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Clínica

Ficheiros Clínicos

Ambiente e Saúde: uma relação de causa-efeito pouco abordada mentos da natureza, sobretudo água, terra e ar, estão ameaçados por dióxido de car-

Doenças do ambiente A natureza e a saúde estão intimamente ligadas. Quando uma começa a deteriorar-se, a outra também. As radiações electro-magnéticas, o ruído, a poluição do ar e da água, bem como o aumentodeproblemasrespiratórios,alérgicosecardiovasculares mantêmumarelaçãodecausa-efeito,muitasvezes,desvalorizada, por médicos e doentes. Mas, dizem os especialistas, é preciso estarcadavezmaisatentoaestas“novas”causasedeterminantes. E também desmistificar muitos dos“mitos”existentes. Por Sara Pelicano

bono, ruídos, produtos químicos, radiações electromagnéticas, entre outros factores que acabam por ter um impacte negativo na saúde dos animais, plantas e do Ser Humano. A relação do ambiente e da saúde não ocupa muito espaço nos ciclos de debates, mas há medidas que têm vindo a ser tomadas, como a Lei do Tabaco. Esta melhorou o ambiente de espaços públicos fechados, conduzindo à melhoria do ar e, mesmo, à diminuição do número de fumadores no País.

Saúde poluída

referido. “A poluição é um conhecido factor de risco para a expressão das doenças alérgicas, sendo um importante co-factor de agressão perante outros factores ambientais, como acontece no caso dos pólenes”, assinala o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica

que pode ser a causa dos sintomas, não é

(SPAIC), Mário Morais de Almeida. Os ele-

noalergologista Mário Morais de Almeida.

Foto Jgroup l Dreamstime

“Dói-me a cabeça”. “Esta tosse não passa”. “Respiro com dificuldade”. Frases que se repetem cada vez mais entre a população de todas as faixas etárias, sobretudo nos grandes centros populacionais, como Lisboa e Porto. A saúde fica em destaque com estas afirmações mas, muitas vezes, o ambiente,

Os contaminantes do ar que respiramos são muitos e variados. Os valores de partículas finas existentes no ar, provenientes, por exemplo, das emissões de dióxido de carbono dos veículos, “ultrapassam largamente o que está estabelecido por lei”, explica o ex-presidente da Quercus, Hélder Spínola. Este responsável referiu ainda estudos, divulgados pela Comissão Europeia, que apontam para “mais de quatro mil mortes prematuras por ano”, em Portugal, devido a este tipo de poluição atmosférica. De facto, o organismo humano fica largamente exposto às alterações climáticas, provocadas pela acumulação de gases de efeito de estufa. Contudo, o ar não é o único elemento do planeta prejudicado com a poluição. O solo também é afectado, bem como a água. Hélder Spínola, igualmente investigador de genética humana, assinala que “dados do Instituto da Água revelam que cerca de 40 por cento, em média, da água dos rios e lagos é má ou muito má”. De considerar que esta água acaba por contaminar os solos e, consequentemente, os alimentos que ingerimos. A intolerância a determinados alimentos é, de resto, uma alergia que tem vindo a crescer. “Cinco por cento dos portugueses têm alergia alimentar”, informa o imu-

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Clínica

Ficheiros Clínicos

A poluição sonora é outro dos elementos de que os cidadãos se queixam, sobretudo nas

dos telemóveis quer das antenas colocadas nos topos dos edifícios, torres, e outros

grandes cidades, onde o silêncio é praticamente inexistente. Um inquérito do gabinete

casos, estão muito abaixo dos valores máximos recomendados internacionalmen-

de estatísticas da União Europeia (Eurostat), divulgado em Março, revelava que um em

te”. Já Hélder Spínola, da Quercus, considera que a área ainda não está suficiente-

cada quatro portugueses se queixa do ruído na zona onde vive. Hélder Spínola, que

mente estudada e que é conhecido o efeito das radiações na saúde.“Sabe-se que os te-

exerce também a docência de Biologia na Universidade da Madeira, alertou para os

lemóveis, utilizados muitas vezes próximo do corpo, podem ter efeitos. Existem ainda

problemas que a poluição sonora pode causar: “Stress, doenças cardiovasculares, perda da qualidade de vida e da rentabilidade nas actividades dos cidadãos”.

Radiações: mitos e realidades O relativismo nas causas ambientais relacionadas com a saúde tem, no entanto, um sector que merece maior destaque: a radiação electromagnética. Esta designa-se “pela propagação de energia no espaço através de ondas electromagnéticas, que são constituídas por duas entidades interdependentes entre si: o campo eléctrico e o campo magnético, que evoluem no espaço como uma onda”, explicou o coordenador do Projecto montIT, Luís Correia. O monIT teve por objectivo avaliar o risco associado à radiação electromagnética emitida pelos sistemas de comunicações móveis. A equipa do Instituto de Telecomunicações do Pólo de Lisboa do Instituto Superior Técnico, que coordenou o projecto, concluiu que os riscos associados à exposição da radiação electromagnética em comunicações móveis são, no nosso país, “praticamente” inexistentes. À SEMANA MÉDICA, Luís Correia contou que “os níveis de radiação electromagnética provenientes, quer

as antenas que emitem radiações electromagnéticas que têm alguma intensidade, e acerca das quais existem receios de que possam ter consequências”, comentou. Esta ideia é corroborada por um grupo de cientistas europeus que, recentemente, vieram a público assegurar que “a observação clínica de numerosas investigações toxicológicas e biológicas, e de certos estudos epidemiológicos, demonstra os efeitos dos campos electromagnéticos sobre a

Foto Ivan Spencer l Arquivo SM

As alergias passarem com a idade ou serem factores pontuais são comentários que também não correspondem à verdade. Não tendo cura, o controlo eficaz dos sintomas alérgicos é possível (...), diz o médico

“A poluição é um conhecido factor de risco para a expressãodasdoençasalérgicas,sendoumimportante co-factor de agressão perante outros factores ambientais como acontece no caso dos pólenes”, assinala Mário Morais de Almeida. saúde”. O coordenador da equipa de investigadores, Franz Adlkofer, sustentou mesmo: “Um número crescente de doentes tornaram-se intolerantes aos campos electromagnéticos”.

