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Ano 1 nยบ 1


Prefeitura de Belo Horizonte Secretaria Municipal de Educação Coordenação Geral Dagmá Brandão Silva Equipe Técnica Adalgisa Matos Geraldo Lara Gláucia Vieira Maria Célia da Cunha Maria Aparecida de Almeida Sandra de Lacerda Revisão Tadeu Rodrigo Ribeiro Projeto gráfico e diagramação Gustavo Rocha de Souza Fotos Equipe do projeto 3º Ciclo Sujeitos & Práticas Revista Formação - Sujeitos & Práticas Publicação: Biblioteca do Professor/Equipe do 3º Ciclo E-mail: revista.sujeitosepraticas@pbh.gov.br Fone: 3277-8854 Para localizar, acesse: intranet da Educação>Publicações>Revista Formação Sujeitos & Práticas, ou acesse o link: http://issuu.com/sujeitos_praticas_smedbh/docs/revista_sujeitos_praticas#embed

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Sumário APRESENTAÇÃO 5

ENTREVISTA Divulga aí Professor! 6 Fala aí Estudante! 11

LABORATÓRIOS EM AÇÃO LA Educação Física 15 LA Aprendizes da Ciência 26

RELATO DE PRÁTICA Relato de Experiências de Leitura para o 3º Ciclo 33 Relato de Experiência da 2ª Jornada Literária da RME - 2012 36 “Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil” Memória - História 41

SEÇÃO BIBLIOTECA 45

NOSSA AGENDA 48


Apresentação No segundo número da revista Formação Sujeitos & Práticas, buscamos dar continuidade à divulgação de práticas exitosas de professores e demais profissionais da educação no 3º ciclo do ensino fundamental da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Os artigos e relatos apresentados referem-se a projetos e trabalhos educativos desenvolvidos durante o ano letivo de 2013. Na seção Entrevista, destacamos o diálogo de dois professores e de um estudante da Escola Municipal Murilo Rubião no qual falam do trabalho interdisciplinar desenvolvido na escola e que possibilitou a participação e apresentação na 3ª FCC&T. Na seção Laboratórios em Ação, o artigo “Saberes, Conhecimentos e Sentidos Vivenciados na 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte” traz uma exposição da 3ª FCC&T e das conquistas alcançadas nessa ação pedagógica com o ensino de ciências e o trabalho nas outras disciplinas na perspectiva da pesquisa e investigação. Em seguida a este artigo, o hiperlink remete aos resumos dos trabalhos expostos na 3ª FCC&T enviados pelos professores e às resenhas elaboradas pelos avaliadores dos trabalhos. Ainda nesta seção, o artigo “Diálogos entre a Educação Física e as Crianças e os Jovens no Cotidiano da Escola” destaca a necessidade de um movimento contínuo na busca de soluções para o trabalho educativo com os adolescentes do 3º ciclo, problematizando o papel da Educação Física para o alinhamento de uma concepção do seu ensino, que prioriza a construção de sentidos, a troca, a vivência, a inclusão, o respeito às diferenças de gênero, ou até “as mais sutis: moral, estética, cognitiva e ética”. Na seção Relato da Prática, apresentamos a trajetória da auxiliar de biblioteca Zenaide Corrêa da Silva, da Escola Municipal Profª Maria de Mazarello, na 2ª Jornada Literária 2012, cujo tema foi Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil. Há, ali, também um relato do grupo de funcionárias da biblioteca da Escola Municipal Maria Assunção de Marco sobre sua mobilização em função do tema da 3ª Jornada Literária, Histórias de Famílias, para motivar os estudantes do 3º ciclo. Fecha a seção uma breve narrativa da bibliotecária Gláucia Grossi, da Escola Municipal Santos Dumont, sobre como descobriu maneiras de envolver estudantes do 3º ciclo nos processos de leitura. Na Seção Biblioteca, apresentamos uma seleção de livros indicados para a formação de professores e um hiperlink com uma intensa lista de livros literários indicados para trabalhar com os adolescentes. Confira ainda a Agenda das ações futuras do Projeto 3º Ciclo para 2014. Dagmá Brandão Silva


Entrevista Divulga aí Professor! A Revista eletrônica Formação - Sujeitos & Práticas pretende ser um canal de divulgação das práticas e reflexões do cotidiano dos profissionais da educação, especialmente dos professores do 3º ciclo. Durante a 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia, os professores Fernando Rezende e Sandra Breder, da Escola Municipal Murilo Rubião, apresentaram, numa perspectiva interdisciplinar, os trabalhos realizados por eles com seus estudantes do 9º ano. Em visita à escola no momento de certificação e confraternização com os 50 estudantes que participaram da III Mostra de Informática e da 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia nas fases escolar e municipal, conhecemos um pouco mais do trabalho e de seus estudantes.

Formação - Sujeitos & Práticas Vocês organizaram a 3ª Feira de Ciências, Cultura e Tecnologia da EMMR e a III Mostra de Informática da EMMR, em que estes trabalhos se diferenciam e qual é o ponto em comum entre eles? Fernando Rezende A III Mostra de Informática, que aconteceu, no dia 21 de setembro, na escola, é um projeto que une a informática com todas as demais disciplinas da escola. Há atividades para estudantes de todo o 3º ciclo. O ponto em comum é que os grupos de alunos são os mesmos das aulas de Informática e das aulas de Ciências, por exemplo, porém a parte de pesquisa, construção da proposta e apresentação em slides ficou com a Informática ao passo que a parte de construção de trabalhos para exposição ficou por conta da Ciências. A fase escolar da 3ª Feira de Ciências, que aconteceu no dia 29 do mesmo mês, deu visibilidade a todos os trabalhos criados e apresentados pelos nossos estudantes. Há trabalhos de Língua Portuguesa, Matemática, Inglês e Artes. O planejamento de 2013

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

foi assim definido: 7º ano - Língua Portuguesa e Artes; 8º ano Matemática, Inglês e Artes; e 9º ano - Ciências.

Sandra Breder O mundo tornou-se globalizado, tendo como idioma universal a tecnologia. Atualmente, a informática é a principal ferramenta tecnológica das massas e relevante no processo educacional. Nossos educandos nasceram na era dos espaços, dos tempos virtuais e é neles que aprenderam a viver e vivem com naturalidade. As ciências, de um modo geral provocadoras de coceirinhas nas ideias, encantam, intrigam e movimentam a busca pelo conhecido “desconhecido” e, assim, estimulam os trabalhos escolares de jovens cientistas. Atualmente, somos adultos e crianças "conectados" 24 horas e, concorrendo com a realidade em que o relógio marca o tempo em horas, é inimaginável que o ensino de Ciências não se prontificasse em acompanhar essa nova revolução. Daí, Ciências e Informática se interagem, se unem e juntas avançam na melhoria da qualidade da educação básica, por simplesmente assim serem consideradas. Formação - Sujeitos & Práticas Como aconteceu a interdisciplinaridade? Fernando Rezende A interdisciplinaridade vem acontecendo desde o início do projeto, em 2006. A Informática em todo momento visa apresentar, dentre outros objetivos, os recursos que o professor tem e aqueles que podem servir de metodologias de ensino com apoio da tecnologia. A parceria com Ciências ficou mais frequente nas turmas de 9º ano por terem o foco nas Feiras de Ciências da PBH, porém já houve exposição de trabalhos parceiros com Língua Portuguesa (produção de livrinhos), Matemática e Inglês (exposição de quadros).

