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Disp. e Tradução: Rachael Revisora Inicial: Marcia Revisora Final: Nívea Formatação: Rachael Logo/Arte: Dyllan

Determinado a encontrar os traficantes de seres humanos sequestrando os submissos do Shadowlands, Mestre Raoul consegue ser convidado para um pequeno leilão de escravos. Uma vez informado, o FBI ordena que ele rejeite todas as escolhas oferecidas, para que os traficantes de escravos possa convidá-lo para o grande leilão. Mas para o choque de Raoul, uma das escravas é a amiga sequestrada de uma das sub do Shadowlands. Ela tem um corpo cheio de cicatrizes… E um espírito inquebrantável. Ele não pode deixa-la para trás. Arruinando os planos cuidadosamente colocados do FBI, ao comprá-la. A liberdade de Kimberly vem a um preço devastador: As outras mulheres ainda são escravas. Um ataque do FBI é sua única esperança de resgate. Desesperada para ajudar os federais a localizar o grande leilão, ela concorda em posar como escrava de Mestre Raoul. Usar uma coleira de novo é aterrorizante, mas sob os cuidados do dom poderoso, Kim começa a cicatrizar e, em seguida, florescer. Agora ela se sente atraída pelo que—fugiu—a vida inteira. Ela tinha escapado dos traficantes de escravos que tinham capturado seu corpo—ela conseguiria escapar do mestre que capturou seu coração?

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Comentários das Revisoras...

Marcia: A primeira coisa que notei, é que dessa vez a Cherise não baseou a história apenas dentro do Shadowlands, como fez nas outras. A história é realmente linda, chocante, com cenas de arrepiar os cabelos, mas também com cenas descontraídas, com algumas pitadas de humor. A do chuveiro é ótima, amei Raoul, ele é maravilhoso, é ‘o cara’, e Kim é uma sortuda, também tem a do filme, do barco, e etc., e etc... Leiam, vocês vão amar.

Nívea: O livro é maravilhoso! A autora soube entrelaçar muito bem um tema pesado como a escravidão forçada em uma história que é quente, extremamente quente, mas que também tem humor, amizade, satisfação, realização, reconciliação e muito mais. Raoul é um Mestre que gosta de ensinar, e é extremamente cuidadoso dos subs em geral já Kim é uma sub de alma amargurada, ferida e juntos os dois nos levam a percorrer 400 páginas da construção de vidas que foram destruídas e renascem como a Fênix com esperança e a certeza que são seres humanos com direito a felicidade e a uma vida livres, para escolherem o que querem e desejam independente das opiniões alheias.

Reconhecimento

Eu sou uma escritora, e as palavras deveriam vir facilmente para mim, mas ainda não há nenhuma maneira adequada de expressar meu agradecimento para as pessoas abaixo. Eu sou abençoada por ter o mais doce, os leitores mais entusiásticos do mundo. As longas horas no computador, os olhos embaçados, a casa suja, e os jantares congelados—você faz isso valer a pena. Por favor, perceba que sem sua teimosa insistência (isso é uma maneira educada de dizer irritante <g>), Mestre Raoul não teria uma história. Verdadeiramente, eu adoro todos vocês.

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Um livro é um esforço de equipe, e eu sou muito grata a todos aqueles que ajudaram a conseguir esta história em suas mãos. Um grito especial: Para meu grupo de crítica Erotic Romance Authors, que chutou o início deste livro em forma. Para Bianca Sommerland e Cari Silverwood, que leram o beta… E me fizeram reescrever o final novamente e novamente. Para G.G. Royale, meu editor maravilhoso, que mantém a história na trilha—e me fez iluminar a tortura no barco—e para a excelente linha e revisão dos editores que fizeram este livro legível. Para o Loose Id Quad que gentilmente ignoraram o modo como eu dobro personagens extras em… E por quanto tempo estes livros conseguiram. Para o artista extremamente talentoso, Christine Griffin, que criou cada cobertura do Shadowlands e capturou o ambiente tão bem. Para Suede, que entusiasticamente compartilha lista de jurados e responde perguntas. Um grande abraço para você. Eu gostaria de agradecer a Kane e Careena no Lair de Sade em Los Angeles pela sua recepção calorosa e pela excursão em seu enorme calabouço… Especialmente aquela cela de prisão sinistra no porão. Graças aos Doms generosos, Mestres, submissos, e escravos de lá que compartilharam suas histórias, e um agradecimento especial ao Dom incrível que fez a cena fireplay1. Muitos abraços vão para Fiona Archer da Austrália, que se juntou a mim na excursão do calabouço tarde da noite, apesar de um vôo mais cedo. Essa é uma amizade acima e além da chamada do dever. Às minhas maravilhosas, criativas, e amadas crianças, reais e honorárias, que toleram uma mãe que desaparece por horas a fio. E por último, mas não menos importante, para meu marido agradável e por sua paciência quando eu digo “uh-huh” sem ouvir uma palavra. Você é a razão que eu posso escrever sobre o amor. Bênçãos a vocês todos. Cherise

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Cena com Fogo

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Para meus leitores,

Este livro é ficção, não realidade e, como na maioria das ficções românticas, o romance está comprimido em um período de tempo muito, muito curto. Vocês, meus queridos, vivem no mundo real e eu quero que você tome um pouco mais de tempo do que as heroínas sobre as quais você lê. Bons Doms não crescem em árvores e existem algumas pessoas estranhas lá fora. Então, enquanto você estiver procurando por esse Dom especial, por favor, tenha cuidado. Quando você o encontrar, saiba que ele não pode ler sua mente. Sim, assustador como poderia ser, você vai ter que se abrir e falar com ele. E você vai ouvi-lo, em troca. Compartilhe suas esperanças e medos, o que você quer dele, o que te assusta e magoa. Ok, ele pode tentar empurrar seus limites um pouco—ele é um Dom, afinal—mas você tem sua palavra segura. Você terá uma palavra segura, eu estou sendo clara? Use proteção. Tenha uma pessoa de respaldo. Comunique-a. Lembre-se: Seguro, são e consensual. Saiba que eu estou esperando que você encontre essa pessoa tão especial e amorosa que entenderá suas necessidades e abraçá-las. Deixe-me saber como você está fazendo. Eu me preocupo você sabe. Enquanto isso venha e ronde com os Mestres do Shadowlands.

— Cherise

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Capítulo Um Kimberly Moore manteve os olhos focados em sua saia longa e transparente. O material sedoso, não amortecia o frio nos joelhos sobre os azulejos do chão. Mas já deveria estar acostumada com a miséria—desde o dia em que tinha sido sequestrada, sua vida não tinha nenhum conforto, só dor e abusos. E parecia prestes a piorar. Não se mova. Não fique tensa. Não mostre raiva. O supervisor se aproximou, suas botas—pretas como sua alma—entrou em seu campo de visão. “Os três compradores estão na sala de estar. Sirva-lhes bebidas e aperitivos. Use seu corpo para agradá-los. Eu sugiro que faça o seu melhor. Se não for comprada, vai entreter o pessoal da forma que escolherem, e então será leiloada no próximo mês.” Um novo dono. O tremor começou no centro de Kim, e a bile subiu em sua garganta. Ela tentou tragar, mas seu colar parecia apertar, sufocando sua respiração, sufocando sua vida. Forçando uma inalação lenta, manteve as mãos quietas. Não tente arrancá-lo. Uma cicatriz corria pelo pescoço do primeiro colar que tinha cortado fatiando a si mesma no processo. Lord Greville tinha batido nela até que tinha vomitado na dor do pesadelo. Quando suas mãos ensanguentadas mancharam o concreto, ela desejou inutilmente que a faca tivesse fatiado mais fundo—uma artéria e não apenas sua pele. Suporte. Fique em silêncio. Ela apertou seus músculos do estômago e se fez de estátua. As botas do supervisor permaneceram em sua visão por outro momento, antes dele sair da cozinha e ir para a sala. O som de seus passos tinha desaparecido completamente antes de Kim ousar olhar para cima. Ela poderia manter o rosto de traí-la, mas não os olhos. Qualquer traficante de escravos que visse o ódio em seus olhos, bateria nela.

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“Compradores,” Holly gemeu. Kim estendeu sua mão para apertar a da loira de dezenove anos de idade. “Shhh. Vai ficar tudo bem. Talvez haja um bom aqui esta noite.” “Você acha?” A esperança encheu o rosto doce de Holly. “Quem sabe?” A terceira escrava na cozinha pegou a outra mão de Holly. “Seja forte, mel. Vamos passar por isso.” Ela balançou a cabeça para Kim, desaprovando por dar à mulher mais jovem falsas expectativas. Ambas sabiam que homens bons não compravam mulheres sequestradas. Kim só queria ser comprada, para fugir do supervisor. Depois disso, de algum jeito— de algum jeito se libertaria. Lembrou-se por um momento a onda do oceano sob seu barco, o aroma e sabor de uma brisa salgada, a camaradagem com os outros biólogos da Geórgia. Mantenha as memórias, mas enterre-as bem fundo, onde os chicotes não possam alcançá-las. Ela chegaria a casa novamente. De algum jeito. Talvez hoje à noite. Qualquer mudança na rotina apresentava uma oportunidade de escapar, especialmente durante o transporte. Ela tinha aprendido de forma dura que as chances diminuíam uma vez que um comprador a tinha em sua casa. Os escravos eram colocados em armários ou porões, quando os mestres não os estavam usando. Um calafrio atravessou sua pele. Ou gaiolas. Ela tragou. Sua rebeldia tinha se quebrado contra o aço pesado da gaiola de cachorro. Nas mãos e joelhos, incapaz de se levantar, de se mover. Mijando pelas pernas. Apavorada e gritando até que sua voz sumiu. Seu mestre não tinha gostado quando tinha tentado matá-lo. E você aprendeu alguma coisa de sua experiência, Kim? Seu interior perguntou cinicamente. Fez uma careta. Da próxima vez, vou esfaqueá-lo mais rápido. Porém, sabia em seu intestino que nunca teria a coragem de novo. Com um suspiro, levantou-se e arrastou Holly e Linda para cima ao lado dela. “Bem, senhoras, vamos atrair alguns compradores.”

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Silenciosamente, ela foi à frente para sala formal. Ela estudou os dois homens conversando calmamente perto do fogo. Um deles estava acima do peso, uns trinta anos, com uma torção cruel nos lábios gordos. O outro era magro e mais velho. Qual seria mais descuidado? O terceiro comprador… Do outro lado da sala, um homem estava parado na porta do hall. Apenas cerca de 1,83m, mas tão musculoso, que parecia enorme. Sua camisa branca de seda deixava seu bronzeado e olhos escuros ainda mais escuros. Rosto inexpressivo, olhar ilegível. Ele estudou Linda e Holly antes de virar sua atenção para ela, e sua consideração impessoal soprou como um vento de inverno através de sua pele nua. Ela estremeceu. Ele não. Por favor, Deus, ele não. Eu sou feia. Desajeitada. Escrava ruim. Você não quer me comprar. De pé na entrada, Raoul Sandoval respirou o úmido ar da Flórida vindo de uma janela aberta. A sala vitoriana escura com papel de parede floral azul real e tapetes Orientais parecia uma configuração apropriada para mestres e escravos. Os outros compradores não identificados ocupavam cadeiras cobertas de tapeçaria. Ele deu a cada um, acenos indiferentes, avistando-se por um momento no espelho ornamentado sobre a lareira—calça sob medida e camisa de seda, seu cabelo preto curto para combinar com o estilo. Ele parecia mais elegante do que seu amigo Z, mas esse era o ponto. Ele precisava parecer rico o suficiente para comprar uma escrava. E não uma fêmea do terceiro mundo com um inglês quebrado, mas uma mulher bem educada dos EUA. Só os melhores escravos para os homens mais ricos. Do outro lado da sala, um Buffet de madeira escura apresentava uma série de garrafas de licor, onde três escravas serviam bebidas, supervisionadas pelo homem alto e pálido, rotulado de Supervisor. “Chame-me Dahmer,” ele disse, e Raoul ficou se perguntando que tipo de psicopata chamaria a si mesmo com o nome de um serial killer. Ele parecia médio o suficiente. Em forma clara, cabelos castanhos começando a rarear, estreitos olhos da cor de lama. Um lábio superior longo com um entalhe, boca com um toque cínico. Não a aparência de uma pessoa que sequestrava e vendia as pessoas como gado.

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Tomando seu tempo, Raoul verificou as mulheres. Uma loira jovem apavorada; Uma ruiva alta e luxuriante; E uma bonita mulher de cabelos negros que rapidamente baixou o olhar. Todas estavam vestidas com saias de seda combinando e nada mais. “Alguma preferência, cavalheiros?” Dahmer perguntou. Ele entregou a loira uma bebida e apontou para Raoul. O pequeno comprador com excesso de peso apontou. “Aquela do outro lado é velha, mas eu gosto de ruivas. Por alguma razão, são mais divertidas para foder.” Quando a ruiva empalideceu, Raoul teve que apertar o controle sobre suas emoções. O homem mais velho calvo latiu uma risada e sorriu na mulher mais jovem. “Eu prefiro as loiras.” A pequena loira se assustou, o braço tremeu. Raoul pegou a taça de vinho antes que se derramasse nele. “Fácil, chica,” ele disse. Ela se encolheu, obviamente esperando um golpe. A raiva picou dentro dele. Mantendo a expressão tranquila, tomou um gole da bebida. Seu aceno de aprovação limpou a preocupação de seu rosto… Até que o supervisor a dirigiu em direção ao velho. Sua expressão de desalento se mostrou claramente. A escrava restante tinha mais controle. Ela ficou ao lado de Dahmer, olhos baixos, mãos cruzadas na frente. Ele não a chamaria de bonita, mas ela era bonita o suficiente para agradar qualquer homem. Sua pele tinha uma tonalidade vermelho-bronze, alguns tons mais leves que Raoul, talvez de algum nativo Americano em sua linhagem. Seus seios altos caídos ligeiramente, suas bochechas escavadas, e ela era esbelta ao ponto de ser magra. Ela obviamente havia perdido peso no cativeiro. O supervisor acenou para Raoul. “Será que esta é adequada no momento, Mestre R? É claro, que a mudança ao redor é bastante fácil, ou se nenhuma o agradar, então simplesmente desfrute da noite, e nós organizaremos outra seleção em uma data posterior.” Esse era o plano. Recusar a todas e marcar um convite para o grande leilão. Onde haveria mais mulheres sequestradas. Onde o FBI poderia liquidar o grupo inteiro de

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bastardos. Não pense sobre o futuro. Comprador. Você é um comprador, Sandoval. Ele atravessou a sala para ficar de frente da mulher não escolhida. Ela manteve seu olhar no chão. “Vire-se,” ordenou, mantendo sua voz cortada e áspera para esconder sua pena. Ela girou no lugar. Longos cabelos tão escuros a ponto de serem quase pretos, se penduravam em ondas pelo oco de suas costas. Sob a saia de cor azul, seus quadris curvavamse para fora de maneira agradável. “Muito magra.” Ele olhou para Dahmer. “Ah.” Dahmer disse com sua voz pegajosa, “A escrava se machucou. Ela está bem agora, mas ainda não recuperou os quilos que perdeu. Ela não teve muito treinamento, e tem algumas cicatrizes, que é por que estamos oferecendo-a por preço de banana.” Os pequenos músculos em torno da boca da mulher mal se apertaram, mas não mostrou nenhuma outra reação. Controle muito bom. “Ela servirá. No momento,” Raoul disse. Os dois agentes do FBI que comandavam o show tinham recomendado que apresentasse uma personalidade indiferente. Raoul enroscou a mão no cabelo preto da menina, o peso como seda pesada, e o usou para puxá-la para perto. Ela não lutou, ficando em um silêncio complacente. “Olhe para mim.” Quando não obedeceu, ele apertou ainda mais e puxou sua cabeça para trás... Suavemente, embora esperançoso de que parecesse cruel. Ela ergueu seu olhar para o seu, e ele congelou por um longo suspiro. Olhos azuis surpreendentemente claros, da cor do vidro antigo. Já tinha visto aqueles olhos antes… Quando a submissa de Marcus tinha-lhe mostrado uma foto e implorado para que prestasse atenção por sua amiga. Esta tinha que ser Kimberly. Madre de Dios, que confusão do caralho. “A coloração é um recurso,” disse ao supervisor, então abriu a mão e liberou a… Escrava. Não Kimberly. Por esta noite, não era nada mais que uma escrava, lá para servi-lo. Ele não tinha outra escolha. “Traga-me algo para comer,” ele estalou e foi sentar-se com os outros perto do fogo.

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Esticando as pernas, ele tomou um gole de vinho e à toa assistiu ao velhote afagar os seios da menina. Ira chiou em um guisado feio em suas entranhas. Não, Sandoval. Controle-se. Talvez algum dia pudesse alimentar o devasso com um sanduíche da junta, mas não hoje. Raoul forçou seu punho a se abrir. Felizmente, a escrava de cabelos negros apareceu e se ajoelhou ao lado de Raoul, segurando um prato de petiscos. Seu silêncio submisso o lembrou de sua primeira escrava, mas Antonia o tinha servido apaixonada e alegre. Não havia comparação com esta mulher abusada. “Muito bom,” murmurou para ela, um olhar surpreendente apareceu naqueles belos olhos. E uma sugestão—só uma sugestão—de prazer antes de ser afogado em medo e controle. Ele selecionou um cogumelo recheado com queijo, apreciando o esforço que alguém tinha colocado em fazer a comida, embora tivesse gosto de palha agora. Comeu outro, então segurou um pedaço de melão na frente da boca da escrava. “Coma, chica.” Seus olhos se abaixaram, mas não antes dele ver o flash de gelo. Ela tomou o pedaço, os lábios macios pastando seus dedos. Ele a alimentou mais vezes, alternando com sua própria comida, então estendeu os dedos para ela lamber. Ele notou a pausa antes dela obedecer. Embora ela subjugasse sua linguagem corporal habilmente, os pequenos músculos em torno dos olhos e da boca era difícil de controlar, e seus olhos eram uma janela aberta para suas emoções. Ele podia ver que ela odiava tirar a comida de sua mão. O odiava. Ele precisava seguir o programa. ‘Comporte-se como se estivesse entrevistando-a para um trabalho’, Agente Especial Kouros o tinha treinado, Raoul obviamente tinha duvidado de que conseguiria. “Que talentos você possui?” Raoul perguntou, tomou o prato e o colocou na mesa. Ela trocou o peso em seus joelhos. “Eu não tenho nenhuma habilidade, Mestre,” ela murmurou quase inaudível, como se não quisesse que o supervisor a ouvisse. Nenhum talento? Duvidoso. Talvez esperasse que assim ele não fosse comprá-la? Era dele que ela não tinha gostado ou de todos os compradores? Será que tinha a esperança de permanecer aqui? “O que acontece se você não for comprada hoje à noite?”

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Ela não conseguiu controlar-se de vacilar. Então, seu objetivo não era ficar com o supervisor. Ela preferia um dos outros dois compradores? Raoul olhou para cima. Talvez ela esperasse poder escapar mais facilmente de um gorducho ou um mestre velho? Menina inteligente. Mas ambos os compradores eram sádicos. Nada bom. E poderia dizer por seu vacilo, que algo ruim acontecia com as meninas que não eram vendidas. Como poderia deixar esta jovem aqui para sofrer? Amiga de Gabi. Ele não podia. Alguns gostos ruins deixaram sua boca. Pelo menos poderia salvar uma menina. Os agentes iriam matá-lo, mas encontrariam um plano alternativo. E se não pudessem? Ele esfregou a mão em sua boca. Na compra de Kimberly, ele poderia condenar as outras. Seu intestino apertou. Não existia nenhuma solução fácil para este pesadelo. “Você pode cozinhar?” Perguntou. “Sim, Mestre R.” Não vai expandir a resposta, não é? Ele riu. “Devo arrastar as informações de você?” Ela ficou branca de medo. “Não, Mestre. Sinto muito, Mestre.” Sua raiva contra os traficantes de escravos subiu tão forte e quente que suas mãos cerraram nos braços da cadeira. Ele se forçou a se inclinar para trás. “Traga-me uma bebida fresca.” E me deixe, até passar a vontade de estrangular cada bastardo nesse lugar. Ele queria malditamente bem que fosse esta noite, mas não havia nenhuma chance disso. Nenhum comprador gastaria tanto dinheiro sem um teste-drive primeiro, e se ele oferecesse pela menina muito cedo, Dahmer poderia ver isso como uma fraude. Desempenhe o papel, Sandoval. Mesmo que você a aterrorize. Ela retornou, ajoelhou-se silenciosamente, e segurou o copo para cima. Enquanto tomava seu drink, ele a estudou, aprendendo como respirava, como mudava seu peso quando a ansiedade crescia. No final dos vinte e próximo aos trinta. Altura média, pele frouxa ao invés de tensa, então ela era normalmente mais redonda. Mais suave. Os

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mamilos um castanho-rosado e grandes. Uma longa e quase curada cicatriz vermelha, junto a sua costela esquerda, lembrando-o de seus dias de membro-de-gangue. Cicatriz de faca. Traçando um dedo sobre a remanescente cicatriz de violência, ele viu o vulnerável tremor momentâneo de seus lábios antes de sua boca se apertar. Gabi tinha descrito sua amiga como exuberante, e ele podia ver as linhas variadas de riso passando por sua boca e seguindo em linhas pelo canto dos olhos. Ela não era mais jovial. O pesar da perda era uma mancha em sua alma. “Ela dança, sabe,” disse o supervisor, parando na cadeira de Raoul. “Inteligente. Uma cozinheira excelente. Não uma voz particularmente boa cantando, mas você esquece quando dança.” Raoul olhou para ela. “Dance para mim então, escrava. Algo sedutor.” Ela subiu graciosamente. Quando ela se afastou para longe, ele notou as cicatrizes de chicote nas costas. “Diga-me mais.” “Uma bióloga marinha da Geórgia, de classe média. Saudável, solteira, sem filhos. Um leve passeio no estilo de vida antes.” “As marcas de Chicote. Um corte de faca recente. Já foi vendida antes?” Raoul perguntou. “Bem.” Dahmer pigarreou e alisou seu terno preto. “Ela foi levada para o leilão do ‘escravo rebelde’.” Raoul levantou as sobrancelhas como se confuso, embora soubesse exatamente do que Dahmer estava falando. Sua melhor amiga submissa, Gabi, tinha sido uma daquelas sequestradas para ser vendida. “Ah, cada

evento de venda tem um tema. O último apresentou escravos

mal-humorados com experiência anterior em BDSM. Petulante. Malcriada. Projetada para dar ao mestre um desafio. Receio de que ela não fez jus à sua promessa. O proprietário estava descontente e solicitou um reembolso.”

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O comprador tinha, obviamente, descontado seu desgosto em Kimberly. “Então ela é mercadoria usada. O que há de errado com as outras duas?” “A loira é… Desajeitada. Ela faria bem em um ambiente confortável, mas exibe mal.” O supervisor se virou, e a jovem se encolheu em sua carranca. “A ruiva é muito velha. Ela não estava em nossa lista, mas desde que testemunhou uma captura sendo feita, o entregador a imobilizou com a Taser e a trouxe junto também. Ela tem alguns talentos vendáveis, mas sua idade a coloca em uma faixa de preço mais baixo.” O porão de pechinchas para os escravos. Exatamente como anunciado. Desde que não sabia se os traficantes investigavam a condição financeira do comprador, Raoul não tinha tentado falsificar riqueza extrema. Ao invés, durante a entrevista, tinha perguntado sobre os preços mais baixos dos escravos, imaginando que consolidaria sua história. “Bem, a moreninha tem possibilidades,” Raoul disse. “Excelente.” Satisfação escoou da voz de Dahmer. “Mas teste-a completamente esta noite. Acreditamos que os compradores fazem melhores escolhas e ficam mais satisfeitos se tomam seu tempo e colocam a mercadoria através de seus passos.” “Faz sentido.” Ele pensou sobre jogar com um participante não disposto, e seu intestino apertou. Raoul olhou para cima quando Kimberly reentrou na sala, agora coberta de véus. “Bem…” Deixou-se dizer com um murmúrio apreciativo. Dahmer riu. “Ela pertencia a um grupo de dança moderna que faziam shows para caridade. Eu tinha uma escrava que experimentou lhe dar aulas de dança erótica e… Você verá.” A música tinha começado. Concentrando-se apenas na música do Oriente Médio, Kim andou em um círculo lento enquanto o material de gaze se arrastou atrás dela. Os outros véus que cobriam seu corpo tremularam delicadamente contra sua pele. Descalça, ela se virou devagar, apresentou um quadril, girou, deixando seu cabelo balançar. Viradas lentas. Movendo os braços para enfatizar

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as curvas de seu corpo. Ela deixou o lenço em sua mão flutuar e o substituiu com o que cobria seu rosto. Sabendo que sua resistência era pobre, ela tinha escolhido uma melodia pequena. Ao diabo, com Hollywood’s Dance of the Seven Veils—ela estava fazendo quatro, e pronto. Quando a batida aumentou, ela começou os movimentos ondulantes, ignorando o doloroso puxar dos músculos ainda mal cicatrizados nas costelas. Ela se concentrou na dança, tentando ignorar os homens assistindo. Todos eles. O rosto do supervisor se lavou com luxúria, e ela escondeu um tremor. Música. Pense na música. Mais um véu e seus seios estavam nus. Ela dançou como seu professor ensinou. O comprador de meia-idade tragou e se debruçou para frente. Ela desviou o olhar. Seu corpo queria dançar; Sua alma precisava fugir. Seu cérebro sabia melhor e assumiu o controle, forçando seus pés para mais perto do comprador bronzeado. Olhos abaixo, ela conseguiu dar um sorriso atraente e não fazer careta. Outro giro. Aproxime-se mais. Ela ergueu a cabeça finalmente. Seus olhos encontraram os dele, e ele prendeu seu olhar tão firmemente como quando tinha agarrado seu cabelo mais cedo. Ainda assim seu olhar era quente, tão quente, e quando a liberou, parecia ter tirado todas as cadeias que prendiam seus músculos. A música se derramou ao redor dela, balançando-a em seu abraço. Ela flutuou através da dança, a batida do dumbek2 governando seus quadris, a canção do mizmar3 movendo seus braços e ombros. Cada pé desceu exatamente certo, a sensação indescritível.

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Também escrito como ‘Doumbek’ ou ‘Dumbec’, este tambor é nomeado para o Doum e Bek sons feitos por golpear o centro e perto da borda.

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É um instrumento de palheta dupla chamada mizmar no Egito, e nomeado zurna na Turquia. Parece uma flauta que pode ser única ou dupla.

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Remover o último véu descobriu-a completamente, mas o som aumentou, puxando-a adiante até que desacelerou e parou. Ela percebeu que tinha se ajoelhado na frente de Mestre R, ao invés de no centro da sala. Como se ele pudesse mantê-la protegida dos outros. O murmúrio de conversa veio dos outros dois compradores e o supervisor. Seu peito levantou enquanto tentava recuperar o fôlego. Fora de forma. Ela não tinha dançado desde antes de Lord Greville ter… Desde antes. Um fio de umidade umedecia seu corpo, e a brisa era fresca contra sua pele. Nua. Ela odiava a sensação de estar nua na frente dos homens. Por que não parecia um problema nos clubes que tinha visitado no passado? Porque tinha sido sua escolha então. E tinha se despido para agradar e despertar a quem estava jogando com ela. Agora, o pensamento de despertar alguém não era nada atraente. Mas se não fizesse, as consequências… Ela ainda estava se recuperando da última venda privada — obrigado, Deus — mas depois que os compradores partiram, uma escrava tinha permanecido, indesejada e não vendida. O supervisor tinha lhe dado para a equipe. Os gritos estridentes da mulher tinham morrido eventualmente, em algum momento no final da noite, e no dia seguinte, ela tinha retornado para o quarto fechado. Não uma pessoa mais; Nada vivia atrás de seus olhos em branco. O supervisor tinha multado sua equipe com o salário da semana por arruinar a mercadoria. E a escrava tinha desaparecido. Kim tragou duro. Dedos fortes curvaram seu queixo, erguendo seu rosto. Os olhos castanhos que tinham sido tão frios a princípio, agora seguravam o desejo que não estava certa se queria… E algo mais. Preocupação? “O que está errado, chiquita?” Ele perguntou suavemente. A pergunta e a gentileza trouxeram-lhe lágrimas aos olhos. Ela tentou recuar, mas seus dedos apertaram, mantendo o rosto exposto ao seu escrutínio. Para seu horror, percebeu que estava perto de chorar. Não. “Por favor. Não faça.”

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Sua carranca cresceu. Então, a soltou e desviou o olhar. Quando se voltou, seus olhos eram distantes, seu rosto como pedra, gelando-a por dentro e por fora. Por um momento, ele quase pareceu humano. Você não aprendeu nada, Kim? Você realmente é uma puta burra como Lord Greville disse. “Cavalheiros, se estiverem prontos, o calabouço está esperando,” o supervisor anunciou. O gorducho fez um som satisfeito, o rosto se enchendo de luxúria. O velho retrucou, “Já não era sem tempo.” Se levantou e agarrou Holly pelos cabelos, arrastando-a atrás dele. Ela estava meio curvada. Chorando. O desejo de Kim de matar o homem cruel quase… Quase superou seu bom senso. Mas ela tinha aprendido. Dolorosamente. Interferir significava que os traficantes iriam espancá-la — e à mulher que tinha tentado ajudar também. O pequeno chicote fatiando suas costas, então, a explosão chocante de dor. Os gritos da outra escrava. Suas mãos se apertaram em suas coxas. Não fale; Não olhe. Mestre R se ergueu. “Venha.” Ela começou a recolher suas roupas descartadas, e ele sacudiu a cabeça. “Você está adequadamente vestida para o calabouço.” Quando ficou de pé, ele a agarrou pela nuca, seu aperto firme, mas não doloroso, seus dedos calejados. Empurrando-a na sua frente, ele seguiu os outros para o calabouço, uma área de estar convertido com piso de madeira, cadeias penduradas das vigas, um par de cruzes de St. Andrew, bancos de cavalete, uma mesa de escravidão. Implementos estavam pendurados em painéis escuros nas paredes entre as cortinas cor de sangue das janelas. Até em silêncio, o quarto mal iluminado parecia ecoar com os sons de dor. “Vá em frente e coloque seu potencial escravo em seus passos,” o supervisor anunciou. “Desde que forneceram documentos médicos, os preservativo não são necessários. As três mulheres têm implantes de controle de natalidade e estão certificadas livres de doença.

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Recordo-vos para não infligir danos permanentes, mas qualquer coisa que se curará em alguns dias está bem: Vergões, listras, contusões.” O gorducho se dirigiu a cruz de St. Andrew na parede à direita, pegando um Single tail4 a caminho. O velho empurrou Holly de joelhos ao lado dele enquanto examinava a prateleira de canas. O estômago de Kim apertou quando se lembrou de suas palavras mais cedo. “Talvez haja um agradável lá fora.” Não existia nenhum agradável neste mundo. Oh Holly, eu sinto muito, mel. “E o senhor?” O supervisor se virou para Mestre R. “Eu ouvi que aprecia dispensar uma boa surra.” A mão segurando seu pescoço flexionou ligeiramente. “Eu usarei um flogger5.” Olhando para o chão, Kim respirou, tentando dizer a si mesma que um flogger não era tão ruim quanto outras coisas. Como um chicote. Ou uma cana. A menos que escolhesse um do tipo mais sórdido. Seus nervos estavam saltando com a necessidade de puxar e correr, mas nem sequer sairia do quarto. E então ela pagaria, e pagaria, e pagaria. Eu posso suportar isso. É só dor. De alguma forma, sentia a atenção do comprador sobre ela como uma brisa quente. Seu polegar acariciou o lado do seu pescoço. “Dahmer, você tem uma bonita instalação aqui.” “Obrigado,” o supervisor disse sua voz com a borda lisa e afiada para isso. “Embora puxar tudo abaixo e criar uma nova casa torna-se tedioso.” “Posso imaginar. Quanto tempo você está nesta… Linha de trabalho?”

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O ‘Single tail’(ou o ‘Signal whip’ mais propriamente chamado), é de longe a escolha mais popular dos entusiastas do chicote no BDSM. 5

Acessório com um cabo composto por várias tiras, podendo estas ser de couro, cordas camurça ou outro material semelhante.

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“A Associação de Colheita me contratou cerca de sete anos atrás.” A risada do supervisor fez a pele de Kim rastejar. “Os benefícios secundários são grandes — como treinar a mercadoria.” “Eu imagino. Você escolhe as mulheres?” “Nossos observadores selecionam potenciais escravas de acordo com o que procuramos no momento.” O supervisor acenou para Holly. “Aquela foi apanhada para nosso leilão anual ‘Loiras são mais divertidas’. No quadrante Sudeste, eu seleciono pela lista e contrato as pessoas apropriadas para fazer as coletas.” “Várias camadas em seu grupo. Isso é reconfortante.” Camadas e mais camadas. Afogue os bastardos e deixe os caranguejos comer seus corpos. Kim mordeu a língua até que saboreou sangue. Desde o início, o supervisor tinha explicado há quanto tempo a Associação tinha estado no negócio, e a impossibilidade de suas famílias jamais encontrá-las. Uma escrava desesperada tinha tentado suicidar-se naquela noite, mas o copo de plástico rasgado não tinha conseguido cortar sua pele funda o suficiente. “A segurança e anonimato da associação e nossos compradores é nossa preocupação principal.” O supervisor parou. Kim olhou e o viu gesticular em direção aos floggers na parede de trás. “Eu acredito que encontrará algo lá que se ajuste à suas necessidades.” “Quanto tempo temos?” “O tempo que quiser.” Os olhos do supervisor foram para Kim. “De acordo com seu proprietário anterior, este pedaço de bens não se quebra facilmente.” Sua pele ficou fria; Suas mãos começaram a tremer. Lord Greville não parou até que ela tinha quebrado, e então ele… Mestre R bufou e puxou suas costas contra seu corpo, seu braço ao redor da cintura, uma palma larga cobrindo seu seio. “Qualquer presunto-dado idiota pode fazer uma mulher gritar. Eu prefiro avaliar sua… Receptividade.” Sua mão poderosa a acariciou, seu toque leve. Não de forma repugnante, mas ainda… Tocando-a, como uma lembrança de que seu corpo

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não estava mais sozinho. Ela tentou se mover, mas a faixa de ferro de seu braço segurou-a facilmente no lugar. O supervisor inclinou a cabeça. “É um prazer ter um dominante experiente.” Como se tivesse reconhecido a experiência se não o mordesse na bunda, Kim pensou, mas Mestre R era um Dom. Ela poderia dizer. Quando o supervisor partiu em direção ao comprador gordo, Mestre R girou-a ao redor. Seu rosto não continha nenhuma expressão que ela pudesse ler, e um tremor a percorreu. O que ele planejava fazer? Ela queria tentar convencê-lo a comprá-la ou não? Ele não tinha sido cruel — não da forma como os outros dois compradores exibiram. Seu estômago afundou quando viu Holly contida em um banco, suportando a barra da cana, choramingando com cada golpe. Na cruz de St. Andrew, Linda estava muda, mas as lágrimas escorriam pelo rosto enquanto o chicote deixava listras vermelhas em seus seios e estômago. A mulher mais velha tinha admitido que fosse masoquista — realmente gostava de dor — mas não como isso. Nunca como isso. Kim não queria nenhum desses sádicos, mas este homem era… Observador. Inteligente demais para fugir. Ela vacilou quando o comprador de Holly mudou para uma correia de couro, o som alto no quarto. Deveria dar chance à crueldade na esperança de escapar? O quanto mais seria danificada antes que pudesse ficar livre? “Você está pensando demais, pequena escrava. Mantenha seus olhos só em mim.” Sua atenção se voltou para ele no comando suave. Seu véu de distância tinha caído novamente. Cruzando os braços sobre o peito, ele a estudou, o olhar escuro deslizando sobre seu rosto, seus ombros, suas mãos, suas pernas. Sob o desconforto do silêncio pesado, trocou seu peso quando a agitação em seu estômago aumentou. Um dominante experiente. Viu os sinais na postura e na forma em que às vezes tinha reagido a ele como um Dom — não um monstro. Ele é um monstro. Nunca se esqueça disso. “Qual é seu nome real?” Ele perguntou suavemente.

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Meu nome. Parte de mim. Não respondo a isso. Seu queixo se ergueu e sob seu olhar, seu desafio que tinha enfurecido Lord Greville, se curvou tão inevitavelmente quanto uma palmeira em uma tempestade tropical. “Kimberly. Senhor.” “Obrigado.” Quando seu rosto suavizou em aprovação, seus músculos relaxaram embora soubesse que — e ela sabia — ele era um traficante de escravos. E ele — queria usar um flogger nela. Segurando seus ombros, a girou de costas para ele. Por que não estava sendo rude com ela? Quando traçou as linhas em suas costas, os dedos estavam quentes, os calos raspando levemente. “Você foi chicoteada. Foi antes ou depois de sua escravidão?” Sua garganta se apertou. Escravidão. Por que ouvir a palavra enviava descrença através dela todas às vezes? Isso não pode ser eu. Não pode estar acontecendo. “Depois.” Os olhos de Lord Greville, louco e furioso, a dor, caindo de joelhos, sangue por toda parte. Ele grunhiu. “Imbecis.” O quê? Ela se forçou a ficar quieta. “Você não vai escapar esta noite sem alguma dor, chiquita.” Quando endureceu, ele puxou suas costas contra ele novamente, seu corpo como uma parede de tijolos, seu braço circulando sua cintura. Ele afagou seus seios, sua gentileza desconcertante. Sua respiração arreliando os cachos em sua têmpora. “Você apreciava ser açoitada antes de tudo isso acontecer?” Era uma vida diferente, sem relação com o agora. “Kimberly?” Ela nunca deveria ter dito a ele seu nome — ouvi-lo agora, usada na voz autoritária de um mestre, agitou algo dentro dela. Meu nome. Eu sou real. Eu ainda sou eu, Kimberly Elizabeth Moore. Ela tragou, lembrando-se da pergunta sobre clubes e festas com jogos de BDSM. Antes. “Eu — sim.” “Boa menina.” Sua voz ressonante a relaxou, mesmo tentando manter-se na defensiva. “E as restrições? Elas te incomodam?”

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Isso parecia como antes de alguma forma, a dança de negociações, quando encontrava um parceiro que tinha gostado do que ela fez. Mas não é, Kim. Você é uma escrava. Um buraco de foda. A puta. Ela endureceu. Ele beliscou seu lóbulo da orelha, fazendo-a saltar e levantando um formigar estranho dentro dela. “Fique no presente comigo, Kimberly,” ele disse sua voz muito diferente de antes. Baixa, rica, suave com uma pitada de sotaque espanhol. Tão inesperadamente quente quanto um dia ensolarado na primavera. “Responda-me agora. As restrições te incomodam.” “Não. Na verdade não.” Não é como os espaços fechados, capuzes, jaulas. Seu estômago virou, e seu peito apertou. “Algo a incomoda. O que?” Como se fosse lhe dar uma arma para usar contra ela. Para puni-la como o supervisor tinha feito. Sua boca se comprimiu em uma linha fina. “Não?” Ele suspirou e a virou para enfrentá-lo. Enquanto a considerava, ele massageava seus braços, seu domínio poderoso, controlado… Quente. “Estou indo contê-la e açoitá-la. Vou usar minhas mãos em você, talvez minha boca. Eu sei que não tem uma escolha nisso” — seus olhos gelaram por um momento — “mas você pode achar mais fácil, sabendo que não excederei os limites.” Ele — ele estava certo. Ele não planejava nada que ela não tinha gostado uma vez — nada que ela não tinha sobrevivido desde então. Sem gaiolas. O alívio branqueou sua mente, e um agradecimento lhe escapou antes que pudesse puxá-lo de volta. Um canto de sua boca se inclinou para cima. “Eu gosto de ouvir gratidão.” Ele deslizou as juntas pelo seu seio esquerdo. Como sempre, desde sua captura, ela não sentiu nada. Nem dor, nem revolta, simplesmente… Nada. Seus olhos se estreitaram. Ele acariciou seu seio de novo lentamente, dessa vez estudando seu rosto à medida que fazia. Sem erguer a mão, ele acariciou para cima e acima de seu ombro. Seu pescoço.

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A pele na ponta dos dedos estava um pouco áspera. Sua palma, derretendo o gelo sob sua pele, como o calor do sol dissipava a névoa matutina sobre a água. “Você vai precisar de muito trabalho, chiquita,” ele murmurou, “mas esta não é à noite.” “O quê?” Chocada que a palavra lhe escapou, deu um passo precipitado à distância, tensionando em preparação para o golpe. Ignorando seu engano, ele empurrou seu queixo para a prateleira de restrições. “Escolha algemas confortáveis de punho e tornozelo, então, retorne para mim.” Ela se apressou o alívio fazendo seus joelhos vacilar. Ele não tinha batido nela por falar sem permissão. Em nenhum momento. Mas o que quis dizer com trabalho a fazer? Ela sacudiu a cabeça e se concentrou em fazer como ele tinha ordenado. Uma vez que as algemas estavam fixadas, ela retornou. Ele acenou. “Mãos atadas atrás do pescoço. Abra as pernas mais distantes. Olhos em mim.” Ela seguiu suas ordens, espalhando os pés separados ligeiramente mais largo que o ombro. Outros escravos tinham sido ensinados esta posição, que ela conhecia. Sua experiência tinha sido… Outra. A sensação restritiva das algemas começou a agitar seu estômago. “Muito bom.” Ele checou o ajuste dos punhos. Para sua surpresa, ele deixou a algema do tornozelo muito confortável. Ele a olhou por um momento. “Você é uma mulher adorável, Kimberly.” Passeou ao seu redor, inspecionando-a, e de alguma forma, talvez por causa de seu leve toque, ela não sentiu a náusea e fúria habitual. Ele explorou as marcas em suas costas onde Lord Greville e seu pessoal a chicotearam até sangrar, então as contusões no quadril de quando o supervisor… Sua mente estremeceu na lembrança. Novamente seu dedo atropelou a cicatriz de faca, dando-lhe a estranha sensação de formigamento e entorpecimento de nervos danificados. Ele fez uma carranca no hematoma roxo em seu pé esquerdo pela bota do Inspetor de quando ela derramou uma gota de seu café.

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Depois de correr as mãos por seus quadris, ele tocou em sua boceta. Nua. Lisa. Tinha se tornado uma perita em se depilar nas últimas semanas. Ela sentiu o golpe de sua mão, mas não trouxe nada além de memórias de outras mãos e paus. “Pobrecita,” ele disse em voz baixa e a olhou diretamente nos olhos. “Vou verificá-la mais de perto, Kimberly. Preciso saber se há algum problema.” Mais de perto? Compreensão a atingiu em uma onda estonteante quando ele se moveu para a mesa e esguichou lubrificante sobre os dedos. Oh Deus. Ela fechou os olhos e simplesmente esperou. Não fique tensa. Eu não estou aqui. É um bom dia para visitar a praia. Grãos de areia debaixo de meus pés, a brisa do mar… Para sua surpresa, ela sentiu só o calor de seu corpo, a escova de sua camisa de seda contra seus seios, sua respiração em seu rosto. “Olhe para mim,” ele disse, sempre muito suavemente. Eu não quero. Ela levantou o olhar. Seu rosto estava perto do dela, seus olhos castanhos escuros cheios de compreensão, ela quase choramingou. A mão se curvou sobre seu monte. Não. Ela virou a cabeça, só para tê-lo dando um som baixo de advertência em sua garganta. Ele tinha lhe dado uma ordem. Esperava que obedecesse. Ela levantou os olhos para ele. Seus dedos lubrificados deslizaram sobre ela de uma forma que não sentia há muito tempo. Assistiu-a em silêncio enquanto os dedos tocavam o clitóris, então separavam seus lábios. Ele pressionou um dedo dentro dela, e ela não podia ajudar no instinto de se afastar. “Shhh, chiquita.” A outra mão segurou sua bunda, segurando-a no lugar. Ele a beijou levemente, como se para tranquilizá-la, então deslizou um segundo dedo dentro dela, pressionando para cima. Ela tentou fechar as coxas e percebeu que seus pés estavam entre os dela, mantendo suas pernas abertas. Depois de um momento, ele retirou seus dedos. Não concluiu, entretanto. Recuou e pegou uma luva de látex da caixa. Eu odeio isso. Odeio você. Odeio todos vocês.

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“Curve-se e espalhe suas bochechas, menina.” Sua voz era fria. Cruel. Ela piscou na mudança, então notou o supervisor se aproximando. Será que as atitudes do Dom tinham ficado frias por causa do supervisor? O pensamento era… “Agora, menina.” Sua mente branqueou quando seu corpo ficou tenso. Ele a tocaria… Lá. Rangendo os dentes, ela se curvou, arqueou sua bunda para cima e abriu-se para sua inspeção. Um dedo lubrificado circulou seu aro. “Ela foi tomada no ânus?” “Oh sim. A menos que um comprador solicite uma virgem anal, sentimos que é melhor ter cada escrava preparada.” O dedo espesso do Dom pressionou contra seu ânus. Ela queria escapar, e como se pudesse dizer, ele agarrou seu quadril em advertência. Então, seu dedo violou o anel de músculo, deslizando dentro dela. Dentro e fora antes mesmo do tremor ter deixado seu corpo. “Mmm. Nada mal.” Afastou-se para lançar a luva no lixo. “Eu provavelmente tenho que treiná-la com um longo plug para não rasgá-la, entretanto.” O pensamento a fez se encolher, e raiva subiu para substituir o medo. Como se ele fosse tão grande. Mas um rápido olhar em sua calça indicou que tinha dito a verdade. Ele poderia machucá-la. Mal. Segurando sua nuca novamente, ele a guiou para onde as cadeias se penduravam do teto, entre as presas a parafusos no chão. Ele a colocou em uma posição vertical, a posição de spread-eagle, pernas contidas extensamente separadas, então apertou as correntes em seus braços, se assegurando de que ela não poderia se mover. Ela fechou os olhos, tentando chegar ao lugar onde não machucaria tanto. Não subespaço… Quase isso. Esta dor ela simplesmente suportaria, iria tão longe quanto pudesse. O barco partiria da orla, as ondas espirrando nas laterais, o vento chicoteando seu cabelo… Depois de uma breve pesquisa na parede, ele escolheu um flogger e um chicote de nove caudas e retornou. Para seu desânimo, ele passou a mão por seus ombros, seus braços,

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seu torso, suas pernas. Trazendo-a de volta para o agora, maldito. As palmas eram ásperas, as unhas curtas. Seu corpo se aqueceu sob seu toque. Sua pele; Seu núcleo ficou gelado. Repetiu o processo, roçando os fios do flogger sobre ela. Tinha escolhido peso médio, couro de camurça, não um com fios nodosos, graças a Deus. Ele sacudiu as pontas, e elas tamborilaram contra suas costas como grossos pingos de chuva. Ela saltou, então relaxou quando a chuva do flogger continuou uniforme e suave. Quase reconfortante. Ele se moveu para frente, atingindo-a levemente. “De onde você é Kimberly?” Não importa. Estou no inferno agora. Ela olhou por cima de seu ombro na parede de chicotes e floggers. “Kimberly?” Ele repetiu em uma voz mais profunda. Gaguejou as palavras como se dragadas das profundezas do oceano. “Eu… De Atlanta.” Não, isso estava errado. Minha mãe está em Atlanta. Por que me sinto tão perdida? “Eu trabalho em—” Savannah. Os fios atingiram seus seios, e ela saltou, sentindo algo indesejado florescer dentro dela, algo mais que dor. “Você tem um pequeno acento do sul.” Ele parou e a estudou por um minuto. Seus olhos… Como ele fazia para mudá-los de intestino-arrepiante para o tipo confortavelmente? Avançou novamente, perto o suficiente para que sentisse o calor que irradiava dele, e então acariciou uma mão por seu cabelo. “Pequena escrava, eu vou lhe fazer uma pergunta. O que quer que você responda, não haverá julgamento ou raiva de minha parte. Eu simplesmente preciso saber como você quer que isso vá.” Ela fez uma carranca. Por que ele continuava querendo conversar? Mas ela poderia responder uma pergunta — como se ela tivesse escolha. Ela assentiu. “Bueno.” Ele hesitou por um momento, como se procurando as palavras. “Eu acho que posso fazê-la responder.” Ele curvou a mão em sua bochecha e escovou seu lábio inferior com o polegar. “Fazê-la apreciar o açoite. Fazê-la gozar. Ou eu posso simplesmente açoitá-la até

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gritar de dor. Eu… Esse não é o meu jeito.” Seus olhos escureceram, sua mandíbula apertou com raiva — mas não para ela, de alguma forma ela sabia. “Você já tem levado muito. Ser forçada a responder poderia ser mais prejudicial que suportar a dor. Então, eu deixarei a escolha ser sua. Qual você prefere?” Ela não tinha tido um orgasmo desde sua captura, mas seu toque e a autoridade que usava tão confortavelmente ainda tinha uma forma quase… Atenciosa... Para atraí-la. Um efeito de prisioneiro, sem dúvida, que se agarra ao homem que o trata como uma pessoa. Enquanto esperava, tão horrivelmente confiante em suas habilidades, ela tinha o intestinotorcendo com suspeita de que ele pudesse fazê-la gozar. Aqui. Fazê-la revelar seu eu mais profundo na frente dos escravos. O supervisor. Ela balançou a cabeça e sussurrou, “Não.” “Não para o que?” “Não me faça gozar… Só me machuque ok?” “Você não quer um orgasmo. Você prefere a dor.” Ele esperou por seu aceno de confirmação, e sua boca torceu como se provasse algo sujo. “Então lhe pedirei. Quando machucar realmente, por favor, grite. Levará a ambos para fora daqui mais cedo.” Não. Ela não faria um som. Implorar, gritar, choramingar era admitir a derrota. Com cada surra, ela se agarrava até que a dor a subjugava e aplainava sua mente para o instinto puro. Agora ele a ordenou que cedesse cedo? O pequeno pedaço dela que ainda era Kimberly disse não. Nunca. Entretanto ele tinha lhe dado uma escolha, tinha tentado fazer isso mais fácil para ela. Ou sua generosidade era um truque? Ela não conseguia manter seus próprios argumentos em linha reta. “Ok.” Ele ergueu uma sobrancelha. “Sim, Mestre. Sinto muito, Mestre,” Adicionou tão depressa que a língua hesitou. “Muito bem.” Sua boca se curvou antes que a beijasse novamente, seus lábios quentes contra os frios dela. Quando recuou, sua postura se alterou: Clark Kent para Super-homem. A preocupação que tinha demostrado desapareceu de seu rosto.

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Por que se revelou tanto — lhe disse alguma coisa? Ele a enganou como a uma boba. Ele se moveu com o poder controlado quando agitou o flogger, então desapareceu atrás dela. Os golpes atingiram suas costas, em cada lado de sua espinha, em sua parte inferior. As caudas batiam levemente através de sua pele em um ritmo lento e constante. Então mais rápido. Cedo demais, suas costas e parte inferior começaram a queimar. Ele permaneceu atrás dela, construindo para um açoitamento completo. “Você é malditamente bom nisso, Mestre R,” o supervisor disse, sua voz afiada como uma faca, fazendo-a encolher. “Mas estou surpreso que não a esteja fodendo, como os outros dois.” “Por favor, me chame de Raoul,” ele disse, nunca faltando um golpe. Em todos os lugares que batia estava começando realmente a machucar. E então, ele mudou seu curso para que só as pontas atingissem sua pele, e a sensação de batida mudou para picada. Muito, muito pior. Suas mãos cerraram. “Eu raramente fodo em público,” Mestre R disse. “Se ela não for talentosa agora, ela pode aprender.” Sua voz afiada. “Agora, quero ouvir como ela soa quando gritar.” Através do turbilhão vermelho em seu cérebro, ela pegou sua ênfase leve no texto. Grite. Ele lhe disse para gritar. Não. Nunca. “Vamos tentar o gato.” Os golpes pararam. Passos. Uns sons sibilantes diferentes. Sua coragem fugiu. Um chicote de nove caudas. Ela tentou se preparar. Ele golpeou, rasgando através da pele em sua parte superior das costas como garras. Esquerda, então direita. Oh Deus! Sua mandíbula cerrou não deixando o som sair. Olhou para a parede, os ombros queimando, e quase podia ouvir sua voz: Faça isso. Seu próximo golpe foi mais duro. Ela sentiu a picada e queimadura de pele rasgada. Grite Kim. Sua boca se abriu. Nada saiu.

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Ele atingiu suas nádegas superiores, e desta vez, quando a dor explodiu através dela, forçou um grito agudo a passar pela mandíbula cerrada. Outros dois golpes caíram, rasgando em seu corpo como fogo. A parede de silêncio se quebrou, ela cedeu e gritou novamente. Um filete de líquido escorreu por suas costas. Seu sangue. Ele parou. Oh Deus, ele parou. Lágrimas rolavam por seu rosto, respingando no chão. Através do zumbido em suas orelhas, ela o ouviu dizer ao supervisor, “Um grito bastante melódico. Notei que ela serve muito bem também, e isso é importante para mim. A loira desajeitada seria inaceitável.” “Eu gosto de um mestre que sabe o que quer. Muitos idiotas impacientes compram cegamente.” O supervisor riu. “Mas favorece bons negócios de retorno. Eles quebram seus brinquedos e têm que comprar um novo.” Seus joelhos se dobraram, e ela se pendurou de seus braços, os ombros doloridos. Sentia suas costas como se tivesse deitado em brasas. Kim tragou contra a secura na boca. Tinha sido quebrada uma vez — e se encontrou novamente. Ela não achava que ela poderia sobreviver a outro. “Até as marcas são boas,” o supervisor disse sua voz muito, muito mais perto do que ela gostaria. As cadeias a impediam de se mover quando ficou logo atrás ela. Um dedo correu por sua espinha, e sentiu como se uma trilha de lodo seguia o seu toque. Caia fora. Não me toque. “Eu acertei o que visei.” Mestre R entrou na frente dela, levantou sua cabeça, e a inspecionou friamente. Raoul podia sentir a dor da pequena escrava — dor que ele tinha dado sem prazer, sem satisfação emocional. Culpa disparou através dele, e o desejo de mutilar Dahmer era tão forte que não conseguia se mover. Uma respiração lenta. Ele controlou sua ira, enviando-a para o fundo de seus alicerces, e afastou-se da menina. “Eu gosto de seu profissionalismo,” Dahmer disse. “Você ainda está interessado em fazer testes para fazer uma demonstração em um dos leilões?”

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“Possivelmente.” Ainda poderia entrar em um leilão? Talvez a compra de Kimberly não arruinasse os planos do FBI, afinal. Raoul lançou o gato com as pontas cruelmente atadas em um banco e forçou um sorriso. “Eu gostaria de participar de um para me divertir.” “Receio que os eventos são abertos só para compradores e artistas ativos.” Dahmer limpou a garganta educadamente. “E você indicou que seus capitais eram limitados.” “É verdade. Eu não poderei comprar outro escravo durante algum tempo. Mas eu certamente poderia fazer uma demonstração.” “Não se esqueça, as cenas têm que ser… Carnais… De uma forma ou de outra.” Foder alguma pobre mulher na frente de um bando de pervertidos? O estômago de Raoul virou. “Claro. Qual o sentido caso contrário?” Dahmer riu. “Esse é o espírito. Existe uma longa lista de artistas já esperando, então eu não sei quando você seria marcado. Mas você poderia testar durante sua visita de acompanhamento e entrar na lista.” Mas que diabos? “Parece bom, mas que visita de acompanhamento?” “A informação está na papelada que consegue quando você compra. Mas basicamente é para nossa política de reembolso — e uma forma de garantir que os compradores estão em conformidade com as políticas da Associação de Colheita.” O cabrón viscoso riu. “Depois de algumas semanas, eu passo e o vejo com sua mercadoria. É assim que posso responder a quaisquer perguntas que surgirem sobre o treinamento, e se uma escrava se mostrou insatisfatória durante o período experimental, então eu a removo. Você recebe um reembolso, e nós organizamos para você comprar uma nova.” O que parecia totalmente impossível. Mas não importava agora. Raoul fez uma carranca para Kimberly, cada célula querendo removê-la das restrições e cuidar dela. “Certo então. Esta escrava é adequada. Vamos fazer a papelada.” “Bom.” Satisfação se mostrou abertamente nos olhos do ávaro bastardo. “Eu acredito que ela fará bem para você.”

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Raoul olhou para Kimberly, viu gotejar sangue no chão, e cobriu seu estremecimento com um puxão frio de sua cabeça. “Peça a alguém para limpá-la e vesti-la, por favor.”

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Capítulo Dois Raoul embalou Kimberly em seus braços, assistindo o furgão dos traficantes de escravos se afastar de sua casa, seus faróis iluminando o espirrar da fonte, depois a estátua de bronze de uma garça no fim do passeio. Ele odiava que soubessem onde ele morava, seu passado… Qualquer coisa sobre sua vida. Todavia, era isso que foi contratado para fazer. Quando o ar da noite abafada o envolveu, ele tomou sua primeira respiração decente da noite. Casa. A variação de luzes da porta da frente tentava dissipar a escuridão da noite, mas não apagava o que tinha ficado hospedado em sua alma. Um longo, longo tempo passaria antes que superasse a sensação de impotência e culpa por ter que abandonar as outras duas mulheres. Mas tinha salvado uma. “Não se preocupe, chiquita. Eu cuidarei de você.” Seus olhos se abriram, nebulosos com o sedativo que o supervisor tinha administrado para assegurar uma viagem sem incidentes. “Eu cuido de mim mesma,” ela murmurou se enrolando ainda mais perto em seus braços. Espírito indomável — frágil corpo cicatrizado. Os Federais não aprovariam ele ter escolhido a emoção acima da lógica, mas nunca se arrependeria. Sua cabeça pendia contra seu peito, e seu coração se apertou quando a levou para o frescor de sua casa. Suas botas bateram no azulejo do pequeno vestíbulo e ecoaram na casa vazia. Enquanto ela dormia no sofá da grande sala, Raoul mandou uma mensagem para o número que os agentes do FBI lhe deram. A mensagem era 1, reportando que tinha retornado para casa. De manhã, ele os informaria que tinha ferrado com a operação.

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Ele tentou ligar para Gabrielle. O pensamento de contar a doce submissa que sua melhor amiga foi libertada aliviava seu coração. Mas ninguém respondeu na casa que dividia com seu Dom, e Marcus não respondeu ao celular. Este era o fim de semana que os dois planejavam velejar? Rosnando, ele mandou uma mensagem para eles também, lhes dizendo para voltar para casa amanhã de manhã. Raoul fez uma careta. Aparentemente ele próprio tinha uma escrava para a noite. Escrava. A palavra lixou seus nervos. Ele esfregou o rosto. Mesmo depois de três anos, as sobras da briga feia com sua mãe e irmã ainda ecoava em sua memória. “Você manteve uma mulher como uma escrava? Você é um monstro, Raoul.” A voz da sua divertida e amorosa irmã tinha estado tão fria. Distante, como se já o tivesse cortado de sua vida. O rosto enrugado de sua mãe tinha crescido mais aflito, e os olhos castanhos, que combinavam com os seus se encheram de lágrimas à medida que sussurrava, “Como você pôde, meu filho?” Elas deveriam conhecer Dahmer e ver como verdadeiros monstros se parecem. E agora? Ele franziu a testa na pequena escrava em seu sofá. Pelo menos ela não era realmente sua, ainda que ficasse preso com ela mais tempo do que pretendia. Bonita pequena escrava, de alguma forma inocente e sensual na calça de moletom rosa e camiseta que o supervisor tinha fornecido para ela. Dormia pesadamente. Suas pestanas pretas e espessas se deitavam contra seu rosto pálido, a respiração lenta. Ainda que conseguisse despertá-la, não seria capaz de entender qualquer explicação. Ele suspirou. Seu corpo doendo como se tivesse sido o único a ser açoitado, e estava exausto de uma forma que nunca se sentiu depois de uma cena no Shadowlands. Precisava dormir, ou seria incoerente quando Buchanan ou Kouros chegassem, esperando um relatório detalhado. O sono já era. No corredor de cima com Kimberly nos braços, seguiu em direção ao quarto de hóspedes, e então de lembrou da fúria em seus olhos. Se despertasse, ela tentaria fugir,

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nenhuma dúvida sobre isso. Tanto quanto o pensamento o repugnou, ela teria que ser protegida contra a fuga… Mas ele nunca tinha deixado uma sub contida desacompanhada. Virou-se e foi para seu próprio quarto. Quando a deitou em sua cama, seus olhos se abriram, e ela bateu nele. Ele pegou seu pequeno punho. “Shhh, Kimberly, ninguém vai te machucar aqui.” Mesmo drogada como estava, a torção dos lábios mostraram sua descrença, mas ela não conseguia manter sua raiva. Seus olhos lentamente se inclinaram então se fecharam. Ele acariciou seus cabelos do rosto, desejando que Gabi tivesse estado disponível para levar sua amiga para casa. Kimberly não deveria ter que viver com medo nem mais um momento. Que bagunça. Sem escolha. Ele olhou as algemas do tornozelo e do pulso, que ela ainda usava — brindes do escravizador — e que ainda ficaria por esta noite. Pelo menos o quarto principal já estava instalado para escravidão, com cadeias de ferro pesado. Ele prendeu a cadeia inferior da coluna da cama no tornozelo direito. Nenhuma fuga para você, pequena escrava. Não esta noite. Depois de ajustar as múltiplas ferramentas na bainha da bota, e a chave do cadeado que o supervisor tinha lhe dado na mesa ao lado da cama, ele os moveu para longe do alcance de Kimberly. Seu chuveiro não lavou a sensação de sujeira, mas ajudou. Ele remexeu na cômoda por um par de calças de algodão soltas e as puxou. Ela não despertou quando a rolou de lado e verificou suas costas. Os assistentes puseram bandagens sobre os lugares onde ele tinha cortado sua pele e pomada nos vergões. Tudo parecia limpo. Ele já tinha visto — até feito — muito pior, mas nunca para alguém que não estivesse disposto. Infelicidade estufou em seu peito, ele deslizou sob as cobertas. Sustentando-se em um cotovelo, a estudou, um pouco chocado com o quão diferente ela era de Rachel, a mulher saudável e entusiasmada que teve em sua cama semana passada. Kimberly tinha círculos escuros sob os olhos, hematomas amarelados aqui e ali, e bochechas escavadas que o fazia

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querer alimentá-la. Mimá-la. Mas duvidava que ela concordasse ou dissesse duas palavras para ele, mesmo depois que soubesse que estava segura. Ela só se lembraria de que a tinha açoitado até sangrar. Culpa o apunhalou novamente. Bem, tinha feito o melhor que podia. Ele suspirou. Amanhã não seria um dia agradável. Os agentes especiais Kouros e Buchanan estariam furiosos. Ele deveria rejeitar todas as escravas, essencialmente forçando o supervisor a convidá-lo para o leilão. Ao invés, ele tinha comprado uma escrava. Uma que tinha uma grande raiva chiando em sua alma. Uma que, sem dúvida, odiava o comprador que a tinha chicoteado. Ele poderia despertar com um soco no rosto. Melhor prevenir do que remediar, ele decidiu, e a puxou contra seu peito, assim saberia se ela se movesse. Seu corpo era apenas o tamanho certo para se ajustar dentro de sua curva, e quando deslizou o braço sob o travesseiro e sob sua cabeça, sua bunda suave pressionou contra sua virilha. Ignorando a forma como endureceu, beijou seu sedoso cabelo e a seguiu no sono.

**** Dor despertou Kim. Suas costas queimavam e pulsavam. Sua boca tinha gosto de metal pútrido e estava tão seca que não conseguia engolir. Sua cabeça latejava, e até suas pálpebras pareciam apáticas. Obviamente, ela tinha sido drogada. Novamente. O supervisor fazia isso todas as vezes que moviam as escravas. Disse que isso diminuía as chances de alguém causar problemas. Onde estou? Deitada de lado, ela olhou o sol da manhã dolorosamente brilhante fluindo através das portas francesas. Acorde, cérebro. A venda da noite passada. Ajoelhada na frente de um homem. Dançando. O calabouço. Dor.

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Ela endureceu. Um peso pesado descansava em sua cintura — não cobertas, mas um braço bronzeado, muito musculoso. Um homem estava atrás dela, as pernas entrelaçadas com as suas. O mestre hispânico a tinha comprado. Aquele que a tinha açoitado tão cruelmente que sua costa inteira ainda doía como o diabo. Seu peito duro pressionado contra ela, fazendo a dor quase pior do que a agitação da náusea das drogas e o que ela sabia que viria a seguir. E ela precisava fazer xixi. Ela deve ter se movido, pois sua respiração lenta parou. Seu braço apertou ao redor dela por um segundo, e então ele se sentou. Antes que pudesse reagir, ele a virou de costas. Ela tentou se mover e sentiu o arrastar de uma restrição em seu tornozelo direito. Ela fechou os olhos. Bem-vinda ao seu novo dono. Tempo para uma foda matutina. Suas mãos cerraram à medida que ela congelou, esperando que ele começasse a tirar a roupa. Nada aconteceu. Depois de um minuto, ela abriu os olhos. Ele estava deitado ao seu lado, sustentandose em um cotovelo, estudando-a, exatamente como tinha feito ontem no calabouço. Ela tragou. O que ele quer? Ele suspirou. “Eu não vou saltar em você, Kimberly. Precisamos conversar.” “Conversar sobre o quê? Mestre.” Como ele gosta de seu boquete? Como ele — “Se eu lhe dissesse que a comprei para libertá-la, você acreditaria em mim?” Ela deu um bufo mental. Ele era uma mente-fodida como Lord Greville tinha sido. “Se é o que o Mestre deseja.” Seus olhos castanho-escuros ficaram inesperadamente suaves. “É isso que pensei. Vamos esperar então.” Esperar o quê? “Sim, Mestre.” “Chame-me Raoul.”

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Agora que era estranho. Ela nunca tinha ouvido falar de um mestre dando boasvindas a tal informalidade. E ainda que o fizesse, não tinha a intenção de chamá-lo pelo primeiro nome como se fossem amigos ou algo assim. Nunca. Ele desfez a cadeia em sua perna e a ajudou a sair da cama. Seu estômago torceu quando subiu, sua cabeça girou, e cambaleou para o lado. Suas mãos poderosas se fecharam ao redor da cintura, segurando-a facilmente. Por que ela tinha que conseguir um dono que fosse tão forte? Como poderia escapar dele? Ela iria, entretanto. Provavelmente não hoje — ele estaria assistindo a uma tentativa. E ele fez. Mestre R a acompanhou no banho. Madeira escura, mármore castanho, teto curvado. Outro bastardo rico com dinheiro para comprar uma escrava. Ele apontou-a para o cercado do banheiro, enquanto permanecia na pia. Ela escondeu sua carranca e estudou a janela chumbada de vidro. Ela poderia caber. Sem problema. Ela ouviu a água correndo, os sons dele escovando os dentes, lhe dando a ilusão de privacidade, pelo menos. Depois de fazer xixi — alívio importante — ela relutantemente se juntou a ele e lavou as mãos. Girando para pendurar a toalha de mão, ela estremeceu quando os movimentos puxaram em suas costas doloridas. “Carajo,” ele disse baixinho. “Ponha as mãos no balcão e fique quieta, Kimberly.” Sim, aqui vem. O caralho. De meu amigo, Raoul. Seu interior se enrolou em uma bola apertada quando seguiu sua ordem. Ele puxou a blusa até o pescoço, e ela fechou os olhos. Por que isso nunca fica mais fácil? Uma pausa. Então ele suspirou. “Não estou planejando estuprá-la, chiquita. Preciso cuidar dos danos que fiz.” Ele encontrou seu olhar no espelho, sua simpatia óbvia. “Isso não vai parecer bom, mas vai ajudá-la a se curar. Com o tempo.” Quando ele tocou suas costas, ela encolheu. Deus, isso dói. Sua mão esquerda apertou seu ombro, mantendo-a no lugar enquanto puxava as bandagens, indo muito mais lentamente do que esperava. Em lugar de quase esfregar, ele

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suavemente lavou suas costas. “Sinto muito, mas eu não podia açoitá-la levemente e ainda ser convincente.” De uma jarra no balcão, ele espalhou a pomada sobre suas costas. Lágrimas escorriam pelas bochechas. Quando ele empurrou suas calças, ela enrijeceu, esperando — mas ele simplesmente lavou e untou, prendendo-a contra o balcão para evitar suas tentativas involuntárias de fugir dele. “Tudo feito.” Ele puxou a camisa para baixo e a calça para cima. Ela não conseguia se mover enquanto a dor enchia sua vista com raias vermelhas. Quando levantou a cabeça, ele esfregou o dedo na bochecha molhada. “Pobrecita,” ele murmurou e adicionou em sua expressão confusa, “Pobre pequena.” Depois de lhe dar uma toalha, saiu do banheiro. Quando lavou as lágrimas do rosto, e quando a dor morreu, ela teve que se perguntar: Por que ele está sendo tão bom comigo? A única resposta que encontrou foi… Feia. Ela verificou a janela novamente. Muito alta para se contorcer rápido e… Ela olhou por cima do ombro direto para onde ele estava no quarto e encontrou seus olhos conhecedores. Ele acenou para ela. “Venha. Vamos tomar o café da manhã antes que as pessoas cheguem.” Tudo dentro dela encolheu. Outros homens. Ele queria exibir sua nova escrava. Talvez partes. Antes de alcançarem o final dos degraus, a campainha tocou. Ele olhou o relógio e murmurou, “Nenhum café da manhã para qualquer um de nós.” Ele se dirigiu à porta da frente, a mão firme em seu braço. “Prepare-se, Kimberly. Você terá uma agradável surpresa.” Agradável. Seja real. Ela conseguiu manter a zombaria do rosto, mas ouviu seu bufar divertido. Seu dono abriu a porta. E deixou-a lá, recuando. Kim olhou para a mulher, incapaz de se mover, seu mundo tremeu em uma parada. Cabelo vermelho com uma faixa azul, pele cremosa, grandes olhos azuis. Gabi?

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Um grito agudo de alegria dividiu o ar. “Kim. Oh, Deus, Kim!” Gabi a agarrou em um abraço saltando pra-cima e pra-abaixo. Dor ardente rasgou Kim, e ela ganiu. “Dios!” Mestre R afastou Gabi. “Pare com isso. Solte-a, Gabi. Agora.” O comando afiado congelou Kim no lugar. Gabi fez uma careta para Raoul. “Raoul, o que—” “Você a está machucando. Eu a açoitei ontem à noite.” “Por que diabos você fez isso?” A fúria no rosto de sua melhor amiga apavorou Kim. Se Gabi fosse rude com ele… Ela agarrou o braço de Gabi. “Shhh. Não o deixe louco.” “Kim,” Gabi disse, “você não—” “Shhh.” Ela não podia… Não podia deixá-lo ferir Gabi. Entrou na frente de Mestre R. Ele teria que passar por ela primeiro. Ele nem sequer tentou. Ao invés, ele lentamente acariciou seus cabelos, ignorando a forma como se afastou. Seus olhos pareciam tão gentis quanto sua mão. “Valente chiquita. Ninguém machucará Gabi ou você, Kimberly.” Olhou para Gabi. “Era o único jeito de tirá-la.” Um homem apareceu na porta. Cabelos no estilo castanho, olhos azuis penetrantes, mais alto que Mestre R. Ele pegou Gabi pelos braços e a ergueu para um lado, para que pudesse entrar na casa. Obviamente um mestre com uma autoconfiança terrível. Oh Deus, eles sequestraram Gabi também. Enquanto ele cumprimentava Mestre R, Kim tragou e se virou para Gabi, sussurrando a pergunta horrível, já sabendo a resposta. “Você é uma escrava?” Os olhos de Gabi se arregalaram, e ela tomou as mãos de Kim. “Oh Kim, não. Nem você, doçura.” “O que quer dizer?” Kim a olhou, então para Mestre R. Seu dono. Ele olhou para ela. “Não sou um traficante, chiquita. Estou trabalhando com o FBI, mas você não acreditaria em mim, você pensou que eu estava tentando bagunçar sua mente.”

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Kim balançou a cabeça. Seus lábios entorpecidos. FBI? O ar pulsou ao seu redor, embora o rosto parecesse frio. Seus joelhos cederam, derretidos no chão, e o quarto girou enquanto caía. “Carajo!” Mestre R a agarrou e segurou, seu braço como ferro contra suas costas, e ela choramingou no chamuscar de dor dos vergões. “Shhh, chiquita.” Sua voz suave, aveludada e quente, se envolvendo ao redor dela e aliviando seu caminho na escuridão. Raoul se sentou no sofá da sala grande, não querendo liberar a pequena escrava em seus braços, a necessidade de confortá-la mais forte que qualquer coisa que já tivesse sentido antes. Ela tinha sobrevivido a horrores, e os efeitos colaterais ainda ficariam com ela por um longo, longo tempo. Quando a cor voltou ao seu rosto, ela piscou para ele, seus olhos enormes. Antes que se apavorasse, a colocou ao lado dele, perto o suficiente para que pudesse se encostar contra ele. Se ela escolhesse. Se sentindo machucado ao saber que ela não iria. Gabi se sentou do outro lado e segurou suas mãos. Será que as mulheres sequer perceberam que ambas estavam chorando silenciosamente? Marcus veio da cozinha com um pouco de suco. Ele apertou o ombro de Gabi confortavelmente enquanto entregava o copo a Raoul. “Eu quero que beba isso, Kimberly,” Raoul disse, segurando o copo em seus lábios. Depois de tomar um gole obediente, ela o olhou através de cílios encharcados. “Realmente? Eu estou livre?” “Realmente.” Ele fez uma carranca. “Mas pode haver alguns problemas.” “Esse é um problema com certeza. Que diabos você fez?” Buchanan entrou na casa e bateu a porta antes de atravessar a sala. O grande homem tinha jogado combate defensivo na faculdade e não tinha encolhido nada nos anos seguintes. A compleição escocesa do Federal estava virando um sinistro vermelho escuro.

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Bem, ele não esperava que o FBI ficasse satisfeito, e, pelo menos, só tinha que lidar com um dos pares. Raoul sorriu. “Buchanan. Conheça a amiga de Gabi, Kimberly. Ela estava à venda a noite passada.” “E você só teve que salvá-la?” O agente soou como se seus dentes estivessem moendo juntos. Então, ele fez uma carranca. “Realmente? Esta é Kimberly Moore?” Ele murmurou algo baixo — provavelmente para que assim Raoul não conseguisse ouvi-lo — e recuou. “Desculpe Sandoval. Você era o único em campo. Inferno, eu provavelmente teria feito a mesma coisa.” Ele se agachou na frente de Kimberly. “Eu sou o Agente Especial Vance Buchanan do FBI. Raoul está ajudando com nossa investigação. Ontem à noite, ele deveria sair sem nenhum escravo, mas” — ele deu a Gabi um sorriso — “ele sabia há quanto tempo Gabi tem tentado encontrá-la.” Gabi sorriu por entre as lágrimas e esfregou o ombro contra o de Kimberly. A pequena escrava olhou para Buchanan, Raoul, então Buchanan novamente. Ele quase podia ouvir seu cérebro trabalhando. “Uma operação do FBI? O que isso significa?” “Boa pergunta.” Buchanan franziu a testa para Raoul. “O quanto esta operação foi danificada? E como diabos você conseguiu tirá-la, ainda mais em casa?” Raoul sorriu. “Nada foi danificado… Muito. Eu a comprei, e a ajuda contratada nos devolveu.” “Sandoval, você não tem esse tipo de dinheiro.” “Z abriu uma conta fora do país se caso acontecesse de encontrá-la.” Marcus bufou e caiu em uma cadeira, dizendo em sua voz suave do Sul, “Aquele homem é assustador.” “Então você a comprou.” Buchanan subiu e começou a compassar pela sala. “Isto não estava nem remotamente em nenhum de nossos planos de contingência.” “Não. Mas há tempo para decidir o que fazer. Eu disse ao supervisor que planejava usar minha cabana da montanha para... Quebrá-la.” Raoul olhou para Kimberly. Seus olhos azuis eram como um céu chuvoso. Ele usou um dedo para enxugar as lágrimas de seu rosto,

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inexplicavelmente aliviado quando ela não vacilou longe de seu toque. “Eu tenho uma construção de ponte no México precisando de minha atenção. Gabi pode levar Kimberly para casa com ela.” Buchanan movimentou a cabeça. “Isso pode funcionar. Mas queremos um relatório completo antes de partir.” “Claro.” Raoul franziu a testa em Marcus. “Certifique-se de que ela fique longe da vista até descobrirmos em quanto perigo ela estará.” Marcus assentiu. Considerando o inferno que o advogado tinha sofrido quando os traficantes sequestraram Gabi, Raoul sabia que seu amigo não seria descuidado com a segurança das mulheres. Raoul se voltou para Kimberly, seu coração dolorido. Ao ser voluntário após um terremoto, ele tinha visto sobreviventes com a mesma expressão chocada, que mostrava que tinham descoberto o quão inseguro o mundo poderia ser. Cada gene dominante em seu corpo lhe disse que ela precisava ser cuidada, protegida, ajudada — e que ele deveria ser o único a fazer isso. Mas um mestre era a última coisa que ela procurava. “Dê-me seu pulso.” Ela hesitou por um longo momento, então estendeu um braço. Depois de tirar as chaves do bolso, ele abriu e removeu os punhos dos tornozelos e pulsos. Finalmente o colar. Quando ele puxou longe, o alívio em seu rosto quase partiu seu coração. Um segundo depois, sua expressão mudou para fúria. Ela o arrancou de seus dedos e o lançou através da sala, então se encolheu. “Sinto muito.” Seus ombros enrijecidos como se preparada para que ele a batesse. “Relaxe. Eu entendo.” Ele olhou o colar, deitado como uma coisa morta no chão, lembrando-se da primeira vez que teve uma mulher de coleira. Ela tinha lágrimas de alegria, de gratidão em seus olhos. Ela tinha beijado o couro, e então suas mãos quando o afivelou em seu pescoço. Ele tinha ficado humilhado com sua confiança, determinado a nunca deixá-la para baixo, a amá-la e apreciá-la. O colar que tinha dado a sua primeira escrava tinha sido acolchoado por dentro, suave em sua pele.

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Ele traçou um dedo sobre uma cicatriz e marcas cruas no pescoço de Kimberly do couro áspero, antes de perceber que ela estava se esforçando a ficar quieta. Não, ele não iria conseguir sua pomada cicatrizante. Não é minha para cuidar. “Você ficará bem, chiquita?” Ela o olhou duvidosa, como se esperando sua raiva, mas tudo que ele tinha para oferecer era tristeza. Ela tocou seu pescoço nu, e determinação encheu seu rosto. “Eu vou ficar bem.” Quando desviou o olhar para o oceano, a tempestade nos olhos resolvida. “Eu vou.”

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Capítulo Três Gabi tinha convidado mais de dois amigos, e Kim tinha se escondido no banheiro. Esperando poder protelar por mais um minuto, ela se olhou no espelho. O top azul sem mangas que Gabi havia lhe emprestado se ajustava razoavelmente bem, desde que ela não havia recuperado todo seu peso ainda. Os olhos claros, nariz e bochechas um pouco queimados de sol. Quase aparentemente saudáveis, pelo menos do lado de fora. Faith, a psicóloga, continuava insistindo que a auto-avaliação era uma parte necessária de recuperação. Fácil para ela dizer. A última semana tinha sido… Ruim. Muito ruim. Mas — ela acenou para si mesma — agora já não mais chorava tão violentamente que acabava no banheiro vomitando, embora as lágrimas ainda batessem sem aviso prévio. Seus turnos de terror tinham diminuído, e hei, às vezes até conseguia falar com si própria. A sensação de que algo horrível aconteceria a cada segundo tinha ido para oh… Cada poucas horas. Pequenas vitórias. É claro, ela teve a ajuda de todos, inclusive um conselheiro. Obrigado, Mestre R. Embora nunca a tenha visitado, ela sentia que ele estava olhando por ela. Talvez tenha sido pela forma como um médico tinha aparecido logo após ter chegado à casa de Gabi, então Faith naquela noite e diariamente depois disso. Gabi e Marcus ficaram surpresos; Mestre R — Raoul — tinha organizado tudo sem qualquer consulta. Ontem, ela tinha recebido os resultados dos testes que o médico tinha feito. Sem doenças sórdidas. Sem gravidez. Ela bateu levemente no peito, sorrindo. Hoje, a sensação de um elefante-no-peito tinha desaparecido. Sim, estou melhorando. O aconselhamento definitivamente tinha ajudado. Assim como Gabi, com seus anos como especialista em vítima e sua própria história de estupro. Kim podia compartilhar com Gabi coisas que não conseguia dizer a Faith — e vice-

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versa. As duas mulheres deram sua simpatia, abraços, e uma dose dura ocasional de realidade. Gabi, especialmente, sacudia a cabeça e dizia, “Sim, claro que você está tendo ataques de pânico e pesadelos. Eles podem não acabar completamente, mas vão diminuir.” Isso tinha ajudado muito, saber que Gabi continuou a ter uma vida. E encontrado o amor. E que doçura ela tinha encontrado. Kim suspirou. Marcus não conseguia disfarçar que era um dominante, mas se manteve a distância, nunca pedindo Kim para fazer qualquer coisa, normalmente deixando Gabi fazer e falar. Vendo sua ternura com Gabi e o amor que lhe demostrava abertamente, tinha sido uma cura por si só. Por que eu não poderia ter encontrado alguém assim? Por que os traficantes me escolheram de qualquer maneira? Outras mulheres gostavam de BDSM, foram para os clubes, e não foram imobilizadas por uma arma Taser e sequestradas. Acorrentadas e espancadas. Por que eu? Porque sou uma puta? Kim se olhou no espelho. Será que mostrava em seu rosto, talvez? Gabi tinha parado de visitar clubes de BDSM anos antes. Eu continuei, até dirigir de volta de Savannah para visitar o clube Atlanta. Então, talvez Kim merecesse tudo que tinha passado. Talvez realmente fosse uma puta e um buraco de foda como Lord Greville tinha dito. Risos vieram do outro quarto, invadindo seus pensamentos antes da escuridão subjugá-la. Com um suspiro trêmulo, Kim empurrou a desolação de lado e tentou se lembrar do que Gabi e o conselheiro disseram. Eu não sou uma puta. Não. “Kim, saia aqui,” Gabi chamou. “Os biscoitos já saíram do forno. Jessica e Kari estão com fome.” Já era suficiente. A recuperação levaria tempo. Eventualmente, o FBI lhe daria permissão para ir para casa. Eu posso fazer isso. Depois de espirrar água fria no rosto, Kim se juntou a Gabi na cozinha, onde a fragrância reconfortante de biscoitos recém-assados recheava o ar. O telefone tocou, e Gabi fez um som de exasperação. “Aqui. Você pode tirar estes?” Ela lhe entregou o prato e se virou para atender ao telefone. “Oi?”

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Quando o riso das duas mulheres veio da sala de estar, Kim ficou parada, tendo que lutar contra o desejo de se retirar para a solidão. Uma vez que se juntasse a Jessica e Kari, ela sabia — sabia — que iluminariam seu humor. Isso era outra coisa que Gabi tinha feito. Quando Kim tinha começado a se afastar das pessoas, Gabi trouxe um casal de amigos submissos. Estando no estilo de vida, eles tinham uma boa idéia do que tinha acontecido e como uma pessoa poderia reagir. Sua compreensão, sem Kim ter que se explicar, foi maravilhoso. Ela tinha gostado deles. A única luz durante seu cativeiro tinha sido a amizade com as outras escravas. Como Linda, a mulher mais velha que — Kim tragou — que aquele gordo desprezível tinha batido. Quando os assistentes estavam colocando as bandagens em suas costas, Kim tinha ouvido o bastardo se recusar a comprar a ruiva, dizendo que ela era muito velha. Deus, Linda teria sobrevivido ao que o supervisor fez para as escravas que não eram vendidas? Kim deu um suspiro. Preocupar-se não ajudaria, ou assim o conselheiro lhe dizia. Só que a deixava tão... Tão louca. E culpada, de como tinha abandonado Linda sem fazer nada para salvá-la. Mas o que poderia ter feito? Talvez ela— Gabi pigarreou e fez um punho, gesticulando do jeito que significava a toda velocidade. Eu nunca deveria tê-la ensinado esses velhos sinais de reboque. Kim acenou e se dirigiu para sala. “Você tem os biscoitos!” Jessica se aproximou. Depois de uma mordida, a pequena loira gemeu de prazer. “Kari, esta é a melhor receita.” Outra mordida e pegou um segundo biscoito, enviando uma carranca para a mulher do outro lado da sala. “E hei, obrigado por não me ajudar a perder peso.” “Z gosta de você redonda,” Kari disse. “Estou apenas fazendo um favor.” Quando Jessica se enrolou em uma cadeira para mordiscar, Kim colocou o prato na mesa de café para Kari e tentou não rir.

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A muito grávida professora de rosto doce estava tentando se abaixar em outra cadeira estofada. Finalmente, com os braços firmes, ela soltou o último pé com um salto e um chiado. Depois de um contorcer para se acomodar, deu a Kim um sorriso composto. “Fiz isso.” “Uh-huh. Deus a ajude quando quiser se levantar novamente. E você ainda tem outro mês?” “Se eu sobreviver tanto tempo.” Kari se debruçou para pegar um biscoito e foi bloqueada por seu estômago. Ela deu uma risadinha. “Ajuda?” Ninguém poderia ficar mal-humorada ao redor das duas. Jessica era inteligente, lógica e agressiva. Kari quase irradiava de alegria com a nova vida dentro dela, apesar de estar tão pequena e redonda, ela se assemelhava a uma bola de boliche. Kim lhe deu um par de biscoitos. “É menina ou menino?” “Dan não quer saber, e eu deixo do seu jeito. Embora esteja chegando à frente na conquista de argumentos.” Kim sorriu. Ontem, quando o marido de Kari a trouxe para uma visita, ela estava cuspindo fogo. Aparentemente, Dan a viu tentando ajustar a cadeira do motorista para acomodar o estômago, mas não tão longe que não pudesse alcançar o volante. O Dom tinha lhe tomado às chaves do carro. Kim poderia ter ficado mais brava, exceto que o homem tinha dirigido Kari acima de si mesmo. Com os olhos duros e insolentes de policial, ele parecia realmente querer dizer, ainda assim, tinha tocado em sua esposa tão suavemente quanto Marcus fazia com Gabi. Era bom ver demostrado que nem todos os homens era o inimigo. Mas alguns são. Empurrando o pensamento de lado, ela pegou um biscoito e sentou no sofá. Gabi entrou sobrancelhas franzidas. Ela apertou o ombro de Kim antes de se sentar ao seu lado. “Era Vance — o cara do FBI. Ele está vindo hoje.” “Sério? Bom.” A antecipação de Kim subiu. Eles tinham lhe pedido para não chamar sua mãe até que descobrissem algumas coisas. Mamãe deve estar louca de preocupação. Preciso ir para casa. “Quando estará aqui?”

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“Imediatamente.” Jessica franziu o nariz. “É o homem típico. Ele provavelmente cheirou os biscoitos assando toda distância através da cidade.” Ela se debruçou e pegou seu copo de chá gelado. “Falando nisso, posso levar alguns para Z? Ele ama biscoitos de chocolate.” “Quem não faz?” Gabi disse. “Mas com certeza, fizemos toneladas.” “Coma, Kari, e vamos partir antes de Vance aparecer. Caso contrário eu questionarei o Sr. Boca Fechada Agente Especial sobre o que está acontecendo, e ele não derramará, e eu ficarei louca e serei rude.” Jessica rolou seus olhos. “Ele dirá a Z.” “E você adoraria.” Gabi riu. “Todas nós sabemos que faz isso só para ver qual a tortura criativa Z usará em você.” Jessica apontou seu biscoito em Gabi. “Leve um por reconhecer uma.” “Isso é verdade.” O sorriso satisfeito de Gabi parecia exatamente como o do seu jovem gato, depois que pegou uma asa de galinha da mesa. “Eu não estou certa de quem é mais inventivo, seu Dom ou o meu.” Kim estremeceu. “Não se preocupe, buraco de foda. Sou bastante inventivo em encontrar formas para quebrar as escravas.” O açoitamento. A gaiola. “Kim.” Kim levantou a cabeça ao som de seu nome. A preocupação tinha escurecido os olhos verdes de Jessica quando disse, “Sinto muito.” “Hei, estou feliz de ter recuperado o suficiente para que você esquecesse,” Kim disse, lembrando-se de todas as vezes que tinha se dissolvido em lágrimas. “Além disso, é bom ser lembrada de que há tal coisa como provocar um Dom por diversão.” Kari sorriu. “Nesse caso, você deveria ter estado no último churrasco, quando Gabi chamou Marcus de cretino e lhe perguntou se tinha uma tigela extra de estúpido naquela manhã.” Kim sentiu o sangue drenar de seu rosto. O que ele fez para ela?

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“Fácil, menina. Ele não bateu em mim ou qualquer coisa.” Gabi esbarrou seu ombro contra o de Kim. “Eu preferiria que tivesse batido. Você acredita que o cabeçudo me jogou na piscina depois que passei uma hora no cabelo e maquiagem? E eu tinha feito algumas tatuagens temporárias muito legais ao redor de meus braços também.” Kim estalou uma risada; O nó no estômago aliviado. “Você parecia tão engraçada.” Jessica subiu e arrastou Kari fora da cadeira com um grunhido de esforço, antes de sorrir para Kim. “Ela continuou o amaldiçoando, e ele a empurrou de volta — eu acho que cerca de quatro vezes antes dela acalmar-se o suficiente para implorar perdão. E então ela o abraçou.” Kari riu. “Você deliberadamente conseguiu sua roupa toda molhada. Ele não sabia se ria ou amaldiçoava.” “Ensinei-o por tentar me afogar.” Ainda sorrindo, Gabi andou com as outras duas mulheres para frente, trocaram despedidas, então voltou a se sentar ao lado de Kim. “Hei, Jessica se esqueceu de levar os biscoitos para Z — mais para nós.” Antes dela conseguir colocar um biscoito na boca, a campainha tocou. “Bem, inferno.” Alguém lá fora. A frequência cardíaca aumentou, Kim agarrou sua mão. “Não, pode não ser Vance. Eu ouço outro homem também. Você não sabe quem é.” “Eu reconheço as vozes. Está tudo bem, é amiga.” Depois de um par de respirações lentas, Kim conseguiu largar a mão de Gabi. “Desculpe.” “Estive lá, fiz isso. Leva tempo.” Gabi se apressou para a porta e a abriu. O agente entrou primeiro, seguido por… Mestre R? Em jeans e uma camisa branca, ele acenou para Gabi, e então seu olhar escuro foi direto para Kim. Intenso, poderoso. Sua cabeça girou, e seu rosto queimou, mas a cova do estômago sentiu como se tivesse tragado cubos de gelo. Tonta, ela se espremeu em um canto do sofá e puxou as pernas. Sua boca aplainou em uma linha reta, e disse algo a Vance muito baixo para ouvir.

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“Nós veremos.” Em cáqui e uma camisa azul de manga curta, Vance entrou na sala e tomou a cadeira em frente ao sofá. “Como você está passando, Kim?” Ela tragou. Estes são amigos, não o inimigo. Mestre R — Raoul — me libertou. Essa foi à única razão, percebeu, de não ter corrido para o quarto. Ele a salvou. “Não bem, mas melhor.” “Muito melhor,” Gabi disse firmemente e caiu ao lado dela. Perturbadoramente, Mestre R arrastou o grande pufe para mais perto de Kim e sentou. A curta distância. Kim mal se segurou de se encolher longe. Ela tinha esquecido o quão musculoso ele era. As mangas de sua camisa polo se esticaram para se ajustar ao redor dos bíceps espessos. “Você disse que precisava falar sobre problemas,” Gabi iniciou. “Problemas, definitivamente. Nossa operação é…” A mandíbula de Vance apertou. “Os leilões da Associação de Colheita são grandes eventos com muitos compradores, muitas escravas, e um grande número do pessoal da associação. Nós já queremos um ataque há algum tempo, mas mudam os locais e informam a data e a hora do leilão só no último minuto. Os compradores são transportados

em furgões

sem

janelas e com tecnologia anti-

rastreamento. Sandoval era pra ter recusado as escravas, assim seria convidado para o próximo leilão. Ao invés…” Ele gesticulou em direção a Kim. Ao invés ele me comprou e não conseguirá um convite. Kim molhou os lábios secos. “Sinto muito.” “Eu não sinto, chiquita,” Mestre R disse suavemente. “Vamos descobrir algo.” “Mas o FBI está bravo e—” Vance sorriu levemente. “Não podemos estar bravos com ele. Se apresentou como um comprador sozinho e foi generoso o suficiente para nos deixar em ação.” “Eu não sabia disso,” Gabi disse. “Você não foi recrutado? Mas por quê?” Mestre R piscou-lhe um sorriso. “Minha mamá me chamou de Raoul Wallenberg. Como não posso ajudar?” Sua boca endireitou. “Gabi, é trabalho de um Dom proteger seus

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submissos, não se recostar enquanto eles se prontificam a ser sequestrados.” Deu-lhe um olhar duro. Kim agarrou a mão de sua amiga. Gabi tinha feito coisas loucas tentando resgatá-la. E se os traficantes tinham realmente tido sucesso e se— “Pare de imaginar,” Gabi murmurou para ela. “O que acontece agora? Kim pode ir para casa?” Vance hesitou, e Kim não conseguiu aguentar o silêncio. “Eu sei que provavelmente não é uma boa notícia. Só cospe isso, ok?” Ele sorriu. “Se pode falar assim comigo, você está passando melhor do que pensei.” Mestre R rosnou. “Ela é muito forte, mas tem estado muito ferida. Isto não é—” Vance interrompeu. “Primeiro, ir para casa não é uma boa ideia.” Ele esfregou a nuca, sua voz firme. “Descobrimos pelo menos duas escravas que fugiram.” “Sério?” Gabi se debruçou adiante. “Então elas podem identificar, testemunhar—” “Elas não podem,” Vance disse sem rodeios. “Elas estão mortas, junto com todas as pessoas com quem falaram.” Kim sentiu sua pele ficar fria e úmida. Ir para casa colocaria sua mãe em perigo? “Sinto muito, Kim.” Vance começou a dizer algo e então parou. Esperou. Não pode ir para casa. Deus, ficando aqui… Ela tragou e se afastou de Gabi. “Eles podem vir atrás de Gabi e Marcus?” Gabi interrompeu. “Você nem mesmo comece a pensar como—” “Pode não ser uma boa ideia ficar aqui,” Vance interrompeu. Se ela corresse, onde se esconderia? O supervisor alegou que tinham pessoas em todos os estados. Ela não tinha dinheiro. Seus braços envolveram suas pernas. A maré estava subindo, e era negra. “Kimberly,” uma voz baixa e ressonante disse. “Kimberly.” A voz de Mestre R. Ela estremeceu e olhou para ele.

