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Manual de boas práticas canadianas para a enfermagem de saúde mental e psiquiátrica EDIÇÃO PORTUGUESA Porto – 2009

SOCIEDADE PORTUGUESA DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL


Ficha técnica

TITULO ORIGINAL CANADIAN STANDARDS FOR PSYCHIATRICMENTAL HEALTH NURSING. AUTORES Canadian Federation of Mental Health Nurses EDIÇÃO © Canadian Federation of Mental Health Nurses; 3rd Edition January 2006

Índice

Edição Porto: SPESM, 2009. Tiragem 500 exemplares Depósito legal ISBN 978-989-96144-0-6

COPYRIGHT © EDIÇÃO PORTUGUESA, 2009, SPESM TÍTULO DA VERSÃO PORTUGUESA MANUAL DE BOAS PRÁTICAS CANADIANAS PARA A ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL E PSIQUIÁTRICA

PREFÁCIO À EDIÇÃO PORTUGUESA ..............................................................................................................

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DESENVOLVIMENTO DAS BOAS PRÁTICAS ................................................................................................ .... FINALIDADE DAS BOAS PRÁTICAS .................................................................................................................

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TEMAS ACTUAIS ................................................................................................................................................. . CRENÇAS/VALORES .......................................................................................................................................... .

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BOA PRÁTICA Nº1: FORNECER CUIDADOS PROFISSIONAIS COMPETENTES, ATRAVÉS DO DESENVOLVIMENTO DE UMA RELAÇÃO TERAPÊUTICA ...........................................................................

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BOA PRÁTICA Nº2: REVER AS AVALIAÇÕES DO CLIENTE ATRAVÉS DO DIAGNÓSTICO E DA MONITORIZAÇÃO DA ACTIVIDADE ..................................................................................................................

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BOA PRÁTICA Nº3: ADMINISTRAR E MONITORIZAR INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS ........................ .......... BOA PRÁTICA Nº4: GESTÃO EFICAZ DE SITUÇÕES CRÍTICAS ............................................................... .... BOA PRÁTICA Nº5: INTERVIR ATRAVÉS DA FUNÇÃO ENSINAR/TREINAR ........................................... ... BOA PRÁTICA Nº6: MONITORIZAR E GARANTIR A QUALIDADE DAS PRÁTICAS DOS CUIDADOS DE SAÚDE ...................................................................................................................................................................

REVISÃO CIENTIFICA Carlos Sequeira, José António Pinho, José Carlos Carvalho e Luís Sá CAPA António Carlos Amaral Direcção de Edição Portuguesa SOCIEDADE PORTUGUESA DE ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL (SPESM) Reservados todos os direitos. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, sem a autorização prévia, por escrito, da SPESM.

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BOAS PRÁTICAS

TRADUÇÃO Bruno Santos, Cármen Garrido, Gisela Barros, José Carlos Osório, Luís Silva, Ma Inês Abreu.

IMPRESSÃO Invulgar

NOTA INTRODUTÓRIA ....................................................................................................................................... . AGRADECIMENTOS ........................................................................................................................................... .. PREFÁCIO À EDIÇÃO CANADIANA ..................................................................................................................

BOA PRÁTICA Nº7: PRÁTICAS DE ACORDO COM A ESTRUTURA DA ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA FUNCIONAL .......................................................................................................................................................... . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................... GLOSSÁRIO ......................................................................................................................................................... . APÊNDICE ............................................................................................................................................................ .

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Nota introdutória

Agradecimentos

Prefácio à edição canadiana

Prefácio à edição portuguesa

A tradução destas normas de boas práticas para Portugal surge na sequência dos objectivos da SPESM: contribuir para a melhoria das práticas em Saúde Mental. A sua divulgação surge na sequência e na necessidade de partilharmos, com os enfermeiros portugueses que se interessam por esta temática, a qualidade das práticas adoptadas pelos enfermeiros canadianos.

Estamos muito gratos à Federação Canadiana de Enfermagem de Saúde Mental pela cedência dos direitos de autor o que possibilitou a sua tradução para português, bem como às várias pessoas que fizeram um esforço para assegurar que a tradução captaria o espírito do conteúdo escrito em inglês, na expectativa que esta tradução se reflicta numa leitura rápida, prática e útil, em prol de uma reflexão crítica e pessoal, pela melhoria das práticas de Enfermagem nos contextos de Saúde Mental e Psiquiatria.

Durante a sua longa história, a prática de Enfermagem em Saúde Mental no Canadá tem contribuído para o enriquecimento da saúde e do bem-estar dos canadianos.

Caros colegas,

É nossa esperança que esta edição em Português seja um grande contributo para todos os Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria (EEESMP). Chamamos a atenção de que este termo – EEESMP - foi utilizado aqui como substituto do termo utilizado no documento original - Enfermeiros de Saúde Mental e Psiquiatria – por se revelar, no nosso entender, mais adequado ao contexto português. Esperamos também que todos os cidadãos possam, deste modo, beneficiar de uma excelência crescente na prática de Enfermagem, cujos profissionais se empenham pelo cumprimento das boas práticas actuais, internacionalmente aceites, e que devem servir de referência ou introspecção crítica.

