Page 1


FICHA TÉCNICA

TÍTULO | TITLE Revista Portuguesa de Enfermagem em Saúde Mental | Portuguese Journal of Mental Health Nursing

PUBLICAÇÃO E PROPRIEDADE | PUBLISHING AND PROPERTY

A Sociedade Portuguesa de Enfermagem em Saúde Mental | The Portuguese Society of Mental Health Nursing

DIRETOR | MANAGING DIRECTOR

Carlos Sequeira, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal

COORDENADOR | COORDINATOR

Luís Sá, PhD - Instituto de Ciências da Saúde - Universidade Católica Portuguesa, Porto, Portugal

COORDENADOR DA COMISSÃO EDITORIAL | EDITORIAL BOARD COORDINATOR

Francisco Sampaio, MSc – Hospital de Braga, Portugal

COMISSÃO EDITORIAL | EDITORIAL BOARD

Amadeu Gonçalves, PhD - Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Viseu Analisa Candeias, MSc - Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho Bruno Santos, MSc – Casa de Sáude do Bom Jesus - Braga Carlos Vilela, MSc - Escola Superior de Enfermagem do Porto Lia Sousa, MSc - Centro Hospital de São João, Porto Lucília Vale de Nogueira, MSc – Centro Hospitalar do Porto Luís Silva, MSc - Hospital de Magalhães Lemos, Porto Odete Araújo, MSc - Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho Olga Cunha Rocha, MSc - Escola Superior de Enfermagem do Porto (Jubilada) Regina Pires, MSc – Escola Superior de Enfermagem do Porto Rita Costa, MSc - Unidade Local de Saúde de Matosinhos, Porto Rosa Silva, MSc - Instituto de Ciências da Saúde - Universidade Católica Portuguesa, Porto

COMISSÃO CIENTÍFICA | SCIENTIFIC REVIEWERS

Agustín Simónelli Muñoz, PhD - Universidad Católica San Antonio, Múrcia, Espanha Aida Mendes, PhD - Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal Alexandre Marques Rodrigues, PhD - Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis Beatriz Araújo, PhD - Instituto de Ciências da Saúde - Universidade Católica Portuguesa, Porto, Portugal Carlos Sequeira, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal Carme Ferré Grau, PhD - Universitat Rovira i Virgili. Tarragona, Espanha Elaine Antunes Cortez, PhD - Escola de Enfermagem AAC - Universidade Federal Fluminense Elizabete Borges, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal Francisca Manso, PhD - Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, Portugal Geilsa Cavalcanti Valente, PhD - Escola de Enfermagem AAC - Universidade Federal Fluminense Guilherme Correa Barbosa, PhD – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Brasil Graça Pimenta, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal Isilda Ribeiro, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal Joaquim Passos, PhD – Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Portugal José António Pinho, PhD – Centro Hospitalar do Porto, Portugal José Carlos Carvalho, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal José Carlos Gomes, PhD - Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, Portugal José Carlos Santos, PhD - Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal Juan Roldan Merino, PhD - Escuela de Enfermería Sant Joan de Déu (adstrita a la UB), Espanha Júlia Martinho, PhD - Escola Superior de Enfermagem do Porto, Portugal Luís Sá, PhD - Instituto de Ciências da Saúde - Universidade Católica Portuguesa, Porto, Portugal Margarida Sotto Mayor, PhD - Hospital de Magalhães Lemos, Porto, Portugal Mar Lleixà-Fortuny, PhD - Universitat Rovira i Virgili. Tarragona, Espanha Marluce Miguel de Siqueira, PhD - Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Michell Araújo, PhD - Faculdade Católica Rainha do Sertão - Fortaleza e Hospital de M., Brasil Odete Pereira, PhD - Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Brasil Raul Cordeiro, PhD – Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre, Portugal Teresa Barroso, PhD - Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, Portugal Teresa Lluch-Canut, PhD – Escola Universitària d’Infermeria - Universitat de Barcelona, Espanha Zeyne Scherer, PhD – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, Brasil Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 2


Público-alvo:

Enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais e outras pessoas com interesse na área da saúde mental.

Objectivo:

Divulgação de evidências científicas sobre a promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento, reabilitação e reintegração das pessoas com doença mental ao longo da vida.

Âmbito:

Políticas e design dos cuidados de saúde; Avaliação, diagnóstico, intervenções e resultados de enfermagem; Sistemas de informação e indicadores em saúde mental; Direitos e deveres dos doentes mentais; Formação e investigação em enfermagem em saúde mental.

SUBSCRIÇÃO | SUBSCRIPTIONS

A Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde mental é publicada duas vezes por ano, Junho e Dezembro O preço por número é: - para instituições € 10.00; - para particulares € 8.00

INDEXAÇÃO: A Revista da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental foi aceite para indexação em: SciELO Portugal - Scientific Electronic

Library Online

A revista cumpre os principais critérios de qualidade estabelecidos pela metodologia SciELO e foi aceite para integrar a plataforma SciELO. Já está disponível em formato electrónico: www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?script=sci_serial&pid=1647-2160&nrm=iso&rep=

www.latindex.unam.mx/buscador/ficRev.html?folio=19823&opcion=2

CIBERE - Conselho Iberoamericano de

Editores de Revistas de Enfermagem e Afins http://www.index-f.com/cibere/socios.php

CINAHL®, the Cumulative Index to

Portuguese Journal of Mental Nursing is published twice a year, June and December The price of each number is: - for institutions € 10.00; - for private subscribers € 8.00

SECRETARIADO | SECRETARIAT

Bruno Santos; Francisco Sampaio; António Carlos Amaral

ISSN:

LATINDEX - Sistema Regional de Informação em linha para Revistas Científicas da América Latina, Carabíbas, Espanha e Portugal.

Nursing and Allied Health Literature

A revista cumpre os principais critérios de qualidade estabelecidos pela metodologia EBSCO e foi aceite para integrar esta base de dados. http://www.ebscohost.com/biomedical-libraries/cinahl-complete

EBSCO Discovery Service

http://ebscohost.com/

1647-2160

REV@Enf – Biblioteca Virtual em Saúde Enfermagem

FOTOS | PHOTOS

http://www.portal.revenf.bvsalud.org/php/index.php?lang=pt

CAPA | COVER

Luís Silva

Farol do Arnel – S. Miguel (Açores) – Portugal; José Carlos Carvalho.

DEPÓSITO LEGAL | LEGAL REGISTRATION 294975/09

ENDEREÇO | ADDRESS

Prof. Carlos Sequeira - Escola Superior de Enfermagem do Porto Rua Dr. António Bernardino de Almeida, s/n, 4200-072, Porto, Portugal URL: www.aspesm.org E-mail: dir.spesm@gmail.com

SciELO Citation Index – Thomson Reuters

http://apps.webofknowledge.com/select_databases.do?highlighted_tab=select_databases&product=UA&SID=P2 h4wCk9ehzhdaSkRjK&last_prod=SCIELO&cacheurl=no

CAPES:QUALIS – Enf B2; Psicologia B3; Saúde coletiva B3 https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/ consultas/coleta/veiculoPublicacaoQualis/ listaConsultaGeralPeriodicos.jsf

Aviso:

Os artigos publicados são propriedade da Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental pelo que não podem ser reproduzidos, em parte ou no todo, sem a devida autorização da ASPESM, exceptuando o uso legal. A Responsabilidade pela idoneidade e conteúdo dos artigos é unica e exclusiva dos seus autores.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 3


Índice

EDITORIAL CONVIDADO

1

HOW CAN MENTAL HEALTH NURSES IMPROVE THE PHYSICAL HEALTH OF THOSE WITH

MENTAL HEALTH PROBLEMS? ..............................................................................................

ARTIGOS DE INVESTIGAÇÃO

2

EFICÁCIA

INFORMAIS DE PESSOAS IDOSAS APÓS UM AVC .................................................................. 9

DO

PROGRAMA

INCARE

NA

SOBRECARGA

DOS

7

CUIDADORES

3 A UTILIZAÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE COMO PREDITOR DA LITERACIA

EM SAÚDE SOBRE USO DE SUBSTÂNCIAS NOS ADOLESCENTES .................................. 15

4

FATORES

BEM-ESTAR BIOPSICOSSOCIAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE ...................................... 21

5

EXPECTATIVAS

DOS ADOLESCENTES

6

CARACTERÍSTICAS DE UM PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PARA FAMILIARES CUIDADORES

DE PESSOAS COM DEMÊNCIA A RESIDIR NO DOMICÍLIO .................................................. 33

7

QUALIDADE DE VIDA E SOLIDÃO EM IDOSOS RESIDENTES EM LAR

8

EMOTIONAL INTELLIGENCE AND PSYCHOLOGICAL CAPITAL: WHAT IS THE ROLE OF

WORKPLACE SPIRITUALITY? ................................................................................................... 45

9

TRABALHAR AS EMOÇÕES MEDIANTE B-LEARNING NOS FUTUROS PROFISSIONAIS DE

ENFERMAGEM: UMA EXPERIÊNCIA DIFERENTE DE PROMOÇÃO DA SAÚDE MENTAL ... 51

DE

RISCO

FACE

AO

EM

SAÚDE

ÁLCOOL

E

MENTAL:

CONTRIBUTOS

COMPETÊNCIAS

DE

PARA

O

AUTORREGULAÇÃO

........................................................................................................... 27

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 4

............................. 39


10

A SITUAÇÃO DE CRISE EM PORTUGAL E A SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS

DE SAÚDE ................................................................................................................................. 57

11

AS CRIANÇAS E JOVENS REFERENCIADAS À CPCJ: O ESPELHO DAS PROBLEMÁTICAS .... 63

12

O ESTIGMA FACE À DOENÇA MENTAL NOS ESTUDANTES DE SAÚDE

13

INSÓNIA NOS ESTUDANTES DE ENFERMAGEM EM ENSINO CLÍNICO ............................... 73

14

O SÍNDROME DE BURNOUT E O ESTADO DA SAÚDE MENTAL DOS ESTUDANTES

DE ENFERMAGEM

15

O ADOLESCENTE COM FIBROSE CÍSTICA – CRESCER NA DIFERENÇA ............................ 85

ARTIGOS DE REVISÃO

16

A ESPERANÇA NA SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA ........ 95

........................... 67

................................................................................................................. 79

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 5


Revista Portuguesa de Enfermagem de SaĂşde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||66


Editorial Convidado

1

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0109

HOW CAN MENTAL HEALTH NURSES IMPROVE THE PHYSICAL HEALTH OF THOSE WITH MENTAL HEALTH PROBLEMS? | Lawrie Elliott1 |

We have known for some time that those with severe mental health problems are more likely to have higher rates of mortality and morbidity compared to the general population (Osborn et al., 2007). We also know that many of these health problems are related to socially determined health behaviours such as poor diet, smoking, lack of exercise and excessive alcohol use. This raises a key question about the extent to which mental health nurses can influence these kinds of behaviours in an effort to improve physical health. Understandably, the relationship between nurses and service users is of prime importance, as evidenced by many of the papers published in mental health nursing journals. This relationship has dominated the approach to promoting physical health; a typical example of which is a nurse led intervention for cardiovascular screening for those diagnosed with severe mental illness (Osborn, Nazareth, Wright, & King, 2010). These interventions target individuals and demonstrate some promise in improving access to health care and health screening (Osborn et al., 2010). The effects on health behaviour, however, are limited. For example, changes in health behaviours such as exercise are much more difficult to achieve (Stanton & Happell, 2014). I believe there may be another approach that is based on the assumption that health gains result from changes in a person’s micro social environment. Changing social relationships is fundamental to this approach including those that are of immediate relevance to mental health nursing. These include the relationships nurses have with service users, informal carers, family, friends and other health and social care professions. There is a growing body of evidence that mental health nurses are already working is ways that aim to change social relationships which underpin health behaviours. Hultsjo and Hjelm (2012) in their recent review of interventions for people diagnosed with psychotic disorders and Diabetes Mellitus Type 2 suggest that mental health nurses have an active role in care co-ordination and planning. Synergistic positive professional relationships between those responsible for health services and health service users are of key importance in achieving service integration.

If these relationships work well then better integration of physical and mental health care will follow and this will lead to changes in health behaviours. Mental Health nurses also work in a diverse range of community settings, including schools. They already engage in interventions that aim to bring about change in the social culture of schools with view to improving pupils’ social capital and promoting positive mental health (Onnela, Vuokilia-Okkonen, Hurtig, & Ebeling, 2014). Synergistic positive relationships between teachers, pupils, family and friends are key to the success of these programmes. Furthermore, the effectiveness of these types of interventions is currently being assessed in relation to the impact of health behaviours such as smoking, illicit drug use and alcohol consumption (Henderson et al., 2016). I believe these socially oriented interventions hold some promise if applied to those with mental health problems. In addition, we have yet to realise the potential of social media in their design. There is also the need to evaluate how well they translate to the mental health settings and populations and ultimately how effective they are in changing health behaviours. Of course it is much more difficult for mental health nurses to bringing about change in the marcosocial environment which involves large-scale health improvement. Examples include government taxation on food products, smoking bans, and large infrastructure projects, including transport (cycling paths) and widening access to employment and education. Viewed in this way the contribution of mental of mental health nursing to these types of public health interventions will prove limited. Nevertheless, the potential in bringing about social change at the micro level should not be dismissed. I think it is possible to address social relationships as a necessary element in health interventions for those with mental health problems. There is evidence that mental health nurses are beginning to engage with these types of interventions and these should be subject to robust evaluation. KEYWORDS: Mental health nursing; Physical health; Public health Submetido em 30-03-2016 Aceite em 30-04-2016

1 Editor Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing; Professor of Nursing at Glasgow Caledonian University, School of Health and Life Sciences, Department of Nursing and Community Health, Cowcaddens Road, Glasgow, G4 0BA, Scotland, UK, Lawrie.Elliott@gcu.ac.uk Citação: Elliott, L. (2016). How can mental health nurses improve the physical health of those with mental health problems?. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 07-08. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 7


REFERENCES Henderson, M., Bond, L., Elliott, L., Haw, S., Jackson, C., Levin, K., … Wilson, P. (2016). Social and Emotional Education and Development (SEED): A stratified, cluster randomised trial of a multi-component primary school intervention that follows the pupils’ transition into secondary school. Retrieved from http://www.nets. nihr.ac.uk/__data/assets/pdf_file/0020/81713/PRO10-3006-13.pdf

Osborn, D. P. J., Levy, G., Nazareth, I., Petersen, I., Islam, A., & King, M. B. (2007). Relative risk of cardiovascular and cancer mortality in people with severe mental illness from the United Kingdom’s General Practice Research Database. Archives of General Psychiatry, 64(2), 242-249. doi:10.1001/archpsyc.64.2.242

Hultsjo, S. M., & Hjelm, K. (2012). Organizing care for persons with psychotic disorders and risk of or existing diabetes mellitus type 2. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 19(10), 891-902. doi:10.1111/ j.1365-2850.2012.01874.x

Osborn, D. P. J., Nazareth, I., Wright, C. A., & King, B. (2010). Impact of a nurse-led intervention to improve screening for cardiovascular risk factors in people with severe mental illnesses. Phase-two cluster randomised feasibility trial of community mental health teams. BMC Health Services Research, 10, 61. doi: 10.1186/14726963-10-61

Onnela, A. M., Vuokilia-Okkonen, P., Hurtig, T., & Ebeling, H. (2014). Mental health promotion in comprehensive schools. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 21(7), 618-627. doi:10.1111/jpm.12135

Stanton, R., & Happell, B. (2014). Exercise for mental illness: A systematic review of inpatient studies. International Journal of Mental Health Nursing, 23(3), 232242. doi:10.1111/inm.12045

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||88


Artigo de Investigação

2

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0110

EFICÁCIA DO PROGRAMA INCARE NA SOBRECARGA DOS CUIDADORES INFORMAIS DE PESSOAS IDOSAS APÓS UM AVC | Odete Araújo1; Isabel Lage2; José Cabrita3; Laetitia Teixeira4 |

RESUMO CONTEXTO: Em Portugal o acidente vascular cerebral (AVC) representa a principal causa de incapacidade nas pessoas idosas. Apesar dos avanços nos cuidados de saúde permitirem que mais sobreviventes de AVC vivam no domicílio cuidados pelas famílias, a evidência sugere que os cuidadores sofrem elevados níveis de sobrecarga e insatisfação com a quantidade e qualidade da informação e com o suporte recebido. O estado da arte sugere, ainda, a necessidade da implementação de programas de intervenção psicoeducativa baseados na resolução de problemas e na aquisição de competências práticas, visando a redução do impacte dos cuidados nos cuidadores. OBJETIVO(S): Desenvolveu-se um estudo tendo como objetivos: (1) avaliar as competências práticas dos cuidadores de pessoas idosas sobreviventes de um AVC; e (2) avaliar um programa de intervenção na diminuição de sobrecarga destes cuidadores no 1º (M1) e 3º (M2) mês após a intervenção. METODOLOGIA: O estudo quasi-experimental foi realizado com uma amostra de 174 cuidadores informais de pessoas idosas dependentes sobreviventes de AVC, os quais foram distribuídos pelo grupo experimental (n=85) e pelo grupo controlo (n=89). A investigação decorreu nos domicílios de famílias inscritas em Agrupamentos de Centros de Saúde da região norte. RESULTADOS: Os dados sugerem elevados níveis de sobrecarga no 1º e 3º mês no grupo de controlo, comparativamente com o grupo experimental, no qual se verificou uma diminuição após o follow-up (M2). CONCLUSÃO: Pode concluir-se que os resultados da implementação do programa InCARE corroboram a importância de uma intervenção precoce e estruturada na capacitação e redução da sobrecarga dos cuidadores. PALAVRAS-CHAVE: Cuidadores informais; Pessoas idosas; AVC; Estudo quasi-experimental

RESUMEN

ABSTRACT

“Eficacia del programa InCARE en la sobrecarga de los cuidadores informales de personas ancianas después de un AVC”

“Efficacy of the program InCARE in the burden of informal caregivers of older people after a stroke”

CONTEXTO: En Portugal el accidente vascular cerebral (AVC) representa la principal causa de incapacidad en la personas de edad. A pesar de los avances en los cuidados de salud permitir que más supervivientes de AVC vivan en el domicilio al cuidado de sus familias, la evidencia sugiere, todavía, que los cuidadores sufren elevados niveles de sobrecarga e insatisfacción con la cantidad y calidad de la información y con el apoyo recibido. El estado del arte traduce la necesidad de la implementación de programas de intervención psicoeducativa basados en la resolución de problemas y en la adquisición de competencias prácticas como condicionantes de la reducción del impacto de os cuidados de la salud y sobrecarga de los cuidadores. OBJETIVO(S): Fue desarrollado un estudio que tuvo como objetivos: (1) evaluar las competencias prácticas de los cuidadores de personas ancianas supervivientes de un AVC; (2) evaluar un programa de intervención en la disminución de sobrecarga de estos cuidadores en el 1º (M1) y 3º (M2) mes después de la intervención. METODOLOGÍA: Estudio casi-experimental realizado com una muestra de 174 cuidadores informales de personas ancianas dependientes supervivientes de AVC, distribuidos por el grupo experimental (n=85) y por el grupo de control (n=89). La investigación transcurrió en los domicilios de familias inscritas en Agrupaciones de Centros de Salud de la región norte de Portugal. RESULTADOS: Los datos sugieren elevados niveles de sobrecarga en el grupo de control en el 1º y el 3º mes, comparativamente con el grupo experimental, en el cual se verificó una disminución después del follow-up (M2). CONCLUSIÓN: Los resultados de la implementación del programa InCARE corroboran la importancia de una intervencione precoce y estructurada en la capacitación y reducción de la sobrecarga.

BACKGROUND: Stroke is the leading cause of disability in Portuguese older people. Despite the advances in the health care system, allowing more stroke survivors living at home be cared by their families, the evidence suggests higher levels of burden in caregivers, dissatisfaction with the quantity and quality of information they received and with the support received. The state-of-the art, also suggests, there is a need for implementing a psychoeducational intervention programmes based on problem solving and on practical skills acquisition to reduce burden in caregivers. AIM: The study aimed at: (1) assessing the practical skills of caregivers of older stroke survivors; (2) evaluating an intervention program to reduce burden in caregivers during the 1st (M1) and 3rd (M2) month after the intervention. METHODOS: The quasi-experimental study was developed with 174 informal caregivers of dependent older stroke survivors, allocated in: i) experimental group (n = 85); and ii) control group (n = 89). Data collection occurred in community-dwelling of health care units in northern Portugal. RESULTS: The data suggests higher levels of burden in the 1st and 3rd month of the control group in comparison with the experimental group, in which a decrease after a follow-up was verified. (M2). CONCLUSION: The results of the InCARE program suggests the importance of early structured interventions to achieve practical skills by informal caregivers of older stroke survivors as a therapeutic intervention to reduce burden.

DESCRIPTORES: Cuidadores informales; Personas ancianas; AVC; Estudio casi-experimental

KEYWORDS: Caregivers; Older people; Stroke; Quasi-experimental design Submetido em 13-11-2015 Aceite em 19-02-2016

1 Doutoranda em Enfermagem na Universidade de Lisboa; Docente Convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, odete.araujo@ese.uminho.pt 2 Doutorada em Ciências de Enfermagem; Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, Braga, Portugal, ilage@ese.uminho.pt 3 Doutorado em Farmácia; Professor Catedrático (Jubilado) na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, 1649-003 Lisboa, Portugal, jcabrita@ff.ul.pt 4 Doutorada em Matemática; Professora Auxiliar Convidada no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, 4050-313 Porto, Portugal, lcteixeira@icbas.up.pt Citação: Araujo, O., Lage, I., Cabrita, J. e Teixeira, L. (2016). Eficácia do programa InCARE na sobrecarga dos cuidadores informais de pessoas idosas após um AVC. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Ed. Esp. 3), 09-13. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 9


INTRODUÇÃO

METODOLOGIA

Nos países desenvolvidos, o acidente vascular cerebral (AVC) representa a primeira causa de morbilidade geradora de dependência (Feigin et al., 2014; Truelsen et al., 2006). Em Portugal existem 97,6 / 100,000 mortes por ano (Correia et al., 2004). De acordo com Mendonça, Machado e Teixeira (2009) mais de 42,5% dos portugueses com mais de 75 anos de idade sofrem uma doença cerebrovascular e a maioria dos sobreviventes necessita de ajuda nas atividades do autocuidado, após a alta hospitalar. Apesar dos avanços nos cuidados de saúde, permitindo que mais sobreviventes de AVC vivam no domicílio cuidados pelas famílias, a evidência sugere que os cuidadores reportam insatisfação com a quantidade, qualidade da informação e do suporte recebido, potenciando elevados níveis de sobrecarga nos cuidadores (Shyu, Kuo, Chen, & Chen, 2010). A meta-análise realizada por Legg e colaboradores (Legg et al., 2012) e publicada na Cochrane, sobre intervenções não farmacológicas dirigidas a cuidadores informais de sobreviventes de AVC, dá conta da importância da implementação de intervenções psico-educativas baseadas na informação e no treino dos cuidadores informais como estratégias eficazes na redução da sobrecarga e da ansiedade destes prestadores de cuidados. Por sua vez, os resultados do estudo de Cheng e colaboradores (2014) vêm dizer que através do treino de competências dos cuidadores, é possível obter uma redução nos custos com a saúde. Também as diretrizes do National Institute for Care and Health Excellence sugerem o envolvimento efetivo das famílias no processo de tomada de decisão na gestão dos cuidados aos sobreviventes de AVC, bem como, uma intervenção sistemática na aquisição de conhecimentos e competências práticas, no sentido de evitar readmissões hospitalares ou a institucionalização precoce dos sobreviventes de AVC (NICE, 2013). Atualmente, em Portugal, não são conhecidos programas de intervenção estruturada que promovam competências práticas nos cuidadores informais de idosos dependentes após um AVC, com avaliação do impacte na diminuição da sobrecarga. Neste sentido, desenvolveu-se um estudo tendo como objetivos: (1) avaliar as competências práticas dos cuidadores de pessoas idosas sobreviventes de um AVC; e (2) avaliar um programa de intervenção na diminuição de sobrecarga destes cuidadores no 1º (M1) e 3º (M2) mês após a intervenção.

Adotou-se um desenho quasi-experimental (Portney & Watkins, 2009), com recurso a uma amostra de 174 cuidadores informais de pessoas idosas dependentes sobreviventes de AVC, os quais foram distribuídos pelo grupo experimental (n=85) e pelo grupo controlo (n=89) (Figura 1). A investigação decorreu nos domicílios de famílias cuidadoras inscritas em Agrupamentos de Centros de Saúde da região norte.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 10

M0 - Avaliação inicial (n=174)

Grupo Experimental (n=85)

Follow-Up M1 (1º mês)

Perdas após hospitalização/ institucionalização (n=84)

Grupo Controlo (n=89)

Perdas após hospitalização/ institucionalização (n=85)

Follow-Up M2 (3º mês)

(n=81)

(n=78)

Figura 1 - Diagrama do fluxo dos participantes ao longo do estudo

Instrumentos de Recolha de Dados

• Escala de Capacidades do Prestador Informal de Cuidados de Idosos Dependentes após um AVC (ECPICID-AVC) (Araújo, Lage, Cabrita e Teixeira, 2015). • Questionário de Avaliação da Sobrecarga para Cuidadores Informais (QASCI) (Martins, Ribeiro e Garrett, 2003). Intervenção Avaliação das competências práticas dos cuidadores informais na 1ª semana, 1º e 3º mês após o regresso a casa; avaliação da sobrecarga ao 1º (M1) e 3º (M2) mês após a intervenção. Análise dos Dados Todas as análises foram efetuadas com recurso ao software SPSS® 22.0 (SPSS® Inc., Chicago, IL, USA), e em todas as análises foi considerado o nível de significância de 0.05. De modo a identificar potenciais variáveis diferenciadoras dos grupos em estudo (grupo experimental e grupo de controlo), foi realizada uma análise bivariada entre a variável grupo e todas as variáveis consideradas na análise descritiva.


A avaliação do impacto da intervenção foi avaliada através da evolução dos seguintes indicadores: capacitação do cuidador informal - ECPICID-AVC e sobrecarga do cuidador – QASCI. A análise longitudinal do ECPICID-AVC e do QASCI foi efetuada com recurso aos modelos lineares mistos. Considerações Éticas A investigação realizada teve o parecer favorável (parecer nº44/2013) da Comissão de Ética da Administração Regional de Saúde do Norte em 28 de maio de 2013. Todos os procedimentos foram levados a cabo tendo em consideração o consentimento informado dos participantes no que concerne à participação em investigação de acordo com a declaração de Helsínquia e a convenção de Oviedo. Foi explicado aos cuidadores que a participação seria voluntária, sem custos para as famílias, e que todos os dados seriam tratados de forma anónima e confidencial. A implementação do programa InCARE foi registado no clinicaltrials.gov com o ID number NCT02074501. RESULTADOS Caraterização da Amostra A amostra de cuidadores informais é maioritariamente constituída por cuidadores do sexo feminino (155, 89,1%). A idade mínima é de 29 anos e a idade máxima de 82, sendo a média e o desvio padrão das idades de 55,2 anos e 11,3 anos respetivamente. Cento e vinte e um cuidadores (69,5%) são casados, 28 (16,1%) solteiros, 22 (12,6%) divorciados e apenas 3 (1,7%) viúvos. Analisando o nível educacional, 22 cuidadores informais (12,6%) apenas sabem ler e escrever, mais de metade dos cuidadores que integram o estudo apresenta entre 1 a 4 anos de escolaridade (93, 53,4%), 42 (24,1%) entre 5-9 anos de escolaridade, 10 (5,7%) entre 10 e 12 anos e, finalmente 7 cuidadores (4,0%) possuem mais de 12 anos de escolaridade. No que diz respeito à situação profissional, 29 (16,7%) dos cuidadores estão empregados, 54 (31,0%) estão desempregados, 42 (24,1%) são domésticos e 49 (28,2%) são reformados. O escalão de rendimento mais mencionado variou entre 500 e 1000€ (124, 71,3%), seguindo-se o escalão 250-500€ (34, 19,5%),>1000€ (13, 7,5%) e por fim o <250€ (3, 1,7%). Os dados relativos à caracterização sociodemográfica dos cuidadores que integram este estudo são apresentados na tabela 1.

Tabela 1 - Perfil biográfico e social dos cuidadores informais Grupo Controlo

Experimental

p

n

%

n

%

Género Feminino Masculino

80 9

51,6 47,4

75 10

48,4 52,6

Idade, média (dp)

56,0 (11,2)

54,3 (11,5)

0,348

Estado civil Solteiro Casado Viúvo Divorciado

18 58 2 11

64,3 47,9 66,7 50,0

10 63 1 11

35,7 52,1 33,3 50,0

0,454*

Educação Sabe ler/escrever 1-4 anos 5-9 anos 10-12- anos >12 anos

10 52 18 6 3

45,5 55,9 42,9 60,0 42,9

12 41 24 4 4

54,5 44,1 57,1 40,0 57,1

0,586*

16 24 19 30

55,2 44,4 45,2 61,2

13 30 23 19

44,8 55,6 54,8 38,8

0,291

Situação profissional Empregado Desempregado Doméstico Reformado *teste exato de Fisher

0,727

Dos 174 cuidadores informais que participaram neste estudo, 89 (51,1%) foram alocados ao grupo de controlo e 85 (48,9%) ao grupo experimental. Através da análise dos resultados obtidos, verifica-se uma interação estatisticamente significativa entre o tempo e o grupo (p<0,001). Existe um efeito diferenciado do programa no score médio do QASCI de acordo com o grupo. Através da análise da tabela 2, pode verificarse que, mesmo após ajustar para as variáveis idade do cuidador (p=0,299), número de horas de cuidado (p=0,354), a existência de outro cuidador (p=0,696) e a proveniência de uma UCC (p=0,236), verifica-se que o grupo experimental apresenta uma diminuição da sobrecarga, contrariamente ao grupo controlo que apresenta um aumento. A tabela 2 apresenta os resultados da sobrecarga do cuidador informal (QASCI) com base no Modelo Linear Misto. Tabela 2 - Modelo Linear Misto para o QASCI Variável

Estimativa

Erro padrão

p

IC 95%

Tempo M1 M2 (ref)

-6,36 -

1,87 -

0,001 -

-10,0 - -2,67 -

Grupo Experimental Controlo (ref)

-15,1 -

2,28 -

<0,001 -

-19,6 - -10,7 -

10,7

2,66

<0,001

5,45-15,9

Interação M1* Experimental

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 11


DISCUSSÃO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Este estudo procurou avaliar a eficácia de um programa de intervenção (InCARE) assente na capacitação dos cuidadores informais de pessoas idosas dependentes sobreviventes de AVC e reduzir a sobrecarga deste grupo de pessoas. Os dados sugerem elevados níveis de sobrecarga no 1º e 3º mês no grupo de controlo, comparativamente com o grupo experimental, no qual se verificou uma diminuição após o follow-up (M2) (Cheng, Chair & Pak-Chun, 2014; Clarke, 2014; Forster et al., 2013; Hafsteinsdóttir, Vergunst, Lindeman & Schuurmans, 2011; Pandian, 2015; Shyu et al., 2010), vindo também ao encontro do subscrito por Legg e colaboradores (2012), quando reforçam a importância de uma intervenção psicoeducativa baseada na informação e no treino, como estratégias eficazes na redução da sobrecarga dos cuidadores informais. Pode dizer-se ainda que os resultados da implementação do programa InCARE encontram expressão em Kalra et al, (2004); Smith, Forster & Young (2004); Gräsel et al, (2005); Hartke & King (2003); Marsden et al, (2010); Torp et al, (2008), bem como nos de Perrin e colaboradores (2010), uns e outro, unânimes ao considerarem a intervenção estruturada sobre conhecimento e treino, como uma forma de aliviar os efeitos dos cuidados na saúde e bem-estar dos cuidadores informais de pessoas dependentes.

Araújo, O., Lage, I., Cabrita, J., e Teixeira, L. (2015). Development and psychometric properties of ECPICID-AVC to measure informal caregivers´skills when caring for older stroke survivors at home. Scandinavian Journal of Caring Sciences, in press.

CONCLUSÃO Os resultados deste estudo plasmam a importância da intervenção precoce e estruturada baseada na informação, no treino e na capacitação dos cuidadores informais de sobreviventes de AVC, como forma de diminuir a sobrecarga e promover a saúde física, psicológica, o bem-estar social e a satisfação com os cuidados. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Os enfermeiros como figura de referência e agentes promotores de saúde e bem-estar de doentes e famílias em geral, e em particular dos sobreviventes de AVC e dos seus cuidadores informais, devem privilegiar a intervenção precoce e estruturada com enfoque na capacitação (informação e treino) e na redução da sobrecarga destes prestadores de cuidados.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 12

Cheng, H. Y., Chair, S. Y., & Chau, J. P. (2014). The effectiveness of psychosocial interventions for stroke family caregivers and stroke survivors: A systematic review and meta-analysis. Patient Education and Counseling, 95(1), 30-44. doi: 10.1016/j. pec.2014.01.005 Clarke, D. H., Sadler, E., Harding, G., McKevitt, G., Godfrey, M., Dickerson, J., Farrin, A.J., Kalra, L., Smithard, D. & Forster, A. (2014). Introducing structured caregiver training in stroke care: findings from the TRACS process evaluation study. BMJ Open, 4, 1-10. doi: 10.1136/bmjopen-2013-004473 Correia, M., Silva, M., Matos, I., Magalhães, R., Lopes, J., Ferro, J., e Silva, C. (2004). Prospective community-based study of stroke in Northern Portugal: incidence and case fatality in rural and urban populations. Stroke: Journal of the American Heart Association, 35, 2048-2053. Draper, B., Bowring, G., Thompson, C., Heyst, J. V., Conroy, P., & Thompson, J. (2007). Stress in caregivers of aphasic stroke patients: a randomized controlled trial. Clinical Rehabilitation, 21(2), 122-130. Feigin, V., Forouzanfar, M., Krishnamurthi, R., Mensah, G., Connor, M., & Bennett, D. (2014). Global and regional burden of stroke during 1990–2010: findings from the Global Burden of Disease Study. Lancet, 18(383), 245–254. Forster, A., Dickerson, J., Young, J., Patel, L., Nixon, J., Smithard, D., . . . Farrin, A. (2013). A structured training for caregivers of inpatients after stroke (TRACS): a cluster randomised controlled trial and cost-effectiveness analysis. Lancet, 382(9910), 2069-2076.


Gräsel, E., Biehler, J., Schmidt, R., & Scupp, W. (2005). Intensification of the transition between inpatient neurological rehabilitation and home care of stroke patients. Controlled trial with follow-up assessment six months after discharge. Clinical Rehabilitation, 19(7), 725-736. Hafsteinsdóttir, T., Vergunst, M., Lindeman, E., & Schuurmans, M. (2011). Educational needs of patients with a stroke and their caregivers: a systematic review of the literature. Patient Education and Counseling, 85(1), 14-25.

National Institue for Health and Care Excellence. (2013). Stroke rehabilitation Long-term rehabilitation after stroke. Manchester, United Kingdom: NICE. Pandian, J. D. F., Kaur, P., Sharma, D., Julia, L., Toor, G., Arora, R., … Lindley, R. (2015). Family-Led rehabilitation after Stroke in india: the ATTEND pilot study. International Journal of Stroke, 10(4), 609–614. doi: 10.1111/ijs.12475

Hartke, R. J., & King, R. B. (2003). Telephone group intervention for older stroke survivors. Top Stroke Rehabilitation, 9(4), 65-81.

Perrin, P. B., Johnston, A., Vogel, B., Heesacker, M., Veja-Trujillo, M., Anderson, J. & Rittman, M. (2010). A culturally sensitive transition assistance program for stroke caregivers: examining caregiver mental health and stroke rehabilitation. Journal of Rehabilitation Research and Development, 47(7), 605-616.

Kalra, L., Evans, A., Perez, I., Melbourn, A., Patel, A., Knapp, M., & Donaldson, N. (2004). Training carers of stroke patients: randomised controlled trial. BMJ, 328, 1-5.

Portney, L. G., & Watkins, M. P. (2009). Foundations of Clinical Research: applications to practice. New Jersey, United States of America: Pearson International Edition.

Legg, L., Quinn, T., Mahmood, F., Weir, C., Tierney, J., Stott, D., … Langhorne, P. (2012). Nonpharmacological interventions for caregivers of stroke survivors. Stroke: Journal of the American Heart Association, 43, 30-31. doi: 10.1161/STROKEAHA.111.644914

Shyu, Y.-I. L., Kuo, L.-M., Chen, M.-C., & Chen, S.T. (2010). A clinical trial of an individualised intervention programme for family caregivers of older stroke victims in Taiwan. Journal of Clinical Nursing,19 (11-12), 1675-1685. doi: 10.1111/j.13652702.2009.03124.x.

Lincoln, N., Walker, M., Dixon, A., & Knights, P. (2004). Evaluation of a multiprofessional community stroke team: a randomized controlled trial. Clinical Rehabilitation, 18(1), 40-47. Marsden, D., Quinn, R., Pond, N., Golledge, R., Neilson, C., White, J., … Ollack, M. (2010). A multidisciplinary group in rural settins for community-dwelling chronic stroke survivors and their carers: a pilot randomized controlled trial. Clinical Rehabilitation, 24(4), 328-341. Martins, T., Ribeiro, J., e Garrett, C. (2003). Estudo de validação do Questionário de Avaliação da Sobrecarga para Cuidadores Informais. Psicologia, Saúde & Doenças, 4(1), 131-148. Mendonça, M., Machado, F., e Teixeira, C. (2009). Perfil de saúde da região Norte. Acedido em: http:// portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ ARSNorte/Conteúdos/Saúde Pública Conteudos/ Perfil_RN_2009.pdf

Smith, J., Forster, A., & Young, J. (2004). A randomized trial to evaluate an education programme for patients and carers after a stroke. Clinical Rehabilitation, 18(7), 726-736. Torp, S., Hanson, E., Hauge, S., Ulstein, I., & Magnusson, L. (2008). A pilot study of how information and communication technology may contribute to health promotion among elderly spousal carers in Norway. Health Social Care Community 16(1), 75-85. doi: 10.1111/j.1365-2524.2007.00725.x. Truelsen, T., Piechowski-Józwiak, B., Bonita, R., Mathers, C., Bogousslavsky, J., & Boysen, G. (2006). Stroke incidence and prevalence in Europe: a review of available data. European Journal of Neurology, 13(6), 581-598.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 13


Revista Portuguesa de Enfermagem de SaĂşde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||14 14


Artigo de Investigação

3

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0111

A UTILIZAÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE COMO PREDITOR DA LITERACIA EM SAÚDE SOBRE USO DE SUBSTÂNCIAS NOS ADOLESCENTES | Catarina Tomás1; Paulo Queirós2; Teresa Ferreira3 |

RESUMO CONTEXTO: É a necessidade ou falta de conhecimento que leva à procura de informação, sendo essencial compreender os contextos desta procura com vista a uma estratégia de abordagem da literacia em saúde. OBJETIVO(S): Conhecer as fontes de informação em saúde utilizadas por uma amostra de adolescentes portugueses e os seus níveis de literacia sobre uso de substâncias, bem como conhecer o impacto da utilização dessas fontes de informação na literacia em saúde estudada. METODOLOGIA: O estudo realizado é quantitativo, descritivo-correlacional, transversal, sendo a amostra de conveniência não probabilística de 1215 adolescentes (idades entre os 14 e os 20 anos, ambos os sexos e a frequentar o ensino secundário no distrito de Leiria). O questionário de autopreenchimento continha questões sociodemográficas, a Health Literacy Questionnaire for Children e o Instrumento de Avaliação da Literacia em Saúde. RESULTADOS: A amostra apresenta bons níveis de literacia em saúde em uso de substâncias, utilizando com mais frequência as fontes de informação em saúde o médico e a família. Percebeu-se uma correlação entre os dois conceitos, com uma predição da literacia em saúde em uso de substâncias pela utilização das fontes de informação. CONCLUSÃO: Existe uma relação explicativa entre os dois conceitos estudados, sendo os níveis de literacia em saúde em uso de substâncias encontrados na amostra bons, e as fontes de informação em saúde utilizadas de forma frequente. PALAVRAS-CHAVE: Adolescente; Comportamento de procura de droga; Alfabetização em saúde; Comportamento de busca de informação

RESUMEN

ABSTRACT

“El uso de las fuentes de información en salud como predictor de la alfabetización en salud en el consumo de sustancias en adolescentes”

“The use of health information sources as a predictor of health literacy in substance use in adolescents”

CONTEXTO: Es la necesidad o la falta de conocimiento que lleva a la búsqueda de información, y es esencial entender el contexto de esta demanda con el fin de una estrategia de enfoque de la alfabetización en salud. OBJETIVO(S): Conocer las fuentes de información de salud que utiliza una muestra de adolescentes portugueses y sus niveles de alfabetización en el consumo de sustancias, así como conocer el impacto de la utilización de estas fuentes de información sobre la alfabetización de la salud. METODOLOGÍA: El estudio es cuantitativo, descriptivo y correlacional, transversal, y la muestra es de conveniencia no probabilística de 1215 adolescentes (de 14 a 20 años, de ambos los sexos y de la escuela secundaria en el distrito de Leiria). El cuestionario auto administrado contenía preguntas sociodemográficas, el Health Literacy Questionnaire for Children y el Instrumento de Avaliação da Literacia em Saúde. RESULTADOS: La muestra cuenta con buenos niveles de alfabetización en salud en el uso de sustancias, utilizando con mayor frecuencia las fuentes de información de salud médico y familia. Se observó una correlación entre los dos conceptos, con una predicción de la alfabetización en salud en el uso de sustancias por el uso de fuentes de las información. CONCLUSIÓN: Existe una relación explicativa entre los dos conceptos estudiados, los niveles de alfabetización en salud en el uso de sustancias que se encuentran en la muestra son buenos, y las fuentes de información de salud utilizadas con frecuencia.

DESCRIPTORES: Adolescente; Comportamiento de búsqueda de drogas; Alfabetización en Salud; Conducta en la búsqueda de Información

BACKGROUND: It is the need or lack of knowledge that leads to the search for information, being essential to understand the context of this demand with a view to health literacy approach strategy. AIM: To know the health information sources used by a sample of Portuguese adolescents and their literacy levels in substance use, as well as knowing the impact of using these sources of information on health literacy. METHODS: The study is quantitative, descriptive and correlational, cross, and the sample is non-probabilistic by convenience of 1215 adolescents (aged 14 to 20 years, both sexes and in secondary school in the district of Leiria). The self-administered questionnaire contained sociodemographic questions, the Health Literacy Questionnaire for Children and the Instrumento de Avaliação da Literacia em Saúde. RESULTS: The sample has good health literacy levels in substance use, using more often the health information sources doctor and family. It was noticed a correlation between the two concepts, with a health literacy in substance use prediction by the use of information sources. CONCLUSION: There is an explanatory relationship between the two studied concepts, the health literacy levels in the use of substances found in the sample are good, and health information sources are frequently used.

KEYWORDS: Adolescent; Drug-seeking behavior; Health literacy; Information seeking behavior Submetido em 28-10-2015 Aceite em 10-02-2016

1 Doutorada em Ciências de Enfermagem; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Assistente de 2º Triénio no Departamento de Ciências de Enfermagem da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria e Instituição, Morro do Lena - Alto do Vieiro, Leiria, Portugal, catarina.tomas@ipleiria.pt 2 Pós-Doutorado em Ciências de Enfermagem; Enfermeiro Especialista em Reabilitação; Professor Coordenador em Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, 3046-851 Coimbra, Portugal, pauloqueiros@esenfc.pt 3 Doutorada em Psicologia; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Professora Coordenadora em ESENF, Portugal, teresarodrigues@esenf.pt Citação: Tomás, C., Queirós, P. & Ferreira, T. (2016). A utilização das fontes de informação em saúde como preditor da literacia em saúde sobre uso de substâncias nos adolescentes. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 15-20. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 15


INTRODUÇÃO A procura de informação ocorre sobretudo em resposta a uma necessidade ou falta de conhecimento (Mukherjee & Bawden, 2012), devendo olhar-se para as fontes de informação como parte da estratégia para abordar a literacia em saúde (Norman & Skinner, 2006). Fatores como a necessidade de conhecimento, bem como o ambiente e contexto onde a informação é necessária influenciam a forma como esta mesma informação é recolhida, nomeadamente as fontes privilegiadas e a frequência da sua utilização (Mukherjee & Bawden, 2012). Vários estudos foram já realizados no sentido de compreender quais as fontes de informação em saúde mais valorizadas pelos adolescentes, bem como a sua frequência de utilização. Fontes como os pais, a internet, os amigos e os profissionais de saúde surgem como as mais utilizadas por esta faixa etária, seguidas das revistas, televisão, professores e panfletos. Os profissionais de saúde, os professores, os panfletos e os pais surgem como as fontes com maior credibilidade percebida pelos adolescentes (Dobransky & Hargittai, 2012, Kwan, Arbour-Nicitopoulos, Lowe, Taman, & Faulkner, 2010, Nustad, Adams, & Moore, 2008). As raparigas procuram mais informação sobre saúde, sobretudo nas fontes de informação panfletos, amigos e revistas (Kwan et al., 2010). Fontes eletrónicas como a internet fazem cada vez mais parte dos contextos de informação em saúde, sendo bastante utlizados pela população em geral, e em particular pelos adolescentes (Andreassen, et al., 2007, Austin, 2012; Ghaddar, Valerio, Garcia, & Hansen, 2012; Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005; Norman & Skinner, 2006a; Stellefson et al., 2011). Nenhum dos sexos parece demonstrar dúvidas ou preocupações referentes à veracidade e fidedignidade da informação obtida, sendo percetível que os rapazes procuram mais informação de serviços e produtos para adquirir, enquanto as raparigas procuram mais informação sobre diagnósticos (Stellefson et al., 2011). Relacionando os níveis de literacia com a utilização das fontes de informação, existem estudos que demonstram que a utilização de fontes como os jornais, revistas, televisão e panfletos é maior em pessoas com níveis de literacia baixos, enquanto fontes como a internet, revistas, panfletos e jornais são utilizadas por pessoas com níveis mais elevados de literacia em saúde.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 16

Também a frequência de utilização destas fontes é superior nos indivíduos com níveis mais elevados de literacia em saúde, bem como a utilização mais prevalente de fontes como os profissionais de saúde, amigos e familiares (Kutner, Greenberg, Jin, Paulsen, & White, 2006). Pesquisar e utilizar mais as fontes de informação em saúde relaciona-se assim com níveis mais elevados de literacia em saúde (Paek, Reber, & Lariscy, 2011). O consumo de substâncias surge de forma recorrente como um dos tópicos acerca dos quais os jovens referem sentir necessidade e interesse em encontrar informação (Gray, Klein, Noyce, Sesselberg, & Cantrill, 2005), sendo também um dos tópicos de saúde sobre o qual referem receber mais informação. Os rapazes afirmam receber mais informação acerca deste tema do que as raparigas (Ackard & Neumark-Sztainer, 2001, Al-Qallaf, Al-Otaibi, & Othman, 2012 e Kwan et al., 2010). Apesar da informação recebida acerca dos vários tópicos em saúde, os níveis baixos de literacia em saúde nos adolescentes rondam os 10 a 40% (Sanders, Federico, Klass, Abrams, & Dreyer, 2009), sendo os níveis de literacia em saúde superiores no sexo feminino, e nos jovens com nacionalidade, naturalidade ou língua estrangeira (Wu, et al., 2010). METODOLOGIA Pretendeu-se com este estudo responder a dois objetivos. O primeiro refere-se a conhecer as fontes de informação em saúde utilizadas por uma amostra de adolescentes portugueses, bem como os seus níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias. O segundo objetivo é o de conhecer o impacto da utilização das fontes de informação em saúde na literacia em saúde sobre uso de substâncias, nessa mesma amostra. O estudo que se apresenta é quantitativo, descritivocorrelacional e transversal, utilizando um amostra de conveniência de 1215 adolescentes, com idade entre os 14 e os 20 anos, de ambos os sexos, a frequentar o ensino secundário no distrito de Leiria, selecionada por um método de amostragem não probabilístico. Foram definidos como critérios de inclusão a aceitação de participação no estudo, a idade dentro dos limites definidos e a frequência de ensino secundário no distrito de Leiria. Os critérios de exclusão aplicados foram a não frequência das escolas selecionadas para constituição da amostra e a não autorização para participação por parte do encarregado de educação no caso de jovens menores.


A colheita de dados, realizada em 2013, foi realizada utilizando um questionário de autopreenchimento composto por três partes. A primeira parte consistia em questões de caracterização sociodemográfica. A segunda parte era constituída pelo Health Literacy Questionnaire for Children (Vardavas, Kondilis, Patelarou, Akrivos, & Falagas, 2009, traduzido e validado para a população portuguesa por Tomás, 2014) e a terceira parte pelo Instrumento de Avaliação da Literacia em Saúde elaborado por Tomás (2014). A utilização das fontes de informação em saúde foi avaliada através do instrumento Health Literacy Questionnaire for Children. Trata-se de um instrumento que avalia vários componentes da literacia em saúde, nomeadamente os tópicos de saúde sobre os quais os jovens receberam informação no último ano, as fontes de informação em saúde utilizadas e a satisfação em relação à interação com o profissional de saúde. A utilização das fontes de informação em saúde é avaliada partindo de oito questões de resposta tipo Likert com cinco opções de resposta (de Nunca a Sempre) e pontuação de 1 a 5, sendo que valores mais elevados correspondem a uma frequência de utilização da fonte de informação mais elevada. A literacia em saúde sobre uso de substâncias foi avaliada utilizando o Instrumento de Avaliação da Literacia em Saúde, um instrumento que avalia a literacia em saúde em 9 temáticas diversas e 7 parâmetros de desempenho em literacia. É um instrumento composto por 11 cenários e 52 questões de escolha múltipla (resposta dicotómica), tendo sido considerado 1 cenário e 5 questões para avaliação da literacia em saúde sobre uso de substância. Havendo a possibilidade de pontuar entre 0 e 1 neste instrumento, valores mais elevados de literacia correspondem a pontuações mais elevadas. Todos os procedimentos formais e éticos inerentes a este tipo de estudo foram tido em conta, tendo os dados sido tratados com recurso a testes paramétricos. RESULTADOS A amostra do estudo foi constituída por adolescentes de idades entre os 14 e os 20 anos, sendo a média de idade de 16,31 anos e a moda de 16 anos. Ambos os sexos se encontravam representados, sendo 52,76% dos adolescentes do sexo masculino e 47,24% do sexo feminino. Distribuídos pelos três anos de escolaridade do ensino secundário, a amostra apresentava elementos dos quatro cursos científico-humanísticos, bem como dos cursos profissionais lecionados nas instituições de ensino selecionadas para constituição da mesma.

