um intróito para ilustrar a importância dos craques do mundo todo no “calcio”. É claro que há um outro lado. Existem reações contrárias por parte dos que defendem mais espaço para os jogadores nascidos na Itália. Assim, de quando em vez, são estabelecidas limitações. Logo após a Copa, foi decidida a redução, de dois para um em cada equipe, na presença de jogadores estrangeiros (extra-comunitários). Agora, vamos tratar da questão específica que foi formulada. Já foi mencionada a participação do ítalo-brasileiro Filó (Anfilogino Guarisi) na seleção italiana campeã do mundo em 1934. Também tivemos a presença do centroavante Mazzola, apelido brasileiro de José João Altafini, na seleção bradileira campeã da Copa do Mundo de 1958. Altafini, filho de italianos, naturalizou-se e jogou pela “Azzurra” o campeonato mundial de 1962. Ele

autou muitos anos no “calcio”, sendo um dos maiores artilheiros da Série A com 216 gols. Outros ítalo-brasileiros que defenderam a Itália foram Dino da Costa e Ângelo Sormani, nos anos 50 e 60. Os chamados “oriundi” (filhos de italianos) tiveram ampla presença nas seleções italianas até os anos 60, eapecialmente os nascidos na Argentina. Luis Monti disputou a final da Copa do Mundo de 1930 por seu país natal, e a do campeonato mundial de 1934 pela Itália, sendo o único jogador, até hoje, a disputar duas partiidas finais por países diferentes. Enrique Guaíta, Raimundo Orsi. Omar Sívori e Humberto Maschio são outros ítalo-argentinos que disputaram campeonatos mundiais pela “Azzurra”. Também os uruguaios marcaram presença nas seleções italianas entre 1930 e 1960. Michele Andreolo foi campeão mundial em 1938. Os carrascos do Brasil em 1950, Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia, posteriormente vestiram a camisa azul italiana. Mais recentemente, a seleção campeã de 2006, contou com a colaboração de Mauro Camoranesi, nascido na Argentina, e de Simone Perrotta, natural da Inglaterra. Camoranesi, atualmente com 34 anos, participou também da recente Copa de 2010, discorreu o jovem. _Muito obrigado, Rodolfo, em meu nome e de todo o grupo, agradeceu o Marcos. Cristiano então se manifestou: _Acho que estamos todos de parabéns pelo desenrolar do trabalho. Para prosseguí-lo, precisamos definir o próximo país, que deve ser sul-americano, e quem será o responsável pelo relato. Proponho que seja o Uruguai, por uma questão de antiguidade, como primeiro campeão do mundo. E como sou o mais velho do grupo, posso ser o relator, contando com a ajuda de todos. _Ótimo, aplaudiu o Pedro Paulo. _Só não concordo com você se chamar de “o mais velho”. Você é o mais experiente e nenhum de nós é velho. Nós somos apenas idosos, concluiu. _Muito bem, falou o Brien, encerrando o assunto. Como saideira, tomos tomaram “irish coffee” (café com chantilly e uísque irlandês).


O FUTEBOL NO URUGUAI (1881-2010) O primeiro jogo de futebol realizado, formalmente, no Uruguai data de 1881. Foi uma peleja disputada entre dois times de ingleses, membros de clubes sediados na Inglaterra, que aportaram em Montevidéu. Foi esse jogo o marco inicial para a difusão do esporte entre os jovens uruguaios, no final do século XIX. Assim, ao alvorecer do século XX, o futebol já estava incorporado aos costumes do país, tornando possível a fundação da Associación Uruguaya de Futbol, em 30 de março de 1900. Os dois clubes de maior prestígio no país, o “Peñarol” e o “Nacional” foram criados em 1891 e 1899, respectivamente. Em verdade, a origem do popular aurinegro está intimamente vinculada à empresa ferroviária Central Uruguay, de origem inglesa, cujas instalações foram erguidas em uma povoação nos arredores de Montevidéu, chamada pueblo de Peñarol, em decorrência de ter sido uma antiga propriedade de um agricultor italiano de nome Pedro Pignarolo. Em 1891, o presidente da ferrovia, Roland Moor, criou uma entidade, destinada à prática dos esportes adorados pelos ingleses: “cricket” e “football”. Assim foi fundado o “Central Uruguay Railway Cricket Club – CURCC”, com as cores preta e amarela. Finalmente, em 1913, a denominação do “CURCC” foi alterada para “Penãrol”. Por isso, os torcedores do “Nacional” dizem que a fundação do rival é posterior á do seu clube de predileção, criando mais uma polêmica para alimentar as fanáticas discussões. O “Club Nacional de Football” foi fundado em 14 de maio de 1899, em Montevidéu, graças à fusão, promovida por jovens universitários, dos clubes “Uruguay Atlética Club”, sediado em La Unión, e “Montevideo Football Club”. Suas cores foram inspiradas na bandeira do grande herói uruguaio José Artigas: vermelha, azul e branca. Sua primeira partida foi disputada no seu campo em Punta de las Carretas, no dia 18 de junho do mesmo ano. Seguiram-se as fundações de outros clubes, já após a criação da Associación Uruguaya de Futból (originalmente “The Uruguay Association Football League”): “Montevideo Wanderers”, em 1902; “Central Español”, em 1905; e “Miramar Misiones”, em 1906. Na década iniciada em 1911, surgiram: “Defensor Sporting” (1913); “Rampla Juniors” (1914); “Liverpool” (1915); “Fênix” (1916); “Progreso

Montevideo” (1917); “Racing Club” (1919); e “Bella Vista” (1920). Nos últimos anos do Século XIX, período anterior à criação da liga, o cenário do futebol uruguaio teve uma participação importantíssima do “Albion Football Club”. Foi fundado em 1891, inicialmente com o nome de “Football Association”, por alunos da “English High School”, onde lecionava William Leslie Poole, considerado o pai do futebol uruguaio. Entre os jovens fundadores, sobressaiu-se, pela sua dedicação, Henry Candid Lichtenberger, graças a quem, o “Albion” atingiu seu apogeu no ainda incipiente futebol uruguaio, entre 1895 e 1900. Em 1889, na capital uruguaia, ocorreu um jogo entre a equipe de Buenos Aires e o time de Montevidéu, composto pelos jogadores do “Montevideo Cricket Club”, que hoje não mais pratica o futebol, embora ainda esteja ativo. A primeira vitória internacional de um clube uruguaio no exterior foi obtida pelo “Albion FC”, em 1896, quando venceu o argentino “Retiro Athletic Club” em Buenos Aires, por 4x1. Em Montevidéu, no ano de 1901, aconteceu a primeira partida internacional do Uruguai, representado pelo “Albion”. Hoje, embora ainda atuante no futebol, o clube participa, modestamente, da divisão inferior denominada “primera C’. O “Peñarol” (então denominado “CURCC”) foi o vencedor do primeiro campeonato promovido pela liga uruguaia em 1900. Foi também o campeão de 1901. Nos dois anos seguintes (1902 e 1903) a vitória coube ao “Nacional”, que se incorporara à liga em 1901. Em 1903, o time do “Nacional” representou o Uruguai em um jogo contra a Argentina, que terminou 3x2 em favor da seleção uruguaia, significando a sua primeira vitória internacional. Foi o início de uma era de conquistas, que se materializou nas medalhas de ouro dos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, e de 1928, em Amsterdam. Graças a essas duas vitórias, o Uruguai foi escolhido para sediar o primeiro campeonato mundial da FIFA, em 1930. Mais uma vez, foi o campeão, derrotando, na final, a Argentina por 4x2. Na equipe do “Nacional”, bicampeã 1902/03, sobressaíam-se os irmãos Céspedes, Bolívar e Carlos, que foram os primeiros ídolos dos torcedores. Infelizmente. ambos tiveram mortes prematuras, em 1905, vítimas de varíola. Não houve a disputa do título de campeão em 1904, por motivo da


Guerra Civil Uruguaia. Retomada a normalidade, em1905 o “CURCC” (hoje “Peñarol”) venceu o campeonato, repetindo o feito em 1907. Em 1906 e 1909, o título de Campeão Uruguaio foi conquistado pelo “Montevideo Wanderers”. O “River Plate FC” sagrou-se vencedor em 1908 e 1910. A década seguinte (1911-1920) foi de supremacia do “Nacional”, que conquistou seis campeonatos (1912, 1915, 1916, 1917, 1919 e 1920), seguido pelo “River Plate” (bicampeão em 1913/14) e “Peñarol” (campeão em 1911, ainda com o nome de CURCC, e em 1918). Para quebrar a hegemonia do “Nacional” (tricampeão 1915/16/17), o “Penãrol” armou uma excelente equipe para 1918, assim composta: Roberto Chery, José Benincasa e Pedro Rimolo; Juan Pacheco, Juan Delgado e J. Delacroix; José Perez, Armando Artigas, José Piendibene, Isabelino Gradin e Antonio Campolo. Com essa formação, efetivamente foi o campeão nesse ano. Entretanto, com um time onde eram destaques o goleiro Andrés Mazali, o meio-campista Alfredo Zibechi, o artilheiro Pascual Somma e o extraordinário atacante Angél Romano, o “Nacional” retomou a supremacia, conquistando o bicampeonato de 1919/20. Antes de 1916, a seleção do Uruguai disputou mais de 30 partidas, praticamente todas contra a Argentina. É interessante mencionar que, entre 1901 e 1910, a camisa do Uruguai era listrada verticalmente de azul e branco, enquanto a seleção argentina vestia camisas de cor única azul turquesa. A troca foi feita após 1910, quando a Argentina adotou as listras verticais azuis e brancas e o Uruguai passou a usar a camisa azul celeste. O primeiro Campeonato Sul Americano de Seleções (posteriormente Copa América) teve o Uruguai como vencedor, com vitórias sobre o Chile e o Brasil e um empate com a Argentina, em 1916. Na edição seguinte, realizada em Montevidéu, em 1917, novamente o Uruguai foi campeão, vencendo todos os seus jogos. Em 1919, a equipe celeste perdeu o jogo final para o Brasil por 1x0, após duas prorrogações. Em 1924, o time do Uruguai viajou para Paris, onde se tornou a primeira equipe sul americana de futebol a competir nos Jogos Olímpicos. Em contraste com o estilo das seleções européias, baseado na força física, os uruguaios apresentaram um jogo leve, calcado na troca de passes. Conquistaram o título, vencendo a Suíça por 3x0 na partida final. Quatro anos depois, repetiram o êxito, nas Olimpíadas de 1928, em Amster-

dam, vencendo o jogo final contra a Argentina, por 2x1. Credenciado pelas duas vitórias olímpicas, o Uruguai sediou a primeira Copa do Mundo da FIFA, em 1930, ano do centenário de sua independência. Nova conquista, vencendo a muito conhecida Argentina, na final por 4x2, revertendo o placar adverso (1x2) do primeiro tempo, no Estádio Centenário. Foi enorme a contribuição do “Nacional” às seleções vencedoras em 1924 e 1928. Atuavam pelo tricolor os seguintes campeões olímpicos: José Luís Andrade (24 e 28), Hector Castro (24), Pedro Cea (24 e 28), Andrés Mazali (28), José Nasazzi (24 e 28), Pedro Petrone (24 e 28), Angel Romano (24), Hétor Scarone (24 e 28), Pascual Somma (24), Santos Urdinarán (24 e 28), e Alfredo Zibechi (24). Integraram a “celeste olímpica” que se sagrou vitoriosa no primeiro campeonato mundial organizado pela FIFA, em 1930, os atletas do “Nacional” a seguir. Defensores: José Nasazzi e Emílio Recoba; o meio-campista José Luís Andrade; e os atacantes Héctor Castro, Pedro Cea, Pedro Petrone, Héctor Scarone e Santos Urdinarán. Do Peñarol, tiveram destaque, como titulares da seleção de 30: o zagueiro Ernesto Mascheroni e o lateral esquerdo Álvaro Gestido. Em represália à recusa de participar da Copa do Uruguai, em 1930, por parte de alguns países europeus, a AUF (Associación Uruguaya de Futbol), decidiu boicotar a Copa da Itália, em 1934. Da mesma forma, não participou da Copa do Mundo de 1938, na França, em virtude de não ter sido respeitado pela FIFA o acordo prévio que previa a alternância do anfitrião entre países europeus e sul-americanos. Com a interrupção causada pela segunda guerra mundial, somente em 1950 o Uruguai voltou a disputar o campeonato mundial, vencendo-o novamente. Na década 1921-1930, houve maior equilíbrio entre os dois grandes de Montevidéu, no número de campeonatos oficiais conquistados: três para cada um. O “Peñarol” foi o campeão de 1921; o “Nacional” ganhou um tricampeonato em 1922, 23 e 24. O campeonato de 1925 não terminou e, o de 1926, não foi realizado. O “Rampla Juniors”, em 1927, foi o campeão. O aurinegro dos “carboneros” (apelido oriundo da origem ferroviária do “Peñarol”) conquistou um bicampeonato em 1928 e 29. Outra vez não aconteceu a disputa do campeonato oficial, em 1930. A homenagem aos responsáveis pelas glórias do Uruguai no futebol,


entre 1900 e 1930, consubstancia-se nos grandes jogadores a seguir apresentados. José Piendibene nasceu em Montevidéu, no dia 10 de junho de 1890. Começou a chutar bola em times sem expressão, mas em 1908, antes de completar 18 anos, ingressou no “Peñarol”, ainda denominado “Central Uruguay Railway Cricket Club – CURCC”, lá permanecendo até o final da carreira em 1928. Atuou em 506 jogos dos aurinegros, marcando 253 gols. Ganhou os títulos de Campeão Uruguaio em 1911, 1918 e 1921. Pela Seleção Uruguaia, realizou 40 partidas, assinalando 21 tentos. Inscreveu seu nome como o autor do primeiro gol da história do Campeonato Sul Americano, conhecido atualmente como Copa América, na sua primeira edição, realizada em 1916, na cidade de Buenos Aires, onde o Uruguai foi campeão. Novamente vencedor em 1917, voltou a conquistar o título da América do Sul, em 1920, na cidade chilena de Valparaíso, quando teve memorável atuação na peleja contra a Seleção Brasileira, vencida pela celeste por uma goleada de 6x0. Detém, até hoje, a artilharia do chamado Clássico do Rio da Prata (Argentina x Uruguai), com 17 gols. Atacante alto e de grande vigor físico, foi considerado, em 1922, pela então nova, mas já conceituada revista argentina “El Gráfico”, como o melhor jogador do seu tempo, apesar da já existente rivalidade entre o futebol uruguaio e o argentino. Dotado de excelente técnica, foi também um desportista com grande “fair play”, chegando ao ponto de ser comedido na comemoração de seus gols, em respeito aos adversários. Alfredo Ángel Romano, ou simplesmente Ángel Romano, como se tornou conhecido, nasceu em 2 de agosto de 1894, na capital uruguaia, perto do Parque Central, onde posteriormente o “Nacional” construiu seu estádio. Em 1910, ainda com quinze anos, começou sua carreira no clube tricolor. Entretanto, no ano seguinte, em função de divergências internas na administração do time de seu coração, Ángel o troca por outra agremiação, somente retornando às suas fileiras em 1915. A partir daí, começam suas glórias no “Nacional”, pelo qual foi oito vezes campeão uruguaio (1915, 1916, 1917, 1919, 1920, 1922, 1923 e 1924). Até encerrar sua carreira, em 1930, foram 388 jogos em defesa das cores azul, vermelha e branca, com 164 gols assinalados. A camisa azul celeste da seleção foi envergada por ele, pela primeira vez, aos dezes-

seis anos, em 1911, quando o jovem Romano jogava no “CURCC”. Após seu retorno ao “Nacional”, foram seis as suas conquistas pela seleção do Uruguai, no Campeonato Sul Americano (1916, 1917, 1920, 1923, 1924 e 1926) e, para culminar, a vitória nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924. Entre 1911 e 1927, atuou em 68 partidas com a camisa azul celeste, marcando 28 tentos. Apelidado de “El Loco”, Ángel Romano jogava indistintamente bem em qualquer das posições do ataque. Seus admiradores diziam que ele era igualmente bom na defesa. Sua maior qualidade era a facilidade ao driblar. E, talvez, os dribles fossem também seu grande vício, pois, as vezes, seu jogo deixava de ser objetivo, pelo simples prazer de mais uma finta. José Leandro Andrade nasceu no final do primeiro ano do Século XX, 1901, na estância termal de Salto, hoje importante ponto turístico do Uruguai. Começou a praticar o futebol no modesto “Misiones”, mas logo, 1920, ingressou no “Bella Vista”. Permaneceu nesse clube até 1923, realizando 71 partidas. Em seguida, atuou pelo “Nacional” de 1924 a 1929, participando de 105 jogos. Seu clube seguinte foi o “Peñarol” onde jogou 88 pelejas, de 1930 a 1034. Defendeu o “Wanderers” em 17 partidas, durante 1935. No ano seguinte, 1936, mudou-se para a Argentina, atuando pelo clube “Argentinos Juniors” em 21 jogos, e encerrou sua atividade futebolística. Seu único título de Campeão Uruguaio foi o obtido em 1932, pelo “Peñarol”. A fama de um dos maiores jogadores do mundo em sua época e o apelido de “La Maravilla Negra” adveio-lhe de suas atuações pela seleção nacional uruguaia. Sua estréia aconteceu em 1923, quando conquistou o Campeonato Sul Americano, em Montevidéu. Logo no ano seguinte, foi considerado o melhor jogador do time uruguaio, campeão das Olimpíadas de 1924, em Paris. Em 1926, nova vitória na Américs do Sul, conquistando a cometição realizada em Santiago do Chile. Dois anos depois, nova medalha de ouro olímpica, em Amsterdam, sede dos jogos de 1928. Finalmente, sagrou-se campeão da primeira Copa do Mundo, realizada no ano de 1930, em seu país natal. Andrade participou ainda dos campeonatos sul-americanos de 1927, no Peru, e de 1929, na Argentina, quando s celeste se classificou em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Ao todo, atuou em 33 partidas pela seleção do Uruguai. Com 1,80m de altura e peso de 79kg, jogava como meio-campista defensivo


(na linha média, como se dizia, tanto pela direita como pela esquerda, ou volante, no jargão atual). Dotado de grande técnica, jogava com habilidade e elegância. De espírito boêmio, após deixar o futebol, foi viver em Paris, onde chegou a se apresentar como dançarino profissional. Iniciada a década seguinte, o Campeão Uruguaio de 1931 foi o “Wanderers”. Em 1932, foi implantado o profissionalismo no futebol do Uruguai. A partir daí, acentuou-se ainda mais a supremacia da dupla “Peñarol” e “Nacional”. Assim, o aurinegro foi campeão em 1932; seguiu-se um bicampeonato tricolor (1933/34); e um tetra do “Peñarol” (1935/36/37 e 38). De 1939 a 1944, a hegemonia voltou a ser do “Nacional” (pentacampeão). O “Club Atlético Peñarol” venceu o campeonato em 1944 e 1945. Em 1946 e 1947, foi vitorioso o “Club Nacional de Fotball”. O campeonato de 1948 foi interrompido por motivo de uma greve, com cunho trabalhista, dos jogadores. Nos dois últimos anos da década iniciada em 1941, os louros foram divididos: o campeão de 1949 foi o “Peñarol”; e o “Nacional”, em 1950, foi o vencedor. O primeiro astro uruguaio da era do profissionalismo foi o zagueiro José Nasazzi, chamado “El Gran Mariscal”, campeão do mundo em 1930, que ingressou no “Nacional” em 1933, e formou uma zaga quase intransponível junto com o famoso brasileiro Domingos da Guia, integrando a equipe que recebeu o apelido de Máquina Blanca e foi campeã em 1933 e 1934. Outro grande ídolo do clube tricolor foi o goleador argentino Attilio Garcia, centro-avante do qüinqüênio 1939-1943 (pentacampeonato do “Nacional”). No cenário internacional, a equipe nacional do Uruguai conquistou os campeonatos sul-americanos de 1935, realizado no Peru, e o de1942, em seu país. Em 1949, o “Peñarol” armou uma fortíssima equipe que, além de vencer o campeonato daquele ano, serviu de base para a seleção celeste que conquistou o mundial de 1950, no Brasil. Esse time, que recebeu o apelido de Máquina 49 tinha, entre seus integrantes: o arqueiro Roque Máspoli, o zagueiro Matias González, o médio Obdulio Varela, o pontadireita Alcides Ghiggia, o centro avante Oscar Miguez e o meia avançado Juan Schiaffino. A Seleção Uruguaia, após a conquista de 1930, só voltou a participar de uma Copa do Mundo em 1950. Foi sorteada para o Grupo 4, no qual

teve que enfrentar apenas a Bolívia e classificou-se ao vencer por 8x0, em jogo realizado no Estádio Independência, de Belo Horizonte, no dia 2 de julho de 1950, tendo os seus gols sido da autoria de Miguez (3), Schiaffino (2), Vidal, Pérez e Ghiggia. Na fase seguinte, empatou por 2x2 com a Espanha, no dia 9 de julho, jogando no Pacaembu, em São Paulo, sendo de Ghiggia e Obdulio Varela os tentos uruguaios; voltou a atuar no dia 13, no mesmo estádio, e venceu a Suécia por 3x2, com gols de Miguez (2) e Ghiggia. Finalmente, ganhou do favorito Brasil, na partida final, realizada no dia 16 de julho de 1950, no Eatádio do Maracanã, perante 199.854 pessoas, por 2x1, graças aos gols assinalados por Schiaffino e Ghiggia. O técnico vitorioso foi Juan López. A equipe que levantou a taça formou com: Máspoli, Matias González e Tejera; Gambetta, Obdulio Varela e Rodriguez Andrade; Ghiggia, Julio Pérez, Miguez, Schiaffino e Morán. São símbolos da magia do futebol uruguaio dessa época, os craques a seguir apresentados. Obdulio Jacinto Varela, nascido em Paysandu, no dia 20 de setembro de 1917, começou sua carreira no modesto “Juventud”, em 1936. Dois anos depois, no “Wanderers”, despontou como meia-esquerda de talento, chegando à seleção nacional em 1939. Em 1943, transferiu-se para o “Peñarol”, onde passou a jogar somo centro-médio e assumiu o posto de capitão da equipe. Em virtude de sua liderança incontestável e por ser mulato, recebeu o apelido de “El Negro Jefe”. Pelo aurinegro, foi seis vezes campeão uruguaio. Em defesa da camisa celeste, foi vicecampeão sul-americano em 1939 e 1941. Finalmente, no campeonato sediado no próprio Uruguai, em 1942, sagrou-se Campeão da América do Sul. No jogo decisivo da Copa do Mundo de 1950, Obdulio teve um papel fundamental na condução dos companheiros à vitória sobre o Brasil, com muita luta e garra. De acordo com suas próprias palavras: “Fui visto como o culpado pela derrota do Brasil e como o ganhador da Copa para o Uruguai. Não foi nada disso. Gritei o tempo todo porque sei que quem quiser ganhar tem que gritar. Segurei a bola depois do gol do Friaça, alegando impedimento, chamei o juiz, o bandeirinha, pedi intérprete, fiz tudo isso só para acalmar aquela gritaria. Eu sabia que provocando o medo de verem o gol anulado aquilo se transformaria num túmulo. Tentei e deu certo. Não fui o culpado da derrota.


Nem ganhei a Copa sozinho.” É improcedente a versão de que Varela teria esbofeteado Bigode, quando o Brasil vencia. Na verdade, a suposta bofetada resumiu-se a um tapinha no pescoço, acompanhado de um pedido de calma, no primeiro tempo, quando o jogo estava 0x0. El Negro Jefe voltou a disputar outra Copa do Mundo, em 1954, na Suíça. Participou das vitórias uruguaias sobre a Tchecoslováquia, Escócia e Inglaterra, por 2x0, 7x0 e 4x2, respectivamente. Lesionado, não jogou as partidas contra a Hungria e contra a Áustria, nas quais a celeste foi derrotada, por 4x2 e 3x1. Pendurou as chuteiras em 1955. Antes, porém, recusou-se terminantemente a usar uma camisa patrocinada (uma novidade na época), embora o contrato de patrocínio prevesse uma remuneração também para os atletas. Assim, o “Peñarol” entrava em campo com dez jogadores ostentando a logomarca do patrocinador em suas camisas, e o seu capitão com o tradicional uniforme aurinegro sem publicidade. Juan Alberto Schiaffino, nascido em Montevidéu, no dia 28 de julho de 1925, começou sua trajetória no futebol, em 1943, aos 17 anos, no clube da colônia italiana, o “Peñarol”. Sagrou-se campeão uruguaio logo no ano seguinte (1944) e, novamente, em 1945. Foi convocado, pela primeira vez, em 1946, para envergar a camisa azul celeste da seleção. Curiosamente, ainda não era titular no time aurinegro. Somente em 1949 veio a ser titular absoluto na sua equipe, que conquistou o título de forma invicta, com 16 vitórias e 2 empates. Participou da Copa do Mundo de 1950 e marcou o primeiro gol na vitória sobre o Brasil, que valeu o segundo título mundial do Uruguai. Foi campeão uruguaio mais três vezes antes de trocar o “Peñarol” pelo “Milan”, da Itália. Despediuse da Seleção Uruguaia na Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Em sua primeira temporada (1954/55) no “cálcio serie A” conquistou o “scudetto”. Foi novamente campeão italiano pelo “Milan” em 1956/57 e em 1958/59. Schiaffino foi convocado para defender a “azzurra” pouco depois de chegar à Itália, graças à sua dupla nacionalidade de “oriundi”. Jogou quatro partidas pela seleção italiana, sendo a última em janeiro de 1958. Juan Schiaffino mudou-se de Milão para a capital italiana, em 1960, para atuar pela “Roma”, onde encerrou a carreira, em 1962. Alcides Edgardo Ghiggia nasceu em 22 de dezembro de 1926, na capital uruguaia. Começou a sua carreira , aos 19 anos, em 1946, no pequeno “Atlante”. No ano seguinte, transferiu-se para o também

modesto “Sud América”. Finalmente, em 1948, despertou o interesse do “Peñarol”. Logo no ano seguinte foi campeão uruguaio, quando o aurinegro fez excelente campanha e sua equipe serviu de base para a seleção que disputou e venceu a Copa do Mundo de 1950. Ghiggia, um dos seis jogadores do “Peñarol” titulares na celeste, foi o autor do gol que deu a vitória ao Uruguai na partida final contra o Brasil. Em 1951 e 1953, foi novamente campeão uruguaio. Foi contratado pela “Roma”, ainda em 1953. Atuou oito anos pelo time “giallorosso”, até 1961. Transferiu-se, então, para o “Milan”, onde não teve muitas oportunidades apesar de ter participado da conquista do título de campeão italiano. Deixou, assim, o clube “rossonero” e retornou ao Uruguai, passando a jogar pelo “Danubio”. Pendurou as chuteiras em 1968, aos 42 anos de idade. Pela seleção uruguaia, sua última partida foi em 1952. Embora chamado pela Associación Uruguaya de Futból para a Copa de 1954, a “Roma” não o liberou. Em 1957, foi convocado para a seleção italiana que estava disputando as eliminatórias para a Copa de 1958, em face da sua dupla cidadania. Entretanto, a “azzurra” não logrou a qualificação. Em 1959, foi chamado, pela última vez, para atuar pela Itália contra a Espanha. Em 29 de dezembro de 2009, Alcides Edgardo Ghiggia recebeu uma homenagem que o emocionou: deixou a marca de seus pés na calçada da fama do Estádio do Maracanã. A década seguinte à conquista, pela segunda vez, da Copa do Mundo, foi iniciada com a costumeira alternância de vitórias entre o “Peñarol”, campeão de 1951, e o “Nacional”, vencedor do campeonato de 1952. Seguiu-se um bicampeonato do aurinegro (1953/54) e um tricampeonato tricolor (1955/56/57). O quinqüênio seguinte foi de domínio do “Peñarol”, pentacampeão em 1958/59/60/61 e 62). A grande figura da equipe aurinegra bicampeã em 1953/54, ao lado de “El Negro Jefe”, foi o habilidoso médio direito Julio Cesar Abbadie. Em 1958, finda a era Obdulio Varela, chegou para substituí-lo, como o maestro do time, o excelente craque e grande líder Néstor Tito Gonçalves. Guarnecendo o g0 ol, no lugar do espetacular Máspoli, firmou-se o “homem-gato” Luís Maidana; na posição de Abbadie, que fora para a Itália, passou a brilhar Luís Cubilla, descoberto no Equador pelo técnico Hugo Bagnulo. Esse treinador foi o responsável pela conquista dos títulos de 1958 e 1959,


comandando um time que contava, também, com William Martinez e o atacante Hohberg. Com o sucessor de Bagnulo, o argentino Hector Scarone, antigo lateral direito do próprio “Pañarol” nos anos 40, a equipe adquiriu maior maturidade e conquistou a Copa Libertadores da América em 1960 e 1961. Venceu ainda, de forma categórica, o Benfica de Portugal, que contava com o extraordinário Eusébio, na disputa da Copa Intercontinental de 1961. A supremacia aurinegra no campeonato uruguaio foi interrompida, em 1963, quando o “Nacional” foi o vencedor. Logo no ano seguinte, entretanto, o “Peñarol” voltou a ser o campeão, repetindo o feito em 1965. Após esse bicampeonato aurinegro, a vitória voltou a sorrir para o tricolor, campeão de 1966. Novo bicampeonato do “Peñarol” em 1967/68, seguido por um tetra do rival (1969/70/71 e 72). Logo depois desse período de domínio do “Nacional”, o aurinegro conquistou o tricampeonato de 1973, 1974 e 1975. Derrotado pelo “Real Madrid” em 1960, o “Peñarol” vingou-se em 1966, vencendo-o na disputa da Copa Intercontinental de 1966. Sob o comando do agora técnico Roque Máspoli, a equipe aurinegra contava com a classe do excelente goleiro Mazurkiewicz, a segurança na defesa proporcionada por Pablo Forlan, a excelência refinada do meio campo composto por Gonçalves, Cortes, Abbadie e Pedro Rocha, e a efetividade do ataque onde pontificava o goleador Spencer, bem secundado por Joya e Sasia. Em 1971, o tricolor “Nacional” conquistou sua primeira Copa Libertadores, vencendo, na final, o “Estudiantes” da Argentina. Em seguida, venceu o “Panathinaikos” da Grécia, conquistando, também, sua primeira Copa Intercontinental. Em 1975, destacou-se no time campeão do “Peñarol” o atacante Fernando Morena, apelidado de “El Potro”, artilheiro da competição, com 34 gols marcados. Aliás, Nando, como a torcida também o aclamava, foi o maior goleador do campeonato uruguaio por sete vezes, das quais seis consecutivas (1973, 1974, 1975, 1976, 1977 e 1978). Finalmente, o campeonato uruguaio de 1976 teve um vencedor diferente. O clube autor da façanha foi o “Defensor”. Entretanto, o “Nacional” voltou a conquistar o título, em 1977, e o “Peñarol”, em 1978. O aurinegro foi vitorioso, novamente, no ano seguinte e o tricolor fechou a

década, como o campeão de 1980. O “Nacional” foi, também em 1980, o vencedor da Libertadores, derrotando a equipe brasileira do “Internacional” de Porto Alegre, na final. O time tricolor, sob o comando do técnico Juan Martin Mujica, teve a seguinte escalação: Rodolfo Rodriguez; José Moreira, Juan Blanco, Hugo De León e Washington González; Eduardo De La Peña, Victor Espárrago e Arsenio Luzardo; Alberto Bica, Waldemar Victorino e Julio César Morales. Nesse período de trinta anos, a seleção uruguaia conquistou os campeonatos sul-americanos de 1956 e 1967. Ficou com o 4º lugar da Copa do Mundo de 1954, na Suíça; não conseguiu a qualificação para a Copa de 1958; obteve a 13ª posição, em 1962, no Chile; classificou-se em 7º, no campeonato mundial de 1966, na Inglaterra; foi, novamente, a 4ª colocada no México, em 1970; chegou, outra vez, em 13º lugar, na Copa de 1974, na Alemanha; e, mais uma vez, não logrou a qualificação para a Copa de 1978. Ladislao Mazurkiewicz Iglesias, filho de um imigrante polonês, nasceu em Piriápolis, balneário uruguaio a cerca de 100 km da capital, no dia 14 de fevereiro de 1945. Começou a jogar, em 1962, no “Racing Club” de Montevidéu. Mesmo atuando em um clube pequeno, foi convocado para a seleção juvenil do Uruguai que venceu o sul-americano da categoria, em 1964. O jovem goleiro demonstrou grande agilidade e segurança, despertando a atenção do “Peñarol” que o contratou para ser o reserva de Maidana. Em 1965, teve a oportunidade de enfrentar o “Santos” na partida desempate, em Montevidéu, das semifinais da Libertadores e sua excelente atuação garantiu a vitória do aurinegro uruguaio por 2x1 e assegurou-lhe a posição de titular, daí em diante. No ano seguinte, o “Peñarol” conquistou a Libertadores e foi campeão mundial interclubes, ao vencer o “Real Madrid” por 2x0, no Estádio Santiago Bernabéu, com soberba atuação de Mazurkiewics. Pela seleção uruguaia, ainda em 1966, disputou a Copa do Mundo da Inglaterra. Em 1967, foi campeão sul-americano. Nesse mesmo ano, ficou 985 minutos no campeonato uruguaio sem tomar gol. Voltou a defender o Uruguai na Copa de 1970, sendo considerado o melhor guardião da competição. Em 1972, transferiu-se para o “Atlético Mineiro”, de Belo Horizonte. A Copa do Mundo de 1974 foi sua última participação pela seleção uruguaia. Ainda jogou pelo “Granada”, na Espanha, e pelo “América” de


Cali, na Colômbia. Em 1980, retornou ao “Peñarol” e guardou as luvas, aos 35 anos. Pedro Virgilio Rocha Franchetti nasceu em Salto, cidade uruguaia na fronteira com a Argentina, no dia 3 de dezembro de 1942. Iniciou sua atividade como futebolista no pequeno “Peñarol” de sua cidade natal. Logo, porém, o brilho do futebol desse meia atacante destro, com 1,81 m de altura e 78 kg de peso, despertou o interesse do grande “Peñarol” de Montevidéu. Com os “carboneros”, Pedro Rocha foi sete vezes campeão uruguaio (1960, 61, 62, 63, 64, 67 e 68), três vezes vencedor da Copa Libertadores (1960, 61 e 66) e duas vezes campeão mundial interclubes (1961e 66). Pela seleção uruguaia, disputou quatro Copas do Mundo (1962, no Chile; 1966, na Inglaterra; 1970, no México; e 1974, na Alemanha). Após o campeonato mundial de 1970, transferiuse para o “São Paulo”. No tricolor paulistano, conquistou dois títulos estaduais (1971 e 75) e um vice-campeonato da Libertadores (1974). “El Verdugo” Rocha foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1972, empatado com Dario, o “Dadá Maravilha”, do “Atlético Mineiro” (17 gols); venceu, também, a disputa pela artilharia da Copa Libertadores de 1974 (sete gols). Entre 1971 e 1977, defendeu as cores vermelha, branca e preta em 375 jogos e marcou 113 tentos. No futebol brasileiro, atuou ainda pelo “Coritiba”, “Palmeiras” e “Bangu”. Waldemar Victorino Barreto, nascido no dia 22 de maio de 1952, em Montevidéu, iniciou sua trajetória no pequeno “Cerro” onde jogou de 1969 até 1973. Passou a atuar pelo também modesto “Progresso” em 1974. A partir do ano seguinte, defende o “River Plate” de Montevidéu, que, em 1978, vence a Série B do Campeonato Uruguaio, tendo o atacante Waldemar Vitorino como sua grande figura. Assim, foi contratado pelo “Nacional”, em 1979, e se torna o artilheiro da Série A do Campeonato, nesse mesmo ano. Em 1980, o tricolor sagra-se Campeão do Uruguai e vence a Libertadores, com Victorino sendo o artilheiro do certame, marcando inclusive o gol do título contra o “Internacional” gaúcho que tinha Falcão em suas fileiras. Em seguida, marca também o gol decisivo na vitória sobre o time inglês do “Nottingham Forest” que significa a conquista do Mundial Interclubes pela equipe “La Blanca”. No ano seguinte, com a “Celeste Olímpica”, vence o Mundialito, sendo novamente o artilheiro da competição e autor do gol do título na final

com o Brasil. Ainda em 1981, vai para o “Deportivo Cali” da Colômbia. Retorna ao “Nacional” em 1982, mas logo se transfere para o “Cagliari” da Itália, onde permanece até 1983. Em seguida, vai para a Argentina, onde atua pelo “Newell’s Old Boys” (1983-1985) e “Colón” (1985-1986). Seu destino seguinte é o Equador onde jogou pela LDU de Portoviejo (1986-1987). Continuando seu périplo pela América do Sul, apoós curta passagem pelo “Marítimo” de Caracas em 1988, passa a jogar pelo “Sport Boys” do Perú, nesse mesmo ano. Finalmente, encerrou sua carreira no “Defensor” de Lima, tendo sido o artilheiro do campeonato peruano de 1989, com 19 gols. Continuou, porém, ligado ao futebol como técnico, tendo sido treinador da LDU de Quito, entre outras equipes do Equador e do México. Entre 1981 e 1991, o “Peñarol” foi campeão quatro vezes (1981, 1982, 1985 e 1986) e o “Nacional”, apenas uma (1983). Os outros títulos foram conquistados pelos seguintes clubes: “Central Español”, em 1984; “Defensor”, em 1987; “Danúbio”, em 1988; “Progresso”, em 1989; “Bella Vista” em 1990; e “Defensor”, em 1991. Entretanto, a partir de 1992 até 2003, a hegemonia dos campeonatos uruguaios voltou a ser partilhada exclusivamente pelo “Peñarol” (sete títulos: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1999 e 2003) e “Nacional” (cinco títulos: 1992, 1998, 2000, 2001 e 2002). O “Danúbio” voltou a vencer em 2004; o “Nacional” retomou a supremacia, conquistando o campeonato de 2005. A exemplo dos calendários europeus, o campeonato uruguaio passou s ter início em um ano (“apertura”) e término no seguinte (“clausura”). Assim, o time tricolor foi, mais uma vez, bicampeão, ao ser vitorioso na temporada 2005/06. O campeão seguinte foi, outra vez, o “Danúbio” (2006/07). O “Defensor” repetiu as façanhas de 1987 e 1991, vencendo o campeonato da temporada 2007/08. No campeonato 2008/09, os louros da vitória couberam ao “Nacional”. O “Peñarol” conquistou o título da temporada 2009/10. Em 1982, o “Peñarol” venceu, pela quarta vez, a Copa Libertadores, derrotando na partida final o “Cobreloa” do Chile, com um gol de Fernando Morena no último minuto do jogo. No fim do mesmo ano, disputou, no Japão, o título Intercontinental contra o time inglês do “Aston Villa”, vencendo-o por 2x0, com gols do brasileiro Jair e de Walkir Silva.


A quinta Libertadores dos carboneros veio em 1987, com uma vitória por 1x0 no jogo desempate contra o colombiano América de Cali, realizado na cidade neutra de Santiago do Chile, com o único gol do jogo sendo assinalado por Diego Aguirre, apelidado “La Fiera”, nos acréscimos do segundo tempo. No ano seguinte, a Copa Libertadores foi conquistada, pela terceira vez, por outro clube uruguaio, o rival “Nacional”. O time tricolor venceu o argentino “Newell’s Old Boys” por 3x0, com gols marcados por Ernesto “Pinóquio” Vargas, Hugo de León e Santiago Ostolaza. Ainda em 1988, venceu o “PSV Eindhoven” da Holanda, conquistando, também pela terceira vez, o título Intercontinental. Em 1989, o tricolor do Uruguai ganhou a Recopa Sul-Americana, derrotando o “Racing” da Argentina e obtendo assim a Tríplice Coroa: Libertadores 88, Intercontinental 88 e Recopa 89. Sob o comando inicial do técnico Gregorio Pérez e, depois, de Jorge Fossati, o “Peñarol” armou um grande time que foi pentacampeão, de 1993 a 1997, e no qual de destacaram os seguintes jogadores: Nelson Gutierrez, Pato Aguilera, Carlos De Lima, De los Santos, Perdomo e “El Professor” Pablo Bengoechea (presente nas cinco campanhas). Em termos de campeonatos mundiais, a participação do selecionado uruguaio foi bastante discreta nos últimos trinta anos. Não se qualificou para a Copa de 1982, na Espanha; ficou em 16º lugar nas Copas de 1986, no México, e de 1990, na Itália; novamente não conseguiu sua qualificação para as Copas de 1994, nos Estados Unidos e de 1998, na França; obteve a 26ª posição na Copa de 2002 (Japão e Coréia do Sul); não se qualificou, outra vez, para a Copa de 2006, na Alemanha; na Copa da Áfica do Sul, em 2010, fez melhor figura: 4º lugar, com destaque para o atacante Diego Fórlan. A “Celeste Olímpica” foi a campeã da Copa América nos anos de 1983, 1987 e 1995. No período de 1981 a 2010, foram importantes para o futebol uruguaio jogadores que brilharam no próprio país e/ou no exterior, entre os quais os seguintes. Rodolfo Sergio Rodriguez y Rodriguez, ou simplesmente Rodolfo Rodriguez, nasceu em Montevidéu, no dia 20 de janeiro de 1956. Iniciou a prática do futebol aos quinze anos, no “Cerro”, em 1971. Começou a

carreira profissional no próprio “Cerro”, em 1976. Logo, esse fantástico goleiro de 1,91m de altura e 90 kg de peso, que veio a ser chamado de “O Paredão”, foi contratado pelo “Nacional”. No clube tricolor do Uruguai, foi campeão da Copa Libertadores da América e da Copa Intercontinental em 1980, além de ter vencido o campeonato uruguaio em 1977, 1980 e 1983. Pela Seleção Uruguaia, foi campeão do Mundialito, em 1983. Jogou 70 partidas pela celeste entre 1976 e 1986. Transferiuse, em 1984, para o “Santos”, onde fez grande sucesso, permanecendo até 1988. Conquistou o campeonato paulista de 1984, a Copa Kirin, no Japão, em 1985 e o Torneio Cidade se Marseille, na França, em 1987. Entretanto, o episódio mais marcante de suas atuações na equipe praiana foi a sequência de defesas por ele realizadas no dia 14 de julho de1984, no Estádio da Vila Belmiro, em jogo contra o “América” de Rio Preto. Foram cinco defesas consecutivas, aparentemnte impossíveis, de chutes quase indefensáveis. Recentemente, no dia 19 de julho do corrente ano de 2010, Rodolfo foi homenageado, com uma placa referente a esse feito, pelo “Santos” que, no final de 2009, já o escolhera como seu jogador símbolo do período 1971-1990. De 1988 a 1990, Rodriguez atuou pelo “Sporting” de Lisboa. Retornou ao Brasil, para defender a “Portuguesa” de S. Paulo (1991-1992) e o “Bahia” (1992-1994), onde encerrou sua brilhante carreira. Hugo Eduardo de León Rodrigues, o Hugo de León, nasceu em 27 de fevereiro de 1958, na cidade de Rivera. Revelado pelo Nacional, esse zagueiro de 1,87m de altura logo assumiu como titular e capitão do time. Pela equipe tricolor, foi Campeão da Copa Libertadores e da Copa Intercontinental em 1980, além de ter conquistado o campeonato uruguaio em 1977 e 1980. Pela Seleção Uruguaia, venceu o Mundialito, no mesmo ano. Logo em seguida, foi contratado pelo “Grêmio”. No tricolor gaúcho, foi Campeão Brasileiro em 1981 e conquitou, novamente, a Copa Libertadores e a Intercontinental, em 1983. No ano seguinte, transferiu-se para o “Corinthians” de S. Paulo. Defendeu o “Santos” em 1986, e foi atuar no “Logroñés” da Espanha, em 1987. Retornou ao Uruguai e ao seu clube de origem, para, mais uma vez, participar das vitórias do “Nacional” na Copa Libertadores e Copa Intercontinental, de 1988; e, ainda, conquistar a Recopa Sul-Americana, em 1989. Transferiu-se, em seguida, para o “River Plate” da Argentina, pelo qual


foi bicampeão argentino (1989 e 1990) e, em 1991, voltou ao Brasil, para defender o “Botafogo”. Ainda no mesmo ano, trocou o alvi-negro carioca pelo japonês “Toshiba”. De volta ao tricolor do Uruguai, conquistou mais um campeonato local, em 1992 e pendurou as chuteiras, no ano seguinte. Contiuou ligado ao futebol como técnico, tendo atuado no “Fluminense” do Rio de Janeiro; no “Nacional” de Montevidéu, vencendo os campeonatos de 1998, 2000 e 2001; no “Monterrey” do México; e no “Grêmio” do Rio Grande do Sul. Pablo Javier Bengoechea Dutra, o Pablo Bengoechea, apeidado de “El Profesor”, nasceu em Rivera, no dia 27 de junho de 1965. Iniciou-se no futebol no pequeno clube “Oriental”. Profissionalmente, começou sua carreira no “Wanderers” onde jogou de 1985 a 1987. Transferiu-se para o “Sevilla” da Espanha, onde disputou 135 partidas, marcando 26 gols, de 1987 a 1992. Foi convocado para a Seleção Uruguaia, pela primeira vez, em 1987. Participou da Copa do Mundo de 1990 e de três edições da Copa América. Despediu-se da celeste em 1995. Deixou a Espanha em 1992, para atuar pelo ‘Gimnasia” da Argentina. Em 1993, foi contratado pelo “Peñarol” onde permaneceu dez anos e atingiu o ápice de sua trajetória futebolística. Participou das cinco conquistas do pentacampeonato “carbonero”, de 1993 a 1997. Realizou, ao todo, 245 jogos pelo aurinegro, assinalando 82 gols. Foi um atacante extremamente habilidoso que se aposentou em 2003, aos 38 anos de idade. Diego Forlán Corazo nasceu no dia 19 de maio de 1979, em Montevidéu. Filho do também craque Pablo Forlán, começou nas categorias de base do “Peñarol” e, ainda juvenil, jogou no uruguaio “Danubio” e na equipe argentina do “Independiente”, apelidada de “Diablos Rojos”, onde se profissinalizou. Despertou o interesse do “Manchester United”, equipe inglesa cuja alcunha é “Red Devils”. Assim, Dieguito deixou de ser um diabo vermelho argentino para ser um diabo vermelho inglês. Entretanto, esse atacante de 1,80m de altura não foi feliz na Inglaterra, ficando na reserva do “United”. Em decorrência, foi cedido ao “Villareal” espanhol, em 2004. Em sua primeira temporada na Espanha (2004-05) o “Villareal” fez uma boa campanha e participou da Champions League, chegando às semi-finais. Diego Forlán conquistou, junto com Thierry Henry, a Chuteira de Ouro, como maior artilheiro das ligas européias. Em 2007, transferiu-se para o “Atlético de Madrid” e, na

temporada 2008-09, marcou 35 gols em 45 partidas, ganhando novamente a Chuteira de Ouro, sozinho, dessa vez Pela Seleção Uruguaia, disputou as Copas do Mundo de 2002 e 2010 (o Uruguai não conseguiu a qualificação para a Copa de 2006). O ano de 2010 foi extremamente feliz para Forlán. Ele foi fundamental para a vitória do “Atlético de Madrid na UEFA Europa League, marcando os dois gols decisivos contra o “Fulham” da Inglaterra. Com a equipe madrilenha, venceu também a UEFA Super Cup de 2010. Na Copa do Mundo, foi um dos esteios da celeste olímpica, que apóa muitos anos de ostracismo, conquistou o quarto lugar. Com 5 gols, foi um dos artilheiros do torneio e recebeu a Bola de Ouro como o melhor jogador da competição.

FELIZ ANIVERSÁRIO, RODOLFO Para comemorar seu 36º aniversário, no dia 21 de outubro, Rodolfo convidou seus novos amigos velhos para saborearem pizzas no Comércio Local da QI 11, que os antigos insistem em chamar de Gilbertinho. Após os cumprimentos e votos de felicidades, antes mesmo de serem servidas as deliciosas pizzas calabresa e portuguesa, Cristiano comunicou: _Eu gostaria de ouvir os comentários de vocês sobre a história do futebol uruguaio, que mandei por e-mail. _ È impressionante como a Seleção Uruguaia, após suas brilhantes conquistas na primeira metade do Século XX, teve uma participação quase inexpressiva nas Copas do Mundo da segunda metade, comentou Pedro Paulo. _É verdade, concordou o Marcos, mas continuou: _Entretanto, seus clubes, o “Nacional” e o “Peñarol”, ambos tiveram sucessos significativos nas disputas da Libertadores e nos confrontos com os europeus, em diversas edições da Copa Intercontinental. _Além disso, o futebol uruguaio continuou a ser um celeiro de grandes jogadores. É muito grande o número de craques uruguaios atuando na Europa, complementou Rodolfo. _ E, também, o Brasil importou excelentes jogadores do Uruguai. Além de Pedro Rocha, Hugo de León e Rodolfo Rodriguez, cujos dados biográficos constam do texto que nos foi enviado, lembro-me do artilheiro


da celeste Javier Ambrois, que, contratado pelo “Fluminense”, marcou gols importantes pelo tricolor, apesar de ter ficado pouco tempo no Rio, afirmou o Roberto Mauro. Cristiano puxou pela memória e acrescentou: _ Também o goleador Fernando Morena atuou no Rio de Janeiro, jogando pelo Flamengo, embora sem muito brilho. _ Não podemos nos esquecer do “Loco” Abreu, que está sendo um dos destaques do “Botafogo”, neste “Brasileirão” 2010, complementou o Brian Butler. _ Bem, acho que precisamos encerrar o papo futebolístico e comemorarmos o aniversário do Rodolfo, sugeriu o Cristiano. _ Sim, mas antes temos que definir quem será o responsável pelo próximo relato que deverá abordar o futebol alemão, interveio Marcos. _Como o meu bisavô, por parte de mãe, era alemão, nascido na região da melhor cerveja e do melhor futebol, a Baviera, proponho-me a fazer o estudo, candidatou-se Roberto. Os aplausos que se seguiram, significaram a aprovação geral.

O FUTEBOL NA ALEMANHA (1900 – 2010) Como em outros países, o futebol foi introduzido na Alemanha, no século XIX, por influência inglesa. No início do ano de 1900, foi possível a criação de uma associação, em nível nacional, a “Deutscher Fussball Bund”, congregando nada menos que 86 clubes. A DFB, fundada em 28 de janeiro de 1900, na cidade de Leipzig, foi desde o início, uma federação de associações regionais. O primeiro vencedor de um campeonato nacional reconhecido foi o “Leipzig” que derrotou o “Praga” por 7x2 no dia 31 de maio de 1903, em Altona. A jovem associação alemã permitia a participação de equipes estrangeiras, da mesma etnia, em seu campeonato. Por isso, foi possível ao “Praga”, do Império Austro-Húngaro, disputar o título de campeão alemão de futebol. Somente após 1904, essa prática foi interrompida em decorrência da filiação da DFB à FIFA, que exigia o caráter estritamente nacional aos seus membros. De 1903 a 1944, o troféu em disputa era o chamado Vitória (“Viktoria

Meisterschaftstrophäe”). Inicialmente esse troféu foi concebido para ser concedido, alternadamente em bases anuais, ao campeão de futebol da DFB e ao vencsdor do campeonato de “rugby” promovido pela união nacional desse esporte. Entretanto, em face da predominância popular obtida pelo futebol, o troféu passou a se exclusivo da “Deutscher Fussball Bund”. Em 1908, o Príncipe Guilherme da Prússia doou um outro troféu para ser disputado pelas equipes regionais de futebol, numa competição chamada “Kronprinzenpokal”. O primeiro jogo oficial do selecionado nacional alemão aconteceu em 5 de abril de 1908, na cidade de Basiléia, na Suiça, contra a seleção desse pequeno país vizinho. O resultado foi: Suíça 5 x 3 Alemanha. A maior derrota internacional da seleção alemã foi para a Inglaterra, por 9x0, na cidade inglesa de Oxford, no dia 13 de março de 1909. Três anos depois, no dia 1º de julho de 1912, ocorreu a maior vitória, em Estocolmo, na Suécia, onde a Alemanha derrotou a Rússia por 16x0. O campeonato alemão de futebol foi interrompido entre 1914 e 1918, por motivo da I Guerra Mundial; e entre 1944 e 1946, por causa da II Guerra Mundial. A última disputa do troféu Vitória ocorreu na temporada 1943/44 quando o “Dresdner” derrotou o “Luftwaffen Hamburg” por 4x0 no Estádio Olímpico de Berlim. Com a confusão decorrente da derrota alemã na guerra, o troféu sumiu e só foi encontrado décadas mais tarde em um cofre de um banco na Alemanha Oriental. Nesse ínterim, foi crisdo um outro troféu, denominado Prato do Campeonato e apelidado de tigela de salada, que entrou em disputa a partir de 1949. Após o término da primeira guerra, havia 150.000 jogadores de futebol registrados na Alemanha, em1919. Por volta de 1932, esse número subiu para mais de um milhão. Entretanto, ainda predominava o espírito do amadorismo. No início dos anos 30, o presidente Felix Linnemann, da DFB, pugnou pela criação de uma liga profissional, da qual participariam as melhores equipes do país. A idéia foi rechaçada pelas associações regionais que dominavam o esporte e receiavam perder esse controle. O primeiro técnico da seleção alemã foi Otto Nerz, um professor de Mannheim que desempenhou essa função de 1923 sté 1936. A federação alemã (DFB) não teve condições de custear a viagem da sua equipe até o Uruguai, para disputar a Copa do Mundo de 1930, em plena era de depressão econômica mundial, fruto da quebra da Bolsa de New


York em 1929. Assim, sua primeira Copa do Mundo foi a da Itália, em 1934, quando a Alemanha conquistou o terceiro lugar. Entretanto, a participação do futebol alemão nas Olimpíadas de 1936, em Berlim, foi decepcionante. Em decorrência, Sepp Herberger assumiu como técnico e armou uma nova equipe que, logo em 1937, conquistou expressiva vitória sobre a Dinamarca, por 8x0, na cidade alemã de Breslau, hoje Wroclaw (Polônia). No entanto, na Copa de 1938, a seleção alemã, embora reforçada por alguns jogadores da Áustria, que havia sido anexada em março de 1938, perdeu, em Paris, para a Suíça por 4x2 no jogo desempate, uma vez que a primeira partida terminara empatada em 1x1. Dessa forma, foi eliminada logo na primeira fase. O regime totalitário nazista estendeu seus tentáculos às instituições sociais em todos os seus níveis, incluindo as ligas de futebol. Muitas associações esportivas foram dissolvidas ou substituídas por organizações de cunho nazista. Muitos clubes de futebol cumpriram as ordens do regime no sentido de expurgar os judeus de seus quadros sociais. Entre as poucas exceções que procuraram resistir a essas pressões, estavam o “Bayern München” e o “Alemannia Aachen”. Sob o comando de Hans Von Tschammer, indicado pels nazistas, organizações esportivas independentes foram transformadas em departamentos de uma nova organização denominada “Deutscher Reichsausschuss für Leibesübungen” (comitê para educação física do Terceiro Reich). A “Deutscher Fussball Bund – DFB” foi perdendo gradualmente sua independência e foi absorvida por esse poderoso comitê. Assim, o futebol foi reorganizado e os clubes divididos em dezesseis regiões (“gaue”) que compunham a chamada “Gauliga” que existiu entre 1933 e 1945. O efeito acabou sendo positivo para o futebol germânico. Antes de1933, aproximadamente 600 agremiações competiam na elite do futebol. A reorganização das ligas as reduziu para cerca de 170 equipes e elevou significativamente o nível do campeonato. Foi o início de um processo de consolidação da enormidade de pequenas ligas regionais que culminou em uma estrutura nacional com um campeonato unificado mais forte. A Copa da Alemanha foi criada em 1935, Denominada inicialmente “Tschammerpokal” (até 1943), seu primeiro ganhador foi o “FC Nuremberg”. Posteriormente, continuou a ser disputada sob o nome de Taça Hans Von Tschammer.

O “FC Schalke 04” dominou o cenário do futebol alemão durante o período nazista e sua equipe era freqüentemente usada para fins de propaganda do regime, como exemplo da Nova Alemanha. À medida que o Terceiro Reich expandia suas fronteiras por meio de conquistas militares, times da Áustria, Polônia, Tchecoslováquia, Alsácia-Lorena e Luxemburgo eram incorporados à “Gauliga”. Assim, o “Rapid” de Viena venceu a copa germânica em 1938 e o campeonato nacional em 1941, com uma vitória na final sobre o “Schalke 04” por 4x3. Durante a guerra, o futebol foi usado como reforço moral para o ânimo da população e foi subsidiado pelo sistema político vigente. Muitas equipes receberam o patrocínio direto de organizações militares, como a Luftwaffe (Força Aérea) ou a temível SS. Quando a maré da guerra voltou-se contra a Alemanha, a “Gauliga” começou a se enfraquecer, pois muitos jogadores foram chamados ao serviço militar, outros morreram em decorrência dos conflitos em território alemão ou ocupado, estádios foram bombardeados e as viagens ficaram difíceis. Dessa forma, as dezesseis ligas regionais (“Gauligen”) foram obrigadas a se fracionar em mais de trinta ligas menores, restritas a circuitos de âmbito mais local. O nível dos jogos se deteriorou e os placares mais elásticos tornaramse comuns. O recorde das goleadas foi edtabelecido pelo “Germania Mudersbach” que venceu o “FV Engen” por 32x0. O último jogo oficial realizado na época do III Reich ocorreu em 23 de abril de 1945, quando o “Bayern München” derrotou por 3x2 o “1860 München”. Menos de três semanas depois, a Alemanha rendeu-se. Imediatamente após a guerra, a Alemanha viu-se dividida em duas partes: a ocidental e a oriental. Sob a ocupação aliada, todas as organizações sociais, incluindo clubes e associações esportivas, foram inicialmente fechadas. No entanto, decorrido apenas um ano, nas zonas de ocupação americana, britânica e francesa, foram permitidas as organizações exclusivamente esportivas, sem vinculações políticas, e muitos clubes de antes da guerra voltaram à atividade. A “Gauliga” foi substituída pela “Oberliga”, organizada em bases regionais, inicialmente no Sul e Sudoeste. Logo, Berlim e outras regiões se incorporaram à nova organização, de modo que, em 1948, foi realizado o primeiro campeonato nacional da Alemanha Ocidental que teve como vencedor o “FC Nuremberg” derotando por 2x1, no jogo final, o “FC Kaiserslauten”.


Na Alemanha Oriental, foi criada, em 1949, outra “Oberliga”, que ficou conhecida como “DDR – Oberliga”. A Copa da Alemanha, criada antes da guerra, teve sua disputa reiniciada, na Alemanha Ocidental, tendo registrado, em 1953, a vitória do “Rot-Weiss” de Essen contra o “Alemannia Aachen”, por 2x1. No decorrer doa anos 50, houve sucessivas tentativas de se criar uma liga profissional, reabrindo uma discussão que começara 20 anos antes e fora interrompida pela II Guerra Mundial. Os times alemães começaram a sofrer com o êxodo de seus melhores jogadores para outros países europeus onde já havia, há muito tempo, o futebol profissional. A campanha pela formação de um campeonato nacional em bases profissionais foi liderada pelo técnico da Seleção Alemã Sepp Herberger. A despeito de ser ainda uma equipe semiprofissional, a Alemanha Ocidental conseguiu conquistar a Copa do Mundo de 1954, superando a poderosa Hungria, na final, por 3x2. Esse campeonato mundial, realizado na Suíça, teve como característica o elevado número de gols marcados: 140 em 26 jogos, resultando em uma média de 5,38 tentos por partida. Esse recorde foi proporcionado, sobretudo, pela fantástica equipe magiar que tinha, como seu maior astro, o extraordinário Ferenc Puskás, bem secundado por Sándor Kocsis e Zoltán Czibor. O time húngaro assinalou 27 gols em 5 partidas (média de 5,4). Entretanto, o time alemão, capitaneado pelo craque e cérebro da equipe Fritz Walter, que contou com a colaboração de seu irmão Ottmar Walter, também ótimo jogador, e do excelente Helmut Rahn, não ficou muito atrás: 25 tentos em 5 jogos (média de 5,0). Apóa classificar-se em primeiro lugar na sua chave das eliminatórias, superando Sarre (região germânica, sob domínio da França, à época) e Noruega, a Alemanha Ocidental foi incluída, juntamente com a Coréia do Sul, no Grupo 2 da competição, que tinha Hungria e Turquia, como cabeças de chave. Em 17 de junho de 1954, a Alemanha enfrentou e venceu a Turquia por 4x1, sendo os seus gols assinalados por Schäfer, Klodt, O. Walter e Morlock. Três dias depois, em 20 de junho, coube à equipe germânica encarar a favoritíssima seleção magiar. Precavidamente, e seguro de conseguir a classificação como segundo colocado do grupo, o técnico Herberger escalou um time misto, recheado de reservas. Logicamente, os húngaros venceram por goleada: 8x3. Os gols alemães foram da autoria de Pfaff,

Rahn e Herrmann. Como a Turquia derrotou a Coréia do Sul por 7x0, classificou-se em segundo lugar do grupo, empatada com a Alemanha (ambas com uma vitória e uma derrota, em seus dois jogos). Assim, houve a necessidade de um terceiro jogo para desempate. Realizado em 23 de junho, o resultado foi Alemanha 7x2 Turquia, conforme esperado por Herberger. Os gols alemães foram marcados por: Ottmar Walter, Schäfer (2), Morlock (3) e Fritz Walter. Dessa forma, a seleção germânica avançou para as quartas-de-final. Nessa fase, derrotou a Iugoslávia, no dia 27 de junho, por 2x0 (gols de Rahn e Orvat – contra). O jogo seguinte, em 30 de junho, já foi uma semifinal, na qual a Alemanha Ocidental superou a Áustria por 6x1, com gols de Schäfer, Morlock, Fritz Walter (2) e Ottmar Walter (2). Cerca de 60.000 pessoas compareceram ao Estádio Wankdorf, em Berna, no dia 4 de julho de 1954, para assistirem ao jogo final entre Hungria e Alemanha Ocidental. Os húngaros estavam invictos há trinta e duas partidas e haviam goleado os adversários na primeira fase. Logo aos seis minutos de jogo, Puskas abriu o placar a favor dos magiares. Dois minutos depois, Czibor ampliou para 2x0. Parecia que ia se repetir, contra a equipe titular de Herberger, a goleada imposta ao seu time misto. A reação, porém, não se fez esperar. Max Morlock marcou aos dez minutos, diminuindo a diferença. Aos dezenove minutos do primeiro tempo, Helmut Rahn obteve o empate. Quatro gols (dois para cada lado) em menos de vinte minutos! Iríamos ter, novamente, um jogo de muitos gols, como Áustria 7x5 Suíça, acontecido poucos dias antes, pelas quartas-de-final? Não. O marcador não se alterou mais no primeiro tempo. Na etapa complementar, a Hungria teve várias oportunidades, mas não conseguiu marcar. Quando o jogo se aproximava do seu término, aos trinta e nove minutos do segundo tempo, Rahn pegou um rebote na meia lua da grande área e chutou para marcar o seu segundo gol na partida, que assegurou a vitória alemã por 3x2, realizando o que foi chamado de “O Milagre de Berna”. A seleção campeã formou com: o goleiro Turek; os defensores (zagueiros e médios) Werner Kohlmeyer, Mai, Horst Eckel, Werner Liebrich e Posipal; e os atacantes (inclusive meia de ligação) Ottmar Walter, Helmut Rahn, Schäfer, Max Morlock e Fritz Walter. Friedrich Walter, mais conhecido como Fritz Walter, nasceu em Kai-


serslautern, no dia 31 de outubro de1920. Começou sua carreira no time de sua cidade natal, o “Kaiserslautern”, em 1937. Aliás, foi esse o seu único clube. Logo, esse meia atacante esguio de 1,73m de altura demonstrou suas qualidades de exímio futebolista e sua capacidade de liderança, razões mais que suficientes para o técnico Sepp Herberger convocá-lo, aos 20 anos, para a Seleção Alemã, em 1940. Todavia, a Segunda Guerra Mundial interrompeu sua trajetória futebolística. Fritz viu-se obrigado a se alistar na brigada para-quedista do III Reich. Ao fim do conflito, retornou ao “Kaiserslautern”. As glórias de Walter só vieram após seus trinta anos. Em 1951, seu clube sagrou-se Campeão da Alemanha Ocidental, feito que repetiu, dois anos depois, em 1953. Pela seleção, participou de alguns jogos durante a guerra, entre 1940 e novembro de 1942, quando as partidas pararam de ser realizadas. Após a guerra, não foi possível à Alemanha Ocidental participar da Copa do Mundo de 1950, no Brasil, pois o processo de refiliação à FIFA ainda não havia sido ultimado. Mas, Walter participou com brilho da Copa de 1954, na Suíça. Foi o capitão e líder do “nationalmannschaft” (time nacional da Alemanha), já com 33 para 34 anos de idade. Extremamente adaptável, jogou mais avançado, conforme orientação do técnico Herberger, no jogo contra a Áustria, conquistando a vitória com o expressivo placar de 6x1. Já na final contra a Hungria, atuou mais recuado, auxiliando a defesa, e garantindo o resultado favorável de 3x2, que significou o título de Campeão do Mundo. Quatro anos depois, voltou a disputar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando a Alemanha Ocidental ficou em quarto lugar. Aposentou-se em 1959. Na comemoração do cinqüentenário da UEFA, foi escolhido como o melhor jogador alemão da primeira metade do Século XX. O estádio do seu clube “Kaiserslautern” foi batizado, em sua homenagem, como “Fritz Walter Stadion”. A surpreendente derrota da “seleção de ouro” da Hungria para o time alemão, em 1954, gerou muitos comentários na impresnsa esportiva mundial. Um dos fatores apontados como causa da vitória germânica foi a chuva. Realmente, assim como alguns pilotos de Fórmula 1 têm uma habilidade especial para superar as dificuldades de uma pista molhada, Fritz Walter era conhecido por jogar bem debaixo da chuva. Quando chove em dia de jogo, os torcedores alemães dizem: “Fritz Walter wet-

ter” (clima de Fritz Walter). Outros comentaristas citam o uso, pelos jogadores da Alemanha Ocidental, de chuteiras com travas intercambiáveis, possibilitando melhor adaptação ao gramado molhado, uma novidade tecnológica na época. Na Copa do Mundo de 1958, a seleção alemã, cujo capitão ainda era Fritz Walter, às vésperas de seu 38º aniversário, foi derrotada pela equipe anfitriã, a Suécia, nas semifinais, pelo placar de 3x1. Nesse jogo, Walter sofreu uma contusão decorrente de uma falta dura do sueco Sigge Parling, quando a peleja estava empatada em 1x1. Como não eram permitidas substituições, Fritz continuou em campo, durante os quinze minutos finais, apenas para fazer número. E também não lhe foi possível atuar no jogo seguinte, em disputa do terceiro lugar, quando a Alemanha foi derrotada pela França, por 6x3. Depois do quarto lugar conquistado em 1958, na edição seguinte, realizada no Chile, em 1962, a equipe nacional alemã perdeu para a seleção iugoslava por 1x0, não conseguindo ir além das quartas-de-final da Copa do Mundo. Essa derrota serviu como um dos impulsos para a implantação oficial do profissionalismo e a criação da “Bundesliga” ( a liga nacional profissional), em Dortmund, no dia 28 de julho de 1962. Sob a presidência de Hermann Gösmann, a DFB deu início a uma nova era. Existiam cinco “Oberligen”, representativas das regiões Norte, Sul, Oeste, Sudoeste e Berlim. Quarenta e seis clubes solicitaram suas inscrições na liga nacional. Desses, foram selecionados dezesseis, com base em seu retrospecto esportivo, situação econômica e representação das diferentes regiões. Assim, foram escolhidos, por região: “Oberliga” Norte: “Eintracht Braunschweig”, “SV Werder Bremen” e “Hamburger SV”; “Oberliga” Oeste: “Borussia Dortmund”, “FC Köln”, ”Meidericher” (atual “MSV Duisburg”), “SC Preussen Münster” e “FC Schalke 04”; “Oberliga” Sudoeste: “FC Kaiserslautern” e “FC Saarbrücken”; “Oberliga” Sul: “Eintracht Frankfurt”, “Karlruher SC”, “FC Nuremberg”, “TSV 1860 München” e “VfB Stuttgart”; “Oberliga Berlim: “Hertha BSC Berlin”. Os primeiros jogos da “Bundesliga” aconteceram no dia 24 de agosto de 1963. Foi grande o entusiasmo despertado pelo novo campeonato


nacional, disputado pelas melhores equipes do país. Considerado o favorito para vencer a competição, o “FC Köln” não decepcionou os seus torcedores e sagrou-se como o primeiro campeão, na temporada 1963/64. Entretanto, nenhum clube conseguiu se destacar como hegemônico nos anos 60. Nas sete temporadas, de 1963/64 a 1969/70, sete diferentes times conquistaram o título. Após a vitória do “Köln”, foram, sucessivamente, campeões: 1964/65, “Werder Bremen”; 1965/66, “1860 München”; 1966/67, “Eintracht Braunschweig”; 1967/68, “Nuremberg”; 1968/69, “Bayern München” (promovido à elite em 1965/66); 1969/70, “Borussia Mönchengladbach”. Nessa década, em 1964, o técnico Helmut Schön assumiu o comando da seleção nacional (“nationalmannschaft” ou “DFB auswahl”) substituindo Sepp Herberger, após 28 anos de reinado (1936- 1964) desse último. Na Copa do Mundo de 1966, a Alemanha Ocidental teve ótima participação, vencendo a União Soviética na semifinal e enfrentando a anfitriã Inglaterra, na final realizada no Estádio de Wembley. Graças a um gol marcado pelo germânico Wolfgang Weber no último minuto, foi necessária uma prorrogação para decidir o título. Durante o tempo extra, devido a um erro da arbitragem, debitado ao bandeirinha soviético Tofik Bakhramov, uma bola que não chegou a entrar foi assinalada como gol do inglês Geoff Hurst. Esse gol, apelidado de “Gol de Wembley”, teve um papel decisivo na vitória final dos ingleses por 4x2. De qualquer forma, os alemães conquistaram o honroso título de vice-campeões. No campeonato mundial de 1970, no México, a seleção da Alemanha Ocidental voltou a se apresentar bem. Após eliminar a Inglaterra nas quartas-de-final, vencendo-a, de virada por 3x2, e, de certa forma, vingar-se da derrota se 1966, coube-lhe jogar, contra a Itália, na semifinal, uma partida que se tornou, também, memorável. Quase no fim do jogo, já nos descontos, o craque alemão Karl-Heinz Schnellinger marcou o gol que empatou a partida em 1x1. Na prorrogação, ambas as equipes chegaram a comandar o marcador. Franz Beckenbauer permaneceu em campo, com o ombro deslocado e o braço amarrado ao corpo, pois a Alemsnha já fizera as duas substituições permitidas. No término do embate, o placar assinalou a vitória da “azzurra” italiana por 4x3. Essa partida, realizada no Estádio Azteca da capital mexicana, com 5 gols na prorrogação, ficou conhecida, na Itália c na Alemsnha, como o “Jogo

do Século”. Enquanto a Itália jogou e perdeu a final para o Brasil, a Alemanha enfrentou e venceu o Uruguai, por 1x0, conquistando o terceiro lugar. Além disso, seu atacante Gerd Müller foi o artilheiro do certame, com 10 gols. Uwe Seeler nasceu em 5 de novembro de 1936, na cidade portuária se Hamburgo, no Norte da Alemanha Começou a praticar futebol no “Hamburger”, da sua cidade natal, em 1946, antes de completar dez anos de idade. Permaneceu nas categorias de base desse clube até 1953, quando passou a integrar sua equipe principal. Jogou pelo “Hamburger”, seu único time durante toda a sua carreira, até 1972, disputando 810 partidas e assinalando 764 gols. Conquistou o campeonato alemão de 1978/79 e a Copa da Alemanha, três temporadas depois. Não sendo alto (1,69 m) mas dotado de grande força física, era o típico centroavante rompedor, estilo “tanque de guerra”. Foi, em oito temporadas, o maior artilheiro do campeonato alemão. Eleito, três vezes, o melhor jogador alemão do ano e , em 1960, escolhido como o terceiro melhor da Europa, Seeler teve importante participação na Seleção da Alemanha Ocidental, pela qual atuou em quatro Copas do Mundo. Em fevereiro de 1965, sofreu um susto: devido a uma ruptura do tendão de Aquiles do pé direito, teve anunciado o fim de sua carreira. Mas se recuperou e voltou a jogar em agosto do mesmo ano, a tempo de ser convocado para as elminatórias da Copa de 1966. Atuou também na Copa de 1970, porém com atribuições diferentes. Foi incumbido pelo técnico de atrair para si a marcação adversária, abrindo espaço para as finalizações de outro goleador mais jovem _ Gerd Müller. Uwe cumpriu bem sua missão; Müller foi o artilheiro da competição com dez gols, e ele próprio ainda assinalou mais três. Despediu-se da seleção após esse campeonato mundial e pendurou as chuteiras em Hamburgo, ao término da temporada seguinte de 1971/72. Já na década seguinte, 1971 a 1980, surgiram alguns destaques entre os clubes da “Bundesliga”. O “Borussia Mönchengladbach” tornou-se bicampeão, vencendo na temporada 1970/71. Seguiu-se um tricampeonato do “Bayern München” (1971/72, 1972/73 e 1973/74), sucedido por outro, do “Borussia Mönchengladbach” (1974/75, 1975/76 e 1976/77). Na temporada 1977/78, o título sorriu para o “Köln”. O campeonato 1978/79 teve o “Hamburger” como o grande vitorioso. O “Bayern


München” voltou a ser o vencedor em 1979/80. O início dos anos 70 foi marcado por um grave escândalo de manipulação de resultados, no qual estariam envolvidos os clubes “Bielefeld”, “Hertha”, “Schalke” e “Köln”. As investigações feitas pela DFB levaram ao banimento de vários jogadores, embora a maioria deles tenha tido um abrandamento da penalidade imposta. O “Bielefeld”, clube identificado como o maior responsável pelo problema, foi punido com a perda total dos seus pontos da temporada 1971/72 e rebaixado. O entusiasmo do público pelo futebol, abalado pela má conduta de clubes e jogadores, foi restaurado com o sucesso das equipes da “Bundesliga” em competições internacionais. O “Bayern München” foi tricampeão da Copa dos Campeões da Europa (1974. 1975 e 1976); e o “Borussia Mönchengladbach” venceu a Copa UEFA em 1975. A Seleção da Alemanha Ocidental, desde 1971 com o seu novo capitão Franz Beckenbauer, venceu o campeonato europeu, em sua primeira participação, no Euro 1972. O jogo final, contra a União Soviética, terminou com a vitória alemã por 3x0. Na Copa do Mundo de 1974, cujo país sede foi a própria Alemanha Ocidental, os alemães começaram derrotando o Chile, por 1x0, no dia 14 de junho; e venceram, por 3x0, a Austrália, em 18 de junho. A seguir, em 22 de junho, aconteceu um jogo marcante para os anfitriões, ainda na primeira fase, quando enfrentaram seus compatriotas do lado oriental. Como ambas as equipes já estavam classificadas para a fase seguinte, a derrota para a Alemanha Oriental por 1x0, não prejudicou a vitoriosa campanha dos futuros campeões. Pelo contrário, a classificação em segundo lugar premitiu-lhes não enfrentar, logo na fase seguinte, o Brasil (detentor do título de 1970) e a Holanda, grande revelação, com o inovador “carrossel” implantado pelo técnico Rinus Michels. Assim, a Alemanha Ocidental enfrentou e venceu a Iugoslávia, por 2x0, em 26 de junho; e a Suécia, em 30 de junho, por 4x2. No dia 3 de julho, choveu muito em Frankfurt, o que retardou em meia hora o início da partida contra a Polônia. Com o campo muito molhado e num jogo bastante equilibrado, a seleção alemã conseguiu a vitória por 1x0 e o direito de disputar o título. O outro jogo mais marcante desse certame, foi a partida final entre a Alemanha Ocidental e a Holanda, com seu fantástico “futebol total”,

liderada por Johan Cruijff. Mal iniciado o jogo, os “laranjas” atacaram e Cruijff foi derrubado na área. Marcado o penalti, a Holanda abriu o placar, decorrido apenas um minuto. Porém, o “nationalmannschaft” (time nacional alemão) encontrou forças para reagir ainda no primeiro tempo, empatando com um gol de Paul Breitner (também de pênalti) e virando o jogo, com o gol marcado por Gerd Müller. No segundo tempo, a “Laranja Mecânica” pressionou muito, mas o goleiro alemão Sepp Maier, com uma grande atuação, garantiu o placar inalterado. Dessa maneira, o extraordinário craque Beckenbauer, como capitão, levantou a Taça de Campeão do Mundo, perante cerca de 75.000 pessoas presentes no “Olympiastadion” de Munique. A equipe campeã, sob o comando do técnico Helmut Schön, formou com: Sepp Maier, goleiro; Berti Vogts, Hans-Georg Schwarzenbeck, Franz Beckenbauer e Paul Breitner, defensores; Rainer Bonhof, Wolfgang Overath e Uli Hoeness, meio campistas; Jürgen Grabowski, Gerd Müller e Bernd Helsenhein, atacantes. Eventualmnte, Hoeness avançava como um quarto atacante, transformando o arranjo 4-3-3 em 4-2-4. A Alemanha Ocidental, entretanto, falhou ao defender seus títulos conquistados na primeira metade da década. Perdeu para a Tchecoslováquia a final da Euro 76, por 5x3 em uma disputa de pênaltis, após um empate em 2x2 no fim do jogo. Foi eliminada na Copa do Mundo de 1978, ao perder para a Áustria por 3x2, na segunda fase. Após essa derrota, o técnico Schön aposentou-se e foi substituído por seu assistente Jupp Derwall. Sob o novo comando, a seleção alemã voltou a vencer a Euro 80, derrotando a Bélgica, na final, por 2x1. Na “Bundesliga”, as primeiras contratações de craques do exterior começaram a ser feitas na temporada 1977/78. Franz Anton Beckenbauer nasceu em Munique, na Baviera, no dia 11 de setembro de 1945. Aos 14 anos, em 1959, começou nas categorias de base do “Bayern München”, então um modesto clube de sua cidade natal. Em 1965, foi promovido à equipe principal. Logo na sua primeira temporada (1965/66), ajudou a equipe vermelha a conquistar a Copa da Alemanha. Com 1,81 m de altura e 74 kg, sua posição inicial era de volante, atuando no meio de campo, antes de se consagrar como um dos mais talentosos líberos do futebol mundial. Extremamente habilidoso, sua característica maior era, entretanto, sua extraordinária visão de jogo.


