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Capítulo 1 Três Dias Antes Para dizer a verdade, nem sei o que faço aqui. Sentada em uma cafeteria no Central Park apenas vendo a movimentação. O entra e sai de pessoas me deixa atordoada. Queria estar em casa agora, mas não posso. Disse aos meus pais que iria ao cinema e voltaria apenas ás 19:40. Ainda são 17:00. Acabei de pedir mais um Cappuccino para tentar me manter acordada, já são duas noites que não durmo estudando para as provas finais da escola. Essa foi última coisa de que escrevi em minha agenda depois que a perdi. Estava saindo da cafeteria quando Kevin Josh entrou sendo empurrado por fãs e paparazzi’s malucos, junto fui empurrada e sem perceber minha agenda caiu. Kevin é um astro do cinema, vive em tabloides e sempre esta rodeada de pessoas importantes, sua namorada Lily Hill vive atrás dele em qualquer lugar que ele vá. Chega a ser estranho. Mas ela é apenas uma atriz bonita que nasceu em família rica sem nenhum tipo de talento tentando fazer fama sob Kevin. Eu acho. Eu estava de cabelo trançado e usando shorts jeans rasgado com uma blusa branca, é a roupa que mais gosto de usar em dias quentes. Não tenho mais a blusa, pois foi rasgada na empurra, empurra de pessoas. O pior é que Kevin me viu no chão, passou por mim como se eu não estivesse ali. Também, o que eu poderia esperar de alguém como ele? Que estendesse a mão e pediria desculpas? Claro que não. Já não gostava dele, agora gosto muito menos. Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto escrever mais coisas na minha agenda, foi quando me dei conta que a tinha perdido e voltei correndo para a cafeteria perguntando se alguém tinha visto, claro que ninguém viu. Minha vida inteira estava ali, todos os meus segredos, medos, conquistas.. Tudo. O que me restava era esperar alguém entrar em contato, pois nas ultimas páginas tinha minha lista de números telefônicos de amigos, parentes e principalmente de casa. Passaram-se dois dias e já estava ficando louca. Ficava perto do telefone e celular esperando algum tipo de ligação, parecia mais que alguém tinha sido sequestrado, mas realmente tinha sido. Minha vida. Meu dia a dia não tinha mudado muito, ia para a escola como qualquer garota de 17 anos, fazia deveres de casa, saia com meus amigos e cantava em

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horas vagas em alguns restaurantes – sem meus pais saberem, claro! Estava aparentemente normal, mas eu sentia que me faltava algo, eu, Katherine Walker a menina nada popular e de poucos amigos me sentia só e pequena. Tudo por causa de uma agenda. No terceiro dia recebi uma mensagem de texto no celular – apesar de não me lembrar de ter colocado meu número celular na agenda – que dizia: “Sua agenda esta completamente segura comigo, seus segredos e medos jamais serão revelados. Você me parece uma garota bastante interessante pelo que percebi. Quero devolve-la para você, quando podemos nos ver?”. - O filho da mãe leu minha agenda. - Foi tudo o que consegui dizer após ter lido aquela mensagem. Como alguém lê as coisas de outras pessoas sem permissão? Logo depois de respirar fundo e tomar um copo d’ água respondi sua mensagem: “Ótimo, onde podemos nos encontrar? E sem qualquer tipo de gracinha, alias você não tinha permissão para ler algo tão pessoal, você não acha?”. Depois de três horas, o anônimo me respondeu apenas dizendo “Ok, desculpe se feri seus sentimentos docinho. Tivesse mais cuidado. Acho que hoje você vai cantar no Bar Boulud em Upper West Side, eu com certeza vou saber te achar, mas e você? Será que me encontra?”. - Cretino. – Sem duvidas fiquei sem saber o que dizer, demorei em torno de dez minutos bolando algo para responder e tudo que saiu foi apenas “tudo bem, como te acho?”. O anônimo não me respondeu mais depois disso e quando tentava ligar só caia na caixa postal. Tinha esquecido completamente de que ia cantar em um restaurante aquela noite, como fui esquecer? Claro, minha agenda não estava comigo, não sabia mais dos meus compromissos e novamente tive que inventar mais uma desculpa aos meus pais que iria estudar na casa de Beck, minha melhor amiga. Beck Mitchel com certeza é a pessoa certa se você quer contar algum segredo. Ela é completamente o oposto de mim, gosta de aparecer e acima de tudo ser popular. Seu dilema é: Enquanto eu for bonita e loira farei com que me notem. Realmente ela tem dom para isso, toda vez que saímos olham para ela, é constrangedor. Além de adorar usar roupas justas e viver de cabelo preso. Loira, alta e de família rica, ate eu faria com que me notassem. Conhecemo-nos numa sorveteria quando crianças, eu não tinha dinheiro para comprar um sorvete, como ela só tinha dinheiro para um, dividiu seu sorvete comigo, desse dia em diante nunca mais paramos de nos falar – e de dividir sorvete. Beck acha bobeira eu cantar em restaurantes em vez de ir a baladas com ela. Fazer o que, amo cantar. É o único momento em que me acho e sei quem eu sou realmente. Quem me ouve cantar diz que eu deveria seguir essa carreira, bem que gostaria o problema são meus pais, eles querem que eu seja médica ou advogada para ser literalmente o “Orgulho da família”, sempre fiz tudo que eles queriam dês de pequena, acho que agora não vai ser tão diferente. As 22:00 horas precisava estar no restaurante, já eram 21:40 e ainda estava decidindo que roupa usar. Estava atordoada com tudo que aconteceu mais cedo. Como eu iria olhar para a pessoa que leu minha agenda sem que eu sinta vergonha por ser tão pessoal. Como eu iria achá-lo? E se não me