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Seus olhos seguraram os dela. “Melhor. Você escutará tudo antes de entrar em pânico. Você tem opções, chiquita.” Seu olhar atento ficou nela à medida que solicitou “Buchanan, continue.” “Nós estamos tentando realizar duas coisas,” Vance disse. “Mantê-la segura e continuar com a operação de fechar o negreiro no quadrante Sudeste. Você tem um par de escolhas.” Ele esperou que ela acenasse. “Podemos colocá-la em um programa de proteção a testemunhas. Sandoval apresentará um relatório que você morreu — não podemos arriscar dizer que escapou, no caso de seguirem sua família — e ele pedirá para comprar outra escrava. O lado ruim é que sua morte teria que ser pública o suficiente para que soubessem que era verdade. Sua família iria… Poderia ser difícil para eles.” Kim olhou fixamente. Mamãe tem que pensar que estou morta? Ele é louco? “Qual é o outro plano?” Deve ser melhor. “Desistimos de ter Sandoval participando do leilão. Ao invés ele se referiria a outra pessoa.” “Isso soa bem,” Gabi disse. “Seria com exceção da Associação fu — malditas precauções. A única forma de falar com o supervisor está na visita de acompanhamento.” Vance franziu a testa para Kim. “A visita onde descobre se o cliente está satisfeito. Onde esperará vê-la, escrava de Buchanan. Uma boa escrava, pois caso contrário você retornará.” Kim sentiu o chão desaparecer. Ser uma escrava. Encontrar o supervisor novamente? “Deus, não.” Gabi fez uma careta. “Ela não pode lidar com isso.” Todo sentimento retrocedeu dos dedos de Kim. O quão branco tinha conseguido. Ela tinha deixado algum sangue dentro dela? “Quanto tempo é a visita? Quanto tempo eu teria que fingir?” Ela teria que ver o supervisor. Bem no fundo do corpo, seus ossos se agitaram como de um esqueleto de Halloween em um vento frio. “Eu não estou certo. Provavelmente um par de horas pelo menos, talvez uma noite.” Vance balançou a cabeça. “Mas, Kim, o problema é este: O supervisor não faz contato por

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algumas semanas. Nesse ponto, ele esperaria ver uma escrava muito bem treinada. Uma que conhece Sandoval — seus hábitos, seus protocolos.” “Ela poderia fingir.” Vance bufou. “Não seja estúpida, Gabi. Isso não é algo que um escravo aprende em uma hora. Quando Marcus acena com a cabeça no chão, ele quer dizer despir-se e prostrar-se, chupar seu pau, ou apresentar-se no estilo cachorrinho, ou talvez ajoelhar-se com as mãos em suas coxas? Ou ele prefere suas mãos atrás da cabeça?” Com desânimo, Kim viu o aceno de compreensão de Gabi. “Mas talvez ela pudesse ser… Bem, mantida em um quarto separado. Como se Raoul só a usasse para sexo ou algo?” Gabi perguntou. Mestre R sacudiu a cabeça. “Durante minha entrevista com o supervisor, ele perguntou quais as funções que minha escrava realizaria. Eu disse que queria serviço, como também sexo. Nunca imaginei ser pego nesse tipo de situação.” “Quem poderia?” Vance perguntou. “Então Kim seria esperada para servir e estar presente na sala. Se encolher caso desagradou seu mestre, não seria incomum, mas se encolher sempre que ele a toca — ou até olha para ela? Não. Não saber o que fazer quando ele acenar para algo?” O olhar de Vance se virou para Kim, pesar suavizando seus olhos azuis. “Você não pode fingir esse tipo de escravidão, doçura. Você teria que viver com Sandoval a partir de agora e realmente ser sua escrava, a fim de agir como uma na frente de alguém tão experiente quanto o supervisor.” “Eu já te disse que não. Eu não terei nada a ver com isso,” Mestre R disse em uma voz dura. “Ela não pode fazer isto.” A pequena quantidade de orgulho em Kim chamejou na facilidade com que ele a despediu. Ela poderia fazer qualquer coisa que colocasse na mente. Mas o resto dela concordou. Voltar a ser uma escrava? De jeito nenhum. Mas então eles teriam que dizer a sua mãe que ela estava morta? Sua mãe sobreviveria a um golpe tão devastador? Não.

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“Eu não vejo qualquer outra escolha,” Vance disse. “Não se—” “Eu a comprei para libertá-la, não atormentá-la ainda mais.” Mestre R interrompeu. “Ela já tem pesadelos suficientes sem eu adicionar a eles. E se ela entrar em pânico quando ele estiver lá?” “Não seria tão suspeito,” Vance disse. No olhar mortal que Mestre R deu a ele, deu de ombros. “Por ainda estar lutando com seus problemas seria normal o suficiente. Ou então seria nervosismo. Mas ela não poderia falsificar um treinamento que nunca teve. A maioria dos mestres dá alguma instrução, até para uma escrava sexual. O problema é que você não só pediu uma escrava de serviço, você também é conhecido no estilo de vida como sendo um excelente professor. Sinto muito, Raoul. Você terá que treiná-la — e terá que tocá-la também.” “Talvez eu pudesse ir e ficar com ela? Seria mais fácil com… Companhia ou algo,” Gabi ofereceu. Kim olhou para cima. Talvez isto— Vance balançou a cabeça. “Eles fazem uma extensa verificação dos compradores, então sabem que Sandoval vive sozinho. Eles poderiam fazer algum tipo de monitoramento depois da venda. Trazer outra mulher logo após ter comprado uma escrava seria completamente improvável, e, provavelmente, enviaria uma bandeira de advertência.” Ele fez uma careta. “Eles são bastardos paranóicos.” Bandeira de advertência. Água gelada gotejava no núcleo de Kim quando se lembrava… Ela fechou os olhos, respirou. Ela tinha que falar, mas as palavras estavam presas em sua língua. “Vance.” Mestre R ainda estava lutando para mantê-la fora disso. “Há sempre a demonstração. Eu poderia entrar em um leilão dessa forma.” “Talvez,” Vance disse. “Mas só vai te colocar na lista de espera para Deus sabe lá quando no futuro. Além disso, o supervisor ainda esperaria ver Kim desde que sua audição é durante a visita de acompanhamento.”

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“Vance,” Kim disse, levantando a voz. Sua atenção se voltou para ela. “A fofoca na… Ouvi de outras escravas que se um comprador mata uma escrava, eles não o contatam por bastante tempo, no caso dele não cobrir bem o suficiente, ou o corpo for encontrado, ou haver testemunhas. Repercussões.” “Inferno.” Vance fez uma careta. “Então, fingir que você morreu não funcionará. Pelo menos não para termos Sandoval em um leilão num futuro próximo, seja como um comprador ou fazendo uma demonstração.” Ele amaldiçoou baixinho. Silêncio. O número de olhos postos nela a fez tremer, e ela olhou para as mãos. Tais dedos brancos, todos entrelaçados em nós. A voz de Mestre R. “Não importa.” Ele a olhou com compaixão. Preocupação. “Entre no programa de proteção a testemunhas de qualquer maneira, Kimberly. Fique segura e fora de vista.” Quão incrível era sentir que tinha alguém ao seu lado. Na escravidão, cada mulher ficava sozinha, pois se uma tentava proteger a outra, ambas eram derrotadas. Ela estremeceu quando um chicote rachou em sua memória. Mas agora… Ela não estava à sua mercê, e o homem ao seu lado, como um tanque volumoso, era assim, não tão impotente. Como poderia encontrar um plano que daria certo? Uma vez, ela tinha sido boa em soluções. Atrás… Antes. Mas agora… Fingir estar morta e ficar segura, mas sua mãe sofreria, e ela arruinaria qualquer chance do FBI entrar no leilão. Ser uma escrava e… Oh Deus, ela não podia. “Que tal as outras escravas ainda ao seu alcance, Raoul?” Vance perguntou sua voz afiada com dor. Com piedade. “Você poderia abandoná-las tão facilmente?” A pergunta foi um golpe direto no peito de Kim. Ela assistiu quando Mestre R virou o rosto, a pele tensa sobre as maçãs do rosto. Ele havia planejado tudo para resgatar todas as escravas e tinha abandonado para salvá-la. Só ela. Enquanto o resto — Holly e Linda e as outras — ainda estavam lá. Elas nunca sairiam. Por minha causa. Porque ele me salvou.

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Culpa se estabeleceu em sua barriga, fria e pesada, e com cada respiração, ela podia ouvir os gritos apavorados de Holly, como se o calabouço estivesse a apenas alguns metros de distância. Eu não posso. Não posso ser uma escrava. Sua garganta se sentia como se uma corda a amarrasse, contraindo para afastar as palavras de escapar. Mas deixá-las lá? Linda tinha mudado as bandagens no estômago de Kim, as mãos gentis e cuidadosas. Ela contava piadas para fazer Kim rir, desviando-a das memórias de como Lord Greville tinha… Eu não posso fazer isso. Entretanto Linda nunca seria libertada. Ela viveria em dor. Ela tinha dois filhos na faculdade. Falava sobre ser avó algum dia. Kim a segurou quando ela chorou. Ela tinha sido tão forte, mas eventualmente todo mundo quebraria, até Linda. Vale a pena viver se eu trair... A todos? Ela olhou para os pulsos. Os hematomas das algemas tinham enfraquecido para um amarelo fraco. Eu suportei antes. Eu posso suportar novamente. Não, ela provavelmente não podia. Ela morreria se fosse uma escrava novamente. Não, não, não. Ela olhou para Mestre R, que ainda olhava pela janela. Ele tentou acalmar seus medos. Ele a segurou, não a machucou, mas — ela estremeceu — não a deixou ir também. Ele fez o que achava melhor. Ele era um Dom. Eu não posso fazer isso, não posso sequer fingir ser uma escrava. Não. Holly tinha chorado até dormir todas as noites. Todas as noites. Eu tenho que fazer isso. A náusea veio rápida, sufocando-a, e ela inalou pelo nariz, forçando-a para trás. Eu sou eu. Não uma escrava, ainda que eu escolha fingir. E eu farei isso. Porque eu sou eu. Não quebrada. Uma mão quente se fechou em seu braço. “Chiquita… Kimberly… Olhe para mim.” Ela o ouviu às vezes em seus sonhos, sua voz atravessando a tempestade de gritos, e tudo se tranquilizava, o barítono lento e suave tão reconfortante quanto o balanço do oceano no barco. Ela olhou para ele. “Eu serei sua e-escrava.”

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**** Ele já tinha visto alguém olhar tão apavorada e ainda conseguir se mover? Raoul se debruçou contra a armação da porta e assistiu Kimberly entrar em sua casa. Sua tez morena era um pálido acinzentado, suas maçãs do rosto distinguindo-se acima de um queixo cerrado. Ela andou como se o chão de azulejo estivesse coberto com pontas afiadas. Ele suspirou. Ela era incrivelmente valente, mas ele tinha dúvidas de que pudesse manter sua coragem. Gabi poderia receber uma chamada esta noite pedindo socorro. Kim o viu assistindo e deu um passo atrás. “O que você gostaria que eu fizesse agora, M-mestre R?” Pare de me olhar como se eu planejasse fatiá-la em pedaços do tamanho de polegadas de carne. Ele olhou em seu relógio. “É quase hora do jantar. Por que não nos sentamos no pátio”—onde você não se sentirá tão encurralada—“e conversamos? Então, poderemos pensar no que fazer para o jantar.” Ela lhe deu um aceno irregular. Ele foi à frente pela grande sala e para fora das portas francesas. O sol brilhava ao largo da vasta expansão de água. Na orla, ondas rolavam tranquilamente na areia. Atrás dele — silêncio. Ele se virou. Ela estava de joelhos, abraçando-se, olhando para praia, nas ondas rolando. A brisa arrepiou seu cabelo para trás, e o sol refletiu as lágrimas em seu rosto. Ela chorava tão silenciosamente quanto ninguém que já tivesse conhecido. Muito lentamente, ele caiu de joelhos e tocou sua bochecha com a ponta dos dedos para conseguir sua atenção. Ele podia sentir os pequenos tremores a atravessando. “Kimberly, você poderia me dizer por que está chorando?” Ele deveria chamar Gabi agora? Para seu choque completo, ela esfregou a bochecha contra sua mão como um gatinho oprimido, e seus olhos azuis, olharam para ele. “Eu tinha esquecido. Eu nem lembro…”

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Ele segurou seu rosto e esfregou seu ombro, sentindo os ossos frágeis. “O que você esqueceu gatita?” “Você vive na praia. No golfo.” Seus olhos estavam arregalados — não de medo, mas de alegria. “Eu posso respirar novamente. Obrigado.” Ele riu e esfregou suas juntas sobre sua bochecha curvada. Talvez isso não fosse tal esperança vã, afinal. Se ela conseguia compartilhar a felicidade com ele, então o resto viria.

**** No dia seguinte, Kim saiu do quarto para a longa varanda com vista para o golfo. Mestre R tinha um lugar interessante em uma forma casa-de-praia-com-fazenda. Era de estuque de dois andares, com exceção de um pequeno terceiro andar, como uma torre, e curvado em forma de C em torno do pátio em cima da orla arenosa. Com enormes janelas e sacadas curvadas em todos os lugares, o interior parecia fundir-se ao ar livre. Ela apertou os olhos contra a luz solar brilhante que refletia na água. Quase meio-dia. Ela tinha se escondido no quarto desde o café da manhã. Com um suspiro, ela caiu sobre a cadeira almofadada vermelho escura. Pés nus sobre a grade de ferro, ela inclinou a cabeça para trás, mergulhando-se na sensação da umidade que formava em sua pele, a brisa do oceano, o calor do sol. Ondas rolavam tranquilamente na areia, surfando o nada gentil golfo como do seu enérgico Atlântico. Uma gaivota circulou, gritando. Oh, ela tinha perdido o oceano. O ritmo de sua vida tinha sido marcado pelas marés, começando pela traineira de pesca de seu pai ao seu trabalho como bióloga marinha. Mas as escravas eram fechadas no interior, para nunca mais ver o sol ou ouvir o surfar. Pior que qualquer viciado em drogas, ela ansiava pelo som e cheiro da orla.

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Ela provavelmente tinha assustado Mestre R com sua reação ontem à noite, mas aparentemente tinha entendido. Ele riu. Ele pode rir. Ele tinha uma grande risada. Baseada no conhecimento, ela tinha conseguido passar ontem à noite sem entrar em pânico. Ela tinha ficado bastante orgulhosa de si mesma. Um barulho veio do quarto atrás dela, e ela olhou por cima do ombro. Sentada de costas para a porta sentia como se pedisse para ser atacada, mas se forçou a ficar. Tentar relaxar. Ignorar a certeza de que um estranho viria do nada para agarrá-la. Saber que Mestre R estava na casa ajudava… Pelo menos com o estranho-medo de rapto. Era uma merda ter tantos medos que tinha que nomeá-los. Mestre R iria criar mais terror do que tinha aliviado? Um tremor a percorreu. Eu não o conheço. Aparte de insistir que jantasse com ele, deixou-a sozinha na noite passada, para se acostumar com a casa, para perder o suporte de Gabi… Embora Gabi tivesse chamado a cada meia hora para ver como estava. Kim sorriu. Doce Gabi. Mas Mestre R, aparentemente, tinha percebido o quão apavorante sua presença era — não por qualquer coisa que tenha feito, mas porque era do sexo masculino. Um Dom. Ele era até mais cuidadoso com ela do que Marcus tinha sido. Como ontem à noite, quando tinha tido um pesadelo. Nada novo. Normalmente Gabi ouviria seus gritos e a despertava. Desta vez foi Mestre R. “Kimberly.” Sua voz tinha entrado em seu sonho, onde estava presa, coisas indizíveis… Dor... “Kimberly!” Uma voz tão suave. Os horrores reverberaram através dela nos bofetões, em chamas. “Acorde, chica!” Um comando afiado. Voz de mestre. Seus olhos estalaram abertos. Um homem na entrada. Outro grito, acordada agora, mas as luzes estavam acesas, e ela viu— depois de um minuto — o homem que a tinha comprado. Libertando-a. Mestre R. Ele esperou até que disse seu nome antes de entrar, então buscou um copo de água no banheiro. Puxou uma cadeira. Deixou-a beber e sacudir. Não a tocou nem uma vez, e sua

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presença tinha ficado reconfortante. Ele sabia que se tivesse pairado sobre ela, teria entrado em histeria? Que não poderia estar sendo tocada então, não depois do pesadelo de tantos homens? Ele a olhou, paciente e quieto, então pegou o livro que ela esteve lendo na mesa de cabeceira e simplesmente começou a ler para ela naquela voz escura, com um toque de acento. Nenhum pesadelo poderia competir com Raoul Sandoval lendo Huckleberry Finn6. Então ela realmente estava melhor. Talvez a faísca de si mesma não tenha saído. Talvez ela não estivesse imunda por dentro, merecendo tudo que foi feito com ela e mais. Só se sentia suja. Feia e arruinada. Ela piscou contra as lágrimas. Será que “puta imunda” ecoaria em sua mente para sempre? A psicóloga não tinha feito muito progresso com seus sentimentos de auto-aversão. Ou com a ajuda dela para descobrir o que fazer a seguir, depois que tudo estivesse terminado. Como ela poderia voltar para seu trabalho, sabendo que alguém poderia agarrá-la novamente? Que— Ela ouviu um passo e se empurrou ao redor, o coração martelando atormentado contra as costelas. “Fácil, gatita.” Mestre R parou. Esperou os olhos fixos nos dela. “Desculpe.” “Você tem o direito de ser nervosa.” Ele se agachou ao lado da cadeira, inclinando seu queixo até enxugar suas bochechas com os dedos. “E de chorar. Não importa o quão forte você é, eu acho que você vai estar em lágrimas frequentemente por um tempo.” “Estamos indo começar…?” Ela não pôde terminar, odiava o quão lamentável soou. “Quando você estiver pronta, Kimberly desça e vamos conversar.” “Kim. Todo mundo me chama de Kim.”

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Um dos clássicos da literatura americana, “As Aventuras de Huckleberry Finn” do escritor Mark Twain.

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Ele sorriu, e por um segundo, ela viu o Dom que ele era. Autoconfiante. Poderoso. Ele fazia o que queria. Um calafrio a percorreu. “Você realmente é um Dom, não é?” “Sim, eu sou.” Ele soltou seu queixo e escovou suas juntas em sua bochecha. “Mas você está segura, chiquita. A escrava que eu quero é aquela cujo único desejo é ser minha.” Ele queria ter uma escrava? Um frio povoou profundamente em seus ossos.

**** Uma hora mais tarde, Raoul empurrou seu teclado para um lado e descansou seus antebraços na escrivaninha de carvalho maciço. O projeto para uma nova área à margem d'água na Belize não pôde manter sua atenção. Kimberly poderia tolerar ser uma escrava? Ele não era um mestre severo, mas não era um bobalhão também, e desde que agiu como um frio bastardo para o supervisor se transformar em um mestre de corações-e-flores não funcionaria muito. A honestidade serviria melhor tanto a ele quanto a Kimberly. Depois de todas as reviravoltas em sua vida, ela precisava de estabilidade — a certeza — de consistência. Ele olhou em um som na porta. Ela estava lá, seu rosto pálido, mas o queixo erguido e reto. Valente pequena sub. Satisfação o encheu quando notou que suas bochechas começaram a se arredondar. Gabi cozinhar e mimá-la tinha lhe dado algum peso. “Estou pronta para conversar,” ela disse. “Este é um tempo ruim?” “Este é bom.” Ele se levantou e a viu forçar-se a não se mexer. Na porta, ele colocou a mão em suas costas, tocando-a como tinha evitado fazer antes. Sentiu-a tremer. Suas sobrancelhas se juntaram quando percebeu que a estava vendo de duas formas: Como uma mulher machucada e como uma sub disposta. Como sua mente já tinha

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recebido a impressão de que ela estava disposta? Embora algumas vezes no calabouço do navio negreiro, quando seus ritmos se reuniram, ela inconscientemente, o aceitou como dominante. Ele pausou então se virou em direção à escada, guiando-a pelo segundo andar e seguindo para o terceiro e o quarto da torre. Sua discussão deveria ser em um lugar privado. Íntimo. Não seu escritório. E o grande quarto era para os convidados. Aqui, o telhado acentuadamente angulado formava dois lados da sala quadrada, mas as paredes da frente e atrás eram todas de vidro, dando uma visão deslumbrante do mar para o oeste e os jardins para o leste. O chão era uma pilha marrom rica, a amarelada secional suave e acolhedora. Os brinquedos para escravidão e jogos estavam escondidos dentro do robusto pufe e um móvel bombé7 pela parede. “Isso é lindo,” ela disse, indo para janela com a visão do oceano. Assim é você, pequena submissa. A luz do sol da tarde se refletia em seu cabelo preto liso, destacando matizes marrons, e desenhando sua figura esbelta. Sob a roupa folgada, ela tinha um corpo bonito, recordou. Muito magra, mas ainda graciosa com bem curvados quadris. Apontando o sofá, viu-a vacilar, e esperou pacientemente que ela sentasse. O que deveria ter sido ânsia para obedecer — e provavelmente tinha sido uma vez – era o temor em seu lugar. Seu coração doeu que alguém pudesse tratar uma mulher tão duramente. Ele se sentou no pufe robusto da sala, joelho contra joelho com ela, as costas do sofá impedindo-a de recuar. “Nós vamos falar sobre o que eu espero e o que você vai fazer. E vamos conhecer um ao outro, gatita.” “O que gatita significa?”

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“Pequeno gato. Gatinho.” Ele puxou seu cabelo preto. “Os gatos bebê frequentemente têm olhos azuis, e quando eu era jovem, eu tive um gatinho preto com grandes olhos azuis.” Ela sorriu. “Você me chamou chiquita.” “Pequena menina.” Ela não gostou disso. “Você disse que pobre-algo significa pobre pequeno bebê.” “Sim.” Seus olhos se estreitaram. “Isto é um lote terrível de pequenas, você não acha?” “Talvez.” Ele exibiu sua mão. “Grande.” Então colocou a dela ao lado da sua, tão pequena e delicada em contraste com sua espessura, os dedos fechados. Por que segurar sua mão frágil levantava todos os instintos protetores que ele tinha? “Pequena.” Quando ela bufou exasperada, ele capturou sua outra mão e se inclinou para frente. “Agora, me diga o que aconteceu quando era uma escrava.” Sua pergunta inesperada parecia um pontapé em seu estômago. Falar sobre isso? De jeito nenhum. Kim tentou puxar a mão, e seus dedos apertaram. “Desculpe?” Sua mente mudou, tentando se separar de seu corpo. “Você me ouviu, Kimberly. Até que isso esteja terminado, eu serei o seu Dom — seu mestre. E espero que siga as ordens. Seu corpo estará disponível para mim—” Ela congelou. “Não, não para sexo,” ele adicionou com um suspiro. “Mas minhas mãos estarão em você, às vezes. Precisa se acostumar ao meu toque, assim não ficará saltando.” Ela conseguiu acenar. Eu sabia disso. Eu fiz. Por que parece muito mais intimidante quando estava olhando para aquelas mãos poderosas? “Eu espero que me diga quando algo a incomoda — e as coisas irão. Eu preciso saber o que evitar, e não posso ajudá-la se não pode compartilhar o que aconteceu.” Entrar nisso? Falar sobre isso? Com ele? Seus dedos eram quentes contra sua pele quando o gelo rastejou em suas mãos.

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“Compartilhe comigo, Kimberly.” Sua voz era um barítono sombrio, o leve acento espanhol suavizando-a. “Quando eles te sequestraram?” “C-cerca talvez de sete semanas atrás.” A dor, dor horrível da arma Taser, então uma picada. O mundo indo difuso, então ela despertou para o terror. Um pontapé desagradável quando vomitou um bofetão quando chorou muito alto. “Eu tinha esquecido que foi tanto tempo. Eles te seguraram durante um tempo antes que fosse leiloada fora? O que aconteceu durante esse período?” “Eles… Não fizeram muito. Eu estava escrita com as outras para… Eu acho que quase duas semanas?” O tempo estava embaçado, o choro das mulheres, o olhar de soslaio dos homens, nada a fazer. Os dias correram juntos. “Nossa ‘rebeldia' foi um ponto de venda, então não tivemos nenhum treinamento.” Ela tragou, lembrando-se de como tinha ficado assustada. Se soubesse o que viria depois, teria pulado no mar logo em seguida. “Eu não fui para o grande leilão, entretanto. Lord Greville me comprou um pouco antes.” “O dono que te devolveu para o supervisor?” Ela acenou, piscando furiosamente. Eu não vou chorar. As mãos de Mestre R apertaram seus dedos. “Conte tudo.” Ele precisava das informações. Mas era difícil. “Ele me levou para sua casa.” Fria com paredes e mobília branca, nenhum conforto em qualquer lugar. “Ele pediu aos servos para me segurar, e-ele me estuprou.” Ela forçou a palavra. Depois de uma semana conversando com Gabi e Faith, ela podia dizer isso agora — dizê-lo sem vomitar. “Eu lutei com eles. Ele me bateu até que desmaiei. E me estuprou novamente.” E novamente, e novamente. “Foi ele quem usou um chicote em você?” Mestre R perguntou, com a mesma voz. Ela acenou, olhando para as mãos entrelaçadas. “Todo o tempo, todo dia. A dor—” Tanta dor que cada respiração machucava, até que ela ondulou em sua cabeça, e fez sua visão oscilar. Até que tudo que conseguia pensar era, Faça-o parar. “Eu não conseguia parar de lutar, mesmo… Mesmo…” Sangue em sua boca, no chão, o fedor de suor e sexo.

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“É por isso que o bastardo a quis — porque você luta de volta.” Seus dedos massageando os dela. “Então você teve abuso físico e sexual. Que tal mental? Ele a nomeou?” “Sim.” Vagabunda, prostituta, boceta suja. A sujeira dentro dela se mostrou? Poderia Mestre R ver a escuridão? Ela tentou rir. “Até algumas palavras que nunca tinha ouvido falar antes. Ele disse que eu merecia tudo aquilo porque eu era uma vagabunda. Ruim. Imunda. Ele me trancou em uma gaiola durante o dia — colocava minha água e comida em tigelas porque eu era um animal.” Ela ousou olhar para cima, teve que fazer, e viu sua carranca preta. “É por isso que ele me deu a seus amigos.” Sua garganta entupiu quando seu estômago virou. Ele amaldiçoou baixinho e segurou seu queixo com os dedos fortes, puxando sua cabeça. “Olhe para mim, chiquita.” Seu olhar foi para encontrar seus olhos castanho escuro, pacientes. Firme. “Bom. Agora respire fundo. Sim. Deixe sair lentamente. Essa é uma boa menina.” As memórias retrocederam, afastadas por sua ira… Por ela. Sua náusea aliviou. Depois que ela administrou algumas respirações, ele sentou-se, tomando sua mão novamente. “Outros a usaram. E?” “Eu o esfaqueei depois.” Ele olhou para ela, então desatou a rir, e com o som de sua gargalhada, aberta e satisfeita, a escuridão em sua cabeça encolheu. Ele beijou seus dedos. “Bom para você. Mas… Eu acho que foi por isso que foi ferida tão mal?” Mal. Ela não podia nem responder, apenas começou a tremer. Um grunhido veio dele. Ele a arrancou para cima como um leão e sentou com ela em seus braços. O calor e força a envolveram, não a assustando. De alguma forma. Como ser ordenado para falar a fazia soltar coisas assim? Ele esperou, simplesmente segurando-a, uma mão subindo e descendo em seu braço. Quando seu tremor diminuiu, ele disse, “Eu sei algo sobre trauma. Tenho amigos que estiveram em guerras. Outros sobreviveram às gangues. Você continuará com o conselheiro —

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ela e Gabi podem vir aqui — mas mesmo assim, essas coisas vão sair de você. A deixarão em pânico ou a farão chorar. Eu já esperava por isso.” Gabi? E Faith? Não estaria sozinha, nem abandonada. “Obrigado.” “Mas se simplesmente falando faz isso com você, então eu preciso saber o resto, para que eu possa ajudá-la com isso. Ou evitá-lo. Você entende?” Ela se sentia suja. Fraca, e inútil, e arruinada. Mas ele estava certo. Ela mordeu seu lábio e assentiu. “Como você conseguiu esfaquear Lord Greville, e o que ele fez depois?” “Quando os… Homens… Estavam partindo, eu escondi uma faca em meus lenços de dança.” Rastejando para os véus, puxando-os ao seu redor, amarrando um sobre a lâmina. Seu sangue manchando o tecido delicado. Tentando ficar de pé. Caindo. Empurrando-se de pé. Sangue escorrendo pelas pernas como água quente. “Quando ele retornou para mim, eu o esfaqueei.” Ela tragou. A lâmina perfurando sua camisa, então sua pele, sua carne resistindo. “Ele se afastou quando fiz. O suficiente para eu consegui acertar seu ombro e não o coração. Ele me bateu.” Jogando-a através da sala. “Lamento que não tenha sido mais precisa,” Mestre R disse levemente. “E então?” “Ele gritou, e seu pessoal veio. Ele estava louco de raiva.” Sangue em toda parte, gritando, a insanidade em seus olhos. “Ele me chicoteou e então pegou a faca que eu tinha usado.” “Eu vou cortá-la em pedaços. Grite vagabunda.” Ela tocou em suas costelas onde o golpe longo a abriu até o osso. A dor floresceu, e cresceu, e cresceu. “Mas ele tinha perdido muito sangue que desmaiou.” Ela o tinha machucado muito, o bastante para sua glória. “Eles amarraram uma bandagem ao redor de minhas costelas e me puseram de volta na gaiola. A pequena.” Não o canil. Feita para um cão de tamanho médio e tão pequena que não podia endireitar as pernas, não podia levantar-se. Não podia se mover. Não podia… Seus pulmões espasmaram como um peixe em terra seca, sufocando com o ar ao redor. “Shhh, shh.” Uma grande mão acariciou seus cabelos. “Você está aqui, gatita. Ninguém vai machucá-la.”

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Aqui. Ela piscou para longe a escuridão na extremidade de sua vista. “Eles me deixaram... Eu não sei quanto tempo.” Na escuridão. Nunca a soltando. Sangrando. Sofrendo. Fazendo xixi em si mesma, suas pernas molhadas e fedendo. A gaiola fedorenta. Sua voz tinha quebrado de tanto gritar. “Eventualmente eles vieram e me pegaram.” Quando a porta se abriu, sabia que morreria e só sentiu alívio. Ele a balançou suavemente, quebrando seus pensamentos do pesadelo. “Respire para mim, Kimberly.” Respiração lenta. Ela desviou o olhar para as ondas. As pequenas janelas que revestia as grandes estavam abertas, e o barulho do oceano rolou sobre ela, puxando as memórias para longe, grão por grão. “Olhe para mim.” Ele a puxou de volta para o presente. “Eles a pegaram e…?” “O supervisor estava lá. O fizeram me aceitar de volta.” “Pobrecita,” Mestre R murmurado. Cansada demais para ter medo, ela deitou sua bochecha contra sua camisa suave. Abaixo dos músculos espessos de seu peito, seu coração batia lentamente, uniformemente, sua respiração puxando a dela para um ritmo correspondente. Sob a influência do mesmo compasso, ela encontrou sua voz novamente. “O supervisor ficou furioso porque ele disse que eu estava danificada, mas lhe deu um reembolso desde que Lord Greville tinha trazido para dentro muitas indicações. Uma das escravas do supervisor me costurou, e eu não fiz nada por um tempo. Após os pontos saírem, eu ajudei na cozinha por outra semana. E aprendi a dançar.” “Sem hospital?” Ela administrou uma risada. “Dificilmente. Embora eu tivesse antibiótico. Eu acho que eles eram para os cães de uma loja de rações.” Eu sou um animal. “Bem, eu vejo por que foi uma pechincha,” ele disse, quebrando seus pensamentos. “Quase matar seu dono abaixou o seu valor.” Bateu um dedo em seu nariz. “Bom trabalho.” Ela piscou surpresa. Uma gota de calor rastejou nela na aberta aprovação em sua voz.

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“Aparte de ser sequestrada, o que mais te deixa insegura, a maior parte do que te apavora aconteceu na casa desse Greville? Estupro, gaiola, espancamento. O jeito como eles te trataram ser chamada de nomes — você se sente como se eles estivessem certos? Que você é o que te chamaram?” Por que tinha ajudado quando ele… Listou… As coisas? Porque soou como um conjunto de problemas com o qual ela poderia lidar ao invés de um abismo opressivo onde cairia? “Eu… Sim.” “Mmmmh. Você já começou o aconselhamento. Vou adicionar um pouco de autodefesa, então, se tiver que apunhalar alguém, você fará um trabalho melhor.” Ele esperou que ela concordasse. “Superar ter sido estuprada levará tempo, mas já que está aqui em meus braços, pode não ser o pior de seus problemas. Mas você sofreu o suficiente para que essas coisas a façam cair. A menos que sua conselheira diga o contrário, nós vamos parar, atravessar o seu medo, para que você possa lidar com isso, e se possível repetir o gatilho até que não funcione mais.” Talvez ela pudesse sobreviver. Exceto… “Não jaula.” Ele balançou a cabeça. “Não, isso é para sua conselheira lidar. Você e eu ficaremos com o que lhe causa problemas em seu treinamento de escrava.” Escrava. A palavra à fez querer vomitar. “Eu farei o meu melhor.” “Eu sei que irá, chiquita.” Quando os braços se apertaram ao seu redor, ela sentiu medo e segurança se misturarem dentro dela enquanto era confortada… Por seu Mestre. Deus tinha o mais estranho senso de humor.

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Com um gemido baixo, Raoul empurrou o peso lentamente para cima, seus braços tremendo com o esforço. No alto, ele soltou a barra na prateleira, o barulho alto em seu quarto de peso vazio. Quando sentou no banco e balançou os braços, suor emplastrou sua camisa em sua pele, e seus peitorais e tríceps queimando. Seu corpo fazendo sombras dançarem na parede. Tinha apagado deliberadamente a maioria das luzes, a escuridão combinando com seu humor. Ele tinha conseguido se controlar e não mostrar sua fúria quando Kimberly falou sobre seu sequestro, mas, Dios, tinha sido difícil de ouvir sua voz tremer, sentir seu corpo cicatrizado tremer. Uma hora de levantamento de pesos, de se empurrar à exaustão e além, tinha restaurado seu controle. Se inclinando adiante, colocou os cotovelos nos joelhos e olhou para seus antebraços. Sua pele estava tensa sobre os músculos bombeados. Suas veias inchadas. Sim, ele era fodidamente forte. Inutilmente forte. Ele tinha ido tarde demais para salvar seu irmão da morte em um beco imundo, tarde demais para salvar esta pequena escrava antes de seu abuso. Até pior, da próxima vez que visse o supervisor, ele não poderia quebrá-lo no chão. Não ainda. Sua mandíbula apertou até os dentes se juntarem. Esperaremos por mais tarde. No momento, sua tarefa era curar o dano na alma de Kimberly… E treiná-la como sua escrava. Ele soltou a cabeça em suas mãos, desespero se infiltrando em suas defesas. Uma escrava. Aqui, em sua casa, não a que tinha construído depois de seu divórcio, não querendo viver com as lembranças de Alicia e sua relação de Mestre/escrava falhada. Agora ele traria isso de volta a sua vida.

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Capítulo Quatro Aquela noite, Raoul fez Kimberly arrumar os stir-fry8, enquanto ficava sentado em uma cadeira alta na ilha da cozinha, bebericando uma cerveja. A forma como ela se movia era tão bonita quanto o jeito que dançava. Nenhum movimento desperdiçado, tudo em ordem. Mas a multitarefa deixava sua cabeça doendo. Quando ele cozinhava, fazia uma parte; Quando estava pronto, preparava a próxima. A pequena escrava tinha várias preparações diferentes acontecendo de uma vez. O sorriso leve em seu rosto lhe agradou. A arte culinária era um conforto para ela. Ele se lembraria disso. Uma vez que a refeição estava na mesa, ele tomou uma cadeira, levantando um dedo para detê-la antes que se sentasse. Quando ela permaneceu ao lado da mesa, ele serviu-se de uma garfada. Os sabores eram excelentes — fortes e bem equilibrados. “Muito bom chiquita.” “Obrigado, Senhor,” ela disse com voz distante. Tinha se retirado emocionalmente dele desde sua conversa. Ele entendia. Costumava fazer o mesmo, mas não podia ser permitido. Se ela engarrafava sua raiva e medo, ele não seria capaz de lê-la ou ajudá-la. “Você soa infeliz.” Ele descansou o braço atrás da cadeira, deliberadamente deixando seu olhar vagar pelo seu corpo, a camiseta azul solta, o short folgado. Ela tinha colocado seu cabelo em uma longa trança, e ele sentiu falta de vê-lo livre. “Acho que tenho sido um mestre tolerante até agora. Eu até a deixei usar roupa enquanto estava cozinhando.” Quando seus olhos se arregalaram, ele franziu a testa. Na casa de venda, ela tinha mostrado habilidade em servir bebida e comida. Em dançar. Ela oprimiu os olhos, ajoelhou-se graciosamente, falou só quando solicitada. Ela tinha recebido mais treinamento que isso? Ela 8 Stir fry de carne e legumes. Não é exatamente um prato, é mais uma técnica de cozinhar (stir=mexer, fry=fritar) bastante comum no Sudeste Asiático e na China, usando o wok (o panelão chinês) e vários ingredientes frescos, tudo fritado em um pouco de óleo.

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disse que tinha sido deixada sozinha depois de seu sequestro, e então vendida para um sádico para ser utilizada para chicotadas e sexo. Após seu retorno ao supervisor, ela passou a maior parte do tempo se curando. Ela não só tinha recebido pouco treinamento, poderia não ter nenhuma conscientização do que ser uma verdadeira submissa de tempo integral requeria. Ele esfregou o rosto pensativamente. Se ela não estivesse tão emocionalmente frágil, ele provavelmente desfrutaria disso. Ele amava ensinar. Ele amava ser um mestre, pelo menos até um tempo depois que se casou. Sua boca apertou. Isso está no passado e nada de ser repetido. Quando ela recuou um passo nervoso, ele limpou a raiva de sua expressão e sua mente. Olhos no trabalho, Sandoval. Ele apontou para a cadeira ao lado dele. “Você pode se juntar a mim esta noite à mesa.” Quando ela se sentou, seu rosto era fácil de ler. Sim, ela tinha muito a aprender. “Pode haver momentos em que prefiro alimentá-la eu mesmo, e então vai ajoelhar-se ao meu lado e tomar a comida de minha mão.” Quando um tremor a percorreu, ele a estudou por um minuto, tentando lê-la. Tantas emoções lá. Medo. Desgosto. Mas isso era uma sugestão de antecipação? “O supervisor disse que você estava no estilo de vida antes disso. Sabe alguma coisa sobre a relação Mestre/escrava na vida real?” “Uh, não muito. Eu namorei alguns Doms, mas era principalmente… Uh, sexo. Diversão. Nada mais. Eu sempre pensei que as mulheres que queriam ser escravas… Bem, seria como usar uma placa que dizia ME CHUTA. É repugnante.” Uma estranha combinação de repulsa e dor torceu sua boca. Se ela não tivesse experiência, por que tanto desgosto? De alguém do passado? “Então… Antes de tudo isso… Você gostava de abrir mão do controle durante o sexo. Talvez, para apreciar isso, você precisa de alguém no comando?” Suas bochechas ficaram encantadoramente rosadas. “Eu acho.”

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Ele sufocou o sorriso. “Algumas mulheres apreciam desistir do controle por períodos mais longos, e não só no quarto. Há aquelas que acham que fazer os outros felizes, especialmente seus Doms, preenche um tipo diferente de necessidade.” Na torção cínica de seus lábios, ele a viu prender sua opinião: Escravo equiparava a capacho. “Uma boa relação é uma via de mão dupla, gatita. Submeter-se e servir é equiparado com a necessidade de um mestre de assumir o controle, proteger, fazer alguém feliz.” Ela não só não acreditou nele, mas também caiu seu olhar novamente, protegendo-se dele. Outra coisa que não permitiria. Colocando os dedos sob seu queixo, ergueu seu rosto para seu escrutínio, sentindo o jeito que ela queria puxar para trás. Isto não iria ser fácil para qualquer um deles, especialmente se ela não fosse honesta com ele. Ainda pior, se ele interpretasse mal sua linguagem corporal durante uma cena — supondo que o supervisor exigisse uma — eles poderiam ter um grande problema. “Uma escrava comprada não teria uma palavra segura para parar uma atividade porque têm medo, mas estou desconfortável sem uma. Então, se você disser ‘câimbra' ou reclamar de uma, eu saberei que precisa de uma pausa ou está tendo problemas, e conversaremos.” Ele sorriu. “Assim não vai parecer que estou cedendo a algo que a maioria dos proprietários ignoraria.” O alívio em seus olhos o horrorizou. Por se sentir grata pela mais básica consideração do BDSM. Bem, eles definitivamente tinham muito trabalho a fazer. Ele a soltou. Enquanto ele comia, ela empurrava sua comida ao redor, seu nervosismo óbvio no modo como seus olhos o verificavam constantemente e seus músculos tencionavam cada vez que se movia. Uma vez terminado, ele se inclinou para trás, esticando suas pernas adiante. “Eu tenho duas posições básicas que desejo que saiba imediatamente. Vamos trabalhar com as outras mais tarde. A primeira é se ajoelhar, e você fez muito bem com essa. A outra é chamada exibição, e é o que eu solicitei que você fizesse no calabouço.” Ele levantou uma sobrancelha. Ela sacudiu a cabeça. “Eu não estou certa de que me lembro.”

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“Levante-se.” Depois de um segundo de hesitação — outra coisa para trabalhar — ela levantou. “Bom.” Se inclinando adiante, ele bateu em suas coxas internas para que abrisse as pernas mais distantes, e começou a ajustar sua posição. “Mãos atadas atrás do pescoço.” Ele esperou que ela fizesse. Sob seu toque, ela tremeu, e seu olhar caiu. Enrolando a mão levemente sobre seu ombro, ele esperou para ver se ainda estava com ele. Após alguns segundos, seus olhos azuis subiram, e ela olhou diretamente para ele. A confiança tinha começado. Ele acariciou sua mão em seu rosto. “Você é muito linda, gatita.” Suas sobrancelhas se juntaram, e ela lhe deu um olhar cético. “Não olhe para seu mestre como se ele fosse um idiota.” Um sorriso surpreso tremulou sobre seus lábios. Raoul passou seu dedo abaixo em seu queixo. “Sua pele é linda e muito macia. Palpável.” Ele continuou descendo pelo pescoço para acima dos seios. “Seus seios são lindos — cheios e altos.” Sua respiração parou, seus lábios se apertaram juntos. Mas ela manteve sua posição. Ele arrastou o dedo entre os seios, não pressionando nada, de forma que o tecido da camisa manteve seu toque de sua pele. Quando alcançou o estômago, sentiu seu calafrio, até pelo material cáqui de seu short e sabia que ela estava ciente dele… Como um mestre. Como um homem. Ele suavemente disse, “As curvas da cintura, e então os quadris que foram feitos para embalar um homem, coxas macias para segurar um homem entre elas.” A cor que subiu em seu rosto não era apenas de medo, mas ainda era muito cedo para sequer tentar tocá-la de qualquer forma sexual. “Você pode relaxar. Mãos dos lados, palmas para frente.”

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Na verdade, bonita como ela era, ele preferiria evitar isso completamente. No entanto, cada instinto de Dom nele queria atuar, tentar curar o dano, e como estava sob seus cuidados, ele deveria fazer o que pudesse. Então ele se moveria devagar com pequenos toques, jogo verbal. “Agora, você se lembrará de pedir para falar, não? Se estivermos tendo uma conversa, a permissão é entendida. Trate-me como Mestre ou Mestre R ou Senhor. Nada mais. Isso, eu vi, você já aprendeu.” Ele notou que ela nunca o chamou de Raoul também, nem na casa de Gabrielle. Será que ela pensava nele como o inimigo então? Ou, como seu mestre? Ela assentiu. “A maioria de suas respostas devem ser simplesmente, ‘Sim, Mestre', mas se estiver particularmente entusiasmada, você pode dizer, ‘Será meu prazer, Mestre’.” Sua expressão demostrou a dúvida de que qualquer coisa que ele sugerisse pudesse acender seu entusiasmo. “Você vai cuidar da casa e das refeições. Uma empregada vem nas quintas-feiras para prover a cozinha e fazer a limpeza geral. Vou apresentá-la, e você pode assumir a supervisão.” “Vou supervisionar outra pessoa?” Sua incredulidade o fez sorrir. Ela era muito nova para a dança entre dominante e submissa. Seus lábios se apertaram. Isso era porque tinha experimentado só o estupro longe de seu poder, ao invés da alegria de dar isso em mãos amorosas. “Um escravo pode ter roupas ou não, falar ou ficar em silêncio, nenhuma responsabilidade ou muita. Nada é imutável.” Ele segurou seu olhar com o dele e podia vê-la se render à sua voz, sua autoridade. Algo constringiu dentro dele — ela temia seu controle, mas ainda queria isso. O quão fundo sua necessidade exigia? Submissão leve… Ou completa? “A única consistência na relação é esta: O mestre decide.” “Mas—” Seus ombros se curvaram defensivamente. “Isso deixa você ansiosa, gatita. Por quê?”

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“Eu não sei… Eu preciso saber—” Ela temia castigo arbitrário? “Examinaremos cuidadosamente o que espero de você. As regras. Eu nunca vou castigá-la por algo que não sabia ou não entendia Kimberly. Esse não é o meu jeito.” Algumas das preocupações desapareceram de seus olhos. Mas não todas. Seu olhar estava focado no chão. Ele considerou o que sabia sobre ela. Não era suficiente. “Eu preciso saber…” ela disse. Precisava saber o que fazer? Algumas pessoas — e uma alta porcentagem de submissos — gostavam de regras claras. Preferiam suas funções estabelecidas, gostavam de horários e listas. Ele era um pouco assim também, como era muitos engenheiros. “Eu acredito que entendi,” ele disse. “Amanhã listarei suas responsabilidades.” A tensão nos músculos dos ombros aliviou. A brancura ao redor de sua boca começou a corar. Muito melhor. Ele adicionou, “No café da manhã todas as manhãs, planejaremos o seu dia.” Lá estava. Ele tinha ganhado um sorriso verdadeiro.

**** Kim tinha sido deixada sozinha para limpar a cozinha — obrigado, Deus — e o tempo colocando os pratos na máquina de lavar e limpando as bancadas de granito escuro ajudaram a acalmar seus nervos. Ela esfregou uma teimosa mancha, ainda um pouco abalada com sua reação ao Mestre R. Quando ele falou com ela naquele barítono rico escuro, dizendo que era linda, falando sobre seus seios, bem… Aparentemente seus hormônios não tinham entrado em hibernação afinal. Só que gostaria que eles tivessem.

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O pensamento de fazer sexo novamente sempre a enchia de gelo. E pânico. Eu estou bem. Basta manter minhas emoções tranquilas e frias. Ela imaginou levantar um escudo pesado, como algo que Lancelot levaria. Nada poderia passar por isso. Ela parou na porta da sala de TV. Como o resto da casa, tinha paredes de estuque e o chão de azulejo de terracota creme. As mesas de canto e centro de entretenimento eram de madeira escura, um vaso de tijolo vermelho na altura da cintura estava em um canto, e o jogo de cores do outono faziam o quarto confortável. Uma pintura de um veleiro mundial antigo magnífico estava pendurada acima do sofá de couro, onde Mestre R lia uma revista técnica. Ele a olhou e sorriu. “Exceto quaisquer outras instruções, quando eu estiver sentado, você se juntará a mim ajoelhando-se aos meus pés, metade voltada para mim, olhos baixos.” Isso é nojento, sua parte cínica disse. Mas seu interior… Ficou mudo. Isso não estava certo. Tudo nela não deveria discordar com a subserviência? Um pequeno calafrio a atravessou quando se ajoelhou grata pela suavidade do tapete Oriental. “Muito, muito bonita, chiquita,” ele suavemente disse. “Eu nunca planejei ter um escravo nesta casa” — hesitou, e sua mandíbula apertou por um segundo — “mas a maior parte do piso é de azulejo e será desconfortável pra você. Se não houver um tapete, pode usar um travesseiro.” Ele tinha possuído uma escrava em uma casa diferente? Ela olhou para cima, quase falou. “Tenho permissão para falar?” “Bom. Adicione Mestre no final, por favor.” “Tenho permissão para falar, M-mestre.” Ele se inclinou para frente e segurou sua bochecha, os olhos castanhos extremamente sérios. “Agrada-me quando me chama assim, Kimberly. Eu achei que deveria saber.” Ele segurou o seu olhar, alcançando fundo, profundamente dentro dela, derretendo o gelo em seu centro. Ela tragou por uma garganta seca. Ele esperou, ainda tocando-a, seu polegar acariciando seu queixo.

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“Você teve uma e-escrava antes?” “Mmm hmm. Depois da faculdade, eu tive uma escrava por cerca de dois anos antes de eu me mudar para cá. Ela preferiu ficar na cidade, então a ajudei a encontrar um novo mestre.” O movimento de seu polegar ligeiramente áspero acariciando sua pele a acalmando e relaxando… Até que sua expressão endureceu, o calor em seus olhos desapareceu. “A mulher com quem me casei era minha escrava também.” Kimberly se afastou. “Casou? Mas—” “Sou divorciado, gatita, por quase três anos agora.” A torção amarga em seus lábios à fez querer bater levemente sua mão em conforto. “O que aconteceu?” Ele se debruçou de volta, colocando mais distância entre eles. “As coisas habituais que acabam com um casamento.” Sua voz deixou claro que o assunto estava fora dos limites. Muito injusto, considerando a forma como tinha sondado sua vida. Ela tinha uma última pergunta. “Sua esposa faz tudo certo depois que a deixou ir? Depois de ser uma escrava, ela ainda conseguia funcionar?” O humor retornou a seu rosto. “Porque uma mulher coloca seu poder em minhas mãos não significa que ela o dará a mais ninguém. Minha esposa era CEO de sua própria companhia. Ela rasgou jovens executivos para além, sem nunca levantar a voz.” Uau. Isso era… Ele foi enroscado com todo seu preconceito. Muito rude. “E sua primeira escrava?” Escrava — a palavra a enojou. “Ela tem uma vida excelente como uma agente imobiliária, especializando-se em milhões de dólares e em propriedades.” Nada reconfortante saber que, aparentemente, ele tinha gostado de ser um mestre e que tinha uma escrava. Mas, curiosamente, foi reconfortante saber que duas mulheres tinham voluntariamente se entregado aos seus cuidados… Sem ser sequestradas. Vendidas. “Elas cozinhavam e limpavam sua casa também?”

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“Não, gatita, isso são para os serviços de limpeza. Eu só lhe atribuí às responsabilidades, desde que você não tem mais nada para fazer. Quando isso acontece, eu gosto de cozinhar e dar umas voltas nos finais de semana, como eu costumava fazer.” Diversão dançou em seus olhos. “E quando eu não quero cozinhar, então minha escrava faz, vestindo só um avental. Como você vai.” Oh menino. “Agora, vá buscar o livro que estava lendo antes, e pode juntar-se a mim no sofá.” Quando voltou com seu livro, ele não olhou para cima, apenas murmurou, “Remova sua camisa e sutiã primeiro, por favor.” Ela olhou para ele. Ele virou uma página. Ela tinha concordado com isso. Ele não queria que ela tivesse feito. Mas as roupas eram uma… Uma defesa. Seu próprio tipo de cadeia de malha. Eu não quero. Ele parecia tão relaxado, sua atenção em sua leitura. Outra página virada. Engolindo as lágrimas, ela tirou a camiseta, então o sutiã, e ficou esperando. Ele olhou para cima então. Seu olhar a atropelou, nada em sua expressão, exceto aprovação em sua obediência. “Bom, gatita. Você deu um grande passo. Agora venha e sente-se ao meu lado.” Ele bateu levemente no sofá. Ela sentou-se cautelosamente ao lado dele, rigidamente reta até que ele a puxou para seu lado. Suas unhas amassando a capa do livro enquanto esperava pelo apalpar inevitável, o ataque… Seu braço pesado se estabeleceu em seus ombros, e os dedos se enrolaram ao redor do braço. Ele trocou, povoando-a contra ele mais confortavelmente, e então levantou sua revista. Depois de um minuto ou dois, suspirou. “Uma respiração lenta, por favor, Kimberly. Você não está em uma corrida.” Oh. Seu pulso martelava, mas ela conseguiu nivelar sua respiração, da corrida para talvez uma caminhada. Depois de outro minuto, ela ergueu seu livro. A sala estava fresca o

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suficiente para que, onde seu corpo tocava o dela parecesse… Bom, quente contra sua pele nua. Sua mão ocasionalmente acariciava seu braço. Outro minuto ou dois, e ela realmente leu algumas palavras em seu livro. Quando a pequena sub se debruçou contra ele a sério, assentindo com a cabeça, Raoul suspirou. Ele sabia que seria difícil para ambos. Ele não tinha percebido o quanto seria apavorante também. Já tinha lidado com traumas emocionais antes, desde que as cenas tendiam a abrir um submisso às más lembranças, e era um ser humano raro que alcançava a maioridade sem levantar um problema ou dois. Mas ela tinha experimentado traumas de forma demasiada, muito recentemente. Até pior, muito de seu tumulto era relacionado a ser escravizada, e tudo que fizesse traria de volta essas memórias. Isso não ia ser fácil. Durante a tarde, enquanto Kimberly cochilava, Raoul tinha tido um telefonema de conferência com sua conselheira, Gabi, e Z, o dono do clube Shadowlands de BDSM. Desde que Z também era um psicólogo, ele conhecia os problemas emocionais associados ao estilo de vida. Gabi, Z, e Faith, todos eles tiveram dúvidas sobre o que poderia acontecer, mas também alguma esperança. A conselheira achava que pacientes com PTSD9 faziam melhor se soubessem o que causava seus ataques de pânico e que tinham ajuda trabalhando por eles. Gabi tinha concordado e disse que, em sua experiência, ter um propósito — como derrotar os traficantes de escravos — era uma força e estímulo para confrontar os medos. Infelizmente, também concordaram que esta operação do FBI estava se movendo muito rápido, especialmente porque Kimberly teria que enfrentar o supervisor novamente. Raoul suspirou. Ele não só não poderia protegê-la, mas iria, de fato, frequentemente lhe dar mais pesadelos. Entretanto, era o que ela tinha escolhido, então tinha que fazer o melhor disso. 9

O Distúrbio de Stress Pós-Traumático (PTSD) se refere a distúrbios emocionais, comportamentais e fisiológicos que às vezes podem se desenvolver após exposição a um trauma extremo.

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Ele a sacudiu levemente. “Kimberly, é hora de ir para cama.” Ela se afastou o pânico em branco em seu rosto apertando sua garganta. “Fácil, gatita. Você está segura.” “Oh.” Ela piscou. “Cama. Certo. Ok.” Ele pigarreou. “Quero dizer, sim, Senhor.” Ela não tinha encolhido dessa vez, e o jeito que espiou por sob os longos cílios pretos, o fez sorrir enquanto a ajudava a ficar de pé e subir os degraus. Resistente pequena chica, não é? Cama. Dios, outro problema. Ele teria que fazer isso em etapas como com todo o resto. A deixou ir para seu quarto, mas esperou no corredor até que a ouviu retornar do banheiro. A cama rangeu. Ele bateu na porta. Sua inalação afiada soou claramente. “S-sim?” “Abra a porta, por favor.” “Oh Deus,” ela sussurrou. A porta se abriu. Quando ele viu o terror em seus olhos arregalados, quase desistiu ali mesmo. Mas ela possuía mais coragem do que ele, e depois de uma respiração dura, ela ergueu o queixo. “Aposto que estou perdendo meu quarto, não é?” O nó na garganta fez sua voz rouca. “Sinto muito, mas acho que é melhor.” Ela assentiu, e sua boca apertou. As mãos em punhos com sua luta para avançar. Tão valente. Ele se moveu perto o suficiente para esfregar a mão na parte inferior de suas costas. Pijama de algodão macio. Quadrinhos, não menos. Gabi os tinha escolhido? “Eu vejo que a Mulher-Maravilha também parece preocupada.” Kimberly lhe deu um olhar confuso, então ele passou um dedo sobre o gráfico em sua cintura. Com sua risada surpresa, os músculos apertados sob seus dedos aliviaram. Por enquanto. No quarto principal, ele apontou para cama. “Hoje, você pode deixar seu pijama. Amanhã, você não vestirá nada para a cama.” Pausou. “O que você me diz?”

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Ela tragou. “Sim, M-mestre.” Outra hesitação antes dela saltar sobre a cama alta. Raoul a tinha comprado porque era a altura perfeita para tomar uma submissa inclinada sobre a cama. Não era um fato que partilharia com ela. Kimberly se enterrou sob as cobertas. No banheiro, ele se limpou e vestiu um par de calças soltas de algodão. Depois de apagar as luzes, ele se juntou a ela na cama. Enrolada em uma bola defensiva, ela era uma massa amontoada de miséria, assistindo cada movimento que fazia. Ela nunca conseguiria dormir daquele jeito. Ele rolou para o lado e apoiou a cabeça na mão. A sugestão de Z funcionaria? “Em uma escala de um a dez, o quanto você está com medo?” Kim fez uma carranca. O luar fluía através das portas da sacada, um caminho de luz, caindo sobre o rosto de Mestre R. Nenhuma luxúria, nem raiva. Ele simplesmente a olhava com aqueles olhos quietos, firmes. Ela estava grata por como seu cabelo solto caiu para frente e tapou seu rosto. “Quando minha mãe fez uma cirurgia, eles tiveram seu grau de dor assim. Você quer que eu use os números para quantificar o meu medo?” “Você o fará, sim.” Ele estendeu a mão tão cuidadosamente como se ela fosse um animal selvagem, e, usando um dedo, afastou o cabelo do rosto para trás da orelha. Muito de seu escudo. Ela mal afastou de seu olhar brilhante. Seus lábios firmes se curvaram ligeiramente. “Você não se esconderá de mim, gatita.” Deu-lhe um pequeno puxão de cabelo. “Então. Acho que me mostrará sua escala com os dedos. Um dedo me diz que você está bem; Os dez dedos estendidos significa que está entrando em um ataque de pânico. Use este começando agora, então quando nós… Entretermo-nos… Você não terá que pensar, e nós procuraremos a melhor resposta.” “Resposta?” “Sim. Se você chegar a — diremos no momento sete — eu pararei e a segurarei até que esteja firme novamente.”

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“Eu—” Seu plano não deveria soar tão bom, mas ele fez. Sabendo que ele não ignoraria seus medos ajudava. E ela já sabia que ele tinha um abraço reconfortante. “Parece Bom.” Ele merecia mais do que isso. “Não, ajuda… M-mestre. Ajuda muito.” Ele fez um som de exasperação e deslizou um dedo em sua bochecha. “Virá um tempo em que sua língua não tropeçará com a palavra.” Ela sinceramente duvidava, e sua dúvida, provavelmente, se mostrava em seu rosto, pois ele sorriu um hipnotizante flash branco contra sua pele bronzeada. “Você costuma dormir do lado esquerdo ou direito?” Ele perguntou. “Huh?” Silêncio. Conserte isso. “No direito. Senhor.” Especialmente depois que foi esfaqueada, e suas costelas esquerdas tinham ficado sensíveis. Quando sua mão se fechou sobre a dela, percebeu que estava roçando o ferimento. “O direito. Então se vire,” ele disse. Ordenando. Seu corpo enrijeceu até que se sentiu como uma placa inflexível quando rolou sobre seu lado direito. Não. Oh não. Seu braço deslizou sob sua cabeça enquanto ele a puxava contra seu corpo, se curvando ao seu redor. Seu peito nu aquecendo suas costas, a virilha — e uma espessa ereção — pressionando contra sua bunda. Sua respiração engatou. Não, oh Deus, não, por favor. Eu não posso. Ela não conseguia se mover, como se isso fosse incitá-lo a atacá-la. Uma risada retumbou por seu peito. “Sem sexo, Kimberly. Porém, antes do supervisor fazer a visita, você deve se sentir confortável comigo te tocando. E então, sua lição é apenas para se acostumar a estar em meus braços, a estar contra mim.” Pausa. “Você dormirá melhor se não estiver tão tensa, entretanto.” Um suspiro desajeitado a sacudiu. Como se ela pudesse controlar isso? “Respire quando eu fizer.” O homem estava respirando de forma muito lenta. Mas ela tentou.

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Um minuto depois, ele disse. “Muito bom. Agora pense em seus dedos do pé. Relaxe os músculos neles. Deixe-os ficar moles.” Dedos do pé? Seja real. Mas ele estava sendo tão gentil. Sem sexo. Ela meneou os dedos do pé para lembrar-se onde estava, Tirar sua atenção da coisa enorme se empurrando contra sua bunda. Dedos do pé. Então ela os deixou quietos, relaxados. “Boa menina. Agora seus tornozelos e panturrilhas. Deixe a tensão drenar para o colchão, sobre o chão. A cama a segurará.” O exercício tinha sua atenção agora. Tornozelo direito. Tornozelo esquerdo. “Bom. Sinta o quão pesadas suas pernas são como se afundam no colchão.” Quando ele alcançou o topo de sua cabeça, ela estava acordada só o suficiente para sentir um beijo suave em seu cabelo, a exalação suave de sua respiração, o braço firme segurando-a contra ele. E ela deixou-se cair no sono.

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Capítulo Cinco Raoul despertou, sentindo a pressão do tempo. O leilão, de acordo com os Federais, o melhor palpite baseado em seu acompanhamento de mulheres sequestradas, aconteceria em aproximadamente três semanas. Sam precisava ser apresentado antes disso e em tempo suficiente para ser aprovado. Quando o supervisor fizesse sua visita de acompanhamento, Kimberly precisava estar bem na mentalidade de escrava, confortável com ele tocando seu corpo, confortável com a submissão a sua vontade. Se o supervisor tivesse dúvidas, a indicação de Sam não chegaria a lugar nenhum. Pelo menos, Kimberly não era uma submissa inexperiente, ainda que ela nunca tivesse ido além da submissão erótica leve. Ele sorriu, inalando o aroma leve de cítrico em seu cabelo, a fragrância de seu almíscar feminino. Mas nenhum perfume de excitação encheu o ar. Kimberly estava solidamente adormecida, seus braços enrolados ao redor de seu antebraço como um brinquedo de pelúcia, e… Ele franziu a testa, percebendo que sua mão tinha se curvado em volta de seu seio direito durante o sono. Não, Sandoval. Ele o soltou— lamentando a perda do arredondado suave em sua palma — fechou os dedos, e reajustou a mão entre os seios. Seu pau doía como um músculo rasgado, e ele suspirou. Estas seriam poucas longas semanas. E uma manhã muito longa. Pelo menos ambos tinham dormido bem. Seu tremor o havia despertado uma vez, mas conseguiu acalmá-la do pesadelo antes dele a levar. Melhor que a primeira noite, quando seus gritos dolorosos o arrastaram do sono. Tanta dor e ainda disposta a enfrentar o supervisor, salvar as outras mulheres. Sua coragem o impressionava. Ele apertou-a levemente. “Kimberly, hora de levantar.”

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Seus braços se apertaram ao redor dele, e seus seios se fecharam em suas mãos suavemente. “Dios,” ele disse baixinho. Afastou-se lentamente e se deslizou para fora da cama. Ela murmurou e despertou, empurrando-se para se sentar na cama, franzindo a testa para ele. “Desculpe, chica, mas tenho trabalho a fazer, o que significa que você se levanta também.” Sua carranca se aprofundou. “Use o banheiro para cuidar dos negócios e escovar os dentes, então me chame.” Ela estava totalmente acordada agora, o medo afiado em seus olhos. Mas não discutiu só se encaminhou para o banheiro. Ele se entreteve escolhendo as roupas que ela vestiria hoje. Alguns minutos depois, ela abriu a porta, e ele entrou. Depois de remover as calças soltas, ele entrou no box e ligou a água. O azulejo verde escuro emitindo vapor imediatamente. Virando-se, fez sinal para ela vir dentro. Suas mãos cerraram em seus lados, e ela começou a tremer. “Mostre-me um número,” disse firmemente, tirando-a do pânico antes que a alcançasse. Oh Deus, ele estava nu. E totalmente ereto, seu pênis enorme e apontando em sua direção como uma arma. Seu olhar caiu imediatamente. Ele a estupraria agora… Então Kim ouviu sua voz, e um segundo depois o indicador de palavras. Um número. Dez, vinte, cem! Com o exagero, seu cérebro clicou novamente. Ele não a estava machucando. Nem mesmo tocando-a. Realmente, ela tinha estado mais assustada do que isso, não é? Sim. E ela estava com Mestre R, não… Um monstro. Com o pensamento, o medo afiado diminuiu, e ela forçou as mãos a mostrar seis dedos. “Bom. Você fez muito bem em fazer a si mesma pensar.”

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A aprovação em sua voz aqueceu-a muito mais que o vapor do chuveiro. Ela se forçou a baixar a cabeça e esperar por seu comando. “Olhe para mim, gatita. Esta manhã, você pode permanecer no seu pijama… Embora vá se juntar a mim aqui. Hoje você vai me banhar.” Silêncio. O alívio aliviou sua respiração. “Amanhã daremos banho um no outro. Compreendido?” Uma moratória, não uma suspensão da execução. Mas ainda ajudou. Muito. “Sim. Sim, M-mestre.” Ele bufou. “Se você ficar comigo muito tempo, vou começar a soletrar Mestre com dois M.” Estendeu a mão. “Venha, chiquita. Lave-me para que eu possa ter algum trabalho real feito hoje.” O tom vivo a fez avançar. Seus dedos se fecharam ao redor dela, puxando-a sob a água. Spray quente encharcou seu pijama, e ele se agarrou à sua pele, escondendo muito pouco. Ele não disse nada, simplesmente lhe entregou o sabonete e virou as costas. Bem, ok. Ela trabalhou a espuma e começou. Nos impossivelmente ombros largos, abaixo nos planos de suas costas musculosas. Ignorar seu bumbum. Suas coxas eram tão espessas quanto sua cintura, com pêlos levemente grossos. Seus tornozelos e pés sólidos. Ela recuou — o gosto metálico tinha desaparecido de sua boca — e olhou para ele. Não havia nada de gracioso sobre este homem; Ele era poder e força pura. Sua bunda permaneceu… E ele não se virou. Ela olhou para o sabonete. “Um…” “Tudo de mim, Kimberly.” Maldição. Mordendo o lábio, ela lavou as nádegas apertadas e entre. Tão íntimo, tocando-o lá. “V-vire-se, M-mestre.” Sua risada ecoou pelo chuveiro. “Isso vai lhe dar uma gagueira permanente?” Quando a enfrentou, ela podia ver a diversão em seus olhos. Sua tensão retrocedeu um passo. Até que sua ereção bateu em seu estômago. Ela recuou tão depressa que seus pés derraparam.

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Um aperto firme em seu braço a segurou em cima, mas ele a liberou assim que pegou seu equilíbrio. “Lave meu rosto, por favor,” disse suavemente, o comando a forçando a prestar atenção. A compreensão em sua expressão fez lágrimas queimar em seus olhos. “Sim, Senhor.” Ela ensaboou sua testa, as maçãs do rosto duro, e o ângulo obtuso de sua mandíbula. A barba matutina raspando seus dedos. “Enxágue, M-mestre.” Ele andou sob o spray e atrás, enxaguou os olhos, e ficou quieto enquanto ela ensaboava seu pescoço com fios, os músculos de aço de seu braço, traçando a linha entre os bíceps e tríceps, seus pulsos espessos e poderosos. Depois de lavar cada palma larga, ela trabalhou em seus dedos, esfregando calos grossos e unhas curtas. Ela ensaboou o cabelo preto suave debaixo do braço, então o triângulo invertido de cabelos escuros sobre seus peitorais que escondiam planos mamilos marrons. Seu peito era uma parede sólida de músculos. Hipnotizada, ela correu o dedo através dos cumes de seu abdômen. Maldição, um pacote verdadeiro de seis. “Eu gosto da sensação de suas mãos em mim,” ele disse suavemente, inquieta ela pausou para olhá-lo cautelosamente. “Continue.” Evitando olhar para sua virilha, lavou a frente de suas pernas, seus pés, e tornozelos. Então… Oh Deus, ela tinha que fazer isso? Mas ele não a estava tocando, agarrando-a, ou forçando-a. Um calafrio a percorreu enquanto ele permanecia no lugar, esperando em silêncio. Por que ele tinha que estar… Ereto? Ela olhou para parede, congelada. “Chiquita,” Ele ergueu seu queixo. “Você está aprendendo a controlar seu medo. Exatamente da mesma forma, um homem honrado vai controlar sua luxúria. Meu corpo a deseja, sim. Qualquer homem vivo iria, e eu não estou morto, depois de tudo.” Um sorriso cintilou em seus lábios. “Mas meu corpo não consegue tudo que quer, ou ainda estaríamos adormecidos na cama, não?” A lógica fazia sentido. Ele preferia ter dormido mais, mas não o fez. Ele preferia… Foder… Ela, mas não iria. “Obrigado,” ela sussurrou.

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“De nada. Agora me lave para que eu possa começar a trabalhar, e você possa ter seu próprio chuveiro.” Lave seu pênis. Consiga isso. Sem problemas. Ela olhou abaixo e ofegou. Como não tinha visto isso? “Você tem um piercing.” Ele riu. “Então eu faço.” Oh uau. Uma barra prateada com uma bola na ponta de seu pênis ia direto até o lado inferior da cabeça. Atravessada. “Isso não machucou?” “Um pouco.” Uh-huh. Um pouco. Ele estalou a língua. “Kimberly? Você foi dada uma tarefa.” Certo. Embora seu medo tivesse diminuído, preocupação constringia seu peito. Seu pênis era quase da mesma cor que sua pele, espesso e longo com uma ligeira curva para esquerda. Ela lhe deu um rápido olhar quando o tocou, tensionando, meio que esperando ele agarrá-la e… Mas ele apenas assistia calmamente com um pequeno sorriso. Sua mão deslizou o sabão ao redor de seu pênis, astutamente para cima… E escovou acima do metal na ponta. Circulando-o com um dedo, então fez o mesmo na parte inferior. Como isso se sentiria... Por dentro? “A maioria das mulheres gostam. Algumas não,” ele disse, respondendo sua pergunta não dita. “Eu removo se é um problema ou às vezes para o sexo oral.” Ele sorriu. “Pare de tocar.” Percebendo que estava manuseando o piercing prateado, ela corou. Mas agora não era tão impossível terminar, da cabeça, para baixo sobre as veias grossas, para o cabelo aparado flexível na base. Ele abriu as pernas. Seus testículos eram grandes e pesados. Fascinante. Ela tinha feito sexo no chuveiro antes, mas já tinha lavado um homem tão completamente? Com tanta atenção? Quando terminou, o rosto dele estava vermelho, e os músculos de sua mandíbula estavam rígidos. Ela conhecia aquela expressão. Seu corpo ficou tenso, pronto para fugir.

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Quando recuou, ele se virou e enxaguou o sabão de seu corpo. Quando a enfrentou novamente, seu sorriso era fácil. Ele ergueu seu queixo com um dedo e escovou um beijo sobre seus lábios. “Obrigado, gatita. Sua coragem me agrada.” Deu-lhe um sorriso contagiante, e seu coração saltou uma batida em como perigosamente bonito ele era. “Suas mãos macias me agradam também.” Antes que pudesse se preocupar com suas palavras, ele saiu do chuveiro e enxugouse fora. “Eu deixei sua roupa para hoje na cama,” disse um segundo antes da porta do banheiro se fechar atrás dele. Ele escolheu minha roupa? Desculpe-me? Mas ela não se importou realmente… Não agora. Ela olhou para a porta enquanto a água quente batia em suas costas. Eu fiz isso. Não entrou em pânico. Ele até a agradeceu. Ela tocou os lábios formigando. Ele me beijou. E tinha sido… Bom. Não horrível de tudo. Ela começou a tirar o pijama e parou. E se ele voltar? Mas… Ele não iria. Ela apenas sabia disso.

**** Raoul se afastou da escrivaninha. Seu trabalho estava terminado, e a tarde estava quase no fim. Até agora, não tinha sido um dia ruim. No café da manhã, eles examinaram cuidadosamente horários e expectativas, então ido para suas tarefas diversas. Depois do almoço, ele tentou tocar gentilmente Kimberly, da mesma forma que faria com um animal selvagem — começa à distância e se aproximando, pouco a pouco. Enquanto ele trabalhava em seu escritório, ela se sentou em uma almofada no chão ao lado dele, perto o suficiente para que ele pudesse acariciar seu cabelo.

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Levou quase uma hora para relaxar. Quando ela tinha cansado, ela se inclinou mais perto, pressionando seu rosto contra sua coxa. Ele tinha planejado o método para aumentar sua confiança nele; O que ele não esperava era sua própria paz em tê-la por perto. Quando sua psicóloga chegou e Kimberly a levou para a grande sala, seu escritório parecia vazio e frio. Mas ele tinha ouvido Faith sair a algum tempo. Hora para o próximo passo. Ele se levantou e se esticou, enfiando a camisa perfeitamente em seu jeans, e foi à procura de sua pequena escrava. A encontrou ainda na sala grande. Enrolada no sofá, ela parecia cansada. A sessão deve ter sido dolorosa. Talvez ela apreciasse sua forma de derrotar a tensão. “Venha, gatita. É hora de algo mais vigoroso que sentar-se.” “Sim, Senhor.” Ela o seguiu caladamente enquanto ia para o canto dianteiro da casa. Abriu a porta e entrou no quarto, então percebeu que ela não estava ao lado dele. Ele se virou. Quase tão pálida quanto sua camiseta branca, ela estava congelada no corredor. “O que está errado, chiquita?” Ela deu um passo mais perto, olhou para a sala de musculação, e caiu contra a parede. “Eu pensei que estava me trazendo para um calabouço.” “Ah.” Ele sacudiu a cabeça. Pobre pequena escrava. “Eu tenho um calabouço, sim, mas está no lado sul. Depois que terminarmos aqui, vamos fazer um tour pela casa.” A cor retornou, ela o seguiu até a sala de exercícios bem iluminada e vagou ao redor, olhando para a esteira, a máquina de agachamento, as polias10. “Se você não souber o que é este material, poderia pensar que entrou em um calabouço.” Ela olhou os cabos.

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Nas academias de ginástica os aparelhos de musculação são cheios de discos rígidos em torno dos quais há um fio, em que estão presas as cargas. Esses discos são denominados roldanas ou polias.

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“Suponho,” ele disse evasivo, nem pensando em lhe dizer o quão bem algum dos equipamentos trabalhou como restrições. Prender essa polia no pulso de uma submissa, adicionar peso… Alguns dos subs que entreteve, na verdade preferiram jogar nesta sala ao invés do calabouço. “Nós vamos construir seus músculos e resistência.” Ele olhou a bermuda e camiseta soltas. Bom o suficiente no momento. “Em uns dias, vou iniciá-la em autodefesa.” “Eu sei um pouco. Meu pai me fez ter aulas de caratê quando criança.” “Sério. Por que parou?” “Eu—” Quando ela deu de ombros, seus seios se moveram de forma interessante, desviando-o por um segundo. “Eu… Não queria ser mais um moleque.” Sua boca firmou como se estivesse se lembrando de antigas batalhas. Estranho. Outra coisa para investigar. “Mas neste momento, eu não acho que poderia aprender rápido o suficiente para preocupar até um fraco velho de noventa anos,” ela adicionou as sobrancelhas juntas. Ele já tinha visto uma mulher que fosse tão bonita até mesmo carrancuda? “Com o caratê, não. Eu vou lhe dar o benefício de meus anos de luta de rua. Começaremos com alguns dos piores truques — aqueles que não ensinam aos alunos de artes marciais, pois explicar a uma mamá por que os globos oculares do seu filho estão no chão é mais difícil.” “Eca.” Ela olhou para ele com horror. “Ou por que seus pequenos dedos agora se curvam de forma errada.” Seu desgosto virou para um brilho especulativo quando indubitavelmente imaginou Um traficante que não poderia mais segurar um flogger. Exatamente o conceito que queria em sua cabeça. Ela não era uma vítima; Ela era um sobrevivente — e uma que poderia fazer um dano real, se a chance aparecesse.

****

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Uma hora depois, as pernas de Kim cambaleavam quando Mestre R a ajudou a desligar a máquina de extensão de perna. Seu aperto duro no braço era tudo que a impedia de baquear sobre o tapete de borracha como uma truta aterrissada. “Não serei capaz de andar amanhã,” ela gemeu. Porra, por que ele tinha que ter um sorriso tão grande? “Você irá, embora você gemerá toda distância para fora da cama.” “Muito obrigado.” Sua risada foi profunda, ressonando em seus ossos. “Agora quero que seja clara nas regras que discutimos antes. Quando trabalharmos juntos, como na sala de musculação ou na cozinha, eu não espero que você seja formal. Em qualquer outro lugar, pedirá permissão para falar. Você usará meu título e será respeitosa todo tempo. Se eu estiver sentado em uma sala, ajoelhe-se antes de falar comigo, e espere por permissão para se sentar em qualquer lugar exceto o chão ou um travesseiro.” “Sim, M-mestre.” As mesmas regras que examinaram cuidadosamente no café da manhã. Nenhuma contradição. Ele percebia o quão maravilhoso era sua consistência? Ela estremeceu, lembrando-se de que tinha se sentado no sofá na sala grande. Ele não disse nada. “Eu estava no sofá antes.” “Ah.” Ele fez uma carranca. “Muitos mestres não deixam mesmo suas escravas na mobília, mas eu achei isso desajeitado e desnecessariamente rígido.” “Entendo.” Toda vez que a lembrava de que tinha tido escravas antes, a boca do estômago saltava. “Se não houver Doms na sala, use o sofá ou cadeiras e fique confortável. Se eu entrar na sala, você se levanta. Se eu sentar, você se ajoelha. Alguma pergunta?” “Não, Senhor.” Então ela devia ter se levantado quando ele entrou na sala grande. “Se você quebrar as regras, você será castigada — provavelmente com uma surra. Está claro?” “Sim, M-mestre.”

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“Muito bem.” Ele esfregou as juntas em sua bochecha, seu olhar tenro. “Existe alguma coisa que precisa agora ou quer dizer?” Por que um mestre perguntaria a um escravo algo assim? E por que a fez sentir… Fora de equilíbrio? “Não, Senhor.” “Não? Então me deixe lhe mostrar as partes da casa que não conhece.” Ele pegou sua mão, levando-a. No segundo andar havia três quartos de hóspede e o quarto principal. No final, ele abriu uma porta e lhe mostrou uma sala de estar com a vista para o oceano. “Esta é sua área privada para quando precisar de um lugar para ficar quieta. Se estiver aqui, eu saberei que quer um tempo sozinha.” Antes de seu alívio tomar conta, ele colocou um dedo sob seu queixo, erguendo seu rosto para lhe dar um olhar nivelado. “Ter um espaço para você não significa que será permitido se esconder aqui, Kimberly. Como todas as coisas, isso é até mim.” “Sim, Senhor.” “Bom.” Sua mão segurou sua bochecha, e olhando para ela, ele abaixou a cabeça. Uma vibração como asas de borboleta fez cócegas em seu peito, mas não se moveu. Uma escovada de seus lábios, um deslizamento de sua língua em seu lábio inferior, seguido por um mordiscar de dentes. Sua boca suavizou, e uma pequena faísca de calor acendeu para vida em sua barriga. Não a forçando. Gentil, arreliando beijos firmes, os lábios aveludados. A palma quente contra seu rosto, sua boca conhecedora na dela, mas não tocou mais nada. Nem sequer tentou empurrar sua língua, só a levou, passo a passo, a responder ao tipo de beijo que só tinha experimentado quando menina, antes de o beijo francês11 ter aparecido.

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Beijo Francês, esse todo mundo conhece. É o famoso beijo de língua. Uma curiosidade antigamente, só os homens podiam colocar a língua na boca da mulher. Hoje é mais liberado, os dois podem revezar na tarefa.

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Ele se afastou tão lentamente quanto tinha avançado seu olhar ainda intenso, mas… Oh, muito mais quente. Como ela estava. Ela olhou para ele, colocando a mão em seu estômago estremecendo. Os cantos de seus olhos ondularam, mas ele não falou, apenas correu o polegar sobre a umidade em seu lábio inferior, e então, pegou sua mão. Ele a levou ao andar de baixo para áreas que ela já tinha visto. O vestíbulo e sala grande, sala de jantar e cozinha, sala de TV. Quando foi em direção ao lado sul, sua pele ficou fria. Seu calabouço. Não. Eu não quero ir lá. Ignorando o jeito que ela hesitou, abriu a porta e ligou a luz do teto, enchendo a área com brilho, apagando algumas das ameaças. “Ande em torno da sala três vezes. Olhe para tudo,” ele disse com exatamente o mesmo tom de quando a tinha instruído para fazer imprensas de perna. Cada fibra nela a persuadia a fugir, mas deu um passo dentro. Seus joelhos tremendo quando se forçou a continuar. Ele não a seguiu. Ela olhou para trás. Ele se debruçou contra a parede, braços cruzados sobre o peito, só assistindo. Ok então. Cerrando as mãos em seus lados, ela conseguiu mover um pé, então o outro. O gosto na boca, à forma como sua pele ficava fria — aos seis anos, ela tinha entrado em uma casa assombrada de Dia das Bruxas. Gritos e gemidos, teias de aranha e esqueletos. Ela congelada, incapaz de se mover até que seu pai furioso e envergonhado a tinha arrastado para fora e gritou com ela por ser uma covarde. “Os Moores não são covardes.” Mas eles são às vezes. Mesmo assim, ela se empurrou adiante, através do lado vazio do quarto, então em direção ao equipamento. Seus pés pararam. Respire. Respire. Ela forçou suas pernas para frente, saboreando sangue de onde ela mordeu a língua. Ela conseguiu passar a cruz de St. Andrew e uma mesa de escravidão. Seu estômago quase se revoltou quando viu chicotes — tantos chicotes — encaracolados em forma de serpente em uma estante. Um armário de vidro que exibia mordaças. Máscaras. Deus. Passe esses depressa. Ela veio até Mestre R.

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Ele levantou um dedo. “Mais dois.” Uma cadeira de trono sem fundo. Uma pia e o balcão. Ela desviou entre cadeias que oscilavam das vigas do teto. Então alcançou Mestre R. Dois dedos. A sala estava bem equipada, melhor que alguns dos clubes onde tinha jogado. Estofamento de couro em quase tudo. Um banco de surra de cavalete. Mestre Raoul. Três dedos. Ela parou na frente dele e estremeceu, pensando em todas as coisas horríveis atrás dela. Agora o que? “Kimberly, nós não vamos jogar hoje.” Oh, obrigado, Deus. Seus ombros ficaram soltos quando a tensão desapareceu. “Obrigado, Senhor.” “Porém, eu quero você nisso. De bruços.” Ele apontou para a mesa de escravidão de cintura alta, e ela congelou. Ele esperou, então ergueu seu queixo, mandíbula rígida. Não o deixe louco. Ela cruzou a sala, ignorando seu interior covarde que continuava gritando, Corra, corra, corra. Depois que subiu na mesa, se deitou de bruços, cada músculo rígido de medo. “Bom, gatita. Você está conquistando a si mesma e fazendo muito bem.” Ele tomou seus braços, deitando-os em seus lados, e massageou seus ombros com dedos fortes. Quando seus músculos relaxaram, ela abriu os olhos e esticou o pescoço para olhar para ele. Sem luxúria em seu rosto, apenas atenção focada em tudo que fazia. “Senhor?” “Mestre, gatita.” “M-mestre, o que você está fazendo?” Ele bufou. “Massageando todos os seus músculos cansados bebê. Qual a sensação?” Oh. “Bom.” Exceto pela necessidade de ir embora e se esconder. “Obrigado. Mestre.” Ele trabalhou seu caminho pelo corpo dela, e ela sabia que fez isso para que se acostumasse com seu toque, mas foi eficaz. Ela ficou tensa quando ele cavou os dedos nos

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músculos doloridos de suas nádegas, mas ele não fez nada de sexual. Abaixo em suas pernas. Seus pés. Ela gemeu quando os polegares cavaram seus arcos. “Vire-se.” Seus olhos se abriram. Ele não esperou a rolou de costas e sorriu para ela. “Tais olhos grandes. Sim, eu estou indo massagear sua frente também.” Seus dedos se curvaram sobre os ombros, os polegares escavando os músculos em torno da clavícula. Deus se sente tão bom… Mas ela não conseguia relaxar, não com as mãos tão perto de seus seios. Ele trabalhou os músculos peitorais, aliviando ao redor dos seios, movendo-os para fora de seu caminho. Ela ficava tensa cada vez que tocava em algum lugar novo. Finalmente ele sacudiu a cabeça exasperado. “Suas preocupações estão conseguindo o melhor de você, chiquita. Você não vai cair em pedaços se eu tocar em seus seios.” E então colocou as mãos diretamente em seus seios, curvando as palmas ao redor deles. Sua respiração parou. Ele não se moveu quando olhou para seus olhos. “Estou te machucando?” Ele esperou. “Kimberly?” Ela lambeu os lábios. “Não.” Os sentimentos eram muito confusos para compreender. Medo — oh sim. Mas… Prazer? Ela sempre tinha gostado das mãos de um homem em seus seios, mas não agora. Seguramente não mais. “Estamos bem?” Ele perguntou. A firmeza em sua voz segurou a expectativa de que ela recuperaria isso. “Sim, Senhor.” “Boa menina.” Ele se moveu para seus pés, trabalhando seu caminho para cima. Deixando-a agitada. Sempre amigável, cortês, ainda este núcleo imóvel sólido. Mais que sua autoconfiança e habilidade de dar um comando, ele mostrava a certeza de que não só o obedeceria, mas que ela queria.

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E ele não escondeu sua satisfação ou até mesmo o prazer quando ela se encontrou com aquelas expectativas. Suas grandes mãos apertaram uma coxa e a outra, movendo-se mais alto até que seus dedos pastaram a virilha de suas calças com cada movimento. Seu medo relampejou e desapareceu, deixando… Antecipação. Calor. Deus, ela queria que ele a tocasse. A realização a cortou, mais dolorosa que um golpe de faca. Como ela pôde viver entre estupros e escravidão e ainda querer ser tocada de novo? Que tipo de puta ela era? Eu realmente sou o sujo buraco de foda que o— “Diga-me o que está pensando,” ele disse. Subiu até a mesa para considerá-la de perto com os olhos sombreados. Não, nunca. “Nada.” “Gatita, eu sei quando o meu toque aquece uma mulher. Por que ser despertada a incomoda?” Ele esperou; Então sua voz se aprofundou para um comando explícito. “Diga-me agora, Kimberly.” As palavras se derramaram dela como uma represa quebrada, liberando uma torrente. “Eu não deveria jamais querer que alguém me tocasse. Ele disse que eu era uma puta suja, e eu sou. Eu sou.” Os soluços romperam dela. Uma boceta, um animal, não digno de ser humano. Ela sabia disso. Como um esgoto, sujeira a encheu, atravessando seu núcleo. “Hijo de puta,” Mestre R murmurou e a pegou fora do banco. A embalou contra ele enquanto a levava para a pequena sala de estar. Ele não deveria tocá-la. Ela não era digna de estar perto de uma pessoa real. Suja por completo. Lágrimas fluíram pelo seu rosto, fazendo-a ainda mais feia. Um b-buraco de foda e um— Ele se sentou no sofá, debruçando-a contra seu peito. “Pare.” A sacudiu ligeiramente. “Pare. Agora.” Voz de mestre. Seu mestre. Ela sufocou, engolindo os soluços. “Melhor. Você me escutará. Você se lembra de como suas memórias trabalham?”

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Memórias? “O que?” Ela piscou, tentando se focar em seu rosto. “Quando algo horrível acontece, seu cérebro não processa direito as memórias. Ele armazena tudo — sons, dor, cheiros, sentimentos — tudo misturado. Não importa se você acredita ou faz sentido; é armazenado. Gabi ou Faith não lhe disseram isso?” Ambas tinham. Kim assentiu, esfregando o rosto em seu peito. Seu odor veio até ela, limpo como uma brisa do oceano. “Então se sua memória é ativada, você consegue partes da bagunça de volta — e talvez o que você ouviu ou sentiu no momento. Você está ouvindo, Kimberly?” “Sim, Senhor.” “Ele lhe disse repetidas vezes que era ruim. Fez com que se sentisse suja. Então às vezes, quando seu cérebro acessar essas memórias — aquelas que ainda não pensou sobre elas — você vai ouvir essas palavras e se sentir daquele jeito novamente. Sí?” Ela puxou uma respiração. Ele estava certo. Normalmente não achava que era uma pessoa má. “Acho que sim.” “Gabrielle me disse que foi estuprada quando era uma adolescente. Ela é uma puta imunda?” “Não!” Maravilhosa Gabi, que cuidava de todo mundo e iluminava qualquer lugar que entrasse. “Como pode você—” Ela mordeu o lábio. Duh. E nem sou eu. “É isso aí,” ele murmurou. Beijou o topo de sua cabeça, então seus lábios, sempre muito gentil. Depois de pegar o controle remoto da TV na mesa ao lado, disse, “Vamos assistir a algo realmente sujo. Como futebol.” Como os Saints vencia os Packers, ela adormeceu embrulhada em conforto.

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Capítulo Seis Cada dia vinha com algo novo. Repetidas vezes, Kim tinha que se lembrar do por que estava fazendo isso. Para os outros. Para Linda e Holly. E realmente… Para si mesma, também. Para ter uma parte em machucar os traficantes de escravos, em destruir seus negócios, seria curativo, mostraria que ela não era um nada, mas era uma pessoa que precisava ser levada em conta. Ela lutou adiante. Ela administrou a perda de sua roupa — quase — embora duvidasse que jamais se acostumasse a ficar nua, enquanto Mestre R vestia jeans e uma camisa de manga curta. Pelo menos permitiu que se vestisse quando outras pessoas os visitavam. Desde que ele frequentemente conduzia seus negócios em casa, ele e o FBI fizeram com que Gabi e Faith vestissem camisas com o logotipo verde da sua empresa assim pareceriam ser suas funcionárias. Gabi reclamou sobre a camisa branca chata — e uma faixa de verde aparecendo em seu cabelo ao lado do azul. Lentamente, Kim se acostumou às mãos de Mestre R em seu corpo, lavando-a, massageando-a, segurando-a. Toda noite, depois de receber um beijo de boa noite, que cresceu mais exigente, ela dormia nua, enrolada em seus braços, e despertava com sua ereção pressionando contra suas nádegas. Ele a apavorava e a fazia se sentir segura ao mesmo tempo, e isso não era estranho? A cada manhã eles discutiam seu dia e suas tarefas, e qualquer outra coisa que ele esperava. Se ela cometesse um erro em sua postura ou fazia algo errado — como a gaveta onde os talheres ficavam — ele calmamente lhe dizia como queria feito. Ele não gritava não a chamava de nomes, era sempre educado. Quando ela tinha quebrado um copo, congelou, esperando que ele gritasse se não a castigasse. Ele só lhe disse que colocasse sapatos antes de varrê-los.

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A única coisa que a trouxe perto de ser disciplinada foi rudeza. Ser desrespeitosa tinha sido definitivamente a sua maior e mais grave ofensa. Mas mesmo assim, ele ficou tranquilo. Consistente. Se ao menos ele parasse de adicionar coisas com a qual ela teria que se ajustar. Ontem, antes do almoço, a escória-sugadora, comedor de algas tinha afivelado algemas de couro em seus pulsos. Enquanto tentava se lembrar de como respirar, ele a tinha informado que queria tacos da receita especial de sua mamá. Quando ela descobriu todas as especiarias — como o que estava errado com os pequenos envelopes de temperos? — E tinha a refeição pronta, já tinha quase se esquecido das algemas… Até que ele as grampeou juntas na frente dela. Não podia se mover, não podia cair fora. Megaclaustrofobia. Ele teve que ajudá-la a ficar de joelhos ao lado da mesa. Mas quando se ajoelhou ao lado dele e ele a alimentou, sua agitação desapareceu. Por que tomar a comida de sua mão não mais a fazia se sentir humilhada, mas cuidada? Porque ele selecionava os melhores pedaços para ela? Porque sua atenção estava completamente nela? O almoço não tinha sido tão ruim, afinal. Hoje, tudo tinha ido ladeira abaixo… Primeiro, ele tinha afivelado as malditas algemas de couro em seus pulsos depois de seu chuveiro, de forma tão automática, que lhe disse que estaria vestindo-as com frequência. Maldição. Quinze minutos atrás, ele tinha dado a ela o seu: estou-indo-ser-muito-mau-para-você sorriso e grampeou as algemas em suas costas, segurando-a enquanto entrava em pânico, e então fez uma carranca para ela. “Você fará agachamentos até que eu diga para parar. Nós construiremos ambos, os músculos das pernas e sua coragem.” Na parte vazia da sala de musculação, cercados pelos odores de tapetes de borracha e aço, ela administrou alguns agachamentos. Flexionando seus joelhos, ela fez outro e endireitou-se lentamente. Este era o sétimo. Quantos mais ele vai fazer-me fazer? Ela fez uma careta para ele quando a primeira gota de suor escorreu pelo pescoço. Dez agachamentos… Quinze. Suas coxas queimavam de dor. Afogue-o de qualquer jeito.

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Acima da prateleira de pesos, Mestre R estava fazendo flexões de bíceps. Seu bombeamento para cima nos braços era enorme. A forma como sua pele bronzeada se esticava sobre os músculos fizeram seus dedos coçarem para tocar. Além disso, qualquer coisa seria melhor de que esse lixo de agachamentos. Ele olhou por cima onde ela estava suas pernas tremendo tanto que tinha medo de que caísse. “Você pode fazer outro, cariño.” Não vai acontecer. “O que cariño quer dizer?” “Quer dizer querida.” Seus lábios torceram. “Agora, pare de protelar e empurre as pernas de espaguete.” Sim, afogue-o e deixe os caranguejos comê-lo, não importa de quantas coisas afetuosas ele a chamou. Depois de puxar uma respiração, Kim afastou o cabelo suado do rosto, verificou seu equilíbrio, e dobrou os joelhos cambaleando novamente. Abaixo. Friccionou os dentes e endireitou. As algemas não importavam mais, exceto que se caísse, não conseguiria se segurar. As coxas queimavam, e suor escorria pelas costas e entre os seios nus. Ela ficou a meio caminho. Gemendo, se empurrou determinada e fez todo o caminho até ficar de pé, sugando o ar como um peixe fora d’agua. Um minuto mais tarde, quando sua respiração desacelerou, ele disse. “Outro.” “Maldito seja, eu não posso. Você é cego porra ou...” Oh merda. Oh não. Sua respiração ficou estrangulada em sua garganta quando seus olhos gelaram, e sua mandíbula ficou rígida. “Isso foi muito desrespeitoso, Kimberly. Eu injurio você?” Ele não se moveu na direção dela, mas apontou para um banco. “Curve-se através disso.” Não. Ela recuou. Seu coração estava muito rápido; Agora batia contra suas costelas como se desesperado para escapar de uma gaiola. “Não. Por favor. Eu sinto muito. Mestre me desculpe.” “Eu sei chiquita. Mas ainda será castigada.” Ele levantou os halteres mais pesados. Seu braço esquerdo enrolando-se lentamente, puxando, então abaixo, antes de olhar para ela. “Preciso me repetir?”

