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Ano 1 - nยบ 1


Prefeito de Belo Horizonte Marcio Araujo de Lacerda Secretária Municipal de Educação de Belo horizonte Sueli Maria Baliza Dias Secretário Municipal Adjunto de Educação Afonso Celso Renan Gerência de Coordenação da Politica Pedagógica e de Formação Dagmá Brandão Silva Revista Eletrônica Projeto 3º Ciclo Sujeitos & Práticas e-mail: revista.sujeitosepraticas@pbh.gov.br

Organização e redação: Equipe do 3º ciclo com colaboração da Biblioteca do Professor Revisão: Tadeu Rodrigo Ribeiro Projeto gráfico e diagramação: Gustavo Rocha de Souza Ilustração: Adalgisa Matos


Sumário APRESENTAÇÃO

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ENTREVISTA O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

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LABORATÓRIOS EM AÇÃO

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LA Arte

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LA Aprendizes da Ciência

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LA Educação e Diversidade

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LA Educação Física - Jovem

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LA Língua Inglesa

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LA Língua Portuguesa

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LA Matemática

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LA Territórios e Memórias

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LA Teitec

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RELATO DE PRÁTICA Relato de prática pedagógica sobre a 2ª Jornada Literária da RME/BH – Sons , Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil

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SEÇÃO BIBLIOTECA

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NOSSA AGENDA

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Apresentação

A revista eletrônica Formação Sujeitos & Práticas, com periodicidade de publicação semestral, é uma iniciativa da Gerência de Coordenação da Politica Pedagógica e de Formação - GCPF, tendo como frente o Projeto 3º Ciclo Sujeitos & Práticas e a Biblioteca do Professor. Dirigida aos professores, bibliotecários, auxiliares de biblioteca e coordenadores pedagógicos, a revista surge em função da demanda apontada por professores que participaram das ações do projeto 3° ciclo sobre a necessidade de ampliação dos canais de troca de experiências, das estratégias de valorização e visibilidade das práticas exitosas das escolas da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Ela pretende ser um canal de divulgação das práticas e reflexões do cotidiano dos professores do 3º ciclo, veiculando relatos de experiências, artigos científicos e de opinião, bem como notícias sobre educação, cultura, literatura, projetos em ação, publicações dos professores e agendas de cursos. A revista se divide nas seguintes seções: Relato da Prática, Artigos de divulgação, Notícias e Informes, Educação é Cultura, Cultura da Educação, Eu indico e por quê? Laboratórios em Ação, Agenda, Professores e publicação, que permitem a publicação de materiais em diferentes formatos: filmes, clips, desenhos, tirinhas. Nesse sentido, a Revista eletrônica Formação Sujeitos & Práticas é um suporte que pretende ser veículo de ligação de fontes de informação e formação dos profissionais da educação, propiciando o debate educacional e a disseminação do conhecimento produzido na área. Você, professor, professora ou profissional da biblioteca que atua diretamente com o público do 3° ciclo da RME/BH, é convidado a investir nesta ação conjunta para construirmos a educação de qualidade que almejamos. Todos os demais profissionais da educação da RME/PBH estão convidados a acessar este material para conhecer este território do saber - ensinar e aprender -, dois pontos que se unem na construção desafiante de se saber SER.


Entrevista O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica Com Bernardo Rocha *

Ao redimensionar o Projeto 3º Ciclo Sujeitos & Práticas, alguns conceitos como território, engenharia pedagógica e laboratório de aprendizagem foram introduzidos como referenciais para fundamentar e dinamizar o trabalho no 3º ciclo das escolas da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Nosso entrevistado, Bernardo Rocha Trindade, pedagogo de formação, é coordenador geral do projeto Conexão - por que aprendo o que aprendo? e assessor do Laboratório de Aprendizagem Tecnologia e Inovação no Terceiro Ciclo - Teitec. Conexão é um projeto piloto que nasceu de uma ideia do gabinete da Secretaria de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte em outubro de 2011, inspirado nas experiências do modelo educacional inglês, voltado para o mundo do trabalho na faixa etária entre 15 e 19 anos. Na Inglaterra, o modelo é curricular. Em Belo Horizonte, o projeto Conexão é destinado aos estudantes do 3º ciclo do Ensino Fundamental e EJA. Ele tem como objetivo principal a ressignificação do aprendizado por meio da ciência aplicada e, como local de funcionamento, a Em Poeint Barreiro, inaugurado em junho de 2012 pela Prefeitura de Belo Horizonte e Governo do Estado de Minas Gerais. Bernardo vem desenvolvendo com os professores, no Laboratório de Aprendizagem Teitec, um conjunto de ações com o objetivo de incentivar, a partir da construção coletiva, a participação dos adolescentes em atividades escolares qualificadas com dinâmicas diferenciadas na prática de construção e aplicação do conhecimento.

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

Como você define tecnologia da e na educação? Podemos considerar a Tecnologia da Educação como uma ciência. Ela tem como objetivo a melhoria da aprendizagem (no sentido amplo) pela pesquisa, elaboração, aplicação e organização de recursos humanos e materiais, de técnicas e métodos que incluem geralmente - mas não necessariamente - a utilização de ferramentas. Quando falamos de ferramentas, nos referimos às ferramentas digitais - computadores, lousas e outros. Podemos também incluir os aplicativos e softwares educacionais. Algumas expectativas dos professores levantam a possibilidade de o Laboratório de Aprendizagem Teitec dar um suporte à escola, qual seria esse suporte na perspectiva do trabalho proposto neste laboratório? Proporcionar momentos em que o professor pode experimentar modelos de planejamento para o uso das tecnologias nos processos de aprendizagem, bem como conhecer os recursos que as tecnologias possuem numa perspectiva pedagógica, na qual o professor é o mediador entre estudante, conhecimento e tecnologia. O que é inovação na educação? Inovar na educação, segundo o autor belga Gilbert de Landsherre (Dicionário da educação, 1979), significa: Toda transformação trazida intencionalmente e sistematicamente a um sistema educativo, com o objetivo de revisar os objetivos deste sistema ou melhor alcançar de maneira durável os objetivos atribuídos. A inovação tem como objeto: - a estrutura escolar (número de anos de estudo, etc.); - o programa curricular (compreendidos os objetivos a serem alcançados); - a prática (métodos, recursos, instrumentos de avaliação...). Como assessor do Teitec - Tecnologia e Inovação no Terceiro Ciclo, a que você atribui o grande número de inscrições neste laboratório de aprendizagem? Com a inovação tecnológica constante e uma gama cada vez

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

maior de ferramentas digitais que podem ser utilizadas nos processos de aprendizagem, o professor busca conhecer exemplos de aplicação dessas ferramentas e como organizar aulas em que estas possam contribuir para o alcance dos objetivos de aprendizagem e ser mais interessantes para os alunos, considerando as condições existentes no sistema educacional da Prefeitura de BH. Quando, como e por que se usa a expressão engenharia pedagógica na educação? A engenharia pedagógica compreende a atividade de estudar, conceber, realizar e adaptar dispositivos de ensino e aprendizagem. Nos países de língua inglesa, utiliza-se o termo o Instructional Design ou Design Instrucional. Nos países de língua francesa, utiliza-se o termo Ingénierie Pédagogique ou Engenharia Pedagógica. Como se dá o diálogo da engenharia pedagógica com o laboratório de aprendizagem? A ideia de laboratório na aprendizagem sugere testar um dispositivo de aprendizagem, o que significa avaliar sua eficácia em relação aos objetivos de aprendizagem. A engenharia pedagógica proporciona modelos de planejamento para criar pilotos que serão testados num determinado grupo de alunos. Uma vez comprovada a eficácia desses dispositivos, estes serão replicados para outras turmas. A ideia do laboratório é, primeiro, gerar a ideia, planejá-la (engenharia pedagógica) e aplicá-la em um grupo experimental, avaliá-la e multiplicá-la para o restante do grupo de alunos depois de comprovado o sucesso. No planejamento de ensino, o professor tem a função de mediar e intervir no processo de aprendizagem, incluindo a avaliação de todo o trabalho desenvolvido. Dê um exemplo de uma sequência didática em que fica evidente o estabelecimento da relação entre o desenvolvimento de capacidades e a aprendizagem, tendo em vista o enfoque da engenharia pedagógica. Vou dar um exemplo da área em que estou mais à vontade. Vou desenhar um workshop (piloto) sobre a criatividade, usando um modelo de engenharia pedagógica (Modelo ADDIE genérico):