Os Enfermeiros de Saúde Mental e Psiquiatria continuam a expandir os seus conhecimentos e compreensão da saúde mental e das doenças mentais, enquanto prestam cuidados de forma competente, segura e ética aos canadianos. “Canadian Standards of Psychiatric and Mental Health Nursing” (PMHN) fornece orientações a todos os enfermeiros e ao público sobre as práticas expectáveis do Enfermeiro de Saúde Mental e Psiquiatria. O actual documento é o reflexo da terceira edição de “Canadian Standards of Psychiatric and Mental Health Nursing”. O documento inclui uma breve discussão sobre o processo de desenvolvimento das boas práticas, sobre a finalidade das boas práticas, questões actuais, crenças, boas práticas revistas, glossário e apêndice. A história da Enfermagem de Saúde mental e Psiquiátrica fornece um importante contexto informativo para facilitar a plena compreensão das boas práticas. O apêndice fornece uma visão histórica.

A tradução das Boas Práticas Canadianas para a Enfermagem de saúde Mental e Psiquiátrica, enquadra-se no desígnio da Sociedade Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental. De facto, a partilha do conhecimento é uma via de excelência para capacitar os enfermeiros com mais condições para o exercício de práticas de qualidade. Não foi nossa intenção apresentar uma realidade distinta da portuguesa, como modelo de referência, mas sim, facilitar o acesso ao que se pratica em outros contextos, nomeadamente a realidade canadiana, para que cada um possa retirar o que entender e/ou considerar mais adequado ao seu contexto de trabalho. A criação das boas práticas é um documento fundamental porque permite “balizar” a prática de Enfermagem, responsabilizar os seus autores e informar o público-alvo sobre o “catálogo” de cuidados que os enfermeiros têm para lhe oferecer. Permite ainda ao cidadão ter uma noção mais aproximada do tipo de cuidados de que será alvo e de que forma poderá participar, caso necessite de cuidados de Enfermagem. A análise sobre as práticas inseridas em realidades distintas da portugesa, permite-nos tomar consciência de um caminho que pode ser/ ou não o nosso, todavia, fornecendo-nos dados para uma crítica mais sustentada. Na tradução do documento, importa clarificar em primeiro lugar alguma dificuldade na interpretação de

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Desenvolvimento das boas práticas

uma realidade diferente em termos organizacionais e profissionais. Assim, adoptamos como substituto de Enfermeiro de Saúde Mental e Psiquiátrica, o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatrica (EEESMP), uma vez que na realidade portuguesa não existe a designação que resulta da tradução directa do documento original. Procuramos fazer uma tradução o mais fidedigna possível, de modo a descrever o documento em análise com o máximo de rigor. Contudo, é possível a existência de outras interpretações. A descrição das sete boas práticas inclui: boas práticas relacionadas com o próprio enfermeiro enquanto pessoa (competências pessoais), e que no caso concreto se centram na relação terapêutica; inclui boas práticas relacionadas com o processo de diagnóstico (capacidade de avaliar, sistematizar, documentar e diagnosticar); inclui boas práticas relacionadas com as intervenções de Enfermagem (execução e monitorização) onde se dá ênfase à gestão de situações específicas; inclui a intervenção relacionada com o ensino/ treino, o que é interessante porque, a qualidade, a forma e o conteúdo da informação a transmitir são aspectos fundamentais na promoção da saúde e na prevenção da doença. Por último, inclui-se o papel do enfermeiro ao nível das organizações e ao nível da sua participação nas políticas de saúde. Em síntese, trata-se de um documento que nos permite viajar entre o expectável para o exercício da Enfermagem no contexto da Saúde Mental e Psiquiatria, em termos das características pessoais, do diagnóstico, da intervenção, dos resultados e 1

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da participação do enfermeiro numa organização de cuidados de saúde e, de uma forma geral, na sociedade. Desejamos a todos uma boa leitura, na expectativa de que este documento vos possa ser útil. Resta-nos agradecer à Federação Canadiana de Enfermagem de Saúde Mental a cedência dos direitos de autor, possibilitando a sua tradução para português. Aos colegas que participaram na tradução e revisão um muito obrigado. Porto, 10 de Outubro de 2009

A Direcção da SPESM

(Carlos Sequeira, Ph.D. 1)

A primeira edição de “Canadian Standards of Psychiatric and Mental Health Nursing” foi publicada em 1995 (Austin, Gallop, Harris, Spencer, 1996). A segunda edição, focada na saúde mental na comunidade e no modelo de desenvolvimento da comunidade, foi concluída em 1998 (Buchanan, Harris, Greene, Newton & Austin, 1998). A terceira edição amplia as anteriores com a inclusão de questões actuais que afectam a prática da Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica. Em consonância com esta perspectiva, o Comité das Boas Práticas criou grupos de trabalho com diferentes grupos de clientes em todo o país com o objectivo de obter a opinião dos mesmos sobre as boas práticas. Os membros do Comité das Boas Práticas que conduziram os grupos consideraram esta experiência muito enriquecedora. Os clientes deram excelentes perspectivas sobre as suas necessidades e sobre as intervenções que poderiam ajudar simultaneamente a si e às suas famílias. Os clientes deram sugestões valiosas no que diz respeito à forma como o Comité poderia melhorar as boas práticas e criar parcerias com eles na prática em contexto real. A edição actual reflecte fortemente essa perspectiva do cliente.

