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MÚSICA, ARTE & ENTRETENIMENTO | ANO 1 | N. 1

DESTAQUE

O rádio fez e faz história

ENTREVISTA

SAÚDE

PROFISSÃO

Edu Reche conta sua vida musical

Cuidados essenciais aos ouvidos

É possível viver apenas de música?


P U B L IC ID A D E 2

SINTONIZA MANÉ | ANO 1 | N. 1 | AGOSTO 2O13


Orgulho camuflado

EDITORIAL

Quem inventou a música? De fato, o homem?

A partir de entrevistas e pesquisas, buscaramse respostas para a importância da música e de seus profissionais na vida dos indivíduos. São considerados músicos apenas aqueles que têm formação? Seriam também os que tocam ou cantam por prazer? É possível viver só da música? Nesta revista, você, leitor, terá contato com histórias, gêneros musicais e projetos envolvendo esse tema em Florianópolis. Recebem-se influências em várias atividades do cotidiano, entre elas a mídia. Esta transmite apenas ideias formadas, cegando novos pontos de vista. Dessa forma, priva-nos de certas informações, o que será decidido de acordo com interesses políticos ou econômicos. Mas além dessa privatização e superficialidade de notícias, encontra-se, também, tal participação no meio cultural. Você já parou para analisar as músicas que costuma ouvir? E de onde elas vêm? Uma minoria tem a música brasileira como última opção. É como se essa mesma minoria que não escuta, por exemplo, o samba, nunca provasse a feijoada. Há tempos, deparamo-nos com tal situação: um préconceito com as músicas e os músicos que surgem em nosso país, em especial com alguns gêneros que caracterizam a cultura brasileira. A cada geração, essa desvalorização cresce, e para se entender melhor tal conjuntura colocam-se em destaque possíveis causas que resultam nesse conceito. Inadequadamente, confundem-se e generalizam-se problemas socioeconômicos, políticos e até mesmo culturais de nossa nação como justificativas para criticar tudo o que é, de fato, preconceito. Sempre se espera o pior do Brasil e

se critica o que é nacional antes mesmo de ver ou ouvir. Porém, indo pra fora, há aquele repentino patriotismo, afinal, o que se despreza aqui, lá é valorizado. De Ernesto Nazareth a Tom Jobim, exemplos não faltam. Irônico pensar que os mais talentosos e valorizados artistas da nossa história tiveram que lutar contra a censura e/ou a ditadura para poderem propagar sua música. Assim que conseguiram, o povo pôde aprender a apreciála e passar adiante. Hoje, no entanto, está tudo mais fácil em relação ao acesso a informações e, ao invés de buscarem aprender sobre o passado, tentarem em algo novo, as pessoas alienam-se a suas rotinas, ignorando algo muito importante: o conhecimento amplo. Ou seja, é contraditório pensar em uma sociedade livre e democrática que se recusa a aceitar o velho, já sabendo que o novo não existiria sem aquele. Assim, sem reconhecimento e recompensação do seu esforço, o músico torna-se desestimulado. Se a própria pátria não o valoriza, as oportunidades atenuam, juntamente com a expectativa, e resta a frustração. Como lidar com o fato de que sua arte não será reconhecida pelos próprios constituintes de uma mesma nação? Por esse e uma lista de outros motivos, músicos contemporâneos logo desistem da música e optam por seguir um emprego sólido, desistindo também de um sonho. A música, no entanto, é como o vento, está em toda parte, simplesmente aconteOuça ce, e a esperança prevalece. Ideologia, de Cazuza Izabela Serpa e Texto Luciana Minatelli SINTONIZA MANÉ | ANO 1 | N. 1 | AGOSTO 2O13

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SUMÁRIO SAÚDE

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Cuide da sua audição

DESTAQUE

Ele fez e faz história OPINIÃO

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Clássico da sintonia

CURIOSO

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Aprender é sempre bom ENTREVISTA

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Uma vida permeada de música

Expediente Diretor-Presidente: Percy Haensch Diretor Pedagógico Geral: Nilson da Silveira Diretora Pedagógica de Ensino Médio: Rosimere Veras Costa Professoras Responsáveis: Rosane Cordeiro e Lorena Campos Ramos Projeto Gráfico e Editoração: Ildo Golfetto Textos: Amanda Audren David, Catarina Corrêa, Fernanda Araújo Soccal, Gabriela Ducioni Matos, Helena Macedo, Izabela Serpa, Luciana Minatelli, Maria Luíza Screminn, Nathália Evellyn Schmitt Santos, Paula Silva Volpato e Vítor Remor de Souza. Fotografia: Gabriela Ducioni Matos e Paula Silva Volpato Revisão: Amanda Cadore da Silva e Andréa Borges Minsky

