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HISTÓRIA DOS RÓTULOS DE CACHAÇA A CACHAÇA A cachaça é o nome dado à aguardente de cana, uma bebida alcoólica tipicamente brasileira obtida através da fermentação da cana-de-açúcar com graduação alcoólica de 38% a 48%, a 20 graus Celsius. Já uma bebida destilada de cana com graduação alcoólica de 50% só pode ser chamado de aguardente de cana-de-açúcar. Ou seja, toda cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça1. A cachaça hoje em dia é vista como uma bebida de muita importância cultural e econômica para o Brasil sua origem está relacionada com o inicio da colonização do Brasil, mas, seu método de extração provem de muitos séculos atrás2.

Figura 1

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Disponível em 29/10/11 : www.mapadacachaça.com.br Disponível em 29/10/11: www.arara.fr/BBCACHACA.html


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HISTÓRIA E ORIGEM Os primeiros registros sobre a fermentação na história vem dos egípcios antigos, tinham como objetivo curar moléstias, inalando vapor de líquidos aromatizados e fermentados. Com os Gregos foram encontrados registros do processo de obtenção da acqua ardens (a água que pega fogo - água ardente al kuhu). Alquimistas tomam conhecimento da água ardente, a transformam em água da vida, e a eau de vie é receitada como elixir da longevidade1. A aguardente se expande pelo Oriente Médio em conjunto com o Império Romano, mas foram os Árabes que descobriram e aperfeiçoaram equipamentos para a destilação bem parecidos aos que conhecemos hoje. E o al kuhu passa a ser conhecido como uma aguardente misturada com licores de anis1.

Figura 2

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Essa nova tecnologia de produção espalha-se pelo velho e novo mundo. Na Itália, o destilado de uva fica passa a ser conhecido como grappa. Germânia o Kirsch é conseguido pela destilação da cereja, na antiga Tchecoslováquia a destilação da Sleva (espécie de ameixa) gera a slevovice, na Escócia se populariza o whisky, destilado da cevada sacarificada, na Rússia a vodca, de centeio, Portugal também absorve a tecnologia dos árabes e destila, a partir do bagaço de uva, a bagaceira1. Assim como a alimentação, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de São Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana-de-açúcar Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura. É uma bebida limpa, em comparação com o Cauim - vinho produzido pelos índios, no qual todos cospem num enorme caldeirão de barro para ajudar na fermentação do milho, acredita-se. Os senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado Cagaça, para os escravos. Daí é um pulo para destilar a Cagaça, nascendo aí a Cachaça1.

Figura 3

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Mas estórias populares sobre a origem da cachaça contam que antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa subisse. Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou1. A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes. Misturaram o tal melado ao fogo. O "azedo" do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou goteiras no teto do engenho, que pingavam constantemente. Era a cachaça, já formada, que pingava. Dai o nome "PINGA". Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores, ardia muito, por isso deram o nome de "Aguardente"2.

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PROCESSO DE FABRICAÇÃO A Cana

Figura 4

A cana é a matéria prima para a fabricação da cachaça. Para a produção de cachaça são usadas cinco espécies de cana, escolhidas dependendo do teor de açúcar e a facilidade de fermentação. A cana usada na produção do destilado artesanal é colhida manualmente1.

Moagem

Figura 5

A cana colhida deve ser moída em até 36hs. Na moagem é separado o caldo do bagaço que depois é usado para aquecer as fornalhas do alambique. O caldo da cana é decantado e filtrado, depois, com a adição de nutrientes é levado às dornas de fermentação. As moendas são movidas por motor elétrico ou rodas d'água, e têm a função de espremerem a cana, para extrair o suco1. 1

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Fermentação

Figura 6

A cachaça artesanal, não permite o uso de aditivos químicos, a água potável, o fubá de milho e o farelo de arroz são os ingredientes que misturados ao caldo da cana o transformam em vinho com graduação alcoólica, pelas leveduras (agentes fermentadores naturais que estão no ar). A sala de fermentação tem temperatura ambiente em 25° e as dornas onde a mistura fica por cerca de 24 horas, podem ser de madeira, aço inox, plástico ou cimento1.

