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Negócios & Empreendimentos OS 20 ANOS DO REAL Executivos contam como era ter uma empresa no cenário de hiperinflação anterior à moeda que utilizamos. Pág. 66

CRESCEU DEMAIS? Os problemas que Joinville enfrenta para manter a expansão que sempre teve. Pág. 28

MARCO CIVIL DA INTERNET A legislação recém-aprovada vai proteger o usuário ou censurá-lo? Pág. 82

EVOLUÇÃO EM CURITIBA A nova lei municipal das microempresas já repercute entre empresários e dirigentes de classe. Pág. 90

www.negociosempreendimentos.com.br NÚMERO 29 • PREÇO R$ 13,99 ISSN 2176-5532

Rogério Nascimento, aposentado, abandonou o tratamento de uma doença devido ao custo elevado dos remédios.

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IMPOSTOS

MORTAIS Em um país onde biquínis, ursinhos de pelúcia e toalhas de mesa pagam menos tributos do que os medicamentos, não é exagero dizer que os impostos podem ser fatais. Fabricantes e varejistas da indústria farmacêutica tentam mudar a situação com uma campanha que atinge o país todo. Página 100


SUMÁRIO

NE Negócios & Empreendimentos

Revista bimestral - Ano 5 - no 29 - 15 de junho de 2014

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Por que o presidente da Mosarte, Marco Aurélio Sedrez, faz sua empresa crescer ao dialogar com seus mais variados interlocutores. “Temos que ter os ouvidos abertos sempre”, ensina.

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Mercado vegetariano

Quem é quem, afinal?

Cresce vertiginosamente o percentual dos adeptos à alimentação de origem não animal – realidade que estimula novos negócios.

O lado negativo da ascensão do trabalho dos coaches. Falsos profissionais pegam carona na fama dos bons e prejudicam o mercado.

56 Servidores para armazenamento de dados. Dentro deles, a matériaprima para o big data.

Tesouro na rede

Foto: Divulgação

Nova legislação determina punição às companhias envolvidas em atos ilícitos contra a administração pública – mas ainda falta regulamentar.

Como um negociador

A expansão da Bematech, a alta do lucro da Tupy e da Copel e a oscilação na receita da WEG. Veja a análise de resultados do primeiro trimestre.

Cidade perde investimentos e corre para não ver ameaçada sua capacidade de receber grandes negócios.

Foto: Aurea Silva / Divulgação Bolshoi - SECOM

nonononon

Contra a corrupção

A falta de espaço para estocar grãos no Estado, um possível negócio bilionário no sul e os investimentos do governo em infraestrutura.

ANÁLISE

Joinville: as duas faces de uma potência

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RADAR

&

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Como um radar, o big data colhe informações precisas entre tudo o que circula na Internet. Empresas investem na análise dessas informações e veem sua produtividade e seus ganhos se multiplicarem.


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Questão de sobrevivência

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Duas décadas reais

As mudanças necessárias e urgentes no Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes.

Na celebração dos 20 anos do Real, executivos revelam a revolução que a moeda provocou em seus negócios.

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À espera do Supersimples

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As leis da web

A expectativa do mercado em relação ao ingresso de 140 novas modalidades empresariais no sistema de tributação simplificada. Entre evoluções e censuras, o Marco Civil da Internet ainda é alvo de questionamentos. E não são poucos.

96 Escolas bilíngues

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Tamanho é documento A nova lei das microempresas de Curitiba já repercute entre empresários e dirigentes de classe. Eles querem competir com os grandes de igual para igual.

Como um veneno O elevado peso tributário sobre os medicamentos no Brasil leva à criação de esforços para pressionar o governo. Um terço do preço de remédios refere-se a impostos.

Foto: Ronald T. Pimentel

Elas mostraram do que são capazes, mas ainda penam com falta de mão de obra capacitada e custos altos.

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Os sistemas no poder Prefeituras ganham agilidade em procedimentos administrativos com soluções tecnológicas.

114 N&E Entrevista Objetivos e detalhes sobre a compra da Domínio Sistemas pela Thomson Reuters.

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EDITORIAL

DÚVIDAS, CERTEZAS E REVOLUÇÕES

O PLANO REAL ESTAVA LONGE DE SER UNANIMIDADE À ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO. O MESMO ACONTECE 20 ANOS DEPOIS COM O MARCO CIVIL DA INTERNET.

