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RSS E EDUCAÇÃO ON-LINE

1. Introdução Nos últimos anos, fui abandonando progressivamente a leitura de jornais e revistas em seu modo usual de publicação em papel, passando a ler as edições on-line de mídias tradicionais e alternativas. De dois anos para cá, dinamizei estas leituras acompanhando minhas publicações preferidas usando um agregador de conteúdo. Assim, no intervalo de tempo em que poderia passar os olhos no jornal e acessar um ou dois sítios, posso consultar o sumário de mais de cinqüenta sítios, weblogs1 e jornais on-line variados, com a opção de ler integralmente os conteúdos mais relevantes ou arquivá-los para ler depois e, ainda, adicioná-los a um gerenciador de links. O que torna possível esta nova forma de acesso à informação, que vem juntar-se às publicações periódicas, ao rádio, à televisão e à biblioteca, é o desenvolvimento de tecnologias de agregação e distribuição de conteúdo, que usam protocolos baseados na linguagem XML2. Mais conhecido como RSS, este protocolo foi desenvolvido para uso no navegador Netscape3 [Pilgrim 2002] e vem se tornando cada vez mais popular. Hoje, o RSS é adotado nos mais diversos tipos de páginas na web. As razões de sua popularidade são a agilidade que confere à leitura de conteúdos, por apresentar os sumários e dispensar o acesso à página e pela facilidade de sua inserção num sítio ou weblog. Além disso, são tecnologias acessíveis a baixo ou nenhum custo, tanto para a disponibilização de um canal, quanto para a utilização de aplicativos leitores. Durante o mestrado, iniciado em 2002, entre outros projetos, desenvolvi o [zaptlogs], projeto que sustentou a parte empírica de minha investigação. O [zaptlogs], um ambiente virtual constituído por weblogs interligados, é o ambiente central de uma comunidade de weblogs de pesquisadores ligados ao núcleo de pesquisa no qual estou inserida. O RSS foi a tecnologia que tornou possível acompanhar esta comunidade e seus projetos de modo a otimizar todo o processo de pesquisa. Na época, o sistema de blogs utilizado não proporcionava a distribuição por RSS e tive de me valer de um processo artesanal de gerar os documentos XML. Isto me levou a estudar o funcionamento do RSS e a antever algumas de suas possibilidades nos ambientes e


processos educacionais. Este artigo tem como objetivo compartilhar conhecimentos neste tema, que, no meu entender, terá papel muito importante na educação, sobretudo na aprendizagem mediada por tecnologias computadorizadas.

2. Recolher, agregar e distribuir conteúdo na rede Navegando na web, vamos encontrar sítios que trazem links conforme os mostrados na figura 1.

Figura 1. Imagem4 do weblog Prática Educativa em Medicina, subprojeto do [zaptlogs].

A presença destes links, mais conhecidos como feeds, indica que o conteúdo do sítio está preparado para ser distribuído, isto é, se acrescentarmos o endereço ao qual o link remete num leitor de conteúdo, este mostrará o conteúdo do sítio. Para entender tudo isso é necessário percorrermos um caminho que passa por algumas informações técnicas. RSS é um dos protocolos que fazem o recolhimento, a agregação e a distribuição de conteúdo na web. Existem outros formatos que tem a mesma função como, por exemplo, o Atom, que é mais recente e, possivelmente, será o padrão para o futuro da


distribuição de conteúdo. O RSS é um documento XML, gerado por um aplicativo que captura e agrega o conteúdo de um sítio, quer seja texto, imagem ou som. Este documento pode ser visibilizado em aplicativos leitores, como o Sharpreader ou o Bloglines. Podem, também, ser publicados em agregadores centralizadores de uso coletivo, que indexam cabeçalhos de conteúdo de diversos sítios como, por exemplo, o News is Free. Na figura 2, é possível visualizar um esquema do funcionamento da agregação e distribuição de conteúdo por RSS.