Essa qualidade, aliada à sua capacidade de liderança o levaram, logo, á seleção nacional e, posteriormente, ao posto de seu capitão. Todos esses atributos fizeram-no merecedor da alcunha de “Der Kaiser” (O Imperador). No “nationalmannschaft” (time nacional) foi vice-campeão do mundo em 1966, na Inglaterra. No retorno ao seu clube, conquistou a Recopa Européia, ao vencer o “Rangers” da Escócia, por 1x0, na prorrogação. Foi, ainda, bicampeão na Copa da Alemanha (1966/67). Outra vez na seleção, amargou uma decepcionante desclassificação para a Eurocopa 1968, ao empatar com a Albânia. Entretanto, a temporada de 1968/69 foi-lhe feliz, pois o “Bayern” venceu, pela primeira vez, o campeonato alemão da “Bundesliga” (o único título anterior era de 1932); e, mais uma vez, a Copa da Alemanha, que voltou a ser conquistada pelo seu clube em 1970/71. Em 1970, já como capitão da seleção, participou da campanha alemã na Copa do Mundo. No México, viu-se obrigado a jogar, na semifinal contra a Itália, por mais de uma hora com o ombro deslocado, pois se contundiu aos 25 minutos do primeiro tempo, mas já haviam sido feitas as duas substituições então permitidas. A Alemanha Ocidental classificou-se em terceiro lugar nesse campeonato mundial. No cenário nacional, o seu clube de Munique iniciou, em 1971, a conquista de um ticampeonato alemão (1971/72, 1972/73 e 1973/74). No campo internacional, o “Kaiser” conquistou, com a seleção, o título da Eurocopa 1972, vencendo a União Saviética, na partida final. Antes de findar o ano de 1972, foi-lhe outorgado o troféu Bola de Ouro da “France Football”, como melhor jogador da Europa. Na Copa do Mundo de 1974, sediada na Alemanha, Beckbenbauer conquistou seu maior troféu, o de Campeão Mundial. Como capitão da seleção, ele ergueu, pela primeira vez, a Taça FIFA, que substituira a Jules Rimet, conquistada de forma definitiva pelo Brasil, em 1970. O “Bayern München” iniciou, em 1974, a escalada vitoriosa de outro tricampeonato (1974, 1975 e 1976), aisda mais expressivo: o da Copa da UEFA, o mais importante torneio europeu de clubes. Essa conquista rendeu a Franz Beckenbauer sua segunda Bola de Ouro, em 1976. Nesse mesmo ano, conquistou com o seu clube, a Taça Intercontinental. Ainda em 1976, na sua despedida da equipe nacional da Alemanha Ocidental, foi vice-campeão da Eurocopa 76, perdendo a decisão nos pênaltis para a Tchecoslováquia. Em 1977, transferiu-se para o “New York Cos-

mos”, sendo campeão norteamericano em 1976/77, 1977/78 e 1979/80. Nos Estados Unidos, jogou ao lado de outras celebridades como Pelé, Neeskeens, Romerito e Marinho Chagas. Em 1980, retornou à Alemanha para jogar pelo “Hamburger”, sagrando-se campeão alemão na temporada 1981/82. Foi, novamente, para o “Cosmos” onde se aposentou, em 1983. Voltou à seleção alemã, como técnico, substituindo Jupp Derwall, em 1986. Na Copa do Mundo, realizada outra vez no México que substituiu a Colômbia, em virtude dos graves problemas econômicos enfrentados, na ocasião, pelo país aul-americano, a Alemanha, sob seu comando, foi vice-campeã, perdendo a final para a Argentina, onde despontava Maradona. Dois anos depois, ficou em terceiro lugar na Eurocopa 1988, resultado frustrante por ter sido a competição na Alemanha. Entretanto, voltou a ser Campeão do Mundo, agora como treinador, em 1990, vencendo a Argentina, por 1x0, no jogo final, disputado no Estádio Olímpico de Roma, no dia 8 de julho. Logo em seguida, foi contratado para ser o técnico do Olympique de Marseille, na temporada 1990/91. Não obteve sucesso na França e retornou à Munique, onde assumiu a presidência do “Bayern”. Conquistou, então, o campeonato alemão de 1993/94 e a Copa da UEFA de 1996, acumulando as funções de presidente e treinador. Foi, também, o Superintendente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Continua, ainda, como presidente do hoje grande clube de sua cidade natal. Gerhard Müller, ou simplesmente Gerd Müller, nasceu no dia 3 de novembro de 1945, em Nördlingen. Começou a praticar o futebol, em 1960, antes de completar 15 anos de idade, nas categorias de base do modesto clube de sua cidade natal, o “Nördlingen 1861”. Em 1963, com 17 anos, ascendeu à equipe principal e marcou 51 gols em 32 partidas oficiais, conquistando o campeonato da 7ª divisão. No ano seguinte, foi contratado por outro clube da Baviera, um pouco maior, mas ainda também modesto, na época, o “Bayern München”, então na 2ª divisão. Confirmando sua vocação para artilheiro, marcou 43 gols em 37 partidas, em sua primeira temporada no clube vermelho de Munique. Com Müller no seu ataque, o “Bayern” conseguiu sua ascensão para a “Bundesliga” (temporada 1965/66). Müller não foi muito feliz em sua primeira temporada na elite do futebol alemão. Assinalou 15 gols em 39 jogos, muito abaixo de suas marcas anteriores nas divisões inferi-


ores. Entretanto, na temporada 1966/67, marcou 48 gols em 49 partidas oficiais. Com os 28 tentos assinalados nos jogos do campeonato alemão, foi o seu artilheiro. Nessa temporada, o “Bayern” conquistou a Copa da Alemanha e o seu primeiro título internacional: a Recopa da Europa; e Gerd Müller recebeu sua primeira convocação para a seleção alemã ocidental. Sua estréia aconteceu, ainda em 1966, no primeiro jogo, após s Copa, quando a Alemanha enfrentou a Turquia. Desde criança, ele carregava o epíteto de “der Dick” (o gordo). Realmente, seu tipo físico não era o mais adequado para um jogador de futebol: 1,74 m de altura, atarracado e de pernas curtas. A sua grande capacidade de fazer gols, no entanto, fez com que o apelido pejorativo da infância fosse esquecido e substituído por outro, representativo da admiração dos torcedores: “der bomber” (o bombardeiro). O seu primeiro título de campeão nacional da primeira divisão (“bundesliga”) veio na temporada 1968/69. Pela seleção, Gerd marcou quatro dos seis gols da vitória alemã sobre a Albânia, por 6x0, em abril de 1967. Porém, participou também da decepcionante eliminação da Eurocopa 1968, quando a Alemanha Ocidental empatou com a mesma fraca equipe da Albânia. Entretanto, a decepção foi compensada pelo brilhantismo do seu clube campeão, que também venceu, mais uma vez, a Copa da Alemanha, em 1969. Na temporada seguinte (1969/70), embora sem conquistar o título, Müller foi novamente o artilheiro com 38 gols. Recebeu, então, sua primeira Chuteira de Ouro, como maior goleador da Europa, e a Bola de Ouro, por ter sido considerado o melhor jogador europeu. A “tigela de sopa’ da “bundesliga” foi ganha pelo “Bayern”, novamente, em 1972, dando início a um tricampeonato, tendo Müller como artilheiro nacional nas três temporadas (1971/72, 1972/73 e 1973/74), marcando 40, 36 e 30 gols, respectivamente. Recebeu sua segunda Chuteira de Ouro, após ter quebrado o recorde da artilharia com seus 40 tentos em um campeonato. Gerd foi, também nessas duas últimas temporadas, o maior goleador da Copa dos Campeões da UEFA, vencidas sucessivamente pelo clube rubro da Baviera. Com a camisa da seleção, “der bomber”, com dez gols, foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1970, na qual o “Nationalelf” (onze nacional) alemão conquistou o terceiro lugar. Da mesma forma, foi muito importante sua contribuição para a vitória alemã na Eurocopa 1972, quando marcou dois gols na vitória sobre os belgas, na semifinal,

e mais dois no jogo final contra a União Soviética, vencida pela Alemanha Ocidental por 3x0. Mas, sua glória maior, pela seleção, seria a conquista do título de Campeão Mundial, na Copa de 1974, registrando quatro gols de sua autoria, e totalizando sua conta pessoal de quatorze tentos, em dois campeonatos mundiais. O jogo final, contra a Holanda, vencido por 2x1, com um gol de Müller, foi sua última partida com o uniforme da Alemanha Ocidental. Em 1976, a vitória do “Bayern”, sobre o “Cruzeiro”, na disputa as Copa Intercontinental, representou para “der bomber” o seu último título de campeão. Gerd Müller continuou atuando palo clube de Munique, voltando a ser o artilheiro da “Bundesliga” em 1978, antes de deixá-lo, em 1979. Foi, então, para os Estados Unidos, contratado pelo “Fort Lauderdale Strikers”. Pendurou as chuteiras, na Flórida, em 1981. Após sua aposentadoria, teve sérios problemas de saúde, causados por alcoolismo. Curou-se, graças ao seu amigo Beckenbauer, com quem colabora, treinando as divisões de base do “Bayern”, até hoje. A década iniciada em 1981 foi caracterizada pelo incontestável domínio do “Bayern München” no campeonato nacional alemão, vencedor de seis títulos em dez disputados. Sob vários aspectos, os anos 80 foram desanimadores. A média de público presente aos jogos decresceu substancialmente ( de superior a 26.000 na temporada 1977/78 para 17.600 em 1985/86). O futebol alemão foi prejudicado pelo problema do “hooliganism”, presente em toda a Europa, e do aparecimento de grupos de torcedores neo-nazistas. Os jogos domésticos se transformaram em confrontos de força bruta, sem arte. Os melhores jogadores da Alemanha transferiram-se para a Itália, atraídos pelos ricos clubes da península. Na Copa do Mundo de 1982, a seleção germânica, após ter sido derrotada, na primeira partida, pela Argélia, por 2x1, conseguiu passar para a segunda fase, vencendo a Áustria por 1x0. Na semifinal contra a França, após um empate de 3x3 na prorrogação, ganhou a disputa nos pênaltis por 5x4. Jogou, então, a final contra a Itália, sendo derrotada por 3x1. Depois da conquista do título de vice-campeã mundial, a Alemanha decepcionou na Eurocopa 1984, sendo eliminada logo no início. O técnico Derwall foi então substituído por Bcckenbauer. Sob novo comando, a equipe alemã ocidental, fez boa campanha na Copa de 1986, vencendo novamente a França, na semifinal por 2x0. Assim, voltou a disputar o


título, jogando a partida final pela segunda vez consecutiva. Ficou novamente em segundo lugar, perdendo por 3x2 para a Argentina. O grande nome do time nacional alemão, nos campeonatos mundiais de 82 e 86, foi Rummenigge. Na Euro 88, o sonho de vencer em casa foi frustrado pela derrota na semfinal para a Holanda. A Copa do Mundo da FIFA, realizada na Itália, em 1990, caracterizouse pela atitude defensiva adotada por quase todas as seleções. A honrosa exceção foi proporcionada pela equipe de Camarões que se destacou pelo futebol alegre. Entretanto, na maioria das partidas, predominou o futebol força. A Alemanha Ocidental, sob o comando técnico de Franz Beckenbauer, chegou pela terceira vez consecutiva à final do torneio. Sua trajetória começou com a vitória, em 10 de junho, sobre a Iugoslávia, por 4x1, sendo os seus gols marcados por Lothar Matthäus (2), Jürgen Klinsmann e Rudi Völler. Na partida seguinte, em 15 de junho, aplicou uma goleada de 5x1 no time dos Emirados Árabes, com seus tentos assinalados por Völler (2), Klinsmann, Matthäus e Bein. No dia 19 de junho, enfrentou e empatou com a Colômbia por 1x1, graças ao gol marcado por Pierre Littbarski. Com esses resultados classificou-se em primeiro lugar do grupo D com 5 pontos (duas vitórias e um empate). No seu jogo das oitavas-de-final, no dia 24 de junho, com gols de Klinsmann e Brehme, derrotou por 2x1 a Holanda, Em 1º de julho, nas quartas-definal, venceu a Tchecoslováquia por 1x0 (gol de Matthäus, cobrando pênalti). Em jogo emocionante, na fase de semifinais, no dia 4 de julho, houve um empate entre a Inglaterra e a Alemanha, por 1x1, com o gol alemão sendo da autoria de Andreas Brehme. Na disputa dos penaltis, o time inglês desperdiçou duas das cinco cobranças (uma pars fora e outra defendida pelo goleiro Bodo Illgner). A equipe germânica efetuou quatro cobranças, convertendo-as todas por intermédio de Brehme, Matthäus, Riedle e Thon. O duelo final, outra vez contra a Argentina, aconteceu no dia 8 de julho, perante mais de 73.000 torcedores, no Estádio Olímpico de Roma. Dessa vez, finalmente, em sua terceira disputa consecutiva do título mundial, a Alemanha Ocidental levou a melhor, superando o time de Maradona, por 1x0 com um gol de Brehme, cobrando um pênalti, aos 85 minutos. Assim, a equipe alemã conquistou sua terceira Copa do

Mundo, com um sabor de revanche sobre os platinos, vitoriosos em 1986. O onze alemão era extremamente sólido, a começar por seu goleiro Illgner e o capitão Matthäus, contando ainda com os astros Klinsmann, Völler, Littbarski, Brehme, Kohler e Hässler. Seu técnico Beckenbauer, que fora campeão como jogador e capitão em 1974, venceu de novo a maior competição mundial, agora como treinador. Muito mais importante que a conquista da Copa do Mundo, porém, foi a reunificação das duas Alemsnhas ocorrida, também, no ano de 1990. No ano seguinte, a federação de futebol da Alemanha Oriental (“Deutscher Fussball-Verband der DDR”) foi absorvida pela DFB. Os clubes da parte oriental foram incluídos nos diversos níveis da sua estrutura. A “Bundesliga” aumentou, temporariamente na temporada 1991/92, para vinte o número de seus integrantes para acomodar o “Dynamo Dresden” e o “Hansa Rostock”. Karl-Heinz Rummenigge nasceu em Lippstadt, no dia 25 de agosto de 1955. Iniciou sua carreira em 1973, no “Lippstadt”, da cidade onde nasceu. Transferiu-se, em 1974, para o “Bayern München”. Aos 21 anos já era titular do poderoso esquadrão do clube de Munique e da Seleção Alemã. Artilheiro nato, dotado de muita técnica e rapidez, jogava com inteligência e classe. O seu estilo de atacante era o oposto de muitos centroavantes alemães de sucesso, que supriam a pouca técnica com muita eficiência, sendo chamados de “panzer” (tanque de guerra alemão). Defendeu a camisa vermelha da equipe bávara até 1984, conquistando os seguintes títulos: Liga dos Campeões da UEFA (1975 e 1976); Mundial Interclubes (1976); Campeonato Alemão (1979/80 e 1980/81); Copa da Alemanha (1982 e 1984) e Super Copa da Alemanha (1982). Pela seleção, participou da Copa de 1978 e fez três gols, mas a Alemanha foi precocemente eliminada. Foi campeão na Eurocopa 1980, sendo considerado o melhor jogador do certame. Rummenigge ganhou a artilharia dos campeonatos alemães das temporadas 1979/80 e 1980/81 e foi escolhido como o melhor jogador da Europa. No campeonato mundial seguinte, a Copa do Mundo de 1982, marcou nove gols nas eliminatórias. Já na Espanha, marcou mais quatro vezes em duas partidas. Contundiu-se, mas mesmo ainda em recuperação, entrou na prorrogação da semifinal contra a França e contribuiu, com um gol,


para a vitória alemã. Na final, contra a Itália, a Alemanha foi derrotada, cabendo-lhe o vice-campeonato. Em 1984, seu passe foi vendido para a “Internazionale” de Milão. No “nerazzurro” italiano foi prejudicado por seguidas lesões. Foi novamente convocado para atuar pela seleção da Alemanha Ocidental na Copa de 1986, no México. Fez um dos gols no jogo final contra a Argentina, que não foi suficiente para evitar o revés alemão na segunda decisão consecutiva do título mundial. Em 1987, deixou a Itália para atuar no “Servette” da Suíça, onde pendurou as chuteiras, em 1989. Lothar Matthäus nasceu em 21 de março de 1961, na cidade de Erlangen, na então Alemanha Ocidental. Seu início como futebolista deu-se nos juvenis do “Herzogenaurach”. Em 1979, começou sua carreira profissional no “Borussia Mönchengladbach”, que rivalizava com o “Bayern München” nos sucessos do futebol germânico, nos anos 70. Logo, o meio-campista de 1,75m de altura demonstrou sua enorme categoria que o levou às seleções alemãs sub-21 e principal. Pelo clube, em sua primeira temporada, foi vice-campeão da Copa da UEFA. Sua estréia na seleção principal ocorreu na Eurocopa 1980. Participou, como reserva, da seleção que foi vice-campeã na Copa do Mundo de 1982. Em 1984, após novo vice-campeonato do “Borussia Mönchengladbach”, dessa vez na Copa da Alemanha, transferiu-se para o “Bayern München”. Tornou-se campeão da “Bundesliga” já na sua primeira temporada (1984/85). Conquistou mais dois títulos seguidos de Campeão Alemão (1985/86 e 1986/87) com o time de Munique. Na Copa do Mundo de 1986, foi titular absoluto e uma das principais figuras do “Nationalmannschaft”, que conquistou o vice-campeonato, ao ser vencido pela seleção da Argentina. Em 1986, pelo seu clube, ganhou ainda a Copa da Alemanha e o segundo lugar na Copa dos Campeões da UEFA. A temporada seguinte (1987/88) foi estéril em títulos para o “Bayern”. Atuou, pela seleção, na Eurocopa 1988, sofrendo nova decepção. Embora fosse a anfitriã, a Alemanha Ocidental foi eliminada, na fase de semifinais, pela Holanda. Desgastado junto à torcida mal acostumada com tantas conquistas, Matthäus transferiu-se, junto com seu colega de clube e seleção, Andreas Brehme, para a “Internazionale” de Milão. Em um campeonato fortíssimo como o “calcio serie A”, edição 1988/89, no qual o “Napoli” contava com o argentino Diego

Maradona e os brasileiros Careca e Alemão, e o Milan possuía o trio holandês formado por Ruud Gullit, Marco van Basten e Frank Rijkaard, a “Inter” surpreendeu ao ser líder do princípio ao fim. Além do “scudetto”, a equipe “nerazzurra” venceu a Supercopa Italiana. Na Copa do Mundo de 1990, realizada na Itália, onde Matthäus já era um dos ídolos da “Inter”, ele foi um dos esteios do time nacional da Alemanha Ocidental que se sagrou campeão, vingando-se da Argentina, ao derrotá-la na final. Como capitão da equipe, coube a Matthäus a honra de receber a taça. Para a temporada seguinte, a “Internazionale” reforçou-se com mais um alemão campeão do mundo: Klinsmann. Entretanto, mesmo com Matthäus, que fora agraciado com a “Bola se Ouro”, como melhor jogador europeu em 1990, Brehme e Klinsmann, um novo título so veio em 1991, quando a “Inter” venceu a “Roma” no jogo final da Copa da UEFA. Apontado como o “Rei de Milão”, Lothar Matthäus foi eleito pela FIFA, no final daquele ano, como o melhor jogador do mundo. Entretanto, uma séria lesão no joelho o impediu de participar da Eurocopa 1992 e o motivou a deixar a Itália e retornar ao seu ninho no “Bayern” de Munique. No seu retorno, já recuperado, passou a jogar mais recuado, como líbero, desempenhsndo as funções exercidas com maestria, muitos anos antes, por Beckenbauer, agora seu técnico. Conquistou, mais uma vez, o campeonato alemão na temporada 1993/94. Pela seleção, agora da Alemanha reunificada e sob o comando técnico de Berti Vogts, que sucedera a Beckenbauer após a vitória de 1990, participou da Copa do Mundo de 1994. Nesse campeonato, realizado nos Estados Unidos, a Alemanha foi eliminada pela Bulgária, surpreendentemente, sendo derrotada por 2x1, nas quartas-de-final. Todavia, Matthäus continuou a ser perseguido por contusões no joelho, agravadas por lesões no tendão de Aquiles, que o obrigaram a duas cirurgias, em 1995. Recuperou-se a tempo de participar da campanha vitoriosa do “Bayern” na Copa da UEFA de 1995/96. Entretanto, não lhe foi possível a participação, pela seleção, na Eurocopa, ao final de 1996. Surgiram, então, suas desavenças com Jürgen Klinsmann, seu antigo companheiro na equipe da Alemanha e do “Inter” italiano, que também viera para o “Bayern”, em 1995. Apesar da briga entre suas maiores estrelas, o clube de Munique foi, outra vez, campeão da “Bundesliga” em 1996/97. Na temporada seguinte, 1997/98, já sem Klinsmann, que deixara o clube,


o “Bayern” perdeu o título para o “Kaiserslautern”. Em face da lesão que levou o líbero titular Matthias Sammer, outro desafeto, a se aposentar, Matthäus foi novamente convocado para a seleção da Alemanha e disputou sua quinta Copa do Mundo, em 1998. A Alemanha viu-se, mais uma vez, eliminada, nas quartas-de-final, pela Croácia por 3x0, em Lyon, na França, no dia 4 de julho. De volta a Munique, Matthäus foi, outra vez, campeão pelo “Bayern”, em 1998/99. Em 1999, disputou a Liga dos Campeões da UEFA, perdendo a partida final, nos últimos minutos do jogo, para o “Manchester United”. Pela sétima vez, foi vencedor na “Bundesliga”, em sua última temporada (1999/2000) pelo “Bayern München”. Ainda participou da Copa das Confederações, em 1999, e da Eurocopa 2000, pela equipe nacional, aos 39 anos. Lothar Matthäus foi o jogador que mais vezes atuou pela seleção alemã (computando-se os seus jogos pelas Alemanhas Ocidental e Reunificada). Foi, também, um dos dois únicos jogadores a participar de cinco Copas do Mundo (o outro é o mexicano Antonio Carbajal). Assim, ficou famoso, graças à sua técnica primorosa e por seus recordes. Por outro lado, ficou também conhecido por seu temperamento explosivo, sendo considerado encrenqueiro, criador de casos e colecionador de desafetos. Para sua despedida, o “Bayern” ofereceu-lhe um amistoso festivo com a participação de vários astros do futebol dos anos 90. Porém, ele pleiteou judicialmente uma indenização do clube no valor de 500 mil euros. Recebeu, após longa batalha judicial, apenas 7,5 mil euros e angariou várias antipatias. Uli Hoeness, ex-jogador da seleção alemã e, à época, diretor do “Bayern”, declarou que Matthäus não voltaria ao clube, “nem como jardineiro”. Após encerrar sua brilhante carreira de jogador, ele continuou ligado ao esporte, como técnico. Sua primeira experiência, com o “Rapid” de Viena, em 2001/2002, foi repleta de maus resultados. Em seguida, foi contratado como treinador do “Partizan” da Iugoslávia, onde se saiu bem, conquistando o campeonato sérvio-montenegrino (2002/03). O seu bom desempenho levou-o a ser contratado para dirigir tecnicamente a seleção da Hungria. Entretanto, o insucesso voltou, não logrando a classificação dos magiares para a Copa do Mundo de 2006. Tentou, então, ser o sucessor do seu antigo companheiro Rudi Völler no comando técnico da seleção da Alemsnha. Para seu desgosto, o escolhido foi seu desafeto Klinsmann. As suas criticas ao antigo compan-

heiro, consideradas eivadas de inveja, fecharam-lhe as portas de vários clubes alemães, como o “Bayer Leverkusen”, “Nuremberg”, “Köln”, “Eintraacht Frankfurt” a até o seu primeiro clube profissional “Borussia Mönchenglsdbach”. Quando jogador, as ofensas decorrentes do seu temperamento polêmico eram perdoadas por causa de suas magníficas atuações de grande craque. Como treinador, entretanto, as antigas e novas desavenças afloraram. Sem oportunidades em sua terra natal, restoulhe a opção de vir para o Brasil, onde ainda gozava de muito prestígio. Foi contratado pelo “Atlético Paranaense”, de Curitiba, cidade de forte colônia alemã. Foram-lhe oferecidas várias mordomias e os resultados iniciais corresponderam: seis vitórias e dois empates, em oito jogos. Entretanto, os desentendimentos, inicialmente com o seu intérprete, depois com jornalistas, e, finalmente, com o presidente do “Furacão”, fizeram com que fosse muito breve sua permanência no Brasil. De volta à Europa, atuou no “Red Bull Salzburg” da Áustria, com bons resultados; em seguida, no israelense “Maccabi Netanya”, do qual se desligou ao término da temporada 2008/09; e, finalmente, neste ano de 2010, foi contratado para treinar a seleção da Bulgária. Jürgen Klinsmann nascido em Göppingen, no dia 30 de julho de 1964, começou a chutar bola, aos oito anos de idade, no time infantil do “TB Gingen” da sua pequena cidade natal, atuando em todas as posições, inclusive a de goleiro. Dois anos depois, passou a jogar no também modesto “SC Geisling an der Steige”. Após sua família ter se mudado para Stuttgart, o jovem Jürgen começou a atuar, em 1978, na categoria de base do “Stuttgarter Kickers”, clube da segunda divisão alemã. A partir de 1981, aos 17 anos, Klinsmann foi promovido á equipe principal do “Kickers”. Sua melhor temporada foi a de 1983/84, quando despertou a atenção de outro clube da cidade: o “Stuttgart”, da elite do futebol alemão, que o contratou em 1984. Com três anos na “Bundesliga”, chegou à seleção da Alemanha Ocidental. Sua estréia no onze da DFB (“Die DFB-Elf”) aconteceu, em 1987, num empate por 1x1 com o Brasil. Disputou a Eurocopa 1988, em casa, mas a Alemanha parou nas semifinais, ao perder para a Holanda. Partcipou da seleção olímpica nos Jogos de 1988, em Seul, que também caiu nas semifinais, ao ser derrotada pelo Brasil, na decisão por pênaltis. Na temporada 1987/88, foi o artilheiro do campeonato alemão. Na temporada seguinte, o “Sttugart”


foi o vice-campeão da Copa da UEFA, perdendo o título para o Napoli, que tinha Maradona. Transferiu-se para a “Internazionale” de Milão, em 1989. Voltou à seleção alemã ocidental, para disputar, na Itália, onde já estava, a Copa do Mundo de 1990. Suas atuações foram de vital importância para a conquista da taça, especialmente nas vitórias sobre a Holanda, nas oitavas-de-final, e sobre a Argentina, na finalíssima. Com os “nerazzurri”, conquistou a Copa da UEFA da temporada 1990/91. Pela seleção da Alemanha, já reunificada, disputou a Eurocopa 1992, que teve a Dinamarca como campeã. Ao fim da temporada 1991/92, deixou a “Inter”, transferindo-se para o “Mônaco”. Sua primeira temporada (1992/93) foi muito boa. Com 13 gols em 35 jogos, Klinsmann foi o terceiro melhor goleador e o time do principado também foi o terceiro colocado na “Ligue 1” do campeonato francês. Já a temporada seguinte (1993/94) não foi tão boa e, ao fim da mesma, ele transferiu-se para o “Tottenham Hotspur” da Inglaterra. 1994 foi o ano da Copa do Mundo nos Estados Unidos. “Klinsi”, individualmente, fez um excelente mundial, marcando cinco gols em cinco partidas. A Alemanha (reunificada) não foi capaz, porém, de defender o título, conquistado quatro anos antes, e se viu eliminada pela Bulgária, para surpresa geral, nas quartas-de-final. Na sua primeira temporada inglesa (1994/1995), o “bombardeiro dourado” (apelido derivado dos seus cabelos louros) teve boas atuações, porém o time, como um todo, não se saiu bem. O “filho do padeiro” (outro apelido, decorrente do negócio de sua família) decidiu, então, voltar para a Alemanha e jogar no seu mais importante clube, o “Bayern München”. Na temporada 1995/96, a equipe de Munique ficou com o vice-campeonato e Klinsmann, com a vice-artilharia. Entretanto, o time rubro da Alemanha conquistou a Copa da UEFA. Com a seleção, o centroavante rápido, com 1,82m de altura, dotado de excelente técnica e grande categoria nas finalizações, foi primordial na conquista da Eurocopa 1996. Como capitão do time nacional da Alemanha reunificada, coube-lhe a honra de receber a taça das mãos da Rainha Elizabeth II da Inglaterra. No “Bayern”, voltou a ser campeão na temporada 1996/97. No entanto, as notórias desavenças com Matthäus, capitão da equipe, tornaram muito difícil sua permanência no clube. Assim, Klinsmann decidiu retornar para a Itália, contratado pelo “Sampdoria”, em 1997. Ficou somente meia temporada no clube

genovês, transferindo-se, na janela de inverno, de novo para o “Tottenham”. O time londrino, ameaçado de rebaixamento, escapou da degola com a ajuda dos gols de Klinsmann, que pendurou as chuteiras, ao término da temporada 1997/98. A sua despedida do “Mannschaft” deu-se na França, por ocasião da Copa do Mundo de 1998, da qual ele participou com brilho, marcando três gols, sendo um deles (contra os Estados Unidos) de excelente feitura. Mas, a campanha alemã terminou de forma decepcionante, ao perder por 3x0 para a Croácia, novamente nas quartas-de-final. Aposentado, Klinsmann se tornou vice-presidente de uma consultoria de marketing esportivo, sediada nos Estados Unidos, onde ele se radicou. Em 2003, voltou aos gramados por um breve período, jogando oito partidas pela equipe norte-americana do “Orange County Blue Stars”, nas quais marcou cinco gols. Em julho de 2004, retornou à Alemanha para substituir seu antigo companheiro de ataque no time alemão, Rudi Völler, como técnico da seleção nacional. Com o objetivo de conseguir uma boa apresentação na Copa do Mundo de 2006, na própria Alemanha, Klinsmann iniciou um processo de renovação da equipe. Em 2005, na Copa das Confederações, a Alemanha ficou com o terceiro lugar, após perder para o Brasil, em uma semifinal bastante disputada. Entretanto, uma derrota para Itália, por 4x1, às vésperas do início da Copa, deixou Klinsmann e seus comandados bastante desacreditados perante a imprensa esportiva e a torcida alemãs. Mas, o início arrasador do “Mannschaft” na disputa do campeonato mundial, revertou as expectativas, devolvendo ao torcedor a confiança em seu treinador. Embora a classificação final da Alemanha tenha sido apenas o terceiro lugar, Klinsmann deixou o cargo prestigiado, sendo substituído por seu auxiliar de confiança Jochim Löw. Dois anos depois, foi contratado pelo “Bayern München”. Não obteve sucesso como técnico em seu ex-clube. Após sofrer uma goleada, por 5x1, do “Wolfsburg” na “Bundesliga” e outra, por 4x0, imposta pelo “Barcelona” na Liga dos Campeões da UEFA, “Klinsi” foi despedido. Recentemente, neste ano de 2010, foi contratado, como consultor, pelo “Toronto”, clube que, embora canadense, disputa a “Major League Soccer”, pincipal liga de futebol dos Estados Unidos, onde Jürgen Klinsmann continua residindo. O início da nova década, em 1991, foi marcado pela incorporação dos clubes oriundos da antiga Alemanha Oriental à DFB. Dos dois clubes


incluídos na divisão de topo (“Bundesliga”), o “Dynamo Dresden” consguiu se manter na elite para a temporada seguinte, mas o “Hansa Rostock” foi logo rebaixado quando o número de equipes voltou a ser dezoito. Durante essa década, os dois clubes citados alternaram temporadas na primeira e segunda divisões. Os outros únicos clubes, originalmente da parte oriental, que lograram, posteriormente, ascender ao campeonato mais nobre, foram o “FC Energie Cotbus” e o “Leipzig”. O predomínio do “Bayern München” continuou, porém menos acentuado. O clube rubro de Munique conquistou os títulos de 1993/94, 1996/97, 1998/99 e 1999/2000, além do primeiro campeonato do novo milênio (2000/01). O “Borussia Dortmund” ganhou um bicampeonato (1994/95 e 1995/96). O “Kaiserslautern” foi vitorioso em 1990/91 e 1997/98. O “Stuttgart” foi o campeão da temporada 1991/92 e o “Werder Bremen” venceu em 1992/93. Começando na temporada 1995/96, a DFB (“Deutscher Fussball Bund”) adotou o sistema de três pontos por vitória, ao invés de dois. A popularidade do esporte cresceu ainda mais, graças, sobretudo, às conquistas da Copa do Mundo, em 1990, e da Eurocopa 1996. Por outro lado, a “Bundesliga” iniciou uma política mais atuante de marketing, promovendo a si mesma e os clubes a ela filiados, a exemplo do que já vinha sendo feito pelas federações de futebol em outros países da Europa. O primeiro jogo da seleção da Alemanha reunificada, incluindo jogadores da antiga equipe nacional da Alemanha Oriental, como Mathias Sammer e Ulf Kirsten, sob o comando técnico de Berti Vogts, foi contra a Suíça, em 19 de dezembro de 1990. A Alemanha chegou à final da Eurocopa 1992, mas foi surpreendida pela Dinamarca que conquistou o título com a vitória por 2x0. A Copa do Mundo de 1994 também reservou uma ingrata surpresa para os detentores do título, que foram derrotados pela Bulgária, por 2x1, nas quartas-de-final. Finalmente, a Alemanha reunificada conquistou um título de expressão, ao vencer a Eurocopa 1996. Os anfitriões ingleses foram batidos na decisão por pênaltis (6x5) após um empate em 1x1, nas semifinais; e a Tchecoslováquia foi derrotada na final, por 2x1, em um jogo definido pelo “gol de ouro” assinalado por Oliver Bierhoff. Porém, outra decepção foi programada para a Copa do Mundo de 1998. Novamente nas quartas de final, a Alemanha foi eliminada pela Croácia,

que a derrotou por 3x0. O fracasso custou o cargo de Vogts, substituído por Erich Ribbeck. No limiar do novo milênio, a envelhecida seleção alemã fracassou de novo, ao ser eliminada da Euro 2000, na primeira fase, sem conseguir vencer nenhum dos três jogos que disputou, sendo derrotada pela Inglaterra por 1x0, e por Portugal, pelo embaraçoso placar de 3x0. Em conseqüência, Rudi Völler substituiu Ribbeck como técnico, inicialmente em caráter temporário e, depois, definitivo. Até 2001, a gestão da “Bundesliga” era feita diretamente pela DFB (“Deutscher Fussball Bund”). Essa situação foi alterada pela criação da DFL (“Deutscher Fussball-Liga”) que passou a gerenciar as ligas profissionais do futebol alemão, embora subordinada à DFB. Após a vitória do “Bayern” no campeonato 2000/01, na temporada seguinte (2001/02) o “Borussia Dortmund sagrou-se campeão. Entretanto, a supremacia do clube de Munique voltou a acontecer nos campeonatos de 2002/03, 2004/05, 2005/06, 2007/08 e 2009/10. Os outros títulos da década foram divididos entre três clubes: “Werder Bremen” (2003/04), “Stuttgart” (2006/07) e “Wolfsburg” (2008/09). Desde a implantação da “Bundesliga”, em 24 de agosto se 1963, quarenta e nove clubes disputaram suas partidas. Para comemorar os quarenta anos da liga, foi programado um jogo para o dia 24 de agosto de 2003, entre o “Hamburger”, conhecido por “dinossauro” por ser o único clube que participou de todas as temporadas durante a existência da “Bundes” e o “Bayern München”, o de maior sucesso, que até então havia conquistado dezessete títulos de campeão (hoje já são vinte e dois). Em 2005, o futebol alemão foi sacudido pela descoberta de um escândalo de manipulação de resultados, envolvendo o árbitro da segunda divisão Robert Hoyser que confessou ter interferido no placar de jogos da terceira e da segunda divisão, e, ainda, na desclassificação da Copa da Alemanha do “Hamburger”, da divisão de elite, em jogo contra o modesto “Paderborn”, no dia 21 de agosto de 2004. Hoyser foi banido do cenário esportivo e sentenciado a 29 meses de priaão. O “Hamburger” fez jus a uma indenização financeira da ordem de 2 milhões de euros como compensação por ter sido indevidamente excluído de uma competição lucrativa.


Apesar do escândalo, a “Bundesliga” continuou aumentando seu público. Na temporada 2005/06, o total de assistentes em 306 jogos foi de aproximadamente 12.410.000, significando uma nédia superior a 40.570 pessoas por partida. Houve um decréscino na temporada 2006/07 e uma ligeira fecuperação em 2007/08. Novo recorde de público foi estabelecido na tenporada 2008/09, totalizando cerca de 12.820.000 espectadores, com uma média maior que 41.900 torcedores por jogo. Esses números colocam a liga nacional alemã na liderança entre as demais federações de futebol emtodo o mundo. Os clubes melhor classificados, no quesito de público médio presente em suas apresentações, são: “Borussia Dortmund” (72.850), “Bayern” (67.214), “Schalke 04” (61.177) e “Hanburger” (53.798). As expectativas alemãs, em relação ao desempenho da sua seleção na Copa do Mundo de 2002, eram baixas, em decorrência dos seus pobres resultados nas eliminatórias, incluindo uma derrota, em casa, para a Inglaterra por 5x1. Não obstante, sua participação no campeonato mundial, sediado no Japão e na Coréia do Sul, foi iniciada com uma retumbante vitória por 8x0, contra a Arábia Saudita. Na fase mata-mata, a Alemanha obteve três vitórias consecutivas pelo placar mínimo (1x0) sobre o Paraguai, os Estados Unidos e a Coréia do Sul, habilitando-se a disputar a final, contra o Brasil. Com o seu craque Michael Ballack suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos recebidos, diminuíram as chances germânicas. A vitória coube aos brasileiros por2x0. Mas, o capitão alemão, o goleiro Oliver Kahn, foi agraciado com a láurea de melhor jogador do torneio, além do Prêmio Yachin para o melhor guardião. A competição importante seguinte foi a Eurocopa 2004, na qual a seleção da Alemanha foi novamente eliminada, logo no início, sem conseguir vencer (empatou os dois primeiros jogos e perdeu o terceiro). Em face da renúncia de Völler, foi necessário buscar-se um terceiro novo técnico para o time nacional, em um período de seis anos, quando nos 75 anos anteriores, apenas seis pessoas desempenharam a função. Ottmar Hitzfeld e Otto Rehhagel, sondados, declinaram do convite. Foi decidida, então, a contratação do ex-jogador Jürgen Klinsmann, sem experiência anterior como treinador. De forma similar à que foi feita quando Beckenbauer foi contratado para treinar a seleção, sem a licença

de técnico, o experiente Jochim Löw foi convidado para ser seu auxiliar. A principal tarefa de “Klinsi”, e o seu maior desafio na nova função, era a de fazer uma boa figura na Copa do Mundo de 2006, a ser disputada na própria Alemanha. A sua primeira providência foi promover Ballack ao posto de capitão do time. Klinsmann deu início a um grande processo de renovação na seleção. Foi muito criticado, porém, pela escolha de alguns dos novos convocados, em detrimento de outros nomes, preferidos pelos cronistas esportivos. Inovou os métodos de trinamento, levando os jogadores para praticar arco e flexa, e montagem de relógios, atividades úteis para melhorar o nível de atenção e concentração dos atletas, segundo ele. Outra novidade, sugerida pelo “filho do padeiro” e aceita pela federação, foi a troca da cor da camisa do segundo uniforme, de verde para vermelha, mais vibrante, na sua opinião. A Alemanha venceu o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2006, contra Costa Rica, por 4x2. Em seguida, derrotou a Polônia por 1x0 e o Equador por 3x0. Classificou-se como a primeira do seu grupo, com três vitórias. Na fase seguinte, venceu a Suécia por 2x0. Pelas quartasde-final, o seu adversário foi uma das equipes favoritas à conquista do título, a Argentina. Após um árduo empate em 1x1, o goleiro alemão Jens Lehmann, na disputa dos pênaltis, efetuou duas magníficas defesas, assgurando a vitória germânica. A partida semifinal, contra a Itália, também terminou empatada, havendo nova prorrogação. Apesar da ênfase do seu técnico no aspecto da necessária atenção e concentração até o apito final, a Alemanha sofreu dois gols nos dois últimos minutos da prorrogação, talvez em decorrência da tensão e cansaço, oriundos de duas partidas de 120 minutos consecutivas. Os jogadores, porém, recuperaram-se a tempo de conquistar o terceiro lugar, batendo Portugal por 3x1. O desempenho da equipe nacional alemã, durante o campeonato mundial, foi avaliado pela torcida como muito bom, e honrosa a terceira colocação. Além disso, Miroslav Klose foi o artilheiro da competição, com cinco gols; seu companheiro de ataque Lukas Podolski ganhou o prêmio de melhor jovem jogador; e quatro jogadores (Lehmann, Lahm, Ballack e Klose) foram escolhidos pela FIFA como os melhores do torneio, em suas respectivas posições. A participação do “nationalmannschaft” na Euro 2008 já teve o coman-


do técnico de Joachim Löw, em substituição a Klinsmann. Em um grupo que incluía também a República Tcheca e a Irlanda, a Alemanha classificou-se com facilidade. Foi marcante, pelo inusitado do “score”, sua vitória sobre San Marino, por 13x0. No torneio, a Alemanha foi incluída no Grupo B, juntamente com Polônia, Croácia e Áustria. Venceu a Polônia por 2x0, mas sofreu uma derrota, por 2x1, para a Croácia, Graças à vitória sobre a Áustria, por 1x0, com um belo gol de Ballack, foi-lhe possível avançar para a fase seguinte. Pelas quartas-de-final, a Alemanha enfrentou e venceu Portugal, por 3x2, sendo os seus gols marcados por Schweinsteiger, Klose e Ballack. Na sua semifinal, o adversário foi a Turquia, que abriu o placar. Com gols de Bastian Schweinsteiger e Miroslav Klose, a Alemanha virou o jogo. Mas, os turcos obtiveram novo empate em 2x2. Quando tudo indicava que haveria a prorrogação, o defensor Philipp Lahm avançou. Tabelou com Thomas Hitzlsperger e marcou, no último minuto, o gol da vitória por 3x2. A final foi contra o fortíssimo time espanhol. A Alemanha dominou e pressionou durante os primeiros quinse minutos e quase inaugurou o marcador. Aos poucos, a Espanha equilibrou a partida e começou a ameaçar a meta germânica, até que Fernando Torres marcou o único tento do jogo. Com a derrota por 1x0, os alemães tiveram que se contentar com o título de vice-campeões. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, a Alemanha assegurou o primeiro lugar no seu grupo de qualificação, em 10 de outubro de 2009, quando venceu, na cidade de Moscou, a segunda colocada Rússia, por 1x0. No sorteio realizado em 4 de dezenbro de 2009, a seleção germânica foi alocada no Grupo D, juntamente com as equipes da Austrália, Sérvia e Gana. No dia 13 de junho de 2010, a Alemanha venceu, por 4x0, seu jogo de estréia na África do Sul, contra a Austrália. No jogo seguinte, ocorreu sua derrota para a Sérvia, por 1x0. Nova vitória, também por 1x0, contra Gana, no terceiro jogo. Classificada em primeiro lugar no seu grupo, avançou para a fase seguinte, e venceu a Inglaterra, por 4x1. Nesse jogo, aconteceu um chute de Lampard, que entrou na meta alemã, mas o gol legítimo da Inglaterra não foi validado pela arbitragem. De certa forma, foi uma compensação para o episódio ocorrido alguns anos antes, na Inglaterra, quando foi assinalado um gol inglês contra a Alemanha, em lance no qual a bola não chegou a ultra-

passar a linha demarcatória. Com outra goleada de 4x0, a Alemanha derrotou a Argentina do técnico Maradona, no seu jogo das quartasde-final. Na semifinal, em 7 de julho, a seleção alemã foi vencida pela espanhola, por 1x9, repetindo o resultado da decisão da Eurocopa, dois anos antes. No dia 10 de julho, a Alemanha conquistou o terceiro lugar da Copa do Mundo de 2010, ao vencer o Uruguai por 3x2. Assim, foi repetido, no continente africano, o mesmo feito obtido, quatro anos antes, em seu próprio território pátrio. Oliver Rolf Kahn nasceu em Karlsruhe, no dia 15 de junho de 1969. Começou nas categorias de base do “Karlsruher”, em sua cidade natal. Iniciou sua carreira profissinal, em 1987, no próprio “Karlsruher”, onde ficou até se transferir para o “Bayern München”, em 1994. Sua primeira convocação para a Seleção da Alemanha aconteceu em outubro de 1993, na condição de goleiro reserva. Assim, participou da Copa de 1994, nos Estados Unidos. No clube de Munique, o forte arqueiro de 1,88m de altura e 91kg de peso, passou loga a ser o titular. Entretanto, em novembro de 1994, uma grave lesão o afastou dos gramados por cinco meses. Recuperou sua melhor forma no primeiro semestre de 1995, voltando a ser o titular do gol no “Bayern” e, em junho, defendeu a Alemanha em jogo contra a Suíça. Com a seleção, participou também da campanha vitoriosa da Euro 1996, na Inglaterra, e da Copa do Mundo de 1998, na França, mas novamente como reserva, em ambos os certames. Kahn só assumiu a titularidade, quando o goleiro Andreas Köpke decidiu se aposentar, após o campeonato mundial de 98. Pelo clube, Oliver participou das conquistas dos seguintes títulos: Copa da UEFA (1996); Campeonato Alemão (1996/97, 1998/99, 1999/2000, 2000/01, 2002/03, 2004/05, 2006/06 e 2007/08); Supercopa da Alemanha (1997, 1998, 1999, 2000, 2004 e 2007); Copa da Alemanha (1998, 2000, 2003, 2005, 2006 e 2008); Liga dos Campeões da UEFA e Copa Intercontinental (Mundial Interclubes), ambos em 2001/2002. Para Oliver Kahn, os anos de 1999 a 2002 foram excelentes. Titular e capitão da Seleção Alemã e em grande forma, foi escolhido, por diversas vezes, como o melhor jogador do campeonato alemão e o melhor goleiro da Europa. Em 2002, na Copa do Mundo, conquistou o vicecampeonato e conseguiu um feito inédito, pois foi o primeiro goleiro a ser considerado o melhor jogador da competição.


Voltou a participar de uma Copa do Mundo, a sua última, em 2006, ficando no banco durante a maioria dos jogos, mas atuando na vitória, por 3x1, sobre Portugal, que assegurou o terceiro lugar à Alemanha, Em 17 de maio de 2008, Kahn realizou sua última partida como goleiro do “Bayern München”, despedindo-se com uma vitória sobre o “Hertha Berlin” pelo placar de 4x1. Michael Ballack nasceu no dia 26 de setembro de 1976, em Görlitz, então Alemanha Oriental. Ainda era pequeno, quando sua família mudou-se para a cidade de Chemnitz, chamada Karl-Marx-Stadt, à época. Começou a jogar futebol, em 1983, no time infantil do “Karl– Marx-Stadt”, rebatizado como “Chemnitzer”, após a reunificação alemã. Sua carreira profissional teve início no mesmo “Chemnitzer”, da segunda divisão, na temporada 1995/96. Embora seu time tenha sido rebaixado para a terceira divisão, o “Pequeno Kaiser”, como já fora apelidado, foi convocsdo para a seleção sub-21. Em 1997, transferiuse para o recém promovido, de volta à Bundesliga, “Kaiserslautern”. Na elite do futebol alemão, participou da façanha inédita do seu novo clube, que venceu o campeonato da primeira divisão, no ano seguinte à conquista do título da segunda, que lhe valera a ascensão. Na temporada seguinte (1998/99), firmou-de como titular da sua equipe e disputou a Liga dos Campeões da UEFA, na qual o “Kaiserslautern” perdeu, nas quartas=de-finais, para outro time alemão, o fortíssimo “Bayern München”. As boas atuações do meia, destro, com físico privilegiado (1,89m de altura e 80 kg), propiciaram-lhe sua primeira convocação para a seleção principal, em 1999. Integrou, então, o grupo que disputou a Copa das Confederações, realizada nesse mesmo ano. Ainda em 1999, deixou o “Kaiserslautern”, transferido para o “Bayer Leverkusen”. Na Baviera, tornou-se o líder da sua nova equipe, que vinha fazendo, sucessivamente, boas campanhas, sem alcançar, porém, os títulos. Na sua primeira temporada, 1999/2000, o “Leverkusen” terminou o campeonato empatado com o “Bayern” em número de pontos. O clube de Munique foi o campeão, por ter uma vitória a mais. Na temporada 2001/2002, o “Bayer Leverkusen” liderava a “Bundesliga”, a três rodadas do fim do campeonato, com cinco pontos de vantagem. Fracassou nos últimos jogos, deixando-se superar pelo “Borussia Dortmund”, que foi o campeão com um ponto de vantagem. Na Copa da Alemanha,

perdeu, por 4x2, a partida final para o “Schalke 04”. Disputou, ainda, a Liga dos Campeões, perdendo o título para o “Real Madrid”, da Espanha. Pela seleção, Ballack participou da Eurocopa 2000, na qual a Alemanha teve um desempenho decepcionante. Dois anos depois, o time nacional alemão se redimiu, fazendo boa campanha na Copa do Mundo da Ásia (Japão e Coréia do Sul) e disputando o título com o Brasil. Michael Ballack foi um dos que se tornaram vice-campeões mundiais, embora sem jogar a partida final, por ter sido suspenso devido ao terceiro cartão amarelo, recebido na semifinal contra a Coréia so Sul, que a Alemanha venceu por 1x0, graças a um gol seu. Após o campeonato mundial de 2002, Ballack mudou de clube, outra vez, trocando o “Bayer Leverkusen” pelo outro clube da Baviera, o mais forte e famoso “Bayern München”. Atingiu o seu apogeu e conquistou, simultâneamente, o Campeonato Alemão e a Copa da Alemanha, nas temporadas de 2002/03, 2004/05 e 2005/06. A seleção alemã voltou a decepcionar na Eurocopa 2004, sendo eliminada na primeira fase. Esse fracasso provocou a renúncia do técnico Völler, que veio a ser substituído por Klinsmann. O novo técnico escolheu Ballack para ser o capitão da equipe nacional da Alemanha. O compromisso importante seguinte do renovado esquadrão germânico foi a Copa das Confederações, em 2005, na própria Alemanha. Capitaneada por Ballack, a seleção fez boa figura, chegando á final novamente contra o Brasil. A Alemanha perdeu por 3x2, sendo de Ballack, cobrando pênalti, um dos gols. Na Copa do Mundo de 2006, ele passou a jogar mais recuado, como volante, protegendo a zaga. O desempenho dos alemães, liderados pelo técnico Klinsmann e por seu capitão Michael Ballack, foi bom novamente, conquistando o terceiro lugar. Apesar de não ter vencido o campeonato realizado em casa, a torcida alemã ficou satisfeita, e cerca de 500.000 pessoas, reunidas na célebre Porta de Brandenburgo, em Berlim, ovacionaram seus atletas. Após a Copa do Mundo, ainda em 2006, Ballack mudou-se para a Inglaterra, contratado pelo “Chelsea”. Os “Blues”, que dispunham de um excelente elenco, sofreram alguns reveses. Foi eliminado, nas semifinais da Liga dos Campeões da UEFA de 2007, pelo “Liverpool”. Em 2008, venceram os “Reds” do “Liverpool”, mas perderam a final do torneio


para o “Manchester United”. que também havia tirado do “Chelsea” o título do campeonato inglês, algumas semanas antes. Na temporada 2008/09, o clube londrino ficou em terceiro lugar na “Premier League” e perdeu para o “Barcelona” na semifinal da Liga dos Campeões. Finalmente, em sua quarta temporada (2009/10) na Inglaterra, Ballack conseguiu ser Campeão Inglês com o “Chelsea”. Outro êxito dessa temporada foi a conquista da “FA Cup”, a terceira da coleção de Ballack. Entretanto, uma séria contusão no tornozelo, ocorrida justamente na partida final dessa copa, deixou Ballack sem codições de disputar a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Dessa maneira, a última participação, até o presente momento, de Michael Ballack em defesa da seleção alemã foi na Eurocopa 2008, realizada na Áustria. A campanha do “DFB-Elf” (onze da DFB) contou com o brilhantismo de Ballack, sobretudo nos gols que assguraram as vitórias contra os anfitriões austríacos, por 1x0, na última rodada da primeira fase, e sobre Portugal, por 3x2, nas quartas-de-final. A Alemanha chegou até a final, quando perdeu para a Espanha, pelo placar mínimo. Michael Ballack, considerado o melhor jogador alemão dos anos de 2002, 2003 e 2005, decidiu não renovar o contrato com o “Chelsea” e retornar para o seu país, neste ano de 2010, assinando um contrato de duas temporadas com o seu antigo clube “Bayer Leverkusen”. MIroslav Marian Klose nasceu no dia 9 de junho de 1978, em Opole, na Polônia. Sua família mudou-se para uma localidade próxima de Kaiserslautern, na qual o menino “Miro” começou a jogar futebol, aos nove anos, no time infantil do “Blaubach-Diedelkopf”. Sua carreira profissional teve início no “Homburg” da terceira divisão, em 1998. Para sua sorte, o “Kaiserslautern”, do qual era torcedor, o contratou em 1999. No ano seguinte, o técnico Otto Rehhagel, percebendo o potencial de futuro craque desse atacante destro com 1,82m de altura, o guindou à equipe principal. Dessa forma, em 2000, Klose estreiou na “Bundesliga” e logo marcou seu primeiro gol, pelo “Kaiserslautern” contra o “Werder Bremen”. Embora nascido na Polônia, Miroslav Klose possui a nacionalidade alemã, o que lhe permitiu estreiar no “nationalmannschaft”, no dia 24 de março de 2001, marcando o gol da vitória sobre a Albânia. Convocado pelo técnico Völler, participou da Copa do Mundo de 2002,

na Ásia, recebendo a Bola de Prata, como segundo maior goleador da competição. Marcou cinco gols, todos na primeira fase (três na goleada em cima da Arábia Saudita, um no empate com a Irlanda e o outro na vitória sobre Camarões). Seu rendimento caiu na fase seguinte, por força de uma contusão que o prejudicou, embora não o impedisse de atuar. Mas, ainda assim, o desempenho do time germânico, com Klose, foi muito bom, conquistando o vice-campeonato. Na partida final contra o Brasil, ele foi substituído por Bierhoff, no decorrer do jogo. Em 2004, Miroslav trocou o “Kaiserslautern” pelo “Werder Bremen”. Tornou-se um dos principais jogadores do seu novo time. Na temporada 2005/06, foi o artilheiro do campeonato, marcando 25 vezes em 26 jogos. Pela Seleção Alemã, atuou na Eurocopa 2004. A participação da Alemanha, entretanto, foi medíocre, sendo eliminada na primeira fase do torneio. Uma contusão fez Klose ficar de fora da Copa das Confederações, em 2005. Voltou a jogar pela seleção na Copa do Mundo de 2006, na própria Alemanha. Marcou dois gols na vitória, por 4x2, sobre Costa Rica, no jogo de abertura. Não assinalou na vitoria contra a Polônia, por 1x0, mas voltou a marcar dois tentos no jogo seguinte, quando a Alemanha derrotou o Equador, por 3x0. Classificada na primeira posição de seu grupo, a equipe germânica enfrentou e venceu, nas oitavas de final, a Suécia por 2x0, tendo Klose feito as duas assistências que propiciaram os gols de seu companheiro Lukas Podolski. Nas quartas-de-final, Klose conseguiu, de cabeça, marcar o gol do empate, quase no fim do jogo contra a Argentina, que estava vencendo por 1x0. Na decisão por pênaltis, vitória alemã por 4x2. Derrotada pela Itália na semifinal, a Alemanha venceu a disputa pelo terceiro lugar, sobrepujando Portugal, mas Klose não marcou nessas duas últimas partidas. Mesmo assim, foi o artilheiro da Copa do Mundo de 2006, com cinco gols, e foi agraciado com o título de melhor jogador alemão do ano. Após sua boa presença no campeonato mundial, ele permaneceu em Bremen apenas mais uma temporada, e assinou, em 2007, contrato com o “Bayern München”. Sua estréia no clube de Munique ocorreu na Copa da Liga Alemã de 2007, justamente contra o “Werder Bremen”, que foi derrotado por 4x1. Klose foi campeão da “Bundesliga” na sua


primeira temporada (2007/08) com o uniforme vermelho do clube bávaro. O “Bayern” venceu, também, a Copa da Alemanha. Não conquistou a Copa da UEFA, pois perdeu a semifinal para o clube russo “Zenit” de São Petersburgo, que veio a ser o campeão dessa disputa. Na Eurocopa 2008, com a seleção da Alemanha, Klose voltou a enfrentar a equipe da sua terra natal, a Polônia, vencendo-a e a eliminando, na primeira fase. A seguir, contribuiu, com seus gols, para as vitórias sobre Portugal (quartas-de-final) e Turquia (semifinal). Não marcou na partida final contra a chamada “Fúria” e foi substituído, durante o jogo, por Mário Gómez. A Espanha, vencendo por 1x0, ergueu a taça, ficando a Alemanha com o vice-campeonato. O “Bayern” não foi feliz na temporada 2008/09. Perdeu o campeonato, por dois pontos de diferença, para o “Wolfsburg”. Foi eliminado, nas quartas-de-final, da Copa da Alemanha, pelo “Bayer Leverkusen”. Também foi eliminado, nas quartas-de-final, da Liga dos Campeões da UEFA, pelo “Barcelona”. Em compensação, o clube de Munique voltou a conquistar, na temporada 2009/10, os títulos do campeonato alemão e da Copa da Alemanha. Foi, ainda, o vice-campeão da Liga dos Campeões da UEFA. No entanto, a contribuição de Klose para essas conquistas foi reduzida, pois ficou no banco de reservas, durante boa parte da temporada. Apesar disso, ele voltou à Seleção Alemã para disputar, como titular, a Copa do Mundo de 2010. A campanha germânica na África foi brilhante. Após vencer seu grupo classificatório, impôs duas goleadas sobre dois adversários de peso: Inglaterra (4x1) e Argentina (4x0). A partida contra os platinos do técnico Maradona, pelas quartas-de-final, foi o centésimo jogo de Miroslav Klose com a legendária camisa do time nacional da Alemanha. Com os dois gols marcados na retumbante vitória, ele somou quatro tentos na competição e totalizou quatorze gols em Copas do Mundo, igualando a marca alemã do glorioso Gerd Müller. Esse número só é superado pelo recorde de quinze gols, igualmente em três campeonatos mundiais, do brasileiro Ronaldo, o “Fenômeno”. No jogo seguinte, a semifinal contra a Espanha, repetiu-se o placar da final da Eurocopa 2008: vitória dos ibéricos por 1x0. A Alemanha conquistou o terceiro lugar, vencendo, por 3x1, o Uruguai, em 10 de julho de 2010. Mesut Özil nasceu em Gelsenkirchen, no dia 15 de outubro de 1988. De

origem turca, esse meia armador, com 1,82m de altura e peso de 76kg, começou a jogar bola, no ano 2000, ainda menino, no “Rot-Weiss Essen”, onde ficou até 2005. Transferiu-se, então, para a equipe juvenil do “Schalke 04”. Em 2006, considerado como a grande revelação, Özil foi promovido à equipe principal. Em janeiro de 2008, trocou o “Schalke 04” pelo “Werder Bremen”. Com o novo clube, fez o gol da vitória por 1x0 sobre o “Bayer Leverkusen”, conquistando a Copa da Alemanha (“DFB-Pokal”) de 2009. Destacou-se também no cenário europeu, ao participar da Copa da UEFA, na qual o “Werder” chegou à final, sendo derrotado pelo “Shaktar Donetsk”. A principal característica que faz de Özil um jovem jogador diferenciado, é a sua enorme capacidade de fazer, para os companheiros, magníficas assistências. Canhoto, apelidado de “grosse augen” (olhos grandes), o talentoso Özil mostrou as suas credenciais de craque, ao integrar a seleção alemã sub21 que conquistou, em 2009, o campeonato europeu da categoria. No mesmo ano, foi chamado também para a seleção principal. Disputou, brilhantemente, a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, quando a Alemanha obteve a terceira colocação. Suas excelentes atuações fizeram com que o “Real Madrid” o contratasse, logo após o término do campeonato mundial, em agosto de 2010. Sua estréia entre os “merengues” aconteceu em 22 desse mesmo mês, em um amistoso.

QUINTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO DE 2010 À mesa do Bier Fass, no fim da tarde, cada um já com sua tulipa do bem tirado chope, Roberto Mauro iniciou a conversa: _Espero que vocês tenham lido o relato sobre o futebol alemão, que lhes mandei por e-mail. _Sim, respondeu Pedro Paulo. _Causou-me estranheza a demora da Alemanha em adotar o profissionalismo. _Eu acho que,em 1962, foi feita a oficialização de uma situaç22ão que já existia de forma disfarçada, redargüiu o Roberto Mauro. _Concordo com você. Penso que havia o que, aqui no Brasil, se convencionou chamar de amadorismo “marrom”, assentiu Brian Butler _Pois eu fiquei impressionado com a descrição da organização do futebol em ligas regionais e da luta pela criação de um campeonato nacion-


al, afirmou o Cristiano. Marcos assentiu com a cabeça, e acrescentou: _Interessante também o relato sobre a absorção da federação de futebol da Alemanha Oriental pela DFB ocidental. Diferentemente do que muitos imaginaram, inclusive Beckenbauer, a reunificação não trouxe o esperado fortalecimento do futebol alemão, tal a disparidade técnica e econômica entre os clubes, sendo os da antiga Alemanha Ocidental muitíssimo superiores, em todos os aspectos. _Por outro lado, foi impressionante a influência exercida pelo nazismo sobre o futebol, procurando tirar todas as vantagens possíveis da popularidade do esporte, comentou o Brian. _Outra coisa interessante foi o júbilo popular pela conquista do terceiro lugar em uma Copa do Mundo realizada na própria Alemanha. Se fosse aqui ... PPP deixou, propositalmente, incompleta a frase. _Importante, eu achei, foram as análises do aumento ou diminuição do interesse pelo esporte, nas diversas temporadas, aferindo-se o número de espectadores. É raro encontrarmos esse tipo de bem fundamentados comentários na crônica esportiva brasileira, observou o Cristiano. _Bem, está na hora de voltarmos a tratar mais um pouco do futebol brasileiro, informou Roberto. Como já havia sido estabelecido anteriormente, Pedro Paulo assumiu o encargo da pesquisa e relato, com a ajuda do Cristiano e do Marcos.

O FUTEBOL NO BRASIL (1961-1980) A década anterior, 1951-1960, foi memorável, especialmente pela conquista do primeiro título mundial da seleção canarinho, em 1958, na Suécia. Ainda em 1959, foi criada a Taça Brasil, primeira competição do país com abrangência nacional. O seu primeiro campeão foi o “Bahia”. Entretanto, o “Santos”, com Pelé, foi o clube que mais vezes conquistou a Taça Brasil (cinco consecutivas: 1961/62/63/64/65). Na década 1961-1970, Pelé foi o maior astro do melhor time santista de todos os tempos, recordista de conquistas: Campeonato Paulista e Taça Brasil, de 1961; Campeonato Paulista, Taça Brasil, Copa Libertadores da América

e Copa Intercontinental, em 1962; Torneio Rio-São Paulo, Taça Brasil, Copa Libertadores e Copa Intercontinental, de 1963; Campeonato Paulista, Torneio Rio-São Paulo e Taça Brasil, em 1964; Campeonato Paulista e Taça Brasil, de 1965; Torneio Rio-São Paulo, em 1966; Campeonato Paulista, de 1967; Campeonato Paulista, Torneio Roberto Gomes Pedrosa e Recopa dos Campeões Mundiais, em 1968; Campeonato Paulista, de 1969. No cenário nacional, nos primeiros anos dessa década, o grande adversário do “Santos” era o “Botafogo”, de Garrincha. Em São Paulo, o “Palmeiras”, com a famosa equipe conhecida como “Academia”, liderada por Ademir da Guia, foi o clube que impediu o alvinegro praiano de conquistar todos os campeonatos entre 1958 e 1969. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi criado em 1967, substituindo o Torneio Rio-São Paulo e ampliando-o, com o intuito de torná-lo nacional. Dois anos depois, foi extinta a Taça Brasil. Em 1970, foi disputada a Taça de Prata, com a participação das 17 equipes mais fortes do país e que foi conquistada pelo “Fluminense”. Os destaques da equipe campeã, treinada por Paulo Amaral, eram o goleiro Félix, o lateral esquerdo Marco Antônio, o volante Denilson, o endiabrado ponta direita Cafuringa, o artilheiro Flávio, o habilidoso meia atacante Samarone e o ponta esquerda goleador Lula. Muitos craques tiveram atuações de realce em outros times participantes: no “Santos”, Pelé, Carlos Alberto Torres e Edu; Tostão, Piazza e Dirceu Lopes, pelo “Cruzeiro”; Jairzinho, Paulo Cézar Caju e Roberto Miranda, no “Botafogo”; com o “Palmeiras”, Leão, Ademir da Guia e Dudu; pelo “Corinthians”, Rivellino e Ado; Gérson e Pedro Rocha, no “São Paulo”; no “Grêmio”, Everaldo: Carpegiani, pelo “Inter”; e, no “Atlético Mineiro”, o folclórico Dario. Nessa década, a seleção brasileira disputou três Copas do Mundo, vencendo duas. A sétima edição do campeonato mundial da FIFA realizou-se no Chile, de 30 de maio a 17 de junho de 1962. Das dezesseis equipes nacionais qualificadas, dez eram européias: União Soviética, Iugoslávia, Alemanha Ocidental, Itália, Suíça, Tchecoslováquia, Espanha, Hungria, Inglaterra e Bulgária. As demais seis participantes eram americanas: Chile, Brasil, Argentina, Colômbia, Uruguai e México. João Havelange, o presidente da CBD (Confederação Brasileira de


Desportos), hoje CBF, optou por repetir o planejamento adotado na campanha vitoriosa de 1958, e manter as masmas comissões de apoio. Paulo Machado de Carvalho foi, novamente, o chefe da delegação; Hilton Gosling, o médico; Mário Trigo, o dentista; o psicólogo, dessa vez, foi Ataíde Ribeiro; o preparador físico continuou sendo o Paulo Amaral, assim como o massagista Mário Américo. O técnico Vicente Feola, com problemas de saúde, foi substituído por Aymoré Moreira. Os vinte e dois jogadores selecionados foram os seguintes: Gylmar (“Santos”) e Castilho (“Fluminense”), goleiros: Djalma Santos (“Palmeiras”), Jair Marinho (“Fluminense”), Nílton Santos (“Botafogo”) e Altair (“Fluminense”), laterais; Mauro (“Santos”), Bellini (“São Paulo”), Zózimo (“Bangu”) e Jurandir (“São Paulo”), zagueiros; Zito (“Santos”), Zequinha (“Palmeiras”), Didi (“Botafogo”) e Mengálvio (“Santos”), meio-campistas; Garrincha (“Botafogo”), Jair da Costa (“Portuguesa de Desportos”), Vavá (“Palmeiras”), Coutinho (“Santos”), Pelé (“Santos”), Amarildo (“Botafogo”), Zagallo (“Botafogo”) e Pepe (“Santos”), atacantes. No primeiro jogo, dia 30 de maio, em Viña del Mar, o Brasil venceu o México por 2x0, com gols de Zagallo e Pelé. Este, porém, se contundiu com certa gravidade, resultando no seu afastamento da competição. A torcida brasileira ficou temerosa do sucesso do time, sem seu maior astro. Entretanto, Amarildo, seu substituto, mostrou-se à altura da difícil missão e deu conta do recado nas partidas seguintes. Em 2 de junho, ainda em Viña del Mar, a seleção brasileira enfrentou a Tchecoslováquia e empatou por 0x0. No último jogo da fase inicial, no mesmo Estádio Sausalito, em 6 de junho, o Brasil venceu a Espanha por 2x1, de virada, com dois gols de Amarildo. Classificou-se, assim, em primeiro lugar no Grupo 3. Na fase seguinte, pelas quartas-de-final, os canarinhos jogaram contra a Inglaterra, no dia 10 de junho, em Viña del Mar, vencendo por 3x1, tendo Garrincha assinalado dois tentos e Vavá, um. A seguir, coube ao Brasil enfrentar os donos da casa, no Estádio Nacional, em Santiago, perante um público superior a 76.000 pessoas, no dia 13 de junho. A vitória sobre o Chile, por 4x2 (novamente com gols de Garrincha e Vavá, dois de cada um), na semifinal, credenciou a seleção do Brasil a disputar o título contra a forte equipe tchecoslovaca, com a qual havia empatado, quinze dias antes. No dia 17 de junho de 1962,

no Estádio Nacional do Chile, cerca de 68.500 pessoas assistiram a vitória brasileira, de virada, por 3x1 (gols de Amarildo, Zito e Vavá), significando a comquista do bicampeonato mundial. Coube ao zagueiro Mauro Ramos de Oliveira, como capitão da equipe, a honra de erguer a taça Jules Rimet. A FIFA premiou Garrincha com a Bola de Ouro, como o melhor jogador da Copa do Mundo de 1962. Apesar do sucesso da preparação brasileira para o campeonato mundial de 1958, repetido para o torneio de 1962, e, tendo sido os cuidados, em ambos os casos, altamente recompensados com as conquistas dos títulos, não foi trilhado o mesmo caminho em 1966. Foram cometidos muitos erros, a principiar pelo número excessivo de jogadores convocados (quarenta e sete), no princípio dos treinamentos, pelo técnico Vicente Feola, que retornou à seleção após sua ausência em 1962. Foram tantos os desmandos, que se chegou ao cúmulo de convocar um jogador do “Flamengo” chamado Ditão, quando o indicado havia sido o zagueiro Ditão do “Corinthians”. Para não confessar o erro ridículo, a CBD deixou ficar como estava, e o Ditão rubro-negro foi cortado, posteriormente, enquanto seu homônimo do “Timão” ficou a ver navios. A relação completa dos atletas chamados para os treinamentos em Serra Negra (SP) e Caxambu (MG) foi a seguinte: os goleiros Fábio (“São Paulo”), Gylmar (“Santos”), Manga (“Botafogo”), Ubirajara Mota (“Bangu”) e Valdir (“Palmeiras”); os laterais Carlos Alberto Torres (“Santos”), Djalma Santos (“Palmeiras”), Édson Cegonha (“Corinthians”), Fidélis (“Bangu”), Murilo (“Flamengo”), Paulo Henrique (“Flamengo”) e Rildo (“Botafogo”); os zagueiros Altair (“Fluminense”), Bellini (“São Paulo”), Brito (“Vasco”), Ditão (“Flamengo”), Djalma Dias (“Palmeiras”), Fontana (“Vasco”), Leônidas (“América/RJ”), Orlando Pessanha (“Santos”) e Roberto Dias (“São Paulo”); os meio-campistas Denílson (“Fluminense”), Dino Sani (“Corinthians”), Dudu (“Palmeiras”), Fefeu (“São Paulo”), Gérson (“Botafogo”), Lima (“Santos”), Oldair (“Vasco”) e Zito (“Santos”); e os atacantes Alcindo (“Grêmio”), Amarildo (“Milan”), Célio (“Vasco”), Edu (“Santos”), Flávio (“Corinthians”), Garrincha (“Corinthians”), Ivair (“Portuguesa”), Jair da Costa (“Internazionale”), Jairzinho (“Botafogo”), Nado (“Náutico”), Parada (“Botafogo”), Paraná (“São Paulo”), Paulo Borges (“Bangu”), Pelé (“Santos”), Servílio (“Palmeiras”), Rinaldo (“Palmeiras”), Silva (“Flamengo”) e Tostão


(“Cruzeiro”). Da lista supra, saíram os chamados sobreviventes, em número de vinte e dois, que foram inscritos para a competição: Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Altair, Bellini, Brito e Orlando Pessanha (zagueiros); Denílson, Gérson, Lima e Zito (meio-campistas); Alcindo, Edu, Garrincha, Jairzinho, Paraná, Pelé, Silva e Tostão (atacantes). Embora a equipe que foi à Inglaterra tenha contado com 00craques excepcionais como Pelé, Garrincha, Gérson e Tostão, a campanha brasileira foi decepcionante. No dia 12 de julho de 1966, estreiou contra a Bulgária, vencendo por 2x0 (gols de Pelé e Garrincha). Em seguida, no dia 15 de julho, perdeu para a Hungria por 3x1, sendo Tostão o autor do gol brasileiro. Em 19 de julho, nova derrota, imposta por Portugal, pelo mesmo placar de 3x1, cabendo ao lateral esquerdo Rildo o gol de honra do Brasil. Com duas derrotas em três jogos, a seleção bicampeã foi eliminada logo na primeira fase, ficando em 11º lugar na classificação geral das dezesseis equipes participantes. Depois do fracasso em Liverpool, a CBD buscou um novo caminho na preparação da sua equipe, chamando o magro e agitado jornalista João Saldanha para ser o técnico, ocupando o posto exercido, em 1966, pelo gordo e sonolento Vicente Feola. Grande conhecedor dos meandros do futebol e com espírito motivador, Saldanha0 convocou os jogadores que foram denominados de feras, definindo, de pronto, o time base. Embora tivesse classificado a seleção, vencendo brilhantemente as eliminatórias, e conquistado a confiança da torcida, o temperamento passional do treinador e os percalços decorrentes, levaram à sua destituição, às vésperas do início da nona edição da Copa do Mundo. Apesar do contratempo, a oportunidade de reabilitação do selecionado brasileiro não foi desperdiçada, graças ao comando técnico, agora, de Mário Jorge Lobo Zagallo, o habilidoso ponta-esquerda bicampeão mundial, em sua nova função. Os vinte e dois convocados foram: os goleiros Félix Venerando (“Fluminense”), Eduardo Stinghen, o Ado (“Corinthians”) e Emerson Leão (“Palmeiras”); os defensores Hércules Brito (“Flamengo”), Wilson Piazza (“Cruzeiro”), Carlos Alberto Torres (“Santos”), Marco Antônio Feliciano (“Fluminense”), José Baldocchi (“Palmeiras”), José de Anchieta Fontana (“Cruzeiro”), Everaldo da Silva (“Grêmio”), Joel Camargo

(“Santos”) e José Maria Rodrigues Alves, o Zé Maria (“Portuguesa”); os meio-campistas Clodoaldo de Santana (“Santos”), Gérson Nunes (“São Paulo”), Roberto Rivellino (“Corinthians”), e Paulo Cézar Lima, o Caju (“Botafogo”); e os atacantes Jair Ventura Filho, o Jairzinho (“Botafogo”), Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão (“Cruzeiro”), Edison Arantes do Nascimento, o Pelé (“Santos”), Roberto Miranda (“Botafogo”), Edu Américo (“Santos”) e Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha (“Atlético Mineiro”). A campanha do Brasil, com seis vitórias em seis jogos, no México, significou ganhar, em definitivo, a Taça Jules Rimet, uma vez que foi a terceira conquista (1958, 1960 e 1970). Na estréia, no dia 3 de junho, a Tchecoslováquia abriu o marcador no Estádio Jalisco de Guadalajara. Mas os gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho (dois) reverteram a situação, assegurando a vitória brasileira por 4x1. Em 7 de junho, no mesmo estádio, Jairzinho marcou o gol único da partida contra a Inglaterra. Foi um gol de bela feitura, especialmente pela linda jogada pessoal de Tostão, que passou por vários adversários, e fez o passe para Pelé, que estendeu para o “Furacão da Copa” definir um jogo de alto nível, extremamente equilibrado. Na terceira partida da primeira fase, dia 10 de junho, com gols de Pelé (dois) e Jairzinho, os “canarinhos” venceram o time da Romênia por 3x2. Nas quartas-de-final, o Brasil venceu o Peru, muito bem treinado pelo brasileiro Didi, em 14 de junho, ainda em Guadalajara, por 4x2, sendo os seus gols assinalados por Rivelino, Tostão (dois) e Jairzinho. Despedindo-se do Estádio Jalisco, a seleção brasileira derrotou a uruguaia, na semifinal realizada em 17 de junho, por 3x1, de virada, já que Cubilla inaugurou o placar, com gols de Clodoaldo, Jairzinho e Rivelino. A final teve lugar no Estádio Azteca, na capital mexicana, no dia 21 de junho de 1970, reunindo duas seleções que almejavam a posse definitiva da Taça Jules Rimet, já que ambas tinham duas conquistas: Brasil e Itália. Perante um público da ordem de 108.000 pessoas, o time brasileiro fez uma exibição de gala. Pelé, de cabeça, abriu o marcador, aproveitando um cruzamento de Rivelino. A Itália empatou, ainda no primeiro tempo, por intermédio de Roberto Boninsegna, que se aproveitou de uma falha de Clodoaldo. No segundo tempo, o Brasil deslanchou. Gérson chutou forte, de fora da área, e marcou o segundo


gol. Em seguida, com sua famosa canhota, cobrou uma falta, colocando na cabeça de Pelé para servir Jairzinho, que finalizou para assinalar o terceiro tento do Brasil, confirmando sua sina de fazer gols em todas as partidas do torneio. Finalmente, para fechar com chave de ouro, o mais bonito gol da partida e um dos mais belos de todas as Copas do Mundo. Após um passe de Rivelino para Jairzinho, este serviu a Pelé que proporcionou excelente assistência para Carlos Alberto. O capitão encheu o pé, desferindo tremenda bomba que estufou a rede italiana. Assim, Carlos Alberto Torres, repetindo os gestos de Bellini e de Mauro, levantou a Taça Jules Rimet, que, a partir daquele momento, passou a ser brasileira para sempre. A seleção campeã formou com os seguintes titulares: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. Essa formação 4-2-4 transformava-se em 4-3-3, com o recuo de Roberto Rivelino. Pelé foi premiado com a Bola de Ouro, como melhor jogador do torneio; Carlos Alberto recebeu a Bola de Bronze; Jairzinho ganhou a Chuteira de Prata, como vice-artilheiro do certame. Seis jogadores do Brasil integraram a equipe formada com os melhores da competição em suas posições: Carlos Alberto e Piazza, na defesa: Gérson e Rivelino, no meio de campo; Jairzinho e Pelé, no ataque. De acordo com o jornalista esportivo Luiz Mendes, na Copa de 1970, ficaram mais famosos os gols não marcados por Pelé que os feitos por ele. No jogo contra a Tchecoslováquia, o “Rei do Futebol” percebeu que o goleiro Viktor estava adiantado e chutou de longe, por cobertura. O arqueiro, desesperado, correu de volta para a meta, mas só conseguiu ver a bola passar a poucos centímetros do gol, para seu alívio. Contra a Inglaterra, Pelé deu uma forte cabeçada, de muito perto, mas o goleiro Gordon Banks conseguiu, milagrosamente, evitar o gol, com uma defesa fenomenal, considerada a melhor da história das copas do mundo. Na partida Brasil x Uruguai, o “Rei”, sem tocar na bola, aplicou um drible de meia-lua no goleiro Mazurkiewicz (considerado o melhor da competição) e concluiu para o gol, mas a bola, caprichosamente, foi para fora, rente à trave. Além dos craques já apresentados anteriormente, selecionamos mais alguns dos grandes jogadores brasileiros que fizeram sucesso nessa década.

Waldir Cardoso Lebrêgo, o Quarentinha, nasceu em Belém do Pará, no dia 15 de setembro de 1933. Seu pai, Luiz Lebrêgo, nasceu em Barbados no Caribe, mas foi, ainda criança, para Belém, e jogou futebol no “Paysandu”, com o apelido de “Quarenta”, tendo sido ídolo e um dos maiores artilheiros do clube paraense. Assim, foi natural que Waldir começasse suas atividades futebolísticas no “Papão”, aos dezesseis anos, e herdasse a alcunha paterna, no diminutivo. Quarentinha transferiu-se, em 1953, para o “Vitória” da Bahia e conquistou a artilharia do campeonato baiano daquele ano, com 31 gols. No ano seguinte, foi contratado pelo “Botafogo”. Nos anos de 1954 e 1955, deslumbrado com os encantos da noite carioca, o seu rendimento caiu, motivo pelo qual o alvinegro o emprestou ao “Bonsucesso”. Retornou à Rua General Severiano, em 1957, para ser Campeão Carioca, num time que tinha, como maiores astros, Garrincha, Nílton Santos e Didi. Foi o artilheiro do Campeonato Carioca em três edições seguidas: 1958/59/60. Pelo “Glorioso”, conquistou os títulos de Bicampeão Carioca (1961/62) e do Torneio Rio-São Paulo, em 1962 e 1964. De acordo com Rafael Casé, até 1965, Quarentinha marcou 313 gols em 447 paridas, números que o transformam no maior artilheiro do clube da Estrela Solitária. Atacante muito habilidoso e dono de um potente chute na perna esquerda, Quarentinha era introvertido, melancólico e tinha uma característica que incomodava os dirigentes e torcedores do seu clube: a de não festejar os gols. Sua explicação era simples: “Sou pago para marcar gols. Não faço mais que minha obrigação”. José Ferreira Franco, o Zequinha, nasceu no Recife, em 18 de novembro de 1934. Começou sua trajetória no futebol em 1954, no “Auto Esporte Clube”, da Paraíba. No ano seguinte, foi para o “Santa Cruz”, pelo qual foi Campeão Pernambucano em 1957 Transferiu-se para o “Palmeiras” em 1958. No alviverde paulistano, viveu a melhor fase da sua carreira, conquistando os títulos: de Campeão Paulista, em 1959, 1963 e 1966; do Torneio Rio-São Paulo, em 1965; da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1967. Volante eficiente, realizou 17 jogos pela Seleção do Brasil. Foi vencedor da Taça do Atlântico (1960), da Taça Oswaldo Cruz (1962) e da Copa Roca (1963). Sua maior conquista foi a


vitória na Copa do Mundo do Chile, em 1962. Deixou o “Palmeiras” em 1969, para jogar no “Atlético Paranaense”. No ano seguinte, transferiu-se para o “Náutico”, da sua cidade natal, e encerrou a carreira. Faleceu em 2009, na cidade de Olinda, vizinha ao Recife. José Macia, o Pepe, nasceu no dia 25 de fevereiro de 1935, em Santos. Começou sua carreira profissional, em 1954, em sua cidade natal, no “Santos”, único clube que defendeu, até pendurar as chuteiras, em 1969. Jogou 750 partidas, marcando 405 gols, pelo Peixe. Segundo o próprio, é “o maior artilheiro humano da história do “Santos”, porque Pelé veio de Saturno”. Pepe foi um ponta-esquerda dotado de um chute fortíssimo, que lhe valeu o apelido de “Canhão da Vila”. Além da potência extraordinária, sua perna canhota possuía uma precisão excepcional que o transformou em exímio cobrador de faltas, colocando-o na história do futebol. Foram inesquecíveis os dois tentos, que assinalou, em tiros livres, contra o “Milan”, na decisão da Copa Intercontinental (mundial de clubes), em 1963. Fazem parte da sua coleção de títulos, com o alvinegro praiano: Copa Intercontinental de 1962 e 1963; Copa Libertadores da América, em 1962 e 1963; Recopa Sul-Americana de 1968; Recopa Mundial de 1968; Taça Brasil (campeonato brasileiro) de 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965; Torneio Roberto Gomes Pedrosa (campeonato Brasileiro) de 1968; Torneio Rio-São Paulo, em 1959, 1963, 1964 e 1966; Campeonato Paulista, de 1955, 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969. Foi o artilheiro do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Com a Seleção Brasileira, participou das seguintes conquistas; Copa do Mundo, de 1958 e 1962; Copa Rocca, em 1957 e 1963; Copa Bernardo O’Higgins, de 1961; Taça do Atlântico, em 1956 e 1960; Taça Oswaldo Cruz, de 1961 e 1962. Disputou 40 partidas com a camisa amarelinha do Brasil, marcando 22 gols. Após encerrar a carreira com jogador, continuou colhendo glórias, como treinador: Campeão Paulista, com o “Santos”, em 1973; Campeão Cearense, em 1985, pelo “Fortaleza”; Campeão Brasileiro de 1986, pelo “São Paulo”; Campeão Paulista, em 1986, e Brasileiro da Série B, em 1988, com a “Internacional”, de Limeira; Campeão Japonês de 1993,

com o “Yomiuri Verdy”; e Campeão Brasileiro da Série B, em 1995, pelo “Atlético Paranaense”. Jair Marinho de Oliveira, nascido em 17 de julho de 1936, é natural de Santo Antônio de Pádua (Estado do Rio de Janeiro). Iniciou sua carreira profissional em 1956, no “Fluminense”, cujas cores defendeu até 1963. Nesse período, atingiu seu auge e foi Campeão Mundial pela Seleção Brasileira em 1962. Com o tricolor das Laranjeiras, Jair Marinho foi Campeão Carioca, em 1959, e do Torneio Rio-São Paulo, em 1957 e 1960. Lateral direito de compleição forte, jogava um futebol vigoroso, porém leal, muito eficiente na marcação e eficaz na saída de bola para o ataque. Foi para a capital paulista em 1964, passando a atuar pela “Portuguesa”. Transferiu-se, no ano seguinte, para o “Corinthians”. Em 1967, voltou para o Rio, onde jogou pelo “Vasco”. Encerrou sua carreira no “Campo Grande”, em 1970. Félix Miéli Venerando nasceu em 24 de dezembro de 1937, na capital de São Paulo. Começou no futebol muito cedo, nas divisões de base do “Nacional Atlético Clube” da capital paulista. Profissionalizou-se aos quinze anos, assinando contrato com o “Juventus”. Em julho de 1955, transferiu-se para a “Portuguesa de Desportos”, passando a ser reserva do arqueiro Cabeção. Estreiou na lusa em março de 1956, com uma vitória sobre o “Newell’s Old Boys”, da Argentina, quando o goleiro titular estava servindo à seleção brasileira. Com a saída de Cabeção, em 1957, Félix participou da conquista do campeonato paulista desse ano. Entretanto, em 1958, a equipe do Canindé contratou outro goleiro (Carlos Alberto) e Félix foi cedido por empréstimo ao “Nacional”. Retornou à “Portuguesa”, no final de 1960 e foi titular absoluto até 1963. Com a chegada ao Canindé do goleiro Orlando, passou a haver um revezamento no gol da lusa, entre 1964 e 1968. Um episódio curioso aconteceu em 1964, em um jogo amistoso contra uma seleção de Massachussets, nos Estados Unidos. A peleja estava muito fácil e quando o placar já era 9x0, o “Papel” (seu apelido por causa da sua extrema magreza e capacidade de voar para efetuar as defesas difíceis) foi substituído por Orlando, mas continuou atuando na linha e marcou o décimo gol. Em 1965, Félix foi convocado pela primeira vez para a seleção nacional, estreiando no Pacaembu, com uma vitória sobre a Hungria, por 5x3, em 21 de novembro de 1965. Entre 25 de junho e 1º de julho de 1967,


defendeu o gol da seleção do Brasil, em três empates na cidade de Montevidéu, frente ao Uruguai, em disputa da Copa Roca. Em julho de 1968, já com 30 anos, Félix foi contratado pelo “Fluminense”. No tricolor carioca, atingiu seu apogeu. Foi Campeão Carioca em 1969, 1971, 1973 e 1975. Conquistou a Taça de Prata (campeonato nacional da época) em 1970. Pela Seleção Brasileira, Félix Venerando foi Campeão Mundial em 1970, além de ter vencido a Copa Rio Branco (1968). Seu último jogo como goleiro do “Fluminense” aconteceu em 23 de janeiro de 1976. Após guardar as luvas, trabalhou nas Laranjeiras, como preparador de goleiros, até 1980. Coordena uma escolinha comunitária de futebol, voltada para crianças carentes. Assumiu o cargo de Diretor Técnico da “Internacional” de Limeira, em 2007. Altair Gomes de Figueiredo, nascido em 22 de janeiro de 1938, é natural de Niterói, Estado do Rio. Seu início no futebol aconteceu nas divisões de base do “Manufatora”, em sua cidade natal. Começou profissionalmente em 1955, no “Fluminense”, seu clube de coração, cuja camisa tricolor foi a única que envergou (além da amarelinha da Seleção Brasileira), durante toda a sua brilhante carreira, encerrada em 1971. Jogou 551 partidas pelo clube da Rua Álvaro Chaves. Lateral esquerdo dotado de excelente técnica, era um marcador implacável, que raramente perdia uma dividida, apesar de sua magreza, que lhe valeu o apelido de “O Magro”. Depois de veterano, passou a atuar, com igual brilho, como quarto zagueiro, tanto no tricolor das Laranjeiras, como no time canarinho. Ganhou os títulos de Campeão Carioca em 1959, 1964 e 1969; do Torneio Rio-São Paulo, em 1957 e 1960; da Taça Guanabara, de 1966 e 1969. Pela Seleção do Brasil, foi Campeão Mundial em 1962, no Chile; participou, também, da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra; e conquistou a Copa Bernardo O’Higgins, em 1959, 1961 e 1962. Após pendurar as chuteiras, participou, em Niterói, de alguns projetos educacionais ligados ao esporte. Nos anos 90, Altair voltou a colaborar com o “Fluminense”, atuando em diversas comissões técnicas do departamento de futebol profissional. Amarildo Tavares da Silveira nasceu em Campos, norte fluminense, no dia 29 de julho de 1939. Iniciou suas atividades futebolísticas em sua cidade natal, nas divisões de base do “Goytacaz”, em 1956. Foi para o “Flamengo” em 1958. Dispensado do time de aspirantes rubronegro,

Amarildo quase desistiu do futebol. Estava servindo ao exército, quando o jogador Paulistinha o levou para um teste em seu clube, o “Botafogo”, que o aprovou. Jogou no alvinegro de 1958 a 1963. Conquistou os títulos de Bicampeão Carioca (1961/62) e do Torneio Rio-São Paulo de 1962. Transferiu-se para o “Milan” da Itália, em 1963. Pela Seleção do Brasil, jogou 24 partidas, marcando 9 gols, entre 1961 e 1966. Foi um dos heróis da conquista da Copa do Mundo de 1962, no Chile, substituindo Pelé, que se contundiu no primeiro jogo e não mais atuou no torneio. Recebeu o apelido de “Possesso”, depois de suas excelentes apresentações no referido campeonato mundial. Fez sucesso em Milão, defendendo o clube “rossonero” até 1967. Nesse ano, foi para a “Fiorentina”, onde atuou até 1971. Em sua última temporada italiana (1971/72) jogou pela “Roma”. Retornou ao Rio de Janeiro em 1973, contratado pelo “Vasco da Gama”. Encerrou a carreira em 1974. Hércules Brito Ruas, o Brito, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 9 de agosto de 1939. Iniciou sua carreira de jogador prpfissional de futebol em 1960, no “Vasco da Gama”, seu clube do coração, no qual permaneceu por dez anos. Pela equipe de São Januário, conquistou o título do Torneio Rio-São Paulo de 1966. Pela Seleção do Brasil, fez 45 partidas, entre 1964 e 1972. Participou das Copas do Mundo de 1966, na Inglaterra, e de 1970, no México, onde foi um dos esteios da defesa brasileira, conquitando seu maior título, o de Campeão Mundial. Zagueiro vigoroso, estilo “xerife da área”, Brito, após seu longo período no clube da colina, jogou em diversos times: “Flamengo”, “Internacional”, “Cruzeiro”, “Botafogo”, “Corinthians”, “Atlético Paranaense” e “River”, do Piauí. Em 1970, recebeu o prêmio Bola de Prata. Em 1971, foi suspenso por um ano, por ter agredido, com um soco, o árbitro José Aldo Pereira. Djalma Pereira Dias Júnior, ou, simplesmente, Djalma Dias, nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de agosto de 1939. Iniciou sua carreira profissional no “América”, do Rio, em 1959. Com o time rubro, foi Campeão Carioca em 1960. Permaneceu no clube da Rua Canpos Sales, até 1961. A partir de 1962, passou a defender o “Palmeiras”, onde viveu a sua melhor fase, integrando a famosa equipe chamada de “Academia”, e


chegando à Seleção Brasileira. Djalma Dias foi um grande zagueiro de estilo clássico, extremamente técnico. Disputou alguns jogos pela Seleção Brasileira, sendo o primeiro em 12 de maio de 1962, quando substituiu o titular Mauro. Em 7 de setembro de 1965, o time do Palmeiras, com Djalma Dias na zaga, vestiu a camisa amarela do Brasil e venceu o Uruguai por 3x0, na inauguração do Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte. Ele foi, ainda, titular da equipe brasileira em amistosos realizados em novembro de 1965 e maio e junho de 1966. Com a camisa verde do antigo Palestra, foi Campeão Paulista em 1963 e 1966. Deixou o Parque Antárctica, em 1967, brigado com a diretoria. Atuou, a seguir, pelo “Atlético Mineiro” (1968), “Santos” (1969 a 1970), e, de volta à sua cidade natal, pelo “Botafogo” (1970 a 1974). Djalma Dias faleceu em maio de 1990, no Rio de Janeiro, sem ter visto seu filho Djalminha jogar pela Seleção Brasileira. Olegário Tolói de Oliveira, mais conhecido como Dudu, nasceu no dia 7 de novembro de 1939, em Araraquara (Estado de São Paulo). Iniciou sua carreira profissional na “Ferroviária”, de sua cidade natal, em 1959. Cinco anos depois, transferiu-se para o “Palmeiras”, onde se tornou um jogador símbolo, conquistou suas glórias e permaneceu até se aposentar, em 1976. Foi um dos esteios da ótima equipe palmeirense que mereceu o apelido de “Academia”. Formou um excelente meio-de-campo com Ademir as Guia. Volante eficaz, jogava um futebol simples e objetivo. Dudu carregava o piano, no qual Ademir tocava divinamente. Conquistou os títulos de Campeão Paulista, em 1966, 1972 e 1974; do Torneio Rio-São Paulo, em 1965; da Taça Brasil, em 1967; do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1967 e 1969; e de Campeão Brasileiro, em 1972 e 1973. Jogou 13 partidas pela Seleção do Brasil. Mengálvio Pedro Figueiró nasceu no dia 17 de dezembro de 1939, em Laguna, Estado de Santa Catarina. Iniciou sua atividade futebolística no “Barriga Verde”, de seu estado natal. Em 1957, já como profissional, foi contratado pelo “Aimoré”, onde permaneceu atá 1959. A fase mais brilhante de Mengálvio teve início em 1960, quando começou a jogar no “Santos”, one permaneceu até 1967. Foi seis vezes Campeão Paulista (1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967); cinco vezes vencedor da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965); bicampeão da Copa

Libertadores da América (1962/63) e bicampeão da Copa Intercontinental, precursora do campeonato mundial de clubes (1962/63). Com estilo clássico, ele atuava no meio de campo, municiando o ataque, com muita eficiência. Com a Seleção Brasileira, participou da conquista da Copa do Mundo de 1962, no Chile. Antes de encerrar a carreira, ainda jogou no “Grêmio” de Porto Alegre (1968), e no “Millonarios”, da Colômbia (1969). Jair da Costa nasceu no dia 9 de julho de 1940, em Osasco. Iniciou sua carreira profissional na “Portuguesa de Desportos”, da capital paulista, em 1960. Dois anos depois, foi chamado para a Seleção Brasileira. Participou de um jogo amistoso contra o País de Gales, em maio, na fase de preparação para a Copa do Mundo de 1962, na qual foi reserva do Garrincha. Mesmo sem ser titular, despertou o interesse da “Inter” de Milão que o contratou. Jogou dez anos na Itália, nove dos quais com os “nerazzurri”. Nesse prtíodo, foi Campeão Italiano quatro vezes; Campeão da Copa dos Campeões da UEFA duas vezes (1964 e 1965); e, mais duas vezes, Campeão da Copa Intercontinental (mundial de clubes). Jogou a temporada 1967/68 na “Roma”. Voltou para o Brasil em 1972, passando a atuar pelo “Santos”. Com o alvinegro praiano, foi Campeão Paulista, em 1973. No ano seguinte, foi para o Canadá, defender o “Windsor Star”. Lá, encerrou a carreira, em 1976. Gérson de Oliveira Nunes nasceu em Niterói, no dia 11 de janeiro de 1941. Iniciou, em 1958, suas atividades futebolísticas no “Canto do Rio”, da sua cidade natal. Profissionalmente, começou sua carreira no “Flamengo”, em 1959. Atuou pelo rubronegro até 1963, tendo sido vencedor do Torneio Rio-São Paulo, em 1961, e Campeão Carioca de 1963. Nesse mesmo ano, entrou em rota de colisão com o clube da Gávea, e o trocou palo “Botafogo”. Gérson foi mais feliz no alvinegro, onde se tornou o comandante do time, até 1969. Conquistou os títulos: do Torneio Rio-São Paulo em 1964 e 1966; de Bicampeão Carioca (1967/68); e da Taça Brasil de 1968. Um dos maiores estilistas do futebol brasileiro de todos os tempos, com 1,67 m de altura e cerca de 70 kg, era um meia capaz de fazer lançamentos precisos de longa distância, para felicidade dos seus companheiros de equipe, muitos dos quais se tornaran artilheiros graças a ele.


Exímio batedor de faltas, sua perna esquerda, temida pelos goleiros adversários, valeu-lhe o apelido de “Canhotinha de Ouro”. Além dessas qualidades, Gérson era dotado de grande consciência tática e excelente visão de jogo, aliadas a uma forte personalidade e espírito de liderança. Por isso, falava o tempo todo, orientando ou até xingando os colegas de time, que o apelidaram de “Papagaio”. Seu grande defeito era fumar em demasia, fazendo-o inclusive no intervalo das partidas. E foi uma campanha publicitária de cigarros que lhe causou aborrecimentos, por ligar, injustamente, a sua imagem a uma postura de levar vantagem em tudo, mesmo recorrendo a meios incorretos. A propaganda ficou tão famosa que deu origem, na cultura popular, à chamada “Lei de Gérson”. Em 1969, transferiu-se para o “São Paulo”, onde continuou s fazer sucesso, sendo Campeão Paulista em 1970 e 1971. Finalmente, passou a defender as três cores do seu clube de coração, o “Fluminense”, a partir de 1972, quando voltou para o Rio de Janeiro. Integrou-se a uma excelente equipe, que venceu o Campeonato Carioca de 1973 e o Torneio Internaciona do Rio de Janeiro, realizado no mesmo ano. Encerrou, precocemente, sua carreira em 1974, aos 33 anos, apesar dos apelos do presidente do “Fluminense”, para que continuasse a jogar, pelo menos, por mais um ano. Pela Seleção Brasileira, jogou 83 vezes e marcou 28 gols, em partidas oficiais e amistosas. Gérson usou a amarelinha pela primeira vez em 1959, com 18 anos, numa vitória sobre Costa Rica por 4x2, pela seleção juvenil que disputou os Jogos Pan-Americanos de Chicago. Em 1960, participou das Olimpíadas. Em 1963, com a seleção principal, conquistou a Copa Roca, que voltou a vencer em 1971. As suas participações mais importantes foram nas Copas do Mundo de 1966 e 1970. Na primeira, não pode jogar a partida contra Portugal, na qual o Brasil foi derrotado, em virtude de um cálculo renal. Na segunda, com magistrais atuações, foi um dos mais valiosos jogadores na campanha vitoriosa que deu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Sua última apresentação com a camisa da seleção aconteceu em 9 de julho de 1972, no Maracanã, na vitória do Brasil sobre Portugal, por 1x0, válida pela Taça Independência. Depois de pendurar as chuteiras, tornou-se comentarista esportivo, em emissoras de rádio e TV. Coordena as atividades de uma escola de fute-

bol, em sua amada Niterói. Rildo da Costa Menezes nasceu no Recife, em 22 de janeiro de 1942. Iniciou sua carreira profissional em 1960, na sua cidade natal, no “Sport” Ficou apenas um ano no rubro-negro pernambucano, transferindo-se para o alvinegro carioca em 1961. Com o “Botafogo” foi Bicampeão Carioca, em 1961 e 1962. No “Glorioso”, despontou como grande jogador e passou a ser convocado para a Seleção Brasileira, disputando seu primeiro jogo com a camisa amarela em maio de 1963, contra a Holanda. Ganhou a Copa Oswaldo Cruz de 1968. Realizou 37 partidas pela Seleção do Brasil, sendo a última em agosto de 1969, enfrentando o Paraguai. Ainda conquistou os títulos do Torneio Rio-São Paulo, em 1962 e 1966, pelo clube da Estrela Solitária. Rildo foi um lateral-esquerdo muito eficaz, com grande poder de marcação. Transferiu-se para o “Santos” em 1967. No alvinegro praiano, foi Tricampeão Paulista em 1967/68/69 e venceu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. Deixou o clube da Baixada Santista em 1973, pasando a jogar pelo “CEUB”, com o qual sagrou-se Campeão Brasiliense, no mesmo ano. Em 1977, convidado por Pelé, foi para os Estados Unidos, atuar pelo New York Cosmos. Continuou morando na América do Norte, após ter encerrado a carreira. José Germano de Sales nasceu em 25 de março de 1942, na cicade mineira de Conselheiro Pena. Começou no juvenil do “Flamengo”, no Rio de Janeiro, aos dezesseis anos de idade, em 1958. Logo ascendeu ao time principal, ocupando a ponta esquerda. Entre 1959 e 1962, com a camisa rubronegra nº 11, jogou 85 partidas e marcou 16 gols. Convocado para a Seleção Brasileira, disputou 11 jogos. Fez parte da lista prévia de pré convocados para a Copa do Mundo de 1962. Atuando na mesma posição que Zagallo e Pepe, não conseguiu vaga na delegação que levantou a taça no Chile. Germano era rápido, driblava bem e chutava forte. Transferiu-se em 1962 para o “Milan”, com o qual conquistou a Copa dos Campeões da Europa de 1963. Na Itália, obteve enorme notoriedade, não por sua habilidade futebolística, mas por seu romance com uma bela e rica condessa, chamada Giovana Augusto. Apesar da oposição da família tradicional da moça, possivelmente em decorrência da raça negra do jogador, os noivos se casaram e o enlace foi notícia na imprensa mun-


dial. Em 1965, retornou ao Brasil, cedido por empréstimo ao “Palmeiras”. Com o “Verdão”, foi Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1965 e integrou sua famosa equipe chamada de “Academia”, que representou o Brasil, vencendo a Seleção do Uruguai, por 3x0 (um dos gols da autoria de Germano), em Belo Horizonte, na inauguração do Estádio Mineirão, no dia 7 de setembro de 1965. Após mais uma temporada (1966) com o uniforme alviverde, sem muito sucesso, voltou para a Europa. Passou a jogar pelo “Standard de Liége”, sagrando-se Bicampeão ds Copa da Bélgica (1966 e 1967). Em 1970, na cidade de Liége, no Reino da Bélgica, Germano pendurou as chuteiras e divorciou-se, encerrando seu célebre casamento, durante o qual nasceu sua filha Giovana Clara que, hoje, vive em Los Angeles (Estados Unidos). No dia 1º de outubro de 1997, José Germano faleceu, aos 55 anos de idade, muito gordo, vítima de infarto, em sua cidade natal, onde vivia em companhia de sua segunda esposa. Ademir da Guia nasceu em 3 de abril de 1942, no Rio de Janeiro. É filho do célebre Domingos da Guia, um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro. Com apenas dez anos, começou a praticar futebol no time infantil do “Céres”. Quatro depois, foi para as divisões de base do “Bangu”, clube onde seu pai também iniciou sua gloriosa trajetória futebolística. Profissionalizou-se em 1960, na mesma agremiação carioca. No ano seguinte, transferiu-se para o “Palmeiras”. No Parque Antártica, logo tornou-se um dos maiores ídolos e foi titular por mais de dezesseis anos. Aposentou-se no “Verdão”, em 1977. Nos tempos da chamada “Academia”, formou uma excelente dupla de meio-de-campo com Dudu. Alto e esguio, herdou de seu pai a classe e o apelido de “Divino”. A crítica esportiva o considera um dos maiores talentos do futebol brasileiro e lamenta as poucas oportunidades que ele teve na seleção nacional, pela qual disputou apenas 12 partidas, sendo somente uma em Copa do Mundo, na disputa do terceiro lugar, em 1974. Pelo clube alviverde paulistano, conquistou os títulos de Campeão Paulista, em 1963, 1966, 1972, 1974 e 1976; do Torneio Rio-São Paulo, em 1965; da Taça Brasil, em 1967; do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1967 e 1969; e de Campeão Brasileiro, em 1972 e 1973. É o recordista em número de partidas jogadas pelo “Palmeiras”: 901.

Depos de pendurar as chuteiras, Ademir da Guia teve atuação política, tendo sido vereador na cidade de São Paulo. Sua biografia foi publicada em 2001, e sua carreira foi objeto de um filme documentário, lançado em 2006, sob o título “Um craque chamado Divino”. Wilson Piazza nasceu em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia 25 de fevereiro de 1943. Iniciou sua atividade futebolística, como atacante, no “Renascença”, onde foi descoberto pelo “Cruzeiro”, em 1964. Devido a uma contusão de Hilton Chaves, no início do campeonato mineiro daquele ano, Piazza logo ganhou a posição de volante titular. Destacou-se como ótimo marcador, desarmando com facilidade os adversários, sem cometer faltas. Com espírito de liderança, tornou-se, em 1966, o capitão da equipe, posto que ocupou por dez anos seguidos. Conquistou os títulos: de Campeão Mineiro, em 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977; da Taça Brasil, em 1966; e da Copa Libertadores da América, em 1976. Pela Seleção do Brasil, foi titular, jogando como zagueiro, na campanha vitoriosa da Copa do Mundo de 1970, no México. Disputou, também, a Copa do Mundo de 1974, na qual o Brasil terminou em quarto lugar. Denílson Custódio Machado nasceu no dia 28 de março de 1943, em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio. Iniciou sua atividade futebolística no time juvenil do Madureira, no Rio de Janeiro. Insatisfeito no tricolor suburbano, decidiu procurar o tricolor das Laranjeiras, por conta própria, sem nenhuma apresentação. Barrado na portaria da Rua Ávaro Chaves, conseguiu, depois de muita insistência, que o porteiro o deixasse entrar para falar com o técnico Zezé Moreira. Denílson foi direto ao assunto: “Seu Zezé, eu sou jogador de futebol e quero treinar aqui.” O já consagrado treinador confiou no garoto e colocou-o para treinar entre os juvenis do “Fluminense”. Com quase 1,90 m de altura, e muito forte, ele foi alçado ao time principal, em 1964, pelo técnico Tim. Volante com estilo defensivo, de proteção à zaga, Denílson era quase intransponível, sendo um grande destruidor das jogadas ofensivas dos adversários. Sua deficiência, no início da carreira, era a qualidade do passe. Os excelentes técnicos que dirigiram o time verde, branco e grená, nessa década, como Zezé Moreira, Tim e Telê Santana, fizeramno aperfeiçoar o fundanento, transformando-o em um excelente volante. Em decorrência do seu porte físico, da sua postura em campo e da sua


cor, recebeu o apelido carinhoso de “Rei Zulu”. Com o “Fluminense”, conquistou os títulos: de Campeão Carioca, em 1964, 1969, 1971 e 1973; da Taça Guanabara de 1966, 1969 e 1971; e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1970, chamado nesse ano de Taça de Prata. Pela Seleção do Brasil, disputou nove jogos, marcando dois gols. Participou da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Transferiu-se, em 1973, para o Rio Negro, do Amazonas. Jogou, em seguida, pelo “Vitória”. Encerrou sua carreira de jogador no rubronegro baiano, em 1975. Continuou no clube da Bahia até 1977, como treinador. Antônio Wilson Vieira Honório, o Coutinho, nasceu em Piracicaba, Estado de São Paulo, no dia 11 de junho de 1943. Chegou muito novo ao “Santos”, em 1958. Estreiou na equipe principal, com quinze anos de idade, substituindo o craque Pagão, contundido. Jogou no Santos até 1968, tendo se tornado um ótimo parceiro para o Pelé. Atuou pelo “Vitória”, da Bahia, durante o ano de 1968, e pela “Portuguesa” paulistana, em 1969, mas sem o mesmo brilho. Retornou ao “Santos” em 1970, transferindo-se a seguir para o “Atlas”, do México. Em uma única temporada no clube mexicano, marcou dez gols. Voltou ao Brasil, passando a jogar pelo “Bangu”, em 1971 e 1972. Encerrou a carreira, em 1973, no “Saad”, de São Caetano, que disputava a 2ª divisão paulista. Coutinho tinha uma grande tranqüilidade nas finalizações. Concluia as jogadas com extrema frieza, o que lhe valeu o apelido de “gênio da pequena área”. Centroavante muitíssimo habilidoso fazia, com Pelé, tabelinhas que ficaram famosas. Em um jogo contra o Grêmio, no Estádio Olímpico, Coutinho e Pelé trocaram passes de cabeça, desde o meio de campo até a área do tricolor gaúcho, onde outro grande jogador santista, Lima, finalizou e marcou o gol, que foi aplaudido até pela torcida adversária, tamanha a genialidade e beleza da jogada. Com o “Santos”, realizou 457 partidas e marcou 370 gols, conquistando 22 títulos: de Campeão Paulista, em 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967; do Torneio Rio-São Paulo, em 1959, 1963, 1964 e 1966; de Campeão Brasileiro (Taça Brasil), em 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965; de Campeão Brasileiro (Torneio Roberto Gomes Pedrosa), em 1968; da Copa Libertadores da América, em 1962 e 1963; da Taça Intercontinental, em 1962 e 1963; da Recopa Sul-Americana, em 1968; e da Recopa

Mundial, em 1968. Coutinho foi o artilheiro do Torneio Rio-São Paulo, em 1961 e 1964; da Taça Brasil de 1962; e da Copa Libertadores da América de 1962. Sua estréia na Seleção do Brasil foi contra o Uruguai, em Montevidéu, quando ele tinha apenas dezesseis anos. Coutinho disputou quinze partidas com a amarelinha, marcando seis gols. Foi Campeão Mundial no Chile, em 1962. O grande problema enfrentado por Coutinho, durante toda a sua carreira, foi a tendência excessiva para engordar. A dificuldade em manter o peso acabou sendo responsável pelo seu rápido declínio após 1968 e pela sua aposentadoria precoce, aos 30 anos, em 1973. Depois de pendurar as chuteiras, Coutinho voltou à Vila Belmiro como treinador dos juvenis, vencedores dos campeonatos da categoria em 1979 e 1980. Após rápida passagem pela equipe profissional santista, em 1981, ele foi técnico de diversos times, entre os quais: “Comercial” e “Aquidauana���, de Mato Grosso do Sul; “Santo André” e “São Caetano”, do Estado de São Paulo; e “Bonsucesso”, da cidade do Rio de Janeiro. Roberto Lopes Miranda nasceu em São Gonçalo, Estado do Rio de Janeiro, no dia 31 de julho de 1943. Jogou pelo “Botafogo” de 1962 a 1972. Atacante raçudo, que não fugia do pau, sofreu diversas fraturas: costela, braço, clavícula e queixo; além de ter rompido o tendão de Aquiles. Apelidado de “Vendaval”, Roberto Miranda foi o artilheiro do campeonato carioca de 1968. Conquistou diversos títulos com o alvinegro da Rua General Severiano: Campeão Carioca, em 1962, 1967 e 1968; do Torneio Rio-São Paulo, em 1964 e 1966; da Taça Brasil, em 1968. Pela Seleção do Brasil, jogou dezoito partidas oficiais, tendo marcado nove gols, entre 1967 e 1972. Foi Campeão Mundial em 1970. Transferiu-se para o “Corinthians” em 1973, onde atuou pouco, prejudicado por seguidas contusões. Um problema no joelho direito levou-o a pendurar as chuteiras, prematuramente, em 1976. Carlos Alberto Torres é carioca, nascido em 17 de julho de 1944. Começou a jogar no time juvenil do “Fluminense’, em 1960. Iniciou sua carreira profissional em 1963, no mesmo clube. Com 1,82 m de altura e 76 kg, Carlos Alberto foi um dos melhores laterais da história do futebol brasileiro. Além da sua grande habilidade no trato com a bola, era um jogador dotado se forte personalidade e excepcional capacidade de


liderança, qualidades que o fiseram capitão da Seleção Brasileira vencedora da Copa do Mundo de 1970, no México. Ficou conhecido, então, como o “Capitão do Tri” e recebeu o seu apelido carinhoso de “Capita”. Com o tricolor das Laranjeiras, que o revelou, foi Campeão Carioca em 1964. Seu primeiro título internacional foi a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1963. Em 1965, transferido para o “Santos”, após uma transação de valor excepcionalmente elevado para o futebol brasileiro da época, Carlos Alberto conquitou o primeiro dos seus cinco Campeonatos Paulistas: 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973. Retornou ao “Fluminense”, em 1975, passando a fazer parte da Máquina Tricolor, fantástica equipe composta, toda ela, por “monstros sagrados” do futebol. Foi, então, Bicampeão Carioca (1975/76). Posteriormente, após uma breve passagem pelo “Flamengo”, foi para os Estados Unidos, onde atuou, a partir de 1977, ao lado de Pelé e de outras celebridades do futebol mundial, no “New York Cosmos”. Foi seu último clube, pois pendurou as chuteiras em 1982. Em seu primeiro ano como técnico, 1983, já conquistou o título de Campeão Brasileiro, com o “Flamengo”. Treinou, a seguir, equipes brasileiras de expressão, como “Fluminense”, “Corinthians”, “Atlético Mineiro” e “Botafogo”, além da Seleção do Azerbaijão. Carlos Alberto teve, também, atuação política, tendo sido Vereador da Cidade do Rio de Janeiro, de 1989 a 1993. Flávio Almeida da Fonseca nasceu em 9 de setembro de 1944, na capital gaúcha. Quando menino, em Porto Alegre, Flávio era entregador de jornais e tocava saxofone. Logo, porém, abandonou essas atividades em favor do futebol, que começou a praticar no “Real Madri”, equipe da várzea portoalegrense. Em 1959, fez um teste para ingressar nas categorias de base do “Internacional”, no qual marcou três gols em apenas 35 minutos. Logicamente aprovado, dois anos depois chegou ao time principal, sendo Campeão Gaúcho logo em 1961. Ganhou o apelido de Flávio Bicudo e, passados mais dois anos, foi convocado, em 1963, para a Seleção do Brasil. Transferiu-se para o “Corinthians”, em 1964. Permaneceu no clube do Parque São Jorge até 1969, sem ganhar nenhum campeonato paulista, mas foi o artilheiro em 1967, com 21 gols, superando Pelé, e con-

tribuindo com um gol para a vitória sobre a equipe santista, quebrando um tabu de onze anos. Recebeu o apelido de Flávio Minuano, inventado pelo popular locutor esportivo Geraldo José de Almeida. Em 1969, contratado pelo “Fluminense”, foi Campeão Carioca logo no seu primeiro ano, sendo o artilheiro com 15 gols. A partida decisiva foi um FlaxFlu sensacional, com o Maracanã lotado (mais de 170.000 pagantes), na qual ele teve uma participação decisiva para a vitória tricolor, de virada, por 3x2. No ano seguinte, 1970, voltou a ser o artilheiro do campeonato, com 18 gols, e venceu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa que, nesse ano, ficou mais conhecido como Taça de Prata. Em 1971, foi novamente Campeão Carioca. Assim o “Fluminense” proporcionou-lhe, em três anos, três títulos de expressão, compensando a escassez de títulos sofrida durante os seus cinco anos de “Corinthians”, quando Flávio só venceu o Torneio Rio-São Paulo de 1966. De 1972 a 1975, jogou em Portugal, defendendo o “Porto”, da cidade de mesmo nome, onde continuou marcando muitos gols. Voltou para o “Inter” do Rio Grande do Sul, em 1975. Reestreiou, no dia 13 de julho, marcando um gol contra o Grêmio, na vitória por 2x1. Um mês depois, em novo grenal, valendo a decisão do campeonato, Flávio voltou a marcar o gol único que deu ao seu clube o título de heptacampeão gaúcho. Ainda em 1975, foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro, contribuindo som seus 16 gols para a conquista do título pelo “Internacional”. Em 1977, transferiu-se para o “Pelotas”, onde ainda conseguiu ser um bom goleador. Em seguida, atuou, sem muitos sucessos, até 1981, por diversos clubes: “Santos”, “Figueirense”, “Brasília” e “Jorge Wilstermann”, da Bolívia. De 1963 a 1966, Flávio jogou 18 partidas pela Seleção Brasileira, nas quais marcou 8 gols. Atualmente, dedica-se a escolinhas infantis de futebol em São Paulo, no distrito de Ermelino Matarazzo. Everaldo Marques da Silva, nascido em 11 de setembro de 1944, era natural de Porto Alegre. Começou a jogar futebol em 1957, no “Grêmio”, atuando, sucessivamente, nas equipes infantil, infanto-juvenil e juvenil. Em 1964, foi emprestado so “Juventude”, de Caxias do Sul. De retorno ao tricolor da capital sul-riograndense, foi Campeão Gaúcho, em 1966, 1967 e 1968. Everaldo foi convocado, em 1967, para derender a Seleção do Brasil que conquistou a Taça Rio Branco, no Uruguai. Em


1969, participou das eliminatórias que qualificaram a Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. E, no México, em 1970, sagrou-se Campeão Mundial. Recebeu o prêmio Bola de Prata da Revista Placar, em 1970. Foi agraciado, em 1972, com o prêmio Belfort Duarte, graças ao seu comportamento leal e disciplinado. Três meses depois, porém, desferiu um soco, durante o jogo, no àrbitro José Faville Neto, sendo suspenso por um ano. O episódio provocou um alteração nas regras de concessão do prêmio, que deixou de ser outorgado a atletas ainda em atividade. Lateral esquerdo que jogava de forma objetiva e simples, com eficiência na marcação, foi o primeiro jogador de um clube gaúcho a ganhar uma Copa do Mundo. Por isso, em sessão solene, realizada em 30 de junho de 1970, o Conselho Deliberativo do Grêmio, dedicou-lhe a estrela dourada de sua bandeira. Everaldo faleceu em um acidente automobilístico, em Cachoeira do Sul (interior do Estado do Rio Grande do Sul), quando viajava para Porto Alegre, em 1974. Raul Guilherme Plassmann nasceu em Antonina (PR), no dia 27 de setembro de 1944. Começou sua carreira no “Atlético Paranaense”, da capital de seu estado natal, em 1963. Transferiu-se em 1964 para o “São Paulo”, onde teve poucas oportunidades. Assim, foi a partir de 1965, no “Cruzeiro”, que suas qualidades de grande goleiro passaram a ser notadas. Com o clube azul de Belo Horizonte, Raul Plassmann foi Pentacampeão Mineiro em 1965/66/67/68/69, Tetra em 1972/73/74/75 e, mais uma vez, Campeão de Minas, em 1977. Conquistou o Campeonato Brasileiro de 1966 e a Copa Libertadores de 1976. Raul foi um goleiro seguro, que se colocava muito bem e que raramente falhava. Por acaso, inovou no Brasil, o uso de camisas vistosas pelos goleiros. Em um dos seus primeiros jogos pelo “Cruzeiro”, o roupeiro esqueceu sua camisa preta oficial. A solução foi tomar emprestada uma camisa amarela, de mangas compridas, usada, fora do campo, por um companheiro, à qual foi pregado, de forma improvisada, um número 1. As inevitáveis gozaçõe foram imediatas, e ele ganhou o apelido de Wanderléa, a cantora loura de sucesso na Jovem Guarda. Mas, a camisa amarela tornou-se sua marca registrada. Depois de treze anos, em 1978, trocou a Toca da Raposa pelo Ninho do Urubu. Com o “Flamengo”, continuou a ganhar títulos: Campeonato

Carioca de 1978, 1979 e 1981; Campeonato Brasileiro, em 1980, 1982 e 1983; Copa Libertadores, de 1981; e Copa Intercontinental (mundial de clubes), em 1981. Encerrou a vitoriosa carreira, em 1983, após sofrer, no último minuto, o gol de Assis, que deu ao rival “Fluminense” o título carioca do ano. Mas, não foi vazado em seu último jogo (Fla 2x0 Bangu). Com a Seleção Brasileira, Raul disputou dezessete jogos, entre 1975 e 1980. Após parar de jogar, passou a trabalhar como comentarista esportivo. Em 1987, fez uma tentativa de treinar o “Cruzeiro”, mas não deu certo. Continuou a ser comentarista, mas voltou a ter uma experiência malsucedida, como técnico do “Juventude”, em 2003. Tornou-se dirigente do “Londrina”, em 2004, mas voltou, pouco tempo depois, ao ofício de comentarista esportivo. Em 2011, iniciou novo trabalho no “Cruzeiro”, junto às categorias de base, visando ao aproveitamento de jovens valores no elenco principal do clube que o projetou no cenário nacional.. Jair Ventura Filho, o Jairzinho, nasceu em 25 de dezembro de 1944, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no futebol como gandula, no campo do “Botafogo”, em 1958. Logo conseguiu uma vaga na equipe juvenil do “Glorioso”, pelo qual foi campeão em 1961. Iniciou sua carreira profissional em 1962. No ano seguinte, obteve a condição de titular no time principal do alvinegro carioca, onde permaneceu até 1974. Além do título de tricampeão carioca juvenil (1961/62/63), Jairzinho, com o “Botafogo de Futebol e Regatas”, ganhou: o Torneio Rio-São Paulo, em 1964 e 1966; o Campeonato Carioca, de 1967 e 1968; a Taça Guanabarra, em 1967 e 1968; e a Taça Brasil, de 1968. O alvinegro carioca conquistou, também, diversos títulos interancionais, com a participação desse veloz atacante de 1,73 m de altura, entre 1964 e 1968, na Argentina, Bolívia, Colômbia, México e Suriname. Pela Seleção do Brasil, atuou em três Copas do Mundo: 1966, 1970 e 1974. Foi uma das principais figuras da vitoriosa campanha de 70, quando os brasileiros asseguraram a posse definitiva da Taça Jules Rimet, com a terceira conquista do mais importante troféu do futebol. Marcou gols em todos os jogos do certame e recebeu o apelido de “Furacão da Copa”. Transferiu-se para o “Olympique de Marseille”, da França, em 1974.


