Page 1


INDEX 4 NO MEU BAIRRO 8 NOVOS ARTISTAS 8 VITRIO

36 CINEMA 36 PART-TIME QUEEN

40 MISSION: DONE! 12 LUÍS PAIXÃO

16 MÚSICA 16 GROOVIE RECORDS 18 TIAGO GUILLUL

20 ARCADE FIRE

24 CULTURA URBANA 24 OS GÉMEOS

42 TEATRO 42 TEATRO MERIDIONAL: 1974

46 IDEIAS CRIATIVAS 46 CARL WARNER 48 BEN HEINE 50 SUNG YEON JU 51 I LOVE DUST 52 JIM VICTOR 53 DIEGO BEYRÓ 55 ELES DIZEM 55 PUBLICIDADE VS ARTE (DE RUA) 55 GRAFFITI: ARTE VS RABISCO 58 AGENDA CULTURAL


EDITORIAL Há sempre uma primeira vez O fabuloso mundo da CURB Porquê cultura urbana? Por ser um gosto colectivo e algo que nos identifica, ir além fronteiras e além do comum. Ao vermo-nos rodeadas de pequenos grandes talentos decidimos apostar numa cultura urbana que ainda está para sair. Nisto demos por nós a pensar qual seria o título da revista, quando já era muito óbvio o nome CURB, Cultura Urbana. CURB soava a público, encontro, lazer, e porque não a aventuras ilícitas, tudo o que consideramos necessário e interessante para a construção de uma identidade própria. A revista aborda temas do interesse comum, nomeadamente Cinema, Música, Teatro, Design, entre outros diversificados temas. Queremos operar como um registo das motivações de todos nós. Chegar a um público interessado pelos fenómenos urbanos e com consciência social. A CURB vai proporcionar um fluxo de ideias que reflictam as nossas próprias vivências e expectativas, dando uma visão global e complexa do mundo em que vivemos. Neste sentido, esta revista é um espaço onde expomos o trabalho de vários artistas das mais diversificadas áreas, artistas cujos seus trabalhos estão ainda por dar a conhecer ao mundo. Com o mesmo sentido de inclusão, nesta edição acolhemos o precioso testemunho dos Gémeos sobre a intervenção na paisagem urbana. Interessa-nos levar ao leitor, mais cultura, mais conhecimento, mais arte.


CRÓNICA |7

NO MEU BAIRRO

No meu Bairro já não há graffitis...

No meu bairro, já não há graffitis. Existia um muro de um velho quintal onde se escreveram “Joana amo-te para sempre ass. Paulo”, mas, quando com a mesma tinta de spray riscaram a frase e escreveram “Puta” por cima, a junta de freguesia decidiu deitá-lo abaixo e usar o baldio para colocar o ecoponto. Eu não gosto de ecopontos e os miúdos do meu bairro, felizmente, também não e, assim sendo, decidiram uma noite incendiar o dito cujo, impelidos, com certeza, pelo prazer que a admiração pirotécnica suscita. Como estava a dormir, perdi esse espectáculo de fogo, mas, em compensação, quando o sol começou a raiar no horizonte, pude contemplar a massa derretida e ainda fumegante, e apenas nesse momento tive em conta a sensibilidade artística

daqueles que na sociedade ponto verde, decidiram atribuir as cores primárias a tais contentores. A junta freguesia, adivinhava-se, não concordou comigo e, por isso, recusou a minha colaboração na tentativa de encontrarmos os autores daquela façanha para colocarmos junto do ecoponto uma pequena placa com os dizeres “Fulano, sicrano, beltrano. Plástico, papel e vidro. 2010”. Ao invés, decidiram pela construção de um jardim moderno e, assim após poucas semanas, o pequeno e velho baldio recebeu três palmeiras em cimento, um pequeno caixote do lixo de plástico e dois bancos de jardim metálicos. Do ecoponto derretido não ficou qualquer vestígio e, talvez revoltados por se sentirem artistas caídos no esquecimento, os miúdos do meu bairro

queimaram primeiro o pequeno caixote e, em seguida, convenceram os seus pais e demais familiares a transformar aquele espaço num reservatório de crescente e deveras criativa deposição de lixo. No meu bairro, já não há grafittis porque, tal como a Joana e o Paulo, ninguém se ama.

Texto: Nuno Nóbrega Graffiti de Banksy’s graffiti


VITRIO A CURB foi de encontro com o designer grรกfico Vitrio para a sua primeira entrevista.


NOVOS ARTISTAS |11

CURB: É mais que certo que o teu trabalho inspira muitas pessoas. O que te inspira a ti? Vitrio: Eu costumo dizer às pessoas que tudo é tudo! A meu ver, não existe nenhum foco como ponto principal numa concepção gráfica. O que é realmente importante é a coerência estilística, visto que a aleatoriedade se realçou em uma grande fonte de inspiração. Acho que a partir de um emaranhado de ideias, gere-se um bom resultado final e para isso acontecer, apenas é necessário ter consciência de qual é o momento exacto em que essas ideias se cruzam determinando apenas uma. Contudo, grande parte da minha concepção visual foi profundamente

marcada por assuntos como as teorias da forma, questionando a comunicação ou a percepção do receptor, estudos provenientes de Gestalt onde a Bauhaus ou a Escola de Ulm se basearam para grande parte das suas iniciativas. Portanto acho que posso mesmo chegar a afirmar que aspectos como toda a ideologia Bauhaus e a pregnância da forma têm sido desde cedo uma grande influência, encontrando-se regulamente patente nas minhas composições gráficas, por vezes, de modo a obter uma ambiência geométrica pretendida. CURB: Indica-nos dois nomes que sejam importantes para ti no mundo do Design gráfico e porquê:

Perspectiva


12|

Vitrio: Talvez Van Doesburg, por ser um dos primeiros a reconhecer a quarta dimensão como elemento gráfico fundamentando a emancipação do homem em relação à natureza no que diz respeito ao que tange espaço e tempo. E Keith Harring por ser um exemplo em que até os elementos mais expressionistas podem ser aplicados em qualquer tipo de superfície comercial enraizando a linguagem própria. CURB: Em poucas palavras como descreves o teu trabalho? Vitrio: Não tenho uma forma de elaborar um trabalho conjunto. Gosto de experimentar ambiências diferentes e de me renovar a mim

próprio, o tanto quanto possível. É muito importante para mim manter um corpo ecléctico de trabalho, por isso para além de toda a referência geométrica, tenho me sentido atraído para outros campos de concepção como a cenografia, o modelismo, a paginação, a manufactura, e a ilustração clássica e contemporânea. Não tenho propriamente um método de produção estipulado ou um sistema operativo específico, mas sim uma enorme paixão e curiosidade pelo ainda não alcançado, seja de uma forma visual, ou justificativa. Texto: Susana Simões Fotografia: Susana Simões

Entre Polos


LUÍS PAIXÃO Fomos ao encontro de um dos jovens mais promissores no mundo das artes plásticas, Luís Paixão para uma entrevista sobre o seu trabalho.


NOVOS ARTISTAS |15

CURB: Quando começas-te a interessar-te por artes plásticas? Luís Paixão: O interesse pelas artes plásticas surgiu na transição do ensino básico para o secundário, pois sempre tive um gosto especial pelo desenho. CURB: Artes plásticas é a profissão que queres seguir, ou tens outros objectivos a atingir? Luís Paixão: Não escondo que as artes plásticas sempre foi uma área que eu sempre gostei , daí estar a frequentar o curso de Artes Plásticas na Esad. Cr. Por natureza sou muito ambicioso e certamente que tenho outros objectivos a atingir, nomeadamente ligados à música e

à educação mas nos quais as artes plásticas estarão sempre presentes. Tenho em mente tirar um mestrado na área da gravura noutro país ou até mesmo o mestrado em Artes Plásticas na Esad.Cr. CURB: Em que é que te inspiras? Luís Paixão: A minha prática e gosto pela apicultura foi um dos meus temas iniciais de trabalho e fonte de inspiração. Ao desenvolver o meu trabalho tenho sempre presente esse aspecto, pois é a partir dele que quero explorar e transportar os meus trabalhos para o mundo da arte contemporânea.

Sem Título


16|

CURB: Quais são para ti os nomes mais importantes do mundo das artes plásticas e porque? Luís Paixão: Nomes como Joseph Beuys, Francis Bacon, Susana Solano, Alberto Giacometti entre outros, são nomes que sempre me despertaram interesse no mundo das artes. Estes nomes devido ao facto de ao começar a desenvolver os meus primeiros trabalhos e ao fazer uma pesquisa aprofundada sobre artistas plásticos, reparei que de certa forma alguns dos aspectos do meu trabalho foram tratados por esses artistas de uma forma muito vincada.

CURB: Como vês o mundo actual das artes plásticas? Luís Paixão: No meu ponto de vistas as artes plásticas nunca foram levadas muito a sério. Hoje em dia há cada vez mais um reconhecimento e uma valorização por parte da população em relação às artes plásticas. É com o esforço dos professores, das escolas e dos artistas que se começam a formar, que as artes plásticas estão a afirmar-se cada vez mais neste mundo competitivo a nível da criatividade em que vivemos.

CURB: Qual é a tua definição sobre arte? Luís Paixão: Para mim a arte tem o valor que nós lhe damos. A arte é algo que surge do interior do artista para ser exposto ao mundo, ela está na escrita, na pintura, na fotografia, num movimento, a arte está em tudo. A arte é o conhecido e o desconhecido representado por visões diferentes e iguais.

Texto: Liliana Novais Fotografia: Liliana Novais

Sem Título


MÚSICA |19

UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA

GROOVIE RECORDS www.groovierecords.com

A Groovie Records nasceu na visão de Edgar Raposo, melómano inveterado, amante desde sempre do vinil.

“Tudo surgiu em 2005. Sempre gostei de rock, garage rock, etc.. Havia editoras que coleccionava e que sempre comprei discos, e de um momento para o outro surgiu a oportunidade de editar um disco, no caso dos DTs. Foi ai que criei a Groovie Records “, começa por adiantar Edgar. Se, a começo, a ideia era a de editar reportório novo de diferentes tipos de artistas, a entrada de Luís Futre, ano e pouco depois, veio mudar as directrizes que regiam até então a Groovie. “A ideia maior da minha entrada na editora foi a de puxar um pouco pelas reedições, editar algumas coisas portuguesas do passado e não só, ir buscar artistas lá fora”, destaca Futre. Edgar Raposo completa a ideia afirmando que “provavelmente teria ido

lá parar (às reedições), já que 80% da música que oiço tem mais de 20 anos. E os restantes 20% são de coisas mais recentes que soam a coisas de há 20 anos atrás. O luís trouxe um Knowhow fundamental para a Groovie, até por ser um pouco mais velho que eu. A entrada dele foi muito importante e acabamos por nos completar muito bem na editora”, remata. Um dos grandes marcos da Groovie Records foi a reedição de um 7’’ de Joaquim Costa citada como um dos grandes e pioneiros do rock feito em Portugal. “a editora do disco do Joaquim marca ponto de viragem no seio da editora. Foi a nossa primeira reedição, a mais marcante e marca um período de consciencialização de um caminho de reedição – era este o caminho que

queríamos tomar, chegamos a esta conclusão nesse período”, reflecte Edgar. Em tempos de entusiasmo redobrado pelo formato do vinil, a dupla garante a intemporalidade do formato por oposição a diferentes tipos de plataformas de armazenamento de música.