DICAS PARA O MÉDICO Para diagnosticar e controlar as alergias, o médico deve considerar: • a educação do doente e da sua família; • a evicção de factores de agravamento, como, por exemplo, a exposição aos alergénios ou a poluentes, com destaque para o fumo de tabaco, e também a redução da ocorrência de infecções, possível através de vacinas adequadas; • o tratamento dos episódios agudos ou crises, com utilização de fármacos que aliviam a obstrução dos brônquios; • o planeamento da terapêutica preventiva ou de controlo, recorrendo a medicamentos anti-inflamatórios por períodos mais ou menos prolongados, permitindo o controlo sintomático e funcional desta doença crónica; • a utilização de vacinas anti-alérgicas, por médicos especialistas com experiência na sua aplicação, em casos criteriosamente seleccionados. (informação gentilmente cedida pelo Dr. Mário Morais de Almeida)

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Clínica

Foto Hannamonik l Dreamstime

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Um estudo revelou que 60 por cento das casas apresentam valores de poluição acima dos parâmetros considerados normais.

Dentro de casa: perigo eminente Ambientadores, alcatifas, insecticidas e mesmo algumas tintas podem atribuir aspecto acolhedor aos espaços fechados, mas estes elementos encerram em si um forte potencial poluidor. “Costuma dizer-se que dentro dos edifícios a qualidade do ar ainda é pior do que no exterior”, frisa o dirigente da Quercus.“Nas últimas décadas tem-se assistido a uma crescente prevalência de doenças respiratórias,principalmente nas populações urbanas, o que pode estar amplamente associado a factores existentes no interior das habitações”, explica Mário Morais de Almeida que, em 2008, integrou a equipa de investigação da qualidade do ar nas habitações. O estudo HabitAr,resultado de uma parceria entre o Instituto UCB de Alergia e a SPAIC, revelou que 60 por cento das habitações apresentavam valores de poluição acima dos limites normais,o que poderá ter consequências, por exemplo, ao nível do aparelho respiratório. Estima-se que 90 por cento do dia-a-dia das pessoas seja passado dentro de uma habitação.Tempo suficiente para,em contacto com poluidores, desenvolver alergias.

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Alergias precisam de diagnóstico

cente da lei permitiu reduzir o fumo passivo

As alergias e problemas respiratórios estão cada vez mais associados ao ambiente e

nos locais públicos, os recém-nascidos e as crianças precisam de ser protegidos do

sua degradação. Neste âmbito, Mário Morais de Almeida aponta a principal dificul-

fumo do tabaco, nomeadamente no seu domicílio, uma vez que os autores são unâni-

dade no controlo da doença. “Continua a existir um problema de falta de diagnós-

mes em responsabilizar os pais pela exposição tabágica passiva na criança. Mas,

tico e consequente ausência de tratamento adequado”, comenta o médico,

neste caso, apenas a educação e a consciência social poderão mudar atitudes”.

sobre umam situação patológica que afecta mais de um terço da população

O acompanhamento estatístico e epidemiológico do consumo do tabaco em Portu-

portuguesa. Desde logo, a pessoa muitas vezes não associa, por exemplo, comichão no nariz, espirros, nariz tapado, tosse, falta de ar, chiadeira no peito e muito cansaço a esta doença que se“caracteriza por respostas exageradas do organismo humano após o contacto com o ambiente que nos rodeia”, afirma o alergologista. A genética e o factor hereditariedade desempenham um papel importante na transmissão da doença, o que torna ainda mais preocupante o aumento significativo do número de alérgicos. Assim, Mário Morais de Almeida deixa algumas recomendações para diagnosticar e controlar as alergias (ver caixa “Dicas para o médico).

gal revelou que, desde a entrada em vigor da lei, cinco por cento dos fumadores deixaram de fumar e 22 por cento diminuíram o consumo; já 94 por cento dos cidadãos consideram que a lei protege o cidadão.

Tabagismo O fumo do tabaco poucas vezes é referido como um poluente e ainda menos se fala do efeito nocivo do tabaco para os alérgicos, “talvez o mais importante factor irritativo para as vias aéreas” conduzindo ao “aumento do risco para o aparecimento de asma e infecções respiratórias”, comenta Mário Morais de Almeida. A Lei do Tabaco, em vigor desde de 1 de Janeiro de 2008, veio melhorar o ambiente e a saúde da sociedade em geral.A proibição de fumar em espaços públicos fechados contribuiu para a melhoria das condições de trabalho, sobretudo nos estabelecimentos hoteleiros, e para a redução do número de fumadores. Num artigo que escreveu para a SM (ver ed. 533), o presidente da SPAIC lembrou, no entanto, que “se a aplicação re-

Verdades e ideias feitas Quando se fala de radiações e alergias muitos são os mitos em torno destes factores. A SM foi tentar perceber o que se diz sobre estes factores que podem não corresponder à verdade. Segundo Mário Morais de Almeida, é generalizada a ideia que um asmático, ou doente alérgico, não pode praticar exercício físico.