Voltou ao Brasil, para jogar no “Cruzeiro”, de Belo Horizonte, e ser Campeão da Copa Libertdores, em 1976. A seguir, atuou, sucessivamente, pelos clubes: “Portuguesa”, em 1977; “Noroeste”, de 1978 a 1979; “Fast Club”, em 1979; “Jorge Wilsterman, da Bolívia, de 1980 a 1981; “Botafogo”, novamente, entre 1981 e 1982; e “Nueve de Octubre”, da Colômbia, em 1982, quando encerrou a carreira. Neste ano de 2010, em que completará 66 anos na véspera do Natal, Jairzinho, o “Furacão”, está na bela cidade balneária fluminense de Cabo Frio, como treinador de futebol. João Batista de Sales, o Fio Maravilha, nasceu em Conslheiro Pena (MG), no dia 19 de janeiro de 1945. Em 1960, aos quinze anos, foi levado por seu irmão Germano, ponta-esquerda do “Flamengo”, para treinar nos juvenis do clube da Gávea, no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira priofissional em 1865, no rubronegro carioca, onde atuou até 1973, realizando um total de 288 jogos, com 79 gols marcados. João Batista nunca foi craque. Mas, tinha carisma e foi xodó da fanática torcida flamenguista. Centroavante de estilo desengonçado, alternava algumas boas jogadas com outras dignas de figurar entre aquelas inacreditáveis, perdendo muitos dos chamados gols feitos. Entretanto, inesperadamente, podia também fazer um gol genial, como o da vitória do “Flamengo”, por 3x2, contra o “Benfica”, de Portugal, em um amistoso efetuado no Maracanã, que lhe valeu o apelido de Fio Maravilha. Em 1972, o seu futebol folclórico tornou-se famoso, graças a uma música, composta por Jorge Benjor, cujo refrão dizia: “Fio Maravilha, nós gostamos de você”. Deixou o “Mengo” em 1973, transferindo-se para o “Paysandu”, do Pará, onde ficou até 1975, quando passou e defender o “Ceub”, do Distrito Federal, até 1976. De 1977 a 1978, jogou pela “Desportiva”, do Espírito Santo. Nos anos de 1979 e 1980, de volta ao Rio de Janeiro, atuou pelo “São Cristovão”. Em 1981, iludido com a possibilidade de rápido crescimento do futebol (soccer) norte-americano, decidiu tentar a sorte nos Estados Unidos. Entretanto, o esporte bretão encontrava-se ainda muito incipiente e Fio jogou apenas cerca de quatro meses no “New York Eagles”. Depois, foi contratado por uma equipe de Los Angeles, o “Monte Belo Panthers”. Por último, Fio Maravilha atuou no “San Francisco Mercury”. Embora

decepcionado com o futebol praticado, na época, nas terras do “Tio Sam”, ele apaixonou-se pela linda cidade de San Francisco, e decidiu ficar por lá, ainda que fosse como entregador de pizzas, o que ele efetivamente fez. Roberto Rivellino, ou, simplificadamente, Rivelino, nasceu em 1º de janeiro de 1946, na capital paulista. Começou sua trajetória futebolístca nas categorias de base do “Corinthians”, em 1963. Atuou pela equipe principal do Parque São Jorge, de 1965 a 1974. Jogador fora-de-série, meio-campista de técnica mais que apurada, com 1,72 m de altura e peso de 68 kg, era especialista em lançamentos longos que sempre encontravam um companheiro bem colocado. Além dos passes precisos, “Riva” caracterizava-se, também, pela potência de seu chute com a perna esquerda, que lhe valeu outro apelido: “Patada Atômica”. Exímio cobrador de faltas, Rivelino tinha, ainda, muita habilidade para dribles curtos, entre os quais o “elástico” que consiste em fazer, com o mesmo pé, um movimento de vai-e-vem com a bola. Essa jogada é considerada como de sua invenção, porém ele mesmo afirma que a copiou de seu companheiro Sérgio Achigo, da equipe corinthiana de futebol de salão, hoje chamado de futsal. Por tudo isso, tornou-se logo um dos maiores ídolos da fanática torcida autodenominada de “Fiel”, que passou a chamá-lo, inicialmente, de “Garoto do Parque” e, depois, de “Reizinho do Parque”. O “timão”, com Rivelino, seu maior craque, foi campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1966. Entretanto, o “Corinthians” estava enfrentando um longo jejum de títulos do Campeonato Paulista, pois a última vez que sua enorme torcida gritara “é campeão”, foi em 1954, ano do IV Centenário da Cidade de São Paulo. Essa escassez de conquistas expressivas causou o desgaste do grande ídolo, agravado pela perda do campeonato paulista de 1974, para o “Palmeiras”. Dessa forma, Rivelino trocou o Parque São Jorge pelas Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Pela Seleção do Brasil, Roberto Rivellino disputou três Copas do Mundo: 1970, no México; 1974, na Alemanha Ocidental; e 1978, na Argentina. Na primeira, foi um dos maiores destaques da Seleção Brasileira que obteve a posse definitiva da Taça Jules Rimet, compondo com Gérson a dupla de meio-campistas escolhida pela FIFA como a melhor do torneio. Na segunda, em 1974, voltou a jogar bem e marcar belos gols,


como o que fez contra a Alemanha Oriental, ao cobrar com extrema precisão uma falta com barreira, aproveitando uma brecha provocada por Jairzinho, que se agachou, na hora devida. Entretanto, o time brasileiro realizou uma campanha apenas razoável, ficando em quarto lugar. Em 1978, aos 32 anos de idade, foi reserva na maioria dos jogos, tendo o Brasil obtido a terceira colocação. Além do título de Campeão Mundial em 1970, Rivelino foi campeão da Minicopa, disputada no Brasil, em 1972; da Copa do Atlântico, de 1976; e do Mundialito de Cali, na Colômbia, em 1976. Quando ainda era atleta do Corinthians, Rivelino, devidamente autorizado pelo seu clube, jogou 40 minutos com a camisa rubro-verde da “Portuguesa de Desportos” contra o “Zeljeznicar” da Bósnia-Herzegovina, na inauguração do Estádio do Canindé, em janeiro de 1972, tendo assinalado um dos gols da vitória por 2x0. A estréia de Rivelino no “Fluminense” aconteceu no dia 8 de fevereiro de 1975, em um amistoso justamente contra o “Corinthians”, seu exclube. Com três gols, o “Bigode” (outro de seus apelidos) contribuiu para a vitória tricolor por 4x1. Sob a liderança do Presidente Francisco Horta, Roberto Rivellino foi a primeira peça contratada para a montagem da “Máquina Tricolor”, fabulosa equipe composta por craques como Paulo Cézar Caju, Félix, Carlos Alberto Pintinho, Zé Mário, Mário Sérgio, Edinho, Marco Antônio e o argentino Doval. Esse time, que continuou a ser reforçado nos anos seguintes, com novas contratações, tornou-se uma das melhores equipes da história do futebol nacional. Assim, Rivelino conseguiu, finalmente, ser campeão estadual, e, mais ainda: Bicampeão Carioca (1975/76). Ele teve atuações soberbas no tricolor das Laranjeiras, atingindo o auge de sua carreira. Marcou o seu gol mais famoso, em um jogo do “Fluminense” contra o “Vasco”, quando aplicou o drible elástico no zagueiro cruzmaltino. Em 1978, transferiu-se para o “El Helal”, da Arábia Saudita, onde conquistou o campeonato nacional em 1979, 1980 e 1981; e a Copa do Rei, em 1980. Pendurou as chuteiras em 1981, aos 35 anos. Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha, nasceu no Rio de Janeiro, em 4 de março de 1946. Começou a jogar futebol em 1965, na equipe de juniores do “Campo Grande”. Passou para a equipe principal do mesmo clube carioca, em 1967. No ano seguinte, transferiu-se para o “Atlético

Mineiro”. Teve atuação destacada no primeiro Campeonato Brasileiro, realizado em 1971, quando assinalou, contra o “Botafogo”, de cabeça, após parar no ar, o gol que deu a vitória e o título, ao clube de Belo Horizonte. Esse tipo de cabeçada valeu-lhe o apelido de “Beija-Flor”; pelo estilo rompedor, que superava a pouca técnica com muita força e disposição, mereceu o apelido de “Peito-de-Aço”. Centroavante matador, Dario atuou, entre 1973 e 1986, por mais dezesseis diferentes clubes brasileiros, com destaque para sua temporada no “Internacional”. Contribuiu, decisivamente, para a conquista do título de Campeão Brasileiro de 1976, pelo colorado gaúcho, marcando, inclusive o primeiro gol da vitória sobre o “Corinthians”, por 2x0, na final. Digna de menção, também, sua atuação pelo “Sport”, em jogo contra o “Santo Amaro”, válido pelo campeonato pernambucano, quando Dadá marcou dez gols. A sua fidelidade ao alvinegro de Minas ficou patenteada, porém, por seus retornos ao “Atlético”. Após seu primeiro período, de 1968 a 1972, voltou em 1974; de novo, em 1978, quando ficou até 1979; e, mais uma vez, em 1984. Conquistou os seguintes títulos importantes: com o “Atlético Mineiro”, Campeão Mineiro, em 1970 e 1978, e Campeão Brasileiro, em 1971; pelo “Sport”, Campeão Pernambucano, em 1975; com o “Internacional”, Campeão Gaúcho e Brasileiro, ambos em 1976; pelo “Bahia”, Campeão Baiano de 1981; pelo “Goiás”, Campeão Goiano de 1983. Foi artilheiro; do Campeonato Brasileiro, em 1971 e 1976; do Campeonato Mineiro, em 1969, 1970, 1972 e 1974; do Campeonato Carioca, em 1973, pelo “Flamengo”. Fez parte do grupo da Seleção Brasileira, que venceu a Copa do Mundo de 1970, no México, conquistando, de forma definitiva, a Taça Jules Rimet. Dadá Maravilha é autor de diversas frases de efeito, como: “Não me venha com a problemática, que eu dou a solucionática”;”Me diz o nome de três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha”; “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”; “Com Dadá em campo, não há placar em branco”; “Nunca aprendi a jogar futebol, pois perdi muito tempo fazendo gols”; “Chuto tão mal que, no dia em que eu fizer um gol de fora da área, o goleiro tem que ser eliminado do futebol”. Depois de pendurar as chuteiras, em 1986, Dario foi treinador de alguns clubes, como a “Ponte Preta”, de Campinas; o “Brasília”, da Capital


Federal; e o “Ypiranga”, do Amapá, com o qual venceu o Campeonato Amapaense, em 1993. O jornalista Lúcio Flávio Machado publicou, em 1999, a biografia de Dario José dos Santos, sob o título “Dadá Maravilha”. Torcedor atleticano assumido, Dadá é, hoje, comentarista esportivo de TV, em Minas Gerais. Dirceu Lopes Mendes nasceu em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, no dia 3 de setembro de 1946. Começou, em 1963, no time juvenil do “Cruzeiro”, pelo qual foi campeão mineiro da categoria, em 1964. Com a equipe principal, foi Pentacampeão Mineiro (1965/66/67/68/69); Campeão da Taça Brasil de 1966; e Tetracampeão Mineiro (1972/73/74/75). Conquistou a artilharia dos campeonatos mineiros de 1966 e 1969. Dirceu Lopes foi considerado o melhor meia dos campeonatos brasileiros de 1970, 1971 e 1973. Pela Seleção do Brasil, participou da campanha vitoriosa, sob o comando de Saldanha, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970. Entretanto, não foi selecionado para ir ao México. Ao todo, disputou 19 partidas com a camisa amarelinha, assinalando 4 gols, em 1970. Baixinho, com 1,62 m de altura, era extremamente veloz e hábil, tendo, como jogada característica, a arrancada com a bola dominada, desde o meio-de-campo até a área adversária, driblando os oponentes que encontrava pelo caminho. Além disso, chutava com força e precisão. Transferiu-se para o “Fluminense” em 1977. Posteriormente, atuou palo “Flamengo”, “Uberlândia” e “Demcrata”, de Governador Valadares, no qual encerrou a carreira, em 1980. Eduardo Gonçalves de Andrade, o Tostão, nascido em 25 de janeiro de 1947, é natural de Belo Horizonte. O apelido de Tostão o acompanhou desde a infância, quando jogava peladas com garotos mais velhos, e era o menor do grupo, sendo assim chamado em alusão à menor moeda. Sua carreira foi iniciada, em 1961, no “Cruzeiro”, jogando futebol de salão. No ano seguinte, aos quinze anos, passou para o futebol de campo, integrando o time juvenil do clube azul. No mesmo ano de 1962, transferiu-se para o “América”, de Minas Gerais. Foi curta, porém, sua estadia no clube verde e preto, pois retornou ao “Cruzeiro” em 1963. Começou, então, a seqüência de vitórias e glórias que caracterizaram a trajetória futebolística do Tostão. Foi Pentacampeão Mineiro

(1965/66/67/68/69) e Campeão Brasileiro (Taça Brasil), em 1966. Conquistou a artilharia dos campeonatos de Minas de 1965, 1966, 1967 e 1968; e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Taça de Prata), em 1970. Pela Seleção do Brasil, foi Campeão do Mundo, em 1970, no México; e da Copa Roca de 1971. Entre 1966 e 1972, disputou 65 jogos com a amrelinha, anotando 36 gols. Foi o maior goleador das eliminatórias para o campeonato mundial de 1970, apesar de ter sofrido, em 1969, um descolamento da retina, fruto de uma bolada, oriunda de um chute muito forte do zagueiro Ditão, do “Corinthians”. As suas brilhantes apresentações, na conquista definitiva da Taça Jules Rimet, valeram-lhe o apelido de “Mineirinho de Ouro”. Tostão era um meia atacante, especialista em abrir espaços para os companheiros. Habilidoso e dotado de inteligência excepcional, tinha uma capacidade extrordinária para antever as jogadas. Em 1972, Tostão encerrou seu glorioso ciclo cruzeirense, transferindose para o “Vasco”, em uma transação cujo valor foi recorde no futebol brasileiro da época. Sua contratação foi muito festejada pela torcida e considerada como o início da recuperação vascaína após uma crise que o clube vinha sofrendo. Entretanto, a alegria, causada pelo futebol inteligente e brilhante do Tostão, durou pouco, pois o atleta, um ano depois de sua contratação, voltou a sentir problemas de visão. Ficou vários meses afastado do time e acabou encerrando a carreira, aos 27 anos, em 1974. Eduardo Gonçalves de Andrade retomou os estudos e formou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais. Passou a trabalhar como médico e professor, afastando-se completamente do futebol. Em 1994, deixou o magistério e tornou-se comentarista e cronista esportivo, dos mais respeitados. Suas crônicas, sempre inteligentes, são publicadas em diversos jornais do país. Tostão é autor do livro “Lembranças e Reflexões sobre Futebol”, publicado em 1997. Luís Ribeiro Pinto Neto, o Lula, nasceu em Arcoverde, Pernambuco, no dia 16 de novembro de 1947. Após ter jogado futebol de salão no “ABC”, começou sua carreira profissional no “Ferroviário”, de Natal. Observado por um olheiro do “Fluminense”, foi logo contratado pelo tricolor carioca, onde chegou em janeiro de 1965. Com seu olho apurado para o aproveitamento de jovens talentos, o técnico Tim o colocou


na equipe principal, ao lado de grandes craques que já faziam parte do elenco. Em 1967, o “Fluminense” o emprestou ao “Palmeiras”, recebendo em troca Rinaldo e Suingue. Pelo alviverde de São Paulo, realizou apenas 16 jogos, retornando, em seguida, às Laranjeiras. Lula viveu, então, grandes momentos, sendo Campeão Carioca em 1969, 1971 e 1973. Ponta esquerda habilidoso, veloz, incisivo e goleador, é relembrado pelos tricolores, sobretudo pelo gol que marcou, aos 43 minutos do segundo tempo da final do carioca de 1971, contra o Botafogo, após uma dividida do lateral Marco Antônio com o goleiro Ubirajara, quando os torcedores alvinegros já comemoravam o título que lhes cabia com o empate. Outra conquista épica, da qual ele participou com méritos, foi a da Taça de Prata, em 1970. Pelo “Fluminense”, jogou 375 partidas e marcou 100 gols. Foi convocado para a Seleção do Brasil em 1971. Com a camisa amarelinha, atuou em treze jogos e marcou dois gols. Rápido e oportunista, recebeu o apelido de “carrasco dos laterais”. Transferiu-se, em 1974, para o “Internacional”, permanecendo até 1977. No colorado gaúcho, integrou, com destaque, um ótimo time que foi Campeão Gaúcho, três vezes, e Campeão Brasileiro, duas vezes. De temperamento rebelde, Lula motivou o vice-presidente de futebol do “Inter”, Ballvê, a proferir a seguinte frase: “Durante a semana, ele nos incomoda; e no domingo, incomoda os adversários.” Luís Ribeiro Pinto Neto voltou para Pernambuco em 1977, passando a jogar pelo “Sport”, do Recife, até 1979, quando encerrou a carreira. Entre 1989 e 2002, exerceu a função de técnico, tendo treinado diversos times, inclusive na Arábia Saudita. Vive, hoje, no Recife. Moacir Fernandes, o Cafuringa, nasceu no dia 10 de novembro de 1948, em Juiz de Fora, cidade mineira próxima ao Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira no “Botafogo”, em 1965. Transferiu-se, em seguida, para o “Bangu”, onde ficou até 1969, quando foi para o “Fluminense”. No tricolor, viveu a melhor fase de sua carreira, sendo Campeão Carioca em 1969, 1971, 1973 e 1975. Participou, com brilho, da conquista da Taça de Prata (última edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa), em 1970. Cafuringa era um ponta-direita veloz que tinha uma enorme facilidade para driblar os adversários, o que fazia com grande prazer pessoal, causando uma imensa alegria aos torcedores do seu time, que se diver-

tiam com suas jogadas. Sua deficiência era a finalização, pois muito raramente marcava um gol. Deixou o “Fluminense” em 1976, para jogar pelo “Atlético Mineiro”, onde foi Campeão de Minas Gerais, mas não permaneceu muito tempo, transferindo-se para o “Grêmio Maringá”, do Paraná. Em seguida, voltou a jogar no “Fluminense”, nos anos de 1977 e 1978. No ano seguinte, foi para a “Caldense”, de Minas Gerais, e, depois, para o clube venezuelano “Deportivo Táchira”, onde se aposentou. Morreu no Rio de Janeiro, em 1991, de septicemia. O seu apelido inspirou o do Cafu, lateral direito e capitão da Seleção Brasileira, que ergueu a Taça de Campeão Mundial em 2002. Paulo César Carpegiani nasceu em 7 de fevereiro de 1949, na cidade gaúcha de Erechim. Iniciou sua carreira profissional em Porto Alegre, no “Internacional”, no ano de 1970. Participou das sete campanhas vitoriosas do colorado no campeonato do Rio Grande do Sul, rntre 1970 e 1976. Além de Heptacampeão Gaúcho, foi Bicampeão Brasileiro (1975/76). Meio-campista objetivo, com estilo clássico e bom poder de marcação, hábil nos dribles curtos e passes longos, Carpegiani tem 1,75 m de altura. Transferiu-se, em 1977, para o “Flamengo”. Com o rubronegro, foi Campeão Carioca em 1978 e 1979; e Brasileiro, em 1980. Nesse mesmo ano, uma contusão no joelho, cujo menisco já havia sido operado em 1975, obrigou-o a encerrar, prematuramente, sua brilhante carreira, com a idade de 31 anos. Pela Seleção do Brasil, disputou 17 jogos, entre 1974 e 1979. Participou da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Começou, em 1981, suas atividades como técnico. Treinou diversas equipes renomadas, do Brasil e do exterior, como “Flamengo”, “Internacional”, “Palmeiras”, “Cerro Porteño”, “Barcelona”, “Coritiba”, “Cruzeiro” e “Corinthians”; além das Seleções do Paraguai e do Kuwait. Neste ano de 2010, está dirigindo o “São Paulo”. José Maria Rodrigues Alves, o Zé Maria, nasceu em 18 de maio de 1949, na cidade de Botucatu, Estado de São Paulo. Começou sua carreira, em sua cidade natal, na “Ferroviária” de Botucatu, no ano de 1966. Já no ano seguinte, foi transferido para a “Portuguesa” da capital paulista. Permaneceu na lusa do Canindé até 1970. Lateral direito de extremo vigor físico, recebeu o apelido de “Super Zé”


e foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou e venceu a Copa do Mundo de 1970, no México. Na ocasião, foi reserva de Carlos Alberto Torres, mas atuou como titular na Copa do Mundo de 1974. Jogou 48 partidas pela seleção, entre 1968 e 1978. Participou das conquistas da Copa Roca, em 1971, e da Taça da Independência do Brasil, em 1972. Transferiu-se, em 1970, para o Corinthians, dando início à sua melhor fase de jogador. No Parque São Jorge, entre 1970 e 1983, ganhou quatro campeonatos paulistas (1977, 1979, 1982 e 1983). Recebeu o prêmio Bola de Prata do Brasil, em 1973 e 1977. Foi para a “Internacional” de Limeira em 1983, e encerrou a carreira, com 34 anos. Paulo Cézar Lima, ou Paulo Cézar Caju, como ficou mais conhecido, é natural do Rio de Janeiro, nascido em 16 de junho de 1949. Começou no “Botafogo”, onde chegou à equipe principal em 1967, aos 18 anos. Logo em sua primeira temporada, foi Campeão Carioca, tendo marcado três gols na partida decisiva, contra o “América”. Foi apelidado de “Nariz de Ferro” e de “Urubu Feio”. No mesmo ano de 1967, recebeu sua primeira convocação para a Seleção Brasileira. Com o alvinegro de General Severiano, voltou a ser Campeão Carioca e vencedor da Taça Brasil, em 1968, Com a seleção, participou, na condição de reserva, da Copa do Mundo de 1970, no México, sagrando-se Campeão Mundial, aos 21 anos. Ponta esquerda e, posteriormente, meia, Paulo Cézar era muito habilidoso e praticava um futebol insinuante e provocativo. Em 1971, quando o Glorioso liderava, com folga, o campeonato estadual, ele decidiu fazer embaixadas na frente de seu marcador. Sua jogada foi interpretada como de menosprezo aos demais times. A partir daí, o Botafogo passou a perder pontos importantes para os adversários, e acabou sendo superado pelo “Fluminense”, que conquistou o título. Em conseqüência do ambiente desfavorável que se formou, ele deixou o clube que o revelara, transferindo-se para o “Flamengo”, pelo qual foi Campeão Carioca em 1972. Permaneceu no rubronegro até 1974, tendo recebido o apelido de “Caju”, em função da nova cor de seus cabelos descoloridos, adotada para combinar com o carro, adquirido para curtir a noite carioca. Em 1974, disputou, agora como titular da equipe canarinha, a Copa do Mundo, na Alemanha. Após o certame, foi contratado pelo “Olympique”, de Marseille. Ficou apenas um ano na França, pois foi repatri-

ado pelo “Fluminense”, para integrar a famosa Máquina, em 1975. Sua estréia no tricolor foi no dia 10 de junho, no Maracanã com mais de 100.000 torcedores, contra o “Bayern” de Munique, bicampeão europeu de 1974/75, que contava com cinco campeões mundiais da Copa de 1974 (Sepp Maier, Beckenbauer, Schwarzenbeck, Gerd Müller e Kapellmann). O único gol da partida foi marcado pelo artilheiro Gerd Müller, contra as suas redes, porém, dando a vitória ao time carioca, que tinha, entre outros craques: Félix, Edinho, Marco Antônio, Cafuringa, Rivelino e o estreante Caju. Foi, então, novamente. Bicampeão Carioca (1975/76), agora com a camisa das três cores. Transferiu-se para o “Grêmio” em 1977. Voltou para o Rio em 1978, contratado pelo “Vasco”. Retornou ao tricolor gaúcho, em 1980. Jogou no “Corinthians” durante o ano de 1981. Outra vez na França, atuou pela “AS Aix” na temporada 1982/83. Mais uma vez no “Grêmio”, conquistou a Taça Intercontinental de 1983, último título de sua carreira. Pela Seleção do Brasil, disputou 77 jogos e marcou 17 gols. Em 1977, foi feito um documentário promocional para a Copa do Mundo de 1998, na França, apresentando belas jogadas e algumas referências sobre sua trajetória futebolística. Passou a escrever crônicas semanais para o Jornal da Tarde, de São Paulo, publicadas às terças-feiras, a partir de maio de 2008. Emerson Leão nasceu em Ribeirão Preto (Estado de São Paulo), no dia 11 de julho de 1949. Começou a jogar como goleiro no “São José”. Sua carreira profissional teve início no “Comercial”, de sua cidade natal, em 1967. No ano seguinte transferiu-se para o “Palmeiras”. Em pouco tempo, assumiu a condição de titular, iniciando um período de glórias e conquistas, durante dez anos. Seus títulos mais expressivos, com o alviverde da capital paulista, foram os de Campeão Brasileiro em 1972 e 1973. Leão conquistou, ainda com o verdão, os títulos: do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1969; de Campeão Paulista, em 1972, 1974, e 1976. Ganhou, também, o prêmio Bola de Prata, em 1972. Atuou 105 vezes pela Seleção Brasileira. Com 21 anos, foi Campeão Mundial na Copa de 1970. Após ter sido reserva nesse campeonato do México, passou a titular em 1971 e assim continuou até 1979, incluindo as Copas do Mundo de 1974, na Alemanha, e a de 1978, na Argentina, Transferiu-se para o “Vasco”. onde jogou por dois anos (1979 e 1980).


Em seguida, foi para o “Grêmio” (1980 a 1983). Com o tricolor dos Pampas, foi Campeão Gaúcho (1980) e Brasileiro (1981). Foi para o “Corinthians” em 1983, e venceu mais um Campeonato Paulista, no mesmo ano. Voltou a jogar no “Palmeiras”, entre 1984 e 1986. Seu último clube foi o “Sport” de Pernambuco, onde se aposentou, em 1987. No mesmo ano, e no mesmo clube, o rubronegro do Recife, Leão iniciou sua carreira de técnico, conquistando logo o Campeonato Brasileiro de 1987. Seu último clube foi o “Goiás”, em 2010. Durante todos esses anos, treinou inúmeros times hrasileiros, entre os quais: “Santos”, “Palmeiras”, “São Paulo” e “Corinthians”, em São Paulo; “Atlético Mineiro” e “Cruzeiro”, em Minas; “Grêmio” e “Internacional”, no Rio Grande do Sul; além de clubes do Japão e da Arábia Saudita. Colecionou diversos sucessos e alguns fracassos. Teve, ainda, uma rápida e conturbada passagem pela Seleção Brasileira, como seu técnico. Jonas Eduardo Américo, conhecido como Edu, nascido em 6 de agosto de 1949, é natural de Jaú, interior de São Paulo. Começou muito cedo, com apenas quinze anos, na equipe principal do “Santos”. Aos dezesseis anos, tornou-se o jogador mais novo a ser convocado e inscrito para disputar uma Copa do Mundo, a de 1966, na Inglaterra. Voltou a ser chamado para participar da Copa do Mundo de 1970. Foi titular, como ponta-esquerda avançado, do time base do técnico João Saldanha, que venceu as eliminatórias, jogando no sistema 4-2-4. Com a troca de Saldanha por Zagallo, o esquema passou a ser 4-3-3, e Rivelino foi escalado em seu lugar, para jogar recuado, compondo o meio-de-campo. A última Copa do Mundo do Edu foi a de 1974, na qual o Brasil ficou em terceiro lugar. Pela Seleção Brasileira, disputou 54 jogos, marcando 10 gols, entre 1966 e 1976. A sua maior glória foi o título de Campeão Mundial, em 1970, no México. No ano segunte, 1971, recebeu o prêmio Bola de Prata, da Revista Placar. Ponta-esquerda de extrema habilidade, Edu era um excelente driblador. Com o alvinegro praiano, foi Campeão Brasileiro (Taça Brasil) em 1965; e Campeão Paulista em 1967, 1968, 1969, 1973 e 1977. Nesse último ano, deisou a Vila Belmiro, transferindo-se para o “Internacional”. Em 1980, foi para os Estados Unidos, jogar pelo “Tampa Bay”, da Flórida. Voltou para o Brasil, em 1981, passando a atuar no “Nacional”, de Manaus. Pendurou as chuteiras, em seguida.

Clodoaldo Tavares de Santana, nascido em 25 de setembro de 1949, é natural de Aracaju. Começou a jogar futebol nas categorias de base do “Santos”, aos treze anos. A carreira profissional foi iniciada no mesmo clube, em 1965. Seus primeiros jogos pela equipe principal do “Peixe” aconteceram em 1966, durante uma excursão pela América do Sul. Aos dezessete anos, em 1967, tornou-se titular com a responsabilidade de substituir o ídolo Zito. Em toda a sua carreira, jogou 510 partidas, defendendo o alvinegro santista. Clodoaldo era um volante que tinha intimidade com a bola, jogando com classe e técnica, que apoiava com eficácia e marcava com eficiência, pelos dois lados do campo. Nos catorze anos de permanência na Vila Belmiro, participou das conquistas de cinco campeonatos paulistas, um Torneio Roberto Gomes Pedrosa e uma Recopa dos Campeões Intercontinentais. Com 1,74 m de altura e 75 kg de peso, “Corró”, como seus companheiros o chamavam, fez 51 partidas pela Seleção Brasileira, assinalando três gols. Foi titular na Copa do Mundo de 1970, no México, sagrando-se Campeão Mundial. Sofreu uma contusão, pouco antes da Copa de 1974, e acabou cortado da delegação brasileira Sua brilhante trajetória foi pratcamente finalizada, de forma prematura, logo após uma cirurgia no seu joelho esquerdo, quando ele tinha apenas 29 anos. Depois de pendurar as chuteiras, Clodoaldo continuou a colaborar com seu time do coração, exercendo cargos de diretor, vicepresidente e gerente de futebol do “Santos”. Marco Antônio Feliciano nasceu em Santos, no dia 6 de fevereiro de 1951. Seu primeiro contato com o futebol foi em um clube amador chamado “Fazenda”. Marco Antônio iniciou sua carreira profissional, em 1968, na “Portuguesa Santista”, da sua cidade natal Transferiu-se para o “Fluminense” no ano seguinte. No tricolor, entre 1969 e 1976, embora ainda muito jovem, teve a sua fase áurea. Foi Campeão Carioca em 1969, 1971, 1973 e 1975; vencedor da Taça Guanabara de 1969 e 1971; e Campeão Brasileiro, em 1970, conforme reconhecido pela CBF em 22 de dezembro de 2010, graças à conquista da Taça de Prata (última edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa). Lateral esquerdo de técnica apurada, Marco Antônio, logo no seu segundo ano nas Laranjeiras, foi convocado para a Seleção Brasileira


e sagrou-se Campeão do Mundo, aos 19 anos, na Copa do México, em 1970. Recebeu o prêmio Bola de Prata do Brasil em 1975 e 1976. Nesse último ano, foi para o “Vasco da Gama”. Voltou a ser Campeão Carioca, em 1977, pela equipe cruzmaltina. Em 1981, trocou o clube da colina pelo “Bangu”. Ficou em Moça Bonita até 1983, quando se transferiu para o “Botafogo”. Encerrou a carreira no alvinegro de General Severiano, em 1984, com 33 anos de idade. Entre 1999 e 2001, treinou os juvenis do “São Cristovão”. Depois de quatro edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, cuja última Taça de Prata foi conquistada pelo “Fluminense”, em 1970, a CBD decidiu organizar, de forma definitiva, o Campeonato Brasileiro de Futebol, em 1971. O sistema adotado para a disputa foi o da formação de grupos, com jogos elminatórios, popularmente chamado de matamata. Seu primeiro vencedor não foi um clube de São Paulo, tampouco do Rio; e, sim, o “Atlético Mineiro”, de Belo Horizonte. Com o recente reconhecimento oficial dos quatro ”Robertões” e das dez Taças Brasil, realizadas entre 1959 e 1968, como campeonatos nacionais, o “Brasileirâo” de 1971 passou a ser a 15ª edição do campeonato de clubes do Brasil. Aos dezessete clubes, representantes dos Estados da Guanabara, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco, que participaram da edição de 1970, foram acrescidos mais três, sendo um terceiro de Minas, um segundo de Pernambuco e, pela primeira vez, um clube do Ceará. O time campeão do “Galo”, comandado pelo técnico Telê Santana, tinha, como destaques, o goleiro Renato, o zagueiro Vantuir, o lateral Oldair, e, no ataque, o folclórico e polêmico Dadá Maravilha. O São Paulo classificou-se em segundo, tendo José Poy no comando técnico, e Gérson, o Canhotinha de Ouro, como seu líder e melhor jogador. Já o outro alvinegro, que ficou em terceiro lugar, o “Botafogo”, dirigido pelo técnico Paraguaio, contava com o goleiro Wendell, o zagueiro Djalma Dias, o lateral Valtencir, o meio-campista Carlos Roberto e o atacante Jairzinho. Houve, em 1971, um Campeonato Brasileiro da 2ª Divisão, vencido pelo “Villa Nova”, também de Minas Gerais, mas não havia previsão de acesso e descenso. O Campeonato Brasileiro de 1972 teve 26 participantes, e como vence-

dor, a equipe do “Palmeiras”, apelidada de academia, em função da beleza do futebol clássico que praticava, graças, sobretudo, ao virtuosismo do seu meio-campo, liderado por Ademir da Guia, bem secundado por Dudu. O time, comandado pelo técnico Osvaldo Brandão, tinha outros grandes valores, como o arqueiro Leão, o zagueiro Luís Pereira e o atacante Leivinha. O “Botafogo”, agora com o técnico Sebastião Leônidas, foi vice. Além de Jairzinho, Carlos Roberto e Valtencir, o “Glorioso” contou também com o zagueiro Brito (após o cumprimento da longa suspensão, que lhe foi imposta por agredir um árbitro) e o lateral Marinho Chagas. Continuou sendo realizado, embora sem acessar à elite, o campeonato brasileiro da segunda divisão, cujo campeão foi o “Sampaio Correia”, em 1972. No ano seguinte, a academia palmeirense conquistou o bicampeonato, com o mesmo técnico e, praticamente, os mesmos onze jogadores. A diferença foi o número de participantes, ampliado para 40 clubes, com a seguinte distribuição por estado: Guanabara e São Paulo, seis de cada um: Minas e Pernambuco, três cada; Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná, Ceará, Amazonas e Pará, dois por unidade federativa; e Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Mato Grosso, Espírito Santo, Santa Catarina, Goiás, Maranhão e Piauí tiveram direito a um representante, cada. O vice-campeão voltou a ser o São Paulo, do técnico José Poy, que contou com Waldir Peres, no gol; Pedro Rocha, no meio de campo; e Mirandinha, no ataque. O terceiro colocado foi o “Cruzeiro”, com o técnico Hilton Chaves, e, como principais jogadores, Nelinho, Procópio, Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes e Palhinha. Em quarto lugar, classificou-se o “Internacional”, sob o comando técnico de Rubens Minelli, com o meio-campo formado por Falcão e Carpegiani, tendo Valdomiro e Claudiomiro no ataque. Foi abolida, em 1973, a segunda divisão. Em 1974, foi mantido o número de quarenta clubes participantes do Campeonato Brasileiro. O campeão foi o “Vasco da Gama”, com o técnico Mário Travaglini. Seus jogadores mais destacados foram o goleiro argentino Andrada, os zagueiros Miguel e Moisés, o meio-campista Zanata e, no comando do ataque, o grande artilheiro e, hoje, presidente Roberto Dinamite. O vice-campeão foi o “Cruzeiro”, ainda treinado por


Hilton Chaves e com Nelinho, Piazza, Dirceu Lopes e Palhinha, como destaques. O número de participanres do Campeonato Brasileiro foi novamente aumentado, em 1975, para quarenta e dois, com a inclusão de mais dois clubes: um da Paraíba, representada pela primeira vez; e o acréscimo de mais um, na representação de Goiás. O “Internacional”, comandado pelo técnico Rubens Minelli, foi o grande campeão, com Manga, no gol; Figueroa, na zaga; Paulo Roberto Falcão e Paulo César Carpegiani, no meio-campo; e o ataque composto por Valdomiro, Flávio e Lula. O time azul do “Cruzeiro”, sob o comando técnico do experiente Zezé Moreira, tendo, como novidade, o goleiro Raul, e mantendo os ídolos Nelinho, Piazza e Palhinha, ganhou o vice-campeonato. O “Fluminense”, com a famosa Máquina Tricolor, apesar da boa campanha, conquistou apenas o terceiro lugar, uma vez que foi derrotado, na semifinal, pelo “Inter” por 2x0 (gols dos ex-tricolores Flávio e Lula). A influência do governo militar no futebol continuou a se fazer sentir, na busca por uma maior integração nacional, aumantando, cada vez mais, o número de participantes no Campeonato Brasileiro, disputado em uma única divisão. Em 1976, foram incluídos mais doze clubes, totalizando cinqüenta e quatro equipes para disputar a primeira fase. Divididas em seis chaves, com nove agremiações em cada, classificavam-se as quatro primeiras de cada chave, em turno único. Da fase seguinte, participavam os quatro classificados como vencedores das seis chaves anteriores, agora divididos em quatro chaves com seis times em cada uma, classificando-se os três primeiros de cada, para a terceira fase. Os times não classificados disputavam uma repescagem, na qual o vencedor de cada uma das seis chaves dos perdedores, compostas por cinco clubes em cada, também se classificava para a terceira fase. Nessa etapa, eram formadas duas chaves com nove times em cada uma, classificando-se o vencedor e o segundo colocado de cada, sempre em turno único. Na etapa seguinte, eram disputadas as duas semifinais, em partidas únicas, também em jogo único, com o mando de campo atribuído ao clube com melhor campanha, consideradas todas as fases anteriores. Em caso de empate, haveria uma prorrogação, e, na persistência da igualdade, disputa por cobrança de pênaltis. O mesmo critério de desempate era aplicado na final, em jogo único, com o mando de campo

favorecendo a equipe com melhor desempenho anterior. Foi mantido o critério de pontuação diferenciada, que incentivava a marcação de gols, com a atribuição de dois pontos para as vitórias simples (um gol de diferença) e de três pontos para as vitórias com diferença igual ou superior a dois gols. Essa inovação brasileira foi, de certa forma, precursora da atribuição de três pontos a qualquer vitória, posteriormente adotada em todo o mundo. A edição de 1976 teve, novamente, o “Internacional” do Rio Grande do Sul como vencedor, sendo o segundo clube a se tornar bicampeão. A equipe colorada, que venceu o “Corinthians”, na final, era comandada pelo técnico Rubens Minelli, e tinha os seguintes pontos altos: Manga, no gol; Figueroa e Marinho Peres, na zaga; Falcão e Batista, no meiocampo; e Valdomiro, Dario e Lula, no ataque. O time do Parque São Jorge, vice-campeão, com o técnico Duque, contou com os seguintes valores: Zé Maria e Wladimir, nas laterais; Moisés, na zaga; Givanildo, no meio de campo; e Vaguinho, no ataque. As semifinais, disputadas no dia 5 de dezembro de 1976, foram dignas de menção. Em Porto Alegre, o “Inter” venceu o “Atlético Mineiro”, com um gol memorável, no último minuto do 2° tempo. Dadá levantou a bola, na entrada da área, para Escurinho, que trocou três passes de cabeça com Falcão, que, então, finalizou, chutando fora do alcance do goleiro Ortiz. A outra semifinal, entre a Máquina Tricolor e o Timão, no mesmo dia, no Maracanã, ficou célebre pela chamada “Invasão Corinthiana”, quando cerca de 70.000 torcedores do clube paulista viajaram para o Rio, dividindo pela metade o público presente no estádio, de 146.000 pessoas. Assim foi tirada, na prática, a vantagem de jogar em casa, obtida pelo “Fluminense”, por ter feito melhor campanha, durante o campeonato. O resultado do jogo, mantido na prorrogação, foi um empate de 1x1. Na decisão por pênaltis, o “Corinthians” foi mais feliz. Dessa forma, apesar do poderio de sua equipe, o tricolor das Laranjeiras, mais uma vez, não chegou à final. O campeonato de 1977 teve ampliado, mais uma vez, o número de disputantes, que passou a ser de sessenta e dois. Esse Brasileirão, iniciado em 1977, só teve seu término em 5 de março de 1978. A disputa seguiu, aproximadamente, os mesmos moldes das edições anteriores, com as alterações decorrentes do aumento de participantes. Essa edição eviden-


ciou alguns inconvenientes do sistema adotado, pois o vice-campeão acunulou dez pontos a mais que o campeão. Outrossim, o “Botafogo” se manteve invicto durante todo o campeonato, mas só obteve a quinta colocação. O campeão foi o “São Paulo”, dirigido pelo técnico Rubens Minelli, que conquistara os títulos de 1975 e 1976, com o “Inter”. No tricolor paulstano, o tricampeão Minelli contou com os seguintes jogadores, considerados expoentes do grupo: o goleiro Waldir Peres; o lateral direito Getúlio; a dupla de meio-campistas Chicão e Dario Pereyra; e os atacantes Zé Sérgio e Mirandinha. O “Atlético Mineiro”, agora com o técnico Barbatana, foi o vice-campeão, tendo, entre os seus principais atletas: o arqueiro João Leite; o zagueiro Vantuir; Toninho Cerezo e Paulo Isidoro, no meio-de-campo: e, no ataque, Caio Cambalhota. Pela primeira vez, a final, foi decidida nos pênaltis. O jogo terminou 0x0, permanecendo o placar em branco, no fim da prorrogação. Na cobrança de pênaltis, o tricolor do Morumbi converteu três das cinco oportunidades, enquanto o “Galo” só aproveitou duas. A grata surpresa do Campeonato Brasileiro de 1977 foi a terceira colocação, conseguida pelo modesto “Operário” de Campo Grande (Mato Grosso do Sul). O mérito dessa façanha deve ser creditado ao técnico Carlos Castilho, que depois de ter sido um dos maiores goleiros do Brasil e do mundo, teve, infelizmente, pouco tempo de vida para mostrar suas grandes qualidades como treinador. No ano da Copa do Mundo de 1978, foi, novamente, aumentado o número de participantes do Brasileirão, que passou a ser de setenta e quatro clubes. Pela quarta e última vez, houve a atribuição, diferenciada, de dois ou três pontos por vitória. Mas, para fazer jus à bonificação, a diferença no placar teria de ser de três ou mais gols. Além dessa alteração de dois para três gols, as semifinais e a final deixaram de ser disputadas em jogo único, passando a ser em partidas de ida-e-volta. Também foi acrescentada ao campeonato uma fase de quartas-de-final, também em dois jogos (ida-e-volta). O campeão, pela primeira vez, não foi de uma capital estadual, e, sim, de uma cidade do interior: o “Guarani”, de Cmpinas, Estado de São Paulo. A equipe do Bugre, do interior, venceu o time do “Palmeiras”, da capital paulista, nos dois jogos da decisão, ambos pelo placar de 1x0: o

primeiro em São Paulo, no Morumbi, com um gol de Zenon; o segundo, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, com um gol de Careca. A equipe campeã, do “Guarani’, dirigida pelo técnico Carlos Alberto Silva, tinha, como seus maiores valores, justamente, os autores dos gols decisivos: Zenon, e sua revelação, Careca. Já o vice-campeão “Palmeiras” tinha, sob as ordens do técnico Jorge Vieira, o excelente goleiro, já veterano, Emerson Leão, e, na frente, o fantástico Jorge Mendonça. Mais uma vez, o número de equipes disputantes do Cameonato Brasileiro, em divisão única, foi aumentado, na edição de 1979, para noventa e quatro. Foi o último certame organizado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportes), pois logo após seu início, o futebol foi desmembrado, separando-se dos demais esportes e constituindo uma entidade específica, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Pelo regulamento, os times do Rio de Janeiro e de São Paulo, que iriam disputar o Torneio Rio-São Paulo (que acabou sendo cancelado), entrariam direto na segunda fase. Como o “Guarani” e o “Palmeiras” só entrariam na terceira fase, por terem sido, respectivamente, campeão e vice, no ano anterior, os demais clubes paulistas pleitearam esse privilégio. O pleito foi indeferido, por ser descabido. Em represália, “Corinthians”, “Santos”, “São Paulo” e “Portuguesa de Desportos” boicotaram o campeonato. A vitória coube, pela terceira vez na década, ao “Internacional” que venceu, na final, os jogos de ida-e-volta, contra o “Vasco”, por 2x0, no Rio, e 2x1, em Porto Alegre. A equipe gaúcha, dirigida pelo técnico Ênio Andrade, teve, como pontos fortes: Mauro Galvão, na defesa; Batista e Falcão, no meio de campo; e Valdomiro e Mário Sérgio, no ataque. A campanha do “Inter” foi brilhante, pois foi campeão invicto. O time carioca, comandada pelo técnico Oto Glória, sagrou-se vicecampeão, tendo, como seus maiores destaques: Leão, no gol; Zé Mário, no meio-campo: e Roberto Dinamite, na linha ofensiva. O Brasileirão de 1980 reuniu quarenta equipes na primeira divisão, pois, finalmente, cedendo à pressão dos clubes, a CBF decidiu realizar o campeonato nacional em três divisões, designando os troféus respectivos como Taça de Ouro, Taça de Prata e Taça de Bronse. Ao instituir o sistema de acesso e descenso, recomendado pela FIFA, a CBF inventou um mecanismo, chamado de acesso intermediário, no mesmo ano da competição. De acordo com essa invenção, os quatro times melhor clas-


sificados na primeira fase da Taçs de Prata passavam a disputar a segunda fase da Taça de Ouro. As demais equipes da Taça de Prata continuavam no seu certame, disputando o título do torneio e duas vagas para a Taça de Ouro do ano seguinte. Em uma decisão polêmica, o “Flamengo” conquistou o campeonato. No primeiro jogo da final, realizado no Mineirão, em 28 de maio de 1980, com arbitragem de Romualdo Arppi Filho, o “Atlético Mineiro” venceu por 1x0. No segundo, realizado no dia 1º de junho, no Maracanã, apitado por José de Assis Aragão, que expulsou três jogadores e o técnico do clube mineiro, o rubronegro carioca venceu por 3x2. Como houve igualdade na soma dos resultados (3x3), foi utilizado, de acordo com o regulamento, o critério do melhor desempenho na semifinal, que favoreceu o “Flamengo” (duas vitórias sobre o “Coritiba”), enquanto o “Atlético Mineiro” obteve uma vitória e um empate, contra o “Internacional”. O técnico do campeão foi Cláudio Coutinho que utilizou, durante a campanha, entre outros, os seguintes valores: Raul, no gol; Carlos Alberto Torres, Toninho e Júnior, nas laterais; Andrade, Paulo César Carpegiani, Adílio e Zico, no meio-campo; Tita e Nunes, no ataque. O técnico vice-campeão Procópio Cardoso tinha os seguintes expoentes: João Leite, na meta; Luisinho, na zaga; Chicão, Toninho Cerezo e Palhinha, no meio de campo; Reinaldo e Éder Aleixo, no ataque. Nessa década de 1971 a 1980, embora os títulos do Campeonato Brasileiro tenham ficado, exclusivamente, nas mãos de clubes dos maiores centros (São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais), verificou-se uma maior integração do futebol, em termos nacionais. E foram muitos os jogadores de valor, surgidos nesse período. A partir de 1971, começou a terminar a fase da grande hegemonia santista. A academia palmeirense confirmou a elevada categoria do seu futebol, vencendo o campeonato nacional em 1972 e 1973. Mas, o grande vitorioso da década, foi o “Internacional”, campeão em 1975, 1976 e 1979. O “Cruzeiro” conquistou a Taça Libertadores da América, em 1976. Entretanto, o maior vulto, que marcou a história do futebol, nessa época, não foi um jogador, nem um técnico, e, sim, um dirigente: Francisco Horta. Ao assumir a presidência do “Fluminense”, começou logo com uma contratação de impacto: Roberto Rivellino. A seguir, montou uma equipe em que todos os jogadores, do goleiro ao ponta esquerda,

eram, ou haviam sido, titulares da Seleção Brasileira. A única exceção era o centroavante Doval, que era argentino. A sua formação básica foi: Renato, Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Paulo Cézar Caju e Rivellino; Gil, Doval e Dirceu. Apelidado de máquina tricolor, o compromisso mair do time era jogar bonito, praticar o chamado futebol arte, vencendo ou não. Essa equipe fabulosa, bicampeã carioca (1975/76) teve curta duração, porém, pois o presidente Horta, com a intenção de promover o futebol do Rio, proporcionando belos espetáculos e ótimas rendas, havia implantado um sistema de trocas de jogadores, com os outros grandes clubes cariocas: “Flamengo”. “Vasco” e “Botafogo”. Embora essa “troca-troca” tenha sido válida, em 1976, para a montagem da “máquina”, algumas das transações, a partir de 1977, acabaram sendo mais favoráveis aos adversários. A seleção nacional, após a conquista da Copa do Mundo de 1970, no México, participou dos campeonatos mundiais de 1974, na Alemanha, e de 1978, na Argentina. Por ter sido campeão em 1970, o Brasil não precisou disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo de 74. Sob o comando técnico de Zagallo, a seleção estreiou com um empate em 0x0, contra a Iugoslávia. O jogo seguinte, contra a Escócia, também terminou empatado em 0x0. A vitória por 3x0, sobre o Zaire, possibilitou a classificação, sem brilho, para a fase seguinte. Foram, então, colhidas duas vitórias significativas: 1x0, sobre a Alemanha Oriental; e 2x1, em cima da rival sul-americana, a Argentina. Aconteceu, a seguir, o jogo contra a sensação da copa, a “Laranja Mecânica” do técnico Rinus Michels, que criou o “carrossel” holandês liderado em campo pelo extraordinário Cruyjff. Esse sistema revolucionário, no qual os jogadores se revezavam em todas as posições, permitiu à Holanda ser a melhor equipe da competição, embora tenha prdido a final para os donos da casa. O resultado da partida, contra o Brasil, foi a previsível vitória holandesa, por 2x0. Restou à seleção canarinha disputar o terceiro lugar, enfrentando a Polônia. Nova derrota, por 1x0, conferiu à equipe brasileira uma melancólica quarta posição no torneio da Alemanha Ocidental. Depois de boa campanha nas eliminatórias, incluindo expressivas vitórias por 8x0 (sobre a Bolívia) e 6x0 (contra a Colômbia), a Seleção


Brasileira, sob o comando técnico de Cláudio Coutinho, conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de 1978, de maneira invicta, com quatro vitórias e três empates. Da mesma forma que no certame anterior, as semifinais foram disputadas em dois grupos de quatro equipes, clssificando-se a primeira colocada de cada chave para a final. Brasil e Argentina estavam no mesmo grupo e lutavam prla classificação, que significava disputar o título. A Argentina foi favorecida por enfrentar o Peru, já sabedora da vantagem no saldo de gols, que o Brasil tinha. Precisava, assim, de uma vitória por quatro gols de diferença, no mínimo. Coincidentemente, o goleiro Quiroga, do Peru, argentino de nascimento, que até então tivera boas atuações, aceitou nada menos que seis gols. Classificada em primeiro, a Argentina conquistou o título, vencendo a Holanda, na final. A Seleção do Brasil, classificada em segundo, venceu por 2x1 a Itália, na disputa pelo terceiro lugar. Restou ao técnico Claudio Coutinho o consolo de autoproclamar o Brasil como “campeão moral”. Também nessa década (1971-1980), aconteceu, em 1976, o Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, vencido brilhantemente pelo Brasil, derrotando a Itália, na final, por 4x1. De 1971 a 1980, a Seleção Brasileira principal disputou 96 partidas, considerando-se os jogos da Copa de 74; das eliminatórias para a Copa de 78, e da própria; dos torneios sul-americanos (Copa América, Copa Roca, Taça Rio Branco, Taça Oswaldo Cruz, e Taça do Atlântico); do Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos; da Minicopa de 1972 (Taça Independência do Brasil); e amistosos oficiais. Foram 63 vitórias, 25 empates e, somente, 8 derrotas. Nesse período, os técnicos da seleção foram: Zagallo, que comandou a equipe, nos 38 jogos disputados entre 1971 e 1974; Osvaldo Brandão, seu sucessor, que esteve à frente do time, em 17 partidas, realizadas entre julho de 1975 e fevereiro de 1977; Claudio Coutinho, de março de 1977 ao final de 1979, realizando 31 jogos; e Telê Santana, nas 8 partidas oficiais de 1980. Os jogadores que defenderam as cores do Brasil, nesses jogos oficiais da década 71-80, foram: Félix, Leão, Renato, Wendell, Raul, Valdir Peres, Jairo, Carlos e João Leite (goleiros); Zé Maria, Everaldo, Marco Antônio, Eurico, Carlos Alberto Torres, Marinho Chagas, Nelinho, Getúlio, Toninho, Orlando, Wladimir, Edinho, Rodrigues Neto, Júnior,

Pedrinho e Edevaldo (laterais); Brito, Piazza, Luiz Carlos, Marinho Perez, Vantuir, Chiquinho Pastor, Luís Pereira, Moisés, Alfredo Mostarda, Amaral, Miguel, Jaime, Beto Fuscão, Carlos Alberto Torres, Edinho, Oscar, Abel, Mauro Pastor, Luizinho e Juninho (zagueiros); Clodoaldo, Gérson, Rivellino, Claudiomiro, Paulo Cézar Caju, Carbone, Ademir da Guia, Dirceu Lopes, Carpegiani, Piazza, Vanderlei, Danival, Geraldo, Zé Carlos, Chicão, Falcão, Givanildo, Neca, Caçapava, Toninho Cerezo, Zico, Carlos Alberto Pintinho, Dirceu, Paulo Isidoro, Batista, Guina, Zenon, Sócrates e Pita (meio-campistas); Zequinha, Tostão, Pelé, Paulo Cézar Caju, Claudiomiro, Vaguinho, Lula, Jairzinho, Roberto Miranda, Dirceu Lopes, Leivinha, Dadá Maravilha, Valdomiro, Palhinha, Edu, Dirceu. Rivellino, Mirandinha, César, Roberto Batata, Marcelo, Reinaldo, Campos, Romeu, Dirceu Lopes, Joãozinho, Roberto Dinamite, Geraldo, Flecha, Edu Bala, Zico, Gil, Enéas, Geraldo, Neca, Nei, Nílson Dias, Zé Mário, Dirceu, Tarciso, Nunes, Zé Sérgio, Jorge Mendonça, Nílton Batata, Sócrates, Éder, Zezé, Serginho, Renato, Zenon, Juari, Tita, Paulo Isidoro, Baltazar II e Robertinho (atacantes). Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, nasceu no Recife, em 26 de abril de 1937. Começou sua trajetória de goleiro nos juvenis do “Sport”, de sua cidade natal. Conquistou o titulo de campeão pernambucano de juniores, em 1954, sem sofrer nenhum gol. Profissionalizou-se em 1955, mas só estreiou na equipe principal do rubronegro de Recife em 1957, quando o arqueiro titular, Oswaldo Baliza, se contundiu, durante uma excursão à Europa. Defendeu o gol do “Sport” em 1958, sendo Campeão Pernambucano, e transferiu-se para o Botafogo, em 1959. Alto (1,88 m), ágil debaixo do travessão e veloz ao repor a bola, Manga também era exímio defensor de pênaltis. Sua melhor fase começou em 1961 e durou vinte anos, até o fim da sua carreira. Com a Seleção Brasileira, disputou a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Com o “Glorioso” alvinegro carioca, conquistou os seguintes títulos: Bicampeão Carioca em 1961/62 e 1967/68; Bicampeão da Taça Guanabara (1967/68); Torneio Rio-São Paulo, em 1962, 1964 e 1966; e Taça Brasil, em 1968. Foi negociado com o “Nacional” do Uruguai, após ter sido acusado, pelo jornalista e técnico botafoguense João Saldanha, de ter aceitado suborno de Castor de Andrade, patrono do “Bangu”. No tricolor uru-


guaio, foi campeão nacional em 1969, 1970, 1971 e 1972. Venceu a Copa Libertadores da América em 1971, e a Copa Intercontinental, no mesmo ano. Em 1974, retornou ao Brasil, passando a defender o “Internacional”, do Rio Grande do Sul. Com o colorado, foi Tricampeão Gaúcho (1974/75/76) e Bicampeão Brasileiro (1975/76). A seguir, jogou no “Operário”, de Campo Grande, sagrando-se Campeão Matogrossens, em 1977. Foi Campeão Paranaense, no ano seguinte, pelo “Coritiba”. Retornou a Porto Alegre, ainda em 1978, contratado pelo “Grêmio”. Foi novamente Campeão do Rio Grande do Sul, em 1979, dessa vez pelo tricolor gaúcho, one permaneceu até 1980. De 1981 a 1982, jogou palo “Barcelona”, de Guayaquil, no Equador, tendo conquistado mais um título: Campeão Equatoriano, em 1981. Encerrou a carreira em 1982, com 45 anos. Manga ficou com os dedos das mãos deformados, em decorrência das inúmeras bolas divididas com os pés dos atacantes, e tem um rosto muito feio. Essa feiúra, junto à sua longevidade como goleiro de alto nível, valeu-lhe algum dinheiro, em 1979, quando ele emprestou sua imagem para a publicidade de um rádio Philco, cuja mensagem era: “Dura tanto quanto o Manga e é muito mais bonito”. Atualmente, em 2010, Haílton Corrêa de Arruda presta serviços ao “Sport Club Internacional”, como supervisor do treinamento de goleiros. Eduardo Antunes Coimbra nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de fevereiro de 1947. Aos treze anos de idade, em 1960, ingressou nas categorias infanto-juvenis do “América”, da sua cidade natal. Sua carreira profissional teve início em 1966, no tradicional clube da Rua Campos Sales, na Tijuca. Entre 1966 e 1974, com a camisa rubra, Edu marcou 212 gols e tornou-se um dos maiores ídolos da rica história do “América Football Club”. Foi o artilheiro do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969 e vencedor da Taça Guanabra de 1974. Meia atacante (ponta-de-lança) baixinho (1,64 m), veloz e dono de um futebol refinado, com dribles curtos, passes precisos e lançamentos objetivos, visando sempre ao ataque, disputou 54 partidas pela Seleção Brasileira, desde 1967, quando conquistou a Copa Rio Branco, até 1974. Transferiu-se para o “Vasco da Gama”, no início de 1975, mas não ficou

muito tempo em São Januário. Foi para o “Bahia”, ainda a tempo de participar da conquista do título baiano de 1975. De volta ao Rio, defendeu o “Flamengo” em 1976, ao lado do seu irmão Zico. Entre 1976 e 1978, atuou pelo “Colorado” (um dos clubes que se uniram para criar o atual “Paraná”), tendo sido, por duas vezes, o artilheiro do campeonato paranaense. Em Santa Catarina, ainda em 1978, defendeu a camisa tricolor do “Joinville”. Em 1979, no Distrito Federal, jogou no “Brasília”. Finalmente, no Rio de Janeiro de novo, em 1980, vestiu o uniforme do “Campo Grande”, onde encerrou, no ano de 1981, sua carreira de craque, extremamente leal, em todos os aspectos. Como técnico, começou a trabalhar no seu clube mais estimado, o “América”, do Rio. Em 1984, dirigiu a Seleção Brasileira em três partidas amistosas, sofrendo uma derrota para a Inglaterra (2x0), obtendo um empate com a Argentina (0x0) e colhendo uma vitória sobre o Uruguai (1x0). No mesmo ano, conduziu o “Vasco” à conquista do Vice-Campeonato Brasileiro. Treinou, também, a Seleção do Iraque, as equipes brasileiras do “Coritiba” e “Botafogo” carioca, e o time japonês do “Kashima Antlers”. Foi auxiliar técnico da comissão comandada por Zico na Seleção do Japão e nos clubes “Fenerbahçe” (Turquia) “Bunyodkor” (Uzbequistão), “CSKA Moscou” (Rússia) e “Olympiakos” (Grécia). É, ainda, professor de futebol e, recentemente, publicou o livro “Método Sensorial do Futebol (da Infância à Fase Adulta)”, visando à preparação de futuros craques. Mario Peres Ulibarri, o Marinho Peres, nasceu em 19 de março de 1947, na cidade de Sorocaba, interior paulista. Iniciou sua carreira no “São Bento”, da sua cidade, em 1965. Em 1967, transferiu-se para a “Portuguesa”, de São Paulo, onde começou a ser destacar. Foi contratado pelo “Santos”, passando a defender a equipe alvinegra praiana, a partir de 1972. Conquistou, com o “Peixe”, o Campeonato Paulista de 1973. Convocado para a Saleção do Brasil, disputou, como titular, a Copa do Mundo da Alemanha, em 1974, na qual o Brasil obteve a quarta colocação. Ao todo, Marinho Peres jogou quinze partidas com a camisa amarela e assinalou um gol. Zagueiro clássico, com grande categoria, era um marcador eficaz, porém leal. Suas atuações seguras, no campeonato mundial, desperta-


ram a atenção dos europeus, e o “Barcelona” o contratou, ainda em 1974. Entretanto, jogou apenas uma temporada (1974/75), retornando ao Brasil, com o apoio do clube catalão, quando as autoridades espanholas quiseram forçá-lo a prestar o serviço militar da Espanha. Assim, Marinho Peres foi atuar no “Internacional”, do Rio Grande do Sul, de 1976 a 1977. Com o “colorado”, venceu o Campeonato Gaúcho de 1976 e conquistou o título de Campeão Brasileiro, no mesmo ano. Em seguida, foi para a Bahia, defender o “Galícia”, entre 1977 e 1978. Nesse último ano, assinou contrato com o “Palmeiras”. Ficou no Parque Antártica até o fim de 1979. Já em final de carreira, jogou no “América” do Rio, em 1980 e 1981. A torcida “rubra” não se esquece de um jogo. no Morumbi, quando a equipe americana, formada por “velhinhos”, próximos da aposentadoria, conseguiu vencer o jovem e forte time do “Santos”, em jogo válido pela Taça de Ouro (Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão), no dia 13 de abril de 1980. Tendo o “América” marcado o único gol do jogo, no início do segundo tempo, Marinho Peres, o melhor da partida, além de jogar bem, passou a fazer de tudo para catimbar e segurar o entusiasmo dos garotos santistas: deu ordem para um companheiro se jogar no chão, ganhando tempo; gritou e xingou; reclamou do juiz; e passou a mão na cabeça quente do adversário. Após pendurar as chuteiras, em 1981, Marinho Peres começou logo a carreira de treinador, no próprio “América” carioca. Posteriormente, foi técnico bem-sucedido em diversos clubes portugueses: “Vitória de Guimarães”, “Belenenses”, “Sporting” e “Marítimo”; além de outras equipes, no Brasil. Afonso Celso Garcia Reis, mais conhecido como Afonsinho, nasceu em Marília (SP), no dia 3 de setembro de 1947. Começou no futebol aos quinze anos, em 1962, no “Esporte Clube XV de Novembro”, em Jaú(SP). Trocou o interior paulista pelo Rio de Janeiro, em 1965, contratado pelo “Botafogo”. Afonsinho viveu a maior parte, e a melhor fase, de sua trajetória, como jogador alvinegro. Nos seus cinco anos no clube da Estrela Solitária, conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1966 e foi Bicampeão Carioca em 1967/68. Meio-campista talentoso, antevia as jogadas e, rapidamente, acionava,

em profundidade, um companheiro de ataque. Sua maior marca, entretanto, foi sua luta judicial pelo direito do jogador de futebol exercer sua profissão. Afonsinho foi o primeiro profissional a conseguir passe livre no Brasil. Foi chamado de jogador-hippie, problemático e maldito. O símbolo de sua rebeldia eram a barba comprida e os cabelos longos. Na verdade, Afonsinho possui um nível intelectual e cultural elevado, que o fazia conhecer os seus direitos e brigar por eles. Seus posicionamentos firmes foram causa de diversos desentendimentos com os dirigentes botafoguenses e com o técnico Zagallo. Previdente, logo após se profissionalizar, em 1966, Afonso Celso iniciou o curso superior na Escola de Medicina e Cirurgia, no Rio de Janeiro. Em 1970 foi emprestado ao “Olaria”, mas retornou a General Severiano no mesmo ano. Deixou novamente, e de forma definitiva, o alvinegro carioca em 1971, indo outra vez para o clube da Rua Bariri. No mesmo ano, transferiu-se para o “Vasco”, e, em seguida para o “Santos” (1972). Voltou ao Rio, para jogar no “Flamengo” (1973/74). Antes de defender o uniforme tricolor do “Fluminense” (1981/82), onde encerrou sua carreira, atuou pelo “América”, de Minas Gerais, “XV” de Jaú e “Madureira”. Sua polêmica carreira deu motivo a um filme documentário de longa metragem, dirigido por Osvaldo Caldeira, intitulado Passe Livre, no qual é relatada a batalha jurídica travada por Afonsinho e são apresentadas as relações de trabalho no futebol brasileiro, em 1974. Escrito por Kleber Mazziero de Souza, foi publicdo um livro-biografia, sob o titilo Prezado Amigo Afonsinho. Hoje, ele reside no Rio de Janeiro, onde é médico. No Hospital Pinel, para deficientes mentais, o Dr. Afonso Celso Garcia Reis desenvolve um programa de recuperação e inserção social dos internos, com base na prática do futebol. Carlos Roberto de Carvalho é carioca, nascido em 1º de maio de 1948. Iniciou sua carreira profissional em 1967, na sua cidade natal, vestindo o uniforme do “Botafogo de Futebol e Regatas”. Permaneceu no alvinegro da Rua General Severiano por oito anos, tendo disputado 442 jogos. Com o “Glorioso”, foi Campeão Carioca em 1967 e 1968; e Campeão


Brasileiro em 1968. Carlos Roberto foi um volante de bons recursos técnicos que chegou à Seleção Brasileira, aos 20 anos, em 1968. Com a amarelinha, fez apenas duas partidas, tendo enfrentado o Peru e a Argentina. Após deixar o “Botafogo”, em 1975, jogou no “Santos”, “Atlético Paranaense”, “Fluminense”, “Bangu” e “Bonsucesso”. Encerrou a carreira de jogador em 1982. Após pendurar as chuteiras, iniciou, no “Bosucesso”, sua carreira de técnico. Além de clubes em Minas Gerais (“América” e “Rio Branco”, de Andradas), treinou outros clubes do Rio de Janeiro: “Madureira”, “Americano”, “Cabofriense”, “Botafogo” e “América”. No exterior, trabalhou na Arábia Saudita (“Al-Thai”, “Al-Ta’Awoun”, “Al-Shabab”, “Al-Ansar” e “Al-Ryadh”); nos Emirados Árabes Unidos (“Al-Wahda”) e na Tailândia: Seleçao Nacional, “Bangkok Glass” e “Muang Thong United”. Luís Edmundo Pereira nasceu em 21 de junho de 1949, na cidade de Juazeiro, interior da Bahia. Começou sua carreira no “São Bento” de Sorocaba (SP), em 1967. Transferiu-se, na ano seguinte, para o “Palmeiras”, onde se consagrou. Entre 1969 e 1974, com o clube do Parque Antártica, conquistou os seguintes títulos: Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1969; Campeão Paulista, em 1972 e 1974; Campeão Brasileiro, de 1972 e 1973. Integrou a famosa equipe palmeirense, apelidada de Academia, em função do alto nível do futebol que praticava. Foi convocado, pela primeira vez, para a Seleção Brasileira, em 1973. Participou da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Ao todo, fez 38 partidas, das quais 33 oficiais, pelo time canarinho. Zagueiro central, com 1,81 m de altura, jogava de forma vigorosa, o que lhe valeu o apelido de “King Kong”, além do outro, mais difundido, de “Luís Chevrolet”. Contratado pelo “Atlético de Madrid”, jogou na Espanha, de 1974 a 1980. Sagrou-se Campeão Espanhol na temporada 1976/77 e foi chamado de “El Mago”. Retornou ao Brasil, passando a atuar pelo “Flamengo” (1980-1981). Voltou a defender o “Palmeiras”, de 1981 a 1984. Entre 1985 e 1994, jogou nos seguintes clubes: “Portuguesa” (19851986), “Corinthians” (1986-1987), “Santo André” (1988), “Central de Cotia” (1989), “São Caetano” (1990 a 1992), “São Bernardo” (1993)

e “São Bento” (1994). Voltou a atuar, em 1997, pelo “São Caetano”, clube no qual, finalmente, pendurou as chuteiras, com a avançada idade (para jogador profissional de futebol) de 47 anos. João Leiva Campos Filho, mais conhecido como Leivinha, nasceu na cidade paulista de Novo Horizonte, em 11 de setembro de 1949. Começou sua carreira profissional, em 1966, no pequeno “Linense”, da cidade de Lins, no interior paulista. Após a transferência para a “Portuguesa de Desportos”, em 1968, seu bom futebol começou a ser notado. Leivinha viveu o auge de sua carreira, entre 1971 e 1975, no “Palmeiras”. Conquistou os títulos de Campeão Paulista, em 1972 e 1974, e de Bicampeão Brasileiro, em 1972/73. Leivinha foi um meia atacante de excelentes recursos técnicos e, com 1,75 m de altura, exímio cabeceador. Disputou, entre 1972 e 1974, vinte e sete partidas com a camisa amarelinha do Brasil, marcando sete gols, inclusive um que teria sido o milésimo gol da Seleção Brasileira, assinalado em 27 de maio de 1973. Participou da Copa do Mundo de 1974. Depois da vitória palmeirense no Torneio Ramón de Carranza, realizado na Espanha, em 1975, Leivinha foi contratado pelo “Atlético de Madrid”. No futebol espanhol, confirmou seu status de craque consagrado, tornando-se ídolo dos “colchoneros”, e venceu a “Copa Del Rey”, na temporada 1975/76 e o Campeonato Espanhol de 1976/77. Voltou ao Brasil, em 1979, para encerrar a carreira, no “São Paulo”. Atualmente, é comentarista esportivo de futebol. Miguel Ferreira de Almeida é carioca, nascido em 20 de setembro de 1949. Iniciou sua carreira no “Olaria”, do Rio de Janeiro, em 1967. Permaneceu no clube suburbano até 1971, quando foi para o “Vasco”. Zagueiro dotado de ténica refinada, Miguel praticava um jogo duro, porém leal, raramente cometendo faltas. Bom, tanto nas jogadas rasteiras como aéreas, jogava sério, sem enfeitar, mas com categoria. Ficou em São Januário até 1975, tendo sido o principal bastião na retaguarda da equipe cruzmaltina, na conquista do título de Campeão Brasileiro de 1974. Transferiu-se para o “Fluminense” em 1976, passando a fazer parte da excelente equipe denominada “Máquina Tricolor”. Foi Campeão Carioca em 1976. Permaneceu nas Laranjeiras até 1978. Os melhores anos de sua trajetória futebolística foram os de 1974 a 1977. Nesse período, foi titular da Seleção do Brasil em nove partidas,


tendo enfrentado os selecionados da Itália, Inglaterra, Argentina, México, Peru e, duas vezes cada, Uruguai e Parguai. Deixou o Rio de Janeiro, em 1978, passando a atuar pelo “Chicago Stings”, nos Estados Unidos. Retornou ao Brasil, em 1979, contratado pelo “Botafogo”. Ficou no alvinegro carioca até 1980. No ano seguinte, transferiu-se para o “Madureira”, onde encerrou a carreira. Vanderlei Eustáquio de Oliveira, mais conhecido como Palhinha, nasceu na capital mineira, em 11 de junho de 1950. Foi descoberto, aos quatorze anos, nos campos de pelada do bairro do Barreiro, em Belo Horizonte, pelo treinador do futebol de salão do “Cruzeiro”. Começou a jogar futsal, mas passou para o time juvenil de futebol de campo, no ano seguinte. Aos dezoito anos, estreiou na equipe cruzeirense principal. Entretanto, o clube azul tinha um elenco rico em craques e ele ficou muito tempo na reserva. Em 1972, com a transferência de Tostão para o “Vasco”, assumiu uma vaga de titular. Palhinha foi um atacante muito veloz, que jogava com inteligência e valentia, qualidades que o fizeram ser um grande artilheiro, como na Copa Libertadores de 1976 (13 gols). Com o “Cruzeiro”, conquistou os títulos de Bicampeão Mineiro (1968/69) e Tetracampeão de Minas (1972/73/74/75), mas seu título mais importante foi o da Libertadores, em 1976. Transferiu-se, em 1977, para o “Corinthians” e foi Campeão Paulista, em 1977 e 1979. Defendeu o “Atlético Mineiro”, em 1980, voltando a ser Campeão de Minas Gerais. Jogou no “Santos”, em 1981; pelo “Vasco”, foi Campeão Carioca, em 1982. Voltou ao seu clube de origem em 1983, conquistando mais uma vez o Campeonato Mineiro, em 1984, com o “Cruzeiro”. Palhinha encerrou a carreira de jogador, em 1985, no “América” de Minas Gerais, clube no qual iniciou, de imediato, suas atividades, como treinador. Em seguida, foi técnico do “Atlético Mineiro” (1987); “Rio Branco”, de Minas (1988); “Corinthians” (1989) e “Cruzeiro” (1994). Manuel Resende de Matos Cabral, o Nelinho, é natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 26 de julho de 1950. Começou a trajetória futebolística em sua cidade natal, no “Bonsucesso”. Ainda muito jovem, foi contratado pelo “Barreirense”, de Portugal. Retornou ao Rio, transferido para o “América”. Em seguida, jogou no “Remo”, de Belém. Do

