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COMO OS MARXISTAS ANALISAM OS EVENTOS UMA INTRODUÇÃO AO MATERIALISMO DIALÉCTICO

por John Bulaitis


Ao iniciar a pulicação desta Coleção “Introdução ao Marxismo”, o Socialismo Revolucionárioi pretende disponibilizar material que reintroduza o pensamento marxista na acção da classe trabalhadora e da juventude. Pese embora a existência de partidos que se reivindicam do Marxismo, as ideias bases do Marxismo e do Socialismo estão muito arredadas inclusivé dos que procuram activamente alguma alteração da sociedade. Elas não devem ser, nunca, dogmas e “profissões de fé” mas ferramentas para a comprensão da sociedade e de acção e a transformação do Mundo. Este caderno foi produzido pelo Socialist Party, o Comité por uma Internacional dos Trabalhadores na Inglaterra e Gales, para a formação incial de activistas socialistas. Foi traduzido e editado pelo nosso Colectivo. Junho de 2013

2 Apoio 3


COMO OS MARXISTAS ANALISAM OS EVENTOS

UMA INTRODUÇÃO AO MATERIALISMO DIALÉCTICO

O MATERIALISMO DIALÉCTICO: A NOSSA CAIXA DE FERRAMENTAS TEÓRICAS

S

e alguém menciona a palavra “filosofia”, a resposta, mesmo de membros do CIT, será frequentemente: “Não temos coisas mais importantes e práticas com que ocupar o nosso tempo?”

Há mais de 100 anos atrás, os Bolcheviques enfrentaram semelhantes argumentos. Quando iniciaram o seu jornal, o Iskra [Centelha], outras pessoas que também lutavam contra o Czar queixaram-se: “Enquanto nós lutamos para derrubar a autocracia, vocês fundam uma escola do materialismo dialéctico”. No entanto, como Trotsky disse, “a maior revolução da História foi dirigida...pelo partido que se iniciou com o materialismo dialéctico. A questão de...um método correcto de pensar...é de uma importância decisiva para um partido revolucionário, assim como uma boa oficina mecânica é decisivo para a produção”. Hoje em dia, os partidários do capitalismo mantêm que o Marxismo é “um dogma sectário ultrapassado”. Mas na realidade, o materialismo dialéctico é o método de pensar mais moderno que existe.

Sem o materialismo dialéctico, a filosofia do Marxismo, os Bolcheviques não teriam conseguido dirigir a Revolução Russa de 1917.

O materialismo dialéctico é a nossa caixa de ferramentas teóricas na luta pelo socialismo. Permite-nos analisar e alcançar uma compreensão consistente dos temas gerais, incluindo os da natureza e artísticos.

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Introdução ao

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O materialismo vs o idealismo

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m filosofia, o “materialismo” baseia-se na compreensão de que o mundo real existe independentemente dos nossos pensamentos acerca dele. O universo, o nosso planeta e a natureza já existiam antes da evolução do ser humano e de um cérebro capaz de pensar. Por isso, o pensamento humano não é algo separado do mundo, mas é antes o produto do desenvolvimento material a um nível bastante complexo. Marx resumiu a perspectiva marxista com estas palavras:

“Não é a consciência que determina a existência, mas antes a existência que determina a consciência”.

As ideias não aparecem do nada, mas antes são um reflexo das forças sociais que surgem da etapa actual do desenvolvimento económico e da relação entre e dentro das diferentes classes em que se baseia a sociedade e a economia. Os partidários do capitalismo partem do ponto de vista oposto: o idealismo. Eles caracterizam os eventos como a acção dos “grandes personagens” ou como conflitos entre ideias e valores. Consideram o pensamento humano como algo separado do mundo material real: não olham para a sociedade como algo que se desenvolve através do choque entre as forças materiais e sociais, mas mediante o aparecimento de ideias sucessivas. Tal remete para uma explicação dos eventos não em termos do desenvolvimento das forças naturais e sociais, mas pela “vontade de Deus”, a intervenção de forças divinas ou até de “almas” e “espíritos”. O primeiro inimigo do materialismo, o primeiro desenvolvimento do que se chama pensamento “idealista”, foi a religião.

O materialismo defende que a existência material precede a ideia.

Como explica o folheto desta colecção sobre “A Perspectiva Marxista da História” (a editar brevemente), os eventos históricos e contemporâneos não podem ser entendidos apenas examinando os pensamentos e motivos dos indivíduos chave, mas também é necessário tentar perceber as forças sociais que estes representam.

