Page 1

ARE apresenta

Para possuir uma lady To pleasure a lady Série Courtship Wars - livro 01 Marcus Pierce, um incrível aristocrata com uma infame reputação, herda a tutela da fogosa Arabella Loring e suas duas irmãs... e imediatamente declara suas intenções de se casar. Mas a encantadora desafiante Arabella provoca frustração, profundamente erótica em Marcus. Depois de medir sua inteligência e sua espada com ela, o possessivo nobre chega à conclusão de que tão formosa e formidável adversária deve ser ela. Arabella, que renegou o matrimônio e os homens, deseja que a deixem dirigir sua academia para jovens damas em paz. Com tal fim, audazmente aceita o íntimo desafio de Marcus: se ele conseguir cortejar e conquistá-la no período de duas semanas, ela ocupará seu lugar em sua cama e como sua esposa. Entretanto, se conseguir resistir a seus consideráveis encantos, lhes concederá a independência às irmãs Loring. Assim, começa um extraordinário jogo de sedução...

Tradução e revisão Marina Campos Formatação: Renata


CAPITULO 01 O novo conde me deixa louca com sua idéia de nos unir como se fôssemos animais de cria. CARTA DA SENHORITA ARABELLA LORING A Fanny IRWIN Londres, maio de 1817.

Matrimônio. A própria palavra era em si ameaçadora. Entretanto, o novo conde de Danvers não podia seguir ignorando o assunto por mais que lhe pesasse. -É uma lástima que o último conde tenha morrido, -disse interrompendo sua declaração com um golpe com a espada que levava na mão-. De outro modo, eu mesmo o teria transpassado por ter me deixando três pupilas para que lhes faça de alcoviteiro. Sua queixa, formulada sobre um fundo chocando no aço, foi recebida com risadas benévolas por parte de seus amigos. -Alcoviteiro, Marcus? Não é um pouco exagerado? -Descreve perfeitamente minha responsabilidade. -Casamenteiro é uma definição mais elegante. Casamenteiro. Que sombrio pensamento. Marcus Pierce, anteriormente barão Pierce e agora oitavo lorde Danvers, fez uma careta com desinteressado humor. Embora em geral desfrutasse diante uma provocação, nesses momentos renunciaria gostoso ao ver-se responsável por três belezas sem dinheiro... E, pior ainda, com a obrigação de lhes encontrar maridos respeitáveis. Entretanto, as irmãs Loring vinham no lote, junto com seu novo título, por isso tinha se resignado a cumprir com seu dever antes ou depois. Preferivelmente depois. Até o momento, Marcus tinha desfrutado de trinta e dois agradáveis anos de celibato, os últimos dez como um dos melhores partidos de Londres. Sendo que o matrimônio estava em último lugar de sua lista de preferências, seguia pospondo sua obrigação por volta das suas não desejadas pupilas já fazia algumas semanas. Entretanto, naquela esplêndida manhã de primavera, obrigou-se a abordar a questão enquanto se achava ocupado na prática com esgrima em sua mansão em Mayfair com seus dois amigos mais íntimos, e, como ele, fugitivos do mercado matrimonial. -Mas compreendem meu dilema? -perguntou, executando um rápido olhar para o seu adversário igualmente perito, Andrew Moncrief, duque de Ardem. -É obvio! -respondeu Drew entre o estrépito da espada. -Quer casar a suas três pupilas, mas não acha que vá encontrar muitos interessados, tendo em conta o escândalo que houve em sua família. -Exatamente. -Marcus esboçou um atrativo sorriso. -Suponho que nenhum dos dois se oferecerá a alguma delas, verdade? Moncrief lhe dirigiu um eloqüente olhar ao mesmo tempo que saltava para trás para esquivar uma hábil espadada. -Por muito que deseje te ajudar, velho amigo, avalio muito minha liberdade para fazer tão entristecedor sacrifício; nem sequer por você. -Deixa estar, Marcus. -A voz procedia de uma das esquinas do salão que utilizava como zona de esgrima. Heath Griffin, marquês de Claybourne, estava ali ajeitado em um sofá, enquanto aguardava sua vez para praticar, descrevendo ociosos traços no ar com sua espada. -Está mal da cabeça se acha que vais convencer- nos para que peçamos em matrimônio a suas pupilas. -Dizem que são grandes belezas -tentou enrolar seu amigo. Heath riu abertamente. -E solteironas todas elas. Quantos anos tem a mais velha? Vinte e quatro? -Ainda não. -Ouvi dizer que, além disso, é irritante e impaciente. -Isso me haviam dito -reconheceu Marcus a contra gosto. Seus advogados haviam descrito Arabella Loring como encantadora, mas ferozmente obstinada em seu desejo de emancipar-se de sua tutela. -Ainda não a conhece? -Perguntou Heath. -Não, até agora consegui evitar. As senhoritas Loring não estavam em casa quando fui a


lhes dar o pêsames pela morte de seu tio a três meses atrás. E após foram meus advogados quem se encarregaram de tudo. Mas cedo ou tarde terei que tratar com elas suspirou. – Provavelmente viaje para Chiswick na semana que vem. A mansão Danvers se achava no campo, perto da aldeia de Chiswick, uns dez quilômetros ao oeste no moderno distrito londrino de Mayfair, onde residia grande parte da enriquecida aristocracia. A distância era apenas um passeio em uma carruagem rápida, entretanto, Marcus não abrigava nenhuma esperança de que sua tarefa ali pudesse resolver-se com rapidez. -Por isso ouvi. -interveio Drew enquanto avançava tranqüilamente-, suas pupilas são pouco dóceis. Não te será fácil casá-las, especialmente a mais velha. Ele assentiu com uma seca careta. -Certamente que não no momento em que as três se declaram abertamente opostas ao matrimônio. Ofereci-lhes importantes dotes para atrair a respeitáveis pretendentes, mas recusaram minha proposta taxativamente. -Têm idéia de independência, não é assim? -Isso é o que parece. É uma lástima que não possa convencer a nenhum dos dois que vão em minha ajuda. Enquanto respondia à decidida ofensiva de Drew, Marcus pensava que essa teria sido uma hábil solução para seu dilema. Junto com o título de conde, agora acrescentado seu longo tempo detido barão, viu-se obrigado a fazer-se encarregado das empobrecidas propriedades Danvers, assim como seus refinados inquilinos, três irmãs sem dinheiro. As três possuíam uma impecável linhagem, excelente educação e invejável beleza, mas todas elas estavam solteiras e estavam completando a maior idade. O fato de que ainda não se casaram por falta de fortuna era de menos que a um tremendo escândalo vivido por sua família. Fazia quatro anos que sua mãe tinha fugido para Europa com seu amante francês. Depois disso, apenas quinze dias mais tarde, seu pai morreu em um duelo por sua última amante, o que tinha suposto o brusco desaparecimento de qualquer oportunidade que suas filhas tivessem de fazer um bom casamento. Marcus tinha pensado elas se casassem proporcionando imensos dotes. Mas isso foi descobrir quão independentes eram as três belezas. As cartas da irmã mais velha eram intensamente apaixonadas pelo controle sobre suas próprias vidas. -Legalmente, são minhas pupilas até que façam vinte e cinco anos -explicou o conde a seus amigos-, mas Arabella, a mais velha, já está quase completando. Durante o mês passado, me escreveram quatro cartas proclamando, a sua idade, nem suas irmãs nem ela necessitam de um tutor. Infelizmente para todos nós, estou comprometido pelas condições do testamento. Marcus se deteve para rodear seu adversário, se passou a mão com rapidez pelos negros cabelos para afastar-lhe. Com sinceridade. -murmurou logo-, quem dera eu tivesse ouvido falar das irmãs Loring. Além disso, eu não desejaria este outro título, estava totalmente satisfeito sendo barão. Seus amigos lhe dirigiram olhares de simpatia, embora um pouco zombador, o que impulsionou Marcus a acrescentar: -Espero sua ajuda para resolver meu dilema, libertinos covardes.

Seguro que lhes ocorrerão alguns candidatos apropriados para elas. -Um dos quais poderia ser você mesmo. -sugeriu Heath com um perverso brilho nos olhos. -Não queira Deus! Marcus se estremeceu, e essa momentânea trégua no ataque, fez com que quase fosse transpassado por Drew, que arremetia com sua espada. Durante grande parte de sua infância e durante toda sua existência adulta, os três amigos tinham sido inseparáveis; juntos tinham assistido Eton e Oxford, e logo herdaram suas vastas fortunas e ilustres títulos no mesmo ano. Depois disso, depois de haver implacavelmente perseguidos por debutantes dispostas a casar-se como fosse e esquivando apenas as armadilhas postas por inumeráveis mães casamenteiras, os três compartilhavam graves reserva em relação à instituição do matrimônio. Especialmente, a classe de união


fria e pactuada da aristocracia. Marcus nunca tinha conhecido nenhuma mulher que desejasse tomar como esposa. Pensar em ver-se preso para sempre a alguém que com muita dificuldade lhe agradasse, e a quem muito menos amasse, produzia-lhe calafrios. Entretanto, devia seus títulos, tanto ao novo como ao antigo, um herdeiro para os mesmos, por isso teria que acabar casando-se. Se não bastasse, prometeu a si mesmo que o fim de seu celibato demoraria muito para chegar. Ao compreender que sua concentração se viu afetada por toda essa desagradável conversa sobre matrimônio, retrocedeu alguns passos e fez a Drew uma saudação zombadora. -Senhoria, será melhor que me retire antes que me façam migalhas. Heath, é sua vez. Quando este o substituiu, Marcus cruzou o salão para uma mesa lateral, onde depositou sua espada e pegou uma toalha para enxugar o rosto. Acabava de reatar o barulho do aço quando pareceu ouvir uma conversa no corredor, procedente da entrada. Só podia distinguir alguma palavra, mas era evidente que tinha uma visita feminina... E que seu mordomo estava mentindo. Avivada sua curiosidade, aproximou-se da porta do salão para ouvir melhor. -Repito que lorde Denvers não está em casa, senhorita. -Não está em casa ou não quer receber visitas? -Perguntou a voz feminina com educação. percorri uma longa distância para falar com ele, ou seja, estou disposta a revistar a casa se for necessário. -Soava melodiosa, mas sem lugar à dúvidas, decidida. -Onde posso o encontrar? Os seguintes sons que Marcus ouviu pareciam os de uma resistência. Ao que parece, Hobbs estava tentando impedir a entrada da mulher na casa, mas acabou perdendo a batalha, porque, em alguns momentos, o ouviu gritar: -Senhorita, não pode subir! Ao imaginar a posição do mordomo bloqueando o pé da ampla escada da mansão, Marcus sufocou uma risada. -Por que não? -inquiriu a voz feminina. -Está sua senhoria na cama, ou possivelmente nu? Hobbs proferiu uma escandalizada exclamação e logo murmurou: -Muito bem, se você insistir, perguntarei a sua senhoria se a quer receber. -Rogo-lhe que não se incomode. Me diga somente onde está e já me anunciarei eu mesma. -A harmoniosa voz fez uma pausa. -Não importa. Ouço som de esgrima, de modo que espero que isso me guie na direção correta. Marcus retrocedeu levemente enquanto uns ligeiros passos se aproximavam pelo corredor. A mulher se encostou na porta por alguns momentos não era uma mulher qualquer. Embora vestisse um modesto traje de viagem de crepe azul, possuía uma inconfundível segurança em si mesmo e uma superioridade que chamava a atenção. Cativado, Marcus compreendeu ao ponto que, além disso, tratava-se de uma autêntica beleza. Sua figura alta e esbelta tinha curvas suficientes para atrair inclusive um homem com sua experiência. Tinha os cabelos vermelho-dourado, presos sob um chapéu, e algumas mechas rodeavam seu rosto finamente modelado. Entretanto, o que mais destacava do conjunto eram seus penetrantes olhos cinza, que observavam a casa; os mais enigmáticos que tinha visto. Tinham a tonalidade de fumaça prateada e brilhavam com inteligência e Calidez tais que Marcus se sentiu impressionado. A jovem tinha o queixo levantado em atitude decidida, ao vê-lo vacilou de repente, e um ligeiro rubor cobriu suas bochechas ao compreender sem dúvida a inconveniência de aparecer desse modo diante de três homens entregues a uma competição de esgrima, todos eles com camisa, calças e botas; sem lenço no pescoço, colete nem jaqueta. Seus olhos foram na gola de Marcus a sua camisa de linho, que parcialmente aberta, deixava seu peito descoberto. Logo, de repente, dirigiu de novo a vista a seu rosto, como consciente de que tinha sido descoberta contemplando o proibido. Quando os olhares de ambos se cruzaram, o rubor acendeu vivamente suas bochechas. Marcus se sentiu encantado. Em um instante, ela pareceu recuperar o domínio de si mesmo e prosseguiu com sua missão. -Cavalheiros, qual de vocês é lorde Danvers? -Perguntou com sua agradável voz. Ele avançou cortesmente um passo. - A seu serviço senhorita...? Com incômodo Hobbs respondeu em seu lugar.


-A senhorita Arabella Loring veio lhe ver, milorde. -Assumo que é a mais velha de minhas pupilas. -observou Marcus dissimulando seu regozijo. Ela abriu levemente a atrativa boca, mas logo esboçou um encantador sorriso. Infelizmente, sou sua pupila. -Hobbs, recolha a capa e o chapéu da senhorita Loring... -Obrigado, milorde, mas não tenho intenção de ficar muito tempo. Só desejo manter uma breve conversa com você... em particular, se for possível. Seus dois amigos tinham interrompido sua sessão de esgrima e estavam observando à inesperada visitante com ávida curiosidade. Quando ela entrou na sala, Marcus viu como Drew arqueava interrogativamente uma sobrancelha, expressando surpresa diante daquela inesperada presença. Ele mesmo compartilhava esse sentimento. Apoiando-se nos comentários de seu advogado, tinha esperado que a moça fosse rebelde e decidida, mas as informações que tinha sobre sua beleza não lhe faziam justiça. Para dizer sinceramente, era magnífica. Dirigiu a Drew e a Heath um olhar de desculpa. -Desculpam-nos? Ambos os homens atravessaram o salão com suas espadas na mão, e, ao passar por seu lado, Heath dirigiu a Marcus um preguiçoso sorriso junto com uma de suas habituais observações: -Aguardaremos na entrada principal, se por acaso necessitar de defesa. Viu como Arabella ficava rígida diante dessas palavras, mas logo pôs-se a rir com um som melodioso som que lhe fez experimentar uma estranha e agradável sensação. -Prometo deixá-lo fisicamente intacto. «Uma lástima» foi o primeiro pensamento de Marcus; tivesse-lhe gostado de ver o que podia fazer a jovem a seu corpo. Entretanto, quando ficaram sozinhos, olhou-a com severidade. Admirava sua audácia ao apresentar-se ali, mas sabia que devia dar alguma amostra de desagrado que se propunha controlar a situação. -Meus advogados me advertiram de sua determinação, senhorita Loring, mas não esperava que transgredisse deste modo as convenções me visitando em minha casa. Ela encolheu seus elegantes ombros. -Não me deixou outro remédio, milorde, sendo que se absteve de responder minhas cartas. E temos uma importante questão para discutir. -Estou de acordo, devemos resolver o assunto de seu futuro e de suas irmãs. A inicial vacilação de Arabella logo foi seguida por outro sorriso. -Estou segura de que você é um homem razoável, lorde Danvers... Marcus arqueou uma sobrancelha com seu evidente intento de manipulá-lo. Sem dúvida, era uma mulher acostumada a dirigir os homens a seu desejo e ele mesmo sentiu os efeitos entre as pernas, alguns efeitos aos quais resistiu de maneira instintiva. -OH, estou acostumado a ser bastante razoável! -Então compreenderá que sejamos relutantes em reconhecê-lo como guardião. Sei que seus propósitos são bons, mas não necessitamos de sua ajuda. -Certamente que meus propósitos são bons. -respondeu ele afável. -Você e suas irmãs são agora minha responsabilidade. Um brilho de impaciência apareceu nos olhos da Jovem. -O que é claramente absurdo. Nós três superamos a habitual idade legal de dependência. Quase todas as tutelas concluem aos vinte e um. E, por outra parte, nós não temos nenhuma fortuna que administrar, por isso tampouco há justificação financeira para sua tutela. -Não, em efeito. -conveio Marcus-. Seu tio as deixou sem dinheiro. Ela aspirou profundamente fazendo um evidente esforço para manter as formas. -Não desejamos sua caridade, milorde. -Não é caridade, senhorita Loring, é minha obrigação legal. Vocês são três mulheres vulneráveis, necessitam do amparo de um homem. -Não necessitamos de amparo. -afirmou à jovem. -Não? –Ele erigiu um penetrante olhar. -Pois meus advogados são da mesma opinião de que alguém deveria cuidar de você e de suas irmãs. Os olhos de Arabella saíam faíscas. -Ah, sim? Nesse caso, não acredito que precisamente você esteja qualificado para cuidar de


nós, como diz. Não tem experiência alguma para atuar de tutor. Em Marcus agradou poder refutar dessa afirmação. -Pelo contrário, tenho grande experiência. Fui tutor de minha irmã durante os últimos dez anos. Agora tem vinte e um, a mesma idade que sua irmã mais novas, Lilian, que conforme me dissera é uma rebelde fantasiada de diabo. Isso fez deter Arabella. -Talvez esteja certo, mas Lilian tinha uma idade muito delicada quando minha mãe nos abandonou. -E o que tem sua irmã Roslyn? Segundo todos os informes, sua extraordinária beleza a converteu em objetivo de um importante número de libertinos e descarados. Imagino que, para ela, o amparo de um tutor poderia ser benéfico. -Roslyn sabe cuidar de si mesmo. Todas sabemos. Seguimos fazendo desde que somos muito jovens. -Mas que tipo de futuro podem esperar? -respondeu Marcus-. Suas oportunidades de bons matrimônios ficaram arruinadas com os respectivos escândalos de seus pais. Por um fugaz momento, pôde ver a dor refletida no rosto de Arabella, antes que ela forçasse outro sorriso. -Sei perfeitamente. -murmurou-, mas mesmo assim, não é assunto seu. Ele negou com a cabeça. -Compreendo que esteja ressentida comigo, senhorita Loring, um perfeito desconhecido assumindo o controle de sua casa... -Não me importa seu título nem suas propriedades, o que me faz sentir ofendida é sua desumana hipótese de que desejamos nos casar. Isso o fez sorrir. -Dificilmente poderia qualificar-se de desumano oferecer apara encontrar um marido. O caminho habitual para as jovens damas de qualidade é o matrimônio, mas você se comporta como se a tivesse ofendido gravemente. A essa altura da conversa, a moça estava claramente mordendo a língua. -Desculpe-me se lhe dei essa impressão, milorde. Sei que você não tentou nos insultar. -Não podem ser tão tolas para recusar cinco mil libras cada uma. -Certamente que posso... -de repente se interrompeu e deixou escapar uma grave risada compungida. O rouco e sensual som fez com que Marcus se estremecesse de prazer. -Não, não lhe permitirei que me provoque, milorde. Vim aqui decidida a ser agradável. Ele se encontrou de repente olhando sua carnuda e tentadora boca, sem poder afastar a vista. Advertiu que a jovem voltasse a falar. -Talvez você considere incompreensível nossa decisão, lorde Danvers, mas minhas irmãs e eu não queremos nos casar. -Por que não? Ao ver que não lhe respondia, Marcus aventurou uma suspeita. -Suponho que tem a ver com o exemplo que lhes deram seus pais. -Sim. -reconheceu ela a contra gosto. -Umas e outras estavam decididas a fazer-se mutuamente desventurada a vida, e brigavam por qualquer motivo. Depois da amargura de que fomos testemunhas enquanto crescíamos, é que sintamos aversão pelos matrimônios? Marcus experimentou uma forte simpatia. -Estou familiarizado com esse sentimento. Seus próprios pais foram exemplos. Diante de seu tom, Arabella observou seu rosto com atenção, mas logo desviou o olhar para centrar em um raio de sol que entrava em torrentes pela janela mais próxima. -Em qualquer caso, não temos nenhuma necessidade de nos casarmos. Contamos com suficientes ganhos para nos manter. -Ganhos? -Se você tivesse se incomodado em ler minhas cartas, teria se informado da existência de nossa academia. -Li suas cartas. Ela o olhou de maneira intencional. -Mas não foi bastante cortês para responder. Simplesmente, limitou-se a ordenar a seus advogados que negociassem comigo. -Declaro-me culpado, mas devo dizer a meu favor que me propunha as visitarem na próxima semana.


Ao vê-lo sorrir de forma encantadora, inspirou o ar desesperada, mas por e um momento mudou de tática. -Vamos lorde Danvers, reconheça que não deseja ser responsável por nós. Marcus não pôde decidir em mentir. -Muito bem, é certo. Não o desejo. -Então, por que não se limita a esquecer o assunto? -Duvido que alguém que a tenha conhecido possa limitar-se a esquecer de você, senhorita Loring - respondeu secamente. Ao ver que lhe dirigia um penetrante olhar, suspirou. -Nós gostemos ou não, agora são vocês de minha responsabilidade, e não faltarei a meu dever de procurar seu bem-estar. Descobrirá que não sou nenhum monstro. E, por outra parte, sou bastante rico para lhes proporcionar um dote. Essas palavras fizeram com que Arabella elevasse o queixo. -Já lhe havia dito que não aceitaremos sua caridade. Nossa academia nos permite uma independência financeira adequada. Esse assunto da escola tinha despertado a curiosidade de Marcus. -Entendo que essa academia é um colégio particular dos que preparam as suas alunas para entrar para sociedade? -Algo assim. Ensinamos comportamento, maneiras e uma maneira correta de falar como jovens enriquecidas não nascidas entre a alta sociedade. -Em outras palavras, filhas da classe trabalhadora. Que peculiar é você, senhorita Loring. Ela entreabriu os olhos. -está zombando de mim. -Talvez. Na realidade não era assim. Parecia sinceramente admirável que Arabella e suas irmãs tivessem encontrado uma ocupação para manter-se, a diferença de quase todas as demais damas de sua classe, que jamais se dedicariam a fazer algo que considerassem de inferior categoria. Mas não podia evitar desejar provocá-la, embora só fora pelo prazer de voltar a ver ascender-se aqueles formosos olhos. -E suas irmãs ensinam também? -perguntou-lhe capciosamente. -Sim, e outras duas damas amigas minhas. Nossa patrocinadora é lady Freemantle. Foi idéia dela que abríssemos a academia, faz três anos. Conhece-a? Seu falecido marido era barão, sir Rupert Freemantle. Marcus assentiu. -Conheço-a. Mas não estou seguro de que seja adequado que minhas pupilas estejam empregadas em uma escola, por mais refinada que seja. Compreenderá que, como seu tutor, terei que aprovar isso. Arabella o olhou com cautela. -Asseguro-lhe que é uma ocupação perfeitamente respeitável. -Alguns qualificariam suas opiniões de bobagens intelectuais. Era perverso de sua parte ferroar daquele modo, mas o prazer de ver sua enérgica reação era muito grande para resistir. Entretanto, ela pareceu intuir seu propósito. -Não me provocará para que perca a paciência, milorde. -Não. Avançou um passo para ela e a jovem ficou paralisada, olhando-o fascinada. Mas logo endireitou os ombros e lhe sustentou o olhar, direta e desafiante. Marcus sentiu o repentino e selvagem apresso de agarrá-la em seus braços e levar-lhe para cama mais próxima. Nunca antes tinha experimentado uma reação tão primária diante de uma mulher; naquele caso inapropriado, considerando que ela era sua pupila. Arabella exalou um prolongado suspiro, esforçando-se claramente por manter a calma. -Não acredito que você careça de capacidade mental, milorde. Por que fica tão difícil aceitar que não desejamos estar sob sua tutela? Que não desejamos sua ajuda financeira? Você não tem nenhuma obrigação de nos manter. -O testamento não diz isso. -Então, terei que contratar meus próprios advogados para impugnar esse testamento. -Como poderá permitir. - Não dispõe de meios para fazê-lo. -Nossa protetora nos ajudará. Lady Freemantle acredita que as mulheres não devem ser obrigadas a casar-se, e nos prometeu seu apoio. Certamente, não é tão rica como você, mas seu pai lhe deixou uma fortuna em empresas manufatureiras e mineiras. -Isso seria muito interessante. -respondeu Marcus amavelmente, cruzando os braços sobre


o peito. Por fim, seu lânguido sorriso conseguiu acender a ira da Jovem. -Não pode obrigamos a aceitar suas condições! -Não, suponho que não. Mas uma vez saiba o quanto ascendem seus dotes, terão pretendentes lançando-se a seus pés e assediando minha casa com propostas de matrimônio. Arabella avançou para ele com suas enluvadas mãos convertidas em punhos, e com os olhos cintilando perigosamente. -Não conseguirá vendermos, my lorde! É revoltante que mulheres crescidas sejam tratadas como simples propriedades, como se fossem ganho! Não somos éguas de cria que possam ser vendidas ao melhor pastor! A julgar por seu apaixonado discurso, havia tocado num ponto sensível. Havia fogo em seus olhos, um fogo que o enchia de admiração e atração. -Depois de tudo, parece que é verdade - murmurou ele, fascinado pelo modo com que ela o fulminava com o olhar. -O que é verdade? -Que os olhos possam realmente soltar faíscas. Nestes momentos, os seus brilham tanto como foguetes. Essa provocadora observação a enfureceu. O som que se formou no mais profundo de sua garganta era o de uma leoa ferida; um rumor surdo e perigoso. -Esforcei-me o máximo possível para ser paciente. -começou. Passou por seu lado em direção à mesa, agarrou sua espada e se virou para ele, lhe apoiando diretamente a ponta contra o peito. -Estava decidida a utilizar a razão para lhe convencer, e se isso falhasse, confiaria em prevalecessem seus melhores sentimentos. Mas é evidente que não os tem! Marcus, que já estava profundamente subjugado, levantou as mãos com lentidão, rendendose. -Tenho por norma não discutir nunca com uma mulher armada. -Bem! Então me prometerá que vai abandonar essa ridícula idéia de nos casar. -Temo-me que não posso fazer semelhante promessa sob coação, querida. -Pode e a fará! -Não. Diante à fascinação que sentia, não estava disposto a deixar que ninguém o ameaçasse para obrigá-lo a fazer o que quisesse. Mas então fixou seu olhar no rosto dela... Na textura de sua pele, em sua boca... E se sentiu embargado pelo fervente desejo de beijá-la; algo surpreendente, sendo que não estava acostumado a ser um homem precipitado. -Adiante, faça-o. Apertando os dentes e claramente frustrada, Arabella levantou a ponta do aço até o vulnerável oco do pescoço dele, e aí se deteve. Era uma situação de impasse, uma que Marcus não estava disposto a seguir suportando muito tempo. Ao ver que ela seguia vacilando, fechou os dedos em torno de seus enluvados dedos e lenta e inexoravelmente afastou a ponta da arma de seu pescoço. Embora tivesse neutralizado o perigo imediato, manteve-lhe segura sua mão, lhe pressionando o braço enquanto se aproximava dela. Enfocou de novo o olhar na tentadora linha de sua boca. Arabella tinha seu formoso rosto levantado, nervosa, umedeceu seus lábios, ele lutou contra o feroz desejo de cobrir-lhe com os seus. Diante da voz de advertência que ressonava em sua cabeça, Marcus se encontrou atraindo a jovem para mais perto, atirando dela para si até que seus corpos se roçaram. A sensação que surgiu entre ambos quando ele sentiu a doce pressão de seus seios, bastou para acendêlo. Então, os olhos de Arabella flamejaram com uma emoção distinta enquanto os sentidos de Marcus se concentravam avidamente no desejo de tocá-la. Ela parecia cálida e intensamente vital. Sua feminina suavidade despertava seus mais primários instintos masculinos. Esforçou-se ao máximo para manter o controle. -A próxima vez que ameaçar um homem, assegure-se de que está disposta a levar sua ameaça até o final, senhorita Loring – aconselhou-a, com uma voz que de repente soou


rouca. Com um leve grito de frustração, ela se soltou de sua sujeição e retrocedeu. -Tomarei nota da próxima vez, senhoria. Marcus ficou surpreso ao dar-se conta de quão urgentemente desejava que houvesse uma próxima vez. Observou como Arabella atirava a espada, que chocou com estouro contra o chão. -Deveria alegrar-se de que eu seja uma dama para trespassá-lo - declarou. E, com estas palavras, virou e se dirigiu à porta com passo irado. Mas logo se deteve para lhe dirigir um sombrio olhar sobre o ombro-. Se o que quer é guerra, prometo-lhe que terá, lorde Danvers. CAPITULO 02 Finalmente conheci o conde, e é ainda mais irritante do que imaginava. Seu olhar era puro desafio, uma provocação que Marcus não podia resistir. Entretanto, quando se adiantou um passo, a senhorita Loring saiu com rapidez da sala. Seguiu-a pelo corredor olhando-a com fixidez, divertido. Ela passou junto a seus dois amigos, que aguardavam no corredor e seguiu até a entrada, onde o mordomo lhe abriu apressadamente a porta. Quando já estava saindo, Marcus conteve o apresso que sentia ao persegui-la. Entretanto, o tentador encontro tinha deixado ávido de mais. -Fecha a boca, amigo. -disse Heath claramente zombador. Marcus o fez imediatamente, embora não pôde negar uma certa observação. Arabella Loring tinha despertado seus mais primários instintos masculinos. Negou com a cabeça, desconcertado, dirigiu-se ao salão e procedeu a tomar um generoso gole. Logo se deixou cair pensativo em um sofá de couro, considerando sua intensa reação diante da mais velha das Loring. Seus amigos seguiram seu exemplo e se sentaram em duas poltronas próximas. Heath foi o primeiro a falar. -Não nos havia dito que a senhorita Loring fora tão imponente, Marcus. -Porque não sabia. Seus advogados lhe tinham advertido de que era uma beleza, mas não tinham te prevenido a respeito de sua força e seu fogo interior, porque, nesse caso, talvez tivesse melhor preparado para enfrentar-se com ela. -Certamente está claro que mexeu com você. -comentou Drew com uma risada sardônica. Por isso ouvi, ameaçou te castrar. Tinha razão, tem ela uma força. -Não. -contradisse Heath-. É mas uma amazona, ou uma Valquíria. Seu tom era bastante admirativo. -Eu prefiro um pouco mais de calma em uma mulher. -replicou Drew: -Pois eu não. -contradisse Heath-. Foi uma lástima que nos fizesse sair da sala, Marcus. Teríamos gostado de ser testemunha dos fogos de artifício. Marcus pensou divertido que fogos de artifício era exatamente o que ele tinha sentido com Arabella. -Ainda parece confuso. -acrescentou Drew sério. Ele assentiu, lhe dando a razão. Nunca antes tinha experimentado essa instintiva e poderosa atração. Só estando perto de Arabella, acendeu-se nele o desejo. O que era uma notável novidade. Ao longo de sua vida tinha conhecido grandes quantidades de mulheres formosas. Demônios! Tinha desfrutado de um considerável número de belezas. Assim, o que é que tem aquela de tão diferente? O fato de que não tivesse adulado? Que não estivesse ansiosa por agradá-lo e gratificá-lo, como todas as demais mulheres? -Talvez seja só que fiquei atônito porque não esperava que fosse assim, absolutamente racionalizou. -Não há dúvida de que é desafiador. -comentou Heath de modo desnecessário. Ao recordar sua declaração de guerra, Marcus pensou que realmente o seria, desafiante. Irresistivelmente enigmática. A imagem de seus relampagueantes olhos cinzas e seus cabelos vermelho-dourados era difícil de esquecer. Tomou um comprido gole de seu copo. Talvez não fosse tão estranho que uma mulher como Arabella tivesse despertado seu interesse. Fazia meses, que todas suas conquistas


tinham sido mortalmente aborrecidas. E tinha acabado farto das mulheres que o perseguiam, mesmo as damas. -assim, como te propõe dirigir à fera senhorita Arabella? -perguntou Drew. -Na verdade, ainda não estou seguro. Suponho que adiantarei para segunda-feira minha visita à mansão Danvers. -Diria que subestimaste suas dificuldades para casá-la com algum desprevenido. Marcus riu interiormente. -Sem dúvida. A tarefa de lhe conseguir um par adequado seria mais difícil do que tinha imaginado. E quem quer que tentasse cortejá-la seria muito difícil. -Possivelmente seja impossível lhe encontrar um marido. -Eu não estou tão seguro. -discrepou Heath-. Imagino que grande número dos homens encontraria atrativo em seu temperamento. Se fizer ornamento da mesma paixão na cama, seria uma magnífica amante para qualquer homem. Marcus o olhou. -Cuidado com o que diz amigo. Está falando de minha pupila. Heath esboçou um sorriso arrependido. -Certo, e você não pode seduzir a sua própria pupila. É uma lástima que seja de boa família. Não seria honorável. O fruto proibido. Marcus reconheceu pesaroso que, efetivamente, para ele assim era. Sua responsabilidade em relação às irmãs Loring era puramente legal, e todas tinham uma idade em que não requeriam de um guardião que vigiasse todas suas ações; não obstante seguia sendo responsável por seu bem-estar. Mesmo assim, não podia negar que tomar Arabella como sua amante lhe parecia algo enormemente atrativo. No momento, Marcus estava sem nenhuma, sendo que ninguém parecia satisfazê-lo. Acalmar suas necessidades carnais em um corpo exuberante e perfumado tinha sido para ele menos atrativo nos últimos tempos... Até agora. A imagem de uma disposta Arabella em sua cama acendia uma grande onda de desejo entre suas virilhas. Pensar em ter todo aquele fogo debaixo dele, rodeando-o, fez o remover-se incômodo em seu assento. Heath disse em tom provocador: -Como havia dito antes, sempre pode lhe propor matrimônio você mesmo. Seria divertido verte tratando de conquistá-la. Drew franziu a boca em um sorriso zombador. -Sim, poderia ser novidade ter que perseguir uma mulher, para variar. Marcus dirigiu a seus amigos um olhar molesto. -Andem com os olhos, meus excelentes companheiros. Se seguirem zombando de mim, encontrarei um modo de fazer com que casem com minhas pupilas. -Compreendo perfeitamente que as irmãs Loring se oponham a sua tutela - replicou Drew sem arredar-se-. As mulheres gostam de pensar que são elas quem controlam e que fazem dançar os homens a sua vontade. Não querem se sentir tratadas como uma desagradável obrigação, segundo você parece considerar seu dever para com suas pupilas. -Eu não encontraria esse dever absolutamente desagradável. -refletiu Heath. -Mas bem que poderia desfrutar disputando com mulheres semelhantes à senhorita Arabella. O que te parece Marcus? Levaste algum tempo te queixando de que te aborrece. Uma batalha com ela certamente acrescentaria emoção a sua vida. -Fez uma pausa, observando seu amigo por cima de seu copo. –E, a julgar por esse cintilar em seus olhos, também você acha assim. Ele assentiu. Combater com Arabella Loring seria, indiscutivelmente, uma solução para seu tédio. -Sem dúvida que era interessante. Descobrirei quando for à mansão Danvers na próxima semana, para resolver a questão de seus matrimônios. Ainda não sabia como enfrentaria a jovem, mas aguardava sua próxima confrontação. «O problema de desafiar um leão em sua toca é que alguém se arrisca a ser devorado», pensou Arabella enquanto subia a luxuosa carruagem de viagem de sua patrocinadora. Talvez tinha liberado de converter-se em um saboroso manjar para Marcus Pierce, o novo conde de Danvers, mas seu orgulho certamente tinha sofrido. Enquanto o chofer guiava os cavalos de volta a Chiswick, ela se deixou cair contra as almofadas de veludo e aguardou que seus sentidos se serenassem. Lorde Danvers a tinha


confundido tanto por um momento que até tinha chegado a esquecer o propósito de sua visita. Naquela manhã tinha viajado a Londres decidida a utilizar a lógica de seu encanto para fazê-lo entrar em razão e convencê-lo de que renunciasse a tutoria. Mas ele a tinha deixado cismada. Era deplorável como lhe tinha acelerado o pulso nada mais vê-lo. Era alto e de porte atlético, com uma espessa cabeleira negra, olhos azuis escuro e os traços perfeitos e bem cinzelados de um deus grego. Mas nenhuma estátua de mármore tinha provocado nela o desejo de ser tocada, nem tão descaradas imagens em sua mente como as que ele tinha conjurado. Arabella fez uma careta ao recordar como sua camisa aberta deixava descoberta parte de seu musculoso peito e seu pêlo negro e encaracolado. O traje informal do conde combinava com o brilho divertido de seus ardilosos olhos azuis. A tinha desconcertado por completo. E logo tinha permitido que a provocasse até lhe fazer perder a noção. Não podia imaginar o que a tinha impulsionado para ameaçá-lo como o tinha feito, quando sua intenção em todo momento tinha sido convencê-lo com amabilidade. Era evidente que desafiá-lo tinha sido um engano, pois um homem como aquele provavelmente desfrutava-se com desafios. Para sua surpresa, lorde Danvers tinha feito frente deixando-a sem fôlego com sua evidente intenção de beijá-la. E o que era pior, ela tinha desejado que fizesse! A final, Arabella tinha tido que levar a cabo uma vergonhosa, mas sensata retirada sem alcançar seu objetivo; não confiava em si mesmo para ficar mais tempo. O encontro a tinha deixado inquieta e enormemente fraca consigo mesma, não só por seu fracasso, mas também por sua absurda atração por ele. «Tola estúpida - murmurou Arabella para si. –“Não só permitiste conseguir vantagem, mas também te comportaste como qualquer insensata, atraída por um formoso nobre.» Sua superioridade era exatamente o que ela tinha esperado. Era um diabo provocador, arrogante e tirano, que acreditava saber o que era melhor para elas. Entretanto, não podia negar que a tinha impressionado enormemente. Arabella havia sentido o fogo que fluía entre eles durante aqueles breves momentos em que tinham mantido um enfrentamento. Com um suspiro de desgosto, virou a cabeça para olhar pela janela da carruagem a paisagem rural que passava diante de seus olhos. Deveria ter ido melhor preparada para esse encontro. Sua boa amiga Fanny Irwin -a qual conhecia desde que eram pequenas e que na atualidade era a mais famosa cortesã de Londres- tinha-a advertido a respeito de Marcus Pierce. Tinha-lhe falado de seu atrativo aspecto, suas maneiras atrevidas e sua aguda inteligência. Como um dos melhores partidos do país, tinha enfeitiçado a metade da população feminina da Inglaterra... E tinha deitado com bom número de seus membros. À maioria das mulheres lhes parecia atrativa essa classe de encanto libertina, mas a maioria das mulheres não tinham tido que suportar a um pai libertino durante toda sua vida, como em troca tinha feito Arabella. Seu novo tutor era muito bonito para seu próprio bem. Esse pensamento a fez apertar os dentes com autocensura. Sua mãe tinha sacrificado tudo por um rosto formoso, incluindo suas próprias filhas. O doloroso pesar por esse abandono ainda cortava como uma faca, inclusive depois de quatro anos. Quando Vitória Loring fugiu com seu amante, suas filhas tiveram que enfrentar a seguinte humilhação e desgraça. Logo, para piorar as coisas, seu pai, sir Charles Loring, perdeu no jogo o resto de sua fortuna, duas semanas depois, foi morto em um duelo por uma de suas amantes. Além da devastação emocional por perder a ambos os pais e o lar da família quase de uma vez, as irmãs Loring tinham pago um alto preço pelo escândalo de muitos outros modos. Arabella tinha perdido o seu prometido por essa causa. Fazia três meses, um visconde -um homem ao qual amava sinceramente- tinha quebrado seu compromisso; o jovem não tinha sido bastante valente para desafiar a censura e os malévolos comentários da alta sociedade. Suas declarações de amor tinham sido tão evanescentes como farrapos de nuvens, deixando Arabella com o coração partido, tal como diziam os poetas. Para Roslyn, a verdadeira beleza da família, tinha desaparecido toda classe de futuro respeitável. Sua Temporada londrina concluiu de maneira tão brusca como suas


possibilidades de receber propostas de matrimônio convenientes. Ainda mais humilhante, tinham-lhes sido feitas infames propostas por parte de três libertinos distintos que nunca teriam atrevido a isso se seu tio tivesse sido melhor tutor. Tampouco Lilian tinha tido a oportunidade de conhecer algum pretendente respeitável, embora ela fingisse que não se importava. Para combater seus sentimentos de angústia e pesar, a mais nova das irmãs Loring se converteu em uma selvagem que se rebelava contra as convenções da alta sociedade e os altivos árbitros das mesma que tinham repudiado ela e suas irmãs. Lily tinha se convertido em um verdadeiro problema, por mais que Arabella pesasse reconhecer. Não podia deixar de sentir-se culpada de seu fracasso na hora de proteger suas irmãs, sendo que era a mais velha. Ela só tinha dezenove anos quando sua mãe as abandonou, mas mesmo assim se considerava responsável. Em especial, dado que seu tio era um ser mesquinho que se preocupava muito pouco com o bem-estar das jovens. Liondel Doddridge, o sétimo lorde Danvers, tinha-as acolhido a contra gosto quando teve que vender a casa familiar das três irmãs em Hampshire para pagar as dívidas de seu falecido pai, e sempre as tinha tratado como uma carga e unicamente objeto de caridade. -Manterão afastadas de mim – advertiu ele no momento em que chegaram a sua casa. -E procurarão conservar o respeito se souberem o que lhes convém. Sua mãe se converteu em símbolo de escândalo, e não quero que me envergonhem como ela fez. -Não tem que preocupar-se, tio Lionel - tinha respondido Arabella com energia, falando em nome de todas. -Não temos nenhuma intenção de nos comportar como nossa mãe. -Não me chamem de tio! Eu não tenho nenhuma relação de sangue com vocês. Vitória era só minha meio-irmã, fruto do deplorável segundo matrimônio de meu pai; e Loring não tinha nenhum direito de me fazer encarregado de vocês três em seu testamento, em especial sendo que não me deixou nada mais que fazer frente a sua manutenção. Mas não fica mais remédio que assumir essa responsabilidade, sendo que nenhum cavalheiro respeitável lhes quererá agora como esposas. Suas palavras provocaram uma ardente fúria em Arabella, junto com o feroz desejo de conseguir independência daquele homem. Mas precisavam de dinheiro, para isso, finalmente, haviam resolvido ganhar a vida utilizando sua boa educação e sua criação de damas de categoria. Com o indispensável apoio de uma enriquecida patrocinadora, e com a ajuda de suas irmãs e de duas amigas de sua mesma classe social, Arabella tinha posto em marcha uma academia para ensinar às filhas não refinadas de ricos comerciantes como converter-se em damas, para assim poder competir com o mundo da alta sociedade. Por fim, depois de mais de três anos de duro esforço, a escola se converteu em uma empresa de enorme êxito, as permitindo completa independência financeira. Logo, para sua consternação, seu tio faleceu, e se viram enfrentarem à nomeação de um novo tutor que imediatamente tinha declarado sua intenção de lhes encontrar maridos. Era em extremo frustrante, para não dizer que também se preocupem. O novo lorde Danvers possivelmente possuía autoridade legal para obrigá-las a deixar o ensino se ele assim decidisse. E, por outra parte, qualquer marido que lhes encontrasse, desaprovaria seu insólito comportamento.

Além disso, Arabella se estremecia diante do simples pensamento de submeter-se a outro cortejo. Não tinha a mínima intenção de arriscar-se a sofrer de novo a angústia que tinha tido que suportar fazia quatro anos. Suas irmãs tinham assim mesmo suas próprias idéias para seus futuros, e nelas não estava incluído renunciar à independência que ganharam com tanto esforço, para contrair matrimônio com maridos não desejados. Roslyn estava decidida a casar-se só por amor, enquanto que Lilian tinha renegado o matrimônio e dos homens por completo. -Graças a Deus por Winifred - murmurou Arabella de todo coração. Sua patrocinadora, Winifred, lady Freemantle, tinha sido uma garota trabalhadora antes de casar-se e entrar para formar parte da alta sociedade. A agora viúva de meia idade tinha sido um sólido apoio, não só para a academia, mas para as vidas pessoais das irmãs. Era ela quem lhe tinha emprestado a Arabella sua carruagem e cavalos para a viagem a Londres,


para que assim não tivesse que viajar desvencilhado a carruagem de seu falecido tio. A jovem chegou em Chiswick na primeira hora da tarde. O mesmo em Richmond, mais à frente ao oeste, o pequeno povoado se converteu em um moderno lugar de residência durante o século anterior, por causa de sua grande proximidade com Londres. A carruagem passou junto a numerosas mansões e vilas construídas à beira do rio antes de virar e tomar o passeio de cascalho da mansão Danvers. A formosa casa, de tijolo vermelho suave, encontrava-se junto ao rio Támesis. A paisagem era exuberante e verde, mas a descuidada grama e os arbustos crescidos o convertiam quase em uma selva. A mobília e o equipamento da casa também estavam gastos e em muito mal estado, enquanto que as obras de arte e a prata faziam muito que se venderam para pagar faturas da propriedade. Do mesmo modo, quase todos os serventes partiram. Os que ficavam eram um mordomo, um governanta e um casal de ancião que viviam ali mais de trinta anos. A diferença de seu tio, todos eles tinham acolhido afetuosamente às irmãs Loring quando estas chegaram à casa. As irmãs de Arabella saíram para recebê-la assim que a carruagem se deteve diante da entrada principal. Roslyn era alta e esbelta, de cabelo dourado, olhos azuis e uma deliciosa beleza que lhe outorgava o delicado aspecto de cristal; uma impressão completamente falsa. Era além disso, a mais inteligente e estudiosa de todas elas, assim como a mais encantadora. Roslyn teria sido muito mais feliz se tivesse nascido varão, pois assim poderia seguir uma carreira científica. Em lugar disso, seu agudo intelecto se desperdiçava ensinando etiqueta e maneiras as novatas. Etiqueta e maneiras não eram o forte de Lilian. A Loring mais jovem era uma fantasia de diabo vivaz, que se sentia muito mais a gosto treinando as alunas da academia em atividades esportivas e habilidades físicas, como cavalgar, conduzir e atirar com arco. Curiosamente, Lily possuía uma chamativa e vívida coloração. Seus brilhantes olhos negros e seus exuberantes cachos castanhos escuro a convertiam em excepcional sua família de mulheres de aspecto de fada e cabelos loiros, enquanto que seu caráter apaixonado freqüentemente a metia em problemas. Normalmente, seu olhar era cálido e risonho, mas naquele momento a via preocupada. -Bom, O que te disse, Belle? -Perguntou sua irmã mais velha assim que esta desembarcou da carruagem, sem ter em conta que o chofer e o criado podiam ouvir sua conversa. -Direi logo, em particular. -respondeu ela, embora compreendesse a impaciência de Lilian. Quando a viu torcer o gesto, Arabella fixou seus olhos nos sorridentes de sua irmã do meio. -Pode-te imaginar quão difícil foi passar o dia aguardando, à espera de saber o resultado de seu encontro com lorde Danvers - disse Roslyn em voz baixa. -Nunca imaginarão o que realmente se passou -murmurou Arabella em tom quase inaudível. -Deveria ter permitido que a acompanhássemos -Comentou Lily enquanto se dirigiam para a escada e cruzavam a porta principal. -Podíamos te haver defendido do irritante conde. Sim, talvez devesse haver feito. -conveio Arabella com uma gargalhada antes de entregar suas luvas, capa e chapéu a Simpkin, seu venerável mordomo. Suas irmãs conseguiram conter sua impaciência até que se dirigiram a um pequeno salão nos fundos do primeiro andar, o único lugar que tinha fogo aceso na lareira para combater a umidade primaveril; as moças seguiam observando os hábitos de seu falecido tio. -Lamento lhes dizer que esta manhã fracassei, estrepitosamente. -confessou sem rodeios, sem revelar, entretanto, que tinha tratado de sair com a sua a ponta de espada. –dirigi-me muito mal a lorde Danvers, mas mesmo assim, ele estava em uma atitude totalmente fechada. -Não se tornará atrás em seu propósito de nos facilitar dotes? -perguntou Roslyn consternada. Arabella esboçou um sombrio sorriso. -Não, ao contrário. Gabou-se de que logo teremos uma multidão de pretendentes revoando a nosso redor. Roslyn franziu os lábios com irritação enquanto Lilian apertava o queixo. -Nesse caso, o que devemos fazer para frustrar seus planos? -perguntou. A intenção do conde de lhes encontrar maridos tinha alarmado Lilian mais que ninguém. Esta não só era completamente feliz com a insólita liberdade de que desfrutava em sua vida


presente, mas gostava muito de trabalhar na academia. E agora lorde Danvers ameaçava jogando tudo na rodar tentando as casar. As três tinham pensado em possíveis alternativas para o caso de que Arabella não conseguisse fazê-lo mudar de idéia. A final, só lhes tinha ocorrido um modo de frustrar as intenções do homem, e se tratava meramente de uma solução temporária. -Acredito que vocês duas deveriam desaparecer de Danvers. -disse Arabella com lentidão. Se não puder encontrá-las, não pode lhes coagir para que aceitem a qualquer pretendente que queira lhes endossar. Lily não parecia satisfeita. -Eu sigo acreditando que deveríamos ficar e resistir. Tem que entender que não vai poder nos coagir para que nos casemos sob circunstância. -Eu não gosto de deixar que enfrente ele sozinha, Arabella. -acrescentou Roslyn. -Me sairei perfeitamente. -respondeu ela tratando de parecer segura de si mesmo. -E me sentiria mais tranqüila se estivessem fora de seu alcance. Roslyn assentiu por fim a contra gosto. -Quanto tempo deveria permanecer escondidas? -Até que lorde Danvers entre em razão. -Não deveria liberar nossas batalhas para você sozinha, Belle -insistiu Lily. Sua irmã mais velha sorriu. -Sei, mas acredito que neste caso é o melhor. Podem ir viver na casa de Tess alguns dias. O conde não ocorrerá buscá-las lá. Tess Blanchard era sua amiga mais querida, e professora na Academia Freemantle para Damas e Jovens, que levava o nome de sua benfeitora. -Winifred sem dúvida nos acolheria. -sugeriu Roslyn. -Sim, mas é provável que lorde Danvers lhes buscasse ali, sendo que lhe falei que seu patrocínio. Ao ver que a pequena ainda parecia preocupada, Arabella a olhou suplicante. -Lily, me prometa que seguirá meu plano no momento. -OH, de acordo! -E jogou os braços em seu pescoço em um breve abraço-. Mas eu não gosto o mínimo. Preferiria ficar aqui com você e desafiar o irritante conde. Ela ignorou o comentário, porque tinha aprendido que uma tática agressiva não era o mais aconselhável para fazer frente a lorde Danvers. -Acredito que esta noite já deveriam ir com Tess. É possível que o conde se apresente aqui de um momento a outro, e não desejo que estejam quando chegar. -Como enfrentará ele? -perguntou Roslyn. -Ainda não estou segura -murmurou Arabella. Como seu tutor, tinha direito a organizar o casamento das três, tinha que encontrar algum modo de lhe fazer abandonar seu plano. acredita-se que pode nos dar ordens, assim terei que lhe demonstrar seu engano. Entretanto, todos seus bons propósitos sofreram um duro reverso quatro dias mais tarde, quando distinguiu lorde Danvers cavalgando para ela por uma planície de ervas. -Maldito seja! -murmurou Arabella entre dentes, atirando bruscamente as rédeas de seus própria arreios. Devia saber que sua senhoria não se limitaria a ficar na casa, aguardando. Ela se tinha partido dali deliberadamente à hora assinalada para o encontro que o conde tinha solicitado, decidida a se fazer mais incômoda possível a seu tutor. Em nenhum momento tinha esperado que saísse a procurá-la; era evidente que tinha subestimado sua persistência. Com as enluvadas mãos obstinadas nas rédeas, Arabella vacilou por um mínimo instante. Não era próprio de ela sair fugindo, entretanto, não confiava em si mesmo o suficiente para ficar a sós com lorde Danvers. Uma coisa era encontrar-se com ele com os serventes a curta distância; outra totalmente distinta era enfrentar-se em uma planície solitária. Não tinha nenhum desejo de estar com o conde; não sabia se ele se sentiria inclinado à vingança por ameaçá-lo com a ponta da espada durante seu primeiro encontro, ou por ter desafiado suas ordens expressas naquela tarde. A lamentável verdade era que o formoso diabo a desconcertava com seu ágil corpo e seus largos ombros, com seus penetrantes olhos azuis e seu sorriso insinuante. Naquele preciso instante, não se sentia segura de poder defender-se contra ele. Ou possivelmente era tão somente que se tornou covarde. Sem atrasar-se mais em analisar as deficiências de seu caráter, a jovem virou seu cavalo e o


impulsionou ao galope que havia a certa distância. Entretanto, qualquer esperança que pudesse ter de que o homem não a tivesse visto se desvaneceu imediatamente quando se aventurou a olhar por cima do ombro. Estava a perseguindo. Com o coração acelerado, inclinou-se sobre sua cadeira de montar e apressou seus arreios. Quando chegou e se inundou em sua fria sombra, viu-se obrigada a reduzir a velocidade para esquivar os ramos baixos, que lhe enganchavam no chapéu. Era evidente que para o conde não acontecia o mesmo. O som dos cascos de seu cavalo, cada vez mais perto, fez-lhe compreender que ainda seguia perseguindo-a. Quando Arabella saiu de novo a uma planície iluminada pelo sol, redobrou seus esforços, mas sabia que ele estava ganhando terreno rapidamente. O pulso martelava nas têmporas ao compasso do repico de seu frenético galope quando o viu situar-se a sua altura. Por um instante, correram junto ao outro enquanto seu coração pulsava com inesperado alvoroço. Logo, de repente, o conde estendeu o braço para rodeá-la com firmeza pela cintura e arrancar a de sua cadeira como se não pesasse mais que um algodão. O grito de alarme de Arabella se converteu em outro de indignação quando se viu sentada de lado sobre o cavalo de lorde Danvers, diante dele e envolta em seu poderoso braço. Enquanto se agarrava desesperada para manter o equilíbrio, sua ofegante exigência, «Deixe-me ir, diabo!», ficou sufocada e sem efeito contra seu ombro, e não recebeu nenhuma resposta. Em lugar de soltá-la, o conde se limitou a segurá-la com mais força. Quando por fim deteve seu cavalo, Arabella ofegava de fúria, e levantou a cabeça para olhá-lo raivosa. Imediatamente, compreendeu que tinha cometido um engano, porque, ao fazê-lo, sua boca ficou a poucos centímetros da dele. Uma deliciosa sacudida a percorreu inteira. Tinha estado fantasiando com aqueles firmes e sensuais lábios... Logo, seus olhos se encontraram, e ambos pareceram conter a respiração. O repentino silêncio soava ensurdecedor. Arabella sentia como se o coração lhe fosse sair do peito, dessa vez não podia atribuí-lo ao exercício físico. Mas era devido a sua postura, estreitada contra o musculoso corpo do homem, com seus palpitantes seios pegos a seu largo peito. Lorde Danvers permanecia sentado impassível, olhando-a especulativo, enquanto lhe devolvia o olhar. Quando ele deslizou a vista por seu pescoço nu e logo mais abaixo, a seus seios, que destacavam proeminentes, Arabella lamentou não haver colocado algo que a protegesse mais que aquele vestido de musselina de decote baixo, em consonância com o calor da tarde de primavera. Era plenamente consciente de que seus seios se endureceram diante do contato masculino, e o conde também parecia ter notado a atrevida resposta de seu corpo, porque seus azuis olhos cintilaram com um brilho sensual. Sua voz soou como um rouco e sarcástico murmúrio quando observou: -Tinha previsto certo modo de me receber de sua parte, senhorita Loring, mas confesso que este não era um deles. Ela ficou rígida diante de seu tom entre insinuante e zombador. -Tampouco eu, milorde. O que propõe me maltratando deste modo? O brilho de seus olhos se fez mais intenso. -Acabo de te resgatar, é evidente. -Não necessitava que me resgatasse! -Ah, não? Tenho suposto que seu cavalo se desbocou, porque você nunca teria sido tão grosseira para ignorar de maneira intencional seu encontro comigo. Cheguei em sua casa faz uma hora, e não encontrei você nem suas irmãs. Ela não tinha uma resposta para aquilo, sendo que sua ausência tinha sido completamente intencional. -Deve ter esquecido da hora. –seguiu dizendo o conde-, porque estou seguro de que não se propunha me causar o sofrimento de ter que sair a procurá-la. Arabella se ruborizou. -Estava ocupada na hora que você impôs. -Impus? -Arqueou uma sobrancelha. -Não foi nem muito menos uma imposição. -Pois parecia muito, sendo que não me deu nenhuma voz no assunto. Ele voltou a dirigir o olhar para seus lábios. -Ao que parecer, sua fuga teve conseqüências que você não tinha previsto. Diante do perplexo olhar da jovem, lorde Danvers se removeu ligeiramente debaixo dela. -Talvez você não soubesse que o exercício físico excita o sangue dos homens. Mas como,


combina a emoção com a perseguição... Deixou a frase em suspense até que Arabella sentiu a dura ereção contra sua coxa, e compreendeu o significado de suas palavras. Nesse momento recuperou a sensatez e apertou as mãos contra o peito do conde, decidida a liberar-se. Entretanto, era muito tarde. De repente, ele inclinou a cabeça para cobrir sua boca com um beijo. Um beijo lento, irresistível e feiticeiro. O inesperado de seu assalto a deixou aturdida. Sentia-se enjoada e mal podia respirar. Diante daquele calor abrasador, o pânico se fundiu com uma insidiosa excitação contra a qual não pôde lutar. Em vez disso, seu corpo se rendeu instintivamente enquanto os lábios dele se moviam sobre os seus com deliciosa pressão. Quando sua língua aprofundou explorando sua boca, Arabella proferiu um gemido de impotência. Marcus sentiu o mesmo calor apoderando-se dele, a mesma grande onda de desejo que tinha experimentado em seu primeiro encontro... Só que nesta ocasião ainda mais poderosa. A sensação o sacudiu. E a ela também, disso não tinha nenhuma dúvida, sentindo como sentia despertar sua excitação. Estreitou seu abraço e fez mais profundo o beijo, reclamando e cortejando, desejando muito mais. Sua ereção pulsava, seu pulso palpitava. Quando por fim se interrompeu para olhá-la, uma tangível emoção vibrava entre eles enchendo o ar. Sentiu a jovem tremer com intensidade entre seus braços enquanto lhe devolvia o olhar. -Me solte. -pediu por fim com um rouco sussurro. -Arabella... -murmurou ele sem desejar obedecê-la. Com as costas de repente rígidas, olhou-o furiosa, seus olhos cintilando com renovado fogo. Ao ver que não a soltava, jogou o punho para trás e o golpeou no queixo com toda sua força. O inesperado ataque impulsionou a cabeça de Marcus para trás e lhe produziu uma vibrante dor em todo o queixo que o fez proferir um rouco juramento. A reação de seu corpo foi ainda mais primária que antes: sentiu o selvagem apresso de voltar a beijá-la, de conquistála e lhe demonstrar seu domínio. Entretanto, a garota aproveitou sua momentânea vacilação para liberar-se de seu abraço. Quando tentou descer do cavalo, nessa ocasião ele se obrigou a deixá-la ir, agarrando-a do braço somente para ajudá-la a descender até o chão. Aterrissou nele torpe mente, mas se virou em seguida para enfrentar-se como se não desejasse lhe dar mais vantagem. O conde permaneceu na cadeira, olhando-a com incredulidade. Uma vez mais, a senhorita Loring o tinha pego totalmente de surpresa; não bastava sua própria e inesperada resposta a que mais o tinha inquietado. Tinha tratado de convencer-se de que a fera atração que sentia por Arabella era uma aberração. Durante os últimos quatro dias tinha tentado afastá-la de sua mente. Para seu desespero, não tinha sido capaz de esquecê-la nem um momento. Em lugar disso, não podia pensar mais que em voltar a vê-la, e comprovar se seguia tão cheia de vida e fogo como recordava. Agora já tinha sua resposta. Ali estava desafiante, com as bochechas ruborizadas, os lábios úmidos e brandamente machucados pela paixão, e com os punhos apertados, disposta para uma batalha. Era até o último centímetro a formosa fúria que tinha invadido seus sonhos nas últimas quatro noites. Marcus não se propôs tomá-la entre seus braços nem tinha tido intenções de beijá-la. Mas tinha sido seduzido por seu fogo tentador, e essa abrasadora indulgência o tinha deixado ardendo e dolorosamente endurecido. Seu corpo se estremecia com o primitivo apresso de estendê-la na suave erva da primavera e tomá-la ali mesmo, na planície, e afundar seu palpitante membro em sua apetecível carne e vencê-la através do prazer. Para piorar ainda mais as coisas, seu choque físico ainda tinha intensificado mais o pulso que mantinham entre eles. Enquanto permanecia sentado olhando-a, assaltaram-no dois pensamentos ao mesmo tempo: desejava Arabella Loring mais do que tinha desejado alguma mulher em sua vida. E não podia tê-la. Não era tão libertino para seduzir a sua própria pupila, uma jovem dama que se achava sob


seu amparo. O único modo honorável de tê-la em sua cama seria mediante o matrimônio... Essa reflexão o fez aspirar ar com força. Matrimônio. Não, rebelou-se automaticamente sua mente consciente. No momento não tinha intenções de casar-se; certamente, não só para gerar um obrigado herdeiro. «Mas se a desejas - argumentou uma insistente voz interior-, terá que levar sua relação a um regime de maior igualdade que o de tutor e pupila.» Agitou a cabeça sem logo dar crédito ao que estava considerando. Dava-se perfeita conta de que seu desejo estava preponderando sobre seu sentido. Ou não era assim? Considerava-se a situação com lógica, casar-se com Arabella não era algo tão irracional. Desejava lhe procurar bem-estar encontrando um marido adequado, e ele era melhor candidato que a maioria. E, por outra parte, ela estava capacitada, para criação, para ser sua condessa, mesmo que pese o escândalo protagonizado por sua família. Cansando-se com ela, podia cumprir com seu dever de lhe proporcionar um herdeiro a sua ilustre linhagem, e uma vez que pudesse satisfazer de maneira honorável seu ardente desejo de tê-la em sua cama. Entretanto, o argumento mais importante era como se sentisse respeito ao feito de prenderse a ela em uma união para toda a vida. E qual era a resposta? A inegável verdade era que Arabella Loring era a única mulher que tinha conhecido com a qual poderia realmente desfrutar tendo-a como esposa. E duvidava enormemente que pudesse encontrar alguma que se adequasse melhor a suas necessidades. Marcus inspirou fundo enquanto chegava a uma decisão. Talvez houvesse se tornado louco, mas tinha intenções de lhe propor matrimônio a sua pupila. Contemplando-a ainda atônito, dedicou-lhe um avesso sorriso ao mesmo tempo que se esfregava com muito tato seu queixo. -Gentleman Jackson admiraria seu soco de direita, senhorita Loring -observou, referindo-se ao mais importante campeão de boxe da Inglaterra. Ela franziu a boca, irritada. -E como esperava que reagisse depois de me abordar desse modo? Simplesmente me limitei a me defender. Marcus assentiu pormenorizado diante de sua réplica. -Certamente, fez de maneira admirável. E sem dúvida eu merecia algo pior por me haver deixado levar desse modo. Rogo-lhe sinceramente que me perdoe. Ao ver que não respondia a sua desculpa, desmontou com lentidão sem afastar os olhos da jovem. Arabella procurou em torno de seus arreios, e pareceu consternada ao ver seu cavalo pastando a meia planície de distância. Retrocedeu um passo, indicando claramente seu desejo de permanecer separada dele. Isso fez com que Marcus se detivesse. Não queria assustá-la... embora não acreditava nem por um momento que ela se assustasse facilmente. -Não estou acostumado que as mulheres fujam de mim - comentou lacônico. -Estou segura de que sim.-replicou a senhorita Loring com tom seco. -Entretanto, você e suas irmãs parecem ter o costume de fazê-lo. Fui informado que Roslyn e Lilian faz vários dias que estão ausentes; desde que você recebeu minha mensagem expressando minha intenção de visitá-la hoje. Arabella ficou tensa e ergueu o queixo. -Sabia! Seus serventes estiveram nos espiando! Marcus não disse nada, pois era verdade. Durante os últimos dias, tinha mandado a seus próprios empregados à mansão Danvers para ajudar os dois anciões criados, claramente insuficientes mesmo com a sua boa vontade em manter a vasta propriedade. Quantos serventes Marcus tinha enviado lhe eram leais, gente disposta a informá-lo regularmente sobre suas pupilas. Haviam-lhe dito que Arabella se manteve afastada deles o máximo possível, enquanto que suas irmãs não as via por nenhum lado. -Desejava começar pondo ordem na mansão - respondeu ele por fim. -Mas lhe rogo que não mude de tema, senhorita Loring. Não tenho nenhuma dúvida de que você dispôs para que suas irmãs desaparecessem, em um intento de frustrar meus planos. Arabella esboçou um inocente sorriso.


-Desenvolveram um curioso caso de erupções na pele. -Têm-na ainda agora? -perguntou ele. -Sim. Evidentemente deve tratar-se de uma reação a sua anunciada visita. Preocupou-me que pudesse ser contagioso, por isso as mandei para longe com o fim de proteger a saúde de sua graça. Marcus se pôs a rir. -Vamos, Arabella. Não poderíamos ter uma trégua por um tempo? Não desejo que briguemos. A resolvida expressão da jovem se suavizou em parte. -Tampouco eu desejo liderar uma guerra, milorde, mas você se nega a compreender que não desejamos nos ver obrigadas a contrair matrimônio por um tutor. -Prometo a você que não quero casá-la com ninguém, proponho-lhe que o faça comigo. Pelo assobio de sua respiração pôde compreender que ela ficou tão emocionada como ele. Marcus pensou que era incrível que realmente considerasse dar o surpreendente passo de abandonar seu valioso celibato. Mas em certo sentido, sua decisão parecia correta. Agora, pensou, tinha que fazer compreender Arabella a lógica de sua proposta e convencêla de que aceitá-lo era o que mais lhe convinha. -Havia dito que quer casar-se comigo? -repetiu à jovem, que claramente acreditava não ter ouvido bem. -Sim, em efeito, me casar com você. -respondeu ele afável mais convencido disso quanto mais o considerava. -Sei que a peguei de surpresa, mas sim, eu gostaria de lhe fazer uma honorável proposta de matrimônio. CAPITULO 03 É possível que o novo conde, além de ser irritante, esteja louco. Seu atônito silêncio durou alguns minutos. -Tornou-se louco? -perguntou por fim em um tom cauteloso. Um irônico regozijo brilhou nos olhos dele. -Asseguro-lhe que estou por completamente ciente. -respondeu-. Simplesmente, estou-lhe propondo matrimônio. Ela se pôs a rir sem poder evitar. Ainda lhe fraquejavam as pernas pelo inesperado assalto do conde a seus sentidos e agora fora que sua cabeça estivesse dando voltas com sua surpreendente ocorrência. -Sua risada me ofende. -disse lorde Danvers-. Admito que minha proposta é inesperada, mas lhe asseguro que se trata de um assunto sério. Arabella deixou de rir e levou uma mão à testa. -Não posso acreditar, milorde. Lady Freemantle me disse que você era um solteirão assumido. -Era... Até dois minutos atrás. Mas beijá-la produziu um surpreendente efeito em meu julgamento. Tem-me feito dar conta de que desejo que você seja minha condessa. Ela ficou olhando desconcertada. -Como é possível que um beijo o tenha conduzido a essa conclusão? O conde encolheu seus largos ombros. -Não foi só o beijo. Existem várias razões que a convertem em uma boa escolha para mim. Mas principalmente... Bem, em algum momento deveria me casar, e você é a primeira mulher que me interessou para fazer com que me exponha dar esse passo. -Mas você não sabe quase nada de mim. -Sei o suficiente para pensar que podemos nos entender bem. Nenhum dos dois se aborrecerá nunca. Ainda surpreendida, Arabella o contemplou durante um longo momento. -Não escutou nada do que lhe disse em Londres a respeito de minha aversão ao matrimônio? -Escutei atentamente, mas me proponho convencê-la para que o reconsidere. Sua confiança em si mesmo a deixou atônita. –Nunca obterá milorde. -Não? -Um sorriso apareceu em seus lábios. -É evidente que você não me conhece, Arabella. Começava a exasperar. -Sim, não te conheço, e tampouco sinto desejos de fazê-lo.


