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I N F O R M AT I V O O F I C I A L D A U N I Ã O N A C I O N A L D O S E S T U D A N T E S - J U N H O 2 0 1 2 - W W W . U N E . O R G . B R

PELO BRASIL

PARTICULARES

Veja como foi a jornada histórica dos estudantes com a Caravana UNE Brasil+10 que percorreu todo o território nacional

UNE organiza protestos em diversas universidades privadas contra o resjuste abusivo das mensalidades e o desrespeito aos estudantes

CULTURA

Vem aí a 8ª Bienal da UNE, o maior festival estudantil da América Latina. Será em Recife e Olinda no verão de 2013. Vai ficar de fora?


editorial ABC do Movimento Estudantil OCLAE - Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes É a maior entidade dos estudantes na América Latina. Todas as entidades nacionais dos países latino-americanos são filiadas a ela. Sua sede fica em Cuba, onde a UNE mantém um representante para levar as lutas e bandeiras dos estudantes brasileiros.

Universidade mobilizada para virar a página! Daniel Iliescu

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rasil, junho de 2012. Vinte anos após o mundo se reunir aqui para discutir o futuro, o nosso país é novamente protagonista nesse momento de reflexão e planejamento para o planeta, com os encontros da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. Os olhos voltados para cá encontram um país de mudanças que, apesar dos avanços sociais, ambientais, educacionais e nas suas políticas de juventude nos últimos anos, apresenta uma vergonhosa realidade social, com injustiças de todos os tipos, um sistema de educação danificado e insuficiente, políticas econômicas ainda ortodoxas e pouco sensíveis ao desenvolvimento humano. O papel que a União Nacional dos Estudantes e o movimento estudantil têm a desempenhar nesse momento é decisivo para que o Brasil consiga, de fato, virar a página. A grande mobilização e efervescência nas universidades do país refletida na importantíssima greve dos professores das federais ou na Caravana Brasil+10, que a UNE realizou em instituições públicas e particulares de todas as regiões brasileiras, representam talvez o mais urgente debate nacional no momento, o debate sobre a educação. Em tempos de Rio+20 e tantos pensamentos mundiais sobre a sustentabilidade, sabemos que nenhuma nação se sustenta sem educação de qualidade 2 | NOSSA VOZ

e acessível para todos. E entendemos também a grande relevância da educação para a preservação do meio ambiente e a cultura de práticas mais sustentáveis. Essa é a grande justificativa para a nossa reivindicação máxima nos últimos anos: 10% do PIB e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação. A UNE completa seus 75 anos, no próximo mês de agosto, sabendo da sua responsabilidade com essa pauta. Orgulhando-se de ter participado centralmente nos principais episódios da vida nacional desde o século passado, a entidade espera, agora, mudar o Brasil a partir de um novo projeto para as instituições de ensino, que contemple mais democracia, mais assistência estudantil, garantias salariais para professores e outros funcionários, respeito à diversidade, ampliação ainda maior do acesso e garantia da qualidade. Dentro de dez anos celebraremos os 200 anos da independência oficial do país e sabemos que, até lá, o Brasil continuará em foco mundialmente. O movimento estudantil precisa de muita unidade e muita maturidade para participar na definição dos rumos desse novo Brasil, de forma a deixar para os outros países um exemplo de democracia socialmente justa, inclusão, respeito ao meio ambiente e aos cidadãos. Para lutar por tudo isso, a UNE continua sendo a nossa voz. Ainda somos nós. Vamos vencer!

UNE - União Nacional dos Estudantes É a entidade máxima de representação dos estudantes universitários e um dos mais antigos movimentos sociais brasileiros, com 75 anos de vida. Congrega todos os CAs, DAs, DCEs e todas as Uniões Estaduais de Estudantes do País. UEE - União Estadual dos Estudantes Representa os estudantes universitários do estado e é diretamente ligada à UNE. Executivas de curso Popularizadas pelos grandes encontros que realizam e a participação nos eventos de pesquisa, são as entidades que organizam nacionalmente os estudantes de determinada área/curso. DCE - Diretório Central dos Estudantes É a entidade que reúne todos os alunos de todos os cursos de uma universidade para representar seus interesses, suas ideias, solucionar problemas e reivindicar os direitos dos estudantes. CA - Centro Acadêmico É a entidade que reúne os alunos de um determinado curso ou um departamento da universidade, para representar seus interesses. DA – Diretório Acadêmico É o mesmo que Centro Acadêmico. A única diferença é que em alguns casos o DA representa o conjunto de cursos de uma determinada faculdade. Exemplo: DA de Comunicação representa os cursos de Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas e outros relacionados. CUCA - Circuito Universitário de Cultura e Arte Núcleo de produção, debate e experimentação cultural que compõe a rede nacional de cultura da UNE, aliada ao projeto das Bienais.