As competências são sistematizadas em sete domínios: i) A relação terapêutica, ii) A avaliação sistemática e tomada de decisão, iii) A administração e monitorização de intervenções terapêuticas, iv) A gestão eficaz de situações críticas, v) A intervenção ensino/treino, vi) A monitorização e garantia da qualidade das práticas de cuidados de saúde, vii) As competências organizacionais e do papel de trabalho (funcionais).

As Boas Práticas continuam a usar os “domínios da prática” de Benner (1984) como grelha conceptual subjacente (Austin, Gallop, Harris, & Spencer, 1996).

Presidente da Direcção da SPESM (Mandato: 2008-2011)

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1 Finalidade das boas práticas

2 Temas actuais

“O principal objectivo de ter boas práticas é o de fornecer orientação para a prática profissional, no sentido de promover um serviço competente, seguro e ético para com os clientes” (CNA, 2002a, p.9). Através destas boas práticas, os enfermeiros podem articular com os outros, aquilo que é o nível de desempenho desejável e possível de alcançar na área de especialidade, possibilitando igualmente a sua responsabilização. O documento “Canadian Standards of Psychiatric and Mental Health Nursing” fornece um guia para avaliação dessas práticas, inserido num quadro ético e profissional.

A obtenção das boas práticas profissionais reflectem o estado actual do conhecimento e compreensão de uma disciplina, pelo que devem ser encaradas como contextualizadas e dinâmicas. O enquadramento teórico da prática influencia a forma como cada EEESMP atinge essas normas de conduta aceites como boas práticas. A prática de Enfermagem é também fortemente influenciada pelos contextos em que os cuidados são prestados. Estes contextos incluem as influências sociais, culturais, económicas e políticas (CNA, 2002b).

• Múltiplas morbilidades resultando no aumento da gravidade e complexidade das problemáticas. • Maior atenção sobre os factores determinantes da saúde na compreensão das questões e necessidades referentes à saúde mental e psiquiátrica. • Uma visão ampliada da equipa de saúde para incluir parcerias/relações colaborativas com os clientes e os seus sistemas de suporte natural, defesa e grupos de auto-ajuda.

Tais contextos desafiam os EEESMP a agirem segundo um paradigma social justo. As questões actuais incluem: • Desigualdades no acesso aos cuidados de saúde num contexto político que privilegia um modelo de eficiência. • Mudanças demográficas e diversidade cultural (por exemplo: idade, sexo, etnia, raça, orientação sexual, linguagem, estatuto socioeconómico, religião/espiritualidade). • Igualdade na dotação financeira de recursos a cuidados agudos e crónicos. • Aumento da prevalência de morbilidades adicionais (dependências). • Tendência para a integração das dependências e da saúde mental por parte das políticas e do planeamento de programas.

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3 Crenças/valores

A Saúde Mental/Psiquiatria é uma área de especialização em Enfermagem, educação e investigação. O EEESMP utiliza o conhecimento baseado na evidência e na experiência da prática de Enfermagem e o conhecimento de ciências da saúde relacionadas. Esta prática é baseada no Canadá no “Código de Ética da Associação Canadiana de Enfermagem” (CNA, 2002a), enquanto em Portugal, se rege pelo “Código Deontológico de Enfermagem”. A prática envolve a promoção da saúde mental, a prevenção, tratamento e a gestão dos distúrbios mentais. Os EEESMP acreditam:

• Num acesso equitativo a cuidados culturalmente ajustados.

boas práticas

• Numa prática ética reflectida e num compromisso de aprendizagem contínua. • Na protecção dos direitos humanos num contexto de compromisso cívico, atendendo aos contornos que envolvem a jurisprudência. • Na defesa de contextos de prática que facilitem e garantam relações de trabalho seguras e positivas. • Na promoção de um legado moral e de uma Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica pioneira/líder.

• Que o relacionamento terapêutico enfermeirocliente, baseado na confiança e respeito mútuo, são centrais para a prática. • Na erradicação do estigma e da discriminação. • Na realização e utilização da investigação para a melhoria dos cuidados. • Na acção social para promover a sensibilização política e social, de modo a influenciar a política da saúde e política organizacional. • Nas relações de colaboração com o indivíduo, família, comunidade, populações e entidades sociais. • Numa abordagem holística que é essencial para a compreensão da experiência única do cliente.

