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Assis Horta Retratos Assis Horta: Portraits

pesquisa e curadoria: Research and Curatorship:

Guilherme Horta


e m m e m ória a Maria Conceiç ã o Monteiro Hor ta , e t e r na e sposa de A ssis Hor ta In memory of Maria da Conceição Monteiro Horta Assis Horta’s eternal wife


O Espaรงo Cultural BNDES e o Studio Anta apresentam:

Assis Horta Retratos pesquisa e curadoria: Guilherme Horta

15 de marรงo a 5 de maio de 2017 Espaรงo Cultural BNDES Av. Chile, 100 - Centro Rio de Janeiro-RJ





Sobre o Espaço Cultural BNDES

About Espaço Cultural BNDES

Criado em 1985, o Espaço Cultural BNDES tem como objetivos fomentar a produção artística nacional e democratizar o acesso à cultura. Todas as atrações são gratuitas e abertas ao público em geral. A Galeria BNDES, reinaugurada em 2015, vem sendo ocupada por exposições de artes visuais e de memória da cultura brasileira. O local amplia a atuação do Espaço Cultural BNDES, que já oferece ao público, em sua programação regular, espetáculos de música, sessões de cinema e outros eventos, reunindo a diversidade da produção cultural do país. BNDES – the Brazilian Development Bank – is the main financing agent for economic and social development in Brazil. Seeking to encourage the production of Brazilian artists and to widespread the access to culture, BNDES established its own Cultural Center in 1985 – Espaço Cultural BNDES. All attractions are free of charge and open to the general public. BNDES’ Gallery, reopened in 2015 as part of the Cultural Center, hosts exhibitions of both visual arts and Brazilian heritage. A regular program of concerts, film sessions and other events is also offered by Espaço Cultural BNDES, promoting the diversity of Brazilian culture in all of its forms.

Para conhecer a programação completa do Espaço, acesse: See coming attractions on our website:

www.bndes.gov.br/espacobndes Ouvidoria: 0800 702 6337


Assis Alves Horta, do alto de seus 99 anos, ocupa um posto de honra na fotografia brasileira. O seu estúdio fotográfico em Diamantina, Minas Gerais, o Foto Assis, mantido entre 1936 e 1967, foi palco de uma pequena revolução socialfotográfica brasileira. Após a Consolidação das Leis do Trabalho, CLT, em 1º de maio de 1943, Assis Horta viu chegar uma imensa massa de trabalhadores em seu estúdio a fim de tirar uma foto 3x4 para a recém-criada Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS). A fotografia, que até então se destinava a retratar a sociedade burguesa, começa a ser descoberta pela classe operária. O retrato entra na vida do trabalhador: realiza sonhos, dignifica, atenua a saudade, eterniza esse ser humano, mostra a sua face. A Coleção Assis Horta de Retratos é uma pérola da nossa história. Desvenda nossa gênese, revela nossa alma e nos mostra quão rica e diversa é a nossa sociedade. Assis Alves Horta, from the top of his 99 years, holds a place of honor in Brazilian photography. His photographic studio in Diamantina, Minas Gerais, Photo Assis, held between 1936 and 1967, was the scene of a small Brazilian social-photographic revolution. After the Brazilian Labor Law (CLT) of May 1st, 1943, millions of workers sat in front of a camera, probably for the first time, to regulate their professional registration (Art. 13) and use their 3x4 photographs on their Brazilian working papers (CTPS) (Art. 16). Photography became part of worker’s lives. It fulfills dreams, dignifies the people, brings people together, shows its face. The Assis Horta’s portraits collection is a pearl of our history. It uncovers our genesis, reveals our soul and shows us how rich and diverse our society really is.

Guilherme Rebello Horta curador / curatorship



A Consolidação das Leis do Trabalho O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição, DECRETA: Art. 1º – Fica aprovada a Consolidação das Leis do Trabalho, que a este decreto-lei acompanha, com as alterações por ela introduzidas na legislação vigente. Parágrafo único. Continuam em vigor as disposições legais transitórias ou de emergência, bem como as que não tenham aplicação em todo o território nacional. Rio de Janeiro, 1 de maio de 1943, 122º da Independência e 55º da República. Getúlio Vargas Art. 13° – A Carteira de Trabalho e Previdência Social é obrigatória para o exercício de qualquer emprego, inclusive de natureza rural, ainda que em caráter temporário, e para o exercício por conta própria de atividade profissional remunerada Art. 16° – A carteira profissional, além do número, série e, data de emissão, conterá mais, a respeito do portador: 1) fotografia com menção da data em que houver sido tirada.