Pará, mudou-se para Minas, passando a defender o “Cruzeiro”, a partir de 1973. Inciou, então, a sua melhor fase, como jogador de futebol. Foi Tricampeão Mineiro (1973/74/75). Conquistou a Copa Libertadores da América, com a camisa azul do clube de Belo Horizonte, em 1976. Participou das Copas do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, e de 1978, na Argentina. Nesse último torneio, marcou um belo gol, na vitória sobre a Itália, que garantiu a terceira colocação ao Brasil. Voltou a ser Campeão Mineiro, pelo “Cruzeiro”, em 1977. Graças ao seu chute extremamente potente e ao efeito que conseguia inprimir na bola, foi um dos melhores cobradores de falta na história do futebol brasileiro. Lateral direito dotado de elevada categoria técnica, com 1,80 m de altura e 80 kg, defendia com eficácia e apoiava o ataque com desenvoltura. Trocou o “Cruzeiro” pelo rival “Atlético Mineiro”, em 1982. Com o uniforme alvinegro do “Galo”, foi um dos heróis da conquista do Hexacampeonato Mineiro, em 1983. Foi, novamente, Campeão Mineiro, em 1985 e 1986. Pendurou as chuteiras em 1988, ainda no “Atlético”. Gilberto Alves, o Búfalo Gil, ou Gil, simplesmente, é mineiro de Nova Lima, nascido em 24 de dezembro de 1950. Iniciou sua trajetória no futebol, aos quinze anos, nas categorias de base do “Cruzeiro”, em Belo Horizonte. Começou a carreira profissional na sua cidade natal, no “Villa Nova”, pelo qual foi Campeão Brasileiro da Série B, em 1971. Foi emprestado ao “Uberlândia”, também de Minas, e ao “Comercial”, de Mato Grosso, e, posteriormente, contratado pelo “Fluminense”, em 1973. No Rio, teve início a melhor fase da sua trajetória. Ponta direita muito veloz, e certeiro nas finalizações, Gil era extremamente forte, ganhando sempre as disputas no corpo a corpo, sem cometer faltas. Daí adveio o seu apelido de Búfalo, que acrescido ao diminutivo Gil, de seu nome, tornou-se Búfalo Gil, criando uma analogia fonética com Bufalo Bill, o famoso “cowboy” do cinema norteamericano. Nos anos de 1975 e 1976, integrou o magnífico time do “Fluminense”, que ficou conhecido, e famoso, como a “Máquina Tricolor”. Essa equipe utilizava uma jogada que, embora conhecida pelos adversários, praticamente sempre redundava em gol. Era o lançamento de quarenta ou cinqüenta metros que Rivellino fazia para Gil, na corrida. Essa


jogada foi, várias vezes, repetida pela dupla, com sucesso, também na Seleção do Brasil. Gil foi Bicampeão Carioca (1975/76) pelo tricolor das Laranjeiras. Pela equipe canarinha, conquistou a Taça do Bicentenário dos Estados Unidos, em 1976, tendo assinalado dois gols na vitória, por 4x1 na final, contra a Itália. Defendendo o “Fluminense”, disputou 172 jogos e marcou 75 gols. Com a Seleção Brasileira, atuou em 40 partidas, obtendo 28 vitórias, 10 empates e apenas 2 derrotas. De 1977 a 1979, jogou no “Botafogo” e disputou as eliminatórias e a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando o Brasil ficou em terceiro lugar. Ainda em 1979, transferiu-se para o “Corinthians”. Jogou, em seguida, no “Coritiba”, “Múrcia” da Eapanha, e “Farense” de Portugal, onde encerrou sua brilhante carreira, em 1986. Waldir Peres de Arruda nasceu em Garça, SP, no dia 2 de janeiro de 1951. Sua iniciação no futebol aconteceu nas categorias de base da “Ponte Preta”, em Campinas. Sua carreira profissional começou no mesmo clube, em 1970. Mas, foi no “São Paulo”, a partir de 1973, que Waldir Peres passou a ganhar destaque, como goleiro. Devido à contusão do arqueiro Wendel, foi convocado para a Seleção do Brasil e disputou, como reserva, a Copa do Mundo de 1974. Sua estréia na equipe titular aconteceu, em outubro de 1975, na vitória por 2x0 sobre o Peru, na Copa América. Com o clube do Morumbi, ganhou o seu primeiro título: Campeão Paulista de 1975. Waldir teve uma atuação fundamental na partida final, contra a Portuguesa, defendendo duas cobranças, na decisão por pênaltis, e assegurando a vitória sãopaulina. Foi, também, numa decisão por pênaltis, que conquistou seu segundo título, o de Campeão Brasileiro de 1977, quando o tricolor paulistano venceu o “Atlético Mineiro”, no Mineirão, após um empate de 0x0, no tempo normal e na prorrogação. Chamado para a Seleção Brasileira, foi, novamente, reserva na Copa do Mundo de 1978. Pelo “São Paulo”, sagrou-se Campeão Paulista de 1980. Em janeiro de 1981, foi convocado para a equipe canarinha que estava disputando o Mundialito comemorativo do cinqüentenário da Copa do Mundo, por motivo da contusão sofrida pelo goleiro Carlos. na primeira partida. Em seguida, defendeu o gol brasileiro nas eliminatóri-

as para a Copa do Mundo de 1982. Mas, foi em um amistoso contra a Alemanha, no Neckarstadion, em 19 de maio de 1981, que Waldir viveu o maior momento, talvez, de sua trajetória na seleção. O Brasil vencia por 2x1 e faltavam só dez minutos para o término do jogo, quando o zagueiro Luizinho cortou um cruzamento, com a mão, dentro da área. Marcado o pênalti, Paul Breiner, que nunca havia desperdiçado uma penalidade máxima, até então, chutou no canto esquerdo, mas o goleiro brasileiro defendeu. O juiz mandou repetir a cobrança, sob a alegação de que o arqueiro teria se adiantado irregularmente. Breitner chutou no outro canto, mas Waldir Peres defendeu, de novo. Outra grande alegria sua, em 1981, foi o título de Bicampeão Paulista, conquistado com o tricolor. No ano seguinte, participou da sua terceira Copa do Mundo, na Espanha, dessa vez como titular. No total, jogou 30 partidas pela Seleção Brasileira, entre 1975 e 1982. Saíu do “São Paulo” em 1984. Defendeu a meta dos seguintes clubes, sucessivamente: “América”, do Rio de Janeiro; “Guarani”, de Campinas; “Corinthians” e “Portuguesa”, de São Paulo; e, finalmente, sua equipe de origem, a “Ponte Preta”, de Campinas, onde encerrou sua exitosa carreira, em 1989. Francisco das Chagas Marinho, o Marinho Chagas, nasceu no dia 8 de fevereiro de 1952, em Natal. Começou sua carreira de futebolista na cidade em que nasceu, no modesto “Riachuelo”, em 1967. Dois anos depois, passou a defender o “ABC”, ainda em Natal. Com esse clube potiguar, conquistou o título do Campeonato do Rio Grande do Norte de 1970. Transferiu-se para o “Náutico”, do Recife, ainda em 1970. Foi para o Rio de Janeiro, em 1972, contratado pelo “Botafogo”. Com o clube da Estrela Solitária, teve início sua fase áurea, que lhe valeu a convocação para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. Pela seleção, Marinho Chagas partcipou da conquita do Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, em 1976. Com a camisa amarela do Brasil, efetuou o total de 36 jogos (24 vitórias, 9 empates e 3 derrotas). Lateral esquerdo, dono de um chute forte e preciso, ganhou o apelido de “O Canhão do Nordeste”. Muito habilidoso, com grande domínio de bola, tinha o hábito de avançar em demasia, desguarnecendo a defesa, o que lhe valeu o apelido pejorativo de “Avenida Marinho Chagas”. Foi


um excelente ala esquerdo, mas como essa função não era prevista nos sistemas táticos da época, seu posicionamento era muitas vezes criticado e motivo de discussões com os companheiros, como a que teve com o goleiro Leão, na derrota do Brasil para a Polônia, em disputa do terceiro lugar na Copa de 74. Além disso, seu comportamento era irreverente e, não raro, indisciplinado, dentro e fora do campo. Marinho Chagas foi transferido para o “Fluminense” em 1977, dentro do sistema de trocas implantado pelo Presidente Francisco Horta. Em 1979, rumou para os Estados Unidos, passando a atuar pelo “New York Cosmos”. No ano seguinte, jogou por outro time norte-americano, o “Strikers”, da Flórida. Retornou ao Brasil, em 1981, contratado pelo “São Paulo”. Com o tricolor do Morumbi, foi Campeão Paulista, no mesmo ano. Voltou para o Rio, em 1983, para jogar no “Bangu”. Em seguida, foi para o Nordeste, defendendo o “Fortaleza”, do Ceará, em 1984; e o “América”, do Rio Grande do Norte, em 1985. Esteve novamente nos Estados Unidos, de 1986 a 1987, atuando pelo “Heat” de Los Angeles. Em 1987 foi para a Alemanha, onde jogou pelo “Harlekin”, de Augsburg, até encerrar a carreira, em 1988, com 36 anos. Ganhou o prêmio da Bola de Prata (Revista Placar) nos anos de 1972, 1973 e 1981. Vive, atualmente, em Natal. Abel Carlos da Silva Braga nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1º de setembro de 1952. Começou no “Fluminense” aos quinze anos de idade, em 1968. Foi integrado ao elenco principal em 1971. No mesmo ano, conquistou seu primeiro título, o de Campeão Carioca. Repetiu a façanha em 1973, 1975 e 1976, sempre com o tricolor carioca. Carlos Roberto de Oliveira, o Roberto Dinamite, nasceu no município de Duque de Caxias, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1954. Em sua infância, no bairro de São Bento, em Caxias, Carlos Roberto, que tinha o apelido de Calu, já demonstrava sua paixão pelo futebol e sua aptidão para fazer gols. Jogando no Esporte Clube São Bento, desde 1966, quando tinha doze anos, acabou sendo descoberto por Gradim, auxiliar técnico e olheiro do “Vasco”, e levado para o time juvenil de São Januário, em 1969. Aos quinze anos, era franzino, mas graças a um rigoroso trabalho muscular, desenvolvido no clube, Roberto ganhou quinze quilos em um ano, e foi o artilheiro da equipe juvenil vascaína no campeonato carioca da categoria, em 1970. No ano

seguinte, foi chamado para o time principal, estreiando, com dezessete anos, no dia 14 de novembro de 1971, contra o “Bahia”, pelo Campeonato Brasileiro. Após o jogo contra o “Internacional”, no qual Roberto marcou um lindo gol, driblando quatro adversários, o “Jornal dos Sports” publicou, em manchete: “Garoto Dinamite Explodiu”. Dessa forma, consolidou-se o apelido, criado dentro da redação do mesmo diário esportivo, quando ele ainda era juvenil. Roberto Dinamite é alto (1,86 m) e, embora destro, desenvolveu a capacidade de também chutar forte com a perna esquerda, fazendo-o um centroavante extremamente perigoso para a defesa adversária. Tecnicamente hábil, fisicamente forte, e oportunista como poucos, é o maior goleador, até hoje, do Campeonato Carioca (279 gols) e do Campeonato Brasileiro (190). Em 22 anos de carreira, conseguiu a média de 36 gols por temporada. Em 1981, estabeleceu o recorde de 62 gols marcados. Atuou profissionalmente pelo “Vasco da Gama”, com grande amor à camisa cruzmaltina, de 1971 a 1993, com três pequenas interrupções: três meses, em 1980, quando jogou pelo “Barcelona”, na Espanha; seis meses, em 1989, disputando o Brasileirão pela “Portuguesa”, de São Paulo; e mais alguns poucos meses, em 1991, defendendo o “Campo Grande”, no campeonato do Rio se Janeiro. Foi Campeão Carioca em 1977, 1982, 1987, 1988 e 1992. Conquistou o título do Campeonato Brasileiro de 1974, do qual também foi o artilheiro, com 16 gols. Ganhou, também, a artilharia do Brasileirão de 1984 (16 gols), quando a equipe da Cruz de Malta perdeu o título, na final, para o “Fluminense”. Foi, ainda, o maior artilheiro dos campeonatos cariocas de 1978 (19 gols), 1981 (31 gols) e 1985 (12 gols). Convocado para a Seleção Brasileira, pela primeira vez em 1975, Roberto ganhou, em 1976, os seguintes títulos: Torneio Bicentenário dos Estados Undos, Copa Roca, Taça Rio Branco, Taça Osvaldo Cruz e Taça do Atlântico. Esteve presente nas Copas do Mundo de 1978 e 1982. Roberto Dinamite exerce atividade política, tendo sido eleito Vereador da Cidade do Rio de Janeiro, pelo PSDB, em 1992. Dois anos depois, elegeu-se Deputado Estadual do Estado do Rio, sendo reeleito em 1998. Mudou de partido, e concorreu novamente à Assembléia Estadual do Rio de Janeiro, pelo PMDB, em 2002, sendo eleito. Foi reeleito, su-


cessivamente, em 2006 e 2010. Além de deputado estadual, Roberto Dinamite é Presidente do “Vasco da Gama”, desde 28 de junho de 2008, quando foi eleito, após longa luta contra as arbitrariedades, praticadas pelo ex-presidente Eurico Miranda. Dirceu José Guimarães nasceu em 15 de junho de 1952, na capital do Paraná. Na década iniciada em 1961, começou a jogar futebol, em sua cidade natal, no time infantil do “Coritiba”. Sua carreira profissional teve início na equipe profissional do mesmo clube, em 1970. Após três anos, transferiu-se para o “Botafogo”. Com a maior visibilidade que o futebol carioca lhe conferiu, seu bom desempenho no alvinegro assegurou-lhe a convocação para a Seleção do Brasil que disputou a Copa do Mundo de 1974. Foi para o “Fluminense”, em 1976, passando a integrar a fantástica equipe apelidada de “Máquina Tricolor”. Com o time das Laranjeiras, foi Campeão Carioca em 1976. Voltou a sê-lo, em 1977, com o “Vasco”. Com 1,72 m de altura, Dirceu foi um ponta esquerda que também atuava na meia, com desenvoltura, tanto no meio de campo como na linha de vanguarda, graças ao seu excelente preparo físico. Dotado de boa técnica, sua maior característica era correr, com velocidade, o campo todo, sem se cansar, cobrindo todos os espaços. Esse estilo valeu-lhe o apelido de “formiguinha”. Disciplinado, em 25 anos de carreira, jamais foi expulso de uma partida. Teve boa presença na Copa do Mundo de 1978, na qual o Brasil ficou em terceiro lugar. Dirceu foi escolhido como o terceiro melhor jogador do torneio. Após o campeonato mundial, transferiu-se para o “América” do México. No ano seguinte, foi jogar no “Atlético de Madrid”, onde permaneceu até 1982. Da Espanha, seguiu para a Itália, passando a atuar no “Verona”. Dirceu participou, também, da mágica seleção brasileira de 1982, que, embora não tenha conquistado o título da Copa do Mundo, apresentou, indiscutivelmente, o mais belo espetáculo de futebol arte do torneio. Continuou na Itália, jogando, sucessivamente, pelo “Napoli”, “Ascoli” e “Como”. A temporada 1985/86 foi a melhor da história do modesto clube lombardo e Dirceu foi eleito o melhor jogador do campeonato italiano. Convocado para a sua quarta Copa do Mundo, a de 1986, ele sofreu uma contusão em um treino, já no México, e foi cortado. De volta à Itália, aceitou uma proposta para jogar

no “Avellino”, clube do qual se tornou ídolo. No final da temporada, retornou para o Brasil, contratado pelo “Vasco”. Dificuldades no relacionamento com o técnico Lazaroni fizeram-no abreviar sua permanência em São Januário, e aceitar um convite do seu ex-companheiro na “Máquina Tricolor” e, agora técnico, Carlos Alberto Torres, para atuar no “Miami Sharks”, dos Estados Unidos. Em 1990, já com 38 anos, Dirceu deixou a Flórida, voltando, mais uma vez, para a Itália com a finalidade de jogar futebol de salão pelo “Harvey Bologna”. Graças à “Nula Osta”, uma brecha regulamentar que permitia a um jogador disputar, simultâneamnte, campeonatos de futebol de campo e de salão, ele retornou aos gramados, jogando no “Ebolitana”, cujo time era treinado pelo também ex-companheiro de “Fluminense” Rubens Galaxie. Novamente, transformou-se em ídolo da fanática torcida do pequeno clube da cidade de Éboli, que deu o nome de “Stadio Dirceu José Guimarães” ao seu novo estádio para 15.000 espectadores. Depois de duas temporadas, transferiu-se para o “Benevento”, onde só jogou quatro meses, pois o fim da “Nula Osta” o obrigou a fazer uma opção, e ele preferiu continuar no futebol de salão, atuando pelo “Giampaoli Ancona”. Finalmente, em 1995, voltou para o futebol de campo, outra vez no México, jogando no “Atlético Yucatan”, onde encerrou sua longa carreira, aos 43 anos. Uma semana após seu retorno ao Rio de Janeiro, sofreu um acidente automobilístico, na Barra da Tijuca, e faleceu. em setembro de 1995. Paulo Roberto Falcão nasceu em Abelardo Luz, SC, no dia 16 de outubro de 1953. Começou sua carreira profissional em 1973, no “Internacional”, de Porto Alegre. Defendeu a camisa vermelha do “Inter” até 1979, com a qual conquistou os seguintes títulos: Campeão Gaúcho, em 1973, 1974, 1975, 1976 e 1978; Campeão Brasileiro, de 1975. 1976 e 1979. Disputou 157 jogos e marcou 21 gols, nesse período. Meio-campista de estilo clássico e elegante, tinha excelente visão de jogo, distribuindo os passes com precisão. Dotado de técnica brilhante, com 1,83 m de altura e 71 kg, Falcão estreou na Seleção do Brasil, em fevereiro de 1976. Transferiu-se, em 1980, para a “Roma”, na Itália. Com a camisa “giallorossa”, venceu a Copa Itália, em 1981 e 1984; e ganhou o “scudetto” de Campeão Italiano, em 1982 e 1983. Recebeu o apelido de “Rei de Roma” por suas magníficas atuações. Foram 107 partidas, nas quais


assinalou 22 gols, até 1985, qundo retornou para o Brasil. Fez parte da talentosa Seleção Brasileira que proporcionou, sob o comando do Mestre Telê, maravilhosas exibições de futebol-arte, na Copa de 1982. Recebeu, na ocasião, a Bola de Prata da FIFA. Voltou a defender o Brasil na Copa de 1986, já próximo ao final da carreira. Ao todo, Falcão envergou a camisa amarela do Brasil em 29 jogos, marcando 9 gols. Além do Torneio Pré-Olímpico de 1971, participou das seguintes conquistas brasileiras, em 1976: Copa Roca, Taça do Atlântico e Torneio do Bicentenário dos Eatados Unidos. Ao voltar da Itália, contratado pelo “São Paulo”, conquistou mais um título: Campeão Paulista de 1985. Logo depois, após participar da Copa de 1986, pendurou as chuteiras, encerrando sua vitoriosa carreira. Em 1991, foi técnico da Esleção Brasileira que disputou a Copa América, classificando-se em segundo lugar. Como jogador, Falcão recebeu os prêmios da Revista Placar, em 1975. 1978 e 1979 e foi considerado pela IFFHS (International Federation of Football History & Statistics), o “Décimo Segundo Maior Jogador Brasileiro do Século XX”. Até o início de 2011, vivendo em Porto Alegre, foi comentarista esportivo de rádio e TV. Em abril, decidiu reviver suas experiências como técnico do “Internacional” gaúcho e da Seleção Brasileira (1990), voltando a treinar o time do colorado, seu clube de coração. Zenon de Souza Farias nasceu em Tubarão, SC, no dia 31 de março de 1954. Começou as atividades de futebol, na sua cidade, em 1972, no “Hercílio Luz”. Logo no ano seguinte, estava na capital do estado, Florianópolis, jogando pelo “Avaí”, clube no qual permanecu até 1975. Com o azul e branco de Santa Catarina, foi Campeão Catarinense, em 1973 e 1975. Meio-campista habilidoso, com 1,73 m de altura e 74 kg de peso, destacava-se pela ótima qualidade de seus lançamentos e cobranças de faltas, além da precisão nos passes. Sua melhor fase teve início após sua contratação pelo “Guarani”, em 1976. Zenon foi um dos destaques do alviverde campineiro na conquista do Campeonato Brasileiro de 1978. Foi convocado para a Seleção Brasileira, e disputou seia partidas, entre 1978 e 1980, com a gloriosa e lendária camisa amarela do Brasil. Atuou pelo “Bugre” até 1980, ano

em que se transferiu para o clube “Al-Ahli”, da Arábia Saudita. Retornou ao Brasil, passando a defender o “Corinthians”, de 1981 a 1985. Com o alvinegro paulistano, foi Bicampeão Paulista em 1982/83. Entre 1985 e 1992, jogou em vários clubes: “Atlético Mineiro”, de 1985 a 1987, sendo Bicampeão Mineiro, em 1985/86; “Portuguesa”, de São Paulo, em 1988; “Guarani”, novamente, entre 1988 e 1990; “Grêmio Maringá”, no Paraná, em 1990; e “São Bento”, de Sorocaba, no interior paulista, de 1991 a 1992, quando encerrou a carreira. Presentemente, Zenon reside em Campinas e trabalha como comentarista esportivo na TV. Jorge Pinto Mendonça, ou, apenas, Jorde Mendonça, era fluminense, de Silva Jardim, onde nasceu em 6 de junho de 1954. Começou no “Bangu”, em 1971. Em 1973, foi para o “Náutico”, do Recife, com o qual foi Campeão Pernambucano, em 1974. Foi o autor dos oito gols do jogo “Náutico” 8x0 “Santo Amaro”, de Pernambuco, no mesmo ano. Sua melhor fase, porém, aconteceu entre 1976 e 1980, quando jogou pelo “Palmeiras”, conquistando o título de Campeão Paulista, de 1976; e atuou pela Seleção Brasileira, com a qual disputou a Copa do Mundo de 1978, participando, como titular, de seis jogos. Atacante habilidoso, com um futebol insinuante, caracterizava-se pelos seus dribles refinados e passes precisos. Em 1980, depois de uma curta passagem pelo “Vasco”, foi para o “Guarani”, de Campinas. Disputando o campeonato paulista, pelo “bugre”, marcou 38 gols, em 1981. No mesmo ano, conquistou, com o alviverde campineiro, a Taça de Prata (campeonato brasileiro da 2ª divisão). Em 1983, transferiu-se para a equipe rival da “Ponte Preta”. Deixou a “macaca” em 1985, passando a defender o “Cruzeiro”, de Belo Horizonte. De Minas, foi para o Espírito Santo, em 1986, contratado pelo “Rio Branco”. Atuou pelo “Colorado”, do Paraná, de 1987 a 1989; e, no “Paulista”, de São Paulo, entre 1989 e 1991, onde encerrou a carreira. Depois de pendurar as chuteiras, radicou-se em Campinas, cidade onde conseguira ser ídolo das duas torcidas arqui-rivais. Lá, veio a falecer, em fevereiro de 2006, por problemas cardíacos. Wladimir Rodrigues dos Santos nasceu em 29 de agosto de 1954, na cidade de São Paulo. Sua carreira esportiva teve início nas equipes de base do “Corinthians”. Estreiou na equipe principal em 1972, durante


uma excursão à Europa. Firmou-se como titular, no ano seguinte. Lateral esquerdo de grande categoria, jogou por muitos anos no clube do Parque São Jorge, identificando-se sobremaneira com a sua imensa torcida. Wladimir foi convocado uma única vez para atuar pela Seleção Brasileira. Foi numa partida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978, contra a Colômbia, que terminou 0x0. Em 1982, foi Campeão Paulista e um dos líderes da famosa e controvertida “Democracia Corintiana”, que permitia a participação dos jogadores em diversas decisões, entre as quais, a de ir ou não para a concentração. Transferiu-se para o “Santo André” em 1985, após ter jogado 806 partidas pelo “Corinthians”. A primeira vez que enfrentou seu ex-clube foi no campeonato paulista de 1987; o “Santo André” venceu por 3x1; Wladimir jogou bem e foi aplaudido pela torcida corintiana. João Batista da Silva, o Batista, é natural da capital gaúcha, nascido em 8 de março de 1955. Começou sua atividade no futebol, em 1971, nas categorias de base do “Internacional”, em sua cidade natal. A carreira profissional teve início, em 1973, no mesmo clube. Com a equipe colorada, foi Campeão Gaúcho em 1975, 1976 e 1978; e Campeão Brasileiro de 1975, 1976 e 1979. Entre 1978 e 1983, jogou 37 partidas pela Seleção Nacional do Brasil. Em 1980, recebeu s Bola de Prata da Revista Placar. Volante de contenção, dotado de habilidade e categoria, jogava com seriedade, conferindo muita segurança ao setor defensivo e transmitindo tranqüilidade aos companheiros. Devido a um desentendimento com a direção do “Inter”, Batista transferiu-se para o rival portoalegrense “Grêmio”, em 1982. Nesse ano, foi agraciado, pela segunda vez, com o prêmio Bola de Prata. Em seguida, defendeu o “Palmeiras”, de São Paulo, durante o ano de 1983. No mesmo ano, mudou-se para Roma, jogando pela “Lazio”, de 1983 a 1985. Continuou na Itália, passando a atuar pelo “Avellino”, em 1985. Foi, então, para Portugal, jogar no “Belenenses” (1985-1987). Retornou ao Brasil, em 1988, contratado pelo “Avaí”, de Santa Catarina”, encerrando a carreira, no ano seguinte. Atualmente, em 2010, Batista é comentarista esportivo de TV, na capital do Rio Grande do Sul, onde nasceu e vive.

Edino Nazareth Filho, mais conhecido como Edinho é carioca, nascido em 5 de junho de 1955. Com apenas treze anos, ingressou nas categorias de base do “Fluminense”. Cinco anos depois, iniciou sua carreira profissional, no time principal tricolor. Edinho jogou no “Fluminense” até 1982, tendo sido um dos baluartes da defesa do grande time conhecido como “Máquina Tricolor”. Conquistou a Taça Guanabara de 1975 e foi Bicampeão Carioca, em 1975/76, com a equipe da Rua Álvaro Chaves. Zagueiro de grande classe e categoria, disputava todas as partidas, importantes ou não, com imensa raça e vigor físico. Sua jogada mais característica era sair da defesa com a bola dominada, e arrancar para o contra-ataque. Criou, assim, uma enorme identidade com a torcida tricolor. Excelente batedor de faltas, foi o autor do gol que deu a vitória ao “Fluminense” sobre o “Vasco”, na final do campeonato de 1980, conquistando mais um título de Campeão Carioca. Aos 20 anos, fez parte da Seleção do Brasil, que ganhou a Medalha de Ouro, nos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México. Com a Seleção Brasileira principal, participou de três Copas do Mundo: 1978, na Argentina; 1982, na Itália; e 1986, no México. Disputou 87 jogos com a gloriosa canisa amarela, dos quais 28 pela seleção olímpica, e 59 com a principal, atuando como zagueiro ou, eventualmrente, lateral esquerdo. Foi o capitão da equipe canarinha no campeonato mundial de 1986. Após a Copa de 1982, foi contratado pela “Udinese”, da Itália. Permaneceu no clube da cidade de Udine de 1982 a 1987. Voltou para o Rio, e venceu, com o “Flamengo”, o Campeonato Brasileiro de 1987. No ano seguinte, retornou ao tricolor das Laranjeiras, conquistando a Copa Kirin, em 1988. Transferiu-se para o “Grêmio” de Porto Alegre, sendo, em 1989, Campeão Gaúcho e vencedor da Taça Brasil. Edinho totalizou 358 partidas e marcou 34 gols, com a camisa tricolor do “Fluminense”. Recebeu a Bola de Prata da Revista Placar, em 1982. Craque também no futebol de praia, ganhou o prêmio de “Melhor Jogador do Campeonato Mundial de Futebol de Areia”, em 1996, quando já estava aposentado dos gramados. Encerrou sua vitoriosa carreira de jogador, em 1990. Logo após pendurar as chuteiras, iniciou suas novas atividades de treinador. Com


o “Fluminense”, seu primeiro clube (como jogador e como técnico), conquistou a Taça Guanabara, em 1991 e 1993. Pelo “Vitória”, foi Campeão Baiano, em 1996; com o “Goiás”, venceu o Campeonato Goiano de 2002 e a Copa Centro-Oeste, no mesmo ano; e, em 2004, sagrou-se Campeão Brasileiro da Série B, com o “Brasiliense”, da Capital Federal. Carlos Alberto Gomes, mais conhecido como Carlos Alberto Pintinho, nasceu em 25 de junho de 1955, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira em 1972, na mesma cidade, envergando o uniforme tricolor do “Fluminense”. Nesse seu primeiro clube, onde permaneceu até 1979, viveu a sua melhor fase: foi três vezes Campeão Carioca (1973, 1975 e 1976) e foi convocado para a Seleção Brasileira. Pintinho foi um meio-campista extremamente habilidoso, cuja prncipal característica era o seu estilo de jogo vistoso e elegante, sempre de cabeça erguida, observando a colocação dos adversários e o deslocamento dos companheiros. Entre 1977 e 1979, Carlos Alberto Pintinho dispuou seis partidas com a camisa do Brasil, colhendo três vitórias e três empates. Transferiu-se para o “Vasco da Gama”, mas pouco depois foi contratado pela “Sevilla” da Espanha. Form brilhantes suas atuações com a camisa alvirubra do clube da Andaluzia, onde jogou entre 1980 e 1984. Após rápida passagem pelo também espanhol “Cádiz”, Pintinho retornou ao Brasil, e efetuou algumas partidas pelo “Fluminense”, em 1985. Voltou para a Península Ibérica, onde atuou em poucos jogos pelo “Farense” de Portugal, no ano de 1986, quando pendurou as chuteiras. Carlos Alberto Pintinho vive atualmente na Espanha, onde ainda hoje é grande o seu prestígio, obtido graças ao virtuosismo do seu futebol.

FELIZ NATAL E PRÓSPERO 2011 O trabalho sobre mais um período do futebol brasileiro demorou mais que o esperado. A época natalina, as férias dos netos, as viagens de fimde-ano, tudo contribuiu para que os relatores diminuíssem seu rítmo. Assim, embora os nossos amigos idosos (não velhos) tivessem de reunido regularmente (mesmo sem a freqüência de todos), a conversa girou

sobre outros assuntos: a eleição de Dilma Rousseff, o caos político de Brasília, justamente no ano do seu cinqüentenário, os novos governadores estaduais, a situação econômica mundial e outros assuntos mais amenos, entre os quais o desenrolar da novela “Passione”. Sobre futebol, comentou-se o fiasco do “Brasiliense”, rebaixado da Série B para a C; e do “Gama”, da Série C para a D. Assim, somente em 4 de janeiro de 2011, na reunião vespertina que teve lugar, como de hábito, na “Empada Brasil”, Pedro Paulo, como coordenador do trio de pesquisadores, apresentou o relato das atividades desenvolvidas em mais de um mês. _A pesquisa feita pelos amigos PP, Marcos e Cristiano retratou bem o período (1961-1980), no qual o “Santos”, enquanto teve Pelé, dominou o cenário nacional do futebol, comentou Roberto. _ Não só o cenário nacional, mas também o internacional, corrigiu Brian. _Também o Botafogo, antes da decadência do Mané, teve importante papel no futebol brasileiro dessa época, acrescentou Pedro Paulo. _Falando em Botafogo, foi bom recordar a participação do “Possesso” na conquista da Copa de 62, no Chile, pronunciou-se Cristiano. _Mas que bagunça a preparação para 66. Deu no que deu... manifestouse Marcos. _Felizmente nos redimimos, graças ao trabalho iniciado pelo Saldanha e bem concluído pelo Zagallo, na Copa de 70, falou Roberto. _74 e 78, é melhor não comentar, disse Pedro Paulo. _Foram igualmente bem relatados os importantes papéis desempenhados por três clubes, de três cidades diferentes, nesse período: o “Palmeiras”, de São Paulo, com a Academia, tendo à frente o Ademir da Guia; o “Internacional”, de Porto Alegre, com Falcão no meio-de-campo, mostrando a força do futebol gaúcho, no então novo Brasileirão; e o “Fluminense”, do Rio, com a Máquina Tricolor, montada por Francisco Horta, inventor do lema “Vencer ou Vencer”, e que tinha Rivelino como um dos seus craques, elogiou Brian Butler. Depois dessa brilhante manifestação, o inglês foi escolhido, por unanimidade, para relatar o tópico seguinte, sobre o futebol na França.


O FUTEBOL NA FRANÇA (1863 – 2010) A França compartilha com a Inglatrra a honra de ter tido, em seu território, a prática de jogos de bola, usando os pés, considerados ancestrais do futebol. Efetivamente, existe registro, datado do século XII, a respeito de um esporte chamado “soule” ou “choule”, praticado no noroeste francês, situado às margens do Canal da Mancha. Entretanto, a introdução do futebol propriamente dito, na França, é devida aos professores de inglês que trouxeram, da outra margem da Mancha, as regras e as bolas de couro para as escolas e universidades. Em 1863, imigrantes britânicos realizaram uma partida de futebol, no Bois de Boulogne, em Paris. O primeiro clube francês dedicado ao esporte bretão foi o “Le Havre Athletic Club”, fundado em 1874. Em 1º de maio de 1904, foi realizado o primeiro jogo da equipe da França, contra a Bélgica, em Bruxelas, que terminou empatada em 3x3. O “Comité Français Inter-Federal”, que supervisionou, até 1919, a prática do futebol em território francês, foi criado em 1906. No dia 15 de janeiro de 1917, foi instituída a Copa da França. A “Fédération Française de Football” teve sua fundação na data de 7 de abril de 1919, sendo Jules Rimet seu primeiro presidente. Em 1921, Rimet tornou-se presidente da FIFA e decidiu, em 28 de maio de 1928, instituir a Copa do Mundo. A supervisão de todos os aspectos do futebol na França, profissional e amador, masculino e feminino, bem como das seleções nacionais, tanto de adultos como de jovens, e ainda a organização da Copa da França são atribuições da Federação Francesa. Entretanto, a organização dos campeonatos profissionais da primeira e segunda divisões (“Ligue 1” e “Ligue 2”) compete, por delrgação da “FFF”, à “Ligue de Football Professionnel” (“LFP”), que é reaponsável, ainda, pela “Coupe de la Ligue”. A Seleção Francesa participou do primeiro campeonato mundial, no Uruguai, em 1930. O primeiro gol francês em Copas do Mundo foi assinalado por Lucien Laurent, no dia 13 de julho, na vitória sobre o México por 4x1 A França foi o país anfitrião da Copa de 1938, na qual sua seleção chegou às quartas-de final. Na temporada 1932/33, foi realizado o primeiro campeonato de fute-

bol profissional na França, vencido pelo “Olympique Lillois”, que deu origem ao “Lille Olympique Sporting Club Métropole”, em 1944, ao se fundir com o “SC Fives”. O mais bem sucedido clube francês, o “Olympique de Marseille”, fundado em 1899, foi Campe��o Profissional, pela primeira vez, na temporada 1936/37, quando também venceu a Copa da França. Antes disso, já havia conquistado o título do Campeonato Francês de Amadores em 1928/29; e a Copa da França em 1923/24, 1925/26, 1926/27, e 1935/36. Posteriormente, o clube de Marselha voltou a ser campeão da Ligue 1 (primeira divisão profissional do futebol francês), após a Segunda Guerra, em 1947/48. Foi Bicampeão em 1970/71 e 1971/72; e Tetracampeão nas temporadas 1988/89, 1989/90, 1990/91 e 1991/02. O título de 1992/93 (que seria o quinto consecutivo) foi-lhe retirado devido a denúncias de manipulação de resultado. Foi, novamente, Campeão Francês, na recente temporada 2009/10. A pior época do clube, também chamado de “L’OM” ou “L’Ohème”, aconteceu durante os anos 50 e 60, quando, rebaixado, disputou a segunda divisão em seis temporadas. De volta à elite, contando com jogadores como Roger Magnusson e Josip Skoblar (maior artilheiro de 1971, em toda a Europa), disputou a Taça dos Clubes Campeões Europeus (atual Liga dos Campeões da UEFA). A partir de 1986, começou outra fase de esplendor para o “Marseillais” que contratou jogadores de renome como Alain Giresse, Jean-Pierre Papin, Enzo Francescoli, Abedi Pelé, Didier Deschamps, Marcel Desailly, Rudi Völler e Eric Cantona, além de técnicos de renome, como Franz Beckenbauer. Em nova participação na Taça dos Campeões Europeus (1989/90), o “Marseille” chegou às semifinais, tendo o “Benfica” como adversário. Vencedor, por 2x1, do jogo em casa, o “Olympique” tinha a vantagem, na partida em Portugal, do empate, que perdurou até os 82 minutos, quando um atacante da equipe portuguesa escorou a bola com a mão e assinalou o gol, erronaeamente validado pelo árbitro belga Van Langenhove, que deu a classificação ao clube lisboeta. No ano seguinte, a equipe marselhesa chegou à final da Taça de 1990/91, mas foi batida nos pênaltis pelo “Estrela Vermelha” de Belgrado, após um empate de 0x0. A maior glória de sua história veio na Taça 1992/93, quando o “Mar-


seille” venceu, na final, o “Milan”, em Munique, no dia 26 de maio de 1993. Sua equipe formou com: Barthez, Angloma, Boli, Desailly e Di Meco; Eydelie, Sauzée e Deschamps; Völler, Abedi Pelé e Boksic. O “Olympique Lyonnais” ou “OL” surgiu de uma cisão entre os departamentos se futebol e de rugby do “Lyon Olimpique”, fundado em 1899. Venceu o Campeonato Francês de Futebol (ainda amador) de 1910. Em 1942, sob o nome de “Lyon Olympique Universitaire”, passou a disputar o campeonato profissional, alternando sua participação, entre 1945/46 ( primeiro temporada após a interrupção causada pela guerra) e o final dos anos 60, nas “Ligue 1” e “Ligue 2”. O seu nome atual foi estabelecido em 1950, data de sua segunda fundação. Após conseguir a estabilidade na primeira divisão, nas últimas décadas do século passado, o “Lyon” conheceu o sucesso no início do Século XXI. Depois de ser Vice_Campeão em 2000/01, foi Campeão da “Ligue 1” por sete vezes consecutivas, entre 2002 e 2008. Foram jogadores de destaque nesse período: Juninho Pernambucano (capitão do time), Wiltord, Govou, Malouda e Coupet. O “Paris Saint-Germain Football Club”, ou, simplesmente “PSG”, foi fundado em 12 se agosto de 1970. O seu primeiro troféu foi ganho em maio de 1982: a Taça da França. Repetiu o feito na temporada seguinte e conquistou o seu primeiro campeonato em 1985/86, com uma equipe que tinha, entre suas estrelas, Luís Fernández e o goleiro Joel Bats. Com os brasileiros Raí, Valdo e Ricardo Gomes, o liberiano George Weah e o francês Ginola, como seus craques mais destacados, o time do “PSG” voltou a ser Campeão Francês, em 1993/94. O seu título de maior destaque internacional, a Recopa Européia (Taça das Taças), foi conquistado em 1996, sob a orientação do técnico Luís Fernández, seu ex-jogador. Entre 1996 e 1998, a equipe parisiense teve, como técnico, outro ex-jogador seu, o brasileiro Ricardo Gomes. Além dos já citados ídolos, vestiram a camisa tricolor (azul, vermelha e branca) do “Paris Saint-Germain”, os seguintes notáveis jogadores: os franceses Nicholas Anelka, Jocelyn Angloma, Daniel Bravo, Benoit Cauet, Dominique Rocheteau, Jean-Luc Sassus, Raymond Domenech, Jean Djorkaeff, Youri Djorkaeff, Didier Domi, Paul Le Guen e Patrice Loko; os portugueses Pauleta e Hugo Leal; os argentinos Gabriel Heinze, Juan Pablo Sorin, Osvaldo Ardiles, Carlos Bianchi, Gabriel

Calderón e Marcelo Gallardo; o italiano Marco Simone; o inglês Ray Wilkins; e os brasileiros Abel Braga, Leonardo, Reinaldo, Ronaldinho Gaúcho e Vampeta. Alguns jogadores franceses encantaram o mundo do futebol. Raymond Kopaszewski, ou, simplesmente, Kopa, nasceu em 13 de outubro de 1931. Começou sua carreira no “Angers SCO”. Jogou, posteriormante, no “Stade Reims” e “Real Madrid”. Com o clube espanhol, conquistou três títulos europeus, em 1957, 1958 e 1959. Pela Seleção Francesa atuou nas Copas do Mundo de 1954 e 1958, na qual foi escolhido como um dos melhores atacantes. Meia muito habilidoso, Kopa efetuou 45 partidas com o time ‘bleu” da França, marcando 18 gols. Just Fontaine nasceu em 18 de agosto de 1933, na cidade de Marrakech, no Marrocos (então colônia francesa, no norte da África). Iniciou sua carreira profissional no “Casablanca”, onde jogou de 1950 a 1953. Atacante com enorme faro de gol, transferiu-se, em 1953, para o “Nice”, pelo qual assinalou 44 tentos em três temporadas. Em seguida, foi para o “Stade Reims”, onde, a partir de 1956, marcou 121 gols em seis temporadas. Foi Campeão Francês, em 1958 e 1960. Estreiou na Seleção da França no dia 17 de dezembro de 1953, marcando um belo gol, de chapéu, na vitória sobre Luxemburgo. Foi o artilheiro da Copa do Mundo de 1958, com 13 gols em 6 partidas. Em 1960, marcou 30 gols em 21 jogos, pela equipe nacional gaulesa. Fontaine aposentou-se, precocemente, em 1962. Marius Trésor nasceu em Saint-Anne, na colônia caribenha de Guadalupe, no dia 15 de janeiro de 1950. Começou a carreira no “Ajaccio” da ilha de Córsega, em 1969. Defensor que jogava com categoria, três anos depois, estava em Marselha, defendendo o “Olympique”, onde ficou até 1980, e teve, como companheiros, os brasileiros Jairzinho e Paulo Cézar Caju. Nos quatro anos seguintes, atuou pelo “Bordeaux”, com o qual foi Campeão Francês. Encerrou sua atividade de jogador profissional, logo em seguida. Com a Seleção Francesa, participou das Copas do Mundo de 1978 (capitão da equipe) e 1982. Ao todo, realizou 65 partidas, vestindo a camisa “bleu” da França. Alain Giresse nasceu em 2 de agosto de 1952. Praticamente toda a sua carreira foi feita no “Bordeaux”, que defendeu de 1970 a 1986, e com o qual conquistou dois títulos de Campeão Francês. A partir de 1986,


atuou palo “Olympique” de Marselha, em suas duas últimas temporadas como profissional, participando do início da fase áurea do clube da costa sul. Disputou duas Copas do Mundo (1982 e 1986). Meio-campista baixinho, dotado de muita habilidade e técnica refinada, jogou 47 partidas com a camisa azul da França. Formou, ao lado de Jean Tigana e Michel Platini, um excelente meio-de-campo, que ficou célebre, sendo chamados de “Os Três Mosquetiros”. Jean Tigana nasceu em Bamako, na colônia africans de Mali, no dia 23 de maio de 1955. Desenvolveu sua carreira nos clubes “Lyon”, “Bordeaux” e “Olympique de Marseille”. Volante de estilo clássico, Tigana jogava sempre de cabeça erguida. Esguio, dotado de grande habilidade e técnica refinada, participou de 52 jogos com a Seleção Francesa, tendo conquistado a Eurocopa de 1984. Disputou, com brilho, as Copas do Mundo de1982 e 1986. Michel François Platini nasceu em Joeuf, pequena cidade litorânea do Departamento de Meurthe-et- Moselle, na Região de Lorena, no dia 21 de junho de 1955. De ascendência italiana, Michel Platini iniciou aua trajetória no futebol, ainda menino, em 1966, na sua cidade natal, nas categorias de base do “Joeuf”, onde ficou até 1972. Fez um partida espetacular contra o “Metz”, com 16 anos de idade, atuando pela equipe sub-18 do seu clube. Apesar de ter despertado o interesse dos dirigentes do adversário, da primeira divisão francesa, sua contratação não foi efetivada, em função do seu físico, ainda franzino. Restou a ele, então, aceitar uma proposta do “Nancy”, fundado apenas cinco anos antes, e recém-saído da segunda divisão. No clube da região de Lorraine, Platini estreiou na equipe principal com 17 anos, em 1972. No ano seguinte, passou a ser titular absoluto, e sofreu maus momentos com o rebaixamento para a 2ª Divisão na temporada 1973/74. Entretanto, a “Association Sportive Nancy-Lorraine” retornou à “Ligue 1” logo na temporada seguinte, e, em 1976/77, a equipe liderada por Michel Platini obteve um inédito quarto lugar no campeonato francês. Foi ele também o maior artífice da conquista da Copa da França, em 1977/78. Com 1,78m de altura, meio-campista (meia-armador) de categoria excepcional, praticava um futebol clássico, com muita elegância e enorme visão de jogo. Jogando sempre com a camisa fora do calção, foi um gênio do futebol-arte.

Sua primeira oportunidade na Seleção Francesa ocorreu em 1976, em jogo contra a Tchecoslováquia, no qual marcou um gol. Participou, também. da Seleção Olímpica, da qual foi capitão, no mesmo ano. Disputou a Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas a França foi precocemente eliminada, na primeira fase. No mesmo ano, após o torneio mundial, em amistoso contra a Itália, Platini protagonizou um episódio que ficou marcado na memória dos espectadores. Ele marcou um gol, cobrando falta, com um chute no ângulo da baliza, defendida por Dino Zoff. O ártbitro, porém, invalidou o lance e mandou repetir a cobrança. Platini o fez, chutando no mesmo ângulo e, novamente, marcou. Em 1979, já considerado o melhor jogador da França, transferiu-se para o “Saint-Étienne”. Com o time “vert et blanc”, foi Campeão Francês (“Ligue 1”) em 1980/81. Na Copa do Mundo de 1982, realizada na Espanha, onde a França conquistou a quarta colocação, Platini fez boas atuações, que lhe valeram a contratação pelo “Juventus”, de Turim. Assim, Michel Platini deixou seu país, rumo à terra de seus pais. Na Itália, entre 1982 e 1987, atingiu o auge da sua carreira. Foi o artilheiro da Série A, já em 1982/83, sua primeira temporada. O “scudetto” de Campeão Italiano foi conquiatado em 1983/84, juntamente com um novo galardão de artilheiro. Suas exibições, ao longo de 1983, fizeram-no merecer a Bola de Ouro como melhor jogador da Europa. O mesmo ocorreu no ano seguinte, quando, além de ótimas atuações com a camisa “bianconera” da “Vecchia Signora”, conquistou a Eurocopa 1984, com o uniforme “bleu” da Seleção Francesa, valendo-lhe, pois, a segunda Bola de Ouro. Em 1985, Platini recebeu, pala terceira vez consecutiva, o prêmio da revista France Football de melhor jogador europeu. Foi realmente um ano excepcional, com as vitórias da “Juve” na Copa dos Campeões da UEFA e na Taça Intercontinental. Também, pela terceira vez seguida, venceu a disputa pela artilharia do “Calcio” Série A, na temporada 1984/85. Seu último título com a “Juventus” foi o do Campeonato Italiano de 1985/86. Algumas semanas depois, com a Seleção da França, foi ao México disputar a sua terceira Copa do Mundo. Sua participação foi importante, especialmente nos jogos em que marcou gols decisivos: vitória de 2x0 sobre a Itália; e empate de 1x1 com o Brasil (a França venceu


a decisão nos pênaltis, por 4x3, apesar de Platini ter desperdiçado sua cobrança). Ao término do torneio, os “bleus” receberam as medalhas de bronze, relativas ao terceiro lugar. “Platoche”, como seus companheiros de equipe o chamavam, encerrou sua brilhantíssima carreira de jogador, na “Juventus”, ao fim da temporada 1986/87. Seu jogo de despedida da Seleção Francesa aconteceu no “Parc dês Princes”, em um amistoso contra a Islândia, no mês de abril de 1987. Um ano depois, voltou a reencontrar a equipe “bleu”, mas, como técnico. Seu sucesso foi efêmero, pois embora tenha conseguido uma seqüência de muitos jogos sem derrota, não logrou a qualificação para a Copa do Mundo de 1990, e obteve, apenas, a classificação da França para a Eurocopa 1992, na qual sua seleção foi eliminada logo na primeira fase. Michel François Platini decidiu, então, dedicar-se a atividades futebolísticas como dirigente. Exerceu, com êxito, a presidência do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 1998, realizada na França. Teve participação na FIFA, como um dos responsáveis pela introdução, no futebol, de algumas medidas salutares, tais como: a punição, com cartão vermelho, do atleta que comete falta no adversário por trás; a proibição, ao goleiro, de tocar com as mãos, uma bola atrasada, com o pé. Platini é o atual presidente da UEFA, eleito que foi, em 26 de janeiro de 2007. Jean-Pierre Papin nasceu em 5 de novembro de 1963, na cidade de Boulogne-sur-Mer, no Norte da França. Iniciou sua carreira, em 1983, no “Vichy”. Transferiu-se para o “Valenciennes”, no ano seguinte. Em 1985, foi contratado pelo “Brügge”, da Bélgica. Ganhou, então, a Copa da Bélgica de 1986. Com altura de 1,77 m, JPP, como ficou conhecido, foi um atacante veloz e bom driblador. Ganhou o prêmio da Bola de Ouro de 1990, como melhor futebolista europeu, e foi considerado o segundo melhor jogador do mundo, em 1991. Com a Seleção da França, disputou 54 jogos e marcou 30 gols, entre 1986 e 1995. Participou somente da Copa do Mundo de 1986, pois a França não foi feliz nas eliminatórias para os campeonatos mundiais de 1990 e 1994. A melhor fase de Papin começou após sua transferência para o “Olympique” de Marselha, que defendeu entre 1986 e 1992. Com a equipe de “L’OM”, cujo lema é “droit au but” (direto ao gol), foi Tetracampeão

da “Ligue 1” (1988/89, 1989/90, 1990/91 e 1991/92) e vencedor da Copa da França, de 1989. Seu clube seguinte foi o “Milan”, da Itália. Permaneceu no “rossonero” de Milão, de 1992 a 1994, conquistando a Supercopa da Itália (1992), o Bicampeonato da Série A (1992/93 e 1993/94) e a Liga dos Campeões da UEFA (1993-94). De Milão, mudou-se para Munique, na Alemanha, passando a atuar pelo “Bayern”, de 1994 a 1996. Com o time da Bavária, obteve mais um título internacional: a Copa da UEFA (1995-96). Retornou para a França, tendo jogado pelo “Bordeaux”, entre 1996 e 1998. Já na fase de declínio, após o seu auge, Papin defendeu equipes francesas de menor expressão, de 1998 a 2004: “Guingamp”. “SaintPierroise” e “Cap-Ferret”. Logo após pendurar as chuteiras, começou, em 2004, suas atividades de treinador. Entretanto, tirou as chuteiras do armário e voltou a jogar, em 2009, aos 45 anos, pela modesta equipe do “Biganos Boiens”. Após um breve período, Jean-Pierre Papin retomou sua carreira de técnico, treinando o também pequeno “Châteauroux”. Éric Daniel Pierre Cantona, ou, simplesmente Éric Cantona, nasceu em Marselha, no dia 24 de maio de 1966. Iniciou suas atividades futebolísticas no “Les Caillols”, ainda menino, atuando em diversas posições, inclusive no gol. Aos quinze anos, começou a definir sua real vocação, como atacante, nas categorias de base do “Auxerre”. Em 5 de novembro de 1983, com dezessete anos, estreiou na equipe principal, vencendo o “Nancy” por 4x0. Pouco aproveitado nas suas primeiras temporadas, foi emprestado, em 1985, ao “Martigues”, então na segunda divisão, onde jogou até 1986, adquirindo mais experiência. De volta ao “Auxerre”, foi convocado, pela primeira vez, para a Seleção da França, em 1987. Em sua partida de estréia com a camisa “bleu”, marcou o único gol francês, na derrota para a Alemanha Ocidental, por 2x1. Porém, começou, também em 1987, sua polêmica trajetória de indisciplina, com agressões, expulsões e suspensões. Inicialmente, agrediu seu companheiro do “Auxerre” Bruno Martini, sendo multado pelo clube. Em 1988, praticou uma falta muito dura, que resultou em expulsão e suspensão. Participou, com a Seleção Sub-21, da conquista do Campeonato Europeu da categoria. Insultou o técnico Henri Michel da seleção principal, em um programa de televisão, sendo banido das convocações por um ano, como castigo. Apessr dos problemas disciplinares, foi contratado pelo “Olym-


pique Marseille” nesse mesmo ano de 1988. No início do ano seguinte, em um amistoso internacional, ao ser substituído, chutou a bola contra a torcida e arrancou sua camisa, atirando-a contra o seu técnico, Gili. Foi suspenso pelo clube marselhês por um mês. Participou, no entanto, da conquista do campeonato de 1988/89. Pouco depois, foi emprestado ao “Bordeaux”. Na temporada seguinte, foi novamente cedido, por empréstimo, ao “Montpellier”. Teve, outra vez, atrito com um companheiro de time, Jean-Claude Lemoult, atirando-lhe um par de chuteiras no rosto. Seis integrantes da equipe, pelo menos, chegaram a pedir sua saída do clube, mas os ânimos foram serenados pela intervenção apaziguadora de outros jogadores, como Laurent Blanc e Carlos Valderrama. Cantona foi punido com uma pequena suspensão de dez dias. Com 1,80 m de altura e habilidoso com a bola nos pés, Éric Cantona voltou a apresentar seu bom futebol no “Montpellier”, contribuindo decisivamente para a vitória na Copa da França, em 1990. Suas atuações convincentes foram importantes para propiciar seu retorno ao “Marseille”. Inicialmente sob o comando técnico de Gérard Gili e, depois, de Franz Beckenbauer, Cantona continuou a realizar boas partidas. Mas a substituição do técnico alemão, por Raymond Goethals, trouxe à tona novos problemas de relacionamento. Conseqüentemente, após o término da temporada 1990/91, com a conquista de mais um título de Campeão Francês, o “Olympique” negociou sua transferência para o “Nimes”. Embora jogando bem, seu temperamento continuou a criar problemas. Em uma partida da Liga Francesa, pelo modesto “Nimes”, no final de 1991, agrediu o árbitro, com uma bolada. No julgamento da sua infração, xingou, um por um, todos os responsáveis por sua punição, que, por isso, foi agravada com o acréscimo de dois meses em sua suspensão. Irritado, Cantona anunciou seu intento de aposentar-se. Platini, que admirava seu futebol, junto com Gérard Houllier, dirigente da seleção, procuraram-no, acompanhados por um psicanalista, e o convenceram a desistir da intenção, aconselhando-o a se transferir para o exterior, em virtude do seu notório desgaste na França. Assim, logo no início de 1992, ele conseguiu assinar conrato com o “Leeds United”, da Inglaterra. Entrou na equipe, já transcorrida metade da temporada, e disputou quinze partidas, marcando só três gols. Mas, sua particpação foi importante para a campanha que resultou na con-

quista do Campeonato Inglês, em função das suas magníficas assistências ao artilheiro Lee Chapman. Continuou com “The Whites”, durante a primeira parte da temporada seguinte, tendo assinalado um “hat trick” (três gols), na vitória, por 4x3, sobre o “Liverpool”, pela Supercopa da Inglaterra. Na disputa da recém-criada “Pemier League”, marcou novo “hat trick” contra o “Tottenham”. No final de 1992, deixou a equipe do “Leeds”, transferindo-se para o “Manchester United”. A melhor fase de Cantona foram as quatro temporadas e meia que passou em “Old Trafford”. Foi um dos responsáveis pelo ressurgimento do clube, como uma das principais potências do futebol inglês, após longo ostracismo. Tornou-se ídolo da torcida rapidamente, ao conquistar o título de Campeão da Inglaterra, logo em sua primeira participação com a camisa vermelha. Em sua segunda temporada (1993/94), os “Red Devils” foram, novamente, campeões. Conquistaram, também, a Copa da Inglaterra, com dois gols de Cantona, fazendo, pela primeira vez na história do clube, a famosa “Double” (campeonato e copa, no mesmo ano). Os problemas disciplinares, porém, continuaram. Além de várias expulsões, por ofensas aos árbitros, foi multado por cuspir em um torcedor de seu ex-clube (“Leeds”). Ainda em 1994, chegou a ser preso e algemado, mas logo que pôde, desferiu um soco no policial. Na temporada seguinte (1994/95), foi expulso de um jogo contra o “Crystal Palace”. Ao passar em frente à torcida adversária, agrediu, com selvageria, um torcedor. Cantona foi suspenso, por nove meses, pela Federação Inglesa e penalizado com uma multa de doze mil dólares, posteriormete agravada com um acréscimo de vinte e cinco mil dólares. A FIFA também o puniu, ampliando o âmbito de sua suspensão para toda e qualquer partida de futebol profissional, em todos os países a ela filiados. Ainda foi condenado pela Justiça a duas semanas de prisão, substituídas por 120 horas de serviços comunitários. Embora estivesse suspenso, o “Manchester United” renovou seu contrato. Entretanto, Cantona criou novo problema, atacando um repórter, pouco depois. Após sua suspensão, ajudou o clube do “diabo” (mascote oficial) a conquistar mais dois campeonatos ingleses (1995/96 e 1996/97) e uma Copa da Inglaterra (1996), tendo assinalado o gol da vitória, na final, contra o “Liverpool” Apesar de suas indisciplinas, o “United” confioulhe a braçadeira de capitão.


A despeito de sua ótima fase na Inglaterra, e da confiança que lhe foi depositada pelo clube, o seu histórico de constantes expulsões fez com que o técnico Aimé Jacquet não mais o convocasse, para a Seleção Francesa, da qual havia sido titular e, até, capitão. Ao todo, Eric Cantona jogou 45 partidas com a camisa “bleu”, assinalando 20 gols, entre 1987 e 1995. Aborrecido por saber que não participaria da Copa do Mundo de 1998, em sua pátria, decidiu encerrar, precocemente, a carreira, durante a qual recebera vários apelidos, em francês e inglês (a maioria), retratando seu talento, e, sobretudo, sua rebeldia: “L’Enfant Terrible”, “The Genious”, “The Bad Boy” e “Eric, the King”. Continuou sua carreira de ator de cinema, iniciada quando ainda estava na ativa, como atleta. No filme “Elizabeth”, fez o papel de um embaixador francês na Grã-Bretanha. Em “Looking for Eric”, interpretou a si mesmo, como jogadir do “Manchester United”. Foi, também, o técnico da Seleção Francesa de futebol de areia que conquistou o Campeonato Mundial da modalidade, em 2005, quando atuou, simultânemente, como jogador. Zinédine Yasid Zidane nasceu em Marselha, no dia 23 de junho de 1972. Descendente de argelinos, iniciou-se no futebol, em 1982, no time infantil do pequeno clube “Saint-Henri”. Na temporada seguinte, foi levado para o também inexpressivo “Septèmes-les-Vallons”, clube no qual permaneceu quatro anos. Aos quinze anos de idade, em 1987, foi fazer um treinamento de seis semanas no “Cannes”. Entretanto, não retornou ao “Septèmes-les-Vallons”, passando a integrar a equipe juvenil da “Association Sportive de Cannes”. Em maio de 1989, fez sua estréia no time profissional dos “Dragons Rouges”. No entanto, o “Cannes” não conseguiu se manter na “Ligue 1”, sendo rebaixado na temporada 1996/97. Zidane foi, então, vendido para o “Bordeaux”. Com a equipe dos “girondins” disputou a Copa UEFA de 1996, chegando à final, vencida pelo excelente time do “Bayern München”. Em seguida, Zizou foi transferido para a “Juventus”, da Itália. Com o clube “bianconero” de Turim, conseguiu derrotar o “Bayern München”, que tinha Matthäus, Klinsmann e Papin, na Supercopa Européia. Ainda em 1996, venceu a Copa Intercontinental, considerada o mundial interclubes, derrotando o “River Plate” da Argentina, que tinha o uruguaio Enzo Francescoli, seu ídolo desde a época em que o sul-americano

jogava no “Olympique Marceille” (Zidane batizou um filho com o nome de Enzo, em sua homenagem). Ao final da temporada 1996/97, ganhou o “Scudetto” (Campeonato Italiano). Na Liga dos Campeões, a “Juve” chegou à decisão, mas a perdeu para o “Borussia Dortmund”. Zinédine Zidane foi considerado o melhor jogador estrangeiro atuando na Itália, nessa temporada. Em 1997/98, houve uma repetição: Campeão da Série A italiana; e Vice na Liga dos Campeões, vencida pelo “Real Madrid”. Os anos seguintes foram de jejum na conquiata de títulos pela “Vecchia Signora”, acumulando decepções, como a derrota para o “Manchester United”, em plena Turim, nas semifinais da Liga dos Campeões da UEFA, em 1999; a goleada por 4x0, que lhe foi imposta pelo “Celta”, de Vigo, na Copa da UEFA, em 2000; e o vexame de ser o último de seu grupo, na Liga dos Campeões da UEFA, em 2001. Zidane, que havia sido eleito pala FIFA, como o melhor do mundo, em 1998, graças às suas fabulosas atuações, que propiciaram à Seleção da França a inédita conquista da Copa do Mundo, foi reeleito o melhor jogador do mundo, em função da sua participação na vitória francesa da Eurocopa 2000. Ao fim da temporada 2000/01, transferiu-se para o “Real Madrid”. Mesmo sem vencer o Campeonato Espanhol, o início de Zidane com os “merngues” foi animador, devido à conquista da Liga dos Campeões da UEFA. A temporada seguinte foi extremamente feliz, com as vitórias na Supercopa Européia, na Copa Intercontinental (mundial interclubes) e no Campeonato Nacional. Zizou recebeu, então, o prêmio da FIFA de melhor jogador do mundo, pela terceira vez, igualando o recorde do carioca Ronaldo, seu companheiro no “Real”, onde juntos com o inglês Beckham e o português Figo, formavam o grupo dos chamados “galácticos”. Em 2003/04, a Supercopa da Espanha foi a última taça levantada por ele. Os “blancos” deixaram de ganhar títulos, nos anos seguintes, e Zidane encerrou a carreira em 2006. Ambidestro, com 1,85 m de altura, bom cabeceador, excelente cobrador de faltas, foi um meia que se caracterizava pela elegância de seu futebol, praticado com passadas largas, pela objetividade de seus dribles e pela precisão dos seus lançamentos, passes e assistências. Pelo “Real Madrid”, clube em que mais atuou, sendo chamado, por seus torce-


dores, de “EL Mago”, “El Magnífico” e “El Maestro”, jogou 506 partidas e assinalou 95 tentos. Com a Seleção da França, realizou 108 jogos e marcou 31 gols, entre 1994 e 2006. Sua estréia na “seleção do galo” aconteceu em 1994, em um jogo contra a República Tcheca, no qual entrou aos dezoito minutos do segundo tempo, e fez os dois gols franceses no empate por 2x2. Na Eurocopa 1996, a França chegou às semifinais, mas Zidane não se destacou. Nas partidas que antecederam a Copa do Mundo de 1998, suas atuações foram irregulares, com altos e baixos. Da mesma forma, iniciou a disputa do campeonato mundial. Após uma atuação razoavelmente boa contra a África do Sul, complicou-se, desnecessariamente, no segundo jogo, contra a Arábia Saudita, ao pisar, propositalmente, em um adversário, sendo expulso e suspenso por duas partidas. Não jogou mal na quarta-de-final e semifinal, mas foi somente na decisão contra o Brasil, que Zidane se superou e realizou uma exibição praticamente perfeita. Com dois gols de cabeça, no primeiro tempo, deu início à consagradora vitória dos “bleus”. Em 2000, após uma difícil classificação nas eliminatórias, a França soube se impor, sob a batuta do maestro Zizou, na conquista da Eurocopa. Na Copa do Mundo de 2002, Zidane esteve ausente, por contusão, dos dois primeiros jogos, nos quais a França sofreu uma surpreendente derrota para Senegal e colheu um empate, frente ao Uruguai. O seu retorno, na partida contra a Dinamarca, não foi suficiente para evitar uma nova derrota, que eliminou do certame os franceses, campeões do mundo, que saíram da Ásia sem marcar um gol, sequer. Nas eliminatórias para a Eurocopa 2004, a seleção gaulesa classificou-se facilmente, com 100% de aproveitamento. Seu desempenho continuou muito bom na primeira fase da disputa, com Zizou marcando gols decisivos. A decepção veio no primeiro jogo “mata-mata”, com a elminação precoce, decorrente da derrota para a Grécia. Com esse revés, Zidane decidiu despedir-se da seleção. Reviu essa decisão, porém, a tempo de participar das quatro últimas rodadas das eliminatórias, que permitiram a classficação da França para a Copa do Mundo de 2006. Na primeira fase do torneio, as apresentações da seleção francesa, e de seu maior astro, foram medíocres, conseguindo, a duras penas, prosseguir na competição. A rcuperação veio a seguir, com boas exibições e vitórias sobre a Espanha e o Brasil. Contra os canarin-

hos, Zizou repetiu sua magnífica atuação de 1998, incluindo, dessa vez, um sensacional drible de chapéu em cima de Ronaldo, a grande estrela brasileira. Com a vitória contra Portugal, na semifinal (1x0, com gol de Zidane, cobrando pênalti), a França se habilitou a disputar o título contra a Itália. Zizou, novamente de pênalti, abriu o marcador, mas os italianos empataram e o resultado persistiu até o fin do tempo normal. No segundo tempo da prorrogação, Zinédine Zidane manchou sua despedida dos gramados, maculando também sua imagem, ao agredir, com uma insólita cabeçada, o zagueiro Materazzi, da “azzurra”. Mantido o empate ao final do tempo extra, a Itália conquistou a Copa do Mundo de 2006, na decisão por pênaltis. Thierry Daniel Henry nasceu no dia 17 de agosto de 1977, em Les Ulis, localidade do Departamento de Essonne, na Região de Ile-de-France, situada a cerca de 20 km ao sul de Paris. Filho de antilhanos (pai de Guadalupe, e mãe da Martinica), começou a aprender como jogar futebol, no pequeno clube local “Les Ulis”, em 1983, com cinco para seis anos, permanecendo em suas categorias infantis até 1989, qundo foi para as divisões de base do “Palaiseau”, onde ficou apenas um ano. Em 1990, transferiu-se para o “Viry-Châtillon”. Com treze anos, jogando no infanto-juvenil, Thierry Henry marcou os seis gols da vitória, por 6x0, do seu time. O jogo foi observado por Arnold Catalano, olheiro do “Monaco”, que imediatamente o chamou para jogar no clube do principado. Assim, com um pré-contrato, foi-lhe recomendado completar os estudos em Clairefontaine, freqüentando, ao mesmo tempo, o “Centre Technique National Fernand Sastre”, considerado referência de excelência na formação de jovens, entre 13 e 15 anos, futuros craques de futebol. Passou a jogar nos juvenis do “Monaco”, a partir de 1992. Sua estréia na equipe principal ocorreu em 1995. Alto (1,88 m), atacante com vocação para artilheiro, Henry é muito rápido, porém excepcionalmente calmo, na conclusão das jogadas. Dotado de muita habilidade e ótimo controle da bola, ajudou a “Association Sportive de Monaco Football Club” a vencer a “Ligue 1”, em 1996/97. Em junho de 1997, foi convocado para a Seleção Francesa Sub-20 visando à disputa do campeonato mundial da categoria. Pouco depois, foi chamado para a seleção principal, estreiando em 11 de outubro


de 1997, com uma vitória sobre a África do Sul, por 2x1. Participou da campanha vitoriosa na Copa do Mundo de 1998, tendo marcado três gols. Campeão Mundial, recebeu a condecoração da “Légion d’Honneur”. Henry fez boas apresentações, durante o ano de 1998, pelo “Monaco”, quando o clube disputou a Liga dos Campeões da UEFA, chegando à semifinal. Em janeiro de 1999, transferiu-se para a “Juventus”, da Itália. No “Calcio Série A” não foi feliz, marcando só três gols em 16 jogos, talvez devido ao estilo extremamente defensivo do futebol praticado na “Bota”, à época. Assim, em agosto do mesmo ano, foi para o “Arsenal”, de Londres. Na Inglaterra, não marcou nenhum gol em seus primeiros dez jogos. Mas recuperou-se e, ao fim da temporada, havia assinalado 26 tentos, graças, especialmente, às suas velozes arrancadas. Na seleção, conquistou outro título importante, ao vencer a Eurocopa 2000, sobrepujando a Itália, na final. No entanto, sofreu uma decepção na Copa do Mundo de 2002, onde foi expulso no jogo contra o Uruguai (0x0), e não participou da partida seguinte, na qual a França, ao perder para a Dinamarca (2x0), foi eliminada, ainda na primeira fase, sem assinalar nenhum gol, pois perdera, anteriormente, para o Senegal, por 1x0. Com a equipe inglesa dos “gunners”, Henry marcou 32 gols na temporada 2001/02. O “Arsenal” fez uma dobradinha, conquistando o título da “Premier League” e a “FA Cup”. Com 42 gols e 23 assistências na temporada 2002/03, “Titi” foi importante na vitória do clube londrino, em mais uma “FA Cup”. Com a “seleção do galo”, Thierry Henry venceu a Copa das Confederações de 2003, na qual foi eleito o nome do jogo em três das cinco partidas disputadas, ganhou a artilharia do torneio (quatro gols) e recebeu o prêmio de melhor jogador da competição. No ano seguinte, participou da Eurocopa 2004, em que a França foi eliminada pela Grécia. Na temporada 2003/04, o “Arsenal” com a participação fundamental de Henry, realizou um feito inédito, em mais de um século; Campeão Inglês da Primeira Divisão, de forma invicta. Considerando a “Premier League” e as demais competições nacionais e européias, foi uma seqüência de 49 jogos, sem derrota. Na temporada seguinte, na qual ele marcou 31 gols em 42 jogos, “The Gunners” conquistaram mais uma “FA Cup”. Em 2005, Henry ganhou a braçadeira se capitão do time.

Nesse mesmo ano, tornou-se o maior artilheiro do “Arsenal”, em toda a sua história. No ano seguinte, passou a ser, também, o maior artilheiro, se considerados apenas os gols no campeonato inglês. Em 2006, o “Arsenal” chegou à final da “UEFA Champioms League”, mas a perdeu para o “Barcelona”. Novamente na Seleção Francesa, Henry foi um dos seus melhores valores, na campanha da Copa do Mundo de 2006, em que conquistou o Vice-Campeonato, perdendo, só nos pênaltis, a decisão contra a Itália. A sua temporada 2006/07, em Londres, foi marcada por muitas lesões, culminando com um afastamento de três meses, a partir de março de 2007. Em junho do mesmo ano, deixou o clube de Holloway, trocandoo pelo Barcelona, da Espanha. Entretanto, não teve sucesso no clube da Catalunha. Após ter perdido a vaga de titular, foi dispensado, em 2010. Em julho, foi contratado pelo “New York Red Bulls”, dos Estados Unidos, no qual estreiou, em 22 de julho de 2010, numa partida amistosa contra a equipe imglesa do “Tottenham”, que venceu por 2x1, sendo o gol do time norte-americano marcado por Henry. A despeito de sua notória má fase no “Barça”, o técnico Raymond Domenech o convocou para atuar, pela França, em sua quarta Copa do Mundo, na África do Sul, em 2010. A seleção “bleu” fracassou, com pífias apresentações, caindo na primeira fase e exibindo, ainda, lamentáveis desavenças internas. O futebol da França sempre prestigiou s Copa do Mundo, criada palo francês Jules Rimet. Assim, a França vem participando dos campeonatos mundiais, desde a sua primeira realização, em 1930. Se deixou de disputar a taça, em algumas ocasiões, não o fez por ato voluntário, mas por deficiência técnica, ao não lograr a necessária qualificação, como ocorreu em 1950, 1962, 1970, 1974, 1990 e 1994. Em 1930, após uma vitória por 4x1 sobre o México, a Seleção Francesa foi derrotada pela Argentina e pelo Chile, pelo mesmo placar de 1x0, sendo eliminada. Na edição de 1934, a derrota, por 3x2 para a Áustria, a desclassificou. A Copa de 1938 foi realizada na própria França, mas após vencerem os belgas por 3x1, os anfitriões foram derrotados pelos italianos, com mesmo placar, sendo desclassificados. Nas eliminatórias para a Copa de 1950, a França empatou com a Iugoslávia, em todos os critérios adotados. Foi necessário um jogo desempate, que os


franceses perderam por 3x2. Foram, entretanto, convidados a participar do campeonato, no Brasil, em função de desistências havidas, mas não aceitaram. Após uma eliminação, na primeira fase, em 1954, a seleção francesa, com Kopa e Fontaine, conquistou bilhantemente o terceiro lugar, em 1958. Depois de não ter obtido a qualificação nas eliminatórias para o campeonato seguinte (1962) a equipe dos “bleus” ficou na 13ª colocação, caindo na primeira fase, em 1966. Seguiram-se duas não qualificações conecutivas, em 1970 s 1974. Na Copa de 1978, caiu na primeira fase, outra vez, classificando-se em 14º lugar. Em 1982, a França, com Platini e Trésor, conquistou a quarta colocação. O desempenho da seleção francesa, em 1986, contando com Platini (seu maior astro), Papin e Fernandéz, foi ainda melhor, obtendo o terceiro lugar. Por mais duas vezes consecutivas (1990 e 1994), o time gaulês fracassou na disputa das eliminatórias. Finalmente, o sucesso veio em 1998. Anfitriã da 16ª edição da Copa do Mundo, a França não desperdiçou, dessa vez, a oportunidade de ser Campeã Mundial, jogando em casa. Após passar pela primeira fase, com 100% de aproveitamente, conseguiu ultrapassar as dificuldades dos jogos “mata-mata” e, superando as melhores expectativas, venceu categoricamente o Brasil, na final, por 3x0. Além do seu grande astro Zidane, participaram, com brilho, da campanha vitoriosa: Barthez, Lizarazu, Thuram, Blanc, Desailly, Dugarry, Youri Djorkaeff, Trézéguet, Henry e Petit. Em 2002, porém, a “seleção do galo” voltou a decepciomar, ficando em 28º lugar, entre 32 participantes. Continuando a alternar bons e maus resultados, nas disputas mundiais, a França fez excelente campanha na Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Venceu, por 3x1, a Espanha, em oitava-de-final; derrotou o Brasil, novamente com excelente atuação de Zidane, por 1x0, em sua quarta-de-final; e ganhou, também por 1x0, a semifinal contra Portugal. Enfrentou a Itália, na final, empatando por 1x1. Perdeu nos pênaltis, sagrando-se Vice-Campeã. Foram figuras de destaque: Zizou, Henry, Trézéguet, Ribéry e Wilford, entre outros. A mais lamentável participação francesa em Copas do Mundo aconteceu em 2010, na África do Sul. Sua equipe nacional, classificada nas eliminatórias, graças a um gol irregular (Henry ajeitou a bola, escan-

dalosamente, com a mão), foi eliminada na primeira fase, terminando na 29ª colocação dos 32 disputantes. O grande destaque da França foi um destaque negativo: o seu técnico Raymond Domenech, que não soube comandar, e muito menos liderar, os seus jogadores. Além disso, demonstrou, publicamente, sua falta de educação esportiva, ao recusar o cumprimento do técnico da seleção anfitriã, Carlos Alberto Parreira, ao término do jogo África do Sul 2x1 França. Imediatamente após a campanha vexaminosa, Domenech foi substituído por Laurent Blanc. O desempenho do time “bleu”, no Campeonato Europeu, entre1960 e 2008, registra dois títulos de Campeão: em 1984 e 2000. Durante mais de cem anos, contados a partir da fundação do clube “Le Havre”, o futebol francês evoluiu de forma tranqüila e competitivamente discreta. Em um período de vinte anos, entre 1980 e 2000, houve uma profunda mutação no cenário futebolístico da antiga Gália. Além dos jogadores que atingiram fama mundial, cujas biografias apresentamos, muitos outros personagens merecem ser citados, pois foram responsáveis por essa verdadeira revolução no futebol da França, Michel Hidalgo, nascido em 1933, assumiu o comando técnico da seleção em 1976, após a crise dos anos 60 e 70. Carismático e adepto do futebol-arte, formou a fantástica “geração Platini”. Conquistou a Eurocopa 1984, com um belo estilo ofensivo. Aimé Jacquet, que nasceu em 1941, foi técnico da equipe nacional francesa, entre 1993 e 1998. Acusado de impor um jogo predominantemente defensivo, Jacquet não gozava de muita estima, por parte da imprensa especializada e dos torcedores, por causa de sua postura arrogante, com ares professorais, e desprezo pelas críticas. A seu favor, pesam os resultados. Sob seu comando técnico, a França ganhou a Copa do Mundo de 1998, única conquista mundial de sua história. Aesène Wenger, nascido em Strasbourg, no ano de 1949, nunca foi técnico da seleção francesa. Entretanto é o técnico francês mais respeitado, tanto internamente, como no exterior. Gosta de trabalhar com jogadores jovens, moldando-os para carreiras vitoriosas. É famoso pela força mental que transmite aos atletas, sob seu comando. Seu estilo inspirou e influenciou toda a nova geração de treinadores na França. Michel Denisot, jornalista de profissão, foi nomeado administrador do Paris Saint-Germain, em 1991. A partir desse ano, até 1998, data de sua


saída, o PSG montou um time exemplar na qualidade de seu futebol, que encantava seus torcedores, aumentando o público em seus jogos e conquistando inúmeros títulos. Fernand Sastre foi Presidnte da Federação Francesa de 1973 até 1984, ano da memorável conquista da Eurocopa. Em 1989, quando o futebol francês atravessava uma crise de descrédito, o Ministro de Esportes o convocou para comandar a remodelação que se fazia necessária. O seu relatório, conhecido como Dossier Sastre, mudou a face do futebol na França. Passou a existir um severo controle das finanças dos clubes; foi recriada a política para a formação de jovens talentos, nos centros de excelência do futebol; e o número de clubes, nas ligas profissionais 1 e 2, foi reduzido para dezoito, em cada. Sastre conseguiu, ainda, confirmar a França como a sede da Copa do Mundo de 1998. Foi nomeado, juntamente com Michel Platini, co-presidente do Comitê de Organização do campeonato mundial. No primeiro semestre de 1998, o seu estado de saúde, minado por séria doença, agravou-se, e Sastre faleceu, três dias após o início do torneio. As lágrimas de Platini, durante o minuto de silêncio que antecedeu ao jogo Espanha x Nigéria, em 14 de junho de 1998, simbolizaram as mais que merecidas homenagens ao homem que, longe dos holofotes, revolucionou o futebol, na França.