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Boa prática nº1

Fornecer cuidados profissionais competentes, através do desenvolvimento de uma relação terapêutica

A meta principal da Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica é a promoção da saúde mental e a prevenção ou diminuição da doença mental. O desenvolvimento de uma relação terapêutica é a base através da qual o EEESMP pode “entrar em parceria com os clientes, e através do uso das ciências humanas e da arte do cuidar, desenvolver relações de ajuda” (RNAO, 2002b). Espera-se que o enfermeiro demonstre competência na relação terapêutica através dos seguintes pressupostos: 1. Avalia e esclarece a influência das crenças pessoais, valores e experiência de vida na relação terapêutica e distingue as relações sociais das terapêuticas. 2. Trabalha em parceria com o cliente, família e outros membros relevantes, para determinar objectivos direccionados para as necessidades do cliente e para estabelecer um ambiente que conduza ao alcance desses objectivos. 3. Utiliza um conjunto de habilidades terapêuticas de comunicação verbal e não verbal, que incluem a empatia, escuta activa, observação, autenticidade e curiosidade. 4. Reconhece a influência da cultura, classe, etnia, língua, estigma e exclusão social no processo terapêutico e negoceia cuidados que são sensíveis a estas influências. 5. Mobiliza e informa sobre os recursos que aumentem o acesso dos clientes e das famílias aos serviços de saúde mental e que melhorem a sua integração na comunidade.

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6. Compreende e responde às reacções humanas ao stress e perda de controlo, que podem ser expressas como raiva, ansiedade, medo, tristeza, desamparo, desesperança e humor. 7. Orienta o cliente através da mudança comportamental, desenvolvimental, emocional ou espiritual, enquanto reconhece e defende a participação do cliente, responsabilidade e escolhas sobre o seu próprio cuidado. 8. Apoia o sentido de resiliência, auto-estima, poder e esperança do cliente e da sua família. 9. Fomenta a mutualidade do relacionamento pela crítica reflexiva sobre a eficácia terapêutica, através da informação e reacções do cliente e da família, da supervisão clínica e da auto-avaliação. 10. Compreende a natureza da doença crónica e aplica os princípios da promoção da saúde e prevenção da doença quando trabalha com clientes e famílias.

Boa prática nº2

Revê as avaliações do cliente através do diagnóstico e da monitorização da actividade

A avaliação efectiva, o diagnóstico e a monitorização são actividades centrais para o papel do enfermeiro e dependem do modelo teórico em que se baseiam, bem como da compreensão do significado da experiência de saúde ou doença na perspectiva do cliente. O enfermeiro explica ao cliente o processo de avaliação e conteúdo e fornece informação (feedback). O conhecimento do enfermeiro sobre a prática de Enfermagem é baseado no modelo conceptual adoptado pelo próprio, e fornece uma grelha para o processamento de informações do cliente e para o desenvolvimento de um plano de cuidados centrado neste. O enfermeiro realiza juízos clínicos profissionais considerando a informação recolhida, reconhecendo e incluindo o cliente como um parceiro valioso.

3. Elaborar e registar o plano de cuidados em colaboração com o cliente e a equipa de saúde mental, reconhecendo a variabilidade na capacidade do cliente para participar no processo.

O enfermeiro concretiza-o através das seguintes actividades:

6. Determinar a modalidade terapêutica mais adequada e disponível, que vá de encontro às necessidades do cliente, e auxiliar o cliente a aceder a esses recursos.

1. Colaborar com os clientes e com os outros membros da equipa de saúde para efectuar avaliações holísticas através da observação, análise, entrevista e consulta, considerando simultaneamente as questões de confidencialidade e dos estatutos legais pertinentes.

4. Reformular e expandir a análise da informação do cliente, avaliando e registando mudança (s) significativa (s) no estado do cliente, comparando as novas informações com a avaliação inicial e com os objectivos do cliente. 5. Avaliar continuamente e antecipar potenciais necessidades e riscos. Colaborar com o cliente na análise do seu ambiente em relação a factores de risco: auto-cuidado, alojamento, alimentação, factores económicos, factores psicológicos e sociais.

2. Registar e analisar a informação inicial que identifica: o estado de saúde, o potencial para o bemestar, os défices de saúde, o potencial perigo para o próprio e para os outros; alterações no conteúdo e/ou processo do pensamento, alterações no comportamento de afecto, comunicação e aptidões de tomada de decisão; o uso de substâncias e dependências; histórias de trauma e/ou abuso (emocional, físico, negligência, sexual ou verbal).

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Boa prática nº3

Administrar e monitorizar intervenções terapêuticas

Devido à natureza dos problemas de saúde mental e doenças mentais, existem questões práticas específicas que se colocam ao EEESMP na avaliação e administração das intervenções terapêuticas. Muitos clientes estão em risco de causar dano a si e/ou aos outros, e/ou autonegligenciar a sua segurança, o que constitui uma matéria importante. Todos os esforços deverão ser feitos para incluir o cliente em todos os aspectos inerentes à tomada de decisão. O EEESMP deve estar alerta e responder às possíveis reacções adversas do cliente.

