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Entrevista

DIY social na Costa Rica

“Avecs” no Porto 2013

Número 19 - março/abril

Bimestral

Distribuição gratuita


AURA S.A. - 212 138 500


geral@nautisurf.com


Distribuição www.marteleiradist.com 212 972 054 - info@marteleiradist.com


fotografia roskof

Desculpem lá qualquer coisinha… Sim, queremos pedir desculpa a todos os leitores que têm de gramar com uma revista de borla, também queríamos pedir desculpa aos nossos colaboradores por lhes darmos valor e pagarmos pelo seu trabalho… onde é que estávamos com a cabeça! Em 2013 uma revista de papel e ainda por cima disponível nas skateshops, escolas, bibliotecas, bares… de que ano é que nós saímos? 1980? Será que ainda não percebemos que o futuro são revistas digitais, aplicações disponíveis 24h nessa grande coisa que por aí anda chamada internet? Já estamos a trabalhar na aplicação da Surge para aqueles óculos muito sofisticados que têm computadores incorporados, GPS e máquina de tirar cafés. Ah, e claro, no futuro trabalhamos todos de borla, só por amor à camisola, porque curtimos mais assim e porque é assim que nos fazem crer que é genuíno, seja cá, seja lá fora. Fotografias? Isso é tão anos 90, o futuro é o vídeo… esperem, não, os filmes de skate em 3D. Melhor ainda, filmes de skate em hologramas de tamanho real na nossa sala… hum, se calhar quando houver hologramas em tamanho real na sala, em vez de skate vamos mas é ver uns daqueles filmes com a bolinha vermelha… isto, claro, desde que não tenhamos que pagar e que os protagonistas também tenham feito o filme de borla, porque assim é que é genuíno… mesmo do coração! Agora que pensamos nisso, nessa altura já nem deve haver sites para sacar esses filmes, nem sites de skate nem seja do que for, toda comunicação on-line será feita nas redes sociais onde é tudo de borla e muito fixe! Até o nosso presidente comunica connosco por lá! Claro que essas redes podem ganhar milhares de milhões sem fazer rigorosamente nada e aproveitando-se de todos os pacóvios que querem “dar” dinheiro a pessoas para fazer trabalho. E, claro, como revista de papel, também queremos pedir desculpa pelo impacto ambiental: todas aquelas árvores que foram abatidas para produzir a Surge e, claro, para produzir as tábuas de skate que aparecem nas fotografias, que também, teimosamente, pagamos num papel chamado notas. Que desperdício! Sinceramente e para bem de todos, não devíamos era fazer nada, não gastar nada e, como diz aquela célebre expressão, “não comer para não cagar”. O que tem isto a ver com skate? Nada… mas é do coração! Pedro Raimundo “Roskof” 2013


Dr. Manka-te

A vida do nosso Dr. é uma sequência de bons momentos, uns atrás dos outros… e com cheirinho!

Nozbone

Quintal Sessions

Por vezes os melhores dias de skate estão mesmo por trás da nossa casa… ou da do nosso amigo!

Jorge Simões

Pura Vida Costa Rica

Colaboradores: Rui Colaço, João Mascarenhas, Renato Laínho, Paulo Macedo, Gabriel Tavares, Luís Colaço, Sem Rubio, Brian Cassie, Owen Owytowich, Leo Sharp, Sílvia Ferreira, Nuno Cainço, João Sales, Rui “Dressen” Serrão, Rita Garizo, Vasco Neves, Yann Gross, Brian Lye, Bertrand Trichet, Luís Moreira, Jelle Keppens, DVL, Miguel Machado, Julien Dykmans, Joe Hammeke, Hendrik Herzmann, Dan Zavlasky, Sean Cronan, Roosevelt Alves, Hugo Silva, Percy Dean, Lars Greiwe, Joe Peck, Eric Antoine, Eric Mirbach, Marco Roque, Francisco Lopes, Jeff Landi, Dave Chami, Adrian Morris, Alexandre Pires, Vanessa Toledano.

Interdita a reprodução, mesmo que parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusivé comerciais.

Tiragem Média: 8 000 exemplares Periodicidade: Bimestral Impressão: Printer Portuguesa Morada:Edifício Printer, Casais de Mem Martins 2639-001 Rio de Mouro • Portugal

A última vez que estivemos com o Nuno Relógio, ele tinha-se enganado: queria ir para o festival do marisco de Olhão e foi parar ao festival do marisco de Vigo... felizmente para ele, não se costuma enganar em manobras. Quando vai para dar um backside smith, dá mesmo… fotografia Mascarenhas 2013

Um skater dividido entre a louça das Caldas e o vinho do Porto, não deve ser nada fácil.

Apesar de ainda não ser agosto, já começámos a receber os skaters lusodescendentes. É nesta entrevista que vais ficar a saber o que é o Senegal e, claro, mais sobre um dos mais promissores jovens skaters europeus.