Sandra Breder A afinidade entre as duas disciplinas não é diferente das outras. Na verdade, a interdisciplinaridade se faz quando o educador 7


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estimula ou se sente estimulado a praticá-la. Entre uma conversa e outra em meio aos diversos ambientes escolares com os alunos, por meio de relatos do cotidiano, das trocas de experiências ou convite a presenciá-las, o desejo de planejar, de ampliar os conhecimentos e as suas aplicações singelamente ocorrem. O que importa para nós é possibilitar ao aluno o fazer acontecer na busca do conhecimento, preferencialmente por meio das interações entre eles e deles com os diversos meios. Formação - Sujeitos & Práticas Quais foram as ferramentas digitais que você utilizou no processo de ensino e aprendizagem? Dê um exemplo de sua mediação. Fernando Rezende O instrumento mais usado com certeza é o computador, porém já usamos a câmara fotográfica e filmadora. Outro aparelho de grande uso é o projetor. Um exemplo de sua utilização está no trabalho parceiro entre Informática e Língua Portuguesa: “Produção de Textos na Informática”. Nele, houve um combinado entre as disciplinas: os alunos foram convidados a produzir textos em sala de aula, escrevendo-os em seu caderno; e, na aula de informática, digitando-os. Depois de digitado, eram lidos da exibição com o uso do data show para toda a turma. Ao mesmo tempo em que era lida a produção do aluno, o professor comentava os pontos em destaque. Depois de lidos todos, os estudantes eram convidados a reparar seus erros; e, em alguns casos, até mesmo a produzir outro, para depois fazer o acabamento final e, em seguida, a formatação com o uso dos editores de textos. Os melhores trabalhos viraram pequenos livros. Formação - Sujeitos & Práticas Na Mostra de Informática, você apresenta produção de textos em parceria com a Língua Portuguesa; edição de listas em parceria com Geografia e Ciências; edição de tabelas em parceria com História; edição de folders em parceria com Arte; edição de quadrinhos em parceria com a Língua Portuguesa. Como acontecem essas parcerias? Fernando Rezende A parceria com a Língua Portuguesa está relatada na pergunta 3,

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porém as demais foram feitas informalmente. Como o tempo da Informática é pequeno em relação às demais disciplinas (1 aula por semana), todo o projeto de parceria é pensado para ser trabalhado ao longo do trimestre. A construção de tabelas e listas foram aulas ensinadas no momento de transição entre trimestres. A construção de quadrinhos está sendo planejada e executada em parceria com Artes, assim como Ciências. Formação - Sujeitos & Práticas Quais são os indicadores de sucesso do trabalho desenvolvido com seus estudantes apresentados na III Mostra de Informática? Fernando Rezende Acredito que o reconhecimento de alguns professores e o número de comentários positivos realizados pelos visitantes na 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia da PBH, realizada no Parque Municipal, são indicadores marcantes. A direção da escola pedindo para que se continue com o projeto em 2014 é outro forte indicador. Porém, o mais importante é a reação dos alunos em sala de aula. Grande parte mudou de postura ao reconhecer a importância da disciplina e da contribuição do computador no ambiente escolar.

Sandra Breder Os resultados do Avalia BH na disciplina Ciências dos últimos três anos, com os quais a escola se mantém com médias superiores às das escolas da sua Regional e à da Região Metropolitana de Belo Horizonte e que indicam a cada ano uma elevação no nível avançado; o envolvimento dos alunos, tanto os diretamente quanto os indiretamente envolvidos com as feiras; e os conceitos nas disciplinas envolvidas. Todos esses indicadores apontam um crescente interesse e ajudam a comprovar o sucesso do trabalho interdisciplinar desenvolvido nas Feiras de Ciências. Formação - Sujeitos & Práticas Quais são os pontos que precisam melhorar em relação à realização de feiras e mostras tanto na fase escolar quanto na fase municipal?

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Fernando Rezende Tivemos reconhecimentos consideráveis no ambiente escolar, contudo é preciso ainda aumentar a participação e envolvimento do grupo de professores. Sem dúvida alguma, a fase escolar é importante. Nossos alunos, assim que são selecionados para a fase municipal, ficam superinteressados em fazer seus trabalhos cada vez melhores. Uma premiação adequada ajudaria no incentivo aos projetos futuros. O Projeto 3º Ciclo é de suma importância para recuperar o gosto de frequentar a escola. Gosto tão necessário para melhorar o aprendizado de nossos estudantes.

Sandra Breder As inovações - tanto por parte da Rede Municipal, quanto por conta da unidade escolar - são esperadas e, por vezes, surpreendentes. Às vezes, nos vemos “sozinhos”, outras vezes cobrados e advertidos, por vezes elogiados e estimulados. Enfim, trabalhar com um cronograma de ação acertado e respeitado desde o princípio do ano é o passo principal. Para ser satisfatório, o projeto tem que dar sua arrancada com os alunos já na primeira etapa do ano letivo. É fundamental planejar com os administradores, coordenadores, auxiliares, docentes e discentes diversos, de forma a respeitar os calendários, espaços, trabalhos e tempos de cada um. Os quesitos divulgação dos vencedores e a premiação são o carro-chefe das duas fases e são supervalorizados pelos educandos e estimuladores da autoestima deles. Portanto, precisam acontecer de forma mais dinâmica na Rede Municipal. As rodas giram e geram movimentos que se valorizam a cada giro, que gerarão e girarão novas rodas.

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Entrevista Fala aí Estudante! Alacyr é um estudante do 9º ano da Escola Municipal Murilo Rubião e participou dos trabalhos desenvolvidos pelos professores Fernando e Sandra. Formação - Sujeitos & Práticas Para você, o que é aprender? Alacyr Aprender é estar a cada dia descobrindo coisas novas e tendo mais sabedoria das coisas que não sabia. Formação - Sujeitos & Práticas O que você tem aprendido nas aulas de informática que contribuiu com as outras disciplinas? Alacyr As aulas de informática sempre envolvem outras disciplinas como Inglês, Ciências, Geografia Matemática, Língua Portuguesa e outras. A Informática envolvendo outras disciplinas ajuda muito na hora do aprendizado na sala de aula. Formação - Sujeitos & Práticas Pensando nas tecnologias, o que você ainda não sabe fazer e gostaria de aprender? Alacyr A tecnologia sempre fornece coisas novas para aprender. Mesmo quando achamos que já estamos sabendo tudo sobre tecnologia, vem algo novo e curioso para aprender. Eu gostaria de aprender sobre a tecnologia de funcionamento das placas de comando infravermelho. Formação - Sujeitos & Práticas Do que você já aprendeu, o que você consegue ensinar para os colegas? Alacyr O que eu já aprendi sobre a tecnologia é que algumas coisas são 11


simples de explicar, mas algumas coisas não são. Mas, com calma, consigo alcançar um bom resultado. Formação - Sujeitos & Práticas O que você aprendeu com o trabalho desenvolvido na Feira de Ciências? Alacyr Com o trabalho da Feira de Ciências, aprendi que todos os trabalhos têm de ser feitos e refeitos. Porque, mesmo achando que o trabalho está bom, ainda tem muito para desenvolver no protejo. Mas é bom participar de uma feira de ciências e de informática porque aprendemos, a cada dia, mais coisas novas!