6. Utilizar adequadamente a tecnologia disponível para realizar intervenções de Enfermagem seguras, eficazes e eficientes. 7. Administrar medicamentos de uma forma rigorosa e segura, monitorizar as respostas terapêuticas, reacções, efeitos secundários, toxicidade e potenciais incompatibilidades com outros medicamentos ou substâncias. Fornecer informação sobre a medicação usando linguagem compreensível.

O enfermeiro deverá:

8. Utilizar os elementos terapêuticos dos processos de grupo.

1. Utilizar e avaliar as intervenções baseadas na evidência de modo a fornecer cuidados de Enfermagem seguros, eficazes e eficientes.

9. Incorporar conhecimentos sobre a dinâmica familiar, valores culturais e crenças, no âmbito da prestação de cuidados.

2. Fornecer informação aos clientes e seus familiares/outros significativos, em conformidade com a legislação existente.

10. Colaborar com o cliente, prestadores de cuidados e comunidade para aceder e coordenar os recursos, procurando obter feedback do cliente e dos outros intervenientes sobre a intervenção.

3. Auxiliar, educar e capacitar os clientes para seleccionar opções, o que reflecte uma tomada de decisão informada. Fornecer informações sobre a(s) possível(eis) consequência(s) da escolha tomada. 4. Apoiar os clientes a potenciar os seus pontos fortes em prol do seu auto-cuidado e do desempenho das actividades de vida diária, mobilizando os seus recursos e promovendo a sua saúde mental. 5. Determinar as intervenções clínicas com base no conhecimento e nas respostas do cliente.

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Boa prática nº4

Gestão eficaz de situações críticas

A gestão eficaz de situações críticas é essencial em circunstâncias críticas que podem ser denominadas de emergências psiquiátricas. Estas situações incluem risco para a auto-agressão, comportamentos agressivos e alterações rápidas do estado de saúde física e mental (SERPN, 1996).

b) Em contexto comunitário, inclui o uso dos sistemas de apoio comunitário, incluindo a polícia, serviços de ambulância, e recursos de resposta a crises.

O enfermeiro deve:

8. Desenvolver e registar o plano de intervenção e a intervenção propriamente dita.

1. Utilizar a relação terapêutica para gerir situações críticas. 2. Avaliar o cliente usando uma abordagem holística sobre os problemas de saúde reais ou potenciais, factores de risco e/ou de crise/emergência/ situações catastróficas. 3. Conhecer os recursos necessários para gerir crises/emergências/situações catastróficas, reais ou potencias, e os planos de acesso a esses recursos.

11. Encorajar e auxiliar os clientes na procura de grupos de apoio e ajuda mútua, sempre que necessário.

4. Monitorizar a segurança do cliente e efectuar uma avaliação contínua para detectar precocemente alterações no estado do cliente, intervindo em conformidade.

12. Identificar o feedback e a percepção do cliente sobre as intervenções do enfermeiro e outras intervenções terapêuticas, incorporando-as na prática.

5. Implementar intervenções adequadas para a idade e para a situação específica do cliente na crise/emergência/catástrofe, sempre que necessário. 6. Iniciar procedimentos de situações críticas: a) Em contexto hospitalar - inclui sempre que necessário a prevenção de suicídio, contenção de emergência, precauções de fuga e gestão de doenças infecciosas;

7. Utilizar uma abordagem o menos restritiva possível na prestação dos cuidados.

9. Coordenar os cuidados para evitar erros e a duplicação de esforços onde a intervenção rápida é imperativa. 10. Avaliar com o cliente a eficácia das respostas rápidas (situações críticas) e reformular o planeamento se necessário. 11. Colaborar com o cliente para facilitar o envolvimento da família e de outros membros significativos de forma a identificar os factores precipitantes do evento e planear a diminuição dos riscos de recorrência. 12. Participar no processo de revisão com: cliente, família, equipa e outros prestadores de serviços, sempre que necessário. 13. Utilizar medidas de segurança para proteger o cliente, a si próprio, e aos colegas, de situações potencialmente abusivas no ambiente de trabalho. 14. Participar e implementar actividades que melhorem a segurança do cliente no contexto prático.

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Boa prática nº5

Boa prática nº6

Intervir através da função ensino/treino

Todas as interacções são potencialmente situações de ensino/aprendizagem. O EEESMP tenta compreender a experiência de vida do cliente e utiliza esse conhecimento para apoiar e promover a aprendizagem relacionada com a saúde e o desenvolvimento pessoal. O enfermeiro fornece informação relacionada com a promoção da saúde dos indivíduos, famílias, comunidades e populações. O enfermeiro: 1. Identifica as necessidades de aprendizagem do cliente, em colaboração com o mesmo. 2. Planeia e implementa com o cliente a educação para a promoção da saúde, considerando o contexto de experiências de vida do mesmo. Integra: a motivação, a cultura, a literacia, a linguagem, o estilo preferido de aprendizagem e os recursos disponíveis. 3. Explora com o cliente as opções e recursos disponíveis para aumentar o conhecimento, deste modo, permitindo a tomada de escolhas informadas relacionadas com as necessidades no âmbito da saúde e o acesso ao sistema de saúde para as resolver. 4. Incorpora conhecimentos de uma ampla variedade de modelos e princípios de aprendizagem, quando cria oportunidades de aprendizagem para os clientes. 5. Critica e fornece informação relevante, orientação e suporte aos clientes, às famílias e outros significativos.