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Não, não, não. Os pés se sentiam como se tivessem pesos fixados ao redor dos tornozelos. Um passo. Outro. Seus pulsos ainda estavam contidos atrás dela, e suas pernas tremiam, fazendo-a cambalear como um bêbado. Quando tentou se ajoelhar, seus joelhos cederam e bateram na borracha da esteira com um baque doloroso. Lutando contra as lágrimas, apertou os ombros nus e o rosto contra o frescor do estofamento do banco. Nua. Contida. Sua pulsação era um oceano de som em seus ouvidos. Ela virou a cabeça e viu seu reflexo nos espelhos da parede. Ele não lhe deu qualquer atenção. Nenhuma. Seu braço direito se enrolando, para cima, para baixo. O outro braço. Sua concentração permaneceu em seu exercício, como se ela fosse invisível. Ela desejou que fosse. Realmente. Os pesos foram para prateleira. Tinir. Tinir. Seu estômago apertou. Ele caminhou até ela, sua abordagem como a atmosfera escurecendo antes de uma tempestade. Balançando uma perna, ele se escarranchou no banco ao lado dela. Ela esticou a cabeça para ver seu rosto. “Se você for enviada para algum lugar para o castigo, você tomará esta posição.” Pegou-a pela cintura com mãos impiedosas, deslizando sua frente até que seus quadris encontraram a extremidade do banco estreito. Sua cabeça e ombros pendurados abaixo de um lado; Seus joelhos mal tocavam o chão, no outro. Sua palma pressionou firmemente o final de suas costas, e colocou o pé sobre as pernas. Imobilizando-a. Uma choradeira escapou quando tentou lutar. Ele meramente aumentou o peso sobre ela. “Só três agora, chica. Conte-os para mim.” Oh Deus, oh Deus, oh Deus. Ela ficou tensa e o ouviu suspirar. “Sinto muito, gatita, mas nós dois devemos observar as regras.” Sua mão incrivelmente dura golpeou a bochecha esquerda de sua bunda, nem um pouco suavemente, e a dor aguda explodiu através dela. Ela estremeceu e ofegou… E não tinha permissão para se mover.

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“Contar?” Ele solicitou. “Um.” Espesso silêncio. “Um, Mestre.” “Isso soa muito melhor, você não acha?” Seu próximo golpe caiu sobre a bochecha direita da bunda. Pura ardência. Ela ganiu, e as lágrimas encheram seus olhos. Isso Dói. Sua agitação aumentou. “Dois, Mestre.” Só mais um. Ela podia lidar com outro. O terceiro golpe foi sobre ambas às bochechas na curva abaixo. A dor a atravessou em uma onda quente, e ela soluçou as lágrimas escorrendo pelo rosto. Seu bumbum queimava como se tivesse se sentado em brasas. Silêncio. Maldito. “Três, Mestre.” O fogo começou a enfraquecer. “Diga-me o que fez de errado.” “Eu o amaldiçoei e recusei sua ordem. Eu sinto muito, Mestre.” Sua mão esfregou seu bumbum latejante. “Sim, eu acredito que você sente.” Então, para seu horror, a palma se moveu entre suas pernas e sobre sua boceta, e quando tentou fugir, percebeu que seu pé e mão esquerda ainda a seguravam no lugar. Seus dedos impiedosos a tocou deslizaram… Deslizou entre seus lábios, dentro dela e de volta para fora. “Você também está molhada, pequena sub.” Sua resistência desapareceu como areia lavada na praia. Puta imunda. Buraco de foda sujo. Não tem valor— Um bofetão picou suas nádegas doloridas e bateu os pensamentos fora de sua cabeça. “Eu reconheço esse olhar agora,” Mestre R rosnou. “Você é uma mulher sensual e deliciosa, Kimberly.” A convicção em sua voz afastou a auto-aversão para longe, mas então deslizou seus dedos entre suas dobras novamente, arreliando sua entrada. “Você também é submissa. Não

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sei se foi a dor da surra que te ligou hoje — vamos descobrir isso — mas nós dois sabemos que ser dominada é algo que você gosta. Algo que você precisa.” Seus dedos acariciaram-na intimamente, e um tremor a percorreu quando calor se agrupou em sua parte inferior. “Nós dois sabemos que lhe darei o que precisa.” Uma pausa. Ele amaldiçoou baixinho. Sua mão se afastou, deixando-a dolorida. Ele se levantou e caminhou pelo quarto. O que tinha acontecido? Com as mãos ainda presas atrás das costas, ela lutou para ficar de pé, fazendo careta na forma como suas pernas tremeram. Ele enfrentava a parede em branco, não se movendo. Ele estava louco? Ela tinha feito algo? Só que ela não tinha. Como a maré chegando, a ansiedade fluiu dentro e fora, cada vez adicionando mais. Quando ele andou de volta para ela, seu rosto duro com raiva, ela vacilou… Mas segurou-se no chão. Sua expressão clareou. “Ah, chiquita, lamento. Não estou descontente com você. Nada disso.” Ele segurou sua bochecha, infinitamente gentil, sua grande mão quente contra a pele gelada. Ela molhou o lábio seco. “Então o que?” “Estou bravo comigo.” Sua boca apertou quando encontrou seu olhar. “Você é… Atraente, gatita. Você é submissa, valente, linda. Você dá a si mesma sem reservas.” Ele realmente me vê assim? E jamais... “E isso é ruim?” “Eu deveria empurrá-la, mas apenas para que possa se apresentar para o supervisor. Para uma vez, mostrar seu treinamento, ser confortável no papel de minha escrava, confortável com minhas mãos em você, não?” Ela assentiu, pensando na última semana ou mais e… Maldição olhe para mim. Contida e espancada. Nua. Vendo um mestre chateado e não correndo para a porta mais próxima. Sua espinha endireitou um pouco. Seus olhos iluminaram. “Sim, você fez muito, muito bem, e eu estou orgulhoso de você.”

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Ela sentiu como se nadasse em um remendo ensolarado da água em um oceano frio. Não duraria, não poderia ver o fundo, mas tão quente… “Obrigado, Mestre.” Ele estremeceu, inclinou-se adiante até que suas testas se encontraram. “Sim, esse é o problema. Eu me esqueço de que você não é verdadeiramente minha. Kimberly, eu não deveria tê-la tocado tão intimamente.” Endireitou-se, segurando seu olhar. “Não há necessidade de termos sexo para você lidar com a visita do supervisor.” “Não. Não há.” A onda de alívio poderia ter sido o esperado, mas não o remorso. Ainda assim, ela percebeu que seu corpo estava voltando à vida, pertencendo a ela. Sua boceta ainda pulsava, e sob as mãos do controle, se sentiu bonita. Sexy. Não uma coisa ou um animal, mas uma mulher desejável. Sexo com Mestre R seria… Assustador. Talvez maravilhoso. “É parte da natureza de um Dom empurrar. Para lhe dar o que precisa ajudá-la a passar seus limites. Mas eu não tenho o direito de fazer isso para você.” Ele se virou ao seu redor e tirou as algemas. “Não acontecerá novamente, e eu espero que você me perdoe.” Deus, ela já tinha ouvido um homem se desculpar tão sinceramente — muito menos um mestre? Ele a tinha comprado, estava tentando mantê-la segura. Que se sentisse tão culpado agora parecia errado. Ela se virou e apertou os braços ao redor dele, descansando o rosto em seu ombro para esconder as lágrimas traiçoeiras que estavam se derramando novamente. “Não há n-nada para perdoar.” Ele suspirou e a envolveu firmemente contra ele, a segurando por um minuto longo, feliz. Ninguém no mundo a tinha abraçado tão bem quanto Mestre R. Depois de um beijo em sua cabeça, ele pegou seus ombros para fazer uma carranca em suas lágrimas. Enxugando o rosto, ela administrou uma risada travessa. “Pensando bem, você pode se desculpar por me bater. Eu vou ter dificuldade para me sentar.” Seu sorriso rápido era como vislumbrar o sol em uma manhã fria e nebulosa. “Você ganhou o castigo, chiquita. Agora vá nadar um pouco na piscina para se refrescar.” “Sim, Mestre.” Quando ela começou a sair da sala, ele não a seguiu. Ela hesitou. Ele nem sequer se virou para vê-la. Seu olhar retornou à parede, e ele parecia… Infeliz.

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“Gatita, obediência é exigida,” ele disse calmamente sem se mover. Dessa vez, ela partiu.

**** Na quarta-feira, Raoul entrou no quarto do calabouço. No café da manhã, tinha visto o calendário e percebeu que não demoraria mais muito tempo antes do supervisor chamar. O pensamento tinha azedado seu dia, mas se lembrou de não deixá-lo sobre Kimberly. Então lhe disse que jogariam no calabouço hoje. O que poderia usar que não a apavoraria? Ele abriu as portas do armário de brinquedos e franziu a testa na estante onde as mordaças deveriam estar. Vazio. Madre de Dios. Com os olhos estreitados, inspecionou as prateleiras. Na fila de braçadeiras de mamilo, os perversos trevos dentados estavam faltando. A próxima prateleira tinha perdido os plugues anais médios e grandes. Os dildos grandes também. O colarinho de postura. De fato, qualquer coisa que pudesse causar a uma pequena escrava alguma angústia tinha desaparecido. Sua risada quebrou o silêncio no quarto e iluminou seu humor. Pirralha furtiva. Será que ela achava que ele não notaria os brinquedos perdidos? Ou simplesmente não conseguia lidar com os instrumentos mais sórdidos? Ele olhou a parede. Ela não tinha removido quaisquer brinquedos de choque. Então, novamente, ele tinha mencionado que não iria açoitar, chicotear, ou usar o remo nela. Quando ela precisasse de castigo, usaria a mão nua. Como tinha feito no outro dia. Pele tão macia. Ele se lembrou de como sua mão tinha deixado marcas em sua bunda curvilínea, e seu pau se mexeu. Ele sacudiu a cabeça. Tocá-la tão intimamente tinha sido um erro, não só em exceder a suas promessas, mas também porque não conseguia esquecer a suavidade de sua pele nua, e o quão molhada e quente sua boceta tinha estado ao redor de seus dedos. Sua excitação, apesar de seus medos.

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Ela se submeteu tão docemente. O abraçou após sua desculpa, mostrando uma natureza tanto de dar e perdoar. E não é minha. Tenha isso em mente, Sandoval. Porém, parecia que teria que avermelhar sua bonita bunda novamente hoje. Ele sorriu. Adverti-la de seus planos para o tempo no calabouço tinha sido um erro.

**** Kimberly se empurrou um pouco mais distante atrás do armário, sentindo-se como uma completa idiota. O que eu fiz? Primeiro, havia roubado alguns dos brinquedos de Mestre R e os escondeu. Deus, ela só tinha planejado verificar o que tinha nos armários porque ele tinha dito que usariam o calabouço hoje, e ela… Ela precisava saber. Só havia um plug anal, um enorme, que talvez, se ela removesse, ele não notaria. Um dildo tinha se juntado a isso, e então seu interior covarde tinha vindo a enlouquecê-la. Ela tinha enchido um saco plástico com tudo que não queria que ele usasse. E então escondeu o saco. Como poderia ter pensado que ele ficaria cego para as prateleiras meio vazias? Isso era ruim o suficiente, mas se esconder. Quase, ok, em seu primeiro dia aqui, tinha visto este pequeno armário no canto sob a escada — assim como o de Harry Potter — e também observou cada lugar onde uma pessoa poderia se esconder e todas as saídas também. Mas não tinha pensado sobre qualquer um deles desde então. Não até hoje, quando ele disse “jogar no calabouço.” Deus, a cada minuto que passava, seu pavor crescia. Depois de esconder os brinquedos, ela tentou limpar a cozinha, ler, fazer a lavanderia, mas seus pés a levaram aqui como se não tivesse controle sobre eles.

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O desespero a encheu quando ouviu os passos de Mestre R. Tão distintos. Não quietos ou furtivos, mas sólidos. Uniformes. Imparáveis. Levante-se, disse a si mesma. Saia e implore perdão. Faça isso agora. Seu corpo não se moveu. Seu interior covarde se encolheu ainda mais dentro de sua caverna. Ele não a estava chamando. Oh Deus. Isso era bom ou ruim? O quão louco estava ele? Ela começou a tremer. A porta se abriu. Luz brilhou através dos espaços entre as roupas. Seguramente ele não iria encontrá-la no canto. Um grunhido de satisfação. Suas grandes mãos agarraram seus braços e a puxaram para fora do seu esconderijo. Ela ficou mole, incapaz de resistir, mas ele dificilmente notou. Ergueu-a o suficiente para ver seu rosto e suspirou. Seu tremor não parava, mas as lágrimas em seus olhos transbordaram quando viu seu desapontamento com ela. Ele não estava louco, o que quase… Quase fazia isso pior. Ela firmou os joelhos, conseguindo ficar de pé, e deu-se um aceno de cabeça. Com uma mão firmemente enrolada em seu braço, como se já não mais confiasse nela de não correr, a levou ao quarto da torre. O lugar que ele gostava de usar para suas conversas. Ele tomou a cadeira, apontando para o chão. Enxugando as lágrimas, ela se ajoelhou desajeitadamente e abaixou a cabeça. A garganta entupiu quando o silêncio ficou mais espesso. Pesado. Uma lágrima escapou. Outra. E então, como se uma tempestade no oceano tivesse enviado ondas que derrubaram suas barreiras, ela começou a chorar. “Eu s-sinto muito, Mestre. Eu… Não podia.” Por que não a segurava? A necessidade de seus braços a puxando agitava-a como uma vela solta ao vento. Ele lhe deu apenas um toque, o dedo erguendo seu queixo. Colocou o cotovelo em sua coxa e a estudou. “Não podia o que?” Não podia enfrentar o calabouço, falar sobre isso, ver seu desapontamento. “Eu—” Ela chorou mais duro, incapaz de dizer qualquer coisa.

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“Carajo,” ele murmurou, e ela se encolheu na palavra C em espanhol. “Diga-me — claramente — por que se escondeu de mim.” Ele esperou, não a oferecendo nada mais enquanto lutava pelo controle. Sua respiração engatou, mas ela conseguiu sussurrar, “Eu estava apavorada.” “Eu percebo isso. Por que não falou comigo?” Falar com ele? Seu cérebro parou como se tivesse flutuado para o fim de uma linha de âncora. “Eu-eu não sei.” Seu dedo ficou sob o queixo, mantendo seu rosto exposto para ele. Ela piscou a água de seus olhos, precisando ver sua expressão. Dura… Mas não fria. Ele tinha você-ferrou-tudo no rosto de Dom, mas não estava zangado. Por que ele não está bravo? “Eu já não lhe pedi para me deixar saber quando está ficando com muito medo?” Ela tentou assentir. Seus olhos gelados. “Sim, Mestre.” “Eu te faço tão temerosa que não pode falar comigo?” Ela ouviu a infelicidade em seu tom, na lentidão de sua frase. Suas lágrimas recomeçaram novamente. “Não, Mestre. Sinto muito, Mestre.” Desta vez, ele emoldurou seu rosto entre as mãos, usando os polegares para enxugar a umidade das bochechas. “Então fale para mim agora. Explique para que eu possa entender.” Liberando-a, ele colocou os antebraços nos joelhos e esperou. Por que não tinha ido para ele? Falado com ele antes de tudo ficar muito louco em sua cabeça? Ele sempre a tinha escutado. Ele a seguraria durante o ataque de pânico. Ele iria mais devagar se estivesse realmente com medo. Mas… “Eu não estava pensando. Eu somente me escondi.” Talvez não tivesse visto os brinquedos perdidos? Deus deixe-a ter a chance de colocá-los todos de volta no lugar. Ele fez uma carranca para ela. “Quando era pequena e ficava assustada, para quem você corria?”

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“Mamãe.” O que isso teve que fazer com qualquer coisa? “Não seu pai?” Como ele teria ajudado. Sua risada soou… Estranha. Ela balançou a cabeça. “Por quê?” Como explicar sua família? “Ele… Quando eu era mais jovem, ele me tratava como um filho. Os meninos não ficam assustados.” “Não?” Sua boca se contorceu. “Obrigado por me avisar.” Sua boca caiu aberta, e seu cérebro começou a retroceder, irregular como um motor com água salgada no combustível. Outros pais abraçavam seus filhos… Filhos e filhas. Os confortariam e os segurariam se uma bola de beisebol chocou-se contra eles ou quando um grande cachorro os perseguiu. Seu pai não tinha sido… Paternal. “A princípio, ele a tratou como um filho. O que aconteceu quando ficou mais velha?” Sua própria culpa. Sua própria escolha. Ela não lamentava isso. “Decidi que era mulher e comecei a me vestir como uma. Ajudar minha mãe. Então eu não era… Nada para ele.” Mestre R estava franzindo a testa novamente. “Você deve ter sido uma linda menina. Como um papá não podia estar orgulhoso?” Suas juntas acariciaram sua bochecha, e ela… Ansiou. “Eu acho que você tinha um bom pai,” ela disse. “Eu tive.” Seus dedos deslizaram por seu cabelo emaranhado. “Kimberly. O terror pode nos tornar uma criança. Se você não correu para seu pai — um homem — para confortála, e considerando suas experiências com homens recentemente, entendo por que se escondeu.” Seu olhar nivelado segurou o dela. “Mas, chiquita, você deve entender que enquanto estiver aqui, espero que venha a mim e compartilhe seus medos. Ainda que eu seja o causador deles.” Por que seu olhar inflexível fazia seu coração gaguejar? “Sim, Mestre.”

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O canto de sua boca se curvou. “Eu gosto de todos os Mestres que estou ouvindo agora, escrava.” Ela se encolheu, gelando como se água ártica estivesse vazando em seu núcleo. Seus olhos se estreitaram. “Esse é o tipo de coisa que nós discutimos.” Pausou. Então sua voz endureceu. “Escrava.” Ele raramente a chamou dessa palavra horrível. Seguramente não podia entender o efeito sobre ela. Como poderia? Agora ele esperava que ela falasse porque seu interior se encolhia como uma águaviva em areia seca. Não posso falar. Ela prendeu a respiração. Devo falar. Sou mais corajosa do que isso. Seus ombros se endireitaram um pouco. Gabi lhe diria para puxar sua calcinha de menina grande e cuspir as palavras. “A palavra. Escrava.” Ela poderia alvejar a sua boca? “Eu nunca gostei mesmo… Antes. Agora me faz doente do estômago. Feio.” Ela mordeu o lábio e forçou o resto a sair. “Quando você me chama assim, é… Pior.” Como se seu cobertor de segurança tivesse uma serpente nele. “Mmm.” Ele a pegou, dobrando-a facilmente sobre seu colo e contra seu peito. Cada músculo do corpo relaxou no envolvente conforto do abraço. A recompensa. Ele a estava recompensando por sua honestidade. Manipulador? Tipo. Mas ela o levaria. “Você não parece doente quando diz mestre.” “Não é o mesmo — não é feio.” Ela esfregou o rosto em seu peito; Sua camiseta desbotada era suave sobre seu peitoral sólido. Seu aroma masculino se entrosou com o do sabão de roupa e veio significar segurança. “Eu gosto da palavra Mestre.” Ela considerou e adicionou, “Embora, às vezes, eu quero jogar coisas em você quando me obriga a usá-la.” Sua risada soou diferente, mais profunda, quando sua orelha foi pressionada contra o peito dele. “Bueno. Submissa é melhor do que escrava?” “Eu acho.” Ela tentou imaginá-lo chamando-a assim. “É um tipo de blah.”

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“Mmm. Talvez sumisa — ou até sumisita? Quer dizer pequena submissa em espanhol.” Ele se mexeu de modo que seu rosto se aconchegou em seu pescoço. “Algum dia discutiremos por que acho que a palavra se ajusta a você.” Sumisita. Soou… Doce de alguma forma. Ele havia chamado Gabi de chiquita algumas vezes, de forma que o termo não parecia ser muito especial. Gatita era… Mais seu. E sumisita era mais… Íntimo. Seu jeito de dizer “minha.” “Eu gosto assim, Mestre.” “Bom.” Ele inclinou seu rosto para cima. Seu beijo de aprovação à fez se sentir como se o seu barco tivesse entrado no porto. “Eu coloquei um diário em branco em sua sala de estar,” ele disse. “E uma lista limite também. Você sabe o que é isso?“ A lista de atividades de BDSM onde um submisso pode marcar o que estaria interessado em tentar… E o que não faria absolutamente. Às vezes, um Dom nos clubes lhe dava uma. Ela assentiu. “Preencha a lista, e nós a discutiremos.” Ele bateu seu nariz. “Duvido que realmente joguemos muito, mas alcançamos o ponto onde preciso saber mais sobre o que te incomoda.” “E o diário?” “É principalmente para você. Faith concordou que você deveria usá-lo.” Ele pausou. “Eu quero que escreva uma página para mim todos os dias, e a leremos juntos todas as noites. O resto é só para você; Não vou pedir para ver as outras páginas.” Um diário. Bleah. “Eu entendo as razões de Faith. Mas por que uma página para — você?” “Para evitar problemas como os de hoje.” Ele acariciou seu cabelo suavemente. “Existirá coisas que você precisa de mim. Pensamento que não consegue falar, mas pode ser capaz de escrever. Então. Você encherá a página, ainda que as palavras pareçam tolas para você. Claro?” “Sim, Mestre.” Lição de casa. Maldita lição de casa do que-eu-fiz-em-minhas-férias-deescravidão.

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“Esse beicinho,” ele murmurou e beijou isso direto para fora de seus lábios. Os lábios dele estavam quentes, firmes e no controle. Sua mão apertou seu cabelo quando tomou sua boca, castigando antes de terminar em gentileza. Sua cabeça nadou como se tivesse tragado três bebidas rápidas. Quando ele puxou de volta, seu olhar ardia com tanto calor quanto ela chiava por dentro. Sua expressão endureceu. “Agora sobre o que você tirou do armário de brinquedos…” Ela enterrou a cabeça em seu pescoço. Oh Deus. “Traga-os aqui e coloque tudo ordenadamente no divã. Para o seu castigo, você escolherá um dos brinquedos — apenas um — que eu usarei em você em algum momento nos próximos dias.” “Quando?” Ela sussurrou. “Resposta errada. Tente novamente, sumisa.” “Sinto muito, Mestre.” Mais. Ela deveria dizer algo mais. “Tudo que o Mestre deseja.” “Muito bonito.” Ele beijou o topo de sua cabeça e a colocou de pé. “Pode ir agora… E, Kimberly?” Tentando se lembrar de tudo que tinha levado — aquele dildo enorme, definitivamente não quero escolhê-lo — ela se virou. “Sim, Mestre.” Seus lábios torceram como se estivesse tentando não sorrir. “Da próxima vez que eu disser que vamos jogar, não quero dizer esconde-esconde.”

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Capítulo Sete Alguns dias mais tarde, Raoul praticava em seu calabouço com a porta trancada. Usar um chicote era uma habilidade que um Dom não podia se dar ao luxo de deixar enferrujar, não se ele não quisesse marcar o bumbum. Ele tinha visto do quarto da torre quando Kimberly caminhava na praia com Gabi. O sol se refletia nos cabelos escuros de sua sumisita. Seu bronzeado tinha escurecido de suas caminhadas frequentes, e sua pele brilhava com o retorno de sua saúde. Kimberly tinha empurrado Gabi na espuma das ondas, o rosto sorridente. Ao vê-la tão despreocupada, aliviou seu coração. E tê-la fora de casa significava que podia praticar. Embora o crack do chicote, provavelmente, não pudesse ser ouvido fora do calabouço, não se arriscaria. Ela não precisava saber o quanto ele gostava de chicotes. Depois de se alongar até que seus braços e ombros estavam soltos, ele começou. Um espaço vazio na parede segurava vários objetivos de prática — os jornais de hoje estavam entre as braçadeiras largas. Ele trabalhou em fatiar delicadamente através apenas da camada superior do papel. Em intervalos, ele chicoteou o pedaço adjacente de camurça, verificando que o crack no final mal levantou a ponta. O que havia no crack de um chicote que era tão erótico? Seu telefone tocou. Depois de terminar seu balanço — só um idiota puxava um golpe — ele pegou o celular no bolso. Um número privado. Seu intestino apertou quando respondeu. “Sandoval.” “Raoul, é bom ouvir sua voz. Aqui é Dahmer… O supervisor. Este é um bom momento para falar, ou devo chamar de volta?”

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“O momento é excelente.” Raoul lembrou a si mesmo do que deveria ser levantado. O local. Referindo-se Sam. “Como a mercadoria está trabalhando ai fora? Algum problema?” Raoul forçou uma risada. “Bem o suficiente, embora a compra… Usada… Não foi minha escolha mais inteligente. O proprietário anterior deixou alguns entalhes.” “Não é de estranhar. O proprietário anterior tem um temperamento. Mas estou feliz que esteja tudo bem.” “Sim. De fato—” Dahmer limpou a garganta. “Os telefones são—” “Não é um problema.” Bastardo paranóico, como Buchanan disse. “Eu tenho um amigo que admirou a mercadoria. Ele é áspero em seus brinquedos e espera comprar algo mais resistente.” “Bem.” Uma pausa. “Temos um evento chegando. Talvez se ele se qualificar, poderia frequentar.” “Ele apreciaria isso.” “Como eu fiz com você, eu vou ter que ver seu amigo em ação. Diminui as chances de… Ah… Visitas inesperadas.” Ele queria dizer policiais. “Falando como um comprador, eu aprecio as precauções.” “Existe um local que você prefere? Sua casa ou um clube de Tampa?” Raoul não queria sujar sua casa com a presença de Dahmer, mas levando Kimberly para um clube BDSM regular, sem proteções no lugar era totalmente inaceitável. Alguns dias atrás, ele tinha discutido uma alternativa com Buchanan e Kouros… E então Z. “Desde que os clubes públicos são barulhentos, talvez você fosse meu convidado no Shadowlands?” “O Shadowlands.” Dahmer pausou. “Eu gostaria disso. O clube tem uma reputação surpreendente.” “Bem merecida.” “Sobre a cena de audição que você planejou fazer nesta visita…”

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“Sim?” A mão de Raoul apertou o telefone. Ele esperava que Dahmer tivesse esquecido. Como soprar isso fora? “O horário do mestre que estava programado para fazer a demonstração da cena Brincando com Fogo este mês está indisponível, e eu estou tendo dificuldades em encontrar cenas eróticas fireplay suficientes para nossos compradores. Alguém mencionou que você dá um show muito bom.” Alguém. Isso seria o desgraçado que tinha a oportunidade de levar para fora os submissos do Shadowlands para os traficantes de escravos sequestrar? A mandíbula de Raoul cerrou. “Bom ouvir.” “Para sua audição, eu gostaria de ver uma cena fireplay com seu novo brinquedo. Se você fizer tão bem quanto ouvi, vou lhe reservar para o próximo leilão.” O próximo leilão. Raoul compassou pelo quarto, pensando. Ele não estaria em uma lista de espera. Desde que Sam não poderia ser apagado como um comprador, essa poderia ser a melhor chance de ter uma pessoa no leilão. Mas e Kimberly? Raoul olhou para o efeito do chicote e desejou que Dahmer estivesse perto o suficiente para servir como um alvo. Se Kimberly pudesse administrar a cena no Shadowlands, o FBI poderia encontrar um agente para desempenhar seu submisso no leilão. Poderia funcionar. Concorde agora; volte atrás mais tarde se necessário. “A cena fireplay está certa. O Shadowlands abre sexta e sábado. Qual noite lhe convém?” “Deixe-me ver meu calendário.” Silêncio. “Próximo sábado seria bom. Dez horas?” “Certo. O encontraremos no estacionamento e entraremos juntos.” Raoul esmurrou o botão off. Ele apertou ainda mais o chicote. Um crack, e cortou por toda camada de jornal.

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Mestre R tinha estado muito quieto desde ontem, Kim pensava enquanto fazia sua caminhada pela praia. Algo estava errado? Ele tinha ficado chateado que tinha se retirado direto para sua sala privada depois da visita de Gabi? Mas depois de discutir alguns medos com sua amiga, ela precisava se reagrupar. Talvez Gabi tivesse dito a ele para que lhe desse um tempo sozinha? Ele não parecia chateado no jantar ontem à noite. Só silencioso. Ainda assim, antes de dormir, tinha lido “sua” página designada em seu diário e rido de sua descrição insultante de seu temperamento. Ele a abraçou por compartilhar de como se sentiu como um pedaço de carne na posição de ser inspecionada. Então ele provavelmente, não estava chateado com ela. Na verdade, tinha sido mais gentil que o normal. Mais doce. Aconchegante. Ok, ela não se preocuparia, até que ele lhe dissesse que precisava. Ao invés, respirou fundo, apreciando o sabor da maresia. Ao longe, rindo, gaivotas circulavam sobre algo na orla, disputando e mergulhando. Mais distante pelicanos voaram em uma linha, provavelmente indo em direção a Clearwater. O ar fora da água arrastou sua camiseta, soprou o cabelo em seu rosto, e aliviou um pouco o calor úmido. O vento do Atlântico em Savannah era muito mais eficaz. Lembrou-se da brisa bem-vinda do oceano quando saía na traineira com seu pai. Seu pai… Ela franziu a testa, lembrando-se das perguntas de Mestre R sobre ele. Ela já tinha corrido para o pai em busca de conforto? Dificilmente. Ele tinha sido um homem rude, escuro em natureza e aparência. Sua mãe nativa Americana tinha lhe dotado o cabelo preto e maçãs do rosto largas; Seu pai havia lhe deixado o barco de pesca. Ela enfiou as mãos nos bolsos de sua bermuda. Sua vida tinha girado em torno da traineira, e até sua rebelião, assim tinha sido a dela. Mas ela tinha odiado como ele tratava horrivelmente sua Mãe. “Vaca gorda.” “Não pode fazer nada direito.” “Estúpida como um toco.” A mãe tinha trabalhado como uma… Uma escrava para ele, e ele nunca disse obrigado. Nunca notava a menos que algo não estivesse perfeito.

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Um dia, Kim tinha gritado com ele por chamar sua mãe de nomes. Ele a tinha empurrado contra a parede. Depois disto, Kim tinha parado de fingir ser seu filho. Virou líder de torcida, usou maquiagem, vestidos e roupas bonitas. Ele a chamou de prostituta e vadia estúpida. Deus, ela o odiava, às vezes. Ela parou e fez uma carranca em um pequeno castelo de areia. Um balde vermelho deitado perto. Muros altos, um fosso ao redor dele. Nenhuma ponte. Garoto esperto. Mantenha o mundo fora e fique dentro. Muito mais seguro assim. Kim se virou e voltou, sacudindo a cabeça. Estranho como tinha odiado seu pai, mas sua mãe nunca tinha. Ela levou anos para recuperar sua independência e parar de duvidar de tudo que fazia. As duas trabalharam seus traseiros fora, depois que ele morreu, bêbado, em um acidente de carro. Uma pontada de dor bateu inesperadamente. Sua vida tinha sido a traineira estúpida, e quando o barco morreu, então, ele também tinha. A mãe não tinha sido o suficiente para viver. Nem Kim. Inferno, elas eram apenas mulheres. Escravas. Não escravas. Sua mãe era uma gerente de escritório em uma empresa imobiliária agora, e Kim era uma bióloga marinha. Pois é, pai. Estamos muito melhor sem você. Isso doía demais. A mãe deveria… Tê-lo deixado, não deveria ter aceitado seu abuso. Como uma esposa podia sofrer tantas restrições como um escravo encoleirado? Kim bufou. E caramba, olhe para mim agora. Eu sou uma escrava, assim como você era, Mãe. Quando retornasse a casa, Mestre R colocaria as algemas em seus pulsos. E ela se sentiria rasgada. Assim como queria. Odiava. Às vezes o odiava também, mas estava começando a querê-lo mais. Precisar dele. Trabalhava para ganhar seu sorriso, amava quando ele sorria. Não vá por esse caminho de preferências, Kim. Primeiro, ele estava só fazendo o que tinha que ser feito para prender os traficantes de escravos. Segundo, ele quer que sua namorada seja uma escrava. Isso não é para mim. Então, Sra. Romântica, não se apegue. Ele é outro membro da equipe, como os dois agentes do FBI. Claro? Ela olhou para casa e parou.

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Mestre R estava ao pé dos degraus para a praia, recostado no parapeito, braços cruzados no peito. Só observando-a. Isso não era novidade, mas a forma como seu coração saltou… Agora sim, era um problema. Porra, coração, nós não acabamos de ter uma conversa? Você não estava escutando? Ela se desviou em volta da cadeira fixada na praia e foi em direção a ele, tentando ignorar o deleite chiando em suas veias como uma onda espumosa. Quando o alcançou, ela caiu de joelhos, exatamente na posição correta, e baixou a cabeça. “Muy bonita,” ele murmurou, acariciando seus cabelos. “Você está tão bonita.” Ele pegou seus braços e a ergueu para seus pés com aquela força sem esforço que a deixava sem fôlego. “Agora, eu preciso falar com você.” Não era isso que um homem dizia a sua esposa quando ia pedir o divórcio? Mel, nós temos que conversar? Ela sorriu. Pelo menos, não ser casada, a livrava disso. “Sim, Senhor?” “O supervisor me chamou ontem.” “O—” Seus joelhos fraquejaram. Ele apertou as mãos em seus braços e a segurou para cima, os olhos castanhos firmes em seu rosto. Um suor frio fluiu em sua pele, e seu coração disparou até que seu peito doeu, machucando ruim. Talvez ela estivesse tendo um ataque cardíaco, e seu ar tinha ido todo e— Ele a sacudiu uma vez, fazendo sua cabeça puxar sobre os ombros. “Kimberly!” Ela ofegou em uma respiração, então gemeu enquanto os olhos se fixavam na casa. Ele veio aqui. Talvez já esteja aqui. Seus pulmões apertaram abaixo novamente. “Olhe. Para. Mim.” Cada palavra foi acompanhada por uma sacudida impiedosa. Seu olhar retornou ao seu rosto. “Ah. Muito melhor.” Ele sorriu as pequenas linhas ao lado dos olhos ondulando. “Sabia que seu nariz está rosa?” “Você ficou louco?” “Você ficou louco, Mestre.” Ainda segurando seus braços, ele a saltou, obviamente testando se suas pernas a segurariam. “Eu estou perfeitamente são, obrigado. Kimberly,

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vamos encontrá-lo no Shadowlands no próximo sábado para uns drinks. Para uma conversa civilizada. Ele não vai correr enlouquecido e abater os membros do clube como galinhas.” Seu tom suave à fez sufocar uma risada, mas ela lhe deu um olhar sombrio. “Você sabe tão pouco.” Suas pernas começaram a funcionar, e ficou sob seu próprio poder. Ele se debruçou contra a grade novamente, apertando sua cintura e puxando-a entre suas pernas longas como gostava de fazer. Por que a fazia se sentir segura ao invés de presa? Seus olhos estavam nivelados. Atentos. “Há algo mais, gatita. Faremos uma cena no Shadowlands. Um fi—” Ele parou bruscamente e disse. “Uma cena erótica.” Ela era o Titanic batendo em um iceberg sob a água. Sem casco. Afundando na água gelada. “Uma cena?” Na frente do supervisor? A queimadura de raiva — de traição — levou o gelo para longe. Ela bate em seu peito largo, uma vez, então mais e mais. “Não. Não. Não!” Suas mãos ainda estavam em sua cintura; Ele não se moveu enquanto ela batia nele. Os punhos desaceleraram. “Não,” ela sussurrou. Tinha concordado apenas em fingir ser sua escrava, não fazer uma cena com ele. Entretanto viu a tensão em sua mandíbula. Não raiva — infelicidade. Ela puxou uma respiração estremecendo. “Diga-me por quê.” Ele curvou a mão em sua nuca para apoio. Conforto. “Durante minha entrevista inicial, Dahmer disse que trazem pessoas para fazer cenas para o entretenimento dos compradores, e pensei que poderia ser outra forma de entrar no leilão. Na noite que a comprei, concordei com uma audição durante a visita de acompanhamento.” “Lembro-me vagamente de ouvi-lo.” Mas estava machucada mal o suficiente para que a conversa virasse um borrão. Vance tinha mencionado isso na casa de Gabi também. “Há uma lista de espera, entretanto.” Ele suspirou. “Esse é o problema. Ele quer alguém para este próximo leilão. Se a indicação de Sam falha, essa pode ser a única chance de entrar. Eu usaria uma agente do FBI no leilão, não você. Mas no final de semana” — a mandíbula apertou — “Dahmer espera vêla.” Eu. Fazer uma cena. Com o supervisor assistindo.

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Mestre R começou a falar, e ela se afastou. “Só… Só me dê um minuto, ok?” Ele assentiu, e ela foi em direção às ondas. Alguns pequenos maçaricos satirizando à sua frente, seus pés de pássaro deixando pegadas rasas na areia. Ok, Kim, coloque tudo em ordem. Nitidamente. Primeiro, ele queria que ela fizesse a cena neste fim de semana, mas não estava planejando fazê-la participar do leilão. Bom. O plano original sempre tinha sido para o supervisor vê-la. Esse era o ponto da visita de acompanhamento. Fazer uma cena com Mestre R não seria tão diferente, não é? Só que ele tinha dito erótica. Isso significava… Suas mãos sobre ela. Despertando-a. Se abraçou contra a brisa refrescante. Ele tem estado tocando-a, lavando-a. Íntimos, mas nunca sexual. Ele frequentemente a beijava. Eu faço muito bem tudo isso. Realmente, às vezes, ela quase queria mais, mas depois congelava. Realmente, ela acabava de querer continuar celibatária e uma massa de gelo por um tempo. Alguns anos. Se Mestre R recusasse a audição, como justificaria? Eles estariam em um clube de BDSM. E ela estaria lá. Nenhuma desculpa vinha à sua mente, já que nenhum traficante de escravos se importaria se sua propriedade estava tremendo. Ela desgastou a areia com os dedos do pé, deixando que o calor se afundasse em sua pele. Ela poderia fazer isso? Bem, a maioria dos seus medos dizia respeito ao supervisor, mas os colocou em uma caixa mental. Fique fechada, caixa. Então o que realmente a estava incomodando? Olhou para as nuvens de chuva que se formavam em uma massa. Seus nervos eram porque o Mestre R iria tocá-la. Deliberadamente tentaria despertá-la. Na frente das pessoas. Do supervisor. Ele nunca tinha sido sexual com ela antes — e se ela entrasse em pânico? O desapontasse? Era quase… Quase mais fácil se realmente tivesse feito algumas daquelas coisas íntimas, como naquele dia na sala de musculação. Ela estremeceu, lembrando-se da sensação de seus dedos entre suas pernas, se empurrando dentro dela. Ela tinha ficado molhada.

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As ondas lambiam seus dedões do pé à medida que ela caminhava. Ela assistiu como a água retirou-se para seus pés, e ainda a mesma substância tinha esculpido canyons na Terra. Força poderia ser encontrada na determinação para chegar onde uma pessoa precisava ir. Em apenas se manter. Eu preciso ir para casa, e isso significa que eu preciso dos traficantes de escravos na prisão. Ela tinha que continuar. Mestre R ainda estava esperando quando voltou para ele. Esperou até que ela falasse. “Eu entendo por que devemos fazer a cena.” Tragou, saboreando o ar salgado. “Estou com medo que eu possa entrar em pânico.” Os olhos estavam cheios de ternura. “Existe alguma coisa que ajudaria?” “Eu acredito que seria melhor você… Tocar-me um pouco. Antes.” Seu rosto aqueceu seu rubor um beco sem saída, sobre o que queria dizer. Seis dias até então. Talvez ela estivesse pronta. “Eu acredito que provavelmente você está certa.” Seus lábios se curvaram, e ele acariciou um dedo abaixo de sua bochecha quente. “O prazer será todo meu.” Oh menino.

**** Kimberly se curvou, tentando recuperar o fôlego, suor pingando do rosto e gotejando entre os seios nus. Seu mestre sádico, sórdido, tinha aumentado o comprimento de seu treinamento de hoje, pelo que era, talvez, um pouco grata. Desde ontem, quando lhe disse sobre a cena do Shadowlands, as horas se arrastavam como se construindo seu medo para uma montanha que não conseguia subir. No café da manhã, Mestre R tinha lhe atribuído uma lista enorme de tarefas e refeições complicadas. Ele, obviamente, planejava mantê-la ocupada demais para pensar. Até a tinha colocado para trabalhar em seu escritório de casa esta manhã.

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Revelação importante. Com uma casa de praia tão linda, ele não poderia ser pobre, mas o Dom possuía uma companhia internacional de engenharia. Quando tinha perguntado como ele conseguia passar tanto tempo fora, ele sorriu e disse que se os funcionários não podiam lidar com o trabalho, por que contratá-los? Ela estava grata que tenha trabalhado daqui. Saber que ele estava na casa, a deixava relaxar. Sua tranquilidade também ajudava. Ele nunca ficava esgotado. Não que fosse particularmente descontraído — seu temperamento latino se mostrava, especialmente quando falavam sobre os traficantes de escravos. Mas ele não se preocupava com coisas pequenas ou coisas que não podia fazer nada. Ela era uma pessoa atormentada. E pior, queria fazer as coisas com perfeição, assim poderia conseguir a aprovação de — ela fez uma careta — de seu pai e todos os outros. Mestre R não esperava perfeição dela. Apenas o seu melhor, e ele a empurrava até que conseguia isso. Em seu escritório, tinha uma citação emoldurada na parede. “Se esforce para a perfeição em tudo que faz. Tire o melhor que existe e torne-o melhor. Quando ele não existir, projete-o.” Sir Henry Royce. Sim, esse era seu mestre, que também era um engenheiro. Ele nunca a fez achar se o tinha agradado. Se ela fez, ele mostrava. Se ela não fez, ele lhe dizia como fazer melhor. Ela nunca tinha que se preocupar com a roupa ou o seu desempenho, ou até o que fazer a seguir. Ou como lidar com… Relações interpessoais. Namorar sempre tinha sido um pesadelo. De perguntas de roupa: O que devo vestir para ficar bonita, mas não como uma puta. Deveria usar formal? Ou seria melhor parecer casual? Para comportamento: Devo tocá-lo? Deixá-lo segurar minha mão? Peço-lhe uma bebida, ou ele vai pensar que sou fácil? Durmo com ele no segundo ou terceiro encontro, ou não? O deixo apalpar meu traseiro na pista de dança, ou isso me faz parecer uma puta? Mas aqui, Mestre R escolheu suas roupas — ou a fez ficar nua. Sua escolha.

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Para comportamento? Ele decidia o que queria dela e dizia. Nenhuma decisão a tomar. Era tão tranquilo. E menino, ele definitivamente tinha decidido o quanto iria às coisas interpessoais. Ontem à noite, ele a tinha empurrado na piscina. Quando voltou à tona, tentando não cuspir maldições nele, ele disse que jogariam pega-pega. Toda vez que ela o pegasse, poderia reivindicar um beijo. Se levasse muito tempo para pegá-lo, a espancaria. Grande incentivo. Perseguindo-o — e ele não tornou isso fácil — foi divertido tocá-lo. Não assustador. Depois que o pegou algumas vezes, ela estava definitivamente despertada. Porra, o homem sabia beijar. Então elevou as apostas para “apanhar uma sensação,” que quando ela colocasse as mãos nele, ele duplicaria seus movimentos, colocando suas mãos nela. Ela estava dando uma risadinha e quente e— “Pare de sonhar e faça tudo novamente.” O barítono sexy de Mestre R a fez se endireitar. Estava deitado no banco de peso e nem mesmo olhava para ela. Seu radar de Dom sempre lhe dizia quando relaxava. Afogue-o em alto mar de qualquer maneira. Ela o viu empurrar a barra. Placas de metal gigantes retiniam em cada extremidade, e os músculos do peito e bíceps se agrupavam e viravam granito sob seu tanque. Deus, ela quase podia ver testosterona escorrendo de seus poros, em vez de suor. “Kimberly.” “Sim, Mestre.” Ela se lançou na última combinação de luta-de-rua que ele a ensinou. Bloquear, juntas para o pomo de Adão, outra mão — dedos para os olhos. Um-dois. Ela viu o guarda gordo no chão, gritando de dor. Ela fez novamente. E novamente. Até que tropeçou e caiu em suas mãos e joelhos. “Tomar água,” ela murmurou. “O último movimento parecia um pouco desajeitado.” Deitado de costas, ele estava assistindo.

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Ela deu uma risadinha e sentou seu traseiro nu na borracha fosca, empurrando para trás o cabelo que tinha escapado da trança. “Como é que você é tão bom em tudo isso? Você disse de brigas de rua?” “Você está protelando.” Mas se sentou, enxugando a testa com a toalha. “Vivíamos em uma área brutal quando cresci. Quando meu irmão juntou-se a uma gangue, me ensinou o que aprendeu com eles.” Irmão? Ela franziu o cenho. Ele tinha falado de uma irmã e sua mãe. “Eu não me lembro de você mencionar um irmão.” Seu rosto — tão triste. Antes de considerar, ela se juntou a ele no banco. Ela colocou os braços ao seu redor e então congelou, pensando que tinha ultrapassado seus limites. Mas ele a puxou, segurando-a firmemente, sua bochecha contra o topo de sua cabeça. Depois de um minuto, ele suspirou. “Obrigado, gatita. Eu precisava de um abraço.” “O que aconteceu?” Ela ficou não deixando ir. Raoul não queria falar sobre o passado. Nem um pouco. A dor da perda — da culpa — nunca tinha ido embora. “Ainda o incomoda.” Ela esfregou a cabeça em seu ombro. Nua pequena submissa tentando confortar seu mestre — que ela aterrorizou com sua coragem e cuidado. “Compartilhe comigo, Mestre.” Compartilhar. Ela queria retorno. Honestidade. Eles poderiam estar fazendo isso para capturar os traficantes de escravos, mas o laço de confiança entre eles era real. Ele tinha exigido que ela compartilhasse suas emoções e a tinha empurrado para as lágrimas quando necessário. Ele não poderia lhe dar nada menos em retorno. “Ele morreu.” Seus braços apertaram por um segundo, antes de recuperar o controle. “Ele tinha apenas quinze anos. Eu tinha doze e pensava que ele era Deus e o seguia por toda parte.” Mamá tinha gritado com Manuel, disse-lhe que gangs eram ruins. “Sua quadrilha foi em menor número em uma luta de rua com outra gangue. Manuel disse para que me escondesse.” Raoul tinha obedecido, então espiou pela pilha de caixas de supermercado

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vazias, o fedor de frutas podres o cercando, seu coração martelando-o -suficiente- para sufocálo. “Doze. Deus, você era um bebê.” Ele fez uma carranca. “Velho o suficiente. Eu deveria ter”—Forçado Manuel a sair, chamado à polícia, lutado ao lado dele—“Três deles atacaram Manuel.” Eles pareciam enormes, facas relampejando, gritando maldições em espanhol. Uma faca abriu o braço de Manuel, sua camiseta rasgando, vermelho escorrendo de seu pulso. Raoul tinha batido a faca empunhada por trás, derrubando o garoto de joelhos. Mas outro o jogou para trás como uma mosca no lixo. “Eu tentei. Dios, eu tentei levá-los para longe dele.” Subindo em cima, esmurrando, chutando, era como se ele nem estivesse lá. Eles cercaram Manuel, cortando-o por trás cada vez que se virava para lutar. Raoul tinha gritado e agarrado o braço de um gângster e o mordeu. “Eles me jogaram longe, concentrando-se nele. Nada do que fiz, ajudou.” “Você não poderia ter sido tão grande, não aos doze.” “Magro. Fraco. Gostava de livros. Eu era inútil para ele.” Ele tinha rastejado de volta pela última vez, chorando, agarrando-se a uma perna, e se pendurando. Manuel tinha apunhalado aquele. Raoul sentiu o golpe atravessando o corpo do gângster, o tremor de dor. Quando ele tentou correr para longe, um brutal pontapé no intestino o atingiu. Ele não conseguia respirar. Mais veio, andando de qualquer maneira. Ele tinha ouvido seu irmão gritar. Um grito alto — não a voz de um homem. Tão jovem. Muito jovem. “Quando consegui me levantar, Manuel estava morto.” “Oh, isso é horrível. Vocês eram só bebês. Mas você tentou ajudar.” Sangue por toda parte. Tantos cortes. Ele tinha falhado com seu irmão. Sido inútil. Fraco. Nunca mais. Uma vez que seus ferimentos se curaram, tinha trocado sua bicicleta por um conjunto de pesos. Braços se prenderam ao seu redor, segurando-o como se ela pudesse mantê-lo em conjunto, seus medos esquecidos. Doce gatita. Ele esfregou o rosto por seus cabelos macios e disse, “Então eu sei como se sente ao ser mais fraco, sumisita, e não ser capaz de lutar de volta.

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Quando eu consegui meu primeiro emprego, meu dinheiro foi para as aulas de autodefesa. Procurei pelos piores professores das ruas de combate que eu pudesse encontrar.” “E é isso que está me ensinando.” “Isso e ficar forte o suficiente para usá-lo.” Ela se afastou, olhando em torno da sala de musculação. “Você se exercita quase todos os dias. Isso significa que ainda se sente culpado, como se o tivesse desapontado?” Ele endureceu na precisão do corte. “Talvez.” Ele não pôde salvar, proteger. “Sí.” “Você é um idiota!” Ela o sacudiu, realmente o sacudiu. “Você tinha doze anos. E em menor número. Ainda que fosse enorme, você realmente poderia ter vencido?” Raoul franziu o cenho. Olhando para a briga de um ponto de vista mais experiente, ele sabia que havia muitos. Não importa o que pudesse ter feito, teriam matado Manuel. “Não.” Ela esfregou a bochecha em seu ombro. “Sabe, se você tivesse sido mais velho, eles provavelmente teriam matado você. Sua mãe teria perdido dois filhos.” Um sopro inteligente. Sua mamá — aguentando a morte de um filho já tinha sido suficiente. Raoul suspirou. Ele duvidava que a culpa fosse embora completamente, mas tinha aliviado. Ele acariciou um dedo por sua bochecha. “Obrigado, gatita. Pelo abraço… E a perspicácia.” Ela sorriu para ele. As lágrimas em seus olhos eram para ele e Manuel. Já tinha conhecido alguém tão doce? Porém… “Você ainda tem que praticar por outros quinze minutos.” Seu suspiro foi expressivo. Tentando não sorrir, ele beijou seus lábios fazendo beicinho. “Não protelar mais.” Antes de começar cada conjunto de blocos e ataques, Kim visualizou seu oponente. Pela primeira vez, Lord Greville e o supervisor tinham companhia, os feios valentões de rua que tinham chutado um pequeno de doze anos de idade. Mataram seu irmão. Que o tinha deixado com tanta culpa que irradiava como ondas de calor dele. A escória-sugadora de

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imbecis em maço. Ela trabalhou silenciosamente, furiosamente, até que teve que colocar as mãos nos joelhos e arquejar para conseguir seu fôlego de volta. Uma risada. Mestre R apontou para o chão nu ao redor dela. “Acho que estão todos mortos, gatita. Bom trabalho.” Ela sorriu. “Obrigado. Estou pronta para um novo conjunto de—” A campainha tocou. Balançando a cabeça na forma em que ela ficou congelada no lugar, Mestre R disse, “Não se preocupe, cariño. É apenas um mensageiro especial entregando suas roupas para este fim de semana.” Ele apontou no short e top solto que ela tinha vestido para visita de Faith. “Os vista e vá recebê-lo.” Ela. “Tem certeza?” Sua voz tremeu, e ela mordeu o lábio. Ele não lhe disse o seu problema por questioná-lo. “Você tem dois minutos para se vestir. Nós estaremos na sala grande.” Depois de puxar sua trança, ele saiu. Dois minutos? Ela se enxugou com uma toalha e vestiu a roupa, então correu corredor abaixo. Mestre R tinha tomado seu lugar habitual no grande sofá de couro. Um homem de cabelos escuros estava sentado à sua frente. Calça comprida sob medida e camisa de seda preta. Um pouco mais velho, talvez quarenta anos. Ele se levantou quando entrou. “Z, sente-se,” Mestre R repreendeu. “Ela está em formação.” “Realmente, me esqueci.” O homem sorriu e retomou seu assento. Ficando bem fora do alcance do estranho, Kim se esgueirou para o lado de Mestre R. Ajoelhou-se muito, muito graciosamente aos seus pés e baixou a cabeça. Ele fez o pequeno barulho que usava para aprovação, e ela relaxou. “Z, esta é Kimberly.” Mestre R acariciou seus cabelos. “Gatita, este é Mestre Z. Ele é o dono do Shadowlands e é o Mestre de Jessica.” Oooh, este era o Dom criativo que conseguia manter a agressiva Jessica na linha. Ela olhou para cima e teve que se perguntar se os cabelos prateados nas têmporas tinham sido causados por sua sub.

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Ele a estudou por sua vez, os olhos cinzentos parecendo deslizar por sua alma. Ela se apertou mais perto das pernas de Mestre R. “Você está indo muito bem,” ele disse a Mestre R, o que pareceu estranho, desde que ela não tinha feito nada para provocar sua opinião. “Ouvi dizer que você estará visitando meu Shadowlands neste fim de semana, pequena. Eu lhe trouxe um presente.” Com um leve sorriso, estendeu uma sacola de papel marrom para ela. Um presente? Ela começou a agarrá-lo, pausou, e olhou para Mestre R primeiro. Ele assentiu em permissão, então se levantou e recebeu o pacote, depois se ajoelhou novamente. “Abra-o,” Mestre R disse. Um presente. Ela deu ao estranho Dom um olhar desconfiado. Se isto for um flogger, estou indo para o banheiro e trancando a porta. Não era um flogger. Ela tirou um vestido de cetim de seda muito curto, preto com renda branca na parte inferior e superior. Um pequeno avental branco em forma de coração. Mas o que…? Hei, ele tinha trazido uma fantasia de empregada francesa. Uma cara. Mestre R verificou a sacola e tirou meias arrastão brancas. “Boas.” Seu sorriso a incluiu enquanto dizia a Z, “Nenhum de nós estávamos confortáveis com ela ficando nua na frente do supervisor. Isso deve funcionar perfeitamente.” Seus olhos ardiam, e ela apressadamente abaixou a cabeça. Ela não tinha dito a Mestre R, mas o medo disso a tinha deixado um par de vezes doente. O equipamento de empregada era insuficiente, mas até uma pequena quantidade de roupa fazia a diferença. Mestre R sabia. Ele também se sentia assim. Uma respiração. Duas. Ela conseguiu dar seus agradecimentos a Mestre Z. Seus olhos cinza se suavizaram. “Você é muito bem-vinda, Kimberly.” Ele girou o olhar de volta para Mestre R. “Eu trouxe algo mais. Entendo que pode não estar confortável com isso, mas acredito que é necessário.” Ele deu uma segunda sacola para Mestre R. Ele abriu, e sua mandíbula apertou até que ela pôde ver o tendão rígido em sua bochecha. Ele olhou para o outro homem.

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Oh menino. Kim não moveu um músculo. Se ele virasse esse olhar para ela, derreteria em uma poça no chão, apavorada. Mestre Z apenas riu. “É só couro, Raoul. E se você não está indo com uma escrava padrão nua, você precisa fazer sua propriedade muito clara. Kimberly, o que você acha?” Ele fez a ela uma pergunta? Ela espiou em Mestre R. Sua fúria tinha desaparecido, deixando para trás o cansaço. Ele virou a sacola sobre a mesa de café e uma variedade de coleiras de escravo se derramou. Coleiras cravejadas, umas com anéis e correntes, mais finas com cadeados, uma grossa de prata que parecia horrivelmente desconfortável, uma de couro vermelho escuro, uma de couro preto com decorações de prata. Nunca. O pensamento de um indo ao redor de seu pescoço fez seu estômago virar. Nunca. Absolutamente nunca ela iria deixar… Seus pensamentos deram um solavanco e parou. “Faça sua propriedade muito clara,” Mestre Z disse. O supervisor estaria no Shadowlands. Olhando para ela. Mas ninguém tocava um escravo com a coleira do mestre. Ela tragou, endireitou os ombros, e enfrentou Mestre R. “Eu acho que gostaria de deixar isso óbvio para todo mundo — para e-ele — que você me possui.” Ela colocou os dedos na coleira de couro preto, sentindo como se tocasse uma serpente. “Esta ficaria melhor com o equipamento.” Mestre R assistiu-a por um segundo, olhos escuros e ilegíveis, então deu a Mestre Z um olhar frio. “Hijo de puta.” “Eu sei Raoul.” Z olhou o relógio e se levantou. “Meu tempo acabou, eu tenho um compromisso.” Ele sorriu para Mestre R. “Como dizemos a nossos subs muitas vezes, o que você quer e o que você precisa não é necessariamente a mesma coisa.” Mestre R o acompanhou para fora e retornou o frio ainda em seus olhos. Kimberly tentou não vacilar. Se ele estivesse louco, ela não poderia— “Sinto muito,” ele disse, olhando para ela. “Minha raiva é do passado e nada a ver com você. Por que você não sobe e toma um chuveiro? Leve algum tempo para si mesma.”

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“Eu gostaria.” Se levantou e curvou a cabeça. “Obrigado, Mestre, por seu cuidado.” Ele fez um barulho como se ela tivesse lhe dado um tapa em vez de agradecer. Então suspirou e acariciou seus cabelos. “Vá, sumisita.”

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Capítulo Oito Na terça-feira, o ar quente e úmido da noite tinha formado um manto úmido sobre a pele de Raoul quando se sentou no pátio. As luzes ao ar livre piscavam, e a piscina virou um azul claro em torno da natação da jovem mulher. Kimberly parecia forte e saudável. E nunca era mais feliz do que quando estava perto da água. Foi por isso que tinha criado o pega-pega de piscina erótica para ela, e por que seu tempo prolongado para brincar com ela ontem à noite tinha sido na praia. Ele esticou as pernas. Aparte as cenas no clube, quanto tempo desde que tinha beijado e acariciado uma mulher sem fazer amor com ela mais tarde? Anos? Até mais desde que tinha estado tão desconfortável que teve que se masturbar no chuveiro. Mas sua gatita tinha um efeito mais forte sobre ele do que qualquer mulher antes. Ela tinha se tornado bem quente ontem à noite. Ele tinha se concentrado em seus seios, se aventurando mais baixo às vezes. Durante as últimas semanas, ela foi se acostumando com suas mãos, mas não o tendo deliberadamente despertando-a. Quando começava a entrar em pânico, ele parava e a segurava, e ela se aquietava. Ela contava com ele para o conforto agora, e isso o agradava… Talvez demais. Ele não deveria se apegar a esta mulher. Quando os traficantes de escravos não forem mais uma ameaça, ela retornaria a sua própria vida. Seria difícil deixá-la ir. Ele gostava de tê-la enrolada em seus braços, tomar banho com ela, ensiná-la o levantamento de peso e luta. Ela era tão carinhosa e divertida como a gatinha que ele a chamou, e sua necessidade de dar era temperado com um temperamento delicioso. Ela tinha mudado em seu tempo com ele. Quando tinha ficado confortável com seus comandos, também tinha adquirido a característica de um submisso que está sempre ciente de seu mestre, como ele estava ciente dela. Ele tinha esquecido a beleza da constante percepção entre um dominante e sua submissa.

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Por causa de Alicia. Sua boca apertou no gosto amargo trazido pela memória de seu casamento. Ele e Alicia tinham sido felizes no princípio, mestre e escrava. As coisas tinham mudado. Muita era sua culpa. Tendo tido uma escrava antes, ele sabia — pensava que sabia — o que uma relação exigia. Muito apaixonado para ser cauteloso, tinha se rendido aos apelos de Alicia e saltado direto para dentro. Marido e mestre. Mas ele não tinha se casado com uma escrava. Com uma mão na extremidade da piscina, Kimberly parou para recuperar o fôlego. Ela o viu assistindo-a, esperou um segundo no caso de que ele a quisesse, então se lançou em outra volta. Determinada pequena submissa. Alicia não tinha sido submissa. Nova para BDSM, ela não tinha percebido que a submissão não esmurrava seus botões; a dor fez. Depois que perceberam isso, ele não tentou continuar como seu mestre, mas tinha esperança de que ainda pudessem ter uma boa vida juntos. Sandoval seu tolo. E quando ela o traiu, ela mudou suas memórias do que tinha sido bom em algo feio. Então ela deu um passo além e jogou sua família contra ele, revelando seu estilo de vida. Raoul inclinou a cabeça para trás. O sol era uma cintilação vermelha ao longo do horizonte, desaparecendo como se levado pelas ondas. Uma pena que as memórias não desaparecem tão facilmente. Eventualmente… Em algum dia… Entraria em uma relação de Dominante/submissa, adoraria alguém novamente. Mas, como um músculo rasgado, seu desejo de se lançar em uma nova relação tinha sido enfraquecido, não estava pronto para aguentar o fardo. Até então, estava feliz com as relações casuais que tinha com vários submissos. A faixa de luz lentamente desapareceu, deixando apenas o oceano cinzento se encontrando com o céu escuro. Um respingo atraiu seu olhar para onde Kimberly tinha subido para fora da piscina. Secou-se e veio se ajoelhar a seus pés, habilmente trazendo a toalha para proteger seus joelhos do concreto. Gatita esperta. Seus olhos estavam baixos, seu corpo relaxado.

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Ele sorriu de satisfação. Na primeira semana estava constantemente preparada para um golpe. Agora seus medos apareciam em resposta a algo novo que ele propunha, mas não até então. Ela confiava nele. Sim, ele sentiria sua falta. Bom que ela não estaria com ele por muito mais tempo. “Há uma garrafa de vinho gelando no refrigerador,” ele disse. “Por que não a traz para sala? Dois copos. Assistiremos a um filme.” “Sim, Mestre.” Quando sua gagueira tinha desaparecido? Quando ela subiu suavemente e se dirigiu à cozinha, lembrou-se que queria adicionar dança de volta à sua rotina diária. Ele apreciaria assisti-la. Na sala, ele verificou a gaveta da mesa — não, a pequena danadinha não tinha encontrado os brinquedos que tinha deixado lá — e apagou as luzes, com exceção das arandelas de parede. Kimberly entrou um minuto mais tarde. Ela colocou a bandeja na mesa de café, despejou uma taça de vinho, então se ajoelhou e lhe ofereceu a bebida. “Obrigado, chiquita. Isso foi graciosamente feito.” Ele alisou seu cabelo, as pontas ainda úmidas da piscina, embora o tivesse prendido em cima da cabeça. Sua pele ainda brilhava do exercício. Seus seios estavam cheios, e seus abdominais e coxas mostravam a definição muscular. Bonita sumisa, agora confortável com sua nudez em sua presença. “Você pode tomar um copo também.” “Sim, Mestre. Obrigado, e...” Ela começou a dizer algo e hesitou. “Continue. Este é nosso quarto para relaxar juntos, então você pode falar livremente. Embora respeitosamente, seria de seu maior interesse.” Ele tocou seu nariz, e ela o enrugou para ele. “O que você ia dizer?” “Eu não tomo vinho desde — desde antes.” “Bem, eu espero que goste desse aqui, então.” Ele tomou um gole e aprovou. “Uma das submissas do Shadowlands ficou noiva no último mês, e sua mãe trouxe uma caixa de

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vinhos da Califórnia como um presente para seu futuro genro.” Um suborno para adiarem o casamento um mês, assim ela poderia ajudar a planejá-lo. Nolan tinha sido gentil o suficiente para compartilhar umas garrafas. Kimberly tomou o vinho, e um sorriso iluminou seu rosto com prazer. “É realmente bom.” Raoul foi até o centro de entretenimento de nogueira escura para escolher um filme. Só para ver sua reação, ele pegou um filme da Segunda Guerra Mundial. “Talvez algumas batalhas?” “Ugh. Que tal Noiva em Fuga?” Ela deu uma gargalhada em sua expressão. “Miss Simpatia? Ela é uma agente do FBI. Você gostaria desse.” Quando ele sacudiu a cabeça em desgosto, suas risadas borbulharam como champanhe. Era assim que ela tinha sido antes de seu trauma? Que tipo de pessoa prejudicaria alguém tão brilhante? Tão cintilante de energia. Ele deveria ter estado lá para protegê-la. Ele pigarreou. “Talvez devêssemos ver um filme de Chuck Norris. Você pode tomar notas e aprender algo das lutas?” Lutas? Um homem tão típico. “Bem, talvez devêssemos assistir filmes de garotas. Você pode aprender mais sobre as mulheres.” Kim sorriu. Isso deveria acordá-lo. Mestre R ergueu as sobrancelhas e se aproximou o suficiente para que seus seios nus se esfregassem em sua camisa. Seus mamilos endureceram em reação. “Você acha que meu conhecimento sobre as mulheres é carente, gatita?” Ele perguntou suavemente. Seus olhos escuros pegaram os dela e seguraram… Mantendo enquanto cada osso em seu corpo se transformava em manteiga derretida, e a promessa em seu olhar branqueou sua mente. Quando ele segurou seu queixo e a beijou, muito suavemente, demorando-se por um segundo antes de retroceder, seus nervos começaram a disparar em rajadas aleatórias. “Kimberly? Eu lhe fiz uma pergunta.”

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“Mmm?” Pergunta: Ela achava que ele precisava saber mais alguma coisa sobre as mulheres? Se ele fizesse, Deus ajude a todas elas. “Um.” Ela sacudiu a cabeça, tentando livrar-se da névoa sensual. Os mamilos latejavam. “Talvez não.” Ele riu e lhe entregou um DVD. “Que tal este? Chocolate.” Essa sim era uma escolha estranha. Ela piscou e concordou. “Muito bom.” Ele inseriu o DVD, tomou seu lugar no sofá de couro, e deu um tapinha na almofada ao lado dele. Aconchegando-se contra ele, como ele gostava — e ela tinha começado realmente a gostar também — tomou um gole de seu vinho e assistiu ao filme. “Eu sei que as mulheres são loucas por chocolate,” Mestre R disse depois de um tempo, “quase tanto quanto os homens são obcecados por sexo.” Ele a puxou para seu colo, debruçando suas costas contra o braço esquerdo. Ela endureceu, então relaxou. “Desde que vai desfrutar de um filme de chocolate mais do que eu, eu deveria conseguir um trato, um beijo para cada vez que comerem um doce.” “Sua lógica não é—” Ele curvou seu rosto com a mão livre, e seus lábios tomaram os dela, levemente, do jeito que estava acostumada. Então sua língua acariciou insistentemente. Ele provou do vinho e de si mesmo. Suas mãos se enrolaram em seu antebraço quando o calor subiu dentro dela. Erguendo a cabeça, ele sorriu abaixo em seus olhos. Quando tentou mover a mão, ela percebeu que ainda estava agarrada ao seu braço e teve que forçar os dedos abertos. Movendo-se levemente, fazendo-a completamente ciente da ereção pressionando-se contra seu bumbum nu, ele reabasteceu seu copo. Ela tentou verificar o seu, mas estava atrás dela, na mesa. Depois de lhe entregar a bebida, ele voltou a ver o filme. Idiota. Antes de Kim ter tomado mais que alguns goles, a heroína falou com alguém em mostrar sua mercadoria, e Mestre R a beijou novamente. Quanto de chocolate eles comem nesse filme?

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Um monte. Cada beijo cresceu mais drogado, mais úmido, mais profundo. Não mais arreliando, ele tomou sua boca duro, saqueando até que os dedões dos pés enrolaram e calor lavou por sua pele. Ela sentiu a umidade crescente entre as pernas. Seus dedos enroscados em seus cabelos pretos; Sua outra mão apertada contra seu peito e os músculos de ferro que flexionavam quando a erguia mais perto. Quando ele levantou a cabeça, seus olhos estavam semicerrados de paixão. Ele sorriu levemente e pausou o filme. “Tenho uns brinquedos para adicionar à noite. Levante-se, por favor.” Brinquedos? Quando um homem — um Dom — diz brinquedos, ele não quer dizer bichos de pelúcia ou bolas de beisebol. Um calafrio a percorreu. Seus olhos se estreitaram em alerta. Ela saltou de pé. Ele puxou um pacote da gaveta da mesa. “Abra.” Bateu levemente em suas coxas para que alargasse sua posição, mas dessa vez continuou segurando até que suas pernas ficaram tão separadas que ela cambaleava. “Pode segurar em meus ombros para manter o equilíbrio.” Ela descansou as mãos sobre seus duros, ombros musculosos, seus cabelos soltos caindo sobre os braços. Sua boceta se sentia aberta. Exposta. Oh Deus, o que ele vai fazer? Ela mordeu o lábio, tentando se lembrar de que tinha pedido isso. “Toque-me um pouco,” ela tinha dito. Você é uma idiota, Kim. Seus dedos cavaram em sua pele. “Boa menina.” O pacote tinha um vibrador pequeno de bala12. Ele o esfregou em sua umidade — e ela percebeu que estava muito, muito molhada. Ela teve um momento de medo quando seus dedos calejados a tocaram tão intimamente, e então com um movimento suave, empurrou o brinquedo dentro de sua vagina.

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Vibrador de bala.

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Em seu ofego, ele olhou para cima, estudando-a por um segundo, a mão ainda entre suas pernas. A luxúria aparecia nos olhos castanhos escuros, mas também a preocupação… Por ela. Enquanto a observava, seu dedo deslizou por suas dobras, espalhando a umidade, estabelecendo que... Que ele podia. Marcando sua propriedade. Seu corpo formigou, de cima a baixo, com seu afago lento. “Bom sumisa,” ele murmurou. Ele bateu levemente em sua coxa, indicando que poderia ficar reta. Suas coxas se fecharam sobre seus lábios inchados e latejantes. “Agora coloque estes.” Da gaveta, ele trouxe um fio dental de renda preta. Que escolha estranha. Quando puxou o fio dental, ela notou algo firme na virilha. O que a? Ela abriu a boca, e ele balançou a cabeça que não. Ele colocou o copo de vinho e duas pequenas caixas na mesa de café e a puxou para perto. Descansando suas costas contra o braço do sofá, ele esticou as pernas nas almofadas. “Agora se sente aqui — em silêncio — e vamos assistir o resto do filme.” Ela podia sentir o vibrador dentro dela. A coisa na tanga se esfregou contra sua boceta quando ele pegou sua mão e a puxou para seu colo. Debruçou seus ombros contra seu peito, suas pernas entre as dele. Sua ereção espessa pressionou contra seu bumbum, e sua respiração parou. Então começou. Este era Mestre R. Ele colocou a taça de vinho em sua mão e retomou o filme. Cinco minutos. Quando relaxou, ela descobriu que gostava de se recostar contra ele. Uma cadeira de descanso bastante irregular, mas quente. Ele tinha o braço direito ao redor de sua cintura, e a mesa de café estava perto o suficiente para que pudesse pegar seu copo de vinho com a outra mão. Ela disse a si mesma que não estava nervosa — estou lidando com isso muito bem, realmente — apesar dos tremores em seu estômago e a forma como sua mente continuava repetindo como ele tinha tocado em sua boceta. Depois de tentar mais um gole, ela percebeu que o copo estava vazio. Ela fez uma carranca nisso. Até sua risada parecia ter um sotaque espanhol. “Você não tem nenhuma razão para estar nervosa… Ainda, sumisita,” ele sussurrou em sua orelha e encheu seu copo. Quando ela

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tomou, ele beijou sua orelha, enviando arrepios correndo por seus braços. Estava sentindo o efeito do vinho — não bêbada, mas… Confortável. Quando ele se inclinou para trás novamente, de alguma forma, se moveu para que os cabelos escuros em seu antebraço agradassem a parte inferior de seus seios. Na TV de tela grande, um homem viu sua esposa de joelhos, esfregando um banheiro. Ele olhou o traseiro dela no ar e andou para frente, sua intenção muito clara. “Talvez você deva limpar o banheiro de joelhos,” Mestre R murmurou. O pensamento dele surgindo atrás dela, curvando-se sobre seu… Ela respirou fundo. Ele correu o dedo sobre sua barriga nua, fazendo os músculos tremerem, então alcançou para o lado e levantou uma das pequenas caixas. O vibrador dentro dela veio à vida com um zumbido baixo. Ela saltou na sensação estranha. O vinho sacudiu no copo, e o braço se apertou ao redor de suas costelas. “Não está machucando você, gatita,” ele disse ternamente. “Relaxe e assista ao filme. Eu a interrogarei sobre o enredo mais tarde.” “O que?” Isso lhe valeu um beliscão em sua orelha. “Silêncio.” O vibrador zumbia dentro dela, fazendo-a… Ciente… Mas não a despertava quase tanto quanto a sensação do braço de Mestre R tão perto de seus seios, seu rosto descansando em seu cabelo, a sensação de seu peito se movendo sob cada respiração. O zumbido parou, e ela relaxou. Johnny Depp apareceu, e o filme acelerou muito parecido com sua excitação. O que Mestre R planejava? Ela provavelmente ficaria bem com isso, mas porra, ela desejava muito saber. Ele colocou o vinho na mesa de café, e um segundo depois, o nó em sua tanga zumbiu. Era um vibrador também, e oh Deus, era quase contra seu clitóris. Seus músculos ficaram tensos. Ela congelou completamente quando ele alcançou ao se redor, deslizou os dedos até sua boceta, e reinstalou o vibrador diretamente em seu clitóris.

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Oh Deus, ela não podia ignorar isso, não quando ele curvou a mão em seu montículo, pressionando o vibrador nela. “Nãooo.” Zumbindo nela, apertando seus músculos, enviando pânico através dela. “Sim.” Ele tirou a mão de sua boceta e tomou seu vinho antes que o derramasse. “Dême um número.” Número para quê? Medo. Ela começou a falar, então se lembrou de mostrar, como tinha sido ordenado. Seis dedos — não, na verdade não. Uma respiração lenta. Três dedos. “Muito bom. Você está assistindo o filme?” O vibrador da tanga parou, deixando seu clitóris apertado, duro, como se as vibrações ainda continuassem. “S-sim, Senhor.” Sua risada retumbou em sua orelha. “Você não é uma boa menina.” Eles iam fazer amor esta noite. Ela sabia disso. Ou talvez não. Ele era tortuoso. Ela tinha esperado que a levasse na cama as duas últimas noites, e ele tardou, arreliando-a na piscina uma noite, na orla na outra. Deixando-a assustada, mas ainda dolorida com a necessidade e querendo mais do seu toque. Eu quero isso dele. Eu quero seguir em frente — parar de sentir medo. Ele acariciou seu estômago, arrastando a mão contra a parte inferior de seus seios, passando abaixo sob a renda preta de seu monte. Então mais abaixo, os dedos tocando o início de sua fenda. “Você está sendo muito obediente, mantendo-a barbeada para mim. Eu gosto do quão boa e macia você é, Kimberly.” Seu dedo nunca se movendo mais baixo, apenas brincando com o topo. Seu clitóris parecia pulsar como se implorando um toque. Seu toque. Ele tomou um gole de vinho e colocou o copo na mesa de café. O vibrador dentro dela zumbiu, sacudindo seus quadris para cima. Com a mão em seu monte, a apertou de volta. Sua palma estava em seu osso púbico, e ele abanou os dedos, pequenos toques ao longo de sua boceta. As vibrações não eram suficientes para levá-la, então ele girou para uma intensidade maior.

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“Ah, você sente isso dessa vez, não é, gatita?” Ele murmurou em sua orelha. “Olha que bonito.” Sua mão se fechou sobre seu seio levemente, e ela podia sentir a dureza de seus mamilos. Agrupados e doloridos. Ele correu o dedo ao redor de cada um. “Você é para ficar assistindo o filme, Mi pequeña sumisa.” O calor fervia sob sua pele quando tentou obedecer, mas tudo que os atores faziam na tela, até o modo que mordiam os pedaços de chocolate, a deixava mais quente. “Beijá-la agora vai ser difícil,” ele murmurou, “mas isso servirá no lugar.” Ele revirou seu mamilo direito entre os dedos, e a dor de fogo irritando o cume sensível ardeu direto em sua boceta. Quando Johnny Depp comeu outro doce, Mestre R revirou o mamilo esquerdo. Kim gemeu. Fome pulsou em sua corrente sanguínea, e com certeza não foi pelo chocolate. O vibrador dentro desligou. Ela caiu contra ele, soltou um suspiro, mas o vibrador da tanga começou. “Maldito seja!” Oh, oh merda. “Sinto muito, Senhor. Mestre. Por favor…” “Está certamente irritada por ter sido despertada, não é?” A diversão em sua voz não ajudava nada a seus nervos. Não sabia do perverso senso de humor que ele tinha. “Como devo discipliná-la, gatita?” Os dedos se apertaram em seu mamilo em um beliscão pungente, então se moveu para o outro. Dor... Tiro de necessidade foi direto para sua boceta. Seus quadris tentaram subir, mas sua mão direita ficou firmemente em seu monte, logo acima do vibrador. Afagou cada mama, fazendo círculos suaves em torno da aréola e então apertou seus mamilos. Puxando. Rodando. Ele a tinha presa, não a deixando outra escolha senão aceitar o que ele queria fazer. O vibrador zumbia contra ela, levando-a, arreliando-a, nunca era o bastante. Nada era suficiente. Ela estava em seus braços, sendo tocada, usando vibradores, e ainda assim não gozava. Ela provavelmente nunca mais gozaria novamente. O pensamento fez baixar seu humor, e ela caiu contra ele, sua estimulação vazando longe.

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Suas mãos silenciaram. Ele beijou seu cabelo. “Bem, desde que você não gosta do fio dental, pode removê-lo.” Seus lábios tremeram, e lágrimas rolaram de seus olhos. Ele tinha desistido dela também. Porque ele sabia que era impossível. Ele a empurrou de pé, permanecendo ao seu lado, e esperou até que colocou o fio dental na mesa de café. Quando a estudou, seu olhar se prolongou em seus seios, e ela se sentiu nua, realmente nua, porque ele não a estava olhando como um servo, mas como uma mulher. Seguiu seu olhar e viu seu expandido clitóris saindo de entre seus lábios, brilhando com sua excitação. Um rubor rastejou em seu rosto, e ela trocou seu peso, querendo esconder. As linhas de sol no canto dos olhos se aprofundaram. “Desde que eu pretendo fazê-la gozar esta noite — e eu farei — e o fio dental não concorda com você, eu acredito que terá que sofrer com minhas atenções pessoais.” Ele não tinha desistido de tudo. Oh Deus. Seus olhos se arregalaram quando moveu o vinho e o controle remoto para um lado, e então a ergueu e a colocou no meio da mesa de café de nogueira. “Mestre!” “Sim, sumisa?” Ele se sentou na frente dela, quase na ponta dos pés. “Abra para mim.” Ele impiedosamente empurrou suas pernas até que seus pés estavam nas extremidades da mesa quadrada. E aproximou seu rosto direto… Oh Deus, no mesmo nível de sua virilha. Depois de puxar um dos controles remoto mais perto, ele ligou o vibrador de bala. O zumbido golpeou dentro dela, e ela gemeu. “Mestre R, não acho que—” Ela mordeu o lábio, sentindo-se como uma idiota, sentindo o zumbido da coisa dentro dela. “Eu não posso. Isso não vai funcionar.” Ele riu, realmente riu. “Então eu simplesmente me divertirei com o corpo da minha pequena sumisa.” Os polegares separaram seus lábios enquanto os dedos se enrolaram ao redor de seus quadris, ancorando suas mãos… E ela também. O sentimento de seus polegares puxando-a aberta enviou calor espiralando através dela novamente.

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“Se você começar a perder o equilíbrio, pode colocar as mãos em meus ombros como fez antes.” Ele olhou para ela, os lábios curvados, “eu pensei em pedir um número, mas posso ver que o medo não é o que está passando por sua mente nesse momento.“ Medo? Embaraço, talvez, mas isso estava tão distante do que qualquer um dos traficantes tinha feito que não tinha nenhuma comparação. Era Mestre R tocando-a. Quando ele se inclinou para frente e soprou uma série de ar quente sobre seu clitóris exposto, o tiro de sensação através das terminações nervosas fez os dedos dos pés se enrolarem. Antes que pudesse se acostumar a isso, sua boca se fechou livremente sobre ela. “Oh, Deus.” Quente, oh tão quente. Seus lábios pressionavam e liberavam, criando um círculo de calor e pressão em torno do cerne — muito, muito suavemente e ainda apertando mais com cada repetição, até que seu clitóris foi preso. Um lampejo de sua língua sobre o topo debilitou seus joelhos, e ela se agarrou a seus ombros, curvando-se ligeiramente para não cair. “Isso mesmo, cariño, segure firme.” Seu hálito arreliou sua boceta, e então sua língua deslizou de cima a baixo de um lado do clitóris, piscando sobre o topo, antes de se mover para o outro lado. Sangue inchou seus tecidos, até que se sentiam muito apertados. Explodindo de apertado. Um lamento escapou dela, e sua única resposta foram soltar uma mão e aumentar o vibrador. “Não…” Ele a sacudiu bem no fundo. Ele colocou a mão para trás, curvando os dedos ao redor de seu quadril, os polegares abrindo os lábios ainda mais firmemente. Como se tentando combinar com o vibrador, esfregou sua língua na borda do clitóris, recuando o capuz mais solto para trás e para frente, não mais arreliando, mas exigindo uma resposta. A pressão cresceu dentro dela, seu clímax se aproximando tão inexoravelmente quanto uma maré crescente. Os dedos dos pés formigando, e os músculos das coxas tremiam tanto que se perguntou se cairia. Ela não conseguia se importar. Tudo nela estava em sintonia

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com os movimentos de sua língua se esfregando de um lado do feixe de nervos, depois o outro. Seus lábios se fecharam ao redor dela, prendendo seu clitóris no calor, apertando. Suas unhas cavaram em seus ombros, os quadris dando pequenos empurrões, precisando… Mais. Ela queria puxá-lo para mais perto, precisava, mas ele a segurou cruelmente, fazendo exatamente como queria. Lentamente os lábios pressionaram, beliscando o cerne. Ele chupou levemente, e sua língua borboleteou sobre o topo, e tudo que estava apertado, apertou. O rugir de rebentação soou em seus ouvidos. Ele chupou — oh, Deus — chupou fortemente, e a sensação agarrou sua espinha como um punho até que explodiu; Espasmos em ondas poderosas em torno da coisa cantarolaram em seu centro, sacudindo-a em um terremoto de sensações. Seus polegares a soltaram, e as mãos se curvaram sob sua bunda, segurando-a para cima — segurando-a contra sua boca enquanto a sacudia suavemente novamente, trazendolhe mais prazer. Suas pernas cederam completamente, e sua risada retumbou contra seu clitóris a fazendo gozar novamente. Sem qualquer esforço, ele a ergueu. “Coloque suas pernas ao meu redor,” disse com voz firme. Ela estava estremecendo muito mal para lutar. Ela teve orgasmos. Ela tinha ficado com medo de que parte de sua vida estivesse terminada. Mas ele fez o que ela tinha pedido e ido além. Despertando-a — dando-lhe prazer. Seus olhos estavam escurecidos a quase pretos; Satisfação enchia seu sorriso. “Você saboreia muito bom, cariño. Agora que cruzamos esta ponte, e ainda temos vários dias onde você estará sob o meu comando, eu apreciarei ter minha boca em você com frequência.” Um tremor de antecipação a percorreu, e seus lábios firmes se curvaram para cima. Quando a deixou no sofá, empurrando-a para trás, ela percebeu que o vibrador dentro dela estava desligado. Ele empurrou suas pernas separadas. Ela estava tão molhada, seus dedos deslizaram para dentro facilmente, apesar da forma como se apertou ao redor dele. Ele removeu a bala e colocou-a na mesa. Então se sentou ao lado dela, puxou-a contra ele, e beijou o topo de sua cabeça. “Você fez muito bem, sumisita mía. Estou orgulhoso de você.”

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A alegria de agradá-lo se misturou com sua própria satisfação. “Você quer continuar?” Ele se moveu para ver seu rosto, a intenção em seus olhos, esperando sua resposta… E esperando uma honesta. Continuar. Isso significava que ele iria… Sua boca ficou seca. “Não. Sim. Eu não sei.” “Você confia em mim, Kimberly?” Ele perguntou suavemente. Ela nunca tinha confiado em um homem do jeito que confiava nele. Quando isso aconteceu? “Sim, Senhor.” Ela assentiu, alcançando para tocar-lhe o queixo duro, sentindo a raspadura leve de sua barba de cinco horas. “Eu faço.” “Vamos ver a que distância pode ir.” Oh Deus. Não. Sua respiração acelerou, e então ele perguntou, “Qual é sua palavra segura?” Palavra segura. Ele pararia se ela entrasse em pânico. Ela tragou e disse firmemente, “Câimbra.” “Muito bom.” Ele se levantou e começou a desafivelar o cinto. O medo deixou-a fria quando as memórias se afogaram nela: Os homens a cercando, desfazendo suas calças, retirando-se… Seus pés pararam, e ela subiu para um canto do sofá. Suas mãos se acalmaram, e ele a olhou. Em silêncio. Depois de um longo minuto, ele segurou os braços longe de seus lados. “Gostaria que suas bonitas mãos me despisse, gatita.” Eu? Sem se mover, ele esperou seu olhar nunca deixando seu rosto. Paciente. Depois de um minuto, ele solicitou, “O prazer é todo meu, Mestre. Não é isso que você diz?” Ele dificilmente poderia fazer alguma coisa com as roupas, disse a si mesma, a sensação doce de saciedade desaparecendo completamente. Eu queria fazer isso. Eu posso. Ela tragou e sussurrou, “O prazer é todo meu, Mestre.” Então, não tão verdadeiro. Sentiu como se tivesse levado uma hora para se levantar, nua na frente dele. Outra hora antes dela o tocar. Ela já o viu antes, disse a si mesma. Tomavam banho juntos, afinal.

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Seus lábios se curvaram quando sua mão alcançou seu cinto. “Você cheira como as flores, cariño. Eu gosto do xampu que você trouxe com você. Como o que eu cheiro?” Ela piscou, desviando-se do terror gelado surgindo de cima a baixo da espinha. O final do cinto escorregou solto. Ela abriu o zíper das calças. “Umm. Limpo. Não florido, mais como um — o oceano. Não doce.” A mão se curvou em sua bochecha; O polegar tocou seus lábios levemente, um beijo gentil de pele. “E eu não sou doce, Mi pequeña sumisa.” Seu olhar segurou o dela, escuro e com intenção. Determinado. Um calafrio de medo — de calor — passou por ela no pensamento dele dentro dela. Seu pau pulou livre, e ela percebeu que ele não tinha nada por baixo. Este era ele. Sentiu-se como uma estátua, congelada em pedra. “Você tem uma escolha, sumisa,” ele disse suavemente. “Nós dois fomos testados, e seu controle de natalidade ainda está ativo. Você deseja um preservativo ou não?” Não mais uma pergunta de se eles fariam sexo, mas apenas a forma. Era como se estivesse sendo puxada em um remoinho. “Um.” Memórias giravam em círculo com ela… O plástico, sentindo o toque horrível dos… Outros. Eles tinham usado preservativos. Seus… Eles não se sentiram reais, só o mal. “Não. Sem preservativo.” Ele pareceu surpreso, mas simplesmente a moveu, para que pudesse se sentar no centro do sofá. “Ajoelhe-se no sofá. Escarranche-me, Kimberly,” disse sua voz muito gentil. Suas mãos estavam dormentes; Seus lábios formigavam como se tivesse chupado gelo. Ela colocou um joelho de cada lado de suas coxas, tentando não ver a ereção espessa levantada entre eles, o piercing refletindo na luz. Ele a agarrou atrás das coxas e a puxou adiante até que sua pélvis se apertou contra sua ereção. “Olhe para mim, pequena,” ele disse suavemente. “Quem sou eu? Meu título, meu nome.” Sua mente em branco, até que seu olhar capturou o intento novamente. “Mestre R.” “Bueno. Qual pau está esfregando contra você?” Um sorriso curvou seus lábios. “De quem é o pau que você lava no chuveiro todas as manhãs?”

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Ela tinha. Ela o tinha tocado, lavado. As palavras vieram mais fáceis sob seu olhar castanho escuro. “De Mestre R.” “Bom. Kimberly, você tem medo de Mestre R?” “Às vezes.” Sua risada ecoou o enigma do macho que ela amava que significava que o tinha surpreendido — lhe dando prazer. Seu sorriso brilhou nela. “Não foi uma resposta para aquecer o coração do Dom.” Com os olhos ainda dançando com o riso, ele acenou para ela. “O tempo acabou. Abaixe-se em mim, chiquita. Pode ir tão lento quanto quiser… Desde que não pare.” Suas mãos ainda estavam enroladas ao redor de suas coxas, não se movendo, exceto os polegares acariciando sua pele suavemente. Ela estava tremendo incontrolavelmente, mas seu riso tinha libertado sua mente. Ele a colocou em cima dele. Puxando-a na posição, porque ele sabia que ela não conseguiria se forçar. Mas agora, ele a deixou definir seu próprio ritmo. Seu medo de ser dominada, abusada, rasgada — ela estremeceu. “Olhos em mim, Kimberly.” “Sim, Senhor,” ela sussurrou. Ela estendeu a mão entre seus corpos, e agarrou seu pênis, tocou o piercing, e fez uma carranca. “Por que você não podia ser menor ou sem esta… Coisa?” Sua risada desatou novamente, encorajando-a o suficiente para que ela se levantasse e o deixasse na entrada. Estava muito lisa, ainda sensível de sua boca e lábios, e um tremor a atravessou... Não de medo. “Tão lento quanto quiser—” Desde que eu não pare. Ela se abaixou, sentindo a extensão. Seu piercing pegou por um segundo. Então ele estava dentro. O metal pressionando enquanto passava a sensação estranha, e o resto dele seguiu quente, coberto de veludo, deslizando dentro dela, incremento por incremento. A extensão, o sentimento era que — ela congelou, a pele ficando fria.

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Ele pigarreou, quebrando seus pensamentos, e ela assentiu. Mestre R. Ela baixou mais distante. “Você é tão malditamente grande,” ela sussurrou. “Obrigado por isso, cariño,” ele disse. Moveu suas mãos, então massageou seu bumbum de forma que enviou um tremor através dela quando se adicionou às sensações. Ela tomou mais dele dentro. Sua boca estava de frente para a dele, e sua mão se curvou em sua nuca, puxando-a mais perto para um beijo. Um beijo real, e ele empurrou a língua dentro dela tão agressivamente com a boca como não era com seu pênis. Sua cabeça rodou, tentando absorver tudo: As mãos em sua bunda, seu pênis nela, sua boca na dela. Ela perdeu o foco e caiu mais rápido. Seu grito de surpresa o deixou mais fundo em sua boca, e ele a possuiu totalmente, então ergueu o quadril, enchendo-a completamente com seu pau. Não! Rasgando sua boca da dele, ela parou, instintivamente, até que estava quase fora de seu pau. Ele lhe deu um olhar semicerrado, preguiçoso. “Isso é muito bom. Pode continuar fazendo assim.” “Você…” Monstro do mal. Ela segurou lá, tremendo. Mas era impossível segurar sua raiva — ou até seu medo — quando viu a satisfação em seu rosto, o humor em seus olhos. Ela agarrou seus ombros e abaixou-se novamente. Deus, ele era tão grande. E ela estava muito lisa. Para cima e para baixo, vazia para opressivamente cheia, e sobre a terceira ou quarta vez, ele se sentiu… Bom. Ela foi um pouco mais rápido. Ele zumbiu sua aprovação e moveu as mãos entre eles para afagar seus seios e arreliar seus mamilos. Um beliscão lento enviou um choque de calor para sua boceta, e ela cerrou ao redor dele. “Muito bom. Faça isso — me aperte — quando estiver se erguendo,” ele instruiu. Sua voz ressonante tinha diminuído para um rio quente e sinuoso de som, aliviando as últimas cristas dentadas do medo.

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Ela se apertou ao redor dele e subiu. Abaixou devagar. Deus, ela podia sentir o metal. O piercing deslizou sobre uma área que a fez tremer. Como se ele estivesse se esfregando em seu clitóris de dentro dela. “Novamente.” Sem dor, e a sensação inesperada de prazer continuou crescendo. “Retarde, mais rápido ao descer,” ele murmurou. Debruçou a cabeça contra o sofá atrás, seu olhar errante sobre os olhos, sua boca, seu corpo, o olhar atento em desacordo com seu prazer óbvio. Ele não queria perder o controle o suficiente para parar de cuidar de seu bem-estar. Mas gostava do que ela estava fazendo. A realização emocionando ela. Ela tinha algo para oferecer — algo para dar. E ela queria. Ela ergueu, então caiu sobre ele duro, a penetração súbita fazendo um espasmo em sua vagina ao redor dele. Suas pupilas dilataram, girando seus olhos quase negros. “Exatamente isso, cariño. Monte-me.” Sua voz saiu cascuda. “Sim, Mestre.” Ela agarrou seus ombros e obedeceu, trabalhando para seu clímax, querendo seu prazer, e com cada deslizamento abaixo sobre seu pau, a estimulação começou a desfraldar novamente em seu próprio corpo. Aquele piercing era muito… Muito… Suas coxas internas estremeceram quando o calor esmurrou abaixo em sua barriga e suor umedeceu sua pele. A pequena sub era incrivelmente apertada, quente, e molhada. As mãos pequenas em seus ombros pareciam… Apenas certo. Ele viu como suas ordens tomaram precedência sobre seus medos e encontraram o conhecimento até mais erótico do que a forma como sua boceta trabalhava seu pau com suaves sons de sucção. Ela o observou com o desejo de uma mulher de compartilhar uma conexão durante o ato sexual, e seus olhos tinham tanta vulnerabilidade e necessidade de agradar como qualquer submissa que havia conhecido. Ela não o servia por medo, mas porque a entrega tinha cumprido seu papel.

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Ela tinha crescido mais úmida, e seu cabelo estava emaranhado na virilha com seus sucos. Seu rosto estava corado, e — assim dizendo — um calafrio ocasional a percorria quando seu clitóris batia contra sua pélvis. Ele sorriu levemente, satisfeito. “Eu não planejei empurrá-la, mas se quiser se juntar a mim…” Então você vai gozar novamente, gatita. Ela o olhou inexpressivamente, e ele suspirou. Ela estava muito fora de contato com seu próprio corpo. Precisando espaço para trabalhar, ele deslizou no sofá até que estava meio deitado, e ela ficou de pé. Ele liberou sua bunda e moveu os dedos para sua frente, tocando a umidade em torno da base de seu pênis, então sua boceta inchada. Sua espinha ficou rígida, como se tivesse usado electrostim13 nela ao invés de apenas sua mão. Com os dedos cobertos de seus sucos, ele seguiu para seu clitóris. A espessura de sua ereção forçou o cerne completamente fora do esconderijo. Ele rodou um dedo ao redor dele. Sua respiração parou, então ficou totalmente irregular, e ela cavou as unhas em seus ombros. Sua confiança nele — para deixá-lo despertá-la em tudo — o sacudiu até o osso… Mas ele não parou o deslizamento lento de seu dedo sobre seu clitóris. Algum dia ela poderia gostar de surpresas eróticas, mas hoje, ela tinha o suficiente. Ele ficou com um ritmo constante, esfregando o lado direito de seu clitóris quando subia fora de seu pau, à esquerda, quando abaixava. Isso funcionou bem até que ela ficou muito excitada. Menear substituiu a subida e descida quando seu ritmo ficou totalmente desintegrado.

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Eletroestimulação erótico (abreviado e-stim e também conhecida como electrosex) é uma prática humana sexual envolvendo a aplicação de estímulos elétricos à nervos do corpo, com ênfase especial na genitália , usando uma fonte de energia (como um TENS , EMS , Violet varinha , ou feito para jogar unidades) para fins de estimulação sexual. Eletroestimulação tem sido associada com BDSM atividades e eletroestimulação erótica é uma evolução do que prática. Eletroestimulação erótico é o uso de eletroestimulação de forma erótica ou sexual contra as aplicações mais sádicos ou dolorosos no BDSM .