Certamente, não como sua esposa. -Talvez não considerasse as vantagens que isso lhe suporia. -Vantagens? -repetiu ela. -Como condessa de Danvers não lhe faltará de nada. -Salvo a liberdade de controlar minha própria vida. Em sua qualidade de marido, você teria ainda maior poder sobre mim de que tem agora como tutor. Segundo a lei, você séria meu «amo e senhor» e eu seria legalmente sua posse. Não desejo que nenhum homem me controle desse modo. Ele fez uma careta. -Não tenho nenhum desejo de controlada, querida. Simplesmente lhe estou propondo um matrimônio de conveniência. Essas palavras alcançaram um ponto sensível de Arabella. Ela tinha jurado para si mesmo que nunca contrairia um matrimônio de conveniência, como tinha sido a amarga união de seus pais. Que só se casaria por uma razão, que era o amor. -Bem, você pode estar desejoso de tal acerto, milorde, mas isso não tem nenhum atrativo para mim - declarou por fim. - Meus pais se casaram por conveniência e se fizeram um ao outro profundamente desgraçados. -Não precisamos ter essa aula de união. -respondeu ele, paciente. -Não precisamos ter nenhuma aula de união absolutamente! Diante de sua apaixonada exclamação, Marcus a olhou pensativo. -Certamente, outorgarei um importante dote de matrimônio e proverei generosamente suas irmãs. Acredito que deveria estar reconhecida de que já não precise ganhar mais a vida ensinando em sua academia. Arabella puxou o ar devagar, esforçando-se por tranqüilizar-se. -É evidente que você não compreende. Nós não desejamos renunciar ao ensino. Nosso emprego não é só agradável, mas é gratificante. Além disso, dá-nos a independência para fazer exatamente o que queremos. Diante sua resposta, ele adotou outra tática. -O matrimônio comigo fará muito para restabelecer sua reputação na sociedade. Ela ergueu o queixo diante da lembrança de sua deteriorada situação. -E isso o que importa? Faz muito que me resignei a estar em busca da alta sociedade. Não tem que manter uma conduta irrepreensível concede uma bendita dose de liberdade. Enquanto observemos um comportamento aceitável para os pais de nossas alunas, não precisamos nos preocupar com a opinião de ninguém mais. O conde a contemplou por um longo momento em silêncio, e logo disse: -Poderia pensar em suas irmãs. Não merecem a oportunidade de levar a vida normal das jovens damas da nobreza? Sua pergunta, tão razoável, fez ela se sentir incômoda e algo culpada, plenamente consciente de que estava recusando a oportunidade de ajudar suas irmãs. Mas logo negou inflexível com a cabeça. -Precisamente estou pensando nelas. Roslyn e Lily pensam o mesmo que eu sobre o matrimônio e dos homens. E estão tão decididas como eu a ser as proprietárias de seu futuro. Marcus a olhou pormenorizado. -Entendo que odeie os homens. Seu prometido a abandonou de maneira muito pouco cavalheiresca quando se inteirou do escândalo ao qual se enfrentava sua família. Já não deveria doer que lhe recordassem esse humilhante episódio ocorrido fazia quatro anos. Agora o desespero e a angústia estavam superados. Mas em troca não podia esquecer a dolorosa experiência nem a dura lição que tinha aprendido com isso. Arabella tinha acreditado que seu compromisso se apoiava no amor mútuo. Só por isso tinha aceito a proposta do visconde. Mas sua alegria por haver-se apaixonado por um homem que a sua vez assegurava amá-la, tinha desaparecido de repente por sua pública traição. Jamais voltaria a cometer um engano semelhante. -Eu não odeio os homens. -replicou. -Simplesmente, não tenho necessidade de um marido. -Não deseja ter filhos? A pergunta a pegou despreparada e não pôde evitar sentir a pontada de pesar que a atravessou. Não ter filhos era um imenso inconveniente de sua decisão de não casar-se nunca. A única, conforme tinha chegado a acreditar. -Não o suficiente para suportar um marido. -respondeu por fim. -Eu desejo ter filhos algum dia. -reconheceu o conde. -É minha obrigação perpetuar o nome


e os títulos familiares. Mas isso requer que em primeiro lugar tenha uma esposa. -Sim, o que deseja é uma égua de cria que lhe dê herdeiros? -perguntou Arabella brandamente. -Suspeitava. -Não. -replicou ele exasperado. -O que desejo é uma companheira. Era difícil de acreditar que um nobre libertino como lorde Danvers estivesse procurando uma companheira para sua vida, mas conseguiu morder a língua antes de pôr em dúvida sua veracidade. Em lugar disso, esforçou-se por sorrir agradavelmente. -A resposta educada nestes casos é expressar reconhecimento, de modo que lhe agradeço sua generosa proposta, milorde, mas devo decliná-la. -Proponho-me fazê-la mudar de idéia. Arabella ergueu as costas ligeiramente diante de sua provocadora declaração. Quando ele esboçou um encantador sorriso, sentiu uma intensa palpitação que tratou de sufocar em seguida. -Não vejo como posso expor minha postura com maior claridade, lorde Danvers: não me casarei com você nem por todo o ouro do mundo. Está bastante simples para entender? Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. -Sabe você quantas mulheres se sentiriam eufóricas se recebessem minha proposta de matrimônio? -Então peça a uma delas. Sem dúvida estarão delirantemente felizes em aceitar. Eu não. Sua réplica lhe fez esboçar um genuíno sorriso. -Não desejo qualquer outra mulher. Escolhi você, Arabella, e me proponho tê-la. Ficou boquiaberta. Que infernal arrogância daquele homem! Desejando não seguir suportando por mais tempo aquela conversa, deu meia volta e atravessou a planície para ir em busca de seu cavalo, que seguia pastando. Entretanto, a seguinte palavra do conde a fizeram deter-se em seco. -Eu poderia fazê-la enormemente ditosa, Arabella. Não tenho nenhuma dúvida de que desfrutaria em nossa cama matrimonial. Sem saber se devia se sentir ofendida ou divertida por sua audaz declaração, virou-se para olhá-lo no rosto. -Algo arrogante de sua parte, não lhe parece, milorde? -Não é presunção. Você desfrutaria sendo minha amante, já me asseguraria disso. Mas o único meio honorável para que cheguemos a ser amantes é através do matrimônio. Ela estava muito exasperada para responder... Coisa que, provavelmente, era o que lorde Danvers pretendia; estava tentando lhe fazer perder a razão lhe dirigindo tão descaradas palavras. Seu silêncio lhe fez sorrir de novo. -Reconheço que me sinto intensamente atraído por você. -prosseguiu-, e você está se sentido assim também quando nos beijamos, não negue. Estremeceu-se de desejo por mim. O rubor alagou as bochechas de Arabella. Era verdade que se estremeceu em seus braços... Embora, certamente, nunca o reconheceria diante dele. -Não seja ridículo. -replicou. -foi simplesmente conseqüência da impressão diante de seu inesperado assalto. Não podia acreditar que estivesse se comportando como um bruto. Asseguro-lhe que não me sinto atraída por. Ele avançou um passo. -Quer que demonstre? -Se você se atrever a tentar, juro que te esbofeteio! Seus olhos azuis brilharam com contida diversão enquanto se esfregava o dolorido queixo. Arabella advertiu que tinha um machucado no ponto onde lhe tinha golpeado. Por um momento, sentiu-se envergonhada, até que recordou o que tinha provocado sua reação... Como o conde a tinha levantado sem cerimônias de seu cavalo e se negou a soltá-la inclusive depois de beijá-la. Ou talvez tivesse reagido desse modo tão agressivo precisamente porque ele a tinha beijado. Entretanto, lorde Danvers não parecia intimidado por sua ameaça. -Se antes pretendia me esbofetear, me permita lhe dizer que errou por uns centímetros, querida. - Estava provocando-a intencionalmente, ela sabia muito bem. E suas táticas funcionavam. Arabella apertou os punhos, contendo-se apenas para não avançar para ele e lhe dar outro murro em seu formoso rosto. -Não cabe dúvida de que é você o homem mais exasperado que conheci, lorde Danvers.


-Talvez, mas isso é só porque não me esforcei o suficiente em agradá-la. Se tratasse de cortejá-la seriamente não seria capaz de resistir. Ela ficou boquiaberta. -Certamente que seria capaz de resistir ! -Atrever-se-ia a apostar a respeito? Diante de seu suave tom, Arabella de repente voltou a mostrar-se cautelosa. -A que se refere apostando? -Quão importante é para você sua independência? -Desculpe? Não lhe compreendo. Uma vez mais, a cabeça lhe dava voltas diante da inesperada ofensiva de lorde Danvers. -O que está disposta a fazer para emancipar-se de minha tutela? «Muitíssimas coisas» foi seu imediato pensamento. -Por quê? -Não posso renunciar a minha responsabilidade por você, mas posso encarregar meus advogados que redijam um documento legal lhe outorgando completo controle sobre seus próprios assuntos. Para você e para suas irmãs. -Com que fim? -Para me dar uma legítima possibilidade de cortejá-la. -Me cortejar? Por que diabos deseja fazer algo assim? Já te disse que não me casarei com você sob nenhum conceito. -Desejo ter a oportunidade de fazê-la mudar de idéia. Se não conseguir convencê-la de que me aceite como marido, digamos, em um mês, concederei a liberdade às três e as farei financeira e legalmente independentes de minha tutoria. Feche a boca, querida acrescentou, ao vê-la olhando-o surpreendida. -É muito bonita para ficar boquiaberta como um peixe fora da água. Arabella o fez, embora na realidade se sentisse quase sem fôlego. -Ao ver compreendido sua aposta, milorde. Você nos concederá a liberdade se posso resistir sua «persuasão»? -Exatamente. -Possui uma surpreendente confiança em seus poderes de sedução. Ele esboçou um sorriso. -Pode se expressar desse modo. Em troca, você deve me permitir cortejá-la de maneira adequada. E se não conseguir resistir, se conseguir que reconheça que me deseja como marido, então terá que casar-se comigo. Que arrogância a sua ao acreditar que podia convencê-la a aceitar sua oferta de matrimônio! Não seria capaz de... Certamente. Ao vê-la vacilar, lorde Danvers negou com a cabeça com tristeza. -Não esperava que se acovardasse. Temo que ganharei a aposta. Arabella compreendeu que de novo estava ferroando-a. -Não tenho medo! -replicou. Pelo menos não muito. Poderia ser sensível a seus assombrosos beijos, mas corria pouco risco de desejar tê-lo como marido, porque se propunha não casar-se nunca. -Não ganhará, milorde. -Então não deveria ter nenhum problema em aceitar. Depois de tudo, estou-lhe oferecendo a oportunidade de conseguir exatamente o que diz o que mais deseja, sua independência. -Muito bem, aceitarei sua condenada aposta! O brilho dos olhos de lorde Danvers indicava seu prazer e satisfação, o que quase a fez lamentar ter resumido. Tinha o provocado para que aceitasse seu desafio pese ao perigo da intensa atração que sentia por ele. E, entretanto o prêmio era irresistível: não só podia garantir a segurança de suas irmãs, como podiam liberar-se da tutela do conde para sempre, que seguiria sendo uma ameaça para sua independência. Que não teria nenhum direito de casá-las nem a obrigá-las a renunciar a seus trabalhos na academia. Sim, pensou Arabella, estava profundamente encantada diante da oportunidade de ganhar sua liberdade. Entretanto, um mês parecia excessivo. Não confiava tanto em si mesmo para poder resistir a vontade de sedução de lorde Danvers durante esse tempo; embora, nunca admitiria suas dúvidas diante dele. -Não obstante - matizou ela-, a duração da aposta deve ser mais breve. Não mais de duas semanas. Não poderia suportar sua insofrível arrogância por mais tempo.


O conde vacilou um breve instante antes de responder. -Feito, embora me obrigue a me submeter a umas condições muito duras querida. -Devo estar louca. -murmurou Arabella. -Não mais que eu - respondeu ele. -Mas já que você modificou minha proposta inicial, eu devo tentar assegurar alguma oportunidade de ganhar. Proponho que passe um certo tempo em minha companhia com regularidade, não menos de quatro horas por dia. E deve ser um tempo de minha escolha. Arabella franziu a testa. -Não pode interferir em minhas obrigações na academia. -De acordo. Encarregarei que me prepare bagagem para uma visita prolongada e que tragam para a mansão Danvers. A inquietou compreender que lorde Danvers se propunha instalar-se ali durante quinze dias ou mais, como proprietário tinha todo o direito de fazê-lo. Negou com a cabeça. -Não pode ficar na casa estando eu sem companhia. Você não é um parente, embora seja nosso tutor. -Deveria ter pensado nisso antes de mandar ocultar suas irmãs - replicou ele secamente. A jovem o olhou exasperada. -Se insistir em viver aqui, refugiarei-me na casa de lady Freemantle. O conde arqueou uma sobrancelha. -É aí onde ocultou a suas irmãs? -Ao ver que não respondia, deu-se de ombros. -Teremos um exército de serventes que nos servirão de companhia. Minha estadia aqui pode ofender aos mais afetados, mas não fará que sua reputação corra nenhum perigo real. -Tem razão -respondeu Arabella esforçando-se por reprimir o tom de amargura de sua voz. Sua reputação já estava manchada sem remédio por causa dos escândalos de seus pais, de modo que era inútil questionar a conveniência de que seu novo tutor vivesse sob o mesmo teto que ela com apenas alguns serventes como companhia. Além disso, se alguma vez decidir casar-se, não importaria que sua reputação não fosse totalmente irrepreensível enquanto não tivesse protagonizado um autêntico escândalo. E por fim teria que pensar em sua academia. Por outra parte, não tenha nenhuma dúvida de que os pais de suas alunas ficariam muito impressionados ao saber que entre seus conhecidos há alguém tão ilustre como o conde de Danvers. Eles não julgariam severos acertos de convivência. As classes em geral não eram tão críticas como a alta burguesia, que considerava a si mesmo árbitro indiscutível das normas sociais. -Poderia fazer voltar suas irmãs para casa. -sugeriu sua senhoria em tom provocador. Essa idéia já tinha ocorrido a Arabella. A presença de suas irmãs lhe ofereceria mais amparo diante o endiabrado conde... Mas então quem protegeria suas irmãs de suas maquinações? -Não estou tão desesperada. -respondeu ela com imposta doçura. Ele a olhou pensativo. -Talvez seja conveniente que suas irmãs não estejam. Isso nos dará mais oportunidades de estar sozinhos para levar adiante nosso cortejo. Esse pensamento a desconcertou por um momento, mas logo endireitou os ombros. Deveria ser capaz de dirigir a lorde Danvers durante duas semanas. Tinha toda a intenção de ganhar sua condenada aposta. Ele deve ter lido a resolução em seus olhos, porque sorriu. -Suspeito que nossa aposta será muito agradável para os dois. . «Para você talvez», pensou Arabella incômoda. Sem dúvida, seria divertido tratar de fazer com que o desejasse como marido. Mas possivelmente ela pudesse lhe seguir o jogo... Estava considerando essa atraente possibilidade quando o conde mudou de novo de tática. -Aproxime-se, Arabella. -murmurou com voz sedutora. A jovem resistiu instintivamente. -Por que? -Porque pretendo pedir outro beijo para selar nosso pacto. -Ao vê-la ficar imóvel, disse brandamente. -aceitou permitir-me que a cortejasse, recorda? -Não aceitei que me beijasse. -Mas beijar faz parte do cortejo. -Seus tipos de beijos, não! Nenhum pretendente correto beija como você.


O sorriso que se insinuava em seus olhos era irresistível. -Prometo que não me proponho assaltá-la de novo. Tenho em mente algo muito mais agradável. -Sua voz era cálida, inquietante e mais sedutora do que deveria. –Vamos a um simples beijo, nada mais. Nem sequer vou abraçá-la, dou-lhe minha palavra. Mas Arabella ainda vacilava. Lorde Danvers tinha o olhar mais sensual e inquietante que nenhum outro homem que ela tivesse conhecido, e era extremamente perigoso estar perto dele. -Como posso confiar que não se aproveitará de mim? -Se o tentar a autorizo que me faça recuperar o juízo. -Farei, pode estar seguro. -Considero-me devidamente advertido. Agora, deixe de ser tão afetada. Não combina com você absolutamente. Seu preguiçoso e provocador sorriso fez com que o pulso de Arabella se acelerasse de maneira alarmante. Não podia acreditar que se deixou convencer para meter-se naquele perigoso terreno. Como ia resistir a um libertino tão encantador? -Arabella... -insistiu ele em voz baixa. Ela se esforçou por aproximar-se até ficar a poucos passados do conde, que tinha os olhos fixos nos seus; sentiu-se como se não pudesse nem pensar. Ao vê-la se deter, lorde Danvers cobriu a distância que os separava até que estiveram quase roçando-se. Arabella se mantinha rígida, debatendo-se entre o temor e a espera. Não podia esquecer o tato de seu peito musculoso contra seus seios, os fortes braços que a tinham estreitado, os firmes e sensuais lábios que havia coberto os seu com tão fogoso ardor. Mas desta vez ele se limitou a estender a mão para pegar a dela e levar-lhe a seu queixo machucado. Seus dedos rodearam seus punhos com suavidade... E logo se deteve. -Beijaram-na alguma vez antes, Arabella? Ela piscou diante da inesperada pergunta. -Claro que me beijaram. Estive prometida, recorda? -Arrumado para que não fosse mais que algum insípido beijo. -O que importa isso? -Importa muitíssimo. Se não tiver um ponto de referência é possível que suas expectativas sejam muito baixas. Arabella aspirou profundamente; os dedos do conde tocavam a pele nua de seu braço, no final da luva. -Realmente é uma lástima. -O que é uma lástima? -perguntou ela quase ausente. Estava contemplando os lábios masculinos, desconcertada por sua proximidade. -Que você seja uma inocente virgem sem experiência na paixão ou o prazer físico. Suas bochechas avermelharam de repente. -Certamente que sou virgem! Mesmo com o nosso escândalo familiar, sou uma dama. Não somos como nossa mãe. Nessa ocasião, não pôde ocultar sua amargura. Ele suavizou o olhar. -Se soubesse os prazeres que a esperam, não renegaria aos homens tão rápido. Não tem nem idéia do que está perdendo. -E suponho que você se está oferecendo para me mostrar isso -Pois sim. -Não desejo que me demonstre nada, lorde Danvers. Só quero que me beije e que acabemos com isso. Você poderia fazê-lo de uma vez, por favor? -Muito bem. Inclinou lentamente a cabeça. Arabella ficou rígida diante do que iria acontecer. Nesta ocasião se negou a pôr-se a correr como uma covarde. Depois de tudo, supunha-se que ia ser um simples beijo... O problema consistia em que seu beijo não fosse simples. A carícia foi um simples roçar de lábios, certo, mas sua boca era cálida e a deliciosa pressão fez girar seus sentidos com um calor abrasador e que seu corpo se estremecesse de desejo. Igual tinha acontecido antes, quando ele a tinha deixado fraca, sem fôlego e impotentemente excitada. Aquilo era magia. Aquele homem a estava submetendo a algum tipo de endiabrado feitiço. Sentiu-se inexplicavelmente decepcionada quando notou que se afastava. Depois de um breve momento, deu-se conta de que a estava olhando fixamente uma vez mais, e se sentiu aturdida.


Levou os dedos aos lábios enquanto devolvia o olhar. Nas profundidades de seus olhos azuis viu que se acendeu uma chama... o mesmo tipo de chama que ele tinha aceso profundamente nela. -De modo que, depois de tudo, não era uma aberração. -murmurou ele em voz baixa e rouca. Arabella tratou de recuperar o controle de seus sentidos. -O que é que não é uma aberração? -Não importa. -A satisfação brilhava em seus olhos enquanto retrocedia. -Está agora disposta a voltar para casa? Ela sacudiu a cabeça para liberar-se de seu atordoamento. -Ainda não. Esta tarde, dei uma aula na academia e quero visitar lady Freemantle para lhe dar meu relatório. Gosta de manter-se em dia dos detalhes. -Acompanharei você,. -Não será necessário. Casa de sua senhoria está exatamente depois da próxima colina. Ele olhou na direção que a jovem indicava. -Então enviarei a um criado para que a acompanhe de volta quando tiver acabado. Eu não gosto de pensar que retorna sozinha, a cavalo para casa. Arabella adotou uma expressão irônica. -Levo faço isso há anos, lorde Danvers. Isto não é Londres. Nossa vizinhança é boa, com pouca malignidade nem delinqüência. -Mesmo assim, deveria acompanhá-la um criado. Surpreende-me que seu antigo tutor fosse tão descuidado. Ela ficou rígida. -Os pobres não podem permitir-se criados, milorde. -Seu tio sim podia lhe haver facilitado um criado para seu amparo. Ela sorriu sem humor. -Nosso tio não nos considerava dignas desse gasto. Lorde Danvers a contemplou em silêncio. -Fere seu orgulho ser tão dependente, verdade? -Certamente. -Posso imaginar. Isso fez sorrir Arabella com autêntico regozijo. -Duvido sinceramente. É muito provável que você não tenha dependido nunca de nada e nem de ninguém em toda sua vida. Ele assentiu com a cabeça, reconhecendo a verdade de sua hipótese. -Não, pelo menos não desde que usava calça curta. Mas no futuro, quando você não estiver em minha companhia, agradeceria muito que aceitasse que uma de meus criados a acompanhasse. Ela inclinou a cabeça. -E por que teria eu que desejar lhe agradar? -Porque me preocupo com seu bem-estar, querida. Sua rápida resposta a fez deter-se. Era a primeira vez fazia anos que um homem se preocupava com seu bem-estar. Seu tio, certamente, não o tinha feito. -Considerarei - admitiu. -Não deseja ceder nem um centímetro, não é assim? -Não, milorde - respondeu ela brandamente. -Meu nome é Marcus. Se for ser seu pretendente, deveria me chamar por meu nome. Aproximou a mão a sua boca e passou levemente o polegar por seu lábio inferior. -Espero-te em casa a tempo de jantar comigo esta noite. Prometeste-me quatro horas diárias de companhia, lembra-te? -Lembro-me. -conseguiu responder com voz afogada. O conde retornou a seu cavalo, agarrou as rédeas e montou. Logo ficou olhando-a. -Ah, Arabella! A próxima vez que fugir de mim, escolhe um cavalo mais rápido, porque não te deixarei ir tão facilmente quando te apanhar. E com essas palavras, fez girar seus arreios e se afastou deixando-a boquiaberta, levandoos dedos aos lábios.


CAPITULO 04 Devo estar louca, porque aceitei à aposta do conde. Marcus negou incrédulo com a cabeça enquanto cavalgava para a mansão Danvers. Não tinha contado que faria uma impulsiva proposta de matrimônio a sua formosa pupila. Depois de manobrar durante tantos anos para esquivar as armadilhas que lhe tinham estendido infinidade de mulheres era irônico que se comportasse assim. Mas tinha atuado por puro instinto. Se tivesse que casar-se, desejava fazer com uma mulher como Arabella, e não queria arriscar a perdê-la. Não cabia dúvida de que cumpria os requisitos para ser sua condessa, com educação, beleza e inteligência de sobra para isso. E ainda de mais vital importância, era enérgica e bastante fascinante para manter seu interesse muito além de um inicial cortejo. Não recordava ter conhecido nunca uma mulher tão desejável como Arabella. Pensou que seria uma amante encantadora em sua cama de bodas. Beijá-la naquele dia lhe tinha demonstrado de maneira indisputável que a faísca do fogo entre os dois não era fruto de sua imaginação. Marcus sentiu que se endurecia diante da lembrança de seu abraço. E embora seu último beijo tivesse sido um simples roçar de lábios, tinha-o excitado sobremaneira. Sabia que ele provocava nela algo de uma intensidade parecida, embora pelo visto não o bastante forte para convencê-la de aceitar seu cortejo. Sorriu ao recordar o decidido recuso de sua proposta. Nunca teria imaginado que fosse encontrar-se nessa situação; tendo que convencer a uma dama para que o aceitasse como marido. Marcus nunca tinha tido que perseguir ativamente uma mulher. Até então, esse assunto, como todo o resto em sua vida, tinha-lhe resultado fácil. Quando tinha interpretado o jogo do amor com suas amantes tinha sido só porque desfrutava com isso. Riu quedamente. Arabella suporia todo um desafio, não cabia dúvida. Sua inflexível negativa o tinha obrigado a inventar com rapidez um estratagema alternativo para poder cortejá-la, cujo resultado tinha sido sua aposta. Confiava plenamente em que tudo aquilo seria um remédio para seu recente desassossego. Teve que admitir que o que estava sofrendo era algo mais que simples aborrecimento. Enchia seus dias com cartas, caça box e carreiras, mas seus clubes e seus passatempos esportivos não conseguiam apaziguar a estranha insatisfação que sentia ultimamente. Nem sequer faziam as exigentes responsabilidades de administrar suas diversas propriedades. Em troca, perseguir Arabella era um objetivo com o qual podia desfrutar. E assim mesmo era vencer sua resistência. Marcus acreditava compreender por que se opunha tão ardentemente ao matrimônio. Entretanto, confiava em poder persuadi-la ao fim para conseguir sua rendição. Mas só contava com duas semanas para obtê-lo. Verdadeiramente impaciente, Marcus esporeou seu cavalo para fazer ganhar velocidade a fim de retornar para casa. Tinha que enviar cartas para Londres, e quanto antes esboçasse um plano para um romântico cortejo a Arabella, antes poderia declarar-se vitorioso. Quando Arabella chegou em casa, duas horas depois, tinha refletido sobre a surpreendente aposta do conde tempo suficiente para considerar imperativo elaborar uma estratégia ofensiva. Lorde Danvers acreditava que poderia seduzi-la para que aceitasse sua proposta de matrimônio, mas embora estivesse firmemente decidida a não casar-se com ele, era consciente de que se encontrava em grande desvantagem ao precisar de suficiente experiência para tratar com um nobre de sua imagem. «É quase irresistivelmente sedutor», pensou Arabella enquanto desmontava. De maneira involuntária, levou os dedos aos lábios diante da lembrança de seus arrebatadores beijos. A julgar por sua própria e desconcertante resposta daquela tarde, era muito difícil fazer frente à tentação. Entretanto, estava ansiosa por começar, porque se propunha conseguir a liberdade para ela e suas irmãs. Inclusive podia ser agradável tratar de rivalizar com lorde Danvers. Mas certamente, o primeiro passo era elaborar algum plano para frustrar sua sedução. Se ele queria cortejá-la, ela ia fazer com que não fosse fácil. Também teria que escrever a Fanny imediatamente e lhe pedir conselho. Fanny Irwin era


uma famosa cortesã que em outro tempo tinha sido uma refinada jovem dama. Criou-se com as irmãs Loring, em Hampshire, onde eram quase vizinhas. Inclusive depois que Fanny escapou de casa, aos dezesseis anos, para fazer fortuna em Londres, tinham mantido uma estreita amizade. Desde que o prometido de Arabella rompeu o compromisso, Fanny lhe tinha ensinado muito sobre os homens. Ela saberia melhor que ninguém como derrotar lorde Danvers. Enquanto isso, refletia, teria que ser prudente e utilizar todos os recursos que tinha a seu alcance, o que significava aliar-se com pessoas de confiança, começando por sua governanta e seu mordomo. Com um inesperado formigamento de espera, Arabella deixou seu cavalo nos estábulos com um dos criados de sua senhoria e se desviou para a cozinha para reunir-se com a senhora Simpkin. A governanta, que também se converteu em cozinheira quando o resto dos criados desapareceu, preparava singelos mas saborosos pratos com ajuda de sua única garçonete. E embora fizesse três dias o novo conde tinha instalado uma dúzia de serventes na mansão, a senhora Simpkin ainda dominava a cozinha. Se à mulher desconcertou o insólito pedido de Arabella para o jantar daquela noite, estava muito bem lecionada para demonstrá-lo. Mas a piscada de seus amáveis olhos castanhos sugeriu uma boa disposição a colaborar na conspiração. -Ah, senhora Simpkin! -acrescentou a jovem com ar despreocupado-. Agradeceria se o senhor Simpkin não fosse na sala de jantar depois de nos servir nesta noite. Preferiria estar a sós com lorde Danvers o menos possível. -Assim direi, senhorita Arabella -respondeu a mulher. -Quer também que esteja presente antes? Lorde Danvers pediu que você se reunisse com ele no salão para tomar um copo de vinho antes de jantar. -Sim, por favor. -respondeu ela, satisfeita de que a governanta tivesse acessado rapidamente a ajudá-la em sua causa. Depois de lavar-se, se vestiu para jantar com o traje de noite mais recatado que tinha. Seu guarda-roupa não era muito amplo, e a maior parte estava fora de moda e um pouco estragado pelo uso, mas para a inauguração da academia comprou vários vestidos na moda para impressionar os enriquecidos pais de suas alunas. A fim de manter sua imagem de dama com categoria. Entretanto, quando Arabella se contemplou criticamente no espelho de corpo inteiro, seu aspecto lhe pareceu satisfeita. Seu vestido de seda azul escuro e cintura império tinham manga larga e um decote alto, expondo poucos de seus encantos, mas suas ruborizadas bochechas delatavam sua emoção diante da perspectiva de passar a noite em companhia do conde. Quão aborrecida se tornou sua existência se a presença daquele homem podia animar sua vida de tal modo! Ou possivelmente era só sua excitação diante da perspectiva de enfrentar-se com sua senhoria, ambos com o propósito de vencer um ao outro. Ao pensar nisso, Arabella advertiu que sorria. Tinha toda a intenção de ganhar. E com esse objetivo desenvolveria seu jogo. Aspirou profundamente para tranqüilizar-se e saiu de seu quarto para lançar sua salva inicial em sua guerra pelo cortejo. Quando chegou ao salão do andar de baixo, Simpkin a aguardava lá fora, no corredor. O mordomo, muito correto e de cabelos cinza, dedicou a Arabella um sorriso conspirador antes de preceder à sala e anunciá-la. -A senhorita Loring, milorde Danvers. Marcus se levantou quando a viu entrar. Seu olhar azul a repassou de cima abaixo, advertindo seu recatado traje, mas não fez nenhum comentário a respeito, mas se limitou a saudá-la. -Bem-vinda, querida, estou encantado de que se reúnas comigo. Arabella arqueou as sobrancelhas diante de seu tom familiar, mas logo compreendeu que, em consideração ao serviço presente, propunha-se tratá-la simplesmente como sua pupila. -Vêm e sente-se a meu lado. -acrescentou assinalando o sofá que tinha conhecido em melhores tempos. Ela vacilou ao sentar-se tão perto dele. O conde estava endemoniadamente formoso, com uma jaqueta de cor azul e calças brancas de cetim que se amoldavam à perfeição a sua atlética figura, e um lenço complicadamente no pescoço que realçava seus bem cinzelados traços masculinos. Deplorando a aceleração de seu pulso, Arabella fez o que lhe pedia, mas se sentou no


extremo mais afastado do sofá. Mesmo assim, percebeu o agradável aroma da colônia quando Marcus se acomodou no outro extremo. Evidentemente, barbeou-se para a noite, uma inquietante constatação que indicava muito a sério que estava tomando seu cortejo. -Pode retirar-se até que se sirva o jantar, Simpkin. -escolho sua senhoria quando o mordomo serviu a cada um uma taça de madeira-. Por favor, fechem a porta quando sair. Ela dissimulou sua preocupação, trocou um olhar com o homem e assentiu ligeiramente com resignação. Lorde Danvers tinha frustrado seu plano para evitar estar a sós com ele. Arabella era plenamente consciente de seu ágil e poderoso corpo tão perto do dele. -Era necessário se despedir de Simpkin? -perguntou quando o mordomo se retirou-. Não é muito decoroso que nós dois estejamos aqui sozinhos. -Absurdo. -respondeu Marcus tranqüilamente. -Não é uma indecência que um tutor compartilhe uma taça de vinho com sua pupila. E, além disso, é realmente necessário, sendo que necessito de certa dose de intimidade com o fim de te cortejar. Como não tinha uma resposta a ponto, Arabella tomou um gole de sua taça e ocultou uma careta diante de seu azedo sabor... junto com sua satisfação. A senhora Simpkin tinha conseguido fazer com que a bebida fosse repugnante, tal como lhe tinha pedido. -estive pensando a respeito de nossa aposta.-começou-. Talvez deveríamos fixar algumas normas básicas de conduta. -Normas? -Suponho que «limites» seria uma palavra mais adequada. Deveríamos definir que conduta se permite ou não entre nós para assim evitar ultrapassar o que você está acostumado a fazer em um cortejo normal. Marcus lhe dirigiu um olhar preguiçoso cheio de encanto. -Não ouviste dizer que na guerra e no amor tudo está permitido? Arabella o encontrou olhando sua boca. -Sabe perfeitamente que nossa aposta não tem nada a ver com o amor, milorde. Mas essa é precisamente minha idéia. Como posso confiar que não se dobrará? -Porque as apostas estão regidas por um código de cavalheiros. Minha honra só me permitirá chegar até certo ponto. Ela esboçou um sorriso. -É reconfortante saber. -Não deveria se sentir reconfortada - observou ele. -dentro dos limites do código, ainda disponho de uma grande quantidade de liberdade. -pôs-se a rir diante da preocupada expressão da jovem. -Não tema querida, não farei nada a menos que esteja totalmente disposta. Arabella engoliu a saliva. -Isso não acontecerá. -Veremos. Quanto às normas, proponho-me que mantenha sua promessa em me dar alguma possibilidade de ganhar a aposta. -Sim, mas simplesmente porque concordei em te deixar me cortejar isso não significa que deva lhe dar facilidades. -Certo. -Ao contrário, proponho-me fazer o que estiver em minha mão para que não saia com a sua. Seu sorriso travesso a deixou sem fôlego quando elevava sua taça de madeira. -Que comece o jogo. Enquanto ele a olhava por cima da borda de sua taça, o coração de Arabella começou a palpitar a um ritmo irregular. Por sorte, o momento de intimidade se interrompeu quando Marcus tomou um gole de vinho. Com uma careta diante do sabor, deixou sua taça do lado em uma mesa. -Nunca imaginei que seu tio bebesse um vinho de tão má qualidade. Terei que remediar, sendo que me proponho a permanecer aqui pelo menos quinze dias. Amanhã encarregarei para que tragam alguns barris de minhas adegas de Londres. Acelerou seu coração diante do aviso. Quinze dias começavam a parecer um tempo interminável. Ia tentar ganhar valendo-se das artes, mas se simplesmente conseguisse convencer o conde que na realidade não desejava casar-se com ela? -Sabe, milorde...? -Marcus. -Muito bem, Marcus. Não acredito que tenha considerado sério como seria o matrimônio entre você e eu. Se for assim, saberia que não temos certeza absolutamente. -Por que não?


-Em primeiro lugar eu não seria uma esposa cômoda para você. Ele esboçou um sorriso inclinado. -O que te faz pensar que desejo uma mulher cômoda? -A maioria dos nobres a desejam. Você quer uma dama que te dê herdeiros e dirija sua casa, e que finja não saber que têm amantes ou faça vista grossa diante de suas indiscrições. Eu nunca seria assim, milorde. Ao ver que ele guardava silêncio observando-a, Arabella prosseguiu: -Lady Freemantle me contou muitas coisas sobre você e seus amigos. Todos são famosos solteiros. Esqueceu de acrescentar que sua senhoria sentia uma grande admiração pelo novo conde de Danvers. -Meus amigos? -Seus companheiros de esgrima da semana passada. Não são esses seus mais íntimos amigos, o duque de Ardem e o marquês de Claybourne? -Sim. -Bem, pois as histórias de suas conquistas e façanhas esportivas se comentam nos salões, inclusive aqui, tão longe de Londres. Me apoiando em tudo o que ouvi sobre você, pôde-te assegurar sem a mínima dúvida, que não seria um marido cômodo para mim. Ele inclinou a cabeça. -Duvido que deseje um marido cômodo mais do que eu desejo uma esposa cômoda. Não posso imaginar uma mulher com sua energia comportando-se tímida e submissa. Arabella deixou escapar uma suave risada de exasperação. -Isso é exatamente o que estive tratando de fazer você compreender em vão! Não desejo um marido! -Deixaste muito claro. -Marcus se recostou no sofá. -Mas me permita te assinalar que meu caráter se apóia só em insinuações e fofocas. -Talvez. Mas me cabe pouca dúvida de que seja o mesmo tipo de pessoa que meu pai. -Estragou, começamos a chegar à essência da questão! -O conde estendeu suas longas pernas e entrelaçou as mãos sobre o estômago. -Tem uma má opinião sobre os libertinos. Arabella sorriu com um pouco de amargura. -Pode me censurar por isso? Meu pai era um Don-Juan, de primeira classe e eu não tenho nenhuma intenção de me submeter a um marido que seja como ele. -De modo que me condena sem remédio. -É na realidade sem remédio? Quantas amantes você tem? Lorde Danvers arqueou uma sobrancelha com sua impertinente pergunta. –Acha que é de sua incumbência, querida? -É- se esperas que tome em consideração sua proposta de matrimônio. -Ao vê-lo vacilar, Arabella sorriu docemente. -É uma pergunta singela. Quantas amantes você tem? -Nenhuma neste momento. -Mas tem uma habitualmente? -Tive-as no passado. A maioria dos cavalheiros com meios as têm. Ela arqueou uma sobrancelha por sua vez de maneira eloqüente. -Não posso adotar uma atitude pormenorizada diante do adultério. Nunca toleraria aventuras e infidelidades de meu marido. -Alguns homens renunciam a seus amantes ao casar-se. -Mas eu nunca confiaria em que você fizesse; nem em que não voltasse a cair nisso embora a princípio me prometesse fidelidade. Sustentou-lhe o olhar abertamente. -Eu não sou seu pai, Arabella. E me insulta se coloca a seu mesmo nível. A repentina intensidade de sua voz a surpreendeu. -Me perdoe -desculpou-se com tenso sorriso. -Só tentava te fazer compreender por que não desejo um enlace de conveniência. Se seus pais tivessem suportado um matrimônio como o dos meus, estou segura de que agora você resistiria em repetir sua experiência. Lorde Danvers esboçou um sorriso sardônico. -Meus pais foram mais discretos que os teus em suas relações amorosas, mas reconheço que sua experiência não me predispôs muito à instituição do matrimônio. -Fez uma pausa. Embora, ao que parecer, sua mãe foi tão culpada como seu pai de infidelidade. O sorriso da jovem se desvaneceu. -Eu não gosto de falar de minha mãe. As transgressões de Vitória Loring não tinham sido nem tão graves como as de seu marido;


na realidade, sua única aventura tinha sido uma vingança contra as inumeráveis infidelidades de seu marido. Entretanto, na opinião de Arabella, tinha cometido um pecado pior, ao abandonar sua família. Fechou os olhos um momento com a vertiginosa grande onda de dor que a lembrança tinha suscitado nela. Marcus advertiu, porque fez um som de compreensão. -Não foi fácil, verdade, carinho? Primeiro os escândalos e verte obrigada a abandonar sua casa, e logo ter que ganhar a vida. Arabella abriu os olhos com brutalidade e descobriu seu olhar azul perigosamente tenro. -Não precisa compadecer-se de mim. Faz muito tempo que superei a dor e a humilhação. O qual era uma mentira, disse a si mesmo. -Em qualquer caso, a adversidade forma o caráter; ou isso é o que dizem. -Você e suas irmãs tiveram que suportar muitas adversidades. Ela conseguiu dar-se de ombros com despreocupação. -Estávamos decididas a tirar o máximo partido para o que tivéssemos sorte. O pior foi depender da generosidade de nosso tio, estar à mercê de seus caprichos. Em mais de uma ocasião, ameaçou-nos nos mandar embora. Mas por sorte conseguimos abrir nossa academia. Isso nos proporcionou um emprego remunerado, com o qual, não nos vimos obrigadas à servidão nem a nos casar como único meio de sobrevivência. Antes que Marcus pudesse responder, ouviu-se um discreto golpe na porta. Continuando, Simpkin apareceu no salão para anunciar que o jantar estava servido. Aliviada ao poder abandonar um tema tão incômodo, Arabella agarrou o braço do conde para dirigir-se para a sala de jantar, uma ação que lamentou imediatamente. Sob a manga de sua jaqueta, pôde sentir o calor que irradiava e a dura musculatura, flexível sob as pontas de seus dedos. Esse contato lhe produziu uma estranha alteração em seu pulso. Alegrou-se ao ver que os tinham sentado um em cada extremo da longa mesa, com uma distância significativa separando-os. Entretanto, Marcus negou com a cabeça com essa posição. -Não precisamos ser tão formais. Prefiro ter à senhorita Loring sentada a meu lado. -Como você deseje, milorde. O mordomo obedeceu apressando-se a reorganizar a posição da mesa. Quando Arabella esteve por fim sentada à direita de lorde Danvers, Simpkin fez um gesto aos dois criados que aguardavam para servir a sopa. Uma vez feito, Marcus assentiu. -Obrigado, Simpkin. Já avisarei quando estivermos preparados para o seguinte prato. Os três criados se retiraram em silêncio, sem fechar a porta atrás deles. Entretanto, isso não podia dissipar a sensação de intimidade que Arabella tinha ao estar sentada tão perto do conde, nem atenuar a estremecedora certeza de sua proximidade. Esforçando o máximo possível por ignorá-lo, dedicou-se à sopa de aspecto insípido que parecia ser unicamente caldo de frango gordurento com algumas partes de verduras brandas. Depois da primeira colherada quase se engasgou; estava tão salgada que parecia quase intragável. Depois de prová-la também, Marcus olhou para Arabella interrogativo e logo depositou sua colher na mesa. Ela se esforçou por seguir comendo com ar inocente. -Bem, me fale de sua academia. -pediu com curiosidade. -por que desejas algo assim? -Porque me tem intrigado. E porque desejo saber o máximo a respeito de você para me ajudar em meu cortejo. -Ao ver que ela sorria ligeiramente com o aviso, ele se limitou a sorrir desta vez. -Disse que sua academia era uma espécie de colégio particular para preparar às garotas a entrar na alta sociedade. Como começou? Parecia um tema seguro, Arabella se dispôs a explicar-lhe -De modo que propôs a criar a academia? -Na realidade foi lady Freemantle quem me deu a idéia. Fizemo-nos amigas quando minhas irmãs e eu viemos morar aqui, em Chiswick. Winifred era filha de um rico industrial, mas se casou muito a cima de sua posição social e nunca foi aceita pelos amigos nem pela família de seu marido. Um dia comentou quão difícil tinha sido para ela ser a esposa de um barão, ter que suportar todos aqueles desprezos e menosprezos e quanto teria gostado que alguém lhe tivesse ensinado a mover-se na sociedade para assim não desafinar no ambiente de sir Rupert. Então comecei a pensar que devia haver outras jovens em circunstâncias


similares. A maioria das filhas de ricos magnatas estão destinadas a ser vendidas em matrimônio a cavalheiros que necessitem de esposas ricas, tal como aconteceu a Winifred. -De modo que propôs criar a academia? -A princípio não. Quando sugeri que eu poderia ser de ajuda para alguma dessas jovens, a aconselhá-las como adaptar-se às normas da alta sociedade e facilitar seus caminhos, só estava pensando em tomar uma ou duas alunas. Mas Winifred adorou a idéia, e se ofereceu a financiar uma empresa muito maior. -Mas não dirigi a academia sozinha. -disse Marcus. -Conto com importante ajuda. Convenci a duas de minhas amigas para que participassem, e uma assumiu a responsabilidade de diretora. Elas se encarregam de quase todas as classes, mas minhas irmãs e eu também damos pelo menos uma aula por dia. -Deduzo que não sobre temas normais. -Não. A maioria de nossas alunas foram educadas por governantas particulares, por isso, quando chegam a nossa academia, procuram saber de somas, leitura geral, música, desenho e trabalhos de agulha, essa classe de conhecimentos. Mas carecem em troca do refinamento e a graça que se espera de uma dama. De modo que os dois últimos anos antes de sua apresentação a sociedade, ensinamos boas maneiras, etiqueta e também as instruímos na classe de cultura e distinção que necessitarão se casarem com alguém da nobreza. -Ao que parece, sua academia tem um grande êxito. Meus advogados me disseram que tem mais de duas dúzias de alunas, e que há uma longa lista de jovens aguardando ser admitidas. Arabella sorriu. -Sim. Triunfamos além de nossas mais descabeladas expectativas. Comerciantes e mercadores enriquecidos estão dispostos a pagar importantes somas de dinheiro para converter suas filhas em elegantes damas. Mas nossa academia também nos dá grandes satisfações. Não só nos propõe ocupação e ganhos, mas sim nos dá a oportunidade de ajudar a nossas alunas a desembaraçarem na sociedade. Pessoalmente eu gosto muito de ver como as garotas vão tendo cada vez mais controle sobre seu destino. Seu nascimento ou criação acaso não sejam os melhores, mas aprendem a reagir devidamente diante dos círculos mais elitistas. Assim chegam ao matrimônio em pé de igualdade com seus maridos. -Posso imaginar perfeitamente que isso seja satisfatório para você. -murmurou ele. Ao ver que Arabella o olhava suspicaz, Marcus devolveu o olhar com expressão neutra, mas se deu conta do muito que tinha desfrutado escutando-a falar sobre sua academia, olhando seu encantador rosto tão animado e expressivo. Enquanto tomava distraído um gole de sua taça de vinho, pensou que ele não se apaixonou tanto por nada fazia muito tempo. Ao notar que seu vinho era tão azedo como o aperitivo, deixou imediatamente sua taça na mesa. -Eu gostaria de visitar logo sua academia. Como tinha suposto, a cautela da jovem aumentou. -por que desejas visitá-la? -Acredito haver dito isso. Como seu tutor, devo decidir se posso permitir que você e suas irmãs sigam ensinando ali. Ela parecia preocupada enquanto esquadrinhava seu rosto, ansiosa, mas sem dúvida alguma viu o brilho zombador de seus olhos, porque sua expressão se relaxou. -Deduzo que está tentando me provocar de novo. -Por que ia fazer isso? -perguntou ele amavelmente. -acabaste a sopa? -Sim, obrigado. -Bem. Eu a encontro um pouco salgada. Marcus chamou o mordomo para que retirasse os pratos, quase alegrando-se da presença de serventes, pois começava ter dificuldades para controlar seus lascivos pensamentos. Arabella estava o bastante próxima como para que seu doce aroma subisse até ele, incitando-o. E o elegante vestido que usava o fazia desejar descobrir que deliciosos segredos ocultava. Sua imaginação podia lhe proporcionar alguns detalhes. Seu flexível e esbelto corpo. A amadurecida curva de seus seios. Suas grossas e elegantes pernas... Marcus reprovou mentalmente esses pensamentos, e olhou sério o formoso rosto de Arabella, mas de pouco lhe serviu para reprimi-los. Aquela era a primeira vez que via seus cabelos totalmente presos, e sentia vontade de tirar as presilhas e ver aquela seda dourada


emaranhada depois de fazer amor. Esse erótico pensamento foi bastante excitante para que se endurecesse e viu assaltado por novos pensamentos da mesma aparência. Podia imaginar-se colocando ao chão pratos e taças e tomando Arabella sobre a mesa como se fosse um delicioso manjar. Sem dúvida alguma, ela seria muito mais saborosa que tudo o que lhes tinham servido até então. Desejava lhe fazer saborear o prazer que ele podia lhe dar... Mas enquanto tentava disciplinar seus pensamentos, Marcus pensou que tudo isso teria que esperar muito mais tempo. Prometeu não se apressar. Aquilo se supunha que tinha que ser um cortejo romântico, não uma simples sedução, e sabia que necessitaria muito mais que prazer físico para vencer Arabella. Entretanto, não supunha nenhum esforço em limitar-se a compartilhar só sua companhia. Desejava sinceramente saber tudo sobre ela. E, jantar juntos, pelo menos proporcionava a oportunidade perfeita para intimar. O problema era que o vinho era tão azedo que não se podia beber. E os pratos que Simpkin estava lhe colocando diante pareciam ainda menos apetitosos do que tinha sido a sopa. Marcus provou um pouco de cada coisa só para assegurar-se: em efeito, nabos triturados sem condimentar, couve má cozida e um traseiro de cordeiro queimado, tão seco que era quase impossível mastigá-lo. Se não bastasse, quando observou que Arabella o olhava com atenção, começou a perguntar por seu insólito interesse. -Como cozinheira, a senhora Simpkin deixa muito a desejar. -comentou despreocupado. -OH! acho que sim. O tom de Arabella era tão inocente que despertou ainda mais suas suspeitas. -Absolutamente. Se a comida segue sendo tão mal, terei que mandar chamar meu chef de Londres para que substitua à senhora Simpkin como cozinheira. A resposta dela foi alegre: -Prova o molho de hortelã. Melhora o gosto do cordeiro de maneira considerável. -Não o suficiente. -respondeu ele sarcástico, cravando o garfo na carne carbonizada. Acredito que talvez devesse trocar umas palavras com a senhora Simpkin. A inocente expressão de Arabella desapareceu por completo. -Isso não será necessário, Marcus. -Não? -Ela pode cozinhar muito melhor. -A não ser que esteja disposto a me arriscar. Na realidade, se tiver sido sua idéia nos servir esta comida infame, não desejo seguir empregando-a por mais tempo. Sua vã ameaça produziu o efeito desejado: Arabella suspirou e saiu em defesa da governanta com uma confissão: -Não foi culpa da senhora Simpkin a não ser totalmente minha. Fui eu quem lhe pedi que fizesse isto. Marcus arqueou uma sobrancelha. -Pediu que queimasse o cordeiro e acrescentasse vinagre no vinho? Tinha suspeitado. Olhou-a divertido-. Deixe-me aventurar: está-te esforçando por fazer minha estadia aqui o mais desagradável, confiando que assim renuncie a nossa aposta. -Bem, sim. -reconheceu com um tênue rubor de culpa. -E para dificultar qualquer possível intimidade entre nós. -Sendo que estando morto de fome não favorece muito o galanteio. -Exatamente. Mas já te adverti que não te daria facilidades. Está zangado? -perguntou com suavidade. Seu sorriso exibia tal satisfação que Marcus se viu obrigado a sorrir também. -Zangado? Nem o mínimo. Exasperado possivelmente. E certamente fascinado pela formosa intriga e seus esforços por esquivar seu cortejo. Mas talvez ele pudesse aproveitar suas maquinações em benefício próprio... De repente, levantou-se e estendeu a mão. -Vêem comigo, Arabella. Seu perverso sorriso lhe fez sentir imediatamente uma extrema cautela. -Ir aonde? -Já verá. Agarrou-lhe a mão e a fez ficar em pé, com o qual não teve mais remédio que acompanhálo. Passaram junto ao desconcertado Simpkin e seguiram pelo corredor, em direção à


escada posterior. -Aonde me leva? -perguntou Arabella intranqüila. -À cozinha, a procurar algo melhor para comer. -Na realidade não há necessidade... -Certamente que sim. Insisto. Você deve estar ainda faminta e eu também estou. Ela tratou de retroceder. -Acredito que prefiro morrer de fome. Marcus soltou uma gargalhada. -Mas eu não. Vamos querida. Não desejará me obrigar a te levar nos braços. Suspeitando que cumprisse sua ameaça seguia resistindo, Arabella cedeu. Quando chegaram à grande cozinha, encontraram à senhora Simpkin sentada diante da longa mesa de madeira onde comiam os serventes enquanto a criada lavava panelas e panelas na pia. A governanta se levantou bruscamente, sobressaltada ao lhes ver. -Milorde! Acontece algo? -Assim diria eu, senhora Simpkin. Os pratos que serviu esta noite não conseguiram satisfazer nosso apetite. -Posso preparar alguma outra coisa, milorde. -Não será necessário. Desculpe-nos, por favor. A governanta pareceu de repente preocupada. -O que se propõe lorde Danvers? Se pensa em castigar a senhorita Arabella... -Simplesmente penso alimentá-la. Agora, por favor, nos facilite certa intimidade. Não se alarme não penso causar dano algum a sua senhora. Depois de um vacilante olhar para Arabella, a mulher saiu à contra gosto da estadia, seguida pela donzela, que os olhava com olhos muito abertos. Marcus conduziu Arabella à mesa e a obrigou a sentar-se no banco. -Sente-se enquanto eu assalto a despensa. Ela obedeceu à contra gosto. O calor da cozinha, combinando com os deliciosos aromas a ervas e guisados, era de certo modo agradáveis; entretanto, não podia relaxar-se enquanto observava Marcus revistar pela vasta despensa. Era impróprio ver um alto e esbelto aristocrata, embelezado com roupa formal de noite, revistando naquele entorno doméstico, mas por sua vez era profundamente inquietante imaginar o que reservava para ela e suas artimanhas. Era evidente que ia desforrar se. Inspecionou várias despensas e logo a adega, pegando comida como de fosse para um banquete, e retornou logo para depositá-la na mesa, diante de Arabella. Continuando, percorreu a cozinha apagando todo os abajures e deixando unicamente o fogo do fogão como iluminação. -Que diabos está fazendo? -perguntou ela com voz repentinamente inquieta. -Já te disse. Proponho-me te alimentar. -Às escuras? Ele sorriu com seu protesto. -Não estamos completamente às escuras. Desejo poder ver como te deleita ao saborear cada bocado. Essa resposta a desconcertou, quão mesmo seu seguinte provocado comentário quando se sentou no banco, a seu lado. -Isto é muito mais Íntimo que a sala de jantar, não te parece? Tinha razão, aquilo era realmente muito mais íntimo. Era evidente que o plano de Arabella foi um desastre. -Marcus, isto é pouco correto... -começou a dizer sem fôlego. O azul dos olhos dele cintilou diante dela. -Silêncio, querida, e aceita seu castigo, com esportividade. Arabella compreendeu que não tinha mais remédio que acessar, diante à repentina secura de sua boca. Estava consciente da poderosa masculinidade de Marcus quanto este se inclinou, aproximando-se, e ela pôde sentir sua forte coxa pressionar a dela através de seu vestido. O excitante contato enviou uma grande onda de calor sob seu ventre e entre suas coxas e esticou seus seios até convertê-los em duas endurecidas protuberâncias. E, o que era pior, ele sabia perfeitamente o efeito que lhe estava causando, era muito malvado. Aumentou a pressão de maneira intencional enquanto procurava em uma tigela e pegava um formoso morango, o primeiro da temporada. Continuando, retirou o pano de outra tigela e inundou o amadurecido fruto em nata, que em seguida levou aos lábios dela. Arabella advertiu que se propunha alimentá-la com os dedos, e tratou sem êxito de lhe tirar


a mão. -Posso comer sozinha. -Mas não seria tão agradável para nenhum dos dois. Abre sua encantadora boca, Arabella, ou lhe abrirei isso eu com um beijo. Escolhendo o melhor dos dois, inclinou-se para morder a fruta. O agridoce estalo de sabor em sua boca foi delicioso, recordando que os morangos e a nata eram sua sobremesa favorita. Não podia desfrutar disso com Marcus observando-a tão atentamente. Os lábios do homem se curvaram em um lento e sensual sorriso olhando-a mastigar. Fez-lhe comer outro dois morangos até que Arabella por fim lhe afastou a mão. -Não tenho mais fome. -Eu sim. Estou faminto por você. O coração lhe deu um forte salto diante de seu firme murmúrio. -Posso imaginar quão saberia, amar. Seus olhares se encontraram e ela ficou sem fôlego. Nunca havia sentido uma sensação semelhante, absolutamente física. Algo tangível tinha surgido entre os dois, e ela não podia desviar o olhar. Tinha suficiente experiência para reconhecer o brilhante brilho de desejo que flamejava nos azuis olhos de Marcus. Sentiu como percorria um estremecimento incluso antes que passasse um dedo pela úmida linha dos lábios. -De agora em diante, cada vez que te veja comer, sentirei esta tentação. A jovem reprimiu um gemido. Continuando, ele deslizou os dedos até tocar o pulso acelerado na base de seu pescoço. A tensão latente entre eles era quase insuportável. Desesperada por rompê-la, Arabella ficou subitamente em pé. -Devo ir - disse. Entretanto, foi impossível, porque Marcus a agarrou pela mão. A risada impregnava sua voz enquanto protestava: - Mas querida, come mais um bocado. -Comi mais que suficiente milorde! Afastou sua mão e escapou ouvindo o som de sua suave risada. O coração ainda lhe pulsava apressadamente minutos depois, quando chegou a seu quarto, com o corpo ainda estremecido de desejo. Fechou firmemente a porta a suas costas e logo se recostou se sentindo fraca contra ela. Nem sequer podia passar a prova de seu primeiro jantar com lorde Danvers, tinha um grave problema. Ela tinha proposto frustrar seu plano em cortejá-la, mas seu empenho tinha sido desastroso. Certamente, até o momento, tinha sido clara perdedora em todos encontros com ele. Arabella negou com a cabeça, obstinada. Talvez tivesse sido vencida nas batalhas iniciais, mas não perderia a guerra. CAPITULO 05 Vá com cuidado, queridíssima Arabella. Lorde Danvers tem fama de ser um sedutor irresistível. O estranho som de uma serra despertou Arabella na manhã seguinte. Abriu os olhos curiosa e olhou da janela de seu quarto. O singular ruído procedia do exterior, junto com várias vozes masculinas. Sentida saudades, levantou-se para observar atrás das cortinas e piscou com a brilhante luz do sol. Em seu quarto podia ver a parte posterior da casa, os jardins e os quintais de grama além dos que conduziam até o rio. Viu todo um exército de jardineiros, podando, recortando e rastelando anos de exuberância incontrolada. Arabella se afastou da janela pensativa para lavar-se e vestir-se. Levantou-se mais tarde que de costume, pois tinha dormido mal. Para falar a verdade, tinha dado voltas grande parte da noite, com imagens de certo sensual nobre povoando seus inquietos sonos. Acabava de colocar um vestido de musselina estampado com ramalhetes amarelos quando ouviu uma suave batida na porta seguido a voz firme da senhora Simpkin. -Sou eu, senhorita Arabella, trouxe-lhe o café da manhã. Quando lhe deu permissão, a governanta se apressou a entrar com uma bandeja carregada, que colocou sobre o penteadeira. -Imaginei que não desejaria tomar o café da manhã com lorde Danvers, por isso tomei a liberdade de subir aqui a seu quarto. A mulher também tinha enviado amavelmente uma bandeja com o jantar a noite anterior, para que não passasse fome. -Obrigado, senhora Simpkin. -disse a jovem com autêntico agradecimento, satisfeita por


evitar encontrar-se a sós com Marcus tão pouco tempo depois de seu desastroso jantar. -A propósito, de onde saíram esses trabalhadores nos jardins? -Vêm de Londres. Sua senhoria os enviou ... Ah, E há meia dúzia de comerciantes aguardando-a na sala de contas! Arabella arqueou as sobrancelhas com curiosidade. -me aguardando? -Sim. Lorde Danvers também os fez vir de Londres. Propõe pôr a mansão em ordem, substituir a mobília velha, e os cortinados da casa de cima abaixo. Mas diz que deseja que você tome as decisões, sendo que ele não distingue a cor . A governanta se encaminhou para a porta, mas uma vez ali, deteve-se para dirigir-se de novo a Arabella. -Devo reconhecer que será muito agradável ver que a mansão volta a recuperar sua antiga glória. E inclusive seria melhor ter de novo aqui uma condessa. -A anciã faxineira lhe dirigiu um sorriso maternal. -Talvez sua senhoria não seja tão desagradável como temíamos. Arabella se perguntou o que teria feito com que a senhora Simpkin mudasse tão repentinamente de opinião, porque até então, a mulher tinha estado tão preocupada com o novo conde como suas pupilas. O mais provável era que a governanta simplesmente estivesse agradecida ao ver que a casa recebia algum cuidado, depois da mesquinharia do antigo senhor. -Sim, possivelmente lorde Danvers não seja por completo desagradável. -respondeu Arabella sem comprometer-se. -Pelo menos, perdoou-me pelo desgraçado jantar de ontem à noite. A jovem havia se sentido consternada ao ver que Marcus ia responsabilizar à governanta de suas próprias atitudes. -Eu já lhe disse que você não era culpada pelo jantar, senhora Simpkin. -Sei, mas de todos os modos eu não gosto de estar a mal com sua senhoria. -Seus olhos castanhos cintilaram. –Por fim, decidiu não trazer nenhum chef de Londres, que estaria a cima de mim, e me deu a liberdade para contratar uma nova cozinheira. Devo reconhecer que me alegrarei em me liberar da cozinha. Fiscalizar todas as criadas às que devo lecionar já será um emprego completo. Simpkin confia em poder controlar aos criados que sua senhoria enviou de sua casa de Londres na semana passada. -A mulher fez uma nova pausa. -Posso dizer aos comerciantes que descerá em breve, senhorita Arabella? Estão ansiosos para mostrar suas mercadorias. -Sim, assim que acabar de tomar meu café da manhã. Uma vez que acabou de comer rapidamente, desceu ao pequena sala, Arabella viu que a senhora Simpkin não tinha exagerado. Marcus tinha convocado realmente um exército de comerciantes para renovar a mansão. Havia sete aguardando-a ansiosos, com os braços cheios de modelos de malhas, catálogos e mostruários. Todos se inclinaram cortesmente para ela, mas quando começaram a reclamar sua atenção, Arabella levantou uma mão. -Por favor, me concedam um momento, senhores. Virou-se rapidamente e foi em busca de Simpkin, a quem encontrou ocupado, fiscalizando o grupo de novos criados que estavam limpando e polindo os abajures da casa. -Onde posso encontrar lorde Danvers? -Perguntou. -Acredito que sua senhoria está na biblioteca, senhorita Arabella.-respondeu o mordomo. Atravessou toda a casa até a biblioteca, onde encontrou a porta aberta. Entretanto, quando entrou e distinguiu Marcus se deteve em seco. Estava comodamente sentado em um sofá, lendo os jornais matutinos que deviam lhe haver enviado de Londres. Ao vê-lo, Arabella sentiu uma palpitação no estômago. Estava vestido de maneira muito menos formal que a noite anterior, com uma jaqueta de cor cobre, mas sem gravata nem colete. Usava uma camisa de linho desabotoada no pescoço, mostrando uma indecorosa visão de seu peito, como na semana anterior, quando ela tinha interrompido sua sessão de esgrima. Seu lento sorriso de saudação lhe deu a entender que compreendia o efeito que seu informal traje lhe tinha causado. -Arabella, que prazer. -disse, se levantando. -Confesso que me surpreende que voluntariamente tenha vindo a meu encontro depois de te esconder de mim em seu quarto toda a manhã. Decidida a não deixar-se provocar, conteve uma seca resposta e, em lugar disso, perguntou por sua decisão de investir na casa o que possivelmente seria uma fortuna. -Não compreendo seu desejo de renovar a mansão. Por que vais ter tais gastos?


-Esta é minha casa agora tanto como tua. -Mas não precisa voltar a redecorá-la por completo. -Acredito que já passou da hora, sendo que a mobília faz um século que não é trocada. -Por isso tem feito vir tantos comerciantes? Marcus negou com a cabeça. -Só o que você achar necessário. Não está obrigada a utilizá-lo tudo. Só queria te facilitar uma ampla eleição. Tem plena liberdade para decorar a casa como deseja. -Mas por que me dá tanta autoridade? -Perguntou Arabella desconcertada. -Porque sem dúvida tem melhor gosto e experiência que eu. -Não é isto um modo de neutralizar minha resistência? Seu sensual sorriso iluminou a estadia. -Certamente que é querida. Já sabe que me proponho fazer quanto esteja em minha mão para te convencer de que te converta em minha esposa. Reprimindo seu regozijo, a jovem lhe dirigiu um olhar. -Esbanjar sua riqueza não te servirá para me convencer. -Bom, tampouco me prejudicará. Não sou totalmente ignorante no que à mente feminina se refere. Sei que às damas gostam de encarregarem do lar. -Mas eu não sou a senhora desta casa, Marcus. -Certamente que sim. Agora é, seguirá sendo quando for minha condessa. -Ao ver que ela arregalava os olhos, riu. -Acreditava que estaria agradecida com meu gesto. -Certamente tem feito muito feliz à senhora Simpkin. -respondeu graciosamente. - Foi muito inteligente de sua parte aumentar o serviço de maneira tão generosa, porque não existe caminho mais seguro para chegar a seu coração. -E qual é o caminho para chegar ao teu? -Ao ver que Arabella permanecia em silêncio, Marcus voltou a rir. -A senhora Simpkin e eu chegamos a um entendimento. -O que significa que a seduziste para que faça sua vontade. -Sim, eu expliquei que estou te cortejando. Por certo, deu-me sua aprovação. Os traços de Arabella refletiram exasperação enquanto se virava e saía em silêncio da sala. Não sentia duvidava que ele utilizasse todos os meios a seu alcance para ganhar a aposta, porque ela se propõe fazer o mesmo. Entretanto, tinha que admitir que estava contente de que queria ver a mansão Danvers em boas condições. A casa era realmente formosa, era digno de um conde. Teria desejado que Roslyn estivesse ali, porque sua irmã tinha um gosto delicioso, e era a que tinha sido melhor preparada por sua mãe para desempenhar o papel de senhora da mansão. Arabella passou toda a manhã com os comerciantes, percorrendo os ambientes da casa e escolhendo tecidos e mobílias. A tarefa a ocupou tão intensamente que não percebeu que as horas foram passando. Tratava de decidir-se entre um veludo verde selva e um azul para a tapeçaria do salão, quando Simpkin apareceu na porta. -A senhorita Blanchard veio vê-la, senhorita Arabella. Ela levantou a cabeça surpreendida. -OH, Meu Deus, esqueci por completo minha classe! Tinha me esquecido que a esperava na academia para dar aula às onze. Sua íntima amiga e companheira na escola, Tess Blanchard, sem dúvida tinha ido vê-la por que não se apresentou de maneira insólita. -Onde está a senhorita Blanchard, Simpkin? -Aguarda-a no salão na entrada, porque não pude encontrar um salão que não estivesse cheio de tecidos e amostras. Arabella estava a ponto de sair do salão quando o mordomo pigarreou. -Desculpe-me, senhorita Arabella, mas onde deseja que coloque as flores? -As flores? -As que lorde Danvers trouxe de Londres. Foram descarregadas no salão da entrada a pedido de sua senhoria. Desconcertada, apressou-se pelo corredor até chegar ao salão, em efeito, repleto de flores e uma impressionante mistura de cores e aromas. Tinha todos os tipos, sobre tudo lírios, rosas e narcisistas. A primeira coisa que lhe ocorreu foi que Marcus deveria ter esvaziado todas as floriculturas de Londres. Sua amiga Tess estava admirando um enorme vaso de rosas vermelhas, mas deixou de fazê-la ao ver Arabella.