Ficha Técnica Propriedade: Pedro Raimundo Editor: Pedro Raimundo Morada: Rua Fernão Magalhães, 11 São João de Caparica 2825-454 Costa de Caparica Telefone: 212 912 127 Número de Registo ERC: 125814 Número de Depósito Legal: 307044/10 ISSN 1647-6271 Diretor: Pedro Raimundo roskof@surgeskateboard.com Diretor-adjunto: Sílvia Ferreira silvia@surgeskateboard.com Diretor criativo: Luís Cruz roka@surgeskateboard.com Publicidade: pub@surgeskateboard.com

1º Foco Francisco Mouga

Mais do que construir skate parques, ajudar a construir vidas.

www.surgeskateboard.com Queres receber a Surge em casa, à burguês? É só pedir. Através de info@surgeskateboard.com assinatura anual em casinha: 15 euros

Capa: Um bocado mais alto e este ollie do Jorginho saía fora da capa da revista… ainda bem que o Luís Moreira o apanhou a tempo fotografia Luís Moreira


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c1rcaportugal@ciabrasil.pt


Olá grande Doutor Estou a escrever porque tenho que dizer o que me vai na alma. No skate continuam a existir coisas que me incomodam. No skate em Portugal. Nos outros países deve ser a mesma coisa, mas isso não me interessa. Interessam-me, sim, os skaters portugueses, os distribuidores das marcas e lojistas do nosso país. Sabes Doutor, continuamos muito pequeninos. Não falo do tamanho do nosso rico Portugal, sei que é pequeno mas eu não gostaria de viver noutro sítio. Este é o melhor país do mundo. Somos pequeninos é na mentalidade. Pequeninos é favor... Depois de muitos anos de skate, continuo a ver os putos a sonharem com patrocínios. Não é que ache isto negativo, mas incomoda-me bastante tudo o que anda à volta deste sonho. É normal e saudável receber material de borla, para fazermos aquilo de que mais gostamos, até aí tudo bem. O problema aqui é que os distribuidores e lojistas aproveitam-se da ignorância e burrice dos putos para os utilizarem. Sim, é essa a palavra! Utilizam-nos para fazerem publicidade às suas marcas e às suas lojas a troco de praticamente zero. Os putos, burros, vão na cantiga e acham-se os maiores lá da rua! Isto sempre se passou em Portugal, mas parece que antigamente a malta não se vendia por tão pouco... Abraço Doutor, Quim Bé Évora Quim Bé, Ainda bem que escreveste e tocaste nesse assunto. Tenho é a infelicidade de te dizer que discordo da tua última frase. Antigamente não era melhor, meu amigo. Foi sempre a mesma merda! Como dizes, e bem, é normal os putos sonharem com patrocínio. Eu próprio já sonhei com isso. Eu passei por uma fase no skate, que durou alguns anos, em que partia todas as tábuas que tinha. Nunca fui filho de paizinhos ricos, por isso, sempre que partia uma tábua, era um desgosto, algumas vezes até chorava... um patrocínio tinha dado jeito nessa altura! Mas a minha história pouco interessa aqui. Como já te disse anteriormente, acho que hoje as coisas não estão piores. Para mim está tudo igual. Sempre existiram putos que se vendem por pouco. Sempre existiram distribuidores e lojistas sabichões, que se aproveitam. Muito já se falou sobre isto, e com certeza que muito se continuará a falar no futuro... Gostaria apenas de deixar uma questão no ar, para ti, amigo Quim, e para todos os leitores da Surge. Quem tem mais culpa no cartório? O puto que se vende por pouco, ou o distribuidor que se aproveita? Pensa nisso. Até posso ser burro, mas a mim só me enfiam o dedo no cú se eu deixar...

Viva Doutor Tenho um problema. Ajuda-me! Pratico bastante, quase todos os dias, mas não consigo evoluir tão rapidamente como alguns amigos meus. Eles já dão flip na boa. Eu por muito que me esforce não consigo acertar nenhum. Sinto que talvez tenha escolhido o desporto errado. Acho que nunca vou ganhar um campeonato! Gostava muito que me ajudasses. Adorava ter nível para entrar nos campeonatos do Radical. Talvez um dia consiga, mas agora parece que ainda estou longe disso. Pedro Mateus Benfica Olá Toninho, Tenho a certeza que escolheste o desporto errado. Os campeonatos da playstation é que foram feitos para ti. Beijinho na bunda Dr. Manka-te

Horácio Manka-te (Almada, 31 de agosto de 1973) não é um psicólogo e também não se tornou conhecido do grande público ao participar nos programas da Amiga Olga. Não trabalha mas tenta, como consultor de comportamento e relações desumanas. É conhecido por DR. Manka-te. Não se formou em psicologia e, após alguns anos a exercer a atividade de inútil e terapeuta, fundou a companhia “beijo na bunda” (que tinha como objetivo ajudar os advogados a defender os seus casos em tribunal, usando a sua psicologia). Em 2001, DR. Manka-te lança o seu próprio programa de televisão. Nesse mesmo ano é considerado pela revista Caras como uma das figuras mais intrigantes do ano. DR. Manka-te é autor de seis best-sellers do Borda d’Água. Os seus livros já foram publicados em 1757 línguas. Acompanha todas as quartas no site da surgeskateboard.com