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O idealismo inevitavelmente conclui que existe alguma mão invisível, Deus o algum espírito guiando o pensamento e desenvolvimento humanos. Para um materialista, Deus, em vez de “criar o Homem”, é um produto da mente humana. Como o filósofo francês, Montesquieu, disse “se os triângulos tivessem um deus, dar-lhe-iam três lados”. O materialismo procura uma explicação para todos os fenómenos, incluindo a nossa existência e a do universo, não no sobrenatural, mas antes nas leis da natureza. A origem da religião foi a incapacidade dos nossos antepassados de compreenderem e controlarem a

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natureza. Enquanto a sociedade classista se desenvolveu, a religião foi transformada pelas classes dominantes numa ferramenta para defender a ordem estabelecida. O clero foi libertado do trabalho directo na produção para administrar a sociedade mas gradualmente começou a controlar os recursos da sociedade e converteu-se numa ala da classe dominante. O próprio cristianismo, que começou como uma religião de protesto, foi posteriormente incorporado pela classe dominante. Hoje em dia, cada vez mais os capitalistas substituem a religião com “explicações científicas” para justificar a exploração e desigualdade social. De acordo com os experts, como Charles Murray e Desmond Morris, as situações de pobreza, a inteligência,

a violência e até a delinquência estão determinadas geneticamente; alguns nascem com atributos que os destinam a ser ricos ou dirigentes, enquanto outros encontram o seu lugar predeterminado entre a “classe oprimida”. Por oposição, os marxistas não são deterministas biológicos nem culturais. Não acreditamos que as acções de cada pessoas estão predeterminadas na sua biologia, nem que cada pessoa nasce completamente em bruto, sendo apenas moldada pelo seu ambiente social. É uma interacção dinâmica - de facto é uma relação dialéctica entre ambos - que desenvolve a sociedade humana e os indivíduos dentro dela.

O que significa pensar de uma maneira dialéctica?

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filosofia marxista junta uma perspectiva materialista com a dialéctica. A dialéctica explica o processo de mudança e desenvolvimento. Defende que nada pode ser entendido se for considerado isolado ou como algo estático; cada fenómeno tem que ser estudado de uma maneira dinâmica, de acordo com a interacção que tem com os outros fenómenos e nas termos da mudança e desenvolvimento que ele próprio experimentou. Tudo existe num estado de constante mudança; toda a realidade é matéria em movimento. Nas nossas vidas quotidianas, só podemos compreender o mundo mediante a compreensão das interligações entre processos e também vendo-os em termos da sua própria mudança e evolução. Todos começamos a vida com pouco mais que os nossos genes e instintos. Quando somos bebés, choramos quando temos calor, frio ou fome. Gra-

dualmente, aprendemos a reconhecer várias coisas que são importantes - o peito da nossa mãe, aquilo que nos tranquiliza, as pessoas que vemos com frequência. No essencial, estamos a distinguir os objectos. Esta perspectiva - de reconhecer os diferentes objectos como entidades separadas do resto - é necessária nas nossas vida e trabalho político quotidiano. Na vida quotidiana não poderíamos viver sem pensar desta maneira. Alguém que seja incapaz de reconhecer a diferença entre um quilómetro e um metro, ou uma nota de 100€ e um papel sem valor, não sobreviveria por muito tempo.

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Para sobreviver, temos de distinguir os objectos. Mas para entender e mudar o mundo também precisamos de perceber a interacção entre os processos.

Mas quando se trata de questões mais complicadas, esta forma de olhar para o mundo é insuficiente. O bebé cresce e rapidamente aumenta a sua compreensão. Já não os objectos como isolados e estáticos, mas começa a ver um Mundo onde os processos se interligam e alteram. O bebé dá-se conta de que ele próprio pode afectar o que o rodeia. Por exemplo, se sorri ou dança, as pessoas à sua volta estarão satisfeitas e prestar-lhe-ão atenção. A dialéctica é um modo de pensar que imita este processo. Permite-nos examinar os objectos como parte de um processo, no qual tudo está interligado - tal como ver um filme em vez de apenas algumas fotos. Os primeiros pensadores dialécticos surgiram na Grécia antiga. “Tudo flui”, disse o filósofo Heraclito, “O Sol não está novo cada dia, mas continuamente se renova...não podemos pisar o mesmo rio, pois as suas águas correm sem parar...todos os objectos são e não são, nunca são eles mesmos, mas estão sempre em mudança para algo diferente”. Heraclito descreveu a dialéctica como a “lógica da contradição”. E este é um ponto essencial. A dialéctica explica que a ideia da contradição é algo fulcral para compreender qualquer coisa, fenómeno ou evento. Engels mostrou que tal é verdade, pois a contradicção toca o coração da vida. “Qualquer organismo vivo”, disse, “absorve outras