BIER FASS, 13 DE JANEIRO DE 2011 Como de hábito, nas quintas feiras, os “velhos da padaria” reuniram-se para tomar chope, no “Bier Fass”. _ O que eu mais admirei foi o “Centre Technique National” da “Fédération Française de Football”, mais conhecido como Academia de Clairefontaine, disse Pedro Paulo. _Realmente, é um centro de excelência, referência mundial que pode servir de exemplo para iniciativas similares no Brasil, concordou Brian. _Esse centro de treinamento está instalado em uma área de 56 hectares e possui 60 empregados de tempo integral. Dispõe de 302 camas, uma biblioteca e um vídeo-cinema, além de sete campos de grama natural e três de sintética. Sua grande missão é a formação de jovens talentos do futebol. Seus outros objetivos são: prover a seleção nacional de um

local adequado para a sua preparação; ser uma unidade de ciência do esporte, sempre atualizada; manter um instituto nacional para aperfeiçoamento dos treinadores de elite; e promover seminários, convenções e apresentações diversas, prosseguiu o autor do relato. _E como é feita a seleção dos candidatos?, perguntou Roberto Mauro. _É de fundamental importância a estrita observância das normas estabelecidas, respondeu Brian. _E como são essas regras?, perguntou Marcos. _Em primeiro lugar, existem condições rígidas para a inscrição: ter treze anos completos, ser de nacionalidade francesa, possuir bom nível de escolaridade e residir em Paris ou na sua área de influência (região metropolitana). O processo de seleção é feito, de março a maio de cada ano, em Clairefontaine. Após uma primeira “peneira”, os escolhidos participam de jogos em campos de dimensões reduzidas e são submetidos a avaliações de técnica individual. No final de maio, são selecionados os quarenta melhores participantes para um estágio de três dias, no qual estão incluídos uma corrida de 40 metros com obstáculos e um teste de “endurance”. São, então, escolhidos vinte e dois jogadores, no máximo, dos quais, três ou quatro goleiros. Esses privilegiados passam a receber um treinamento de três anos, com todas as despesas custeadas pela federação e pela liga profissional, exceto uma contribuição anual de 150 euros, para despesas escolares, e outra, trimestral, de 180 euros, para o almoço no colégio. O regime é de internato, das 21h de domingo até as 18h de sexta-feira. São realizados cinco treinos de futebol por semana, com os seguintes objetivos: dotar os jogadores de movimentos mais bem feitos e mais rápidos; utilizar os movimentos de forma mais eficaz e com mais astúcia; usar o pé menos apto; reduzir os pontos fracos dos atletas; superar deficiências psicológicas; desenvolver fisicamente os jogadores; aprimorar aspectos técnicos (correr com e sem a bola, driblar, controlar a bola, chutar a gol e efetuar passes); e melhorar os fundamentos táticos (condução da bola, recepção de passes, oferecimento de apoio, execução de assistências, movimentos em espaços livres, desmarcação), respondeu Brian. Pela biografia do Thierry Henry, verifiquei que ele foi um dos que se beneficiaram desse programa, comentou o Cristiano. _É impressionante a evolução do futebol na França, nos últimos vinte


anos do Século XX, manifestou-se Marcos. _ Bem, em face do adiantado da hora, recisamos definir quem será o responsável pelo próximo tema, lembrou o Roberto. -Proponho que seja o Marcos, que, como bom gaúcho, entende os portenhos e “habla” “portunhol” “muy bien”, sugeriu o Cristiano. - Agradeço, mas peço sua ajuda, respondeu-lhe o Marcos. Proposta aceita, a reunião foi encerrada, com mais uma rodada de chopes.

O FUTEBOL NA ARGENTINA (1867 – 2010) Como em todas as partes do mundo, o futebol foi introduzido na Argentina por obra e graça de imigrantes britânicos. Os irmãos Thomas e James Hogg tomaram a iniciativa de organizar uma partida de futebol, segundo as regras estabelecidas na Inglaterra, em 1863, entre o Buenos Aires Cricket Club e o recém fundado Buenos Aires Football Club, que foi realizada nos bosques de Palermo (onde hoje esiste o Planetário), no dia 20 de junho de 1867. A primeira associação de futebol da Argentina foi criada em 1891: “The Argentine Association Football League”. Organizado o primeiro campeonato, seu vencedor foi a “Saint Andrew’s Scots School”. Entretanto, foi fugaz a existência dessa liga. Por causa disso, o escocês A. Watson, considerado o “Pai do Futebol Argentino”, fundou, em 21 de fevereiro de 1893, uma nova organização associativa, usando o mesmo nome. Nesse mesmo ano, realizou-se, sob a égide da nova associação, o campeonato argentino que perdura até hoje, sendo considerado o segundo mais antigo, fora das Ilhas Britânicas, precedido pelo da Holanda, cuja primeira edição ocorreu em 1899. “The Argentine Association Football League”, criada por Watson, em 1893, é hoje, após várias mudanças de nome, a “Associación del Fútbol Argentino (AFA)”. Sua filiação à federação mundial (FIFA) ocorreu em 1912; ao organismo sul-americano (CONMEBOL), em 1916. A profissionalização do futebol argentino aconteceu em 1931. Os clubes de futebol argentinos mais importantes, hoje, são (em ordem cronológica das datas de fundação): “Club Atlético River Plate” (22 de

maio de 1901); “Racing Club de Avellaneda” (25 de março de 1903); “Club Atlético Independiente” (1º de janeiro de 1905); “Club Atlético Boca Juniors” (3 de abril de 1905); e “Club Atlético San Lorenzo de Almagro” (1º de abril de 1908). Desses cinco grandes clubes, o “Boca Juniors” é, sem sombra de dúvida, o mais popular, o de maior torcida. Sua criação foi obra de um grupo de jovens que se reuniu na Praça Solis, no bairro de La Boca, com a finalidade precípua de fundar um novo clube de futebol. Já existiam, no bairro, outras equipes: “La Espuma del Plata”, “Hércules” e “Blader Athletic Club”. La Boca fica situada às margens do estuário do Rio da Prata, onde se localiza o porto da cidade de Buenos Aires. Era um reduto de imigrantes, especialmente espanhóis e, em grande maioria, italianos. Entre esses, predominavam fortemente os genoveses. Hoje, La Boca é um bairro turístico, com inúmeros restaurantes, e o Caminito, com suas casas multicoloridas. Essas habitações, construídas com tábuas, eram pintadas com muitas cores, provenientes dos restos das tintas usadas na pintura das diversas partes dos navios. Depois de muita discussão, o nome Boca, representativo do bairro, reuniu as preferências gerais. Como toda área portuária, La Boca tinha uma má reputação, proveniente dos problemas de prostituição, malandragem e, até, banditismo. Para amenizar a ligação da denominação do clube com essa fama indesejável do local, um de seus fundadores, Santiago Sana, propôs a inclusão de um termo em inglês, como era praxe usual em tudo que dizia respeito ao futebol. Assim, nasceu o “Boca Juniors”, cujo primeiro presidente foi Esteban Baglietto. A primeira camisa do clube, usada apenas nas partidas iniciais, era lisa, em azul escuro. Foi logo substituída por outra, azul e branca, em listras estreitas, na vertical. Entretanto, surgiu um problema de similaridade com o uniforme de outra associação da cidade. A solução foi decidir, de maneira esportiva, qual das duas agremiações teria direito ao uso da indumentária alvi-celeste. Foi realizado um jogo de futebol entre os dois times. Como o “Boca” perdeu, precisou escolher outras cores. Sob a inspiração da bandeira azul e amarela de um navio escandinavo (Suécia e Noruega, à época, formavam uma só nação), atracado em Buenos Aires, Juan Brichetto, propôs a adoção, em 1908, da camisa azul com a larga listra amarela, que, na horizontal, é utilizada até hoje. O trato foi


escolher as cores da bandeira do primeiro navio que adentrasse o porto, no dia seguinte. Como operador de uma das pontes que precisavam ser giradas para permitir a passagem dos navios, Brichetto tinha uma condição privilegiada para proceder à escolha. Desde a sua fundação, o “Boca Juniors” se identificou com a colônia italiana, sobretudo com os imigrantes genoveses, predominantes no bairro. Dessa forma, os seus torcedores ficaram conhecidos como “xeneizes”, expressão derivada de “zeneize”, significando natural de Gênova, no dialeto local da Ligúria. O estádio do clube, no bairro de La Boca, é conhecido como “Bombonera”, por seu formato que lembra uma “bombonière” (porta-bombons, geralmente de cristal, muito comum nas residências abastadas de antigamente). Seu nome oficial é Estádio Camilo Cichero, em homenagem ao presidente que iniciou sua construção, em 1938. Inaugurado em maio de 1940, mas só concluído em 1953, sua capacidade era superior a 60 mil espectadores, reduzida para 50 mil em função das exigências de segurança e conforto. Ao longo de sua história, o “CABJ” venceu 29 campeonatos argentinos: 1919, 1920, 1923, 1924, 1926, 1930, 1934, 1935, 1940, 1943, 1944, 1954, 1962, 1964, 1965, 1969 (Nacional), 1970 (Nacional), 1976 (Nacional), 1976 (Metropolitano), 1981 (Metropolitano), 1992 (“Apertura”), 1998 (“Apertura”), 1999 (“Clausura”), 2000 (“Apertura”), 2003 (“Apertura”), 2005 (“Apertura”), 2006 (“Clausura”), e 2008 (“Apertura”). No âmbito internacional, o “Boca Juniors”, além de outros títulos, sobressaiu-se ao vencer, seis vezes, a Copa Libertadores da América (1977, 1978, 2000, 2001, 2003 e 2007); e, em três oportunidades, a Copa Intercontinental (1977, 2000 e 2003). Seu maior ídolo é, indubitavelmente, Diego Maradona, apesar de ter defendido, por pouco tempo, as cores do clube de seu coração. O maior rival do “Club Atlético Boca Juniors” é o “Club Atlético River Plate”, em popularidade e número de torcedores. Criado, também, no bairro de La Boca, o “River” possui, igualmente, forte afinidade com os descendentes de italianos, sendo as suas cores, vermelha e branca, as mesmas da bandeira de Gênova. A rivalidade, nascida da proximidade física entre as duas agremiações, aumentou ainda mais com a transfer-

ência da sede do “River Plate” para a área mais nobre de Belgrano, onde passou a ser considerado clube de elite, enquanto o “Boca” continuaria como representativo da classe operária. O nome “River Plate” é a denominação inglesa de Rio da Prata (“Rio de la Plata”), conforme era escrito nas enormes caixas de madeira, desembarcadas no porto de Buenos Aires, e não “Silver River”, como alguns desavisados poderiam supor. O nome em inglês, de acordo com o costume vigente, em 1901, nas coisas do futebol, e relativo ao estuário onde se localiza o porto da capital argentina e o seu bairro La Boca, foi proposto por Pedro Martinez, um dos fundadores do clube. O seu estádio, denominado oficialmente Antonio Vespucio Liberti, fica no bairro portenho de Belgrano, embora seja mais conhecido como Monumental de Nuñez, que é, na verdade, um outro bairro, vizinho. Com capacidade superior a 65 mil pessoas, foi inaugurado em 1938, com um jogo contra o “Peñarol”, do Uruguai. “Boca” x “River” é o maior clássico da Argentina. Chamado de “El Superclásico”, coloca em campo uma rivalidade já centenária, reunindo as maiores e mais fanáticas torcidas de Buenos Aires. Com o advento do profissionalismo, em 1931, o “River Plate” tornouse um exemplo de boa administração esportiva. Com quase 15.000 sócios e um excelente estádio em Palermo, adquiriu, por dez mil pesos, o passe do ponta-direita Carlos Peucelle, ganhando a alcunha de “Los Millonarios”. Em 1932, investiu 105 mil pesos na aquisição de vários jogadores (35 mil por Bernabé Ferreyra) e montou um grande time, atraindo, cada vez mais, multidões maiores aos seus jogos. Bernabé foi o artilheiro do campeonato, com 43 gols, e o “River” conquistou o título. Em 1935, revelou os seus grandes valores, José Manuel Moreno e Adolfo Pedernera, fundamentais para os êxitos dos anos seguintes. Ganhou o campeonato de 1936, derrotando o “San Lorenzo” por 4x2. Em 1937, nova vitória do “River Plate” no campeonato, com 85% de aproveitamento no segundo turno. A maior figura, e artilheiro do time, foi Moreno, um dos seus melhores jogadores, em todos os tempos. Em 1938, ocorreu a concretização de um sonho: o Estádio Monumental de Nuñez foi inaugurado. No ano seguinte, aconteceu a aposentadoria do ídolo Bernabé Ferreyra, que assinalou, em sua carreira no “Los Millonarios”, 187 gols em 185 partidas (média superior a um por jogo).


Mas, 1939 foi, também, o ano da estréia do futuro grande ídolo Ángel Labruna. A década iniciada em 1941 é considerada o período mágico do “River”, ou os seus anos dourados. Após conquistar o título de 1941, reforçou ainda mais a equipe, criando “La Máquina”, time bicampeão em 1942, considerado o melhor da sua história, com uma linha atacante fantástica, formada por Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau. Em 1943, o “River” foi vice-campeão, mas seu atacante Labruna foi o artilheiro do certame, com 23 gols., e o time foi reforçado com a presença de Nestor Rossi, excelente centro-médio (ou volante, como se diz hoje). O artilheiro do campeonato de 1945, conquistado pelo clube da faixa vermelha (“banda roja”), foi Labruna, com 25 gols. O “River” foi novamente campeão em 1947, ano em que a artilharia coube ao notável Alfredo Di Stéfano, com 27 gols. A supremacia riverplatense, que terminara nos últimoa anos 40, voltou na década que principiou em 1951. Após contratar, ainda em 1950, o ótimo atacante uruguaio Walter Gómez, o clube de Belgrano adquiriu, em 1951, o passe do ponta-direita Santiago Vernazza. Com Carrizo no gol, e, na linha de frente, Vernazza, Goméz, Labruna e Loustau, o “River” foi Bicampeão (1952/53). Em 1954, apesar de não ter sido campeão, o “C.A. River Plate” tornou-se o clube argentino com o maior número de associados: 61.577. Com a volta de Nestor Rossi e a liderança de Labruna, que continuava a ser o maestro da equipe, bem secundado pelo ainda novo Omar Sívori, o time da camisa branca, com a faixa diagonal vermelha, foi Tricampeão Argentino, em 1955/56/57. Os anos 60 são considerados como os da pior fase dos milionários, sem a conquista de títulos expressivos, embora vice-campeão, várias vezes. A alegria retornou na década iniciada em 1971. Labruna voltou ao “River”, como técnico, em 1975. O clube contratou Roberto Perfumo, e repatriou, da Espanha, Oscar Más, ponta-esquerda revelado na sua própria base, dez anos antes. Venceu os Campeonatos Metropolitano e Nacional, de 1975. Voltou a ser Campeão Metropolitano, em 1977. Repetiu a dobradinha (Nacional e Metropolitano), em 1979. Em 1980, foi, outra vez, Campeão Metropolitano. Sua equipe, dirigida por Ángel Labruna, contava com excepcionais craques: o goleuro Ubaldo Fillol; os defensores Daniel Passarella e Roberto Perfumo; os meio-campistas Norberto Alonso e Juan José López; e, na frente, Pedro González e

Oscar Más. A década que teve início em 1981, começou para o “River Plate” com a contratação de Mario Kempes. Sob o comando técnico de Di Stéfano, venceu o Campeonato Nacional. Para equilibrar as finanças, o clube precisou se desfazer de algumas das suas estrelas, em 1982 e 1983. Mas, logo voltou a contratar, trazendo o craque uruguaio Enzo Francescoli. Campeão (“Apertura”) em 1986, conquistou, também, a Libertadores e a Copa Intercontinental (Mundial Interclubes), em Tóquio. Encerrou a década com nova vitória no “Apertura” 1990. O clube de Belgrano iniciou 1991 com Daniel Passarella, contratado ainda em 1990, no seu comando técnico. O ex-jogador promoveu vários talentos das divisões de base e venceu o “Apertura”, em 1991 e 1993, quando Ortega foi a grande revelação. Francescoli retornou para o “Apertura” 1994, conquistado de forma invicta. Com Ortega, Francescoli e Hernán Crespo no ataque, o “River” ganhou a Copa Libertadores da América de 1996, além de ter conquistado o “Apertura”. Em 1997, venceu o “Apertura” e o “Clausura”, graças aos gols do uruguaio Francrscoli e do chileno Marcelo Salas, e, ainda, as boas atuações da nova revelação Juan Pablo Sorín. Também em 1997, conquistou a Supercopa Libertadores, tendo sido Salas o artilheiro. Fechou a década com as conquistas do “Apertura”, em 1999, e do “Clausura”, em 2000. No Século XXI, após comemorar seu centenário em 2001, o “River Plate” conquistou seu 30º título argentino, ao vencer o “Clausura” 2002, com Ortega e o jovem D’Alessandro. Em 2003 e 2004, repetiram-se as vitórias no “Clausura”, contando com Fernando Cavenaghi e Javier Mascherano. O último título dos riverplatenses foi o do encerramento (“Clausura”) de 2008, quando contou com o uruguaio Sebastián Abreu (“ El Loco”) e o colombiano Falcão Garcia, além do veterano Ortega. Os últimos anos não fotam felizes para o “Club Atlético River Plate”. Efetivamente, seu arquirrival “Boca Junirors” foi, nos primeiros dez anos do Século XXI, o clube de melhor desempenho, pois além de quatro títulos argentinos (“Apertura” de 2003, 2005, 2006 e 2008), conquistou, por três vezes, a Libertadores (2001, 2003 e 2007), além da Copa Intercontinental de 2003. Entretanto, considerando também o Século XX, as conquistas de campeonatos da Argentina, pelo “River”, superam as dos “xeneizes”.


Os “millonarios” venceram, 34 vezes, os campeonatos internos: 1920, 1932, 1936, 1937, 1941, 1942, 1945, 1947, 1952, 1953, 1955, 1956, 1957, 1975 (Nacional), 1975 (Metropolitano), 1977 (Metroplitano), 1979 (Nacional), 1979 (Metropolitano), 1980 (Metropolitano), 1981 (Nacional), 1986 (“Apertura”), 1990 (“Apertura”), 1991 (“Apertura”), 1993 (“Apertura”), 1994 (“Apertura”), 1996 (“Apertura”), 1997 (“Apertura”), 1997 (“Clausura”), 1999 (“Apertura”), 2000 (“Clausura”), 2002 (“Clausura”), 2003 (“Clausura”), 2004 (“Clausura”), e 2008 (“Clausura”). No cenário internacional, suas mais importantes conquistas foram: a Copa Libertadores da América, em 1986 e 1996; a Supercopa Libertadores de 1997; e a Taça Intercontinental de 1986. O “Racing Club de Avellaneda”, fundado em 25 de março de 1903, na cidade de Avellaneda, que fica na Grande Buenos Aires, é considerado a terceira força, em número de torcedores, do futebol argentino. Sua camisa é azul e branca, em listras verticais, e seu estádio, inaugurado em 1950, com o nome de Juan Domingo Perón, é conhecido como “Cilindro de Avellaneda” e tem uma capacidade superior a 64 mil pessoas. O “Racing”, o mais laureado na época do amadorismo, foi campeão argentino em 16 oportunidades: 1913, 1914, 1915, 1916, 1917, 1918, 1919 (heptacampeão), 1921, 1925, 1949, 1950, 1951 (tricampeão), 1958, 1961, 1966 e 2001 (“Apertura”). Na estera internacional, conquistou a Copa Libertadores da América, em 1967, e a Taça Intercontinental, no mesmo ano. Foi, ainda, Campeão da Supercopa Libertadores em 1988. O “Club Atlético Independiente”, criado em 1º de janeiro de 1905, divide com o “Racing”, a preferência dos habitantes de Avellaneda, onde ambos têm suas sedes. Devido ao seu uniforme vermelho, tem os apelidos de “Rojo” e “Diablo Rojo”, além de “Rey de Copas”. Seu estádio, denominado Libertadores da América, foi inaugurado em 1928, com capacidade para mais de 52 mil torcedores. Atualmente em reforma, iniciada em 2007, está sendo utilizado com a lotação reduzida para 36 mil pessoas. Depois de terminadas as obras, deverá ter 49.000 lugares confortáveis. O “Independiente” é o maior vencedor da Copa Libertadores da América, tendo participado de sete finais, ganhando todas (1964, 1965, 1972,

1973, 1974, 1975 e 1984). Conquistou a Copa Intercontinental, duas vezes: 1973 e 1984; a Recopa Sul-Americana, em 1995; a Supercopa Libertadores, em duas oportunidades: 1994 e 1995; e a Copa Sul-Americana, em 2010. No âmbito interno, foi vitorioso em 16 campeonatos: 1922, 1926, 1938, 1939, 1948, 1960, 1963, 1967 (Nacional), 1970 (Metropolitano), 1971 (Nacional), 1977 (Nacional), 1978 (Nacional), 1983 (Metropolitano), 1989 (“Clausura”), 1994 (“Clausura”), e 2002 (“Apertura”). Estão entre os mais importantes jogadores que atuaram no “Rey de Copas”, estão: Daniel Bertoni, Jorge Burruchaga, Ricardo Bochini, Raimundo Orsi, Miguel Ángel Santoro, Gabriel Milito, Diego Fórlan, Pablo Horácio Guiñazu, José Omar Pastoriza, além de Maradona e do brasileiro Romário. O “Club Atlético San Lorenzo” foi fundado em 1º de abril de 1908, por um gupo de jovens, incentivados pelo padre salesiano Lorenzo Massa, no bairro de Almagro, em Buenos Aires. Suas cores são azul e vermelha. O “San Lorenzo” localiza-se, atualmente, no bairro de Flores, e possui um moderno estádio, inaugurado em dezembro de 1993, com capacidade para 43.494 espectadores. Conhecido como “El Ciclón”, tem a preferência da colônia espanhola. Conquistou 13 campeonatos argentinos: 1923, 1924, 1927, 1933, 1946, 1959, 1968 (Metropolitano), 1972 (Nacional), 1972 (Metropolitano), 1974 (Nacional), 1995 (“Clausura”), 2001 (“Clausura”) e 2007 (“Clausura”). Foi, mais duas vezes, campeão da 2ª Divisão (1915 e 1982). Seus títulos internacionais mais significativos foram: Copa Mercosul, em 2001, e a Copa Sul-Americana de 2002. Entre os jogadores que envergaram seu uniforme rubro-anil, ao longo dos tempos, estão os famosos: Narciso Doval, José Sanfilippo, Ivan Córdoba, Luís Monti, “El Lobo” Fisher e Walter Montillo. Apresentamos, a seguir, os dados biográficos dos atletas argentinos que fizeram a história do seu futebol. Luís Felipe Monti nasceu em Buenos Aires, no dia 15 de maio de 1901. Iniciou sua carreira profissional no “Huracán”, com o qual foi Campeão Argentino, em 1921. Transferiu-se, em 1922, para o “San Lorenzo”, onde permaneceu até 1930. Com o clube de Almagro, conquistou os Campeonatos Argentinos de 1923, 1924 e 1927.


“Center-half” (volante) dotado de boa técnica, tinha, porém, um estilo duro de jogo, de marcação eficaz. Foi convocado, pela primeira vez, para a Seleção Argentina, em 1924. Participou da campanha vitoriosa no Campeonato Sul-Americano de 1927. Ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas de 1928, sendo derrotado, na final, pelo Uruguai. Na Copa do Mundo se 1930, foi novamente Vice-Campeão, perdendo a final, outra vez, para o Uruguai. No final de 1930, relaxou sua forma física e pensou em deixar o futebol, ainda amador na Argentina. Chegou a começar a trabalhar como empregado em uma fábrica de biscoitos de Buenos Aires. Entretanto, em 1931, surgiu uma oportunidade para jogar no “Juventus”, da Itália, e Luís Monti a agarrou com unhas e dentes. O futebol italiano, incentivado por Mussolini, já estava profissionalizado. Luisito, em seus dois primeiros meses de Turim (agosto e setembro de 1931), fez um árduo trabalho de condicionamento físico e emagreceu 13 kg. Com a “Vecchia Signora”, foi Tetracampeão Italiano (1931/32, 1932/33, 1933/34 e 1934/35). Voltou a ganhar o “scudetto” na temporada 1937/38, quando também conquistou a Copa da Itália. Em 1932, o regime fascista estava muito interessado em vencer a Copa do Mundo, a ser realizada no território italiano, em 1934. Assim, por ser filho de italianos, o “oriundo” Monti foi chamado para defender a “Azzurra”, estreiando em novembro de 1932, com uma vitória de 4x2, sobre a Hungria. Sob o comando do técnico Vittorio Pozzo, foi fundamental sua presença no meio-de-campo, para a campanha vencedora da Itália, no campeonato mundial de 1934, culminando com a vitória por 2x1, na final, contra a Tchecoslováquia Depois de ter disputado, entre 1924 e 1930, dezesseis jogos pela Seleção Argentina, sendo Vice-Campeão Mundial em 1930; e jogado, de 1932 a 1936, dezoito partidas com a Seleção Italiana, sendo Campeão Mundial em 1934; Monti pendurou as chuteiras em 1939, com 38 anos de idade. Faleceu em setembro de 1983, aos 82 anos. Como atualmente não é mais permitido a um mesmo atleta defender duas seleções diferentes, Luís Felipe Monti detém o registro histórico de ser o único jogador que participou de duas finais de Copa do Mundo, atuando por dois países distintos. Raimundo Bibiani Orsi nasceu em 2 de dezembro de 1901, na locali-

dade de Barracas al Sud, atual Avellaneda. Começou a jogar, em 1920, no “Independiente”, da sua cidade natal. Com a equipe do “Diablo Rojo”, conquistou os Campeonatos Argentinos de 1922 e 1926. Na Seleção Argentina, estreiou em 1924 e venceu a Copa América (Sul-Americano) de 1927. No ano seguinte, ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos. Atacante de técnica refinada, suas boas atuações nas Olimpíadas atraíram as atenções do “Juventus”, da Itália, que o contratou. Filho de italianos, passou a integrar a “Squadra Azzurra”, já em 1929. Pelo “bianconero” de Turim, foi Pentacampeão Italiano (1930/31, 1931/32, 1932/33, 1933/34 e 1934/35). Foi Campeão Mundial, pela Seleção Italiana, na Copa do Mundo de 1934. O gol de empate, na final contra a Tchecoslováquia, quando faltavam apenas 9 minutos para o término da partida, foi de sua autoria. A vitória, com a conquista do título, ocorreu na prorrogação. Realizado, Orsi retornou ao “Independiente”. Após um périplo por outros clubes argentinos (“Platense” e “Boca Juniors”) foi para o Uruguai, onde se sagrou Campeão, em 1938, pelo “Peñarol”. Em seguida, transferiu-se para o Brasil, sendo Campeão Carioca pelo “Flamengo” (1939). Voltou para a Argentina, passando a atuar pelo “Almagro” (1939 e 1940). Finalmente, seguiu, mais uma vez, para o Uruguai, onde encerrou a carreira, no Peñarol”, em 1942. Renato Cesarini nasceu em Senigallia, cidade da província de Ancona, na Itália, no dia 11 de abril de 1906. Com apenas nove meses de idade, seus pais o levaram para Buenos Aires. Em 1925, começou sua atividade futebolística no Borgato Palermo, pequeno clube amador. No mesmo ano, ingressou no “Chacarita Juniors”, de Villa Maipú, na Grande Buenos Aires, iniciando sua carreira profissional, na primeira divisão do futebol argentino. Permaneceu no clube tricolor até 1928, quando se transferiu para o “Alvear”. No ano seguinte, foi para o “Ferro Carril Oeste”. Ainda em 1929, Cesarini tomou o rumo de sua terra natal, contratado pela “Juventus”, de Turim. Meio-campista altamente técnico, ficou célebre por marcar gols nos momentos decisivos de partidas importantes. No período 1930-1935, a “Vecchia Signora”, com Cesarini soberano em seu meio-de-campo, conquistou cinco “scudetti”: 1930/31, 1931/32,


1932/33, 1933/34 e 1934/35. Em seguida, Renato retornou à Argentina, onde jogou mais duas temporadas, defendendo o “Chacarita Juniors” e o “River Plate”, antes de se aposentar, como jogador. Renato Cesarini atuou pela Seleção Argentina em duas partidas, assinalando um gol; com a “Azzurra”, disputou onze partidas e marcou três gols. Em 1938, começou sua carreira de técnico, treinando as divisões de base do “River Plate”. Dois anos depois, assumiu o comando técnico da equipe principal. Montou um time estupendo, que ficou famoso como “A Máquina”, e conquistou três títulos do Campeonato Argentino. O técnico Cesarini passou a ser conhecido como “O Mestre dos Mestres” e, em 1946, retornou a Turim, para comandar a “Juventus”, ficando até 1948. De 1949 a 1958, trabalhou em diversas agremiações da Argentina. Treinou, novamente, a “Juventus”, entre 1959 e 1961, vencendo, na temporada 1959/60, a Série A e a Copa da Itália. Foi técnico do “Universidad de Mexico”, de 1961 a 1965; do “River Plate”, em 1966; da Seleção Argentina e do “Huracán”, em 1968. Nesse clube, encerrou suas atividades, no mesmo ano. Faleceu em Buenos Aires, no mês de março de 1969, pouco antes de completar 63 anos. Bernabé Ferreyra nasceu em 12 de fevereiro de 1909, na cidade de Rufino, na província argentina de Santa Fé. Começou suas atividades futebolísticas no “Club Jorge Newbery”, de sua cidade natal, em cuja equipe principal atuou, aos quinze anos, já demonstrando sua vocação de goleador. Em 1927, passou a jogar no “Club Atlético Buenos Aires al Pacífico”, ligado à ferrovia BAP, em Junin, pequena cidade da Província de Buenos Aires, pelo qual foi campeão e artilheiro da liga local. Iniciou, efetivamente, sua carreira, no mesmo ano de 1927, ainda no amadorismo, no “Club Atlético Tigre”, na região de mesmo nome, localizada no Delta do Paraná, próxima à área metropolitana de Buenos Aires. Marcou quatro gols, em seu primeiro jogo. Em 1930, foi cedido ao “Huracán”, para uma excursão de oito jogos, nos quais Ferreyra assinalou onze tentos. Logo em seguida, emprestado ao “Vélez Sarsfield”, realizou outra excursão, jogando no Chile, Peru, Cuba, México e Estados Unidos. Foram 25 partidas (20 viórias, 4 empates e 1 derrota), nas quais Bernabé marcou 38 gols. De volta ao seu clube, teve uma

atuação memorável contra o “San Lorenzo”, num jogo que o “Tigre” perdia por 2x0, faltando só dez minutos para o apito final. Com três gols seguidos, “El Mortero de Rufino” reverteu o placar, dando a vitória ao seu time. Durante 1931, marcou 19 gols, em 13 partidas com o “Tigre”. Em 1932, logo após o advento do profissionalismo, transferiu-se para o “River Plate”, clube do qual foi o primeiro grande ídolo, e onde atuou até 1939, quando pendurou as chuteiras. Artilheiro nato, Bernabé Ferreyra foi um atacante dono de chute poderosíssimo, recebendo os apelidos de “Cañonero” e “La Fiera”, além de “El Mortero de Rufino”, em alusão à sua cidade. Diz a lenda que ele precisou tirar as chuteiras, na frente de alguns jornalistas, para provarlhes que não tinha uma barra de ferro escondida. Com o “River”, foi Campeão Argentino, logo em sua primeira temporada (1932). Em 1936 e 1937, conquistou o Bicampeonato. Pela Seleção da Argentina, disputou quatro jogos, vencendo a Copa América (Campeonato Sul-Americano) de 1937. Pelo clube da “Banda Roja”, realizou 185 jogos, marcando 187 gols, entre 1932 e 1939. No total, foram 206 tentos em 198 partidas, na primeira divisão, o que perfaz uma média de 1,04 gol por jogo, somente superada na América, pelo recorde de Friedenreich (1,10). José Manuel Moreno Fernández nasceu em Buenos Aires, no dia 3 de agosto de 1916. Levado por Bernabé Ferreyra, ingressou nas categorias de base do “River Plate”, aos quinze anos. Tornou-se profissional três anos depois, ao ser selecionado pelo técnico húngaro Emérico Hirschl, junto com outros jovens do plantel riverplatense, para uma excursão ao Brasil, tendo estreiado num jogo contra o “Botafogo” do Rio. Sua primeira partida na elite do campeonato argentino aconteceu em 17 de março de 1935, tendo contibuído com um gol para a vitória por 2x1, sobre o “Platense”. Alto, para os padrões sul-americanos da sua época (1,75 m), Moreno era ótimo nas cabeçadas e, tinha habilidade e competência, tanto para armar, como para concluir as jogadas ofensivas. Fora de campo, tinha um temperamento boêmio. Fez parte da equipe do “River” que foi Bicampeã, em 1936/37, sendo uma das suas principais figuras. Foi peça importante de “La Máquina”, time fora-de-série, que encantou os torcedores e dominou o futebol


argentino, na primeira metade da década iniciada em 1941. Integrante, juntamente com Muñoz, Pedernera, Labruna e Loustau, da famosa linha ofensiva dessa máquina de fazer gols, Moreno conquistou mais um bicampeonato nacional (1941/42). Em 1944, transferiu-se para o México, contratado pelo “Real España”. Tornou-se Campeão Mexicano, em sua segunda e última temporada. Retornou à Argentina, vestindo, outra vez, a camisa da “banda roja”, em 1946. Uma greve mal sucedida dos jogadores argentinos, que pleiteavam melhores condições de trabalho, em 1948, foi determinante para que muitos craques deixassem sua terra natal, rumo ao exterior. Moreno foi para o Chile, passando a defender o “Universidad Católica”, em 1949, e conquistando o título de Campeão Chileno. Voltou para a Argentina, em 1950, vestindo, dessa vez, a camisa auriazul do “Boca Juniors”, seu clube de coração, uma vez que nasceu e foi criado no bairro de La Boca. Entretanto, não ficou muito tempo com os “xeneizes”, retornando, em 1951, ao “Universidad”, no Chile. No ano seguinte, foi jogar pelo “Defensor”, no Uruguai. Depois de uma única temporada, passou a atuar pelo “Ferro Carril Oeste”, de novo em sua terra natal. Em 1954, mudouse para a Colômbia, defendendo o “Independiente Medellin”, pelo qual foi Campeão Colombiano. Aposentou-se em Medellin, no ano de 1957, já com 41 anos. Entretanto, voltou a jogar, no mesmo clube, em 1960, atuando, também como treinador. Pendurou as chuteiras, em definitivo, no ano de 1961, despedindo-se dos gramados, em um amistoso contra o “Boca”, vencido pelo “Independiente” por 5x1, com um dos gols sendo assinalado pelo seu técnico e jogador José Manuel Moreno. “EL Charro”, como Moreno era tratado pelos companheiros, defendeu a camisa “albiceleste” da Seleção Argentina em 34 partidas, e marcou 19 gols, entre 1936 e 1950. Conquistou dois Campeonatos Sul-Americanos. Fez cinco tentos em um jogo contra o Equador, vencido pelos platinos com o placar recorde de 12x0. Na edição de 1942, na qual os argentinos foram vice-campeões, Moreno foi o artilheiro, com sete gols. Foi considerado o melhor jogador do torneio sul-americano de 1947. Em face da não realização das Copas do Mundo, em 1942 e 1946, por causa da II Guerra, e da não participação da Argentina nas edições de 1938 e 1950, José Manuel Moreno nunca participou de um campeonato mundial.

Adolfo Pedernera nasceu em Avellaneda, na Grande Buenos Aires, no ano de 1918. Começou a jogar futebol na pequena agremiação “Cruceros de la Plata” e, logo em seguida, no “Huracán”. Iniciou, profissionalmente, sua carreira no “River Plate”, em 1935, antes de completar 17 anos. Rapidamente, assumiu seu espaço, e junto com o também jovem Moreno e o já veterano Ferreyra, Pedernera foi peça fundamental na conquista do Bicampeonato de 1936/37. No início da década seguinte, fez parte da fantástica equipe riverplatense apelidada “La Máquina”, cujo ataque era formado por Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, “El Maestro” Adolfo Pedernera, Félix Loustau e Ángel Labruna, e que foi, novamente Bicampeã Argentina, em 1941/42. Adepto do futebol ofensivo, o técnico Carlos Paucelle dizia que o seu sistema era 1-10 (um goleiro e dez atacantes). Líder e condutor desse time fabuloso, Pedernera era, efetivamente, um atacante de altíssima categoria, dotado de enorme habilidade técnica e elevada classe. Líder, também, da Seleção Argentina, Adolfo Pedernera venceu os Campeonatoa Sul-Americanos de 1941 e 1945. Depois de ter conquistado mais um título do Campeonato Argentino, em 1945, o “River” decidiu aceitar uma excelente proposra da “Atlanta” pelo seu passe. Obrigado a mudar de clube, Pedernera defendeu as cores amarela e azul de “Los Bohemios”, durante uma temporada. Em seguida, transferiu-se para o “Huracán”. Em 1949, foi para a Colômbia, contratado pelo “Millonarios”, equipe que fez história, na época, conquistando quatro títulos em cinco anos. Em 1954, retornou para a Argentina, voltando s defender o time do “Huracán” até 1956, quando pendurou as chuteiras, com 38 anos de idade. Iniciou imediatamente sua carreira de técnico, tendo treinado inúmeras equipes, incluindo as seleções colombiana e argentina. Encerrou, por completo, suas atividades esportivas nos anos 70, e faleceu em 1995, com 78 anos. Ángel Amadeo Labruna, nascido em 28 de setembro de 1918, é natural da capital argentina. Iniciou sua carreira profissional em junho de 1939, no “River Plate”. Defendeu a camisa branca com a faixa diagonal vermelha, de “Los Millonarios”, seu clube de coração, durante 20 anos.


Fez parte das excelentes equipes do “River”, que encantaram os torcedores, nas décadas iniciadas em 1941 e 1951, inclusive a famosa “La Máquina”. Conquistou nove títulos argentinos: 1941, 1942, 1945, 1947, 1952, 1953, 1955, 1956 e 1957). Foi o artilheiro do campeonato em 1943 (23 gols) e 1945 (25 gols). Com 16 tentos assinalados, é o goleador recordista de “El Superclássico”, que é a disputa de maior rivalidade no futebol portenho, entre “Boca Juniors” e “River Plate”. Entre 1939 e 1959, Angelito jogou, pelo clube de Belgrano, 515 partidas, marcando 293 gols. Com 1,76 m de altura e 73 kg, Labruna foi um atacante extremamente hábil e oportunista, com grande faro de gol. Sua qualidade técnica e característica ofensiva o transformaram em lenda no futebol platino e fizeram-no merecer os apelidos de “El Artillero” e “EL Goleador”. Entre 1942 e 1958, Ángel Labruna disputou 37 jogos, nos quais marcou 17 gols, pela Seleção da Argentina. Com a camisa “albiceleste”, venceu o Campeonato Sul-Americano (Copa América) de 1955. Jogou na Copa do Mundo da Suécia, em 1958, já prestes a completar 40 anos de idade. Depois de deixar o clube da “banda roja”, em 1959, Labruna foi contratado pelo “Rampla Juniors”, do Uruguai, onde atuou em 16 partidas. Retornou, em 1961, à Argentina, para disputar apenas dois jogos, pelo “Platense”. Em seguida, transferiu-se para o “Rangers” da cidade de Talca, no Chile, onde se aposentou, aos 43 anos, após defender o clube de “Los Pinducanos”, em somente cinco pelejas. Com as chuteiras penduradas, Ángel Amadeo Labruna passou a trabalhar no “River Plate”, em cargos administraativos, e como técnico, tendo chegado à final da Libertadores de 1976, quando foi superado pelo “Cruzeiro”, de Belo Horizonte. Foi treinador, também, do “Rosario Central”, “Racing” e “Talleres”, da cidade de Córdoba. Angelito Labruna morreu na sua cidade natal de Buenos Aires, em 1983, oito dias antes de completar 65 anos. Néstor Raúl Rossi nasceu em Buenos Aires, no dia 10 de maio de 1925. Iniciou a carreira no “River Plate”, clube que defendeu de 1945 a 1949, integrando a famosa e excelente equipe chamada de “La Máquina”, e, posteriormente, entre 1955 e 1958, conquistando um total de cinco títulos de Campeão Argentino (1945, 1947, 1955, 1956 e 1957). De 1949 a 1955, jogou pelo “Millonarios”, da Colômbia, vencendo, qua-

tro vezes (1949, 1951, 1952, 1953), o campeonato da liga colombiana, então na clandestinidade, perante a FIFA, além da Copa da Colômbia e da Pequena Copa do Mundo, ambas em 1953. Néstor Rossi era um meio-campista defensivo, dotado de qualidade técnica bastante refinada e suficiente para que fosse o coração da sua equipe. Alto e forte (1,85 m e 84 kg) tinha uma personalidade muito forte, com grande espírito de liderança. Além do seu apelido “Pipo”, também era chamado de “La Voz”, por sua característica de chamar a atenção e cobrar empenho de seus companheiros. Pela Seleção Argentina, foi Campeão Sul-Americano em 1947 e 1957. Disputou a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Realizou 26 jogos com a camisa “albiceleste”. Entre 1959 e 1961, quando pendurou as chuteiras, com 36 anos, Néstor “Pipo” Rossi atuou pelo “Huracán”. Morreu em junho de 2007, aos 82 anos de idade. Alfredo Di Stéfano Laulhé nasceu em Buenos Aires, no dia 4 de julho de 1926. Aos 17 anos, em 1943, foi levado para o “River Plate”, clube no qual seu pai havia jogado, por um ex-jogador, amigo de sua família. Estreiou na equipe principal em 1945, ano em que o clube se Belgrano ganhou o campeonato, com a famosa equipe chamada de “La Máquina”. Entretanto, “Los Millonarios” dispunham, na época, de um plantel excelente, não havendo espaço para mais um atacante novato. Por esse motivo, o jovem Alfredo foi emprestado ao “Huracán”. Com a equipe dos “quemeros”, em 1946, Di Stéfano conseguiu se firmar como centroavante e marcou onze gols. Retornou ao “River” em 1947, fazendo nova estréia em jogo contra o San Lorenzo, no qual teve um desempenho brilhante. Marcou 27 gols no campeonato e o seu clube foi, novamente, Campeão Argentino. Suas excepcionais atuações fizeram-no ser convocado para a Seleção Argentina, no mesmo ano de 1947. Em 1948, os jogadores de futebol argentinos fizeram uma greve em busca de melhores condições de trabalho e a favor da extinção do passe. O movimento fracassou, mas o campeonato chegou a ser paralisado e ficaram seqüelas, que fizeram com que muitos jogadores de realce fossem atuar em outros países. Juntamente com seus companheiros riverplatenses Adolfo Pedernera e Nestor Rossi, Alfredo Di Stéfano foi jogar, em 1949, no “Millonarios”, da liga colombiana que havia sido banida


pela FIFA. Conquistou o Campeonato Clombiano em 1949 e 1951. O magnífico time montado, graças ao Presidente Alfonso Senior Quevedo, e liderado, dentro de campo, por Pedernera e Di Stéfano, recebeu o apelido de “Ballet Azul”, em alusão à beleza de seu jogo e a cor de sua camisa. Na Colômbia, Di Stéfano aprimorou seu jogo, passando também a defender com eficácia, e melhorou, essencialmente, o fundamento dos passes, tanto os curtos, como os de longa distância, tornando-se um mestre na arte das assistências. Entre 1949 e 1953, no clube colombiano, disputou 292 partidas, marcando 267 gols. Em 1952, o “Club Deportivo Los Millonarios” foi convidado para disputar um amistoso com o “Real Madrid”, em comemoração ao cinqüentenário do clube espanhol, no Estádio Santiago Bernabéu. Di Stéfano marcou dois gols na vitória sul-americana por 4x2, e despertou de imediato o interesse do “Barcelona” O clube catalão negociou com o “River Plate”, que ainda detinha, oficialmente, os direitos sobre o seu passe, e o contratou. Alfredo já havia jogado três amistosos com a camisa “blaugrana” (azul e grená), quando o rival da capital espanhola, tendo negociado com o clube colombiano (considerado fora-da-lei, pels FIFA) entrou no páreo da disputa pelo craque. Criado o impasse, o Ministro dos Esportes da Espanha, general Moscardo, apresentou uma solução salomônica: o argentino fora-de-série faria, durante quatro anos, temporadas alternadas em ambos os clubes. O “Barça” não aceitou o acordo e Di Stéfano acabou ficando com os “merengues”. O polêmico episódio serviu para acirrar a, ainda pequena, rivalidade entre o “Barcelona” e o “Real Madrid”, transformando-a em uma das maiores, pois o clube dos “blancos”, modesto em títulos, até então, passou a acumular conquistas. Em sua primeira temporada, Di Stéfano marcou 29 gols, vencendo a artilharia do certame, e contribuindo, decisivamente, para a conquista do terceiro título do Campeonato Espanhol, pelos “merengues”, depois de um jejum maior que vinte anos. Em 1955, seguiu-se nova vitória do “Real”, que se sagrou Bicampeão da Espanha. Na temporada 1955/56, foi disputada, pela primeira vez, a Copa dos Campeões da UEFA, que foi vencida pelo “Real Madrid Club de Fútbol”, que derrotou, na final, por 4x3, de virada, com um dos seus gols marcado por Di Stéfano, o “Stade de Reims”, da França, em jogo emocionante. Internamente, em-

bora não tenha vencido o campeonato em 1956, o argentino, apelidado de “La Saeta Rubia” (A Seta Loura), por causa de seus cabelos, foi, novamente, o artilheiro. Na temporada 1956/57, foi, outra vez, o maior goleador, e o “Real Madrid” conquistou, mais uma vez, o título espanhol, com um ataque composto por Di Stéfano, o também argentino Rial, o francês Kopa e o espanhol Gento. Sagrou-se Bicampeão da Copa dos Campeões da Europa, vencendo, na final, a “Fiorentina”, da Itália, por 2x0 (gols de Di Stéfano e Gento). Os sucessos continuaram na temporada seguinte (1957/58), com mais um galardão de maior artilheiro do campeonato para Di Stéfano, um título de Campeão Espanhol (igualando o “Real” ao “Barcelona” e ao “Atlético de Bilbao”, em número de títulos) e a terceira conquista consecutiva da Copa dos Campeões, com vitória sobre o “Milan”, na final, por 3x2, sendo o primeiro gol “merengue” da autoria de Alfredo. Em 1958/59, embora Di Stéfano continuasse como o maior goleador, o titulo da Liga Espanhola voltou a ser do “Barcelona”. No entanto, o “Real Madrid” foi o grande vitorioso espanhol no plano internacioal, ao conquistar, pela quarta vez seguida, a Copa dos Campeões da UEFA, sobrepujando por 2x0, na decisão, com mais um gol do grande artilheiro portenho, outra vez o time francês do “Stade de Reims”. Na temporada 1959/60, o “Barcelona” conquistou mais um título de Campeão Espanhol. Entretanto, a equipe da Catalunha perdeu para o rival de Madrid, pelo mesmo placar de 3x1 (dois gols de Di Stéfano, em cada), as duas partidas, válidas pela semifinal da Copa dos Campeões. A taça ficou, pela quinta vez consecutiva, com o “Real”, graças às atuações magistrais de Di Stéfano e Puskás, que marcaram três e quatro gols, respectivamente, na vitória decisiva, por 7x3, em cima do “Eintracht Frankfurt”, da Alemanha Ocidental. Ainda em 1960, conquistou a primeira edição da Copa Intercontinental, derotando o “Peñarol”, do Uruguai, por 5x1, sendo marcado por Alfredo, um dos gols dos “blancos”. Em 1961, foi a vez do “Barça” eliminar o “Real Madrid”, na primeira fase da Copa dos Campeões. No ano seguinte, os “merengues” chegaram à final do torneio, mas foram derrotados pelos encarnados do Benfica, de Portugal, por 5x3, não tendo Di Stéfano conseguido balançar as redes lisboetas. Mas os “blancos” conseguiram superar os rivais “blaugranas”, com sucessivas conquistas de tírulos da Liga Espanhola: 1961,


1962, 1963, 1964 e 1965 (essa última campanha já sem a participação de Alfredo). Di Stéfano, insatisfeito por ter sido relegado ao banco de reservas, em 1964, transferiu-se para o “Espanhol”, da cidade de Barcelona. No “blanquiazul”, jogou duas temporadas, e encerrou a carreira, em 1966, aos quarenta anos. Com 1,78 m de altura (bastante elevada para os padrões de sua época), “La Saeta Rubia” foi um atacante extraordinário que aliava sua inteligência e visão de jogo á habilidade e talento, sem deixar, nunca, de atuar com esforço e dedicação. Sua característica mais marcante era o de estar presnte em todas as partes do campo, onde fosse útil para o seu time. Artilheiro nato, era dono, também, de um passe de excelente qualidade, e exímio na marcação aos adversários. Assinalou mais de 800 gols em sua brilhante carreira. Ao longo de profícua trajetória no futebol, Di Stéfano defendeu três seleções de países diferentes. Pela Seleção da Argentina, seu país natal, jogou seis partidas, marcando seis gols, em 1947. Foi Campeão SulAmericano, nesse ano. Atuou, em 1949, pela Seleção Colombiana, banida pela FIFA de competições oficiais, na época, disputando quatro amistosos, sem marcar gol algum. Pela Espanha, país que adotou, naturalizando-se em 1956, jogou 31 partidas, assinalando 23 tentos, entre 1957 e 1962. Nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1958, a sua seleção, apelidada de “La Furia”, perdeu a vaga para a equipe escocesa. Na edição seguinte, em 1962, Di Stéfano chegou contundido ao Chile, com previsão de atuar a partir da segunda fase. Entretanto, o time espanhol foi eliminado pelo Brasil, ainda na primeira etapa, encerrando, de forma precoce, sua participação. Um ano após ter pendurado as chuteiras, Di Stéfano iniciou suas atividades de técnico, em 1967, treinando o modesto clube espanhol “Elche”, da cidade de mesmo nome, na província de Alicante. Em 1970, comandando o “Boca Juniors”, maior rival do “River Plate”, clube que o lançou e do qual se tornou ídolo, conquistou o Campeonato Argentino. De retorno à Espanha, foi Campeão da Liga, no ano seguinte, com o “Valencia”. Entre 1974 e 1975, dirigiu o “Sporting”, de Lisboa. Voltou ao “Valencia”, conquistando a Recopa Européia, na temporada 1979/80; e a Supercopa Européia, em 1980. Na Argentina, em 1981, levou o “River Plate” ao título de Campeão. Entre 1982 e 1984, esteve à frente

da equipe do “Real Madrid”. Retornou ao time de “Los Che”, na cidade de Valência, e, outra vez, para Madrid, comandando os “merengues” na campanha vitoriosa da Supercopa da Espanha, em 1990. Encerrou sua carreira de técnico no “Real Madrid”, em 1991. Embora argentino de nascimento, Di Stéfano identificou-se por completo com a Espanha e, sobretudo, com o “Real Madrid Club de Fútbol”. “Ele fez a Espanha torcer pelo Real Madrid. E também foi ele que levou o nome do clube além das fronteiras”, foram palavras do Presidente Ramón Calderón (2006 – 2009). De acordo com Emílio Butragueño, ex-craque da Seleção Espnhola e do próprio “Real”, hoje membro da diretoria do clube: “a história do Real Madrid começa de fato com a vinda de Di Stéfano”. Radicado na capital espanhola, Alfredo Di Stéfano é Presidente Honorário do “Real Madrid”. Amadeo Raúl Carrizo Larretape nasceu em Santa Fé, no dia 12 de junho de 1926. Estreou, aos 18 anos, em 1945, no “River Plate”, de Buenos Aires. Demorou a firmar-se na equipe, embora tenha participado das campanhas vitoriosas dos títulos argentinos de 1945 e 1947. Somente em 1949, tornou-se o titular da meta riverplatense. Conquistou o Bicampeonato da Argentina em 1952/53 e foi Tricampeão em 1955/56/57. Depois, o “River” começou a sofrer um longo jejum de conquistas que perdurou até slém da saída de Carrizo, em 1968, quando se transferiu para o “Alianza” de Lima. Jogou um ano no Perú, e atuou por mais um, na Colômbia, com a camisa azul do “Club Deportivo Los Millonarios”. Foi o jogador que mais vezes defendeu o “River Plate” (521 jogos em 23 anos dedicados ao clube). Aposentou-se em 1970. Amadeo Carrizo foi um goleiro pioneiro no uso regular de luvas e em atuar afastado do arco. Muito alto para os padrões da sua época (1,90 m), forte e acrobático, recebeu o apelido de “Tarzan”. Hábil com os pés, foi inovador, também, em driblar os adversários e sair jogando, com se fosse um líbero. Muito bons eram os seus longos lançamentos, com as mãos ou os pés, para propiciar rápidos contra-ataques. Carrizo fez seu primeiro jogo com a Seleção Argentina em 1954. Entretanto, por determinação expressa do Presidente da República Juan Domingo Perón, que temia um provável insucesso, a AFA não participou da Copa do Mundo de 1954. Assim, o primeiro campeonato mundial de seleções que ele teve oportunidade de participar foi na Suécia, em 1958.


Após ser derrotada, na estréia, pela Alemanha Ocidental, e vencer, de virada a Irlanda, a equipe “albiceleste” enfrentou, ainda na primeira fase, a Tchecoslováquia. Em uma jornada infeliz, na qual todos os seus jogadores atuaram mal, a Argentina sofreu uma humilhante goleada de 6x1, sendo eliminada. A derrota foi traumática para o goleiro, acusado de ser o maior culpado. Por esse motivo, Carrizo recusou diversas convocações, Para a Copa do Mundo de 1962, foi convocado Dominguez, seu reserva no “River”; o mesmo ocorreu em 1966, sendo chamado o novo reserva riverplatense, Gatti. Entretanto, Carrizo disputou a foi vencedor da Copa das Nações, em 1964. Ao todo, “Tarzan” fez 20 partidas pela seleção de seu país, entre 1954 e 1964. José Francisco Sanfilippo nasceu em 4 de maio de 1935, na capital da Argentina. Iniciou sua carreira profissional em 1953, no “San Lorenzo”. Com a camisa rubroanil do clube de Almagro, José Sanfilippo foi, consecutivamente, o artilheiro da Primeira Divisão Argentina em 1958, com 28 gols: 1959, 31 gols; 1960, 34 gols; e 1961, com 26 gols. Entre 1953 e 1962, “El Nene”, como era chamado, disputou 260 jogos pelo “San Lorenzo”, marcando 200 gols. Pela Seleção da Argentina, jogou 29 partidas, assinalando 21 tentos, entre 1957 e 1962, tendo participado das Copas do Mundo de 1958 e 1962. Sanfilippo era um atacante exremamente oportunista, com enorme faro de gol. Transferiu-se para o “Boca Juniors”, em 1963, tendo sido o artilheiro da Copa dos Libertadores da América, com sete gols em sete jogos. Foi Vice-Campeão do torneio, tendo o “Boca” perdido a final para o “Santos”. Em 1964 e 1965, defendeu o “Nacional”, do Uruguai, marcando 25 gols em 21 partidas. Atuou na Argentina, pelo “Banfield”, em 1966 e 1967, Foi para o Brasil, jogando pelo “Bangu”, do Rio de Janeiro, em 1968. Transferiu-se para o Bahia e foi Bicampeão Baiano, em 1970/71. Finalmente, de volta ao “San Lorenzo”, conquistou dois títulos de Campeão Argentino, ambos em 1972 (Metropolitano e Nacional). Pode, então, encerrar a carreira, honrosamente, aos 37 anos de idade. Porém sua paixão pelo futebol, fez com que ele voltasse a jogar, seis anos depois, pelo modesto “San Miguel”, da quarta divisão argentina. No fim da temporada de 1978, já com 43 anos, pendurou definitivamente as chuteiras.

Enrique Omar Sívori nasceu em San Nicolás, província de Buenos Aires, no dia 2 de outubro de 1935. Iniciou sua carreira nas categorias de base do “River Plate”, no bairro de Belgrano, em 1952. Com a equipe profissional do clube da “banda roja”, foi Tricampeão Argentino, em 1955/56/57. Pela Seleção Argentina, conquistou o Campeonato SulAmericano (precursor da Copa América), em 1957. Disputou, ao todo, 18 partidas com a camisa azul e branca, da equipe de seu país natal. Omar Sívori transferiu-se para a “Juventus”, da Itália, no mesmo ano de 1957. Com o time “bianconero” de Turim, ganhou os “scudettos” do Campeonato Italiano, em 1958, 1960 e 1961; e a Copa da Itália de 1959, 1960 e 1965. Foi o artilheiro da Série A do Calcio, em 1960. Recebeu o “Ballon d’Or”, da “France Football”, como melhor jogador europeu, em 1961. “Oriundo” (descendente de italianos), envergou a camisa azul da Seleção Italiana, tendo jogado na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Pela “azzurra”, atuou em 9 jogos. Passou a defender a “Societá Sportiva Calcio Napoli”, a partir de 1965. Venceu a Copa dos Alpes, em 1966. Jogou no clube azul do sul da Itália até 1969, quando pendurou as chuteiras. Edgardo Norberto Andrada nasceu em 21 de janeiro de 1939, na cidade de Rosário, na província argentina de Santa Fé. Seu início no futebol ocorreu em sua cidade natal, nas divisões inferiores do “Club Atlético Rosario Cantral”. A carreira profissional começou no mesmo clube, em 1960. Andrada defendeu a meta da Seleção Argentina, em 1963. Atuou no gol do “Rosário” até 1969. Goleiro arrojado, seguro e de boa colocação, foi contratado pelo “Vasco da Gama”, do Rio de Janeiro, onde jogou, de 1969 até 1975. No Brasil, atingiu sua melhor fase, tendo sido Campeão Carioca, em 1970; e Brasileiro, em 1974. Recebeu o prêmio Bola de Prata, da “Revista Placar”, em 1971. Sofreu, de pênalti, o milésimo gol de Pelé, no Estádio do Maracanã, em 1969. Transferiu-se para o “Vitória”, da Bahia, pelo qual atuou no ano de 1976. Regressou, em 1977, à Argentina, passando a defender o “Colón”, da cidade de Santa Fé. Encerrou a carreira de goleiro, em 1982. Voltou ao seu clube de juventude, o “Rosario Central”, em 2007, como treinador de goleiros. José Omar Pastoriza nasceu em Rosario, no dia 23 de maio de 1942. Iniciou suas atividades futebolísticas na cidade em que nasceu, no


“Club Atlético Rosario Central”. Jovem ainda, transferiu-se para o “Colón”, de Santa Fé, onde começou a se tornar conhecido. Defendeu o “Racing”, nos anos de 1964 e 1965. Contratado pelo “Club Atlético Independiente”, em 1966, viveu sua melhor fase com o “rojo” de Avellaneda, que defendeu até 1972. Conquistou os títulos argentinos de 1967 (Nacional), 1970 (Metropolitano) e 1971 (Nacional). Foi vencedor da Libertadores, em 1972. Pastoriza foi um meio-campista de técnica apurada, que recebeu o prêmio “Olímpia de Oro”, concedido ao futebolista argentino do ano, em 1971. Apelidado de “El Pato”, jogou pela Seleção da Argentina, na Copa do Mundo de 1966. A partir desse ano, até 1972, disputou 18 partidas, com a camisa “albiceleste”. Foi para o exterior em 1972, para disputar o campeonato francês, pelo “AS Monaco”. Pendurou as chuteiras em 1975, no clube do principado, Principiou, em 1976, no “Independiente”, uma longa e profícua carreira de técnico. Permaneceu com os “Diablos Rojos” até 1979, voltando a treiná-los em 1983/84, 1985/87, 1990/91 e 2003/04. Também, por diversas vezes, foi treinador do “Talleres”, de Córdoba (1980, 1993, 1998 e 2003. Foi, ainda, técnico de outros clubes na Argentina (“Racing”, “Boca Juniors” e “Argentinos Juniors”); no Brasil (“Grêmio Portoalegrense” e “Fluminense”); na Colômbia (“Millonarios”); na Espanha (“Atlético de Madrid”) e na Bolívia (“Bolívar”). Treinou as seleções de El Salvador (1995/96) e da Venezuela (1998 a 2000). Morreu em agosto de 2004, quando era técnico do “Independiente”. Foi homenageado com a inclusão do seu apelido “Pato”, na camisa oficial do clube, durante o restante da temporada. Narciso Horacio Doval nasceu em 4 de janeiro de 1944, na capital portenha. Iniciou sua carreira profissional, em 1962, no “San Lorenzo de Almagro”. Com o clube dos “cuervos”, venceu o Campeonato Metropolitano de 1968. Mudou-se para o Brasil, em 1969, passando a jogar pelo “Flamengo”, onde ficou até 1971. Voltou para Buenos Aires, emprestado ao “Huracán”, maior rival do “San Lorenzo”. Logo retornou ao Rio de Janeiro, comandando novamente o ataque rubronegro, em 1972. Com a equipe da Gávea, foi Campeão Carioca em 1972, tendo sido o artilheiro da competição, e em 1974. A partir de 1976, usou a camisa tricolor do “Fluminense”, grande rival do “Flamengo”. No clube

das Laranjeiras, integrou a fenomenal equipe chamada de Máquina, que venceu, em 1976, o Campeonato Carioca, do qual voltou a ser o artilheiro. Centroavante raçudo, Doval também tinha boas qualidades técnicas, além do faro de gol. Atuou pelo time da Rua Álvaro Chaves até 1979, quando foi embora para a Argentina. Encerrou sua carreira, no ano seguinte, no mesmo clube em que a iniciou, o “San Lorenzo”. Em outubro de 1991, o “Flamengo” foi jogar em Buenos Aires contra o “Estudiantes”. Narciso Doval encontrou-se com a delegação flamenguista, assistiu o jogo, vencido pela equipe carioca, e foi comemorar a vitória do seu antigo time em uma boate. Após tomar uma taça de champagne, teve um ataque cardíaco fulminante e faleceu. Juan Ramón Verón nasceu em La Plata, capital da Província de Buenos Aires, no dia 17 de março de 1944. Iniciou sua carreira, em 1962, no “Estudiantes de La Plata”. Defendeu a camisa alvi-rubra dos “pincharratas” por mais de dez anos, conquistando os títulos da Copa Libertadores da América, em 1968, 1969 e 1970. Essas vitórias consecutivas fizeram com que os seus torcedores recebessem a alcunha de “tricampeões”. Verón, apelidado de “La Bruja” teve papel fundamental nessas campanhas de glórias, marcando vários gols de bela feitura, em momentos decisivos. Em 1968, foi o autor do gol que assegurou ao “Estudiantes”, em “Old Trafford”, a conquista da Copa Intercontinemtal (campeonato mundial de clubes), sobrepujando o “Manchester United”. Atacante muito habilidoso, com gana de gol, atuando na ponta esquerda ou na meia, “La Bruja” Verón mudou-se para a Europa, em 1972, passando a jogar em vários clubes do Velho Continente, até 1980, quando retornou à Argentina. O seu último clube, onde pendurou as chuteiras em 1981, foi o mesmo que o projetou na trajetória de sucessos no futebol, o “Club Estudiantes de La Plata”. Aldo Pedro Poy nasceu em 28 de julho de 1945, na cidade de Roario, Província de Santa Fé. Iniciou-se no futebol e desenvolveu toda a sua carreira, entre 1965 e 1974, no “Rosario Central”, da sua cidade natal. Com a camisa azul e amarela, em listras verticais, Aldo Poy foi Campeão Argentino em 1971 e 1973. Ficou célebre o seu gol decisivo, na vitória sobre o maior rival, o “Newell’s Old Boys”, que deu o título do campeonato nacional ao “Rosario”.