GREVE NAS FEDERAIS

TODOS UNIDOS POR UMA NOVA UNIVERSIDADE! UNE apoia movimento dos docentes, convoca mobilizações, reforça as bandeiras dos estudantes e defende a reforma universitária em todo o território nacional

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mês de maio de 2012 ficou marcado pelo espírito de luta de estudantes, professores e funcionários da universidade pública brasileira, mobilizados em favor da educação do país. A greve dos docentes, apoiada pela UNE e pelo conjunto do movimento estudantil, assim como o indicativo de greve dos servidores, é um dos principais reflexos dessa agitação. Mais do que isso: em nota a UNE afirma que “Neste momento de acirramento das lutas na universidade, na qual os estudantes têm empreendido um constante processo de mobilizações, enxergamos no movimento conjunto da comunidade acadêmica a possibilidade de vitórias para os estudantes, para toda a universidade e para todo o Brasil”. Para além do importantíssimo debate sobre o plano de carreira na docência, o que está em jogo é o novo projeto para o ensino superior que se deseja para o Brasil. As mobilizações também acontecem em meio à votação de um novo Plano Nacional de Educação (PNE) e à luta pela redução das abusi-

vas mensalidades cobradas pelas universidades privadas. Desde a deflagração da paralisação nacional por tempo indeterminado, anunciada no dia 17, mais de quarenta e nove das cinquenta e nove instituições federais suspenderam suas atividades, enquanto trinta delas declararam greve estudantil. Para o presidente da UNE, Daniel Iliescu, este é um momento de extrema importância para a educação no país. ‘’O movimento estudantil está fortemente mobilizado, em defesa de um projeto mais claro para as universidades federais. A UNE apoia totalmente a greve dos professores, e, além disso, realiza um esforço para dar nitidez às suas próprias pautas, fazendo com que sua voz também seja ouvida’’, declarou. Nesse cenário, os estudantes reivindicam a triplicação das verbas destinadas à assistência estudantil, a contratação de mais professores e servidores técnicos administrativos para cada instituição, a implantação de um plano para conclusão das obras de infraestrutura que estão paradas nas universidades, a paridade nas eleições da reitoria, e a exi-

gência de 10% do PIB e 50% dos royalties do Pré-sal a ser investidos em educação. Já os docentes reivindicam a implementação do novo plano de carreira e melhores condições de trabalho a fim de cessar a contradição da expansão do ensino superior que ocorre sem recursos suficientes. Tal reivindicação tem o apoio dos estudantes, visando assegurar a qualidade da educação em todo país. Segundo o presidente da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE –MG), Rafael Leal, a grande adesão dos estudantes ocorreu também devido aos cortes realizados na educação. ‘’O governo pratica uma política macroeconômica que utiliza o PIB para pagamento da dívida pública em detrimento a educação. Portanto, as paralisações propiciam o debate da questão educacional potencializando a luta que há anos vem sendo realizada pela UNE, por uma universidade pública e de qualidade’’, contou. Em Minas Gerais, estado com maior número de instituições federais do país, apenas uma universidade não participou da greve.

UNE EM DEFESA DA EDUCAÇÃO E DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA A UNE estabeleceu um Comando Nacional de Lutas Estudantis, para fortalecer as mobilizações nas universidades. Participar deste movimento para transformar esta realidade é somar forças para a real mudança desse cenário, a começar pela universidade, garantindo mais mentes e projetos a serviço do desenvolvimento do país.

+ Financiamento

Aprovação de um PNE democrático que garanta investimentos de 10% do PIB para a educação e destinação de 50% dos royalties e do Fundo Social do Pré-Sal para a educação.