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Laboratórios

em ação


Laboratório de Aprendizagem

Educação Física Diálogos entre a Educação Física e as crianças e os jovens no cotidiano da escola Túlio Campos1 Atualmente, constatamos um sentimento de grande inquietação e indignação ante as transformações que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea e seus efeitos sobre a vida, a cultura, o trabalho e as relações sociais. O neoliberalismo e a nova ordem econômica vêm acarretando uma série de consequências alarmantes na vida dos sujeitos. Vários exemplos da presente crise social podem ser observados, como a crescente fragilização dos laços conjugais, a explosão urbana com todas as dificuldades decorrentes de viver em grandes cidades, a valorização da vida privada e a globalização cultural. Na vida cotidiana, ponderamos que o contexto atual tem suscitado o embrutecimento das relações sociais, em decorrência da forma assumida pela expansão capitalista, como pode ser averiguado nos infindáveis e espantosos fenômenos de tensão e de violência expressos nas diversas linguagens midiáticas. Por sua vez, a perplexidade e a apreensão tomam conta do nosso cotidiano. Em decorrência de inúmeras transformações políticas, econômicas, culturais e sociais, em um curto espaço de tempo, os sujeitos são incessantemente impulsionados a lidar 1 Mestre em Lazer pela Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional EEFFTO/UFMG. Docente do Curso de Educação Física do Centro Universitário de Sete Lagoas - UNIFEMM. Professor de Educação Física da Rede Municipal de Belo Horizonte, na Escola Municipal Maria da Assunção de Marco. Contato: tuliocampos@pbh.gov.br.

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com um ritmo de vida no qual o consumo ganha papel central em suas vidas, um “incondicional apreço pela novidade” (Pereira, 2002). Desde a Revolução Industrial, beneficiado pelo ideário da modernidade, de superação, de eficiência e de progresso, o capitalismo, nas suas entranhas, tem gerado relações de produção e consumo. Diante disso, na contemporaneidade, vivemos num ritmo de vida incessante, marcado pela era da velocidade, na qual a “avidez pela novidade” (Pereira, 2002) constrói novas formas de experimentar o mundo, “uma realidade instável e fragmentária” (SARLO, 2000, p. 30). Nesse aspecto, as relações pessoais e as ações dos sujeitos se metamorfoseiam em atos pautados na “efemeridade”, na “superficialidade” e na “trivialidade” (Pereira, 2002). Considerando as palavras de Pereira e colaboradoras (2007, p. 101), “hoje, as relações que mantemos com as coisas - e também com as pessoas - conferem marca ao tempo em que vivemos: relações fugazes, flexíveis, dinâmicas e descartáveis” (p. 101). Bauman (2001) aponta que os processos de individualização da sociedade vêm causando o enclausuramento dos sujeitos em relações pautadas no desrespeito ao outro e na intolerância a diversidades. Para o autor, estamos vivendo na sociedade do medo, em que as pessoas estão no estado da “mixofobia”, ou seja, o medo de se misturar, consequentemente mais vulneráveis aos processos de violência que tendem a aumentar. Esse quadro deixa-nos apreensivos e impulsionados a compreender e buscar caminhos para esse universo que compõe o cotidiano de nossas vidas, das nossas relações sociais e, concomitamente, das instituições que se propõem a transformar essas realidades. Nesse cenário, que papel cabe à educação das crianças e dos adolescentes? Que papel cabe à Educação Física? Discorrer acerca desses questionamentos é desafiador, uma vez que, não raro, fica a sensação de que as instituições vêm negando o que é de sua autoria: formação de sujeitos capazes

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não apenas de se adaptar à sociedade em que vivem, mas de transformá-la e reinventá-la (CALDEIRA, 2001). A Educação Física se insere num plano de reflexão acerca dessas diferentes problemáticas, estando atenta à atualização das demandas socioculturais, uma vez que, entre suas finalidades, juntamente

com a escola, inscreve-se, além da produção e socialização do conhecimento, precisamente a crítica das formas de organização da cultura (TABORDA DE OLIVEIRA; OLIVEIRA; VAZ, 2008). Para tal, proponho, neste momento, pensarmos a educação a partir do par experiência/sentido, como nos sugere Bondía (2002). Segundo o autor, costuma-se pensar a educação a partir de dois pontos de vista: da ciência e técnica e da teoria e prática. No primeiro, as pessoas que trabalham com educação são concebidas como sujeitos técnicos que aplicam com maior ou menor eficácia as diversas tecnologias pedagógicas produzidas, remetendo a uma perspectiva positiva e retificadora. Já no segundo ponto de vista, essas mesmas pessoas aparecem como sujeitos críticos que se comprometem, com maior ou menor êxito, com práticas educativas concebidas na maioria das vezes sob uma perspectiva política. Todavia, para Bondía, esses dois pontos não conseguem sustentar outra perspectiva de

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educação que vá além daquilo que vem sendo posto nas últimas décadas no campo pedagógico, distinguindo a formação entre os chamados técnicos e os chamados críticos. Não raro, temos deparado com um enorme contingente de políticas educacionais que concebe a educação/conhecimento como uma acumulação de saberes que possibilita os educandos “raciocinar”, “calcular”, “medir”, “testar” ou “argumentar”. Dayrell (1996) alerta sobre isso ao afirmar que na escola os conhecimentos valorizados são aqueles que buscam resultados, reduzidos a produtos, resultados e conclusões, sem dar conta do valor determinante dos processos. Nesse sentido, a diversidade acaba sendo “reduzida a diferenças apreendidas na ótica da cognição (bom ou mau aluno, esforçado ou preguiçoso, etc.) ou na do comportamento” (p. 138). Na Educação Física, pouco problematizamos o caráter natural atribuído ao corpo, como se fosse meramente biológico, manipulável. Em práticas pedagógicas que operam com a compreensão da infância e da juventude enquanto estágios de desenvolvimento, fases ou etapas construídas abstratamente, tem-se a presunção do controle e da previsibilidade. Nesse sentido, universalizamos e fragmentamos os sujeitos, desconsiderando as várias maneiras de ser criança e ser jovem na escola, nas aulas de Educação Física, na família e na sociedade (DEBORTOLI; LINHALES; VAGO, 2002). Minha insistência neste ensaio é perspectivar uma educação que “busque dar sentido ao que somos e ao que nos acontece” (BONDÍA, 2002, p. 21). Para Bondía, a experiência é algo que nos acontece, nos toca, porém a experiência é algo cada vez mais raro pelo excesso de informação (obsessão pela informação), pelo excesso de opinião, pela falta de tempo e pelo excesso de trabalho. Assim, afirma o autor que “nós somos sujeitos ultrainformados, transbordantes de opiniões e superestimados, mas também cheios de vontade e hiperativos”. Nesse sentido, “os aparatos educacionais também funcionam

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cada vez mais no sentido tornar impossível que algo nos aconteça” (BONDÍA, 2002, p. 24). Nesse enredo, qual Escola e qual Educação Física são possíveis? De que maneira podemos pensar a Educação Física “para” e “com” as crianças e os jovens? Considero importante, assim como Vago (2009, p. 26), compreender a escola enquanto um lugar com uma identidade, uma responsabilidade social e uma expectativa social, ou seja, “um lugar de culturas, um lugar das culturas e um lugar entre culturas”, com a responsabilidade de transmitir e perpetuar a experiência humana considerada cultura. A escola é um lugar de circulação das culturas porque tem como responsabilidade realizar o humano direito a um patrimônio por todos produzidos: conhecer, fruir e usufruir as culturas diversas produzidas pelos humanos (VAGO, 2009, p. 27).