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

1 Análise As necessidades da formação: - conscientizar os participantes da importância da criatividade na criação de dispositivos de aprendizagem mais eficazes e motivadores para os alunos. Competências e habilidades a serem alcançados: - entender o conceito de criatividade e processo criativo; - gerar ideias, utilizando uma técnica de geração de ideias; - planejar a implementação da ideia escolhida. As modalidades de avaliação: - questionário de avaliação do processo ao final do workshop. Os meios, recursos: - sala de aula com mesas redondas, computadores com Word. Pontos desfavoráveis: - resistência a soltar-se de preconceitos. 2 Design Nome do worshop: Criatividade e Processo Criativo Público alvo: professores do 3º ciclo - Ensino Fundamental da Rede Municipal de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte. Número de participantes para o teste do workshop: 20. Duração: 8 horas. Conteúdos e sequenciamento do conteúdo: o que é criatividade, processo criativo, técnica de geração de ideias. Objetivo: No final do processo, os participantes serão capazes de: - entender o conceito de criatividade e processo criativo; - gerar ideias, utilizando uma técnica de geração de ideias; - planejar a implementação da ideia escolhida.

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

Estratégias: - 1a parte (manhã) - aula expositiva; - 2a parte (tarde) - prática. Ferramentas: computador, data show, apresentação Powerpoint. Recursos materiais e tecnológicos para a prática: papéis e canetas, computadores, Word. 3 Desenvolvimento Essa fase compreende a construção das ferramentas e suportes de formação: desenvolvimento das técnicas e ferramentas habituais do formador, facilitador. Nessa fase, desenha-se a estrutura de funcionamento do projeto (mapa conceitual). Desenvolve-se o sequenciamento das etapas do wokshop: quadro com os seguintes itens: - etapa, tempo, descrição da atividade, como trabalhar, recursos utilizados, como avaliar. 4 Implementação A fase da implementação é a hora de colocar a mão na massa! O programa será implementado a partir do desenvolvimento do material que foi planejado na fase do desenho a partir da análise e desenvolvimento. 5 Avaliação Por último, avalia-se a eficiência do programa. Essa avaliação pode ser feita a partir de um teste com um grupo pequeno, com pessoas de perfis variados ou ainda com um grupo específico de alguma organização. Uma forma de avaliar é propor uma avaliação ao final do worshop com os seguintes itens: - 1. atuação do facilitador (expressão, clareza, domínio dos conteúdos); - 2. apresentação dos conceitos; - 3. atividade proposta. E, para completar, perguntar ao participante sobre o que ele

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Entrevista: O uso da tecnologia na e da educação em diálogo com a engenharia pedagógica

aprendeu sobre criatividade e processo criativo após o seminário. Como assessor do Teitec, quais são as suas expectativas em relação à iniciativa da SMED de possibilitar uma formação que dá ênfase ao fazer da sala de aula e à reflexão sobre esse fazer? São as melhores possíveis, pois a SMED oferece aos professores momentos de planejamento, reflexão e experimentação sobre o uso pedagógico das ferramentas digitais que estão disponibilizadas pela mesma Secretaria de Educação.

* Assessor Bernardo Rocha Trindade Pedagogo pela Université de Fribourg na Suíça, Master in Innovation and Training (Diploma reconhecido pela UFMG como Mestre em Educação, Conhecimento e Inclusão Social) e atualmente doutorando em Ciências da Educação, Tecnologias Educacionais pela mesma Universidade. Trabalhou na ETFG/Sebrae. Dirige a BRT Consultoria Ltda., Consultoria Educacional e Empresarial.

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Laboratórios

em ação


Laboratório de Aprendizagem

Arte

O plano de curso traz a intenção de possibilitar ao professor de Arte uma organização e um planejamento que conduzam a uma mostra de arte no final do ano envolvendo todas as linguagens artísticas (o desenho, a pintura, a escultura, a instalação, o objeto, o teatro, a dança, a música etc.). Essas linguagens artísticas serão trabalhadas, possibilitando uma articulação entre o pensar e o fazer além de uma visão crítica do processo e análise dos resultados, na abordagem do tema proposto. O assessor Rodrigo Faleiro instigou, em seu primeiro encontro, os professores com as perguntas: Para que Arte na Escola? Arte se ensina? Como é a Arte hoje? Como apreciar a Arte? Arte transforma pessoas? Ele apresentou o plano de curso, enfatizando alguns aspectos. O exercício da apreciação artística deverá ser incentivado para que o estudante possa desenvolver seu senso crítico e estético sobre a arte. Pensar e sentir é uma tendência moderna da arte, buscar os princípios estéticos que passam pela filosofia, pela sociologia, pela história, pela linguagem e, ao mesmo tempo, pela emoção é um grande desafio humano de interpretar a subjetividade que a arte apresenta. O sentido da arte na escola ganha um caráter menos de habilidade motora que uma habilidade cognitiva num pensamento coeso e articulado com a arte do seu tempo: a arte produzida e exposta e a arte elaborada a partir de suas 13


emoções mais profundas, dialogadas e compartilhadas com outras expressões de alunos na mesma faixa etária, de um mesmo município, mas com um caráter próprio, pessoal, valorizam a diversidade da expressão de cada grupo. Assim, nos dois encontros do Laboratório de Aprendizagem de Arte, os professores experimentaram e vivenciaram, de forma dinâmica, exercícios de expressão artística a partir de objetos variados. No segundo encontro de formação, esteve presente como convidada especial a artista, atriz e arte-educadora Cristina Tolentino, que muito contribuiu, partilhando de maneira didática seu enorme conhecimento e vivência no campo da arteeducação. Suas experiências e práticas são maravilhosas, como bem pontuou uma cursista. A professora Cristina Tolentino iniciou as atividades, contextualizando as matrizes teóricas da última metade do século 19 e início do século 20. Fez alguns recortes nos movimentos de vanguarda na arte, dando ênfase ao Dadaísmo. De maneira didática, Cristina Tolentino foi pontuando dogmas que caíram: as inquietações surgidas através da teoria da relatividade de Einstein, que traz a ideia do tempo

L.A. de Arte - Cristina Tolentino e curistas - 15/05/2013 desenho de Adalgisa Matos

dentro do espaço; o subconsciente e o mundo dos sonhos em Freud; a potência criadora em Nietzsche, com o “vir a ser”; o diálogo entre as vanguardas; o Dadaísmo, que tira o objeto de sua função original; Isadora Duncan, que inaugura uma nova

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forma de dançar, saindo dos palcos, tirando a sapatilha, dançando na grama e incorporando os movimentos da natureza. Com essa iconografia, Cristina apresentou ao grupo imagens de trabalhos representando expressões de performance, de happening, intervenção e ocupação performática. Instigou a todos quando propôs a realização de um exercício de construção de um projeto que dialogasse com essas expressões e, se possível, com o que foi criado no encontro anterior com Rodrigo Faleiro. Durante todo o encontro, o grupo teve a possibilidade de refletir, quando a professora Cristina provocou: “Vivemos um mundo de superimagens, de imagens achatadas, a realidade nos sufoca e nos aprisiona de forma muito sutil. O que realmente nos toca, nos instiga? A arte é fundamental no processo de cognição do estudante. Qual é a nossa missão como artistas, arteeducadores? Tornar o invisível visível, dar visibilidade ao invisível. Isso se consegue quando nos tornamos seres desejantes, pois, assim, todo obstáculo pode virar possibilidade para o exercício criativo. A arte na escola não tem o objetivo de especializar o estudante, mas sim de educar seu olhar e sua sensibilidade. O professor de arte tem que ser uma pessoa inquieta, que tem um olhar inaugural. O nosso olhar vai ficando velho demais. Só faço alguém ficar apaixonado se o meu desejo se coloca em frente ao mundo. Nós não podemos minar nosso ser desejante” (transcrição livre da fala da professora Cristina Tolentino). Em junho, o convidado especial do Laboratório de Artes foi o professor, músico e arte-educador Leonardo Mamede, que apresentou uma possibilidade de ensino da música, utilizando o riso como ferramenta pedagógica. Com muita ludicidade, de forma didática, sempre no movimento do mais simples ao complexo, os professores foram interagindo na oficina e terminaram, em apenas três horas de formação, executando alguns ritmos em uma banda de percussão.