-Que diabos está acontecendo, Arabella? Deixou-me muito preocupada quando não apareceu na escola, por isso vim ver o que tinha acontecido, e descubro que tem aqui todo um jardim. Parecia divertida, mas também inquieta. -Lamento muito ter faltado a minha aula, Tess! Perdi totalmente a noção do tempo. Sua amiga baixou a voz para evitar que a ouvissem. -Como vai com o irritante conde, como o chama Lilian? Arabella olhou em torno para assegurar-se de que não via Marcus por nenhuma parte, e respondeu lastimosa: -Temo-me que não está nada bem... como pode ver. -Assinalou a enorme exposição de flores. -Acredito que esta deve idéia de um cortejo romântico. -Cortejo? -Vêm comigo! -Arabella conduziu a sua amiga da entrada ao pequeno salão, para que pudessem ter um pouco de intimidade. Tess era uma mulher formosa, de cabelos negros, pele impecável e uma figura que era a inveja de quase todas as damas do distrito. Embora fosse um ano mais jovem que Arabella, tinha permanecido solteira depois de perder seu prometido na guerra. Sendo amiga que em seguida quando as irmãs Loring se mudaram com seu tio faz quatro anos, e sua amizade se fez ainda mais estreita quando Arabella abriu a academia. Diante da refinada educação de Tess, segundo as damas não deviam ocupar-se de tarefas inferiores a sua categoria, ofereceu-se como professora com a esperança de que a atividade a ajudasse a superar seu pesar. Sendo que tinham compartilhado tantas coisas, Arabella não sentiu escrúpulos em contar tudo a Tess. -Lorde Danvers me tem proposto matrimônio. A outra ficou olhando, muda de assombro. -Eu acreditei que tratava de um absoluto desconhecido. Arabella riu diante da expressão de sua amiga. -Assim fosse. Mas logo decidiu matar dois pássaros com um tiro; se liberar de sua responsabilidade sobre mim como sua pupila e assegurar uma esposa que lhe proporcione herdeiros. -Você vai aceitar? -Certamente que não. Mas permitir que me corteje. Contou a Tess a aposta, que lorde Danvers tinha prometido concedendo a ela e a suas irmãs sua emancipação legal se Arabella pudesse resistir sua sedução durante uma quinzena. Lily estará certamente agradecida ao ver-se livre de seu tutor, o mesmo Roslyn - disse Tess quando ela concluiu. -Como estão? -perguntou Arabella com entusiasmo. -Muito bem, considerando que restringiram enormemente suas atividades diárias para não ser vistas pelo conde. Como é natural, Lily está inquieta ao ver-se confinada em casa, mas inclusive Roslyn está se sentindo nervosa. -Posso imaginar perfeitamente. Obrigado por ficar com elas, Tess, e por dar minha aula esta manhã. Sei que isto terá complicado as coisas. -Não tem importância, querida. Você tem feito muito mais por mim durante os últimos anos. Já era hora de que começasse a devolver o que faz por mim Arabella vacilou. Teria que reconhecer que Marcus não era como havia temido. Talvez fosse bastante arrogante, sendo que era um tirano. Na realidade, havia mostrado compreensão para ser um homem de sua classe. -Se não te importar, preferiria que minhas irmãs ficassem em sua casa alguns dias mais, até que possamos estar seguras das intenções do conde. -acrescentou Arabella-. Assim que acabar nossa aposta, é provável que deixe de pensar em casá-las, mas não o conheço ainda para confiar nele de maneira incondicional. -Certamente que não me importo. -respondeu Tess-. Estou encantada de que Roslyn e Lily fiquem comigo todo o tempo que poder. Na realidade, estava sendo muito valiosa sua ajuda em preparar cestas para as famílias dos soldados cansados. Costurar camisas e tecer meias três - quartos para as crianças, é uma tarefa enorme, e com a colaboração de suas irmãs poderei aumentar a cifra deste ano para duzentos. -Tess sorriu. -Assombrosamente, inclusive Lily se entregou a isso por completo, me parece que não gosta de costurar, mas compreende que é para um bom fim. E agora me fale de lorde Danvers. É o tirano que temia? Arabella vacilou. Tinha que reconhecer que Marcus não era absolutamente como tinha


temido. Talvez fosse bastante arrogante, mas certamente não era um tirano. Na realidade, tinha mostrado possuir uma notável compreensão para ser um homem de sua classe. A noite anterior, quando falava de sua academia, tinha-a escutado atentamente. E; o mais surpreendente, parecia respeitá-la e considerá-la senhora da propriedade, embora seu tio as tivesse tratado tanto ela como a suas irmãs como parentes pobres dependentes de sua caridade. Mas, claro, Marcus estava mostrando seu lado mais agradável com o fim de convencê-la de que seria um aceitável marido. -Não, não é tão mau como temíamos. -reconheceu ao fim. -É bastante arrogante e arbitrário, como a maioria dos nobres, e está acostumado a sair com a sua, mas não posso qualificá-lo de tirano. -Sinto-me adulado, querida. -disse uma preguiçosa voz masculina da porta. -Sua entusiasta defesa reconforta meu coração. Sobressaltada pela intrusão, Arabella virou e olhou para Marcus de maneira reprovadora. -Ninguém te disse que é descortês escutar às escondidas? Um brilho divertido apareceu em seus olhos enquanto entrava tranqüilamente na sala. -A cortesia nunca conquistou uma formosa donzela. Por outra parte, não vejo nenhuma razão para mudar meus métodos e parece estar funcionando. Está claro que estou fazendo progressos se tiver conseguido melhorar a opinião que tem de mim de maneira tão significativa em apenas um dia. Deste jeito, estaremos casados no fim desse mês. Arabella apertou os lábios esforçando-se por conter a risada. -Está construindo castelos no ar. -Um castelo no ar é algo muito bonito. -Seu provocador sorriso lhe produziu um intenso estremecimento. -Vais apresentar a sua convidada ou te propõe ocultar isso como tem feito com suas irmãs? Ela se ruborizou enquanto recordava finalmente suas maneiras. -A senhorita Tess Blanchard. Tess, meu tutor, lorde Danvers. Marcus se inclinou. -É um prazer conhecê-la, senhorita Blanchard. Tenho entendido que dá aulas na Academia Freemantle com Arabella. -Ao ver que Tess arqueava friamente uma sobrancelha, Marcus lhe dirigiu um atrativo sorriso-. Encarreguei a meus advogados que me informassem exaustivamente sobre sua escola, sendo que minhas pupilas estão envoltas no projeto. Deduzo que é amiga de Arabella. -É isso mesmo, milorde. -respondeu Tess olhando-o com interesse. -Então, possivelmente poderia me aconselhar como progredir em meu cortejo. Necessito de toda a ajuda que possa obter. -Não esperará que colabore com um inimigo, verdade? Ele riu brandamente. -Verá, esse é meu problema. fui considerado «o inimigo» de entrada, sem oportunidade alguma de demonstrar o contrário. Ao ver que Tess sorria a modo de resposta, Arabella ficou pasmada de que Marcus pudesse encantar inclusive a sua amiga, que depois de um desventurado encontro com um deles no passado, era em extremo cautelosa com os nobres libertinos. -Lorde Danvers é evidentemente muito experiente na utilização de seu encanto para conseguir seus fins -disse Arabella com secura. -Certo. -conveio ele. -Mas inclusive meus maiores esforços não lhe causam muito efeito. Dirigiu seu olhar a Tess uma vez mais. -ficará para comer, senhorita Blanchard? Confio a convencerei para que me conte alguns segredos de Arabella. Isso provocou outro tênue sorriso em Tess. -Obrigado, mas não posso. Devo retornar à academia. Só vim ver porquê Arabella não foi a sua classe. -Temo que foi minha culpa. Mantive-a ocupada com meus assuntos toda a manhã. Diante do curioso olhar de Tess, Arabella sentiu que se ruborizava. -Lorde Danvers propõe renovar a mansão e me pediu que fiscalizasse os trabalhos. -Compreendo. -respondeu Tess lentamente, embora o cenho que apareceu em sua testa mostrava um ar de preocupação. -Não se preocupe. -disse Arabella com um travesso olhar para Marcus-. Não tenho intenções de me converter em lady Danvers só porque desfrute decorando sua mansão. Junto com Marcus, Arabella acompanhou Tess a entrada, onde as recebeu de novo o boques de flores. Arabella foi diretamente ao vaso de rosas que sua amiga tinha admirando


antes. -Tess, por favor, leva isso Sei o quanto você gosta de rosas, você as apreciará melhor que eu. -virou-se para o mordomo, que aguardava junto à porta principal. -Encarregará de que as restantes floresça sejam entregues à academia, Simpkin? -Todas, senhorita Arabella? -Sim, todas. Pode as distribuir entre nossas alunas com as saudações de lorde Danvers. Olhou para Marcus com um perverso sorriso. -Estou segura de que nossas meninas estarão muito reconhecidas de que um nobre muito ilustre pense em lhes alegrar o dia. E eu não gostaria de desperdiçar tão encantadoras flores. Ele inclinou a cabeça reconhecendo sua pequena vitória, e Arabella sentiu que o pulso lhe disparava diante de seu masculino sorriso. Afastou o olhar e acompanhou sua amiga, para despedir-se dela em particular. Quando retornou, encontrou-se com Marcus que ainda a estava aguardando. -Desejas algo de mim, lorde Danvers? Deveria retornar ao salão, onde deixei nossos comerciantes. -Propunha-me te convidar a sair a montar comigo depois de comer. Pensei que poderia desfrutar do exercício. -Ao vê-la vacilar, acrescentou-: Fiz trazer alguns de meus cavalos de Londres, caso você e suas irmãs apreciariam umas montadoras decentes, para variar. Os pangarés dos estábulos de seu tio não são dignos de chamar-se cavalos. Podemos considerar o passeio parte de minha cota diária de sua companhia. Arabella refletiu e pensou que realmente gostaria de cavalgar. E montada a cavalo teria melhores oportunidades de frustrar o persistente cortejo do conde. -Eu gostaria de muito, milorde. -Bem. Então nos encontraremos no estábulo às duas. A jovem retornou ao salão sem poder ignorar um estremecimento de emoção diante da perspectiva de sair a cavalgar em um dia tão encantado de primavera; ou a mais deplorável expectativa de voltar a rivalizar com Marcus. Arabella não se decepcionou com seus novos cavalos. Quando chegou aos estábulos, Marcus a estava aguardando com uma formosa égua bago para ela. Ajudou-a a subir na sua cadeira de amazona e logo montou em um robusto castrado castanho. A jovem abriu a marcha saindo do pátio e seguindo pelo caminho de cascalho até um atalho sombreado sob as árvores. No próximo cruzamento de caminhos, viraram e se meteram no campo, a um galope calmo, sorteando exuberantes terrenos verdes, pastos, que flanqueavam o sinuoso rio Támesis. Finalmente, reduziram a marcha ao chegar à cúpula de uma colina de onde podiam distinguir um amplo vale a seus pés. Mantinham-se em um agradável silêncio. Arabella levantou seu rosto ao sol, absorvendo o entardecer brilhante e dourado, e saboreando o estranho prazer de achar-se sobre um enérgico corcel, com um encantado e atrativo cavalheiro a seu lado. Reconheceu que, a não ser pela aposta, desfrutaria muito da companhia do conde. -Obrigado por este precioso presente. -disse, dando uns tapinhas na égua. -É uma beleza. Evidentemente, tem um gosto superior para cavalos. -Eu comprei para minha irmã todos os que teve -respondeu Marcus. -E é boa amazona? -A melhor, sendo que a ensinei eu mesmo. Eleanor cavalga como o vento, tal como dizem que sabe fazer sua irmã Lilian. -Lily na realidade cavalga como uma endemoninhada - respondeu Arabella com um sorriso afetuoso. -Eu gostaria de conhecê-la, ela e Roslyn, um destes dias. Dirigiu-lhe um provocador olhar. -Verá sim. -Talvez convide Eleanor para que nos visite. Desfrutaria muito mais cavalgando aqui que entorno de Hyde Park. -Vive em Londres com você? -Em Londres, mas não comigo. Está com sua tia anciã, que faz as vezes de sua companhia. Eleanor se mudou pra lá para sua apresentação a sociedade faz três anos e decidiu ficar. -Se tinha sido seu tutor durante tanto tempo, como é que não trataste que casá-la, como planejava fazer conosco? Ele esboçou um sorriso, divertido.


-Nunca teria ocorrido me fazer de casamenteiro para minha irmã. Por sorte não há necessidade, por que, como herdeira, pode escolher seus pretendentes. Embora no momento, como você, está decidida a permanecer solteira, embora estivesse prometida em duas ocasiões. Ambas às vezes rompeu o compromisso. Nossa tia teme que esteja ganhando reputação de solteirona. Arabella arqueou as sobrancelhas interrogativamente. -Suponho que terá boas razões para isso. -Decidiu que, depois de tudo, não estava apaixonada. -respondeu ele brandamente. E virou a cabeça para examinar Arabella. -Sinto curiosidade por seu prometido. Amava seu visconde? Arabella não pôde reprimir uma careta de dor. Ainda era difícil recordar seu antigo compromisso com George, visconde de Underwood. Ela realmente o tinha amado. Tinha imaginado um futuro com ele, com a esperança de ter filhos. Entretanto, ao compreender que Marcus estava aguardando sua resposta, recompôs-se. sentia-se relutante para responder a uma pergunta tão pessoal, mas talvez merecesse saber por que não tinha intenção nem sequer de considerar sua proposta de matrimônio. -Sim, amava - respondeu com um tom firme. -Foi a única razão pela qual aceitei sua proposta, embora o considerasse um excelente partido e aquilo era exatamente o que se esperava de mim. Como sabe depois da experiência de meus pais, eu não desejava um matrimônio de conveniência. -Evidentemente, ele não te amava. Por ser assim, nunca tivesse permitido que o escândalo se interpusesse entre vocês. Nessa ocasião se encontrou mais preparada e conseguiu ocultar sua dor. -Não, não me amava. -conveio. Inesperadamente, Marcus endureceu o queixo com um gesto semelhante à ira. -Foi muito pouco honorável de sua parte romper seu compromisso uma vez feito em público. Arabella se deu de ombros depreciativa. -Sim. Mas logo compreendi quão afortunado foi que não chegássemos a nos casar, por que ele não me amava como pretendia. Provavelmente, nosso matrimônio se deteriorou até converter-se em nada mais que uma fria união legal. -Conseguiu esboçar um sorriso. -Em qualquer caso, isso aconteceu faz quatro anos, quando eu era jovem e ingênua. Depois me tornei muito mais prudente. Mas compreende por que não estou ansiosa por repetir a experiência? Marcus seguia observando-a atentamente. -Posso compreender que terei que te demonstrar que não me pareço nada com seu visconde. Arabella não pôde evitar que lhe parecesse divertida a comparação. Certamente, seu visconde não se parecia nada com Marcus. Não era fisicamente atrativo nem tão... Enérgico. George era um homem tenro, também muito diferente de seu poderoso, dinâmico e libertino pai, e isso principalmente foi o que era atrativo nele. Mas tinha demonstrado ter muito caráter. -Não tem que fazer nada nesse sentido Marcus. -respondeu-. Existem poucas semelhanças entre vocês. -Pode estar segura de que não fugirei diante do primeiro indício de escândalo. -Não, não posso imaginar fugindo de nada. -Arabella dirigiu a ele um sincero sorriso. -E, na verdade, logo me senti reconhecida pelo escândalo. Em certo modo, liberou-nos. Agora, minhas irmãs e eu somos capazes de governar nossas próprias vidas. -Dirigiu-lhe um irônico olhar. -Ou seríamos se não tivéssemos que carregar um tutor não desejado. Ele sorriu perdendo sua atenta expressão. -Sinto muito. -Não sente o mínimo - replicou ela brandamente. -Mas assim que concluam nossos quinze dias, ver-me-ei livre de você. -Não deseja verte livre de mim. Está desfrutando muito com nossa aposta. -Isso é o que você acha? -Sem dúvida alguma. Desfruta com o estímulo de me desafiar e rivalizar com um adversário de sua classe. Arabella arqueou eloqüentemente uma sobrancelha. -Como pode presumir saber o que sinto? Sua resposta foi mais séria do que ela tinha esperado. -Porque eu sinto o mesmo. Um estímulo que não tinha experimentado fazia anos. -Deve ser intragável. Marcus soltou


uma risada. -Vamos, reconhece. Sua vida seria mortalmente aborrecida sem mim aqui para animá-la; só com sua escola para te ocupar. Arabella o olhou em silêncio, incapaz de refutar sua afirmação. Era verdade, a maior parte de seu tempo era aborrecida, salvo por algum incidente ocasional em sua academia. E realmente começava a encontrar estimulação nos momentos que passava com Marcus. Embora mordesse a língua antes de reconhecer diante dele. -Tem uma opinião enormemente elevada de você mesmo - disse com doçura antes de recolher as rédeas. -Acredito que possa ser mais estimulante uma boa galopada. -Esporeou à égua para que iniciasse um meio galope. -Arrumado chegarei à mansão antes que você. gritou-lhe, virando a cabeça. Marcus sorriu com seu descarado intento de esquivar uma conversa tão íntima com ele. Mas ao vê-la galopar afastando-se, aceitou seu desafio. Quando Arabella compreendeu que tinha lhe passado, inclinou-se sobre o pescoço de sua égua apressando-a para que alcançasse maior velocidade. A brincadeira se converteu em uma autêntica corrida símbolo da raivosa competição que tinha lugar entre eles na vida real. Ambos estavam decididos a ganhar. Arabella corria a uma velocidade endiabrada e Marcus se esforçou o máximo possível em alcançá-la. A diferença da última vez, nesta ocasião é que ela montava um cavalo rápido, por isso conseguiu ganhar, embora com uma margem muita limitada. Uma vez alcançada a vitória, a jovem reduziu sua enlouquecida marcha depois, entrou no estábulo e se deteve sorrindo. A feiticeira visão golpeou Marcus diretamente no coração antes de disparar-se para suas virilhas. Com seu formoso rosto ruborizado pelo calor e o exercício, os lábios entreabertos pela emoção, os seios palpitando pelo esforço, compreendeu que assim seria como a veria presa nas garras da paixão. A imagem esticou seu corpo de desejo e excitação. Desejava descer Arabella de seu cavalo e lhe fazer amor ali mesmo, naquele momento. Ansiava inundar-se naquele vibrante calor... Por desgraça, tinha público. Marcus viu aparecer dois criados para fazer-se cargo de seus suarentos cavalos. Sem lhes dar a oportunidade de ajudá-la, Arabella se deslizou para o chão de sua cadeira e entregou as rédeas com um pedido de que refrescassem à égua. Marcus fez o mesmo com seus arreios e logo seguiu a jovem em direção à casa. Alcançou-a quando entrava pela porta lateral. -Acompanhar-me-á esta noite no jantar? Dirigiu-lhe um gracioso olhar. -Tenho alguma outra alternativa? -Certamente. Poderíamos completar o resto de nossas quatro horas esta noite, mais tarde... quando se retirar para seu quarto. -Não te permitiria um passo - murmurou, com sua sutil insinuação de entrar em seu quarto. -Jantaremos ? Arabella deixou escapar um exagerado suspiro de resignação em atenção a ele. -Muito bem, reunir-me-ei com você para jantar. Mas agora mesmo desejo falar com a senhora Simpkin sobre a redecoração da casa. Marcus a observou enquanto partia, admirando o ligeiro ondear de seus quadris sob a saia de seu traje de montar, enquanto refletia sobre o surpreendente efeito que causava nele. Tinha que reconhecer que seus sentimentos por Arabella foram mais à frente do desejo, e eram muito mais complexos. Sentia um excitante regozijo quando estava a seu lado, uma emoção que fazia anos não experimentava. Ela era toda uma mulher, intensamente vital e viva, e o fazia sentir-se exatamente igual vital e vivo. Embora depois de sua confissão sobre seu antigo prometido, Marcus compreendeu mais claramente contra o que teria que combater. O covarde abandono do visconde só tinha feito mais profundo sua desolação depois de perder seus pais e sua casa. A traição daquele bastardo, ainda mais com as batalhas conjugais de seus progenitores, tinha deixado em Arabella uma dolorosa desconfiança a respeito de compromissos e matrimônio. Marcus exalou um lento suspiro. Odiava pensar na dor e na humilhação que ela tinha suportado a conseqüência daquele abandono, e o mais seguro era que, se propusesse fazer com que o desejasse como marido, mesmo que tivesse o caminho fechado. A jovem trataria de frustrar constantemente seu cortejo, como tinha feito naquela manhã, quando publicamente tinha recusado seu romântico gesto fazendo com que mandassem suas flores para suas alunas. A


lembrança o fez sorrir. Mas decidiu que não se deixaria dissuadir. Propunha-se usar sua armadura defensiva até conseguir que ela mudasse de idéia a respeito de contrair matrimônio com ele... E começaria naquela mesma noite. Era hora de avançar um passo mais na intimidade de seu galanteio, introduzindo Arabella nos segredos da sensualidade. Esboçou um sorriso diante da expectativa. Empreender a conquista amorosa de uma relutante dama talvez não fosse exatamente seu forte, mas no terreno da sensualidade podia ganhar. Arabella foi em busca da senhora Simpkin para comentar seus últimos planos para renovar a casa. Antes que começassem, pediu que lhe preparassem um banho no vestiário que compartilhava com Roslyn, de modo que, quando subiu meia hora mais tarde, encontrou uma banheira de cobre cheia de água quente aguardando-a. Despiu-se, inundou-se na banheira e suspirou agradecida. Fazia muito tempo que não se permitia ao luxo de um banho prolongado. Quando acabou de lavar o cabelo, a água estava morna. Depois de se secar com uma toalha, vestiu um roupão e o deixou solto para que lhe secasse. Quando saiu do vestiário, Arabella se deteve bruscamente. Alguém tinha espalhado pétalas de rosas carmesins sobre a colcha de sua cama. «Marcus» foi seu imediato pensamento. Aquele diabo devia ter entrado em seu quarto enquanto ela estava se banhando. Incapaz de conter a risada, Arabella reconheceu que era um gesto original. A entrada estava vazia de flores quando eles retornaram de seu passeio a cavalo, mas evidentemente, ele tinha guardado algumas rosas para sua última salva do cortejo. Tinha que admirar sua criatividade, embora compreendesse que podiam havê-lo visto os serventes. Olhou para a porta fechada do corredor. Seus quartos estavam separados por toda a amplitude da casa, sendo que Marcus ocupava os aposentos do senhor. Não podia haver justificação nenhuma para que ele se encontrasse naquele andar, a menos que fosse a próxima sala de música. Contendo seu regozijo, decidiu que teria que ter umas prudentes palavras com ele. Quando se vestiu e desceu, encontrou-o no salão. -Puseste pétalas de rosa sobre minha cama? -perguntou-lhe assim que lhe ofereceu um copo de vinho. -Declaro-me culpado. Estou-te cortejando, recorda? -Ao ver que lhe dirigia um olhar, arqueou uma sobrancelha. -Não aprecia meu gesto romântico? -Não nesse gesto em particular. É muito íntimo. Marcus esboçou um sorriso que esteve a ponto de deixá-la sem respiração. -Arabella, querida, não começamos a intimidade. Exercendo um férreo controle sobre seus sentidos, ignorou seu provocador comentário. -Mas poderia algum servente ter visto você. -Não. Sempre procuro ser discreto. -Marcus... Não pode entrar em meu quarto tranqüilamente cada vez que te agrade. -Sei. Mas você não demorará em me convidar um dia por própria vontade. A propósito, eu gosto de verte de cabelo solto, como está agora. No rosto da jovem se refletiu a exasperação. -Não faço assim para te agradar, mas sim para que me seque. -Sei. Agora, prova o vinho. Será muito mais agradável que o vinagre de ontem à noite. É de minha própria adega. O vinho era realmente excelente e ele se absteve de fazer observações mais provocadoras. Mantiveram uma conversa sobre assuntos impessoais, em grande parte sobre a vizinhança e os arredores, já Arabella nesse momento prévio ao jantar foi muito agradável. Estava desfrutando verdadeiramente da companhia de Marcus quando Simpkin apareceu para anunciar que o jantar estava servido. A comida estava deliciosa. Sopa de nata de alcachofras, robalo com molho de lagosta, perdizes, vitela cozida a fogo lento, couve-flor e, como sobremesa, bolo de groselhas. Enquanto os criados retiravam os pratos, Marcus se dirigiu ao mordomo. -Por favor, Simpkin, felicite à senhora Simpkin de minha parte. Meu chef londrino não teria feito melhor. -Obrigado, milorde. Estará encantada em saber que gostou. Quando os serventes se retiraram, Arabella olhou o relógio de bronze dourado que havia


sobre o suporte da lareira e se levantou. -foi um momento muito agradável, milorde, mas acredito que por hoje cumpri com minha obrigação em permanecer em sua companhia. -Não de tudo, querida. -Estendeu a mão e lhe agarrou brandamente o punho. Ela o olhou com fixidez. -Não resta dúvida de que nossas quatro horas concluíram. -Ainda resta um quarto de hora. Tempo suficiente para iniciar sua educação. -Minha educação? -Para te demonstrar o que estará perdendo se insistir em permanecer solteira. O coração começou a lhe palpitar. -Não necessito de educação, Marcus. -Sim necessita Arabella. Precisa urgentemente provar um pouco de prazer físico. Desejo que compreenda a sorte conjugal que pode esperar quando estivermos casados. Como vai se não tomar uma decisão tão importante sobre seu futuro? Sua pergunta a deixou momentaneamente sem palavras. Ao ver que permanecia muda, Marcus se levantou sem lhe soltar o punho. -Vêm dar um passeio comigo. Nos jardins devem ser agradáveis agora que já não é uma selva. Arabella olhou pelas janelas e engoliu a saliva. Já era de noite, e uma meia lua pendia baixa sobre o horizonte, banhando em luz as árvores que se alinhavam junto ao rio. -Está escuro. -A escuridão é perfeita para o cortejo. -Marcus não quero sair lá fora com você. Seja o que for que pretende, pode fazê-lo aqui mesmo. -Poderia, mas não acredito que te agradasse que Simpkin fosse testemunha de minhas insinuações. Ao ver que ela lançava um bufo exasperado, ele acrescentou, enrolando-a: -Nesta ocasião, não vou beijar-te. Se tentar, pode voltar a me esbofetear. -Não me tente. -murmurou ela. Marcus sorriu. -Você irritada, doce Arabella? É você quem me prova. -Certamente não é essa minha intenção. Retirou a mão, foi para a porta e a abriu. Marcus a seguiu ao exterior, nos jardins do quintal e logo a agarrou pelo braço. -Passeemos até o rio. Ali teremos mais intimidade. Arabella sentiu que o pulso lhe acelerava enquanto ele a conduzia pelos degraus do quintal até a inclinada grama. Era improcedente lhe permitir esse tipo de intimidade, mas para fazer justiça à aposta, tinha que lhe dar a oportunidade de cortejá-la. Entretanto, teria que ter mais força de vontade da qual tinha mostrado até então se pretendia resistir a sua sedução. Arabella pôde distinguir o suave murmúrio da água enquanto se aproximavam do rio. Quando chegaram à borda, Marcus a conduziu depois de um castanheiro. Através do vigamento de ramos se filtrava bastante luz da lua, de modo que ela podia distinguir o formoso rosto e o azul dos olhos do conde brilhando na escuridão. Ele ficou olhando-a pensativo até que ela rompeu o silêncio: -O que te propõe fazer se não vai me beijar? Marcus deslizou sobre ela seu sensual olhar, como a acariciando. -te demonstrar o poder do contato físico. A ela não pareceu gostar de como soava aquilo, e foi protestar. -Nesta ocasião só me proponho te tocar. Interrompeu ele. -te demonstrar como o simples roçar de um dedo pode causar poderosas sensações entre um homem e uma mulher. -Acredito absolutamente. Não necessito nenhuma demonstração. Marcus sorriu com cumplicidade. -Outra vez te está sendo covarde. Seu profundo olhar se converteu em uma provocação, que só se intensificou as incipientes sensações que começavam a desbocar-se em seu interior. -Não, não sou covarde. Só desejo que te apresse e acabe com isso o quanto antes -replicou. -Paciência, doce Arabella. Um cortejo adequado requer seu tempo. -Segundo meus cálculos, só restam cinco minutos. -Cinco minutos será tempo suficiente para te ensinar esta lição. Ficou em tensão quando lhe agarrou a mão direita e a virou para cima; entretanto, não pôde evitar observar fascinada enquanto Marcus começava a riscar pequenos percursos em sua


palma com a ponta de um dedo. Quando chegou às partes mais sensíveis, a singela carícia a fez estremecer-se por completo. Arabella sabia que se ela pedisse, Marcus se deteria. Entretanto, permaneceu imóvel e calada, com as costas apoiada contra o tronco da árvore enquanto ele prosseguia. Continuando, viu-o levantar uns centímetros a longa manga do vestido para deixar sua pele descoberta e acariciar aquela delicada zona, fazendo-a ruborizar. Desconcertada, tratou de afastar o braço. -Fique quieta -ordenou Marcus. -É que me faz cócegas. -Faz muito mais que isso. -disse, e levantando a cabeça, sustentou-lhe o olhar com um brilho perverso nos olhos. Sabia exatamente como a afeta suas peritas carícias; era o diabo. Arabella apertou os dentes, decidida a resistir seu sedutor contato. Aquele homem era muito arrogante. Ele deixou então de lhe torturar a mão e, lentamente, deslizou-lhe as pontas dos dedos pelo braço, sobre a malha de seda da manga e com o passar do ombro, em uma carícia insinuante e sedutora. Ela sentiu seu poder incluso nesse leve contato, e quando Marcus alcançou sua nua clavícula sobre a beira do decote do vestido, estremeceu-se diante da rajada de sentimentos que a assaltaram. O calor ainda se incrementou mais quando riscou uma linha sob o sedoso oco que havia entre seus seios. -Arabella... -advertiu-lhe de novo Marcus quando tratou de retirar-se. Ela engoliu a saliva com força. Era quase impossível ficar quieta enquanto ele prosseguia. O certo era que desejasse ser tocada desse modo, desejava que ele a tocasse. O homem deslizou sua mão para cima, ao longo da coluna de seu pescoço. -Pode negar quão agradável isto te resulta? -Sua voz, como veludo, acariciava-lhe os sentidos tal como seus dedos estavam fazendo com sua pele. Não, Arabella não podia negar. Suas excitantes carícias se expandiam por seu corpo pulsando todas suas terminações nervosas. Ao ver que não respondia, Marcus apoiou languidamente um dedo sob seu queixo e a obrigou a levantar o rosto. Quando ela se encontrou com seus olhos, seu coração pulsou com força, irregularmente, palpitando selvagemmente em seu pescoço. Então ele a tocou ali, pressionando com suavidade contra o vulnerável oco. Logo lhe roçou o queixo com o polegar. A jovem se estremeceu diante da tentadora carícia. Marcus voltou a lhe tocar de novo o queixo com um toque persistente e provocador para depois mudar-se com atormentadora lentidão a sua bochecha. Seu olhar se inundou no dela, enquanto seus dedos brincavam com sua ruborizada pele. Arabella não podia desviar o olhar. Estava muito extasiada por sua expressão e pelo suave assalto de seus dedos. Mal podia respirar enquanto o polegar lhe percorria os lábios úmidos e entreabertos e logo o introduzia apenas pela linha de sua boca. Com o coração pulsando dolorosamente, por um momento se perguntou se Marcus propunha beijá-la. Mas então, ele deslocou a mão em seu rosto para percorrer de novo seu pescoço deslizando a palma com leveza, lhe provocando deliciosas sensações que deixavam um ardente atalho atrás. Quando ele colocou sedutoramente um dedo pela linha da espinha, em Arabella pareceu que a pele ardia. Entretanto, Marcus se deteve o chegar nas ondulações de seus seios. Então, colocou as mãos possessivamente sobre seus ombros e se inclinou, aproximando-se dela. Arabella inspirou fundo quando ele a atraiu estreitamente contra si. Seu corpo era quente, duro e forte. -Havia dito que só iria tocar-me. -disse ela ofegante. -Abraçar é parte do contato. Você não gosta da sensação do roce de nossos corpos? Havia um traiçoeiro prazer em ver-se assim, contra seu duro e protetor corpo. Podia sentir a aceleração de seu próprio sangue e os tremores que a estremeciam. -Não, eu não gosto, Marcus. Impostora.-murmurou ele brandamente. Diante sua surpresa e decepção, soltou-a. Entretanto, não retrocedeu. Simplesmente levantou a mão para seu sutiã e percorreu seus seios com o dorso dos dedos fazendo-a sufocar um grito com a crepitação de prazer que lhe provocou. -Se você não gostar, por que lhe endureceram tanto seus mamilos?


Arabella compreendeu que era verdade. Proclamavam sua excitação enquanto que sentia os seios pesados e cheios. E Marcus estava se esforçando ao máximo por aumentar seu desejo deslizando lentamente os nódulos pelas duras protuberâncias cobertas de seda. Logo, audazmente, agarrou por completo um de seus seios fazendo com que lhe afrouxassem as pernas. Um fogo irradiava da mão que sustentava seu palpitante seio e florescia entre suas coxas, escandalizando-a. Fanny lhe havia descrito poderosos sentimentos femininos como aqueles, mas Arabella nunca tinha esperado experimentá-los por si mesmo. Fechou os olhos diante semelhante prazer. O modo em que Marcus prolongava sua descarada carícia era enlouquecedor, não desejava que se detivesse. Seu contato era tão tenro, tão perverso... tão apropriado. Essas sensações a deixaram interiormente agitada, com um denso desejo profundamente agasalhado entre suas pernas... Passou algum tempo até que compreendeu que a demonstração dele tinha cessado. -Compreende agora? -Perguntou-lhe Marcus com voz rouca e firme. Arabella abriu os olhos, aturdida. OH, sim, compreendia perfeitamente! Marcus tinha proposto lhe demonstrar o poder do contato de um homem, de seu contato, e tinha triunfado plenamente. Ela estava morrendo de vontades, com um anseio indescritível... Morrendo de vontades por ele. -Agora desejo retornar para casa - disse com voz insegura, deploravelmente fraca. Com sua falta de resposta a sua pergunta, ele esboçou um sorriso satisfeito. -Certamente. Acredito que por hoje é suficiente. Esta noite sonhará comigo; comigo te tocando deste modo... Levou-lhe de novo a mão ao pescoço e outra faísca de fogo passou de seus dedos a sua pele. Arabella se retirou bruscamente e dirigiu a Marcus um olhar de despedida. Mas enquanto passava a seu lado e se dirigia para casa com as pernas tremulas, temia muitíssimo que sua predição a respeito de seus sonhos se fizesse realidade. CAPITULO 06 Prometo ir com cuidado, Fanny, embora seus beijos sejam tão sedutores como me advertiste. Arabella sonhou com Marcus... Durante toda a noite. Mas despertou decidida a recuperar a ofensiva em seu enfrentamento. Assim tomou seu banho e se vestiu, desceu a pequena sala de jantar. Ele pareceu surpreso ao vê-la enquanto se levantava cortesmente da mesa. -A que devo esta honra? -perguntou, enquanto acomodava Arabella em sua cadeira e voltava a sentar-se a seu lado. -Estou cumprindo parte de minha cota diária. Se devo permanecer em sua companhia, acredito que será melhor fazê-la a plena luz do dia. Os olhos de Marcus brilharam divertidos. -Compreenderá que isso não vai dissuadir-me. -Sim, mas em certo modo me sinto mais a salvo. Ele observou seu vestido de musselina azul. -Se soubesse que te propunha reunir comigo para tomar o café da manhã, teria me vestido mais formalmente. Arabella viu que de novo não usava lenço no pescoço nem colete, e que tinha a camisa aberta até o pescoço. De repente, sentiu o mais escandaloso apresso de tocar aquele amplo peito masculino, de sentir a carne musculosa que vislumbrava sob o tecido cambraia. Em lugar disso pigarreou. -Esta tarde está ocupado? Marcus arqueou uma sobrancelha. -Suponho que isso depende de no que esteja pensando. -decidi te convidar a visitar nossa academia. Disse que desejava julgar se ensinar ali fosse apropriado para suas pupilas. Bem, agora tem essa oportunidade. -Então, aceito. -Eu dou uma aula às quatro. Durante a mesma estamos acostumada a tomar chá, e pensava em aproveitar sua visita como uma oportunidade instrutiva para nossas jovens damas. Poucas vezes recebem visitas de cavalheiros, por isso assim poderão praticar com você. Seu regozijo se incrementou. -De modo que eu serei seu coelhinho da Índia.


-Não duvido que se sentirá com forças para confrontar o desafio. -E você terá amparo em abundância. -observou, ardiloso. Arabella sorriu. Era verdade que tinha contado com aquela vantagem. Com duas dúzias de alunas para distrair Marcus, este teria poucas oportunidades de intimidades, e ela gastaria grande parte de suas obrigatórias quatro horas em sua companhia. -Isto também é vantajoso. -conveio. -Muito bem. Aceitarei o chá se for inevitável. Está livre para cavalgar esta manhã? Ela negou com a cabeça. -Temo-me que não terei tempo. De novo me reúno com os comerciantes e logo me esperam na academia a uma. Mas estou segura de que você pode desfrutar do passeio sem mim. Se chegar à academia às três e meia, pode ver as instalações antes do chá. -Contarei os minutos. -respondeu Marcus com compungida resignação. Depois de ter conseguido postergar o cortejo do conde no momento, Arabella passou a manhã ocupada escolhendo mobílias para o andar principal. Mais tarde, quando se dirigiu ao estábulo com a intenção de pegar a carruagem para ir à academia, encontrou-se com a carruagem de lorde Danvers esperando-a para conduzi-la ali. O tempo transcorreu com inesperada lentidão. Arabella se encontrou olhando com freqüência pela janela, esperando ver aparecer Marcus. Sua carruagem chegou pontualmente, e se deteve no passeio de cascalho, diante da entrada; Arabella acompanhou à diretora da academia para recebê-lo. -Cavalheiro visitante apresentando-se para cumprir com seu dever. -disse ele enquanto descia da carruagem. Arabella lhe apresentou à senhorita Jane Caruthers, a elegante dama que dirigia dia a dia a academia. Ela foi quem guiou a visita pelas instalações, enquanto Arabella os seguia alguns passos atrás. Para sua surpresa, encontrou-se observando atentamente Marcus, ansiosa com o que via merecesse sua aprovação. Se ele era consciente do bem que ela e suas irmãs estavam fazendo ali, seria mais provável que lhes permitisse seguir com seus empregos. Sabia que o desejo de obter sua aprovação ia conseguir seu consentimento legal. A academia era a principal criação dela, seu orgulho e sua alegria, e Arabella desejava que Marcus compreendesse quanto significava para ela. O lugar estava composto por vários edifícios. As classes estavam acostumadas repartir-se em uma imensa mansão, tal como poderia ser a casal rural de um nobre, por exemplo, e uma segunda mansão, mais formal, que representava uma residência da aristocracia londrina. A academia contava também com grandes estábulos e um parque para praticar atividades ao ar livre, assim como uma ampla casa com quartos para jovens a pensão era completa. A vasta maioria das alunas viviam nesse edifício, menos durante a época do verão, em que só algumas ficavam na mansão. Arabella não pôde ocultar um ligeiro rubor ao concluir a visita, quando Marcus elogiou as instalações. -É impressionante. -disse com sinceridade. -Posso compreender por que os pais desejam enviar a suas filhas aqui. Ela sorriu agradecida. -O lugar é excelente graças à generosidade de lady Freemantle, mas nossos clientes apreciam ainda mais a qualidade do ensino que suas filhas recebem. Vêem, me deixe demonstrar. Quando retornaram à mansão «londrina», Arabella conduziu Marcus até um grande salão, onde imediatamente se converteu em objeto da atenção de duas dúzias de jovens de olhos brilhantes, vestidas com ornamentos. A senhorita Tess Blanchard se levantou para recebê-lo com um sorriso cortês. Uma vez Marcus se inclinou sobre sua mão para saudá-la, Arabella se adiantou para dirigir-se a suas alunas. -Senhoritas, agrada-me lhes oferecer hoje algo especial. Lorde Danvers acessou generosamente a reunir-se conosco para que possamos praticar a arte de receber de maneira adequada a um cavalheiro quando visitar. Concentraremo-nos em especial em servir o chá com elegância e em manter uma conversa engenhosa. A senhorita Blanchard já dispôs os assentos, de modo que por favor ocupam seus lugares e, poderemos começar. As moças deviam tomar o chá com ele em grupos de seis, enquanto o resto observava.


Havia serventes com os serviços de chá e bandejas repletas de pães doces e pequenos sanduíches. Quando Arabella e Tess se sentaram com o primeiro grupo, Marcus foi anunciado por um «mordomo», e introduzido na sala. Arabella, que esteve observando-o durante o transcurso da seguinte hora, não pôde por menos que admirar seu valor. Algumas moças eram infelizmente tímidas e, outras, torpemente audazes, mas Marcus conversava com todas de bom grau. Era evidente que as fascinava. Manteve-as absortas durante quatro sessões práticas, encantando às tímidas e evitando expertamente às brincadeiras aduladoras das que o paqueravam. No terceiro grupo, quando uma das moças derramou o chá sobre a toalha, ele tirou tranqüilamente um lenço de sua jaqueta e enxugou o líquido. Logo, quando Sybil Newstead, uma beleza de cabelos negros que tinha estado flertando descaradamente com ele durante os últimos dez minutos, em um intento evidente de monopolizar a conversa, brigou com sua companheira por sua estupidez, Marcus dirigiu à envergonhada moça um irresistível sorriso. -Não faça caso à senhorita Newstead, senhorita Fletcher. Você me tem feito sentir totalmente em casa. Minha irmã mais nova, Eleanor, jogava-me regularmente o chá em cima quando estava aprendendo a servir. Não as invejo, senhoritas, vocês têm que levar adiante muitas tarefas delicadas. Eu teria muito pouca destreza. Ruborizada a senhorita Fletcher lhe dirigiu um olhar de agradecida adoração enquanto Sybil Newstead o contemplava com áspera expressão de desgosto. Também Arabella se sentiu enormemente reconhecida, mas aguardou que a classe tivesse terminado e Tess acompanhou todas as moças fora do salão para falar com elas Marcus a olhou nos olhos. -estiveste muito bem, Marcus. -disse quando se retiraram os criados. -Me alegro de que aprecie meu sacrifício. -respondeu ele brandamente-. Não pode imaginar quão difícil foi ter que me defender de uma turma de moças soltando todo o momento risadas tolas. Me senti muito violento. Isso fez Arabella estourar em gargalhadas. -Ninguém disse que te sentiu violento. Marcus a olhou entreabrindo os olhos. -desfrutaste me vendo nessa situação, verdade? -Só um pouco. -Na realidade, tinha tentado pô-lo intencionadamente em desvantagem, mas a reação dele ganhou sua admiração. -Avalio sinceramente seu sacrifício. Os pais estarão muito impressionados de que suas filhas tenham tomado o chá com um verdadeiro conde. Seu zombador sorriso era insinuante. -Farei o que seja por você, minha feiticeira. Arabella deixou de rir. -Sério, Marcus, quero te agradecer pelo que fez hoje. Dirigiste a nossas alunas com admirável tato e graça, em especial à senhorita Fletcher. -Agrada-me ganhar sua aprovação, mas deveria agradecer a mim irmã, que é quem me ensinou como tratar as damas. -levantou-se do sofá e estendeu a mão a Arabella, que também se levantou. -me permita que te acompanhe para casa em minha carruagem. Nessa ocasião, ela lamentou ter que recusar sua companhia. -Sinto muito, mas não posso partir ainda. Devo falar em particular com Gladys Fletcher para me assegurar de que não a vai afetar no futuro o incidente do chá vertido. E também desejo ter umas palavras com Sybil Newstead. -É um pouco travessa, não é ? -Em efeito. As moças, desta idade, podem ser muito selvagens, e Sybil é das piores. É nossa herdeira mais enriquecida, e também a mais problemática, embora esteja tão somente em seu primeiro ano. Mantê-la sob controle é difícil. -O que tem feito para que seja tão extraordinário? -Dirá o que é o que não tem feito. Entrou às escondidas três garrafas de brandy para o quarto, ela e a metade de suas companheiras se embebedaram. Tratou de seduzir um criado, ao qual assediou tanto que o pobre rogou que o destinassem a outra parte. Contraiu enormes dívidas com suas costureiras, de modo que seu pai ameaçou tirá-la da escola se não fossemos capazes de mantê-la mais segura. Depois, tivemos que empregar uma criada a tempo completo para vigiá-la. Marcus riu entre dentes. -nota-se que suas alunas lhe apreciam muito. Tem um impressionante dom com elas.


-Obrigado. -replicou Arabella sinceramente contente enquanto o acompanhava à porta do salão. -Trato de moldar seus caráter, assim como de polir suas maneiras, mas sobre tudo, me esforço por lhes inspirar a confiança suficiente para superar sua falta de bom berço. Não acredito que alguém deva ser condenado simplesmente porque seu sangue não seja azul. -Suas idéias radicais não sentariam muito bem entre nossos pais. -respondeu ele com humor. Quando chegaram ao corredor, deteve-se-. Jantará comigo esta noite? Arabella vacilou. -Sim, mas tinha esquecido de mencionar que convidei a nossa benfeitora, lady Freemantle, para jantar conosco. Marcus lhe dirigiu um olhar de entendimento. -De modo que evita estar a sós comigo. Ela sorriu e lhe formou uma covinha. -Em parte sim. Mas Winifred está ansiosa por te conhecer. Coincidistes em várias ocasiões, embora dúvida que a recorde. -OH, sim a lembrança! É muito difícil de esquecer. -com certeza. -conveio Arabella. Winifred era uma mulher grande, de rosto avermelhado, com uma voz forte e um acento que delatava suas origens de classe baixa. -Mas é uma querida amiga. -E evidentemente uma de suas mais fiéis aliadas. Nesse caso, terei que tratar de impressioná-la. Enviarei em seguida minha carruagem para que logo te leve para casa. Arabella assentiu antes de avisar a um criado, ao qual deu instruções para que acompanhasse lorde Danvers a sua carruagem. Quando Marcus partiu, virou-se em direção contrária para ir em busca de suas alunas, mas ainda sentia aquele ligeiro rubor que não a tinha abandonado durante toda a visita. Seus benévolos sentimentos não resistiram o jantar. Naquela noite, quando lady Freemantle chegou, Marcus se mostrou encantadoramente atento e Winifred se derreteu diante dele como manteiga desfazendo-se sob um sol ardente. Para sua primeira taça de vinho, ele estava bem encarrilhado para ganhá-la como aliada. Em sua defesa, Arabella reconheceu com admiração embora a contra gosto, que ele parecesse desfrutar de verdade da companhia de milady. Quase uma década mais velha que Marcus, Winifred o tratava com afeto maternal, embora não houvesse nada maternal em seus traços machos e angulosos e suas maneiras ordinárias, mais combina com os estábulos que com um elegante salão. Mas sua natureza jovial era tão cálida e contagiosa que logo ambos estiveram rindo e compartilhando histórias de seus conhecidos londrinos. Ainda pior, Winifred começou a confiar em Marcus como se fossem antigos amigões. Arabella sentiu seu coração partir enquanto os observava. Tinha contado com que sua amiga defendesse sua causa contra Marcus, mas foi evidente inclusive antes que se dirigissem a sala de jantar, ele tinha feito outra conquista. De novo a comida foi deliciosa: linguado com molho de nata, guisado de coelho, bolo de pombinho e, o prato preferido de Winifred, um rosbife; logo pasteis de fruta e nata. Entretanto, para Arabella o jantar não pareceu tão bom quando a conversa derivou para o matrimônio. -Minha beleza não foi o que atraiu a sir Rupert, como é fácil imaginar -disse lady Freemantle com franco bom humor. -Sem dúvida deve ser a quantia de meu dote. Uma quantidade suficiente pode cobrir qualquer número de defeitos em uma mulher, inclusive um aspecto não atrativo. Marcus dirigiu a Arabella um inocente olhar. -Eu tinha planejado destinar uma soma importante a minhas pupilas. Winifred lhe sorriu e inclinou a cabeça aprovadora. -Sabia que você era um cavalheiro, lorde Danvers. Arabella e suas irmãs me preocuparam enormemente durante estes últimos anos. Mas um dote lhes fará muito mais fácil encontrar maridos. -Winifred - protestou Arabella-. Acreditei que você apoiasse nossas intenções de permanecer solteiras. -Não, querida. Desejo que tenham possibilidade de escolher com... com quem lhes deitam, mas não terão mais remédio que se casarem. É a única alternativa para uma dama. -Isso é o que estive tratando lhe fazer compreender - interveio Marcus com olhos risonhos.


-Deveria escutar seu tutor, Arabella - disse Winifred muito séria. -Lorde Danvers inclusive pode te apresentar alguns bons candidatos. Já sabe que os maridos convenientes não crescem nas árvores. Com suas relações, poderia encontrar um bom partido. -Bom, na realidade... Já tenho o candidato ideal para ela. -observou Marcus. Lady Freemantle se virou para ele com viva curiosidade. -Quem é? -Eu mesmo. Tenho-lhe proposto matrimônio à senhorita Loring, mas me recusou. Lady Freemantle pareceu surpreendida enquanto Arabella dirigia a Marcus um olhar reprovador. Ainda não lhe tinha contado a sua amiga a proposta de Marcus, nem sua aposta, e lamentava que ele tivesse tirado o tema em público quando por sua parte ainda não lhe tinha explicado a situação a Winifred em particular. Esta seguia olhando o conde incrédula. -É certo isso? Tem-lhe proposto matrimônio, milorde? Não acreditava que você fosse dos que se casassem. -Não fui até na última semana. Dei um olhar à senhorita Loring e fiquei entusiasmado. A risada da dama soou como um pouco parecido ao relinchar de um cavalo enquanto seus olhos castanhos começavam a dançar. -Sempre tinha ouvido dizer que era você um perverso encantador. Posso compreender por que tem um montão de rendidas amantes e admiradoras, tratando todas elas de pescá-lo. -Winifred! -exclamou Arabella de novo. -É pouco adequado falar das amantes de um cavalheiro na mesa. -Vamos, não seja tão afetada, querida. Sabe que eu gosto de falar claro. E, se aceitar meu conselho, poderia fazer algo muito pior que te casar com sua senhoria. -Vê? -interveio Marcus com um provocador olhar para Arabella-. Inclusive sua benfeitora acredita que deveria aceitar. Lady Freemantle prosseguiu como se Arabella não estivesse ali. -Não será fácil convencêla, milorde, mas não desanime. A persistência é a chave. Deveria ler uma página do jornal de meu falecido marido. Ele teve que lutar para me conseguir contra meus outros pretendentes, essa foi a razão da qual meu pai escolhesse ele, porque admirava sua persistência. E embora Rupert só me desejasse por minha fortuna, no final resultou ser um matrimônio bom. Acabamos realmente afeiçoados um com o outro. -de repente, em seus olhos brilharam as lágrimas. -Às vezes sinto falta dele com uma dor muito intensa. Suou sonoramente o nariz e logo voltou a dedicar sua atenção a Arabella. -Qual é a razão da qual deseje permanecer solteira toda sua vida, moça? Sei que tiveste razões para não querer te casar, mas a solidão é um sombrio companheiro de leito. Arabella se esforçou por esboçar um sorriso. -Deixarei presente, Winifred. Agora, por favor, podemos mudar de tema? Toda esta conversa sobre me casar com lorde Danvers me tirou o apetite. Alegrou-se quando os outros dois obedeceram, mas para seu pesar, Winifred não estava disposta a renunciar de tudo o tema, e voltou a tirá-lo uma hora mais tarde, quando já partia. Enquanto Marcus aguardava cortesmente no patamar da porta principal, Arabella acompanhou milady até sua carruagem. -Acredito que deveria considerar seriamente te casar com lorde Danvers - sussurrou-lhe Winifred com uma voz alta para que se ouvisse da casa. -Esse magnífico exemplar de varão é um esplêndido companheiro de cama. Arabella sentiu que as bochechas lhe ardiam, consciente de que Marcus tinha ouvido. -Não entra em meus propósitos fazê-lo, Winifred. Estava disposta a simular indiferença diante dele, mas quando retornou à casa encontrou Marcus lhe bloqueando o passo para a entrada, com os olhos transbordantes de humor. -Não diga - advertiu-lhe Arabella enquanto passava por seu lado, lhe roçando. -Dizer o que, amor? -perguntou ele com inocência enquanto a seguia ao interior e fechava a porta. -O que te propor dizer. Sem dúvida, pretendia me recordar suas qualidades como companheiro de leito. Ele riu entre dentes, mas negou com a cabeça. -É injusta comigo. Simplesmente desejava convidar-te para que me acompanhasse amanhã a um piquenique Dirigiu-lhe um surpreendido olhar. -Um piquenique? Não teria imaginado que você gostasse.


-Eu gostarei neste caso, sendo que é como desejo passar amanhã parte de meu tempo com você. Encarreguei que preparem uma comida e iremos em minha carruagem em lugar do cavalo. Desse modo, não poderá te afastar a galope me deixando para trás. Arabella vacilou. A perspectiva de um piquinique com Marcus era realmente atrativa, embora isso significasse lhe dar outra oportunidade de seduzi-la. Entretanto, tinha acessado suas condições em permitir ganhá-la por meio do cortejo. Além disso, estava em dívida com ele por sua amabilidade com suas pupilas aquela tarde. -Muito bem. -respondeu por fim sossegada. -Estarei encantada por te acompanhar amanhã a um piquenique, milorde. E agora ... boa noite. Entretanto, enquanto subia a ampla escada, Marcus se mantinha a poucos passos atrás dela, e, ao chegar ao primeiro patamar, quando virou para seu quarto, ele seguiu acompanhandoa. A metade do corredor, Arabella se deteve bruscamente e lhe dirigiu um olhar exasperado. -O que é o que te propõe me seguindo deste modo, Marcus? -Tão somente acompanhava a seu quarto. -Sou perfeitamente capaz de encontrá-lo sozinha. -Certamente que sim, querida, mas desejava ter um momento de intimidade com você. Agarrou-a pela mão e a conduziu pelo solitário corredor para sua porta. Arabella, nervosa, tratou de retroceder. -Nosso tempo de hoje está mais que acabado - protestou. -Tomarei emprestado do que me corresponde amanhã. -Não pode entrar em meu quarto, Marcus! -Não pretendo fazer. Embora pouco segura, Arabella deixou de resistir, sabendo que serviria de pouco. Marcus a conduziu à sala de música, fechou a porta e se virou de rosto para ela. -Isto está adequado. -Adequado para que? -perguntou Arabella com voz repentinamente afogada. -Para nossa próxima lição. Aqui ninguém nos interromperá. -Mas eu não necessito de outra lição. Os olhos azuis cintilaram sob as escuras sobrancelhas. Ela só teve que olhar aquele persuasivo olhar e seu brilho de perversa cumplicidade para sentir-se excitada. -Sim a necessita. Ela sentiu que seu coração acelerava de maneira alarmante diante do sensual sorriso que Marcus esboçou enquanto lhe aproximava. Arabella deu um passo atrás levantando a mão para mantê-lo à distância. -Não sabe que quando uma dama diz que não deseja os cuidados de um cavalheiro é grosseiro não lhe fazer caso? -Como nunca assisti a sua academia, nunca compreendi essa normalidade em particular. Agarrou-lhe a mão e deteve assim sua retirada. -Proponho-me educar seus sentidos, doce Arabella. Levou sua mão à boca e pressionou os lábios contra sua suave mão. Um fraco gemido escapou dos lábios dela diante daquela erótica sensação. -Já o fez ontem. -assinalou a jovem, quase ofegante. -Não. Ontem te mostrei o poder do contato. Hoje nos centraremos no poder do sabor. -Do sabor? -Os beijos, amor. -Lambeu-lhe a mão umedecendo-lhe ligeiramente e fazendo-a gemer de novo. -Nesta ocasião, não usarei as mãos. Proponho-me te ensinar a beijar utilizando só a boca, para que conheça meu sabor. Seu coração acelerou emocionado, e embora abrisse os lábios para protestar, não conseguiu dizer nada. A deplorável realidade era que desejava sua lição. Não tinha nenhuma dúvida de que os inofensivos beijos que seu prometido lhe tinha dado em outro tempo não eram nada comparados com os devastadores beijos de Marcus. Ao ver que ela não respondia lhe dedicou outro encantado sorriso. Sem lhe soltar a mão, fez ela girar e a guiou até apoiá-la contra a parede. Logo a soltou e inclinou a cabeça. O quente fôlego dele acariciou seus lábios antes que a beijasse sem tocá-la. Sua boca eletrizou a sua agitando seu pulso até levá-lo a um ritmo selvagem. Entretanto, Arabella se manteve imóvel, lutando contra a entristecedora tentação de responder a seu beijo.


Marcus levantou a cabeça para olhá-la. -Nenhuma resposta? Vejo que terei que me esmerar mais. Com as negras pestanas entreabertas sobre seus vivazes olhos, inclinou-se de novo, aproximando sua boca cálida e vibrante enquanto a posava na sua com lenta e segura pressão. Nesta ocasião, ela não pôde manter-se quieta com tão incríveis sensações crescendo vertiginosamente em seu interior. -Abre sua boca para mim, Arabella. -murmurou Marcus contra seus lábios enquanto a jovem se estremecia. Conquistou-a enrolando-a com a boca até que fez o que lhe pedia. Imediatamente, sua língua aprofundou em seu interior explorando-a com uma sensual invasão que a aturdiu de prazer e a deixou por completo sem fôlego. Transcorreu um longo momento antes que ela compreendesse que ele interrompeu para lhe formular uma pergunta. -Como sabe? «Delicioso» foi a muda resposta de Arabella. Seu sabor era delicioso e a enchia de um anseio ávido. Com os sentidos aturdidos, devolveu-lhe o olhar em silêncio, agradecida de que a parede a estivesse sustentando, as suas pernas quase tinham deixado de segurá-la. Quando por fim lambeu os lábios como resposta, viu flamejar os olhos de Marcus. Ele tomou seu tempo antes de reatar o beijo. Sua aproximação foi lânguida e íntima, acoplando sua boca a dela enquanto sua língua interpretava uma tranqüila e erótica dança. Arabella fechou os olhos diante da grande onda de desejo que a invadia, inconsciente de tudo salvo do movimento de seus lábios e da sedutora penetração de sua língua. Deu-lhe vontade de choramingar decepcionada quando por fim ele concluiu o beijo, mas por sorte não a deixou por completo. Em vez disso, seus lábios se deslocaram para cima, batendo por sua bochecha em direção à testa. -Tem a boca mais erótica que saboreei. -murmurou Marcus. - Você também. -respondeu ela com sinceridade. Sentiu seu suave sorriso como um quente estalo contra sua pele. A embriagadora sensação lhe provocou um estremecimento de prazer que lhe percorreu as costas, mas quando lhe roçou a orelha com os lábios, lhe apanhando o lóbulo entre os mesmos, emitiu um gemido de impotência. -Desejo saborear seus seios. -disse então ele. Suas sussurrantes palavras, tão provocadoras e tentadoras, para sua vergonha, fizeram que os seios lhe formigassem. Quando sentiu suas mãos manipulando as costas de seu vestido e lhe soltando os colchetes, Arabella podia dizer que retirar-se, mas a única coisa que pôde fazer foi permanecer ali, ofegante e com o coração acelerado. Observou enfeitiçada como lhe baixava o sutiã expondo seus seios, cobertas só com a blusa e o espartilho. Logo, ele tirou por de baixo da blusa, deixando nu seus rosados mamilos. Os olhos ao vê-los relampejaram. -Marcus... -Silêncio. Isto você gostará. Seu rouco murmúrio a silenciou. Outro tremor agitou Arabella quando compreendeu que ele se propunha beijar seus seios nus, mas não fez nada para lhe deter. Seu olhar ardia enquanto a olhava fixamente nos olhos, e logo se inclinou sobre ela com seu fôlego roçando sua suave pele. Diante do delicado toque de sua língua naquela sensível zona, Arabella aspirou sufocando um agudo grito, mas quando ele roçou ligeiramente a ponta de um mamilo com a língua, exalou com força. Sua tentadora língua, de uma vez áspera e aveludada, acariciou-a durante um longo momento, fazendo-a estremecer de prazer. Logo, com perícia, atraiu o suave casulo para o interior de sua boca, chupando a excitada aréola. Um gemido escapou dos lábios dela enquanto afundava as mãos em seu cabelo negro. O ardor que se expandia por seu interior era muito intenso para suportá-lo, e descia vertiginosamente para o latente núcleo de seu corpo, debilitando-a ainda mais. Marcus dedicou sua atenção para o outro seio, lambendo-o mais poderosamente e enviando outro raio de fogo entre suas pernas. Surpreendida, Arabella se arqueou para ele enquanto os músculos interiores de suas coxas se esticavam quase dolorosamente. Entretanto, nessa ocasião foi Marcus quem se retirou, deixando-a acesa e ansiosa. Pressionou a frente contra a dela e se manteve assim, quieto, rígido, como se esforçasse por


controlar sua força de vontade. -Será melhor que me detenha enquanto ainda posso fazer. -Que... E se não desejar que te detenha? Ele soltou uma gargalhada semi-afogada. -Deus, não me tente! Por fim, proferiu um suspiro moderado e retrocedeu. -Vá dormir Arabella... Sozinha. Antes que me esqueça de que sou um cavalheiro e queira te acompanhar. Ela engoliu a saliva em um esforço por controlar sua ofegante respiração. Entretanto, era impossível recuperar do atordoamento tão de repente. Enquanto punha ordem em sua desalinhada roupa, Marcus abriu a porta e inspecionou o corredor. -Tudo espaçoso. Pousou as mãos em seus ombros e lhe deu um ligeiro beijo, muito fugaz para o gosto dela, em seus lábios antes de fazê-la dar meia volta e sair da sala. Ainda semi aturdida, Arabella se apressou pelo corredor e se deslizou em seu quarto, que estava na porta ao lado. Sua respiração era ainda ofegante enquanto se encerrava no interior; notava os mamilos duros como pedras e os joelhos sem força. Transcorreu um longo momento antes que seu coração recuperasse seu ritmo habitual, e se recuperou o suficiente para começar a preparar-se para dormir. Arabella tirou as presilhas do cabelo e o escovou, logo se despiu, tarefa que foi fácil, porque Marcus já tinha soltado antes os colchetes com destreza. Quando entrou no vestiário, contemplou seu ruborizado rosto no espelho de corpo inteiro. Parecia uma perfeita libertina. Recriminando-se sua descarada conduta como sua rendição muito fácil, pendurou o vestido no guarda-roupa. Ao abrir a porta do armário onde guardava suas camisolas e objetos interiores, ficou paralisada diante do perfume de rosas que a recebeu. Arabella reprimiu um sorriso. Marcus tinha espalhado pétalas de rosas vermelhas por toda sua lingerie. Sabia que seria inútil protestar contra sua descarada ação, porque ele a justificaria dizendo que era licito utilizar todos os meios a seu alcance para cortejá-la. E ela tinha que reconhecer que seus métodos eram eficazes. Saber que tinha estado ali, em seu vestiário, tocando seus objetos íntimos -suas blusas, seus espartilhos, suas meias, suas camisolasfazia com que a invadisse uma grande onda de pecaminosas imagens, incluída uma vivíssima... de Marcus despojando-a daqueles mesmos objetos tão facilmente como tinha descoberto a parte superior de seu corpo momentos atrás. O rubor a alagou inteira ao recordar como lhe tinha baixado o sutiã e beijado seus seios nus, como sua maravilhosa boca tinha brincado e acariciado seus mamilos. Aquela noite lhe tinha ensinado mais que o poder do sabor: tinha-lhe mostrado que classe de amante podia ser. Diante a ardente lembrança, Arabella se aproximou uma das pétalas de rosa, aspirando sua suave fragrância. Seus irresistíveis beijos eram sua mais recente lição do fogo que existe entre um homem e uma mulher, e sem dúvida a experiência a tinha aturdido. Marcus não só tinha excitado os desejos femininos que ela tinha enterrado à força quando seu prometido a tinha abandonado, a quatro anos, mas sim tinha acendido um desejo -não, um apetite- que Arabella nem sequer sabia que existisse. Um desejo que não podia evitar desejar explorar. E enquanto permanecia ali tremula, ouvia uma insistente voz sussurrando em sua mente: «O que aconteceria se entregasse a ele?». Reprimindo prudentemente a pergunta, Arabella exalou um agitado suspiro enquanto começava a recolher as pétalas de rosa. O sedutor diabo era ainda mais perigoso do que ela tinha temido. Desconcertavam-na aos extremos aos quais estava disposto a chegar para ganhar sua aposta, embora não pudesse evitar admirar secretamente sua tenacidade. Era um homem que controlava seu próprio destino, que se negava a permitir que nada se interpusesse em seu caminho, incluindo ela. Estava decidido a vencer sua resistência e começava a triunfar maldito era. Arabella recordou a si mesmo, em sua defesa, que qualquer mulher em seu são julgamento estaria encantada diante seu romântico cortejo, e ela não era diferente. Podia ter repudiado qualquer perspectiva de amor e matrimônio, mas seguia sendo um ser humano. O


problema consistia em que a tentação de sucumbir a sua sedução se fazia por momentos cada vez mais irresistíveis. CAPITULO 07 Agora compreendo o que queria dizer ao falar de paixão... E por que uma mulher poderia abandonar toda precaução para saboreá-la. Para consternação de Arabella, sucumbiu ao seguinte dia. Entretanto, não podia culpar totalmente a Marcus, pois sua própria debilidade feminina foi muito mais culpada que sua masculina perseverança. É obvio, estava contente de ir com ele a um almoço campestre, porque embora agradasse a ré-decoração da casa, a saída lhe dava uma pausa dos requerimentos dos comerciantes assim como de seus deveres na academia. Também tinha que admitir que desfrutasse estando com Marcus, em especial ao vê-lo esforçar-se tanto por ser encantado enquanto conduzia expertamente sua carruagem pelos atalhos do campo. Como lugar de piquenique, escolheu um lugar junto ao rio, aberto ao céu mas protegido de olhares indiscretos. Depois de ajudar Arabella a desembarcar do veículo, estendeu uma manta sobre a grama e conduziu até ali a jovem galantemente. Quando ela se instalou, Marcus se sentou a seu lado e abriu a cesta de vime, descobrindo um pequeno festim de frango assado, pão e várias classes de frutas. Serve-lhe um prato, logo ele se serviu e encheu para ambos duas generosas taças de vinho. Enquanto comiam, Arabella permanecia sentada sobre as pernas, com sua saia de musselina azul recatadamente disposta a seu redor, e Marcus se estendeu de lado, com um cotovelo sobre a manta e a cabeça apoiada na mão. O morno sol primaveril contribuía para a tranqüilidade do entorno. Quando quase tinham acabado de comer, Arabella rompeu o silêncio. -Isto é realmente encantador, Marcus, mas não deveria tomar tantos incômodos para me cortejar. -Assinalou o banquete. -Isso não me fará mudar de idéia a respeito de me casar com você. Marcus sorriu. -Se eu pude suportar a tortura de tomar o chá com suas alunas, o menos que possa fazer você é me dar a oportunidade de interpretar o papel de amante romântico. -Certamente. E tenho plena intenção de cumprir com as condições que fixou. Mas, sinceramente, não compreendo sua insistência. -Olhou-o inquisitiva-. Sabe que na realidade não deseja te casar comigo: a única coisa que quer é ganhar sua aposta. Marcus a olhou por cima de sua taça refletindo sobre sua afirmação. Na realidade, obrigar Arabella para que compartilhasse tempo com ele cada dia, assim poderia cortejá-la não tinha tão somente o fim de conseguir que acessasse a casar-se com ele. Simplesmente, desejava estar com ela. Desejava sua companhia pelo prazer de tê-la perto. Para sua própria surpresa, aquele último dia se encontrou procurando pretextos para evitar retornar a Londres, onde devia resolver assuntos de negócios. Não podia recordar que isso mesmo tivesse acontecido com nenhuma outra mulher. A verdade era que se sentia cômodo com Arabella. Podiam falar e também rir. Adorava quando discutiam amigavelmente, e estava contente quando ganhava seus sorrisos. Inclusive ele se agradava de sua obstinação. Marcus reprimiu um sorriso ao recordar como tinham brilhado seus olhos com picardia no dia anterior, quando lhe tinha feito suportar quatro sessões de chá com suas alunas. Se aquele era toda a tortura que podia esperar no futuro a seu lado, suportá-lo-ia gostosamente. Tomou um longo gole de vinho enquanto pensava em sua notável mudança de pensamento. Pensar em ver-se preso por toda a vida já não lhe produzia calafrios. Não se a prisão fosse com Arabella. Pela primeira vez em sua vida desejava para seu futuro algo mais que conservar seus títulos e imóveis. Desejava sinceramente casar-se com aquela mulher. Certamente que Arabella não acreditava, pensava que seu cortejo era só uma diversão para ele. Mas agora já não era um jogo. Estava totalmente decidido a convertê-la em sua esposa. Só durante a última hora tinha sido capaz de identificar a razão: ela contribuía a sua vida um fogo que até então nem sequer se deu conta de que faltasse. A seu lado se sentia vivo


como nunca; alegre, temerário e cheio de entusiasmo. Certamente, também sentia luxúria e desejo. Arabella podia ser sexualmente inexperiente, mas era mais mulher que qualquer de suas anteriores amantes e ele a desejava muito mais. Era vibrantemente sensual e isso excitava seus sentidos. Faria todo o possível para não ultrapassar a resistência. Tinha tido êxito ao superar algumas de suas defesas, mas seria difícil conseguir sua plena resistência. Arabella ainda seguia temendo ser ferida. Uma grande onda de ternura o invadiu enquanto a observava. Tinha sido traída por seu idiota prometido, que foi bastante tolo para valorizar seu lugar na sociedade mais que a ela. E depois do matrimônio de seus pais, um pouco parecido com uma guerra, não estava disposta a arriscar-se a viver uma desumana união de conveniência. Marcus sabia que seu próprio matrimônio seria muito diferente, mas para isso teria que mudar a perspectiva de Arabella intensificando a intimidade de sua relação. Desejava lhe mostrar um prazer que a jovem nem sequer tinha imaginado; tanto por seu bem como por seu cortejo e por sua própria satisfação. Ela não tinha realmente nem a idéia do que estava perdendo ao renunciar os homens. Marcus estava convencido de que assim que compreendesse quão prazeroso podia ser o sexo, sentir-se-ia muito mais inclinada a aceitar sua proposta. Também sabia que ele ia jogar com o fogo, considerando o esforço que lhe supunha controlar seus próprios instintos quando simplesmente a tocava. Mas sentia crescer em seu interior o impulso de vencê-la e acabar com aquele estado de insegurança. Decidido a iniciar sua seguinte jogada, Marcus se sentou e se enxugou as mãos em um guardanapo, logo tirou a taça das mãos de Arabella e a deixou de um lado. Diante seu inesperado gesto, ela ficou tensa. -Marcus, não tinha acabado de comer. -Pode acabar mais tarde, porque agora é o momento de dar o seguinte passo de nosso cortejo. -A que te refere? -perguntou cautelosa. -Proponho-me te ensinar a fazer amor. Ela sentiu como se seu coração fosse a sair pela boca. -Acordamos que não chegaríamos além dos limites de uma conduta cavalheiresca. -Mas você deseja que o faça. -Arabella ia negar, mas não pôde. Ao ver que se mantinha muda, Marcus estudou seu rosto. -Só porque te negue a te casar comigo não significa que não deseje experimentar a paixão. Arabella reconheceu que sua afirmação continha uma considerável dose de verdade; não podia evitar perguntar-se sobre a paixão. Mas, entretanto negou com a cabeça. -Não desejo fazer nada tão vergonhoso, Marcus. Proponho-me permanecer virgem. -Posso te demonstrar que é a paixão sem te fazer perder a virgindade. -Sei. Ao ver que ele arqueava as sobrancelhas, ruborizou-se um pouco envergonhada. –Não sou totalmente ignorante a respeito. Uma amiga minha me contou detalhadamente o procedimento. Um irônico sorriso curvou sua boca. -Que tipo de amiga ilustraria sobre educação carnal a uma jovem dama? -Uma íntima amiga de infância. -respondeu Arabella levantando o queixo. -Fanny Irwin. Suponho que deva conhecer, porque atualmente é uma das mais famosas cortesãs de Londres. -Tivemos um leve conhecimento; - respondeu sem lhe dar importância. -Mas nunca foi protegida minha. De algum modo, essa despreocupada revelação confortou Arabella. -Fanny é de minha idade, mas tem muita mais experiência que eu. Era nossa vizinha em Hampshire, antes de deixar sua casa para empreender uma nova vida em Londres, nos círculos mundanos. Seguimos sendo intimas, embora sua família a repudiou por sua conduta. -Arabella sorriu de um modo desafiante. -Eu segui reconhecendo-a como amiga durante minha apresentação em Londres, antes de nosso próprio escândalo, e, depois, Fanny foi à única das poucas pessoas que apoiou a mim e a minhas irmãs. Inclusive nos visitou em uma ocasião, depois que viemos viver com nosso tio. Ela me contou muitas coisas sobre sua nova vida. -E satisfez sua curiosidade sobre o ato amoroso?