Não podemos negligenciar que a escola é um lugar de “tensão permanente”, uma vez que nela estão presentes diferentes interesses (escola, família e sociedade), relações de poder, práticas escolares e outras diversificadas práticas sociais que chegam ao “chão da escola” (VAGO, 2009). Nesse sentido, é preciso também pensar o corpo na escola. Bondía (2002) alerta sobre isso ao apontar que a vida humana vem reduzindo-se ao simples entendimento do corpo numa dimensão biológica. Assim discorre o autor: [...] a 'vida' se reduz à sua dimensão biológica, à satisfação das necessidades (geralmente induzidas, sempre incrementadas pela lógica do consumo), à sobrevivência dos indivíduos e da sociedade. Pense-se no que significa para nós 'qualidade de vida' ou 'nível de vida': nada mais que a posse de uma série de cacarecos para uso e desfrute (BONDÍA, 2002, p. 27).

A escola necessita compreender o corpo/sujeito na dimensão da totalidade, possibilitando ao sujeito construir novas referências sobre seu corpo e o corpo do outro. Nas palavras de GimenoSacristan; Pérez-Gomez (1998, p. 24): A escola deve fomentar a pluralidade de formas de viver, pensar e sentir, estimular o pluralismo e cultivar a originalidade das diferenças individuais 19


como expressão mais genuína da riqueza da comunidade humana e da tolerância social.

De acordo com Vago (2009, p. 33), “compreender a realidade biológica do corpo é imprescindível, no limite e na potência que expressa”, todavia trabalhar e conceber o “corpo reduzido a sua biologia empobrece o olhar” que lançamos às crianças e aos jovens. Tudo isso nos provoca a construir processos pedagógicos mais desafiantes, que reconheçam toda a diversidade das experiências que essas crianças e jovens carregam consigo para o espaço escolar. Dayrell (1996) alerta que se faz necessário superar a homogeneização e universalização dos processos de ensino/aprendizagem2 presente nas escolas, pois “o tratamento uniforme dado pela escola só vem consagrar a desigualdade e as injustiças das origens sociais dos alunos”. Nesse sentido, o autor sugere que, para compreendermos as crianças e os jovens que chegam à escola, torna-se imprescindível apreendê-los como “sujeitos socioculturais”, ou seja, superando “a visão homogeneizante e estereotipada da noção de aluno, dando-lhe um outro significado” (p. 140). Diante disso, pode-se afirmar que a “escola é polissêmica”, ou seja, tem uma multiplicidade de sentidos, não podendo ser tomada como um dado universal, com um sentido único. Portanto, como afirma Dayrell (1996, p. 144): [...] implica levar em conta que seu espaço, seus tempos, suas relações podem estar sendo significados de forma diferenciada, tanto pelos alunos, quanto pelos professores, dependendo da cultura e projeto dos diversos grupos sociais nela existentes.

Outro aspecto importante a ser destacado é que a escola constitui um espaço de formação humana, portanto um espaço

2 De acordo com Dayrell (1996, p. 139), “a escola é vista como instituição única, com seus sentidos e objetivos, tendo como função garantir a todos o acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente acumulados pela sociedade. Tais conhecimentos, porém, são reduzidos a produtos, resultados e conclusões, sem se levar em conta o valor

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determinante dos processos”.


de ampliação das experiências sociais, históricas e culturais (DAYRELL, 1996; VAGO, 2009). Assim, a escola pública não pode seguir outro caminho senão “constituir-se como tempo e espaço de inclusão, debate, construção coletiva e realização plena de direitos sociais” (DEBORTOLI; LINHALES; VAGO, 2002, p. 93). Concomitantemente, a escola influencia e torna-se influenciada pela diversidade presente no seu cotidiano. Tais implicações desafiam a pensar um projeto de Educação Física que busque “escutar” o que os alunos querem nos dizer com suas ações durante sua permanência nos diferentes espaços da escola. Nessa perspectiva, um dos princípios fundamentais da Educação Física é compreender as crianças e os jovens como atores sociais, concretizando o direito e a possibilidade de participarem da construção da sociedade e da cultura (DEBORTOLI, 2009). Na nossa intervenção pedagógica, comporta-se, assim, um desafio: Organizar o ensino para que seus estudantes realizem o direito de conhecer, de provar, de criar, de recriar e de reinventar, de fazer de muitas maneiras, de brincar com essas práticas, garantindo-lhes a expansão de suas experiências com esse rico patrimônio cultural. Em outras palavras: a Educação Física tem potência para ser um tempo de fruir, de usufruir, de viver e de produzir essa cultura, um lugar de enriquecer a experiência humana, posto que essas práticas são possibilidades afetivas, lúdicas e estéticas de apreender e entender o mundo - e de agir nele (VAGO, 2009, p. 35).

Em nossa sociedade, ainda sobressai o entendimento de que as crianças devem ser preparadas para um futuro idealizado pelo adulto. Essa concepção desenvolvimentista posiciona a criança enquanto sujeito imaturo, inacabado, um “vir-a-ser” linear e previsível, e não pela competência do aqui e agora, afastando-a do mundo das atividades socialmente reconhecidas. Em relação aos jovens, criamos representações sociais que desprestigiam sua existência social, concreta e valorosa. O adolescente é aquele que não é mais criança e também não é adulto. Não raro, desconsideramos, nas relações com os adolescentes, as

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variações nas dimensões corporais, a maturação sexual, as alterações hormonais. Quando trabalhamos sob esses pontos de vista, as crianças e os adolescentes são concebidos como sujeitos incapazes de ser “porta-vozes” de seus próprios desejos e direitos. Proponho, pois, problematizar uma suposta incapacidade sociopolítica das crianças e dos adolescentes no contexto da escola, particularmente quando concebidos como algo natural, e não como uma construção histórica, cultural e social. Reforçar essa menorização da infância e da juventude em relação ao adulto esvazia nossa capacidade de perceber suas ações nas relações sociais, sendo percebidos apenas como organismos em processo de desenvolvimento, maturação e socialização. De acordo com Debortoli (2009, p. 39), ser sujeito “significa concretizar o direito e a possibilidade de participar da construção da sociedade e da cultura”. A Educação Física é uma área de conhecimento escolar; e, como tal, possui conhecimentos específicos que devem ser compartilhados, aprendidos, vivenciados e ressignificados por professores e educandos, num processo de construção dialética do conhecimento (FREITAS, 2008). Historicamente, diante de muitas situações sociais, homens e mulheres, crianças e adultos

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produziram saberes que significaram os movimentos, transformando-os em práticas sociais e culturais, sistematizadas e organizadas, que, de acordo com o Coletivo de Autores (1992), podem ser reunidos em cinco grandes blocos de conhecimentos: os jogos, brinquedos e brincadeiras, as danças, os esportes, as ginásticas e as lutas. Esses conhecimentos permitem pensar em projetos de ensino capazes de problematizar a relação entre indivíduo e sociedade, entre sujeito e cultura (DEBORTOLI, 2009). Segundo Leite (1994), há uma tendência no pensamento pedagógico de colocar como questões opostas a participação dos educandos e a apropriação de conhecimentos disciplinares. No entanto, tal oposição não tem sentido, pois os conhecimentos escolares não surgem do acaso, eles são fruto da interação dos grupos sociais com sua realidade cultural. Sendo assim, os projetos de ensino são a possibilidade de resolver questões relevantes do cotidiano; o educando irá defrontar-se com os conhecimentos das diversas disciplinas e poderá compreender e intervir em sua realidade (FREITAS; CAMPOS, 2011). Neste momento, pontuo que acredito numa educação que conceba as crianças e os adolescentes como sujeitos de direitos, na qual conhecimento e vida humana não sejam entendidos como algo sem sentido no seu cotidiano, dentro e/ou fora da escola, e sim “uma forma singular de estar no mundo que é ética e estética” (BONDÍA, 2002, p. 28). Por fim, está posto à Educação e à Educação Física o desafio de serem capazes de propor práticas concretas para seus diferentes sujeitos em realidades que se apresentam diversas. Dessa maneira, Debortoli (2009, p. 43) sugere que um caminho para tal é o acolhimento: “Talvez a primeira resposta seja o acolhimento. O desafio da sensibilidade. Desafio de uma aproximação ética e estética do outro. Estarmos atentos às diferenças mais sutis: morais, estéticas, cognitivas, éticas”.