A maioria dos jovens frequentava o 11º ano de escolaridade (38,68%) e o curso científico-humanístico de ciências e tecnologias (52,43%). Em termos culturais, a grande maioria dos participantes referiram ser de nacionalidade (96,13%) e naturalidade portuguesa (93,99%), dominando a língua portuguesa para comunicar com a família (97,45%), amigos e nas relações sociais (97,45%) e para ler e escrever (97,78%). Encontraram-se níveis satisfatórios de literacia em saúde (Tabela 1) sobre uso de substâncias, sendo este valor mais elevado nos adolescentes do sexo feminino em detrimento do sexo masculino. Os adolescentes a frequentar o 12º ano de escolaridade apresentam também os valores mais elevados e os adolescentes a frequentar o 10º ano de escolaridade os valores mais baixos. Não se encontraram relações entre os níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias e a idade dos jovens, quer comparando grupos etários, quer em termos correlacionais (r=-0,012; p=0,674) Tabela 1 - Níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias (Teste t-student, One-Way ANOVA e Post-Hoc Tukey) x

σ

Feminino

0,57

0,210

Masculino

0,44

0,232

Idade igual/inferior a 18 anos

0,49

0,221

Idade superior a 18 anos

0,51

0,246

x

σ

10º ano de escolaridade

0,48

0,214

11º ano de escolaridade

0,48

0,237

12º ano de escolaridade

0,56

0,234

TOTAL

0,50

0,232

t

df

p

-10,168

1181

0,000**

-1,473

950,123

0,141

F

p

Diferença de x

p

16,288

0,000**

10º-12º -0,085 11º-12º -0,087

0,000** 0,000**

Legenda: ** - p<0,01

Considerando as fontes de informação em saúde, as mais utilizadas pelos jovens inquiridos são médico (x= 3,68; δ=1,077), seguido da família (x= 3,67; δ=0,851), da televisão (x= 2,92; δ=0,830), da internet (x= 2,86; δ=0,973), dos amigos (x= 2,59; δ=0,863), dos panfletos/brochuras (x= 2,50; δ=0,982), das revistas (x= 2,41; δ=0,952) e do farmacêutico (x= 2,29; δ=1,099). As raparigas utilizam mais todas estas fontes de informação (Tabela 2). O médico é mais utilizado com fonte de informação pelos mais jovens e os amigos pelos mais velhos. OS jovens a frequentar anos de escolaridade superiores (12º ano) utilizam mais as fontes de informação em saúde amigos e revistas. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 17


Tabela 2 - Utilização de fontes de informação em saúde (Teste t-student, One-Way ANOVA e Post-Hoc Tukey) Fonte de informação Farmácia

X; σ

Feminino

Masculino

10º ano

11º ano

12º ano

Idade < 18 anos

Idade > 18 anos

2,37; 1,061

2,23; 1,128

2,26; 1,114

2,31; 1,081

2,32; 1,106

2,27; 1,096

2,33; 1,103

df; p Televisão

X; σ

1199; 0,028* 3,00; 0,816

df; p Revistas

X; σ X; σ X; σ X; σ

3,00; 0,919

X; σ

3,74; 0,836

X; σ

2,45; 0,894

3,72; 1,072

2,72; 0,963

2,92; 0,824

2,47; 0,977

2,39; 0,950

3,66; 1,034

3,64; 1,149

3,74; 1,033

2,74; 1,005

2,78; 1,061

2,90; 0,908

3,69; 0,895

3,65; 0,826

2,48; 0,878

2,61; 0,823

2,92; 0,951

2,83; 0,984

2,30; 0,958

2,55; 1,054

2,48; 0,939

2,91; 0,958

1209; 0,164 3,69; 0,828

3,69; 0,856

2,70; 0,885

2,52; 0,846

3,65; 0,843

1213; 0,383

1211; 0,002**

1210; 0,000**

3,58; 1,135

980,568; 0,018*

1214; 0,750

2,49; 0,889

2,45; 0,955

1211; 0,301

1210; 0,113

3,62; 0,860

2,92; 0,837

1213; 0,959

1210; 0,580

1208,630; 0,000**

df; p

2,97; 0,839

1212; 0,050*

3,59; 1,108

1213; 0,013* 2,70; 0,819

df; p Panfletos

2,32; 0,990

1199; 0,321

1214; 0,283

2,20; 0,938

1208,622; 0,000**

df; p Amigos

2,91; 0,798

1206,554; 0,003**

df; p Família

2,88; 0,855

1211; 0,000** 3,77; 1,034

df; p Internet

2,84; 0,834

1203,377; 0,001** 2,64; 0,914

df; p Médico

1200; 0,702

2,68; 0,880

1210; 0,002** 2,46; 0,947

2,53; 1,008

1211; 0,401

2,45; 0,942

1210; 0,135

Legenda: * - p<0,05; ** - p<0,01

Em termos correlacionais, a utilização de determinadas fontes de informação em saúde correlacionam-se de forma positiva com os níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias, nomeadamente a utilização de revistas (r=0,067; p=0,021), do médico (r=0,079; p=0,006), da internet (r=0,089; p=0,002), dos amigos (r=0,059; p=0,042) e dos panfletos/brochuras (r=0,084; p=0,004). Uma percentagem da variância da literacia em saúde sobre uso de substâncias explica-se pela utilização das fontes de informação em saúde (Tabela 3), na amostra total (r2=0,026; p=0,000), e em todos os grupos da amostra excetuando as raparigas onde não foram encontradas predições. Tabela 3 - Impacto do uso das fontes de informação em saúde na literacia em saúde sobre o uso de substâncias (Teste Regressão Linear, método Enter) r

r2

F

p

Feminino

0,090

0,008

0,552

0,817

Masculino

0,184

0,034

2,644

0,007**

Idade igual/inferior a 18 anos

0,176

0,031

2,730

0,006**

Idade superior a 18 anos

0,189

0,036

2,119

0,033*

10º ano de escolaridade

0,217

0,047

2,402

0,015*

11º ano de escolaridade

0,145

0,021

1,197

0,299

12º ano de escolaridade

0,240

0,058

2,267

0,023*

TOTAL

0,162

0,026

3,861

0,000**

Legenda: * - p<0,05; ** - p<0,01

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 18

Na amostra total, contribuíram para a predição de 15,9% da variância da literacia em saúde sobre uso de substâncias, a utilização das fontes de informação panfletos/brochuras, farmacêutico, médico e internet, tal como se observa na Tabela 4. Tabela 4 - Impacto das fontes de informação em saúde na literacia em saúde sobre uso de substâncias (método Stepwise) r

r2

p

Panfletos/brochuras

0,093

0,009

0,001**

Panfletos/brochuras + Farmacêutico

0,118

0,014

0,000**

Panfletos/brochuras + Farmacêutico + Médico

0,147

0,022

0,000**

Panfletos/brochuras + Farmacêutico + Médico + Internet

0,159

0,025

0,000**

Legenda: *p<0,05; **p<0,01


DISCUSSÃO Foram encontrados níveis de literacia sobre uso de substâncias satisfatórios, apesar de não serem muito elevados, o que confirma a informação referida na literatura. Grande parte dos autores, tal como Sanders et al. (2009), referem que os níveis de literacia em saúde na população geral e na população adolescentes em particular são baixos, demonstrando poucas competências para encontrar, avaliar, compreender, e utilizar a informação sobre saúde. Tal como (Wu, et al., 2010) também os nossos resultados permitem perceber que as raparigas apresentam níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias superiores aos rapazes, tendo sido também percebido que estes níveis são superiores em jovens a frequentar o 12º ano de escolaridade e não variam com a idade dos mesmos. Poderiam ser esperados níveis superiores de literacia em saúde nesta temática, dado que os jovens referem ser um tema sobre o qual sentem necessidade e interesse em encontrar informação (Gray et al., 2005), sendo um dos tópicos privilegiados em intervenção nesta faixa etária (Ackard & Neumark-Sztainer, 2001, AlQallaf, Al-Otaibi, & Othman, 2012, Kwan et al., 2010). Também os rapazes afirmam, de acordo com os autores acima citados, receber mais informação sobre uso de substâncias, pelo que se esperaria encontrar valores mais elevados neste grupo. Denota-se então que apesar de receberem mais informação sobre o assunto, os rapazes poderão ter menos competências de literacia em saúde para utilizar esta informação. As fontes de informação mais utilizadas pelos jovens são o médico e família, fontes estas que com a idade, vão sendo substituídas pelos amigos, sendo que as raparigas utilizam mais todas estas fontes de informação. Os jovens a frequentar anos de escolaridade superior utilizam mais as fontes de informação revistas e amigos. Estes resultados, semelhantes aos encontrados na literatura (Dobransky & Hargittai, 2012, Kwan et al., 2010, Nustad, Adams, & Moore, 2008), demonstram uma valorização dos jovens em relação às fontes de informação em saúde fidedignas, como os pais e os profissionais de saúde, em detrimentos dos amigos, sendo as raparigas que procuram mais informação sobre saúde. No entanto, as fontes de informação como o médico vão, à medida que os adolescentes se tornam mais velhos, sendo substituídas pelos amigos e pelas revistas, fontes de informação menos credíveis, mas que exercem uma pressão social mais elevada.

Com a aquisição de autonomia dos jovens, que decorre com a idade, a necessidade de responder a expectativas sociais e de grupo, bem como a necessidade de identificação com os pares leva a que esta fonte de informação passe a ser privilegiada, mesmo com a valorização científica dos profissionais de saúde. Uma percentagem da variância da literacia em saúde sobre uso de substâncias explica-se pela utilização das fontes de informação em saúde, na amostra total, bem como na maioria dos grupos da amostra, contribuindo para esta predição a utilização das fontes de informação Panfletos/brochuras, Farmacêutico, Médico e Internet. Tal como referem Kutner, Greenberg, Jin, Paulsen, & White (2006) e Paek, Reber, & Lariscy (2011), a utilização mais frequente de fontes de informação em saúde e a pesquisa de informação sobre saúde leva a um aumento dos níveis de literacia em saúde, o que suporta os resultados encontrados, em relação à literacia em saúde sobre uso de substâncias. CONCLUSÃO A amostra apresenta níveis razoáveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias, e uma frequente consulta de fontes de informação em saúde, sendo as fontes mais utilizadas o médico e a família. No entanto, com a idade, os participantes passam a procurar mais informação sobre saúde junto dos amigos. Os valores mais elevados de literacia em saúde sobre uso de substâncias encontram-se em adolescentes do sexo feminino e a frequentar o 12º ano de escolaridade, não havendo relação estatisticamente significativa destes níveis com a idade. Foi percebida uma relação de causalidade estatisticamente significativa, apesar de fraca entre os níveis de literacia em saúde sobre uso de substâncias e a utilização das fontes de informação em saúde, nomeadamente o Panfletos/brochuras, Farmacêutico, Médico e Internet no grupo estudado. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Analisando estes resultados denota-se a necessidade continuar a estudar este conceitos na população adolescente. A compreensão das competências de literacia em saúde nesta população permitirão compreender o impacto das intervenções realizadas com o objetivo de a promover. Incluir fontes de informação em saúde valorizadas pelos jovens (profissionais de saúde como enfermeiros e educação pelos pares) ´poderá influenciar os resultados positivos em termos de competências de literacia, tal como se perceber pelos resultados obtidos. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 19


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ackard, D. M. & Neumark-Sztainer, D. (2001). Health Care Information Sources for Adolescents: Age and Gender Differences on Use, Concerns, and Needs. Journal of Adolescent Health, 29(3), 170-176. doi: 10.1016/ S1054-139X(01)00253-1 Al-Qallaf, B. A., Al-Otaibi, B. N., & Othman, H. A. (2012). Perception of Adolescents Towards health Related Issues in Secondary Schools, Kuwait. European Journal of General Medicine, 9(3), 162-169. Andreassen, H. K., Bujnowska-Fedak, M. M., Chronaki, C. E., Dumitri, R. C., Pudule, I., Santana, S., Voss, H., Wynn, R. (2007). European citizens’ use of Ehealth services: A study of seven countries. BMC Public Health, 7, 53. doi: 10.1186/1471-2458-7-53 Austin, R. (2012). eHealth literacy for older adults Part I. ANIA-CARING Newsletter, 1, 7-9. Dobransky, K. & Hargittai, E. (2012). Inquiring Minds Acquiring Wellness: Uses of Online and Offline Sources of Health Information. Health Communication, 27(4), 331-343. doi: 10.1080/10410236.2011.585451 Ghaddar, S. F., Valerio, M. A., Garcia, C. M., & Hansen, L. (2012). Adolescent Health Literacy: The Importance of Credible Sources for Online Health Information. Journal of School Health, 82(1), 28-36. doi: 10.1111/j.1746-1561.2011.00664.x Gray, N. J., Klein, J. D., Noyce, P. R., Sesselberg, T. S., & Cantrill, J. A. (2005). Health information-seeking behaviour in adolescence: the place of the internet. Social Science & Medicine, 60(7), 1467-1478. doi:10.1016/j. socscimed.2004.08.010 Kutner, M., Greenberg, E., Jin, Y., Paulsen, C., & White, S. (2006). The Health Literacy of America’s Adults: Results From the 2003 National Assessment of Adult Literacy (NCES 2006-483). U.S. Department of Education. Washington, DC, United States of America: National Center for Education. Kwan, M. Y., Arbour-Nicitopoulos, K. P., Lowe, D., Taman, S., & Faulkner, G. E. (2010). Student Reception, Sources, and Believability of Health-Related Information. Journal of American College Health, 58(6), 555562. doi: 10.1080/07448481003705925 Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 20

Mukherjee, A., & Bawden, D. (2012). Health information seeking in the information society. Health Information and Libraries Journal, 29(3), 242-246. doi: 10.1111/j.1471-1842.2012.00997.x Norman, C. D., & Skinner, H. A. (2006). eHEALS: The eHealth Literacy Scale. Journal of Medical Internet Research, 8(4), e27. doi: 10.2196/jmir.8.4.e27 Nustad, J., Adams, T., & Moore, M. (2008). Health Information Sources Accessed by College Females: Differences Between Body-Image Distorted and NonBody-Image Distorted. Health Marketing Quarterly, 25(3), 241-253. doi: 10.1080/07359680802081837 Paek, H.-J., Reber, B. H., & Lariscy, R. W. (2011). Roles of interpersonal and media socialization agents in adolescent self-reported health literacy: a health socialization perspective. Health Education Research, 26(1), 131-149. doi: 10.1093/her/cyq082 Sanders, L. M., Shaw, J. S., Guez, G., Baur, C., & Rudd, R. (2009). Health Literacy and Child Health Promotion: Implications for Research, Clinical Care, and Public Policy. Pediatrics 124(3), S306-S314. doi: 10.1542/ peds.2009-1162G Stellefson, M., Hanik, B., Chaney, B., Chaney, D., Tennant, B., & Chavarria, E. A. (2011). eHealth Literacy Among College Students: A Systematic Review With Implications for eHealth Education. Journal of Medical Internet Research, 13(4), e102. doi: 10.2196/jmir.1703 Tomás, C. (2014). Literacia em saúde na adolescência. Dissertação para obtenção do Grau de Doutor em Ciências de Enfermagem, Universidade do Porto (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar), Portugal. Vardavas, C. I., Kondilis, B. K., Patelarou, E., Akrivos, P. D., & Falagas, M. E. (2009). Health literacy and sources of health education among adolescents in Greece. International journal of adolescent medicine and health, 21(2), 179-186. Wu, A. D., Begoray, D. L., MacDonald, M., Higgins, J. W., Frankish, J., Kwan, B., Fung, W., Rootman, I. (2010). Developing and evaluating a relevant and feasible instrument for measuring health literacy of Canadian high school students. Health Promotion International, 25(4), 444-452. doi: 10.1093/heapro/daq032


Artigo de Investigação

4

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0112

FATORES DE RISCO EM SAÚDE MENTAL: CONTRIBUTOS PARA O BEM-ESTAR BIOPSICOSSOCIAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE | Conceição Martins1; Sofia Campos2; João Duarte3; Cláudia Chaves4; Ernestina Silva5 |

RESUMO CONTEXTO: A nossa investigação estuda o stress no trabalho e a sua relação com a saúde mental. Descrevemos fatores específicos e de risco psicossocial no trabalho, particularmente no trabalho dos enfermeiros, e as suas implicações para a saúde mental e para o bem-estar biopsicossocial, tais como: Tipo de trabalho; Conteúdo do trabalho; Desempenho de papel; Relações interpessoais e grupais; Desenvolvimento da carreira; Novas tecnologias e Aspetos organizacionais. OBJETIVO(S): O objetivo fundamental foi estudar a influência de algumas variáveis pessoais e situacionais de risco biopsicossocial na saúde mental e no bem-estar dos profissionais de saúde, em contexto hospitalar METODOLOGIA: Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e descritivo, do tipo correlacional. A recolha de informação obedeceu a um protocolo constituído por dados pessoais e as escalas: Satisfação geral do trabalho, Questionário geral de saúde, Questionário de saúde, Escala de fadiga crónica, Escala de ansiedade cognitiva-somática, Inventário de personalidade de Eysenck, Inventário clínico de autoconceito, Inventário de resolução de problemas, Questionário de vulnerabilidade ao stress e Questionário de stress ao trabalho. A amostra foi não probabilística intencional, constituída por 570 enfermeiros, a laborarem por turnos e em regime normal, no contexto hospitalar, perfazendo, no final, 360 enfermeiros. RESULTADOS: Os principais resultados apontam o seguinte: Os enfermeiros manifestam algum descontentamento com o ambiente de trabalho; A globalidade da amostra demonstra índices de saúde baixos; Regra geral, todos os enfermeiros estão vulneráveis ao stress; Em relação ao stress produzido pelas circunstâncias organizacionais, a totalidade da amostra revela elevados índices de stress e o seu bem-estar biopsicossocial, manifestamente afetado. CONCLUSÃO: Destes resultados fomos levados a concluir que quanto maior for a fadiga crónica, o neuroticíssimo e a ansiedade cognitiva, maior será a tendência dos enfermeiros para diminuírem a autorresponsabilização e o medo. Esta relação pode tornar-se circular e levar a comportamentos desajustados como, por exemplo, indiferença, desinteresse, relações interpessoais conflituosas, entre outros aspetos. As consequências de tais comportamentos poderão traduzir-se em absentismo, erros de desempenho ou vontade de abandonar a instituição.

PALAVRAS-CHAVE: Saúde mental; Fatores de risco; Bem-estar psicossocial; Profissionais de saúde

RESUMEN

ABSTRACT

“Fatores de riesgo en salud mental: Las contribuciones al biopsicosocial bienestar de los profesionales de la salud”

“Risk factors in mental health: Contributions to the biopsychosocial well-being of health professionals”

CONTEXTO: En esta investigación se estudió el estrés en el trabajo y su relación con la salud mental. Describimos los fatores específicos y riesgo psicosocial en el trabajo, sobre todo en el trabajo de las enfermeras y sus implicaciones para la salud mental y el bienestar bio-psico-social, tales como: tipo de trabajo; Contenido del trabajo; Rendimiento de papel; Las relaciones interpersonales y de grupo; Desarrollo de la carrera; Las nuevas tecnologías y los aspectos organizativos. OBJETIVO(S): El principal objetivo fue estudiar la influencia de algunos fatores personales y ambientales de riesgo biopsicosocial de la salud mental y de bienestar de los profesionales de la salud, en el ámbito hospitalario. METODOLOGÍA: Se trata de un estudio cualitativo, descriptivo, de el tipo correlacional. La recopilación de información siguió un protocolo que consta de los datos personales y escalas: satisfacción en el trabajo en general, Cuestionario de la salud, Cuestionario general de la Salud, escala de fatiga crónica, escala de ansiedad cognitiva-somática, Inventario de la personalidad de Eysenck, Inventario clínica de sí mismo, Cuestionario de la resolución de problemas, Cuestionario de la vulnerabilidad al estrés y el cuestionario de estrés de trabajar. La muestra, no probabilístico intencional, constaba de 570 enfermeras, a laboraren en el cambio y en condiciones normales, en el hospital, por lo que al final, 360 enfermeras. RESULTADOS: Las principales conclusiones indican lo siguiente: Las enfermeras expresaron alguna insatisfacción con el ambiente de trabajo; Toda la muestra presenta bajos indicadores de salud; En general, todas las enfermeras son vulnerables al estrés; En relación a la tensión producida por las circunstancias organizativas, toda la muestra revela altos niveles de estrés y su bienestar biopsicosocial claramente afectados. CONCLUSIÓN: Estos resultados se llevaron a concluir que cuanto mayor es la fatiga crónica, neuroticísmo y ansiedad cognitiva, mayor es la tendencia de las enfermeras para disminuir la auto-responsabilidad y el miedo. Esta relación puede llegar a ser circular y conducir a conductas inadaptadas, por ejemplo, la indiferencia, el desinterés, relaciones interpersonales conflictivas, entre otros. Las consecuencias de estos comportamientos pueden traducirse en absentismo, errores de funcionamiento o el deseo de salir de la institución.

BACKGROUND: In this research we studied the stress at work and its relation to mental health. We describe specific factors and psychosocial risk at work, particularly in the work of nurses and their implications for mental health and the bio-psychosocial wellbeing, such as: type of work; Content of work; Paper Performance; Interpersonal and group relations; Career development; New technologies and organizational Aspects. AIM: The main objective was to study the influence of some personal and environmental factors of biopsychosocial risk in mental health and the health professional’s well-being in the hospital setting. METHODS: This is a quantitative, transversal and descriptive study, of correlational type. Information gathering followed a protocol consisting of personal data and scales: general job satisfaction, general Questionnaire health, Health Questionnaire, Chronic Fatigue Scale, cognitive-somatic anxiety scale, Inventory Eysenck’s personality, clinical Inventory of self, this problem-solving, vulnerability to stress and stress Questionnaire to work. The sample is not intentional probabilistic, consisted of 570 nurses in shift work and under normal conditions, in the hospital, making in the end, 360 nurses. RESULTS: The main conclusions indicate the following: Nurses expressed some dissatisfaction with the work environment; The whole sample shows low health indicators; In general, all nurses are vulnerable to stress; In relation to the stress produced by the organizational circumstances, the entire sample reveals high stress levels and their biopsychosocial well-being clearly affected. CONCLUSION: From these results we must conclude that the higher chronic fatigue, cognitive neuroticism and anxiety, the greater the tendency of nurses to decrease the self-responsibility and fear. This relationship can become circular and lead to maladaptive behaviors, for example, indifference, disinterest, conflictual interpersonal relationships, among others. The consequences of such behaviors may translate into absenteeism, performance errors or desire to leave the institution.

DESCRIPTORES: Salud mental; Fatores de riesgo; Bienestar psicosocial; Profesionales de la salud

Submetido em 19-10-2015 Aceite em 20-02-2016

KEYWORDS: Mental health; Risk factors; Psychosocial wellbeing; Health professionals

1 Doutorada em Ciências da Educação; Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, Portugal, mcamartinsp@gmail.com 2 Doutorada em Ciências da Educação; Professora Convidada na Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viseu, Portugal, sofiamargaridacampos@gmail.com 3 Doutorado em Ciências da Saúde; Professor Coordenador na Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, Portugal, duarte.johnny@gmail.com 4 Doutorada em Ciências da Educação; Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, Portugal, claudiachaves21@gmail.com 5 Doutorada em Ciências da Saúde; Professora Coordenadora ns Escola Superior de Saúde – Instituto Politécnico de Viseu, Viseu, Portugal, ernestinabatoca@sapo.pt Citação: Martins, C., Campos, S., Duarte, J., Chaves, C., & Silva, E. (2016). Fatores de risco em saúde mental: Contributos para o bem-estar biopsicossocial dos profissionais da saúde. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 21-26. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 21


INTRODUÇÃO Diversos estudos têm revelado que o problema da saúde mental está intimamente relacionado com a estratificação, a mudança social e as políticas do bemestar biológico e psicossociológico, e que as experiências pessoais de carácter afectivo e emocional podem ser interpretadas, em termos de pertinência, em diferentes grupos sociais. No caso das instituições hospitalares, dado a grande complexidade de que se reveste o seu contexto (realidade que bem conhecemos), os profissionais de saúde vêem-se permanentemente submetidos a diversos estímulos e constrangimentos que podem interferir com o seu bem-estar, levando, por vezes, a problemas de saúde mental e a comportamentos desajustados e, em consequência, a desinteresse, a absentismo, a isolamento ou a vontade de abandonar o trabalho. Para a investigação empírica deste trabalho escolhemos o Centro Hospitalar Tondela Viseu, EPE e seleccionamos, para a amostra da mesma, todos os enfermeiros do referido hospital. Pretendemos, com o presente trabalho, identificar alguns fatores de risco psicossociais para a saúde mental e proceder a uma análise dos índices de saúde mental dos profissionais de saúde (na pessoa dos enfermeiros), no sentido de sensibilizar a instituição hospitalar para a introdução de um programa de dinâmica de grupos, em vista ao desenvolvimento pessoal e à modificação de comportamentos. METODOLOGIA De acordo com a problemática em estudo e a fundamentação teórica que efectuámos, procurámos estabelecer relações entre algumas variáveis constituindo desse modo o corpo de hipóteses que pretendemos testar; Hipótese 1, Os enfermeiros em horário de regime de trabalho por turnos apresentam menores índices de saúde mental que os enfermeiros em regime de trabalho diurno; Hipótese 2, os fatores psicossociais (satisfação geral do trabalho, fadiga crónica, ansiedade cognitiva/somática, stress no trabalho) e os fatores pessoais (personalidade, autoconceito, coping, vulnerabilidade ao stress) são preditores da saúde mental; Hipótese 3, os fatores emocional/comportamental; psicológicos/ intelectuais, fisiológicos/psicossomáticos são influenciados pelos fatores psicossociais (satisfação geral do trabalho, fadiga crónica, ansiedade cognitivo/somática, stress no trabalho) e os fatores pessoais (personalidade, autoconceito, coping, vulnerabilidade ao stress). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 22

Para o nosso estudo recorremos a uma amostra não probabilística intencional inicialmente constituída por 570 enfermeiros, apenas responderam ao protocolo 325, ou seja 57,01% da amostra inicial; destes, ainda foram excluídos 25 por não se encontrarem correctamente preenchidos, quer por omissões quer por erros. A amostra final perfaz assim 300 enfermeiros, sendo 67 do sexo masculino e 233 do sexo feminino, valor este que representa 77,66% do total da amostra. Foram aplicadas as seguintes escalas, Satisfação Geral do Trabalho (Barton, J., Folkard, S., Smith I. & Spelton, E., 1992) e traduzida para a língua portuguesa por Silva e cols., 1995), Questionário geral de saúde (Barton et al., 1992, a tradução foi feita para a língua portuguesa por Silva, C., Azevedo, M. e Dias, M, 1995), Questionário de saúde (adaptado de Graça, 1994), Escala de fadiga crónica (foi construída tendo como referência as escalas desenvolvidas em 1981 por Verhaegen e colaboradores), Escala de ansiedade cognitiva-somática, Inventário de personalidade de Eysenck (Tradução de Silva et al., 1995)., Inventário clínico de autoconceito (Escala criada por Vaz Serra (1986), Inventário de Resolução de Problemas (Vaz Serra, 1988), Questionário de vulnerabilidade ao stress (adaptada de Miller e Smith, 1982, por Santos, 1988), e Questionário de stress ao trabalho (Santos, 1988).


RESULTADOS Em relação à hipótese 1, os enfermeiros em regime de trabalho por turnos apresentam em média mais problemas de saúde que os seus congéneres em regime de trabalho normal, mas a diferença não é estatisticamente significativa, aceita-se que o regime de trabalho por turnos não influencia os índices de saúde mental. Em relação à hipótese 2, através da regressão múltipla e análise da variância os resultados obtidos indicam que a fadiga crónica é a única variável preditor da saúde mental, o que confirma a nossa hipótese em relação à mesma mas não a confirma no que respeita às restantes, uma vez que foram excluídas da equação de regressão. Na hipótese 3 consideramos que a fadiga crónica, a ansiedade cognitiva e o neuroticíssimo constituem bons preditores para os fatores psicológicos/intelectuais o que nos leva aceitar a hipótese em relação a estas variáveis e a rejeitá-la nas restantes. Acrescenta-se ainda que todas as variáveis que entraram na equação de regressão estabelecem uma relação positiva com os fatores psicológicos/ intelectuais, o que quer dizer que quanto maior a fadiga crónica, a ansiedade cognitiva e o neuroticíssimo, mais graves os fatores psicológicos/ intelectuais. DISCUSSÃO Regra geral, os enfermeiros estão satisfeitos com o seu trabalho mas manifestam algum descontentamento com o ambiente em que estão inseridos. O descontentamento com o ambiente de trabalho poderá ter a ver com o próprio clima organizacional, particularmente no que respeita à falta de participação dos enfermeiros, fator que, segundo Kaplan (1975) e Irving et al., (1986) está relacionado com a baixa auto-estima, satisfação geral e satisfação com o trabalho fracas, diminuição da motivação, intenção de abandonar o trabalho e absentismo. Quanto à saúde mental, os dados revelam índices mais baixos nas enfermeiras, no entanto verifica-se tanto no sexo feminino como no sexo masculino, uma elevada percentagem de perturbações mentais moderadas. A classificação da amostra em função de cada grupo de fatores permitiu-nos constatar que mais de metade da amostra apresenta bons níveis no grupo de fatores emocionais/comportamentais. Contudo, ao efetuarmos a comparação por sexo notamos uma maior percentagem de enfermeiros com saúde emocional/comportamental fraca, sendo ainda no sexo masculino que encontramos mais baixos níveis de saúde psicológica/

intelectual prevalecendo no sexo feminino índices mais baixos de saúde fisiológica/psicossomática. Os resultados obtidos no teste t para diferença de médias entre fadiga crónica e sexo revelam índices mais elevados no sexo feminino, embora sem diferença estatística significativa. No entanto, efetuado o teste t para diferença de médias entre fadiga crónica e tipo de horário pudemos concluir que o horário por turnos produz maiores índices de fadiga crónica que o horário normal, sendo a diferença estatística significativa (t=2.050; p=0.044). Na fadiga crónica, o valor mais elevado que encontramos é, portanto, aquele que se relaciona com o horário por turnos. Com efeito, estudos realizados têm demonstrado que os trabalhadores que praticam horário por turnos apresentam com maior frequência queixas de fadiga crónica e alterações gastrointestinais que os trabalhadores em regime de trabalho normal. Na ansiedade cognitivo somática, efectuado o teste t entre ansiedade e sexo, verificamos que os níveis de ansiedade são mais elevados no sexo feminino do que no sexo masculino, com uma diferença bastante significativa (t=3.421; p=0.001). Ainda, segundo os critérios adoptados, notamos maior percentagem de casos de ansiedade nula (49,25%) no sexo masculino e uma maior percentagem de ansiedade ligeira (47,64%) no sexo feminino, sendo também neste grupo que encontramos mais caso de ansiedade moderada e grave. No estudo da personalidade encontramos que os enfermeiros são, em geral, mais extrovertidos do que as enfermeiras, com uma diferença estatística significativa. Estudos realizados por Ponciano, Relvas, e Abreu (1981), sobre o tipo de personalidade e o seu ajustamento ao trabalho, permitiram concluir que as pessoas mais introvertidas (como é o caso de algumas enfermeiras) a trabalhar em ambientes com estimulação elevada (o contexto hospitalar, por exemplo) tendem a descompensar significativamente, facto que não se verifica em relação aos extrovertidos. No que se refere ao autoconceito não encontramos valores estatísticas baixos, à excepção da dimensão autoeficácia. Pelos resultados do teste t para diferença de médias entre autoconceito e sexo verificámos que a auto-eficácia é mais elevada no sexo feminino, com uma diferença estatística significativa. A auto-eficácia é um dos elementos constituintes do autoconceito e diz respeito à autopercepção da confiança que a pessoa tem em relação à sua capacidade e eficácia para enfrentar o meio ambiente (Bandura, 1986). Quanto ao coping, a análise estatística descritiva revela valores moderados em relação às nove dimensões da escala aplicada. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 23


Porém, no teste t para diferença de médias entre estratégias de coping e sexo notamos que as enfermeiras apresentam índices mais elevados em quase todas as dimensões, mas apenas na dimensão controlo interno/ externo é que se verificam diferenças estatísticas significativas. Isto significa que as enfermeiras são menos capazes de neutralizar a ameaça através de comparações positivas (podia ser pior!) ou pela ignorância selectiva, tornando trivial o significado dos acontecimentos ou mesmo minimizando-os. Relativamente à vulnerabilidade ao stress, constatamos através dos testes t que as enfermeiras são mais vulneráveis ao stress que os enfermeiros, mas a diferença estatística não é significativa. Também em relação ao tipo de horário, notamos que os enfermeiros que trabalham por turnos apresentam índices mais elevados de vulnerabilidade ao stress, não sendo também a diferença estatística significativa. Contudo, na classificação da vulnerabilidade ao stress encontramos percentagens mais elevadas de vulnerabilidade no sexo masculino (22,39%). Em relação ao stress do trabalho, a estatísticas revelam que a grande maioria da amostra, apresenta índices elevados de stress do trabalho verificámos ainda pelo teste t que o stress do trabalho é maior no sexo feminino que no masculino, sendo a diferença estatística significativa. Notamos ainda, pelo teste t realizado para o efeito que embora não havendo diferenças estatísticas significativas, os enfermeiros que praticam horário por turnos apresentam índices de maior stress do que aqueles que trabalham em regime de trabalho normal. Quanto à classificação da amostra em relação ao stress do trabalho em função do sexo, os resultados revelam que tanto os enfermeiros (50,75%), como as enfermeiras (56,22%) apresentam índices elevados de stress do trabalho. Seja como for, o certo é que a totalidade da amostra apresenta elevados índices de stress do trabalho. Quanto à primeira hipótese, no teste t para diferença de médias entre saúde mental e tipo de horário podemos constatar que não obstante os enfermeiros que trabalham por turnos apresentarem, em média, mais problemas de saúde que o outro grupo, a diferença estatística não é, no entanto, significativa. Efectuado o teste t para diferença de médias entre fatores de saúde e tipo de horário verificamos também não haver diferenças significativas. Os resultados evidenciam contudo, uma certa predominância de fatores emocionais/comportamentais e psicológicos/ intelectuais nos enfermeiros que praticam regime de trabalho por turnos, e de fatores fisiológicos/ psicossomáticos nos enfermeiros em regime de trabalho diurno. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 24

De qualquer modo, perante tais resultados somos levados a rejeitar a hipótese formulada, aceitando que o trabalho por turnos não influencia os índices de saúde mental. No entanto, estudos realizados em profissionais de saúde que praticam regime de trabalho por turnos revelam que foram encontrados três aspectos relacionados com problemas de saúde mental, nomeadamente fadiga psicológica, perda de satisfação no trabalho e endurecimento de atitudes (Kandolin, 1993). No que se refere à segunda hipótese, o teste t para amostras independentes revelou uma diferença estatística significativa apenas para a auto-eficácia (dimensão do autoconceito) e a fadiga crónica. Através das regressões múltiplas e análises de variâncias efectuadas, foi possível constatar que apenas a fadiga crónica se correlaciona positivamente com a saúde mental, o que significa que quantos maiores os seus índices, mais pobre será a saúde mental da pessoa. Em função destes resultados, parece-nos poder concluir que a fadiga crónica é a única variável preditor de saúde mental, confirmando assim a hipótese formulada em relação a esta variável, mas não em relação às restantes. No que concerne à terceira hipótese, encontrámos através de regressões múltiplas um peso mais elevado no neuroticíssimo, seguido da fadiga crónica. Notamos ainda que os fatores fisiológicos/psicossomáticos variam na razão directa daquelas variáveis e na razão inversa com a auto-responsabilização e o medo. Isto significa que a um acréscimo dos índices de fadiga crónica e do neuroticíssimo e a uma diminuição dos índices de auto-responsabilização e medo, haverá um correspondente aumento nos índices dos fatores fisiológicos/ psicossomáticos. Perante tais resultados, aceita-se a hipótese de que a fadiga crónica, o neuroticíssimo, a autorresponsabilização e o medo são os únicos preditores para os fatores fisiológicos/ psicossomáticos e rejeitamo-la em relação às restantes variáveis em estudo. Quanto aos fatores emocionais/ comportamentais verificou-se que quanto maior for a fadiga crónica e o neuroticíssimo mais graves serão os referidos fatores. Assim, constatamos que o neuroticísmo e fadiga crónica são fortes preditores para os fatores emocionais/comportamentais, o que nos leva também aqui a aceitar a hipótese formulada no que se refere a estas duas variáveis, rejeitando-a para as restantes. Em relação aos fatores psicológicos/intelectuais, encontrámos valores estatisticamente significativos nas variáveis fadiga crónica, ansiedade cognitiva e neuroticíssimo. Numa segunda regressão, verificamos um aumento de probabilidade da ansiedade cognitiva, com valores altamente significativos.


Constatamos ainda um peso elevado do neuroticísmo como preditor de fatores psicológicos/intelectuais. Sendo assim, podemos dizer que a fadiga crónica, a ansiedade cognitiva e o neuroticísmo constituem bons preditores para os fatores psicológicos/intelectuais, resultados que levam a aceitar a hipótese formulada em relação a estas variáveis e a rejeitá-la nas restantes. Também aqui se verificou, que quanto maior a fadiga crónica, o neuroticísmo e a ansiedade cognitiva, mais graves serão os fatores psicológicos/intelectuais, o que em nossa opinião, pode explicar a falta de concentração e os erros de desempenho no desenvolvimento das actividades. Estudos realizados sobre stress em profissionais de saúde, médicos e enfermeiros demonstram ainda que uma das mais relevantes fontes de stress nestes profissionais é a angústia sentida pelo facto de não terem competências psicológicas para lidar com o sofrimento dos doentes e dos seus familiares, traduzindose isto, muitas vezes, em atitudes de frieza e indiferença produzidas pela insegurança sentida (Mcintyre, 1994). CONCLUSÃO Este trabalho teve como objectivo estudar a importância de algumas variáveis pessoais e situacionais na saúde mental dos profissionais de saúde em contexto hospitalar. A recolha de dados foi feita através de um protocolo constituído por dez escalas referentes às variáveis em estudo. A avaliação das mesmas processou-se de acordo com a própria avaliação das escalas aplicadas. Da análise estatística foi possível extrair algumas conclusões, as quais passamos a referir, os enfermeiros manifestam algum descontentamento com o ambiente de trabalho; A globalidade da amostra demonstra índices de saúde baixos, particularmente em relação a fadiga crónica; Regra geral, todos os enfermeiros estão vulneráveis ao stress; Em relação ao stress produzido pelas circunstâncias organizacionais, notamos que a totalidade da amostra revela elevados índices de stress. No que respeita às hipóteses por nós formuladas, rejeitámos a primeira e aceitámos parcialmente as duas seguintes. A segunda hipótese foi aceite apenas em relação à variável fadiga crónica. A terceira foi aceite em relação às variáveis fadiga crónica, neuroticísmo, autorresponsabilização, medo e ansiedade cognitiva, e rejeitada para as restantes. Destes resultados fomos levados a concluir que quanto maior for a fadiga crónica, o neuroticísmo e a ansiedade cognitiva, maior será a tendência dos enfermeiros para diminuírem a autorresponsabilização e o medo.

Convém assinalar que não resta a menor dúvida de que existem inúmeras situações no ambiente hospitalar que produzem índices elevados de stress nos profissionais de saúde, conforme podemos verificar pelos resultados da nossa amostra. IMPLICAÇÃO PARA A PRÁTICA CLINICA Perante isto, somos levados a sugerir aos responsáveis das instituições hospitalares que reflitam na necessidade de introduzir, na dinâmica organizacional, um programa de dinâmica de grupos, tendo em vista o desenvolvimento pessoal dos enfermeiros e dos outros profissionais de saúde e a modificação dos seus comportamentos. A este propósito, não é demais lembrar as recomendações da Organização Mundial de Saúde, para a saúde mental dos profissionais da saúde. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bandura, A. (1986). Self-efficacy: Toward a Unifying Theory of Behavioral Change. Psychological Review, 84(2), 191-215. Barton, J., Folkard, S., Smith, l.; Spelten, E. (1992). Standard shiftwork index manual. Sheffield, United Kingdom: Department of Psychology of the University. Graça, L. (1994). Experiências Inovadoras em Segurança e Saúde no Trabalho. Revista Portuguesa Saúde Pública, 4, 45-53. Irving, R.J., Higgings, C.A., & Safayeni, F.R. (1986). Computerized Perfomance Monitoring Systems: Use and Abuse. Communications of the ACM, 29(8), 704801. Kaplan, G. (1993). Aspectos Preventivos en Salud Mental. Barcelona, España: Editora Paidós. Kandolin, I. (1993). Bournout of female nurses in shiftwork. Ergonomies, 36(1-3), 141-147. Mcintyre, T.M. (1994). Le Domaine de la Psychologie Sociale. Paris, France: Presses Universitaires de France. Ponciano E., Relvas, J., e Abreu, P. (1981). Dimensões da personalidade e ajustamento no trabalho. Psiquiatria clínica, 3, 181-185. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 25


Santos, O.S.A. (1988). Ninguém Morre de Trabalhar: O Mito do Stress. S. Paulo, Brasil: CANTGRAF Editora Lda.

Vaz Serra, A. (1988). Um Estudo Sobre o Coping: O Inventário de Resolução de Problemas, Psiquiatria Clínica, 9(4), 301-316.

Silva, C., Azevedo, M., Dias, M. (1995). Cronobiologia e avaliação psicológica: Estudo do trabalhador por turnos. Análise psicológica, 3, 35-42.

Verhaegen, P., Maasen, A., & Meers, A. (1981) Biological rhythms and shift work. Health problems in shift workers. New York, United States of America: Spectrum.

Vaz Serra, A. (1986). O inventário Clínico do Autoconceito. Psiquiatria Clínica, 7(2), 67-84.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||26 26


Artigo de Investigação

5

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0113

EXPECTATIVAS FACE AO ÁLCOOL E AUTORREGULAÇÃO DOS ADOLESCENTES

COMPETÊNCIAS

DE

| Manuela Ferreira1; Gonçalo Valente2; Lidia Cabral3; João Duarte4 |

RESUMO CONTEXTO: O consumo de álcool na adolescência está associado a comportamentos de risco, baixo rendimento académico, dificuldades de aprendizagem, baixo nível de desenvolvimento de competências sociais e emocionais. Pode causar alterações no desenvolvimento da personalidade e prejudicar funções como memória e atenção. O desenvolvimento de comportamentos auto-regulados permite ao adolescente o controlo das necessidades mais imediatas (controlo de impulsos) assim como a mobilização de pensamentos, sentimentos e comportamentos para objetivos de saúde a longo prazo. OBJETIVO(S): Analisar a relação entre as expectativas face ao álcool e as competências de auto-regulação em adolescentes. METODOLOGIA: Recorreu-se a um modelo de investigação quantitativo, transversal, analítico, descritivo e correlacional. Participaram 971 estudantes do ensino secundário público e cooperativo. O protocolo de avaliação inclui o questionário sociodemográfico, a Escala de Envolvimento com o Álcool para Adolescentes de Mayer & Filstead (1979) adaptada por Fonte e Alves (1999), o Questionário Reduzido de Auto-regulação (Carey, Neal & Collins, 2004 adaptado por Castillo & Dias, 2009) e o Questionário de Expectativas face ao Álcool para Adolescentes (Pilatti, Godoy & Brussino, 2010). RESULTADOS: Os estudantes com idades compreendidas entre os 14–21 anos, na sua maioria rapazes (50,80%), com idade igual ou inferior a 16 anos (43,40%), residentes em meio rural (66,40%), em coabitação com os pais (77,30%) e inseridos em agregados familiares com um rendimento médio mensal médio - alto ou alto (56,70%). Revelaram-se bebedores habituais sem problemas (75,30%) e com elevadas expectativas face ao álcool (45,10%). A auto-regulação foi influenciada pelo envolvimento com o álcool e pelas expectativas face ao álcool. CONCLUSÃO: O desenvolvimento de competências de auto-regulação revela-se um investimento em saúde uma vez que, o adolescente com um comportamento auto-regulado assume estilos de vida mais saudáveis, revelando um menor envolvimento com o álcool.

PALAVRAS-CHAVE: Adolescência; Álcool; Auto-regulação; Expectativas face ao álcool

RESUMEN

ABSTRACT

“Expectativas con respecto a habilidades de alcohol y de autorregulación de los adolescentes”

“Expectations regarding alcohol and self-regulation skills of adolescents’”

CONTEXTO: El consumo de alcohol en la adolescencia se asocia con conductas de riesgo, bajo rendimiento académico, problemas de aprendizaje, bajo nivel de desarrollo de las habilidades sociales y emocionales. Puede causar cambios en el desarrollo de la personalidad y deteriorar las funciones tales como la memoria y la atención. El desarrollo de la conducta autorregulado permite adolescentes de control de las necesidades más inmediatas (control de impulsos), así como la movilización de los pensamientos, sentimientos y comportamientos de los objetivos de salud a largo plazo. OBJETIVO: Analizar la relación entre las expectativas en relación con el alcohol y las habilidades de autorregulación en los adolescentes METODOLOGÍA: Recurrido a un modelo de investigación cuantitativa, transversal, analítico, descriptivo y correlacional. Con la asistencia de 971 estudiantes de las escuelas públicas y de cooperación. El protocolo de evaluación incluye el cuestionario sociodemográfico, la escala de implicación con alcohol a los adolescentes Mayer y Filstead (1979) adaptada por Fonte y Alves (1999), la Reducción de Autorregulación Cuestionario (Carey, Neal y Collins, 2004 adaptados por Castillo y Dias, 2009) y el Cuestionario de Expectativas en contra del alcohol a los adolescentes (Pilatti, Godoy y Brussino, 2010). RESULTADOS: Los estudiantes mayores de 14 - 21 años, en su mayoría varones (50,80%), menores de 16 años (43,40%), que viven en las zonas rurales (66,40%) en vivir con los padres (77,30%) y se inserta en los hogares con un ingreso promedio mensual medio - alto o alto (56,70%). Demostraron bebedores habituales y sin problemas (75,30%) y con altas expectativas sobre el alcohol (45,10%). La autorregulación se vio influenciado por la implicación con el alcohol y las expectativas con respecto al alcohol. CONCLUSIÓN: El desarrollo de habilidades de autorregulación ha demostrado ser una inversión en salud ya que el adolescente con un comportamiento autorregulado asume saludable estilo de vida, revelando una menor participación con el alcohol

BACKGROUND: Alcohol consumption during adolescence is associated with risky behaviors, low academic performance, learning disabilities, low level of social and emotional skills development. May cause changes in personality development and impair functions such as memory and attention. The development of self-regulated behavior allows adolescents to control their most immediate needs (impulse control) as well as to mobilize thoughts, feelings and behaviors for long-term health goals. OBJECTIVES: To analyze the relationship between expectations towards alcohol consumption and self-regulatory skills in adolescents. METHODS: We resorted to a quantitative, cross-sectional, analytical, descriptive and correlational research model. 971 high school students from public and cooperative schools participated in the study. The evaluation protocol includes the sociodemographic questionnaire, the Scale Teens’ Involvement with Alcohol of Mayer & Filstead (1979) adapted by Fonte & Alves (1999), the Reduced Questionnaire of Self-regulation (Carey, Neal & Collins, 2004 adapted by Castillo & Dias, 2009) and the Questionnaire about expectations towards Alcohol to Adolescents (Pilatti, Godoy & Brussino, 2010). RESULTS: Students aged 14 - 21 years, mostly boys (50.80%), aged under 16 (43.40%), living in rural areas (66.40%) cohabiting with parents (77.30%) and inserted in households with an average-high or high monthly income (56.70%). They proved to be habitual drinkers without problems (75.30%) and with high expectations regarding alcohol (45.10%). Self-regulation was influenced by the involvement with alcohol and the expectations regarding alcohol. CONCLUSION: The development of self-regulatory skills proves to be a health investment. Teenagers with self-regulating behaviors assume healthier lifestyles revealing less involvement with alcohol.

DESCRIPTORES: Adolescencia; Alcohol; Autorregulación; Expectativas en relación con el alcohol

KEYWORDS: Adolescence; Alcohol; Self-regulation; Expectations towards alcohol Submetido em 25-01-2016 Aceite em 30-03-2016

1 Doutora; Professora Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde, CI&DETS, Viseu, Portugal, mmcferreira@gmail.com 2 Mestre; Enfermeiro no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, 3000-075 Coimbra, Portugal, goncalo1043@hotmail.com 3 Doutora; Professora Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde, CI&DETS, 3504-510 Viseu, Portugal, lcabral@essv.ipv.pt 4 Doutor; Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde, CI&DETS, 3504-510 Viseu, Portugal, duarte.johnny@gmail.com Citação: Ferreira, M., Valente, G., Cabral, L., & Duarte, J. (2016). Expectativas face ao álcool e competências de autorregulação dos adolescentes. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 27-37. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 27


INTRODUÇÃO O uso de álcool na adolescência é um factor de preditor de problemas de saúde na idade adulta, além de aumentar significativamente o risco de se tornar num consumidor excessivo ao longo da vida (Strauch, Pinheiro, Silva e Horta, 2009). É manifestamente bem tolerado pela sociedade portuguesa, não sendo entendido como uma droga e por isso de fácil acesso a menores de 16 anos, nos diversos estabelecimentos (Tavares, Bonito e Oliveira, 2011). Para estes autores, está associado a determinados mitos sobre os efeitos do álcool no organismo, que dificultam a mudança de mentalidade e de comportamentos. O fenómeno do alcoolismo entre os adolescentes inicia-se cada vez mais precocemente (Sousa et al., 2008), influenciando a saúde e estilos de vida. Assim, a auto-regulação é um processo em que o indivíduo assume um papel activo na construção do seu destino (Ridder & Wit, 2006). Ambientes que promovem o auto-controlo (caracterizados pela monitorização parental, regras claramente definidas e recompensas parentais adequadas a comportamentos positivos) surgem associadas a um menor risco de uso e dependência de álcool (Hull & Slone, 2004). A percepção da incapacidade de controlar a ingestão de álcool tem sido usada para prever futuros consumos, particularmente em indivíduos que vivenciaram situações de dependência (Hull & Slone, 2004). No estudo desenvolvido por Neal & Carey (2005), os autores relatam que os estudantes universitários “consumidores pesados” de álcool obtiveram menores pontuações na avaliação geral do auto-controlo do que as pontuações obtidas pelos consumidores moderados, quando comparados com os abstinentes. Os estudos de Brown, Miller & Lawendowski (1999), Neal & Carey (2005) e de Hustad, Carey K., Carey M., & Maisto (2009) concluem que a auto-regulação foi correlacionada negativamente com a impulsividade em envolver-se em múltiplos comportamentos de risco e é preditiva tanto do consumo de álcool como das consequências relacionadas com o consumo do mesmo. No estudo realizado por Pilatti et al., (2010), quando confrontadas as expectativas face ao álcool com os padrões de consumo foram encontradas diferenças significativas na antecipação das expectativas em função dos padrões de consumo, tanto para as expectativas positivas como para as negativas. Especificamente, os adolescentes com padrões de consumo excessivo e de risco apresentam maiores expectativas positivas que os adolescentes das restantes categorias de consumo. Por outro lado, os abstinentes apresentam maiores expectativas negativas. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 28

Os autores verificaram ainda que aqueles adolescentes com um padrão de consumo excessivo e de risco mantêm mais expectativas sobre um aumento da sociabilidade que os restantes. METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo/correlacional, analítico e transversal. A amostra foi constituída por 971 estudantes do ensino secundário (público e cooperativo) a frequentarem o 10º, 11º e 12º ano de escolaridade, com ambos os sexos representados, sendo no entanto, maior a representatividade dos rapazes (50,80%). Relativamente à idade, a mesma oscilou entre os 14 e os 21 anos, com uma média de 16,80 anos, sendo o grupo mais representativo o dos estudantes com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos. Foi aplicado um questionário de caracterização sociodemográfica, a Escala de Envolvimento com o Álcool para Adolescentes de Mayer & Filstead (1979) adaptada por Fonte e Alves (1999), o Questionário Reduzido de Auto-regulação (Carey, Neal & Collins, 2004 adaptado por Castillo & Dias, 2009) e o Questionário de Expectativas face ao Álcool para Adolescentes (Pilatti et al., 2010). RESULTADOS A maioria dos estudantes da amostra reside em meio rural (66,40%) e coabitava com os pais (77,30%), que são maioritariamente, casados ou viviam em união de facto (84,60%). Pai e mãe detêm na sua maioria, o 2º/3º ciclo (45,30% e 44,50%, respectivamente). A maioria dos estudantes classificou o rendimento médio do seu agregado familiar como sendo médio/alto ou alto (56,70%). A maioria dos estudantes (69,00%) usufrui para gastos pessoais um montante igual ou inferior a 10 euros; frequentava o 10º ano (38,60%) nunca reprovou (57,40%); distam a mais de 7 km da escola, demorando menos de 30 minutos a realizar o percurso entre casa e a escola ou vice-versa e deslocam-se em transportes públicos (50,50%). O valor médio para a pontuação global do questionário reduzido de auto-regulação (SSRQ) foi de 89,83 (Dp= 9,27), com um mínimo de 52 e um máximo de 145 e dispersão fraca (CV= 10,32%). Os valores de simetria (Sk/erro= 1,436) e kurtose (K/erro=26,841) revelaram uma distribuição simétrica e leptocúrtica. Na subescala “Estabelecimento de Objetivos”, o valor médio obtido foi de 56,43 com um desvio padrão de 8,17. Os valores mínimos e máximos foram de 23 e 75, respectivamente. A variável revelou uma dispersão fraca (CV= 14,48%).


A distribuição revelou-se assimétrica negativa ou enviesada à direita (Sk/erro= -4,435) e mesocúrtica (K/ erro= 1,484). A subescala “Controlo de Impulsos” apresentou um valor médio de 33,40 (Dp= 8,60), com um valor mínimo de 14 e um máximo de 70. A dispersão revelou-se elevada apresentando um CV de 25,75%. Os valores de simetria (Sk/erro= 3,333) e de Kurtose (K/erro= 1,643) indicaram uma distribuição assimétrica positiva ou enviesada à esquerda e mesocúrtica (Tabela 1). Tabela 1 - Estatísticas relativas à pontuação global de auto-regulação e suas subescalas Autoregulação

N

X

Min

Max

Dp

CV%

Variáveis

Sk/ erro

K/erro

K/S

Estab. de Objetivos

971

56,43

23

75

8,17

14,48

-4,435

1,484

0,000

Controlo de Impulsos

971

33,40

14

70

8,60

25,75

3,333

1,643

0,000

SSRQ (Total)

971

89,83

52

145

9,27

10,32

1,436

26,841

0,000

Sexo vs Competências de Auto-regulação Os rapazes pontuam mais no controlo de impulsos e auto-regulação (global) e as raparigas no estabelecimento de objetivos, sem diferenças significativas (Tabela 2). Tabela 2 - Teste t de student relativo às competências de auto-regulação e suas subescalas em função do sexo Sexo Masculino

Feminino

Levene

Variáveis

X

Dp

X

Dp

p

Controlo de Impulsos

33,86

8,59

32,92

8,60

Estabelecimento de objetivos

56,25

8,56

56,62

7,75

Auto-regulação (total)

90,11

9,96

89,54

8,51

t

p

0,676

-1,699

0,090

0,111

0,697

0,486

0,097

-0,961

0,337

Observou-se que 41,30% dos estudantes apresentou reduzidas competências de auto-regulação, secundada pelos que revelaram elevadas competências de auto-regulação 31,10% e 27,60% revelaram razoáveis competências de auto-regulação, 40,00% dos rapazes e 42,60% das raparigas revelaram reduzidas competências de auto-regulação sem diferenças estatisticamente significativas (Tabela 3). Tabela 3 - Níveis de competências de auto-regulação em função do sexo

Sexo Masculino (1)

Feminino (2)

Total

SSRQ (Gr)

N

%

N

%

N

%

Residuais (1)

(2)

Reduzidas

197

40,00

204

42,60

401

41,30

-0,9

0,9

Razoáveis

131

26,50

137

28,70

268

27,60

-0,7

0,7

Elevadas

165

33,50

137

28,70

302

31,10

1,6

-1,6

Total

493

100,00

478

100,00

971

100,00

Idade vs Competências de Auto-regulação No controlo de impulsos são os estudantes com 16 anos ou menos que revelaram maiores competências de controlo de impulsos, sem diferenças estatisticamente significativas (F= 1,611; p= 0,200-n.s.). Foram os estudantes com 17 anos que melhor estabeleciam objetivos, mas sem diferenças estatisticamente significativas (F= 0,603; p= 0,547-n.s.). Na pontuação global da escala são os estudantes com 16 anos que apresentam maiores índices de auto-regulação sem significância estatística (F= 0,511; p= 0,600-n.s.) (Tabela 4). Tabela 4 - Análise da variância entre as competências de auto-regulação, suas subescalas e grupos etários Grupos ≤ 16 anos Etários

17 anos

≥ 18 anos

F

p

9,04

1,611

0,200

56,19

8,47

0,603

0,547

89,54

9,84

0,511

0,600

Variáveis

X

Dp

X

Dp

X

Dp

Controlo de Impulsos

33,90

8,47

32,72

8,38

33,35

Estab. de objetivos

56,28

8,20

56,87

7,86

Auto-regulação (total)

90,17

9,14

89,59

8,97

DISCUSSÃO Auto-regulação e Variáveis Sociodemográficas Ao estudar a auto-regulação em função do sexo, verificou-se que globalmente, os rapazes ( = 90,11; Dp= 9,96) revelaram índices médios superiores aos das raparigas ( =89,54; Dp= 8,51). Os resultados obtidos vão de encontro aos estudos de Carey, Neal & Collins (2004), Neal & Carey (2005), Hustad et al., (2009) e Castillo & Dias (2007). Com efeito, no estudo de Castillo & Dias (2007), o sexo masculino revela pontuações médias superiores às do sexo feminino. Também na subescala “estabelecimento de objetivos”, as raparigas revelaram melhores pontuações médias comparativamente aos rapazes. Relativamente à idade, os estudos de Carey et al., (2004), Neal & Carey (2005), assim como os de Castillo & Dias (2007 e 2009) não encontraram significâncias estatísticas. No nosso estudo, os resultados encontrados corroboram os resultados anteriormente mencionados pois, são os estudantes com idade igual ou inferior a 16 anos, que revelaram melhores índices de auto-regulação e melhor pontuaram na subescala “controlo de impulsos”, apesar da ausência de significância estatística. No estabelecimento de objetivos, foram os estudantes da faixa etária dos 17 anos, os que melhores competências revelaram.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 29


Os estudantes residentes em meio rural apresentavam melhor capacidade de controlo de impulsos, com diferenças estatisticamente significativas (p= 0,044) e melhores índices de auto-regulação, sem relevância estatística (p> 0,050-n.s.). Os residentes em meio urbano pontuam melhor no estabelecer de objetivos, embora sem significado estatístico (p= 0,160-n.s.). Relativamente à influência da área de residência na auto-regulação não encontrámos estudos que servissem de apoio ou refutassem os dados por nós obtidos. O rendimento médio do agregado familiar não se revelou influenciador dos índices de auto-regulação globais dos estudantes (t= 1,772; p= 0,077-n.s.), apesar dos estudantes de agregado familiar baixo ou médio/baixo obterem melhores índices médios de auto-regulação. Estes dados apoiam os de Neal & Carey (2005). Auto-regulação e Envolvimento Face ao Álcool A maioria dos estudantes são bebedores habituais sem problemas (75,30%), dados estes que estão em consonância com os obtidos por Fonte & Alves (1999). Rapazes (72,40%) e raparigas (78,20%) são bebedores habituais sem problemas. Para Reis et al., (2011) 66,3% dos rapazes e 70,2% das raparigas apresentam consumo de risco (o equivalente à categoria de bebedores habituais sem problemas na escala de envolvimento com o álcool para adolescentes). Vilela, Macho e Almeida (2011) encontraram 68% de bebedores habituais sem problemas. Verificámos um envolvimento com o álcool superior em rapazes (t= - 4,493; p= 0,000) com significância estatística. Reis et al., (2011) também constatou a existência de uma relação estatisticamente significativa entre os sexos, sendo o sexo masculino os que revelaram um maior envolvimento com o álcool (p= 0,032). No que diz respeito à idade, encontrámos significância estatística entre os grupos estudados, sendo os alunos com 18 anos os que apresentam maior envolvimento com o álcool (F= 14,066; p= 0,000). Os alunos com idades inferiores ou iguais a 16 anos são os que menor envolvimento têm com o álcool. Vilela, Macho & Mendes (2011) assim como Reis et al., (2011) verificaram igualmente a existência de diferenças estatisticamente significativas entre o envolvimento com o álcool e a idade (p< 0,001), concluindo que o envolvimento com o álcool aumenta com a idade dos adolescentes. Os residentes na área rural mostraram um maior envolvimento com o álcool sem diferenças encontradas estatisticamente significativas (p= 0,855-n.s.). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 30

Estes dados contrariam os de Mendes e Lopes (2007). Os estudantes do 12º ano possuem um maior envolvimento com o álcool, com diferenças estatisticamente significativas (F= 5,422; p= 0,005), para os estudantes do 10º e 11º anos. Dados concordantes com os de Vilela et al., (2011). Relativamente ao insucesso escolar verificámos que os alunos com reprovações apresentaram um maior envolvimento com o álcool (t= - 4,087; p= 0,000), com significância estatística. O envolvimento com o álcool (nota global) surge nos resultados obtidos, como uma variável preditora da auto-regulação (índice global), com uma correlação negativa muito baixa (r= - 0,056; p= 0,040). Assim, melhores índices de auto-regulação encontram-se associados a um menor envolvimento com o álcool. Também os estudos de Brown et al., (1999) e de Aubrey, Brown & Miller (1994) obtêm resultados próximos dos nossos. À semelhança do estudo de Neal & Carey (2005), também no nosso estudo, as consequências relacionadas com o consumo se demonstraram preditivas dos índices globais de auto-regulação. De facto, a dimensão relativa aos efeitos, consequências e sentimentos face ao beber da escala de envolvimento com o álcool em adolescentes surgiu como uma variável preditiva da auto-regulação, estabelecendo uma correlação positiva (muito baixa) (r= 0,128; p= 0,000). Quanto ao controlo de impulsos associaram-se positivamente os efeitos, consequências e sentimentos face ao beber (r= 0,162; p= 0,000) da subescala do envolvimento face ao álcool, com uma correlação muito baixa, ou seja, a maiores efeitos, consequências e sentimentos face ao álcool correspondem melhores capacidades de controlo de impulsos. Os hábitos de consumo correlacionaram-se inversamente com o estabelecimento de objetivos (r= - 0,067; p= 0,019), isto é, menores hábitos de consumo de álcool por parte dos adolescentes surgem, neste estudo, associados a melhores capacidades de estabelecimento de objetivos. Estes resultados estão em consonância com os resultados de Castillo & Dias (2007 e 2009). Auto-regulação e Expectativas Face ao Álcool Os estudantes apresentaram uma pontuação global média de 114,56 (Dp= 35,11) na escala global de expectativas face ao álcool. O valor médio obtido no que concerne às expectativas positivas foi de 59,23 (Dp= 19,29) e de 55,32 (Dp= 19,82) relativamente às expectativas negativas. Pillati et al., (2010), na validação da sua escala obtiveram valores médios inferiores aos obtidos no nosso estudo.


