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Revista do Comando-Geral do Ar

Nº 01 - Janeiro 2000

Embraer

Guerra Eletrônica: “Quo Vadis?” Banco de Dados Corporativos Base para GE Análise Operacional Missile Approach Warning Systems ○


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SECOS da Rohde & Schwarz Sistema de Comunicações Seguras para as três Forças Armadas

Possui um sistema integrado de COMSEC/ TRANSEC em VHF/UHF que foi desenvolvido visando o seu emprego em Guerra Eletrônica e com as seguintes características:

Ao planejar sistemas de comunicações seguras, devem ser consideradas as ameaças presentes, bem como as ameaças que podem ser previstas para o futuro. A Rohde & Schwarz é líder na tecnologia de transmissões resistentes a contra-medidas eletrônicas (CME) e o único fornecedor em condições de oferecer cinco tipos diferentes de sistemas de MPE: SECOS, HAVE QUICK I/II, SATURN, SECOM H e SECOM V.

Radiocomunicações modernas são um elemento essencial no comando e controle de forças armadas. Para proteger as comunicações contra interceptação e bloqueio, são necessários equipamentos dotados de recursos de MPE (Medidas de Proteção Eletrônicas) que evitam tividades hostis, por meio do emprego de vários métodos eficazes de proteção. Esses métodos incluem COMSEC - criptografia de voz e dados - e COMSEC/ TRANSEC -transmissão de voz e dados criptografados aliada ao emprego de salto em freqüência.

nem o sincronismo nem outras assinaturas/ padrões podem ser detectados nenhuma freqüência predefinida é usada para o sincronismo e transmissão de dados o procedimento de sincronismo é resistente a bloqueio, mesmo com até 30% das freqüências bloqueadas a tecnologia de “stream cipher” é utilizada como método de criptografia em COMSEC e em TRANSEC seu algoritmo possibilita a entrada tardia na rede (“late-entry”).

O sistema SECOS (“Secure ECCM Communication System”), adotado recentemente para emprego pela Força Aérea Brasileira, foi projetado a partir de uma análise de ameaças e é capaz de se contrapor tanto a cenários atuais como a cenários futuros de CME.

Os transceptores SECOS possibilitam comunicações de voz em linguagem clara (em AM), bem como comunicações de voz e de dados em COMSEC (em FM) e COMSEC/ TRANSEC (em FM). A interoperabilidade com rádios convencionais é garantida tanto no modo COMSEC (“Plain Override”) quanto no modo COMSEC/TRANSEC (“Hailing”). A característica de “break-in” possibilita que uma estação transmissora SECOS seja interrompida para receber uma mensagem de alta prioridade.

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Spectrum como, os helicópteros TIGER e NH90. Futuras aplicações da série 6000 podem incluir outras plataformas tais como F-16, Mirage 2000, MIG-29, HAWK, AL-X (EMBRAER), helicópteros Apache, Puma e Gazelle, e transportes tais como FLA, Hércules C-130 e CN-235. A Rohde & Schwarz dispõe de kits de “retrofit” para substituir praticamente qualquer transceptor de aeronave, do tipo AN/ARC. O desenho compacto da série 6000, bem como uma série de interfaces série e paralelo entre a unidade de controle e o transceptor, facilitam a sua integração em sistemas existentes. A versatilidade das unidades de controle também contribui para a alta flexibilidade do equipamento. Os transceptores da série 6000 são disponíveis nas versões cockpit”, “controle remoto” e “MIL-BUS”. A figura abaixo mostra a versão “cockpit”. Os transceptores SECOS das séries 400U e 6000 são, funcionalmente, 100% compatíveis.

F-117A : O Caça Invisível Gelson de Sousa Machado Junior, 3S BCO CGEGAR

O

F-117A foi a primeira aeronave de

detecção.

combate operacional projetada para explorar a tecnologia stealth.

O próprio nome “Stealth Fighter” (caça discreto, furtivo) justifica o fato desta aeronave

O desenvolvimento do F-117A começou no início dos anos 70, com experiências de al-

não ser capacitada para combates aéreos e de não possuir defesas como

gumas companhias aeroespaciais dos EUA com o intuito de iludir radares

chaff, flare, jammers, etc. O armamento é otimizado

e sistemas de defesa aérea. Em 1978, a Lockheed foi contrata-

para ataques noturnos precisos. Na frente e atrás

da para desenvolver um demonstrador avançado de

da aeronave existem sensores infravermelho

uma aeronave operacional de ataque preciso, que passou a

para detectar os alvos e guiar o armamento até

ter o nome código HAVE BLUE. A experiência adquirida nos

eles. O sistema de navegação inercial permite ao

projetos das aeronaves U-2 e SR-71 ajudou bastante e o Co-

F-117A encontrar alvos no território inimigo, mes-

mando Aerotático recebeu o primeiro F-117A em 1982. A

mo durante vôo noturno. Suas armas primárias são as bombas GBU-10

primeira unidade de combate, o 4450th Tactical Group, atin-

e GBU-27 com guiamento por laser. O F-117A foi classificado como um pro-

giu sua capacidade operacional inicial em outubro

grama “negro”. Seu desenvolvimento e produção foram altamente classificados e reali-

de 1993, num teste realizado em Nevada.

zados secretamente. Mas em 1988, a USAF mostrou ao público a aeronave e parte de sua

O F-117A emprega uma variedade de tecnologias para di-

capacidade stealth. Rumores surgiram de que a pressão que os vôos noturnos exerciam so-

ficultar sua detecção por radares inimigos. Ele é coberto por materiais absorventes radar

bre os pilotos fez com que o projeto fosse revelado, permitindo assim que os pilotos pu-

(RAM). Sua forma facetada faz com que praticamente não haja reflexão de energia de

dessem realizar os vôos à luz do dia. Em 1991, a Lockheed propôs um upgrade

volta para o radar. Um sistema de exaustão especial reduz a quantidade de calor emiti-

da aeronave existente para o F-117A+ com a troca dos motores, aumento da capacidade

da pelos motores, reduzindo assim sua assinatura infravermelho. O design interno tam-

stealth, novos sensores, comunicação com baixa probabilidade de interceptação, recep-

bém é exclusivo desta aeronave e permanece

tores GPS e um aumento do raio de ação de 570 MN para 720 MN.

em sigilo absoluto, mas acredita-se que

A performance desta aeronave é tida como excelente. Autoridades da USAF reportaram que,

materiais absorventes (RAM) sejam utiliza-

na Guerra do Golfo, os F-117A realizaram 3% do total de missões, destruindo 43% do total de

dos internamente, especialmente no motor,

alvos, sem nenhuma perda. De acordo ainda com a USAF, duas aeronaves stealth equivalem

para

a 75 aeronaves não stealth.

O 3º Sargento BCO Gelson de Sousa Machado Junior é operador radar, MAGE e foto de patrulha, concluiu o CFS em 1993 e exerce atualmente a função de analista de informações na Seção de Inteligência do CGEGAR. Possui cursos de Guerra Eletrônica (FAB) e de Monitoração em Guerra Eletrônica (EB).

Fotos: Internet

34

reduzir ○

a ○

Enlaces de dados podem ser implementados ponto-a-ponto, em “broadcast” e em TDMA (até 32 participantes e um máximo de 256 “time slots”). Em COMSEC/ TRANSEC, podem ser implementadas até 80 redes ortogonais livres de colisão (operação na mesma freqüência, ao mesmo tempo). Além disso, 1032 diferentes chaves de comunicações e 10154 diferentes chaves de estrutura podem ser definidas e associadas às 80 redes, na forma de “SECOS Data Sets”, dois dos quais podem ser gravados em cada rádio SECOS, ficando disponíveis para seleção durante a operação. Para aplicações em terra, a bordo de navios, ou a bordo de aeronaves de emprego especial, como as aeronaves do SIVAM, a Rohde & Schwarz dispõe da série 400U de rádios de VHF/UHF. Um conjunto SECOS

400U é composto de um transceptor de VHF/UHF , um processador de ECCM, respon-sável pela criptografia da voz ou dos dados, e de um preprocessador de dados (DPP) que protege os dados com um código FEC. Nas aeronaves do SIVAM, os conjuntos SECOS são controlados remotamente por Unidades de Controle Remoto, montadas nos Consoles de Operação. Para emprego a bordo de aeronaves em geral, a Rohde & Schwarz dispõe dos rádios das séries 610 (UHF), 620 (VHF/UHF) e da moderna série 6000 (VHF/UHF), os quais são empregados pelas forças armadas de vários países ao redor do mundo, em uma série de aeronaves, incluindo Tornado, F/A-18 Hornet, Phantom F4, Alpha Jet, helicópteros UH-1D e anti-tanque PAH1, e, recentemente, o “Eurofighter” TYPHOON , bem


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Expediente

Índice

Banco de Dados... Continuação da pág. 16

Comandante-Geral do Ar Ten.-Brig.-do Ar Henrique Marini e Souza Conselho Editorial Ten.-Cel.-Av. Narcelio Ramos Ribeiro Cap.-Av. Davi Rogério da Silva Castro Cap.-Av. Edson Fernando da Costa Guimarães Revisão Maj.-Av. Ari Robinson Tomazini Cap.-Av. Carlos Alberto Fernandes Colaboradores Sr. Carlos Lorch (Action Editora) Cap.-Av. Hélio Rodrigues Costa (1º/16º GAv) CECOMSAER CCSIVAM Fotografias Revista Força Aérea Projeto Gráfico e Fotolitos Tachion Editora e Gráfica Ltda. Rua Santa Clara, 552 - Vila Adyanna Tel/Fax: (12) 312-0121 / 322-4048 / 322-3374 CEP 12243-630 – São José dos Campos-SP Impressão Gráfica Itamarati SIG/Sul – Quadra 02 – lote 400 tel: 61-343-1833 – fax: 61-343-1099 CEP 70610-400 – Brasília-DF

O Piloto de Transporte na FAB -------------------- pág 6

Distribuição interna. Tiragem: 2.000 exemplares.

MAWS – Uma Nova Tendência

Guerra Eletrônica: “QUO VADIS”? ------------- pág 8

Analisando as Perspectivas da II FAe ----------- pág 11

(1) David Vaskevitch: Estratégias Cliente/Servidor, Ed. Berkeley, pág. 227. 1995.

demos constatar observando o trabalho realizado na RAF, na Armée de L´Air e em outras Forças Aéreas. O motivo é simples: atualmente não há desenvolvi-

dades operacionais que os originaram, se especialistas em condições de mon-

em Sistemas de Autodefesa para Aeronaves --------------------------------------------- pág 28

mento de sistemas voltados ao emprego da aeronáutica militar que não empre-

tar cenários - mesmo que virtuais - pudessem acompanhá-los nas fases inici-

guem os conceitos da Guerra Eletrônica.

ais do desenvolvimento. Modificações que atrasam e encarecem os projetos

F-117A : O Caça Invisível ------------------------- pág 34

Finalmente, o COMGAR tem a satisfação de anunciar que não estamos tão

que já estão nas fases finais de desenvolvimento podem ser feitas nas fases

distantes da implementação da AO no seio da nossa Força. Atualmente, há dois

intermediárias, onde os subsistemas ainda estão sendo especificados.

oficiais matriculados no curso de mestrado em Pesquisa Operacional da

O COMGAR será o gerente natural da Análise Operacional, pois é a orga-

Coordenação de Projetos de Pós-Graduação de Engenharia (COPPE) da Univer-

nização responsável pelo recebimento operacional das novas plataformas e

sidade Federal do Rio de Janeiro e iniciarão o curso em janeiro de 2000. Es-

sistemas e pela manutenção da prontidão operacional da Força Aérea.

ses oficiais já têm o título de suas teses. Eles serão os responsáveis pela progra-

O Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR – CGEGAR – está se prepa-

mação da análise operacional dos R-99. E mais, o CGEGAR já possui sua seção

rando para conduzir as AO, seguindo uma tendência mundial, conforme po-

Análise Operacional

temer o resultado de cem batalhas” (Sun Tzu, A Arte da Guerra).

sultados das AO. Os projetos poderiam ser melhor alinhados com as necessi-

Banco de Dados Corporativos Base para GE

“Conhece a ti e ao teu inimigo e não devereis

Aeronáutica lucraria muito com os re-

Guerra Eletrônica: “Quo Vadis?”

solucionar este problema. Vale lembrar uma verdade milenar:

Continuação da pág. 27

Missile Approach Warning Systems

das aleatoriamente, de forma automática e com tamanho compatível.

Análise Operacional

Análise Operacional ------------------------------- pág 24

Tel.: (61) 313-2528 Fax.: (61) 224-1840 E-mail: cgegar@comgar.maer.mil.br

ção de um banco de dados corporativo para a GE apresenta-se, então, como a alternativa viável para

Eletrônica no ITA: Proposta de Implantação ------------------------------------------ pág 19

Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR (CGEGAR) Esplanada dos Ministérios, bloco “M” Edifício Anexo – 2º andar Brasília - DF CEP 70045-900

proteção criptotécnica com nível de segurança estratégica. Significa dizer: chaves monta-

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra

enviadas para:

adequada de armazenamento e disseminação dos dados operacionais de GE é inadmissível. A cria-

Eletrônica prevêem a sistematização do trato da informação necessária. No entanto, até então não dis-

Cartas com sugestões ou matérias para publicação devem ser

da, eventualmente. Por fim, toda a malha de comunicações tem que dispor de recursos de

Conclusão

Recursos Humanos de Guerra Eletrônica ----- pág 17

COMGAR. Os originais enviados para publicação não serão devolvidos, mesmo que deixem de ser editados.

Para finalizar, cabe relembrar que o insucesso de missões operacionais por uma falta de sistemática

Como vimos, documentos doutrinários de Guerra

integrais ou parciais das matérias publicadas, desde que mencionados o autor e a fonte e remetido um exemplar para o

púnhamos de uma sistemática estabelecida para tal.

se estabelecer canais ou rotas alternativos ou mesmo estar preparado para operação isola-

Banco de Dados Corporativo – Base Para a Guerra Eletrônica ----------------- pág 14

Os conceitos emitidos nas colunas assinadas são de exclusiva responsabilidade de seus autores. Estão autorizadas transcrições

4

ções, em caso de um conflito real. Assim, deve-

de Análise Operacional. ○

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Editorial diferentes ameaças. A integração dos dois em

N

Referências

um sistema de autodefesa composto também por contramedidas eficientes (chaff, flare,

[1] Steven J. Zaloga, “Air Defense Missiles: Recent Trends in the Threat”, Journal of Electronic Defense - Nov 1998, page 37. [2] Steven J. Zaloga, “Future Trends in Air Defense Missiles”, Journal of Electronic Defense - Oct 1997, page 41. [3] Jane’s Intelligence Review, “A Lesson for Colombia”, Oct 1997. [4] Bill Sweetman, “A New Approach to Missile Warning”, Journal of Electronic Defense - Oct 1998, page 41. [5] Estado-Maior das Forças Armadas, “FA-E01 – Estratégia Militar Brasileira”, 1998. [6] Ministério da Aeronáutica, “MMA 500-2 Fundamentos de Guerra Eletrônica”, 03 abr 1997.

AECM, e pods CME) somados a uma biblioteca de ameaças atualizada constitui a solução mais adequada para manter uma alta probabilidade de sobrevivência de todas as aeronaves de combate nos cenários de guerra atuais. MWS-20

Crédito das Fotos: Jedonline, Internet

Definições e Acrônimos AECM – “Active Electronic Countermeasures”: equipamento utilizado para autodefesa, que realiza programas de contra-medidas ativas (RGPO, AGPO e outras) contra alguns tipos de radares diretores de tiro. AGPO – “Angle Gate Pull Off”. Técnica de despistamento em ângulo.

tes previsíveis, deram

e homens prepara-

lugar à hipóteses mais difusas que consideram

dos. O preparo requer motivação, co-

um enorme espectro de uso do estamento mili-

nhecimento das tecnologias e concepções

tar. As denominadas “Hipóteses de Empre-

empregadas nas interações que ocorrem

go” variam desde a participação de meios li-

entre forças oponentes, plataformas, sistemas, ar-

mitados em missão de paz ou na solução de

mamentos e equipamentos presentes nos cenários

crises até o engajamento total na defesa

de guerra, conflito ou crise.

do patrimônio e da integridade do território nacional. Paralelamente, os sistemas

Dentro do enfoque “ampliar o conhecimento”, o Comando-Geral do Ar resol-

militares evoluíram na proporção da tecnologia e as concepções de emprego

veu abrir um espaço para funcionar como fórum de idéias e opiniões pessoais. Este

tornaram-se mais dinâmicas e adaptáveis, visando atender às características inusi-

veículo de comunicações denominado “Spectrum” certamente descortinará novos horizontes para a apresentação de temas voltados exclusivamente para o

Contra Medidas Eletrônicas.

EJ –

“Escort Jamming”. Técnica de CME em que a plataforma interferidora acompanha a esquadrilha atacante.

Na corrida pela busca de respostas adequadas aos desafios atuais, o fator de

preparo e emprego da Força, somandose às já consagradas revistas que abor-

IR –

“Infrared”. Faixa do espectro eletromagnético compreendida entre 0,7

desequilíbrio e o agente mais ativo de

dam assuntos operacionais, tais como:

e 100 mm.

todos esses processos tem sido o HOMEM. Ele é o responsável por detectar

“Zoom”, “O Patrulheiro”, “O Poti”, e outras. Na realidade, pretende-se incen-

necessidades, definir ameaças, desenvolver e aprimorar estratégias, táticas e téc-

tivar a apresentação de temas que venham a despertar debates, motivar o iní-

nicas, planejar o emprego dos nossos meios. No caso da Força Aérea Brasileira, o

cio de estudos que possam ser aproveitados, hoje ou no futuro, com o objetivo

resultado almejado pode ser traduzido por três palavras mágicas que, em caso de

de conferir o devido realce ao aguerrido espírito operacional da Força Aérea Bra-

conflito, representam a síntese de um ideal: voar, combater e vencer.

sileira.

“Infrared Counter-Measures”, Contramedidas de Infra-Vermelho.

RWR –

“Radar Warning Receiver”, Receptor de alerta radar.

SOJ –

“Stand-off Jamming”. Técnica de CME em que a aeronave interferidora “Self Screen Jamming”. Técnica de CME em que somente a aeronave que conduz o interferidor é protegida. Também conhecida como “SelfProtection”.

ta-resposta, adaptabilidade, mobilidade

CME –

SSJ –

guerra e condução das forças. As ameaças, an-

tadas da amplitude de atuação e superar o oponente em todas as instâncias.

fica fora do alcance do armamento inimigo.

duração...”)1, exigem da Força Aérea Brasileira capacidade de pron-

“Chaff and Flare Dispenser”, Lançadores de Chaff e Flare.

RGPO – “Range Gate Pull Off”. Técnica de despistamento em distância.

do por várias mudanças, com implicações diretas na concepção da

CFD –

ção de míssil.

flitos atuais (“...limitados, não-declarados, convencionais e de curta

“Anti-radiation missile”, míssil anti-radiação.

MAWS – “Missile Approach Warning System”. Sistema de alerta de aproxima-

o campo militar, o final do século XX vem se caracterizan-

ARM –

IRCM –

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Ten.-Brig.-do-Ar Henrique Marini e Souza Comandante-Geral do Ar

1

As características da maioria dos con○

Brasil. Estado-Maior das Forças Armadas. FA-E-01 Estratégia Militar Brasileira. Brasília: 1998 ○

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O Piloto de Transporte na FAB Antônio Carlos de Barros, Cel.-Av. V FAE

O

intuito deste artigo é mostrar um

Transporte da Força Aérea Brasileira possui

so alarme. Um último fator a ser considerado

derável de “clutter”, especialmente durante o

pouco da parte especializada que os pilotos de transporte têm que

o perfil operacional que a função requer. O profissionalismo dos Pilotos de Trans-

é que a radiação ultravioleta oriunda da queima do motor do míssil é alta durante a fase

dia. Além do mais, a atenuação da radiação pela atmosfera é alta, o que prejudica detecção

cumprir, tendo em vista as peculiaridades que as missões da Aviação de Transporte, enqua-

porte não é conquista casual, ao contrário, é conseqüência da sua formação e do con-

de lançamento e tende a diminuir nas fases finais de aproximação.

a grandes distâncias. A vantagem, porém, advém do fato de que míssil representa uma

dradas na Tarefa de Apoio ao Combate, exigem. O Transporte Aeroterrestre, o Transpor-

tínuo e sistemático preparo ao longo de sua carreira.

Outra alternativa é a utilização de sensores infra-vermelhos. Radiações do sol e da terra,

boa fonte de radiação na faixa do infravermelho em todas as fases do vôo, faci-

te Aéreo Logístico, a Busca e Salvamento, o Reabasteci-

Os jovens pilotos, ao se apresentarem às Unidades Aéreas de Transporte, são ma-

apesar de menores na região do infravermelho médio, ainda representam uma fonte consi-

litando o processamento das informações necessárias ao acompanhamento da ameaça.

mento em Vôo e a Evacuação Aeromédica são, em síntese,

triculados no Curso de Transporte Aéreo Logístico e Transporte Aeroterrestre

as missões aplicáveis à atividade do piloto de Transporte.

(CTALTAET), ministrado na V FAE, que ocorre anualmente.

Hoje, com muito mais clarividência acerca da impor-

No CTALTAET o piloto se familiariza com a Doutrina do Transporte na FAB; as

tância de se obter uma velocidade de concentração dos

Táticas, Métodos e Processos de Lançamento Aéreo de Pessoal e Material; o Vôo de

meios que permita um mínimo de chances numa condi-

Formação; a Navegação e Operação em Zonas de Lançamento, de Extração e de Pou-

ção de conflito bélico, a Aviação de Transporte assume

so; Princípios Básicos da Guerra Eletrônica; e com o Ponto de Lançamento Compu-

papel de destaque, por ter sob suas asas a responsabilidade da Logística.

tado no Ar (CARP), que é um sistema básico de cálculos balísticos, usado para lan-

Ao mesmo tempo que chamamos a atenção para a importância incontestável da

çamento a baixa altitude. Ao término do curso, os pilotos retornam

Logística, constatamos que o Piloto de

às suas UAe para iniciar a parte prática,

O Coronel Antônio Carlos de Barros é piloto de transporte, de reabastecimento em vôo, de busca e salvamento (SAR) e realizou missões na Antártida. Concluiu o CFOAv em 1975 e exerce atualmente a função de chefe do Estado-Maior da Quinta Força Aérea. Possui curso Operacional em Transporte de Tropa e cursou o Air War College da USAF.

Tabela 2: Exemplos de MAWS em uso ou em desenvolvimento. Sistema Fabricante Tipo de Plataformas Sensor AAR-47 Loral UV EUA: Alguns helicópteros do Exército, Marinha e Fuzileiros Navais. AAR-44 Cincinnati IR EUA: MC-130 e AC-130 do Comando de Operações Electronics Especiais AAR-57 Sanders UV Será usado por mais de 3000 aeronaves americanas, de (Lockheed helicópteros leves, até os F-15 e C-17. Martin) IR Grandes plataformas como os C-130. AAR-58 Cincinnati Electronics & Raytheon AAR-54 Northrop UV EUA: C-130 (Comando de Operações Especiais). Grumman Reino Unido: 15 diferentes plataformas (helicópteros e aeronaves de transporte). Austrália: S-70B. Portugal: C-130. Possibilidade de ser instalado em pilones nos F-16A/B's da Bélgica, Holanda, Dinamarca e Noruega. AAR-60 Daimler-Benz & UV Japão: SH-60J. Litton Grécia: F-16. Noruega: Candidato para o JAS-39 Gripen. AAR-56 Lockheed IR EUA: F-22. Martin Guitar Rafael UV 300: helicópteros e aeronaves de transporte. 300/350 350: aeronaves de ataque. MWS-20 Dassault Ativo Helicópteros, aeronaves de transporte e VIP. Eletronique SAMIR Matra BAe IR França: Rafale. Dynamics

O Futuro

Não existe uma solução unânime para o problema. Sensores UV são pequenos,

O uso de MAWS em todas as plataformas aéreas de combate se apresenta como uma

baratos e menos suscetíveis a falsos alarmes, mas não são tão efetivos em gran-

tendência irreversível. Por outro lado, a tecnologia que predominará ainda está inde-

des altitudes (absorção pelo ozônio). Sensores infravermelhos podem ser mais

finida. O fato é que cresce o número de mísseis ínfravermelhos portáteis e os RWR’s ins-

efetivos, porém são mais caros e difíceis de instalar (são maiores e requerem re-

talados na maioria das aeronaves de combate não respondem a essas ameaças. É importan-

frigeração). A tabela 2 mostra os sistemas em uso e algumas de suas princi-

te ressaltar, que MAWS e RWR não competem pela mesma tarefa. Cada qual opera em

pais características [4].

uma faixa diferente do espectro e responde a 6

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Em recentes conflitos, como a Guerra do

bilidade de interceptação, como a redução

dando utilidade aos conhecimentos teóri-

a importância destas missões, razão por

Golfo em 1991, mísseis superfície-ar com guiamento infravermelho foram os responsá-

da potência efetiva irradiada (ERP – “Effective Radiated Power’) e operação em freqüências

cos recém adquiridos. A esse tempo, iniciam os cursos das aeronaves que equipam

que suas chances de fracasso devem ser minimizadas. É o surgimento do Piloto de

veis pela maioria das aeronaves abatidas ou danificadas [4]. A tendência de se utilizar sis-

não cobertas pelos RWR’s. Tais equipamentos, segundo os fabricantes, possuem as van-

suas Unidades Aéreas. Superado esse período inicial de pre-

Transporte desempenhando a função de Navegador.

temas com guiamento infravermelho deve avançar para o próximo século, face à dispo-

tagens de apresentar taxas de falso alarme extremamente baixas e de operar em qualquer

paração profissional e já no desempenho de suas atividades como

No currículo do Piloto de Transporte ainda consta a formação

nibilidade de sensores mais sofisticados. Por outro lado, o barateamento no custo de siste-

tempo. A maioria dos fabricantes de MWS muda-

piloto de transporte, alguns retornam à V FAE para fazer o

operacional de Busca e Salvamento e de Reabastecimento

mas simples vem contribuindo para a proliferação desse tipo de ameaça entre países do

ram de direção, abandonando as soluções ativas e buscando soluções passivas, entre as

curso específico de Navega-

em Vôo, conforme a missão aplicável da

Terceiro Mundo. Para se ter uma idéia, no período de 1967 a 1991, por volta de 90.000

quais sensores Ultra-Violeta (UV) e Infravermelhos (IR).

