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SurfBahia Confesso que a primeira edição do SurfBahia Mag me deixou surpreso e orgulhoso. Não apenas pelo belo trabalho desenvolvido pelo designer gráfico Bruno Benn, mas, principalmente, pela repercussão nas ruas. Foi gratificante ver a reação das pessoas enquanto folheavam as páginas do jornal. Como não poderia deixar de ser, muita gente lembrou do saudoso Taking Surf, jornal editado pelo meu grande amigo Yordan Bosco, que também aprovou nosso primeiro trabalho. Desta vez, o SurfBahia Mag chega recheado de tubos e ondas impressionantes no arquipélago de Fernando de Noronha (PE), o Hawaii brasileiro. Nossa equipe marcou presença no Hang Loose Pro Contest e no Pena Pro Noronha, etapas do WQS e Nordestino Pro disputadas na Cacimba do Padre. Foram duas semanas de altas ondas, com direito a um swell casca-grossa que levantou a plateia durante o Pena Pro Noronha, vencido de forma brilhante pelo baiano Bernardo Lopes. Além de registrar os melhores momentos dessas duas importantes competições, nossa equipe preparou diversas reportagens e fotos alucinantes para vocês, leitores. Enjoy! Ader Oliveira

Editor

Editor

Ader Oliveira ader@surfbahia.com.br (71) 7811-3966 / ID* 7*48169

Editor de arte

Bruno Benn www.brunobenn.com (71) 9206-4963

Diagramação

Bruno Benn www.brunobenn.com (71) 9206-4963

Diretor comercial

João Carlos joao@surfbahia.com.br (71) 7811-5363 / ID* 91*6706

Colaboradores fotográficos

Fabriciano Júnior, Aleko Stergiou, Bruno Veiga, Iaponã, Daniel Smorigo, Calderon, Francisco Chagas, Alexandre e Paulo Fontes. Capa: Aleko Stergiou

Correspondências

Rua José Ernesto dos Santos, 47, Ed. Empresarial Center, sala 203, Centro, Lauro de Freitas (BA). Cep: 42.700-000

Tiragem

10.000 exemplares

Equipe brasileira prestigia a primeira edição do SurfBahia Mag durante o Pan-Americano em Olivença (BA).


POR DENTRO Por João Carvalho A cidade de Ubatuba, litoral norte de São Paulo, sedia a abertura da nova divisão principal do circuito brasileiro. O Brasil Surf Pro 2010 começa a distribuir o prêmio recorde de R$ 1 milhão na praia de Itamambuca. A primeira das cinco etapas que decidem os títulos brasileiros profissionais nas categorias Masculino e Feminino foi confirmada para acontecer entre os dias 7 e 11 de abril, em um dos palcos mais tradicionais da história do esporte. O circuito nacional mais rico do mundo depois passa por Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro e só falta definir o local onde serão conhecidos os campeões da temporada de estreia do Brasil Surf Pro, com organização da Maior Esporte e produção da Brasil1 Esporte e Max Sports. Entre as muitas novidades preparadas pelos novos detentores dos direitos de realização da divisão principal da Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp), a premiação das etapas aumentou para R$ 200 mil e os campeões brasileiros continuam a receber um carro 0km ao final da temporada. O número de participantes e as regras para fazer parte da elite do surfe nacional também mudaram. No Masculino o grupo subiu de 46 para 64 competidores e no Feminino foi reduzido de 18 para 16 atletas. As meninas serão sempre as classificadas pelos rankings da Abrasp no ano passado, enquanto no Masculino novos nomes entrarão na lista dos inscritos de cada etapa durante toda a temporada. Para a de abertura do Brasil Surf Pro 2010 em Ubatuba, além dos 46 que confirmaram suas vagas na elite em 2009, o campeão brasileiro Pro Junior, Alejo Muniz (SC), também competirá em todas as etapas como convidado especial da Abrasp. A novidade é que dez surfistas serão indicados pelo ranking do ano corrente da divisão de acesso do circuito brasileiro. A Bahia terá seis representantes no circuito este ano. Rudá Carvalho e Wilson Nora ficaram entre os top 16 da elite de 2009; Franklin Serpa, Alandreson Martins e Bruno Galini entraram pela Divisão de Acesso e Bernardo Lopes pelo Circuito Nordestino. Calendário do Brasil Surf Pro 2010 1ª etapa - Abr 7-11 – Itamambuca, Ubatuba (SP) 2ª etapa - Jul 14-18 – Cupe, Ipojuca (PE) 3ª etapa - Set 22-26 – Joaquina, Florianópolis (SC) 4ª etapa - Nov 4-7 – Rio de Janeiro (praia a ser definida) 5ª etapa - Dez 8-12 – Local a ser definido pelos organizadores