É difícil falar em Plano Real sem fazer menções a palavras como alívio ou vitória, conseguindo inclusive convencer um dos opositores mais ferrenhos à época de seu lançamento, 20 anos atrás: o PT. Candidato à presidência em 1994, Lula dizia que a nova moeda se tratava de um estelionato eleitoral. “Esse plano não se sustenta porque o pessoal que está com Fernando Henrique Cardoso não quer a estabilidade neste país. Foram eles que criaram e derrotaram todos os outros planos”, disse. Dezesseis anos depois, Dilma Rousseff – sucessora de Lula – em campanha, reconheceu que a estabilidade do Real foi uma conquista do governo FHC. Discussões políticas à parte, nosso dinheiro completa 20 anos e ainda agrada a gregos e troianos – um tempo bastante longo para o país cuja população quase se acostumou às trocas de moedas. Nesta edição, resolvemos voltar duas décadas no tempo e investigar como foi antes, durante e os primeiros meses do Real sob a ótica de quem já comandava empresas naquela época – e ainda o faz. Entrevistamos executivos do varejo, indústria e prestação de serviços, que foram unânimes: 1994 foi marcado por uma revolução econômica e financeira que permitiu atingirmos os aspectos positivos que o Brasil tem hoje. Do mesmo modo, 2014 tem tudo para ser um ano igualmente importante na história do país – e não é pela Copa do Mundo, mas sim pelo Marco Civil da Internet, recentemente aprovado. Guardadas as devidas proporções, pode significar alívio e vitória para os usuários da web brasileira, por definir regramentos específicos ao meio. Há também os opositores, alegando que se trata de uma ferramenta de censura guiada ao sabor dos ventos petistas. Talvez sejam necessários outros 20 anos para termos certeza. Uma certeza existente há tempos, aliás, faz referência a altos tributos pagos sobre determinados produtos. É uma convicção antiga, mas que ganha novos ares com iniciativas como a campanha Sem Imposto Tem Remédio. Seus fundadores expõem números que enfatizam a menor carga tributária sobre ursinhos de pelúcia e biquínis em relação aos medicamentos – uma tentativa de reduzir as alíquotas desses itens tão importantes para a população. Os envolvidos tentam ainda atrair para o seu lado a classe política, na esperança de conseguir apoio necessário para instituir as mudanças que julgam serem as mais adequadas. Foi o que FHC precisou fazer para colocar o Real em prática. Espera-se então que os organizadores saibam que encontrarão pela frente muitos Lulas, prontos para uma maratona de morde e assopra que provavelmente só atrasará o que tende a ser promissor. Fernando Brüning, diretor de redação

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PROFUNDIDADE FERNANDO BRÜNING

Foto: Divulgação

Candidatos em concurso público, o novo queridinho dos recémformados.

COMO O EMPREENDEDORISMO VAI SER MORTO Na aula inaugural do primeiro semestre dos Cursos de Direito, não é raro ouvir o professor perguntar “quantos de vocês querem se tornar advogados e quantos desejam ser bacharéis apenas para tentar uma vaga no funcionalismo público em nível superior?” É grande a chance de a segunda opção ser mais numerosa – e é aí que mora o perigo. É fato que houve – e ainda há – um boom de acesso às universidades no Brasil. Tanto é verdade que o país presenciou a criação da maior companhia de educação do mundo: a associação entre a Kroton e a Anhanguera reuniu cerca de 2 mil cursos de graduação, mestrado e doutorado, e é avaliada em US$ 5,9 bilhões. Obviamente, o negócio não seria criado se não existisse uma demanda reprimida por aqui. Em suma, é uma notícia boa. A questão então é o que os formados farão com seus respectivos diplomas. Eles engrossarão aqueles números que adoramos ver, como o aumento na quantidade de pessoas graduadas em universidades – algo celebrado pelas autoridades políticas como se fossem de autoria deles os gols marcados pelos times que torcem. Além disso, buscam na iniciativa privada seus empregos e o início de carreiras, subindo degraus na escada hierárquica conforme provem que mereçam ser chamados de gerentes, diretores e até presidentes. Acontecia isso até uma opção distante ganhar os holofotes e se tornar a razão de buscar uma universidade: a carreira no funcionalismo público. Uma análise fria – e com boa chance de se provar equivocada – comprova as vantagens: salários acima da média, estabilidade de emprego e cobranças relativamente menores do que em uma empresa convencional. De fato, poucos trabalhadores negariam ser algo tentador. Entretanto, é um sistema que tende a se provar insustentável, por alimentar uma série de sanguessugas da economia brasileira. A primeira

delas, que já criou barba, é a escassez de mão de obra especializada. Talentos aflorados na universidade poderiam se transformar em exímios profissionais capacitados – e líderes – que a iniciativa privada tanto necessita. Dentro desse mercado, teriam chance inclusive de montar o próprio negócio, gerando outros empregos. Como isso acaba não acontecendo, resta ao empreendedores inflar custos para treinar trabalhadores sem a devida capacidade.

Quanto mais formados procurarem os empregos públicos, menos empreendedores estarão criando novas empresas e gerando empregos O ciclo do mal continua: em um pensamento não tão exagerado, multidões buscando um lugar ao sol na folha de salários dos governos inibem o empreendedorismo, a criação de novas empresas e mais empregos. Trataria-se de um cenário com menor crescimento no número de companhias pagando tributos – terreno fértil para o surgimento de novos impostos e aumento nos já existentes. Esse possível maior peso tributário seria em parte repassado ao consumidor no preço dos produtos e serviços, o que atinge funcionários públicos e privados. Pressionados por tais aumentos, é justificável que todos busquem remunerações mais altas em suas carreiras, e as encontram caso passem em um concurso público. Recomeça então o ciclo do mal. Realidade exagerada? Futuro improvável? Talvez sim. Mas enquanto isso, seguimos encontrando matérias com o título “Concursos em todo o país reúnem 26 mil vagas”.

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