+ Infraestrutura

Plano emergencial para conclusão das obras de infraestrutura do REUNI.

+ Assistência Estudantil

+ Restaurantes Universitários e moradias estudantis

Ampliação dos restaurantes universitários e moradias estudantis e construção onde não existam.

+ Democracia

+ Valorização dos professores e servidores técnicos-administrativos

Gestão democrática com paridade nas eleições para reitoria e órgãos de decisão da universidade.

Reajuste salarial e reestruturação do plano de cargos e carreiras.

+ Contratações

+ Reforma Universitária

Ampliação imediata dos investimentos em assistência estudantil para 1,5 bilhão de reais.

Contratação de sete mil novos professores e servidores técnico-administrativos.

Aprovação de uma Reforma Universitária que democratize e valorize o papel do ensino, da pesquisa e da extensão.

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une brasil + 10

CARAVANA PERCORRE O PAÍS, RECICLANDO A HISTÓRIA, OS SONHOS E OS PROJETOS DA JUVENTUDE Foram 52 cidades, 73 universidades, mais de 20 mil estudantes e muitas ideias para o Brasil que queremos daqui a 10 anos

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nde você estará dentro de dez anos? Qual será a realidade do seu país e da sua população? Como será a universidade e a escola pública? Quais serão as oportunidades para as juventudes de norte a sul? Motivada por essas questões e pela vontade de fortalecer as lutas estudantis de todo o país, a União Nacional dos Estudantes realizou, neste primeiro semestre de 2012, mais uma edição das suas ousadas caravanas estudantis, que desde os anos 60 circulam por todas as regiões do território nacional a fim de alinhar os olhares e esperanças dos jovens em relação ao futuro do país. A Caravana “UNE Brasil+10”, que foi também replicada na iniciativa local de algumas Uniões Estaduais dos Estudantes (UEE’s), ocorreu durante os meses de março, abril e maio. Ao todo, foram contempladas 52 cidades de 16 estados

brasileiros, levando debates e atividades culturais para mais de 20 mil estudantes. Como ideia principal, a Caravana propôs pensar o Brasil em uma década, no ano de 2022, quando comemora-se 200 anos da independência oficial. Segundo a vice-presidente da UNE, Clarrisa da Cunha, foi um momento importante de afirmação das diferenças e necessidades da juventude brasileira. “A Caravana da UNE, além de sintonizar as bandeiras gerais pela educação de qualidade e pelo desenvolvimento nacional, possibilitou o fortalecimento nacional das lutas de mulheres, negros, indígenas, do debate sobre a diversidade sexual e outros temas indispensáveis para desenhar a universidade que queremos daqui a 10 anos”, afirma. Em cada visita, foram realizados os Aulões Brasil + 10 - grandes encontros nos quais especialistas como Marcio Pochmann, Luiz Gonzaga Belluzzo e Enio Candotti ministraram aulas em

universidades federais sobre temas diversos - blitz estudantis, lutas por pautas específicas de cada universidade e encontros de estudantes prounistas nas particulares, quando beneficiados do programa debateram seus avanços e carências. O debate em torno da cultura também permeou as atividades das caravanas, seja com encontros do CUCA, para pensar formas de fortalecer as conexões culturais no país, seja com shows e cortejos, sempre valorizando a arte local de cada região. “O CUCA representa uma bandeira de luta pelo respeito à diversidade cultural do país. Nessa caravana, a UNE traz temas que mostram não somente a história de luta dos brasileiros, mas também quais são os elementos que unificam e caracterizam a nossa identidade cultural, visando o desenvolvimento”, explicou a coordenadora da caravana, Virgínia Barros.

Luiz Gonzaga Belluzzo e Márcio Pochmann no Aulão+10 realizado na Faculdade de Economia da USP

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Ceará: Público lota e retoma a Concha Acústica da UFC na atividade cultural da Caravana da UNE

Manaus: Público assiste ao Aulão+10 com o expresidente da SBPC, Ennio Candotti, na UFAM

s s e e r s o a Fr ated b e d

Sérgio Gabrielli, expresidente da Petrobras – UFBA/Salvador

Fred Zero Quatro, do mundo Livre s/a – UFPE/Recife “Penso um Brasil onde cada cidadão vai ter mais autonomia e pensar por si próprio, e não pela mídia, por meios de comunicação, que são propriedades privadas. Penso também ao mesmo tempo essa noção de consumo sustentável e coletividade”

