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Esquema de workshop formativo de apresentação do Modelo de Auto-Avaliação Notas para desenvolvimento/resumo para entrega aos professores 1. Objectivos de um modelo de avaliação para as Bibliotecas Escolares (BE) a) A avaliação da BE é um meio para promover o aperfeiçoamento desta enquanto serviço da escola. Este aperfeiçoamento implica que se verifique a progressão da actuação da BE em direcção a determinados objectivos e também a pertinência dos objectivos definidos. A finalidade principal da avaliação da BE é contribuir para o desenvolvimento (cognitivo, cultural, social…) dos alunos, em colaboração com os professores. O aluno que se pretende formar é um indivíduo capaz de se apropriar da informação de forma activa, inteligente e personalizada, transformando-a em conhecimento que lhe seja útil para conduzir a sua vida, para se relacionar com os outros de forma produtiva e para cumprir as suas obrigações de cidadão pertencente a uma sociedade democrática e ao mundo.

b) A avaliação que a BE cada escola realiza com vista a introduzir melhorias localmente segue um modelo padronizado para as BE do país. Desta forma, procura-se recolher dados que permitam avaliar o impacto nacional das BE no desenvolvimento de competências da leitura e da informação e, consequentemente, no domínio de outras competências básicas. O modelo de avaliação é um documento que estabelece uma base comum, mas que não pode ser aplicado de forma exaustiva. A equipa de cada BE identifica os aspectos mais pertinentes e adapta-os. Não obstante, no ano lectivo de 2008/09 foi aplicado um conjunto de questionários padronizados às Bibliotecas da RBE: ainda que possa haver adaptações a nível local, há padronização a nível nacional (como é natural…). O modelo de avaliação é o documento que orienta a produção do questionário e que, assim, permite que os professores bibliotecários se apercebam daquilo que se pretende observar.

c) A avaliação de cada BE deve ser planeada de acordo com a sua circunstância e com os objectivos da sua escola (para além dos objectivos nacionais). Para ser eficaz, necessita do envolvimento de todos os parceiros (do público) em todas as etapas da sua aplicação – desde a identificação de problemas e da definição de objectivos à análise final dos dados obtidos. Essa eficácia depende de (Todd): •

expectativas claras: saber onde se quer chegar; ter uma visão estratégica;

objectivos controláveis: procurar objectivos alcançáveis; identificar factores e produtos controláveis, objectiva e experimentalmente observáveis;

estabelecer prazos realistas e uma programação eficiente


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recolher informações significativas e interpretá-las de forma realista e objectiva; ser parcimonioso na escolha dos instrumentos de registo das actividades e de medida;

motivar e consciencializar a equipa e os parceiros

distribuir tarefas.


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2. A avaliação enquanto instrumento pedagógico e de melhoria. A utilização de um modelo padrão. a) Objectivo geral da avaliação da BE: melhoria dos resultados escolares dos alunos: nos alunos aumenta a capacidade de realização autónoma de tarefas intelectuais que envolvem a utilização produtiva ou a apropriação criativa da informação (criatividade: entendo que elaborar uma síntese a partir de dois textos diferentes é um trabalho criativo)  transformação personalizada da informação em conhecimento  “Uma pessoa dotada de conhecimento, capaz de se relacionar eficazmente com um mundo de informação rico e complexo e que é capaz de desenvolver novas formas de compreensão (?), visões e ideias”. (Todd, p. 7) Um indivíduo que usa a informação de forma holista e que a compreende como uma construção social, colectiva, por vezes circunstancial e evolutiva.

Embora isso não se possa concluir directamente a partir da análise de cada indivíduo, estatisticamente essas capacidades traduzem-se na melhoria da qualidade dos trabalhos, nas notas nos testes e nas médias de exame (Todd cita Kuhlthau).