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Formador Leonardo Mamede em um atividade prĂĄtica de ensino de mĂşsica com os professores do L.A. Arte - junho de 2013

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Laboratório de Aprendizagem

Aprendizes da Ciência O Laboratório de Aprendizagem Aprendizes da Ciência é uma ação prevista no Projeto 3° Ciclo - Sujeitos & Práticas cujo evento de culminância é a Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia, em que participam professores e estudantes do 7°, 8° e 9° anos do Ensino Fundamental. O objetivo da ação é enriquecer, ampliar, valorizar e dar visibilidade ao processo de ensino aprendizagem escolar, qualificando o desenvolvimento de capacidades a partir dos conteúdos atitudinais, procedimentais e conceituais, resultando no melhor desempenho cognitivo dos estudantes durante sua formação sociocultural, humana e escolar. Para tanto, realizam-se os encontros de formação do professor uma vez a cada mês. Nos encontros de formação, reflete-se sobre a prática, constroem-se metodologias e recursos didáticopedagógicos para a efetivação do trabalho com os estudantes na escola. O trabalho com os estudantes gera também projetos de pesquisa e produtos a serem expostos na feira escolar ou municipal. A culminância desse processo é a publicização do trabalho docente e discente com a comunicação para a cidade sobre os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes sob orientação de seus professores em que se efetivou a participação de todos esses sujeitos e suas práticas.

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A forma como a escola percebe e concebe as necessidades e a potencialidade de seus educandos reflete-se diretamente no redimensionamento de nossas práticas educativas e nos orienta a considerar a sala de aula como espaço de investigação, de vivências culturais e de construção de identidade, em que o currículo configura-se como resultado de uma seleção de conhecimentos e saberes que norteiam a prática pedagógica (PBH, 2010)1. O Laboratório de Aprendizagem Aprendizes da Ciência apresenta-se como tempo/espaço de formação docente e discente, no momento em que busca a integração entre currículo e cotidiano do estudante; entre o que o estudante sabe e se interessa em saber com sua curiosidade epistemológica; e o que o professor intenciona trabalhar pedagogicamente em relação ao conhecimento científico. Somente é possível seguir esse caminho quando se reflete sobre a prática, problematizando metodologias de ensino, as formas de uso dos laboratórios de ciências na escola e os experimentos entre a teoria e a prática, uma vez que o nosso assunto é Ciência, Cultura, Tecnologia e Inovação. A ciência se aprende com o observar, questionar, problematizar, experimentar, investigar, analisar, procedendo à construção do conhecimento com base nesses processos. Seguindo uma lógica de incentivo ao diálogo, à interlocução com a comunidade, a cidade, o país e o mundo numa visão holística e sistêmica de pertencimento a uma ordem natural e universal, utiliza-se a argumentação e a problematização sobre a ciência e a construção da ciência nas escolas. Por meio da difusão de estratégias de ensino, metodologias, recursos tecnológicos com uso pedagógico, assim como da inovação científica e pedagógica e a experimentação, o Aprendizes da Ciência pretende promover o incentivo à formação de sujeitos preocupados não só com as questões de seu tempo, mas também, utilizando-se das ferramentas da ciência, com soluções para um mundo mais 1 Texto retirado do caderno de Ciências das Proposições Curriculares para o Ensino Fundamental da PBH.

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humano e libertário. Também se propõe a apontar caminhos que despertam interesse para as carreiras que atendam à demanda por novos cientistas. O Aprendizes da Ciência se apresenta a partir das tendências mundiais de mudança de paradigmas e reconstrução de valores. Nesse sentido, reunimos neste laboratório de aprendizagem, algumas das temáticas principais que serão abordadas, no meio científico, neste ano de 2013. São elas: • Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia & Inovação por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais); • Movimento Mensageiros da Água (Fundação FranceLibertés/PROEX-PUC Minas); • Astronomia, a Bola da Vez! (Encontro Regional de Ensino de Astronomia BH 2013); • espaços do conhecimento e centros de ciência como recursos repletos de ferramentas de trabalho para o professor (Museu de Ciências Naturais da PUC Minas dentre outros espaços). Os temas e projetos advindos das discussões podem ser desenvolvidos, independentemente, por cada uma das escolas da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. No intuito de conjugar esforços e recursos, tempos e espaços e considerando serem os temas acima citados totalmente relacionados às ciências e à inovação tecnológica, estabelecemos parcerias com as instituições e programas já em vigência que vêm ao encontro de nossos objetivos e interesses. Assim, otimiza-se e promove-se uma maior qualificação dos encontros de formação continuada e em serviço dos professores de Ciências da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte, bem como capacitam-se os docentes para desenvolver um trabalho de orientação com os estudantes na construção de seus projetos de pesquisa.

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Está prevista a construção e utilização de variados instrumentos de avaliação por meio de estratégias individuais e coletivas, desenvolvidas nos cursos de formação. A primeira edição da FCC&T - 2011 Em 2011, ocorreu a 1ª Feira de Ciências, Cultura &Tecnologia de Belo Horizonte em duas fases: a primeira nas feiras escolares; e a segunda, municipal, com a exposição dos três melhores trabalhos de escolas selecionadas. Para a fase municipal, foram inscritos 137 trabalhos para 70 vagas de estandes de exposição. Os 70 trabalhos selecionados vieram de 24 escolas municipais diferentes, que expuseram os projetos classificados em 1°, 2° e 3° lugares na fase escolar. Para a indicação dos trabalhos à fase municipal, os estudantes precisaram ainda passar por alguns critérios de avaliação, como apresentação do projeto de pesquisa e registro dos passos do desenvolvimento do trabalho em um “diário de bordo”. Desses registros, a equipe da SMED elaborou o “Caderno de Resumos”, que orientou a visitação do público no evento e ampliou previamente o conhecimento acerca do que seria visto na exposição dos trabalhos. A feira municipal, organizada em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura, ocorreu no Centro Cultural do Bairro Padre Eustáquio, Regional Noroeste da cidade. O evento envolveu cerca de 120 estudantes e 60 professores na exposição e explanação de trabalhos para aproximadamente 1.500 estudantes, que visitaram a 1ª FCC&T e assistiram às apresentações culturais. O evento foi abrilhantado ainda com a presença da Secretária Municipal de Educação e do astronauta brasileiro Marcos César Pontes. A segunda edição da FCC&T - 2012 A fase municipal da 2ª edição da Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia teve por objetivo mostrar para a cidade os trabalhos produzidos na fase escolar e promover as trocas de

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conhecimento científico e as experiências pedagógicas por meio de uma exposição interativa, apresentações artístico-culturais e “bate-papo científico” com o diretor do espaço TIM do Conhecimento - ETUC, Bernardo Jeferson de Oliveira. Para a orientação prévia dos visitantes, também foi construído o “Cadernos de Resumos” com os projetos selecionados de 2012 e um folder com todos os títulos numerados por estande. A divulgação do evento foi feita no site da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e em vários outros canais e mídias. A 2ª Feira de Ciências, Cultura & Tecnologia expôs 80 projetos de pesquisa dos estudantes e seus produtos, no dia 24 de outubro de 2012, no Centro de Convenções da PBH, situado à Avenida Cristiano Machado, 3.450, na Regional Nordeste da cidade. Aproximadamente, 4.000 estudantes visitaram a exposição dos trabalhos de colegas da mesma idade e ciclo. O evento contou ainda com a presença de várias autoridades, incluindo o Secretário de Educação e do Prefeito de Belo Horizonte. Os trabalhos expostos na fase municipal das duas edições (2011 e 2012) da FCC&T evidenciaram a diversidade de interesses e investimentos na construção do conhecimento de cada grupo de estudantes das escolas da Rede Municipal de Educação.