Ainda vou ser professor de filosofia... Beijo na bunda, meu caro, Dr. Manka-te

2013

Dr. Mankate drmankate@surgeskateboard.com


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“Pura Vida” é um projeto que surgiu das cabeças de um grupo de amigos. Consistia em criar e construir um skate parque na Costa Rica e documentar o feito. Até aqui tudo bem, o que realmente é diferente nesta história é saber o que levou um grupo de jovens europeus a fazer algo deste género do outro lado do Atlântico, no meio de uma sociedade e cultura tão diferentes da nossa? Agora, passados 2 anos desde que a ideia surgiu, o skate parque está terminado e temos a nossa resposta. Através das imagens do Gabriel e das palavras de Christian, ficamos a saber como este projeto se transformou em realidade.

intro Vanessa Toledano texto e entrevista Christian Petzold fotografia Gabriel Engelke

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No intervalo das construções ainda deu para desfrutar das transições da Costa Rica, Al Partanen frontside air.

A ideia nasceu em 2009, em Dresden, na Alemanha. Um amigo meu, o Mirko, trabalhava com a Asociación Vida Nueva, um projeto social em São Isidro, que consistia num circo que trabalhava com os miúdos de um dos bairros mais pobres da Costa Rica. Apresentámos-lhe a ideia do que queríamos fazer: construir um skate parque, documentar a sua construção e utilizar o skate como ferramenta de inserção e apoio aos miúdos. Ele concordou de imediato, começámos logo a pensar no projeto e em como arranjar o dinheiro.

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Demorámos dois anos até ter dinheiro para arrancar. Assim que conseguimos, reunimos a nossa equipa e arrancámos para a Costa Rica. A par do início da construção, os nossos voluntários também davam aulas de inglês e desenho. O local onde iria ser construído o skate parque, El General, é um dos bairros mais pobres da Costa Rica, onde não havia nada para os miúdos fazerem, e uma área cheia de violência e marcada pelo consumo de drogas. Hoje em dia o skate parque continua a ser uma das poucas zonas do bairro onde as drogas não entram.


Por mais cliché que isto seja, é uma das poucas atividades que os ajuda a manterem-se fora de sarilhos. Para além do skate, todos os miúdos têm direito a frequentar as aulas, assim como os workshops sobre os mais variados temas, como reciclagem ou agricultura. Um dos aspetos mais importantes foi também envolver os miúdos na construção. Queríamos que eles também sentissem e desenvolvessem o sentido de responsabilidade pelo “seu” skate parque. Eles têm de perceber que o parque é bom ou mau, conforme as suas ações. Queremos que o parque

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continue a crescer, com a ajuda das pessoas que o utilizam. Para os incentivar ainda mais, criámos um sistema de pontos que funcionava mais ou menos assim: por cada dia de construção e de aulas recebem pontos, que depois podem trocar por material de skate, que é enviado da Alemanha pelos nossos parceiros. Para o futuro esperamos que estes e mais miúdos continuem motivados e que mais voluntários venham até à Costa Rica para partilharem as suas experiências e ajudar na expansão do parque.


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O chapéu de palha dá sempre jeito nos trópicos, Chet Childress backside boneless

Mini entrevista a Gabriel Engelke – skater, fotógrafo e construtor… Como é que é comparas a vida na Costa Rica com a vida na Europa? Acho que é como se tivesse sido enviado de volta à altura em que era um miúdo. Tudo é possível, podes andar por todo o lado, na Europa temos regras a mais! Como é que os locais te trataram? Muito bem, mesmo. Fiquei em casa do Adolfo Salazar, trataram-me como se fizesse parte da família... até me deixou ficar no quarto dele! Tentei explicar-lhe que não era necessário, mas não me deu hipótese. Achas que vida dos miúdos locais mudou com este projeto? Ver e experienciar algo muda-te sempre, mas esta viagem marcou-me mais do que qualquer outra até hoje. Ver a maneira como os miúdos interagiram connosco, como nos divertimos e trabalhámos juntos... e como ficaram tristes quando partimos. Marcou-me. Mas acho que quando voltarmos vão estar a andar de skate melhor do que eu. 2013

Sei que houve mais malta do skate, inclusive alguns pros que ajudaram. Quem foi a equipa? Sim, muita gente, o grupo original: Roland Spandlin, Florian Brosel, Arne Fiel, Andreas Endrulat e Luise Henzel, a malta local que nos acolheu, Adolfo, Gepe, Ricardo, Diego e Steven. E alguns pros, Jan Kliewer, Chet Childress, Al Partanen, Hjalte Halberg e o Alex Irvine, da Kingpin… todos ajudaram muito. E quero agradecer-lhes a todos, aos muitos, que participaram neste projeto com o seu trabalho e boas vibrações. Foi fantástico! Para mais informações www.puravida-skateboarding.com www.grabielengelke.com

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entrevista Luís Moreira fotografia Luís Moreira e Renato Laínho