-De acordo, admito que sentisse curiosidade. Quando me prometi, perguntei-lhe o que podia esperar de minha noite de bodas. Assim, em teoria, sei o que se supõe que deve ocorrer. -Mas saber a teoria não é o mesmo que experimentá-la. -disse ele. -Vamos, reconheça. Desejas que te mostre como será nossa noite de bodas. Diante de seu crédulo tom, Arabella o olhou com os olhos entreabertos. -Nós não teremos uma noite de bodas. E não pode me beijar para me convencer do contrário. Ao ver que ele desviava a vista para sua boca de maneira especulativa, ela compreendeu seu engano. -Não era um desafio. -apressou-se a dizer. -Era um desafio. Meu orgulho varonil se acha em jogo. -Marcus...! -exclamou enquanto ele a agarrava. O sorriso que lhe dedicou era intensamente formoso e profundamente enlouquecedor. - deixe me demonstrar isso querida. Antes que pudesse escapulir-se e ficar a salvo, acomodou-a em seu colo, entre seus braços. Arabella abriu a boca para protestar, mas ele se apoderou dela com ardente premeditação. Agarrou-a pela nuca com firmeza e lhe deu um prolongado e descarado beijo sexual que avivou seu sangue e lhe acelerou o pulso. Quando por fim Marcus se interrompeu para olhá-la, ela estava ofegante. -Já ouviu ontem à noite a sua benfeitora, Arabella: a solidão é uma sombria companheira de leito. Ela lambeu os lábios. -Não necessito de um marido para me proteger da solidão. Tenho a minhas irmãs, e minha escola. -Mas tudo isso não é tão agradável como um marido. Você não deseja permanecer solteira toda a vida. -Sim desejo. -Não, não deseja. Tem muito fogo e paixão nas veias. Inclinou de novo a cabeça, nesta ocasião lhe roçando os lábios com um beijo muito mais tenro. -Não deseja saber o que é ser totalmente uma mulher? O que é desejar um homem? Sentir paixão, prazer e satisfação física? A jovem se sentiu estremecer, entretanto, seus escrúpulos longo tempo mantidos lhe impediram de errar. -Não posso fazer o amor com você, Marcus. Seria muito escandaloso. -Se te propuser não te casar alguma vez, que importância tem que conserve sua virgindade? Arabella sabia que era um argumento racional. E o certo era que desejava conhecer a paixão. Saber o que estava perdendo na vida. Experimentar o tipo de prazer que Fanny tinha afirmado que acontecia entre amantes. Não tinha nenhuma dúvida de que Marcus podia mostrar-lhe, e provavelmente não teria outra ocasião, pelo menos que pudesse estar segura de que qualquer transgressão pecadora se manteria em segredo. Como seu tutor, Marcus estava muito mais preocupado com sua reputação que ela, por isso se esforçaria por ser discreto. Mas enquanto se debatia ele tomou a decisão por ela. Arabella se sentiu transportada sobre a manta. Logo, seguiu-a, deitando-se a seu lado e meio cobrindo seu corpo com o seu. -Nesta ocasião, proponho-me utilizar as mãos e a boca de uma vez. -murmurou contra seus lábios. -O poder do contato e do sabor, combinados. Empurrou-lhe o peito, esforçando-se por afastá-lo e manter sua força de vontade, mas Marcus capturou seu lábio inferior entre os dentes e deu suaves mordiscadas. Quando Arabella gemeu fracamente, ele aliviou com sua língua a sensível carne, aprofundando logo depois de maneira lenta e insistente em sua boca. Incapaz de seguir resistindo, ela exalou um breve e estremecido suspiro de derrota e, impotência, devolveu-lhe o beijo. Sua boca era mágica... E também seu contato, pensou logo Arabella. Enquanto seus beijos a enfeitiçavam, Marcus moveu a mão por seu pescoço e logo mais abaixo, lhe acariciando a pele com seus longos dedos enquanto explorava o contorno de seus seios sob o redondo decote do vestido. De repente, a jovem se sobressaltou ao dar-se conta de que Marcus lhe tinha baixado o


sutiã e a blusa deixando seus seios descoberto; mas as inquietantes carícias de seus dedos sobre sua pele a agradavam. Sua mão moldava seus seios, enquanto seus quentes lábios trabalhavam em conjunto. Arabella se encontrou arqueando-se sob seu contato, em busca do mais delicioso prazer que estava despertando nela. Transcorreu algum tempo antes que ele se detivesse e levantasse a cabeça para contemplála. Seu olhar era franco e abertamente masculino enquanto observava seus seios nus coroados por uns rosados bicos. Arabella sentiu que se ruborizava. Estava ali, licenciosamente, aceitando seu descarado cálculo sem protestar. Entretanto, quando tentou cobrir-se com as mãos, ele a agarrou pelos punhos e as separou do corpo. -Não, deixa que te olhe. Ela compreendeu que Marcus contemplasse seu corpo era excitante em si mesmo. Nunca pude imaginar que um simples olhar fosse tão estimulante. A expressão de Marcus junto com a cálida luz do sol em sua pele a inquietavam e a faziam sentir-se febril. Continuando, os dedos dele se uniram a seu olhar, roçando com as pontas dos dedos seus mamilos enormemente tensos, lhe provocando um suave ofego. Com os olhos faiscando diante sua impotente resposta, atirou seus mamilos beliscando-lhe ligeiramente e logo os relaxando com os polegares. Arabella quase gemeu diante dessa doce tortura. -Marcus... Faz-me sentir tão... -Tão o que? -Ardente. Como se tivesse os sentidos inflamados. Os olhos do homem se escureceram ainda mais. -Sei. Ela sabia que ele a desejava. Pensar nisso inspirou um sentimento poderosamente feminino que combateu de repente a vulnerabilidade que sentia ao estar ali, a sua mercê. Sustentoulhe decidida o olhar, prometendo que nessa ocasião não desviaria a vista. Sem deixar de olhar, Marcus levantou a borda do vestido até os joelhos. Logo, brandamente, passou-lhe a mão por sua panturrilha, coberta pela meia, até a pele nua da coxa. Arabella ficou em tensão até que ele voltou a aproximar os lábios aos seus. -te relaxe, amor, e me deixe te acariciar. -murmurou contra seu pescoço enquanto lhe subia a saia mais acima. O que ele pedia era impossível, porque quando separou suas coxas com o joelho, e pressionou no núcleo de sua sensibilidade, uma descarga de fogo percorreu todo o corpo de Arabella. Acariciou seu pulso frenético com a língua enquanto afundava a mão entre suas pernas para comprovar sua umidade. Quando ela choramingou diante de seu escandaloso contato, Marcus voltou a beijá-la com um beijo lento, lânguido e possessivo que a fez estremecer ao mesmo tempo que a acariciava rodeando a suave e brilhante fenda de sua feminilidade, brincando com o pequeno casulo ali oculto. Arabella, já completamente sem fôlego, agarrou-se a ele agarrando seus ombros. Sentia-se febril, ardente, e se esticou contra sua mão enquanto ele prosseguia com seu delicado percurso... Deslizando os dedos por suas dobras femininas e pressionando seu centro nu com a mão. Quando ela começou a ofegar, ele bebeu profundamente de sua boca, como se quisesse entesourar os gemidos que lhe arrancava. E Arabella compreendeu aturdida que aquilo era uma rendição, e foi incapaz de entender por que tinha lutado contra ele com tanta ousadia. Sentiu-se consternada quando Marcus interrompeu o beijo repentinamente, e logo surpreendida ao vê-lo mudar seus cuidados à parte baixa de seu corpo. Inclinou sua escura cabeça, e aproximou a boca ao interior das coxas dela, onde começou a mover-se para cima, percorrendo o mesmo atalho que antes tinham percorrido seus dedos e depositando abrasadores beijos em sua pele. Arabella ficou atônita ao ver que lhe subia ainda mais a saia descobrindo todos seus segredos, e mais ainda quando sentiu seu quente fôlego umedecer os dourados cachos do topo entre suas coxas. Tremeu violentamente ao dar-se conta de suas intenções: propunha beijá-la ali! Diante o suave roçar de sua língua sobre sua sensível carne, agitou-se, levantando os quadris, meio saindo-se da manta. –Tranqüila. -sussurrou-lhe levando as mãos a suas coxas para segurá-la.


Logo seguiu acariciando com a língua, explorando suas dobras, e a seguir introduziu o cheio casulo em sua boca enquanto deslizava um dedo em seu interior. A sensação foi incrível; seu dedo inserido nela, sua ardente boca trabalhando a magia dentro de seu sexo. Fechou os olhos enquanto sua respiração se convertia em um rouco gemido e movia com desespero a cabeça de um lado a outro sobre a manta. Sentia-se insuportavelmente excitada, cheia de tensão, desejo e selvagem espera. Fechando as mãos de modo espasmódico, agarrou Marcus pelos ombros, agarrando-se a ele cegamente, em busca daquele prazer febril que a tinha absorvido em um redemoinho de desejo e frustração. Necessitava algo que nem sequer podia imaginar, algo que a estava arranhando, rasgando por dentro. Entretanto, Marcus não cessava a torturada. Quando Arabella deixou escapar um surdo e agudo gemido, o gutural grunhido de lhe indicou sua aprovação. Seguiu lambendo-a, acariciando-a, excitando-a, inquietando-a e atormentando-a até que ela acreditou que ia morrer por causa do selvagem prazer que sentia. E então, de repente, todos seus sentidos estouraram. Arabella gritou enquanto a realidade se fragmentava em mil partículas de prazer e todo seu mundo se desfazia em um calor abrasador. Logo consciente com o passar do tempo. Mesmo que os batimentos de seu coração se foram acalmando, seguiu estando ali, lânguida e impassível. Sentia o corpo gloriosamente fraco e satisfeito pelo êxtase que Marcus lhe tinha dado. Quando por fim se recuperou, descobriu que ele estava estendido junto a ela, observando-a com ternura. -Compreende agora o que te estiveste perdendo? Sim, via-o muito claramente. Seu ato amoroso a tinha aturdido. Havia-se sentido arrastada por um vendaval de emoção e sensações. Compreendeu de repente que aquilo era o que convertia em inconscientes às mulheres sensatas. Entretanto, sua inconsciência tinha muito a ver com o próprio Marcus. Ele era indubitavelmente um magnífico amante. -Não é de duvidar que as mulheres se esforcem tratando de atrair sua atenção -murmurou roucamente. -Satisfaz-me que o tenha advertido. Sorria-lhe lânguido, com um brilho em seus olhos azuis enquanto solicitamente descia a saia para cobrir sua nudez. Arabella se incorporou tremula. Embora pensou que faltasse algo. Segundo sua amiga Fanny, fazer amor intervinham muitas mais coisas das quais Marcus acabava de lhe mostrar. Olhou-o perplexa até que caiu em si: ele tinha procurado seu prazer, mas não o próprio. Deslizou o olhar para seus quadris, onde pôde distinguir suas calças sobre o denso vulto entre suas virilhas. -Isso é tudo o que te propõe fazer? Ele arqueou exageradamente as sobrancelhas. -Não ficaste satisfeita? -Não... Quero dizer, certamente que sim. É só que... Tenho entendido que para um homem é doloroso excitar-se sem... Já sabe. Ele riu brandamente. -É doloroso, amor, quase insuportável. Mas resistirei. Ainda não está preparada para sua próxima lição. Agora a espera o fará tudo mais agradável quando por fim te faça amor por completo. Essa perspectiva fez com que acelerasse seu pulso da selvagem excitação sem ela proporlhe Embora em lugar de discutir, disse com tom algo tímido: -Quer que... Acaricie-te para aliviar sua dor? A expressão de divertida ternura de Marcus se intensificou. -É extremamente amável ao preocupar-se tanto por minha comodidade. -Parece-me justo. -respondeu ela com um rubor crescente acendendo suas bochechas. -Não se preocupe, posso me ocupar disso eu mesmo. Quando ele se inclinou para desabotoar a parte da frente de sua calça, ela voltou a baixar a vista automaticamente. Os olhos se arregalaram ao compreender: Marcus queria que ela visse seu sexo nu. Ficou sem fôlego quando ele agarrou seu membro. Grosso e rígido, sobressaindo-se de entre o encaracolado pêlo negro de sua entre perna. A visão de sua grossa excitação lhe


ressecou a garganta e fez que com que encolhesse o estômago. -Suponho que nunca tinha visto um homem nu. -observou ele. -Não. -respondeu Arabella com voz estridente. -Está escandalizada? Pensou aturdida que não era escandalizada exatamente como estava. A sua refinada criação, por não falar dos ditados da fraqueza, sentia-se cativada por aquela visão. Na realidade, gostou de ver Marcus completamente nu. Suspeitava que seu corpo fosse muito mais formoso que o de nenhum outro homem. Viril, masculino, duro e musculoso. Enquanto ela o olhava, ele embalou seu membro em sua mão, passando o polegar pela aveludada cabeça. Essa carícia descuidadamente erótica a deixou sem respiração. -Poderia olhar como me dou prazer. -sugeriu-lhe Marcus. Arabella, fascinada, não podia fazer outra coisa. Fixou a vista incapaz de desviá-la, enquanto ele se acariciava os pesados sacos que havia sob seu penis. -Certamente que seria muito mais agradável com você - prosseguiu ele fechando a mão em torno de seu longo membro e apertando. Arabella aspirou profundamente quando ele começou a acariciar-se acima e abaixo com lentidão. - Agora mesmo estou imaginando fazendo amor com você, querida Arabella. É muito excitante. Ela engoliu a saliva. Realmente era. Sentiu um vergonhoso estremecimento diante da íntima imagem que Marcus descrevia. -Pode imaginar estando dentro de você? perguntou enquanto agarrava com sua força o pesado sexo. Ao ver que ela não respondia, levantou a cabeça. -Eu gostaria muitíssimo estar dentro de ti, amor. Fixou seus olhos nela com intensidade enquanto aumentava deliberadamente o ritmo de suas carícias. Arabella advertiu que, de repente, seu rosto se esticou e sua pele se ruborizava. O inquietante brilho de seus olhos se obscureceu de um modo tão primitivo como poderoso. Seu próprio coração começou a pulsar enquanto uma dolorosa tensão presa em seu corpo. Quase podia sentir o membro de Marcus deslizando-se entre suas dobras femininas... Ele apertava os lábios enquanto seus dedos se acariciavam com mais força, percorrendo acima e abaixo sua ereção com movimentos rápidos e espasmódicos. Sua respiração era áspera e desigual... Até que alcançou bruscamente o clímax. Apertando os dentes, fechou os olhos e se arqueou diante da explosiva liberação. Um firme gemido escapou de seus lábios, mas quando sua semente começou a esparramar-se, ele a capturou no oco da mão. Arabella o observava com o coração retumbando em seus ouvidos. Sentia como se seu corpo tivesse estourado de repente em chamas com ele. Quando Marcus abriu os olhos, sorriu-lhe. -Infelizmente, meu pequeno exercício de satisfação é só um consolo temporário. Ainda te desejo de maneira tão intensa como antes. Ela foi incapaz de responder. Seguia olhando-o com os lábios entreabertos e o fôlego despedaçado. Ele tirou um lenço do bolso da jaqueta e limpou a mão, com toda tranqüilidade, voltou a abutuar as calças. Arabella permaneceu muda inclusa quando ele se sentou e fixou o olhar em seus seios ainda nus. Seguidamente, roçou-lhe os mamilos com os polegares, fazendo-a sufocar de novo um grito. -Agora já sabe o tipo de prazer que pode sentir. -murmurou Marcus-. Estarei esperando ansioso nosso ato de amor. Antes que ela pudesse negar sua previsão, lhe subiu a blusa e depois o sutiã de musselina, cobrindo seu seio. -Não faz discutamos agora a questão. Acabe seu vinho, querida, e te levarei para casa. Ainda tem outra aula para dar esta tarde, lembra-te? -Sim... Lembro-me. Arabella estava ainda aturdida. Com certeza, ainda tinha que dar uma aula, mas tinha problemas para concentrar-se quando ainda podia sentir a erótica carícia da boca de Marcus e suas mãos em seu corpo, e imaginar seu duro sexo movendo-se em seu interior. Tinha-lhe proporcionado uma experiência pasmosa que ela nunca, jamais esqueceria... Franziu a testa enquanto arrumava sua roupa para recuperar certo ar de decência. De repente, compreendeu que não era seu ato amoroso que a preocupava, mas sim, pela


primeira vez em sua vida, começava a compreender sua mãe... A razão de que ela tivesse sucumbido ao incrível prazer que um amante atento podia proporcionar. Prometeu-se que ela nunca se apaixonaria nem perderia a cabeça por um homem, tal como tinha feito sua mãe. Nunca destroçaria sua família em benefício de sua própria amorosa gratificação, por muito excepcional que esta pudesse ser. Fixou a vista em Marcus, que estava recolhendo o resto de seu piquenique. Pelo menos, pensou, agora podia compreender totalmente a tentação. CAPITULO 08 Devo admitir que estive equivocada a respeito do conde. Depois de tudo, possui algumas qualidades que o salvam. -Roslyn, Lily... O que estão fazendo aqui? -perguntou Arabella quando encontrou suas irmãs aguardando-a na sala de recepção da academia, onde a diretora e ela levavam os assuntos de administração da escola. -Não está previsto que dêem nenhuma aula esta tarde. -Viemos saber como está. -respondeu Roslyn com uma expressão preocupada em seu encantador rosto-, e para ver se necessitava de nossa ajuda. Sendo que não podíamos te visitar em casa, pensamos que este seria o melhor lugar. Tess nos contou a alarmante noticia de que lorde Danvers te tem proposto matrimônio. -Sim. -conveio Lily com expressão ainda mais preocupada. -Como diabos aconteceu isso Belle? O conde está aqui somente quatro dias e já está fazendo extravagantes aposta com ele? Arabella se surpreendeu ao pensar que, com certeza, Marcus estava ali só quatro dias. Parecia que tinha passado muito mais tempo. Decidindo quanto devia revelar a suas irmãs, instalou-se em uma cadeira frente a elas. -Também lhes contou Tess o que se acha em jogo? Lorde Danvers prometeu concedemos a liberdade, legal e financeira, se eu conseguir resistir seu cortejo durante quinze dias. A perspectiva era muito tentadora para deixá-la escapar. -Sim, disse-nos isso. -respondeu Roslyn-. E lhe agradecemos o sacrifício que faz por nós... -Mas estamos preocupadas com você - interrompeu-a Lily. Não havia nenhum indício de sua habitual alegria em seus quentes olhos castanhos-. Tess diz que sua senhoria é enormemente atrativo e encantador. «E sedutor e irresistível», pensou Arabella. Suspirou de maneira sonora. -Infelizmente, assim é. Mas acessei a lhe dar uma oportunidade de me cortejar. E procedeu a expor a suas irmãs um relato resumido do que tinha acontecido entre eles durante os últimos dias, omitindo por completo as lições de Marcus sobre a paixão. -É nossa oportunidade de ganharmos a emancipação de sua tutela para sempre - concluiu. Lily franziu a testa. -De modo que não se propõe nos fazer abandonar a academia nem obrigarmos a nos casar? -Não, se eu ganhar a aposta. -Tess diz que te parece mais agradável do que esperava. -acrescentou Roslyn-. Mas que tipo de homem ele é? Arabella não tinha uma resposta preparada para isso. Depois de ver Marcus no dia anterior com suas alunas tinha que admitir que fosse alguém a quem podia admirar e respeitar. Ou, pelo menos, assim o parecia. Não se podia julgar de tudo o caráter de uma pessoa com tanta rapidez. E, até o momento, comportou-se como o pretendente ideal, com a esperança de convencê-la de que seria o marido ideal. -É muito mais razoável do que as cartas de seus advogados nos induziram a acreditar. reconheceu. -Não existe nenhuma possibilidade de que o conde ganhe essa vil aposta, verdade? -quis saber Lily, ainda preocupada. -Não te convencerá para que te case com ele? Sempre disse que não te arriscaria a ser desventurada contraindo um matrimônio de conveniência, Belle. Ela sorriu tranqüilize-se ora. -Não precisa te angustiar. Não mudei de opinião sobre esse assunto. Talvez não fosse capaz de resistir os entristecedores beijos de Marcus, mas não tinha nenhuma intenção de casar-se com ele. Não seria tão crédula para voltar a apaixonar, e só o verdadeiro amor podia induzi-la a desafiar os perigos do compromisso e o matrimônio pela segunda vez. Agora era muito mais prudente e cuidadosa com seu coração.


-Quer que voltemos para casa e ajudamos você com o conde? -perguntou Roslyn-. Prometemos a Tess que lhe ajudaríamos a completar suas cestas de caridade na semana próxima, mas seu bem-estar é agora mais importante. -Sim. -secundou Lily-. Talvez devêssemos ir para casa para te defender contra o conde. -Agradeço-lhes isso, mas não. -respondeu sua irmã mais velha. -A verdade é que o estou levando muito bem, e contribuir com essas cestas para as famílias necessitadas por causa da guerra significa muitíssimo para Tess. Dispunha-se a perguntar a suas irmãs como ia quando ouviu uns passos no corredor e logo uma suave batida na porta. Ao autorizar a entrada, apareceu a senhorita Jane Caruthers seguida por um cavalheiro alto, atlético, de cabelos negros ao qual as duas jovens reconheceram imediatamente, ainda antes que Jane anunciasse seu nome. -Lorde Danvers veio a verte, Arabella. Esta ficou petrificada ao olhar seus penetrantes olhos azuis. Não gostava que Marcus se apresentasse na escola sem ser convidado; não só porque tinha acreditado manter suas irmãs seguras, fora de sua vista, durante um tempo mais, até que pudesse conhecer melhor suas intenções, mas sim porque sua presença ali naquele momento a perturbava. Não podia evitar lembrar-se de que, duas horas antes, ela estava entre seus braços, ardente, úmida e obstinada a ele, enquanto Marcus lhe arrancava gemidos de prazer. Ruborizou-se ao recordar, sentindo ainda o calor e a força daquelas mãos em sua pele, e o erotismo de seus beijos. E ele, maldito fora, também estava recordando isso, conforme compreendeu quando seus olhares se encontraram por um instante. O calor de seus olhos elevou sua temperatura, e a intensidade com que a contemplava a fez sentir como se acabasse de pôr nela suas poderosas mãos, e beijá-la com sua boca sensual e pecadora. Arabella ficou em pé reprimindo-se interiormente, enquanto Lily murmurava: -Falando do rei de Roma... -Ah! Estavam falando de mim? -perguntou Marcus dirigindo sua atenção às irmãs menores. -Vocês devem ser minhas encantadoras e perdidas pupilas. Enquanto Jane se inclinava e saía fechando a porta atrás de si, Arabella se adiantou protetora. Entretanto, consciente de que não tinha escolha, fez as apresentações. Quando tinha acabado, Marcus se inclinou e obsequiou às jovens com toda a força de seu irresistível sorriso. -É um prazer as conhecer por fim, senhoritas. Roslyn piscou com sua impressionante presença, enquanto Lily entreabria os olhos. -Não podemos dizer o mesmo, milorde - disse a última. -Preferiríamos que retornasse a Londres e nos deixasse em paz. -O que minha irmã quer dizer, milorde -interveio Roslyn com mais cortesia- é que acreditamos que sua tutela é desnecessária. -Sei que assim acreditam. Mas certamente me permitirão lhes demonstrar que não sou o vilão que vocês acreditam. Sem sucumbir a seu evidente atrativo masculino, Lily lhe sustentou decidida o olhar. -Deve reconhecer que suas ações até agora não nos permitiram pensar outra coisa. Seus advogados disseram que você se propunha nos encontrar maridos adequados. -Isso foi antes de que compreendesse suas circunstâncias especiais -respondeu ele com calma. -Seria extremamente injusto que nos fizesse renunciar a nossas classes na academia, milorde -insistiu a jovem. -Esforçamos durante anos por conseguir que a escola fosse um êxito, em especial Arabella. E agora está tratando de obrigá-la a casar-se com você. O meio sorriso de Marcus era conciliador. -Duvido que eu possa «obrigar» que sua irmã faça algo que não deseje. Mas era evidente que Lily ainda o via como uma ameaça. -Você sabe que Arabella não se deixará enganar por um rosto formoso ou suave encanto. Marcus lhe dedicou um de seus pícaros sorrisos. -Certamente que não. É muito ardilosa para isso. Razão pela qual me esforcei em lhe demonstrar que tenho mais substância que um típico nobre rico. Ao observar que Roslyn o olhava pensativa, Marcus prosseguiu com o mesmo tom amistoso:


-Imagino que se refugiam em casa da senhorita Blanchard enquanto eu resido na mansão, verdade? Não temam, não tenho intenções levarem a rastros para casa. Na realidade, estou agradecido por ter a oportunidade de cortejar sua irmã com relativa intimidade... Arabella decidiu que tinha chegado o momento de intervir antes que ele pudesse expor suas perversas idéias sobre a intimidade. -Por que vieste aqui, milorde? -Para oferecer meus serviços. -Serviços? -Como acompanhante de baile durante sua lição desta tarde. Deduzo que te propõe que suas alunas pratiquem etiqueta de salão ao baile que o magistrado local celebrará na segunda-feira. Ontem, quando vim aqui de visita, a senhorita Caruthers se lamentava de que as jovens pouca coisa poderiam aprender de um professor de baile contratado. De modo que me ocorreu vir. Arabella o olhou surpreendida. Sua oferta de ajuda era mais que generosa, considerando difícil que Marcus fosse passar outra tarde em companhia de umas amalucadas alunas. Certamente, ainda seguia tentando ganhar seu favor. Não lhe ocorria nenhuma boa razão para recusar sua oferta. Suas alunas realmente se beneficiariam de ter um verdadeiro cavalheiro como companheiro. Suas irmãs estavam acostumadas ajudar no ensino do baile interpretando os papéis masculinos, mas Marcus seria uma melhora considerável. -Muito bem. -respondeu Arabella lentamente. -Está seguro de que não te importa? -Não me importa o mínimo, - assegurou ele. -Suas aulas começam logo, não é assim? -Sim, dentro de alguns momentos. -Arabella se dirigiu a Roslyn com a intenção de oferecer a suas irmãs uma oportunidade de escapar da atenção do conde. -Acredito que poderemos nos arrumar sem vocês esta tarde. Para sua surpresa, Roslyn negou com a cabeça. -Acredito que ficarei. -Eu também - secundou Lily com um penetrante olhar para Marcus-. Não perderia isso por nada do mundo. Arabella suspeitou que uma e outra desejassem ter a oportunidade de observar seu novo tutor e facilitar assim mesmo seu apoio moral a ela. Comovida por sua preocupação, precedeu-os à sala de baile, onde já se reuniram suas duas dúzias de alunas sob a supervisão das senhoritas Blanchard e Caruthers. A chegada de lorde Danvers provocou todo um revôo. Duas dúzias de pares de olhos femininos se iluminaram, não só diante da perspectiva de dançar com um autêntico conde, conforme suspeitou Arabella, mas sim de fazê-lo com um tão bonito e encantador. As moças ensaiaram primeiro entrando na sala graciosamente, detendo-se para ser anunciadas pelo mordomo, saudando os anfitriões e instruindo-se logo a respeito de como responder aos pedidos de danças dos diversos solicitantes, incluído como recusar aos companheiros não desejados. Quando por fim chegaram ao baile propriamente dito, a senhorita Caruthers se sentou ao piano para interpretar a música. Arabella se dispunha a escolher uma companheira para Marcus quando ele cortesmente disse: -Preferiria que minha inicial demonstração fosse com você, senhorita Loring. Compreendeu exasperada que isso era o que tinha pretendido em todo momento. Mas não lhe deu ocasião de negar-se enquanto a agarrava pela mão e a conduzia à pista. O pulso de Arabella se acelerou infelizmente diante daquele simples contato, pois não fez mais que lhe recordar seu anterior encontro daquela tarde. E enquanto se colocavam um em frente ao outro para uma contradança, aguardando que começasse a música, Arabella compreendeu que tinha um motivo adicional: era estranho voltar a dançar com um cavalheiro. Aquela seria a primeira vez desde que rompeu seu compromisso. De fato não tinha estado em nenhum baile depois. Quando acompanhava a suas alunas a reuniões públicas locais, sempre ficava sentada, só assistia como acompanhante e para orientar às jovens da academia. Aquele modo era o mais adequado, e evitava qualquer falatório a respeito de que uma simples professora não soubesse qual era seu lugar. Enquanto olhava os azuis olhos de Marcus se recordou de si mesmo que também naquele momento devia ir com cautela, pois duas dúzias de moças os estavam olhando. Tinha que pensar que aquele apaixonado intervalo com ele aquela tarde nunca tinha ocorrido. Durante os seguintes minutos, enquanto Marcus a conduzia nas rápidas evoluções da dança, Arabella se esforçou por parecer tranqüila. Seu comportamento foi perfeitamente


adequado durante todo a dança, mas cada vez que suas mãos se encontravam lhe supunha uma grave distração. Ela estava acostumada ser uma perita dançarina, entretanto, nesses momentos, parecia entorpecer seus pés. Ao acabar a dança, Arabella estava sem fôlego e absurdamente ruborizada, e fez o propósito de evitar os olhares de suas irmãs, consciente de que estas observavam com profundo interesse seu trato com o conde. Dispunha-se a escolher outra companheira quando Sybil Newstead, a aluna que menos gostava, adiantou-se audazmente. -Eu gostaria de ser a primeira, lorde Danvers. As outras moças não necessitam de prática, sendo que muito poucas delas receberam realmente convites para o baile de sir Alfred Perry. Eu sim e também a senhorita Blanchard. -Dirigiu um rápido olhar a Arabella-. A senhorita Loring não foi convidada, nem tampouco as senhoritas Roslyn e Lilian. Estão consideradas muito escandalosas para misturar-se com a classe alta local. Diante a selvagem observação de Sybil, Arabella aspirou profundamente, mas Marcus respondeu antes que pudesse recuperar-se. Arqueou uma sobrancelha e olhou à moça de cima abaixo com indiferença. -Não lhe ensinaram alguma vez que é descortês mexericar, senhorita Newstead? Eu diria que você não precisa praticar a dança; conviria mais aperfeiçoar suas detestáveis maneiras. Sybil ficou boquiaberta, e suas bochechas se ruborizaram de vergonha. Mas Marcus, ao que parecer, não tinha acabado. -Procure não incomodar às pessoas que não deve, porque um convite a um baile sempre pode ser retirado. Conheço sir Alfred, sabia? Expressava-se com suavidade, inclusive com frouxidão, mas não cabia engano de interpretação em sua implícita ameaça de que Sybil podia ser expulsa da sociedade local, como tinham sido as irmãs Loring. Arabella o olhou por um tempo surpreendida e agradecida de que a tivesse defendido contra a moça, embora possivelmente tinha sido muito duro. Sem dúvida era uma lição que Sybil demoraria para esquecer. Entretanto, havia um modo mais discreto de lhe ensinar que seu cruel comportamento era inaceitável. Ao ver que a jovem franzia a testa, Arabella observou com doçura: -Uma dama não faz careta quando um cavalheiro a desagrada, Sybil. Nem tampouco faz observações que possam ser prejudicial para outros. -Sim, senhorita Loring. -murmurou a garota com as bochechas ainda ruborizadas. -Sabe que em uma sociedade educada um é julgado por cada palavra e ação, e você deseja ser considerada uma dama, verdade? -Sim, certamente, senhorita Loring. Arabella sorriu alentadora. -Então, possivelmente seja tão amável ao permitir que a senhorita Trebbs tenha a oportunidade de praticar primeiro com lorde Danvers. -OH, é obvio! Claramente lutando por morder a língua, Sybil retrocedeu, mas não sem antes dirigir um olhar rebelde a Arabella. Ela ignorou tranqüilamente à consentida moça enquanto a excitada senhorita Trebbs entrava na pista para dançar com Marcus. Quando se retirou, Arabella percebeu as expressões de suas irmãs; Lily estava se consumindo pela ira reprimida e a dor diante do desagradável sarcasmo de Sybil, enquanto que Roslyn simulava uma frieza que ocultava similares emoções. Ela compartilhava seus sentimentos. Desde que a infâmia de seus pais as tinha seguido desde em Hampshire, não tinham sido recebidas em nenhuma das casas de categoria da vizinhança; em grande parte porque seu próprio falecido tio as tinha repudiado publicamente pelos pecados de sua mãe. Era uma pílula muito amarga de tragar, tanto para ela como para suas irmãs. Tinham aprendido a aceitar o inevitável, mas ainda as feria ver-se recusadas por quase toda as pessoas por causa dos escândalos provocados por seus pais. Arabella observou as práticas de dança lhes dedicando só a metade de sua atenção, e no final estava tão distraída que permitiu que Marcus a guiasse até sua carruagem para levá-la para casa, quando tinha proposto evitar estar a sós com ele tão pouco tempo depois de seu romântico encontro.


-Assim, me diga. -começou ele quando o veículo seguiu em marcha. -Por que não fostes convidadas você e suas irmãs ao baile de sir Alfred? -Acredito que é evidente. -respondeu Arabella tratando de adotar um tom ligeiro. -O escândalo ainda nos persegue. Nesta zona, ninguém que se mova nos círculos da classe alta quererá ter nada a ver com as irmãs Loring, excetuando a lady Freemantle e à senhorita Blanchard, certamente. -deu-se de ombros. -Na realidade, não me preocupa, mas minhas irmãs merecem algo melhor. Marcus apertou os lábios. -Encarregar-me-ei de que as três sejam convidadas ao baile. E me proponho te acompanhar eu mesmo. Ela o olhou com curiosidade. Tinha poucas dúvidas de que pudesse convencer a sir Alfred e a lady Perry para que lhes enviassem convites, mas não podia compreender por que desejava fazer isso. -Não precisa tomar tantas dores, Marcus. -Tenho que fazer. Não quero que minhas pupilas sejam recusadas, em especial porque fostes condenadas sem ter nenhuma culpa. Arabella compreendeu que estava zangado, e forçou um sorriso. -Não importa, de verdade. Estamos acostumadas a nos ver excluídas. Em qualquer caso, não temos nada apropriado que nos vestir. Nossos vestidos de baile são de quatro anos. -Então encarregaremos que lhes façam novos trajes. -Para segunda-feira? -Pode fazer. Enviarei a uma costureira em Londres que lhes atenda amanhã. -Mas Custará uma fortuna fazer os vestidos em tão breve prazo, Marcus! -Com a casualidade de que tenho uma fortuna, querida. E não me ocorre um modo melhor de gastar. Nessa ocasião, Arabella se opôs com firmeza. -Não necessitamos de sua caridade. -Não é caridade. Como seu tutor, estou obrigado a lhes manter. Como se ainda estivesse ouvindo as queixa de seu falecido tio sobre a carga que lhe supunha as manter, Arabella sentiu que ficava rígida. -É caridade e não a aceitaremos. Marcus fixou nela um severo olhar. -Por favor, não seja obstinada. Nega-te só por orgulho. Olhou-o com a testa franzida. -É muito fácil dizer. É evidente que nunca tiveste que depender absolutamente de alguém. Não pode compreender a sensação de impotência, quão humilhante era ter que agradecer cada bocado de alimento e cada remendo de suas roupas... -Não, não posso compreender. -conveio ele pormenorizado-, mas seu antigo tutor era um bastardo egoísta e miserável que merecia que lhe tivesse feito engolir a dentadura por tratar suas próprias sobrinhas como mendigas. Então, compreendendo quão angustiante aquele tema era para a Arabella, suavizou sua expressão. -Se não aceitar um vestido novo por você, então faz por mim. Meu orgulho está em jogo. Não posso consentir que minhas pupilas saiam vestidas com farrapos. E certamente não desejará estar em desvantagem com respeito a suas alunas te apresentando ao baile com roupa fora de moda. Ao vê-la vacilar, Marcus a cravou. -Vamos, confessa, Arabella. Você gostaria de ir a esse baile, embora só fosse para demonstrar que você e suas irmãs são tão dignas como os altivos nobres que lhes menosprezaram durante todos estes anos. Em efeito, ela não podia negar que a idéia era atrativa. Permaneceu silenciosa, coisa que Marcus aproveitou para insistir: -Imagino que para suas irmãs será agradável voltar a ser bem recebidas por iguais... Ocupar o lugar que lhes corresponde à sociedade. E também a você. Arabella desviou a vista surpreendida de que ele parecesse compreender esses sentimentos contraditórios. Fazia quatro anos, quando se tinha visto menosprezada por seus pares e por muitos dos conhecidos os que até então tinha considerado amigos, tinha erguido a cabeça de fato desafiante- negando-se a permitir que sua vida fosse governada pelos volúveis membros da alta sociedade. Entretanto, havia ocasiões em que se encontrava ansiando a classe de aceitação que tinha desfrutado desde seu nascimento, antes que ela e suas irmãs se convertessem em se juntarem a sociedade. Embora tivesse simulado que não se importava, na realidade sim se importava; provavelmente mais do aconselhável. E desejava


de todo coração que Roslyn e Lily tivessem a oportunidade que lhes tinham sido negadas quando seu mundo familiar se desabou a seu redor. O tom de Marcus foi inesperadamente grave quando disse: -Posso conseguir com que você e suas irmãs sejam aceitas de novo na sociedade, Arabella. Logo segurou sua mão e a obrigou a olhá-lo. Ela deixou escapar um apreensivo suspiro. O calor de seus olhos a levava a esquecer facilmente que se supunha que devia resistir a suas propostas, embora, de alguma estranha maneira, sentia-se afetada por sua preocupação. Seu sentido protetor lhe punha um nó na garganta. Teve que fazer um esforço para retirar a mão da sua. -Realmente eu gostaria de assistir o baile com minhas irmãs... -Marcus sorriu com lentidão. -Então já está solucionado. Eu acompanharei às três. Que elas venham amanhã pela manhã à mansão para que a costureira tome medidas. Arabella esboçou um sorriso inclinado com involuntária diversão enquanto olhava para Marcus. -Só um nobre estaria tão seguro de que unicamente precisa estalar os dedos para que todo mundo faça sua vontade. -Porque é certo. -respondeu ele amável. -Nunca subestime o poder da linhagem e riqueza. -OH, não o subestimo, acredite! Marcus a olhou. -Poderia aceitar minha proposta de matrimônio. Como lady Danvers estaria por cima de todos nestes contornos. Arabella não pôde reprimir um sorriso, o que sem dúvida ele pretendia. -É uma idéia tentadora... Mas nem sequer essa atrativa possibilidade fará com que me case com você, Marcus. -Então terei que pensar em algum outro meio para te convencer. E sabe que tenho muitos recursos quando me proponho a isso. Ela se encontrou rindo brandamente enquanto se virava para olhar pela janela da carruagem. Marcus não só tinha conseguido dissipar a consternação que sentia fruto do mal intencionado comentário de Sybil, a não ser aliviar assim mesmo seu ânimo. Seria gratificante que pudesse fazer com que suas irmãs fossem readmitidas a sociedade, tal como havia dito. Para ouvir sua rouca risada, Marcus sentiu um estremecimento pouco habitual. Era impressionante ver a fortaleza daquela jovem. Ele nunca se viu reduzido à classe de desterro que ela tinha suportado, nem sequer por suas mais escandalosas transgressões. Durante anos, Arabella tinha sido injustamente humilhada e menosprezada pelos pecados de seus pais. Mas prometeu a si mesmo que trataria de mudar isso, inclusive antes que ela se convertesse em sua condessa. Quando ele tivesse terminado, cada um dos membros da nobreza do distrito estaria vingada. CAPITULO 09 Nunca esperei estar agradecida ao conde, mas estou sinceramente. Para a Arabella os seguintes dias passaram como um redemoinho. Além da renovação em marcha da casa e suas habituais classes na academia, cada momento livre o tinha ocupado com provas de vestidos e inesperados visitantes. Para sua surpresa, começou a receber visitas até então de desdenhosos vizinhos. Os primeiros que apareceram foram sir Alfred e lady Perry, que foram no dia seguinte pela tarde. Sua senhoria, lady Perry, virtualmente se esforçou por dar a bem-vinda ao novo conde de Danvers à vizinhança, e logo se virou para Arabella. -Estaríamos agradecidos de que você e suas encantadoras irmãs pudessem assistir a nosso baile - declarou com um entusiasmo evidentemente fingido, sendo que sempre se negou a reconhecer às irmãs Loring quando se encontrava com elas em público. Arabella se conteve para não apertar os dentes com sua hipocrisia, e em lugar disso sorriu com serenidade e respondeu com um gracioso reconhecimento. E como sir Alfred era o respeitado magistrado do distrito, e sua esposa a reconhecida líder da alta sociedade local, fixaram a pauta para o resto das pessoas.


É obvio, Arabella sabia que ninguém ali se atreveria a desafiar um nobre da sua linhagem e a importância de lorde Danvers, entretanto, era consciente de que era o irresistível encanto de Marcus que os fazia sentir tão ansiosos de congraçar-se com ele. Estava francamente impressionada com sua habilidade em manipular as pessoas para que fizessem o que ele desejasse. Observava como uma e outra vez seus visitantes escutavam suas palavras com avidez. E em dois dias já não teve nenhuma dúvida de que seu intento de restabelecer o status social das irmãs Loring seria um êxito. Desde que tinha começado a dirigir seus assuntos cotidianos da mansão de Danvers, Marcus também tinha numerosos visitantes próprios, principalmente por assuntos de negócios, seus advogados, o administrador de sua casa em Devonshire, e, com mais freqüência, seu secretário. Este último o informava diariamente sobre questões relativas à Câmara dos Lords. Arabella descobriu porque Marcus teve que viajar a Londres numa manhã para votar o último projeto diante da Câmara. Quando lhe expressou sua surpresa de que ele estivesse metido em política, o conde se limitou a dar-se de ombros com despreocupação. -Minha dedicação a estes assuntos é bastante recente. Meu bom amigo Drew, o duque de Ardem, persuadiu-me e me convenceu de que devia me interessar por isso. Sua teoria é que o privilégio suporta a responsabilidade de governar. Essas palavras deram a Arabella motivos para pensar. Ela estava pouco familiarizada com os assuntos do governo. Seu tio nunca tinha ocupado seu banco na Câmara, embora soubesse que tanto ele como seu pai eram mais conservadores que liberais, como Marcus declarava ser. E isso lhe fez compreender que realmente havia mais substância nele da que imaginava. O que mais a surpreendia era que não tentasse outros avanços físicos com ela. Ainda lhe seguia exigindo que passasse seu tempo juntos, em jantares íntimos, mas suas lições de paixão tinham cessado por completo. Estranhamente, o alívio de Arabella com essa pausa vinha acompanhado de uma inconfundível decepção; tinha começado a esperar ansiosa os sensuais duelos entre os dois, que estavam acostumados a acabar com ela ruborizada e febril. Entretanto, Marcus não tentava nem sequer lhe dar um beijo. Em vez disso, depois de jantar estava acostumado a ler em voz alta, ou ela tocava piano e cantava. Às vezes, permitiam-se brincadeiras, mas com muita freqüência simplesmente conversavam. Falou-lhe de sua educação, que era a típica dos filhos da aristocracia britânica. Do nascimento, viu-se entregue aos cuidados de babás e logo tutores, antes de ser enviado a um internato e, dali, à universidade. Enquanto crescia, tinha visto pouco seus pais, sendo que estes preferiam os atrativos de Londres aos da casa dos barões Pierce, em Devonshire, onde Marcus tinha passado os primeiros oito anos de sua vida. Não tinha tido amigos íntimos até chegar em Eton, onde conheceu Andrew Moncrief, futuro duque de Ardem, e a Heath Griffin, que se converteria no marquês de Claybourne. Por isso Marcus lhe contava, Arabella imaginava como um solitário moço que de repente experimentou a alegria de encontrar «irmãos» tão aventureiros, temerários e extravagantes como ele. -E sua irmã mais nova? -perguntou. -chama-se Eleanor, conforme acredito que disse. Marcus sorriu para ouvir mencionar a jovem. -Chegou inesperadamente dez anos depois que eu nascesse, quando eu já tinha ido a casa para ingressar em Eton. Mas a via sempre que voltava de férias. Do primeiro momento encantou a todos... Também a Drew e a Heath. Sua expressão se suavizava visivelmente ao falar de sua irmã, e o que contava revelava um autêntico carinho mútuo. Foi tão franco ao lhe explicar sua juventude que quando perguntou a ela por sua própria história, Arabella respondeu assim mesmo honestamente, lhe contando coisas que tinha compartilhado com poucas pessoas além de suas irmãs e suas amigas mais íntimas. Durante sua infância, sua família residia em Londres durante a Temporada, e na mansão Loring, de Hampshire, o resto do ano. Mas qualquer que fosse o lugar, seus pais não deixavam de discutir ferozmente. Quando estavam no campo, ela e suas irmãs escapavam ao ar livre o máximo possível, o que tinha suportado que as três se converteram apreciadoras e excelentes amazonas. E; quando se achavam em Londres, refugiavam-se


com entusiasmo em seus estudos, como uma evasão da violenta e tensa atmosfera criada por Vitória e Charles Loring. -Roslyn se afeiçoou rapidamente à ciência. -prosseguiu Arabella com um sorriso afetuoso. Estava fascinada pelos mais recentes métodos de investigação, e chegou a instruir-se em latim. E inclusive Lily recorreu aos livros como consolo. Inundava-se em tomos de história e de geologia enquanto sonhava explorando mundo em busca de aventuras... o que certamente é impossível, dado seu sexo e situação social como filha de um barão. -E você? -quis saber Marcus, curioso. -Também tinha seu encantador nariz metido nos livros? -Sim, mas não até o extremo de Roslyn. E além disso, descobri que minha grande distração eram a literatura e a poesia, não a ciência. -Se seus pais se odiavam tanto, por que simplesmente não se separaram? -perguntou ele a seguir. Arabella tinha se perguntado o mesmo, inúmeras vezes. -Não estou segura. Acredito que gostavam de fazer-se danos mutuamente; talvez para assim vingar-se de sua própria desgraça. Minha mãe confessou uma vez que se apaixonou por meu pai pouco depois das bodas, mas o sentimento não foi recíproco, e suas infidelidades destruíram qualquer possibilidade de que seu afeto pudesse perdurar. -Suponho que, com esses antecedentes, é bastante lógico que tenha tanta aversão aos matrimônios - refletiu Marcus em voz alta. -Celebro que por fim me compreenda. -respondeu Arabella adotando um tom ligeiro. -Embora isso não signifique que seja um caso perdido. -prosseguiu. -Não penso me render ainda. Ela sabia perfeitamente que Marcus não renunciaria a seu propósito até que um dos dois ganhasse a aposta. Estava decidido a casar-se com ela porque desejava uma esposa refinada como mãe de seus herdeiros, embora seu cortejo tivesse mudado radicalmente desde o dia do piquenique. Era como se estivesse dando a sua amizade uma oportunidade de ficar ao nível de sua relação física. Suspeitava que fosse parte de sua calculada estratégia para escavar sua resistência. Se for assim, tinha que admitir que estava sortindo efeito. Para falar a verdade, Arabella desfrutava enormemente das tranqüilas noites que ficava com ele. Durante o dia, a casa estava invadida por costureiras e trabalhadores que requeriam sua aprovação, assim como de ilustres visitantes que exigiam sua cortês atenção, de modo que depois do ocupado ritmo do dia, a paz era bem recebida. Mas era Marcus quem fazia esses interlúdios tão agradáveis. Também ele parecia encontrar-se a gosto e assim disse na última noite antes do baile. Um cômodo silêncio se instalou entre os dois enquanto tomavam chá no salão e no exterior uma tempestade de finais de primavera desdobrava sua fúria. -Isto é realmente gratificante. -comentou, estendendo suas longas pernas para o fogo da lareira, que crepitava alegremente. -digamos que somos um casal que estão muito tempo casados. -Logo esboçou um divertido sorriso. -Embora se realmente estivéssemos casados, você não dormiria sozinha cada noite. Arabella sentiu que se ruborizava com sua insinuante observação, mais própria de Marcus que tinha conhecido a princípio. Durante as três últimas noites, quando ela se retirava a seu quarto, não lhe dava mais que um casto beijo na ponta dos dedos. Mas inclusive essa suave carícia a fazia estremecer, e cada noite que ficava acordada, pensando nele, recordando o assombroso prazer que tinha dado a tarde de seu piquenique e perguntando-se quando tentaria repetir. Por volta da meia hora, Arabella compreendeu que não seria aquela noite, porque o que fez foi desejar doces sonhos sem tocar sua mão. Sua apagada despedida a deixou estranhamente insatisfeita, até que se perguntou a si mesma e decidiu dedicar seus pensamentos ao baile do dia seguinte, em lugar do provocador conde de Danvers. A tarde seguinte, Arabella concluiu cedo seus trabalhos na casa com o fim de ter tempo demasiado para vestir-se para o importante acontecimento. Ela e Marcus iriam na carruagem a casa de Tess, onde pegariam Roslyn e Lily e logo se dirigiriam todos juntos ao baile. Ele tinha contratado uma criada para que cuidasse do guarda-roupa de Arabella e a


ajudasse a vestir-se, custou-lhe menos tempo que de costume banhar-se, pentear-se e colocar o vestido de baile. Quando se contemplou diante do espelho de corpo inteiro ficou totalmente satisfeita com sua aparência. Sua nova criada, Nan, foi mais efusiva: -OH, senhorita, tem um aspecto impressionante! Seu vestido era na verdade de uma confecção deliciosa de malha sobre tafetá de Florência de cor esmeralda, que realçava seus olhos cinza e seus cabelos dourados, enquanto que o decote, moderadamente baixo, e as mangas cavadas deixavam, descoberto uma quantidade justa de pele. Já se dispunha a descer, quando Marcus a surpreendeu lhe enviando um criado com um joalheiro de veludo que continha um colar de delicadas esmeraldas e uns pingentes . Arabella a princípio vacilou em aceitar um presente tão caro, embora não fosse algo impróprio entre tutor e pupila. Mas quando Nan elogiou as jóias, vacilou o bastante para provar-lhe e descobriu que embelezavam ainda mais seu vestido. Marcus pareceu coincidir, porque quando se reuniu com ele no salão, ficou olhando por um longo momento antes de lhe dedicar um sorriso. -Esse encantado vestido e as jóias quase lhe fazem justiça. -Não deveria ter gasto tanto. -repreendeu-o ela dissimulando seu rubor com sua adulação. -Certamente que devia. Foi um absoluto prazer para mim. Ele estava irresistível com fraque negro e colete e camisa branca, e Arabella foi vivamente consciente disso enquanto a ajudava a colocar sua echarpe de cetim e a acompanhá-la à carruagem. Entretanto, enquanto percorriam a curta distância até a casa de Tess, ela se distraiu repassando os nomes e linhagens de quão convidados provavelmente encontrariam no baile, alguns dos quais já tinham visitado a mansão Danvers para apresentar-se e conhecer Arabella. Uma vez na casa de Tess, suas irmãs e sua amiga os aguardavam com diferentes graus de entusiasmo. Tess era claramente a mais animada. Ela sempre era bem recebida em reuniões e bailes porque, a falta de uma fortuna importante, seu berço e sua educação eram excepcionais. E dado que a família de sua mãe procedia de perto de Richmond, Tess era uma grande favorita das senhoras e viúvas de mais idade do lugar. Roslyn, que estava incrivelmente formosa com seus novos ornamentos, mantinha uma atitude de fria distância, mas Arabella suspeitava que desejasse intensamente que a noite saísse bem. À Roslyn importava muito conseguir a reabilitação social, sendo que não estava disposta a abandonar a idéia de ter marido e filhos algum dia. Também, depois da mortificação de ter tido que ouvir diversas propostas vergonhosas por parte de alguns libertinos. Queria mais que suas irmãs aceitassem o amparo e o apoio de seu tutor. Arabella sabia que Lily não desejava absolutamente relacionar-se com nenhum dos desdenhosos árbitros da boa sociedade. Entretanto, ela compreendia quão transcendental podia ser aquela noite para o futuro das três. Por sorte, não só tinha acessado a assistir, mas sim tinha feito um esforço para mostrar-se encantadora e comportar-se como uma dama. -Prometeu não fazer nenhuma diabrura esta noite, recorda Lily? -observou Arabella enquanto Marcus ajudava às damas com suas capas e echarpes. Sua irmã a obsequiou com um gracioso sorriso. -Recordo. Não precisa preocupar-se, Belle. Não teria suportado todas estas intoleráveis prova de costura nem me teria passado horas me polindo esta tarde e ter planejado danificar nossa grande noite. -Bem, o resultado é esplêndido. Na jovem formaram umas covinhas ao sorrir, antes de contemplar seu novo vestido. -Estamos muito elegantes, verdade? Ela não pôde conter a risada. Embora Lilian se sentisse mais cômoda com um velho traje de montar, era bastante feminina para ser capaz de apreciar um formoso traje. Arabella estava tão agradecida com os trajes de baile de suas irmãs como com o seu próprio. Roslyn brilhava um elegante objeto de branco sobre a seda de um rosa intenso, o qual sublinhava sua delicadeza e seu cabelo loiro, enquanto que Lilly cintilava com um vestido cor de ouro sobre um crepe amarelo, que acentuava sua pele dourada. À morena Tess a via assim mesmo encantadora, vestida de lilás, embora seu traje tinha já duas temporadas. Mas quando Marcus elogiou o atrativo aspecto de todas as damas, o animado humor de


Lily desapareceu, sendo substituído por uma receosa cortesia enquanto ele as acompanhava até a carruagem. Durante o caminho, a conversa foi bastante agradável, com Tess e Marcus levando a voz cantante. Arabella advertiu que Roslyn estava muito calada, mas quando o veículo se deteve diante da mansão de Perry, brilhantemente iluminada, ela mesma experimentou um inesperado nervosismo. Ao notar que Tess lhe segurava a mão, pormenorizada, dedicou a seu amiga um sorriso de agradecimento, e logo ergueu as costas para enfrentar-se ao que as esperava. Logo compreendeu que não tinha por que preocupar-se. A acolhida de que foram objeto tanto ela como suas irmãs por parte de seus anfitriões e os restantes convidados foi muito melhor do que podia ter imaginado, e tudo por causa de Marcus. A julgar pela excessiva adulação, inclinações e reverências que os ali reunidos lhe dedicavam, dir-se-ia que se tratava do próprio príncipe regente. Que diferentes eram as coisas estando sob seu amparo! Lady Freemantle também o advertiu, e assim disse a Marcus na primeira ocasião que teve, durante uma pausa antes que começasse a dança: -É admirável o interesse que se está tomando por suas pupilas, lorde Danvers - disse Winifred sorrindo. Arabella, que estava junto a ele, viu-o agradecer o elogio com uma ligeira inclinação. -Só cumpro com meu dever, milady. -Winifred soprou. -É uma lástima que seu antecessor não compartilhasse seus sentimentos. Se Lionel fizesse o mínimo esforço, suas sobrinhas teriam tido uma vida muito mais fácil. Talvez inclusive tivessem conseguido superar os escândalos provocados por seus pais. -Seu descuido foi imperdoável - conveio Marcus-. Mas eu me esforçarei por compensá-la. Winifred dirigiu a Arabella um penetrante olhar. -Deveria estar agradecida a sua senhoria, moça. Seu êxito já está assegurado. Precisamente então, lady Freemantle a chamou uma de suas amigas, e se afastou deixando Arabella a sós com o Marcus, fazendo com que suas irmãs e Tess se afastassem para falar com outros convidados. -Estou de acordo em que deve estar agradecida -disse ele divertido. Ela não pôde reprimir um sorriso. -OH, certamente que estou... Em especial por minhas irmãs! -E por que não a você? Adotou uma expressão pensativa enquanto refletia sobre sua pergunta. -Estou na verdade reconhecida, certamente. Mas para minha surpresa me ver de novo nesta ilustre companhia -assinalou com a mão o atestado salão de baile- Não significa tanto como eu tinha imaginado. Durante os últimos quatro anos, aprendi a viver sem a aprovação da boa sociedade, e suspeito que possa seguir fazendo no futuro. Mas no que diz respeito a Roslyn e Lily, agradeço-lhe isso sinceramente. Seus olhares se encontraram durante longo momento, até que Arabella conseguiu desviar o seu da inesperadamente persistência dele. -Conceder-me-á a primeira dança? -perguntoulhe, mudando de tema. Ela negou com a cabeça. -Obrigado, mas como é meu costume, esta noite me propunha me manter a margem, com as viúvas e as solteironas. Esperam que as professoras da Academia Freemantle se comportem com o devido decoro, e sejam um bom exemplo para suas alunas. Nesta ocasião, foi Marcus quem negou. -Não é incorreto dançar com seu tutor. E esta noite não está aqui como professora, mas sim como a senhorita Loring, da mansão Danvers, pupila de um conde. -Ao vê-la duvidar, animou-a-: Vamos, reconhece que desfrutaria dançando. -Bem, sim... Assim é. Mas não deve ser a primeira dança. A lady Perry romperia o coração se não abrir o baile com ela, sendo que é o convidado de maior categoria. Arabella arqueou uma sobrancelha a sua vez. -Acredito recordar que você inclinaste as normas mais de uma vez a seu favor, Marcus. E ainda tenho uma aposta para ganhar, não esqueça. Quem sabe? Alguma de nossas jovens damas pode merecer sua aprovação e te convencer de que abandone meu cortejo. Suas palavras o fez sorrir. -Muito bem, bruxa, sempre e quando reconhecer até que extremos estou disposto a chegar para te contentar.


Se Marcus era resistente a dançar com sua anfitriã, lady Perry, não o demonstrou, ao contrário, foi rapidamente em sua busca. Arabella se dispunha a ocupar seu lugar habitual nas laterais, com as acompanhantes, quando Winifred lhe aproximou acompanhada de um ancião cavalheiro, ao que lhe apresentou como um atrativo companheiro de dança. Por sorte, quando a orquestra se dispunha a começar a tocar a abertura, sua amiga abandonou seus evidentes intentos de lhe buscar par e se dirigiu às mesas de jogos de cartas do salão ao lado enquanto Arabella saía para pista com seu companheiro. Depois, dançou com outros quatro cavalheiros, e se sentiu satisfeita de que suas irmãs encontrassem também companheiros aceitáveis. Sua popularidade não tinha nada a ver com o que tinham vivido os quatro últimos anos. Logo chegou o momento de sua dança com Marcus. Arabella sentiu uma nervosa agitação no estômago enquanto ele a conduzia para pista e se colocava na devida postura; com uma mão agarrando a sua e com a outra pressionando ligeiramente sua cintura. Ver-se rodeada por seus braços era tão inquietante como temia, mas seu nervosismo se desvaneceu um pouco enquanto Marcus a guiava seguindo o melodioso ritmo da valsa. -É um bailarino muito perito. -elogiou-o ela . Sorriu-lhe. -Alegra-me que assim o ache. Você também dança muito bem. Uma cálida grande onda de prazer a invadiu fazendo-a sentir-se quase enjoada. Durante um longo momento, enquanto se sustentavam o olhar, o resto do mundo desapareceu e só existiram eles dois. Entretanto, a música concluiu. Arabella se sentiu estranhamente quando Marcus se inclinou diante dela e a entregou a outro cavalheiro. Todas as danças posteriores lhe pareceram bastante anódinas. Com Marcus em troca havia se sentido quase... Jubilosa. Então voltou a recordar que ele produzia esse efeito em grande número de pessoas, em especial entre o público feminino. Durante a seguinte hora, esteve observando como deixava encantados os pressentes. Tal como tinha imposto, dançou com cada uma de suas alunas, e impressionou a seus enriquecidos pais com enorme gratidão por parte de Arabella, que sabia que tão singular atenção por parte de um conde favoreceria muito a sua academia. Mas as convidadas femininas não só estavam fascinadas por sua linhagem e categoria, a não ser sobre tudo por sua brilhante personalidade. Solicitou assim mesmo uma segunda dança com Roslyn e Lily. Era interessante observar a reação de suas irmãs com ele. Roslyn o tratava com respeitosa reserva, enquanto que Lily se mostrava fria. Entretanto, ambas se davam perfeita conta do extraordinário esforço que estava fazendo por elas essa noite, o mesmo que se dava conta Arabella. Quando Marcus lhe tinha perguntado por seus sentimentos a respeito de sua aceitação de novo a sociedade, tinha sido um pouco parecido a uma revelação. Surpreendia comprovar que a aprovação daquelas pessoas já não era muito importante para ela, embora se sentisse enormemente reconhecida por suas irmãs, em especial por Roslyn. Depois da prática destruição de suas vidas, fazia quatro anos, cada uma tinha respondido de maneira diferente: Arabella havia se obstinado em conseguir independência, Lily tinha revelado abertamente e Roslyn feito o propósito de construir seu próprio destino sem converter-se na amante de nenhum rico cavalheiro. A fascinante beleza de Roslyn atraía os homens de todo tipo, por isso, além de aprender a defender-se, sua irmã se converteu em uma perita em proteger-se dos chatos avanços de admiradores inadequados. Por isso, agora, Arabella a confortava ver a legítima atenção que Roslyn estava recebendo de um de seus mais nobres vizinhos, Rayne Kenyon, conde de Haviland. Lorde Haviland era a ovelha negra de sua família, e tinha herdado inesperadamente o título no começo daquele ano. Moreno e de aspecto perigoso, o oposto à delicada beleza de sua irmã. Mas pese ao feito de que parecessem tão distintos, Arabella suspeitava que em Roslyn se despertou um tenro afeto para o conde. Naqueles momentos, suas preciosas bochechas estavam ruborizadas enquanto conversava animadamente com ele. Entretanto, o prazer que Arabella experimentou ao ver a felicidade de sua irmã se dissipou de repente ao reconhecer o jovem almofadinha que acabava de aproximar-se de Roslyn. Em que pese a sua relativa juventude, o senhor Jasper Onslow era perigoso para a reputação de qualquer dama. Tratava-se de um atrevido libertino que necessitava com urgência casar-se com alguém endinheirado.


Era um dos descarados que tinham proposto a Roslyn, fazia apenas três meses, instalá-la como sua amante em um acolhedor ninho de amor em Londres. Que agora se atrevesse a aproximar-se de novo dela alagou Arabella de ira e indignação, e se dispunha já a atravessar o salão para intervir, quando lorde Haviland disse algo a Onslow que fez que o vadio partisse dali como alma que leva o diabo. Em resposta, Roslyn dedicou ao conde um sorriso de gratidão tão impressionante, que ele ficou imóvel, claramente cativado por ela. Interrompendo seu desnecessário intento de resgate, Arabella suspirou aliviada e murmurou entre dentes: -Graças a Deus. -Por que está tão agradecida? -perguntou Marcus sobre seu ombro. Sobressaltada, virou-se para olhá-lo. -OH, não há nenhum motivo em especial! -respondeu em seguida, não desejando preocupálo com os assuntos de suas irmãs. Mas era evidente que ele tinha visto algo que acabava de ter lugar e que implicava Roslyn, porque seu perspicaz olhar se deteve um momento na jovem, pensativo, antes de voltar-se de novo para Arabella. -Dirá se necessitar minha ajuda? Diante de sua amabilidade, Arabella sentiu que o coração lhe encolhia com uma estranha dor. -Assim farei, obrigado. Por sorte, sua ajuda pareceu desnecessária no momento. Marcus assentiu, pelo visto desejoso de deixar correr o assunto, e lhe propôs ir jantar. -Chamamos suas irmãs e vamos ao bufê? Ofereceu-lhe seu braço, que Arabella aceitou de bom grau. A comida estava deliciosa, com custosos manjares, tais como empanadas de lagosta e merengues, que as irmãs Loring poucas vezes desfrutavam. Lady Freemantle e Tess se sentaram também a sua mesa, de modo que Marcus tinha a cinco damas a seu cuidado. Arabella tinha convidado lorde Haviland a unir-se a eles, mas o conde desejava despedir-se do baile. Entretanto, o íntimo sorriso de Roslyn sugeria que sua noite tinha sido melhor do que ela esperava. A reunião foi surpreendentemente jovial, porque Winifred lhes manteve entretidos com anedotas de seu falecido esposo e Marcus fez o mesmo com histórias e façanhas esportivas que ele, o duque de Ardem e o marquês de Claybourne tinham protagonizado. Quando concluiu o jantar, Arabella sentia um ar agradável que tinha mais relação com a visão de suas irmãs felizes pela primeira vez desde anos, que com a excitação da noite ou o custoso vinho que tinha bebido. Entretanto, quando Marcus a acompanhou ao salão de baile, a alegria aconteceu de repente, porque acabava de ver de novo Jasper Onslow. Nesta ocasião, enchendo de cuidados a sua aluna mais problemática, Sybil Newstead. Segundo todas as aparências, a jovem estava flertando descaradamente com ele. Arabella olhou em torno do salão de baile, procurando o acompanhante da moça, a que não se via por nenhum lado. E justo nesse momento, Sybil deu meia volta e se foi pela porta que conduziam ao quintal, seguida por Onslow . -OH, Meu deus! -murmurou consternada. -O que aconteceu? -perguntou Marcus. -Sybil acaba de sair para fora, sozinha, e seguida por um conhecido libertino. Seu pai sofrerá um ataque se sua preciosa filha consentir em deitar-se nos braços de um caça fortunas. Pôs-se a andar para o quintal, mas Marcus a deteve lhe pondo uma mão no braço. - Isso é teu problema? Ela o olhou exasperada. -Se acontecer enquanto se acha sob nosso cuidado, o senhor Newstead nos acusará de negligência, e provavelmente tirará Sybil da academia... E outros pais podem seguir seu exemplo. -Arabella olhou impaciente a porta de vidro-. Essa fastidiosa menina tem pouco sentido, mas devo salvá-la de si mesma. Não posso permitir que arruíne sua reputação, nem tampouco a de nossa escola. -Permita-me que te ajude. Ela vacilou. -Incomodar-te-ia muito?


