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28 de outubro de 2009

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Em Itaocara, o progresso é feito com trabalho e determinação crise mundial faz Itaocara perder r$ 1,3 milhão em três meses, mas o trabalho continua

CIRCULAÇÃO: 28 de outubro de 2009 Itaocara, Aperibé, Pádua, Cambuci, São Sebastião do Alto, Macuco, São Fidélis, Cordeiro, Miracema, Itaperuna, Laje do Muriaé, São José de Ubá, Porciúncula e Natividade

ano XVI

NOROESTE nos NOROESTE NOTÍCIAS

A 6 1 Nº 166

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28 de outubro de 2009

Dizendo o que ninguém diz.

r$ 0,50

Itaocara:

119 anos de História Máquinas compradas em 2009

Alcione e o governador, Sérgio Cabral

Itaocara, aos 119 anos, é uma jovem senhora, e o seu progresso tem sido escrito por todos que as-

Reforma e modernização do Centro de Saúde (2009)

Sonha Itaocara

Calçada das Artes

Veículos adquiridos em 2009

Gostaria de erguer um altar, em que, para honrar Itaocara, há de ser permanente o culto a liberdade. Liberdade de dizer a quantas anda as batidas de nossos corações quando falamos dela: da minha, da sua, da nossa Itaocara. O sonho de uma vida plena para todos é fundamental, sobretudo para os políticos que se dedicam ao bem da coletividade, mas, como fazer política sem sonhar? Os sonhos exigem pés no chão, planos de esforços para

colocá-los em prática. O que distingue o político empenhado em transformações é a dimensão do sonho que abarca a sociedade. Nossos ancestrais sonharam... Uns, perseverando, viveram realizações, outros tiveram seus sonhos paralisados pela falta de ousadia. A tática do viver tem suplantado o dormir acordado, o viajar estacionado ou o construir o concreto embasado nas colunas do abstrato. Reconhecer a participação dos outros em nossas vitórias crendo que não é possível realizar sonhos sozinho. Afinal, VENCEDORES NECESSITAM DE CÚMPLICES! É preciso acreditar que os povos são construídos com os sonhos. “Aqueles que partilham sonhos se dão as mãos e caminham juntos”. E esse é, precisamente, o inicio da política, que poderia ser definida

como a arte de administrar os sonhos de um povo. A esperança é de que, distantes da pantomima do poder, os sonhos não tenham morrido. Como a estória da Bela Adormecida, eles dormem, mais profundos que pesadelos do cotidiano. E um dia acordarão. E o povo, possuído pela sua beleza esquecida, se transformará em guerreiro e se dedicará à única tarefa que vale a pena, que é a de transformar os sonhos em realidade. Essa é a única política que me fascina. ESSE É O MEU SONHO... O Vereador Michel no primeiro ano do seu terceiro mandato continua sendo o campeão de projetos de leis apresentados, são mais de 20 vinte leis aprovadas e dezenas de indicações e requerimentos.

sumiram o poder, de Frei Thomas ao Dr. Alcione Correia de Araújo. Alguns trechos da história são relatados nesta edição


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...E assim se faz a história de Itaocara Itaocara no rumo certo

Alcione (E) e Roberinho, prefeito e vice, para mandato de 2009 a 2012

rural. A saúde, sempre precária, também não teve a dimensão que a ela se deveria dar, sem falar construção poços artesianos em comunidades onde a água sempre foi problema grave... Foi preciso um governo que adotasse o slogan de “Um Novo Tempo”, para se entrar verdadeiramente em um novo tempo, e isso veio com a construção de casas populares, desapropriação do Hospital de Itaocara, patrolamento e conservação de estradas rurais em época certa, política social abrangente, construção de modernas quadras esportivas polivalente, saneamento básico, incluindo Estrada Nova e cobertura do valão

de Caxias, alargamento da Ponte Ari Parreira, reforma do BNH, asfalto de Laranjais a Euclidelândia, asfalto a Rua São José, colocação de água na zona rural, transporte escolar gratuito, implantação de faculdades no C.M. Prof. Nildo Nara, a diversificação do lazer através do Fogueirão e dos carnavais de rua que ressurgem, a construção da ponte de Laranjais, asfaltamento de ruas na cidade e nas sedes distritais, a farta distribuição de remédios, bem como a colocação permanente de ambulâncias para atendimento as munícipes, o pagamento em dia dos servidores, o 13º na data do aniversário e, agora, a

Expediente

Jornal Noroeste Notícias Revista e Editora Ltda CNPJ-MF 39.416.235/0001-02

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Não vai muito longe o tempo em que Itaocara vivia mergulhado no ostracismo, sem nenhuma perspectiva de progresso real e de proporcionar melhor, padrão de vida aos seus munícipes. Não havia nenhum planejamento, nenhuma ousadia bem como a austeridade com o gasto do dinheiro público não era levada a sério. O máximo que fazia, com as devidas exceções, era a precária limpeza pública e umas poucas e inexpressivas obras, a não ser o “Projeto Tatu” e a construção dos quiosques, no governo José Romar, sem falar em obras outras que antecederam aos anos 70. O salário dos servidores sempre foi preterido a favor dos fornecedores, acontecendo atrasos bem significativos, sem falar no 13º que sempre ficava para o ano seguinte. Essa “guerra” travada entre servidor x fornecedor, para ver quem recebia primeiro, mensalmente, sempre foi perdida pelo primeiro. Mas isso, graças a Deus, já acabou depois de 2001. Propiciar melhor condição de vida a população campesina, para evitar o seu êxodo para as periferias da cidade, nunca foi preocupação de alguns governos passados, excetuando-se o do Dr. Carlinhos (1973/1976) que desenvolveu os projetos “SALTO”, relativo à Educação e o saneamento básico

Redação: Rua. Gliceria Jorge de Oliveira, 380 – CEP.: 28.570-000 - Itaocara - RJ Diretor: Jonathan Sabino de Faria Designer Gráfico: Fabiane da Cunha. Cel.: (24) 8811-3906 – E-mail: fabicunha@click21.com.br Representante: ESSIÊ PUBLICIDADES Impressão: Gráfica Hoffmann – Telefone: (22) 3824-2499 - Itaperuna - RJ As matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não correspondem, obrigatoriamente, a opinião do jornal.

construção de um grande palco de eventos no lugar onde estava à velha e já imprestável piscina pública do Parque Faria Souto, que já teve seus longos dias de glória, onde se dará, inclusive, nova destinação ao Recanto da Saudade, que ainda vai ser melhor adequada. A continuar assim, procurando o progresso como forma de abrir o mercado de trabalho, oferecer saúde pública de qualidade, ensino público de excelência, o melhor lazer da região, a criatividade e ousadia em busca de investimentos para o município, Itaocara se firmará dentre os que oferecem a melhor condição de vida na região Noroeste Fluminense. Governar levantando prioridades, buscando uma política de resultados com equilíbrio das contas públicas. Esta é receita que garante o sucesso do atual governo de Itaocara, que, com trabalho e determinaçã vai buscando a cultura, a geração de empregos, a oferta de lazer, as praticas esportivas, a melhoria da

malha viária municipal e estadual, a criação da Casa Abrigo Municipal “Morro Alto”, construção de quadras Esportivas, etc. Agora em 2009, o Prefeito Alcione Araújo dá prosseguimento aos projetos do governo do Dr. Manoel Faria mas, independente que e com sua maneira própria de governar, busca alargar os horizontes do progresso adotando uma política mais agressiva para colocar definitivamente o Município de Itaocara na trilha do progresso real. Os primeiros resultados já estão chegando: A fábrica de Cimento MIZU, em Estrada Nova, a transformação do CEDERJ de posto para pólo, a pratica de esportes, a criação da Escola de Música e da Clçada das Artes, a construção de Pontes, a aquisição de veículos e máquinas, os Projetos da Ação Social, a assinatura do Consórcio do Lixo, A criação da Secretaria de Trânsito, com a JARI, para resolver de vez a caótica situação das vias públicas municipais, os projetos de iluminação pública em zonas periféricas da cidade, o asfaltamento de estradas vicinais, como as de Conceição e Campo de Semente, água tratada em Campo de Semente, a expansão do Cemitério, a assinatura do TAC, o Concurso Público que será realizado no inicio de 2010, a austeridade administrativa... Enfim, isto ainda é começo e muita coisa além virá, apesar da crise econômico-financeira que se abate no mundo inteiro e que fez Itaocara perder o total de cerca de R$ 1.300.000,00 nos meses de julho, agosto e setembro de 2009... Mas, segundo o Dr. Alcione, “com trabalho e determina-

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28 de outubro de 2009 ríodo, dentre... continua na Página 15 ...tantas matérias importantes, a Câmara votou e autorizou a realização do primeiro e grande concurso público de Itaocara, que, posteriormente, atingiu o número de cerca de 4 mil inscritos nas diversas áreas, que investiu, incluindo a reclassificação, mais de 500 candidatos, e autorizou as desapropriações do então prédio da CENEC e a criação do C.M. Prof. Nildo Caruso Nara, e de par-te do espólio de Otílio Pontes, para fins de abertura de rua, mudou o regime jurídico dos servidores e criou o Fundo de Pensão. Outro fato importante cometido pela Câmara foi a extinção dos cargos de administradores Distritais, esses implantados na LOM por ocasião de sua votação e que, segundo alguns vereadores, “ameaçavam” as lideranças dos Edis. Além disso, ela teve o grande mérito de trabalhar muito para adequar o município aos ditames da Carta de 88. De 1997/2000: A Câmara eleita em 1996 e empossada em 1997, teve a seguinte composição: Aguinaldo da Silva Martins (PMDB), Elias Abbud(PL), Fernando José Marron da Rocha (PSDB), Francisco Fontes (PPB), Geyves Maia Vieira (PSDB), Giovani Mercanti Richard (PMDB), João Batista Domingues Omecias (PPB), José Matozinho Mendes (PL), Joséas Constantino da Silva (eleito pelo PFL, filiou-se, em 1999, ao PMDB), Marcelo Graça

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(PMDB), Reinaldo Ferreira Viégas (PSC), Roberto dos Santos Cruz (PDT), Wagner Ignácio Cortes Falante(PDT) e Antônio Figueira Martins (PPB), (suplente convocado para substituir o vereador João Batista que sofrera acidente de trânsito e ficara afastado por mais de 90 dias). O vereador Reinaldo Ferreira Viégas foi o mais votado na eleição de 1996. Durante esse período, isto é de 1997 a julho de1999, a Câmara teve os seguintes presidentes, pela ordem: Elias Abbud, Dr. Fernando José Marrom da Rocha e Francisco Fontes, este último renunciou ao cargo no dia 17 de junho de 1999, alegando pressão de forças ocultas, sendo eleito, por unanimidade, para desempenhar o restante do mandato, de 22/06/99 a 31/12/99, o vereador Wagner Fallante, em eleição ocorrida no dia 22 de junho do mesmo ano. No ano de 2000, o presidente foi Aguinaldo da Silva Martins (PMDB). De 2001 a 2004: Nesse período, a Câmara foi eleita com a seguinte composição: Roberto dos Santos Cruz, Romário da Padaria, Michel Ângelo Machado de Freitas (PDT); Carlos Barbosa, Gey-ves Maia Vieira (PSDB); Giovani Mercante Richar, Joséas Constantino da Silva, Agenor Cleber Car-riello (PMDB); Canarinho, Adail (PV); Francisco Fontes (PSB);Antônio Figueira Martins e Reinaldo Ferreira Viégas (PPB). O vereador mais votado nes-

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sa eleição foi Joséas Constantino da Silva. Nesse primeiro ano da legislatura (2001) a câmara rejeitou o projeto de lei que oferecia 5% de reajuste para os servidores, rejeitando também o projeto de lei que autorizava a permuta de terreno da municipalidade, localizado no Jardim D’Aldeia, por outro, particular, sediado na Cidade Nova, com voto favorável apenas do vereador Francisco Fontes, e aprovou, desconhecendo a lei impediti-va, (com voto contrário do vereador Geyves Maia Vieira) a polêmica Lei que autoriza ao governo municipal ceder ao estado, para construir a Casa do Futuro, terreno na orla do rio Paraíba, precisamente no Parque Faria Souto (onde deverá ser aterrada a piscina e desfigurada a referida área de lazer), numa localização em que é proibida qualquer edificação de certo porte, isto no trecho que vai da casa do Dr. Eduardo Scisínio ao Hospital de Itaocara, em função de Lei Municipal em vigor. De 2005 a 2008 a Câmara tinha a seguinte composição: Michel Ângelo Machado de Freitas, Giovani Mercante Richard, Joséas Constantino da Silva, Renato Domingues dos Santos, Canarinho, Lander-son Py Queiroz, Roberto Cruz, Reinaldo Ferreira Viégas, Carlos Barbosa e Marquinhos Jaguarembé, em vaga decorrente do afastamento do vereador Renato. De 2009 a 2012; Michel Ângelo Ma-

