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Editorial

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hegamos novamente às suas mãos, certificados pelo esforço de levar aos leitores, bem mais do que informações sobre o Hobby. Sim! Somos uma publicação comprometida com o conteúdo. Preferencialmente do tipo que possibilite nossos leitores ter um ponto de vista mais amplo, sobre temas como mercado, segmentos de produção, desenvolvimento, etc. Tudo que possa trazer reflexão, engajamento e especialmente, busca pelas melhores ações que venham nos elevar para patamares maiores. Conteúdo capaz de possibilitar nossa valorização, nos colocando respeitosamente neste movimento da volta e do crescimento dos jogos de mesa no Brasil. A revista Gamebook Spatótipo chega a mais uma edição, desta vez, não somente reconhecida por seus leitores, mas também cativada por novos horizontes. Isto, sem descuidar-se da nossa identidade nordestina e do espírito determinado e talentoso de nossa gente. Seguimos ousados e rompendo fronteiras para apresentar a todos quem somos e o que estamos dispostos a ser. Nesta edição, traremos um apanhado sobre os acontecimentos que antecederam ao SPA dos Jogos e Spatótipo, com a

nossa coluna ROLÊ DE MESA. Mas se teu interesse é ter uma abordagem mais opinativa, não há restrição! Nossas páginas ganharam novas colunas, com a opinião de colaboradores antenados ao ritmo frenético dos jogos de tabuleiro no país. Para ir mais além, vale muito uma leitura com os nossos entrevistados nas secções EDITOR CHEFE e ILUSTRADORES. Quem sabe o seu lado criador de jogos possa se encorajar e vir à tona? Mas se teu intuito é entender um pouco do mercado de board game, que tal dar uma volta pela América Latina nos JOGOS DA FRONTEIRA? Ou talvez, você prefira saber um pouco sobre os eventos de jogos que se consolidam na nossa região, dentro de uma abordagem sócio/ histórico e cultural, ao invés de meramente festivo? Muito bem! Então é melhor paramos por aqui e deixamos que possam descobrir o que preparamos para vocês. Aproveite nosso cardápio de textos e deguste conhecimento. Afinal, nosso maior conteúdo é o seu reconhecimento pelo nosso trabalho.

Editor Chefe


GAMEBOOK SPATÓTIPO Edição SPA dos Jogos Pernambuco 15 de maio de 2018 Publicação digital semestral spatotipo@gmail.com

EDITOR

Julio Cesar Cesar Gomes de Oliveira DRT-PB 5580/99

CRÔNISTAS COLABORADORES Bruno Carvalho, Nielson Brito e Rodrigo Sampaio

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epois de caminhar pelos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas, o SPA dos Jogos chega a Pernambuco. Para muitos amantes do Board Game na região Nordeste, tratavase de uma sede bastante aguardada e que finalmente tornou-se uma realidade. A cidade de Gravatá foi o local escolhido para abrigar o principal evento itinerante de jogos de mesa, em hotel fechado, do Brasil. Graças às experiências vivenciadas nas edições passadas, o SPA acontece de maneira bastante amadurecida e direcionando seu foco para um evento, onde a principal característica será a qualidade. Para viabilizar-lo com êxito a coordenação ficou a cargo das equipes da Unitybox Games e D’a Taverna Clube de RPG e Board Game, organizadora do Playtest Pernambuco. Ambos se preocuparam em oferecer aos participantes funcionalidades na realização das atividades constantes na programação. Para os desenvolvedores de jogos, o Spatótipo realiza sua 3ª edição e mais uma vez, publicará o seu gamebook com matérias e o já tradicional catalogo de jogos experimentais. Campeonatos, sorteios, vendas, trocas e leilões continuam a dar ao evento um clima todo especial e bem peculiar. Enfim, é aproveitar como nunca estes dias que já fazem desta edição, um prato cheio para o divertimento e o lazer de seus participantes.

REVISÃO Patricia Santos

DESIGNERS e COLABORADORES Bruno Carvalho, Geraldo Melo, Mário Sérgio, Nádia Melo , Silvanir Souza, Ricardo Amaral, Roberto Pinheiro Rodrigo Sampaio e Vicente Costa

FOTOGRAFIAS Carlos Reyes (Colômbia), Diego Aravena (Cuatro Quesos Editora /Chile), Daniel Ramos, Detestable Games (México), Fabian Martines (Argentina), Fernando Machado (Covil do RPG), Hotel Fazenda Monte Castelo, Geraldo Melo, Grafset Editora, João Batista (Joga Texas), Legião Jogos, K&M Jogos, Marcos Macri (MS Jogos), Patrícia Santos, Pryscila Karoline (Ludorama), Raphael Lima, Rômulo Jardim, Tendson Silva (Trampolim da Aventura), Unity Box Games e Victor Cistenas (Ludoísmo Editora / Chile), Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. Fica expressamente proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

PROJETO GRÁFICO

Stand Box Entretenimento Rua Miguel Seabra Fagundes 94. Dinamérica II Campina Grande-PB Brasil CEP: 58.432-335 caixapostal713@yahoo.com.br

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/ Spatótipo


6/ PERFIL:

Sumário

Conhecendo os coordenadores do SPA dos Jogos de Pernambuco

8/ ROLÊ DE MESA:

Acompanhe o que aconteceu e acontece no Nordeste geek

14/ CHECK IN:

Saiba um pouco mais sobre o SPA dos Jogos no “SPAÇO” para a Felicidade

MARCOS MACRI

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Jogos da Fronteira Embarcamos nos mercados de jogos da América Latina para saber um pouco mais sobre nossos vizinhos

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No Roteiro das Mesas Encontramos os eventos de jogos de mesa que buscam expandir o hobby na região Nordeste

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Conheça os game designers e os jogos experimentais que estarão no SPA dos Jogos

Dan Ramos nós fala de sua carreira, mercado ilustrativo, Red Box, projetos e dicas para quem entra neste ramo.