Secretaria do Estado e Secretaria Municipal de Educação representadas na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

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Laboratório de Aprendizagem

Educação e Diversidade O Laboratório de Aprendizagem Educação e Diversidade propõe a formação de professores do 3º ciclo para o desenvolvimento, com seus alunos, dos percursos museológicos “Percurso Território Negro” e “Percurso História de Mulheres”, tendo como foco a apresentação dos percursos e de suas especificidades, a experimentação de parte dos percursos, bem como a elaboração de um projeto para sua realização nas escolas. Dentre as transformações mais significativas empreendidas pelas reformas educacionais das últimas décadas, destacam-se a importância atribuída à cultura para a formação humana e a necessidade de articulação do currículo escolar com o movimento cultural da cidade e de outros territórios. Com o objetivo de estreitar e fortalecer essa relação entre cultura e escola, a Gerência de Coordenação da Política Pedagógica e de Formação - GCPF da Smed, por meio do Núcleo de Relações Étnico-Raciais e do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual, desenvolve, com alguns espaços museais de Belo Horizonte, dois percursos museológicos relacionados às temáticas étnico-racial e gênero, quais sejam: o “Percurso Território Negro” e o “Percurso História de Mulheres”. Os dois percursos apresentam articulações entre si tanto no que se refere à apropriação do espaço museológico como território educativo, quanto no que diz respeito ao campo da diversidade e dos direitos humanos. São temas, porém, que comportam especificidades, demarcam uma

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história e um pertencimento específico no campo da cultura humana. O “Percurso Território Negro” tem como finalidade favorecer a aproximação e o diálogo das escolas com espaços museológicos da cidade, de modo a possibilitar a apropriação de conhecimentos acerca das culturas africana e afro-brasileira, de suas histórias, produções intelectuais, científicas, tecnológicas e estéticas e formas de organização social. São também objetivos do “Percurso Território Negro”: • desconstruir a visão monocultural e eurocêntrica de cultura ainda presentes no currículo escolar, que obstaculiza a efetivação de uma educação para o século XXI, que preconiza a valorização da diversidade e o respeito às diferenças; • subsidiar pedagogicamente o trabalho das escolas com o tema das relações étnico-raciais, História da África e Culturas Africana e Afro-Brasileira; • propiciar a articulação entre educação e cultura por meio de visitas orientadas aos espaços museológicos da cidade; • promover espaços de diálogo entre profissionais dos museus e profissionais das escolas sobre o valor, a função social e o papel dos museus como espaço educativo; • criar uma rede colaborativa, de partilha de experiência e aprendizagem mútua, na qual se estabeleçam relações de confiança e se repensem construtiva e criativamente as estratégias e os projetos apresentados sobre História da África e Cultura Africana e Afro-Brasileira em desenvolvimento. • alargar o debate acerca dessas temáticas diacronicamente presentes no cotidiano da sociedade brasileira; • possibilitar mais um recurso para a fruição de vivências culturais entre os docentes e discentes da RME. O “Percurso História de Mulheres” tem como objetivo uma aproximação entre a temática de gênero, a educação e o acervo

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de espaços museológicos da cidade, com a finalidade de aguçar o olhar de professores e estudantes para a história das mulheres no Brasil e subsidiar o trabalho sobre relações de gênero nas escolas. Pretende-se, por meio dessa ação, promover a valorização do papel da mulher na economia, na política, nas ciências e tecnologias, nas artes, na literatura e nas relações de trabalho da sociedade brasileira. São também objetivos do “Percurso História de Mulheres”: • promover uma articulação entre educação e cultura por intermédio de visitas orientadas aos espaços museológicos da cidade; • fornecer suporte pedagógico para o trabalho com a temática relações de gênero no espaço escolar, a fim de propiciar a problematização de práticas sexistas e misóginas, construindo uma educação para relações de gênero igualitárias; • ampliar a discussão das relações de gênero na história do Brasil, fazendo um contraponto com a contemporaneidade; • ampliar as possibilidades de vivências culturais entre os docentes e discentes da RME. Os percursos museológicos configuram-se como estratégias de suporte para a política pública da Smed de promoção da igualdade nas relações étnico-raciais e nas relações de gênero. Nessa perspectiva, o Laboratório de Aprendizagem Educação e Diversidade configura-se como uma proposta de formação para os professores da RME, que tem como foco a

L.A. Educação e Diversidade com professores do 3º Ciclo - Memorial Minas Vale - 20/06/2013

elaboração de um projeto de trabalho para o desenvolvimento de um dos percursos indicados em suas escolas. O laboratório desenvolverá estratégias para a construção fundamentada desse 24


projeto, articulando debate teórico, atividades práticas e vivências. Pretende-se, por meio deles, subsidiar os professores da Rede Municipal de Belo Horizonte com um instrumental teórico-metodológico para o desenvolvimento de projetos relacionados às temáticas em foco, além de possibilitar a ampliação da percepção dos espaços museais e de seus acervos, promovendo a interface entre educação e cultura.

L.A. Educação e Diversidade - Professores do 3º Ciclo no Museu Minas Vale

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Laboratório de Aprendizagem

Educação Física O Laboratório de Aprendizagem em Educação Física - Jovem 2013 apresenta-se como tempo/espaço de formação docente que busca construir um diálogo com a prática pedagógica dos professores(as), refletir sobre o processo ensino-aprendizagem da Educação Física e proporcionar momentos para planejar os intercâmbios de inovações pedagógicas, sistematizando e avaliando a ação dentro dos objetivos do Projeto 3° ciclo Sujeitos & Práticas. Na 3ª edição desta ação, busca-se construir momentos de vivência, reflexão e troca de experiências que envolvam a construção curricular, tendo como referência o desenvolvimento das capacidades previstas nas Proposições Curriculares de Educação Física da RME/BH, considerando as características dos estudantes, sua idade, seus conhecimentos, suas possibilidades de compreensão e elaboração, o meio social, histórico e cultural onde vivem, assim como as características de sua família e escola. A ação conta ainda com um evento de culminância que abarcará a apresentação para o 3° ciclo da RME/PBH de vivências coletivas das várias práticas de inovação pedagógica intercambiadas na fase escolar. O Laboratório de Aprendizagem de Educação Física vem acrescentar uma nova dinâmica à construção do Jovem 2013 Jogos e Vivências Esportivas das Escolas Municipais, com o objetivo de ampliar as possibilidades de construção do currículo da Educação Física. Nos encontros de formação, são discutidas e planejadas as práticas de inovação pedagógica e as possibilidades dos intercâmbios. Os intercâmbios se constituem em momentos de encontros entre coletivos de escolas diferentes para as trocas de experiências com as práticas corporais a partir dos eixos previstos nas Proposições Curriculares Municipais e outras como esportes, jogos e brincadeiras, danças, lutas e ginástica. 26


As atividades do Jovem 2013 estão previstas para acontecer nos dias 16, 17, 18, 19 e 20 de setembro de 2013, no horário de 8h a 17h. Elas compreenderão estações de várias modalidades de esporte, jogos e brincadeiras, oficinas e apresentação de danças, oficinas de ginástica, oficinas de luta, além de estações que comportarão outras atividades culturais e recreativas. Dentre estas, podemos elencar a estação do circo; a estação do skate; a estação da trilha ecológica; a estação da ginástica; a estação das lutas; a estação da dança; a estação dos esportes; a estação do atletismo; a estação dos brinquedos radicais (muro escalada, body jump trampolim, orbitais, roller ball, laser challenger). Redimensionar o formato do Jovem significa fundamentar-se nas concepções e proposições dos laboratórios de aprendizagem do Projeto 3° ciclo - Sujeitos & Práticas como locus de construção de conhecimento e de aprendizagem. Significa também potencializar o processo de construção curricular da Educação Física no interior das escolas com o movimento de socialização, divulgação e registro de experiências pedagógicas de diferentes práticas corporais no contexto das aulas de Educação Física. Para isso, promovemos o planejamento, organização e realização dos intercâmbios de inovações pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem nas aulas de Educação Física. Isso gera a ampliação das experiências e vivências culturais dos estudantes relacionadas às diferentes práticas corporais. Neste ano de 2013, 67 escolas aderiram ao Laboratório de Aprendizagem de Educação Física. Em tese, teremos 67 escolas participando do evento de culminância - Jovem 2013, no Parque Municipal das Mangabeiras. Para a organização da participação das escolas e seus respectivos professores e estudantes nos cinco dias de atividades no parque, será feito um cronograma para a participação das escolas. Contabilizamos de 12 a 13 escolas por dia de atividades no parque. A previsão é que, a cada dia, três ônibus levarão cento e vinte estudantes de cada escola participante, totalizando uma média de mil e quinhentos