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devolvesse? Simplesmente comecei a pensar que tudo daria certo e faria o maior desdém com a pessoa independente de quem ela fosse. Cheguei cindo minutos atrasada e para minha sorte ainda não tinha quase ninguém no restaurante. Fui cumprimentar o pessoal que já conhecia de outras noites, adorava todos ali e sempre falavam para eu fechar algum tipo de contrato com o dono. Impossível. Sou menor de idade e meus pais iriam dar um pití na certa. Meu horário era das 22:00 ate as 2:00 a minha maior sorte é ninguém ficava ate tão tarde e acabava saindo mais cedo e recebia os 150 dólares sem qualquer tipo de desconto. O vai e vem de pessoas começou a aumentar e nada do Cretino, quem quer que fosse, com minha agenda. Já estava ficando cansada de tanto esperar, estava sem minha agenda á longo três dias, mais um eu não aguentaria. Assim que o lugar ficou lotado, tanto com famosos e pessoas da Elite comecei a cantar. Minha primeira música foi Back to Black da Amy Winehouse. Gostando ou não gostando da música teria que cantá-la. Sentei no banco que estava em cima de um palco improvisado, ajustei o pedestal e comecei a cantar. Todos naquele local continuaram comendo e conversando, mas teve uma pessoa em especial que parou tudo apenas para me ouvir, só não consegui identificá-lo. Continue cantando. Quando foi 1:13 parei de cantar pois já tinha cantando todas as músicas. Como as pessoas já estavam indo embora fui para o Bar beber um pouco de água, foi quando me lembrei da agenda. Ninguém tinha aparecido para devolvê-la e fiquei realmente desapontada com aquilo e se nunca mais a vesse? Depois de ficar uns vinte minutos ali sentada no bar conversando com o balconista gatinho ouço uma voz masculina atrás de mim dizendo “Eu disse que sabia te achar”. Meu coração parou por um segundo e muitas coisas se passaram na minha cabeça naquele momento. Tudo que consegui fazer foi chamá-lo de cretino sem olhar em seu rosto. Ele sentou ao meu lado e deslizou a agenda sobre o balcão com as pontas dos dedos. Sem ainda olhá-lo peguei-a e a pressionei contra meu corpo. Ficamos em silencio por algum tempo quando ele falou: - Agradecer as pessoas é muito bem vindo docinho. - Agradecer? Pedir desculpas por ler o que não é da sua conta também é muito bem vindo. – eu estava de cabeça baixa olhando para o copo de água que estava tomando, quando me lembrei da ultima palavra dele “Docinho”, aquilo me irritou profundamente. Eu olhei para ele e o susto foi maior do que eu pensava. – Você? - Esperava quem? Um mágico? – Disse com um sorriso mais largo e brilhante que alguém poderia ter. Kevin Josh estava sentado na minha frente, usando calça jeans, sapato social, camisa branca com um colete por cima. Ele era a única pessoa que eu pensei em ver naquele momento, acho que teria sido melhor um mágico. Eu estava sem saber o que dizer, fiquei de boca aberta esperando minha mente voltar ao normal.

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- Para ser sincera preferia um mágico. Por incrível que pareça não sou uma fã lunática correndo atrás do astro mais popular e “bonito” de apenas 20 anos. – Foi tudo o que saiu e me senti idiota por essas palavras. Ate hoje me pergunto de como consegui falar aquilo para ele. - Bom, pelo menos sei que não serei atacado por você e nem tentara algo a mais comigo. – Disse com um meio sorriso. - HAHA, como você é engraçado. Alias já não esta na hora de você ir embora? Sua mascote deve estar te esperando. - Kevin deu uma risada levemente alta. - Para quem não gosta de mim você realmente parece se importar. Lily esta viajando, ela nem deve saber que estou aqui nesse momento. Para encurtar logo todo aquele Bla Bla Bla fui direto ao ponto. Pedi obrigada por ter devolvido minha agenda, mas ele não aceitou meu obrigado para minha surpresa. Questionei o que ele queria de mim então, afinal, já tinha deixado bem claro que não ia com a cara dele. Ele saiu andando sem falar nada, fiz com quem não se importou, mas percebi que ele deixou algo com o segurança do restaurante. Quando sai, fui abordada por ele. Estava fazendo muito frio naquela madrugada e queria ir logo para a casa de Beck, era o que tínhamos combinado já que ela morava ali perto em uma cobertura do Upper West Side, só precisava pegar um ônibus e depois de quatro paradas eu já estaria em frente a sua casa. O segurança veio correndo ate mim, me deu um pedaço de guardanapo e sem falar nada virou as costas e saiu andando. Sem me importar, guardei-o de qualquer jeito no meu casaco e fui para o ponto de ônibus. Assim que chegou fui direto sentar nos bancos do fundo. Três paradas haviam se passado e me lembrei do guardanapo que o segurança do restaurante tinha me dado. Comecei a procurá-lo como louca, quando achei fiquei completamente espantada com o que vi.

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