Franklin Serpa é um dos seis baianos na elite brasileira. Foto: Daniel Smorigo


SurfBahia Por João Carvalho Uma decisão emocionante na praia Ronco do Mar lotada fechou o Maresia Surf International com vitória cearense de Heitor Alves sobre o catarinense Alejo Muniz. O título foi definido por centésimos de diferença no placar encerrado em 16,07 x 16,00 pontos. Heitor Alves, 26 anos, faturou os US$ 20 mil e 3.000 pontos no ASP One Ranking somando notas 8,40 e 7,67, contra 8,17 e 7,83 de Alejo Muniz, 19 anos, que levou US$ 10 mil e 2.250 pontos. Os dois derrotaram nas semifinais o potiguar Alan Johnes, 20, e o havaiano Sebastien Zietz, 21, que ficaram empatados em terceiro lugar com 1.688 pontos e US$ 5 mil. “Não dá nem pra acreditar. Vencer em casa com essa galera que lotou a praia e torceu por mim, com minha família toda aqui, é indescritível, não sei nem o que falar”, disse Heitor Alves. O cearense saiu da água carregado pela imensa torcida que lotou o Ronco do Mar no domingo. “Estou realizado e este foi o meu primeiro passo pra voltar à elite. Fiquei dois anos nela e senti que lá é o meu lugar. O primeiro ano foi de reconhecimento e no ano passado acabei saindo, mas certamente vou voltar pra não sair mais”. O destaque baiano na prova foi Rudá Carvalho. Com brilhantes atuações em Paracuru, Rudá derrotou fortes adversários e frustrou a torcida cearense ao eliminar a vice-campeã mundial Silvana Lima numa disputa emocionante na segunda fase. O atleta de Olivença foi até as oitavas-de-final e perdeu para o havaiano Sebastien Zietz num confronto na maré seca, com pouquíssimas ondas. Resultado do Maresia Ceará Surf International 2010 1 Heitor Alves (Bra) 2 Alejo Muniz (Bra) 3 Sebastien Zietz (Haw) 3 Alan Johnes (Bra) 5 Pedro Henrique (Bra) 5 Hizunomê Bettero (Bra) 5 Thiago de Sousa (Bra) 5 John Max (Bra)


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Ranking do circuito mundial 2010 1 C. J. Hobgood (EUA) – 6.500 pontos 2 Alejo Muniz (Bra) – 5.906 3 Raoni Monteiro (Bra) – 5.824 4 Wiggolly Dantas (Bra) – 4.056 5 Hizunomê Bettero (Bra) – 4.008 6 Heitor Alves (Bra) – 3.868 7 Brett Simpson (EUA) – 3.454 7 Joan Duru (Fra) – 3.454 9 Willian Cardoso (Bra) – 3.006 9 Leonardo Neves (Bra) – 3.006 11 Gustavo Fernandes (Bra) – 2.837 12 Yadin Nicol (Aus) – 2.491 13 Hodei Collazo (Esp) – 2.357 13 Márcio Farney (Bra) – 2.357 15 Sebastien Zietz (Haw) – 2.339 15 Alan Jones (Bra) – 2.339

C.J. Hobgood. Foto: Daniel Smorigo

Resultado do Hang Loose Pro Contest 2010 1 CJ Hobgood (EUA) 2 Raoni Monteiro (Bra) 3 Alejo Muniz (Bra) 3 Wiggolly Dantas (Bra) 5 Gustavo Fernandes (Bra) 5 Brett Simpson (EUA) 5 Joan Duru (Fra) 5 Hizunomê Bettero (Bra)