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CRÔNICA

De cigarras e de formigas

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EVENTOS

Festivais de música

18 ARTIGO

Pra ver a banda passar

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AGENDA

Música na ilha

21 MERCADO

Profissão de músico

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ENSINO

Escolas de música

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SAÚDE

Cuide da sua audição Interessante como tarefas desagradáveis e entediantes, a exemplo de lavar louça, arrumar a casa, caminhar, dirigir ou até mesmo esperar em uma fila de banco, podem se tornar prazerosas se apreciarmos boas músicas enquanto as realizamos. Mas nem sempre temos como colocar aquele blues em uma caixa de som. E para não saírmos à la funkeiros (nada contra o gênero, e sim ao fato de te obrigarem a ouvi-lo nas ruas e em ônibus), precisamos recorrer a fones de ouvido. Temos que tomar certos cuidados ao utilizá-los, pois é muito comum a perda de audição considerável, inclusive podendo levar à surdez total, quando são usados de modo indevido. Somente no Brasil 1,5 milhão de pessoas, principalmente jovens, teve a sua audição destruída por fones de ouvido. Para que possamos entender melhor a surdez causada por esse aparelho, é importante compreendermos o funcionamento da nossa audição.

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O som, que é uma agitação das partículas ao nosso redor, propaga-se até o pavilhão auricular e encaminha as ondas sonoras através do canal auditivo até o ouvido interno, fazendo vibrar o nosso tímpano (membrana que separa o ouvido interno do externo). Essas vibrações são transmitidas para a cóclea por meio de três ossículos: o martelo, a bigorna e o estribo, que também ajudam a amplificar o som. A agitação da cóclea (hidrodinâmica) faz com que as células ciliadas do ouvido interno possam identificar as frequências que compõem certo som e transmitir essa informação ao cérebro através do nervo auditivo. Os fones de ouvido podem atingir um volume absurdamente alto de 120 dB (decibéis), enquanto o limite para não haver danos na nossa audição é de 85 dB. Quem usa os fones no volume de 85 dB precisa limitar o uso em oito horas diárias para garantir uma audição saudável no futuro. A maioria dos jovens costuma ouvir


“Somente no Brasil 1,5 milhão de pessoas, principalmente jovens, teve sua audição destruída por fones de ouvido”

Como prevenir Cuidados devem ser tomados para quem não pode escapar do fone de ouvido ou é musicomaníaco. 1. A Sociedade Brasileira de Otologia indica que o volume não ultrapasse 50% (60 dB) da capacidade total do aparelho (se as pessoas ao redor conseguem ouvir a sua música, ela já está a 85 dB). 2. Evitar o uso contínuo por um longo período de tempo. 3. Cuidar para não competir o volume do fone com o dos ambientes ruidosos.

músicas em volume entre 100 e 115 dB, o que pode causar danos irreversíveis à audição em 10 anos. Com o passar do tempo, as 15 mil células ciliadas do ouvido são lesionadas, podendo provocar a surdez permanente. A audição de sons em decibéis elevados através de fones de ouvido é mais prejudicial do que em som ambiente, pois neste meio grande parte das notas agudas (as mais perigosas para a audição) são abafadas pelos objetos em nossa volta, e pelo fone de ouvido recebemos diretamente e na mesma frequência todas as notas emitidas.Também precisamos tomar cuidado ao usar o fone em ambientes barulhentos, pois quando escutamos música, queremos ouvir somente a música desejada, apesar de os sons externos também entrarem nos nossos ouvidos, fazendo com que aumentemos cada vez mais o volume. Vítor de Souza

Texto

4. Usar sempre os dois fones, para não compensar o volume em uma orelha e sobrecarregar a quantidade de decibéis. 5. Dar preferência aos fones que melhor isolam o barulho externo, evitando os fones intraauriculares, para não machucar os ouvidos. Eu prefiro os headfones, mesmo ficando um pouco ridículo na rua. 6. Não usar o fone ao dormir, pois nesse momento a audição precisa se recuperar dos ruídos acumulados durante o dia. E, por experiência própria, eles machucam o seu ouvido se essa prática for repetida diariamente, causando uma dor de ouvido muito desconfortável. Caso alguém já tenha usado e abusado dos fones, ou utilize bastante a palavra “quê?”, seria ideal que visitasse o otorrinolaringologista e fizesse o teste de audição chamado Audiometria.Como um grande amigo meu fala: só se dá valor depois que se perde a audição. SINTONIZA MANÉ | ANO 1 | N. 1 | AGOSTO 2O13

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DESTAQUE

Ele fez e faz história

Você conhece a trajetória do rádio até chegar na ilha?

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Como começou?

Onde foi a primeira instalação no Brasil?

A rádio surgiu através de uma curiosidade seguida da descoberta matemática das ondas eletromagnéticas, hoje conhecidas como Ondas de Rádio. Muitos cientistas, com o passar dos anos, contribuíram com suas teorias e experiências para o aprimoramento dessa tecnologia, tendo como principal pesquisador Henrich Rudolph Hertz, que foi quem comprovou na prática a existência dessas ondas e que elas poderiam ser transmitidas. Daí vem a unidade de frequência Hertz em sua homenagem.

