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Em criança algum dia imaginou que viria a ser um tenor com carreira internacional? Para ser sincero isso nunca passou pela minha cabeça, em criança sempre pensei em estudar Engenharia Petrolífera. O mundo da música foi-me apresentado quando ainda era muito jovem e o meu amor pela música clássica e pela ópera foi crescendo a cada dia. O grupo coral da Igreja de Santa Bárbara no Bairro da Coreia (Camuxiba) em Luanda, onde participava, convidava para diversas actividades o cantor angolano Mário Gama. Foi quando ouvi o Mário cantar músicas sacras e clássicas que o meu interesse pelo canto lírico despertou! O Avé Maria de Schubert… maravilhoso… Mais tarde o Frei José João e o Frei João Domingos ensinaram-me a ler música e a partir daí começou o meu processo de aprendizagem. Fui convidado, algum tempo depois, para cantar na Casa 70, o Dr. Carlos Cunha tinha presenciado uma actuação minha no coro da Igreja. Foi também pela mão do Dr. Carlos que conheci o trabalho de Os Três Tenores e Andrea Bocelli, fiquei ainda mais apaixonado pelo canto.

Nelson, o que se sente ao regressar ao País Natal 12 anos depois e para dar um concerto na casa 70 onde iniciou a sua carreira? Foi uma extraordinária experiência! Nunca pensei que voltaria tão cedo, fiquei muito feliz em poder voltar ao palco onde tudo começou. A Casa 70 viu-me nascer enquanto artista e isso fica marcado na história da minha carreira. Olhando para o passado o que mais o marcou em termos profissionais? Não posso deixar de referir que o convite para cantar na Casa 70 com Percy Slage e outros cantores de renome internacional foi muito importante para mim. Cantar com Plácido Domingo encheu-me de orgulho e ficará para sempre gravado na minha memória e no meu coração. Actuar para o Sr. Presidente da República de Angola e para a Primeira Dama foi também uma honra inesquecível. Quais são as suas expectativas em relação ao futuro de Angola? Tem perspectivas de um dia regressar? O meu País está constantemente no meu pensamento e considero sempre regressar. Fico muito feliz ao ver o estado actual de Angola, sempre foi um País de extrema beleza, mas agora assistindo ao seu desenvolvimento fico muito satisfeito e orgulhoso! Gostaria que a cultura e a música Angolanas fossem difundidas pelo mundo inteiro, nós artistas queremos sempre dar o nosso contributo e Angola mora sempre no meu coração. Voltar, claro! Um dia regressarei à minha Terra Mãe. facebook.com/nelson.hebo 19

Revista Studiobox Abril 2015