-Incômodo nenhum. -Muito bem, então agradeço sua ajuda. -Me diga o que saiba a respeito desse tipo. Enquanto agarrava Arabella pelo braço e avançavam com ar despreocupado para a porta, lhe contou um pouco de Jasper Onslow; como o jovem tinha contraído enormes dívidas de jogo em Londres e com freqüência se refugiava ali, na casa de seus pais, com o fim de escapar de seus credores. Quando chegaram às portas, detiveram-se para olhar o escura quintal. Através de uma abertura nos cortinados, Arabella pôde distinguir o alarmante espetáculo de Sybil entregue a um apaixonado abraço com Jasper Onslow: -Aguarda aqui um momento. -murmurou Marcus-, dirigirei o assunto melhor sozinho. Quando saiu para fora, Arabella pôde ouvir bem a conversa. -Ah, você está aqui, senhorita Newstead! Estava-a procurando. Sybil saltou meio metro, afastando-se torpe mente seu companheiro, e logo se apressou para secar os úmidos lábios enquanto contemplava Marcus com evidente sufoco. -Milorde... assustou-me... -Já o vejo. -A ameaça de sua voz era evidente quando acrescentou na aparência tranqüila-: Rogo-lhes que me desculpem se interrompi algo importante, mas você me prometeu outra dança. Como Sybil parecia perplexa, Arabella compreendeu que não tinham ficado de tal modo, mas antes que a moça pudesse responder, Marcus se dirigiu a Jasper: -Sinto muito, companheiro, mas tenho uma promessa prévia desta pequena confusão. Estendeu para Sybil o braço. -Far-me-á a honra de dançar comigo? -Sim... milorde... Certamente. Onslow olhou com a testa franzida como Marcus conduzia à garota ao interior, enquanto esta sorria radiante e dirigia a Arabella um triunfante olhar ao passar por seu lado. Reprimindo o inesperada picada de ciúmes que sentiu ao ver a jovem no braço de Marcus, contemplou ao conde com gratidão e alívio. Mas transcorreram quase duas horas até que a dança acabou e ela teve a oportunidade de lhe expressar seu agradecimento. Quando Marcus foi a sua busca, Arabella estava avançando para as portas do salão de baile, junto com os convidados, que foram recolher seus xales e pedir que lhes trouxessem suas carruagens. -Mil obrigados por ter resgatado Sybil -disse ela de todo coração. -Terei que mantê-la estritamente vigiada no futuro, mas esta noite evitaste um mais que seguro desastre. -Estou a sua disposição. -Sorriu. -Sei quão difícil é para uma mulher de natureza independente pedir ajuda a um homem, mas me sinto satisfeito de que me tenha necessitado para algo. -Os homens às vezes são necessários. -conveio Arabella com um sorriso. -E reconheço que dirigiste a Sybil melhor do que tivesse podido fazer eu. -Fez uma pausa. -Também desejo te agradecer uma vez mais que tenha sido tão generoso com minhas irmãs. Marcus se deu de ombros. -Não tem importância. Entretanto, proponho-me reclamar uma recompensa. -Recompensa? -Nada muito entristecedor. Necessito sua presença em Londres na quarta-feira de noite. Ela o olhou com a testa um pouco franzida. -Em Londres? Ele sorriu insinuante. -Não tem por que preocupar-se, querida. Simplesmente desejo te levar ao teatro. Faz algumas semanas, prometi a minha irmã e a minha tia que as acompanharia para ver uma obra em Covent Garden, e eu gostaria muito que viesse conosco. Lady Freemantle acessou te fazer companhia se preocupasse com os falatórios. Arabella arqueou bruscamente as sobrancelhas. -Está dizendo que já resolveste a questão com ela? -Sim, de modo que não tem nenhum argumento para te negar. Pensei que desfrutaria ficando uma noite na cidade. Trabalhaste muito ultimamente. Arabella o olhou nos olhos. Quando foi a última vez que um homem se preocupou de que ela desfrutasse? Certamente, nem seu pai nem seu tio. Nem sequer seu prometido se preocupou o suficiente por seu bem-estar. -Vamos, reconhece que você gostaria. -disse ele com um sorriso que lhe fez baixar o


guarda. Sua perspicácia era inquietante, mas Arabella não podia negar que sua oferta era muito atrativa. Desejava ardentemente passar uma noite em Londres. A academia estava perto da cidade para que ela e outras professoras alguma vez acompanhassem suas alunas à ópera e aos teatros, a fim de que as moças pudessem pôr em prática seus ensinos. Mas assistir ao teatro com suas alunas não era o mesmo que fazê-la com Marcus. Razão pela qual precisamente devia negar-se a ir. Sem dúvida seria um engano passar toda uma noite com ele, mas se Winifred os acompanhasse... -Não pode ter a desculpa de que não tem nada que te opor. -insistiu Marcus-. Encarreguei à costureira que te faça uma dúzia mais de trajes de noite. Arabella o olhou exasperada. -Depois de te haver pedido que não esbanjasse comigo sua fortuna? -Exatamente, minha encantada Belle. Não desejava ter nenhuma nova discussão com você a respeito de aceitar minha caridade. De modo que virá. Desejo que conheça Eleanor, e espero que vocês se gostem mutuamente. Arabella disse que não faria mal nenhum. Além disso, depois de todas as histórias que tinha ouvido contar de sua irmã, tinha verdadeira vontade de conhecê-la; e o fato de que aceitasse seu convite para conhecer sua família, não significava que tivesse que casar-se com ele. -Obrigado. -disse por fim. -eu adorarei ir ao teatro com você na quarta-feira de noite e conhecer Eleanor. As rugas de complacência em torno dos olhos de Marcus se intensificaram. -Estupendo. Evitaste-me ter que te intimidar. -Observou a minguante multidão. –vou pedir a carruagem enquanto você te encarrega de localizar suas irmãs. Arabella o observou enquanto partia, maravilhada de quão persuasivo podia ser. Entretanto, era sua genuína bondade o que lhe punha um estranho nó na garganta. Antes de conhecê-lo, tinha suposto que seria um aborrecido e egoísta libertino, como tantos de seus pares, mas a semana transcorrida tinha apagado todas suas prévias hipóteses sobre ele. Sua amabilidade era mais irresistível que todos seus sensuais esforços de sedução, e o faziam imensamente mais difícil de resistir. E muito mais perigoso. Ainda o estava olhando quando lady Freemantle se reuniu com ela. -Eu qualificaria o retorno das irmãs Loring à sociedade como um triunfo. -declarou Winifred encantada. -E têm que agradecer a lorde Danvers. -Sim, certamente. -conveio Arabella com um sorriso. -Já lhe expressei meu reconhecimento. Sua amiga a olhou fixamente. -Acredito que deveria aceitar sua proposição de matrimônio, querida. Seria um bom marido para ti. Ela sentiu como se desvanecia seu sorriso. -Winifred, sei que tem boas intenções, mas... A mulher levantou as mãos interrompendo-a. - Compreendo que não deseje que me meta em seus assuntos, mas aliviaria meu coração verte bem acomodada. Entretanto, isto é a última coisa que direi sobre este tema por esta noite. Agora vou para casa. Despeça-me de Roslyn e Lilian. Arabella não pôde evitar rir enquanto Winifred partia. Mas quando se virou para observar a multidão em busca de suas irmãs, encontrou-se com que não deixava de pensar no comentário de seu amiga. Seria certo que Marcus podia ser um bom marido? E mais importante, que tipo de matrimônio seria o seu se aceitasse a converter-se em sua esposa e mãe de seus filhos? Os nobres de sua classe não se entregavam facilmente, e por mais que ela apreciasse sua amabilidade e seu amparo, não estava disposta a arriscar-se à pena e humilhação de entregar de novo seu coração e vê-lo recusado. E sem autêntico, indisputável e mútuo amor, não tinha nenhum desejo absolutamente de contrair matrimônio. Entretanto, pela primeira vez desde que ele fizesse sua proposta, Arabella permitiu perguntar-se como seria casar-se com Marcus. Se fosse sua esposa, poderia ter uma vida fácil e cômoda sem problemas financeiros. E receberia o respeito devido como condessa. Tal como Marcus tinha falado a, lady Danvers. Poderia impor-se sobre seus altivos vizinhos. Embora certamente, casar-se para ter posição e fortuna não assegurava a


felicidade, nem podia impedir a classe de desgraça que seus pais tinham suportado. Mas podia acaso seu cortejo despertar mais profundos sentimentos entre eles? Ou aquilo era só construir castelo no ar? Em geral estava contente com sua vida. Seu trabalho na escola era gratificante, e contava com irmãs e amigas maravilhosas. Entretanto, sem dúvida se sentia sozinha às vezes, e desejando algo mais. Recordou-se que a quatro anos atrás tinha desejado sinceramente um marido e uma família, quão mesmo Roslyn naqueles momentos. E se considerasse serio a proposta de Marcus? Poderiam chegar a amar um ao outro com o tempo? Que tipo de matrimônio podia ter com ele? E o mais importante, atrever-se-ia a arriscar a sofrer um tipo de ferida que já tinha sido infligida antes? Não podia pensar nisso, a possibilidade era muito aterradora. Pensou que não tinha que decidir então. Sua aposta duraria uma semana mais. Quando tivesse concluído, poderia declarar sua independência de Marcus, mas... E se enquanto isso confiasse na autenticidade de seu cortejo? Precisamente então distinguiu suas irmãs; quando se reuniram com ela, Roslyn sorria serena, e inclusive Lily parecia agradecida com a noite. -Deduzo que o baile não foi tão horrível como temia. -tirou um sarro Arabella. -Não. -deu-lhe razão Lily. -Na realidade foi mais agradável do que esperava. Sem dúvida porque todos estavam ansiosos para ganhar o favor do conde. -Mas também te parece agradável e encantador. -interveio Roslyn rindo. -Vamos, reconhece Lily, sua opinião sobre ele melhorou de maneira significativa. -Certo. -admitiu. -Talvez depois de tudo não seja tão mau. Enquanto Arabella se encaminhava para a porta principal com suas irmãs teve que reconhecer que também para ela Marcus tinha melhorado de modo importante. Embora não o suficiente para variar sua falta de disposição a casar-se com ele. Teria que pensar séria e profundamente antes de dar um passo tão drástico. Mas pelo menos, durante a seguinte semana, talvez pudesse permitir que seu cortejo fosse real. CAPITULO 10 É tolo permitir que seu coração volte a ser vulnerável quando seus sonhos já foram destroçados antes. -Talvez te digne explicamos que diabos te propõe, Marcus. -disse Drew quando Marcus entrou na biblioteca de sua mansão londrina na tarde do dia seguinte. -Há rumores de que te comprometeste com uma de suas pupilas. Por favor, nos diga que não é verdade. -Para ser exato, com a mais velha -precisou Heath em um tom um pouco mais indulgente. Quando no dia anterior Marcus enviou bilhetes a seus amigos lhes pedindo que o acompanhassem ao teatro na quarta-feira de noite, eles quiseram saber por que tinha evitando-os toda a semana. De modo que tinha adiantado a ir a Londres para lhes economizar o incômodo de persegui-lo até Chiswick. Ambos estavam aguardando-o quando chegou, e não lhe deram tempo sequer de sentar-se antes de lançar-se a seu interrogatório. Com um suspiro de resignação, Marcus se acomodou em um sofá, preparando-se para um longo debate. -Ainda não estou comprometido com Arabella, mas é certo que lhe tenho proposto matrimônio. Drew o olhou claramente preocupado. -Também é certo que ela me recusou de maneira terminante - prosseguiu Marcus-. De modo que, durante a semana passada, estive na mansão Danvers, tentando conseguir que mude de idéia. -Perdeste a cabeça, camarada? -perguntou Heath depois de um minuto de silêncio. -Comove-me sua preocupação por minha saúde mental. -respondeu Marcus secamente-, mas acredito estar em plena posse de minhas faculdades. Heath sorriu. -Bem, pois não me ocorre outra explicação para seu comportamento. Foi a Chiswick a semana passada com o propósito de resolver o futuro de suas pupilas lhes atribuindo o dote para que pudessem atrair candidatos convenientes. Por todos os infernos! Não se supunha


que fosses oferecer você mesmo. Quando te incitei a que lhe propusesse matrimônio a uma delas só estava brincando. -Sei. E naquele momento não tinha nenhuma intenção de fazer o que tenho feito. -Então Em nome de Deus!O que aconteceu? -perguntou Drew com grande seriedade. Sabíamos que se sentia atraído por ela, Marcus. Mas isso não significa que voluntariamente ponha a corda matrimonial no pescoço. -Contenham seu entusiasmo, moços. O bufo de Drew expressou sua impaciência. -Vamos, sabe que não podemos evitar nos sentir alarmados e desgostosos quando toma uma decisão tão transcendental, que afetará o resto de sua vida, e também da nossa, sem nos dizer nenhuma palavra. Marcus sorriu fracamente. -Possivelmente não lhes disse porque sabia que não aceitariam. -Está dizendo que realmente deseja verte preso para toda a vida? -Temo-me que sim. Mas não fique tão triste, amigo. Não vou morrer. Trata-se só do solteiro que havia em mim passou desta para melhor. Pode acontecer ao melhor de nós. Drew o olhou com a testa franzida. -Nunca tivesse imaginado que aconteceria a você, nem a nenhum de nós, durante muitíssimo tempo. -Nem tampouco eu, acredite. -murmurou Marcus-. Deixou-me totalmente surpreso. Heath agitou a cabeça com similar perplexidade. -É compreensível que a beleza e o temperamento da senhorita Loring lhe fascinassem, em especial por que recusou sua proposta. Nenhuma mulher que conheço se atreveria a te recusar, assim certamente te atrai o desafio de seduzi-la... -Não se trata só de desafio. -interrompeu Marcus. -Então o que é? -Finalmente encontrei alguém com quem posso imaginar convivendo, alguém que pode ser um bom par para mim. Drew franziu a testa com profundo cepticismo, mas Heath ficou pensativo. -Se isso for certo. -disse por fim lentamente-, quase poderia te invejar. Nunca encontrei nenhuma mulher que pudesse considerar meu par ideal. Suponho que terá que te felicitar por isso. -Acredito que sim. -respondeu Marcus em tom ligeiro. Não era de admirar que Heath estivesse disposto a contrair matrimônio como potencialmente positivo mais que catastrófico. Seu encanto inato o convertia em um grande favorito das mulheres, embora nunca tivesse desejado ver-se preso só a uma das fascinadas fêmeas que tinha sempre a seu dispor. Entretanto, Heath era o mais temerário e atrevido dos três, e o mais aberto a novas aventuras, enquanto que Drew era muito mais cauteloso, e também o mais cínico. Precisamente então, este último estava passando a mão pelos loiros cabelos com um gesto de frustração. -Não deve ter refletido o suficiente. Marcus pensou que precisamente tinha meditado com todo cuidado, embora estivesse atuando mais por instinto que por fria lógica. Arabella contribuía a sua vida um necessário fogo. Era cálida e vibrante, estava viva... Sorriu ao recordar o risonho brilho de seus olhos na noite anterior, no baile, quando lhe tinha estendido a lista de damas com as quais desejava que dançasse. E logo, mais tarde, reconhecida-a emoção de seus olhos quando lhe agradeceu que tivesse resgatado sua aluna; sua expressão tão suave e doce. Então tinha decidido que não a deixaria escapar. Entretanto, sua decisão era difícil de explicar a seus mais intimos amigos, sendo que eles nunca tinham experimentado tal sentimento possessivo por nenhuma mulher. Ao ver que permanecia em silencioso, Drew interrompeu seus pensamentos dizendo com tom sarcástico: -É impossível que possa acreditar que está apaixonado, Marcus. «Amor?» Não estava seguro sequer de acreditar nesse sentimento, pelo menos nunca tinha visto um autêntico enlace por amor entre seus conhecidos, embora suspeitasse que tal possibilidade existisse. Tampouco tinha esperança de achar intimidade e afeto no matrimônio, e entretanto, se


Arabella fosse sua esposa, essa perspectiva enormemente atrativa seria muito possível. Como mínimo, sua união séria estimulante. Longe da fria e desapaixonada convivência de seus pais, ou do amargo, interminável e destrutivo dos pais de Arabella. -Não -respondeu Marcus lentamente. –Com certeza, não posso afirmar que esteja apaixonado. -Tira-me um peso de cima. -replicou Drew enquanto que seu tom cáustico sugeria justamente o contrário. Marcus dirigiu para seu amigo um olhar. Sabia que as convicções de Drew seriam difíceis de mudar. -Mais aliviado se sentirá quando conhecer Arabella. Por isso pedi a ambos que viessem ao teatro conosco amanhã de noite. Assim poderão conhecê-la e julgar por vocês mesmos. Antes a levarei para jantar ao Clarendon, com sua amiga lady Freemantle que lhe fará de companhia. -Não me diga que necessita uma acompanhante para jantar em um lugar público com sua pupila solteira. -Em circunstâncias normais, não seria necessário, mas como sua reputação ainda se acha encoberta pelo escândalo de seus pais, acredito aconselhável. Proponho-me devolver Arabella e suas irmãs a consideração da sociedade, por isso estou disposto a fazer tudo da maneira mais adequada. Convidei Eleanor e a tia Beatriz para compartilhar nosso camarote em Covent Garden, para que também elas conheçam Arabella. Beatriz, viscondessa de Beldon, era tia de Marcus por parte de mãe, e uma dama muito agradável. Os três homens sentiam um grande afeto pela anciã. -Por que não convidaste todos para jantar em Clarendon com você? -perguntou Heath. -Porque estou levando meu cortejo passo a passo. -explicou ele. -Um jantar particular com família e amigos seria muito íntimo neste momento. Não desejo pressionar tanto Arabella para que saia correndo assustada. Heath o olhou divertido. -Sonha como se sua aversão ao matrimônio fosse tão intensa como a tua Drew. -E é - confirmou Marcus-. Tive que coagi-la para conseguir que venha ao teatro amanhã a noite. -Olhou para seus dois amigos. -Vocês, virão? -Eu não perderia isso - respondeu Heath. -E você, Drew? -Se devo ir... -respondeu este à contra gosto. Marcus sorriu. -Bem, espero que ambos se comportem. Arabella sente uma decidida aversão pelos libertinos, e todos nós somos até certo ponto. Desejo que veja que também temos algumas qualidades apreciáveis. Heath arqueou uma sobrancelha. -Tenta dizer que é uma dissimulada? Marcus riu ao recordar a entusiasmada resposta de Arabella a seu ato amoroso. -Absolutamente. Mas seu pai era um Don Juan, por isso ela não deseja ter nada com homens desse tipo. O outro assentiu lentamente. -Suponho que é compreensível, mas toma todas as precauções possíveis, não vás converterse em um aborrecido efeminado. -Não. A Arabella tampouco gosta dos efeminados. -E suas duas irmãs? -perguntou Heath pensativo-. Diz que são duas belezas? -Sim, por quê? -Se as considerar a metade interessante que a sua pupila mais velha, eu gostaria de conhecê-las. Marcus considerou interessante. Roslyn era a mais deliciosa das três, embora ele preferisse a aparência mais sensual de Arabella -cabelos dourados e radiantes olhos cinzas - à imagem de princesa de conto de fada. Lilian era assim mesmo cativante, mas por completo distinta as suas duas irmãs; seus audazes olhos negros e brilhantes cabelos castanhos lhe conferiam uma viveza que recordava às ciganas. -A irmã do meio, Roslyn, é de uma beleza extraordinária - disse Marcus- mas talvez um pouco muito delicada para seu gosto, Heath. A mais jovem, Lilian, é uma verdadeira selvagem, mais de seu estilo. Talvez você gostaria que lhe apresentasse ela. Seu amigo respondeu com um sorriso.


-Possivelmente. Ainda tenho que encontrar á mulher que me entusiasme para me fazer desejar sentar a cabeça, mas quem sabe. -Se lhe propor matrimônio, ver-me-ia livre de responsabilidade sobre ela. E você, Drew? perguntou Marcus-. Com sua elegância e inteligência, Roslyn poderia despertar seu interesse. -Perdeste a razão? -Exclamou ele com uma expressão de zombador. Ao ver que Marcus ria entre dentes, Drew o atravessou com o olhar. -Não me pressione. Já basta que esteja disposto a me submeter ao julgamento de seu novo capricho consentindo conhecê-la. Com um pouco de sorte, a senhorita Loring terá o bom critério de te recusar de tudo, com o que poderemos recuperar nossa normal e aprazível existência. Marcus conteve sua língua diante desse cínico comentário, entretanto, não tinha nenhum desejo de recuperar sua normal existência. Estava realizando lento, mas seguro dos progressos em seu cortejo com Arabella, e tinha toda a intenção de casar-se com ela mesmo com sua tenaz oposição. Arabella era um casal ideal para ele, embora a jovem se negasse ainda a compreendê-lo. Sua principal dificuldade era conservar seguras as rédeas de sua luxúria. Merecia um prêmio por ter sido capaz de manter as mãos quietas durante os últimos dias, quando na realidade a desejava tão intensamente. Tinha necessitado de toda força de vontade para deixá-la retirar-se só cada noite, quando o que tinha querido era subir até sua cama em seus braços, e passar os seguintes quinze dias explorando seu corpo encantador e introduzindo-a na paixão. Entretanto, confiava que, muito em breve, esse controle deixasse de ser necessário. Arabella compreendeu que Marcus estava intensificando seu cortejo quando viu a grande banheira de cobre de seu vestiário. O recipiente estava cheio de água quente, até aí tudo normal, mas grande parte da superfície se achava coberta com pétalas de rosas. Perguntouse como teria entrado em seu vestiário sem ser visto pela nova criada que se encarregava de seu elegante e novo guarda-roupa. -Verdade que cheiram bem essas pétalas, senhorita? -perguntou-lhe Nan alegremente. -Sua senhoria me pediu que os jogasse em seu banho. -Lorde Danvers lhe pediu que os pusesse você? -Sim. Diz que gostava das rosas, e que as pétalas são boas para perfumar o corpo. Enquanto se despia e se inundava na água quente, Arabella pensou divertida que, pelo menos, não tinha tratado de entrar em seus aposentos. De fato, até aquele momento, Marcus levava dias sem fazer propostas íntimas. Ao sentir como as pétalas lhe acariciavam a pele, recordou intensamente que, desde o baile, tinha visto Marcus muito pouco. A noite anterior tinha passado em Londres, por um assunto de negócios e sua ausência a tinha deixado um pouco triste, talvez porque tinha decidido lhe dar a seu cortejo uma verdadeira oportunidade de desenvolver-se. Tampouco podia negar que tinha sentido falta de sua companhia no jantar a noite anterior. Nem negar quão ansiosamente esperava a próxima noite. Seria um presente magnífico jantar no hotel Clarendon e assistir o teatro em Covent Garden com tão distinguida companhia como Marcus tinha prometido. Arabella estava desejosa de conhecer sua irmã e a sua tia, assim como a seus dois mais íntimos amigos. Só confiava em sair-se bem com eles. Estava contente com a decisão de colocar seu novo traje de noite de seda rosa e os imponentes colar e pingentes que Marcus tinha lhe presenteado. Quando examinou seu traje no espelho de corpo inteiro, sua imagem quase a deixou sem fôlego. Parecia uma régia dama absolutamente digna de ser sua condessa. Adotou uma expressão pensativa. Depois de tudo, deveria considerar mais a sério sua proposta? Ainda se alegrou mais quando desceu a escada e viu Marcus aguardando-a na entrada. Com sua presença, notou que um calor aninhava em seu estômago e sentiu que o coração lhe palpitava de maneira alarmante. Estava incrivelmente bonito, com um fraque cor Borgonha, colete de seda dourada e calças brancas até o joelho. Agarrou-se em seu braço com calma, decidida a ocultar o prazer que sentia em voltar a vê-lo. Era uma tarde encantadora, fresca pela chuva matinal, mas com brancas nuvens flutuando no céu azul. Saíam cedo com o fim de que desse tempo para realizar a viagem de quase uma hora até Londres.


Primeiro passaram em Winifred, que se instalou junto à Arabella com um olhar aprovador. -Seu vestido é perfeito, querida, e esse perfume que é muito agradável. Ela a olhou perplexa, pois não levava nenhum perfume. -Devem ser as pétalas de rosa. -murmurou Marcus provocador. -Que pétalas de rosa? -quis saber a dama. -Não tem importância. -respondeu Arabella rapidamente, dirigindo a Marcus um olhar de advertência. Pelo resto, a noite começou de maneira bastante prometedora. A carruagem de Marcus, com boas molas de suspensão, efetuou o trajeto com relativa comodidade, e desde que chegaram ao elegante hotel, seu grupo foi tratado como se fossem parte da realeza. Foram conduzidos a um salão particular, onde os empregados se esforçaram por antecipar aos desejos de sua senhoria; ofereceram-lhes três deliciosos pratos e efetuaram uma dúzia de mudanças de serviços. Lady Freemantle declarou estar enormemente impressionada e expressou sua gratidão a lorde Danvers pelo privilégio de estar em sua ilustre companhia. Quando chegaram a Covent Garden, duas horas depois, Arabella se sentiu ainda mais reconhecida, pois sem ele, provavelmente a deslumbrante multidão a tivesse intimidado, depois de tantos anos ao ver-se recusada por seus altivos pares. A flor e a nata da sociedade enchiam as fileiras superiores dos camarotes, lordes e cavalheiros vestidos com etiqueta, e damas cobertas de sedas e jóias. Sendo que a maioria deles só tinham ido ali para ver e ser vistos mais que para desfrutar da obra, o ruído era considerável enquanto Marcus acompanhava Arabella e Winifred para cima. Quando chegaram, Arabella viu que em seu camarote havia duas damas e dois cavalheiros, que se levantaram para saudá-los. Marcus fez as apresentações, começando por sua tia Beatriz. A pequena mulher de cabelos brancos tinha uns curiosos e brilhantes olhos, que a Arabella recordaram os de um inquisitivo pássaro. Sem esperar sua vez, a irmã de Marcus, lady Eleanor, adiantou-se espontaneamente. A beleza de seus cabelos negros brilhava os diamantes transpassados entre seus cachos e esboçou um sorriso de boas-vindas enquanto estendia com calidez as mãos para Arabella. -É um prazer conhecê-la, senhorita Loring. O descarado de meu irmão esteve ocultando-a de nós. -Dirigiu a Marcus um olhar risonho. -Não havia dito a ninguém uma palavra sobre você até a dois dias. -Porque não desejava assustá-la com suas atrozes maneiras. -respondeu seu irmão com carinho. -Ora. -replicou Eleanor-. Não parece das que se assustam por algo. Arabella não pôde reprimir um sorriso. - Não pelas maneiras. Menos ainda depois de tentar acostumar a montões de inexperientes moças durante os últimos três anos. Lady Beatriz falou pela primeira vez. -Marcus nos falou um pouco de sua academia, senhorita Loring. Eu gostaria de ouvir algo mais sobre ela. -Certamente, milady. Marcus lhe apresentou então seus amigos, o duque de Ardem e o marquês de Claybourne. O duque era um moreno, de elevada estatura e uma fina elegância, enquanto que o marquês era quase igual na altura, mais poderosamente conformado, com os cabelos de um castanho. Cada um saudou Arabella de modo muito diferente. Ardem lhe dedicou uma fria inclinação com a cabeça, enquanto que Claybourne se mostrou muito mais acolhedor, lhe dedicando um sorriso encantador que recordou um pouco o de Marcus. A jovem pôde compreender facilmente que os três fossem a fofoca de Londres. Todos eram homens atrativos e formosos e, entretanto, profundamente... Varonis. Não era de se admirar que tivessem mulheres de montões. Certamente, chamavam a atenção; naquele mesmo momento, grandes partes do público estavam olhando para eles. A Arabella pareceu como se todos os olhos do teatro olhassem seu camarote. Este havia duas fileiras de assentos, mas quando Marcus se dispunha a conduzir a Arabella à próxima cadeira, sua irmã interveio. -Por favor, sente-se a meu lado, senhorita Loring - pediu lady Eleanor-. Assim poderemos nos conhecer melhor... E talvez comparar histórias sobre a tutela de meu irmão. Deste modo, a fileira a diante ficou ocupada pelas damas; primeiro a tia de Marcus, logo


sua irmã, depois Arabella e, por último, Winifred. Quando Marcus e seus amigos ocuparam as cadeiras que se achavam diretamente atrás, Arabella se sentiu insolitamente exposta, especialmente ao detectar certo número de pessoas sussurrando atrás de seus leques e assinalando ao grupo de lorde Danvers. Não demorou a compreender que estavam falando dela, embora em certo modo satisfizesse seu orgulho ao dar-se conta de que estava recebendo alguns olhares admirativos de vários cavalheiros. Lady Eleanor também advertiu a situação. -Não lhes dê importância, senhorita Loring. Você é simplesmente sua última novidade. Dissipará rapidamente. -Fez uma pausa, lhe dedicando sua encantadora risada. -Pelo menos, sempre aconteceu em meu caso, quando cometo alguma pequena infração. -Coisa que acontece com muita freqüência. -interveio Marcus adiantando-se para ela. Deixou-lhes bastante tempo antes que começasse a trabalhar para que pudessem conhecerse, e a conversa inicial foi bastante amena. Eleanor conseguiu manter um diálogo amistoso enquanto interrogava sutilmente à senhorita Loring sobre ela e sua família. Mas como Marcus havia predito, Arabella gostou da jovem, parecia engenhosa e animada, com um perverso senso de humor. Teve menos oportunidade de falar com os amigos de Marcus, sendo que se sentavam atrás dela. O marquês fazia algum comentário de vez em quando, o que contrastava grandemente com o ostentoso silêncio do duque. Arabella tinha a clara sensação de que sua graça não passava, embora falou um pouco quando Eleanor se dirigiu a ele e brincou sobre seu ar sombrio. Ao parecer, Ardem sentia pouca afeição por Shakespeare, e aquela noite foram ver precisamente uma representação de Ricardo III, com um dos mais importantes atores de Londres, John Kemble, no papel principal. Enquanto o duque conversava com lady Eleanor, Arabella distinguiu sua amiga Fanny Irwin entrando em um camarote próximo de braço com um cavalheiro ancião. Muito na última moda, Fanny usava um vestido de seda esmeralda, os negros cabelos presos no alto da cabeça e seu amplo e branco decote engalanado com jóias. Dirigiu a Arabella um discreto sorriso que lhe devolveu com igual discrição. Fazia vários anos tinham decidido que, pela reputação da academia, não era prudente que Arabella reconhecesse abertamente sua amizade com uma famosa cortesã. Por alguns momentos, Arabella distinguiu também uma dama ruiva que a olhava de maneira sinistra a vários camarotes de distância. A mulher estava simplesmente imponente, vestida com um traje marfim cujo decote deixava descoberto uma generosa quantidade de pele cor alabastro adornada com diamantes. Pensou que não tinha nem idéia do que podia ter feito para despertar tal animosidade em uma completa desconhecida, então viu que lady Beldon inclinava cortesmente a cabeça para aquela beleza a modo de saudação. Por sorte, o pano de fundo se levantou e Arabella centrou sua atenção no drama que se representava no cenário. A atuação de Kemble foi realmente um prazer, por isso o tempo passou voando. No entreato, Marcus e o duque se levantaram para ir em busca de bebida para as damas. Quando Eleanor manifestou seu desejo de esticar as pernas, o marquês se ofereceu a acompanhá-la e a jovem convidou Arabella e Winifred para passear com ela pelos corredores. Logo descobriram que lady Eleanor era enormemente popular. Saudavam-na com freqüência e a cada momento se detinha para apresentar a suas novas amigas. A garota estava conversando alegremente com um casal de idade quando Arabella distinguiu a imponente beleza mais à frente no atestado corredor. Quando viu que a dama se aproximava de Marcus e lhe dedicava um frio sorriso com um pingo de sedução, Arabella sentiu o estranho apresso de lhe tirar os olhos daquela mulher. Estava se arreganhando por sua absurda reação, quando Winifred lhe sussurrou: -Não se preocupe, querida. Segundo todos sabem, sua relação acabou faz meses. -Que relação? Lady Freemantle vacilou, e logo respondeu sorridente. -Será melhor que se inteire por mim para que não chegue a falsas conclusões. -Que conclusões? Winifred, por favor, deixa de falar em enigmas. A mulher suspirou. -Muito bem. Essa dama é a riquíssima viúva do visconde Ebedy. Para dizer sem rodeios,


teve um assunto galante com lorde Danvers faz anos, quando ele ainda era barão Pierce. Depois, quando seu ancião marido teve a delicadeza de ir reunir se com o Criador, reataram seu namorico durante um breve período de tempo, mas aquilo não durou. Ela é muito possessiva, e estava empenhada em converter-se na baronesa Pierce, de modo que ele rompeu a relação. Conforme tenho entendido, após não se viram mais. Arabella sentiu uma angústia que lhe oprimia o peito. -Tiveram uma aventura quando seu marido ainda estava vivo? -Bom, sim. Mas no final não chegaram a nada, e duvido muito que lorde Danvers siga interessado por ela. Arabella olhou consternada para Marcus e à formosa mulher. Não podia negar seu ciúme, entretanto, sua aflição não era só porque a imponente lady Ebedy tivesse sido em outro tempo sua amante, mas sim porque ele tinha cortejado à dama quando ainda era a esposa de outro homem. Afastou a vista e levou uma mão à boca. -Está bem, querida? -perguntou Winifred preocupada. Arabella não podia responder, porque sentia o estômago revirar. E pensar que Marcus tinha tratado de convencê-la para que aceitasse sua proposta de matrimônio lhe assegurando que não era absolutamente como seu pai, enquanto que não tinha tido nenhum escrúpulo em cometer adultério. -Não aconteceu nada -conseguiu mentir para Winifred-. Talvez comi muito no jantar. E no teatro está bastante quente. Acredito que retornarei a nosso camarote. -Certamente, deve te sentar. Arabella inspirou fundo enquanto percorria o corredor, dizendo a si mesmo que não tinha direito de sentir aquela dor. Ela não tinha na realidade nenhum direito sobre Marcus. Só que tinha começado a confiar nele, a lhe abrir seu coração. Começava a acreditar que era um homem ao qual podia amar. Deveria saber que sua representação do pretendente ideal era muito perfeita para ser real. Mas vê-lo com sua antiga amante a fez despertar der repente. Seu pai permitiu inumeráveis aventuras depois de seu matrimônio, entregando seu afeto a suas amantes e deixando sua mãe adoecer sozinha, humilhada, ressentida e desolada, suspirando por um marido infiel que nunca poderia amá-la. Como podia confiar que Marcus seria diferente se casasse com ele? Sentiu a quente ardência das lágrimas em seus olhos. E pensar que tinha tentado realmente imaginar-se como sua esposa. Decididamente, tinha construído castelos no ar. O matrimônio deles dois nunca funcionaria. Era uma tola ao pensar que podia ser assim. E se sentia inclusive mais tola ao haver-se permitido ser tão vulnerável à dor depois de sua primeira e desventurada experiência amorosa. Evidentemente, envolveu-se muito naquele assunto. Não tinha tomado cuidado, e podia ter acabado repetindo o mesmo engano. Esforçou-se para engolir o nó que tinha na garganta. Pelo menos, agora já não havia nenhum perigo de que se apaixonasse por Marcus. Sua resistência por volta dele se foi debilitando dia a dia, vencida por seu sedutor encanto e sua generosidade com suas irmãs. Mas não podia permitir que as coisas seguissem assim. Sua aposta concluiria em menos de uma semana. Só tinha que resistir até a seguinte segunda-feira, e então poderia declarar sua independência. Enquanto isso tinha que fingir que não se sentia afetada por aquela nova revelação com ele. Achava-se tão absorta em seus pensamentos, que esteve a ponto de tropeçar com a Fanny Irwin, que retornava para seu camarote seguida de seu protetor. -Me desculpe, Fanny -murmurou Arabella-. Não olhava por onde ia. A jovem a observou preocupada. -Aconteceu algo de mau, Arabella? Devolveu-lhe um tenso sorriso -Não, só estava cismada. Alegro-me em vê-la, querida Fanny. Já menos preocupada, a cortesã olhou para o corredor, e logo lhe disse em voz baixa: -Não deveríamos estar nos falando em público, Arabella. Seus amigos de sangue azul poderiam verte. Ela seguiu seu olhar e viu lady Beldon, a tia de Marcus, diante da porta de seu camarote, observando seu encontro com Fanny com evidente desaprovação. -Não importa -respondeu Arabella-. Não tenho nenhuma necessidade de que sua senhoria tenha uma boa opinião sobre mim. -Mas o que ...?


-Escreverei para você amanhã, Fanny. Winifred. -chamou, voltando-se para ela, recorda a minha boa amiga, a senhorita Irwin? Lady Freemantle, sorridente, dedicou-lhe uma Cortez saudação, e falaram alguns instantes antes que Arabella seguisse seu caminho. Quando entravam no camarote de Marcus, onde sua tia já tinha se sentado, ela estava mais tranqüila, e pensava de maneira mais racional; entretanto, não podia evitar lembrar-se de quão acertada tinha estado Fanny ao lhe advertir que não sucumbisse às sedutoras propostas do conde. Enquanto tomava assento, lady Beldon se dirigiu a ela. -Senhorita Loring, compreende que não é próprio de uma dama reconhecer uma mulher dessa classe? Eleanor entrou no camarote justo nesse momento e voltou a sentar-se entre sua tia e Arabella. -Uma mulher de que classe, tia? Lady Beldon soprou. -A senhorita Loring sabe a quem me refiro. Arabella se alinhou diante do tom de censura da viscondessa, quem, ao início daquela noite tinha saudado à promíscua lady Eberly. Parecia-lhe muito injusto desculpar tanto desenvoltura em uma dama casada e condenar a mulheres como Fanny. Mas se esforçou por manter seu tom cortês quando replicou: -A senhorita Irwin é uma amiga de infância, milady. Crescemos juntas, e nos queríamos tanto como irmãs. -Essa não é desculpa para reconhecê-la agora. Eleanor fixou seu curioso olhar em Fanny. Com um sorriso ligeiro fez um evidente esforço para acalmar as águas revoltas. -Tia, acredito que está sendo muito afetada. É muito louvável que a senhorita Loring não tenha quebrado sua amizade, é digno de lealdade. A viscondessa apertou os lábios convertendo-os em uma linha. -Confio em haver ensinado a você como te comportar em tais situações, moça. Eleanor observou pensativa à cortesã. -Sim, queridíssima tia, mas isso não significa que esses ensinos eu goste. Espero chegar a conhecer a senhorita Irwin. Leva uma vida excitante, com poucas restrições que sofremos nós jovens damas solteiras. Marcus retornou ao camarote bem a tempo de ouvir a afirmação de sua irmã, e franziu a testa ligeiramente, enquanto oferecia a sua tia e logo a Arabella taças de vinho. Ainda contrariada pela atitude da anciã, Arabella evitou olhar para Marcus enquanto aceitava a taça. -OH, estou de acordo com você, lady Eleanor! -disse. -Também eu invejo à senhorita Irwin e sua liberdade. É dona de si mesma, e de sua vida. Não precisa angustiar-se por ter um tutor que controle todas suas ações. Lançando um irônico olhar para Marcus, Arabella esperou que ele respondesse a seu sarcasmo, mas lady Beldon, evidentemente, não tinha acabado com sua repreensão. Falou de novo quando os dois amigos de Marcus voltavam a ocupar seus assentos atrás delas. -É impróprio de uma futura condessa confraternizar com mulheres frívolas, senhorita Loring. Se você propõe ter algum futuro com meu sobrinho, terá que romper a relação com sua amiga, por muito íntimas que fossem. Embora Arabella já estivesse bastante furiosa, conseguiu esboçar um falso sorriso. -Desculpe-me, milady, mas não tenho nenhuma intenção de romper minha amizade com a senhorita Irwin. Em lugar disso, suspenderei toda relação com seu sobrinho. Depois da próxima semana, já não seguirá sendo meu tutor e, certamente, não penso me converter em sua condessa. Pela extremidade do olho viu como Marcus arqueava as sobrancelhas. Os restantes ocupantes do camarote permaneciam em silêncio. Arabella olhou por cima de seu ombro e dirigiu ao duque de Ardem um brilhante sorriso. -Suponho que isso lhe alivie, Não, sua graça? Imagino que não desejava que me casasse com lorde Danvers. O duque respondeu arqueando apenas uma sobrancelha. -Na realidade não desejava respondeu friamente. O marquês de Claybourne, por sua parte, parecia divertido. -Não estou seguro do que pensar a respeito de que Marcus se prenda a você, senhorita Loring - disse. -Acredito que deveria me reservar a opinião até que chegue a conhecê-la


melhor. -Arabella. -interveio Marcus com brutalidade-, discutiremos o assunto em particular. Ela levantou o queixo diante de seu tom autoritário, embora pudesse advertir seu desconforto. Tinha os braços cruzados sobre o peito, e a olhava de modo penetrante. -Certamente, milorde. -respondeu com fingida doçura. Entretanto, inclinando-se para ele reduziu sua voz até convertê-la em um murmúrio. –Não sei o que contaste a sua tia sobre nós, ou por que ela acha que estou querendo de me casar com você... Sua seca resposta a interrompeu com tom de recriminação. -Disse-lhe que tinha te proposto matrimônio; não desejava que ouvisse rumores por outra parte. Em nenhum momento lhe disse que você tivesse aceitado. -Então deve contar a ela imediatamente – disse antes de voltar a dirigir sua atenção a diante, ignorando como lady Eleanor os estava olhando, consciente da repentina tensão do ambiente. Para alívio de Arabella, a obra se reatou no mesmo momento. Permaneceu sentada durante os últimos três atos, decidida a ignorar a dor de seu coração enquanto ansiava que a noite conclui-se de uma vez. A única coisa que desejava era retornar para casa e tornar-se a chorar. Mas de repente recordou sua mãe soluçando desconsolada sobre seu travesseiro, depois de outra das infames indiscrições de seu pai. A dolorosa lembrança renovou sua decisão. Não se casaria com Marcus quando concluísse sua aposta. E certamente não lhe ofereceria seu coração para vê-lo pisoteado. No momento em que concluía a obra, sua cabeça pulsava tão dolorosamente como o coração. A desdenhosa lady Beldon se despediu com a mínima cortesia antes de se retirar do camarote. Mas Eleanor em troca dedicou a Arabella um carinhoso sorriso e expressou o desejo de que voltassem a ver-se logo. Os amigos de Marcus diferiram também em sua despedida, quão mesmo na saudação inicial: o duque tratou Arabella com formal reserva e o marquês com bondosa simpatia. Quando meia hora depois Marcus a ajudou a subir à carruagem, ela se recostou contra os almofadões e fechou os olhos, desejando não ter que falar com ele durante o resto da noite. Winifred, ao que parece, captou a tensão que havia entre ambos e, assim como em condições normais tivesse dado cabeçadas durante a viagem de volta, nessa ocasião manteve um animado bate-papo durante todo o caminho; uma evidente intenção de apaziguar o ambiente. Quando por fim a carruagem se deteve diante sua casa, lady Freemantle vacilou em descer. -Estará bem, querida? -perguntou. -Certamente, há um curto caminho até minha casa. -respondeu ela, embora relutasse a ficar a sós com Marcus, consciente de que ele a submeteria a um duro interrogatório sobre o enfrentamento com sua tia. Efetivamente, assim que um criado fechou a porta e a carruagem voltou a seguir em marcha, disse-lhe: -Espero que esteja disposta a explicar essa pequena discussão que tiveste. Ela elevou o queixo com obstinação. -Sim foi uma discussão. E tinha suficientes motivos para me incomodar pelo menosprezo de sua tia a respeito de minha amiga Fanny. Marcus lhe dirigiu um apreciativo olhar. -Sabe que ela estava com razão. Seria melhor que você e suas irmãs não seguissem tendo amizade com Fanny Irwin. Arabella se irritou ao ouvir isso. -Talvez sim, mas te direi o mesmo que disse a lady Beldon: não tenho nenhuma intenção de romper minha relação. E você não pode me proibir de vê-la. -Não tentaria. -respondeu ele secamente. Entretanto, ela estava com raiva. -A atitude de sua tia me indigna. Parece-me o cúmulo da hipocrisia que mulheres solteiras sejam incriminadas por seus pecados, quando as casadas, como sua antiga amante, pode ter infinitas agitações, e inclusive cometer adultério, e seguem sendo recebidas na sociedade. Ele a olhou por longo momento antes de dizer: -Suponho que viu Julia. Arabella forçou um tenso sorriso. -Você se refere a lady Eberly, então sim. A expressão de Marcus foi mais de cumplicidade que defensiva. -Não precisa que se


preocupe com ela. Rompi nossa relação faz três meses. -Ah! Realmente faz tanto tempo? -comentou sarcástica. Ele ficou tenso. -Não sou um santo, Arabella. Nunca pretendi ser. Sou um homem com um saudável apetite sexual. Dirigiu-lhe um olhar glacial. -Nunca supus que fosse um santo, mas acreditava que não pareço com meu pai. -E não pareço. -Então, por que te vê com mulheres casadas sem nenhuma consideração aos sagrados votos do matrimônio como têm feito? Marcus permaneceu longo momento em silêncio. -Minha relação com ela foi um engano. -disse por fim. -Isso o que diz agora, quando trata de me convencer para que aceite sua proposta de matrimônio. O homem apertou os lábios. -Proponho me manter fiel aos votos que nós façamos, Arabella. Uma vez que estejamos casados, não terei nenhuma amante. -Isso para mim não faz nenhuma diferença. -mentiu ela, e voltou à vista para a janela, tratando de ignorar a ardência que sentia nos olhos. Não podia confiar em si mesmo quanto a acreditar ou não nas promessas de Marcus. Ele a desejava fisicamente, ela sabia muito bem. Mas o desejo carnal antes do matrimônio não tinha nada a ver com uma fidelidade depois. Sua aposta era só um jogo. Logo que ganhasse, assim que a perseguição tivesse concluído e a tivesse convertido em sua esposa, seus interesses podiam desviar-se perfeitamente para outro centro de atenção. E então ela se veria apanhada em um frio matrimônio sem amor, como tinha sido o de seus pais. -Não tem por que ter ciúmes de lady Eberly. -afirmou Marcus ao ver que seguia silenciosa. As tumultuosas sensações de Arabella alcançaram o ponto de fervura. -Ciúmes! Não tenho ciúmes absolutamente. Suas aventuras e infidelidades não me importam nada sendo que não tenho a mínima intenção de me casar com você. -Arabella... -disse ele procurando refrear sua impaciência. -me escute com atenção porque direi isso só uma vez: não terei nenhuma amante depois de nosso matrimônio. A expressão da jovem seguiu sendo obstinada. -Bem, Pois eu sim teria! Se me casasse com você, Marcus, certamente que teria uma amante, talvez mais de uma. Não acha que me conformaria permanecendo em casa, como uma esposa fiel, enquanto você procura aventuras sexuais por toda a Inglaterra. Viu-o ficar rígido. Ao que parecer, sua descarada declaração o tinha irritado tanto como ela estava. -Não terá mais amante que eu. -disse, apertando os dentes. Arabella levantou o queixo furiosa. -Se eu não o desejasse você não poderia impedir! -Estou seguro de que não deseja comprovar essa teoria, querida. Poderia impedi-la, e o faria. Raivosa, apertou assim mesmo os dentes e desviou a vista dele. Já não havia alternativa, disse a si mesmo. Seguiria adiante com sua aposta, como tinha prometido, para ganhar sua liberdade e a de suas irmãs. E uma vez que tivesse concluído, Nem sequer voltaria a falar! Marcus também caiu em um tenso silêncio. Tinha que fazer um grande esforço para controlar-se, mas se obrigou a aguardar até que ambos estivessem mais tranqüilos para seguir debatendo a explosiva questão dos amantes. No instante em que a carruagem se deteve diante da entrada, Arabella abriu a porta e saltou ao chão, antes que o criado pudesse descer a escada. Marcus a observou subir correndo os degraus da casa. Seguiu-a e chegou a tempo de ouvila saudar o mordomo, Simpkin, que a aguardava a volta de sua senhora na entrada principal. Quando o homem se ofereceu para avisar a sua criada, Arabella negou com a cabeça. -Não, não quero interromper o descanso de Nan. -disse tensa, lançando um colérico olhar para Marcus por cima do ombro-. Posso me arrumar sozinha. Faz anos que venho fazendo. Sem mais palavras, subiu apressadamente a escada e desapareceu pelo corredor. Logo depois, Marcus ouviu a porta de seu quarto, bater com suficiente força para sobressaltar ao mordomo, e apareceu com uma expressão de alarme.


CAPITULO 11 Como pode uma mulher manter a salvo seu coração? Assim mesmo furioso, Marcus foi diretamente para biblioteca, onde se serviu um generoso brandy com o fim de tranqüilizar-se. Podia compreender a consternação de Arabella ao inteirar-se de sua relação passada com lady Eberly. Depois de sua amarga experiência com seu libertino pai e sua adúltera mãe, para ela, a fidelidade no matrimônio era uma questão fundamental. Mas era verdade que ele se propunha lhe ser fiel uma vez que estivessem casados, e o fato de que duvidasse de sua palavra lhe doía profundamente. Entretanto, o que lhe tinha feito ficar nervoso era sua intenção de ter amantes depois de seu matrimônio. Pensar em Arabella com outro homem o deixava furioso. Tomou um longo gole de brandy e se esforçou por acalmar sua ira. Ela não era da classe de mulher que romperia seus votos matrimoniais, e, por outra parte, Marcus era muito possessivo para permitir. Manteria ela tão ocupada em sua própria cama que nunca pensaria sequer em desejar outro amante. Embora, de momento, a realidade era que sua campanha para ganhar tinha sofrido um grave contratempo. Sabia que teria que redobrar esforços. Compreendia bem os sentimentos da jovem. Seus sentimentos sobre matrimônios a conveniência e se apoiava no medo. Temia voltar a ver-se ferida, ver-se traída por um pretendente volúvel, voltar-se muito vulnerável à dor e a desgraça que os casais casados podiam causar-se mutuamente. Marcus teria que lhe demonstrar que uma união entre eles seria muito, muito diferente a suas perspectivas. Desejava Arabella, tinha-a desejado no mesmo momento em que a viu, e a teria. Seria sua condessa, sua esposa, sua amante. Prometendo não desalentar-se, tomou o resto de seu brandy e subiu para seu quarto. A casa estava silenciosa, fazia muito tempo que os serventes se deitaram, mas tinham deixado um candelabro de parede aceso para sua comodidade, assim como um abajur em seu quarto. Despojou-se de seu traje de noite deixando-o em uma cadeira, em seu vestiário, para que sua governanta cuidasse dele pela manhã. Sem incomodar-se sequer em colocar o roupão, sendo que a noite de primavera não era fria, Marcus retornou a seu quarto e se encaminhou para a cama, mas antes de chegar, deteve-se bruscamente. A cama estava aberta, tal como tinha esperado, mas em cima havia uma enorme quantidade de roupa, compreendido o traje de seda rosa que Arabella tinha usado no teatro naquela noite. Quando captou o brilho das esmeraldas e os brilhos das pérolas entre as sedas e, franziu a testa. Havia-lhe devolvido os vestidos e as jóias que tinha comprado para ela! Sobre as roupas se via uma folha de papel dobrada. Marcus a abriu e leu a seca mensagem que continha: Milord Danvers, pode lhe dar tudo isto a sua querida, eu já não necessito mais. Sua pupila, senhorita Loring. Marcus apertou os lábios, colocou seu roupão, recolheu os vestidos e jóias e saiu com passo irado para o corredor, em direção, onde estava o quarto de Arabella. Até aquele momento tinha sido em extremo paciente. Tinha decidido cortejá-la com ternura e paixão com o fim de conseguir que se rendesse. Mas sendo que era evidente que sua estratégia não conduzia a nenhuma parte, impunha tomar medidas mais drásticas. Quando a porta de seu quarto se abriu com brutalidade, Arabella estava sentada diante de sua penteadeira, dedicada a um desinteressado intento de escovar o cabelo. Sentia-se profundamente triste. Desde criança, tinha odiado presenciar as brigas de seus pais, mas ainda odiava mais brigar com Marcus. Mordeu o tremulo lábio inferior. Sua confusão era só uma prova mais que se permitiu implicar-se com Marcus. Tinha-lhe mentido ao dizer que não estava sentindo ciúmes de sua formosa amante. Na realidade o ciúme a consumia, o que demonstrava que estava perdendo a cabeça. Não podia permitir que aquilo continuasse... A surpreendente entrada de Marcus a fez se levantar repentinamente de sua penteadeira e dar a volta para enfrentar ele.


Quando o viu diante dela, com ar sombrio e irado, sustentando seus formosos vestidos, engoliu a saliva. Sabia que não se sentiria contente enquanto não lhe devolvesse seu novo guarda-roupa, como uma simbólica ruptura de suas relações como tutor e pupila, mas não esperava que entrasse em seu quarto quando estava se preparando para deitar-se. Enquanto o olhava com cautela, ele a olhou de cima abaixo, contemplando sua camisola de manga larga, seus cabelos soltos, seus pés descalços. A branca camisola a cobria por completo, mesmo assim se sentiu indefesa, por isso se refugiou apressadamente atrás da cadeira da penteadeira, utilizando-a como amparo. -O que te propõe ao invadir meu quarto deste modo, Marcus? -Deixaste suas coisas fora do seu lugar, querida. -Não, não é assim. Quero devolver tudo a você. -Bem, não aceitarei. Estes objetos e jóias lhe pertencem, e vais ficar isso. Fixou nela seus olhos brilhantes e azuis, tão formosos, enquanto avançava a grande montanha de roupa e jogava em sua cama. Com as mãos nos quadris, Arabella lhe sustentou desafiante o olhar, uma expressão que se tornou em alarme quando o viu avançar para ela. -Saia do meu quarto, Marcus! -Proponho-me fazer. E você vem comigo. Ela tratou de esquivá-lo para o outro lado da cama, mas ele a alcançou com três decididos passos. Então se inclinou, e lhe passando um braço sob os joelhos e o outro pelas costas, agarrou-a em seus braços ignorando seu escandalizado ofego de indignação. Fazendo caso omisso dos enérgicos protestos dela, que sussurrava que a deixasse no chão, transportou-a pelo escuro corredor, além da escada principal. -Aonde me leva? -perguntou a jovem ao compreender que se dirigiam ao lado oposto, o que tradicionalmente pertencia aos condes de Danvers. -Para o meu quarto. Estou-te cortejando, tal como tínhamos combinado. -Eu nunca aceitei isto! -Economize suas palavras, amor. Pretendo te mostrar como será nosso leito conjugal. Com o coração pulsando grosseiramente com sua declaração, Arabella redobrou esforços para liberar-se, mas não pôde conseguir que Marcus a soltasse. Logo depois, entrava em seu quarto com ela, fechou a porta com o pé descalço e avançou a grandes passos até a enorme cama, onde a deixou cair sem olhares. Balbuciando sua indignação, Arabella se incorporou imediatamente, tratando de esbofeteálo. Entretanto, antes que sua mão pudesse golpeá-lo, ele a agarrou e a arrastou com energia para si. O brusco contato a surpreendeu, pondo seu corpo em tensão. A moça exalou um repentino suspiro enquanto fixava seu olhar no de Marcus. Seus olhos azuis brilhavam, obscurecidos pela ira enquanto a segurava estreitamente contra seu corpo, com os seios contra seu amplo peito e as coxas apertadas contra os seus musculosos. Quando ele voltou a falar, sua voz se reduziu a um rouco murmúrio. -Vou demonstrar a você que não desejará mais amante que a mim, Arabella. Ela tratou de liberar-se, mas Marcus não permitiu. -Não te desejo como amante. -declarou ela com voz tremula. -Sim me deseja. -De toda a exímia arrogância... Então a boca do homem desceu sobre a dela, apanhando-a, cobrindo-a, introduzindo sua língua profundamente para enfrentar-se com a sua. Entretanto, seu selvagem beijo durou só um momento antes que o interrompesse. -Você me deseja, Arabella. Não pode negar. Ela reconheceu para si mesmo enquanto Marcus a atraía ainda mais para perto. Desejava-o com desespero. Ficava sem fôlego à medida que o mais violento desejo invadia seu corpo... Ardor, desejo e necessidade. Sabia que Marcus sentia o mesmo, porque tinha ficado completamente imóvel. De repente, o tempo pareceu deter-se e o próprio ar vibrou com uma abrasadora tensão que não tinha nada a ver com suas vontades. Os olhos dele pareciam em chamas enquanto fixavam-se nos dela. Com o olhar apanhado no seu, Arabella ficou quieta. Marcus suavizou sua expressão e lhe acariciou o lábio inferior com o polegar.


-Proponho-me te satisfazer, Arabella. Te dar prazer. Que desfrute como nunca teria imaginado. A paixão pulsava entre eles; ela notava seu pulso pulsando em seus ouvidos. Então, abandonando qualquer simulação de resistência, elevou seu rosto para ele. -Deixa de falar e me beije -disse roucamente. Aquilo era tudo o que necessitava. Marcus se inclinou e voltou a apanhar sua boca devorando-lhe com selvagem prazer. Arabella lhe respondeu com igual ardor. Beijaram-se com loucura enquanto dias de reprimida frustração estouravam entre eles. Em algum canto de sua mente, sentiu como ele a estendia de costas na cama alta. Sem interromper seu beijo, Marcus se apressou a colocar-se em cima, mas no último momento se virou, levando-a consigo, de modo que foi ela quem ficou estendida sobre ele, com os cabelos formando uma cortina em torno deles. Suas bocas permaneceram unidas, ele a beijava com prazer. Arabella lhe devolvia o beijo com toda suas forças. Parecia que nunca fosse bastar; não podia negar o desejo e o apetite que se atropelavam em suas veias, percorrendo todos os nervos e tendões de seu corpo. Sentia-se frenética, com uma exigente necessidade crescendo em seu interior, um desejo que não se satisfaria só com sua boca. Arabella desejava mais dele, muito mais. Choramingando, apertou-se desesperada contra seu forte e musculoso corpo, que estava debaixo dela, consciente de repente de que o roupão de Marcus se abriu e tinha deixado descoberto sua ardente e nua carne, grossa ereção que se elevava pressionando seu abdômen. De maneira instintiva, esmagou os quadris contra ele tratando de aproximar-se mais. Com um gemido afogado, Marcus interrompeu o beijo e afundou as mãos em seus cabelos ao mesmo tempo que a olhava. -Se não deseja, diga-me agora. Arabella sabia o que lhe estava perguntando. Com a garganta seca, a respiração áspera e o coração acelerado, concordou lentamente. -Desejo... Desejo você. Com olhos brilhantes, Marcus rodou sobre ela, imobilizando-a sob seu peso. Logo se incorporou, agarrou o delicado decote de sua camisola e rasgou a fina cambraia até a cintura, descobrindo seus seios. Antes que um surpreso murmúrio pudesse brotar em sua garganta, afundou a cabeça entre aqueles seios e tomou um tenso mamilo com a boca, chupando-lhe com força. Arabella esteve a ponto de cair da cama diante daquela deliciosa sensação. Apertando os firmes montículos com as mãos, esbanjou seus palpitantes mamilos até que Arabella começou a gemer roucamente. -Marcus... Por favor... Então, ele introduziu uma mão entre seus corpos, arrastando para cima sua amarrotada camisola e deslizando entre suas coxas para acariciar sua palpitante fenda. -Ainda não. Ainda não está preparada para mim. -Estou... Este fogo... Estava ardendo de desejo, sentia seu núcleo de prazer dolorido por um devorador apetite. Marcus se incorporou e acabou de rasgar do todo o resto de sua camisola, logo se desprendeu da bata e a atirou sobre o tapete, despindo seu magnífico e poderoso corpo. Continuando, ajoelhou-se entre suas coxas abertas, sujeitou-a pelos quadris e se inclinou sobre ela. Quando sua mágica boca encontrou seu centro feminino, sua resposta foi metade grito, metade soluço... um impotente, implorante som que se foi fazendo mais penetrante enquanto ele a encantava acariciando-a com os lábios e inundando sua língua nela profundamente. Arabella se aferrou a seus cabelos enquanto seu fogo se convertia em um terrível inferno e logo finalmente estalava. Quando por fim recuperou os sentidos, Marcus estava ajoelhado entre suas pernas, observando-a com um olhar tenro e o rosto tenso e ruborizado por seus esforços por controlar-se. -Por favor, não te detenha... -conseguiu dizer Arabella com um rouco ofego. Ele ficou absolutamente imóvel. Durante comprido momento, ficaram olhando o um ao outro, o tempo detido de tal maneira que Arabella pôde ouvir os batimentos do coração de Marcus, sentir o turbulento palpitar do seu próprio. Sabia por que ele vacilava. Era seu primeiro amante, seu único amante. O seguinte passo seria irrevogável.


-Marcus.-sussurrou de novo, lhe rogando. O sorriso dele foi solene e encantador, sua voz firme e rouca quando replicou: -Não me deterei. Inclinou-se de novo, cobrindo-a com seu corpo e acomodando suas coxas sobre os de Arabella. A ternura de seus olhos se intensificou quando voltou a beijá-la. Sua boca, que tinha se mostrado faminta, suavizou-se com a tentadora sedução. Ela podia sentir seu duro membro medindo a entrada de seu interior. E quando a penetrou apenas alguns milímetros, ficou tensa, mas Marcus lhe roçou a testa com os lábios. -Trata de te relaxar, Belle. Serei o mais cuidadoso possível. Com deliciosa delicadeza pressionou um pouco mais deslizando lentamente sua grossa ereção, dilatando pouco a pouco sua carne, enchendo-a. Sentiu uma pontada de dor, mas passou com rapidez. Logo, Arabella notava uma plenitude palpitante enquanto ele a penetrava tudo. Marcus se manteve então imóvel por completo, para que ela pudesse ir acostumando-se a sua estranha dureza, lhe dando pequenos beijos na testa, nas bochechas e no lábio. Logo depois, começou a mover-se de novo, retirando-se e empurrando logo com delicadeza. Enquanto lhe estimulava os seios com as mãos, amassando-lhe brandamente e acariciando os sensíveis bicos com os polegares. Arabella tremeu, e a seguir sufocou um grito ao sentir que outro núcleo de fogo se acendia entre suas pernas. Não tinha esperado excitar-se de maneira tão intensa logo depois do último devastador assalto a seus sentidos, mas para sua surpresa, o inferno voltou a prender em seu interior. De repente estava acesa. A pele nua de Marcus a queimava, seu corpo a incendiava. Respirava com breves ofegos enquanto seus quadris começavam a mover-se como por vontade própria, procurando um ritmo tão antigo como o tempo. Com a respiração tão ofegante como a sua, Marcus se apoiou nos antebraços e levantou a cabeça para contemplar seu rosto encantador. Desejava ver o clímax de Arabella enquanto a possuía, desejava ver sua pele ruborizada pela paixão enquanto consumavam sua união pela primeira vez. E; entretanto, notava como perdia o controle, podia sentir sua necessidade e seu desejo crescendo de maneira entristecedora. Esforçou-se por seguir movendo-se devagar enquanto Arabella gemia e se retorcia debaixo dele, mas quando ela se arqueou e gritou arrebatada pelo prazer, ele se rendeu a seu próprio desejo com um rouco grito, e o corpo tenso e espasmódico por causa do êxtase abrasador que o embargou. O exaustivo e aceso estouro o deixou ofegante e sem respiração. Continuando, desabou-se sobre Arabella procurando não colocar todo seu peso, e ficou ali enfraquecido enquanto o fogo se apagava lentamente. Transcorreu um longo momento antes que os dois recuperassem um ritmo respiratório mais ou menos acalmo. Logo, devagar, com supremo cuidado, Marcus se separou dela... Estremecendo-se ao vê-la fazer uma careta de dor. -Te machuquei? -murmurou preocupado. Arabella negou com a cabeça e o olhou com aturdido e sonhador sorriso. -Fanny me disse que fazer amor pela primeira vez era desagradável, mas não foi absolutamente. Aliviado, rodou sobre suas costas e agarrou Arabella entre seus braços, atraindo-a contra seu corpo. Ela se deitou contra ele e exalou um comprido suspiro. Depois, voltou a falar. -Sempre é assim? -Como assim? -Como fogo. Como ardente... Magia. Ele sorriu fracamente. -Sempre. Arabella afundou o rosto em seu ombro, como se de repente sentisse envergonhada. -Provavelmente você não sentiu o mesmo... -Está equivocada, amor. Senti, acredite. Ela retrocedeu para olhá-lo com atenção. -Só está tratando de me enrolar. Sua risada foi suave e divertida. -Se tivesse desejado te enrolar, o teria feito antes de fazer o amor, não acha? Sua declaração a tranqüilizou, porque voltou a fechar os olhos e se relaxou, com outro suspiro satisfeito. -Suponho que sim.


Marcus inspirou fundo, encantado e ditoso de ter Arabella cálida e nua entre seus braços. Pensou que «selvagem magia» seria uma descrição mais adequada do que havia sentido, junto com uma sensação de triunfo e um pouco mais profundo: sincera alegria. Arabella era tão apaixonada e comovedora como tinha suposto, quão mesmo os sentimentos que despertava nele. Nunca havia se sentido mais vivo com uma amante, mais satisfeito. Aproximando-lhe afundou o rosto em seus cabelos e aspirou seu fragrante aroma. Pensou fugazmente em suas amantes do passado. -em seus sedutores encantos, nos infinitos modos em que tratavam de agradá-lo-, mas nenhuma delas tinha obtido um apetite tão intenso nele, sem nem sequer tentar. Um perigoso apetite. Compreendia que seu desejo por Arabella lhe tinha feito perder a razão. Aquela noite, por exemplo, tinha tomado sua virgindade sem preocupar-se absolutamente com as conseqüências. Qualquer culpa que sentisse por havê-la desflorado podia racional. Aquilo teria mesmo acontecido quando a tivesse convertido em sua esposa. Só tinha passado antes do que ambos esperavam. Mesmo assim, deveria ter meditado mais; podia havê-la deixado grávida. Marcus suspirou diante da perspectiva de pequenas Arabellas, e inclusive pequenos Marcus. Sempre tinha considerado que o tinha feito- a responsabilidade de gerar filhos de um ponto de vista intelectual. Estava resignado a cumprir com seu dever de dar continuidade a seu título e a sua estirpe. Mas a possibilidade de ser pai dos filhos de Arabella não só tinha imenso atrativo, mas sim despertava nele uma emoção profundamente primária. Esboçou um leve sorriso. Drew e Heath ririam a gargalhadas se o vissem considerar a idéia de ter uma família, mas para isso, primeiro teria que convencer Arabella de que se casasse com ele. Agora era impossível que não o obtivesse. Jamais a deixaria partir. A idéia de posse nunca preocupou ele com tanta intensidade. «Agora é minha», pensou acariciando seu ombro nu. Arabella se removeu em seus braços com seu gesto, e logo levantou a cabeça para olhar a seu redor, como se de repente recordasse onde estava. Mas quando se separou dele para levantar-se, Marcus a agarrou pelo braço antes que pudesse abandonar a cama. -Aonde acha que vai? -Retorno para meu quarto. Não deveria estar aqui. Ele a obrigou a deitar-se a seu lado de novo. -Passará a noite comigo. Logo começaremos a explorar as delícias de fazer amor. -Mas os serventes podem nos descobrir... -Os serventes têm seu próprio lugar em outro andar. Sempre estão de volta em seus quartos antes do amanhecer, ninguém te verá. Então se levantou e se aproximou do lava-mão, onde agarrou um pano úmido. Quando retornou e começou a limpar os restos de sua semente das coxas dela, um encantador rubor alagou as bochechas da jovem. Ele a deteve e impediu que se cobrisse com o lençol. -Não te esconda de mim. Tem um corpo formoso, e não há nada vergonhoso em que eu o veja. Arabella mordeu o lábio inferior, mas não disse nada. -Menos mal que rasguei sua camisola... -observou Marcus vendo a mancha de sangue na rasgada cambraia. -Prefiro que não haja provas de que me entregaste sua inocência. Pode jogar o objeto no lixo ou, melhor ainda, queimá-la. Darei a você uma camisola para que vista quando for para seu quarto. -deixamos toda a cama desfeita. -disse ela aflita enquanto ele concluía sua tarefa e devolvia o pano à bacia do lava- mão. Mas quando Marcus voltou, ela ficou sem respiração, com o olhar fixo em seu sexo. Voltava a estar excitado... Claramente preparado para voltar a fazer amor. -Ainda está... -Seu rosto se acendeu ainda mais. -Acreditava que um homem custasse horas para recuperar-se. Ele sorriu enquanto voltava a meter-se na cama e a agarrava entre seus braços. -Não com a amante adequada. Não quando um homem deseja tanto uma mulher como eu desejo você. -Então, propõe-te voltar a fazer amor? -perguntou ocultando a cabeça no oco de seu ombro.