ção Tática (CNAVTAT).

mísseis supefície-ar foram entregues a Forças Armadas de países em desenvolvimento [3].

Dos princípios básicos de Eletro-Ótica, vale lembrar que, segundo Wien, o pico de

A realização do CNAVTAT é

Para complicar ainda mais o quadro, existem os grupos guerrilheiros que se comparam

radiação térmica oriunda de uma fonte é dado pela seguinte equação:

fundamental para o piloto de transporte, visto que real-

em tamanho e força a verdadeiros Exércitos. Por exemplo, a renda anual das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) cresceu de US$ 65 milhões em 1992 para US$

onde T é a temperatura absoluta da fonte (Kelvin) e λpico é o comprimento de onda

que as missões de lançamento aéreo são, geralmente, cumpridas em proveito de Opera-

rea Brasileira, conduzindo em suas aeronaves a esperança de quem aguarda e

(mm) em que o pico de radiação ocorre. Duas

ções Táticas realizadas por Forças de um Teatro de Operações, ou de Áreas de Opera-

a certeza de quem confia. Simbiose perfeita entre o homem que tripula, a aero-

fontes básicas de radiação tér-

ções na Segurança Interna, de cujo êxito suas ações tornam-se dependentes. Daí

nave que transporta e a missão que se cumpre.

mica devem ser consideradas: o Sol

vários tipos [5]. Sistemas do tipo IGLA-1, míssil e

(~6000 K) e a Terra (~300 K). Isso causa picos de ra-

lançador, são vendidos ao pre-

diação em torno de 0,6µm e 10µm respectivamente, o que

ço de US$ 80.000, valor extremamente acessível a guerrilheiros e traficantes.

torna essas regiões do espectro electromagnético críticas para detecção. So-

As Soluções

bram então duas alternativas: a região do ultravioleta (de 0.2 a 0.5µm) e do

As primeiras tentativas de construir sistemas capazes de detectar a aproximação de

infravermelho médio (entre 3 e 5µm). Como a camada de ozônio filtra grande parte dos

mísseis com guiamento passivo incluíam radares de alta precisão a bordo das aeronaves

raios ultravioletas do sol, não há muitas fontes de radiação nesta faixa, o que reduziria o

a serem protegidas. Esta solução, inicialmente, não atendia às necessidades visto que ex-

número de falsos alarmes. Por outro lado, muitas fontes artificiais podem ser encontra-

punha ainda mais a plataforma. Os MWS ativos de última geração empregam métodos que

das: fornos, fogueiras, lâmpadas halógenas, etc, tornando complicado o processamento

garantem ao equipamento uma baixa proba-

necessário para manter um baixo nível de fal-

qual pertença o piloto. Em resumo, esta é a formaç ã o d o P i l o t o d e Tr a n s p o r t e , insubstituível no contexto da Força Aé-

sadas, como por exemplo mísseis superfície-ar portáteis de

combate da Unidade Aérea à

ça a necessidade da figura do navegador a bordo nas missões Aeroterrestres. Isso por-

230 milhões em 1997, permitindo àquela organização de guerrilha adquirir armas pe-

30

Ta r e f a d e apoio ao

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Guerra Eletrônica: “QUO VADIS”? Para Onde Vais Narcelio Ramos Ribeiro, Ten.-Cel.-Av. CGEGAR

A

8

evolução rápida de uma cultura de

ças oponentes, sistemas, plataformas, arma-

tui uma alternativa para a sobrevivência da

essas ameaças devem ser rápidas e eficien-

Guerra Eletrônica na Aeronáutica ao mesmo tempo que tem trazido resul-

mentos e equipamentos existentes num teatro de guerra ou área de conflito.

aeronave e deve fazer parte da tática de invasão/evasão;

tes, em qualquer atitude de vôo, face à grande velocidade do míssil e suas característi-

tados positivos, desperta dúvidas sobre qual o real conceito e dimensão dessa atividade

O que acontece de fato é que o em-

c) radares embarcados em aeronaves associados a armamento ar-ar (mísseis ou ca-

cas “all-aspect”; e) sistemas de mísseis de guiamento passivo

dentro da Força Aérea Brasileira e, o que é muito importante, sobre os rumos dessa ati-

prego eficiente e eficaz de uma Força

nhões). Nessa situação as mesmas técnicas apresentadas no item anterior são aplicáveis,

(IR e ARM). A identificação eletrônica de mísseis com guiamento passivo pode ser reali-

vidade. Por isso o título “quo vadis” (do latim, “para onde vais”).

Aérea num teatro de guerra depende de

havendo diferenças consideráveis para as táticas de engajamento e/ou evasão;

zada por meio de MAWS. Entretanto, a resposta a este tipo de ameaça dependerá das

O entendimento do conceito de Guerra Eletrônica no sentido “lato” é determinante

algumas atividades consideradas essen-

d) sistemas de mísseis de guiamento ativo. Também se aplicam as técnicas apresen-

características do tipo de guiamento, ou seja, chaff/flare e/ou IRCM (“Infrared

para que a Aeronáutica estabeleça a real dimensão dessa atividade.

ciais como: a) Logística - que

tadas no item “b”, acrescidas da possibilidade de utilização de MAWS, especialmente

Countermeasures”) para mísseis IR e decoys para mísseis anti-radiação ou monopulso.

O Conceito

tem a finalidade de fornecer os meios;

para os casos em que as características de transmissão do radar ameaça estão fora da

Na Tabela 1 é resumida a aplicação de todos os equipamentos de alarme e recursos

Dois conceitos podem ser aplicados à Guerra Eletrônica:

b) Inteligência - que trata das informa-

capacidade de alarme do RWR. Respostas a

de contramedidas discutidos:

a) um que diz respeito à missão aérea; e

ções referentes ao a m b i e n t e

b) outro, mais abrangente, que a considera

operacional e da capacidade do inimi-

O Tenente Coronel Narcelio Ramos Ribeiro é piloto de patrulha, concluiu o CFOAv em 1980 e exerce atualmente a função de chefe do Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR. Possui curso de Guerra Eletrônica na Inglaterra (“Electronic Warfare Directors”) e pós-graduação em

uma atividade.

go; e c) Guerra Eletrônica -

A Guerra Eletrônica quando tratada como missão aérea é limitada ao nível táti-

que trata de como fazer (método) e que

co da guerra, depende de equipamentos especiais para ser realizada e induz o racio-

tecnologia utilizar para levar vantagem

cínio a associá-la a um fenômeno esporádico que ocorre num tempo e espaço defi-

sobre o inimigo.

nidos. Esse conceito foi o primeiro a ser trazi-

A Logística e a Inteligência são atividades que estão estruturadas em praticamen-

do para a Aeronáutica. Isso explica porque, por algum tempo, confundiu-se a Guerra

te todas as forças aéreas. No entanto a Guerra Eletrônica, entendida e utilizada com

Eletrônica com equipamento ou com uma missão que exigia equipagens e platafor-

conceito semelhante ao citado no parágrafo anterior, existe apenas em algumas for-

mas especialmente preparadas, restringindo, dessa forma, o entendimento e a ex-

ças aéreas, coincidentemente naquelas que têm obtido êxito nos conflitos dos últimos

ploração doutrinária mais abrangente dessa atividade em proveito da Força Aérea

cinqüenta anos. O que tem ficado claro é que a veloci-

Brasileira. A outra abordagem é a que trata a Guer-

dade de ocorrência dos eventos e a dependência que uma força aérea possui de sis-

ra Eletrônica como atividade que estuda e explora as concepções e tecnologias utili-

temas de comando e controle rápidos e seguros, equipamentos de vigilância e alar-

zadas nas interações que ocorrem entre for-

me, armamentos, dispositivos de guiamento

Planejamento Estratégico e Qualidade Total pela AEUDF (Brasília). O Ten.- Cel. Narcelio tem trabalhos publicados nas revistas

da

UNIFA

e

O

Patrulheiro.

AN-AAR-44V AN-AAR-47 AN-AAR-54V

29


Spectrum

Spectrum

MAWS – Uma Nova Tendência em Sistemas de Autodefesa para Aeronaves

E

Cap.-Av. Davi Rogério da Silva Castro e Cap.-Av. Edson Fernando da Costa Guimarães – CGEGAR

m um teatro de guerra cada vez mais

(MAWS - Missile Approach Warning Systems)

e sensores de reconhecimento a tornam de-

cisiva nos conflitos contemporâneos (na

complexo e tecnologicamente sofisticado, somente sistemas de autodefesa

aparecem como a resposta mais adequada para esta questão.

pendente do espectro eletromagnético. Essa dependência é resultado da evo-

Royal Air Force é a atividade que agrega o maior contingente de oficiais); e

O Cenário

lução que tem ocorrido no campo de batalha e, em particular, na Guerra Eletrôni-

b) tem maior efetividade quando atua ao mesmo tempo nas áreas de recursos huma-

qüentemente, a plena realização da missão. O conceito de

Em maior ou menor grau uma aeronave de combate estará sujeita às seguintes amea-

ca. Hoje verificamos que a Guerra Eletrônica tornou-se muito mais letal e ofensiva,

nos (capacitação e treinamento), inteligência, técnica e operações (análise

sistema de autodefesa eficiente é relativo e está estritamente

ças: a) radares de vigilância quando associa-

que passou a determinar o como fazer (arte) para explorar as tecnologias (ciência) exis-

operacional). A capacitação de recursos huma-

relacionado com o cenário de emprego da plataforma a ser

dos a sistemas de defesa aérea. Trabalham geralmente na faixa de freqüência em torno de

tentes num cenário operacional. O entendimento correto dessas mudan-

nos em Guerra Eletrônica é fundamental, pois o homem é o compo-

protegida. Considerando-se as principais ameaças presentes

3 GHz, alcance maior que 80 NM, varredura circular e se constituem no primeiro nível de

ças é importante na definição dos processos de guerra, de capacitação do homem, dos

nente mais importante num cenário operacional. Ele percebe, planeja,

em um cenário moderno típico, contendo radares de vigilância,

proteção de sistemas de defesa aérea. Para se opor a este tipo de ameaça a aeronave deve

recursos materiais e de uma estrutura sistematizada da Guerra Eletrônica como ativida-

julga, decide e age. Prepará-lo para atuar no teatro de guerra aumenta a

aquisição e diretores de tiro, mísseis ar-ar, terra-ar, com sis-

buscar a navegação rasante e seu RWR deve estar programado para indicar a iluminação.

de, de modo a apresentar como resultado uma força aérea com conhecimento e recur-

probabilidade de sucesso de uma força aérea. A importância que é

temas de guiamento passivo, ativo, ou semi-ativo, qual seria

A oposição ativa pode ser feita por interferência tipo barragem, de ponto ou varredura uti-

sos para competir, com grande probabilidade de sucesso, nos campos de batalha con-

dada à capacitação do homem nessa área pode ser notada pela quantidade de

a definição de um sistema de autodefesa eficiente?

lizando equipamentos de CME de alta potência, normalmente instalados em pods, empre-

temporâneos.

cursos existentes no mundo, principalmente no nível de pós-graduação (mestrado,

Por muito tempo a escolha mais comum recaiu sobre siste-

gados nos modos SOJ (“Stand-Off Jamming”), SSJ (“Self Screen Jamming”) e EJ (“Escort

Para Onde Vais (“Quo Vadis”)?

doutorado e pós-doutorado). A capacitação dos recursos humanos da

mas compostos por RWR’s (Radar Warning Receiver) e

Jamming”); b) radares de aquisição e diretores de tiro

Nas forças aéreas que mais se destacam no mundo a Guerra Eletrônica está siste-

Força Aérea Brasileira para essa atividade deve ser realizada dentro de uma política

lançadores de chaff/flare. Um passo seguinte em sofisticação

associados a sistemas superfície-ar (mísseis ou canhões). Atuam em freqüências superiores a

matizada e estruturada com a finalidade de buscar a excelência na metodologia (estra-

coerente com as necessidades dos cenários operacionais contemporâneos. Isso requer

incluiria sistemas de contramedidas eletrônicas

6 GHz, alcance de até 50 NM e modos de varredura mais elaborados destinados ao

tégica e tática) e na tecnologia (ciência) empregadas no campo de batalha. Esse mo-

um programa de capacitação norteado pela busca da excelência, cuja proposta peda-

(AECM - “Active Electronic Countermeasures” ou pods de

acompanhamento do alvo. Radares de aquisição e diretores de tiro costumam possuir pro-

delo organizacional resulta em diminuição do coeficiente de atrito, aumento da

gógica atenda a todos os níveis da guerra, considere as características mutantes e inu-

CME - Contramedidas Eletrônicas) que podem realizar “Escort

teção contra modos simples de interferência eletrônica, como os sugeridos contra radares

letalidade, realização mais rápida do ciclo de comando e controle, melhor apro-

sitadas do combate e prepare o homem para entender e explorar as interações que ocor-

Jamming”, “Stand-off Jamming”, Costa Guimarães é piloto de ou “Self-Protection”. Mas o que transporte, concluiu o CFOAv em fazer contra a crescente amea1990 e exerce atualmente a fun- ça de mísseis portáteis de

de vigilância. Contra esse tipo de ameaça a aeronave deve atuar com táticas e técnicas

veitamento dos meios disponíveis e, o que é mais importante, constante evolução da

rem no teatro de guerra e, até mesmo, para gerar novas concepções e tecnologias vol-

sofisticadas, devido ao perigo iminente. Entre as técnicas existentes estão os programas

maneira de pensar e agir nos teatros de guerra.

tadas para o emprego da força (“knowwhy”).

guiamento infravermelho sui cursos de Guerra Eletrônica no (MANPADS - “MANPortable Brasil e na França, pós-graduação Air-Defense Systems”)? A soluem análise e projeto de sistemas ção comum descrita anterior-

automáticos RGPO (“Range Gate Pull Off”), AGPO (“Angle Gate Pull Off”) e outros, exe-

Várias são as maneiras que essas forças aéreas utilizam para sistematizar e

A atuação da Guerra Eletrônica na área de inteligência deve ser realizada visando

cutados por sistemas AECM, exclusivamente em modo SSJ devido ao tipo de varredura do

estruturar a atividade de Guerra Eletrônica. Dois aspectos, entretanto, têm sido co-

diminuir a incerteza da decisão e aumentar a velocidade do ciclo de comando e con-

mente parece não responder a em Engenharia de Sistemas na esta ameaça. Sistemas de AlarNaval Postgraduate School (EUA). me de Aproximação de Misseis

radar e geometria do feixe. Lançamento coordenado de chaff, preferencialmente integra-

muns: a) é uma atividade considerada muito im-

trole. Isso requer a utilização de todas as fontes possíveis nos processos de busca e

do com a identificação da ameaça, se consti-

portante, devido à sua função ímpar e de-

coleta e a integração das informações pro-

eficientes podem garantir a sobrevivência da aeronave de combate e, conse-

O Capitão Davi Rogério da Silva Castro é piloto de ataque, concluiu o CFOAv em 1987 e exerce atualmente a função de chefe da Seção Técnica do CGEGAR. É Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, possui o curso Básico de Guerra Eletrônica e está cursando mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília.

O Capitão Edson Fernando da

ção de adjunto ao CGEGAR. Pos-

(GFI/UNB – Brasília) e mestrado

28

A capacitação de recursos humanos em Guerra Eletrônica é fundamental, pois o homem é o componente mais importante num cenário operacional

9


Spectrum

Spectrum

venientes do reconhecimento e vigilância.

mensurá-las, definir indicadores (coeficiente

Força Naval, poderia determinar toda a ampli-

MB, está bem alinhada com as necessidades

Deve-se, ainda, utilizar a tecnologia da informação a fim de proporcionar automação

de atrito, probabilidade de sucesso, erro circular provável, etc.), desenvolver táticas, ava-

tude do emprego operacional. Com a finalidade de dominar a metodologia

da área operacional e compreende facilmente a aplicação dos novos produtos, devido aos

intensificada, resposta rápida, melhor controle, precisão, previsibilidade, maior com-

liar equipamentos, sistemas e armamentos, estabelecer procedimentos e fazer prognósticos

científica necessária para gerenciar uma AO, a MB enviou 8 oficiais para a Escola de Pós-gra-

ensinamentos obtidos pelo estudo necessário à montagem das AO.

preensão dos processos, visibilidade, análise e síntese. Com esse enfoque a Aeronáuti-

de resultados. Dentro dessa realidade, os esforços na área

duação da Marinha dos EUA (NPS), onde realizaram o curso de mestrado em Análise

ca está desenvolvendo o sistema denominado de Dédalo.

de operações devem ser orientados para propiciar o desenvolvimento de táticas, o recebimen-

Operacional. No retorno, contribuíram para a fundação do CASNAV - Centro de Avaliação

Os maiores desafios na inteligência de Guerra Eletrônica, no entanto, consistem

to e análise operacional de sistemas, equipamentos, armamentos e plataformas,

de Sistemas Navais, organização que programa e realiza as AO no âmbito da Marinha do

Uma Força Aérea que não possui AO torna-se um alvo fácil para os fabricantes de sis-

implementar indicadores que contribuam para melhorar a gerência dos recursos humanos,

Brasil. Atualmente, o CASNAV é comandado por

temas de armas modernos. A performance dos equipamentos fica subordinada às propagan-

dos meios e dos processos, visando o preparo e emprego da Força Aérea

um Vice-Almirante e está sediado no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro.

das e promessas dos vendedores, pois não existe uma campanha de testes voltada à sua

Brasileira. Todos esses servi-

As Avaliações Operacionais que o CASNAV executa geram relatórios que contém os dados

comprovação diante das ameaças reais. Com isso o tempo passa e, normalmente, a garan-

Essa mesma dificuldade é também

ços e produtos provenientes da ativi-

de performance dos equipamentos nos seus primeiros anos de operação. Esses dados são

tia do produto expira antes que a Força tenha condições de afirmar que o equipamen-

encontrada quando se atua na área téc-

dade de Guerra Eletrônica não podem ser realiza-

utilizados durante toda a vida operativa dos sistemas e servem de base para medir, periodi-

to não atende às especificações e, via de regra, perde-se muito dinheiro.

dos por uma única organização. Ela (a organização) seria enorme, sofre-

camente, suas eficácias, de acordo com as concepções de emprego da Força Naval. O órgão

A divisão de Ensaios em Vôo do Instituto de Aeronáutica e Espaço do CTA executa, há

multidisciplinar que envolve engenharia eletrônica, de sistemas, elétrica, mecâni-

ria a disfunção de não poder dedicarse inteiramente à sua atividade princi-

responsável por medir, ocasionalmente, a eficácia dos sistemas é o CASOP - Centro de Ava-

muitos anos, a qualificação das aeronaves e dos sistemas que são incorporados à FAB, até

ca e de “software”. Os processos da área técnica devem ser

pal devido a existência excessiva de processos administrativos, além, é cla-

liações de Sistemas Operativos, através de Exercícios Operativos - EXOP, que são regulamen-

a gradação de “teste funcional”. Isto quer dizer que o objeto é seguro para voar e suas

sistematizados para propiciar à Força Aérea Brasileira a capacidade de identificar as ne-

ro, do tempo gasto para cuidar da banda de música, dos problemas sociais, da bar-

tados por instruções emitidas pelo Estado-Maior da Armada (EMA). O navio que não atinge

funções, especificadas em manual, operam de acordo. A partir desses testes, o equipa-

cessidades operacionais (NOp), definir requisitos (ROp), pesquisar, desenvolver, analisar,

bearia, da seção de facilidades etc. Acertadamente, portanto, a Aeronáutica

os mínimos operacionais requeridos nos EXOP atraca para manutenção e fica indisponível en-

mento (ou a plataforma) está liberado para ser engajado em uma campanha de Análise

comparar, avaliar e fazer previsões do ciclo de vida das tecnologias utilizadas nos tea-

optou por uma estrutura sistêmica, leve, dinâmica e eficiente que envolve o

quanto não atingir as marcas requeridas. Algumas novas táticas de emprego foram

Operacional. Um fator que simplifica bastante o traba-

tros de guerra. A última área a ser abordada é a de ope-

COMDABRA, CATRE, FAe, CTA, DEPV(DOpM), CCA-SJ, UAe, ECEMAR, AFA,

desenvolvidas a partir dos resultados dos programas de AO.

lho da Força Aérea é a automação dos sistemas aeronáuticos. Enquanto a eficácia de um

rações. A atuação da Guerra Eletrônica nessa área é dependente dos fundamentos da

EEAR, GITE, GCC, CINDACTAS, GEIV, tendo como órgão central o COMGAR, orientado

As modernizações dos equipamentos ocorrem no tempo certo, pois a área operacional

navio requer o funcionamento de vários sistemas, que são operados por equipes dife-

disciplina denominada pesquisa operacional, conhecida na caserna como análise ou ava-

pelo EMAER. Essa concepção funcional atende a dois quesitos básicos: é menos

tem a noção exata da degradação técnica que está ocorrendo nos equipamentos e quais se-

rentes e integrados por um único centro de controle, uma plataforma aérea pode ser ope-

liação operacional. Essa disciplina é que propicia a uma for-

dispendiosa e mais eficiente. Dessa forma cumpre-se melhor a missão da Guerra Eletrô-

rão as suas necessidades operacionais. A modernização das Fragatas de Classe Niterói, que

rada por apenas um indivíduo, ou por um pequeno grupo, devido à integração

ça armada metodologia e ferramentas para identificar as variáveis componentes de um

nica na Aeronáutica, definida em documentos oficiais, que é: aumentar a capacidade

será feita a partir do próximo ano, é resultado desse acompanhamento.

automatizada de seus sistemas A área de Pesquisa e Desenvolvimento da

problema operacional, caracterizá-las,

operacional da Força Aérea Brasileira.

em identificar os conhecimentos necessários para a tomada de decisão nos seus respectivos níveis, sistematizá-los e, principalmente, capacitar o homem para gerenciar tudo isso.

nica da atividade de Guerra Eletrônica, pois ela requer conhecimento

10

4 Implantação na Força Aérea Brasileira

A área de pesquisa e desenvolvimento, na ○

Continua na pág. 33 ○

27


Spectrum

Spectrum

Analisando as Perspectivas da II FAe Entrevista com o Exmº Sr. Brigadeiro do Ar Delano Teixeira Menezes Comandante da Segunda Força Aérea

gir, para, ainda assim, continuar a cumprir as

os sistemas inimigos para a modelagem dos

A Segunda Força Aérea vem coordenando

da aviação civil, inicialmen-

tarefas para as quais foi destinado; 4. Prover informações para os órgãos de pes-

cenário de testes. A regra geral para a modelagem de táticas é o uso de modelos matemáti-

atividades aéreas das mais diversas e que não incluem somente as da Aviação de Pa-

te, e também das aeronaves militares não envolvidas em

quisa e desenvolvimento, de logística e de planejamento operacional que os auxiliem no

cos, pois podem ser transferidos rapidamente de uma circunstância para outra, provendo vá-

trulha, como as de Asas Rotativas e de Busca e Salvamento. Quais em sua opinião têm

missões de guerra, que voam sobre a jurisdição SAR do Bra-

processo de tomada de decisões referente às especificações de novos sistemas, à

rias opções para a composição dos testes. Não vamos estender mais as explicações so-

sido as principais conquistas da Segunda Força Aérea nos últimos tempos?

sil.

confiabilidade de operações, às necessidades de modernizações e à atualização das concep-

bre o desenvolvimento de táticas a partir de modelagens matemáticas, em função da com-

Brig. Delano – No campo operacional, se-

to do mundo pouca evidência tinham as atividades de

ções de emprego.

plexidade do assunto. Entretanto, vale dizer que a mesma metodologia utilizada na realização

guramente foi o desenvolvimento de técnicas e de uma ainda incipiente doutrina

SAR de Combate. Tirando a experiência da RAF na Segun-

das avaliações operacionais aplica-se ao desenvolvimento de táticas.

de combate aéreo entre helicópteros e dissimilar com aeronaves de baixa

da Guerra Mundial em que eram recolhidos com grande

Intuitivamente, pode-se cometer o equívoco de imaginar que tudo isso pode ser

performance. Essa conquista que vem sendo implantada em bases seguras é uma

Força Aérea presteza os seus pilotos de caça abatidos sobre o Canal da Mancha

feito ape-

grande inovação no âmbito da Força Aérea, que, por certo, será de muita serventia

(sendo que estes resgates não se constituíram exatamente em SAR de Combate) e a

n a s utili-

para a implantação do SAR de Combate. Na Aviação de Patrulha também con-

Guerra do Vietnã, o tema começou a se tornar visível para a comunidade internacio-

zandose da expe-

seguimos dar um salto qualitativo importante quando alcançamos a plena capaci-

nal em abril de 1980 quando da fracassada operação “Eagle Claw” em que os helicóp-

riência operacional dos operadores. Toda a análise operacional

dade de reconhecimento eletrônico. A atividade SAR foi descentralizada e

teros RD-53D Sea Stallion sucumbiram no deserto antes mesmo de resgatarem os re-

missões, pode-se estabelecer um programa de acompanhamento do desempenho

é feita de acordo com uma metodologia científica própria baseada em modelagens matemá-

agora a Força Aérea conta com equipes SAR muito bem treinadas em todas as nos-

féns americanos em Teerã. Mais tarde, na Guerra do Golfo e depois no conflito dos

operacional. A degradação de um sistema seria

ticas, que fornece resultados estatísticos. A cada ponto crítico estabelecido pela programação são

sas Unidades de Helicópteros, de norte a sul do Brasil.