Luiz Gonzaga Belluzzo, economista – FEA-USP/ São Paulo “Temos que elevar o nível de compreensão do povo em relação a sua realidade. A verdadeira luta pela democracia passa pela luta da democratização da comunicação”

“A manutenção do crescimento envolve recursos de investimento na educação. Quanto mais acesso à informação e mais acesso à educação formal, mais as pessoas terão capacidade de utilizar das oportunidades. Dar oportunidade ao máximo às pessoas é avançar estruturalmente na mudança da sociedade e o que nós vivemos nos últimos dez anos – o PROUNI foi uma revolução nas universidades”

Ennio Candotti, ex-presidente da SBPC – UFAM/Manaus “É importante sentar e discutir o Brasil daqui a 10 anos, pensar um projeto de renovação e reforma do país, que é absolutamente necessário. Precisamos pensar em desenvolvimento com sustentabilidade”

Salvador: O ex-presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, fala no Aulão+10 em Salvador, na UFBA

Fátima Bezerra, deputada federal, UFRN/Natal “Estou com a UNE na luta pelos 10%. Temos que pressionar mesmo para que avancemos ainda mais e mudemos a cara do país com mais recursos para a educação. Por isso, vamos também defender os 50% do fundo social do Pré-sal”

Lúcio Flávio Pinto, jornalista, UFPA, Belém “E temos no Brasil uma tradição repressiva de valorização do conhecimento e da inteligência. Nosso problema é histórico e cultural”

Helena Nader, presidente SBPC – UFPR/Curitiba “Investimento é educação, ciência e tecnologia. O resto é gasto. Todo estudante brasileiro precisa abraçar essa causa. Saiam às ruas pela educação!”

Márcio Pochmann, presidente IPEA – FEA-USP/São Paulo “Não queremos que o Brasil tenha uma trajetória de vôo de galinha. Para a próxima década os desafios são mais complexos. Temos de colocar em primeiro lugar o enfrentamento dos bancos”

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CAMPANHA

UNIVERSIDADE PRIVADAS: MAIS QUALIDADE, MENOS MENSALIDADES! RESPEITO AOS ESTUDANTES BRASILEIROS! Mobilizações da UNE, UEEs e outras entidades aumenta em todo o Brasil para barrar a ganância e cara de pau dos empresários do ensino superior privado

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uem é estudante de universidade particular no Brasil, muitas vezes, encontra desafios inimagináveis para concluir seus estudos. Além de trabalhar duro, conseguir empréstimos e passar um grande perrengue para manter-se na sala de aula, volta e meia lidam com a ganância criminosa e a cara de pau de alguns empresários do setor, donos de instituições de norte a sul. Mensalidades abusivas, demissões para aumentar os lucros, cortes na qualidade de ensino são apenas algumas das situações que ocorrem por aí. Entretanto, ao contrário do que acontece com um pastel de feira ou um vestido da Daslu, a Educação é um direito básico, garantido pela Constituição Federal, e não pode ser negociada como qualquer mercadoria. Em 2012, as entidades estudantis tem se mobilizado cada vez mais para tentar alterar esse cenário. Em Minas Gerais, os estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC) se uniram contra o aumento sem justificativa de 9,8% no valor das mensalidades. Uma série de atos marcaram as mobilizações que exigiam explicações da reitoria e mais diálogos com os universitários. No Rio de Janeiro, a falta de diálogo, os aumentos abusivos de 25% e demissões na Gama Filho e na UniverCidade levaram a UNE e a UEE-RJ a ocuparem o prédio do grupo Galileo Educacional, mantenedora que adquiriu recentemente as duas instituições. “Precisamos nos unir e lutar, não vamos engolir quaisquer imposição”, defende o presidente da UEE-RJ, Igor Mayworm. Na capital paulista a situação não é