Destilação

Figura 7

O vinho de cana produzido é rico em componentes nocivos à saúde, como aldeídos, ácidos, bagaços e bactérias, mas possui baixa concentração alcoólica, é preciso destilar o vinho para elevar o teor de álcool. Na destilação ferve o vinho dentro de um alambique de cobre, produzindo vapores que são condensados por resfriamento e apresentam assim grande quantidade de álcool etílico1. 1

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Envelhecimento

Figura 8

A estocagem é feita, preferencialmente, em barris de madeira. Existem madeiras neutras, como o jequitibá e o amendoim, que não alteram a cor da cachaça. As que conferem ao destilado um tom amarelado e mudam seu aroma são o carvalho, a umburana, o cedro e o bálsamo entre outras. Cada uma dá um toque especial, deixando a cachaça mais ou menos suave, adocicada e/ou perfumada, dependendo do tempo de envelhecimento1.

Engarrafamento

Figura 9

O engarrafamento é feito em cinco etapas: esterilização das garrafas; envasamento (enchimento

das

garrafas);

fechamento

das

garrafas;

rotulagem

empacotamento do produto1.

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e

selagem;


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IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E CULTURAL A cachaça passou a ser como um personagem da história do povo brasileiro. Surgiu praticamente junto com o País, o que antes era só uma bebida de escravos, aos poucos saiu da senzala, e no século XIX atingiu seu ápice se transformando em símbolo de brasileiridade1. Naquele momento o país passava por um período de revoluções e grandes lutas por independência, como a Inconfidência Mineira de 1789 e a Revolução Pernambucana de 1817, e fazer brindes com vinho ou outra bebida qualquer era considerado um alinhamento com os portugueses1. Fato semelhante é atribuído ao brinde feito com aguardente por D. Pedro I após a Independência, numa época em que se valorizava tudo o que vinha de fora. O mesmo fato se repetiu por ocasião da Comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso brindou com o presidente de Portugal, com uma taça de aguardente purinha gelada1.

A corte vendo esse aumento da importância da cachaça no país tentou por várias vezes proibir a produção e o comércio da bebida nos seus territórios. Em 1635, proibiu a venda da bebida na Bahia e, sem resultados, em 1639, tentou impedir sua fabricação. Daí por diante a cachaça passou a ser uma mercadoria de grande importância para o comércio externo, ela servia até de moeda no comércio de escravos2. Na semana de Arte Moderna de 1922, e leva de exaltação e reafirmação do nacionalismo e da brasileiridade nas obras dos artistas, a cachaça torna-se inspiração para canções, versos e samba, tornando-se um símbolo da cultura nacional3.

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DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça Disponível em 29/10/11: www.girafamania.com.br/artistas/pintura-litografia.htm 3 Disponível em 29/10/11: www.alambiquedacachaca.com.br/cachaca_producao.php 2


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IMPORTÂNCIA ECONÔMICA A cachaça é segunda bebida mais consumida no país, atrás apenas da cerveja, além disso, é o destilado mais consumido no mundo, à frente até mesmo do uísque. O Brasil produz hoje em dia cerca de 1,3 bilhões de litros de aguardente por ano, a cachaça movimenta R$ 500 milhões e gera 450 mil empregos diretos, com cerca de 30mil fabricantes e mais de 5000 marcas registradas1. Minas Gerais é o primeiro produtor nacional de cachaça artesanal, o estado responde por 50% do total da produção nacional. O vale do Jequitinhonha no nordeste mineiro detém quase 60% da produção do estado1.

Figura 10

Figura 11

A cidade de Salinas localizada no Vale do Jequitinhonha com uma população de aproximadamente 60 mil habitantes tem o maior prestigio nacional, é conhecida como a capital mundial da cachaça de alambique de acordo com os dados da Associação Salinense dos Produtores. de Cachaça de Qualidade, existem pelo menos 150 fabricantes registrados na região. As cachaças são produzidas artesanalmente em alambiques de cobre e envelhecidas nos mais diversos tipos de to- nesses, destacando-se os de balsamo e umburana (madeiras tipicamente brasileiras e produzidas na região)1.

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RÓTULOS DE CACHAÇA HISTÓRIA A produção gráfica dos rótulos de cachaça é um caso à parte na história do design brasileiro não são poucos os rótulos desenhados pelo próprio “alambiqueiro”, produtor da cachaça. Até o final do século XIX os rótulos de cachaça da cachaça mantiveram características artesanais como um bom exemplo design vernacular1. “Duas invenções, em 1798, levaram à popularização dos rótulos: a máquina de fazer papel inventada na França por Nicolas – Lois Robert e a litografia por Alois Senefelder, na Bavária.”2.