Oficialmente, no Rio de Janeiro, em 1922, comemorando o centenário da Independência. A princípio, a rádio tinha cunho apenas educativo, e seu lema era levar a cada canto um pouco de educação, ensino e alegria. Mas esse lema tornou-se uma contradição, já que o público da rádio era somente a elite, e não quem realmente precisava de acesso à educação. Passou-se a ouvir mais músicas, na maioria eruditas, propiciadas por discos dos próprios ouvintes.

Acredita-se que o brasileiro Roberto Landell de Moura foi quem fez a primeira transmissão de fala por ondas eletromagnéticas, mas no primeiro mundo negam essa afirmação. O rádio foi primeiramente utilizado pela própria Marinha brasileira já com o propósito de comunicação.

Nasceu em meados dos anos 20, por João Medeiros Jr., que fundou a Rádio Clube de Blumenau, a primeira do estado. A programação consistia em anúncios e músicas, escolhidas pelos ouvintes no programa Peça Sua Música e dedicadas a amigos(as) e namorados(as).

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E em Florianópolis?


Diferença entre rádios AM e FM O que difere o sinal de rádio AM (amplitude modulation) do de FM (frequency modulation) é a forma como as ondas sonoras (voz e música) são transmitidas. No AM o som é modulado de acordo com a sua amplitude, assim o sinal transmitido tem maior ou menor amplitude de acordo com a onda sonora original. A frequência em que o som é modulado é a mesma transmitida pela antena da rádio. No FM a modulação das ondas sonoras é feita variando a frequência de acordo com a amplitude do som original. Assim, para amplitudes maiores do som a frequência será maior, e para amplitudes menores a frequência será menor. Após a modulação esse sinal é somado a uma frequência de transmissão, que é a que sintonizamos no rádio.

E hoje, como funciona a seleção das músicas?

Sintoniza mané

As músicas que tocam na rádio não são escolhidas aleatoriamente. Existe uma programação pré-selecionada de acordo com os períodos do dia. Por exemplo, na Itapema FM, às 17 horas, a programação é calma e relaxante, ideal para o ouvinte que está saindo do trabalho. O públicoalvo também é um fator determinante, pois a rádio foca em contribuir de maneira coerente em cada momento do cotidiano do seu público.

Veja algumas recomendações de programas de acordo com o seu gosto. Se você gosta de...

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Programetes que traduzem a identidade cultural da rádio: representam em média 70% da programação; definem o estilo da rádio e determinam o público-alvo; são planejados pelo coordenador de produção artística. Programetes com participação do ouvinte: o ouvinte liga para a rádio ou manda um e-mail (carta, anteriormente) pedindo a música ou a sequência de músicas (de acordo com cada programete) que gostaria de ouvir, respeitando sempre a filosofia da rádio. Programetes que atendem aos interesses comerciais de gravadoras: a gravadora disponibiliza suas músicas para rádios parceiras (jabá) e financia certos programetes em troca da execução de determinadas faixas em que haja interesse de divulgação, além de disponibilizar Cds e brindes para sorteio.

· viajar no passado Programa: Rádio: Itapema FM Frequência: 93.7 Dias: diariamente Horário: 11 h · dar boas risadas Programa: Pretinho Básico Rádio: Atlântida Frequência: 100.9 Dias: de segunda a sexta Horários: às 13 h e às18 h · aquecer para a balada Programa: Rádio Pachá Rádio: Jovem Pan Frequência: 101.7 Dias: sábado Horário: das 20 h às 22 h

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Gabriela Matos Nathália Santos e Paula Volpato

Ouça Sonífera Ilha, dos Titãs

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OPINIÃO

Clássico da sintonia

Todos os dias milhões de pessoas sintonizam o rádio. Contudo percebemos algumas mudanças, pois o rádio como conhecemos hoje se modernizou, e também perdeu alguma tradição e magia de outros tempos.

As décadas de 80 e 90 do século passado foram muito marcantes para várias pessoas de muitas gerações. Nessa época, para ser comunicador não bastava apenas a vontade; o “aspirante a locutor” precisava de certo “talento natural”, um timbre adequado à comunicação que com treinamento e técnica ia sendo lapidado até próximo à perfeição. Naquela época, não era tão simples ter um programa na rádio, não era comum um comunicador arrendar espaço em uma emissora e assim transmitir a sua própria programação. O locutor, para conquistar o seu espaço, precisava ser contratado pela emissora e ainda tinha que seguir a programação escolhida pelo coordenador, seguindo o estilo de comunicação e dicção compatíveis ao programa apresentado. Para os artistas nacionais, o mercado também não era tão aberto, dentro das programações predominava a música internacional – em cada quatro reproduções, apenas uma era nacional. Por isso muitos artistas brasileiros começaram a compor e cantar músicas em outros idiomas, além de adotar diferentes nomes, objetivando se passar por artistas estrangeiros e assim conquistar maior espaço nas rádios. Foi nesse período que surgiram Morris Albert, Christian (da dupla Chrystian e Ralph), Terry Winter, Dave Mclean, a banda Pholhas e Mark Davis, hoje conhecido como Fábio Jr. Nos anos 80, a programação era completamente gravada (em fitas, rolos e, tempos depois, em CDs e MDs) e 100% local. Apenas por volta de