Figura 2. Arquitetura da rede RSS [Downes 2002].

O uso da linguagem XML e não uma linguagem de publicação como o HTML (HyperText Markup Language)5 torna o protocolo de agregação utilizável em meios diversos: em navegadores, em PDAs (Personal Digital Assistant)6, telefones celulares e clientes de correio eletrônico; sob diversas formas: texto, áudio ou vídeo. Deste modo, o


RSS possibilita o acesso ao conteúdo de sítios, weblogs, listas de discussão públicas, estações de rádio, câmeras de segurança etc. A figura 3 mostra um aplicativo leitor de conteúdo. Na coluna da esquerda, aparecem todos os sítios escolhidos e adicionados, que podem ser lidos na coluna da direita. Lê-se, em formato hipertexto, parte ou todo o texto postado, inclusive imagens. É possível, também, acessar os links e abrir em outra janela os assuntos que interessarem, entrando na página propriamente dita. Os tópicos podem ser guardados para consulta, publicados num blog acessório ou, ainda, filtrados por assunto ou por data e compartilhados por RSS.

Figura 3. Janela do Bloglines.

À semelhança do correio eletrônico, nos leitores de notícias podem ser criadas pastas que organizem os endereços RSS/Atom por tema ou conteúdo. Existem diversos tipos de leitores de conteúdo: • Aplicativos para serem instalados no computador do usuário, como o Sharpreader. • Aplicativos web, como o Bloglines. Outro exemplo é o navegador Firefox, que possui agregador incorporado, permitindo a subscrição dos sítios visitados, e a visualização do conteúdo. A vantagem dos agregadores baseados na web em relação


ao primeiro tipo é que o usuário pode ter acesso às suas subscrições em qualquer computador, em qualquer lugar. • Aplicativos que funcionam em conjunto com o correio eletrônico. São aplicativos instalados no computador do usuário, que fazem a ligação entre o correio eletrônico e o conteúdo sindicado. • Aplicativos web de uso coletivo, como o News is Free e os links compartilhados do Bloglines7. Estes agregam e publicam conteúdo proveniente de sítios diversos. Este tipo pode ser o suporte para a criação de sítios colaborativos ou metablogs8. Qualquer adição ou alteração no conteúdo distribuído do sítio será agregada e mostrada nos leitores de RSS. Sítios dinâmicos com conteúdos muito variáveis como os de últimas notícias, previsão do tempo, indicadores econômicos, programações culturais e esportivas e agendas diversas serão, facilmente, acompanhados por meio do RSS. Por outro lado, o RSS auxilia, também, o acompanhamento de sítios com poucas, mas importantes, modificações, pois o leitor de notícias sinalizará qualquer alteração. Do horóscopo à observação de câmeras de segurança, toda a informação pode chegar por meio do RSS, inclusive para telefones móveis e aparelhos de som portáteis.

3. RSS e Educação A agregação de conteúdo já integra ferramentas e tecnologias diversas, algumas delas com grandes perspectivas para a educação. Podemos citar os objetos educacionais ou objetos de aprendizagem, os gerenciadores sociais de links, o podcasting, a telefonia móvel, sistemas de busca, os ambientes de aprendizagem etc. Objetos educacionais são todos os recursos digitais e não-digitais que podem ser usados, reusados e referenciados em aprendizagem apoiada por tecnologia [LCSC 2004]. A idéia de objetos educacionais, que potencialmente são reusáveis, adaptáveis, duráveis, interoperáveis, acessíveis, se ampara no paradigma da orientação a objetos das ciências da computação. De um modo geral, os objetos educacionais são ‘guardados’ em repositórios e referenciados por metadata. Metadata é a informação sobre a informação, são os diversos atributos que identificam e descrevem um objeto educacional.