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estudantes e, mais pelo menos, quarenta adultos dentre professores e monitores que os acompanharão, totalizando mil e seiscentas pessoas por dia. Além desse quantitativo de público participante, teremos pelo menos cento e cinquenta pessoas envolvidas no monitoramento e na condução da realização de todas as atividades em suas devidas estações. As dez estações de atividades previstas são: 1. estação do circo; 2. estação do skate; 3. estação da trilha ecológica; 4. estação da ginástica; 5. estação das lutas; 6. estação do atletismo; 7. estação dos brinquedos radicais; 8. estação dos esportes; 9. estação dos brinquedos radicais; 10. estação dos jogos e brincadeiras. O Laboratório de Aprendizagem de Educação Física/Jovem 2013 buscará contribuir com o desenvolvimento de práticas pedagógicas da Educação Física que tomem como referência: • os estudantes (adolescentes e jovens) como protagonistas de seus processos de aprendizagem; • a socialização e divulgação de experiências de ensino de diferentes práticas corporais no contexto das aulas de Educação Física; • a construção curricular de Educação Física, numa perspectiva interdisciplinar. Durante as formações ao longo do ano, serão abordadas diversas temáticas que poderão colaborar com o processo de desenvolvimento de práticas pedagógicas que busquem legitimar

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a presença da Educação Física nas escolas como uma área de conhecimento, além de subsidiar os docentes no movimento de uma construção curricular que dialogue com as Proposições Curriculares de Educação Física do 3º Ciclo.

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Laboratório de Aprendizagem

Língua Inglesa Plano de trabalho Laboratório de Língua Inglesa O Laboratório de Aprendizagem da Língua Inglesa pretende possibilitar ao professor estratégias de interação com os gêneros textuais (escritos e orais) com vistas à ampliação e desenvolvimento das capacidades linguísticas relativas ao uso e emprego da língua inglesa. As ações pedagógicas

Laboratório de Aprendizagem Língua Inglesa SMED - junho 2013

abordadas na formação apoiam-se nas Proposições Curriculares para a Língua Inglesa da RME-BH, que preconizam o uso de gêneros textuais (impressos e digitais) como objeto de estudo tanto na modalidade escrita quanto na oral. A visão da aprendizagem adotada é da linguagem como prática social que compreende a linguagem concebida como atividade social e histórica. Para isso, busca-se, nos Laboratórios de aprendizagem, compreender o espaço escolar como uma extensão do grande espaço das relações sociais em que se movem e se constituem os sujeitos. Independentemente de perspectivas teóricas, falar de gêneros é ter como foco a interação pela linguagem, é tratar das formas de interação verbal que se constroem nas práticas sociais, procurando entender melhor o que o homem faz com a aprendizagem. Atitudes proativas relacionadas a mudanças pessoais, locais e globais são também enfocadas, no sentido de agir para transformar. Os projetos desenvolvidos, ao longo do ano letivo, incluindo o da Jornada Literária, com o tema Histórias de 30


Famílias, têm em vista como produto final a criação de um livro e/ou de um blog, eletrônico ou no papel, que evidenciarão as experiências de aprendizagem vivenciadas pelos estudantes. Esse livro e/ou blog registrarão as produções escritas (perfis pessoais, biografias, textos e poemas curtos etc.) e oral (entrevistas, notícias curtas, previsões do tempo, entre outras) construídas pelos estudantes. Essas estratégias de aprendizagem promoverão a construção de espaços na escola que evidenciam a língua inglesa, promovendo o contato do estudante com a segunda língua.

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Laboratório de Aprendizagem

Língua Portuguesa Partindo do princípio de que o processo de reflexão é instaurador da capacidade de construção da consciência crítica, o objetivo principal da formação é criar possibilidades para que o professor seja capaz de refletir sobre sua prática, de modo a identificar os objetos de ensino mais necessários e urgentes à realidade dos estudantes. No Laboratório de Aprendizagem de Língua Portuguesa, serão vivenciadas práticas de ensino que possibilitem aos docentes identificar quais as estratégias necessárias ao desenvolvimento de capacidades de leitura, escrita e linguagem oral. Propõe-se, ainda, articular as “Proposições Curriculares” da Rede Municipal de Educação ao trabalho com gêneros textuais, cujo desafio é possibilitar aos estudantes condições efetivas de utilização da língua nas práticas sociais. Procura-se, assim, contribuir para que os estudantes sejam capazes de empregar a língua materna para efetivar a comunicação, ou seja, que eles compreendam o que ouvem e leem e se expressem oralmente e por escrito em diversos registros de linguagem adequados a diferentes situações de uso da língua.

L.A. Língua Portuguesa. Grupo da SMED estuda as dimensões ensináveis dos gêneros textuais

A formação de professores de Língua Portuguesa do 3º ciclo busca a democratização dos usos da Língua Portuguesa, na tentativa de reduzir o fracasso escolar. Nessa perspectiva, cabe à escola promover situações de aprendizagem, de modo mais sistemático e menos intuitivo, expandindo a competência discursiva dos estudantes. 32


Nas vivências voltadas para o trabalho com textos, nos Laboratórios de Aprendizagem, ressaltaremos o planejamento do trabalho docente, levando em conta: as capacidades básicas de cada um dos seis eixos do ensino de Língua Portuguesa no 3º ciclo; a organização das capacidades, relacionando-as de forma que uma possa ser suporte para outra; e seleção de estratégias metodológicas como a “sequência didática”. Nos Laboratórios de Aprendizagem de Língua Portuguesa, discutiremos, ainda, formas de realização de projetos literários que possibilitem o letramento dos alunos, de modo a tornar a aprendizagem mais significativa. Outro aspecto que se destaca na formação são as reflexões sobre os critérios e estratégias de avaliação tanto da avaliação diagnóstica quanto da formativa. A formação para cada turma de professores do 3º ciclo terá a carga horária de 28h/a presenciais, divididas em 4h/a de encontro por mês, de abril a novembro de 2013. Cada encontro será composto de uma parte de fundamentação teórica que dará suporte às práticas que serão realizadas. Será solicitada a leitura prévia de textos/artigos e haverá apresentação de itens para uma discussão dialogada, com análise de pontos importantes para embasar a discussão teórica.

Texto oral sobre atividade Museu de Mim no L.A. Língua Portuguesa

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Laboratório de Aprendizagem

Matemática em Ação A elaboração desta ação considera a necessidade de propor um trabalho diferenciado no que se refere ao processo de ensino e aprendizagem de Matemática. Mantendo a coerência com as orientações das Proposições Curriculares da RME/BH, metodologias inovadoras e diversificadas, baseadas na resolução de situações-problemas, são os pilares das ações que ocorrerão nas aulas de Matemática. Aprender Matemática, dentre outras finalidades, é principalmente desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de resolver problemas. O Laboratório de Aprendizagem é um espaço propício para estimular: - atitudes positivas em relação à Matemática (gosto pela Matemática, perseverança na busca de soluções, confiança em sua capacidade de aprender e fazer Matemática); - a construção e compreensão de conceitos, procedimentos e habilidades matemáticas; - a busca de relações, propriedades e regularidades; - o espírito investigativo e a autonomia. O nome Matemática em Ação foi escolhido para o Laboratório de Aprendizagem em Matemática em função de considerarmos que o adolescente deve ser protagonista, isto é, deve ter uma postura ativa na construção do conhecimento. Esse espaço de investigação e inovação tem como proposta atender os estudantes em suas especificidades. Para isso, poderá ser desenvolvido em modalidades de acordo com o 'centro de interesse' de cada um desses sujeitos. Assim, apontamos três Laboratórios de Aprendizagem em Matemática, que se configuram em ações inovadoras no dia a dia, de acordo com as demandas apresentadas pelos estudantes 34