Texto: Pedro Figueiredo Fotografia: CURB


20|

QUE SE DANE O ROCK’N ROLL

TIAGO GUILLUL www.myspace.com/guillul

Por esta altura já devem ter ouvido falar de Tiago Guillul um músico punk que canta versos onde a religião se une à ironia.

Tiago Guillul diz-nos que não é sintoma de bipolaridade ser, ao mesmo tempo, um quase Pastor e um músico punk. Nós acreditamos: «Os vários Tiagos…São todos o mesmo…O miúdo que cresce numa Igreja Batista e,

a melhor vocação possível – púlpito e guitarra eléctrica seguem juntos.» São coisas demasiado importantes para mim para que não se misturassem.» Estas referências surgem num tom que foge à retórica da pregação e

o miúdo que cresce numa igreja batista muito habituado a musica (os protestantes sem música morrem), a aprender alguns instrumentos na infância e adolescência (órgão e guitarra); que a seguir forma bandas com outros miúdos dessa Igreja (em Queluz) e que aí encontra espaço para ensaiar; mais tarde, actualiza a aventura musical pensando em termos de uma editora; e que, paralelamente, olha para o ministério do Estudo e Pregação da Palavra como

que está mais próximo de uma ironia que, para quem não conhece o percurso do músico, pode ser considerada puramente subversiva. Tudo isto em português, porque para o músico o uso do português é uma questão de fundamentalismo que se estende à FlorCaveira: «Somos absolutamente fundamentalistas, na FlorCaveira, quando à questão da língua. A vantagem de uma boa regra é ela

comportar boas excepções (embora me pareçam escassíssimas)». Diz ainda que «A FlorCaveira é uma editora musical embora acabe poder ser mais. É um grupo de amigos que tem crescido. A religião e o “panque-roque” une-nos. Querer fazer por conta própria. Darmo-nos ao luxo de nos deixarmos encantar com os talentos de pouco mais que duas mãos cheias de gente. Gravarmos à nossa maneira com aquilo que estiver à mão: baixa-fidelidade, alta, se calhar. E quando mais conheço a indústria, que não demonizo, mais gosto da medida paroquial da FlorCaveira.»

Texto: Emanuel Amorim Fotografia: CURB


MÚSICA |23

A VIDA DELES DAVA UM HINO

ARCADE FIRE www.arcadefire.com

Numa era em que música é praticamente sinónimo de MP3, os Arcade Fire lançam discos em vinil, mandam postais aos fãs e apelam à comunhão e ao otimismo. Uma banda clássica nos tempos modernos? Com certeza.

Há um pequeno abalo sísmico de cada vez que os Arcade Fire anunciam o lançamento de um novo disco. Desde o Outono de 2004, ano em que Funeral estendeu, os seus tentáculos em redor do globo musical, que o apelo dos canadianos não tem cessado de crescer. É verdade que, Funeral continua a não ter paralelo no coração de muitos fãs. Inspirado na morte de vários familiares da trupe liderada pelo casal Win e Regine Butler, o primeiro álbum dos Arcade Fire é, sem margem para dúvidas, um dos mais impressionantes debutes da última década e uma obra que se presta a misticismos e lendas rock and roll. Recebido com a habitual mistura de sofreguidão e ceticismo que persegue os segundos discos das bandas que,

logo na estreia,“encestam” um clássico, Neon Bible, em 2007, perdeu em efeito surpresa o que ganhou em pujança, todavia, e por mais que algumas das suas feições surgissem exacerbadas, os Arcade Fire ainda eram os Arcade Fire e não outra banda qualquer; a singularidade da sua música espelha-se, de resto, na quantidade de grupos que, nos últimos anos, colheu a sua semente. Num ano de 2010 marcado por regressos de peso no que ao campeonato indie diz respeito é aos Arcade Fire que a coroa das expectativas continua a servir. Mais uma vez reunida no seu estúdioigreja, a banda foi generosa na dose: The Suburbs, o terceiro álbum, é um conjunto de 16 canções intensas e desconcertantes. O multi-instrumentista Richard Reed Parry, membro dos Arcade Fire

diz sobre The Suburbs “Sem dúvida que queríamos experimentar sons novos. Essa é uma das coisas que te ajudam a manter o interesse - e tu tentas sempre encontrar formas naturais de manter o interesse naquilo que estás a fazer”.

Texto: Liliana Novais Fotografia: CURB


OS GÉMEOS Para quem mora lá, o céu é lá


Os Gémeos são uma dupla de irmãos gémeos que fazem graffiti. São de São Paulo e nasceram em 1974. Os seus verdadeiros nomes são Octávio e Gustavo Pandolfo, formados em desenho de comunicação pela Escola Técnica Estadual Carlos da Campos, começaram a pintar grafittis em 1987 no bairro em que cresceram, o Cambuci, e gradualmente tornaram-se uma das influências mais importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de graffiti.