Assim como notícias e outras informações podem ser indexadas e distribuídas por meio do RSS, o mesmo pode ser feito em relação a conteúdos educacionais e objetos usados na aprendizagem. Segundo Stephen Downes (2002), o modelo de gerenciamento de conteúdo educacional por RSS é diferente do modelo LCMS (Learning Content Management System)9. O modelo LCMS utiliza aplicativos que acondicionam os conteúdos e os disponibilizam, na forma de pacotes, em repositórios ou bibliotecas. Para estruturação de todo este processo, é necessário domínio de conhecimentos técnicos específicos e adoção de aplicativos, o que pode tornar o projeto mais oneroso. No caso do RSS, não existe esta centralização, o conteúdo permanece distribuído pela internet e basta um simples aplicativo de leitura para acessá-lo.

Como resultado, temos um

projeto de desenvolvimento mais fácil e com menor custo. A acessibilidade ao conteúdo, também, é facilitada e ampliada. Neste sentido, aproximando a tecnologia do RSS da concepção de conteúdo educacional em objetos educacionais podemos antever grandes possibilidades para a educação no uso destes meios. Combinando o formato weblog com o RSS, o que a maioria dos serviços de weblogs já proporciona, é possível criar catálogos de recursos e objetos educacionais, verdadeiras bibliotecas digitais, que mostrarão, por meio dos agregadores, as últimas atualizações. Um exemplo é o MERLOT – Multimidia Educational Resource for Learning and Online Teaching, que é um catálogo de objetos educacionais alimentado por uma comunidade de professores, alunos e outros profissionais. Estes colaboradores indexam e revisam recursos educacionais, que são compartilhados de forma livre, gratuita e descentralizada. Outro exemplo do uso do RSS é o projeto Blogoteca, outro subprojeto do [zaptlogs], que é um modelo para criação de um espaço de agregação de objetos educacionais por meio de weblogs e RSS. Foi idealizado tendo como referência escolas ou instituições que disponham de recursos tecnológicos mínimos. Um computador conectado a Internet permite construir e manter uma blogoteca, não sendo necessários servidores, domínios ou aplicativos proprietários. Optou-se por serviços gratuitos de weblogs e RSS e por utilizar agregadores, editores e outros aplicativos também gratuitos e, de preferência, de código aberto. O que batizamos de blogoteca é um sistema de


weblogs interligados, partindo de um ambiente geral e tantos blogs quantas forem as categorias, os assuntos ou os temas em que se subdividirão os objetos educacionais. Uma blogoteca, um weblog, ou um documento XML simples pode distribuir arquivos de áudio em formato mp3, chamados podcastings10. Estes arquivos, que podem conter desde músicas até palestras e aulas, são assim chamados pela aproximação do termo broadcasting (transmissão de rádio ou TV) ao nome de um aparelho que toca este formato de áudio, o Ipod da Apple. A novidade é que estes arquivos podem ser gravados e postos à disposição sem muitos recursos técnicos além dos disponíveis em qualquer computador. Outra forma de utilizar as possibilidades da agregação/distribuição de conteúdo é na pesquisa na Internet. Já existem serviços que acionam sistemas de busca como o Google e disponibilizam um canal de pesquisa que entrega seus resultados por meio de um endereço RSS, que pode ser lido em agregadores de notícias. O serviço gratuito da Indigo Steam chama-se Google Alert e, mediante cadastro, o usuário pode registrar até cinco pesquisas diferentes, cujos resultados serão fornecidos pelo endereço RSS sempre que houver alteração. Desta forma, o sistema de busca permanece ininterruptamente pesquisando a web em busca das informações solicitadas. Semelhante ao Google Alert, encontramos outros sistemas, como o Blogdigger que, literalmente escava nos weblogs em busca dos conteúdos solicitados e os entrega por meio do RSS. Existem sistemas mais específicos que os anteriores, que recolhem informações apenas em determinados lugares. Por exemplo, o Wired Search, da revista Wired, que busca conteúdo na publicação. Podemos, também, compartilhar os nossos links favoritos com alunos e colegas e incentivar que eles colecionem links e comentários sobre determinados assuntos, de forma aberta, simples e colaborativa. Isso pode ser feito usando um aplicativo web que armazena os links, os distribui em categorias e fornece endereços RSS para o conteúdo geral e para cada categoria. Um destes aplicativos é o del.icio.us, onde podemos nos cadastrar e começar a colecionar, categorizar, arquivar e socializar nossos links favoritos. Agregando ainda mais o conteúdo, o del.icio.us mostra, na sua página inicial, os últimos links adicionados por seus usuários e os classifica segundo as categorias escolhidas. Está se tornando comum consultar o conteúdo agregado por outros usuários