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A primeira vez que vi o Jorginho foi há uns cinco ou seis anos na Tv a dizer que dava nollie heel e caballerial. Foi durante uma reportagem sobre o Go Skateboarding Day no Porto. Lembro-me de, já nessa altura, se falar dele como uma promessa do skate nacional e eu nem percebia bem porquê, pois o que eu vi naquele vídeo não me impressionou assim tanto. Mas pouco tempo depois conheci o Jorginho pessoalmente e a minha opinião mudou completamente. Fiquei instantaneamente vidrado na forma como ele anda de skate e, sobretudo, fiquei surpreendido pela sua forte personalidade e determinação. Hoje em dia o Jorginho faz parte do meu grupo de amigos e do pessoal com quem vou skatar regularmente e não há dia nenhum em que eu não o insulte do piorio por ele aprender quinhentas novas manobras como se já as soubesse dar há décadas. Metes-me nojo, Jorge!


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Idade, tempo de skate, patrocínios e skaters preferidos. 18. 7/8 anos. DC shoes, KATE skate shop, About skateboards, G-shock, Haze wheels

Achas que algum dia vais passar de Jorginho a Jorge? Não, sempre me chamaram de Jorginho e quero que me continuem a chamar...

Porque é que falas tanto no Senegal? Ora bem, o Senegal, isso tudo começou, quando eu e um amigo (o Lascasa) íamos no carro da minha mãe para um spot e cheirou mal... e eu disse “que cheiro a Senegal”... e pronto desde então, ficou Senegal para tudo e todos hahaha

Desde a primeira foto desta entrevista até à ultima, o teu cabelo cresceu de forma considerável, assim como o teu nível de skate. Estás com medo de perder os teus super poderes ao cortar o cabelo? Ya, pois foi. Não sei, não me apetece cortar. Apesar de ter uma mãe cabeleireira que corta mesmo bem o cabelo, decidi deixar crescer. Já andava para o fazer há imenso tempo e parece que desta foi de vez.

Passas muito tempo no skate parque da Maia. Porquê? Porque é mesmo potente, nunca me canso daquilo e está sempre lá o pessoaleiro a curtir milhões.

Como diz a malta do norte, curtimos “milhões” este switch-bigspin

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Se a polícia o visse a dar flips sem parar na passadeira, no mínimo rapava-lhe o cabelo

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Estão bem a ver onde é que o Jorginho tem de dar o pop-out para sair deste feeble? Pois, é mesmo ali antes daquele poste…

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Tens viajado muito nestes últimos dois anos. Achas que o pessoal lá de fora está em vantagem? (Se sim, porquê?) Depende muito dos sítios onde fores, há muitos países da Europa e resto do mundo... mas depois há ‘aquelas’ cidades, tipo Barcelona, em que tens imensos spots perfeitos e muito pessoal a partir a loiça!

o pessoal do Porto é muito mais unido do que o pessoal de Lisboa. O pessoal do Porto acho que não liga muito à competição mas, sim, mais à diversão.

Quais são para ti as principais diferenças entre a comunidade skater do Porto e o resto do país, ou mesmo de outros países que já tenhas visitado? Há muitas diferenças, há sempre. Eu gosto mais do Porto, talvez por ser a minha cidade, o pessoal com quem sempre skatei, com quem fui para todo o lado e sempre me diverti... e, sinceramente, acho que não sou único a pensar isto: que

Já passaste algum tempo em Barcelona. Alguma vez pensaste em mudar-te para lá? Já, já pensei nisso muitas vezes e gostava muito. Aquilo é incrível p’ra skatar, mas não há dinheiro para tal, logo não o posso executar!

De que é que estás à espera para te mandar lá para fora? De dinheiro.

Esta manobra tem tanta “jigajoga” que poderia ter sido inventada numa disco dos anos 70, fakie tailslide shove-it 360 Vigo é uma das cidades que ensinou muito ao Jorginho, fakie-flips incluídos página 33 Jorge Simões


Se pudesses escolher uma cidade no mundo para viver, qual era? BARcelona ou L.A., embora nunca tenho ido lá... mas deve ser mesmo fixe, a cidade... Sei que anulaste a matrícula na escola. Estás preocupado com isso ou achas que na tua idade podes dar-te ao luxo de arriscar e investir mais tempo no skate? Sinceramente este ano não estou muito preocupado. Até porque, pelo que a minha diretora de turma dizia, “não

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estava lá a fazer nada”. Então saí e pronto. Ando de skate e faço algo de útil para a sociedade. Para além do skate, que mais é que ocupa o teu tempo? Estou com o pessoal, vou muitas vezes massar o Gaia à Kate, passo tempo com a minha namorada e chateio o RED no café D. Gina! muahaahahah


Se fosse há 10 anos esta sequência tinha custado 2 salários mínimos ao fotógrafo, half-cab para backside 360

página 35 Jorge Simões


O Jorginho, o Luís Moreira e o Renato Laínho têm um vocabulário só deles, mas a única coisa que gostávamos de perceber é como é que se dá tailslides a sair de frontside flip 360

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Frontside 50-50 na Maia… a cidade, não a astróloga!

página 37 Jorge Simões


Backside flips são como as opiniões, toda a gente tem um…

Como é que a tua namorada lida com o que parece ser um dos maiores dilemas das namoradas dos skaters... os ciúmes do skate? Ela é na boa com isso, é tranquilo. Já sabe que o skate é o mais importante para mim, por isso nunca me chateou (risos).