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Referências BAUMAN, Z. A sociedade individualizada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. BONDIA, J. L. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação. Rio de Janeiro: ANPEd, n. 19, p. 19-28, jan./abr. 2002. CALDEIRA, A. M. S. A formação de Professores de Educação F��sica: quais saberes e quais habilidades?. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. Porto Alegre: CBCE, v. 22, n. 3, p. 87-103. mai. 2001. Carmem Lucia Soares et al. Metodologia de Ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. DAYRELL, Juarez. A escola como espaço sociocultural. In: Juarez Dayrell (Org.). Múltiplos olhares sobre educação e cultura. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1996. DEBORTOLI, J. A. O. Adolescência(s): identidade e formação humana. In. CARVALHO, Alyson; SALLES, Fátima; GUIMARÃES, Marilia (Orgs.). Belo Horizonte: Editora UFMG, Proex, 2009. 118p. DEBORTOLI, J. A. O.; LINHALES, M. A.; VAGO, T. M. Infância e conhecimento escolar: princípios para a construção de uma Educação Física. Pensar a Prática. Goiânia: UFG, v. 5, n. 1, p. 92-105, 2002. FREITAS, A. F. S.; CAMPOS, T. Educação Física nos primeiros anos escolares. Presença Pedagógica. Belo Horizonte: Dimensão, v. 17, n. 102, p. 13-19, nov./dez. 2011. FREITAS, A. F. S. Corpo, movimento e linguagem: em busca do conhecimento na escola de Educação Infantil. 2008. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008. LEITE, Lúcia Helena Alvarez. A pedagogia de projetos em questão. In: Belo Horizonte. Secretaria Municipal de Educação. Curso de diretores da rede municipal. Belo Horizonte: SMED, 1994. PEREIRA, R. M. RIBES. Tudo ao mesmo tempo agora! Considerações sobre a infância no presente. In: GONDRA, José Gonçalves (Org.). História, infância e escolarização. Rio de Janeiro: Sette Letras, 2002. p. 131-148. SACRISTÁN, J. Gimeno. Avaliação. In: PÉREZ GÓMEZ, Angel I.; SACRISTÁN, J. Gimeno. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artmed. 1998. OLIVEIRA, Marcos Aurélio Taborda de ; OLIVEIRA, Luciane Paiva Alves de ; VAZ, Alexandre Fernandez. Sobre a corporalidade e a escolarização: contribuições para a reorientação das práticas escolares da disciplina de educação física. Pensar a Prática (on-line). Goiânia: UFG, v. 11, n. 3, p. 212-236, 2008. Disponível em: <http://www.revistas.ufg.br/index.php/fef>. Acesso em: nov. 2013. VAGO, T. M. Pensar a Educação Física na Escola: para uma formação cultural da infância e da juventude. Cadernos de Formação RBCE. Porto Alegre: CBCE, v. 1, n. 1, p. 25-42. 2009.

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Laboratório de Aprendizagem

Aprendizes da Ciência Saberes, conhecimentos e sentidos vivenciados na 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Dagmá Brandão e Silva1 Maria Célia da Cunha Pinto2 A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, por meio da Gerência de Coordenação da Política Pedagógica e de Formação, realizou no dia dois de outubro a 3ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia - 3ª FCCT, que se caracteriza como uma atividade científica, cultural e tecnológica que promove a atualização, fomento e implementação de mudanças significativas no processo ensino e aprendizagem e incentiva o desenvolvimento da cultura investigativa. A 3ª FCCT está destinada a estabelecer interação e trocas de experiências entre estudantes do 3º ciclo da RME com a população de Belo Horizonte, por meio da exposição e publicação de produções científicas, culturais, artísticas e tecnológicas realizadas no contexto educativo. A possibilidade de apresentar e discutir seus projetos com profissionais da educação e visitantes destaca essa ação no cenário educacional belo-horizontino. Foram apresentados 84 trabalhos cujos temas estavam relacionados às ciências da natureza, arte, cultura, história, literatura, matemática e tecnologias. As diferentes áreas

1 Gerente da GCPF. 2 Professora da RME.

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contempladas possibilitaram a expressão de conteúdos e habilidades diversas. Quem visitou a feira pôde, ao mesmo tempo, conhecer o corpo humano ou o universo; aprender um pouco mais de sustentabilidade, fazendo uma horta de cultivo vertical ou uma casa usando garrafa PET; e ainda aprender sobre a bacia do córrego Capão e a grandeza da Lapinha. Os jovens não economizaram na criatividade: poesia, animação, curtametragem e a exploração de figuras de linguagem foram exemplos de trabalhos apresentados.3 Durante a 3º FCCT, os visitantes tiveram a oportunidade de participar de oficinas oferecidas pelo Museu de Ciências Naturais da PUC-Minas e pela organização não governamental Mensageiros das Águas. A Secretaria de Estado de Ciências, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais - SECTES apresentou os temas a serem explorados na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia - Ciência, Saúde e Esporte, que ocorrerá no período de 21 a 27 de outubro de 2013. A exposição do Núcleo de Relações Étnico-Raciais enfocou João Cândido, almirante negro, líder da Revolta da Chibata, 1910, que lutou pelo fim dos castigos corporais e pela igualdade racial na Marinha Brasileira, marcando a atuação de João Cândido no cenário dos Direitos Humanos no Brasil. Os trabalhos apresentados na 3ª FCCT trouxeram reflexões que vão ao encontro dos pressupostos teórico-metodológicos da proposta curricular da RME, que detalharemos a seguir. O movimento científico e pedagógico, que se traduz por meio da feira, enfatiza a equidade dos conhecimentos escolares. As Proposições Curriculares Municipais - PCMs, ou intenções educativas para a educação básica, partem do pressuposto de que não há prioridade de determinados conhecimentos, uma vez que não há ciência mais importante que outra, o que implica dizer que não há disciplinas que devam ser privilegiadas. 3 Veja o guia de visitação da 3ª FCCT, lá você encontrará todos os trabalhos apresentados e ainda as atividades diversas que foram oferecidas aos visitantes.

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Proposições Curriculares foram elaboradas com o objetivo de garantir a todos os educandos o direito aos conhecimentos sociais das várias disciplinas, aos valores, aos comportamentos e às atitudes que lhes permitam compreender e transitar no mundo (p. 6 - Textos introdutórios).