PartIDo DoS traBaLHaDorES Diretório Municipal de Itaocara rua aristeu Bucker s/n – centro Itaocara- cEP- 28.570-000- rJ EDItaL DE coNVocaÇÃo Ficam convocados todos filiados ao Partido e aptos a votarem para participarem do PED, no próximo dia 22 de novembro, das 9:00 às 17:00 horas, no Clube União Esportiva Itaocarense, este localizado à Avenida Presidente Sodré, Centro, na cidade de Itaocara, com a seguinte pauta: a) Conjuntura Internacional; b) Conjuntura nacional; c) Conjuntura Estadual e Municipal; d) Eleição para presidentes dos Diretórios: Municipal, Estadual e Nacional, e) Eleição das Chapas dos Diretórios: Municipal, Estadual e Nacional; f) Assuntos Gerais. Itaocara, 25 de outubro de 2009. JoÃo BatISta BUcKEr - PrESIDENtE

chado de Freitas, Hernane Machado, Manoel Pressão, Joséas Constantino da Silva, Rui Eccard, Edson da Sinuca, Renato Domingues dos Santos, Reinaldo Viégas, Paulinho Mozart e Jorge do Caeté, em vaga decorrente da morte de Joséas. O presidente da Câmara neste primeiro ano (2009) é o vereador Renato Domingues dos Santos. Uma curiosidade nesta legislatura: A oposição não elegeu nenhum vereador. De 1892 a 1921, o Município de Itaocara não tinha Prefeito e era governado pelos Presidentes da Câmara, que acumulavam funções Legislativas e Executivas. Foram eles: Coronel José Ferreira Guimarães, de 1892/1894; José Joaquim da Cruz Braga, de 1895/1896; João Francisco de Aguiar, de 1896/1897; Dr. Constantino Martins Lontra de 1898/1900; Eduardo Scisínio de Araújo, de 1901/1903; Coronel Antônio Alves Pitta de Castro, de 1904/1909; Clemente Pereira de Carvalho (substituto do Cel. Pitta de Castro) (jan/fev 1910); Coronel Antonio Alves Pitta de Castro (março/maio 1910); Amaury Guimarães ( Substituto do Cel. Pita de Castro (junho/1910 a fev. 1911; Coronel Antônio Alves Pita de Castro, de 1911 a 1915; Raul de Carvalho, de 1915/1916; Dr. Francisco Portela dos Santos, em 1916; Coronel João Francisco Ramos, de 1916/1918 e Capitão José Dias, de 1918

Página 15 a 1921. Do Livro “Casa de Pedra, do Dr. Francisco Marra. Proibida a reprodução sem autorização do autor. Os Vereadores que foram eleitos para o cargo de Presidente da Câmara, alguns com mais de um mandato, foram os seguintes: Francisco Antônio Alexandre; Ataliba de Souza Marinho; João Manoel dos Santos; Carlos Gomes de Figueiredo Siqueira (2); Paulo César Erthal; Marino Coelho de Ornellas; Matozinho de Oliveira Pinheiro, Augusto José Pires; Gamaliel Borges Pinheiro, Adalberto Caldeira Dias; Waldir Eccard (2); José Romar Lessa, Paulo Mozart de Almeida, Elias Abbud (3), João Batista Dias Sobrinho; Antônio Merlim Corrêa; Pedro Nassif (2); Hélio Rui Lopes (2); Alcêo Cortat (2); Salvador Linhares; Hermet Eccard; Rui Resende; Wilson Salim Sarruf; Reinaldo Ferreira Viégas (2); Marcelo Graça, Giovani Mercanti Richard, Wagner Falante (2), Vereador Fernando José Marron da Rocha, Francisco Fontes (que renunciou ao cargo) e o atual é o vereador Wagner Ignácio Cortes Falante (PDT), Aguinaldo da Silva Martins e Roberto dos Santos Cruz. Durante todo esse longo período da história do Poder Legislativo de Itaocara, apenas duas mulheres ocuparam cadeiras naquela Casa, muito embora muitas outras tenham se candidatado: Ilka Scsínio Dias (1947/1950) Numa solenidade no Campestre Clube, com comparecimento de cerca de 1.000 pessoas, o vice-governador, Pezão, com a presença do prefeito Alcione e o vice, Roberinho, assinam o protocolo de intenções para a constru��ão da Fábrica de Cimento MIZU.


Página 14 continua na Página 14 ...Hugo Campista, que tinha ligações com o PSD, isto na rua Perciliana Bonart, na sede do 4º distrito. De 1959/1963: Nesse período, os vereadores eram Iodete Cabo (Nanico), Augusto José Pires, Adalberto Caldeira Dias, Manoel Vieira de Melo, Orlando do Couto, Clélio Erthal, Gamaliel Borges Pinheiro, Lauro Pereira Alves, Deoclemes José de Souza, Carlos Gomes Figueiredo Siqueira e Altir de Oliveira Pinto. De 1963/1967: A Câmara era composta pelos edis: Adalberto Caldeira Dias, Carlos Gomes Figueiredo Siqueira, Waldir Eccard, Antônio Alves Sobrinho, Noé Gualberto, Alarico Bastos Rohen, Nicola Francisco Nicolau, Riélvio Augusto Nascimento, Iodete Cabo, Pedro de Souza Coelho e Clemente Pereira Diniz. Esse foi um período muito difícil da vida política brasileira em função da Revolução de 1964, que restringiu o número de partidos políticos, criando o bi- partidarismos com ARENA e PMDB, além de, com isso, sufocar o nascimento de novas lideranças. O período revolucionário ultrapassou essa legislatura, porém foi nela em que se usou e abusou da “caça às bruxas”, como se dizia na ocasião em relação a perseguição dos inimigos do “Novo Poder”. Em Itaocara, a situação não foi diferente e o governo do Dr. Álvaro dos Santos Pinheiro, prefeito eleito pelo PTB, passou por momentos de turbulências e só sustentou-se no poder pela grande amizade que havia entre ele (Dr. Pinheiro) e o então governador Paulo Torres, que era Marechal e maior liderança política do Estado na ocasião e seu padrinho de casamento. Nem a Câmara Municipal escapou dessa “guerra”: O industrial e político Nelson Fontes, que acabara de escrever o livro intitulado “Casa de Sapê” e tivera sério desentendimento (a

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questão dos porcos) com o Delegado Moacyr Bellot, este último por isso, graças ao Dr. Luiz de Araújo Braz, então Secretário de Interior e Justiça (amigo íntimo de Nelson Fontes e Genésio Maurício de Aguiar), foi transferido de Itaocara em 24 horas para uma cidade bem distante, tivera também atritos com o vereador Dr. Adalberto Caldeira Dias, ocasião em que, no Plenário da Câmara, com ele trocara cadeiradas num tumulto generalizado que ficou conhecido na política itaocarense como “A Noite das Cadeiradas”. Nesse período, durante o mês de abril de 1964, a opinião pública itaocarense foi sacudida e dividida pelo movimento popular denominado “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, destacandose a “Marcha” acontecida em Jaguarembé, com apoio de próceres udenistas como, exemplificando, Otílio Pontes, Gamaliel Borges Pinheiro, Predro Cremonez, Genésio Maurício de Aguiar, Altir de Oliveira Pinto, Thomás de Carvalho Gama, Agrípio Souza, Nelson Crespo, Manoel Cabral de Rezende Filho, Salvador Chafim, Chico Lira, Luiz de Araújo Braz, Francisco Marra de Moraes, Carlos Lessa, Gerson de Oliveira, Didier Marra, Estevão Silva e Nico, Silnia e Noêmia Linhares, culminando a passeata com inflamados discursos no velho coreto da praça José Dias, em frente à antiga Igreja de Santo Antônio, tendo o Padre Saraiva se recusado a celebrar a missa, ficando esta a cargo do padre Pedro, de Valão do Barro. De 1967/1971: Foram vereadores Waldir Eccard, José Romar Lessa, Altivar Pinto de Azevedo, Riélvio Augusto Nascimento, José Soares (Zé Brotinho), Sebastião José de Freitas, Hernandes Campany, Paulo Brito, Pedro Nassif, Antônio Floriano de Souza, Milton Boechat e Paulo Mozart de Almeida.

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De 1971/1972: Eram edis: Elias Abbud, Djalma Martins de Almeida, Francisco Marra de Moraes, Manoel Mariano Júnior, Hêner Nara (o mais votado nessa eleição), Alcêu Cortat, Ernesto Rohen, Racib Ibraim Sarruf, Antônio Merlim Corrêa, Édino de Aguiar Lessa e Pedro de Souza Coelho. Considerada por muitos como em sendo uma das melhores Câmaras de vereadores de todos os tem-pos, esse período foi marcado por grandes debates no plenário, motivados, principalmente pelo clima de descontentamento da população urbana da cidade com a eleição de Paulo Mozart contra o Dr. Carlinhos, inclusive com comentários de fraude, com alguns estremados partidários deste último colocando grama nas janelas e portas dos adversários o que, de certa forma, contribuiu para acirrar as rivalidades no Legislativo. Nessa época o Jornal “O Nível” cobria, através do professor Paulo César Rimes, as reuniões da Câmara com a coluna “Aconteceu na Câmara”, quando narrava, por exemplo, que “o vereador Francisco Marra, 1º Secretário, “esqueceu” de lavrar a Ata da reunião passada”... “O vereador Manoel Mariano Júnior votou contra o projeto que ele mesmo apresentou”. Conta-se que o Vereador Hêner Nara discursando em Sessão Solene (28 de outubro) elogiava um novo cidadão itaocarense (Manoel Borges Resende), quando outro vereador, em aparte, disse que “adoçava” os elogios. De 1973/1977: A Câmara era composta pelos seguintes edis: Elias Abudd, Mário Rocha Gualberto, Édino de Aguiar Lessa, José da Silva (Zezinho Félix), Djalma Martins de Almeida, Racib Ibraim Sarruf, Pedro Nassif, Antônio Merlim Corrêa, João Batista Dias Sobrinho, Manoel José Alves e Alcêo Cortat. Um episódio lamentável,

que quase quebrou a harmonia reinante no Poder Legislativo ocorreu nesse período, a briga entre os vereadores Alcêo e Antônio Merlim, o “Zuzuca”, quando este último foi agredido, após provocação, com um violento soco, dentro do recinto do plenário, em horário de sessão. De 1977/1982: A Câmara desse período tinha como vereadores: Alcêo Cortat, Djalma Martins de Almeida, Pedro Nassif, Manoel José Alves, Ernesto Rohen, Abner Gonçalves de Lima, Pedro de Souza Coelho, Francisco Marra de Moraes, Hélio Rui Lopes, Antonio dos Santos Almeida e Álvaro Antônio Vieira Pinheiro. Durante parte desse período, aliás por pouco tempo, cerca de 30 dias, pela primeira vez, o Município de Itaocara teve duas Câmaras: uma funcionando na parte superior do prédio da Biblioteca e liderada por Alcêo Cortat e a outra comandada por Pedro Nassif , funcionando esta no salão da Biblioteca Pública Municipal , na parte inferior do prédio. O Chefe do Poder Executivo era o industrial Joaquim Soares Monteiro, excelente Prefeito, que tinha claras preferências pela “Câmara de Baixo”. O Vereador Abner Gonçalves de Lima, funcionário público municipal ( e alvo de pressões palacianas) e amigo do então Prefeito, era o fiel da balança: ora freqüentava uma, ora outra, até definirse definitivamente a favor da que tinha a simpatia do Prefeito. Isso obrigou a reunificação mas, apesar das brigas separatistas havidas, não deixou nenhuma seqüela nos Edis. Um detalhe que marcou época na Câmara, neste período (1977/1982), foi o clima de amizade que ali reinou, apesar das divergências e dos calorosos debates, quando todos aniversários dos Edis eram comemorados. De 1983/1988: Estes eram os membros do Legislativo: José da Silva, Alcêo