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Monitorizar e garantir a qualidade das práticas dos cuidados de saúde

6. Regista o processo de ensino/aprendizagem (avaliação inicial, plano, implementação, envolvimento do cliente e avaliação final). 7. Determina com o cliente a eficácia do processo educativo e em colaboração com ele desenvolve ou adapta os meios para satisfazer as suas necessidades educativas. 8. Promove oportunidades de ensino/aprendizagem enquanto parceiros com os clientes, famílias e estruturas sociais.

O enfermeiro tem a responsabilidade de defender o direito do cliente receber cuidados da forma menos restritiva possível e de respeitar e afirmar o direito dos clientes à auto-determinação num contexto seguro e justo. No Canadá, os cuidados de saúde mental ocorrem sobre a orientação das “Actas de Saúde Mental província/territorial” e demais legislação relacionada. O enfermeiro: 1. Identifica a filosofia, atitudes, valores e crenças da cultura do local de trabalho, que afectam a sua capacidade para agir com competência, segurança e compaixão, tomando as medidas necessárias.

7. Defende o cliente no contexto de cuidados de saúde. 8. Empenha-se pela melhoria contínua das estruturas organizacionais e do sistema de saúde para a manutenção dos princípios de prestação de cuidados seguros, éticos e competentes. 9. Reconhece as mudanças dinâmicas nos cuidados de saúde, local e globalmente, em colaboração com os intervenientes e apoia as estratégias para gerir essas mudanças.

2. Compreende a forma como os determinantes de saúde afectam a saúde da comunidade e afectam a prática de Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica. 3. Compreende e utiliza a legislação relevante bem como as suas implicações para a prática de Enfermagem. 4. Amplia e integra o conhecimento de inovações e mudanças na prática de Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica para garantir uma prestação de cuidados segura, confidencial e eficaz. 5. Garante e regista a reformulação contínua do plano de cuidados e actividades. 6. Participa no diálogo e reflexão crítica sobre as funções interdependentes da equipa em relação ao plano integrado de cuidados.

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Boa prática nº7

Práticas de acordo com a estrutura da organização e estrutura funcional

A prestação de cuidados de Enfermagem de saúde mental ocorre tanto no contexto da comunidade como em contextos hospitalares. Para o EEESMP os cuidados devem ser baseados na relação terapêutica, e na prática reflectida, eticamente sustentada, baseada na evidência e inserida num contexto de situações complexas e dinâmicas. Assim, é essencial para o EEESMP estar informado e colaborar de forma a ser capaz de planear e implementar cuidados multidisciplinares, e capaz na promoção da saúde mental, na advocacia e na consulta na comunidade. O enfermeiro: 1. Trabalha em parceria com os clientes/famílias/ outros significativos e outras partes interessadas para garantir ambientes que promovam segurança, apoio e respeito por todas as pessoas. 2. Participa activamente na promoção de um clima que apoie uma prática baseada na ética e na moral instituída numa determinada comunidade (Varcoe, Rodney & McCormack, 2003). 3. Compreende e utiliza indicadores de resultados de qualidade e luta pela melhoria contínua dos cuidados. 4. Procura utilizar abordagens construtivas e colaborativas na gestão de diferenças entre os membros da equipa de saúde que possam afectar a prestação de cuidados (CNA 2002a). 5. Participa no desenvolvimento, implementação e análise da política de saúde mental.

6. Defende e apoia um papel de liderança para a Enfermagem.

Referências bibliográficas

guide for the unique contribution of the Registered Nurse. Ottawa, ON: Author.

7. Apoia e participa no “treino” de novos licenciados.

Austin, W., Gallop, R., Harris, D., & Spencer, E. (1996). A ‘domains of practice’ approach to the standards of psychiatric and mental health nursing. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, 3, 111-115.

8. Utiliza o conhecimento das estratégias multidisciplinares no âmbito da acção social no trabalho com clientes e grupos de advocacia.

Benner, P. (1984). From novice to expert: Excellence and power in clinical nursing practice. Menlo Park, CA: Addison-Wesley.

Health Canada, Mental Health Promotion Unit, Mental Health Promotion: Promoting Mental Health Means Promoting the Best of Ourselves – Frequently Asked Questions. http://www.hc.gc. ca’hppb/mentalhealth/mhp/ cfaq.html

Benner, P., Tanner, C., & Chesla, C. (1996). Expertise in nursing practice. Caring, clinical judgement, and ethics. New York: Springer. Boschma G. 2003. The rise of mental health nursing: A history of psychiatric care in Dutch asylums, 18901920. Amsterdam: Amsterdam Univ. Press. Boyd, MA. (2005) Psychiatric Nursing: Contemporary Practice, 3rd Ed. Lippincott Willians and Wilkins: Philadelphia. Buchanan J., Harris,D., Greene, A., Newton, L & Austin, W. (1998). The Canadian Standards of Psychiatric and Mental Health Nursing Practice. Canadian Federation of Mental Health Nurses, 2nd Edition Canadian Nurses Association [CNA] (2002a). Code of ethics for Registered Nurses. Ottawa, ON: Author. Canadian Nurses Association [CNA] (2002b). Achieving excellence in professional practice: A guide to developing and revising standards. Ottawa, ON: Author. Canadian Nurses Association (2002c). Discussion

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Health Canada, (2002) A report on mental illness in Canada: Ottawa, ON: Author.