Raoni Monteiro. Foto: Daniel Smorigo

O norte-americano CJ Hobgood levou a melhor no Hang Loose Pro Contest, etapa de nível 6 estrelas e status Prime do WQS disputada na Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE). Na decisão, CJ totalizou 14.33 pontos para derrotar o saquaremense Raoni Monteiro, autor de 9.43 em sua terceira final consecutiva em Noronha. A vitória rendeu US$ 20 mil ao atleta da Flórida, bem como 6500 pontos no ranking unificado da ASP. Para levar a taça, CJ abriu a final de forma arrasadora. O norte-americano começou com um bom tubo, uma bonita rasgada e um ataque à junção para somar 8.00 pontos. Em seguida, passou por dentro de um canudo numa onda menor que rendeu 6.33 pontos e deixou Raoni em situação complicada. O brasileiro bem que tentou, mas conseguiu apenas 5.10 pontos num tubo para a direita e saiu da água precisando de 9.23. “Estou amarradão. Eu coloquei muita pressão em mim mesmo ano passado, me esforcei muito e não venci nenhum campeonato. Chegar agora, logo no início do ano, e vencer, foi incrível”, vibrou CJ. “Tive sorte o dia inteiro nas finais. Achei aqueles tubos ali na esquerda e foi muito bom ter vindo pra cá e conhecido essa onda”, falou a estrela da prova. CJ elogiou o adversário na grande decisão. “Raoni é um grande surfista e um cara muito legal. Conheço ele desde os tempos do ASP Tour, já sabia que ia ser difícil surfar contra ele aqui e só espero vê-lo no Tour novamente. E quero parabenizar a Hang Loose também por fazer este evento neste lugar e por apoiar tanto o surfe no Brasil”.


SurfBahia Por Caroline Lucena Franklin Serpa batalhou muito em 2009. Este ano a agenda do atleta não está diferente: cheia de compromissos e campeonatos. Ainda estamos no início de 2010, mas o surfista já colhe os frutos do seu excelente trabalho. Franklin acaba de ganhar uma passagem para o Hawaii na promoção da Freesurf – Ready to Fly. O clipe com o aéreo premiado foi produzido pelo videomaker baiano Jafé Britto. A manobra teve uma execução perfeita e não restou dúvida, a vitória foi merecida. Franklin está na Austrália, mas ficou muito contente ao receber a notícia. “Estou muito feliz. Conhecer o Hawaii é um sonho. Sou de uma família humilde, tudo que conquistei foi batalhando muito. Ganhar essa passagem e conhecer algumas das melhores ondas do mundo é uma sensação indescritível. Agradeço a todos que me apoiaram, acreditaram em mim e votaram no site da Freesurf. Obrigado a Jafé, que fez o vídeo, e a empresa Freesurf, que teve a grande ideia de premiar nosso trabalho. Obrigado de coração!”.

“Estou muito feliz. Conhecer o Hawaii é um sonho. Sou de uma família humilde, tudo que conquistei foi batalhando muito”

Na segunda quinzena de janeiro, a Mahalo anunciou duas novas contratações para a temporada de 2010. O amador baiano Vinícius Wichrestiuk e o profissional paraibano Ulisses Meira reforçam o time da empresa baiana. “A empresa tem o prazer de a cada dia apoiar mais o surf, contratando não só surfistas de ponta como Ulisses Meira, mas também futuros profissionais. Desta maneira estamos ajudando não só nossa geração, mas também a geração que vem por aí. Isso é bom pra Mahalo, para o surf e principalmente para os surfistas”, diz Sandro Sanper, diretor de marketing da Mahalo. Além da dupla, o surf team Mahalo é composto pelos amadores Wheslen Christian, Bruno Matheus e Renata Tambon, o profissional Bernardo Lopes e o big rider Yuri Soledade. “Estamos felizes com o nosso time de atletas. Com certeza eles representarão a nossa marca nos diversos eventos em que eles participarão pelo Brasil”, conclui Sandro.