Brazilian Labor Law THE PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF BRAZIL, by the powers vested in him on Art. 180 of the Brazilian Constitution DECREES: Art. 1 – The Brazilian Labor Law (CLT) is approved, which follows this decree, with the modifications introduced by them in the current legislation. Single Paragraph. The legal transitory or urgent dispositions, as well as the ones which are not applied in all national territory, are still effective. Rio de Janeiro, May 1st 1943, 122th year of Independence and 55th of the Republic. Getúlio Vargas Art. 13 – The Brazilian work identification document (CTPS) is mandatory to work on any job, including those of rural nature, even if temporary and for self-employment in paid professional activities. Art. 16 – The Brazilian work identification document, besides it’s number, series, and date of issue, will also included about its holder: 1) Photograph with mention to the date it was taken.









Identidade versus Retrato Identity versus Portrait

“. . . É de 1310 a recomendação de Pietro d`Abano de que o retrato deveria expressar a aparência e a psicologia, ou a alma, do retratado.” “. . .Pietro d’Abano’s recommendation that a portrait should express the appearance and the psyche, or the soul, of its object dates back to 1310.”

Teixeira Coelho


“O retrato é talvez o mais poderoso gênero da arte, presente desde pelo menos o século 270 a.C. Seu fascínio sobre a imaginação humana é único: continua a ser o elo privilegiado entre a razão e o espírito mágico, que não abandona a humanidade. Isso porque o retrato tanto se entrega ao olhar do observador como o observa atentamente, o que pode ser reconfortante como ameaçador. Os “primitivos” não deixam de ter razão quando se negam ao olho da câmera, que captaria não apenas sua aparência como também sua essência. O retrato é, de fato, um constante exercício de psicologia social e individual. . . .E é nele que se apresenta mais uma vez uma questão central da arte: representação versus expressão.” 1 Desde seu aparecimento em 1839, a fotografia se concentrou na questão do retrato e foi a pintura que lhe forneceu modelos a serem aplicados. No decorrer da história, o retrato fotográfico foi encontrando novos códigos, aproximando a câmera, fechando o enquadramento, experimentando novos recortes e se concentrando cada vez mais no olhar. Em 1888, na França, é instituído um protocolo fotográfico de identidade judiciária com a famosa vista de frente e de perfil. Esse modelo é logo difundido para o resto do mundo, e o ser humano começa a ser classificado através da fotografia. No Brasil, esse tipo de classificação começou a ser usado no início do século XX. A fotografia de identidade civil em seus primórdios, por se tratar de uma técnica que era dominada somente por fotógrafos, nos mostra aspectos que avançam sobre o retrato. Iluminação, inclinação do rosto, uso de vestes como chapéu e até mesmo o gestual são encontrados aqui. É uma classificação artística de uma sociedade.

(1) Teixeira Coelho - texto extraído da exposição “Olhar e Ser Visto” (To Look and Be Seen) MASP- Museu de Arte de São Paulo 2009/2010



“Portrait is probably the most powerful art form, dating at least to 270 B.C. Its fascination over human imagination is unique: it is still a privileged link between reason and the magical spirit which doesn’t leave humankind. This is due to the fact that portrait not only gives itself to the eye of the observer, but also observes him attentively, which can be comforting or threatening. The “primitives” may have been right when they denied being exposed to the eye of the camera, which would capture not only their appearance, but also their essence. Portrait are in fact a constant exercise of social and individual psychology. . . .and it is in them that the central issue of arts presents: representation versus expression.” 1 Since its debut in 1839, photography was focused on Portraits, and painting provided them with models to be followed. Throughout history, Portraits found new codes by approximating the camera, zooming in on the frame, experimenting with new cuts and focusing more on the look. In 1888, in France, a photographic protocol of judicial identity with the famous front and profile view was established. This model soon spread to the rest of the world, and the human begins to be sorted through photography. In Brazil, this kind of classification started to be used in the beginning of the 20th century. The photographic identification in its beginning, for being a technique dominated only by photographers, shows us aspects that advance towards the Portrait. Lighting, face tilting, use of props like hats and even the gestures are found here. It is an artistic classification of a society.

