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ENTREVISTA PÁGINA 11 // 11.OUT.14 //ACADÉMICO

A Licenciatura em Criminologia foi aprovada pela A3ES, portanto, partimos do princípio que está pronta para avançar. Essa licenciatura foi proposta pela Escola de Direito e Psicologia mas o Departamento de Sociologia do ICS tem um papel também relevante nessa licenciatura. A Licenciatura de Proteção Civil foi aprovada na Universidade do Minho, desse ponto de vista está resolvida. Ainda tem um processo de aceitação pela agência de acreditação. Uma das ideias que defendia era o contributo das Ciências Sociais para ultrapassar a atual crise. Considera que isso ainda é possível? Sim, tem que ser possível. Essa questão articula-se com outra dimensão do nosso trabalho que é a relação com a comunidade. A ligação entre a Universidade do Minho, o Instituto de Ciências Sociais e as comunidades que serve. É evidente que ao nível dos novos centros de investigação, dos departamentos e dos projetos de ensino, temos articulações muito fortes, algumas muito antigas, outras mais recentes com associações culturais, com associações que apoiam menores, com os municípios. Temos um conjunto amplo de articulações, seja numa lógica de investigação, investigação/ação ou mesmo de prestação de serviços de um modo mais concreto de consultadoria. Portanto, há um caminho que já vem de trás, mas que se tem consolidado e aprofundado. Digamos que todos os centros de investigação têm uma relação muito forte com a comunidade. Isso tem sido uma marca e acho que só pode ajudar. Ao falarmos de crise, temos também que falar de desemprego. O ICS engloba os departamentos de Comunicação, Geografia, Sociologia e História. São áreas onde há um elevado índice de desemprego. Acha que é algo que é possível contornar, ou as empresas não apostam nestas áreas? Não temos níveis de desemprego maiores do que aqueles que existem noutras áreas. Pode haver uma perceção social do desemprego. Nós reparamos que, em algumas áreas, os alunos conseguem encontrar com relativa facilidade, em termos comparativos, conseguem encontrar espaço. É evidente que o desemprego é uma tragédia social. Se 35% da população jovem está desempregada, isso irá também refletir-

Foto: Lénia Rego

se nos alunos que são destas áreas. Mas eu gostava de desfazer esse equívoco de que os alunos de Sociologia, Comunicação e Geografia têm níveis de desemprego maiores do que aqueles que existem nas outras áreas das Ciências ditas exatas ou puras. Porque isso, genericamente não corresponde à realidade, basta trabalhar os dados e percebemos que isso não acontece. Isso talvez tenha a ver com o facto de os nossos estudantes terem um conjunto de competências transversais que lhes permite uma maior flexibilidade e uma maior adaptação às transformações no mercado. Percebemos isso quando os alunos são muito dotados e quando arriscam e vão encontrando o seu espaço. Mas não é fácil, não vale a pena estarmos a dar a ideia que todos conseguem emprego imediatamente. É difícil, é verdade, mas tem sido possível. Uma das soluções poderá ser a emigração. Os jovens estão preparados para isso? As pessoas são muito diferentes e têm escolhas muito diversas. Se as pessoas querem sair do país, se querem ter essa experiência, se entendem que é enriquecedora, se percebem isso como uma oportunidade, acho ótimo. Se isso não corresponde aos seus desejos nem ao modo de vida que sonham, é pés-

simo. Para mim, aquilo que é mais importante que os recém-licenciados tenham condições para poderem escolher, para poderem fazer o seu caminho com qualidade e procurando seguir os seus desejos para que tenham uma vida com qualidade e, acima de tudo, que consigam realizar os seus sonhos. Hoje em dia fala-se muito de empreendedorismo como forma de ultrapassar a crise. Os jovens licenciados nas áreas ministradas no ICS estão a apostar no seu próprio futuro? A palavra empreendedorismo pode querer dizer muitas coisas. Julgo que os alunos que escolhem os cursos do ICS saem bem preparados nas várias áreas, porque têm um corpo docente exigente, rigoroso que não permite que terminem os seus cursos sem uma preparação forte e sem uma consciência das exigências do mercado de trabalho. Estão preparados para arriscar, para desenvolver os seus próprios projetos. Essa preparação é sempre algo em construção, não é algo que esteja permanentemente resolvido. É algo que eles próprios têm que continuar a trabalhar em preparação com os seus docentes, os seus colegas e estruturas da cidade que existam ou com outras estruturas. Não faltam, felizmente programas de apoio

aos jovens que querem arriscar e que querem entrar no mercado de trabalho, criando o seu próprio emprego. Não é fácil, é bom também que as pessoas tenham consciência disso, mas é possível e tem sido possível. Há alunos que têm hoje empresas e que estão no mercado de trabalho com as suas empresas e de modo vigoroso, com eles próprios a criar emprego. Isso existe, é possível. Digamos que não há uma capacidade de competência que a Universidade sozinha sem meios consiga transmitir ao recém-licenciado ou ao aluno. É algo que resulta do esforço combinado de muitas estruturas e também do próprio esforço do aluno que se empenhar para que essa aventura seja possível. Apesar de todo o receio que há e com a diminuição das entradas no ensino superior, os cursos do ICS continuam a ser procurados? O ICS, a esse nível, continua bem. Não temos tido dificuldade em termos de recrutamento de alunos. Temos algumas licenciaturas que conseguem ter notas mínimas bastante elevadas. Isso para nós é importante porque recrutarmos bons alunos é da maior importância, como é evidente. Eu diria que desse ponto de vista, estamos um pouco em contraciclo. Nós sabemos que há uma tentativa de desvalorização das

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