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substâncias do seu meio ambiente que lhe sejam adequadas e assimila-as...em qualquer momento, um ser é ele mesmo e algo diferente”. Nós aplicamos esta análise no nosso trabalho político. Apesar da sua direcção pró-capitalista, os marxistas foram capazes de reconhecer que no passado, os partidos trabalhistas e social-democratas foram diferentes dos partidos abertamente capitalistas, principalmente devido ao seu enlace com a classe trabalhadora através do movimento sindical. Lenine disse que o Partido Trabalhista era um “partido burguês dos trabalhadores”. Aparentemente esta fórmula é contraditória: como é que um partido pode ser burguês e dos trabalhadores ao mesmo tempo? No entanto, esta contradição verificou-se - a realidade contraditória de um partido politicamente pró-capitalista mas baseado na classe trabalhadora, em termos de organização. Os pensadores esquemáticos, ambos oportunistas e ultra-esquerdistas, insistiram que só podia ser uma coisa ou outra, ou um Ainda que a foto te mostre partido capitalis- uma verdade, o filme mostra-te ta ou socialista, e uma verdade mais completa. O materialismo dialéctico permite-nos nunca algo mais olhar o filme todo complicado e con-

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traditório. Em Lógica, este tipo esquemático de pensar denomina-se “lei do meio excluído”. Embora tenham a sua utilidade, estas leis da Lógica não nos permitem compreender os processos. Qualquer fenómeno não é só uma coisa ou outra, mas sim conjunto complicado e contraditório, em movimento e transição. Os partidos trabalhistas e social-democratas, como tudo, passaram por um processo de mudança. Agora são diferentes do que no passado.  As contradições dentro desses partidos e a sua interacção com as forças externas - particularmente os efeitos do colapso do Estalinismo e o crescimento económico mundial dos ano 80 - provocaram a quebra completa dos laços que ainda existiam entre a classe trabalhadora e os partidos. As nossas tácticas foram determinadas não apenas por, entre outras razões, uma compreensão da natureza dos partidos trabalhistas e social-democratas, mas também uma análise de como estes se transformaram e a direcção em que se estão desenvolvendo. O pensamento dialéctico também foi necessário

As leis da dialéctica

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á certas “leis” que resumem a dialéctica. Uma delas já atrás foi referida, quando foi abordada a interpenetração dos opostos. E está ligada à segunda lei - em certas situações a “mudança quantitativa origina uma mudança qualitativa”. Vimos como esta lei se aplica ao desenvolvimento da sociedade humana. A História, em vez de ser um processo gradual de evolução, é uma luta de forças antagonistas - a interpenetração dos opostos. Em certos momentos, as contradições emergem durante as guerras, crises e numa mudança revolucionária. A dialéctica não vê nada como estático ou final, “tudo está num processo constante de mudança, torna-se em algo e deixa de o ser”. Por isso, os partidários do capitalismo nunca aceitarão a dialéc-

para analisar as sociedades como a União Soviética. Os pensadores esquemáticos afirmaram que teve de ser ou uma sociedade socialista ou alguma forma de capitalismo. Os Marxistas disseram que foi algo mais complicado e contraditório: uma sociedade baseada nas relações da propriedade nacionalizada, mas incluindo algumas características do capitalismo como a desigualdade e privilégios burocráticos - um “estado degenerado dos trabalhadores”.

Para entender o carácter contraditório da ex-União Soviética - uma economia planeada controlada por uma burocracia estalinista totalitária - é necessário o materialismo dialéctico.

tica enquanto tentam justificar o seu sistema, com todos os horrores, como algo natural e eterno. Se a dialéctica tem razão, então o capitalismo, como tudo o resto, tem um princípio, um meio e claro, um fim. Não obstante, por vezes admitem a realidade. Por exemplo a seguinte citação do The Times (de Londres), escrito há uns anos: “Segundo a teoria da revolução de Karl Marx, surge a crise na qual a mudança quantitativa gradual dirige-se a uma mudança qualitativa rápida. No mundo natural, este fenómeno é ilustrado pela transformação da água em gelo, um arrefecimento gradual seguido por uma transformação repentina.