Figura 12

Uma grande característica entre a maioria dos rótulos assim como uma grande parte da produção de outras embalagens no Brasil, é a impressão litográfica, que teve grande produção por esse meio até os anos 60 do século XX1. Litografia é um processo de gravura em plano, executada sobre pedra calcária (chamada pedra litográfica) ou sobre placa de metal (em geral, zinco ou alumínio), granidas, e baseado no fenômeno de repulsão entre as substâncias graxas e a água, usadas na tiragem, o qual impede que a tinta de impressão

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Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p. 20 a 22 2

Disponível em 29/10/11: http://www.girafamania.com.br/artistas/pintura-litografia.htm


11 adira às partes que absorveram a umidade, por não terem sido inicialmente cobertas pelo desenho, feito também a tinta oleosa1.

A litografia, inventada por Aloys Senefelder em 1796 na Alemanha chega ao Brasil em 1825 com a contratação pelo imperador de um litógrafo para o Real Arquivo Militar. Em 1830, rótulos já eram usados em todas as formas e vários produtos. Em 1835, George Baxter patenteou seu método de impressão em cores. Em 1850, a cromo- litografia concretizou esse sistema que predominou por 60 anos no consumo de massa que explodiu junto com a revolução industrial2. Utilizando pedras calcárias como matriz de impressão, técnica conhecida como litografia (no método básico desenha-se na pedra com um lápis gorduroso que atrai a tinta) se espalhou pela corte com grande rapidez e em pouco tempo mais de 250 litógrafos trabalhavam somente no Rio de Janeiro produzindo encomendas variadas, primeiro em preto e branco e depois em cores, como estampas artísticas, mapas, cartões, marcas comerciais, cartazes, e, a partir de 1870, as revistas ilustradas extremamente populares e com amplas tiragens3.

Figura 13

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Disponível em 29/10/11: http://www.girafamania.com.br/artistas/pintura-litografia.htm Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p. 20 a 22 3 Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca 2


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A litográfica possibilitava altas tiragens que ajudava a baratear o preço de custo. Com a incorporação de sistemas de auto-serviço (supermercados) estimulou produtos a conterem informações para facilitar a venda sem auxilio de vendedores. A técnica da litografia se expandiu rapidamente, casas litográficas surgiram por todo o país1. As casas litográficas trabalhavam com poucas tintas, principalmente preto, amarelo, vermelho e pela necessidade de impressão rápida construíam poucas sobreposições, e quase sempre o amarelo como fundo geral, o azul e verde como paisagem, e o vermelho e preto na tipografia1.

Figura 15

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Figura 14

Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca


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O uso dos rótulos de cachaça só se tornou obrigatório no Brasil no governo Getúlio Vargas, até então quase sempre a bebida era transportada em barris sem identificação, a partir daí obrigatoriamente passou a ser transportada em garrafas com rótulos impressos1.

Figura 16

Figura 17

Logo após a obrigatoriedade de rotulagem da cachaça, eram impressos no rótulo versinhos que louvavam os efeitos da caninha: “Se bebo dois dedinhos/Já fico falando bobagem/Se bebo mais um pouquinho/Aumenta minha coragem”2.

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Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p.45 e 46 2

Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca


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TEMAS Analogias, paralelismos e metáforas visuais predominam o discurso visual dos rótulos de cachaça. De inicio os rótulos contavam a história de acontecimentos sociais políticos e culturais do país. Em rótulos de cotidiano e acontecimentos que remetiam a sociedade, não constituem um padrão, acabam por tomar como padrão modelos de outros tipos de rótulos, em alguns se pode encontrar as informações no sentido vertical1. O presidente Juscelino Kubitscheck de oliveira decide transferir a capital do Brasil para o Planalto Central: imediatamente surge a cachaça “Brasília”. O Brasil, em 1944, entra na Segunda Guerra ao lado de ingleses, franceses, soviéticos e americanos, aparece à cachaça “Aliada”. O Rio de Janeiro se divide em dois estados, em 1962, a cachaça vai se chamar “Guanabara”. A seleção brasileira de futebol arrasa no México Copa 1970 – não podia faltar a cachaça “Pelé”. Os santos de devoção fazem bons milagres? Vamos colocá-los nos rótulos da cachaça – não importa se é São Francisco, Santo Antonio ou mesmo Santa Maria. (CARVALHO, 1988, p.41)11.