28 de outubro de 2009 Cortat, Francisco Fontes, Waldemar Barcelos Torres, Carmem Cristina Lannes, Sebastião de Souza Coelho (Santo Cabuqueiro), Ruy Resende, Salvador Linhares, Geny de Souza, Hélio Rui Lopes, Hermet Eccard e Jayme Araújo (que assumiu como suplente). De 1989/1992: Esses eram os Edis: José da Silva, José Matozinho Mendes, Joséas Constantino da Silva, Reinaldo Ferreira Viégas, Manuel Pinto de Araújo, Paulo César Rimes, Wilsom Salim Sarruf, Giovani Mercanti Richard, Francisco Fontes, Wagner Ignácio Côrtes Fallante e Ronaldo dos Santos Teixeira. Nessa legislatura ocorreram dois fatos especialmente dignos de nota: A elaboração da Constituição Municipal- a LOM, na gestão do Presidente Wilsom Sarruf e a cassação do Vereador Paulo César Rimes (PT), pela acusação de “acumular” três empregos, fato único na história do legislativo itaocarense e que ensejou diversas manifestações populares fora e dentro do recinto da Câmara, a favor do então vereador Paulo César Rimes, inclusive com as presenças de importantes lideranças do PT, como, por exemplo, os doutores Jorge Bitar e Luiz Pau-lo Viveiros de Castro, além de representantes regionais do Partido. Na época desses fatos governava o município de Itaocara o Dr. Robério Ferreira da Silva (PL), então desafeto político do vereador petista cassado e, segundo comentários, mentor do ato extremo, e a criação do distrito de Batatal. De 1993/1996: Eram vereadores Aguinaldo da Silva.Martins, Agenor Cleber Carriello (Xampu), Antônio Aguiar, Antônio Figueira Martins, Elias Abbud, Giovani Mercante Richard, Joséas Constantino da Silva, Marcelo Graça, Reinaldo Ferreira Viégas, Roberto dos Santos Cruz, Rubens Costas Bastos, Salvador Linhares e Wagner Ignácio Cortes Fallante. Nesse pe-

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No começo, quase todo o campo era coberto de verdes florestas aonde índios e animais reinavam absolutos e o Paraíba era mais majestoso, com seu curso quase que livre de ilhas. Uns poucos brancos e muitos índios habitavam a terra e se deliciavam com banhos nas claras águas do Rio Paraíba, com o canto de pássaros, com os mergulhos do martim-pescador, com a corredeira das pacas e a “preguiça” da preguiça. A Serra da Bolívia, com seus mil encantos, a tudo assistia e era motivo de contemplação, principalmente quando a lua cheia se punha por detrás dela, ou quando o arco-íris formava um colar de luzes e cores ao seu redor. As corredeiras do Paraíba, ninavam os primitivos habitantes, além de fartar suas mesas com a abundância de peixes. Depois vieram os brancos e estes e os índios singravam as águas límpidas do Paraíba em suas canoas. O clima era mais ameno e chovia mais. Umas poucas casas de brancos e muitas choupanas de índios existiam. A vida corria mansa, sem nenhuma preocupação com o futuro, já que nem mesmo se tinha consciência do que seria uma organização social nos moldes que tempos depois iria ser implantada por frei Tomás. A principal atividade econômica à época era a extração de madeira. Assim era o “ambiente” em que nasceu a ALDEIA DA PEDRA. a FUNDaÇÃo: Frei Ângelo Maria de Luca e Frei Victório de Cambiasca receberam do Frei Antônio Maria Canejo, prefeito dos Capuchinhos do Rio de Janeiro, a incumbência de subirem o Rio Paraíba, partindo da vila de São Salvador dos Campos dos Goitacázes,

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a aldeia da Pedra atual Município de Campos, para aldeiar os índios Coroados. Subindo o Rio Paraíba do Sul, os Freis e sua comitiva, detiveramse no lugar, onde hoje é o primeiro distrito de São Fidélis, e aí fundaram a Aldeia de São Fidélis de Sigmaringa. Naquela época, o território, onde mais tarde se fundaria a Aldeia da Pedra, atual Itaocara, pertencia à Aldeia de São Fidélis, que, por sua vez, pertencia à Vila de Campos dos Goitacázes. Segundo contam os historiadores, em 03/02/1824 ocorreu à separação entre as duas aldeias. Com isso, São Fidélis de Sigmaringa, a aldeia e todo o seu território, foi incorporado ao território de Cantagalo, levando junto às terras que hoje formam o município de Itaocara. Com o Decreto de novembro de 1825, a Aldeia de São Fidélis retornava ao domínio de Campos e com ela as terras que viriam a formar a Aldeia da Pedra. Em 02 de abril de 1840, através da Lei Provincial, a Aldeia de São Fidélis de Sigmaringa era elevada à categoria de Freguesia. O território da futura Aldeia da Pedra acompanhava São Fidélis nessas idas e vindas. Aldeiar os índios coroados e purís na Aldeia de São Fidélis, conforme o projeto inicial tornou-se impossível , eis que tal objetivo se esbarrava nas recentes guerras travadas entre eles e no ódio daí advindo, fato também ocorrido na Aldeia da Pedra, eis que nesta apenas se juntaram coropós e coroados. Os puris eram arredios, não se sujeitavam e nem aceitavam a conversão pretendida pela Igreja. Assim, só restava uma alternativa aos padres Capuchinhos: procurar novas terras, para a fundação de nova aldeia.

Conta Alaôr Eduardo Scisínio, in Itaocara-Uma Democracia Rural, “... que Frei Thomás de Castello, capuchinho italiano vindo de Lisboa, onde esteve enfermo por dois anos, chegou ao Rio de Janeiro em 25 de fevereiro de 1796, recebendo do bispo Dom José Joaquim de Mascarenhas a incumbência em tom de ordem de rumar para a missão de São Fidélis, substituindo o Frei Victorio de Cambiasca, que naquele ano havia sido convocado ao Rio para ocupar o cargo de Prefeito Apostólico e Superior da pequena comunidade jesuítica: Em 1797, seguiu com destino a Campos e de lá para São Fidélis, onde se encontrou com o Frei Ângelo Maria de Luca. Frei Ângelo recebeu com simpatia àquele jovem de menos de vinte anos que havia ingressado na Ordem com pouco mais de dezesseis, conhecendo o português falado no Brasil, com noções da língua tupi-guarani e iniciado na arquitetura. Em 1806, assumia o Vice-Reinado, o 8º Conde dos Arcos, D. Marcos de Noronha e Brito, que seria o nosso último Vice-Rei, pois a pressão que Napoleão Bonaparte exercia sobre Portugal faria com que, em 1807, a sua Corte se transferisse para o Brasil, com o príncipe regente, D. João, governando em substituição a sua mãe, Rainha Maria I, demente desde 1792... D. Marcos de Noronha, “fi dalgo da melhor estirpe”, soldado que já vira o fogo, administrador louvado por seus engenhosos planos quando dirigia a Capitania do Grão-Pará e Rio Negro, grave, ponderado e fi rme, que tão logo assumiu os poderes de Vice-Rei, prosseguiu o projeto de expansão das

aldeias e criação de novos aldeamentos e, inteirado do que havia ocorrido até então, pôs termo às incertezas, marcando nas margens fertilíssimas e amenas do Rio Paraíba do Sul, na confluência do Rio Pomba, ao que parece no atual Campo de Semente, local para o estabelecimento da Aldeia, sob a denominação de São José de Dom Marcos. Mas, pouco tempo depois, com os índios rejeitando tal designação, o aldeamento foi transferido para “terras defronte para uma linda pedra (Serra da Bolívia)” que fora avistada por Frei Tomás, recebendo o nome de Aldeia da Pedra... A Portaria de 24/02/1808, expedida pelo Cabido Sede Vacante, encarregou Frei Thomás de Civita e Castello da paroquiação dos índios que somavam 50 e até 100 famílias, segundo Saint Adolphe (Dicionário Histórico e Descritivo do Império do Brasil-París, 1845) e que “viviam em choupanas mui baixas e postas em renque, coisa que julgavam necessária para melhor se precaverem contra os inimigos”. Soube o digno religioso conquistar por tal modo à confiança desses índios, que conseguiu com eles edificar uma igreja, sob a invocação de São José de Leonissa, com a ajuda dos fiéis e o escasso rendimento da extinta Aldeia de Guarulhos, que fi cava a uns 40 quilômetros de São Fidélis e fracassou como aldeamento, motivo este que trouxe os religiosos citados para a formação da Aldeia da Pedra. O Conde D´Arcos ajudou Frei Thomás, concedendo-lhe meia légua de terra para patrimônio da freguesia, paramentos, um sino, uma pia batismal para a matriz, pano para vestir os índios e ferramentas

agrícolas (Frei Jacinto Palazzolo, História de São Fidélis, p. 127). Não são os puris que ali se juntaram, lembra Alberto Lamego, in “O Homem e a Serra, p. 273”, pois eles sempre eram renitentes à submissão aos padres. A nova Aldeia com 30 famílias de coropós e 80 de Coroados, totalizando 226 indígenas, foi chamada ALDEIA DA PEDRA, recusando-se os índios a chamá-la de Dom Marcos. Convém frisar que muito antes de receber o encargo de paroquiar os índios, o que aconteceu em 24/02/1808, Frei Thomás havia estado na Aldeia da Pedra por inúmeras vezes, com ela já formada e tendo já esse nome, batizando, casando, celebrando missa com seu altar portátil e mantendo contatos com o cacique, por ele investido na condição de Capitãode-Mato, com o nome de José de Leonissa Silva. Em 1812, no dia 24 de novembro, o bispo José Caetano da Silva Coutinho elevou o aldeamento a condição de Aldeia da Pedra, sob a invocação de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra. Vale ressaltar que esta é a história oficial, mas existem indícios de que uma outra versão possa existir, com a descoberta dos famosos “fornos de Jaguarembé”, conjugado com a controversa história de Mão de Luva. Obras Pesquisadas: Itaocara - Uma Democracia Rural - Alaôr Eduardo Scisínio - História de São Fidélis - Frei Jacinto Palazzolo e Itaocara, antiga Aldeia de Índio, de Tolledo Pizza. Texto do Livro “Casa de Pedra” do Dr. Francisco Marra de Moraes. Proibida a reprodução, inclusive de fotos, sem prévia autorização do autor.


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o curato da aldeia da Pedra

Lá pelos idos de 1812, a vida na Aldeia da Pedra corria mansamente e sem grandes progressos, a não ser na agricultura rudimentar e nas derrubadas de florestas. Os índios iam ficando raros e espalhados pelo território da Aldeia, que abrangia Três Irmãos, Funil, Flecheira e Pedro Corrêa (Aperibé), nas margens do rio Pomba. Em Água Preta, nas margens do valão do mesmo nome, estavam os coroados que já iam sendo expulsos da Aldeia que havia ajudado a fundar. Os puris, embrenhavam-se pelas matas e faziam suas incursões de Monte Puri ao ribeirão das Areias, em Laranjais, acompanhando os animais que caçavam, mas que habitavam também a região norte, às margens do rio Pomba, em número de 500 a 600, vivendo no meio das matas. Em Palmital estavam os botocudos, estes vindos das terras de Minas Gerais. Os coropós, que haviam sido aldeados juntamente com os coroados na Aldeia da Pedra, embrenhavam-se pelo mato adentro, perseguidos que também eram pelos brancos. Os índios, via de regra, viviam da extração de madeira e de pequenos roçados. Pela precariedade da vida que levavam, discriminados e já sem nenhum apoio, grande parte deles estavam constantemente embriagados e era comum, por parte dos brancos, reclamações de pequenos furtos. A Serra da Bolívia já não tinha sobre si os olhares contemplativos e sonhadores dos primitivos donos da terra, os índios, e nem esses eram ninados pelo murmurar das águas corredeiras do Paraíba. As matas, quase todas devastadas pelos madeireiros e pelas queimadas, davam seus espaços ao gado e a lavouras de café e milho.