e os perfis dos professores, e a Gincamat, um evento que propiciará o encontro das escolas com atividades de desafio em Matemática. Apontamento das ações inovadoras - Laboratório de Aprendizagem - Intervenção Pedagógica em Matemática Indicado aos estudantes que apresentam descompassos no campo do conhecimento em Matemática e que os impossibilitam de acompanhar seus pares em suas turmas regulares. Nesse contexto, cabe ressaltar que é preciso acreditar nas potencialidades de adolescentes que não se enquadram em suas turmas regulares e que, quase sempre, apresentam uma trajetória que os coloca em uma posição negativa em relação à escola. As pessoas são diferentes, portanto aprendem de modos diferentes e em ritmos diversos. Por isso, metodologias e recursos didáticos para o ensino nas turmas regulares nem sempre alcançam a todos. - Laboratório de Aprendizagem - Matemática: Aprender Fazendo Indicado a todos os estudantes do 3º ciclo, este laboratório é a própria sala de aula regular e tem como principal objetivo promover aulas mais dinâmicas em que os conhecimentos sejam mais significativos e favoreçam uma postura ativa dos estudantes. Essa proposta é contemplada pelas Proposições Curriculares da RME/BH quando afirmam que O que se observa é que, diante de um público de educandos

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muito diverso e heterogêneo, novas ações e procedimentos têm sido necessários para garantir a qualidade do ensino. Busca-se desenvolver propostas e práticas pedagógicas diferenciadas, objetivando que todos possam aprender Matemática. Nesse sentido, pode-se afirmar que o ensino de Matemática tem passado por modificações, demandando dos docentes novas discussões, (re)planejamentos e (re)estudos. Esse processo de mudanças traz à tona a necessidade de os professores refletirem sobre a Matemática Escolar, lançando novos olhares sobre ela, diferentes daquele que aprenderam em sua formação inicial (2009, p. 23).1 O papel do professor, nessa perspectiva, é estimular o estudante de forma ativa, criativa e autônoma e atuar como mediador entre o sujeito e o objeto do conhecimento. - Laboratório de Aprendizagem - Estratégias e Soluções Indicado aos estudantes que apresentam potencialidades para estudos voltados para as Olimpíadas de Matemática e/ou de processos seletivos para escolas de ensino médio. Neste laboratório, os estudantes que possuem domínio das capacidades básicas em Matemática, que se sintam desafiados pelas propostas advindas da disciplina e que se interessem pela área de exatas terão a oportunidade de ampliar seus conhecimentos. Esse público poderá ser atendido tanto por professores(as) que tenham o perfil para esse tipo de trabalho quanto por estudantes de Licenciatura em Matemática. - Apontamento da GINCAMAT - 2013 Esta ação é indicada aos estudantes que estejam em qualquer nível de apropriação de conhecimentos matemáticos e tem a intenção precípua de estimular e 1 BELO HORIZONTE, Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação. Proposições Curriculares do Ensino Fundamental - Matemática. Belo Horizonte: SMED, 2010.

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promover o estudo da Matemática entre eles para que todos atinjam os níveis necessários de abstração. A ideia inicial da proposta é que, no decorrer da gincana, os estudantes tenham acesso a conceitos matemáticos mediante abordagens/recursos variados como, por exemplo: E POR FALAR EM LABORATÓRIO DE APRENDIZAGEM... A proposta para 2013 é de abordar, no Laboratório de Aprendizagem Matemática em Ação, diversas temáticas que poderão contribuir para as práticas docentes tanto no trabalho de Intervenção Pedagógica quanto nas salas regulares, além de outros agrupamentos que as escolas queiram organizar. Nesse sentido, as formações irão perpassar os quatro eixos dos conhecimentos matemáticos (números e operações, espaço e forma, grandezas e medidas, tratamento da informação). A formação iniciou-se em abril e, pelos depoimentos dos professores, tem sido muito positiva a aceitação da proposta e o envolvimento da assessora com o grupo de professores. Conforme pontuaram na avaliação ao final da formação, a escolha da assessora que possui clareza na transmissão das informações e a sua empolgação nos fazem acreditar que é possível melhorar a Educação Matemática. Currículo resumido da assessora Luciana Tenuta possui licenciatura/bacharelado em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e mestrado em Ensino de Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUCMG. É professora do Curso de Matemática do Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Prestou assessoria em 2011 e 2012 nas formações regionalizadas e em 2012, também assessorou o Projeto de Intervenção Pedagógica em Matemática - PIP de 1º, 2º e 3º ciclos na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte - RME/BH.

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L.A. Matemática em Ação com a assessora Luciana Tenuta na Magistra - junho de 2013

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Laboratório de Aprendizagem

Territórios e Memórias Ressignificando sujeitos, conhecimentos e saberes Como fazer com que os conhecimentos escolares tenham sentido e significado para estudantes do 3º ciclo? Como aproximar tais conhecimentos das experiências de vida da juventude? Que metodologias podem de fato fazer diferença na prática docente? São inúmeras as perguntas quando nos propomos a vivenciar uma experiência de formação continuada que busca aliar a discussão conceitual à prática educativa. O Laboratório de Aprendizagem Territórios e Memórias pretende apresentar e construir, ao longo do seu percurso, estratégias para ampliar as possibilidades de aprendizagem das Ciências Humanas, articulando as áreas de História e Geografia. Uma primeira reflexão lançada aos educadores é a escola como um espaço em permanente conflito. Nosso objetivo não será fazer do chão da escola um ambiente sem divergências e tensões, mas compreender o conflito como processo inerente às relações humanas. Conhecer a natureza dos conflitos no ambiente escolar, aprender a conviver com eles e, por vezes, mediá-los e entendê-los como pressupostos da vivência democrática são condições fundamentais para não reproduzirmos um modelo de educação autoritária. Nesse sentido, será necessário conhecer os sujeitos educandos nas suas múltiplas dimensões, dar voz às opiniões destes sobre a escola e descobrir, numa escuta ativa, que imagem possuem da instituição escolar.

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Será no processo de diálogo que criaremos novas estratégias, espaços e tempos de formação nos quais os sujeitos, educadores e educandos, possam compartilhar saberes e usufruir dos saberes dos outros. A escola necessita conectar-se à cidade por meio do conhecimento dos marcos identitários e da diversidade cultural do território onde está inserida. Ao buscar, na cidade, outras experiências educativas, a instituição escolar amplia seu repertório curricular, reconhecendo e valorizando os saberes comunitários do seu entorno. Nessa perspectiva, o currículo será compreendido como uma seleção cultural além dos conhecimentos acadêmicos e/ou científicos. Ao percorrer o caminho, estabelecendo conexões do território da escola aos territórios da cidade, as escolas e seus educadores buscarão dar sentido e significado às aprendizagens dos sujeitos educandos. Território e memória: conceitos integrados e articulados A estratégia metodológica para integrar a formação de professores das áreas de História e Geografia - que não impede a participação de profissionais de outras áreas - foi a escolha de conceitos que articulassem de forma transversal o conhecimento histórico e geográfico. Nossa opção foi eleger marcos conceituais que permitissem o diálogo entre os eixos norteadores de História e Geografia presentes nas Proposições Curriculares da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Em Milton Santos, buscamos o conceito de território e a ideia do espaço significado pelos sujeitos que o habitam, como lugar de realização concreta da vida na sua dimensão material e imaterial: O território não é apenas o conjunto de sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas. O território tem que ser entendido como o território usado, não o território em si. O território usado é o chão e mais a identidade. A identidade é o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é o fundamento do trabalho, o lugar da resistência, das trocas materiais e espirituais e do exercício da vida.