A 3ª FCCT pauta-se pelo entendimento da pesquisa científica relacionada a todas as ciências: humanas, exatas e naturais, buscando garantir a diversidade científica, cultural, artística e tecnológica. Nessa concepção, a 3ª FCCT se caracteriza como espaço transformador da atuação crítica, artística, científica, tecnológica que proporciona vivências dos estudantes em experimentos significativos de cada projeto de trabalho abrangendo dois ou mais conhecimentos disciplinares. As PCMs buscam o desenvolvimento de capacidades construídas por meio de vivências escolares de ensino e aprendizagem comprometidas com a diversidade, por meio de ações diversificadas que consideram as diferenças de ritmos e formas de aprender, o que colabora para a criação de oportunidades igualitárias para todos. A partir dos inúmeros trabalhos planejados, organizados e apresentados sob a coordenação de professores de diferentes áreas, os estudantes puderam, por meio das suas produções, dar respostas aos questionamentos apresentados na página 10 dos Textos Introdutórios das Proposições Curriculares da RME: Se aqui apresentamos o que ensinar e aprender, pretendemos prosseguir em discussões e em construção de respostas para desafios já demandados pelos educadores: Como desenvolver sugestões específicas de ensino que possibilitem a construção das capacidades/habilidades desejáveis, conforme o contexto da escola? Como avaliar o desenvolvimento das capacidades/habilidades? Como registrar o diagnóstico das avaliações? Como trabalhar de forma interdisciplinar? Como trabalhar com temas/problemas/questões investigativas? Como construir projetos específicos para avançar/trabalhar as dificuldades de aprendizagens específicas de agrupamentos de estudantes? Como desenvolver estas Proposições Curriculares considerando o estágio de desenvolvimento do estudante dentro do ciclo?

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A articulação dos temas dos trabalhos desenvolvidos na feira com os conteúdos disciplinares de sala de aula e sua contextualização, de modo mais amplo, representaram, além de importantes elementos motivacionais, formas efetivas de contribuição para a educação científica dos estudantes. As práticas apresentadas na 3ª FCCT contribuíram para uma melhor compreensão das teorias científicas e das diversas formas com que os cientistas atuam na organização da experimentação, no levantamento de problemas e na elaboração de hipóteses que marcam a origem dos conhecimentos científicos. Mesmo naqueles trabalhos que não envolveram explicitamente essas questões, pudemos observar que, em muitos deles, pela escolha dos próprios temas, implicitamente a contextualização estava presente. Tal é o caso, por exemplo, dos trabalhos relacionados ao uso de drogas, métodos contraceptivos e prevenção à dengue. As expectativas quanto à elaboração de uma feira de ciências são ambiciosas, principalmente se levarmos em conta que grande parte dos trabalhos são consequência do desenvolvimento de projetos investigativos articulados ao longo do ano letivo que tiveram sua culminância na FCCT. Outro aspecto importante a se destacar é que, dentre os trabalhos apresentados, houve a colaboração de pessoas da comunidade como profissionais da saúde, pais ou grupos comunitários, o que possibilitou a socialização de saberes e conhecimentos articulados. Por fim, ressaltamos, como contribuição significativa e que consolida e amplia os resultados obtidos da 3ª FCCT, a avaliação realizada por parte dos visitantes, profissionais da educação, gestores e dos próprios estudantes expositores sobre a apresentação e os resultados obtidos dos trabalhos. Os estudantes, no evento, mobilizaram diversas capacidades

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adquiridas, construídas e consolidadas em todo o processo de aprendizagem que culminou na 3ª Feira de Ciências,Cultura e Tecnologia da RME.4 Mediante as análises realizadas, ficou clara a importância do trabalho coletivo na escola, principalmente pela interação potencializada nas atividades desenvolvidas antes e durante a feira, incluindo a sua repercussão além dos muros escolares. Feiras de ciências são atividades que devem ser estimuladas, pois se constituem numa excelente oportunidade de a escola interagir com a cidade. E, em relação a 3ª FCCT, o que fica para todos nós educadores e educandos é muito mais do que vimos e ouvimos. A 3ª FCCT potencializou e evidenciou o sentimento de alegria e entusiasmo que todos sentiram ao expor sua produção de conhecimento. Afinal, aprender ainda é a maior experiência transformadora do ser humano.

Referência SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO. Prefeitura de Belo Horizonte. Desafios da formação. Proposições Curriculares do Ensino Fundamental textos introdutórios. Belo Horizonte: Secretaria Municipal de Educação, 2010.

Os links abaixo direcionam o leitor para os resumos dos trabalhos da 3ª Feira de Ciências & Tecnologia de 2013, assim como para as resenhas elaboradas por seus avaliadores. Resumos Resenhas

4 O Manual do Avaliador foi criado para orientar a avaliação dos trabalhos.

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Relatos de pr谩tica pedag贸gica


Relato de Experiências de Leitura para o 3º Ciclo Gláucia Grossi de Faria1

Com minha vivência em quase vinte anos trabalhando em bibliotecas escolares, percebo que o grande projeto de incentivo à leitura que tenho desempenhado é procurar traduzir em livros os interesses dos alunos. No período que passo na Escola Municipal Santos Dumont, tenho notado que é mais comum os estudantes de 1º e 2º ciclo pegarem livros emprestados durante as suas idas à biblioteca. Mesmo aqueles mais desinteressados acabam levando algum livro por influência dos colegas, ajudados pelos professores e por nós funcionários. Mas percebi que os alunos do 3º ciclo visitam mais a biblioteca para conversar com os companheiros, jogar xadrez no horário de recreio ou para fazer alguma pesquisa. Os que realmente gostam de ler continuam usando a biblioteca frequentemente. Mas o percentual dos outros leitores cai muito do 2º para o 3º ciclo. As compras dos livros são feitas de acordo com as listas de sugestões deixadas nos balcões das bibliotecas que coordeno.

1 Bibliotecária e coordenadora de bibliotecas na Regional Leste.

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Como as sugestões feitas pelos alunos estavam repetitivas, pesquisei, na internet, sobre adolescentes que gostavam de ler, o que estavam lendo e quais as novidades no mercado editorial. Depois de listar muitos livros indicados por vários leitores vorazes, comecei a fazer a melhor parte do trabalho. Comecei a lê-los, munida do meu e-book, o que facilitou ainda mais o meu propósito. Entusiasmada com quase cem títulos lidos durante dois meses, paralelamente procurava fazer os orçamentos dos livros a fim de adquiri-los pela Caixa Escolar da Escola. Mostrei minha ideia para a professora de Língua Portuguesa das turmas do 7º ano. Ela me incentivou mais ainda nas minhas tarefas, e marcamos visitas às salas de aulas. Assim, acabei envolvendo as demais professoras de Língua Portuguesa do 3º ciclo, pois precisava do apoio delas para motivar os alunos. Gravei as imagens das capas dos livros em um pen drive e, munida de um notebook, fui às salas de aula, apresentando as resenhas de cada um deles, passando - e consequentemente despertando - o meu entusiasmo para os alunos. De cada sala que eu saía, sentia que os alunos ficavam curiosos para ler os livros. E, durante uma semana, enquanto aguardávamos o recebimento do material tão esperado, os estudantes me perguntavam o tempo todo, pelos corredores da escola, quando eles chegariam à biblioteca. Assim que os livros foram entregues, disponibilizamos o mais rápido possível para o empréstimo. O serviço de processamento técnico dos livros foi exaustivo. Tem sido um sucesso a busca pelos livros. E, como um livro puxa outro, desejo que o movimento não pare na biblioteca. Continuo pesquisando nos blogs e vídeos do Youtube, mas espero, também, que os alunos coloquem recados sobre as impressões dos livros lidos no painel da biblioteca, criando uma rede de troca de informações divertida.