Uns poucos ricos iam abocanhando as férteis terras da Aldeia da Pedra. O rio Paraíba, em 1812, corria com grande velocidade, eis que em seu leito não havia tantas ilhas obstruindo a passagem das águas. A vida na Aldeia, pelo contrário, ia passando lenta. De vez em vez acontecia uma reunião de amigos, quando se tomava uma pinga, contavam-se umas histórias e cantavam-se umas modinhas. Gradativamente, porém, a situação ia sendo alterada. No dia 24 de novembro de 1812, o bispo José Caetano da Silva Coutinho passou pela Aldeia, que na época chama-se de Dom Marcos, elevando-a a categoria de Curato, sob as bênçãos de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, nomeando seu primeiro Cura o Frei Thomás (que hoje dá o seu nome ao Colégio Frei Tomás). Frei Tomás foi incansável na tentativa de paroquiar os índios, catequizando-os. Chegou a batizar e casar muitos coroados e coropós. Mas os puris eram nômades e indomáveis, jamais admitindo sujeitarem-se as regras da igreja. Frei Thomás morreu em 16 de abril de 1828 sem conseguir totalmente seus objetivos. Para sucedê-lo veio o Frei Flórido de Castello. Conta Alaôr Eduardo Scisínio, in Itaocara- Uma Democracia Rural- que “A Aldeia da Pedra, pouco a pouco, foi sendo tomada pelos colonizadores portugueses, pelos emigrantes turcos, italianos e mesmo por nacionais brancos filhos e netos de colonizadores, chegando muitos com cartas de arrematação de bens penhorados pela Fazenda Nacional, que era forma tradicional de “grilo”, descendo de Nova Friburgo os Van Erven, os Belienes, Jacques, Dene Witz, Eccard, Bucker, Navega,

Mulim, Poubel, Heggendorm e Espindola, como está em Alberto Ribeiro Lamego (O Homem e a Serra, p.276). Os índios coroados foram instalados na Água Preta em terreno demarcado. Ali eles construíram suas tabas. Eles que construíram a igreja de São José, nela não podiam entrar. Também já não podiam banhar-se ou pescar nas águas do Paraíba. Os puris não se fixavam e não vinham mesmo à Aldeia da Pedra”. Relata Alaôr, obra citada, que “Em ofício a Pe. João Domingos Carneiro, Juiz de Òrfão, datado de 27 de novembro de 1834, o Cura frei Flórido lamente esse estado dos índios, escrevendo: “Tenho a informar-lhe que pouco distante desta povoação há um pequeno terreno, que sempre foi protegido pelo meu antecessor e agora por mim, e nele se observa uma porção de índios da nação coroados e com alguns coropós fazem o cômputo de 78 fogos”. Ali em suas pobres aldeias que mal os ampara do tempo, tratam de pouca cultura, sobrando-lhes pouco tempo das conduções de madeiras a que estão afeitas, tendo assim prejuízos em suas lavouras e em suas saúdes, causa continuada de embriaguez, acabando alguns deles bem miseravelmente; o que tudo é passado debaixo dos meus olhos com dó e mágoa”. “Em 13 de dezembro de 1834, atendendo ao pedido de informação do Juiz de Paz de S. Salvador, a que pertencia o Curato de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, o Cura lhe enviou este ofício transcrito por Joaquim Norberto (Men. Hist. E Doc. das Aldeias dos Índios, pag. 484: Ofício do Juiz de Paz José Joaquim da Silva, datado de 13 de dezembro de 1834, Ilmº. Sr. Acuso a recepção do ofício de V.S. datado de 19

do passado em o qual me requisita as necessárias informações relativas aos índios, para poder cumprir a determinação do Exmº. Sr. Presidente d’esta Província. Satisfaça-o da maneira seguinte: Há n’este Curato 170 a 180 índios coroados e a maior parte situada em uma sorte de terras que pelo missionário Fr. Thomás, já falecido, lhes foi marcado acima d’este arraial, cujo lugar é o valão D’Água Preta ao Ribeirão da Areas, que terá de distância três quartos a uma légua de terras, os quaes vivem de suas rocinhas e conduções de madeira. Há no lado Norte uma porção de índio puri que constará de 500 a 600, os quaes vivem a maior parte pelos matos e se chegam aos habitantes do rio Pomba para haverem o necessário, trazendo poaias para com eles negociar. Em alguns d’aqueles moradores existem algumas famílias dos mesmos já domesticados, e pelo Re. Fr. Flórido foram baptizados bastantes, porém vivem na mesma lei natural a maior parte, havendo necessidade de aldeiamento para eles para assim serem educados e evitar-se o dano que causam por furtos nas plantações dos habitantes. É o quanto posso informar a V. Exa. a quem Deus guarde por muitos anos. Curato de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, 13 de dezembro de 1834. Em 23 de junho de 1835 este ofício era remetido: Ilmº. Sr. Juiz de Orfhãos da Vila de São Salvador de CamposJosé Joaquim da Silva-Juiz de Paz. Para satisfazer o ofício que V. s. me remeteu no dia 20 de junho do corrente ano, pedindo-me um esclarecimento aos quesitos que vieram inclusos acerca dos índios, sou a dizer que eu tenho batizado desde o ano de 1827 até ao ano presente

a quantia de pouco mais de 1440 índios de ambos os sexos das nações seguintes de coroados, puris, coropós e botocudos. Que todos estão dispersos nas margens do Paraíba e Pomba e vivem debaixo da proteção de famílias brasileiras que aí os cultivam em seus serviços rurais. A nação coroada está morando em suas terras que a Coroa lhes concedeu pegado as terras do mesmo arraial; porém estas terras não estão medidas e nem demarcadas. A nação puri tem na margem do rio Pomba o princípio de dois aldeamentos com boas derrubadas; um nos fundos das Flecheiras, outro no Caracol, que dei princípio desde o ano de 1833, e aí se acham estabelecidos alguns índios brasileiros. Este serviço o tenho feito com algum adjutório que o ex-Imperador mandou repartir pelos meus índios no ano de 1829, contando de algumas ferramentas e pano de algodão que pelos índios distribuí, e ainda ficou o resto no meu poder 25 foices, 15 machados, 8 enxadas, 18 facas, que tudo distribuirei conforme a necessidade. O que pertence ao templo é um cálice de prata, um emula do mesmo metal, duas casulas, duas alvas, e quatro toalhas. Tudo isso me foi entregue pelo falecido meu companheiro Fr. Thomás de Castello. É quanto devo em resposta ao ofício de V.S. Deus guarde V.S. Casa de minha residência em 22 de junho de 1835. Ao Exmº. Sr. Juiz de Paz d’este Curato da Aldeia da Pedra – Fr. Flórido de Castello, missionário apostólico.(*)- redação original. Bibliografia- Itaocara- Uma Democracia Rural, de Alaôr Eduardo Scisínio, História de São Fidélis - Frei Jacinto Palazzolo. Texto Francisco Marra de Moraes.

28 de outubro de 2009 continua na Página 13 ... Endemias Rurais, construiu os grupos escolares Laurindo Pitta (Jaguarembé) e Johenir Viégas (Laranjais). Prestigiou a cultura de um modo geral, colocou luz fluorescente na cidade e muito mais. Também está entre os melhores; Dr. Alvaro Pinheiro- sua administração foi perturbada pelo movimento revolucionário de 64. Foi o grande idealizador da construção da Casa de Saúde João XXIII. Em seu governo ocorreu o difícil calçamento da Avenida Roberto Silveira; Paulo Mozart de Almeidareconstruiu as praças Cel. Guimarães e Zelina Rios (Laranjais), calçamento da rua Plínio Salgado, em Laranjais e avenida BeiraRio, hoje Frei Tomás, praças Santa Beatriz (Portela). Terminou a construção do atual prédio da Prefeitura e cuidou da zona rural; Joaquim Soares Monteiroprefeito de visão ampla, apesar de pouco letrado. Concentrou quase que toda sua atenção à zona rural, embora tenha sido

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O Poder Legislativo Poder Legislativo Municipal- Câmara de Vereadores- é de vital importância para o município, eis que além de votar leis, apresentar indicações de obras, serviços e requerimentos, ainda fiscaliza os atos do Poder Execu-tivo o que é, principalmente, um dever constitucional. Ela também funciona como uma espécie de “caixa de ressonância” onde ecoam as reclamações dos munícipes, um verdadeiro ponto de equilíbrio político, em defesa do povo e contra possíveis omissões e arbítrios do Poder Executivo. Essas funções, no decorrer dos anos, vêm sendo desempenhadas pelos senhores Edis com muito amor pela Terra

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bom prefeito para a zona urbana através de limpeza e iluminação pública, onde, inclusive, construiu o prédio do Colégio Teotônio Vilela. Adquiriu o prédio do IBC, onde hoje funciona o Mercado do Produtor e maquinarias para o município e instalou a fábrica de manilhas para atender as necessidades municipais; José Romar Lessa ,da “turma” de Jaguarembé, foi prefeito por duas vezes. Ele remodelou o Estádio Municipal Tenente Paulo Ignácio de Araújo, a beirario, onde construiu a praça dos Quiosques, construiu a quadra polivalente de Esportes “Pedro de Souza Coelho”, O Projeto Tatu, saneou e iluminou o bairro Caxias, onde construiu o canal do valão Santo Antônio, Colocou torre de televisão parabólica em todos os distritos, onde também calçou ruas (bairro Cidade Nova, Florestal, Morro Joarez Antunes (Eucalípto) Morro da caixa D’Água, loteamento Jardim D’ Aldeia, bairro Bela Vista, rua do C.E. de Portela, praça 11, construiu as praças José

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Dias (Jaguarembé) D. Leopoldina Teixeira (Batatal) e ruas de Jaguarembé, Laranjais, Estrada Nova, Batatal. Construiu quadras de esportes nos distrito, construiu praças, colocou e expandiu o sistema de iluminação pública na RJ-116 (BNH), e RJ-158 (Estrada Itaocara-Portela) loteamento Jardim D’Aldeia e nos distritos, construiu imensas redes de esgotos e escoamento de águas pluviais em Laranjais, Itaocara, Jaguarembé e Portela, construiu em convênio com o Estado o asfalto de Batatal a Laranjais onde também construiu o prédio que sedia a atual Telemar, construiu prédios para escolas e postos de saúde, prestigiou a cultura patrocinando a edição de diversos livros, adquiriu diversos veículos e máquinas; tomou a iniciativa, a pedido das Associações de Moradores, da solicitação de telefone para Batatal, Portela, Jaguarembé e Laranjais (junto o Dr. Álvaro); desapropriou o prédio da CENEC para poder ali funcionar o Colégio Municipal

Prof. Nildo Nara; desapropriou lotes para ligar a rua Pastor José Henrique da Matta à Cel. Pita de Castro. Está entre os melhores prefeitos que Itaocara já teve. De 1997 a 2000, o prefeito de Itaocara foi o Dr. Robério Ferreira da Silva (PPB), que é natural de São José de Ubá e esse é o seu segundo mandato. Foi ele quem construiu o Calçadão do Centenário, o monumento do Centenário colocado na praça Cel. Guimarães, construiu a quadra de areia, na beira- rio, asfaltou ruas na sede e nos distritos, construiu a capela mortuária de Laranjais, uma passarela na ponte Laranjais, sobre o ribeirão das Areias, adquiriu patrol e pá carregadeira, construiu o espaço de eventos, no BNH, iniciou a construção da cobertura de trecho do valão de Caxias. Segundo comentários que se ouve, ele não está realizando o governo que o povo esperava, talvez por ingerência dos partidos políticos que o apoiaram. Depois de permanecer indeciso por muito tempo, se era ou não candidato à reeleição na

Página 13 eleição que se realizou em outubro/2000, o Dr. Robério optou pela candidatura do seu Secretário de Fazenda, José Maria Fernandes (PMDB) que, pressionado por poderosas forças políticas, inclusive pela indecisão do prefeito, desistiu de sua candidatura para apoiar o nome do novo escolhido, o Dr. Manoel Faria (PPB), que é filho de São Sebastião do Alto, onde nunca disputou nenhuma eleição e votou em Itaocara pela primeira vez. A história política de Itaocara mostra que raras vezes um prefeito conseguiu, já sem o grupo “Bota Amarela” e/ou a força dos fuzis, como acontecia até quase o meado do século XX, eleger seu sucessor. A exceção ficou apenas por conta dos prefeitos Péricles Correa da Rocha, Elias Gama, Genésio Maurício e Joaquim Monteiro e gora o Dr. Robério nesses novos tempos. Do livro “Casa de Pedra”, a ser editado, do Dr. Francisco Marra de Moraes. É proibida a reprodução, total ou parcial, sem prévia autorização do autor.

o Poder Legislativo itaocarense, muita galhardia, vontade de buscar o progresso e o bem-estar para o povo, por todos aqueles que passaram pela Egrégia Casa de Leis- O Poder Legislativo. A função do Vereador é deveras importante e ele significa para o município o que o De-putado representa para o Estado. Daí ser preciso, em nome do bom-senso e do próprio progresso, votar em quem tenha verdadeiramente capacidade para desempenhar tal cargo, abandonando de vez a velha prática de votar por amizade ou por algum tipo de favor pessoal que se tenha recebido. Afinal, só vamos embarcar no carro do progresso se tivermos essa consciência política. Durante muitos anos

o Poder Legislativo esteve sufocado: ora pelas ditaduras, ora pela retirada constitucional de seus poderes. Foi assim, exemplificando, durante o Estado Novo, de Vargas, e o golpe militar de 64. Com a queda do Estado Novo, que fora instalado por Getúlio Vargas em 1937, a Câmara foi reorganizada. A história legislativa do município de Itaocara, a partir daí, registra os nomes dos seguintes Vereadores: Humberto Ferreira Dias, Nilo Velasco, Nicolau Mary, Otávio Caetano da Silva, Francisco Pinto, Gerônimo da Silva Braz, Heraclyas Hassele Rodrigues, Ataliba de Souza Marinho, Adhemar Reis, Manoel Lugão e Teodorico Teixeira Viana.. De 1947/1950: Foram

vereadores: Elias de Carvalho Gama, Homero Alves Câmara, Ademar Reis Júnior, Ilka Scisinio Dias, Francisco Antonio Alexandre, Erodice Gonçalves Ribeiro, Jayme Queiroz de Souza, Pedro de Souza Coelho, Genésio Maurício de Aguiar, Ataliba de Souza Marinho, João Monteiro de Figueiredo, este último pai do Vice- Prefeito (1993/1996) e ex- Secretário Municipal de Agricultura de Itaocara (1997/2000), Idemar de Souza Figueiredo. De 1951/1954: Os edis eram: João Manuel dos Santos (que dá nome ao C.E. de Portela), Johenir Henriques Viégas, João Montei-ro de Figueiredo, Iodete Cabo, Caetano Francisco Nicolau, Eugênio Francisco Faria, Osmar de

Pau-la, Francisco Arcênio dos Santos, Pedro de Souza Coelho, Manoel Cabral de Rezende Filho, João Pereira de Mendonça. De 1955/1959: Eram vereadores: Paulo César Erthal, Matozinho de Oliveira Pinheiro, Augusto José Pires, Marino Coelho de Ornellas, Carlos Gomes Figueiredo Siqueira, Lauro Pereira Alves, Jerson Macedo, Osvaldo de Oliveira, Johenir H. Viégas e Antônio Corrêa da Rocha. Nesse período, um crime “político” abalou o município de Itaocara e, principalmente, Jaguarembé: o Vereador Osvaldo de Oliveira, também conhecido como Osvaldo Beata (UDN), que era “barbeiro”, foi assassinado a tiros de revolver na porta de sua casa, pelo cidadão ...