Destas duas mentes transbordam todas as cores e sabores da imaginação. Lá tudo é possível e qualquer sonho se torna realidade. A inspiração para tantos desenhos e fábulas mágicas vem da forma com que a dupla, conhecidos como OS GEMEOS, reflectem em seu interior a realidade e a fantasia que lhes rodeiam. Cada pequeno detalhe, porque são através deles que suas obras assumem esta forma já tão reconhecível, são componentes importantes na criação do mundo fantástico, cheio de histórias quotidianas em forma de poesia. O mundo encantado em que vivem todos os seus personagens e que funciona como a janela da alma única dos irmãos gémeos é repleto de uma Intervenção num prédio em Lisboa

mistura harmoniosa entre realismo e ficção. As suas histórias dançam entre dois importantes pilares. O olhar sonhador que possibilita a materialização de um mundo cheio de fantasias e as suas críticas incisivas sobre as dificuldades enfrentadas por tantos cidadãos espalhados pelo mundo, vitimas de um modelo socioeconómico que se encontra em grande transformação. Dessa união nascem obras que invocam um universo lírico e criações que mesclam ambas projecções, como se os próprios personagens mágicos criticassem com olhos inocentes toda a discrepância que existe nesta sociedade. Foi quando ainda viviam no mundo da fantasia ingénua e infantil, que tudo começou. Desde pequenos a maneira de brincar e construir os cenários


CULTURA URBANA |29

onde os seus personagens habitavam era minuciosa. Desmontado as peças originais de presentes que recebiam, os irmãos refaziam com toda a delicadeza um outro universo. Com três anos de idade os lápis de cor e a imaginação já estavam presentes nos jogos e em todos os papeis espalhados pela casa. O incentivo para mergulhar no mundo criativo que existia dentro deles sempre esteve presente na família, composta de outros artistas, como o irmão mais velho Arnaldo e a mãe Margarida. Também foram o pai e os avós que trouxeram à tona uma forma de apresentar ao mundo real toda a ânsia criativa que lhes transbordava. O graffiti entrou na vida dos irmãos em 1986, quando ainda viviam na região central de São Paulo onde pas-

saram a infância e a adolescência. A próprio e imediatamente reconhecícultura hip hop chegava ao Brasil e os vel dos artistas. Uma infância criativa, jovens do bairro começaram a coloque rendeu duas vidas ao mundo da rir as suas ideias nos muros da cidade. arte contemporânea. Naquela época, com apenas 12 anos, O graffiti actuou sempre como uma tudo era novidade e sem ter de onde válvula de escape para a dupla. Uma tirar as suas referências, Gustavo e Ocmaneira que encontraram de criar um távio improvisavam e inventavam a sua mundo onde só se pode penetrar através própria linguagem, pintando com tindas suas mentes e onde tudo funciona tas de carro, látex, spray e usando gustavo e octávio improvisavam bicos de desodorizante e perfu- e inventavam a sua própria linguagem me para moldar os seus traços; já que ainda não exispela lógica própria de Tritrez, o univertiam acessórios e produtos próprios so habitado pelos personagens amarelos, para a prática. O que a cidade lhes onde brilha e reina a sintonia entre toproporcionou foi essencial para o dedos os seus elementos. Cada parte e cada senvolvimento de todas as habilidades detalhe estão mergulhados na magia que que se transformaram depois no estilo envolve a imaginação dos irmãos.


I’m thinking of a small town I visited last night in a dream

Novos ventos começaram a soprar em 1993 com a visita ao Brasil do artista plástico e graffiter Barry Mgee (Twist), de São Francisco. Mgee que chegou a São Paulo para realizar uma exposição de arte contemporânea mostrou aos irmãos a possibilidade de viver a fazer o que se gosta. Nesta época por diversão, Gustavo e Octávio, que acabavam de completar 19 anos, já haviam começado a desenvolver um estilo próprio e a fazer trabalhos publicitários e decoração em lojas e escritórios com os seus graffitis. Começavam desta forma a viver única e exclusivamente deste maravilhoso dom que ocupava quase 100% de seus seres. Em 1995, realizaram uma exposição conjunta sobre arte de rua no MIS – Museu da Imagem e do Som – de São

Paulo e um ano depois uma pequena mostra de algumas peças e instalações numa casa na Vila Madalena. Mas a vida como artistas plásticos com o estilo já quase completamente maduro aconteceu pouco tempo depois em Munique (Alemanha) a convite de Loomit, grande nome do mundo da Street Art que descobriu a dupla brasileira numa revista internacional sobre o tema. Com este convite, a dupla embarcou numa viagem sem volta pelo mundo realizando projectos em parceria com outros artistas e finalmente em 2003 a primeira exposição a solo na galeria Luggage Store, em São Francisco. Um grande salto veio quando os artistas entraram para a galeria Deitch Projects de Nova York em 2005, onde as suas obras tomaram forma dentro do

mercado de arte contemporânea. No momento em que ingressaram para o universo das galerias, a dupla pôde trazer as suas criações para um mundo muito além das ruas. Com isso, as suas ideias tomaram formas tridimensionais em esculturas e instalações feitas de maneira peculiar com todos os elementos e detalhes que se podem acrescentar quando um desenho salta do papel e chega ao mundo real. Apenas um ano depois, já com um nome forte no exterior, OS GÉMEOS fizeram a sua primeira exposição no Brasil na Galeria Fortes Vilaça, em São Paulo. A pintura feita nas ruas e as criações feitas para obras e instalações em galerias Yes, we’ll go in a minute, I’m just checking my messages


CULTURA URBANA |31


32|

partem do mesmo mundo onírico que existe dentro da mente da dupla, mas tomam rumos distintos. A primeira é o próprio diálogo dos artistas com as ruas, com cada pessoa que passa e de forma directa ou indirecta interage com a pintura, isto é o graffiti. A segunda é a materialização de sonhos, ideais, críticas sociais e políticas que retratam o universo vivido dentro, em contraste com que se apresenta fora no dia-a-dia dos próprios irmãos. No momento em que todas estas ideias entram dentro de uma galeria deixam de pertencer ao graffiti e passam a fazer parte do mundo que envolve a arte contemporânea. A imaginação é as asas que os gémeos utilizam para ir aos mais divertidos e ilusórios lugares que habitam as suas

mentes. É a porta aberta e o convite para mergulhar no humor e nas delícias de poder criar um mundo da nossa própria maneira e com todas as cores e fantasias que se possa imaginar.

