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Olha terezinha do alto, Plataforma do seu amor Espia salvador Olha os sapateiros da baixa, Olha vitória do corredor Espia salvador Olha cidade baixa e alta Pega seta do elevador Olha lá a conceição na praça O velho engenho, pelo pelô. Tem que vê pra crê como é Pois é foi santomé quem me ensinou Espia salvador Espia salvador

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ESPIA SALVADOR Cantor – Aloísio Menezes Compositor - Jarbas Bittencourt


Créditos

SUEIDE KINTÊ e FÁTIMA FRÓES

FABIANO

Idéia original

Áudio

ALOÍSIO MENEZES

ALEX SILVA

Trilha

Booman

SAMADAR KINTÊ

PEDRO DE OLIVEIRA

Produtora Executiva

Motorista

ANDRÉ SANTANA

RAIANE VASCONCELOS

Repórter

Fotografa

FELIPE DELLA FRANCA

ROQUE SANTANA

Diretor de Fotografia

Motorista

JARBAS BITTENCOURT

MARCEL ARAÚJO

Compositor da trilha

Computação Gráfica

KELLY ADRIANO B. SILVA Designer

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Agradecimentos Sueide Kintê

Antes de tudo uma saudação a todas as forças inteligentes que regem a natureza das águas que rodeiam Salvador. Águas que fazem nossos sonhos romperem barreiras assim como uma onda levanta areia do fundo do mar. Saudação aos ventos que levam as nossas idéias pelos becos dessa cidade e às serpentes daomenianas de Bafono que de África trouxeram sonhos e não pecados como dizem os desavisados. Saúdo e agradeço também a Samadar Kintê, minha irmã e parceira de devaneios que arregaçou as mangas e doou seu trabalho tornando possível tirar essa idéia do papel, a Elenira Onijá, Hamilton Borges Walê e Durval Azevedo por vibrarem pelo projeto quando ele ainda era um sonho, a Marines Freitas por vir de olhos fechados apoiar um trabalho que ainda não viu dar frutos. Á Fátima Fróes por ser minha parceira incondicional nesse desafio e por batizar a idéia - o nome Espia Salvador brotou da cabeça de cachos e criatividade

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dessa socióloga - a André Santana por acreditar na idéia e se engajar com verdade na empreitada. Agradeço também a Jarbas Bitencourt e a Aloíso Menezes por darem luz e voz à música que anuncia este projeto. Agradeço a Gabriele Olavo, Janete Olavo e Alex do Santos por tirarem o véu dos meus olhos nos primeiros passos que dei por essa cidade tentando redescobrir um cantinho chamado Lobato. Agradeço ao Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - IRDEB nas pessoas de Póla Ribeiro e a Mário Sartorello e à Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade - SEPROMI nas pessoas de Lucy Purificação, Agnaldo Neiva e Luiza Bairros por apoiarem o Espia Salvador e darem contribuições importantes para que o projeto se tornasse possível. E finalmente, agradeço a minha mãe Sueli e minha vó Suzana, mentoras e amigas fiéis.


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Preparação e Primeiras Imagens

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Diário de Bordo

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Edição e Finalização

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Uma caneta, um bloco de notas, uma

é encontrada nos livros de história do

lhe cerca? O jeito foi fazer isto através

idéia e na cabeça um nome: Espia

ginásio. Um flagrante - descobrir essa

de um programa de Tv e pedir em-

Salvador. Mais do que um projeto. Um

cidade ainda é possível. É imprescind-

prestado o olhar dos soteropolitanos.

sentimento. O desejo de fazer algo

ível. É necessário. Descemos ladeira abaixo, no melhor

por essa cidade da Bahia. A intenção é ainda ver nos griôs¹ que aqui habi-

Mas, como espiar com verdade uma

sentido que essa expressão pode ter,

tam as histórias que cercam as ruas,

cidade tão cheia de enigmas e com tan-

re(dês)cobrindo essa cidade com as

becos e bairros dessa cidade. Um

tas versões para uma mesma história?

