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ATRIBUNA VITÓRIA, ES, DOMINGO, 20 DE ABRIL DE 2014

AT2 COMPORTAMENTO

“Mulher tem muita expectativa” DIVULGAÇÃO

Para o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir, homens são sensíveis da maneira deles, mas a pressão feminina é grande e um lado, elas querem carinho e atenção em momentos difíceis de suas vidas. Do outro lado, eles não entendem as necessidades delas, ou não conse-

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guem oferecer o que elas precisam de fato. Esse conflito de interesses pode estar por trás da imagem negativa que as mulheres têm dos homens, e que ficou evidenciada na pesquisa “Homem Homem” , explicou o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir. O especialista, que é autor do livro “Por Dentro da Cabeça Dos Homens” (ed. Planeta Brasil), falou mais sobre o tema em entrevista ao AT2. AT2 Acha que as mulheres têm uma imagem masculina mais

negativa do que positiva? LUIZ CUSCHNIR Muitas mulheres têm a expectativa de receber dos homens o que eles não têm para oferecer. Quando não conseguem compreender isso, passam a criticá-los, diretamente ou indiretamente. Outras são tratadas com desconsideração por eles, em algum momento, que acabam mesmo tendo essa imagem negativa deles. > Acha que as mulheres mudaram de atitude ao longo dos anos, e não estão satisfeitas com

RODRIGO GAVINI/AT

“Eles se acomodaram” Egoístas e acomodados, os homens estão cada vez mais pensando apenas neles mesmos. Essa é a opinião da auxiliar administrativo Carla Correia Martins, de 22 anos. “Hoje em dia, são as mulheres que pagam as contas. Eles se acomodaram com essa independência delas. Eles estão pensando mais neles, não querem compromisso sério. Não foi só o homem que mudou, foi a sociedade toda. Já reparei também que, quando um homem é muito atencioso ou muito carinhoso com uma mulher, ela já não gosta muito”, explicou a auxiliar administrativo. Carla diz que já teve que encarar homens mais rudes. “Já namorei um homem que era meio grosso e machista, mas, mesmo assim, era atencioso comigo. Acho que, na verdade, cada caso é um caso”, comentou.

o homem atual? As mulheres, com certeza, mudaram muito nas últimas décadas, conquistando um papel muito maior na sociedade, e passando a exigir dos homens o respeito devido. Elas esperam mudanças. Mas muitas vezes as respostas deles são mais superficiais. Eles podem atendê-las, mas sem todo o envolvimento que elas esperam. > Os homens não são sensíveis às demandas das mulheres ou não observam as necessidades femininas do dia a dia? A sociedade tem exigido atitudes que não estão verdadeiramente no seu repertório de necessidades. São coisas do referencial feminino. Há uma pressão de se colocar o homem sob um ponto de vista feminino. A sensibilidade medida em geral é de uma visão feminina, e não masculina ou dos dois gêneros. Mas eles são sensíveis da maneira deles. > Acha que alguns valores, como cortesia e atenção, foram suprimidos do dia a dia masculino? Acredito que essa mudança tem a ver com aspectos da vida moderna. Alguns valores não coincidem com o que homens e mulheres estão buscando para si. Eles estão na mesma faixa de competição que elas, mas, hoje em dia, se eles mantiverem o mesmo trajeto que usavam antigamente, provavelmente não conseguirão chegar aonde es-

CUSCHNIR: “Referencial feminino” peram. Isso vale também para as expectativas que elas têm sobre eles. Os homens continuam sendo exigidos para vencer profissionalmente, inclusive por elas. Isso contamina várias atitudes do dia a dia, até mesmo a forma como se estabelece a relação afetiva e íntima.

Crítica à vaidade em excesso Para elas, a vaidade masculina é um tema polêmico. Na pesquisa “Homem Homem”, 48% das entrevistadas comentaram que acham demais que os homens sejam mais vaidosos do que elas. Mas andar sempre arrumado, cuidar da alimentação e fazer exercícios físicos são atividades que passaram a ser uma exigência da sociedade de uma forma geral, e não só uma questão de estética, opinaram especialistas consultados pelo AT2. “A vaidade relacionada ao físico

tem a ver com a pressão social que tem sido exercida sobre as pessoas, tanto homens quanto mulheres. Os atributos físicos interferem diretamente nas escolhas em todos os âmbitos da vida da pessoa, inclusive no lado profissional”, comentou o psiquiatra e psicoterapeuta Luiz Cuschnir. “Em alguns casos, penso que trata-se de um excesso de vaidade, quando comparamos os homens de hoje com os nossos avós, por exemplo. Mas, hoje, cuidar da aparência pode ser uma necessidade

saudável”, comentou a psicanalista e professora de Psicologia da faculdade Multivix, Rosânea das Neves. Para a especialista, o homem se tornou alvo da mídia e consumidor de produtos que antes eram destinados somente a elas. “Essa vaidade masculina vem sendo estimulada. O fato é que está acontecendo uma verdadeira reviravolta no universo masculino e, por consequência, na sua forma de se relacionar consigo mesmo e com as mulheres”.

OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS FOTOS: DIVULGAÇÃO

Mais estresse

Conservadores

Novos papéis

“Os homens não serem tão cavalheiros como no passado é compreensível, pois os hábitos mudaram, as pessoas mudaram seus comportamentos. Nos dias atuais, podemos observar facilmente que os homens estão mais estressados. Embora isso não justifique, eles acabam muitas vezes tomando atitudes grosseiras no dia a dia. Mas homens grosseiros sempre existiram, grosseria é falta de educação”.

“Antigamente, os homens tinham que ser cavalheiros para conquistar as mulheres. Isso não existe mais, elas caem em cima deles em nome de uma liberdade que os homens ainda não entenderam. Daí a eles passarem a ser mais grosseiros é só uma consequência do pouco valor que dão às mulheres. Os homens seguem tão conservadores quanto eram há décadas. Quando valorizam a mulher, sabem ser educados”.

“As mulheres percebem que os homens hoje participam mais das rotinas domésticas e dos cuidados com os filhos. Mas os homens realmente ainda possuem certa dificuldade no que diz respeito à atenção que as mulheres esperam deles. Os homens estão passando por um momento de transição e experimentando novos papéis. Podemos constatar essa mudança no nosso dia a dia, nos comerciais e nas artes”.

Suely Buriasco, mediadora de conflitos e escritora

Ligia Marques, consultora de etiqueta e de marketing pessoal

Rosânea das Neves, psicanalista e professora de Psicologia da Multivix


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