Texto: Liliana Novais e Susana Simões Fotografia: CURB

GÉMEOS EM LISBOA No Verão tiveram o seu trabalho exposto no Museu Berardo. No entanto, ainda é possível ver o seu trabalho em Lisboa, já que fizeram uma intervenção num edifício abandonado na Avenida Fontes Pereira de Melo.


CULTURA URBANA |33

Gigante

Título Desconhecido

Título Desconhecido


34|


CULTURA URBANA |35

Exposição” O Peixe que Comia Estrelas Cadentes”


38|

Part-Time Queen Part-Time-Queen é a mais recente curta metragem de Fábio Guerreiro e Ricardo Braga, finalistas do curso Som e Imagem na Esad.CR., esta é a primeira curta metragem com apoios do IPL, M.Cultura e ICA.

“Quando o destino do pequeno Julinho se cruza com o de Chantel, um travesti que se prostitui, iniciase um périplo sobre a história de um príncipe que outrora foi rainha em part-time. Mas até que ponto a fantasia pode prevalecer quando confrontada com a realidade?” É um filme de drama fantasia que transmite uma mensagem reflexiva sobre a influência em determinados grupos sociais na sociedade, tem uma

grande dose de divertimento, diferente do que uma profissão normalmente representa. A produção de Fábio Guerreiro e Ricardo Braga é boa para quem pretende rever a típica vida de prostituição, para quem dá importância a valores como sonhos, sacrifícios, e desafios profissionais. Part-Time Queen tem a base do que deve ser o cinema: muita paixão, muito amor à arte, muita energia, incidindo em conceitos muito simples e muito humanos. Foi uma grande rodagem com

um resultado final ainda por descobrir com grandes expectativas. Um filme que conta com um elenco onde se destacam dois actores conhecidos da televisão de hoje, Joaquim Nicolau e Igor Sampaio.

Texto: Édite Santos Fotografia: CURB

MAIS CINEMA INDEPENDENTE “À medida que fomos realizando o projecto percebemos como é tão importante produzir mais cinema independente.” Fábio Guerreiro


CINEMA .39

Bastidores

AtĂŠ que ponto a fantasia pode prevalecer quando confrontada com a realidade?


Espi達o B-77

Bastidores


CINEMA |43

Mission: Done! Mission: Done! é um dos primeiros trabalhos do novato realizador Jorge Machado, aluno do curso de Som e Imagem da ESAD.CR., é a nova aposta dos filmes de acção do cinema Português.

Titulo: Mission: Done! Ano: 2010 Género: Acção, Mistério Realização: Jorge Machado Argumento: Jorge Machado, Afonso Oliveira e David Fonseca País: Portugal Montagem: David Fonseca Efeitos Especiais: David Fonseca Som: Zé Sequeira e Henrique V. Elenco: Nuno Trigo, Henrique V., David Fonseca, Afonso Oliveira, Ângela Rodrigues

O realizador Jorge Machado conta a história do agente secreto B-77, um gélido e calculista assassino profissional que tem como missão destruir o leito de um grupo terrorista escondido numa base secreta. O grupo está a produzir um chip capaz de destruir uma cidade inteira. A tarefa do espião B-77 é penetrar na base do inimigo e encontrar o chip para ser destruído. Mission: Done! É a mais recente curta-metragem de Jorge Machado, mistura muita acção com policial, sensualidade com suspense. Ainda sem data marcada para a estreia, mas espera-se que estreie ainda antes do final do ano. O novato realizador aposta num género ao estilo Hollywoodnense,

com muita acção e aspectos inovadores na realização de curtas. De ritmo deliciosamente lento, Mission: Done! nunca é menos que hipnótico. Dirigido com a mesma precisão e habilidade que o seu protagonista demonstra ao matar. A curta exibe cada cena, cada momento, cada enquadramento de forma a seduzir a atenção do espectador desde os primeiros minutos. Um convite à degustação cinematográfica.

Texto: Brígida Santana Fotografia: CURB


TEATRO |45

TEATRO MERIDIONAL

1974 O grupo encenado por Miguel Seabra, conta com um elenco de luxo: Carla Galvão, Cláudia Andrade, David Pereira Bastos, Emanuel Arada, Inêa Lua, Inês Mariana Moita, João Melo, Rui M. Silva, Sara Vaz e Susana Maderira. Vai estar em cena até 19 de Dezembro, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

No ano em que foi distinguido com o Prémio Europa Novas Realidades Teatrais, um galardão criado pela Comissão Europeia com o pressuposto de distinguir o melhor do teatro europeu, o Teatro Meridional leva ao palco do Teatro Nacional um espectáculo que pretende ser uma reflexão sobre a construção da identidade nacional na segunda metade do século XX. O Meridional tem sido uma das mais consistentes companhias nacionais, tendo desenvolvido um trabalho linear, despojado, rigoroso e de excelência cuja tónica assenta sobretudo no trabalho de actor. Fundada em 1992 a companhia começou por se desenvolver como um projecto do sul da Europa, integrando inicialmente actores de origem italiana, espanhola

e portuguesa. Ficaram para a história espectáculos memoráveis como Ki Fatxiamu Noi Kui, Ñaque ou Calisto. A orientação para a lusofonia, outra das facetas da companhia, traduziu-se em espectáculos como A Varanda de Frangipani ou Mundau. A reflexão sobre a portugalidade tem vindo a ser encontrada em espectáculos como Para Além do Tejo ou Por Detrás dos Montes. 1974 segue esta mesma linha. Três períodos: a ditadura, a Revolução de Abril e a entrada de Portugal na CEE. Uma identidade que se constrói também através da fisicalidade dos próprios actores e que definem para além das palavras que proferem. Texto: Liliana Novais Fotografia: CURB

BREVE

THE TANGIBLE Tangible é uma reflexão que parte do conceito de “crescente fértil”, berço da civilização, até ao momento em que se considera a região mais instável do globo. A companhia Tg Stan vai estar em Lisboa de 8 a 11 de Dezembro.


