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Yodelay Uh-oh, 1982

Perdoem-me, mas eu estava usando macacão — do tipo

maquinista de trem da loja OshKosh B’Gosh — e uma bandana cor-de-rosa na cabeça. Acabara de fazer 12 anos naquele verão, mas não tinha sequer um vestígio de seios e minha mãe ainda trançava meu longo cabelo louro. Eu estava passeando com nossos dois bodes com coleiras de cachorro no jardim gramado da casa de veraneio da minha família no leste do Canadá — uma verdadeira Heidi. O ar tinha cheiro de feno recém-cortado. Eu podia ver minha mãe através da grande janela da cozinha, fazendo para si uma salada da Dieta de Beverly Hills. Ela havia chegado a 46 quilos. Eu estava cantando sozinha. Karma chameleon. With a rebel yell. Eu não era nem um camaleão nem uma rebelde... ainda. Mas havia beijado meninos. E roubado um picolé. Eu tinha um jeans de veludo verde justo da Gloria Vanderbilt e um casaco de pele falso. Até já havia ficado bêbada uma vez. Eu tinha potencial. Os bodes estavam me puxando na direção do arbusto de lilases, que era estritamente fora dos meus limites, quando a senti, quente e pegajosa, na minha calcinha. Eu havia lido Are you there, God? It’s me, Margaret. Havia até experimentado um daqueles absorventes gigantescos que eles fornecem em aviões. Eu questionara as garotas mais velhas na escola. Eu sabia o que era aquilo. Sabia até onde minha mãe guardava os absorventes internos. Corri para dentro de casa. 141

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Nossa professora de educação sexual, que por acaso era a esposa do psiquiatra da minha mãe, havia demonstrado como funciona um absorvente interno tirando-o do aplicador e introduzindo-o em uma garrafa de água. As instruções do lado da caixa de OB pareciam complicadas e exigiam movimentos demais dos dedos. Onde estava o aplicador? — Mamãe? — berrei, meu rosto vermelho de vergonha. Eu não conseguia me lembrar da última vez que a chamara para o banheiro. Nos últimos tempos, passara muito tempo tentando mantê-la fora. — Ah! — suspirou ela quando lhe mostrei minha calcinha suja de sangue ralo. — Bem, droga. Você sabe o que é isso, não sabe? Eu revirei os olhos. Ela pegou a caixa de OB. — Isso não vai funcionar — interrompi. — Bem — disse alegremente. — Acho que vamos ter que ir às compras! — Ela procurou embaixo da pia e encontrou um pacote quase vazio de protetores de calcinha. Então, buscou uma calcinha limpa para mim e foi contar para o meu pai. Quando me sentei para jantar, meu pai expressou sua chateação por ter que ficar a maior parte do dia seguinte fora. Ele queria pegar nossa lancha e fazer um piquenique. Mas as lojas mais próximas ficavam a mais de uma hora de distância e, se tivéssemos que ir, era melhor aproveitarmos ao máximo, comprando comida no SaveEasy e roupas na Zellers, a única loja de roupas na cidade. 142

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— Não pode simplesmente enfiar um trapo ou uma toalha velha lá? — perguntou meu pai. Nem é preciso dizer que fomos às compras. — Cecily von Ziegesar, Brooklyn, NY Cecily von Ziegesar é autora das séries It Girl e Gossip Girl, sendo que a última virou um programa de TV extremamente viciante. Cecily tem dois filhos e um gato chamado Pony Boy que está ficando careca.

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Meu Livrinho Vermelho  

Trecho de Meu livrinho vermelho, organizado por Rachel Nalebuff.

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