-Veremos. Só com o que temos feito amanhã se sentirá bastante dolorida. -valeu à pena. Sua suave risada lhe acariciou os cabelos. -Então eu tinha razão. -A respeito do que? -Fisicamente somos assombrosamente compatíveis. Entenderíamo-nos à perfeição no leito conjugal. Arabella sentiu que suas defesas voltavam. -Talvez, mas isso não significa que nos conviéssemos em outros aspectos do matrimônio. Há um momento atrás, estávamos brigando tal como faziam meus pais. Isso não se parece em nada com modelo de um matrimônio ideal. -Não, mas suspeito que um matrimônio ideal nos conduziria ao aborrecimento. Brigar pode ser estimulante. -comentou pensativo-. Reconhece, foi divertido medir força comigo. -Encontro completamente lastimoso - respondeu ela com sinceridade. -Mas logo é estimulante fazer as pazes. -disse ele em tom risonho. Incapaz de negar, Arabella sentiu uma estranha agitação de consternação e alegria difundindo-se por seu interior. A paixão de Marcus era tão emocionante e maravilhosa como ela tinha temido. Fechou os olhos saboreando sua ternura, a intimidade, a sorte de estar ali, com ele daquele modo. Ao ver que ela não respondia, rodou ficando de lado para poder olhá-la. -Por que não declaramos uma trégua no momento? Basta de lutas esta noite. Só felicidade. Arabella vacilou. Não desejava lutar com Marcus, e tampouco lamentava haver entregado sua inocência. Mas desejava consentir compartilhar sua cama toda a noite? O problema era seu estúpido coração. Podia confiar em não implicar-se emocionalmente se rendia a seus requerimentos sexuais? Com seu persistente silêncio, ele se inclinou para depositar um ligeiro beijo em seus lábios. -É uma trégua, amor. Durante o resto da noite esqueceremos tudo sobre nossa aposta e só desfrutaremos. Arabella mordeu o lábio dizendo que não deveria preocupar-se. Era evidente não podia resistir a seus cuidados, ainda mas agora que estava prevenida, podia vigiar seu coração com maior cuidado. Só tinha que imaginar Marcus como seu formoso ex-amante para afirmar sua resolução. Não podia ser tão tola para apaixonar-se por ele se seguia recordando a si mesmo o perigo. -Muito bem, uma trégua. -murmurou, e deslizou os braços ao redor do pescoço de Marcus-. Assim, o que faremos durante o resto da noite? Um sorriso lento e muito masculino curvou a boca dele. -Sugiro que trabalhemos em sua educação. É evidente que sua amiga Fanny não te explicou tudo o que terá que conhecer sobre a paixão. Por exemplo, o que sabe de meu corpo. Agarrou sua mão e a guiou para baixo, deixando que tocasse seu firme e liso abdômen, o comprido e grosso membro em sua virilidade, e os duros e cheios sacos abaixo. Quando Arabella, vacilante, começou a explorar seus atributos masculinos por si só, descobriu que sua pele era quente e lustrosa e... OH, muito excitante! Curvou os dedos sobre seu membro apertando ligeiramente. Notou-o ardente e vibrante contra sua mão, enormemente duro e palpitando com seu contato. Quando Marcus fechou os olhos com evidente prazer, sua resposta a fez sentir-se poderosa, trêmula e feminina ao mesmo tempo. Embriagada por essa sensação inclinou-se para beijá-lo. Ao sentir um abrasador estremecimento de prazer, pensou que sua amiga Fanny não lhe tinha explicado tudo que desejava averiguar com Marcus a respeito da paixão. CAPITULO 12 Está segura de que não deseja considerar a oferta do conde? Há coisas piores que um matrimônio de conveniência com um rico e formoso nobre. Não foi estranha que, na manhã seguinte, Arabella levantasse tarde e fatigada pela falta de sono, mas repleta de um quente deleite com o ato amoroso com Marcus. Como ele havia predito, sentia-se um pouco dolorida, mas não podia lamentar ter estado toda a noite com ele, experimentando os incríveis prazeres que lhe tinha prometido. Tinha-lhe mostrado um gozo tão profundo, tão ditoso, que parecia que seus sentidos nunca


poderiam recuperar-se. Quando por fim acabou de banhar e se vestir e desceu esperando encontrar-se com ele, Simpkin lhe disse que sua senhoria acabava de partir. Tentando ignorar a aguda ponta de decepção que sentiu, leu a carta que Marcus tinha deixado em que dizia que tinha surgido um repentino assunto em Londres, mas que retornaria pela tarde, para o jantar. Arabella se deu conta de que na realidade se alegrava de não ter que enfrentar ele. Depois da licenciosa paixão que tinham compartilhado durante toda a noite, necessitava de um tempo para recuperar uma aparência de compostura. Passou toda manhã aturdida, com a vista imprecisa, até que Simpkin lhe anunciou a visita de lady Eleanor Pierce. Perguntando o que queria, recebeu à irmã de Marcus no salão matutino e se sentiu adulada pelo calor de sua saudação. -Estou encantada de voltar a vê-la, senhorita Loring - disse lady Eleanor com o que parecia autêntica sinceridade. Arabella sorriu para a jovem, que estava embelezada com um traje de viagem azul, ao ver que ressaltava graciosamente seus negros cachos e sua pele rosada. -Lamento que tenha percorrido toda esta distancia para nada, lady Eleanor. Seu irmão foi a Londres. -Ah, mas é você quem queria ver! Eu gostaria muitíssimo de conhecê-la melhor, admiro-a extraordinariamente... É uma dama bastante corajosa para dirigir sua própria academia. Aceitou a cadeira que Arabella lhe oferecia e dirigiu um significativo olhar. -Além disso, uma mulher capaz de resistir a meu irmão é alguém a quem desejo conhecer. antes que Arabella pudesse pensar numa resposta, a garota acrescentou-: E também desejo me desculpar pela interferência de minha tia em seus assuntos. Duvidando sobre se mostrar cautelosa ou divertida, Arabella ocupou uma poltrona em frente a sua visitante. -Suponho que eu não devesse ter manifestado minha opinião de maneira tão veemente. -Provocaram-na isso. Quero que perdoe minha tia Beatriz. Não teve má intenção, e foi como uma mãe para mim, me ensinando as normas de uma conduta adequada. Mas não tinha nenhum direito de repreendê-la por não repudiar a sua amiga. Sua resposta esteve plenamente justificada. Arabella sorriu arrependida. -Talvez... Mas em geral, nunca me ocorreria montar uma cena em público. Foi muito mal de minha parte danificar sua noite e a de seus amigos. -Em meu caso não foi assim. Deixou-me muito intrigada. -pôs-se a rir com uma risada encantadora. -Confesso que eu gostaria de saber mais coisa sobre Fanny Irwin. Dizem que é incomparável entre as cortesãs. -Seu irmão não gostaria que contasse histórias de uma famosa prostituta - assinalou Arabella. A risada rouca de Eleanor era muito atrativa. -Certo. Mas ao menos meu irmão não me dá ordens, nem trata de me manter asfixiada entre algodões, como minha tia. Para falar a verdade, é o melhor dos tutores. -É? -perguntou Arabella, curiosa. -Sim, mas gosta de sair com a sua, por isso posso compreender que haja feições entre vocês, como ocorreu na noite passada. -Seu sorriso se tornou travesso-. Embora às vezes seja bom frustrá-lo. Os homens terão que sentir obrigados de vez em quando. Não é conveniente lhes deixar pensar que levam vantagem em todo momento, está de acordo comigo? Ambas se puseram a rir e Arabella se sentiu relaxada. Gostava muitíssimo daquela garota. Entretanto, o seguinte comentário de Eleanor a deixou atônita. -Confesso que ficamos todos assombrados ao saber que Marcus lhe tinha proposto matrimônio, pois ele sempre havia sentido uma enorme aversão em casar-se. Mas agora que a conheci, compreendo por que atuou de maneira tão insólita. Arabella fez uma careta. -Lady Eleanor... -começou, decidida a pôr ponto final a qualquer mal-entendido a respeito de seu futuro com Marcus, mas a jovem a interrompeu. -Por favor, não sejamos tão formais. Chame-me de Eleanor. Ainda tenho que me acostumar ao tratamento, pois a pedido de Marcus à Coroa de que elevasse minha categoria por ser a


irmã de um conde, foi concedida só recentemente. Posso chamar-te eu também por seu nome? -Certamente. Mas devo te dizer que não tenho intenções de me casar com seu irmão. De animada a expressão de Eleanor se tornou grave. -Desejaria que não fosse assim. Eu gostaria muitíssimo te ter como irmã. Drew e Heath são como irmãos para mim, mas não é o mesmo que ter outras mulheres com quem falar e em quem confiar. E acredito que nós duas poderíamos chegar a ser grandes amigas. Arabella esboçou um involuntário sorriso. -Certamente não espera que aceite sua proposta só para que você tenha uma irmã, verdade? Eleanor sorriu e formaram umas covinhas em suas bochechas. -Bom, suponho que não. Também gostaria que desse o sim para seu próprio bem. Acredito que é a mulher ideal para ele. Marcus necessita de um desafio. Nunca seria feliz com uma esposa tímida, total e insegura. -Agradar-me que o acha assim - respondeu ela sossegada-, mas há outras coisas em conta quando um se expõe casar-se. -Sei. -conveio Eleanor-. Tive certo número de propostas, dois das quais aceitei, mas logo mudei de idéia. E certamente, simpatizo absolutamente com seu desejo de independência. Sinto de maneira parecida; não desejo que minha vida esteja controlada por um marido. Mas Marcus seria um marido muito mais indulgente que a maioria. Ao ver que Arabella permanecia silenciosa, Eleanor se inclinou para ela com toda seriedade. -Me conte suas outras objeções para que possa advogar por Marcus. Arabella negou com a cabeça, incapaz de conter a risada. -Aplaudo seu zelo em seu favor, mas sinceramente, não pode dizer nada que me induza a me casar com seu irmão, de fato, nem com ele nem qualquer outro. Entretanto, não conseguiu dissuadir Eleanor. -Não pode ser que não encontre Marcus interessante. Por isso se refere a engenho e encanto, está quilômetros acima de todos meus atuais pretendentes. -Ao não receber resposta, acrescentou-: Vale, reconheço que nestes momentos meus galãs me aborrecem mortalmente, são tremendamente insípido ou caça fortunas, que sem dúvida são muito mais interessantes, mas muito perigosos para brincar com eles, embora seja só para divertir-se. -Seu irmão não me parece insípido. -reconheceu Arabella. Eleanor dirigiu um olhar perspicaz. -Com a reputação de ser algo assim como um libertino, Marcus não é má pessoa. Pelo menos não é pior que a maioria dos nobres. Talvez tenha ouvido rumores sobre suas anteriores amantes, mas posso te assegurar que não demonstrou autêntico interesse por nenhuma delas. -E eu posso te assegurar que suas amantes não me importam. -Então é inteligente. -Pela primeira vez, a jovem pareceu melancólica. -Eu rompi meu primeiro compromisso ao descobrir que meu prometido tinha uma amante... Embora, após, não deixo de me perguntar se não cometi um espantoso engano. Eu não gostaria que acontecesse com você o mesmo, Arabella, e que abrigasse dúvidas e pesar durante o resto de sua vida. Além de arquear cortesmente uma sobrancelha, ela se absteve de responder, mas Eleanor pareceu não advertir-se. Em lugar disso, virou a cabeça para olhar pela janela do salão, ao que parece, sumida em suas próprias sombrias reflexões. -Marcus foi muito detalhado inclusive quando deixei plantado o meu segundo prometido. É o melhor dos irmãos. Não sei o que teria feito sem ele quando ainda era uma menina. Nossos pais não eram especialmente... Afetuosos. Eu passava os dias esperando suas visitas em casa. De repente, com uma sacudida, voltou a centrar-se em Arabella e esboçou um brilhante sorriso. -Mas basta falar de mim. É Marcus e você quem me preocupa. Acredito que ele deva estar apaixonado por você, sendo que de outro modo nunca teria ocorrido expor-se em contrair matrimônio assim, tão de repente. -Quer tomar chá, Eleanor? -perguntou Arabella de maneira intencional, decidida a mudar o tema. A jovem, captando a indireta, pôs-se a rir.


-Sim, eu gostaria, estou sedenta. E te prometo não seguir falando em te casar com meu irmão. Aguardou enquanto Arabella chamava uma criada e voltava a ocupar seu assento, logo disse em tom ligeiro: -Tanto se decidir se casar com Marcus ou não, confio em que possamos ser amigas. A outra sorriu com autêntico prazer. -Eu gostaria muitíssimo... Embora duvide que lady Beldon concordasse. -Não se preocupe com tia Beatriz - assegurou Eleanor-. Eu me encarregarei dela. Por favor, diga que me visitará em Londres. -Eu adoraria. Poucas vezes tenho oportunidade de ir à cidade, só para acompanhar nossas alunas... Ocasionais saídas para que possam praticar como comportar-se na sociedade. -Então poderia as levar na casa de minha tia, a tomar o chá. -Semelhante convite as entusiasmaria. -respondeu Arabella com sinceridade. -E confio que medite cuidadosamente a proposta de matrimônio de meu irmão... -Ao ver que a outra lhe dirigia um olhar de advertência, Eleanor levantou as mãos. -Vale, por agora não direi nada mais sobre esse assunto. Me fale de sua academia. Será fascinante que desse um passo tão audaz. Durante a seguinte hora, Arabella lhe explicou como funcionava a escola, e respondeu às numerosas perguntas da jovem; logo, aceitou a oferta de Eleanor em colaborar de algum modo. Durante o resto de sua visita, a garota evitou falar de seu irmão, e quando se despediu, recordou a Arabella tão somente sua promessa de visitá-la. Ela se sentiu aliviada por não ter que seguir defendendo sua postura. A noite anterior, sua dor ao ver a formosa amante de Marcus a tinha reafirmado em seu propósito de não voltar a arriscar nunca seu coração. Mas não era um tema que fosse cômodo comentar com uma relativa desconhecida, como era a irmã de Marcus, por muito encantadora e agradável que parecesse. Nem sequer podia comentar com suas próprias irmãs, porque então teria que confessar quão voluntariamente tinha sucumbido à sedução do conde. Pensou que talvez sua rendição tivesse sido inevitável, dadas aos grandes dotes de persuasão que ele possuía. E sem dúvida se alegrava de que a tivesse introduzido na paixão, mas semelhante licencioso comportamento não era o melhor exemplo para suas virginais irmãs. Além disso, teria que justificar-se com elas pelo escândalo que se expos ao compartilhar a cama de seu tutor. Também era difícil explicar o desejo que Marcus despertava. Não só o desejo físico, que por si mesmo era sedutor, a não ser o desejo de descobrir os mistérios femininos. Ao permanecer solteira durante o resto de sua vida, perderia as experiências vitais que a maioria de seu gênero desfrutava: maridos, amantes, filhos. Seus últimos dias com o Marcus eram uma oportunidade de explorar um mundo assombroso que só tinha sido capaz de imaginar. Tess poderia compreender seus sentimentos contraditórios, mas não queria curvar a sua amiga com tão privadas confidências quando esta estava tentando superar seu pesar pela perda de seu prometido na guerra. Não, decidiu, seria muito melhor manter em segredo sua relação com Marcus. Enganar suas irmãs não foi fácil. Quando chegou à academia naquela tarde, Roslyn e Lily captaram seu ar sonhador depois de sua mágica noite com Marcus, e assim que a aula concluiu, conduziram-na a um salão particular para interrogá-la. -O que aconteceu, Arabella? -perguntou Roslyn com evidente preocupação. -estiveste distraída durante toda a aula sobre comportamento, e tem olheiras. -Sim? -perguntou, fingindo indiferença. -Suponho que deve ser por que dormi pouco; ontem retornamos de Londres bastante tarde. -Ao ver que Lily a olhava com a testa franzida, acrescentou alegre-: Estou bem. -Pois não parece. -replicou a jovem sem rodeios. -E ultimamente estiveste em extremo reservada. Disse que foste assistir ao teatro com lorde Danvers, mas não comentou nada a respeito de que conheceria sua irmã e a sua tia, nem a seus amigos nobres. Tivemos que saber por Winifred. O tom de Roslyn foi mais suave. -Winifred também no disse que ontem à noite o conde e você tiveram uma pequena discussão.


-nos conte o que aconteceu? -Perguntou Lily. -Nada importante. «A menos que acabei na cama de Marcus e desfrutei de cada momento.» -Então por que tem as bochechas tão vermelhas? Arabella se esforçou por não levar as mãos no rosto para comprovar; a verdadeira causa de sua distração não era um tema apropriado para os tenros ouvidos de suas irmãs. -Lorde Danvers e eu discutimos sobre nosso futuro. -respondeu evasiva. -Ele ainda acredita que pode me convencer a aceitar sua proposta de matrimônio e eu simplesmente esclareci o assunto. Suas irmãs franziram a testa enquanto a contemplavam com atenção. -Deveríamos preocupar com você, Arabella? -perguntou Roslyn. -Por que? Roslyn a olhou de novo atentamente antes de responder. -Preocupa-nos que haja tornado muito sensível ao conde. Que te esteja afeiçoando muito a ele. -Sim. -interveio Lily-. Tememos que chegue a te apaixonar e que te destroce o coração, como fez aquele canalha do Underwood. Arabella sentiu que suas bochechas avermelhavam ainda mais. -Não têm por que se preocuparem. Não tenho nenhuma intenção de me apaixonar por lorde Danvers. -Está segura Arabella? -perguntou Lily com toda seriedade. Ela lhes sorriu tranqüilizadora. -Não há nenhuma razão para que se preocupem, acreditem. -Mas esse olhar sonhador em seus olhos... É o mesmo olhar da última vez que esteve apaixonada. -É só falta de sono. -replicou. Sua expressão sonhadora não tinha nada a ver com estando apaixonada por Marcus, a não ser mantendo relações sexuais com ele. Cada toque, cada carícia, tinha sido uma experiência nova; cada sensação que lhe tinha feito experimentar estava em sua memória. Mas seu coração estava bastante a salvo agora que se reafirmou em sua decisão de conservá-lo bem protegido. -Acredito que talvez esteja chegando a hora de voltarmos para casa -disse lentamente Roslyn. A resposta instintiva de Arabella foi opor-se. Não desejava que suas irmãs voltassem para a mansão Danvers ainda. Não, enquanto ainda restavam quatro noites mais com Marcus. -Necessita que ajudemos a te defender dele. -acrescentou Lily com convicção. -Tess pode ficar sem nós sendo que quase acabamos de costurar todos os objetos para as viúvas e órfãs. Arabella negou com a cabeça conseguindo esboçar um sorriso. -De verdade que não há nenhuma necessidade que venham para casa. Sou capaz de liberar minhas próprias batalhas. E a aposta quase está terminando. Só faltam quatro dias para que me proclame vencedora. -E o que acontecerá então? -perguntou Roslyn. -Bom, então estaremos livres de lorde Danvers e de sua tutela, e poderemos retomar nossas vidas - respondeu ela alegremente, decidida a fazer caso omisso dos dúbios olhares de suas irmãs. Certamente que era capaz de dirigir sua relação com Marcus por si só, repetia para si mesmo duas horas depois, enquanto se vestia para jantar. Tinha toda a intenção de tratá-lo com frieza racional. O mal foi que, no momento em que o viu, esqueceu por completo sua resolução. Quando Marcus se reuniu com ela no salão, pouco antes que o jantar fosse anunciado, não houve nada frio nem racional na resposta de seu corpo por ele. Seu coração disparou e seu pulso acelerou, ao mesmo tempo que sua pele se ruborizava com a maneira tão íntima, sensual e varonil em que a olhou. Isso combina com o firme e rouco som de sua voz ao desculpar-se por seu atraso, fez vibrar Arabella de prazer deixando-a quase sem forças. Necessitou de toda sua força de vontade para saudá-lo com amabilidade e lhe permitir acompanhá-la a sala de jantar. Quando lhe pôs a mão em seu braço, sentiu-se tremer. Agora eram amantes, e todos seus sentidos assim o apregoavam. Entretanto, o comportamento de Marcus foi muito correto, sem dúvida em consideração


aos serventes. Somente quando tiveram servido a sopa e os criados se retiraram, permitiu que a conversa fosse mais íntima. -Simpkin me disse que minha irmã te visitou esta tarde. O que queria? -Desejava que nos conhecêssemos melhor. -respondeu Arabella. -Confesso que isso me preocupa. Ela o olhou surpreendida. -Por que teria que preocupar-se? -Conhecendo Eleanor, temo que tenha feito algo extravagante como te pedir que apresente a sua amiga cortesã. Arabella sorriu enquanto agarrava sua taça de vinho. -Não exatamente, mas imagino que teria aceitado se tivesse pedido. Em lugar disso, fez-me uma oferta. Me convidado amavelmente que fosse visitá-la em Londres. Marcus lhe dirigiu um penetrante olhar. -Confio que não pretenda introduzir minha irmã nos círculos de Fanny Irwin. -Certamente que não. Compreendo perfeitamente o que é ou não adequado, Marcus. Tão somente me rebelei quando me ordenou que abandonasse minha amizade com ela, sua tia ou quem quer que fosse. Ele franziu a boca. -Espero que não volte a solicitar os conselhos de Fanny sobre relações sexuais. Tudo que desejar saber te ensinarei. Podemos prosseguir com sua aula esta noite, quando vier a meu quarto. Arabella arqueou uma sobrancelha. -Não é muito, esperar que compartilhe sua cama também esta noite? -Não. Ainda tenho que te demonstrar que, uma vez estejamos casados, não desejará nenhum outro homem. Ela não necessitava de demonstrações a respeito. Depois Marcus estava seguro que nunca desejaria ninguém mais. Mas não tinha vontades de prolongar sua fútil discussão. -A questão é irrelevante, porque não nos casaremos. Marcus fixou nela seu penetrante olhar. -Se acha que vou permitir te escapar de nossa cama conjugal está muito equivocada, amor. Arabella lhe sustentou o olhar. -Acreditava que ontem à noite tínhamos declarado uma trégua. -Isso foi ontem à noite. E, trégua ou não, não terá a nenhum outro amante. Havia um inconfundível tom possessivo em seu tom que de maneira inexplicável tranqüilizou Arabella. A possibilidade de que Marcus pudesse estar com ciúmes, em certo modo a agradava. Entretanto, como não estava disposta a admitir, olhou-o com um gélido desafio. Como se compreendesse quão séria se tornou sua discussão, Marcus de repente sorriu... Com um encantado e atrativo sorriso que encheu Arabella de calor da cabeça aos pés. -Tem razão. -disse logo e, agarrando sua mão, a levou aos lábios para beijar-lhe. Supõe que estou interpretando o papel de pretendente romântico. Por favor, me permita que te repita meu pedido: conceder-me-á o grande prazer de compartilhar minha cama esta noite? Arabella dedicou a sua sopa enquanto simulava considerar seu pedido. -Talvez. -Hoje ainda me deve a maior parte das quatro horas de nosso tempo recordou ele enquanto levantava também sua colher. Continuando, reduziu sua voz a um rouco sussurro. Podemos as dedicar a explorar as profundidades de sua sensualidade. Essa simples insinuação provocou nela um estremecimento de prazer. -Muito bem, sendo que lhe devo isso -acessou ignorando seu risonho olhar. Ele sabia perfeitamente que Arabella não era capaz de negar em modo algum a tão irresistível oferta. Mais tarde, depois de retirar-se só a seu quarto, aguardou outros três quartos de hora a que os serviçais se recolhesse para dormi, antes de sair pelos silenciosos corredores até a outra parte da casa. Enquanto fechava a porta a suas costas, viu com surpresa que Marcus se preparou para sua visita. Grandes quantidades de velas projetavam um dourado resplendor pelo quarto, iluminando a enorme cama que estava coberta de pétalas de rosa de cor carmesim. Notou que seu coração derretia diante desse gesto romântico, mas foi ver Marcus o que a deixou sem respiração e lhe secou a boca. Estava surpreendentemente formoso, ajeitado


sobre a cama, embelezado somente com um roupão. Tinha os negros cabelos um pouco revoltos enquanto seu roupão se achava parcialmente aberto, exibindo seu amplo e musculoso peito. Um peito que ela tinha explorado longamente na noite anterior, e acreditava voltar a fazer muito em breve. Ao recordar seu tentador contato, Arabella sentiu como seu coração começava a pulsar desenfreado. De repente, notou que suas pernas fraquejavam, e se apoiou na porta, em busca de apoio. Ao vê-la vacilar, Marcus arqueou uma sobrancelha, olhando com intenção seu vestido de seda. -Ainda está vestida. -Pareceu-me imprudente me arriscar a ser vista perto de seu quarto de camisola. -Certo, mas mesmo assim, está muito vestida para meu gosto. Teremos que remediar isso. Levantou-se com ar despreocupado e se aproximou dela tranqüilamente. Inclinou a cabeça e a beijou nos lábios; um beijo lento, preguiçoso e profundamente possessivo que fez com que a ela acelerasse a respiração. Logo a conduziu junto a cama, onde a fragrância das rosas perfumava o ar. Ao mesmo tempo, despiu-a com tentadora lentidão começando por retirar as presilhas do cabelo uma a uma, lhe deixando solto sobre os ombros. As luzes das velas se refletiram em seus cabelos dourados fazendo brilharem como fogo, e captando o olhar de Marcus. -Tem uma cabeleira magnífica. -murmurou, afundando os dedos nos sedosos cabelos quase com reverência. -Obrigado... -começou a dizer Arabella, antes que interrompesse sua resposta com um gemido de impotência. Marcus tinha deixado de acariciar seu cabelo e suas mãos passaram a rodear seus seios. Através do sutiã, espartilho e da blusa- podia sentir o excitante calor de suas mãos. Seus bicos se endureceram imediatamente... um fato que evidentemente ele notou, como indicava a repentina sombra de seus olhos. Com um meio sorriso, Marcus lhe baixou o sutiã e a roupa interior despindo seus seios, e logo inclinou a cabeça para deleitar-se com eles. Arabella conteve um grito diante da erótica sensação de sua boca sobre seus mamilos e a excitante carícia de sua língua. Agarrou-lhe os ombros com as mãos, diante a debilidade que aquelas deliciosas sensações lhe causava. -E um corpo extremamente apetitoso. -murmurou entre cálidas carícias com sua língua. -Sim? -perguntou Arabella com voz rouca, quase incapaz de respirar. Interrompendo-se, Marcus levantou a cabeça para olhá-la divertido. -O que é isto, carinho? Está procurando elogios? -Não... Não, absolutamente. -O rubor de suas bochechas se fez mais intensa. -É só que não tenho modo de saber o que encontra um homem de... Atrativo em uma mulher. Careço de experiência para julgar. -Não lhe explicou isso sua amiga Fanny? -Só me falou sobre o corpo de um homem... pelo que se podia esperar. Arabella olhou para a parte inferior do corpo de Marcus. Ele tinha deixado de maneira intencional que roupão se abrisse expondo sua nudez. O via muito formoso; um varão muito excitado, intensamente vital, intensamente atrativo. Com um sorriso, Arabella deslizou os dedos pelo poderoso peito até chegar a seu abdômen. -E eu tenho descoberto por mim mesma que tem um corpo esplêndido. -Sinto-me honrado de que acha assim - respondeu ele cortesmente. Entretanto, quando Arabella levou sua mão mais abaixo, entre suas virilhas, ele a agarrou pelo punho. -Ainda não, amor. Se me tocar não respondo por meu controle. Logo a despiu de tudo, lhe tirando os sapatos e as meias e logo o vestido e a roupa interior. Quando esteve nua diante dele, Marcus se despojou de seu roupão e a atraiu com força para si, lhe fazendo sentir a dura e quente pressão de seu corpo nu. Seu candente fôlego lhe queimava a orelha enquanto sussurrava: - Não pode imaginar como esperei esta noite. Sim podia imaginar porque ela tinha sentido o mesmo do momento em que despertou pela manhã. Depositando um rastro de beijos pelo pescoço, colocou Arabella de costas sobre a cama e se deitou logo a seu lado, apoiando-se em um cotovelo, enquanto seguia mordiscando sua


pele. -isto desejo há séculos... fazer amor com você em uma cama de pétalas de rosa. De fato, desde que você deu de presente todos meus ramos. Uma suave risada surgiu da garganta dela enquanto ele posava ali os lábios. Quando Arabella foi responder, Marcus procurou sua boca e lhe dedicou a mesma erótica atenção, cortejando-a com risadas, ternura e incrível sensualidade. Transcorreu algum tempo até que por fim se retirou para observá-la. -Muito apetitosa. -opinou depois de um exame de sua nudez. Sem deixar de olhá-la, agarrou um punhado de pétalas de rosa e espalhou sobre o corpo dela. Logo, pegou mais entre os dedos e os deslizou lentamente por sua pele... sobre as ondulações de seus seios, a curva de seu quadril, seu ventre e, mais abaixo... Acariciando seu montículo feminino e suas sensíveis dobras. Arabella gemeu, arqueando-se avidamente para ele. -É muito sensível a meu contato. -observou Marcus. -Senti deste o primeiro momento. Sentir as pétalas de rosa sobre sua pele era algo incrivelmente sensual. A suavidade acariciou sua carne ao mesmo tempo que o ardente olhar do homem a fazia tremer. -Não pode me atormentar deste modo, Marcus... -Sim posso anjo. Desejo te ter desesperada, me desejando. Arabella já estava assim, queria que ele também estivesse. Ansiava atormentá-lo e lhe fazer sentir o febril apetite que tinha despertado nela. Lutando por recuperar o controle, levantou as mãos, empurrou Marcus pelos ombros e o fez cair de costas sobre as pétalas. Por sua expressão, compreendeu que seu inesperado gesto o tinha surpreendido. -Mudar as regras é jogo limpo. -disse com um leve sorriso. -Assim. -Marcus estava ali docilmente, mas em seus olhos havia um audaz desafio. Pretende te comportar de um modo perverso comigo? -Exatamente. Ela não havia sentido nunca o menor apresso de mostrar-se perversa nem libertina com ninguém. Com ele em troca sentia desse modo cada vez que o tinha perto, e com freqüência inclusive quando não estava. Naquele momento, sentia-se terrivelmente perversa, vendo como a suave luz das velas brilhava tentadora sobre o corpo masculino. Era formoso, forte e irresistível. Temendo que ele pudesse ler o desejo em seus olhos, agarrou algumas pétalas e os aproximou de si mesmo, deslizando-os com lentidão por cima de seus seios, sorrindo ao ver que Marcus aspirava intensamente. Entretanto, em lugar de seguir acariciando, espalhou as flores sobre ele, deixando que se deslizassem até seu ventre, onde sua virilidade se mantinha rigidamente ereta. -As rosas lhe favorecem. -murmurou Arabella com um indício de rouco sorriso na voz. Podia advertir o esforço que Marcus estava fazendo para manter-se imóvel, com os punhos apertados. Não fez gesto de detê-la. Em lugar disso, observou-a com atenção enquanto se ajoelhava sobre ele. Com os cabelos brincando sobre a pele de Marcus, inclinou-se e lhe deu um ligeiro beijo no peito. Podia sentir a tensão do corpo masculino, seu coração pulsando sob seus lábios. E isso por que ainda não o tinha beijado mais abaixo. Quando seus lábios começaram a deslizar-se para baixo, o estômago de Marcus se contraiu em um movimento. -Dói? -perguntou com inocência, levantando o olhar para ele. -Sabe perfeitamente que não dói - murmurou Marcus. -Então o que sente? -Ao ver que não respondia Arabella lhe acariciou a sensível pele da coxa com as pontas dos dedos. -É agradável? Ele exalou um firme e sufocado gemido enquanto ela rodeava seu sexo com a mão. -Deus, sim! Segurando-o com delicadeza, Arabella se inclinou sobre ele, lhe lançando o fôlego com suavidade. Seu membro se agitou vivamente e quando ela posou os lábios na ponta, viu-o estremecer. -Com quem aprendeste isso? -perguntou ele com voz áspera. -Com você, Marcus. Só sigo o exemplo que me deu ontem à noite. Seu sorriso se converteu em um gemido. -É uma discípula excelente. Arabella, estimulada, fechou os lábios sobre a cabeça de seu membro, saboreando com a


língua, procurando agradá-lo como ele a tinha agradado. Todo o corpo de Marcus ficou rígido enquanto se esforçava por manter o controle. Sua impotente resposta fez Arabella sentir uma poderosa sensação de poder feminino. Nunca tinha sido mais consciente de seus sentidos; o doce aroma das rosas, o tentador cheiro de almíscar da pele de Marcus, o calor que crescia entre eles, seu excitante sabor enquanto o lambia com delicadeza, fazendo-o gemer de novo, podia imaginá-lo penetrando-a, poderosamente. Para ouvir seus gemidos de prazer, Arabella experimentou um espasmo de desejo que a disparou flechas até as virilhas. Podia sentir sua própria carne ficar úmida e cheia e seu sangue agitar-se pela emoção. Marcus tinha fechado os olhos com força, apertando os punhos. Embora fosse evidente que seu controle se debilitava, o prazer diminuía sua força. Ela prosseguiu com suas tenras carícias, desejando provocar nele um desejo frenético. Seus dedos acariciaram a longitude de seu sexo e os aveludados e cheios sacos enquanto prosseguia com cálidas carícias com sua língua e seus lábios. Um firme e ofegante grunhido surgiu da garganta de Marcus e algum segundo depois elevou seus quadris para ela, afundando sua longitude mais profundamente na sua boca. Sua resposta só serve para estimular o desejo de Arabella, que lhe sugou com maior avidez, o que fez com que Marcus quase perdesse o controle. Então apertou com força os lábios, agarrou-a pelos ombros e a separou de si. -Basta. Sua voz era áspera e rouca, seus olhos brilhavam acesos enquanto a olhava. «Não, não basta», desejava protestar. Olhou-o ao flutuante resplendor das velas, desfalecida de desejo por ele. Desejava-o com desespero, ansiava senti-lo profundamente em seu interior. Marcus devia desejar o mesmo, porque a atraiu para si de modo que ficasse sentada arreganhada sobre suas coxas. O anseio que a consumia se converteu em irresistível enquanto ele a segurava pelos quadris e a levantava, com seu excitado núcleo disposto para receber seu grosso membro. Colocou as mãos em seus ombros afiançando-se, e suspirou tremula, desejando o abrasador prazer de sua união... Um suspiro que se converteu em outro de alívio quando ele cumpriu seu expresso desejo. Aproximando-se com lentidão, separou as úmidas e cheios dobras de seu sexo com a ponta de seu membro, e muito brandamente, introduziu a sedosa cabeça em sua carne estremecida. Atravessada por sua dureza, Arabella reprimiu um suave gemido diante daquela inigualável sensação e a plenitude de sua penetração. Logo, Marcus começou a mover-se acendendo um fogo em seu interior, e quando ela arqueou as costas em resposta, suas mãos procuraram seus seios, acariciando-lhe brincando com seus tensos e erguidos bicos. Balançou-se contra ele, que levantou os quadris para ir ao encontro dos seus, arremetendo com seu enorme e ardente membro. Seu rosto estava endurecido pelo desejo, e, ao vê-lo, Arabella sentiu uma pressão no peito enquanto, lentamente, Marcus se impulsionava de novo para cima e logo outra vez com mais pressão. O gemido dela se converteu em um soluço, um som que pareceu avivá-lo. Sussurrando seu nome, agarrou-a pelos cabelos para lhe jogar sua cabeça para trás e beijála como se quisesse roubar até o último ápice de vontade. Arabella se esforçou por manter o controle, mas ele afundou a língua em sua boca ao impetuoso ritmo de seu sexo penetrando-a profundamente. Os músculos dela se agarraram a ele enquanto estremecidos tremores a sacudiam de maneira implacável. Um penetrante gemido escapou de sua garganta. Podia sentir o fogo de seu desejo aumentando e renovando-se. E por um instante, Arabella gritou convulsionando-se grosseiramente, enquanto implacáveis grandes ondas de prazer devoravam todo seu corpo. Então ele também perdeu o controle. Seu musculoso corpo se arqueou impotente debaixo dela e alguns sons de liberação rasgaram sua garganta enquanto alcançava seu próprio violento e poderoso clímax. Quando Arabella se desabou sobre ele, Marcus a rodeou com os braços. No tenro momento se sentia enfraquecida, seus corpos ainda unidos, com os seios contra seu peito encharcado de suor, e o rosto oculto na curva de seus ombros, suas ofegantes respirações se


misturavam enquanto acalmava os frenéticos batimentos de seus corações. Transcorreu um longo momento até que Arabella recuperou seus sentidos. Marcus estava, acariciando seu cabelo, um tenro gesto que a fez suspirar. -Acredito que ganhaste este assalto. -murmurou ele roucamente. Sem mover-se, ela engoliu a saliva com força. Não, não tinha ganhado. Uma vez mais, fazia migalhas de seus propósitos. Entretanto, não era só isso o que a preocupava. Nem sequer que os famosos dotes de sedução de lorde Danvers tivessem sido tão entristecedores. Mas sim sua resolução de permanecer emocionalmente indiferente a ele estava desvanecendo-se diante suas sensuais carícias. Havia um perigo supremo em que se afeiçoasse muito com Marcus, clamava uma voz em sua mente. Podia ouvir as preocupadas vozes de suas irmãs lhe perguntando se estava em perigo de apaixonar-se. «Necessita de nós para que te defendamos dele», tinha insistido Lily. Enquanto a cálida e nua pele do pescoço de Marcus, pensou que talvez devesse haver escutado. Podia ser que, necessitasse de reforços para ajudá-la a manter suas defesas. Se ficava alguma esperança de manter-se desapaixonada por ele... Um sorriso lhe escapou dos lábios enquanto mordiscava sua deliciosa pele. Inclusive um tolo podia ver quão incapaz era de defender-se sozinha. Não quando se sentia tão desesperadamente atraída por seus cuidados. Marcus se removeu debaixo dela, recordando que ainda estavam unidos do modo mais íntimo possível. Uma doce sacudida percorreu seu corpo enquanto lhe agarrava seu rosto entre as mãos e aproximava sua boca à sua para outro ardente beijo. Decididamente, o melhor seria que pedisse a suas irmãs que voltassem para casa, pensou Arabella enquanto se entregava ao abrasador encanto de lorde Danvers. CAPITULO 13 Não posso imaginar nada pior que um matrimônio sem amor, a não ser um matrimônio no qual só um dos cônjuges sinta amor. Em resposta a sua chamada, Roslyn e Lily chegaram em casa na manhã seguinte, Arabella se debatia entre a gratidão e o pesar. Gratidão porque estaria muito mais a salvo com suas irmãs em casa para reforçar suas defesas. E porque não voltaria a passar mais noites maravilhosas na cama de Marcus. Evitou-o no café da manhã e, no momento em que chegaram suas irmãs, manteve-se ocupada com a ré-decoração do segundo andar. Para maior reconhecimento de Arabella, Roslyn e Lily não a pressionaram para que lhes explicasse sua mudança de opinião. Simplesmente, permaneceram perto dela todo o dia, e procuraram não deixá-la só em companhia de Marcus. Quando ela e suas irmãs se foram dar as aulas na academia, Arabella tratou de convencerse de que manter-se longe dele era o mais prudente. Não confiava em estar a sós com Marcus e manter seus sentimentos à margem. E ainda tinha menos fé em poder resistir o crescente desejo que sentia por ele. Roslyn e Lily a ajudariam a salvar-se de si mesmo. Sabia que, embora não gostasse, era o melhor naquele modo. É obvio que Marcus não agradou-se da repentina falta de intimidade, nem ter às outras duas jovens presentes, interferindo em seu cortejo com Arabella. Tampouco se sentiu contente quando Lilian e Roslyn lhe enfrentaram em sua biblioteca, pouco depois de voltarem da academia. -Arabella subiu para trocar-se para o jantar -disse-lhe Lily muito séria entrando na biblioteca- Nós desejaríamos trocar umas palavras com você, senhoria. Logo, Roslyn acrescentou mais cortesmente, mas com a mesma seriedade. -Pode dedicar um momento de seu tempo, milorde? Marcus deixou a pluma, levantou-se atrás de sua cadeira e lhes indicou que sentassem perto das janelas. -Para minhas encantadoras pupilas sempre tenho tempo. Embora reprimisse uma careta com sua adulação, Lily procurou comportar-se com o devido decoro e se sentou em uma poltrona sem dizer nada. -É melhor que deixe de cortejar a Arabella, lorde Danvers.


Marcus dirigiu um curioso olhar a jovem enquanto se sentava no sofá, frente às duas irmãs. -Suponho que se dispõe a me dizer a razão. -Porque você é muito sedutor. É provável que faça com que Arabella esqueça todo seu juízo. Não desejamos vê-la ferida de novo por um pretendente volúvel. Ele arqueou uma sobrancelha. -Não sou volúvel. Tenho a intenção de me casar com sua irmã. -Mas você não seria um bom marido para ela. Disposto a ter paciência, Marcus se recostou no sofá. -De que modo que se você acha capacitada para julgar minhas aptidões como marido? -Você não a ama, milorde. -Lily se adiantou em seu assento, os negros olhos brilhantes de frustração e com uma expressão extremamente preocupada. -Arabella sempre foi muito branda. Seu anterior prometido a humilhou e lhe rompeu o coração, e não permitiremos que algo assim volte a acontecer. Já sofreu o bastante. Marcus compreendeu que a dor de Lily era sincera. A voz de Roslyn, quando falou, continha a mesma nota de preocupação. -Para Arabella, foi muito duro o repúdio de seu prometido, em especial depois de perder nossos pais e nossa casa, e ter que enfrentamos o público menosprezo de todos. -Conforme tenho entendido. -respondeu ele-, seu prometido a abandonou diante da primeira adversidade. Eu sou feito de material mais resistente. -Você a ama? -perguntou Roslyn em voz baixa. -E se agora não, acha que poderia chegar a amá-la? A pergunta o deixou atônito. Roslyn o observava com olhar penetrante, o que o fez sentirse como se pudesse ler seu pensamento. Mas não podia responder a sua desconcertante questão quando ele mesmo não conhecia a resposta. Era evidente que tinha sentimentos por Arabella. Quando não estava com ele, sentia sua falta. E diante da perspectiva de voltar a vê-la, seu coração se acelerava. Despertava nele uma paixão que não tinha sentido a anos, possivelmente nunca. Mas que a desejasse -E ansiasse estar com ela- Não significava que pudesse chegar a sentir alguma vez o amor romântico ao que supunha que se referia Roslyn. -Acredito -disse por fim- que meus sentimentos por sua irmã deveriam permanecer entre ela e eu. Roslyn inclinou a cabeça assentindo. -Talvez. Mas não desejamos que Arabella volte a se ferir. -Asseguro-lhes que a última coisa que desejo é lhe fazer mal. -Mas não pode prometemos que não fará. Não podia prometer tal coisa com absoluta segurança, pensou Marcus seriamente, mas faria o impossível para evitar. -Posso-lhes prometer que se me casar com sua irmã, nosso matrimônio não será absolutamente como o de seus pais. Era evidente que para Lily não bastava. -Se fizer com que Arabella se apaixone por você, destroçará seu coração. Não lhe permitiremos que a fira como fez o visconde Underwood. -Não existe nenhuma possibilidade disso. -replicou com toda sinceridade. -Como podemos estar seguras? -inquiriu Lily. -Lamento não ser capaz de convencê-las de minhas boas intenções. -disse ele-, mas me proponho seguir cortejando-a. Ao ver que Lily o olhava ainda com maior frustração, Marcus mudou de tema. -A verdade é que me alegro de ter uma oportunidade de falar com vocês em particular. -Fez uma pausa, olhando uma irmã e à outra. -Por favor, me falem de sua mãe. Diante a mera menção, Lily ficou tensa, enquanto Roslyn parecia receosa. -Que deseja saber? -Tenho entendido que vive na costa da França, em Bretanha. tiveram notícias dela recentemente? Lily soltou uma risada. -Não. De fato, tem quatro anos. Não nos enviou nenhuma carta desde que se foi da Inglaterra com seu amante. O indício de amargura em seu tom era inconfundível e Marcus pôde dar-se conta de que


lady Loring seguia sendo um doloroso tema para a jovem. -Talvez tivesse poucas ocasiões. -observou ele. -A guerra se intensificou pouco depois de que ela fosse da França, por isso as comunicações eram em extremo difíceis. -Poderia nos haver enviado notícias de algum modo. -disse Roslyn mais brandamente-, só para nos informar de que estava bem. -Seu tio não tentou alguma vez contatar com ela? -Duvido. Nosso tio não permitia que se pronunciasse o nome de mamãe em sua presença. Não estava disposto a perdoar a mancha que tinha jogado sobre o nome de sua família. Sabem se ela tentou alguma vez retornar à Inglaterra uma vez concluída a guerra? -por que ia fazer? -perguntou Lily-. Aqui não teria sido bem recebida. -E agora seria? Agora que seu tio não está, acolheriam vocês com benevolência? -Não. -respondeu Lily imediatamente, com grande convicção. –Não me importa se não voltarmos a vê-la nunca mais. Marcus apoiou os dedos sob o queixo enquanto estudava a suas pupilas. Roslyn parecia mais indulgente com sua mãe, mas suspeitava que os sentimentos de Arabella eram quase tão amargos como os de Lily. -por que nos pergunta isso? -quis saber Roslyn, observando-o de novo com seus ardilosos e penetrantes olhos. -Sinto curiosidade. -respondeu ele, o que só era uma verdade pela metade. Decidiu que seria melhor não mencionar o recente giro dos acontecimentos até que tivesse mais detalhe para poder julgar adequadamente a situação. Seu inesperado assunto em Londres no dia anterior tinha a ver com lady Loring. Esta lhe tinha escrito fazia um mês, depois de inteirar do falecimento de seu meio-irmão, para expressar suas condolências e felicitar Marcus pelo título de conde. Depois de uma larga discussão com seus advogados, Marcus tinha ordenado a estes que localizassem a Vitória Loring na França, e que facilitassem passagem segura a Inglaterra se é que queria retornar. Desejava ouvir sua versão da história, pois não estava convencido de que fosse tão malvada como o falecido conde a tinha pintado. Segundo Simpkin, que tinha sido, além de mordomo, secretário do anterior lorde Danvers e se encarregou da correspondência de sua senhoria, lady Loring tinha escrito várias cartas a suas filhas no transcurso dos anos, mas seu tio as tinha queimado sem nem sequer as abrir. E se existia a mínima possibilidade de que se curassem algumas das dolorosas feridas que tinha causado com o abandono de suas filhas, Marcus não podia deixar acontecer essa oportunidade. O cruel comportamento de lady Loring tinha contribuído para pôr a Arabella contra o matrimônio, pois se ela pudesse perdoar sua mãe, talvez então estivesse mais predisposta a aceitar seu cortejo. Entretanto, não tinha nenhuma intenção de compartilhar suas esperanças com suas pupilas; em parte porque não desejava arriscar-se a causar uma decepção em caso de que estivesse equivocado a respeito de sua mãe. Mas sua resposta evidentemente não satisfez Lily, que o olhou receosa. -Se mudou o tema para nossa mãe é uma estratagema para distraímos de nossa intenção de proteger Belle, advirto-lhe que não funcionará. Marcus esboçou um leve sorriso. –Não é nenhuma estratégia. A jovem, que seguia com a testa franzida, levantou-se bruscamente. -Se você se atrever a fazer mal a Arabella, juro que farei que lamente. Marcus não cabia nenhuma dúvida de que manteria sua palavra, nem de que seu desejo de proteger sua irmã fosse bem-intencionado. Levantou-se também demonstrando sua esmerada educação. -Tomarei seu aviso muito a sério. Roslyn se levantou também, e se dispunha a seguir sua irmã para fora, mas logo vacilou e se dirigiu a Marcus olhando-o com solenidade. -Temos sua palavra, milorde? -Têm minha palavra. -respondeu ele com gravidade. -Farei tudo que esteja em minha mão para que Arabella não seja ferida. Sua promessa pareceu tranqüilizada, pois a moça assentiu lentamente e lhe dedicou um vacilante sorriso. -Pela razão que seja, acredito em você. Marcus se sentiu emocionado por seu reconhecimento. Roslyn não se declarou como sua aliada, mas pelo menos estava disposta a lhe permitir demonstrar suas boas intenções.


Quando as jovem se foram, Marcus franziu a testa considerando qual devia ser seu seguinte passo. Não tinha nenhuma intenção de fazer mal a Arabella, mas não ia renunciar a seu cortejo. Ficavam muito poucas noites com ela e cada momento contava. O jantar daquela noite estava muito estranho, e Arabella se sentia desconcertada com os inconfundíveis sentimentos existentes entre Marcus e suas irmãs. Lily seguia tratando-o com receosa reserva, mas em troca Roslyn parecia haver-se tranqüilizado significativamente. Ainda mais estranha era a conversa que Roslyn mantinha com Marcus, lhe perguntando sobre a história de sua família, suas afeições em música e literatura, suas inclinações políticas, a condição de suas diversas propriedades e imóveis... Quase como se fosse uma mãe protetora e ele um potencial pretendente para sua filha. Arabella não tinha nem idéia do que pretendia Roslyn, sendo que ainda supunha contrária ao cortejo. A resposta de Marcus também a confundia. Suportava suas perguntas com cortês encanto, em lugar de desconforto que ela esperava. E depois de jantar, quando todos se foram para o salão, esforçou-se por seguir tentando entender com ambas as jovens, incluindo Lily. Arabella, por sua parte, procurava guardar silêncio, pois sabia que cada palavra que pronunciasse seria examinada por suas irmãs. E era muito consciente da proximidade de Marcus para sentir-se cômoda. Durante a maior parte da noite, Marcus lhe dedicou escassa atenção. E não fez nenhum intento de trocar palavras com ela em particular, mesmo que já fosse hora de retirar-se para dormir. Para falar a verdade, tampouco teve ocasião, porque Roslyn e Lily acompanharam Arabella até seu quarto, ao que parecer tomando seu papel de protetoras muito a sério. Arabella, que se sentia inquieta e decaída, encontrou-se contemplando a escuridão iluminada a lua pela janela, lamentando não poder dormir com Marcus naquela noite e desejando poder aliviar o premente desejo que sentia por ele. Ao compreender aonde a tinham conduzido suas tolas reflexões, proferiu um som zombador e se dispôs a despir-se. Acabava de se descalçar e começava a desabotoar o vestido quando alguém chamou com acanhamento a sua porta. A decepção a alagou ao ver que se tratava de Nan, sua criada, que ia a ajudá-la a prepararse para a noite, e não o sensual amante que tinha ocupado seus pensamentos de maneira tão obsessiva ultimamente. -Pode deitar-se, Nan - disse-lhe à garota, pois preferia estar sozinha. -Esta noite não precisarei de você. -Como você queira, senhorita Loring -respondeu Nan com uma inclinação-, mas a senhora Simpkin tem um problema na cozinha que requer sua atenção. -A estas horas? -Diz que o assunto não pode esperar. -Muito bem - respondeu Arabella-. Irei logo que colocar os sapatos. Despediu-se da jovem e colocou os sapatos que acabava de tirar, logo saiu silenciosa do quarto para não despertar suas irmãs, que dormiam no quarto ao lado. Advertiu que suas portas estavam fechadas enquanto seguia seu caminho pelo corredor para a escada de serviço, em busca da governanta. Entretanto, quando chegou à cozinha se deteve bruscamente. Não havia nem rastro da senhora Simpkin. Em lugar dela, viu Marcus, sentado na beirada da larga mesa, com as mãos apoiadas atrás de si, com aspecto muito depravado. Tirou a jaqueta e o lenço do pescoço, embora ainda usasse as calças de dormi. Foi deplorável como o coração de Arabella começou a pulsar ao vê-lo. Repreendendo-se obrigou a mostrar-se impassível. -Onde está a senhora Simpkin? -perguntou, embora suspeitasse a resposta. -Havia dito que poderia ir para cama -respondeu ele tranqüilamente. -De modo que me atraíste aqui com falsos pretextos? -O que esperava carinho? Vi-me obrigado a ser imaginativo, sendo que suas irmãs lhe vigiam como falcões. Teve que admirar seu engenho, embora ela fosse seu objetivo. -Elas só atuam pensando no que mais me convém. -Sei que acreditam ser assim. -Esboçou um sorriso de lado. -Lily teme que eu te seduza e te


faça perder o juízo. Arabella se sentiu levemente consternada. -Não disse nada de nós... -Certamente que não, amor. Não desejo saibam que provamos o leito matrimonial antes das bodas. Ela deixou acontecer esse comentário provocador. -Que desejas Marcus? -Simplesmente te convidar a dar um passeio comigo. -para quê? -Para poder estar algum tempo com você a sós. Não posso te cortejar de maneira efetiva, com suas irmãs observando todos meus movimentos. Sua presença aqui é uma importante limitação para meu cortejo. -Arqueou uma sobrancelha. -Mas para isso é preciso que as faça voltar, não é assim? Porque teme que esteja ganhando terreno com você. Ao ver o divertido brilho de seus olhos, Arabella compreendeu que não tinha sentido negar a acusação. Diante de seu silêncio, ele negou com a cabeça. -Não pensaria que fossem intimidar-me, não? -Infelizmente, não. Duvido que nada possa te intimidar. Com ar despreocupado, Marcus desceu da mesa e avançou para onde ela estava. Arabella sentiu acelerar seu pulso diante do íntimo olhar que lhe dirigia; sua expressão acendia um fogo em cada parte de seu corpo. -Vêm comigo, Belle. Passearemos pelo rio. -Não deveria - respondeu ela, embora sentisse debilitar suas defesas. -Covarde - brincou ele brandamente. Seus olhos cintilaram perversos, fazendo com que os batimentos do coração de Arabella se acelerassem ainda mais. Decidida a resistir seu sedutor encanto, ergueu o queixo. -Só sou prudente. Sabe bem o que acontecerá se for com você. -Sei o que desejo que aconteça. Mas seja o que for que façamos, a decisão será tua. Marcus levantou a mão e acariciou seu lábio inferior com o polegar. O estremecimento que a percorreu diante daquele simples contato a fez tremer. E isso foi antes que ele reduzisse seu tom de voz para um sensual murmúrio. -Uma oportunidade de ganhar, Arabella. É a única coisa que sempre te pedi. Se te encerrar em seu casto quarto com suas irmãs como cães guardiães, como vou poder te convencer a casar comigo? Ela sentiu que lhe falhava a vontade. Marcus era irresistível, e ele sabia. -Minhas irmãs não devem inteirar-se - disse por fim. Ele sorriu. -Certamente, eu não direi. -A senhora Simpkin pode suspeitar de algo. -A senhora Simpkin é muito discreta. E além disso aprova meu cortejo, recorda? Afundou o polegar em sua boca deixando-a sem fôlego e deslocada. Sentiu que os últimos restos de sua resistência se fundiam. Era provável que, no final, Marcus se saísse com a sua. Além disso, que mal podia haver em que estivessem juntos uma vez mais? -Muito bem. -respondeu contra o que ditava sua sensatez-. Nesse caso, irei com você. O lento sorriso que ele esboçou enquanto oferecia a mão, era radiante. -Vamos, escapuliremo-nos pela porta de trás e assim despistaremos suas irmãs. Arabella não pôde evitar de rir. -Quão digno de um ilustre conde escapulir-se em sua própria casa - disse, agarrando sua mão. -Certamente - replicou ele com secura. -Mas me vejo obrigado a adotar medidas desesperadas. Fala em voz baixa. Não quero que ninguém nos ouça. Conduziu-a pela porta de trás da cozinha, que dava para um jardim de ervas aromáticas e, dali, para os jardins principais. Arabella sufocou a risada enquanto encaminhavam através das bem recortadas fileiras de arbustos e flores na parte posterior da casa. Sentia-se deliciosamente perversa escapando às escondidas com seu amante, mas não se arrependia absolutamente. Todo seu juízo a tinha abandonado, enquanto todos seus outros sentidos tinham cobrado vida. A noite era encantadora, iluminada pela lua e perfumada com os doces aromas da primavera. Entretanto, era a dolorosa certeza do homem que estava a seu lado o que a enchia de espera, emoção e desejo. Quando chegaram ao terraço de grama, Marcus a atraiu para si e se inclinou para lhe sussurrar ao ouvido:


-Sinto-me como um colegial... sendo que nenhum colegial esteve tão dolorosamente cheio. Guiou os dedos de Arabella para o enorme vulto de suas calças e ela se estremeceu. Saber o quanto a desejava a excitou e a deixou sem fôlego diante da força de seu próprio desejo. De tácito acordo, apressaram seus passos até chegar à fileira de árvores que rodeava o rio e os protegiam da vista da mansão. Tiveram que diminuir o passo ao cruzar um clarão, mas no momento voltaram a sair à luz da lua, Marcus se deteve e atraiu a Arabella para si, beijando-a com fervente posse. Seu beijo estourou em um apaixonado ardor. O calor que tinha gerado acendeu fogo no sangue de Arabella, enchendo a de um selvagem apetite. Desejava Marcus com uma ferocidade que a escandalizava. Desesperada por vê-lo, estendeu a mão para a abertura da frente de sua calça. Ele aspirou intensamente ante sua audácia, mas logo se apressou a ajudá-la, quase arrancando de um puxão os botões a fim de liberar seu rígido membro. Então foi Arabella quem inspirou fundo, ao ver a palpitante cabeça que se levantava orgulhosa entre suas virilhas. -Vem aqui -ordenou- ele. Ela obedeceu imediatamente, sem necessitar de mais obrigação. Marcus levantou com rapidez a saia até a cintura e acariciou os sedosos cachos que tinha entre as coxas. Arabella já estava úmida para ele e os olhos de Marcus cintilaram sombrios em resposta. Ela podia ver seu rosto na luz da lua -duro, formoso, tenso de desejo- e sabia que o mesmo desejo se refletia em seus próprios traços enquanto ele media suas dobras femininas. Reprimiu um grito quando lhe acariciou o sensível núcleo de seu sexo, e se arqueou contra ele enquanto afundava um dedo profundamente em seu interior. Só a necessidade de discrição a impediu de gemer de selvagem prazer. Embora, ao parecer, sua resposta não foi bastante selvagem para Marcus que, com olhar, aproximou uma musculosa perna entre as suas, deslizou as mãos por seus quadris até em baixo de suas nádegas e logo a levantou. Sobressaltada por seu inesperado gesto, Arabella se agarrou a seus ombros para manter o equilíbrio. -Me rodeie a cintura com as pernas - ordenou com áspero tom. -Marcus... Ele voltou a beijá-la com urgência, sufocando qualquer protesto e afundando sua língua na boca dela enquanto a penetrava e se impulsionava para dentro com lenta e inexorável pressão. O corpo de Arabella era suave e flexível, e encaixava com perfeição com o seu, mas mesmo assim, a jovem sufocou um grito diante do abrasador assédio de seu membro. Marcus capturou o som com sua boca e, com as pernas tensas, segurou-a contra si e se impulsionou até ficar por completo dentro dela. Arabella tremeu em seus braços enquanto sua vagina se apertava tensa em torno do sexo de Marcus. Ver-se cheia desse modo a impressionava e a deixava pasmada. Ele a manteve firmemente segura e começou a mover os quadris retirando-se e logo avançando, com largas e enérgicas investidas. Arabella se estremeceu com seu membro, enorme e duro, com ritmo exigente e excitante ao mesmo tempo, enquanto devorava sua boca com a sua. Seu rude desejo a deixou tremula e seu ávido ataque a enlouqueceu. Retorcia contra ele gemendo, compassando movimentos aos do homem. Era rápido, emocionante... E profundamente explosivo. O clímax se iniciou aos dois no mesmo instante, alagando de ardente prazer ambos os corpos. Arabella soluçou contra a boca de Marcus enquanto este se desmoronava com as sacudidas de seu orgasmo, sem deixar de apertá-la entre seus braços. Cambaleando de desejo, bebeu seus gritos, emitindo um rouco gemido enquanto se vertia nela. Investiu-a grosseiramente uma vez mais e logo ficaram imóveis, salvo pelos tremores que seguiam. Permaneceram fundidos um com o outro por um longo momento, vibrando com os últimos restos de prazer, e quando ambos se apaziguaram, Marcus segurou com força Arabella, desfrutando de seu contato. Logo a ajudou ficar em pé, sustentando-a com seu braço enquanto ela se apoiava nele, para sustentar-se por si só. A firme maldição de Marcus soou rouca na silenciosa calma da noite. -Condenação... não tive a mínima delicadeza! A risada que surgiu da boca de Arabella


comoveu mais Marcus do que tinha feito sua selvagem resposta, mas nada podia desculpar sua rudeza. Beijou-lhe os cabelos, desculpando-se por sua ferocidade. -Me perdoe Belle. Não perdia o controle deste modo desde que era um inexperiente jovenzinho, mas não podia esperar. -Não há nada para perdoar - respondeu ela contra seu ombro. -Eu tampouco podia esperar. Em sua voz ouviu a risada, o prazer, a satisfação, e o atacou outra ardente pontada de desejo. Então, Arabella elevou a cabeça e o olhou com seu formoso rosto iluminado pela lua, e em Marcus acelerou o coração ao vê-la. -Não tinha nem idéia de que fosse possível fazer amor deste modo - sussurrou quase timidamente. Ele tampouco tinha idéia. Nunca tinha feito com tanto frenesi. O avassalador apresso o tinha deixado ofegante. Nunca havia sentido tanta felicidade com alguém antes de Arabella. A satisfação que obtinha com ela era assustadora. Talvez tratasse de sua inexperiência. Todos os aspectos da relação carnal eram novos para a jovem, e seu assombro e seu prazer também fazia com que para ele parecesse. Entretanto, aquela noite tinha respondido com tão ardente paixão que tinha roubado seu próprio coração... De repente, Marcus ficou imóvel diante da surpreendente relação: apaixonou-se por Arabella. Como podia explicar os poderosos sentimentos que experimentava por ela? Esse pensamento lhe agitou enormemente; sua cabeça dava voltas, o coração pulsava acelerado. Sim, já não tinha nenhuma dúvida, amava-a. Enquanto olhava seu rosto aturdido, pensou que não devia agarrá-lo tão de surpresa. Não, quando sentia tão entristecedor sentimento de posse sobre ela. Não, quando experimentava tal prazer em sua companhia. Tal satisfação. Tal singela alegria. Nenhuma mulher o tinha afetado como Arabella tinha feito, nem nenhuma tinha chegado nunca a semelhante grau de intimidade. Insuflava-lhe o fogo que tinha faltado em sua vida. Drew e Heath podiam o considerar louco, e talvez estivesse. Estava apaixonado, não havia outro modo de explicar a ternura emoção que o alagavam só de pensar em Arabella. Nunca havia sentido tão profunda necessidade de estar com alguém. Inspirou fundo para tranqüilizar-se. Não contava experimentar tão inesperado ardor por sua formosa pupila. De modo que, diabos ia fazer agora? Franziu a testa. Arabella sentia saltar pelos ares as defesas de seu coração enquanto as suas permaneciam intactas. Sentiu uma pressão no estômago ao compreender que enfrentava um dilema maior que ganhar sua aposta. Já não podia acomodar-se a um matrimônio de conveniência, não quando por fim reconhecia a profundidade de seus sentimentos. Mas ganhar o coração de Arabella seria uma tarefa ainda mais difícil que ganhar sua mão. -O que aconteceu? -perguntou ela ao ver que Marcus seguia olhando-a. Esforçou-se por mostrar-se despreocupado. Não acreditaria se confessasse; qualquer declaração de amor que fizesse seria considerada uma adulação mais em seu esforço por seduzi-la. -Nada - mentiu. -Só estava contemplando quão formosa é na luz da lua. O suave sorriso que curvou a boca de Arabella acelerou os batimentos de seu coração, e começou a desejá-la de novo quando ela depositou um leve beijo em seus lábios. -Será melhor que retornemos para casa antes que minhas irmãs dêem conta de que sai sussurrou. «Não, não permitirei que vá», pensou Marcus apaixonadamente. Era consciente de seu selvagem apresso em levar a aquela mulher longe dali; um desejo primitivo de mantê-la cativa até que finalmente aceitasse a casar-se com ele e lhe entregar seu coração. Entretanto, sabia que pela força não conseguiria rendê-la. Ela não confiava nele para lhe amar. Não achava que não fosse fazer mal. De algum modo temo convencê-la do contrário. Ao compreender que precisava dedicar o assunto com uma cuidadosa meditação, retrocedeu uns passos, abotoou as calças e logo arrumou as roupas de Arabella. Sufocando o apresso de voltar a fazer amor, agarrou sua mão e a conduziu de volta pelo caminho de grama para os jardins.


Entraram na casa do mesmo modo que tinham saído, pela porta dos fundos da cozinha. Marcus a acompanhou até a escada de serviço, onde se deteve para olhá-la na fraca luz do abajur de parede. Propunha-se dar um beijo de boa noite antes de deixá-la ir sozinha para seu quarto, mas quando tomou entre seus braços para fazê-lo um ruído o deteve. Olhou para cima e amaldiçoou em silêncio. As irmãs de Arabella estavam no alto da escada, e não pareciam nada contentes. A expressão de Roslyn era de preocupação enquanto que Lily parecia consternada. -Vê? Disse a você que Belle estava em perigo - disse a jovem com voz firme, rouca desesperada. CAPITULO 14 Quão tolas podem ser as mulheres, nos deixando seduzir por um feiticeiro discurso e um rosto formoso. Marcus, protetor, situou-se diante de Arabella, mas ela não quis ocultar-se atrás dele. -Boa noite, milorde - murmurou, deslizando-se para seu lado. Ele a agarrou pelo braço. -Se precisar... -Obrigado, mas prefiro falar com minhas irmãs a sós. Consciente de que as tinha decepcionado profundamente, Arabella subiu a escada até o patamar do segundo andar. Lily e Roslyn a seguiram pelo corredor para seu quarto e fecharam a porta atrás delas. O tenso silêncio que seguiu não se prolongou muito. -Como pudeste, Arabella? -acusou Lily com tristeza. -Sair às escondidas com o conde para um encontro a meia-noite! Estiveste beijando-o, verdade? Está despenteada, e tem a boca vermelha e machucada. Ao ver seu reflexo no espelho de corpo inteiro, Arabella viu que realmente parecia uma autêntica libertina. Mordeu o lábio inferior, desgostosa. Pelo menos, a úmida e tenra dor que sentia entre as coxas não era visível. Sua mudez ainda afligiu mais Lily. -Até onde chegou exatamente sua aventura amorosa com lorde Danvers, Belle? Pôde sentir como o calor abrasava suas bochechas. Não desejava confessar que não só tinha se entregado a Marcus sua virgindade, mas sim tinha passado as últimas três noites fazendo amor com ele louca e apaixonadamente. Entretanto, antes que Lily seguisse pressionando-a, Roslyn interveio com um tom mais suave, mas preocupado. -Estamos inquietas por você, Arabella. Em você são visíveis os sinais de uma perigosa paixão. Não desejamos que volte a te fazer mal. Arabella fez uma careta. -Não têm por que preocupar, de verdade. Não permitirei me apaixonar como na última vez. -Mas mesmo assim pode ser ferida - assinalou Roslyn-. Pensa com calma. Se continuar por este caminho, talvez não tenha mais remédio que te casar com lorde Danvers. Não pode permitir um escândalo, a menos que esteja preparada para ver a reputação de nossa academia. Se suas indiscrições chegarem a serem públicas, casar com ele será sua única saída. Ao reconhecer que sua irmã tinha razão, Arabella engoliu a saliva com dificuldade. Tinha ignorado de maneira deliberada o risco de escândalo pelo momentâneo prazer de estar com Marcus. -Sim, por favor, pensa Belle - rogou Lily-. Você não deseja ser obrigada a te casar com o conde para salvar sua reputação. -E ainda pior é a perspectiva de ver-se apanhada em uma união como a de mamãe e papai acrescentou brandamente Roslyn-. Se o conde não te amar, poderia te fazer tão infeliz como papai fez a mamãe. -Sei - murmurou ela. -Meu comportamento foi imprudente, mas não voltará a acontecer. -Confio que assim seja - disse Lily com autêntica angústia na voz. -Se não tomar precauções, seduzirá você. E sem dúvida não deseja acabar como mamãe, sucumbindo ao feitiço de um sedutor, desejando um homem por cima de toda sua família. Essa idéia a golpeou como um golpe. O que estava fazendo? Olhou consternada para sua irmã mais nova, horrorizada ao pensar que estava seguindo os passos de sua mãe. -chegaste a isso, Arabella? -perguntou Roslyn mais calma-. Está permitindo que seu coração mande em sua cabeça, como fez mamãe?