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Ele sorriu. Mas seu contorcer estava fazendo suas bolas sentir como se fossem explodir, então seria melhor parar de protelar. Com uma palma sob sua bunda, ele a levantou, quase fora dele, então a arrastou abaixo enquanto empurrava seus quadris. Ela gemeu. Seus seios balançaram com o impacto. E seu pau endureceu ao ponto de perigo. Na próxima vez, ele segurou-a alto, quase em seu pau, e usou os dedos no clitóris para empurrá-la para o clímax. Ela estava arquejando, com pequenos gemidos. Quando ela começou a convulsivamente apertar seus ombros, ele a soltou abaixo em seu pênis e teve que cerrar os dentes quando seu próprio clímax chegou perto da ruptura. Ela estava direto na extremidade quando ele a empurrou para cima e arreliou seu clitóris com golpes rítmicos. Então, se inclinando para conseguir o máximo de pressão em seu ponto G com seu piercing, ele a soltou abaixo. Suas costas se arquearam. Sua cabeça inclinou. Sua respiração parou. Ele murmurou para ela, “É hora de gozar, sumisita,” e como se a permissão tivesse sido dada, sua vagina se contraiu ao redor dele como um punho quente; As paredes espremendo seu pau quando chegou ao clímax violentamente. Ela não gritou, não esta pequena escrava abusada, mas um pequeno choramingo escapou enquanto se esfregava mais duro contra seus dedos, levando-o mais profundo, não querendo obviamente que ele terminasse. Ele lhe deu mais, até que ela soltou as mãos em seus ombros, até que estava ofegando. Por Dios, ela era linda. “Minha vez agora, gatita.” Seus olhos ainda estavam vítreos quando segurou seus quadris entre as mãos para erguê-la, então arrancá-la abaixo. Em cima, em baixo. Sua vagina contraía ao seu redor com cada punhalada, dando-lhe tremores de prazer que ele viu refletido em seu rosto corado. Em cima, em baixo. Suas bolas contraídas contra a virilha; Sua ereção inchada, pronta para estourar. Montou a extremidade, pouco disposto a lançar quando a pressão na base da

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espinha cresceu, e então explodiu fora de seu controle, rasgando por seu pênis em espasmos duros. O sentimento de sua semente quente enchendo sua boceta macia o balançou. Quando sua mente ficou limpa, ele conseguiu se mover, levantando e se virando no sofá, assim poderia deslizar. Ele mexeu um travesseiro sob a cabeça, e colocou a perna sobre as almofadas. Ainda sentada em seu pau, ela caiu, os olhos fechados, apenas os braços a segurando em pé, como se estivesse congelada naquela posição. Ou era medo de deitar sobre ele? “Venha cá, cariño,” murmurou, puxando suas mãos de seus ombros e deixando-a cair em seu peito. Ela começou a se empurrar para cima novamente. “Shhh.” Colocou uma mão em sua bunda, mantendo-os alfinetados juntos, assim seu pênis amolecido permaneceria em sua vagina enquanto a persuadia a colocar as pernas entre as suas. Finalmente ela se deitou sobre ele. Sim, ele poderia ter se retirado e os organizado mais facilmente, mas queria ficar dentro dela, lembrando-a da conexão — de prazer, não dor. Ele curvou a mão atrás de sua cabeça, empurrando-a contra seu ombro. Quando embrulhou os braços ao redor dela e firmemente a segurou, seu último pedaço de resistência fugiu, e ela quietamente se deitou. Quente, e suada, e lisa, esta mulher macia, cujas curvas se ajustavam em todos os lugares certos. Ele não poderia ter projetado uma fusão tão boa. Ele ergueu sua cabeça. Seus olhos estavam fechados, sem preocupações. “Eu gosto de estar em você, Kimberly,” ele disse suavemente. “Você é quente e macia, dentro e fora.” Ela se mexeu, e ele viu a pequena curva em seus lábios. Acariciou seu cabelo, vendo o jeito como a luz se refletiu fora dele, dispersando a percepção de preto completo. Alguns fios eram marrons, alguns com um matiz avermelhado. “Você estava com medo de me ter em cima de você, não?” A tensão imediata dos músculos em suas costas o entristeceu. “Shhh.” Manteve o movimento lento da mão, beijou o topo de sua cabeça. “Agora me diga.”

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“Sim.” Seu rosto se apertou mais perto do oco de seu ombro como se fosse um pequeno animal precisando de abrigo. Seus braços se apertaram, lembrando-a que tinha sua proteção. “Por causa da forma como eles a tomaram?” Um aceno de cabeça minúsculo. “Em minhas costas ou como um cachorro. Ambos os… Lugares.” Anal e vaginal. “Em sua boca?” Ela bufou de escárnio e segurou as lágrimas também. “Eu o mordi.” Ela ficou tensa novamente. “E então ele usou… Ele…” A mandíbula de Raoul apertou até que os dentes se juntaram. Claro. O imbecil a tinha amarrado a um dispositivo para segurar sua boca aberta enquanto a fodia. Cabrón. “Ele não é digno de ser chamado de homem.” Os músculos do ombro relaxaram sob sua massagem lenta e cuidadosa. “Se você pode recordar de sua… Excursão… A meu armário de brinquedos, não possuo tal coisa.” “Oh.” Mais músculos foram soltos. Sua respiração desacelerou uma pequena lufada de calor em sua pele. “Mas, embora eu goste de estar dentro de você aqui” — meneou o remanescente suave de sua ereção, e sua responsiva boceta cerrou, empurrando-o toda a distância. Ele sorriu em seu pequeno som de perda— “poderíamos também nos divertir com meu pau aqui.” Apertou uma bochecha de sua bunda, fazendo-a saltar. “Você confia em mim para tomá-la com cuidado, Kimberly?” Foi por isso que ele tinha decidido falar de tais assuntos agora — para prepará-la para o próximo passo, enquanto seu corpo ainda ressoava com um orgasmo, e enquanto seu muito apavorante pau estava suave e derretendo entre as pernas depois de ter tido seu único prazer. “Eu—” Ela suspirou. “Ok.” Ele deu um pequeno grunhido que sabia que ela reconheceria. “Ok, Senhor.” Uma pausa. “Mestre.”

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A satisfação foi uma chuva suave na noite, e mais arrojada que o vinho que tinham tomado mais cedo. “E?” “Eu sei.” Sua voz era cascuda. “Você vai querer minha boca também.” Ele bufou. “Só se você prometer não me morder.” Seus lábios se curvaram novamente, mais desta vez. “Sim, Mestre.”

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Capítulo Nove Na manhã seguinte, Kim desceu para praia. As gaivotas choravam dispersas, e willets14 castanho-acinzentado forravam as águas rasas. A maré estava chegando, as ondas lentamente recuperando a areia, enquanto ela reclamava mais da sua vida. Eu fiz sexo. Ela sorriu para o sol. Seus raios aquecendo sua pele, e ela borbulhava com vida, sentindo-se como se tivesse tomado um enorme passo a frente. Nossa, ela tinha. Ela balançou a cabeça, os cabelos se soltaram de forma que o vento pudesse arrepiá-los com dedos salgados. Mestre R gostava de seu cabelo. Gostava de sua pele. Disse que era linda, e seu rosto não segurava nenhuma mentira. Ela revirou os olhos. Ele era seu mestre. Por que ele se incomodaria em mentir? Não era como se tivesse que falar dela na cama, certo? Ele gostava dela. Havia tomado mais cuidado com a certeza de que estava satisfeita do que qualquer um já tinha feito. E então no final, ele não tinha parado — a tinha feito servir sua própria satisfação, e isso tinha sido tão satisfatório quanto gozar sozinha. Ela se dirigiu à cadeira Adirondack15. Encharcada de branco pela idade, que tinha governado sobre sua seção de areia como um trono de praia. Ela caiu sobre ela, então chiou. Um pouco dolorida, talvez? Deus, ela tinha gozado tão completamente que ainda tremia por dentro. E queria fazêlo novamente. Queria aquelas mãos fortes sobre ela, sentir seus bíceps se agrupando como em concreto quando a erguia, e localizar os cumes em seu estômago. Esta manhã, quando a lavou

14

15

Willets.

Cadeira Adirondack.

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— mais intimamente que nunca — lhe disse que ela estava preenchendo e que gostava de sua bunda macia do tamanho certo para suas grandes mãos. Ele a tinha assustado e excitado e a fez querê-lo. Eu o quero. Enquanto o sol desaparecia atrás de uma nuvem e sombras deslizavam sobre a areia, um frio levantou arrepios em seus braços. A vida não era todo sol e bonitas ondas. As nuvens vinham, tempestades afogavam navios, e as pessoas seguiam em frente. Você percebe que ele está apenas fazendo seu trabalho, certo? Não vá toda menina-adolescente gaga sobre ele. A interjeição de seu interior cínico foi como um mergulho na água fria. E estava certa, infelizmente. Mestre R gostava dela, mas estava nisso para acabar com os traficantes de escravos, não para começar uma relação com uma mulher bagunçada. Ele nunca tinha falado sobre ficarem juntos depois que isso estivesse terminado. Ela observou um pequeno caranguejo eremita sair de seu escudo roubado e retroceder novamente, escondendo-se na espiral segura. “Sim, eu também, pequeno sujeito,” ela sussurrou. Não fique muito longe da segurança. Cair de cambalhota no amor pelo Mestre R seria... Praticamente… A pior coisa que poderia fazer. Ele queria uma escrava. Ela odiava até a palavra. Assim. Uma vez que acabassem com isso, ela iria para casa em Savannah. Para sua vida real.

**** Christopher Greville se recostou na cadeira do escritório quando seu mordomo entrou. “Você tocou para mim, senhor?”

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“Dutton, quando estava fazendo as contas, encontrei um grande depósito na conta do proprietário. Coincide com o que paguei por certo escravo.” O rosto moreno do mordomo corou. Um dos mais satisfatórios retentores que Greville tinha empregado, ele tinha lidado com as contas domésticas, que incluía a compra de escravas e qualquer equipamento necessário para elas, como o canil pesado, os chicotes, mordaças e… Greville sorriu. A nova escrava tinha chegado dois dias atrás, uma loira de seios grandes, com um grito tão penetrante na orelha, que foi forçado a amordaçá-la no primeiro dia para preservar seus ouvidos. Depois dele e sua equipe terem jogado por um tempo, sua voz tinha mudado para um som agradável e rouco. “Sinto muito, senhor,” Dutton disse. “Eu me esqueci de mencionar isso. Depois de muito protelar, o supervisor forneceu um reembolso pela escrava de cabelo preto. Aquela que—” Ele parou bruscamente. Aquela que tinha ousado atacar seu mestre. Esfaqueá-lo. Greville correu os dedos sobre seu terno cinza, sentindo a ternura prolongada em seu ombro. A lembrança da dor de quando a faca tinha perfurado sua pele, ainda o atravessava de vez em quando. O pequeno buraco de foda teve—“Reembolso.” “Que reembolso? Dahmer lhe deu um reembolso por um escravo morto?” “Oh, ela não morreu, senhor. Ela tinha sangrado bastante, mas ainda estava viva quando a entregamos.” A expressão de Dutton vacilou em preocupação. “Você nos disse para nos livrarmos dela, senhor.” Não morta. Ela o esfaqueou, e não estava apodrecendo em um túmulo? “Eu quis dizer matá-la. Fodê-la até a morte ou espancá-la até a morte.” Seu temperamento subiu; Ele se forçou a ficar sentado. “Ela está viva?” O rosto de Dutton empalideceu, e ele recuou. “Sinto muito, senhor. Eu não percebi.” Greville olhou para ele, e então sorriu friamente. “Claro que não. Eu, obviamente, não fui claro.” Ele acenou uma dispensa e viu o mordomo partir silenciosamente. Bastardo

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incompetente. Estaria a seis palmos de terra e alimentaria os vermes antes dessa semana terminar. O buraco de foda estava vivo. Greville se virou para o computador e trouxe os números que a Associação compartilhava com os compradores Premium. Depois de usar o código para conseguir o número de telefone certo para a data atual, ele esmurrou isto. “Sim.” Número de Dahmer. Dahmer era um lacaio típico, mas um eficiente. Ele definitivamente tinha melhorado a qualidade de escravos no quadrante Sudeste. “Greville. Eu acabei de descobrir que eu recebi um reembolso de você. Quando eu questionei meu pessoal, descobri que não tinham dado fim a mercadoria — como deveria ter sido feito — mas havia retornado para você.” “Está certo.” “Suas ações foram incorretas. Retorne a mercadoria para mim para o tratamento adequado.” Cortaria pedaços de seu corpo — um dedo, uma orelha, um dedão do pé — e veria por quanto tempo poderia mantê-la viva. Talvez deixá-la escolher qual parte sacrificaria a cada dia. Mas ele tomaria sua língua primeiro. E os dentes. Faria um buraco de foda real. “Não posso fazer isso. Já foi revendida.” A mandíbula de Greville cerrou, e sua voz ficou crua. “Compre-a de volta.” Uma pausa. “Eu posso tentar. Quando acontecer, estou marcado para uma visita de acompanhamento com o comprador amanhã.” Dahmer soou aborrecido, como se Greville daria uma maldição. “Mas ele não vai entregá-la pelo mesmo preço. Vai lhe custar.” Ouvi-la gritar. Ver seus olhos arregalados com a agonia, lutando para escapar da dor, o desmembramento. Ver a luz sair. “Faça isso.”

**** O dia de sua viagem para o Shadowlands finalmente chegou.

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Pena comendo como um verme seu coração, Raoul manteve sua pequena submissa ocupada com a culinária e limpeza. À tarde, tinha lhe dado às instruções finais sobre o alto protocolo e como um escravo de propriedade deveria se comportar em público. Eles praticaram até que estivesse satisfeito, e ela se sentiu confortável. “Hora de irmos, Kimberly,” ele chamou. Um minuto depois, ouviu seus passos na escada. Ela parecia adorável. O vestido preto atado firmemente, apertando os seios para cima, os mamilos apenas escondidos por uma espuma de renda branca. Os babados na parte inferior passaram a prega abaixo de seu bumbum. O avental branco cobria a frente. Ligas levantavam as meias arrastão brancas acima de suas pernas adoráveis, e ela usava sapatos de salto-alto fetiche. Ele sabia que sua boceta estava nua, e desejou lançá-la sobre a mesa e levá-la por trás. Talvez ele comprasse a fantasia de Z. Mas, não. Ela não era dele. O conhecimento de que estaria o deixando logo não se sentou bem em seu intestino. “Você está linda, cariño.” Uma tentativa de sorriso foi sua resposta. Ele a viu descer os últimos degraus para ficar na frente dele. Corpo rígido. Pulsos algemados em seus lados, mãos fechadas. Visivelmente lutando para não fugir. Não era a ele que ela temia. “Kimberly.” “M-mestre?” Ele suspirou, ouvindo o retorno da palavra gaguejada. “O supervisor leva armas?” Um piscar de confusão. “Não. Não acredito que gostaria que uma escrava a agarrasse e usasse contra ele.” “Ele terá seus guardas no Shadowlands?” “Você disse só ele.” “Então, chica, se por algum motivo você não pode incapacitá-lo — e você pode fazer muito bem agora — faz você, por alguma razão, acredita que ele pode me vencer em uma luta?”

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“Eu—” Seu olhar se moveu sobre ele como se comparando seus tamanhos, Raoul talvez alguns centímetros menor, mas muito mais musculoso. Algumas linhas se aliviaram em seu rosto. “Não. Ele não poderia, não é?” “Não, eu não acho. Então… Devemos sofrer sua presença e sermos educados, mas cariño, não importa o que aconteça, ele partirá sozinho, e você ainda estará comigo.” Raoul bateu um dedo em seu queixo. “Eu prometo.” Seu lábio inferior tremeu. Quando tentou sorrir, sua coragem quebrou seu coração. “Obrigado. Mestre.” Ele movimentou a cabeça. “Bom. Agora vamos conseguir isso feito.” Ele levantou a coleira de couro preto do balcão. O momento de revolta e uma memória de Alicia desaparecendo enquanto examinava os claros olhos azuis de Kimberly. O desconcertante desejo de tê-la de joelhos, solicitando seu colarinho, beijando-o, era tão forte que suas mãos tremiam ligeiramente. Não, isso era meramente parte da fantasia. Não é real, Sandoval. Seus grandes olhos fixos em seu rosto enquanto afivelava o couro ao redor de sua garganta. Z até tinha fornecido um pequeno cadeado dourado. Maldito. Ele o apertou fechado, o som arrojado de submissão muito mais alto em sua cabeça do que na realidade. Quando recuou, viu suas mãos tremendo. Aparentemente o encoleiramento a afetava de forma diferente. “Ah, gatita.” Ele bateu seu nariz, o arreliar suficiente para quebrar sua paralisia. Ele apertou a chave em sua pequena mão fria. “Seu avental tem um bolso. Coloque isso dentro dele.” Se inclinou e sussurrou, “Mas não deixe Dahmer vê-la.” Seus dedos se fecharam, e ela lhe deu um aceno brusco, e então, lentamente, um sorriso verdadeiro apareceu, como o sol por detrás das nuvens. Infelizmente, o sorriso não durou muito, e essa noite à distância para o Shadowlands parecia se arrastar, enquanto ela se tornava cada vez mais tensa. Tudo que ele podia fazer era segurar sua mão e lembrá-la de sua presença.

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No estacionamento, os faróis do carro de Raoul iluminaram Dahmer. Ele estava ao lado de seu próprio carro, que estava provavelmente equipado com todos os bloqueadores que haviam frustrado o FBI. Mas os federais estariam perto agora até o leilão. Com esforço, Raoul puxou suas emoções sob controle. Ele tinha um papel a tocar: O mestre da escrava que chamaria menina e nada mais, lembrando a ambos seus lugares. Ele saiu, acenando em Kimberly para segui-lo. Enquanto pegava sua bolsa de brinquedos do assento, trabalhou um sorriso no rosto antes de virar. “Dahmer. Bom te ver.” “Obrigado.” O homem vestia roupas de Dom casual. Calça preta, camiseta preta. Ele olhou a mansão. “Grande lugar.” “É.” E você o mancha com sua presença. “Vamos entrar.” Raoul se dirigiu ao edifício, olhando para trás uma vez para verificar Kimberly. Ela seguia um passo atrás dele, olhos baixos, adorável em seu silêncio e obediência. Ele podia ver o pequeno tremor quando respirava. Pendure isso, sumisita. “Sem restrição ou mordaça para sua escrava?” “Sem necessidade. Não tentará correr.” Deu a Dahmer um sorriso cruel. “Não mais.” “Ah, sim. Eu ouvi sobre seus métodos de controle. Fico surpreso que ela tenha se curado tão depressa.” Que métodos? Raoul deu de ombros, não querendo saber. “Eu a alimento bem.” “Esta é uma fantasia boa — embora eu fique surpreso que não esteja nua.” “Só em casa, não em público.” Raoul andou ao lado de Dahmer até a frente do Shadowlands. “Eu mantenho meus brinquedos para mim. Mas quando estamos sozinhos, eu prefiro nua — para a visão, o acesso, e a disciplina se for necessário, ela pode ser administrada sem grande esforço.” O supervisor latiu uma risada. “Você é definitivamente experiente.” Ele parou e olhou a área vagamente iluminada. “Eu gosto do isolamento aqui.” “Sem vizinhos para reclamar sobre os gritos.” Raoul girou a palma em direção ao chão, e Kimberly caiu de joelhos. “Muito bem, menina.”

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Ela olhou para cima o tempo suficiente para encontrar seus olhos, sua aprovação e reconhecimento emprestando sua estabilidade. “Você a elogia?” “Claro.” Raoul disse ao homem a verdade absoluta. “A marca de um verdadeiro escravo é o seu desejo de agradar ao seu mestre. Se eu não lhe disser o quanto fez bem, então como fazer para que ela o repita? Ela trabalha duro para ganhar um ‘muito bem’.” “Eu nunca pensei nisso dessa forma. Então, novamente, a maioria dos compradores está em dor. Eles não se importam em treinar um escravo para mais que sexo e gritos.” “Isso é uma vergonha.” Com as pernas sentindo-se tão esponjosas quanto uma água-viva, Kim estava grata a Mestre R por ter ordenado que se ajoelhasse. Ela se sentia mais segura com as pernas a protegendo. Ela ficou rigidamente em posição, respirando lentamente, tentando conquistar a náusea e o pânico de ver o supervisor, de ouvir sua voz horrível. Deus, ela sabia que ficaria assustada. Mas não tinha percebido como suas reações físicas — mãos e pernas tremendo, suor frio, apesar do ar mormacento — de alguma forma faria seu medo interno pior. Ela certamente não esperava a raiva que batia como um martelo incandescente contra o peito. Ela olhou para uma pedra branca com arestas afiadas, o foco de um jardim paisagístico. Seus dedos se enrolaram quando se viu pegá-la e batê-la na cabeça do monstro. Ela tentou imaginar como se sentiria, o jeito como ele cairia para frente, o som que faria… Entretanto Mestre R ficaria furioso que tivesse arruinado tudo, e — ela suspirou. Ele não ficaria furioso, Kim. Ele ficaria desapontado com ela, e o pensamento de ver a infelicidade em seus olhos acalmou a tempestade dentro dela. Eventualmente, o supervisor receberia seu castigo, mas primeiros eles precisavam salvar os outros. Engula isso, covarde. Eu quero ir para casa. Ela afastou o desejo e se concentrou em respirar. O concreto liso estava quente contra suas pernas e a voz escura de Mestre R era um toque calmante em seus

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medos. Ela manteve o olhar para baixo, mas sua cabeça ficou angulada, assim poderia ver se ele fazia sinal para fazer algo. Seu pequeno gesto a teve de pé antes mesmo de pensar sobre isso, e ela percebeu que o agente do FBI estava certo. Alguém assistindo notaria como estava sintonizada com Mestre R. O tempo que tinha vivido com ele, sendo corrigida, aprendendo a observar os movimentos discretos que usava para dirigi-la — nada disso tinha sido desperdiçado. Quando subiram os últimos degraus para o Shadowlands, ela ouviu uma reprimenda e olhou ao redor rapidamente, lembrando-se das histórias intrigantes das outras submissas. As luzes do paisagismo cintilavam contra as paredes de pedra. O ferro ornamental preto nas portas e os candeeiros pesados de parede, não ajudavam a aliviar o efeito. Nem fez o guarda de segurança enorme dentro da porta, cujas características brutas seriam mais adequadas a um torturador medieval. Ele olhou para ela, então o supervisor. “Boa noite, senhor,” ele disse sua voz um jogo para seu tamanho. “Você está perdido?” Mestre R se moveu no quarto atrás deles. “Não perdidos, Ben. Estes são meus convidados para esta noite. Já acertei com Z.” “Mestre Raoul.” O sorriso satisfeito do homem o transformou de terrível para algo completamente diferente, como um cachorro tão feio e doce que era atraente. “Tem sido um tempo desde que esteve aqui.” Mestre R correu um dedo ao longo da coleira de Kim, escovando sua pele. “Eu tive alguém me mantendo em casa.” “Já era tempo.” O olhar satisfeito que ela recebeu de Ben a fez sorrir, antes que se lembrasse do seu lugar. Ela baixou o olhar. “Dahmer não está participando, mas Z quer que ambos assinem os documentos.” Ele olhou para o supervisor. “Como convidado, você não é obrigado a mostrar a identidade, mas também não tem permissão para jogar.”

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“Muito cauteloso” Dahmer disse. Ele olhou para os documentos que Ben o entregou e assinou com um rabisco. Kim seguiu o exemplo. Os lançamentos eram muito parecidos com os outros clubes, embora mais completos, especialmente na lista de infrações e vários castigos. Ela olhou e viu Ben a estudando. “Grande fantasia — e você pode manter seus sapatos também.” Mestre R disse ao supervisor, “O proprietário gosta de submissos com os pés descalços ou em descarados estiletes foda-me.” Nenhum clube que ela foi tinha sido tão rigoroso. Então, novamente, nunca tinha estado em um clube exclusivo como este antes. Eles foram porta adentro e para o caos. Kim congelou nos sons de dor e gritos, e os bofetões de instrumentos em carne nua. Perfumes não tinha nenhuma chance contra os odores de couro, suor e sexo. Uma pequena forma na sala, uma mulher com os braços contidos acima da cabeça estava sendo penetrada por dois homens. Kim tragou. Oh Deus, obviamente, foder era permitido no clube. A atmosfera era espessada, afetando seu suprimento de ar. Mestre R passou o braço em volta de sua cintura. “Relaxe, gatita,” ele murmurou em seu ouvido. “O último Dom que tentou forçar um submisso contra sua vontade foi lançado porta a fora. Acho que alguém golpeou seus dedos com uma cana antes disso — provavelmente Z ou Nolan. Tudo aqui é consensual. Você entende?” Consensual. Não escravidão. Apenas o que ambos concordaram. Ela assentiu. “Bom. Posso ter meu braço de volta?” Sua diversão empurrou seu medo para o lado manejável, e ela percebeu que seus dedos estavam cavando buracos em seu pulso. “Desculpe, M-mestre,” ela sussurrou. Ele estremeceu e suspirou. Depois de olhar o supervisor, que estava a alguns poucos metros longe, assistindo uma domme prender uma cadeia entre os cabelos da submissa e a braçadeira do clitóris, Mestre R disse, “Dê-me um número, Kimberly.”

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Sua ansiedade desceu um degrau. Ele se lembrou de verificar seus medos. Ele não tinha esquecido. Ela abriu os dedos nas coxas nuas, mostrando seis, então baixou para cinco após outro fôlego. Ele sorriu para ela. “Valente sumisita.” Ele acenou para as mesas de comida e bebidas no canto esquerdo. “Os petiscos estão lá que poderemos apreciar mais tarde.” Ela duvidava que ficasse com fome novamente. No canto direito tinha uma pequena pista de dança lotada pulsando com as Sisters of Mercy de rock gótico. Um bar imenso ocupava o centro da sala com um barman igualmente grande. As áreas delimitadas com cordas para as cenas circulavam as paredes da esquerda, direita e atrás. Os cantos seguravam escadarias de fantasia em espiral. “O que há lá em cima?” “Os quartos privados para as pessoas que não querem jogar em público — ou que preferem ficar em algum lugar mais tranquilo depois.” Seu queixo balançou em direção a uma domme ajudando um sub coberto de suor e todo marcado de chicotadas, a subir a escada. O homem bem maior que a mulher esbelta, mas não tinha como negar quem estava no comando. “Z e Jessica vivem no terceiro andar.” Isso não seria apertado? Mas o salão de festas era enorme, então o terceiro andar era, provavelmente, dez vezes o tamanho de seu duplex. “Eu vejo que Mestre Sam já começou,” Mestre R disse para Dahmer. “Por que não conseguimos uma bebida e vamos assistir? Posso apresentá-los posteriormente.” “Uma boa idéia.” O supervisor olhou para ela com desprezo. “Do que você precisa para amordaçá-la?” “Eu tenho um, se for necessário,” Mestre R disse, batendo levemente na bolsa de brinquedos pendurada no ombro. “Será necessária, menina?” Ela balançou a cabeça, seu medo sincero. “Vamos mantê-lo assim,” retrucou a voz fria o suficiente para lhe dar calafrios. Para seu desânimo, ele estalou seus punhos juntos à sua frente. Mas quando grampeou uma guia

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para sua coleira, ela se sentiu desconcertantemente melhor. Uma guia significava que estavam presos. Ele não poderia deixá-la. “Obrigado, Mestre,” ela sussurrou, e as rugas nos cantos dos olhos mostravam que ele tinha entendido. Atrás do bar, o barman com rosto escarpado tinha os braços ao redor de uma submissa alta cujo vestido de látex marrom-dourado combinava com seu cabelo. Ele a soltou e sorriu enquanto se aproximava. “O que posso te conseguir, Raoul?” “Um copo de tinto para mim e uma garrafa da água para a menina.” Mestre R gesticulou para o supervisor. “E um Martini para meu convidado. Dahmer, este é Cullen, um dos Mestres aqui.” “Bem-vindo ao Shadowlands,” Cullen disse e olhou para a submissa. “Andrea, veja isso, por favor.” “Sim, Señor.” Quando o barman envolveu Mestre R e o supervisor em uma conversa sobre a cena de BDSM local, a mulher serviu o pedido dos homens. Então colocou uma água engarrafada na frente de Kim. “Obrigado—” Kim interrompeu rapidamente. Mestre R olhou para cima. “Você precisa ser amordaçada, menina?” Ela balançou a cabeça freneticamente. Ele ignorou a carranca da grande submissa e se virou para os homens. Kim caiu contra o bar. Como eu pude esquecer? Se bagunçasse novamente, ele teria que amordaçá-la. Ela olhou para a garrafa de água, sabendo que vomitaria se tentasse beber. “Ainda tem Glenlivet lá atrás?” Kim congelou na voz familiar. Jessica. Oh Deus. Não fale comigo. Ela não fez. A pequena loira deu a Kim um aceno cortês de um estranho e subiu na banqueta adjacente. “Hei, Andrea, Mestre Z me mandou para conseguir bebidas.” Ela fez uma careta. “Seu usual, mas eu só consigo água.”

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O barman senhora farejou. “Você provavelmente só merece água.” Ela debruçou um cotovelo no bar na frente de Kim e enfrentou Jessica, que deu as costas para Mestre R e o supervisor. “Oi, Kim,” ela disse em uma voz muito baixa, olhando para Jessica. Os olhos de Kim se arregalaram quando percebeu que a submissa sabia seu nome. “Sim, nós sabemos o que está acontecendo.” Andrea riu alto e cutucou Jessica no ombro. “Eu não acredito que você fez isso.” Sua voz caiu novamente. “Os Mestres descobriram que manter segredos de seus subs não deu certo.” Ela e Jessica trocaram olhares sarcásticos, e Kim se lembrou das histórias de arrepiar os cabelos de Gabi. “De qualquer forma, só sabemos que vamos manter um olho em você.” Jessica concordou sua voz igualmente baixa. “Uma de nós ficará ao seu lado se por alguma razão Raoul não puder.” Esse tinha sido o pior medo de Kim, ser deixada desprotegida. Lágrimas caíram de seus olhos. “Pare com isso,” Jessica disse meio ordem e meio condolência, então bateu no balcão, dizendo em uma voz normal, “Se apresse, ou Mestre Z vai pensar que eu estava fofocando.” Andrea sorriu, fixando uma água engarrafada no bar. “E você não está?” Ela pegou uma garrafa de Glenlivet e despejou uma dose, dizendo baixinho, “Mestre Nolan e sua sub, Beth, também estão aqui.” Jessica abriu a água. “Sim. Você faz parte de nosso clube agora. De forma que você tem apoio querendo ou não.” Ela tomou um gole de água, pegou o copo de Z, e disse a Andrea, “Mais tarde, amiga,” antes de se vangloriar através do quarto. Andrea disse, baixinho, “Isso é um galo brigão bondoso.” A risada que Kim tentou suprimir terminou soando como um espirro. Mestre R deu a Andrea uma carranca. “Não aborreça minha menina.” “Não, Senhor,” Andrea disse. “Nem sonharia com isso, Senhor.” O grande barman estendeu um braço e puxou seu cabelo. “Mais respeito, amor.”

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Andrea estremeceu. “Sim, Señor.” Seus olhos marrons-dourado focados em Mestre R. “Por favor, perdoe minha rudeza, Mestre Raoul.” Mestre R lhe deu um olhar frio. “Talvez adicione uma reprimenda minha em sua próxima cena, Cullen.” “Isso seria meu prazer, amigo,” Cullen disse com um sorriso. “Eu acredito que um plug anal extragrande seria apropriado.” Os olhos de Andrea se voltaram ansiosos. Mestre R foi à frente através da sala em direção à parte de trás. Kim estava feliz por ter deixado a tampa em sua bebida, desde que os puxões na guia faziam a água chapinhar na garrafa. Ela discretamente olhou ao redor, tentando não estremecer nos sons. Os gemidos da direita onde uma esbelta domme em um vestido de látex vermelho estava gotejando cera sobre o pênis ingurgitado de um homem. Mais distante, o rítmico paf de uma cana, e então as choradeiras da mulher, quando o Dom mudou o alvo e bateu a cana levemente sobre os seios. Próximo ao fim do quarto, Mestre R parou onde um homem de cabelos prateados, bem vestido em couros, estava açoitando uma sub na cruz de St. Andrew. “Este é Sam.” “Muito bom. Vamos vê-lo trabalhar.” O supervisor pegou uma cadeira perto da área isolada, Mestre R ficou próximo a ele. Kim se ajoelhou a seus pés, mantendo seu mestre entre ela e o supervisor. Mestre R arrancou a garrafa de sua mão, abriu o topo, e a devolveu, tudo sem olhá-la. Ou assim parecia. Ela se aproximou perto o suficiente para sentir a perna contra seu ombro e quadril. Apenas a sensação de tocá-lo aliviava o nó dentro dela que apertava cada vez que ouvia a voz desprezível do supervisor. Enquanto os Doms assistiam a cena em silêncio, Kim lutou para ignorar o som do chicote e da submissa chorando. Eu não estou aqui. Abra o regulador de pressão e ouça o rugido do barco; Sinta o spray esfriando seu rosto, o vento chicoteando seu cabelo. Depois de tempo, ela inclinou a cabeça, capaz de assistir a cena pelo canto do olho.

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O leve movimento chamou a atenção do supervisor. Quando ele a olhou, a sensação era como se imundície roçasse sua pele. “Ela parece muito boa, Raoul. Boa o suficiente que eu gostaria de comprá-la de volta. Com o treinamento que lhe deu, ela lhe traria um ótimo lucro.” Ele a queria de volta? Um tremor percorreu Kim, e sua boca ficou seca. Leiloá-la… Sua respiração começou a aumentar apesar de suas tentativas de— Um puxão em seu cabelo quebrou o padrão. Com o couro cabeludo ardendo, Kim franziu os lábios e exalou. Lento. Lento. Ela caiu contra a perna de Mestre R. De alguma forma ele viu seu pânico quando não estava lhe dando nenhuma atenção. Um tapinha leve em sua cabeça a recompensou. “Desculpe, mas eu gastei muito tempo treinando esta aqui. Eu odiaria começar de novo.” “Mas você poderia conseguir uma beleza de escrava com o que faria com esta aqui.” “Não estou interessado,” Mestre R disse um estalo irritado em sua voz. Quando se virou para assistir a cena, o supervisor desistiu e fez o mesmo. Kim forçou os punhos a abrir suas mãos e colocar corretamente em suas coxas. O açoite durou bastante tempo, e os soluços da submissa viraram gritos enquanto lutava para fugir da dor. Sem parar. Quando a pobre mulher, eventualmente, alcançou o subespaço e não sentia mais a dor, Kim conseguiu relaxar. Depois de livrar a sub com os olhos vítreos, o Dom a empacotou em um cobertor e se sentou com ela no chão. Sem pressa, lhe deu um pouco de água e a alimentou com mordidas de chocolate antes de colocar o doce em sua mão. “Você ficará bem por um minuto, menina?” Parecendo com um vaqueiro de idade, ele tinha uma voz tão áspera quanto sua aparência. “Sim. Obrigado, Mestre Sam.” A submissa beijou sua mão. “Isso foi maravilhoso. Eu sinto tudo… Aberto… Novamente.” Enquanto ela mordiscava o chocolate, o Dom limpou a área de jogo e empacotou suas ferramentas.

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Kim se concentrou nele, tentando ignorar a discussão do supervisor da cena. Tentando ignorar que logo seria sua vez de ser assistida. E Mestre R nunca lhe disse o que tinha planejado. “Tudo feito?” Sam perguntou à submissa. Ele a ajudou a ficar de pé, correu uma mão em suas costas abusadas, e sorriu quando ela recuou. “Então vá.” Ela beijou sua mão novamente e foi embora, apenas uma leve oscilação em seu passo. “Será que ela ficará bem?” Mestre R perguntou a preocupação óbvia em sua voz. Kim quis abraçá-lo. Se ele pudesse, Mestre R provavelmente cuidaria do mundo inteiro. Sam olhou para o homem pálido sentando próximo a Raoul. Como um vampiro, o supervisor idiota, aparentemente, não saía muito ao sol. “Ela ficará bem. Gosta de relaxar na área dos subs, ouvindo as mulheres tagarelarem.” Ele sorriu. “Ela é um interruptor de gay, então provavelmente vai acabar levando um deles lá pra cima.” Ele viu um dos estagiários do Shadowlands e levantou um dedo. A morena acenou e inverteu seu curso para consegui-lo uma bebida. Agarrando uma toalha de sua bolsa de brinquedos, Sam enxugou o suor de seu rosto e pescoço e caiu em uma cadeira em frente ao convidado de Raoul. “Sam, este é Dahmer,” Raoul disse. O homem se inclinou para apertar sua mão e disse, “Você é bastante habilidoso. Isso foi um prazer assistir.” Sam encolheu os ombros. “Foi tudo bem.” Ele deliberadamente tinha escolhido um gritador real. Embora alguns Doms preferissem seus subs se controlando, seu interior sabia que apreciava os sons da dor. Dessa vez, ele tinha provocado tanto barulho quanto poderia tirar dela. “Mas a puta entrou em subespaço muito depressa. E se ela não fizesse, teria dito sua palavra-segura.” Ele bufou. “Eles todos fazem.” O supervisor assentiu, como se agora entendesse por que Sam poderia querer uma escrava. “Existem formas de contornar o problema, você sabe.”

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“Então, estou ouvindo.” Sam olhou a pequena escrava de seu amigo e pegou um chamejar de olhos azuis antes de olhar de volta para baixo. Mulher valente, e bonita como o inferno no traje francês de empregada doméstica. “Mas eu não estou interessado em uma como a de Sandoval. Eu não preciso de alguém para cozinhar ou limpar, e com o que gosto de fazer com elas, eu não confiaria nela andando ao redor.” “Na verdade, a maioria de nossos… Clientes… Tem a mesma ideia. Embora os resultados de Raoul com sua escrava são bastante impressionantes, temos muitos sádicos satisfeitos em nossa lista de compradores, e eles tendem a manter seus brinquedos trancados. Armários ou quartos disponíveis de trabalho se as janelas e portas são remodeladas.” O homem sorriu e adicionou, “Ou até gaiolas de cachorro.” Quando a menina se encolheu visivelmente nas palavras do supervisor, Raoul colocou a mão em sua cabeça, e Sam notou um olhar perturbador em seus olhos. O Dom era muito compassivo para seu próprio bem. Seria o inferno de uma coisa se ele se apegasse a uma ex-escrava. Não seja um idiota, homem. Nenhuma escrava sequestrada vai querer um mestre depois. “Dahmer.” Tentando puxar a atenção do idiota fora de Raoul, Sam se recostou na cadeira e disse, “Estou bastante interessado. O que está envolvido?” A expressão presunçosa do supervisor revirava o estômago de um homem. “Primeiro—” “Com licença,” Raoul interrompeu. “Deixarei os dois sozinhos agora. Reservei a sala de escritório para minha cena e devo começar a instalação.” Ele se levantou, pegando sua bolsa de brinquedos, e puxou a guia para sua escrava o seguir. O supervisor assentiu. “Eu estarei junto em breve para assistir.” A menina se encolheu. Quando ela corajosamente ergueu os ombros e seguiu Raoul, Sam teve que pisar no desejo para reverter Dahmer no chão. O supervisor os assistiu irem embora e comentou, “Ela foi um prazer para foder. Nunca parou de lutar, e eu aprecio uma batalha. A gaiola foi o que finalmente a quebrou para o calcanhar, não importa o que seu amigo pensa.”

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“Ele é um treinador muito bom, mas não particularmente em dor… Ao contrário de mim.” “Então eu entendo.” O supervisor ficou em silêncio quando Sally entregou a bebida a Sam. “Obrigado, menina,” Sam disse, sorrindo quando a estagiária trotou longe. Sua saia curta saltando acima de seu traseiro redondo a cada passo. “Nós quase a pegamos”—o supervisor apontou em direção a Sally— “mas ela deixou a cidade naquela semana. Ainda podem levá-la mais tarde, mas ela não é adequada para este leilão. Eu mencionei que este é para sádicos? Todos os escravos oferecidos serão masoquistas.” “Parece perfeito.” Sam manteve seu nível de voz, embora o pensamento dos bastardos colocando as mãos em Sally era como ouvir sobre um filhote de cachorro sendo chutado até a morte. “Eu aprecio levar um masoquista aos seus limites… E ainda mais.” Dahmer se debruçou adiante e começou a esboçar como o procedimento funcionava. Sam escutou seu rosto tranquilo, mesmo com a raiva queimando em suas entranhas. Quando Raoul tinha pedido ajuda, Sam tinha concordado simplesmente porque a ideia de escravidão o ofendia. Agora, depois de encontrar Dahmer, seu interesse virou puramente pessoal. Ele queria colocar o sujeito fora de circulação por anos. Melhor ainda, ele faria um chicoteamento em seu rabo e deixaria apenas uma pilha de carne fatiada. Kim seguiu obedientemente Mestre R através da sala, e os pequenos puxões em sua guia eram uma tábua de salvação em um mar de medo. Entretanto, as ondas agitadas se acalmaram quando a distância do supervisor aumentou. Ela olhou para trás. As pessoas tinham obscurecido a visão dele. Se apenas sua existência pudesse ser obscurecida também. Ela suspirou. De alguma forma, Mestre R a ouviu acima da música, conversas, e sons das cenas. Depois de colocar a bolsa no chão, ele inclinou seu rosto para cima e a estudou por um minuto, então desprendeu as algemas. Quando envolveu os braços em volta dela, seu colete

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de couro desbotado era suave sob sua bochecha, seu corpo sólido. Forte. Ele descansou o queixo em cima de sua cabeça. “Você fez bem, cariño. Estou orgulhoso de você.” Oh, o modo como seu coração saltou nessas palavras simples era preocupante. Muito. Uma vez que isso acabasse, ela voltaria para sua própria vida — mas ainda o quanto ela estaria sentindo falta desse homem, este mestre que segurou suas emoções em suas mãos tão facilmente quanto seu corpo. Eu não me importo. Pense sobre isso mais tarde. Agora precisava que tudo nela se preocupasse com seus esforços para a cena. Uma cena real. Nos últimos dias, ele tinha jogado com ela em seu calabouço, só um pouco, deixando-a se acostumar ao seu estilo, ao sentimento de desamparo, e aos sons e perfumes novamente. Seus ataques de pânico diminuíram então ele poderia contê-la — normalmente — sem ela gritando e perdendo isso. Mas ele não lhe disse sobre essa cena. “O que você está planejando, Mestre?” “Tão nervosa.” O som de sua voz era baixa e sexy com seu ouvido contra o peito dele. Não parecia preocupado, e sua enorme autoconfiança era outra coisa ao qual ela tinha se apoiado. “Estaremos fazendo uma cena Brincando com Fogo, gatita.” Ela endureceu. De jeito nenhum. Absolutamente não. Ela percebeu com desânimo que não tinha adicionado fogo para sua lista de limites como algo a evitar. E ela realmente não tinha uma pendência sobre isso, apenas a antipatia normal de ser Fixada. Em. Fogo. Afogue o homem. Ele levantou a bolsa e começou a andar novamente, dessa vez com seu braço ao redor dela, o que era uma boa coisa, desde que seu equilíbrio tinha ido para algum lugar. Provavelmente de volta para Savannah. Eu preciso ir lá também. Em qualquer lugar longe daqui. “É o que Dahmer queria.” Ele tocou a ponta de seu nariz com o dedo indicador. “A boa notícia é que não vou contê-la.” “Sem restrições? Realmente?” Um medo terrível caiu de seu peito. O pensamento de estar impotente em qualquer lugar perto do supervisor tinha... Tinha sido horrível.

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“Sim. Já que esta será a única cena que faremos em público”—ele sorriu para ela— “você poderia muito bem ter uma que fosse apreciar.” Apreciar? “Um. Mestre. Sem restrições — é muito bom, mas eu não estou tão certa sobre ter você ateando fogo em mim.” Ele riu. Ouvir o som rico era como estar em um elevador externo, saindo do edifício para a luz. “Eu não pretendo queimá-la, Kimberly.” Continuou andando em direção à outra extremidade, trocando saudações com os membros do clube. Havia alguém que não o conhecia ou gostava dele? Perto do final da sala, Kim viu Mestre Z. Seu olhar escuro encontrou o dela, e ele sorriu levemente, erguendo o queixo, como se lhe dando coragem. Ele tinha. Ela respirou fundo e seguiu Mestre R por um corredor. Com grandes janelas de vidro de cada lado, onde as pessoas podiam observar as cenas nas várias salas. Ele puxou uma placa de reservado de uma porta à esquerda e entrou. A sala parecida com um escritório tinha um armário de 1,83m de altura na parede perto, uma escrivaninha de carvalho grande no centro, e um sofá e mesa de café do lado. “Remova tudo, inclusive as algemas, e ajoelhe-se ao lado da escrivaninha, por favor,” Mestre R disse. Ele esperou olhos nela, superando sua vacilação com a certeza de que ela obedeceria. Suas mãos estavam entorpecidas, a boca seca, mas fez como foi ordenado, dobrando seu avental e vestido, removendo as meias e deixando-as na mesa de café. Ela se ajoelhou no chão de madeira brilhante em sua posição preferida, mãos atrás das costas, joelhos separados. Ela baixou a cabeça relutantemente. “Você pode assistir, gatita,” ele disse calmamente. Ele puxou uma mesa de canto quadrada e robusta até ao lado da escrivaninha. O material veio das gavetas do armário de arquivos. Um espeto de madeira com uma bola de gaze enrolada ao redor de um fio veio de sua bolsa. Mais três seguiram. Ele despejou um

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líquido claro em uma tigela de metal profunda. Uma vela gorda entrou em outro prato de metal pesado. Quando acendeu, um arrepio a atravessou. Ela rangeu os dentes e olhou para baixo. “Você usou a loção após banho como pedi?” Sua voz era casual, como se verificando se ela tinha adicionado pimenta para os temperos. “Sim, Senhor.” “Excelente. Manterá sua pele bonita e úmida.” Ele molhou um cobertor de banho na pia e o torceu. Isso, uma jarra de água, e um extintor de incêndio, ficaram no chão na outra extremidade da escrivaninha. “Você vai colocar o local em chamas também?” Além de mim? Sua voz saiu em um lamento alto. “É um corolário16 da lei de Murphy. Se você não estiver preparado, as coisas ruins acontecerão. Se você estiver, nada dará errado.” Puxou uma almofada coberta de tecido fora do gabinete. Era tão grossa que levantou o topo da escrivaninha para sua cintura. Ele sorriu para ela. “E este material não vai queimar, gatita. Agora venha cá.” Eu prefiro não. “Sim, Senhor.” Ela se levantou, esforçando-se para manter a postura, desde que três pessoas já haviam se reunido em frente à janela. Ela nunca se sentiria menos ao se colocar em um show. Ele seguiu seu olhar, então agarrou sua cintura e a colocou sobre a escrivaninha. O material estava frio contra seu bumbum, a espuma suave. “As pessoas assistirão, e é bom saber que eles apreciam o que fazemos, mas esta cena, Kimberly, é só entre você e eu.” Ele a beijou levemente, e ela inalou o odor fraco de sua colônia, a que ela pensou como névoa do mar e testosterona. Depois de andar atrás dela, ele puxou seu cabelo para o centro de suas costas e… “Você sabe como trançar o cabelo?” Perguntou, reconhecendo a sensação de puxar.

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Consequência Imediata.

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“Mmmhmm. Eu costumava escovar e trançar o cabelo da minha mamá.” Ele realmente estava zumbindo junto com a música, e ela percebeu que não era a banda gótica tocando na pista de dança. A sala tinha seu próprio sistema de som, e isto era um álbum de Secret Garden. Um de seus favoritos. Calmante. “Você está tentando me tranquilizar antes de me colocar fogo.” Um puxão mais afiado em seu cabelo. “Não vai machucá-la… A menos que eu deseje.” Ele beliscou seu braço, um beliscão afiado. “Isso não é tão ruim quanto parece ser.” Ela soprou. “Você tem certeza?” “Eu tenho feito isto por muitos anos, sumisita.” Ele amarrou um elástico em torno do fim do cabelo e entrou na sua frente, tomando seu rosto entre suas palmas duras. Seus olhos eram tão sérios e atenciosos e ainda… Duros. Ela poderia ter medo, mas isso era o que iriam fazer. Ele não voltaria atrás — e por que parecia tão tranquilizante quanto apavorante? Às vezes ela não fazia qualquer sentido, até para si mesma. “Isto é sobre confiança, cariño, como tantas outras cenas são. O instinto humano é para temer as chamas. Agora vamos ver se sua confiança em mim pode superar isso.” Oh, quando ele falava assim, ela sabia que nunca a machucaria. “Eu confio em você,” ela sussurrou. “Valente gatita,” ele murmurou. “Eu sei que você faz. Agora eu a quero de joelhos, bunda alta, apoiando-se em seus antebraços.” O que? Ele planejava deixar sua bunda em chamas primeiro? Uma vez que estava posicionada, ele correu as mãos sobre ela, esfregando firmemente, despertando sua pele, despertando-a, danado, então se moveu para os ombros, para sua cintura, e lentamente abaixo. Ele afagou seu bumbum por um longo tempo, nunca tocando em nada, até que tudo nela pulsava, precisando ser tocado. Seus dedos se apertaram na espuma quando percebeu que ele deliberadamente a estava despertando.

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Quando empurrou suas pernas ligeiramente afastadas, sentiu a umidade molhando suas coxas internas. Um segundo depois, ele separou suas dobras com os dedos, e deu um zumbido satisfeito. Porra, depois dos últimos dias, ele sabia exatamente como virá-la, e seu corpo despertava para ele em um estalar de dedo de qualquer jeito. Muito facilmente. Sua cabeça se curvou, e ela fechou os olhos firmemente. Puta. Eu sou uma suja— O som de uma mão batendo na carne foi simultâneo com a picada chocante em sua bunda. “Ow!” “Você não terá esses pensamentos sórdidos sobre minha sumisita, Kimberly.” Outra pancada cruel à fez fazer uma careta quando o tiro de dor a atravessou. Seu dedo espesso tocou sua boceta e se empurrou firmemente dentro dela. Ela ofegou. Sua necessidade de menear foi barrada pela palma pesada em seu bumbum. Ele deslizou o dedo dentro e fora e riu. “Eu acho que se ficar comigo muito mais tempo, deveríamos ter algumas sessões de surra só por diversão.” Ela não foi desmentida pelo jeito que sua boceta contraiu ao redor dele. “Espalhe mais suas pernas,” disse, e quando abriu, sua outra mão traçou um caminho entre seus lábios, espalhando a umidade para cima. Quando um dedo calejado pastou sobre seu clitóris, liso e áspero ao mesmo tempo, ela gemeu no tranco excruciante de prazer. “Sinta gatita. Este é ‘A.’” Seu dedo deslizou para cima e ao redor do clitóris em um padrão estranho. “B.” Um padrão diferente. “C.” Toques rodados sobre seu clitóris. Nunca no mesmo lugar duas vezes. Mas com cada nova letra e a punhalada lenta de seu dedo, dentro e fora, sua necessidade continuou crescendo. “G…” Não. Pare. Ela podia sentir o sangue inchando seus tecidos até que sua parte inferior pulsava no tempo com seu coração. Dois dedos deslizaram para dentro, enchendo-a e estirando-a. “L.” “Eu não quero gozar. Por favor, Mestre. Não. Não aqui.”

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“Desta vez você não tem uma escolha, cariño,” ele disse levemente. Nunca desacelerou, na verdade pressionou mais fundo. “O… Mas desde que não deseja compartilhar com nosso público, então gozará sem se mover ou fazer qualquer ruído… Ou há espancarei um pouco mais.” Oh Deus, isso apenas a deixou mais frenética — e ele sabia disso. Afogue ele. Seus dedos agarraram as bordas da almofada quando sua força de vontade começou a desintegrarse, deixando-a sem rumo, flutuando longe na maré. “R.” Depois de beijar o oco de suas costas, ele beliscou seu bumbum, e o afiado da dor enviou um tremor através dela. Não se mova; Não faça barulho. Ela tremeu, tentando se segurar quieta, precisando menear, sentindo como sua vagina apertava ao redor de seus dedos enquanto se aproximava. Não, eu não quero. Seu mundo se estreitou para apenas o traçar lento do alfabeto, até que cada nervo ao redor de seu clitóris estremeceu em antecipação ao seu toque. Oh Deus, ela precisava de mais. Mais. Seu pulso martelando em seus ouvidos e entre as pernas. Quando seus músculos se apertaram, sua bunda se inclinou um pouco mais. “V.” Ele riu, um som baixo que quase a enviou mais. E então, para seu choque, ele adicionou outro dedo, empurrando duro. Ela ofegou quando cada músculo contraiu ao seu redor, aumentando a sensação de abundância. Seu corpo se juntou; Sua respiração diminuiu para nada. Quase. Oh por favor. “Deveríamos tentar sujeição algum dia.” Suas palavras não faziam nenhum sentido… Até que seus dedos firmemente comprimiram seu clitóris. Oh, oh, oh. Explosão. Sua mente se quebrou quando o prazer explodiu para fora, enquanto cada nervo em seu corpo disparava de uma só vez. Ela estremeceu — sem se mover — e sua imobilidade intensificou tudo, até que sua pele propriamente pulsava com as sensações. Ela enfiou a mão na boca, tentando abafar os gritos. “Bonito sumisita.” Quando ele riu e liberou seu clitóris, o sangue subiu loucamente de volta para ele, e a corrida de sensação apreendeu seu corpo, sacudindo-o fora de seu controle.

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Ele deslizou os dedos para fora e agarrou seus quadris, segurando-a firmemente. Seu coração batia contra suas costelas enquanto ofegava pelo ar. “Ouvi barulho demais, e você definitivamente se moveu,” ele disse. Antes que tivesse uma chance de recuperar o fôlego, mais quatro pancadas picantes caíram em sua bunda. Seu interior cerrou quando a picada de alguma forma engolfou seu clitóris em outra onda sucessiva de prazer. Ela tentou não gemer. Quem sabia o que ele faria? Suas mãos esfregaram suas bochechas ardentes, acalmando a queimadura. Acalmando-a. Sua respiração começou a diminuir. “Você vai abaixo,” disse, puxando suas pernas para fora em linha reta e aplainando-a, estômago para baixo, na almofada. Oh Deus. Sua bunda pulsava, e seu corpo ainda empurrava de gozar tão rápido e duro. Agora mais? Eu não quero fazer isso. Ele balançou a trança para o lado da escrivaninha, deitou uma toalha de mão úmida sobre seu cabelo, e puxou a mesa robusta de brinquedos de tortura mais perto. Quando acendeu a vela, que ardeu como uma tocha assustou-a horrivelmente. Com um grunhido, ele pegou algo de sua bota e cortou o pavio. Fazendo a chama menor. Chama. Ela fechou sua boca sobre uma choradeira. Ele voltou com a ferramenta para sua bota, então se debruçou sobre a mesa, a mão em suas costas. Com um aperto em seu ombro, ele beijou sua bochecha. Ela viu o conjunto duro de sua mandíbula. Seus escuros olhos castanhos a examinaram. “Você confia em mim, cariño?” A pergunta derreteu qualquer resistência que tinha ficado depois da demonstração de quão facilmente ele podia controlar seu corpo. “Eu faço,” ela sussurrou. Ele esperou. “Eu faço Mestre.” Ele já tinha mostrado que possuía seu corpo; Agora queria sua alma também — e ele tinha. Deus a ajude, mas ele fez. Suas juntas pastaram por seu rosto, sobre os lábios. “Você me agrada muito, gatita,” ele disse suavemente.

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Oh, ela queria, queria isso muito mal. Ele se afastou para abaixar a iluminação da sala, até que ficou como o crepúsculo depois de um pôr-do-sol. Então se apoiou na escrivaninha, perto o suficiente para que pudesse sentir seu corpo escovando contra o dela. “Respire, Kimberly, e escute a música. Escolhi esta para você.” Quando sua mão calejada acariciou de cima a baixo de suas costas, seus músculos relaxaram, aplainando-se na almofada. Sua respiração acompanhou os passos do ritmo da música, a lenta varredura de sua mão. Ela sentiu algo diferente — uma raia de frio e um relampejar de calor quase simultaneamente, e sua mão deslizou acima do mesmo lugar. Novamente, e novamente, e ela percebeu que não havia dor, só um toque fresco, então seguido de calor e desaparecia sob o golpe áspero de sua mão. Um círculo em volta de seu bumbum. Em suas pernas e até as costas. Seu ritmo era o marulhar da água na praia, irregular, mas muito natural. Calor, golpe. Seus olhos estavam abertos, e ela assistiu a dança de sombras na parede com o flash de chamas, então acalmar-se para escuridão novamente. Ela podia ouvir, vagamente, o som das pessoas fora da sala, suas vozes como gaivotas ao longe. O calor se intensificou, beliscando em sua pele, mas sua preocupação deslizou longe quando seu corpo e sua mente cresceu muito pesada para manter o foco. Seu barítono baixo invadiu sua tranquilidade. “Você está sendo uma boa menina, mi pequeña sumisa. Tempo para virar.” Como ele fez sua voz se arrastar por ela como uma forte corrente? Suas mãos firmes a rolaram e ar fresco lavaram sobre sua frente. Ele organizou seus braços em seus lados e puxou seu cabelo sobre a extremidade da escrivaninha novamente. “Você quer assistir a chama, gatita?” Perguntou com aquela voz tão suave e lisa. “Eu amo seu sotaque,” ela disse, sem saber se estava sonhando. Que estranha coisa para dizer, mas seus olhos ondularam, e ele simplesmente repetiu. “Você quer assistir?”

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“Certo.” Suas costas não machucaram não de tudo, com exceção de seu bumbum, onde… “Você me espancou,” disse a ele. “Eu fiz.” Ele ergueu seus ombros altos o suficiente para empurrar um travesseiro de calço sob a almofada. “E eu apreciei muito. Você tem uma bunda muito espancável, não?” Sua risadinha soou estranha. Sentia-se como uma bolha que se separava do oceano, rumo à superfície. Ele se virou um pequeno espeto com a gaze branca queimando como uma mini tocha. Ele o correu por sua coxa, a raia de chama quase desaparecendo antes do golpe de sua mão apagá-la completamente. “Oooh, isso é tão bonito.” O flash de seu sorriso era tão bonito também. Então o ritmo voltou, o pontinho de frescor, o flash da chama, sua grande mão eliminando-a de forma que o toque de fogo ficou apenas morno… Ou às vezes com pequenos dentes. Ele mudou a coisa torcida para outro, lhe dando um beijo lento, fazendo-a feliz que sua boca estava disponível. Ele trabalhou seu caminho através de seu estômago, para cima em direção aos seios. Ela sabia que deveria se preocupar, só que seu medo nunca veio à tona antes que seu seio se iluminasse com o dançar da chama e, como mágica, desaparecesse. Sua pele formigou, seu mamilo contraiu como se não soubesse se era pra ficar excitado. Ele segurou a tocha longe e parou para lamber esse cume. Então fechou os lábios sobre o outro mamilo em uma reversão da ordem — boca quente, ar fresco. A chama. Em torno dos lados exteriores de seus seios. Abaixo do centro. Chamas dançaram através de seu corpo… Ele sorriu para ela, seus olhos segurando o calor do fogo, e ela percebeu que o chamejar tinha ido da sala e só ficaram suas mãos, suas mãos em seus seios, sua boca sobre seu

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clitóris, e sua excitação chegando e se quebrando sobre ela, como ondas de tempestade ao longo de uma costa rochosa.

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Capítulo Dez Ele nunca tinha tido uma submissa tão doce ou que confiasse nele tão completamente. Raoul não tinha escapado da dor primorosa de ternura… Até que se virou e viu a janela. Ele tinha estado até agora fora do espaço durante a cena que nem tinha notado quando o supervisor chegou, mas o cabrón estava lá agora. Raoul acenou para ele. Dahmer inclinou a cabeça em direção ao salão do clube, então se afastou. Contrariado que tivesse que compartilhar qualquer coisa com o bastardo, Raoul fez uma carranca. Tempo para terminar de conversar e conseguir Dahmer fora do Shadowlands, o que significava submeter Kimberly à sua presença novamente. Claro, sem Dahmer, ele e Kimberly não estariam aqui. Ou juntos. Ela valia a pena isso. Ele sorriu ao ver que ela não tinha despertado, ainda estava em transe. Ele correu os dedos por sua pele, sentindo só um calor seco como de uma queimadura de sol, mas sem bolhas. Bom. Depois de usar o cobertor úmido para limpar sua pele, aplicou a loção de babosa e colocou um cobertor penugento ao seu redor. Enquanto colocava a sala em ordem, parava a cada minuto para afagá-la suavemente até que lentamente voltou ao mundo real. Um toque na porta chamou sua atenção. A pequena mulher da limpeza esperava na porta. Ela apontou para si mesma, então o quarto, indicando que assumiria a limpeza. Z provavelmente a tinha enviado. Raoul assentiu, querendo ter Kimberly em seus braços. Ele embrulhou a sub no cobertor, pegou-a, e então olhou em sua roupa dobrada. Peggy sussurrou, “As deixarei e sua bolsa no bar para você, Mestre Raoul.” “Obrigado.” Kimberly abriu os olhos, ainda um pouco vítreos. Ela sorriu para mulher, ecoando suas palavras, “Obrigado.”

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Peggy sorriu. “Ah, está voltando para mim agora, gatita?” Raoul beijou o topo de sua cabeça. Ela esfregou a bochecha em seu peito como um gato sonolento. “Gosto quando você me abraça.” Dios, ela ia quebrar seu coração. “Gosto quando a abraço também.” Ele saiu pelo corredor e no salão principal, estremecendo quando a música de Alice in Chains martelou em sua cabeça. Os membros do clube que assistiram ao fireplay lhe deram um cumprimento. Alguns começaram a conversar, mas ao perceber o estado ainda sonolento de Kimberly, mudavam para um quieto, “Grande cena.” Ele assentiu e sorriu. Próximo ao bar, ele avistou Dahmer e Sam em uma mesa, assistindo a uma cena de suspensão. De volta à realidade. Mas eles pareciam absortos o suficiente para que ele pudesse ter tempo de despertar Kimberly completamente. Ele chamou a atenção de Sam, então escolheu uma área mais tranquila, sabendo que eles se juntariam a ele quando a cena terminasse. Uma bonita submissa apareceu e colocou uma cerveja e uma garrafa de água sobre a mesa. Ela murmurou. “Do meu amante.” Raoul viu que Olivia tinha assumido o comando do bar. Ela lhe deu uma pequena saudação e voltou a misturar as bebidas. Kim se sentia… Maravilhosa, tudo aberto, e solto e derretido. “Gatita.” A voz profunda e ressonante soou tão forte quanto os braços ao redor dela. Ela piscou e sorriu para os olhos de chocolate escuro. Seu coração inchou, se enchendo de calor, um balão infinitamente elástico. Seu braço não queria se mover, mas a necessidade de tocar surgiu dentro dela, exigindo ação. Ela colocou a palma em sua bochecha e sentiu como dobrou quando ele sorriu. “Você está aqui comigo?”

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Sempre. Abriu a boca para lhe dizer o quanto o amava, mas um movimento no canto do olho a silenciou. Pessoas. Ela endureceu um fragmento de gelo picando seus músculos relaxados. “Não, olhe para mim, Kimberly,” Mestre R murmurou, puxando seu olhar para ele. “Você estava maravilhosa, sumisita, e estou muito satisfeito com você.” Calor fluiu de volta para ela, uma maré de retorno. Deus ela o amava tanto. “Mas não estamos sozinhos. Ainda estamos no Shadowlands, e os outros dois homens brevemente se juntarão a nós. Você deve ficar muito quieta.” Ele aninhou sua bochecha. “Eu não tinha a intenção de enviar-lhe tão profundamente, e não vou deixá-la sozinha.” Ficar quieta. “Sim, Mestre.” Seus lábios se curvaram. “Boa menina.” Enquanto ele a segurava, ela esfregou sua testa contra seu peito musculoso, se perguntando confusamente quando tinha vindo a se sentir tão em casa em seus braços. “Essa foi uma cena excelente, Raoul. Exatamente o que preciso para o leilão.” A voz que o abordava era horrível, gordurosa, fazendo-a se sentir mal… Feia… Como se quisesse correr. Correr e se esconder. O supervisor. Ela fez um som, e os braços de Mestre R apertaram. A puxando ligeiramente, fixando o queixo no topo de sua cabeça. Ela apertou o rosto em seu pescoço, respirando seu odor limpo, como um vento fora de um mar tempestuoso. Masculino. Seguro. As vozes continuaram a falar ao seu redor. Ela virou a cabeça, decididamente não olhando para o traficante de escravos. Descansando o rosto no ombro de Mestre R, ela observou as pessoas e as áreas de cenas. No centro mais próximo, um Dom de pele morena estava açoitando seu sub macho. A próxima — uma Domme negra usava suas garras de vampiro em dois submissos, macho e fêmea, que estavam se mexendo com dor e prazer. Adiante, em uma corda de dois metros, feito uma teia de aranha, tinha uma bonita sub morena amarrada. Quando ela mexeu o pé solto, seu rosto se iluminou com o riso, e ela

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disse algo — indubitavelmente atrevido — para seu Dom mais velho. Sem aviso, ele bateu violentamente em seu rosto, jogando sua cabeça ao redor. A sub voltou-se para ele, o lábio sangrando, segurando uma expressão de puro choque, horrível. E começou a chorar. Kim tentou se sentar para ir ajudar, mas Mestre R a segurou muito firmemente. “Shhh,” disse baixinho. Jessica invadiu a cena. A pequena loira foi direto para a área, disse algo ao Dom, e começou a desfazer as restrições da submissa. O homem, um tipo magro, parecendo um inglês, a empurrou para trás. Ela o empurrou de volta, gritando algo. E ele a agarrou. “Não.” Kim lutou contra os braços ao redor dela. “Pare. Agora!” Mestre R rosnou em sua orelha. Ela automaticamente obedeceu, então ficou horrorizada com sua idiotice. O que estou fazendo? Ela ficou mole. “Pensei que tínhamos lhe ensinado a não interferir,” o supervisor disse com voz sórdida. “Depois de uma cena, a menina não pensa muito claramente.” Mestre R acrescentou friamente, “Ela aprenderá.” “Sinto muito, Mestre,” ela sussurrou contra seu pescoço. Um pequeno beliscão em sua bunda lhe disse que ele não estava bravo. Um Dom robusto em um colete aparado em ouro se aproximou — provavelmente o monitor de calabouço. O Dom cruel fez uma careta, falando com ele. Jessica os ignorou ocupada tentando libertar a pequena submissa. Quando Mestre Z apareceu, todas as atividades naquela área pararam. Homem, ele era mais efetivo que uma sirene de polícia. Aliviada, Kim olhou ao redor. Mestre Sam tinha saído e estava quase perto da cena. O supervisor estudava a comoção com uma… Estranha... Expressão no rosto. Kim voltou. Nada muito diferente. O Dom que parecia um inglês apontava em Jessica. Sua cor escurecida, ela gritou de volta.

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Mestre Z cobriu sua boca. Um segundo depois, tirou a mão, e sua expressão voltou-se para granito. Ele se moveu, e Jessica aterrissou duro em seus joelhos. Com o punho em seu cabelo, ele cruelmente prendeu sua cabeça contra sua coxa. Oh menino. Ela realmente tinha mordido Mestre Z? Deus, ela estava em apuros. Mestre Z não olhou para baixo. O rosto ainda assustadoramente frio, ele falou com o empurrão de um Dom. O homem deu um passo atrás. “Parece que a situação está sob controle,” o supervisor disse. Quando olhou para Kim, ela fechou os olhos, enterrando o rosto contra o pescoço de Mestre R e ajustou tudo para fora, exceto a sensação de força a cercando. Respiração entra. Respiração sai. “Foi uma visita interessante,” o supervisor disse. “Especialmente ver seu escravo tão obediente. Realmente, Raoul, você teria um ótimo lucro, se a vendesse de volta para mim.” Mestre R riu ligeiramente. “Não vale o trabalho que levaria pra começar de novo.” Uma pausa, como se Dahmer quisesse continuar tentando; Então ele disse, “O treinamento é uma cadela, não é? Eu tenho feito alguns recentemente, já que ainda tenho um dos escravos que você conheceu. A ruiva não foi comprada. As escravas mais velhas não vendem bem, então só posso esperar que o treinamento a faça mais atraente.” Linda — indo ser leiloada? Oh Deus. Mas talvez fosse bom. Quando o FBI acabasse com eles, ela seria salva. “Não será possível se for ferida,” Mestre R disse. “Então a jovem foi vendida?” “Mais é uma pena.” Holly. Ele está falando sobre a doce e esperançosa Holly. Kim tentou se sentar, e os braços ao seu redor se contraíram até que teve dificuldades de respirar. “Oh?” Mestre R perguntou educadamente. “O que aconteceu com ela?” “Até onde eu sei, o dono idiota se empolgou ao ver sangue. Ele a espancou até a morte.” O supervisor deu um suspiro exasperado. “Fizemos um lucro, é claro, mas—” “Sim, isso é um desperdício.” Mestre R soou como se não se importasse nada, e Kim odiava. Lágrimas se derramaram sob suas pálpebras. Como ele conseguia ser tão frio?

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Ela lentamente percebeu que seus músculos sob e ao redor dela estavam rígidos. Ele estava segurando-se sob controle, segurando-a lá também. Sua raiva era quase palpável. “Até o leilão então,” o supervisor disse. “Eu terei uma área instalada para suas especificações.” Um baque soou quando ele colocou seu copo sobre a mesa. “Eu o chamarei um ou dois dias antes para lhe passar a data e a hora específica. Espero ansiosamente para ver os quão impressionados os compradores ficarão com sua cena.” Silêncio. Ela tentou ouvir se ele tinha se afastado, mas o quarto era muito barulhento. Então ela se manteve dura e quieta. Esperando. Um minuto depois, Mestre R a soltou, amaldiçoando longo e baixo de uma série em espanhol. Ela nunca o ouviu soar assim ou o visto tão furioso. Quando ela se moveu, ele parou, e a fúria desapareceu do seu rosto. “Gatita, eu sinto muito sobre sua amiga.” Ele enxugou as lágrimas escorrendo silenciosamente pelo seu rosto. O soltar de seu aperto liberou os soluços que tinham se empilhado dentro dela como uma tempestade. Oh Deus, Holly. Por favor, Deus, não Holly. Ela era tão jovem. Ela tinha contado histórias sobre as palhaçadas em seu dormitório na universidade. Sobre sua mãe, que viveu no Alasca. Ela tinha sido tão nostálgica e assustada; Ela chorava até dormir todas as noites. Como poderia estar morta? Kim tentou amaldiçoar como Mestre R, mas só conseguia chorar. Ela queria partir, e se esconder em algum lugar quieto, e ele não a deixaria ir. Raiva subiu nela, engolfando-a. Ele não tinha salvado Holly; Ele era um homem. Eu odeio você. Seus punhos picaram quando bateu nele, mais e mais duro. Ela sufocou com os nomes que o chamou. Quando ele amortizou seus gritos contra seu colete de couro, ela chorou um pouco mais. “Que diabos aconteceu?” Voz de homem. Kim tentou parar de chorar, calar a boca, e não conseguia. Mestre R não lhe disse para ficar quieta, simplesmente continuou segurando-a. “O bastardo nos disse que uma escrava foi chicoteada até a morte. As mulheres eram amigas.”

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Kim tremeu, dentro e fora. Ela sabia como um chicote se sentia o rasgar da pele, a agonia do corte. A quão assustada Holly deve ter ficado dor e mais dor. Melhor se tivesse sido eu. “Inferno.” O homem pausou. “Quer tirá-la daqui?” “Não. Não posso dirigir e segurá-la. Ela precisa se sentir segura agora.” O choro de Kim diminuiu para soluços, e ela se debruçou contra ele, exausta. “Cuidado, amigo. Você parece muito preocupado com uma escrava, e todo mundo nas proximidades ouviu você amaldiçoar.” A voz ficou baixa. “Não se esqueça de que ainda não sabemos quem selecionou nossos submissos para a Associação de Colheita. Ele não poderia estar aqui esta noite, mas…” “Uma boa lembrança,” Mestre R disse suavemente. “Obrigado, amigo. Eu esqueci.” Kim puxou um fôlego trêmulo em seus pulmões e se sentou. O gigante Dom barman foi carrancudo até eles, grossas sobrancelhas desenhadas juntas. Lançou a bolsa de brinquedos de Mestre e sua roupa em uma cadeira, então encontrou seu olhar. “De volta conosco, amor? Bom. Afaste seu mestre de deixar seu temperamento solto.” Sua convicção de que ela tinha esse poder foi como um trampolim longe de sua tristeza. Ela precisava ficar em seu caráter de escrava, e tinha que cuidar de seu Dom. “Sim, Senhor,” sussurrou. Enquanto enxugava seus olhos, viu claramente a ira de Mestre R. O grande Dom estava certo. Mestre R não estava mantendo seu rosto sob controle. “Mestre,” ela disse suavemente. “Devemos partir. Você colocará minha guia e conduzir… Assim eu posso segui-lo?” Ele olhou para baixo. Seus dedos eram infinitamente gentis quando tocou seu rosto. “Tesoro mío,” ele disse baixinho. “Sim, vamos voltar para casa.”

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“Você conseguiu meus bens de volta?” Christopher Greville falou educadamente em seu celular. Poderia até ser tarde para ligar, mas ele não conseguiria descansar sem saber se Dahmer tinha tido sucesso. Durante os últimos dias, ele veio a perceber que estava satisfeito que a boceta ainda estava viva. Desta forma, ele poderia lidar com ela por si mesmo — poderia lhe dar uma morte muito lenta e extremamente dolorosa. “Não, o dono não está interessado em vender.” Dahmer soou irritado. “Eu pensei que ele pularia em fazer um bom lucro.” Um chicote de ira o atingiu. A pulsação de Greville latejava dolorosamente em suas têmporas. Quem era esse fodido comprador? “Nesse caso, basta pegar minha mercadoria de volta, sequestre a cadela. Você é um perito nesse tipo de negócios.” “Eu irei. Mas só se eu puder ter sucesso sem causar qualquer… Chateação.” “Eu não dou uma maldição para—” “A administração reage mal à má publicidade.” Greville hesitou. No último mês, quando um comprador ingênuo tinha se apaixonado por sua escrava e tentou informar sobre a associação, a reação da Associação de Colheita tinha sido… Extrema. Removê-los teria sido adequado. Uma bala. Bem simples. Mas não. Ao invés, o comprador e a escrava tinham sido espalhados de braços abertos e contidos na cama, um em cima do outro; Então a casa tinha sido incendiada. Antes que os caminhões dos bombeiros chegassem, o bairro inteiro tinha ouvido seus gritos enquanto queimavam até a morte. Um caminho ruim a seguir. Ele tinha achado isso engraçado no momento, mas a advertência de Dahmer tinha sido… Talvez… Válida. “Faça o que puder.” “Eu irei. Se não conseguir levantar a mercadoria perfeitamente, tenho outra possibilidade a recorrer, se necessário. Seja paciente, por favor.” Paciente! Greville apunhalou o botão off enquanto a fúria cauterizava seus nervos. A necessidade de machucar algo era tão forte que a saboreava, mas forçou a si mesmo a

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permanecer em sua escrivaninha. Se começasse a chicotear a escrava no andar de baixo, não pararia até que estivesse morta. Desde que era um comprador Premium, a Associação de Colheita não o tinha obrigado a cumprir o prazo, quando tinha matado uma escrava, mas perder duas em um curto período de tempo, não seria sábio. Ele esperou até que sua raiva tinha morrido um pouco. O suficiente, talvez. Então se levantou e se dirigiu ao porão. Ele precisava machucá-la, ouvir seus gritos subirem para o desespero, mais agudo e estridente.

**** Sua gatita estava exausta. Depois de levá-la para casa, Raoul a enfiou na cama, e então vestiu roupas normais. Olhando para o sedoso cabelo preto cercando seu rosto pálido, ele sentiu as fundações pesadas de… Algo se instalar lentamente no lugar. Ele gostava dela. Demais. Com sua história — e com a dela — esse afeto só poderia ser um erro, tão tolo quanto construir uma ponte sem considerar o vento. Ele precisava se afastar enquanto ainda podia. Seus olhos se abriram. Ela olhou para o quarto, seu alívio por estar em casa óbvio. Ouvir sobre Holly tinha sido demais, como estirando fios de cobre após o ponto de ruptura. “Como se sente?” Perguntou, querendo tocá-la. Confortá-la. Entretanto não tinha acabado de dizer a si mesmo que precisava se afastar? Sandoval estúpido. Ela conseguia passar por suas defesas tão facilmente. “Ok.” Seu queixo subiu. “Eu estou bem.” Quando ela tentou parecer forte, mentir para ele com seu corpo e suas palavras, irritação raspou por seus nervos já crus. “Você sempre me diz a verdade, quando não está se sentindo bem?”

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“Eu—” Suas sobrancelhas se juntaram assim como os braços embrulhados ao redor da cintura, confortando-se, como se não acreditasse em que ele pudesse fazer um bom trabalho. “Eu acho que me conheço.” “Por que não confia em mim o suficiente para ser honesta?” Ele ajustou sua mandíbula, sabendo — conhecendo que nenhum deles estava pensando claramente — mas depois do que tinham compartilhado tê-la mentindo para ele, era como uma punhalada nas costas. Quando sua boca se firmou, preparou a si mesmo para outra mentira. Talvez fosse bom; Ele teria uma desculpa para deixá-la lá com sua desonestidade, sua incapacidade de ser a submissa que ele queria que ela fosse — sua incapacidade de se aceitar, ainda que ela fosse. Esta era a forma para ele se afastar antes que os dois se machucassem. Ele começou a se virar— “Eu — eu sinto muito.” Seus dedos empurraram o cobertor em dobras, endireitandoo novamente. “Minha mãe não fez — meu pai era cruel, zombava dela sempre que reclamava — assim ela parou. E eu aprendi—” Ela mordeu o lábio e olhou para as cobertas. Dobrando. Endireitando. “Não quero mentir pra você. Só escapou.” Dios. Raoul avançou, mesmo quando seu cérebro lhe dizia para sair. Para se afastar antes que tivesse mais cabos os ligando que ele não conseguisse escapar. “Kimberly…” “Eu não estou bem, Mestre. Em tudo.” Ela olhou para cima, finalmente, e seus olhos nadavam em lágrimas. “Estou com medo de ficar sozinha. Só que vou chorar mais um pouco, e não queria que você tivesse que…” “Tivesse que ficar todo molhado?” Nada no mundo poderia tê-lo impedido de sentar na cama e puxá-la em seus braços. “Sumisita — chore. Eu vou te segurar.” Seus ombros já estavam tremendo. Tão frágil para aguentar o que tinha passado, e agora luto para adicionar a mistura. Seu próprio coração doía quando se lembrava da jovem vítima, Holly. Se ele já conseguisse a oportunidade de lutar contra os traficantes de escravos,

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alguns deles morreriam. Mas, no momento, seu encargo era ser o suporte e conforto de uma pequena sub. Ela chorou por muito tempo, tempo suficiente para encharcar sua camiseta, e tão violentamente em alguns momentos que começou a engasgar, e ele a agitou fora disso. Quando seu choro finalmente se acalmou e só um tremor ocasional percorria seu corpo, os braços de Raoul ainda estavam embrulhados firmemente ao redor dela. A tensão estava saindo de seus músculos; O horror havia desaparecido de seus olhos. “Tudo bem?” “Estou be—” Ela sufocou com uma risada e emendado, “eu estou melhor. Obrigado.” “Bom.” Ele inclinou sua cabeça para cima e a beijou, saboreando o sal de suas lágrimas, a doçura de seus lábios. Ela amoleceu sob seu cuidadoso assalto, então o beijou de volta, como se precisasse da distração — afirmação da vida — tanto quanto ele fez. Ele a deslizou de seu colo deitou-a contra os travesseiros, e tomou sua boca de novo. Seus dedos se emaranhando levemente em seu cabelo, firme o suficiente para lembrá-la que ele ainda não era áspero o suficiente para ressuscitar memórias ruins. Ele tinha aprendido como andar na corda bamba nas últimas semanas. Quando endureceu, ele aprofundou o beijo. Ela não vestia nada. A convicção de que o corpo de uma submissa deve estar acessível ao seu mestre, reverberou através dele. Por esta noite pelo menos, ele aceitaria seu papel. Ele deslizou o dedo sobre a cicatriz em suas costelas, então para cima. Seu seio se ajustou em sua palma, luxuriante e macio. Ele se afastou o suficiente para vê-la. Não podia confiar nela para lhe dizer se tivesse medo ou repulsão, e ele não era um leitor de mente como Z. Mas quando estudasse seu rosto, as mudanças dos músculos e as mãos, ele descobriria se ela estava com medo — ou excitada. Hoje à noite, tudo que viu falou de desejo: Os lábios e mamilos avermelhados, o rubor em suas bochechas, o puxão em seu fôlego quando envolveu seu seio. Sua gatita tinha mamilos sensíveis, não excessivamente sensíveis, mas doces zonas erógenas. Lambeu um círculo ao redor de um, e então soprou sobre ele, sorrindo quando arrepiou.

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“Do que você está rindo?” Ela perguntou seu olhar em seu rosto tão suave quanto sua mão em seu cabelo. “Os seios das mulheres são fascinantes. A forma como balançam e se movem. Como seus mamilos entumecem como se tivessem mente própria.” Ela revirou os olhos, então ofegou quando comprimiu o mamilo negligenciado em ação. “Claro, os homens têm suas próprias partes, agindo independentemente.” Ele apertou seu pau duro contra sua coxa. Ela iluminou seu coração com uma pequena risadinha silenciosa e o roubou completamente quando colocou a mão em seu rosto e perguntou, “Por que você consegue me fazer sorrir, até quando estou nua e um pouco assustada?” Ela puxou a camisa encharcada de lágrimas de sua pele. “Parece que tudo que consegue de mim são estas roupas molhadas.” Ele a soltou só o tempo suficiente para puxar a camisa pela cabeça e lançá-la de lado, então tirou as calças. Ele colocou a mão atrás em seu ombro. “Toque-me, cariño.” Sua palma suave deslizou por seu peito, então pausou quando ele empurrou as pernas separadas. “Olhe para mim.” Ele tinha sido cuidadoso para evitar a posição missionária, nunca querendo fazê-la se sentir presa ou contida por seu tamanho ou corpo. Esta noite — esta noite, com suas emoções ainda altas e o laço de sua cena forte entre eles, ele a empurraria ainda mais e tentaria substituir as memórias sórdidas com outras mais brilhantes. Ele moveu o corpo sobre o seu, ficando equilibrado acima dela, mas não colocando nenhum peso nela. Medo arregalou seus olhos. A mão achatou contra seu peito para afastá-lo. “Olhe para mim, sumisita mía,” ele repetiu suavemente. Seu olhar encontrou o dele, e a tensão deslizou de seu corpo. “Mestre R,” ela sussurrou, confirmando o que sua visão lhe dizia. “Sim.” Ele sorriu e mordeu seu queixo, apreciando o suspiro doce. “Quero sua mão em meu pau. Toque-me, gatita.”

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Ainda segurando seus olhos, ele tomou sua mão e colocou sobre ele. Na sensação de seus pequenos dedos se enrolando ao seu redor, seu pênis surgiu ainda mais cheio de sangue. “Você tem um toque suave. Golpeie-me,” ele dirigiu. Não desviando o olhar, ela moveu seu aperto para cima e deixou os dedos em cima de seu piercing. Seu polegar meneou a parte inferior. A sensação foi tão arrojada, que seus olhos se fecharam por um momento enquanto lutava com si mesmo. Esta, a única mulher que precisava de seu autocontrole a mais, foi à pessoa que o tinha desafiado mais que qualquer outra. Puxando sua atenção do deslizamento dos dedos ao redor dele, equilibrou-se em um braço e os joelhos e passou a mão entre suas coxas. Nenhum peso sobre ela ainda — só seu tamanho pairando acima dela era suficiente no momento. Ele sorriu quando seus dedos tocaram sua boceta. Por ela se manter barbeada e nua para ele, sem ter que ordená-lo, foi uma delícia. Sua voz saiu baixa e irregular. “Você está molhada para mim, gatita.” Suas bochechas de oliva escureceram com um rubor, o suficiente para olhos agudos notar. Apesar da maciez, seu clitóris ainda estava escondido em seu capuz, e ele considerou provocá-la com um brinquedo, então, sabia que não se moveria desse lugar. Esta noite era somente para seus corpos, sem laços ou algemas, sem brinquedos. Claro, a falta de ferramentas não significava que não poderia entrar em uma pequena escravidão mental. “Abra suas pernas mais distantes,” ele disse. Kim olhou para Mestre R, um calafrio a percorrendo. Ele era tão grande, poderia facilmente machucá-la. E agora— “Devo me repetir?” Ele perguntou sua voz baixando para uma leve ameaça. Seus olhos estavam escuros, marrom escuro. Seus joelhos se separaram mais, suas dobras se separando, expondo-a. Ele sorriu e girou o dedo ao redor da abertura, espalhando a umidade. Tão molhada. Ela estremeceu

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quando ele abaixou a cabeça, levando um mamilo em sua boca, assim como seu toque afiado mais perto de seu clitóris. Precisava de mais. Seus quadris se moveram para cima ligeiramente. Sua cabeça se ergueu. Ele a estudou por um longo momento. “Não, você só consegue o que escolho dar a você. Eu não a amarrarei esta noite, sumisita mía, mas você colocará sua mão esquerda assim…” Ele firmemente enrolou seus dedos ao redor de um dos redemoinhos de metal na cabeceira. “Suas pernas ficam abertas — não importa o que eu faça.” Ele sorriu em seus olhos. “Sua outra mão pode continuar a me agradar até que eu diga o contrário.” O pulso dela disparou. “Você entende?” A boca seca, ela concordou com a cabeça. “Kimberly?” “Sim, Senhor.” Ele balançou com a cabeça não. Sua voz ficou cascuda. “Sim, Mestre.” “Muito melhor.” Ele a recompensou com um beijo lento, um exigente. Quando sua língua tomou posse, ela só conseguia pensar na última vez em que seu pau se empurrou dentro dela, enchendo-a completamente. Ele abandonou sua boca e avançou para baixo do seu corpo. Uma pequena mordida no mamilo fragmentou sua mente. Um beliscão leve em seu clitóris a fez suspirar. Ambas as dores, tão semelhantes, enviaram necessidade fluindo como uma correnteza entre os dois pontos. Ela ainda estava tenra de suas atenções durante a cena, e seus dedos eram ligeiramente abrasivos… E só a empurravam mais alto. Manter o braço acima da cabeça, ela disse a si mesma. Pernas abertas. Seus quadris — o meneio que escapou foi recompensado com um beliscão forte no lado inferior de seu peito e a fez suspirar, aumentando a sensação de estar lavada em necessidade. O dedo pressionou em sua entrada, um pequeno estiramento, então deslizou sobre seu clitóris, repetindo os movimentos. Seus lábios incharam e latejaram. O clitóris se apertou. Cada vez se tornando mais intenso. A sugestão de provocação de seu dedo em sua vagina a

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fazendo se lembrar de ser preenchida completamente, fazendo sua necessidade… Ela meneou novamente. Ele ergueu a cabeça e lhe deu aquele olhar inflexível de Dom que derreteu seu interior em uma poça. Um canto de sua boca aumentou. “Está tendo problemas, gatita?” Seu olhar devia ter queimado seus cílios para cinza curto. “Você já acabou de me foder?” Sua risada escura e sexy explodiu tão contagiante que ela não conseguiu deter uma risadinha de volta. Depois de se puxar de seu aperto, ele abaixou seus quadris. Seu pênis pressionando em sua boceta aberta; Sua pélvis tocou a dela; Seu peito tocou em seus seios. O medo bateu nela como alguém que tivesse quebrado uma porta, empurrando todo o— “Olhe para mim, Kimberly,” ele disse cruelmente. Ela percebeu que seus olhos se fecharam. Abriu e encontrou seu olhar indomável. “Mantenha os olhos abertos e nos meus. E ambas as mãos na cabeceira.” Ela percebeu que o estava empurrando. Oh. Ela ergueu o braço e agarrou outro ferro na cabeceira. A posição arqueando seus seios para cima e esfregando seus mamilos no cabelo em seu peito, fazendo os dedões dos pés se enrolarem com a sensação. Ele posicionou seu pênis e se apertou dentro dela, o piercing perfurando como um dedo cego dentro e na frente de sua vagina, a sensação tão intensa que sua visão nublou. “Abra. Seus. Olhos.” Oh Deus. Ele segurou seu olhar enquanto deslizava, estirando-a, cada polegada colocando novos nervos em um clamor de necessidade. Seus quadris deram o mais leve menear. “Se você se mover novamente”—seu sussurro fez a ameaça até mais potente— “eu a prenderei e a deixarei sozinha para sofrer.” “Desculpe. Eu estou tentando. Mestreeee.” O lamento a horrorizou e o fez sorrir. Afogue ele.

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“Então você está.” Ele pausou para lamber seus mamilos, então esfregou seu peito contra sua lateral, a sensação abrasiva em seus cumes molhados e duros hipnotizantes. Ele segurou seus quadris quietos, movendo apenas seu torso superior, e seu interior pulsou com a necessidade de mais. Ela queria se esfregar contra ele, por toda parte, empurrar os quadris para cima e… Não se mova. Ela forçou seus músculos a relaxar, a quietude, mesmo quando tudo queimava, exigindo ação. A necessidade de manter uma parte de sua mente separada para comandar seu corpo a distraiu, aumentando sua excitação. Seu clitóris se sentia do tamanho de seu punho, gritando para ele o tocar. Ele a olhou, então sorriu, aliviando fora dela lentamente. A bola de metal se esfregando contra algo sensível dentro dela com uma pressão primorosa, quase dolorosa. Um empurrão lento de volta, e um tremor a percorreu. Não se mova, não se mova. Oh Deus, eu vou morrer. “Oh, por favor.” “Por favor, é uma palavra boa,” ele disse agradavelmente. E empurrou novamente, mais rápido — só um pouco mais rápido, sua atenção nos olhos dela, então chamejou acima de seu rosto, braços e mãos. Mais, mais, mais. Ela queria erguer os quadris, fazê-lo ir mais fundo, mais rápido. “Fale comigo, gatita. Você precisa trabalhar em comunicar suas emoções, e este é um bom lugar pra começar.” Ele deslizou fora, balançando seus quadris de forma que a bola maldita se esfregasse em algo dentro dela, e as ondas de sua estimulação se transformaram em um surf pesado. Fervendo e batendo. “Mais duro. Mais. Deus…” O flash de seu sorriso fez seu coração pular, e então ele bateu nela. Oh dureza maravilhosa. “Mais, mais, mais.” Ele riu. “Muito expressivo.” Mas ele concordou, martelando dentro dela, e ela sabia que em algum lugar deveria ser assustador, só que estava tão, tão perto que o ritmo da direção

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só a empurrava para lá. Para cima. Sua grande mão deslizou sob sua bunda para erguê-la, assim cada retirada esfregava sua pélvis sobre seu clitóris. “Oh, oh—” Sua respiração parou. Mais, por favor, mais. Seu pau bateu, penetrou fundo dentro dela e raspou aquele maldito piercing sobre o ponto G, e sua virilha esfregou seu clitóris. Ele era tão grande, e tudo que ela sentiu, tudo que ele fez se expandiu em pura sensação, e uma carga profunda de prazer explodiu, brilhante e quente, as ondas ardentes se expandindo em todos os lugares. Ela ofegou pelo fôlego em outro golpe de onda intensa. Faíscas dançavam na frente de seus olhos. Seus dedos das mãos e pés formigavam. Rindo ligeiramente, ele se esfregou em seu pescoço e se empurrou dentro dela, profundo, profundo, duro, e sua ereção engrossou, então estava empurrando dentro dela. Ele estava sobre ela, cercando-a, enchendo-a, seu calor, sua respiração, seu cheiro, afogando-a nele. Seu coração virou. “Deus, eu te amo.” Silêncio. Oh, um silêncio ruim, crescendo pior quanto mais o tempo passou. Ele ergueu a cabeça, e a expressão lânguida de saciedade desapareceu com sua preocupação. Apoiando-se em um braço, deixando seus quadris a alfinetando, ele empurrou o cabelo de seu rosto úmido. “Isto não é… Sábio, gatita.” Ele suspirou, acariciando sua bochecha com um dedo. Não se evadindo de seus olhos, não tentando fingir que não ouviu — não Mestre R. “Por que não?” Ela sussurrou, mesmo sabendo a resposta. Algumas delas. “Você não está… Curada, não está pronta para conhecer seu coração.” Seu sorriso fugaz não se refletiu em seus olhos. “Seria errado de minha parte permitir isso.” Poderia o mestre comandar seu coração? Mas ele não a queria. Ela o ouviu dizer claramente. Como seu corpo podia queimar com satisfação mesmo quando suas emoções estavam desaparecendo em um buraco de escuridão? Deu um breve sorriso. “Tudo bem. Foi apenas o calor do momento, sabe.”

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“Claro.” Ele beijou seus lábios suavemente, então rolou ambos, sua mão curvada sobre seu bumbum mantendo-os juntos, com ele ainda dentro dela. Ele a deitou em cima dele, guiando sua cabeça para a curva de seu ombro. “Durma. Discutiremos isso pela manhã.” Não. Não, eu não acredito que vamos. Sua pele estava quente e úmida sob sua bochecha, e ela inalou a fragrância dele e de sexo. Ela tinha sobrevivido ao sequestro e escravidão e a perda de amigos. Ela sobreviveria a isso também — mas dane-se se ela falaria sobre isso.

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Capítulo Onze “Eu te amo.” Lembrando-se da declaração suave de Kimberly, Raoul tinha abandonado o café e saiu para olhar a água. O ar matutino arrepiou seu cabelo, mas não lhe trouxe qualquer claridade de pensamento. Como ele podia ter deixado que ela se envolvesse emocionalmente com ele? Isso não era — ela não deveria amá-lo. Dios, ela deveria estar correndo em outra direção. Só que ele sabia melhor. Ela era dura, valente e resistente. Ele tinha conhecido mulheres que reagiram com histeria a um bater e curvar. Seu pai a tinha ensinado a ser tão duradoura? Ou sua mãe? Kimberly tinha vivido com um exemplo de como sobreviver ao abuso? Ele esfregou a mão em sua boca. Ela estava confundindo dependência emocional e necessidade de carinho. Como deveria lidar com isso? Cuidadosamente, Sandoval. Como andar em uma viga sem a linha de segurança. O problema era que ele se importava com ela, e não tinha nenhuma desculpa de que foi maltratado. Não, seu erro foi tê-la deixado em sua casa, sua vida. Seu coração. Ele tinha crescido tão aficionado por ela, que tinha dificuldades de imaginar sua casa sem sua presença borbulhante. Não faça isso, Sandoval. Ela partiria assim que o leilão terminasse, e de acordo com o supervisor, isso poderia acontecer em mais ou menos uma semana. A realidade era como um tiro no intestino de um rebite de aço. Ele perderia seus banhos. Os treinamentos na sala de musculação. As lutas quando a ensinava a incapacitar e mutilar, e a luz profana em seus olhos quando dominava uma técnica. As noites assistindo televisão, discutindo sobre filmes. Suas respostas malcriadas, e como ela tentava esconder seu prazer em servi-lo.