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1987 alguns programas começaram a ser apresentados ao vivo. Na década de 90 surgiu ainda outra novidade nas rádios: alguns programas eram transmitidos via satélite, em rede nacional e até internacional. Atualmente algumas emissoras transmitem toda a sua programação via satélite, como é o caso da Antena 1. Nos anos 80, ainda havia distinção entre comunicador e operador de mesa; o primeiro apenas fazia a locução, enquanto o segundo era o responsável pela reprodução das fixas, vinhetas e dos efeitos sonoros. A ideia de um comunicador operador chegou a Florianópolis tempos depois, e Rui Ribeiro (coordenador da rádio Antena 1 na época) foi o primeiro a utilizá-la. Rui Ribeiro foi um grande inovador radialista na cidade, sempre acompanhando as novidades e promovendo mudanças por onde passava. No seu período de coordenação ele promoveu uma mudança total na sua emissora – a Antena 1 passou a ser uma rádio Classe A, voltada exclusivamente a um público elitizado. Enfim, todos os dias milhões de pessoas continuarão sintonizando alguma rádio, AM ou FM, seja para ouvir um clássico de Mozart ou de Bethoven ou ainda acompanhar o tradicional clássico entre o Ouça Figueirense e o Avaí. Don’t let me cry, de Mark Davis Texto Nathália Santos


Aprender é muito bom

CURIOSO

Quando se trata do universo da música sempre há fatos estranhos ou inusitados. Veja algumas revelações sobre personalidades célebres que alguns nem sonhariam, que dirá fossem realidade. Você sabia que...

o físico Albert Einstein amava a música e tocava violino?

além de Bidu Sayão o Brasil teve outra diva da ópera de renome internacional? Sim, Neyde Thomas. Ela e Luciano Pavarotti receberam a Medalha de Ouro em 1981 no concurso Achille Peri, na Itália.

Ernesto Nazareth chamava o maxixe de tango brasileiro devido ao preconceito desse gênero no Brasil?

Jacob do Bandolim, fascinado pelo som de um violino, pediu e ganhou um, mas não conseguiu se adaptar ao arco e começou a pinicar as cordas com um grampo de cabelo? Uma vizinha deu seu diagnóstico: Esse menino está querendo tocar é bandolim.

o músico Mark Davis é nada mais nada menos que o cantor Fábio Jr.? SINTONIZA MANÉ | ANO 1 | N. 1 | AGOSTO 2O13

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ENTREVISTA

Responsável por parte da movimentação da cena da bateria no Ceará, Edu Reche, músico de 32 anos, professor e diretor proprietário do Instituto de Bateria Eduardo Reche, divide conosco parte de sua história, conta sobre sua carreira, inspirações, realizações, sonhos e projetos futuros e ainda, com um brilho nos olhos, fala sobre...

Uma vida permeada de música 12

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Há quanto tempo você tem a escola em Floripa?

Como você vê o mercado da música atualmente?

Faz dois meses que a gente abriu a escola aqui em Floripa, mas ela já existe há dezesseis anos.

Eu vejo o mercado da música como o de qualquer outra profissão. Na verdade, existem bons profissionais e profissionais medíocres. Tem gente que fala: Ah, é muito difícil trabalhar com a música, é complicado, mas vou te falar, se você for um bom profissional, se trabalhar direito, tiver especialização, você vai ter seu espaço. Então é assim que eu vejo o mercado, de maneira promissora, mas ainda há muito o que mudar.

Você tem esposa e filhos? Esposa sim, a Cláudia, filhos ainda não, por enquanto. A Cláudia trabalha aqui comigo, ela cuida da parte administrativa e eu da parte pedagógica, dos outros professores e da metodologia. Ela costuma dizer eu cuido da parte chata, da papelada, mas alguém tem que fazer essa parte. Onde você nasceu? Eu nasci em Chapecó, sou do Brasil, né, mas moro em Floripa. Já morei no Paraná por dez anos, minha esposa é de Cascavel e foi lá que a

E a sua esposa, Cláudia, também está envolvida nesse ramo musical? Sim, na verdade, foi com a música que nós nos conhecemos, em uma apresentação que eu fiz. A Cláudia é formada em contabilidade e cuida de toda a parte administrativa. Ela toca um

“Se você for um bom profissional, trabalhar direito, tiver especialização, você vai ter seu espaço” minha história como músico, baterista, começou. Também foi onde nos conhecemos e nos casamos, depois fomos para Fortaleza e abrimos uma escola de música. Por que Fortaleza? Porque é uma cidade que tinha uma carência muito grande em relação a música e eventos. Nós movimentamos a cena musical de Fortaleza, levando eventos internacionais e grandes músicos. A nossa escola, além de oferecer aulas de bateria, também promovia eventos ligados a música, bandas, guitarristas, bateristas... Foi algum tipo de carência que fez com que vocês viessem para Florianópolis? Também. Além de ser uma cidade bastante promissora, é uma capital que ainda está crescendo, então temos muito espaço para música e novos músicos vindo para a cidade.