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Itaocara e seus prefeitos ao longo da história!

Francisco Marra de Moraes

A história política itaocarense, oficial, começa, evidentemente, com a fundação da Aldeia da Pedra que, a rigor, foi o primeiro ato da milenar ciência produzido pelas mãos do seu fundador, o Frei Tomás de Castella, isto com os poderes que lhe foram conferidos pela Portaria de 24/02/1808. Naquela época o Conde D’Arcos ajudou-o concedendo-lhe meia- légua de terra para patrimônio da freguesia, paramentos, um sino, uma pia batismal para a matriz, pano para vestir os índios e ferramenta agrícola, conforme narra o Frei Jacinto Pallazoto, in História de São Fidélis. Os estágios evolutivos da Aldeia da Pedra foram, sucessivamente acontecendo: Curato da Aldeia da Pedra (24 de novembro de 1812, durante uma visita do Bispo José Caetano da Silva Coutinho), sendo seu primeiro Cura o Frei Tomás; Freguesia de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, elevado pela Lei nº 500, de 21 de março de 1850, sendo vigário Frei Flórido de Castello, sendo estes períodos durante o Império. O último estágio, a condição de município, ocorreu em 28 de outubro de 1890, através do Decreto nº 140, já em pleno governo republicano. De 28 de outubro de 1890 até 1892, quando inicia-se a história dos administradores do município de Itaocara, a nível de poder executivo, a administração ficava por conta de um intendente, uma espécie de interventor. O primeiro deles foi o Dr. João José de Sá, de 1890 a 1891. O segundo, e último, foi José Joaquim da Cruz Braga, de 1891 a 1892 quando, nesse final, organizou-se a Câmara Municipal, passando para o presidente

desta a competência para administrar o município, modelo português que ainda hoje ocorre em Portugal. Os presidentes da Câmara com função executiva foram: Coronel José Ferreira Guimarães, José Joaquim da Cruz Braga, João Francisco de Aguiar, Dr. Constantino Martins Lontra, Eduardo Scisínio de Araújo, Coronel Antônio Alves Pitta de Castro, Clemente Pereira de Carvalho, Amaury Guimarães, Raul de Carvalho, Dr. Francisco Portela dos Santos, Coronel João Francisco Ramos e o último, o Capitão José Dias. Com a tripartição dos poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário) , fato ocorrido em 1921, o município de Itaocara passou a ser administrado pelo Prefeito Municipal. O primeiro deles foi o Cel. Antônio da Silva Pinto, em 1922. Depois vieram Dr. Carlos de Faria Souto (o velho- que foi eleito, tomou posse, mas não exerceu o cargo), Dr. Diogo Campbel, interventor de 1923 a 1924; Dr. Jonathas Pedrosa Filho, interino em 1924; Nicolau Mary, interino de 1924 a 1925; Ataliba de Souza Marinho, interino de 1925 a 1926; João Gomes da Silva, interino de 1926 a 1927; Pedro Joaquim da Cunha, de 1927 a 1929; Alfredo de Souza Figueiredo, 1930; Dr. Cortes Júnior, de 1930 a 1931; Dr. José Antônio Velasco, interventor de 1931 a 1932; Dr. João Paulino de Siqueira Campos, interventor de 1932 a 1935; Alcebíades de Carvalho, de 1935 a 1936; Luiz Py de Azevedo, Prefeito em comissão, em 1936;Tenente Joaquim Ramos Pereira, Prefeito em comissão em 1936; Alcebíades de Carvalho, de 1936 a 1937; Dr. Carlos Moacyr de Faria Souto, de 1937 a 1945; Dr. Ivo Pereira Soares, Promotor Público investido no cargo de prefeito, de 1945

a 1946; Dr. Carlos Moacyr de Faria Souto, mar/jun 46; Dr. Eduardo Scisínio Dias, jun/out 46; Tenente José Couto do Nascimento, interventor de 1946 a 1947; Jayme Queiroz de Souza, 1947; Dr. Péricles Correa da Rocha, de 1947 a 1949; Ataliba de Souza Marinho, substituto em 1949; Dr. Péricles Correa da Rocha, de 1949 a 1951; Elias de Carvalho Gama, de 1951 a 1955; Genésio Maurício de Aguiar, de 1956 a 1958; Otílio Pontes, de 1958 a 1959; Johenir Henriques Viégas, de 1959 a 1962; Augusto José Pires, de 1962 a 1963; Dr. Álvaro dos Santos Pinheiro, de 1963 a 1965; Carlos Gomes Figueiredo de Siqueira, substituto, em 1965; Dr. Álvaro dos Santos Pinheiro, de 1965 a 1967; Genésio Maurício de Aguiar, de 1967 a 1971; Paulo Mozart de Almeida, de 1971 a 1973; Dr. Carlos Moacyr de Faria Souto, de 1973 a 1977; Joaquim Soares Monteiro, de 1977 a 1983; José Romar Lessa, de 1983 a 1989; Dr. Robério Ferreira da Silva, de 1989 a 1992; José Romar Lessa, de 1993 a 1996; Dr. Robério Ferreira da Silva, de 1997 a 2000 e Dr. Manoel Queiroz Faria, de 2001 a 2008. Contados da data da criação do município de Itaocara, são 112 anos de história comportando, 02 intendentes, 14 presidentes de Câmara que acumulavam poderes executivos (Prefeito), e 42 Prefeitos até esta data, Uma análise isenta, exclusivamente histórica, mostra que ao longo desses 112 anos de emancipação o município de Itaocara alcançou pouco progresso, se comparado com alguns municípios do Noroeste. A seguir a história mostra algumas administrações a partir de 1922: Cel. Antônio Alves Pitta de Castro, que historicamente é considerado como

o maior líder político do município em todos os tempos. Seu grande mérito, além de outras realizações, foi ter iniciado o movimento, como Deputado Estadual, para a construção da ponte de Itaocara. Raul de Carvalho, tido e havido como um grande administrador e de excelente bom gosto administrativo. Foi ele que estruturou administrativamente a Prefeitura, dando-lhe um cronograma e promoveu a construção da rede de iluminação pública de Itaocara, Laranjais, Batatal, Portela e Três Irmãos (na época pertencente a Itaocara), arborizou praças e ruas. Construiu o famoso coreto art nouveau da praça Cel. Guimarães, demolido na administração Genésio Maurício; Capitão José Dias, primeiro prefeito da “safra” de Jaguarembé, era farmacêutico e líder político naquele local, administrou o município na qualidade de presidente da câmara. Era membro atuante do grupo “Bota Amarela”, que controlava a política municipal naqueles idos tempos. Destacou-se pelo apoio que deu à Educação; Ataliba Marinho reconstruiu a praça Cel. Guimarães, nela colocando um lampadário com cinco globos e bancos artísticos, construiu a ponte que liga Laranjais ao bairro Niterói; Pedro Joaquim da Cunha- era membro e defensor da Associação dos Criadores de Galo; Alcebíades de Carvalho, construiu o antigo prédio da Prefeitura, onde hoje funciona a biblioteca municipal, deu atenção especial a rede municipal de ensino criando a inspeção escolar, no seu governo foi iniciada e concluída a construção da ponte Ary Parreiras; Carlos Moacyr de Faria Souto- lendário prefeito de Itaocara que a história registra também como um dos melhores, construiu Campo de Avia-

ção, Hipódromo, Museus, Dancing, Orquidário, Bibliotecas (ao Ar livre), praças da Ciência, da Geografia, Estados Unidos da América, Adão e Eva, construiu os monumentos à Matemática, Concha Acústica, e Moisés, a casa do estudante, a ponte pênsil de Portela- Três Irmãos, etc; Péricles Correa da Rochaconstruiu o primeiro serviço de abastecimento de água em Jaguarembé, colocou uma agência do Banco Agrícola de Cantagalo em Laranjais; Elias de Carvalho Gama- da “safra” de Jaguarembé, foi um desbravador de distâncias construindo estradas (quase sempre a picareta e enxadão), implantou o serviço de transporte mecanizado da prefeitura com um caminhão “International” e no seu governo enfrentou destemidamente a prepotência de alguns juizes da Comarca; Genésio Maurício de Aguiar- também de Jaguarembé, era partidário da tese de que “Governar é abrir estradas” e assim fez quando iniciou a construção da estrada ItaocaraBatatal e a construção da estrada Batatal- Laranjais, um projeto com 19 quilômetros, construiu a estrada Itaocara- Portela com 12 quilômetros, estradas Jaguarembé- Intupição, Jaguarembé- Barra AlegreConceição, Batatal- Porto da Cruz, Portela- Bóia- Pureza. Construiu dezenas de pontes e bueiros e colocou rede de eletricidade em Jaguarembé e Estrada Nova. Está entre os melhores; Johenir Henriques Viégas- foi um verdadeiro líder e esteve à frente de todas reivindicações populares de sua época. Remodelou o monumento à Matemática, calçou diversas ruas na cidade e nos distritos, dentre as quais as São José, Cel. Pita de Castro e Aristeu Bucker. Reconstruiu o Parque Faria Souto. Construiu o Posto de...

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a Freguesia de São José de Leonissa

No Curato da Aldeia da Pedra a vida continuava passando sem nenhuma pressa. Os índios já eram poucos e dispersos, depois de expulsos da sede da Aldeia, uns em aldeamentos, como os coroados e coropós, na Água Preta, botocudos em Palmital e os indomáveis nômades puris que habitavam as margens do Rio Pomba, de Flecheiras, principalmente, até a foz daquele rio no encontro com o Rio Paraíba, território na época pertencente ao Curato, às margens dos Rios Paraíba do Sul e Negro, na localidade hoje denominada de Monte Puri, no distrito de Jaquarembé, mas outros deles embrenhavam-se mata adentro pelos sertões da antiga Aldeia da Pedra. A caça já era rara, as matas devastadas e a “elite” branca já estava de posse de tudo, embora as propriedades, via de regra, fossem minifúndios. As cores das penas das araras e papagaios já não enfeitavam tanto as poucas florestas e cocares indígenas iam se rareano. O martim-pescador, por sua vez, também já não mergulhava, como não mergulhavam os coroados, nas límpidas águas do Paraíba. A preguiça, a paca, a lontra, a mão-pelada, o tamanduá, o tatu, a onça pintada, e outros animais que escaparam das flechas dos índios agora sucumbiam vítima

das espingardas dos brancos. Já não se ouvia o uivo do lobo no topo da serra da “Bolívia” em homenagem à lua cheia. No céu o mesmo azul, as mesmas estrelas, o mesmo sol e a mesma lua continuavam a encantar os olhos dos primitivos itaocarenses e isto ninguém lhes roubava. O sonho, a nostalgia, a magia, a expectativa de um futuro brilhante, começava a se formar no pensamento do povo. A semente plantada por Fr. Tomás germinara, crescera e frutificara, daí os exemplos de trabalho, religiosidade, dedicação e amor à Terra que foram fincados para preparar a chegada de um município independente que haveria de vir. O tempo passava... Em 21 de março de 1850, através da Lei nº. 500, o Curato adquiriu foros de Freguesia e os seus limites eram os mesmos que foram estabelecidos em setembro de 1812. Em 1850, o vigário ainda era o Fr. Flórido de Castello, que comandou a Freguesia até 23 de agosto de 1857. Não era ainda a tão sonhada independência e as terras da Freguesia continuavam atreladas aos destinos incertos das terras de Campos dos Goitacases, através da vila de São Fidélis de Sigmaringa, mas o novo status já era prenúncio de uma próxima emancipação. A citada Lei nº. 500,