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A forma como amolecia em suas mãos quando a beijava. Ele sentiu-se endurecer. Bom trabalho, Sandoval. Bem, ele veria através disso. E tentaria afastar a ambos da estupidez. Quando se virou para voltar, ele se perguntou se ela aceitaria ficar com ele quando tudo isso terminasse. Não. Ela verdadeiramente era submissa, mas tinha deixado claro, repetidas vezes, que não queria viver o estilo de vida. E que precisava se curar. Uma vez que sua cabeça estivesse em linha reta, não queria ter um mestre. Não agora, provavelmente nunca. Ainda que milagres acontecessem, ele não estava pronto para um relacionamento também. Era muito cedo. E dessa vez, não se contentaria com nada menos do que uma relação Dominante/submissa de tempo integral, com alguém que quisesse isso tanto quanto ele. Acima das ondas, uma gaivota deu um grito longo quando outra lhe roubou seu peixe. Ele se dirigiu para casa. Precisava de uma enorme quantidade de cafeína para descobrir um jeito de se puxar de volta antes que se machucasse ainda mais. Kim franziu a testa para luz do sol na janela da sacada, então olhou o relógio na mesa de cabeceira. Meio-dia? Não era de admirar que Mestre R já havia se levantado. O espaço vazio ao seu lado na cama enviou uma pontada através dela. Tinha aprendido a gostar de acordar com o corpo sólido de Mestre R ao seu lado, ou dele acordá-la como tinha feito quase todas as manhãs desde que fizeram sexo real. Suas mãos acariciavam seus seios, e seu pênis se introduzia entre suas pernas por trás. Ele a segurava no lugar, suavemente, firmemente, e se empurrava dentro dela. Ela acordava meio grogue, mas quando seus dedos inteligentes deslizavam sobre seu clitóris, ia direto a bordo do sexo matutino. Quem diria que podia ser tão divertido? Não esta manhã. Ela suspirou e saiu da cama, Mas ontem à noite, ela tinha dito que o amava, e ele não parecia exatamente emocionado ao saber que ela se importava.

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Com uma careta, entrou no chuveiro, faltando sua presença lá também. O arreliar, o riso. Na manhã que ele não a tomava na cama, o fazia alguns minutos depois. Seus lábios se curvaram. Lembrando-se do dia em que lhe disse que não estava interessada em sexo no chuveiro. “Hoje não.” Deus, portanto, não a coisa para dizer a um Dom. “Realmente,” ele disse com aquele divertido — duro — olhar em seus olhos. “Será que uma submissa tem essa escolha?” Antes que percebesse o quanto estava em apuros, ele a agarrou pela cintura saiu do chuveiro, e a deitou no balcão frio. Pendurou as pernas em seus ombros, colocou a boca em sua boceta, e a forçou a ter um orgasmo, esperou um segundo, então fez isso de novo. Ela estava atordoada quando ele a puxou de volta para o chuveiro. E então, sendo o Dom que ele era firmemente a curvou e a levou por trás. Duro. Por que ela saiu do controle? Ensaboou seu corpo, bufando na forma em que os mamilos estavam endurecidos. Sim, só de pensar nele fazia isso com ela. Mas ele não quer meu amor. Ele estaria certo sobre ela? Será que estaria imaginando amor, quando na verdade só precisava dele? Talvez. Ela se secou. Não se sentia carente. Bem, talvez um pouco. Um par de jeans, roupa íntima, e um top estavam colocados na barra de toalhas. Aparentemente Mestre R tinha decidido que ela poderia vestir roupas hoje. Sua mão hesitou sobre a roupa. Hoje — ou todos os dias agora? Seu trabalho foi feito, não foi? A charada inteira tinha sido para que Sam conseguisse se introduzir durante a visita de acompanhamento do supervisor. Ainda que Sam tenha falhado e Mestre R tenha que participar do leilão, ele usará uma agente do FBI como sua submissa. Não eu. Seu alívio foi equilibrado pela visão feia de Mestre R com outra mulher. Ele espancaria a submissa? A Faria gozar? É claro que ele faria. A inundação de ciúme absoluto a deixou chocada. Deus, eu preciso sair daqui.

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Quando ela entrou na cozinha alguns minutos mais tarde, Mestre R estava sentado em um tamborete de bar na ilha, jornais e café diante dele. Ela começou a falar, então viu o telefone que segurava na orelha. “Isso mesmo,” ele estava dizendo. “Sam disse que Dahmer o chamou há alguns minutos atrás. Sua verificação de fundos passou, e ele deve receber um convite para o leilão em algum momento desta semana.” Isso significava que o trabalho estava feito. Kim se abraçou, tentando processar suas emoções. Depois de seu primeiro mergulho, ela se arrastou pelo barco, arrancou o tanque de ar pesado, e soltou o cinto com vinte quilos de pesos. Ela tinha se sentido como se pudesse flutuar. Muito como agora. Minha parte está terminada. Mestre R escutou e então sorriu. “Sim, ele fez um show e tanto. Teve um dos melhores gritadores.” Ele olhou para ela, seus olhos sombreados, mas aprovando. “Kimberly fez seu trabalho perfeitamente.” Um brilho faiscou para a vida e foi apagado com suas próximas palavras. “Desde que Sam foi aceito, eu acredito que ela deveria voltar para a casa de Gabi.” Kim o olhou. Um bofetão no rosto não teria machucado tanto. O que fez de errado? “Não, ela não fez nada errado. Mas mantê-la em uma relação de Mestre/escravo, enquanto se recupera de seu sequestro seria insensato. Ela está ficando dependente de mim, Kouros.” Ele encontrou seus olhos diretamente, não tentando esconder nada. A raiva começou a superar a dor. Sim, ela poderia odiá-lo. “Não, ela não precisa ficar aqui. Seu trabalho está terminado. Ainda que o convite de Sam falhasse, eu usaria uma de suas pessoas para a apresentação, não Kimberly. Eu nunca a levaria a um leilão de escravos. Já discutimos isso.” Seus olhos ficaram frios. “Mande-a para Gabi. Ela já fez o suficiente.” Bom saber. Tentando não fazer cara feia, Kim serviu-se de café. Mestre R endireitou-se de repente. “Quando foi isso?”

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A agudez em sua voz fez Kim saltar, e ela sibilou quando o café escaldou seus dedos. Ela colocou a xícara na mesa apressadamente, sacudindo a mão. Ai. “Kimberly!” Mestre R apontou a torneira. Ela hesitou. Mas eu quero ouvir. Desmoronando, ela correu a água fria sobre os dedos avermelhados. Acima do barulho da água, ela o ouviu dizer, “Estou te colocando no viva voz. Ela tem o direito de saber.” Ele fixou o telefone na ilha. Saber o que? “Você é um teimoso bastardo, Sandoval,” veio à voz sonora do homem com o alargar do som de alguém do Maine. “Senhorita Moore, eu estava dizendo a seu mestre por que eu não quero que você retorne a casa de Gabi.” Ela tragou. Eu não conheço este homem. “Por quê?” “Eu não sei se Raoul já lhe disse, mas plantamos dispositivos de vigilância em volta do bairro. Uma precaução simples para mantê-la segura.” Seu queixo caiu, e ela olhou as paredes. O que eles tinham visto? “Não, gatita,” Mestre R disse. “Eles estão só fora — na frente e lados da casa, e um no pátio que aponta em direção à praia.” O agente do FBI bufou. “Ele não permitiria qualquer outra coisa. Temos visto algumas pessoas observando a casa desde que Raoul a comprou. Muito casual. Mas hoje cedo, um investigador particular veio e tirou fotos.” Kim embrulhou os braços ao seu redor, um frio a percorrendo. O mundo exterior não era seguro. Ela já sabia disso. “Com a vigilância anterior que fizeram, eles sabem que você passa muito tempo fora. Se você de repente desaparecer, mas Raoul ainda continuar na casa, eles vão se perguntar por que.” Vigiando a casa. Gelo rastejou por sua espinha. “E se tentarem me levar de volta?” Deus, isso foi estúpido. Eles não a roubariam de seu próprio comprador.

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“Sequestrar uma escrava que já foi vendida não seria bom para os negócios.” O agente do FBI pausou. “Se ajudar suas preocupações, entretanto, o bairro está bem policiado e tem um relógio de bairro. Raoul tem um inferno de um sistema de segurança em ambos, a casa e os terrenos, muito melhor que os na casa de Marcus. Ninguém em seu juízo perfeito tentaria roubá-lo.” Mestre R lhe deu um pequeno sorriso e sussurrou, “Eu cresci nas ruas, lembra?” Hum. Ela o viu fazendo as rondas antes de dormir, verificando coisas, e não se preocupou em perguntar por quê. Então estava segura aqui. Mas ficar? Mestre R ficou em silêncio, obviamente, lhe dando a escolha. Eu odeio tomar decisões. Ela queria ir para Gabi… Mas ainda que ele não gostasse dela, ela queria ficar com ele. Com um esforço, empurrou sua bagagem pessoal de lado. Seus desejos eram irrelevantes. Não importava o que sentia, ela não deveria fazer nada para causar suspeitas e estragar a investigação. “Acho que ficarei aqui por mais alguns dias.” “Obrigado, Senhorita Moore. Espero ansiosamente conhecê-la ainda esta semana.” Com uma maldição baixa, Mestre R fechou o telefone; Então seus olhos se estreitaram nela. “Você ficará bem com isso?” Eu nunca poderei ficar bem de novo. “Claro.” Ela estremeceu quando suas sobrancelhas se juntaram. Dizer a verdade completa, seguramente sugava às vezes. “Certo, é difícil, estar tão instável. Quero ir para casa e continuar minha vida. Ver minha mãe.” Ficar com você. Correr de você. Amar você. “Claro.” Ele tomou um gole de café, e o liberar de seu intenso olhar era como escapar de uma correnteza. “Você deve sentir muita falta de sua mamá.” Sua voz tinha uma riqueza de compreensão, e a ternura com que disse “mamá” lhe disse muito. E ficou mais inexplicado. Ela franziu o cenho. “Eu pensei que sua família vivesse em Tampa. Você lhes disse para não visitá-lo?” Sua boca apertou. “Nós não nos... Falamos.” “Como assim?”

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“Eles não aprovam meu estilo de vida BDSM. Nada. Quando descobriram… Provavelmente teriam reagido melhor se eu tivesse sido gay.” Ele esfregou o rosto. Ele poderia ter pensado que sua expressão era ilegível, mas não era. Ser alienado de sua família o machucava. “Sinto muito.” Ele era tão amoroso. Por sua família tê-lo afastado deve ter sido terrível. “Não é seu problema, gatita.” “Suponho que não.” Ela olhou o café em sua xícara, fazendo com que o líquido fizesse redemoinho de círculos pretos. Como minha vida. Ele tinha dito que não deveria estar em uma relação Mestre/escravo, que se tornaria dependente dele. Talvez estivesse certo. “Mestre R?” Ele inclinou a cabeça. “Sim?” “Podemos viver juntos como… Como amigos? Sem mais essa coisa de mestre — sumisita?” Sua carranca se limpou. “Podemos. É um bom plano.” Bateu os dedos em seus documentos, e então olhou para ela novamente. “Você pode ficar no quarto de hóspedes como antes.” Não mais ser envolvida em seus braços à noite? A cozinha pareceu escurecer. “Certo. Vou remover minhas coisas.” Seus joelhos seguraram perfeitamente toda a distância até o quarto de Mestre — não, de Raoul. Ela empacotou a roupa que Gabi tinha lhe dado e deixou a fantasia de empregada francesa no armário para que ele devolvesse a Z. Depois de lançar tudo na cama do quarto de hóspedes, voltou para pegar seus artigos de toalete. Ela desviou os olhos do chuveiro, se recusando a lembrar de como suas mãos grandes se sentiam movendo o sabão sobre seu corpo. Quente e firme. Não. Mais uma semana; E então estava acabado. Ela iria para casa e… O que? Aparte de querer ver sua mãe, ela nunca tinha pensado sobre depois disso.

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Seus joelhos ficaram fracos, e ela se apoiou no balcão, olhando pra si mesma no espelho. Eu deveria querer ir para casa. E retomar minha vida novamente. Seus amigos ficariam jubilosos com seu retorno. Sua posição no laboratório marinho tinha sido preenchida? Provavelmente não — a administração se movia lentamente. Ela iria vê-los primeiro e… Um calafrio a percorreu. E se ela saísse do escritório ou de sua casa e… Eles a levassem novamente? Eu tenho que voltar ao trabalho. Não tenho escolha. Ela administraria. Ela sempre fez. Mas ficaria longe de Tampa. Como poderia ficar todos os dias sem Mestre R neles? Suas mãos cerraram. Ficando um pouco dependente, mocinha? Ou um pouco apaixonada? Seu interior era tão cínico e sarcástico que se fosse uma pessoa, ela teria esbofeteado seu rosto. Porque a resposta para ambas às perguntas era sim. Ele… Tinha levantado seu coração. Ela queria cuidar dele, colocar aquele sorriso especial no rosto, e estaria lá para ele da mesma forma que ele tinha estado aqui para ela. E por que não? Ele, obviamente, gostava dela. Ele fez. Só… Que ele não tinha exatamente dito “eu te amo” de volta para ela. Ainda que o fizesse, eles tinham metas diferentes. Ele era um mestre, e, eventualmente, iria querer um escravo real, não um fingido. Frio vazou como uma névoa fria da manhã em seus ossos. Eu não sou uma escrava. Essa não era a relação que tinha sonhado — ajoelhar-se aos pés de um homem, receber suas ordens, servi-lo. Ela puxou uma respiração estremecida. Eu não pertenço aqui. Não realmente. Ela precisava não ansiar por algo que nunca funcionaria. Eles seriam amigos como ela disse. Depois que terminou de levar suas coisas, voltou ao andar de baixo. Mestre R — Raoul, porra — ainda estava na cozinha, fazendo notas em um bloco jurídico. Por que ele tinha que ser tão... Tão maravilhoso? Ombros largos, mãos fortes, mandíbula dura. Por que a vida não era justa?

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Ele olhou

para cima, e seu sorriso desapareceu para uma

eu-posso-ver-

completamente-os-seus-segredos pela expressão em seu rosto. “Gatita, o que está errado?” Ela encolheu os ombros. “Sobra de nervos, eu acho.” Esfregou uma sujeira no chão com seu sapato e perguntou casualmente, “Temos algum plano para esta semana?” “Só um. Mantê-la segura até que vá para casa.” Ir para casa. O quão estranho era ele mencionar depois de ter pensado sobre isso. Ir para casa para o quê? “Para hoje, pensei que poderíamos celebrar por sobrevivermos nossa noite com o supervisor. Eu mantenho um veleiro em uma Marina aqui perto, e podemos fazer um piquenique.” Na água novamente e estar com Mestre R? Existia coisa melhor? “Oh, sim. Por favor.” “Bom o suficiente. Depois de me mudar, nós sairemos. Enquanto isso, você poderia pegar minha bolsa de brinquedos no carro?” Ele jogou as chaves para ela. “Não gosto de dirigir ao redor com ela… Em caso de acidente ou polícia. O carro está estacionado na frente.” Ela conseguiu abafar o sim, Mestre e disse, “Claro, eu a pegarei.” Por que não tinha estacionado na garagem ontem à noite? Porque teve que levá-la para cima. Duh. E a garagem estava no lado oposto da casa. Enquanto ela cruzava a sala grande, Mestre R começou a subir a escada. Ela parou. Espere. Ir lá fora? Sozinha? “Um. Eu... Eu não estou certa se sei como é sua bolsa.” Seu peito se sentia como se alguém estivesse amarrando cordas ao redor de suas costelas e continuava puxando-as mais apertadas. Ele encostou um quadril contra o corrimão. “É a única bolsa no carro.” “Mas—” “Consiga a bolsa, gatita.” Ela não se moveu. Seus olhos se estreitaram, e então ele voltou a descer os degraus. Ela relaxou. “Você vai me escoltar até o carro?”

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“Não, acho que não.” Sua mão se fechou ao redor de seu braço. Ele a levou para frente e a empurrou porta a fora. Ela ficou parada, atordoada por suas ações. Virou e olhou o percurso curvado. Ela podia ver a rua — a rua onde alguém poderia estar esperando. Onde alguém poderia matá-la, e machucá-la, e engaiolá-la. “Não!” Não, não, não. Ela girou ao redor e lavrou em um corpo imóvel. Ele bloqueou a entrada, a luz o emoldurando, um anjo escuro. “Kimberly.” “Não. Não, eu não irei.” Ela estava tremendo tão violentamente que os joelhos fraquejaram. Seus braços se fecharam ao redor dela, e ele a segurou firmemente. “Tome uma respiração lenta, gatita. Agora.” Ela estava fria, tão fria. Era por isso que estava tremendo. Seus dedos até ficaram entorpecidos. “Outra respiração. Deixe sair lentamente.” Ele a fez tomar algumas mais. Seu coração desacelerou. E ela percebeu que tinha acabado de ter outro ataque de pânico maldito por qualquer razão. “Agora olhe para mim.” A ordem não podia ser recusada. Ela ergueu o olhar para seus olhos castanhos escuros intensos. Sua expressão parecia estranha. Preocupação e raiva e… Piedade? Como diabos ele ousa ter pena de mim? Ela se endireitou em seus braços e deu um passo terrível longe. “Estou estressada de ontem. Desculpe.” “Então talvez você devesse tentar novamente?” Não! Mas ele segurou sua mão, e ela deixou seus dedos nos dele. Ele caminhou para o carro, e ela estava bem. Sim, ela estava boa. Ele soltou sua mão. “Fique aqui por um momento, gatita.”

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Quando ele seguiu em direção a casa, de alguma forma ela estava ao lado dele, tão perto que quase rastejava em suas roupas. “Hmm.” Sem falar mais, ele a levou pela casa, na parte de trás sobre o pátio. Ele parou perto da piscina, observando-a atentamente. Ela embrulhou os braços ao seu redor, tentando compreender por que ainda estava tremendo e por que não conseguia ir lá para fora. Ela já tinha ido para fora antes. Ele apontou para a bola de praia no outro lado da piscina. “Traga-me isso.” Sem problema. Ela só tinha ido a meio caminho quando ele a chamou de volta. “Você está com medo de estar do lado de fora — na rua — sozinha?” “Eu-eu—” Ela puxou uma respiração de ar salgado, se afastou dele. As ondas rolavam sobre a orla; Nuvens sopradas no céu. Mundo normal. Kim anormal. Sua voz saiu tão curta, ele se debruçou para ouvi-la. “Quando saí para frente, eu apenas sabia que eles estavam lá. Eles me levariam de volta. Não é seguro.” Tudo dentro dela lhe dizia que era verdade. “O pátio está tudo certo então? E a praia?” Ele perguntou suavemente, ainda segurando sua mão. “Acho que sim. Tem uma cerca. Um oceano. Nenhum veículo. Eles não podem me levar lá.” Ela soprou uma mecha de cabelo longe do rosto. “Parece estúpido.” “Kimberly, onde eles te sequestraram?” Ela se lembrava de tudo muito bem. Todo mês, dirigia de Savannah até Atlanta para passar o dia com sua mãe. Então passava a noite no clube BDSM. O destaque de seu mês. “Fora de um clube. Quando agarrei a maçaneta de meu carro, eu — eu… O homem usou uma arma de Taser em mim.” Dor horrível, todos os músculos espasmando, convulsionando, gritando silenciosamente em agonia. “Eles me jogaram em um furgão.” Ele acariciou seu cabelo. “Agora você descobriu por que entrou em pânico, isso ajuda?” “Um pouco.” Mesmo assim o pensamento de sair por uma porta novamente fazia seu corpo inteiro ficar tenso de medo. Ela endireitou sua espinha. “Tente novamente?”

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“Valente gatita.” Segurando seu braço, ele a levou até a porta da frente como se fosse uma mulher cega. “Vamos ver a que distância você pode chegar.” Ela forçou seus pés a sair. Um longo passeio. A rua. Algo apertou seu peito, e preto oscilou como fantasmas em volta de sua visão. “Kimberly!” O comando de sua voz era tão eficaz quanto um bofetão maligno. Ela sacudiu e olhou por cima do ombro. “Eu estou aqui. Nada vai acontecer com você.” A fúria veio dele em ondas, mas não era dirigida a ela. “Leve três passos. Então voltaremos para casa. Você pode fazer isso?” Ela balançou a cabeça. Muito longe. “Kimberly.” Ele encontrou seus olhos, levantou seu queixo. “Faça isso — para mim.” Para Mestre R. Sua necessidade de agradá-lo guerreou com o medo. Ela olhou todo o espaço aberto onde estaria exposta, os lugares onde alguém poderia se esconder, e algo pequeno dentro dela fraquejou. Ainda assim ela deu um passo. Outro. Sua coragem falhou. Ela só conseguia ficar de pé e agitar. “Mais um, gatita.” Seu ar se foi, e vermelho listrou o gramado quando empurrou um pé adiante. Mais um. “Bom. Olhos em mim.” Ele estava na frente dela muito rápido, ela percebeu que tinha estado logo atrás dela para cada passo. Seu rosto bloqueou o gramado aberto perigoso. “Estou muito orgulhoso de você, Kimberly.” Seu elogio lançou as últimas poucas faixas ao redor de seu peito, e ela suspirou. “Da próxima vez você irá quatro passos. Enquanto isso”—segurou sua mão na dele— “nós buscaremos minha bolsa de brinquedos no carro. Juntos.”

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Três dias de serem amigos não era tudo que estava quebrado até ser. Com um suspiro silencioso, Kim assistiu o movimento do sol da manhã se mover por todo tapete do quarto, a mão com a palma larga esculpindo seu seio. A satisfação de estar sendo segurada pelos braços de Mestre R. Mas… Não estaria aqui se não tivesse rastejado em sua cama no meio da noite. Ele tinha feito amor com ela. Ela sorriu. Ela meio que tinha começado o processo quando se moveu furtivamente sob as cobertas, e deslizou as mãos sobre suas coxas, afagando seu pênis até ficar duro. A princípio, ela pensou que ele estivesse dormindo, mas depois de alguns minutos, percebeu que tinha estado acordado o tempo todo, esperando para descobrir a que distância ela iria. Longe. Dando uma risadinha, ela subiu em cima dele, e tinha sido divertido. Ele a beijou e acariciou. Chupou seus mamilos. Mas não tinha tomado o controle, não exigiu nada dela. Suas mãos tinham sido gentis, não firmes. Os dois tinham gozado, mas… Ela suspirou. O sexo não tinha sido muito excitante. Tipo pilotar uma lancha em vez de velejar em um vento forte. Você chegaria a seu destino com um; O outro era pura alegria. Eu quero aquele tipo de sexo novamente. Mestre R ainda estava adormecido, um braço sobre ela, curvado ao seu redor por trás. Sua ereção matutina pressionando contra seu bumbum. Então… Eles poderiam ter o chato, estamos apenas no sexo-entre-amigos, mas ela queria mais. A que distância uma menina poderia empurrar um mestre antes que ele perdesse a paciência? Ele não ficava bravo facilmente. Ela mordeu o lábio, desconforto estremecendo seus nervos, e então se desenrolou de seus braços. “Não!” Ela retrucou quando seus olhos se abriram. “Sem sexo. Você não pode me obrigar, e eu não quero isso.” Quando seu rosto bronzeado ficou duro, seu estômago desovou sinuosos peixinhos. E então relaxou. “Não, eu não a obrigarei a fazer nada que você não queira Kimberly.” Ele colocou as mãos atrás da cabeça, embora seus músculos estivessem apertados. “Vai tomar banho. Eu ficarei fora de seu caminho.”

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Maldição. Depois de sacudir sua trança longe, ela cutucou seu ombro com força suficiente pra machucar seu dedo. “Você não me diz o que fazer Ra-oool. Não sou sua propriedade mais.” Ela esperou a chama em seus olhos; Não tinha antecipado o remorso em verbalizar o fato. Eu não sou sua. Ela o cutucou mais duro tentando fazer a sensação de perda ir embora. Ele agarrou sua mão, impedindo mais abuso, e sentou-se. “Isso já é suficiente. Saia da cama antes que eu perca a paciência com sua grosseria.” Sua voz estava baixa, e excitação brilhou dentro dela. Ela sentiu seus mamilos se endurecerem para cumes, viu seu olhar cair para seus seios, e sua antecipação aumentou na labareda de calor em seus olhos. “Pare de me dar ordens.” Ela deliberadamente se plantou ajoelhada com sua bunda em seus pés. “Eu não vou fazer nada que você diga. Nunca. Ainda que você me implore.” “E se você me implorar?” Ele perguntou suavemente, o acento espanhol crescente, uma pista óbvia do seu temperamento. “Se você ficar nesta cama, vou tomá-la, Kimberly, do jeito que quero, tão áspero quanto quero, a menos que grite sua palavra segura.” Sua voz escura sacudiu um interruptor dentro dela, e ela de repente estava muito molhada, seu clitóris palpitando como se ele o tivesse acariciado com a língua em lugar de suas palavras. Mas sua boca ficou seca na ameaça em sua voz. Ele iria… Ele poderia machucá-la. Somente, que ela queria isso. Mais ou menos. Ela suspirou. Além disso, recuar a faria uma covarde. “Leve-me, Ra-oool? Puff. Você é só conversa e nenhuma—” Ele a agarrou. Ela gritou quando a aplainou em sua barriga, o rosto no colchão a polegadas do ferro ornamentado da cabeceira. Sentiu um puxão em seu cabelo. Arrastando. “Isso deve mantê-la fora de problemas.” Ele a puxou para cima, sobre suas mãos e joelhos. Estava indo muito rápido. Incapaz de se ajudar, ela tentou empinar-se e… Não podia. Ela tentou erguer a cabeça, mas sua trança estava presa em algo. Ela olhou o colchão, a três

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polegadas do nariz, e apalpou na cabeceira, tentando encontrar o que ele tinha enganchado em sua trança. Suas mãos impiedosas se fecharam em seus pulsos e as seguraram com uma mão no oco de suas costas. “Maldito seja!” Ela lutou totalmente impotente, sua cabeça pega, suas mãos pegas. Ele enfiou os joelhos entre suas pernas, empurrando-as separadas, expondo-a. Com a mão livre, explorou sua intimidade e zumbiu com interesse. “Você está inchada, gatita. E muito molhada.” Seus dedos se moveram sobre o clitóris, muito tranquilo, tocando-a do jeito que sabia que a virava. Embora continuasse lutando, quanto mais ela lutava, mais sua necessidade crescia. Sua risada mostrava que ele tinha percebido exatamente o que estava acontecendo — e sua habilidade de lê-la tão facilmente aumentava sua excitação também. Maldição. Ele posicionou seu pênis em sua entrada e rodou em sua umidade. Seu domínio em seus pulsos apertados, advertindo-a. Ele mergulhou dentro dela, a distância toda até o cabo. Seu corpo congelou em choque, e ela ofegou quando sua boceta teve dificuldades para acomodar a invasão. Sim, sim, sim. Empurrando a testa no colchão, o deixou levá-la. Ele fez. Ele a levou, aproximadamente como tinha prometido, batendo nela, grosso e duro e desconfortavelmente longo. Não satisfeito, ele liberou suas mãos e agarrou seus quadris, angulando-a para uma maior penetração, até que cutucava seu útero a cada punhalada. Ainda assim a aspereza e desconforto aumentaram sua excitação, empurrando-a em direção ao clímax de uma forma que nunca tinha sentido antes. Ele não estava tocando seu clitóris, o único estímulo era só sua ereção rígida. Tudo dentro dela começou a apertar, sua metade inferior inteira como uma bola ígnea de nervos. Quando ele a arrancou de volta para seu pênis, repetidas vezes, a trança puxou em sua raiz, lembrando-a que estava contida. Suas mãos apertaram as cobertas quando a pressão

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dentro dela cresceu. O ar espessou até que ela clamou com cada golpe, cada punhalada exigente maravilhosa, perfeita, mantendo-a direto oscilando no topo. E então ele se moveu de forma diferente, seu pênis circulando sua entrada, fazendo suas dobras puxarem seu clitóris. O fogo dentro contraído em um redemoinho de água, arrastando um tsunami de pura sensação sobre suas paredes do mar, aplainando tudo na frente dele até que um oceano de prazer fluiu para cada nervo. O quarto ecoou o seu grito, então ela ofegou pelo ar. Ele de alguma forma endureceu e engrossou ainda mais. Punhaladas curtas e brutais enviaram mais ondas de prazer através dela, e então ele apertou fundo, fundo, e os espasmos de seu pênis fez seu interior se apertar repetidas vezes ao redor dele. Seu aperto em seus quadris aliviou — ela teria hematomas lá amanhã, e não se importava nem um pouco. Não — ela vibrava no pensamento de suas marcas nela. Cada nervo em seu corpo estava cantando, e satisfação fluía com cada batida de seu pulso. E felicidade. Mais do que de seu clímax, mas sim pela sensação de suas mãos, exigindo, controlando, impiedoso. Maldição, por quê? Ela tinha sido dominada antes; Ele deu a ela… Mais. Ou ela rendeu-se mais. Ansiedade ondulou através dela. O quanto ela se renderia para ele? Ele correu as mãos para baixo de seus lados em golpes longos, alcançado debaixo para afagar seus seios, e riu quando sua vagina espasmou ao redor dele. Quando finalmente se retirou, ela gemeu na perda. Sem falar, ele a aplainou na cama novamente para desenganchar sua trança, então a rolou em suas costas como um cachorrinho. Expondo a garganta, barriga para cima. À sua mercê. Sua ansiedade aumentou quando percebeu que o aborrecimento ainda apertava sua mandíbula. “É isto o que chamam amigos com benefícios?” Ele perguntou, segurando seu queixo. Ela sentiu seu rosto corar e fechou os olhos. “Olha pra mim,” ele rosnou.

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Seu olhar encontrou o dele, e ela não conseguiu escapar da raiva em seus olhos. Ela tragou. “Se você deseja sexo áspero ou sexo D/s, então me diga. Eu a tomei duro dessa vez, para que pudéssemos descobrir sua resposta.” Seu olhar suavizou, seu dedo polegar acariciou seu lábio inferior. “Não há dúvidas de como você responde. Você pensa sobre isso e o que você quer.” Ele saiu da cama e se virou sua expressão perigosa. “E então você venha falar comigo honesta e abertamente.” Maldição.

**** Naquela tarde, Raoul se empurrou de volta em sua escrivaninha, esfregando os olhos exaustos. Se ele fosse continuar a projetar casas, precisava de uma tela maior. À esquerda, Kimberly trabalhava sua passagem através das pilhas de arquivos que tinha acumulado. Ele odiava papelada. Normalmente, chamava a secretária para fazer os trabalhos tediosos. Mas no momento, manteve Kimberly ocupada. Minha amiga, Kimberly. Sorrido ligeiramente, ele a observou examinar um papel e colocá-lo em uma pasta. Mesmo sem qualquer troca de poder, ele gostava de tê-la em sua casa. Depois que ela rastejou em sua cama na noite passada, descobriu que ainda gostava de fazer amor com ela. Então, novamente, ele era um homem. Porra nunca foi ruim? Sim, o

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sexo normal com Kimberly tinha sido agradável, embora carente de qualquer sabor rico ou picada, como se alguém tivesse feito tacos sem adicionar cayenne17 ou cominho. Ela também tinha sentido falta. Ele sorriu, lembrando-se de como ela o tinha incitado, tentando fazê-lo perder a paciência. Ele não tinha — quase — embora a tivesse dado a aspereza e controle que precisava. Ela veio como um sonho. Ele sacudiu a cabeça. Era espantoso que tenha tolerado qualquer tipo de sexo depois de suas experiências, ainda mais com um homem a dominando. Ela admitiria que quisesse seu controle no quarto? Ela conseguiria ser tão honesta com ela mesma — e com ele? Por um minuto, ele simplesmente a estudou. Bonita gatita, seu cabelo preto e brilhante solto sobre os ombros, seu traseiro curvilíneo enchendo seu short bem, lembrando-o da sensação de seus quadris macios sob suas mãos. Seus olhos se estreitaram quando olhou mais atentamente. Bonita… Mas não feliz. O conteúdo tranquilo que tinha mostrado nas semanas antes do Shadowlands tinha sumido nos últimos três dias. Seu corpo agora faltava… Graça… Como se não estivesse mais confortável com si mesma. Tensão chiava sob seus movimentos aos arrancos e músculos tensos. Ainda assim, não estava olhando nervosamente ao redor. Ele abriu e fechou uma gaveta ruidosamente — nenhum sobressalto. Não temia então. Ele descansou o cotovelo na escrivaninha e se recostou para trás na cadeira, pensando. Servindo seu Dom e outros encheram uma necessidade nela — se admitia ou não — mas também era mais confortável quando tinha regras. Limites. Consistência. Aparentemente, seu pai tinha sido irregularmente amoroso, então não — duro quando sóbrio, sórdido quando

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As pimentas de Cayenne ou também chamadas de Caiena são cultivadas principalmente com fins alimentares, medicinais, condimentares e ornamentais. Elas apresentam caule ramificado, ereto e folhas lanceoladas, verdes e brilhantes, com nervuras bem marcadas. As flores são brancas a arroxeadas. O fruto é do tipo baga, de forma cônica, alongada e cor verde a vermelha, com 8 a 12 cm de comprimento e 1 a 2 cm de diâmetro.

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bêbado. Ela nunca sabia o que esperar de minuto a minuto. As regras provavelmente a faziam se sentir… Segura. Quando lhe pediu que fossem amigos, ela não só tinha perdido sua dominação, mas a consistência que vinha com isso. Ela olhou por cima do ombro, e seus olhos encontraram os dele. Ele segurou seu olhar, procurando por — Dios pare com isso, Sandoval. Ele se virou, enojado consigo mesmo. A necessidade dela chamava a sua, mas ela disse não. Não significa não. Porém, ela não estava feliz ou em paz, e ele não estava certo de como consertar isso. Não como amigos. Com sorte, ela discutiria o problema com Gabi ou Faith, mas conhecendo Kim, provavelmente evitaria discussões sobre dominação e submissão. Ele pegou um movimento pelo canto do olho. Ela estava ajoelhada aos seus pés, cabeça baixa, nuca graciosamente exposta. Implorando por uma coleira. Não, pare de sonhar. “Você não tem que se ajoelhar para falar comigo, Kimberly,” ele disse. “Nós somos amigos, não somos?” “Sim. Mais ou menos.” Em vez de suas mãos estarem descansando abertas em suas coxas, os dedos estavam atados com as articulações brancas na frente dela. “Eu… Eu não sei o que está errado comigo, mas ser amigos, não está funcionando para mim.” Bom, aparentemente estava aprendendo a compartilhar suas emoções. Ele sorriu tristemente, então se curvou e levantou seu queixo. “Você tem um pedido?” Ele fez uma careta, querendo esmurrar a si mesmo. Até quando se dizia não, não conseguia falar ou tocar sem dominar alguém, especialmente esta pequena. “Podemos voltar ao jeito que éramos?” Ele endureceu. “Que jeito, gatita? Explique mais claramente.” “Eu quero… Quero ser sua submissa novamente, como antes. Até o FBI me deixar ir para casa ou para Gabi.” Seus olhos azuis estavam sérios, sem quaisquer reservas aparentes.

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O prazer nascente guerreou com seu desânimo e consternação. Quanto mais agonizante seria vê-la partir depois de ter sido sua submissa disposta? “Por quê?” “Eu… É tolo, mas não consigo entender. É como quando sei que estou fazendo o que você quer, eu relaxo e o deixo fazer o preocupante. Eu posso me concentrar naquela coisa que me disse para fazer.” Ela encolheu os ombros. “Estou certa que só estou um pouco estressada sobre as coisas do passado e por não saber o que vai acontecer. Mas…” Ela bufou com um ar infeliz. “Eu gostava mais quando você estava no comando.” Kim olhou para Mestre R. Sua expressão mudou para uma de consideração. Ela amava quando ele tomava o tempo para pensar nas coisas. Maldito seja. Se não fosse tão inteligente ou se fizesse decisões precipitadas ou ruins, ela não estaria aqui de joelhos. Mas ela confiava nele para guiá-la por um caminho reto… Tanto quanto qualquer ser humano poderia. Ela ousou se debruçar adiante, envolvendo os braços ao redor de suas pernas e descansando sua bochecha em seus joelhos. Uma fonte quente de satisfação brotou em seu coração. Ele poderia pensar o quanto quisesse se a deixasse ficar ali, assim. Quando ele acariciou seus cabelos, ela fechou os olhos e apreciou. Certo, ela ainda tinha uma preocupação mesquinha de que ele ou os traficantes de escravos tivessem feito uma lavagem cerebral nela por sua vontade de ser uma escrava real, mas agora mesmo ela não se importava. Uma vez que esse tempo acabasse e ela voltasse para casa, colocaria sua vida em ordem. E até então, bem, ela consideraria ter um mestre para ser um tipo de pílula — um tranquilizante ou algo assim. “Você precisa disso?” Ele perguntou suavemente. “Sim, por favor.” Ela deteve o Mestre automaticamente, porque ele ainda não havia concordado em assumir o papel novamente. Mas por dentro, estava choramingando, Por favor, Mestre, sim, eu faço. Por favor. Ele concordaria? Ele gostava de estar no comando. Ela mordeu o lábio. Estava pedindo mais do que deveria? O silêncio pareceu estender-se, alcançando o horizonte. Por favor.

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“Certo então.” Fez uma pausa. “Eu concordo, sumisita, e acho que exagerou no traje para esta casa.” Ela sorriu e se levantou. Mas a ansiedade, as preocupações… Não foram embora nem mesmo com o alívio correndo por ela, e ainda se sentia como se uma corda estivesse se enrolando em seus pulmões, impedindo-a de respirar completamente. Mas, certamente tudo iria se acomodar. Certamente isso era o que precisava. “Sim, Mestre.” Ela tirou sua roupa, dobrou-a, e colocou-a em uma cadeira. Ele se recostou um cotovelo na escrivaninha. Os dedos esfregando os lábios enquanto a estudava. Ela esperou ao lado dele, trocando seu peso, e… No mínimo, sentindo-se pior. O que fiz? Talvez essa fosse à decisão errada. Ela percebeu que suas mãos estavam apertadas à sua frente. Deveria— “Kimberly pare.” Ele empurrou a cadeira para longe da escrivaninha e bateu levemente em seus joelhos. “Venha.” Sim, ela precisava ser segurada. Isso era tudo. Ela começou a se sentar em seu colo, e ele cruelmente a puxou e a virou para seu estômago, suas coxas em seu lugar. “Espere.” Ela tentou se empurrar para cima. “Não — eu não tenho sido ruim. O que há de errado com você?” A mão esquerda pressionou suas costas, mantendo-a para baixo apesar de sua luta. “Não, você não tem sido ruim, gatita. Isto não é castigo.” Sua mão direita acariciou seu bumbum. “Trata-se de saciar uma pequena submissa e suas necessidades.” Ele bateu apenas uma picada, então lhe deu mais cinco antes de pausar e esfregar seu bumbum novamente. Ela respirou fundo quando seu interior começou a tremer. “Você quer que eu conte?” “Não. Desde que isso não é castigo, não precisa de nenhum número, mi cariño. Eu continuo até decidir parar.” “Mas—”

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O próximo conjunto de golpes doeu. Ele bateu numa bochecha, então a outra, só esperando a picada morrer antes de dar outro. Ela começou a lutar novamente, tentando escapar. Seus olhos lacrimejaram quando a dor cresceu. Uma pausa, e ele acariciou sua bunda. Suavemente, não significava nada. Como podia ser amoroso e cruel ao mesmo tempo? O soluço ofegante de frustração escapou. “Bueno,” ele disse baixinho e começou novamente. Bofetão-bofetão, bofetão-bofetão, e doía. Realmente doía. Doía a cada golpe de sua mão grande, e então estava chutando e gritando quando a onda de dor rolou sobre ela. E continuou. E continuou. Quando o pesadelo não parou, soluços rasgaram através dela. Bateu as pernas e chutou, chorando histericamente, até que finalmente foi mole, incapaz de lutar mais, só tomando a dor. Ele parou, oh Deus, ele parou e estava acariciando para longe a dor, sua mão suavizando sua carne em chamas. “Muito bom, sumisa mía.” Enquanto as lágrimas fluíam por seu rosto, ele a ajudou a ficar de pé e a puxou em seu colo. Pressionando seu rosto contra o peito e a segurando firmemente, envolvendo-a em segurança. Sua dor havia mudado para mero pulsar, mas ela não conseguia parar de chorar. O que estava errado com ela? As lágrimas a sufocando e então… Suas preocupações dissolveram. O barulho e a tensão dentro dela retrocederam com a maré, deixando apenas o vazio limpo para trás. Ela ficou quieta, embalada por seu batimento cardíaco, não querendo se mover. Depois de um tempo, ela deu um longo suspiro. Outro. A faixa apertada ao redor de seu peito se foi, levada pela tempestade. Ela fungou e ergueu a cabeça, sentiu a cadeira girar. Um lenço foi pressionado em sua mão. Ela enxugou os olhos, soprou o nariz, e com um suspiro de pesar, se empurrou para uma posição sentada para lançar o lenço de papel no lixo. Suas bochechas estavam provavelmente toda purpúrea, os olhos inchados e vermelhos. “Sinto muito. Eu não conseguia parar de chorar.” Sentindo-se humilhada, ela ousou um olhar.

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“Eu sei. Esse era o ponto.” Ela fez uma carranca nele. “Você me espancou para que eu pudesse chorar?” “Sí, sumisita.” Ele beijou o topo de sua cabeça. “A dor pode ser usada para vários propósitos.” Ela ouviu a nota que entrou em sua voz de quando estava instruindo. Não como seus professores pomposos — talvez essa pessoa estúpida possa ser ensinada — Mestre R tinha um tom de humor gentil, como se para atrair a pessoa em aprender. “Como você sabe dos clubes, a dor pode ser erótica.” Ele a puxou contra o peito, e ela se aconchegou mais perto com um suspiro de contentamento. Só em ouvi-lo e estar segura era o céu puro. “Ou usada para castigar,” ele continuou. “Mas algumas pessoas reprimem seus sentimentos, suas preocupações, medos, dor emocional. Se estão fisicamente machucados o suficiente para fazê-los gritar, então, às vezes, o choro serve para a dor emocional também. Ela pode liberar tudo isso.” Reprimir? Eu? Bem, talvez. Ela tinha vivido com entusiasmo, mas seus sentimentos eram dentro de si mesma. Compartilhar problemas emocionais não era… Sua coisa. As sessões de aconselhamento tinham sido difíceis, até com Gabi. Ela inalou devagar, saboreando o odor de sabão e homem. Talvez ela tenha suprimido um pouco as coisas. Seu pai queria perfeição, não emoção. “Um Moore não mostra medo.” “Pare com esse berro. Não doeu tanto assim.” “Isso é péssimo. Parece que foi uma criança de cinco anos quem fez isso.” “Você pode fazer melhor que isso.” Como sua mãe, ela tinha aprendido a enterrar seus sentimentos. A conselheira tinha desaprovado. Kim riu. “Compartilhe seu pensamento.” “Faith me disse que reprimo as coisas e que preciso aprender a deixá-los sair. Talvez eu a ensine a espancar seus clientes.” Ele riu. “Isso é, talvez, mais direto do que ela gostaria.” Ele sentou Kim para que pudesse lhe fazer uma carranca. “Espero que aprenda como fazer para não chegar a esse ponto. E nós, você e eu, trabalharemos em você compartilhando essas emoções antes de precisar ser machucada para tirá-las.”

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Seu sorriso vincou seu rosto. “Escreva sobre isso em seu diário — e comece hoje, você novamente encherá diariamente uma página para compartilhar comigo.” Inferno, voltar a fazer lição de casa. Mas, ok, talvez por isso tenha perdido seus batepapos na hora de dormir, quando conversavam sobre o que ela tinha escrito para ele. Namorados em longo prazo, até seu noivo, nunca a tinha conhecido tão bem como Mestre R fez agora. “Isso me lembra — quero que comece a praticar as danças que aprendeu. Mostre-me uma noite antes de dormir.” Ele cheirou seu cabelo e murmurou, “Se for adequada, eu vou possuí-la e agradarei a nós dois. Se não, eu baterei em você durante algum tempo primeiro, e então vou possuí-la de qualquer jeito.” Ela deu um suspiro de contentamento absoluto e se recostou em seu peito. “Sim, Mestre.”

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Capítulo Doze Nuvens negras bloqueavam o sol de final de tarde enquanto respingos de chuva bateram no para-brisa. Kim agarrou o cinto de segurança quando uma rajada balançou o carro, e escombros rodaram através da pequena estrada rural. “Eu não tinha notado o quão isolado é o Shadowlands na última vez.” “Estava escuro,” Mestre R disse. “E você estava ocupada se preocupando.” “Bem. Sim.” Suas sobrancelhas se juntaram enquanto olhava através da chuva as palmeiras e pântanos. “Quantos membros vocês perderam para os jacarés?” “Nenhum, com exceção de uma ocasional sub espertinha que lançamos para eles para o jantar.” Ele virou entre os portões abertos de ferro, dirigiu-se ao longo do caminho forrado de palmeiras, e estacionou no lote adjacente a uma cerca de madeira de dois metros. “Vamos fazer uma corrida para lá, gatita.” Um guarda-chuva não teria ajudado, considerando que metade da chuva estava viajando lateralmente. Eles correram até um portão em um enorme quintal paisagístico. Dez ou mais pessoas se aglomeravam sob um toldo coberto observando a tempestade. O agente do FBI, Vance Buchanan, e um homem de cabelos negros com uma pele de oliva estavam sentados a uma mesa. O resto estava em cadeiras ao redor de uma longa mesa de café de carvalho. “Já era tempo de você chegar aqui,” veio um grito do barman gigante do Shadowlands. Mais saudações se seguiram, uma mistura de vozes masculinas e femininas. Quando Kim parou, subjugada por ser o centro das atenções, Mestre R a puxou perto dele como se para lembrá-la de que tinha suporte. Depois de um segundo, ela percebeu que já tinha encontrado a maior parte deles. Pela mesa de café era o barman, Cullen. Próximo a ele

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estavam Gabi e Marcus. Quando Gabi tentou sair do colo de Marcus, ele passou o braço ao redor dela, mantendo-a no lugar. Ela revirou os olhos e deu a Kim um sorriso de boas-vindas. Kari se sentou ao lado de seu marido, parecendo até mais grávida que antes. Ela sorriu e acenou, não tentando sair da cadeira. Ao lado dela estava Mestre Z, e então o homem com a cara mais malvada que Kim já tinha visto. Mestre R apontou em direção aos homens à mesa. “Você se lembra de Vance do FBI?” Seu estômago se apertou na lembrança de por que estavam se reunindo hoje. “Infelizmente, sim.” Ela conseguiu um beliscão no pescoço. “Enquanto você se mover debaixo do meu telhado, sumisita mía, você observará respeito.” Sua submissa. Um laço insuspeito soltou em seu estômago. “Sinto muito, Mestre. Sim, Senhor.” O estranho à mesa a considerou com os olhos ainda mais escuros do que os de Mestre R. A camisa branca de botão do homem, não escondia sua musculatura magra, mas ele era menor que o outro agente do FBI, que era construído como um guerreiro Viking. Sim, ela podia ver Vance saltando um barco, machado pesado em suas garras, ou — com um nome como Buchanan — talvez vestindo um kilt e balançando um espadão escocês. O homem de cabelos escuros se levantou e andou, apoiando-se em uma bengala. “Sra. Moore, eu sou Galen Kouros. Conversamos ao telefone alguns dias atrás, mas é bom vê-la pessoalmente. Vance e eu somos responsáveis por essa investigação.” Depois de um olhar em Mestre R, ele ofereceu sua mão. “Estou feliz em encontrá-lo, Agente Kouros.” “É Galen.” Ele manteve a mão na dela por um minuto enquanto a estudava. “Não posso lhe dizer o quanto estou triste por ter tido que suportar o que aconteceu, mas estou feliz que esteja parecendo tão bem.” “Obrigado.” Uau. Amabilidade real. E todos usavam roupas casuais sem coleiras, nenhum equipamento BDSM, nenhum floggers à vista. Estar no mundo normal parecia irreal.

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Galen lhe deu um apertar de dedos, sorriu para Mestre R, e mancou de volta para mesa. Embora educado, ele era tão intenso pessoalmente quanto foi ao telefone. “Todo mundo aqui é ou FBI ou Mestres e submissos do Shadowlands,” Mestre R disse em seu ouvido. “Desde que o marido de Kari, Dan é um policial, Galen o pediu para ajudar a coordenar o ataque.” Os olhos de Dan se moveram sobre ela em um olhar demorado, como se o policial de cara fria estivesse memorizando-a. Ele assentiu, mas ficou ao lado de sua esposa. Mestre Z disse algo aos outros, e então cruzou o pátio. Olhou para Mestre R, e depois estendeu sua mão para ela. Seus dedos estavam sobre os dele antes que tivesse um segundo para pensar. Maldição. Como Mestre R, o homem simplesmente exalava poder. “É bom vê-la novamente, Kimberly.” Os olhos cinzentos seguraram os seus por um momento, então se estreitaram, e ele deu a Mestre R um olhar ilegível antes de sorrir levemente. “Eu posso dizer que você e Raoul estão… Se dando bem. Parece bem juntos.” “Você está aqui!” Jessica trotou as escadas do terceiro andar, seguida por Andrea e uma ruiva esbelta. A pequena loira foi em direção a Kim, então se desviou para bater uma bandeja de sanduíche na mesa dos homens do FBI. Levando uma grande tigela de chips, Andrea foi barrada pelo barman gigante que apontou para mesa de café na frente dele. “Coloque isso aqui, amor. Se não sobrar nada quando eu estiver farto, os outros podem ajudar a si mesmos.” Andrea fez exatamente como ele disse, e então empurrou Cullen longe o suficiente para o lado na namoradeira para se aconchegar ao lado dele. A ruiva encheu suas tigelas de porção antes de deliberadamente mover os chips para o centro. “Beth, esses são meus!” Sorrindo na reclamação alta do barman, a mulher esbelta se ajoelhou ao lado do cara malvado, o homem das cicatrizes. O coração de Kim estremeceu enquanto esperava que ele

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repreendesse a mulher. Ao invés, ele puxou o cabelo vermelho de Beth levemente. Um sorriso iluminou seu rosto bronzeado quando ela beijou seu pulso. Kim relaxou. “Venha cá, amiga.” Jessica a puxou longe de Mestre R para lhe dar um abraço. “Eu queria visitá-la, mas os feebies disseram que não podia.” Ela deu aos agentes do FBI um olhar de nojo. Galen fez uma carranca para ela, embora diversão levantasse seus lábios. “Novas pequenas escravas como Kim não entretém amigos,” ele disse. “Se Raoul normalmente não tivesse funcionários vindo em sua casa, Gabi não teria sido permitida ir lá também.” “Pffft,” Jessica disse baixinho. Mestre R sorriu e murmurou, “Você pode conversar um pouco, Kimberly.” Ele beijou o topo de sua cabeça e se juntou aos outros. Kim apertou suas mãos juntas, aborrecida em como sua ansiedade subiu sem ele ao lado dela. Dependente. Você está ficando tão dependente quanto um peixe palhaço precisando de uma anêmona para se esconder. Ela respirou fundo. Eu sou uma mulher forte e independente… Pelo menos, estou chegando lá. Ela deliberadamente se virou para conversar com Jessica. “Hei, eu a vi no clube quando aquele Dom esbofeteou a morena. Não posso acreditar que realmente interrompeu uma cena.” “Meu mau. Eu deveria ter chamado o monitor de calabouço, mas eu estava muito louca.” Jessica fez uma careta. “Sally é uma das estagiárias, e quando a vi chorando, perdi a cabeça. Ela não esta muito dentro das coisas de tapas na cara.” Kim entendia completamente. Ser atingida no rosto era um choque. De uma forma horrível. Seu estômago se apertou quando se lembrou de como Lord Greville a tinha esbofeteado. Incapaz de se ajudar, ela olhou por cima do ombro para verificar se Mestre R estava por perto. Apenas a visão dele acalmava seus nervos. “O que Mestre Z fez?”

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“Oh, Mestre Tranquilo e Razoável. Ele estava louco com o Dom, já que Sally não tinha dado ok para esbofetear o rosto, mas não tinha usado sua palavra segura também. Ela disse que estava muito apavorada para falar, e eu acredito. Ela agora certamente vai ser mais cuidadosa com a fixação de limites rígidos em seu jogo da próxima vez. Z fez o Dom se desculpar, mas ele não pôde fazer muito mais.” “Uh… Parecia como se você tivesse mordido Mestre Z. Você não fez, não é?” “Bem.” Rubor varreu o rosto da loira. “Talvez um beliscão. Não é como se eu o fizesse sangrar ou coisa assim. Eu odeio ser amordaçada.” “Deus, Jessica. Você precisa de lições de comportamento.” Kim mordeu o interior de sua bochecha para afastar o riso e olhou para Mestre Z. Um pouco mais velho que os outros e com a aparência elegante de alguém que era rico e acostumado a isso. “O que ele fez pra você?” Jessica abaixou a voz. “Ele me fez ficar nua e me colocou em minhas costas no final do bar.” Ela enviou um olhar fulminante através do pátio em Z. “Eu fiquei ali, lamentando, ‘Nós estamos comprometidos. Você não deveria querer me compartilhar', e ele riu e me disse que nunca se importaria de compartilhar minha beleza ou até mesmo meus castigos. Deus.” Na casa de Gabi, Jessica tinha mencionado a disciplina inventiva de Z, mas sempre com uma expressão sentida, nunca como uma mulher que foi brutalizada. Ele não poderia ter feito nada muito cruel. Não é? “Continue, antes de eu estourar.” “Isso não está soando muito parecido com simpatia por mim.” Jessica virou sua carranca em Kim. “Você deveria lamentar por mim.” “Oh. Certo. Perdi meu lugar por um momento.” Não ria. Kim envolveu o braço em volta dos ombros de Jessica. “Awww, você pobre, pobre bebê. Que coisas do mal seu Dom malvado fez para você?” “Isso é muito melhor. Eu sabia que gostava de você.” Jessica sorriu. “Então — o topo do bar tem anéis embutidos aqui e lá. Ele amarrou meu cabelo em um par, então eu não podia

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levantar minha cabeça, me vendou, e usou algemas de joelhos para me espalhar aberta pra todo mundo ver.” Kim não conseguia decidir se ficava horrorizada ou ligada. Ela verificou Mestre R. Estava conversando com Z… E observando ela e Jessica, seus olhos cheios de riso. O que Z estava lhe dizendo? Ela se voltou para Jessica. “Mmmhmm. Ah, continue.” “Ele tem este miniflogger com três fios suaves — um chicote de boceta. Ele o emprestou para todos os Dons no bar e deixou cada um dar cinco chibatadas em minha boceta cor de rosa.” “Esse saco de merda,” Kim estalou seu humor mudando abruptamente. “Não, não doeu.” Jessica puxou Kim mais longe do grupo. “Droga, esse era o problema. Sendo chicoteada assim, de vez em quando, me deixa quente. Realmente quente. Deus, eu acho que durou uma hora ou mais. Ele se sentou e me ensinou que o comportamento submisso adequado era chamar um monitor de calabouço e não me intrometer nas cenas, e o tempo todo os Doms me mantiveram perto da borda. Eu juro, ele acenava para eles cada vez que eu chegava perto.” Colocando a mão na garganta, Kim tentou se imaginar tão exposta. Ser excitada e ter algo batendo em sua boceta. Oh menino. “Olhe aqueles idiotas,” Jessica murmurou. “Ele está compartilhando de novo, não é?” Kim olhou por cima do ombro. Mestre R estava recostado na cadeira, estudando-a. Ele tinha uma ereção que não se preocupou em esconder, e riu quando Z fez um gesto como… Como de um chicote. Oh Senhor, não dê ideias há meu Mestre. “Uh.” O que tinha planejado dizer? Certo. “Algum deles finalmente, um, não…?” “Quando estava a uma batida de coração de gozar, Z assumiu.” Jessica estremeceu. “Seu outro pequeno flogger tem um couro diferente. Longe de tão suave, e sua meta—” Sua cor escureceu. “Eu gozei tão duro que a sala inteira provavelmente ouviu.” Até quando calor chamejou por seu corpo, e seu clitóris pulsou em resposta, Kim sufocou tentando não rir.

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“Oh, vá em frente, todo mundo ri.” Jessica fez uma careta e deu uma risadinha também. Então seus lábios se curvaram. “Às vezes me pergunto que tipo de pessoa suja eu sou que gozo em algo tão público.” Kim piscou. Ela sabia sobre essas autodúvidas muito bem. Que esta mulher brilhantemente inteligente e doce também se preocupasse era incrivelmente reconfortante. Ela agarrou o ombro de Jessica. “Você não é suja. Lembre-se, antes… Disso… Eu joguei em muitos clubes, e existe, como, um aumento de quentura, saber que as pessoas estão assistindo.” “Acho que sim. Obrigado.” Ela inclinou a cabeça. “Sabe, na Gabi, você nunca teria dito algo assim. Teria estado muito ocupada estremecendo. Acredito que você está curada.” A boca de Kim caiu aberta. Ela não tinha prestado atenção ao seu progresso recentemente. Ela ainda ficava desconfortável às vezes, mas talvez porque Mestre R continuava aumentando as apostas. Mas ela estava chegando junto. Ela tinha feito sexo. Feito uma cena pública. Podia conversar sobre coisas. Definitivamente tinha melhorado. “Você está certa.” “Claro.” Jessica lhe deu um olhar presunçoso. “Eu estou sempre certa. Pergunte a qualquer um… Bem, qualquer um exceto Z.” Ela enrugou o nariz em seu Dom e conseguiu um sorriso piscado que mudou sua aparência letal em simplesmente magnífica. “Então o que você e seu senhor e mestre querem beber?” Resposta fácil. “Supostamente Z pegou algumas cervejas de algum lugar — a Swamp Head Brewery?” “Oh, a 10-10-10. É uma bebida de malte fermentada. Já volto.” Jessica sorriu e se dirigiu para a escada do terceiro andar. A loira poderia ser fofa, mas suas pernas estavam em boa forma. Sacudindo a cabeça, Kim fez um caminho mais curto para seu mestre e senhor. Ele olhou para cima, e seu sorriso, só para ela, fez sua bolha de álcool como espuma do mar. Oh, eu estou em apuros. Deus, ela o amava. Ela se aproximou e esperou insegura se ele queria que se ajoelhasse ou puxasse uma cadeira ou— Ele movimentou a cabeça em um travesseiro grande e plano situado entre seus pés.

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Quando ela se ajoelhou na posição perfeita, ele se inclinou para murmurar em seu ouvido, “Fique confortável, cariño. Você não precisa ficar ajoelhada. Sam ligou e disse que estaria aqui em aproximadamente dez minutos.” Quando ela trocou para uma postura sentada mais fácil, suas pernas se fecharam para esfregar em seus ombros, segurando-a em segurança entre elas. Ela se apoiou em sua coxa com um suspiro feliz. E então, como se não estivesse fazendo nada incomum, ele a alimentou com chips e porção, alternando o seu e o dela, como frequentemente fazia em casa. Ela sussurrou um agradecimento, recebeu um beijo leve na cabeça. O olhar incrédulo de Gabi fez Kim evitar seu olhar, só para ver a esbelta ruiva sendo alimentada por seu Dom com pequenas mordidas de sanduíche de sua mão. A sub parecia perfeitamente satisfeita. Kim considerou a mulher. Ela não parecia como uma escrava chute-me; De fato, ela tinha privado o barman de seus chips. Depois que Jessica entregou suas cervejas em canecas geladas, Mestre R deu uma para Kim. Antes que pudesse beber, ele se inclinou para sussurrar em seu ouvido. “O que está errado, gatita?” Como ela poderia dizer? “Diga-me.” Os outros estavam discutindo sobre os benefícios de envolver as várias agências de execução da lei. Ninguém estava prestando atenção nela. “É a ruiva uma escrava? Uma dona de casa?” Mestre R esfregou a bochecha, já um pouco áspera, contra Kim. “Beth não é uma escrava, mas é definitivamente uma submissa. Eu acho que começaram no quarto, e expandiram para fora, por assim dizer, e agora estão provavelmente vivendo o estilo de vida frequentemente. Ela não é uma dona de casa. Ela tem um serviço de manutenção de jardins e faz projetos paisagísticos. Ela fez os fundamentos aqui para Z.”

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Do seu ponto de vista, Kim viu indícios de canteiros, sebes altas, e pequenas trilhas. O som de pelo menos uma fonte. O lugar era tão magnífico quanto seu dono. Então esta Beth tinha sua própria empresa, tinha uma vida independente fora de servir seu Dom… Como as escravas anteriores que Mestre R teve. Ele virou seu travesseiro — de frente para ele — para enfrentá-lo, então debruçou seus antebraços em suas coxas, ignorando todos os outros para se concentrar nela. “Está em meus pés em uma reunião te incomoda?” “Eu—” Ela mordeu o lábio sob o peso de sua desconcertante consideração. Ele estava sempre ciente dela, frequentemente a observava, mas quando queria uma resposta, uma resposta honesta, sua intensidade mudava. A pressão nela crescia também, como a diferença em se jogar na piscina ou mergulhar sessenta pés abaixo. “Não. Não me incomoda,” sussurrou finalmente. “Estou apenas confusa. Eu não sou assim. Não sou.” Uma sombra cruzou seu rosto. “Eu entendo.” “Eu ajo dessa forma por causa do meu sequestro? A escravidão?” Ele suspirou. “Falaremos sobre isso mais tarde. Mas, Kimberly, domínio ou submissão — ou a necessidade de servir — não é tipicamente criado por circunstâncias. Faz parte da personalidade de uma pessoa.” Ela endureceu. Ele estava dizendo que ela tinha uma mentalidade de escrava? Antes que Kim conseguisse formular a pergunta, Mestre Sam atravessou o pátio para o toldo, vestindo jeans bem gastos, botas, e uma camisa de algodão azul claro da cor de seus olhos. Ele era mais velho que todo mundo, com cabelos prateados e pele bronzeada ao couro. Ele acenou para os homens, sorriu para as mulheres, então olhou para ela. “Vocês dois não tiveram realmente a chance de se conhecerem a outra noite,” Mestre R disse para ela quando o homem se aproximou. “Sam, esta é a amiga de Gabrielle, Kim. Kimberly, este é Sam.” O sádico que tinha açoitado a sub tão impiedosamente que ela tinha gritado. Kim tragou.

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“Prazer em conhecê-lo.” Sam estendeu a mão, esperou até que ela desse a ele a sua, e suavemente apertou. “Você é uma menina valente. Raoul está muito orgulhoso de você, sabe.” Quando sua boca se abriu, ele piscou para ela e tomou a cadeira ao lado deles. “Meus amigos,” Mestre R disse, parando as várias conversações. “Desde que Sam vai participar do leilão, planejo dizer a Dahmer que estarei em viagem neste fim de semana.” “Ficamos de discutir isso como uma possibilidade.” Os dedos de Galen fizeram um som destacado na mesa. Seu olhar negro segurou o dela por um momento. “Embora eu goste de alguma redundância em uma operação no caso de alguma merda acontecer, eu não quero colocar mais civis em perigo.” Ele olhou para Vance, que assentiu. Galen sorriu e bateu na mesa com as juntas. “Concordo.” Sabendo que ela não estaria envolvida, Kim tomou um gole da cerveja e prestou uma atenção intermitente na conversa ao seu redor. Vários planos foram discutidos com o Dom policial, Dan, contribuindo aqui e ali. Fora do pátio, à chuva e vento tinham aumentado, agitando as palmeiras e arbustos, enviando flores brilhantes para se deitarem aos montões na grama encharcada. Elas não tiveram seus dias de sol. Seu tempo tinha sido interrompido, ela pensou. Como Holly. Sua garganta apertou, e ela se concentrou na conversa novamente. “Você não pode chegar lá mais cedo?” Sam pediu aos agentes do FBI em sua voz de lixa áspera. “Dahmer disse que os furgões nos entregam os compradores mais cedo, então podemos verificar a mercadoria, fazer uma minicena, talvez até fu—” Ele mordeu a palavra. “Você vai poder fazer isso?” Vance perguntou. “Você parece mais nauseado que Sandoval.” “Tenho algumas linhas que nunca cruzei,” Sam estalou. “Então, eu gostaria que seu ataque fosse cedo, não mais tarde.” “Nós preferiríamos isso também.” Galen esfregou o rosto. “Mas depois de nos levar ao lugar, precisamos de tempo para instalar os obstáculos na estrada.”

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Vance adicionou, “Muitos compradores sairão após a compra. Prendendo-os na estrada significa que haverá menos na casa de leilão — e menos chance do inocente ser machucado.” “Exceto que os compradores irão machucá-los enquanto estamos testando a mercadoria,” Sam rosnou. O telefone de Mestre R tocou. Ele o puxou de seu cinto, franzindo a testa para o visor. “Privada.” Ele levantou o dedo para silêncio. “Sandoval.” Ele escutou, então disse, “Espere — minhas mãos estão molhadas. Vou precisar abaixar o celular.” Ele colocou a configuração para locutor. “Eu esperarei Raoul.” A voz do supervisor mordeu Kim como fogo de coral, a fazendo pensar em peixe podre. Nauseada, ela silenciosamente colocou sua cerveja para baixo. Depois de posicionar o telefone na mesa de café, Mestre R se inclinou e embrulhou seus braços ao redor de Kim, segurando-a entre suas pernas em uma prisão de segurança. Cada pessoa no pátio ficou quieta, mal respirando. “Estamos marcados para este sábado,” o supervisor disse. “Estou ansioso para ver sua cena novamente. Eu acredito que os compradores ficarão muito satisfeitos.” “Sábado?” Mestre R pausou. “Dios, Dahmer. Eu esperava que o leilão fosse sextafeira. Vou estar fora da cidade sábado e domingo. Tenho uma consulta na Venezuela.” Silêncio. “Tenho medo de que sua ausência não seja aceitável, Raoul. É muito tarde para conseguir instalar outra demonstração.” A voz de Dahmer ficou afiada, enviando um tremor através de Kim. Era como soava quando ordenava que uma escrava fosse chicoteada. Oh Deus. Os braços de Mestre R se apertaram. “Sinto muito, mas não tenho escolha. Os negócios devem vir antes do prazer.” “Entendo.” Mais silêncio. “Bem, eu entendo o quão inconveniente pode ser para reorganizar compromissos. Deixe-me adoçar o pote, começando por seu amigo.”

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Os olhos de Galen se estreitaram. “Continue,” Mestre R disse. “Uma das… Remessas… Falharam o que significa menos mercadorias disponíveis esta semana. Então, o último grupo de compradores — inclusive Sam — terá que esperar por outro leilão. Mas desde que acredito em um favor por outro favor… Se você fizer a demonstração, eu colocarei seu camarada de volta na lista, assim ele poderá participar. Inferno, eu até lhe darei vinte por cento de desconto em qualquer mercadoria que comprar.” Mestre R inalou lentamente. Depois de um segundo, disse, “Isso é tentador, Dahmer. Eu poderia administrar, mas meu tempo seria extremamente apertado. Depois de voar, eu não terei tempo de buscar meu… Animal de estimação… Do… Armazenamento. Então, se eu reorganizar minha agenda, eu vou ter um animal de estimação diferente comigo.” “Absolutamente não. Só mercadoria previamente comprada pode ser levada em um leilão.” Kim colocou a mão sobre a boca. Ele teria que levá-la? Não a agente do FBI? Um frio atravessou sua espinha. Mestre R começou a falar, mas Galen fez um movimento-de-corte na garganta. “Bem, isso complica as coisas. Dê-me um segundo para eu ver se posso conciliar as coisas,” Mestre R disse. Ele definiu o telefone para o mudo. Um tremor violento sacudiu o corpo de Kim. Os olhos de Galen se voltaram para ela, mas ele não disse nada. “Eu terei que ir,” ela sussurrou. Mestre R rosnou algo sujo em espanhol. “Não. Não, você não fará isso. Você já fez o suficiente. Não más.” Se ele realmente perder a paciência, trocará completamente para o espanhol? Por que ela não conseguia pensar em nada para dizer em qualquer idioma? Precisando não pensar, Kim olhou para o chão. Uma formiga estava tentando arrastar um

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fragmento de chip para sua casa. O pedaço era muito grande, mas arrastou e arrastou. Tão teimosa. Sam quebrou o silêncio. “Galen, eu acho que isso destruiria a menina.” Seus olhos pálidos estavam frios como gelo, mas ele deu a Kim um pequeno sorriso. “Eu sou bastante aficionado a esta aqui, ainda que ela reduza Raoul a falar palavrões em espanhol.” “Eu não entendo por que Dahmer está tão inflexível quanto a Sandoval fazer esta demonstração,” Vance murmurou. Galen não falou. “Não.” Mestre R disse, embora ninguém tenha perguntado nada. “Dan, você sabe com que frequência algo dá errado. Eu arriscarei minha vida. Não Kimberly — ou sua liberdade, ou seu bem-estar. Você tomaria Kari para tal coisa?” Dan abriu a mão, concedendo-lhe o ponto. Um leilão, cheio de escravas, cheio de mulheres sendo vendidas. Eu nunca vou escapar, não é? Kim debruçou sua testa contra a coxa de Mestre R. Tudo nela estava lutando, se afogando em medo, afundando. No fundo do oceano, as cores se enfraqueceram, até que tudo ficou cinza. Frio gelado. Como a morte. Eu não posso. Mas ela poderia dormir à noite, viver com si mesma, se sua ausência significasse que uma mulher seria comprada por outro Lord Greville? Ela ergueu a cabeça; mas a sentiu muito pesada para sustentar. Mestre R olhou diretamente através da mesa. “Z?” Z tinha uma voz baixa, tão suave quanto Mestre R, mas sem o sotaque arrepiante. “Não, Raoul, eu não concordaria.” Seus braços se apertaram em volta de Jessica, e suas sobrancelhas se juntaram. “Mas descobri que alguns submissos imprudentes têm espinha de aço.” Raoul lembrou muito bem de como Gabi tinha forçado os agentes do FBI a deixá-la trabalhar encoberta, tentando pegar os traficantes. Embora Kimberly pudesse estar apavorada, ela não era menos valente que sua amiga. Mas certamente não iria fazer isso.

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Levantando em seus joelhos, ela se virou para encará-lo, suas mãos sobre as coxas. Seus grandes olhos azuis poderiam prender o coração de um homem. “Gatita, não.” Ela tragou. “Sam me chamou de valente. Não é valente se esconder, sabendo que se fizer, outras mulheres sofrerão. Poderão morrer.” Os lábios tremeram. “Linda estará no leilão. Se for vendida, nunca mais poderá ficar livre.” Suas mãos frias se apertaram em suas pernas. Raoul balançou a cabeça. “Não.” Quando seus lábios se apertaram, ele a sacudiu. Ele não se importava se todos os escravos no mundo morressem. Ela não — não poderia fazer isso. “Não.” Seus braços se fecharam ao redor de si mesma na perda de seu suporte, e ele grunhiu e a puxou para seu colo. Ele tinha trabalhado toda sua vida para ser forte e poderoso, assim poderia guardar aqueles que amava — será que mesmo assim não conseguiria manter este pequeno pedaço de fêmea seguro? Ela enterrou o rosto em seu pescoço. “Devemos,” ela sussurrou. Kouros pigarreou. Raoul teria lhe esmurrado se não tivesse visto a dor nos olhos do homem. O agente não queria perguntar isso também, mas ele iria, assim como tinha permitido que Gabi fosse encoberta ao Shadowlands. Raoul segurou Kimberly contra o peito, querendo apenas abrigá-la. Mas ele se lembrou do que sua mãe lhe disse quando tentou manter sua irmã mais jovem, Lucia, de ir ao shopping… Começar um namoro… Dirigir um carro. Você não pode protegê-la contra sua vontade, Raoul. É sua vida; Você não a possui. Ele não possuía Kimberly. “Gatita mía, você está certa?” Ele sussurrou. “Sim.” Os calafrios percorreram seu corpo macio. “Você ainda está aí, Raoul?” A voz de Dahmer veio do telefone. Kouros olhou como se quisesse matar algo. Mas assentiu. Raoul empurrou o botão de Mudo. “Estou aqui. Se eu mexer em alguns compromissos, poderei participar,” Raoul disse incapaz de administrar um tom amigável. “Espero que você faça valer a inconveniência.”

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“Oh, você ficará satisfeito. Você tem minha palavra.” Dahmer riu. “Então, estarei em contato em algum momento na noite de sábado.” “Até então.” Raoul fechou o telefone, mal conseguindo se segurar de lançá-lo através do pátio.

**** Kimberly estava muito quieta naquela noite, afastando-se dele como se não pudesse aguentar ficar perto. Entretanto, quando se mudou, ela o olhou como se estivesse com medo de perdê-lo. Ele finalmente a levou para o quarto da torre, para ver as estrelas aparecerem na escuridão do céu. “Sinto muito, sumisita. Isso não esta sendo como deveria,” ele murmurou em seu cabelo. Medo tinha se alojado em seus ossos, mas ele não queria nada além de se sentar aqui, com ela em seus braços. Macia, perfumada, quente, e terrivelmente corajosa. “Não é sua culpa. Desculpe eu estar sendo estranha.” Ela esfregou o rosto em sua camisa. “Eu continuo me lembrando de como me sentia impotente. Quando estava presa. Eu gostaria que sábado viesse mais rápido. Você pode me manter ocupada amanhã?” “Eu posso, sim.” Seus olhos começaram a se fechar. “Espero que Gabi venha depois de amanhã. Um pouco de barulho seria bom. Ela é como uma festa de uma mulher.” Uma festa. Enquanto segurava sua pequena sumisa, Raoul considerou possibilidades. No leilão, Kimberly poderia ter que suportar outra demonstração pública. Se ela se sentisse mais confortável em ser exibida, sua concentração poderia ficar nele, não nos traficantes. Uma festa seria uma boa ideia.

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Capítulo Treze Raoul atravessou a cozinha, levando um monte de toalhas de praia, e viu Kimberly olhando para a caixa cheia de gelo, braços cruzados sobre os seios nus. Ela fez uma careta. “Você se esqueceu de me dizer alguma coisa? Estamos indo para algum lugar?” “Kimberly.” “O que?” Ele manteve o olhar sobre ela, esperando-a sair. Silêncio. “Sinto muito, Mestre,” ela murmurou depois de muito tempo. “Você sente falta de ser castigada então?” Ele perguntou suavemente. Um passo atrás. “Não. Não, Mestre.” Ela tinha alguma ideia do por que estava vindo com esta atitude? Sua pena por ela o fez querer ignorar isso, mas ela precisava de consistência e regras mais que simpatia agora. Considerando que nada mais em seu mundo se mantinha estável, ele deveria. Movendo-se até seu espaço pessoal, não a tocou, deixando apenas o tamanho do seu corpo aumentar a intimidação. “Então talvez você possa se explicar?” “Eu—” Seus dedos se apertaram na caneca. “Eu… É errado. Aqueles monstros compram mulheres para serem escravas, e aqui estou eu, me voluntariando para ser sua escrava. Mas não sou realmente, e não quero me comportar como uma.” Seu queixo subiu… E então seu olhar caiu. “Somente, então às vezes eu faço.” A maior parte do tempo, você faz, pequena sumisa. Ele segurou seu rosto, e seu polegar sob o queixo manteve seu rosto levantado para ele. O calafrio que a percorreu em seu cuidado e controle reforçaram suas palavras. Ela estava em conflito, e ele sabia que o sentia bem, especialmente quando se tratava dela. “Qualquer ser humano decente, mestre ou escravo,

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ficam revoltados com sequestros, brutalidades e estupros.” Ele esfregou seu polegar sobre seus lábios macios. “Além do fato de que os crimes dos traficantes de escravos tenha nos colocado juntos e nesses papéis, eles não têm nada a ver com o que está acontecendo entre nós.” Sua boca se abriu. Ele balançou a cabeça, satisfeito quando o obedeceu. “Você não é minha escrava, Kimberly. Embora as definições variem, em minha mente, uma escrava desiste da capacidade de dizer não, algo como se ela tivesse se alistado no exército. Ela deliberadamente coloca sua vida sob a autoridade de outra pessoa, frequentemente porque sua necessidade de pertencer é tão profunda que quer ser possuída. Você está conseguindo me acompanhar?” Sob sua mão a restringindo, Kimberly assentiu. “Agora, um submisso desiste do poder, mas não tanto. Talvez como um trabalho em vez do exército. Um submisso quer mais do que uma cena organizada, mas isso pode ser dominação erótica toda a distância para servir em tempo integral. Cada relação se equilibra quando essas necessidades e desejos são trabalhados.” Ele apertou seu polegar entre seus lábios em uma imitação de um pênis. Sua respiração aumentou à medida que sua boca suavemente se fechou ao redor dele, segurando-o dentro. “Você é submissa, Kimberly. Você sabia disso até mesmo antes de encontrar Gabi, anos atrás.” Ele sorriu. “E você exige mais que dominação no quarto. Servir um mestre preenche uma necessidade em você tão grande quanto à necessidade de ser verdadeiramente dominada para desfrutar do sexo.” Ela olhou para ele. “Oh, é verdade, gatita. Você não é uma escrava que quer todas as suas escolhas retiradas, mas você pode muito bem ser uma submissa em tempo integral.” Ele se aproximou ainda mais, segurando seu olhar. “Agora use sua língua em meu polegar do jeito que você faria em meu pau.” A vermelhidão listrou suas bochechas quando deslizou a língua sobre ele, leve como uma borboleta.

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“Chupe.” Suas pupilas se dilataram enquanto chupava. Ele endureceu. “Bom. Eu lhe darei a coisa real mais tarde.” Seus lábios estavam molhados, e ele podia ver como ficariam em torno de seu pênis. Depois de substituir o polegar pelos lábios em um lento e drogado beijo, ele disse, “É um bom dia para lembrá-la dos prazeres da dominação — a diversão dele — assim estamos nos juntando a algumas poucas pessoas.” Seu rosto empalideceu, e ela recuou. “Não, gatita. Nada a ver com os traficantes. Aqui é Marcus e Gabi. Andrea e Cullen. Cada Dom brinca com sua própria sub.” Ele deslizou as juntas na parte externa de seu seio nu. “E eu jogarei com você.” “Oh.” A forma como o calor substituiu o medo nos olhos dela o encheu de prazer. Ela confiava nele. “Quer que eu prepare alguma coisa?” Ela perguntou. Raoul balançou a cabeça. “Coloque uma roupa e cubra-se. Estamos tirando o veleiro.” Quando seu rosto iluminou, ele soube que tinha escolhido sabiamente. Água sempre a tinha acalmado. Enquanto a observava correr para o andar de cima, ele sorriu em como a ansiedade tinha cintilado em seus olhos, o conhecimento de que hoje seria diferente. Embora eles fizessem sexo frequentemente, ele não a tinha empurrado, sabendo que o encontro com o supervisor precisava desaparecer. Mas ela já tinha trabalhado esses medos, e agora ele poderia introduzir algo novo. Algo para tirar sua mente fora do leilão e lembrá-la que BDSM poderia ser divertido, como também apavorante. No catamarã de trinta e dois pés, Kim se espreguiçou na frente da cama elástica com Gabi e Andrea. O spray fresco borrifava sobre sua pele, enquanto o barco deslizava pela água com um som sibilante e um estalo ocasional das velas. Adorável. Tão diferente dos barcos motorizados que tinha crescido. Limpo e silencioso. Ela podia até ouvir o murmúrio dos sujeitos conversando na cabine do piloto. Ela sorriu, pensando em como eles perseguiram uns aos outros daquele jeito estranho dos caras.

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Observando Mestre R interagir com seus amigos era interessante. Às vezes, quando em volta de outros homens, um cara se comportava como se sua namorada não tivesse nenhuma importância, como se mostrar um afeto a uma mulher o tornasse menos machista. Mas Mestre R ficou o mesmo em público como em particular. E sua preocupação e afeto por seus amigos eram claros. Porra, por que ela tinha que gostar tanto dele? Preciso ir para casa. Logo. Gabi bateu nos ombros dela. “Está segurando tudo bem?” “Oh claro. Só quero mais, sabe?” Andrea inclinou o rosto para cima, e o sol se refletiu em seu cabelo dourado. “Eu aposto.” Uma mulher grande, com uma figura cheia, seu tamanho era perfeito para Cullen. Kim sorriu para ela. “Obrigado pelo suporte no Shadowlands na outra noite. Ajudou saber que as pessoas estavam vigiando as coisas. A mim.” Andrea cutucou seu braço do mesmo jeito que Gabi. “Sem problema. No Shadowlands, subs cuidam uns dos outros. Levei um tempo para realmente conseguir isso.” “Sem brincadeira.” Gabi zombou amigavelmente em Andrea, e então olhou para Kim. “Quando a Sra. Me-Chamo-Independência aqui realmente pediu a Beth para ajudá-la com a plantação de um jardim, pensei que o grupo inteiro cairia morto em choque.” Gabi inclinou a cabeça para trás, deixando a brisa amarfanhar seu cabelo felpudo. “Estou feliz que Raoul tenha nos convidado hoje. Marcus processou um caso de assassinato realmente desagradável, e estava muito aborrecido. É bom poder fugir um pouco.” Kim sorriu, apreciando o quão normal o dia tinha sido. Céu azul com nuvens inchadas, névoa de oceano, conversa leve. Os pesadelos pareciam pertencer a outra pessoa. Ela olhou para cima quando as velas se derramaram no ar, e o barco diminuiu a velocidade. “Vamos ficar aqui para o almoço e natação,” Cullen disse. “Bom plano,” Andrea gritou de volta. “As duas estão com fome? O que vem primeiro — comer ou nadar?”

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Com o barco parado, o calor abafado aumentou rapidamente. “Nadar,” Kim decidiu. Ela tirou a roupa rosa de duas peças e pulou de volta. As bolhas espumaram ao seu redor, e o frescor do oceano sedoso a envolveu. Um grito soou, e Andrea bateu na água, criando uma onda relativa à maré. Gabi saltou do outro lado de Kim. “Isso parece perfeito.” Elas ficaram por um tempo, espirrando e fofocando, compartilhando receitas e contos dos Doms, programas de televisão e fofocas de Tampa. “Os rapazes não vão entrar na água?” Kim perguntou finalmente. “Eles são machos. As únicas coisas em que os homens são rápidos é o sexo.” Andrea sorriu. “Quer tentar fazê-los vir mais cedo?” Meio-escutando enquanto Marcus e Cullen discutiam um caso de incêndio premeditado, Raoul tomou um gole de seu chá gelado e pensou em Kimberly. Tinha gostado de vê-la relaxar, conversando e rindo com as outras mulheres. Diferente de alguns submissos que tinha levado em passeios, ela se encaixava bem com os outros, aumentando o prazer do dia. Raoul tomou sua bebida em um só gole e escutou, esperando ouvir sua risadinha infecciosa novamente. Ele ouviu só as vozes dos homens, o tilintar das linhas e silencioso retalhar da vela, e as ondas batendo no barco. Nenhuma voz das mulheres. Nem mesmo qualquer espirrar. Ele se levantou para verificar adiante onde as mulheres tinham ficado ao sol. Ninguém. “Por que não há nenhum barulho? Onde estão as mulheres?” Cullen pausou em sua história, então definiu seu refrigerante. Perscrutou sobre o lado do estibordo e sacudiu a cabeça. “Que—” Marcus andou para o lado da porta. “Nada.” Um tremor de preocupação apunhalou em Raoul. A área não tinha nenhuma corrente forte — e as subs teriam gritado se tivessem problemas. Eu deveria ter observado mais perto. “Eu ficarei deste lado.” Já sem camisa, ele se equilibrou por um segundo e mergulhou. Nada.

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Ainda nenhum barulho. Ninguém poderia ficar tão quieto na água… A menos que quisessem. Ah. Ele fez uma carranca no barco, em ondas muito pequenas para esconder uma pessoa. Seguramente não seriam tão tolas… Ele nadou adiante e arredondou o casco à armação. As três mulheres estavam silenciosamente escondidas na seção de trampolim. As mãos de Kimberly estavam sobre a boca para suprimir o riso. Ele aplainou o sorriso e franziu o cenho para elas. “Estão todas com muitos problemas.” Com um grito, chamou os outros dois Doms. Cullen nadou em volta do lado, às viu, e amaldiçoou. “Pequenos bichinhos sorrateiros, não é?” Estendeu a mão e agarrou Andrea. Ela ganiu e chutou seu pé se conectando com o intestino de Cullen. Ele chupou água, e ela se soltou, e nadou passando por ele. Quando Marcus arredondou na armação, Gabi fugiu. Kimberly seguiu bem na sua esteira, e Raoul a perseguiu. Sua pequena sub sabia nadar — melhor que ele, aliás. Ele finalmente a pegou, em parte porque ela não conseguia parar de rir, e ele gostava do som demais para querer que acabasse. Kim sorriu, sentindo o modo como Mestre R a cercou enquanto subia a escada. Talvez porque o bateu de volta na água na última vez? Deus, ele estava indo para matá-la. Seus lados doíam de tanto rir quando se juntou aos outros. A área de trampolim plana entre as armações do catamarã onde Kim e as outras mulheres vadiaram, tinha crescido lotada com a adição dos irritados homens. Tentando parar de rir, Kim se apoiou na grade e assistiu seu mestre subir a escada. Oh meu Deus, só olhe para ele. A água escorria do centro do peito entre os músculos sólidos que pareciam como tivessem sido esculpidos em cedro. O calção molhado caído em seus quadris, exibindo seu abdômen sulcado. Quando ele cruzou os braços, ela não conseguiu desviar o

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olhar dos músculos rígidos como pedra de seus bíceps. Os outros homens tinham grandes construções, mas Mestre R parecia um deus da guerra. E, uh-oh, ele parecia tão bravo quanto um. Quando seus olhos escuros se focaram nela, seu riso morreu, e sua boca ficou seca. “Kimberly. Estou descontente.” Sua garganta entupiu no pensamento de que poderia ter realmente o chateado, e ela caiu de joelhos na malha sem pensar. Sua cabeça se curvou. “Sinto muito, Mestre.” Silêncio. Ela olhou para cima através de suas pestanas e viu o riso em seus olhos. Ele não estava realmente louco, afogue ele. “Não é bonito mentir. Mestre,” ela murmurou. O que tinha acontecido com a honestidade? Uma mão quente se curvou em seu queixo, e ele ergueu seu rosto. “Você está certa, gatita. Eu não deveria fazê-la pensar que estou bravo quando não estou.” Seus lábios se curvaram em um sorriso diabólico. “Eu tinha planejado lhe dizer que foi desobediente e castigá-la, mas isso seria errado.” Oh, bom. Ela deu um suspiro de alívio. “Porém, eu ainda planejo castigá-la… Só porque eu quero. Sou seu mestre, e isso é toda a razão que eu preciso.” Sua boca se abriu. “Você vai me machucar… Por diversão?” “Com certeza.” Ele agarrou seus braços e a puxou de pé. Kim olhou ao redor, começando a perceber o que tinha acontecido — o pequeno jogo havia transformado os homens descontraídos em Doms, e a atmosfera simples do passeio de barco tinha mudado. Cullen já tinha arrastado Andrea de volta para a cabine do piloto. Ela podia ouvir a batida da mão enorme batendo na carne nua, e o som era perturbador. Erótico. Marcus tinha empurrado Gabi em seus joelhos. Kim olhou para ele. Este não era o Sulista sempre tão educado que tinha conhecido. Seus olhos azuis estavam gelados quando

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disse a Gabi que sua diversão tinha feito sua cerveja ficar quente, e que isso era simplesmente inaceitável. “Sua cerveja ficou quente?” Com o cenho franzido em seu Dom, Gabi empurrou os cabelos dos olhos. “Deus, você está tenso. Talvez os alienígenas tenham se esquecido de remover sua sonda anal?” “Já chega.” Ele agarrou seus cabelos e a empurrou em direção ao leme. Kim sorriu. Os mimados Doms queriam um banco confortável onde sentar para castigar suas subs. Ainda sorrindo, ela olhou para Mestre R. Ele a estava estudando com um olhar especulativo em seus olhos, como se avaliando o quanto ela poderia tomar. Ela tragou. “O que vai fazer Mestre?” “Dispa-se para mim, por favor.” Oh menino. Ele poderia estar se divertindo, mas seu tom disse que seria melhor ela assistir seu passo. A primeira pequena labareda de excitação faiscou para vida em sua barriga. Ela tirou o top e saiu da parte inferior insuficiente. Quando colocou as mãos atrás das costas, ela sabia o que ele queria e assumiu a posição de inspecionar que a tinha ensinado. Pernas afastadas, mãos atrás da cabeça, elevando seus seios. As gotas frias da água escorreram pelas costas do cabelo emaranhado. A malha era quente sob seus pés descalços, a brisa fresca em seu corpo úmido. Ele andou ao seu redor lentamente, seu olhar mais quente que o sol contra seus ombros. “Eu prefiro seus mamilos quando estão mais coloridos,” ele disse finalmente. “A água os deixou azuis.” Que tipo de reclamação era essa? Ele balançou a cabeça nela quando tentou dizer algo. “Fique em posição, sumisita.” Ele entrou no salão e retornou com a cesta de piquenique e algumas almofadas, que lançou ao redor da área. Depois de vasculhar na cesta, ele tirou… Um pacote de espetinhos de madeira? Faixas de borracha? E um saco marrom de almoço.

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Que droga? Ele abriu o pacote, retirando dois dos espetos. Ela os olhou com uma carranca. Eles pareciam muito pontudos. “Você acha que estão afiados?” Ele perguntou em um tom leve enquanto os quebrava ao meio, transformando-os em alguns centímetros de comprimento. Ele alinhou as pontas pontiagudas, envolveu os dedos dela ao redor dos quatro… E os apertou suavemente em seu seio superior. “Eles estão afiados?” Ele perguntou, como se meramente curioso. A sensação, só uma pitada de dor, tirou seu fôlego. “Um. Eu acho.” “Bom.” Os bateu contra a pele, levemente em um círculo ao redor de seus seios, deixando marcas como impressões do mouse para trás. Ela endureceu na pequena picada — despertando — dores. Seus mamilos não poderiam ficar mais apertados, e seu clitóris cutucou para fora como se querendo atenção também. Mestre R trabalhou seu caminho até a extremidade de seu mamilo, então correu a mão livre entre suas pernas. Deslizou os dedos facilmente através de suas dobras molhadas e acariciou o duro cerne pedindo urgência. Seus quadris balançaram adiante quando seu dedo mediano a penetrou até a junta. Então a segunda junta. “Acredito que exploraremos mais dor hoje,” disse sua voz suave se enrolando em seus nervos. “Você parece estar pronta.” Dor. Sua boceta apertou, e seu dedo estava ali para dizer. Maldição. O pensamento de dor a apavorou… E a excitou ao mesmo tempo. E ele sabia. As pequenas varas afiadas trabalharam em direção ao seio esquerdo e atrás para fora, não tocando muito a auréola. Arreliando-a. Ela podia sentir seus seios crescerem mais pesados, mais inchados. Doloridos. Ele bateu as pontas afiadas direto em cima do mamilo. A mordida súbita de dor enviou eletricidade carnal rasgando de seu cume sensível direto para seu clitóris.

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Quando ela tentou recuar, ele empurrou seu dedo mais fundo em sua boceta em uma íntima ancoragem. As varas se moveram para sua outra mama. Oh Deus, sabendo como se sentia aumentava sua antecipação. O mamilo esquerdo ainda picava quando circulou seu seio direito. Seu clitóris pulsava de forma selvagem, e quando os pontos picaram sempre tão levemente em seu mamilo direito, ela quase gozou. Mas não foi o bastante. Seu corpo inteiro incendiou com necessidade. Ela choramingou quando ele se afastou, deixando-a vazia por dentro. Seus lábios firmes se curvaram em um sorriso. “Eu amo os sons que você faz cariño.” A beijou docemente, então puxou um mamilo, arrastando-o impiedosamente a um ponto. Beijos doces. Quer dizer dedos. Seu cérebro afiou. Ele colocou um espeto na horizontal acima e abaixo do cume, apertando-o entre eles. Sua boca se abriu quando colocou as faixas de borracha em cada extremidade. Braçadeiras de mamilos caseiras. O mamilo achatou quando ele aumentou a pressão com as faixas de borracha, e a dor cresceu. “Mmm” ela protestou, com medo de gritar, “Ow.” “Respire através da dor. Uma respiração. Outra.” Ele segurou seu queixo, forçando-a a olhar para ele. “Tome a dor — para seu Mestre.” Para Mestre R. Ela chupou o ar pelo nariz, os dentes cerrados. “Bom gatita.” A ternura em sua voz aumentou sua determinação de resistir. A dor aliviou para uma aprazível sensação de beliscar, mas uma que não parou, mantendo-a constantemente ciente do desconforto. Ele fez a mesma coisa em seu outro mamilo, observando-a com expectativa enquanto apertava seus dentes juntos, antes da mordida deixá-la recuperar o fôlego. “Uma sumisa tão boa.” Dando um passo atrás, ele inspecionou seu trabalho. “Muito bom. Pode relaxar agora.”

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Ela desceu as mãos em seus lados, silvando quando o movimento empurrou seus seios. “Hei, isso é um grande olhar.” A voz áspera de Cullen. Ele e Andrea tinham retornado. Sua sub estava nua, tão nua quanto Kim. Os olhos de Andrea se arregalaram quando viu o que Mestre R tinha feito. Ela olhou cautelosamente para Cullen. Ele sorriu. “Esses seus grandes mamilos espremerão e parecerão ótimos.” Quando Andrea estalou algo em espanhol, ele pediu a Raoul, “Tem mais desses, amigo?” Mestre R fixou o pacote e a saco das pequenas faixas de borracha nas mãos de Kim. “Leve-os para Mestre Cullen,” ele disse. Kim cruzou o trampolim e soltou as coisas do mal na grande palma. “Obrigado, carinho. Agora volte para Mestre Raoul.” Não estou certa se quero. Kim olhou para água. Escapar novamente? Não, ele a pegaria e, provavelmente, estaria verdadeiramente chateado. Com um suspiro, ela voltou e se ajoelhou na frente de Mestre R. O trampolim vibrou quando Marcus retornou, seguido por uma Gabi aparentemente obediente. Ele apontou para os pés, e Gabi ficou de joelhos. Kim trocou um olhar sentido com sua amiga, sentindo como as coisas mudaram. Quando elas visitaram clubes de BDSM juntas, as cenas tinham sido apenas diversão erótica. Hoje era mais. Sob as provocações de Mestre R, Kim ouviu uma nota séria, a inegável vontade do mestre. Talvez essa fosse à diferença entre um Dom que realmente não a conhecia e um que sabia exatamente onde colocar seus limites… E com intenção de empurrá-los. Sentindo-se balançada com mais do que o movimento do barco, ela encontrou seu olhar pensativo. “Raoul.” Marcus estava estudando os seios de Kim, o riso em seus olhos azuis penetrantes. “Posso perguntar se por acaso você tem mais alguma coisa interessante?” “Se eu soubesse que as submissas se tornariam tão incontroláveis, teria trazido minha bolsa de brinquedos. Mas há mais algumas coisas pervertidas na cesta de piquenique.”