Atacante de alta categoria, Aldo Poy integrou a Seleção Argentina que disputou a Copa do Mundo de 1974. Carlos Bianchi nasceu em Buenos Aires, no dia 26 de abril de 1949. Começou suas atividades futebolísticas nas categorias de base do “Club Atlético Vélez Sarsfield”, da capital argentina. Iniciou sua carreira profissional no mesmo clube, em 1967. Logo no ano seguinte, sagrou-se Campeão Argentino. Jogou na Seleção Argentina, entre 1970 e 1972, participando de 14 partidas e marcando 7 gols. Pelo “Vélez”, no qual permaneceu até 1973, assinalou 121 tentos. Atacante impetuoso, dotado de boa técnica, Bianchi, apelidado de “Pelado”, em função de uma calvície precoce, foi para o exterior em 1973, para atuar no “Stade de Reims”. Foi, então, por três vezes, o artilheiro do Campeonato Francês. Transferiu-se, em 1977, para o “Paris SantGermain”, onde continuou a fazer históris no futebol da França, tornando-se artilheiro do certame nacional, em mais duas temporadas. Trocou o clube parisiense pelo “Strasbourg”, em 1979. Retornou ao seu país natal em 1980, voltando a defender o “Vélez Sarsfield” até 1984. Com os 85 tentos marcados nessa sua segunda jornada, Carlos Bianchi totalizou 206 gols assinalados, o que lhe conferiu o galardão de maior goleador da história do clube. De volta à França, e ao “Stade de Reims”, em 1984, jogou mais uma temporada e se aposentou em 1985. Logo depois de pendurar as chuteiras, começou, no mesmo clube francês, sua vitoriosa carreira de técnico. Passou pelo “Nice” e “Paris Saint-Germain”, antes de treinar o “Vélez”, com o qual conquistou os seguintes títulos: Campeonato Argentino de 1993 (Apertura), 1995 (Clausura) e 1996 (Clausura); Copa Libertadores e Copa Intercontinental (mundial de clubes), em 1994; e Copa Interamericana, em 1996. Com o “Boca Juniors”, venceu: Campeonato Argentino de 1998 (Apertura), 1999 (Apertura), 1999 (Clausura) e 2000 (Apertura); Copa Libertadores em 2000, 2001 e 2003; e Copa Intercontinental (mundial de clubes) em 2000 e 2003. Treinou, também, a “Roma” (1996) e o “Atlético de Madrid” (2005 e 2006). Encerrou suas atividades de técnico em fevereiro de 2006. Exerce, atualmente, as funções de gerente de futebol do “Boca”. Ubaldo Matildo Fillol nasceu em San Mguel Del Monte, Província de Buenos Aires, no dia 21 de julho de 1950. Iniciou, em 1969, sua carreira

no “Quilmes Atlético Clube”, um dos mais antigos clubes de futebol da Argentina. Transferiu-se, em 1971, para o “Racing”. Defendeu as cores azul e branca da equipe de Avellaneda até 1974. Apelidado de “El Pato”, Fillol foi um goleiro extremamente ágil, dotado de reflexos muito rápidos, que tinha uma capacidade incrível para pegar pênaltis. É considerado, por muitos, o melhor arqueiro da América do Sul, no século XX. Seu período de maiores glórias aconteceu entre 1974 e 1983, quando guarnecia o arco do “River Plate”. Conquistou os títulos do Campeonato Metropolitano de 1975, 1977 e 1979; do Campeonato Argentino, em 1975, 1977, 1979 e 1981; e do Torneio do 4º Centenário da Cidade de Buenos Aires, em 1980. Entre 1974 e 1985, defendeu o gol da Seleção Argentina, tendo disputado as Copas do Mundo de 1974, 1978 e 1982. Foi Campeão Mundial em 1978, na Argentina. Jogou, ao todo, 58 partidas pelo time “albiceleste”. Transferiu-se, em 1983, para o “Argentinos Juniors”. Ficou pouco tempo na equipe do “Bicho Colorado”, pois foi para o Rio de Janeiro, atuar pelo “Flamengo”. Com o time da Gávea, conquistou a Taça Guanabara de 1984. Foi para a Espanha, jogar no “Atlético de Madrid”, tendo vencido a Supercopa da Espanha, em 1985. Retornou para o seu país natal, voltando a defender a meta do “Racing”, em 1987. Ganhou a Supercopa Sul-Americana, em 1988. Transferiuse, em 1989, para o “Vélez Sarsfield”, clube no qual se aposentou, em 1990. Após ter guardado as luvas, “El Pato” tornou-se treinador de goleiros, prestando bons serviços ao “Racing” e à Seleção da Argentina. Osvaldo César Ardiles nasceu em Bell Ville, cidade da província argentina de Córdoba, no dia 3 de agosto de 1952. Iniciou sua carreira em 1973, no “Instituto Atlético Central Córdoba”, da capital provincial. Transferiu-se, no ano seguinte, para o “Club Atlético Belgrano”, também da cidade de Córdoba. A carreira de Osvaldo Ardiles tomou impulso a partir de sua ida para o “Huracan”, em 1975. Baixo e magro, a sua característica mais acentuada, como meio-campista, era o equilíbrio entre a marcação sobre os adversários e a armação das jogadas ofensivas. Seu estilo era clássico, jogando de cabeça erguida, distribuindo os passes com maestria. A ma-


neira de se movimentar em campo, como uma cobra, valeu-lhe o apeldo de “Piton”. Ardiles jogou na Seleção Argentina, de 1978 a 1982. Disputou 63 partidas, tendo exercido um importante papel na conquista do título de Campeão Mundial, em 1978. Participou, também, da Copa do Mundo de 1982. Mudou-se para a Inglaterra, passando a defender o “Tottenham Hotspur”. Foi vencedor da Copa da Inglaterra, em 1980/81 e 1981/82. Recebeu o apelido de “Ossie” e participou, como ator, do filme “Fuga para a Vitória”, junto com outros craques, como Pelé e Bobby Moore, em 1981. Defendeu as três cores do “Paris Saint-Germain”, na temporada 1982/83. Retornou, em seguida, para Londres e para o “Tottenham”. Conquistou s Copa da UEFA, em 1983/84. Ficou com os “Spurs” até 1987, quando chegou a exercer, em caráter provisório e por pouco tempo, as funções de técnico, concomitantes às de jogador. Com o uniforme desse clube da área norte de Londres, Ardiles disputou 311 jogos. Transferiu-se, em 1988, para o “Blackburn”. Permaneceu pouco entre os “Rovers”, passando a atuar pelo “Queens Park Rangers”, no mesmo ano. Também não se demorou em “Shepherd’s Bush”, seguindo, ainda em 1988, para os Estados Unidos, com a finalidade de jogar no “Fort Lauderdale Strikers”. Retornou para a Inglaterra, em 1989, e iniciou sua carreira de técnico no “Swindon Towers”, da 2ª Divisão. Disputou, ainda, algumas partidas como jogador, escalado por ele mesmo. Mas logo, o técnico Ardiles percebeu que era melhor barrar a si próprio. Assim, “Ossie” pendurou as chuteiras. Como treinador, dirigiu 14 equipes de clubes, sediados nos mais diversos países: México, Argentina, Síria, Israel, Croácia, Japão e Paraguai. Aposentou-se, em 2008, após treinar o “Cerro Porteño”, de Assunção. Atualmente, continua residindo em Londres, e exerce atividades profissionais, como comentarista esportivo. Norberto Osvaldo Alonso nasceu em 4 de janeiro de 1953. Natural de Vicente López, Província de Buenos Aires. Iniciou sua trajetória futebolística em 1970, no “River Plate”. Após um longo jejum de conquistas, o clube apelidado de “Los Millonarios” voltou a ganhar títulos, a partir de 1975, quando Norberto Alonso tornou-se o seu principal

jogador, com a camisa nº 10. Foram dois campeonatos (Metropolitano e Nacional), em 1975. Em 1976, “Beto” transferiu-se para o “Olympique Marseille”. Não foi feliz no futebol francês e retornou, em 1977, ao “River, retomando a seqüência de vitórias, entre 1979 e 1981. A dobradinha (Metropolitano e Nacional) repetiu-se em 1979; e ocorreram novas conquistas, em 1980 (Campeão Metropolitano) e 1981 (Campeão Nacional). Em decorrência de desavenças com o técnico Di Stéfano, que, repetidas vezes, em 1981, escalara jogadores mais jovens em seu lugar, o passe de Alonso foi vendido ao “Vélez Sarsfield”. Permaneceu no clube de Liniers até 1983, quando voltou, outra vez, para a equipe da “banda roja”. No “River”, Norberto Alonso recomeçou a colecionar sucessos, iniciando com a vitória no campeonato argentino da temporada 1985/86. O ano de 1986 foi esplendoroso para o clube de Belgrano e para “Beto” Alonso, que foi um jogador chave na conquista das Copas Libertadores e Intercontinental. Meio-campista ofensivo, com 1,76 m de altura e dotado de técnica apurada, jogava um belo futebol. Foi, merecidamente, um ícone da torcida riverplatense, cujas cores honrou em 374 jogos, tendo marcado 149 gols. Com a Seleção Argentina, entre 1978 e 1983, Alonso jogou quinze partidas e assinalou quatro gols. Consta que o técnico César Menotti não pretendia convocá-lo para a Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina. Ele teria sido chamado, porém, devido à pressão do Almirante Lacoste, influente membro do governo militar. De qualquer forma, embora tenha jogado somente alguns minutos, Norberto Alonso ganhou o título de Campeão Mundial. Pendurou as chuteiras em 1987, após ter disputado, ao longo da sua brilhante carreira, 479 partidas de futebol, assinalando 170 gols. Daniel Alberto Passarella nasceu em Chacabuco, Província de Buenos Aires, no dia 25 de maio de 1953. Começou no pequeno “Sarmiento” e foi para o “River Plate” em 1974, levado por Néstor Rossi. Quando Daniel Passarella estreiou na equipe principal, o “River” estava passando por um jejum de títulos, que durou dezoito anos. Logo, em 1975, o time da “banda roja”, com seu novo zagueiro, foi duplamente Campeão (Nacional e Metropolitano). O sucesso seguinte ocorreu em 1977, com


nova vitória no Campeonato Metropolitano. A dose dupla foi repetida em 1979 (Nadional e Metropolitano), seguida por outra conquista do Metropolitano, em 1980. E novo título do Campeonato Nacional veio em 1980. Foram, portanto, sete taças nos seus primeiros oito anos no clube do Monumental de Nuñez (1974 a 1982). Passarella foi um zagueiro dotado de excelente técnica. Apesar de não ser alto (1,74 m), tinha uma impulsão muito forte, que lhe permitia grande eficácia no jogo aéreo. Ótimo no desarme, era veloz e exímio nos lançamentos longos, além de cobrar faltas com força e precisão. Seu espírito de liderança o levou a ser escolhido para capitão da Seleção Argentina. Sua estréia com a camisa “albiceleste” aconteceu em 1974. Tornou-se o capitão do time e ergueu a taça de campeão na Copa do Mundo de 1978, na Argentina. No campeonato mundial seguinte, em 1982, na Espanha, foi um dos poucos que se salvaram da débâcle da equipe campeã do certame anterior. Foi o herói da classificação argentina nas eliminatórias para a Copa de 1986, conseguida no sufoco. Apesar disso, ficou na reserva durante o torneio no México. Mesmo assim, foi Passarella o único craque presente nas duas conquistas de títulos mundiais pela Argentina. Ao todo, no período de 1974 a 1986, realizou 70 partidas pela seleção portenha, assinalando 22 gols. Sua boa atuação na Copa de 82, apesar da má campanha platina, valeulhe uma proposta da “Fiorentina”, da Itália. Passou a atuar como líbero, no futebol italiano. Permaneceu na equipe violeta até 1986, quando se transferiu para o “Internazionale”, de Milão. Passarella defendeu a camisa “nerazzurra” até 1988, ano em que retornou ao seu país, voltando a jogar no “River”. Pendurou as chuteiras em 1989, iniciando imediatamente sua carreira de técnici, no mesmo clube. Como treinador, voltou a colecionar títulos, vencendo, logo na sua primeira temporada, o Campeonato Argentino de 1988/89. Ainda com o time de Belgrano, conquistou o “Apertura”, em 1991 e 1993. Foi contratado pela AFA para dirigir a Seleção Argentina, após a Copa do Mundo de 1994. Venceu os Jogos Pan-Americanos de 1995, realizados em Mar del Plata. Ganhou a medalha de prata nas Olimpíadas de 1996, nos Estados Unidos. Classificou a Argentina para a Copa do Mundo de 1998 e realizou boa campanha, na França, até ser eliminada,

nas quartas-de-final, pela derrota para a Holanda, último jogo da equipe “albiceleste” sob o comando de Passarella. Em seguida, passou e treinar a Seleção Uruguaia, com a qual foi Vice-Campeão da Copa América em 1999. Ficou à frente do time celeste até 2001. No segundo semestre desse ano, voltou à Itália, para treinar o “Parma”, onde ficou pouco tempo. Foi contratado, em 2002, pelo “Monterrey”, do México, no qual atuou sté 2004, tendo conquistado um título de campeão em 2005. Contratado pelo “Corinthians”, de São Paulo, em 2005, foi muito curta sua permanência no Parque São Jorge. Voltou a ser técnico do “River”, entre 2005 e 2007. Em renhida disputa, no final de 2009, Daniel Alberto Passarella foi eleito Presidente do “Club Atlético River Plate”, no qual havia se notabilizado como jogador e técnico. Ricardo Bochini nasceu em Zárate, cidade da Província de Buenos Aires, no dia 25 de janeiro de 1954. Iniciou sua carreira na equipe profissional do “Independiente”, em 1972. Foi seu único clube, durante toda a sua trajetória no futebol. Com a camisa “roja”, conquistou quatro campeonatos argentinos: 1977 (Nacional), 1978 (Nacional), 1983 (Metropolitano) e 1989 (Nacional); cinco Copas Libertadores: 1972, 1973, 1974, 1975 e 1984; e, duas vezes, a Copa Intercontinental (campeonato mundial de clubes). Baixo e magro (1,68 m e 67 kg), Bochini foi um extraordinário meiocampista ofensivo, ótimo driblador, que tinha na precisão do passe a sua maior qualidade. Possuía uma incrível capacidade de colocar a bola nos pés de um companheiro, livre, à frente do gol. Essa especialidade sua era tão marcante, que os torcedores criaram uma expressão para designar as assistências de alta classe: “pase bochinesco”. Querido pelos amantes do bom futebol e estimado pelos companheiros, Ricardo Bochini não era muito benquisto por dirigentes e técnicos, devido ao seu espírito crítico, que não poupava os adeptos do futebol defensivo. Nunca quis ter empresário e desconfiava dos jornalistas esportivos. Apelidado de “El Bocha”, teve poucas oportunidades na Seleção Argentina, tendo disputado apenas onze jogos. Foi Campeão do Mundo, em 1986, no México, embora tenha atuado apenas alguns minutos. Pendurou as chuteiras em 1991, após ter defendido o uniforme vermel-


ho dos “Diablos Rojos” de Avellaneda, em cerca de 700 jogos, assinalando pouco mais de 100 gols. Mario Alberto Kempes nasceu em Bell Ville, cidade da Província de Córdoba, no dia 16 de julho de 1954. Iniciou suas atividades no futebol, ainda menino, no “Instituto Atlético Central Córdoba”. Sua carreira profissional começou no mesmo clube, em 1970. O time “cordobes” ascendeu à primeira divisão, em 1972, e Mario Kempes foi convocado para a Seleção Argentina, no ano seguinte. Transferiu-se para o “Rosario Central”, em 1974, ano em que marcou 29 gols em 36 partidas, sendo o artilheiro e Vice-Campeão Nacional. No mesmo ano, conquistou também o vice-campeonato no Metropolitano. Continuou se destacando como goleador na equipe auriazul: 35 tentos em 49 jogos, no ano de 1975; e 21 gols nas 22 partidas disputadas em 1976, quando foi o artilheiro do Campeonato Metropolitano. Os “rosarinos” chegaram às semifinais da Copa Libertadores, em 1975, com Kempes em grande destaque. Suas boas atuações na equipe dos “canallas” despertaram a atenção internacional, e o Valencia, da Espanha, se propôs a contratá-lo. Mario Kempes foi um atacante que se celebrizou por suas arrancadas fulminantes em direção ao gol. Com 1,82 m de altura, recebeu os apelidos de “El Toro” e “El Matador”, graças aos seus chutes certeiros, excelente posicionamento na grande área, velocidade para dominar e conduzir a bola e, sobretudo, seu faro de gol. Na Espanha, Kempes, em seu auge, foi o artilheiro da Liga, na temporada 1976/77, sua primeira. Foi novamente o maior goleador no Campeonato Espanhol de 1977/78. Na temporada 1978/79, o “Valencia” conquistou a Copa do Rei, vencendo a final contra o “Real Madrid” por 2x0 (dois gols de “El Matador”). O clube de “Los Ches”, com o centroavante Mario Kempes, venceu, na temporada 1979/80, a Recopa Européia, sobrepujando o “Arsenal”, da Inglaterra; e ganhou a Supercopa da Europa, superando o também inglês “Nottingham Forest”. A temporada 1980/81, na qual ele jogou apenas doze partidas da Liga, foi a última de Kempes no “Valencia”, antes de retornar à Argentina, para ser Campeão Nacional em 1981, pelo “River Plate”. Após estreiar na seleção platina em 1973, Kempes disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, sem brilho. A Copa de 78, na Argentina, entretanto, foi gloriosa. Campeão Mundial, Mario Kempes

recebeu a Bola de Ouro, como melhor jogador da competição, e a Chuteira de Ouro, destinada ao artilheiro do torneio. Porém, na edição seguinte, na Espanha, Kempes teve uma atuação apagada, condizente com a decepcionante campanha argentina. De volta ao Valencia, em 1982, Mario Kempes iniciou a fase declinante de sua trajetória. Disputou poucas partidas na temporada 1983/84, e foi cedido ao recém-promovido “Hércules”, que defendeu atá 1986. Em seguida, foi jogar na Áustria. Atuou no “First Viena” (1986/87); “St. Pölten” (1987/90); e “Kremser” (1990/92). Decidiu parar em 1992, aos 38 anos. Retornou aos gramados, como jogador, em 1995, efetuando onze partidas pelo “Fernández Vial”, na segunda divisão do futebol chileno. Em 1996, foi contratado pelo “Pelita Jaya” da Indonésia, como jogador e treinador. Não chegou a jogar partidas oficiais, mas deu início à sua carreira de técnico, que não teve maior expressão e foi encerrada em 2001, sendo seu último clube o “Independiente Petrolero”, da Bolívia. Atualmente, trabalha como comentarista esportivo de TV, na ESPN, em Buenos Aires. Em outubro de 2010, o principal estádio de futebol da Província de Córdoba foi rebatizado como Estádio Mario Alberto Kempes. Diego Armando Maradona nasceu em Lanús, cidade da Povíncia de Buenos Aires, próxima à Avellaneda, no dia 30 de outubro de 1960. Com apenas nove anos, Dieguito já se destacava pelo talento com a bola nos pés. Um outro menino, companheiro seu de peladas, foi aprovado em um teste para as categorias de base do “Argentinos Juniors” e o elogiou para o treinador Francis Cornejo, que lhe deu, então, dez pesos para que ele trouxesse o menino Diego para ser observado em um treino. Impressinado com o que observou, Cornejo acompanhou Diego Armando na volta para sua casa, a fim de conferir se ele tinha, mesmo, nove anos somente. Convencido da veracidade quanto à idade do menino, tratou logo de obter a autorização de seus pais para o ingresso de Maradona na “Asociación Atlética Argentinos Juniors”, sediada no bairro Villa Mitre, da capital argentina, clube de futebol que desenvolvia ótimo trabalho nas divisões de base, apesar do seu pequeno porte. Com quinze anos, ainda na categoria de jovens, “El Pibe de Oro” já despertava enorme interesse do público pelas partidas preliminares, das quais


participava. Pouco depois, em 1976, foi lançado na equipe principal do “Bicho Colorado”. Em 1977, fez sua estréia na Seleção Argentina, enfrentando a Hungria, em amistoso. Entretanto, não disputou a Copa do Mundo de 1978. Foi, porém, o artilheiro do Campeonato Argentino desse ano, feito que bisou, duplamente, em 1979, conquistando não só a artilharia do Campeonato Nacional, como, também, a do Metropolitano, do qual participavam, apenas, os clubes de Buenos Aires, ou seja, a elite do futebol platino. Novamente, em 1980, Diego Maradona foi, duas vezes, artilheiro: Nacional e Metroolitano. O “Argentino Juniors” conquistou o título de Vice-Campeão Nacional, seu melhor resultado, até então. Em 1981, Maradona foi cedido, por empréstimo, ao “Boca Juniors”, seu clube de coração. Com a camisa auriazul, ganhou o titulo de Campeão Metropolitano. Porém, foi curta sua permanência entre os “boquenses”, pois seu passe foi vendido para o “Barcelona”, da Espanha, pelo valor recorde de sete milhões de dólares, em 1982 Em sua primeira temporada na Catalunha, contraiu hepatite e ficou três meses afastado do time. Os “blaugranas’ ficaram em quarto lugar no campenato espanhol da temporada 1982/83, mas conquistaram a Copa do Rei, com Maradona, já recuperado, partcipando decisivamente da vitória final, sobre o “Real Madrid”. Nova infelicidade o acometeu no início da temporada seguinte. Em jogo contra o então campeão, “Athletic Club” de Bilbao, ele sofreu uma entrada violenta, e fraturou o tornozelo. Sua recuperação foi ainda mais demorada (106 dias). mas ele voltou a tempo de participar das últimas partidas do campeonato 1983/84. Entretanto, o título ficou, novamente, com o “Athletic”, que superou o “Barça”, por um ponto. A final da Copa do Rei foi disputada, coincidentemente, contra a equipe de Bilbao, que venceu por 1x0. A jornada adversa fez com que Maradona desse início a uma briga, que se generalizou, com a participação de todos os jogadores. Em conseqüência, foi suspenso pela federação por três meses. Aborrecida, a diretoria catalã decidiu aceitar uma oferta do “Napoli”, da Itália, e Dieguito iniciou novo ciclo, em 1984. Em seu livro autobiográfico “Yo soy Diego”, Maradona revelou que seu envolvimento com as drogas começou na Catalunha. Para muitos foi surpreendente sua contratação pelo clube celeste de Nápoles que, embora tradicional e antigo, não figurava entre as forças

do “cálcio”, pois só havia conquistado títulos nas divisões inferiores e, por duas vezes, a Copa da Itália. Em sua primeira temporada (1984/85) com Maradona, a “Societá Sportiva Calcio Napoli” classificou-se no oitavo lugar da Série A. No campeonato seguinte (1985/86), conseguiu um terceiro lugar. Na terceira temporada (1986/87) de Diego Maradona, já consagrado com a conquista argentina do título mundial de 1986, o clube napolitano conquistou, finalmente, seu primeiro “scudetto” na Série A, e venceu, também, a Copa da Itália. Maradona e seu companheiro de ataque no “Napoli”, o brasileiro Careca, foram, respectivamente, o artilheiro e o vice-artilheiro do campeonato 1987/88. Mas o título ficou com o “Milan”, que tinha os holandeses Marco van Basten e Ruud Gullit. Na temporada 1988/89, o “Inter” de Milão ganhou o campeonato italiano, superando o “Napoli”, mas o time de Maradona venceu seu primeiro título continental, sobrepujando, na disputa final, o “Stuttgart”. Em 1989/90, no auge da carreira, “El Diez” liderou a equipe do sul da Itália na conquista de mais um “scudetto”. Mas, em março de 1991, Maradona sofreu um trenendo baque, ao ser constatado, em seu exame “antidoping”, após jogo contra o “Bari”, o uso de cocaína. Escancarado o seu vício, o grande astro foi suspenso do futebol por quinze meses. Entrou em depressão e viajou para Buenos Aires, onde foi preso, sob o efeito de drogas, em abril de 1991, no bairro de Caballito. Sem ambiente na Itália, Diego optou por retornar à Espanha. Depois de um desligamento litigioso, deixa Nápoles em direção à Sevilha, contratado pelo “Sevilla Fútbol Club”, dirigido, em campo, pelo técnico argentino Carlos Bilardo. Entretanto, seu desempenho na temporada 1992/93 foi apenas razoável, prejudicado pelo excesso de pêso. Aborrecido com a fiscalização sobre suas saídas noturnas, determinada pela diretoria do clube andaluz, e, tendo se desententido com o técnico Bilardo, Maradona decidiu regressar ao seu país, passando a atuar pelo “Newell’s Old Boys”. Com a equipe de Rosário, realizou, na temporada 1993/94, apenas quatro jogos oficiais, prejudicado por sucessivas lesões musculares. Irritado com o assédio de jornalistas em frente à sua casa, protagonizou um incidente desagradável, em fevereiro de 1994, atirando, com uma espingarda de ar comprimido, contra os importunos. Com 89 kg de peso, obviamente excessivos para a sua altura de 1,66


m, Maradona procurou um fisiculturista de Buenos Aires, com o qual conseguiu uma redução de 13 kg em período incrivelmente curto. Retornou, então, à Seleção Argentina, que não havia tido bom desempenho nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, chegando a sofrer uma goleada (5x0) da Colômbia, no último jogo, em Buenos Aires. Com Dieguito de volta, a eqipe platina coseguiu a classificação, na repescagem. Maradona participou, com brilho e fôlego invejável, dos jogos iniciais do torneio, contra a Grécia e a Nigéria. Porém, novo exame “antidopping” revelou a presença de efedrina, poderoso estimulante de uso proibido pela FIFA, utilizada também em processos de emagrecimento rápido. Para a Argentina não ser desclassificada, Diego jurou inocência, e a AFA retirou seu nome da lista dos inscritos para o campeonato mundial. Foi-lhe aplicado, no entanto, novo banimento, por quinze meses, do futebol mundial, pela federação internacional. Proibido de jogar, Maradona assumiu o cargo de diretor técnico do pequeno “Textil Mandiyu”, de Corrientes. Em doze partidas, conseguiu apenas uma vitória. Foi tentar melhor sorte em um grande clube, como treinador do “Racing”. O resultado não foi alentador: dois triunfos em onze jogos. Decorrido o prazo da punição, Diego volta a jogar no “Boca”, graças a uma negociação com o Grupo Eunerkian, que adquiriu o seu passe e o cedeu ao clube dos “xeneizes”, em troca dos direitos televisisos de alguns jogos. Em seu retorno aos gramados, no Campeonato Apertura de 1995, Maradona forma uma bela parceria com Caniggia. Entretanto, os “boquenses” continuam seu jejum de títulos, e Diego, em decadência, cada vez mais, diminui sua presença em campo. No início do campeonato, em 1997, foi novamente flagrado em um exame “antidopping”. Decidiu, então, encerrar sua carreira, no dia 25 de outubro de 1997, em um “Superclásico”. Maradona jogou o primeiro tempo e foi substituído pelo promissor jovem Riquelme. O placar foi “Boca” 2x1 “River”. Diego Maradona celebrizou-se como um dos melhores e mais famosos jogadores da Seleção da Argentina. Meia ofensivo, baixinho e atarracado, era dono de um talento extraordinário que lhe permitia executar dribles fantásticos, giros desconcertantes, variações drásticas de velocidade nas arrancadas, chutes fortíssimos, inclusive de letra, cruzamentos e lançamentos precisos. Após estreiar, muito novo na seleção, em 1977,

e integrar o grupo dos pré-convocados para a Copa do Mundo de 1978, não fez parte da relação dos imscritos para a disputa do torneio, em solo argentino. Sobre o seu corte, o técnico César Menotti declarou: “Ele ainda é um garoto e precisa amadurecer. Mas, sem dúvida, ele pode mais que os outros e ainda vai brilhar muito no futebol.” Para a sua posição, foi chamado Norberto Alonso, indiscutivelmente um grande jogador, que estava em excelente forma e era o artilheiro do campeonato, na ocasião. Dizem muitos, porém, que o fator mais importante para a convocação do “Beto”, foi a preferência dos militares que estavam no poder, em especial, a do Almirante Carlos Alberto Lacoste. Em 1979, Maradona liderou a seleção sub-20 da Argentina que venceu o campeonato mundial da categoria. No mesmo ano, de volta à equipe principal “albiceleste”, marcou o seu primeiro gol, num jogo contra a Escócia, em Glasgow, que a Argentina ganhou por 3x1. A estréia de Dieguito em Copas do Mundo aconteceu no jogo inaugural do torneio de 1982, contra a Bélgica, que venceu a Argentina por 1x0. Foi uma partida violenta, em que ele foi, repetidamente, derrubado ou chutado pelos adversários, em jogadas desleais, não coibidas pelo árbitro tchrcoslovaco Vojtech Christov. Seus dois primeiros gols em campeonatos mundiais foram marcados no jogo seguinte, no qual a Argentina ganhou da Hungria por 4x1. Na fase seguinte, a Argentina foi eliminada, derrotada, sucessivamente, pela Itália (2x1) e pelo Brasil (3x1), quando foi merecidamente expulso, aos 40 minutos do segundo tempo, por uma entrada violenta, de sola, nos testículos do brasileiro Batista. A edição do campeonato mundial de 1986, no México, foi a Copa do Mundo de Maradona, que mereceu, do técnico Calos Bilardo, a confiança para ser o capitão da seleção. De acordo com ele mesmo, a melhor partida, de toda a sua vida, foi a realizada contra o Uruguai, com vitória argentina por 1x0. Entretanto, mais célebre foi o jogo contra a Inglaterra, no qual Diego marcou dois gols. No primeiro, em uma jogada aérea, ele tocou, com a mão fechada, a bola por cima do goleiro Peter Shilton. Apesar das reclamações inglesas, o árbitro Ali Bin Nasser, da Tunísia, validou o gol. Curioso é que, anteriormente, em um jogo do campeonato italiano 1984/85, entre Napoli e Udinese, Maradona assinalou, da mesma maneira, um gol, também não anulado. O próprio Maradona


declarou, a respeito da trapaça: “Se houve mão na bola, foi a mão de Deus”. O segundo tento seu, no jogo, foi perfeitament legal e de belíssima feitura. Ele recebeu a bola, no meio do campo, de costas para a meta inglesa, entre três adversários. Girou para o lado oposto e arrancou, deixando-os para trás. Passou por mais dois defensores e tocou para as redes, desviando a pelota do alcance de Shilton. Na semifinal, contra a Bélgica, marcou mais dois lindos gols. A final foi contra a Alemanha Ocidental, cujo técnico Beckenbauer ordenou severa marcação contra ele, que foi bem executada por Matthäus. Maradona não conseguiu marcar nenhum gol, mas foi dele o passe para Burruchaga assinalar o tento decisivo da partida e da conquista da taça, levantada por ele, como capitão. A revista “Onze d’Or o premiou, considerando-o “o melhor jogador do mundo”. Na Copa de 1990, na Itália, a Argentina começou perdendo por 1x0 para Camarões. Venceu a União Soviética por 2x0, em jogo no qual Maradona usou a mão direita para evitar um gol de Kuznetsov, não tendo sido assinalada a infração. Após empatar em 1x1, com a Romênia, os platinos conseguiram a classificação, como um dos melhores terceiros colocados. Venceram os brasileiros, por 1x0, na oitava de final. Empataram por 0x0, no tempo normal e na prorrogação, com a Iugoslávia. Na decisão por pênaltis, apesar de Maradona ter desperdiçado sua oportunidade, as defesas efetuadas pelo goleiro Goycochea permitiram o avanço argentino. A semifinal contra a Itália, em Nápoles, também foi decidida nos pênaltis. Novamente, graças a duas defesas de Goycochea, a seleção “albiceleste” venceu os “azzurri”. A final, contra a Alemanha Ocidental, foi vencida pelos germânicos por 1x0. Maradona teve que se contentar com a medalha de prata. A participação de Maradona em sua quarta e última Copa do Mundo (1994, nos Estados Unidos) foi melancólica. Um exame “antidopping” detectou o uso de efedrina e ele foi expulso do certame. Sem o seu maior astro, a Argentina foi eliminada nas oitavas de final. No âmbito continental, Diego participou de três edições da Copa América: 1979, 1987 e 1989; em nenhuma delas, os argentinos levantaram a taça. Ao todo, Maradona disputou 91 partidas com a camisa “Albiceleste” marcando 34 gols. Após seu afastamento dos gramados, Maradona inicia um tratamento

contra as drogas, em Cuba, no ano 2000. No mesmo ano, é processado por fotógrafos cubanos, por ele agredidos. Sofre um acidente automobilístico em Havana, no mês de setembro, quando ele destrói a caminhonete que dirigia, escapando ileso. Em dezembro, é eleito, pelo voto popular dos internautas, como melhor jogador do século XX, em concurso patrocinado pela FIFA; no mesmo certame, Pelé é eleito como tal, no pleito entre os jornalistas esportivos do mundo todo. Para não se encontrar com o brasileiro, ele se retira da festa onde ambos receberiam seus prêmios. Em abril de 2004, Diego Maradona foi internado na Clínica Suíço-Argentina, em Buenos Aires, com problemas cardíacos e infecção pulmonar, tendo sido constatada uma “overdose” de cocaína. Ficou em coma, duante oito dias, respirando por aparelhos. Foi internado por mais cinco meses, a partir de maio do mesmo ano, após seu médico ter afirmado que aquela era sua última chance de salvar a própria vida. Em seguida, voltou a Cuba, para continuar seu tratamento. Posteriormente, o próprio Diego afirmou que encontrou forças para lutar contra as drogas, graças à sua filha Giannina. Recuperado, em 2005, Maradona confirmou a versão de que o massagista da seleção argentina serviu água com sonífero ao lateral Branco, do Brasil, no jogo entre as duas equipes, pela Copa do Mundo de 1990. Essa versão, entretanto, é contestada por outros integrantes do time argentino. Diego submeteu-se a uma cirurgia para redução de estômago, em Cartagena, na Colômbia, para perder cerca de 50 kg e voltar a pesar 75 kg. Tornou-se, a seguir, apresentador de sucesso, em um “talk show” da TV argentina. Em março de 2007, foi novamente internado em hospital, por causa de uma crise hepática, provocada por abuso de bebidas alcoólicas. Em outubro de 2008, finalmente, Maradona conseguiu concretizar seu sonho, já tantas vezes revelado, de ser chamado para dirigir a Seleção da Argentina. Teve um bom começo na disputa da Copa do Mundo de 2010, porém os portenhos foram eliminados, na partida das quartas-definal, contra a Alemanha, goleados por 4x0. Em 27 de julho de 2010, Diego Armando Maradona recebeu a comunicação do seu desligamento do comando da “albiceleste”. Até hoje, os torcedores argentinos reverenciam Maradona como se ele


fosse quase uma divindade. O estádio do “Argentinos Juniors”, clube que o revelou, foi rebatizado como Estádio Diego Armando Maradona. Gabriel Omar Batistuta nasceu em Reconquista, cidade no norte da Província de Santa Fé, no dia 1º de fevereiro de 1969. Iniciou-de no esporte, praticando basquetebol. Em 1986, com dezessete anos, entusiamado com a conquista da Copa do Mundo pela Argentina, trocou de modalidade esportiva, aderindo ao futebol, no “Newell’s Old Boys”, de Rosario. Estreiou na equipe principal, em 1988, e disputou a Copa Libertadores, chegando ao vice-campeonato. Foi transferido para o “River Plate”, em 1989. Não teve espaço no time de “Los Millonarios” e foi cedido ao rival “Boca Juniors”, para a temporada seguinte. A divisão do campeonato argentino em duas partes (“Apertura” e “Clausura”) teve início em 1990/91. Foi justamente na primeira “Clausura”, vencida pelo “Boca” de forma invicta, que Gabriel Batistuta começou a mostrar seu imenso talento de goleador. Participou, em seguida, com brilho da Libertadores, mas o clube dos “xeneizes” acabou derrotado, na semifinal, pelo “Colo Colo”, do Chile. Ainda em 1991, recebeu sua primeira convocação para a Seleção da Argentina, que ganhou a Copa América, tendo ele conquistado a artilharia do certame. Com 1,85 m de altura, Batistuta era excelente cabeceador, e, embora destro, chutava forte com ambos os pés. Mereceu o apelido de “Batigol” pelo seu grande oportunismo, que o fazia estar no lugar certo, na hora certa. Jogava com muita raça e valentia, mas pecava, às vezes, pelo excesso de individualismo. Suas ótimas atuações pela seleção o credenciaram para ser contratado pela “Fiorentina”, da Itália, em 1991. Superadas as iniciais dificuldades de adaptação, Batigol marcou treze vezes, em sua primeira temporada, no exageradamente defensivo futebol italiano da época. Na temporada seguinte, foram dezesseis tentos seus, mas a equipe “viola” foi rebaixada. Entretanto, os gols de Batistuta contribuíram decisivamente para a conquista do título da Série B, em 1993/94, e o retorno do clube de Florença à Série A do “calcio”, na temporada seguinte. E, com 26 gols, em 1994/95, ele foi o artilheiro do campeonato. Conquistou a Copa da Itália, na temporada 1995/96 e a Supercopa Italiana, em 1996. Mantevese fiel à “Fiorentina” durante muitos anos, o que lhe valeu uma estátua oferecida pelos “tifosi gigliati”. Em 2001, transferiu-se para a “Roma”.

Batistuta foi campeão da Série A, logo no seu primeiro ano defendendo o clube da capital, que ganhou, também, a Supercopa da Itália, em 2001. Entretanto, não foi muito feliz na temporada 2001/02 e acabou sendo emprestado à “Inter” de Milão. Antes do término do campeonato 2002/03, Batigol foi para o Qatar, seduzido por vantajosa proposta do “Al-Arabi-Doha”, com o qual foi campeão e artilheiro da liga local, em 2004. Pendurou as chuteiras em Doha, capital e principal cidade do emirado, em 2005, aos 36 anos de idade. Na seleção platina, após suas boas apresentações na Copa América de 1991, Batistuta voltou a ser campeão do mesmo torneio, em 1993, além de ter conquistado, em 1992, a Copa das Confederações. Participou, em seguida, das eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994, nas quais a Argentina obteve a qualificação com muita dificuldade, na repescagem. Nos Estados Unidos, marcou três gols na vitória sobre a Grécia, no jogo de estréia. A vitória seguinte, sobre a Nigéria, foi ofuscada pelo episódio do “doping” de Maradona, que foi expulso da competição. Os portenhos, derrotados pela Bulgária, em seguida, terminaram sendo eliminados, no início da segunda fase, pela Romênia. O ano de 1995, também não foi feliz, tanto na Copa América como na Copa das Confederações. Na Copa do Mundo de 1998, Gabriel Batistuta foi um dos vice-artilheiros, com cinco gols. A Argentina chegou às quartas-definal, sendo eliminada ao perder para a Holanda, por 2x1. Em 2002, ele disputou seu terceiro mundial. Marcou o gol da vitória contra a Nigéria, mas os platinos foram precocemente eliminados, ainda na primeira fase. Batistuta, com dez gols, é o maior artilheiro da Argentina, em Copas do Mundo; e, também, o seu maior goleador, no cômputo total, com 56 tentos, em 78 partidas. Atualmente, é jogador de pólo. Sua última atividade, ligada ao futebol, foi a de trabalhar em favor da candidatura do Qatar para sede da Copa do Mundo de 2022. Javier Adelmar Zanetti nasceu em 10 de agosto de 1973, na capital argentina. Iniciou suas atividades no futebol, em 1991, no “Talleres”, da cidade de Córdoba. Começou sua carreira profissional no mesmo clube, em 1992, atuando na 2ª Divisão. Transferiu-se, em 1993, para o “Banfield”, clube da Grande Buenos Aires, passando a jogar na 1ª Divisão. Estreiou em setembro de 1993, em uma partida contra o “River Plate”.


Defendeu a camisa alviverde do “El Taladro” até 1995, quando foi contratado pelo “Internazionale” da Itália. Zanetti tem 1,78 m de altura e pesa 75 kg. Polivalente, atua bem como lateral (esquerdo ou direito) ou como volante. Seu jogo é limpo e eficaz. Sua característica mais marcante é a regularidade e a confiança que transmite aos companheiros e ao técnico. Líder nato, usa a braçadeira de capitão com segurança e serenidade. Estreiou na Seleção Argentina em novembro de 1994, sob o comando técnico de Passarella. Participou da Copa América de 1995. Foi vencedor dos Jogos Pan-Americanos, em 1995. Conquistou a medalha de prata no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta, nos Estados Unidos. Disputou a Copa do Mundo de 1998, na França, e a Copa América de 1999. Já no Século XXI, Zanetti jogou a Copa do Mundo de 2002, quando o técnico argentino foi Marcelo Bielsa. Participou da Copa América de 2004. Fez seu centésimo jogo com a camisa “albiceleste” na vitória sobre o México, em 26 de junho de 2005, na Copa das Confederações. Atuou nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, mas foi preterido pelo técnico José Pekerman para o certame na Alemanha. Em 2007, voltou a ser convocado para a seleção, pelo novo treinador Alfio Basile. Realizou uma partida brilhante em fevereiro de 2007, conquistando a vitória no amistoso contra a França. Disputou a Copa América de 2007, passando a ser o capitão do time portenho. Em 17 de novembro de 2007, tornou-se o jogador recordista de atuações pela seleção, em jogo contra a Bolívia, válido pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. Sob as ordens do novo técnico Maradona, cedeu a braçadeira de capitão para Mascherano. Não foi chamado para o campeonato mundial de 2010, na África do Sul. No segundo semestre, Zanetti foi convocado pelo novo técnico Sergio Batista para enfrentar a Espanha, em amistoso, no dia 7 de setembro de 2010, em Buenos Aires. Recebeu, então, junto com Batistuta, significativa homenagem da AFA. Até o momento, participou de 138 partodas pela “Albiceleste”. A fase mais gloriosa da carreira de Javier Zanetti teve início em agosto de 1995, quando estreiou no “Inter”, em Milão. Vem transcorrendo, desde então, sempre com a camisa “nerazzurra”, tendo maior destaque, nos últimos cinco anos. Conquistou os seguintes títulos: Copa da UEFA,

em 1997/98; Copa da Itália, em 2004/05, 2005/06 e 2009/10; Campeão Italiano da Série A de 2005/06, 2006/07, 2997/08, 2008/09 e 2009/10; Supercopa da Itália, em 2005, 2006, 2008 e 2010; Liga dos Campeões da UEFA de 2009/10 e Campeão do Mundo de Clubes da FIFA, em 2010. Zanetti, que já fez mais de 700 jogos pelo “Foolball Club Internazionale Milano”, é o seu capitão e, com 37 anos, o jogador mais velho e experiente. Ariel Arnaldo Ortega nasceu em Libertador General San Martin, Departamento da Província de Misiones, no dia 4 de março de 1974. Levado por Daniel Passarella, começou no “River Plate”, em 1991, aos 17 anos. Vestiu a camisa branca com a faixa vermelha até 1997, tendo se tornado uma referência na vitoriosa equipe que conuistou: Torneio “Apertura” de 1991, 1993, 1994 e 1996; e Copa Libertadores da América, em 1996. Com 1,70 m de altura e peso de 64 kg, Ortega é um meio-campista ofensivo, dotado de excelente técnica, com ótimos dribles e chutes precisos. Estreou na Seleção Argentina em 1993. Disputou as Copas do Mundo de 1994 (Estados Unidos), 1998 (França) e 2002 (Coréia do Sul e Japão). Ganhou medalha de ouro, nos Jogos Pan-Americanos de 1995, e de prata, nas Olimpíadas de 1996. Entre 1993 e 2010, disputou 87 partidas pela “Albiceleste”, assinalando 17 gols. Apelidado de “Burrito”, transferiu-se para o “Valencia”, em 1997, jogando na Liga Espanhola até 1998, quando foi para a Itália, contratado pelo “Sampdoria”. Defendeu as cores do clube de Gênova até 1999, ano em que se mudou para a cidade de Parma, passando a jogar pelo clube local, de mesmo nome. Disputou a Série A do “calcio” pelo “Parma Football Club” até 2000, quando retornou ao país natal e ao seu clube de origem. Com o “River”, foi campeão da “Clausura” de 2002. No mesmo ano, foi para o “Fenerbahçe” da Turquia. Em 2004, voltou para a Argentina, atuando pelo “Newell’s Old Boys”, com o qual venceu a “Apertura” de 2004. Retornou, novamente, ao “River Plate” em 2006. Sobrevieram, então, os problemas decorrentes do alcoolismo, que motivaram o seu empréstimo, no início da temporada 2008/09, ao “Independiente Rivadavia”, da cidade de Mendoza, que compete na segunda divisão. Logo, porém, regressou a Buenos Aires e ao clube de “Los


Millonarios”. Participou da campanha vitoriosa do “River” na “Clausura” 2008, mas teve uma recaída alcoólica em 2009. Atualmente, está emprestado ao “All Boys”, do bairro Floresta, em Buenos Aires, recémpromovido, após trinta anos, à Primeira Divisão. Juan Sebastián Verón nasceu em 9 de março de 1975, na cidade de La Plata, capital da Província de Buenos Aires. Em 1993, começou sua carreira no “Estudiantes”, da sua cidade natal, mesmo clube no qual seu pai, “La Bruja Verón”, fez história. Juan Sebastián estreiou na equipe principal em 1994. Conquistou o campeonato argentino da série B em 1995. Meio campista dotado de técnica invejável, destro, com 1,86 m de altura, efetua passes com extraordinária precisão e é excelente cobrador de faltas. Recebeu o apelido de “La Brujita”, diminutivo da alcunha paterna. Defendeu a camisa alvirubra dos “pincharratas” até 1996, quando se transferiu para o “Boca Juniors”. Não se demorou entre os “xeneizes”, pois, no mesmo ano, foi para a Itália, contratado pela “Sampdoria”. Jogou palo clube de Gênova até 1998, quando se transferiu para o “Parma”. Venceu a Copa Itália da temporada 1998/99. Em seguida, rumou para a capital italiana, passando a atuar pala “Lazio”. Com a equipe romana, foi Campeão Italiano na temporada 1999/2000; e, no mesmo ano 2000, conquistou a Copa da Itália e a Supercopa Italiana. No ano seguinte, mudou-se para a Inglaterra, indo jogar no “Manchester United”. Ganhou o Campeonato Inglês de 2002/03. Entretanto, não fez muito sucesso no futebol britânico. Transferido, em 2003, para o “Chelsea”, foi emprestado pelos “blues” ao “Inter” de Milão, em 2004. De volta à península itálica, reencontrou a alegria profissional, conquistando duas Copas Itália (2004/05 e 2005/06); duas Supercopas da Itália (2005 e 2006); e um “scudetto” do Calcio Série A (2005/06). No final da temporada 2005/06, foi contratado, novamente, pelo seu clube de origem, e Verón retornou à sua terra natal. Com o “Estudiantes”, venceu o Campeonato Argentino (“Apertura”), em 2006. Foi Vice-Campeão da Copa Sul-Americana de 2008, e Campeão da Taça Libertadores em 2009; e, outra vez, Campeão Argentino (“Apertura”), em 2010. Pela Seleção da Argentina, Verón jogou os campeonatos mundiais

de 1998 e 2002. Não foi convocado para a Copa do Mundo de 2006. Voltou a vestir a camisa azul e branca, na Copa América de 2007. Participou das eliminatórias para a Copa de 2010 e do torneio na África do Sul. Após o fracasso da equipe comandada por Maradona, Juan Sebastián Verón declarou, em 27 de agosto de 2010: “Meu ciclo na seleção terminou” e “Sou realista e não me vejo em outra Copa do Mundo”. Hernán Jorge Crespo nasceu no dis 5 de julho de 1975, em Florida, bairro de Vicente Lopez, na Grande Buenos Aires. Começou suas atividades futebolísticas nas divisões de base do “River Plate”, em 1988. Com dezoito anos, em novembro de 1993, estreou na equipe principal, enfrentando o “Newell’s Old Boys”. Com o time da “banda roja”, ganhou os títulos da “Apertura” de 1994 e 1996; e contribuiu decisivamente, com seus gols, para a conquista da Copa Libertadores da América, em 1996. Em agosto desse mesmo ano, deixou Buenos Aires para seguir carreira no futebol europeu. Crespo, com 1,84 m de altura, é um atacante que se caracteriza por sua excelente presença na área adversária. É ótimo cabeceador e, embora destro, chuta forte e preciso com ambos os pés. É um grande goleador, graças ao seu aguçado oportunismo. Contratado pelo “Parma” em agosto, estreiou no futebol italiano em outubro de 1996. Com o time da Região Emília-Romanha, Hernán Crespo venceu a Copa da Itália e a Supercopa Italiana, ambas em 1999. Conquistou, no mesmo ano, os títulos internacionais da Copa UEFA e da Supercopa Européia. Transferiu-se, em 2000, para a “Societá Sportiva Lazio”, de Roma. Pela equipe “biancazzurra”, ganhou a Supercopa Italiana de 2000 e tornou-se o artilheiro da Série A, na temporada 2001/02, com 26 gols marcados. Em 2002, foi cedido ao “Inter” de Milão. Teve a infelicidade de sofrer uma lesão muscular, que o afastou dos gramados por quatro meses. Foi tentar a sorte no futebol inglês, em 2003, contratado pelo “Chelsea”. Disputou 19 jogos pelos “blues”, marcando 10 gols, mas foi prejudicado por seguidas lesões. Cedido por empréstimo, retornou à Itália, em 2004, para jogar no “Milan”, voltando a apresentar um bom rendimento. Conquistou a Supercopa Italiana de 2004, com a camisa rubronegra. Enfrentando o “Liverpool”, na final da Liga dos Campeões desse mesmo


ano, a equipe de Milão terminou o primeiro tempo, vencendo por 3x0, com dois gols de Crespo; os “reds” reagiram na etapa complemrntar, empatando o jogo, e ganharam a decisão por pênaltis. Em 2005, voltou para Londres e foi Campeão da Inglaterra na temporada 2005/06, com o clube da “Fulham Road”. Novamente emprestado, Crespo mudou-se outra vez para Milão, para atuar pelo “Inter”. Com o time “neroazzurro”, conquistou o “scudetto” da temporada 2006/07. Terminado o empréstimo, foi contratado pelo clube milanês, em 2008. Entretanto, sofreu várias contusões e ficou no banco de reservas, durante boa parte da temporada 2008/09. Trnsferiu-se para o “Genoa”, em 2009, mas foi curta sua permanência na equipe dos “Grifoni”, pois assinou, no final de janeiro de 2010, contrato com o “Parma Football Club”. Estreiou na Seleção Argentina em fevereiro de 1995. No mesmo ano, recebeu a medalha de ouro dos Jogos Pan-Americanos, realizados em Mar Del Plata. Em 1996, com a seleção sub-23, conquistou a medalha de prata, nas Olimpíadas de Atlanta, tendo sido o artilheiro, com seis gols. Participou das Copas do Mundo de 1998 (França), 2002 (Coréia do Sul – Japão) e 2006 (Alemanha), tendo assinalado quatro gols. Disputou a Copa América de 2007, na qual a Argentina obteve o segundo lugar. Fez, ao todo, 70 partidas pela “Albiceleste”, marcando 41 gols. Crespo é o maior goleador do “Parma”, tendo assinalado, até o final de 2010, oitenta e quatro gols em cento e setenta e quatro jogos. Juan Pablo Sorin nasceu no dia 5 de maio de 1976, em Buenos Aires. Iniciou sua carreira profissional no “Argentinos Juniors”, em 1994. Sua primeira convocação para usar a camisa “albiceste” da Seleção Argentina ocorreu em 1995, tendo se sagrado Campeão Mundial, na categoria sub-20. No segundo semestre de 1995, transferiu-se para a “Juventus”, de Milão, mas não foi feliz no futebol italiano. Retornou à Argentina, em 1996, passando a defender o “River Plate”. Vestindo a camisa branca com faixa vermelha, conquistou vários títulos: “Apertura”, de 1996, 1997 e 1999; “Clausura”, em 1997; Copa Libertadores da América de 1996; e a Supercopa dos Campeões da Libertadores, em 1997. Sorin, que tem o apelido de “Juampi”, é canhoto e mede 1,73 m de altura. Lateral esquerdo eficaz, jogava com muita raça e tinha a característica de aparecer como elemento surpresa no ataque, chutando em gol, muitas vezes.

Transferido para o “Cruzeiro”, de Belo Horizonte, em 2000, venceu, no mesmo ano, a Copa do Brasil, tornando-se um ídolo da torcida do clube mineiro, onde atuou até 2002. Voltou para a Itália, contratado pela “Societá Sportiva Lazio”, de Roma. Depois de uma temporada e meia, o clube italiano, com problemas financeiros, o emprestou ao “Barcelona”, da Espanha. Estreiou no clube catalão em fevereiro de 2003 e, embora tenha feito boas atuações no futebol espanhol, foi transferido, no meio do mesmo ano, para o “Paris Saint-Germain”, da França, ainda sob empréstimo. Com o PSG, conquistou a Copa da França, de 2004. No mesmo ano retornou ao Brasil, emprestado ao “Cruzeiro”. Sua segunda passagem pelo time azul foi breve, pois se transferiu, ainda em 2004, para o “Villarreal”, voltando para a Espanha. Foi um dos esteios da campanha do “submarino amarelo” na Liga dos Campeões da UEFA. Após disputar, na Alemanha, a Copa do Mundo de 2006, (na qual a Argentina foi eliminada pela seleção anfitriã, nas quartas de final, ao perder a decisão por pênaltis), Sorin assinou contrato com o “Hamburgo”. Nos dois anos em que jogou no clube, da cidade portuária do norte da Alemanha, sofreu muitas lesões, motivo pelo qual disputou apenas 24 partidas. Assim, ao encerrar seu contrato em julho de 2008, Juampi voltou, mais uma vez, para o “Cruzeiro”. Recuperou-se, na Toca da Raposa, e foi Campeão Mineiro em 2009. Seu último jogo foi um festivo amistoso entre a “Asociación Atlética Argentinos Juniors” (seu primeiro clube) e o “Cruzeiro Esporte Clube” (clube que conquistou o seu coração, degundo ele próprio), em 4 de novembro de 2009, em Minas Gerais. Pela Seleção Argentina, Sorin disputou, entre 1995 e 2006, setenta e seis jogos e marcou doze gols. Juan Román Riquelme nasceu em Buenos Aires, no dia 24 de junho de 1978. Começou nas categorias de base do “Argentinos Juniors”. Mas, ainda como amador, transferiu-se para o “Boca Juniors”. Sua carreira profissional teve início em 1996, no mesmo clube. Riquelme vestiu a camisa auriazul até 2002, tendo sido Campeão Argentino, em 1998 (Apertura), 1999 (Clausura), e, novamente, na Apertura, em 2000. No mesmo ano, conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial Interclubes. Bisou a vitória na Libertadores, em 2001, ano em que foi considerado o melhor jogador sul-americano.


Apelidado de “Topo Gigio”, Riquelme tem 1,85 m de altura e é um meio-campista ofensivo, dotado de excelente técnica e estilo de refinada classe. Celebrizou-se por suas magníficas cobranças de tiros livres, com força e precisão. Com a Seleção da Argentina, foi Campeão Sul-Americano e Mundial, em 1997, na categoria sub-20. Foi considerado o melhor jogador da Copa América de 2007. Conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008. Entre 1997 e 2009, disputou 54 jogos pela “Albiceleste”, marcando 18 gols. Transferido, em 2002, para o “Barcelona”, ficou apenas um ano no clube catalão. Em 2003, foi contratado pelo “Villarreal”, da cidade de mesmo nome, na província espanhola de Castellón. Efetuou 106 partidas pelo “Submarino Amarelo”, marcando 36 gols. Regressou à Argentina, em 2007, cedido por empréstimo ao “Boca”, com o qual ganhou sua terceira Copa Libertadores. A sua contratação definitiva, pelo mais popular clube argentino, ocorreu em janeiro de 2008. Participou, então, de mais uma conquista: a “Apertura” de 2008. Dario Leonardo Conca nasceu em General Pacheco, Província de Buenos Aires, no dia 11 de maio de 1983. Começou no futebol nas divisões de base do “Clube Atlético Tigre”, tendo estreiado na segunda divisão do campeonato argentino, em 1998, com apenas quinze anos. No mesmo ano, transferiu-se para o “River Plate”, assinando um contrato válido até 2007. Jogou pelo clube da “banda roja” até 2004, quando o novo treinador, Leonardo Astrada, decidiu não aproveitá-lo. Dario foi emprestado para o “Universidad Católica”. No Chile, foi Campeão do Torneio “Clausura”, de 2005. Ficou dois anos no clube de Santiago, retornando à Argentina, em 2006, para atuar no “Rosario Central”, também por empréstimo. Em 2007, ainda sob empréstimo, Conca passou a jogar pelo “Vasco”. Ao término do empréstimo, em janeiro de 2008, o “River Plate”, que ainda detinha seus direitos federativos, negociou sua transferência para o “Fluminense”, igualmente do Rio de Janeiro. Dario Conca é canhoto, tem 1,69 m de atura e pesa 58 kg. Meia apoiador, tem excelente visão de jogo e é dotado de muita habilidade, efetuando dribles curtos espetaculares em espaços reduzidos, e fazendo ótimas assistências para seus companheiros atacantes. É exímio cobrador de faltas.

Conca atingiu seu auge no tricolor carioca. Foi um dos destaques na magnífica campanha do vice-campeonato da Taça Libertadores da América, em 2008. No ano seguinte, faltando poucas rodadas para o término do Campeonato Brasileiro, todos os analistas esportivos davam como certo o rebaixamento do clube das Laranjeiras. Com o apoio da sua torcida, a equipe do “Fluminense”, que ficou conhecida como “time de guerreiros”, encetou uma sensacional reação que o livrou do descenso. Dario Conca foi um dos esteios da espetacular recuperação. Em 2010, foi o único jogador do clube da Rua Álvaro Chaves que participou de todas as partidas da bela jornada que culminou com a conquista do título de Campeão Brasileiro. Conca foi eleito o melhor jogador da competição. Recebeu, também, a “Bola de Ouro” da revista “Placar”. Após o término do certame, foi submetido a uma artroscopia no joelho, Seu contrato com o “Fluminense” foi renovado até dezembro de 2015. Carlos Alberto Tévez, batizado como Carlos Alberto Martinez, e também conhecido como Carlitos Tévez, nasceu em Ciudadela, na Grande Buenos Aires, no dia 5 de fevereiro de 1984. Seu início foi na equipe infantil do “All Boys”, em 1992. Ficou no modesto alvinegro da capital platina até 1996. Chamado por Raúl Maddoni, foi para os juvenis do “Boca Juniors”, do qual era torcedor, em 1997. Os 44 gols, que marcou em seus dois primeiros anos como “bocanero”, levaram-no à seleção sub-15. Em 2000, foi chamado pelo técnico Carlos Bianchi para se incorporar ao elenco principal dos “xeneizes”. Sua estréia, porém, só aconteceu em outubro de 2001. Com a saída de Riquelme do “Boca”, no segundo semestre de 2002, Tévez assumiu o papel de regente do time, substituindo o seu antigo ídolo. Seguiram-se as conquistas dos títulos: Campeonato Argentino (“Apertura”), de 2003; Copa Libertadores, em 2003; Copa Intercontinental, de 2003: e Copa Sul-Americana, em 2004. Entretanto, Carlitos protagonizou alguns episódios inconvenientes, que repercutiram mal. Na comemoração de um gol no “superclásico”, debochou da torcida do “River” e foi expulso, ao tirar a camisa. Passou a ser assíduo freqüentador da vida noturna portenha, e rompeu o seu noivado com a namorada de infância, que estava grávida, trocando-a por uma famosa modelo. Com a nova namorada, viajou para a praia brasileira de Búzios, só retornando na véspera de outro “superclásico”. No final de 2004, foi acertada sua transferência para o “Corinthians”, de São Paulo,


graças à sua contratação pela “Media Sports Investment (MSI)”. A jornada brasileira de Carlitos Tévez começou no início de 2005, tendo sido imediata sua identificação com a fanática torcida corintiana, graças à sua disposição e dedicação em campo. Por outro lado, sua vida pessoal entrou nos eixos, ao retomar o relacionamento com a ex-noiva e a filha, Florencia, que nascera. O “Corinthians” foi o Campeão Brasileiro de 2005, embora de forma polêmica, e Tévez foi escolhido, sem contestações, como o melhor jogador da competição, recebendo a Bola de Ouro da Revista “Placar”. A eliminação do “Corinthians” pelo “River Plate”, nas oitavas de final da Taça Libertadores, em 2006, no Estádio do Pacaembu, despertou a ira da torcida, cujos membros mais exaltados depredaram as instalações. Tevez ficou preocupado, pois sua pequena filha estava presente. Viajou, pouco depois, para Buenos Aires, onde se apresentou à Seleção da Argentina. Ao retornar da Alemanha, após ter disputado a Copa do Mundo, Carlitos foi surpreendido pela perda da braçadeira de capitão, retirada pelo técnico Emerson Leão, que não nutria simpatias pelos craques argentinos do time. A gota d’água que precipitou sua saída dos “mosqueteiros” foi a briga com os “Gaviões da Fiel”, surgida quando ele pediu silêncio aos torcedores que vaiavam a equipe, ao comemorar um gol contra o “Fortaleza”. Assim, a MSI negociou sua cessão para o “West Ham United”, da Inglaterra, no último dia antes do fechamento do mercado europeu, para o início da temporada 2006/07. O início de Tévez entre os “hammers” não foi feliz. Após dezenove partidas sem marcar, foi relegado ao banco de reservas. De volta ao time titular, marcou um gol na derrota contra o “Tottenham Hotspur”, em casa. Quando todos os analistas esportivos já davam como certo o rebaixamento do “West Ham”, a equipe reagiu nas ultimas nove rodadas, com excelentes atuações de Carlitos Tévez, autor de seis gols nas mesmas, inclusive o da vitória, no último jogo, contra o poderoso “Manchester United”, em seu estádio de “Old Trafford”. Seu desempenho o credenciou para atuar pelo clube dos “Red Devils”, que obteve o seu empréstimo por duas temporadas. Sua estréia no time de Manchester aconteceu no dia 15 de agosto de 2007. Na Liga dos Campeões 2007/08, o “United” conquistou o título, vencendo o também inglês “Chelsea”, na final. Com os excepcionais

atacantes Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Carlos Tévez, a equipe comandada por Alex Ferguson foi também Campeã da “Premier League” e do Mundial Interclubes. Na temporada seguinte, Tévez não repetiu o sucesso anterior, e foi preterido, em favor do búlgaro Berbatov, recém contratado. Sua última partida foi a derrota para o “Barcelona”, na final da Liga dos Campeões de 2008/09. Carlitos deixou o “United”, mas continuou na mesma cidade do noroeste da Inglaterra, passando a defender o “Manchester City”. Demonstrou, com a camisa azul celeste, o mesmo espírito guerreiro, que o caracteriza, marcando 22 gols em 30 jogos, até abril de 2010. Após ter anunciado sua saída do clube, em virtude da ida de suas filhas para a Argentina, em decorrência do seu divórcio, Tévez foi covencido, pelo técnico Roberto Mancini, a permanecer nos “Citizens”, onde continua jogando. Carlos Tévez é um atacante muito talentoso, com 1,73 m de altura e peso de 70 kg, que se caracteriza pela raça e empenho com que atua em todas as partidas, decisivas ou não. Sua primeira convocação para a Seleção Argentina, foi, ainda, na categoria sub-15. Junto com Javier Mascherano, de quem se tornou amigo, Carlitos disputou um torneio em Wembley, no qual marcou um gol de bicicleta, contra a França. Em 2003, foi Campeão Sul-Americano, sub-20. No ano seguinte, venceu, também, o Torneio Pré-Olímpico. Com a Seleção Principal, participou da Copa América de 2004. Embora tenha sido reserva na maioria das partidas, jogou a final, contra o Brasil. Próximo ao término do jogo, com a vitória platina, até então, por 2x1, Tévez usou sua habilidade para fazer firulas, na tentativa de gastar o tempo. Entretanto, a Seleção Brasileira conseguiu empatar, com um gol de Adriano, nos descontos. Na decisão por pênaltis, os brasileiros levaram a melhor, ganhando o título. Ainda em 2004, nas Olimpíadas da Grécia, Tévez foi o grande nome da campeã Argentina, tendo sido o artilheiro do certame. De volta à seleção principal, disputou a Copa das Confederações de 2005, chegando à final, novamente vencida pelo Brasil. Convocado para a Copa do Mundo de 2006, ficou a maior parte dos jogos no banco de reservas, na Alemanha. Entrou no decorrer da partida contra Sérvia e Montenegro e marcou um dos mais belos gols da competição. A “Albiceleste” foi eliminada, nas quartas-de-final. Tévez


abriu mão de quase a totalidade das férias, para participar da Copa América de 2007. A Argentina fez boa campanha, mas foi, outra vez, derrotada pelo Brasil, na partida final. Carlitos teve boa participação em sua segunda Copa do Mundo, na África do Sul, em 2010, tendo marcado dois gols. A equipe comandada por Maradona decepcionou, porém, no seu jogo das quartas-de-final, novamente derrotada pela Alemanha, pelo vexatório placar de 4x0. Javier Alejandro Mascherano nasceu em 8 de junho de 1984, na cidade de Santa Fé. Iniciou suas atividades no futebol, ainda menino, entre os infantis do “River Plate”. Sua primeira participação na seleção “albiceleste” aconteceu na categoria sub-15, quando disputou um torneio em Wembley, oportunidade em que teve, como companheiro, Carlos Tévez, de quem se tornou amigo. Javier Mascherano começou sua carreira profissional, em 2003, no clube do Monumental de Nuñez. Com o “River”, foi Campeão Argentino (“Clausura”) em 2003 e 2004. Mascherano tem 1,70 m de altura, é destro, e atua como volante. Joga um futebol sério e sóbrio, muito eficaz no desarme. Tem habilidade para sair jogando, com categoria, e armar, com eficiência, o contra-ataque. Apelidado de “El Jefe”, por comandar o meio-de-campo, suas qualidades fizeram-no ser convocado para a Seleção Argentina, em diversas ocasiões. Com o escrete sub-20, foi Campeão Sul-Americano, em 2003. Conquistou, no ano seguinte, a medalha de ouro, nas Olimpíadas de Atenas. Voltou a ser campeão olímpico em 2008, nos Jogos de Pequim, sendo o único jogador que participou das duas campanhas vitoriosas. Pela seleção principal, foi titular nas Copas do Mundo de 2006, na Alemanha, e de 2010, na África do Sul. Em ambas as oportunidades, a equipe platina foi derrotada pela Alemanha, nas quartas-de-final. Graças à interveniência da “MSI – Media Sports Investment”, Mascherano foi contratado pelo “Corinthians”, em 2005. Sua estréia, com atuação elogiada, aconteceu no dia 10 de julho, com uma vitória sobre o grande rival “Palmeiras”, por 3x1. Entretanto, por causa de uma lesão, ficou longo tempo inativo, e a sua temporada no Parque São Jorge acabou sendo apenas discreta, apesar de ter participado da conquista do Campeonato Brasileiro de 2005. Em 2006, seu contrato foi negociado pela “MSI” com o “West Ham United”, da Inglaterra. Foi breve a estadia de “Masch” no clube lon-

drino, pois se transferiu, no ano seguinte, para o “Liverpool”. Com os “Reds” de Anfield, ele atuou em 94 partidas, até 2010. A partir de 28 de agosto de 2010, Javier Mascherano é jogador do “Barcelona”. Lionel Andrés Messi nasceu em Rosário, no dia 24 de junho de 1987. Tinha apenas quatro anos quando começou a jogar futebol na categoria “baby” do “Abanderado Grandoli”, um pequeno clube, próximo da residência da família Messi. Lionel conseguia se sobressair, jogando entre garotos de até sete anos. Deixou o “Grandoli” e ingressou no time infantil do “Newell’s Old Boys”, ao completar sete anos. Quatro anos depois, porém, foi detectado um problema hormonal no menino, que retardava seu desenvolvimento ósseo e crescimento. O tratamento, caro, foi custeado, inicialmente, pela fundação onde seu pai trabalhava. Quando cessou o benefício patronal, o pai, Jorge Messi, negociou com o “Newell’s” a continuidade do tratamento, mas só obteve do clube um pequeno auxílio. insuficiente para o custeio. A conjunção de diferentes circunstâncias alterou drasticamente o futuro dos Messi. A crise econômica da Argentina e uma parente que vivia em Lérida, na Catalunha, e se mostrou disposta a acolhê-los, fizeram com que a família se mudasse para a Espanha. Com treze anos e 1,40 m de altura, Lionel foi testado pelo “Barcelona” e, enfrentando garotos maiores e mais velhos, saiu-se muitíssimo bem. A sua excepcional habilidade impressionou muito o diretor esportivo Carles Rexach, que o contratou imediatamente. O “Barça” também empregou seu pai, como olheiro e informante. Com um tratamento mais intensivo, Lionel Messi cresceu 30 cm em 30 meses. Na temporada 2002/03, marcou 37 gols em 30 partidas, pela equipe juvenil. Despertou o interesse de Arsene Wenger, técnico do “Arsenal”, da Inglaterra. Mais do que depressa, o clube “blaugrana” prorrogou seu contrato, até 2012. Na Espanha, muitos o tratam por Leonel, o que resultou no apelido “Leo”. Messi é um meia ofensivo extremamente habilidoso. É canhoto, baixo (1,61m) e pesa 56 kg. Goleador nato, tem uma grande explosão muscular, que lhe permite alternar passadas lentas com dribles rápidos e arrancadas fulminantes. Tem uma incrível capacidade de assinalar gols definidores de vitórias em partidas decisivas, sendo alguns antológicos. Com apenas dezesseis anos, foi integrado ao elenco da equipe principal


do clube catalão, na temporada 2003/04. Sua estréia aconteceu em um amistoso contra o “Porto”, na inauguração do Estádio do Dragão, em Portugal. O seu primeiro jogo de campeonato foi contra o “Espanyol”, mas o primeiro gol marcado por ele só ocorreu na temporada seguinte (2004/05). Messi recebeu, em 2005, a sua primeira convocação para a Seleção Argentina, na classe sub-20. Disputou o campeonato mundial da categoria, sagrando-se campeão, conquistando a artilharia e sendo eleito o melhor jogador do torneio. O “Barcelona” renovou, outra vez, seu contrato, prorrogando-o até 2014. Foi chamado para a seleção principal, em 2006, visando à disputa da Copa do Mundo, na Alemanha. Marcou um gol na goleada de 6x0, sobre a Servia e Montenegro, mas ficou no banco de reservas, durante a maior parte do torneio, no qual a Argentina foi eliminada nas quartas-de-final. Teve participação de destaque na Copa América de 2007, na qual o escrete platino disputou a final, perdendo-a, por 3x0, para o Brasil. Conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008, em Atenas. Foi convocado para sua segunda Copa do Mundo, a de 2010. Teve bom desempenho na África do Sul, com atuações brilhantes, até a débâcle coletiva dos portenhos contra a Alemanha, que venceu, por 4x0, a partida das quartas-de-final. Na temporada 2005/06, Leo conquistou definitivamente seu espaço entre os titulares da equipe “blaugrana”, que ganhou o bicampeonato espanhol e a Liga dos Campeões, pela segunda vez, na história do clube. Messi assumiu o papel de principal astro do time, em 2008/09, quando o “Barça” obteve a “Tríplice Coroa” (Copa do Rei, La Liga, e Copa dos Campeões). Com lances geniais e vários gols marcados, foi o artilheiro da “Champions League”, com nove tentos. Em novembro de 2009, recebeu o “Ballon d’Or” da revista “France Football”. Em dezembro de 2009, o clube catalão ganhou o Mundial de Clubes da FIFA, vencendo o jogo final contra o “Estudiantes”, da Argentina, com um gol de Messi, na prorrogação. Logo em seguida, a FIFA o premiou como o Melhor Jogador do Mundo. Em janeiro de 2010, assinalou seu centésimo gol pelo “Barcelona” Lionel Messi foi novamente reconhecido, pela FIFA, como o melhor do mundo, em janeiro de 2011. Com a apresentação do breve resumo da vitoriosa carreira de Messi, completamos a lista dos maiores ídolos do futebol argentino, iniciada

com Luís Monti, que nasceu em 1901, e participou da primeira edição do campeonato mundial. Na primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, no Uruguai, a Seleção Argentina foi Vice-Campeã, com a seguinte campanha: 6x3 México, 3x1 Chile, 6x1 Eatados Unidos, 2x4 Uruguai. No campeonato seguinte, em 1934, na Itália, a seleção portenha foi eliminada em sua primeira partida: 2x3 Suécia. A Argentina recusou-se a disputar a Copa de 1938, em protesto por ter sido escolhida a França para sediá-la, desrespeitando o acordo de rodízio entre países europeus e sul-americanos, então existente. Após a interrupção causada pela Segunda Guerra, a Copa do Mundo voltou a ser realizada em 1950, no Brasil. A Argentina, cujo futebol estava enfraquecido em virtude da greve de jogadores, ocorrida em 1948 e da qual resultou o êxodo de muitos craques, resolveu não participar. Da mesma forma, por determinação do próprio Presidente Perón, a AFA não se inscreveu para o campeonato de 1954, na Suíça. Em 1958, na Suécia, a seleção platina foi eliminada na primeira fase, com a seguinte campanha: 1x3 Alemanha Ocidental, 3x1 Irlanda do Norte, 1x6 Tchecoslováquia. A eliminação também ocorreu na primeira fase da Copa de 1962, no Chile, em razão dos seguintes resultados: 1x0 Bulgária, 1x3 Inglaterra e 0x0 Hungria. Na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, a seleção “albiceleste” chegou às quartas-de-final, graças à campanha: 2x1 Espanha, 0x0 Alemanha Ocidental, 2x0 Suíça, 0x1 Inglaterra. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, no México, a Argentina não conseguiu sua qualificação, pois ficou no último lugar do Grupo 1 da América do Sul, composto por ela, Bolívia e Peru, que se classificou. Na Alemanha, em 1974, os platinos foram eliminados, na segunda fase, após: 2x3 Polônia, 1x1 Itália, 4x1 Haiti, 0x4 Holanda, 1x2 Brasil, 1x1 Alemanha Oriental. Em 1978, a Copa do Mundo foi disputada na Argentina. Sua seleção começou vencendo seus dois primeiros jogos, contra a Hungria e a França, pelo mesmo placar de 2x1. Embora derrotada pela Itália por 1x0, classificou-se como segunda colocada do seu grupo. Na segunda fase, passou a integrar um grupo no qual teve que enfrentar Polônia, Brasil e Peru. Venceu a Polônia por 2x0 e empatou com o Brasil, em 0x0. Por seu turno, a seleção brasileira, maior rival sul-americana, der-


rotara o Peru por 3x0 e a Polônia por 3x1. Dessa forma, os canarinhos haviam assinalado seis gols e sofrido um, apresentando um saldo de cinco, ao término da segunda fase. Os argentinos, com saldo de dois, já conheciam os números, antes de enfrentar os peruanos, uma vez que a tabela ainda não estabelecia, como faz hoje, a obrigatoriedade de os jogos interdependentes serem na mesma data e horário. Sabiam, portanto, que precisavam aumentar seu saldo positivo em mais quatro gols, no mínimo, para superar o Brasil. Curiosamente, o Peru que, até então fizera uma companha razoável, tendo, na primeira fase, empatado com a Holanda, em 0x0, e derrotado a Escócia, por 3x1, e o Irã, por 4x1, esqueceu seu futebol, ao enfrentar os anfitriões. Além disso, o seu goleiro, Ramón Quiroga, argentino de nascimento, tomou uma indigestão de frangos e o resultado final foi Argentina 6x0. Classificada em primeiro no seu grupo, pelo saldo de gols, a seleção portenha disputou a final contra a Holanda, vencedora do outro grupo. A vitória, por 3x1, assegurou à Argentina seu primeiro título de Campeã Mundial. A equipe platina, sob o comando técnico de César Menotti, teve em Daniel Passarela, seu grande líder e capitão. O artilheiro do certame foi o seu atacante Mario Kempes, escolhido como melhor jogador do torneio. Na Copa de 1982, na Espanha, a Argentina foi eliminada na segunda fase, obtendo a 11ª colocação entre 24 participantes, com a seguinte campanha: 0x1 Bélgica, 4x1 Hungria, 2x0 El Salvador, 1x2 Itália, 1x3 Brasil. A Argentina voltou a conquistar a Copa do Mundo de 1986, no México, sem contestações e com a genialidade de Maradona. A vitoriosa jornada foi: 3x1 Coréia do Sul, 1x1 Itália, 2x0 Bulgária, 1x0 Uruguai, 2x1 Inglaterra, 2x0 Bélgica e 3x2 Alemanha Ocidenttal. O jogo contra a Inglaterra ficou célebre por causa dos dois gols de Maradona. O primeiro, irregular, mas validado, ficou conhecido como “La mano de Dios”. O segundo foi uma verdadeira obra prima de grande mestre do futebol. Na final, contra a Alemanha Ocidental, muito bem marcado por Matthäus, Maradona não conseguiu marcar, mas deu o passe para Burruchaga assinalar o último gol, que somado aos anteriores de Brown e Valdano, garantiu a vitória e o título. Carlos Bilardo foi o técnico campeão; Pumpido, o melhor goleiro da competição; e Diego Armando Maradona ganhou a Bola de Ouro, como melhor jogador do torneio.