Bálcans, esse tipo de operação passou a ser mais conhecido.

visualizada periodicamente, comparando os dados medidos na primeira avaliação com os

feitos testes de campo que comprovam ou redirecionam a análise.

Durante a última década a FAe II identifi-

Coincidentemente, por essa época, as Unidades que cumpriam missão SAR na FAB

vigentes à época das avaliações subsequentes, permitindo o planejamento de vida útil e das

3 Experiência Brasileira

cou a necessidade em dotar a Força Aérea Brasileira de recursos materiais e de pes-

passaram à subordinação da II Força Aérea e começou-se a gerar uma demanda estri-

soal necessários para a execução da missão C-SAR. A que o senhor atribuiu esse

tamente militar. Até mesmo com a intenção de integrá-las mais efetivamente nas opera-

2.2 Acompanhamento do Desempenho Operacional A partir das medidas de performance do sistema quando novo e da projeção dos níveis máximos de degradação que o equipamento pode atingir, sem comprometer a execução das

26

Ao mesmo tempo, no resBrigadeiro-do-Ar Delano Teixeira Menezes Comandante da Segunda

modernizações necessárias. Essa é uma ferramenta extremamente útil

A Marinha do Brasil (MB) iniciou suas ativi-

para o acompanhamento do ciclo de vida dos materiais aeronáuticos.

dades de Análise Operacional quando adquiriu as Fragatas de Classe Niterói. Naquela épo-

direcionamento?

ções militares que a II FAe gerencia. É quando foi instituído um grupo de estudo para a

2.3 Desenvolvimento de Táticas

ca, início dos anos 70, esses novos navios representavam o que havia de mais moderno para

Brig. Delano - A atividade SAR surgiu no âmbito do então Ministério da Aeronáuti-

implantação do Grupamento Tático SAR (GT SAR) que englobaria 2º/10º GAv e EAS

O primeiro passo para o desenvolvimento

o emprego em uma marinha de guerra. A disparidade tecnológica existente entre os va-

ca, dentro da antiga Diretoria de Rotas, para atender a interesses internacionais do

(Para-SAR). Mas, de fato, o tema ganhou evidência

de táticas é a formulação de uma concepção de emprego. Esta é, quase sempre, dependen-

sos de guerra que a MB possuía e as novas fragatas era muito grande. Somente um estudo

Brasil, aos Protocolos da ICAO de quem o país era signatário. E toda responsabilida-

quando da participação da FAB na Operação Red Flag na Base Aérea de Nellis, nos

te de uma concepção estratégica que, indiretamente, também será avaliada.

aprofundado dos novos sistemas, aliado à montagem de cenários que os confrontassem com

de dessa atividade permaneceu no âmbito da DEPV até os dias de hoje. De forma que

Estados Unidos, onde ações de SAR de Combate faziam parte do contexto do exer-

Logo após, é necessário obter dados sobre

as concepções de emprego existentes para a

ela foi criada para atender uma demanda

cício. Nessa ocasião, os “clientes” do SAR

11


Spectrum

Spectrum

cano. Mas aí, levando em conta a segunda

como o “Institute of Defense Analyses” em

ram para o assunto e passaram a gerar a demanda necessária para que a II FAe ini-

consideração, se eu puder atacar essa mesma posição com uma aeronave

Washington, D.C. e a “Studies Analyses and Gaming Agency”, dentro do Departamento

Avaliar operacionalmente um equipamen-

ciasse o trabalho de pesquisa operacional no sentido de estabelecer alguma doutrina

tecnologicamente melhor, do tipo A-29, por exemplo, eu poderia dar um conforto para

de Defesa. Na Alemanha, a “Industrieanlagen-Betriebesgesellschaft” se

to significa medir sua performance, quando inserido em um ambiente que simule as condi-

C-SAR na Força Aérea Brasileira.

o piloto e, usando um número menor de aeronaves, realizar o mesmo ataque com

estabeleceu como a principal instituição em pesquisa de defesa para as forças armadas

ções reais de operação. É um processo dinâmico, que envolve desde a montagem dos cená-

Para atingir a sua meta no que diz respeito à execução da missão C-SAR, a FAB lan-

um maior grau de sucesso. No caso específico do SAR de Comba-

alemãs. No Reino Unido, o “Defense Operational

rios, passando pelo planejamento e execução de diversos tipos de missões, até a confec-

çou mão de vetores já existentes na Força. Estes vetores estão atendendo à missão sa-

te, em que são requeridos outros equipamentos além das aeronaves, independen-

A n a l y s i s Establishment”

tisfatoriamente?

temente das características do inimigo ou do ambiente, eu diria que a

foi criado para assessorar o

Brig. Delano – É uma pergunta difícil, pois

Força Aérea ainda carece do PLB

ta sobre aviação de

exemplo, que permite a localização

europa são o “Supreme Headquarters Allied Powers, Europe (SHAPE) Technical Center”,

quisito Operacional que o especificou, garantindo que o produto atende às necessidades

do tripulante a ser resgatado. Agora, con-

em Hague, o “Norwegian Defense Research Establishment” e o “Centre Interarmees de

que geraram a sua compra. Com o passar do tempo, as condições do

a diversas variáveis.

siderando uma ameaça de baixa intensidade e um ambiente eletromagnéti-

Recherches Operationelles” na França. No Brasil, a Pesquisa Operacional che-

equipamento testado podem-se deteriorar e/ou os cenários requerer atualizações. Com isso

Em qualquer situação, a arma a ser utilizada será dimensionada para a ameaça

co controlado, os vetores que possuímos podem ser adequados.

gou às Universidades no final dos anos 60, quando foi fundada a Sociedade Brasileira

novas avaliações podem ser programadas para atualizar os dados. Portanto, a Avaliação

que iremos enfrentar, de maneira que possamos alcançar os nossos objetivos com o

No momento atual, em que estamos buscando levantar conceitos de emprego e não

de Pesquisa Operacional, durante o primeiro simpósio da categoria, realizado no ITA,

Operacional (AO) é um processo que pode e deve acompanhar todo o ciclo de vida de um

menor custo possível, tanto em material quanto em vidas

temos experiências concretas, eu ainda não estou em condições de dar uma resposta

curiosamente uma instituição militar.

equipamento, para que se tenha certeza de sua eficiência para o sistema durante toda sua vida

humanas. O outro componente diz respeito ao conforto e

conclusiva.

à funcionalidade que determinada arma oferece ao nosso

O senhor poderia definir as futuras necessidades da FAB no que diz respeito aos vetores

Pode-se dizer que a AO é uma atividade que fornece bases metodológicas a uma

1. Determinar se um sistema, em combinação com seus operadores e pessoal de manuten-

combatente. E, por último, o ambiente aonde vamos atuar,

e equipamentos C-SAR?

Força Armada, capacitando-a a identificar grupos de variáveis que afetam os proble-

ção, pode atingir os objetivos para o qual ele foi designado;

considerando as emissões eletromagnéticas, a geografia, as

Brig. Delano – A principal necessidade certamente é o PLB, porque sem ele, independen-

mas inerentes aos teatros de guerra, de forma a modelá-los estatística e matematica-

2. Desenvolver métodos e meios que garantam o emprego ótimo de um novo sistema ou

características de operar do inimigo, as armas do inimigo, o clima, etc.

temente do inimigo ou do ambiente, seríamos incapazes de localizar um tripulante que

mente, dimensioná-los e caracterizá-los, com vistas à melhor compreensão, gerên-

que criem novas formas de emprego para um sistema antigo, que já não atinge os mínimos

Na primeira consideração eu quero dizer que até um NA T-6 poderá ser suficien-

se ejetou ou foi abatido, sem necessidade de se estabelecer um padrão de busca. Aliás, no

cia e exploração dos fenômenos envolvidos.

operacionais para a realização de sua missão primária;

te para atacar a posição de um inimigo que não possua aviões de caça e cujas defesas

SAR de Combate não existe busca. Também seriam necessários helicópteros mais moder-

Dessas bases metodológicas decorrem três produtos muito importantes dos quais

3. Estabelecer medidas de performance de um sistema novo, para, a partir destas, calcular os

anti-aéreas não passem de armas leves de

nos com alcance e capacidade de carga com-

trataremos, individualmente, a seguir.

níveis máximos de degradação que pode atin-

to em material quanto em vidas humanas.”

cada uma das situações. A partir dos relatórios pode-se comparar a performance do sistema adquirido com o Re-

çar os nossos objetivos com o menor custo possível, tan-

Ministro da Defesa britânico. Hoje, alguns dos outros proeminentes centros de pesquisa operacional militar na

ça que iremos enfrentar, de maneira que possamos alcan-

de desempenho para

(Personal Locator Beacon), por

“A arma a ser utilizada será dimensionada para a amea-

ção dos relatórios que atestem as medidas

como qualquer respos-

combate ela estará acoplada

12

2.1 Avaliação Operacional

em combate, os pilotos de caça, desperta-

2 Produtos

útil. A AO tem quatro objetivos principais:

25


Spectrum

Spectrum

Análise Operacional José Eduardo Portella Almeida, Maj.-Av. CGEGAR

1 Introdução

24

Operacional (esta de-

patíveis com a missão, NVG (Night Vision

Brig. Delano – Certamente o SAR de Comba-

Força Aérea Brasileira está vivendo

A

signação é utilizada até hoje em algumas

Goggles) e FLIR (Forward Looking Infrared) para estender as operações para o período

te será uma das diversas missões que o A-29 poderá realizar com bastante facilidade devi-

o início de uma fase de grandes transformações, há mais de 10 anos.

forças armadas, mas o termo Análise Ope-

noturno.

do a sua excelente manobrabilidade, larga gama de velocidades, capacidade de voar a

A partir da segunda metade dos anos 80, recebemos o AMX, os radares TRS 2230, os

ra-cional representa melhor os benefícios

O Brasil não enfrenta ameaças claramente definidas ou imediatas. No entanto, a Força

baixa altura, além do seu versátil sistema de armas. Por essas características, é uma ótima

interferidores Caimã e começamos a instalar o sistema tático do P-95, composto do radar

hoje advindos da aplicação dessa ativi-

Aérea identificou a necessidade de desenvolver uma doutrina C-SAR para atender a

aeronave para realizar escolta de helicópteros, além de prover um eficiente Apoio Aé-

Supersearcher, do Dalia 1000 e do DR 2000. Pode parecer absurdo dizer que há mais de

dade). Esta nova discipli-

O Major José Eduardo Portella

eventuais emergências. Em que circunstâncias nossos pilotos poderiam se ver

reo Aproximado. No futuro deverá ser colocada a necessi-

10 anos estamos iniciando uma nova fase na FAB, mas é verdade. Os equipamentos cita-

na se originou no Reino Unido a partir da

cluiu o CFOAv em 1982 e exer-

engajados em operações nas quais esse suporte seria necessário?

dade de um helicóptero de combate moderno para realizar missões de escolta.

dos no parágrafo anterior causaram um considerável impacto na cultura operacional exis-

formação de equipes de pesquisa para de-

Brig. Delano – A necessidade do SAR de

A Guerra Aérea entrou numa nova

tente até então, demandando a busca por novas áreas do conhecimento militar.

senvolver técnicas efetivas a serem usa-

Combate não existe somente num campo de batalha clássico. E mesmo que não existam

fase com os recentes conflitos do Golfo e da antiga Iugoslávia. Pela pri-

Para minimizar o impacto, também há 10 anos, começamos a estudar com maior pro-

das nos mais recentes radares construídos

atualmente situações claras para a utilização desse tipo de apoio, como você mesmo co-

meira vez o Poder Aéreo definiu quase que completamente os conflitos.

fundidade a GE. Esta atividade está relacionada a praticamente todas as evoluções

para localização de aviões inimigos. Este

locou no início de sua pergunta, eu diria que, como nesse caso, está inserida a considera-

No campo do C-SAR, as forças da OTAN controlaram completamente o

tecnológicas, em termos de cabine, que estão ocorrendo nas aeronaves modernas.

trabalho teve um importante papel no desenvolvimento de táticas de interceptação para

ção da própria existência da Força Aérea. Essa atividade de apoio ao combate é tão

cenário eletrônico sobre o campo de batalha. Isto permitiu que o resgate

Mas será que existe uma solução mais rápida para assimilarmos novas culturas técni-

os caças britânicos, táticas essas que foram decisivas na Batalha da Inglaterra. Por volta

necessária como qualquer outra referente ao emprego do Poder Aéreo. Ou você acredi-

de pilotos abatidos se realizasse de forma quase sem falhas. O se-

co-operacionais, ou teremos que amadurecer tão lentamente? Não há um método co-

de 1941, grupos de Pesquisa Operacional estiveram presentes em todas as três forças ar-

ta que o emprego do avião de guerra seria eficiente sem o reconheci-

nhecido que pudéssemos utilizar para obter resultados mais rapidamente?

madas britânicas. Como no Reino Unido, a introdução do

mento aéreo, no caso das operações aerotáticas, ou do ra-

saber que sua força aérea possui a capacidade C-

Há, chama-se Análise Operacional – AO. A AO é o emprego de métodos matemáticos

radar foi responsável por estimular o desenvolvimento científico do Exército Americano

dar nas operações de defesa aérea, ou ainda de um traba-

SAR?

de análise para solução de problemas militares.

e de seu Corpo Aéreo. Em outubro de 1942, todos os comandos receberam ordens para es-

lho de inteligência eficiente?

O uso de métodos científicos para melhorar a efetividade e o sucesso das opera-

tabelecer grupos de Pesquisa Operacional e, no final da guerra, já havia 26 desses grupos.

Na Guerra do Vietnã a USAF empregou com enorme sucesso aeronaves que nem remo-

se você fosse um líder que só tivesse a preocupação de olhar à frente sabendo que tem um ala

ções militares não é algo novo. Estes métodos têm sido usados para desenvolver no-

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa Operacional em aplicações militares e

tamente haviam sido preparadas para as tarefas de apoio ao C-SAR como por exemplo

competente sempre “clareando” as suas seis horas. Transmite-lhe segurança. Segundo é que ele,

vos sistemas de armas e para melhorar a efetividade do seu emprego em combate há

industriais começou a crescer rapidamente. Nos EUA, a “Operations Research Society of

o Douglas A-1H Skyraider e o LTV A7D Corsair II. O senhor vislumbra a possibili-

como profissional, é muito caro e de reposição demorada. E terceiro é que um piloto de comba-

alguns séculos. Mas a transformação em ciência ocorreu na Segunda Guerra Mundial.

America” foi fundada em 1952, seguida pela “Military Operational Research Society”

dade de incluir os A-29/AT-29 que deverão ser adotados pela FAB a partir de 2001 no

te é uma fonte de informações muito preciosa para o inimigo e principalmente para nós.

Durante este conflito, fruto dos métodos científicos que eram aplicados para melhorar

(MORS), em 1966. Da mesma forma, numerosas organizações privadas e governamen-

pacote C-SAR brasileiro? Ou o senhor acredita que seria conveniente a incorporação

as operações militares, nasceu a Pesquisa

tais voltadas à pesquisa se estabeleceram, tais

de outro tipo de aeronave?

Almeida é piloto de caça, conce atualmente a função de chefe

da

Seção

de

Análise

Operacional do CGEGAR. Possui cursos de Guerra Eletrônica no Brasil e nos Estados Unidos (“Electronic Combat Operations – Staff Officer”).

“ A atividade de apoio ao combate é tão necessária como qualquer outra referente ao emprego do Poder Aéreo. “

nhor é piloto de caça. O que significa para o caçador

Brig. Delano – Eu acho que é como se fosse a segunda cadeira de ejeção. É como

Entrevista concedida à “Revista Força Aérea” por ocasião do Primeiro Simpósio Internacional de SAR de Combate realizado nos dias 29 e 30 de julho de 1999 na Base Aérea de Santos. ○

13


Spectrum

Spectrum

Banco de Dados Corporativo – Base Para a Guerra Eletrônica Fernando Nogueira Ventura, Cap.-Av. CGEGAR

D

esde o início do uso dos meios ele-

va os bombardeiros “Vulcans”, e o ameri-

vidades indispensáveis para a formação. Es-

to, buscando excelência em suas ativida-

trônicos para a guerra, as informações se mostraram um fator essen-

cano “AN/ALR-12”, que equipava os “Hustlers”.

sas atividades certamente exigem a previsão de recursos específicos.

des. A Força Aérea Brasileira, que tem a missão de empregar o poder aéreo para a

cial para o planejamento e execução das ações. De fato, para qualquer

Com a diversificação dos sistemas a serem alarmados, tais modificações passaram

Para facilitar a captação de recursos, algumas parcerias poderiam ser buscadas. Ór-

consecução dos objetivos nacionais, também está buscando excelência nas ativida-

interação, amistosa ou não, entre dois equipamentos, pelo

a ser inviáveis. Logo, os equipamentos tiveram que incorporar características mais avan-

gãos de apoio às atividades de Pesquisa e Desenvolvimento, tais como Fundação de

des de GE. Para atingi-la e atender às necessidades de capacitação de pessoal, o

menos a freqüência de operação tem que ser de conhe-

çadas. Tinham que aceitar uma programação específica para cada missão que, entretanto,

Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desen-

CGEGAR está propondo um programa de pós-graduação em GE, baseado na bem

cimento dos operadores de ambos. Nos tempos da Segun-

pudesse ser alterada de maneira simples. Métodos manuais, através de perfuração e leitu-

volvimento Científico e Tecnológico (CNPq) têm apoiado projetos acadêmicos

sucedida parceria CGEGAR-ITA no que tange a outros programas de pós-graduação

da Guerra Mundial, os técnicos alemães desenvolveram

ra de fitas de papel (como em um teletipo) ou mesmo inserção direta ao no painel do

há muitos anos e são co-patrocinadores em potencial. Internamente, pode-se pensar em

lato-sensu. Os meios necessários para a viabilização deste programa foram analisa-

dispositivos de auxílio à navegação com o propósito de

aparelho, possibilitaram a programação. Ao mesmo tempo, e pelas mesmas razões, a pro-

parceria com a Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo (DEPV), justificada pela

dos e percebeu-se que, viabilizando o projeto de adequação de infra-estrutura do ITA,

se alcançar o ponto de bombardeio, sobre a Inglaterra,

blemática de consecução e armazenamento dos dados necessários foi ganhando vulto.

abertura de vagas no programa de pós-graduação para oficiais daquela diretoria. A

e estabelecendo algumas parcerias é possível levantar recursos para a manutenção de

com um mínimo de erro, mesmo em condições de vôo por

A separação dos dados que, utilizados, surtiram o efeito desejado (dado aparente-

Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) também po-

uma formação acadêmica de alto nível.

instrumentos. Para se defenderem, os ingleses se viram

mente correto) daqueles que não e daqueles duvidosos tornou-se uma tarefa inviável de

deria se beneficiar da área acadêmica, uma vez que seus programas envolvem, entre

Referências Bibliográficas

forçados a criar aparatos equivalentes, dedicados a causa-

se cumprir manualmente, mantendo-se a qualidade e agilidade requeridas para o proces-

outros, as aeronaves do SIVAM e equipamentos de guerra eletrônica do A-1 e AL-

[1] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. MMA 500-1, Princípios de Guerra Eletrô-

rem perturbações naqueles sistemas, lançando, assim, as

so. Daí nasceu a necessidade de utilização dos bancos de dados informatizados.

X. A Comissão para Coordenação do Projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia

nica, [sl:sn], abril, 1997.

bases da Guerra Eletrônica como a conhecemos hoje. A

Com a aquisição de modernas aeronaves que incorporam equipamentos de GE, tais

(CCSIVAM) também pode ser parceira no sentido de viabilizar recursos, uma vez que

[2] NARCÉLIO, R.R. Guerra Eletrônica, Prospecção de Cenário, Centro de Guerra

cada novo equipamento alemão, todo um trabalho MAGE

como o P-95 e o A-1, esta necessidade de bancos de dados se fez sentir em nossa For-

os profissionais formados poderão ser envolvidos diretamente no planejamento,

Eletrônica do COMGAR, Brasília, outubro, 1997. 43p.

(Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica) era levado a cabo, com vistas a determinar as

ça. Algumas tentativas isoladas de criação de bancos locais não lograram o êxito desejado

integração e aproveitamento dos recursos do SIVAM.

[3] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. Po-

características daquele sistema, para que se pudesse desenvolver as CME

e, às portas do terceiro milênio, ainda não dispúnhamos de meios organizados e

Neste contexto, um esforço pode ser feito para a captação de meios necessários

lítica da Aeronáutica, [sl:sn], Brasília, 1998. (DMA 14-5)

(Contramedidas Eletrônicas) necessárias. Este ciclo de medidas eletrônicas “ca-

sistêmicos para consecução obtenção e armazenamento dos dados. Vimos como, ao

para viabilizar um programa de mestrado e doutorado em GE, de alto nível, utilizando

[4] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. Por-

sadas” durou bastante tempo. A primeira geração de RWR, utilizada até a década de

longo do tempo, os equipamentos de GE se

como espinha dorsal a formação de profissionais que contribuam para a evolução dos

taria No 304 / GM3. [sl:sn], Brasília, maio, 1998. (Criação do CEAAE no ITA).

setenta, apresentava equipamentos construídos e ajustados para o alarme de

diversos órgãos citados acima, e, principalmente para o engrandecimento do país.

[5] PIERRE MATTEI, A.L. Seção de Guerra

um sistema específico. Cada mudança nos parâmetros da ameaças a serem alertadas

Conclusão

Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica: Proposta de Implantação. Esco-

O Capitão Fernando Nogueira Ventura é piloto de patrulha, concluiu o CFOAv em 1987 e exerce atualmente a função de chefe da Seção de Inteligência de

Guerra

Eletrônica

do

CGEGAR, onde é responsável pelo desenvolvimento do Projeto Dédalo (Banco de Dados Corporativo de Guerra Eletrônica). Possui cursos de Guerra Eletrônica no Brasil, na França e na Inglaterra e pós-graduação em Análise de Sistemas (UNEB – Brasília).