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Depois daquela tua parte monstruosa no vídeo da About, o que é que vem a seguir? Não sei o que vem mais, mas continuo a gravar, visto que agora só ando de skate e não faço mais nada da minha vida... portanto, tento filmar alguns “bares” e depois logo há de sair alguma bonita... (risos)

página 38 Jorge Simões


Para qualquer skater é sempre apetecível viajar, conhecer novos sítios, novas pessoas, outras culturas, etc.. Mas após vários dias de ausência é reconfortante voltar às nossas casas. Viver paredes meias com uma rampa para satisfazer as necessidades de skater quando nos apetece, à hora que queremos e com quem queremos, é algo que só está ao alcance dos mais afortunados. Para este artigo fui visitar alguns amigos que lutaram para realizar o sonho de qualquer skater: ter uma rampa em casa.

texto e fotografia João Sales

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Alexis Santos, pivot fakie Ricardo Ferreira, frontboard Alexis Santos, frontside flip

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pรกgina 43 Quintal Sessions


Sueco, backsmith Nuno Cainรงo, wallride fakie

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O que encontrei em comum é que fazer uma rampa em casa não é tão simples como parece. A ideia à partida parece idiota ou impossível de alcançar logo na primeira abordagem aos pais. É preciso ser muito persistente e fazer por merecer um cantinho na propriedade da família para lá colocar um mamarracho. Por vezes demoram anos a aceitar. O material para as construir até nem é muito caro, mas o trabalho que dá e a perfeição para o realizar requer sempre alguma experiência. Já que a ideia demorou tanto a ser aceite pelos donos da casa, agora teremos de ser rigorosos connosco próprios e fazer uma rampa de meter inveja à vizinhança...

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Jo達o Sales, backsmith Ciso, backside nosegrab

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Após rampa feita com a ajuda dos amigos mais chegados, vêm as tão desejadas skatadas. Tardes inteiras a suar para nos habituarmos ao novo terreno fazem com que pareça que estamos a aprender a andar de skate outra vez. Aquele entusiasmo, que já estava esmorecido, volta a animar os nossos dias. Poder ir buscar uma cervejinha ao frigorífico, entre um grind e um ollie, é um luxo. Assar uma morcela para pôr no pão, após dezenas de tentativas do melhor aéreo do dia, é um milagre. Para jantar marisco fresco, depois de skatar numa pool feita por skaters, já não é preciso ir à Califórnia: as festas em casa ao fim de semana, com os amigos, tornam-se frequentes, pois aqui podemos relaxar, rir, conviver... sem o olhar de gente estranha ou abordagens desagradáveis da polícia ou dos transeuntes... pois não há casa como a nossa.

Ricardo Ferreira, switch crooks

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página 48 Quintal Sessions


Distribuição www.marteleiradist.com 212 972 054 - info@marteleiradist.com


texto alexandre pires e francisco mouga fotografia alexandre pires

Em março passado, a Nozbone, skate shop parisiense, trouxe-me, a mim e ao resto do team, para uma visita ao Porto, em busca do bom tempo destas paragens e para filmar para o vídeo que assinala os 10 anos de existência da loja. Com o inverno rigoroso que se fazia sentir em França, não podíamos desejar melhor destino. O team estava composto com o Lionel Dominioni, Lisa Jacob, Akim Cherif, Sylvain Tognelli, Vincent Touzery, Ludo Azemar, Kevin Rodrigues e Rémy Taveira (estes dois marmanjos do final da lista e eu próprio temos ascendência portuguesa, o que justifica ainda mais a nossa escolha pela cidade do Porto).

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Dito isto, tínhamos uma cidade para conhecer. Mas, se não nos precavemos devidamente, acabamos por andar sempre nos mesmos spots. Não há nada melhor do que ter a ajuda dos ‘locais’. Na anterior viagem conhecemos o Francisco Mouga, de quem ficámos amigos. Claro que ele tomou muito bem conta de nós e claro que o procurámos outra vez, mal chegámos ao Porto. Ele é impecável. Percebeu imediatamente que tipo de spots é que o pessoal procurava, skatou-os todos connosco, deu-nos as melhores dicas, direções, onde comer, os concertos, as festas, tudo aquilo de que precisávamos! Até levou o Akim ao hospital à meia-noite, depois de um downhill mal sucedido. Não podemos estar mais agradecidos... vem visitar-nos em breve!