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Glossário

Society for Education and Research in PsychiatricMental Health Nursing [SERPN] (1996). Educational preparation for psychiatric-mental health nursing practice. Pensacola, FL: Author. Stephens, T (1999). “Mental Health of the Canadian Population: A Comprehensive Analysis,”Chronic Diseases in Canada, 20, No. 3. Tiplisky V. 2002. Parting at the crossroads: The development of education for psychiatric nursing in three Canadian provinces, 1909-1955. PhD thesis, University of Manitoba. Varvoe(Varcoe in text), C., Rodney, P., & McCormick, J. (2003). Health care relationships in context: An analysis of three ethnographies. Qualitative Health Research, 13 (7), pp. 957-973. Webster, G., & Baylis, F. (2000). Moral residue. In S.B. Rubin & L. Zoloth (Eds.) Margin or error: The ethics of making mistakes in the practice of medicine. Pp 217-232. Hagerstown, MD: University Publishing Group. Wright, M., & Leahey, M. (2000). Nurses and families: A guide to assessment and intervention (3rd ed.). Philadelphia, PA: F.A. Davis.

Estas descrições aplicam-se para efeitos do presente documento. Ambiente menos restritivo: o doente/cliente tem direito a tratamento num ambiente que limite o menos possível o exercício da sua liberdade; um indivíduo não pode ser confinado a uma instituição quando ele pode ser bem sucedido se tratado no seio da comunidade (Boyd, 2005, p.920). Autoconsciência: a capacidade do indivíduo para reflectir sobre a sua acção, pensamentos, sentimentos, necessidades, medos, forças e fraquezas e a compreensão de como estes podem afectar as suas acções e a relação enfermeirocliente (RNAO, 2002b) Cliente: indivíduos, famílias, grupos, populações ou comunidades. Os sinónimos podem ser doentes, beneficiários, parceiros, consumidores. Os clientes são parte dos sistemas sociais que podem influenciar o aparecimento e duração da doença e da extensão de saúde mental. (in RNAO, Nursing Best Practice Guideline: Client Centered Care 2002a). Competências: O conhecimento integrado, as competências, atitudes e juízos esperados do ESMP (CNA, 2002). Comunidade Moral: é uma comunidade em que há coerência entre o que uma organização de saúde publicamente professa ser, por exemplo, a promoção de um ambiente de ajuda, tratamento, e cuidado que envolve valores intrínsecos à prática de cuidados de saúde, e que os funcionários, os doentes e outros podem testemunhar e no qual podem participar (Webster & Baylis, 2000)

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Crise: um abalo emocional, decorrente de factores contextuais, de desenvolvimento, biológicos, psicológicos, sócio-culturais, e/ou espirituais. Este estado de distress emocional resulta numa incapacidade temporária de adaptação, por meio dos recursos habituais e dos mecanismos de coping. A menos que os stressores que precipitaram a crise sejam aliviados e/ou os mecanismos de coping sejam reforçados, pode surgir maior desequilíbrio. É reconhecido que a crise é um estado subjectivo e, como tal, pode ser definido pelo cliente, a família ou outros membros da comunidade (in RNAO, Nursing Best Practice Guideline, Crisis Intervention 2002b). Doença Mental: é caracterizada por alterações de pensamento, humor ou comportamento ou alguma combinação destes, associada a distress significativo e prejuízo funcional durante um período alargado de tempo. Os sintomas de doença mental variam de leves a graves, dependendo do tipo de doença mental, do indivíduo, da família e do ambiente sócio-económico (Health Canadá, 2002). Família: Ser singular e pessoa que o cliente define como sendo da família. A condição de membros da família não está limitada aos pais, filhos e irmãos mas pode incluir vizinhos e pessoas importantes na comunidade (RNAOd. 2002). Fatores contextuais: As variáveis pessoais, interpessoais e ambientais que compõem a experiência de vida única de uma pessoa. Mudança rápida do estado da Saúde Mental (situações críticas): compromisso grave das capacidades do pensamento e julgamento, que