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Foi no intenso debate sobre a memória que encontramos as referências para eleger outro importante conceito que possibilitasse uma reflexão articulada das duas áreas de conhecimento. Na aula inaugural do LA Territórios e Memórias, a historiadora Carolina Dellamore apresentou aos educadores algumas considerações sobre os usos e sentidos da memória social. Discorreu sobre as dimensões da memória: lembrança, esquecimento e o silenciamento. Trouxe à reflexão o seu caráter fragmentado, limitado e provisório. E também debateu sobre o uso da memória como fonte de conhecimento do passado e do presente e como projeção de futuro. Além disso, a memória individual e/ou coletiva - constitui elemento imprescindível na construção das identidades, seja como herança geracional ou como processo permanente de criação de novos fatos e eventos da vida privada ou social. A construção da identidade e do sentimento de pertencimento dos sujeitos a lugares ou a grupos sociais são processos que passam necessariamente pelo debate sobre território e memória. Os dois termos estão conceitualmente ligados. O significado de um não se faz sem o outro. É justamente no caráter indivisível e indissociável dos dois conceitos que encontramos a possibilidade e o desafio de organizar uma formação integrada, na perspectiva do conhecimento, e articulada, na dimensão da prática educativa.

Carolina Dellamore nasceu em 1980. Graduou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e especializou-se em História da Cultura e da Arte pela Universidade Federal de Minas Gerais. É professora da Rede Municipal de Contagem, sua cidade. Desde 2005, atua como historiadora na Coordenadoria de Políticas de Memória e Patrimônio Cultural - Casa da Cultura Nair Mendes Moreira/Museu Histórico de Contagem, onde desenvolve pesquisas nas áreas de história, memória e patrimônio cultural. É Mestre em Memória Social pelo Programa de Pós-Graduação 41


em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGMS/UNIRIO) e autora do livro Marcas da clandestinidade: memórias da ditadura militar brasileira (19641985), publicado pelo Ibram, em 2011, como parte da Coleção Museu, Memória e Cidadania.

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Laboratório de Aprendizagem

Tecnologia e inovação no 3º ciclo O Laboratório de Aprendizagem Teitec - Tecnologia & Inovação no 3º Ciclo apresenta-se como tempo-espaço de atividades voltadas ao estudo, desenvolvimento de trabalhos pelos estudantes orientados por seus professores, aplicação prática do conhecimento adquirido e comunicação da produção realizada, utilizando-se de várias tecnologias e mídias. A proposta tem como objetivo qualificar o desempenho dos estudantes e a formação dos professores mediante práticas que forneçam instrumentos para o planejamento pedagógico e a gestão da sala de aula, visando à utilização de recursos tecnológicos, como câmaras digitais, filmadoras, computadores, scanner, celular, lousa digital, projetor multimídia, etc., para obter maior aprendizagem. Laboratório de Aprendizagem Tecnologia e Inovação no 3º ciclo A forma como a escola percebe e concebe as necessidades e a potencialidade de seus educandos reflete-se diretamente no redimensionamento de práticas educativas que nos orienta a considerar a sala de aula como espaço de investigação, de vivências culturais e de construção de identidade, em que o currículo configura-se como resultado de uma seleção de conhecimentos e saberes que norteiam a prática pedagógica (PBH, 2010).1

Para responder a questões como: os objetivos educacionais estão sendo alcançados com qualidade? O que precisa ser melhorado? Quais soluções inovadoras precisam ser introduzidas? O que já temos? Quais outras demandas precisamos atender? O que está sendo produzido na escola de positivo e inovador?, propõe-se este laboratório de aprendizagem como um processo que segue as seguintes etapas: diagnóstico sobre recursos e possibilidades de sua 1 In Caderno de Ciências - Proposições Curriculares para o Ensino Fundamental da PBH.

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utilização pedagógica; construção das propostas de solução pedagógica; implantação das melhores soluções adaptadas a cada realidade; acompanhamento e avaliação de todo o trabalho em uma ação conjunta entre assessor, equipe do 3º ciclo SMED e GPLI (Gerência de Planejamento e Informação). A tecnologia da educação e o uso pedagógico da tecnologia na educação Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possíveis, comprometendo seus atores e autores (Gadotti, 1994, p. 579).1

O objetivo principal do laboratório de aprendizagem Teitec é conscientizar os professores e propor atividades práticas para o uso pedagógico da tecnologia na educação. Criar uma nova tecnologia educacional implica inovar; e, para tal, o processo criativo é a base para propor novas metodologias e didáticas. Os métodos e didáticas inovadores são importantes para motivar o estudante para o estudo e a atitude investigadora. O papel do professor passa de transmissor do conhecimento para mediador da construção do conhecimento pelo estudante, favorecendo ao máximo as interações para que o aprendiz alcance os objetivos de aprendizagem. Por via de consequência, espera-se uma melhoria no desempenho escolar dos estudantes ao longo do processo de formação sociocultural, humana e escolar. Para isso, no Teitec, os professores são convidados a criar uma sequência didática de aulas criativas e inovadoras para um determinado conjunto de conhecimentos e capacidades a ser desenvolvido, usando uma determinada tecnologia. Esse é um processo no qual se insere o planejamento criativo. Todos os recursos tecnológicos eletrônicos disponíveis na estrutura da 1 In Caderno de Ciências - Proposições Curriculares para o Ensino Fundamental da PBH.

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escola podem ser potencialmente usados. MODELO TEITEC – Engenharia Pedagógica / Grupo de

desenvolvedores (professoras) A - Análise Disciplina a ser trabalhada. Conteúdos a serem trabalhados. Capacidades a serem desenvolvidas. Público-alvo escola, ano escolar e estudantes. Qual ideia a ser desenvolvida? Com qual tecnologia? Objetivos gerais. Objetivos específicos. Recursos materiais. Recursos tecnológicos. B – Desenvolvimento e implantação Como funcionará o dispositivo?

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Sequenciamento das etapas, tempos e recursos. Função do professor e função do estudante na proposta. C – Avaliação Como avaliar o dispositivo implantado para ser multiplicado? D – Conclusões Tendo como ponto de partida a definição da Tecnologia da Educação, criar um novo dispositivo de aprendizagem não significa necessariamente utilizar uma ferramenta como o computador. Por via da experiência de criar um dispositivo de aprendizagem inovador, os professores terão a oportunidade de entender: o que significa inovar na educação; os conceitos de engenharia pedagógica e de tecnologia da educação; o papel da mediação entre saber e estudante; a importância da criatividade nos processos de criação de um dispositivo de aprendizagem inovador; e os instrumentos de avaliação para medir a eficácia e eficiência dos dispositivos de aprendizagem criados visando ao bom desempenho dos estudantes. Para a construção do processo de planejamento e gestão da sala de aula, propõe-se ao professor: construir uma rotina de crescimento intelectual, afetivo e cidadão dos estudantes; construir protagonismo e autonomia docente e discente em processos negociados; avaliar coletiva e individualmente o processo de formação integral dos estudantes com base no planejamento didático-pedagógico efetivado; desenvolver habilidades e competências para operar vários instrumentos e ferramentas de interação; participar dos vários canais de interlocução com criticidade e novas ideias; e promover a formação escolar a partir de potenciais recursos de intervenção e mediação pedagógica. Cabe à Smed promover a formação continuada e em serviço dos professores a partir do Projeto 3° Ciclo - Sujeitos & Práticas e suas ações, fornecendo subsídios teóricos e práticos diante da imensidão de possibilidades de uso pedagógico dos recursos tecnológicos a partir das iniciativas inovadoras que muitas escolas já realizam.