14

fig 1

requeria mudanças físicas nos equipamentos. Entre estes equipamentos, podemos

As empresas e organizações estão sem-

citar o britânico “Blue Saga”, que equipa-

pre perseguindo a evolução e o crescimen-

la de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (EAOAR), Rio de Janeiro, maio, 1999. 25p. (CAP 1/99). ○

23


Spectrum

Spectrum

lhos devem ser orientados por um Professor

bém podem ser aproveitadas. Novas matéri-

tornaram dependentes dos dados. Já concor-

mos alugar as fitas, uma única tabela com um

Doutor do ITA, por força de legislação, e podem ser co-orientados por profissionais das

as podem ser criadas sem grande esforço, aproveitando-se a experiência dos professo-

damos, também, em haver a necessidade de um banco de dados para o armazenamento.

registro por fita não seria suficiente. Precisaríamos de arquivos para registrar clientes, for-

diversas células do Sistema de Guerra Eletrônica da Aeronáutica (SIGEA), de acordo com

res do ITA e oficiais do CGEGAR, facilitando a composição de um currículo adequado, que

Mas, que banco de dados é este? Quais as características desejáveis? Quais as vanta-

necedores, pedidos, empregados, contabilidade, contas a pagar e outros.

o assunto. Esta parceria pode ser muito eficiente, no sentido de utilizar os conhecimen-

pode e deve ser atualizado à medida que mudam os cenários e se identificam novas ne-

gens advindas do seu uso?

tos acadêmicos dos professores do ITA (orientadores), juntamente com o conheci-

cessidades. A criação de uma seção de guerra eletrônica no ITA está sendo proposta [5],

mento operacional dos membros do SIGEA como co-orientadores.

com o objetivo principal de coordenar as atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimen-

Bancos de Dados Corporativos

É fácil identificar ainda subprodutos deste programa, como, por exemplo, a partici-

to e atuar na captação de recursos e recrutamento de pessoal qualificado para atuar na

Banco de dados, numa primeira impressão, nos parece uma

pação dos professores do ITA em projetos de interesse da GE, como já vem acontecendo

área de GE. Os meios laboratoriais e a infra-estrutura

mera aglomeração de dados armazenados em um computador. Segundo Vaskevitch,

cliente, quando a fita saiu, quando deve retornar, quando real-

de maneira informal. Algumas atividades, tais como assessoria, participação em cursos

necessária para os programas de pós-graduação já fazem parte de um projeto de moder-

“um banco de dados é tanto uma ferramenta quanto a informação com a qual a ferramenta

mente retornou. Considerando a caracterização da fita alugada, temos que identificá-la

operacionais, palestras e especificação de equipamentos, permitem estabelecer uma re-

nização, implementação e adequação da estrutura da Divisão de Engenharia Eletrônica

trabalha” (1) . Isso significa dizer que, para ser considerador um banco de dados, aque-

por exemplar. Que tal o título e o número da cópia? Uma solução possível, mas estaremos

lação de compromisso que tem como resultado final a melhoria do profissionalismo pra-

do ITA, criado para dar suporte ao CEAAE. Desta forma, ao se viabilizar este projeto, ter-

le aglomerado de dados necessita incorporar uma estrutura regular que permita a in-

armazenando muitas informações duplicadas, visto que tais informações já constam em

ticado atualmente na Força Aérea. Além disso, a médio prazo, formar-se-ia uma massa

se-á automaticamente os meios acadêmicos para a implementação do Mestrado.

terpretação dos registros. A descrição desta estrutura, armazenada juntamente com o

nossa primeira tabela. E o cliente, como identificar? Usando o nome? E se dois clientes ti-

crítica de profissionais titulados, capazes de dar continuidade ao processo

Seria incompleto, contudo, analisar os meios necessários para a implantação do programa

dado, permite a todas as ferramentas entenderem o banco, ou tabela, sem mesmo nun-

verem o mesmo nome? O endereço? E se ele se mudar ou dois clientes diferentes morarem

de formação acadêmica. A avaliação das possibilida-

de mestrado sem considerar acomodações para os “alunos”. O CTA possui residências

ca terem visto esta tabela antes. Então é fácil, ago-

no mesmo endereço? O dado inserido está de acordo com o cadastro geral, ou estou

des de execução da proposta tem como maior óbice a escas-

para obrigar os oficiais alunos dos diversos cursos que promove. A Prefeitura de Aero-

Com a aquisição de modernas aeronaves que incorpo-

ra, começar a fazer um banco de dados

duplicando informação sobre o mesmo item? Tudo isso se resolve através de um siste-

sez de recursos enfrentada atualmente. Porém, é possível verificar que o

náutica de São José dos Campos previu que é possível dispor de 6 a 8 apartamentos para

ram equipamentos de GE, tais como o P-95 e o A-1, a ne-

para a Guerra Eletrônica? Absolutamen-

ma de referência, utilizando-se códigos de cadastro exclusivos tanto para fitas quanto para

pequeno investimento a ser feito para a efetivação deste programa trará retorno de

apoiar o programa em questão. Além disso é possível abrigar mais alunos nos hotéis de

cessidade de bancos de dados se fez sentir em nossa

te não. O conceito acima, apesar de

clientes, fornecedores, pedidos e empregados. Ao montarmos o registro do aluguel, só pre-

valor incalculável.

trânsito do CTA. Outro problema não pode deixar de ser

Força.

correto, não expressa a maior dificulda-

cisamos fazer uma referência àquele código. Automaticamente, todas as informações rela-

O pequeno investimento a ser feito para a efetivação deste programa trará retorno de valor incalculável

22

Para registrar o aluguel, precisaremos de outra espécie de tabela, contendo uma entrada para cada operação, que registre filme,

Meios

analisado. A parceria CGEGAR-ITA exigirá constantes encontros, reuniões e experimen-

de na concepção dos bancos de dados, decorrente da sua principal característica: os

cionadas passarão a fazer parte do registro. Assim, nosso registro de aluguel depende dos

O ITA mantém há mais de 30 anos programas de pós-graduação plena com um ex-

tos onde é imperativa a presença de profissionais dos dois órgãos. O processo de co-ori-

relacionamentos. Para ilustrar, suponha uma coleção de fitas de vídeo, a qual desejamos

registros de cliente e fita. As três tabelas estão vinculadas; há uma relação definida en-

tenso currículo de matérias que podem ser aproveitadas sem mudanças no programa

entação a ser realizado pelos membros do SIGEA exige um contato estreito entre estes,

catalogar em um banco de dados. Montaremos então uma tabela que apresenta uma

tre os arquivos. Em vez de duplicar os dados no registro de aluguel, simplesmente vincu-

proposto. O CEAAE, por sua vez, possui um elenco de matérias que já foram adaptadas

os alunos e os orientadores do ITA. A participação em congressos, visitas técnicas, busca

estrutura de registros composta por campos como título, diretor, duração, gênero, núme-

lamos as tabelas. É o que se chama “Banco de Dados Relacional”.

para atender às necessidades da GE e tam-

de meios para viabilizar os trabalhos, são ati-

ro da cópia, etc. Se, mais tarde, desejásse-

Numa empresa, não se pode trabalhar com

15


Spectrum

Spectrum

dados discrepantes. O registro de um funci-

Teatro de Operações, dados para simulações

ses cursos geram conhecimentos e provocam

parceria bem sucedida entre o CGEGAR e o

onário tem que apresentar o mesmo salário, nome e lotação na tesouraria e na seção de

de situações operacionais e resultados dessas em forma de missões pré programadas.

a evolução. Considerando que é de responsabilidade exclusiva da Aeronáutica buscar

ITA, propõe-se a criação neste Instituto de programas de mestrado e doutorado direcionados

pessoal. Para tal, e também para economia de meios, utilizaremos uma fonte única de

Ao nível estratégico, interessariam informações históricas e globais, resultado de um

a excelência na aplicação do Poder Aeroespacial em ambiente de Guerra, a pós-

para a Guerra Eletrônica. A idéia central é proporcionar, inicialmen-

dados. Teremos, assim, o “Banco de Dados Corporativo”. Esta técnica nos interessa, e é

acompanhamento diuturno do panorama internacional.

graduação em GE é um passo para o cumprimento dessa tarefa.

te, uma formação mais generalista, visando uma elevação de nível cultural, profissional e

o que se propõe, na medida em que a informação adquirida por um Esquadrão de

Um Banco de Dados Corporativo de Guerra Eletrônica deverá incorporar docu-

A Fundação Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CA-

um conhecimento de áreas afins à atividade de guerra eletrônica, através de uma seleção

SIGINT tem que estar disponível para todas as demais, não

mentação doutrinária que garanta um processo perene de busca de dados através de

PES), mantém programas de pós-graduação stricto sensu, nos níveis de mestrado e dou-

de matérias, tais como introdução à Guerra Eletrônica (atualmente ministrado no Curso

podendo, pois, ficar residente em um banco de dados local e

consultas a fontes abertas, missões de SIGINT levadas a cabo ao longo de toda a

torado, que visam preparar profissionais capazes de elaborar técnicas e processos, identi-

Básico de Guerra Eletrônica - CBGE), metodologia científica, princípios de adminis-

isolado. É a integridade. Da mesma forma, sendo esta informação consi-

fronteira e missões de treinamento em operações navais, bem como em viagens inter-

ficar e solucionar problemas, gerar conhecimentos e técnicas de pesquisa científica e

tração voltados à gerência da guerra, pesquisa operacional, introdução ao comando e

derada muito confiável, não se pode admitir que outras aeronaves tenham informações di-

nacionais, participações em feiras, etc. Deverá, ainda, estar em condições de for-

tecnológica. Considerar esta opção abre um novo espaço para a formação acadêmica

controle, introdução aos circuitos e sistemas eletrônicos, princípios de

“Conhece a ti e ao teu inimigo e não devereis temer o resultado de cem batalhas”

ferentes desta, ou mesmo diferentes entre si. É a consistência. Agora que já sabemos o que é um banco de dados corporativo e suas princi-

necer informações a todos os equipamentos de GE que venham a constar do acer-

direcionada a GE. Neste contexto,

eletromagnetismo, princípios de telecomunicações, ante-

vo da FAB, em qualquer faixa do espectro eletromagnético, e

identifica-se como cliente do processo

nas, princípios de f o t ô n i c a ,

pais características, podemos então discutir uma propos-

qualquer que seja o operador do equipa-

de pós-graduação a Força Aérea, mais es-

processamento de sinal radar,

ta que permitirá um gerenciamento das infor-

mento. Isto exige um funcionamento

pecificamente o COMGAR, que é o res-

comunicação, navegação e

mações de GE de maneira otimizada.

sistêmico do qual decorrem determinadas

ponsável pelo preparo e emprego da Força Aérea.

vigilância, armamentos in-

Características Necessárias

teligentes, comunicação digital e inteligência artificial. Este elenco

Apesar de centralizado fisicamente, este banco de dados necessita de ferramentas e

conseqüência, responsabiliza-se pela execução das ações militares aeroespaciais do Mi-

de matérias, além de abranger áreas do conhecimento importantíssimas para emprego

Além de integridade e consistência, o banco de dados corporativo de GE proposto para

recursos de rede que permitam a alimentação de eventual dado novo diretamente

nistério da Defesa. Ao COMGAR compete o comandamento, o planejamento, a direção,

nas atividades de GE, permite o aproveitamento de disciplinas já oferecidas pelo ITA nos

a FAB precisa incorporar algumas características específicas, derivadas das nossas possi-

pela organização que o conseguiu. Para tal, sugere-se o uso de uma rede interna da Aero-

a fiscalização, a coordenação, a execução e a avaliação do emprego de todas as Unida-

cursos de pós-graduação plena e no CEAAE, além das oferecidas pelo CGEGAR no CBGE.

bilidades e doutrina. Inicialmente, ele precisa prover de informações não só o nível táti-

náutica a INTRAER/TELESAT. Da mesma forma, deve-se acessar os dados diretamente, a partir

des da Força Aérea Brasileira. O Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR, por sua vez,

A estrutura de programas de pós-graduação exige ainda a execução de trabalhos de tese,

co como o operacional e o estratégico, visando ao máximo de consistência. Ao nível

de qualquer Base Aérea, seja em sede ou em desdobramento, sendo necessário também o

coordena, planeja e fiscaliza as atividades de GE, como, entre outras, a formação de recur-

cujos temas e áreas podem ser coordenados pela FAB, direcionando os alunos para a rea-

tático, seriam fornecidas informações detalhadas, necessárias à programação dos equi-

acesso desde a partir de localidades desprovidas de rede de comunicações convencionais,

sos humanos. Levando-se em conta as necessidades

lização de trabalhos que abordem problemas reais da GE, identifiquem novos problemas e

pamentos embarcados e ao planejamento informatizado de missão. Ao operacional,

através do uso de satélites. Deve-se antever a possibilidade de deterioração das comunica-

identificadas na seção anterior, no sentido de buscar excelência na formação de pessoal

sugiram caminhos para sua solução ou, ainda, explorem novas áreas do conhecimento

para atuar na área de GE, e aproveitando a

que possam ser aplicadas a GE. Estes traba-

dados referentes às alternativas dentro de um 16

Este Comando detém os principais meios aéreos e, em

necessidades em termos de comunicações digitais.

Continua na pág. 33 ○

21


Spectrum

Spectrum

Recursos Humanos de Guerra Eletrônica Ari Robinson Tomazini, Maj.-Av. CGEGAR

destacadas:

glaterra. Verificou-se, no entanto, que esta for-

a. Identificação e solução de problemas operacionais e técnicos através de método

mação, apesar de necessária, não era suficiente para atender a todas as necessidades ci-

científico; b. Geração de conhecimento operacional e

Barbosa Oliveira e pelo Cap.-

anos cursos específicos sobre Guerra Eletrônica. Tais cursos

Av. Orlando Alves Máximo. Análise dos padrões de cores

tadas acima. Esta deficiência levou o CGEGAR a procurar

objetivam capacitar militares e civis de diversos níveis a entender e explorar as interações

que reduzem, ao máximo, a probabilidade de detecção vi-

técnico na área da Guerra Eletrônica; c. Composição de um corpo docente qua-

uma parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica

que ocorrem no ambiente eletromagnético e a gerar novos conhecimentos que serão apli-

sual, de acordo com os tipos de emprego, cenário e aero-

lificado para manter cursos

(ITA), para proporcionar a realização de um curso de

cados em suas unidades. Os cursos básicos de Guerra Eletrônica são ministrados no GITE

nave.

pós-graduação em Guerra

em Natal-RN, para oficiais e graduados. O Curso de Planejamento de Guerra Eletrônica

b) “Uso da Realidade Virtual como auxílio ao Treinamento

O Major Ari Robinson Tomazini

Eletrônica, inicialmen-

é realizado no próprio QG do COMGAR, para oficiais superiores.

Militar”, Cap.-Av. Claudionei Quaresma LIMA, orientado

CFOAv em 1985 e exerce atual-

te no nível de especialização. Foi criado

Esses cursos constam da TCA 37-4 (Cursos e Estágios do COMGAR). Apesar de

pelo Prof. Dr. Karl Heinz Kienitz. Fundamentos da Re-

ção de Recursos Humanos do

aquisição e atualização dos equipamentos de Guerra Ele-

então o Curso de Especialização em Análise de Ambiente Eletromagnético (CEAAE), com

gerenciados pelo COMGAR, por meio do Centro de Guerra Eletrônica, são abertos a

alidade Virtual e os dispositivos de interface entre o ho-

Guerra Eletrônica no Brasil e na

trônica; e. Preparação de pessoal para absorver

duração de 1 ano e um modelo capaz de unir as áreas operacional e acadêmica [4].

militares e civis de todos os setores do Comando da Aeronáutica e das demais For-

mem e a máquina visando propiciar a imersão e

análise e projeto de sistemas

tecnologia e utilizar cientificamente os recursos do Sistema de Vigilância da Amazônia

Cabe ressaltar que o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, uma das escolas mais con-

ças Armadas. Os interessados em compreender melhor a guerra moderna devem so-

interação num mundo sintético, com destaque para as apli-

duação em Engenharia de Siste-

(SIVAM) para atividades de GE; f. Capacitação de pessoal para atuar nos

ceituadas do país no ensino da engenharia, é uma escola de excelência do Ministério da

licitar inscrição ao COMGAR / CGEGAR dentro dos prazos indicados na TCA.

cações de interesse militar, mostrando protocolos e arqui-

Royal Military College of

processos de transferência de tecnologia, operação e utilização dos sistemas d’armas que

Aeronáutica e possui um dos mais antigos programas de pós-graduação do Brasil. Essas qua-

Além destes, existe a parceria COMGAR e ITA, oficializada através da portaria 304/

teturas típicos de aplicações militares.

estão sendo adquiridos pela FAB; g. Elevação de nível e mudan-

lidades garantiram para os alunos (oficiais e civis) do primeiro CEAAE (módulo piloto) além

GM3 de 7 de maio de 1998, que viabilizou o Curso de Especialização em Análise de

c) “Detecção de Alvos em Imagens de Ra-

ça de mentalidade do pessoal que compõe as células de

de um elevado nível de formação, a produção de trabalhos finais de curso de grande

Ambiente Eletromagnético (em nível de pós-graduação lato sensu). O curso, com

dar de Abertura Sintética”, Cap.-Eng. Fernando MARQUES Junior, orientado pelo

Guerra Eletrônica; h. Interfacear as necessidades

importância para a Guerra Eletrônica. O sucesso e a experiência adquiridas com

duração de sete meses, está na sua segunda turma e já produziu novos conhecimen-

Prof. Dr. David Fernandes. Técnicas para a detecção de alvos em imagens de Radar

do setor operacional com as possibilidades do setor de pes-

o CEAAE, além da evolução no processo de formação acadêmica, necessidade identificada

tos de inquestionável valor para as Forças Armadas. Os militares e a civil formados

de Abertura Sintética (SAR, “Synthetic Aperture Radar”) através de processadores

quisa e desenvolvimento na área de Guerra Eletrônica; e

anteriormente, nos leva a propor a implantação de um curso de pós-graduação no nível

voltaram para suas unidades de origem com uma excelente bagagem de conhecimentos

com característica CFAR (“Constant False

i. Tornar a operação da Força mais científica e profissional.

de Mestrado.

e estão aptos para se desenvolver nessa área, como bem demonstram os trabalhos

nos diversos níveis. d. Composição de equipes técnicas para manter processos de

A formação no nível de pós-graduação no mundo só é realizada por organizações ou entidades que desejam buscar excelência nas suas áreas de atuação, pois os resultados desses cursos geram conhecimentos e provocam a evolução

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra Eletrônica

Um esforço para suprir estas necessidades levou o Comando Geral do Ar

20

O

COMGAR ministra há mais de dez

A formação no nível de pós-graduação no

onde foram realizados por alguns oficiais cursos de pós-graduação, de caráter científi-

mundo só é realizada por organizações ou entidades que desejam buscar excelência nas

a) “Camuflagem de Aeronaves”, Cap.-Av. José Augusto Ferreira Pe-

co e operacional, nos Estados Unidos e In-

suas áreas de atuação, pois os resultados des-

reira, orientado pelo Prof.-Dr. José Edimar

mente a função de chefe da SeCGEGAR. Possui cursos de Inglaterra, pós-graduação em (GFI/UNB - Brasília) e pós-gramas Eletrônicos Militares na Science (Inglaterra).

monográficos de final de curso realizados, tais

(COMGAR), inicialmente, a um período de importação de conhecimento do exterior,

é piloto de patrulha, concluiu o

como:

17


Spectrum

Spectrum

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra Eletrônica no ITA: Proposta de Implantação Alarm Rate”), com a proposta de um pro-

f) “Descrição de dados operacionais e téc-

cesso de filtragem de imagens SAR visando a detecção de alvos.

nicos da Aeronave EMB-145 RS, do SIVAM, visando sua operação no nível de Unidade

d) “Emprego do Radar ERIEYE da Aerona-

Aérea”, Ten.-Av. MARCIO Mattos Teixeira, orientado pelo Prof. Dr. David Fernandes e

ve de Vigilância Aérea EMB-145 do SIVAM, Uma proposta de emprego pela Unidade

pelo Cap.-Av. Orlando Alves Máximo Descrição dos principais

Aérea”, 1º Ten.-Av. Fernando Augusto Maschio de SIQUEIRA, orientado pelo Prof.

equipamentos e sensores da aerona-

Dr. David Fernandes, pelo

ve EMB145 RS do SIVAM, visando

Maj.-Av. José E d u a r d o

seu emprego na unidade aérea,

Portella Almeida e pelo Cap.-Av.

Fábio Durante Pereira Alves, Cap.-Av. CGEGAR

A Guerra é a continuação da política do Estado por meios violentos, cuja vitória só será alcançada se forem atingidos os objetivos políticos e não necessariamente se for realizada a destruição em massa do inimigo.

A

guerra moderna, ou seja, guerra da informação, depende de recursos

ou seja, direcionada aos futuros tripulantes operacionais

Nilson Perini. Aspectos técnicos de um sistema radar, com as particularidades de sua

desta aeronave.

equação, características de missões e objetivos de Controle e Alarme Aéreo Ante-

g) “Uso da Inteligência Artificial em Ambiente de Combate Eletrônico”, Pesq. Berenice

cipado; dados e características técnicas e operacionais do SISTEMA ERIEYE e seus

Jussara Kerber Cavalcante Lemos, orientada pelo Prof. Dr. Karl Heinz Kienitz. Utilização

sub-sistemas; análise dos dados e cálculo do alcance mínimo e máximo para dife-

da Inteligência Artificial em aplicações militares em desenvolvimento e outras já em ple-

rentes alvos; descrição dos procedimentos a serem empregados durante a realização

na utilização, com ênfase nas tecnologias de IA mais utilizadas nas aplicações de interesse

das diversas missões; o emprego do R-99A em um contexto de Defesa Aérea em dois

militar, como Redes Neurais e Sistemas Especialistas, além da Robótica.

diferentes cenários: um SIVAM e outro tático.

A evolução natural desse quadro é a

e) “Análise de Receptor Acústico-óptico

montagem, já em estágio avançado, de cursos de pós-graduação stricto sensu

para aplicações em Guerra Eletrônica”, 1º Ten-Av. Antônio Ferreira de LIMA JÚNIOR,

(mestrado e doutorado) em Guerra Eletrônica no ITA, o que permitirá o mais alto grau

orientado pelo Prof. Dr. José Edimar Barbosa Oliveira e pelo Cap.-Av. André Luiz Pierre

de especialização em assuntos ligados diretamente à área da guerra atual.

receptor acústico-óptico, com resultados significativos na determinação do ângulo de chegada de um sinal de microondas. A análise revela como os parâmetros da célula A implantação do CEAAE no ITA tornou possível a utilização do simulador de ameaças TS-100+ Excalibur na caracterização do RWR do A-1

qüência e a precisão do ângulo de chegada. 18

O Capitão Fábio Durante Perei-

tecnológicos de comunicação, de suporte à decisão e de processamento de dados

Atualmente, a capacitação de recursos humanos em Guer-

em tempo real para atingir objetivos bem definidos. Isto permite concluir que o domínio

ra Eletrônica tem por finalidade preparar o pessoal da aero-

do espectro eletromagnético é vital para a consecução destes objetivos.

náutica para entender melhor e explorar as interações nos am-

A Guerra Eletrônica compreende ações que apoiam operações militares contra o po-

bientes de guerra. Para este fim, nos últimos anos, os currículos

tencial eletromagnético do inimigo e em proteção do nosso. Estas ações, que servem para

das escolas de formação, aperfeiçoamento e comando e esta-

prevenir a guerra ou defini-la, uma vez iniciada, exigem o conhecimento sobre as emis-

do-maior têm sido atualizados e reestruturados, além da manutenção de vá-

sões inimigas, contramedidas de comando, controle e comunicações e supres-

rios cursos de Guerra Eletrônica, em vários níveis. Entretanto, percebeu-se que estas ati-

ra Alves é piloto de helicóptero especializado em resgate, concluiu o CFOAv em 1986 e exerce atualmente a função de adjunto ao CGEGAR. É Engenheiro Eletrônico e Mestre em Ciências pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e possui o curso Básico de Guerra Eletrônica.

são da defesa aérea inimiga [1].

vidades não eram suficientes

A atividade de Guerra Ele-

para se atingir a excelência, o

trônica abrange todos os níveis

que originou a necessidade de

da guerra. No nível estratégico, com

buscar o ensino acadêmico.

base na prospecção de cenários [2], são produzidas concepções para

Mattei. Descrição e análise do receptor acústico-óptico e análise de componentes de um

“Bragg”, da lente de Fourier e da rede de fotodetectores afetam a resolução em fre-

em níveis compatíveis com os cenários atuais e futuros [2].