IDEIAS CRIATIVAS |49

Foodscapes

CARL WARNER www.carlwarner.com/index_small

As Foodscapes trazem-nos paisagens de um mundo utópico onde tudo é feito com comida, e onde as cores e texturas aliam a disciplina do trabalho em estudio à espontaneidade do trabalho de rua com a luz natural.

Carl Warner, é um fotógrafo inglês nascido em Liverpool em 1963, iniciou a sua carreira numa Escola de Arte originalmente como Ilustrador. Tinha um grande talento para o desenho, mas rapidamente descobriu que as suas ideias e o seu olho criativo ligavam melhor com a fotografia. Ao longo dos últimos dez anos, Carl tem desenvolvido um conjunto de trabalhos de paisagens feitas com comida, as suas obras são a imagem de muitas marcas de comida por todo o mundo. A publicação das imagens na TV e em muitos sites de jornais, levou à criação de e-mails em formato pdf, muitos tornaram-se famosos e estão ainda hoje a ser passados na internet. As “Foodscapes” (Paisagens de Comida) são criadas no estúdio de Carl em

Londres, onde são montadas em cima de uma grande plataforma. As várias partes são fotografadas em layers desde o primeiro plano da imagem até ao plano de fundo. Na pós-produção todos os elementos fotografados em estúdio são então montados até obter a imagem final. Segundo Carl, apesar de fazer o seu trabalho muito espontaneamente, admite que usa modelos de marcação e food stylists (estilistas de comida) para o ajudarem a criar os cenários. Inicialmente, começa com um esboço geral da composição como guia para a equipa. A ideia de Carl é dar ao público a impressão de estar a ver a imagem como um fantástico mundo real onde tudo é feito com comida. No final explica que apesar de haver um grande desperdício de

comida, nem tudo é lixo, pois a comida que ainda é comestível é partilhada com os vários elementos dá equipa e a restante tem mesmo que ser deitada fora por ter sido colada e quimicamente tratada para a montagem.

Texto: Brígida Santana Vegetables Forest Cabbage Sky Broccoli Forest


50|

BEN HEINE www.benheine.com

Pencil vs Camera O melhor de duas artes

Benjamim Heine, mais conhecido como Ben Heine, é um caricaturista e jornalista, que gosta de se aventurar em diversos mundos. O seu trabalho une a incrível técnica gráfica do desenho a lápis com o encanto da arte fotográfica.

Graduado no instituto de estudos mais elevados nas comunicações sociais, nasceu em Abidjan, na Costa do Marfim e actualmente reside e trabalha na Bélgica. É um artista multifacetado, apesar de ser um estudioso das artes gráficas e da escultura, Heine é, curiosamente, formado em jornalismo. É no entanto nas artes que todo o seu talento e imaginação mais se fazem notar. Nenhum dos seus trabalhos e até a sua forte personalidade passam despercebidas. Inicialmente pintor e ilustrador, sempre gostou de desenhar. A sua paixão pela fotografia surgiu mais tarde, quando se apercebeu o quão criativa e poderosa é esta arte (refere mesmo que os seus estudos em jornalismo lhe deram alguns conhecimentos técnicos nesse campo). A sua inspiração vem da arte de muitos

outros fotógrafos, mas devido ao seu carácter forte, Ben, seguiu o seu próprio caminho artístico. O artista belga faz uma indicação crítica poderosa através das suas caricaturas e ilustrações. Nos trabalhos protesta contra o imperialismo e outras violações dos direitos humanos em torno do mundo. O conceito original destes trabalhos consiste em opor imaginação à realidade, desenho e fotografia, usando ferramentas básicas. Lápis e Máquina fotográfica. Segundo Ben, “Não há limites. Tudo é possivel. A única barreira é a sua percepção do mundo.”

Texto: Édite Santos e Brígida Santana Títulos Desconhcidos

BREVE

MAURO RESTIFFE O artista brasileiro apresenta um conjunto de fotografias a pretoe-branco de grande formato que revelam a arquitectura como principal foco de interesse. A exposição chama-se “Reflexões” e vai estar em Lisboa até 8 de Janeiro.


52|

SUNG YEON JU www.yeonju.me

A moda de roupas feitas com comida definitivamente expandiu. Depois de “Hunger Pains de Ted Sabarese “(consiste em fotografar modelos que vestem roupas de comida), temos agora o projecto “Wearable Foods” (ou Comidas Vestíveis) da artista coreana Sung Yeon Ju.

As suas criações são vestidos comestíveis, bonitos e elegantes, vestidos feitos de tomate, beringela, banana, pão, repolho roxo e raiz de lótus, e outros variados alimentos. As suas criações surpreendem qualquer espectador, não só pela sua criatividade mas como também conseguir realizar ao pequeno detalhe e com perfeição os seus projectos. Este é o seu primeiro projecto que começou há dois anos até aos dias de hoje. Esta série trata o conceito de criar as imagens que associa a realidade real e a realidade preparada em muitos níveis. Infelizmente, os vestidos são apenas para olhar. Somos certos que sua influência viverá em colecções dos desenhadores futuros. Sung Yeonju de 29 anos vive e trabalha na Korea, sabemos que o seu trabalho será apresentado na próxima exposição numa galeria de arte contemporânea da Korea, a Janeiro de 2011 em Los Angeles.