NÚMEROS

25 por cento da população apresenta queixas de rinite

10 por cento da população tem asma

10 por cento tem eczema atópico

20 por cento dos portugueses têm alergia alimentar

5 por cento estão sensibilizados a venenos de insectos (vespas ou abelhas) (Fonte: SPAIC)

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AV VIDA IDA É MAIS MAIS QUE QUE UMA UMA G GOTA OTA

RECOMENDAÇÕES PARA UM AR MELHOR - Ventilar e controlar a humidade; - Aspirar regularmente o colchão e lavar as almofadas e a roupa da cama a 60º; - Evitar revestimentos em alcatifa, mobílias acolchoadas, reduzir o número de peluches; - Limpar o pó com pano humedecido e aspirar a casa com aparelho equipado com filtro de alta eficiência; - Evitar que animais domÊsticos frequentem os quartos de dormir; - Reduzir a actividade no ambiente exterior, particularmente em åreas de elevada polinização e no início da manhã;

Flavoxato

- No carro, viajar com as janelas fechadas e usar Ăłculos fora de casa;

AntiespasmĂłdico do tracto urinĂĄrio

- Evitar o uso de produtos quĂ­micos, por exemplo recorrendo a tintas ecolĂłgicas;

EFICAZ E FIC AZ 2

- Não utilizar ambientadores e insecticidas; - Utilizar plantas naturais, pois ajudam a fixar os poluentes, mas não Ê recomendåvel colocå-las no quarto. (informação gentilmente cedida pelos Drs. Mårio Morais de Almeida e HÊlder Spínola)

Ora, “cumprindo um plano adequado proposto pelo seu mĂŠdico, o asmĂĄtico pode e deve praticar desportos ou outra actividade fĂ­sicaâ€?, comenta o especialista. Este explica contudo que “a prĂĄtica de desporto ao ar livre nos dias frios de Inverno pode agravar a asma, pela exposição ao ar frio; tal como se o doente for alĂŠrgico a pĂłlenes, nĂŁo ĂŠ aconselhĂĄvel frequentar locais onde exista muita vegetação, durante a Primavera, sobretudo nos dias secos e ventosos e durante a manhĂŁ, pois a carga polĂ­nica, na atmosfera, ĂŠ muito mais elevada. O mesmo se aplica aos altos nĂ­veis de poluição, quer no ar interior quer exteriorâ€?. As alergias passarem com a idade ou serem factores pontuais sĂŁo comentĂĄrios que tambĂŠm nĂŁo correspondem Ă  verdade. NĂŁo tendo cura, o controlo eficaz dos sintomas alĂŠrgicos ĂŠ possĂ­vel, conseguindo assim uma boa qualidade de vida, diz o mĂŠdico. JĂĄ em relação Ă s radiaçþes electromagnĂŠticas emitidas, por exemplo, por telemĂłveis e antenas de comunicaçþes as opiniĂľes dividem-se. A Quercus deixa algumas sugestĂľes, tais como utilizar o aparelho mĂłvel o mais afastado possĂ­vel do corpo ou nĂŁo dormir com ele na cabeceira.