rezava: “Art. 1º- A capela curada da Freguesia de São José de Leonissa, no município de Campos, é elevada à categoria de Freguesia - de natureza coletiva. Art. 2º- Os limites da nova Freguesia serão os mesmos do Curato atualmente existentes. Art.3ºO Presidente da Província fica autorizado marcar uma consignação compatível com as forças do cofre provincial, que será aplicada à conclusão da Igreja de São José de Leonissa, já bastante adiantada pelo zelo dos fiéis (a Igreja Católica, na época, era a religião oficial do Estado, contrariamente ao que é hoje, laico*). Art. 4º- Os povos da dita Freguesia concluirão, à sua custa, o corpo da Igreja”. A freguesia aos poucos ia progredindo. O café era a cultura predominante nas férteis terras e dava grandes lucros. A zona urbana do “burgo”, sede da Freguesia, era ainda bem pequena, com cerca de 100 casas, em contraste com a imensidão do território a ela pertencente. Curiosamente, com tanto espaço físico, a maioria das casas eram germinadas, isto é, uma colada na outra. A arquitetura de então lhes dava, na parte da frente, inúmeras portas, já havendo alguns sobrados. Na Freguesia funcionava uma fábrica de cerveja e floresciam comercio e algumas indústrias. O

movimento de passageiros era enorme e quatro hotéis abrigavam os forasteiros. O transporte entre as fazendas e a estrada de ferro era feito por troles através de duas casas alugadoras. Em 1855, cinco anos antes da criação do município de Itaocara, a Freguesia era ponto final da Estrada de Ferro de Cantagalo, na atual fazenda da Amizade. O centro urbano da Freguesia ficava situado no local fronteiro a serra da Bolívia (também pertencente à Freguesia), à margem amena do rio Paraíba, onde hoje se situa a praça Cel. Guimarães. Ali havia nascido a Aldeia da Pedra, quando Fr. Tomás construiu cerca de 40 cabanas. O ponto principal era a Igreja de São José de Leonissa, a primitiva. Ao seu lado ficava o hospício e, nos fundos, existia um convento. A vida social naquela época não era grande, todavia a elegância feminina era acentuada pelos longos vestidos, geralmente de cores discretas. Por sua vez, independentemente de classe social, os homens estavam sempre vestidos de paletó e gravata, sem falar no chapéu. A elegância e o bom-gosto independiam de classe social. A Freguesia crescia, e tanto crescia que era bastante comum fazendas terem seus próprios cemitérios. Em 25

Itaocara antiga

Igreja: foto de 1914

Calçamento da Rua São José: início do século XX

Antiga Praça Cel Guimarães

de abril de 1849, por exemplo, foi passada provisão em favor do Dr. Bernardo Clemente Pinto para ter cemitério em suas terras. Em 1849, a autorização era dada a José Joaquim Paes da Fonseca para ter cemitério em sua fazenda na Bóia, cemitério este que existe até hoje. A seguir foram dadas provisões, de setembro de 1849 a 25 de março de 1856, para cemitérios nas propriedades do Visconde de São Salvador, José Jacy e Antônio Fernandes, nas fazendas J. Brás, Palmital e Santo Antônio do Valão das Antas. Foi permitido a Joaquim José Luiz, proprietário da Fazenda Macuco, mandar dizer missa e ter uma pia batismal. O surto de progresso era tanto que cada dia mais se tornava inevitável, a qualquer momento, a criação do município de Itaocara. A Freguesia de São José de Leonissa durou até 28 de outubro de 1890, quando, através do Decreto nº. 140, o governador Portela criou o Município de Itaocara. Texto do livro “Casa de Pedra” do Dr. Francisco Marra de Moraes, proibida a reprodução sem prévia autorização do autor. Bibliografia: ItaocaraUma Democracia Rural (Alaôr Eduardo Scisínio). O Homem e a Serra (Lamego).

Casa Comercial Machado Cia – No Florescente Município de Itaocara - conhecida como a casa das 7 portas e das 7 janelas.


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a o Município de Itaocara

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Os habitantes da antiga Aldeia da Pedra julgavam ter razões de sobra para serem avessos ao regime monárquico, eis que tal sistema de governo era centralizado, conservador, e os municípios não tinham autonomia plena. Além disso, durante a monarquia, a religião oficial do Estado era a católica, o que significava dizer que todas as outras eram tidas como clandestinas. Os padres recebiam salários dos cofres públicos como se empregados dele fossem. O casamento civil não existia, o voto popular era restrito aos pertencentes a uma camada social mais privilegiada, dependendo esse direito ao critério de certas rendas e o voto feminino era proibido. O mandato dos senadores era vitalício, isto é, durava a vida inteira. Com tantas contradições, as idéias revolucionárias chegavam a Aldeia trazidas pelo vento da modernidade que sopravam de outros países das Américas. A grande maioria das pessoas não se conformava com esse estado de coisas e achava que o Brasil, com a monarquia, estava fadado a ficar fora do carro da história. Daí o nascer e crescer das idéias republicanas no espírito do povo. Os exemplos de liberdade, igualdade e fraternidade já tinham sido dados em todos os rincões da Aldeia através de Ana Catarina de Azeredo, a “Sá Dona”, que deu o primeiro grito contra a escravatura. Por outro lado, com a criação do Club Republicano de Estrada Nova e o seu manifesto, gerou um combate sem tréguas à monarquia e difundia os ideais republicanos. Vem! Vamos fazer uma viagem retrospectiva nas asas do passado... Vamos

os antecedentes e a criação encilhar nossos cavalos, montá-los e acompanhar Sá Dona pelas estradas e trilhas poeirentas do domínio da Aldeia. Vem! Vamos engrossar suas fileiras e ouvir seus discursos. O tempo é inimigo do próprio tempo e a urgência que se tem é a urgência de quem precisa construir para o amanhã... Vem! Vamos ao berço da independência do Município de Itaocara, Estrada Nova, para participar do lançamento do “Manifesto do Club Republicano” com Eduardo Xavier Vahia de Abreu, José Lourenço Belieni Júnior, Alfredo Barbosa Toledos e outros. Vem... Estamos com “Sá Dona”: Montada em seu cavalo, ela vinha de Laranjais para percorrer todo o território da Aldeia e encabeçar a luta anti-escravagista. Onde tivesse uma idéia nova, revolucionária, ali estava Ana Catarina na vanguarda, dando o primeiro grito. Uma mulher de fibra, com a força de furacões e que a nossa história, guardada as devidas proporções, pode comparar a Anita Garibaldi, a heroína do sul do país. Foi de “Sá Dona” o primeiro ato de libertação de escravos nas terras ensolaradas da charmosa Aldeia da Pedra. Ouça... A voz de Ana Catarina ainda ecoa na Serra da Bolívia, vinda do Porto das Lavadeiras, no rio Paraíba (onde hoje está o parque Faria Souto) e se propaga por todos os recantos da Terra que ela amou até a morte. Escuta o barulho das patas do seu cavalo aínda se faz ouvir nas estradas... Até parece que foi ontem, mas não foi. Quem disse que Ana Catarina morreu? Não, ela não morreu... Está viva na história itaocarense e presente no dia-a-dia da rua que ela empresta o seu

nome... Agora estamos em Estrada Nova, de partida para São Sebastião do Alto acompanhados de João Batista Laper, deputado que representava a região na Assembléia Provincial, Eduardo Vahia de Abreu e outros, para ali lançar o “Manifesto do Club Republicano de Estrada Nova”. A data? São 14 dias do mês de julho de 1888. Inverno... Um vento friorento, com a cumplicidade do sol que se escondeu na serra, acariciava a tudo e a todos. Ali estava Quintino Bocaiúva, o Arquiteto da República, e Eurico Coelho. O momento é de expectativa, magia, sonhos e exaltações ao movimento republicano. Após calorosos debates, no mesmo dia foi fundado o “Club Republicano de Estrada Nova”, que teve a sua primeira diretoria assim composta: Presidente-Colete da Silva Freire; VicePresidente- Dr. Aurélio da Silva Araújo; 1º SecretárioAlfredo Barbosa de Toledo; Tesoureiro-Eduardo Xavier Vahia de Abreu e Procurador- José Lourenço Belieni Júnior. Eis o teor do Manifesto lançado naquele dia: “ O sistema de governo que ora nos rege não oferece a mínima garantia, e jamais colocará o Brasil na posição que como compatriotas queremos. O poder irresponsável supremo do país tudo abastarda conforme os seus caprichos, sacrificando a coletividade, os mais sagrados interesses dos habitantes desta Terra e o tesouro público que acusa um “déficit” sempre crescente. Mantê-lo seria manter a ruína do país. Considerando a Monarquia como um poder arcaico e contraproducente com a mentalidade americana, produzindo leis raquíticas, verdadeiras anomalias e aleijões, e equilatando do

seu contraste deprorável com as formas de governos das repúblicas mais adiantadas da América a que menos se coaduna com as aspirações deste país pelas idéias democráticas que tem sempre revelado, torna- se mister libertar- se daquela grande malha que asfixia a vitalidade do Brasil, aderindo aos princípios que seguem as sociedades modernas, baseados na Liberdade, Igualdade e Fraternidade, fundamos o “Club Republicano de Estrada Nova”, que é mais uma bandeira progressista desfraldada na Pátria de Tiradentes. No escudo que levantamos temos inscrito o seguinte programa: - Combater a monarquia e firmar as doutrinas de Liberdade, Fraternidade e Igualdade na sociedade brasileira; - Alargar o direito do voto, conferindo-o a todo cidadão que souber ler e escrever, independente de renda; - Combater a vitaliciedade do Senado; - Fazer a separação da Igreja do Estado, com inteira liberdade de cultos; - Federalizar as províncias com presidentes eleitos pelo povo ou pelas Assembléias Provinciais; - Colocar as municipalidades fora da ação do poder central; - Fazer o casamento civil; - Fazer a secularização dos cemitérios, pertencendo a sua administração às Câmaras de Vereadores; - Promover o ensino secular independente do religioso; - Adotar todas as reformas coerentes com os princípios da Justiça e do Direito. O segundo reinado procurou sempre avassalar

os caracteres e talentos pujantes de nossa terra. O Decepamento da superioridade constituiu-se o lema do governo meio secular do senhor Pedro II, a quem o desígnio providencial parece ter reservado a encarnação do emblema do insano labor. O raquítico reinado, recheado de vaidades e egoísmo, ufana-se de haver arrebatado a opinião, a glória e os louros da abolição triunfante, tentando erigir nela o pedestal da monarquia, que descamba iludida e deslustrada pelo híbrido consórcio da superstição harmoniosa com a ganância e avidez de ambição estrangeira. Já se venera a memória de Tiradentes e o coração do povo se converte em altares de onde partem hinos festivos à vitória da liberdade, soando lúgubre para realizar o clamor da revolta que a desentranha deste organismo que não é o seu e em cujo seio ela pertinazmente tem trabalhado para infiltrar o seu veneno letal”. A vida corria e com ela também galopava o anseio popular por mudanças no regime principalmente para, com isso, transformar a Aldeia em Município. Nem mesmo a libertação dos escravos, através da Lei Áurea, foi capaz de restaurar o prestígio da Monarquia. Pelo contrário, com isso o regime perdeu grandes aliados, tais como os “barões do café” e os latifundiários em geral, que foi a causa predominante do prematuro nascimento da República. A Monarquia agonizava, mas ainda tinha esperanças de revitalizarse. Pensando assim, Ouro Preto deu início à campanha com a qual anunciava que haveria uma profunda reforma municipalista, que fortaleceria os municípios. De nada adiantou...