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Marcus bateu levemente na cabeça de Gabi. “Bem, logo veremos o que posso encontrar, não é, doce?” Ele andou ao redor dela e ergueu a tampa. Kim mordeu o lábio, tentando não rir quando os olhos de Gabi começaram a faiscar. Temperamento, temperamento, Gabrielle. “Cullen, tem corda, homem.” Marcus jogou um punhado de cordas precut18 e um par de tesouras pesadas no meio da área e cavou mais distante. “Ah, aqui vamos nós.” Ele endireitou, segurando faixas de borracha e duas braçadeiras de plástico, mais ou menos oito centímetros com extremidades dentadas. Os olhos de Gabi atiraram fogo. “Você não está colocando-os em mim. Você idiota, essas são para sacos de batata frita, não para seios.” “Mãos atrás das costas.” Ela olhou para o conjunto de sua mandíbula, e suas mãos se entrelaçaram atrás das costas. “Muito bem, doce.” Com a primeira braçadeira, Gabi ganiu, silvando quando ele contornou uma faixa de borracha na parte da alça para diminuir a pressão. Os olhos de Kim se estreitaram quando percebeu que havia nas braçadeiras pedaços lascados nas alças, de forma que as faixas de borracha não deslizassem. Mestre R as tinha usado antes, não é? Ela deu a seu mestre uma carranca. Astuto Dom. Sorrindo, ele se curvou e sussurrou, “Ela terá um acesso de raiva a qualquer momento.” Kim sufocou uma risada. Quando tinha ficado com o casal, tinha ouvido alguns insultos muito criativos. A voz de Gabi levou algumas formas.

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Marcus colocou a segunda braçadeira, e Gabi fez um som como uma chaleira. Sorrindo, ele segurou seus braços superiores, mantendo-a de se mover. Depois de alguns minutos, ele perguntou, “Melhor?” Gabi o olhou. “Se você quiser adicionar alguma variedade à sua vida sexual, por que você só não usa a outra mão?” Marcus deu uma risada. Empurrando suas pernas abertas, ele espalmou sua boceta, então segurou sua palma brilhando para mostrar. “Você parece gostar desse tipo de variedade, querida.” Ele sorriu quando ela ficou vermelha e estalou obviamente à procura de um insulto potente o suficiente. Os olhos de Kim se encheram de lágrimas. Mestre R virou seu rosto para ele, franzindo a testa. “Ele não vai machucá-la, chiquita. Eu prometo. Isso é como gostam de jogar.” “Não é isso.” Kim piscou e sorriu para ele. “Estou tão feliz por ela. Eu sempre desejei que encontrasse alguém que a empurrasse para ser ela mesma e não a pessoa perfeita que seus pais queriam.” “Doce gatita.” Mestre R beijou o topo de sua cabeça. Olhou o outro casal, Gabi bufando outro insulto, então atirou em Kim um olhar de advertência. “Por via das dúvidas, se você pensa em imitar sua amiga, eu não permitirei tal desrespeito.” Ela já sabia disso. Ele tinha lhe dado muita liberdade, mas tinha aprendido a que distância ela poderia ir com sua boca. Se dissesse o que Gabi tinha dito, ela teria tido seu bumbum empolado, e aquela certeza parecia realmente reconfortante, como quando os ventos paravam de mudar de direção e sopravam direto e verdadeiro. “Sim, Mestre.” “Agora, você vai me agradar com sua boca macia, e se você fizer bem, seu castigo não será… Muito ruim.” “Qual será meu castigo, Mestre?”

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Os cantos de seus olhos ondularam, mas ele não respondeu, apenas abriu sua bermuda e tirou seu pênis. O piercing refletiu na luz. Oh Deus, ela não tinha feito isso desde… Desde Lord Greville e… Um tremor a percorreu. “Fácil, gatita.” Ele estendeu as mãos para ela, e ela colocou a sua na dele. Ele apertou confiança, então enrolou os dedos em volta de sua ereção. Mais quente que o sol com aço sob a pele aveludada. Ela abriu a boca para tomá-lo — e congelou. Eles tinham amarrado suas mãos atrás das costas; Aquele dispositivo segurava sua boca aberta. Empurrando em sua garganta, sufocando-a, sem ar. “Kimberly.” Um puxão afiado em seu cabelo a lembrou de onde estava. “Assista-me, não o passado.” Ela puxou seus pensamentos juntos, pensou através do medo do jeito que Faith a havia ensinado, sabendo que ele a deixaria tomar o contato que precisasse. Depois de um minuto, ela assentiu. Pronto. E lembrou-se, este é Mestre R. “Use suas mãos.” Ela sorriu, lembrando-se da primeira vez que fizeram amor, como a tinha deixado ir tão lento quanto quisesse desde que continuasse avançando. Tão paciente e tranquilo. Ele podia conhecê-la bem, mas ela o conhecia também, e Deus, isso realmente, realmente ajudava. Ele fez um barulho atrás da garganta, um som de Dom, no estilo de encorajamento e estímulo. Pare de pensar. “Sim, Mestre.” Deslizou as mãos de cima a baixo de seu pênis. Estava tão ingurgitado que a pele tinha se esticado, as veias dilatadas. O equipamento dos homens nunca lhe tinha parecido particularmente atraente, mas Mestre R era tão devastadoramente potente e macho. Ela correu um dedo em torno da cabeça, tocou o piercing, segurou suas bolas pesadas, e sentiu o leve cabelo fazer cócegas em sua palma. Ela aninhou sua virilha e inalou. Seu próprio odor masculino tinha se entrosado com o do oceano. Seus músculos soltos. “Agora sua língua,” ele murmurou.

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Ela se inclinou adiante e correu a língua por seu comprimento, deixando-o molhado. Ele zumbiu seu prazer, e calor a encheu. Deus, ela amava aquele som que ele fazia. Ela lambeu até que seu pênis estava molhado e localizou cada veia. Então olhou para cima. Quando ele acenou a permissão, ela o levou em sua boca, tentando ir fundo como— “Não, tesoro mío.” Embrulhou as mãos em torno da base de seu pênis, impedindo-a de levá-lo completamente. “Se eu quisesse foder sua garganta, eu removeria o piercing primeiro, pelo menos até que você tenha mais experiência. Por hoje, jogue com o que te dei. E seja cuidadosa com o metal, é implacável com os dentes.” Oooh. Ela passou a língua sobre os dentes. Evite o piercing, Kim. Ele ainda estava preocupado, ela podia ver, mas na verdade, sonhava em ter seu pênis em sua boca. Estava pronta. Realmente. Ela o levou cuidadosamente, certificando-se que seus dentes passassem o piercing… E então jogou como a tinha instruído. Deslizou a língua ao redor dele, então chupou vigorosamente o suficiente para conseguir um gemido baixo de aprovação. Segurou seus testículos com uma mão, apreciando o peso e tamanho. Mmm. E ele iria provavelmente lhe bater se o chamasse de Mestre Touro. Erguendo a cabeça, ela tomou o topo de sua ereção entre os lábios e brincou com o piercing com a língua. Cuidadosamente puxando a bola de metal com os dentes, ganhou um crescente gemido. A mão se enroscou em seu cabelo, e ela congelou; Quando ele não fez mais nada, ela continuou. Ele cresceu mais duro, e ela se gloriava nisso. “Certo, pequena torturadora.” Usando seu cabelo, ele puxou suavemente para longe. “Agora para o castigo que te prometi um tempo atrás.” “O que é?” Seu sorriso do mal não era tranquilizador, no mínimo. “Bunda no ar, por favor.” Uma surra? Ela se posicionou cuidadosa com os seios, que ainda ardiam e doíam cada vez que empurrava as braçadeiras de mamilo estranhas. Depois de colocar a cabeça em seus antebraços, arqueou sua bunda para cima.

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Ele levantou o saco e removeu… Oh, inferno santo, o plug anal que tinha escolhido dos que tinha escondido. Ela realmente esperava que tivesse esquecido. Fechou os olhos, querendo lamentar. O plug tinha a forma de um peixe-dourado rechonchudo e redondo… Em esteróides. Muito grande. Ele tinha usado os dedos nela uma vez ou duas e uma vez tinha colocado um plug pequeno durante um chuveiro, mas isso… Ele gotejou lubrificante sobre ele e entre suas bochechas. Os músculos de seu buraco vulnerável enrugaram mais firmemente, e ela tentou torcer sua bunda para longe. Um bofetão pungente a fez saltar. “Você não se mova.” “Sinto muito, Mestre.” “Gatita.” Sua voz era tão calmante que ela quis se rastejar em seu colo. “Eu acredito que você gostará disso uma vez que estiver lá. Até então, você tomará o desconforto para mim, não vai?” Sua mão acariciou o lugar que tinha estapeado, transformando a dor em prazer. Sua excitação umedeceu o interior das coxas, e ela quis implorar para que apenas a fodesse ao invés. Mas sua mão calejada em sua bunda — tão determinada, tão cuidadosa — fez sua língua se enrolar. “Agora empurre de volta contra meu dedo.” Ele circulou a borda com um dedo liso, então firmemente a penetrou. Ela lamentou ao sentir o estiramento. Não doloroso. Desconfortável. Ele adicionou outro dedo, lentamente empurrando dentro e fora. “Esse é um belo cu. Talvez iremos para a cama mais cedo hoje, não? Eu apreciaria estar lá.” Um tremor de nervos e excitação a percorreu. Ele se retirou e apertou o plug anal liso contra ela. Empurrou a ponta dentro e fora, cada vez mais distante. Era maior — mais que o tamanho de seus dedos, estirando e queimando. Seu aperto no quadril a manteve de se afastar novamente quando o empurrou lentamente para dentro. Cada vez mais largo. Ela gemeu e empurrou sua testa contra os braços, tentando não lembrar… Deles. A dor. Ela ficou tensa.

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“Ssssh. Quase lá, chiquita.” E então com um pop sem som, estava lá, e seus músculos povoaram na parte da bunda, que era menor que o resto. Ela ficou na posição, arquejando, sentindo sua mão forte roçando seu bumbum tranquilizador. Suas memórias desapareceram sob seu toque. Nunca antes teve qualquer coisa lá atrás também a despertando. Como algo tão desconfortante podia fazer seu clitóris pulsar tão descontroladamente? “Você foi muito bem. Estou orgulho de você,” ele murmurou, roçando suas costas e seu bumbum, e ela percebeu que suportaria muito mais para ganhar aquela nota de aprovação em sua voz. “Você não esconderá brinquedos mais, não é, chiquita?” “Da próxima vez, esconderei só os pequenos.” Um segundo, e então ele riu o som sexy e encantador que sempre a fazia sorrir. Ele disse severamente, “Mal gatita. Nada de brinquedos escondidos.” O bofetão leve em sua bunda empurrou o plug mais distante, zunindo contra nervos desconhecidos. “Não, Mestre. Nunca.” Ela virou a cabeça, olhando o saco estendido ao seu lado. Não estava vazio. O que mais ele tinha trazido? Ele a ajudou a ficar de pé, e a coisa sórdida enfiada em seu traseiro se pareceu enorme quando as bochechas se fecharam ao redor dele. Ela trocou seu peso, tentando encontrar uma posição confortável. Mestre R sorriu. “Não se preocupe; Você não estará mais pensando sobre isso daqui a pouco.” Ele apontou para um canto do trampolim. “Deite-se ali, de costas.” A cada passo a coisa se movia dentro dela, e o desconforto a fez ciente do quão molhada estava e o quão inchada sua boceta tinha ficado. Seu clitóris implorava em um pulsar pesado para ser tocado. Mas tocar a si mesma era uma ofensa de surra. Ser espancada com um plug anal? Essa não é minha escolha de formas divertidas de passar à tarde. Cuidadosamente se deitou onde tinha sido direcionada.

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Ele pegou uma corda da pilha e amarrou seus pulsos juntos, então acima de sua cabeça em um ferro na grade. Uma almofada foi colocada sob seus quadris arqueando sua pélvis para o ar. Depois de conter suas pernas bem afastadas, sentou-se sobre os calcanhares, correndo o olhar da cabeça aos pés, demorando-se em seus seios e então sua boceta. Ela nunca tinha se sentido tão exposta. Tão disponível. “Você é linda, Kimberly.” Uh-huh. Ela sabia muito bem, ela era só razoavelmente bonita, mas quando ele dizia isso, olhando-a assim, se sentia absolutamente quente. E totalmente pronta para que ele puxasse seu pau para fora e a possuísse. Agora, agora, agora. Ela se contorceu. “Não, você não me atrairá para me mover mais rápido.” Seus olhos estavam pesados sob as pálpebras enquanto rastejava os dedos sobre seu monte, então traçava seus lábios abaixo. Deu um menear no plug anal que faiscou tiros de eletricidade diretamente para seu clitóris. Seus quadris se empurraram para cima incontrolavelmente, e um vinco apareceu em seu rosto. “Pensei que pudesse gostar do plug.” Seu sorriso cresceu. “Agora você terá um novo brinquedo também.” Ele puxou a coisa escondida fora do saco. Parecendo suave e do tamanho de um par de dedos e polegar formando uma curva de C. “Eu não acho que precisa de lubrificante para este.” Ele empurrou uma das extremidades do C em sua boceta escorregadia e angulou a outra parte sobre seu clitóris, deixando-o descansar lá. Não fazendo nada, maldição, mas com aquele plug anal monstruoso, até a parte pequena dentro dela parecia excessivamente apertada. Demais. Sua frequência cardíaca aumentou quando seu corpo estremeceu com a sensação de estar presa. Penetrada. Com um gemido, fechou os olhos e tentou relaxar. Ondas espirraram no barco, o som de um motor distante se misturou com as calças de uma das outras mulheres e o rosnado baixo de uma voz de homem. O sol brilhava sobre ela, aquecendo sua pele para quase a temperatura que estava por dentro. Puxando nas restrições, ela não encontrou as mãos e podia sentir as últimas sobras de seu controle se esvaindo. Impotente. Vulnerável. Abriu os olhos e olhou para cima.

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Ele estava ao lado dela, observando-a se contorcer e lutar, sua consideração silenciosa reforçando sua determinação óbvia de que ela estaria aberta para ele tanto emocionalmente quanto também fisicamente. Que ela se rendesse. Sob o poder de seu olhar, sua autoridade, sentiu os músculos ficarem moles. E ela desistiu. Seus olhos se aqueceram em aprovação. “Sumisita mía,” disse suavemente. Abaixando-se em um joelho, correu as juntas ternamente sobre sua bochecha. Ela virou a cabeça e beijou seus dedos, a ação tão… Certa. Assim como era seu beijo a seguir. Depois de um minuto, ele se sentou de volta, e sua expressão mudou. Calor. Antecipação. “Eu gosto dessa posição. Você parece um sacrifício pagão, toda esticada, só esperando para ser servida a um deus.” O sacrifício não tinha soado bom. “Mestre R.” Ela tentou um tom austero de professor, mas sua voz soou mais como um aluno nervoso em sua primeira avaliação que tinha molhado a calça. O que ele poderia estar planejando? Não tinha nenhum chicote ou floggers a bordo, e nenhum brinquedo foi deixado no saco. Sua expressão tinha um pouco da severidade que via quando bagunçava. Estava definitivamente excitado — sua ereção continuava uma tenda na frente do short. E seus olhos pareciam divertidos. O que a preocupava ainda mais. Ela lambeu os lábios, saboreando-o. Ele escarranchou seus quadris, mantendo todo seu peso nos joelhos. Suavemente, deslizou os dedos pelo interior de seus braços, sobre as axilas, que a fizeram saltar, e abaixo nas costelas. Seu toque era leve, quase demasiadamente leve. De volta. Sua pele cresceu mais sensível. Ele parou abaixo das axilas, acariciando mais alto, e… Cócegas. Ela tentou se afastar, mas ele a tinha amarrado imóvel. Ele brincou com os dedos sob seus braços. As risadas quebraram dela, e ela se contorceu. “Pare com isso. Sinto cócegas!”

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Seu sorriso era branco contra a pele bronzeada. “Cariño, eu sei.” Ele fez novamente, fazendo-a rir incontrolavelmente, não parando nem quando ela começou a amaldiçoar. “Maldito seja,” ofegou quando ele se sentou de volta. “Pare com isto. Eu não gosto.” “Disse que seria castigada, mi pequeña sumisa. Você pensou que eu estava brincando?” “Mas não desse jeito.” Bom Deus. “Eu prefiro ser espancada.” Ele sorriu e disse baixinho, “Eu sei.” Ela sorriu para ele. “Já acabou?” “Oh não. Eu ainda estou explorando.” Ela gemeu. “Mas vou misturar algumas sensações junto para ver como você faz.” Ele foi até a parte do brinquedo que pairava sobre o clitóris e clicou algo. Um zumbido começou dentro dela e em seu clitóris. Muito luzidio, muito lento para fazer algo, mas… Distraindo-a. Só uma vibração suficiente para frustrá-la, como se estivesse montando em uma Harley, mas não o suficiente para fazê-la gozar. Mestre R assistia a mão roçando seu braço, deixando sua necessidade crescer. Deixando-a ensopada. “Respire fundo, chiquita. Você não está sendo castigada o bastante” — ele sorriu — “embora você esteja suando o suficiente, sim?” Deus, suor escorria entre seus seios e pelo rosto. “Por favor, pare agora.” Seus quadris meneavam incontrolavelmente. “Ah, mas eu gosto de vê-la se contorcer. E rir. Você não ri o suficiente.” Ele clicou o vibrador por vários ciclos, estabelecendo-o em um ritmo irregular estranho, rápido, então lento. Trazendo-a perto do orgasmo, então retrocedendo muito cedo. Dirigindo-a. Deus, ele vai me matar. Ele se moveu entre suas pernas, os joelhos pressionando o interior de suas coxas. Quando as vibrações aumentaram e ela endureceu com o clímax já próximo, seus dedos escovaram o interior abaixo de seus antebraços novamente, seguindo para a área tenra sob os braços, arreliando-a com toques plumosos. Ela ofegou, empurrando-se sem ajuda. Rindo,

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então gemendo, então rindo, enquanto seus dedos pastavam sobre a pele cada vez mais sensível. Ele diminuiu os dedos se movendo só o suficiente para mantê-la ciente, para manter seu corpo inteiro tenso enquanto o vibrador impiedosamente a trazia de volta à beira. Oh Deus, eu preciso gozar. Sua parte inferior se enrolou, a sensação estranhamente intensa. Com o zumbir sobre seu ponto G por dentro, o chamejar sobre o clitóris por fora, toda a área inteira de nervos entre eles ficaram apertados. A pressão dentro dela se construindo mais alta… Mais alta… Tudo se fechou por um longo segundo, impossível, e ela explodiu. Deus, Deus, Deus. Até mesmo enquanto se corcoveava sob o clímax, Mestre R desenhou as unhas levemente sobre suas costelas. Ela arqueou quando novas sensações explodiram através dela, fazendo-a sorrir, fazendo-a gritar, enviando o mundo inteiro em uma chama de sensações, esbofeteandoa entre o prazer e a tortura e mais prazer. Ela estremeceu em uma parada, finalmente, lentamente percebendo que ele tinha parado de lhe fazer cócegas e também removido o vibrador. Sorrindo, ele aninhou seu rosto. “Seu bastardo,” ela ofegou. “Não, Mamá insiste que nasci de um casamento,” ele protestou e reivindicou um beijo quente, molhado, puxando-a sob seu feitiço novamente. Ok, ela o odiava, mas ela o amava, ainda que fosse um sádico de merda imbecil. Sentando-se de volta, ele correu a mão por suas coxas, acariciando-a suavemente, fazendo-a se sentir estimada e bela, ainda que os tremores continuassem a percorrer seu corpo. “Sabe amigo,” Cullen disse um minuto depois. “Nunca vi uma sessão de cócegas tão quente. Não estou certo se era mesmo um castigo, mas maldição.” Olhou Andrea especulativamente. Ela sacudiu a cabeça freneticamente. “Não. Absolutamente não. Eu odeio ser agradada. Você nem sequer pense nisso.”

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Mestre R sussurrou no ouvido de Kim, “Uma lição pra você. Isso nunca é uma coisa esperta para dizer ao seu Dom.” Kim se engasgou com uma risada. A partir do meio esgar no rosto de Cullen, ele tinha acabado de pular a bordo com a ideia das cócegas. Já tinha as mãos de Andrea presas à sua frente, e agora a levantou de pé. Girando-a em direção ao oceano, ele chicoteou suas mãos para a grade, forçando-a a dobrar a cintura, e amarrou seus tornozelos extensamente separados nos suportes. “Não, Cullen. Por favor, não, Señor.” “Eu não tenho um vibrador, mas nós administraremos pequeno tigre.” Sua risada ecoou, e ele saiu de seu short, ficando completamente confortável totalmente nu. “Lance-me esse lubrificante, Raoul.” Ele pegou o lubrificante e chuviscou algum entre as nádegas de sua sub e mais em seu muito erguido pênis. “Oh, Deus, você não iria,” Andrea ofegou. Ele contemplou o corpo estendido diante dele, então fez uma carranca. “Preciso aquecê-la primeiro, certo?” Seus dedos deslizaram de suas axilas até seu clitóris e de volta. Uma vez que tinha Andrea amaldiçoando-o, e rindo, e meneando incontrolavelmente, ele trabalhou seu pênis em seu ânus, um pouco a princípio, então empurrando a distância toda. Ela gemeu, e gemeu novamente quando ele começou a empurrar. Sua mão desapareceu à sua frente, e do jeito como Andrea gemia, ele estava brincando com seu clitóris. “Esses sons são ótimos, amor.” Cullen embrulhou o braço livre sob seu estômago, estabilizando-os, e mudou de seu clitóris até fazer cócegas em seus braços. Risos e gemidos encheram o ar. Deus se fizessem isso na cidade, Kim pensou, a polícia estaria batendo a porta abaixo. Andrea estava implorando e amaldiçoando, principalmente em espanhol. Kim sorriu. Taí alguém que poderia pedir para traduzir os palavrões de Mestre R. Do som rítmico de pancada no lado do veleiro, Marcus tinha tomado Gabi na água e estava se divertindo. Uma série de insultos foram abruptamente cortados, e então um minuto

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depois, Gabi estalou. Uma voz sulina muito tranquila disse, “Doce, você está arrumando para se afogar se mantiver isso. Agora chupe.” Deus, estes Doms. Kim sacudiu a cabeça e olhou para cima. A expressão de Mestre R era tenra enquanto corria o dedo sobre seus lábios. “Ainda está sorridente, mi tesoro,” ele murmurou. “Eu gosto de vê-la feliz.” Ele a beijou suavemente, demoradamente, de um jeito que revirou seu coração. “Eu acredito que estes já ficaram tempo suficiente, então vamos tirá-los.” Se debruçou e pegou a tesoura do convés. Estes? Quando seus dedos tocaram seu seio esquerdo, ela percebeu. As braçadeiras. Oh não. Ele cortou as faixas de borracha. Quando os espetos de madeira caíram, sangue subiu de volta em seu mamilo. Ela rangeu os dentes juntos, quando fogo floresceu em seu seio, e somente uma choradeira escapou, mudando para um lamento alto quando Mestre R os acariciou com a língua sobre o pulsar do cume. A dor cresceu pior, então ficou erótica, quando continuou a lamber círculos em torno do mamilo e soprar sobre ele. Seu clitóris começou a latejar em resposta, e então Mestre R desfez a outra braçadeira. “Ow, ow, ow, porra, ow.” Ele riu e lambeu sobre as chamas, fazendo-a estremecer, fazendo um fluxo de sensações como uma banda marchando direto para seu clitóris. Ele se moveu para baixo, beliscando seu lado, lambendo seu umbigo, e deslizou a língua sobre seu clitóris. Quente e úmida, e o choque arqueou suas costas. Sua língua circulou, brincou com o capuz, despertando sua boceta inteira como se a tivesse atingido com um choque elétrico. Seu interior cerrou, fazendo-a muito ciente que ele não tinha removido o plug anal ainda. Talvez ela pudesse perguntar? Ele ergueu a cabeça tempo suficiente para sorrir para ela. “Você está sendo uma boa menina, Kimberly. Eu acredito que merece uma recompensa.” Lambeu sobre o clitóris, de

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cima a baixo, lento, mas deliberadamente, trazendo-a direto para a extremidade. Cada firme esfregão fazendo seu interior apertar ainda mais. Totalmente despertada, e maldição, fazendo-a sentir como se não tivesse controle sobre nada, nem mesmo seu corpo. Presa, não podia se mover, com um plug gigante, ela já tinha gozado, e agora estava — facilmente — lhe mostrando que podia fazê-la gozar novamente. “Vamos ver a quão apertada você está com seu brinquedo favorito ainda dentro,” Mestre R disse. Sentou-se e abriu a bermuda. Seus olhos se arregalaram quando ele apertou sua ereção contra sua entrada e empurrou um centímetro. Oh não. Muito grande. Muito, muito grande. “Espere. Não.” Seu piercing golpeou, e ele parou. Moveu-se em um novo ângulo, e o metal entrou uma pressão firme deslizando ao longo de seu interior. “Você não vai caber, porra. Você é muito grande.” “Não, Kimberly. O brinquedo que você escondeu é grande. Eu sou do tamanho certo.” Ele se debruçou adiante nos antebraços e a beijou, arreliando seus lábios. Segurando-se firmemente dentro dela por um minuto. Sua mão larga afagou seus seios. Beliscou os mamilos abusados fazendo-a arquear a espinha. E então, voltou a empurrar seu pênis, inexoravelmente, como uma falsificação de navio-tanque através do oceano. Ele observou seu rosto, sorrindo um pouco quando ela tentou menear livre. “Realmente machuca sumisita?” “Sim!” Sob seu olhar afiado, ela emendou irritada, “Mais ou menos. Não. Mas não é confortável.” Os cantos de seus olhos ondularam, e ele sussurrou, “Eu não pensei que seria.” E manteve-se indo até que estava, finalmente, completamente dentro. Suas bolas tocavam sua bunda. Deus, ela estava tão cheia que era quase impossível respirar. Estirada, doída, pulsando.

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Ela fechou os olhos e estremeceu. Ele estava em cima dela, dentro dela, e o sentimento de ser tomada — estar impotente — foi assustador, e ainda não, porque ele estava observandoa tão intimamente que sentia o calor de seu olhar. “Olhe para mim, gatita.” Sua voz estava áspera. Seus olhos se abriram e ficaram presos pelos dele. Intensos. Então ele puxou de volta, e cada centímetro de movimento de alguma forma transmutado em prazer requintado. Ela ofegou quando seu interior tentou apertar e espasmar sobre a abundância. Os olhos nela, ele deslizou lentamente de volta, então fora, totalmente em controle. Dentro e fora, balançando devagar enquanto ela se ajustava com a sensação. “Bueno,” ele murmurou, e seus golpes mudaram quando se dirigiu nela em curtas punhaladas, só parcialmente dentro. Com o plug anal, seu piercing esfregava até mais firmemente sobre aquele lugar sensível dentro dela. Golpe após golpe. A pressão em sua parte inferior cresceu plenamente, calafrios desesperados. “Eu preciso parar. Preciso do banheiro.” “Oh, acho que isso é outra coisa, mi tesoro.” Ele estendeu, umedecendo seus dedos, e acariciando-os sobre seu clitóris, sem nunca perder o empurrão determinado. Demais. O plug anal enviava estranhas sensações de zumbido através dela. Seu dedo implacável se esfregava nela por fora, seu pênis a perfurava por dentro como se prendessem seu sensível clitóris entre eles, impiedosamente a empurrando até que tudo dentro dela se juntou, girando seus sentidos como um furacão volumoso. Sem pausa. Não arreliando agora. Mais rápido, mais rápido, e então tudo girou completamente fora de controle. Ela se rompeu, quebrando, seu corpo inteiro tendo um orgasmo enquanto gritava e rebolava e quebrava um pouco mais. Ela sentiu umidade em toda parte, e Mestre R riu e bateu nela profundo e duro, e ela continuou gozando, incapaz de parar. Finalmente, ele ficou tenso em rigidez, pressionando-se nela até que podia sentir a distinto empurrão de seu pau contra seu útero, enquanto dava um ronco baixo de prazer.

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Seu peso a pressionou contra a malha quando se deitou sobre ela, irradiando tanta satisfação que fez lágrimas formigar em seus olhos. Então, com um gemido, ele subiu até trabalhar nas cordas ao redor de seus pulsos. Ela tragou, tentando falar, e nada saía. Tragou novamente. “Você é do mal.” Sua voz estava rouca de tanto rir, de gritar. “Sí.” Ele beijou sua orelha, então beliscou seu ombro e riu quando sua vagina cerrou em volta dele. Seus braços ficaram livres, seus pulsos ainda amarrados juntos, então ela cercou seu pescoço e se debruçou até beijá-lo. Ele a beijou de volta, tomando sua boca para agradar a si mesmo, até que ela se sentiu como cera derretida no chão. Como nunca se sentiu antes. Deus. Eventualmente, ele suspirou e se retirou, fazendo-a ciente da quão molhada estava. Depois de soltar suas pernas, ele a ajudou a sentar-se, então a firmou quando sua cabeça girou. Ela percebeu que estava encharcada, muito além do normal, e um rubor aqueceu seu rosto. Falar sobre uma mancha molhada. Pelo menos era malha debaixo dela. Ainda assim… “Eu… Sinto muito.” Droga, ela tinha dito que precisava ir ao banheiro. “Ah, Kimberly, não é xixi, chiquita.” Ele segurou seu rosto, forçando-a a olhar para ele. “Você fez o que é chamado de esguinchamento, embora seja uma palavra totalmente inadequada para algo tão erótico. Tão quente. Vocês mulheres têm clímax de muitas formas diferentes — esta é só uma delas.” Beijou-a provocantemente, seus olhos iluminados com riso. “Você gostou?” Ela inclinou a cabeça contra ele. “Eu não estava certa que sobreviveria a isso, mas… Sim.” “Então vou me esforçar para lhe dar mais desses.” Quando ele se levantou, ela fez uma carranca. “Hum, Mestre? Sem as cócegas da próxima vez?” Sim, talvez isso tenha feito seu corpo inteiro mais sensível e lhe dado um grande clímax, mas mesmo assim… Por favor, Deus, vamos saltar as coisas de cócegas.

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Ele tocou a ponta de seu nariz. “Isto, mi pequeña sumisa, dependerá do quão obediente você for, não?”

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Capítulo Quatorze A hora tinha chegado. Kimberly olhou para seu reflexo no espelho do quarto e passou um dedo sobre sua nova coleira. Mestre R obviamente tinha ordenado esta aqui especialmente para ela. Era muito macia por dentro. Por fora, o couro preto ostentava uma gravura de prata: Gatita de Mestre Raoul. Não tinha adicionado um cadeado, dizendo que ela se sentiria melhor se soubesse que poderia removê-la, e a gravura deixaria claro que era possuída. Ela tocou o couro. Tranquilizador. Eu sou a gata de Mestre R. Tenho garras, e sei como usá-las. Olhem bem, seus bastardos. Agora o resto de seu traje… Ugh. Uma micro minissaia de couro para a parte inferior, tão pequena que se fosse se curvar, eles veriam suas amígdalas. O top era até pior desde que o equipamento de couro decorativo deixava seus seios totalmente expostos. Ela aplicou a maquiagem com uma mão pesada, tentando disfarçar o medo em seus olhos. Medo do leilão, do supervisor, das escravas. Não Mestre R. Depois de ontem no barco, ela se sentia mais perto dele que nunca. Era sua segurança, um barco salva-vidas em um oceano de horizonte-a-horizonte. Ele surgiu atrás dela no comprimento do espelho, vestindo calças de couro coladas no corpo e um colete preto combinando. Seu rosto estava fixado, os olhos distantes. Ele parecia como na noite em que a tinha comprado, mas não aqui… Nunca em seu quarto antes. Seu olhar a levou, e seu comportamento inteiro suavizou. “Você está linda, gatita. O traje deveria manter sua atenção bem.” Ele colocou uma capa sobre seus ombros. “Eles chamaram e estão a só alguns minutos longe. Precisamos ir para a rua agora. Lembra-se de sua parte?” “Sim, Mestre.” Oh Deus.

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**** O furgão negro sem janelas, parou em frente à casa onde Raoul esperava, seu braço ao redor de sua valente submissa. Ela sofria um calafrio ocasional, mas estava segurando melhor do que pensava. Um contratado da Associação de Colheita saltou, abriu a porta lateral, e puxou a escada embutida para baixo. “Por favor, senhor.” Ele gesticulou para a porta. Raoul subiu os degraus instáveis e olhou para Kimberly em irritação descarada. “Venha, menina. Pare de engasgar.” Ela calçava os sapatos fetiche, altos e com saltos agulha, e quando se apressou adiante, tropeçou e caiu de joelhos. Com um suspiro alto e impaciente, Raoul colocou o braço no topo do furgão para se equilibrar e fez sinal ao assistente. “Ajude a cadela desajeitada.” Enquanto o homem ajudava Kimberly a ficar de pé, Raoul esmagou o frasco que tinha escondido em sua mão e passou o cotonete exposto em faixas longas através do teto do furgão. Para sua satisfação, nada apareceu. Kouros tinha dito que apenas óculos especiais poderiam ver a pintura brilhante. Desde que os traficantes usavam bloqueadores de GPS em suas casas e veículos, os dispositivos de rastreamento do FBI tinham sido inúteis. Mas agora, felizmente, um helicóptero poderia segui-los. Quando o pegassem, Sam faria a mesma manobra de esfregar. Raoul secretamente jogou o aplicador vazio alto no ar para aterrissar nos arbustos, e com um som irritado, ajudou Kimberly a subir o último degrau. No furgão, três homens desacompanhados ocupavam o assento de luxo próximo à porta, assistindo exibições de um pequeno DVD. Dois olhares ávidos se viraram em direção a Kimberly, e Raoul envolveu a capa mais firmemente em volta dela. Ela respirou fundo e ficou em linha reta. Brava gatita.

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“Posso ter seus artigos pessoais, por favor, senhor?” O assistente disse, aguardando nos degraus. Raoul entregou a carteira, celular e chaves para serem trancados fora, então sofreu uma leve batida. A ferramenta multifuncional em sua bota estava marcada com pontas afiadas e substituída quando ele mencionou que estaria fazendo uma demonstração. A luz relampejou em direção a Kimberly. Ela abriu sua capa, e todo mundo pôde ver que não estava escondendo nada. Quando o homem saltou e fechou a porta, Raoul escolheu um assento atrás, longe dos outros. Puxou Kimberly para seu colo, serpenteou a mão sob a capa e sobre seu seio. Seu olhar surpreso encontrou o dele, e ele a beijou levemente, murmurando em seu ouvido, “Se eu jogar com você, tenho uma razão para segurá-la em meu colo, mas se você preferir se ajoelhar aos meus pés, você pode.” Sua cabeça deu uma pequena sacudida. Em casa, ela teria lhe dado um olhar de riso e mostrado seu prazer em estar em seus braços. Não aqui. “Fique ao meu lado o tempo todo, Kimberly. Usaremos a guia novamente, mas mesmo assim, a quero perto o suficiente para senti-la. Fui claro?” “Sim, Mestre.” Ele segurou seu rosto na mão, correu o polegar sobre seus lábios. “Estou muito orgulhoso de você, cariño,” murmurou. Ela enterrou os braços de um jeito tão submisso, que ele não conseguiu encontrar força em seu coração para negar-lhe o conforto. Um tempo incalculável depois, eles saíram do furgão escuro e subiram por uma calçada para uma mansão ardendo com luzes. Raoul forçou seus ouvidos, pensando ter ouvido um sussurro leve de lâminas de helicóptero, e esperava que não fosse sua imaginação. Quando se aproximaram da porta, onde os guardas estavam comparando fotografias para os compradores que chegavam, Raoul prendeu a guia na coleira. “Fique ao meu lado agora, Kimberly.”

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“Sim, Mestre,” ela sussurrou. “Obrigado.” No clarão das luzes, seu rosto parecia cinza. Ele ergueu seu queixo e a forçou a encontrar seu olhar. “Você é minha, Kimberly. Ninguém irá tocá-la.” Sob seus dedos, os músculos de sua mandíbula se soltaram. Ela lhe deu um aceno aos arrancos. Ele correu o dedo em torno da extremidade, tocando seu pescoço suave. “Eu gosto de ver minha coleira em você,” ele murmurou. Seu sorriso de acordo foi seguido por confusão. Ele tinha entendido. Ela não queria ser uma escrava — escrava de ninguém. Ele acariciou seu cabelo uma vez, então passeou arrogantemente até a porta. Ela permaneceu à sua direita e a meio passo atrás. Mais perto que o normal, mas ele precisava dela perto para sua própria paz de espírito, assim como a dela também. Os dois guardas volumosos na porta esquadrinharam uma lista de fotografias e pararam em uma. “Mestre R?” Raoul assentiu. O guarda ativou um intercomunicador da casa. “Diga ao supervisor que Mestre R chegou.” Uma escrava se apressou para pegar o casaco de Raoul e a capa de Kimberly enquanto Dahmer veio em direção a eles. “Bem-vindo ao leilão, Raoul.” Quando o homem voltou o olhar para Kimberly, Raoul teve que forçar seus músculos a ficar relaxados. “Muito bom. Gostei do equipamento. Você provavelmente receberá pedidos para sua companhia esta noite.” “Eu não compartilho.” Raoul enterrou a mão no cabelo de Kimberly, usando o movimento áspero para puxá-la para mais perto do seu lado. “Minha mãe achava que eu era muito egoísta.”

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“Claro.” O supervisor lhe deu um leve sorriso. “Enquanto sua área está sendo preparada, posso lhe mostrar a mercadoria? Temos alguns exemplos admiravelmente belos no momento. Eu ousaria dizer que achará uma ou duas que apreciaria muito mais que esta danificada.” Que diabos ele queira dizer? Raoul arrastou a guia de Kimberly e seguiu Dahmer, pensando em como uma ponte oscilaria antes de desmoronar. Algo no comportamento de Dahmer estava dando a Raoul a mesma sensação de desastre iminente. Seu punho apertou a guia. O vestíbulo com piso de mármore tinha uma larga escadaria que parecia ter saído diretamente de E o Vento Levou. Em lugar de ascender, Dahmer os levou a um salão de baile anterior a guerra à direita. O papel de parede com textura em vermelho e ouro aquecia a sala, e lustres de cristal ornamentado tentavam transmitir um sentimento de romance. Mas não havia nada de romântico ao som de soluços e gritos abafando a música clássica dos locutores escondidos. Raoul parou zangado demais para se mover. Isso era um mercado de escravas, não importa a tentativa para torná-lo de alta classe. As mesas de café e pequenas cadeiras enchiam o centro da sala. As escravas a serem vendidas se enfileiravam nas paredes. Um cabo pesado corria o perímetro, e cada escrava usava uma tornozeleira e uma cadeia a assegurava para o cabo. Raoul assentiu em compreensão. De acordo com Buchanan, os traficantes de escravos tinham mudado os locais de cada leilão, e uma agência de aluguel teria uma visão fraca de alguém colocando parafusos pesados nas paredes para servir como restrições. Os compradores vagavam pelos corredores laterais entre os escravos e as mesas, marcando no bloco de notas que lhes foram dados. Um pequeno pedestal na frente de cada menina tinha um número grande — o artigo de venda — como também suas informações biográficas e físicas para os compradores lerem. Quando Raoul ouviu o bater de uma mão contra a carne, não virou. Estava extremamente perto de usar seus punhos no homem ao lado dele. “Isso é muito impressionante, Dahmer.”

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“Obrigado. Tenho coisas para fazer, então vá em frente e ande ao redor. Escolha um par de escravas que goste e lembre-se de seus números. Entenderá por que daqui a pouco.” O cabelo atrás do pescoço de Raoul levantou. Sim, algo estava definitivamente acontecendo. Quando Dahmer saiu do salão, Raoul olhou para Kimberly. Respiração rápida. Mãos crispadas. Ele queria varrê-la em seus braços, levá-la direto a um furgão, e consegui-la o inferno fora desse pesadelo. Ao invés, apertou seu ombro. “Você está indo muito bem, gatita. Estou orgulhoso da coragem que está mostrando.” Um vislumbre de lágrimas se mostrou por um segundo. Então, ela ergueu o queixo e lhe deu um firme aceno de cabeça. “Obrigado, Mestre. Suas palavras significam muito para esta escrava.” Esta escrava? Ela se referiu a si mesma na terceira pessoa, indubitavelmente tentando ser até mais, obviamente, uma escrava pela noite. Ela tinha dado um passo muito longo. Kim viu o modo como à raiva iluminou o rosto de Mestre R, corroendo seu controle. “Eu percebo que você quis dizer aquilo para o melhor, mas nunca mais refira a si mesma na terceira pessoa. Você não é um objeto. Tente novamente.” Ela recuou um passo involuntário na violência em sua voz, ainda… A raiva foi em seu nome. A certeza de que ele era totalmente o oposto dos compradores furtivos esmaeceram seus medos. “Sim, Senhor. Isso é bom de ouvir, Mestre.” Seus lábios se curvaram, fazendo inchar seu coração. Agradá-lo parecia… Certo. Muito certo. Aplainando sua boca em uma linha, ela girou e olhou para as mulheres acorrentadas. Ele quer que eu seja assim. Só que não fez. A tinha tratado como alguém que estimava alguém que achava sexy, mas não um nada. Era mais ciente de seus sentimentos do que ela tinha sido — e a tinha empurrado para se recuperar. Mas ele queria tomar as decisões dela, fazê-las para ela. Estou tão confusa. A guia puxou. Ele tinha dado um passo e esperou que ela prestasse atenção. Seus olhos eram gentis, como se soubesse de suas lutas.

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Saia de sua cabeça, Kim. Tempo de fazer o trabalho. Ela o seguiu obedientemente, olhos no chão a princípio, e então não. Ao invés, olhou para as mulheres, memorizando seus rostos. Se a operação falhasse, pelo menos suas famílias saberiam onde começar a procurar. Ela encontrou seus olhos, transmitindo força para eles. Segurem-se. O pesadelo pode acabar a qualquer momento. Deixe Galen e Vance aparecerem como planejaram. Oh Deus, por favor. Um grito estridente se ergueu acima do resto do barulho, e Kim se virou. Uma mulher contida em uma cruz. Uma marca vermelha desfigurava suas costas brancas. O comprador balançou um chicote curto. Som de estalo. Um pavoroso grito de dor encheu a sala. Outra faixa sangrenta. Kim tentou desviar o olhar e não conseguia. Um assistente em um uniforme vermelho se apressou para o comprador. “Você não deve marcar a mercadoria, por favor, senhor,” ele ralhou com extrema deferência. O comprador, um homem obeso, com o rosto vermelho pelo esforço de usar um chicote, riu. “Já terminei. Ela fará grande para o que tenho em mente.” Ele checou o número no pedestal de metal. “Escrava número dezoito.” Kim podia ouvir os gemidos da mulher. Mais longe, outro chicote rachou. Soluços. Vozes espessas dos homens em luxúria. Um grito agudo de terror. Calor a varreu, então um frio pegajoso. Até quando sua respiração aumentou, ela não conseguia obter ar suficiente. “Kimberly?” A voz de Mestre R soou através do rugido em seus ouvidos. Ela abriu os dedos, todos os dez para um ataque de pânico, sabendo que não teria importância. Ele não poderia lhe mostrar— Ele a embrulhou nos braços, cercando-a com sua força, seu odor limpo. Sua voz escura murmurando em seus ouvidos, bloqueando os outros sons. Ancorando-a. Em sua primeira viagem a uma praia, ela quase tinha se afogado. Uma onda a tinha derrubado e quando tentou se levantar, outro golpe, e outro. Seu mundo tinha girado à batida na areia e à água sufocando-a — e então sua mãe a tinha levado para praia e para a segurança. Como Mestre R tinha feito repetidas vezes.

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Ela caiu contra ele, a faixa apertada em de seu tórax aliviando, seus pulmões capazes de puxar o ar novamente. “Ok,” ela sussurrou. “Sinto muito.” “Sem problema.” Ele beijou seu cabelo, não a soltando. “Mas vou te dar algumas patadas, assim vai parecer melhor para os cabrones, sí?” Oh, seu temperamento estava definitivamente para cima, pelo jeito como escorregou em espanhol. “Sí, Señor,” ela sussurrou de volta, conseguindo um bufar de riso em retorno. Suas mãos poderosas se fecharam em seu bumbum sob a saia minúscula. Ele agarrou as bochechas nuas, localizou a fenda, segurando-a firmemente contra ele. Oh Deus, ela amava seu toque, e não importava onde ou quando. Com um braço ao seu redor, ele inclinou suas costas, assim poderia arreliar seus seios. Seus joelhos cambalearam, e seu braço apertou. Ele puxou seu cabelo, arrastando sua cabeça para trás, e a beijou, deliberadamente áspero, mordendo seus lábios. Quando ele a soltou, ela sabia que sua boca estava inchada e vermelha, e seus seios e bumbum levavam marcas vermelhas de sua mão. Seus lábios se curvaram. “Você parece bem usada agora, mi pequeña sumisa.” Ela o relampejou com um olhar desagradável que o fez rir, e então baixou a cabeça corretamente. Ele arrastou sua guia, e se moveram pelo quarto. Ela voltou a observar os escravos. Uma loira com olhos azuis aterrorizados, seguramente muito jovem para estar aqui. Duas morenas encolhidas, uma já com marcas de chicote. Uma mulher incapaz de parar de chorar estava ao lado de uma mulher mais velha, que estava reta e desafiante, que— “Linda.” Kim se deteve, empurrando a coleira das mãos de Mestre R. “Menina má!” Ele apontou para o chão. Mas… Seu treinamento assumiu, e ela caiu de joelhos. Sabendo que tinha ferrado regiamente, se curvou completamente, braços acima da cabeça, pulsos cruzados, testa no chão. A posição de rendição. Ele a deixou por longos minutos.

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Um guarda apareceu, perguntando se havia um problema. Mestre R admitiu que ainda estivesse sendo treinada, mas que precisava dela para a demonstração que o supervisor o tinha pedido para fazer. A voz do guarda adquiriu mais deferência, e se demorou trocando fofocas e admirando seu equipamento. O chão de madeira polida era fresco contra sua testa, e ela desejou que pudesse ficar na posição pelo resto da noite. Eu não sei quanto mais posso aguentar. Quando o assistente finalmente se afastou, Mestre R estalou os dedos, e Kim se levantou, mantendo seu olhar no chão, sabendo que se visse o rosto de Linda, não conseguiria se afastar. “Eu a reconheci, gatita,” Mestre R lhe disse em voz baixa. “Se virmos Sam, o pediremos para ficar de olho nela se puder.” A preocupação por ela e Linda era clara. Deus, ela o amava. Quando arrastou sua coleira, seu coração, assim como seu corpo, o seguiu. Eles passaram por uma mulher em histeria. Quando o assistente a esbofeteou e ela começou a soluçar, as mãos de Kim cerraram. Deus me tire daqui. Tire todos nós daqui. E nos leve para casa, para nossas mamães, e maridos, e amigos. “Raoul.” A voz áspera de Sam. “Inferno de um lugar, não é? Eu já tenho meu olho em três das belezas.” “Você é um sujeito de sorte,” Mestre R disse casualmente. “Talvez depois de treinar esta aqui, eu volte e compre outra.” Ele baixou a voz. “Uma das escravas da mesma categoria de Kimberly está aqui. Gostaríamos que você pudesse… Vigiá-la. Especialmente quando as coisas ficarem interessantes.” Kim ousou olhar para cima através dos cílios para ver sua reação. Ele concordaria? “Sim, eu gostaria delas vivas também.” Sam riu alto e apontou para uma escrava nas proximidades. “Aquela conseguiu uma boa surra por sua atitude. Faz-me pensar que seria melhor testar os produtos antes de soltar meu dinheiro.”

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Mestre R sorriu. “Você tente experimentar mercadoria suficiente, e rasteje para fora daqui.” Apontou abaixo em direção a Linda. “Há uma mais velha naquele corredor que poderia lhe dar um desafio.” Sua voz caiu. “Número dez. Ruiva. Linda.” “Entendi.” Sam olhou para Kim, e seus claros olhos azuis eram da cor do gelo em um lago. “Eu gosto do equipamento, menina.” Ele seguiu em direção ao corredor, parando por um momento quando um assistente oferecia a um comprador uma seleção de canas. Quando Sam parou na frente do lugar de Linda, mãos nos bolsos, obviamente a verificando, Kim soltou um suspiro de alívio. Bem, como ele era para ser sobre estes negócios? Sam se perguntou, estudando a amiga de Kimberly. O número dez era uma mulher mais velha, provavelmente meados dos quarenta, mas uma daquelas que só ficavam mais luxuriantes — eroticamente mais suave — à medida que envelhecia. Seu cabelo vermelho na altura do queixo tinha sido enrolado em volta em um estilo inteligente, mostrando alguns fios prateados na frente das orelhas. Sardas até seus antebraços, pernas levemente bronzeadas, o resto do corpo um branco puro que fez o sádico em sua alma salivar. Ela era como uma tela em branco para um pintor. Pensou nas marcas que poderia colocar nela. Seus olhos castanhos ricos tinham algumas rugas que se espalhavam nas extremidades. Será que afundariam quando se forçasse a tomar a dor? Era realmente uma masoquista como suas informações diziam? Como com todas as escravas, ela estava nua, seus pulsos algemados juntos na frente, uma perna algemada a um cabo pesado correndo ao longo da parede. Ela lhe deu um olhar tranquilo que fez seu pau se sentar e tomar nota. Ele conseguia ver seu terror. Apesar do modo como tinha atado os dedos juntos, as mãos ainda tremiam. Ela começaria a ofegar, seu olhar se arremessaria ao redor, e então ela se pegaria. Respirando lentamente, baixou seus olhos. Tão adorável em seu controle. Usando a dor, ele poderia tomá-la profundamente, fazê-la desistir desse controle — e então, ele poderia cuidar dela. Seu lado sádico e dominante gritou para ele seguir em frente.

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Agora sabia como Raoul tinha se sentido quando comprou sua escrava. Como deve ter querido explicar que não era como os outros, que não queria nada dessa besteira de não consensual. Mas um homem tinha que jogar a carta que foi negociada. Ele avançou. “Menina.” Sua cabeça ficou curvada. “Sim, Senhor?” Sua voz era a de uma mulher, baixa e ressonante. Nada de gritos estridentes viria dessa aqui. “Olhe para mim.” Ela ergueu o olhar, e ele examinou seus olhos castanhos. Suaves. Ela provavelmente não tinha nada duro sobre ela, nem seu corpo, seus olhos, sua voz. O pensamento de se enterrar em toda aquela suavidade… Seu pau tinha endurecido o suficiente para contar os dentes em seu zíper do jeans. “Você é uma masoquista?” Perguntou, mais para determinar sua honestidade que conhecer os fatos. O sinal postado no pedestal lhe dava os detalhes, inclusive sua experiência e preferências. Não que qualquer traficante se importasse, exceto projetar algo para rasgá-la em pedaços mais depressa. “Sim, Senhor,” ela disse calmamente e baixou o olhar, um leve rubor em seu rosto. Não gostava de admitir sua necessidade? “Mantenha seus olhos nos meus, menina.” Ele se moveu adiante, perto o suficiente para cheirar o odor leve de sabão de seu corpo, ver pequenas pintas douradas em suas pupilas castanhas. Seus seios pesados roçaram em sua camisa. Ele se posicionou diretamente à frente dela, assim poderia falar livremente, e ela poderia reagir sem ser observada. Não que fosse revelar nada que passasse dos limites do bom senso. Mas seria mais fácil se ela não pensasse nele como um inimigo total. “Sua amiga, Kim, sugeriu que eu a visitasse.” Ele apontou com a cabeça em direção à frente da sala. Seus olhos seguiram os dele.

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Kim, Raoul, e o supervisor aguardavam junto ao palco onde as mulheres seriam leiloadas. O leiloeiro já estava tocando o microfone, e dois assistentes braceavam a primeira escrava. Um sinal à direita anunciou ESCRAVA # 30. Mulheres à venda. O intestino de Sam se sentia como se tivesse tragado um campo de espinhos. Enquanto Raoul conversava com o supervisor bastardo, Kim pegou o olhar de Linda e então assentiu levemente para Sam. A maldita indicação que ele já tinha conseguido. Mas a ruiva soltou um lento suspiro. Seus músculos relaxaram ligeiramente. Melhor. Ele imaginou que os Feds poderiam levar outra hora antes de conseguir instalar suas porcarias. Com o número dez, esta mulher estaria entre as últimas a serem leiloadas. Infelizmente, os compradores poderiam abusar dela durante esse tempo inteiro… A menos que Sam a monopolizasse. Quantos minutos poderia desperdiçar? Será que ela o quereria? “Posso tocá-la até”—que os Federais cheguem, mas não posso lhe dizer isso—“até que seja vendida, ou você pode tomar suas chances com os outros compradores. Depende de você, menina.” “Você me machucará,” ela declarou. Mantendo os olhos nos dela, ele assentiu. “É isso mesmo. Isso é o que eu faço.” Ele pausou um segundo. “É o que você precisa — embora este não seja o lugar. Mas não a machucarei passando seus limites.” Sua boca torceu ligeiramente. “E você saberia deles como?” Ela estremeceu e baixou a cabeça. “Perdoe-me, por favor, Mestre.” Ele latiu uma risada que teve seus olhos se erguendo para os dele. “Eu gosto de falar claro. Honestidade.” Ele comprimiu seu queixo quase o suficiente para manter sua atenção focada nele completamente e viu — sentiu — o menor alivio em seus músculos. Sim, ela era uma masoquista e submissa também. Sua combinação favorita. Se ela respondesse à dor e dominação sexual, bem, inferno, ela seria perfeita.

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Use seu cérebro, Davies. Você está no meio de um grupo de escravas. Esta lhe daria uma facada e cuspiria no buraco se lhe desse metade da chance. “Eu sei disso porque posso lê-la, pequena menina. Completamente até suas unhas dos pés.” Ele se debruçou adiante, ainda segurando seu queixo, mantendo sua boca disponível para seu uso, e tomou seus lábios sem provocações, apenas a pura dominação. Forçando sua resposta e sentindo-a antes de puxar de volta. Sem o ok de Kim e se ele não tivesse lhe dado à escolha de estar com ele, sabia que esta mulher possessa não responderia a ele assim. Mas ela fez. “Eu não vou cicatrizá-la. Não passarei do que possa tomar. Se pode confiar em mim para ir tão longe, isso será muito mais fácil para você.” Ele encontrou seus olhos diretamente, deixando-a ler seu corpo, ouvir a verdade, e vê-la em seu rosto. “Mas, Linda, vou machucá-la. Você vai me odiar quando a fizer tomar isso, e me odiará ainda mais por precisar disso. Por que isso preenche esse buraco dentro de você e limpa para longe a desordem.” Um tremor a percorreu, lhe dizendo que ela o tinha ouvido em todos os níveis. Seus músculos ainda estavam apertados, seus olhos em chamas, mas ele podia quase sentir o cheiro do perfume sutil da submissão. Ela se rendeu. Agora ele lhe daria o que ela queria e ela terminaria de se render.

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Capítulo Quinze Raoul ficou grato quando Dahmer finalmente apareceu no salão de baile. Seguindo o supervisor, ele guiou Kimberly em direção às portas. Ela não precisava ver mais nada. A licitação tinha começado na terceira mulher, cujos gritos e luta tinha chamado a atenção dos compradores, como carne sangrenta atraía os tubarões. Quando chegou ao vestíbulo tranquilo, Raoul deu um suspiro silencioso de alívio. O choro das escravas o manteve tenso com a necessidade de proteger. “Antes de se instalar para sua cena, eu preciso de você por um momento no andar de cima.” O olhar nos olhos de Dahmer ainda era… Ausente. Raoul apertou a mão na coleira de Kimberly, puxando-a para mais perto. “Algum problema?” “Não. Bem, sim, de certa forma existe.” Dahmer os levou pelos largos degraus, o carpete vermelho escuro como uma cachoeira de sangue. Abriu uma porta em frente à escadaria e fez sinal para que entrassem. Raoul olhou ao redor na sala de estar ricamente decorada. À direita tinha uma pequena mesa e cadeiras em um tapete Oriental. Contra a parede mais distante tinha um bufê esculpido à mão bufê com uma bandeja de serviço e os restos de uma refeição. Curiosamente, o canto tinha um canil portátil. À esquerda… Ahhah. Um homem magro esperava em uma poltrona perto da janela, a luz da lâmpada refletindo o fora de estilo cabelo castanho claro. Dois homens — tipo guarda-costas — estavam atrás dele. Ele seria a razão do desvio de Dahmer. Quando Kimberly entrou no quarto, ela ofegou e deu um curto gemido. Raoul se virou, agarrando seus ombros. “O que?” “Lord Greville,” ela sussurrou, os olhos ficando vidrados com pânico, sua respiração como um motor a vapor.

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Raoul deu-lhe uma forte bofetada no rosto, sacudindo-a de volta para seus calcanhares. Agarrando seu cabelo, puxou sua cabeça para trás, assim a única pessoa que poderia vê-la era ele. “Você é minha. Você não reage a qualquer outro mestre,” ele lhe disse através dos dentes cerrados… E viu a razão retornar a seus olhos. Ela piscou as lágrimas de dor para longe, e ele a deixou baixar a cabeça. “Sinto muito, Mestre.” “Melhor,” ele grunhiu. Olhou para Dahmer, deixando sua irritação a mostra. “Que história é essa — além de tentar destruir o trabalho que coloquei nesta escrava?” “Desculpe-me por não explicar antes, mas eu queria que visse as belezas não danificadas no andar de baixo primeiro.” O olhar de Dahmer se demorou na cicatriz visível sob o equipamento de Kimberly. “Quais você achou interessante?” “Já tenho uma escrava, obrigado.” Isto não estava indo muito bem. O antigo dono de Kimberly tinha dado um olhar de despedida em Raoul, e depois não tirou os olhos dela. Do terno feito a mão, os sapatos italianos, a postura mimada empinada, Greville não estava acostumado a lhe negarem nada. E ele queria Kimberly. O ódio que queimava em seus olhos azuis enviaram frio fluindo pela espinha de Raoul. Ele viu o assassinato naquele olhar. Raoul deu um aperto firme no braço de Kimberly e sussurrou em seu ouvido, “Ele parece um pouco irritado. Algumas pessoas são pobres nos esportes de serem cutucados com uma faca, não?” Sua risada chocada iluminou seu espírito. Bravo, bravo Kimberly. “Dios, eu te amo,” ele disse baixinho, não percebendo que tinha falado até que viu seu rosto. O brilho alvorecendo tinha superado seu medo. Quando ela olhou para baixo apressadamente, ele apertou seu braço levemente. Ela precisava segurar por mais algum tempo. De algum jeito. E tinha que mantê-la longe de Greville. O FBI chegaria eventualmente, mas se seu exdono colocasse as mãos sobre ela, não sobreviveria tanto tempo. Protele. Protele e protele.

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Dahmer se sentou no sofá e fez sinal para a cadeira em frente à Greville. “Por favor, sente-se. Estou certo que poderemos alcançar uma reunião de mentes. Raoul, este é—” “Greville presumo.” Raoul avaliou os guarda-costas com um olhar. Um tinha cicatrizes através de seu rosto enrugado e pescoço. O outro tinha a cabeça raspada com uma tatuagem de um crânio de cabeça da morte em um lado do pescoço, uma suástica no outro. Eles usavam camisas brancas, calças escuras. Sem armas visíveis. Provavelmente receberam a mesma batidinha abaixo como os outros compradores — então desarmados — mas de suas posições, eles pareciam bem treinados. As chances não eram boas. Ele não era nenhum Chuck Norris. Calma. Ele pegou a cadeira, olhou para Kimberly, e acenou para o chão ao lado dele. Ela se ajoelhou a seus pés e manteve os olhos baixos. “Oi, buraco de foda.” Greville falou diretamente para ela, tentando conseguir que encontrasse seu olhar. “Você não se dirige à minha escrava sem permissão,” Raoul estalou. O rosto de Greville se avermelhou de raiva. “Raoul.” Dahmer levantou uma mão. “Este não é o padrão profissional que me levou a esperar da Associação de Colheita. Que tipo de fraude de má qualidade você está executando aqui?” Dahmer se manifestou. “Não é uma fraude. Lord Greville simplesmente deseja readquirir sua escrava. Durante sua… Enfermidade, seu pessoal retornou a escrava para um reembolso. Ele não estava ciente e não tinha nenhuma intenção de retorná-la para nós.” Raoul se forçou a recostar na cadeira. “Talvez ele devesse acompanhar mais de perto seu pessoal. Eles soam incompetentes.” Isso não vai acabar bem. Se ele conseguisse Kimberly fora da sala, ela conseguiria se esconder até que o FBI chegasse?

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Os assistentes eram malditamente muito eficientes, Sam pensou. Em resposta ao seu pedido, tinha rodado rapidamente uma cruz de St. Andrew móvel no espaço de escravo de Linda. Tanto por sua tentativa em protelar. Depois de girar a mulher para enfrentar a forma de X, ele assegurou suas algemas para os anéis superiores. O outro atendente com cara inexpressiva lhe entregou um bastão e um chicote língua de dragão19. Ele os colocou para baixo, fora da área de trabalho, e considerou como ir sobre desperdiçar tempo até o FBI chegar. Infelizmente, qualquer coisa que fosse fazer teria que ser genuíno. O assistente tinha posicionado a cruz para que os espectadores pudessem ver as marcas que colocasse nas costas da escrava. Bem, então. Ele tinha uma masoquista que o tinha preferido aos outros, tinha equipamento, e, obviamente, tinha tempo. Aparentemente, ele tinha uma cena para fazer. Sua concentração se estreitou. Ele andou atrás da mulher e correu os dedos pelos bonitos respingos de sardas em seus ombros. “Linda,” disse calmamente. “Você está pronta para começar?” Sob as sardas, os músculos ficaram tensos. Ela assentiu. “Quando eu lhe fizer uma pergunta, quero ouvir sua voz, menina,” disse em um tom uniforme, estabelecendo as regras do jogo. As mãos se curvaram ao redor de seus pulsos, adicionando a ela a sensação de restrição quando apertou sua virilha contra ela por trás, então deixou seu corpo inteiro se fundir com o dela, empurrando suas costelas contra a madeira do meio. “Você pode me chamar de Mestre, se precisar implorar.” Enroscando os dedos em seu cabelo curto, arrastou sua cabeça para um lado, assim ele poderia fechar os dentes na curva entre seu pescoço e ombro. Ele mordeu firmemente, o

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suficiente para machucar. Despertando-a para seu desamparo e sua intenção. A besta dentro dele se moveu adiante; Seu corpo se sentiu maior e mais forte. “Se você gritar, ‘Clemência, Mestre,' eu vou... Talvez… Dar-lhe uma pausa,” ele rosnou, doente e despertado ao mesmo tempo. Nunca tinha trabalhado sem uma palavra segura, sem consentimento, mas para salvá-la do pior, ele teria que fazê-lo — ou pelo menos parecer fazêlo. “Diga isso agora.” “Clemência, Mestre,” ela sussurrou. Até seus lábios pareciam macios, ligeiramente inchados. Beijáveis e malditamente fodíveis. “Bom,” ele grunhiu. Esfregou as mãos em seus braços e ombros e costas, satisfeito com o oco suave na base da espinha dorsal. Uma mulher com um grande traseiro, seus amigos britânicos diriam. Seu tipo favorito. Ele estapeou aquele bumbum branco, uma bochecha, depois a outra. Não forte, só o suficiente para aquecer a pele, acariciando a picada para longe, antes de golpear novamente. Ele não se incomodou em tentar prender seus tornozelos nas pernas da cruz, não com uma algemada, mas fixou uma bota entre seus pés e as empurrou aproximadamente afastadas. “Eu a quero aberta para mim,” disse em uma voz crua e foi um inferno de prazer ver um rubor subir em seu rosto. Seus olhos se estreitaram, encontrando os dela, e ela vacilou e caiu seu olhar. Submissa. Deus, ela era uma beleza. Empurrando o ruído do leilão de sua mente, ele encheu seus pensamentos com apenas esta mulher. Deslizou as mãos pelas curvas amplas, sobre seu estômago arredondado para seu Deus-bem-abençoados seios. Pesados em suas palmas curvadas, derramando-se pelos lados. Fodê-la seria como se enterrar embaixo de uma colcha, cercado por suavidade feminina. Ele pressionou seu peito contra suas costas, deliciosamente surpreso quando ela não se afastou. Quando esfregou sua ereção em sua bunda avermelhada, ouviu o pequeno gemido — e inferno com isso, ele precisava saber. Colocou a mão em sua boceta, sem se surpreender ao encontrá-la começando a se umedecer. “Você está molhada, menina.”

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“Eu sou uma vagabunda.” A auto-aversão e miséria em sua voz o irritou consideravelmente. Raoul tinha mencionado algo sobre isso. Ele rosnou em sua orelha e apertou seu pau entre suas nádegas. “Sente isso, mocinha? O pau de um homem sobe com o cheiro de uma fêmea, com o som da voz de uma mulher, com o amanhecer, à visão de bonitas mamas, no toque de… Qualquer coisa. E ninguém nos chama de nomes porque nossos paus não estão sob nosso controle.” Ele curvou a mão sobre sua — agradavelmente — nua boceta, brincando com a umidade. “Então, quando a boceta de uma mulher reage por si só, por que a chamaria de um nome?” Ele chupou o lóbulo da orelha, surpreendendo um arrepio nela, então deslizou sua face áspera sobre a dela, dando aos nervos tão-sensíveis, uma sugestão de dor. E seus sucos responderam. “Eu tenho feito isso por muito tempo, menina,” disse, usando sua própria estimulação para alisar seu clitóris vulnerável. “E não sou só bom no que faço, mas nós — você e eu — temos algo entre nós.” “Não,” ela sussurrou. “Sim, senhorita.” Quando ela tentou puxar suas pernas juntas, ele as chutou abertas novamente e a sentiu apertando firme o mamilo em sua palma. A besta dentro dele disse, Machuque esta e a faça minha. Maldição, não minha. Estou aqui para protelar. Arrastando seu cérebro de onde tinha se hospedado em suas bolas, ele se desviou com uma checagem rápida nas restrições. As mãos estavam rosa, os punhos não muito apertados. Então, para agradar a si mesmo, ele segurou seus seios novamente, ouvindo-a inalar, sentindo seu calor contra seu corpo. “Vou fazê-la se machucar agora, menina,” ele sussurrou. Seus seios eram pesados em suas mãos, e ele pressionou mais, até que a ouviu prender a respiração. “Vou chicoteá-la até que dance a dança, até que seus gritos despertem até mesmo Deus.” Puxou seus mamilos, beliscando cruelmente.

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Havia lágrimas em seus olhos — e sua bunda se empurrava para trás contra seu pênis. “Não, por favor.” Sua cabeça chicoteava de um lado para outro enquanto movia seu corpo, tentando escapar de seu aperto. Ele queria ver seu rosto. Uma pena que não podia andar em torno da cruz e simplesmente olhar para ela; Preferia uma estação de cadeias por isso. Mas isso era o que ele tinha. Agarrou seu queixo e virou seu rosto em direção a ele. Seus olhos seguravam a dor que tinha lhe dado, mostrando um pouco de medo — e mais calor. Diretamente certo. “Olhos em mim,” ele estalou. “E não desvie o olhar.” Pegou um mamilo, rolando-o entre os dedos. Maldição, ele desejou que os traficantes fornecessem braçadeiras de mamilo, como também brinquedos de choque. Apertou mais forte, apreciando o lamento em sua garganta. Puxou e beliscou, estudando seus olhos para julgar a quantia certa, e saboreou o florescer da dor fresca em seus olhos, seu rosto, o jeito como seu corpo enrijeceu, os músculos tensos aqui e ali. O suor começou a perolar seu lábio superior. Ele sorriu para ela. “Essa é uma boa menina. Vamos fazer do outro lado.” “Mestre, por favor. Meus seios são sensíveis.” Ele pausou, sabendo agora, que ela não tinha nenhuma palavra-segura como limite, que isso era o início da dança, e ele tinha respondido à necessidade sob suas palavras. “Eu sei que são Linda. É por isso que estou fazendo isso.” E apertou o outro mamilo. “Eeeeee.” Seu grito ficou preso entre os dentes quando os trancou. Os braços se empurraram com seus esforços para escapar. Para afastá-lo. Seus joelhos cederam. Ele acariciou seu rosto úmido. “Aqueles gritos lá dentro não vão ser enterrados por muito tempo,” sussurrou em seu ouvido. Seu cabelo era sedoso, e ele esfregou o rosto sobre ele. “Se estivéssemos em outro lugar, depois eu te foderia duro… E puxaria seus mamilos cada vez que você gozasse.” O tremor correu de seus seios toda a distância até seus dedos, e ele sorriu.

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Andando de volta, deslizou os dedos abaixo em sua bunda, entre as pernas, para a umidade em suas coxas internas. Ele arreliou as dobras entre as pernas, os lábios agradavelmente gordos — perfeitamente projetados para braçadeiras. Seu dedo deslizou dentro dela, ganhando um gemido baixo e um meneio. Muito molhada. Ela seria uma alegria para foder. Ele brincou com o clitóris e boceta, o odor e pequenos ruídos que ela deu, levantando seu próprio desejo. Ela tomaria mais dor e duraria mais tempo se ele pudesse manter sua estimulação alta. Fodidos traficantes — ele malditamente bem não queria estar aqui. Enxugou seus sucos em sua perna e a sentiu vacilar, lembrou-se de suas palavras. Vagabunda. Ele agarrou seu cabelo, puxando sua cabeça para trás. “Eu gosto de você molhada, Linda,” ele rosnou. “E o que eu quero é tudo com o que tem que se preocupar agora. Claro?” O jeito como ela umedeceu os lábios para falar… O jeito como a resposta dela fluía através dele, estava chegando até ele. Inferno. Se aproveitando de como lhe tinha feito um arco, empurrou a mão entre suas pernas novamente — vigorosamente dessa vez — empurrando dentro dela de uma forma que mostrava exatamente o que queria fazer com ela. Um tremor a percorreu enquanto cerrava ao redor dele. Mais umidade molhou seus dedos. Ela gostava áspero. Inferno, talvez adicionasse um pouco de dor na boceta, enquanto estivesse nisso. Levá-la alto antes das endorfinas empurrarem sua cabeça nas nuvens. Ele apenas olhou para os dois compradores que estavam por perto quando voltou pro seu lugar. Mesmo tendo se afastado dela, ele podia quase sentir seu fôlego. Sentir como a dor em seus seios retrocedia, mas a lembrança permanecia. Sentir como ela desejava mais. Depois de um segundo, ele levantou a cana. Tempo para aquecê-la. Um aquecimento lento, muito lento. Malditos sejam eles, por não ter seus brinquedos favoritos disponíveis. Mas uma aplicação leve funcionaria bem o suficiente. Ele começou deslizando o vime por suas pernas, deixando-a apreciar a suavidade disso, a dureza, antes de corrê-lo até sua frente.

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Ela endureceu. É isso aí, menina. Isto é uma cana. Mas a dor não viria dela. Era só para aquecê-la para o chicote. Tocando-lhe ligeiramente, ocasionalmente lhe dando um excitante golpe-pena, ele acordou a carne em suas costas, bumbum, e coxas. Seguindo o caminho da cana com a mão livre enquanto seus músculos gradualmente perderam sua tensão. Sua respiração desacelerou. Ele aumentou a intensidade, mantendo a picada em lugar do golpe. Seu corpo ainda estava relaxado, e da curva minúscula de seus lábios, ele sabia que os pequenos sons da cana batendo davam prazer a ambos. Sua bunda estava virando um bonito rosado vermelho, uma cor que fazia um Dom querer usar sua mão para ver se poderia escurecê-la. O toque leve apenas não faria isso para ele. Olhou em seu relógio. Quanto tempo poderia prolongar isso? Viu um assistente conversando com um comprador e franzindo a testa em sua direção. Não por muito tempo. Ele lançou a cana para um lado e levantou o chicote. Língua de dragão — não era o seu favorito, mas uma boa escolha em locais apertados. Cerca de três metros de abertura de couro enrolada em uma forma de espada e terminando no ponto distintivo. Pelo menos o couro nesse era fino o suficiente para dar uma sensação flexível. Depois de rodar seus ombros, soltando os braços, ele estalou o rabo algumas vezes, sentindo a sensação, medindo a precisão, sorrindo cada vez que ela se encolhia no estalo leve. O inferno de muito mais leve que um flogger — ele poderia fazer isso o dia todo. Então ele deixou a greve acabar, apreciando o som, batendo de cima a baixo de suas costas, sua bunda, suas coxas superiores, terminando o aquecimento no alcance médio da dor. Ele se mudou para um bom ritmo, assistindo-a começar a névoa. Sua respiração se aprofundou quando diminuiu os ataques. Ele parou e avançou rapidamente para que a perda do chicote fosse equilibrada por sua mão em seu ombro, a pressão de seu corpo contra suas costas. Esfregando seu peito e

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virilha em sua pele avermelhada deveria lhe dar uma onda de dor por toda parte, diferente das batidas individuais de um chicote. Seu suspiro o fez sentir como se tivesse agarrado suas bolas. Depois de verificar suas restrições e circulação, ele virou sua cabeça, examinou seus olhos. “Você ainda está aqui comigo, Linda?” Ela piscou e realmente sorriu para ele. “Este é meu nome. Você usou meu nome.” Isso poderia rasgar o coração de um homem direto para fora do peito. “Isso é quem você é. Linda.” Ele beijou sua bochecha e a trouxe de volta à cena, tomando seus lábios, levando-a da leveza a duro e exigente. Seu corpo se derreteu no dele, então se acelerou com excitação, quando ele segurou seus seios e brincou com os mamilos enrugados, sobressaindose suavemente para pontos aveludados, o tamanho maior lhe dizia que ela tinha amamentado seus bebês. Ele queria sua boca neles. Ao invés, ele desceu a mão para sua boceta, graciosamente molhada e inchada. Seu puxão instintivo longe da intimidade esfregou sua bunda suave direto sobre seu pênis, forçando-a adiante novamente e sobre seus dedos. Uma situação boa para uma pequena sub. Mas ele resolveu isso para ela, removendo suas escolhas ao se inclinar adiante, interceptando-a enquanto a penetrava com um dedo. Envoltura quente e úmida. Ele sentiu como sua excitação, sua necessidade, competia com seu desejo de se afastar dele, de manter-se escondida dele. Ela fez um som que ele não conseguiu interpretar, então sussurrou, “Não. Não faça.” Suas palavras foram negadas pelo gemido baixo que deu. “Você está pedindo clemência, menina?” Ele sussurrou, beliscando seu clitóris levemente e deslizando atrás e para dentro. Arquejando, ela hesitou. “Sim.” Ela balançou a cabeça. “Não.” “Então nós continuamos. Você está pronta para alguma dor real agora?” Sua boceta cerrou ao redor de seus dedos, e ele sorriu. Depois de levantar o chicote de dragão, ele fez um set, de cima a baixo em seu corpo, devolvendo seu nível de dor para onde estava antes. Então segurou a ponta do chicote em sua

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mão livre e o estalou em sua bunda como uma toalha enrolada. Batendo a extremidade final. Sua pele saltou uma fração de segundo antes de seu puxão. Um soluço veio dela, e ele sorriu. “Não é a mesma sensação, é, senhorita?” Snap, snap, snap. “Sente-se um pouco como um chicote?” Snap, snap, snap. Sua primeira lágrima respingou pelo chão, então mais. A Língua de dragão sacudiu e desceu pelas costas de suas coxas em belas raias vermelhas, o couro estreito dando apenas satisfatórias fissuras. E em cima pelas pernas, sua bunda, suas costas. Seu primeiro grito ofegante. “Essa é uma boa menina. Dê-me mais.” Depois de aliviar por um momento, não muito tempo, ele trabalhou sua dor, em gritos que satisfez sua alma e espremeu seu pênis. Quando ela se inclinou em um subespaço verdadeiramente profundo, ela parou de segurar qualquer coisa dele. Seu grito rouco ressoou em suas bolas. Ele continuou um pouco mais, observando-a de perto agora. Uma palavra segura não valeria uma merda se o cérebro de uma sub não estava acordado o suficiente para usá-la. Ele atenuou, terminando o que tanto queriam. Precisavam. Ainda mais lento batidas com toques suaves. Trazendo-a de volta. O suor fazia sua pele brilhar como se coberta de óleo. Sua cabeça pendia contra seu braço levantado, embora suas pernas ainda segurassem a maior parte de seu peso. Sim, ela não era estranha à escravidão e a dor. Ele colocou o chicote e se moveu adiante, se sentindo como um predador perseguindo sua presa, mas também um homem querendo agradar uma mulher. Sádico. Dominante. Ele deslizou as mãos, satisfeito com sua obra, e ficou ainda mais satisfeito com seu suspiro quando seus calos grossos rasparam sua pele abusada. Sua bunda se empurrou para trás, como se implorando. Ele endireitou e virou sua cabeça. A maior parte ainda em subespaço. Despertada e necessitada. Maldito se ele iria fodê-la aqui, tratá-la assim, mas poderia pelo menos aliviá-la, lhe dar o alívio. E se andasse ao redor com um tesão por um tempo, não seria a primeira ou última

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vez. Ele mordeu seu pescoço, lembrando-a de sua presença, trazendo-a emocionalmente de volta ao solo, assim se soltaria completamente. “Você me deu sua dor.” Sua voz saiu rouca. “Agora me dê seu prazer.” Suas carícias ásperas em seus seios lhe deram um leve gemido, e quando desceu para sua boceta inchada e molhada, ela estava direto com ele. Seu corpo mostrando sua necessidade; Seus olhos mostrando sua submissão. Cercando-a com seu corpo, lendo o aperto de seus músculos, ouvindo os ruídos lânguidos em sua garganta, ele acariciou seu clitóris inchado, trabalhando-a cada vez mais para cima. Haveria alguma coisa mais gratificante do que os gemidos depois dos gritos? Ele a manteve na extremidade, saboreando os tremores de suas coxas internas ao redor de seu grande pulso, então acariciou firmemente. Quando ela gozou — seus quadris empinaram, sua boceta deixou sua mão cremosa — seu lamentoso gemido percorreu sua espinha. Ele se debruçou contra suas costas curvadas e sua bunda exuberante, apertando-a contra a cruz enquanto esfregava seu pescoço, adicionando doçura para o final.

**** Não olhe para a gaiola no canto. Não olhe para Lord Greville. Kim olhou para seus joelhos, controlando sua respiração. Controlar o pânico era como pilotar um barco em uma tempestade tropical, tentando manter o barco dirigindo-se para as marés. A sugestão da conselheira de imaginar Greville como um coelho do tamanho de um pênis, bigodes, e um rabo penugento não tinha ajudado em nada. Os homens conversavam. Lord Greville tinha a voz como seu chicote, cortante e rasgada, deixando carne sangrenta para trás.

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A voz do supervisor era uma película de óleo sobre a água, sufocando toda vida em baixo. Seu peito ficou apertado. Quando Mestre R falou, o som lavou e limpou, deixando-a respirar. Seu joelho pressionou contra seu ombro, batendo nela de vez em quando, como se para mantê-la no presente. Endireitou os ombros. Preste atenção. Ele vai precisar de sua ajuda. “Você disse que a compra de mercadoria danificada poderia ter sido um erro, então esta é sua oportunidade de encontrar uma escrava mais adequada a suas necessidades,” o supervisor disse, ainda tentando arbitrar. “Entendo. Eu reclamei sobre o dano, não é?” Mestre R soou tão razoável, eles provavelmente não ouviram o fio apertado de raiva subjacente a suas palavras. “Você está me oferecendo comprar uma escrava diferente?” Ela sentiu a vibração quando seus dedos bateram em sua coleira. “Eu não me importaria de possuir uma com mais curvas. Grandes peitos me atraem.” O que? Após um momento de medo — então uma sensação de insulto — ela entendeu que estava tentando ganhar tempo. Ele não poderia fazer menos, embora tudo que ela quisesse era dar o fora daqui. O odor doce nauseante da colônia de Lord Greville encheu o ar, e ela respirava pela boca, tentando não vomitar. Os sons de gritos vinham levemente através da porta fechada. O leilão estava acontecendo. “Bem, então, deveríamos ser capazes de trabalhar algo.” O supervisor soou aliviado. “Talvez. Infelizmente, as escravas aqui são masoquistas — não estou nada interessado. Que outros leilões você tem por vir?” “Eu — Bem, o próximo será em outubro. O tema preto-e-branco, apresentando loiras e morenas, com uma amostra de mulheres negras também.” “Eu definitivamente gosto de loiras. Isso poderia funcionar bastante bem.” Mestre R subiu. “Em outubro, então. E Greville comprará lá qualquer escrava que eu desejar em troca da menina.” A guia apertada; Kim começou a subir.

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“Inaceitável. Tomarei posse dela agora.” A voz de Lord Greville era plana. “E me deixar sem uma escrava? Acho que não. Em Outubro.” “A comprarei abertamente, então. Quanto?” “Ainda me deixará sem uma escrava.” Mestre R puxou, e Kim se levantou, ficando um passo atrás dele. “O inferno com isso. Basta levá-la.” Lord Greville fez sinal para seus homens. Mestre R soltou sua guia e a empurrou em direção à porta. “Corra!” Ela se mexeu para longe, esperando-o atrás dela — só que ele não estava. Ele segurava os guarda-costas. Ela hesitou e— O supervisor se chocou contra ela, batendo-a na parede. Agarrou seus cabelos e arrancou de volta contra seu corpo. Não! Ela enfiou o cotovelo em seu intestino. Ele dobrou, mas ainda agarrava em seus cabelos. Gritando, ela ignorou seu aperto, enrolando seus dedos em garras. Dois contra um. Dios. Um grande punho pastou o rosto de Raoul, deixando uma queimadura em seu rastro. Ele girou e chutou o outro guarda no intestino, batendo em sua bunda. Girou de volta, bloqueou outro punho, tentou um joelho. Perdido. Os guardas eram malditamente bons lutadores. O soco de retorno do Scarface o pegou na mandíbula, atordoando-o. Raoul sacudiu a cabeça e meio-cegamente esmurrou atrás, sentindo o choque e ruído quando seu punho atingiu um nariz. Um berro. Spray quente de sangue. Ele torceu para verificar o outro. E então algo o esmurrou por trás, no alto do ombro direito. Ele se empurrou ao redor para ver o bastardo do Greville saltar para longe. O Skinhead balançou. Quando Raoul bloqueou com seu braço direito, dor o atravessou como se todo o inferno tivesse sido aberto. Ele grunhiu e continuou, mas seu bloqueio não teve

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nenhum poder, e o homem o bateu na parede. Quando bateu, fogo rasgou por seu ombro. Seus joelhos cederam, soltando-o ao chão. “Você o esfaqueou bem, Lord Greville.” Scarface andou lateralmente quando Raoul se levantou. Greville. Ele o tinha atacado por trás, como um selvagem vira-lata. Os dois guardas o tinham entre colchetes, suas costas para parede. Ele podia sentir a faca, ainda presa em seu ombro. Dor o atravessando com cada movimento. Quando os dois se entreolharam, tentando sincronizar seu ataque, Raoul arremessou um olhar através da sala. Maldição, Kimberly não tinha corrido, e Dahmer a tinha agarrado. Ainda olhando, ele falsificou um sorriso, e Skinhead caiu nessa, olhando por cima do ombro para Kimberly. Raoul apunhalou os dedos rígidos direto na garganta do bastardo e sentiu a fratura da cartilagem. Scarface gritou e avançou. Raoul tentou bloquear, mas seu braço direito falhou — fodida faca — e um giro ao redor o bateu para o lado. Ele cambaleou e caiu em suas mãos e joelhos. “Use a faca e o mate, seu merda incompetente,” Greville disse friamente. “Tenho coisas melhores para fazer.” Quando mais dois homens correram para o quarto, Raoul soube que a sua — e Kimberly — chance de sobrevivência tinha acabado de morrer. Corra, gatita, porra, corra. Scarface saltou adiante e arrancou a faca do ombro de Raoul. Dor explodiu como fogos de artifício. Antes que o guarda pudesse andar de volta, Raoul bateu o punho direto em suas bolas. Com um suspiro de asfixia, Scarface caiu de joelhos, agarrando sua virilha. A faca caiu no chão. Uma fodida faca de bife da bandeja de jantar. Raoul tentou pegá-la e foi chutado nas costelas. Novos guardas. Sua mão deslizou sobre o sangue no chão.

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Com o coração bombardeando em suas costelas, Kim olhou através da sala no grupo de homens. Os guarda-costas de Lord Greville tinham caído, um em seus joelhos gemendo. Entre dois novos homens, Mestre R se empurrou parcialmente para cima e mergulhou em Greville, atingindo-o no estômago, derrubando-o. Amaldiçoando, os novos homens agarraram seus braços, rasgando-o fora de Greville, segurando-o entre eles. Com o rosto escuro de raiva, Greville cambaleou para seus pés. Usando um lenço, enxugou o sangue de sua boca, olhou para isso. Curvou-se e pegou a faca. “Segure-o bem — vou cortar seu intestino como de uma truta.” “Nãooo!” Seu grito agudo parou tudo. Lord Greville se virou, tomando seu tempo, Kim podia dizer. Interpretando-a. Olhou o supervisor a alguns metros longe, gemendo, as mãos no rosto. “Bastardo desprezível.” Ela não olhou, não olharia para o supervisor ou seus dedos sangrentos. Só conseguia pensar em Mestre R. Ele morreria por sua causa, porque tentou salvá-la. Minha culpa. “Por favor, não o mate. Por favor!” Lord Greville sacudiu a cabeça. “Você se importa com ele?” Um sorriso cruel torceu seus lábios. “Oh, eu gosto disso. Sim.” Apontou a faca para ela, então a gaiola no canto. “Lá.” Uma gaiola. Sua respiração parou. Escuridão, sem nenhuma luz, o odor de um porão, excrementos, urina, sangue. Fios sob seus dedos, ao redor dela, não conseguiria suportar, não poderia endireitar suas pernas. Um oceano pressionando seu peito, achatando os pulmões. O ar desaparecendo. Não… Sentiu uma brisa da porta aberta atrás dela — ela poderia correr. Corra. Ela afiou em direção à abertura. Mestre R estava lutando loucamente, chamando a atenção de todos. Seu olhar pegou o dela, e ele empurrou sua cabeça em direção à porta. Uma ordem correspondente ao que cada nervo em seu corpo estava gritando. Corra.

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“Segure-o, droga.” Lord Greville fatiou Mestre R com a faca — a lâmina raspou sobre o colete de couro à esquerda, então cortou violentamente sobre suas costelas direitas. Um corte enorme, longo. Ele não fez nenhum som, mas Kim viu o puxão. Um filete vermelho se derramou ao longo da extremidade da carne aberta; Então, o sangue fluiu. Os soluços a sufocaram; As lágrimas a cegaram. Ele morreria; Estava morrendo. “Não, não, por favor, oh Deus, não. Por favor.” Lord Greville olhou por cima do ombro. “A gaiola ou vou cortá-lo em pequenos pedaços na sua frente. Rasteje Buraco de foda.” Ela fez as mãos dormentes, seu coração martelando violentamente. Nada disso importava. A gaiola a cercou. Lord Greville riu irregular e frio como uma lâmina de serra. Voltou-se para Mestre R e fez uma careta em como os dois homens tiveram que segurá-lo. “Inferno, ele desmaiou. Isto não é nada divertido.” Olhou a jarra de água, hesitou, então apontou em direção à gaiola. “Jogue-o lá.” Quando os guardas arrastaram Mestre R, os olhos de Greville encontraram os de Kim. “Se ele ainda estiver respirando quando chegarmos a casa, você poderá me mostrar a que distância você irá para mantê-lo vivo.” Ela faria qualquer coisa, e seu estômago tentou esvaziar quando pensou nas perversões que Greville exigiria. Os guardas soltaram Mestre R na gaiola. Ela se apertou contra o arame, sentindo os lados do arame aproximando-se dela. Tão pequeno quanto aquela no porão de Lord Greville. “Tirem essa coleira dela,” Lord Greville disse. Um homem agarrou seus cabelos, arrastando-a longe o suficiente para desafivelar a coleira com uma mão. A sensação de ar contra o pescoço nu foi horrível — não como de ser despida, mas como de ver sua casa queimar até o chão. O guarda recuou; O outro fechou a porta e fechou o pesado cadeado, tirando a chave.

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“Olha, Buraco de foda.” Lord Greville sacudiu a coleira e a lançou fora da porta. Kim olhou, além disso, sua vida desmoronando-se pelos degraus junto com ela. Os sonhos morrem antes que as pessoas o façam. Greville pegou a chave do cadeado com o guarda e a colocou no bolso. “Você é minha, boceta, enquanto a deixá-la viver.” Não importa quantas horas ou dias, seria muito tempo. Kim não conseguia parar de tremer, o peito tão apertado que nenhum ar parecia conseguir passar. Vermelho e preto oscilava em sua visão, sangue e morte — e ela queria isso, queria o esquecimento. Lord Greville apontou para o supervisor gemendo. “Arraste-o para baixo e chame alguém para vê-lo. Preciso dele capaz de assinar os documentos.” Virou-se para verificar seus guarda-costas. Um tinha conseguido ficar de pé. O outro estava… Estava morto. Kim olhou para Mestre R. Ele o matou. E ele estava morrendo. Suas mãos tremeram; Seu corpo tremeu. Não morra. Ela tentou virá-lo. Parar o sangramento. Não havia espaço para movê-lo, nenhum espaço. Suas mãos cerraram. “Passarei sozinho pelos assistentes saindo pela porta da frente,” Greville disse para o guarda. “Consiga mais três homens para levar a caixa — e algo para cobri-la.” Ele riu. “Bom negócio. Dois escravos pelo preço de nenhum.” A porta se fechou atrás deles com um baque sólido. Uma mão agarrou o braço de Kim, e ela pulou. “Cariño.” Mestre R olhou para ela, os olhos castanhos completamente alertas. “Mestre R?” Ela sussurrou e olhou para ele. O escória-sugador-de-bunda… Ele estava fingindo. Seus olhos estavam cheios de riso. Com orgulho. “Então, gatita com garras afiadas, o que você fez para Dahmer?”

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Sam se ajoelhou ao lado de Linda. Levantando-a, colocou-a na posição sentada apesar de seu protesto grogue. O assistente esquelético puxou o St. Andrews portátil para o corredor e fez uma carranca para Sam. “Por favor, saia da área de exibição, senhor.” “Ela precisa de um cobertor e um pouco de água.” Abandonar uma sub que estava saindo do subespaço? “Ela está à venda, senhor. Seu tempo para provar a mercadoria está terminado.” “Entendi.” Que Deus exploda esses bastardos. Ele não podia deixá-la tão vulnerável. Sam estapeou seu rosto levemente. “Acorde, menina. Agora.” Ela piscou, os olhos focados nele, então olhou ao redor da sala, e seu medo a arrancou do conforto mais rápido do que qualquer coisa que ele pudesse fazer. “É isso mesmo. Estamos de volta,” disse, alisando seu cabelo. Ela se afastou de sua mão, e sua expressão segurava… Repulsa. Raiva. “Maldito seja,” sussurrou e estremeceu. Sam franziu o cenho. O que — por quê? “Linda, o que—” Ele viu o sinal do assistente para um guarda e parou. Não posso chamar esse tipo de atenção. Ou serei forçado a sair da vizinhança. Ele ficou de pé, curvou-se, e bateu de leve em seu ombro. “Aguente menina.” Ela se encolheu afastando-se... Dele. Ele hesitou então se retirou para fora da área de exibição. Isso não tinha sido medo o que ela tinha mostrado, mas raiva. Desgosto. Seus lábios se apertaram. Ele ficaria por perto. Ela poderia não querer sua ajuda, mas era uma pena. Outro comprador se aproximou, parecendo quase hipnotizado. Nenhuma dúvida sobre o porquê. A ruiva poderia ser mais velha, mas depois de tomar o que Sam lhe tinha dado, tinha um… Brilho. Seus lábios estavam inchados, seu rosto irritado, seus seios marcados por suas mãos. Os olhos estavam pesados de como intensamente tinha gozado. Parecia um sonho molhado em cadeias.

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O comprador, de meia-idade com uma pança pesada, olhou para Linda e começou a sinalizar para um assistente. Debruçando um cotovelo no pedestal, Sam disse calmamente, “Estou comprando essa. Você pode jogar, mas se eu encontrar uma marca em seu corpo que eu não tenha colocado lá pegarei aquele chicote e o amarrarei em seu pescoço.” O homem inchou, tentando parecer maior, e então sua obstinação amarelou. “Tudo bem. Se vai comprá-la, não há necessidade de desperdiçar meu tempo.” Ele foi embora, sua tentativa de dignidade estragada por um olhar nervoso por cima do ombro. Sam deu um meio sorriso, então examinou Linda com satisfação. Ela o olhou de volta. Friamente. Ele estremeceu por dentro. Maldição, ela não tinha agido assim antes dele a chicotear. Ou quando a tinha feito gozar. Ela tinha implorado — ele fechou os olhos quando as peças começaram a se encaixar. Digna. Mais velha. Não deixando o medo a mostra em sua maneira. Controlada. Envergonhada por suas próprias necessidades. E ele tinha tomado àquelas necessidades e a reduzido a mendigar — na frente dos outros. Dos traficantes que a chamavam de vagabunda. Inferno. Ele deveria ter parado de chicoteá-la. Fazê-la gozar tinha sido um fodido grande erro. Parecia como um presente que poderia lhe dar ajudá-la a fugir de sua consciência desse lugar por um tempo, mas… Fêmeas eram criaturas estranhas. Sentimentais. Ao invés de um presente, a tinha mostrado como facilmente seu próprio corpo poderia traí-la. Ele esfregou a mão na boca, querendo jurar uma tempestade. Ele tinha fatiado suas defesas com menos astúcia que um Dom bebê com um chicote novo. Depois de um olhar para o assistente que ainda pairava por perto, Sam soube que não poderia lhe explicar, se desculpar — não aqui — mas quando isso estivesse terminado, eles conversariam. Malditamente direto, eles iriam.

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Raoul lutou para alcançar sua perna, mas falhou. Com os dois enchendo a gaiola, não havia espaço suficiente. “Chiquita, pegue a ferramenta na minha bota direita. Do lado de fora.” “Mas preciso parar a hemorragia.” “Agora.” Com a boca formando um protesto, ela se torceu ao redor e fez o que tinha ordenado sua doce, doce sumisa. Ela franziu o cenho para isso. “O que é isto?” “Ferramenta de segurança. Eu sempre a levo quando vou fazer uma cena.” Ele torceu pelo lado direito. A dor o atravessou quando seu peso veio sobre seu ombro apunhalado — que prazerosa-faca cabrón. Suor apareceu em sua testa bem como pequenas luzes borrando sua visão. “Madre de Dios.” Ela examinou a ferramenta, abriu as alças. “Como tesoura?” “Mini alicate,” ele disse, tirando-os de sua mão. Boa para corda, arame, couro… “Mas a fechadura é muito grande.” A esperança em seus olhos morreu quando olhou a espessura do cadeado de aço. “É sim.” Raoul cortou o arame acima da fechadura. Então o ao lado. Ela ofegou quando entendeu — a fechadura não precisava ser aberta se os arames em torno da tranca tivessem ido embora. Ele cortou o último arame e empurrou a porta aberta, então se voltou. Ela saiu. Ele a seguiu, amortizando um gemido quando suas costas pastaram na armação da porta. Depois de um segundo, se levantou, a mão sob seu braço dando suporte. Respirou lentamente. Trazendo seu corpo de volta ao seu controle, e então fez uma carranca para a gaiola desocupada. “Eu ia deixá-la lá para ele ver, mas preciso de sua ajuda aqui. Se você—” “Você está sangrando como um porco, seu idiota,” ela disse em uma voz baixa furiosa. Tal temperamento, seu tesoro. “Não se mova.”