pouco de flauta e de bateria, o que é importante para atender melhor os clientes. Há quanto tempo você toca? Toco desde os quatorze anos, já comecei velho. Na verdade, hoje em dia você ouve: Ah, comecei a tocar com três, quatro anos, muito precoce. Normalmente a adolescência é o momento em que a gente, o ser humano, desperta pra música. Você já tocou em bandas, já lecionou algum outro instrumento? Eu toco um pouco de teclado e violão, porque isso faz complemento ao meu instrumento na hora da composição com outros músicos, mas eu só leciono bateria. Ouça Já trabalhei como músico de Hey You, banda, de estúdio, já fiz gravações, do Pink trabalho bastante com workshops Floyd e masterclass. SINTONIZA MANÉ | ANO 1 | N. 1 | AGOSTO 2O13

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Que tipo de som você toca? De tudo, sou bem eclético. Na verdade, quando você é um baterista de estúdio, você tem que tocar todo tipo de música. Vão te chamar pra você gravar heavy metal ou samba. É claro que cada músico tem sua especialidade, mas é importante conhecer um pouco de tudo, até pras aulas, né? A minha especialidade é a música brasileira, até porque eu morava no Nordeste, então era muito forte essa parte regional, do maracatu, do samba, do frevo... E claro que, eu acho, na veia de todo músico tem a parte roqueira... Já toquei muito em banda de rock, comecei tocando em banda de rock. A bateria chama, né? Como você se sente trabalhando com a música? A música é minha realização, trabalhar com a música é fantástico, é muito prazeroso. Fazer música é tudo, e a escola tem um bom retorno, apesar de ainda estarmos iniciando aqui em Florianópolis. Nas bandas que você tocou, já foi gravado algum CD? Sim. Já fiz gravações e shows. Vocês não vão conhecer os CDs porque eles são regionais, e eu morava em Fortaleza e no Paraná. No caso dos bateristas, existe alguma diferença entre tocar em um show ou fazer uma gravação no estúdio? Sim. Existem bateristas que só tocam em shows e os que só tocam no estúdio. A forma de tocar é diferente. No show é mais performance e na

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gravação você tem que ser mais certinho, tem que ter uma precisão muito maior. Qual a sua formação dentro da música? Você tem faculdade ou estudou em alguma escola? Eu não fiz faculdade de música, até porque nas cidades onde morei não tinham cursos específicos para o meu instrumento. A minha formação é de cursos livres, eu fiz bastante especializações, até com músicos internacionais. Como você aprendeu a tocar bateria? Eu comecei a tocar com um amigo meu, que sempre me incentivou e começou a me passar alguns exercícios. Depois eu fui para uma escola de música, porque com um bom professor você tem um desenvolvimento no instrumento. Existe algum preconceito em relação às pessoas que trabalham com música? Na verdade, existe. As pessoas me perguntam com o que eu trabalho, e eu respondo que sou músico, e elas perguntam: Tá, mas fora a música, o que você faz?, e eu respondo: Eu sou músico. Existem ainda aqueles pais que dizem que seus filhos não serão músicos, pois acreditam que a música é só um hobbie, e que seu filho irá fazer outra faculdade. Acho legal que meus pais sempre me incentivaram a seguir a carreira musical, sendo que foi meu pai que me deu meu primeiro instrumento. E entre os músicos, existe preconceito? Às vezes rola um preconceito, mas não em relação a ter ou não um diploma de faculdade. O que importa é você saber executar o seu instru-


mento, ter o conhecimento. Acho que é importante você estudar outros instrumentos além do que você toca. Por exemplo, o guitarrista deve estudar a bateria, pois é um instrumento rítmico. A ideia de montar a escola foi sua? Como você a montou? A ideia foi minha, e eu montei na força de vontade mesmo. Eu comecei devagar, dando um passo de cada vez, com uma salinha pequena, dando aulas só de bateria, até que eu tive a necessidade de mais uma sala e assim a escola foi crescendo. Mesmo no começo, eu pensava: Eu tenho uma escola, ela é pequena, mas é minha escola. Quais aulas a escola oferece? Somos especializados em bateria, mas nós também oferecemos aulas de violão, guitarra, teclado, canto, etc.

Foi criada uma lei que obriga o ensino de música nas escolas até o nono ano. O que você pensa sobre isso? Eu apoio totalmente. Deveria ser obrigatório não só até o nono ano, mas até o final da formação, porque desde criança você cria esse amadurecimento musical que às vezes um adulto não tem. É muito importante, porque desenvolve a coordenação motora, a memória, e eu tenho vários casos em que o estudo da música acaba ajudando no colégio. Um músico precisa ser criativo? Sim, o músico tem que ter muita criatividade, mas também é importante ter uma bagagem musical. Quanto mais você ler e estudar, mais vocabulário e recursos você ganha para te ajudar na hora de fazer música.