Ela negou com sinceridade. -Meu coração não está comprometido. Conheço Marcus há duas semanas. É um tempo muito breve como para que possa desenvolver um sentimento duradouro. -Talvez não seja capaz de ajudar a você mesma - aventurou Lily-. Sem dúvida, ele conta com sua fraqueza feminina, confia em conseguir que se apaixone por ele. Está jogando com seu desejo sexual... E claramente triunfando. Arabella não podia refutar essa acusação; ela mesma tinha se advertido a respeito inumeráveis vezes. levou uma mão à testa. -Não negarei que me atrai fisicamente, mas é só paixão. -Então será melhor que te mantenha longe dele por completo - aconselhou Roslyn-. A paixão não é uma base sólida para o matrimônio. É algo que pode consumir-se rapidamente e o que fica? -A jovem vacilou, olhando-a benévola. -Seria diferente se existisse alguma possibilidade de que pudessem chegar a te amar. Essas palavras de sua irmã não a surpreenderam. Roslyn não era contrária ao matrimônio, como Lily; e acreditava firmemente que o amor devia chegar primeiro para que uma união tivesse alguma oportunidade real de prosperar. -Existem poucas possibilidades disso -respondeu Arabella-. Ele não deseja uma união por amor. Só quer um matrimônio de conveniência com uma mulher adequada que possa lhe dar herdeiros. -Então deve concluir seu cortejo imediatamente. -Sim - disse Lily-. Não te arrisque a se apaixonar por ele. Belle. O amor pode te converter em uma tola rematada, te cegando todo o resto. Ela concordou conformada. Roslyn era a mais prudente das três, e era muito confiável na hora de analisar a situação racionalmente. Lily, por sua parte, falava de emoções puras. Em que pese a sua rebeldia, era a mais sensível das irmãs Loring, e a que mais ferida se sentiu pelo abandono de sua mãe. Entretanto, nessa ocasião, Arabella compartilhava os sentimentos de Lily. O amor convertia uma mulher em vulnerável e a fazia perder a cabeça. Ela conhecia muito bem a dor que o amor podia ocasionar, tanto por sua própria experiência como pela de sua mãe. Virginia Loring se apaixonou destruindo sua família por causa disso... -Tem razão - murmurou. Era evidente que Lily não estava convencida de sua sinceridade. -Nós podemos tratar de te ajudar a resistir a ele, mas só você pode aniquilar seus sentimentos antes que cheguem muito longe. -Sei. -Ela não podia, não queria, apaixonar-se por Marcus. Endireitou os ombros. –Não têm que lhes preocupar comigo, Lily. Nossa aposta conclui na segunda-feira... só faltam dois dias e meio. -As favas com a condenada aposta! -exclamou sua irmã., mais nova. -Tem que suspendê-la imediatamente. Não vale a pena correr o risco. Mas Arabella não podia fazer isso, achando-se como se achava tão próxima do final. Tinha que pensar em suas irmãs tanto como em si mesmo. Sua independência também se achava em jogo. Se ela perdesse a aposta, Lily e Roslyn pagariam as conseqüências. Aspirou profundamente e as olhou com solenidade, cheia de uma nova resolução. -Não, seguirei adiante com a aposta, embora prometa me manter longe de Marcus a partir de agora. Nenhum encontro a meia-noite... nenhum tipo de encontro. Não me permitirei voltar a ficar a só com ele. Arabella disse a si mesmo que era uma promessa que devia manter. A lembrança do comportamento de sua mãe a tinha arrepiado, e não tinha a mínima intenção de perder seu coração, tal como tinha acontecido a ela. Conseguiu cumprir seu propósito durante a maior parte do dia seguinte. Sabia que Marcus tinha que ir a Londres pela tarde, mas para não arriscaria a encontrar-se com ele antes, Arabella evitou o café da manhã e saiu da mansão Danvers cedo, com suas irmãs, para refugiar-se na academia. Ali passou toda a manhã com as aulas de música das alunas. A tarde transcorreu muito mais lenta, sendo que era sábado. Com apenas meio-dia de lições programadas, às jovens lhes deu tempo livre para fazer o que quisessem. A maioria decidiu ir às compras no povoado, o que deixou a escola tranqüila. Diante das boas intenções de Arabella e os intentos de suas irmãs em distraí-la, Marcus


ocupava seus pensamentos com muita freqüência, por isso aceitou imediatamente quando Roslyn e Lily sugeriram par tomar chá cedo com Jane Caruthers, a diretora da escola. Tess Blanchard decidiu unir-se a elas, e o agradável interlúdio desembocou em uma evocação dos tempos anteriores à abertura da academia, quando se reuniam regularmente, para discutir seus planos. Depois, todas elas se dirigiram a sala de jantar, onde as alunas estavam tomando também o chá. Apenas acabavam de se sentarem quando Jane foi requerida pela governanta, a senhora Phipps. Pouco depois, também Arabella foi abordada pela senhora Phipps, quem lhe sussurrou baixinho: -Desculpe a interrupção, senhorita Loring, mas a senhorita Caruthers deseja falar com você em particular. -Muito bem, onde está? -perguntou ela. -No quarto. No quarto da senhorita Newstead. Quando Arabella chegou ali, encontrou Jane retorcendo as mãos. -Sybil desapareceu - foi a primeira coisa que Jane disse. -E temo que tenha abandonado a casa. Arabella franziu a testa. A garota não tinha descido para tomar o chá, mas isso não ninguém sentiu falta, sendo que uma de suas companheiras tinha informado que estava doente e que estava descansando em seu quarto. Mas evidentemente, Sybil não estava ali. Tess se reuniu com elas no momento em que Arabella perguntava a Jane: -O que te faz acreditar que abandonou a casa? -Falta seu chapéu junto com vários de seus melhores vestidos. E a criada a qual encarregamos que a vigiasse também desapareceu. Só Caroline Trebbs viu Sybil desde manhã. Arabella franziu a testa. Ambas as moças compartilhavam o quarto, e Caroline tinha sido quem tinha informado da enfermidade de Sybil. -Acredito que será melhor falar com a senhorita Trebbs antes que cheguemos a alguma conclusão precipitada. Manteve a voz tranqüila, mas sentia um inquietante na boca do estômago. Sybil era capaz das maiores indiscrições, embora fosse desconcertante pensar por que se fora. Quanto à criada, talvez a jovem a tivesse subornado, embora isso custasse seu emprego... -Acha que escapou? -perguntou Tess claramente preocupada. O mal-estar de Arabella se converteu em alarme. -Por todos os céus, confio que não! Mas essa parecia à única explicação racional para o desaparecimento de Sybil. Enquanto Jane ia procurar Caroline Trebbs no salão, Arabella aguardou impaciente, junto com Tess. Tratou de recordar que tinha observado algum comportamento fora do comum em Sybil recentemente, embora sabia que era um exercício fútil. Durante a semana passada, tinha dedicado pouca atenção a suas alunas, estando como estava tão ocupada com o cortejo de Marcus. Mas para uma fuga, a jovem tinha que ter um pretendente... Sua preocupação se converteu em alarme ao achar a resposta: Jasper Onslow. Ela tinha surpreendido o escandaloso libertino beijando Sybil no terraço, durante o baile dos Perry. Um libertino como aquele podia estar bastante desesperado para rebaixar-se a casar-se com a herdeira de uma fábrica por sua vasta fortuna. Mas se Sybil tivesse ido voluntariamente? Quantos vestidos faltavam sugeriam que assim tinha sido... Aturdido os pensamentos de Arabella se viram interrompidos pela chegada de Jane acompanhada de Caroline, uma moça gordinha e carente de atrativos. Quando entrou no quarto, de evidente má vontade, a expressão de culpa em seu rosto era eloqüente. Arabella não perdeu tempo com perguntas corteses. -Necessitamos que nos diga aonde foi Sybil, Caroline. A garota inclinou a cabeça e murmurou algo inteligível. -Fez a você alguma confidencia, verdade? -pressionou ela, esforçando-se para ser paciente. -Sim, senhorita Loring... Mas prometi não contar. Sybil me disse que me cortaria a língua se dissesse uma palavra a alguém. Arabella exalou um lento suspiro. -Não permitiremos que te faça mal, Caroline. Por favor, necessitamos que nos diga o que aconteceu. Poderá estar em perigo. Transcorreu um longo momento antes que Caroline dissesse com precipitação. -Sybil não está em perigo, senhorita Loring. foi a Gretna Green.


Jane proferiu um firme gemido enquanto Tess olhava para Arabella com consternação. Ao que parece, tal como temiam, Sybil tinha fugido para Escócia, com seu pretendente caça fortunas. -Foi com o senhor Onslow? -perguntou Arabella. Caroline abriu muito a boca, surpreendida. -Como sabe? -Não importa. Diga-nos simplesmente o que planejava. Demorarão pelo menos três dias para chegarem a Escócia, talvez mais. Que preparativos fizeram? Quando se foram? -Pouco depois de acabar as aulas... Quando fomos às compras no povoado. O senhor Onslow nos esperava ali com sua carruagem. -Como propunha Sybil se arrumar com sua criada? -perguntou Tess-. Duvido que Martha a deixasse ir simplesmente, sem protestar. Caroline baixou a cabeça, como se estivesse envergonhada. -Ela sabia que Martha não guardaria silêncio, por isso a obrigou a ir com eles. Planejavam deixá-la mais tarde, esta noite, para que retornasse para casa de manhã, com a carruagem correio. E eu devia cobrir Sybil esta tarde dizendo que estava doente. Calculava que mais logo que alguém sentiria falta de seria amanhã, depois de ir à igreja. -Mas a senhora Phipps -interveio Jane- sentiu sua falta nesta manhã por não ver Martha e por isso veio à seu quarto, onde comprovou que faltavam coisas de Sybil. -Sim -sussurrou Carolina. Olhou para Arabella-. Lamento muito ter mentido senhorita Loring, sinceramente. Ela mordeu a língua para não repreender à moça, mas Jane sim falou. -Isto pode nos arruinar -murmurou. -O senhor Newstead... Mas Arabella não desejava comentar esse assunto na academia diante de uma das alunas. -Caroline, desejo que agora retorne a sala de jantar. E; por favor, não diga uma palavra disto a nenhuma das outras moças. -Assim farei. Juro. Entretanto, Jane tinha acabado sua paciência. -As damas não juram, senhorita Trebbs. -Sim, senhora Caruthers... perdão, senhorita Caruthers...! Com compungida docilidade, Caroline se separou de Jane enquanto escapulia do quarto. Arabella olhou para suas duas amigas, que estavam igualmente consternadas que ela, as três em extremo, conscientes do escândalo que as ameaçava. Se permitisse que uma de suas jovens alunas mais enriquecidas caísse nas garras de um caça-fortunas, com ou sem matrimônio, nenhum pai voltaria a levar suas filhas à academia. Ainda pior, Sybil podia sofrer mais que uma diminuição em sua reputação. Ao haver-se fugido com apenas uma criada como amparo, arriscava-se a perder também sua virtude. E por mais irritante que fosse a moça, não merecia aquilo. Fosse como fosse, seu futuro se achava em jogo. Foi bastante tola para deixar-se seduzir, porque imaginava haver-se apaixonado, estava cometendo um grave engano, pois Onslow era o tipo de homem que só sentia carinho por si mesmo. Era improvável que Sybil tivesse uma boa vida sendo sua esposa. Arabella se irritava ao pensar em uma jovem inocente a mercê daquele libertino, embora tratasse da problemática cabeça de Sybil. Além disso, pensou pesarosamente, supunha-se que Sybil se achava sob seu amparo. Era sua responsabilidade manter a salvo suas alunas e, ao que parece, tinha falhado. -Devemos detê-la de algum modo - disse Tess, manifestando o que as três estavam pensando. -Mas como? -perguntou Jane. -Eu irei atrás deles agora mesmo - respondeu Arabella, levando uma mão à testa freneticamente-. Estão a quase quatro horas de vantagem, mas é provável que esta noite se alojem em uma estalagem. Não imagino Sybil dormindo em uma carruagem. Se viajar durante a noite, posso alcançá-los. -Mas precisará de ajuda - assinalou Tess-. Não estaria disposto lorde Danvers a te acompanhar? Arabella assentiu. -Estou segura de que faria, mas está em Londres e suponho que levou sua carruagem, porque esta manhã ameaçava chover. Pedirei a lady Freemantle que me empreste a sua, e também a vários criados fortes. Eles poderão ajudar-me a convencer o senhor Onslow de


que abandone suas intenções a respeito de Sybil. -Mas se ele já... -interrompeu Jane ruborizando-se. Arabella compreendeu a objeção, mas Tess interveio primeiro. -Refere a sua virtude? -disse-. Sybil seria uma absoluta tola se permitisse tocá-la antes que estejam devidamente casados, e é uma moça suficientemente ardilosa para manter sua vantagem até então. -Mas ele pode ser tão ruim para forçá-la. -observou Arabella. -Talvez, mas não acredito que se arrisque -opinou Tess tranqüilizadora- Sendo que Sybil era bastante obstinada para negar-se a casar-se com ele se tratasse de coagi-la. Sem dúvida, ela vê a fuga como uma aventura, e não considerou devidamente as conseqüências. Acreditar que poderá convencer seu pai para que o aceite como genro. Onslow é um libertino e um canalha, mas em geral está considerado como um cavalheiro, e seria um bom partida para a filha de um comerciante. Jane fez uma careta de preocupação. -Mas embora o senhor Newstead chegasse a aceitar o matrimônio, nossa academia nunca se recuperaria do golpe -disse. -Sei -respondeu Arabella. Tudo aquilo pelo qual tinham lutado durante os três últimos anos iria á deriva. Ao ver que não dizia nada mais, Tess a olhou. -Não preferiria esperar que retornasse sua senhoria? É obvio que sim, mas não tinha tempo. -Devo partir o quanto antes, Tess. Se quisermos manter a fuga em segredo, terei que trazer Sybil de volta antes que alguém descubra que desapareceu. -Possivelmente deveria te acompanhar -ofereceu-se Tess. -Acredito que é melhor que vá sozinha -respondeu ela. -Minha ausência na escola não chamará muito a atenção, em troca, se formos as duas, dar-se-ão conta. Roslyn e Lily também devem ficar aqui, e assistir amanhã à missa como de costume, para manter as aparências. -Como explicaremos a ausência de Sybil? -perguntou Jane. Tess respondeu à pergunta. -Podemos dizer que se ficou doente e que Arabella a levou para Londres para que visite o médico pessoal de lady Freemantle. -Isso bastará -conveio Jane-. Até encontrar Sybil e impedir o matrimônio. -OH, encontrarei ! -assegurou ela com convicção. Não tinha a mínima intenção de permitir que a menina arruinasse sua vida e à academia. -E impedirei que se casem, embora tenha que ordenar aos criados de Winifred que imobilizem Onslow para que eu possa arrastar Sybil para casa, pelos cabelos. Sem tempo a perder, Arabella procurou suas irmãs e obteve sua aprovação para levar a fim o plano. Embora relutassem em deixá-la partir sozinha, Roslyn e Lily compreenderam a necessidade de discrição e aceitaram ficar e representar a simulação que tinham combinado. Continuando, Arabella se dirigiu rapidamente em uma carruagem para a mansão Freemantle. Confiava em partir assim que pudesse dispor da carruagem e os criados de Winifred, mas não tinha contado com a oposição de sua amiga. Depois de escutar o pedido de Arabella, a mulher negou com a cabeça, inflexível. -É condenadamente tola ao considerar sequer que vás perseguir sozinha, querida. Deve deixar que Danvers dirija o assunto. -Ele não está aqui para fazê-lo, Winifred -replicou Arabella, atônita com sua negativa. acha-se em Londres. -Então deveria aguardar que retornasse. Ela tratou de conter sua impaciência. -Não posso esperar. Sybil está a meu cargo, Winifred. Sou responsável por seu bem-estar. Poderia achar-se em verdadeiro perigo. -E você poderia te pôr em perigo em segui-la. Tem que confiar em Danvers para que te ajude. A final é seu tutor. -Não por muito tempo. Na semana que vem verá obrigado a conceder a minhas irmãs e a mim nossa emancipação de sua tutela. Mas isso não vem ao caso. Winifred a olhou com severidade. -Não pode percorrer a Inglaterra totalmente só desprotegida, Arabella. -Terei seu chofer e criados para isso. -Lorde Danvers seria melhor que uma vintena de serventes. Sem dúvida seria, conveio Arabella em silêncio. Ela desejava desesperadamente que


Marcus estivesse ali para ajudá-la. Mas por outro lado, não tinha nenhum desejo de ver-se confinada em uma carruagem fechada com ele quem sabe por quanto tempo, pois isso seria uma dura prova para sua força de vontade. Entretanto, sem ter em conta seus próprios desejos de cautela, não se atrevia atrasar-se. -Não tenho tempo para seguir aqui discutindo, Winifred. Se não me ajudar, alugarei uma carruagem na casa de postas. Arabella virou impaciente para ir-se, mas a voz de sua amiga a deteve. -OH, de acordo, muito bem! Terá minha carruagem e criados, mas e superou, não poderá dizer que não te adverti . -Não o farei -prometeu Arabella. Um quarto de hora mais tarde se recostava contra as almofadas de veludo enquanto o chofer de lady Freemantle açulava os cavalos. Cinco robustos criados a acompanhavam como escoltas, o que lhe permitiu lançar um suspiro de alívio quando por fim seguiram em marcha, em perseguição ao casal fugitivo. Pensou que o que tinha feito Sybil era deplorável, mas diante da ira e consternação que sentia respeito a sua atordoada aluna, até certo ponto a compreendia. Depois de tudo, a moça não era tão diferente dela mesma, incapaz de resistir a um pretendente sedutor. Seu alívio durou só algumas horas. A princípio, a carruagem ganhou tempo encaminhandose diretamente até a próxima cidade de Hammersmith, onde convergiam cinco estradas principais, para poder ir para o norte de Londres e tomar a estrada principal para a Escócia antes que escurecesse. Se não bastasse, depois disso se atrasaram muito, sendo que foram detendo em cada casa de postas para perguntar por Sybil e o canalha de seu pretendente. Para proteger a reputação da jovem assim como a sua própria, Arabella inventou uma história que Sybil era sua prima, que estava de viagem e ela a buscava com urgência porque sua mãe havia ficado doente gravemente. Mas infelizmente, nenhum dos criados nem os hospedeiros recordavam ter visto uma jovem dama de cabelo negro, com ou sem criada, ou acompanhada de um cavalheiro. Quando caiu a noite, o chofer de Arabella teve que diminuir o passo grandemente porque a luz da lua estava quase tampando por completo por nuvens negras que se deslizavam rápidas pelo céu. Quando se detiveram brevemente em uma estalagem para trocar os cavalos, outros viajantes comentaram que viria uma forte tempestade, diretamente em seu caminho. A previsão estava certa. As escuras nuvens se viraram rapidamente e logo rajadas de vento começaram a golpear a carruagem, fazendo com que se balançasse. Arabella percebeu o denso aroma da chuva no ar muito antes de ouvir as primeiras gotas estourar em cima do teto da carruagem. A tempestade descarregou com toda sua força meia hora mais tarde, açoitando-os com uma chuva segadora, interrompida por fortes estouros de relâmpagos e abundantes e sonoros trovões. O perigo se intensificou quando as rodas da carruagem começaram a deslizar-se precariamente. A estrada se tornou traiçoeira pelo barro e Arabella se encontrou agarrandose à correia para evitar ser jogada do assento cada vez que a carruagem se cambaleava sobre uma roda. A tensão fez presa dela, e não diminuiu ao sentir que o veículo reduzia a velocidade até deter-se, em alguns momentos. Quando o chofer abriu o pequeno painel de comunicação da carruagem, teve que gritar para fazer-se ouvir sobre a forte chuva. -É inútil, senhorita Loring! Não podemos seguir. Teremos que nos refugiar até que passe a tempestade. Arabella concordou, consciente de que não restava mais remédio que deter a busca no momento. Embora conseguissem não ser alcançados por nenhum raio, arriscavam-se a sofrer um grave acidente, e inclusive perder uma roda ou cair em uma sarjeta. -Podemos chegar até a próxima estalagem e hospedamos ali para passar a noite? -gritou ela sobre o estrépito. -Sim. Mais adiante a três ou quatro quilômetros, está o Pato e Pico. Mas não sei se poderei manter tanto tempo. Para sublinhar sua indicação, os céus voltaram a abrir-se, e um brilhante relâmpago de uma deslumbrante brandura iluminou a noite, seguido pelo enorme estrondo de um trovão, que


fez com que os assustados cavalos se precipitassem grosseiramente a diante. -Faça o que poder - respondeu Arabella agarrando-se de novo à correia, enquanto a carruagem se equilibrava caminho adiante. Por sorte, o chofer conseguiu refrear, mas sofreram outro atraso ao ter que soltar dois cavalos e guiar a pé os trêmulos cavalos sob a entristecedora tempestade. Era uma marcha pesada e difícil, entre o barro e a chuva torrencial, e avançavam a passo de caracol. Compadecendo aos pobres serventes e animais, que se achavam expostos à violenta tempestade, Arabella murmurou um juramento de frustração. Sybil devia estar muito cômoda, agasalhada na cama de uma estalagem, dormindo profundamente, enquanto seus perseguidores arriscavam sua vida e sua integridade física para alcançá-la. Por algum milagre, a carruagem chegou a salvo a Pato e Pico e se deteve capengando no deserto pátio do estábulo. A chuva ainda caía torrencial, e quando um de seus criados abriu a porta da carruagem entrou uma rajada de vento bastante forte para deixar Arabella sem fôlego. Teve que segurar sua capa com capuz estreitamente ajustada, quando chegou dentro da estalagem estava encharcada e tremendo. Mas o hospedeiro e sua esposa estiveram encantados em acomodá-la, prometendo procurar por seus serventes e cavalos, e lhe oferecendo o último quaro que ficava vazio. Não havia nenhum salão particular disponível, sendo que a estalagem estava repleta de viajantes que se detiveram ali por causa do mau tempo. Explicou sua falta de bagagem utilizando esse pretexto, dizendo que não tinha planejado deter-se para passar a noite, e contando a mesma história a respeito de que sua tia estava muito doente. Ao perguntar por sua «prima» Sybil, teve a satisfação de ouvir que um casal que coincidia com a descrição de Sybil e Onslow tinham trocado de cavalos e jantado ali fazia umas três horas; isso, dava a Arabella a segurança de que seguiam o caminho correto. A esposa do hospedeiro a conduziu a um pequeno, mas acolhedor quarto e acendeu o fogo da lareira; logo partiu prometendo subir breve com um pouco de sopa e vinho quente especial. Logo, um acolhedor resplendor ardeu bastante vivo para eliminar o frio do quarto, embora não o de seus ossos. Arabella tirou a capa encharcada, assim como os sapatos e meias, cobertas de barro, e os dispôs diante do fogo para que se secassem. Entretanto, não podia ficar quieta, e passeou com impaciência para cima e para abaixo sentindo-se impotente. A tempestade tinha estragado seus planos em alcançar aquela noite Sybil. Agora só podia confiar em que os fugitivos se vissem assim mesmo parados pelo espantoso tempo, e embora pudéssemos alcançá-los em algum momento no dia seguinte. Entretanto, por algum momento, a falta de atividade fez com que os pensamentos de Arabella vagassem por diferente caminho, dando voltas a seu próprio apuro: sua aposta com Marcus. Esfregando-os frios braços enquanto contemplava o fogo, perguntou-se se ele exigiria mais tempo para ganhar, sendo que não tinha permitido estar com ela durante todo o dia, e poderia não estar em casa no dia seguinte. E, a partir daí, começou a recordar sua encontro à luz da lua na noite anterior... como Marcus a tinha deixado de pé, seu esmagadora paixão... Ao compreender aonde a tinham conduzido suas erráticas reflexões, soltou um suspiro de desgosto e se afastou do fogo. De repente, sentiu-se esgotada. Sendo que não havia nada mais que pudesse fazer naquela noite, decidiu que tratasse de dormir, embora o som da tempestade provavelmente dificultaria. A chuva golpeava contra as janelas enquanto que o vento gemia nos beirais. Tentando ignorar o ruído, tirou o vestido, as anáguas e o espartilho, disposta a dormir com a blusa, por que não tinha camisola. Acabava de colocar uma manta pelos ombros para se esquentar quando ouviu uma suave batida na porta. Deveria ser a mulher do hospedeiro, que subia com a sopa e o vinho, Arabella cruzou o quarto para abrir a porta. Mas antes que pudesse fazer, a senhora disse: -Senhora, seu marido está aqui. «Marido?», surpreendeu-se ela. Enrolando-se na manta, abriu uma fresta para olhar. Seus olhos se abriram de repente, primeiro com surpresa e logo com regozijo. Marcus estava ali, no corredor, com seu formoso cabelo negro molhado, gotejando pela chuva e suas altas botas cobertas de barro. Os alforjes de couro que levava sobre um braço também


estavam ensopados, assim como seu chapéu. Dirigiu-lhe um frio sorriso, e Arabella compreendeu que tinha ido atrás dela. Que curioso ao vê-lo não só a enchesse de alegria, mas de repente fizesse com que se evaporasse todo seu cansaço e sua tristeza. -Estou aqui, querida! -disse abrindo a porta e passando por seu lado para entrar no quarto. Me alegro muito por ter chegado. CAPITULO 15 É deplorável ver quão poucas defesas tinha contra ele. Depois de deixar o chapéu e os alforjes sobre uma mesa, Marcus se virou para observar o formoso rosto de Arabella com uma mistura de fúria e alívio. Alívio que estivesse a salvo e de que ele tivesse conseguido alcançá-la. Fúria porque se expos a um perigoso encargo sozinha, sem pensar absolutamente em sua própria segurança. Pelo menos não tinha negado sua pretensão de ser seu marido diante da proprietária da estalagem. Evidentemente, Arabella compreendia a necessidade de abonar sua mentira para proteger sua reputação, porque lhe dedicou um sorriso de boas-vindas. -Não esperava que me seguisse, querido Marcus. -Eu não deixaria que fizesse uma viagem tão longa sozinha, sem meu amparo, amor respondeu ele secamente. -Não desejava te incomodar com meus problemas. Quando ele a olhou com as pálpebras entreabertas, os luminosos olhos cinza de Arabella devolveram tranqüilos o olhar. Alguém que pigarreou cortesmente recordou a ambos que não estavam sozinhos; a senhora esperava lá fora, na porta do quarto. A mulher assinalou a bandeja que sustentava. -Trago uma jarra de vinho especialmente quente para sua senhoria, milorde, e um pouco de sopa. -Deixe-o na mesa, por favor -pediu Marcus. -Posso trazer mais se desejarem. -Não será necessário. Seguro que minha esposa está disposta a compartilhá-lo. -Certamente -conveio Arabella complacente. A mulher entrou no quarto, depositou a bandeja junto aos alforjes e deu meia volta para irse. -Se deixar suas botas lá fora, amanhã as terei limpado, milorde. Marcus dirigiu um olhar a suas danificadas botas. -Duvido que alguém possa as salvar. Mas agradeceria que tivesse o café da manhã disposto ao amanhecer. Desejamos partir cedo pela manhã. -Sim, milorde. Com uma reverência, a esposa do hospedeiro se retirou, fechando a porta atrás dela e deixando por fim Marcus só com Arabella. -Estou esperando sua explicação, querida -disse ele com um tom de voz perigoso. -Explicação? -repetiu ela perplexa. -Lady Freemantle me contou da fuga e seu plano para tentar detê-la. O que desejo saber é por que não esperaste que eu voltasse. Arabella o olhou atônita ao seu zangado tom. -Não tinha alternativa, Marcus. A situação era muito urgente. Em qualquer momento, Onslow pode perfeitamente seduzir Sybil. Embora se case com ela, não pode ser um matrimônio sólido. -Essa não é desculpa para que arrisque sua própria segurança. Ela o olhou com fixidez. -Não posso acreditar que esteja zangado comigo! Estou preocupada porque minha aluna pode ver sua reputação arruinada por um desalmado. E essa garota é minha responsabilidade. Marcus avançou para ela. -E você a minha. -Agarrou-lhe o queixo com os dedos e a obrigou a olhá-lo-. Enquanto seja seu tutor, estou obrigado a velar por sua segurança. E tutor ou não, não vou permitir que te aconteça nenhum mal. Se tiver problemas, espero ajudar. Ela ergueu o queixo com obstinação.


-Sou perfeitamente capaz de dirigir este assunto por mim mesma. -Isso é discutível. Mas em todo caso, não penso te deixar sozinha nesta batalha. -Não estou sozinha! Trouxe um exército de serventes comigo como amparo. -De modo que pensa enfrentar-se fisicamente com Onslow? -Sim, se for essa a maneira de obrigar a deixar Sybil. -Isso não parece muito inteligente quando há melhores meios para convencê-lo. Arabella apertou os lábios com firmeza enquanto ambos permaneciam cara a cara, olhando-se com ferocidade. Mas então, a expressão de Arabella cedeu. -Tem razão, certamente. Não desejo usar a força bruta. Para ser sincera, sinto-me aliviada de que esteja aqui. Eu não gosto da idéia de tratar com Onslow sozinha. -Confio que não. Arabella franziu a testa. -Mas tenho que detê-los, Marcus. Embora Sybil saía ilesa, uma fuga acabará com a boa reputação de nossa escola. A angústia em sua voz era evidente e a fúria de Marcus se dissipou em parte. -Mesmo assim, deveria ter contado comigo. -Talvez sim. -Esboçou um leve sorriso-. Certamente, agradeço sua ajuda. Ao ver que ele não dizia nada, olhou seu encharcado capote. -vieste a cavalo baixo desta espantosa tormenta? -Por desgraça, sim; uma carruagem teria sido muito lenta quando você já tinha duas horas de vantagem. -Lamento que tenha acontecido. Dirigiu-lhe um severo olhar. -Se trata de suavizar meu aborrecimento, não funcionará. -Não? -Arabella o olhou com uma semi sorriso dançando em seus lábios. -Talvez fosse mais cômodo seu humor seria menos frio. Tire esse capote molhado e bebe um pouco de vinho quente. Deve estar totalmente gelado. Ao não encontrar nenhuma razão racional para discutir -embora o desejava de modo perverso-, Marcus tirou o objeto encharcado e pendurou em um gancho na parede, para que se secasse, enquanto Arabella se aproximava da mesa e servia um pouco de vinho especial em uma taça. A entregou e logo retornou junto a lareira, para esquentar-se diante o fogo. Marcus bebeu o vinho enquanto a observava. Seu cabelo molhado, que caía solto sobre os ombros frisando-se o ao redor do rosto, cintilava como bronze. Deslizou a vista até os pés descalços da jovem, que apareciam sob a manta que levava sobre os ombros. Ao perguntar-se se estaria nua, excitou-o imediatamente, mesmo tendo o corpo semi congelado pelo rude tempo. Dominando sua luxúria, aproximou-lhe a taça. Beba. Parece estar sentindo frio como eu. Arabella pegou e bebeu enquanto o olhava. -Se tivesse em casa, teria solicitado sua ajuda, Marcus. Com semelhante desculpa, ele compreendeu que seria muito ruim seguir discutindo. Por fim, ela só tratava de proteger a sua imprudente aluna, assim como a sua academia. Todo aquilo pelo qual Arabella e suas irmãs tinham trabalhado tão esforçadamente Durante os últimos três anos, achava-se em perigo. E para falar a verdade, ele não podia negar a admiração que lhe provocava. Estava preocupado com sua segurança, e terrivelmente aborrecido porque se pôs em perigo lançando-se ao resgate da incorrigível garota, mas tinha que reconhecer a coragem de Arabella em ficar em perigo para proteger às jovens que se achavam a sua responsabilidade. Arabella era muito independente, por assim dizer. Estava ainda observando seu rosto, como tamanha era a profundidade de sua tristeza. Finalmente, disse em um tom suave e implorante: -Não desejo que briguemos, Marcus. E você? -Tampouco -respondeu ele asperamente, com o ânimo ainda aceso depois de persegui-la durante várias horas. -Talvez deveríamos decretar outra trégua. Marcus a olhou com atenção. -No que está pensando? A jovem dirigiu a vista para a única cama, e engoliu a saliva. -Como havia dito, ambos estamos gelados. Podemos nos esquentar mutuamente. Era um claro convite para que fizessem amor, e a perspectiva teve o efeito de apaziguar seu


aspecto até certo ponto. Era a primeira vez em sua relação que Arabella se insinuava. -Muito bem, uma trégua. -assentiu mais acalmo. Tomou o resto do vinho, deixou a taça de um lado e começou a despojar-se de suas roupas, começando pela jaqueta, e seguindo logo pelo colete e as botas. Atirou para um lado seu lenço de pescoço e tirou a camisa, as calças e a cueca; continuando, pendurou os objetos para que se secassem. Completamente nu, apagou a chama da vela que se achava sobre a mesa, deixando o quarto iluminado só pelo quente resplendor do fogo. Enquanto avançava para Arabella, esta deixou cair a manta de seus ombros. Marcus se deteve em seco, ficando sem fôlego. A luz do fogo revelava sua beleza através da transparente tecido de sua blusa, enquanto seus cabelos, esparramados a seu redor, pareciam uma gloriosa e ondulante cabelo de fogo. Quando finalmente avançou até deter-se diante dela, Arabella soltou um suave sorriso. -O que é tão divertido? -perguntou ele. -Isto. Sua simulação de que somos marido e mulher. -Tocou-lhe nos lábios com a ponta dos dedos. -Não é isso o que estiveste desejando a todo momento, Marcus? Poder me chamar de sua esposa? Sim, era exatamente o que desejava. Enquanto a olhava, sua fúria e sua frustração se atenuavam para ser substituídas pelo desejo e uma fervente ternura. Ainda se achava aturdido pela descoberta de que amava Arabella. Mas agora sabia que não era uma fantasia passageira, nenhuma obsessão. Era um sentimento intenso e profundo. Ela era a mulher com quem desejava passar o resto de seus dias. Sentia uma candente necessidade em seu profundo interior. Um anseio e uma veracidade que pediam para ser saciadas... Sem afastar a vista, Marcus avançou ainda mais. Pretendia pedir, que aceitasse que lhe pertencia. Fazer-lhe sentir a necessidade que ele experimentava. Com essa silenciosa promessa, agarrou Arabella, despojou-lhe de sua camisa e a atraiu nua entre seus braços. Durante um longo momento, simplesmente a estreitou contra si, misturando o frio de seus corpos e fundindo-se no calor de seus olhares. Cabia-lhe pouca dúvida de que podia consegui-la fisicamente, mas agora era sua alma o que desejava. Notando que seu coração começava a acelerar, Marcus se inclinou para beijá-la brandamente, um doce roçar que revelava pouco do selvagem desejo que ardia em seu interior. Entretanto, quando seus lábios se encontraram com os dela, assaltou-o uma nova emoção. Anteriormente, nunca tinha experimentado aquilo: fazer amor com a mulher que amava. Era um sentimento extraordinário. Mantendo suas bocas fundidas, Marcus a conduziu a cama e se deixou cair sobre ela arrastando-a consigo. Arabella o seguiu adaptando seu corpo a sua magnífica figura como se estivessem prontos para se encaixarem mutuamente. Ofegante, devolveu o beijo de Marcus com igual intensidade, agarrando o pelo cabelo com as mãos enquanto, cegamente, procurava o prazer que ele representava. Deixar que lhe voltasse a fazer amor era sem lugar de dúvidas um engano, entretanto, não podia negar o gozo de estar com ele pela última vez. Desejava-lhe com um anseio que era quase aterrador. Quando essa necessidade chegou a ser insuportável, Marcus assumiu de novo o controle, rodando sobre ela e lhe segurando os braços por cima da cabeça enquanto lhe abria as coxas. Arabella se entregou com entusiasmo enquanto ele a penetrava profundamente. Com o coração acelerado, olhou à dourada luz do fogo seu formoso rosto escurecido de desejo. -Não tenho força quando estou com você -sussurrou-lhe com voz rouca. -Parece-me algo condenadamente boa -disse ele com voz áspera e agradável, sendo que eu tampouco a tenho com você. Então começou a mover-se, forte e vital, enchendo a de paixão com sua avidez. Em alguns momentos, Arabella estava soluçando... E logo chegou ao clímax, tão formoso e terrível como em todos seus anteriores atos amorosos . Ela gritou de êxtase enquanto se retorcia debaixo dele e Marcus se estremecia e gemia pela mesma força.


Depois, ficaram ambos ofegantes, incapazes de mover-se. Arabella desejava que ele permanecesse em seu interior daquele modo para sempre, desejava que aquela noite não acabasse nunca. Marcus enchia o vazio que sentia, a fazia sentir-se completa. Mas ao mesmo tempo, ele se deitou ao seu lado atraindo-a para si. Seus braços a envolveram possessivos e a sustentou assim, meigamente, enquanto enlaçava as pernas com as suas. Arabella podia sentir o pulsar do coração de Marcus em suas costas, ao mesmo tempo que seu próprio coração palpitava com força, agitado pelas caóticas emoções que a enchiam. Estava assustada ao compreender o bem que sentia com Marcus. Fechou os olhos. Gostava muito, desejava excessivamente estar com ele. A alegria que tinha experimentado ao vê-lo tinha sido comovente. Por mais que lamentasse que sua aposta estivesse a ponto de concluir. Suspirou profundamente e se estremeceu. -Tem frio? -A rouca voz de Marcus rompeu o silêncio. -Não... Agora não. Acariciava-lhe o braço nu de uma maneira que a tranqüilizava e a confortava, mais que excitá-la. Compreendeu que sua protetora ternura era ainda mais perigosa que sua paixão, porque isso o fazia reconhecer os próprios sentimentos que pugnava com força em seu coração. Sabia que tinha que encontrar urgentemente ao Sybil. Não havia nenhum modo em que pudesse resistir ao Marcus se tinha que fazer sozinha com ele todo o caminho até Escócia; porque prosseguir com sua tenra intimidade a deixaria totalmente sem defesas, e mais vulnerável que nunca. Partiram na carruagem de lady Freemantle na primeira hora da manhã. Mover-se depressa era básico porque Marcus pensava que Sybil e Onslow provavelmente teriam chegado no dia anterior bastante longe para não pegar o pior da tempestade. Embora, para grande frustração de Arabella, só podiam avançar a passo de tartaruga. Depois do toró, as estradas eram um atoleiro, e inclusive a carruagem de Winifred, com boas molas de suspensão, tinha dificuldades para manter o equilíbrio enquanto estalava, chapinhava e corcoveava sobre inumeráveis buracos. O dia era fresco e cinza, o que intensificava o aspecto preocupado de Arabella. Havia sentido além disso um leve alarma quando, pouco depois de deixar a estalagem, Marcus tirou duas pistolas de seus alforjes para comprovar se estavam carregadas. -Marcus -disse incômodo-, não te proporá desafiar Onslow em duelo, verdade? Seu pai tinha morrido em um, e a jovem se estremecia só de pensar em correr algo assim. -Não, não lhe desafiarei - respondeu ele secamente. -Um duelo chamaria muita atenção sobre o assunto. Devemos evitar um escândalo, não provocá-lo. O alívio se fez presente nos traços de Arabella. -Sim, exatamente. -Não pretendo as utilizar, mas desejo estar preparado para qualquer eventualidade. Ela se agarrou à correia enquanto a carruagem ricocheteava em uma rodada. -Não desejo considerar sequer que terei que disparar contra ele. Entretanto, se nos vemos obrigados a fazer Onslow entrar em razão, reconheço que me sentiria muito mais tranqüila se utilizasse só os punhos. Marcus a olhou divertido. -Nada de sangue, não? -Com certeza - murmurou ela. -Esperava que estivesse mais furiosa com essa menina. É provável que ela tenha sido a instigadora da fuga, não acha? Arabella suspirou. -Isso é possível. Sybil é muito malcriada e é enormemente inconsciente. Mas não a considero um caso perdido. Quero devolvê-la sã e salva, e sem que ninguém mais se inteire de sua fuga. Em especial seu pai. -Não se preocupe, encontraremos os dois - tranqüilizou-a Marcus. -Só confio em que seja a tempo -respondeu Arabella, tratando de acalmar sua ansiedade. De modo quase milagroso, sua confiança obteve sua recompensa uma hora depois, quando se encontraram com uma carruagem fechada a um lado da estrada, inclinada em um ângulo anormal depois de ter perdido uma roda. Rogando que o veículo pertencesse a Onslow, ela conteve o fôlego enquanto Marcus investigava. Não havia rastro de cavalos, chofer nem passageiros, embora no porta-malas viram uma mala com três lenços com as iniciais de


Sybil. Arabella não sabia se sentia aliviada ou alarmada. -Talvez tenham ido andando até a próxima casa de postas em busca de alguém que repare a roda -sugeriu Marcus. Arabella negou com a cabeça. -Não imagino Sybil percorrendo nem a mínima distância. É mais provável que ela tivesse esperado aqui, na carruagem, a que os criados solucionassem o problema. -Se fosse assim, a teria surpreendido a tempestade... -Marcus olhou em torno, inspecionando o campo. -Ali. -além de um campo de ervas altas se levantavam as ruínas de um antigo palheiro de feno que faltava a metade do teto-. Poderiam haver-se refugiado nesse estábulo abandonado. Arabella o olhou admirativa enquanto ele pegava suas pistolas na carruagem. A ela nunca teria ocorrido procurar ao fugitivos em um estábulo, fora do caminho. Tampouco tinha pensado que Marcus se apresentaria armado. Estava certamente muito contente tele estar com ela. O conde estendeu uma pistola ao chofer e levou a outra enquanto agarrava Arabella pelo braço para ajudá-la a andar no desigual e escorregadio terreno. Seguido dos criados, foram para as ruínas. Achavam-se apenas a uns doze metros quando Arabella ouviu vozes que discutiam. Uma grande onda de alívio a invadiu enquanto reconhecia as queixosas manifestações de Sybil. Fez-lhes gestos ao chofer e aos criados para que aguardassem e olhou para Marcus sussurrando: -Me deixe falar primeiro, por favor. -Muito bem -acessou ele, embora permanecesse atrás dela com a pistola apontada. Arabella apressou seus passos, mas se deteve ao chegar a grande porta do estábulo, que pendia de suas dobradiças. No escuro interior pôde distinguir Onslow passeando impaciente. Sybil não a viu, mas sua estridente voz chegava de acima, da beira do palheiro, declarando sua desgraça enquanto sustentava que o senhor Onslow era um homem cruel. Ele levou um bom susto ao ver Arabella, mas para sua surpresa, uma inconfundível expressão de alívio alagou seu rosto. Ficou imóvel ao ver Marcus segui-la empunhando uma pistola. O jovem empalideceu, mas quadrou avançou decidido. -Senhorita Loring -disse em tom fervente-, não pode imaginar quão contente estou em vê-la. Ao ouvir sua saudação, Sybil interrompeu repentinamente sua discussão. Por um instante, olhou sobre a borda do palheiro, observando a cinza penumbra em baixo. -OH, senhorita Loring! Graças a Deus que veio me resgatar. Este vilão me raptou! Onslow dirigiu um mordaz olhar à moça. -te raptei! Não fiz tal coisa. -Negou a me levar para casa quando te pedi. O que é isso a não ser um rapto? -Neguei-me porque estávamos na metade de uma tempestade, condenada tola. Com o rosto contraído pela fúria, Sybil com os braços na cintura. -Não há nenhuma necessidade de me amaldiçoar... malvado! Se não fosse tão mesquinho, teria alugado uma carruagem com melhores roda e decentes. Juro que estou doente de me sacudir ontem todo o dia. -A carruagem que aluguei era perfeitamente adequada. Foi questão de má sorte que se rompesse a roda. E não pode me censurar por sua obstinação. Poderíamos haver ficado em uma estalagem, mas te negou a te sujar os sapatos andando até o próximo povoado. -Certamente que me neguei! -gritou Sybil-. Não desejava ser vista em público em tal estado de desalinho. Arabella pensou que realmente estava desalinhada. Tinha o cabelo alvoroçado e cheio de fibras de palha, e seu casaco sujo e manchado. E sem dúvida tinha frio e fome. Embora antes que Arabella pudesse dizer algo, a garota seguiu destrambelhando contra Onslow. -Além disso, não desejava passar a noite com você a sós, sem nem sequer minha criada para nos fazer companhia! Mas claro, insistiu em deixar Martha naquela casa de postas porque é muito miserável para gastar mais para alojá-la durante a noite. -Foi idéia tua despedir de sua criada e enviá-la para casa! E a tempestade tampouco foi minha culpa.


Onslow olhou para Arabella pedindo desculpas. -Não pretendíamos passar a noite aqui, senhorita Loring. Achava que meu chofer retornaria com uma roda nova, mas logo aumentou o vendaval, por isso nos vimos obrigados a refugiamos aqui. -Ainda assim é imperdoável que me tenha tratado de forma tão abominável! -balbuciou Sybil-. Me fez dormir em um estábulo! Arabella reprimiu um sorriso. A indignação da moça poderia ter sido divertida se a situação não fosse tão grave, mas pelo menos lamentava sua precipitada ação de fugir-se com Onslow; sendo que ele, ao que parece, não podia permitir mantê-la com o luxo ao qual estava acostumada. Adotando uma severa expressão, Arabella entrou no estábulo. -Sybil, por favor, deixa de gritar e venha aqui. -Irei quando partir esse vilão. Onslow levantou o olhar para o desmoronado teto, como se desse graças ao céu por sua libertação. -Graças a Deus que você está aqui, senhorita Loring - prosseguiu a jovem. -Fui uma tola ao pensar que desejava me casar com o senhor Onslow: Decepcionou-me espantosamente. Agora estou por completo convencida de que em todo momento só foi atrás de minha fortuna. Diante dessa afirmação, Arabella conteve o apresso de proferir uma réplica sarcástica, e simplesmente repetiu sua ordem. -Sybil, desça até aqui. A moça desapareceu por um instante e logo se moveu com cuidado pela beirada do palheiro para descer pela desvencilhada escada. Uma manobra que era difícil, Sendo que levava um chapéu na mão e se negava a soltar. Enquanto ela seguia descendo lentamente, Arabella se virou para Onslow com fulminante olhar. -Deveria sentir-se envergonhado ao perseguir jovens inocentes, senhor Onslow: -Asseguro-lhe, madame, que a senhorita Newstead não é nenhuma inocente. -murmurou. É uma víbora que se faz passar por uma mulher. Arabella teve que apertar os punhos enquanto se continha para não lhe causar um dano físico. Como se pudesse ler a sua mente, ele levantou ambas as mãos a modo de rendição. -Não a toquei, senhorita Loring, juro. Felizmente, recuperei o julgamento a tempo. Não poderia suportar ficar nem dois dias casado com esta malcriada diaba, e muito menos toda uma vida. Arabella sentiu uma grande onda de alívio ao saber que Sybil ainda era virgem. Pelo menos, essa parte do desastre tinha sido evitada. Trocou um eloqüente olhar para Marcus, que então se adiantou. Onslow, nervoso, retrocedeu um passo. -Milorde... -Olhou a pistola alarmada. -Não disparará em mim, verdade? -Não, se sumir de minha vista nos próximos dez segundos. -Sim, certamente... Dirigia-se já para a porta quando Marcus lhe disse: -Ah, Onslow, quando sua carruagem estiver concertada, prosseguirá sua viagem a Escócia, onde permanecerá um tempo prolongado! Se voltar a aparecer perto de Chiswick, e se voltar a ouvir que tentou recuperar sua fortuna fugindo-se com uma herdeira, enfrentaremos em duelo, e nada o salvará de receber um balaço. Fui claro? Seu tom era frio e inexpressivo, e foi claro que Onslow acreditou, porque empalideceu de maneira visível. -Perfeitamente, milorde. Mas não tem que preocupar-se, aprendi a lição, juro. Quando Marcus assinalou a porta com a pistola, Onslow saiu correndo do estábulo como se o próprio demônio o perseguisse. No silêncio que seguiu, Sybil se aproximou de Arabella e inclinou a cabeça com humildade. -OH, senhorita Loring! Você poderá me perdoar? Incapaz de acreditar em tal docilidade, Arabella olhou à moça entreabrindo os olhos. -Não me ocorre nenhuma razão pela qual deva fazê-lo. -cometi um espantoso engano ao acreditar que desejava me casar com esse covarde caça


fortunas. -Sim -respondeu ela mordaz. -Não tem o menor sentido, Sybil. A jovem torceu com estupidez as cordas de seu chapéu. -Pareceu-me que uma fuga séria romântica. -E não pensou absolutamente no futuro. Não considerou o que aconteceria dentro de dois dias, nem muito menos dentro de vinte anos. -Arabella suavizou seu tom. -No melhor dos casos, o matrimônio é um risco. Por causa de sua imprudente irreflexão poderia ter sofrido durante o resto de sua vida. Com essas palavras, deu meia volta para sair do estábulo. Sybil se apressou atrás dela, sem soltar seu chapéu. -Não contará a meu pai que fugi verdade? -Ainda estou pensando o que vou fazer a respeito. -Por favor, não diga, senhorita Loring! Ficará tão furioso que me tiraria da escola, e eu não desejo sair dali. Minha apresentação na sociedade não terá lugar até a próxima Temporada. Arabella não disse nada mais até que chegaram à estrada. -Sobe -ordenou a Sybil enquanto uma criado se apressava em abrir a porta da carruagem. A moça obedeceu em silêncio, e ela entrou atrás, se sentando ao seu lado enquanto Marcus guardava seu chapéu no porta-malas e um criado pegava a mala na carruagem de Onslow. Depois de uma breve troca com o chofer sobre dirigir-se até o próximo cruzamento, a fim de ter espaço para fazer virar a carruagem, Marcus se reuniu com elas no interior. Quando o veículo seguiu em marcha, Sybil falou de novo em tom implorante. -Por favor, senhorita Loring, não diga a meu pai. Se tiver que deixar a academia não estarei preparada para minha apresentação. A partir de agora me comportarei com absoluta correção, juro: serei um perfeito anjo. Arabella arqueou friamente uma sobrancelha. -E que razões tenho eu para confiar em sua palavra depois disso? A moça parecia desesperada. -Sei que fui muito tola, senhorita Loring, mas confio que você possa encontrar clemência em seu coração para me perdoar. -Havia uma nota de sinceridade em sua voz que soava autêntica. -Por favor, não poderia manter isto entre nós? O rogo. Arabella guardou silêncio por um longo momento e logo a olhou como se tivesse tomado uma decisão. -Muito bem, manteremos entre nós... se isso for possível, dadas as circunstâncias. A carruagem reduziu então a marcha para virar, e pouco depois se dirigiam para Londres. -Vai me levar para escola? -perguntou Sybil com voz firme. -Não imediatamente. Ficará com lady Freemantle um ou dois dias. Diremos que ficou doente e que eu te levei a Londres para que consultasse o doutor de sua senhoria. Estará dois dias te recuperando em sua casa. Se lady Freemantle responder publicamente por você, isso bastará para desmentir os piores falatórios e evitar qualquer dano permanente a sua reputação. -OH, obrigado, senhorita Loring! Arabella dirigiu à moça um travesso olhar. -Talvez não se sinta tão agradecida quando estiver convivendo com sua senhoria. Ela não será tão indulgente com alguém que, de maneira tão irrefletida, pôs em perigo sua academia. Duvido que seja agradável a experiência. Arabella captou o divertido olhar de Marcus e desviou a sua com rapidez. Por uma parte, sentia-se enormemente aliviada por ter encontrado Sybil; seu problema estava resolvido, ou estaria se pudesse ocultar a verdade da fuga. E, em adiante, a irritante jovem provavelmente pensasse duas vezes antes de causar mais problemas. Por outra parte, ainda tinha que enfrentar-se ao maior problema, Marcus. Mordeu o lábio inferior enquanto contemplava a paisagem que passava diante de seus olhos. Pelo menos, a companhia de Sybil economizava a tentação de qualquer nova intimidade com ele. Ainda estava muito zangada com a garota, mas mesmo assim, alegrava-se muito de sua presença até chegar em casa e estar a salvo com suas irmãs. CAPITULO 16 Sou dez vezes tola por me permitir voltar a apaixonar.


A última hora da tarde, deixaram Sybil com lady Freemantle e retornaram à mansão Danvers na carruagem de sua senhoria. Só com Marcus no caminho de volta para casa, Arabella era muito consciente de sua presença. Notava os nervos no estômago, que lhe esticaram ainda mais quando o veículo se deteve com estrépito diante da residência e ela pôde sentir seu penetrante olhar contemplando-a. -Obrigado por me ajudar a resgatar Sybil -Disse para romper a tensão. -Não tem importância. estive encantado em colaborar. Marcus abriu a portinhola, desceu e logo ajudou ela a descer. Com seu simples contato, Arabella se estremeceu de desejo. Graças a Deus, sua aposta quase tinha concluído. Só faltava uma última noite. -Me desculpe se te deixar tão bruscamente. -murmurou-, mas devo ir em busca de minhas irmãs e as tranqüilizar a respeito de Sybil. -Certamente. -disse ele com suavidade enquanto a seguia pelo passeio de cascalho até a escada principal. -Mas eu gostaria de falar com você em particular antes do jantar. Por que não se reúne comigo em minha biblioteca dentro de uma hora? -Muito bem -replicou Arabella apressando-se a entrar na casa. Como imaginava, suas irmãs estavam aguardando sua chegada, pois saíram a seu encontro na entrada principal. -Tiveram êxito? -murmurou Roslyn, ansiosa em inteirar-se das notícias, mas evitando comentar a finalidade da viagem diante dos serventes. -Por sorte, sim -respondeu ela. -Explicarei isso a vocês se me acompanharem lá em acima. Lily observou Marcus antes de virar-se para seguir Arabella a seu quarto, onde ela relatou os acontecimentos do dia anterior omitindo o fato de que tinha passado a noite nos braços de Marcus. Mas uma vez tranqüilizadas a respeito da segurança da jovem fugitiva, suas irmãs passou a se interessar por ela. -Está bem, Belle? -perguntou Lily preocupada. -Lamento que não pudéssemos estar com você para te proteger do conde. Sabendo que te seguindo, teríamos tratado de lhe acompanhar. -Estou bem -assegurou-lhe ela. -Acredito que fosse capaz de resistir a ele. Arabella tratou de sufocar o rubor que subiu em suas bochechas. –Me arrumei muito bem respondeu. Por sorte, depois de manhã não terei que me preocupar mais com ele. Disse-me que quer falar comigo esta noite, antes do jantar. Suponho que deseja comentar a resolução de nossa aposta. -E o que te propõe a dizer? -perguntou Roslyn. Arabella esboçou um sorriso. -Que ganhei, certamente. Sua irmã a olhou pensativa, mas Lily pareceu aliviada. -Bem! -exclamou a jovem terminando. -Que compreenda que não tem nenhuma possibilidade de casar-se com você. -Não, não tem. Muito mais tranqüilas, Roslyn e Lily chamaram sua criada e deixaram sozinha Arabella para que se banhasse e vestisse. Ela passou o tempo preparando cuidadosamente seu discurso para Marcus, mas tinha todo um exército de mariposas dentro do estômago quando por fim desceu a seu encontro. Estava na biblioteca, sentado diante de sua mesa, ocupado escrevendo uma carta, mas deixou a pluma assim que a viu entrar. Esboçando um sorriso, levantou-se e rodeou a mesa para saudá-la. Com seu avanço, Arabella se deteve bruscamente. Marcus a olhou com curiosidade. -por que está tão nervosa, querida? Não vou equilibrar-me sobre você. -Não estou nervosa. -Então, por que está perto da porta aberta, como assegurando uma fuga? -Não confio em mim mesma estando a sós com você, se o quer saber. Ele sorriu de novo e baixou a voz. -Não pretendo fazer amor precisamente neste momento, Arabella. Não, quando devemos manter uma séria conversa. Agora fecha a porta para que ninguém nos ouça. Obedeceu a contra gosto e logo se arriscou a entrar. -Suponho que te propõe comentar seus planos para amanhã o que vais fazer, retornará a Londres?


Ele inclinou a cabeça. -Por que deveria fazer isso? -Porque então já teria concluído nossa aposta. Apostou que poderia me convencer a aceitar sua proposta de matrimônio se permitisse me cortejar durante duas semanas. Bem, as duas semanas concluem amanhã pela tarde, e eu cumpri as condições acordadas. Uma significativa pausa seguiu a sua observação. Marcus deu então um passo para trás e se apoiou na mesa. -Vêem aqui, Arabella. -para que? -Porque lhe peço isso. Ela avançou cautelosa até deter-se diante dele. Sem deixar de olhá-la nos olhos, Marcus a agarrou pela mão e a atraiu mais perto de si. Ela ficou sem fôlego, enquanto um quente estremecimento percorria seu corpo, embora, fazendo provisão de sua força de vontade, pressionou suas mãos contra seu peito. -O que acha que está fazendo, Marcus? -Estou reatando meu cortejo. Arabella engoliu a saliva. -Não precisa me fazer outra proposta. -Permito-me discordar. Nossas circunstâncias mudaram muitíssimo desde que te propus matrimônio pela primeira vez. -Não o suficiente para que mude algo. Marcus arqueou uma sobrancelha. -Não? Arabella conseguiu soltar-se sem lutar, o que há surpreendeu um pouco. -Não. -repetiu enquanto retrocedia. Logo, esforçando-se por deixar de retirar-se, começou o discurso que tinha preparado. -Marcus... eu gostaria de te agradecer sinceramente tudo o que tem feito por minhas irmãs e por mim, assim como por Sybil. Foi muito amável de sua parte tomar tanto interesse por nosso bem-estar, mas sua tutoria está quase acabando. Amanhã, já não é mais responsável por nós. -Não desejo renunciar a minha responsabilidade sobre você. -Mas deve fazê-lo se é que quer cumprir nosso trato. Ele a olhou fixamente, observando seu rosto. -OH, cumprirei! Mas existe um pequeno problema. Ela perguntou precavida. -Que problema? -Sigo querendo me casar com você, Arabella, só que minhas razões mudaram. Já não desejo um matrimônio de conveniência. -Que desejas então? -Um enlace por amor - respondeu com suavidade. -Desejo um matrimônio autêntico com você... porque te amo. Suas palavras a deixaram sem fôlego. De repente, lhe formou um nó no estômago diante de sua incrível declaração. -Você não me ama, Marcus - encontrou por fim as forças para responder. Ele a olhou divertido com seu ceticismo. -OH, sim, certamente que te amo! Verá, o amor é uma experiência nova para mim, por isso demorei um tempo para compreender o que estava se passando. Mas não fui o mesmo homem desde que me desafiou em meu salão, com minha própria espada. Ao ver que permanecia muda, Marcus prosseguiu: -Sabia que tinha me fascinado, que constantemente acossava meus pensamentos. Mas pela primeira vez que te beijei, não compreendi a razão. É porque me faz sentir vivo, Arabella. Uma preciosa qualidade para minha existência. -Você… -A voz lhe saiu tão rouca, que teve que engolir a saliva antes de prosseguir. -Você só me considera interessante porque digo o que penso, porque não te dou adulação, como todas as mulheres que conheceu. -Certo isso faz parte de seu atrativo, mas o efeito é muito mais profundo, e é como me faz sentir. Desconcertada e com o coração palpitando, ela retrocedeu outro passo. -Você não me ama. Só diz isso para ganhar nossa aposta. Com um insinuante sorriso formando-se em seus lábios, Marcus negou com a cabeça. -Lamento, anjo, mas você não pode me dizer o que sinto. A realidade é que te amo


profundamente. E nossa aposta não tem nada a ver com isso. Arabella sentiu empalidecer. Não acreditava no que Marcus lhe dizia. Não podia permitir acreditar. Tinha percorrido antes esse doloroso atalho; um pretendente declarando seu amor. Enlaçou os dedos e comprovou que tinha as mãos úmidas. -Meu prometido afirmava me amar -murmurou por fim-, e fui bastante tola para acreditar. Não voltarei a ser tão tola, Marcus. Viu como ele apertava os lábios, aborrecido. -Quantas vezes tenho que dizer isso Eu não sou seu prometido. Ao ver que se estremecia com seu brusco tom, aspirou com lentidão. -Compreendo que te seja difícil confiar na verdade de minha declaração, Arabella, mas te prometo que isto não é um subterfúgio para conseguir sua capitulação. Amo-te. Desejo me casar com você e que tenhamos filhos. E desejo passar o resto de meus dias junto a você, te fazendo feliz. Ela o olhou nos olhos. -Estou segura de que o que sente por mim é só passageiro. Não demorará para superá-lo... -Não, não superarei. O que sinto é real, e não tenho nenhuma dúvida a respeito de que durará. É amor, Arabella. -Fez uma pausa e a observou atentamente. -Pela aterrorizada expressão de seu rosto vejo que você não corresponde a meus sentimentos. Mas isso não importa. Chegará a me amar. -Não -sussurrou ela. Entretanto, sua resposta não era uma negativa a seu futuro sentimentos, a não ser uma firme compreensão dos atuais. Ela já amava ao Marcus. Por todos os diabos!, o que tinha feito? De repente, seus lábios se aceleraram, quase não podia respirar. -Não -repetiu com voz rouca e baixa. Como tinha podido ser tão tola por voltar a apaixonar-se? Nesse momento havia autêntico temor em sua voz, o que paralisou Marcus durante um longo momento, até que cruzou a biblioteca aproximando-se dela, que tremia sob seu olhar. -O que devo fazer para te convencer? –disse por fim em tom firme. Arabella fechou os olhos, presa pelo pânico. Tinha prometido manter seu coração a salvo, mas tinha fracassado. Como uma absoluta tola tinha cometido o mesmo engano de quatro anos atrás. E a final era muito provável que acabasse sendo o mesmo. Como tinha se negado a reconhecer seus sentimentos por Marcus, quando já era muito tarde para proteger-se? Durante dias tinha à idéia de que sua relação era puramente física, de que não sentia nada mais profundo por ele. Mas todos os indícios estavam ali. Simplesmente, ela não queria vê-los. Com cada beijo, com cada carícia, tinha alcançado profundamente sob seu feitiço. Amava-o. Que os céus a ajudassem. Agora só podia confiar em tratar de vencer seus traiçoeiros sentimentos antes de sofrer uma dor mais angustiante. Esforçando-se por tranqüilizar-se, endireitou os ombros e se obrigou a apagar toda expressão de seu rosto. Negava-se a repetir a história, acreditar no amor de um homem e amá-lo em troca, só para ver-se traída e com sua confiança destroçada. -Repito-lhe isso, Marcus, agradeço tudo o que tem feito, mas amanhã, quando a aposta concluir, eu terei ganho. Não aceitarei sua proposta de matrimônio. A frustração era visível nos traços dele enquanto avançava um passo mais, mas Arabella falou de novo antes que Marcus pudesse fazê-lo. -Por favor, acredite. Não quero me casar com você. Ele negou devagar com a cabeça. -Acredito que está te enganando a você mesma, Arabella. Você sente exatamente o mesmo fogo que eu. Compartilhamos uma notável paixão... Ela o interrompeu. -E o que importa isso? A paixão não é uma boa base para o matrimônio. E embora fosse, isso não conta. O que terá que esclarecer agora é se vai cumprir com nossa aposta ou não. -É obvio que sim. Sou um homem de palavra. -Assinalou a mesa que estava atrás dele e a carta que estava redigindo. -Já tenho escrito a meus advogados lhes dando instruções para que preparem o contrato de emancipação de minha tutela. Suas irmãs e você obterão sua liberdade tanto se quer te casar comigo ou não. Quero que sua decisão esteja ditada só por seus sentimentos por mim. -Então esperarei receber notícias de seus advogados.


Olharam-se durante por um momento, mas rompendo o tenso silêncio, Arabella conseguiu dizer, mais acalma. -Deveria partir amanhã, Marcus. Não há nenhuma razão para que siga aqui mais tempo. -Ao que parece, não. -O profundo brilho de seus olhos manifestava muito às claras que estava muito zangado. Suas palavras foram cortantes quando disse-: Não se preocupe, querida. Retornarei a Londres esta mesma noite. Arabella o olhou em silêncio, sem acreditar que tivesse resolvido tão depressa. E, é obvio, não tinha feito. Posou as mãos em seus ombros, atraiu-a para si e se inclinou para beijá-la; um encontro de lábios irado e duro que foi mais penoso que apaixonado. Mesmo assim, esse gesto provocou desejo e desejo no profundo interior de Arabella. Quando por fim Marcus interrompeu o beijo e jogou a cabeça para trás, seus olhos brilhavam de fúria e triunfo. -Sente a mesma paixão que eu, mas não está disposta a admitir porque permite que o medo te domine. Eu não vou te fazer mal como fez o bastardo de seu prometido, Arabella... mas não posso te obrigar a acreditar. -Não, não pode -respondeu ela, tremula. Marcus apertou os lábios, mas conseguiu refreá-lo suficiente para dizer em tom tenso: -Meus advogados entrarão em contato com você. Retornou a sua mesa, pegou a carta e logo encaminhou para porta. Abriu-a bruscamente e saiu a grandes passos da biblioteca, sem voltar-se para olhar, deixando atrás de si um profundo silêncio. Arabella se aproximou cambaleante a uma cadeira e se deixou cair nela levando a mão ao peito, oprimido por um punho implacável. Não se permitiria acreditar que Marcus havia dito, embora parte dela ansiava profundamente que fosse verdade. «Amo-te. Desejo me casar com você e que tenhamos filhos. E desejo passar o resto de meus dias junto a você, te fazendo feliz. Essa lembrança a fez sentir um nó na garganta. Detém este ridículo sentimento! Repreendeu-se. Marcus não a amava. Partiu sem tentar fazê-la mudar de idéia, sem sequer pedir que pensasse até o último dia de sua aposta. Quão importante podiam ser seus sentimentos se nem sequer se incomodou em discutir com ela? Arabella desejava discutir com ele. Desejava que voltasse para poder lhe dizer o que sentia. Com uma dor em seu coração, fechou os olhos com força. Deveria alegrar-se de ter acabado com tudo aquilo antes de arriscar-se ainda a maiores danos que a última vez. Entretanto, por mais que raciocinasse, não podia explicar a espantosa angústia que sentia, a sensação de devastação. Tremendo, rodeou o corpo com os braços. O que estava se passando? Era absurdo que sentisse aquela ardência nos olhos. Absurdo e deplorável. Ela desprezava as lágrimas. Exceto a morte de seu pai, não tinha chorado por nenhum dos terríveis escândalos que tinham vivido. Tinha suportado a dolorosa perda de sua mãe e o repúdio público de seu prometido sem entregar-se jamais ao pranto. Tinha resistido à humilhação, a recusa e a pobreza que tinham vindo depois. Assim, por que sentia então uma vontade tão desesperada de chorar? Estava livre do Marcus. Deveria sentir se alegre de ter superado a ameaça. Entretanto, parecia vazia a amarga vitória. Foi então quando distinguiu o murmúrio de um juramento de Lily em suas costas. -O conde te fez chorar, Belle? Juro que vou buscá-lo e o esquartejarei. Arabella enxugou freneticamente os olhos e soltou uma débil gargalhada enquanto olhava para sua irmã mais nova. -Não é próprio das damas jurar, Lily. E, certamente, não é cortês ameaçar um conde. -Não me importa! Matarei ele por te haver feito mal. Afastando Lily para um lado, Roslyn se inclinou sobre Arabella e lhe agarrou sua mão. -Não disse a sério. Só é que me dói ver você assim. -Superarei. «Superarei!», prometeu a si mesmo com energia, embora soubesse que transcorreria muito tempo antes que isso acontecesse se é que aconteceria. CAPITULO 17


Posso acreditar em Marcus quando diz que me ama? Atreverei a confiar de novo no amor? Para seu desalento, a dor não abrandou. Quase uma semana depois da brusca saída de Marcus, Arabella ainda se sentia mal, com todos seus esforços porque não fora assim. Aquela tarde de sábado, o tempo estava perfeito -calmo e com um radiante sol-, um rude contraste com o ânimo de Arabella. As alunas da academia desfrutavam de uma excursão a casa de Freemantle. Algumas jogavam malha na grama com Roslyn, outras remavam em barcos pelo lago artificial, fiscalizadas por Tess e Lily, E outras recolhiam flores dos jardins e faziam coroas com elas para adornar os cabelos, ou os chapéus sob a guia de Jane Cauthers. Mais tarde, serviriam um esplêndido chá presidido por lady Freemantle. Entretanto, Arabella desfrutava pouco do passeio. retirou-se à sombra de uma árvore, onde podia dar rédea a sua melancolia em particular, e observar com indiferença o que acontecia a seu redor. Quando as moças começaram a jogar malha com os botes de remo, salpicando umas a outras e estourando com freqüência em exclamações de regozijo e risadas, surpreendeu-lhe que Tess Blanchard se unisse a elas. Arabella abandonou seus tristes pensamentos e sorriu. Era agradável ver Tess rindo e desfrutando da vida, para variar, pois tinha passado afligida os dois últimos anos. Antes de seu compromisso terminasse ao morrer seu prometido na terrível batalha de Waterloo, ninguém era mais animada nem mais vivaz que Tess. Que naqueles momentos mostrasse parte de seu tempo de alegria, indicava que por fim tinha decidido unir-se aos vivos. Um momento mais tarde, Tess abandonou a batalha no lago e se dirigiu, sem fôlego por causa da risada, até onde Arabella estava sentada a sós. -Venho a te buscar para nossas ficar conosco. -disse-, estendendo as mãos para ajudá-la a ficar em pé. –Precisamos de mais reforços. Ela esboçou um fraco sorriso. -Obrigado, mas não tenho vontades de acabar encharcada, como você. Já me molhei bastante na semana passada, quando persegui Sybil sob uma terrível tempestade. Tess lançou um divertido olhar sobre seu ombro para observar à garota mencionada, que passeava pelos jardins, seguindo as indicações de lady Freemantle. -É evidente que seu sacrifício valeu à pena. A reputação de Sybil se salvou, junto com a de nossa academia. Ainda mais, ela tão preocupada com a possibilidade de ser expulsa, que seu comportamento se tornou angelical. Confesso que não a reconheço. -Dirigiu sua atenção de novo para Arabella-. Vamos, o sol está quente o bastante para te secar rapidamente o vestido. Não permitirei que vague como uma alma penada em um dia tão glorioso. Ao ver que sua amiga não dizia nada, Tess franziu a testa e se sentou junto a ela na grama. -O que acontece, queridíssima? Está muito triste desde que lorde Danvers partiu para Londres. Arabella fez uma careta e desviou os olhos. Era incômodo admitir quão triste se sentia desde que Marcus se fora. Tinha achado que sua vida retornaria ao normal, mas suas esperanças tinham sido vãs, para onde olhava encontrava sua lembrança. Sua desgraça se agravava pelo fato de que não tinha sabido nada dele nem de seus advogados durante todo aquele tempo. -Talvez esteja doente com febre. -respondeu evasiva. Tess lhe dirigiu um penetrante olhar. -Talvez esteja doente de amor. Incapaz de negar, respondeu com um sorriso carente de humor. -Tão evidente é minha feição? -Como sua tristeza. -Tess a olhou atentamente. -Mas está segura de que é amor o que sente por ele, Arabella, e não só uma potente atração física? Não será simples teimosia? Ela pensou que tinha poucas dúvidas a respeito de seus sentimentos por Marcus, mas que não iria falar disso com alguém que não a pudesse compreender. Tess conhecia o verdadeiro amor por que tinha estado sinceramente apaixonada por seu prometido. -Acredito que é amor, mas como posso saber? O olhar de sua amiga se tornou pensativo. -Os indícios são muito reconhecíveis. Quando se ama um homem, ele se converte no centro de seu mundo. Anseia estar com ele e, quando não está, acha-se de maneira constante em seu pensamento. Alegra seu dia. Seu simples contato provoca paixão em você... um olhar tenro te esquenta o coração. A vida parece vazia sem ele. -Tess fez uma pausa. -É isso o


que sente por lorde Danvers, Arabella? Ela concordou, olhando os dedos, que tinha entrelaçados. Isso era o que sentia por Marcus, incluído o vazio. Desde que ele se fora, essa sensação em seu peito era uma implacável dor que não desaparecia por nada. -Julga de menos, verdade? -disse Tess com simpatia. -Sim. - sentia sua falta de um modo espantoso. -sim, o que te propõe fazer? Arabella a olhou com impotência. -Não sei. -Acha que ele por sua vez pode te amar? -perguntou Tess. -Ao menos ele afirma. A outra a olhou com fixidez. -Lorde Danvers te disse que te ama? -Sim... na semana passada, depois de que voltamos da busca de Sybil. Mas eu não acreditei. Temi que só estivesse tratando de me convencer para que aceitasse sua proposta. Sua amiga vacilou. -Arabella, não me dá a impressão de que o conde seja o tipo de homem que declare seu amor sem sentido. Duvido que tenha feito tal confissão a uma mulher. -Não, suponho que não. -E você o que respondeu? Ruborizou-se ao recordar. -Temo-me que fui presa pelo pânico. Naquele momento compreendi que lhe amava e de repente me senti aterrorizada. Disse-lhe que eu tinha ganhado a aposta e que não me casaria com ele. E que seria melhor que partisse sem perder um minuto. -Então, é por isso que partiu da mansão Danvers? -Sim. -Bem. -disse Tess com lentidão-, não é muito tarde para arrumar as coisas. Não, se vocês se amam. A pontada de pânico voltou a atravessar o peito d3 Arabella. -Mas é que esse é o problema, não compreende? Eu não posso estar segura de seu amor. Embora ele me amasse, como sei que seus sentimentos durarão? Não há nada mais doloroso que amar alguém e não ser correspondido. Sei porque experimentei. Tess agitou a cabeça. -O visconde Underwood era evidentemente indigno de seu amor, mas acredito que lorde Danvers não é. Você deve acreditar também, ou não teria permitido que seu afeto chegasse tão longe, não é assim? -Sim. -Ama ele tanto como amava Underwood? -Muito mais. Seu amor por Marcus era muito mais firme do que tinha sido por seu primeiro amor, o que significava que a devastação seria muito maior se não fosse correspondido. -Então, talvez devesse aceitar sua proposta - sugeriu Tess. Arabella olhou para sua amiga desesperada. -O matrimônio só pioraria as coisas. Minha mãe amava meu pai no princípio, e olhe como acabaram. -Mas por tudo que me contaste, a união de seus pais foi espantosa. Lorde Danvers e você são muito mais adequados. -Por que diz isso? Tess sorriu. -Vi vocês juntos, vi você com ele. O modo com que se olhavam. Um fogo iluminava seus olhos quando o olha, sabia? Agora foi Arabella quem a olhou fixamente. Tess prosseguiu. -Por muito surpreendida que me sinta ao dizer, acredito que seria o par ideal para você. Você sempre o manteria interessado e em constante desafio e ele faria o mesmo com você. Arabella negou com a cabeça. -Não posso estar segura disso. -Não, suponho que não. Mas nunca podemos estar seguros de nada na vida, Arabella. E a oportunidade de amar vale a pena o risco de ser ferida. Desejas realmente renunciar à esperança de seu futuro pelo que aconteceu no passado? Ela retorceu os dedos sobre o colo e desviou os olhos. Marcus a tinha acusado de permitir


que o medo a dominasse e Arabella sabia que estava certo: temia que lhe fizessem mal de novo. Mas já estava sofrendo de modo espantoso. Como podia haver uma dor maior que o que estava sentindo naquele momento? Ao ver que Arabella ficará em silêncio, Tess perguntou com voz firme: -Se estivesse segura de que ele te ama, casaria com ele? -Sim .-murmurou por fim. Tess suspirou. -Bem, terá que decidir por sozinha, mas não acredito que seja feliz sem ele. E tampouco acredito que lorde Danvers aguarde eternamente a que lhe diga. -ficou em pé, olhou-a e suavizou sua voz. -Acredito que deveria assumir o risco e aceitar sua proposta, Arabella. O verdadeiro amor é muito precioso para desperdiçá-lo. Eu daria tudo para voltar a ter essa oportunidade. Continuando, deu meia volta e se afastou, deixando Arabella debatendo-se com seus sentimentos. «O verdadeiro amor é muito precioso para desperdiçá-lo.» Se for assim, então ela seria uma verdadeira tola ao permitir que seu temor a impedisse de procurar a felicidade com Marcus. Desejando poder serenar seus agitados pensamentos, Arabella partiu logo para sua casa, inclusive antes que servisse o chá, deixando que Tess e suas irmãs fiscalizassem o acontecimento. Quando chegou à mansão e distinguiu uma carruagem com o brasão Danvers, detido no atalho, seu coração acelerou. Marcus tinha retornado! Tratou de manter seu entusiasmo controlado enquanto conduzia a carruagem aos estábulos e o entregava a um criado, entretanto, sem poder evitar, entrou correndo para casa. Simpkin a recebeu no corredor para pegar sua jaqueta e sua touca e lhe anunciar que tinha uma visita. -Lady Loring está aqui, senhorita Arabella. Ela ficou imóvel, insegura de ter ouvido corretamente. -Minha mãe está aqui? -Sim, disse para ela entrar no salão. Sentiu-se desfalecer. Ao ver que sua senhora cambaleava enjoada, Simpkin se preocupou imediatamente. -sente-se mau, senhorita Arabella? -Não... Só estou... surpresa. Embora emocionada, consternada e desconcertada seriam melhores descrições de seus sentimentos. Pensar que sua mãe tinha ido ali, depois de todo aquele tempo! O que queria, em nome de Deus? E de onde vinha? Conforme se dizia, fazia quatro anos que tinha fugido com seu amante para costa de Bretanha, na França, perto de Brest, quando Grã-Bretanha ainda se achava em guerra com a França. A viagem era perigosa e, no melhor dos casos qualquer comunicação entre ambos países fosse quase impossível. Mas nunca souberam nada dela, nem sequer quando concluiu a longa guerra com a abdicação de Napoleão, no ano seguinte. Hesitando, Arabella avançou com lentidão pelo corredor ao salão, e se deteve na soleira para observar à mulher que estava sentada no sofá. Era inconfundivelmente uma dama, elegante e de cabelos loiros. De bom aspecto, Vitória se parecia muito com Roslyn, possuía a mesma delicadeza e porte aristocrático. E seguia sendo muito formosa; mesmo tido três filhas e suportado uma escandalosa vida, os anos se passaram bem para ela. Ao vê-la, um caos de emoções alagou Arabella, junto com uma grande onda de dolorosas lembranças. Então Vitória levantou os olhos com expressão vacilante, vulnerável... inclusive temerosa. De maneira instintiva, Arabella apertou os punhos com ira e felicidade. Nunca tinha perdoado sua mãe por haver abandonado ela e suas irmãs, as deixando no escândalo. E; entretanto, alguma parte em seu interior se alvoroçava ao voltar a vê-la. Tratando de permanecer tranqüila, entrou no salão, mas manteve a distância. Ao ver que sua mãe se limitava a olhá-la cautelosamente, rompeu o tenso silêncio. -O que a traz aqui, mamãe? -Vocês, certamente - foi firme a resposta. -Desejava saber como estavam minhas filhas. Arabella não pôde evitar a amargura de sua voz. -Depois de quatro anos sem nem sequer uma palavra, de repente te importa saber como vamos?