“Estamos felizes com o nosso time de atletas. Com certeza eles representarão a nossa marca nos diversos eventos em que eles participarão pelo Brasil”

Os soteropolitanos Vinícius Satyro e Esdras Santos foram os grandes campeões do Circuito IBVA de Surf, finalizado no último dia 7 de fevereiro. Como premiação, cada um faturou uma passagem de ida e volta para o arquipélago de Fernando de Noronha, em Pernambuco. Para ficar com o título da categoria Open, Satyro abriu a temporada com a quinta colocação na praia de Villas do Atlântico, subiu ao topo do pódio na segunda etapa realizada em Ipitanga e finalizou o circuito com o vice-campeonato novamente na praia de Villas do Atlântico, palco da última etapa do circuito organizado pela Igreja Batista de Villas do Atlântico. Já Esdras Santos abriu a temporada com um vice-campeonato, seguido de um quarto lugar na praia de Ipitanga, e fechou a temporada com uma bela vitória na etapa de Villas do Atlântico. O Circuito IBVA de Surf foi uma realização da Igreja Batista de Villas do Atlântico e contou com o apoio da Associação Baiana de Surf Master (ABSM).


SurfBahia Foto: Fabriciano Jr

O ano de 2009 foi marcante para o jovem ilheense Rudá Carvalho, 21. Sempre com um surf inovador, Rudá desbancou diversos adversários de peso e subiu ao pódio em nove importantes competições. Para fechar a temporada com chave de ouro, o atleta levou Olivença à loucura com uma vitória espetacular no Mahalo Pan Surfing Games, em novembro, na praia de Batuba. Foi a primeira vez que um baiano faturou a medalha de ouro no Pan. No mesmo ano, Rudá foi ao pódio no SuperSurf em Salvador (BA), Seletiva Petrobras em Imbituba (SC), Brasil Tour em Torres (RS) e nas etapas do Nordestino Pro disputadas em Marechal Deodoro (AL), Várzea do Una (PE), Salvador (BA), Ilhéus (BA) e Aracaju (SE), onde levou R$ 6 mil pela vitória. Em sua primeira temporada na elite brasileira, Rudá brigou pelo título nacional até a última etapa, mas foi derrotado pelo catarinense Guga Arruda numa bateria com resultado duvidoso e perdeu a chance de lutar pela taça. Além de ter faturado a terceira posição na etapa de Stella Maris, o jovem baiano roubou a cena com vitórias expressivas contra atletas como Neco Padaratz, Renato Galvão, Odirlei Coutinho e Pedro Henrique, entre outros. A belíssima campanha no acirrado circuito brasileiro rendeu a Rudá o status de “revelação do ano”. Mas, sem sombra de dúvida, o título pan-americano foi a conquista mais festejada pelo garoto de Olivença. “Não teve emoção melhor na minha vida até hoje. Foi o primeiro campeonato em que minha mãe e meu pai estavam na praia desde cedo. Para mim foi muito bom ganhar e comemorar com meus amigos que estavam quase todos trabalhando no evento. Só tenho a agradecer a todos que torceram por mim, porque com certeza eles fazem a diferença. Não foi uma vitória solitária, não. Foi uma vitória de Ilhéus e de Olivença!”, diz Rudá.


SurfBahia Por Ader Oliveira Depois de representar o Brasil no Billabong World Junior, mundial para atletas de até 21 anos disputado em North Narrabeen, Sydney, Austrália, o baiano Marco Fernandez partiu para uma temporada na cidade de Gold Coast. Além de estudar inglês na escola My English, em parceria com a agência Australia Go, Fernandez aprimora a técnica nas ondas aussies e participa das etapas do circuito pro junior da ASP Australasia. Na primeira etapa, disputada em Spit, Marquinho chegou às quartas-de-final e caiu diante do autraliano Dean Bowen numa bateria com resultado duvidoso. O baiano vinha dando show na prova e registrou uma pontuação sensacional na sexta rodada ao somar notas 9.33 e 8.33, dando-se ao luxo de descartar 7.83, Foto: Calderon 6.00 e duas notas 5.83. Nas quartas-de-final em formato homem-a-homem, Dean Bowen começou com 7.17 e Marquinho assumiu a liderança com 5.67 e 7.60. Bowen reagiu com 8.60 e deixou o baiano a 8.17 da vitória. Na última onda, Fernandez foi ao ataque e tentou a virada, mas os juízes deram outro 7.60 ao atleta. Com o resultado, Marquinho encerrou a prova em quinto lugar e embolsou 1,3 mil dólares australianos. Em seguida, o baiano disputou o Couran Cove Pro Junior e foi o melhor brasileiro na competição, parando na quarta fase e garantindo 200 dólares australianos. Na terceira etapa, em North Stradbroke Island, Fernandez voltou a ser prejudicado pelo julgamento e novamente contra o australiano Dean Bowen, desta vez nas oitavas-de-final. Bowen liderava o duelo com notas 8.33 e 5.67, enquanto Marquinho tinha 9.25 na melhor onda e precisava de 4.75 para virar. Na última onda, o baiano somou 4.25 e saiu na bronca da água. Foi o quarto duelo entre Fernandez e Bowen na temporada. O baiano havia derrotado o aussie na primeira rodada do Mundial Pro Junior em Narrabeen e também levou a melhor numa bateria em North Stradbroke na terceira rodada. As duas vitórias de Bowen aconteceram em duelos polêmicos no formato homem-a-homem nas praias de Spit e North Stradbroke.