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diferente. Eleito pela UEE-SP como “Instituição de Ensino inimiga da educação”, o Grupo Anhanguera entrou na “mira” dos estudantes após realizar uma série de demissões de professores em massa, visando o lucro e aplicando um golpe fortíssimo na qualidade de ensino. Já a Universidade São Marcos foi descredenciada pelo Ministério da Educação que alega inúmeras irregularidades que comprometem o funcionamento da instituição. Sob intervenção judicial e em processo de readequação às normas, a instituição não mantém dialogo com os estudantes, que também reclamam das transferências realizadas sem consulta. Na Universidade Nove de Julho (UNINOVE) são os aumentos abusivos que vêm motivando os estudantes a uma série de apitaços com o apoio da UNE e da UEE-SP. Mesmo agredido em um dos atos, o presidente da UEESP, Alexandre Silva, garante que as mobilizações continuarão. “Um aviso aos tubarões de ensino: as entidades estudantis não se intimidarão. Pelo contrário, intensificaremos a luta”. A UNE está mobilizada, dentro das universidades, nas ruas e nas redes sociais, para exigir que os donos das instituições privadas garantam a qualidade mínima e o exercício do direito à educação. “Diante dessa realidade é necessário que os estudantes brasileiros fortaleçam a luta. Além disso, é necessário colocar o pé no acelerador na regulamentação do setor privado na educação, pois só com uma legislação rígida podemos construir uma educação de qualidade para todos os estudantes”, afirma a diretora da UNE, Luiza Lafetá.

Organize a sua turma! Forme um DA e participe do seu DCE! Outra forma de fazer frente aos abusos é construir um Diretório ou Centro Acadêmico (DA ou CA) quando não existirem. Grande parte das instituições proíbe, criminaliza ou inibe a construção de entidades estudantis. Porém, o direito de organização dos estudantes está previsto por lei.

Denuncie os abusos! Entre em contato com a ouvidoria da UNE Como todo cidadão, o aluno deve conhecer as leis de seu interesse e os mecanismos para reivindicar seus direitos. Por isso, a UNE criou a Ouvidoria do Estudante, oferecendo, gratuitamente, assessoria jurídica, orientação e esclarecimentos sobre questões de matrícula e mensalidades, meia-entrada, atuação das entidades estudantis, bolsas, financiamento, taxas irregulares, reconhecimento do curso pelo MEC, sanções pedagógicas, entre outros temas. Para entrar em contato, envie uma mensagem para ouvidoria@une.org.br


futuro da educação

Plano Nacional de Educação: pressão máxima pelos 10%! Projeto está em tramitação no Congresso Nacional há vários meses; movimento estudantil se diz extremamente preocupado com o atraso para a aprovação

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futuro educação brasileira tornou-se, nos últimos anos, a principal e mais unificada pauta do movimento estudantil, em todas as suas vertentes. A reivindicação que mais ganhou peso, durante esse tempo, foi a aprovação do Plano Nacional de Educação brasileiro (PNE) com garantia dos 10% do PIB investidos no ensino público. O PNE foi desenvolvido pelo governo federal a partir da última Conferência Nacional de Educação, que reuniu estudantes, professores, funcionários, ONGs, sindicatos e representantes do poder público para definirem as principais carências e desafios do setor. Trata-se de um planejamento educacional para o país nos próximos 10 anos. No entanto, de acordo com o presidente da UNE, Daniel Iliescu, para que o projeto de fato mude a cara da educação brasileira é preciso pressão popular e garantia da aprovação adequada do Plano no Congresso Nacional. “Já se passaram muitos meses desde que o PNE foi apresentado no legislativo, já ocorreram diversas revisões no texto mas, infelizmente, não surgiram ainda os principais avanços que

precisam ser incorporados, como a questão do financiamento e a garantia dos 10%. Por parte da UNE, estamos extremamente preocupados com a demora na aprovação e com a proposta insuficiente do governo de apenas 7 ou 7,5% do PIB para a educação”, afirma. Atualmente, o poder público investe cerca de 5% do PIB no setor. Desde que o projeto foi enviado pelo MEC para o Congresso Nacional, as entidades estudantis e os movimentos educacionais lotaram os plenários da comissão especial de Educação na Câmara, em Brasília, para fazer pressão e acompanhar de perto o processo, no entanto, a votação foi adiada muitas vezes. O Plano Nacional de Educação contém 20 metas para o desenvolvimento de diversos aspectos do ensino brasileiro. Além do debate central sobre o financiamento, também está em jogo a universalização do acesso ao ensino fundamental e médio; ampliar o acesso ao ensino infantil; oferecer a educação integral em 50% das escolas brasileiras; erradicar o analfabetismo; melhorar a remuneração e qualificação dos professores e ampliar o acesso e qualidade ao ensino superior brasileiro.