Na Itália, em 1990, apesar de estreiar na Copa com derrota, a Argentina conquistou o Vice Campeonato, com bom desempenho: 0x1 Camarões, 2x0 União Soviética, 1x1 Romênia, 1x0 Brasil, 0x0 Iugoslávia (3x2 pênaltis), 1x1 Itália (4x3 pênaltis) e 0x1 Alemanha Ocidental. A seleção platina tinha Carlos Bilardo como técnico e Maradona como grande astro, ainda. Mas o herói que levou os portenhos à final, graças às vitórias nos pênaltis em dois jogos decisivos consecutivos, foi o goleiro Goycochea. Um título conquistado pela Argentina na Copa de 90, mas que não a honra, foi a de ter sido a equipe que mais cometeu faltas (177), tendo recebido 23 cartões amarelos e 3 vermelhos. A Argentina classificou-se em 11º lugar (entre 24 seleções), na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, eliminada nas oitavas, com os resultados: 4x0 Grécia, 2x1 Nigéria, 0x2 Bulgária e 2x3 Romênia. Foi a triste quarta e última participação de Maradona em campeonatos mundiais, expulso do certame, após exame positivo de “doping”. Em 1998, na França, a seleção argentina foi a 6ª colocada de 32 participantes, com o seguinte desempenho: 1x0 Japão, 5x0 Jamaica, 1x0 Croácia, 2x2 Inglaterra (4x3 pênaltis), e 1x2 Holanda. A primeira Copa do Mundo do Século XXI foi realizada, pela primeira vez, na Ásia, em 2002, tendo dois países anfitriões: Coréia do Sul e Japão. Não foi feliz a partcipação argentina, eliminada na primira fase e colocada em 18º lugar (32 disputantes), devido à sua campanha: 1x0 Nigéria, 0x1 Inglaterra e 1x1 Suécia. Em 2006, na Alemanha, a Argentina chegou às quartas-de-final, classificando-se em sexto lugar (32 participantes), com os jogos: 2x1 Costa do Marfim, 6x0 Sérvia e Montenegro, 0x0 Holanda, 2x1 México e 1x1 Alemanha (2x4 pênaltis). A África do Sul teve o privilégio de ser a primeira nação do continente africano a sediar uma Copa do Mundo, em 2010. A seleção argentina, tendo Maradona como técnico, chegou novamente à fase das quartasde-final, mas foi goleada pela Alemanha. Obteve a quinta colocação (32 disputantes), após as seguintes partidas: 1x0 Nigéria, 4x1 Coréia do Sul, 2x0 Grécia, 3x1 México e 0x4 Alemanha. No âmbito continental, a argentina e a uruguaia são as seleções que mais venceram a Copa América (computados os antigos Campeonatos Sul-Americanos): 14 vezes cada uma, enquanto o Brasil ganhou 8 edições. É também a Argentina a maior vencedora do torneio de futebol


dos Jogos Pan-Americanos, tendo conquistado a medalha de ouro nos anos de 1951, 1955, 1959, 1971, 1995 e 2003. Os argentinos venceram o torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, e de 2008, em Pequim.

GILBERTO SALOMÃO, 8 DE FEVEREIRO DE 2011 _Puxa, o relato sobre o futebol de “los hermanos” deu trabalho, mas valeu a pena, exclamou Marcos, dando início ao bate-bapo na “Empada Brasil”, no Centro Comercial Gilberto Salomão. _Realmente, ficou bem completo e bastante pormenorizado. Além disso, está isento e imparcial. Nem parece ter sido escrito por apaixonados torcedores brasileiros...comentou, com ironia, o inglês Brian Butler. _Agradeço, em nome do Marcos e do meu próprio, retrucou Cristiano, sem se abalar com o tom irônico do amigo. _Eu fiquei entusiasmado com a luta do Jorge Messi. pai do Lionel, para poder custeiar o tratamento do filho, comentou Pedro Paulo. _De fato, um belo exemplo, digno de admiração, concordou Roberto Mauro. E acrescentou: _Imaginem a dor de cotovelo do “Newell’s Old Boys” por não ter aceitado bancar as despesas, da ordem de 900 dólares mensais. _É um típico caso em que se aplica o dito popular “se arrependimento matasse...”. Parece-me que houve um contato, também, com o “River Plate”, manifestou-se o Marcos. _Bem, agora, precisamos tratar da história do futebol na Espanha. Proponho que o relator seja o Cristiano, uma vez que foi o único de nós que esteve presente na Africa do Sul, assistindo à consagração de “La Furia”, sugeriu Pedro Paulo. Aceita a sugestão, e obtida a concordância do comerciante aposentado, que, como bom mineiro, gostava de trabalhar em silêncio, foi encerrada a reunião.

O FUTEBOL NA ESPANHA (1878-2010) Dotada de vários portos (Barcelona, Bilbao, Cadiz, La Coruña, Málaga e Valência, entre outros), embora com inserção periférica na economia européia, a Espanha apresentava, no final do Século XIX, uma configuração territorial favorável à introdução de inovações, por diversas portas de entrada, quase simultâneamente. A difusão do futebol estava diretamente ligada ao poderio da Inglaterra, maior potência industrial da época. Era britânica a maior frota mercante do mundo, e os seus marinheiros, em suas horas de folga, nas diversas cidades portuárias do planeta, praticavam o futebol. Além disso, o esporte bretão se fazia presente nos locais de investimentos ingleses em território espanhol: mineração, ferrovias, infra-estrutura urbana e indústrias, em geral. Barcelona, Bilbao e Madrid formaram o tripé fundamental, a partir do qual, o futebol se consolidou como prática lúdica socialmente aceita, espalhando-se por toda a Espanha, nas três primeiras décadas do Século XX. Entretanto, não foram essas três cidades as pioneiras do futebol em território espanhol. Em algumas localidades, a existência de portos ou a presença de empresas britânicas propiciaram a prática do futebol, ainda no Século XIX. Em Huelva, a Companhia Mineira de Rio Tinto tinha alguns operários, oriundos das ilhas britânicas, praticantes de futebol, em 1872. No ano seguinte, a exploração das minas passou a ser feita por empresa inglesa. Em decorrência, aumentou substancialmente o número de trabalhadores e funcionários adeptos do esporte. Em 1878, foi informalmente criado o “Rio Tinto Foot-ball Club”. Essa agremiação foi a semente da fundação, em 23 de dezembro de 1889, do “Huelva Recreation Club”, destinado à prática de diversos esportes, com destaque para o futebol, e legalmente registrado. Por ocasião da comemoração do IV Centenário do Descobrimento da América, em 1893, foi realizada a “Copa de la Diputácion de Huelva”, primeiro troféu disputado na Espanha por equipes de futebol, entre as quais algumas formadas por nativos. Pode-se, assim, considerar Huelva como a cidade pioneira do futebol espanhol. Essa primazia foi logo superada por Bilbao, que, além de porto, era um


centro industrial florescente no final do Século XIX e apresentava um grande movimento comercial. Tem-se registro de um desafio futebolístico, em 1894, entre naturais da cidade e britânicos que trabalhavam na capital vizcaína. Em 1898, fundou-se o “Club Athletic de Bilbao”, provando o desenvolvimento local do futebol. Barcelona, que também dispunha de movimentado porto, era o maior centro industrial do país, e sua população tinha o espírito cosmopolita e era adepta da modernidade, acolheu com simpatia, a partir de 1888, o futebol praticado por representantes comerciais, funcionários consulares, técnicos e engenheiros das numerosas indústrias, com as nacionalidades inglesa, escocesa, irlandesa, alemã e suíça, principalmente, e, ainda, alguns animados catalãos. A “Football Associació de Cataluña”, fundada em 11 de novembro de 1900, foi, provavelmente, a primeira entidade federativa, criada em território espanhol. Em 1903, a cidade sediou um movimentado torneio de futebol, a Copa Barcelona, reunindo oito participantes, entre equipes de bairros e times formados por estrangeiros. Madrid não tinha porto, nem era um grande centro industrial, mas seu tamanho (cerca de meio milhão de habitantes) e a sua condição de capital nacional asseguravam-lhe conexões internacionais importantes. Por volta de 1890, professores da famosa “Escuela de Gimnasia” viajavam regularmente para Oxford e Cambridge, em busca de aperfeiçoamento. De volta à Madrid, introduziram o futebol. O novo esporte recebeu um acolhida muito boa, resultando na criação, em 1897, do “Football Sky”, agremiação que serviu de base, posteriormente, para a fundação do “Real Madrid Club de Fútbol”. O “Athletic Club” foi fundado, em 1898, por britânicos estabelecidos em Bilbao, em virtude da industrialização da cidade, e jovens da elite bilbaína, que haviam estudado na Grã-Bretanha. A partir de 1911, o clube, cuja equipe tinha diversos jogadores de origem britânica, passou a exigir que seus integrantes fossem todos nascidos na Provínvcia de Biscaia. Posteriormente, foram aceitos jogadores de províncias bascas vizinhas. A regra estatutária foi novamente abrandada para permitir a admissão de jogadores estrangeiros, desde que tivessem origens bascas. Atualmente, é permitida a contratação de estrangeiros não descendentes, desde que tenham sido educados na cultura basca. Dessa forma, o

“Atlético de Bilbao” (como é conhecido na imprensa esportiva brasileira) é um símbolo emblemático do orgulho basco. Durante o governo de Franco, em virtude da proibição do uso de outros idiomas, o clube foi obrigado a usar a denominação “Club Atlético de Bilbao”. Depois da morte do ditador, voltou a utilizar o nome original, em inglês. O “Fútbol Club Barcelona”, fortemente identificado com o nacionalismo catalão, foi fundado em 29 de novembro de 1899. O “Barça” tavez seja, hoje, o clube de maior torcida, em termos mundiais. Em 2010, pesquisa, realizada por uma empresa alemã, avaliou em 57,8 milhões o número de seus torcedores europeus. O “Real Madrid Club de Fútbol” surgiu em 6 de março de 1902, por obra de ricos comerciantes espanhóis, a partir do núcleo do “Football Sky”, criado cinco anos antes. A primeira secretaria do novo clube funcionou na, então famosa, loja de modas “Al Capricho”, no centro de Madrid. O primeiro campeonato espanhol, denominado concurso de futebol, realizado em maio de 1902, reuniu seis clubes: dois de Bilbao, dois de Barcelona e dois de Madrid. O torneio, efetivado na capital, com apoio oficial e a presença do próprio Rei Dom Alfonso XIII, recebeu ampla cobertura da imprensa (fato incomum na época). O troféu disputado, a “Copa de la Coronación”, foi o embrião da atual “Copa Del Rey”. No entanto, a introdução, a difusão e o desenvolvimento do futebol no país ibérico encontraram sérios obstáculos de ordem sócio-cultural, especialmente em lugares onde não havia uma vida esportiva consolidada. As objeções eram associadas à condição alienígena do esporte, à suposta extrema violência do mesmo, e à possível ameaça do jogo importado à tourada, arraigada tradição cultural, vista como esporte e diversão nacional. Três décadas foram suficientes para que o futebol superasse os óbices e suplantasse, em popularidade, a tauromaquia, considerada desde o Século XVIII a verdadeira festa nacional. A Real Federação Espanhola de Futebol foi fundada em 1909, tem sua sede em Madrid, e filiou-se à FIFA em 1913. A Seleção da Espanha disputou suas primeiras partidas durante os Jogos Olímpicos de Amberes, em 1920. O ano de 1926 foi sumamente importante para a evolução do futebol na Espanha, uma vez que, após longos e acalorados debates, os


clubes aprovaram o “Primer Reglamento del Fútbol Profesional Español”. Em 1928, instituíu-se o Campeonato Nacional da Liga, definindose o seleto conjunto de dez clubes, componentes da elite. Foram eles os seis campeões da Copa de Espanha, os três vice-campeões, e mais uma vaga, atribuída ao vencedor do torneio, especialmente realizado para tal fim. A primeira edição da Liga foi disputada em 1929. As origens do “Real Madrid Club de Fútbol” remontam ao início de 1897, quando jovens estudantes da “Institución Libre de Enseñanza” criaram um clube de futebol chamado “Football Club Sky”. Em 1900, liderados por Julián Palacios, um grupo de jogadores dissidentes do “Sky” criou o “Madrid Foot Ball Club”, embrião do futuro “Real Madrid”. Em 6 de março de 1902, alguns aficionados pelo clube de futebol oficializaram a sua fundação, e instituiram a primeira diretoria do “Madrid”, que passou a ser presidido por Juan Padrós Rubio. No mesmo dia foi escolhida a cor branca para o uniforme oficial da equipe. Três dias mais tarde, foi realizada a primeira partida, entre dois times do clube: o vermelho, no qual jogou o antigo presidente informal, Julián Palácios; e o azul, pelo qual atuou o novo presidente formal, Juan Padrós. Os endereços do clube eram: os fundos da loja Al Capricho, de propriedade dos irmãos Padrós, onde funcionava a secretaria; e a taberna La Taurina, local de reunião e vestiário dos atletas, antes dos jogos. Os estatutos do “Madrid Foot Ball Club” foram aprovados pelo Governador Civil da Província, em abril de 1902. No dia 13 do mês seguinte, foi realizado o primeiro jogo contra o “Barcelona”, vencido pelos catalãos, por 3x1. Em compensação, o “Madrid” ganhou, por 3x2, a partida contra o outro clube de Barcelona, o “Español”. Essa vitória significou a conquista do primeiro troféu, a “Copa de la Gran Peña”. Em 8 de abril de 1903, o “Madrid” enfrentou o “Athletic” de Bilbao, na final da Copa do Rei, perdendo por 3x2. O clube se fortaleceu, absorvendo três pequenas equipes: “Moderno”, “Amicale” (onde jogavam os franceses radicados na capital espanhola) e “Moncloa”, em1904. No mesmo ano, Carlos Padrós deixou a presidência da “Federación Madrileña de Clubs de Foot-Ball” e substituiu seu irmão Juan, como presidente do “Madrid”. Em 18 de abril de 1905, a equipe madrilenha conquistou o título

da Copa da Espanha, vencendo a partida final contra o “Athletic”, por 1x0, com o gol marcado por Manuel Prats. Em 23 de outubro do msmo ano, por motivo da visita à Espanha do Presidente M. Loubet da França, foi organizdo um jogo amistoso internacional entre o “Madrid” e a equipe francesa do “Gallia Sport”, de Paris, terminando em 1x1. No ano seguinte, em 10 de abril, a vitória de 4x1 sobre o “Athletic”, de Bilbao, assegurou ao “Madrid” a Copa da Espanha, após ter vencido, no dia anterior, o “Recreativo Onubense”, formado pelos ingleses das minas de Tharsis, por 3x0. No dia 30 de março de 1907, o “Madrid” derrotou o “Vizcaya” por 1x0 (gol de Prats), conquistando pela terceira vez consecutiva a Copa da Espanha, e obtendo, consequentemente, sua posse definitiva. Em 13 de abril de 2008, ao vencer por 2x1 o “Sporting” de Vigo, o “Madrid” conseguiu sua quarta conquista seguida, no certame. No mesmo ano, Adolfo Melendéz assumiu a presidência do clube, sucedendo a Carlos Padrós, que foi eleito Presidente Honorário. Ao se iniciar a segunda década do Século XX, o “Madrid” enfrenta severa crise. Um grupo de abnegados, entre os quais, Juan e Carlos Padrós, Manuel Prats, Pedro Parages e Santiago Bernabéu conseguem conter as deserções e, cientes de que precisam aumentar as receitas com o aumento de sócios e de espectadores, decidem construir um novo campo. Escolhido o terreno na área de O’Donnell, muitos deles põem, literamente, mãos à obra para dotar o “Madrid” de um excelente campo com as dimensões de 115 m de comprimento por 85 m de largura. Entrementes, continuaram a jogar futebol e foram recompensados com mais um título de campeão nacional, em 1917, vencendo o “Arenas de Guecho”, no dia 15 de maio, dedicado a San Isidro, padroeiro de Madrid. O dia 29 de junho de 1920 tornou-se histórico para o clube, pois Pedro Parages, que sucedera Melendéz como presidente, recebeu uma carta da “Mayordomia Mayor de S. M. El Rey Alfonso XIII”, cujo texto dizia: “Su Majestad El Rey (q. D. g.) se ha servido conceder com la mayor complacência el Título de Real a esse Club de Football, del que V. es digno presidente, el cual, en lo sucesivo, podrá anteponer a su denominación. De lo que Real orden participo a V. para su conocimiento y efectos consiguientes. Dios guarde a V. muchos años.”


Após conceder ao Rei Afonso XIII o título de Presidente Honorário, o clube, já com o nome de “Real Madrid”, fez suas primeiras excursões ao exterior: em Portugal, enfrentando o “Benfica” e o “Porto”; e na Itália, jogando nas cidades de Turim, Livorno, Bolonha e Gênova. Assim, encerrou a década, com um astral muito melhor que o do seu início. Na década seguinte (1921-1930), o “Real Madrid” tomou gosto pelas excursões ao exterior. Realizou jogos em diversos países da Europa e da América. Além disso, em apenas um ano, trocou de estádio duas vezes. Para atender à crescente demanda dos seus torcedores, a diretoria, juntamente com o capitão da equipe, Santiago Bernabéu, entabolou negociações com as autoridades responsáveis pela administração das instalações esportivas da “Ciudad Lineal”, para a utilização do campo do velódromo, com capacidade para oito mil espectadores. Graças ao sucesso dos entendimentos, o jogo inaugural aconteceu no dia 29 de abril de 1923, com uma vitória do “Real” sobre o “Irún”, por 2x0, com dois gols de Úbeda. No ano seguinte, em 17 de maio, foi inaugurado o Estádio de Chamartin, cuja lotação era de 15.000 pessoas, construído pelo arquiteto José Maria Castell, antigo jogador do “Madrid”. A partida internacional contra o “Newcastle”, vencedor da Copa Inglesa, teve o chute inicial dado pelo Infante Don Gonzalo, e terminou com o triunfo da equipe espanhola por 3x2. Em agosto de 1925, o “Real Madrid” efetuou uma excursão pela Inglaterra, Dinamarca e França, colhendo resultados negativos. Na sua volta, é eliminado pelo “Barcelona”, nas quartas-de-final da Copa. No ano de 1927, a viagem foi mais longa. Foram 16 partidas na América, com 9 vitórias, 3 empates e 4 derrotas. O ano de 1928 foi marcado pela estréia de Gaspar Rubio, que se transformou em novo ídolo da torcida local. Marco decisivo para a evolução do futebol espanhol foi a data de 10 de fevereiro de 1929, na qual teve início o primeiro novo Campeonato da Liga, com dez clubes na Primeira Divisão, entre os quais o “Real Madrid”, que estreiou aplicando uma goleada de 5x0, no “Europa” de Barcelona. O consagrado craque Ricardo Zamora integrou-se à equipe de

“Los Blancos”, em setembro de 1930, fechando a década com chavede-ouro. O Campeonato da Liga Espanhola, na temporada 1931-32, começou com um duelo, ombro a ombro, entre o “Real Madrid” e o “Athletic” de Bilbao, que só se definiu na última rodada, quando os bascos foram derrotados pelo “Santander”, e os madrilenhos, ao empatar com o “Barça”, sagraram-se campeões invictos, graças à sua excelente defesa comandada pelo grande goleiro Zamora. O duro duelo com o “Athletic” se repetiu na temporada 1932-33, quando novamente os merengues foram campeões. O “Real Madrid” reforçou-se, durante a campanha, com a aquisição de José Samitier, transferido do “Barcelona”, do qual era ídolo. Nas temporadas 1933-34, 1934-35 e 1935-36, o time branco da capital foi o vice, a um ponto do campeão (“Athletic”, “Betis” e “Athletic”, respectivamente). Entretanto, foi o Campeão da Copa, em 1934, derrotando o “Valencia” por 2x1, na partida final; e , em 1936, quando o jogo final foi o clássico contra o “Barcelona”, no dia 21 de junho, e o “Real Madrid”, com 10 jogadores, manteve, graças a Zamora, o placar favorável de 2x1. A épica vitória praticamente encerrou a década, no tocante ao futebol, pois sobreveio a Guerra Civil Espanhola que interrompeu as atividades esportivas durante três anos, destruiu o campo do clube e dispersou seus jogadores e sócios. A década 1941-1950 começou com o “Real Madrid”, quase destroçado, buscando novas contratações para substituir os craques perdidos durante a guerra ou que penduraram as chuteiras no período. Em 5 de abril de 1941 foi a vez de uma das maiores legendas do clube, o zagueiro Jacinto Quincoces, considerado um dos melhores do mundo, na época, fazer seu último jogo com o uniforme branco, antes de se aposentar. Nessa década, o “Real Madrid” não ganhou um título siquer no Campeonato da Liga. Foi o vencedor da Copa do Rei, em 1945/46 e 1946/47. Entre as poucas alegrias proporcionadas à sua torcida, a grande satisfação foi a causada pela inusitada goleada de 11x1, imposta ao rival “Barcelona”, em 13 de junho de 1943. O fato mais importante da década, para o futuro do “Real Ma-


drid”, foi a escolha por unanimidade de Santiago Bernabéu para presidir o clube, em 15 de setenbro de 1943. Poucos meses depois, foi comprado o terreno para a costrução de um novo estádio. Logo em seguida, foram iniciadas as obras. No que se refere diretamente ao time, a grande novidade foi a contratação do agora treinador Quincoces, seu ex grande zagueiro. Em 14 de dezembro de 1947, foi inaugurado o novo Estádio de Chamartin (hoje Santiago Bernabéu), com um jogo contra o “Belenenses”, de Portugal, vencido pela equpe local por 3x1. Em janeiro de 1948, o “Real Madrid” contratou novo técnco, o inglês Keeping, que introduziu o sistema WM entre os merengues. 1951 foi o início de uma brilhante década para o “Real Madrid”, quando começaram a ser planejados os festejos para o seu cinqüentenário, no ano seguinte. Em 6 de março de 1952, o clube comemorou seus cinqüenta anos e, entre os eventos realizados, destacou-se o Torneio Internacional, no qual foi vitoriosa a excelente equipe do “”Millonarios” da Colômbia. No time “pirata” colombiano, pontificava um magnífico jogador argentino, Alfredo Di Stéfano, que encantou os torcedores e dirigentes espanhóis. Travou-se, então, uma intensa batalha entre o “Barcelona” e o “Madrid”, que negociaram, respectivamente, com o argentino “River Plate” (detentor legal dos direitos federativos do jogador) e com o clube colombiano (ilegal perante a FIFA), ao qual o craque estava efetivamente vinculado, visando à contratação de Di Stéfano. O impasse foi de tal ordem, que o Ministro dos Esportes da Espanha interveio, propondo uma solução conciliatória, que não foi aceita pelo “Barça”. A estréia do argentino na equipe “blanca”, em 23 de setembro de 1953, deu início a uma nova era no “Real Madrid”, tamanha foi a sua contribuição para o fortalecimento do time e a identificação futura com o clube. Os merengues, com uma plêiade de craques, liderados por Di Stéfano, tornaram-se extremamente poderosos, conquistando o Campeonato da Liga Espanhola em 1953/54, 1954/55, 1956/57 e 1957/58. Mais expressivas foram as cinco conquistas sucessivas da Copa dos Campeões da UEFA, em 1955/56, 1956/57, 1957/58, 1958/59 e 1959/60. O pentacampeonato na mais importante competição européia foi obtido,

superando, em emocionantes jogos finais, os seguintes adversários, em ordem cronológica: “Stade Reims”, “Fiorentina”, “Milan”, “Stade Reims” e “Eintracht”, de Frankfurt. A partir de agosto de 1958, o “Real Madrid” contou com o fomidável reforço do extraordinário Ferenc Puskás, e ainda contratou, em 1959, o habilidoso ponta-direita brasileiro Canário. Para coroar a espetacular atuação do time nos anos cinqüenta, veio a conquista, em nível mundial, da Copa Intercontinental, superando o “Peñarol”, do Uruguai, por 5x1, em 1960, último ano da década. A supremacia do “Real Madrid”, dentro do cenário espanhol, continuou absoluta no período 1961 – 1970, o que é atestado pela vitória em oito dos dez campeonatos da Liga disputados: 1960/61, 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68 e 1968/69. No plano internacional, porém, surgiram outros times europeus suficientemente fortes para fazer frente à poderosa equipe de Madrid. Em função da apoentadoria de seus grandes ídolos emblemáticos, como Di Stéfano e Puskás, o clube espanhol precisa se renovar, contratando novos jovens valores, que foram apelidados de “ye-yés”. Assim, o único título da Liga dos Campeões da UEFA, conquistado pelo “Real Madrid”, na década, ocorreu na temporada 1965/66, com um time que mesclava veteranos craques consagrados e talentos promissores, em início de carreira. O primeiro ano da nova década se iniciou de forma triste para os merengues, pois, em sua primeira disputa da Recopa Européia, foram derrotados (2x1) pelo “Chelsea”, de Londres, no dia 21 de maio de 1971. Essa foi, também, a última partida oficial do veloz e hábil ponta espanhol Paco Gento, com a camisa branca, após 18 anos de brilhante carreira. No âmbito interno, a hegemonia “madridista” voltou a se fazer presente, nas seguintes conquistas: Liga Espanhola, em 1971/72, 1974/75, 1975/76, 1977/78, 1978/79 e 1979/80; e Copa do Rei, em 1973/74, 1974/75 e 1979/80. A maior tristeza merengue, que marcou a década, e foi motivo de luto para os amantes do futebol em toda a Espanha e outras partes do mundo, foi o falecimento, em 2 de junho de 1978, de Santiago Bernabéu, Presidente do “Real Madrid Club de Fútbol” durante 35 anos. Em 1981, a equipe “blanca” voltou a disputar, após longa


ausência, a final da Liga dos Campeões da UEFA, mas sucumbiu, embora honrosamente, perante o “Liverpool”, da Inglaterra. No início de 1984, estreiou no time merengue Emílio Butragueño, que havia sido a revelação do campeonato e o artilheiro, na 2ª divisão. Na temporada 1984/85, o “Real Madrid” conquistou seu primeiro título na Copa da UEFA, façanha que repetiu na temporada seguinte. Também em 1985/86, iniciou a vitoriosa seqüência ininterrupa de cinco campeonatos da Liga Esanhola, que foi até a campanha de 1989/90, transformando essa década em uma das mais brilhantes de sua história. A última década do Século XX se iniciou com dois insucessos, ambos em Tenerife, quando o “Real Madrid” perdeu, na última rodada, o título da Liga, em dois campeonatos seguidos. Por isso, a ilha do arqipélago das Canárias foi considerada maldita, pelos “madridistas”. Em compensação, os merengues ganharam sua 17ª Copa do Rei da Espanha, em 1993, vencendo o “Zaragoza”, na partida final, por 2x0 (gols de Butragueño e Lasa). E, no final do ano, conquistaram a Supercopa da Espanha, impondo-se ao “Barcelona”. Em 1994, chegou ao “Madrid”, como novo treinador, o argentino Jorge Valdano que, como técnico do Tenerife, foi um dos carrascos que impediu duas conquistas na Liga. Com ele, foram contratados os craques Redondo, Laudrup, Amavisca, Quique Flores e Cañizares. No dia 7 de janeiro de 1995, “los blancos” derrotam os “blaugranas” do “Barça”, por 5x0, com três gols do chileno Ivan Zamorano. Em 1996, o italiano Fabio Capello assumiu o comando técnico da equipe. Chegaram, também, novos valores: Seedorf, Suker, Mijatovic e Roberto Carlos. Em agosto de 1997, o “Real Madrid” conquistou sua quinta Supercopa da Espanha, ao vencer, em jogo memorável, o “Barcelona”, por 4x1, revertendo a desvantagem da derrota na Catalunha. No dia 20 de maio de 1998, venceu sua sétima Copa da Europa (Liga dos Campeões da UEFA), superando a “Juventus”, da Itália, em Amsterdam, por 1x0, com o gol, que se tornou célebre, de Mijatovic. Em 1º de dezembro do mesmo ano, na cidade de Tóquio, no Japão, ao vencer o “Vasco da Gama”, do Brasil, por 2x1, com gols de Roberto Carlos e Raúl, o “Madrid” conquistou, pela segunda vez, a Copa Intercontinental. Com gols de Morientes, McManaman e Raúl, o time merengue

venceu o “Valencia” por 3x0, em Paris, conquistando sua oitava Copa da Europa, na primeira vez em que dois clubes do mesmo país disputaram a final, em 16 de julho de 2000. Ainda nesse ano, o clube da capital espanhola logrou a contratação do craque português Luís Figo, que estava no “Barça”. O ano, a década, o século e o milênio se encerraram com a escolha do “Real Madrid”, pela FIFA, como o melhor clube do Século XX. Sob a batuta do Presidente Florentino Pérez, “Los Galacticos” iniciaram 2001, com a conquista do vigésimo oitavo título da Liga, vencendo o “Alavés”, por 5x0, em 20 de maio. Em seguida, no dia 9 de julho, Zinedine Zidane assinou contrato com o “Real”. Outro título foi ganho em 2001: a Supercopa da Espanha, com a vitória sobre o “Zaragoza”, pelo placar de 4x1, acumulado das duas partidas. Em 2002, ano do seu centenário, o “Real Madrid” perdeu, justamente no dia do aniversário, 6 de março, o jogo final da Copa do Rei, no Estádio Santiago Bernabéu, para o “Deportivo de la Coruña”, por 2x1. Mas, o prestígio do ano histórico foi recuperado, com a conquista da sua nona Copa da Europa, em Glasgow, graças à vitória sobre o “Bayern Leverkusen”, da Alemanha, pelo mesmo placar de 2x1, com tentos marcados por Raúl e Zidane, sendo inesquecível o do francês, pela sua bela feitura. Em agosto, o “Real” conquistou, em Mônaco, um título que fazia falta em suas vitrines de troféus: a Supercopa da Europa, com uma excelente atuação de Roberto Carlos, que contribuiu decisivamente para superar, por 3x1, o “Feyenoord” holandês. No dia seguinte, 31 de agosto, Ronaldo, “O Fenômeno”, veste a gloriosa camisa branca, assinando o seu contrato. O ano do centenário se encerra com a conquista da sua terceira Copa Intercontinental, em Yokohama, Japão, sobrepujando, por 2x0, o “Olímpia”, do Paraguai. Em 2003, logo após contratar, em julho, mais um grande ícone do futebol mundial, David Beckham, o “Real Madrid” venceu, pela sétima vez, a Supercopa da Espanha. Em agosto de 2004, foi contratado o defensor do “Sevilla”, Sergio Ramos, um dos jovens jogadores espanhóis de maior projeção. Os merengues conquistaram mais um título da Liga Espanhola, o seu trigésimo, na temporada 2006/07. Na seguinte, com o técnico Bernd Schuster, e novos valores, como Marcelo, Robben, Heinze, Snei-


djer, Drenthe, Saviola e Metzelder, o “Real Madrid” repetiu o feito, com bela campanha. A oitava Supercopa da Espanha dos “blancos” foi ganha em 2008, em acirrada disputa com o “Valencia”. Em 2009, de novo com Florentino Pérez na presidência, o clube voltou a investir pesado na contratação de grandes jogadores consagrados, a começar pelo brasileiro Kaká. Logo depois, foi a vez do português Cristiano Ronaldo. Em seguida, incorporaram-se ao elenco merengue: o atacante Karim Benzema e o volante Xabi Alonso, além do zagueiro Raúl Albiol e o lateral Arbeloa. Após o novo técnico, o renomado português José Mourinho, ter assumido, em 2010, foram contratados, pelo “Real Madrid”, alguns jovens valores, que atuaram na Copa do Mundo da África do Sul: os alemães Mesut Özil e Sami Khedira e o argentino Ángel Di Maria. Fundado em 1898, o “Athletic” de Bilbao teve, em seus primeiros anos, muitos jogadores de origem britânica. Entretanto, outros clubes da região basca, como a “Unión Ciclista de San Sebastián” (atual “Real Sociedad”), o “Basconia” e o “Racing de Irún” (atual “Real Irún”) só utilizavam atletas nativos. Em 1911, o “Athletic” aderiu à regra, vindo a se tornar o grande símbolo emblemático da identidade basca, no futebol. O “Athletic” foi campeão invicto, logo na implantação da Liga Espanhola, na temporada 1929/1930. Nesse mesmo campeonato, infligiu ao “Barcelona” a maior goleada já registrada na história da primeira divisão da Liga: 12x1. Consta, também, nos registros históricos, que o seu atacante Telmo Zarra detém o recorde de maior goleador da Liga, com 251 tentos assinalados em 279 partidas, entre 1939 e 1955. O clube alvirrubro é um dos três clubes da 1ª divisão da Liga que jamais foi rebaixado (os outros dois são o “Real Madrid” e o “Barcelona”). Comemorou seu centenário, em 1998, com um jogo amistoso contra a Seleção Brasileira, consegundo um empate em 1x1, graças ao gol marcado por Carlos Garcia (o tento brasileiro foi assinalado por Rivaldo). O “Athletic”, que foi Campeão Espanhol oito vezes, entre 1930 e 1984, e conquistou a Copa do Rei da Espanha em vinte e quatro oportunidades, de 1902 a 1984, cedeu dois jogadores à Seleção Espanhola, Campeã do Mundo, em 2010: o meio-campista Javi Martinez e o ata-

cante Fernando Llorente (anbos foram reservas). Entre outros, tiveram destaque em seu time, ao longo dos anos, os jogadores (em ordem alfabética): Bata, Etxeberria, José Ángel Iribar, Julio Salinas Fernandéz, Lizarazu, Pichichi, Uriarte, Zarra e Zubizarreta. O “Club Atlético de Madrid”, fundado em 1903, por estudantes bascos, sob a denominação de “Athletic Club de Madrid”, foi concebido, inicialmente, como uma filial do “Athletic Club”, de Bilbao. Tornou-se independente em 1921, embora tenha mantido a similaridade nas camisas brancas e vermelhas, em listras vertcais, além da semelhança no nome. O outro grande clube de Madrid, o “Real”, tem uma torcida considerada mais elitista, enquanto o “Atlético” se identifica com as classes operárias, inclusive porque seu primeiro estádio, Ronda de Vallecas, localizava-se em bairro de moradias populares. Surgiu, então, o apelido de “colchoneros”, pois muitos dos seus adeptos eram trabalhadores e os colchões mais baratos, na época, eram listrados de vermelho e branco. Até o início da década de 1950, quando o “Real Madrid” começou, com Di Stéfano, a partir de 1953, sua era de ascensão, o “Atlético” tinha mais títulos. Na década iniciada em 1921, os “rojiblancos” venceram, três vezes, o Campeonato do Centro Espanhol e foram vice-campeões da Copa do Rei, em 1926. Integrante da Primeira Divisão da Liga, em seu primeiro campeonato, foi rebaixado na edição seguinte. Subiu de volta à elite em 1934, mas sofreu novo descenso em 1936. Em julho desse mesmo ano, estourou a Guerra Civil na Espanha. Após a cessação das hostilidades, o clube fundiu-se com o “Aviación Nacional” de Zaragoza, clube ligado aos miltares da aeronáutica espanhola, a alterou sua denominação para “Athletic Aviación de Madrid”. Como o “Real Oviedo”, em função da destruição causada pelo conflito, não teve condições para disputar o campeonato da primeira divisão da Liga, os “colchoneros” foram convidados a substituí-lo. O convite foi bem aproveitado, pois, sob o comando técnico de Ricardo Zamora, o “Aviación” foi o Campeão, em 1939/40. Na temporada seguinte, repetiu a façanha, sagrando-se Bicampeão, e igualou o número de títulos do rival “Real Madrid”. Ainda em 1941, teve que modificar, novamente, seu nome, em função do decreto do Presidente Francisco Franco, que proibiu o uso de idiomas estrangeiros, mudando-o para “Atlético Aviación de Madrid”.


Enquanto o clube merengue enfrentava dificuldades, o alvirrubro gozava de algumas facilidades, em face de seus contatos com os militares no poder. Entretanto, em 1947, terminou o vínculo com a Força Aérea, o apoio governamental diminuiu, e o clube fez nova alteração em sua denominação, que passou a ser “Club Atlético de Madrid”. O terceiro título de Campeão Espanhol veio em 1949/50 e o quarto na temporada seguinte. Com esse bicampeonato da Liga, igualou-se ao “Barcelona”, com quatro títulos, sendo superado apenas pelo “Athletic” de Bilbao que havia sido vitorioso em cinco campeonatos nacionais, até então. Mas, a maior alegria dos “colchoneros” era estar na frente dos “blancos”, da outra grande equipe da capital, que só tinha os dois títulos conquistados nos anos 30, satisfação essa que duraria pouco Efeivamente, o “Barcelona” e o “Real Madrid” firmaram-se como os maiores ganhadores da Liga, deixando para trás o “Athletic” de Bilbao e o “Atlético de Madrid”, Sem chances nos campeonatos da Liga, o “Atlético” conseguiu conquistar um bicampeonato na Copa Generalíssimo (como foi chamada a Copa do Rei, durante o período franquista), nas temporadas 1959/60 e 1960/61, graças à decisiva participação do seu centroavante campeão do mundo, o brasileiro Vavá. Essas conquistas tiveram sabor especial, pois os jogos finais foram contra o “Real Madrid”. Em 1962, o “Atlético” disputou a Recopa Européia, e, ao vencê-la, ganhou seu primeiro troféu continental. A partida final contra a “Fiorentina”, da Itália, foi o último jogo de Peiró, um dos seus ídolos, que se transferiu para o “Torino”, também italiano. Os “rojiblancos” voltaram a vencer a Copa, em 1964/65, e conquistaram, na temporada 1965/66, o título da Liga, com um time no qual se sobressaíam Adelardo, Luís Aragonés e José Ufarte (um galego criado no Brasil, onde jogou pelo “Corinthians”, de São Paulo, e pelo “Flamengo”, do Rio, sob o apelido de “Espanhol”). A primeira participação do “Atlético” na Copa dos Campeões, em 1966/67, não foi boa, eliminado precocemente palo iugoslavo “Voijvodina Novi Sad”. O ano de 1966 foi muitíssimo importante para os “colchoneros”, que foram brindados pela inauguração do novo excelente estádio, em Manzanares, que recebeu o nome do presidente do clube, na época, Vicente Calderón. Em 1969/70, com os goleadores Luís e o argentino, naturalizado es-

panhol, José Eulogio Gárate, o “Atlético” conquistou seu sexto título da Liga. Na sua segunda disputa pela Copa dos Campeões, a campanha foi um pouco melhor, pois chegou às semifinais, sendo derrotado pelo “Ajax”, de Cruijff. Na década iniciada em 1971, os alvirrubros da capital venceram o campeonato da Liga, pela sétima vez, na temporada 1972/73, com os já veteranos Adelardo, Luís e Ufarte e, mais, o goleiro Miguel Reina, o meia Javier Irureta e os atacantes José Eulogio Gárate e Heraldo Bezerra. Com esse título, o “Atlético” se credenciou para disputar, pela terceira vez, a Copa dos Campeões, em 1973/74. Conseguiu, finalmente, chegar à final, para enfrentar o “Bayern München”, base da Seleção Alemã, que seria Campeã Mundial, no mesmo ano. O jogo, bem disputado, terminou 0x0 no tempo normal. Faltando seis minutos para o fim da prorrogação, Luís marca, em magistral cobrança de falta. Quando todos contavam com a vitória “colchonera”, o “Bayern” conseguiu empatar, no último minuto. Como não havia, ainda, a decisão por pênaltis, foi marcado novo jogo, no qual a equipe de Munique fez prevalecer a maior categoria técnica de seus jogadores, vencendo facilmente. Entretanto, o “Bayern” não se interessou em disputar a Copa Intercontinental (mundial interclubes), cedendo a oportunidade para o “Atlético” jogar contra o Campeão da Libertadores, o “Independiente”. Nesse ínterim, o ídolo Luís Aragonés pendurou as chuteiras e tornou-se o novo técnico da equipe. Na primeira partida, na Argentina, a vitória coube ao time local, por 1x0. No jogo da volta, em Madrid, os “rojiblancos” vencem por 2x0, com gols de Irureta e Rubén Ayala, e levantam a taça. No mesmo ano de 1975, o “Atlético” contratou dois brasileiros: o atacante Leivinha e o zagueiro Luís Pereira. Logo na sua primeira temporada (1975/76), Leivinha marcou 18 gols e foi o vice-artilheiro da Liga, mas o título de campeão ficou, mais uma vez, com o “Real Madrid”. No entanto, na temporada seguinte, a categoria técnica dos craques brasileiros e a capacidade do treinador Luís Aragonês prevalecem, e o “Atlético” é, pela oitava vez, o Campeão Espanhol (1976/77). Na Copa dos Campeões subseqüente, perdeu para o “Brugge”, da Bélgica, nas quartas-de-final. Em 1979, outro craque brasileiro foi contratado para reforçar o esquadrão “rojiblanco” da capital espanhola: Dirceu, que logo se tornou um grande ídolo da torcida. Na temporada 1984/85, os


“colchoneros” levantam, pela sexta vez, a Copa do Rei da Espanha, com a decisiva participação do artilheiro mexicano Hugo Sánchez, que se transferiu, em seguida, para o arquirival “Real Madrid”. 1985 foi, também, o ano da conquista da Supercopa da Espanha. Na temporada 1987/1988, o brasileiro Alemão reforçou o meio-de-campo da equipe. Em 1989, o artilheiro da Liga foi mais um brasileiro que honrou as cores vermelha e branca do “Atlético”: Baltazar. Entretanto, durante toda a década 1981-90, o time não conseguiu um título da Liga, siquer. Em 1990, o clube “rojiblanco” obteve o reforço do veterano alemão Bernd Schuster (“Don Bernardo”), transferido do “Real Madrid”. Logo em sua primeira temporada (1990/91), o “Atlético de Madrid” conquistou o vice-campeonato da Liga e a Copa do Rei, vencendo o Mallorca, na final, por 1x0. O bicampeonato na Copa do Rei é obtido na temporada seguinte (1991/92), sobrepujando o “Real Madrid” em pleno Santiago Bernabéu, por 2x0 (gols do português Paulo Futre e de Don Bernardo). Na temporada 1992/93, o clube entrou em crise administrativa e o Presidente Jesús Gil extinguiu as divisões de base. O prejuízo futuro seria enorme, simbolizado pela transferência do jovem atacante Raúl, de família atleticana fanática, que se transferiu para o “Real Madrid”, clube onde se consagrou como grande jogador. Também por causa da crise, o alemão Schuster, o português Futre e o brasileiro Donato, grandes astros estrangeiros, deixam o clube. O “Atlético” fica em décimo segundo lugar, na temporada 1993/94, e em décimo sexto, no campeonato seguinte da Liga (1994/95). Sob o comando técnico do iugoslavo Radomir Antic, e com novos valores, entre os quais, José Molina, José Luís Caminero, Lyusboslav Penev, Diego Simeone, Milinko Pantic, Juanma López e Kiko, o clube conseguiu se recuperar, na temporada 1995/96, vencendo o Campeonato da Liga Espanhola e a Copa do Rei. Em 1997, o “Atlético” foi eliminado, nas quartas-de-final da Liga dos Campeões da UEFA, pelo “Ajax”. Na temporada 1997/98, a equipe “rojiblanca” obteve o concurso de mais dois grandes valores: o brasileiro Juninho e o italiano Christian Vieri. Entretanto, os problemas administrativos voltaram a prejudicar o desempenho do time. Nem a contratação do excelente zagueiro paraguaio Carlos Gamarra, na temporada 1999/2000, evitou o rebaixamento da equipe para a segunda divisão da

Liga. Na Copa do Rei, o time chegou à final, mas a perdeu para o “Espanyol”, de Barcelona. O pior aconteceu na temporada 2000/01, quando o “Atlético de Madrid” não logrou classificar-se bem no campeonato da 2ª Divisão, apesar de ter contratado o artilheiro da Liga, em 1999/2000, Salva. A esperada volta para a elite só foi possível na temporada seguinte, com a conquista do título da 2ª Divisão (2001/2002). A temporada 2002/03, além de ficar marcada pelo retorno à primeira divisão, assinalou, também, a estréia profissional do atacante Fernando Torres, que se tornaria o grande ídolo dos “colchoneros” nos anos seguintes. Na temporada 2003/04, o “Alético” contou com a participação do brasileiro Rodrigo Fabri. Em 2004, chegou o renomado técnico argentino Carlos Bianchi. Por recomendação sua, o ataque é reforçado com a contratação dos seus compatriotas Maxi Rodriguez e Luciano Galletti, do búlgaro Martin Petrov e do sérvio-montenegrino Mateja Kezman. No entanto, continuou o jejum de títulos expressivos. No decorrer da temporada 2006/07, foram contratados o atacante argentino Sergio Agüero e o zagueiro brasileiro Fabiano Eller. Por uma boa quantia, Fernando Torres foi cedido ao “Liverpool”, da Inglaterra, em 2007 Com os recursos auferidos, o clube alvirrubro fez novas contratações. Incorporaram-se ao elenco o brasileiro Cleber Santana, José Antonio Reyes, Luís Garcia, o português Simão Sabrosa, o brasileiro Thiago Motta e o uruguaio Diego Forlán. Na temporada 2007/08, o “Atlético”, com uma nova ótima dupla de ataque, formada por Agüero e Forlán, ficou em quarto lugar no campeonato da Liga, permitindo-lhe disputar, após mais de dez anos, a Liga dos Campeões da UEFA, na qual foi eliminado nas oitavas-de-final, apesar de invicto. O quarto lugar da Liga foi repetido na temporada seguinte e Forlán conquistou a artilharia do campeonato. Em 2009/10, porém, o desempenho do “rojiblanco” madrilenho foi fraco na Liga. Em compensação, depois de muitos anos, foi obtido um troféu. O “Atlético de Madrid” venceu a primeira edição da Liga Europa da UEFA, vencendo o inglês “Fulham”, na prorrogação do jogo final, com dois gols de Forlán. Também foi boa a campanha na Copa do Rei, obtendo o vicecameonato, ao perder a partida final para o “Sevilla”. O “Fútbol Club Barcelona” surgiu por obra de um suíço, ex-jogador de


futebol em sua terra natal. Hans Gamper, da seção de futebol do jornal local “Los Deportes”, manifestou, por meio de nota publicada no referido periódico, em 22 de outubro de 1899, seu desejo de organizar partidas, na cidade, solicitando aos possíveis interessados que o procurassem na redação, nas terças e sextas, à noite. O sucesso da iniciativa. junto aos praticantes e aficionados do esporte bretão, permitiu a realização de uma reunião no “Gimnasio Solé”, em 29 de novembro de 1899, que resultou na criação da agremiação. Os partipantes do encontro de fundação eram de diversas nacionalidades. Além do organizador suíço, estiveram presentes jogadores ingleses, alemães e, logicamente, espanhóis da Catalunha. Assim, a equipe já nasceu cosmopolita, embora tenha assumido paulatinamente, ao decorrer dos anos, o espírito catalão, tornando-se símbolo da região e de suas aspirações nacionalistas e separatistas. No dizer de um dos seus mais famosos torcedores, o tenor Josep Carreras: “Ser torcedor do “Barça” vai além do puramente esportivo, É o sentimento de raízes, de valores e de uma identidade de país: a Catalunha”. O nome inicial tinha sua grafia em inglês, como era usual na época. Quanto ao uniforme, de acordo com a versão mais aceita, as cores, propostas por Gamper, deveriam ter sido as mesmas do “Basel”, equipe suíça da qual ele havia sido o capitão: azul e vermelha. No entanto, o vermelho foi substituído pelo grená, pelo desenhista do escudo, por ser a tinta mais disponível, no momento da sua confecção. O primeiro troféu conquistado pelo “Barcelona” foi a Copa Macaya, em1902, que originou, posteriormente, o campeonato catalão. Na primeira Copa do Rei, disputada em 1902, sob o nome de “Copa de la Coronación”, o clube jogou a partida final contra a equipe basca do “Athletic”, perdendo por 2x1. Em 1905, os “blaugranas” ganharam, pela segunda vez, o campeonato da Catalunha. Hans Gamper, que se tornou mais conhecido como Joan Gamper (versão catalã do seu nome), assumiu a presidência do clube, em 1908. Em 14 de março de 1909, foi inaugurado o seu estádio de 8.000 lugares, no “Carrer Indústria”. Graças ao novo campo, aumentou o número de sócios e adeptos do “Barcelona”, começando a superar o seu primeiro rival, o “Catalá”, hoje extinto. A arquitetura do estádio deu origem a um dos apelidos do time: “culé”. Derivado do palavrão catalão “cul”, usado

para designar o ânus, a expressão foi utilizada para chamar os torcedores sentados nos muros do estádio, uma vez que os transeuntes da rua só viam suas nádegas. Em 1910, o “Barça” conquistou a sua primeira Copa do Rei. Logo em seguida, Gamper contratou o inglês Jack Greenwell para ser o gestor da equipe. Sob o comando técnico de Greenwell, o time melhorou sua performance em campo, graças, sobretudo, aos inúmeros gols marcados por Paulino Alcántara, até hoje o maior artilheiro da história do clube. Fortaleceu-se, então, durante a década 1911-1920, sua rivalidade com a outra cquipe da cidade, a do “Español”. Nesse período, os “culés” ganharam o Campeonato Catalão, quatro vezes: 1913, 1916, 1919 e 1920; enquanto o rival foi vitorioso em três oportunidades, 1912, 1915 e 1918. No cenário nacional, o “Barcelona” conquistou a Copa do Rei, em 1912, 1913 e 1920. Ao início da década seguinte, em 1921, os “blaugranas” venceram mais um Campeonato da Catalunha, e levantaram, no ano seguinte, outra vez, a Copa do Rei da Espanha, contando em suas fileiras, com os ídolos Zamora e Samitier. As sucessivas conquistas fizeram com que aumentasse o número de torcdores. Assim, tornou-se conveniente um estádio maior. Em decorrência, o “Barcelona” inaugurou, em 1922, “Las Corts”, com capacidade inicial de 22.000 espectadores, posteriormente ampliada para 30.000. O clube dos “culés” continuou dominando o futebol local, no decorrer da década, vencendo o Campeonato Catalão, também, em 1922, 1924, 1925, 1926, 1927, 1928 e 1930. A Copa do Rei foi conquistada, ainda, nas edições de 1924/25, 1925/26 e 1927/28. Um fato político interferiu na vida do “Barça”, no dia 14 de junho de 1925, quando a sua torcida vaiou o hino da Espanha, em protesto contra a ditadura de Primo de Rivera. Como punição, o clube foi fechado por seis meses, e o Presidente Gamper, forçado a renunciar. Superado o problema, o “Barcelona” continuou sua saga vitoriosa, culminando com a conquista do Campeonato da Liga da Espanha, realizado, pela primeira vez, na temporada 1928/29. Na década 1931-1940, o “Barça” venceu o “Campionat da Catalunya” (que não foi totalmente interrompido pela Guerra Civil Espanhola) em 1931, 1932, 1934, 1936 e 1938. Dois jogadores brasileiros, ambos do “Vasco da Gama”, transferiram-se


para o “Barcelona”: Jaguaré e o extraordinário Fausto dos Santos. Ficaram apenas uma temporada (1931/32), porque foram vítimas do forte preconceito racial existente, por serem negros. Terminada a Guerra Civil com a vitória do General Franco, o clube teve que alterar sua denominação, trocando as palavras na língua inglesa (“Football Club”) por sua versão castelhana (Club de Fútbol) e mudar seu escudo, reduzindo as quatro faixas vermelhas, alusivas à bandeira da Catalunha, para duas, representativas da bandeira da Espanha. Também o Campeonato Catalão foi extinto, após a edição de 1940. O “Barça”, entre o fim dos conflitos armados (1939) e o ano de 1953, apesar das dificuldades políticas, ganhou cinco títulos de Campeão Espanhol e três Copas do Generalíssimo, como foi chamada a Copa do Rei, durante a ditadura franquista. Com o comando técnico nas mãos do consagrado craque do passado Josep Samitier, o time contava com Antoni Ramallets, Joan Velasco e César, como os seus maiores destaques. A partir de 1950, a equipe passou a contar com o excepcional jogador húngaro László Kubala, que, em 1999, foi escolhido como o melhor jogador do clube, nos seus primeiros cem anos. Em 1952, o “Barcelona” venceu o Campeonato da Liga Espanhola e conquistou mais quatro troféus menores (Copa do Generalíssimo, Copa Latina, Copa Eva Duarte e Copa Martini Rossi). Na temporada seguinte, obteve a dupla vitória: Liga e Copa do Rei. Em 1953, surgiu o “affaire” Di Stéfano. Inicialmente contratado pelo cube catalão, pelo qual chegou a jogar em três amistosos, o craque argentino foi disputado pelo “Real Madrid”. O assunto ficou complicado, pois embora seu passe pertencesse legalmente ao clube argentino “River Plate” (com o qual o “Barcelona” havia se entendido), ele estava efetivamente vinculado ao colombiano “Millonarios” (pirata, de acordo com a FIFA), com o qual o clube da capital espanhola negociou a transferência. Em vista do impasse, o Ministro dos Esportes da Espanha propôs uma solução conciliatória, que seria Di Stéfano jogar por ambos os clubes disputantes, em temporadas alternadas. Em face da rejeição da proposta pelos “blaugranas”, o argentino ficou com os “blancos”, acirrando a crescente rivalidade. Em 1957, o “Barcelona” passou a jogar em seu novo e belo estádio, o “Camp Nou”, inaugurado, cm grande estilo, com um gol marcado pelo

brasileiro Evaristo, grande astro da equipe dos “culés”. Em 1958, o “Barça” foi o Campeão da Taça das Cidades com Feiras, torneio precursor da atual Liga Europa da UEFA. Em 1959, com um forte time dirigido por Helenio Herrera, contando com Evaristo Macedo, Luisito Suárez (sensação da seleção espanhola), e os húngaros do famoso escrete de 1954, Zoltán Czibor e Sándor Kócsis, quebrou o jejum de muitos anos sem o principal título espanhol, conquistando a Liga. O feito foi bisado na temporada seguinte (1959/60). Nessa mesma temporada, na sua primeira disputa da Copa dos Campeões da UEFA, a equipe “blaugrana” foi eliminada por outro time espanhol, o rival “Real Madrid”. Na Copa seguinte, após a satisfação de ter eliminado o rival, o “Barcelona” enfrentou o “Benfica” na decisão. Num jogo, em Berna, que ficou conhecido como “la final de los postes”, em alusão às quatro vezes em que os ataques barcelonistas bateram nas traves, os encarnados lusos venceram por 3x2. A década iniciada em 1961 foi caracterizada pela completa ausência de títulos de relêvo, tanto no cenário espanhol, como no continental. O “Barcelona” teve que se contentar com prêmios de consolação: o troféu internacional da Copa das Feiras, em 1966; e os nacionais das Copas do Generalíssimo, em 1963 e 1968. Na década iniciada em 1971, aconteceu a marcante contratação de Johan Cruijff, em 1973. Foi imediato o efeito da entrada do craque holandês no time, pois o “Barça” voltou a conquistar a Liga, na temporada 1973/74, e goleou o “Real Madrid” por 5x0, no Estádio Santiago Bernabéu. Cruijff recebeu sua terceira Bola de Ouro da revista “France Football”. A equipe possuía, também, outros talentos, como os locais Juan Manuel Asensi, Hugo Sotil e Carlos Rexach, aos quais veio a se juntar outro grande jogador holandês, Johan Neeskens, na temporada 1974/75. Com o concurso, ainda, do goleador austríaco Hans Krankl, o “Barcelona” conquistou a Copa do Rei, em 1978. Depois da obtenção desse segundo troféu e de ter sofrido um fratura de perna, o grande ídolo Johan Cruijff deixou o clube. A vitória na Copa credenciou o time “blaugrana” a disputar, pela primeira vez, a Recopa Européia. O estreante teve sucesso, sendo campeão (1988/89). Após a conquista da taça continental, o também ídolo Neeskens saiu do “Barça”. No ano seguinte, outro jogador de destaque. Krankl, foi embora.


Na década seguinte, o “Barcelona” venceu, novamente, a Copa do Rei (1980/81), e a Recopa (1981/82). Pouco antes da Copa do Mundo de 1982, o clube negociou a contratação de Diego Maradona. Na temporada 1982/83, a equipe dos “culés”, liderada pelo extraordinário Dieguito e comandada tecnicamente pelo seu compatriota argentino César Menotti, conquistou, outra vez, a Copa do Rei, batendo o “Real Madrid”, em inesquecível jogo final. No entanto, a estadia do grande astro na Catalunha foi curta e cheia de altos e baixos. Sofreu uma fratura de perna, e, depois de recuperado, provocou uma verdadeira batalha campal entre seus companheiros e os adversários do “Athletic” de Bilbao, vencedor, por 1x0, da partida final da Copa do Rei de 1983/84. Em decorrência do conflito, foi suspenso por três meses e foi para o “Napoli”, da Itália, ainda em 1984. Quem assumiu o papel de líder na equipe, substituindo Maradona, foi o alemão Bernd Schuster, no elenco desde 1980. O “Barça” conquistou, logo em seguida, com o técnico Terry Venables, na temporada 1984/85, depois de um longo jejum, o mais importante título espanhol, o de Campeão da Liga. Na Copa dos Campeões, o time catalão chegou à partida final, em Sevilha, como favorito, contra o “Steaua” de Bucareste. Na decisão por pênaltis, subseqüente ao empate, o goleiro Urrutia conseguiu defender as duas primeiras cobranças dos romenos. Incrivelmente, porém, nenhum jogador barcelonista converteu um pênalti, sequer; e a taça foi para a Romênia. Em 1986, o “Barcelona” contratou outro goleiro basco, Andoni Zubizarreta, e o artilheiro da Copa do Mundo, recém finda, o inglês Gary Lineker. Ganhou a Copa do Rei, na temporada 1987/88. Em 1988, o antigo ídolo Cruijff voltou para o clube, como técnico. Sua ação se fez sentir de imediato, com a conquista da Recopa (1988/89). Em seguida, venceu a Copa do Rei (1989/90). Com o holandês, novos valores se incorporaram ao elenco “blaugrana”: os bascos Txiki Begiristain, Ion Andoni Goikoetxea, José Mari Bakero, Julio Salinas e Julen Lopetegi; e os estrangeiros Michael Laudrup, Ronald Koeman e Hristo Stoichkov. No início da nova década, a taça da Liga Espanola (1990/91) foi para o “Camp Nou”. O mesmo caminho foi percorrido pelas taças representativas do maior título do futebol espanhol nas temporadas de 1991/92,

1992/93 e 1993/94. O tão almejado título da Liga dos Campeões da UEFA foi, finalmente, conquistado pelo “Barça”, em 1991/92, vencendo a italiana Sampdoria, na final. A partir de 1993, as conquistas passaram a ter a decisiva colaboração do brasileiro Romário, que se tornou a maior estrela do time. Nessa fase, o “Baixinho” foi eleito o melhor jogador do mundo, pela FIFA. A equipe base, tetracampeã espanhola em 1994, foi a seguinte: Zubizarreta, Ferrer, Koeman, Nadal, Barjuan, Guardiola, Amor, Bakero, Laudrup, Stoichkov e Romário. O “Barcelona” chegou, novamente, à final da Liga dos Campeões da UEFA, em 1994, mas foi derotado pelo “Milan”, por 4x0. O ambiente deixou de ser bom, e vieram à tona os freqëntes desentendimentos entre Stoichkov e Romário, que fizeram com que Cruijff tirasse ambos do time. Ainda no decorrer da temporada 1994/95, o brasileiro deixou o clube. Pouco depois, o búlgaro fez o mesmo. Em 1995, o dinamarquês Laudrup também saiu. O romeno Ghorghe Hagi foi contratado logo após suas belíssimas atuações na Copa do Mundo de 1994, mas não se adaptou à exigência de também participar da marcação, feita pelo técnico Cruijff. Haji saiu em 1996. Cruijff foi técnico do “Barcelona” durante oito anos, conquitando onze troféus de expressão. Seu legado mais importante, porém, foi a filosofia implantada de valorizar as categorias de base. O clube adotou, como princípio básico, dar atenção à formação de jovens talentos, visando ao seu aproveitamento na equipe principal. A academia do “Barça” tem, atualmente, doze equipes, cada uma com até vinte e quatro jogadores. São, portanto, quase trezentos garotos em constante treinamento, sob criteriosa supervisão e observação. Na temporada 1996/97, o jovem jogador brasileiro Ronaldo, que estava no “PSV Eindhoven” da Holanda, foi recrutado. Fez uma temporada espetacular, marcando 34 gols no campeonato espanhol. Foi endeusado pela fanática torcida catalã, recebeu o apelido de “El Fenómeno” e foi decisivo para as conquistas da Copa do Rei, da Supercopa da Espanha e da Recopa Européia, marcando gol, inclusive, na partida final, contra o “Paris Saint-Germain”. No entanto, sua estadia na Catalunha foi breve, pois transferiu-se para o “Inter”, de Milão. Com a saída de Ronaldo, os ídolos “blaugranas” passaram a ser: os tam-


bém brasileiros Giovani e Rivaldo, o português Luís Figo e o espanhol Luís Enrique. O título da Liga Espanhola voltou a ser conquistado em 1997/98. Na temporada seguinte (1998/99), a do centenário do “Barcelona”, o clube reforçou-se com a vinda de Patrick Kluivert, revelação da Copa do Mundo de 1998. O jogo comemorativo dos cem anos, em 28 de abril de 1999, foi contra a Seleção Brasileira, na qual estavam os antigos ícones barcelonistas Romário e Ronaldo, que enfrentaram seus compatriotas Rivaldo e Giovani, novas estrelas do time dos “culés”. A partida festiva termnou empatada, em 2x2. O “Barça” ganhou o bicampeonato espanhol na temporada 1998/99. Rivaldo recebeu a Bola de Ouro da “France Football”, e foi escolhido, pela FIFA, como o Melhor do Mundo. Durante o período em que foi técnico, Van Gaal tranformou o “Camp Nou” em uma colônia holandesa, contratando os seus compatritas Michael Reiziger, Winston Bogarde, Marc Overmars, Fank de Boer, Ronald de Boer, Phillip Cocu, Rund Hesp e Boudewiijn Zenden. Tornou-se alvo de críticas e acabou deixando o clube. Em 2000, a saída de Luís Figo, que se tornara o capitão da equipe e seu jogador mais poular, verdadeiro símbolo da pujança “blaugrana”, foi traumática, pois seu destino foi o “Real Madrid”. A torcida, que o idolatrava, passou a odiá-lo. Apesar das novas contratações, como Simão Sabrosa, Javier Saviola, Giovanni Van Bronckhorst, Fábio Rochemback, Phillipe Christanval, Patrik Andersson, Francesco Coco, Gaiska Mendieta, Juan Román Riquelme e Juan Pablo Sorín, entre os quais, alguns craques de real valor, os primeiros anos do Século XXI foram de declínio para o “Barcelona”. A volta do técnico Van Gaal causou insatisfação a Rivaldo, que decidiu se transferir para o “Milan”. A campanha dos “blaugranas”, na temporada 2002/03, foi péssima, motivando a demissão do técnico holandês, substituído pelo sérvio Raadomir Antic. Em 2003, por indicação de Cruijff, foi contratado outro técnico holandês: Frank Rijkaard. A contratação mais importante do ano foi a de mais um grande jogador brasileiro: Ronaldinho Gaúcho. O primeiro turno do campeonato da Liga não foi feliz para Rijkaard, que viu o “Barcelona” teminar em sétimo lugar; nem para Ronaldinho, que custou a engrenar,

devido a contusões. No returno, ele começou a brilhar, ofuscando os demais reforços da temporada (o mexicano Rafael Márquez, o português Ricardo Quaresma, o holandês Edgar Davids e o goleiro turco Rüstü Reçber). A reação do time catalão levou-o à conquista do vice-campeonato. Ao término da temporada, foi feita uma renovação do elenco. O ídolo Luís Henrique pendurou as chuteiras; e os holandeses Kluivert, Davids, Overmars, Cocu e Reiziger deixaram o clube. Em 2004, Ronaldinho confirmou sua boa fase e recebeu o prêmio de Melhor do Mundo. Com Rijkaard no comando técnico, foi criada uma colônia brasileira, composta, além do Gaúcho, por Edmílson, Belletti, Sylvinho, o naturalizado português Deco e a cria da casa, Thiago Motta, saído das divisões de base do “Barça” para a equipe principal, em 2001. Com esses companheiros, Ronaldinho liderou a equipe “blaugrana”, apelidada de “Samba Team”, rumo ao bicampeonato da Liga (2004/05 e 2005/06). Incorporaram-se à equipe os novos reforços contratados: o camaronês Samuel Eto’o (que formou ótima dupla ofensiva com Ronaldinho), o sueco Henrik Larsson e o francês Ludovic Giuly. Pasaram a fazer parte do elenco, também, as pratas da casa: os espanhóis Xavi Hernandez e o muito jovem Andrés Iniesta; e o, ainda mais jovem, argentino Lionel Messi. Na segunda campanha, conscutivamente vitoriosa na Liga, o “Barcelona” venceu, por 3x0, o “Real Madrid”, em pleno Bernabéu. O desempenho de Ronaldinho foi tão primoroso, que a torcida merengue o aplaudiu de pé após ele marcar o terceiro gol, em jogada individual, dentro da área, de forma semelhante ao gol anterior, também de sua autoria. Já na final da Liga dos Campeões da UEFA, em Paris, quando o “Barça” sagrou-se Campeão, ao derrotar o inglês “Arsenal”, de virada, por 2x1 (gols de Eto’o e Belletti), Ronaldinho teve atuação discreta. Na Copa do Mundo de 2006, pela Seleção do Brasil, Ronaldinho teve uma participação ainda mais apagada. No mesmo ano, o time “culé” perdeu o título do Mundial de Clubes para o brasileiro “Internacional”. Na temporada 2007/2008, o “Barcelona”, apesar de ter contratado o francês Thierry Henry, ficou em terceiro lugar no campeonato espanhol. Na Liga dos Campeões, foi eliminado pelo “Manchester United”, nas semi-finais. Em 2008, o técnico Rijkaard caiu; Ronaldinho e Deco também deixaram o clube.