com interesses semelhantes aos nossos, subscrevendo-os via RSS e, além disso, pode ser estratégico subscrever os favoritos de especialistas em determinados temas11. Existe, também, um aplicativo chamado Flickr que armazena e compartilha imagens e, além disso, comunica-se com alguns aplicativos de weblogs, oportunizando a postagem direta de imagens e a distribuição delas por RSS. No Flickr é possível classificar as imagens postadas, construir, manejar e compartilhar álbuns de imagens e criar grupos de interesse. Neste sentido, toda uma onda de classificação de conteúdo atravessa a rede, uma classificação que é feita pelo usuário comum a partir de seus próprios critérios e gera o que é chamado folksonomy, uma taxonomia construída pelo povo. O termo folksonomy, cunhado por Thomas Vander Wal [Smith 2004], reúne todo o tipo de classificação presente em aplicativos como o del.icio.us e o Flickr, e se constitui numa forma debaixo para cima de organizar e pesquisar a web. Este movimento é uma das tendências que deve ser seguida de perto nos próximos meses pelas suas evidentes possibilidades em relação à distribuição de conteúdo na rede. É importante, ainda, salientar que todas estas ferramentas e tecnologias se relacionam e se interpenetram, funcionando colaborativamente. Por exemplo, no Sharpreader, clicando um item do menu podemos postar o conteúdo selecionado em nosso weblog ou adicionar um link diretamente ao del.icio.us. Além disso, a grande notícia é que todos estes meios são gratuitos e acessíveis com poucos recursos tecnológicos.

4. Considerações Finais Por todas as suas potencialidades ainda pouco exploradas e utilizadas, as tecnologias da agregação e distribuição de conteúdo apontam significativamente para um novo caminho no desenvolvimento da web. Tudo indica que, em breve, elas integrarão a maioria dos meios, ambientes e ferramentas que utilizamos e o seu uso será popularizado da mesma forma como foi o uso do correio eletrônico. Presentes em projetos como a Web Semântica12 e intensificando sobremaneira a colaboração e a cooperação, estas tecnologias tendem a configurar uma outra camada na rede, uma outra malha tecida pelos feeds RSS, intrinsecamente conectada a rede de links, que compõem a face visível da web.


Para a educação, o desafio é apropriar-se destas novas possibilidades da rede, desenvolvendo o estudo e a pesquisa, para que esta e outras tecnologias emergentes possam ser inseridas de forma crítica e consistente nos processos e práticas educativas. 5 Notas do texto 1

Weblog ou blog é um tipo de publicação dinâmica na web.

2

XML é uma metalinguagem, que é usada para definir outras linguagens de programação.

3

Os endereços de todos os sítios, weblogs, aplicativos e projetos citados estão nas referências.

4

Todas as imagens foram elaboradas pela autora.

5

HTML significa linguagem de marcação de hipertexto e é uma das linguagens para construção de páginas na web. 6

PDA é um computador de dimensões reduzidas, um pouco maior que um telefone celular.

7

No endereço <http://www.bloglines.com/public/su/> autora. 8

podem ser acessadas as leituras da

Um metablog é um weblog que agrega postagens provenientes de diversos outros weblogs.

