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PIONEIRO

|4| DAVID RIBEIRO, AG.CÂMARA, DV, BD

SÁBADO E DOMINGO, 13 E 14 DE AGOSTO DE 2011

POLÍTICA Editor: Ciro Fabres  3218.1261 ciro.fabres@pioneiro.com

‘O culpado sou eu’ Líder do governo no Congresso há pouco mais de um mês, o deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) disse nesta sexta-feira que se sente culpado pela crise instalada entre os partidos da base aliada, que impediram votações na Câmara. – As coisas não estão acontecendo, o culpado sou eu.

GENTE Morte do artista plástico, metalúrgico e líder político e sindical completa uma década no domingo RICARDO WOLFFENBÜTTEL

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Documentário em outubro A vida do artista ganhará, em breve, as telas do cinema. O documentário As Mãos de Bruno Segalla terá 45 minutos de duração e deve estrear em outubro. Financiado com recursos municipais do Financiarte, o filme é dirigido por Samuel Bovo e conta com roteiro de Paula Zanettini e direção de fotografia de Janete Kriger. A produção é da Spaghetti Filmes. LEGADO Além da trajetória política e comunitária, Segalla deixou uma série de obras, uma delas inacabada, chamada ‘Direitos Humanos’, cuja réplica está na Câmara de Vereadores

10 anos sem Bruno Segalla Liderança comunitária teve atuação marcante em diversos setores da vida do município JULIANA BEVILAQUA

Caxias do Sul – “Nossa, já faz dez anos? Parece que foi ontem...” A reação de surpresa é do deputado federal Gilberto Pepe Vargas (PT), ao ser lembrado do aniversário de morte do artista plástico e líder político Bruno Segalla, assinalado neste domingo. Admirador da trajetória de Segalla, Pepe compartilhou dos ideais dele e tornou-se amigo do “sujeito humanista”, como o petista o descreve. Os dois se conheceram em 1979, no bar Copacabana. Pepe era um militante do movimento estudantil e Segalla, frequentador do bar na Avenida Júlio de Castilhos, já tinha sido preso duas vezes pela repressão. Entre um copo de vinho branco e outro, eles conversavam não apenas sobre política, mas sobre futebol e automobilismo. A amizade se fortaleceu e, em 1998, Segalla foi, ao lado de Pepe, então prefeito de Caxias, articulador de

RONI RIGON, BD - 1998

um importante encontro na cidade. Pedetista e amigo de Leonel Brizola, Segalla convenceu o líder do partido a participar da Festa da Uva daquele ano. Enquanto isso, Pepe contatava Luiz Inácio Lula da Silva para que também comparecesse. – Em 1998, havia a discussão da dobradinha Lula e Brizola, mas, em fevereiro daquele ano, ainda não estava definida a candidatura. Nós combinamos que eu ligaria para o Lula e ele para o Brizola. Eles vieram, e toda a mídia nacional veio atrás, o que deu visibilidade para a festa – recorda Pepe. Como bom militante, Segalla não desvinculava os ideais da profissão. Por meio de suas obras de arte, buscava representar os valores de justiça e igualdade. E mais, trabalhava, muitas vezes, de forma voluntária. Amigo desde os tempos do movimento sindical, o reverendo Eurico Daudt, 73 anos, lembra que muitas imagens da Igreja Episcopal da Virgem Maria – Comunhão Anglicana foram doadas por Segalla. – Ele não era membro da igreja, mas ajudava. Na época, a cidade era hostil com outras religiões, e ele sempre foi muito solidário – conta Daudt.

ARTICULADOR Com Pepe, Segalla ajudou a reunir Brizola e Lula na Festa da Uva de 1998

O sacerdote, favorável às reformas de base e agrária, assim como Segalla, conta que o amigo ajudou também em outros momentos. O mais marcante foi quando Segalla auxiliou na fuga de três membros da igreja perseguidos pela ditadura militar. Eles eram de São Paulo e estavam escondidos na casa de Daudt, em Caxias. Segalla fez contatos com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) de Porto Alegre e conseguiu enviar os três para o Uruguai. Depois de lá, um deles foi para o Canadá, e outro,

para o Chile. O terceiro não conseguiu escapar e acabou assassinado. Os 10 anos da morte de Segalla serão lembrado neste domingo, durante missa na Capela de São Miguel e Todos os Anjos, em Ana Rech. A celebração começa às 10h e será conduzida pelo reverendo Daudt: – Pessoa como ele faz falta em qualquer tempo. A cidade ficou mais pobre cultural e humanamente.

Colega de cela – O ativista político Bruno Segalla teve duas passagens

pela cadeia. Considerado uma ameaça ao regime militar, ele foi preso em 1964 e em 1974. A primeira detenção foi acompanhada de outros seis companheiros de Caxias, entre eles o líder comunitário Luiz Pizzetti, 87 anos. Segalla era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e Pizzetti, integrante da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação. Ambos militavam no PCB, de atuação clandestina na época. A luta contra o regime rendeu 36 dias de clausura para Pizzetti. Segalla ficou mais tempo. – O pior foi o pavor que nossas famílias passaram. Fomos torturados psicologicamente, mas ninguém encostou a mão na gente. Anos depois, o Segalla foi preso de novo e, aí sim, torturado fisicamente – conta. Um dos poucos ainda vivos daquela época, Pizzetti lamenta a falta de lideranças como Segalla hoje: – Tu não queira saber a falta que essa gente faz. Segalla, Dr. Percy Vargas de Abreu e Lima e Dr. Henrique Ordovás Filho comandavam a política da transformação social, para que todos fossem felizes, e não uns miseráveis e outros ricos. SEGUE juliana.bevilaqua@pioneiro.com

Reportagem 10anossembrunosegalla1  
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