Texto: Édite Santos Red Cabbage Spring Onion Lotus Root


IDEIAS CRIATIVAS |53

I LOVE DUST www.ilovedust.com

Uma nova empresa de Design e Ilustração que veio inovar a indústria e a imagem de grandes marcas como a Levi’s, Nike, MTV e muitas outras.

I love dust é um estúdio /boutique de Design. Esta inovadora empresa tem dois estúdios em Inglaterra, um primeiro localizado no coração de East London e o segundo na costa litoral Inglesa. Respectivamente rodeados pela paisagem campestre e apenas a um curto passo do oceano. Desfrutam de pontos de vista distintos de trabalho e usufruem da azáfama e energia da cidade.A mistura de ambos os ambientes fornecelhes uma perspectiva única e inspiradora. Ao longo dos anos e graças ao enorme empenho e esforço de equipa, foram angariando grandes clientes como a MTV, Ray Ban, Nike e Levi´s, todos os seus trabalhos são personalizados e representam na sua grande maioria a imagem de grandes marcas. Num estilo único e inovador, I love dust dá asas a uma nova amostra de arte urbana, através de calçado, outdoors, publicidade, packaging e incluindo a tipografia. Aqui ficam alguns exemplos do que um ambiente inspirador e uma equipa unida pode fazer pelo Design e Cultura Urbana dos dias de hoje. Texto: Brígida Santana Life Cloud (Vodafone) Bill’s Milkshake Odin Munny


54|

JIM

VICTOR www.jimvictor.com

Já deves ter visto pela internet vários tipos e formatos diferentes de esculturas, sejam feitas de madeira, papel e até mesmo esculturas de abóbora. Mas tenho a certeza que nunca tinham visto esculturas feitas de manteiga, é isso mesmo, o autor das obras é americano e chama-se Jim Victor.

Jim Victor faz este tipo de trabalho há mais de trinta anos, os seus trabalhos são expostos em feiras agrícolas pelos Estados Unidos. Além do uso da manteiga como principal elemento para composição das suas esculturas, Jim também faz arte com chocolate, queijo, especiarias, sem contar com o bronze e outros metais. Esculpe formas humanas e animais nos seus tamanhos reais. O trabalho dele é fantástico e super criativo. Além de o Queijo não ser o meio artístico mais distinto de Jim, este possui uma coisa para produtos lácteos. Iniciou-se para trabalhar com madeira, mas depois, respondeu a um anúncio para um escultor da manteiga na amostra da exploração agrícola do estado de Pensilvânia nos anos 90, foi o “cotovelo-profundo” na manteiga. Revela como as constrói, mas não sugere comer as esculturas depois de o trabalho estar terminado.

Texto: Édite Santos Donkey Marilyn Monroe Dairyville


IDEIAS CRIATIVAS |55

DIEGO BEYRÓ www.diegobeyro.com

Diego Beyró é um jovem artista plástico que se apresenta com uma obra curiosa, “Orgastic”.

Diego Beyró nasceu a 1984 em Buenos Aires, na Argentina. Estudou Artes e é hoje um original artista plástico. Beyró tem um trabalho no mínimo diferente, quer pelo interessante tema que escolheu, quer pelo material. O seu trabalho chama-se “Orgastic” e trata-se de uma série de trabalhos que retratam expressões do rosto humano no limite da excitação. O que torna o trabalho ainda mais interessante é o tamanho, o facto de estampar os rostos em lençóis ao invés de telas, reforça ainda mais o apelo da cena retratada, pois os lençóis remetem-nos para a cama, ainda que não tenha que se tratar necessariamente de uma cama.Vale a pena nem que seja só para olhar, pois esse momento muitos querem, mas poucos têm a oportunidade de o ter. Diego teve o seu trabalho exposto na MiArt ArtNow! 08, uma importante feira internacional que aconteceu em Milão no ano de 2008. As fotos e o título Orgasm Series, provavelmente levam a tua mente a lembrar ou a recordar momentos no mínimo eróticos.

Texto: Liliana Novais Série “Orgastic”


ELES DIZEM |57

GRAFFITI: PUBLICIDADE ARTE VS ARTE (DE RUA) VS RABISCO Quero abordar a apropriação da arte pela publicidade. Especificamente a arte de rua. A arte de rua, que compreende várias formas de expressão como os graffiti, stencil, stickers, posters, pintura e escultura, é a arte criada em espaços públicos, muitas vezes sem permissão. Particularmente, adoro as investidas publicitárias que utilizam a arte de rua, ou ao menos a tem como temática. Tal tipo de publicidade potencializa a abrangência da arte e atinge públicos que, talvez, não tivessem este tipo de contacto não fosse a propaganda. Além disso, a publicidade demonstra respeito à arte e ajuda a modificar a imagem errônea de vandalismo que, infelizmente, ainda perdura sobre a arte de rua. Somado ao estigma vândalo que a arte carrega, alguns grandes centros culturais enfrentam desafios ainda maiores. Toda a beleza da arte urbana é abordada também como temática em mídias impressas ou até spots de televisão, como fez recentemente a Goodyear para reposicionar a sua imagem no mercado latino-americano. A mescla de arte e publicidade agrega valor a ambas, aumentando o impacto das mensagens. Seja a publicidade arte, ou não, é válido afirmar que há espaço suficiente para uma integrar a outra.