semana

RĂ PIDO ACTUAR R Ă PIDO DO A A C TUAR 2 TOLERADO BEM MT OLERADO 2 AUMENTA CAPACIDADE RETENĂ‡ĂƒO A UMENT TA A C APACIDADE DE R ETENÇ Ç ĂƒO 2 RESUMO DAS CARACTERĂ?STICAS DO D MEDICAMENTO MEDICAMENTO 1. NOME DO MEDICAMENT MEDICAMENTO: AMENTO: UrispĂĄs, OMPOSIĂ‡ĂƒO QUALIT TATIV VA E QUANTIT TATIV VA: 200 mg de 200 mg, comprimidos revestidos. 2. COMPOSIĂ‡ĂƒO QUALITATIVA QUANTITATIVA: Cloridrato de Flavoxato. . 3. FORMA F FARMACĂŠUTICA: A ARMACĂŠUTICA : Comprimido revestido. 4. 4 INFORMAÇÕES 4.1. Indicaçþes terapĂŞuticas icas: T ratamento de disĂşria, urgĂŞncia miccional, cional, nictĂşria, dor CLĂ?NICAS: 4.1. terapĂŞuticas: Tratamento suprapĂşbica e incontinĂŞncia, que acompanham mpanham afecçþes da bexiga e da prĂłstata, a, tais como cistite, cistalgia, prostactite, uretrite, uretrocistite, tite, uretrotrigonite. Tratamento Tratamento sintomĂĄticoo antiespasmĂłdico d vias i urinĂĄrias i ĂĄ i associado i d a cateterismo, t t ismo, intervençþes i t Ăľ cirĂşrgicas iĂş i e citoscopia. itoscopia. Estados E t d espĂĄsticoĂĄ ticodas dolorosos das vias genitais femininas: algia pĂŠlvica, dismenorreia, hipertonia e disquinĂŠsia disquinĂŠsia uterina. 4.2. Posologia e modo de administração: ação: Adultos: Um comprimido revestido trĂŞs rĂŞs a quatro vezes ao dia. NĂŁo estĂĄ indicado em crianças as com idade inferior a 12 anos. 4.3. Contra-indicaçþes: ontra-indicaçþes: Hipersensibilidade ao Cloridrato de Flavoxato, avoxato, ou a qualquer dos excipientes. Obstrução bstrução pilĂłrica ou duodenal, lesĂŁo intestinal obstrutiva, hemorragia h gastro-intestinal, acalasia e uropatias opatias obstrutivas do trato urinĂĄrio inferior gravemente descompensadas. scompensadas. 4.4. AdvertĂŞncias e precauçþes auçþes especiais de utilização: Precauçþes em situaçþes Ăľes de glaucoma e gravidez (particularmente ente 1Âş trimestre). Se houver sintomas de infecção urinĂĄria, nĂĄria, fazer antibioterapia e eventual urocultura. rocultura. ContĂŠm tosas e outras formas de interacção: NĂŁo ĂŁo sĂŁo conhecidas lactose. 4.5. Interacçþes medicamentosas interacçþes. Eventuais interacçþes tĂ­picas dos anticolinĂŠrgicos 4.8. Efeitos os indesejĂĄveis: NĂĄusea e vĂłmito, boca seca, nervosismo,vertigem, ismo,vertigem, dor de cabeça, tontura, visĂŁo visĂŁo turva, tensĂŁo ocular aumentada,perturbaçþes na acomodação comodação ocular, ocular, confusĂŁo mental, disĂşria, Ăşria, taquicardia e SDOSLWDomR KLSHUSLUH[LD SDOSLWDomR KLSHUSLUH[LD HRVLQRÂżOLD H OHXFRSpQLD OHHXFRSpQLD XP FDVR TXH IRL UHYHUVtYHO DSyV DSyyV GHVFRQWLQXDomR GR IiUPDFR  SRGHP RFRUUHU UHDFo}HVV DQDÂżOiFWLFDV HGHPD DQJLRQHXUyWLFR XUWLFiULD XUUWLFiULD H RXWURV H UHDFo}HV JHQHUDOL]DGDV DWp FKRTXH DQDÂżOiFWLFR D 10. DA TA DE REVISĂƒO DO TEXT O Setembro DATA TEXTO 2008. Regime de Comparticipação: EscalĂŁo C - 37%. Para mais informaçþes deverĂĄ d contactar o T itular da Autorização de Introdução noo Mercado Titular (1) RRCM CM do pr produto oduto (2) FFehrmann-Zumpe ehrmann-Zumpe et al sing FFlavoxate lavoxate as PPrimary rimary M edication ffor or PPatients atients fr om Ur gee al.. U Using Medication from Urge SSymptomatology ymptomatology IInt nt Ur ogynecol. J (1999) 10:91-95 1-95 Urogynecol. Jaba R Jaba Recordati ecordati S S.A. .A. L agoas P ark Lagoas Park E difĂ­cio 5 orre C P iso 3 EdifĂ­cio 5,, T Torre Piso Porto 2740 - 298 Po rto o Salvo Tel.: 21 432 95 00 Fax: 21 915 19 30

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- Manter as janelas fechadas quando as contagens de pĂłlenes forem elevadas, particularmente em dias de vento forte, quentes e secos;


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Destaque Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama

Partilhar conhecimento, sentimentos e vida As dificuldades pautam esta associação sem fins lucrativos.Contudo,oprazerdeajudaropróximo em regime de voluntariado parece vencer barreiras. A Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) derruba fronteiras há onze anos para ajudar as mulheres com patologia mamária. A prevenção, a formação de profissionais e o apoio a familiares inserem-se na lista de actividades da APAMCM, que, neste momento, reúne fundos para reabilitar umespaçocedidopelaCâmaraMunicipal de Lisboa e, assim, fundar nova sede. A SEMANA MÉDICA falou com a presidente, Verónica Albuquerque Rufino, para melhor perceber a APAMCM. Texto Sara Pelicano Fotos Rui Velindro

Um sorriso rasgado que contrasta com o dia cinzento e chuvoso que faz em Lisboa. Verónica Albuquerque Rufino aparece à hora marcada na redacção da SEMANA MÉDICA. O motivo de conversa enche-lhe a alma de orgulho e felicidade. Falaremos da associação que nasceu do seu espírito voluntário e da sua vontade de dar mais e melhor aos doentes oncológicos, em particular, às mulheres com cancro da mama. Em 1998, a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) ganhou vida e sobrevive, nem sempre da melhor forma, passados onze anos. A sua experiência como fisioterapeuta no Instituto Português de Oncologia

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de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa), e o voluntariado, no mesmo hospital, deu-lhe acesso ao conhecimento das necessidades dos doentes. Percebeu, aqui, que em momentos difíceis a fragilidade é muita e que o doente precisa de muito mais do que o diálogo de partilha de experiências. “Percepcionei que era precisa uma associação de profissionais de saúde, porque o doente precisa mais do que do depoimento directo de outro doente”, comenta. A conversa já flui e ainda mal nos instalámos. O que a move? De repente mudo o rumo da entrevista e antes de explorar a associação, conheço a minha entrevistada: Verónica Albuquerque Rufino, presidente da

APAMCM. “O que me toca é o amor pelos doentes. É o que me motiva. O voluntariado faz parte da minha vida”, responde sem pestanejar. A APAMCM vai beber a este espírito e desenvolve o seu trabalho em diversificadas linhas de actuação: Formação, consultas e apoio psicológico são algumas das áreas de intervenção. Um trabalho desenvolvido por 46 voluntários, profissionais de saúde sem patologia, porque na associação o doente é a figura central sobre a qual devem recair todas as atenções. Nem sempre é fácil esquecer que também se é, ou foi, doente e assumir que naquele momento se é o profissional e não o doente. Verónica explica assim a