“O que importa é você saber executar o seu instrumento, ter o conhecimento” A escola oferece algum diploma aos alunos? Essa escola é de curso livre, mas a cada nível que o aluno vai passando ele ganha um certificado. Quais requisitos os professores têm que ter para trabalhar aqui na escola? O mais importante aqui é a didática. Não adianta só saber tocar, pois, várias vezes, eu já vi músicos que tocavam muito, mas não conseguiam transmitir ao aluno o que sabiam. Tem que ter a parte teórica e a técnica também, que a gente acaba aliando com a prática, para que o aprendizado seja melhor. Você acha que um professor de música precisa ser músico? Qual a diferença do músico para o professor de música? Na verdade, não tem diferença, porque o professor precisa ser músico. Nem todo músico consegue ser professor, mas todo professor tem que ser músico.

Como você define sua relação com a música? Eu sempre vejo a bateria ou a música como se eu estivesse contando uma história. Eu tenho que contar essa história de um jeito que seja agradável para todos. A minha história tem que ser interessante para que os outros se interessem no meu instrumento, em me ver tocando. O músico tem que transmitir o que está sentindo para o público e é por isso que ele faz tantas caretas ao tocar. Para que não seja uma coisa mecânica, tem que levar os dois juntos: o feeling e a técnica.

Paula Volpato Amanda David, Fernanda Soccal e Nathália Santos

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Helena Macedo e Catarina Corrêa

CRÔNICA

Gabriela Matos

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De cigarras e de formigas Todos já ouvimos, enquanto os olhos pesavam ao som da melodiosa voz materna, a famosa história da cigarra e da formiga. Há duas versões para essa fábula, no entanto apenas um aprendizado: o de que os músicos e os artistas são as portas da alma. E você, leitor? Deixaria uma cigarra entrar em sua casa? Em uma quarta-feira à tarde, o que era para ser uma simples entrevista com um músico de rua tornou-se uma experiência única, afinal, conhecemos seu Adi. Adi que, segundo ele, significa “adição, positivo”. Ele é uma das muitas cigarras nas ruas de Florianópolis que não enxergamos. E as formigas que por ele passam, quando o enxergam, não o veem. Segundo a simbologia, a cigarra é contraditória, pois representa luz e obscuridade, pela alternância do seu silêncio durante a noite e do seu estridular ao calor do sol. Seu Adi, assim como na fábula de Esopo, é considerado uma imagem de negligência e de imprevidência. Quando será que nós, formigas, abriremos as portas dessa sociedade capitalista para que as cigarras entrem e tornem o

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inverno mais agradável? Ou será que as deixaremos à mercê da morte? Como poucas insistentes cigarras, seu Adi teve seus momentos de glória. Assim como um personagem machadiano, seu Adi transformouse ora em um filósofo, ora em um mendigo, ora em um músico. Não seria incoerente comparálo com Rubião, que foi ora filósofo, ora mendigo e ora herdeiro, porém, assim como seu Adi, foi levado à loucura após perder quase tudo, menos sua filosofia. Hoje, seu Adi toca nas ruas e espera que alguém o veja assim como o viam quando tocava nas noites quentes de clubes famosos, não com uma visão de cima para baixo, majoritariamente pejorativa, mas com visão de mesma altitude. Que formigas hoje, caro leitor, deixariam a cigarra entrar em suas Ouça casas e aquecer o seu inverno? Maluco Beleza, de Raul Seixas


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Vítor de Souza e Maria Screminn

EVENTOS

Festivais de música Durante a ditadura militar, surgiram os primeiros festivais de música no Brasil. Muitas das canções apresentadas nesses festivais manifestaram indignação à situação político-social do país. A música, na época, vinha carregada de metáforas e ironias ou ainda de palavras aparentemente sem sentidos, com o intuito de driblar a censura. Mas, assim como a ditadura, os festivais naquele modelo também chegaram ao fim. Hoje, em pleno século XXI, os festivais de música apresentam outras propostas: entretenimento, divulgação de novos músicos, ritmos, etc. Foi com essa nova roupagem que, durante dois meses de 2013, aconteceu um festival em Tubarão, sul de Santa Catarina, a fim de entreter os trabalhadores e estudantes em seus horários de almoço e descanso, valorizando e incentivando a produção cultural e musical dos artistas da cidade. Ao longo dos meses, quinze bandas se inscreveram e seis foram selecionadas para se apresentar em horários e locais estratégicos. Entre as bandas estavam: Gabriel da Dete, The Courtz, Interruptores, Grupo Emanuel,

Estranhos em Comum e Jorge Dó. Foram muitos os gêneros musicais, do reagge ao rock. Saindo da monotonia dos estilos da “modinha”, o Rota da Música propôs ao público uma diversidade de ritmos. A prefeitura tem intenção de continuar com esse evento em outros lugares também frequentados pela população, como a Praça do Chafariz. Com o intuito de sair do marasmo cultural, serão realizadas pequenas peças teatrais e recitais de poesia nos pontos de ônibus, já que houve na cidade um período de grande escassez no âmbito artístico.