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Marx criou, e provavelmente tinha razão, que tal se aplica às mudanças revolucionárias de opinião; como Louis XVI [o monarca francês que foi à guilhotina na revolução francesa] e o Xá do Irão [derrubado em 1979] gradualmente perderam a sua popularidade mas foi de repente que se tornaram intoleráveis ao seu povo”.Definitivamente aplica-se aos desenvolvimentos económicos, os quais por diversas vezes mostram a resolução repentina de uma tendência estabelecida. Como sempre acontece, como aconteceu na Rússia em 1917, a revolução termina mais tarde e é mais extrema do que se esperava e, num momento, as pessoas descrevem aqueles que expressavam ansiedade como alarmistas e, no seguinte, respira-se o último alento enquanto cai a guilhotina”.

Em todas as revoluções, em particular na Revolução Russa, as mudanças quantitativas converteram-se em mudanças qualitativas.

Uma explicação melhor da dialéctica será difícil de encontrar.

A dialéctica da natureza

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arx e Engels consideravam o desenvolvimento científico da sua época uma confirmação da validade do modo de pensamento dialéctico. Particularmente entenderam o significado da teoria da evolução de Darwin. A última investigação e as últimas teorias sobre este assunto mostram como as espécies não evoluíram de forma gradual, mas mediante uma série de grande saltos qualitativos. A dialéctica tem as suas raízes na natureza, como Trotsky explicou: “A consciência surgiu da inconsciência, a psicologia da fisiologia, o orgânico do inorgânico, o sistema solar de uma nebulosa. Em todos os degraus desta escada do desenvolvimento, as mudanças quantitativas foram convertidas em qualitativas. O nosso pensamento...apenas é uma das formas da expressão da matéria em mudança. A dialéctica de pensar, por ter surgido da dial��ctica da natureza, possui no fundo um carácter materialista”. Engels, embora não sendo um cientista, aplicou o método do materialismo dialéctico para desenvolver uma teoria brilhante sobre o

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desenvolvimento da Humanidade. Manteve que a chave para a evolução humana foi o facto de os nossos antepassados terem começado a utilizar as mãos. Isto permitiu o desenvolvimento de ferramentas, que influenciaram o desenvolvimento do cérebro. O ponto de vista dominante na sua época e que se manteve dominante durante grande parte do séc. XX, foi a percepção idealista de que os humanos simplesmente evoluíram dos macacos com cérebros grandes. Agora, descobertas de paleontólogos confirmam as ideias de Engels. As leis científicas apenas são correctas dentro de certos limites. Cada teoria científica é uma aproximação à realidade e enquanto o conhecimento humano se desenvolve, ou ela permanece válida ou é substituída por outra aproximação mais próxima da verdade. Por exemplo, ainda que Darwin tenha feito a descoberta revolucionária da evolução, não foi capaz de explicar como a adaptação e mutação são transmitidas às gerações futuras devido à falta de desenvolvimento científico na área da genética, nessa altura.

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Considera a teoria da gravidade e as leis do movimento da física. Estas desempenharam um papel fundamental na compreensão do mundo e do universo. Mas logo no início do séc. XX, a teoria da relatividade e a física quântica mostraram que existe um limite onde as leis de Newton não se aplicam. Na verdade, é impossível medir a posição e velocidade das partículas subatómicas. Todavia, muitos são os cientistas que tendem a buscar leis e concepções absolutas. Isto explica-se porque não são imunes à filosofia idealista que impregna a sociedade capitalista. Por outro lado, a dialéctica das forças da natureza sempre avança em direcção a uma perspectiva dialéctica. “A natureza é a melhor prova da dialéctica”, disse Engels. E os enganos científicos durante mais de 100 anos após a sua morte, confirmam de maneira brilhante a sua observação.

A natureza e a ciência, incluindo a teoria da relatividade de Einstein (acima), são provas da dialéctica.