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razão porque os profissionais são “sem patologia”. “Achamos que é difícil uma pessoa que já foi doente agora sentar-se numa secretária e esquecer que já não é ela a paciente”, comenta a fisioterapeuta. No entanto, continua a nossa interlocutora, “nos grupos de auto-ajuda há uma psicóloga que também tem a patologia. Neste caso, não é considerada uma ‘intrusa’”. É mais uma do grupo.

contam-se o ensino do auto-exame da mama e a distribuição de folhetos informativos. “Na formação, temos a vertente de educar e ensinar a comunidade. E ao fazê-lo estamos a entrar no campo da prevenção”, revela a entrevistada. Verónica Albuquerque Rufino acrescenta: “O rastreio não começa só na mamografia aos 40 anos. É importante ter um conhecimento de si próprio. As formações são

“O que me toca é o amor pelos doentes. É o que me motiva. O voluntariado faz parte da minha vida”

A proximidade com a comunidade A área de intervenção da APAMCM é alargada. “Temos duas vertentes: A da formação e a da prestação de cuidados de saúde”, conta Verónica Rufino. A comunidade em geral é a primeira a beneficiar da formação da associação. As acções de sensibilização promovidas pela APAMCM têm o objectivo de alertar para hábitos de vida saudáveis e para a importância do auto-exame para um diagnóstico precoce da patologia. Entre as acções de sensibilização para o público

para a própria cidadã que, deste modo, acaba por tomar consciência da realidade. Se estiver informada sabe melhor como se defender e a quem recorrer”.

Formar profissionais A Estrutura de Formação da APAMCM é uma das mais relevantes fontes de rendimento da associação. O objectivo formativo é dotar os profissionais de saúde de todo o país de conhecimentos que possam contribuir para o diagnóstico precoce e para a recuperação da mulher com pato-

PERFIL Verónica Albuquerque Rufino nasceu, no Porto, a 9 de Abril de 1951. Aos 58 anos, está reformada e dedica-se a tempo inteiro ao voluntariado, actividade que ocupa parte dos seus dias desde os 12 anos. Da mãe pintora, terá herdado a sensibilidade para o que a envolve. Chegou mesmo a ingressar na faculdade de belas artes,“mas não era aquilo que queria”, conta divertida. Passou então para História da Arte. “Mas ainda não era dessa”, continua. Passou para as ciências exactas, frequentou o curso de biologia durante três anos. Em 1973, ingressou então no curso de medicina física e de reabilitação, tendo concluído esta formação em 1978. A carreira profissional fez-se no IPO de Lisboa e, em 1982, foi nomeada coordenadora do serviço de medicina física e de reabilitação. Na mesma entidade, continuou a fazer voluntariado, na acção Vencer e Viver. Mas do espírito voluntário lembra-se desde sempre: “Fui interna no Colégio das Doroteias, em Lisboa, e logo aí comecei a fazer voluntariado com as freiras”, comenta.

Afisioterapeutaévoluntáriadesdeos12anos.Preside à APAMCM desde a sua fundação, em 1998. Dentro de doisanosprevêpassarapastaàsgeraçõesmaisnovas. logia mamária. “Achamos importante partilhar o conhecimento, estamos cá para isso. Os médicos especialistas sensibilizam o médico de medicina geral e familiar, por exemplo, para que este tome conhecimento da associação e saiba para onde pode reencaminhar a doente. Muitas vezes, os centros de saúde não têm consulta de ginecologia ou fisioterapia, e o doente pode encontrar estes serviços connosco”, explica Verónica. “Se o médico de medicina geral e familiar estiver mais elucidado sobre as várias técnicas é mais fácil encaminhar”, assegura. O trabalho é desenvolvido em equipa, sem ultrapassar os limites das competências de cada um. A presidente da associação conta: “Não há sobreposição de trabalho. Sabemos o que cada um faz para poder encaminhar o doente. Há uma constante actualização do saber dos profissionais fora dos grandes centros urbanos, para que não haja necessidade premente do utente vir à capital para ter acesso a determinados cuidados. Se nos contactam, imagine, do Norte, nós podemos recorrer à nossa base de dados e dizer: ‘Olhe em tal sítio, perto da sua residência, tem

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Verónica Rufino lamenta que as associações de apoio à mulher com cancro, maioritariamente associações de doentes, estejam de costas voltadas e não partilhem o conhecimento. um excelente fisioterapeuta ou enfermeiro’. Indicamos um bom profissional na sua área”.A Estrutura de Formação é uma entidade for- madora acreditada pela DGERT – Direcção Geral do Emprego e das Relações no Trabalho. Entre as várias formações, destacam-se temas como Curso Intensivo de Português na Saúde, Curso de Especialização Drenagem LinfáticaTe-

Um percurso nem sempre floreado

urgente de reabrir a sede, o fundamental

“Nem tudo são rosas”. Esta é uma das frases que pauta a conversa com Verónica Albuquerque Rufino, que dentro de dois anos prevê deixar a presidência da associação. “Ao fim de onze anos chegou a altura de alguém continuar a obra” e também “está na altura de outros arcarem com as responsabilidades e adversidades” que estão intrínsecas à presidência de uma institui-