Para haver uma melhoria, é preciso idealizar o aluno típico que pretendemos formar. É preciso ter um ideal pedagógico para se poder definir metas pedagógicas (Eisenberg e Miller). Temos de responder à questão “O que queremos que os nossos alunos venham a ser?”.(Todd, p. 8) “…Sugere uma pedagogia em cujo cerne estão a construção do conhecimento e a aprendizagem através da pesquisa, permitindo que os estudantes construam a sua própria compreensão das coisas” (Todd, p.8)

Relaciona-se isto com os objectivos da BE públicas, segundo Eisenberg e Miller, os quais assinalam áreas de trabalho a documentar: •

Desenvolvimento das literacias, em especial das literacias da informação

Promoção da leitura

Gestão da Informação

(Nota: as tais “evidências” – é pena que este termo não exista na língua portuguesa com os sentidos que o jargão comum das BE lhe atribui!… - fazem sentido apenas como elementos que permitem medir a eficácia e eficiência dos processos que as produziram. Necessitam de ser comentadas, analisadas e relacionadas com os objectivos que havia para atingir para que se possa perceber o seu significado.)

Todd cita três conclusões comuns a um conjunto de estudos: i)

Focar a actividade da BE no desenvolvimento das literacias tem impacto positivo nos resultados escolares.


4 ii)

O desenvolvimento sistemático das literacias da informação resulta na melhoria na forma como os estudantes se percepcionam a si mesmos.

iii)

A actuação sistemática da BE traduz-se numa melhoria da compreensão da leitura e em capacidades afins, por parte dos estudantes.


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b) O que se pode fazer para atingir aqueles objectivos?

i) Desenvolver um pensamento estratégico (Eisenberg e Miller) •

Atitude positiva

Visão estratégica

Capacidade de gerir relações (? – Political savvy) – coordenar equipas e parceiros, cativar, identificar e aproveitar oportunidades, projectar uma imagem positiva de competência e de fiabilidade

Flexibilidade/adaptabilidade

ii) Articular dialecticamente a investigação e a prática

iii) Divulgar a missão da BE; promover e projectar a imagem da BE e a visão para a BE, apoiadas em dados concretos realtivos a •

Instrução/desenvolvimento das literacias

Promoção da leitura

Gestão da informação

iv) Cooperar e dialogar •

Dentro da equipa

Com os parceiros (professores) e o público (professores e alunos)

Com a direcção da escola

Com outros (pais, autarquias…)


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3. Organização estrutural e funcional do modelo de avaliação O modelo proposto pela RBE divide a actuação das BE em quatro grandes domínios: a. Apoio ao desenvolvimento curricular 1. Articulação curricular da BE com as estruturas pedagógicas e os docentes 2. Desenvolvimento da literacia da informação b. Leitura e literacias c.

Projectos, parcerias e actividades livres e de abertura à comunidade 1. Apoio a actividades livres, extracurriculares e de enriquecimento curricular 2. Projectos e parcerias

d. Gestão da bilbioteca escolar 1. Articulação da BE com a Escola/Agrupamento 2. Condições humanas e materiais para a prestação dos serviços 3. Gestão da colecção/da informação

O modelo indica quatro aspectos a ter em conta no desenvolvimento do processo da avaliação da BE: 1. Indicadores: designam tipos de actividades ou linhas de acção a que a BE se propõe. 2. Factores críticos de sucesso: designa os resultados expectáveis das linhas de actuação assinaladas na secção “indicadores”. São o desenvolvimento de actividades ou os seus resultados práticos. 3. Evidências: são os testemunhos físicos dos resultados das actividades desenvolvidas pela equipa/pela BE. São elementos observáveis, em alguns casos mensuráveis e passíveis de análise estatística. Devem ser dados significativos que se relacionem com os objectivos propostos e que permitam analisar qualitativamente a forma como se desenvolveu o processo que os produziu. Por isso, parece recomendável que na recolha de dados/testemunhos/provas/ resultados acerca de uma determinada actividade não nos concentremos apenas no produto final, mas que incluamos notas sobre o planeamento e o desenvolvimento da actividade, bem como notas sobre a forma como decorreu a colaboração entre os parceiros, a identificação de problemas e sugestões para o futuro. 4. Acções para melhoria/Exemplos: Identifica acções típicas para responder a problemas tipificados — Problemas frequentes e propostas de actuação com vista a obter melhorias. Para cada um dos domínios/subdomínios acima definidos, o modelo apresenta os níveis de desenvolvimento atingido e a avaliação numérica que lhe corresponde i.