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Deus, ele iria sangrar até a morte na frente de seus olhos. Blasfemando baixinho, ela usou seu cortador de parafuso para cortar seu chicote de couro. Os guardanapos de linho fizeram um adequado curativo de merda, e ela assegurou isso tudo no lugar amarrando uma tira de couro firmemente ao redor de seu peito. O ferimento em seu ombro — ela não conseguia descobrir o que inventar para ele. Ele a ignorou, estudando o quarto. “Estamos direto através do corredor ao topo das escadas. E há uma cadeira lá fora. Eu devo ser capaz de me livrar de um ou dois desse jeito.” Sentando-se em uma cadeira? Quanto sangue ele perdeu? “Nós não queremos ficar presos aqui.” Ele olhou para porta, então fez Kimberly empurrar e angular o sofá de jeito que alguém que entrasse não veria a gaiola vazia até que estivessem dentro da sala. “E agora?” Ela perguntou. Haveria muitos homens para eles. Ela sabia disso. Ele apontou para a luminária de ferro pesado na mesa de canto. “Pegue isso, gatita.” Depois de desligá-lo e levá-lo para trás, ele fez um sinal para que o mantesse. “Use-o no primeiro homem que atravessar a porta — a menos que seja do FBI, claro. Acerte na cabeça tão duro quanto puder. Eu ficarei com os outros, e vamos fazer a festa.” Ele esperou uma batida, então a arreliou, “Isso é quando você diz, ‘O prazer será todo meu, Mestre.’” O sorriso de Mestre R a fez sentir melhor, e o quão burro era isso? Nós vamos morrer aqui. Seu queixo subiu. Mas ela o faria lutando e não morrendo pouco a pouco em uma gaiola. “Eu sempre gostei de festa.” “Tesoro mío,” murmurou. Andrea lhe disse o que as palavras significavam “meu tesouro.” A aprovação em seus olhos à fez tremer por dentro — e fortaleceu suas pernas. Ele precisava que ela fosse forte; E ela lhe daria tudo que ele precisasse. Ele inclinou a cabeça para ouvir, então apontou para que ficasse atrás da porta e tomou o outro lado para ele. Passos. Muitos. Vozes masculinas. A agudez horrível da voz de Lord Greville. Não. Ela ergueu a luminária acima da cabeça e preparou suas pernas. Suas mãos tremiam, quase

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desalojando seu aperto, e ela rosnou e estabilizou-as. Mestre R assentiu em aprovação, aumentando sua determinação. Ela faria sua parte. Veja se não. A porta se abriu. “Cubra a gaiola — não quero testemunhas extras,” Lord Greville disse. Seu coração estava martelando, batendo, acertando seus pulmões. Ela não podia — não conseguia se mover. Alguém entrou na sala, a porta aberta o escondia dela. “Sim, senhor,” o homem disse. Um passo além da porta, e viu a gaiola vazia. Ela viu — realmente viu — sua boca aberta, mas o zumbido nos ouvidos suprimiu seu grito. Com um aperto de morte na base, ela balançou a luminária decorada de ferro sólido fortemente abaixo em sua cabeça. Ele caiu como uma pedra. Ela quase soltou a luminária. Sangue listrava a parte de trás da cabeça. Ela olhou, esperou. Seu peito subiu — ele estava respirando, graças a Deus. Quando andou em volta dele, a base de ferro lisa da luminária deslizou de suas mãos suadas. Minha única arma. Ela a agarrou, curvando os dedos no ferro ornamentado no topo. O equilíbrio era pobre, mas pelo menos ela não o soltaria. Ela ouviu grunhidos e gritos de fora da porta. Mestre R. Lutando com todo o resto. Sozinho. Maldita seja Kim. Mexa-se! Ela deu uma guinada para o corredor, e quase tropeçou em um homem no chão. Olhos abertos, peito desmoronado. Um zumbido começou em seus ouvidos. Ela venceu e passou por ele, então parou, tentando ver. Tantos homens. Com um rugido, Mestre R balançou a cadeira que tinha estado fora da porta e derrubou um homem abaixo das escadas largas e íngremes. Então se virou, curvou adiante, e chutou para trás, pegando outro na virilha. O homem cambaleou, perdeu o equilíbrio, e gritou quando se aproximou e caiu escada abaixo. Fora de equilíbrio, Mestre R soltou a cadeira, cambaleou alguns passos até que se segurou no corrimão. Mais dois guardas apareceram.

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E Lord Greville. O sangue de Kim gelou. Ele agarrou a cadeira. Mestre R de costas para ele quando puxou a cadeira para trás como um morcego. “Não!” Kim gritou. A cabeça de Greville girou. Seu olhar frio a parou… Segurando-a… Não. Gritando seu medo, sua fúria, ela balançou a luminária com toda sua força. A base pesada golpeou Greville no lado da cabeça, e ela sentiu algo quebrar como se a lâmpada incandescente tivesse quebrado. Ele caiu, e sua cabeça… Sua cabeça. A luminária soltou de seus dedos entorpecidos. O chão girou sob seus pés: Tapete vermelho, sangue vermelho, tapete vermelho… Ela estava em suas mãos e joelhos, sufocando, tentando não vomitar. Suor frio escorria pelo rosto. Deus, Deus, Deus. Não olhe. Quando o zumbido em seus ouvidos diminuiu, ela ouviu um gemido baixo. Mestre R. Ela se empurrou para cima com as pernas trêmulas e se virou. Ainda vivo. Lutando. Um homem ao seus pés. Mais homens subindo as escadas.

**** Raoul e Kim tinham desaparecido para um local desconhecido, e Sam estava pronto para matar alguém. Nenhum comprador tinha permissão de sair do salão de baile sem escolta, então ele não podia vagar pelo lugar, gritando por seu amigo. Conforme o leilão continuou, menos de um terço dos compradores e escravos permaneciam. O FBI não tinha aparecido. O que fizeram, pararam para tomar uma cerveja primeiro? Finalmente, ele avistou um casaco escuro, outro; Então um fluxo constante deles entrava por debaixo da porta do salão arqueado. Já não era sem tempo. Vance a seguir. Ele trocou olhares com Sam e parou por perto, enquanto seus homens subiam o corredor. Sua

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presença era mascarada pela gritaria e soluços das escravas, o humor doentio do leiloeiro, e a exibição pervertida no palco. Na frente da sala, uma porta se abriu, revelando mais homens. Sam acreditava na chance de que também tinham cercado a casa. Ele desejou poder ver o rosto do supervisor agora... E onde ele estava afinal? Um comprador pulou de pé. “Polícia!” “Tão observador.” Vance ergueu um megafone. “Aqui é o FBI. Vocês se ajoelharão no chão, mãos atadas atrás da cabeça. Qualquer resistência será encontrada com força mortal.” Ele abaixou o megafone e adicionado baixinho, “Seus fodidos idiotas.” Ninguém se mexeu. Vance colocou o megafone à boca novamente. “Sentem-se!” Sua voz chicoteou através da sala com a autoridade de um policial endurecido — e um Dom. A maior parte das escravas caíram instintivamente de joelhos, e muitos compradores o fizeram também. Sam sorriu e olhou para Linda, que ainda estava de pé. Sua escrava era feita de material resistente. Minha. Ela estudou Vance — e franziu o cenho para Sam, que não estava se movendo nada — então, ajoelhou-se também. Galen mancou até Sam e lhe deu um olhar avaliador antes de perguntar, “Onde está Raoul e sua sub?” “Não sei.” Sam fez uma careta. “O supervisor os levou em algum lugar fora do salão.”

**** Kim gritou quando um guarda atingiu Mestre R do lado, batendo-o na parede. Ele grunhiu de dor, começou a cair, então se conteve. Outro se dirigiu para ele.

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Kim se balançou para o guarda, girando no último minuto para chutar o lado de seu joelho. A dor cresceu rapidamente em seu tornozelo, mas como Mestre R tinha prometido, o sujeito afundou, berrando maldições. Ela saltou para o outro — impedindo seu golpe em Mestre R — e esmurrou o lado de seu pescoço, enquanto ele lhe batia de volta. Seu traseiro bateu no chão, sua cabeça um segundo mais tarde, com uma explosão de rachar de dor. As luzes escureceram, tornando-se negro. Ela gemeu. Não. Não posso. “FBI. Parem!” Através dos olhos desfocados, Kim olhou para o traficante acima dela, em seus olhos furiosos. Ela braceou para o pontapé… Então, ele levantou as mãos e recuou. Ela ficou deitada por um segundo, dor rasgando pela cabeça com cada pulsação, então conseguiu se sentar. Seu estômago embrulhou, produzindo náuseas, fazendo-a tragar e tragar de novo. A sala girou um carrossel de luzes. E finalmente diminuiu para uma parada. Vance estava no topo das escadas, vários policiais militares surgindo atrás dele. Incapaz de resistir, Kim assistiu enquanto dois homens de uniformes lidaram com os homens que Mestre R tinha derrubado das escadas. Um foi algemado e levado. O outro não se moveu. O oficial restante verificou seu pulso e o deixou lá. Mestre R. Onde ele estava? O medo a agarrou, Kim se virou para o outro lado. Obrigado, Deus. Ainda de pé, Mestre R estava encostado na parede enquanto ofegava pelo ar. Os guardanapos brancos que tinha usado em seu ferimento estavam encharcados de sangue. Kim gemeu. Ele olhou para Vance e Dan, então procurou ao redor e a viu. Seu olhar intenso atropelou seu corpo, retornando para seu rosto, e ele realmente sorriu. “Bueno.” “Raoul,” Vance disse. “Você está uma bagunça.” “E você está atrasado.” Mestre R estremeceu e colocou a mão nos guardanapos de linho. “Imbecil. Onde está machucado?”

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“Na parte de trás,” Kim disse, falando antes de seu Mestre. “E em suas costelas, e tem estado sangrando para sempre.” Ela tentou se levantar, mas o mundo começou a desaparecer a meio caminho para cima. “Não, gatita!” Mestre R deu um passo em direção a ela. Seus joelhos se dobraram, e ele caiu contra a parede. E deslizou abaixo, deixando uma trilha sangrenta no papel de parede. Oh Deus. Kim rastejou freneticamente. “Não, não, não.” “Médico!” Vance gritou. Ele puxou Mestre R para frente, rendendo-se a uma maldição suja em espanhol. “Isso é um ferimento de faca. Pensei que não poderiam ter armas,” Vance rosnou, afastando o colete de couro de Mestre R fora dos ombros. Ainda vivo. Ele está vivo. “É de uma bandeja de jantar,” Kim disse. “Buraco feio,” Vance murmurou. Tirou sua jaqueta preta e rasgou a manga de sua camisa branca. Depois de empurrá-la contra o ferimento no ombro sangrando e ficar amaldiçoando novamente, ele olhou para Kim. “Você é capaz de manter a pressão sobre isso?” Ela assentiu, ignorando a dor em sua cabeça. Só me assista. “Bom o suficiente.” Galen apareceu, debruçando-se fortemente em sua bengala. Ele tinha jaquetas debaixo do braço e lançou uma sobre os ombros de Kim e outra sobre as pernas de Mestre R. “Isso pode evitar que seja despejada no camburão.” “Whoa!” Um grito veio de perto. “Parece que esse filho da mãe não vai a lugar nenhum. Seu crânio rachou como uma casca de ovo.” Um mais jovem delegado no topo das escadas inverteu seu curso, seu rosto verde. Eu conheço esse sentimento, Kim pensou. Junto com o doloroso pulsar, sua cabeça continuava a repetir aquele som quebrando. Ela tentou tragar. Um aperto firme em seu joelho conseguiu sua atenção. “Cariño? Você está bem?” Ela sorriu abaixo nos olhos castanhos preocupados de Mestre R. “Eu te amo.”

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**** Com uma jaqueta do FBI sobre os ombros, Sam trabalhou seu caminho de volta para o salão, empurrando e passando por um policial e o comprador que tinha ameaçado mais cedo. “Hei! Prenda-o também. Ele estava chicoteando uma escrava,” o idiota gritou. O policial fez uma carranca para Sam, então na jaqueta que ele vestia. “Espere um minuto, por favor.” Ele puxou um bloco de notas do bolso, virando para um conjunto de fotos em miniatura. Sam viu seu próprio rosto, de Kim, e Raoul. O policial acenou educadamente para ele e deu ao traficante um empurrão. “Vamos você.” Sam sacudiu a cabeça. Os dois federais definitivamente tinham tentado garantir que seus civis encobertos estariam seguros. Segurando o cobertor que tinha encontrado, ele voltou para Linda. Um agente do FBI com um alicate tinha acabado de desencadeá-la do cabo longo. Sam fez uma careta. Isso foi ineficiente na melhor das hipóteses. “Sabe,” disse ao agente, “se você pudesse localizar o idiota chamado de supervisor ou Dahmer, ele provavelmente teria as chaves mestras.” “Você o viu?” “Talvez na cozinha ou no andar de cima. Ele não está no salão de baile.” O federal fez sinal para um de uniforme. “Consiga uma descrição desse homem e encontre o sujeito chamado de supervisor. Tente a cozinha primeiro, então lá em cima.” Sam descreveu para o policial e se virou para sua mulher. “Linda.” Ele manteve os olhos nela. Ela endureceu seu olhar no chão. Envergonhada. Inferno. Ele avançou e a envolveu no cobertor. O agente com o alicate estava trabalhando na cadeia da próxima mulher. Ele olhou para cima. “Hei, de onde veio o cobertor?”

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“Há uma pilha no armário pela porta da frente.” Sam puxou o cobertor com mais firmeza ao redor de Linda. Raias vermelhas apareceram em suas bochechas. Ela olhava obstinadamente para o chão. Maldição. “Olhe para mim,” ele rosnou. Seus olhos se ergueram. Bonitos, bonitos marrons, então abaixaram novamente. “Eles vão levar todas vocês para uma ala no hospital onde os documentos possam ser verificados. Os federais estarão fazendo entrevistas. Eu duvido que me deixem entrar para vêla.” Sua mandíbula endureceu quando ela não respondeu. Apreensão apertou seu intestino, aplainando sua voz. “Dê-me uma forma para contatá-la.” Seu queixo se empurrou para cima, e ela lhe deu um olhar atordoado de repulsa. “Não. Nunca.” Ela recuou um passo dele. “Eu nunca mais quero vê-lo de novo.” Outro passo atrás. Sua boca luxuriante tinha se achatado em uma linha apertada. Ele viu seu calafrio e soube que ela temia uma represália pela grosseria, mas sua determinação de mantê-lo afastado tinha sido o suficiente para arriscar. Ele conseguia lê-la tão claramente como se estivesse em sua cabeça. O agente que lidava com a escrava mais próxima franziu o cenho. Essa não era a hora para empurrar. Ele tinha cometido um inferno de um engano com ela, indo com a dinâmica da cena, e não levando em conta o resto do mundo. “Certo. Meu nome é Sam. Quando… Se você quiser me encontrar, pergunte no Shadowlands aqui em Tampa.” Ele hesitou. “Fique bem, Linda.” Ela desviou o olhar.

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Eles tomaram Mestre R dela, disseram que era o transporte aéreo para levá-lo ao hospital. Kim assistiu ainda incapaz de resistir, incapaz de fazer qualquer coisa, exceto tremer. Ele se foi. Ela estava sozinha. As memórias do sangue, algo quebrando, e os gritos continuaram surgindo adiante em ondas, torcendo seu estômago. Se ela conseguisse ficar de pé, talvez ela pudesse… Aonde iria? “Hei, o que está fazendo aqui?” Um policial perguntou bruscamente e tentou levantála. Ela ganiu e agarrou suas costelas. O supervisor tinha lhe dado um bom soco. Ele parou de puxar, mas não a soltou. “Vocês escravas devem estar todas no salão de baile até—” “Elas não são escravas, agora são?” Uma voz fria e rouca. Kim olhou para cima enquanto Mestre Sam se aproximava. “A última vez que olhei, a escravidão era proibida neste país.” “Desculpe. Sinto muito, senhor.” O policial a liberou e deu um passo atrás. “Um—” Sam se moveu na frente do oficial e se ajoelhou. “Você está bem, Kim?” “Meu Mestre.” Sua mente branqueou no nome. “Meu… Meu Mestre R. Preciso ir lá.” Onde ele está. “Ele está machucado. Preciso ir lá.” Sam não respondeu apenas a embrulhou em um cobertor que manteve ao redor e sobre a jaqueta preta que usava. Quando ela tinha conseguido uma jaqueta? Seus pensamentos gaguejavam, começou a avançar novamente. Se sua cabeça só parasse de doer… Ela puxou a coberta para mais perto. “Obrigado.” “Assim é melhor.” Sua mão segurou seu queixo antes que ela pudesse se esquivar. Depois de girar seu rosto para cada lado, ele examinou o nódulo atrás da cabeça. A dor estourou atrás dos globos oculares. Ele franziu o cenho no sangue em seus dedos. “Você está machucada, menina.” “Meu mestre. Eu preciso ir—” “Pare.” Ele fez um som exasperado. “Dan organizou para irmos ao hospital com o primeiro grupo de mulheres. Conseguiremos que seja examinada por um médico, e então poderá ver Raoul.”

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Ela assentiu, aceitando isso, embora sua mente parecesse estar muito lenta. Talvez ele tenha percebido desde que não se moveu. “Você não está acompanhando muito bem, não é?” Ele a levaria para Mestre R. “Estou bem.” O chão insistia em se mover em ondas, perturbando seu equilíbrio. Espere. Outra coisa. Alguém. “Linda?” “Ela está bem. Estará processada com o resto. Galen não faria uma exceção em seu caso.” Sam passou um braço ao redor dela. Ela tentou empurrá-lo, e ele esperou, não a liberando. Quando ela viu seus claros olhos azuis, se lembrou. Amigo de Mestre R. “Desculpe Senhor.” Ele simplesmente sorriu e a ergueu de pé. “Vamos.” A meio caminho, ela viu… Lutou contra o aperto de Sam, se curvou, e levantou uma coleira preta. E caiu para frente. Com uma maldição, Sam a agarrou e puxou-a de volta. “Que diabo você está fazendo, menina?” Ela correu os dedos pelo couro, à gravura de prata. Seu aperto apertou quando ele tentou tomar isso. “Meu.” Em vez de lutar, ele girou a coleira em suas mãos, assim poderia ler o que estava escrito. Gatita do Mestre Raoul. “Seu.”

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Capítulo Dezesseis Raoul abriu os olhos e fez uma carranca. Cama com grades de metal brilhante, paredes brancas, Marcus sentado em uma cadeira. Leilão, luta. Quando sua memória voltou, ele tentou se sentar e rosnou na labareda de dor em seu ombro e costelas. Ele se lembrou da equipe de ER verificando suas costas. Só tinha amaldiçoado uma vez. Então se moveram para sua frente. Carajo, não tinha gostado de ver os flashes brancos de sua caixa torácica, quando verificaram para ver o quão profundo era. “Quando minha irmã tinha dez anos, ela ganhou um kit de costura,” Marcus disse em seu fácil sotaque sulino. Puxou sua cadeira para mais perto e usou os controles para levantar a cabeceira da cama de Raoul. “Você parece com um dos ursos de pelúcia que ela… Remendou. Pontos por toda parte.” Amigos era uma alegria para o coração, Raoul lembrou a si mesmo. “Obrigado.” O leilão. Ansiedade brotou dentro dele. “Onde está Kimberly?” Marcus deu um suspiro exagerado. “Ela está no ER sendo verificada, mas está bem. Sam está com ela. Eles nunca deveriam tê-lo dopado para lhe dar os pontos.” Raoul relaxou. “Por quê?” “Você não fica muito agradável quando está dopado. Cada vez que seus olhos se abriam, você perguntava por Kim… Então tentava descer para o ER. Você esmurrou um enfermeiro, a propósito. As enfermeiras me arrastaram aqui para tranquilizá-lo de que ela está viva.” Marcus sorriu. “E estou lhe dizendo a cada cinco minutos desde então.” “Desculpe. E obrigado.” Raoul franziu o cenho. “Você a verificou recentemente?” Sam era bom. Ele tomaria cuidado com ela. Não é? Carrancudo, Raoul olhou na bolsa de IV pendurada em um poste, localizou a tubulação de plástico para a agulha no dorso da mão. Ele poderia arrancar isso.

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“Nem pense nisso,” Marcus disse seu sotaque sulista não atenuou o aço por baixo. “Eu me sentaria em você, e então eles colocariam isso de volta. Você perdeu sangue suficiente para deixá-los preocupados. E a mim.” Desistindo pelo momento, Raoul perguntou, “Eles pegaram todo mundo?” “Nós fizemos,” Galen Kouros disse da porta. O cansaço forrado em seu rosto quando entrou no quarto, apoiando-se fortemente na bengala. “Estou muito cansado para visitá-lo no hospital, seu insistente bastardo, depois de ser danificado em minhas operações.” Raoul bufou e teve que chupar contra o gemido. A pele em suas costelas se sentia como se quisesse se abrir novamente. “Sem piadas,” ele rangeu para fora. Por trás de Kouros, Z apareceu. Ele apontou para o dispositivo de controle da dor. “Use isso, Raoul.” Raoul fez uma careta. “Esperarei para ver minha sumi — ver Kimberly.” “Eu o despertarei se estiver dormindo.” Z pegou o controle remoto e apertou o botão, sorrindo na maldição de Raoul. “Não entre numa competição de mijo comigo enquanto estiver de costas. Você só ficará molhado.” “Cabrón.” Z sorriu. “Você pode parar de se preocupar com ela, sabe. Eu parei no ER e enviei Sam para casa. Kim está tirando Radiografias. Então, Jessica e Gabi a trarão para cima.” Ele olhou para Marcus. “Eu não acredito que os médicos terão a menor chance contra as três.” O medicamento para dor bateu. Sentiu-se como se a cama soltou longe um par de pés, mas as chamas em seu ombro e costelas aliviaram para uma aprazível ardência. Z ainda era um bastardo. “O que mais?” Ele perguntou a Kouros. “O andar de cima parecia uma zona de guerra. Um homem teve seu crânio esmagado — em que Kim disse era o seu trabalho.” Raoul estremeceu. Ele tinha vislumbrado o fim de Greville. Ela não deveria ter tido que fazer isso. “É ela — você a fez falar sobre isso?”

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“Desde que você não estava disponível, sim. Ela segurou bem, até que terminou… Então passou os próximos dez minutos vomitando. Maldição.” Kouros lhe deu um olhar de nível. “Pelo que sei de seus antecedentes, você já viu sua cota de violência. Ela ficará bem, mas você sabe que levará um tempo.” Raoul assentiu. “Para você, você desmoronou o peito de um homem, um morreu descendo de pontacabeça os degraus abaixo, um de uma traquéia esmagada. A maior parte do restante está em um mundo de dor. Trabalho bom.” Kouros pensou por um momento. “O supervisor está em uma cirurgia agora — e ele falou bastante enquanto estávamos esperando seu transporte.” “Eu não acredito que ele mudaria de lado tão depressa,” Raoul disse. “Se ele não acabar completamente cego, ele terá uma visão muito ruim”—Kouros deu um sorriso horrendo—“o que seria um excelente brinquedo de foda para algum grande Joe na prisão. Ele não gostou da ideia.” “Eu prefiro que faça.” Os olhos de Marcus estavam frios. “Gabi ainda tem pesadelos de ter sido sequestrada.” “E Jessica,” Z disse. “Sim,” Kouros disse fortemente. “Mas por outro lado, a Associação de Colheita perdeu este quadrante. E com o pessoal e os compradores, nós temos informações suficientes para cavar os líderes.” “E as mulheres sequestradas?” Z perguntou. “Podem ir para casa,” Kouros disse. “A Associação vai estar muito ocupada procurando por cavernas, para tentar quaisquer represálias.” Kimberly poderia retornar a sua família. “Isso — é o bom.” Ela partiria. Ele sentiu como se alguém estivesse rasgando seus pontos um por um. O riso das mulheres veio do corredor, aquecendo a esterilidade do quarto. Gabi e Jessica entraram, seguidas por Kimberly. Viva. Em seus pés. O nó de preocupação em seu peito soltou; A dor da perda não.

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Ela mancou até a cama e sorriu para ele. “Você parece horrível — e muito melhor do que pensei que estaria.” Ela tinha o rosto contundido, lábio cortado. Sua perna tinha sido ferida de algum jeito. Seu corpo se movia… Rigidamente, como se aguardando a dor. Tinha linhas de tensão ao redor dos olhos e da boca, mas ela conseguia sorrir. Um espírito tão indomável. Ele abriu sua palma, dando-lhe a escolha, e o mundo ficou mais brilhante quando sua pequena mão deslizou para dele. “O que o médico disse gatita?” “Você tem uns mil ou mais pontos em seu—” Ele estreitou os olhos. “Sobre você.” Pensando mais claramente, ele se virou para Jessica, defensora das subs. “O que seu médico disse?” Ignorando o clarão de Kimberly, Jessica olhou para Z, recebeu um rápido sorriso e um aceno, e reportou, “Além dos danos em seu rosto, ela tem uma contusão feia nas costelas — mas nada quebrado — e um tornozelo torcido. Nada quebrado lá também. Um choque, e eles querem que ela passe a noite.” Jessica sorriu para sua amiga. “Ela saiu da cadeira de rodas logo ali fora desse quarto, 'porque você poderia se preocupar.' É tão teimosa quanto você.” Quando Jessica terminou, Raoul usou o braço de Kimberly como uma guia para puxála para baixo. Precisava de seus lábios, sua fragrância, sua gentileza, e ele saboreou todos eles quando sua boca macia se moveu sobre a dele. Teriam que conversar logo, mas… Não agora.

**** Logo depois que Z e Jessica partiram, uma enfermeira apareceu para Kim — e Mestre R ordenou que fosse uma paciente obediente. O Baiacu obstinado. Deus, não queria deixá-lo. A equipe do hospital e o FBI tinham falado sobre a divisão das mulheres resgatadas em diferentes hospitais e quartos, mas Gabi tomou a carga, e elas descobriram que as mulheres preferiram ficar juntas, pelo menos no momento. Kim entendeu completamente.

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Segurança em números, outros que compreenderam o que tinha acontecido, amizades formadas no sofrimento. Até que suas famílias chegassem, um ao outro era tudo o que estas mulheres tinham. No grande quarto cheio de ex-escravas, a enfermeira dobrou Kim em uma cama próxima a Linda, tomou seus sinais vitais, e aumentou sua enxaqueca com uma luz brilhante em seus olhos. Mas ela era uma enfermeira agradável e apareceram alguns minutos depois com a medicação para dor em reembolso pela tortura da lanterna. Durante algum tempo, Kim conversou com Linda, compartilhando lágrimas e conforto sobre a morte de Holly, e alívio pelo pesadelo da escravidão ter acabado. Linda disse a Kim para não ficar louca com Sam por chicoteá-la, que ele não tinha escolha. Ele tinha lhe dado uma palavra segura, e ela tinha concordado. Entretanto... Ela não falaria mais sobre isso. Algo estava errado. Os olhos de Linda estavam abaixados, e ela se afastou antes que Kim pudesse pensar em uma pergunta diplomática. Ao redor do quarto, as mulheres estavam dormindo, chorando baixinho, ou conversando com os conselheiros que tinham chegado com Gabi. Graças aos cuidados do supervisor com a ‘mercadoria’, a maioria delas não estava ferida gravemente — pelo menos não fisicamente. E poderiam ir para casa. Quando Kim procurou, sua ansiedade se manteve crescente. A agitação começou bem no fundo enquanto conversava com Linda, lentamente se expandindo. Suas mãos estavam tremendo como uma palmeira em ventos fortes. Maldição, todo mundo consegue dormir. Por que não eu? Talvez eu devesse ter conversado com alguém. Ela não disse a Linda sobre Lord Greville ou sobre a briga. Ela tinha afastado Gabi também, dizendo que não estava pronta para discutir qualquer coisa ainda. Haveria tempo mais tarde, já como uma especialista em vítimas do FBI, Gabi estaria aqui todos os dias até que as mulheres sequestradas voltassem para casa.

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Kim embrulhou os braços na cintura, sentindo-se oca. Vazia. Depois que isso tudo acabasse, haveria algo sobrando dela? Eu preciso me mover fazer algo. Ela deslizou fora da cama, seu vestido do hospital se agitando, mas pelo menos as enfermeiras do ER lhe deram algo parecido com um pijama na parte inferior. Ela não esqueceria suas pequenas bondades. Só ligeiramente atordoada, ela andou pelos corredores, segurando no corrimão ao longo das paredes. Os odores variaram quando seguiu para além das portas: Desinfetante, náusea, excremento. Seus músculos cansaram; Seus pés começaram a arrastar. Volte para cama, disse a si mesma. Mas os números eram familiares, e então ela sabia. Tinha pensado que estava vagando a esmo, mas… De alguma forma, tinha acabado no quarto de Mestre R. Quando espiou dentro, seu coração deu um tombo lento. Nem tudo dentro dela estava oco. Ele ainda estava acordado, carrancudo em um pequeno prato na mesa bandeja. Lanche no meio da noite? “Você precisa de ajuda para comer?” Perguntou, se aproximando. “Que tipo de uma refeição é gelatina? E é verde. Comida não deveria ser verde.” Fez uma carranca nela, seus olhos girando com intenção, embora sua voz ficasse fácil. “Uma cerveja seria mais bem-vinda. Venha cá, gatita.” Estendeu a mão. Ela colocou os dedos nos dele, sentindo os calos, a força cuidadosa. Mas vê-lo não ajudou. Nada iria ajudá-la, ela percebeu, e tentou recuar. “Você precisa dormir.” “E você devia estar em sua cama também.” Ele sorriu para ela. “Desça o trilho lateral e sente-se ao meu lado.” “Não. Vai machucá-lo.” “Agora, sumisita.” Deus, quando ele usava esse tom, às vezes — raramente — ela conseguia desobedecêlo. Não hoje.

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Quando deslizou o trilho, ele abaixou a cabeceira da cama, então pegou seu antebraço e a puxou para se sentar na extremidade. Ela sabia que os movimentos e ser empurrado deveria machucá-lo, mas nada se mostrou em seu rosto. “Pronto, estou aqui. Você está feliz?” Sentando-se rigidamente ereta, ela fez uma careta para ele. “Ainda não. Galen disse que você lhe disse o que tinha acontecido. Disse-lhe como se sentiu também?” Ela tentou se levantar, e seu aperto aumentou. “Não quero falar sobre isso.” “Mas você vai.” O canto da boca apontou para cima. “Como eu vou, e depois, vamos segurar um ao outro.” “Não.” Seu queixo se inclinou ligeiramente, e ela descobriu que tinha consumido todo o desafio em sua alma. Seu olhar caiu. “Bueno. Eu começarei. Quando você disse que a pessoa no quarto era Greville, eu fiquei com raiva. E com medo com o que tínhamos criado.” Ele nunca tinha mostrado nada disso. Ela olhou para cima. “Realmente?” “Eu estava com muito medo, Kimberly.” Seus dedos se enrolaram ao redor de sua mão, e seu polegar acariciou círculos no dorso. “E você? Você não parecia brava,” ele iniciou depois de um segundo de silêncio. “Eu-eu estava muito”— seus olhos marejaram quando a lembrança a inundou— “muito medo. Eu sabia que morreria.” Seus olhos se estreitaram. ���Você pensou que iria deixá-la?” O tremor se espalhou, até que ela conseguia sentir a vibração na cama inteira. “Eu sabia que ele faria com que você fosse. Ele não lhe daria uma escolha, e…” E ela estaria sozinha e gritando quando morresse.

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Ele suspirou e a puxou para baixo em cima dele. Ela lutou. “Não, eu vou te machucar.” Ele bufou uma risada aflita. “Se você lutar comigo, sim. Eu já posso sentir os pontos estalando.” Ela congelou, olhando para os curativos de gaze branca em seu peito nu. “Se deite ao meu lado, gatita.” Quando ela obedeceu, ele deu um grunhido de satisfação, fixando-a com a cabeça no oco do ombro ileso. O calor que fluía dele foi como luz solar, e sua frieza retrocedeu. Seu suspiro estremeceu seu corpo inteiro. “Bom.” Sua grande mão acariciou seus cabelos; Seu outro braço se enrolou ao redor de suas costas, segurando-a firmemente contra ele. “Gatita, você não percebe que eu preciso de você em meus braços tanto quanto você precisa estar aqui.” Ela fechou os olhos na certeza. “Obrigado.” Sua risada de barítono baixa foi tão íntima quanto sendo segura. “Agora devemos falar sobre o que aconteceu para que nossas memórias possam processar corretamente, não?” Ele tinha uma fascinação por suas sessões de aconselhando, estudava PTSD como se fosse um pesquisador. “Minha vez. Eu sabia que tudo estava indo pro inferno. Eu queria que você corresse — mas você voltou. Eu nunca tinha ficado tão assustado.” Ele inalou e rosnou. “Estou muito orgulhoso de você, sumisita mía, mas pretendo te bater por me desobedecer.” Ela deu uma risadinha em seu ombro, sabendo que ele faria tal coisa. “Estou muito orgulhosa de você também, mas eu deveria lhe bater por não me deixar lutar ao seu lado.” Ele grunhiu. “Você fez bem com o supervisor e os guardas. E Greville.” Sua respiração engatou. Balançando a luminária pesada, fúria e terror a enchendo, sentindo a sensação de fratura. O som indescritível que ele fez o baque de seu corpo batendo no chão. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela as deixou cair dessa vez. “Eu o matei.” A mão de Mestre R acariciou seu braço. “Eu sei.” Outra carícia. “A única opção era sua morte ou a nossa. Galen disse que matei vários também.” Ela fungou as lágrimas umedecendo seu peito. Ele era um homem. Provavelmente— “Já matei antes, e nunca foi mais fácil lidar depois. Sempre haverá uma parte de você que se sentirá culpada. Enegrecida.”

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“Você também?” Sua risada amarga arreliou seu cabelo. “Eu não sou Deus, e matar outro é errado. Nós dois lamentaremos as mortes que demos, e ficaremos com raiva, e vamos querer gritar com os bastardos que nos forçaram a isso.” Ele esfregou o topo de sua cabeça. “E desde que sou um homem, eu apreciaria se chorasse por nós dois, gatita.” Erro. Lamento. Raiva. Pesar. Um soluço a sufocou, e então tudo se derramou, lágrimas justas afinal, em segurança e com alguém que poderia tomar seu conforto em retorno.

**** Domingo à tarde, Kim se sentou ao lado da cama do hospital e assistiu o rosto de Mestre R enquanto dormia. Sua cor tinha melhorado, e a carranca tinha desaparecido de sua testa. A enfermeira tinha lhe dado um vestido esta manhã, e, novamente, ele o lançou aos pés da cama. Mas desse jeito, Kim conseguia ver as bandagens em seu peito nu. A gaze branca mostrava só alguns respingos vermelhos ao invés de estarem encharcadas de sangue. Ela sorriu. Ele estaria resmungando quando acordasse e percebesse que a dor e os medicamentos o fizeram cair no sono novamente. E iria culpá-la, desde que tinha ficado boa em detectar quando estava sofrendo, e o adulava para usar o botão. Uma pena ela não ter a coragem de apertá-lo ela mesma como Mestre Z fazia. Mais cedo tinha enviado para casa Gabi e Marcus, desde que seu Mestre sempre muito educado, não se deixaria adormecer se tivesse visitas. Obviamente, ele não considerava sua companhia. O pensamento instalou um brilho dentro dela. E ele dormia melhor se estivesse segurando sua mão. Ela tinha se afastado algumas vezes, e ele tinha acordado em um minuto. Algum tipo de radar de Dom, talvez. Ela dormia melhor ao lado dele também. Depois de retornar ao quarto cheio de mulheres, ela tinha passado uma noite acordada, e tinha se movido furtivamente de volta para

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cá antes do amanhecer. Mestre R estava lendo. Ela tinha puxado uma cadeira e descansado a cabeça ao lado de sua mão… Só por um segundo… E tinha acordado um par de horas mais tarde, quando Cullen e Andrea chegaram. Ele tinha dormido também, seus dedos entrelaçados em seus cabelos. Deus, ela o amava. Ele tinha arriscado sua vida por ela. “Corra,” disse, e tinha enfrentado a todos para deixá-la cair fora. Ele poderia ter deixado Lord Greville tê-la, mas não fez. Não seu Mestre. Mestre. Maldição. Cada vez que pensava em ficar — se ele quisesse mesmo que ela ficasse — a palavra borbulhava dentro dela com um som doce e assustador. Mestre. E ela seria uma escrava. Só que ele tinha dito que ela não era. Submissa. Ela ainda não queria que ele tomasse suas decisões, a controlasse. Por que ainda não perguntei a ele o que quer de uma… Pessoa? Uma amante? Ele ficaria feliz com seu amor e o que ela lhe daria? Quanto dela, de sua vida e sua alma, ele exigiria? Eles viveram como Mestre/escrava, mas isso foi para deixá-la pronta para enfrentar os traficantes de escravos. E sim, ela tinha implorado para que ele continuasse como seu Mestre. E ele tinha. Ela tinha se ajoelhado a seus pés. Ele a tinha alimentado de sua mão, até durante as instruções específicas. Ela fez uma careta. Seguramente ela só precisava dessa semana extra de segurança por causa de seu sequestro. Ele não parecia acreditar nisso. Ela poderia ser feliz vivendo o estilo de vida? Deus, eu não sei. Ela olhou para ele. Quando ele olhava para ela de certo jeito, ela faria qualquer coisa. Sua voz podia levá-la em qualquer lugar. Ele tinha as mãos poderosas, gentis e firmes, o mesmo que era ele, compassivo com um núcleo sólido de… Honra. Como sua mãe diria, “Este homem tem caráter.” Ela poderia apoiar-se nele; Ele a manteria segura. Como ela poderia partir?

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“Aqui, Mamá.” Uma voz feminina com um leve acento espanhol. Kim se virou quando duas mulheres entraram no quarto. Uma mais velha e ligeiramente inclinada em um vestido floral. Seu rosto estava enrugado com a idade, as mãos nodosas com artrite, e ela possuía a dignidade de alguém que tinha trabalhado a vida toda. A outra estava em torno da idade de Kim, uma mulher atraente, com um corpo robusto e ossuda, em jeans e um top solto. Ela parecia familiar... Cabelos pretos, olhos castanho chocolate, coloração hispânica, e a mandíbula forte de Mestre R em forma feminina. “Você é família de Mês — Raoul?” Kim perguntou, ruborizando por sua língua rebelde. A mulher mais velha não a tinha visto, olhava apenas para Mestre R, e ela saltou. Quando as duas mulheres se viraram para Kim, horror encheu seus rostos. O que? Então se lembrou de seu rosto machucado. “Desculpe sobre o—” “Nós não devíamos ter vindo,” A mais jovem interrompeu e saiu do quarto. O que diabos foi isso? “Espere,” Kim disse. A mais velha hesitou, e Mestre R acordou. “Mamá,” ele disse, sua voz mais uma lima que lisa. “O que está fazendo aqui?” A velha deu um passo à frente, torcendo as mãos. “O hospital chamou. Estou listada como sua família.” Como pode uma mãe ser tão dura com seu filho? Com Mestre R, que nunca foi frio com seus amigos? “Ah. Eu sinto muito, Mamá. Eu não sabia que você era—” Parou, sua mandíbula apertou. “Mamá, esta é Kim. Kimberly, minha mãe, Anna Sandoval.” “Você está bem?” A Sra. Sandoval perguntou a Kim. “Estou bem, obrigado.” Por que ela não perguntou a Mestre R como ele estava? Ninguém podia deixar de ver as bandagens volumosas passadas por suas costelas. Isso era muito estranho. Kim apertou a mão de Mestre R. “Vou tomar um café. Voltarei logo.” Ela saiu do quarto e ficou cara a cara com a outra mulher.

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“Uh, oi.” Deus, não haveria dois estranhos que fossem tão semelhantes. “Você é sua irmã?” Kim perguntou. Quando a boca da mulher apertou, ela pareceu tanto com Mestre R que Kim quase riu. “Sim, eu sou Lucia. Você é sua escrava?” O que — Kim sentiu o rubor subir em seu rosto. “Ah, na verdade, não. Sou Kim.” “Ele é meu irmão, mas não posso deixá-lo…” A mulher endireitou os ombros. “Talvez você ache que é só diversão, mas não é. Não é seguro estar com ele. Ele vai machucá-la, te bater tão mal, que não poderá andar. Não fique com ele.” “O que?” Sua irmã assentiu sua boca apertada. “Ele gosta de machucar as mulheres. Fazê-las gritar. Mantê-las como escravas e não deixa-las sair.” Sua mãe saiu do quarto, fechando a porta atrás dela. Ela, obviamente, tinha ouvido a última parte da frase. Lágrimas encheram seus olhos. Ela balançou a cabeça. Kim olhou. As duas mulheres acreditavam naquele lixo. Um calafrio a percorreu quando seu próprio medo irritante andou para luz. Não Mestre R. “Por que diz essas coisas?” “É verdade,” sua mãe disse. Ela olhou para a filha desamparada. “Sua esposa,” Lucia disse. “Eles se separaram tão de repente. Se divorciaram.” A mãe tocou em seus lábios. “Raoul não falaria sobre isso.” “Alicia me disse”—Lucia acenou para sua mãe—“nos mostrou o que ele tinha feito com ela. Tinha vergões, e contusões, e sangramentos por toda parte do corpo. Seus pulsos estavam rasgados de ter sido acorrentada em uma parede.” Seu olhar caiu sobre os pulsos de Kim, que tinha abrasões leves da corda que Mestre R tinha usado no veleiro. “O que eles fizeram, foi… Algo que os dois queriam,” Kim disse, tentando pensar em Mestre R machucando alguém muito mal. Sua esposa. “É chamado de consensual.”

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“Não,” sua mãe disse rispidamente. “Sem consentimento. Alicia disse que tinha gritado e implorado, e ele não a deixou ir. Ele a fez sua escrava, e ela não queria isso. Ela o odiava.” “Quando ela ficou livre, ela foi embora. Divorciou-se dele,” Lucia disse. “Ela vive em outro lugar agora.” Sua mãe virou o rosto para parede e sussurrou, “Alicia disse que ele deixava outros… Tê-la. Abusar dela. Eu o amo, mas não posso agir como se fosse meu filho.” “Não—” “Ele admitiu. Deixe-o enquanto ele está aqui no hospital,” Lucia persuadiu. Sua mãe tocou a contusão na bochecha de Kim e balançou a cabeça. As duas mulheres se afastaram, a mais jovem sustentando a mais velha. “Não,” Kim sussurrou. “Ele não fez. Ele não podia.”

**** Raoul fechou os olhos, pesar o enchendo mais rápido que o retorno da dor. Mamá. Ele não a tinha visto em quase três anos. Ela veio porque estava machucado, mas deu um olhar para Kimberly e soube que ainda estava no estilo de vida. Raoul inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto, o gosto da amargura familiar. Por que Alicia não tinha se conformado em ser infiel? Isso tinha sido o suficiente para um golpe. Um horrível — voltar para casa mais cedo para encontrar sua esposa amarrada a um banco de cavalete, coberta de vergões e listras, seu cunhado fodendo sua bunda.

Raoul tinha dado um passo à frente, pensando que Randolph a tinha chicoteado que a estivesse estuprando — ele teria matado o homem. Mas ele ouviu Alicia exigindo mais dor, para que ele a fodesse mais duro.

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Ele não tinha matado nenhum deles. Talvez devesse ter feito. Ele tinha pedido o divórcio… E como vingança, ela tinha dito a Mamá sobre seu filho, o Dom. O Mestre. Raoul tinha tentado explicar o estilo de vida BDSM para Mamá. Tudo que ela viu foi que seu filho era um pervertido. Doente. Um abusador. Raoul suspirou sua garganta apertada. Usando seus olhos para iluminar quando ele voltava para casa. Ela o repreendia em espanhol por chegar tão tarde. Agora seu olhar mostrava repulsa. O telefone na mesa de cabeceira tocou, e Raoul grunhiu em dor quando se esticou para atender. “Sandoval.” “Hei amigo.” A voz entusiasmada de Cullen explodiu pelo telefone. “Galen pediu que eu pegasse a mãe de Kim no aeroporto. Estamos aqui embaixo. Você pode lhe dizer que ela tem companhia?” Sua mãe. “Ela é uma boa mulher? Capaz de cuidar de sua filha?” Raoul perguntou devagar, tentando não deixar sua crescente perda se mostrar em sua voz. Ele não teve sucesso, pois a voz de Cullen ficou cautelosa. “Parece ser. Ela esteve em lágrimas metade do tempo e furiosa com os traficantes o resto. Nenhuma boa coisa eles ficarem ao seu alcance. Faz-me lembrar de Jessica. E sua Kim.” “Bueno.” Escuridão brotou dentro dele, até o próprio ar pareceu escurecer. A hora tinha chegado. “Traga-a para a sala de espera no final do meu corredor. O encontrarei lá.” Kimberly não deveria permanecer com ele por mais tempo. Ela precisava se curar, e uma vez que o fizesse, ele duvidava que fosse vê-la novamente. Dar um passo de volta em uma relação de D/s seria mais do que ela poderia tolerar, não importa o quão valente era. E ela era muito corajosa. Ela tinha tentado protegê-lo, tinha rastejado em uma gaiola para salvá-lo, tinha matado um homem. Ontem à noite, em seu quarto escuro, ela tinha se sentado no pé de sua cama, e a luz do corredor tinha aureolado sua figura pequena, como se sua alma tivesse se iluminado. Seu espírito, apesar de toda a dor, permanecia belo e doador.

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Mas ela já tinha dado o suficiente. Ele tragou o aperto na garganta para longe. A próxima reunião se desenrolaria como deveria, e então, tudo estaria terminado. Como estaria os sonhos que ele nem tinha percebido que tinha segurado. Sandoval seu tolo. Ela não tinha feito segredo do fato que não queria uma relação Mestre/escrava, ou de ser uma submissa em tempo integral. Ainda que não tivesse passado o que tinha, ainda assim não teria aceitado. Sim, antes do leilão, o tinha pedido para continuar sendo seu Mestre, mas só precisava de alguém para se agarrar. Ele fez uma careta. Entretanto, ela tinha sido feliz com ele. Disposta. Realizada. Ele não tinha imaginado isso. Ele deveria lhe dar uma escolha. Primeiro, encontraria sua mãe. Certificaria-se de que sua gatita seria bem cuidada, se fosse para casa. Ele olhou para bolsa IV e começou a desfazer a fita segurando a agulha em seu braço.

**** Kim se sentou em uma cadeira na lanchonete, assistindo as torrentes de chuva fora do hospital, escutando o trovão de tremer os ossos. Tempestades, ondas… Não importava as coisas estúpidas que os humanos fizessem, o universo continuava. As marés subiam e desciam; As tempestades jogavam para fora do oceano; O sol surgia a cada manhã. A vida continuava. Que tal minha vida? Galen disse que poderia voltar para casa agora. Casa. Ela franziu a testa quando um raio relampejou de nuvem para nuvem, e alguns segundos mais tarde, o céu trovejou. Voltar para Savannah? Para o qual estava familiarizada. Longe de traficantes de escravos e do FBI e mulheres sequestradas. Nostalgia subiu por ela, empurrando-a como as

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rajadas de vento lá fora. Precisava retomar sua própria vida, seu trabalho, seu duplex, seus amigos. Sua mãe. Hora de voltar para casa. Mas… Mestre R? O pensamento de deixá-lo fez seu peito doer como se um raio a tivesse atingido. Ela se levantou e voltou para seu quarto. Ela poderia aguentar não vê-lo mais? Nunca mais sentir sua mão em sua cabeça, ou se ajoelhar a seus pés, ou ouvir o prazer quente em sua voz quando antecipava suas necessidades. Mas, entretanto, outras memórias escoavam para cima, nauseando-a: O supervisor pisando em seu pé, Lord Greville a chicoteando até que o sangue escorresse em suas pernas, prendendo-a na gaiola. Ela congelou no centro do corredor e se concentrou em respirar. Eu não posso passar por isso novamente. A mãe de Mestre R tinha dito que ele era um abusador… Mas ele não era. Ele não podia ser. Mas a Sra. Sandoval estava tão certa. O que vou fazer? Ela parou em sua porta. Ele parecia exausto. Pálido. Sofrendo. Teria tentado se levantar para usar o banheiro? Dom teimoso. “Eu acredito que precisa empurrar o botão para seu medicamento para dor,” ela disse firmemente. Ele olhou no IV, sua expressão estranha. Então olhou para ela. Seu olhar era intenso, como se memorizando seu rosto, demorando-se na contusão inchada em sua bochecha esquerda, o curso dividido em seu lábio. Sua boca apertou. “Eu não cuidei de você muito bem, não é?” “Estou viva. Não sou uma escrava. Acabamos com um cartel de escravos.” O olhar inexpressivo em seu rosto enviou tiros de advertência através dela em pequenos flashes inquietantes. “O que está errado, Me — Raoul?” Seus músculos tencionaram, como se ela o tivesse batido. Ele a olhou com um olhar sombrio. “Nada está errado. Você tem uma visita.” “Quem? Mais policiais?”

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“Não dessa vez.” Seu sorriso não alcançou seus olhos. “Eles já terminaram conosco — pelo menos até que comecem as manobras legais.” Ergueu a mão como se para tocá-la. “Você já pode ir para casa agora.” “Eu posso?” Ele a estava mandando embora. A compreensão sentia-se como um golpe, mais cruel que o punho do supervisor em suas costelas, sólido o suficiente para forçá-la a dar um passo atrás. Ele hesitou, e então perguntou lentamente, “O que quer fazer, Kimberly?” Uma onda de esperança atravessou seu corpo. Ele estava lhe dando a escolha. Ela não teria que deixá-lo. Só que ela queria ir para casa. Não é? Não, eu o amo. Mas isso era suficiente? Ela não era qualquer criança cega romântica. O amor não significava que uma pessoa poderia viver com alguém, ou que a outra pessoa era confiável. Não garantia felicidade. Ela sabia que não podia ficar — não iria funcionar — mas o pensamento de que ele não estaria lá para segurá-la à noite, saudá-la pela manhã com as pálpebras pesadas quando rolava sobre ela e alfinetava suas mãos sobre sua cabeça… “Eu…” Seu coração lentamente se dividiu em duas partes. Seus olhos se fecharam, e sua mandíbula se apertou. “Sua mãe está aqui, sumis — Kimberly.” “Mãe?” “Sí. Ela está na sala de espera do corredor.” Mãe. Kim olhou para Raoul, ouvindo as palavras de sua mãe. Pensando nela própria. Sua mãe amava seu pai no princípio — ela tinha dito que sim — e ele a amava. Mas isso não tinha importado. Ele a moeu na sujeira com suas exigências. Tinha feito dela uma escrava. Eu não quero ser esse tipo de pessoa. Eu não sou como minha mãe. Aparte o sexo, ela nunca quis ser servil a um homem. Ela só tinha feito isso para prender os traficantes de escravos, não para… Para ficar. Eu tenho uma vida. “Preciso ir para casa.” Os olhos castanhos a assistindo pareceram escurecer.

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“Sim, acredito que você faz,” ele disse, sem dúvidas em sua voz. Dominante. Mestre. Sua labareda de raiva foi bem-vinda. Ela endureceu a espinha — veja, eu ainda tenho uma espinha — andou até a cama, e estendeu sua mão. “Obrigado por… Tudo.” Pela ternura e firmeza, pela compreensão e o sexo e o… Amor. Ela queria dizer mais, mas sua garganta fechou, prevenindo palavras e lágrimas. Sua cabeça se curvou quando tomou sua mão, beijou seus dedos, e abriu a mão. Liberando-a. “Adios, gatita.” As palavras ecoaram repetidas vezes à medida que ela se afastava.

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Capítulo Dezessete “Adios, gatita.” Nada mais, Kim disse a si mesma. Pare de ouvir essas palavras malditas. Pare de se sentir abandonada. Quando no inferno ela conseguiria esquecer sobre traficantes, horrores, e medo? E o amor? Maldito Mestre R de qualquer maneira. Ele deveria tê-la empurrado mais, feito algo — qualquer coisa — assim ela poderia ter andado mais que quinze metros da porta. Quinze metros não eram suficientes. Kim ficou parada na porta de seu duplex, desviando a vista para seu carro. Estacionado no meio-fio, como sempre. Até agora, muito longe. Suas mãos cerraram. Eu posso fazer isto, porra. Durante a última semana ou assim, ela tinha administrado todo o resto. Seus pesadelos foram ajudados por luzes que se alojavam — embora nada fosse tão eficaz quanto uma voz lenta e escura, e um corpo sólido a puxando para sua segurança. “Adios, gatita.” Afogue ele. O trabalho a manteve ocupada, especialmente quando ela saiu sobre as águas. Seus amigos e colegas de trabalho a tinham recebido de volta com alegria. E preocupação sobre o que dizer o que evitar. Tinha perdido a compreensão de Gabi e demais subs do Shadowlands. Mas ela estava melhorando, embora a cada dia, doesse por dentro pela perda de… Ela sacudiu a cabeça. Isso é passado. Isto é o agora, e a tarefa agora é chegar ao carro. Ela tinha administrado nos primeiros dias — e ficado sentada no carro tremendo depois — mas seu medo estava ficando pior a cada dia. Seria melhor encontrar um lugar com uma garagem e uma porta automática. Claro que uma garagem, não a salvaria em outros locais, mas pelo menos ela poderia deixar sua própria casa.

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Ela fungou um pouco, tentando seus nervos de aço. Aço, ah. Seus nervos estavam bastante desgastados, quase como um fio que estalou sob a tensão, como um par de noites atrás. Ela permaneceu na porta por vinte minutos, tentando sair para comprar mantimentos. Quando tinha atendido ao telefone e ouvido a voz de Gabi, que tinha feito isso. Histeria de cidade. Embaraçoso como o inferno. Tempo para tentar novamente. Kim deu três passos e congelou ao ver um furgão se aproximando. Parou atrás de seu carro. A pele gelada, enquanto tentava não correr para casa. Eu odeio furgões. Mas não era preto; era um amarelo claro, com alegres cães pintados à mão, decorando os lados. Realmente, não teria autorrespeito, o sequestrador que dirigisse um carro assim. Certo? A motorista feminina saltou e em lugar de se aproximar, abriu a parte traseira. Incapaz de dominar seu medo, Kim retrocedeu até que parou na entrada, pronta para bater a porta fechada. A mulher chamou algo, e um cachorro saltou para fora. Marrom com um focinho mais escuro, orelhas pontudas na posição vertical. Um grande cachorro. Um pastor alemão? A curiosidade venceu seu medo, e Kim esperou. A mulher de cabelos grisalhos curtos subiu a calçada, levando um envelope grosso. “Bem, você faz isso mais fácil. É a Senhorita Kimberly Moore?” Os temores desapareceram, Kim sorriu. “Eu sou.” Incapaz de resistir, ajoelhou-se e estendeu a mão para o cachorro. “Você não é um menino bonito? Você não é doce?” Com um lamento baixo, ele esperou até que a mulher disse. “Tudo bem, Ari. Esta é a sua pessoa.” O cachorro deu um latido e pulou adiante, sacudindo o rabo, tomando todas as carícias de Kim e respondendo com fuçadas e rápidas batidas de sua língua. A mulher mais velha suspirou. “Ele nunca vai aprender a regra do não lamber.” Ela estendeu o envelope. “Vamos dar alguns minutos para passar por isso, antes de eu partir. Claro, você pode sempre chamar se tiver dúvidas.”

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Kim franziu a testa. “Perguntas?” Seria alguma nova técnica religiosa? Use um cachorro para conseguir que os pecadores o deixem na porta? “Sobre o que?” “Sobre Ari — é o apelido para Ariel, a propósito, após o arcanjo.” Ela sorriu no lamento do cachorro. “Eu acredito que seu amigo estava correto. Vocês dois parecem bastante adequados um ao outro.” Amigo. Adequado. “Não estou conseguindo acompanhar isso. Está me dizendo que vai deixar o cachorro — Ari — aqui?” “Bem, sim.” As sobrancelhas da mulher se juntaram. “Ele não te ligou?” “Quem?” “Oh meu.” Com um som exasperado, a mulher estendeu a mão. “Sou Maggie Jenkins, e eu treino cães de guarda para mulheres. Só para mulheres. Um homem chamado Raoul Sandoval chamou mais cedo e me manteve no telefone por uma boa hora, fazendo-me descrever cada cachorro disponível. E então, comprou Ari para você e me pediu para entregálo hoje. Ele disse que você, especialmente, precisava de um treinado para ser uma escolta, um cão para acompanhá-la nas lojas ou esperar lá fora.” “Uma escolta?” Kim olhou para Ari, vendo as grandes presas, o corpo forte, a ameaça empinada dele. “Ele irá comigo — em todos os lugares? E esperar lá fora se não puder entrar?” “Absolutamente. Este é o seu trabalho.” “Mas — por quanto tempo eu o tenho?” Deus, se ela só pudesse mantê-lo por um mês, tempo suficiente para superar seus medos. “Criança, o cachorro é seu. O Sr. Sandoval não o contratou. Ele comprou Ari definitivamente, o que é bom.” Maggie sorriu. “Ari não tem sido feliz sendo contratado. Ele quer sua própria pessoa. De fato, acho que já o conquistou, e ele seria infeliz por deixá-la.” Kim percebeu que o cachorro estava completamente em seus braços, debruçando-se contra ela, até que sua parte superior espreguiçou-se por suas pernas. Ela deu uma risada, o sentiu lamber as lágrimas de suas bochechas, e enterrou o rosto no pêlo espesso. Quinhentos metros longe, e Mestre R ainda a protegia. Como poderia não amá-lo?

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**** A cozinha da sua mãe não tinha mudado, Kim pensou enquanto enchia a máquina de lavar com os pratos empilhados no balcão. Um cômodo tão alegre com armários brancos e cortinas de babados, bancadas azul escuro, e vacas brincando no refrigerador e caixas de latas. Vacas sorrindo. Isso era simplesmente errado. “Então, esta pessoa — homem — com quem você estava vivendo...” A mãe de Kim mergulhou uma panela na água. “Raoul.” Dizer seu nome ainda enviava um calafrio por sua espinha. Ari, que estava estacionado por perto no caso de algum acidente apetitoso, choramingou levemente. “Sim, esse. Ele me pareceu muito agradável.” Surpresa, Kim olhou por cima do ombro. “Espera — você o conheceu? Quando?” “Ele veio à sala de espera um pouco antes de você. Disse que queria me conhecer.” “Como ele chegou lá? Ele não deveria sair da cama.” Kim olhou para um retrato na parede, ela quando uma criança, braço engessado, o rosto apertado enquanto tentava não chorar de dor. A última vez que tinha visto Mestre R, ele tinha usado a mesma expressão tensa. Ele tinha segurado sua mão, beijado seus dedos, e agora ela percebia que a agulha IV estava faltando no dorso da mão. “Aquele idiota.” Ele tinha andado pelo corredor para encontrar sua mãe. “Deus, não se admira que parecesse tão mal.” Ela queria acertá-lo por ser tão estúpido. Tão malditamente machista. “Ele quis ter certeza de que eu cuidaria de você. Fez-me muitas perguntas.” Ele tinha encontrado sua mãe. “Realmente?” Sua mãe riu. “Sim. Ele estava muito preocupado com você.”

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Kim sorriu para sua mãe, que parecia tão mais jovem hoje em dia. Elas tinham celebrado o retorno de Kim passando o dia num SPA, Kim com uma manicure e pedicure, e sua mãe teve seu cabelo restaurado para um marrom claro. Com mechas, não menos. Quem é esta mulher, e o que você fez com minha mãe? Mas ela sabia. Antes do sequestro, sua mãe tinha conhecido um homem. Durante o tempo que Kim tinha desaparecido, ele, aparentemente, tinha sido uma pedra de conforto. “Assim como Greg se preocupa com você?” Sua mãe corou e olhou em direção à sala onde Greg e um de seus colegas mais jovens estavam aplaudindo um touchdown. “Ele faz, não é? Kim estou tão feliz por tê-lo encontrado. Por saber que todos os homens não são como seu pai. Por ser respeitada.” “Como pode dizer isso? Ainda está cozinhando. Limpando. Trabalhando.” Kim franziu o cenho. “De fato, estamos aqui lavando os pratos, enquanto eles assistem TV. Não estou certa se existe mesmo alguma diferença.” “Está… Até agora. Equilibrado. Dentro de casa é minha área. Fora é dele. Lembra-se de como ele cortava a grama e aparava os arbustos quando você chegou, para que nós meninas pudéssemos conversar?” “Verdade.” A mãe e Greg ambos trabalhavam, e não estavam vivendo juntos ainda, embora isso, indubitavelmente, fosse acontecer. “Eu nunca vi o jardim parecendo tão bonito.” Ou a casa em tal reparo. Nada rangia. Sem pintura raspada. Greg tinha rido quando o elogiou e disse que gostava de trabalhar fora depois de um dia no computador. Sua mãe secou as mãos na toalha. “Mas não é apenas a justiça, mel. É o jeito como ele… Aprecia... Qualquer coisa que faço. Quem eu sou.” Ela suspirou. “Às vezes me pergunto se eu poderia ter conseguido deixar seu pai se meu senso de autoestima não tivesse estado tão reduzido a pó. Quando alguém lhe diz que você é desprezível, e estúpida, e feia, eventualmente, você começa a acreditar nisso.”

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“É outro tipo de abuso,” Kim disse. O quão estranho era ver sua mãe como outra fêmea, sujeita a todos os problemas que tinham as mulheres. E orgulhar-se de como ela cresceu e seguiu em frente. “Sim, é. E sinto muito, bebê, por você ter tido que ver isso. Eu me preocupo que tenha lhe dado uma visão distorcida do casamento. Do amor.” Tinha. Sua mãe tinha sido uma escrava tanto quanto qualquer mulher com uma coleira ao redor do pescoço. O quão estranho é que uma dona de casa pudesse ter menos direitos que uma submissa. E sua mãe tinha sido muito, muito menos estimada. “Talvez um pouco. Ainda estou resolvendo isso.” Sem necessidade de fazer sua mãe se sentir mais culpada, entretanto. Ela mordeu seu lábio, pensando mudar de assunto, e o tópico que não queria falar — e não conseguia esquecer — escapou. “Então, o que você achou de Raoul?” “Como eu poderia não gostar de um homem que levou uma facada por minha filha?” Sua mãe fungou e enxugou os olhos. “Ou um que a enviou para casa, embora qualquer pessoa com um cérebro na cabeça veria que o despedaçou deixá-la partir.” Ele fez? A dor de Kim por Mestre R intensificou, Ari subiu, empurrando o focinho em suas mãos. Ela beijou o topo de sua cabeça peluda. “Eu não posso estar com ele, entretanto. Ele quer tomar todas as decisões, ter-me para servi-lo — quer uma escrava.” “Você não trabalharia fora de casa?” Kim se lembrou do que ele disse sobre suas ex-escravas. “Eu não acredito que isto seja um problema. É o que aconteceria o resto do tempo.” “Bem.” Sua mãe sacudiu a cabeça. “É estranho pensar sobre isso, e ainda como seria diferente de ser uma dona de casa? Um casamento é… Cada pessoa servir à outra, e do que vi do seu Raoul, ele cuidaria de você tanto quanto você cuidou dele. Então, talvez, ele se resume a quem toma as decisões. Você quer que ele faça isso?” Kim abriu a boca, se preparando para dizer, Claro que não.

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Mas sua mãe levantou a mão. “Se você realmente soubesse a resposta, você não pareceria tão infeliz. Você não está avançando para lidar com sua escolha, porque você não fez uma.” “Eu não fiz? Eu pensei que tinha.” Sua mãe agitou sua cabeça. “Você parece perdida, bebê.” “Sim, bem, assim é como me sinto.” “Pense nisso até que esteja certa, então o deixe ir. Qualquer que seja o jeito que você escolher, eu vou apoiá-la.”

**** Depois de deixar seu interior cínico batalhar com seu interior covarde, Kim havia telefonado para Raoul. Ela o agradeceria por Ari e então… Conversaria. Mas sua secretária atendeu a chamada. Mestre R estava supervisionando um projeto na Costa Rica. Tanto, para isso. Enquanto montava uma salada, ela evitou olhar o telefone no balcão. Não. Ficar dependente de Gabi, não era uma boa ideia também. Mas ela sentia falta de sua companhia. E das outras subs do Shadowlands também. Gabi tinha descrito o casamento ao ar livre de Beth e Nolan. Mestre Z tinha oferecido seus jardins, então, ele deve ter sido muito bonito. E Kari teve seu bebê. Eu desejava ter estado lá para isso. Gabi tinha tirado uma foto com seu celular, e Kim tinha arrulhado sobre o pequeno rosto franzido virado para cima. Um menino com os cabelos escuros de Mestre Dan em uma fina penugem. Por que me sinto como se minha vida deveria estar lá? Kim levou sua salada para o sofá e ligou a televisão. Não há muito, embora enfrentasse o fato, ela quisesse principalmente o barulho.

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Ari enfiou a cabeça em seu colo, cheirando a tigela para verificar as perspectivas de petiscos. Com um lamento de desgosto, ele se deitou a seus pés. Ele abominava saladas. Assim como Mestre R. Kim sorriu, se lembrando da conferência que tinha conseguido: “Se Deus quisesse que os humanos comessem legumes, ele não os teria colorido de verde. Coisas verdes são mofentas.” Apesar de sua opinião, ele sempre a ajudava a cortar os ingredientes e com submissão comia uma porção. Ela tinha se sentido maravilhosa quando ele comeu a comida que tinha preparado, e até mais quando ela sabia que era bom para ele. Quando ela o provocava dizendo que era seu trabalho mantê-lo saudável, ele sorria sua expressão de aprovação e prazer, embora tudo que dissesse era sim. Era assim que ele se sentia sobre ela? Que era seu trabalho mantê-la saudável? Feliz? Ela gostava disso. Mas que tal ele tomar as decisões por mim? Quando tinha lhe dito para fazer algo e ela não tinha concordado. Ela mordeu o lábio. Tinha havido poucos casos assim, entretanto. Mas ela cumpriu, porque ele tinha se importado o suficiente para ordená-lo, e… Ela queria lhe dá esse prazer, para receber seu sorriso de aprovação. Estou tão confusa. Seu retorno para casa deveria ter colocado sua vida de volta nos trilhos, mas o caminho parecia ter se transformado em um buraco. Tinha sido assim tão solitário antes? Talvez ela devesse arranjar um companheiro de quarto. Ela meneou os dedos do pé no pêlo de Ari, e ele rolou para que ela esfregasse seu lado também. Um companheiro de quarto que pudesse falar. E discutir, ainda que fosse sobre os méritos dos filmes de ação e os de garotas. Ela realmente tinha assistido a um filme de Chuck Norris ontem à noite. O quão estranho foi isso? “O que vou fazer Ari? Devo tentar visitar Mestre R enquanto estiver lá?” Ela olhou para o cartão de embarque na mesa de café. Tinha um vôo para Tampa na sexta-feira. No hospital, Galen e Vance a tinham advertido de que seria chamada de volta, de vez em quando, para algumas das coisas legais. Ugh. O pensamento de falar sobre sua escravidão novamente a

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deixava doente. Então, novamente… Ela sorriu. Em parte por causa dela, os compradores e traficantes foram presos. Em gaiolas. Vá-me. Que tal Mestre R? “Sinto sua falta, sabe. Eu realmente o amo, e acho que ele me ama também. Talvez.” Ela franziu o cenho. Quantas vezes se perguntou? Ele só tinha dito isso uma vez. E se ele não quis dizer isso? Ela tomou uma mordida de sua salada, mastigando com determinação. “E sinto falta…” Ela suspirou. “De pertencer. Talvez seja tudo sobre isso.” Ela apontou o garfo em Ari. “Olhe você, por exemplo. Você sabe que eu o possuo, mas você também sabe que eu sou sua. Eu sou sua pessoa, e cuido de você. Eu o alimento e o escovo. Mas você me guarda e se sente importante porque faz. Parte de está servindo e dando, e parte de está pertencendo, e parte de está sendo dominada. Eu vejo o padrão, mas é certamente confuso.” “Não acho que eu o amaria tanto se ele não fosse dominante, porque isso é quem ele é. Mas só porque gosto de um pouco do seu controle, eu quero isso o tempo todo?” Porra, por que não tem um livro com todas as respostas?

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Capítulo Dezoito O Tribunal de justiça do Distrito era intimidante, e o interrogatório pelo qual Kim havia passado não tinha ajudado seus nervos nem um pouco. Ela ficou sentada em um banco no longo corredor, tentando fazê-la parar de tremer por dentro, enquanto esperava Vance retornar. Ela tinha feito seu dever, dado suas informações. Com Lord Greville morto e o supervisor cooperando, ela principalmente foi preenchendo as lacunas. Ela conseguiu identificar a foto do homem que tinha tentado comprá-la antes de Lord Greville, e os dois compradores na casa de venda. Aquele que tinha tomado Holly. Seu coração torceu. Espancada até a morte. “Há uma bonita menina.” A voz áspera levantou sua cabeça, e ela verificou o corredor. Sam. E Mestre R. Cada pequena célula em seu corpo ansiava em direção a ele tão violentamente que era uma maravilha que não tivesse voado pelo corredor. Ele apenas a olhou com seus olhos escuros. Tinha linhas profundas de cansaço ao lado de sua boca, sua cor quase barrenta. Você está bem? Ela quis perguntar, mas não fez. “Oi rapazes,” ela administrou. “Vocês estão aqui por causa do FBI também?” Mestre R não falou. Sam fez uma carranca, e então assentiu. “O lugar está cheio de testemunhas. Mas terminamos agora.” “Sim, eu também.” “Podemos levá-la em algum lugar?” Mestre R perguntou finalmente, e o som maravilhoso de seu barítono rico fez seus olhos se encherem de lágrimas.

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Atrás dos homens, a porta se abriu. Dois policiais militares saíram, escoltando… O supervisor. Seu tom, afiado e oleoso, atingiu-a como um golpe, o som inesperado fazendo seus intestinos torcer. Ele usava remendos sobre os olhos, e a memória de seus polegares, o espremendo — seu grito… Seu estômago virou. Engasgando, ela correu pelo corredor para o banheiro. Raoul assistiu-a fugir e fechou os olhos, desespero lavando sobre ele. De vê-la correndo dele… Seu coração tinha parado quando a viu sentada no banco próximo ao final do corredor ladrilhado. Ele tinha dado uma risada amarga e começado a se virar — Cada mulher de cabelos escuros o fazia pensar nela — mas realmente era ela. Sua Kimberly. Ele tinha ido direto para ela, deixando seu cérebro — e Sam — atrás dele. Sam o pegou depois de um passo, viu onde Raoul estava olhando, e deu um grunhido de… Satisfação? A distância parecia interminável quase tão longa quanto à semana anterior. Quando foi liberado do hospital, tinha retornado para uma casa vazia e fria, como se no extremo norte. Tinha tentado ver as ondas, procurando pelo consolo que ela sempre recebia de seu tempo na praia. Tudo que ele encontrou foram às memórias de seu cabelo fluindo de volta com o vento, seus pequenos dedos dos pés enrugados de andar descalça na rebentação, sua pele que cheirava a maresia como se ele tivesse pegado uma sereia. Ele tinha abandonado a costa depois de alguns dias, o quarto da torre em seguida. O calabouço ele não poderia mesmo enfrentar. A cozinha ecoava com seu riso e as memórias de compartilhar refeições, dela ajoelhando-se a seus pés para receber a comida de seus dedos, puxando-a em seu colo para tê-la mais perto. Ele tinha começado a evitar sua cozinha também. Quando Z e Cullen tinham aparecido inesperadamente e descobriram que ele tinha se esquecido de comer naquele dia, Z tinha sido… Brusco.

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Raoul tinha voado para um local de trabalho na Costa Rica, retornando só um par de dias atrás. Ele estava fazendo melhor. Poderia passar por isso e seguir em frente. Ele franziu o cenho para a porta do banheiro. Ela não parecia saudável, com círculos escuros sob seus olhos e bochechas finas. E quando a viram, ela tinha os braços ao redor dos joelhos, segurando-se em uma bola apertada. Ela deve ter falado com os federais. Ele não tinha estado lá para segurá-la, dar-lhe uma sensação de segurança. Raiva faiscou nele, que Kouros não tivesse lhe dito que ela estaria vindo. Se ela quisesse que ele soubesse que estava em Tampa, sabia seu número de telefone. E vê-lo a tinha nauseado. Seu corpo se sentia como um robô de chumbo quando se virou para Sam. “É melhor eu ir antes que ela volte.” Sam disse uma palavra chula, então relutantemente assentiu. “Talvez sim. Ainda estará por aqui amanhã?” Raoul hesitou, então assentiu. Não podia cancelar a festa sem ferir os sentimentos da pequena Kari. Isso seria indigno de um homem. “Sí.” No domingo, ele retornaria à Costa Rica.

**** Sam observou seu amigo curvar a cabeça e ir embora. Bastardo compassivo. A reação da menina tinha rasgado suas tripas direto para fora. Afinal Raoul estava sofrendo, ele não merecia essa merda. Que diabos ela estava pensando? Ele a seguiu até o banheiro das mulheres empurrou a porta aberta e entrou. Uma mulher estava na pia, maquiando seu rosto — e fazendo um péssimo trabalho nisso. “Fora,” Sam estalou. Com um chiado, ela fugiu, deixando seu batom para trás. Sam sacudiu a cabeça. Covarde. Ele tinha um sentimento de que sua ruiva Linda não teria corrido. O pensamento só o

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deixou mais furioso. Ela tinha corrido de certa forma. Nenhum telefonema. Ele tinha perguntado a Galen sobre ela e viu a resposta no rosto do agente. Ela tinha solicitado nenhum contato com ele. Certo. O som da respiração irregular veio do final da bancada, e Sam empurrou a porta destrancada aberta. Uma pequena sub, de joelhos, em meio às lágrimas. O atingiu direto. Tentando ignorar o jorro de pena, Sam molhou algumas toalhas de papel. “Limpe seu rosto.” Ela estremeceu ao som de sua voz e obedeceu, tentou se levantar, e falhou. Sam tomou seu braço e a arrastou para cima. Não educadamente. “Limpe-se, e eu a verei no corredor.” “Estou bem,” ela disse. Sua voz estava rouca, e ela estava branco barrento. Ele franziu o cenho enquanto andava pelo corredor. Estranho ela reagir tão violentamente a Raoul, quando tinha se preocupado tanto com ele depois que tinha sido esfaqueado. Algo feio teria acontecido no hospital? Infelizmente, ela não estava bem para voltar para onde quer que ela esteja hospedada. Por que diabos ela estava aqui sozinha de qualquer maneira? Essa foi sua primeira pergunta, quando ela saiu. “Gabi tinha compromisso,” ela respondeu, olhando de cima a baixo do corredor. “Marcus estava no tribunal. Eles queriam que Jessica ou uma das outras viesse comigo, mas eu pensei que ficaria bem.” Ela endireitou os ombros. “Vance está planejando voltar e me acompanhar até lá fora. Estou bem agora.” “Claro que está menina.” Ele abriu seu celular, chamou o agente do FBI, e disse, “Eu estou levando Kim para casa,” e o fechou sem nem sequer esperar por uma resposta. Ele segurou seu braço, ignorado seu tremor, e a levou para o estacionamento. Ela tentou se afastar na parada de um táxi, e ele lhe deu um olhar que a parou rapidamente. Havia benefícios em escoltar submissos.

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Uma vez que a tinha em seu caminhão e estava em segurança na autoestrada, ele lhe fez a pergunta que o estava incomodando. “Algo aconteceu na última vez que viu Raoul?” Ela olhou por cima de suas mãos, suas sobrancelhas juntas. “N-não. Ele me entregou a minha mãe e disse adeus.” “Então que diabos aconteceu que à visão dele faz você vomitar?” “A visão…? Você está pensando que eu fiquei nauseada por causa de Mestre R?” Ela olhou para ele. O homem era louco? A mão de Kim se enrolou em torno da correia do cinto de segurança enquanto fazia uma carranca para ele. Como ele podia pensar…? Talvez eles não tivessem visto as pessoas deixando a sala do tribunal atrás deles. Provavelmente não tinha nem sequer ouvido aquela voz oleosa — não era como se eles tivessem aprendido dolorosamente a prestar atenção a cada nuance da mesma. “O supervisor tinha saído de uma sala atrás de vocês.” Ele falou. Ela estremeceu, e seu estômago deu outra reviravolta. “Eu o vi.” As bandagens… Porque seus olhos… Ela tentou tragar. “Inferno não. Tome uma respiração, menina.” Sam colocou o ar condicionado para alto. “Você vomita em minha caminhonete, e eu vou avermelhar seu couro, não importa o que Raoul diga.” O ar — e o estalo em sua voz — limpou as memórias e estabeleceu seu estômago. Suas mãos se abriram. Então seu cérebro funcionou. “Você pensou que ver Mestre R me deixou doente? Deus, Sam, ele pensou isso também?” “Sim.” “Oh não.” “Você planeja ir vê-lo enquanto está aqui?” Sam perguntou seus dedos batendo impacientemente no volante quando o tráfego ficou lento, buzinando. “Eu…” Ela suspirou. Seu vôo no sábado tinha sido um compromisso. Ao invés de voltar hoje, tinha deixado tempo para chamá-lo hoje à noite… Se ela decidisse. “Eu mudei de ideia tantas vezes que estou atordoada. Eu quero vê-lo tão… tão...” Tão mal que todo seu

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interior estremecia no pensamento. “Então me lembro de que ele quer uma-uma” — não uma escrava, ele disse—“uma submissa de tempo integral. Não a mim.” “Você não gostou de servi-lo?” Sam perguntou facilmente, como se a questão não fosse mais importante do que perguntar se ela gostava de comida chinesa. “Eu…” Sim. “Maldição, não. Eu estava fingindo.” Eu sou uma submissa no quarto. Não mais. Ela olhou pela janela os carros da pista ao lado. Um homem — provavelmente aposentado aqui. Um casal com filhos mais jovens — excursionistas. “Pretexto satisfatório, sub,” ele disse sua voz nivelada. “Você me parecia satisfeita como um gato em creme, sentada a seus pés.” A punhalada cortou dolorosamente, e ela fez uma careta. “Bem, eu Am — gosto dele. Muito. Mas isso não significa que quero… Ser sua escrava.” Sam bufou. “Mocinha, quando escolho uma mulher para fazer uma cena, não escolho uma peso leve que gosta de uma surra pipi. Eu escolho uma masoquista que quer o que posso lhe dar. Procuro alguém cuja necessidade de dor corresponda a minha necessidade de dar.” “Eu—” “Fecha a boca, menina.” Ele trocou para a pista rápida para chegar ao redor de uma semi-lenta e retornar a pista mediana. “Um Mestre como Raoul procura uma mulher cuja necessidade de servir e submeter-se corresponda a sua necessidade de proteger e assumir o comando. É um ato de equilíbrio, senhorita, e nas melhores relações, o Mestre fica tão envolvido quanto o submisso. Se você não tivesse amado estar a seus pés, nem um dos dois teria parecido tão feliz.” Mestre R tinha ficado satisfeito? “Então, pergunte a si mesma isso: Estar sob o comando de Raoul e servi-lo preencheu uma necessidade dentro de você? Fez com que se sentisse inteira, quando você poderia não ter nem sequer percebido que algo estava faltando, até então?” “Eu—”

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“Eu disse que você podia falar?” O frio em sua voz a manteve muda, e em silêncio, ele terminou o passeio, então a escoltou até a casa de Marcus. Marcus a deixou entrar. “Sam, o que está fazendo aqui?” “A encontrei no tribunal.” Seu olhar azul claro a alfinetou no lugar. “Pense um pouco, menina. E chame Raoul e explique por que fugiu, ou baterei em sua bunda eu mesmo.” Ele lhe deu outro olhar duro e se afastou.

**** Depois de recusar a se juntar com Marcus e Gabi para o jantar, Kimberly fez o que Sam tinha ordenado. Pelo menos uma parte do pensamento. Deus, ela tinha amado ver Mestre R. Quis se atirar em seus braços. Maldito supervisor que tinha estragado tudo. Mestre R poderia tê-la abraçado, segurado, tê-la beijado. Ela suspirou. Mas isso teria respondido suas perguntas? Kim se encolheu mais abaixo na cadeira do pátio e assistiu o cisne inflado gigante se mover a deriva na piscina, golpeado pela pequena brisa. Assim como eu, ela decidiu. Incapaz de tomar uma decisão. Ela suspirou e começou a pensar, tentando descartar as besteiras do passado e suas noções preconcebidas de como o mundo deveria ser. Eu amo Mestre R. Já estava determinado. Ela queria viver com ele? Deus, sim. Ela o queria no comando? Porque ele estaria. Ele não podia se ajudar nisso. E certo, ela tinha gostado. Principalmente. Não importa o quanto disse a si mesma o contrário, quando tinha lhe pedido para ser seu mestre novamente, não tinha sido totalmente por causa dos traficantes e sua recuperação. Ela o queria no comando, mais que apenas no quarto. O reconhecimento à fez estremecer. Quanto mais? Ele tentaria transformá-la em algo que ela não queria ser?

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Eu posso confiar nele? Como não poderia? Como sua mãe disse, ele tinha levado uma facada por ela. Mas, arriscar a vida para salvar uma pessoa, era muito diferente de estar no comando sobre ela em todas as coisas do seu dia-a-dia. Ela colocou os pés na cadeira e deitou a cabeça nos joelhos. A memória das acusações de sua família era como areia em seu sapato. Ela conseguia andar, mas irritava seus nervos. Não tinha acreditado nelas, mas precisava descobrir o que tinha acontecido com Mestre R e sua esposa antes de poder solucionar quaisquer uma das outras questões. Seu avião partiria amanhã de manhã. Ela retornou à sala onde Gabi estava brincando com seus gatos, Hamlet e Horatio. “Onde está Marcus?” “Ele teve que correr de volta ao escritório para algo. Você terminou seus pensamentos sobre Raoul?” Kim lhe deu um sorriso triste. Não existia nada como uma amiga para saber o que está acontecendo sem explicações. “A maior parte. Mas preciso de alguma ajuda. Encontrei a família de Raoul no hospital. Ele me disse que sua família não fala com ele por causa de seu estilo de vida, mas elas disseram que ele estava abusando de sua ex-esposa. Eu… Isso tem estado me incomodando.” “Maldição, eu aposto que sim. Mas Raoul? Abusar de alguém. De jeito nenhum.” “Foi isso que disse a elas. Mas, Gabi, eu preciso saber.” “Mmm. Eu entendo.” Gabi jogou o rato penugento, e os dois gatos começaram a perseguição. “Ele já era divorciado antes de eu conhecê-lo. Antes de Marcus e Jessica também. Mas eu aposto que Jessica pode nos dizer a quem perguntar.”

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Um telefonema e um belo passeio de carro mais tarde, e elas se encontraram com Jessica na porta do Shadowlands. Apesar de seus nervos, Kim riu do olhar no rosto do guarda quando as viu. Ben não tinha aprovado seu short e camiseta casuais e as fez remover suas sandálias e tênis. Ele também tinha explicado cuidadosamente que Z, Marcus, e Mestre Raoul não estavam presentes… Como se o conhecimento lhes desse um segundo pensamento. Não. Ainda cedo em uma sexta-feira à noite, o Shadowlands estava só acelerando, e apenas algumas estações estavam ocupadas. Cullen abria o bar, de costas para elas, e pelo jeito como Gabi e Jessica se dirigiam para mais próximo da área de estar mais escura, Kim começou a se preocupar. “Vocês não vão ficar em apuros, não é?” As duas trocaram olhares e riram. Jessica disse, “Eu não tenho permissão para estar aqui sem Z. Nunca. Se nos vir, Mestre Linguarudo Cullen com certeza vai dizer a ele — se não me atirar para fora ele mesmo.” Gabi deu a Kim um sorriso sentido. “O mesmo aqui. Marcus terá um ataque. Vê o quanto amo você?” “Oh Deus, eu sinto muito. Só me aponte à estagiária e partam antes que alguém as veja. Eu posso—” Jessica sacudiu a cabeça que não. “Sally não conhece você. Ela pode ser a menina da fofoca, mas é realmente discreta com quem compartilha.” “Kim, nós amamos nossos Doms, mas há momentos em que uma garota tem que fazer o que uma garota precisa fazer.” Gabi sorriu para Jessica. “Além disso, temos sido tão angelicais ultimamente, estamos em perigo de perder nosso status oficial de ‘pirralhas’ .” “Isso não pode acontecer,” Jessica concordou. “E existe nosso objetivo.” Ela apontou para as mesas de comida e acenou, chamando a atenção de uma bonita morena que sorriu e se aproximou. Ela tinha uma energia que lembrava a Kim de uma criança, toda entusiasmada, sem se preocupar com dignidade. Então, Kim franziu a testa. Esta não era a submissa a quem aquele Dom sórdido tinha esbofeteado?

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“Olá, garotas.” A morena olhou ao redor. “Onde estão seus Mestres?” “Você não quer saber,” Jessica disse firmemente. “Sally, esta é Kim, que é—” “Submissa do Mestre Raoul.” Os olhos de Sally se arregalaram. “Eu não vi a cena fireplay, mas os vi juntos depois. Deus, ele realmente adora você, não é?” Sua inveja era óbvia e encorajadora. “Eu—” Kim suspirou. “Talvez. Mas tenho uma pergunta sobre seu passado. Você pode ajudar?” “Claro. Se Jessica diz que é certo, então eu acredito que é certo.” Sally acenou para um grupo de cadeiras pelas mesas munchie20. “Sentem-se e eu conseguirei alguns petiscos. A fofoca é um trabalho que dá fome.” “Ela é tão atraente,” Kim sussurrou para Jessica quando se sentaram, e Gabi dirigiu-se à água engarrafada. “Eu não posso acreditar que ela não tem um Dom próprio.” Jessica sorriu. “Ela é totalmente doce e divertida, mas durante uma cena, normalmente algum pobre Dom otário descobre que ela também é incrivelmente inteligente. Ela teve um par de relações, mas não consegue abrir mão do controle, a menos que um sujeito seja mais afiado e mais forte que ela.” Gabi estabeleceu a garrafa de água, dando ao bar um olhar saudoso. “Eu certamente poderia tomar uma bebida.” Sally trouxe um prato de pequenos rolinhos de ovo e outro com mini pizzas, e então se soltou em uma cadeira. “Ok, que informações você precisa?” Kim hesitou. Isso parecia como uma traição, cutucando os negócios de Mestre R, mas—

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“A ex de Raoul,” Gabi disse firmemente, piscando para Kim. “Algo feio aconteceu com ela, e Kim precisa descobrir o quê.” “Oooh,” Sally acenou com a mão no ar. “Escolha-me, professor. Eu sei a resposta.” Jessica e Gabi riram. Oh Deus, realmente existe algo. O estômago de Kim cerrou. Sally ficou séria e disse devagar, “Tanto há como duas partes para isso, e eu não deveria saber esta primeira parte, certo? Mas não é como se eu bisbilhotei nem nada. Veja, Mestre Raoul tinha acabado de pedir o divórcio, e estava aqui até muito tarde com Mestre Dan, e os dois estiveram bebendo mais que o normal.” Ela fez uma careta. “Hum, eu prefiro que eles não descubram que eu contei. Tenho a impressão que Dan é a única pessoa que sabe.” “Eu não lhe direi,” Kim prometeu firmemente. “Dan bebe?” Jessica perguntou. “Ele parou há um tempo.” Sally mastigou um rolinho de ovo. “Tudo se resume a isto: Mestre Raoul voltou para casa, entrou em seu calabouço, e encontrou sua esposa trepando com o marido da sua irmã. Com muita boa vontade.” “Santa merda,” Gabi disse. “Pobre Raoul.” “Sim.” Sally abriu uma garrafa de água. “E fica ainda pior. O cunhado tinha batido o inferno fora dela primeiro.” Kim fez uma careta. “Ela fez amor com o sujeito depois que ele a machucou? Isso não faz sentido.” “Oh, faz. Veja, ela era uma puta na dor séria — até meio distorcida sobre isso, sabe? Em cicatrizes e sangue, qualquer coisa. Eu não estou certa se ela até tinha limites, mas Raoul — bem, você o conhece — tem uma linha que não atravessa. Ele lidaria com contusões, vergões e coisa e tal, mas com danos não permanentes. Eles definitivamente não combinavam.” As lesões de Alicia não vieram de Raoul? Kim fez uma carranca. “Deus, isso é fofoca boa,” Jessica disse. “Quero dizer, é horrível nós compartilharmos, mas…” Ela se mexeu. “Continue.”

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“Então, lá estava eu, levando suas bebidas com Raoul falando sobre isso. Apenas totalmente destruído.” “Deus, isso deve tê-lo machucado ruim.” Kim sentiu a profunda dor em seus ossos. Mestre R era tão cuidadoso com todo mundo e tão insistente na honestidade. Para ter sua esposa o enganando — e em sua própria casa. “Mas ele não tinha uma pista? Ele sempre sabia se eu estivesse mentindo.” Jessica passou um braço ao redor de Kim e apertou suavemente. “Até os Mestres do Shadowlands são apenas seres humanos — embora não seja fácil lembrar às vezes. Quando estão no jeito de Dom, eles são realmente, muito perceptivos, mas não podem ficar desse jeito o tempo todo.” “Você podia ver que seu casamento tinha problemas. Raoul, ele é tão honrado, que não desistiria, mas Alicia—” Sally deu de ombros. “Ela era boa o suficiente, e todo mundo gostava dela, e ela tinha esse grande senso de humor sarcástico, mas ela era… Hmm… Talvez não tão honrada.” O adultério não era exatamente honrado, não. Mas por que Alicia tinha ido até a família de Mestre R com aquela história de merda? Não era como se tivesse sido o único trepando com ela. “Então ela se divorciou de Mestre R, e seguiram seus caminhos separados? Eu ouvi…” Como ela poderia dizer aquilo? “Ouvi dizer que ela disse algumas coisas dele.” Sally colocou um rolinho de ovo na boca, levantou a mão para que esperassem. “Ok, esta é a segunda parte da história. Eu consegui isso de Vanessa, que conseguiu de Alicia, desde que eram BFFs21 na época. E não é um grande segredo. Veja, Alicia tinha exigido um acordo pré-nupcial, pois Mestre Raoul tinha acabado de começar sua empresa não muito antes, e ela estava querendo muito dinheiro. Ela não queria compartilhar, sabe?” A mulher soava como uma cadela de ferro fundido, Kim decidiu. “Que perdedora” Gabi murmurou.

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Best Friends Forever – Melhores Amigas para Sempre

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Sally continuou, “Entretanto, a empresa de Raoul decolou, e ele estava furioso com suas trapaças, então se aderiu ao acordo pré-nupcial — seu é seu e meu é meu. Até pior, ele pediu o divórcio no dia seguinte que os encontrou. Então ela foi à balística, dizendo que ele a tinha ferrado.” “Só que ela foi a única a estragar tudo.” Gabi sacudiu a cabeça. “Pobre Raoul.” “Sim. Ela veio para cá quando recebeu os documentos e ficou gritando isso nos vestiários. Ela se despiu para mostrar a todos os danos — e o cunhado tinha realmente ferrado com ela. Mas ela estava dizendo que Raoul tinha feito isso.” “Oh meu Deus,” Gabi disse. “Aposto que as pessoas acreditaram também.” “Não por muito tempo.” Sally sorriu. “Isso foi antes de Raoul ser um Mestre, então Z não tinha ideia sobre o que realmente tinha acontecido, mas você sabe como Z é. Mais que um super psicólogo e uma camada de Dom em cima?” Jessica riu. “É ele, certo.” “De qualquer forma, ele, não gostou, entrou no vestiário das mulheres — e realmente perturbou algumas mulheres nuas também — e Alicia estava de costas para ele. E ele ouviu suas merdas.” Kim percebeu que estava prendendo a respiração. “Você estava lá?” “Sim, todas as estagiárias estavam se vestindo.” Sally deu um calafrio falso. “Z estava — Deus, ele ouviu, e seu rosto parecia realmente puto, sua expressão fria, aquela que pode encolher tudo dentro de você? E disse direto em seu rosto que ela estava mentindo.” “Oooh,” Jessica disse. “Z nunca cometeu um erro sobre os mentirosos.” “O que aconteceu?” Gabi agarrou a mão de Kim. “Ela nem sequer tentou negar. Não a Mestre Z.” Sally balançou a garrafa de água. “Ele lhe disse que tinha um minuto para colocar suas roupas. Então, ele a levou para fora e cancelou sua participação.” Isso explicava por que a ex de Mestre R tinha levado sua vingança para fora. Mas que tal a outra parte? Que ele não a tinha deixado partir. “E ela era sua e-escrava?”

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Gabi disse “Kim—” “Eu preciso saber.” Jessica franziu o cenho. “Ele, Z e eu estávamos conversando uma noite. Z tinha golpeado minha bunda por ser impertinente, e ele disse a Raoul sobre como nós tínhamos começado mantendo as coisas de D/s apenas para as cenas e quarto, mas como ela tinha afiado sobre nosso estilo de vida.” Ela deu de ombros. “Realmente tem. Saber que Z pode tomar as rédeas a qualquer minuto significa está sempre chiando sob a superfície — e eu amo isso.” Sally deu um suspiro audível. Jessica sorriu para ela. “De qualquer forma, Raoul disse que a sua tinha sido o contrário. Ele e Alicia tinham começado em uma relação de Mestre/escrava, mas tinha acabado.” Ela mordeu o lábio. “Ele parecia, não sei, vazio.” Kim podia sentir a dor em seu peito. “Então — por que começou e então parou?” Sally sacudiu a cabeça e disse devagar, “Acho que um novo amor deixa você louco, e se você for novo em BDSM, talvez seja difícil dizer o que é o que. Mas se você não tem a necessidade de servir ou submeter-se, então, uma troca de poder não vai funcionar por muito tempo. Por outro lado, existem relações de M/s e D/s sólidas, onde as pessoas não são apaixonadas, mas ambos se sentem preenchidos.” “Isto é um pouco complicado, mas quase entendo o que você quer dizer,” Gabi disse. Sally sorriu. “De qualquer forma, Alicia não era para servir ou até submeter-se. É completamente masoquista. E era óbvio. Mas foi duro pra Mestre Raoul. Ele é dominante até os ossos.” Eu posso manter Mestre R feliz? Kim fez uma careta. Eu quero servi-lo só porque o amo? Oh, maravilha. Mais perguntas. Mas por agora… “Que horas são?” “Um pouco depois das nove. Por quê?” Jessica perguntou. “Tenho uma visita para fazer.” Ela remexeu em sua bolsa e retirou a nota que tinha feito mais cedo. Era completamente assustador o quão fácil era usar a Internet para conseguir o endereço de uma pessoa.