é assegurar que o espaço tenha “as condi-

ção como a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. Di-

guas e Administração (ISLA), espalhadas

ficuldade é palavra cimeira no dicionário de uma associação sem fins lucrativos, que

trabalho, pelo menos aquele que é essen-

deixou de ter cotas porque estas não eram pagas pelos associados, que vive do mecenato e cujo valor cobrado na futura consulta de ginecologia servirá apenas para pagar os consumíveis utilizados na prática da especialidade. Perante este cenário, questiono se é sempre fácil manter vivo o espírito dos 46 voluntários. Verónica prende o olhar na janela. Continua a chover. “Sabe, os voluntários têm todos a sua actividade profissional. Trabalham nos seus hospitais, o que os mantém activos. O facto de estarmos sem sede apenas implica que se diri-

gico. Recentemente, a Câmara Municipal

“Temos duas vertentes: A da formação e a da prestação de cuidados de saúde” rapêutica e Curso Intensivo de Inglês na Saúde. A APAMCM organiza ainda, anualmente, simpósios. Nestas sessões de debate, reúnem-se profissionais para discutir temáticas como o HPV, o Colo do Útero e a Vulva e o Linfedema Pós Cirúrgico ao Cancro da Mama. O

jam a espaços físicos diferentes.Por exemplo, os fisioterapeutas sabem que, por agora,

ano de 2009 fica marcado pela ausência do simpósio, porque as atenções estão voltadas

cuidados”.

para a reabertura da sede num espaço cedido pelo município de Lisboa. Para participar nes-

peuta gosta de ser optimista. “Sendo opti-

tas actividades basta acompanhar o site da associação, em www.apamcm.org ou entrar em contacto através do e-mail e telefone disponíveis na página da Internet.

conseguir angariar os fundos para reabrir

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têm de ir até às Amoreiras”, conta. Faz uma pausa. Aclareia a voz e acrescenta: “Quem mais sofre são os associados porque há muitos que não estão a receber todos os Quando olha para o futuro, a fisioteramista, as perspectivas agora passam por a sede e, então, recomeçar toda a actividade terapêutica e formativa”, conta, re-

ções de saúde” adequadas a uma instituição que exerce prática clínica.

APAMCM no Facebook O Colégio das Doroteias pediu a sala onde a APAMCM tinha sede. Deste modo, desde 30 de Setembro, a associação conta com umas salas cedidas pelo Instituto Superior de Línpela cidade de Lisboa, para continuar o seu cial, como a fisioterapia e o apoio psicolóde Lisboa cedeu um espaço de uma antiga escola. “O problema é que está em más condições”, refere a nossa interlocutora. A APAMCM criou então um grupo na rede social Facebook para divulgar a necessidade de fundos para reabilitar o novo espaço e, assim, dar continuidade ao trabalho da associação. “Até ao momento já reunimos 65 mil euros”. O lema da associação é: “Se 183.000 portugueses derem um euro conseguem-se os 183.000 euros”, o valor necessário para a reabilitação da sede.

UMA PATOLOGIA A CRESCER De acordo com a Liga Portuguesa de Luta contra o Cancro, surgem todos os anos 4500 novos casos de cancro da mama, que acabam por vitimar 1600 mulheres. A incidência do carcinoma da mama em Portugal continua a aumentar, sendo a primeira causa de morte por cancro entre as mulheres. O presidente da liga, Vítor Veloso, considera que a doença vai ter ainda um “aumento exponencial a nível mundial nas próximas duas décadas”. Este aumento dever-se-á, segundo o mesmo responsável, aos estilos de vida, mas também ao aumento da esperança de vida, explicou.

forçando que, apesar da necessidade

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Destaque Hospital Cuf Infante Santo completou 65 anos de actividade

“O privado não pode ser um saco onde cabem todos os descontentes do público” A afirmação é do director clínico do Hospital Cuf Infante Santo, João Paço. Na comemoração dos 65 anos do primeiro hospital privado do País, o especialista fala do futuro do hospital e do sistema de gestão financeira do sector privado, da capacidade para tratar patologias graves e da entrada de médicos do serviço público no sistema privado. Texto Sara Pelicano Foto Rui Velindro

Há 20 anos a trabalhar no Hospital Cuf Infante Santo, o otorrinolaringologista João Paço assumiu a direcção clínica da unidade há quatro anos. Do 65º aniversário do primeiro hospital privado português, o médico faz um balanço positivo, perspectivando para o futuro da instituição a criação de centros médicos especializados. Em entrevista à SM, afirmou que nos privados há já uma cultura de gestão financeira, que começa agora a ser aplicada no sector público. No passado dia 14 de Junho, o Hospital Cuf Infante Santo, do qual é director clínico, comemorou 65 anos de existência. Qual o balanço que faz da actividade do hospital? Sou director clínico há quatro anos e meio. O balanço da actividade deste hospital, desde que foi criado, é extraordinariamente positivo. Este hospital, o mais “velhinho dos

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velhinhos”, tem algumas particularidades. Temos ainda as instalações onde tudo começou, no antigo Palácio Sassetti. Temos uma entrada nova que dá acesso à extensão feita ao palácio e, por fim, temos o edifício da Avenida Infante Santo, que tem dez andares, todos cheios com várias clínicas. Praticamente cobrimos todas as especialidades. É uma evolução muito positiva e que tem acompanhado o fenómeno da Medicina em Portugal. No próprio Grupo Cuf existe uma evolução tremenda. Mas os grupos “rivais” também têm evoluído. Houve uma alteração da Medicina em Portugal, que tradicionalmente era constituída por médicos que estavam no hospital público durante a manhã e de tarde iam para os consultórios privados. Isto mudou. Temos médicos neste hospital a tempo inteiro. É esse fenómeno que está a acontecer que

nem sempre é reconhecido, nomeadamente pelas entidades governativas. Não existe um Serviço Nacional de Saúde, existe um sistema nacional de Saúde. Desde o início que o hospital quer destacar-se pela modernidade e responsabilidade social. Pode dar-nos alguns exemplos destes aspectos? A modernidade e responsabilidade social aparecem juntas, por aquilo que foi feito pelo Senhor Alfredo da Silva, que tinha um império e muitas pessoas a trabalhar para ele que precisavam de ter cuidados hospitalares. No Barreiro tiveram um infantário, um dos primeiros locais de aleitamento de crianças e, finalmente, fizeram um hospital que tinha responsabilidades sociais, que eram as mesmas do grupo Cuf. Recordo-me que quando aqui cheguei, há 20 anos, ainda existiam desses doentes.