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Relato de prática pedagógica sobre a 2ª Jornada Literária da RME/BH Sons, Cores, Imagens e Sabores: Áfricas no Brasil – categoria professor


Brasil e África: dois espaços diferentes, mas nem tanto assim... Paulo Roberto Braga*

A 2ª Jornada Literária da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, com o tema “Sons, cores, imagens e sabores: Áfricas no Brasil”, foi desenvolvido no segundo semestre do ano de 2012 (agosto a outubro), na Escola Municipal Dinorah Magalhães Fabri (EMDMF) – Regional Barreiro – e contou com a participação de estudantes do Projeto de Intervenção Pedagógica (PIP) de Língua Portuguesa – 3º ciclo, turno da tarde. Inicialmente foi apresentada e explicada a proposta de trabalhar com o tema “Sons, cores, imagens e sabores: Áfricas no Brasil” para que os estudantes pudessem se situar e também propor atividades e questões acerca da temática. A ideia era desenvolver um assunto que, de certa forma, faz parte do dia a dia, da realidade dos estudantes. Dessa maneira, trazer um tema significativo, o que permite a eles se reconhecerem como sujeitos de sua formação. Ao longo do desenvolvimento do tema, os estudantes confeccionaram textos e ilustrações que, ao final do processo,

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passaram a compor um livro cujo título é “Brasil e África: dois espaços diferentes, mas nem tanto assim...”. Os textos têm como tema principal as relações culturais estabelecidas entre o Brasil e o continente africano, representadas pelas dimensões da sonoridade, das cores, imagens e dos sabores. África X Brasil ou África = Brasil? O trabalho nessa 2ª Jornada Literária iniciou-se com a diferenciação e a caracterização da África e do Brasil. A África como um grande continente, formado por mais de 50 países, e o Brasil, um único país localizado no continente americano. Afinal de contas, qual a relação entre esses dois espaços geográficos do mundo? Qual é a relação histórica entre eles? Quais as possíveis influências africanas atualmente no Brasil? Sons: Áfricas no Brasil A influência africana no Brasil se deu sob vários aspectos, dentre eles a questão da musicalidade e da sonoridade. Para o trabalho com esse tópico, optou-se por estudar com os estudantes a sonoridade africana, inicialmente com o conhecimento de alguns instrumentos musicais que têm origem no continente. A partir daí , a influência desses instrumentos nos ritmos e músicas brasileiras. Após ouvir trechos de músicas tocadas com os instrumentos, cada estudante elaborou um texto, dizendo o que essa sonoridade trouxe para ele. Que sentimentos a audição dessas músicas despertou e se ele percebeu que esses sons realmente influenciaram os ritmos brasileiros. Cores e imagens: Áfricas no Brasil A abordagem da temática das cores e imagens buscou também estabelecer relações entre a vida e a cultura africana e brasileira. Inicialmente, houve a exposição de apresentações em Powerpoint, com imagens mostrando diversos aspectos do continente africano: fauna, flora, população e modos de vida,

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paisagens naturais e humanizadas, enfim, cultura. Em um segundo momento, os estudantes observaram outras imagens retiradas de sites da internet representando a África. Foi preciso quebrar o estereótipo de que no continente só existem negros e pobres. As imagens auxiliaram nesse sentido. Após a observação das imagens, os estudantes elaboraram um texto no qual escreveram sobre o que as imagens mostraram, representaram e que momentos foram mais marcantes e significativos. Ainda na parte sobre as cores e imagens, os estudantes conheceram máscaras e mandalas africanas. Em outro momento, o trabalho se baseou nos símbolos gráficos Adinkra, de origem africana. Nessa parte, cada estudante escolheu um dos símbolos e elaborou um texto, expondo o significado desse símbolo e o que esse significado tem a ver com o seu dia a dia, as suas atitudes e a sua vivência. Foi um momento muito rico. Sabores: Áfricas no Brasil A abordagem da temática dos sabores foi também muito significativa. Afinal de contas, qual é a influência africana na alimentação, nas comidas e na gastronomia brasileira? Quais são os principais alimentos afro-brasileiros? Para responder a essas perguntas, houve a exposição de textos e de atividades que apresentavam um pouco da cultura alimentar afro-brasileira. Ao final, os estudantes puderam escrever um texto, abordando esses aspectos. Portanto, cada estudante produziu textos, mostrando diversas questões referentes à questão cultural África-Brasil. Ao longo do trabalho, os educandos foram também elaborando desenhos e ilustrações sobre a temática. Cada texto foi lido e relido pelo professor e pelos estudantes. Os texots passaram por uma revisão textual com a observação de aspectos gramaticais e estruturais estudados até então.

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E por aí vai... Aprendi muito com esse trabalho, ainda mais por se tratar de um tema que está bastante próximo da realidade de vida dos estudantes. Percebi que os participantes do PIP podem crescer e evoluir como estudantes, mesmo com todas as dificuldades encontradas. Apesar de toda a descrença que existe sobre eles e deles próprios consigo mesmos, percebo que trabalhos como esse os engrandecem bastante e, é claro, ao professor que está nesse processo. É preciso acreditar mais nesses estudantes que são capazes e podem atingir melhores resultados também nas turmas regulares, não só no PIP. Nesse trabalho, o diálogo, a conversa, enfim, a troca de ideias foi determinante para que se chegasse ao resultado final. Espero que trabalhos como esse, que priorizam o protagonismo dos adolescentes do 3º ciclo possam ser mais explorados nas escolas municipais de Belo Horizonte. Afinal de contas, esses estudantes devem ter suas diversas habilidades desenvolvidas, pois capacidade e força eles têm de sobra.

* Professor do Projeto de Intervenção Pedagógica - PIP LP da E.M. Dinorah Magalhães Fabri

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Seção Biblioteca


Indicação de literatura Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática Kátia Stocco Smole

Com a participação de diversos autores, SMOLE inicia a discussão sobre as habilidades escolares de ler, escrever e resolver problemas em matemática como habilidades básicas para o aprendizado de qualquer coisa, de forma integral. A aprendizagem da matemática fortalece-se quando aproximada da aprendizagem da leitura e da escrita. Jogos de matemática de 6º ao 9º ano Kátia Stocco Smole; Estela Milani; Maria Inês S. V. Diniz

A obra apresenta ideias e estudos sobre recursos e temas que fazem parte do currículo de matemática, como jogos e calculadoras, operações, frações, geometria e medidas. Em Jogos de matemática de 6º a 9º ano, o professor encontra sugestões, em cada capítulo, sobre o ano em que a atividade deve ser utilizada e sua aplicação em sala de aula. Formação matemática do professor: licenciatura e prática docente escolar Plínio Cavalcanti Moreira; Maria Manuela M. S. David

A obra reúne vários autores que abrem debate sobre a formação dos professores de Matemática e as situações que se colocam na prática docente escolar. Questões como a articulação entre a formação específica e a formação pedagógica para os professores que atuarão na educação básica são discutidas, com exemplificação de casos. Cibercultura Pierre Lévy

Essa obra apresenta a cibercultura como um fenômeno tecnológico e traz reflexões sobre a aprendizagem em ambientes virtuais. Publicado em 1997, seu discurso permanece atual, pois ainda há muitos desafios nesse campo a serem enfrentados. 54


Produção textual, análise de gêneros e compreensão Luiz Antônio Marchuschi

Pierre Lévy desenvolveu este livro a partir das interações com seus pares e alunos. Para o autor, a sala de aula constitui um grande laboratório com o potencial de transformar o aprendizado em uma ação cooperativa. De característica evidentemente didática, a obra é marcada pela presença de atividades, exemplos ilustrativos, glossários, indicações de obras de consulta para aprofundamento dos temas tratados, entre outros, tendo sempre em vista o aluno como seu leitor principal. Muito além da gramática: por um ensino de línguas sem pedra no caminho Irandé Antunes

Esta obra é dirigida a todas as pessoas que queiram conhecer um pouco mais sobre linguística. A todos que compreendem que as questões relacionadas à linguística permeiam todos os seus ambientes, relacionamentos, atividades e interações sociais. De fácil compreensão, a autora busca desfazer recorrentes equívocos em torno do tema e ratifica sua afirmação de que língua é mais que gramática. O Ensino de Música na Escola Fundamental Alícia Maria Almeida Loureiro

A autora propõe uma reflexão sobre o sentido e o significado da educação musical, seus aspectos mais importantes e seu lugar no atual currículo do Ensino Fundamental. Discorre também sobre a formação pedagógica do educador musical e as possibilidades para a educação musical como disciplina.

Cartografia escolar Rosângela Doin de Almeida

Nesta obra, Rosângela Doin reúne autores que discutem a cartografia como área de ensino e pesquisa e como os conceitos cartográficos tomam lugar no currículo e nos conteúdos de disciplinas voltadas para a formação de professores.

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Revista Formação, Sujeitos & Práticas - Ano 1 - Nº 1  

Primeira edição da Revista Formação, Sujeitos & Práticas.

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