(1) Teixeira Coelho - Extracted from the exhibit “To look and be seen” MASP – Museu de Arte de São Paulo 2009/2010








O Trabalhador no EstĂşdio FotogrĂĄfico Worker in the Photographic Studio



O retrato fotográfico é um extenso exercício de relacionamento entre o fotógrafo e o modelo. Um leve desvio do olhar, uma testa que franze, um pensamento, podem mudar o rosto de uma história. É um momento na fotografia que desafia o tempo e revela aspectos mágicos. Assis Horta conduzia essas sessões como um verdadeiro maestro, utilizando apenas um click para revelar aquele ser que se apresentava. A cadeira, o tapete, o fundo pintado e uma luz de janela lateral compõe o cenário dessa magia. Sozinho, com os amigos, com a esposa ou com os filhos, o trabalhador brasileiro, que já havia ganhado a identidade de um cidadão, alcança o sonho, a dignidade, a eternidade através do retrato. A partir desse momento ele passa a ter face e imprime sua história.

The Photographic Portrait is a long exercise of relationship between the model and the photographer. A brief look away, a frown, or a thought may change the face of a story. It is a moment in photography that challenges time and reveals magical aspects. Assis Horta conducted these sessions like a maestro, using only one click to reveal that human being that presented himself. The chair, the carpet, the painted background and a side window light make up the set for this magic. Alone, with friends, wife or with his sons, the Brazilian blue collar worker, who had already reached his identity as a citizen, reaches his dream, dignity, and eternity through the portrait. From this moment on, he has a face and his story is printed.




















ASSIS HORTA: RETRATOS FOTOGRAFIAS – Assis Alves Horta PESQUISA E CURADORIA – Guilherme Rebello Horta COORDENAÇÃO DE COMUNICAÇÃO – Sérgio Rodrigo Reis ASSESSORIA DE IMPRENSA – Cláudia Noronha DESIGN DE EXPOSIÇÃO – Flávio Vignoli MONTAGEM – Ronaldo Braz DESIGN GRÁFICO – Guilherme R. Horta TRADUÇÃO – Caroline Azevedo e Rafael Werneck FOTOGRAFIAS DA EXPOSIÇÃO – Jomar Bragança FOTOGRAFIA DE ASSIS HORTA – Celso Luiz Alves IMPRESSÃO CATÁLOGO – Gráfica O Lutador DIGITALIZAÇÃO DAS CHAPAS DE VIDRO – Studio Anta IMPRESSÃO DAS OBRAS – Studio Anta Impressoras Epson Stylus Pro 11880 e Epson Stylus Pro 9900 MOLDURAS – Vivarte TRANSPORTE DE OBRAS – Patrick Transportes AGRADECIMENTOS ESPECIAIS – Glória Rebello Horta, Brenda Coelho, Bernadete Cunha, Angelo Oswaldo de Araújo Santos & Família Assis Horta: (Marluce, Assis, Rosiléa, Isnard, Aglaé, Argel, Sérgio, Silvia, Izabel e Sávio)

Exposição selecionada por meio do Concurso Público para Ocupação da Galeria BNDES Temporada 2017-2018

/assis horta retratos

@assis horta retratos


Assis Horta: Portraits Photographs: Assis Alves Horta Research and curatorship: Guilherme Rebello Horta Communication coordination: Sérgio Rodrigo Reis Public Relations: Claudia Noronha Display design: Flávio Vignoli Graphic design: Guilherme R. Horta Translation: Caroline Azevedo e Rafael Werneck Exhibition photos: Jomar Bragança Portrait of Assis Horta: Celso Luiz Alves Print catalog: Gráfica O Lutador Glass plates digitizing on Epson V700: Studio Anta Printing and exhibition: Studio Anta on Hahnemühle PhotoRag® UltraSmooth 305 gsm paper printers Epson Stylus Pro 11880 and Epson Stylus Pro 9900 Frames and finishings: Vivarte Transport of works of art: Patrick Transportes Special thanks: Glória Rebello Horta, Brenda Coelho, Bernadete Cunha, Angelo Oswaldo de Araújo Santos & Família Assis Horta: (Marluce, Assis, Rosiléa, Isnard, Aglaé, Argel, Sérgio, Silvia, Izabel e Sávio) Selected exhibition through the Public Contest for the BNDES Gallery Season 2017-2018

studioanta@gmail.com


produção:

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apoio cultural: cultural supported by:

realização:

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