7 Note-se o destaque dado aos dois (ou três) primeiros domínios, deixando a gestão corrente para o lugar menos destacado. É sobretudo nos primeiros de actuação que se joga a melhoria dos resultados da aprendizagem, quer estes se traduzam, ou não, em resultados escolares. As médias escolares não devem ser a nossa preocupação. Se nos concentráramos sobre os resultados a nível das capacidades dos indivíduos, a melhoria dos resultados aparecerá por arrasto e acabará por ser apenas um indicador de outros resultados muito mais profundos e permanentes.


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4. Aplicação do modelo na escola:

a) Identificação de áreas de intervenção e definição de linhas de acção  elaboração de um plano de acção e de um plano de actividades b) Identificação de dados significativos a observar e dos meios de proceder à sua observação e análise: análise da situação de partida; contactos com direcção da escola, parceiros e público; obtenção do interesse e apoio da direcção da escola; organização da equipa e distribuição de tarefas; consciencialização e formação de parceiros/professores. c) Desenvolver as actividades e promover contactos/reuniões regulares com vista ao seu controlo/avaliação em colaboração com os professores e com a equipa. Maior ênfase inicial às reuniões e entrevistas; aplicação posterior de questionário aos professores e encarregados de educação (aos alunos? – trata-se de uma EB1/JI) d) Análise de resultados e sua comunicação aos pares (equipa e parceiros) e à direcção da escola.

(…Na verdade, na escola onde irei trabalhar está tudo em aberto, uma vez que a BE se encontra ainda em fase de instalação. Não havendo BE, os hábitos de leitura dos alunos não estão estudados. Esse trabalho será feito a partir do nada, aumentando a responsabilidade de fazer um trabalho bem feito, ainda que sem ilusões de perfeição. Não havendo estudo feitos, é difícil escolher os tópicos mais importantes para trabalhar com vista à melhoria geral. Terei de confiar na observação que os professores fazem no terreno, dia-a-dia, para poder ter uma primeira base de trabalho. Não existe uma equipa e o mais certo é que continue a não haver. Provavelmente, o melhor que poderá acontecer é formar-se uma semi-equipa com os professores da escola, mas que não poderá ajudar-me na gestão corrente. Cada professor poderá, quando muito, gerir a sala em situações em que necessite da sala e eu tenha de estar noutra escola – a BE onde ficarei colocado serve quatro estabelecimentos –, tomar conta das requisições dos seus alunos ou ajudar a fazer planeamento e avaliação de actividades. Em contrapartida, os professores com quem irei trabalhar são abertos e encontram-se motivados. O meio e a associação de pais apoiam-nos e colaboram.)


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5. Gestão participada imposta pela aplicação do modelo de avaliação. Níveis de participação da escola Caberia repetir aqui o comentário feito no final da secção anterior. Além disso, cabe acrescentar: A equipa com que o bibliotecário pode contar, à partida, é formada pelos três bibliotecários do Agrupamento e pela equipa da EB23 sede. Esta equipa funciona bem e os bibliotecários entreajudam-se. Esta equipa é reforçada pela coordenadora interconcelhia e pelo grupo das bibliotecas do concelho.

Os professores das diferentes escolas servidas pela BE em causa são ouvidos acerca da gestão da mesma – estão a começar a habituar-se a ouvir e a serem ouvidos, uma vez que o funcionamento em agrupamento vertical ainda é recente. Tem-se tido /ter-seá em conta a gestão e circulação do fundo documental, a requisição, o apoio à selecção de obras e à sua utilização na sala de aula pelos aluno. O mesmo em relação à orientação ou apoio do bibliotecário na utilização de meios informáticos nas aulas/pelos alunos. É necessário ainda partir para os aspectos mais práticos, a saber, o planeamento de actividades que envolvam todas as partes e a definição dos papeis de cada uma.

Posteriormente, será dada conta do lugar que a avaliação da BE ocupa no seu plano de desenvolvimento e no cumprimento da missão que lhe é atribuída pela RBE.


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(a cenoura e o pau são simultaneamente mostrados ao agente alavancador de proficiências como instrumentos resilientes de motivações significativa)


Sessão 2 Primeira Parte