Rafael Amaral Estudante

Há cada vez mais graffitis a “inundarem” a via pública. Porém, estes dividem as pessoas que os vêm, enquanto que uns gostam e dizem que estes são arte urbana, outros detestam e afirmam que isso não passa de puros rabiscos. Na minha singela opinião, os graffitis são arte sim, pois, alguns são, de facto, verdadeiras obras de arte, e, além disso, estes são uma forma dos autores expressarem a sua opinião, bem como de denunciarem no mundo aquilo que está mal e que precisa de ser mudado. É, assim, uma forma de participar activamente na sociedade, esta forma de participação é demasiado importante para ser posta de lado, uma vez que, infelizmente, alguns indivíduos tendem a viver passivamente na sociedade, ao invés de fazerem como, por exemplo, alguns graffiters que não temem expressar a sua opinião em relação a esta. Mas, à que ter atenção que graffitar não é fazer riscos e muito menos fazê-los em qualquer local, é sim fazê-los em locais apropriados, mediante a autorização dos responsáveis por estes espaços. Porque a via pública é de todos e não é para estragar, logo, é necessário que tenhamos algum bom senso na forma como a utilizamos...

Da Weasel Músicos


60| AGENDA CULTURAL

Super Bock em Stock 2010 3 e 4 Dez Mais um ano, mais um grande cartaz. Este ano com B Fachada, Jorge Palma, Linda Martini, Tiago Bettencourt, entre outros. Vão estar na avenida da Liberdade e outros sítios. Local: Lisboa Bilhete para os 2 dias: 40€ À venda na Fnac e Ticketline

James 3 Dez A banda que foi uma instituição da música alternativa Britânica nos anos 80 e 90, vai estar em Lisboa no campo pequeno. Local: Lisboa, Campo Pequeno Bilhetes a partir dos 25€ À venda no Campo Pequeno


MÚSICA |61

DIEGO BEYRÓ Diego Beyró é um jovem artista plástico que se apresenta com uma obra curiosa, “Orgastic”.

Nouvelle Vague 4 Dez A banda francesa de covers vai estar no Porto, no teatro Sá da Bandeira e vai-se fazer acompanhar de duas bandas: Spokes e The Hundred in The Hands. Local: Porto, Teatro Sá da Bandeira Bilhetes a partir dos 25€ À venda no Teatro Sá da Bandeira

The Legendary Tigerman 4 Dez O destemido homem dos Blues vai estar em Lisboa, no Coliseu dos Recreios. Local: Lisboa, Coliseu dos Recreios Bilhetes a partir dos 25€ À venda no Coliseu dos Recreios


62| CINEMA

Yuki & Nina Drama De Nobuhiro Suwa

Yuki, uma menina de nove anos, descobre que os pais se vão separar e vai ter que deixar tudo para trás. Yuki e Nina são amigas e tentam tudo para juntar os pais, ao não conseguirem fugir torna-se a única solução. Estreia: 4 Dez Local: Lisboa, Campo Pequeno

Cópia Certificada Drama De Abbas Kiarostami Esta é a história de um escritor inglês e uma galerista francesa que decidem fingir ser um casal durante um dia. O casal envolve-se tão intensamente que acaba por tornar real um amor que começou por ser fictício. Estreia: 3 Dez Local: Lisboa, Medeia Monumental


TEATRO |63

DIEGO BEYRÓ

Durações de Um Minuto

Diego Beyró é um jovem artista plástico que se apresenta com uma obra curiosa, “Orgastic”.

Até 27 Dez

Os dois criadores convidaram por sua vez um conjunto de actores, bailarinos e músicos de experiências, idades e formações diferentes para dar corpo a este desafio que pretende ser uma reflexão sobre o tempo. Local: Lisboa, Teatro São Luis Bilhetes a partir dos 5€ À venda no Teatro São Luis

Ciclo Máscara/Morte/Revolução Fim de Citação Até 12 Dez O espectáculo que serve de prólogo a este ciclo, reúne um conjunto de textos de autores como Beckett, Garcia Lorca, Calderón, Kleis, Shakespeare, Pirandello, Heiner Müller e Louis Jouvet, autores esses já visitados pela companhia ao longo da sua história. Local: Lisboa, Teatro do Bairro Alto Bilhetes à venda no Teatro do Bairro Alto


64| EXPOSIÇÕES

POP UP Lisboa 2010 4 Nov a 11 Dez “Viver a cidade, celebrar a cultura” é o lema do festival que regressa este mês para a segunda edição, sob o tema Nómadas Urbanos. O evento desafia criadores a intervir numa dezena de locais da cidade. O Palácio Verride é o espaço principal do festival. Local: Lisboa, Palácio de Santa Catarina

Mostra de Arte Urbana 2010 Até 31 Dez A Galeria de Arte Urbana apresenta a Mostra de Arte Urbana 2010. Vocacionada para o Graffiti e para a Street Art, a GAU mostra anualmente as propostas de vários autores participantes na iniciativa, dando a conhecer diferentes discursos criativos e gráficos. Local: Lisboa, Galeria de Arte Urbana


EXPOSIÇÕES |65

DIEGO BEYRÓ Diego Beyró é um jovem artista plástico que se apresenta com uma obra curiosa, “Orgastic”.

Joana Vasconcelos 4 Nov a 11 Dez São centenas de peças em cerâmica, concebidas por Rafael Bordalo Pinheiro e fabricadas a partir de moldes recuperados. A concepção artística desta instalação tem a assinatura de Joana Vasconcelos. O objectivo é recriar o Jardim Bordalo Pinheiro. Local: Lisboa, Museu da Cidade

Contentores Até 31 Dez O projecto Contentores pretende dinamizar o panorama da arte pública contemporânea e a paisagem urbana da cidade. As Docas de Alcântara são cenário. Organizado pela P28 - Associação de Desenvolvimento Criativo e Artístico. Local: Lisboa, Docas de Alcântara


PRÓXIMA EDIÇÃO

Na próxima edição vamos falar do mundialmente, conhecido graffiter Banksy’s.


Revista  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you