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Abaixo segue lista dos blogs que tenho consultado e anexo os títulos dos livros comprados e suas resenhas: - http://cabineliteraria.com.br; - http://clubedolivro.worldpress.com; - http://corujinhaleitora.blogspot.com.br; - http://estantedanini,.com.br; - http://euvomitopalavras.blogspot.com.br; - http://frappuccinomochabranco.blogspot.com.br; - http://garotait.com.br; - http://henribneto.blogspt; - http://lerounaoler.com.br; - http://nossocdl.blogspot.com; - http://valerumlivro.com.br; - http://www.amountofwords.com; - http://ww.babidewet.com; - http://www.burnbook.com.br; - http://www.carolsabar.com.br; - http://www.cerejacomglitter.com.br; - http://www.wishingaboo.com.

O link abaixo direciona para o resultado de uma pesquisa feita na internet, pela bibliotecária Glaucia Grossi, sobre o que os adolescentes gostam de ler, além das novidades no mercado editorial. Clique aqui

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Relato de Experiência da 2ª Jornada Literária da RME - 2012 “Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil”1 Zenaide Corrêa da Silva2 Mais um dia, e a escola vai adquirindo vida à medida que as pessoas vão chegando. Crianças, adolescentes, adultos. Mestres e aprendizes na nossa jornada. Ora num papel, ora noutro. Nos corredores, os sorrisos, as palavras soltas, os anseios e as esperanças. Meu trabalho na biblioteca exige pouco diante daquilo que tenho a oferecer. Sempre busco ir além daquilo que me é proposto. Quero ser vida numa biblioteca viva. Vi na 2ª Jornada Literária da RME - Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil, uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. Então me lancei de corpo e alma nesse projeto. Foi na Casa África que teve início minha trajetória na 2ª Jornada Literária da RME. Ouvindo o africano Ibrahima Gaye naquela manhã, percebi que meus conhecimentos sobre a África, seu povo e nossa descendência eram muito superficiais. Também me dei conta de que o tema proposto iria modificar o modo de ver meu país, a África e meu próprio ser. Diante dos relatos ali apresentados, me senti instigada a ir além. E a frase “O homem é o remédio do homem.”, citada por ele naquele encontro, passou a fazer parte de minhas reflexões. Biblioteca: o processo No primeiro momento, separei toda a literatura afro-brasileira existente na biblioteca da escola e fiz uma exposição. Também

1 Relato classificado em 1º lugar na categoria Relato de Participação na 2ª Jornada Literária da RME/BH - “Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil”. 2 Auxiliar de biblioteca na Escola Municipal Maria de Mazarello.

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fiz murais de EVA com motivos afros nos quais expus vários livros, cartazes com frases e convites para se conhecer o acervo selecionado. São muitos livros, porém, até então, poucos haviam sido apreciados pelos estudantes, professores e demais funcionários. Percebi que, dando visibilidade maior aos livros, os estudantes e professores se interessaram e passaram a levá-los para casa. Selecionei contos africanos para serem contados aos estudantes. Os professores trouxeram suas turmas para a biblioteca, onde eu, além de falar sobre a cultura negra, também promovi

momentos reflexivos sobre o papel desses jovens na sociedade preconceituosa em que vivemos. Em um desses encontros, houve um momento inusitado que não posso deixar de relatar. Um estudante negro pegou uma revista Galileu que trazia um gorila na capa e começou a gozar um colega também negro, chamando-o de macaco. Percebi como o tema trazia tensão para aqueles jovens. Como estratégia, resolvi questionar a atitude preconceituosa do estudante. Diante do seu silênico, posicionei- me, contando à turma ali presente o relato do africano sobre a chegada ao Brasil. Das suas expectativas de vir para um país que tinha grande descendência africana e de sua decepção ao chegar aqui e ver a maioria negra em

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subempregos e favelas. E de sua decisão de ficar no Brasil e lutar contra a discriminação racial. E fiz a pergunta ao grupo: “De que tamanho é o seu preconceito, ele começa ou termina em vocês?”. Deixei claro que somos nós que escrevemos nossa história, independentemente de como ela se esboça. Acredito que aqueles jovens tenham se sensibilizado, pois, ao término da aula, vários levaram livros da exposição afro-brasileira para casa, inclusive o autor da brincadeira de mau gosto. Outro momento valioso aconteceu quando um estudante trouxe um poema escrito por ele para que eu pudesse ler. Era um poema que, a princípio, não trazia elementos suficientes para ser publicado, mas a sua leitura me fez perceber um desejo tão intenso de dizer algo que me emocionei. Ele dizia que queria que seu poema fosse escolhido porque iria mostrá-lo ao pai. Quis saber o porquê e ele respondeu: “Professora, meu pai é preto, mas ele não gosta de preto. Quando a gente tá andando no passeio e ele vê um preto mais preto que ele, ele manda a gente atravessar a rua. Eu quero que ele leia minha poesia. Se estiver num livro, ele vai ler”. Nesse momento, tive certeza de que o livro que estamos produzindo não é o fim, é um meio. Sentei-me com ele e disse: “Você acabou de fazer poesia. Vamos reescrever seu poema, para que ele possa fazer parte do livro”. A contação e a leitura de contos e poemas afros feitos por mim e pelos estudantes foi de descobertas e encantamento. Os estudantes se envolveram e produziram textos. Os livros de poesia tiveram lugar de destaque, e os estudantes puderam conhecer melhor seus autores e sua visão de mundo. Foi realizada na escola uma mostra afro-brasileira que envolveu todos os profissionais do turno da manhã. Pesquisas, trabalhos manuais e cartazes foram confeccionados na biblioteca para esse evento, que foi um sucesso.

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Quanto aos textos produzidos pelos estudantes, participei de forma ativa com a professora Isis Almeida, orientando-os individualmente. Esse trabalho envolveu trocas de experiência, momentos de reflexão, diálogo franco e aberto sobre o tema. Também participei do projeto gráfico do livro de poesias “Elos” sobre a cultura afro-brasileira - com o professor de Arte Fabrício Fidélis, num trabalho de pesquisa intenso, com o qual aprendemos muito. Ficou claro para mim que um povo que valoriza seus antepassados fortalece seus descendentes. Também sou o processo. Mergulho no eu Abordar um tema de tamanha complexidade exigiu-me discernimento e entrega. Foi preciso fazer um exame de consciência e visitar situações em minha vida em que agi de forma discriminatória. Não é fácil adimitir-se preconceituosa. É preciso perceber além do inconsciente coletivo, pois ele camufla certas atitudes preconceituosas em nome de uma sociedade politicamente correta, porém historicamente racista em suas ações. Ainda me lembro da minha avó negra falando: “Zenaide, veja bem com quem vai se casar. Eu apurei a raça, casei com branco, sua mãe também. Veja lá”. Na época, não entendia bem, mas já era introjetado na minha cabeça o preconceito. E da pior forma por pessoas que tinham papel fundamental na minha educação. Lembro-me ainda de quando tinha 14 anos e entrei para o grupo de jovens de uma igreja e comecei a gostar de um menino negro. Sentia-me culpada e fui me confessar. O padre ficou indiferente e apenas me mandou rezar, fortalecendo ainda mais o sentimento de que negro é diferente. Uma diferença feia. Hoje, olhando para trás, percebo quantas vezes me omiti ou assumi uma postura preconceituosa e racista, reforçando em ações e pensamentos aquilo que aprendi erroneamente. Crescer como pessoa demanda envolvimento em questões que