Ensino Acadêmico

se atingir os objetivos políticos [3], empregando a Força. Neste nível definem-se as po-

Por ensino acadêmico entende-se o ensi-

líticas de formação e capacitação de recursos humanos para o ambiente de guerra, além da

no científico que busca as bases do conhecimento, normalmente de responsabilidade das

política de desenvolvimento ou aquisição de material e da política para abordagem

universidades (graduação e pós-graduação). Neste contexto, identificou-se a necessidade

metodológica e tecnológica de Comando e Controle. Vários níveis de formação são ne-

de se buscar o ensino acadêmico, no nível de pós-graduação, visando a excelência no do-

cessários para capacitar equipes capazes de analisar, planejar e executar ações que per-

mínios de assuntos relacionados com a guerra. Algumas necessidades que levaram o

mitam levar a cabo as políticas descritas acima e manter a atividade de guerra eletrônica

COMGAR a buscar a formação científica para capacitar pessoal da Força Aérea podem ser

19


Spectrum

Spectrum

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra Eletrônica no ITA: Proposta de Implantação Alarm Rate”), com a proposta de um pro-

f) “Descrição de dados operacionais e téc-

cesso de filtragem de imagens SAR visando a detecção de alvos.

nicos da Aeronave EMB-145 RS, do SIVAM, visando sua operação no nível de Unidade

d) “Emprego do Radar ERIEYE da Aerona-

Aérea”, Ten.-Av. MARCIO Mattos Teixeira, orientado pelo Prof. Dr. David Fernandes e

ve de Vigilância Aérea EMB-145 do SIVAM, Uma proposta de emprego pela Unidade

pelo Cap.-Av. Orlando Alves Máximo Descrição dos principais

Aérea”, 1º Ten.-Av. Fernando Augusto Maschio de SIQUEIRA, orientado pelo Prof.

equipamentos e sensores da aerona-

Dr. David Fernandes, pelo

ve EMB145 RS do SIVAM, visando

Maj.-Av. José E d u a r d o

seu emprego na unidade aérea,

Portella Almeida e pelo Cap.-Av.

Fábio Durante Pereira Alves, Cap.-Av. CGEGAR

A Guerra é a continuação da política do Estado por meios violentos, cuja vitória só será alcançada se forem atingidos os objetivos políticos e não necessariamente se for realizada a destruição em massa do inimigo.

A

guerra moderna, ou seja, guerra da informação, depende de recursos

ou seja, direcionada aos futuros tripulantes operacionais

Nilson Perini. Aspectos técnicos de um sistema radar, com as particularidades de sua

desta aeronave.

equação, características de missões e objetivos de Controle e Alarme Aéreo Ante-

g) “Uso da Inteligência Artificial em Ambiente de Combate Eletrônico”, Pesq. Berenice

cipado; dados e características técnicas e operacionais do SISTEMA ERIEYE e seus

Jussara Kerber Cavalcante Lemos, orientada pelo Prof. Dr. Karl Heinz Kienitz. Utilização

sub-sistemas; análise dos dados e cálculo do alcance mínimo e máximo para dife-

da Inteligência Artificial em aplicações militares em desenvolvimento e outras já em ple-

rentes alvos; descrição dos procedimentos a serem empregados durante a realização

na utilização, com ênfase nas tecnologias de IA mais utilizadas nas aplicações de interesse

das diversas missões; o emprego do R-99A em um contexto de Defesa Aérea em dois

militar, como Redes Neurais e Sistemas Especialistas, além da Robótica.

diferentes cenários: um SIVAM e outro tático.

A evolução natural desse quadro é a

e) “Análise de Receptor Acústico-óptico

montagem, já em estágio avançado, de cursos de pós-graduação stricto sensu

para aplicações em Guerra Eletrônica”, 1º Ten-Av. Antônio Ferreira de LIMA JÚNIOR,

(mestrado e doutorado) em Guerra Eletrônica no ITA, o que permitirá o mais alto grau

orientado pelo Prof. Dr. José Edimar Barbosa Oliveira e pelo Cap.-Av. André Luiz Pierre

de especialização em assuntos ligados diretamente à área da guerra atual.

receptor acústico-óptico, com resultados significativos na determinação do ângulo de chegada de um sinal de microondas. A análise revela como os parâmetros da célula A implantação do CEAAE no ITA tornou possível a utilização do simulador de ameaças TS-100+ Excalibur na caracterização do RWR do A-1

qüência e a precisão do ângulo de chegada. 18

O Capitão Fábio Durante Perei-

tecnológicos de comunicação, de suporte à decisão e de processamento de dados

Atualmente, a capacitação de recursos humanos em Guer-

em tempo real para atingir objetivos bem definidos. Isto permite concluir que o domínio

ra Eletrônica tem por finalidade preparar o pessoal da aero-

do espectro eletromagnético é vital para a consecução destes objetivos.

náutica para entender melhor e explorar as interações nos am-

A Guerra Eletrônica compreende ações que apoiam operações militares contra o po-

bientes de guerra. Para este fim, nos últimos anos, os currículos

tencial eletromagnético do inimigo e em proteção do nosso. Estas ações, que servem para

das escolas de formação, aperfeiçoamento e comando e esta-

prevenir a guerra ou defini-la, uma vez iniciada, exigem o conhecimento sobre as emis-

do-maior têm sido atualizados e reestruturados, além da manutenção de vá-

sões inimigas, contramedidas de comando, controle e comunicações e supres-

rios cursos de Guerra Eletrônica, em vários níveis. Entretanto, percebeu-se que estas ati-

ra Alves é piloto de helicóptero especializado em resgate, concluiu o CFOAv em 1986 e exerce atualmente a função de adjunto ao CGEGAR. É Engenheiro Eletrônico e Mestre em Ciências pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica e possui o curso Básico de Guerra Eletrônica.

são da defesa aérea inimiga [1].

vidades não eram suficientes

A atividade de Guerra Ele-

para se atingir a excelência, o

trônica abrange todos os níveis

que originou a necessidade de

da guerra. No nível estratégico, com

buscar o ensino acadêmico.

base na prospecção de cenários [2], são produzidas concepções para

Mattei. Descrição e análise do receptor acústico-óptico e análise de componentes de um

“Bragg”, da lente de Fourier e da rede de fotodetectores afetam a resolução em fre-

em níveis compatíveis com os cenários atuais e futuros [2].

Ensino Acadêmico

se atingir os objetivos políticos [3], empregando a Força. Neste nível definem-se as po-

Por ensino acadêmico entende-se o ensi-

líticas de formação e capacitação de recursos humanos para o ambiente de guerra, além da

no científico que busca as bases do conhecimento, normalmente de responsabilidade das

política de desenvolvimento ou aquisição de material e da política para abordagem

universidades (graduação e pós-graduação). Neste contexto, identificou-se a necessidade

metodológica e tecnológica de Comando e Controle. Vários níveis de formação são ne-

de se buscar o ensino acadêmico, no nível de pós-graduação, visando a excelência no do-

cessários para capacitar equipes capazes de analisar, planejar e executar ações que per-

mínios de assuntos relacionados com a guerra. Algumas necessidades que levaram o

mitam levar a cabo as políticas descritas acima e manter a atividade de guerra eletrônica

COMGAR a buscar a formação científica para capacitar pessoal da Força Aérea podem ser

19


Spectrum

Spectrum

Recursos Humanos de Guerra Eletrônica Ari Robinson Tomazini, Maj.-Av. CGEGAR

destacadas:

glaterra. Verificou-se, no entanto, que esta for-

a. Identificação e solução de problemas operacionais e técnicos através de método

mação, apesar de necessária, não era suficiente para atender a todas as necessidades ci-

científico; b. Geração de conhecimento operacional e

Barbosa Oliveira e pelo Cap.-

anos cursos específicos sobre Guerra Eletrônica. Tais cursos

Av. Orlando Alves Máximo. Análise dos padrões de cores

tadas acima. Esta deficiência levou o CGEGAR a procurar

objetivam capacitar militares e civis de diversos níveis a entender e explorar as interações

que reduzem, ao máximo, a probabilidade de detecção vi-

técnico na área da Guerra Eletrônica; c. Composição de um corpo docente qua-

uma parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica

que ocorrem no ambiente eletromagnético e a gerar novos conhecimentos que serão apli-

sual, de acordo com os tipos de emprego, cenário e aero-

lificado para manter cursos

(ITA), para proporcionar a realização de um curso de

cados em suas unidades. Os cursos básicos de Guerra Eletrônica são ministrados no GITE

nave.

pós-graduação em Guerra

em Natal-RN, para oficiais e graduados. O Curso de Planejamento de Guerra Eletrônica

b) “Uso da Realidade Virtual como auxílio ao Treinamento

O Major Ari Robinson Tomazini

Eletrônica, inicialmen-

é realizado no próprio QG do COMGAR, para oficiais superiores.

Militar”, Cap.-Av. Claudionei Quaresma LIMA, orientado

CFOAv em 1985 e exerce atual-

te no nível de especialização. Foi criado

Esses cursos constam da TCA 37-4 (Cursos e Estágios do COMGAR). Apesar de

pelo Prof. Dr. Karl Heinz Kienitz. Fundamentos da Re-

ção de Recursos Humanos do

aquisição e atualização dos equipamentos de Guerra Ele-

então o Curso de Especialização em Análise de Ambiente Eletromagnético (CEAAE), com

gerenciados pelo COMGAR, por meio do Centro de Guerra Eletrônica, são abertos a

alidade Virtual e os dispositivos de interface entre o ho-

Guerra Eletrônica no Brasil e na

trônica; e. Preparação de pessoal para absorver

duração de 1 ano e um modelo capaz de unir as áreas operacional e acadêmica [4].

militares e civis de todos os setores do Comando da Aeronáutica e das demais For-

mem e a máquina visando propiciar a imersão e

análise e projeto de sistemas

tecnologia e utilizar cientificamente os recursos do Sistema de Vigilância da Amazônia

Cabe ressaltar que o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, uma das escolas mais con-

ças Armadas. Os interessados em compreender melhor a guerra moderna devem so-

interação num mundo sintético, com destaque para as apli-

duação em Engenharia de Siste-

(SIVAM) para atividades de GE; f. Capacitação de pessoal para atuar nos

ceituadas do país no ensino da engenharia, é uma escola de excelência do Ministério da

licitar inscrição ao COMGAR / CGEGAR dentro dos prazos indicados na TCA.

cações de interesse militar, mostrando protocolos e arqui-

Royal Military College of

processos de transferência de tecnologia, operação e utilização dos sistemas d’armas que

Aeronáutica e possui um dos mais antigos programas de pós-graduação do Brasil. Essas qua-

Além destes, existe a parceria COMGAR e ITA, oficializada através da portaria 304/

teturas típicos de aplicações militares.

estão sendo adquiridos pela FAB; g. Elevação de nível e mudan-

lidades garantiram para os alunos (oficiais e civis) do primeiro CEAAE (módulo piloto) além

GM3 de 7 de maio de 1998, que viabilizou o Curso de Especialização em Análise de

c) “Detecção de Alvos em Imagens de Ra-

ça de mentalidade do pessoal que compõe as células de

de um elevado nível de formação, a produção de trabalhos finais de curso de grande

Ambiente Eletromagnético (em nível de pós-graduação lato sensu). O curso, com

dar de Abertura Sintética”, Cap.-Eng. Fernando MARQUES Junior, orientado pelo

Guerra Eletrônica; h. Interfacear as necessidades

importância para a Guerra Eletrônica. O sucesso e a experiência adquiridas com

duração de sete meses, está na sua segunda turma e já produziu novos conhecimen-

Prof. Dr. David Fernandes. Técnicas para a detecção de alvos em imagens de Radar

do setor operacional com as possibilidades do setor de pes-

o CEAAE, além da evolução no processo de formação acadêmica, necessidade identificada

tos de inquestionável valor para as Forças Armadas. Os militares e a civil formados

de Abertura Sintética (SAR, “Synthetic Aperture Radar”) através de processadores

quisa e desenvolvimento na área de Guerra Eletrônica; e

anteriormente, nos leva a propor a implantação de um curso de pós-graduação no nível

voltaram para suas unidades de origem com uma excelente bagagem de conhecimentos

com característica CFAR (“Constant False

i. Tornar a operação da Força mais científica e profissional.

de Mestrado.

e estão aptos para se desenvolver nessa área, como bem demonstram os trabalhos

nos diversos níveis. d. Composição de equipes técnicas para manter processos de

A formação no nível de pós-graduação no mundo só é realizada por organizações ou entidades que desejam buscar excelência nas suas áreas de atuação, pois os resultados desses cursos geram conhecimentos e provocam a evolução

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra Eletrônica

Um esforço para suprir estas necessidades levou o Comando Geral do Ar

20

O

COMGAR ministra há mais de dez

A formação no nível de pós-graduação no

onde foram realizados por alguns oficiais cursos de pós-graduação, de caráter científi-

mundo só é realizada por organizações ou entidades que desejam buscar excelência nas

a) “Camuflagem de Aeronaves”, Cap.-Av. José Augusto Ferreira Pe-

co e operacional, nos Estados Unidos e In-

suas áreas de atuação, pois os resultados des-

reira, orientado pelo Prof.-Dr. José Edimar

mente a função de chefe da SeCGEGAR. Possui cursos de Inglaterra, pós-graduação em (GFI/UNB - Brasília) e pós-gramas Eletrônicos Militares na Science (Inglaterra).

monográficos de final de curso realizados, tais

(COMGAR), inicialmente, a um período de importação de conhecimento do exterior,

é piloto de patrulha, concluiu o

como:

17


Spectrum

Spectrum

dados discrepantes. O registro de um funci-

Teatro de Operações, dados para simulações

ses cursos geram conhecimentos e provocam

parceria bem sucedida entre o CGEGAR e o

onário tem que apresentar o mesmo salário, nome e lotação na tesouraria e na seção de

de situações operacionais e resultados dessas em forma de missões pré programadas.

a evolução. Considerando que é de responsabilidade exclusiva da Aeronáutica buscar

ITA, propõe-se a criação neste Instituto de programas de mestrado e doutorado direcionados

pessoal. Para tal, e também para economia de meios, utilizaremos uma fonte única de

Ao nível estratégico, interessariam informações históricas e globais, resultado de um

a excelência na aplicação do Poder Aeroespacial em ambiente de Guerra, a pós-

para a Guerra Eletrônica. A idéia central é proporcionar, inicialmen-

dados. Teremos, assim, o “Banco de Dados Corporativo”. Esta técnica nos interessa, e é

acompanhamento diuturno do panorama internacional.

graduação em GE é um passo para o cumprimento dessa tarefa.

te, uma formação mais generalista, visando uma elevação de nível cultural, profissional e

o que se propõe, na medida em que a informação adquirida por um Esquadrão de

Um Banco de Dados Corporativo de Guerra Eletrônica deverá incorporar docu-

A Fundação Coordenação e Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CA-

um conhecimento de áreas afins à atividade de guerra eletrônica, através de uma seleção

SIGINT tem que estar disponível para todas as demais, não

mentação doutrinária que garanta um processo perene de busca de dados através de

PES), mantém programas de pós-graduação stricto sensu, nos níveis de mestrado e dou-

de matérias, tais como introdução à Guerra Eletrônica (atualmente ministrado no Curso

podendo, pois, ficar residente em um banco de dados local e

consultas a fontes abertas, missões de SIGINT levadas a cabo ao longo de toda a

torado, que visam preparar profissionais capazes de elaborar técnicas e processos, identi-

Básico de Guerra Eletrônica - CBGE), metodologia científica, princípios de adminis-

isolado. É a integridade. Da mesma forma, sendo esta informação consi-

fronteira e missões de treinamento em operações navais, bem como em viagens inter-

ficar e solucionar problemas, gerar conhecimentos e técnicas de pesquisa científica e

tração voltados à gerência da guerra, pesquisa operacional, introdução ao comando e

derada muito confiável, não se pode admitir que outras aeronaves tenham informações di-

nacionais, participações em feiras, etc. Deverá, ainda, estar em condições de for-

tecnológica. Considerar esta opção abre um novo espaço para a formação acadêmica

controle, introdução aos circuitos e sistemas eletrônicos, princípios de

“Conhece a ti e ao teu inimigo e não devereis temer o resultado de cem batalhas”

ferentes desta, ou mesmo diferentes entre si. É a consistência. Agora que já sabemos o que é um banco de dados corporativo e suas princi-

necer informações a todos os equipamentos de GE que venham a constar do acer-

direcionada a GE. Neste contexto,

eletromagnetismo, princípios de telecomunicações, ante-

vo da FAB, em qualquer faixa do espectro eletromagnético, e

identifica-se como cliente do processo

nas, princípios de f o t ô n i c a ,

pais características, podemos então discutir uma propos-

qualquer que seja o operador do equipa-

de pós-graduação a Força Aérea, mais es-

processamento de sinal radar,

ta que permitirá um gerenciamento das infor-

mento. Isto exige um funcionamento

pecificamente o COMGAR, que é o res-

comunicação, navegação e

mações de GE de maneira otimizada.

sistêmico do qual decorrem determinadas

ponsável pelo preparo e emprego da Força Aérea.

vigilância, armamentos in-

Características Necessárias

teligentes, comunicação digital e inteligência artificial. Este elenco

Apesar de centralizado fisicamente, este banco de dados necessita de ferramentas e

conseqüência, responsabiliza-se pela execução das ações militares aeroespaciais do Mi-

de matérias, além de abranger áreas do conhecimento importantíssimas para emprego

Além de integridade e consistência, o banco de dados corporativo de GE proposto para

recursos de rede que permitam a alimentação de eventual dado novo diretamente

nistério da Defesa. Ao COMGAR compete o comandamento, o planejamento, a direção,

nas atividades de GE, permite o aproveitamento de disciplinas já oferecidas pelo ITA nos

a FAB precisa incorporar algumas características específicas, derivadas das nossas possi-

pela organização que o conseguiu. Para tal, sugere-se o uso de uma rede interna da Aero-

a fiscalização, a coordenação, a execução e a avaliação do emprego de todas as Unida-

cursos de pós-graduação plena e no CEAAE, além das oferecidas pelo CGEGAR no CBGE.

bilidades e doutrina. Inicialmente, ele precisa prover de informações não só o nível táti-

náutica a INTRAER/TELESAT. Da mesma forma, deve-se acessar os dados diretamente, a partir

des da Força Aérea Brasileira. O Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR, por sua vez,

A estrutura de programas de pós-graduação exige ainda a execução de trabalhos de tese,

co como o operacional e o estratégico, visando ao máximo de consistência. Ao nível

de qualquer Base Aérea, seja em sede ou em desdobramento, sendo necessário também o

coordena, planeja e fiscaliza as atividades de GE, como, entre outras, a formação de recur-

cujos temas e áreas podem ser coordenados pela FAB, direcionando os alunos para a rea-

tático, seriam fornecidas informações detalhadas, necessárias à programação dos equi-

acesso desde a partir de localidades desprovidas de rede de comunicações convencionais,

sos humanos. Levando-se em conta as necessidades

lização de trabalhos que abordem problemas reais da GE, identifiquem novos problemas e

pamentos embarcados e ao planejamento informatizado de missão. Ao operacional,

através do uso de satélites. Deve-se antever a possibilidade de deterioração das comunica-

identificadas na seção anterior, no sentido de buscar excelência na formação de pessoal

sugiram caminhos para sua solução ou, ainda, explorem novas áreas do conhecimento

para atuar na área de GE, e aproveitando a

que possam ser aplicadas a GE. Estes traba-

dados referentes às alternativas dentro de um 16

Este Comando detém os principais meios aéreos e, em

necessidades em termos de comunicações digitais.

Continua na pág. 33 ○

21


Spectrum

Spectrum

lhos devem ser orientados por um Professor

bém podem ser aproveitadas. Novas matéri-

tornaram dependentes dos dados. Já concor-

mos alugar as fitas, uma única tabela com um

Doutor do ITA, por força de legislação, e podem ser co-orientados por profissionais das

as podem ser criadas sem grande esforço, aproveitando-se a experiência dos professo-

damos, também, em haver a necessidade de um banco de dados para o armazenamento.

registro por fita não seria suficiente. Precisaríamos de arquivos para registrar clientes, for-

diversas células do Sistema de Guerra Eletrônica da Aeronáutica (SIGEA), de acordo com

res do ITA e oficiais do CGEGAR, facilitando a composição de um currículo adequado, que

Mas, que banco de dados é este? Quais as características desejáveis? Quais as vanta-

necedores, pedidos, empregados, contabilidade, contas a pagar e outros.

o assunto. Esta parceria pode ser muito eficiente, no sentido de utilizar os conhecimen-

pode e deve ser atualizado à medida que mudam os cenários e se identificam novas ne-

gens advindas do seu uso?

tos acadêmicos dos professores do ITA (orientadores), juntamente com o conheci-

cessidades. A criação de uma seção de guerra eletrônica no ITA está sendo proposta [5],

mento operacional dos membros do SIGEA como co-orientadores.

com o objetivo principal de coordenar as atividades de ensino, pesquisa e desenvolvimen-

Bancos de Dados Corporativos

É fácil identificar ainda subprodutos deste programa, como, por exemplo, a partici-

to e atuar na captação de recursos e recrutamento de pessoal qualificado para atuar na

Banco de dados, numa primeira impressão, nos parece uma

pação dos professores do ITA em projetos de interesse da GE, como já vem acontecendo

área de GE. Os meios laboratoriais e a infra-estrutura

mera aglomeração de dados armazenados em um computador. Segundo Vaskevitch,

cliente, quando a fita saiu, quando deve retornar, quando real-

de maneira informal. Algumas atividades, tais como assessoria, participação em cursos

necessária para os programas de pós-graduação já fazem parte de um projeto de moder-

“um banco de dados é tanto uma ferramenta quanto a informação com a qual a ferramenta

mente retornou. Considerando a caracterização da fita alugada, temos que identificá-la

operacionais, palestras e especificação de equipamentos, permitem estabelecer uma re-

nização, implementação e adequação da estrutura da Divisão de Engenharia Eletrônica

trabalha” (1) . Isso significa dizer que, para ser considerador um banco de dados, aque-

por exemplar. Que tal o título e o número da cópia? Uma solução possível, mas estaremos

lação de compromisso que tem como resultado final a melhoria do profissionalismo pra-

do ITA, criado para dar suporte ao CEAAE. Desta forma, ao se viabilizar este projeto, ter-

le aglomerado de dados necessita incorporar uma estrutura regular que permita a in-

armazenando muitas informações duplicadas, visto que tais informações já constam em

ticado atualmente na Força Aérea. Além disso, a médio prazo, formar-se-ia uma massa

se-á automaticamente os meios acadêmicos para a implementação do Mestrado.

terpretação dos registros. A descrição desta estrutura, armazenada juntamente com o

nossa primeira tabela. E o cliente, como identificar? Usando o nome? E se dois clientes ti-

crítica de profissionais titulados, capazes de dar continuidade ao processo

Seria incompleto, contudo, analisar os meios necessários para a implantação do programa

dado, permite a todas as ferramentas entenderem o banco, ou tabela, sem mesmo nun-

verem o mesmo nome? O endereço? E se ele se mudar ou dois clientes diferentes morarem

de formação acadêmica. A avaliação das possibilida-

de mestrado sem considerar acomodações para os “alunos”. O CTA possui residências

ca terem visto esta tabela antes. Então é fácil, ago-

no mesmo endereço? O dado inserido está de acordo com o cadastro geral, ou estou

des de execução da proposta tem como maior óbice a escas-

para obrigar os oficiais alunos dos diversos cursos que promove. A Prefeitura de Aero-

Com a aquisição de modernas aeronaves que incorpo-

ra, começar a fazer um banco de dados

duplicando informação sobre o mesmo item? Tudo isso se resolve através de um siste-

sez de recursos enfrentada atualmente. Porém, é possível verificar que o

náutica de São José dos Campos previu que é possível dispor de 6 a 8 apartamentos para

ram equipamentos de GE, tais como o P-95 e o A-1, a ne-

para a Guerra Eletrônica? Absolutamen-

ma de referência, utilizando-se códigos de cadastro exclusivos tanto para fitas quanto para

pequeno investimento a ser feito para a efetivação deste programa trará retorno de

apoiar o programa em questão. Além disso é possível abrigar mais alunos nos hotéis de

cessidade de bancos de dados se fez sentir em nossa

te não. O conceito acima, apesar de

clientes, fornecedores, pedidos e empregados. Ao montarmos o registro do aluguel, só pre-

valor incalculável.

trânsito do CTA. Outro problema não pode deixar de ser

Força.

correto, não expressa a maior dificulda-

cisamos fazer uma referência àquele código. Automaticamente, todas as informações rela-