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Relativamente à modernidade, de facto o hospital sempre se pautou por, por exemplo, ter o primeiro TAC de Lisboa. Neste momento, continuamos a tentar manter esses objectivos e temos, por exemplo, uma gama única no País, que permite tratar doentes neurológicos com tumores cerebrais com uma precisão única. Há sempre esta preocupação de ter qualquer coisa de novo. Não só do ponto de vista médico, mas também do ponto de vista dos equipamentos. Pensamos sempre no futuro e adaptamo-nos às novas realidades. Qual o perfil do vosso utente? Apesar de todas as mudanças que tem havido, continuamos a ter cerca de 20 por cento de doentes privados, sem seguro de saúde. Existe também uma tradição familiar: já vinha aqui o avô, depois o filho e por aí. Vêm aqui porque já conhecem a enfermeira, porque já tratou do pai ou do avô. Conhecem o sítio. Mas a grande revolução, neste e noutros hospitais privados, são os seguros de saúde. Os doentes com seguros de saúde ocupam cerca de 80 por cento do nosso grupo de doentes. Este hospital, no ano passado, viu cerca de 150 mil doentes e fez perto de dez mil cirurgias. Temos 150 camas e dez salas de operações. O nosso target é a cirurgia. Tem-se a ideia que os hospitais privados são só para quem tem poder económico. Considera que ainda é assim? Acho que não. Os seguros de saúde mudaram um pouco essa ideia. As pessoas com grande poder económico muitas vezes nem se tratam no nosso país, vão tratar-se lá fora. Embora nós, em Portugal, façamos também um trabalho com excelente qualidade. Quanto aos seguros de saúde, verificamos que muitos são de empresas. Os funcionários têm seguros de saúde da empresa que abrange também a família. Tratam desde o porteiro até ao quadro médio e alto.

É um dos mentores do Laboratório de Voz, a primeira unidade hospitalar deste tipo do País. Pode falar-nos do trabalho deste laboratório? O Laboratório de Voz não será o único no País, existem unidades para tratamento da voz em muitos locais. O nosso distingue-se pelo equipamento, pela abordagem multidisciplinar e pela qualidade, não só dos médicos como das terapeutas da fala. Poucos laboratórios têm os médicos dedicados a tempo inteiro àquela área da voz como nós temos. Fazemos uma abordagem da voz de forma morfológica, mas também uma decomposição do movimento da mucosa vocal; de tal maneira que doentes que nos exames normais aparentemente não têm nada acabam por ser diagnosticados pelos nossos especialistas, devido à qualidade e precisão dos nossos testes. Estamos dedicados a profissionais de voz, da rádio, da televisão, a políticos e a pessoas que desempenham funções em empresas e utilizam muito a sua voz. É um espaço de diagnóstico e tratamento. O laboratório insere-se na Unidade de Otorrinolaringologia, que é a única privada a obter um reconhecimento pela Ordem dos Médicos em termos de capacidade formativa para ter internos da especialidade de Otorrinolaringologia. Ainda

O director clínico do Hospital Cuf Infante Santo acredita que as infra-estruturas e as oportunidades de trabalho são alguns dos elementos que conquistam os médicos para o sector privado. não recebemos nenhum porque a senhora ministra da Saúde entendeu que não eram necessárias as nossas prestações, se bem que tenhamos o gabarito de ter médicos “high-tech”, como foi dito, e altas performances, que têm sido reconhecidas até mais pela Academia Americana – temos três prémios da Fundação da Academia Americana.

UMA NOVA CASA Quais os projectos previstos para os próximos anos? O grande projecto será o hospital novo. Tem havido um grande esforço da José de Mello em manter estas instalações actualizadas, mas temos um grande problema de estacionamento. Não oferecemos estacionamento, estamos envolvidos num casco urbano antigo que não permite mexer e fazer escavações. Atrás deste desafio virá outro: que as equipas médicas acompanhem este desafio e ainda o aparecimento de novas áreas, como centros de memória, estética facial, aumento de cuidados de imagiologia. Estes são objectivos “pesados”, que obrigam a fazer muito bem as contas, mas que a curto trecho serão realizáveis.

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FRASES Mas não quero monopolizar a conversa à Otorrinolaringologia, porque existem outras áreas muito boas dentro deste hospital. A Neurocirurgia é óptima, temos dos melhores neurocirurgiões do País, temos uma unidade vascular que é muito boa, temos várias unidades, como Oncologia e o Centro do Pulmão, em que nos distinguimos bastante. Em sua opinião, quais são os principais desafios da Medicina, hoje em dia? Cada vez há menos cirurgias e a imagiologia é mais avançada. A imagem está muito avançada. E depois há a imagiologia de intervenção, não só ao nível cerebral mas também cardíaco, ao nível dos vasos. Tudo isso vai evoluir e a cirurgia vai perder um pouco. Em termos cirúrgicos, caminhamos para a cirurgia de um dia só, menos evasiva. Por outro lado, como os doentes estão a viver cada vez mais, temos de pensar em centros de memória e centros da locomoção. Devemos adaptar-nos e o que temos a fazer é, por exemplo, não tratar o