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28 de outubro de 2009 continua na página 11 ...essa providência, eis que a República foi proclamada em 15/11/1889. Quando da proclamação, governava a província do Rio de Janeiro Carlos Afonso de Assis Figueiredo, irmão de Ouro Preto, que foi logo deposto e preso. Com isso, o Marechal Deodoro da Fonseca entregou o governo da província ao Deputado Francisco Portela, primeiro governador do estado no regime republicano, que representava a região norte da província na Assembléia. Francisco Portela era amigo e companheiro de João Batista Laper na Assembléia Provincial e, como gratidão pela bravura das gentes estrada-novense que foram vanguardeiros republicanos, em 10 de setembro de 1890 criou o distrito de Estrada Nova, que ficava fazendo parte do Município de Cantagalo. Todavia os habitantes da Aldeia da Pedra e mesmos os de Estrada Nova estavam satisfeitos com essa medida e queriam a criação do Município de Itaocara e que neste fosse incluído o recém criado distrito, terras que anterior-

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mente pertenciam a Aldeia. Os esforços foram coroados de êxitos e em 28 de outubro de 1890, pelo Decreto nº 140, foi criado o Município de Itaocara. Eis o texto do referido Decreto: “Art. 1º- Fica elevado a categoria de vila, com a denominação de Vila de Itaocara, a freguesia de São José de Leonissa, desmembrada do município de São Fidélis, tendo as divisas primitivas da mesma freguesia, com as seguintes alterações: Ao lado do norte do rio Paraíba, seguirão em linha reta até a estação de Vieira Braga e daí acompanharão o valão do Padre Antônio até a serra de Monte Verde que limitará por vertente a tomar uma linha que, passando pela fazenda de Manoel Luiz Ribeiro, termine no rio Pomba pelos limites da Fazenda Boa Sorte. Art. 2º- O Município de Itaocara fará parte da Comarca de São Fidélis. Art. 3º- O Município de Itaocara fica obrigado ao pagamento de parte da dívida passiva do atual Município de São Fidélis, proporcional à receita da freguesia de São José de

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Leonissa nos três últimos anos, devendo efetuar-se o pagamento em prestações como convier às duas comunidades” Como já foi dito, o Curato de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra era filial da Matriz de São Fidélis e através da Lei nº 500, de 21 de março de 1859, obteve foros de freguesia. Os seus limites eram os traçados em setembro de 1812: “pelo lado de São Fidélis até a fazenda da Pedra Lisa e desta até o seguimento do ribeirão de Macapá, pela margem do ribeirão Santíssimo, e pelo norte do rio Paraíba rumo acima do valão da Anta até a sua nascente, encontrando-se aí com os limites de Pádua” Conta Alaôr Eduardo Scisínio que o jornal “O Nível”, de 10-12-1905 publicou “Apontamentos Históricos”, de Alexandre Araújo Brazil, dando estes limites, antes da divisão do governador Portela: “ Partindo das nascentes do córrego das Antas vertentes do Pe. Antônio e por esta até o planalto da Frecheira com Monte Verde; deste, atra-

vessando o rio Pomba por cima da Chave do Faria (depois Pedro Corrêa e hoje Aperibé *) pelas vertentes do Panorama e serra Bonita que divisa com Pádua até o riacho que divide com Pirapetinga, e pela margem deste até o Ribeirão das Areas, por este até o rio Negro pela Usina Laranjeiras e Santa Bárbara até reunir-se com o rio Grande, pelo rio Grande ao Macapá e Pedra Lisa e desta em linha reta à Fazenda da Bóia até o córrego D’Antas, ponto de partida. Divide-se pois, a freguesia ao leste com São Fidélis, ao Norte com Monte Verde (que era a sede do atual município de Cambuci **) e Pádua, a Oeste com Cantagalo e ao Sul com Santa Maria Madalena e São Sebastião do Alto”. Nesta área está Aperibé, o outrora distrito de Pedro Corrêa. As primeiras autoridades nomeadas para administrar o Município de Itaocara foram: Presidente da Intendência- Dr. João José de Sá ; MembrosMajor João Batista Heggendon, Reynaldo José Machado e Augusto Pou-

Página 11 bel. Autoridades policiais: Delegado- José Joaquim da Cruz Braga; 1º Suplente- Dr. Constantino Martins Lontra; 2º Suplente- José Henrique Duarte; 3º Suplente- Francisco Gerônimo Lage; 1º, 2º e 3º Suplentes do Juiz Municipal e de Órfãos- Cel. José Ferreira Guimarães, José Borges Pinheiro e Raymundo Gomes Catette. Tabeliães: 1º Ofício-José Luiz Marinho; 2º Ofício-José Joaquim Pereira de Carvalho. Escrivão de Rendas do Estado-Artur Ferreira de Oliveira e Silva. Não demorou muito, em 13 de abril de 1891 o Distrito de estrada Nova voltava a integrar as terras itaocarenses, desanexado que foi de Cantagalo. A primeira divisão política de Itaocara foi dada pela Deliberação de 4 de setembro de 1891, que dividiu o município em quatro distritos: 1º distrito- Vila (***); 2º distrito- Conceição de Estrada Nova; 3º distrito- Três Irmãos e 4º distrito- Pedro Corrêa. Texto do livro “Casa de Pedra”, do Dr. Francisco Marra de Moraes. Bibiografia: Itaocara-

Itaocara: Lazer, Perfumes, cores, Flores & Prazer de Viver... Gamaliel Borges Pinheiro, o grande autor de “Moleque Amaro”, um dos maiores literatos de Itaocara já, versejava mostrando os seu encantos:

Itaocara Painel sublime, vivo, majestoso Enorme na beleza e na medida. Contemplo embevecido e até orgulhoso em festa a natureza colorida. Sinto o pulsar ufano e jubiloso o coração a alma enternecida ante a paisagem alma reflorida desta tela do Todo-Poderoso. Aqui vibra a cidade pequenina, na profusão de flores perfumadas do vergel da pracinha vicejante. Ali o bosque ameno da colina, ao lado do rio, as águas agitadas. Em derredor o prado verdejante...

H o j e , Foto: Silvio Bevilacqua - 1918. Há, verdadeiramente há uma misteriosa e mágica luz que ilumina Itaocara... Ela vem da Serra Itaocara já não da Bolívia ou do Rio Paraíba? Gamaliel tinha razão... é a mesma cantada por Gamaliel: é ainda mais bela, mais florida, perfumada e colorida... O Paraíba continua correndo, ora manso, ora violento, mas sempre orgulhoso de sua história, um eterno namorado da Serra da Bolívia, guardião, junto com esta, da cidade e de suas ilhas repletas de orquídeas, bromélias... O Sol, a Lua Cheia, o hoje, Dr. Gamaliel, mas a magia, ar: Uma terra fantástica para se céu azul estrelado... O progresso é bem maior o encanto, o fetiche continua no viver, amar e trabalhar...


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a capil orgulha-se de participar da história de Itaocara

Parabéns Itaocara pelo seu aniversário Diretoria e cooperados da capil


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alcione coloca Itaocara na trilha do Progresso De 1918 a 1929, Itaocara era um município quase que totalmente voltado para a agricultura e a população campesina atingia mais de 70%. Agora, passados tantos sóis e tantas luas, a situação está invertida e aí começa o grande desafio: propiciar oferta de Educação de qualidade, inclusive superior; saúde pública de excelência; esportes, lazer e cultura; industrialização, oferta de emprego, geração de renda e oportunidades iguais parta todos. É tarefa difícil e demanda muita capacidade, força de vontade, ousadia, criatividade e coragem para enfrentar os eternos descrentes de tudo que se relacione com o progresso. O governo Alcione Araújo/ Roberinho, instalado em 01 de janeiro de 2009, depois de consagradora vitórias nas urnas, aproveitando a estabilidade econômico-financeira deixada pelo ex-prefeito Manoel Faria, está arregimentando todos os seus esforços para fazer de Itaocara um município progressista e que seja bom para trabalhar e morar e isso está patente na vinda da Fábrica de Cimento MIZU, a maior do Estado, que está sendo instalada em Estrada Nova e que vai gerar mais de 1.500 empregos diretos durante sua construção, construção esta que vai além da Fábrica propriamente dita, indo até a um gigantesco Posto de Combustível, este com capacidade para abrigar 250 carretas, além da construção de dezenas de casas para empregados e diretores. Um heliporto também será construído. O Protocolo de Intenções foi firmado entre o Governo do Estado, A Mizu e os Municípios de Itaocara e do Rio de Janeiro, abrangendo um investimento de mais de R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinqüenta milhões de reais). Isto sem falar no asfalto da estrada que liga Laranjais a Estrada Nova, na região da Fábrica, e a Valão do Barro, bem como a construção de uma rede de energia elétrica, esta orçada em mais de

Prefeito Alcione (E), vice-governador Pezão, os vereadores Renato Papagaio, Michel, Edson da Sinuca, Paulinho Mozart e o vice-prefeito Roberinho - a busca do progresso

R$ 40. 000.000,00 (quarenta milhões de reais). Pouca gente sabe da importante atuação prefeito Alcione Araújo no “caso” da Mizu Cimento: por sua ordem, com a indispensável participação da Câmara de Vereadores, e como condição expressa para a realização desse grande sonho, o Município de Itaocara, através da Lei Municipal nº. 818/09 concedeu isenção total de impostos e taxas por dez anos, além de isentar as firmas que quiserem se instalar no Município do pagamento do Imposto InterVivos (ITBI). A Light/CEMIG/ Itaocara Energia projetam o inicio da construção da Hidrelétrica Itaocara para março de 2010, gerando dezenas de empregos em sua construção e pagando elevadas quantias como “royaltis”. Apesar da importância que isso tem para o Município de Itaocara, mesmo assim, tem gente contra os empreendimentos... Além da geração de emprego e renda, fator impactante para alavancar o progresso, o Governo Alcione investe forte na Educação, transformando o Posto do CEDERJ, que abrigava três faculdades, em Pólo, com capacidade é para mais que dobrar esse número e oferecer, já em 2010, cerca de 1.000 vagas para o seu vestibular, fato que vem de encontro ao anseio popular. Esta vitória,

um marco na Educação itaocarense, acontece graças à expansão do espaço físico do Colégio Municipal “Prof. Nildo Caruso Nara”, a determinação do Prefeito e ao excelente trabalho realizado pela Secretária de Educação, Fátima Valéria. Na Cultura, o Dr. Alcione, com a colaboração direta do seu Secretário Henrique Resende, idealizou e concluiu a criação da Escola de Música “Patápio Silva”, a Calçada das Artes e continua-se com o Projeto “Sombra Verde”, este iniciado no Governo Manoel Faria. No esporte, tem-se a grande reforma do Estádio Municipal “Paulo Ignácio de Araújo”, incluindo o gramado e dependências, a realização de campeonato de futsal, com projeções de outros campeonatos de futebol rural e urbano, além da reforma da Quadra de Esportes “Pedro de Souza Coelho” e manutenção em todas as quadras distritais. Na área da Ação Social, foi inaugurada a Casa Abrigo Municipal “Morro Alto”, que visa amparar crianças abandonadas, a continuidade de todos os projetos conveniados, um volume imenso e intenso na área social, graças à capacidade de trabalho da Secretária de Ação Social, primeira Dama Leila Martins de Araújo. Com relação ao Meio Ambiente, o Prefeito Alcione Araújo, liderou, com

outros prefeitos da região e o apoiamento da Câmara de Vereadores de Itaocara, a criação do Consórcio Público de Gestão Associada e Integrada do Serviço de Limpeza Urbana e Manejo de Resíduos Sólidos- NOROESTE I- firmado entre os município de Aperibé, Cambuci, Cardoso Moreira, Italva, Itaocara, São Fidélis e Santo Antônio de Pádua e o respectivo Protocolo de Intenções já foi assinado. Isto significa dar adeus aos crônicos problemas do lixo urbano em Itaocara. Além disso, reflorestou-se parte do Morro Bela Vista, plantaram-se dezenas de árvores em ruas da cidade e agora se projeta implantar modernos sistemas de tratamentos de esgotos. Na Área da Secretaria de Transporte e Trânsito, criada no Governo Alcione para resolver as questões de controle dos veículos municipais e suas locomoções está em plena execução e com excelentes resultados, bem como disciplinar o trânsito em vias públicas, mas tal iniciativa depende da criação da JARI- Junta Administrativa de Recursos Infracionais, cujo Projeto tramita na Câmara. Se aprovado tal projeto, com a criação de estacionamentos e proibição de se estacionar em determinadas ruas, as principais vias públicas da cidade, estarão livres dos atropelos de hoje e servirão, inclusive, de referência regional. A Secretaria de Obras tem se empenhado com êxito na limpeza e iluminação pública, na conservação estradas rurais e vias publicas urbanas e na construção de pontes rurais e urbana, esta última construída sobre o Valão de Caxias, próxima ao açougue do André, que era de madeira e agora é de cimento armado. Também é de se ressaltar a expansão da rede de abastecimento de água (CEDAE) até o Campo de Semente, graças a interveniência do Prefeito Alcione Araújo junto ao Governo do Estado, fato que

vem de encontro as antigas reivindicações do povo daquela região. Para a Secretaria de Obras, a Prefeitura, neste governo, adquiriu máquinas e veículos novos, abriu e asfaltou a Avenida do novo Fórum, calçou ruas na sede e nos distritos, está cuidando da zona rural e agora projeta a expansão da rede de iluminação pública da entrada da Cidade Nova até depois da Cidade Seca e em Laranjais, da ponte nova até o posto de Gasolina e do Cemitério até o Engenho Central, apenas exemplificando. Máquinas, viaturas e equipamentos foram adquiridos. O Secretário de Obras é o Sr. Sebastião Henrique de Souza. Na Secretaria de Saúde, prioridade mais que absoluta no governo Alcione/ Roberinho, as atenções aos doentes estão sendo redobradas: Em 2009, o Centro de Saúde foi amplamente reformado e modernizado, mantém laboratórios de exames clínicos, uma farmácia que distribui gratuitamente remédios da lista básica e, médicos de diversas especialidades que ali atendem diariamente. Diversos programas de Saúde são mantidos e o transporte de doentes para outras cidades foi bem melhorado com a aquisição de diversas viaturas, que ficam 24 horas nas sedes distritais. Ambulâncias, veículos leves e UTI Móvel foram adquiridas. O combate aos surtos endêmicos está em plena atividade, com resultados excepcionais. O Hospital de Itaocara, que já atende bem aos munícipes vai passar por grandes reformulações e será, de fato, dentro de pouco tempo, referência regional em atendimento de consultas médicas, exames gerais e cirurgias diversas. São apenas nove meses de governo e já dá para sentir a força e a obstinação do trabalho do Prefeito Alcione Araújo apesar da queda de cerca de R$ 1.300.000,00 (milhão e trezentos mil reais) nos últimos três meses.