Na pontuação global da escala, a maioria dos estudantes apresentam elevadas expectativas face ao álcool (45,10%), sendo os rapazes os que apresentam valores superiores (50,30%).Estes dados estão em consonância com os obtidos por Pillati et al., (2010). Ao nível da idade, verificámos que a pontuação média relativa às expectativas positivas aumentou com a idade. Quanto às expectativas negativas, registámos o inverso, ou seja, uma diminuição nas pontuações médias de expectativas negativas com o aumento da idade. Estes dados são corroborados por Pillati et al., (2010). Apenas constatámos significância estatística na subescala das expectativas negativas entre os alunos com idades inferiores ou iguais a 16 anos e os alunos com 18 anos ou mais (F= 5,090; p= 0,007). Relativamente ao envolvimento com o álcool, constatámos a existência de correlação baixa e positiva (r= 0,303; p< 0,010) com as expectativas negativas, ou seja, índices mais elevados no nível de expectativas positivas face ao álcool, maior o envolvimento com o álcool. Já as expectativas negativas não se correlacionaram significativamente com o envolvimento com o álcool (r= 0,006; p> 0,050-n.s.). Nesta investigação, maiores expectativas face ao álcool (globais) associaram-se a maiores índices de auto-regulação. Embora a correlação seja baixa e positiva (r= 0,179; p= 0,000). Também as expectativas face ao álcool (globais) se revelaram preditivas do controlo de impulsos, ao estabelecer uma associação positiva, embora fraca (r= 0,298; p= 0,000). CONCLUSÃO O comportamento auto-regulado associado à saúde individual consiste em delinear objetivos a longo prazo implicando o controlo dos impulsos mais imediatos. Os estilos de vida, tais como o consumo de álcool, são susceptíveis de serem auto-regulados. A partir dos resultados, concluímos que, as competências de auto-regulação, os efeitos, consequências e sentimentos face ao beber e as expectativas globais face ao álcool surgem como preditoras do controlo de impulsos. Os hábitos de consumo surgem como preditores do estabelecimento de objetivos e os efeitos, consequências e sentimentos face ao beber, o envolvimento com o álcool (global) e as expectativas globais face ao álcool são preditoras da auto-regulação (total). São os rapazes que revelam maior envolvimento com o álcool, sendo na sua maioria, bebedores habituais sem problemas.

Possuem um maior envolvimento com o álcool, estudantes com idade igual ou superior a 18 anos, com maiores valores monetários para gastos pessoais, no 12º ano, numa escola Profissional com história de reprovações prévias e que referem não gostar da escola. Quanto às expectativas face ao álcool, 45,10% revela elevadas expectativas, revelando ainda um maior nível de expectativas globais os rapazes, do 10º ano, da escola profissional, que não gostam da escola e que são bebedores habituais com problemas. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Parece-nos importante planear, implementar e avaliar intervenções que melhorem o clima relacional nas escolas, nomeadamente ao nível das variáveis de contexto psicológico (auto-estima, autoconceito e comportamento auto-regulado). A escola é um espaço privilegiado para trabalhar no âmbito da educação para a saúde, sendo facilitadora da mudança de atitudes e de comportamentos face ao consumo de álcool, devendo esta assumir-se como promotora de estilos de vida saudáveis. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aubrey, L. L., Brown, J. M., & Miller, W. R., (1994). Psychometric properties of a self-regulation questionnaire. Alcoholism: Clinical & Experimental Research, 18, 429. Brown, J. M., Miller, W. R., & Lawendowski, L. A., (1999). The Self-Regulation Questionnaire. Em VandeCreek, L., & Jackson, T. L., (Eds.), Innovations in Clinical Practice: A sourcebook, 17, 281–292. Carey, K.B., Neal, D. J., & Collins, S.E., (2004). A psychometric analysis of the self-regulation questionnaire. Addictive Behaviours - Journal, 29(2), 253-260. Castillo, J. A. G., & Dias, P. C., (2009). Auto-regulação, resiliência e consumo de substâncias na adolescência: contributos da adaptação do questionário reduzido de auto-regulação. Psicologia, Saúde & Doenças, 10(2), 205-216. Castillo, J. G., & Dias, P., (2007). Análisis relacional entre los factores de protección, resiliencia, autorregulación y consumo de drogas. Salud y Drogas, 7(2), 309–332.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 31


Fonte, A., & Alves, A., (1999). Uso da Escala de Envolvimento com o Álcool para Adolescentes (AAIS). Avaliação das Características Psicométricas. Alcoologia, Revista da Sociedade Portuguesa de Alcoologia, 7(4). Acedido em http://anibalfonte.home.sapo.pt/ AAIS.html Hull, J. G., & Slone, L. B., (2004). Alcohol and Self-Regulation. In R. F. Baumeister, & K. D. Vohs (Eds.), Handbook of Self-Regulation: Research, Theory, and Applicatins, 466-491. New York, United States of America: Guilford Publications. Hustad, J., Carey, K., Carey, M., & Maisto, S., (2009). Self-Regulation, Alcohol consumption, and Consequences in College Student Heavy Drinkers: A Simultaneous Latent Growth Analysis. Journal of Studies on Alcohol and Drugs, 70(3), 373-382. Mendes, V., & Lopes, P., (2007). Hábitos de consumo de álcool em adolescentes. Revista Toxicodependências, 13(2), 25-40. Neal, D. J., & Carey, K. B., (2005). A Follow-Up Psychometric Analysis of the Self-Regulation Questionnaire. Psycholy Addictive Behaviour, 19(4), 414-422. Pilatti, A., Godoy, J. C., & Brussino, S. A., (2010). Construcción y valoración psicométrica del Cuestionario de Expectativas hacia el Alcohol para Adolescentes de Argentina (CEA-A). Anales de Psicología, 26(2), 288-301.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||32 32

Reis, A., Barros, J., Fonseca, C., Parreira, L., Gomes, M., Figueiredo, I., & Matapa, S., (2011). Prevalência da Ingestão de Álcool nos Adolescentes – Estudo PINGA. Revista Portuguesa de Clínica Geral, 27(4), 338-346. Ridder, D., & Wit, J. (Eds.) (2006). Self-Regulation in Health Behavior. Chichester, United Kingdom: Wiley. Sousa, F. C., Abraão, A. M., Morgado, A., Conboy, J., Oliveira, M. D., & Pires, D., (2008). O consumo de bebidas alcoólicas na população escolar juvenil (1ª ed). Loulé, Portugal: GAIM. Strauch, E. S., Pinheiro, R. T., Silva, R. A., & Horta, B. L., (2009). Uso de álcool por adolescentes: estudo de base populacional. Revista Saúde Pública, 43(4), 647-655. Tavares, T., Bonito, J., & Oliveira, M. M. (2011). Consumo de álcool entre os alunos do 9.º ano de escolaridade do distrito de Beja: Fatores caracterizantes. In I Congresso Nacional de Comportamentos de Saúde InfantoJuvenis, Consumo de substâncias psicoactivas: lícitas e ilícitas (pp. 57-73). Livro de resumos, Viseu. Vilela, L., Macho, P., & Almeida, G., (2011). Consumo de álcool em adolescentes e psicopatologia associada. Toxicodependências, 17(1), 43-52.


Artigo de Investigação

6

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0114

CARACTERÍSTICAS DE UM PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PARA FAMILIARES CUIDADORES DE PESSOAS COM DEMÊNCIA A RESIDIR NO DOMICÍLIO | Lia Sousa1; Carlos Sequeira2; Carmé Ferré-Grau3; Pedro Neves4; Mar Lleixà-Fortuño5 |

RESUMO CONTEXTO: Construir, implementar e avaliar programas de capacitação para familiares cuidadores de pessoas com demência a residir no domicílio deve ser um objetivo para a Enfermagem de Saúde Mental. OBJETIVO: Identificar as características definidoras de um programa de capacitação para familiares cuidadores de pessoas com demência a residir no domicílio. METODOLOGIA: Focus Group. RESULTADOS: Como tipologia para estes programas propõe-se: 6/8 semanas, 6/8 sessões individuais, com duração de 60 minutos cada. Principais temas a abordar: doença e as suas fases, necessidades do cuidador, entre outros. As abordagens metodológicas passam pela discussão dos temas e pelas técnicas de resolução de problemas. A avaliação deve realizar-se antes e após o programa, através de instrumentos que mensurem as características sociodemográficas, a sobrecarga, a satisfação, entre outros. CONCLUSÃO: Este estudo permitiu identificar as principais características que devem integrar os programas de capacitação para familiares cuidadores de pessoas com demência a residir no domicílio, abrindo portas para o desenvolvimento de intervenções nesta área e para futuros projetos de investigação. PALAVRAS-CHAVE: Capacitação; Demência; Familiares cuidadores

RESUMEN

ABSTRACT

“Características de un programa de capacitación para cuidadores familiares de personas con demencia a vivir en casa”

“Characteristics of a training program for family caregivers of a person with dementia living at home”

CONTEXTO: Construir, implementar y evaluar la eficacia de los programas de formación a los cuidadores familiares de personas con demencia a vivir en su casa debe ser un objetivo para Enfermería de Salud Mental. OBJETIVO: Identificar las características definitorias de un programa de formación a los cuidadores familiares de personas con demencia a vivir en su casa. METODOLOGÍA: Focus Group. RESULTADOS: Se propone cómo tipología para estos programas: 6/8 semanas, 6/8 sesiones individuales, con una duración de 60 minutos cada uno. Los temas clave que se abordarán: enfermedad y sus etapas, necessidades del cuidador, entre otros. Enfoques metodológicos van a través de la discusión de los temas y las técnicas de resolución de problemas. La evaluación debe llevarse a cabo antes y después del programa, a través de instrumentos que miden las características sociodemográficas, la sobrecarga, la satisfacción, entre otros. CONCLUSIÓN: Este estudio identificó las características principales que deben incluirse en los programas de formación para los cuidadores familiares de personas con demencia a vivir en su casa, abriendo la puerta para el desarrollo de intervenciones en esta área y para futuros proyectos de investigación.

BACKGROUND: Create, implement and evaluate the effectiveness of training programs for family caregivers of people with dementia living at home should be a goal for Mental Health Nursing. AIM: To identify the defining characteristics of a training program for family caregivers of people with dementia living at home. METHODS: Focus Group. RESULTS: As a typology for these programs it proposes to: 6/8 weeks, 6/8 individual sessions, lasting 60 minutes each. Key topics to be addressed: disease and its stages, caregiver needs, among others. Methodological approaches go through the discussion of issues and the problem-solving techniques. The evaluation should take place before and after the program, through instruments that measure sociodemographic characteristics, overload, satisfaction, among others. CONCLUSION: This study identified the main characteristics to be included in the training programs for family caregivers of people with dementia living at home, opening the door for the development of interventions in this area and for future research projects.

DESCRIPTORES: Programa de formación; Demencia; Cuidador familiar

Submetido em 31-01-2016 Aceite em 20-03-2016

KEYWORDS: Training programs; Dementia; Family caregivers

1 Doutoranda em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar; Mestre em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Enfermeira no serviço de Neurologia Adultos do Centro Hospitalar de São João, EPE, liasousa_27@hotmail.com 2 Doutor em Ciências de Enfermagem; Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem do Porto, 4200-072 Porto, Portugal, carlossequeira@esenf.pt 3 Doutora em Antropologia Social; Docente na Universidade de Rovira i Virgili, 43003 Tarragona, Espanha, carme.ferre@urv.cat 4 Doutorando em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto; Mestre e Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Enfermeiro graduado na Unidade de Saúde Familiar Horizonte, 4450-021 Matosinhos, Portugal, pedroneves.horizonte@gmail.com 5 Doutora em Pedagogia; Docente na Universidade de Rovira i Virgili, 43003 Tarragona, Espanha, mar.lleixa@urv.cat Citação: Sousa, L., Sequeira, C., Ferré-Grau, C., Neves, P., & Lleixà-Fortuño, M. (2016). Características de um programa de capacitação para familiares cuidadores de pessoas com demência a residir no domicílio. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 33-38. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 33


INTRODUÇÃO A demência é um emergente problema de Saúde Pública (Organização Mundial de Saúde, 2012) e como a família é a primeira fonte de cuidados (Schmacher, Beck e Marren, 2006), esta realidade apresenta vários desafios aos familiares cuidadores (FC) que terão de assegurar cuidados de longa duração no domicílio a estas pessoas (Figueiredo, Guerra, Marques e Sousa, 2012). Apesar da importância que se atribui ao papel da família nos cuidados à pessoa com demência, os cuidadores continuam a expressar baixos níveis de conhecimento e altos níveis de sobrecarga (Sequeira, 2013); assim, muito mais deve ser feito para dotar os FC de conhecimentos e de competências (Passos, Sequeira e Fernandes, 2012). Importa capacitar o FC, pois ele desempenha um conjunto de tarefas no quotidiano que necessitam de conhecimento e treino, tais como atividades de vida diárias, resolução de problemas, tomada de decisão, atividades que requerem competências comunicativas e organizacionais, entre outros cuidados antecipatórios e de vigilância (Schmacher, et al., 2006). A capacitação é promotora da educação e da autonomia dos FC (Vogt, Gonçalves e Silveira, 2009). Capacitar um FC não significa que ele adote o papel do profissional de saúde, ele assume-se como um parceiro de cuidados, que deve ter sempre na retaguarda um técnico, que o apoie continuamente e valide o seu conhecimento e as suas competências para cuidar ao longo do curso da doença do seu familiar. Ao capacitar o FC, o profissional de saúde colabora para o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que facilitam o desempenho do papel e promovem um cuidado menos desgastante e melhor planeado (Bicalho, Lacerda e Catafesta, 2008). A intervenção junto destes cuidadores visa facilitar a adaptação da família à doença, mas também retardar a institucionalização (Figueiredo, et al., 2012). Quanto melhor cuidadas forem as pessoas com demência no domicílio, menor o risco de descompensação, menor o recurso aos cuidados de saúde e menor a taxa de reinternamento, o que se traduz numa redução dos gastos económicos para os serviços de saúde que prestam assistência a estas pessoas (Toseland, 2004). Atualmente, em Portugal verifica-se uma lacuna de conhecimento acerca da sistematização de programas de capacitação para FC de pessoas com demência a residir no domicílio, pelo que esta deve ser uma área de estudo para a Enfermagem de Saúde Mental. O primeiro passo é perceber quais são as características definidoras destes programas; para a partir daí os construir, os implementar e os validar. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 34

O objetivo deste estudo foi identificar as características definidoras de um programa de capacitação para o exercício do papel de FC de uma pessoa com demência a residir no domicílio. METODOLOGIA Como método utilizou-se o focus group, técnica qualitativa de recolha de dados, que visa obter/explorar opiniões acerca de determinado assunto junto de peritos na área em estudo, através de reuniões em grupo, compostas por 6 a 12 elementos. A condução da reunião em grupo deve apresentar um guião semi-estruturado e o número de focus groups realizados não deve ultrapassar os 5 por estudo (Galego e Gomes, 2005). Neste estudo realizaram-se 2 Focus Group, um no Porto (Portugal) e outro em Tarragona (Espanha), com um total de 18 enfermeiros peritos na área da assistência aos FC de pessoas com demência, durante o mês de Março de 2015. Os participantes foram selecionados através de uma amostragem de conveniência, sendo identificados em instituições de saúde que assistem estes FC. Os critérios de seleção utilizados foram ser enfermeiro e ter, pelo menos, 5 anos de experiência com FC de pessoas com demência. As características dos participantes nos dois grupos focais constam na figura 1. Figura 1 - Caracterização dos participantes que integram os focus groups

Em cada focus group esteve presente um investigador principal que conduziu a intervenção e um investigador assistente, que funcionou como observador não participante, fazendo o registo sonoro e escrito da intervenção. O focus group iniciou-se com a caracterização sóciodemográfica dos peritos através do preenchimento de uma tabela de dados. Depois realizou-se brainstorming, sendo colocados à apreciação dos intervenientes um conjunto de questões abertas, resultantes de achados bibliográficos acerca do tema. As questões foram as seguintes: 1) Quais os critérios de inclusão para a seleção dos FC de pessoas com demência a participar no programa?; 2) Como avaliar o FC?;


3) Quais os timings da avaliação?; 4) Quais as características de um programa de capacitação para o exercício do papel de FC de uma pessoa com demência? (Qual a duração?; Qual o número de sessões?; Qual a duração das sessões?; A implementação do programa deverá ser individual ou em grupo?; O programa deve incluir a pessoa com demência ou apenas o FC?); 5) Que temas devem ser abordados no programa?; e, 6) Quais as metodologias a utilizar?. Os focus group foram gravados com a autorização dos participantes e a utilização dos dados foi consentida para fins de investigação. As gravações foram transcritas e a informação recolhida submetida a análise de conteúdo, de acordo com seis categorias pré-estabelecidas: Critérios de inclusão para os FC; Tipologia do programa; Temas; Metodologias; Momentos de avaliação e Instrumentos de avaliação. Foram incluídos nos resultados os itens que obtiveram concordância positiva de pelo menos 16 (89,9%) dos 18 participantes nos dois focus groups. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram estabelecidos 5 critérios de inclusão para os FC de pessoas com demência integrarem um programa de capacitação (Tabela 1). Tabela 1 - Critérios de inclusão para os FC de pessoas com demência Categoria

Critérios de inclusão para os familiares

Resultados obtidos no focus groups

Nível de concordância dos peritos

O FC é o cuidador primário da pessoa com demência

100% (18)

O FC sabe ler e escrever

94% (17)

O FC tem vontade de participar no programa

100% (18)

O alvo dos cuidados tem demência em estádio inicial ou moderado

100% (18)

O alvo dos cuidados não tem mais patologias severas do foro mental

89% (16)

Os alvos deste tipo de programas devem ser os familiares que assumem a responsabilidade pelos cuidados à pessoa com demência e cuidam dela na maior parte do tempo, ou seja, os cuidadores principais, tal como acontece nos estudos de Chien y Lee (2010) e de Judge, Yarry e Orsulic-Jeras (2009). Um padrão mínimo de literacia, nomeadamente saber ler e escrever é um critério importante para garantir a efetividade da transmissão da informação escrita, tal como também é descrito no estudo de Judge, et al. (2009). No caso dos FC que sejam analfabetos ou apresentem níveis de literacia muito baixos, “também é possível trabalhar com eles” (perito), nomeadamente através de um programa adaptado, com

recurso a demonstrações e exercícios práticos, ajustado às limitações do cuidador. A motivação do FC para participar no programa de capacitação é fundamental para a adesão, pois um FC com vontade de aprender e motivado tende a manter-se mais tempo no programa. No seu estudo Chien y Lee (2010) evidenciam a importância da implementação de um programa de capacitação para FC de pessoas com demência nos estádios inicial e moderado, visto que, são nestes estádios que as alterações psicológicas e comportamentais da demência são mais evidentes e geram mais sobrecarga no FC. Apesar dos seus benefícios existem ainda poucos programas sistematizados para FC de pessoas com demência em estádio inicial ou moderado (Ducharme, et al., 2011). Outro aspeto importante a atender é a não existência concomitantemente de mais nenhuma patologia severa do foro mental que possa influenciar o exercício do papel de FC e, de alguma forma, limitar os benefícios do programa de capacitação. “O alvo dos cuidados não deve ter patologias severas do foro mental” (perito), que possam influenciar as suas necessidades de cuidados. Este critério de inclusão também foi utilizado por Chien y Lee (2010). Relativamente à tipologia do programa, as características que reuniram maior consenso constam na tabela 2. Tabela 2 - Tipologia do programa

Categoria

Resultados obtidos no focus groups

Nível de concordância dos peritos

Programa de aplicação individual.

89%

Realização de 2 ou 3 sessões em grupo para partilha de emoções e experiências.

100%

Após o final do programa devem manterse encontros pontuais em grupo para desenvolver atividades.

100%

Tipologia O programa deve ter uma duração de 6 a do pro- 8 semanas. grama Devem ser realizadas 6 a 8 sessões semanais, em horário ajustado à disponibilidade dos FC.

89% 89%

As sessões individuais devem ter uma duração aproximada de 60 minutos.

89%

As sessões em grupo devem ter uma duração aproximada de 90 minutos.

89%

A maioria dos programas com FC de pessoas com demência encontrados na literatura apresentam uma metodologia individual (Chien y Lee, 2011; Ducharme, et al., 2011; Judge, et al., 2011; Samia, Hepburn e Nichols, 2012). Esta permite uma intervenção centrada nas necessidades específicas do FC e pode ser aplicada em diferentes contextos, como os cuidados de saúde primários, cuidados hospitalares e até mesmo em visita domiciliária. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 35


Apesar desta constatação, alguns peritos referem que programas em grupo “são o ideal” (perito), sendo vantajosos, nomeadamente para a partilha de experiências, para a interação, para a exteriorização de emoções e para os FC aprenderem a cuidar melhor de si (Boise, Congleton e Shannon, 2005; Samia, et al., 2012). Se analisarmos a literatura disponível, ambas as metodologias apresentam benefícios para os FC (Toseland, 2004), pelo que a maioria dos peritos acordaram na importância de uma abordagem “mista” (perito), com a maioria das sessões de carácter individual e com duas a três sessões em grupo. Um aspeto a atender é onde podem ficar as pessoas com demência quando são realizadas as sessões com os cuidadores: “importa ter em conta que quando os familiares vêm à sessão, deixam o familiar em casa e isso limita-os” (perito). Uma forma de colmatar esta necessidade é a realização do programa de capacitação no domicílio, podendo adaptar-se a intervenção ao contexto real dos sujeitos (Vogt, et al., 2009) ou encontrar um espaço onde a pessoa com demência possa permanecer durante as sessões, nomeadamente “aproveitar se a pessoa com demência frequentar um centro-de-dia” (perito) para realizar as sessões com o FC nesse horário. Importa ainda, após o final do programa, “dar continuidade, com sessões em grupo, mais espaçadas” (perito), “manter uma referência” (perito). O ideal seria manterse encontros pontuais para desenvolver atividades, por exemplo, grupos de ajuda mútua, debates, caminhadas, entre outras. Também a possibilidade de criar uma comunidade virtual ou um grupo numa rede social para assegurar o contacto entre os elementos do programa seria interessante, por exemplo através de “alguma intervenção online, como criar uma comunidade virtual com os cuidadores” (perito). As intervenções com recurso a tecnologia são uma mais-valia e a sua utilização tem vindo a aumentar. Contudo, atendendo a que diversos estudos na área caracterizam estes cuidadores como pessoas com idade avançada e com baixa escolaridade, serão estas intervenções uma opção válida, ou serão indicadas apenas para um pequeno número de FC? Quanto à duração do programa de capacitação, na perspetiva dos peritos, “se o programa for longo poderemos perder muitos participantes” (perito); pelo que apontam que “6/8 semanas de duração é o ideal” (perito). A duração das sessões individuais e em grupo devem ser diferentes. Na perspetiva dos peritos, as sessões individuais devem ter uma duração de “45/60 minutos no máximo” (perito) e as sessões em grupo uma duração “de menos de 100 minutos” (perito). A composição do grupo deve ser “no máximo de 10 elementos” (perito). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 36

A justificação prende-se com a capacidade de atenção do FC e com a necessidade de alargar as sessões onde existe maior interação. Esta tipologia é congruente com a apontada por outros autores, como Ducharme, et al. (2011) e Judge, et al. (2009). No que diz respeito aos temas e às metodologias a incluir no programa os peritos sugerem os que se podem observar na tabela 3. Tabela 3 - Temas e metodologias a incluir no programa Categoria

Temas

Metodologias

Resultados obtidos no focus groups

Nível de concordância dos peritos

A doença, suas fases e características.

100%

Alterações psicológicas e comportamentais

100%

Melhorar a comunicação.

100%

Lidar com as emoções e expectativas do papel de cuidador

100%

Atividades básicas e instrumentais de vida diária

100%

Estimulação geral da cognição da pessoa com demência

100%

Técnicas para manter a saúde física e mental do FC

100%

Estratégias de coping e técnicas de resolução de problemas.

100%

Gestão de relações

100%

Conhecimento e utilização dos recursos de saúde e da comunidade

100%

Lidar com a possível institucionalização futura do familiar

100%

Lidar com a perspetiva de fim de vida do familiar

100%

Questões legais associadas ao papel de cuidador

100%

Exposição

100%

Discussão de temas

100%

Exercícios práticos

100%

Treino de competências

100%

Técnicas de resolução de problemas

100%

Nas sessões em grupo podem aplicar-se: role playing e patilha em grupo

100%

Os temas centrados na pessoa com demência e nas particularidades da doença que são sugeridos pelos peritos também são abordados em vários estudos internacionais, tais como Chien y Lee (2010); Judge, et al. (2009) e Samia, et al. (2012). Informar sobre a demência é fundamental, visto que existe uma lacuna de conhecimento sobre a doença e os distúrbios associados entre os pacientes e os FC, o que é uma barreira nos cuidados a estas pessoas (Gallagher-Thompson, et al., 2012). Contudo, visto que existem vários tipos de demência, cada um com as suas particularidades, deverão os programas de capacitação abordar aspetos gerais da síndrome ou serem


direcionados para cada tipo de demência? Ou a construção de um “programa-tipo”, que sirva de guideline e que permita ao profissional introduzir algumas nuances será o mais indicado? Em alguns programas, os aspetos relacionados com a estimulação geral da cognição das pessoas com demência não é abordada, contudo, ensinar e instruir os FC acerca de atividades e estratégias diárias de estimulação, como identificar espaços, ler, fazer perguntas, mostrar fotografias, entre outras, é um fator fundamental para o êxito das mesmas e para melhorar a qualidade de vida no domicílio da pessoa com demência (Sousa e Sequeira, 2012). Importa também incluir temas que abranjam as necessidades pessoais do FC e o seu bem-estar, através da gestão das emoções e expectativas do seu papel, estratégias de coping e de resolução de problemas no quotidiano, gestão de relações, manutenção da saúde física e mental e conhecimento acerca de questões legais e instituições de apoio na comunidade. Estes temas surgem em vários estudos, como os de Boise, et al. (2005), Chien y Lee (2010), Ducharme, et al. (2011), Judge, et al. (2009), Miller, Samuel, Barnas e Welker (2014) e Samia, et al. (2012). As metodologias sugeridas pelos peritos são similares às descritas na literatura, em estudos como os de Ducharme, et al. (2011), Gravilona, et al. (2009), Judge, et al. (2009), Miller, et al. (2014), entre outros. Nas sessões em grupo, as metodologias devem ser mais flexíveis e importa potenciar a interação através da partilha de experiências e do role playing. Também nos estudos de Boise, et al., 2005 e Miller, et al., 2014 são utilizadas técnicas como demonstrações de vida real, role-playing e dramatização. No que concerne aos momentos e instrumentos de avaliação a utilizar no programa, os resultados obtidos constam na tabela 4. Tabela 4 - Momentos e instrumentos de avaliação Categoria

Resultados obtidos no focus groups Avaliação inicial antes do programa

Nível de concordância dos peritos 100%

Momentos de Avaliação final após o fim do programa avaliação Follow up (3 a 6 meses após o final do programa)

100%

Avaliação demográfica

100%

Avaliação do contexto familiar e socioeconómico

100%

Instrumentos de avaliação Escalas de sobrecarga Escalas de satisfação

Escalas de qualidade de vida.

100%

100% 100% 89%

Os 3 momentos de avaliação sugeridos pelos peritos são congruentes com os mais citados na literatura, nomeadamente nos estudos de Chien y Lee (2010);

Ducharme, et al. (2011) e Boise, et al. (2005). Os instrumentos de avaliação identificados coadunam-se com os instrumentos utilizados em alguns estudos, como os de Chien y Lee (2010), Gavrilona, et al. (2009) e Hepburn, et al. (2007). Na literatura existente, a maioria dos estudos com FC de pessoas com demência utilizam escalas de autoeficácia, de sobrecarga, de depressão e de qualidade de vida. No entanto, a avaliação da qualidade de vida do FC pode ser questionável; por um lado, por se tratar de uma variável que depende de muitos fatores; por outro, não será esperado que a qualidade de vida do FC diminua, atendendo ao esforço extra que lhe é pedido, mesmo que ele esteja capacitado para desempenhar o novo papel? Outros aspetos significativos a incluir na avaliação do FC são “se partilha a mesma casa com a pessoa com demência” (perito), “se deixou de trabalhar para ser cuidador” (perito), “perceber o contexto económico, como gere o dinheiro” (perito), “avaliar a relação prévia entre o familiar e cuidador” (perito) e “avaliar o suporte social” (perito). Estes resultados vão de encontro à perspetiva de Schmacher, et al. (2006), que afirmam que a avaliação do cuidador deve incluir a observação da interação entre o FC e a pessoa com demência, os papéis e responsabilidades do cuidador, as dificuldades, a preparação para o desempenho do papel, a qualidade dos cuidados prestados, a saúde mental e física do cuidador, a existência de uma rede de apoio familiar e social, a relação prévia entre a pessoa cuidada e o cuidador e a bagagem cultural da família. CONCLUSÃO Capacitar os FC de pessoas com demência impõe-se pela complexidade do exercício deste papel e pelo crescente número de pessoas que são chamadas a desempenhá-lo. Importa criar e implementar programas de capacitação para o exercício do papel de FC de uma pessoa com demência, pelo que discutir e definir características entre peritos na área é importante para o processo de desenvolvimento destes programas. Este estudo permitiu explorar e identificar as principais características que devem fazer parte destes programas, tais como ter uma tipologia individual, mas incluir algumas sessões de grupo para partilha de emoções e experiências. A duração deve ser de cerca de 6/8 semanas, com 6/8 sessões, uma sessão por semana, com duração de 60 minutos. Os temas a abordar devem incluir a doença e as necessidades da pessoa com demência, mas também as necessidades do FC. Metodologias como exposição, discussão dos temas, exercícios práticos, treino de capacidades e técnicas de resolução de problemas devem ser utilizadas. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 37


Os FC devem ser avaliados no início e no final do programa e num follow up de 3 a 6 meses, através de escalas de sobrecarga e satisfação, entre outras. Como principais limitações deste estudo podemos apontar os diferentes contextos culturais e profissionais dos peritos, que podem levar a alguma divergência de pontos de vista. Também a participação numa metodologia de grupo pode levar a que a opinião de alguns peritos possa ser alterada ou expressa de forma diferente. Não obstante, os resultados encontrados podem ser a base para a construção e validação de programas de capacitação nesta área. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Os resultados encontrados são importantes para a prática de enfermagem, para orientar a intervenção específica dos profissionais e para uniformizar as intervenções junto dos FC de pessoas com demência; e para a investigação, dando pistas para os investigadores que pretendem criar e validar este tipo de programas. Os resultados podem ainda contribuir para a tomada de decisão política e das instituições de saúde. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bicalho, C. S., Lacerda, M. R., e Catafesta, F. (2008). Refletindo sobre quem é o cuidador familiar. Revista Cogitare Enfermagem, 13(1), 118-123. Acedido em http://ojs.c3sl.ufpr.br/ ojs/index.php/cogitare/article/view/11972/8443 Boise, L., Congleton, L., & Shannon, K. (2005). Empowering family caregivers: The powerful tools for caregiving program. Educational Gerontology, 31(7), 573-586. Chien, W. T., & Lee, I.Y.M. (2010). Randomized controlled trial os a dementia care programme for families of homeresided older people with dementia. Journal of Advanced Nursing, 67(4), 774-787. Ducharme, F., Lévesque, L., Lachance, L., Kergoat, M., Legault, A., Beaudet, L., & Zarit, S. (2011). Learning to become a family caregiver – Efficacy of an intervention program for caregivers following diagnosis of dementia in a relative. The Gerontologist, 51(4), 484-494. Acedido em http://www.ncbi. nlm.nih.gov/pubmed/21383112 Figueiredo, D., Guerra, S., Marques, A., e Sousa, S. (2012). Psycho-educational support to family and formal caregivers of older people with dementia. Revista Temática Kairós Gerontologia, 15(1), 31-55. Galego, C., e Gomes, A. (2005). Emancipação, ruptura e inovação: o “focus group” como instrumento de investigação. Revista Lusófona de Educação, 5(5), 173-184. Acedido em http://revistas.ulusofona.pt/index.php/rleducacao/article/view/1012 Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 38

Gallagher-Thompson, D., Tzuang, Y., Au, A., Brodaty, H., Charlesworth, G., Gupta, R., Lee, S., Losada, A. E., & Shyu, Y. (2012). Internacional perspectives on nonpharmacological best practices for dementia caregivers: A review. Clinical Gerontologist, 35(4), 316-355. Acedido em http://www. tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07317115.2012.678190#. U4X4OnJdUT8 Hepburn, K., Lewis, M., Tornatore, J., Sherman, C. W., & Bremer, K. L. (2007). The savvy caregiver – the demonstrated effectiveness of a transportable dementia caregiver psychoeducation program. Journal of Gerontological Nursing, 43(6), 30-36. doi: 10.1093/geront/43.6.908 Judge, K. S., Yarry, S. J., & Orsulic-Jeras, S. (2009). Acceptability and feasibility results of a strength-based skills training program for dementia caregiving dyads. The Gerontologist, 50(3), 408-417. Miller, R., Samuel, P., Barnas, J., & Welker, K. (2014). Addressing everyday challenges: Feasibility of a family caregiver program for people with dementia. The American Journal of Occupational Therapy, 68(2), 212-220. Acedido em http:// www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24581408 Organização Mundial de Saúde. (2012). Dementia: A public health priority. Acedido em http://apps.who.int/iris/bitstre am/10665/75263/1/9789241564458_eng.pdf?ua=1 Passos, J., Sequeira, C., e Fernandes, L. (2012). The Needs of Older People with Mental Health Problems: A Particular Focus on Dementia Patients and Their Carers. International Journal of Alzheimer’s Disease, 2012, 1-7. doi: 10.1155/2012/638267 Samia, L., Hepburn, K., & Nichols, L. (2012). Flying by the seat of our pants: What dementia family caregivers want in an advanced caregiver training program? Nursing & Health, 35(6), 598-609. Schumacher, K., Beck, C., & Marren, M. (2006). Family Caregivers, caring for older adults, working with their families. American Journal Of Nursing, 106(8), 40-49. Acedido em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16905931 Sequeira, C. (2013), Difficulties, coping strategies, satisfaction and burden in informal Portuguese caregivers. Journal of Clinical Nursing, 22: 491–500. doi: 10.1111/jocn.12108 Sousa, L., e Sequeira, C. (2012). Conceção de um Programa de Intervenção na Memória para Idosos com Défice Cognitivo Ligeiro. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (8), 7-15. Toseland, R. (2004). Caregiver education and support programs: Best practice models. California, United States of America: Family Caregiver Alliance. Vogt, M., Gonçalves, M., e Silveira, D. (2009). Ações para Capacitação de Cuidadores em Unidades de Saúde da Família. Revista Kairós Gerontologia, 12, 93-101.


Artigo de Investigação

7

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0115

QUALIDADE DE VIDA E SOLIDÃO EM IDOSOS RESIDENTES EM LAR1 | Mariana Castro2; Isabel Amorim3 |

RESUMO CONTEXTO: Diante da realidade inquestionável das transformações demográficas iniciadas no último século e que nos fazem observar uma população cada vez mais envelhecida, evidencia-se a importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa Qualidade de Vida. OBJETIVO(S): Neste sentido, tornou-se pertinente centrar o estudo na análise da relação entre aspetos sociodemográficos e variáveis relacionadas com a institucionalização e a Solidão e a Qualidade de Vida em idosos institucionalizados. METODOLOGIA: Delineou-se um estudo descritivo-correlacional, recorrendo a uma amostra independente constituída por 47 idosos residentes em lar e como método para a recolha de dados elaborou-se um protocolo constituído por: questionário sobre dados sociodemográficos e variáveis relacionadas com a institucionalização; Escala de Qualidade de Vida (Organização Mundial de Saúde - OMS) WHOQOL-Bref (Serra et al., 2006) e a Escala da Solidão da UCLA (Neto, 1989). RESULTADOS: Observou-se que o grupo de idosos estudados é constituído maioritariamente por mulheres, viúvas, com idades compreendidas entre os 72 e 96 anos, com frequência do ensino básico, reformadas. CONCLUSÃO: A Solidão e a Qualidade de Vida estão negativa e fortemente correlacionadas. No que diz respeito aos fatores relacionados com a situação de institucionalização, apenas nas visitas em lar, frequências de saídas, relações no lar e períodos de saída é que se encontram diferenças significativas entre grupos. PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento; Qualidade de vida; Solidão; Institucionalização

RESUMEN

ABSTRACT

“La calidad de vida y la soledad en las personas mayores que viven en el hogar1” CONTEXTO: Antes de la realidad indiscutible de trastornos demográficos que comenzó en el siglo pasado y que nos hacen observar una población que envejece cada vez más, pone de relieve la importancia de garantizar los ancianos no sólo a vivir más tiempo, sino también una buena calidad de vida, el cuidado de los medios el desarrollo para satisfacer mejor las dificultades del creciente número de personas de edad avanzada. OBJETIVO: En este sentido, se ha convertido en el foco pertinente el estudio sobre el análisis de la relación entre las variables sociodemográficas y los aspectos relacionados con la institucionalización y la soledad y la calidad de vida en ancianos institucionalizados. METODOLOGÍA: Se describe un estudio descriptivo-correlacional, utilizando una muestra independiente de 47 ancianos residentes en el país y como método para la recopilación de datos se elaboró un protocolo que consiste en: cuestionario sobre datos sociodemográficos y las variables relacionadas con la institucionalización; Calidad de Vida Escala (OMS) WHOQOL-Bref (Serra et al., 2006) y la Escala de Soledad de UCLA (Neto, 1989). RESULTADOS: Se observó que el grupo de los ancianos estudiados se compone principalmente de las mujeres, viudo o soltero, con edades comprendidas entre 72 y 96 años, a menudo la escuela primaria, reformado. CONCLUSIÓN: La soledad y la Calidad de Vida son negativas y fuertemente correlacionados. Con respecto a los factores demográficos, sólo las visitas en el hogar, salidas relaciones de frecuencia en los periodos de origen y de salida es que hay diferencias significativas entre los grupos.

“Quality of life and loneliness in elderly people living at home1” BACKGROUND: The unquestionable reality of demographic upheavals that began in the last century and that lets us observe an increasingly aging population, highlights the importance of ensuring the elderly not only a higher life expectancy, but also a good quality of life, caring for developing means to better meet the difficulties of the growing number of the elderly. AIM: In this sense, it has become imperative to focus the study on the analysis of the relationship between sociodemographic variables and aspects related to the institutionalization and loneliness and Quality of Life in institutionalized elderly people. METHODS: A descriptive-correlational study has been outlined, using an independent sample of 47 elderly residents of a retirement home and the method for data collection was an elaborated protocol consisting of: a questionnaire on sociodemographic data and variables related to institutionalization; Quality of Life Scale (WHO) WHOQOL-Bref (Sierra et al., 2006) and the UCLA Loneliness Scale (Neto, 1989). RESULTS: It was observed that the group of elderly studied consists mainly of women, widowed or single, aged between 72 and 96 years, often and of primary education, reformed. CONCLUSION: The solitude and the Quality of Life are negative and strongly correlated. With regard to demographic factors, only visits in the home, outputs frequency relationships in the home and output periods is that are significant differences between groups.

DESCRIPTORES: Envejecimiento; Calidad de vida; Soledad; Institucionalización

Submetido em 30-09-2015 Aceite em 10-02-2016

KEYWORDS: Ageing; Quality of life; Loneliness; Institutionalization

1 Extraído da Dissertação de Mestrado “Qualidade de Vida e Solidão em idosos residentes em lar”, 2014, no Instituto Politécnico de Viana do Castelo 2 Mestre; Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Praça General Barbosa, 4900-347 Viana do Castelo, Portugal, marianamcastro@msn.com 3 Doutora; Professora Coordenadora; Escola Superior de Enfermagem do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Viana do Castelo, Portugal, isabelamorim@ess.ipvc.pt Citação: Castro, M., & Amorim, I. (2016). Qualidade de Vida e Solidão em idosos residentes em lar. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Ed. Esp. 3), 39-44. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 39


INTRODUÇÃO O aumento da esperança média de vida e a diminuição das taxas de natalidade serão os principais fatores para explicar o dinâmico processo de transição demográfica pela qual muitos países estão a passar (Marciel, 2008). Em função desta situação assiste-se, nos últimos anos, a um aumento do interesse científico e social acerca da população idosa, uma vez que, só conhecendo de forma mais aprofundada a população idosa e as suas necessidades, é que poderá ser possível um apoio mais eficaz, no sentido da promoção da saúde e de um envelhecimento activo. Diante da realidade inquestionável do aumento da esperança média de vida, evidencia-se a importância de garantir aos idosos não só uma sobrevida maior, mas também um envelhecimento bem-sucedido, aliado ao conceito de bem-estar, assumindo deste modo o conceito de Qualidade de Vida um particular interesse no campo da investigação. Muitos estudos têm evidenciado a compreensão de toda a subjectividade do conceito de Qualidade de Vida, tendo a Organização Mundial de Saúde (OMS), através do World Health Organization Quality Of Life Group – WHOQOL Group, em 1995 definido o conceito de Qualidade de Vida com “… a perceção do indivíduo da sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (Canavarro, Simões, Pereira, & Pintassilgo, 2005). A Qualidade de Vida passa a ser vista como um importante indicador de adaptação ao envelhecimento, e mais importante que a longevidade é, poder ter um envelhecimento bem-sucedido, com qualidade e a manutenção da autonomia dos indivíduos, procurando manter a oportunidade de os mais velhos poderem continuar a participar activamente na sociedade. Com as diversas alterações ocorridas na sociedade, tanto a nível social, como económico, verifica-se um aumento das dificuldades para os idosos viverem no seu meio residencial, e a família, anteriormente principal responsável pelo cuidado aos idosos, transferiram o cuidado dos idosos para instituições direccionadas e especializadas nesta área, sendo inúmeras as razões que levam a família a optar por recorrer às respostas sociais (Almeida, 2008), nomeadamente, a entrada da mulher no mercado de trabalho, perda de autonomia do idoso, viuvez, problemas de saúde, entre outros.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 40

Durante o processo de envelhecimento, e eventualmente exacerbado pela residência dos idosos em instituições, a maioria dos indivíduos idosos, diminuem a sua participação na sociedade, o que pode gerar sentimentos de Solidão e desvalorização no âmbito da integração familiar e social, sendo a solidão, de acordo com Neto (2000) “… uma experiencia comum e é um sentimento penoso que se tem quando há discrepância entre o tipo de relações sociais que desejamos e o tipo de relações sociais que temos” (p. 322). Os idosos frequentemente expressam sentimentos negativos e solitários quando há a combinação do processo de envelhecimento com os estereótipos sociais, situação que poderá influenciar a Qualidade de Vida. Neste sentido, e por esta razão a Solidão pode ser um indicador crítico para estimar a Qualidade de Vida e vice-versa (Thomopoulou, Thomopoulou, & Koutsouki, 2010). Considerando estes pressuposto constituiu-se como objectivo geral deste estudo: analisar a relação entre aspectos sociodemográficos e relacionados com a situação de institucionalização e a Solidão e a Qualidade de Vida em idosos residentes em dois lares residenciais numa região urbana do norte do país. METODOLOGIA Trata-se de um estudo transversal e descritivo-correlacional, que conta com uma amostra não probabilística de 47 pessoas idosas residentes em dois lares do concelho de Viana do Castelo, que se encontravam presentes nas instituições em determinado momento e que obedeciam aos seguintes critérios de inclusão: idade igual ou superior a 65 anos; sem patologia mental grave e aceitar participar no estudo. Foi aplicado um protocolo de investigação constituído por: 1) questionário de caracterização sociodemográfica e de variáveis relacionadas com a situação de institucionalização; 2) Escala de Avaliação da Qualidade de Vida – WHOQOL-Bref (WHOQOL-Group, 1995) na versão Portuguesa de Serra et al. (2006) que avalia a Qualidade de Vida de modo geral e os domínios: físico; psicológico; social; e meio ambiente. e; 3) A UCLA Loneliness Scale de Russell, Peplau & Cutrona (1988) na versão portuguesa Escala de avaliação da Solidão de UCLA de Neto (1989) que avalia a Solidão e os sentimentos associados à mesma. Cada protocolo foi administrado num único momento de avaliação, através da entrevista que demorou cerca de 30 minutos. Foram salvaguardados os princípios éticos e os direitos fundamentais do anonimato, do sigilo e da confidencialidade.


Recorreu-se ao consentimento livre e informado por parte dos residentes que foi obtido após ser fornecida toda a informação relativamente aos investigadores, à natureza da investigação e objetivos da mesma. Foi usada o programa estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 21. O teste de Kolmogorov-Smirnov foi usado pra testar a normalidade da distribuição das variáveis. Para comparar as medidas de tendência central aplicou-se o teste t de Student e o One-Way Anova para comparação múltiplas, usando os testes post-hoc. O coeficiente de correlação de Pearson foi usado como medida de associação entre duas variáveis. RESULTADOS/DISCUSSÃO Da breve caracterização da amostra de idosos (tabela 1) predomina o sexo feminino (n= 38; 80,9 %), tem uma média de idades de 83,23 anos (DP= 6,55 anos), a maioria indivíduos são viúvos (n= 25; 53,2%) ou solteiros (n=14; 29,8%). Cerca de metade dos idosos têm a escolaridade básica (n= 25; 53,2%), e estão reformados, mas que em tempos desenvolviam actividades domésticas ou então estavam na situação de desempregados (n= 18; 39,1%). Uma significativa parte dos idosos entrevistados evocam como motivo que originou a institucionalização no lar foi a opção pessoal (n= 22; 46,8%), a perda de autonomia (n= 8; 17,0%) e os problemas de saúde (n=7; 14,9%). Tabela 1 - Caracterização sociodemográfica dos participantes

Pareceu pertinente realizar a caracterização da periocidade das visitas aos idosos considerando o efeito positivo que o papel do suporte social possa desempenhar, verificando-se que são os familiares aqueles que mais visitam e com mais frequência os idosos, demonstrando que a família assume um papel essencial para o idoso (Levasseur, Desrosiers, & Tribble, 2008; Tajvar, Arab, & Montarezi, 2008; Vecchia, Ruiz, Bocchi, & Corrente, 2005). O tipo de relações que os idosos referem no lar são maioritariamente, relações amigáveis (72,3%) com várias pessoas, aspecto de fundamental importância considerando que, de acordo com Carvalho e Dias (2011), para que o idoso se considere integrado é necessário que este estabeleça relações quer entre os demais residentes, ou colaboradores. Os resultados obtidos para a percepção de Qualidade de Vida dos idosos (Tabela 2) revelam níveis médios na faceta geral e nos quatro domínios, resultados que permitem considerar uma Qualidade de Vida percebida como média/alta. Tabela 2 - Estatísticas descritivas obtidas na faceta geral e nos quatro domínios do WHOQOL-BREF n=47 dp

Min. - Máx.

Faceta Geral

60,90

M

17,99

12,50 - 100,00

Domínio físico

62,69

17,95

21,43 - 96,43

Domínio psicológico

64,89

14,51

25,00 - 100,00

Domínio ambiente

59,40

19,08

16,67 - 100,00

Domínio relações sociais

63,76

15,50

21,88 - 93,75

n= 47 n

%

Idade M(dp) Min-Max 65-79 80+

72-96 13 34

Género (% mulheres)

38

80,9%

Estado civil Casado/união de facto Viúvo Separado/divorciado Solteiro

7 25 1 14

14,9% 53,2% 2,1% 29,8%

Escolaridade Min-Max 0 1-4 5+

17 25 5

Profissão que exerceram a) Sector primário Sector secundário Sector terciário Não classificado

4 11 13 18

83,23(6,55) 27,7% 72,3%

0-12

36,2% 53,2% 10,6% 8,7% 23,9% 28,3% 39,1%

a) n=46

Revista RevistaPortuguesa Portuguesade deEnfermagem Enfermagemde deSaúde SaúdeMental, Mental,ESPECIAL ESPECIAL32(ABR.,2016) (FEV.,2015) | 41


O domínio psicológico é o que apresenta valores mais elevados, seguindo-se o domínio das relações sociais, aspecto que pode levar-nos a reflectir na importância das relações sociais e apoio social assim como outros aspectos mais íntimos e individuais em desfavor dos aspectos mais relacionados com as perdas físicas (domínio físico) O domínio ambiental apresenta os valores mais baixos, o que poderá estar relacionado com as condições ambientais que dizem respeito à adaptação do idoso ao ambiente do Lar. O valor médio obtido na escala de avaliação da Solidão foi de 34,11, devendo salientar-se que o valor de corte médio da escala é 45, o que poderá querer dizer uma percepção de solidão moderada por parte dos idosos. Parece não haver grande relação entre as variáveis sociodemográficas, e a Qualidade de Vida e a Solidão, encontrando-se apenas uma correlação negativa estatisticamente significativa entre a idade e o domínio físico da Qualidade de Vida, assim como entre a idade e Solidão. O mesmo não se verificou em relação às variáveis relacionadas com a situação de institucionalização (Tabela 3). Foi permitido verificar que os idosos que não têm visitas são os que percepcionam mais sentimentos de Solidão, parecendo importante a existência de visitas de pessoas significativas mesmo que não seja diariamente, pois como refere Pereira (2008) por mais eficaz e competente que seja a Instituição e os seus cuidadores, o lugar da família jamais será colmatado na integra, sendo importante, para o bem-estar dos idosos a residir em Lar, manter o contacto estreito entre a família e os amigos/vizinhos. Os idosos que saem do lar frequentemente são os que têm melhor percepção de Qualidade de Vida, nomeadamente em relação ao domínio físico, (possivelmente pelas suas capacidades de movimentação autónoma), no domínio social (possivelmente pela liberdade de movimentação e de socialização) e na faceta geral.

Tabela 3 - Qualidade de Vida e Solidão Visitas aos idosos no lar Sem V./ V. Familia/V. outros

Saída do lar Freq./Esporádico/ Nunca

Caracterização das relações Amigáv./ Regul./Ocasi./ Grau vari.

Períodos que passa fora Nunca/Ép. festivas

F

p

F

F

p

t

Faceta G.

-

-

5,26 <0,01

-

-

-2,78 <0,01

D. Físico

-

-

7,34 <0,01

-

-

-

D. Psico.

-

-

-

-

3,87

0,01

-2,11 0,04

D. Amb.

-

-

-

-

-

-

-

D. Social

-

-

4,47 0,01

6,92

<0,01

-2,02 0,04

Visitas aos idosos no lar Sem V./ V. Familia/V. outros

Saída do lar Freq./Esporádico/ Nunca

Caracterização das relações Amigáv./ Regul./Ocasi./ Grau vari.