O pequeno investimento a ser feito para a efetivação deste programa trará retorno de valor incalculável

22

Para registrar o aluguel, precisaremos de outra espécie de tabela, contendo uma entrada para cada operação, que registre filme,

Meios

analisado. A parceria CGEGAR-ITA exigirá constantes encontros, reuniões e experimen-

de na concepção dos bancos de dados, decorrente da sua principal característica: os

cionadas passarão a fazer parte do registro. Assim, nosso registro de aluguel depende dos

O ITA mantém há mais de 30 anos programas de pós-graduação plena com um ex-

tos onde é imperativa a presença de profissionais dos dois órgãos. O processo de co-ori-

relacionamentos. Para ilustrar, suponha uma coleção de fitas de vídeo, a qual desejamos

registros de cliente e fita. As três tabelas estão vinculadas; há uma relação definida en-

tenso currículo de matérias que podem ser aproveitadas sem mudanças no programa

entação a ser realizado pelos membros do SIGEA exige um contato estreito entre estes,

catalogar em um banco de dados. Montaremos então uma tabela que apresenta uma

tre os arquivos. Em vez de duplicar os dados no registro de aluguel, simplesmente vincu-

proposto. O CEAAE, por sua vez, possui um elenco de matérias que já foram adaptadas

os alunos e os orientadores do ITA. A participação em congressos, visitas técnicas, busca

estrutura de registros composta por campos como título, diretor, duração, gênero, núme-

lamos as tabelas. É o que se chama “Banco de Dados Relacional”.

para atender às necessidades da GE e tam-

de meios para viabilizar os trabalhos, são ati-

ro da cópia, etc. Se, mais tarde, desejásse-

Numa empresa, não se pode trabalhar com

15


Spectrum

Spectrum

Banco de Dados Corporativo – Base Para a Guerra Eletrônica Fernando Nogueira Ventura, Cap.-Av. CGEGAR

D

esde o início do uso dos meios ele-

va os bombardeiros “Vulcans”, e o ameri-

vidades indispensáveis para a formação. Es-

to, buscando excelência em suas ativida-

trônicos para a guerra, as informações se mostraram um fator essen-

cano “AN/ALR-12”, que equipava os “Hustlers”.

sas atividades certamente exigem a previsão de recursos específicos.

des. A Força Aérea Brasileira, que tem a missão de empregar o poder aéreo para a

cial para o planejamento e execução das ações. De fato, para qualquer

Com a diversificação dos sistemas a serem alarmados, tais modificações passaram

Para facilitar a captação de recursos, algumas parcerias poderiam ser buscadas. Ór-

consecução dos objetivos nacionais, também está buscando excelência nas ativida-

interação, amistosa ou não, entre dois equipamentos, pelo

a ser inviáveis. Logo, os equipamentos tiveram que incorporar características mais avan-

gãos de apoio às atividades de Pesquisa e Desenvolvimento, tais como Fundação de

des de GE. Para atingi-la e atender às necessidades de capacitação de pessoal, o

menos a freqüência de operação tem que ser de conhe-

çadas. Tinham que aceitar uma programação específica para cada missão que, entretanto,

Apoio a Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Conselho Nacional de Desen-

CGEGAR está propondo um programa de pós-graduação em GE, baseado na bem

cimento dos operadores de ambos. Nos tempos da Segun-

pudesse ser alterada de maneira simples. Métodos manuais, através de perfuração e leitu-

volvimento Científico e Tecnológico (CNPq) têm apoiado projetos acadêmicos

sucedida parceria CGEGAR-ITA no que tange a outros programas de pós-graduação

da Guerra Mundial, os técnicos alemães desenvolveram

ra de fitas de papel (como em um teletipo) ou mesmo inserção direta ao no painel do

há muitos anos e são co-patrocinadores em potencial. Internamente, pode-se pensar em

lato-sensu. Os meios necessários para a viabilização deste programa foram analisa-

dispositivos de auxílio à navegação com o propósito de

aparelho, possibilitaram a programação. Ao mesmo tempo, e pelas mesmas razões, a pro-

parceria com a Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo (DEPV), justificada pela

dos e percebeu-se que, viabilizando o projeto de adequação de infra-estrutura do ITA,

se alcançar o ponto de bombardeio, sobre a Inglaterra,

blemática de consecução e armazenamento dos dados necessários foi ganhando vulto.

abertura de vagas no programa de pós-graduação para oficiais daquela diretoria. A

e estabelecendo algumas parcerias é possível levantar recursos para a manutenção de

com um mínimo de erro, mesmo em condições de vôo por

A separação dos dados que, utilizados, surtiram o efeito desejado (dado aparente-

Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) também po-

uma formação acadêmica de alto nível.

instrumentos. Para se defenderem, os ingleses se viram

mente correto) daqueles que não e daqueles duvidosos tornou-se uma tarefa inviável de

deria se beneficiar da área acadêmica, uma vez que seus programas envolvem, entre

Referências Bibliográficas

forçados a criar aparatos equivalentes, dedicados a causa-

se cumprir manualmente, mantendo-se a qualidade e agilidade requeridas para o proces-

outros, as aeronaves do SIVAM e equipamentos de guerra eletrônica do A-1 e AL-

[1] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. MMA 500-1, Princípios de Guerra Eletrô-

rem perturbações naqueles sistemas, lançando, assim, as

so. Daí nasceu a necessidade de utilização dos bancos de dados informatizados.

X. A Comissão para Coordenação do Projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia

nica, [sl:sn], abril, 1997.

bases da Guerra Eletrônica como a conhecemos hoje. A

Com a aquisição de modernas aeronaves que incorporam equipamentos de GE, tais

(CCSIVAM) também pode ser parceira no sentido de viabilizar recursos, uma vez que

[2] NARCÉLIO, R.R. Guerra Eletrônica, Prospecção de Cenário, Centro de Guerra

cada novo equipamento alemão, todo um trabalho MAGE

como o P-95 e o A-1, esta necessidade de bancos de dados se fez sentir em nossa For-

os profissionais formados poderão ser envolvidos diretamente no planejamento,

Eletrônica do COMGAR, Brasília, outubro, 1997. 43p.

(Medidas de Apoio à Guerra Eletrônica) era levado a cabo, com vistas a determinar as

ça. Algumas tentativas isoladas de criação de bancos locais não lograram o êxito desejado

integração e aproveitamento dos recursos do SIVAM.

[3] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. Po-

características daquele sistema, para que se pudesse desenvolver as CME

e, às portas do terceiro milênio, ainda não dispúnhamos de meios organizados e

Neste contexto, um esforço pode ser feito para a captação de meios necessários

lítica da Aeronáutica, [sl:sn], Brasília, 1998. (DMA 14-5)

(Contramedidas Eletrônicas) necessárias. Este ciclo de medidas eletrônicas “ca-

sistêmicos para consecução obtenção e armazenamento dos dados. Vimos como, ao

para viabilizar um programa de mestrado e doutorado em GE, de alto nível, utilizando

[4] BRASIL. Ministério da Aeronáutica. Por-

sadas” durou bastante tempo. A primeira geração de RWR, utilizada até a década de

longo do tempo, os equipamentos de GE se

como espinha dorsal a formação de profissionais que contribuam para a evolução dos

taria No 304 / GM3. [sl:sn], Brasília, maio, 1998. (Criação do CEAAE no ITA).

setenta, apresentava equipamentos construídos e ajustados para o alarme de

diversos órgãos citados acima, e, principalmente para o engrandecimento do país.

[5] PIERRE MATTEI, A.L. Seção de Guerra

um sistema específico. Cada mudança nos parâmetros da ameaças a serem alertadas

Conclusão

Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica: Proposta de Implantação. Esco-

O Capitão Fernando Nogueira Ventura é piloto de patrulha, concluiu o CFOAv em 1987 e exerce atualmente a função de chefe da Seção de Inteligência de

Guerra

Eletrônica

do

CGEGAR, onde é responsável pelo desenvolvimento do Projeto Dédalo (Banco de Dados Corporativo de Guerra Eletrônica). Possui cursos de Guerra Eletrônica no Brasil, na França e na Inglaterra e pós-graduação em Análise de Sistemas (UNEB – Brasília).

14

fig 1

requeria mudanças físicas nos equipamentos. Entre estes equipamentos, podemos

As empresas e organizações estão sem-

citar o britânico “Blue Saga”, que equipa-

pre perseguindo a evolução e o crescimen-

la de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (EAOAR), Rio de Janeiro, maio, 1999. 25p. (CAP 1/99). ○

23


Spectrum

Spectrum

Análise Operacional José Eduardo Portella Almeida, Maj.-Av. CGEGAR

1 Introdução

24

Operacional (esta de-

patíveis com a missão, NVG (Night Vision

Brig. Delano – Certamente o SAR de Comba-

Força Aérea Brasileira está vivendo

A

signação é utilizada até hoje em algumas

Goggles) e FLIR (Forward Looking Infrared) para estender as operações para o período

te será uma das diversas missões que o A-29 poderá realizar com bastante facilidade devi-

o início de uma fase de grandes transformações, há mais de 10 anos.

forças armadas, mas o termo Análise Ope-

noturno.

do a sua excelente manobrabilidade, larga gama de velocidades, capacidade de voar a

A partir da segunda metade dos anos 80, recebemos o AMX, os radares TRS 2230, os

ra-cional representa melhor os benefícios

O Brasil não enfrenta ameaças claramente definidas ou imediatas. No entanto, a Força

baixa altura, além do seu versátil sistema de armas. Por essas características, é uma ótima

interferidores Caimã e começamos a instalar o sistema tático do P-95, composto do radar

hoje advindos da aplicação dessa ativi-

Aérea identificou a necessidade de desenvolver uma doutrina C-SAR para atender a

aeronave para realizar escolta de helicópteros, além de prover um eficiente Apoio Aé-

Supersearcher, do Dalia 1000 e do DR 2000. Pode parecer absurdo dizer que há mais de

dade). Esta nova discipli-

O Major José Eduardo Portella

eventuais emergências. Em que circunstâncias nossos pilotos poderiam se ver

reo Aproximado. No futuro deverá ser colocada a necessi-

10 anos estamos iniciando uma nova fase na FAB, mas é verdade. Os equipamentos cita-

na se originou no Reino Unido a partir da

cluiu o CFOAv em 1982 e exer-

engajados em operações nas quais esse suporte seria necessário?

dade de um helicóptero de combate moderno para realizar missões de escolta.

dos no parágrafo anterior causaram um considerável impacto na cultura operacional exis-

formação de equipes de pesquisa para de-

Brig. Delano – A necessidade do SAR de

A Guerra Aérea entrou numa nova

tente até então, demandando a busca por novas áreas do conhecimento militar.

senvolver técnicas efetivas a serem usa-

Combate não existe somente num campo de batalha clássico. E mesmo que não existam

fase com os recentes conflitos do Golfo e da antiga Iugoslávia. Pela pri-

Para minimizar o impacto, também há 10 anos, começamos a estudar com maior pro-

das nos mais recentes radares construídos

atualmente situações claras para a utilização desse tipo de apoio, como você mesmo co-

meira vez o Poder Aéreo definiu quase que completamente os conflitos.

fundidade a GE. Esta atividade está relacionada a praticamente todas as evoluções

para localização de aviões inimigos. Este

locou no início de sua pergunta, eu diria que, como nesse caso, está inserida a considera-

No campo do C-SAR, as forças da OTAN controlaram completamente o

tecnológicas, em termos de cabine, que estão ocorrendo nas aeronaves modernas.

trabalho teve um importante papel no desenvolvimento de táticas de interceptação para

ção da própria existência da Força Aérea. Essa atividade de apoio ao combate é tão

cenário eletrônico sobre o campo de batalha. Isto permitiu que o resgate

Mas será que existe uma solução mais rápida para assimilarmos novas culturas técni-

os caças britânicos, táticas essas que foram decisivas na Batalha da Inglaterra. Por volta

necessária como qualquer outra referente ao emprego do Poder Aéreo. Ou você acredi-

de pilotos abatidos se realizasse de forma quase sem falhas. O se-

co-operacionais, ou teremos que amadurecer tão lentamente? Não há um método co-

de 1941, grupos de Pesquisa Operacional estiveram presentes em todas as três forças ar-

ta que o emprego do avião de guerra seria eficiente sem o reconheci-

nhecido que pudéssemos utilizar para obter resultados mais rapidamente?

madas britânicas. Como no Reino Unido, a introdução do

mento aéreo, no caso das operações aerotáticas, ou do ra-

saber que sua força aérea possui a capacidade C-

Há, chama-se Análise Operacional – AO. A AO é o emprego de métodos matemáticos

radar foi responsável por estimular o desenvolvimento científico do Exército Americano

dar nas operações de defesa aérea, ou ainda de um traba-

SAR?

de análise para solução de problemas militares.

e de seu Corpo Aéreo. Em outubro de 1942, todos os comandos receberam ordens para es-

lho de inteligência eficiente?

O uso de métodos científicos para melhorar a efetividade e o sucesso das opera-

tabelecer grupos de Pesquisa Operacional e, no final da guerra, já havia 26 desses grupos.

Na Guerra do Vietnã a USAF empregou com enorme sucesso aeronaves que nem remo-

se você fosse um líder que só tivesse a preocupação de olhar à frente sabendo que tem um ala

ções militares não é algo novo. Estes métodos têm sido usados para desenvolver no-

Depois da Segunda Guerra Mundial, a Pesquisa Operacional em aplicações militares e

tamente haviam sido preparadas para as tarefas de apoio ao C-SAR como por exemplo

competente sempre “clareando” as suas seis horas. Transmite-lhe segurança. Segundo é que ele,

vos sistemas de armas e para melhorar a efetividade do seu emprego em combate há

industriais começou a crescer rapidamente. Nos EUA, a “Operations Research Society of

o Douglas A-1H Skyraider e o LTV A7D Corsair II. O senhor vislumbra a possibili-

como profissional, é muito caro e de reposição demorada. E terceiro é que um piloto de comba-

alguns séculos. Mas a transformação em ciência ocorreu na Segunda Guerra Mundial.

America” foi fundada em 1952, seguida pela “Military Operational Research Society”

dade de incluir os A-29/AT-29 que deverão ser adotados pela FAB a partir de 2001 no

te é uma fonte de informações muito preciosa para o inimigo e principalmente para nós.

Durante este conflito, fruto dos métodos científicos que eram aplicados para melhorar

(MORS), em 1966. Da mesma forma, numerosas organizações privadas e governamen-

pacote C-SAR brasileiro? Ou o senhor acredita que seria conveniente a incorporação

as operações militares, nasceu a Pesquisa

tais voltadas à pesquisa se estabeleceram, tais

de outro tipo de aeronave?

Almeida é piloto de caça, conce atualmente a função de chefe

da

Seção

de

Análise

Operacional do CGEGAR. Possui cursos de Guerra Eletrônica no Brasil e nos Estados Unidos (“Electronic Combat Operations – Staff Officer”).

“ A atividade de apoio ao combate é tão necessária como qualquer outra referente ao emprego do Poder Aéreo. “

nhor é piloto de caça. O que significa para o caçador

Brig. Delano – Eu acho que é como se fosse a segunda cadeira de ejeção. É como

Entrevista concedida à “Revista Força Aérea” por ocasião do Primeiro Simpósio Internacional de SAR de Combate realizado nos dias 29 e 30 de julho de 1999 na Base Aérea de Santos. ○

13


Spectrum

Spectrum

cano. Mas aí, levando em conta a segunda

como o “Institute of Defense Analyses” em

ram para o assunto e passaram a gerar a demanda necessária para que a II FAe ini-

consideração, se eu puder atacar essa mesma posição com uma aeronave

Washington, D.C. e a “Studies Analyses and Gaming Agency”, dentro do Departamento

Avaliar operacionalmente um equipamen-

ciasse o trabalho de pesquisa operacional no sentido de estabelecer alguma doutrina

tecnologicamente melhor, do tipo A-29, por exemplo, eu poderia dar um conforto para

de Defesa. Na Alemanha, a “Industrieanlagen-Betriebesgesellschaft” se

to significa medir sua performance, quando inserido em um ambiente que simule as condi-

C-SAR na Força Aérea Brasileira.

o piloto e, usando um número menor de aeronaves, realizar o mesmo ataque com

estabeleceu como a principal instituição em pesquisa de defesa para as forças armadas

ções reais de operação. É um processo dinâmico, que envolve desde a montagem dos cená-

Para atingir a sua meta no que diz respeito à execução da missão C-SAR, a FAB lan-

um maior grau de sucesso. No caso específico do SAR de Comba-

alemãs. No Reino Unido, o “Defense Operational

rios, passando pelo planejamento e execução de diversos tipos de missões, até a confec-

çou mão de vetores já existentes na Força. Estes vetores estão atendendo à missão sa-

te, em que são requeridos outros equipamentos além das aeronaves, independen-

A n a l y s i s Establishment”

tisfatoriamente?

temente das características do inimigo ou do ambiente, eu diria que a

foi criado para assessorar o

Brig. Delano – É uma pergunta difícil, pois

Força Aérea ainda carece do PLB

ta sobre aviação de

exemplo, que permite a localização

europa são o “Supreme Headquarters Allied Powers, Europe (SHAPE) Technical Center”,

quisito Operacional que o especificou, garantindo que o produto atende às necessidades

do tripulante a ser resgatado. Agora, con-

em Hague, o “Norwegian Defense Research Establishment” e o “Centre Interarmees de

que geraram a sua compra. Com o passar do tempo, as condições do

a diversas variáveis.

siderando uma ameaça de baixa intensidade e um ambiente eletromagnéti-

Recherches Operationelles” na França. No Brasil, a Pesquisa Operacional che-

equipamento testado podem-se deteriorar e/ou os cenários requerer atualizações. Com isso

Em qualquer situação, a arma a ser utilizada será dimensionada para a ameaça

co controlado, os vetores que possuímos podem ser adequados.

gou às Universidades no final dos anos 60, quando foi fundada a Sociedade Brasileira

novas avaliações podem ser programadas para atualizar os dados. Portanto, a Avaliação

que iremos enfrentar, de maneira que possamos alcançar os nossos objetivos com o

No momento atual, em que estamos buscando levantar conceitos de emprego e não

de Pesquisa Operacional, durante o primeiro simpósio da categoria, realizado no ITA,

Operacional (AO) é um processo que pode e deve acompanhar todo o ciclo de vida de um

menor custo possível, tanto em material quanto em vidas

temos experiências concretas, eu ainda não estou em condições de dar uma resposta

curiosamente uma instituição militar.

equipamento, para que se tenha certeza de sua eficiência para o sistema durante toda sua vida

humanas. O outro componente diz respeito ao conforto e

conclusiva.

à funcionalidade que determinada arma oferece ao nosso

O senhor poderia definir as futuras necessidades da FAB no que diz respeito aos vetores

Pode-se dizer que a AO é uma atividade que fornece bases metodológicas a uma

1. Determinar se um sistema, em combinação com seus operadores e pessoal de manuten-

combatente. E, por último, o ambiente aonde vamos atuar,

e equipamentos C-SAR?

Força Armada, capacitando-a a identificar grupos de variáveis que afetam os proble-

ção, pode atingir os objetivos para o qual ele foi designado;

considerando as emissões eletromagnéticas, a geografia, as

Brig. Delano – A principal necessidade certamente é o PLB, porque sem ele, independen-

mas inerentes aos teatros de guerra, de forma a modelá-los estatística e matematica-

2. Desenvolver métodos e meios que garantam o emprego ótimo de um novo sistema ou

características de operar do inimigo, as armas do inimigo, o clima, etc.

temente do inimigo ou do ambiente, seríamos incapazes de localizar um tripulante que

mente, dimensioná-los e caracterizá-los, com vistas à melhor compreensão, gerên-

que criem novas formas de emprego para um sistema antigo, que já não atinge os mínimos

Na primeira consideração eu quero dizer que até um NA T-6 poderá ser suficien-

se ejetou ou foi abatido, sem necessidade de se estabelecer um padrão de busca. Aliás, no

cia e exploração dos fenômenos envolvidos.

operacionais para a realização de sua missão primária;

te para atacar a posição de um inimigo que não possua aviões de caça e cujas defesas

SAR de Combate não existe busca. Também seriam necessários helicópteros mais moder-

Dessas bases metodológicas decorrem três produtos muito importantes dos quais

3. Estabelecer medidas de performance de um sistema novo, para, a partir destas, calcular os

anti-aéreas não passem de armas leves de

nos com alcance e capacidade de carga com-

trataremos, individualmente, a seguir.

níveis máximos de degradação que pode atin-

to em material quanto em vidas humanas.”

cada uma das situações. A partir dos relatórios pode-se comparar a performance do sistema adquirido com o Re-

çar os nossos objetivos com o menor custo possível, tan-

Ministro da Defesa britânico. Hoje, alguns dos outros proeminentes centros de pesquisa operacional militar na

ça que iremos enfrentar, de maneira que possamos alcan-

de desempenho para

(Personal Locator Beacon), por

“A arma a ser utilizada será dimensionada para a amea-

ção dos relatórios que atestem as medidas

como qualquer respos-

combate ela estará acoplada

12

2.1 Avaliação Operacional

em combate, os pilotos de caça, desperta-

2 Produtos

útil. A AO tem quatro objetivos principais:

25


Spectrum

Spectrum

Analisando as Perspectivas da II FAe Entrevista com o Exmº Sr. Brigadeiro do Ar Delano Teixeira Menezes Comandante da Segunda Força Aérea

gir, para, ainda assim, continuar a cumprir as

os sistemas inimigos para a modelagem dos

A Segunda Força Aérea vem coordenando

da aviação civil, inicialmen-

tarefas para as quais foi destinado; 4. Prover informações para os órgãos de pes-

cenário de testes. A regra geral para a modelagem de táticas é o uso de modelos matemáti-

atividades aéreas das mais diversas e que não incluem somente as da Aviação de Pa-

te, e também das aeronaves militares não envolvidas em

quisa e desenvolvimento, de logística e de planejamento operacional que os auxiliem no

cos, pois podem ser transferidos rapidamente de uma circunstância para outra, provendo vá-

trulha, como as de Asas Rotativas e de Busca e Salvamento. Quais em sua opinião têm

missões de guerra, que voam sobre a jurisdição SAR do Bra-

processo de tomada de decisões referente às especificações de novos sistemas, à

rias opções para a composição dos testes. Não vamos estender mais as explicações so-

sido as principais conquistas da Segunda Força Aérea nos últimos tempos?

sil.

confiabilidade de operações, às necessidades de modernizações e à atualização das concep-

bre o desenvolvimento de táticas a partir de modelagens matemáticas, em função da com-

Brig. Delano – No campo operacional, se-

to do mundo pouca evidência tinham as atividades de

ções de emprego.

plexidade do assunto. Entretanto, vale dizer que a mesma metodologia utilizada na realização

guramente foi o desenvolvimento de técnicas e de uma ainda incipiente doutrina

SAR de Combate. Tirando a experiência da RAF na Segun-

das avaliações operacionais aplica-se ao desenvolvimento de táticas.

de combate aéreo entre helicópteros e dissimilar com aeronaves de baixa

da Guerra Mundial em que eram recolhidos com grande

Intuitivamente, pode-se cometer o equívoco de imaginar que tudo isso pode ser

performance. Essa conquista que vem sendo implantada em bases seguras é uma

Força Aérea presteza os seus pilotos de caça abatidos sobre o Canal da Mancha

feito ape-

grande inovação no âmbito da Força Aérea, que, por certo, será de muita serventia

(sendo que estes resgates não se constituíram exatamente em SAR de Combate) e a

n a s utili-

para a implantação do SAR de Combate. Na Aviação de Patrulha também con-

Guerra do Vietnã, o tema começou a se tornar visível para a comunidade internacio-

zandose da expe-

seguimos dar um salto qualitativo importante quando alcançamos a plena capaci-

nal em abril de 1980 quando da fracassada operação “Eagle Claw” em que os helicóp-

riência operacional dos operadores. Toda a análise operacional

dade de reconhecimento eletrônico. A atividade SAR foi descentralizada e

teros RD-53D Sea Stallion sucumbiram no deserto antes mesmo de resgatarem os re-

missões, pode-se estabelecer um programa de acompanhamento do desempenho

é feita de acordo com uma metodologia científica própria baseada em modelagens matemá-

agora a Força Aérea conta com equipes SAR muito bem treinadas em todas as nos-

féns americanos em Teerã. Mais tarde, na Guerra do Golfo e depois no conflito dos

operacional. A degradação de um sistema seria

ticas, que fornece resultados estatísticos. A cada ponto crítico estabelecido pela programação são

sas Unidades de Helicópteros, de norte a sul do Brasil.