“Temos médicos neste hospital a tempo inteiro. É esse fenómeno que está a acontecer que nem sempre é reconhecido, nomeadamente pelas entidades governativas. Não existe um Serviço Nacional de Saúde, existe um sistema nacional de Saúde” “Este hospital, no ano passado, viu cerca de 150 mil doentes e fez perto de dez mil cirurgias. Temos 150 camas e dez salas de operações. O nosso target é a cirurgia” “Os hospitais privados, hoje em dia, têm capacidade para tratar casos gravíssimos. O problema é o plafond económico [dos seguros de saúde]” “Como os doentes estão a viver cada vez mais, temos de pensar em centros de memória e centros da locomoção. Devemos adaptar-nos e o que temos a fazer é, por exemplo, não tratar o Alzheimer, mas antecipar a doença” “Não se pense que a cultura de gestão financeira é só dos médicos. Esta cultura tem de começar numa ponta do hospital e acabar na outra” “A grande revolução, neste e noutros hospitais privados, são os seguros de saúde. Os doentes com seguros de saúde ocupam cerca de 80 por cento do nosso grupo de doentes” “O privado só vai aproveitar os [médicos] que derem rendimento. Contrata-se o cirurgião que traga atrás de si cem ou duzentas cirurgias por ano” (Fonte: João Paço)

Alzheimer, mas antecipar a doença. Viver na antecipação. A estética facial é também um desafio.

Segundo o médico, o hospital dispõe de uma gama de equipamentos “única no País, que permite tratar doentes neurológicos com tumores cerebrais com uma precisão única”.

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Como encara as medidas adoptadas pelo Governo para reduzir custos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde? Muito daquilo que o Governo está a tentar fazer é aquilo que já fazemos. Não quero estar a fazer uma análise, mas o certo é que deixaram “escorregar” e hoje em dia o custo da Saúde em Portugal é incomportável. Não há dinheiro, tem de se arranjar uma forma de mudar a situação. As medidas agora adoptadas são já praticadas por nós. Eu assisti ao crescimento deste hospital e, aqui, as “continhas” são sempre muito bem organizadas, tudo tem de ser contabilizado e depois as pessoas são responsabilizadas.

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Os hospitais privados, como o que dirige, têm uma maior cultura na gestão financeira do que o serviço público. Que medidas praticam? Em primeiro lugar, não se pense que a cultura de gestão financeira é só dos médicos. Esta cultura tem de começar numa ponta do hospital e acabar na outra, toda a gente tem de ter essa cultura e depois ser responsabilizada. Temos de nos interrogar: será que há médicos a mais? Enfermeiras a mais? Será que há a menos? Considera que pode haver uma fuga ainda maior dos profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o sector privado, sobretudo se o Governo optar cada vez mais pelos contratos individuais de trabalho? Os médicos fogem de um lado para o outro por dois motivos: económicos e por condições de trabalho. Os contratos individuais de trabalho são aquilo que eles vão encontrar no privado. O privado não pode ser um saco onde cabem todos os descontentes do público. O privado só vai aproveitar os que derem rendimento. Contrata-se o cirurgião que traga atrás de si cem ou duzentas cirurgias por ano. Face às suas características, que mais-valias um hospital privado pode oferecer a um médico, por comparação com o sector público? As condições de trabalho e a hipótese de desenvolver ideias. Por exemplo, a responsável do laboratório de voz é uma pessoa que não tem 40 anos e que desistiu do sector público para se dedicar ao privado porque nós lhe oferecemos a hipótese de se dedicar àquela área. É esta facilidade de criação de novas áreas que provavelmente é mais

João Paço defende que uma boa gestão hospitalar é feita por todos os funcionários. aliciante no privado, relativamente ao público, para além da maquinaria, das instalações. Há quem diga que os privados recebem sobretudo casos de rotina, que os casos mais graves continuam a ser tratados no público, pelo que, para ganhar realmente experiência, um médico tem de passar pelo SNS. Concorda? É verdade e não é verdade. Os hospitais privados, hoje em dia, têm capacidade para tratar casos gravíssimos. O problema é o plafond económico. Muitos

desses nossos doentes têm seguro de saúde, se acabar o plafond o doente não tem envergadura económica para aguentar o tratamento de, por exemplo, quimioterapia e radioterapia. É nisto que o público vai ter depois de suprir. As pessoas descontam para a Segurança Social e muitas, paralelamente, têm seguro de saúde. Ou seja, descontam em duplicado. Não há um favor do público quando recebe estes doentes. O público tem de aceitar as pessoas porque elas descontaram a vida inteira para receber aqueles cuidados.

OS PRIMÓRDIOS DO HOSPITAL CUF A 10 de Junho de 1945 foi inaugurado o Hospital Cuf Infante Santo, dando seguimento a um trabalho de responsabilidade social já empreendido pelo grupo CUF (Companhia União Fabril). A empresa prestava auxílio aos trabalhadores, criando postos médicos, farmácias, habitações, escolas. Em 1940, foi criada a Caixa de Previdência do Pessoal da CUF e Empresas Associadas, com o objectivo de coordenar os serviços de assistência existentes nas empresas. Em 1943, foi inaugurado o Centro de Medicina do Trabalho e Higiene Industrial, seguindo-se, dois anos depois, a inauguração do Hospital CUF, que prestava assistência a todos os empregados do Grupo CUF e familiares (cerca de 80 mil pessoas). (Fonte: www.josedemello.pt)

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