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Vincent touzery ollie para wallie: “onde está o wally”? O Kevin Rodrigues andou a mijar em balcões nos bares do Porto... deve ser por isso que lhe é tão fácil abrir as pernas para este one-footed ollie

página 53 Nozbone Tour


Quanto ao texto sobre esta tour... acho que já devem estar fartos do que estou a escrever... deixo-vos nas mãos do Mouga, que esteve connosco todos os dias... pedi-lhe para apontar as suas impressões sobre este grupo de parisienses malcheirosos. Hahahah Até nos ajuda a escrever o artigo! Também queremos agradecer ao Nuno Sousa, Jorge Simões, Toni Pereira, a toda a malta da Kate Skate Shop e aos restantes amigos do Francisco.

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Como guia, o Mouga deu este boneless por cima da barra primeiro, logo seguido pelo resto da malta

pรกgina 55 Nozbone Tour


(Mouga) Estava eu à espera do metro às 8 da noite, quando uns tipos me dizem para olhar para a carruagem da frente e vejo aí uns 5 malucos lá dentro aos saltos e a acenar: o Remy e o Alexandre tinham chegado ao Porto com o pessoal da loja deles lá de Paris...
nessa semana andei a fazer de guia turístico, a skatar com eles e na borga... e disso gostam eles, principalmente porque cá bebem o triplo e pagam um terço... Na noite só queriam trashar, principalmente o Kevin, que quando chega a certo ponto se transforma em Enricool e é o maior labrego e começa a mijar no balcão dos bares e nas colunas das discotecas... e por aí fora...

 No skate são todos uns animais e nada esquisitos, adaptam-se a qualquer spot que vão... e enquanto eu os levava de um spot para outro, paravam em spots ou que ninguém anda, ou que ninguém tinha visto daquela maneira e... rebentavam-no, fosse uma parede, um curb, calçada, paralelo. Agarravam-se aos carros, desciam ruas, não interessava o sítio. Queriam era ripar no skate e curtir com os amigos. E isso é que importa!

Remy Taveira é o skater lusodescendente mais conhecido de França, aqui está o porquê... drop fifty

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“O quê, não me digas que é o Sylvain Tognelii a dar um tailslide pop-out mesmo aqui à minha frente” pensou o Sr. ali sentado...

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PRIMEIRO FOCO

entrevista e fotografia Luís Moreira

Mas tu afinal és do Porto ou das Caldas da Rainha? Epá eu nasci no Porto, fui para as Caldas com 14 anos e voltei mais ou menos há 2, portanto estive lá uns 5 anitos, mas considero-me tripeiro, embora ache as Caldas uma cidade do caralho! Estás a curtir estar de volta ao Porto? Sim, o Porto é uma cidade altamente, tanto a nível de concertos, arquitetura... e skate é uma maluqueira, nunca me farto de mudar de spots e skato com imensa gente diferente e porreira. Onde é que foste buscar esse sotaque (ou ausência dele)? Não sei, talvez seja um sotaque híbrido, nem é de cá nem de lá.

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O nome desta manobra é “hippie jump”, mas como é o Mouga lá vamos ter de arranjar um novo nome… thrash jump?

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Veem como resulta ter uma lixa com a teia do homem-aranha? O pé não desgruda de maneira nenhuma.

Quem te conhece sabe que o teu estilo de skate foge um pouco ao da maioria do pessoal. Como é que é passares a vida a skatar com o pessoal das manobras técnicas de curb? É altamente, eu antes de vir para cá não perdia muito tempo a skatar curbs, quando vi algum pessoal a ripar curbs de switch ganhei pica e tenho aprendido uns toquezitos. E quando digo ripar é mesmo ripar. Toda a gente sabe que aqui há muitos que partem tudo e são conhecidos no panorama nacional, mas há outros que o pessoal do resto do país não conhece, como o Berna... é que nem topam se está a andar de normal ou switch! Quanto a “fugir do normal” eu acho que é das melhores coisas do skate e por isso é que o skate é tão incrível, porque onde quer que andes estás a fugir ao normal de lá (a não ser que estejas num skate parque), estás a fugir ao que é normal na tua escola, trabalho, nos bancos dum spot, etc.. E quem anda é completamente diferente entre si... e eu gosto de ser diferente porque se andássemos a skatar igual não tinha piada nenhuma... Em quem e no que é que te inspiras para pegar no skate? Inspiro-me muito nos spots por onde passo e onde ando, nas pessoas que encontro e nos amigos com quem skato. Também tiro muita inspiração de filmes de skate, principalmente de marcas independentes como a Antiz, Polar, Magenta, com as quais me identifico muito mais do que com a prozada da América. Em especial as pessoas que mais me têm inspirado têm sido: o Diogo das Caldas, que quando skata é sempre a fundo, o Alexis e o Jorginho, que têm um talento especial e skatam o que quer que lhes apareça à frente melhor do que todos os outros, e o meu manaça Sérgio Nobre que tinha a maior garra do mundo, e que quando skatava era até não dar para mais, dava com cada tareia aos spots... Tens treinado para os campeonatos? Sim, tenho feito 1h de ginásio por dia e 3 de skate parque a treinar a consistência! Estou na tanga, odeio treinar e não tenho paciência para estar a repetir manobras até não falhar, prefiro ser espontâneo e dar o que me vier à cabeça na altura. Odeio as típicas runs individuais de 1 minuto, acho que jams e best tricks são muito mais divertidos e o pessoal ripa muito mais.