Bálcans, esse tipo de operação passou a ser mais conhecido.

visualizada periodicamente, comparando os dados medidos na primeira avaliação com os

feitos testes de campo que comprovam ou redirecionam a análise.

Durante a última década a FAe II identifi-

Coincidentemente, por essa época, as Unidades que cumpriam missão SAR na FAB

vigentes à época das avaliações subsequentes, permitindo o planejamento de vida útil e das

3 Experiência Brasileira

cou a necessidade em dotar a Força Aérea Brasileira de recursos materiais e de pes-

passaram à subordinação da II Força Aérea e começou-se a gerar uma demanda estri-

soal necessários para a execução da missão C-SAR. A que o senhor atribuiu esse

tamente militar. Até mesmo com a intenção de integrá-las mais efetivamente nas opera-

2.2 Acompanhamento do Desempenho Operacional A partir das medidas de performance do sistema quando novo e da projeção dos níveis máximos de degradação que o equipamento pode atingir, sem comprometer a execução das

26

Ao mesmo tempo, no resBrigadeiro-do-Ar Delano Teixeira Menezes Comandante da Segunda

modernizações necessárias. Essa é uma ferramenta extremamente útil

A Marinha do Brasil (MB) iniciou suas ativi-

para o acompanhamento do ciclo de vida dos materiais aeronáuticos.

dades de Análise Operacional quando adquiriu as Fragatas de Classe Niterói. Naquela épo-

direcionamento?

ções militares que a II FAe gerencia. É quando foi instituído um grupo de estudo para a

2.3 Desenvolvimento de Táticas

ca, início dos anos 70, esses novos navios representavam o que havia de mais moderno para

Brig. Delano - A atividade SAR surgiu no âmbito do então Ministério da Aeronáuti-

implantação do Grupamento Tático SAR (GT SAR) que englobaria 2º/10º GAv e EAS

O primeiro passo para o desenvolvimento

o emprego em uma marinha de guerra. A disparidade tecnológica existente entre os va-

ca, dentro da antiga Diretoria de Rotas, para atender a interesses internacionais do

(Para-SAR). Mas, de fato, o tema ganhou evidência

de táticas é a formulação de uma concepção de emprego. Esta é, quase sempre, dependen-

sos de guerra que a MB possuía e as novas fragatas era muito grande. Somente um estudo

Brasil, aos Protocolos da ICAO de quem o país era signatário. E toda responsabilida-

quando da participação da FAB na Operação Red Flag na Base Aérea de Nellis, nos

te de uma concepção estratégica que, indiretamente, também será avaliada.

aprofundado dos novos sistemas, aliado à montagem de cenários que os confrontassem com

de dessa atividade permaneceu no âmbito da DEPV até os dias de hoje. De forma que

Estados Unidos, onde ações de SAR de Combate faziam parte do contexto do exer-

Logo após, é necessário obter dados sobre

as concepções de emprego existentes para a

ela foi criada para atender uma demanda

cício. Nessa ocasião, os “clientes” do SAR

11


Spectrum

Spectrum

venientes do reconhecimento e vigilância.

mensurá-las, definir indicadores (coeficiente

Força Naval, poderia determinar toda a ampli-

MB, está bem alinhada com as necessidades

Deve-se, ainda, utilizar a tecnologia da informação a fim de proporcionar automação

de atrito, probabilidade de sucesso, erro circular provável, etc.), desenvolver táticas, ava-

tude do emprego operacional. Com a finalidade de dominar a metodologia

da área operacional e compreende facilmente a aplicação dos novos produtos, devido aos

intensificada, resposta rápida, melhor controle, precisão, previsibilidade, maior com-

liar equipamentos, sistemas e armamentos, estabelecer procedimentos e fazer prognósticos

científica necessária para gerenciar uma AO, a MB enviou 8 oficiais para a Escola de Pós-gra-

ensinamentos obtidos pelo estudo necessário à montagem das AO.

preensão dos processos, visibilidade, análise e síntese. Com esse enfoque a Aeronáuti-

de resultados. Dentro dessa realidade, os esforços na área

duação da Marinha dos EUA (NPS), onde realizaram o curso de mestrado em Análise

ca está desenvolvendo o sistema denominado de Dédalo.

de operações devem ser orientados para propiciar o desenvolvimento de táticas, o recebimen-

Operacional. No retorno, contribuíram para a fundação do CASNAV - Centro de Avaliação

Os maiores desafios na inteligência de Guerra Eletrônica, no entanto, consistem

to e análise operacional de sistemas, equipamentos, armamentos e plataformas,

de Sistemas Navais, organização que programa e realiza as AO no âmbito da Marinha do

Uma Força Aérea que não possui AO torna-se um alvo fácil para os fabricantes de sis-

implementar indicadores que contribuam para melhorar a gerência dos recursos humanos,

Brasil. Atualmente, o CASNAV é comandado por

temas de armas modernos. A performance dos equipamentos fica subordinada às propagan-

dos meios e dos processos, visando o preparo e emprego da Força Aérea

um Vice-Almirante e está sediado no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro.

das e promessas dos vendedores, pois não existe uma campanha de testes voltada à sua

Brasileira. Todos esses servi-

As Avaliações Operacionais que o CASNAV executa geram relatórios que contém os dados

comprovação diante das ameaças reais. Com isso o tempo passa e, normalmente, a garan-

Essa mesma dificuldade é também

ços e produtos provenientes da ativi-

de performance dos equipamentos nos seus primeiros anos de operação. Esses dados são

tia do produto expira antes que a Força tenha condições de afirmar que o equipamen-

encontrada quando se atua na área téc-

dade de Guerra Eletrônica não podem ser realiza-

utilizados durante toda a vida operativa dos sistemas e servem de base para medir, periodi-

to não atende às especificações e, via de regra, perde-se muito dinheiro.

dos por uma única organização. Ela (a organização) seria enorme, sofre-

camente, suas eficácias, de acordo com as concepções de emprego da Força Naval. O órgão

A divisão de Ensaios em Vôo do Instituto de Aeronáutica e Espaço do CTA executa, há

multidisciplinar que envolve engenharia eletrônica, de sistemas, elétrica, mecâni-

ria a disfunção de não poder dedicarse inteiramente à sua atividade princi-

responsável por medir, ocasionalmente, a eficácia dos sistemas é o CASOP - Centro de Ava-

muitos anos, a qualificação das aeronaves e dos sistemas que são incorporados à FAB, até

ca e de “software”. Os processos da área técnica devem ser

pal devido a existência excessiva de processos administrativos, além, é cla-

liações de Sistemas Operativos, através de Exercícios Operativos - EXOP, que são regulamen-

a gradação de “teste funcional”. Isto quer dizer que o objeto é seguro para voar e suas

sistematizados para propiciar à Força Aérea Brasileira a capacidade de identificar as ne-

ro, do tempo gasto para cuidar da banda de música, dos problemas sociais, da bar-

tados por instruções emitidas pelo Estado-Maior da Armada (EMA). O navio que não atinge

funções, especificadas em manual, operam de acordo. A partir desses testes, o equipa-

cessidades operacionais (NOp), definir requisitos (ROp), pesquisar, desenvolver, analisar,

bearia, da seção de facilidades etc. Acertadamente, portanto, a Aeronáutica

os mínimos operacionais requeridos nos EXOP atraca para manutenção e fica indisponível en-

mento (ou a plataforma) está liberado para ser engajado em uma campanha de Análise

comparar, avaliar e fazer previsões do ciclo de vida das tecnologias utilizadas nos tea-

optou por uma estrutura sistêmica, leve, dinâmica e eficiente que envolve o

quanto não atingir as marcas requeridas. Algumas novas táticas de emprego foram

Operacional. Um fator que simplifica bastante o traba-

tros de guerra. A última área a ser abordada é a de ope-

COMDABRA, CATRE, FAe, CTA, DEPV(DOpM), CCA-SJ, UAe, ECEMAR, AFA,

desenvolvidas a partir dos resultados dos programas de AO.

lho da Força Aérea é a automação dos sistemas aeronáuticos. Enquanto a eficácia de um

rações. A atuação da Guerra Eletrônica nessa área é dependente dos fundamentos da

EEAR, GITE, GCC, CINDACTAS, GEIV, tendo como órgão central o COMGAR, orientado

As modernizações dos equipamentos ocorrem no tempo certo, pois a área operacional

navio requer o funcionamento de vários sistemas, que são operados por equipes dife-

disciplina denominada pesquisa operacional, conhecida na caserna como análise ou ava-

pelo EMAER. Essa concepção funcional atende a dois quesitos básicos: é menos

tem a noção exata da degradação técnica que está ocorrendo nos equipamentos e quais se-

rentes e integrados por um único centro de controle, uma plataforma aérea pode ser ope-

liação operacional. Essa disciplina é que propicia a uma for-

dispendiosa e mais eficiente. Dessa forma cumpre-se melhor a missão da Guerra Eletrô-

rão as suas necessidades operacionais. A modernização das Fragatas de Classe Niterói, que

rada por apenas um indivíduo, ou por um pequeno grupo, devido à integração

ça armada metodologia e ferramentas para identificar as variáveis componentes de um

nica na Aeronáutica, definida em documentos oficiais, que é: aumentar a capacidade

será feita a partir do próximo ano, é resultado desse acompanhamento.

automatizada de seus sistemas A área de Pesquisa e Desenvolvimento da

problema operacional, caracterizá-las,

operacional da Força Aérea Brasileira.

em identificar os conhecimentos necessários para a tomada de decisão nos seus respectivos níveis, sistematizá-los e, principalmente, capacitar o homem para gerenciar tudo isso.

nica da atividade de Guerra Eletrônica, pois ela requer conhecimento

10

���

4 Implantação na Força Aérea Brasileira

A área de pesquisa e desenvolvimento, na ○

Continua na pág. 33 ○

27


Spectrum

Spectrum

MAWS – Uma Nova Tendência em Sistemas de Autodefesa para Aeronaves

E

Cap.-Av. Davi Rogério da Silva Castro e Cap.-Av. Edson Fernando da Costa Guimarães – CGEGAR

m um teatro de guerra cada vez mais

(MAWS - Missile Approach Warning Systems)

e sensores de reconhecimento a tornam de-

cisiva nos conflitos contemporâneos (na

complexo e tecnologicamente sofisticado, somente sistemas de autodefesa

aparecem como a resposta mais adequada para esta questão.

pendente do espectro eletromagnético. Essa dependência é resultado da evo-

Royal Air Force é a atividade que agrega o maior contingente de oficiais); e

O Cenário

lução que tem ocorrido no campo de batalha e, em particular, na Guerra Eletrôni-

b) tem maior efetividade quando atua ao mesmo tempo nas áreas de recursos huma-

qüentemente, a plena realização da missão. O conceito de

Em maior ou menor grau uma aeronave de combate estará sujeita às seguintes amea-

ca. Hoje verificamos que a Guerra Eletrônica tornou-se muito mais letal e ofensiva,

nos (capacitação e treinamento), inteligência, técnica e operações (análise

sistema de autodefesa eficiente é relativo e está estritamente

ças: a) radares de vigilância quando associa-

que passou a determinar o como fazer (arte) para explorar as tecnologias (ciência) exis-

operacional). A capacitação de recursos huma-

relacionado com o cenário de emprego da plataforma a ser

dos a sistemas de defesa aérea. Trabalham geralmente na faixa de freqüência em torno de

tentes num cenário operacional. O entendimento correto dessas mudan-

nos em Guerra Eletrônica é fundamental, pois o homem é o compo-

protegida. Considerando-se as principais ameaças presentes

3 GHz, alcance maior que 80 NM, varredura circular e se constituem no primeiro nível de

ças é importante na definição dos processos de guerra, de capacitação do homem, dos

nente mais importante num cenário operacional. Ele percebe, planeja,

em um cenário moderno típico, contendo radares de vigilância,

proteção de sistemas de defesa aérea. Para se opor a este tipo de ameaça a aeronave deve

recursos materiais e de uma estrutura sistematizada da Guerra Eletrônica como ativida-

julga, decide e age. Prepará-lo para atuar no teatro de guerra aumenta a

aquisição e diretores de tiro, mísseis ar-ar, terra-ar, com sis-

buscar a navegação rasante e seu RWR deve estar programado para indicar a iluminação.

de, de modo a apresentar como resultado uma força aérea com conhecimento e recur-

probabilidade de sucesso de uma força aérea. A importância que é

temas de guiamento passivo, ativo, ou semi-ativo, qual seria

A oposição ativa pode ser feita por interferência tipo barragem, de ponto ou varredura uti-

sos para competir, com grande probabilidade de sucesso, nos campos de batalha con-

dada à capacitação do homem nessa área pode ser notada pela quantidade de

a definição de um sistema de autodefesa eficiente?

lizando equipamentos de CME de alta potência, normalmente instalados em pods, empre-

temporâneos.

cursos existentes no mundo, principalmente no nível de pós-graduação (mestrado,

Por muito tempo a escolha mais comum recaiu sobre siste-

gados nos modos SOJ (“Stand-Off Jamming”), SSJ (“Self Screen Jamming”) e EJ (“Escort

Para Onde Vais (“Quo Vadis”)?

doutorado e pós-doutorado). A capacitação dos recursos humanos da

mas compostos por RWR’s (Radar Warning Receiver) e

Jamming”); b) radares de aquisição e diretores de tiro

Nas forças aéreas que mais se destacam no mundo a Guerra Eletrônica está siste-

Força Aérea Brasileira para essa atividade deve ser realizada dentro de uma política

lançadores de chaff/flare. Um passo seguinte em sofisticação

associados a sistemas superfície-ar (mísseis ou canhões). Atuam em freqüências superiores a

matizada e estruturada com a finalidade de buscar a excelência na metodologia (estra-

coerente com as necessidades dos cenários operacionais contemporâneos. Isso requer

incluiria sistemas de contramedidas eletrônicas

6 GHz, alcance de até 50 NM e modos de varredura mais elaborados destinados ao

tégica e tática) e na tecnologia (ciência) empregadas no campo de batalha. Esse mo-

um programa de capacitação norteado pela busca da excelência, cuja proposta peda-

(AECM - “Active Electronic Countermeasures” ou pods de

acompanhamento do alvo. Radares de aquisição e diretores de tiro costumam possuir pro-

delo organizacional resulta em diminuição do coeficiente de atrito, aumento da

gógica atenda a todos os níveis da guerra, considere as características mutantes e inu-

CME - Contramedidas Eletrônicas) que podem realizar “Escort

teção contra modos simples de interferência eletrônica, como os sugeridos contra radares

letalidade, realização mais rápida do ciclo de comando e controle, melhor apro-

sitadas do combate e prepare o homem para entender e explorar as interações que ocor-

Jamming”, “Stand-off Jamming”, Costa Guimarães é piloto de ou “Self-Protection”. Mas o que transporte, concluiu o CFOAv em fazer contra a crescente amea1990 e exerce atualmente a fun- ça de mísseis portáteis de

de vigilância. Contra esse tipo de ameaça a aeronave deve atuar com táticas e técnicas

veitamento dos meios disponíveis e, o que é mais importante, constante evolução da

rem no teatro de guerra e, até mesmo, para gerar novas concepções e tecnologias vol-

sofisticadas, devido ao perigo iminente. Entre as técnicas existentes estão os programas

maneira de pensar e agir nos teatros de guerra.

tadas para o emprego da força (“knowwhy”).

guiamento infravermelho sui cursos de Guerra Eletrônica no (MANPADS - “MANPortable Brasil e na França, pós-graduação Air-Defense Systems”)? A soluem análise e projeto de sistemas ção comum descrita anterior-

automáticos RGPO (“Range Gate Pull Off”), AGPO (“Angle Gate Pull Off”) e outros, exe-

Várias são as maneiras que essas forças aéreas utilizam para sistematizar e

A atuação da Guerra Eletrônica na área de inteligência deve ser realizada visando

cutados por sistemas AECM, exclusivamente em modo SSJ devido ao tipo de varredura do

estruturar a atividade de Guerra Eletrônica. Dois aspectos, entretanto, têm sido co-

diminuir a incerteza da decisão e aumentar a velocidade do ciclo de comando e con-

mente parece não responder a em Engenharia de Sistemas na esta ameaça. Sistemas de AlarNaval Postgraduate School (EUA). me de Aproximação de Misseis

radar e geometria do feixe. Lançamento coordenado de chaff, preferencialmente integra-

muns: a) é uma atividade considerada muito im-

trole. Isso requer a utilização de todas as fontes possíveis nos processos de busca e

do com a identificação da ameaça, se consti-

portante, devido à sua função ímpar e de-

coleta e a integração das informações pro-

eficientes podem garantir a sobrevivência da aeronave de combate e, conse-

O Capitão Davi Rogério da Silva Castro é piloto de ataque, concluiu o CFOAv em 1987 e exerce atualmente a função de chefe da Seção Técnica do CGEGAR. É Engenheiro Eletrônico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, possui o curso Básico de Guerra Eletrônica e está cursando mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade de Brasília.

O Capitão Edson Fernando da

ção de adjunto ao CGEGAR. Pos-

(GFI/UNB – Brasília) e mestrado

28

A capacitação de recursos humanos em Guerra Eletrônica é fundamental, pois o homem é o componente mais importante num cenário operacional

9


Spectrum

Spectrum

Guerra Eletrônica: “QUO VADIS”? Para Onde Vais Narcelio Ramos Ribeiro, Ten.-Cel.-Av. CGEGAR

A

8

evolução rápida de uma cultura de

ças oponentes, sistemas, plataformas, arma-

tui uma alternativa para a sobrevivência da

essas ameaças devem ser rápidas e eficien-

Guerra Eletrônica na Aeronáutica ao mesmo tempo que tem trazido resul-

mentos e equipamentos existentes num teatro de guerra ou área de conflito.

aeronave e deve fazer parte da tática de invasão/evasão;

tes, em qualquer atitude de vôo, face à grande velocidade do míssil e suas característi-

tados positivos, desperta dúvidas sobre qual o real conceito e dimensão dessa atividade

O que acontece de fato é que o em-

c) radares embarcados em aeronaves associados a armamento ar-ar (mísseis ou ca-

cas “all-aspect”; e) sistemas de mísseis de guiamento passivo

dentro da Força Aérea Brasileira e, o que é muito importante, sobre os rumos dessa ati-

prego eficiente e eficaz de uma Força

nhões). Nessa situação as mesmas técnicas apresentadas no item anterior são aplicáveis,

(IR e ARM). A identificação eletrônica de mísseis com guiamento passivo pode ser reali-

vidade. Por isso o título “quo vadis” (do latim, “para onde vais”).

Aérea num teatro de guerra depende de

havendo diferenças consideráveis para as táticas de engajamento e/ou evasão;

zada por meio de MAWS. Entretanto, a resposta a este tipo de ameaça dependerá das

O entendimento do conceito de Guerra Eletrônica no sentido “lato” é determinante

algumas atividades consideradas essen-

d) sistemas de mísseis de guiamento ativo. Também se aplicam as técnicas apresen-

características do tipo de guiamento, ou seja, chaff/flare e/ou IRCM (“Infrared

para que a Aeronáutica estabeleça a real dimensão dessa atividade.

ciais como: a) Logística - que

tadas no item “b”, acrescidas da possibilidade de utilização de MAWS, especialmente

Countermeasures”) para mísseis IR e decoys para mísseis anti-radiação ou monopulso.

O Conceito

tem a finalidade de fornecer os meios;

para os casos em que as características de transmissão do radar ameaça estão fora da

Na Tabela 1 é resumida a aplicação de todos os equipamentos de alarme e recursos

Dois conceitos podem ser aplicados à Guerra Eletrônica:

b) Inteligência - que trata das informa-

capacidade de alarme do RWR. Respostas a

de contramedidas discutidos:

a) um que diz respeito à missão aérea; e

ções referentes ao a m b i e n t e

b) outro, mais abrangente, que a considera

operacional e da capacidade do inimi-

O Tenente Coronel Narcelio Ramos Ribeiro é piloto de patrulha, concluiu o CFOAv em 1980 e exerce atualmente a função de chefe do Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR. Possui curso de Guerra Eletrônica na Inglaterra (“Electronic Warfare Directors”) e pós-graduação em

uma atividade.

go; e c) Guerra Eletrônica -

A Guerra Eletrônica quando tratada como missão aérea é limitada ao nível táti-

que trata de como fazer (método) e que

co da guerra, depende de equipamentos especiais para ser realizada e induz o racio-

tecnologia utilizar para levar vantagem

cínio a associá-la a um fenômeno esporádico que ocorre num tempo e espaço defi-

sobre o inimigo.

nidos. Esse conceito foi o primeiro a ser trazi-

A Logística e a Inteligência são atividades que estão estruturadas em praticamen-

do para a Aeronáutica. Isso explica porque, por algum tempo, confundiu-se a Guerra

te todas as forças aéreas. No entanto a Guerra Eletrônica, entendida e utilizada com

Eletrônica com equipamento ou com uma missão que exigia equipagens e platafor-

conceito semelhante ao citado no parágrafo anterior, existe apenas em algumas for-

mas especialmente preparadas, restringindo, dessa forma, o entendimento e a ex-

ças aéreas, coincidentemente naquelas que têm obtido êxito nos conflitos dos últimos

ploração doutrinária mais abrangente dessa atividade em proveito da Força Aérea

cinqüenta anos. O que tem ficado claro é que a veloci-

Brasileira. A outra abordagem é a que trata a Guer-

dade de ocorrência dos eventos e a dependência que uma força aérea possui de sis-

ra Eletrônica como atividade que estuda e explora as concepções e tecnologias utili-

temas de comando e controle rápidos e seguros, equipamentos de vigilância e alar-

zadas nas interações que ocorrem entre for-

me, armamentos, dispositivos de guiamento

Planejamento Estratégico e Qualidade Total pela AEUDF (Brasília). O Ten.- Cel. Narcelio tem trabalhos publicados nas revistas

da

UNIFA

e

O

Patrulheiro.

AN-AAR-44V AN-AAR-47 AN-AAR-54V

29


Spectrum

Spectrum

Em recentes conflitos, como a Guerra do

bilidade de interceptação, como a redução

dando utilidade aos conhecimentos teóri-

a importância destas missões, razão por

Golfo em 1991, mísseis superfície-ar com guiamento infravermelho foram os responsá-

da potência efetiva irradiada (ERP – “Effective Radiated Power’) e operação em freqüências

cos recém adquiridos. A esse tempo, iniciam os cursos das aeronaves que equipam

que suas chances de fracasso devem ser minimizadas. É o surgimento do Piloto de

veis pela maioria das aeronaves abatidas ou danificadas [4]. A tendência de se utilizar sis-

não cobertas pelos RWR’s. Tais equipamentos, segundo os fabricantes, possuem as van-

suas Unidades Aéreas. Superado esse período inicial de pre-

Transporte desempenhando a função de Navegador.

temas com guiamento infravermelho deve avançar para o próximo século, face à dispo-

tagens de apresentar taxas de falso alarme extremamente baixas e de operar em qualquer

paração profissional e já no desempenho de suas atividades como

No currículo do Piloto de Transporte ainda consta a formação

nibilidade de sensores mais sofisticados. Por outro lado, o barateamento no custo de siste-

tempo. A maioria dos fabricantes de MWS muda-

piloto de transporte, alguns retornam à V FAE para fazer o

operacional de Busca e Salvamento e de Reabastecimento

mas simples vem contribuindo para a proliferação desse tipo de ameaça entre países do

ram de direção, abandonando as soluções ativas e buscando soluções passivas, entre as

curso específico de Navega-

em Vôo, conforme a missão aplicável da

Terceiro Mundo. Para se ter uma idéia, no período de 1967 a 1991, por volta de 90.000

quais sensores Ultra-Violeta (UV) e Infravermelhos (IR).

ção Tática (CNAVTAT).

mísseis supefície-ar foram entregues a Forças Armadas de países em desenvolvimento [3].