Períodos que passa fora Nunca/Ép. festivas

3,89

-

5,38

-

p

p

QV

Solidão

0,02

-

<0,01

-

-

-

QV – Qualidade de Vida – D. - Domínio = Valor mais elevado

Os idosos que passam períodos fora do lar, em épocas festivas, referem melhor Qualidade de Vida, nomeadamente, nos domínios físico e psicológico e na faceta geral, assim como, os idosos com mais variedade de relações, neste caso em relação aos domínios psicológico e social. Já os idosos que manifestam ter relações regulares são os que relatam maior percepção de solidão, em comparação com os que têm relações amigáveis. Quando estudada a associação entre os resultados de Qualidade de Vida e Solidão (Tabela 4), foi possível observar uma correlação negativa forte e estatisticamente significativa entre Solidão e Qualidade de Vida, com exceção do domínio físico (-0,23), parecendo evidenciar que a Qualidade de Vida varia em função do suporte social, das actividades de vida diária e da solidão, salientando que quanto mais positivos forem esses indicadores pais positiva será a Qualidade de Vida (Fonseca, Paúl, Martin, & Amado, 2004; Paúl, Fonseca, Martim, & Amado, 2005) Tabela 4 - Matriz de correlações de Pearson

Solidão p

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 42

Faceta Geral

Domínio físico

Domínio psicológico

Domínio ambiente

Domínio social

-0,40 0,00

-0,23 0,10

-0,58 <0,00

-0,58 <0,00

-0,57 <0,00


CONCLUSÕES Os resultados parecem apontar para uma Qualidade de Vida razoável, sendo o domínio com maior pontuação o psicológico e o domínio com menor pontuação o ambiente. A percepção de Solidão dos idosos é ligeiramente elevada se se considerar os valores médios para o instrumento usado. Acrescenta-se ainda que os aspetos sociodemográficos parecem não influenciar a percepção de Qualidade de Vida ou Solidão, o mesmo não se verificando em relação a alguns aspetos relacionados com a institucionalização, constatando-se que os idosos com mais visitas têm menos perceção de Solidão e de melhor Qualidade de Vida. Verificou-se também que os idosos que saem com mais frequência, que têm múltiplas relações de amizade e que passam os períodos festivos fora do lar são aqueles que têm uma melhor percepção de Qualidade de Vida e menor de Solidão.

Finalmente constatou-se que a Solidão e a Qualidade de Vida estão inversamente relacionadas, sendo que a Solidão se associa a uma diminuição da Qualidade de Vida percebida. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA A pessoa idosa deve ser abordada de forma holística, atendendo a todas as suas necessidades, promovendo a prestação de cuidados cada vez mais eficaz, privilegiando, incessantemente, a satisfação pessoal do mesmo. Neste sentido, o presente estudo contribui para o conhecimento e compreensão de dimensões relevantes na vida das pessoas mais velhas e abre possibilidades de intervenção no domínio da Saúde e (ou) do Social, especificamente na minimização de consequências sociais e pessoais do envelhecimento e na otimização do papel de certas respostas sociais para o modo como estas pessoas vivem e envelhecem.

Revista RevistaPortuguesa Portuguesade deEnfermagem Enfermagemde deSaúde SaúdeMental, Mental,ESPECIAL ESPECIAL32(ABR.,2016) (FEV.,2015) || 43 43


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, A. (2008). A pessoa idosa institucionaliza em Lares – Aspetos e contextos da Qualidade de Vida. Dissertação de Mestrado, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, Portugal.

Neto, F. (1989). Avaliação da Solidão. Psicologia Clínica. Acedido em http://www.iscet.pt/sites/default/files/obsolidao/Avaliacao_Solidao_Felix_Neto.pdf Neto, F. (2000). Psicologia Intercultural. Lisboa, Portugal: Universidade Aberta.

Canavarro, M., Simões, M., Pereira, M., & Pintassilgo, A. (2005). Desenvolvimento dos Instrumentos de Avaliação e Qualidade de Vida na Infecção VIH da Organização Mundial de Saúde (WHOQOL-HIV; de, WHOQOL-HIV-BREF) para português de Portugal. Organização Mundial de Saúde (WHOQOL-HIV; WHOQOL-HIV-BRE) Projecto apresentado no 6º Congresso Virtual HIV/AIDS.

Paúl, C., Fonseca, A., Martim, I., & Amado, J. (2005). Satisfação e Qualidade de Vida em idosos de Portugal. A construção de um envelhecimento Humano. Envelhecer em Portugal. Lisboa, Portugal: Climepsi Editores.

Carvalho, M., e Dias, M. (2011). Adaptação dos idosos institucionalizados. Millenium , 40, 161-184.

Serra, A., Canavarro, M., Simões, M., Pereira, M., Gameiro, F., e Quartilho, M. (2006). Estudos psicométricos do instrumento de avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde (WHOQOL-Bref) para Português de Portugal. Psiquiatria Clínica , 27(1).

Fonseca, A., Paúl, C., Martin, I., & Amado, J. (2004). Condição Psicossocial de idosos rurais numa aldeia do interior de Portugal. Envelhecer em Portugal. Lisboa, Portugal: Climepsi Editores. Levasseur, M., Desrosiers, J., & Tribble, D. (2008). Do quality of life, participation and environment of older adults differ according to level of activity. Heath and Quality of Life Outcomes , 6(30), 1-11. doi: 10.1186/1477-7525-6-30 Marciel, C. (2008). Envelhecimento Activo. Revista Portuguesa de Enfermagem , 13, 41-46.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||44 44

Pereira, F. (2008). A importância da manutenção relações familiares para o idoso institucionalizado. Revista Transdisciplinar de Gerontologia , 2(1), 6-10.

Tajvar, M., Arab, M., & Montarezi, A. (2008). Determinants of health-related quality of life in elderly in Tehran, Iran. BMC Public Health , 8(323), 4-8. doi: 10.1186/1471-2458-8-323 Thomopoulou, I., Thomopoulou, D., & Koutsouki, D. (2010). The differences at quality of life and loneliness between elderly people. Biology of Exercise, 6(2), 13-28. Vecchia, R., Ruiz, T., Bocchi, S., & Corrente, J. (2005). Qualidade de Vida na Terceira Idade: Um conceito Subjetivo. Revista Brasileira de Epidemiologia, 8(3), 246252.


Artigo de Investigação

8

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0116

EMOTIONAL INTELLIGENCE AND PSYCHOLOGICAL CAPITAL: WHAT IS THE ROLE OF WORKPLACE SPIRITUALITY? | Lisete Mónico1; Nathália Mellão2; Luiza Nobre-Lima3; Pedro Parreira4; Carla Carvalho5 |

ABSTRACT BACKGROUND: Workplace Spirituality is understood as the sense of community in the group, alignment with organizational values, sense of usefulness to the community, happiness in work, and the opportunities for inner life. Organizations that encourage Workplace Spirituality achieve higher revenues and increase employee commitment, reducing absenteeism and depression. We believe that Workplace Spirituality can play a significant role in the relationship between Emotional intelligence and Psychological Capital. AIM: To analyze the moderator or mediator role of Workplace Spirituality in the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. METHODS: A quantitative survey was made with a sample of 301 workers who answered the Emotional Intelligence Scale, PsyCap Questionnaire, and Workplace Spirituality Questionnaire. Reliability and validity analysis ensured a trusted use of these measures. RESULTS: We found a significant relationship between Emotional Intelligence and Workplace Spirituality (r=.358) and between Emotional Intelligence with Psychological Capital (r=.599). Together, the five dimensions of Workplace Spirituality had a predictive capacity of 33% of the Psychological Capital. The relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital was slightly moderated by Workplace Spirituality (p=.024). Furthermore, Workplace Spirituality was a partial mediator on the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital (direct effect of β=.55, indirect effect of β=.17, p<.05). CONCLUSION: Workplace Spirituality, Emotional Intelligence, and Psychological Capital are positively correlated. Workplace Spirituality affects the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital, acting as a moderator variable (small effect size). Workplace Spirituality is a partial mediator on the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. KEYWORDS: Workplace spirituality; Emotional intelligence; Psychological capital; Moderation and mediation

RESUMEN

RESUMO

“‘Inteligencia emocional y capital psicológico: ¿Cuál es el papel de la espiritualidad organizacional?”

“‘Inteligência emocional e capital psicológico: Qual o papel da espiritualidade organizacional?”

CONTEXTO: La Espiritualidad Organizacional se entiende como el sentido de comunidad en el grupo, alineamiento con los valores organizacionales, sensación de contribución a la comunidad, alegría en el trabajo y oportunidades de vida interior. Las organizaciones que fomentan la Espiritualidad Organizacional logran mayores beneficios y aumentan el compromiso de los empleados, reduciendo el ausentismo y la depresión. Creemos que la Espiritualidad Organizacional puede desempeñar un papel pertinente en la relación entre Inteligencia Emocional y Capital Psicológico. OBJETIVO(S): Analizar el papel de moderación o de mediación de la Espiritualidad Organizacional en la relación entre Inteligencia Emocional y Capital Psicológico. METODOLOGÍA: La encuesta cuantitativa se realizó con una muestra de 301 trabajadores que respondieron a las escalas de Inteligencia Emocional, Capital Psicológico y Espiritualidad Organizacional. Los estudios de validez y fiabilidad garantizaran un uso confiable de las medidas. RESULTADOS: Se encontró una relación positiva de la Inteligencia Emocional con la Espiritualidad Organizacional (r=0.358) y el Capital Psicológico (r=0.599). En conjunto, las cinco dimensiones de la Espiritualidad de la organización mostraron una capacidad de predicción de 33% del Capital Psicológico. La relación entre la Inteligencia Emocional y el Capital Psicológico fue ligeramente moderada por la Espiritualidad Organizacional (p=.024). Además, la Espiritualidad Organizacional demostró ser un mediador parcial en la relación entre la Inteligencia Emocional y el Capital Psicológico (efecto directo de β=.55, efecto indirecto de β=.17, p<.05). CONCLUSIÓN: Espiritualidad Organizacional, Inteligencia Emocional y Capital Psicológico se correlacionan positivamente. La Espiritualidad Organizacional influye en la relación entre la Inteligencia Emocional y el Capital Psicológico, actuando como variable de moderación (baja potencia). La Espiritualidad Organizacional demostró ser un mediador parcial en la relación entre la Inteligencia Emocional y el Capital Psicológico.

CONTEXTO: A Espiritualidade Organizacional é entendida como o sentido de comunidade na equipa, alinhamento com os valores da organização, sentido de préstimo à comunidade, alegria no trabalho e oportunidades para a vida interior. Organizações que incentivam a espiritualidade organizacional alcançam maiores receitas e aumentam o comprometimento dos colaboradores, reduzindo o absenteísmo e a depressão. Acreditamos que a Espiritualidade Organizacional pode desempenhar um papel relevante na relação entre Inteligência Emocional e Capital Psicológico. OBJETIVO(S): Analisar o papel moderador ou mediador da Espiritualidade Organizacional na relação entre Inteligência Emocional e Capital Psicológico. METODOLOGIA: Foi realizado um inquérito quantitativo com uma amostra de 301 trabalhadores que responderam às escalas de Inteligência Emocional, Capital Psicológico e Espiritualidade Organizacional. As análises de validade e fiabilidade asseguraram uma utilização confiável das medidas. RESULTADOS: Encontrámos uma relação positiva da Inteligência Emocional com a Espiritualidade Organizacional (r=0.358) e com o Capital Psicológico (r=0.599). Conjuntamente, as cinco dimensões de Espiritualidade Organizacional tiveram uma capacidade preditiva de 33% do Capital Psicológico. A relação entre a Inteligência Emocional e o Capital Psicológico Capital foi levemente moderada pela Espiritualidade Organizacional (p=.024). Para além disso, a Espiritualidade Organizacional revelou-se um mediador parcial na relação entre Inteligência Emocional e Capital Psicológico (efeito direto de β = 0.55, efeito indireto de β=.17, p<.05). CONCLUSÃO: Espiritualidade Organizacional, Inteligência Emocional e Capital Psicológico estão positivamente correlacionados. A Espiritualidade Organizacional influencia a relação entre Inteligência Emocional e Capital Psicológico, agindo como variável de moderação (baixa magnitude). A Espiritualidade Organizacional revelou-se um mediador parcial na relação entre inteligência Emocional e Capital Psicológico.

DESCRIPTORES: Espiritualidad organizacional; Inteligencia emocional; Capital psicológico; Moderación y mediación

PALAVRAS-CHAVE: Espiritualidade organizacional; Inteligência emocional; Capital psicológico; Moderação e mediação. Submetido em 31-10-2015 Aceite em 10-03-2016

1 PhD; Assistant Professor; Faculty of Psychology and Education Sciences, University of Coimbra, Rua do Colégio Novo, 3000 Coimbra, Portugal, lisete.monico@fpce.uc.pt 2 Master on Work, Organizational, and Personnel Psychology, University of Coimbra and Université Paris Descartes V, 3000 Coimbra, Portugal, namellao@hotmail.com 3 PhD; Assistant Professor; Faculty of Psychology and Education Sciences, University of Coimbra, 3000 Coimbra, Portugal, luizabelima@fpce.uc.pt 4 PhD, Adjunct Professor at Nursing School of Coimbra, Portugal, 3000 Coimbra, Portugal, parreira@esenfc.pt 5 PhD; Assistant Professor; Faculty of Psychology and Education Sciences, University of Coimbra, 3000 Coimbra, Portugal, ccarvalho@fpce.uc.pt Citação: Mónico, L., Mellão, N., Nobre-Lima, L., Parreira, P., & Carvalho, C. (2016) Emotional intelligence and psychological capital: What is the role of workplace spirituality?. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 45-50 Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 45


INTRODUCTION Workplace spirituality has been gaining ground in academic research. Since the article published in the Journal of Organizational Change Management in 1999, it has gained respectable academic focus, and the debate about what exactly spirituality means also started growing (v.g. Ashmos & Duchon, 2000; Duchon & Plowman, 2005; Krishnakumar & Neck, 2002; Poole, 2009). Workplace spirituality is not associated with religion, religious beliefs or conversion. It concerns the employee’s understanding of oneself as a spiritual being who needs nutrition for the soul from work, “experiencing a sense of purpose and meaning in the work beyond of meaning found” (Ashmos & Duchon, 2000, p.135). It is understood as the sense of community in the group, alignment with organizational values, sense of usefulness to the community, happiness in work, and the opportunities for inner life. It is related to the search for connection with coworkers and other stakeholders and to the alignment of values and fundamental beliefs of and for the organization (Milliman, Czaplewski, & Fergusson 2003; Vilaça, Mónico, & Castro, 2012). Several studies have pointed out that organizations that encourage workplace spirituality achieve higher revenues, increased productivity and employee commitment, reducing absenteeism and depression (Krishnakumar & Neck, 2002; Poole, 2009). At the beginning of this century, Luthans (Luthans & Youssef, 2007; Luthans, Youssef, & Avolio, 2007) suggested that the focus of attention in the field of organizational behavior should center on the Positive Organizational Behavior (POB), through study and application of skills in the psychological and human resources, positively oriented, which could be measured, developed and managed so as to enhance the performance of employees in organizations. Hope, resilience, self-efficacy/confidence, and optimism were presented as POB states, considering that they represent a higher order setting in employees, named as Positive Psychological Capital, understood as the set of positive personality characteristics employed in the workplace (Luthans et al., 2007). Employee´s hope, optimism, and resilience are associated with individuals’ attitudes and performance at work (Luthans & Youssef, 2007). Rego, Souto, and Cunha (2007) have associated POB with workplace spirituality, stating that there are many publications both on positive organizational behavior and workplace spirituality, but only a few studies linking the two constructs. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 46

They consider workplace spirituality as a thread of organizational behavior and of positive psychology. Organizations with well-developed spirituality have employees more committed to the organization and to the achievement of self-development and self-knowledge. Other studies have examined that some organizational employees deal more effectively with their emotions than others, benefiting their cognitive processes. This leads to the emergence of Emotional Intelligence concept, defined as a set of skills that individuals have to resort to sophisticated systems, for processing information about their and others emotions, as well as the ability to employ this information as guiding their cognitions and behaviors (Mayer, Salovey, & Caruso, 2008). The concept of Emotional Intelligence has spread quickly in the organizational context, becoming popular as a desirable characteristic and a widespread success predictor. This idea came from Goleman (1995), who disseminated that Emotional Intelligence would be the most important capability to explain the success at work, leading companies to invest in training and changing their selection practices. People with high Emotional Intelligence would present an effective performance at work, assuming the existence of the construct and its utility, without, however, relying on this one empirical data (Cobero, Primi, & Muniz, 2006; Sousa, Mónico & Castro, 2012). There are few studies relating Emotional Intelligence with Psychological Capital. Analyzing this relationship in an organizational scope will be important to understand how the organizations’ performance can be increasingly developed. Scrutinizing the role of Workplace Spirituality on this relationship is a new and important subject, which may indicate how increased Workplace Spirituality can strengthen the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. More specifically, we intend to examine the moderator and/or mediator role of Workplace Spirituality in the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. METHOD Sample The sample is composed by 132 males (43.7%) and 169 females (56%) of ages between 18 and 67 years old (M= 40.11, SD=10.78; for males: M = 40.28, SD = 12.11; for females: M = 39.97,SD = 9.66). Concerning education level, 29.9% (n=90) have basic education, 34.6% (n=104) have secondary education, and 35.5% (n=107) have higher education.


More than 50% are employees on behalf of others and nearly a third of the sample perform leadership roles (see Table 1). Table 1 - Sample distribution taking as variables employment status, management position, and educational level Educational Level Primary Education Employment Status:

n

%

Secondary Education

High Education

Total

n

%

n

%

n

%

Employers

19

6.3

12

4.0

10

3.3

41

13.6

Free professional

3

1.0

4

1.3

4

1.3

11

3.7

Government worker

11

3.7

15

5.0

36

12.0

62

20.6

Employees on behalf of others

57

18.9

71

23.6

45

15.0

173

57.5

Student-worker

0

0.0

2

0.7

12

4.0

14

4.7

Total

90

29.9

90

34.6

107

35.5

301

100.0

Management Position

28

9.3

32

10.6

32

10.6

92

30.6

Materials Workplace spirituality. We have applied a 6-point Likert scale (1 = strongly untrue to 6 = strongly true) adapted from Ashmos and Duchon (2000) and Milliman et al. (2003) for Portuguese population by Rego et al. (2007). The questionnaire comprises 17 items (α = .933), evaluating the workplace spirituality in five dimensions: (1) Team’s sense of community mainly provides information related to the sense of community and common purpose, team spirit and mutual care among members (α = 0.926); (2) Alignment between organizational and individual values relates to the compatibility of the individual’s values and inner life with the organization’s values, mission and purposes (α = 0.885); (3) Sense of contribution to the community provides information about the relationship between work and personal values (α = 0.810); (4) Sense of enjoyment at work is related to the sense of pleasure and enjoyment at work (α = 0.783); and (5) Opportunities for the inner life evaluates how the organization respects the individual’s spiritual values and the spirituality of the workers (α = 0.751). Confirmatory factor analysis was performed with AMOS 22.0, showing a good fit for the proposed model, CFI = 0.938; NIF = 0.908; RMSEA = 0.077 (Bentler, 1990; Byrne, 2001; Kline; 1998). PsyCap questionnaire. We have adopted the PsyCap Questionnaire, a 6-point Likert scale (1 = strongly disagree to 6 = strongly agree) from Vilaça et al. (2012). PsyCap Questionnaire is widely used in positive psychology research and also in organization studies (Luthans et al. 2008).

It comprises 24 items (α = .919), six for each of the four dimensions: Hope is based on the goal-directed determination/willpower and the way to achieve goals (α = .824); Optimism is the characteristic of those who perceive positive events as internal, stable and global, and negative events as external, unstable and specific (α = .690); Self-efficacy is the confidence that an individual has in his ability to direct their cognitive resources, motivation and action to perform a given intervention in a specific context (α = .891); and Resilience is the people’s ability to rebound and succeed from adversity or failure (α = .773). Despite the low reliability of the Optimism dimension, confirmatory factor analysis showed an acceptable fit for the tetra-dimensional model (CFI = .876; NFI = .819; RMSEA = .075). Emotional Intelligence Scale. Initially composed by 96 items, the Emotional Intelligence Scale was reduced to 17 items with a 7-point Likert scale (1 = the statement absolutely does not apply to me to 7 = the statement applies completely to me) by Rego et al. (2007), grouped into six dimensions: Understanding one’s emotions (3 items; α = .753), Self-control against criticism (3 items; α = .815), Self-encouragement (use of emotions; 3 items; α = .782), Emotional self-control (regulation of emotions; 3 items; α = 771), Empathy and emotional contagion (2 items; α = .817), and Understanding other people’s emotions (3 items; α = .791). Confirmatory factor analysis of Rego et al. (2007) model showed a good fit (CFI = .925; NFI = .881; RMSEA = .068). Procedures and Data Analysis All care was taken to ensure participants’ anonymity and to ensure the confidentiality of the data, so that the answers were not skewed. All formal and ethical situations were taken into account. A group of master students received training in collecting the sample following rigorous procedures. This was done in order to acquire a greater number of participants in a short time. This is a non-experimental and transversal study. The data was processed in SPSS and AMOS 22.0. The existence of outliers was measured by the square distance of Mahalanobis, and the normality of the variables was evaluated by the coefficients of asymmetry (Sk) and kurtosis (Ku) uni- and multivariate. None of the variables presented Sk or Ku values that could indicate violations of normal distribution, |Sk| < 3 and |Ku| < 8.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 47


RESULTS Table 2 illustrates the descriptive statistics and the intercorrelations between Workplace Spirituality, Emotional Intelligence, and Psychological Capital. As we can see, there is a significant association between Emotional Intelligence and Workplace Spirituality (r = .358) and between Emotional Intelligence and Psychological Capital (r = .599). Workplace Spirituality and Psychological Capital was linked in r = .504. Table 2 - Mean (M), standard-deviations (SD) and intercorrelations (r) between Emotional Intelligence, Psychological capital, and Workplace Spirituality M

SD

(1)

(2)

(3)

(4)

(5)

(6)

(7)

(8)

(9)

(10)

(11)

Emotional Intelligence

5.05

0.69

.599**

.535**

.501**

.442**

.542**

.358**

.260**

.266**

.353**

.339**

.259**

Understanding one’s emotions

5.22

0.98

.505**

.456**

.439**

.406**

.414**

.307**

.189**

.250**

.379**

.249**

.173**

Self-control against criticism 4.64

1.14

.151*

.051

.120*

.099

.215**

.074

.073

-.005

.012

.098

.170**

Self-encouragement

5.56

0.95

.567**

.618**

.541**

.414**

.381**

.357**

.226**

.322**

.390**

.358**

.165**

Emotional self-control

4.27

1.17

.474**

.419**

.362**

.353**

.485**

.170**

.130*

.105

.141*

.176**

.130*

Empathy and emotional contagion

5.66

1.03

.344**

.264**

.275**

.246**

.320**

.269**

.225**

.185**

.302**

.229**

.171**

Understanding other people’s emotions

5.17

0.93

.402**

.373**

.310**

.283**

.341**

.317**

.253**

.262**

.275**

.287**

.200**

(1) PsyCap

4.53

0.61

-

.504**

.366**

.397**

.558**

.509**

.200**

(2) Self-efficacy

4.67

0.82

-

. 495**

.373**

.418**

.490**

.464**

.238**

(3) Hope

4.62

0.74

.687**

-

.549**

.368**

.476**

.608**

.561**

.246**

(4) Resilience

4.48

0.69

.623**

.625**

-

.275**

.160**

.295**

.252**

.257**

.112

(5) Optimism

4.32

0.68

.567**

.631**

.529**

. 410**

.301**

.301**

.453**

.440**

.173**

(6) Workplace Spirituality

4.24

0.87

(7) Team’s sense of community

4.11

1.09

-

(8) Alignment between organizational and individual values

4.11

1.03

.729**

-

(9) Sense of contribution to the community

4.50

1.06

.450**

.594**

-

(10) Sense of enjoyment at work

4.50

1.02

.603**

.660**

.650**

-

(11) Opportunities for the inner life

4.22

1.29

.422**

.415**

.229

.345**

-

-

-

* p < .05 ** p < .01

Multiple regression analyses pointed that, altogether, the five dimensions of Workplace Spirituality had a predictive capacity of 33% (R2) of the Psychological Capital, being Sense of usefulness to the community (β = .330) and Happiness at work (β = .268) the significant predictors (p < .001). On the other hand, Emotional Intelligence predicts 16.8% of the Workplace Spirituality (being Self-encouragement the only significant predictor, β = .230 , p = .001) and 44.7% of the Psychological Capital (being Self-encouragement β = .398, Emotional self-control β = .269, and Understanding other people’s emotions β = .197 the significant predictors, p < .001). The relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital was moderated by Workplace Spirituality, (β = -.100, p = .024), however with a very low effect size (ΔR2 = .01). Going to the mediation model, we analyzed the indirect effect of Workplace Spirituality in the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital (see Figure 1). Workplace Spirituality was shown to be a partial mediator on this relationship (direct effect of β=.55, indirect effect of β=.17, p <.05).

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 48


Figure 1 - Prediction of Psychological Capital based on Emotional Intelligence mediated by Workplace Spirituality

we strengthened that this relationship occurs if the employees feel happy and useful in their work and that Workplace Spirituality strengths the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. Indeed, Workplace Spirituality can be considered as a framework of organizational values evidenced in the culture, which promotes employee’s experience of transcendence through the work process (Giacalone & Jurkiewicz, 2003). With this transcendental experience each employee can be involved with the organization beyond required work, facilitating their sense of connection with others in a way that promotes the feeling of fullness and happiness. CONCLUSION

DISCUSSION This study aimed to analyze the role of Workplace Spirituality in the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. The association between these three constructs was not found in the literature. Despite of that, there is enough research that shows the positive influence of Emotional Intelligence in satisfaction (Franca & Mónico, 2014), self-esteem (Mónico, Santos, & Lima, 2014), and in individual and group performance, and also the negative impact on stress (Lucas & Mónico, 2013) and turnover intention (e.g., Cobero et al., 2006). We found that self-encouragement promotes an increase in the perception of Workplace Spirituality. Furthermore, the ability to selfmotivate using our own feelings (self-encouragement) and to control these feelings in emotional situations (emotional self-control) promotes employees Psychological Capital. This result is in line with the literature that associates Psychological Capital with emotional intelligence (Nellão & Mónico, 2013), and also wirh performance, work attitude, leadership, satisfaction, and creativity (Luthans et al., 2006; Luthans & Youssef, 2007; Toor & Ofori, 2010). Several studies found a positive relationship between Workplace Spirituality and organizational climate, productivity, commitment, performance, and intuitive and creative potential of employees to promote honesty and trust among organizational members, and also between them and the other stakeholders (Krishnakumar & Neck, 2002; Rego et al., 2007). In a recent work it was found that Workplace Spirituality is able to influence the Psychological Capital of workers (Pedreira & Mónico, 2013);

Workplace Spirituality, Emotional Intelligence, and Psychological Capital are positively correlated. Workplace Spirituality affects the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital, acting as a moderator variable, although with a small effect size. Furthermore, Workplace Spirituality showed to be a partial mediator on the relationship between Emotional Intelligence and Psychological Capital. IMPLICATIONS FOR CLINICAL PRACTICE In clinical practice, the research on emotional intelligence, psychological capital and Workplace Spirituality is scarce and still at the developmental stage. Considering the implications, questions related to the improvement of emotional intelligence and psychological capital in healthcare professionals should be considered. This development can highlight healthcare professionals’ psychological empowerment, a set of psychological states which are necessary for professionals feel that they have control over their work. Good workplace spirituality can enhance structural empowerment. This perspective of empowerment focuses on social and structural conditions that allow empowerment at the workplace. It only exists if the healthcare professionals have access to opportunities, information, support and resources, being the workplace spirituality a good promoter, influencing healthcare provision, work requirements, job satisfaction, and the continuity of healthcare professionals in their clinical practice.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 49


REFERENCES Ashmos, D. P., & Duchon, D. (2000). Spirituality at work: A conceptualization and measure. Journal of Management Inquiry, 9(2),134-145. Cobero, C., Primi, R., & Muniz, M. (2006). Inteligência emocional e desempenho no trabalho: Um estudo com MSCEIT, BPR-5 e 16PF. Paidéia, 16(35), 337-348. Duchon, D., & Plowman, D. A. (2005). Nurturing the spirit at work: Impact on work unit performance. Leadership Quarterly, 16, 807-833. Franca, L. A., & Mónico, L. S. (2014). The role of emotional intelligence in job satisfaction of individuals. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 1(7), 203-212.

Mayer, J. D., Salovey, P., & Caruso, D.R. (2008). Emotional intelligence: New ability or eclectic mix of traits? American Psychologist, 63(6), 503-517. doi: 10.1037/0003-066X.63.6.503 Mellão, N., & Mónico, L. S. (2013). The relation between emotional intelligence and psychological capital of employees. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 2(1), 545-550. Milliman, J., Czaplewski, A. J., & Fergusson, J. (2003). Workplace spirituality and employee work attitudes: An exploratory empirical assessment. Journal of Organizational Change Management, 6(4), 426-447. doi: 10.1108/09534810310484172 Mónico, L. S., Santos, P. I., & Lima, L. N. (2014). The implications of emotional intelligence in self-esteem. Revista de Saúde Pública, 48, 190-281.

Giacalone, R. A., & Jurkiewicz, C. L. (2003). Toward a science of workplace spirituality. In R. A. Giacalone & C. L. Jurkiewicz (Eds.), The handbook of workplace spirituality and organizational performance, 3-28.

Pedreira, L., & Mónico, L. S. (2013). Workaholism and psychological capital: Repercussions on workplace spirituality. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 2(1), 535-544.

Goleman, D. (1995). Emotional intelligence. New York, United States of America: Bantam Books.

Poole, E. (2009). Organizational spirituality: A literature review. Journal of Business Ethics, 84(4), 577-588.

Krishnakumar, S., & Neck, C.P. (2002). The “what”, “why” and “how” of spirituality in the workplace. Journal of Managerial Psychology, 17(3), 153-164.

Rego, A., Souto, S., & Cunha, M. P. (2007). Espiritualidade nas organizações positividade e desempenho. Comportamento Organizacional e Gestão, 13(1), 7-36.

Lucas, H. M., & Mónico, L. S. (2013). Emotional intelligence and the protection of organizational stress. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 2(1), 551-560.

Sousa, A. P., Mónico, L. S., & Castro, F. V. (2012). Workaholic ou worklover: A importância da inteligência emocional. International Journal of Developmental and Educational Psychology, 4(1), 281-289.

Luthans, F., & Youssef. C. M. (2007). Emerging positive organizational behavior. Journal of Management, 33(3), 321-349. doi: 10.1177/0149206307300814

Toor, S. R., & Ofori, G. (2010). Positive psychological capital (PsyCap) as a source of sustainable competitive advantage for organizations. International Journal of Project Management, 136(3), 341–352.

Luthans, F., Youssef. C. M., & Avolio, B. J. (2007). Psychological capital: Developing the human competitive edge. Oxford, United Kingdom: Oxford University Press.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 50

Vilaça, I., Mónico, L. S., & Castro, F. V. (2012). Da espiritualidade organizacional ao capital psicológico individual: Qual o papel da liderança autêntica? International Journal of Developmental and Educational Psychology, 4(1), 281-289.


Artigo de Investigação

9

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0117

TRABAJAR LAS EMOCIONES MEDIANTE B-LEARNING EN LOS FUTUROS PROFESIONALES DE ENFERMERÍA: UNA EXPERIENCIA DIFERENTE DE PROMOCIÓN EN SALUD MENTAL | Nária Soares de Carvalho1; Carme Ferré-Grau2; Maria Teresa Lluch3; Dolores Serrano-Parra4; Núria Albarca5; Ana Palomino6 |

RESUMEN CONTEXTO: Las experiencias en los espacios virtuales acostumbran a estar dirigidas a conocimientos técnicos y de aprendizaje colaborativo – cooperativo –, no siendo utilizadas para trabajar las habilidades que sean de propiedades más subjetivas, como son las emociones. Las emociones son categorizadas dentro de las competencias transversales, y son trabajadas en gran porcentaje con estrategias de aprendizaje presencial. Las emociones son de vital importancia a la hora de respuesta al estímulo. La falta de regulación puede exponer a la persona a varios riesgos en relación a su salud mental y comprometer su bienestar. Las Emociones son un elemento que interviene en el cuidado de enfermería y que puede comprometer la calidad del cuidado. OBJETIVOS: Con el objetivo principal de estimular la regulación emocional en los futuros profesionales de enfermería – además analizar el efecto de la metodología aplicada, y verificar la satisfacción de los estudantes –, se realizó en la asignatura de enfermería de la Universidad Rovira i Virgili un proyecto piloto en la asignatura optativa de Salud Mental Positiva. METODOLOGIA: La metodología aplicada en este estudio fue cualitativa y el método de aprendizaje fue reflexivo. El instrumento de información fue el espacio virtual de aprendizaje Moodle/ Fórum. La muestra fue de 42 estudiantes de 3º del grado de enfermería. RESULTADOS: Los estudiantes se sintieron con más libertad de expresar sus ideas y emociones ya que el espacio de aprendizaje estaba fuera de un espacio físico. También se fomentó el autoconocimiento y las relaciones interpersonales. Lo cual incidió sobre el autoconcepto (autoestima) y las emociones positivas. CONCLUSIÓN: El uso de espacios virtuales con la metodología adecuada es una herramienta a la hora de realizar trabajos de promoción en salud mental, como el de la regulación emocional

PALAVRAS-CHAVE: B-learning; Regulación emocional; Enfermería; Salud mental

RESUMEN

ABSTRACT

“Trabalhar as emoções mediante b-learning nos futuros profissionais de enfermagem: Uma experiência diferente de promoção da saúde mental”

“Using b-learning to working on emotions with future nursing professionals: A different approach to promoting mental health”

CONTEXTO: As experiências nos espaços virtuais costumam estar direcionadas a conhecimentos técnicos e de aprendizagem colaborativa – cooperativa –, não sendo utilizadas para trabalhar as habilidades que sejam de propriedades mais subjetivas, como são as emoções. As emoções são categorizadas dentro das concorrências transversais, e são trabalhadas em grande percentagem com estratégias de aprendizagem presencial. As emoções são de vital importância à hora de resposta ao estímulo. A falta de regulação pode expor à pessoa a vários riscos em relação a sua saúde mental e comprometer seu bem-estar. As Emoções são um elemento que intervém no cuidado de enfermagem e que pode comprometer a qualidade do cuidado. OBJETIVO(S): Com o objetivo principal de estimular a regulação emocional nos futuros profissionais de enfermagem –além de analisar o efeito da metodologia aplicada, e verificar a satisfação dos estudantes–, realizou-se na matéria de enfermagem da Universidade Rovira i Virgili um projeto piloto na matéria optativa de Saúde Mental Positiva. METODOLOGIA: A metodologia aplicada neste estudo foi qualitativa e o método de aprendizagem foi reflexivo. O instrumento de informação foi o espaço virtual de aprendizagem Moodle/Fórum. A amostra foi de 42 estudantes de 3º, do grau de enfermagem. RESULTADOS: Os estudantes sentiram-se com mais liberdade de expressar suas idéias e emoções já que o espaço de aprendizagem estava fora de um espaço físico. Também se fomentou o autoconhecimento e as relações interperssonais. O qual incidiu sobre o autoconceito (auto-estima) e as emoções positivas. CONCLUSÃO: O uso de espaços virtuais com a metodologia adequada é uma ferramenta à hora de realizar trabalhos de promoção em saúde mental, como o da regulação emocional.

DESCRIPTORES: B-learning; Regulação emocional; Enfermagem; Saúde mental

CONTEXT: Virtual learning experiences are usually intended to foster technical knowledge and collaborative-cooperative learning, and are not used for working on more subjective skill areas such as the emotions. Emotional skills are classified among the transversal competences are usually taught in face-to-face learning environments. Emotions are of vital importance when responding to stimuluses. An inability to regulate emotions can put individuals at risk of various mental health problems and compromise their wellbeing. Emotional skills play a role in nursing and can compromise the quality of care. OBJECTIVE: A pilot project was carried out in the optional subject Positive Mental Health of the Nursing degree at the Universitat Rovira i Virgili. The principal aims were to stimulate the emotional regulation of future nursing professionals, to analyse the efficacy of the methodology used and to determine satisfaction levels among the students. METHODOLOGY: The methodology applied in this study was qualitative and the learning methodology was reflective. The virtual learning platform Moodle/Forum was used to deliver the methodology. The sample consisted of 42 students from the third year of the Nursing degree. RESULTS: The students felt greater freedom to express their ideas and emotions because learning took place in a virtual rather than physical space. The methodology also boosted self-awareness and interpersonal relations, which also had an effect on self-esteem and positive emotions. CONCLUSION: Virtual platforms used with the appropriate methodology are useful for promoting mental health and emotional regulation

KEYWORDS: B-learning; Emotional regulation; Nursing; Mental health Submetido em 01-10-2015 Aceite em 20-03-2016

1 Doctoranda en Ciencia de la Enfermería; Docente y Investigadora en el Departamento de Enfermería de la Universitat Rovira i Virgili, nariasoarescarvalho@gmail.com 2 Doctora en Ciencias Sociales; Graduada en Enfermería; Directora del Curso de Doctorado en Ciência de la Enfermería en la Universitat Rovira i Virgili, carme.ferre@urv.cat 3 Doctora en Psicologia; Graduada en Enfermagem; Catedrática en Enfermería, Departamento de Enfermería de la Universitat de Barcelona, España, tlluch@ub.edu 4 Doctora en Ciencia de la Enfermería; Graduada en Enfermería; Docente de Enfermería en la Universidad de Castilla de la Mancha, Ciudad Real, Dolores.Serrano@uclm.es 5 Doctora en Ciencia de la Enfermería; Docente de Enfermería en la Universitat Rovira i Virgili, 43002 Tarragona, España, nuria.albacar@urv.cat 6 Docente associada al Departamento de Enfermería de la Universitat Rovira i Virgili, 43002, Tarragona, España, apalomino@fundacio-puigvert.es Citação: Carvalho, N. S., Ferré-Grau, C., Lluch-Canut, M. T., Serrano-Parra, D., Albarca, N., & Palomino, A. (2016). Trabajar las emociones mediante b-learning en los futuros profesionales de enfermería: Una experiencia diferente de promoción en salud mental. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 51-56. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 51


INTRODUCION La visión positiva de la salud mental tuvo punto de partida en la declaración de la Organización Mundial de la Salud (OMS), dando una nueva visión de la salud con aspectos positivos. El concepto de salud mental según la OMS se “define como un estado de bienestar en el cual el individuo es consciente de sus propias capacidades, puede afrontar las tensiones normales de la vida, puede trabajar de forma productiva y fructífera y es capaz de hacer una contribución a su comunidad”. Desde entonces, la concepción de prevención y promoción en salud física y en salud mental tuvo en cuenta aspectos más subjetivos, pero no menos importantes, vinculados al bienestar. Tales como: la felicidad, el humor, los sentimientos y emociones, el autoconcepto, las relaciones interpersonales, la capacidad de afrontamiento, las fortalezas humanas, la satisfacción personal…etc. En este ámbito se integraron varias disciplinas con la intención de comprender el bienestar humano, aportando diferentes visiones sobre el tema. De manera que el concepto de bienestar se emplea para definir muchos estados, como por ejemplo: bienestar subjetivo. La definición está relacionada con la buena vida, aquello que hace la vida agradable, que da la felicidad en general. Es subjetiva, puesto que esta visión de bienestar es personal. Los conceptos relacionados son emociones agradables, juicios sobre uno mismo, la satisfacción con la vida o dominio en alguna faceta de la vida como trabajo, relaciones sociales…etc. (Diener, 2000). Bienestar psicológico es el funcionamiento óptimo personal, el cual está compuesto por seis aspectos: una actitud positiva hacia ti mismo (la auto-aceptación), el sentimiento de desarrollo y las ganas de mantenerlo constante (el crecimiento personal), tener un propósito y orientación en la vida (propósito vital), ser capaz de manejar entornos complejos (dominio), tener relaciones satisfactorias e íntimas incluyendo habilidades de relación interpersonales, poder de toma sus propias decisiones de manera independiente (autonomía) y relaciones positivas (Ryff, 1989). Las emociones, desde entonces, han sido foco de varios estudios, sin embargo aunque los sentimientos y emociones se utilizan normalmente como sinónimo, presentan definiciones diferentes. Por ello es importante diferenciar entre los dos conceptos aunque en algunos estudios se los presente como iguales, pero no es así. Los sentimientos son un estado de ánimo, y como tal estado tiene una duración variablemente prolongada. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 52

Este se produce por causas que impresionan de forma agradable o desagradable (Damásio, 2010), y este sentimiento surge del resultado de percibir una emoción, siendo esta –según la visión expresada en la obra ética nicomaquea de Aristóteles – una emoción que puede venir acompañada de placer o de dolor (Trueba, 2009). Según la psicología la emoción es un concepto usado para explicar un proceso multidimensional que se encarga de: analizar una situación, hacer una interpretación subjetiva de la misma, expresión del proceso, preparar para la acción y produce cambios en la actividad fisiológica (Fernández-Abascal G. E, Martín M. D. & Jiménez M. P., 2003). Las emociones básicas son: la alegría, el miedo, la tristeza, la ira, el asco y la sorpresa (Fernández-Abascal et al., 2003). Las emoción intervienen en los factores relacionados con el bienestar ver meta-análisis sobre el optimismo y la salud física: Optimism and physical Health: meta–analytic review (2009), y Optimism, Cynical Hostility and incident coronay heart disease an mortality in th women´s health initiative (2009). La Salud Mental Positiva (SMP) pretende mantener un enfoque de la Salud Mental no centrado en el déficit, sino en las partes que contribuyen a que la persona disfrute de la vida, que pueda afrontar los desafíos del día a día y además contribuir al desarrollo humano personal y comunitario. Se puede decir que Jahoda, en 1958, promulgó una visión multifactorial de la salud mental desde una perspectiva positiva. Es decir, la salud mental en su parte de normalidad clínica constituye la definición del concepto SMP (Jahoda M., 1958) . En España hay un modelo de referencia en SMP, elaborado por la Dra. Lluch-Canut (1999) que tiene como referencia el de Jahoda. Este consta de seis factores: autoconcepto, actitud prosocial, autocontrol, autonomía, resolución de problemas y autoactualización, habilidades relaciones interpersonales. Además, hay correlación entre los factores de SMP. Es decir, la falta de uno altera el desarrollo o causa déficit en otro, siendo como un circuito encadenado, entorno a la Salud Mental Positiva. Incidiendo su influencia en la SMP de la persona (Lluch- Canut, 2002). Los futuros profesionales de enfermería tienen grandes retos durante su formación, pues pasan por muchas sobrecargas de trabajo, ya que las actividades generadas durante el curso pueden causarles estrés. Asimismo, formarán parte de un grupo de riesgo en relación a bajas por trastornos afectivos, burnout, cansancio emocional, consumo de sustancias (drogas). La prevención durante la formación es una buena estrategia para proporcionar al futuro profesional herramientas para saber gestionar los factores de riesgo en beneficio de su salud.


Hay dos vías para la promoción de atributos resilientes, una es el control de las adversidades y su impacto. La segunda vía es potenciar los atributos resilientes en los individuos vulnerables a través de la promoción en salud mental positiva. (Werner, 1992). Es decir, a través de los aspectos positivos de la salud mental. De manera que las intervenciones relacionadas con la resiliencia están focalizadas en las fortalezas, teniendo en cuenta el contexto y entorno, fomentado los recursos protectores personales y promoviendo los recursos protectores externos (Lyssenko, Rottmann & Bengel, 2010). La salud mental positiva es un predictor de bienestar psicológico. La relación entre las emociones positivas y el cambio en la satisfacción con la vida está mediada por la mudanza en la capacidad de recuperación. Los estudios no sólo confirmaron las emociones positivas como valor predictivo de satisfacción sino también la necesidad de un aumento de estas, ya que ayudan a las personas a crear resultados deseables (Viera, López & Barrenechea, 2006) Observando la necesidad de trabajar las emociones en los estudiantes de enfermería, se realizó una planificación metodológica nueva, innovando tanto en la metodología como en las estrategias. Fue con la intención de adoptar una estrategia más adecuada como, después de varias búsquedas y análisis de resultados, se eligió la metodología reflexiva para trabajar las emociones. El aprendizaje reflexivo se define de una manera constructivista; en la teoría constructivista el aprendizaje significativo, además de generar nuevos conocimientos, promueve el cambio de conducta. (Brockbank, A & Mcgill, I., 2002). En las experiencia educativas con el uso de metodología reflexiva se ha observado buen resultado. En enfermería la utilización de las TICs como herramienta de apoyo en aprendizaje y docencia es amplia, ya que su empleo posibilita la aplicación de diferentes metodologías de aprendizaje como las PBL (Problem Based Learning), aprendizajes basados en problemas (ABP y otros…). La modalidad b-Learning (Blended Learning) en que la enseñanza es mixta (presencial y virtual) las TICS no es un simple soporte, sino que forma parte de la estrategia de aprendizaje, extendiendo este fuera del espacio físico universitario. Con el objetivo principal de estimular la regulación emocional en los futuros profesionales de enfermería –además analizar el efecto de la nueva metodología aplicada y verificar la satisfacción de los estudiantes–, se realizó en la asignatura de enfermería de la Universidad Rovira i Virgili un proyecto piloto en la asignatura optativa de Salud Mental Positiva.

METODOLOGIA La metodología del estudio es cualitativa fenomenológica. Muestra de 42 estudiantes del tercer curso de Grado de Enfermería de la Universidad Rovira i Virgili de Tarragona, Campus Cataluña. El rango de edad es de 21 a 53 años de edad. Siendo estos mujeres y hombres. El instrumento de recogida de información es el espacio virtual llamado Fórum reflexivo que se realiza desde la plataforma de aprendizaje Moodle. Se analizan las actividades realizadas en el Fórum reflexivo y las observaciones realizadas durante los seminarios. El análisis del contenido fue realizado a través del método de la teoría fundamentada. El período de realización de las actividades fue de marzo de 2014 a mayo de 2014. Se realizaron siete sesiones. La identificación de la muestra es la abreviación E de estudiante y el número asignado. El fórum reflexivo: El fórum es un espacio en el que se compartían reflexiones, conocimientos y actividades propuestas en clase. El idioma usado fue el catalán y el castellano. En él se trabajó la interacción social, reforzando las habilidades sociales y comunicativas. Además de potenciar la reflexión individual y en grupo, así como las actitudes de cooperación, comprensión y respeto entre los estudiantes. Los grupos eran seleccionados aleatoriamente a través del Moodle, cada grupo era de cuatro componentes. Evaluación Fórum Reflexivo: • Se evaluó la participación activa del estudiante en el fórum. • Se valoró la realización de las actividades con muestra de conocimientos adquiridos en el aula y seminarios. • Se evaluó el cumplimento de las pautas sugeridas. • Se tuvo en cuenta el cumplimiento de las fechas de entrega de las actividades solicitadas, la no entrega en el plazo incidió en la nota. Las actividades se puntuaron de 0 a 100. Era necesario el mínimo de cinco para que la actividad fuese considerada como superada. En estas actividades la evaluación fue formadora, ya que daba la posibilidad al estudiante de valorar sus aciertos y errores en el proceso de aprendizaje. El seminario presencial: Se elaboró una planificación de los seminarios centrada en estrategias dinámicas y que invitaba a la colaboración, análisis y reflexión. El puzzle, el rincón, trabajo de casos en grupos reducidos con tareas individuales para que cada uno tuviera un rol en la ejecución de las actividades. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 53


RESULTADOS Los resultados encontrados fueron, en primer lugar el desconocimiento por parte de los estudiantes de la presencia de la emociones en la vida diaria, este desconocimiento dificulta a uno mismo reflexionar sobre sus influencias. E. F. 32. “Es curioso como en un periodo de tiempo tan corto, (un solo día), se pueda experimentar dos tipos de sentimientos tan diferentes, los cuales evocan sensaciones muy distintas en mí.” E. F. 29. “Creo que hay que conocer los diferentes sentimientos que vamos sintiendo a lo largo de nuestra vida, interpretarlos y gestionarlos, sabiendo cuáles nos harán bien y cuáles no.” Una vez realizada la reflexión sobre la presencia, es cuando se profundiza sobre su influencia y las posibilidades de intervenir en ellas. E. F. 32. “Las emociones negativas nos pueden marcar el día, haciendo de él un día pésimo, pero sin darnos cuenta, también nos marcan a nosotros mismos, internamente nos sentimos tristes, deprimidos, apáticos, irritables, incluso nuestra postura es diferente, nuestra mirada es distinta, influye en el trato a los demás... en definitiva, cuando estamos de mal humor y desperdiciamos el día con la ira, la frustración, los celos y el odio, estamos desperdiciando un tiempo precioso, la vida es corta, aunque nos cueste no nos dejemos llevar por este tipo de emociones destructivas, vivámoslo sin mas....” El trabajo de análisis e intercambio de ideas va generando nuevos conocimientos, y produciendo el aprendizaje significativo, que es cuando lo que aprendes traslada a la vida real. E. F 29. “Pienso, al igual que..., que tanto el concepto de Resiliencia como la gestión de los sentimientos van de la mano la mayoría del tiempo. Uno no puede ser resiliente si no tiene una base mínima de respuesta adaptativa con un sustento de sentimientos positivos que le impulsen al cambio y a sobreponerse a la situación o el hecho que le ha llevado a donde está.” E. F. 21. Bon dia ...., després de llegir la reflexió que fas sobre l’afectació dels sentiments i emocions a la teva vida observo que en cada situació viscuda durant el transcurs del dia experimentes diferents sentiments i emocions, passant des de la por i hostilitat matinal, a l’hora de passejar el gos, fins a la sensació de benestar que et genera quan et trobes amb la teva parella i el sentiment de felicitat.”

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 54

E. F. 29. Darte cuenta de cómo influyen tus reacciones sobre los demás y a viceversa ayuda a entender por qué se plantean algún tipo de situaciones. Si reflexionásemos más sobre esto, seguro que en general resolveríamos muchos más conflictos” La mejora de autoconcepto al exponer sus dificultades y recibir el apoyo y comprensión por parte del grupo. E. F. 26. “..., entiendo tu situación, tal vez desde otra perspectiva, pero entiendo el sentimiento que tienes en relación a tu trabajo. Creo que... tienes razón, en lo que dice. En la actividad dices que tu forma de luchar contra los sentimientos negativos que te crea tu trabajo es equilibrarlos con los buenos sentimientos que tienes durante el día con tu novio y familia” E. F. 12. “Creo que tal vez podría intentar, como dice Ángel, mirar la situación que te crea malos sentimientos de otra manera. Por ejemplo, cuando yo trabajaba de noches, me marcaba metas, como por ejemplo, hacer cualquier cosa mejor, que quede mas bonita o en menos tiempo. Puede parecer una tontería, pero yo los veo como pequeños objetivos que te obligan a mejorar.” E. F. 28. “Me ha gustado mucho leer la reflexión de… está repleta de actitudes dignas de imitar, gracias por tu aportación...tan personal. A mí también me sucede lo mismo que a vosotras... en cuanto estamos saturados por aspectos de la vida no universitaria y la vida universitaria, siento como me saturo y el tiempo se escurre entre mis dedos sin poder avanzar.” La satisfacción de los estudiantes por haber participado en un espacio virtual donde no solo se reflexionaba acerca de lo aprendido en el seminario sino que además se aportaba y compartían sus experiencias y emociones. También despertar el deseo de continuar se auto-actualizando. E.F. 21.”Esta asignatura me doy cuenta, cada vez más, lo importante que es que la gente trabaje e invierta energía en cuidar su salud mental. En el futuro el trabajo como enfermeros estaría bien aprovechar esa oportunidad para motivar a las personas a autorrealizarse, que aun teniendo una enfermedad o pasar por un proceso patológico temporal , se sientan a gusto con ellos mismos y puedan usar esos procesos como una oportunidad de trabajar la resiliencia y conocerse mejor.” E.F. 03.“Us agraeixo de tot cor la vostra sinceritat al comentar els meus escrits i espero que hagueu tingut una bona experiència, tal i com ha sigut la meva.”


DISCUSIÓN El proceso de autorreflexión que posibilitó la estrategia b-learning/Fórum reflexivo promovió las expresiones de las emociones, haciendo que el estudiante tomara consciencia de su presencia, importancia e influencia. Las expresiones de emociones en contextos inapropiados están asociados a problemas con la adaptación social (Cole, P. M., Miche, M. K. & Teti, L. O., 1994). Los estudiantes pasan por un periodo formativo que les genera mucho estrés. El hecho de haber tenido un espacio para compartir estas preocupaciones y elaborar otro punto de vista sobre el tema ayuda a dar una visión más optimista de la experiencia. El optimista tiene la capacidad de valorar las estrategias de afrontamiento dirigido al problema y en caso de que no haya posibilidad de solucionarlo recurre a las estrategias centrada en las emociones (el humor, reinterpretación positiva de la vivencia, buscar apoyos para amortiguar los efectos negativos (Ortiz, Ramos & Villarroel, 2003). Además, las emociones positivas sirven para moderar el efecto del estrés y mediar en la recuperación, nunca para eliminar el estrés ya que es un elemento presente en la vida humana (Tindle et al., 2009). La regulación emocional aumenta las habilidades personales y favorece la vida social (Brackett, M., Rivers, Shiffman, S., Lerner N. & Solovey P, 2006). En este proyecto los resultados han sido muy parecidos a los estudios que trabajan las competencias emocionales en relación a promoción y prevención, metodologías como el Aprendizaje Social y emocional (SE). Se trata de un proceso que integra cinco competencias básicas: autoconciencia, la autorregulación, la automotivación, la empatia y la relaciones interpersonales (Durlak A. J., Weissberg P. R., Shellinger B.K., Taulor R.D. & Schellinger K.B, 2011). CONCLUSIÓN La conclusión del estudio fue que la metodología resultó efectiva, el empleo de la metodología b-Learning posibilitó la expresión de emociones, tanto por escrito como presencial (Seminarios). Además de promover los pasos para la competencia emocional (conciencia de propio estado emocional, utilizar vocabulario emocional, empatía, capacidad de autoeficacia emocional...). La participación en un espacio virtual fomentó las relaciones interpersonales, ya que no sólo se conocieron mejor, sino que también compartieron sus dificultades y transferencia de apoyo y comprensión. Además de promover el autoconcepto, ayudando a ver una autoimagen más positiva de uno mismo, a través de las valoraciones positivas de los compañeros.