Foto: Fabriciano Jr


SurfBahia Por Ader Oliveira Sensacional, inesquecível, espetacular! Assim podemos definir o Pena Pro Noronha, etapa de abertura do circuito nordestino profissional disputada entre os últimos dias 9 e 11 de fevereiro, na Cacimba do Padre, Fernando de Noronha (PE). Estar no paradisíaco arquipélago é sempre marcante, mas ver a Cacimba bombando ondas de até 5 metros é algo simplesmente épico. Os surfistas brasileiros esbanjaram disposição nas morras e levaram a plateia ao delírio nos três dias de competição. Depois de dois dias com condições desafiadoras, o swell perdeu força no dia das finais, mas algumas séries ainda chegavam facilmente aos 2,5 metros. De forma brilhante, o baiano Bernardo Lopes dilacerou as ondas da Cacimba na reta final com potentes batidas e rasgadas, arrancando notas expressivas para levantar a taça do histórico Pena Pro Noronha. Na decisão, ele somou notas 8.33 e 5.40 para derrotar o catarinense Jean da Silva (2o), o paulista Caio Ibelli (3o) e o pernambucano Bruno Rodrigues, quarto colocado. “Bino” já havia domado as morras no primeiro dia, quando ondas de até 4 metros quebraram sem parar na laje da Cacimba do Padre. Depois da folga no segundo dia (ver Pena Big Wednesday), o baiano voltou com tudo ao outside e dizimou os adversários com atuações fulminantes. Antes de faturar o cheque de R$ 8 mil destinado ao campeão do Pena Pro Noronha, Bernardo havia garantido um prêmio extra oferecido pela Pena. Ele e o potiguar Danilo Costa dividiram R$ 3 mil por terem obtido a maior pontuação do campeonato. Costa havia registrado 14.50 pontos na primeira rodada e Bernardo igualou a marca com uma performance brilhante na semifinal, quando bateu o catarinense Jean da Silva, o potiguar Danilo Costa e o baiano Rudá Carvalho. Em sua primeira temporada em Noronha, Rudá também fez uma ótima campanha. O baiano chegou à semi e não entrou em sintonia com as ondas da Cacimba, perdendo a chance de começar o ano subindo ao pódio. Um dos melhores momentos do atleta foi nas quartas-de-final, quando venceu três especialistas nas ondas de Noronha – Jean da Silva, André Silva e Patrick Tamberg. Também merece destaque Dennis Tihara. O “Japa” brilhou nos maiores dias do swell e só parou nas quartas-de-final numa bateria polêmica. Extremamente cansado, o baiano caiu nas melhores ondas que pegou e chegou a ocupar a zona de classificação até os instantes finais, quando o pernambucano Bruno Rodrigues foi até o inside e virou a bateria com um floater desequilibrado que rendeu 2.27, quatro centésimos a mais do que precisava.