HISTÓRICO DA LUTA Na Jornada de Lutas da UNE em março de 2011, a defesa dos 10% do PIB e 50% dos royalties e Fundo Social do Pre-sal para a educação já era a principal reivindicação dos estudantes de norte a sul. Esse acabou sendo também o tema do Congresso da entidade, no mês de julho em Goiânia, e da sua jornada de lutas em agosto, por todos os estados, culminando com uma enorme manifestação de 10 mil estudantes em Brasília com a presença da líder chilena Camila Vallejo. No mês de dezembro, a UNE aumentou a pressão com o acampamento #OcupeBrasília, instalando-se no gramado da esplanada dos ministérios para tentar garantir a aprovação do PNE com os 10% do PIB e 50% dos royalties e Fundo Social do Pre-sal para o setor. A jornada de lutas em março de 2012 não recuou nessa luta e, ao que tudo indica, os estudantes continuarão mobilizados até que o objetivo seja alcançado.

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Foto: Adria de Souza/Pref. Olinda

8ª bienal da une

Fred Zero Quatro em show do mundo livre s/a na passagem da Caravana UNE Brasil+10 em Recife, que agora será palco da 8ª Bienal da UNE

Recife e Olinda receberão, em janeiro de 2013, a oitava edição do maior festival estudantil da América Latina Já esquentam as preparações para essa que promete ser a maior das Bienais; com o tema “A Volta da Asa Branca”, o festival irá homenagear Luiz Gonzaga e prestigiar o nordeste e o espírito de seu povo

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o alcançar 14 anos de investigação, experimentação, comunhão de ideias, propostas estéticas e políticas para a cultura brasileira, a Bienal da UNE tornou-se um dos mais tradicionais encontros da juventude pós redemocratização do país. Considerada o maior festival estudantil da América Latina, a Bienal terá sua oitava edição em janeiro de 2013 nas cidades de Recife e Olinda. Apesar de ainda faltarem seis meses para o reencontro de jovens de todo país e do exterior, as preparações já estão esquentando pela diretoria de cultura da UNE e pelo Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA). Segundo um dos coordenadores do CUCA, Rafael Buda, a equipe do evento já será montada em agosto e no decorrer do segundo semestre serão realizadas uma série de pré-Bienais nos estados, como forma de organizar 8 | NOSSA VOZ

os estudantes e artistas em torno do tema da Bienal, e permitir que organizem suas caravanas. Além disso, ele ressalta a importância do evento para o conjunto do movimento estudantil. “Hoje temos muitos Centros Acadêmicos nos cursos de artes nas universidades públicas e privadas e todos estão dispostos a construir uma nova universidade, com politicas públicas para a cultura. Nesse sentido, a Bienal consegue organizar esse movimento artístico universitário e potencializar, a partir dela, uma serie de reflexões e ações que podem ajudar o movimento estudantil a arejar suas ideias, pensando um país mais justo e soberano”, declara o coordenador. Já a diretora de cultura da UNE, Maria das Neves, ressalta o simbolismo de realizar novamente uma Bienal no nordeste e, pela segunda vez, em Pernambuco. Em 2003, o evento aconteceu no Recife.

“O tema será ‘A Volta da Asa Branca’, permitindo uma reflexão a partir dessa música de Luiz Gonzaga, cujo centenário é comemorado em 2012. Depois de 10 anos, a UNE volta a Pernambuco para proporcionar aos estudantes brasileiros mais um encontro com a cultura popular e a história do nosso povo. Falaremos do sertão de Luiz Gonzaga que, como tantos migrantes nordestinos, saiu de suas terras para construir o Brasil e, através do forró, espalhou pelo país sua alegrias, tristezas e, sobretudo, sua esperança. Será uma Bienal emocionante”, anima-se a diretora. Enquanto as inscrições não são abertas e as caravanas montadas, vale a pena matar a saudade das outras Bienais e acompanhar todas as novidades nas redes sociais do evento. Assista a vídeos, veja fotos e conheça outros participantes do festival. Conecte-se!

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