El fórum promovió el autoconocimiento, y como resultado, el descubrimiento de puntos fuertes y otros que necesitan ser trabajados en relación a las emociones. Este análisis es importante para los cambios de conducta saludable. Aunque la muestra es pequeña para generalizar los resultados, sirve como línea para futuros proyectos de innovación o promoción y prevención en salud mental. IMPLICACIONES PARA LA PRATICA CLINICA El método b-Learning es una estrategia muy fácil, práctica y de fácil valoración. En el trabajo de promoción y prevención en salud mental, los recursos virtuales pueden ejercer un rol importante ya que, aunque las sesiones presenciales tienen relevancia, el espacio virtual se traslada fuera del tiempo y el espacio físico reglado. Facilitando así el acceso y motivando la participación en los programas de prevención y promoción. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Brackett, M., Rivers, Shiffman, S., Lerner N., & Solovey, P. (2006). Relating emocional abilities to social funtioning: A comparison of self-reporte and performance measures of emotion intelligence. Journal of Personality and Social Psychology, 91(4), 780-795. Brockbank A., & Mcgill I. (2002). Aprendizaje reflexivo en la educación superior. Madrid, España: Ed. Morata. Cole, P. M., Miche, M. K., & Teti, L. O. (1994). The developament of emotion regulation and dysregulation: clinical perpective. Monografs of the Society Research in Child Developament, 59(2-3), 73-100. Damásio, A. (2010). Self Comes to Mind: constructing the Consciens Brain. New York, United States of America: Vintage Books. Diener, E. (2000). Subjetive Well-being: The Science of Happiness and a proposal for a national index. Journal American Psychologist, 55(1), 34-43. Dimitry M. D., Stewart R., Ritchie K., & Cahudieu I. (2010). Resilience and Mental Health. Clinical Psychology Review, 30(5), 479-495. doi: 10.1016/j. cpr.2010.03.003

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 55


Durlak A. J., Weissberg P. R., Shellinger B. K., Taulor R. D., & Schellinger K. B. (2011). The impact of ennhancing students social and emotional learning: A metaanalysis of school-based universal interventions. Child Development, 82(1), 405-432. doi: 10.1111/j.14678624.2010.01564.x Fernández-Abascal G. E, Martín M. D., & Jimenez M. P. (2003). Emoción positiva y motivación. Madrid, España: UNED. Jahoda M. (1958). Current Concepts of Positive Mental Health. Acedido em 22 de setembro, 2015, em https://archive.org/details/currentconceptso00jaho Lyssenko, L., Rottmann, N., & Bengel, J. (2010). Resilienzforschung. Acedido em 5 de setembro, 2015, em http:// www.fruehehilfen.de/fileadmin/user_upload/fruehehilfen.de/pdf/Bundesgesundheitsblatt_Artikel_Bengel.pdf Lluch-Canut, M. T. (2002). Evaluación empírica de un modelo conceptual de Salud Mental Positiva. Salud Mental, 25(4), 42-55. Lyssenko, L., Rottmann, N., & Bengel, J. (2010). Research on psychological resilience. Relevance for prevention and health promotion. Bundesgesundheitsblatt Gesundheitsforschung Gesundheitsschutz, 53(10), 1067-72. Organización Mundial de la Salud (2014). Definición de salud mental. Acedido a 2 de setembro de 2015, em http:// www.who.int/topics/mental_health/es/

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||56 56

Ortiz, J., Ramos, N., & Villarroel, P. V. (2003). El optimismo y la salud: Estado actual e implicaciones para la psicología clínica y de la salud. Suma Psicológica, 10(1), 119-134. Rasmussen H. N., Sheier M. F., & Greenhouse J. B. (2009). Optimism and physical health: Meta–analytic review. Annuary Behavior Medicine, 37(3), 239-256. Ryff, C. D. (1989). Happiness is everything, or is it? Explorations on the meaning of psychological well-being. Journal of happiness studies. Acedido a 10 de setembro de 2015, em http://sccn612final.wikispaces.com/file/ view/Hedonia,+Eudaimonia-+An+Introduction.pdf Tindle H. A., Chang Y. F., Kuller L. H., Manson J. E., Robinson J. G., Rosal M. C., & Matthews K. A. (2009). Optimism, Cynical Hostility and incident coronay heart disease an mortality in the women´s health initiative, 120(8), 656-662. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.108.827642 Trueba A. C. (2009). La teoría Aristotélica de las emociones. Signos Filosóficos, 11(22), 147-170. Acedido a 20 de setembro de 2015, em http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=34316032007 Viera, A. O., López, S. S., & Barrenechea, A. V. (2006). The psychological well-being a positive indicator of mental health. Revista Cubana, 7(1-2), 34-39. Werner, E. E. (1992). The Children of Kauai: Resiliency and recovery in adolescence and adulthood. Journal of Adolescence Health, 13(4), 262-268. doi: 10.1016/1054139X(92)90157-7


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0118

10 A SITUAÇÃO DE CRISE EM PORTUGAL E A SAÚDE MENTAL DOS

PROFISSIONAIS DE SAÚDE

| Lídia Cabral1 ; João Carvalho Duarte2; Daniel Silva3; Amadeu Matos Gonçalves4; Ernestina Silva5 |

RESUMO CONTEXTO: O impacto da crise económica faz-se sentir nas relações laborais e exerce influência na satisfação e na saúde mental dos profissionais de saúde, levando a desmotivação, angústia, ansiedade, tristeza, depressão e sentimentos de solidão. OBJETIVOS: Analisar a relação entre a situação económica e a saúde mental dos profissionais de saúde; identificar variáveis sociodemográficas e de contexto profissional que interferem na saúde mental dos profissionais de saúde. METODOLOGIA: Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional. Utilizou-se o questionário de caracterização sociodemográfica e situação económica e o Inventário de Saúde Mental. A amostra foi constituída por 116 profissionais de saúde. RESULTADOS: As mulheres estão em maioria, prevalece o grupo de idades compreendidas entre os 28 e os 34 anos, residentes em zona rural, com o ensino superior, com um vínculo à instituição de contrato a termo certo. A maioria (92,1%) admite que a crise económica os afetou por cortes salariais e instabilidade laboral e no último ano 61,5% sentiram ansiedade e 47,7% um sentimento de tristeza. A idade e a profissão interferiram na perceção da saúde mental. Foram os mais novos e os enfermeiros que apresentaram uma perceção da sua saúde mental mais baixa CONCLUSÃO: A situação económica assumiu-se como preditora de saúde mental numa relação inversa com as dimensões do Inventário de Saúde Mental, ou seja, quanto pior a situação económica, maiores os valores do inventário da saúde mental (ansiedade, depressão, perda de controlo, afetos positivos e laços emocionais). PALAVRAS-CHAVE: Intervenção na crise; Pessoal de saúde; Saúde mental; Fatores de risco

RESUMEN

ABSTRACT

“La situación de crisis en Portugal y la salud mental de profesionales de la salud”

“The crisis situation in Portugal and the mental health of health professionals”

CONTEXTO: El impacto de la crisis económica se refleja en las relaciones laborales y ejerce influencia en la satisfacción y salud mental de los profesionales de la salud, provocando desmotivación, angustia, ansiedad, tristeza, depresión y sentimientos de soledad. OBJETIVOS: Analizar la relación entre la situación económica y la salud mental de los profesionales de la salud; identificar las variables sociodemográficas y contexto profesional que afectan a la salud mental de los profesionales de la salud. METODOLOGÍA: Estudio cuantitativo, transversal, descriptivo y correlacional. El cuestionario fue utilizado para averiguar las características sociodemográficas y situación económica y el Inventario de Salud Mental. La muestra consistió de 116 profesionales. RESULTADOS: En la muestra las mujeres son la mayoría y las edades entre los 28 y 34 años son lo mayor grupo, residentes en zonas rurales, tenían un grado académico y su vinculación se regulaba a través de un contrato fijo. La mayoría (92,1%) admitieron que la crisis económica los afectó por los recortes salariales y la inestabilidad salarial y en el último año el 61,5% sintió ansiedad y 47,7% tristeza por la situación La edad y la profesión interfieren en la percepción de la salud mental. Eran los más nuevos y las enfermeras las que tenían una percepción de su salud mental peor. CONCLUSIÓN: La situación económica fue asumida como predictivo de la salud mental en una relación inversa con las dimensiones del inventario de Salud Mental, es decir, a peor situación económica, mayores valores en el inventario de salud mental (ansiedad, depresión, pérdida de control, afecto positivo y lazos afectivos).

BACKGROUND: The impact of the economic crisis is felt in labour relations exerting influence on satisfaction and the mental health of health professionals, leading to demotivation, anguish, anxiety, sadness, depression and feelings of loneliness AIM: Analyze the relationship between the economic situation and the mental health of health professionals; identify the socio demographic and professional context variables that affect the mental health of health professionals. METHODS: Quantitative study, transversal, descriptive and correlational. The questionnaire was used to characterize socio demographic and economic situation and the Mental Health Inventory. The sample consisted of 116 health professionals. RESULTS: Women are in majority, the prevailing group is between ages of 28 and 34 years, residing in rural areas, with higher education, .having a fixed-term contract with the employing institution The majority (92.1%) admits that the economic crisis has affected them by means of wage cuts and labour instability, during last year 61.5% reported anxiety and 47.7% a feeling of sadness. The age and the profession interfered with lack of mental health. The youngest and the nurses were the ones to perceive lower values of mental health. CONCLUSION: The economic situation was assumed as predictive of mental health in an inverse relation with the Mental Health Inventory dimensions, meaning, the worse the economic situation, the greater values of mental health inventory (anxiety, depression, loss of control, positive affect and emotional ties).

DESCRIPTORES: Intervención en crisis; Personal de salud; Salud mental; Factores de riesgo

KEYWORDS: Crisis intervention; Health personnel; Mental health; Risk factors Submetido em 27-10-2015 Aceite em 10-03-2016

1 MsC em Gestão e Economia da Saúde; Doutora em Ciências da Saúde; Membro do CI&DETS e Professora Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, lcabral@essv.ipv.pt 2 Mestre em Ciências de Enfermagem; Doutor em Saúde Mental; Membro do CI&DETS e Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Viseu, jduarte@essv.ipv.pt 3 MsC em Ciências de Enfermagem; Doutor em Ciências da Educação; Membro do CI&DETS Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Viseu, dsilva.essv@gmail.com 4 Mestre em Ciências Sociais; Doutor em Ciências de Enfermagem; Membro do CI&DETS e Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Viseu, agoncalvessv@hotmail.com 5 Mestre em Ciências de Enfermagem; Doutora em Bioética; Membro do CI&DETS e Professora Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, ernestinabatoca@sapo.pt Citação: Cabral, L. R., Duarte, J. C., Silva, D. M., Gonçalves, A. M., & Silva, E. B. (2016). A situação de crise em Portugal e a saúde mental dos profissionais de saúde. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 57-62. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 57


INTRODUÇÃO Portugal enfrentou nos últimos anos a maior crise económica da sua história recente. A taxa de desemprego atingiu no quarto trimestre de 2013 os 15,3%, tendo diminuído no segundo trimestre de 2015 para uma taxa de 11,9% (Instituto Nacional de Estatística [INE], 2015). Os trabalhadores jovens têm sido afetados pela contração económica, sobretudo no que respeita a questões de empregabilidade (Organização Internacional do Trabalho [OIT], 2013). As incertezas nas organizações de saúde acentuaramse cada vez mais, o que conduziu a mudanças políticas, sociais, legais e económicas que procuraram dar resposta e suavizar a situação de crise. As relações laborais e contratuais estão a provocar um impacto profundo nos profissionais com despedimentos, vínculos profissionais alterados e, ainda, a cidadãos com habilitações académicas e profissionais que não têm oportunidades de trabalho. O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (2013) considera que a crise agrava os problemas de saúde mental e de dependências. Os dados revelam também que os efeitos da crise socioeconómica na saúde mental têm várias manifestações, nomeadamente, a depressão, a perda de auto-estima, a ansiedade e o risco de comportamentos suicidas. Num estudo realizado na União Europeia (EU) (PintoMeza et al., 2013), Portugal é um dos países com risco mais elevado para o desenvolvimento de transtornos mentais. Ser jovem, estar desempregado e viver em áreas urbanas são fatores associados a uma prevalência superior desses transtornos. Dos oito países da EU que integraram um estudo da OMS, World Mental Health Survey Initiative, realizado em 2008, Portugal apresentou a taxa de prevalência mais elevada de perturbações mentais (22,9%) e em que a maior parte (16,5%) são perturbações de ansiedade, frequentemente associadas ao trabalho. Portugal aparece nos lugares cimeiros do consumo de medicamentos psicotrópicos, números que têm vindo a aumentar face ao agravamento da crise económica do país (Ministério da Saúde, 2013). O aumento do desemprego surge associado, a curtoprazo, a aumento de mortes prematuras por violência intencional, incluindo suicídio (World Federation for Mental Health, 2012). Num outro prisma de análise é apontada a segurança no trabalho, a sensação de controlo sobre o trabalho e o apoio social no trabalho como fatores que promovem a saúde mental dos trabalhadores. Um emprego estável, um rendimento seguro e capital social favorecem uma boa saúde mental (Cooper, 2011). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 58

É, pois, reconhecido que a situação profissional exerce uma forte influência sobre a saúde mental, mas está a par com outros fatores como o meio sociogeográfico, educação, pobreza, acontecimentos de vida stressantes entre outros determinantes sociais e económicos (Pinto-Meza et al., 2013; Salgueiro, 2013), para além das características individuais (MS, 2013). A saúde mental é, assim, o produto de múltiplas e complexas interações, que abrangem fatores biológicos, psicológicos e sociais. As crises económicas são períodos de alto risco para o bem-estar mental da população não sendo exceção para os profissionais de saúde. Um profissional de saúde com boa saúde mental possui a capacidade do uso das suas capacidades ou habilidades, consegue enfrentar melhor o stresse quotidiano e desenvolver um trabalho com maior produtividade e qualidade, no contexto em que exerce. Importa salientar que, de acordo com Dias (2012), quando se fala em profissionais de saúde há que ter em conta os fatores motivacionais que resultam em satisfação. As recompensas resultam no aumento de repetição do comportamento e, como tal, o trabalhador quando recompensado continua a produzir melhor. Por outro lado, os hospitais são organizações de saúde dotadas de pessoas cujo objetivo primordial é cuidar de pessoas. Contudo é importante que os profissionais de saúde, na sua prática diária, reúnam duas condições elementares: ter boa saúde mental e ter satisfação no trabalho. A qualidade de vida e a satisfação do profissional da saúde associam-se a indicadores de status profissional, interação, remuneração, condições do trabalho e normas organizacionais (Dias, 2012). Sabemos que a produtividade e a realização profissional se associam à satisfação no trabalho pois quanto mais satisfeitos os profissionais de saúde estiverem, maior o seu comprometimento com a organização. Dousis e Kyritsi-Koukoulari (2011) concluíram que os enfermeiros são afetados diretamente pela crise económica, sentindo-se insatisfeitos com a falta de oportunidades profissionais, poucas recompensas intrínsecas, falta de reconhecimento profissional, congelamento da progressão de carreira, contratação de novos profissionais de saúde, baixos salários e sobretudo pelos cortes salariais e aumento do custo de vida. Vários estudos analisaram o impacto da crise económica na saúde mental dos profissionais de saúde. É sabido que na população em geral o risco de depressão e o uso de substâncias aumentaram exponencialmente em pessoas expostas à crise económica, sobretudo quando se fazem sentir as dificuldades financeiras no seio da família, o que se associa a uma menor saúde mental.


Face ao exposto, realizamos este estudo com o objectivo de avaliar a perceção sobre a saúde mental nos profissionais de saúde e a relação com a sua situação económica actual e identificar as variáveis sociodemográficas e de contexto profissional que interferem na perceção sobre a saúde mental dos profissionais de saúde. METODOLOGIA Realizamos um estudo quantitativo, transversal, descritivo correlacional e explicativo numa amostra não probabilística por conveniência, constituída por 116 profissionais de saúde (79,2% enfermeiros e 20,8% médicos, fisioterapeutas e auxiliares de ação médica), de unidades de saúde da região Centro do país. O estudo decorreu no mês de abril de 2014. O questionário apresenta questões de caracterização sociodemográfica, do contexto profissional, da situação económica e da saúde mental, tendo sido utilizado o Inventário de Saúde Mental (MHI) de Pais Ribeiro (2001). O MHI inclui 38 itens agrupados em duas dimensões que medem o Distresse Psicológico (Ansiedade, Depressão, Perda de Controlo Emocional/Comportamental) e o Bem-Estar Psicológico (Afeto Geral Positivo e Laços Emocionais). A resposta é dada numa escala ordinal de seis posições. Parte dos itens são cotados de modo invertido. Valores mais elevados correspondem a melhor saúde mental. Para a análise estatística utilizámos o nível de significância de 5% (p=0,05). Procedemos ao estudo de consistência interna da escala e obtivemos valores de alfa de Cronbach, por item, entre 0,945 e 0,948. Os valores globais Alfa de Cronbach foram de 0,948. Calculado o índice de fiabilidade pelo método das metades os valores de alfa de Cronbach revelaram-se mais fracos (0,878 na primeira metade e 0,932 na segunda metade). RESULTADOS A idade dos profissionais de saúde situa-se entre os 22 anos e os 56 anos, com uma média de 33,54 (± 9,320). O sexo masculino representa 20,0% da totalidade da amostra. Cerca de metade dos profissionais de saúde residem numa zona rural (52,3%). A maioria tem um vínculo à instituição de contrato a termo certo (38,8%) e (57,9%) tem apenas um trabalho, contudo 69,6% admite sentir necessidade de trabalhar em mais do que um local. Apuramos que 83,2% conseguem gerir o seu vencimento até ao final do mês e 52,7% referiram possuir algum suporte financeiro para suprir as necessidades económicas.

A maioria (75,2%) referiu não ter ninguém desempregado no seu agregado familiar, mas a quase totalidade da amostra (92,1%) admite que a crise económica os afetou. Referem ter uma situação económica boa 45,8% dos homens e 37,0% das mulheres, não se verificando diferenças estatísticas significativas (p=0,670) (Tabela 1). Tabela 1 - Situação económica e sexo Sexo

Masculino

Feminino

Residuais

Situação económica

%

Masc. Fem.

(24)

(20,7) 92

79,3

Boa

11

45,8

34

37,0

.8

-.8

Razoável

6

25,0

23

25,0

.0

.8

7

29,2

35

38,0

-.8

.8

Total

24

100,0

92

100,0

%

X2

p

0,801

0,670

No último ano, 37,9% dos participantes admitem ter com frequência o sentimento de angústia, 61,5% têm o sentimento de ansiedade e 47,7% um sentimento de tristeza, mas a grande maioria dos profissionais de saúde (85,7%) não se tem sentido deprimido. A crise afetou mentalmente 83,6% dos profissionais sendo, 79,5% deles referem sentir-se afetados pelos cortes salariais e 67,4% pela instabilidade laboral. Relativamente à saúde mental verificamos que prevalecem os participantes com uma perceção de saúde mental fraca (46,6%), dos quais 50,0% são mulheres e 48,9% homens. Referiram ter uma boa perceção de saúde mental 37,5% dos homens e 34,8% das mulheres. Verifica-se que o sexo não influencia a perceção sobre a saúde mental dos profissionais de saúde (p=0,895) (Tabela 2). Tabela 2 - Perceção da saúde mental e sexo Sexo

Masculino

Feminino

Total

Perceção da saúde mental

%

%

%

Residuais

(24)

(20,7)

92

79,3

116

100

Boa

9

37,5

35

34,8

44

Moderada

3

12,5

15

16,3

18

Fraca

12

50,0

42

48,9

Total

24

100,0

92

100,0

Masc.

Fem.

37,9

.2

-.2

15,5

-.5

.5

54

46,6

.1

-.1

116

100,0

X2

p

0,222

0,895

Na subescalas das dimensões da saúde mental, os resultados mostram que na Ansiedade foram mais evidentes os valores nos itens que referem o sentir-se nervoso no mês anterior e o sentir-se incomodado com o nervosismo. Na subescala da Depressão, os valores correlacionais são ligeiramente mais altos do que os da subescala da Ansiedade. Quanto às subescalas Perda do Controlo Emocional, Afeto Positivo, Perda do Controlo Emocional, Laços Emocionais os valores são ligeiramente mais baixos que nas sub-escalas anteriores. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 59


A variável sexo não revela diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) com as dimensões da escala de saúde mental (Tabela 3). A variável idade interferiu estatisticamente em quase todas as dimensões da saúde mental, com exceção da ansiedade (p>0,140). Tabela 3 - Níveis de significância entre as variáveis e a perceção da saúde mental

Dimensões

Ansiedade Depressão

Variáveis

Perda do controlo

Afeto positivo Laços emocionais

Distresse psicológico

Bem-estar psicológico

Saúde Mental (Global)

Sexo

UMW 1012,000 p=0,530

UMW 1084,000 p=0,891

UMW 949,000 p=0,290

UMW 1087,000 p=0,908

UMW 1023,500 p=0,581

UMW 1090,500 p=0,927

UMW 1045,000 p=0,687

UMW 1092,000 p=0,935

Idade

f 1,998 p=0,140

f 4,060 p=0,020

f 3,413 p=0,036

f 4,164 p=0,018

f 4,203 p=0,017

f 3,228 p=0,043

f 4,843 p=0,010

f 3,585 p=0,031

Profissão

UMW 306,000 p=0,092

UMW 342,000 p=0,234

UMW 342,000 p=0,362

UMW 238,000 p=0,009

UMW 341,500 p=0,230

UMW 328,000 p=0,167

UMW 254,500 p=0,016

UMW 289,500 p=0,056

Vinculo à profissão

X2 3,454 p=0,327

X2 2,717 p=0,437

X2 1,434 p=0,698

X2 1,149 p=0,765

X2 5,378 p=0,146

X2 2,987 p=0,394

X2 1,383 p=0,709

X2 2,518 p=0,472

A profissão interferiu estatisticamente nas dimensões da saúde mental, afeto positivo (p=0,009) e bem-estar psicológico (p=0,016). Em termos de ordenação média são os enfermeiros a apresentar uma perceção da sua saúde mental com valores mais baixos. O vínculo à instituição não interferiu com as dimensões da saúde mental (p>0,05). Para identificar a relação entre a auto-avaliação da situação económica e a perceção da sua saúde mental efectuamos uma regressão múltipla multivariada, dado pretendermos analisar em simultâneo as várias dimensões da escala. Para o modelo em causa apenas nos cingimos às variáveis que se apresentaram como preditoras. No output gráfico (Figura 1) visualizamos os coeficientes estandardizados para a ansiedade, depressão, perda de controlo, afetos positivos e laços emocionais. Neste modelo, o coeficiente de regressão ou de trajetória da perceção da saúde mental são a ansiedade (β ansiedade =0-.34), a depressão (β depressão =-0.32), a perda de controlo (β perda de controlo =-0.36), os afetos positivos (β afetos positivos=-0.32) e os laços emocionais (β laços emocionais =-0.17). O coeficiente de regressão ou de trajetória da situação económica são a ansiedade (β ansiedade =0-.13), a depressão (β depressão =0.09), a perda de controlo (β perda de controlo =-0.03), os afetos positivos (β afetos positivos =-0.17) e os laços emocionais (β laços emocionais =-0.15). O modelo explica cerca de 37% da variação observada da perceção da saúde mental nas diferentes variáveis. O valor de r, entre as variáveis independentes, é de r=0.33. Figura 1 - Output gráfico do modelo final

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 60


DISCUSSÃO A saúde mental é influenciada por múltiplas e complexas interações, que abrangem fatores biológicos, psicológicos, sociais e económicos. O foco sobre os determinantes económicos, enquanto consequência da agudização da crise económica, tem uma importância relevante. O Ministério da Saúde (2013) refere que os estudos epidemiológicos recentes mostram que a crise económica tem contribuído para o aparecimento de distúrbios psiquiátricos e problemas de saúde mental relacionados com a saúde em geral, tratando-se da principal causa de incapacidade para a atividade produtiva e uma das principais causas de morbilidade e morte prematura em todo o mundo. No nosso estudo, constatamos que cerca de 50,0% referiram ter um perceção fraca da sua saúde mental. Verificamos que 92,1% da amostra admite sentir-se afetada pela crise económica. É apontado por vários estudos que a crise económica se reflete na saúde mental e na vida das pessoas, condicionando a perceção de menor satisfação com a vida e também menor bem-estar (Wahlbeck & McDaid, 2012). Estar sujeito aos efeitos da crise económica leva à acumulação de stress, diminuição de estratégias de coping, aumento da ansiedade e de tensão à medida que as poupanças se esgotam (Uutela, 2010). Verificamos que o sexo não influenciou a saúde mental dos profissionais de saúde (p=0,887) e que a variável idade é preditora em quase todas as dimensões da saúde mental, à exceção da ansiedade. São os profissionais com idade ≥ a 35 anos que revelam uma melhor perceção da sua saúde mental e os profissionais na faixa etária dos 28-34 anos são os que apresentam uma menor perceção da sua saúde mental. A idade é apontada por Alves & Rodrigues (2010) como tendo um papel importante sobre a saúde mental, constatando que a crise económica tem mais impacto na saúde mental das pessoas com mais idade. Contudo, tal como em Silva (2014), não foi o que se verificou no nosso estudo, pois são os profissionais de saúde mais velhos que revelaram uma perceção mais positiva da sua saúde mental. Este facto poderá ser devido aos mais velhos terem já maior estabilidade da sua situação profissional e económica, estarem na posse de mais estratégias de coping para poderem enfrentar todas as complexidades da vida pessoal e profissional, com implicações na saúde mental. A profissão interferiu estatisticamente nas dimensões da saúde mental e em termos de ordenação média, são os enfermeiros que apresentam uma perceção da sua saúde mental com valores mais baixos.

Os enfermeiros estão expostos a diferentes fatores de stress que afetam diretamente o seu bem-estar, entre os quais o contacto com o sofrimento, a dor e muitas vezes o confronto com a morte e o lidar com as emoções manifestadas pelos seus familiares, daí necessitarem de um controlo mental e emocional bastante significativo (Barbosa, 2012). Dousis & Kyritsi-Koukoulari (2011) refere que o excesso de trabalho devido à falta de pessoal, como consequência da crise económica, leva os enfermeiros a trabalhar para além do seu horário normal e que pode resultar numa menor saúde mental. CONCLUSÃO Identificamos as variáveis sociodemográficas e de contexto profissional que interferem na saúde mental dos profissionais de saúde e analisamos a relação entre a situação económica e a sua saúde mental. Concluímos que as variáveis sociodemográficas e de contexto profissional que interferiram na saúde mental dos profissionais de saúde foram a idade e a profissão. A situação económica assumiu-se como preditora da saúde mental, no sentido de que quanto pior a situação económica, maiores são os valores das dimensões do inventário da saúde mental (ansiedade, depressão, perda de controlo, afetos positivos e laços emocionais). Neste sentido, podemos dizer que a situação económica se assume como preditora da saúde mental, ou seja, o mal-estar provocado pela crise económica interfere na saúde mental dos profissionais de saúde. Os problemas de saúde mental por seu lado contribuem para uma perda de produtividade em virtude do absentismo, abandono do trabalho e desmotivação. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Sem dúvida que estes resultados nos preocupam e surgem-nos algumas interrogações que poderão ser objeto de reflexão no contexto das políticas e das equipas nos locais de trabalho: Será que entre os profissionais de saúde se promove a saúde mental positiva recorrendo a estratégias individuais ou no grupo dos pares? Será que apesar de resilientes não conseguem gerir o stress e por isso percepcionam a sua saúde mental com valores baixos? Terá sido a perceção dos profissionais de saúde condicionada pelas nossas questões e surgirem como um momento de escape ou desabafo e não corresponderem a uma condição de saúde mental? Os profissionais de saúde e em especial os enfermeiros são “gente que cuida de gente” e sujeitos a vicissitudes resultantes do contexto socioeconómico. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 61


É importante reflectir sobre a realidade e propomos algumas ações que poderão ser implementadas para a promoção da saúde mental dos profissionais de saúde. Assim, relevamos a importância da prevenção das perturbações mentais pela adoção de uma atitude sistemática proactiva, em que prevaleça o bom humor e o reconhecimento do seu trabalho por parte dos superiores hierárquicos. Os reforços positivos, manifestados nas atitudes e comportamentos dos gestores, são essenciais e muito podem contribuir para que os profissionais se sintam motivados e satisfeitos o que virá a reflectir-se num ambiente organizacional mais enriquecido e mais produtivo assegurando a dignidade dos profissionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alves, A. A. M., & Rodrigues, N. F. R. (2010). Determinantes sociais e económicos da saúde mental. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 28(2), 127-131. Barbosa, A. (Coord.). (2012). Investigação quantitativa em cuidados paliativos. Lisboa: Núcleo de Cuidados Paliativos do Centro de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Cooper, B. (2011). Economic recession and mental health: An overview. Neuropsychiatrie, 25(3), 113-117.

Observatório Português dos Sistemas de Saúde. (2013). Relatório de Primavera 2013: Duas faces da saúde. Coimbra, Portugal: Mar da Palavra Edições. Organização Internacional do Trabalho. (2013). Situação de desemprego vai agravar-se. Acedido em: http:// www.publico.pt/economia/noticia/relatorio-desemprego-oit1581587 Pais Ribeiro, J. L. (2001). Mental health inventory: Um estudo de adaptação à população portuguesa. Psicologia, Saúde & Doenças, 2(1), 77-99. Pinto-Meza, A., Moneta, M. V., Alonso, J., Angermeyer, M. C., Bruffaerts. R., Caldas de Almeida, J. M…, Haro, J. M. (2013). Social inequalities in mental health: Results from the EU contribution to the World Mental Health Surveys Initiative. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 48(2),173-181. doi: 10.1007/s00127-0120536-3 Salgueiro, T. R. C. (2013). Impacto da crise socioeconómica na saúde mental e no consumo de substâncias. Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra, Portugal. Acedido em https://estudogeral.sib.uc.pt/ bitstream/10316/25039/1/Tese%20Final.pdf

Dias, M. F. F. G. (2012). A motivação dos enfermeiros em tempo de crise. Dissertação de Mestrado, Universidade do Porto, Portugal. Acedido em https://sigarra. up.pt/fep/pt/pub_geral.show_file?pi_gdoc_id=129704

Silva, J. F. P. (2014). O impacto do desemprego na saúde mental em função do meio sociogeográfico: Rural e urbano. Dissertação de Mestrado, Universidade da Beira Interior, Portugal. Acedido em http://www.fcsaude.ubi. pt/thesis2/tema.php?id=9623fd610dc41f2f

Dousis, E., & Kyritsi-Koukoulari, E. (2011). O impacto da crise económica grega na enfermagem e nos enfermeiros. Enfermagem em Foco, 86, 24-25.

Uutela, A. (2010). Economic crisis and mental health. Current Opinion in Psychiatry, 23(2), 127-130. doi: 10.1097/YCO.0b013e328336657d

Instituto Nacional de Estatística (2015). Destaque: Informação à comunicação social: Estatísticas do emprego 2º trimestre de 2015. Lisboa: INE. Acedido em https:// www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_ d e s t a q u e s & D E S TA Q U E S d e s t _ boui=224671146&DESTAQUESmodo=2

Wahlbeck, K., & McDaid, D. (2012). Acciones para aliviar la repercusión de la crisis económica en la salud mental. World Psychiatry, 10(3), 139-145.

Ministério da Saúde, Programa Nacional para a Saúde Mental e Direção de Serviços de Informação e Análise. (2013). Portugal saúde mental em números: 2013. Lisboa: DGS. Acedido em https://www.dgs.pt/estatisticasde-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/portugalsaude-mental-em-numeros-2013.aspx Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 62

World Federation for Mental Health. (2012). Depression: A global crisis world mental health day. Acedido em http://www.who.int/mental_health/management/ depression/wfmh_paper_depression_wmhd_2012.pdf


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0119

11 AS CRIANÇAS E JOVENS REFERENCIADAS À CPCJ: O ESPELHO DAS PROBLEMÁTICAS

| Aida Correia Simões1 ; Maria dos Anjos Coelho Dixe2; Maria Saudade Lopes3 |

RESUMO CONTEXTO: As crianças e jovens referenciadas à CPCJ: O espelho das problemáticas. OBJETIVOS: Os objetivos deste estudo foram: identificar as problemáticas e quem mais sinaliza as situações de crianças e jovens em rico/perigo, verificar se as problemáticas envolvidas na sinalização de crianças e jovens em risco mudaram da primeira para a segunda sinalização e caracterizar as famílias das crianças e jovens em risco/perigo. METODOLOGIA: Estudo descritivo de abordagem quantitativa resultante da consulta de 160 processos. RESULTADOS: Dos 160 casos - 41,9% constituída por famílias nucleares (pais e filhos) e 20% mononucleares (mãe e filhos) - a negligência foi a principal causa de sinalização, não só na primeira sinalização (38,5%) como na reabertura (26,3%). Na reabertura do processo verificamos que um grande número mantém a mesma problemática, ou seja, 29% negligência, 25% comportamentos desviantes, 20% absentismo escolar; abandono e absentismo escolar são igualmente causas com elevada prevalência não só na primeira sinalização como na reabertura do processo. A escola é a entidade que mais sinaliza: 34,4% na 1ª sinalização e 46,5% na 2ª sinalização; em 71,3% dos casos a criança não é seguida por um profissional de saúde mental e psiquiátrica e 10% (16) é seguida pela pedopsiquiatria, 0,6% (1) por psiquiatra e igual número por um serviço de internamento e finalmente 17,5% (28) são acompanhadas por um psicólogo. Quanto aos pais verificou-se que 85,8% (139) não tem qualquer acompanhamento; 9,3% (15) dos casos somente a mãe tem acompanhamento psiquiátrico; 1,2% (2) dos casos somente o pai e em 0,6% (1) dos casos ambos os pais são acompanhados por um psiquiatra. 3,1% (5) não referiram quem os acompanha. CONCLUSÃO: No artigo 27 da Convenção dos Direitos da Criança podemos ler que esta deve beneficiar de um nível de vida adequado ao seu desenvolvimento, ao confrontarmos esta afirmação com os nossos resultados podemos verificar que dos processos reabertos pela CPCJ a problemática de perigo que mais se evidência é a negligência, uma grande percentagem das crianças/jovens coabita nas suas famílias nucleares, para além disso da 1ª para a 2ª sinalização não se verifica nenhum tipo de acompanhamento na área da saúde mental, a nenhum dos elementos do agregado familiar, o que poderá contribuir para que a situação se perpetue no tempo e não havendo mudança de comportamento torna-se inevitável referenciar novamente a criança/jovem.

PALAVRAS-CHAVE: Crianças e jovens em perigo; Comissões de proteção; Problemáticas

RESUMEN

ABSTRACT

“Los niños y jóvenes mencionados a la Comisión de Protección de niños y jóvenes (CPCJ): El espejo de las problemáticas”

“Children and young people referenced to the Child and Youth Protection Commission (CPCJ): The problematics mirror”

CONTEXTO: Los niños y jóvenes mencionados a la Comisión de Protección de niños y jóvenes (CPCJ): El espejo de las problemáticas OBJETIVOS: Los objetivos de este estudio fueron identificar el problema y quién más señala la situación de los niños y jóvenes en ricos/peligro, verificar se las cuestiones implicadas en la señalización de los niños y jóvenes en situación de risco, ha cambiado desde la primera a la segunda señalización y caracterizar las familias de los niños y la juventud en situación de riesgo / peligro. METODOLOGÍA: Estudio descriptivo de enfoque cuantitativo resultante de la consulta de 160 casos. RESULTADOS: De los 160 casos - 41,9% formado por familias nucleares (padres y niños) e 20% mononucleares (madre e hijos) - negligencia fue la causa principal de la señalización no sólo en la primera referencia (38,5%) como en la reapertura (26,3%); se constató que en la reapertura del caso gran número sigue teniendo el mismo problema, es decir, el 29% el abandono, el 25% un comportamiento desviado, un 20% el absentismo escolar. La deserción escolar y el absentismo son también causa alta prevalencia no sólo en la primera señalización como en la reapertura del caso; Escuela es la entidad que hace la mayoría de las señalizaciones: 34,4% en el primero de señalización y 46,5% en el segundo de señalización. En 71,3% de los casos el niño no es seguido por un profesional de salud mental y psiquiátrica, 10% (16) es seguido por la psiquiatría infantil, 0,6% (1) por un psiquiatra y un número igual por un servicio de internamiento y, finalmente, 17,5% (28) son seguidos por un psicólogo. Para los padres se encontró que 85,8% (139) no tiene vigilancia; 9,3% (15) de los casos sólo la madre tiene la atención psiquiátrica; 1,2% (2) de los casos sólo el padre y el 0,6% (1) de los casos ambos padres son acompañados por un psiquiatra. 3,1% (5) no informaron quien los acompaña. CONCLUSIÓN: En el artículo 27 de la Convención de los Derechos del Niño leemos que el niño debe tener un nivel de vida adecuado para su desarrollo, confrontando esta declaración con nuestros resultados podemos ver que en los procesos abiertos de nuevo por la CPCJ lo problema de riesgo más evidente es negligencia, un gran porcentaje de niños / jóvenes que cohabitan en sus núcleos familiares, además de la primera a la segunda señalización no ocurra ningún tipo de supervisión en el área de la salud mental de cualquiera de los miembros del hogar, lo que puede contribuir a la situación se perpetúa en el tiempo y si no hay ningún cambio de comportamiento se vuelve inevitable referenciar de nuevo al niño / joven.

BACKGROUND: Children and young people referenced to the Child and Youth Protection Commission (CPCJ): The problematics mirror. AIM: The objectives of this study were to identify the problem and who else signals the situations of children and young people in rich / danger, ensure that the issues involved in the signaling of children and youth at risk, has changed from the first to the second signal and characterize the families of children and youth at risk / danger. METHODS: Descriptive study of quantitative approach resulting from 160 cases consultation. RESULTS: Of the 160 cases - 41.9% made up of nuclear families (parents and children) and 20% mononuclear (mother and children) - negligence was the main cause of signaling, not only the first signaling (38.5%) but in reopening cases (26.3%). On the reopening of the cases we found that a large number remains with the same problems, which are, 29% neglect, 25% deviant behavior, 20% school absenteeism. School dropout and absenteeism are also high prevalence causes, not only in the first signaling as in the case reopening. The school is the entity that most signals: 34.4% at the 1st signaling and 46.5% at the 2nd; in 71.3% of cases the child is not followed by a mental and psychiatric health specialist and 10% (16) is followed by child psychiatry, 0.6% (1) by a psychiatrist and an equal number for an inpatient service and finally 17.5% (28) are accompanied by a psychologist. The parents were found to be 85.8% (139) has no monitoring; 9.3% (15) of the cases only the mother has psychiatric care; 1.2% (2) of the cases only the father and 0.6% (1) cases both parents are accompanied by a psychiatrist. 3.1% (5) did not report who accompanies them. CONCLUSION: On the Article 27 of the Child Rights Convention we can read that the child should benefit from an adequate standard of living for its development, by confronting this statement with our results we can see that in the processes reopened by CPCJ the most evidence hazard problem is neglect, a large percentage of children / young people cohabiting in their nuclear families, furthermore from 1st to the 2nd signaling did not happen any kind of mental health follow-up for none of the household members, which may contribute to the persistence of the situation and if there is no behavior changes becomes inevitable reference the child/ young again.

DESCRIPTORES: Niños y jóvenes en peligro; Comisión de protección; Problemáticas

Submetido em 25-11-2015 Aceite em 10-03-2016

KEYWORDS: Children and young in danger; Protection commission; Problematics

1 MSc; Doutoranda no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica; Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem Egas Moniz, Via Alternativa ao Monte da Caparica, 2829-511 Caparica, Portugal, aidasimoes@gmail.com 2 PhD; Enfermeira Especialista em Enf. Médico-Cirúrgica; Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, manjos.dixe@gmail.com 3 PhD; Enf. Especialista em Enf. de Saúde Infantil e Pediátrica; Professora Adjunta na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, saudadelopes8@gmail.com Citação: Simões, A. C., Dixe, M. A. C., & Lopes, M. S. (2016). As crianças e jovens referenciadas à CPCJ: O espelho das problemáticas. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 63-66. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 63


INTRODUÇÃO

RESULTADOS

As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) constituem uma estrutura de segunda linha no sistema de promoção e proteção das crianças em situação de perigo (Leandro, 1999). Para o problema de desenvolvimento que Portugal e o Mundo vivem só pode haver resposta “no desenvolvimento da pessoa”, disse, sublinhando que não é possível o progresso sem que na sua base esteja o sujeito. O presidente da CNCJR (Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco), Armando Leandro referiu numa notícia do DN a importância das comunidades locais, como territórios “com uma história e um futuro que querem construir”, na tarefa da prevenção, num país em que essa cultura é descurada nas mais diversas áreas, sobretudo numa área exigente como é a dos direitos das crianças. “Vivemos tempos difíceis mas não podemos conformar-nos, muito menos porque as crianças sofrem com esta realidade”, disse, sublinhando a importância dos afetos, que é hoje um direito como são a educação para o respeito e a paz, tão importantes em problemas de comportamento e de disciplina (Robalo, 2014). As reaberturas processuais implicam a existência de crianças/jovens que são referenciados várias vezes no decorrer do seu percurso de desenvolvimento. As sinalizações nem sempre obedessem à mesma problemática, diz-nos a literatura que crianças negligênciadas são jovens com maior tendência para apresentar comportamentos desviantes, com consumos de alcool e drogas, abandonarem a escola e não se enquadrarem na sociedade em que estão inseridas.

Dos 160 casos, 59,3% das crianças/jovens sinalizados eram do sexo masculino e com uma média de idades de 7,6±4,9. Dos 160 casos consultados verificamos que a constituição familiar era em 41,9% constituída por famílias nuclear (pais e filhos), 20% mononucleares (mãe e filhos). Da primeira para a segunda sinalização a estrutura familiar alterou-se, ou seja, 28,6% eram famílias nucleares e 15,5% monoparentais. Apesar de ser pouco expressivo, em todas as sinalizações há crianças que vivem com os tios (3,1%) e com os avós (16,1%). A negligência foi a principal causa da sinalização não só na primeira sinalização (38,5%) como na reabertura (26,3%) e não depende da tipologia familiar (constituição). De salientar que o abandono e absentismo escolar são igualmente causas com elevada prevalência não só na primeira sinalização como na reabertura do processo (Tabela 1).

METODOLOGIA Estudo descritivo baseado nos registos de 160 processos de crianças /jovens sinalizadas pelo menos duas vezes (reabertura do processo). Os principais objetivos deste estudo foram Identificar as problemáticas das reaberturas dos processos de crianças/jovens e quem mais sinaliza as situações de crianças e jovens em rico/perigo, verificar se as problemáticas envolvidas na sinalização de crianças e jovens em risco, mudou da primeira para a segunda sinalização e caracterizar as famílias das crianças e jovens em risco/perigo. Para a consulta dos processos, realizada em 2014, foi solicitada autorização e respeitados os princípios éticos inscritos na declaração de Helsínquia. Foi utilizado o programa SPSS para tratamento de dados e utilizada a estatística descritiva para a sua análise. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 64

Tabela 1 - Problemática da primeira, segunda e terceira sinalização Tipologia das Situações de Perigo

Sinalização 1

Sinalização 2

Sinalização 3

%

%

%

Negligência

62

38,5

42

26,3

6

28,6

Roubo

1

,6

Violência domestica

6

3,7

3

1,9

1

4,8

Rapto do pai

2

1,2

maus tratos psicológicos

6

3,7

11

6,9

Maus tratos físicos

19

11,8

8

5,0

1

4,8

Problemas de saúde

2

1,2

Comportamentos desviantes

8

5,0

20

12,5

2

9,5

Gravidez na adolescência

3

1,9

1

,6

Maus tratos físicos e psicológicos

2

1,2

Absentismo escolar

15

9,3

25

15,6

2

9,5

Abandono escolar

17

10,6

18

11,3

7

33,3

Abandono dos pais

1

,6

Abandono da mãe

3

1,9

2

1,3

Abandono

5

3,1

Buling

1

,6

Dificuldades económicas

3

1,9

7

4,4

Abuso Sexual

1

,6

3

1,9

Agressão efetuado pelo menor

1

,6

2

1,3

Família disfuncional

2

1,2

Doença mental/psiquiátricabipolar

1

,6

Morte da mãe

3

1,9

3

1,9

Exposição a comportamentos desviantes

5

3,1

2

9,5

Maus tratos físicos padrasto

4

2,5

Maus tratos físicos por parte do pai

1

,6

Abuso sexual padrasto

1

,6

Regulação parental

2

1,3

Paradeiro desconhecido

1

,6

Responsabilidades. Parentais

1

,6


Para a reabertura do processo verificamos que um grande número mantém a mesma problemática, ou seja, 29% negligência, 25% comportamentos desviantes, 20% absentismo escolar. Foram sinalizadas duas vezes 88,0% (140) das crianças/ jovens, três vezes 11,9% (19) crianças. É a escola a entidade que mais sinaliza: 34,4% na 1ª sinalização e 46,5% na 2ª sinalização. De salientar no entanto, que os vizinhos, avós e as IPSS (centro comunitário) são igualmente as entidades que mais sinalizam a negligência. Em 71,3% dos casos a criança não é seguida por um profissional de saúde mental e psiquiátrica e 10% (16) é seguida pela pedopsiquiatria, 0,6% (1) por psiquiatra e igual número por um serviço de internamento e finalmente 17,5% (28) são acompanhadas por um psicólogo. Relativamente ao acompanhamento dos pais por um profissional de saúde mental e psiquiátrico, verificou-se que 85,8% não tem qualquer acompanhamento e 9,3% (15); pai 1,2% (2); pai e mãe 0,6% (1); são acompanhados por um psiquiatra, sendo que 3,1% (5) não referiram quem os acompanha. Os gestores de caso são essencialmente maioritariamente os S. social (32,3%), CMP (29,8%) e os serviços de educação (22,4%). DISCUSSÃO Segundo Camilo e Garrido (2013) a negligência parental tem surgido associada à falta de competência dos pais para educar, supervisionar e responder às necessidades dos filhos menores, colocando em risco o seu bem-estar, as mesma autoras referem que são ainda escassos os programas de intervenção para cuidadores devidamente estruturados, metódicos e estratégicos bem definidos, sendo raros os que utilizam desenhos de avaliação que permitam aferir adequadamente a sua eficácia. A vulnerabilidade psicossocial a que estas famílias estão sujeitas associa-se muitas vezes a riscos para o bemestar dos seus membros, nomeadamente das crianças e jovens. A negligência parental constitui uma dessas vulnerabilidades, fundamentando assim a necessidade de intervenções que a par do suporte socioeconómico do Estado, potenciem as competências parentais das mesmas (Camilo & Garrido, 2013). Em alguns estudos é possível verificar que os programas de competências parentais contribuem para a prevenção da negligência, diminuindo assim, os comportamentos negligentes e maltratantes, ainda de acordo com o mesmo estudo verifica-se uma melhoria das condições habitacionais, ao nível da higiene e da alimentação (Canedo, 2014).

Se consultarmos o artigo 27 da Convenção dos Direitos da Criança podemos ler que esta deve beneficiar de um nível de vida adequado ao seu desenvolvimento, ao confrontarmos esta afirmação com os nossos resultados podemos verificar que dos processos reabertos pela CPCJ a problemática de perigo que mais se evidência é a negligência, uma grande percentagem das crianças/ jovens coabita nas suas famílias nucleares, para além disso da 1ª para a 2ª sinalização não se verifica nenhum tipo de acompanhamento na área da saúde mental, a nenhum dos elementos do agregado familiar, o que poderá contribuir para que a situação se perpetue no tempo e não havendo mudança de comportamento torna-se inevitável referenciar novamente a criança/jovem. Segundo vários autores o desenvolvimento de competências sociais educativas dos pais pode ajudar na prevenção de problemas de comportamento das crianças, dado que, problemas de comportamento estão direta e/ou indiretamente relacionados com o desígnio comportamental dos pais. (Bolsoni-Silva & Del Prette, 2002; Weber, Prado, Viezzer & Bandenburg, 2004). A questão da educação é outra das grandes preocupações, como podemos verificar nos resultados que obtivemos. Esta é uma tipologia de perigo que tem vindo a aumentar desde que a escolaridade se tornou uma obrigatoriedade até aos 18 anos de idade, dados da Unicef em 2007, já constatavam que 30% dos nossos jovens deixavam os estudos e 23% destes não tem emprego, fazendo-nos lembrar que “correm indubitavelmente maior risco de exclusão e marginalização” (Unicef, 2007). CONCLUSÃO Mais de metade das crianças sinalizadas são do sexo masculino, pertencentes maioritariamente a famílias nucleares e tal como noutros estudos o maior percentual de sinalização é a negligência, mantendo se a mesma cauda para a reabertura dos processos. Dado que o absentismo escolar apresenta também um elevado percentual de sinalização é a escola que mais sinaliza. Continuaremos a questionar que futuro se está a construir para as nossas crianças/jovens, que saúde mental temos para lhes oferecer, como vamos conseguir inverter esta pirâmide cuja prevenção se torna cada vez mais estreita e inexistente.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 65


IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Existem inúmeras famílias em situação de carência socioeconómica o que exige respostas psicossociais cada vez mais complexas e eficazes, esta vulnerabilidade a que as famílias estão sujeitas associa-se muitas vezes a riscos para o bem-estar dos seus membros, nomeadamente das crianças e jovens. A negligência parental constitui uma dessas vulnerabilidades, fundamentando assim a necessidade de intervenções que a par do suporte socioeconómico do Estado, potenciem as competências parentais destas famílias (Camilo & Garrido, 2013). Estas questões prendem-se com a forma como o mundo adulto conceptualiza as crianças, o que interfere no seu relacionamento com as mesmas, torna-se por isso necessária uma reflexão por parte de todos os profissionais na sua acção e interação com as famílias/crianças/jovens, as crianças/jovens são atores sociais e não somente objetos de intervenção. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bolsoni-Silva, A. T., & Del Prette, A. (2002). O que os pais falam sobre suas habilidades sociais e de seus filhos? Revista das Faculdades de Educação, Ciências e Letras de Psicologia Padre Anchieta, 3(7), 71-86. Camilo, C., e Garrido, M. V. (2013). Avaliação de um programa de desenvolvimento de competências parentais. In M. M. Calheiros & M. V. Garrido (Eds.), Crianças em Risco e Perigo: Contextos, investigação e intervenção, 31(3), 209-237.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||66 66

Camilo, C., e Garrido, M. V. (2013) Desenho e avaliação de programas de desenvolvimento de competências parentais para pais negligentes: Uma revisão e reflexão. Aná, 31(3), 245-268. Canedo, V. C. F. (2014). Programa de competências parentais para prevenção da negligência. Projecto de Graduação apresentado à Universidade Fernando Pessoa como parte dos requisitos para obtenção do grau de Licenciada em Criminologia, Porto, Portugal. Leandro, A. (1999). Direito e Direitos: Para um real cumprimento dos Direitos da Criança e da Família. Stress e Violência na Criança e no Jovem. Lisboa, Portugal: Departamento de Educação Médica. Robalo, H. (2014). Armando Leandro defende direito à “esperança que não se conforma”. Diário de Noticias. Agência Lusa. UNICEF (2007). La pauvreté des enfants en perspective. Vue d’ensemble du bien-être des enfants dans les pays riches. Florença, Itália: Centro de Pesquisa Innocenti da UNICEF. Weber, L. N. D., Prado, P. M., Viezzer, A. P., & Branderburg, O. J. (2004). Identificação de estilos parentais: O ponto de vista dos pais e dos filhos. Psicologia: Reflexão e Crítica,17(3), 323-331.


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0120

12 O ESTIGMA FACE À DOENÇA MENTAL NOS ESTUDANTES DE SAÚDE | Ana Querido1; Catarina Tomás2 ; Daniel Carvalho3 |

RESUMO CONTEXTO: O estigma e a discriminização são os principais obstáculos aos cuidados às pessoas com perturbação mental. Os estudos realizados com estudantes de saúde do ensino superior referem que estes possuem níveis de estigma acentuados. OBJETIVO(S): Este estudo pretendeu avaliar o nível de estigma em saúde mental dos estudantes de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e comparar as suas atitudes face à doença mental. METODOLOGIA: Estudo quantitativo, descritivo-correlacional transversal, numa amostra não probabilística de conveniência de 573 estudantes de Cursos de Saúde. Recolha dos dados através de um questionário de autopreenchimento, constituído por questões sociodemográficas e a Versão portuguesa de Attribution Questionnaire (AQ 27). RESULTADOS: No total da amostra verifica-se a presença de estigma baixo a moderado em todos os cursos. A presença moderada de estigma tem predominância na expressão de pena face ao doente mental, coerção e segregação. O valor mais baixo de estigma verificou-se na expressão de irritação. Há diferenças significativas nos diferentes cursos face ao estigma no geral e respeitantes às atitudes estigmatizantes de responsabilidade, irritação perigosidade, ajuda, evitamento. Os testes Poshoc opõem sempre a Terapia Ocupacional aos restantes cursos. CONCLUSÃO: Os valores de estigma não são elevados nos diferentes grupos de estudantes, sendo que os estudantes de Terapia Ocupacional são os que evidenciaram menor estigma. Foram identificadas atribuições potencialmente estigmatizantes que carecem de intervenção, apontando a necessidade de repensar as estratégias pedagógicas no sentido da redução do estigma. PALAVRAS-CHAVE: Estigma; Saúde mental; Estudantes de saúde; Doença mental

RESUMEN

ABSTRACT

“El estigma contra la enfermedad mental en los estudiantes de la salud”

“Mental health stigma in health students”

CONTEXTO: El estigma y la discriminación son los principales obstáculos para el cuidado de las personas con trastorno mental. Los estudios sobre la salud de los estudiantes universitarios informan que tienen niveles pronunciados de estigma. OBJETIVO(S): Este estudio tuvo como objetivo evaluar el nivel de estigma en salud mental de los estudiantes en el Instituto Politécnico de la Salud de Leiria (IPL) y comparar sus actitudes hacia la enfermedad mental. METODOLOGÍA: Estudio descriptivo-correlacional cuantitativo, transversal en una muestra de conveniencia no probabilística de 573 estudiantes de la recopilación de datos de cursos de Salud a través de un cuestionario de autoinforme que consta de preguntas sociodemográficas y los portugueses de Atribución Cuestionario Versión (AQ 27) RESULTADOS: En la muestra total hay la presencia de baja al estigma moderado en todos los cursos. Presencia moderada del estigma tiene predominio en la expresión sanción contra los enfermos mentales, la coacción y la segregación. El valor más bajo del estigma existía la irritación de expresión. Existen diferencias significativas en los diferentes cursos se enfrentan el estigma en general y en relación con las actitudes estigmatizantes de responsabilidad, riesgo de irritación, ayuda, evitación. Las pruebas Poshoc siempre se opusieron a la terapia ocupacional a otros cursos. CONCLUSIÓN: Los valores estigma no son altos en los diferentes grupos de alumnos y estudiantes de terapia ocupacional son los que mostraron menos estigma. Potencialmente se identificaron atribuciones estigmatizantes que necesitan intervención, señalando la necesidad de repensar las estrategias pedagógicas para reducir el estigma.