Três Exemplos

A teoria da r elatividade de Einstein.

oria mostra e t a t s e , g in k w Stephen Ha a t s ti : quando n ” ie s c a o ic o m d â n in a d e s s a e Parafr “quantidad o ã s do eso p a r m u e t T a v o r u e c o a ç a a t p que o Es actua, afec a ç r fo a m u o po afecta a e m v e o -t m o ç e a s p s o e p r o o um c estrutura d a a s r e -v e ic v ctuam. e a s o a p ç r m fo e s -t a o ç e a p s se movem o p r o c s o o m o m são afecé b maneira c m a t s a m m penas afecta a o ã n o p m e t erso”. iv n “O espaço e o u o n a s s a p o que se tá baseada tados por tudo s e ia r o e t a d a r a esta celeb d o t : s ação dos a r r t v e n la e a p p r s e a t r t in u a o Por dialéctica, o ã ç la e Corpos em r s a o d e o , ã o s s d e la r p m x u e numa Espaço, por o e o p m e T o opostos, entre outro. lo e p , o t n e im Mov Colectivo Socialismo Revolucionário socialismo-revolucionario.org

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a c i t n â u q a c i A mecân

stas apeliti n ie c s o e u q cia daquilo n ê t is x lectrão. e e a o n o e m -s o ia c e , s s a a b ic s Esta artículas bá p s a d ” e d a d li a partícula dam de “dua m u e a d n o a -se como um a t r o p m o c la gica, tal não u ló a o d n u g e Uma partíc s sar de que e p a , o p segundo a m o e t t n a o t m n s e e o m N . o a contradição a m u é r, e c e cula é e t tí r a p a m u “ pode acon , o a tem sentid c ti c lé ia d m e g lingua o tempo”. m s e m o a la u c tí não é uma par

A teoria do c

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O caos é uma in vestigação do p onto onde a qu forma em quali antidade se tra dade. Reconhe nsce-se que as “p podem causar equenas altera grandes muda ções nças”. Mas den há uma “instab tro de cada fen ilidade persiste ómeno nte” porque um de incalculável a quantidade forças afect a m -no tanto inter como externam namente ente. Por isso, em certas situa movimento to ções um rna-se imprevis ível ou “caótico ”. No entanto, de ntro do caos h á normas defin realidade há o rdem e desenv idas, na olvimento.

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As raízes da filosofia marxista

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mas esta explicação por si só não chega. As condições também se alteram e é necessário analisar e entender como é que se alteram.

Primeiro foi o brilhante pensador alemão, Hegel, quem resuscitou e desenvolveu as ideias da dialéctica. No entanto, ele era um idealista, vendo a sociedade como algo que se desenvolvia em direcção a uma ideia suprema que foi, do seu ponto de vista, a monarquia reaccionária do Kaiser germânico Frederico II.

Por isso, embora a história esteja governada por leis gerais, não é automática. É uma distorção flagrante, e que é feita com frequência, dizer que Marx e, em particular, Engels afirmaram que a economica automaticamente determina tudo.

enhuma ideia, nem sequer a mais revolucionária, aparece do nada. Marx e Engels tiveram que trabalhar com as ferramentas intelectuais da sua época. O desenvolvimento da sua filosofia pode ser entendido no contexto das ideias dos grandes filósofos materialistas do “iluminismo” do séc. XVIII - os quais, nas palavras de Marx, “preparam as mentes dos homens” para a grande Revolução Francesa.

A ponte final foi a filosofia de Ludwig Feuerbach. Feuerbach respondeu correctamente ao idealismo de Hegel dizendo, “todas as ideias surgem do mundo material, as condições determinam a consciência”. Mas quando rejeitou a dialéctica de Hegel, Feuerbach também se enganou. Marx e Engels integraram o melhor e descartaram as partes menos relevantes destas filosofias. Mais importante, adicionaram o ingrediente deciviso - as conclusões retiradas das lutas de classe dos princípios da década de 1830 em França e do movimento cartista na Grã-Bretanha. Assim, mostraram a base científica do socialismo. Enquanto que os socialistas utópicos, como Robert Owen, viram o Socialismo como uma “boa ideia” - algo que seria implementado assim que todos, incluindo os chefes, se dessem conta dos benefícios, Marx e Engels mostraram que as ideias socialistas tem as suas raízes no antagonismo irreconciliável entre os capitalistas e a classe trabalhadora. Eles notaram as falhas de Feuerbach. Foi correcto dizer que “as condições determinam a consciência”,

O desenvolvimento do mundo natural ocorre através da interacção entre actores inconscientes. O desenvolvimento da sociedade é diferente. A história está repleta de homens e mulheres conscientes, cada um impulsionado por motivos e desejos definitivos.