CIRCULAÇÃO: 28 de outubro de 2009 Itaocara, Aperibé, Pádua, Cambuci, São Sebastião do Alto, Macuco, São Fidélis, Cordeiro, Miracema, Itaperuna, Laje do Muriaé, São José de Ubá, Porciúncula e Natividade

ano XVI

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A 6 1 Nº 166

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Dizendo o que ninguém diz.

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Este encarte circula com a Edição do Jornal Noroeste Notícias de número 166 - Não pode ser vendido separadamente - Cortesia dos amigos

Itaocara perde r$ 1,3 milhão mas alcione continua trabalhando munícipes e, dentre elas, exemplificando, pode se relacionar a reforma e ampliação do C. M. “Professor Nildo Nara”, sendo que o aumento do seu espaço físico propicia mais conforto a professores e alunos, além de permitir que o Polo do CEDERJ fosse transformado em Posto, fato que se traduz em triplicar o número de faculdades que ali funcionam, ensejando a oferta de cerca de mil vagas para o vestibular de 2010. Apesar da crise, o Prefeito Alcione Araújo está equilibrando as finanças públicas, realizando obras e prestando serviços aos municípios. A gestão ambiental vem sendo atacada profundamente e a prova disso é a Assinatura do Consórcio

Dr. Alcione discursa para o povo durante a solenidade de assinatura do protocolo de intenções para construção da Fábrica de Cimentos MIZU

D

esde que assumiu o governo em 1º de janeiro de 2009, o Prefeito Alcione Araújo tem um projeto de governar que visa colocar o Município de Itaocara na trilha do progresso e para isso é preciso aumentar sua arrecadação própria, correr atrás de convênios, repasses outros e verbas orçamentárias. Essa luta vem sendo travada diuturnamente e as obras e recursos já começam

a apontar no Município gerando obras, algumas já concluídas, outras em andamento e muitas dentro do planejamento... Apesar da crise internacional que afeta o mundo inteiro e que fez Itaocara perder cerca de R$ 1.300.000,00 (Hum milhão e trezentos mil reais) no somatório das receitas dos meses de julho, agosto e setembro, tem realizado obras de grande valor para os

O Prefeito Alcione discursa no Itaocara Campestre Clube


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Itaocara perde r$ 1,3 milhão mas alcione continua trabalhando do Lixo dentre outros.

Para revitalizar a economia itaocarense, atraindo empresas, o município de Itaocara está oferecendo isenções fiscal de Taxas e Tributos Municipais por 10 anos, além de isentar de pagamento de ITBI. Outra obra de vulto aconteceu na área da Saúde com a reforma e modernização do Centro de Saúde, no bairro Caxias, onde o povo é atendido com presteza e carinho por profissionais altamente qualificados em

diversas áreas médicas e tendo a Farmácia Popular em pleno funcionamento. O transporte de doentes é feito diariamente para Itaperuna e Rio de Janeiro, além de Bom Jesus do Itabapoana, quando necessário, e até S.P., através de ônibus, vans, ambulâncias, CTI móveis e carros leves. Agora, a partir do dia 3 de novembro próximo, será a vez do Hospital de Itaocara mudar sua cara em relação ao atendimento a público, com mais rapidez, eficiência

e oferecendo diversas cirurgias e atendimento médico de primeira categoria. Para o serviço de saúde melhorar ainda mais, diversos médicos está sendo e serão contratados. Dentre algumas obras e serviços, cita-se: 1. Colocação de água tratada no Campo de Semente. 2. Construção de pontes na Zona Rural e no Valão de Caxias, na zona urbana da cidade. 3. Reforma e ampliação

do Colégio Professor Nildo Nara, com a transformação do posto do CEDERJ para Pólo, o que permite a expansão do número de Faculdades. 4. A reforma do Estádio Municipal “Ten. Paulo Ignácio de Araújo. 5. Reforma da Quadra de Esportes “Pedro de Souza Coelho” na cidade. 6. Aquisição de veículos e máquinas. 7. Solução para o problema do Lixo Urbano. 8. Atendimento à Zona

Rural, com conservação de Estradas, atendimento médico e apoio total a Agricultura. 9. Assinatura de convênios e recebimento de verbas para expansão de rede de iluminação pública de Laranjais até o Engenho Central, da entrada da Cidade Nova até depois da Cidade Seca, asfaltamento de Itaocara do Campo de Sementes e de Morro Alto a Conceição. Nem a crise financeira segura a força de trabalho

A apresentação de veículos e máquinas adquiridas pelo Governo Alcione, chamou a atenção do povo

Expediente

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Avenida de acesso ao novo Forum, uma obra do governo Alcione, que abre perspectiva de crescimento para o bairro Fim de Linha

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a Serra da Bolívia e sua relação com Itaocara Para quem não sabe, quando Frei Tomás subia de barco, um tipo de canoa indígena, as então navegáveis águas do rio Paraíba do Sul, com a missão de escolher um local para o aldeamento dos índios coroados que fugiam de aldeamentos fidelenses pelas margens rio acima, quedou-se extasiado com a beleza da serra da Bolívia e, achando ser ali o local ideal para uma nova aldeia, disse “que bela vista” e resolveu de imediato fundar a Aldeia no local fronteiriço à pedra, o que veio a traduzir-se no nome de Aldeia da Pedra, numa evidente homenagem a Serra da Bolívia, esta localizada naquela época, 1809, em território pertencente a terras da nova Aldeia. Aliás, até mesmo o mapa do Curato da Aldeia da Pedra, continuava mostrando Pedro Corrêa (Aperibé) como pertencente ao território itaocarense, indo este até a barra do rio Pirapetinga e nele incluído ainda, Três Irmãos e vasta área lado a lado do rio Pomba, que ia, em parte, até a então comarca de Monte Verde, em terras que vieram posteriormente a serem anexadas ao município de Cambuci. Para se ter uma pálida idéia do lapso temporal que unia a Aldeia da Pedra com as terras de “Pedro Correa”, basta dizer que em 13 de dezembro de 1834, atendendo ao pedido de informações do Juiz de Paz de São Salvador de Campos, a que pertencia o Curato de São José de Leonissa da Aldeia da Pedra, o cura Frei Florido, lhe informou, dentre outras coisas, que “Há n´este curato 170 a 180 índios coroados e a maior parte situados em uma sorte de terras que pelo missionário Fr.Thomas já falecido lhes foi marcado acima d´este arraial, cujo lugar é o do valão d´água Preta ao ribeirão das Áreas, que terá de distância três quartos a uma légua de terra, os quaes vivem de suas rocinhas e conduções de madeiras. Há no lado norte uma porção de índio Puri que contará de 500 a 600, os

Flores exóticas no cume da Serra da Bolívia, de onde se descortina uma visão de terras de cinco municípios

quaes vivem a maior parte pelos matos e se chegam aos habitantes do rio Pomba para haverem o necessário, trazendo poaias para com eles negociar...” E mais: Pelo ofício de 22 de junho de 1835, dirigido ao “Sr. juiz de orphãos da vila de S. Salvador de Campos” era narrado que “Para satisfazer o ofício que v. s. me remeteu no dia 20 de junho do corrente ano, pedindo-me um esclarecimento aos quesitos que vieram inclusos acerca dos índios, sou a dizer-lhe que eu tenho batizado desde o ano de 1827 até ao ano presente a quantia de pouco mais ou menos de 1440 índios de ambos os sexos das nações seguintes: de coroados, puri, coropós e botocudos que todos estão dispersos nas margens dos rios Paraíba e Pomba e vivem debaixo da proteção de famílias brasileiras que aí os cultivam em serviços rurais. A nação coroada está morando nas suas terras que a coroa lhe concedeu pegado as terras do mesmo arraial; porém estas terras não estão medidas e nem demarcadas. A nação puri tem na margem do rio Pomba o princípio de 2 aldeamentos com boas derrubadas; um nos fundos das Frecheiras, outro no

Caracol, que dei princípio desde o ano de 1833, e aí se acham estabelecidos alguns índios e brasileiros. Este serviço o tenho feito com algum adjuntório que o ex-imperador mandou repartir pelos mesmos índios no ano de 1829, constando de algumas ferramentas e pano de algodão que pelos ditos distribuí, e ainda ficou de resto em meu poder 25 foices, 15 machados, 8 enxadas, 18 facas, que tudo distribui conforme a necessidade. O que pertence ao templo é um cálice de prata, uma emula do mesmo metal, duas casulas, duas alvas e quatro toalhas. Tudo isso me foi entregue pelo falecido meu companheiro Fr. Thomas de Castelo. É quanto devo em resposta ao ofício de V.S.”. Curiosamente, parece que a serra da Bolívia tem conhecimento, se assim se pode dizer, da história da Aldeia da Pedra que ele sempre pertenceu, demonstrando, dir-se-ia, que tem uma certa predileção por Itaocara, eis que o namoro entre ambas é muito antigo e ela só se apresenta bela, mágica, cheia de fetiche e graça para aterra itaocarense. Vista da cidade de Aperibé, o máximo que se lhe vê é a sua costa. A ver-

dade é que a relação entre a serra da Bolívia e Itaocara corresponde a um amor eterno que nem a posição geográfica, e nem o fatídico Decreto nº. 1, de 8 de maio de 1892 foram capazes de dar fim... Com a criação do Município de Itaocara, em 28 de outubro de 1890, ainda com Aperibé fazendo parte de Itaocara, foi criado o Brasão de Armas do novo município e nele, pela tradição histórica e a beleza ímpar da Serra da Bolívia, o encanto mágico que dela irradiou e deslumbrou Frei Tomás, sendo tal pedra a razão principal da escolha do local (onde hoje está a praça Cel. Guimarães) para sediar a aldeia, foi nele incluída como símbolo itaocarense. Parece que a recusa da serra da Bolívia de mostrar-se toda bela ao município de Aperibé tem como justificativa, também, o seu flerte com o Paraíba e a ponte Ary Parreira, além de adorar agasalhar o sol, esconder a lua e velar pelo sono da Princesinha do Paraíba, a sempre jovem e encantadora Itaocara. Pela Deliberação de 4 de setembro de 1891, Pedro Correa, hoje Aperibé,

foi confirmado como sendo parte integrante de Itaocara como seu 4º distrito e seus domínios iam da Barra do Pomba até a barra do Rio Pirapetinga, pelas águas vertentes. Todavia, pelo Decreto nº. 1, de 8 de maio de 1892, do governador do estado, por pressão de forças políticas paduanas, Pedro Correa deixou de ser o 4º distrito itaocarense, sendo anexado ao município de Pádua. Em tempos imprecisos, mas certamente bem antes da emancipação de Itaocara, e com a localidade de “Pedro Corrêa” a esta pertencente, um cidadão português conhecido como “Mão de Luva”, que dizem ter vindo “desterrado” de Portugal para o Brasil por haver ousado ser amante de uma grande dama da corte portuguesa, enriquecera com o garimpo de ouro e pedras preciosas, inclusive lesando o fisco dos colonizadores portugueses, fugiu da milícia das Minas Gerais descendo pela margem esquerda do Rio Paraíba, parando ao pé da Serra da Bolívia, onde teria enterrado grande fortuna em sacos cheios de ouro e pedras preciosas. Segundo se conta, a serra, naquela época não tinha exatamente, em sua base, o formato de hoje: havia uma caverna (talvez soterrada por deslizamento de terra e pedra) e um grande e cristalino lago. Depois disso, despistando a polícia imperial, pensando em voltar para apanhar sua riqueza ele, Mão de Luva, atravessou o Paraíba e cortou toda a extensão da sede da Aldeia da Pedra indo em direção ao rio Negro pela margem do qual subiu até Cantagalo, de onde nunca mais voltou para recuperar seus tesouros. Há quem diga que em altas horas na noite, principalmente de lua cheia, muita gente escuta o barulho de picaretas batendo na terra da serra à procura de ouro e de passos apressados carregando olhos que procuram um lago. Seria o espírito de “Mão de Luva” que voltou? Essa é


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