Figura 20

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Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça.swf p.42 a 93


15 Desde que a cachaça passou a ser vendida em garrafa lacrada, a partir de 1756, como a cachaça Monjopina, a primeira aguardente industrializada do país, a nossa aguardente passou a ser batizada com nome de heróis, musas santos acontecimentos, bichos, plantas, cidades, sítios, fazendas, etc. Impressos em rótulos deveras criativos. Enfim, coleções de marcas de cachaça devidamente organizadas quase sempre contem coisas da história oficial e do arco-da-velha brasileiras. (FEIJÓ, 2004, p.66)1.

A cachaça fala de si, ela brinca com suas próprias mazelas “Calçada lisa” “Capote de pobre” usa também nomes de duplo sentido Perseguida, Esquecida, Juízo, Providência2.

Figura 21

Os rótulos de cachaça com temas onde o nome brinca com a própria cachaça, ou tenta designar o local de produção procura organizar a construção do rótulo um equilíbrio hierárquico entre a designação e a forma, onde o nome da marca tem maior importância, seguido pelo produtor e registro com a graduação. Não há contrastes fortes entre os elementos1.

Figura 23

Figura 22

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Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p.49 a 51 2

Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca


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Figura 25

Figura 24

Os rótulos all type são uma presença bastante forte em todo o Brasil com uma variedade de tipos pequena com o uso do antigo normógrafo e linotipos porém com arranjos tipográficos bem diversificados com lettering às vezes desenhados à mão1.

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Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca


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A fauna brasileira faz parte ativa da iconografia dos rótulos de cachaça. Com uso de nomes regionais de animais integrantes do cotidiano rural, assim como cenas de paisagens, lugares e cenas do mundo rural1.

Figura 30

Figura 31

O tema animais possui contraste acentuado entre figura e fundo. Um padrão cromático muito forte, fundo preto, elementos em amarelo e vermelho e o branco como suporte, nessa na maioria das vezes a ilustração remete ao nome da cachaça, a tipografia geralmente sem serifa2.

Figura 33

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Disponível em 29/10/11: www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/memoria-grafica-da-cachaca

Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p.49 a 51


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A cachaça associada às conotações eróticas é uma constante, como de resto em todo o universo das bebidas alcoólicas. A figura feminina é encontrada quase sempre de forma erótica, acredita-se que tinham como objetivo retratar Afrodite, podendo identificar ai um fenômeno social e cultural que traz à figura feminina a um altar místico e religioso, como representante da fecundidade, nus traz também o preconceito que sobrevive há anos na nossa sociedade, à identificação da mulher como objeto sexual1.

Figura 34

Figura 37

Figura 35

Figura 36

Nos rótulos de figuras femininas, a imagem sempre tentando associar a figura feminina com a cachaça como se ambas fossem objetos de desejo, tentações, nesses rótulos se destacam as imagens, seguido do texto, os elementos figurativos ficam sempre em maior tamanho, peso e contraste maior1. 1

Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p.42 a 93


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As cacha莽as hoje em dia ainda utilizam esses diversos temas. Mas podemos observar claramente uma tentativa de refinamento dos r贸tulos devido ao grande sucesso internacional da bebida.

Figura 38

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Figura 40

Figura 42 Figura 43

Figura 41

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ANÁLISE GRÁFICA Elementos verbais Os rótulos possuem três elementos principais, o titulo ou logotipo, descrição, e informações do fabricante. Os elementos verbais aparecem quase sempre com uma tipografia com peso regular sem serifa e em caixa alta, na maioria das vezes no topo e sem muito destaque. No texto descritivo há redução do tamanho das letras1.

Figura 49

O titulo é o elemento com maior destaque, e em sua maioria com tipografias sem serifa. Normalmente são formados por apenas uma palavras, e quando são formados por palavras compostas pouquíssimas usam fontes diferentes, e Algumas com a primeira e ultima letra da palavra aparecem em destaque1. Os logotipos utilizam quase sempre um peso quase em negrito, com a palavra praticamente na mesma largura do rótulo e em forma horizontal, fixados na parte superior o no centro do rótulo. Muito uso de contornos, sombras e volume1. Por ultimo e enfatizado com uma cor, tamanho ou tipografia o nome do fabricante fica posicionado na parte inferior dos rótulos de cachaça. O restante do texto dos rótulos de bebida como porcentagem alcoólica e indicações, aparecem sem muito destaque em letras menores1. 1