Contestando esta distorção, Engels disse: “De acordo com a concepção materialista da história, o elemento determinante da história é, em última análise, a produção e a reprodução na vida real. Mais que isso, Marx e eu nunca o afirmámos. Se então alguém torce isto para fazer uma declaração de que o elemento económico é o único determinante, converte-a numa frase abstracta e absurda. A situação económica é a base, mas os elementos variados da superestrutura - as formas políticas da luta de classes e suas consequências, as constituições...as formas da lei, e ainda o reflexo de todas estas lutas actuais nos cérebros dos combatentes: as teorias políticas, legais, filosóficas, as ideias religiosas e o aprofundamento do seu desenvolvimento nos dogmas - também exercem uma influência sobre o percurso da luta histórica e, em muitos casos, prevalecen na determinação da sua própria forma”. “Nós fazemos a nossa própria história” disse Engels “mas nunca segundo condições por nós escolhidas”. Ele e Marx foram os maiores filósofos de toda a História mas a sua filosofia foi um guia ao envolvimento activo na luta de classes da classe trabalhadora por uma nova sociedade. Nas famosas palavras de Marx:

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“Os filósofos não fizeram mais que interpretar de diversos modos o mundo, mas o que é preciso é transformá-lo”. Então, o materialismo dialéctico é uma filosofia activa. Para Marx e Engels, a verdade da filosofia só pode ser determinada pela prática e não pela contemplação o estudo abstracto. O Marxismo é uma dialéctica da teoria e da prática. Os marxistas tentam entender o mundo para actuar dentro dele. Aqueles que, como o filósofo francês, Althusser, dizem que a verdade da teoria se encontra “apenas na teoria”, cometem um erro fundamentalmente idealista. A teoria marxista depende da interacção entre a teoria e a prática e também da capacidade dos que pensam de uma maneira dialéctica para compreender a relação entre o abstracto e o concreto. Em termos marxistas, uma abstracção é uma teoria ou

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uma parte constituinte de uma teoria, a qual tenta entender um fenómeno de acordo com as suas ligações e mudanças, ou seja, em termos das suas leis de movimento. Portanto é uma tentativa de ver para além das manifestações e aparências imediatas para compreender a dinâmica subjacente dos fenómenos. Como Marx disse: “Se a essência das coisas correspondesse à sua aparência imediata, não haveria nenhuma necessidade da ciência”. Hoje em dia, apesar dos partidários do capitalismo anunciarem a “morte do socialismo (sic)”, estas ideias nunca foram tão relevantes. A ideia do socialismo surge da incapacidade do capitalismo de satisfazer as necessidades da população do mundo e a luta de classes emerge disso mesmo.

O capitalismo não oferece um futuro à humanidade. O socialismo SIM.

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Cada vez mais, as ideias socialistas converteram-se numa força material com o poder de derrubar o capitalismo. Iluminarão o caminho para o salto qualitativo da humanidade, a uma sociedade com um potencial inimaginável - uma que realmente mereça o nome “humana”.

Proletários de todo o mundo, uni-vos!

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Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre, tomando sempre novas qualidades.

E se todo o mundo é composto de mudança Troquemos-lhe as voltas que ainda o dia é uma criança.

de José Mário Branco, cantor e músico, baseado num soneto de Camões

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O QUE É O SOCIALISMO REVOLUCIONÁRIO? O Socialismo Revolucionário é o Colectivo de militantes do Comité por uma Internacional dos Trabalhadores em Portugal. Intervimos nas Empresas, Sindicatos,Esvcolas e movimentos sociais promoveno a necessidade do Socialismo para a superação do sistema capitalista em profunda crise. Publicamos o jornal OFE

NSIVA SOCIALISTA

Jornal do Socia

lismo Revolucio

nário - CIT em

Portugal

N.14

JAN/FEV ’13

0.50 Solidarieda

1.00

de

O QUE É O COMITÉ PARA UMA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES? RESISTÊNCIA! O GOVERNO TEM DE CAIR!