DESCRIPTORES: Estigma; Salud mental; Estudiantes; Trastornos mentales

BACKGROUND: Stigma and discrimination are major obstacles to care for people with mental disorder. Studies with university students of health report that they have pronounced levels of stigma. AIM: This study aimed to evaluate the level of stigma in mental health of students in Health Polytechnic Institute of Leiria (IPL) and compare their attitudes towards mental illness. METHODS: Quantitative, cross-sectional descriptive-correlational study in a non-probabilistic convenience sample of 573 students of Health courses data collection via a self-report questionnaire consisting of sociodemographic questions and the Portuguese of Attribution Questionnaire Version (AQ 27). RESULTS: In the total sample there is the presence of low to moderate stigma in all courses. Moderate presence of stigma has predominance in the penalty expression against the mentally ill, coercion and segregation. The lowest value of stigma there was the irritation of expression. There are significant differences in the different courses face stigma in general and relating to stigmatizing attitudes of responsibility, irritation hazard, help, avoidance. The Poshoc tests always opposed to occupational therapy to other courses. CONCLUSION: The stigma values are not high in the different groups of students, and students of occupational therapy are those who showed less stigma. Potentially stigmatizing attributions were identified that need intervention, pointing to the need to rethink the pedagogical strategies towards reducing stigma.

KEYWORDS: Social stigma; Mental health; Students; Mental disorder Submetido em 30-10-2015 Aceite em 10-03-2016

1 Doutorada em Enfermagem; Membro Efetivo da Unidade de Investigação em Saúde; Professora Adjunta no Instituto Politécnico de Leiria, ana.querido@ipleiria.pt 2 Doutorada em Ciências de Enfermagem; Membro Efetivo da Unidade de Investigação em Saúde; Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Assistente do 2º Triénio no Instituto Politécnico de Leiria, Escola Superior de Saúde, Departamento de Ciências de Enfermagem, Leiria, Portugal, catarina.tomas@ipleiria.pt 3 Mestre em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria; Enfermeiro no Centro Hospitalar de Leiria, Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental, 2410 Leiria, Portugal, drscarvalho@gmail.com Citação: Querido, A., Tomás, C., e Carvalho, D. (2016). O Estigma face à doença mental nos estudantes de saúde. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 67-72. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 67


INTRODUÇÃO A sociedade atual tem ainda presente uma imagem bastante negativa da doença mental e de tudo o que a esta se associe. Na perspetiva da população geral, a pessoa portadora de doença mental é perigosa, preguiçosa, imprevisível e estão no estado de doença porque assim o querem (Oliveira e Azevedo, 2014; Xavier et al., 2013). A presença de estigma engloba, segundo Thornicroft, Bhohan, Sartorius & Leese (2009), problemas de conhecimento (ignorância), postura (preconceito) e comportamento (discriminação), sendo um dos principais obstáculos à procura de cuidados pelas pessoas com perturbação mental (Coordenação Nacional para a Saúde Mental, 2012; Guarniero, Bellinghini & Gattaz, 2012). Desde 2005 que o estigma tem sido prioridade de investigação definida pela Organização Mundial de Saúde. Em Portugal apesar das campanhas antiestigma realizadas, a reatualização do Plano Nacional de Saúde Mental veio reafirmar o forte estigma da população portuguesa face à doença mental e considera o estigma e discriminação como uma ameaça ao programa de saúde a esta população específica (Coordenação Nacional para a Saúde Mental, 2012). As atitudes estigmatizantes têm sido alvo de investigação no público em geral (Oliveira e Azevedo, 2014), nas famílias de doentes mentais (Sousa, Marques, Curral e Queirós, 2012) e nos estudantes do ensino secundário (Freitas, 2012) e ensino superior (Marques, Barbosa e Queirós, 2010; Palha, Guimarães, Castro-Henriques, Costa e Campos, 2008; Pinto, 2015; Spagnolo, Amy, Murphy e Librera, 2008). Os estudos realizados no âmbito do ensino superior revelam a presença de estigma acentuado nos estudantes de saúde e evidenciam maior estereótipo face à perigosidade e imprevisibilidade, comparativamente aos outros estudantes (Gil, 2010; Palha et al., 2008). A literatura coloca em evidência a importância da literacia em saúde mental e do contacto com as pessoas com doença mental na redução do estigma (Spagnolo et al., 2008). Neste âmbito é expectável que os estudantes da saúde e em particular os estudantes de Enfermagem, quer pela especificidade das unidades curriculares como pelo contacto precoce com as situações de doença mental, apresentem níveis de estigma menores do que os restantes estudantes. Não obstante, os estudos da região norte de Portugal que compara as atitudes face à doença mental dos diferentes estudantes de cursos de saúde (medicina, psicologia, terapia ocupacional, serviço social e enfermagem) revelou a presença de estigma acentuado, com predominância de estereótipos de pena, coação, perigosidade, evitamento e medo, assim como de segregação e ajuda (Marques et al., 2010). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 68

Os estudantes de medicina e de psicologia revelaram maior estereótipo em contraponto com os de serviço social, enfermagem e terapia ocupacional que apresentaram menor estigma, e verificou-se que as atitudes estigmatizantes diminuiram com o decorrer do curso, aparentemente devido ao contato com pessoas com doença mental (Marques et al., 2010), corroborando os estudos de Spagnolo et al. (2008) e de Corrigan (2007). Desconhecem-se, no litoral centro, estudos sobre o estigma nos estudantes de saúde do ensino superior. METODOLOGIA Pretendeu-se com o estudo realizado avaliar o nível de estigma em saúde mental dos estudantes de saúde e comparar as atitudes face à doença mental dos futuros profissionais de saúde, estudantes de Enfermagem, Dietética, Terapia Ocupacional (TO), Fisioterapia e Terapia da Fala (TF) e conhecer a influência dos anos de estudo nos nível de estigma dos estudantes. Foi para isso realizado um estudo quantitativo, descritivo-correlacional, transversal. A população selecionada compreendeu os estudantes dos diferentes cursos (Enfermagem, Dietética, Fisioterapia, TF e TO), de uma escola superior de saúde no distrito de Leiria, e a amostra foi selecionada por um método de amostragem não probabilístico de conveniência. A colheita de dados foi realizada através de um questionário de autopreenchimento aplicado durante o mês de fevereiro de 2015 durante uma aula aos estudantes da escola onde se colheu a amostra. O questionário utilizado era constituído por questões sociodemográficas e a versão Portuguesa do Attribution Questionaire (AQ27) (Corrigan et al., 2003, traduzido e validado por Sousa, Queirós, Marques, Rocha e Fernandes, 2008). Esta escala permite avaliar as atitudes face à pessoa com doença mental com base em nove fatores: responsabilidade, pena, perigosidade, medo, ajuda, coerção, segregação e evitamento. Neste instrumento, existem disponíveis diversas vinhetas possíveis de utilizar, tendo para este estudo sido selecionada uma acerca de um paciente com esquizofrenia. É constituído por 27 declarações acerca da vinheta apresentada, que são ponderadas numa escala tipo Likert de 9 pontos (desde 1 “nenhum ou nada “ a 9 “muito ou completamente”), sendo a pontuação possível de 3 a 27 para cada um dos fatores, bem como para ao valor total de estigma, e quanto maior a pontuação do fator, maior a sua contribuição para o estigma. Considera-se um nível de estigma baixo se a pontuação obtida for inferior a 11, moderado em pontuações entre 12 a 19, e estigma elevado se os valores obtidos forem superior a 20.


Foram assegurados pelos autores todos os procedimentos formais e éticos inerentes a este tipo de estudo. A resposta ao questionário foi voluntária e todos os participantes deram o seu consentimento informado, sendo garantida a confidencialidade e o anonimato das respostas obtidas. A análise dos dados foi feita recorrendo ao SPSS 20, tendo sido realizada análise descritiva e inferencial com recurso a testes paramétricos. RESULTADOS A amostra foi constituída por 573 estudantes de cinco cursos da área de saúde: Enfermagem (58,3%), Fisioterapia (10,6%), Dietética (13,3%), TF (13,6%) e TO (4,2%). A maioria dos estudantes frequentava o primeiro ano do curso (31,4%), havendo representação dos 4 anos dos vários cursos em análise. Na sua maioria, a amostra é constituída por estudantes do sexo feminino (81,5%), solteiros (92,3%), com idades entre os 18 e os 56 anos (média de 21,36), sendo 20 anos a idade mais prevalente. Em termos de prevalência de doença, 6,5% da amostra referiram ter sido diagnosticados com uma doença mental. A maioria dos estudantes (60,8%) referiu que nunca teve contacto com a doença mental no seio familiar. Os valores globais da AQ-27 da amostra são reveladores da presença de um estigma moderado, tal como se observa na Tabela 1, com valores médios de resposta de 4,04 em cada item (DP=0,052, Min=2; Max=6).

Os estudantes de Enfermagem e TF revelaram os maiores níveis de estigma da amostra. A análise comparativa do estigma por curso (Tabela 2), revelou diferenças estatisticamente muito significativas nos níveis totais de estigma e nas dimensões responsabilidade, irritação, ajuda, coerção e evitamento. Os testes Post-hoc (Bonferroni) evidenciaram oposição do curso de TO aos restantes para todas as dimensões referidas, sendo neste curso encontrados valores de estigma inferiores aos restantes cursos, com exceção da coerção, que apresenta os valores mais elevados neste curso. Os estudantes de enfermagem revelaram maiores níveis de estereótipos nas dimensões responsabilidade, perigosidade, evitamento, medo e segregação, relativamente aos estudantes dos outros cursos, sendo estas diferenças não estatisticamente significativas segundo o mesmo teste Post-hoc. Tabela 2 - Níveis de estigma em saúde mental por curso (Teste One-Way ANOVA)

Responsabilidade

M; DP

Pena

M; DP

Média

DP

Mínimo

Máximo

11,33

2,174

5

21

Pena

15,68

3,244

7

24

Irritação

10,13

2,521

4

19

Perigosidade

10,87

3,321

4

23

Medo

10,69

3,404

3

23

Ajuda

10,32

2,927

3

22

Coerção

15,36

2,488

8

23

Evitamento

13,43

3,703

3

24

Segregação

14,59

2,499

8

24

TOTAL

12,4887

1,59531

7,56

18,47

No conjunto de todos os estudantes observa-se menor estigma no fator irritação e maior estigma relativamente aos sentimentos de pena. Níveis elevados de estigma foram observados na coerção e segregação com valores mínimos médios superiores a 8, e máximos respetivamente de 23 e 24. Considerando o curso frequentado, os estudantes de TO revelaram no global, menos atitudes estigmatizantes, tendo obtido valores mais baixos de estigma comparativamente aos restantes estudantes.

Dietética

Fisioterapia

Terapia da Fala

Terapia Ocupacional

11,38; 2,171

11,54; 1,879

11,47; 2,024

11,56; 2,084

8,78; 2,331

15,60; 3,155

15,73; 3,002

15,86; 3,290

16,00; 3,751

15,07; 3,454

10,31; 2,526

7,96; 2,789

10,85; 3,004

8,96; 3,581

10,65; 2,779

8,73; 2,905

10,82; 3,104

7,55; 4,052

14,98; 2,331

16,44; 3,406

13,63; 3,496

9,87; 3,860

14,43; 2,473

15,07; 2,962

12,58; 1,472

10,84; 1,773

p

0,000**

p Irritação

Tabela 1 - Níveis de estigma em saúde mental na amostra Responsabilidade

Enfermagem

M; DP

0,728 10,19; 2,510

10,28; 2,238

p Perigosidade

M; DP

Medo

M; DP

0,001** 11,02; 3,253

10,97; 3,399

10,73; 3,716

10,76; 3,341

10,96; 3,477

10,77; 4,309

p

0,064

p Ajuda

M; DP

0,069 10,29; 2,806

10,69; 2,635

p Coerção

M; DP

M; DP

15,39; 2,376

15,70; 2,807

M; DP

13,78; 3,614

12,75; 3,269

M; DP

13,50; 4,138 0,000**

14,76; 2,514

14,26; 2,384

p TOTAL

14,88; 2,316 0,039*

p Segregação

10,43; 2,658 0,000**

p Evitamento

10,22; 2,492

14,14; 2,352 0,197

12,57; 1,551

p

12,56; 1,576

12,44; 1,797 0,000**

Legenda: * - p<0,05; ** - p<0,01

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 69


Relacionando os níveis de estigma com o ano de curso frequentado (Tabela 3), pode perceber-se que existe uma correlação estatisticamente significativa positiva no fator Responsabilidade, e negativa nos fatores Pena, Irritação, Perigosidade, Medo e Evitamento, bem como no valor total de estigma. Os níveis de estigma totais, e dos fatores Pena, Perigosidade, Medo e Evitamento apresentam diferenças estatisticamente significativas nos valores médios entre o primeiro e o último ano de curso, enquanto o fator Responsabilidade apresenta valores menores no final do curso, comparativamente ao seu início. Tabela 3 - Relação entre o ano de curso e os níveis de estigma (Teste Pearson, t-student) r

p

Média; DP (1ºano de curso)

Média; DP (4º ano de curso)

df

p

Responsabilidade

0,138

0,001**

11,21; 2,023

12,08; 2,579

256

0,004**

Pena

-0,131

0,002**

16,49; 3,177

15,26; 3,031

256

0,004**

Irritação

-0,075

0,071

10,39; 2,465

9,89; 2,349

256

0,135

Perigosidade

-0,099

0,018*

11,27; 3,576

10,31; 2,727

178,910

0,021*

Medo

-0,127

0,002**

11,17; 3,810

9,90; 2,693

192,510

0,003**

Ajuda

-0,046

0,277

10,55; 2,852

10,40; 2,899

256

0,710

Coerção

-0,011

0,791

15,31; 2,318

15,50; 2,364

256

0,552

Evitamento

-0,108

0,010*

14,04; 3,734

12,85; 3,743

256

0,021*

Segregação

-0,035

0,398

14,83; 2,487

14,84; 2,441

256

0,971

TOTAL

-0,120

0,004**

12,81; 1,583

12,34; 1,308

165,304

0,015*

Legenda: * p<0,05; ** p<0,01

DISCUSSÃO A amostra do estudo apresenta um nível de estigma moderado. Os valores mais elevados de estigma da amostra foram obtidos na dimensão pena, que expressam uma atitude de simpatia e simultaneamente de paternalismo dos estudantes para com a pessoa com doença mental. Este tipo de estigma é associado na literatura à falta de informação (Sousa et al., 2012), o que pode espelhar a uma baixa literacia em saúde mental da amostra. A coerção foi outra atitude com maior índice de cotação, mantendo-se elevada tanto nos estudantes do 1º, como do 4º ano, reveladores de prepotência no sentido de obrigação da pessoa doente à adesão ao tratamento. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 70

O enfoque dado aos conteúdos dos itens “pediria para ele tomar a medicação” e “forçado a tratar-se …mesmo se não quisesse” pode explicar a consonância destes resultados com os outros estudos realizados, especialmente no caso dos estudantes de Medicina e Psicologia (Marques et al., 2010; Pinto, 2015) e nos estudantes do secundário (Freitas, 2012). Também no ensino dos outros cursos de saúde, em especial na Enfermagem é colocada ênfase na importância na adesão ao regime terapêutico e medicamentoso, sendo reconhecidos ganhos em saúde relacionados com o seu cumprimento. Neste contexto pode ser propício à perceção pelos estudantes da necessidade de assumirem um papel coersivo face à pessoa em não-adesão. Estes resultados verificados nos estudantes estão em linha com as atitudes estigmatizantes dos familiares de pessoas com doença mental (Sousa et al., 2012) e com as dos utentes utilizadores dos serviços de saúde comunitária na região de Leiria (Oliveira e Azevedo, 2014). Na TO o estereótipo na coerção é maior, mas obtiveram-se os valores mais baixos de estigma da amostra, no global e nas dimensões responsabilidade, evitamento, ajuda e irritação, que podem dever-se ao contacto precoce com a deficiência e limitação. No global, os estudantes revelaram menor estereótipo de raiva associada à culpabilização da pessoa com doença mental pela sua situação e menor estigma na identificação da necessidade de ajuda. Este facto pode dever-se ao contacto com a pessoa com doença mental favorecido nos ambientes clínicos, na realização de aulas práticas e no envolvimento dos estudantes em atividades inclusivas levadas a cabo no âmbito das parcerias entre a escola e as estruturas comunitárias. No geral, estas atividades têm como pressupostos a ajuda ao outro no respeito pela sua autonomia, autoestima e autoeficácia, com vista à promoção do autocuidado, conceitos transversais no ensino da saúde. Em oposição, os resultados dos estudos realizados com a população em geral, utentes dos centros de saúde e com os familiares de pessoas com doença mental evidenciaram estereótipos de ajuda elevados (Freitas, 2012; Oliveira e Azevedo, 2014; Sousa et al., 2012). Já os estudantes de Enfermagem revelaram níveis mais elevados nas dimensões responsabilidade, perigosidade, evitamento, medo; e segregação, comparativamente com os restantes cursos. Com exceção da ajuda, estes valores são todos superiores aos obtidos no estudo de Marques et al. (2010), revelando maior estereótipo e mais atitudes estigmatizantes nestes, comparativamente aos estudantes de Enfermagem do Porto.


As diferenças entre os níveis de estigma dos estudantes do 1º e do último ano (4º) atestam a favor da diminuição dos estereótipos ao longo do curso. Os estudantes séniores expressam menos pena, perceção de perigosidade, medo e evitamento. Estes resultados são abonatórios face aos obtidos junto dos estudantes de Medicina, em que a única diferença significativa se verificou relativamente à segregação (menor nos estudantes do 6º ano) (Pinto, 2015). Verificou-se uma correlação negativa significativa entre o número de anos de curso e os níveis de estigma, com exceção da responsabilidade, cuja correlação é positiva. Este facto pode ser atribuído ao número considerável de ensinos/ estágios clínicos dos cursos da saúde em análise e que ocorrem desde o final do 1º ano, aumentando a probabilidade de contacto com as pessoas com doença mental e consequente redução do estigma (Corrigan et al., 2003), embora possa favorecer a responsabilização da pessoa cuidada pela sua doença. Para além disso, no decorrer do curso os estudantes têm acesso a conteúdos teóricos específicos relativos à doença mental, com a análise de casos clínicos, facilitando a redução do estigma, tal como corroboram os resultados dos programas antiestigma com uma componente mista de informação e contacto com histórias reais (Spanolo et al., 2008). CONCLUSÃO O estudo transversal correlacional desenvolvido com estudantes de saúde, permitiu comparar o estigma nos diferentes cursos superiores e conhecer a influência dos anos de estudo nos estereótipos dos estudantes. Revelou-se a presença de um estigma moderado face à doença mental. Verifica-se em termos globais, menor irritação, tendo sido observados níveis baixos de estigma no fator ajuda. Por sua vez, os estudantes revelaram maior estigma através da expressão de sentimentos de pena, coerção e segregação. Na análise por cursos verifica-se que são os estudantes de TO os que revelam globalmente menos atitudes estigmatizantes, em contraponto são os estudantes de Enfermagem e TF os que revelaram os maiores níveis de estigma da amostra. Constatou-se uma correlação negativa significativa entre os anos de curso e o estigma. Os estudantes séniores finalistas apresentaram menos atitudes estigmatizantes comparativamente aos iniciados, provavelmente relacionada com a educação na escola de saúde e com o contacto com as pessoas com doença mental ao longo dos cursos.

A heterogeneidade da amostra pode constituir uma limitação do estudo e contribuir para o enviezamento dos resultados sobretudo relativamente ao menor número de estudantes de TO. O desenho do estudo também constituiu uma limitação na interpretação das diferenças do estigma ao longo do curso, sendo necessária a realização de estudos longitudinais para a compreensão do fenómeno e análise dos seus fatores associados. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Os resultados obtidos parecem tornar necessário uma reflexão e adaptação dos planos curriculares e métodos pedagógicos com vista à redução do estigma nos estudantes de saúde. Associada a esta mudança revela-se importante avaliar e potenciar as oportunidades criadas durante o curso para o contacto e interação com as pessoas com doença mental. A constatação da possibilidade de redução dos níveis de estigma com o decorrer do curso, sugere o planeamento de ações antiestigma adequadas aos estudantes e a cada ano do curso, apostando no envolvimento dos estudantes em ações dirigidas à comunidade, incluindo as pessoas com doença mental. Sugere-se a monitorização dos níveis de estigma da amostra ao longo do curso, através de desenhos longitudinais. As limitações do estudo sugerem a atenção à homogeneidade da amostra nos estudos a realizar no futuro.

Revista RevistaPortuguesa Portuguesade deEnfermagem Enfermagemde deSaúde SaúdeMental, Mental,ESPECIAL ESPECIAL32(ABR.,2016) (FEV.,2015) || 71 71


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Coordenação Nacional para a Saúde Mental. (2012). Programa Nacional para a saúde mental: Orientações Programáticas. Lisboa, Portugal: Direção Geral de Saúde.

Palha, F., Guimarães, A., Castro-Henriques, M., Costa, N., e Campos, L. (2008). Stigmatization of people with mental illnesses: A preliminary study of university students’ opinions. Poster apresentado no International Colloquium of Schizophrenia, Porto, Portugal.

Corrigan, P., Markowitz, F., Watson, A., Rowan, D., Kubiak, M. (2003). An attribution model of public discrimination towards people with mental illness. Journal of Health and Social Behaviour, 44(2), 162–179.

Pinto, I. (2015). Mental stigma in medical students – Medical School of Oporto University. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Portugal.

Corrigan, P. (2007). How Clinical Diagnosis Might Exacerbate the Stigma of Mental Illness. Social Work, 52(1), 31-39. doi: 10.1093/sw/52.1.31

Sousa, S., Queirós, C., Marques, A., Rocha, N., e Fernandes, A. (2008). Versão preliminar portuguesa do Attribution Questionnaire (AQ-27). Porto, Portugal: Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto/ESTSP-IPP.

Freitas, M. (2012). Vários olhares sobre o doente mental. Dissertação de Mestrado, Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal. Gil, I. (2010). Crenças e atitudes dos estudantes de enfermagem acerca das doenças e doentes mentais: Impacto do ensino clínico de enfermagem de saúde mental e psiquiatria. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Portugal. Guarniero, F., Bellinghini, R., e Gattaz, W. (2012). O estigma da esquizofrenia na mídia: Um levantamento de notícias publicadas em veículos brasileiros de grande circulação. Revista de Psiquiatria Clínica, 39(3), 80-84. doi: 10.1590/S0101-60832012000300002 Marques, A., Barbosa, T., e Queirós, C. (2010). O Estigma na Doença Mental Perspectivado por Futuros Profissionais de Saúde Mental. Poster apresentado no III Congreso de la Federación Española de Asociaciones de Rehabilitación Psicosocial, Valladolid, Espanha. Oliveira, A., e Azevedo, S. (2014). Estigma na doença mental: Estudo observacional. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, 30(4), 227-234.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||72 72

Sousa, S., Marques, A., Rosário, C., e Queirós, C. (2012). Stigmatizing attitudes in relatives of people with schizophrenia: A study using the Attribution Questionnaire AQ-27. Trends in Psychiatry and Psychotherapy, 34(4), 186–197. doi: 10.1590/S2237-60892012000400004 Spagnolo, A., Murphy, A., & Librera, L. (2008). Reducing stigma by meeting and learning from people with mental illness. Psychiatric Rehabilitation Journal, 31(3), 186-193. doi: 10.2975/31.3.2008.186.193 Thornicroft, G., Brohan, E., Rose, D., Sartorius, N., e Lesse, M. (2009). Padrão Global de Discriminação experimentada e antecipada contra pessoas com esquizofrenia: Estudo transversal. Revista Latino-americana de Psicopatologia Fundamental, 12(1), 141-160. doi: 10.1016/S0140-6736(08)61817-6 Xavier, S., Klut, C., Neto, A., Ponte, G., e Melo, J. (2013). O estigma da doença mental: Que caminho percorremos? Revista do Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE, 11(2), 10-21.


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0121

13 INSÓNIA NOS ESTUDANTES DE ENFERMAGEM EM ENSINO CLÍNICO | Amadeu Gonçalves1; Lídia Cabral2; Daniel Silva3; Cláudia Chaves4; João Duarte5 |

RESUMO CONTEXTO: A insónia é prevalente entre estudantes de enfermagem relacionando-se com diversos fatores, sobressaindo a complexidade e exigências curriculares, sobretudo durante o ensino clínico. OBJETIVO(S): Determinar a prevalência da insónia dos estudantes da ESSV em ensino clínico; Identificar as variáveis sociodemográficas e académicas que interferem na insónia dos estudantes da ESSV durante o ensino clínico; Relacionar os estilos de vida, o sistema roulement, os hábitos de sono e a fadiga crónica com a ocorrência a insónia. METODOLOGIA: Estudo quantitativo, transversal, descritivo, e analítico-correlacional, realizado numa amostra não probabilística por conveniência, constituída por 181 estudantes de enfermagem que já realizaram ensino clínico. Aplicou-se um questionário de caraterização sociodemográfica, questionário de identificação dos estilos de vida dos estudantes e trabalho por turnos; questionário de Sono de Oviedo (QSO); Índice da Qualidade do Sono de Pittsburgh (IQSP). RESULTADOS: A insónia associou-se a estilos de vida pouco saudáveis, a estudantes mais velhos, do sexo feminino, residentes no meio urbano, no 4º ano, a frequentar o 8º semestre, com estatuto trabalhador-estudante, que vivem sozinhos durante o estágio e os que já fizeram sistema roulement. Das variáveis estudadas as que revelaram significância estatística são a idade, o semestre, a coabitação em tempo de estágio, os hábitos tabágicos, o consumo de drogas, a presença de televisão/computador no quarto e o sistema roulement. CONCLUSÃO: Tendo em conta que a prevalência da insónia foi de 22,1% pensamos ser útil dar continuidade a este estudo, com uma amostra mais dilatada, de forma a não comprometer a validade externa, permitindo a extrapolação dos resultados à população dos estudantes de enfermagem em ensino clínico. PALAVRAS-CHAVE: Estudantes de enfermagem; Ensino clínico; Trabalho por turnos; Insónia

RESUMEN

ABSTRACT

“Insomnio en estudiantes de enfermería en la educación clínica”

“Insomnia in nursing students in clinical education”

CONTEXTO: El insomnio es frecuente entre los estudiantes de enfermería es relacionar a varios factores, destacando los requisitos de complejidad y del plan de estudios, en particular durante la formación clínica. OBJETIVOS: Determinar la prevalencia del insomnio en los estudiantes en la educación clínica; Identificar las variables sociodemográficas y académicas que interfieren con el insomnio los estudiantes durante la educación clínica; Relacionar a los estilos de vida, el sistema roulement, hábitos de sueño y la fatiga crónica con el insomnio ocurrencia. METODOLOGIA: Estudio cuantitativo, transversal, descriptivo y correlacional-analítica realizada en una muestra de conveniencia no probabilística que consta de 181 estudiantes de enfermería que ya han realizado la enseñanza clínica. Un cuestionario sobre la caracterización sociodemográfica, estilos de vida cuestionario de identificación de los estudiantes y el trabajo por turnos aplicada; Sleep Cuestionario Oviedo (QSO); Índice de Calidad del Sueño de Pittsburgh (PSQI). RESULTADOS: El insomnio se asoció con una vida poco saludable, los estudiantes de más edad, de sexo femenino, los residentes urbanos en el cuarto año de asistir al octavo semestre, con la condición de trabajadorestudiante, que vive solo para la etapa y los que han hecho del sistema roulement. De las variables que mostraron significación estadística son la edad, la mitad del tiempo de la etapa cohabitando, hábitos de fumar, consumo de drogas, la presencia de TV / computadora en la sala y el sistema roulement. CONCLUSIÓN: Teniendo en cuenta que la prevalencia del insomnio fue del 22,1% pensamiento sea útil para continuar este estudio, con una muestra más ampliado con el fin de no comprometer la validez externa, lo que permite la extrapolación de los resultados a la población estudiantil enfermería educación clínica.

BACKGROUND: Insomnia is prevalent among nursing students relating with several factors, highlighting the complexity and curriculum requirements, especially during the clinical training. AIM: To determine the prevalence of insomnia of students in clinical training; Identify the sociodemographic and academic variables that interfere with insomnia of the students during the clinical training; List the lifestyles, the roulement system, sleep habits and chronic fatigue with the occurrence insomnia. METHODS: Quantitative, cross-sectional, descriptive, correlational-analytical study conducted in a non-probability convenience sample consisting of 181 nursing students who have already performed clinical training. A questionnaire on sociodemographic characterization, identification questionnaire lifestyles of students and shift work was applied; Sleep questionnaire Oviedo (QSO); Index of Sleep Quality Pittsburgh (PSQI). RESULTS: The insomnia was associated with unhealthy life, older students, female, urban residents in the 4th year attending the 8th semester, with worker-student status, living alone for the stage and those who have done roulement system. Of the variables studied revealed that the statistical significance are age, the half, the aging time in cohabitation, cigarette smoking, drug use, the presence of television / computer in the room and the roulement system. CONCLUSION: Given that the prevalence of insomnia was 22.1% think is useful to continue this study with a more dilated sample in order not to compromise the external validity, allowing extrapolation of the results to the student population nursing clinical education.

KEYWORDS: Nursing students; Clinical teaching; Shift work; Insomnia

DESCRIPTORES: Estudiantes de enfermería; Enseñanza clínica; Trabajo por turnos; Insomnio

Submetido em 30-10-2014 Aceite em 05-04-2016

1 Mestre em Ciências Sociais; Doutor em Ciências de Enfermagem; Membro do CI&DETS e Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Viseu, agoncalvessv@hotmail.com 2 Mestre em Gestão e Economia da Saúde; Doutora em Ciências da Saúde; Membro do CI&DETS e Prof. Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, lcabral@essv.ipv.pt 3 Mestre em Ciências de Enfermagem; Doutor em Ciências da Educação; Membro CI&DETS e Prof. Coordenador no Instituto Politécnico de Viseu, dsilva.essv@gmail.com 4 Doutorada em Ciências da Educação; Professora Coordenadora no Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde, Viseu, Portugal, claudiachaves21@gmail.com 5 Mestre em Ciências de Enfermagem; Doutor em Saúde Mental; Membro do CI&DETS e Professor Coordenador no Instituto Politécnico de Viseu, jduarte@essv.ipv.pt Citação: Gonçalves, A. Cabral, L., Silva, D., Chaves, C., e Duarte J. (2016). Insónia nos estudantes de enfermagem em ensino clínico. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 73-78. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 73


INTRODUÇÃO O sono desempenha um papel fundamental no bemestar físico, psíquico e social dos indivíduos (AncoliIsrael, Bliwise, & Norgoard, 2011). As perturbações do sono, nomeadamente a insónia, provocam problemas físicos que podem gerar consequências a longo prazo, caso não sejam devidamente detectadas e tratadas. O número de horas considerado reparador é diferente de pessoa para pessoa, podendo variar de sete ou oito horas de sono diárias (Rente & Pimentel, 2004, cit. por Gonçalves, 2012). A insónia pode ser definida como uma incapacidade temporária ou permanente de iniciar ou manter o sono, por interrupção do mesmo ou despertar precoce. Pode manifestar-se por dificuldade em iniciar o sono, dificuldade em mantê-lo, sensação de sono não reparador e privação de sono inerente à situação (Serra, 2014). Segundo Cavadas (2011), de todas as perturbações do sono, a insónia é a mais frequente e afecta negativamente o funcionamento diurno, podendo ser responsável pelo absentismo, acidentes de trabalho, sendo a eficiência e a produtividade do trabalho inferior. Os estilos de vida, características do trabalho, (trabalho por turnos), aliado a elevados níveis de stress, burnout e outras variáveis relacionadas com a doença física e/ou mental, (dor, ansiedade, depressão), têm sido relatadas como importantes factores de risco da insónia (Morna, 2011). Com esta investigação, pretendemos identificar insónias nos estudantes da Licenciatura em Enfermagem durante o ensino clínico, pois estas comprometem a realização de tarefas cognitivas que envolvem a memória, a aprendizagem, o raciocínio lógico e eventualmente o poder de decisão (Duarte, 2011). O interesse em analisar esta problemática deve-se ao seu potencial impacto na eficácia da prestação de cuidados ao utente, nas relações interpessoais e na sua estabilidade afectiva. A irregularidade do ciclo vigília/sono dos estudantes ou a privação parcial do sono traduzem muitas vezes, diminuição do estado de alerta e da concentração; alterações do comportamento e do humor, aumento da irritabilidade, stresse e ansiedade; sonolência diurna e aumento das horas de sono nos fins-de-semana (Araújo e Almontes, 2012). Por norma, os estudantes universitários apresentam um padrão de sono irregular, caracterizado por modificação no horário de início e terminus, que ocorre mais tarde aos fins-de-semana comparativamente aos horários semanais (Schneider, Vasconcellos, Dantas, Levandovski, Caumo, & Allebrandt, 2010). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 74

Ratanasiripong (2012), constatou que 33,3% dos estudantes deita-se entre as 00h e a 1h hora, o horário de acordar varia entre 6 horas e as 7 horas e a maioria (56,7%) demoram mais de 20 minutos para adormecer e 60% têm uma probabilidade elevada de adormecer durante a tarde e ainda que os estudantes de enfermagem dormem menos de 8 horas, apresentando um sono insuficiente e de baixa qualidade e os que trabalham no período nocturno (ensinos clínicos) não dormem mais de 5 horas. Os problemas de sono parecem ser comuns em estudantes universitários e os que trabalham à noite estão mais expostos ao risco de sonolência durante o dia o que favorece a incidência de acidentes de trabalho, ocorrência de lesões e erros (Bittencourt, Silva, Pires, Mello, & Tufik, 2008, cit. por Ferreira e Martino, 2011). METODOLOGIA Após revisão e análise de alguma literatura referente à insónia em estudantes universitários, enunciamos as seguintes questões de investigação: - Que variáveis sociodemográficas e académicas têm repercussão na insónia dos estudantes de enfermagem? - Em que medida os estilos de vida e o sistema roulement (Trabalho por turnos), predispõem á ocorrência de insónia? Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, analítico e descritivo-correlacional, numa amostra não probabilística por conveniência constituída por alunos da Escola Superior de Saúde de Viseu, que já realizaram ensino clínico. De um total de 282 estudantes, responderam ao questionário 211, isto é, 74,81% do inicialmente previsto, sendo excluídos 30 questionários por se encontrarem mal preenchidos ou incompletos. O que perfaz 181 estudantes na amostra final, correspondendo a 64,18% da amostra total. Os instrumentos utilizados para medir as variáveis em estudo, foram o Questionário de caracterização sociodemográfica; Questionário de identificação dos estilos de vida e trabalho por turnos dos estudantes e o Questionário de Sono de Oviedo (Duarte, 2011); O Questionário de identificação dos estilos de vida dos estudantes é constituído por sete questões que dizem respeito aos estilos de vida dos estudantes, nomeadamente: o consumo de café; o consumo de bebidas alcoólicas; as saídas nocturnas; os hábitos tabágicos; o consumo de drogas; prática desportiva e actividades lúdicas (televisão/computador no quarto).


O Questionário de Sono de Oviedo (QSO) que consiste numa breve entrevista semiestruturada de ajuda diagnóstica para os transtornos do sono do tipo insónia e hipersónia segundo os critérios DSM-IV e CID10 (García et al., 2000). A sua versão final é constituída por 15 itens, 13 agrupam-se em três escalas categoriais diagnósticas: satisfação subjectiva do sono (1item), insónia (9 itens), hipersónia (3 itens). Os dois itens restantes proporcionam informação adicional sobre a possível existência de parassónias e transtornos do tipo orgânico e sobre o tipo e frequência do uso de qualquer tipo de ajuda para dormir (fármacos, chás, etc). Todos os itens são respondidos mediante uma escala tipo Lickert, excepto o primeiro item (satisfação com o sono) em que a escala é medida por sete valores (de 1 a 7), em todos as outas escalas temos 5 valores (de 1 a 5) que se referem à frequência, tempo e percentagens. O estudo psicométrico do Questionário de Sono de Oviedo (QSO) revelou valores de alfa de Cronbach, razoáveis, oscilando entre 0,686 e 0,760 com um alfa global da escala de 0,730. O coeficiente de bipartição método das metades ou de split half revela para a primeira metade um valor de alfa de Cronbach (α=0,581) e para a segunda um valor ligeiramente mais alto (α=0,622), classificados de razoáveis. RESULTADOS As estatísticas relativas à idade revelam estudantes com idades entre os 18 e os 42 anos, ao que corresponde uma idade média de 22,15 anos ±3,549 dp. Os estudantes do sexo masculino, apresentam 22,0% da totalidade da amostra, a idade mínima é de 18 anos e a máxima de 36 anos. Para os estudantes do sexo feminino, com uma representatividade de 78,0%, a idade mínima é 18 anos e a máxima 42 anos. Os rapazes apresentam uma média de idades (M=22,45 anos ±3,755 dp) ligeiramente superior á das raparigas (M=22,07 anos ±3,498 dp), sendo as diferenças entre os dois grupos estatisticamente significativas (p=.000). A maioria dos estudantes do sexo masculino, situam-se na faixa etária dos 21 anos (25,0%), e os do sexo feminino na da faixa etária ≥ 22 anos (80,3%). A maioria dos estudantes do sexo masculino, frequentam o 2º ano/4º semestre do curso de enfermagem, representando 32,6% da amostra, e os do sexo feminino encontram-se no 4º ano/8º semestre (81,9%) (Tabela 1).

Tabela 1 - Caracterização sociodemográfica da amostra em função do sexo Sexo

Masculino

Feminino

Total

%

%

%

Residuais

(40)

(22,0)

(141)

(78,0)

(181)

(100,0)

≤ 20

12

22,2

42

77,8

54

21

14

25,0

42

75,0

≥ 22

14

19,7

57

80,3

2º ano

14

32,6

29

3º ano

13

19,7

53

4º ano

13

18,1

4º semestre

14

5º semestre 6º semestre

Fem.

Masc.

29,8

0,0

0,0

56

30,9

0,6

-0,6

71

39,2

-0,6

0,6

67,4

43

23,8

1,9

-1,9

80,3

66

36,5

-0,6

0,6

59

81,9

72

39,8

-1,1

1,1

32,6

29

67,4

43

23,8

1,9

-1,9

12

28,6

30

71,4

42

23,2

1,2

-1,2

1

4,2

23

16,3

24

13,3

-2,3

2,3

7º semestre

8

24,2

25

75,8

33

18,2

0,3

-0,3

8º semestre

5

12,8

34

87,2

39

21,5

-1,6

1,6

Não

34

21,5

124

78,5

158

87,3

-0,5

0,5

Sim

6

26,1

17

73,9

23

12,7

0,5

-0,5

Rural

26

22,2

91

77,8

117

64,6

0,1

-0,1

Urbana

14

21,9

50

78,1

64

35,4

-0,1

0,1

Pais/familiares

17

23,0

57

77,0

74

40,9

0,2

-0,2

Cônjuge

5

31,3

11

68,8

16

8,8

0,9

-0,9

Colegas

13

16,5

66

83,5

79

43,6

-1,6

1,6

Sozinho

5

41,7

7

58,3

12

6,6

1,7

-1,7

Variáveis Grupo etário

Ano que frequentam

Semestre

Estatuto trabalhadorestudante

Proveniência

Coabitação em tempo de estágio

De acordo com os resultados do Teste de U-Mann de Whitney e pela ordenação média podemos verificar que são os estudantes do sexo feminino que apresentam mais insónia (OM=91,24). Revelando também que são os estudantes que residem em meio urbano, a demonstrar mais insónias (OM=95,11). No entanto, estes resultados carecem de significância estatística (p=.434) (Tabela 2). Tabela 2 - Relação entre a insónia e o sexo/proveniência Sexo

OM

Masculino

90,16

Feminino

91,24

Proveniência

OM

Rural

88,75

Urbana

95,11

UMW

p

2786,500

.909

UMW

p

3481,000

.434

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 75


De acordo com o teste de variância ANOVA, podemos verificar que são os estudantes com idade superior ou igual a 22 anos que apresentaram mais insónia (M=18,88±.4,847dp), seguindo-se os que se situam na faixa etária dos 21 anos (M=17,41±.5,001dp), resultando em diferenças estatisticamente significativas (p=.029). Os resultados mostram também que a média de insónia mais elevada (M=18,77±.4,996 dp) é a dos estudantes que frequentam o 4º ano, seguindo-se os que estão no 3º ano (M=17,30±.5,434 dp), sem que tenha resultado em diferenças estatisticamente significativas (p=.059) (Tabela 3). Tabela 3 - Análise de variância da insónia em função da idade Idade

Média

dp

≤20 anos

16,53

5,083

21 anos

17,41

5,001

≥ 22 anos

18,88

4,847

Ano que frequentam

Média

dp

2º ano

16,62

4,174

3º ano

17,30

5,434

4º ano

18,77

4,996

F

p

3,602

.029

F

p

2,883

.059

Os resultados do Teste de Kruskall Wallis revelam que a ordenação média dos estudantes que frequentam o 8º semestre é superior (OM=107,09), seguindo-se os que frequentam o 7º semestre (OM=98,53) e os que se encontram no 5º semestre, sugerindo que são estes os estudantes que apresentam mais queixas de insónias. Existe uma associação significativa (p=.018) entre a variável semestre e a insónia. São os estudantes que vivem sozinhos durante o estágio que apresentam uma média mais elevada (OM=124,88), seguindo-se os que coabitam com o cônjuge (OM=100,63), sugerindo que são estes os estudantes que mais insónias revelam. Também a variável coabitação em tempo de estágio tem uma associação significativa (p=.023) com as insónias (cf. Tabela 4). Tabela 4 - Relação entre a insónia/semestre/coabitação em tempo de estágio

Consumo de café

OM

Não

86,22

Sim

93,31

Consumo de bebidas alcoólicas

OM

Não

85,23

Sim

93,72

Hábitos tabágicos

OM

Não

84,22

Sim

106,14

OM

4º semestre

80,90

Consumo de drogas

OM

5º semestre

94,98

Não

85,96

6º semestre

65,65

Sim

106,68

7º semestre

98,53

8º semestre

107,09 OM

11,872

X2

p

Tabela 5 - Relação entre a insónia e algumas variáveis independentes

Semestre

Coabitação em tempo de estágio

X2

Os resultados decorrentes do Teste de U-Mann de Whitney mostram que são os estudantes que têm por hábito o consumo de café, a referir mais insónias (OM=93,31). De igual forma também são os estudantes que consomem bebidas alcoólicas, a evidenciar mais insónias (OM=93,72). Porém, pelos valores de p não se encontrou diferença estatisticamente significativa. Os resultados do teste ANOVA mostram que embora as médias estejam ligeiramente próximas, no entanto, a mais elevada é a dos estudantes que referem sair às vezes/sempre à noite (M=17,81), sendo estes a revelarem mais insónias. Atendendo aos resultados do Teste de U-Mann de Whitney pode dizer-se que são os estudantes que têm hábitos tabágicos a revelar mais insónias (OM=106,14), o que resultou em significância estatística (p=.009). Observa-se igualmente que são os estudantes que referem consumir drogas que obtiveram a ordenação média mais elevada (OM=106,68), traduzindo-se em mais propensão a insónias, o que resultou em relevância estatística (p=.022). Relativamente á prática desportiva, os valores de ordenação média no Teste de U-Mann de Whitney revelam-se mais elevados para os estudantes que referem não praticar desporto (OM=93,47). Os resultados expressos no Teste de U-Mann de Whitney para os estudantes que possuem televisão/computador no seu quarto mostram pela ordenação média que são os que apresentam mais insónia (OM=95,86), resultando em relevância estatística (p=.008). Os estudantes que referem já ter feito sistema de roulement são os que apresentam mais insónia (OM=107,09), com diferenças estatisticamente significativas entre o sistema de roulement e as insónias (p=.030) (Tabela 5).

.018

p

Prática desportiva

OM

Não

93,47

Sim

86,69

Telev/computador no quarto

OM 69,18 95,86

Pais/familiares

79,55

Não

Cônjuge

100,63

Sim

Colegas

94,63

Sozinho

124,88

9,513

.023

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 76

Sistema roulement

OM

Não

86,58

Sim

107,09

UMW

p

3317,000

.392

UMW

p

3232,500

.308

UMW

p

2652,000

.009

UMW

p

2324,000

.022

UMW

p

3510,500

.401

UMW

p

1722,000

.008

UMW

p

2141.500

.030


DISCUSSÃO O ciclo sono-vigília consiste num dos ritmos biológicos mais importantes no equilíbrio do ser humano e os prejuízos para a saúde dos estudantes de enfermagem que trabalham por turnos (roulement) podem ser insónias, distúrbios gastrointestinais, cardiovasculares, mal-estar, redução de desempenho, fadiga, irritabilidade, sonolência excessiva durante o dia e interferência nas relações sociais e familiares (De Martino & Bastos, 2009). Quanto ao perfil sociodemográfico e académico dos estudantes, é uma amostra predominantemente feminina (78,0%), com uma idade mínima de 18 anos e uma máxima de 42 anos, ao que corresponde uma idade média de 22,15 anos ±3,549dp, os estudantes do sexo masculino são em média, mais velhos (M=22,45 anos ±3,755 dp) se comparados com os estudantes do sexo feminino (M=22,07 anos ±3,498 dp). Frequentam na sua maioria (81,9%) o 4º ano do curso, não têm o estatuto de trabalhador-estudante (87,3%), residem em meio rural (64,6%), em período de estágio vivem com pais/familiares (40,9%). Também no estudo de Araújo, Frazili e Almeida (2011), se verificou um predomínio de estudantes do sexo feminino, com uma média de idades correspondente aos 22 anos, sem estatuto de trabalhador estudante e a coabitar com os pais/família. Relativamente aos estilos de vida, em ambos os sexos se verifica consumo de café (67,4%); bebidas alcoólicas (68,0%), predominam os estudantes que negam o consumo de tabaco (69,1%) e de drogas (75,7%); a maioria dos estudantes (63,5%) não faz desporto e a maioria possui televisão/computador no quarto (81,8%). Os dados revelaram níveis mais elevados de insónia nos estudantes do sexo feminino, estes resultados corroboram os de De Martino e Bastos (2009). A variável idade influencia a presença de insónias na amostra em estudo, com valores mais elevados nos estudantes mais velhos. Também Angelone, Mattei, Sbarbati e Di Orio (2011), observaram que a alteração do padrão de sono é frequente nos estudantes de enfermagem, com predominância nos estudantes mais velhos. Os residentes em meio urbano apresentam mais queixas de insónias, o que pode ser justificado com mais saídas nocturnas, mais consumo de bebidas alcoólicas, mais café e consumo de drogas, resultando em menos horas de sono (Rocha e Martino, 2010). São os estudantes que frequentam o 4º ano do curso de enfermagem que revelam mais insónias (31,9%), embora sem diferenças estatisticamente significativas.

Estes resultados corroboram os de Bertolazi (2008), que também encontrou níveis mais elevados de insónias e menor qualidade de sono, nos alunos do 3º e 4º ano de enfermagem. As exigências impostas pelas actividades universitárias favorecem alterações na qualidade do sono, especialmente durante os ensinos clínicos (Angelone et al., 2011).Os estudantes com estatuto de trabalhador estudante revelam mais insónias. Estudos de (Hales, Gabbard, & Yudofsky, 2012) mostram dados semelhantes. Os estudantes que vivem sozinhos durante o ensino clinico revelam mais insónias quando comparados com os que residem com familiares, talvez e de acordo com Alves (2010), estes tenham melhores condições de assistência e atenção no atendimento das suas necessidades. Procurámos estudar em que medida os estilos de vida, o sistema roulement e os hábitos de sono predispõem á ocorrência de insónia, tendo-se verificado que os estudantes que têm por hábito beber café, bebidas alcoólicas, com saídas nocturnas, têm hábitos tabágicos, consomem drogas, não praticam desporto, possuem televisão/computador no seu quarto, são os revelaram mais insónias. Deste modo, podemos inferir que os estilos de vida pouco saudáveis, conforme salientam (Cardoso, Santos, & Berardinelli, 2009), podem apresentar sintomas que variam desde irritabilidade até à insónia, entre outras manifestações mais severas. Os estudantes que referem já ter feito sistema roulement são os que apresentam níveis mais elevados de insónia, com diferenças estatisticamente significativas entre o sistema roulement e as insónias. Estes resultados corroboram os de Ferreira et al., (2011), em que a irregularidade dos padrões de sono dos estudantes de enfermagem, sujeitos ao sistema roulement, resulta em menor qualidade do sono, e consequentemente em insónias, com possível privação crónica do sono, podendo limitar de forma significativa a sua qualidade de vida. CONCLUSÃO A irregularidade do ciclo sono-vigília ou a privação parcial do sono podem ser percebidos entre os estudantes, pela redução do estado de alerta, alterações do comportamento e do humor, sonolência diurna, insónias e aumento das horas de sono nos fins-de-semana. A vivência nos ensinos clínicos e o sistema de roulement, podem levar à privação do sono, sendo as queixas de insónia muito comuns em estudantes de enfermagem. Analisámos os factores que influenciam a insónia nos estudantes de enfermagem em ensino clínico, mais especificamente as variáveis sociodemográficas e académicas e em que medida os estilos de vida e o sistema roulement, predispõem á ocorrência de insónia. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 77


Verificámos que o sexo, a idade, o ano que frequentam, o semestre, coabitação em tempo de estágio resultaram em significância estatística. Nos estilos de vida, os estudantes que têm por hábito consumir bebidas alcoólicas, sair à noite, terem hábitos tabágicos, consumir drogas, não praticar desporto, possuírem televisão/computador no seu quarto, são os que revelaram mais insónia. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Face a estes resultados, consideramos necessária uma maior sensibilização dos estudantes, sobretudo os que se encontram em ensino clínico, para a prática de uma boa higiene do sono. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alves, E. F. (2010). Qualidade de vida de estudantes de enfermagem de uma faculdade privada. Revista Brasileira de Qualidade de Vida, 2(1), 23-30. Ancoli-Israel, S., Bliwise, D., & Norgoard, J. (2011). The effect of nocturia on sleep. Sleep Medicine Reviews, 15(2), 91-97. doi: 10.1016/j.smrv.2010.03.002 Angelone A., Mattei, A., Sbarbati, F., DiOrio, F. (2011). Prevalence and correlates for self-reported sleep problems among nursing students. Journal of Preventive Medicine and Hygiene, 52(4), 201-208. Acedido em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22442926 Araújo, C. L. O., Frazili, R. T. V., & Almeida, E. C. (2011). Influência do Sono nas Atividades Acadêmicas dos Graduandos de Enfermagem que Trabalham na Área no Período Noturno. Revista Eletrônica de Enfermagem do Vale do Paraíba, 1, 53-62. Araújo, D. F., & Almontes, K. M. (2012). Qualidade de Sono e sua Relação com o Rendimento Acadêmico em Estudantes Universitários de Turnos Distintos. Revista de Psicologia, 43(3), 350-359. Bertolazi, A. N. (2008). Validação da escala de sonolência de Epworth em português para uso no Brasil. Jornal Brasileiro de Pneumologia, 35(9), 877-883. Cardoso, B. A. P., Santos, M. L. S. C., & Berardinelli, L. M. M. (2009). Relação estilo de vida e tabagismo entre acadêmicos de enfermagem. Revista Eletronica de Enfermagem, 11(2), 368-374. Acedido em http://www.fen. ufg.br/revista/v11/n2/v11n2a18.htm

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 78

Cavadas, L., e Ribeiro, L. (2011). Abordagem da Insónia Secundária do Adulto nos Cuidados de Saúde Primários. Acta Médica Portuguesa, 24(1), 135-144. De Martino, M. M. F., e Bastos, M. L. (2009). Qualidade do Sono, Cronótipos e Estados Emocionais: O caso de enfermeiros portugueses que trabalham por turnos. Pensar Enfermagem, 13(1), 49-60. Duarte, J. (2011). Privação do sono, rendimento escolar e equilíbrio psicoafectivo na adolescência. Tese de Doutoramento, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Porto, Portugal. Ferreira, L., e Martino, M. (2011). Stress no cotidiano da equipe de enfermagem e sua correlação com o cronótipo. Estudos de Psicologia, 26(1), 65-72. García, J. B., Portilla, M. P. G., Martínez P. A. S., Fernandéz, M. T. B., Alvarez, C. I., & Dominguéz, J. M. F. (2000). Propiedades psicométricas del cuestionario oviedo de sueño. 12(1), 107-112. Acedido em http:// www.psicothema.com/psicothema.asp?id=260 Gonçalves, B. (2012). Perturbações do sono e obesidade em adolescentes. Monografia (Não publicada), Escola Superior de Saúde de Viseu, Portugal. Hales, E., Gabbard, O., & Yudofsky, C. (2012) Tratado de Psiquiatria Clínica (5ª ed.). São Paulo, Brasil: Artmed Editora. Morna, F. (2011). Stress e burnout: O caso dos estudantes do CFOP e de Enfermagem. Dissertação de Mestrado, Universidade de Aveiro, Portugal. Ratanasiripong, P. (2012). Mental health of Muslim nursing students in Thailand. International Scholarly Research Network - Nursing Article, 2012(4), 1-7. doi: 10.5402/2012/463471 Rocha, M. C. P., e De Martino, M. M. F. (2010). O estresse e qualidade do sono do enfermeiro nos diferentes turnos hospitalares. Revista Escolar de Enfermagem, 44(2), 280-286. Acedido em http://www.scielo.br/pdf/ reeusp/v44n2/06.pdf Schneider, M. L. M., Vasconcellos, D. C., Dantas, G., Levandovski, R., Caumo, W., & Allebrandt, K. V. (2010). Morningness-eveningness, use of stimulants, and minor psychiatric disorders among undergraduate students. International Journal of Psycholy, 46(1), 18-23. Serra, B. (2014). A Saúde não mente: Hábitos de sono. Diretório do Álcool. Acedido em http://www. diretorioalcool.pt/comunicacao/Paginas/default. aspx?IdRegisto=1&IdNoticia=3138


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0122

14 EL SÍNDROME DE BURNOUT Y LA SALUD MENTAL DE LOS

ESTUDIANTES DE GRADO EN ENFERMERÍA

| Francisco Hernández-Martínez1; Alexandre Rodrigues2; Juan Jiménez-Díaz3; Bienvenida Rodríguez-de-Vera4 |

RESUMEN CONTEXTO: Creemos que nadie se aventuraría a considerarse como mentalmente sano ni a afirmar estar plenamente equilibrado. Probablemente, lo que entendemos por salud sea algo fluctuante y de fronteras imprecisas, sobre todo en los estudiantes de Enfermería que realizan prácticas en hospitales. Las tareas burocráticas provocan estrés entre los estudiantes y sufren un “choque con la realidad”, que produce desequilibrio entre la realidad y las expectativas al inicio de los estudios y las prácticas clínicas. OBJETIVO(S): Averiguar los factores de riesgo asociados a la salud mental de los estudiantes de Enfermería; establecer si éstos predisponen al Síndrome de Burnout. METODOLOGÍA: Estudio descriptivo, transversal, cuantitativo con una muestra de 50 estudiantes. Encuesta autocumplimentada con datos sociodemográficos, escala de salud de Goldberg y Maslach Burnout Inventory. Tratamiento de datos con SPSS.23.0. Obtenidos los permisos de la Institución, del Comité de Ética y de los estudiantes. RESULTADOS: El 70% presenta perturbaciones del sueño, 15% con sintomatología de ansiedad y depresión, 10% que refiere síntomas somáticos y 5% presenta dificultades en las relaciones interpersonales. Respecto a los datos del Burnout; entre el 50% de los estudiantes aparece predisposición de “agotamiento emocional”, 16% un alto grado de “baja realización personal” y 30% refieren un alta “despersonalización hacia otros”. CONCLUSIÓN: Los estudiantes refieren alteraciones del sueño relacionadas con dificultad para dormir, cansancio y con noches sin descansar. Presentan agotamiento emocional acompañado de cansancio físico y frustración con problemas para relacionarse con la gente y con sentimientos de despersonalización laboral y personal con predisposición al endurecimiento emocional. DESCRIPTORES: Agotamiento; Estudiantes de enfermería; Salud mental

RESUMO

ABSTRACT

“O síndrome de burnout e o estado da saúde mental dos estudantes de enfermagem”

“The burnout syndrome and the state of mental health of nursing students”

CONTEXTO: Acreditamos que ninguém se aventuraria a considerar-se como mentalmente são nem afirmar que se encontra totalmente equilibrado. Provavelmente, o que entendemos por saúde seja algo flutuante e de fronteiras imprecisas, principalmente nos estudantes de enfermagem que realizam estágios hospitalares. As tarefas burocráticas provocam stress nos estudantes e induzem-lhe um “choque com a realidade”, que produz um desequilíbrio entre a realidade e as espetativas no inicio dos estudos e a realidade dos cuidados. OBJETIVOS: Averiguar os fatores de risco associados à saúde mental dos estudantes de Enfermagem; Verificar se estão predispostos ao SIndrome de Burnout. METODOLOGIA: Estudo descritivo, transversal, com uma amostra de 50 estudantes. Questionário auto-preenchido com dados sociodemográficos, escala de saúde de Goldberg e Maslach Burnout Inventory. Tratamento de dados com SPSS 23.0. Obtidas as autorizações da instituição, da Comissão de Ética e dos estudantes. RESULTADOS: 70% dos estudantes apresenta perturbações do sono, 15% sintomatologia de ansiedade e depressão, 10% referem sintomas somáticos e 5% apresenta dificuldades nas relações interpessoais. Nos dados sobre o Burnout, 50% dos estudantes apresenta predisposição de “exaustão emocional”, 16% um alto grau de “baixa realização pessoal” e 30% referem uma alta “despersonalização perante os outros”. CONCLUSÃO: Os estudantes referem alterações do sono relacionadas com dificuldade para dormir, cansaço e com noites sem descansar. Apresentam exaustão emocional acompanhada de cansaço físico e frustração com problemas para relacionar-se com as pessoas e com sentimentos de despersonalização profissional e pessoal.