pupilas cansadas de Dona Ana, maris-

fustigo. A recorrente intuição que diz

Como olhar as belezas da primeira

queira da prainha do Lobato há mais de

ser possível falar aos mais novos de

capital do Brasil sem deixar de ver os

20 anos. Batemos perna pelos becos

uma cidade importante, mas que não

desafios e as desigualdades que ainda

da capital baiana dando de cara com

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figuras tão genuínas – o vendedor de picolé da Estação da Lapa e Dona Délia, a líder comunitária que faz alvorada em sua rua nos dias de vacinação anunciando o horário de atendimento no posto de saúde com seu megafone estridente. E levantando nossos olhos pela beira da Baía de Todos os Santos enxergamos uma comunidade que não quer mais ser conhecida pelo codinome que deflagra a violência que um dia se abateu por ali - O “Corre ou Morre” quer ser lembrado pelo nome que tem Jardim Nova Esperança, um cantinho do subúrbio ferroviário onde foi descoberto Petróleo pela primeira vez nesse país, mas também, um lugar que ninguém espiou – uma parte das entranhas dessa cidade chamada Salvador. Toda a parte técnica do projeto foi pensada e escrita desde 2009 baseando-se na estrutura de outros programas de TV Educativos como o Bahia Singular e Plural e Um pé de que? Além disso, fizemos pesquisa em bibliotecas consultando jornais antigos e alguns livros de fotografia e história como ALAGADOS na visão de Jeferson Vieira, Almanaque Roda Pião (Do Programa Memorial Pirajá) e O livro Caminho das Águas em Salvador – Bacias Hidrográficas, Bairros e Fontes. Depois de todas as pesquisas era hora de contar a ídeia e procurar parceiros para essa viagem pela cidade, neste momento definimos a equipe junto com a produtora que executou as filmagens e tivemos reuniões de discussão de pauta e roteiro pra escolher qual seria o cenário de nosso primeiro programa. Cada bairro que aparecia nesse momento de sugestões tinha sua própria historia peculiar e seus aspectos culturais importantes, mas o nosso critério de escolha se baseou na possibilidade de estar num bairro que melhor no qual pudéssemos testar nossa metodologia. Por isso, escolhemos para o piloto o Bairro do Lobato. A partir disso, fizemos nosso primeiro roteiro. Iríamos então olhar a cidade mais de perto. Fizemos diversas visitas ao Lobato antes das gravações, contactamos associações de bairro, grupos culturais e moradores antigos da comunidade e marcamos com todos eles um encontro para o final de

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semana. No final de semana, alugamos

dor? Então, poderia dizer quantas tri-

fotografia das imagens do programa.

uma VAN e fomos com toda equipe

bos indígenas existiram em sua cidade?

Sabíamos que as melhores imagens

para o inicio das gravações. O nosso

- Itacaranha que é um bairro de Salva-

seriam aquelas com boa iluminação,

primeiro motorista chamava-se Sr

dor é uma palavra indígena? Você sabe

mas ainda assim, não substituímos as

Pedro, um ótimo parceiro, apesar de

o que significa?

datas de gravação. Nosso ponto de

ser paulista e não conhecer a cidade

- Você sabe em que bairro de Salvador

encontro com toda equipe para pegar

muito bem ele se integrou bastante

foi encontrado o primeiro poço de

a Van e ir filmar era sempre à frente do

com a equipe e teve toda a paciência

Petróleo do Brasil?

Colégio Estadual – ICEIA, no bairro do

necessária na relação com a comuni-

- Qual foi o lugar em Salvador que

Barbalho, dali o dia começava e a gente

dade que nos recebia.

abrigou o Quilombo do Urubu?

sai para olhar a cidade com olhos dos outros.

Tínhamos decidido que nesse primeiro

Este dia de gravação foi muito legal, re-

momento não iríamos fotografar,

colhemos bons depoimentos e desco-

Todos prontos. De peito aberto saía-

apenas filma elementos que revelassem

brimos que a população considerava

mos sem imaginar o que nos aguarda-

a cidade em seus aspectos culturais.

divertido saber que nunca nos per-

va, mas estávamos entusiasmados para

Mas fomos surpreendidos pela recep-

guntamos sobre como surgiu a historia

capturar as melhores imagem e contar

tividade da população local e ficamos

do nosso bairro e porque ele tem um

uma bela história. Nossas principais

tão à vontade que fizemos algumas

determinado nome.

paradas além do bairro do Lobato: - Pelourinho: Ali a equipe ainda estava

entrevistas perguntando a população sobre curiosidades na construção e

Nos outros dias de gravação, ainda no

meio tímida, sem saber direito o que

descoberta da cidade de Salvador.

mês de junho o céu acordava nublado,

capturar já que ainda estávamos im-

Fizemos perguntas do tipo:

quase sempre com nuvens cinzentas

buídos de nosso olhar corriqueiro de

- Você é morador da cidade do Salva-

o que nos deixou preocupada com

moradores da cidade, acostumados a

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passar sempre pelo Pelô e ver apenas um ponto turístico. - Fomos a Cruz Caida, Praça da Sé, Rua Chile, Elevador Lacerda, Baixa dos Sapateiros, Praça Castro Alves e finalmente na Avenida 7 tivemos a nossa primeira grande parada, entrevistamos umas 20 pessoas e perguntamos como elas poderiam descrever o caminho de volta para casa a partir daquele ponto ali. Aí ficou bem mais animado, a equipe conseguiu sentir o espírito do programa e contagiar as pessoas que paravam na rua pra ficar olhando e pra saber do que se tratava. Até o nosso motorista, Sr. Pedro, desceu do carro pra observar e ajudar no que podia, nem que fosse pra segurar a mochila dos equipamentos. Foi nesse mesmo clima que fomos parar na Estação da Lapa e nem sabiamos bem o que nos agurdava, como a estação não tinha lugar de parada e estavamos numa VAN precisávamos encontrar um lugar pra estacionar pedir autorização dos fiscais para poder deixar o carro. No inicio tivemos grande dificuldade de encontrar alguém que quisesse falar com a gente. Na Lapa todos estavam sempre muito apresados outros envergonhados, mas bem ou mal conseguimos capturar algumas imagens, até que encontramos o Sidinei Sacramento, mas conhecido como Nego, ele tinha lábia fácil e foi logo conversando sobre seu bairro, seu trabalho, chegando inclusive, a convencer seu companheiro de atividade Silvanio Paixão, a também contar um pouco de sua vida. A empolgação de Nego era tanta que o sentimento dele contagiou toda a equipe. O bairro do qual ele falava com tanta empolgação era o Lobato. Justamente o local escolhido pela nossa produção a gravação do Programa Piloto. Quando começamos de fato a gravar no Lobato a equipe já tinha conversado bastante tudo que se esperava das imagens dali. Formulamos os conceitos e os aspectos principais que o trabalho deveria conter e fomos para rua. Queríamos mais que historias encontrar os mesmos sentimentos que vimos em Nego, o vendedor de picolé da Lapa que quando falava do Lobato deixava sair faíscas de seus olhos.

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Toda a vez que filmávamos no Lobato

todo o bairro.

pudesse interpretar e gravar a música

o dia de trabalho começava muito

Fechando as gravações pelo bairro

já que não tínhamos dinheiro para

cedo e tínhamos que estar desde a

conhecendo Dona Délia, uma Líder

pagar artista.

manhãzinha na rua. Lá filmamos a

Comunitaria muito atuante que

maré, conversarmos com as marisquei-

conseguiu levar apoio de empresas,

Felizmente fomos agraciados pela

ras, falamos com pessoas jovens e tam-

projetos e cursos profissionalizantes

boa vontade de Aloísio Menezes que

bém com moradores antigos, homens

para o bairro. No último dia de grava-

apostou no projeto e gravou nossa

e mulheres visivelmente sofridos(as)

ção decidimos almoçar com a comu-

música gratuitamente. Foi uma grande

e desgastados(as) pela vida. Desco-

nidade e fomos recebidas na casa de

conquista para equipe e fortaleceu o

brimos personagens que estavam no

uma moradora muito especial chamada

nosso espírito de unidade. A gravação

bairro desde a década de 80 e que viu

Dona Janete que além de ser uma

do áudio foi realizada no Teatro Vila

muitas coisas acontecerem por lá.

ótima costureira é uma excelente na

Velha e a primeira gravação não ficou

cozinha. Almoçamos estrogonofe de

muito boa, achamos som abafado daí

Nas entrevistas identificamos que a

frango, batata palha, salada de batata

solicitamos uma segunda gravação que

maioria dos moradores não possui o

recheada com salsinha e azeite doce e

foi surpreendente.

ensino médio completo dificultando a

de sobremesa uma deliciosa musse de

conquista de um emprego que possi-

limão. Um cardápio que so de lembrar

Concomitante a criação da trilha do

bilite uma melhor qualidade de vida. O

dá água na boca. Na avaliação lem-

programa acompanhamos a criação

presidente da Associação dos Mora-

bramos com saudades da recepção da

da logomarca do Espia Salvador e as-

dores afirma que falta um olhar mais

comunidade. Estávamos cansados, mas

sim que estávamos com a marca e a

sério e comprometido dos gover-

satisfeitos com tudo que conseguimos

trilha prontas partimos para a com-

nantes sobre aquele lugar. Caminhando

fazer ao logo das gravações.

putação gráfica construindo a vinheta de abertura e as paletas de animação

pela comunidade conhecemos ainda Dona Rita moradora que possuía fotos

Começamos escolhendo a música da

para finalização do programa, após

antigas do bairro e aproveitamos para

nossa trilha sonora convidamos Jarbas

esse processo levamos duas semanas

conhecer também Dona Isabel, quitu-

Bittencourt e explicamos a idéia do

decupando e editando as matérias,

teira da comunidade e também esposa

Espia Salvador, ele logo topou além

após esse processo partimos para

de seu Zé da Ponte (Comerciante)

de ter se envolvido no processo

a parte mais difícil e demorada – a

que nos contou sobre o caruru muito

conseguindo capturar a energia que

finalização do programa com os ajustes

famoso no bairro que acontece todo

queríamos para esse elemento do

de cor, áudio, créditos, info-gráficos e

mês de Outubro no dia do Aniversario

programa que seria o nosso primeiro

imagens. Só falta agora vocês darem

de seu Zé. Uma festa que além de ser

cartão de visitas. A nossa principal

uma olhadinha no programa e Espiar

muito animada consegue reunir quase

dificuldade foi conseguir um cantor que

Salvador.

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