9

Um Learning Content Management System é um sistema de gerenciamento de conteúdo de aprendizagem. 10

Sobre podcasting consulte <http://pt.wikipedia.org/wiki/Podcast>.

11

Para citar um exemplo conhecido, Howard Rheingold, conhecido autor de Comunidade Virtual e Smartmobs, socializa seus achados na web em <http://del.icio.us/hrheingold>. 12

A Web Semântica é o projeto de criação de uma estrutura comum para compartilhamento de informações na web. Mais informações em W3C (http://www.w3.org/2001/sw/)

6 Referências [zaptlogs] (2004). Porto Alegre: Suzana Gutierrez, http://planeta.terra.com.br/educacao/Gutierrez/blogs/zapt/, Julho. Blogdigger (2005). Blogdigger Inc., http://www.blogdigger.com/, Julho. Bloglines (2005). Redwood City, CA: Trustic Inc., http://www.bloglines.com/, Julho. Blogoteca (2004). Porto Alegre: TRAMSE-UFRGS, http://www.ufrgs.br/tramse/bt/, Julho. del.icio.us (2005). Pittsburgh, PA: Joshua Schachter, http://del.icio.us/, Julho. Downes, S. (2002). “An Introduction to RSS for Educational Designers”, Ottawa, Ontário: Sthepen’s Web, http://www.downes.ca/files/RSS_Educ.htm, Julho. Firefox (2005). Mountain View, CA: Mozilla Foundation, http://www.mozilla.org/products/firefox/, Julho. Flickr (2005). Vancouver, CA: Yahoo! Company, http://www.flickr.com, Julho.


Google (2004). Mountain View, CA: Google, http://www.google.com/, Julho. Google Alert (2004). Gibraltar, UK: Indigo Steam Technologies, http://www.googlealert.com/, Julho. IPOD (2005) Cupertino, CA: Apple Computer, Inc., http://www.apple.com/ipod/, Julho. LTSC Learning technology standards committee (2004). Chicago: IEEE, http://ltsc.ieee.org/, Julho. MERLOT. Multimidia Educational Resource for Learning and Online Teaching (2004). Long Beach, CA: MERLOT, http://www.merlot.org/, Julho. News is Free (2005). Glattbrugg: NewsKnowledge, http://www.newsisfree.com/, Julho. Pilgrim, M. (2002). “What is RSS?”, In: Dive Into XML. Sebastopol, CA: O’Reilly Media Inc., http://www.xml.com/pub/a/2002/12/18/dive-into-xml.html, Julho. Prática Educativa em Medicina (2003). Porto Alegre: TRAMSE-UFRGS, http://www.ufrgs.br/tramse/med/, Julho. Rheingold, H. (1998) “The Virtual Community”. Mill Valley: Rheingold Associates, http://www.rheingold.com/vc/book/, Julho. Rheingold, H. “Smartmobs: The Next Social Revolution”. Cambridge, MA: Perseus Publishing, 2002. Semantic web (2001) In: “W3C WorldWideWeb Consortium”. Cambridge, MA: W3C, http://www.w3.org/2001/sw/, Julho. Sharpreader (2004). Charlotte, NC: Luke Hutteman, http://www.sharpreader.net/, Julho. Smith, G. (2004). “Folksonomy: social classification”. Edmonton, CA: Atomiq, http://atomiq.org/archives/2004/08/folksonomy_social_classification.html, Julho. Podcast (2004). In: “WIKIPEDIA”. Florida, USA: Wikimedia Foundation, http://pt.wikipedia.org/wiki/Podcast, Julho. Wired News (2004). San Francisco, CA: Lycos Inc., http://www.wired.com/news/rss/, Julho.

RSS E EDUCAÇÃO ON-LINE  

Este artigo tem como objetivo dar uma visão geral sobre a distribuição de conteúdo, seu desenvolvimento e suas tecnologias, procurando focal...