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nos parecem alheias, mas que fazem parte de todos nós. Acredito, hoje, que o ser humano se fortalece na sua cultura e se torna anônimo quando a nega. Quem sou eu? Eu quero ser luz, afro-descendente cheia de orgulho. Vigilante de minhas fraquezas. Uma mulher íntegra que é orgulho para seu país. Burocracia e pessoas... Criar, recriar, remover sentimentos, bailar nas ideias - tudo é fantástico. Porém devemos estar cientes de que não podemos depender da boa vontade alheia, do compromisso do outro, de informações truncadas que não viabilizam o processo, pois é extremamente desgastante. Em vários momentos, vivenciei esse desgaste. Contudo, existem também aqueles que nos dão as mãos e estão dispostos a arriscar em prol de uma educação plena. Nisso consiste o sucesso. Mas dizer que foi fácil... Ah! Não foi não. Verdade nua e crua A maioria dos profissionais da escola não se envolveu efetivamente na 2ª Jornada Literária - de 2012. O tema acabou sendo trabalhado de forma rápida e superficia. A falta de conhecimento, a dificuldade do tema, a falta de tempo dos profissionais envolvidos em outros projetos também dificultou muito o processo. O que temos nos textos são vivências, desejos, questionamentos que foram despertados por alguns professores. O tema está latente em nós pedindo para ser explorado e apropriado. Espero que este relato desperte quem está adormecido, quem tem sede de vida. E que a temática Sons, Cores, Imagens e Sabores: Africas no Brasil seja tratado com mais empenho e o respeito que merece por todos. O resultado: valeu a pena Poemas lindos, autoestima elevada, sentimento de dever cumprido. O resultado aliado ao processo foi além do que esperava. ”E aprendi que se depende sempre de tantas muitas diferentes gentes... Todas as pessoas sempre são as marcas das lições 40

diárias de outras tantas pessoas...” (Gonzaguinha).


Memória - História Izabel Cristina de Almeida1 Maria do Carmo Ferreira Umbelino2 Com o intuito de não só de construir o conceito de memória atrelado à concepção do “fazer história”, mas também de trabalhar o conceito de memória com um grupo de adolescentes, que traz em sua trajetória vivências de uma memória recente, as funcionárias da biblioteca da Escola Municipal Maria Assunção de Marco - EMMAM propuseram, como preparo e elemento motivador para a execução dos trabalhos propostos pela “Jornada Literária”, uma atividade prévia, prática e lúdica, contemplando momentos de memória poética e memória visual. Com parceria da Coordenação Pedagógica da professora de Língua Portuguesa e

com o apoio de professores e auxiliares de

serviços, foi montado no hall da biblioteca um “Salão de Memória”. No auditório anexo a esse espaço, realizou-se uma conversa com os alunos, futuros produtores de textos. No “Salão de Memória”, foi oportunizado aos estudantes um contato com o conceito de memória familiar. No referido espaço, entre porta-retratos de cenas de famílias e textos literários descritivos da situação familiar, era possível apreciar também mobiliários antigos, rádios, relógios, ferros de brasa, máquinas de moer carne, colcha de retalho, álbuns de família, caixinhas de música e oratórios. Tais peças expostas constituíram um depositário da memória familiar. Os textos de cunho literário descritivos das fotos despertaram o entendimento da conexão TRABALHO, MEMÓRIA, HISTÓRIA. A fim de sensibilizar os educandos para a proposta de trabalho,

1 Auxiliar de biblioteca na Escola Municipal Maria Assunção de Marco - EMMAM. 2 Professora na Escola Municipal Maria Assunção de Marco - EMMAM.

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projetava-se como pano de fundo a seguinte frase: “O que fora significativo a memória guardou, e tudo se fez história”. Também compondo o salão da memória, foi montado um painel com fotos da escola desde a sua fundação até os dias atuais. Acima do painel, lia-se em grandes letras: “TRABALHO, MEMÓRIA, HISTÓRIA”; e, logo abaixo, via-se a inscrição seguinte: “Esta escola tem memória, ela faz HISTÓRIA”. Após apreciar todo o acervo do “MUSEUZINHO”, assim carinhosamente denominado pelos alunos, e já os tendo PROVOCADO bastante, os alunos foram convidados a se dirigir ao auditório, onde, em um tom poético, as auxiliares de biblioteca declamaram. A memória foi exaltada:

“Oh tristeza me desculpe Estou de malas prontas Hoje a poesia...”;

“Meu pai montava a cavalo, e ia para o campo Minha mãe ficava sentada...”;

“Mas as cosas findas, muito mais que lindas, Essas ficarão”;

“Eu daria tudo que tivesse Pra voltar aos tempos de criança... Tantas histórias... tantas questões...”.

Após a apresentação das poesias, os alunos foram instigados a adivinhar um objeto nunca visto por eles: um oratório de tropeiro das Minas Gerias, do séc. XVIII -XIX, que, pela parte 42


externa e ainda fechado, sugeria várias ideias. Toda uma história foi contada em torno daquela peça enigmática. Ainda nesse contexto, foi apresentada uma foto de um “domingo no parque” de BH, em 1957. Foi lido com muita emoção, um texto literário alusivo à foto. E, diante de tantas memórias e de tantas emoções, só nos restou apreciar, posteriormente, os lindos textos produzidos pelos alunos.

Referências ANDRADE, Carlos Drummond de. Antologia poética. 21. ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. Le GOFF, jaques. Enciclopédia Einaudi – memória – história. INCM, v. 1, 1997. QUEIRÓS, Bartolomeu Campos. Indez. Belo Horizonte: Miguilim, 1989.

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Seção Biblioteca


Indicação de literatura Adolescência na escola: soltar a corda e segurar a ponta Margarete Parreira Miranda

A partir de problemas apresentados por professores em grupos de estudo e com base na teoria psicanalítica, a autora lança indicadores fundamentais para a compreensão de alguns elementos que estão em jogo nesse relacionamento. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores Lev Semenovich Vigotski

A formação social da mente é uma seleção cuidadosa dos ensaios mais importantes de Vigotski, editada por um grupo de eminentes estudiosos de sua obra. O mistério das bolas de gude: histórias de humanos quase invisíveis Gilberto Dimenstein

Na obra, o autor vai atrás de personagens de diversas origens, com uma história em comum: o desejo de criar alternativas à desesperança vivida pelos que se encontram em situação de risco. Para aprender matemática Sergio Lorenzato

Pretendendo tornar a aprendizagem da matemática significativa e agradável, esta obra aborda 25 princípios educacionais cuja aplicação favorece um ensino de qualidade. Pedagogia empreendedora Fernando Dolabela

As questões que permeiam a educação empreendedora têm por tarefa, principalmente, fortalecer os valores empreendedores na sociedade, dar sinalização positiva para a capacidade individual e coletiva de gerar valores para toda a comunidade, como a capacidade de inovar, ser autônomo, ser protagonista, bem como de buscar a sustentabilidade.

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O laboratório de ensino de matemática na formação de professores Sergio Lorenzato

A obra mostra que se pode desempenhar um importante papel no ensino e na aprendizagem da matemática. Apresenta também diferentes concepções e utilizações do laboratório de ensino de matemática, extensa bibliografia referente ao tema e muitas sugestões de materiais didáticos. Aprender com jogos e situações-problema Lino de Macedo; Ana Lúcia S. Petty; Norimar Christie Passos

Os autores apresentam seu modo de trabalhar, os princípios teóricos que animam sua prática, sua convicção de que jogos e situações-problema podem ser recursos úteis para uma aprendizagem diferenciada e significativa.

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Revista Formação, Sujeitos & Práticas - Ano 1 - Nº 2