CAMPELO, Silvio Barreto e ARAGÂO, Isabella - Imagens comerciais de Pernambuco, Recife Néctar 2011. p 95 a 103


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Elementos figurativos Uma das principais características dos rótulos de cachaça são os elementos pictóricos, exceto em São Paulo onde a maioria dos rótulos são impressos em tipografia1. Esses elementos pictóricos normalmente dialogam com o titulo, e normalmente ficam centralizados nos rótulos de cachaça. Os elementos representando a fauna são desenhados por inteiro, e os rótulos que apresentam paisagens quase sempre tomam todo o rótulo, enquanto os rótulos com pessoas normalmente só mostram partes do corpo1.

Figura 50

Figura 51

Figura 52

A técnica/instrumento utilizada (o) para desenhar os elementos pictóricos nas pedras influenciava diretamente no nível de detalhamento de sua apresentação, com um grau que podia varias da forma quase chapada dos galos em uma única cor até as gradações de tons e texturas dos engenhos1. 1

CAMPELO, Silvio Barreto ARAGÂO, Isabella - Imagens comerciais de Pernambuco, Recife Néctar.p 95 a 103


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Elementos esquemáticos Nem todo o rótulo tem elementos esquemáticos, mas em sua maioria podem apresentar faixas, retângulos ou listeis, para envolver os textos. A moldura também é um elemento bastante comum1.

Figura 53

Essas molduras envolvem o rótulo e são pouco ornamentadas, em forma de circulo ou outros elementos1. Faixas com formato regular com bordas arredondadas ou formas curvas, sempre coloridas contrastando com o fundo, algumas destas composições assinam os rótulos com as iniciais dos fabricantes1.

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CAMPELO, Silvio Barreto e ARAGÂO, Isabella - Imagens comerciais de Pernambuco, Recife Néctar 2011. P 95 a 103


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Composições Visuais Os elementos gráficos podem ser divididos em três tipos: informacional é o que dá significado ao rótulo, é o que comunica o conteúdo do rótulo; os elementos com função auxiliar, que dão assistência a composição dos rótulos e sua interpretação; e os elementos de função decorativa servem para embelezar a composição1.

Figura 56

Figura 55

Figura 57

As cores mais comuns são preto, vermelho, amarelo e azul; qualquer outra tonalidade é impressa através de outra matriz ou combinação de cores. No entanto, nem todos os rótulos utilizam técnicas que misturam cores, portanto, os rótulos também apresentam padrão de cores – normalmente essas cores mencionadas acima1. 1

CAMPELO, Silvio Barreto e ARAGÂO, Isabella - Imagens comerciais de Pernambuco, Recife Néctar 2011. p 95 a 103


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TIPOS DE EMBALAGENS E RÓTULOS Existem diferenciações de recipientes para estocagem de cachaça, como as embalagens de cascas de coco ou cestos de vime, que são consideradas artesanais e reforçam as características da região ou costumes do povo. A garrafa de vidro é a mais usada para produção em larga escala1.

Figura 58

Figura 59

O rótulo é o que diferencia e identifica a garrafa de vidro. Hoje em dia existem varias técnicas para a rotulagem da garrafa de vidro, como por exemplo: rótulo de papel colado, rótulo manga (tubular), rótulo auto-adesivo, rótulo plástico (sleev) e a impressão silkscreen que é aplicada diretamente no vidro1. Rótulo plástico manga (tubular) é aplicado à embalagem, como se estivesse vestindo-a. (Ex: rótulos utilizados em garrafas pet de refrigerantes 2 litros). Rótulo autoadesivo é um rótulo que aplicado à embalagem que oferece inúmeras possibilidades de decoração por meio de sofisticados processos de impressão. Podem ser aplicados automaticamente1. Rótulo plástico sleev é um rótulo termo - encolhível se adapta a qualquer forma de embalagem, já o silk-screen é um processo de impressão no qual a uma tinta especial é aplicada diretamente no vidro13. Nas embalagens de cachaça é mais comum o rótulo de papel, com dois rótulos um na frente e outro atrás com as informações, mas também podem vir em um único rótulo resumindo as informações em diferentes cores, tipologias e corpo1. 1

Disponível em 29/10/11: DIAS, Lucia Carvalho Moreira – dissertação de mestrado – Expressões de cultura nas embalagens de cachaça p.49 a 51


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CURIOSIDADES Origem da caipirinha Em meados do século XVI, embora os colonos ignorassem as frutas da nossa terra, elas eram consumidas em abundância pelos escravos e índios. Nas festas, os escravos bebiam a garapa (suco da cana ainda não fermentado) e misturavam frutas ou suco das frutas no caldo de cana. Mais tarde, as festas começaram a ser animadas pela cachaça que, misturada ao suco das frutas, originou a “batida”1.