BACKGROUND: We believe that no one would venture to be considered sane or claim to be complete and fully balanced. Probably what we mean by health is somewhat vague and fluctuating borders, especially nursing students doing internships in hospitals. Bureaucratic tasks cause stress among students and undergo a “reality shock” which produces imbalance between reality and expectations at the beginning of the studies and clinical practice. AIM: Learn the risk factors associated with mental health of nursing students; establish whether they predispose to burnout syndrome. METHODS: descriptive, cross-sectional quantitative study with a sample of 50 nursing students. One self-completed survey with sociodemographic data, health scale Goldberg and Maslach Burnout Inventory was used. The SPSS.23.0 program. data processing. Obtained permits the institution Ethics Committee and students. RESULTS: 70% have sleep disturbances, 15% with symptoms of anxiety and depression, 10% refers somatic symptoms, and 5% presented difficulties in interpersonal relationships. Data regarding Burnout; between 50% of students appears predisposition of “emotional exhaustion”, 16% a high degree of “low personal accomplishment” and 30% of them report a high “depersonalization towards others.” CONCLUSION: Students refer sleep disorders related to difficulty sleeping, fatigue and nights without rest. Have emotional exhaustion accompanied by physical fatigue and frustration with problems relating to people and work and personal feelings of depersonalization predisposed to emotional hardening.

PALAVRAS-CHAVE: Burnout; Estudantes de enfermagem; Saúde mental

KEYWORDS: Burnout; Nursing students; Mental health Submetido em 30-09-2015 Aceite em 12-04-2016

1 Doctor; Enfermero Especialista en Trabajo; Cabildo de Lanzarote, Departamento Prevención Riesgos Laborales, España, francisco.hernandezmartinez@ulpgc.es 2 Doutor; Professor Adjunto na Universidade de Aveiro, Escola Superior de Saúde de Aveiro, 3810-193 Aveiro, Portugal, alexandre.rodrigues@ua.pt 3 Doctor en Traumatología; Profesor Titular en la Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, Departamento de Enfermería, España, juanfernando.jimenez@ulpgc.es 4 Doctora; Profesora Titular de Universidad en la Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, Departamento de Enfermería, España, brodriguez@denf.ulpgc.es Citação: Martínez, F. J. H, Rodrigues, A. M., Díaz, J. F. J., & Vera, B C. R. (2016). El síndrome de burnout y la salud mental de los estudiantes de grado en enfermería. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 79-84 Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 79


INTRODUCCIÓN Dentro de los riesgos laborales de carácter psicosocial, el estrés laboral y el síndrome de quemarse por el trabajo (burnout) ocupan un lugar destacado, pues son una de las principales consecuencias de unas condiciones de trabajo nocivas, fuente asimismo de accidentalidad y absentismo (Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo [INSHT], 2006). El síndrome del quemado o de burnout, o también llamado “sobrecarga emocional”, es una respuesta inadecuada al estrés laboral que afecta significativamente a aquellos profesionales, entre ellos el personal sanitario, que precisan mantener una relación de ayuda con otras personas. Fue descrito por primera vez en 1961 por Graham Greens y se caracteriza por ser un síndrome de agotamiento emocional, despersonalización y baja realización personal (UGT, 2006; Serrano, 2015). Se constituye como proceso continuo, es decir, no surge de manera súbita, y puede identificarse a partir de tres dimensiones interrelacionadas: el cansancio emocional, descrito como un sentimiento de agotamiento ante las exigencias de la tarea por la que no se siente atractivo alguno; la despersonalización, que supone una conducta de rechazo hacia los pacientes, y la falta de realización personal, consistente en una actitud negativa hacia uno mismo y el trabajo, pérdida de interés por éste, irritabilidad, baja productividad y pobre autoestima (Ortega y López, 2004; Serrano, 2015). La necesidad de estudiar el síndrome de quemarse por el trabajo (SQT) está asociada al derecho a la protección de la salud que todo trabajador tiene en cuanto está insertado en una organización. Este derecho implica el no estar sometido a las distintas causas de exposición que son origen de cualquier posible merma de salud. Así, en el caso del burnout se produce ese daño por causas de exposición a riesgos psicosociales, organizativos o de ordenación del trabajo en los entornos de demandas de servicio humano (INSHT, 2006). La OMS por su parte, alerta de que los factores que pueden precipitar el burnout son: falta de éxitos terapéuticos y de progreso observable en los pacientes; el descuido institucional de las necesidades del paciente, a favor de las necesidades administrativas, financieras, burocráticas y legales; los inadecuados sistemas de promoción que afectan el necesario prestigio social; la falta de interacción social y la falta de apoyo entre los miembros de un equipo. Así, el desarrollo de este síndrome dependerá, básicamente de tres tipos de variables: Variables individuales, variables sociales y variables organizacionales (INSHT, 2006; Sendra, 2006). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 80

Respecto a las causas que lo desencadenan en los enfermeros, no están del todo claras. En varios estudios realizados en España, la mayoría de ellos en Centros de Salud, se establece, que pueden influir en la incidencia del SQT, factores como la edad, el sexo e incluso el estado civil de los encuestados, sin olvidarnos de la sobrecarga de trabajo o el horario y los turnos (Gil-Monte, Peiró, Valcárcel, Gran, 2002; Oliveira y Pereira, 2012). Los síntomas que se producen en el SQT son indicadores de que se puede hacer visible la exposición a factores de riesgo cuando ya están actuando sobre el trabajador de un modo nocivo. Como consecuencia de una exposición a factores de riesgo que producen un SQT, los síntomas aparecen en el individuo en cantidades diferentes, de mayor porcentaje (80%, ansiedad) a menor (22%, la indiferencia) según recoge la Nota Técnica de Prevención del Ministerio de Trabajo español (INSHT, 2006). Puede tener repercusiones psicosomáticas, conductuales, emocionales, familiares y sociales, y causar absentismo laboral y bajo rendimiento en el trabajo (Serrano, 2015). En los últimos años, la síndrome de burnout pasó a ser investigado entre estudiantes universitarios, encontrándose entre ellos: agotamiento emocional, descreencia y baja eficacia profesional; ampliando su concepto y confirmando la existencia de tres factores, derivados del Maslach Burnout Inventory, también en esa población (Serrano López, 2015). Entre los estudiantes de Enfermería, la amplitud del horario que abarca toda la jornada, el ritmo intenso, las exigencias académicas, así como el ingreso en el ambiente hospitalario y el contacto con pacientes pueden actuar como estresores pudiendo ocasionar algunas situaciones generadoras de estrés y de desgaste que pueden comprometer la salud y la calidad de vida de los estudiantes y, muchas veces provocándoles desaliento (Pereira, Miranda, e Passos, 2010). Un grupo de investigadores (Salanova, Cifre, Grau, Llorens, y Martínez, 2005), en un estudio realizado sobre estudiantes de Enfermería enfocado sobre el Burnout, concluyeron que el agotamiento emocional y cinismo serían el núcleo clave de este síndrome, y la dimensión de eficacia académica constituiría una variable de personalidad que predispone a la génesis del Burnout.


METODOLOGÍA

RESULTADOS

Diseño del Estudio Partiendo de los objetivos propuestos para realizar este estudio y, teniendo en cuenta las herramientas que mejor se adaptan al estudio de esta problemática, se decidió realizar un estudio cuantitativo, descriptivo, transversal, con una muestra de 50 estudiantes de Enfermería de una Universidad Pública de las Islas Canarias, matriculados en el curso 2014/2015 que realizan prácticas en un centro Hospitalario.

Contestaron al cuestionario el 100% de los alumnos. La muestra se caracteriza por un predominio de las mujeres (75%), con una media de edad de 22 ±2,3 años, donde el 90% son solteros y sin hijos. De la totalidad, el 92% de los estudiantes están preocupados con su situación económica. El tiempo medio que dedican a actividades lúdico/recreativas es de 6,8 horas semanales. El 25% de los estudiantes compaginan los estudios con el trabajo, y entre todos dedican una media de 3.1 horas al día a los estudio. Respecto al grado de satisfacción con los estudios de Enfermería, destacar que 10% están insatisfechos con la titulación. De la totalidad, 36% de los alumnos presentan malestar psicológico según la puntuación obtenida en el Test de Golberg, que es una presencia importante de malestar psicológico. Cuando analizamos los resultados que aportan los ítems del test, observamos que en el 70% de los estudiantes de Enfermería se determinan perturbaciones del sueño, el 15% se siente deprimido y con ansiedad yl 10% refiere no ser feliz ni sentirse útil (Gráfico 1).

Instrumento de Recogida de Datos La recogida de datos fué de enero a febrero de 2015 a través de una encuesta autocumplimentada que contenía datos sociodemográficos, el Cuestionario de Salud General de Goldberg (Goldberg y Hiller, 1979) y la escala de Maslach Burnout Inventory (Maslach y Jackson, 1986). El cuestionario de Salud de Goldberg consta de doce proposiciones con 4 alternativas de respuesta en escala de Lickert (mejor que lo habitual, igual que lo habitual, menos que lo habitual y mucho menos que lo habitual). Para la calificación de las puntuaciones del test se usó el método de puntuación original de Goldberg. La puntuación umbral para determinar los “probables casos” de malestar psicológico en la presente investigación fue ≥ a 5 puntos. El MBI, es un instrumento que incluye 22 items y evalúa en qué grado están afectadas en el individuo las dimensiones que componen el síndrome: Agotamiento Emocional (AE), Despersonalización (DD) y Realización Personal (RP). La relación entre puntuación y grado de Burnout es dimensional. Lo que se ha hecho es distribuir los rangos de las puntuaciones totales de cada subescala, en tres tramos que definen un nivel de Burnout experimentado como Bajo, Medio o Alto. Analisis de Datos y Aspectos Éticos El tratamiento de datos se realizó con el programa estadístico SPSS.23.0. Para este análisis bivariante se utilizó la prueba chi cuadrado y para la asociación entre una variable cualitativa y otra cuantitativa se empleó la “t” de Student. Se solicitaron y fueron obtenidos los permisos de la Institución y del Comité de Ética del Hospital; se procedió a la recogida de datos, una vez garantizado a los participantes en el estudio el preservar el derecho a la intimidad y protección de datos. Así, todos los estudiantes recibieron la encuesta con la información del estudio y contestaron a ella.

Gráfico 1 - Porcentajes de malestar psicológico entre los alumnos en prácticas

No se observa asociación estadísticamente significativa entre malestar psicológico y las variables edad, y sexo, pero si existe al relacionarlo con la situación económica y los estudiantes que compaginan los estudios con el trabajo (p=0,021 y p=0,04 respectivamente). Respecto a los datos obtenidos sobre el Síndrome de Burnout, se obtuvo una prevalencia de 12% entre los alumnos en prácticas hospitalarias. A la hora de analizar las categorías se observó que entre el 50% de los estudiantes (n=50) aparece predisposición a presentar “alto grado de agotamiento emocional” y además 16% con un grado de “baja realización personal” y 30% de ellos refieren un alta “despersonalización hacia otros” (Tabla 1).

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 81


Tabla 1 - Categorías del Síndrome de Burnout entre alumnos de Enfermería Categorías

Alto

Intermedio

Bajo

Agotamiento emocional

50%

20%

30%

Despersonalización

30%

20%

50%

Realización personal

60%

24%

16%

Se encontró significación estadística entre el Síndrome de Burnout y el sexo femenino (p=0,04).También se determinó relación entre el agotamiento emocional y los estudiantes que compaginan los estudios con trabajo y los que estudian todos los días más de 4 horas. Si asociamos la salud mental con la predisposición de síndrome de Burnout, encontramos que existe asociación significativa entre la sintomatología somática y la despersonalización, ya que el 60% de la muestra tiene predisposición a “estar quemado” (p< 0.001). De este 60%, el 56,66%, “no es caso probable de salud mental” y el 6,66% tiene probabilidad. Cuando asociamos las alteraciones del sueño con el agotamiento emocional se detecta que el 30% no están predispuestos a quemarse, de los cuales 26,66% es “si caso probable” de salud mental”. Se ha hallado diferencia significativa entre la variable trabajo y los factores del burnout, verificando que los estudiantes que concilian trabajo con estudios, presentan menores promedios en “agotamiento emocional” (p< 0.003). DISCUSIÓN Teniendo en cuenta los datos sociodemográficos, estudios realizados en una universidad pública del sur del Brasil, muestran similitudes con los datos obtenidos también en esta universidad pública española con respecto a la edad media, sexo, estado civil e incluso el ser progenitor (Tomaschewski-Barlem et al., 2014). Nuestros resultados coinciden con el estudio realizado en la Universidad de Valladolid (España) entre estudiantes de Enfermería por Serrano durante el curso 2014/15, donde ser más joven, intentar conciliar las prácticas con otras actividades, así como intentar compaginar el trabajo con los estudios universitarios, son factores claramente generadores de desgaste emocional (Serrano, 2015). Tanto nuestro estudio, realizado en Canarias, como los publicados en las provincias de Madrid o Valladolid determinaron un predominio de las mujeres sobre los hombres, incluso con grupos de edad similares (Albadalejo, 2004).

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 82

La influencia de la crisis económica a nivel global influye en el estado de salud mental de la población de estudio, no sólo en España, sino también en otros países como Portugal o Colombia, ya que entre los estudiantes es preocupante la situación económica como posibilidad de ser determinante para poder continuar la formación académica (Borda et al., 2007; Silva et al., 2011). La porcentaje elevado de estudiantes de Enfermería con malestar psicológico, es igual que los encontrados por el equipo de Benítez en Chile (Benítez, Quintero, e Torres, 2011), estos resultados también se pueden extrapolar a los de los estudiantes de la Universidad de Colima, donde también se determinó sintomatología relacionada con ansiedad y depresión (Olmedo-Buenrostro, Torres-Hernández, Velasco, Mora-Brambila, e Blas, 2006). Al igual que las determinaciones realizadas por Tomaschewski-Barlem et al. (2014), entre los estudiantes de nuestro estudio existe diferencia significativa entre los estudiantes que trabajan y estudian, los cuales presentan menor promedio en “agotamiento emocional”. La frecuencia de estudiantes de Enfermería de nuestro estudio, afectado por niveles altos de Agotamiento Emocional (50%) es dispar a 11,7%, obtenida entre los profesionales de Enfermería de un hospital de Madrid (Albadalejo, 2004). Al igual ocurre con la “Despersonalización”, donde nuestro estudio determina valores de Despersonalización y Realización personal altos de 30% y 60%, mientras que en Madrid los valores altos corresponden a 11,7% para la despersonalización y 30% para la realización personal. Respecto a los trabajos de Oliveira y Pereira en 2012, los valores en el instante de la valoración en Atención Primaria, evidenciaron niveles medios de agotamiento emocional, bajos de realización personal y de despersonalización. Mientras que nosotros hemos determinado mayor cifras de cansancio emocional y despersonalización en mujeres solteras, como sexo predominante, en el estudio efectuado entre personal de Enfermería en Coimbra (Oliveira y Pereira, 2012), el personal femenino de enfermería el más despersonalizado del centro de trabajo. En España, en la Universidad de Valladolid, los alumnos de Enfermería, presentaron niveles medios de Agotamiento Emocional (20,73%) similares a los de nuestro estudio (20%). Dentro del apartado de Despersonalización, se determinan el doble de alumnos que en nuestro estudio, casi el 40% del total de la muestra, que manifestaron niveles medios, doble de porcentaje que los obtenidos en nuestra investigación.


En cambio, el 17,07 % en Valladolid (Serrano, 2015); tienen niveles altos de Despersonalización y en Canarias, se encontraron el 30%. En la subescala de Realización Personal, el 87,80 % en Valladolid, manifiesta unos niveles altos, mientras que el nuestro registró 60%, por lo que indica una muy elevada realización personal de los encuestados en ambos estudios. CONCLUSIÓN Se ha detectado que existe alta y media prevalencia, respectivamente, de malestar psicológico y síndrome de Burnout entre los Estudiantes de Enfermería que puede sugerir un problema de salud mental entre ellos. Los estudiantes refieren alteraciones del sueño relacionadas con dificultad para dormir, cansancio y con noches sin descansar. Así mismo, el malestar psicológico se asocia con la situación económica y con los estudiantes que compaginan los estudios con el trabajo, mientras que el Síndrome de Burnout predomina en las mujeres; existiendo relación entre el agotamiento emocional y los estudiantes que compaginan los estudios con el trabajo y los que estudian todos los días más de 4 horas. La existencia de niveles relevantes de Burnout que se prolonguen en el tiempo, son susceptibles de desencadenar consecuencias negativas entre los estudiantes de Enfermería. Es importante destacar las limitaciones que han interferido en esta investigación; en primer lugar el número de participantes, que supone una muestra reducida de alumnos; así como la pertenencia de todos ellos a una única universidad pública. IMPLICACIONES PARA LA PRÁCTICA CLÍNICA Para prevenir la aparición de los factores de estrés durante la formación académica y práctica de los alumnos se sugiere la implementación de actividades viables y sistemáticas, que favorezcan el bienestar psicológico en los estudiantes. Se podrían sugerir realizar prácticas simuladas en el contexto laboral, construyendo situaciones clínicas reales, realizando el abordaje práctico ante la presencia de los coordinadores de prácticas en los diferentes centros de prácticas. Posteriormente se les solicitaría a los alumnos realizar prácticas reflexivas sobre situaciones cotidianas, vividas en la facultad o en los centros sanitarios, que predisponen al estres, para poder reflexionar en las aulas e intentar encontrar estrategias conjuntas para poder abordarlas.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Albadalejo, R. (2004). Síndrome de Burnout en el personal de enfermería de un hospital de Madrid. Revista Española de Salud Publica, 78(4), 505-516. Benítez, C., Quintero, J., y Torres, R. (2011). Prevalencia de riesgo de trastornos psiquiátricos en estudiantes de pregrado de la Escuela de Medicina de la P. Universidad Católica de Chile. Revista Médica de Chile, 129(2), 173178. Borda Pérez, M., Navarro Lechuga, E., Aun Aun, E., Berdejo Pacheco, H., Racedo Rolón, D., y Ruiz Sará, J. (2007). Síndrome de Burnout en estudiantes de internado del Hospital Universidad del Norte. Revista Salud Uninorte, 23(1), 43-51. Gil-Monte, P. R., Peiró, J. M., Valcárcel, P., y Gran, R. (2002). Incidencia del síndrome de burnout sobre la salud: Un estudio correlacional en profesionales de enfermería. Psiquis, 17, 190-195. Goldberg, D. P., & Hiller, V. F. (1979). A scaled version of the general health questionnaire. Psychological Medicine, 9(1), 139-145. Grau, A., Suñer, R., y García, M. (2005). Desgaste profesionalen el personal sanitario y su relación con los factores personales y ambientales. Gaceta Sanitaria, 19(6), 463-470. Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo (INSHT). (2006). NTP 732: Síndrome de estar quemado por el trabajo “Burnout” (III): Instrumento de medición. Madrid, España: Ed. Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales de España. Maslach, C., & Jackson, S. E. (1981). The Maslach Burnout Inventory (2nd ed.). Palo Alto, Califórnia, United States of America: Consulting Psychologists Press. Olmedo-Buenrostro, B., Torres-Hernández, J., VelascoRodríguez, R., Mora-Brambila, A., y Blas-Vargas, L. (2006). Prevalencia y severidad de depresión en estudiantes de enfermería de la Universidad de Colima. Revista Enfermagem IMSS, 14(1), 17-22.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 83


Oliveira, V., e Pereira,T. (2012). Ansiedade, depressão e burnout em enfermeiros: Impacto do trabalho por turnos. Revista de Enfermagem Referência III Série(7), 43-54. Ortega, C., y López, F. (2004). El burnout o síndrome de estar quemado en los profesionales sanitarios: Revisión y perspectivas. International Journal of Clinical and Health Psicology, 4(1), 137-160. Pereira, C. A., Miranda, L. C. S., e Passos, J. P. (2010). O estresse e seus fatores determinantes na concepção dos graduandos de enfermagem. Revista Mineira de Enfermagem, 14(2), 204-209. Salanova, M., Cifre, E., Grau, R. M., Llorens, S., y Martínez, I.M. (2005). Antecedentes de la autoeficacia en profesores y estudiantes universitarios: Un modelo causal. Revista de Psicología del Trabajo y las Organizaciones, 21(1-2), 159-176. Secretaría de Salud Laboral y Medio Ambiente de UGT. (2006). Manual sobre riesgos psicosociales. II Plan director en prevención de riesgos laborales de la Comunidad de Madrid. Madrid, España: Secretaría de Comunicación e Imagen de UGT.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||84 84

Sendra, E. M. (2006). La salud mental en el personal de enfermería. Fundación Argentina para el Progreso de la Enfermería. Revista Fundación Argentina para el Progreso de la Enfermería, 54, 70-76. Serrano López, D. (2015). Estrés y burnout en estudiantes de enfermería. Trabajo Fin de Grado Curso 2014/15 de la Universidad de Valladolid, Facultad de Enfermería de Valladolid, Espanã. Silva, V. L. S., Chiquito, N. C., Andrade, R. A. P. O., Brito, M. F. P., y Camelo, S. H. H. (2011). Fatores de estresse no último ano do curso de graduação em enfermagem: Percepção dos estudantes. Revista Enfermagem Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 19(1), 121-126. Tomaschewski-Barlem, J. G., Lerch Lunardi, V., Lerch Lunardi, G., Devos Barlem, E. L., Silva da Silveira, R., y Silveira Vidal, D. A. (2014). Síndrome de burnout entre estudiantes de pregrado en enfermería de una universidad pública. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 22(6), 934-941. doi: 10.1590/0104-1169.3254.2498


Artigo de Investigação

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0123

15 O ADOLESCENTE COM FIBROSE CÍSTICA: CRESCER NA DIFERENÇA | Maria da Conceição Reisinho1; Bárbara Gomes2 |

RESUMO CONTEXTO: A adolescência é um período da vida em que o desenvolvimento físico e psicossocial se associa a tarefas evolutivas de mudanças de comportamentos e de atitudes. Quando se une uma doença crónica, a estrutura de vida do adolescente necessita de readaptação e de estratégias de enfrentamento de novas situações. Este processo requer que o adolescente obtenha novos conhecimentos e que haja uma redefinição da sua vida e da sua personalidade. OBJETIVO(S): O objetivo deste trabalho foi conhecer as vivências de adolescentes com Fibrose Cística. METODOLOGIA: Inserido num paradigma de investigação qualitativo, elegemos a Teoria das Transições de Meleis (2010) como referencial teórico e a Teoria Fundamentada nos Dados como opção metodológica. Foram entrevistados 16 adolescentes portadores de Fibrose Cística, selecionados por recurso à técnica de “bola de neve”. RESULTADOS E CONCLUSÃO: Dos resultados obtidos salientamos que neste processo de saúde/doença, entendemos existir um comportamento de consciencialização, que segundo a Teoria de Meleis (2010) é fundamental para que os adolescentes experienciem mudanças e que adotem comportamentos promotores de acomodação ao novo estilo de vida e de melhoria de qualidade de vida. PALAVRAS-CHAVE: Adolescente; Fibrose cística; Saúde mental

RESUMEN

ABSTRACT

“El adolescente con fibrosis quística: Crecer en la diferencia”

“The teenager with cystic fibrosis: Grow in difference”

CONTEXTO: La adolescencia es un periodo de la vida en que el desarrollo físico y psicosocial se asocia a las tareas evolutivas de cambios de comportamientos y de actitudes. Cuando se une una enfermedad crónica, la estructura de vida del adolescente necesita de readaptación y de estrategias de enfrentamiento de nuevas situaciones. Este proceso requiere que el adolescente obtenga nuevos conocimientos y que haya una redefinición de su vida y de su personalidad. OBJETIVO(S): El objetivo de este trabajo fue conocer las vivencias de adolescentes con Fibrose Quística. METODOLOGIA: Insertado en un paradigma de investigación cualitativo, elegimos la Teoría de las Transiciones de Meleis (2010) como referencial teórico y la Teoría Fundamentada (Grounded Theory) en los datos como opción metodológica. Fueron entrevistados 16 adolescentes portadores de Fibrose Quística, seleccionados por recurso a la técnica de “balón de nieve”. RESULTADOS Y CONCLUSIÓN: De los resultados obtenidos destacamos que en este proceso de salud/enfermedad, entendemos existir un comportamiento de consciencialização, que según la Teoría de Meleis (2010) es fundamental para que los adolescentes experiencien cambios y que adopten comportamientos fiscales de acomodarse al nuevo estilo de vida y de mejoría de calidad de vida.

BACKGROUND: Adolescence is a period of life when the physical and psychosocial development is connected with developmental tasks of changes in behavior and attitudes. When joined together with a chronic illness, the teenager’s life structure requires an upgrade and new coping strategies for the upcoming situation. This process involves the acquisition of new knowledge by the teenager and a redefinition of his/her life and his/her personality. AIM: The purpose of this study was to understand the experiences of adolescents with cystic fibrosis. METHODS: Implanted in a qualitative research paradigm, we adopted the Meleis’ Theory of Transitions (2010) as a theoretic referential and the methodology of the Grounded Theory for data analysis. 16 adolescents with CF were interviewed, previously selected by the “snowball” technique. RESULTS & CONCLUSION: With the obtained results we highlight the rise of what we believe to be an awareness behavior during the health/illness process, which according to the Meleis’ Theory (2010) is crucial for the adolescent as it allows him/her to experience changes and adopt accommodation promoting-like behaviors to this new life style in order to improve the quality of life.

DESCRIPTORES: Adolescente; Fibrosis quistica; Salud mental

Submetido em 30-09-2015 Aceite em 15-04-2016

KEYWORDS: Adolescents; Cystic fibrosis; Mental health

1 Doutoranda em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto; Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem do Porto, Rua Dr. Bernardino de Almeida, 4200-072 Porto, Portugal, creisinho@esenf.pt 2 Doutora em Ciências de Enfermagem; Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto, 4200-072 Porto, Portugal, bgomes@esenf.pt Citação: Reisinho, M. C., & Gomes, B. (2016). O adolescente com fibrose cística: Crescer na diferença. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 85-94. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 85


INTRODUÇÃO A adolescência é uma etapa desenvolvimental do ciclo vital que se caracteriza por grandes transformações a nível físico, psicossocial e emocional que irão determinar a ligação dos adolescentes com as pessoas e a sociedade em que estão inseridos. Tudo isto se enquadra numa lógica normativa, desenvolvimental, sendo, no entanto, exponenciada quando esta fase de vida é acompanhada por uma doença crónica. A cronicidade por sua vez impõe mais alterações quando há repercussões na imagem corporal ou quando eventualmente interfere no seu desenvolvimento social onde os pares são elementos significativos. A fibrose cística (FC) pelas características fisiopatológicas e inerente compromisso funcional pode repercutir-se na esfera da saúde mental (Hockenberry & Wilson, 2014). Neste âmbito, cuidar de um adolescente com doença crónica, e neste caso com FC implica necessariamente ir para além de uma lógica fisiopatológica. Há que equacionar os fatores pessoais, como idade, temperamento, motivação, capacidade de resolução de problemas, fatores sócio ambientais e familiares, como ambiente familiar, agregado familiar, situação socioeconómica, recursos de apoio, grupo de pares entre outros (Almeida, 2003; Hockenberry & Wilson, 2014; Santos, 2010). A FC, também chamada Fibrose Cística, Fibrose Quística do Pâncreas e Mucoviscidose, é uma doença hereditária que se transmite de forma autossómica recessiva. A incidência na população europeia oscila entre 1:2000 a 1:1500 recém-nascidos; em Portugal a prevalência de FC estimada é de 1 para 6000 nados-vivos (Lemos, Gamboa, e Pinheiro, 2010). É causada pela disfunção da proteína Cystic fibrosis transmembrane conductance regulator (CFTR) no cromossoma 7. Afeta vários órgãos e caracteriza-se pela disfunção das glândulas exócrinas, onde o gene da FC tem maior manifestação. Os sintomas podem manifestar-se na primeira infância. Os doentes poderão apresentar diversas manifestações clínicas, isoladas ou em conjunto, relacionadas com o órgão afetado: tosse crónica, pneumonias de repetição, ílium meconial, desnutrição e suor salgado (Hodson, Geddes & Bush, 2007). A esperança de vida destes doentes tem aumentado, sendo estimada em 40 anos, devido ao aumento da investigação, criação de centros de tratamento específicos e coordenação de uma equipe de saúde multidisciplinar. As alterações físicas inerentes aos compromissos pulmonares, pancreáticos e intestinais, interferem na autoimagem, no conceito de identidade, no relacionamento social do adolescente, assim como o tratamento da FC ao requerer um grande envolvimento, poderão aumentar Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 86

a suscetibilidade a problemas psicológicos. Pela diversidade de expressões clinicas apresentadas e pelas implicações na sua vida diária, parece-nos adequado recorrer à definição de saúde mental, entendendo-a como um: “estado de bem-estar no qual o individuo realiza as suas capacidades, poder fazer frente ao stresse normal da vida, trabalhar de forma produtiva e frutífera e contribuir para a comunidade em que se insere” (OMS, 2007), e então, ao cuidar os adolescentes, conhecer as suas necessidades e preferências contribuindo assim, para o seu crescimento e desenvolvimento equilibrado. A saúde mental “abre aos cidadãos as portas da realização intelectual e emocional, bem como da integração na escola, no trabalho e na sociedade” (Comissão das Comunidades Europeias, 2005, p. 4) pelo que faz todo o sentido os profissionais de saúde serem detentores de informações detalhadas de modo a identificarem as diferentes fases da doença crónica e o modo dos adolescentes e seus pais/familiares lidarem com a situação. Pensamos estarem reunidas as condições para a elaboração de um estudo de investigação que permita aos enfermeiros e outros profissionais de saúde conhecer as vivências destes adolescentes e assim poder contribuir para a excelência dos cuidados prestados a esta população, tendo em vista a otimização da sua entrada na vida adulta. METODOLOGIA Considerando a problemática em estudo, situamos a investigação num paradigma de cariz qualitativo. Como profissionais de saúde interessou-nos conhecer as vivências dos adolescentes portadores desta patologia incapacitante no sentido de ter respostas condizentes com as necessidades destes jovens. Utilizamos como referencial teórico a Teoria das Transições de Meleis (2010) e como opção metodológica a Teoria Fundamentada nos Dados (TFD). Para a prossecução deste trabalho optou-se pela abordagem de Strauss e Corbin (2008). A amostra foi constituída por 16 adolescentes que cumpriram os critérios de inclusão: ter entre 11 e 23 anos, FC diagnosticada há mais de 1 ano e aceitar integrar o estudo. A definição destas idades foi baseada na referência de Hockenberry & Wilson (2014), que limita a adolescência entre os 11 e os 18 anos. Optamos por alargar o limite superior da inclusão de doentes com idade até aos 23 anos, pois a OMS indica que em casos especiais “…como a doença crónica, a idade pediátrica poderá ir além dos 18 anos e mesmo até aos 21anos ou mais, até que a transição apropriada para a vida adulta esteja conseguida com sucesso” (in Regulamento das Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em


Enfermagem de Saúde da Criança e do Jovem, 2010, p. 2). Dos 16 participantes 5 eram do sexo masculino e 11 do sexo feminino, variando a escolaridade entre o 5º ano e o mestrado. Relativamente ao número de irmãos 4 eram filhos únicos, 7 tinham um irmão, 3 tinham 2 irmãos e 2 tinham três ou mais irmãos. A idade de diagnóstico está compreendida entre recém-nascido e 10 anos de idade. Optamos por uma amostragem teórica (Fernandes e Maia, 2011), pois as decisões foram orientadas de modo contínuo pela teoria emergente, e também por uma amostra de conveniência, com recurso à técnica de “bola de neve”. Como os intervenientes neste estudo são adolescentes, tivemos em linha de conta as orientações emanadas pela Ordem dos Enfermeiros que determina que “a opinião do menor deverá ser tida em conta, em proporção da sua idade e grau de maturidade (…) deve ser envolvido no processo de decisão, (…) sendo da competência dos pais partilhar o consentimento com os filhos” (in Guias Orientadores para a Boa Prática de Saúde Infantil e Pediátrica, p. 19). Neste sentido, e tendo em conta que não existe uma idade estanque que determine o grau de maturidade, foi apresentado e pedido para assinar, ao participante desde os 11 anos, um termo de consentimento informado. Simultaneamente, os pais dos adolescentes menores de 18 anos assinaram o termo de consentimento informado, em como autorizavam o filho a participar no estudo, após explicação do trabalho a realizar. A técnica de recolha de informação foi a entrevista semiestruturada. Construímos um guião com duas questões orientadoras: gostava que me falasses da tua experiência (de como é crescer) como doente com FC? e ter FC é…?.Estas questões foram analisadas por um conjunto de peritos na área da investigação qualitativa, do ponto de vista da eficácia (clareza e assertividade das questões), relativamente aos objetivos do estudo. Após várias leituras das entrevistas e percorrendo a trajetória investigativa preconizada por Strauss e Corbin (2008), chegamos à identificação do fenómeno ou categoria central. Durante a análise dos discursos dos participantes, confrontamo-nos com aspetos que se espelham na Teoria das Transições de Meleis (2010), nomeadamente nos processos de mudança e adaptação significativas de vida e nas respostas variadas envolvidas neste processo. Sendo assim a nossa opção, para este trabalho, recaiu pela apresentação dos resultados que concorreram para a nomeação da Consciencialização como uma das dimensões do fenómeno estudado, pois o reconhecimento da nova experiência é importante para a consecução do processo de transição.

Seguindo a sequência de análise preconizada por Strauss e Corbin (2008) para a análise dos dados, a constituição das dimensões identificadas baseiam-se na sequência das categorias indicativas nomeadamente: condições causais, contexto, condições intervenientes, estratégias e consequências. Assim, de acordo com Dantas, Leite, Lima e Stipp (2009) as “condições causais são os elementos/situações que possibilitam o surgimento do fenómeno; o contexto é a especificidade que envolve o fenómeno e o que condiciona a acção/interacção; as condições intervenientes são constituídas pelo espaço, tempo, cultura, situação económica e tecnológica, história, biografia pessoal; as estratégias de acção/interacção são identificadas com o caracter processual (sequência, movimento, mudanças) com um propósito, uma finalidade, sendo importante também as não ações; e as consequências devem ser consideradas como o resultado/resposta positiva ou negativa”. Associando o paradigma de interpretação dos dados com a terminologia utilizada por Meleis (2010), expomos a fusão das respetivas categorias com os conceitos centrais das transições: condições causais (mudança e diferença), contexto (acontecimentos e pontos críticos), condições intervenientes (espaço temporal da transição), estratégias de ação (empenhamento) e consequências (domínio de novas competências), convergindo assim para a compreensão da experiência de vida destes jovens. RESULTADOS Ao apresentar os dados obtidos nesta investigação, optamos por associar a cada categoria indicativa, os discursos dos adolescentes que justificam a nossa escolha, assim como nos parecem ser os que argumentam a construção do fenómeno: consciencialização. Condições Causais – Mudança e Diferença Iniciamos a descrição da análise das entrevistas elencando a condição causal do processo de consciencialização com a terminologia de mudança e diferença. Para isso recorremos ao que Meleis (2010) preconiza acerca destes termos - a constatação de que algo é diferente e também existem mudanças que são sentidas no dia-adia dos adolescentes, podendo assim, ser interpretadas como as perceções iniciais da doença. Assim os jovens questionados não tinham uma lembrança do momento do diagnóstico, mas por outro lado tinham a noção que, em determinada altura das suas vidas se confrontaram com vivências de situações diferentes da das outras crianças. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 87


A primeira lembrança identificam-na entre os 6 e os 8 anos. “A lembrança do diagnóstico está relacionada com a minha entrada na escola primária” (A1). “Eu acho que tenho a doença desde pequeno…” (A3), estando a dimensão temporal relacionada com a entrada das crianças na escola primária. No entanto, detetamos adolescentes que não tinham nenhuma lembrança e outros que se lembram perfeitamente do momento, reconhecendo que mudou as suas vidas – “sim, sim, lembro-me perfeitamente pois já tinha quase 13 anos e tive que andar de médico em médico” (A7). O diagnóstico precoce por um lado, e a existência de outros membros da família com FC já identificada, concorrem para que a lembrança do diagnóstico seja diminuta: “eu quando nasci, os meus pais já sabiam que eu podia ter e fiz logo os testes” (A16). Associada com a recordação do diagnóstico identificamos pelos discursos dos adolescentes, o confronto com uma nova realidade na sua vida. É normal que os jovens se comparem com os seus amigos, daí termos identificado o momento do confronto quando os adolescentes nos relatam as diferenças que viam na sua vida ao compararem-na com os amigos: “… o meu irmão vigiava-me no intervalo e não é habitual os irmãos das minhas amigas andarem atrás delas…”; “… eu estava sempre internado…” (A3); “… comecei a achar estranho porque tinha que ir à clínica fazer fisioterapia…e os meus amigos não faziam nada disso” (A4). Nos discursos apresentados evidenciam-se características relacionadas com o facto de possuírem algo diferente das crianças da sua idade “…tossia muito logo de manhã…ficava muito aflito e botava muita expetoração…” (A5). As diferenças eram também notadas através da quantidade de roupa que tinham que trazer, especialmente no Inverno – “eu tinha que andar sempre muito agasalhada…” (A1), “ando sempre de lenço no Inverno, para não ter problemas na garganta” (A4); e com o facto de ter cuidados para não transpirar e ficar com a roupa molhada: “o meu irmão vinha sempre nos intervalos ver se estava transpirada…” (A1). Foram pormenores, relacionadas com os amigos, que lhes causaram a sensação de que qualquer coisa era diferente, nas crianças e adolescentes, a sua socialização e o seu conhecimento do mundo faz-se a partir da comparação com os seus pares (Pizzignaco e Lima, 2006). Por outro lado, outros adolescentes não conseguiram mencionar o momento da perceção da doença, pois foi-lhes sempre explicado paulatinamente pelos pais.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 88

Contexto – Acontecimentos e Pontos Críticos A tomada de consciência da patologia, de um possível agravamento da situação clínica orientou o discurso dos adolescentes para a necessidade de explicitar limitações físicas, sociais e temporais. Adotando a nomenclatura de Meleis (2010) pretendemos incorporar todos os discursos relativos aos limites referidos pelos adolescentes associados ao seu quotidiano: em casa, na escola, nos tratamentos efetuados, no relacionamento com os familiares e amigos como os acontecimentos de vida e pontos críticos concorrentes para a construção de um percurso de transição saudável. “… o organismo dava sinais e eu notava que estava a abusar…” (A1), assim começa o discurso de uma adolescente ao referir-se ao seu dia-a-dia após o agravamento da sua situação clínica. Grande parte das limitações relatadas refere-se ao cansaço, à dispneia, ao agravamento da tosse. Estes sintomas interferem com a frequência escolar, com o acompanhamento no grupo de amigos e até na vida familiar, pois os internamentos hospitalares tornam-se mais longos e repetidos, assim como a necessidade de cuidados mais especializados, aumento da frequência de sessões de fisioterapia e alteração da medicação. Os jovens precisam de tempo para as suas tarefas, para os seus momentos de lazer, para a partilha de experiências e muitas vezes por eles referido o “ver televisão”, por isso o tempo empregue a fazer as nebulizações faz com que esses momentos sejam penosos e mal aceites pelos adolescentes. A fisioterapia e as nebulizações foram os tratamentos mais referidos como aqueles que lhes tomam mais tempo: “… podia aproveitar esse tempo [o tempo nas sessões de fisioterapia] para fazer outras coisas …” (A4, A8). Para além do tempo dispendido nas sessões, por vezes as deslocações são demoradas ou são dependentes de transporte de ambulâncias, o que lhes provoca um maior incómodo “…eu estive 3 horas à espera que me viessem buscar porque os bombeiros tinham que ir a outros lados…é perto de casa mas não posso ir a pé…” (A3). Regularmente é necessário fazer duas nebulizações por dia, de manhã e à noite. Ora foi precisamente essa prescrição que “deixa-me aborrecido ter que fazer tantas nebulizações…” (A12) e “é muito chato [fazer as nebulizações à noite] porque quero ver a televisão e não posso” (A4). A prática de educação física na escola tem que ser moderada e adaptada a cada situação clínica, pelo que os jovens referem cansaço e receio de agravamento da tosse devido a mudanças de temperatura quando praticam os exercícios.


A deslocação mesmo durante as atividades diárias pode tornar-se penosa: “para chegar da cozinha ao quintal, que é pertinho, eu ficava muito cansada…” (A7) e até a ida à escola “…eu chegava sempre atrasada às aulas das 8,30h e tinha sempre muito sono “ (A1), condicionando o rendimento escolar – “…passava as aulas a dormir porque o oxigénio não chegava ao cérebro…” (A1). Os jovens demonstraram ser responsáveis sabendo que os limites têm que ser cumpridos pois mesmo que queiram fazer algo de diferente - “eu queria ir lá para fora ver a neve mas sei que não podia…e eu tenho medo de adoecer se não fizer o que os meus pais mandam…” (A10), têm sempre presente as indicações dos seus familiares (Carpenter e Narsavage, 2004). Ter muita tosse logo de manhã (A5) e acordar sempre desconfortável - “… eu acordo sempre muito suado e é muito chato…” (A5), são situações relatadas como desagradáveis, assim como outras limitações relacionadas com a alimentação: “eu raramente tenho fome, tenho sempre mais sede mesmo depois de correr…” (A2) e “…a minha mãe obriga-me a comer, mas tem que ser depressa e eu não tenho vontade, mas eu demoro para aí 2h a comer a sopa…” (A3), são as suas grandes preocupações. “Eu faço tudo como os meus amigos fazem, sim faço tudo igual…” (A6); “…é tudo normal” (A8), estes participantes reiteram o seu parecer sobre o facto de não se sentirem limitados por serem portadores de FC. O sentimento de normalidade está muitas vezes presente nos seus discursos, pois não se sentem diferentes (A12) dos outros adolescentes, eles praticam educação física, andam de skate, nadam, dançam e “ninguém goza comigo” (A11). Também nesta expressão está retratada a necessidade de aceitação no grupo de pares. O não reconhecimento de limitações foi levado ao limite quando um dos participantes se encontrava acompanhado com uma garrafa de oxigénio nos referiu que não sentia qualquer impedimento no seu dia-a-dia. Os discursos associados a esta categoria são condizentes com comportamentos de adaptação à doença (Bregnballe, Schiotz, Boisen, Pressler, & Thastum, 2011). Condições Intervenientes – Espaço Temporal da Transição Meleis (2010) expõe a transição como um fenómeno que acontece num intervalo de tempo com um final identificável, surgindo com os primeiros sinais de antecipação ou perceção da mudança, passando por um ciclo de instabilidade, confusão e stresse e termina com a entrada numa nova fase de estabilidade.

Da análise dos discursos dos adolescentes emergiram alterações no seu dia-a-dia, que nos levam a pensar numa transição saudável e que se processa num determinado espaço temporal. Durante a entrevista referemse ao momento do acordar e a todo o ritual associado à higiene pessoal e ao pequeno-almoço. No entanto, de acordo com os tratamentos médicos prescritos, os jovens devem proceder à limpeza pulmonar seja através da tosse provocada como também pela inalação de nebulizações. Ora, estes tratamentos raramente eram referenciados como sendo primordiais e necessários. A expressão que mais usam é “eu faço tudo normal”: “… eu acordo, levanto-me, tomo o pequeno-almoço, lavo os dentes e vou para a escola …” (A2); “….eu faço tudo normal como os outros meninos…” (A6). Novamente é expressa a comparação com os amigos: “…o meu dia é igual aos dos meus amigos…” (A9), não abandonando a manifestação da vontade de brincar com eles e se não for brincar é, sim, eleger a sua companhia para passar os dias. Grande parte dos adolescentes entrevistados não mencionam o decorrer do seu dia como estando afetado pela doença que são portadores, pois chegam a dizer: “o meu dia é bom” (A11, A15, A16) e fazem tudo normal mesmo a fisioterapia e a medicação, incluindo as nebulizações. No entanto, também obtivemos um depoimento que mencionava a necessidade de tossir logo de manhã, assim como tomar a medicação: “…tenho muitas secreções quando acordo e tenho que tossir, depois tomo muitas pastilhas e faço as nebulizações, só depois é que posso ir para a escola…” (A3). O discurso destes adolescentes relativamente à descrição do seu quotidiano foi intencionalmente dirigido para a normalidade como de qualquer pessoa da sociedade que não seja portador de patologia crónica (Santos, 2010). Houve necessidade de perceber melhor a vivência destes adolescentes para além da “normalidade” referida; então a pergunta teve que ser mais direcionada para os tratamentos de fisioterapia, para o exercício físico, para a administração de medicação e até para a própria nutrição. De acordo com a revisão da literatura, o exercício físico é uma atividade que promove o bem-estar físico, psíquico e proporciona a integração na sociedade. A sociedade, no caso destes adolescentes, é a escola, o grupo de amigos, é a coletividade onde praticam desporto. Este processo de adaptação foi referido pelos jovens como sendo gratificante “eu pratico exercício físico na escola e até pratico natação no horário extracurricular” (A2). Mas mais uma vez a referência à normalidade da situação é abordada quando se referem à prática do exercício físico “…eu faço tudo o que eles fazem…faço tudo como eles…” (A6); “…além da educação física também danço zumba” (A10). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 89


Os adolescentes são muito ativos, apresentam um crescimento rápido, acelerado e apresentam uma curiosidade feroz e gosto pela experimentação. É isso que se passa também com estes jovens. A limitação física relacionada com o comprometimento do aparelho respiratório, por exemplo, não os impede de fazer exercício físico com os mesmos imperativos dos outros colegas. Eles até se sentem orgulhosos dos seus feitos e capacidades “…eu fiquei em primeiro lugar no pódio na corrida…” (A2) e “…eu sou o melhor da turma…” (A2). Os participantes apresentam uma reação positiva, um manifesto orgulho, porque apesar de saberem que têm uma doença limitante, isso não os impede de lutar pelas atividades normais efetuadas na escola. Mas isso não é tudo, ressaltam também as atividades extracurriculares que para além de serem lúdicas são clinicamente benéficas. “…olha sabes, eu também ando na música, na flauta transversal…” (A11), “eu faço natação porque me ajuda nos meus problemas respiratórios e é uma forma de me divertir e eu gosto…” (A2); mais uma vez é realçada a importância de outras atividades, que para além de serem benéficas, são lúdicas e são obstáculos que puderam ser contornados. Se as atividades extracurriculares e o exercício físico são fonte de prazer e uma prática que melhora os sintomas da patologia apresentada, os jovens gostam também de brincar: “…salto à corda, jogo à macaca…” (A11); “…ando de bicicleta com a minha mãe…mas também jogo playstation e vejo televisão…” (A12). A valorização das atividades físicas em grupo e a manutenção de altos níveis competitivos é partilhado pela maioria dos adolescentes, no entanto, ressalvam que por vezes não podem acompanhar o ritmo dos colegas (Costa, Britto, Nóbrega, Vasconcelos, e Lima, 2010). Para contornar esses problemas, os adolescentes encontram estratégias que não comprometam nem a sua saúde, nem o seu relacionamento com os amigos e consequente aceitação no grupo de pares. Estratégias de Ação – Empenhamento O empenhamento é outra das caraterísticas da transição, que segundo Meleis (2010) revela a forma de estar da pessoa na transição através da procura de informação. No seguimento deste pressuposto elencamos um conjunto de discursos de adolescentes que clarificam a nossa opção. Os adolescentes são por natureza curiosos portanto “os meus amigos andavam sempre informados iam à internet e depois diziam-me o que que tinham visto de novidades…” (A1); “…como alguns amigos têm pais médicos e enfermeiros eles perguntavam aos próprios pais…” (A5), estes participantes até contavam Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 90

com informações mais atualizadas fornecidas pelos próprios amigos. Mas outros preferiam facultar esclarecimentos se os amigos os pedissem (A4) e não por iniciativa própria, porque assim também era uma forma de não falar muito sobre o assunto e portanto “… eles acabam por se esquecer…” (A11), o que nos faz refletir sobre o facto de se fazerem várias campanhas de esclarecimento e também a necessidade de mudar constantemente de discurso com os próprios adolescentes. O facto de a FC ser uma doença diagnosticada na infância também concorreu para o conhecimento dos amigos ter sido feito paulatinamente com o crescimento do adolescente (A15, A16), ou seja, “…eles já sabem tudo pois conhecem-me desde pequenino…” (A3). Para o caso dos amigos mais próximos serem os que estão informados, o seu conhecimento não teria que ser muito pormenorizado, era só o essencial para que os acompanhassem e não incentivassem a ultrapassar os seus limites (A7), tendo outros reforçado a ideia de que não é necessário os amigos terem esses conhecimentos (A14). A internet foi um recurso de pesquisa de informação referido: “…desde novinha que vou à internet ver tudo…ía ver os vírus que o médico dizia que eu tinha…eu dizia isto não deve ser assim tão mau, eu dizia sempre que na net isto era sempre muito mau…” (A1); “…é bichos nos pulmões que fazem porcaria e eu já vi esses bichos na internet…” (A3); “…vou ao Google imagens que é para ver como funciona os pulmões e isso…às vezes as imagens são feias, mas já estou habituado a ver isto…” (A5). Tal como se pode constatar pelos excertos das entrevistas, os adolescentes têm muita curiosidade em conhecer mais acerca da sua doença, no entanto as imagens que aparecem durante as pesquisas são avassaladoras, sendo na maior parte dos casos desaprovadas pelos jovens. É de salientar que um participante não dá grande importância à gravidade das informações que lê nas páginas da internet na tentativa de conseguir lidar com a situação da doença. A internet é um recurso tecnológico largamente difundido e de fácil acesso às informações necessárias para colmatar a curiosidade das pessoas, no entanto há que ter atenção ao “lixo eletrónico”, as informações que não são as mais corretas e também as imagens que poderão ferir suscetibilidades. Tal foi comentado pelos jovens quando se referem às imagens que não são agradáveis de se ver “…as imagens são muito chatas de se ver…” (A12). Mas temos jovens que não foram nem querem ir à internet obter informações “…eu não fui à internet e acho que as minhas amigas também não…” (A13). O pai, a mãe e os médicos são também fontes de informação; por vezes o facto de o médico disponibilizar o número de telefone


torna-se uma mais-valia para esclarecer as dúvidas: “a minha mãe liga para a médica porque tem o número dela…” (A12). Mas a variedade de respostas abarca outros informantes, tais como “…a minha fisioterapeuta… deu-me um caderninho a dizer as informações necessárias…” (A8). Estas respostas levam-nos muito ao informante com quem estabelecem melhores relações e que têm mais confiança. Os pais estão no topo da lista, o médico pediatra é o profissional de saúde que o acompanha durante os anos até à transição para o serviço de adultos, pelo que se torna o informante com as respostas mais técnicas e determinadas para prescrever a terapêutica fundamental para o alívio dos sintomas. É interessante também analisar que tipo de informações os adolescentes necessitam, pois a curiosidade é um sentimento presente na vida dos adolescentes. No entanto, nem sempre é assim. Obtivemos discursos que nos fazem questionar que tipo de curiosidade eles apresentam nomeadamente no que se refere a questões ligadas à patologia: “não preciso de saber mais do que aquilo que já sei…se souber demasiado sobre aquilo eu depois começo a imaginar será isto, será aquilo?...o que soube foi o que a médica me disse na altura, depois não me preocupei em saber…” (A7). No entanto, como os jovens são todos diferentes também encontramos outros discursos: “…vou sempre pesquisar quase todos os dias vou à net ver o que há de novo…vi vídeos no youtube sobre os transplantes…sempre gostei de ver tudo para saber para o que é que vou…eu faço uma lista para levar com todas as dúvidas e sobre coisas que li e vi na net, mas depois ficava a olhar para a cara dele para saber se me estava a esconder alguma coisa…” (A1). O facto de conviver com os amigos é essencial ao desenvolvimento psicossocial mas informá-los sobre a doença que são portadores, aí é que residem as diferentes ideias. “… para mim foi essencial os meus amigos e os meus professores saberem sempre da minha doença, eles assim até me ajudavam… andavam sempre informados e atentos ao que eu fazia” (A1); para este participante a informação acerca da sua doença era importante pois sentia-se mais protegido e orientado caso existisse alguma emergência. No entanto, o exemplo de outro participante é elucidativo de opinião contrária: “eu só disse aos meus amigos mais chegados, não tenho que dizer aos outros pois sou uma criança normal” (A2). Se o adolescente apresentar sinais de doença muito recorrentes ou muitas faltas à escola, os amigos têm curiosidade em saber o que se passa e então sentem-se na obrigação de dizer que têm uma doença: “…os meus amigos sabem porque como tenho muita tosse eles perguntaram-me e eu expliquei… eles já não se importam e quando estou com muita tosse eles já sabem e chamam os empregados…” (A5).