Dos princípios básicos de Eletro-Ótica, vale lembrar que, segundo Wien, o pico de

A realização do CNAVTAT é

Para complicar ainda mais o quadro, existem os grupos guerrilheiros que se comparam

radiação térmica oriunda de uma fonte é dado pela seguinte equação:

fundamental para o piloto de transporte, visto que real-

em tamanho e força a verdadeiros Exércitos. Por exemplo, a renda anual das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) cresceu de US$ 65 milhões em 1992 para US$

onde T é a temperatura absoluta da fonte (Kelvin) e λpico é o comprimento de onda

que as missões de lançamento aéreo são, geralmente, cumpridas em proveito de Opera-

rea Brasileira, conduzindo em suas aeronaves a esperança de quem aguarda e

(mm) em que o pico de radiação ocorre. Duas

ções Táticas realizadas por Forças de um Teatro de Operações, ou de Áreas de Opera-

a certeza de quem confia. Simbiose perfeita entre o homem que tripula, a aero-

fontes básicas de radiação tér-

ções na Segurança Interna, de cujo êxito suas ações tornam-se dependentes. Daí

nave que transporta e a missão que se cumpre.

mica devem ser consideradas: o Sol

vários tipos [5]. Sistemas do tipo IGLA-1, míssil e

(~6000 K) e a Terra (~300 K). Isso causa picos de ra-

lançador, são vendidos ao pre-

diação em torno de 0,6µm e 10µm respectivamente, o que

ço de US$ 80.000, valor extremamente acessível a guerrilheiros e traficantes.

torna essas regiões do espectro electromagnético críticas para detecção. So-

As Soluções

bram então duas alternativas: a região do ultravioleta (de 0.2 a 0.5µm) e do

As primeiras tentativas de construir sistemas capazes de detectar a aproximação de

infravermelho médio (entre 3 e 5µm). Como a camada de ozônio filtra grande parte dos

mísseis com guiamento passivo incluíam radares de alta precisão a bordo das aeronaves

raios ultravioletas do sol, não há muitas fontes de radiação nesta faixa, o que reduziria o

a serem protegidas. Esta solução, inicialmente, não atendia às necessidades visto que ex-

número de falsos alarmes. Por outro lado, muitas fontes artificiais podem ser encontra-

punha ainda mais a plataforma. Os MWS ativos de última geração empregam métodos que

das: fornos, fogueiras, lâmpadas halógenas, etc, tornando complicado o processamento

garantem ao equipamento uma baixa proba-

necessário para manter um baixo nível de fal-

qual pertença o piloto. Em resumo, esta é a formaç ã o d o P i l o t o d e Tr a n s p o r t e , insubstituível no contexto da Força Aé-

sadas, como por exemplo mísseis superfície-ar portáteis de

combate da Unidade Aérea à

ça a necessidade da figura do navegador a bordo nas missões Aeroterrestres. Isso por-

230 milhões em 1997, permitindo àquela organização de guerrilha adquirir armas pe-

30

Ta r e f a d e apoio ao

7


Spectrum

Spectrum

O Piloto de Transporte na FAB Antônio Carlos de Barros, Cel.-Av. V FAE

O

intuito deste artigo é mostrar um

Transporte da Força Aérea Brasileira possui

so alarme. Um último fator a ser considerado

derável de “clutter”, especialmente durante o

pouco da parte especializada que os pilotos de transporte têm que

o perfil operacional que a função requer. O profissionalismo dos Pilotos de Trans-

é que a radiação ultravioleta oriunda da queima do motor do míssil é alta durante a fase

dia. Além do mais, a atenuação da radiação pela atmosfera é alta, o que prejudica detecção

cumprir, tendo em vista as peculiaridades que as missões da Aviação de Transporte, enqua-

porte não é conquista casual, ao contrário, é conseqüência da sua formação e do con-

de lançamento e tende a diminuir nas fases finais de aproximação.

a grandes distâncias. A vantagem, porém, advém do fato de que míssil representa uma

dradas na Tarefa de Apoio ao Combate, exigem. O Transporte Aeroterrestre, o Transpor-

tínuo e sistemático preparo ao longo de sua carreira.

Outra alternativa é a utilização de sensores infra-vermelhos. Radiações do sol e da terra,

boa fonte de radiação na faixa do infravermelho em todas as fases do vôo, faci-

te Aéreo Logístico, a Busca e Salvamento, o Reabasteci-

Os jovens pilotos, ao se apresentarem às Unidades Aéreas de Transporte, são ma-

apesar de menores na região do infravermelho médio, ainda representam uma fonte consi-

litando o processamento das informações necessárias ao acompanhamento da ameaça.

mento em Vôo e a Evacuação Aeromédica são, em síntese,

triculados no Curso de Transporte Aéreo Logístico e Transporte Aeroterrestre

as missões aplicáveis à atividade do piloto de Transporte.

(CTALTAET), ministrado na V FAE, que ocorre anualmente.

Hoje, com muito mais clarividência acerca da impor-

No CTALTAET o piloto se familiariza com a Doutrina do Transporte na FAB; as

tância de se obter uma velocidade de concentração dos

Táticas, Métodos e Processos de Lançamento Aéreo de Pessoal e Material; o Vôo de

meios que permita um mínimo de chances numa condi-

Formação; a Navegação e Operação em Zonas de Lançamento, de Extração e de Pou-

ção de conflito bélico, a Aviação de Transporte assume

so; Princípios Básicos da Guerra Eletrônica; e com o Ponto de Lançamento Compu-

papel de destaque, por ter sob suas asas a responsabilidade da Logística.

tado no Ar (CARP), que é um sistema básico de cálculos balísticos, usado para lan-

Ao mesmo tempo que chamamos a atenção para a importância incontestável da

çamento a baixa altitude. Ao término do curso, os pilotos retornam

Logística, constatamos que o Piloto de

às suas UAe para iniciar a parte prática,

O Coronel Antônio Carlos de Barros é piloto de transporte, de reabastecimento em vôo, de busca e salvamento (SAR) e realizou missões na Antártida. Concluiu o CFOAv em 1975 e exerce atualmente a função de chefe do Estado-Maior da Quinta Força Aérea. Possui curso Operacional em Transporte de Tropa e cursou o Air War College da USAF.

Tabela 2: Exemplos de MAWS em uso ou em desenvolvimento. Sistema Fabricante Tipo de Plataformas Sensor AAR-47 Loral UV EUA: Alguns helicópteros do Exército, Marinha e Fuzileiros Navais. AAR-44 Cincinnati IR EUA: MC-130 e AC-130 do Comando de Operações Electronics Especiais AAR-57 Sanders UV Será usado por mais de 3000 aeronaves americanas, de (Lockheed helicópteros leves, até os F-15 e C-17. Martin) IR Grandes plataformas como os C-130. AAR-58 Cincinnati Electronics & Raytheon AAR-54 Northrop UV EUA: C-130 (Comando de Operações Especiais). Grumman Reino Unido: 15 diferentes plataformas (helicópteros e aeronaves de transporte). Austrália: S-70B. Portugal: C-130. Possibilidade de ser instalado em pilones nos F-16A/B's da Bélgica, Holanda, Dinamarca e Noruega. AAR-60 Daimler-Benz & UV Japão: SH-60J. Litton Grécia: F-16. Noruega: Candidato para o JAS-39 Gripen. AAR-56 Lockheed IR EUA: F-22. Martin Guitar Rafael UV 300: helicópteros e aeronaves de transporte. 300/350 350: aeronaves de ataque. MWS-20 Dassault Ativo Helicópteros, aeronaves de transporte e VIP. Eletronique SAMIR Matra BAe IR França: Rafale. Dynamics

O Futuro

Não existe uma solução unânime para o problema. Sensores UV são pequenos,

O uso de MAWS em todas as plataformas aéreas de combate se apresenta como uma

baratos e menos suscetíveis a falsos alarmes, mas não são tão efetivos em gran-

tendência irreversível. Por outro lado, a tecnologia que predominará ainda está inde-

des altitudes (absorção pelo ozônio). Sensores infravermelhos podem ser mais

finida. O fato é que cresce o número de mísseis ínfravermelhos portáteis e os RWR’s ins-

efetivos, porém são mais caros e difíceis de instalar (são maiores e requerem re-

talados na maioria das aeronaves de combate não respondem a essas ameaças. É importan-

frigeração). A tabela 2 mostra os sistemas em uso e algumas de suas princi-

te ressaltar, que MAWS e RWR não competem pela mesma tarefa. Cada qual opera em

pais características [4].

uma faixa diferente do espectro e responde a 6

31


Spectrum

Spectrum

Editorial diferentes ameaças. A integração dos dois em

N

Referências

um sistema de autodefesa composto também por contramedidas eficientes (chaff, flare,

[1] Steven J. Zaloga, “Air Defense Missiles: Recent Trends in the Threat”, Journal of Electronic Defense - Nov 1998, page 37. [2] Steven J. Zaloga, “Future Trends in Air Defense Missiles”, Journal of Electronic Defense - Oct 1997, page 41. [3] Jane’s Intelligence Review, “A Lesson for Colombia”, Oct 1997. [4] Bill Sweetman, “A New Approach to Missile Warning”, Journal of Electronic Defense - Oct 1998, page 41. [5] Estado-Maior das Forças Armadas, “FA-E01 – Estratégia Militar Brasileira”, 1998. [6] Ministério da Aeronáutica, “MMA 500-2 Fundamentos de Guerra Eletrônica”, 03 abr 1997.

AECM, e pods CME) somados a uma biblioteca de ameaças atualizada constitui a solução mais adequada para manter uma alta probabilidade de sobrevivência de todas as aeronaves de combate nos cenários de guerra atuais. MWS-20

Crédito das Fotos: Jedonline, Internet

Definições e Acrônimos AECM – “Active Electronic Countermeasures”: equipamento utilizado para autodefesa, que realiza programas de contra-medidas ativas (RGPO, AGPO e outras) contra alguns tipos de radares diretores de tiro. AGPO – “Angle Gate Pull Off”. Técnica de despistamento em ângulo.

tes previsíveis, deram

e homens prepara-

lugar à hipóteses mais difusas que consideram

dos. O preparo requer motivação, co-

um enorme espectro de uso do estamento mili-

nhecimento das tecnologias e concepções

tar. As denominadas “Hipóteses de Empre-

empregadas nas interações que ocorrem

go” variam desde a participação de meios li-

entre forças oponentes, plataformas, sistemas, ar-

mitados em missão de paz ou na solução de

mamentos e equipamentos presentes nos cenários

crises até o engajamento total na defesa

de guerra, conflito ou crise.

do patrimônio e da integridade do território nacional. Paralelamente, os sistemas

Dentro do enfoque “ampliar o conhecimento”, o Comando-Geral do Ar resol-

militares evoluíram na proporção da tecnologia e as concepções de emprego

veu abrir um espaço para funcionar como fórum de idéias e opiniões pessoais. Este

tornaram-se mais dinâmicas e adaptáveis, visando atender às características inusi-

veículo de comunicações denominado “Spectrum” certamente descortinará novos horizontes para a apresentação de temas voltados exclusivamente para o

Contra Medidas Eletrônicas.

EJ –

“Escort Jamming”. Técnica de CME em que a plataforma interferidora acompanha a esquadrilha atacante.

Na corrida pela busca de respostas adequadas aos desafios atuais, o fator de

preparo e emprego da Força, somandose às já consagradas revistas que abor-

IR –

“Infrared”. Faixa do espectro eletromagnético compreendida entre 0,7

desequilíbrio e o agente mais ativo de

dam assuntos operacionais, tais como:

e 100 mm.

todos esses processos tem sido o HOMEM. Ele é o responsável por detectar

“Zoom”, “O Patrulheiro”, “O Poti”, e outras. Na realidade, pretende-se incen-

necessidades, definir ameaças, desenvolver e aprimorar estratégias, táticas e téc-

tivar a apresentação de temas que venham a despertar debates, motivar o iní-

nicas, planejar o emprego dos nossos meios. No caso da Força Aérea Brasileira, o

cio de estudos que possam ser aproveitados, hoje ou no futuro, com o objetivo

resultado almejado pode ser traduzido por três palavras mágicas que, em caso de

de conferir o devido realce ao aguerrido espírito operacional da Força Aérea Bra-

conflito, representam a síntese de um ideal: voar, combater e vencer.

sileira.

“Infrared Counter-Measures”, Contramedidas de Infra-Vermelho.

RWR –

“Radar Warning Receiver”, Receptor de alerta radar.

SOJ –

“Stand-off Jamming”. Técnica de CME em que a aeronave interferidora “Self Screen Jamming”. Técnica de CME em que somente a aeronave que conduz o interferidor é protegida. Também conhecida como “SelfProtection”.

ta-resposta, adaptabilidade, mobilidade

CME –

SSJ –

guerra e condução das forças. As ameaças, an-

tadas da amplitude de atuação e superar o oponente em todas as instâncias.

fica fora do alcance do armamento inimigo.

duração...”)1, exigem da Força Aérea Brasileira capacidade de pron-

“Chaff and Flare Dispenser”, Lançadores de Chaff e Flare.

RGPO – “Range Gate Pull Off”. Técnica de despistamento em distância.

do por várias mudanças, com implicações diretas na concepção da

CFD –

ção de míssil.

flitos atuais (“...limitados, não-declarados, convencionais e de curta

“Anti-radiation missile”, míssil anti-radiação.

MAWS – “Missile Approach Warning System”. Sistema de alerta de aproxima-

o campo militar, o final do século XX vem se caracterizan-

ARM –

IRCM –

32

Ten.-Brig.-do-Ar Henrique Marini e Souza Comandante-Geral do Ar

1

As características da maioria dos con○

Brasil. Estado-Maior das Forças Armadas. FA-E-01 Estratégia Militar Brasileira. Brasília: 1998 ○

5


Spectrum

Spectrum

Expediente

Índice

Banco de Dados... Continuação da pág. 16

Comandante-Geral do Ar Ten.-Brig.-do Ar Henrique Marini e Souza Conselho Editorial Ten.-Cel.-Av. Narcelio Ramos Ribeiro Cap.-Av. Davi Rogério da Silva Castro Cap.-Av. Edson Fernando da Costa Guimarães Revisão Maj.-Av. Ari Robinson Tomazini Cap.-Av. Carlos Alberto Fernandes Colaboradores Sr. Carlos Lorch (Action Editora) Cap.-Av. Hélio Rodrigues Costa (1º/16º GAv) CECOMSAER CCSIVAM Fotografias Revista Força Aérea Projeto Gráfico e Fotolitos Tachion Editora e Gráfica Ltda. Rua Santa Clara, 552 - Vila Adyanna Tel/Fax: (12) 312-0121 / 322-4048 / 322-3374 CEP 12243-630 – São José dos Campos-SP Impressão Gráfica Itamarati SIG/Sul – Quadra 02 – lote 400 tel: 61-343-1833 – fax: 61-343-1099 CEP 70610-400 – Brasília-DF

O Piloto de Transporte na FAB -------------------- pág 6

Distribuição interna. Tiragem: 2.000 exemplares.

MAWS – Uma Nova Tendência

Guerra Eletrônica: “QUO VADIS”? ------------- pág 8

Analisando as Perspectivas da II FAe ----------- pág 11

(1) David Vaskevitch: Estratégias Cliente/Servidor, Ed. Berkeley, pág. 227. 1995.

demos constatar observando o trabalho realizado na RAF, na Armée de L´Air e em outras Forças Aéreas. O motivo é simples: atualmente não há desenvolvi-

dades operacionais que os originaram, se especialistas em condições de mon-

em Sistemas de Autodefesa para Aeronaves --------------------------------------------- pág 28

mento de sistemas voltados ao emprego da aeronáutica militar que não empre-

tar cenários - mesmo que virtuais - pudessem acompanhá-los nas fases inici-

guem os conceitos da Guerra Eletrônica.

ais do desenvolvimento. Modificações que atrasam e encarecem os projetos

F-117A : O Caça Invisível ------------------------- pág 34

Finalmente, o COMGAR tem a satisfação de anunciar que não estamos tão

que já estão nas fases finais de desenvolvimento podem ser feitas nas fases

distantes da implementação da AO no seio da nossa Força. Atualmente, há dois

intermediárias, onde os subsistemas ainda estão sendo especificados.

oficiais matriculados no curso de mestrado em Pesquisa Operacional da

O COMGAR será o gerente natural da Análise Operacional, pois é a orga-

Coordenação de Projetos de Pós-Graduação de Engenharia (COPPE) da Univer-

nização responsável pelo recebimento operacional das novas plataformas e

sidade Federal do Rio de Janeiro e iniciarão o curso em janeiro de 2000. Es-

sistemas e pela manutenção da prontidão operacional da Força Aérea.

ses oficiais já têm o título de suas teses. Eles serão os responsáveis pela progra-

O Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR – CGEGAR – está se prepa-

mação da análise operacional dos R-99. E mais, o CGEGAR já possui sua seção

rando para conduzir as AO, seguindo uma tendência mundial, conforme po-

Análise Operacional

temer o resultado de cem batalhas” (Sun Tzu, A Arte da Guerra).

sultados das AO. Os projetos poderiam ser melhor alinhados com as necessi-

Banco de Dados Corporativos Base para GE

“Conhece a ti e ao teu inimigo e não devereis

Aeronáutica lucraria muito com os re-

Guerra Eletrônica: “Quo Vadis?”

solucionar este problema. Vale lembrar uma verdade milenar:

Continuação da pág. 27

Missile Approach Warning Systems

das aleatoriamente, de forma automática e com tamanho compatível.

Análise Operacional

Análise Operacional ------------------------------- pág 24

Tel.: (61) 313-2528 Fax.: (61) 224-1840 E-mail: cgegar@comgar.maer.mil.br

ção de um banco de dados corporativo para a GE apresenta-se, então, como a alternativa viável para

Eletrônica no ITA: Proposta de Implantação ------------------------------------------ pág 19

Centro de Guerra Eletrônica do COMGAR (CGEGAR) Esplanada dos Ministérios, bloco “M” Edifício Anexo – 2º andar Brasília - DF CEP 70045-900

proteção criptotécnica com nível de segurança estratégica. Significa dizer: chaves monta-

Pós-Graduação Stricto Sensu em Guerra

enviadas para:

adequada de armazenamento e disseminação dos dados operacionais de GE é inadmissível. A cria-

Eletrônica prevêem a sistematização do trato da informação necessária. No entanto, até então não dis-

Cartas com sugestões ou matérias para publicação devem ser

da, eventualmente. Por fim, toda a malha de comunicações tem que dispor de recursos de

Conclusão

Recursos Humanos de Guerra Eletrônica ----- pág 17

COMGAR. Os originais enviados para publicação não serão devolvidos, mesmo que deixem de ser editados.

Para finalizar, cabe relembrar que o insucesso de missões operacionais por uma falta de sistemática

Como vimos, documentos doutrinários de Guerra

integrais ou parciais das matérias publicadas, desde que mencionados o autor e a fonte e remetido um exemplar para o

púnhamos de uma sistemática estabelecida para tal.

se estabelecer canais ou rotas alternativos ou mesmo estar preparado para operação isola-

Banco de Dados Corporativo – Base Para a Guerra Eletrônica ----------------- pág 14

Os conceitos emitidos nas colunas assinadas são de exclusiva responsabilidade de seus autores. Estão autorizadas transcrições

4

ções, em caso de um conflito real. Assim, deve-

de Análise Operacional. ○

33


Spectrum

Spectrum como, os helicópteros TIGER e NH90. Futuras aplicações da série 6000 podem incluir outras plataformas tais como F-16, Mirage 2000, MIG-29, HAWK, AL-X (EMBRAER), helicópteros Apache, Puma e Gazelle, e transportes tais como FLA, Hércules C-130 e CN-235. A Rohde & Schwarz dispõe de kits de “retrofit” para substituir praticamente qualquer transceptor de aeronave, do tipo AN/ARC. O desenho compacto da série 6000, bem como uma série de interfaces série e paralelo entre a unidade de controle e o transceptor, facilitam a sua integração em sistemas existentes. A versatilidade das unidades de controle também contribui para a alta flexibilidade do equipamento. Os transceptores da série 6000 são disponíveis nas versões cockpit”, “controle remoto” e “MIL-BUS”. A figura abaixo mostra a versão “cockpit”. Os transceptores SECOS das séries 400U e 6000 são, funcionalmente, 100% compatíveis.

F-117A : O Caça Invisível Gelson de Sousa Machado Junior, 3S BCO CGEGAR

O

F-117A foi a primeira aeronave de

detecção.

combate operacional projetada para explorar a tecnologia stealth.

O próprio nome “Stealth Fighter” (caça discreto, furtivo) justifica o fato desta aeronave

O desenvolvimento do F-117A começou no início dos anos 70, com experiências de al-

não ser capacitada para combates aéreos e de não possuir defesas como

gumas companhias aeroespaciais dos EUA com o intuito de iludir radares

chaff, flare, jammers, etc. O armamento é otimizado

e sistemas de defesa aérea. Em 1978, a Lockheed foi contrata-

para ataques noturnos precisos. Na frente e atrás

da para desenvolver um demonstrador avançado de

da aeronave existem sensores infravermelho

uma aeronave operacional de ataque preciso, que passou a

para detectar os alvos e guiar o armamento até

ter o nome código HAVE BLUE. A experiência adquirida nos

eles. O sistema de navegação inercial permite ao

projetos das aeronaves U-2 e SR-71 ajudou bastante e o Co-

F-117A encontrar alvos no território inimigo, mes-

mando Aerotático recebeu o primeiro F-117A em 1982. A

mo durante vôo noturno. Suas armas primárias são as bombas GBU-10

primeira unidade de combate, o 4450th Tactical Group, atin-

e GBU-27 com guiamento por laser. O F-117A foi classificado como um pro-

giu sua capacidade operacional inicial em outubro

grama “negro”. Seu desenvolvimento e produção foram altamente classificados e reali-

de 1993, num teste realizado em Nevada.

zados secretamente. Mas em 1988, a USAF mostrou ao público a aeronave e parte de sua

O F-117A emprega uma variedade de tecnologias para di-

capacidade stealth. Rumores surgiram de que a pressão que os vôos noturnos exerciam so-

ficultar sua detecção por radares inimigos. Ele é coberto por materiais absorventes radar

bre os pilotos fez com que o projeto fosse revelado, permitindo assim que os pilotos pu-

(RAM). Sua forma facetada faz com que praticamente não haja reflexão de energia de

dessem realizar os vôos à luz do dia. Em 1991, a Lockheed propôs um upgrade

volta para o radar. Um sistema de exaustão especial reduz a quantidade de calor emiti-

da aeronave existente para o F-117A+ com a troca dos motores, aumento da capacidade

da pelos motores, reduzindo assim sua assinatura infravermelho. O design interno tam-

stealth, novos sensores, comunicação com baixa probabilidade de interceptação, recep-

bém é exclusivo desta aeronave e permanece

tores GPS e um aumento do raio de ação de 570 MN para 720 MN.

em sigilo absoluto, mas acredita-se que

A performance desta aeronave é tida como excelente. Autoridades da USAF reportaram que,

materiais absorventes (RAM) sejam utiliza-

na Guerra do Golfo, os F-117A realizaram 3% do total de missões, destruindo 43% do total de

dos internamente, especialmente no motor,

alvos, sem nenhuma perda. De acordo ainda com a USAF, duas aeronaves stealth equivalem

para

a 75 aeronaves não stealth.

O 3º Sargento BCO Gelson de Sousa Machado Junior é operador radar, MAGE e foto de patrulha, concluiu o CFS em 1993 e exerce atualmente a função de analista de informações na Seção de Inteligência do CGEGAR. Possui cursos de Guerra Eletrônica (FAB) e de Monitoração em Guerra Eletrônica (EB).

Fotos: Internet

34

reduzir ○

a ○

Enlaces de dados podem ser implementados ponto-a-ponto, em “broadcast” e em TDMA (até 32 participantes e um máximo de 256 “time slots”). Em COMSEC/ TRANSEC, podem ser implementadas até 80 redes ortogonais livres de colisão (operação na mesma freqüência, ao mesmo tempo). Além disso, 1032 diferentes chaves de comunicações e 10154 diferentes chaves de estrutura podem ser definidas e associadas às 80 redes, na forma de “SECOS Data Sets”, dois dos quais podem ser gravados em cada rádio SECOS, ficando disponíveis para seleção durante a operação. Para aplicações em terra, a bordo de navios, ou a bordo de aeronaves de emprego especial, como as aeronaves do SIVAM, a Rohde & Schwarz dispõe da série 400U de rádios de VHF/UHF. Um conjunto SECOS

400U é composto de um transceptor de VHF/UHF , um processador de ECCM, respon-sável pela criptografia da voz ou dos dados, e de um preprocessador de dados (DPP) que protege os dados com um código FEC. Nas aeronaves do SIVAM, os conjuntos SECOS são controlados remotamente por Unidades de Controle Remoto, montadas nos Consoles de Operação. Para emprego a bordo de aeronaves em geral, a Rohde & Schwarz dispõe dos rádios das séries 610 (UHF), 620 (VHF/UHF) e da moderna série 6000 (VHF/UHF), os quais são empregados pelas forças armadas de vários países ao redor do mundo, em uma série de aeronaves, incluindo Tornado, F/A-18 Hornet, Phantom F4, Alpha Jet, helicópteros UH-1D e anti-tanque PAH1, e, recentemente, o “Eurofighter” TYPHOON , bem


Revista SPECTRUM Nº 01