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Depois de tanto skatar com os seus amigos do Porto, lá teve que dar uma manobra “normal” smithgrind

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O que é que há para além do skate na tua vida? Para além do skate, estou a tirar o curso de psicologia, curto ir a concertos de punk/hc, estar com os amigos/família, ouvir música, ler, passear... Queres agradecer alguma coisa a alguém? Sim, a todos os meus amigos, ao Hugo e ao Rato da Rise Up skate shop, que sempre me deram uma ajuda quando precisei, ao Gaia e ao Eddy que fazem a cena de skate no Porto mexer e obrigado a ti, Luís, por teres tirado as fotos e feito esta entrevista. Quero também dedicar esta entrevista ao meu Amigo Sérgio Nobre, que me deu muitos e bons conselhos para a vida, e com o qual passei momentos e skatadas lindos e inesquecíveis... e que sei que se a visse ficaria super feliz, e ia lê-la, provavelmente, no trabalho entre clientes, à espera do fim do turno para ir thrashar...
nunca serás esquecido manaça, ripa em paz!

Mouga a levar o pole-jam para o próximo nível

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página 64 Francisco Mouga


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A nova vaga de skate parques está fazer renascer o vert em Portugal... Marcelo Plácido backside air nos céus da Ericeira fotografia Mascarenhas

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“De pequenino se torce o pepino”. Nunca percebemos bem o significado desta expressão... ainda se fosse “de pequenino se dá corrimões”... Tomas Pinto boardslide fotografia Mascarenhas

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“próxima estação, ollie para 50-50” ouviu o João Allen nos altifalantes do metro…

fotografia Vasco Neves

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João Neto backside tailslide, uma manobra clássica dos “morcões” num spot clássico dos “mouros” fotografia Mascarenhas

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texto e fotografia roskof

Este transfer lipslide do BP foi tão grande que só aterrou na Noruega

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Afonso Nery, noseblunt como mandam as regras…ah, é verdade, o skate não tem regras

Estes putos estão a crescer... Gustavo Ribeiro num backsmith como gente grande.


Os “pintainhos” já andam a cantar de galo, Tiago Pinto bigspin-frontboard fakie...

Emídio Silva Badoca Park Style!

Traduzindo a expressão, “Make it Count” significa algo como “não desperdices, tudo conta”, afinal não era para menos. O skater que conseguisse fazer com que mais manobras contassem iria ganhar um bilhete para a terra dos vikings, a Noruega, onde terá a hipótese de tentar igualar o feito do Thaynan Costa: vencer a final europeia e ganhar uma estadia de uma semana com tudo à patrão no skatecamp da Element em Visalia, na Califórnia… Consciente disso, a nova geração do skate nacional atacou com “tudo” o recém-renovado skate parque do Centro de Juventude de Oeiras. O formato de best trick provocou uma avalanche de manobras em cada zona... já há algum tempo que não víamos skaters tão espicaçados. Se calhar ouviram aquele rumor que reza que na Noruega as loiras gostam de miúdos morenos e com pinta!

Já ouviram falar de calças com ar condicionado? página 73

Depois de uma tarde preenchida com bom skate, apenas um podia ir espalhar o charme na Escandinávia... e o eleito vencedor e represente dos machos latinos foi, pelo segundo ano consecutivo, o Bruno Senra. Um conselho aqui da malta da Surge, quando estiveres na Noruega, no meio daquelas “torres”, lembra-te do nosso ditado: “homem pequeno… ferramenta grande”. Boa sorte BP.


Leiria marcou presença… Joca, front-blunt

Vagos marcou presença, Renato Aires, Salad grind

Zimbabué marcou presença, Zenildo Guilherme, Crooks

Louça das Caldas marcou presença, Luís Coutinho, backside nosegrind revert

texto e fotografia roskof

2013


Praça da figueira marcou presença... Afonso Castela, nollie bigspin

DC SKATE CHALLENGE

Temos de reconhecer que este último circuito do DC Skate Challenge teve a sua dose de peripécias. Quem não se lembra dos discursos do Chagas em Torres Vedras, da nossa amiga Pilita em Viseu, ou do Sr. Pipoca em Albufeira? Se não se lembram podem sempre consultar as edições anteriores da Surge, ou ver os vídeos em surgeskateboard.com. Realmente, devíamos fazer uma compilação dos melhores momentos das 4 etapas... garantidamente tínhamos imagens para rivalizar com qualquer reality show da tv.