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Apêndice

História da enfermagem em saúde mental e psiquiátrica no canadá

constitui uma emergência médica, e pode estar associado a psicose aguda (um síndrome clínico que pode ser causada por uma variedade de distúrbios, como mania, esquizofrenia, abuso de drogas) Outros significativos: aqueles por quem o cliente sente afeição, com quem mantém laços emocionais e um sentimento de pertença (adaptado de Wright & Leahey, 1994). Problema de Saúde Mental: a diminuição das capacidades da pessoa - cognitiva, emocional, interpessoal, motivacional ou comportamental que interferem com a fruição da vida ou afectam negativamente as interacções com a sociedade e o meio ambiente (Stephens, 1999). Promoção da Saúde Mental: o processo de reforço da capacidade dos indivíduos e comunidades para ter o controlo das suas vidas e melhorar a sua saúde mental. A promoção da saúde mental utiliza estratégias para fomentar ambientes de apoio e a resiliência individual, e ao mesmo tempo assegura o respeito pela cultura, equidade, justiça social, interligações e dignidade pessoal (Joubert & Raeburn, 1997, p.4). Relação Terapêutica: o relacionamento terapêutico é fundamentado num processo interpessoal que ocorre entre o enfermeiro e o(s) cliente(s). O relacionamento terapêutico é intencional, e visa promover os melhores interesses e resultados para o cliente (RNAO, 2002b). Saúde Mental: a capacidade de sentir, pensar e agir de forma a aumentar a capacidade de fruir a vida e lidar com os desafios. Refere-se a

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várias capacidades, incluindo as capacidades de: compreender-se a si mesmo e à sua vida, relacionar-se com outras pessoas e responder às solicitações do meio ambiente; sentir prazer e gozo; suportar o stresse e o desconforto; avaliar desafios e problemas; perseguir objectivos e interesses; e explorar as opções e tomar decisões. (Health Canada, http://www.hc.gc.ca’hppb/mentalhealth/ mhp/cfaq.html). Transtorno Mental: distúrbio que está associado à presença de distress psicológico que determina o prejuízo do seu funcionamento psicológico, social ou ocupacional; ou um aumento significativo do risco de morte, dor, incapacidade ou uma importante perda da liberdade (Boyd, 2005, p 920).

História da Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica do Canadá * (Boschma, 2003 & Tipliski, 2002) Até o final do século XIX, as pessoas com doença mental eram geralmente assistidos pelas suas famílias. A partir desse momento, o cuidado institucional para a pessoa com doença mental, considerada como “perigosa para estar à solta”, tornou-se disponível com a legislação aprovada nas províncias para a admissão formal destas pessoas, e os cuidados no asilo passaram a ser da responsabilidade do Estado. As províncias constituíram asilos dirigidos por médicos intitulados “médicos superintendentes”, e onde o pessoal assistente era leigo. No início do século XX, vários asilos em Ontário, Nova Escócia e Quebec, criaram escolas de formação de enfermeiros especialistas em saúde mental, segundo o modelo das escolas dos hospitais gerais. Sob a liderança da Enfermagem generalista, os enfermeiros de saúde mental graduados tornaram-se, eventualmente, elegíveis para a certificação como enfermeiros generalistas, naquelas províncias. Noutros asilos do oeste canadiano, as escolas de formação surgiram mais tarde, mas os enfermeiros generalistas não eram elegíveis para a certificação provincial, o que conduziu a um sistema de certificação separado. O financiamento público dos hospitais psiquiátricos do Canadá continuou a ser um desafio, e os problemas de recursos limitados e a sobrelotação das instituições, em breve, tornaria a sua gestão difícil, resultando na sua pobre reputação. Sob a influência do movimento de higiene mental, surgido na década de 1920, as ideias sobre a assistência à pessoa com doença mental mudaram e, gradualmente, foi atribuída mais ênfase à prevenção

da doença mental e à promoção da saúde mental, no seio da população geral. Após a Segunda Guerra Mundial, o sistema de saúde rapidamente se expandiu, novos medicamentos psicotrópicos ficaram disponíveis, e a assistência aos doentes mentais tornou-se mais diversificada. Os grandes hospitais de saúde mental permaneceram, mas nos hospitais gerais foram criados departamentos de psiquiatria e clínicas ambulatórias, e assim, se expandiram os serviços. A partir de meados dos anos 1960, o centro da assistência em saúde mental foi lentamente transferido das instituições para os cuidados comunitários, e uma maior diversidade de serviços profissionais ficaram disponíveis. Houve um decréscimo significativo no número de doentes atendidos nos hospitais provinciais. Ao longo dos anos do pós-guerra e da transição para os cuidados na comunidade, a Enfermagem de saúde mental psiquiátrica permaneceu fundamental na assistência à pessoa com doença mental, não obstante, as mudanças operadas na formação e papel dos enfermeiros. Actualmente, em todas as províncias, a Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica está integrada nos programas genéricos de formação em Enfermagem, preparando enfermeiros graduados para a prática nesta especialidade como parte da profissão de Enfermagem. Nos nossos dias, os enfermeiros de saúde mental e psiquiátrica são parte integrante das equipas multidisciplinares, fornecendo uma ampla diversidade de serviços de saúde mental, hospitalares e comunitários, em parceria com os clientes e as suas famílias.

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Manual de boas práticas canadianas para a enfermagem de saúde mental e psiquiátrica