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Associação Portuguesa para a

Cultura e Educação Permanente

PORTUGAL PRECISA DE UM NOVO IMPULSO PARA A EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS A APCEP – Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente – foi criada em 1982, apostando na “defesa da democracia cultural” e assumindo como responsabilidades, entre outras, “proceder à divulgação dos princípios, práticas e realizações da educação permanente e do desenvolvimento cultural”, “dinamizar a participação pública na discussão dos temas da educação e da cultura” e “fomentar a formação cívica e o exercício da democracia”. Após largos anos de inactividade e perante a indiferença dos pólos de decisão relativamente à Educação e Formação de Adultos, a APCEP foi reactivada em 2014, com o intuito de colocar o sector na agenda política portuguesa. Dos encontros e debates já realizados pela associação, emergiu uma tomada de consciência generalizada da necessidade urgente de se lançar um Programa Nacional de Educação e Formação de Adultos, reconhecendo o sector como uma prioridade estratégica e definindo-o como um campo de convergência e cooperação entre o sistema público de educação e formação, o mundo empresarial e as organizações cívicas e solidárias. Os fundamentos e principais pontos desse Programa são em seguida enunciados. PORTUGAL PRECISA DE UM NOVO IMPULSO PARA A EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS

É conhecido e reconhecido o papel da Educação e Formação de Adultos na construção de uma sociedade mais culta e criativa, informada e participativa, mais democrática, justa e solidária. A partir do século XIX, muitos foram os países que, independentemente do seu nível económico e tecnológico, apostaram na Educação e Formação de Adultos como motor de inovação para o desenvolvimento, transformação social e modernização económica; de forma indirecta, mas comprovadamente eficaz, a Educação e Formação de Adultos também contribuiu para aumentar a qualidade da educação das crianças e jovens e para combater o insucesso escolar. As nações escandinavas, outrora pobres, nela assentaram em grande parte a sua marcha de progresso social e tecnológico. Da mesma forma, Irlanda, Canadá, Costa Rica ou Botswana têm colocado a Educação e Formação de Adultos em lugar de relevo nas suas agendas políticas, com resultados claramente positivos. Em contrapartida, em Portugal, tem faltado a necessária vontade política para adoptar a Educação e Formação de Adultos como instrumento estratégico para uma sociedade mais avançada e equilibrada. Isto apesar de os números relativos ao analfabetismo, escolaridade das pessoas adultas ou abandono escolar precoce por parte dos jovens envergonharem qualquer sociedade dita desenvolvida. De facto, ainda existem em Portugal 500.000 analfabetos e 60% da população activa não têm uma qualificação secundária ou superior (contra uma média de 23% na União Europeia). Ora, na ausência de uma educação generalizada, agrava-se a exclusão social e crescem as desigualdades de toda a natureza. 1

Impulso EFA - Educação e Formação de Adultos 2015  

Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente

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