Sintonize nos Festivais · 4º Concurso de Talentos Musicais: de 16 a 20 de setembro de 2013, em Itajaí · Festival de Música de Santa Catarina (Femusc):de 19 janeiro a 1º de fevereiro de 2014, em Jaraguá do Sul · Festival Rota da Música: sem data definida, em Tubarão

Ouça Qualquer lugar, dos Interruptores

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Rosane Cordeiro

Texto

ARTIGO

Pra ver a banda passar Sabemos bem quais os caminhos para uma sociedade melhor, e a música é um deles. Quem não se lembra da cena em que um músico judeu, no filme O Pianista, sobrevive à perseguição dos nazistas devido a sua música? Ela emociona os indivíduos mais duros. Em um quartel não é diferente. Parece, no entanto, contraditório pensar em militares fardados que usam, a maioria deles, apenas instrumentos musicais. Assistimos no Centro Integrado de Cultura a um concerto da Banda da Polícia Militar de Santa Catarina. É fato que em uma sociedade problemática como a que se configura hoje tornam-se mais necessários cassetetes, pistolas e gases lacrimogêneos, utilizados para tratar as consequências para o problema, muitas vezes nada agradáveis, nem para o suspeito, tampouco

Alegria dos oficiais na apresentação no CIC em maio de 2013.

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para o policial. Já os instrumentos musicais – da flauta doce à voz – tratam da causa. Não seria esse o caminho para minimizar a violência que adoece nossos centros, em especial os urbanos? Projetos de inclusão são frequentes em centros comunitários e em escolas, no entanto a valorização do profissional das artes permanece inconstante. Fazendo-se uma analogia, fica fácil concluir por que precisamos cada vez mais de profissionais da área da saúde e da segurança pública. Estamos na contramão. A arte não pode ser secundária, ela é alimento para a alma. Logo, faz-se urgente priorizá-la e restabelecer os valores morais, contribuindo para o equilíbrio do ser humano e de seu meio. Em Florianópolis, poucas escolas e teatros são construídos, e poucos se mantêm. Em contrapartida, ouvimos todos os dias a preocupação com a melhoria de delegacias e presídios. Alguém já afirmou que, quanto menos escolas, mais presídios. É uma gradação. Sem educação, sem cultura, sem esperança, sem sonho. Enquanto aumenta o contingente de policiais armados, crescem os artistas nas ruas, nas sinaleiras, à margem e, o pior, o número de frustrados que abandonam a arte e passam a viver à mercê da própria sorte. Assim, as bandas militares sempre foram uma forma um tanto Ouça avessa de valorização da arte, A banda pois como reconhecê-la em uma de Chico instituição vista como conservadora Buarque e retrógrada? No entanto, foi o lugar


“Sonha-se que a arte desconstrua preconceitos, afinal é democrática” ideal para que alguns poucos músicos pudessem exercer, de certa forma, o sonho de cantar, tocar e reger. Logo, sempre funcionou como um meio de equilíbrio: de um lado, policiais envolvidos com a segurança, de outro, policiais a serviço do entretenimento. Triste constatar, no entanto, que a maioria dessas bandas está com os dias contados no Brasil. Grande também foi a alegria de ver praças e oficiais, civis e militares, além de crianças do Colégio Militar e professores apresentando-se juntos. Bom desconstruir o conceito de que fazer arte, em especial a música, é para despreparados e profissão de quem não tem mais o que fazer na vida. Ademais, isso mostra também que insígnias e divisas pouco importam nesses momentos, e associar a arte apenas ao lazer e ao ócio reforça ainda mais um preconceito. Vale ressaltar ainda que, em relação às crianças, só instrumentos musicais podem substituir seus brinquedos, nunca armas. Ou seja, sonha-se que a arte desconstrua preconceitos, sejam eles quais forem, afinal é democrática, todos têm voz e sua função respeitada.

AGENDA

Música na ilha 07/09: Arte Piano Trio Local: Auditório Jurerê Classic - Rua dos Lambari-Guaçu, 437 - Jurerê Internacional. Horário: 20h30. Valor: R$ 40* e R$ 20**. .

08/09: Ivan Lins Local: Teatro Ademir Rosa - CIC - Av. Gov. Irineu Bornhausen - Agronômica. Horário: 20 h. Valor: 1º lote R$ 180* e R$ 90**. .

11/09: Nenhum de Nós Local: Teatro Ademir Rosa (CIC) - Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica. Horário: 21 h. Valor: Plateia inferior R$ 70* e R$ 35**, plateia superior R$ 60* e R$ 30**. .

21/09: Tulipa Ruiz Local: Célula Showcase - Rod. SC 401, 75 João Paulo. Horário: 00h30. Valor: R$ 70* e R$ 35**. .

*Inteira. **Meia-entrada.

Por isso que ir a um espetáculo e ouvir músicos militares apresentando não só sua arte, mas seu trabalho, e encontrar o teatro lotado, ora aplaudindo, ora interagindo, não tem preço. Só faltam agora esses policiais músicos retornarem aos coretos das praças, de onde nunca deveriam ter saído. Esses músicos não podem ficar restritos às cerimônias militares, afinal a sociedade precisa ver a banda passar, cantando coisas de amor. Izabela Serpa

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Helena Macedo

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MERCADO

Profissão de músico Quem você conhece que vive das artes no Brasil?