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Ela começou a pedir a Gabi para lhe emprestar o carro, então repensou. Apavorar-se na porta de alguém não seria inteligente — ela deveria ter trazido seu cão de escolta. “Gabi, você pode vir comigo?”

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Capítulo Dezenove Seu avião estaria saindo agora. Raoul fez uma carranca no projeto para uma ponte de cabo em seu computador e fechou o programa. Se continuasse dessa forma meio-merda, acabaria tendo que refazer todo o trabalho. Ele se recostou na cadeira e olhou para o teto. Tempo de colocar sua vida em ordem, Sandoval. Verdadeiramente, deveria estar grato por ontem, por ver como ela tinha reagido a ele. Sua última dúvida tinha sido resolvida, e não tinha mais que discutir com si mesmo se queria que ela voltasse. Esfregou o rosto, franzindo a testa na aspereza. Esqueceu-se de se barbear novamente. Precisava se limpar antes da festa. Se ela aparecesse e caísse de joelhos e implorasse que ele a fizesse sua escrava, ele não aceitaria. Fechou os olhos e puxou uma respiração dolorosa. Não. Nas últimas semanas, tinha percebido que não podia dar esse passo. Não agora. Especialmente com uma mulher que roubaria seu coração, sua vida, e então decidiria que tinha cometido um erro. Ele olhou em volta da casa que tinha construído numa tentativa de erradicar sua esposa de suas memórias. Agora era a presença de Kimberly que estava infundida ao invés. Tantas memórias de apenas poucas semanas que tinham ficado juntos, embora ele soubesse que ela partiria. Quão pior seria se tentassem construir um futuro juntos? E então ela lhe dissesse que não queria um Mestre, não queria servi-lo — ou amá-lo também. Será que teria que construir outra casa novamente? Ele tentou rir, mas soou mais como uma resposta para um tiro de intestino. Seu amor por Alicia não tinha qualquer semelhança com a forma opressiva como se sentia sobre Kimberly. Ela era calor e riso, e esperança que ele nunca deveria ter abrigado.

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Se ele realmente pensasse que ela ficaria com ele, o aceitaria isso poderia ter sido diferente. Se a tivesse encontrado antes de sua escravidão, talvez… Talvez, ele teria arriscado tentar ensiná-la sobre suas próprias necessidades. Ela era valente, muito resistente, mas isso seria pedir demais. Ele tinha tentado viver uma vida de baunilha. E não poderia fazer isso novamente. Ele, inconscientemente, tomaria o controle de uma pequena sub, e ela se ressentiria disso. E iria deixá-lo. Não. Talvez em alguns anos, ele estaria disposto a abrir mão do potencial de dor. Kimberly já teria se casado com algum homem normal agradável, provavelmente teria algumas crianças até lá. O pensamento apunhalou seu coração como um florete. Ele tragou e forçou um sorriso. Ele desejava seu bem. Com a boca apertada, ele se sentou de volta em seu computador e abriu o programa. Ele trabalharia. Nesse período. Uma hora mais tarde, o som da campainha percorreu a casa vazia de Raoul. Ele olhou o relógio — só dez da manhã. A festa para Kari e Dan não começaria até uma, e os fornecedores já haviam chegado e enchido a geladeira. Quem poderia ser? Kimberly? A esperança momentânea iluminou seu coração e morreu rapidamente. Muito longe. Ele salvou seu projeto e se dirigiu para frente, realmente um pouco satisfeito com a interrupção. Qualquer coisa era melhor que a sensação de buraco em sua casa. Lamentável, Sandoval. Mas ele ficaria feliz em sair novamente. Ele abriu a porta, assumindo que estaria comprando um pouco de biscoitos Girl Scout ou uma assinatura de revista que não precisava. As crianças do bairro o tiveram figurando para um toque suave. Mas nenhuma criança esperava na entrada. Ele olhou por um segundo antes de sua voz voltar a funcionar. “Mamá?” “Mijo.” Sua mãe tinha lágrimas nos olhos. Lucia estava um passo atrás, chorando abertamente.

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Um de seus sobrinhos tinha sido machucado? Raoul pegou as mãos delicadas de sua mãe. “Mamá, o que aconteceu? O que está errado?” “Raoul, eu fui tão cruel. Eu não sabia.” Sua mãe envolveu os braços ao redor dele, chorando como se seu coração estivesse quebrado. “Por favor, por favor, não chore. O que estiver errado, eu vou consertá-lo.” Um segundo depois, sua irmã prendeu-se como um carrapicho em seu lado. Carajo, isso parecia ruim. “Algo aconteceu com os meninos?” Mais soluços. Ele prendeu a mão no braço de sua irmã e lhe deu uma sacudida. “Lucia, fale comigo.” Sua irmã deu uma risada estremecida e enxugou o rosto, então esfregou as costas de sua mãe. “Shhh, Mamá, estamos assustando ele.” Raoul rosnou. “Lucia, você me dirá o que está errado. Agora.” Elas trocaram olhares e sorriram. Sorriram? “Dominante, sim, você é certamente isso,” sua mãe disse. “Você soa como seu papá.” Ele estremeceu e tentou recuar. “Eu somente—” “'Mano, ficamos sabendo ontem à noite que sua esposa mentiu para nós naquele dia. No dia em que você pediu o divórcio,” Lucia disse. Sua voz ficou gelada. “Alicia disse que você a tinha chicoteado até sangrar, que bateu nela repetidas vezes. Que a tinha forçado a ser uma escrava e a deu para outros homens. Disse que teve que correr para fugir de você.” “Nós não acreditamos nela.” Sua mãe enxugou o rosto com o pequeno lenço que sempre dobrava sob o cinto. “Mas ela nos mostrou as marcas sangrentas horríveis e contusões em todos os lugares.” Raoul olhou para elas. “Mas… Eu não fiz.” “Não, você não fez.” Os olhos de Lucia relampejaram para preto de raiva. “Mas quando Mamá te perguntou se já tinha batido em Alicia e se já tinha colocado uma coleira nela, você disse que sim.” Ela levantou a mão para impedi-lo de falar. “Você pensou que estávamos falando sobre como você vivia. Raoul, nós pensamos que você estava admitindo que a espancasse e a forçava a ser uma escrava.”

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Alguém tinha encravado um tubo de chumbo em seu peito. Doía com cada pulsar. “Todos estes anos, e vocês pensavam—” “Mijo, sinto muito,” sua mamá sussurrou. “Eu devia saber que você nunca faria uma coisa dessas. Só que você disse que tinha. Mas você não fez.” “Então—” Por que seu cérebro não funcionava? “Como vocês descobriram—” As duas mulheres sorriram para ele, e Lucia disse docemente, “Não é importante, mano.” O inferno que não era. Sua boca apertou. Ele descobriria, dane-se se ele não iria. Mas no momento… “Entre, Mamá. Lucia. Tenho café pronto.” Enquanto elas entravam, seu coração inchou. Sua família estava em sua casa. “Raoul, isso é lindo,” sua mãe disse enquanto andava pela grande sala, e sua garganta apertou quando viu os olhos de sua mãe. Amor. Orgulho. Quanto tempo desde que ela olhou para ele daquele jeito? “Nós não ficaremos muito tempo, mas… Não podíamos esperar mais.” “Eu não quis ligar. Não estava certa se falaria conosco,” Lucia admitiu. “Tenho sido horrível com você.” Ele balançou a cabeça, lembrando-se das marcas no corpo de Alicia. Puxou xícaras do armário e as deixou na ilha. “Você pensou que eu tivesse abusado dela. Eu teria reagido do mesmo jeito.” O tempo passou rápido enquanto ficaram sentados na cozinha, comendo biscoitos, tomando café e recuperando o atraso. Muito cedo para seu gosto, Lucia levantou, dizendo, “Os meninos estarão em casa logo.” Ela lhe deu um sorriso travesso, que o fez lembrar a infância e que não tinha visto em três longos anos. “Mas esperamos vê-lo para o jantar de domingo amanhã. Eu tenho a sensação que Mamá vai fazer todos os seus favoritos.” Sua mãe olhou para ele, e seu coração ficou preso no olhar de súplica em seus olhos. Implorando perdão.

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“Claro que estarei lá,” disse suavemente e beijou a bochecha de sua mãe. Ele as acompanhou até o carro e ajudou sua mãe a entrar. “Raoul.” Sua irmã esperava ao lado da porta do motorista. Satisfeito, ele andou ao redor para lhe dar um abraço final. Ela o retornou, então deu um suspiro infeliz, um que o deixou tenso. “Mais uma coisa desagradável; Então deixaremos isso para trás. Esta manhã liguei para a irmã de Alicia. Penny está divorciada há algum tempo, desde que descobriu que Randolph a estava traindo.” Sua boca apertou. “Ela não sabia que a outra mulher era sua própria irmã.” “Como ficou sabendo disso?” Os dedos de Raoul prenderam seus ombros. De algum jeito elas tiveram a história inteira — toda ela. E chamaram Penny. “Lucia, isso não era—” “Sim, era necessário. Eu sei que protege as mulheres, mi hermano. Mas, falando como uma mulher, há certas coisas que eu gostaria de saber. A traição de um homem é…” Ela deu de ombros, tendo sobrevivido a seu próprio divórcio. “Mas a traição de uma irmã? Não existe nenhuma desculpa sob o céu. Alicia encontrará sua família — e amigos — lhe dando menos boas-vindas, eu acredito.” Lucia bateu levemente em seu rosto. Ela tinha o mesmo sorriso satisfeito consigo mesma, de quando depois que ele tinha usado suas bonecas Barbie em seus jogos de guerra, e ela tinha transformado suas premiadas histórias em quadrinhos em lixo de gato em vingança. Uma firme partidária da retribuição era Lucia. Ela adicionou, “Eu me senti muito melhor depois da ligação.” Outro beijo na bochecha, e sua irmã deslizou dentro do carro. As mulheres podiam ser muito mais cruéis que os homens. Sorrindo um pouco, Raoul assistiu o sedan descer por sua longa garagem. Enquanto voltava para casa, suas sobrancelhas se juntaram. Mas ainda queria saber — como elas descobriram todos os detalhes de seu divórcio?

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Por uma e meia daquela tarde, a campainha na casa de Raoul tocou incessantemente enquanto as pessoas chegavam para o churrasco. Ele sacudiu a cabeça, ainda pasmo de como facilmente Z o tinha manipulado. Todo mundo queria celebrar o novo bebê de Dan e Kari. De muitas formas, parecia como o primeiro para os Mestres do Shadowlands, ainda que alguns tivessem filhos de casamentos anteriores. Marcus e Gabi teriam dado a festa, mas Gabi não sabia se estaria na cidade. A casa de Cullen não era grande o suficiente. A casa de Sam era isolada no país. Nenhuma das Dommes poderiam alojar a festa. Z gostaria de entreter, mas dessa vez, ele tinha dado uma desculpa e disse que Raoul tinha o espaço, um grande pátio e a praia, e era conveniente para todo mundo. Sim, o cabrón tinha armado para ele. Pelo menos Jessica e suas amigas assumiram o comando de atender a porta. Raoul se concentrou no churrasco, precisando ficar ocupado. Embora a visita de sua família tivesse iluminado seu coração, a visão de tantos casais no estilo de vida tinha esfregado seu nariz no fato de que ele não tinha ninguém. Mistress Anne saiu no pátio, arrastando seu submisso favorito atrás dela. Ela afagou levemente o rosto do homem jovem e bonito. “Joey, olhe alegre e ajude os outros a instalar as mesas.” O ruivo deu a sua amante um sorriso ternamente doce e se moveu rigidamente em direção à cozinha. Considerando a veia sádica de Anne, ela, provavelmente, tinha enfiado um plug anal muito grande no cu do pobre sub. Curiosamente, Jessica estava se movendo do mesmo jeito. O que a pequena loira tinha aprontado para ficar em apuros com Z dessa vez? As subs trotavam de um lado para o outro, levando pratos, cobrindo as mesas do longo pátio com comida. Um zumbido de conversa vinha dos convidados sentados no pátio, salpicos e guinchos daqueles na piscina. Alguns tomaram a chance de andar pela praia e desfrutar do sol da tarde brilhante

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Sam se aproximou com uma cerveja gelada. Raoul tomou um pequeno gole antes de colocar a garrafa no chão. O jeito como se sentia, o álcool parecia muito atraente, mas ele não beberia para escapar. “Eu a levei para casa,” Sam disse como se continuando uma conversa. “Eu sei. Obrigado por cuidar dela.” Esperando que Sam não fosse continuar, Raoul virou o frango, o cheiro da carne chiando encheu o ar. “Ela te ligou?” “Não.” “Inferno. Ela era—” “Eu confirmei com Marcus ontem para me certificar que tinha chegado a casa.” E ficou sabendo sobre seu horário de vôo. Ele olhou o relógio. Seu avião teria partido pouco tempo atrás. Foi-se. E isso era bom. Muito bom. “Você vai deixá-la ir?” Sam perguntou seu olhar no oceano. “Depois do que ela passou você imagina que ela não vai superar isto?” Raoul suspirou e fechou o topo da grelha. Depois de limpar as mãos, ele levantou sua cerveja novamente. “Em alguns momentos, pensei que ela poderia estar disposta a tentar. Mas é melhor assim. Ela foi muito ferida, e estar comigo no... No tipo de relação que eu quero, é mais do que ela poderia tomar.” Mais incertezas do que estou disposto a arriscar. Quando tinha se tornado tão cauteloso? “Quase a mesma conclusão que tive,” Sam murmurou, e Raoul decidiu que ele não estava falando de Kimberly, mas sobre Linda. Sam tinha mantido a escrava ruiva segura, como Kimberly havia pedido, mas, aparentemente, qualquer outra coisa tinha acontecido. Não que Sam confiaria em Raoul. Um homem não iria… A não ser bêbado. Ele fez uma careta. A última vez que tinha bebido tanto foi três anos atrás, depois da traição de Alicia. “Sabe, sobre Kim,” Sam começou. “No tribunal, ela não fez—” Sua voz foi abafada pela chegada das estagiárias do Shadowlands, todas vestidas em trajes civis. Sam se virou em uma rajada de Cullen.

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Raoul quase não reconheceu as estagiárias: Uzuri em um top de corda amarelo claro e short que acentuava sua pele de chocolate escuro e os cabelos crespos com trancinhas. Os cabelos loiros de Dara foram pintados de roxo. Em um vestido de verão rosa, Maxie parecia alegre e doce. A bonita Sally vinha na retaguarda, em shorts curtos e três top colocados em camadas de uma forma feminina estranha. Depois de trocar saudações com o grupo de moenda submissa, se debruçou sobre Jessica e sussurrou algo, recebendo um sorriso e um grande abraço em retorno. Ambas as mulheres se viraram para olhar para ele… E o viram as observando. As bochechas de Sally ficaram rosa, e ela se virou de forma que ficasse de costas para ele. Raoul tomou um gole de sua cerveja, seu interesse despertado pelo comportamento estranho de Sally. Nenhuma saudação. Nenhum abraço. Algo estava errado? Quando Sally disse algo, Jessica olhou para ele e encontrou seus olhos. Ela sussurrou para Sally, e a espinha da estagiária cresceu mais dura. As suspeitas de Raoul começaram a aumentar. Ele não tinha vivido com as escravas e submissas sem aprender algumas coisas — como a habilidade de descobrir pela linguagem corporal que cantava de uma consciência culpada. Nenhum dos outros Doms tinham recebido os arremessos de olhares. Então, qualquer coisa que tenham feito tinha algo a ver com ele. E Kimberly? Não. Ela estava em casa com Gabi ontem à noite. Como uma estagiária, Sally teria estado no Shadowlands ontem à noite. Seus olhos se estreitaram. Sally era uma borbulhante, uma pequena submissa tagarela que fazia parte do clube por, talvez, cinco anos. Nenhum dos outros estagiários tinha estado ao redor por tanto tempo. Raoul coçou o queixo. Desde a visita de sua mamá e irmã esta manhã, ele tinha se perguntado como elas descobriram sobre a traição de Alicia. A única pessoa a quem ele disse tinha sido Dan, e seu amigo nunca tinha revelado uma confiança.

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Mas ninguém tinha prestado atenção às submissas no clube. Elas foram treinadas para serem invisíveis. Talvez invisíveis demais. Ela poderia ter escutado alguma coisa enquanto conversava com Dan? Sally espiou por cima do ombro, viu ele a observando, e puxou de volta. Hmm. Não desviando o olhar, ele bebeu sua cerveja. “Sandoval, o que está fazendo?” Vance Buchanan saiu pela porta para o pátio, Kouros ao lado dele. “Para quem está olhando?” Raoul acenou em direção ao grupo de submissas. “A moreninha.” Os dois agentes de FBI se viraram. Sally lançou um olhar para Raoul e viu os três homens olhando para ela. A cor queimou em suas bochechas. Ela se aproximou de Jessica. “Se ela fosse minha sub,” Kouros disse, “estaria me perguntando o que ela andou fazendo.” Buchanan sorriu. “Sim, seus olhares são culpados como o inferno, mas ela é a mais pequena e bonita criminosa que eu já vi.” Raoul considerou. Se Sally tivesse sido aquela a dizer a sua família sobre Alicia, ela tinha lhe feito um favor. Entretanto, uma submissa deveria saber melhor do que divulgar os assuntos privados de um Dom. Como uma estagiária do Shadowlands, ela estava sob a autoridade de todos os Mestres — inclusive ele. Ele não tinha o coração para castigá-la, mas era obrigado a lhe ensinar a discrição. “Eu acredito que sei o que está acontecendo, e um pouco de intimidação seria apropriado,” disse. “Querem interrogá-la enquanto eu assisto?” Kouros apoiou-se na bengala. “Seria um prazer.” Ele esperou até que Sally se virasse, então gesticulou. Venha aqui. A cor drenou de seu rosto, e Buchanan cobriu a risada com uma tosse. Ela cruzou para eles, tudo nela rejeitando, seu olhar para baixo. Através do pátio, Z olhou para cima, estudou a situação por um segundo, sorriu, e voltou a falar com Olivia e Sam.

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Jessica estava assistindo, as sobrancelhas juntas. Definitivamente preocupada. Raoul se inclinou para Kouros. “É melhor se apressar, ou a sub de Z vai estragar a diversão com uma confissão ou um acesso de raiva.” Kouros seguiu seu olhar, e torceu os lábios. “Tudo bem.” Sally parou na frente dos homens e ergueu o queixo. “Vocês precisam de algo, Senhores?” Raoul sorriu para ela. “Estagiária, estes dois Doms querem falar com você.” O uso da palavra estagiária a deixou em alerta de que era esperado que obedecesse. “Sim, Mestre Raoul.” Buchanan se moveu atrás dela, bloqueando a visão dela das outras submissas. Kouros avançou. Grandes homens, ambos Doms, intimidando em tamanho e personalidade. “O que precisamos de você é a verdade,” Kouros disse, seu cortado acento da Nova Inglaterra atingindo a sub como faíscas de um fogo que ardia baixo. Sally tentou recuar esbarrou em Buchanan. Ele sorriu para Raoul sobre sua cabeça. “Mas—” “Começaremos com algo fácil,” Kouros ronronou, colocando a mão sob seu queixo. “Qual é seu nome?” “Sally, Senhor.” Ela fez um esforço óbvio para ficar em linha reta, mas Raoul podia vê-la derretendo sob a força da personalidade de Kouros. Doms experientes, anos como agentes do FBI — a menina não tinha chance. “Muito bom Sally. Você pode dizer a verdade, viu?” Sua voz ficou sedosa com aprovação. Sua mão livre acariciou seu cabelo para trás da orelha, tanto como uma carícia — e expondo mais seu rosto. Ela o olhou como um rato encurralado, uma mudança incomum na sub espirituosa. Buchanan acariciou seus braços nus, adicionando a sensação de recompensa. “Agora me diga o que você fez para Mestre Raoul,” Kouros exigiu sua voz tão fria quanto um inverno na Nova Inglaterra.

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Ela gemeu, esfregando as mãos nos quadris em um movimento auto confortante. Ela tentou olhar para Raoul, mas Kouros trocou, mantendo-a olhando em seu rosto. Raoul sufocou um sorriso, fazendo notas mentais. Ele tinha gostado das cenas de interrogação, e esta aqui era uma de peso leve… Com exceção da culpa óbvia de Sally e a experiência inegável do agente em quebrar criminosos endurecidos. “N-nada.” Prendeu a respiração, ergueu o queixo. “Eu nem o vejo há muito tempo.” “Oh, você definitivamente fez algo, pequena,” Kouros disse suavemente. “Não quero ficar bravo com você, querida.” Se aproximou até que ela pudesse, provavelmente, sentir o calor do seu corpo, até que ela teve que inclinar a cabeça para olhar para ele. “Existem outras coisas que Vance e eu preferiríamos fazer… Com você.” Seus olhos ficaram grandes, e a combinação de ansiedade e estimulação súbitas foi uma bela visão. “O que você está fazendo?” Jessica contornou Buchanan. Ela realmente empurrou Kouros um passo atrás e puxou Sally para fora de entre os dois agentes. “Deixem-na em paz!” Quando Buchanan e Kouros recuaram, Sally recuperou seu espírito. Sua espinha se endireitou, embora rapidamente se afastasse e se agarrasse a distância. “Ah bem.” Ignorando os olhares que deveriam ter fritado seu traseiro, Buchanan sorriu para Raoul. “Que tal bebida para dois agentes trabalhadores?” “Será um prazer.” Raoul olhou para o outro agente. Usando sua bengala para bloquear Jessica, Kouros encurralou Sally novamente. Quando seus olhos encontraram os dela, ela congelou. “Continuaremos isso em outro momento, carinho,” murmurou. “E lhe asseguro, você nos dirá tudo que queremos saber.” Ele correu um dedo por sua bochecha vermelha e sorriu. Enquanto o Federal se virava, Raoul viu o calafrio de Sally. Então suas mãos cerraram. “Não até que o inferno congele,” ela murmurou, apenas alto o suficiente para ouvir. Quando Jessica pendurou um braço ao redor de sua cintura e escoltou a amiga de volta para a segurança do grupo submisso, Kouros se juntou a Buchanan.

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Raoul sorriu para ele. Ele tinha a sensação de que Sally, provavelmente, desapareceria no banheiro a próxima vez que visse os agentes. “Deixe-me lhe pegar uma cerveja, Kouros.” Depois que Raoul cuidou de seus convidados e os apresentou a um par de Doms que não tinham conhecido, ele voltou para verificar o churrasco. Carregou um prato com frango e o entregou para Joey colocar na mesa. “Hei Raoul,” Gabi chamou pela porta dos fundos. Sua mão estava em seu Dom do jeito que tinham que andar com os dedos entrelaçados, e Raoul pisou firmemente em sua inveja. Quando ela e Marcus cruzaram o pátio, Raoul franziu o cenho na rigidez de seus passos. Tinha sido espancada? Não, era um movimento cuidado de uma submissa desacostumada a andar ao redor com um plug anal. Ambas, ela e Jessica? Ele achava que elas deveriam ter aprontado alguma coisa juntas, mas Marcus tinha dito que não iriam ao Shadowlands ontem à noite. Raoul sacudiu a cabeça em confusão e beijou a bochecha de Gabi. Depois de devidamente admirar seu braço com as tatuagens atuais de Bob Esponja — com o mesmo amarelo do seu top — ele deu um tapa no braço de Marcus. “Bem-vindo, meus amigos. Há cerveja nos refrigeradores e vinho escuro no refrigerador leve.” “Você parece o inferno,” Marcus disse seu acento fazendo a palavra soar como Heiem-tudo. “Puxa, Marcus, você foi criado em um celeiro?” Gabi fez uma carranca, então examinou por cima do ombro de seu Dom e sorriu, saltando uma vez na ponta dos pés. Raoul seguiu seu olhar, e seus músculos ficaram rígidos. Kimberly? Dios, ela era uma visão no sol da tarde, usando um bonito vestido tomara-que-caia azul da cor de seus olhos. Seu cabelo preto brilhando como a asa do corvo, ondulando sobre seus ombros bronzeados. Ele deu alguns passos à frente, então mudou de ideia. Não é sua mulher, Sandoval. Você não quer uma mulher. Seja educado, e então mantenha distância.

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Incerteza cruzou seu rosto enquanto ela olhava para ele, e sua mão saiu antes dele saber, oferecendo-a qualquer coisa que precisasse dele. Se ela corresse dele novamente, ele não poderia aguentar. Sua boca apertou. Não. Ele não queria seguir por esse caminho. Antes que pudesse retirar seu gesto, ela cruzou os últimos passos e colocou sua pequena mão sobre a dele. Incapaz de ajudar a si mesmo, ele bebeu em sua visão, sentindo como se os lugares vazios em seu coração estivessem sendo preenchidos. Sua mão tremeu ligeiramente, e ele disse a si que a liberasse, mas seus dedos não se abriram. “Kimberly.” Sua voz saiu rota. Mas pelo menos ela não estava vomitando à sua visão, embora pudesse ser mais fácil para ele se ela fizesse. “Sinto muito sobre ontem.” “Ontem?” Seu olhar se moveu sobre seu rosto, e ela parecia tão faminta por ele como ele estava por ela. “Ontem. Oh… Certo. O Tribunal,” ela disse. “Deus, sinto muito, M — Raoul. Sam disse que você pensou que me fez doente, mas não foi isso. Eu vi o supervisor. Tinha saído da sala do tribunal logo atrás de vocês, e quando ouvi sua voz…” Sua cor desbotou. Ela não tinha reagido a mim. A explosão de alívio era como se estivesse tendo seu peito rachado aberto. Sua boca apertou. Ele não queria se sentir assim. “Bem.” Ele precisava parar com isso agora, não levar adiante. Não encorajá-la. Ele puxou sua mão de volta. “É bom vê-la novamente. Você está parecendo bem.” A mão de Kim se sentia vazia, como se ansiando tomar a dele novamente. Ela o olhou. Ele parecia cansado, mas oh, seu rosto era até mais sombriamente bronzeado, seus cabelos negros desgrenhados, escovando o colarinho de sua camisa azul de mangas curtas. O toque de sua mão — apenas o maldito toque — tinha enviado excitação através dela. Por um momento, seus olhos começaram a arder, mas agora ele parecia distante. Frio. Como tinha estado no leilão. Mas aquela expressão tinha sido para os traficantes de escravos — nunca para ela. Será que ele não mais…? Ela tragou. “Eu—” “Eles estão aqui!” Jessica gritou. As pessoas se viraram para olhar.

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Dan saiu e segurou a porta para Kari, que segurava um pequeno pacote em seus braços. O bebê. “Oh, olhe que pequeno” Kim sussurrou. Mestre R balançou a cabeça. “Você ainda não viu a criança, não é?” “Mas…” Eu quero ficar com você. “Vá ver o bebê, Kimberly.” Uma ordem. Um definitivo vá embora. Uma bola de gelo começou a residir na boca do estômago. Ela não deveria ter vindo. Por que tinha sido tão tola, construindo um castelo de sonhos feitos de areia? Só precisou de uma onda para lavá-lo embora. Ela fez seus pés cruzarem o pátio e se juntar às mulheres em volta de Dan, Kari, e o bebê. Beth franziu a testa, lançou um rápido olhar para Mestre R, e colocou um braço ao redor da cintura de Kim. Andrea andou para seu outro lado, suas sobrancelhas se juntando. Kari deu um sorriso de boas-vindas e olhou em direção à Mestre R. “É hora de você voltar, Kim. Ele tem sido um urso.” “Sem brincadeira,” Dan murmurou. Por que ouvir isso a fazia se sentir melhor? Não que mudasse qualquer coisa. Aceite isso, Kim. Ele já tomou a decisão por você. E ela precisava se concentrar em seus amigos agora. E Kari não estragaria esse momento com infelicidade. Ela forçou um sorriso “Vamos ver este novo bebê.” Kari puxou o cobertor leve para revelar o rosto do bebê e sorriu no “Awwws” e “Oooos.” “Conheça Zane.” Cabelos pretos, olhos azuis como Dan, um pequeno queixo e nariz como Kari. Resmungando, Dan se afastou da multidão de mulheres, lançando um olhar por cima do ombro como se certificando de que suas duas cargas estavam seguras. Incapaz de resistir, Kim estendeu a mão. Olhe para essa mão minúscula. Seus dedos se fecharam ao redor do seu polegar. “Ele é precioso, Kari.”

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Kari sorriu. “Ele realmente é.” A ternura em seus olhos quando olhou para seu bebê, então para Dan, combinava com o jeito como o rosto de Dan tinha suavizado, mostrando seu orgulho e… Amor. Kim tragou a garganta entupindo-se de inveja, então disse, “Eu perdi o chá de bebê, mas Gabi me disse que esta é uma celebração para ele, então eu tenho um presente esta manhã. Trouxe um presente para ele, eu quero dizer.” Ela cavou na bolsa de lona que tinha sobre o ombro e entregou o pacote embrulhado alegremente. Jessica tomou Zane enquanto Kari abria o presente, então riu e levantou a camiseta azul para mostrar à escrita na frente: Eu dou as ordens por aqui, então à parte de trás: Mestre Zane. Kari gorgolejou uma risada. “Oh, é verdade. Ele está totalmente no comando. Quando Zane chora, até mesmo o grande Dom da casa vem correndo.” Ela tocou o cabelo do bebê. “E eu amo isso. É tão…” Kari sorriu abaixo em seu filho. Satisfatório, Kim preencheu. Em todas as horas da noite, atendendo a cada necessidade. E Kari estava feliz. Era isso o que um mestre conseguia de volta em uma relação? Kim sacudiu a cabeça. Ela nunca tinha cuidado de muita coisa exceto barcos — então, novamente, até barcos precisavam de cuidados. Remendando e limpando, lubrificando e raspando cracas, fazendo todas as coisas tediosas que o mantinha funcionando bem. Ela nunca tinha lamentado as tarefas, porque uma embarcação robusta se manteria em uma tempestade, lhe traria de volta à costa, nunca te desapontaria. Ela olhou para Mestre R. Ele era seu barco. Dan voltou para Kari e a beijou. “Montei o portador e monitor na pequena sala de estar para quando estiver pronta para alimentá-lo e o colocar para cochilar.” Sorrindo, ele tomou o bebê. “Minha vez de exibi-lo antes que decida que está morrendo de fome.” Ele aconchegou seu filho contra ele e foi em direção aos Doms. Andrea sorriu. “Ele está tão orgulhoso, é tão bonito.” Kari riu. “Não seja uma boboca. Você pode imaginar como seu Cullen agiria?”

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“Quase assim. Todos eles não o fariam?” O sorriso de Andrea se suavizou quando Cullen tocou a bochecha de Zane, prazer enchendo seu rosto. “Ele quer filhos, então vamos fechar o mobiliário do calabouço mais cedo ou mais tarde.” “Esconder o equipamento?” Beth olhou para o rosto cicatrizado de seu Dom e a forma gentil como tomou os dedos do bebê como se maravilhado no quão pequena perto da sua grande mão. Os olhos de Beth se estreitaram. “Era isso o que Nolan estava desenhando ontem à noite — mobília de calabouço que se converte em mobília de quarto.” “Se ele vender isso, ele ficará rico. Mais rico.” Jessica sorriu. “Dan e Kari começaram uma tendência. Olhem para os denominados bundas-duras.” Kim suspirou. Os rostos dos Doms ficaram gentis quando olharam para o bebê. Então, cada um olharia para sua submissa como se a imaginando com seu filho. “Aposto que algumas pílulas anticoncepcionais vão ser descartadas nos próximos meses.” “Dios, depois de ver o bebê, não poderia protestar demais,” Andrea murmurou. “Talvez eu deixe Cullen casar-se comigo afinal.” “A respeitabilidade é uma merda.” Jessica fez beicinho. “Z já disse que sem bebês até que nos casemos, e minha mãe está insistindo em um casamento na igreja. Você sabe quanto tempo leva para planejar?” “Eu conheço o sentimento,” Beth murmurou. “Ainda não posso acreditar em meu Nolan sendo subornado para adiar o casamento. Com vinho, não menos. Os homens são tão fáceis.” Kari riu. “Não posso acreditar que demorou menos de duas semanas na lua de mel.” Beth corou. “Não é como se preciso ver muita coisa além da cama de qualquer jeito.” Sorrindo, Kim observou como Dan e seu filho chegaram até Sam. Sam já tinha filhos crescidos, não é? Ele sorriu para o bebê e disse algo para Dan que o fez dar risada. Então Mestre R estendeu a mão, e Dan realmente colocou o bebê em seus braços. Ele segurou o pequeno pacote facilmente, e um sorriso apareceu em seu rosto escuro quando punhos minúsculos apareceram para fora do cobertor. Ele esfregou as juntas na bochecha do

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bebê, e Kim se lembrou de como ele fazia isso com ela quando estava especialmente satisfeito e afetuoso. Quando passou o bebê para Dan, ele sorriu, e talvez só Kim tenha visto o toque de inveja. Seu coração torceu quando, como os outros homens tinham feito, seu olhar se virou para ela, o calor, o desejo puro tão potente que seus pés começaram a atravessar o pátio. Só porque ele havia mostrado sua necessidade dela. Mas ele balançou a cabeça e se afastou, verificando a comida que estava cozinhando na churrasqueira gigante. Ela se deteve. Ele não me quer. Ou ele não quer me querer. Ela queria lhe dar tudo. Começando com ela mesma. Mas ele não parecia o mesmo. Ela ficou parada no centro do pátio. Precisando retroceder. Precisando ir adiante. Ainda tão rasgada quanto tinha estado desde a noite que ele a comprou. Sam estava falando com Cullen, mas fez uma pausa. Olhou para ela por um minuto, o rosto inexpressivo, então se inclinou e falou com Mestre R. Os músculos de Mestre R se contraíram sob a camisa de algodão fino, antes de se virar lentamente. Com uma expressão ilegível, ele se aproximou e ficou ao seu lado, fingindo assistir Kari. “Ele é um bonito bebê, não?” Não a tocou. Não sorriu. “Sim.” Ela olhou para os pés. Ele só tinha dito que a amava uma vez. Porra, ela não deveria ter vindo. Isso era insuportável. Ela olhou para cima e viu a necessidade ardendo em seu olhar, como uma onda de eletricidade para seu próprio desejo. E então enterrou isso de novo. “Maldito seja,” ela sussurrou. Ele fez uma carranca. “Chiquita, o que está errado?” Ele a tocou, deslizando suas juntas, a ternura exatamente como com o bebê. Este homem nunca tomaria seus entes queridos como um dado adquirido; Ela sabia disso do fundo de seu coração. Ele valoriza e protege, cuida com tudo nele.

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Ele não me quer, entretanto. Mas ela o queria. E ela estava cansada de tentar tomar uma decisão. Deixe-o decidir por nós dois — hei, é isso que ele quer, certo? Está no comando? E de repente, era tudo tão fácil, afinal. Virando a cabeça, beijou seus dedos e o viu congelar. Ela deixou a bolsa cair no pavimento e se deslizou de joelhos. Acima do bater de seu coração, ela ouviu um guincho. Jessica. Ela puxou sua bolsa para mais perto. Segurou algo que ela tinha chorado sobre ele, tinha lançado através do quarto, beijado, odiado e amaldiçoado, e então abraçado à noite. O concreto era quente contra suas pernas. O aroma do oceano pairava no ar quando tirou a coleira que ele tinha lhe dado, a que tinha encontrado nos degraus na noite do leilão. O couro era liso, e ela deslizou os dedos sobre as palavras gatita do Mestre Raoul. Eu ainda sou? Ela a colocou sobre as palmas, tentando curvar a cabeça, mas falhando. Precisava ver seu rosto ou poderia morrer. Ela o levantou. “Posso usar sua coleira, Mestre?” Ela perguntou e não ouviu nenhum som em todo o pátio, exceto as ondas no oceano e o martelar de seu coração. Seu silêncio a apavorou. Por um momento, seus olhos se inflamaram como se um fogo se iluminasse atrás deles, e sua respiração ficou irregular. Então, seu rosto ficou distante… Seu Mestre R tinha voltado para trás de suas paredes. Sua voz era gentil, mas firme. “Não. Sinto muito, Kimberly. Não posso ser seu mestre.” Como um ferimento de faca, suas palavras a fatiaram, cortando sua carne aberta, dirigindo-se impiedosamente para seu peito. A dor chegou um segundo depois. Seu protesto escapou antes que pudesse pensar. “Mas… Você queria isso. Queria-me.” Ele esfregou a palma em sua boca, seus olhos infelizes. “Eu fiz,” disse baixinho que ela mal pôde ouvi-lo. Então sua voz fortaleceu. “Mas não vai funcionar entre nós. Você não quer um Mestre. Você nunca quis e até menos agora, depois do que passou.” “Eu faço.” “Você tem certeza, cariño?” Ele perguntou muito suavemente.

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Ela começou a dizer que sim, então pegou seu olhar atento. “Não,” disse honestamente e piscou de volta as lágrimas. “Mas lamentarei minha vida inteira se não tentarmos. Eu quero tentar.” Ela tragou. “Mestre, por favor.” Ele apenas a olhou, e seu olhar estava cheio de dor. “Eu… Não posso. Não.” Ela curvou a cabeça, tentando não ceder às lágrimas. Tinha prometido a si mesma que não choraria, não importa o que acontecesse. Mestre R não se moveu. Cabia a ela sair daqui. Fora de seu caminho. Fora de sua festa e sua vida. Seu peito estava vazio, um buraco dolorido onde seu coração tinha estado. Isso foi muito pior do que deixá-lo antes. Pelo menos então, ela ainda tinha esperança. Ela colocou o colarinho de volta na bolsa, tocando-o como a um ser minúsculo que tinha morrido. Suas pernas não cooperaram quando tentou se levantar. Uma mão apareceu na frente do seu rosto. Mestre R tinha a ossatura espessa, uma mão poderosa. Essa era magra unhas bem cuidadas, um relógio de pulso escuro. Ela embrulhou os dedos ao redor de sua palma, e o homem a puxou para seus pés com uma força graciosa. Mestre Z. Quando ele a enfiou em seu lado, ela se debruçou contra ele. “Não desista ainda, pequena,” ele sussurrou em seu ouvido. “Você pode ver para que ela chegue a casa, Z?” Mestre R perguntou. A suavidade e cadência tinham fugido de sua voz, aumentando sua tristeza. “Não, eu acho que não, Raoul.” Ela começou a dizer que chegaria a casa sozinha, mas o braço de Z ao seu redor apertou o ar de seus pulmões. O rosto de Mestre R apertou raiva sombreando seus olhos. “Não interfira no que você não entende meu amigo,” disse uma ameaça pairando no ar. “Acho que entendo bastante bem,” Z disse levemente. “Seu casamento deixou cicatrizes. E você não quer ser machucado novamente, mas esta pequena continua fazendo isso. Ela finalmente compôs sua mente, mas você não pode ter certeza e não quer arriscar tudo

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novamente. Infelizmente, ela não pode lhe dar uma garantia, especialmente depois de tudo que passou. Tenho ido certo?” Ela o machucou quando partiu? Oh Deus, ela realmente tinha. Tinha estado tão estupidamente focada em si mesma, pensando que ele era autossuficiente. Não tinha olhado para o que ela estava fazendo com ele. “Estou tão, tão arrependida,” ela sussurrou, estremecendo na miséria que chamejou em seu rosto. “Este não é o lugar para discutir isso,” Mestre R disse firmemente. “Leve-a para—” Z sorriu levemente. “Este é exatamente o lugar. Nada na vida é garantido, Raoul.” “Eu sei disso.” O olhar de Mestre R caiu para seu rosto, inflexível. Infeliz. “Kimberly, eu tentei viver em uma relação sem… Ser quem eu sou. Não posso fazer isso novamente. E você não pode se submeter a um mestre, não depois do que passou.” “Mas eu fiz. Eu posso.” Entretanto ela não estava totalmente certa. Estes não seriam uns limitados poucos dias, e ela já tinha emborcado sobre ele uma vez. Por que ele deveria confiar nela? Como ele poderia confiar nela? “Existe,” disse devagar, “um teste? Um cruzeiro de adaptação? Algo para nos provar que podemos funcionar?” Ela viu a faísca de esperança chamejar, então morrer. Ele sorriu com tristeza. “Não existe nada que—” “Tradicionalmente,” Z disse casualmente, “uma submissa é chicoteada quando recebe sua coleira como uma forma de mostrar sua submissão, sua confiança em seu Mestre.” Chicoteada? Sua mente ficou em branco, e ela tentou se afastar de Z. A barras de ferro de seu braço não a soltou. “Você foi chicoteada na frente de estranhos, pequena. Gostaria de apreciar uma na frente de amigos — dadas por seu Mestre?” Chicote. Um calafrio a percorreu, e Mestre R rosnou, sua mão cerrou. “Maldito seja. Ela não pode—” Tanto que conseguiu vindo dele. Posso fazer qualquer coisa se quiser o suficiente. Talvez ela quisesse isso. Do mesmo jeito que Mestre R tinha substituído seus pesadelos horríveis de outros homens fazendo amor com ela, agora ela poderia substituir as memórias de crueldade

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com seus cuidados. E talvez criar algo para que ambos possam se apoiar. Ela nunca tinha confiado mais ou sentido tão perto dele do que depois da cena fireplay. Se ele quisesse que ela fizesse isso, então ela saberia que poderia… E que poderia ajudar em suas dúvidas também. “Sim, por favor, Mestre R,” ela sussurrou. “Sim.” Silêncio. “Não.” Uma armadilha. Se ela aceitasse seu domínio, então ele tinha o direito de dizer não, mas se ele dissesse não, então ela não teria nenhum Mestre. Ela curvou a cabeça. “Eu quero a tradição de te agradar Mestre. Eu tomarei qualquer dor que queira me dar, tomarei qualquer coisa que você fizer. Nós dois precisamos de uma resposta.” Silêncio. Então um suspiro pesado. “Este Mestre vai matar Z.” Z riu. Seu braço a soltou, e ele simplesmente foi embora. Mestre R deitou a mão contra o rosto de Kim. A estudou, vendo-a na forma que ninguém jamais tinha feito. “Você enfrentaria seus medos — aguentaria a dor por mim — só pela chance de estarmos juntos?” Ela assentiu. Ele desviou os olhos, sobrancelhas juntas. Pensando. A esperança começou a sapatear em seu coração. Ela se segurou bem quieta, não querendo interromper seus pensamentos. “Sim.” Sua expressão mudou. Seus ombros endireitaram. Sua boca ficou firme. Tudo sobre ele fundiu-se no Mestre que ela amava. “Então, gatita, me agradaria poder testar sua submissão na frente de nossos amigos.”

Como isso tinha acontecido? Raoul olhou fixamente para Kimberly, tentando derrubar a crescente esperança dentro dele. Ela não podia fazer isso, não podia realmente se submeter. E, se pudesse o que isso provaria? Realmente? Mas se ela pudesse enfrentar seus piores medos por ele, como não poderia fazer o mesmo por ela?

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Se ela pudesse se submeter para ele, aqui, com medo e em público, ele saberia que ela trabalharia tão duro quanto ele para fazer uma relação de D/s ter sucesso. Um calafrio a percorreu, e ele a puxou em seus braços, dando-lhe seu conforto. Se ela tivesse sucesso ou não, ele não esconderia nada. Ela precisava confiar nele, querer agradá-lo. Depois de tanto tempo separados, fazer isso agora era tolo — no entanto nenhum dos dois podia mais tolerar a espera. Ele sabia disso também. Ele descansou o rosto no topo de sua cabeça, inalando sua fragrância leve. Ele havia esquecido — tentado esquecer — como ela se ajustava a ele, como seus braços fortes o segurariam tão firmemente quanto ele a segurava. Depois de um minuto, Raoul ergueu a cabeça e fez sinal para Cullen. “Você sabe onde é o calabouço. Você pode colocar a caixa rotulada no pátio e deixá-la na arcada? Traga algemas de pulsos e tornozelos também.” “Certo, amigo.” Cullen sorriu para Kimberly e puxou seu cabelo. “Bem-vinda a casa, carinho. Por que você não veio depois e disse oi ontem à noite?” Ela lhe deu um encolher de ombros, desviando o olhar, o corpo rígido. Raoul franziu o cenho. Ela não era normalmente rude. Ela relaxou quando Cullen se afastou. Ontem à noite. Cullen teria ido jogar como barman no Shadowlands a noite toda. “Veio depois e disse oi.” Obviamente, Kim tinha estado no clube, provavelmente com Gabi. Talvez conversando com a culpada pequena Sally. Kim tinha encontrado sua família no hospital; Ele as tinha ouvido conversando no corredor. Não precisava de uma fórmula de cálculo para descobrir a resposta. Mas este não era o momento para lidar com assuntos de família. Ao invés… Ele esfregou o rosto em seu cabelo sedoso e perguntou, “Você recebeu o presente peludo que lhe mandei?” Sua risada — quanto tempo tinha passado desde que tinha ouvido sua risada suave. “Meu Ari. Ele é maravilhoso e…”

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Satisfeito, Raoul a segurou, ignorando as conversas em volta deles, e ouviu falar sobre seu retorno ao trabalho, do grande cachorro, de sua vida. Quando Cullen e Nolan instalaram as cadeias nos parafusos das vigas que cobriam o pátio, ele lhe respondeu às perguntas sobre a Costa Rica. Ela tinha sentido sua falta e tentou chamá-lo. O conhecimento era extremamente agradável. “Eu senti sua falta também, sumisita,” ele admitiu em troca. Ela estava tendo um intestino extremamente honrado e mais corajoso do que ele tinha sido. “Minha casa está vazia sem você, e eu não podia mais suportar o silêncio.” Seus braços se apertaram ao redor dele, e ele se curvou abaixo e tomou seus lábios. Suave e acolhedora quando se moldou contra ele, não mantendo nada de si mesma em retorno. Seu corpo estava perfumado e muito mais luxuriante do que quando tinha partido. Queria explorá-lo, encher suas palmas com seus seios. Quando ergueu a cabeça, ela fez um pequeno som de protesto. Um homem não deveria fazer, mas um homem poderia sentir. Depois de uma respiração lenta, ele notou que Cullen tinha colocado as algemas na mesa perto. Hora de começar. Uma por uma, ele lentamente firmou as algemas em sua sumisa, apreciando o jeito como ela estendeu um tornozelo, o pulso, oferecendo-os. Seu prazer era evidente em sua postura aberta e os lábios curvados. Ela queria suas algemas. Correu o dedo em torno dos interiores para se assegurar de que não estavam muito apertados, então se levantou e verificou a instalação na extremidade do pátio. As correntes oscilavam dos anéis que tinha instalado na viga de suporte. Mais duas cadeias estavam fixados nas bases dos postes quatro-por-quatro. Prontas. Kimberly estaria? Sua respiração estava acelerada, e ela estava mordendo o lábio. Mas assentiu firmemente. “Estou pronta, Mestre.” Ele sempre soube que ela quebraria seu coração. Sua mão deslizou sob a bainha de seu vestido de verão e entre suas pernas. Calcinha pequena, já úmida. Seus músculos estavam

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tensos com a ansiedade, mas sua boceta mostrava sua excitação. Talvez, talvez ela pudesse fazer isso. Suas esperanças chamejaram. “Remova sua roupa.” Sua respiração engatou, e um rubor cresceu em seu rosto. Mas ela puxou o vestido por cima da cabeça em um movimento suave. A visão de seus seios — sim, mais cheios do que antes — enviou um raio de luxúria através dele. Ela empurrou abaixo sua calcinha minúscula — os babados combinando com os do vestido, ele notou apreciativamente. “Você ainda está pronta?” “Sim, Mestre.” Seus lábios se formaram em torno da palavra como se gostasse do sabor dela em sua boca, e ele ficou grato que ela não a tivesse odiado como odiava a palavra escrava — ele apreciava muito o som de seu título quando ela o dizia. Minha. Seu coração articulou a palavra novamente e novamente. Submetendo-se a ele. Nada poderia dar a um Dom mais prazer do que uma pressa em uma cena. Na vida? Nada enchia o coração de um Dom tão plenamente. Incapaz de resistir, ele a puxou contra ele, seus dedos se curvando ao redor de sua nuca, e saqueou seus lábios doces. Ele deslizou a mão em seu bumbum, massageando o arredondamento, ainda fresco, mas que em breve estaria ardendo com calor. Ele segurou seus olhos, regozijando-se de vê-los tão claros e livres de medo. “Eu te amo, gatita.” Seu coração derreteu completamente em uma poça. Nunca, jamais se cansaria de ouvir isso. “Eu amo você, Mestre.” Quando ela finalmente olhou além dele, viu que as mesas e cadeiras no pátio tinham sido transferidas para formar um semicírculo, deixando uma grande área aberta. Para um chicote. “Mestre Raoul.” Z estava alguns metros longe. Seus olhos cinza escuros seguraram os dela à medida que disse, “Diga à sua submissa o que deseja usar, para que assim ela possa lhe trazer as ferramentas adequadas.”

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Ferramentas? As coisas que ele usaria nela. Para machucá-la… Ela torceu o seu olhar para longe e percebeu que as pessoas se reuniram ao redor do pátio. Assistindo. Como em uma exibição ou um palco de traficantes de escravos. Seu olhar horrorizado caiu sobre Gabi. Gabi empurrou o queixo para cima, e então, deliberadamente, fez um punho, arqueando-o no sinal da mão de a toda velocidade. Kim piscou. Também. Próxima ao seu Dom insolente, Beth colocou suas mãos juntas, e seus lábios se moveram, Você pode fazer isso. Andrea lhe deu um aceno firme de encorajamento. Os olhos de Kari estavam cheios de lágrimas, mas ela balançou o monitor de bebê enfaticamente e murmurou, “Sim. Faça isso.” Jessica estava alternando um olhar brilhante para Z e assentindo vigorosamente para Kim. Não é uma exibição. Eu tenho meu próprio conjunto de animadoras de torcida. “Eu acredito que tenha concordado com chicotes?” Z perguntou, como se roçando deliberadamente em seus medos crus. Um tremor a percorreu, mas forçou aço em sua espinha. Eu lutei com o supervisor e Greville e ganhei. Eu posso ser menos corajosa em seguir meus sonhos? O rosto de Mestre R só tinha fúria quando olhou para Z, entretanto, ele suspirou e sorriu. “Lembre-me de machucar Z depois disso.” Mestre R está do meu lado. Ele sempre esteve. Mas ela podia… Quase… Entender a pressão que Z estava colocando sobre ela. Esta era sua oportunidade de provar a si mesma para ambos, e Mestre Z faria disso um teste adequado. Ela levantou seu queixo. “Pode descrever seus desejos, Mestre?” Sua mão tocou sua bochecha suavemente, seu olhar se intensificando, como se avaliasse sua determinação, e seus lábios se curvaram em aprovação. “Minha gatita me deixa orgulhoso.”

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Deus, tudo nela derreteu, e se sentiu como se estivesse se afogando em seus olhos. Mestre R pensou por um minuto. “Quero que você me traga o flogger com uma faixa amarelo claro no punho, uma pá — uma com couro suave — e o chicote no lado mais a esquerda. Você fará isso pra me agradar, Kimberly.” O chicote. Sua boca estava muito seca, então lhe deu um aceno de cabeça aos arrancos e seguiu para o pátio. Suas pernas não pareciam lhe pertencer, mas estavam se movendo, e isso era tudo que poderia desejar. O calabouço estava fresco. Quieto. E, estranhamente, não segurava nenhum medo, apenas as memórias de Mestre R: Inclinado contra a parede e contando nos dedos enquanto ela andava em torno do quarto. Massageando-a na mesa de escravidão. “Você não vai cair em pedaços se eu tocar seus seios.” Ele a tinha levado para fora do pânico o tempo todo — e seu desejo de agradá-lo iria trabalhar essa magia novamente. Deveria. A pá foi fácil e ela escolheu uma com o couro mais suave. O flogger ele realmente tinha brincado uma vez e a deixado tocar. O chicote… Ela se aproximou e não pôde tocá-lo. Teve que circulá-lo para conseguir chegar perto. Outro círculo. Será que ele sabia como usar um chicote? E se ele — Não, este era Mestre R. Se ele usasse algo, ele seria soberbo. Ela nunca o tinha visto praticar, no entanto. Isso era assustador. Durante o próximo desvio, ela fez uma carranca no espaço vazio de um lado do quarto. Ela nunca tinha se perguntado por que estava lá. Um jornal tinha sido preso à altura do peito na parede, tiras finas dele oscilavam como serpentinas. Ela estremeceu. Talvez ele tenha praticado. Outro círculo. Já protelei o suficiente. Eu farei isso. Ela trouxe à sua memória a aprovação no rosto de Mestre R. “Você fará isso para me agradar.” A necessidade de ver aquela aprovação novamente voltou a crescer, superando lentamente seu medo.

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Seus dedos se fecharam sobre o chicote, e ela sussurrou um voto para si mesma. “Eu vou aprender a usar esta coisa maldita. Rasgar alguns jornais eu mesma. Veja se eu não faço.” Sua mão apertou o couro. Quando saiu para o pátio no sol brilhante, viu Mestre R no meio. Tinha tirado a camisa para se preparar para a cena, obviamente, nunca duvidando de sua coragem. A visão dos músculos contornando seu peito e braços a fez parar. Tão poderoso. Ela sorriu, lembrando-se de quando tinha dito isso a ele. Ele tinha rido e a prendido contra ele, muito facilmente, murmurando em seu cabelo, “É melhor para segurá-la.” Um cume fino rosa atravessava suas costelas esquerdas, onde a faca de Greville tinha cortado uma atrocidade em sua pele bonita e bronzeada, e raiva chamejou dentro dela. Então, ela bufou uma risada, olhando em sua própria cicatriz. Eles tinham definitivamente um conjunto combinando agora. As pessoas em torno do pátio ficaram completamente silenciosas enquanto o cruzava para ele. Ajoelhou-se a seus pés. “Trouxe as ferramentas que você pediu Mestre.” “Você fez muito, muito bem.” Tomou tudo dela, deixando-os no chão a um lado. Seu passo era como ela se lembrava em seus sonhos — sem pressa, fixo, e sólido. Com um puxão fácil, a colocou de pé, então descansou as mãos em seus ombros, massageando-os levemente. “Você tomará tudo o que eu lhe der hoje,” disse, segurando seu olhar. Seus olhos estavam cheios de uma promessa escura de dor e prazer. Uma emoção de antecipação a atravessou. Ele nunca a tinha empurrado no calabouço, mas agora, agora seus olhos prometiam que o faria hoje. Oh Deus. “Eu irei Mestre.” Era um voto para ambos. Eu irei. Ele a guiou sob as correntes, sua frente em direção ao oceano e longe do público. Depois de conter seus braços acima da cabeça, ele assegurou suas pernas separadas, abrindoas amplamente, antes de apertar as cadeias em seus braços. Ele a circulou lentamente, olhando-a, seu olhar como uma carícia em sua pele nua. Parou à sua frente, segurando seu

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queixo em sua palma. “Eu sonhava em vê-la aqui, como agora,” disse a voz um pouco áspera. “Aberta para mim, querendo o que posso lhe dar.” “Eu quero isso,” ela sussurrou cada célula nela precisando agradá-lo. E tomaria qualquer coisa que ele quisesse, assim ele poderia ficar orgulhoso, saberia o quanta o amava. A necessidade de dar, de ser aceita, a enchia. Ele a beijou, sua língua a levando, seus lábios exigentes, mas então, muito doce. Quando ele ergueu a cabeça, sua respiração era espessa e quente. Obviamente alguém tinha aumentado à umidade no pátio. Sua mão deslizou por cima de seu ombro, então suas costas, enquanto andava ao seu redor, e então mais abaixo: Seu bumbum, suas pernas… Quando acariciou suas coxas internas, ela empurrou. “Fique quieta, gatita.” Mãos quentes. Toques firmes. Assim como em seus sonhos. Percebeu que sua boceta estava molhada com sua excitação. “Muito bom Kimberly. Eu gosto disso.” Seus dedos deslizaram por suas dobras, fazendo-a estremecer. O murmúrio de conversa veio até ela, então desapareceu sob a onda de calor quando seus dedos separaram os lábios abertos e deslizaram por cima de seu clitóris. Ela mordeu o lábio quando a eletricidade chiou através dela. Ele brincou com o clitóris, e então aliviou um dedo dentro e fora dela. As pernas abertas largamente estava exposta a qualquer coisa que ele quisesse fazer, e… Era a coisa mais erótica que já tinha sentido em sua vida, saber que tinha de boa vontade lhe dado o poder. Ele se levantou. Oh não. Seus pensamentos gaguejaram na memória das ferramentas. “Espere.” Um bofetão em sua bunda. “Quem?” “Mestre R. Mestre, o que vai fazer?”

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“Tudo que eu quiser, sumisita mía.” Sua voz não era má, só aquela dureza que enviava tremores em seu estômago e mais umidade entre suas pernas. Ele riu e apertou o corpo contra o dela por trás, sua ereção empurrando suas nádegas, o peito musculoso aquecendo suas costas, os braços a cercando. “Bonita gatita, você está pronta?” Os dedos beliscaram seus mamilos, e seu toque enviou raias de dor direto para seu clitóris. Ele juntou seu cabelo e o moveu para frente por cima de seu ombro. Descobrindo suas costas. Ela ficou tensa, mas ele apenas deslizou as mãos de cima a baixo, despertando sua pele, fazendo com que seus seios balançassem. Ele estapeou levemente seu bumbum, uma pequena alfinetada, então mais dura, e mais, até que quis se afastar da queimadura. Ela se arqueou longe — inutilmente. “Sí, eu gosto de saber que você tem que ficar parada e tomar o que lhe dou,” ele murmurou e andou ao redor para enfrentá-la, a mão sempre sobre ela, acariciando de suas costas até seu ombro. Sua bunda queimava, e sua pele estava tão sensível que até o toque da brisa do mar se sentia como um beijo gelado. Seus lábios escovaram os dela. Então ele capturou sua boca com urgência faminta. “Eu senti falta de te beijar. Então… Você me dirá se a dor ficar demais, não? Qual é sua palavra segura?” “Câimbra.” “Muito bem.” Seu sorriso brilhou para ela. “O que a fará gritar primeiro, gatita — o ferrão do chicote ou a fúria do seu orgasmo?” Oh menino, como ele conseguia assustá-la e excitá-la ao mesmo tempo? A sensualidade escurecia seu rosto enquanto a considerava, não escondendo o prazer que sentia de jogar com ela. Não escondendo a intenção de exercer o seu poder como seu Mestre. Não posso acreditar que estou aqui. Fazendo isto… Querendo isto. Entretanto, quanto mais se rendia, mais se sentia uma parte dele. Ele sabia. Tocou seu rosto, seu olhar amolecido.

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Ela o olhou, impotente, presa com mais que restrições físicas. Quando ele usou o flogger primeiro não doeu. Foi como um milhão de duendes rufando em sua pele, os fios do flogger se moveram de suas costas até sua frente. Ela olhou para ele, quase hipnotizada. Tão grande, ombros largos, seu peito e músculos do braço ondulando com cada movimento. Seu controle era absoluto, seu foco totalmente nela, e o flogger parecia como se os conectasse como um cordão umbilical. Ele iluminou os cursos sobre seu estômago e coxas, ainda mais leves sobre os seios, fazendo-os inchar e pulsar. O estalido muito mais leve entre suas pernas a mandaram para cima sobre seus dedos dos pés em surpresa, seguida por uma corrida quente de prazer. Ele viu, e um sorriso suavizou suas feições duras. Quando a circulou, sua pele cresceu mais sensível, começando a queimar. E de algum jeito sua boceta pulsou como se estivesse muito inchada. Uma pausa. Suas mãos acariciaram seu corpo, acalmando a dor. Moveu-se pra sua frente e a estudou por um momento silencioso. Então os cantos dos olhos ondularam. “Está muito bonita, toda excitada e pronta para a mordida do chicote.” Suas palmas cobriram seus seios, e ele a observou atentamente enquanto beliscava seus mamilos levemente, então mais duro, rolando os cumes entre os dedos. Ela fechou os olhos quando prazer lavou através dela. “Olhe para mim.” Ela forçou os olhos abertos, endurecendo quando a mão se moveu para sua boceta, deslizando por suas dobras. A raia de prazer afiado era quase dolorosa, inesperada, e ela fez um som de protesto. “Shhh, gatita. Você quer isso — não há vergonha nisso, em ser uma mulher. Em deixar seu Mestre despertar seu corpo.” Sorriu, empurrando os dedos intimamente dentro dela, então fora e sobre o clitóris. Sobre e dentro, repetindo até que seus quadris pressionaram para frente em cada movimento.

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Oh Deus, eu preciso de mais. Ela não tinha nem sonhado que pudesse ficar tão quente, tão carente. Então ele sorriu. “Muito bem. Você está pronta.” Seu olhar era nivelado, direto, totalmente no controle e confiante. E ela concordou. Ela poderia lidar com a dor se ele estivesse no comando. Ele a beijou lentamente e então vorazmente. “Sumisita mía,” disse, levantando seu queixo. “Depois disso, eu pretendo tomar você.” Ele trocou desconfortavelmente. “Duro.” Sua vagina cerrou. Quando seu olhar desceu para sua virilha, prazer subiu dentro dela. “Como desejar Mestre.” “Sim, submissão — e o corpo de minha gatita — me deixa carente.” Ele tocou seu nariz no dela, tomando sua respiração. “Sinto falta de tomá-la todas as manhãs antes do café.” Ela fechou os olhos e respirou. “Eu também.” Despertando sozinha, querendo-o tanto que dormia com um travesseiro extra para ter algo para segurar. Ele apertou outro beijo em seus lábios, então se afastou. Um segundo depois, ela ouviu o estalido de um chicote. Pânico rolou sobre ela, afogando-a em memórias. Fatiando dor após dor, gritando. Puxou freneticamente nas correntes, respirando uma tempestade tropical se transformando em um furacão. “Kimberly.” Sua voz cortou os ventos. “Você tomará isso por mim.” O silêncio cresceu ao seu redor, os medos seguiram à distância com apenas sua voz… E sua necessidade de agradá-lo. Mestre R, não Greville. Mestre R pararia se ela precisasse… E então ela poderia continuar. “Sim, Mestre. Eu irei.” O primeiro toque do chicote foi um chamejar: Aqui, lá, em cima, embaixo. Uma pequena picada, o ritmo quase calmante. Uma escova sobre sua pele como um beijo áspero. Mais. Ela nunca tinha visto cenas de chicotadas. Quem diria que poderiam ser tão… Sensuais? Depois de um tempo, ele andou para frente para esfregar suas costas. Jogar com seus seios, enviando novas faíscas de excitação cintilando por seu corpo. Sua ereção a pressionou

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por trás, e ele moeu isso contra seu bumbum, fazendo-a sentir a queimadura prolongada de sua surra. Seu punho se fechou em seu cabelo, arrastando sua cabeça para o lado. Sua voz era baixa e implacável, enviando excitação através dela. “Agora, eu vou empurrá-la, Kimberly. E você levará isso para mim.” Ele, obviamente, sentiu seu calafrio; Sua risada foi gutural. Apavorante. Quente. Ele se afastou, mas ela podia ouvi-lo. “Essa é minha boa menina.” Um estalo, um pequeno silvo, então o aguilhão, dor florescendo sob a pele. Ela ofegou um pouco chocada. Isso dói. Ele continuou, repetidas vezes, como a mordida da chama do fireplay, o chicote era um flash de dor que quase parecia a iluminar por dentro. Abaixo em seu bumbum, alguns toques em suas coxas, que atiraram direto para seu clitóris até — oh, Deus, ela estava tremendo com a necessidade de gozar. A intensidade aumentou. Mais. Mais afiado. Ela chupou a respiração para não gritar. Ele diminuiu para a doçura dos cursos de escovação. Mais duros novamente. Alfinetadas, chocantes, queimando… Dor. Nada se moveu, mas ela caiu para trás, caindo no oceano, cercada de suavidade. Seus olhos meio-focados na maré rolando na areia branca, e ela percebeu que seus golpes eram cronometrados com as ondas do mar. O golpe de dor batia e rolava acima dela, fluindo de volta antes do próximo. Tão maravilhoso e ainda tão excitante. Os golpes de chicote se moviam lentamente por sua bunda, suas coxas, e de volta em suas costas. Seu corpo foi contra o dela novamente, quente, segurando-a. “Olhe para mim,” disse, virando sua cabeça. Olhos castanhos, calmo e maravilhoso. Ela sorriu para ele e saboreou seu sorriso. “Olhe para você. Até sob um chicote, confiou em mim o suficiente para bater no subespaço,” ele murmurou, beijando-a até o chão desaparecer debaixo dela. “Estou muito orgulhoso de você, gatita.” Ele recuou. “Diga-me sua palavra segura.” “Câimbra. Só que não preciso dela,” ela confiou. Seus olhos ondularam. “Vou lhe dar mais cinco, e elas vão doer.”

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Preocupação começou a subir nela. Ouviu o estalo afiado atrás, mas nenhum golpe. “Respire fundo, gatita.” Firme. Seu mestre. Um orgasmo parecia estar flutuando por dentro, esperando, quando ela inalou. “Deixe sair.” Ela respirou e ouviu um crack, e o tiro afiado de dor atravessou sua nádega direita. Ela respirou fundo, sentindo o puxão de seu corpo, e quando exalou outra linha de golpe de fogo. Entretanto, era Mestre R o fazendo, esperando que ela o segurasse, fazendo-a tomá-lo, e isso a enviou muito mais fundo. Lágrimas escorreram por seu rosto. Outro corte de navalha de dor sacudiu para seu núcleo e outra — dor branca-quente — e outra. Através do surgir de sangue em sua cabeça, ela ouviu seus passos. Seus braços a cercaram, puxando-a em seu calor. “Estou tão orgulhoso de você. Você me agradou muito,” ele murmurou em seu cabelo. Ela piscou para ele. “Eu tomarei mais se você precisar de mim, Mestre.” Ele franziu o cenho. “Você quer mais?” “Não. Mas se você—” “Não, gatita. Você não é uma masoquista.” Ele beijou sua bochecha. “Pelo que estou muito feliz. Você já teve o suficiente.” Ela suspirou ainda meio nas nuvens, e quando ele a beijou longo e lento, seu corpo inteiro a lembrou do que precisava. “Podemos ir a algum lugar e…?” Sua cabeça se ergueu, os olhos castanhos agudos. Quentes. “E fazer amor,” ela terminou. Seria amor. Ela sabia disso. Seu sorriso relampejou. “Você está dizendo, ‘Apenas foda-me agora’?” Ela engasgou, mas o pulsar de sua parte inferior não seria negado. “Sim, Mestre. Se agradar ao Mestre.” “Oh, certamente vai agradar ao Mestre,” ele disse, prendendo seu cabelo. “Mas nós não estamos indo para dentro, Kimberly.” Aqui fora? Seus olhos se arregalaram.

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Rindo baixinho, ele soltou as correntes que seguravam suas pernas separadas, e então alcançou até o encaixe colocado acima. Dois cliques, e ela estava livre. Ela gemeu quando abaixou os braços, seus ombros estavam doloridos. Os joelhos cambaleavam. Ele a segurou, aconchegando-a contra seu peito nu. Seu odor limpo e masculino a cercando, almiscarado do exercício, fazendo-a querer esfregar sua pele contra a dele. Ela se sentiu pequena em seus braços, delicada e estimada. Ele cruzou o pátio e a sentou sobre a mesa de madeira não utilizada. “Deite-se em suas costas, sumisa,” disse e cruzou os braços sobre o peito. Embora o suor cobrisse seu corpo, ela sentiu o rubor subindo em seu rosto. Quando ele ergueu as sobrancelhas ligeiramente, ela soube que não queria desapontálo. Nunca. Ela se deitou. “Uma menina tão boa,” ele murmurou, o calor em seus olhos abrasou toda sua pele. “Quando nos conhecemos, você preferiu dor a compartilhar sua intimidade do orgasmo na frente dos outros,” disse, correndo a mão por seus seios. “Você o oferecerá para mim agora?” Fazer amor aqui? Na frente de… Todo mundo? Seus olhos seguraram os dela. Exigindo… Mais. Que ela lhe entregasse tudo. E ela queria. “Eu farei o que o Mestre quiser,” ela disse. “Sim.” Seu olhar suavizou. “Você tomou a dor por mim, Kimberly,” ele disse sobriamente. “Agora você pode tomar ser contida — e então ter prazer?” Os calafrios atropelaram seu corpo. “Sim, Mestre.” Sua mão acariciou sua perna, aquecendo a carne por um momento. Então, ele empurrou suas pernas contra seu peito e a deslizou mesa abaixo, até que sua parte inferior ficou só acima da extremidade. Um tremor a percorreu. O sentimento de medo não tinha desaparecido completamente, mas ela rapidamente voltou ao mundo real quando ele enganchou suas algemas de pulso nas extremidades da mesa, até sua cintura. Ele moveu sua perna esquerda, assim poderia prender a tornozeleira em seu punho do pulso e fez o mesmo em seu direito, espalhando suas pernas extensamente.

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Sua boceta estava exposta. Muito exposta. Ele estava de volta quando ela conquistou o primeiro arrepio de medo. Olhou para ele, usando-o como sua âncora, sabendo que ele a manteria segura. Suas mãos largas atropelaram seu corpo. “Eu senti falta de ter uma pequena submissa presa e aberta diante de mim,” disse suavemente. Arrastou as juntas por sua bochecha. “Ter uma que me ama e tenta tão duramente me agradar é uma sensação muito melhor.” Tudo dentro dela derreteu. “Mas isto é um teste para você. Você me renderá tudo?” Ele desenganchou uma correia de lona larga de debaixo da mesa e a puxou através de seu estômago e abaixo, logo acima de seu monte. “Até quando eu tirar seus últimos pequenos pedaços de movimento?” Ele a assegurou firmemente, prendendo seus quadris contra a mesa lisa. “Sim, Mestre.” Ela não tentou se mexer, para testar as restrições, e não podia ajudar a si mesma. Mas seus quadris não se moveriam mesmo. Pânico subiu e desceu como a maré. “É um teste para mim também. Eu confio em sua rendição o suficiente para que eu possa empurrá-la como deveria e dar a nós dois o que precisamos?” A determinação implacável em seu olhar a sacudiu até o núcleo. “Eu confio em você mais do que pensei que poderia. Você está bem, gatita?” O medo não tinha chance perto de Raoul Sandoval, seu Mestre. Ela sorriu para ele. “Linda Kimberly.” Ele se debruçou um braço na mesa, enchendo sua visão. Seus lábios escovaram sobre os dela, e ele a beijou, cortando a corrente de medo, substituindo-o por necessidade. Sua mão quente se fechou sobre seu seio, esculpindo-o, arreliando o mamilo para um ponto, enquanto acariciava sua língua sobre a dela, como se a lembrando de seu gosto, seu odor, sua posse. “Mmm.” Ele ergueu a cabeça e sorriu, sussurrando, “Você parece que precisa ser fodida, sumisa.” E todo mundo provavelmente viu isso. Ela olhou para ele e ganhou um beliscão no mamilo que a fez ofegar. Seus seios estavam inchados, como se tivessem crescido um tamanho

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de xícara, deixando a pele muito apertada. Seus mamilos pulsavam, e ela podia sentir as picadas estranhas de onde ele levemente a chicoteou. Ele se curvou e lambeu sobre cada mamilo, circulando-os, deixando-os molhados para a brisa os esfriar, apertando-os ainda mais. Mais. Suas costas se curvaram. “Movimento demais.” As correias a atravessaram, acima e abaixo dos seios, comprimindo-os completamente, até que os seios foram empurrados para cima firmemente. E ela realmente não podia se mover. “Sí, eu gosto assim.” Sorriu e fechou as grandes mãos sobre os seios doloridos, afagando-os com as palmas calejadas e beliscando os mamilos levemente. Seu clitóris começou a pulsar combinando com a dor em seus seios. Ela queria implorar por mais e sabia que ele apenas riria e faria o que quisesse em seu próprio tempo. Deus, por que ficar nua e exposta, contida e incapaz de detê-lo, a deixava assim, tão quente? Ele recuou, estudando-a… Como se considerando todas as coisas sujas e obscuras que poderia fazer com ela. Seu interior cerrou com desejo. O que ele faria? Suas mãos? Boca? Brinquedos? Mas ela não tinha trazido quaisquer plugs ou braçadeiras ou… Sua respiração parou quando ele andou longe da vista. Eu lhe trouxe uma pá. Oh não. Não, não, não. Mestre R passeou de volta em seu campo de visão, batendo a barra longa e fina em sua palma. Oh Deus, ele estava indo. Seus seios estavam apontando para cima como dois alvos, suas pernas abertas, seus lábios escancarados. Ele não iria... Iria? Ela sentiu a gota de sua própria umidade escorrer de sua boceta até sua bunda. “Olhe para isso,” ele disse suavemente. Esfregou a ponta de couro da pá sobre seus seios, arreliando seus mamilos. “Toda excitada. Nem uma pitada de medo em você.” Ela percebeu que era verdade. A antecipação da dor parecia justamente excitá-la ainda mais.

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“Eu estava assistindo quando Jessica lhe disse sobre como Z a conteve no bar do Shadowlands.” A pá se arrastou abaixo em seu estômago, cintilando sobre sua lábia. Oh Deus. Apenas o toque, o arreliar. Ela se sentiu inchada, apertada. Desesperada. Seus dedos seguiram o couro. O contraste entre frio e quente, liso e áspero, inanimado e vivo, fez seu corpo pulsar com necessidade. No pé da mesa, ele sorriu ligeiramente enquanto traçava suas dobras com um dedo, em cima e sobre seu clitóris. Deliberadamente e impiedosamente aumentando sua excitação. Ele empurrou um dedo dentro dela, deslizando facilmente, as juntas grossas adicionando a sensação de inchaço. Dois dedos, e sua língua lambeu sobre o clitóris, fazendo-o maior. Suas coxas estremeceram quando tentou levantar sua boceta mais alto, para conseguir mais. Nada — absolutamente nada — se moveu. Ela estava presa, completamente imóvel. Mestre R puxou os dedos para fora de sua vagina lentamente e passou os dedos escorregadios em sua perna. “Ela lhe disse como ele tinha usado um chicote em sua boceta.” Ele bateu sua coxa interna com a pá — a ponta da aba de couro. A ferroada a fez suspirar. “Eu vi o quanto ficou excitada, gatita. Ao pensar em ter sua boceta chicoteada.” A pá fez seu caminho até o interior da coxa para o topo de seu monte. Cada toque do couro contra sua pele picando. Seu corpo inteiro ficou tenso em antecipação daquela aterrissagem de pequena dor em seu clitóris latejante, mas ele continuou para cima, atingindo-a levemente no estômago. Ela saltou quando a pá bateu o lado inferior de seu seio direito. Ele circulou uma, duas vezes, ao redor de seu seio. Estava tão apertado, cada ferroada reverberando através de todo o monte. Sua respiração estava como a de um barco lançado nas ondas, achando e perdendo seu ritmo. Ele acariciou seu cabelo longe do rosto, estudando-a cuidadosamente, seu intento nos olhos e quentes… Muito quentes. Sem falar, se moveu para o seio esquerdo. Ao redor e ao

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redor. Como podiam parecer mais apertados? Ela se perguntou, ouvindo um lamento baixo escapar dela. “Sim, dê-me os sons.” O couro sacudiu nitidamente acima do pico de seu mamilo esquerdo. O pedaço de ferrão súbito foi como dentes afiados na ponta sensível, e sentiu-se como se também tivesse atingido seu clitóris. “Ah!” Sua espinha tentou arquear; Suas mãos empurraram; Nada se moveu. O sentimento de estar presa passou para calor completo quando ele sacudiu seu mamilo direito. De um lado para outro, deixando-o só o tempo suficiente para a mordida de dor se dissipar antes de bater no outro mamilo. Seus seios se sentiam como se estivessem pegando fogo, mas ainda muito, muito inchados e necessitados. Ele se curvou e puxou um cume em sua boca, lábios gentis, calor, mas quando chupou, puxando-o fortemente, seu corpo inteiro tremeu como uma folha. Oh Deus. Como ele mudou para o outro mamilo, quente, chupando, seu interior começou a enrolar, pressão se construindo por dentro. Seus olhos castanhos encontraram os dela quando ergueu a cabeça. “Você está muito perto de gozar, gatita.” Ela tragou, querendo implorar. Por favor, por favor, agora. Ele não iria, ela sabia. O conhecimento que ele tinha o controle, que tudo era para ele, e que ela não poderia fazer nada sobre isso, aumentou sua necessidade, como se alguém tivesse colocado seu motor em uma aceleração máxima, enviando excitação zumbindo através dela. Ele arrastou a mão por seu corpo, acalmando as pequenas mordidas deixadas pela pá em seus seios, seu estômago, suas coxas. A pá bateu em sua coxa novamente. Ligeiramente mais dura, como um gatinho com dentes de leite afiados. Em direção a sua boceta, sobre seu monte, abaixo em sua perna. Dolorida. Ela podia sentir seu engolido clitóris tentando estender, tentando receber atenção, e ela estremeceu com a antecipação temerosa.

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Em sua perna novamente, só que dessa vez, os estalidos bateram nos grandes lábios. Alfinetadas de dor, de cima a baixo de sua recém-depilada carne tenra, cada vez mais perto do ápice. De seu clitóris. Sua respiração engatou quando ele quase… A pá levantou. Tudo dentro dela apertou. Suas dobras internas estavam inchadas, molhadas, como uma brisa fresca lavada acima dela. Seu vulnerável clitóris pulsava, enchendo seu mundo. Ela olhou para a pá, no ar, enquanto seus músculos puxavam contra as restrições. Seus olhos encontraram os dela. A pá bateu direto em seu clitóris. Dor. Prazer. As sensações se misturaram cruas e brutais, explodindo em cima e fora. Seu corpo tentou se agitar e se livrar quando as ondas de prazer rasgaram através dela. O grito virou gemidos ofegantes enquanto sua boceta se contraia mais e mais. Ela prendeu a respiração. A única advertência foi um toque em sua entrada, e então ele embainhou seu pau nela com uma punhalada impiedosa. Ela ofegou em choque. Ele era muito grande, seus tecidos estavam muito inchados. Sua virilha escovou sobre seu abusado clitóris, enviando ondas e ondas de prazer e dor rasgando por ela novamente. Ele ainda se segurou por um segundo, deixando-a se ajustar, então a olhou nos olhos. “Eu vou tomá-la duro agora.” Ele não pediu permissão. Deus, ele se sentia tão grande dentro dela. Ela tentou se mover, e as correias a seguraram no lugar. Aberta. Sentia-se possuída, tomada. Propriedade. Inclinado para frente sobre um antebraço, se empurrou mais fundo. “Olhe para mim, gatita.” Sua voz era áspera, mais baixa. “Mantenha seus olhos em mim.” Sua mão livre se enrolou sob sua bunda, fazendo as listas lá queimarem quando puxou de volta. E então, ele se dirigiu dentro dela, usando as pernas, os quadris. O piercing era como um dedo sólido roçando diretamente... Certo naquele lugar dentro dela. Deus.

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A boceta de Kimberly contraiu ao redor de Raoul, quente e lisa, bombardeando em seu pau. Dios, ele tinha sentido falta de estar dentro dela, sentido falta da conexão. Em sua mente, esta era a forma adequada de terminar uma cena entre um casal. Fazer amor confirmava os laços que tinham construído. Ele apertou a bunda de sua pequena sub, sabendo que doeria, vendo sua resposta no estremecer de suas coxas, sentindo a forma como sua boceta o agarrava. As pernas na posição alta faziam-na extremamente apertada, arrastando o piercing e despertando cada nervo em seu pênis. Ele empurrou duro novamente, deixando seu corpo dizer a ela, mostrar a ela, o que ele logo diria para ela. Minha. Minha para possuir, para proteger, para empurrar, para acalentar. Para amar. Ele bateu nela, diminuindo a velocidade para deslizar sua mão em seus seios, os mamilos inchados agora, e cada pequeno beliscão em um cume fazia sua boceta apertar. Seus olhos azuis, muito azuis ficaram nos seus quando pegou o ritmo. Ele não estava tentando durar. Ela tinha tido o suficiente, mas ambos precisavam disso para completar o que fizeram aqui. E ela se sentia tão quente, tão molhada, sua boceta ainda estava pulsando ao redor dele em um orgasmo prolongado. Ele empurrou mais duro, sentindo seu colo do útero contra a cabeça de seu pênis. Suas bolas puxaram mais apertadas, contraindo-se. Apenas. Mais. Uma. Punhalada. E então o calor atravessou seu pênis de forma tão violenta, em um prazer tão intenso, que sua mão apertou sua bunda, e ela guinchou. Ele puxou e empurrou de volta, seu clímax não se concluindo, como se seu pênis quisesse resistir, para ficar dentro dela. Seu peito arfou quando lutou pelo ar. Suor gotejou no buraco abaixo em suas costas. Ele examinou seus olhos, vendo sua submissão absoluta, sua alegria em lhe dar prazer, em dar a si mesma. O laço entre eles era quase palpável, e ele a queria em seus braços tão mal que quase balançou com a necessidade.

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Ele a beijou suavemente, e então se retirou com uma pontada de remorso que combinou com seu suspiro suave. Recuando, ele pressionou um beijo rápido em seu estômago e sorriu contra o estremecimento suave. Dios, ele a amava. E a sua coragem. Ele não puxou de volta. Exigiu dela o que os dois precisavam, e ela lhe deu… Tudo. A cena, o sexo… Ambos responderam a suas preocupações, fez sua certeza de si mesma. A conexão entre eles era mais forte do que nunca. Ele sorriu. A ponte foi construída, estava aberta, e pronta para o tráfego. Depois de abotoar seu jeans, ele se moveu para lhe dar um longo, longo beijo. “Eu te amo, sumisita mía” ele sussurrou e ficou surpreso quando seus olhos se encheram de lágrimas, apesar de seu sorriso. Sempre a tocando, ele soltou as correias, esfregando a pele ligeiramente, para ajudar o sangue a retornar, massageando os ombros e articulações dos quadris. Finalmente, ela lutou para uma posição sentada. As pessoas no pátio estavam em silêncio, não querendo interromper. Raoul olhou seu caminho. Cullen sorriu sua pequena sub, obviamente o montando; Marcus tinha Gabi na frente dele e sua mão em seu short. Os lábios de Raoul se contraíram. Deve ter sido tão quente por fora como foi por dentro. Z moveu Jessica fora de seu próprio colo, pegou um cobertor enrolado da mesa ao lado dele, e se aproximou para entregá-lo a Kimberly. Ela começou a desdobrá-lo, e Z sacudiu a cabeça, então ela embrulhou os braços em torno do pacote. Ele tocou seu rosto ligeiramente com a ponta dos dedos, sorriu para Raoul, e retornou para sua sub. Com um suspiro de prazer, Raoul juntou sua mulher, macia, e quente, e perfumada, ajustando-se… Perfeitamente… Em seus braços. Depois de beijar o topo de sua cabeça, ele a levou através do pátio, desceu os degraus, e seguiu para praia.

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Ele foi para seu lugar favorito, a desgastada cadeira Adirondack branca. Quando a estabeleceu contra ele com um suspiro de satisfação, ela enterrou o rosto em seu pescoço, e começou a tremer. O rescaldo tinha vindo recuperar o atraso. Com os braços ao seu redor, desajeitadamente desdobrou o cobertor que Z tinha lhe dado e encontrou uma garrafa de água, um tubo de pomada… E sua coleira. Dom inteligente. Depois de deixar tudo ao lado da cadeira, ele a embrulhou no cobertor fino, então a puxou para mais perto. Ele ainda se sentia tão afinado com ela que sentiu quando ela começou a se desvendar. Ela o olhou, sua expressão vulnerável, tudo aberto em seu olhar. “Eu senti tanto a sua falta,” ela sussurrou. “E eu estava sozinha.” Seus olhos se encheram de lágrimas. Ele acariciou sua bochecha, reconhecendo sua necessidade. “Chore para mim agora, Kimberly.” “Chore para mim.” Comando de Dom. Kim olhou para seu rosto. Ele estava aqui, realmente aqui, e ela o tinha ferido, e tudo dentro dela se sentia como se tivesse arrancado todas as bandagens sobre suas emoções, e ele estava realmente aqui. Um soluço se arrancou dela, um som atrasado desde que as lágrimas já fluíam por suas bochechas. Ela enterrou o rosto em seu pescoço, respirando-o, e chorou. Chorou pelas semanas separadas, e pela falta que sentiu dele, e pelo seu presente de um protetor peludo. Por ele ter perdido sua família e tê-los encontrado novamente, e por seu medo de hoje do chicote, e porque suas costas doíam como o inferno, e eventualmente, ela percebeu que estava lhe dizendo tudo aquilo entre os soluços. Ele deitou a bochecha em sua cabeça e ficou murmurando encorajamentos, o espanhol se entrosando com o Inglês. Depois de um suspiro trêmulo, ela olhou para cima. Seus olhos ondulados, e ele tirou um lenço de algodão do bolso da calça. Um lenço.

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Enquanto enxugava o rosto, ela murmurou, “Você sabia que isso aconteceria. Eu choro demais ao seu redor. Eu não costumava chorar nunca, então isso é tudo culpa sua.” Ele riu baixo e satisfeito, batendo seu coração como se tivesse tropeçado. “Mas não, gatita, eu acredito que esteja compensando o tempo perdido. Eventualmente vai se acalmar.” “Só podemos esperar.” Ela lhe deu um beijo suave, apreciando o movimento lento de sua boca na dela. “Eu te amo.” Ele esfregou seu nariz contra o dela, e então a reagrupou em seu colo antes de segurar uma garrafa de água em seus lábios. Depois que tinha terminado a maior parte, ele embrulhou o cobertor de volta ao seu redor. Com um dedo sob seu queixo, ele perguntou, “Kimberly, você teve alguma coisa a ver com minha mãe e irmã me visitarem esta manhã?” Ela estremeceu e ele percebeu que ela se deu distância. Oh maldição. Sua vez. Gabi e Jessica já tinham entrado em apuros. Aquele Cullen sórdido tinha chamado Z e Marcus e denunciado as duas. Contando aos Doms e os deixando furiosos. Mas como Mestre R reagiria? Sua expressão não lhe dizia nada. Ela mordeu o lábio. “Hum.” Ele assentiu como se sua hesitação tivesse confirmado suas suspeitas. “Por quê?” Ela bufou um suspiro. Porra. “No hospital, sua família me advertiu sobre você, me dizendo o que supostamente tinha feito para sua ex, só… Só que isso não era você. Isso me aborreceu. Fiquei preocupada. Ontem à noite, eu, uh, verifiquei ao redor.” “Você perguntou a Sally.” Com chicote ou não, eu não vou confirmar isso. “Depois que terminei minha pesquisa”— que soou muito bem vago—“eu conversei com sua mãe e irmã, e agora elas sabem que Alicia é uma mentirosa suja, como o rato de esgoto que dormiu com ela—” “Kimberly.” Kimberly quebrou fora — uma cadela da escória de sugadores — e acrescentou docemente, “eu simplesmente expliquei a elas o que significa consensual.”

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Raoul sacudiu a cabeça. Tinha sido sua gatita quem tinha consertado tudo. Todos estes anos, alienado de sua família por causa das mentiras de uma mulher vingativa. Ele fez uma carranca. “Eu me pergunto se Alicia espalhou essas mentiras na comunidade BDSM.” Não no Shadowlands, desde que Z era um detector de mentiras ambulante, mas em outros lugares. “Ela soa como se fosse o suficiente de um baiacu.” Kimberly franziu o cenho. “O supervisor sempre agiu como se acreditasse que você era como ele.” “É provavelmente por isso que fui aceito como um comprador tão depressa. E por que estava lá para comprá-la naquela noite.” Seus braços a apertaram. Kimberly poderia ter sido comprada e desaparecido para sempre. Qualquer comprador que não foi pego no leilão iria esconder suas escravas para sempre… Ou até eliminá-las. Uma pequena submissa em troca de três anos de não falar com sua família. Seus lábios se curvaram. Talvez ele enviasse a sua ex uma nota de agradecimento. Kimberly estava mordendo seu lábio novamente, ainda preocupada com sua interferência em sua vida, sua gatita de coração generoso que tinha curado uma ferida que tinha durado muito tempo. Ele correu o dedo por sua bochecha. “Obrigado, mi amor.” Seus lábios macios aumentaram em um sorriso feliz. “De nada.” Deu-lhe um olhar travesso. “Sua irmã ligou antes de deixarmos a casa de Gabi—que eu deveria ir para o jantar de domingo com você.” Quando Mestre R riu e a abraçou, Kim suspirou de alívio. Em perfeita satisfação, ela se deitou em seus braços, escutando o rolar das ondas e o som das gaivotas ao longe. Até as vozes da festa na orla não a perturbavam — ela era parte delas. “Então, passei no teste?” Ele correu o dedo sobre seus lábios. “Você sabe que fez. Antes de irmos mais longe, você tem perguntas, alguma negociação?” Oh. Hmm. Ela tinha se preocupado com tantas coisas, e de alguma forma a maior parte delas não pareciam mais tão importantes. “Eu viverei com você?” “Você vai.”

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“Então eu me mudarei para cá e conseguirei um emprego?” “Você quer continuar trabalhando?” Ele a beijou. “Você não precisa, você sabe.” “Eu quero.” Ela enrugou o nariz. “O trabalho doméstico é extremamente chato.” Sua risada saltou a cabeça em seu peito. “Esta é sua decisão, gatita. E, antes que você pergunte seu dinheiro também é seu. Tenho problemas suficientes com minhas próprias finanças.” Sua respiração aliviou. “Você está sendo muito fácil de lidar.” Decepção e preocupação apertou seu peito. Ele não iria ficar no comando? “De vez em quando. Também estou fazendo uma concessão muito grande, chiquita,” ele murmurou. “Você terá uma pequena parte do dia para chamar de seu… Embora eu possa tomar isso eventualmente.” Mestre R a considerou, seus olhos se estreitando. “Você gosta de regras e horários, então… De manhã, do nascer do sol até o meio-dia — ou em seu trabalho — você está no comando de si mesma.” Uma preocupação… De estar constantemente monitorada… Desapareceu. Mas… Eu o quero no comando. “O resto do tempo, você se submete completamente a mim,” Mestre R disse. Inclinou-se para frente, segurando seus olhos. “Para sexo, para roupa, para comida e exercícios. Como vivíamos antes. Você é minha.” Sua respiração soprou para fora quando a tensão em seu peito aliviou em calor. Sua mão apertou em seu cabelo, puxando sua cabeça para trás, assim ela poderia olhar para ele. O amor em seus olhos não escondia a determinação, o aço empinado de seu caráter. “Este é o ponto, não é, chiquita?” “Oh sim.” Ele a beijou tão completamente que se sentiu possuída direto em sua alma e além, então sorriu, um brilho perverso nos olhos. “O almoço foi e passou então este é meu tempo, não?” Um tremor a percorreu quando diversão iluminou seus olhos. Uh-oh. “Sim, Mestre R.”

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“Deite-se em meus joelhos.” Uma surra. Suas costas e parte inferior ainda ardiam das chicotadas e açoites. Mas… Mas. Do olhar em seu rosto, ela sabia melhor do que implorar por clemência. “Sim, Mestre.” Lentamente, como se talvez ele mudasse de ideia — Aquilo já tinha acontecido? — Ela foi de estômago para baixo sobre seu colo. “Boa menina. Agora fique quieta.” Ela ficou tensa. Algo frio chuviscou em sua pele. Pomada, ela percebeu, e então sua mão implacável e dura esfregou isso sobre suas costas e bumbum. Ai, ai, ai. Incapaz de se ajudar, ela se contorceu. “Fique quieta.” Ele fixou uma mão pesada na parte inferior de suas costas para alfinetá-la como um percevejo enquanto tratava todas as faixas e vergões e lugares doloridos. Cada uma maldita. Ele a ignorou mexendo e choramingando — e realmente riu algumas vezes. Bastardo Dom sádico. Quando finalmente terminou, tudo pulsava de dor. Ele a deixou de pé, levantou-se, e com um sorriso, ergueu seu queixo para beijar seus lábios carrancudos. “Eu tomo muito cuidado com este pequeno corpo que é meu, não?” Seu bom humor era contagiante, e sua boca se curvou quando ela murmurou. “Obrigado, Mestre.” Pegou algo, então se virou em direção ao pátio e deu um assobio estridente. Ela o viu segurar a coleira em sua mão. Oh meu Deus. Ele realmente iria fazê-lo. As pessoas do Shadowlands se reuniram silenciosamente ao longo da extremidade do pátio. Kim viu Gabi com lágrimas nos olhos segurando a mão de Marcus. Jessica estava dobrada sob o braço de Z, e o dono do Shadowlands estava sorrindo. Andrea e Cullen tinham sorrisos igualmente grandes. Dan com Kari enxugando as lágrimas de suas bochechas. No final esquerdo da linha, Sally sorria. À direita da linha, os agentes do FBI tinham satisfação em seus rostos. Os olhos de Sam encontraram os dela. Ele balançou a cabeça, sua expressão satisfeita e um pouco mal-assombrada.

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E o resto das pessoas… Ela sabia que teria tempo para conhecer a todos. Incapaz de mostrar o quão feliz estava ela só conseguia sorrir para todo mundo. Então ela se virou para Mestre R. Seu coração martelando em seu peito como tinha feito muito frequentemente este último mês, só suas mãos estavam quentes, seus lábios estavam curvados em um sorriso, e seu corpo não estava cheio de medo, mas de alegria. Ele olhou para o chão. Ajoelhou-se com graça perfeita e curvou a cabeça. Ele levantou sua voz. “Kimberly, eu prometo segurá-la e mantê-la segura, apoiá-la e guiá-la, ser honesto e aberto com você. Você confiou em mim para cuidar de sua felicidade, saúde, e bem-estar. Eu nunca quebrarei essa confiança.” Sua voz era áspera, seus olhos muito, muito quentes. Ele levantou a coleira, a gravura cintilando à luz do sol. “Você aceita esta coleira como um símbolo de sua submissão e devoção?” Ela queria palavras especiais para lhe devolver, mas só conseguiu administrar, “A usarei com muito orgulho.” Ele tocou a fivela. “A fechadura está faltando. No início do novo ano, se estivermos com a mesma mente, então teremos uma cerimônia de encoleiramento — com fechadura — formal.” Sob o murmúrio de aprovação, ele sussurrou com uma voz divertida, “Isso significa que eu voltarei a chicoteá-la novamente.” Ela sufocou, tentando não rir. Alívio se misturando com alegria. Ele tinha entendido que sua mente e emoções não eram ainda todas suas próprias, e lhe daria tempo para terminar de se curar, deixá-la entrar em uma relação formal com um coração inteiro. Firmou a coleira ao redor de seu pescoço, verificando se estava solto o suficiente, e o sentimento de pertencer estremeceu seu corpo inteiro. Seus olhos ondularam. “Esta é exatamente a reação certa, sumisita mía,” ele murmurou. Quando tombava para trás, no oceano, durante um mergulho, ela sempre tinha um momento de desorientação, antes de tudo ficar claro e o oceano se virar para um abraço. Ela

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mergulhou, e agora aqui estava ela, exatamente onde queria estar. “Mestre, eu mencionei o quanto te amo?” Ao som dos aplausos, ele ergueu Kim para seus pés, suas mãos quentes e firmes em seus braços. Seus olhos encontraram os dela, sérios, queimando com seu próprio amor. “Longe da frequência suficiente. Por favor, trabalhe nisso, sumisita mía.” “O prazer será todo meu, Mestre.”

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