Bernardo Lopes comemora vitória histórica na Cacimba do Padre. Foto: Bruno Veiga


SurfBahia No segundo dia do Pena Pro Noronha, a competição foi paralisada devido às perigosas condições do mar. A Cacimba do Padre amanheceu com ondas maciças de até 5 metros bombando sem parar na terceira laje. Alguns atletas até pressionaram a direção de prova para que a competição acontecesse, como o baiano Wilson Nora e o local Caia Souza, mas a maioria optou por esperar o outside ficar menos perigoso. “Eu vou lá em Maracaípe direto e corro campeonato nas merrecas. Agora que é minha vingança contra os maroleiros não vão colocar campeonato? Estão de brincadeira!”, reclamou Caia. Para aproveitar o apetite dos big riders, a Pena promoveu uma bateria especial no maior dia do swell. Apelidado de “Pena Big Wednesday” pelo locutor pernambucano Faquico, a disputa ofereceu R$ 5 mil ao domador da maior onda, enquanto o surfista com a melhor performance nas bombas recebeu R$ 3 mil. O baiano Dennis Tihara e os paulistas Renato Galvão e Saulo Júnior encararam as maiores cracas que despontaram no outside. Segundo os juízes, Tihara teria vencido a disputa facilmente se não tivesse dropado a onda segundos antes do início da sua bateria. Logo depois da atitude ousada do baiano, já com o duelo valendo, Saulo Júnior encarou uma morra fechando e largou na frente na briga pelo prêmio de maior onda. Na mesma bateria, Renato Galvão encarou uma bomba e deixou os juízes na dúvida de quem seria o vencedor, mas quem a vitória ficou mesmo com Saulinho. Já o autor da melhor performance foi o niteroiense Bruno Santos. Surfando com uma 5’10, o baixinho tube rider botou pra baixo sem medo de ser feliz e levou a galera ao delírio depois de completar um tubo sensacional numa onda de responsa. “Estou muito feliz só por estar neste lugar maravilhoso. Essas ondas estão incríveis e ganhar um prêmio é melhor ainda”, diz Bruninho, que deixou todos boquiabertos com sua performance utilizando uma 5’10 shapeada por Joca Secco. “Sou acostumado a surfar em Itacoatiara e acho que lá as ondas são mais pesadas que aqui. Sempre uso prancha pequena nos lugares em que surfo, pois dá pra surfar com mais velocidade”, acredita o niteroiense.


SurfBahia Por Ader Oliveira

Foto: Francisco Chagas

O título de Bernardo Lopes em Fernando de Noronha não foi por acaso. Quem conhece bem o atleta, sabe o quanto ele tem dedicado seu tempo aos tubos do arquipélago. Frequentador assíduo de Noronha desde os 15 anos, Bino se sente totalmente em casa nas ondas da Cacimba. Com o apoio da família Neruda, que o acolhe desde a sua primeira temporada na ilha, o baiano conquistou o respeito entre os locais e teve sua vitória bastante celebrada por caras como Alan Rangel, local casca-grossa de Noronha. “Lembro de Bino desde a primeira vez em que ele esteve aqui, aos 15 anos. Ele era muito novo e já botava pra dentro dos tubos, inclusive saímos numa matéria alucinante na revista Hardcore, com fotos do Luciano Saraceni. Ele mereceu esse título, fiquei amarradão por ele”, diz Alan. Depois de muita comemoração com os amigos, o baiano bateu um papo com o SurfBahia Mag e comentou a alegria de vencer um campeonato inesquecível na Cacimba do Padre. Qual a sensação de ser campeão de um evento histórico? Muita satisfação! É muito bom você saber que tem condições de ganhar um evento grande e com muitos atletas consagrados em condições desafiadoras! Você esperava chegar ao topo do pódio numa competição tão importante? Eu sabia que ia ser uma tarefa bastante difícil, mas que se eu fizesse o que eu sei e as coisas dessem certo eu teria boas chances. Quando sentiu que poderia levar a taça? Nas quartas-de-final, quando eu virei em cima de Hizu (Hizunomê Bettero) faltando cinco segundos! Qual o momento mais difícil no evento? O momento mais difícil eu acho que foi no segundo round, quando tomei uns caldos bons, quebrei minha prancha no outside faltando 8 minutos e saí tomando várias bombas na cabeça, mas felizmente deu tudo certo e conseguir avançar. Você agora é líder do Brasil Tour e Nordestino Pro. O que pretende fazer para manter a condição de número 1? Manter o foco, continuar fazendo meus treinamentos na água e na academia com acompanhamento profissional com Bruno Pitanga, Sydney Rezende e Lucas Lopes, pessoas nas quais tenho muita confiança, além do meu shaper Luís Augusto Pinheiro! Vou tentar esquecer que estou em primeiro no ranking, até porque tem muita água pra rolar. Vou procurar fazer o que sei, que é surfar. O que o público pode esperar de você na elite brasileira? Um surfista determinado que está em busca de do seu espaço na elite Você tem planos para disputar as provas do WQS fora do Brasil? Tenho planos de correr a perna europeia e o Mr. Price Pro na África, em Durban, a depender do calendário.