Figura 60

Mas a cachaça era usada também como remédio e a caipirinha pode ter nascido a partir de uma receita simples contra a gripe: misturava-se à cachaça mel, alho e limão galego para curar os resfriados. Para aprimorar e adocicar o poderoso remédio, o mel foi substituído pelo açúcar, o alho foi retirado da receita e a bebida migrou dos balcões das farmácias para os dos bares e restaurantes com o nome de caipirinha1.

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Disponível em 29/10/11: http://www.caipirinhaville.com/origem-da-caipirinha/


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A história conta A cachaça já foi moeda de troca, substituiu o fumo de rolo. Itamar Franco quando governador decretou 21 de maio como o dia da CACHAÇA. A cachaça foi consumida em banquetes palacianos, que misturada ao gengibre e outros ingredientes era servido nas festas religiosas e deu origem ao QUENTAO. A revista Style elegeu a caipirinha feita com nosso destilado o drinque mais quente do Século. A cachaça industrial é de qualidade inferior, pois é feita em grande quantidade e rapidamente, a artesanal é feita num processo lento, sem qualquer aditivo químico. Itamar Franco, enquanto governador de Minas Gerais provocou confusão, quando instituiu que em qualquer festa na qual sejam servidas bebidas alcoólicas é necessário incluir cachaças. No estado do Espírito Santo existem 45 fábricas de cachaças, todas fundadas por famílias de italianos, e todas com nomes de santos. A Alemanha importa quase 1/3 da cachaça brasileira. Fernando Henrique Cardoso (presidente da república em 2001) assinou os decretos 3062/01 e 3072/01, estabelecendo a denominação cachaça como oficial e exclusiva para aguardente de cana produzida no Brasil. A cachaça foi escolhida para brindar a independência do Brasil por D. Pedro I. Para degustação da malvada, é feita oferenda aos deuses Lares, jogando-se antes ou depois de prová-la uma pequena quantia ao solo. O ritual de jogar uma pequena quantia de bebida ao solo, veio da Roma antiga A cachaça tem mais de 1500 apelidos no Brasil. A produção de cachaça só perde para a produção de saquê (bebida japonesa). Existe oficialmente no Brasil mais de 5000 marcas de cachaças.


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Getúlio Vargas, Jânio Quadros e atualmente nosso presidente Luis Ignácio Lula da Silva, sempre tomaram a sua branquinha. O Brasil exporta cachaça para: Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Dinamarca, Japão, Portugal, Espanha e França. Ao primeiro gole de cachaça deve-se fazer cara feia para espantar o diabo. A cachaça tem que ter cheiro de cana e não de álcool. Tiradentes, o herói da inconfidência, pediu cachaça antes de morrer, pois ela simbolizava os ideais de liberdade dos inconfidentes. A Alemanha é o maior consumidor de cachaças brasileiras. E lá na Alemanha pedir cachaça é fashion.


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29 Figura 45 disponível em 12/11/11: http://www.submarino.com.br/produto/35/267906/cachaca+sagatiba+pura+700+ml Figura 46 disponível em 12/11/11: http://www.salobracachacas.com.br/cachaca-santa-rosa-1-ano-750ml.html Figura 47 disponível em 12/11/11: http://www.submarino.com.br/produto/35/1774206/cachaca+janeiro Figura 48 a 57 disponíveis em 12/11/11: acervo próprio Figura 58 disponível em 12/11/11: http://www.imigrantesbebidas.com.br/catalog/product_info.php?products_id=4322 Figura 59 disponível em 12/11/11: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-208645700-barril-carvalho-3litros-dorna-corote-madeira-envelhecida-_JM Figura 60 disponível em 12/11/11: http://www.submarino.com.br/produto/18/21233904/conjunto+para+caipirinha+com+5+pecas



História dos Rótulos de Cachaça - Artigo