Brasil marcou presença, André Costa

página 75

Aventuras e desventuras à parte, desenganem-se os que pensavam que à entrada desta 4ª etapa os títulos estariam decididos. Tudo podia acontecer, em qualquer categoria poderia haver surpresas de última hora. E o suspende manteve-se, com um final dramático na categoria de amadores, em que os dois principais candidatos ficaram empatados em pontos no final da prova. Mas, como mandam os regulamentos, os desempates são feitos através das priores classificações de cada um no circuito e, assim, o Afonso Nery levou a melhor sobre o Bruno Senra... mesmo assim passaram os dois para a categoria pro no próximo circuito. Na categoria pro o duelo foi entre o mestre e o aprendiz, o Francisco Lopez e o Jorge Simões... mas foi este último (que mostrou a todos durante os dois dias de prova o porquê de ser já convidado para as tours da DC Europa) quem levou para o norte o segundo título consecutivo. O best trick foi, mais uma vez, para o Roseiro, que consegue skatar com power tudo o que lhe aparece à frente, seja transições, ou manobras técnicas de curb, o que nos leva a questionar: “Roseiro, que é que ainda estás a fazer em Portugal”? Resumindo, neste último ano de skate no DC Challenge, assistimos ao aparecimento de muitos novos skaters nas provas, de bons skate parques, como o de Viseu, alguns momentos caricatos, cadeiras a voar... houve um pouco de tudo. Mas, afinal, que piada tem a vida sem um bocadinho de irreverência? Que venha o novo circuito!


texto e fotografia roskof

O Bernard Aragão encaixa os nosegrinds melhor do que qualquer peça de Tetris... Como nas máquinas de pinball, o Duarte Pombo depois deste flip bateu no quarter e fez PIN!

Francisco Lopez a explicar à malta o que eram as salas de jogos... “Ó BP não me apalpes o cu”, disse o Jorginho quando soube que tinha ganho.

2013


Não pudemos deixar de ficar nostálgicos com a quadra da final do Red Bull Skate Arcade... ahh, aquelas belas tardes em que devíamos estar nas aulas, mas em vez disso passávamos o tempo agarrados às máquinas na sala de jogos, convenientemente localizada perto do café em frente à escola... aqueles duelos no “Street Fighter” e aqueles recordes que batíamos no Tetris para impressionar as miúdas… belos tempos! Foi para celebrar o espírito desse tempo que a Red Bull criou o Skate Arcade, afinal na primeira fase tinhas de submeter os teus vídeos on-line e ir avançado de nível... ainda por cima, sem gastar mais moedas de 50 cêntimos (escudos)… fixe! Os felizardos que conseguiram chegar ao último nível do jogo tiveram direito a estar presentes na final nacional realizada no Dolce Vita Tejo e com direito a tantas luzes como as que se acendiam quando chegávamos ao final do “Metal Slug”. Como em todos os bons jogos, a ação foi aumentando de intensidade até os 3 últimos skaters chegarem ao nível dos

“Bosses”. Sim, se bem se lembram era aquela altura no jogo em que nas primeiras vezes carregávamos tantas vezes nos botões que até sentíamos cãibras nos indicadores. Os skaters apurados para enfrentar essa batalha final foram o Roseiro, o Jorginho e o BP. O que nos surpreendeu, porque não nos parece que estes skaters da nova geração tenham passado ou conhecido o fenómeno do Arcade... mas mesmo assim portaram-se bem no último nível, um jogo de skate nas rampas contra os “bosses” e júris, Francisco Lopez, Thaynan Costa e Ruben Rodrigues. No final, o único que ficou com vidas por gastar foi o Jorginho, que assim ganhou mais um bilhete para a final mundial em Barcelona onde irá enfrentar os viciados das “salas de jogos” de todo o mundo. Esperamos que a Red Bull continue com este conceito, afinal provou que estes jogos de skate ao vivo batem qualquer jogo manhoso no telemóvel.

REDBULL SKATE ARCADE

página 77


2013


Realmente é “bué” difícil passar 3 meses sem conseguir andar... mas quem é que disse que eu devia ir para a cave da minha própria casa skatar? É que se fosse um espaço enorme e “fixe” para skatar até fazia algum sentido, mas a questão é que a minha cave tem tudo menos as dimensões certas para skatar! Fogo! Um mês com gesso e 2 a coxear, não sei qual deles é melhor…
 mas esse tempinho deu para perceber alguma coisa... percebi que muitos consideram que por ser rapariga não devia skatar e que “o skate é para rapazes“ (de acordo com uma médica). Comecei a pensar que por já ter estado 2 vezes com gesso era melhor não andar mais de skate. Recebi tantos comentários na tentativa de me persuadirem para deixar de skatar, que quase cheguei a pensar em dedicar-me à pesca !! É assim tão difícil dizer que não, não devia desistir e que devia continuar a skatar porque é isso que me dá prazer, independentemente de ir parar ao hospital com menos um dente e de ser rapariga? Felizmente tive boa gente que me incentivou para continuar a skatar, como os meus tios, o meu primo, as minhas manas! Obrigada a todos e a ti também, pai, – mesmo que inicialmente não tenhas gostado da ideia, lá te foste habituando aos poucos. Viva o Skate Feminino e os Pés partidos !! Charlotte Collyer Nunes

página 81


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SURGE Skateboard Magazine, 19th issue  

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