Edi id magnis dunt ommo cum quae preceptati digene mos as dolecea Et volorporum t peribustissi fugita doluptat cum volupta coreic andebit volum re sitibus volessiti volupta rem id qui comnih tectiis quia quaernatet s as magnis nonsed unt ernatia il moditiur? Edi e vendae. Ut que id magnis dunt ommo cum demquid uscilias nihiciam quae preceptati mi, con nient. digenemos as doleceat peribu Edi id magnis stissi cum volupta Constituir nova dunt ommo cum tectiis quia quaern coreic quae preceptati digenemos Greve Geral atet rem id qui as doleceat peribu moditiur? comnihil volupta coreic stissi cum tectiis Qui te core nostem qui comnihil moditi quia quaernatet rem id iur am fugias quodi Obitam quam loritius sequid voiur am fugias quodi ur? Qui te core nostem as duciusc impore eicte ad exceaquo quias voloritius sequid s ameni doluptaquia volupta seque et velitem conexceaquo quias si optatio. Et cor conseque et velitem eicte ad volorporum fugita doluptat sapernatur? Eperci re, officit alicae doluptu ficit alicae dolupt cor re, ofre sitibus andebi tium quae nim u sapernatur? t volum volessiti voluptas aut isquos ium faceriore Epercitium quae nim aut as magnis nonsed voluptis conece isquos ium facerio unt ernatiae vendae. Ut que r feriostium nulparum, iminve re voluptis conecer feriosti nihiciam demqu lis bitam quam um nulparum, id uscilias mi, con nient. iminvelis as impores ameni doluptaquia volupta duciusc Edi id magnis tio. Et volorpo si optaAdi id magnis dunt ommo cum rum dunt ommo cum fugita doluptat quae tati digenemos quae andebit volum tati digenemos re sitibus as doleceat peribus precepvolessiti volupta as doleceat peribus precepvolupta coreic tissi s as magnis cum volupta coreic nonsed unt ernatia tissi cum tectiis tectiis e vendae. Ut que qui comnihil moditi quia quaernatet rem id qui comnihil moditi quia quaernatet rem id demquid uscilias nihiciam ur? Qui te core mi, con nient. ur? Epercitium nostem iur am fugias quodi aut isquos ium quae nim voloritius sequid faceriore volupti eicte ad exceaquo quias conseq s conecer feriostium nulp Edi id magnis ue iur am fugias dunt ommo cum alicae doluptu saperna et velitem cor re, officit quodi voloritius sequid eicte ad quae tati digenemos tur? arum, iminvelis, as doleceat peribus precepEpercitium quae opercitium quae nim aut volupta coreic tissi cum nim aut isquos isquos tectiis ium ium quia facerio voluptis conece quaernatet rem re voluptis conecer feriosti qui comnihil moditi r feriostium nulparu faceriore id um ur? Qui te core velis m, iminluptis conecer feriostiisquos ium faceriore voiur am fugias quodi nostem um nulparum, voloritius sequid iminvelis. exceaquo quias eicte ad conseq Obitam quam ficit alicae dolupt ue et velitem cor re, ofas duciusc impore u sapernatur? s ameni doluptaquia volupta Epercitium quae nim aut si optatio. Et isquos ium facerio volorporum fugita doluptat re voluptis conecer feriosti re sitibus andebi um nulparum, t volum volessiti voluptas iminvelis. Epercitium quae nim as magnis nonsed aut isquos ium unt ernatiae vendae. Ut que faceriore voluptis conecer nihiciam demqu feriostium nulparu id uscilias mi, con nient. m, iminvelis obitam quam as duciusc impore s ameni doluptaquia volupta si optatio.

O Comité para uma Internacional dos Trabalhadores, CIT, é uma Organização internacional Socialista presente em todos os continentes. Temos secções em mais de 40 países, dos quais: Brasil, Estados Unidos, China, Rússia, Índia, Reino Unido, Venezuela, Bolívia, Chile, Nigéria, França, Alemanha, Irlanda... Um dos nossos camaradas, Paul Murphy é Deputado Europeu eleito por Dublin, Irlanda e do GUE, o grupo do PCP e do BE. Lutamos por uma transformação socialista da sociedade e assim pôr fim à ditadura internacional do Mercado.

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O Marxismo não é uma série de ideias que podemos decorar. É um método para analisar a sociedade e usar o conhecimento para mudar as coisas. Como Trotsky explicou, é : “a capacidade de medir as coisas com um só olhar, a capacidade de “sentir” uma situação e indicar as características principais e desenvolver uma estratégia geral. Isto é importante para o nosso trabalho quotidiano e durante um período revolucionário, estas qualidades tornam-se decisivas”.

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