Seja um escritor, um artista plástico, um ator ou um músico. A grande maioria desses profissionais necessita fazer outras atividades para sobreviver. Em Florianópolis não poderia ser diferente. De médicos a engenheiros, de alunos a professores, de policiais a mestres e doutores, muitas são as carreiras e formações escolhidas por profissionais dessa área para poderem sobreviver. Muitos artistas profissionais já ouviram um comentário como: Você é artista? Que interessante, mas trabalha com o quê? Essa pergunta, ainda muito frequente, surge da época em que ser músico, ator, escritor etc. nada mais era do que um hobby. Uma época em que nenhum pai apoiaria que seu filho seguisse uma carreira de “diversão” e “brincadeiras”, ou simplesmente uma carreira artística. Porém, essa visão vem mudando ao longo dos anos. Em 2008, foi aprovada a lei n°11769, que obriga o ensino de música no Ensino Fundamental. Além disso, atualmente uma formação em Música não é mais uma vergonha ou uma opção para “vagabundos”, como era considerado há não muitos anos. Em realidade, o curso exige conhecimento prévio e muitas horas de estudo, já que nele não é ensinado apenas o manuseio de um instrumento, como também a teoria e a percepção da música. Muitas são as possibilidades para esses profissionais, da produção musical à licenciatura. Logo, a profissão deixou de ser apenas um hobby, aperfeiçoou-se, tornando-se uma boa escolha profissional para os amantes das artes. Portanto, se você tem interesse em se profissionalizar nessa área, há duas opções: um curso de

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bacharelado, que, segundo o MEC, confere ao diplomado competências em determinado campo do saber para o exercício de atividade acadêmica ou profissional, ou a licenciatura, a qual prepara o estudante para ser professor. Em Santa Catarina, a Udesc oferece cursos de bacharelado em Piano, Violão, Violino, Violoncelo, além da licenciatura. Em Itajaí, a Univali dispõe de cursos de bacharelado em outros instrumentos, incluindo Técnica Vocal. Enfim, se você, Mané, pretende seguir essa carreira, lembre-se de que a formação faz-se necessária, a fim de que possa escolher as muitas possibilidades que essa profissão lhe oferece para não ficar apenas à mercê de uma mesa de bar. Então, sintonize-se no guia a seguir.

Guia básico O que fazer? Produzir e atuar, sozinho ou em conjuntos (bandas e orquestras), em shows, concertos e eventos. Pode compor músicas para cinema, comerciais e jogos ou ainda ensinar. Onde atuar? Em bares, casas de show, orquestras e escolas, incluindo conservatórios e universidades. Qual o perfil profissional? Deve ter disciplina para estudar e aperfeiçoar sua técnica. Ser paciente e conseguir trabalhar em equipe. Qual é o salário? Dependendo da função e do renome, varia de acordo com a quantidade de horas, o cachê e o contrato. Um músico de orquestra pode ganhar mais de R$10 mil reais mensais.


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Amanda David e Fernanda Soccal

ENSINO

Escolas de música Veja algumas opções em Florianópolis para aprender

A cidade de Florianópolis é muito conhecida por sua beleza natural e bastante procurada para o turismo e por aqueles que buscam novas oportunidades e experiências. No entanto, a capital catarinense é muito criticada pela falta de eventos culturais, mas talvez não deixe tanto a desejar quanto muitos pensam. Basta dar uma navegada na web para encontrar várias opções de cinemas, teatros, shows, concertos, bares, para os que curtem música. E para os que querem aprender ou praticar, há várias opções de escolas. Se o seu negócio é bateria, nada melhor que o Instituto de Bateria Eduardo Reche. Para quem procura aulas de canto ou pretende aprimorar sua técnica vocal, boas das opções são aulas com as professoras Cláudia Todorov e Claudia Ondruzek. Agora, se você ainda não sabe o que quer, mas gosta de música, aí vão algumas opções no centro da cidade: Escola Compasso: existe desde 1995 e oferece várias

modalidades musicais, como aulas de flauta, piano, teclado, violão, guitarra, clarinete, baixo e percussão; Instituto Rafael Bastos: é uma escola que utiliza o método EM&T (Escola de Música e Tecnologia); oferece aulas de guitarra, violão, contrabaixo, bateria, teclado, piano, saxofone e outras. Ainda em Florianópolis, mas saindo do Centro e indo para o bairro Córrego Grande, temos a escola Allegro Vivace, que atua há mais de vinte anos oferecendo cursos de piano, teclado, violão, clarinete, oboé, gaita, violão, cavaco e outros mais. Além dessas escolas, ainda há outras, como a Fazendo Arte, o Centro Musical Talentos, o Conservatório Catarinense de Música e Arte, a Camerata Florianópolis, a GTR Floripa, e a Escola de Música Opus. Ouça Minha música, de Adriana Calcanhotto

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P U B L IC ID A D E


Sintoniza Mané