-Sempre me preocupei. É maravilhoso voltar a verte, Arabella. -Vitória deu umas batidas na almofada que havia a seu lado. –Sente-se aqui comigo? -Prefiro seguir de pé, obrigado. Um leve e triste sorriso curvou a boca da mulher. -Sabia que não me perdoaria. Disse a ele. -A ele? Vitória suspirou. -A lorde Danvers. Ela franziu a testa. -O que tem a ver ele neste assunto? -O conde é a razão pela qual eu esteja aqui. Sua senhoria enviou um navio a França esta semana para que viesse para Inglaterra. Seu secretário se reuniu comigo em Dover ontem e sua carruagem me trouxe hoje até aqui. Arabella assimilou um pouco aturdida que Marcus tinha mandado procurar sua mãe na França. -Para que? -Porque acredita que possa me reconciliar com minhas filhas. Pelo menos para que me explique... E desculpe com vocês pelo que fiz. Seus olhos quase saíram de órbitas enquanto olhava para sua mãe. -Que explicação poderia dar para que te desculpasse por ter abandonado suas filhas da cruel maneira em que fez? Partiu de nossas vidas sem nem sequer uma simples palavra de despedida, mamãe, e logo deixou que nos enfrentássemos sozinhas à morte de papai. -Lamento muito, Arabella. -Não é um pouco tarde para desculpas? Tudo isso aconteceu á muito tempo, por isso não estou segura de que exista motivo algum para comentá-lo. Vitória levantou uma mão com um rosto de dor. -Por favor, não vai querer escutar pelo menos minha versão? -Muito bem - disse sua filha por fim. -Será melhor que se sente. É uma longa história. A contra gosto, tomou assento em uma poltrona que estava em frente ao sofá. Sua mãe olhou seu rosto atentamente por um momento antes de começar em voz baixa. -Lamento sinceramente ter arruinado sua vida, Arabella. Não pretendia causar mal nem a Roslyn, nem a Lilian nem a você. -Mas fez mamãe. -Uma selvagem dor em sua garganta-. Mais do que possa imaginar. Todas ficamos desoladas com sua saída, em especial Lily. Passou semanas chorando. -Eu... sei. Deveria ter considerado como fosse afetasses minha conduta. Deveria ter posto minhas filhas em primeiro lugar. Pelo menos uma vez dei o primeiro passo, minhas ações se voltaram irrevogáveis. -Não vejo como. Vitória mordeu o lábio inferior. -Tem que compreender quão amargamente desventurado foi meu matrimônio com seu pai. -OH, compreendo! -respondeu ela. -Como não compreender depois de ver papai e você discutir de maneira tão selvagem durante tantos anos? Mas sua infidelidade dificilmente justifica o adultério. A mulher voltou a mostrar uma careta de dor, como se tivessem dado um murro. -Talvez não, mas eu estava terrivelmente sozinha. Estou segura de que sabe que seu pai mantinha a uma série de amantes. -Dificilmente poderia ignorar o fato - respondeu Arabella. -Houve um tempo, em que Charles foi discreto com suas aventuras, mas quando começou a fazer ornamento de suas amantes na minha frente, não pude seguir suportando. -De modo que tomou um amante só porque desejava se vingar. -Não foi assim, Arabella. Suponho que desejava vingança, mas sobre tudo queria... intimidade. Conheci Henri Vachel em Londres. Tinha vindo para Inglaterra sendo um moço, quando seus pais foram guilhotinados durante o Terror. A família de sua mãe era inglesa, por isso vivia com eles em Surrey. Henri era muito tenro e amável... Depois do descuido de seu pai, não é de se admirar que eu lhe correspondesse. Ao ver que sua filha ficava em silêncio, Vitória prosseguiu. -Quando seu pai descobriu, enfureceu-se muito por ter sido enganado. Era por completo lícito que ele ridicularizasse nossos votos matrimoniais, mas não sua esposa. Charles exigiu que saísse da Inglaterra e não voltasse mais aqui, ameaçou inclusive matar Henri se não fizesse. Sabia que era capaz, Arabella.


Ela franziu a testa cética. -Isso não é o que papai nos disse. Ele disse que você tinha se apaixonado loucamente por seu amante e que tinha fugido para França com ele. -Certamente que Charles contaria assim, pois desejava me prejudicar, mas não é a verdade. Eu não amava Henri. Então. Parti só porque seu pai me obrigou fazê-lo. Arabella cruzou os braços sobre o peito e a olhou fixamente. -Papai morreu duas semanas depois, em um duelo, mamãe. Então podia ter retornado para Londres. -Não, não podia -respondeu Vitória com pesar. -Por causa da guerra, transcorreram muitos meses até que me inteirei de que era viúva, e então meu meio-irmão tinha a tutela sobre vocês. Lionel estava tão furioso comigo que se negou a me deixar voltar. Jurou deixar de manter você e suas irmãs, as jogaria na rua, se não ficasse longe, de maneira que o escândalo pudesse apaziguar. Em qualquer caso... depois da desgraça que tinha causado, pensei que estariam melhor sem mim. A resistência de Arabella se suavizou um pouco. Seria possível que sua mãe não tivesse dado totalmente as costas a suas filhas? Pelo menos era verdade que seu tio tivesse ameaçado jogá-las para fora de sua casa; em primeiro lugar, sendo que nunca tinha desejado ser responsável por elas. Mas isso não absolvia totalmente sua mãe de seus atos. -Podia ter escrito. -Fiz. Cada semana durante todo ano. Henri utilizava seus contatos para que minhas cartas fossem enviada da França. Mas nunca soube o que tinha sido feita delas até recentemente. Lionel as queimou todas. -Como soubeste? -Seu mordomo, Simpkin, contou para lorde Danvers. Este o interrogou com grande detalhe sobre a questão. Lionel sentia ira cada vez que chegava uma de minhas cartas, e as jogava todas ao fogo. Se não acredita, pode falar com Simpkin. Ele poderá confirmar isso Lionel me odiava tanto que cortou toda comunicação comigo. Arabella admitiu que essa versão dos fatos tivesse um ponto de verdade. O mordomo e a governanta tinham servido seu tio na mansão Danvers durante décadas, por isso estavam inteirados dos assuntos do finado conde. Com os pensamentos girando de maneira vertiginosa em sua cabeça, tão caoticamente como seus inquietos sentimentos, olhou para sua mãe, perguntando se atreveria a acreditar no resto de sua história. O abandono de suas filhas tinha sido algo que ela realmente não tinha desejado? Tinha ficado presa na Inglaterra, primeiro por seu marido e logo por seu meio-irmão? Se for assim, então também era possível que seu pai tivesse mentido em todo momento sobre a devoção de sua mãe por seu amante? Vivamente interessada por essa idéia, Arabella pigarreou, mas mesmo assim, a seguinte pergunta surgiu com voz rouca. -Havia dito que ao princípio não amava Monsieur Vachel. O que quer dizer com isso? O sorriso de Vitória foi menos sombria nesta ocasião. -A princípio, nossa relação era só física, mas meus sentimentos por ele foram crescendo com o tempo. Henri esteve a meu lado quando eu não tinha a ninguém a quem recorrer. Não só me ofereceu amparo, mas sim compartilhou meu sofrimento me levando a casa de seu pai, em Bretanha. Nem todos os homens teriam sido tão solícitos e desinteressados. A final cheguei a amá-lo. Não pude evitar. Me... por fim me casei com ele, Arabella. Já não sou lady Loring, agora sou simplesmente madame Vachel. Têm um padrasto. Arabella ficou em silêncio. Parecia estranho pensar em sua mãe casada de novo. Mas estava mais perturbada pelas restantes revelações de Vitória. Durante todo aquele tempo, ela e suas irmãs tinham sido induzidas a acreditar que as tinha abandonado porque se apaixonou loucamente. Entretanto, ao que parecer, isso não era verdade. Sua mãe não tinha perdido a cabeça por amor... Seus pensamentos se viram interrompidos pela mulher, que lhe perguntou em voz baixa: -Acha que poderá chegar a me perdoar alguma vez, Arabella? Ela desviou o olhar. Estava consternada ao pensar que a tinha julgado erroneamente todo aquele tempo. E ainda mais consternada ao imaginar no que Vitória tinha tido que suportar todos aqueles anos. Entretanto, a dor de perdê-la ainda seguia sendo muito real. Toda a pena, a ira e a amargura não podiam desaparecer como se nada tivesse acontecido para que escolhesse seu amante


primeiro, que à suas filhas. -Terei que pensar nisso, mamãe - disse a final. -Certamente, necessita de tempo para digerir o que te contei. E o compreenderei se finalmente decidir não me perdoar... se desejas que vá. -Com os ombros encurvados, como se preparasse para receber um golpe, Vitória murmurou. -Retornarei a França para sempre se você desejar. -Não estou segura do que desejo. -Arabella levou a mão à testa. –Não posso decidir nada agora. Primeiro devo falar com Roslyn e Lily. -Eu gostaria de vê-las -disse a mulher, vacilante. Não desejando aumentar sua tristeza, Arabella suavizou a voz ao lhe dizer: -É possível que elas não queiram verte. Lily está muito revoltada, e Roslyn também. -O... compreendo. -retorceu as mãos com impotência-. Se querem me localizar, estarei no Javali Vermelho, de Chiswick. Henri veio comigo a Inglaterra, e pensamos em ficarmos uns dias aqui antes de viajar para Surrey. Ele deseja visitar ali sua família. Ao ver que sua filha não respondia, Vitória se levantou lentamente e foi para a porta, onde se deteve com a cabeça inclinada, a viva imagem da dor. -Deus te abençoe e te cuide, Arabella. Seu coração acelerou diante da angústia de sua voz, e quando a viu ir do salão sem mais palavras, não pôde suportar. Levantando-se com brutalidade de sua cadeira, correu atrás dela chamando-a. -Mamãe! -Quando Vitória se deteve e se virou, acrescentou brandamente-: Advogarei sua causa com Roslyn e Lily, E tratarei de lhes fazer compreender. Seu sorriso foi agridoce. -É tudo que peço. A jovem permaneceu imóvel por longo momento, olhando-a desaparecer corredor abaixo, com os pensamentos confusos, e suas emoções passando por todas as fases, da consternação à esperança, enquanto considerava a questão do perdão. Certamente que Vitória tinha cometido importantes enganos, mas também tinha sido tratada de maneira injusta por seu marido e seu meio-irmão. E lamentava sinceramente ter prejudicado suas filhas. Talvez isso fosse o que realmente importava. Que sua mãe se preocupou por elas. Enquanto se dirigia a seu quarto para aguardar o retorno de suas irmãs, decidiu que teria que fazê-las compreender. A oportunidade de recuperar sua mãe era muito gratificante para deixá-la escapar. Lily empalideceu intensamente quando Arabella lhes deu a surpreendente noticia enquanto que Roslyn, depois de um instante de atordoamento, adotou uma atitude cautelosa. Mas ambas escutaram com atenção enquanto Arabella contava todos os detalhes de sua conversa com Vitória e argumentava a favor do perdão. Seu ardente motivo da discussão se prolongou até tarde. Como Arabella tinha esperado, Lily foi a mais difícil de convencer, entretanto, parecia mais preocupada com Roslyn que por ela mesma. -Consideraste realmente, Roslyn? -perguntou Lily-. É provável que estivesse revivendo o escândalo, quando por fim tínhamos começado a fazê-la esquecer. Pouco me importo, porque não penso me casar nunca, mas sem dúvida prejudicará suas perspectivas de encontrar um bom par. Roslyn assentiu devagar. -Talvez sim, mas acredito que é um risco que devo assumir. A final, todas decidiram ceder. Vitória era sua mãe, e desejavam voltar a tê-la em suas vidas apesar de tudo o que tinha feito no passado, ou do que pudesse lhes custar no futuro. Eram mais de oito horas quando Arabella ordenou que preparassem a antiga carruagem de Danvers para conduzi-las à próxima estalagem Javali Vermelho, onde se alojava Vitória. Falaram pouco pelo caminho e, ao chegar, Lily se atrasou. Assim, quando foram conduzidas a um salão particular, Arabella era a que se achava mais próxima à porta ao abrir-se, pouco depois. A mulher vacilou na soleira, com temor. Uma a uma, fixou o olhar nos olhos de suas filhas, até que Arabella rompeu o tenso silêncio. -Estamos contentes que tenha retornado mamãe. Com um suspiro estremecido, Vitória cobriu o rosto com as mãos num momento antes de ir até a elas.


-OH, minhas queridíssimas garotas...! Lily deixou escapar um pequeno soluço e se lançou nos braços de Vitória. Ela abraçou depois suas duas filha e, breve, todas estavam rindo e chorando. Transcorreu algum tempo até que Arabella se deu conta de que não estavam sozinhas. Um cavalheiro se reuniu com elas, fechando a porta do salão atrás dele. Por fim, Vitória se acalmou o bastante para recordar suas maneiras e apresentar a seu novo marido. Henri Vachel, de cabelos e olhos negros, parecia um homem sombrio, mas rondava perto de Vitória com ar protetor e isso agradou a Arabella. O via aliviado quando Vitória sorriu e lhe disse que se queria podia ir-se para seu quarto, e deixá-la a sós com suas filhas. Quando Monsieur Vachel se retirou, instalaram-se em cadeiras ao redor da lareira. As lágrimas e desculpas seguiram fazendo com que a reunião fosse comovente e emotiva. Vitória desejava inteirar-se de tudo o que lhes tinha acontecido durante sua ausência de quatro anos, e escutava atentamente sem economizar recriminações pelas dificuldades que suas filhas tinham sofrido por sua causa. Entretanto, a conversa se tornou um pouco incômoda quando Vitória suscitou o tema de seu futuro. -Lorde Danvers me havia dito que nenhuma de vocês estão querendo casar-se. -Observouas uma a uma, mas seu olhar persistiu mais tempo em sua filha mais velha. -Sei que sou a responsável por sua aversão ao matrimônio. Arabella esboçou um seco sorriso. -Não foi tão somente culpa tua, mamãe. Acredito que papai também tem alguma responsabilidade. -Sim, suponho que seu pai teve um papel importante. Mas eu dava um terrível exemplo para que vocês o seguissem. Mesmo assim, não podem arruinar seu futuro pelo que nós fizemos. O sorriso de Arabella se desvaneceu. Ela já tinha compreendido assim. Não podia tomar decisões cruciais sobre seu futuro apoiando-se somente no que tinha acontecido no passado de seus pais, nem sequer no seu próprio. Antes de que pudesse replicar, Vitória se adiantou em seu assento com expressão atenta. -Lamento muito as escolhas equivocadas que fiz, Arabella, mas você sempre foste mais prudente e mais forte que eu. Não deve permitir que minhas circunstâncias influam em seus sentimentos sobre o amor e o matrimônio em teu futuro. Ela pensou que talvez fosse mais forte que sua mãe, mas não estava segura de ser mais prudente. Tinha permitido que o temor governasse sua vida durante muito tempo. Mas isso tinha chegado a seu fim. -Não pode julgar tudo pelo que aconteceu entre seu pai e eu - insistiu Vitória. Simplesmente porque nosso matrimônio fora terrível não significa que os matrimônios bons não sejam possíveis. -Compreendo mamãe. Já tinha chegado a essa conclusão por si mesmo. -Pode encontrar amor e felicidade com seu marido. Depois, eu o consegui. Demorei anos em compreender o bom homem que é Henri. Anos em encontrar o verdadeiro amor quando o tinha diante dos olhos em todo momento. Talvez o verdadeiro amor esteja também diante de você. Arabella a olhou atentamente. -O que está dizendo, mamãe? -Que encontraste a um bom homem, Arabella. Lorde Danvers se submeteu a muitas coisas por você. Deve se importar muitíssimo para que tenha chegado a tais extremos. De outro modo, ele nunca teria feito um esforço tão grande para ajudar a nos reconciliar. Era verdade, refletiu Arabella. Marcus tinha ido muito além de suas obrigações como tutor, especialmente quando tinha acessado a renunciar a sua responsabilidade como resultado de sua aposta. Sabia que, se desejasse mais provas de que lhe importava, não necessitava mais pensar em tudo o que tinha feito. Mas significava que a amava com sinceridade, como ele pretendia? Confiava desesperadamente em que assim fosse. -Acredito que sim lhe importo - murmurou. Vitória assentiu. -E não se parece nada com seu pai. Pode imaginar Charles fazendo mal a alguém desse modo?


Não, não podia imaginar tal coisa. Com certeza, Marcus era muito diferente de seu pai. Então, Roslyn falou com tom solene. -Importa com lorde Danvers, Arabella? Ela vacilou só um momento. -Muitíssimo. -Dirigiu a Lily um olhar de desculpa. -Prometi que não permitiria me apaixonar por ele, mas a final descobri que não tinha mais remédio. Sua irmã mais nova a olhou muito séria, claramente preocupada com suas palavras, mas Roslyn sorriu. -Só desejo que seja feliz, Arabella. Se te ama, isso é o que importa. Lily, entretanto, não estava de acordo. -Isso não é tudo que importa, Belle. Amou Underwood e olhe como se feriu. Não posso suportar verte cometer de novo o mesmo engano. -Sei - respondeu Arabella, afetuosa. -Mas Marcus diz que me ama. -Underwood pretendia te amar, mas não foi assim. Como pode estar segura de que o conde está dizendo a verdade? Ela se deu ligeiramente de ombros. -Não posso estar segura, por isso terei que confiar que assim seja. Lily ainda não estava convencida. -Se te casar com ele, pode ser tão infeliz como papai e mamãe. -Estou disposta a me arriscar. Para falar a verdade, não podia fazer outra coisa. Desejava fervorosamente o tipo de amor profundo que Tess lhe tinha falado. Como o que sua mãe tinha encontrado em seu segundo matrimônio. Ela pensava -confiava- em poder desfrutar desse amor com Marcus. Mas embora não a amasse, sua vida seria insuportavelmente vazia sem ele. Tinha compreendido essa dolorosa lição durante a semana anterior. -Lily... -começou Arabella, perguntando como podia explicar seus sentimentos. Por fim, limitou-se a sorrir. -Proponho-me me casar com Marcus porque não desejo viver sem ele. É tão singelo isso. A preocupação que enchia os olhos de Lily vacilou e logo desapareceu. -Se isso for o que verdadeiramente deseja... -É. Desejo-o de todo meu coração. -Graças a Deus - murmurou Vitória sorrindo. Arabella olhou para sua mãe e logo aspirou profundamente, como se sentisse que seu ímpeto fraquejava. Casar-se com Marcus possivelmente não fosse tão singelo como ela tinha afirmado. Depois de sua azeda separação, ele bem podia não desejar vê-la nem pintada. Tinha-lhe irritado profundamente ao não confiar nele o suficiente para acreditar em sua declaração de amor, e ainda mais recusando sua oferta de matrimônio de maneira tão inflexível. Mas Arabella prometeu que o convenceria para que a perdoasse embora tivesse que arrastar-se diante dele. Podia começar por reconhecer que não era ela quem tinha ganhado a aposta. Faria ele compreender que tinha razão. E se Marcus a amava a metade do que ela o amava, não permitiria que sua obstinada cegueira se interpusesse no caminho de sua mútua felicidade. CAPITULO 18 Como se arrasta um adequadamente? Acredito que o devo ao Marcus, por havê-lo aborrecido tanto. -Que demônios aconteceu, Marcus? -perguntou Heath depois de ter quase atravessado por uma série de furiosas investidas durante sua sessão de esgrima das segundas-feiras pela manhã, na casa de Marcus, em Londres. Ele deteve seu furioso ataque, desceu sua espada e ficou respirando pesadamente. Drew avançou para o lado. -Por que não suspende o exercício desta manhã, amigo? É terrivelmente perigoso com isso. Marcus passou a mão pelo cabelo. -Me desculpe, Heath. Não deveria descarregar minhas frustrações em você. -Está muito bem o compreendo - respondeu o outro. E logo acrescentou mais seriamente-: Quem me dera pudesse encontrar um remédio para seu mau. Comporta-te como um lobo ferido desde que voltou para Londres.


Tinha estado intratável desde que se despediu de Arabella, com seu endiabrado e intenso propósito de não comportar-se assim. -Por que não joga à senhorita Loring sobre o ombro e leva para alguma parte? -sugeriu-lhe Heath-. Se estivesse um mês a sós com ela, seguro que poderia convencê-la que aceitasse sua proposta. Antes de negar com a cabeça com sardônico humor, Marcus pensou que essa idéia merecia ser tomada em consideração. -Ainda não cheguei ao ponto de recorrer a isso. -Está bem, mas tem que fazer algo, amigo, antes que acidentalmente acabe conosco. Estou seguro de que lamentaria. -Suponho que sim. Marcus reprimiu um sorriso de arrependimento e ficou de um lado enquanto Drew se colocava diante de Heath para reatar a prática de esgrima. Marcus pensou que se tivesse que raptá-la a raptaria, e jogou sua espada sobre uma mesa. Estava absolutamente disposto a não admitir uma derrota permanente com Arabella. De fato, estava urdindo um novo plano. Seus advogados tinham redigido os documentos legais concedendo, a ela e a suas irmãs, a independência de sua tutela, mas ainda não os tinha enviado, sendo que ainda não tinha decidido como utilizá-los em seu melhor proveito. Enquanto isso estava deixando que se esfriasse sua indignação. Na semana anterior, quando ela se negou a acreditar em sua declaração de amor, tinha tido vontade de sacudir Arabella até que recuperasse a razão. Ele nunca havia surpreendido a nenhuma mulher antes, e verse recusado, ele e sua proposta, o fazia ferver o sangue. Ainda sentia o apresso de retornar à mansão Danvers e libertar Arabella de sua obstinada cegueira. Estava cometendo um grave engano permitindo que seu passado arruinasse seu futuro. Não cabia nenhuma dúvida de que sentia falta, tal como ele Ouviu que batiam na porta principal, mas sabendo que seu mordomo cuidaria disso, dedicou escassa atenção, até que ouviu o som de uma voz feminina. Marcus sentiu que lhe encolhia o estômago. Era Arabella. Supôs que tinha ido vê-lo para reclamar sua emancipação, mas se aproximou da porta para poder ouvir melhor. A taxativa voz de Hobbs flutuava pelo corredor. -Sua senhoria está ocupada neste momento, senhorita Loring. -Ah, sim, já ouço que volta a estar praticando esgrima! Mas acredito que me receberá. Produziu uma prolongada pausa enquanto Hobbs provavelmente meditava as possibilidades que tinha de não deixá-la entrar. Por final, pareceu compreender a inutilidade de tentar. -Você quer esperar aqui, senhorita Loring, perguntarei a sua senhoria se pode recebê-la neste momento. -Não necessitamos de tanta cerimônia, Hobbs... não é esse seu nome? -perguntou Arabella em tom encantador. -Sim madame, meu nome é Hobbs. -Bem, Hobbs. É evidente que você não aprova minha visita à residência de um homem solteiro, e em circunstâncias normais, eu estaria de acordo com você. Asseguro-lhe que geralmente sou muito correta. Mas neste caso tenho assuntos urgentes que tratar com lorde Danvers. Sendo meu tutor, a infração não é tão extraordinária, verdade? -Talvez não - respondeu o mordomo, rígido e inflexível. -Permitira-me vê-lo então? -Muito bem, senhorita Loring, se insisti... pode me seguir. -OH não é necessário que se preocupe! Posso encontrar o caminho sozinha. -Seus passos ressonaram na entrada de mármore e logo vacilou. -Hobbs! -chamou. Marcus podia imaginar falando por cima do ombro. -É digna de admiração a maneira em que protege a intimidade de seu amo. Estou segura de que ele é consciente de sua devoção. -Obrigado, senhorita - respondeu o homem, claramente exasperado. Logo, Arabella apareceu na porta. Embora Marcus se preparasse para vê-la, seu coração se acelerou diante de sua visão. Enquanto Arabella se detinha para examinar o lugar, sentiu como crescia nele o desejo. Logo, ela fixou seu olhar no seu e o desejo se fez maior. Sua expressão era muito séria e seus olhos o olhavam penetrantes. Embora depois de um breve instante, lhe dedicou um sorriso de tal doçura, que se sentiu aturdido.


Arabella foi primeira em desviar os olhos e procurar com a vista seus amigos. O marquês e o duque tinham detido sua prática para observá-la. Ela dedicou um brilhante sorriso aos dois nobres enquanto entrava na sala. -Milords, acredito que me desculparão por interromper sua sessão de esgrima. Devem me considerar muito inoportuna. Duque de Ardem arqueou uma sobrancelha. -Parece fazer de costume se irromper aqui, senhorita Loring. Mas a saudação do marquês de Claybourne foi mais agradável. Esboçou um travesso sorriso e disse: -Pelo que não se deduz que a irrupção seja mal recebida. É certamente um prazer vê-la. Ela olhou brevemente para Marcus. -Importaria muito que roubasse a sua senhoria por alguns momentos? O duque respondeu: -Pode falar com ele aqui, senhorita Loring. De todos os modos quase tínhamos acabado. Arabella se alegrou de que o imperioso duque parecesse disposto a partir, porque era evidente que não se alegrava em vê-la. Duvidava poder ganhar sua simpatia, embora tentasse. Viu-o dirigir-se à mesa, devolver a espada a seu estojo e, depois de lhe dedicar uma cortês inclinação, ao sair do salão. O marquês se deu de ombros e seguiu seu exemplo, mas dedicou um encantador sorriso ao passar por seu lado. Já a sós com Marcus, Arabella se virou lentamente para enfrentar ele, que não tinha pronunciado uma só palavra até o momento, coisa que ela não podia discernir se era um bom ou mau sinal. Só sabia o que sentia ao voltar a vê-lo: pura sorte. Isso e desejo. Desejava jogar-se em seus braços. Desejava beijar com ardor seu querido e formoso rosto... Se ainda não tinha compreendido a profundidade de seu amor por Marcus, vê-lo de novo depois de suportar uma desventurada semana de desespero tinha claro seus sentimentos. Entretanto, era plenamente consciente de que ele não parecia muito contente em vê-la. Arabella o olhou insegura; quase podia ouvir os batimento de seu coração, que se tinham convertido em um repentino caos de agitação. Ele a estava observando muito sério... absolutamente do modo que ela tinha esperado. -assim, querida, a que devo a honra de sua visita nesta ocasião? Arabella sentiu seu coração se acelerar diante de seu tom distante. Avançou dúbia. -Em primeiro lugar, desejava te agradecer por procurar minha mãe na França e a trouxer para casa. Sofreu muito por nós, Marcus, e tem meu reconhecimento, assim como o de minhas irmãs. Ele encolheu seus largos ombros. -Sua gratidão é desnecessária. Simplesmente, cumpri com meu dever como seu tutor... o que sem dúvida é sua autêntica preocupação. Se estiver aqui para saber em que estado se acha sua emancipação, pode ficar tranqüila. Pode te tranqüilizar, os documentos adequados concedendo sua independência foram preparados, e somente estão pendentes de minha assinatura. Ela conseguiu esboçar um sorriso. -Obrigado, mas não era esse meu principal motivo para vir aqui. -Qual é então? -Na realidade... estou aqui para aceitar sua proposta de matrimônio. O silêncio que acolheu sua declaração foi denso e profundo. Transcorreram vários minutos até que Marcus perguntou, entreabrindo os olhos: -Está grávida, Arabella? Ela arregalou os olhos enquanto sentia um aceso calor nas bochechas. -Não, não estou grávida. Mi... Menstruação se apresentou na semana passada. Mas segundo Fanny, a probabilidade de que conceba é reduzida, sendo que você e eu só estivemos juntos algumas noites. A expressão dele permaneceu exasperadamente inescrutável. -Às vezes, com apenas uma vez, a semente de um homem germina. Isso explicaria sua disposição a aceitar minha oferta quando a recusou de maneira tão inflexível a uma semana atrás. -Bom, pois não é por isso que mudei de idéia a respeito. -Arabella o olhou com receio. Acreditava que estaria feliz com minha rendição. -Depende por completo do motivo da mesma. -Marcus cruzou os braços sobre o peito; sua


atitude era a imagem da inacessibilidade. -Disse-te que não estava interessado em um matrimônio de conveniência Arabella. -Tampouco eu estou. Desejo um enlace por amor, o mesmo que você. –Não é? Sentindo de repente vulnerável, ela entrelaçou as mãos. -Sim. Tinha razão, Marcus, estava dominada pelo medo. Temia ver meu coração outra vez destroçado. Por isso pensei que não me arriscaria a te amar. Mas por fim não pude evitar. Alguma emoção vibrou em seus olhos azuis, mas ela não soube interpretá-la. -De modo que está dizendo que me ama. -Sim... amo-te. Ele a olhou cético enquanto seguia com os braços firmemente cruzados. -por que deveria acreditar? Talvez esteja equivocada a respeito de seus sentimentos. Ela negou com a cabeça, debatendo-se entre a exasperação e o medo. Era evidente que não ia perdoá-la com facilidade por havê-lo recusado de maneira tão cortante, e a assustava pensar que não se importava com sua mudança de atitude. -Não, não me equivoco em meus sentimentos. Amo você, Marcus. -Terá que me convencer. Essas palavras eram um desafio, e soavam mais ao antigo Marcus. Dirigiu-lhe um nervoso sorriso. -O que devo fazer para isso? Estou disposta a me arrastar se você desejar. Um brilho divertido apareceu por fim em seus olhos. Arabella inspirou, profundamente esperançosa. -Acredito que possivelmente seria adequado - observou Marcus-. Depois de toda a tortura a qual me submeteu, merece sofrer também um pouco. -sofri -replicou ela terminante. -Senti-me profundamente triste desde o momento em que você partiu. Senti sua falta de maneira insuportável. Ao ver que ele não mostrava o menor indício de ceder, compreendeu que tinha que demonstrar a sinceridade de seu amor. Sua voz se reduziu a um murmúrio implorante enquanto prosseguia. -Marcus, quando se foi, produziu-se um grande vazio em minha vida... em meu coração. Apertou o punho. -Sentia-me vazia sem você. Não podia suportar viver desse modo o resto de minha vida. Não desejo viver sem você. É amor o que sinto Marcus -insistiu, repetindo as mesmas palavras que lhe havia dito a uma semana. Ao ver que não respondia, Arabella observou seu rosto. -Disse que me amava. Ele arqueou uma sobrancelha. -Isso foi na semana passada. Possivelmente agora já tenha perdido o interesse. Ela engoliu a saliva. -Talvez sim. Mas desejo ser sua esposa embora você não me ame. Entretanto, nem mesmo assim parecia que fosse abrandar. -Temo-me que isso não basta. -O que... quer dizer? -Desejo sua confiança, tanto como seu amor, Arabella. -Confio em você, Marcus. -O bastante para acreditar que quando digo que te permanecerei fiel até o fim de nossos dias? -Fixava intensamente os olhos nos seus enquanto aguardava sua resposta. -Sim - disse ela olhando-o solene, plenamente consciente do que ele estava perguntando. Você não é como meu pai. Ao ver suavizar seu rosto com um pouco parecido com satisfação, seu coração começou a pulsar de novo a um ritmo mais cometido. -Me alegro de que compreenda, anjo. Descruzou os braços e se aproximou dela. -Então suponho que posso considerar em me casar com você. Se não fosse pelo indício de risada em seus olhos, teria se alarmado. Mas sabia que Marcus a estava provocando. O alívio a alagou e se permitiu sorrir. -Que deve considerar? Que diabos quer dizer? estiveste indo atrás de mim para que nos casássemos há semanas. -Mas não vejo nenhuma razão para precipitar-se agora, quando por fim se rendeu. Arabella pôs os braços nas cinturas com leve diversão. -Acredito que já me arrastei o bastante. -Não estou tão seguro. Eu gosto desta humilde parte tua.


-Você não deseja uma esposa humilde, me disse isso uma vez. -Certo, não desejo. Mas sempre é prudente negociar para conseguir melhores condições. -De modo que desejas negociar as condições de nosso matrimônio? -E se for assim? Arabella dirigiu o olhar para as espadas utilizadas na sessão de esgrima. Aproximou-se da mesa, agarrou uma delas e logo avançou para Marcus. -Deveria procurar não ter armas perto quando estiver me provocando. -Deu-lhe uns ligeiros golpes no peito com a ponta-. Será melhor que me responda agora, Marcus. Casará comigo sim ou não? Advirto que posso te fazer mal se te negar. Rondo, ele a agarrou pelo punho e arrancou a espada de sua mão, logo lhe passou um forte braço pela cintura e a atraiu para si, contra seu quente e duro corpo. -Ah, querida! -disse regozijado. -Nunca deixa de me encantar. -Sim? -perguntou ela sorrindo com olhar confuso. -Sabe que sim. Tudo em você eu adoro. Eu gosto do fogo que cintila em seus olhos. Eu gosto do fogo que me faz sentir. Amo você, Arabella. -Mas te casará comigo? Ele a examinou durante outro interminável momento enquanto ela continha o fôlego. -Sim... mas primeiro tenho algo que te dar. -O que é? -Vem comigo. Para sua surpresa, Marcus a soltou, mas a seguir a agarrou pela mão e a fez sair com ele do salão. Levou-a ao corredor adiante, foi, onde estava Hobbs preparado para atendê-la quando se fosse. O mordomo simulou não advertir o estranho comportamento de seu senhor, que, empunhando ainda a arma a conduzia a um grande salão que parecia sua biblioteca. Dirigiu-se para uma maciça mesa, depositou ali a espada e logo recolheu um maço de papéis que lhe estendeu. -São os documentos que modificam a tutela? -Não. -. Então o que são? -Lê você mesma. Arabella olhou a primeira página, logo voltou para princípio para voltar a ler a arrevesada linguagem mais lentamente. Enquanto virava as seguintes páginas começou a compreender. Marcus tinha comprado a escritura da academia Freemantle de Winifred e a tinha cedido a ela. Olhou-o impressionada, com lágrimas nos olhos. -compraste a academia para mim? -Sim... E antes que me arranque a cabeça, não foi por caridade. Em primeiro lugar, trabalhaste muito para mantê-la adiante. E, em segundo, te darei como presente de bodas. -Obrigado, Marcus - respondeu ela brandamente. –Não sabe quanto o aprecio. Deixou o documento sobre a mesa e se aproximou dele. Sorriu calidamente e jogou os braços no pescoço. -Hei te disse o quanto te amo? -Sim. Mas desejo ouvir de novo. Nunca me cansarei de ouvir. -Amo você profundamente, Marcus. Sua expressão se voltou zombadora. -Bom, era inevitável. Arabella se pôs a sorrir. Marcus sabia que chegaria a amá-lo. Compreendeu melhor. -Está muito seguro, meu arrogante lorde. Seu brilhante olhar continha diversão e ternura. -Só agora, querida. Á dez minutos não era tão otimista. -Amo você, Marcus, e sempre te amarei. -O sentimento é mútuo. -Soltou uma risada-. Reconheço que não propunha te entregar meu coração, Belle. Desde o começo me atraiu. Desejei te ter em minha cama desde o momento em que me ameaçou com minha espada. Mas nunca pensei que sentiria este tipo de amor alguém. -Sinceramente? -Sinceramente. -Inclinou a cabeça para depositar um leve beijo em seus lábios. -Tampouco esperava ser tão sortudo, Arabella. Encontrei à mulher que é meu par ideal, um perfeito desafio para mim.


Seu coração se alvoroçou diante sua declaração. -Obrigado, Marcus. -por quê? -Por não te dar por vencido. Por me dar razões para voltar a me arriscar no amor. Por abrir meu coração. Acariciou sua bochecha com o polegar. -Nunca te farei mal, Arabella. Tem minha solene promessa. Nunca te abandonarei. Nunca deixarei de te amar, aconteça o que acontecer. Ela fechou os olhos um momento. -Temia te haver perdido por minha obstinação. -Nunca. Estava louca se acredito que alguma vez me renderia e renunciaria a você. Só estava me reorganizando e planejando minha nova estratégia de campanha. Arabella se pôs a rir com o coração transbordando de amor e desejo. -E eu a minha. Disse para minha mãe que pensava vir hoje aqui, e lhe confessei o quanto te amo. Estava disposta a te propor uma nova aposta se não desejasse casar comigo, mas ela não acreditou que fosse necessário. -Mamãe está ansiosa para nos ver casados. É evidente que você adorou, como com todas as mulheres que conheceu. -Não com todas. Custou-me muitíssimo te encantar, e não falemos de suas irmãs. O que dizem elas a respeito de nosso amor? O sorriso de Arabella se tornou ainda mais suave. -Roslyn se alegra por mim, e Lily está esperançosa. Convenci-as que não posso viver sem você. Como resposta, lhe deu um beijo com intimidade, calor e doçura que lhe dobraram as pernas. Embora, para sua surpresa e decepção, Marcus o interrompeu de repente. Foi à porta e fez girar a chave, encerrando-os dentro. -O que vai fazer?-perguntou ela com curiosidade enquanto ele voltava para seu lado. -Explorar quão profundamente sentimos o um pelo outro. O calor a alagou com o sensual olhar dele e o coração começou a pulsar lento e pausadamente. Marcus desatou as cordas de seu chapéu e o deixou cair para um lado, logo lhe desabotoou os botões da jaqueta e a deslizou por seus ombros. Debaixo usava um elegante vestido de musselina azul. Quando ele a conduziu a um luxuoso sofá de couro, Arabella compreendeu que Marcus se propunha permitir um apaixonado encontro amoroso. -Seu mordomo se escandalizará - disse, com pícaro sorriso-. Hobbs e eu não começamos com bom pé, e se tiver que me converter na senhora da casa, talvez não deveria seguir ofendendo seu sentido. Marcus sorriu enquanto se desabava no sofá. -Hobbs terá que acostumar-se, desejamos intimidade. Quando for minha esposa, proponho passar grande parte do tempo trancado com você. Não se preocupe, não te desarrumarei o vestido nem o cabelo. Mas esta pode ser a última oportunidade que tenha de te fazer amor durante algum tempo, e não permitirei que se desperdice. Arabella não disse nada. De todos os modos, não existia nenhuma oportunidade de resistir a Marcus. Não quando ele desejava seduzi-la. Não quando era tão arrebatador. Deixou que a sentasse em seu colo e imediatamente lhe rodeou o pescoço com os braços. Ele a obcecava, atormentava, a enlouquecia de desejo. Marcus se aproveitou de sua docilidade e mordiscou a suave pele debaixo de seu lóbulo. -Sabe? -murmurou ela com a voz repentinamente rouca e baixa-, quando se trata de conveniências, é um exemplo terrível como tutor. -Certo, mas já não importa, sendo que estou abdicando esse papel. Desde este momento, só me preocupará meu papel como amante e marido. E lhe mordiscou então o pescoço, fazendo com que a percorresse um quente estremecimento de prazer, enquanto sua mão se deslizava para baixo pela saia de seu vestido. Quando chegou a borda, subiu por sua coxa nua até chegar a suas úmidas e femininas dobras. Arabella sentiu a grande onda de seu próprio desejo e se arqueou contra sua mágica mão, embora não desejasse ser ela sozinha quem desfrutasse. -Marcus... não tem que esperar. Estou disposta para você. -Sim está. -Levantou a cabeça com um cálido e preguiçoso sorriso curvando sua boca. Mas me proponho te atormentar um pouco como castigo por me haver deixado louco na


semana passada. -Deveria haver imaginado. Esfregou brandamente a delicada carne entre suas coxas separadas, e ao acariciar seu sexo provocou um novo assalto a seus sentidos. Quando deslizou um dedo profundamente em seu interior encontrou-a molhada de desejo, os músculos internos de Arabella se fecharam a seu redor. Ela se agarrou a seu braço, ofegante. -Já é suficiente tortura. -Não estou de acordo. Se o fosse estaria rogando que me detivesse. -Eu não rogo... -Veremos, amor. Inclinou a cabeça, interrompendo o resto de suas palavras com abrasadores beijos enquanto sua mão, tão sedutora como sua voz, seguia brincando enlouquecedoramente com seu sexo. Acariciou-a até que ela esteve dolorida de necessidade, até que se sentisse excitada, com hábeis e peritas carícias, beijando-a apaixonadamente. Quando sentiu seus dedos explorá-la e arremeter de novo em seu interior, proferiu um firme grito gutural. -Chsss, não grite - advertiu Marcus-. Não deve escandalizar Hobbs, recorda? -Não sei se poderei. Quase choramingando, ocultou o rosto enquanto ele seguia adiante com sua doce tortura. Logo esteve estremecendo-se e tremendo, embora gozava disso, não acabava de resultar de tudo satisfatório. Arabella desejava que Marcus a enchesse, que se unisse a ela intimamente, desejava que ele aliviasse o que sua ausência tinha criado. Ainda mais, que sentisse o amor que ardia nela tão profundamente que acreditava que a ia fazer estourar. -Marcus, por favor... -rogou por fim. -Está rogando? -Sim... seja o que for que você deseje. Sua rouca risada ressonou em seu ouvido, e, pelo visto, ele também tinha tido suficiente tortura, porque tomou entre seus braços e se deslizou do sofá levando-a consigo. Depositando-a sobre o tapete, estendeu-a de costas observando-a com olhar ardente e brilhante enquanto tirava prontamente as calças. Acomodando-se então sobre ela adaptou seu corpo ao dele e se inundou entre suas coxas. Percorreu sua boca com seus beijos enquanto sua dura ereção a enchia lentamente. Com um soluço de puro prazer, Arabella o rodeou com força com os braços atraindo-o para si, acolhendo-o profundamente em seu interior. Seu seio doía de amor por ele, e tinha todos seus sentidos exacerbados por esse sentimento. Quando ele a penetrou por completo, acreditou que não ia poder suportar tanto prazer. Jogou para trás a cabeça e fechou as pálpebras. -Não, abre seus formosos olhos, anjo. Desejo ver a expressão de seu rosto quando alcançar o clímax comigo. Arabella obedeceu, olhando Marcus aturdida. Sabia que ele estava vendo o amor e a paixão em seu olhar, porque reconhecia as mesmas emoções na sua. Alegria, triunfo e pura sensualidade resplandeciam em seu rosto enquanto entrava nela, com movimentos lentos e apaixonados, ao mesmo tempo que iniciava uma dança tão antiga como o homem e a mulher, a dança do amor. Arabella respondeu com todo seu coração e não demorou muito em que seu prazer se convertesse em uma tormenta de fogo que acabou estourando em uma ardente descarga de gozo. Marcus bebia seus gemidos de êxtase enquanto se unia a ela em meio daquele potente torvelinho. A seguir deitada contra seu corpo, sem fôlego, saciada. Quando por fim ele se afastou cuidadosamente para deitar-se a seu lado, abriu os olhos e descobriu que Marcus a contemplava com ternura. Suspirou com profunda satisfação e o olhou sonolenta e brincalhona. -Sei faz tempo que é um amante maravilhoso, mas acredito que também será um marido perfeito. O sorriso dele foi irresistível. -Faz semanas· que estou tratando de te convencer disso. É muito satisfatório saber que por fim consegui. Ela resignou sua boca sensual com as pontas dos dedos. -Me alegro muito de que ganhasse nossa aposta, mas não ache que sempre ganhará -murmurou Arabella. -Tampouco desejaria. Lutar com você é o que acrescenta sabor à vida. Enquanto me amar,


posso suportar perder para você de vez em quando. -Amo você, Marcus, mais do que posso expressar, mas estamos negociando as condições de nosso matrimônio... Ele arqueou uma sobrancelha. -Ainda estamos negociando? -Sim, em uma questão acredito que sim deveríamos fazer. -Prefiro voltar a fazer o amor com você. Quando ele se inclinou para tomar sua boca, ela pressionou os dedos em seus lábios. -Isto é sério, Marcus. Imediatamente, ele ficou sério. -Muito bem, tem toda minha atenção, querida. -Desejo seguir dirigindo a academia. -Não vejo nenhuma razão pela qual não possa fazê-lo, se tiver tempo para casarmos e ir depois em viagem de bodas. Arabella sorriu aliviada. Preocupava a resposta de Marcus, entretanto sabia que ele seria razoável e lhe permitiria seguir com seu trabalho. -Disporei de tempo demasiado para as bodas depois que acabar as aulas, dentro de quinze dias -respondeu-. As férias irão começar em meados de junho, e a maioria de nossas alunas retornarão para suas casas, não terei que dar minhas aulas. Jane Caruthers se encarregará de quase todo o trabalho então. -assim, não haverá nenhum problema. Passará pelo menos um mês até que possamos celebrar a cerimônia. Poderíamos casar com uma licença especial, mas prefiro que publiquem, não quero que pareça que nos precipitamos. -Beijou-lhe a ponta do nariz. -E desejo uma grande boda. Podemos casar na igreja em Chiswick e convidar várias pessoas. O olhar de Arabella era duvidoso. -Não acredito que a igreja seja grande. -Então convidarei a metade da boa sociedade para um almoço na mansão Danvers depois. Proponho exibir minha condessa, pois isso contribuirá para preparar o terreno para sua aceitação na sociedade. Arabella assentiu compreendendo a sensatez de seu plano. Um convite para celebrar as núpcias do conde e a condessa de Danvers convenceria até seus mais altivos caluniadores. Entretanto, isso era tudo que ela desejava. -Eu gostaria que minha mãe estivesse presente em nossas bodas e em todos outros festejos -disse Arabella, consciente de que a escandalosa lady Loring provavelmente se veria rejeitada pelos mais fanáticos membros da sociedade. -E também Fanny Irwin. Pode ser uma famosa prostituta, mas é uma amiga querida e não lhe voltarei às costas simplesmente porque me case com um conde. -Claro que podem assistir. E minha irmã Eleanor sem dúvida desfrutará colaborando nos planos. Quanto a nossa viagem de bodas, desejo te levar a casa de minha família, em Devonshire, durante umas semanas. A mansão Danvers nos permitirá pouca intimidade ao viver nela suas irmãs, e eu te desejo toda para mim durante algum tempo. Arabella sorriu. -Isso eu gostaria. -Entretanto, recordando do duque e do marquês olhou para a porta fechada. -Acho que seus amigos chegarão a me aceitar como sua esposa? -Sim, certamente. A final aprenderão a te querer. Enquanto isso estarão imensamente contentes de que cheguemos a um acordo. Nesta manhã quase corto a cabeça de Heath durante nossa prática de esgrima porque estava nervoso. -Sua graça não estará encantado com nosso matrimônio. -Drew é tão contra o amor porque nunca o experimentou. Heath é mais arriscado, por isso está mais disposto a admitir que eu possa te amar como faço. Mas não deseja me ver convertido em um efeminado aborrecido. Acredito que preocupava que você propunha me conduzir com freios. Arabella se pôs a rir. -Não pretendo te colocar freios, quão mesmo espero que você tampouco tente fazer comigo. -Exatamente como deve ser entre nós. Enquanto Marcus a olhava, a paixão que pôde ver em seus profundos olhos azuis a


deslumbrou, mas foi o amor que ali brilhava o que alegrou seu coração. Logo ele voltou a beijá-la e seus batimentos do coração se aceleraram quando viu que se dispunha a lhe tirar as presilhas do cabelo. -Acreditei que não te propunha me despentear -murmurou. -Mudei de idéia. -Seu lento e muito varonil sorriso continha o maravilhoso e perverso encanto que tinha conquistado seu coração durante seu sem dúvida durante seu cortejo-. Se não puder ser minha esposa até dentro de um mês, então quero que passemos a maior parte de nosso tempo aqui juntos; com ou sem o Hobbs. Arabella voltou a rir enquanto se entregava para Marcus com incrível paixão. EPILOGO Que contente estou de que Marcus apostasse por meu coração e ganhasse! Desejo que possa encontrar a mesma sorte no amor, Fanny. Nunca conheci a um homem que pudesse me fazer feliz no amor. Mas me alegro muito por você, querida Arabella. Dançarei em suas bodas, se não temer que escandalize aos pressente. Mansão Danvers, junho de 1817 Quando Arabella se desabou em uma cadeira e suspirou feliz, Roslyn sorriu com carinho e satisfação. -É uma noiva linda, queridíssima Arabella. Estar apaixonada te favorece. -Sim, está realmente formosa - secundou Lily. As três estavam no quarto de Lily, celebrando uma despedida particular. Era quase meianoite e o almoço de bodas e o baile quase tinha terminado por isso as três irmãs se escapuliram da multidão de convidados para subir ao andar superior e passar uns momentos a sós. Lily estava pondo suas camisolas e alguns objetos pessoais em uma mala, sendo que Roslyn e ela se dispunham a ficar com Tess essa noite para permitir intimidade aos recém casados. Arabella agradeceu contemplando o imponente vestido de noiva que suas irmãs lhe tinham ajudado a vestir naquela manhã. -Com este vestido me sinto formosa. O traje de seda cor marfim com cintura império estava delicadamente bordado com fios de ouro no sutiã e a prega rica em gênero combinava com as rosas cor nata e as fitas douradas que Arabella tinha entrelaçadas no cabelo. Pensou orgulhosa que suas irmãs também estavam muito bonita com seu vestido de seda rosa. Alegrava-se de poder ficar aquele momento a sós com elas depois da frenética atividade das últimas semanas. Não só tinham tido que concluir as renovações da mansão, mas sim a enorme magnitude dos festejos tinha demonstrado ser um desafio. Roslyn como perita anfitriã, tinha assumido a tarefa de organizar o almoço de bodas e o baile, fiscalizando ao exército de serventes que tinham estado trabalhando freneticamente durante dias. -E obrigado por seus tremendos esforços, Roslyn -disse Arabella, olhando divertida para sua irmã. -Tudo saiu à perfeição. A jovem sorriu. -Meus esforços não foram tão excepcionais. -Certamente que sim -interveio Lily-. Eu nunca teria conseguido me ocupar de tantos detalhes de maneira tão impecável, Roslyn. Nem sequer teria tido paciência para tentar. Acredito que a cerimônia foi preciosa. Parece-me que inclusive Lily desfrutou com ela disse Roslyn olhando travessa para sua irmã mais nova. Lily franziu o nariz, mas riu. -Surpreendentemente, foi. A cerimônia se celebrou na igreja em Chiswick, cheia de familiares e amigos. Quanto ao noivo, tinha acudido diretamente à igreja de Londres aquela manhã junto com sua irmã Eleanor, sua tia lady Beldon, e seus dois amigos, o duque de Ardem e o marquês de Claybourne. Os convidados tinham chegado pouco depois e os festejos tinham começado na mansão Danvers depois da cerimônia nupcial.


-foi estupendo ter mamãe aqui -acrescentou brandamente Roslyn. -Sim -respondeu Lily-. Temos uma imensa dívida com o conde por conseguir trazê-la para casa. Arabella estava totalmente de acordo, e se sentia transbordando de gratidão pelo que Marcus fez para as unir com sua mãe. Lady Freemantle também tinha contribuído tomando Vitória e seu marido francês sob seu amparo durante as últimas semanas. Arabella se sentia confortada ao ver como Vitória ia sendo gradualmente aceita por muitos de seus vizinhos, que desejavam manter uma boa relação com o conde de Danvers, embora a ex-lady Loring fosse considerada algo assim como uma imoral. Arabella pensou com íntima satisfação que seus vizinhos lhes tinha obrigado a suportar uma afronta ainda maior naquele dia, sendo que a escandalosa Fanny tinha assistido tanto à bodas como aos festejos posteriores. Roslyn e Lily se mantiveram perto dela, para que não se sentisse marginalizada, mas era evidente que os cavalheiros presente estavam bastante fascinados pela famosa cortesã para ter dançando toda a noite. Fanny tinha saído para Londres fazia alguns minutos e Tess planejava deixar o baile breve. Lily se dispunha a acompanhar Tess a sua casa, mas Roslyn ficaria até que partisse o último convidado, para planejar com Simpkin como pôr ordem no dia seguinte. Arabella suspirou com fatigada satisfação. Todo o dia tinha parecido um agradável redemoinho, mas por sorte acabou. Na manhã seguinte Marcus e ela iriam de viagem de bodas por um mês. Planejavam percorrer Escócia e o distrito do Lago, no norte da Inglaterra, e depois passar um tempo na casa da baronesa Pierce, em Devonshire, para que Arabella pudesse conhecer seus imóveis e aos arrendatários antes de retornar para mansão Danvers. Esperava ansiosa e com entusiasmo tanto a viagem como sua noite de bodas com Marcus, por que tinham tido muito poucas oportunidades de estar a sós durante todo mês anterior. Pensar em compartilhar sua cama nupcial com seu marido punha um secreto sorriso em seus lábios. Lily sem dúvida viu, porque observou alegremente: -Reconheço que estava equivocada ao me opor a sua união com Marcus, Arabella. Agora não tenho nenhuma dúvida de que te tratará como merece. É evidente que te ama... E que você o ama. Vejo-te resplandecente de felicidade. Arabella sorriu serena. -Nunca tinha sonhado ser tão feliz, Lily. Só desejo que vocês duas possam alcançar nem que for a metade desta sorte. Lily se pôs a rir. -De acordo, embora certamente eu não a encontrarei no matrimônio. Se tiverem filhas, conformarei fazendo o papel de tia solteirona e lhes ensinar maneiras e comportamento. Arabella fixou um olhar divertido para Roslyn e negou irônica com a cabeça. Lily sobressaía em todo tipo de atividade física -especialmente cavalgar, conduzir, tiro ao arco e dançar- mas as maneiras e as normas de comportamento não eram precisamente seu forte. Tanto Lily como Roslyn assumiriam maiores responsabilidades na academia. Arabella sentia um considerável alívio ao saber que seu esforço seguiria prosperando. Não só a escola facilitaria um melhor futuro para dúzias de jovens de classe baixa, as ensinando a converter-se em autênticas damas, mas sim proporcionaria a Lily e a Roslyn ocupações satisfatórias e independência, lhes permitindo seguir ganhando a vida, embora não ter dinheiro já não seguia sendo uma preocupação para elas, depois do generoso dote que Marcus lhes tinha outorgado. Ao ter melhorado de maneira tão drástica seu status social, Roslyn podia agora considerar suas próprias perspectivas de matrimônio. Lily não tinha tais desejos. Inclusive ver a felicidade recém descoberta de Arabella, não a faria questionar se sua negativa a entregar sua apreciada liberdade a um marido. -Talvez o matrimônio não seja para você, Lily -concedeu Arabella com afetuoso olhar. Sua irmã mais nova soltou um bufado muito pouco elegante. –Quem me dera recordasse a Winifred este fato. Seus intentos casamenteiros me deixam louca. -Casamenteiros? -Está planejando a domesticação e captura dos dois amigos de Marcus. Diz que necessitam esposa, e esta tarde virtualmente lhes torceu os braços, coagindo-os para que dançassem


com Roslyn e comigo. Arabella não pôde evitar sorrir. Winifred teria dificuldades para cair na armadilha aos dois nobres, nem com suas irmãs nem com quem fosse. O duque de Ardem e o marquês de Claybourne eram uma frustração constante para as mães casamenteiras da alta sociedade, ainda mais esquivos que Marcus. -Winifred me escolheu para lorde Claybourne -queixou-se Lily desgostosa. -É profundamente mortificante ver-se exibida diante dele como uma vitela em uma feira. Roslyn não pôde resistir a zombar-se um pouco de Lily. -Entretanto, é muito bonito, além de ser riquíssimo e ter um título. -OH, sim, é bastante atrativo! -murmurou Lily-. Mas muito arrogante para meu gosto; espera que caia rendida a seus pés. Arabella arqueou uma sobrancelha. -É por isso que te foste tão logo do baile? Para evitar estar com o marquês? Sua irmã se ruborizou violentamente. -Sim. Juro que nunca conheci um homem mais persistente. Ficar com ele me supera. Ao ver que Roslyn não podia conter uma gargalhada, Lily lhe lançou um olhar zangado. -Pode rir de mim, queridíssima irmã, mas logo terá que preocupa por si mesma, porque sei que Winifred te disse que, tratará de se unir com Ardem. -Não me preocupo-respondeu Roslyn tranqüilamente. -Não tenho a menor intenção de me casar com Ardem. A insólita nota de convicção em sua voz surpreendeu Arabella. -Mas se acabar de conhecêlo. Como pode julgá-lo em tão breve tempo? Roslyn vacilou. -Para ser sincera, conhecia duque antes. Arabella lhe dirigiu um olhar enquanto Lily perguntava: -Quando? -Faz quinze dias -confessou Roslyn-, quando assisti o baile de fantasia com Fanny. Sua graça não sabia quem era eu, sendo que usava uma máscara, e me neguei a lhe dizer meu nome. -Não me havia dito que o conhecia! -exclamou Lily-. E o que aconteceu? Um atrativo rubor cobriu suas bochechas. -Digamos simplesmente que não fiquei ansiosa por ampliar o conhecimento, embora ele estivesse. Igualmente com Lily, Arabella sentia uma grande curiosidade ao saber que tinha passado entre Roslyn e o duque de Ardem, mas sabia que seria inútil seguir insistindo. Os interesses de Roslyn foram em outra direção, pois era evidente que sentia inclinação por seu vizinho, o conde de Haviland. Por sorte, lorde Haviland tinha assistido aos festejos núpcias naquele dia, assim Roslyn tinha podido ficar bastante tempo em sua companhia. Sua decisão de casar-se por amor requeria que ambas as partes tivessem realmente a oportunidade de apaixonar-se, por isso interessava aproveitar todos os encontros. Mas em lugar de seguir falando sobre amor e matrimônio, Roslyn mudou rapidamente de tema. -Será melhor ir, Arabella. Marcus deve estar te esperando. Diante desse aviso, sua irmã se levantou e abraçou com afeto às duas. As lágrimas lhe ardiam nos olhos enquanto elas se despediam. Aquele era o simbólico final de sua juventude juntas e sentiria falta do carinho e a camaradagem que tinham compartilhado. Durante muito tempo tinham sido as três contra o mundo. Entretanto, agora ela tinha Marcus. Com a perspectiva de começar uma nova vida com ele, Arabella encheu seu coração pleno de emoção e cheio de esperança. Quando desceu a escada em sua busca o encontrou saindo de sua biblioteca. Seu pulso acelerou diante do tenro olhar que Marcus lhe dirigiu. -Estou aqui, amor – disse ele. -Perguntava-me aonde tinha ido. -Estava-me despedindo de minhas irmãs. -Eu tive uma reunião similar com meus amigos. -Olhou para trás, à porta da biblioteca. Drew e Heath ainda estão aí bebendo minha melhor reserva de brandy e lamentando da perda de meu celibato. Arabella o olhou com curiosidade. –Você também lamenta?


-Absolutamente - respondeu com uma risada. -O que é tão divertido? -Me dar conta do muito que mudei nos dois últimos meses. Em outro tempo, pensava que o matrimônio era uma palavra sinistra, mas já não o vejo assim. Vêem, vamos nos reunir com os convidados que ficaram e animá-los para que se vão. Em nossa noite de bodas te desejo toda para mim. Entretanto, ainda transcorreram duas horas antes que Marcus alcançasse seu propósito. Quando as últimas carruagens se afastaram, Simpkin fechou a porta principal e desapareceu discretamente da entrada deixando a sós o conde e sua nova condessa. -Vamos? -perguntou Marcus lhe oferecendo a mão para acompanhá-la pela escada. -Sim -respondeu Arabella sorrindo serena enquanto estendia a mão para ele. Seu marido entrelaçou os dedos com os seus enquanto subiam os degraus e percorriam o corredor até seus aposentos. Um suave resplendor os saudou ao entrar no quarto enquanto os lençóis da enorme cama tinham sido arrumados. Marcus fechou a porta atrás deles. -Emfim sozinhos - murmurou roucamente atraindo Arabella em um abraço-. Acreditava que este dia nunca chegaria. -Sim -disse ela com ardor, embora em seus olhos dançava o amor. -Deveria estar orgulhoso de você mesmo, milorde. conseguiste ganhar nossa aposta, tal como previu. -OH, estou! E impaciente para que comece nossa noite de bodas. Arabella deslizou a mão por seu peito e começou a desatar o nó do lenço com um sorriso sedutor e travesso. -Se você se recorda, celebramos nossa noite de bodas faz semanas. O sangue de Marcus se esquentou perigosamente com aquele tentador sorriso. -Não de maneira formal. Ainda não estávamos casados. -Seu olhar se posou no dela. -Mas agora estamos. Agora é minha - acrescentou com doçura. -Sim -conveio ela com igual doçura. -E você é meu. Marcus viu uma emoção tão tenra em seus olhos que acelerou seu coração. -Nunca te deixarei ir, esposa. -Esposa... Eu gosto de como isso soa, marido. -Também a mim. Despiram-se mutuamente com lentidão, tomando tempo para beijarem e acariciarem. Quando ambos estavam nus, Marcus a olhou. -Sem pesares? -perguntou-lhe. -Nenhum, absolutamente. Sei que nosso matrimônio será feliz. -Proponho-me fazer o impossível para que assim seja. -Não tenho nenhuma dúvida. Ela avançou para seus braços estendidos com os olhos irradiando amor. Essa visão deixou Marcus sem fôlego, e fez com que acelerasse o coração. Nunca tinha esperado sentir algo tão poderoso, tão profundo por alguma mulher. Mas tampouco lhe cabia dúvida de que seus sentimentos por Arabella durariam toda a vida. O amor que experimentava era imensamente forte: desejo, e um doce prazer. -Observou Arabella brincando enquanto rodeava seu pescoço com os braços-, propõe-te me mostrar quão maravilhoso marido e amante é? Acredito recordar que em mais de uma ocasião te gabaste de sua perícia. Suas palavras eram um inconfundível desafio que Marcus não podia resistir. Com uma suave risada, agarrou a mão dela e depositou um tenro beijo em seus dedos; uma promessa solene de lealdade e amor. Logo a conduziu para cama nupcial e a deitou nela, desejoso de começar seu futuro juntos.

aFIMd Formataçâo: MRenata

Courtship Wars Vol 1  

Nicole Jordan

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you