Como o nome da doença não é muito indicativo e não muito fácil de proferir, um participante refere: “…eles sabem que tenho uma doença com um nome esquisito…fui eu que contei…” (A12). Confiar nos amigos é muito importante: “…sim eles sabem, mas eles não se importam que eu tenha esta doença…eles param e ajudam…” (A9). No entanto para outros participantes só o melhor amigo e os professores é que sabem. Os professores deverão saber para chamarem os pais se for necessário e porque precisam de acompanhamento nas aulas de educação física e porque “…tenho que sair várias vezes para ir à casa de banho…” (A10). Quanto aos amigos “…não é preciso estar a falar com os meus amigos da minha doença porque eles já me conhecem de pequenino…” (A3); “…só se me perguntarem é que eu explico o que tenho senão não é preciso…” (A4). O sentimento de normalidade continua sempre presente nos discursos dos participantes, assim como a confiança: “…não digo…é tudo normal, é tudo igual mas ninguém saiba de nada…sabem dois amigos mais próximos, eu contei-lhes porque sei que posso confiar…” (A8); “… alguns sabem…mas eu não falo muito sobre isso e eles às vezes acabam por se esquecer…nem eu falo sobre isso [a doença] nem eles falam sobre isso…” (A11). De acordo com as transcrições, mesmo os amigos que sabem que os jovens são portadores de uma doença crónica, raramente abordam o assunto; pedem esclarecimentos ou obtêm-nos através de pesquisas ou questões colocadas ao próprio doente - “eu tenho amigos que os pais trabalham no hospital e já sabem o que é” (A5). Não é assunto que gostem de abordar, mesmo os que optaram por comunicar logo no início foi porque houve necessidade de esclarecer quer as faltas às aulas, quer alguns sintomas que apresentavam nos períodos de agravamento da situação clínica. No entanto não deixam de referir que gostam de estar entre amigos, jogam à bola, comunicam nas redes sociais, passeiam, conversam mas não sentem necessidade de estar sempre a falar do assunto da sua patologia. Consequências – Domínio de Novas Competências Tal como já vem sendo referido anteriormente os jovens portadores de FC têm que fazer inúmeras nebulizações, tomar muita medicação e fazer outros tratamentos, nomeadamente deslocar-se para as clínicas de fisioterapia. Se por um lado uns jovens encontram-se dependentes da figura materna/paterna para o orientar e ajudar nos procedimentos prescritos, outros estão numa fase de emancipação do poder parental e começam a evidenciar um certo grau de autonomia. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 91


O que os deixa muito felizes quando tal é aceite pela sua família, pois sentem-se mais responsáveis. A autonomia reclamada por estes jovens está expressa nos seus relatos e na forma segura como os transmitiram fazendo questão de contar episódios marcantes: “…a minha mãe atrasou-se e estava na hora de eu fazer a medicação, como eu já tinha estado atento a vê-la fazer as coisas fui preparar…quando ela chegou aflita eu já tinha feito tudo direitinho…” (A5). A curiosidade e a necessidade de conhecer os nomes dos medicamentos é manifestação de vontade de independência, assim como ter acesso ao número de telefone do médico - “…eu sei sempre o nome dos medicamentos e até ando com uma folha explicativa …também tenho sempre no telemóvel o número de telefone dos meus médicos, pois pode ser preciso….” (A1). Os conhecimentos sobre o controlo de infeções são demostrações de como os adolescentes adquirem habilidades fundamentais para assim poderem evitar internamentos e agravamento da doença: “…eu sei como devo lavar as mãos e quantas vezes por dia…” (A2). A necessidade de impedir os internamentos é relatada pelo adolescente de uma forma que vai além do controlo de infeções e reflete o cuidado com as roupas que veste, evitando assim problemas respiratórios - “… ando sempre com um lenço ao pescoço no Inverno e não saio à rua com a cabeça molhada…” (A4). Cumprir a medicação e os tratamentos é fundamental para a manutenção do seu bom estado de saúde, então assim têm que tomar os medicamentos a horas e sem esquecer nenhuma dose ou toma (A6, A13, A16). Apesar de reclamarem autonomia também sabem que estão a ser supervisionados pelos pais, sentimento que não os atrapalha chegando a exprimir “eu sei coordenar as coisas mas também sei que o meu e a minha mãe estão sempre a ver se estou a fazer direitinho, mas eu não me importo que eles estejam a ver pois eu já sei fazer tudo normalmente …” (A8). A tomada de decisão inicia-se na adolescência tendo que se tornar num processo coerente e eficaz, pelo que os adolescentes deverão ser orientados nesse processo (Rocha, Moreira, & Oliveira, 2004). Essa orientação tanto é dado pelos pais como pelos médicos a pedido do próprio doente: “às vezes quando tenho que decidir alguma coisa eu pergunto à minha mãe mas ela também me diz para eu falar com a médica, porque assim é mais fácil … cada uma vê um lado e assim eu estou mais protegida… “ (A7). Quando os adolescentes participam nas resoluções dos seus tratamentos ficam mais implicados no seu processo de recuperação e sentem-se menos limitados e mais compreendidos, aceitando os limites e restrições impostos. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 92

CONCLUSÃO Neste estudo, dando voz aos adolescentes portadores de FC percebemos que o processo de consciencialização necessário ao desenvolvimento de uma transição saúde/ doença saudável, eficaz, exige atributos edificadores capazes de produzirem o restabelecimento do equilíbrio das respostas dos jovens. Identificamos discursos que se refletem nas propriedades denominadas por Meleis (2010) de mudança e diferença. Os adolescentes confrontaram-se com a doença quando se começaram a aperceber que havia diferenças no seu quotidiano relativamente ao dia-a-dia dos seus amigos e familiares. Esta constatação está associada ao sentido de mudança pois reconheceram que as suas expectativas eram diferentes. Estes jovens começaram a sentir que algo na sua vida era distinto dos outros, não podiam correr, brincar sem ter cuidados acrescidos e também não podiam gozar do seu tempo, tal como as outras pessoas, visto que tinham tarefas que deveriam ser cumpridas em determinados horários matinais e noturnos. À luz da TFD interpretamos que a propriedade mudança e diferença concordava com a categoria causal – categoria indicativa da dimensão consciencialização. Para alcançar mais consistência na justificação da nossa opção pela dimensão consciencialização, identificamos a categoria indicativa de contexto: acontecimentos e pontos críticos. Meleis (2010) indica-nos que poderão surgir eventos e pontos críticos que serão geradores de mudanças de estilo de vida, do aumento da consciencialização do processo de transição que está a ocorrer. Parece-nos que os discursos dos adolescentes participantes neste estudo retrataram este reconhecimento de Meleis, pois algumas fases das suas curtas vidas constituíram períodos de maior vulnerabilidade, de estabelecimento de novas rotinas e de capacitação para a aquisição de novos conhecimentos e busca de autonomia. O espaço temporal da transição poderá ser uma condição interveniente em todo o processo de crescimento e adaptação a uma nova realidade. O espaço de tempo onde se organiza este processo deverá ser o suficiente para a adaptação ao seu novo estilo de vida. Para que tudo se mova em consonância o empenhamento/envolvimento (categoria indicativa: estratégias de ação) do adolescente é fundamental. A procura de informação, a partilha da mesma, a escolha do recetor da mensagem (amigo, professor), revelou-se promotor para a preparação da sua vida ativa. Identificamos o domínio de novas competências como categoria indicativa: consequência, pois os adolescentes apresentavam discursos reveladores de procura de autonomia, característica desta faixa etária.


Percebemos que, tal como nos estudos de Meleis (2010), a consciencialização é fundamental para que a perceção da nova realidade seja obtida e que o adolescente reconheça e integre no seu dia-a-dia as mudanças necessárias ao desenvolvimento de uma transição saudável.

Costa, A. S. M., Britto, M. C. A., Nóbrega, S. M., Vasconcelos, M. G. L., e Lima, L. S. (2010). Vivências de familiares de crianças e adolescentes com fibrose cística. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 20(2), 217-227.

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA

Dantas, C., Leite, J., Lima, S., & Stipp, M. (2009). Teoria fundamentada nos dados - aspectos conceituais e operacionais: Metodologia possivel de ser aplicada na pesquisa em enfermagem. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 17(1), 573-579.

O papel do enfermeiro é deveras importante no reconhecimento da transição e suas consequências nos adolescentes, para ser capaz de o ajudar a ultrapassar esta fase. Sugerimos a nível da prestação de cuidados: o desenvolvimento de uma consulta de orientação e acompanhamento destes utentes na sua trajetória de saúde doença; outro aspeto decorrente do nosso estudo prende-se com a necessidade de um maior refinamento e utilização de instrumentos de avaliação do autocuidado com maior valor clínico para a ação dos enfermeiros. A nível da investigação propomos o desenvolvimento de um estudo sobre os ganhos em saúde decorrente das práticas de enfermagem desenvolvidas no acompanhamento dos pais e crianças com fibrose cística; e ainda consideramos pertinente dar continuidade ao estudo com a aplicação de outra técnica de recolha de dados, nomeadamente, a observação participante, o que possibilita o confronto e o aprofundamento entre o que é relatado nas entrevistas e a observação da prática de cuidados. As limitações sentidas durante o processo investigativo estão ligadas com a obtenção de participantes disponíveis, que condiciona à utilização de metodologias quantitativas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, J. P. C. A. (2003). Impacte dos fatores psicológicos associados à adesão terapêutica, ao controlo metabólico, e à qualidade de vida em adolescentes com Diabetes tipo 1. Tese de Doutoramento, Universidade do Minho, Braga, Portugal. Bregnballe, V., Schiotz, P., Boisen, K., Pressler, T., & Thastum, M. (2011). Barriers to adherence in adolescents and young adults with cystic fibrosis: A questionnaire study in young patients and their parents. Dovepress Patient Preference and Adherence, 2011(5), 507-515. Carpenter, D. R., & Narsavage, G. L. (2004). One breath at a time: Living with cystic fibrosis. Journal of Paediatric Nursing, 19(1), 25-32.

Fernandes, E., e Maia, A. (2011). Grounded theory. In Métodos e técnicas de avaliação: Contributos para a prática e investigações psicológica. Braga, Portugal: Universidade do Minho. Hockenberry, M., & Wilson, D. (2014). Wong Enfermagem da Criança e do Adolescente (9ª ed.). Loures, Portugal: Lusociência. Hodson, M., Geddes, D., & Bush, A. (2007). Cystic fibrosis (3rd ed.). London: Hodder Arnold. Lemos, S., Gamboa, F., & Pinheiro, J. A. (2010). Fibrose quística na região centro de Portugal. Acta Pediátrica Portuguesa, 41(1), 11-15. Meleis, A. I. (2010). Transitions Theory – Middle Range and Situation Specific Theories in Nursing Research and Practice. New York, United States of America: Springer Publishing Company. Ordem dos Enfermeiros (2011). Guias Orientadores de Boa Prática em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica, 3. Lisboa, Portugal: Ordem dos Enfermeiros. Pizzignaco T. M. P., & Lima R. A. G. (2006) Socialization of children and adolescents with cystic fibrosis: Support for nursing care. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 14(4), 569-577. Comissão das Comunidades Europeias. (2005). Livro Verde: Melhorar a Saúde Mental da População, rumo a uma estratégia de Saúde Mental para a União Europeia. Acedido em http://ec.europa.eu/health/ph_determinants/life_style/mental/green_paper/mental_gp_pt.pdf

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 93


Rocha, K. B., Moreira, M. C., & Oliveira, V. Z. (2004). Adolescência em pacientes portadores de fibrose cística. Aletheia, 20, 27-36.

Strauss, A., e Corbin, J. (2008). Pesquisa Qualitativa técnicas e procedimentos para o desenvolvimento de teoria fundamentada. Brasil: Artmed.

Santos, M. C. (2010). Vivência parental da doença crónica: Estudo sobre a experiência subjetiva da doença em mães de crianças com fibrose quística e com diabetes. Lisboa, Portugal: Edições Colibri.

World Health Organization. (2014). Mental health: Strengthening our response: Fact sheet nº 220. Acedido em http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs220/ en/

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||94 94


Artigo de Revisão

Disponível em http://dx.doi.org/10.19131/rpesm.0124

16 A ESPERANÇA NA SAÚDE MENTAL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

| Ana Querido1; Maria dos Anjos Dixe2 |

RESUMO CONTEXTO: A esperança é um determinante importante da saúde mental, reconhecida por prevenir depressão e dos comportamentos suicidários e ajudar no processo de recuperação da doença mental. O conhecimento sobre a esperança na saúde mental está suportado em revisões da literatura até 2006, desconhece-se o estado da arte em relação à esperança desde então. OBJETIVO(S): Conhecer o papel da esperança na SM das pessoas e os determinantes associados, através da análise da literatura publicada entre 2006 e 2014. METODOLOGIA:Revisão integrativa da literatura usando como descritores esperança e saúde mental em diferentes bases de dados eletrónicas nacionais e internacionais. Foram incluídos artigos em inglês, português e espanhol, publicados entre 2006-2014, segundo critérios de seleção previamente definidos. RESULTADOS: Após aplicação dos critérios de seleção, inclusão e exclusão dos artigos foram encontradas 26 publicações, na sua maioria anglosaxónicas com populações heterogéneas, utilizando vários métodos de investigação. A esperança tem uma influência positiva na saúde mental das pessoas, no aumento do conforto e da qualidade de vida e na redução da depressão e suicídio, da predisposição para a dependência, e da exaustão familiar.Identificaram-se relações entre os determinantes de saúde mental e a esperança, fatores influenciadores e os contextos para a utilização da esperança. CONCLUSÃO: Os estudos reforçam o efeito positivo da esperança na saúde mental das pessoas. A literatura fornece evidência que identifica fatores potenciadores e suporta o desenvolvimento de estratégias promotoras de esperança em saúde mental, apontando para o uso intencional da esperança em diversos contextos. PALAVRAS-CHAVE: Esperança; Saúde mental; Doença mental; Revisão da literatura

RESUMEN

ABSTRACT

“La esperanza en la salud mental: Una revisión integrativa de la literatura”

“Hope in mental health: An integrative literature review ”

CONTEXTO: La esperanza es un determinante importante de la salud mental, reconocida por la prevención de la depresión y el comportamiento suicida y por ayudar en el proceso de recuperación de la enfermedad mental. El conocimiento de la esperanza en la salud mental se apoya en la revisión de la literatura hasta el año 2006, se desconociendo el estado del arte actual en relación a la esperanza. OBJETIVO(S): Conocer el papel de la esperanza en la salud mental de las personas y los determinantes asociados, a través de revisión de la literatura publicada entre 2006 y 2014. METODOLOGÍA: Revisión integrativa utilizando descriptores tales como la esperanza y la salud mental en las diferentes bases de datos electrónicas nacionales e internacionales. Ellos incluyeron artículos en Inglés, portugués y español, publicados entre 2006-2014, de acuerdo con los criterios de selección predefinidos. RESULTADOS: Después de aplicar los criterios de selección, la inclusión y exclusión de los artículos se encontraron 26 publicaciones, en su mayoría anglosajones con poblaciones heterogéneas, utilizando diversos métodos de investigación. La esperanza tiene una influencia positiva en la salud mental de las personas, que aumenta la comodidad y la calidad de vida, y en la reducción de la depresión y el suicidio, de la predisposición a la adicción y agotamiento familiar. Se identificaran determinantes de la salud mental en la esperanza, factores y contextos que influyen en el uso de la esperanza. CONCLUSIÓN: Los estudios refuerzan el efecto positivo de la esperanza en la salud mental. La literatura identifica factores potenciadores y apoya el desarrollo de estrategias que promuevan la esperanza en la salud mental, señalando el uso intencional de la esperanza en diferentes contextos.

BACKGROUND: Hope is an important determinant of mental health, recognized for preventing depression and suicidal behaviour and for the major role in recovery. Scientific knowledge regarding hope in mental health is supported by the literature review conducted in 2006. The state of the art of hope in mental health is unknown since then. AIM: Understand the role of hope in service users´ mental health and Identify mental health determinants in hope, by conducting an integrative review of the literature published between 2006 and 2014. METHODS: Integrative literature review using Mesh terms “hope” and “mental health” in different national and international electronic data bases. We included articles in English, Portuguese and Spanish, published 2006-2014, according to pre-defined selection criteria. RESULTS: After applying the selection, 26 publications match the criteria, mostly Anglo-Saxon, with heterogeneous populations and using different research methods. Hope has a positive influence on people’s mental health, increasing comfort and quality of life, reducing depression and suicide, diminish the predisposition for addiction and family burnout. There are correlations between hope and determinants of mental health. Hope determinants were identified as well as the contexts for the use of hope. CONCLUSION: The research studies reinforce the positive effect of hope in mental health. Literature provides evidence that identifies hope enhancing factors and supports the development of hope promoting strategies in mental health, emphasizing the intentional use of hope in different contexts.

DESCRIPTORES: Esperanza; Salud mental; Enfermedad mental; Revisión de literatura

Submetido em 06-11-2015 Aceite em 10-03-2016

KEYWORDS: Hope; Mental health; Mental disorders; Literature review

1 PhD; RN; Professora Adjunta na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, Departamento de Enfermagem, Unidade de Investigação em Saúde, Campus 2, Morro do Lena – Alto do Vieiro, Apartado 4137, 2411-901 Leiria, Portugal, ana.querido@ipleiria.pt 2 PhD; Professora Coordenadora na Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, Unidade de Investigação em Saúde, Leiria, Portugal, maria.dixe@ipleiria.pt Citação: Dixe, M.A., & Querido, A. (2016). A esperança na saúde mental: Uma revisão integrativa da literatura. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental (Spe. 3), 95-101. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 95


INTRODUÇÃO A esperança é um determinante importante da saúde mental (SM), reconhecida pela sua importância no processo de recovery, na abordagem da prevenção da depressão e dos comportamentos suicidários, reconhecida por ajudar no processo de recuperação da doença mental (World Health Organization [WHO], 2010). Na perspetiva de Jones (2007), a esperança realista e relevante pode constituir um potente agente terapêutico em tempo de dificuldades para as pessoas que enfrentam uma situação de crise/doença mental e as suas famílias. O papel da esperança na SM e a sua importância para a Enfermagem de saúde mental foi alvo de revisão da literatura entre 1980 e 2005, por Kohen e Cutcliffe (2007). Importa conhecer o estado da arte relativamente à temática desde então, pelo que se decidiu atualizar a revisão. METODOLOGIA Para responder ao objetivo geral deste estudo optou-se pelo método de revisão integrativa da literatura (RIL) por ser um método de investigação que permite a incorporação das evidências na prática clínica, suportando a tomada de decisão na metodologia de análise da investigação relevante, com vista à melhoria da prática clínica (Mendes, Silveira e Galvão, 2008). Com a finalidade de reunir e sintetizar os resultados da investigação sobre a esperança na SM, caracterizando o estado do conhecimento e identificar lacunas que precisam de ser colmatadas, cumpriram-se as 6 etapas sequenciais da metodologia (Mendes et al., 2008): definição da questão de investigação, seleção da amostra, categorização dos estudos, avaliação, interpretação dos resultados, apresentação da síntese do conhecimento. A partir da questão Qual é o papel da esperança na SM das pessoas?, outras questões de investigação surgiram: Q1:Quais são os efeitos da esperança na SM das pessoas? Q2: Qual é a relação entre os determinantes de SM e esperança? Q3:Quais são os fatores que influenciam a esperança? Q4:Quais são as situações em que a esperança é significativa? Na seleção da amostra optámos pela pesquisa em bases de dados eletrónicas. No motor de busca EBSCO (CINAHL Plus with Full Text, MEDLINE with Full Text, MedicLatina, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Cochrane Database of Systematic Review); ISI e ProQuest (b-on), RCAAP e SCIELO. Utilizámos a equação Hope AND mental health, no horizonte temporal 2006-2014, tendo identificado 120 artigos. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 96

Estabeleceu-se o protocolo PICOD, condições de acesso e língua, para a definição de critérios de seleção para a inclusão e exclusão do estudos, apresentados na tabela 1. Tabela 1 - Critérios de inclusão e exclusão na seleção dos artigos Critérios de Seleção

Critérios de Inclusão

Critérios de Exclusão

Nº de artigos Excluídos

Participantes

Pessoas, todas as idades

---

Intervenções

Estratégias de promoção da esperança

Esperança de vida; medida de prognóstico Conotações não clínicas

54

Comparações

Variáveis de SM; Fatores influenciadores

Resultados

Antecedentes; Fatores preditores /facilitadores, intervenções

Falta de referência à esperança

12

Desenho do estudo

Qualitativo, quantitativo, triangulação, RSL, metasíntese, metanálise

Acesso ao estudo

Texto integral

Resumo; repetições, estudos em curso

24

Língua do estudo

Inglês, português, espanhol

Chinês

4

Nº de artigos selecionados = 26

Após a aplicação dos critérios de seleção, realizámos a leitura completa de todos os artigos. Os dados foram extraídos com recurso a tabelas com referência ao ano do estudo, sujeitos, metodologia, amostra, variáveis, métodos de análise, conceitos relacionados e resultados, que facilitaram a categorização das evidência e resposta às questões de investigação. RESULTADOS Tal como é possível observar na tabela 2 os estudos selecionados são maioritariamente de países de língua inglesa (69,2%) sendo prevalentes os norte americanos (34,6%), a maioria publicados nos últimos 4 anos. As populações são diversas, as amostras heterogéneas, e foram utilizadas diversas metodologias. Salienta-se que metade dos estudos (50%) foram realizados em utentes com doença mental, com prevalência do contexto comunitário. A grande maioria teve como alvo a população adulta (92,3%), utilizadores do serviço de saúde (69,2%), não havendo reporte de estudos em crianças com idades inferiores a 13 anos.


Tabela 2 - Caracterização dos estudos Caracterização dos estudos n=26

%

Ano

2007 2009 2010 2011 2012 2013 2014

4 1 4 1 6 4 6

15,38 3,84 15,38 3,84 23,07 15,38 23,07

País

Austrália Áustria Canadá Coreia do Sul Holanda Estados Unidos América Irão Polónia Reino Unido Suécia Taiwan

3 2 1 1 1 9 1 1 5 1 1

11,53 7,69 3,84 3,84 3,84 34,61 3,84 3,84 19,23 3,84 3,84

Internamento Comunidade Hospital Dia Internamento

5 7 1 2

19,23 26,92 3,84 7,69

Comunidade

1

3,84

Comunidade

2

7,69

Comunidade

1

3,84

5 2

19,23 7,69

1 2

3,84 7,69

Sujeitos do estudo / Contexto

Utentes adultos com diagnóstico doença psiquiátrica Utentes com doença cardíaca Cuidadores

Doentes oncológicos Doentes mentais

Profissionais na área de saúde mental Estudantes adultos (>18 anos) Estudantes jovens (>13>18 anos) Adolescentes População Geral Metodologia / Tipo de estudo

Qualitativo

Fenomenologia Grounded Theory Análise temática

3 2 2

11,53 7,69 7,69

Quantitativo

Correlacional Exprimental sem grupo de controlo Experimental randomizado controlado

10 1

38,36 3,84

2

7,69

3 3

11,53 11,53

Validação de instrumentos Revisão de Literatura (RSL - 2 / Metasíntese - 1)

Os estudos qualitativos acrescentam a importância da esperança no recovery (Eriksen; Arman, Dadidson, Sundfor & Karlsson, 2014; Hobbs & Baker, 2012) e no luto (Cutcliffe, 2006), apontando a relação com os profissionais como essencial à manifestação da esperança nestes processos. Q2 - A relação entre a esperança e os determinantes de saúde mental Os determinantes de SM são fatores que podem constituir causas ou consequências de problemas, ou mesmo atuar como protetores da SM, categorizados em domínios (Lethinen, 2008). O quadro 1 resume as correlações entre estes e a esperança, patentes nos estudos de regressão analisados. Salientam-se relações positivas entre a esperança e os determinantes de SM positiva, prevalecendo os fatores individuais, contrapondo às relações negativas com os determinantes potenciadores de doença mental.

Q1 - O efeito da esperança na saúde mental das pessoas Os estudos quantitativos identificaram a esperança como um forte preditor da SM (mais forte do que a doença mental) (Vending, Kettler & Zajac, 2011). 15 estudos apresentaram modelos explicativos com recurso à regressão. A esperança tem um efeito mediador na ansiedade e depressão pós-operatória nos doentes cardíacos, contrabalançando a influência indesejada do coping maladaptativo (Ai, Pargament, Appel & Kronfol, 2010). Medeia as esperiências espirituais, sentido de vida e bem estar psicológico, e prediz a satisfação com a vida (Wnuk & Marcinkowski, 2011). Este efeito preditor do bem-estar subjetivo e protetor da SM foi ainda observado em adolescentes com baixos recursos económicos, em adultos de várias raças e culturas (Khodarahimi, 2014; Loo et al., 2014) e também nas famílias (Duggleby et al., 2014), prevenindo a exaustão familiar (Hernandez, Concepción & Yamada, 2013).

Revista RevistaPortuguesa Portuguesade deEnfermagem Enfermagemde deSaúde SaúdeMental, Mental,ESPECIAL ESPECIAL32(ABR.,2016) (FEV.,2015) || 97 97


ESTRUTURAS E RECURSOS SOCIAIS

INTERAÇÕES SOCIAIS Biológicos / doença

Atividade mental/ Recovery Personalidade e competências de vida

FATORES INDIVIDUAIS Sentimentos e emoções

Determinantes SM Correlações com esperança

Empowerment

AutoPerceção +

Autoconsciência +

Sintomas

Relações +

Apoio dos pares 0

Luta espiritual

Coping evitativo

-

Perda /luto

Bem-estar

Crença - futuro

Autoconfiança + +

Autoeficácia + +

Resiliência +

Duração

Exaustão familiar

Apoio dos serviços

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 98

+

-

+

Legenda: + - relações positivas; - - relações negativas; 0 – Sem evidência de relação Otimismo

Conhecimento

-

Barreiras ao Emprego

+

0

Sentido da vida

+

Autonomia

Autoaceitação

Mindfulness

Neuroticismo -

Problemas familiares -

Violência familiar

-

Gratidão

Adição + +

+ +

Perdão +

Pena -

Autoestima

+

S. de coerência

-

Literatura publicada até 2011 (Schrank et al., 2012)

Estudantes População geral, estudantes, doentes com patologia mental (Unterrainer et a., 2014)

Estudantes (Loo et al., 2014)

Estudantes universitários (Gallagher & Lopez, 2013)

Cuidadores Adolescentes (Khodarahimi,2014)

Profissionais de saúde mental (Salgado et al., 2010)

Cuidadoores de crianças com doença mental grave (Riley et al., 2009)

Famílias de doentes com esquizofrenia (Hernandez et al., 2013)

Pessoas com doença Cuidaddoras cancro avançado (Duggleby et al., 2014)

Adultos com doença cardíaca (Ai et al., 2010)

Adultos com doença mental (Waynor et al., 2012)

Doença mental (Simpson et al., 2014)

Perturbações Psicóticas (Buckley-Walker et al., 2010)

Pessoas com doença C u i d a dores Estudantes Vários

Quadro 1 - Relação entre a esperança e os determinantes de SM por populações estudadas Vários

+

-

+ +

+ +

+ +

+ +

+

+ +

+

0

-

+ -

-

-


Q3 – Fatores influenciadores da esperança A relação interpessoal é o fator influenciador que se salienta da análise global dos estudos. No recovery, e em conjunto com o contexto social, determina a influência sobre a esperança das pessoas doentes, em especial as relações estabelecidas com os profissionais de SM (Cutcliffe, 2006; Hobbs & Baker, 2012). Relações confiantes podem fortalecer a identidade, fornecendo oportunidade para o sentido e esperança, contribuindo para abertura a novas perspetivas e diminuindo a significância atribuída às manifestações de doença (Eriksen et al., 2014). A autoeficácia, autoconfiança, autoestima, resiliência, otimismo, sentido de coerência e empowerment para a gestão das situações adversas, são fatores determinantes da esperança (Gallagher & Lopez, 2013; Schrank, Bird, Rudnick & Slade, 2012). Já a presença de sintomas como ansiedade, depressão e ideação suicida são preditores da desesperança para os doentes (Uterrainer, Lewis & Fink, 2014; Wanor et al., 2012) tal como a perda e o luto o são para os cuidadores (Duggleby et al., 2014). A espiritualidade influencia positivamente a esperança em diferentes contextos, com ganhos no bem estar e qualidade de vida (Schrank et al., 2012; Uterrainer et al., 2014; Loo et al., 2014). A musicoterapia e a expressão artística demonstraram efeitos positivos na estimulação da criatividade e na descoberta de forças/ recursos, contribuindo para a esperança dos doentes, através de experiências positivas de bem estar e prazer, desencadeando a motivação e a perspetiva de um futuro otimista, com ganhos na qualidade dos cuidados (Solli et al., 2013). Q4- Situações em que a esperança é significativa A esperança é particularmente significativa no recovery, dada a vulnerabilidade dos utentes e a suscetibilidade à presença dos profissionais de saúde, que são veículos para o fortalecimento da esperança, optimismo e empowerment através da relação interpessoal que estabelecem (Eriksen et al. 2014). Enquanto preditiva da SM, a esperança pode ser mobilizada como intervenção na prevenção da doença mental. Os estudos referem-se a intervenções pouco específicas com ganhos secundários na esperança dos doentes em contexto de recovery (Schrank et al. 2012; Simpson et al., 2014). Os achados suportam a necessidade de mais investigação relativas à utilização da esperança nas intervenções e ao suporte pelos pares e cuidadores em contexto de doença.

Não obstante, a esperança pode ser transferida dos cuidadores para as pessoas doentes, sendo significativa tanto para os cuidadores informais como para os profissionais de SM (Hobbs & Baker, 2012; Riley et al., 2009). Em qualquer dos contextos, a investigação foi suportada por instrumentos de medida específicos, suficientemente similares e consistentes para avaliar a esperança e permitir comparações entre os resultados. O processo de validação e as propriedades psicométricas atestam a favor da sua utilização, salientando-se a Integrative Hope Scale especificamente para a população com esquizofrenia (Schrank et al., 2012). DISCUSSÃO A análise dos estudos selecionados permite atestar a relevância do papel da esperança na SM das pessoas. O número de estudos revela um acréscimo da investigação na área da esperança nos últimos 3 anos, comparativamente superior ao da revisão sistemática levada a cabo por Koehn e Cutcliffe (2007). As publicações revistas são dirigidas a populações com e sem doença num espectro amplo de variáveis associadas utilizando vários métodos de investigação. No entanto, na sua maioria os estudos são transversais, denotando-se a falta de evidência resultante de análises multivariadas em desenhos longitudinais. No geral foi possível identificar correlações significativas nos estudos quantitativos que corresponderam aos temas emergentes dos estudos qualitativos. Esta revisão reforça as conclusões da anterior relativamente à relevância da esperança no recovery, para os doentes, famílias e profissionais de saúde (Koehn & Cutcliffe, 2007). Em contraponto não foi possível especificar o papel da esperança relativamente a outros grupos de diagnóstico, em parte devido à escolha das palavras-chave que não se dirigiram especificamente à patologia psiquiátrica. Este estudo analisou apenas a literatura publicada e disponível em bases de dados eletrónicas, não incluindo livros, conferências ou “literatura cinzenta”,constituindo uma limitação. Ainda assim, permitiu identificar determinantes consonantes com revisões anteriores, salientando a importância dos profissionais de SM na esperança. No entanto, para estes, a esperança não determinou a melhoria das atitudes face às pessoas com doença mental grave, após um programa de formação em recovery (Salgado et al., 2010). Estes achados conduzem à necessidade de repensar as estratégias de formação dos profissionais para a capacitação para a gestão da esperança nos contextos da SM, considerando as formas como comunicam as suas esperanças sobre a recuperação dos clientes e facilitam as esperanças no recovery (Hobbs et al., 2012). Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 99


CONCLUSÃO A revisão integrativa da literatura realizada (2006- 2014) sobre a esperança e a SM permitiu identificar efeitos da esperança na SM das pessoas, determinantes de SM relacionados com a esperança, fatores influenciadores da esperança e os contextos onde esta é significativa. Os resultados realçam a esperança como protetora da SM e preventiva da doença mental. A esperança tem efeitos positivos na SM das pessoas, prevenindo a depressão nos doentes cardíacos após a cirurgia e determinando a recuperação das pessoas com doença mental após a alta hospitalar. A evidência dos estudos transversais evidencia várias relações, mas são necessários estudos longitudinais para estabelecer causalidade. Salienta-se uma relação positiva entre a esperança e os determinantes de SM positiva, com ênfase nos fatores individuais e os atributos pessoais de esperança, a qualidade das relações, espiritualidade e bem estar. Nas pessoas com doença mental há uma correlação inversa entre a esperança e a presença de sintomas em particular ansiedade, depressão e ideação suicida. A esperança revelou-se fator de resiliência nas famílias, prevenindo a exaustão familiar nos contextos de doença mental e cancro. A análise temática dos estudos qualitativos suporta as relações evidenciadas. Salientam-se lacunas no conhecimento relativo aos modelos de esperança e às intervenções específicas desenhadas a esperança nas pessoas com problemas de SM. No entanto, foi possível identificar áreas da SM sensíveis ao efeito da esperança e estratégias promotoras de SM que podem ajudar a defenir intervenções promotoras de esperança baseadas na evidência. IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA CLÍNICA Os resultados obtidos parecem apontar para a importância da incorporação da esperança nas estratégias colaborativas para promoção da SM e gestão da doença mental. O estudo identifica elementos e determinantes que podem ser incluídos nas futuras intervenções especialmente desenhadas para promover a esperança: enfoque na qualidade das relações estabelecidas entre os profissionais de saúde e as pessoas alvo de atenção e cuidado; facilitação das relações sociais e fortalecimento das redes de apoio; ajuda no fortalecimento dos atributos pessoais como a autoestima e autoeficácia através do empowerment; ajudar as pessoas cuidadas a assumir o controlo, a estabelecer e formular objetivos realistas; desenhar intervenções específicas de esperança, incorporando espiritualidade e bem estar. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 100

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ai, A., Pargament, K., Appel, H., & Kronfol, Z. (2010). Depression following open-heart surgery:A path model involving interleukin-6, spiritual struggle, and hope under preoperative distress. Journal of Clinical Psychology, 66(10), 1057–1075. doi: 10.1002/jclp.20716 Buckley-Walker,K.,Crowe,T.& Caputi, P.(2010).Exploring identity within the recovery process of people with serious mental illnesses. Psychiatric Rehabilitation Journal, 33(3), 219-227. Cutcliffe, J. (2006). The principles and processes of inspiring hope in bereavement counselling: A modified grounded theory study - Part one. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 13(5), 598–603. doi: 10.1111/j.1365-2850.2006.01019.x Koehn, C. & Cutcliffe, J. (2007). Hope and interpersonal psychiatric/mental health nursing: A systematic review of the literature - Part one. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 14(2), 134–140. doi: 10.1111/j.1365-2850.2007.01054.x Duggleby, W., Williams, A., Holstlander, L., Thomas, R., Cooper, D., Hallstromm, L.,Gosh, S. & O-Rourke, H. (2014). Hope of rural women caregivers of persons with advanced cancer: guilt, self-efficacy and mental health. The International Electronic Journal of Rural and Remote Health Research, Education Practise and Policy, 14(2561), 1–14. Eriksen, K. A., Arman, M., Davidson, L., Sundfør, B., & Karlsson, B. (2014). Challenges in relating to mental health professionals: Perspectives of persons with severe mental illness. International Journal of Mental Health Nursing, 23(2), 110–117. doi: 10.1111/inm.12024 Gallagher, M. & Lopez, S. (2009). Positive expectancies and mental health: Identifying the unique contributions of hope and optimism. The Journal of Positive Psychology, 4(6), 548–556. doi: 10.1080/17439760903157166 Hernandez, M., Barrio, C., & Yamada, A. M. (2013). Hope and Burden among Latino Families of Adults with Schizophrenia. Family Process, 52(4), 697–708. doi: 10.1111/famp.12042


Hobbs, M., & Baker, M. (2012). Hope for recovery – how clinicians may facilitate this in their work. Journal of Mental Health, 21(2), 144–153. doi: 10.3109/09638237.2011.64834 Jones, A. (2007). Relevant hope to promote therapeutic change. Mental Health Nursing, 27(3), 14-15. Khodarahimi, S. (2014). The Role of Family Violence on Mental Health and Hopefulness in an Iranian Adolescents Sample. Journal of Family Violence, 29(3), 259– 268. doi: 10.1007/s10896-014-9587-4 Lethinen, V. (2008) ed. Building up good mental health. Guidelines based on existing knowledge. Monitoring Positive Mental Health Environments Project. Helsinki, Finland: STAKES. Loo, J. M. Y., Tsai, J.-S., Raylu, N., & Oei, T. P. S. (2014). Gratitude, hope, mindfulness and personal-growth initiative: buffers or risk factors for problem gambling? PloS One, 9(2), e83889. doi: 10.1371/journal.pone.0083889 Mendes, K., Silveira, R.; Galvão, C. (2008). Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem, 17(4), 758–764. doi: 10.1590/S010407072008000400018 Riley, S. E., Stromberg, A. J., & Clark, J. J. (2009). Relationship between caregiver hopefulness and satisfaction with their children’s mental health services. Community Mental Health Journal, 45(4), 307–315. doi: 10.1007/ s10597-009-9188-5 Salgado, J. D., Deane, F. P., Crowe, T. P., & Oades, L. G. (2010). Hope and improvements in mental health service providers’ recovery attitudes following training. Journal of Mental Health (Abingdon, England), 19(3), 243–248. doi: 10.3109/09638230903531126 Schrank, B., Bird, V., Rudnick, A., & Slade, M. (2012). Determinants, self-management strategies and interventions for hope in people with mental disorders: systematic search and narrative review. Social Science & Medicine, 74(4), 554–564. doi: 10.1016/j.socscimed.2011.11.008

Schrank, B., Woppmann, A., Grant Hay, A., Sibitz, I., Zehetmayer, S., & Lauber, C. (2012b). Validation of the Integrative Hope Scale in people with psychosis. Psychiatry Research, 198(3), 395–399. doi: 10.1016/j.psychres.2011.12.052 Simpson, A., Flood, C., Rowe, J., Quigley, J., Henry, S., Hall, C., Evans, R., Scherman, P., & Bowers, L. (2014). Results of a pilot randomised controlled trial to measure the clinical and cost effectiveness of peer support in increasing hope and quality of life in mental health patients discharged from hospital in the UK. Bio Med Central Psychiatry, 14(1), 30. doi: 10.1186/1471-244X14-30 Solli, H. P., Rolvsjord, R., & Borg, M. (2013). Toward Understanding Music Therapy as a Recovery-Oriented Practice within Mental Health Care : A Meta-Synthesis of Service Users ’ Experiences. Journal of Music Therapy, 50(4), 244–273. doi: 10.1093/jmt/50.4.244 Unterrainer, H., Lewis, A. & Fink, A. (2014). Religious/ Spiritual Well-Being, Personality and Mental Health: A Review of Results and Conceptual Issues. Journal of Religion and Health, 53(2), 382–392. doi: 10.1007/s10943012-9642-5 Waynor, W., Gao, N., Dolce, J., Haytas, L., & Reilly, A. (2012). The relationship between hope and symptoms. Psychiatric Rehabilitation Journal, 35(4), 345–348. doi: 10.2975/35.4.2012.345.348 Venning, A., Kettler, L., Zajac, I., Wilson, A., & Eliott, J. (2011). Is Hope or Mental Illness a Stronger Predictor of Mental Health? International Journal of Mental Health Promotion, 13(2), 32–39. doi: 10.1080/14623730.2011.9715654 World Health Organization (WHO) (2010). mhGAP Intervention Guide for mental, neurological and substance use disorders in non-specialized health settings. Version 1.0. WHO. Acedido em http://apps.who.int/ iris/bitstream/10665/44406/1/9789241548069_eng.pdf Wnuk, M., & Marcinkowski, J.(2012). Do Existential Variables Mediate Between Religious-Spiritual Facets of Functionality and Psychological Wellbeing. Journal of Religion and Health, 53(1), 56–67. doi: 10.1007/s10943012-9597-6 Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 101


Revista Portuguesa de Enfermagem de SaĂşde Mental, ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) ||102 102


17 NORMAS

DE PUBLICAÇÃO DA ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL

REVISTA

PORTUGUESA

DE

A Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental é publicada duas vezes por ano, em junho e dezembro, tratando-se de uma revista indexada em bases de dados nacionais e internacionais. A Revista apresenta, atualmente, as seguintes secções: Artigos de Investigação; Artigos de Revisão (Narrativa, Sistemática e Integrativa) da Literatura; Artigos de Boas Práticas/Reflexão. 1 – Procedimentos de Submissão do Artigo: 1.1 – Submissão eletrónica: os artigos devem ser sempre submetidos eletronicamente no sítio da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental: http://www.aspesm.org/. 1.2 – Para a submissão dos artigos, deverão sempre ser enviados os seguintes documentos: a) Artigo integral, obedecendo às normas da revista; b) Checklist de autoverificação, preenchida na totalidade c) Declaração de Cedência de Direitos de Autor e de Observação dos Princípios Éticos da Investigação, provando que os autores concordam que o artigo, uma vez aceite, fique da propriedade d’ ASPESM, não podendo, por isso, ser publicado noutra fonte, e que foram cumpridos todos os princípios éticos inerentes a um trabalho de investigação. Nota: a Direção da Revista reserva-se o direito de retirar um artigo do processo de revisão ou das bases de dados (no caso dos artigos publicados), sempre que se verifique que os autores publicaram uma versão idêntica noutra Revista. 2 – Processo de Revisão: Os artigos propostos são apreciados num processo Double Blinded (duplamente cego). Neste processo, o artigo é enviado por dois Peer Reviewers (Pares Revisores), os quais o examinam e arbitram sobre a sua qualidade, dando as recomendações que julgarem convenientes. Sempre que não se verifique acordo entre os dois revisores, o Diretor da Revista reserva-se o direito de indicar um terceiro revisor. A Direção da Revista enviará ao autor informação sobre a eventual aceitação definitiva, aceitação com alterações, ou não aceitação. No caso da aceitação com alterações, os autores receberão os pareceres e recomendações sugeridas pelos Peer Reviewers. O autor deve efetuar as alterações e reenviar o documento, via eletrónica, no tempo regulamentado. Nota: caso não se verifique o cumprimento rigoroso do tempo estipulado para correção do artigo, este pode ser excluído do processo de revisão. Cada artigo será, posteriormente, verificado pelo Diretor e Coordenador da Revista, que analisam a primeira versão do artigo e a versão corrigida, em função das recomendações dos Peer Reviewers. O processo de revisão será efetuado online. As fases do processo de revisão e recomendações encontram-se descritos no quadro abaixo: Fase Receção do Artigo Revisão Reformulação do Autor Verificação Redatorial Publicação

Procedimento Após o envio do artigo, este será submetido a um processo de revisão técnica (revisão dos aspetos formais e de normalização, de acordo com as normas de publicação da Revista). O artigo é enviado para 2 Peer Reviewers, que o examinam e arbitram sobre a sua qualidade, dando as recomendações convenientes. A Direção da Revista enviará ao autor informação sobre a aceitação definitiva, aceitação com alterações, ou não aceitação, bem como os pareceres e recomendações dos Peer Reviewers. As alterações a efetuar pelo autor deverão ir, rigorosamente, de acordo com as recomendações dos Peer Reviewers. Cada artigo deverá ser verificado pelo Diretor e pelo Coordenador da Revista, que analisam a primeira versão do artigo e a versão corrigida, em função das recomendações dos Peer Reviewers. A oportunidade de publicação é da inteira responsabilidade da Direção da Revista.

Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 103


3 – A decisão final acerca da oportunidade de publicação dos artigos é da responsabilidade do Diretor da Revista. 4 – O artigo: 4.1 – Tipo de artigo: devem ser artigos científicos originais e versarem temas de saúde mental, Enfermagem de saúde mental ou educação em saúde mental. O conteúdo dos artigos é da exclusiva responsabilidade dos seus autores, aos quais compete respeitar os princípios éticos da investigação e cumprir as normas da edição da Revista. A Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental poderá incluir artigos em língua portuguesa, espanhola, inglesa ou francesa, consoante a origem dos artigos. 4.2 – Estrutura do artigo 4.2.1 - Título: o artigo deverá incluir um título informativo (que vá de encontro ao âmbito do trabalho) e sucinto (em português, espanhol e inglês); máximo de 16 palavras, sem abreviaturas e sem a indicação da localização geográfica da investigação. 4.2.2 - Autores: os autores devem estar devidamente identificados, com o nome, habilitações académicas, categoria profissional, instituição onde exercem funções, contactos (morada, e-mail e telefone institucionais) e informação no caso de o artigo ser extraído de Dissertação ou Tese (indicando o título, ano e instituição onde foi apresentada). O nome e afiliação dos autores deve surgir imediatamente após o título em português. As afiliações devem estar por extenso (ex.: Local de Trabalho – Escola Superior de Enfermagem do Porto). Os endereços de correio eletrónico dos autores dos artigos devem estar com hiperligação (com link disponível). 4.2.3 - Resumo: o resumo do trabalho deve ser apresentado em português, espanhol e inglês, e não deve exceder as 250 palavras, devendo incluir a descrição do contexto, objetivo(s), metodologia, resultados e conclusões. 4.2.4 - Palavras-Chave: o artigo deve apresentar, no máximo, 4 palavras-chave, transcritas de acordo com os descritores MeSH (em português, ver DeCS), em português, espanhol e inglês. 4.2.5 - Corpo do artigo: O artigo (tratando-se de um trabalho de investigação) deve ser estruturado em secções, devendo incluir os seguintes capítulos: Introdução, Metodologia, Resultados, Discussão, Conclusão, e Implicações para a Prática Clínica). Os artigos de revisão e de boas práticas/reflexão não têm que obedecer, necessariamente, a esta divisão. 4.3 - Formato: • O texto deve ser apresentado em formato Word, letra Arial, tamanho 11, espaçamento 1,5, páginas em formato A4, em coluna única, evitando negritos e sublinhados, variação do tipo de letra, fundos de cor, etc.; • Todas as margens devem ter 2,5 cm.; • Não devem ser incluídas notas de rodapé. • O artigo não deve ultrapassar as 15 páginas incluindo resumo (em português, espanhol e inglês), referências, tabelas, quadro e figuras. • O artigo não deverá ser paginado. • Os parágrafos não devem ser indentados. • O artigo deve ser redigido de acordo com o Novo Acordo Ortográfico (caso não o seja, a Comissão Editorial reserva-se o direito de realizar a conversão). Nota: caso o(s) autor(es) se recuse(m) a redigir o artigo segundo o Novo Acordo Ortográfico devem, aquando do seu envio, manifestar essa posição de forma clara e inequívoca. • Na primeira utilização de uma sigla esta deve estar, primeiramente, por extenso, por exemplo: Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). • Quando se realizarem citações de três a cinco autores, todos os nomes devem ser mencionados na primeira vez que a citação é feita (ex.: Bradley, Ramirez, & Soo, 1999). Nas vezes seguintes, deve utilizar-se apenas o nome do primeiro autor seguido de “et al.” (ex.: Bradley et al., 1999). Caso a citação seja de seis ou mais autores, logo na primeira vez em que a citação é feita deve utilizar-se apenas o nome do primeiro autor seguido de “et al.”. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 104


• No corpo do artigo, ao citar autores coletivos, na primeira vez que a citação é feita, deve ser mencionado o nome por extenso (ex.: National Institute of Mental Health [NIMH], 2003). Nas vezes seguintes, pode ser utilizada a abreviatura (ex.: NIMH, 2003). • Os títulos dos capítulos devem seguir a seguinte estrutura: Nível do Título Formato 1 Centrado, Negrito, com Maiúsculas e Minúsculas 2 Alinhado à Esquerda, Negrito, com Maiúsculas e Minúsculas 3 Indentado, negrito, em minúsculas terminando com ponto final. 4 Indentado, negrito, itálico, em minúsculas terminando com ponto final. 5 Indentado, itálico, em minúsculas terminando com ponto final. 4.3.1 - Tabelas, quadros, gráficos e figuras: devem ser incluídos apenas os que sejam absolutamente essenciais para a compreensão do artigo e numerados por ordem de inclusão no texto, em função de cada tipo. As tabelas e quadros devem apresentar o título em cabeçalho e os gráficos e figuras devem apresentar o título por baixo. Para tabelas e quadros o tamanho da letra pode ser reduzido até um mínimo de 9 e sem espaçamentos. As tabelas, quadros, gráficos e figuras devem surgir imediatamente após o parágrafo em que é feita referência às mesmas. 4.3.2 - Citações: todos os autores citados no artigo devem constar da lista de referências bibliográficas. Exemplo: Sequeira (2006), (Sequeira, 2006), ou “Em 2006, Sequeira (...)”. Deve indicar-se o número de página, no caso de citação textual, tal como nos exemplos: Sequeira (2006, p. 32) ou (Sequeira, 2006, p. 32). Quando citar dois ou mais autores numa mesma paráfrase, deve ordená-los por ordem alfabética, tal como no exemplo: (Miller, 1999; Shafranske & Mahoney, 1998). Nota: utilizar o símbolo “&” apenas nas paráfrases em que os autores citados sejam de países em que o português não é uma língua oficial (ex.: EUA, Reino Unido, etc.). 4.3.3 - Referências Bibliográficas: • As referências selecionadas devem permitir evidenciar as publicações mais representativas do “estado da arte” da problemática em estudo (últimos 5 anos, extensíveis a 10 anos para problemáticas que tenham sido pouco estudadas), resultando da pesquisa de bases de dados de revistas indexadas nacionais e internacionais. • As referências bibliográficas devem estar elaboradas de acordo com as normas da 6ª Edição da American Psychological Association (APA). Todas elas deverão estar citadas no artigo. • Nas referências bibliográficas, independentemente do número de autores, estes devem ser todos referidos, não sendo permitido o uso de “et al.”. • O título das revistas nunca deve ser abreviado nas referências bibliográficas. Por exemplo, não se deve escrever “RPESM”, mas sim “Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental”. • Sempre que se inclua um site nas referências bibliográficas, a sua hiperligação deve estar presente e funcionante. Nota: as fontes devem ser alvo de seleção criteriosa, em função da sua pertinência, e não devem ultrapassar um total de 20 referências, organizadas por apelido do autor e ordenadas por ordem alfabética. APA 6ª Edição (Exemplos – consultar http://www.apastyle.org/) 4.3.3.1 Modelo de referências (indicar o nome de todos os autores – não usar “et al.”): Livros Shotton, M. A. (1989). Computer addiction? A study of computer dependency. London, England: Taylor & Francis. Trabalho académico (Dissertação/Tese) Healey, D. (2005). Attention deficit/hyperactivity disorder and creativity: An investigation into their relationship. Tese de Doutoramento, University of Canterbury, Christchurch, New Zealand. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 105


Trabalho académico (Dissertação/Tese) Healey, D. (2005). Attention deficit/hyperactivity disorder and creativity: An investigation into their relationship. Tese de Doutoramento, University of Canterbury, Christchurch, New Zealand. Editor literário Barkley, R. A. (Ed.) (2008). Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: Manual para diagnóstico e tratamento (3ª ed.). Porto Alegre: Artmed. Capítulos de livros Haybron, D. M. (2008). Philosofy and the science of subjective well-being. In M. Eid & R. J. Larsen (Eds.), The Science of subjective well-being (pp. 17-43). New York, NY: Guilford Press. Autor coletivo American Psychological Association. (2010). Publication manual of the American Psychological Association (6ª ed.). Washington, DC: Author. Artigos de publicações periódicas Com DOI Herbst-Damm, K. L. & Kulik, J. A. (2005). Volunteer support, marital status, and the survival times of terminally ill patients. Health Psychology, 24, 225-229. doi: 10.1037/0278-6133.24.2.225 Sem DOI Light, M. A. & Light, I. H. (2008). The geographic expansion of Mexican immigration in the United States and its implications for local law enforcement. Law Enforcement Executive Forum Journal, 8(1), 73-82. Documentos eletrónicos Livros Schiraldi, G. R. (2001). The post-traumatic stress disorder sourcebook: A guide to healing, recovery, and growth [Adobe Digital Editions version]. doi: 10.1036/10071393722 Artigos de publicações periódicas Wheeler, D. P. & Bragin, M. (2007). Bringing it all back home: Social work and the challenge of returning veterans. Health and Social Work, 32(1), 297-300. Acedido em http://www.naswpressonline.org Outros (póster, comunicação livre, etc.) Leclerc, C. M. & Hess, T. M. (2005, agosto). Age diferences in processing of affectively primed information. Póster apresentado na 113ª Annual Convention of the American Psychological Association, Washington, DC. Nota: no caso de os autores serem de países de língua oficial portuguesa, nas referências bibliográficas o “&” deve ser substituído por “e”. 5 – Formato Padrão do Artigo a submeter: Primeira Página • Título (em português, espanhol e inglês) • Nome dos autores (separados por ponto e vírgula); • Afiliações dos autores (uma afiliação por linha); • Indicação caso o artigo seja extraído de Dissertação/Tese. Nota: esta página, posteriormente, é retirada pelo Coordenador da Comissão Editorial, sendo atribuído um número codificado que identifica o artigo junto dos revisores Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, ESPECIAL 3 (ABR.,2016) | 106


Segunda Página • Titulo (em português); • Resumo (em português); • Palavras-Chave (em português); • Título (em espanhol); • Resumen; • Descriptores; • Titulo (em inglês); • Abstract; • Keywords. Páginas Seguintes: • Introdução; • Metodologia; • Resultados; • Discussão; • Conclusões; • Referências bibliográficas; • Apêndices (se existentes), agradecimentos (se existentes), conflitos de interesses (se existentes), fontes de financiamento (se existentes), e contribuições dos autores (se aplicável).

Revista Revista Portuguesa Portuguesa de de Enfermagem Enfermagem de de Saúde Saúde Mental, Mental, ESPECIAL ESPECIAL 32 (ABR.,2016) (FEV.,2015) || 107 107


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A SPESM EM:

WWW.ASPESM.ORG

ASPESM

Revista especial 3 final