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Foto: Paulo Fontes

Para comemorar a primeira edição da temporada 2010 do SurfBahia Mag, nada melhor que exibir as belas curvas da gata Mariana Lins. Natural de Ilhéus, cidade do famoso escritor Jorge Amado, Mariana é estudante do curso de Direito, tem como praia preferida a paradisíaca Backdoor, em Olivença e sua viagem dos sonhos é o arquipélago de Fernando de Noronha (PE).


SurfBahia Localismo, um mal necessário? Verão é tempo de calor, praia cheia e, em muitos estados brasileiros, tempo de ondas pequenas. Pela nossa conhecida habilidade e hábito de surf em ondas pequenas, que variam quase sempre de meio a 1 metro, nada de muito assustador costuma despontar no horizonte do outside da maioria dos picos. Esse fato acaba por desencadear o fenômeno do crowd das ondas medíocres. Em ondas medíocres, sobra-se tempo para uma certa irritação por não ter “o que” surfar. Infelizmente, quando a série entra, quem mora ou nasceu no pico muitas vezes se acha no “direito” de ter a prioridade e acaba por dropar a onda esteja ou não na preferência. Presenciei esse fato algumas vezes nesse e em muitos outros verões, seja aqui em Salvador, São Paulo, Floripa, Garopaba, Austrália, Fiji, etc. Ou seja, é algo global, o localismo é globalizado. Isso não é novidade para ninguém. Porém, a pergunta é: afinal, o localismo é um mal necessário? São tantas as situações que precisam ser analisadas caso a caso, que posso responder aqui que sim e não. O localismo é sim necessário em alguns pouquíssimos casos e totalmente desnecessário na maioria deles. A expressão “localismo” transparece um ar de brutalidade, irracionalidade, truculência e por isso é erroneamente colocada nas discussões. O que precisamos substituir é o “localismo” por “educação e respeito pelos que cuidam e respeitam o ambiente onde vivem todos os dias”. Esses dias, presenciei um salva-vidas a serviço entrando na água com um longboard da corporação e deu uma tremenda dura em um garoto que surfa no pico todos os dias. Quando fui questioná-lo sobre o motivo da tal dura, ele disse que o garoto precisava tomar umas duras para aprender a respeitar os mais velhos. Como assim? Só por ser mais velho, o salva-vidas tem a prioridade no pico? Precisava entrar na onda do garoto e ainda humilhá-lo no line-up na frente dos seus amigos com argumentos no mínimo do século passado? Esse, sim, é um caso onde o tal localismo acaba contaminando negativamente um garoto que mais tarde irá dominar o pico. Ou seja, em vez de ajudar, o tal salva-vidas acabou dando um péssimo exemplo de como não ser local. Nem vou entrar no mérito de ele estar a serviço. No mínimo deveria tomar uma suspensão por parte de seus superiores. Outro caso foi uma situação adversa, na qual um garoto de apenas 14 anos, que também surfa todos os dias nesse mesmo pico, discutiu sabiamente com um rapaz mais velho e experiente, mostrando o que é educação e respeito. O rapaz mais velho rabeou a onda do mais novo, o mais novo foi educadamente tirar satisfação e não usou argumentos imperativos comumente usados pelos truculentos locais. Pelo contrário, educadamente disse ao mais velho os motivos de ele estar errado, sem ameaças, sem violência e simplesmente usando a razão e um pouco de seu know-how de habitante zeloso da praia em questão. O forasteiro nada poderia fazer perante a uma regra simples: quem espera a sua vez vai pegar uma boa da série, não precisa entrar na onda de outro. A Bahia, em geral, costuma ser muito tranquila se comparada aos estados do Sudeste. Mas isso se deve principalmente ao crowd mais ameno - o número de surfistas aqui é relativamente menor. Aos poucos o surf vai sendo mais difundido e o crowd vem aumentando. Se não estivermos bem preparados para o que vem pela frente, podemos ter sérios problemas, assim como temos com o trânsito de nossa capital, Salvador, onde brigas por stress têm resultado em tiros, mortes e desrespeito ao próximo. Se quiser respeito, comece respeitando!



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