Guia Spatótipo

Ilustradores

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Equipe coordenadora do SPA Pernambuco 2018

Perfil 6

/ Spatótipo

Emerson Andrade

Glaydson Fonseca

Graduado em Ciências Contábeis e atualmente cursando Análise e Desenvolvimento de Programas. Emerson faz parte da equipe d’A Taverna que realiza o encontro Playtest Pernambuco anualmente. “Sempre joguei desde pequeno Xadrez e War com amigos. Certo dia vi um certo jogo chamado Catan numa loja de brinquedos e me apaixonei. Fui procurar grupos que jogavam os jogos mais modernos , encontrei a Taverna e tô lá até hoje”.

Graduado como Técnico em Eletrônica e também em Engenharia Mecatrônica trabalha como Técnico de Manutenção e também compõe a equipe d’A Taverna realizadora do Playtest Pernambuco. “Sempre gostei de jogos clássicos por conhecer as pessoas enquanto jogava. Parti pra Dama e Xadrez, pois como eram jogos para apenas duas pessoas, a quantidade de partidas aumentava significativamente. Aos 14 anos já fazia torneios de futebol de botão (provavelmente o jogo mais jogado por mim). Conheci o RPG e virou febre, mas em 2007 voltei a jogar os clássi-


Nádia Mello/Unity Box

cos com um grupo da faculdade tendo até vontade de montar um clube de jogos de tabuleiros para não depender apenas de meus amigos para jogar. Na segunda Campus Party Recife conheci Zombicide. Jogar um estilo tático como alguns RPGs sem a necessidade de um mestre era fantástico. Fui atrás e descobri várias opções e tipos de jogos diferentes. Conheci A Taverna num anúncio de one shot de RPG e só depois com os jogos de tabuleiro. A 1ª partida veio com Coup, seguido de Dixit ao aguardar para jogar uma aventura de RPG. Em 2016 fui convidado para fazer parte do time da Taverna e cá es

Joelton Silva

Nádia Melo

Graduado Ciências da computação, Publicidade e Marketing, e Game Designer. Atualmente é diretor assistente de empresa Compliance. “Jogo RPG desde os 9 anos. Me interessei por boardgames no começo dos anos 90 através de jogos como Legions of Steel, Dragon Quest e Catan. Voltei a jogar com mais frequência há 5 anos e atualmente tenho um studio de desenvolvimento de jogos, inclusive de boardgames, onde criamos, escrevemos e desenhamos conteúdos variados. Estamos em andamento com jogos como AstronOUT, Red End, Hard Day to Be a Valkyrie, Pixel Dreams, Battle of Cubelands, Flash & Gears e o RPG World of Runa”.

Graduada em Turismo e em Gestão Ambiental é Gerente de comunicação e marketing e compõe a equipe da Unitybox Games “Sempre gostei de atividades de lazer em grupo e fui apresentada pelo meu noivo ao universo dos boardgames há 5 anos. Já comecei pelos jogos modernos e me apaixonei de cara pelo Ticket to Ride. Sou bastante eclética, o que faz com que não tenha uma preferência por estilo de jogo. Divertiu, tá valendo! Atualmente trabalho num studio de desenvolvimento de jogos diversos”

/ SPA dos Jogos

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ROLÊDEMESA

Um roteiro do que aconteceu no hobbismo até a realização do SPA dos Jogos

A cada click uma viajem pelo mundo

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J.Cesar

Navegando pelos cinco continentes, assim se encontra as versões do Gamebook Spatótipo, que estão disponibilizadas no portal de publicações digitais issuu.com. Elaboradas para o SPA dos Jogos de Alagoas, as edições estão nos idiomas Português e Espanhol e já foram acessadas em mais de 40 países, com destaques para Argentina, México, Chile e Espanha. As duas publicações recebem elogios pela qualidade do seu conteúdo. Outras edições como o Spatótipo Estatístico e o Manual de Identidade visual da edição Pernambuco 2018, também são bem acessados. Para conhecer as publicações basta Clicar em www.issuu.com/spatotipo

Encontro Veterano Realizado nos dias 10,12 e 13 de fevereiro, o XVII Encontro de Jogadores de RPG de Campina Grande, aconteceu no prédio da Secretária de Cultura de Campina Grande (Secult) e movimentou um bom público, que ocupou as mesas para conhecer vários tipos de jogos de tabuleiro. O evento é mais antigo em atividade no Nordeste e atraí admiradores de varias partes da região. Novamente, a Confraria do RPG esteve a frente do encontro e anunciou a formação da equipe que ficará responsável pelas próximas edições.


Nordeste fez Bonito Os desenvolvedores de jogos de tabuleiro da região Nordeste, chamaram a atenção do maior portal de jogos e jogadores de Board Game do Brasil. Organizadora de um prêmio de melhores do ano, a Ludopédia, indicou os jogos Azzelij, Pega Ossos e Scippio dos designers Rodrigo Sampaio, Mário Sérgio e Bruno Carvalho, para

competirem na categoria Jogo Família/Designer Nacional. Além deles, Roberto Pinheiro foi indicado na categoria mídia escrita, com seu blog pinheirobg.com. O anuncio dos vencedores aconteceu na edição 2018 do Diversão Offline, em São Paulo, com o Azzelij ocupando a 11ª colocação, o Scippio 15º e o Pega Ossos a 19ª entre 26.

Bruno Carvalho / Legião Jogos

Patrícia Santos

Uma Legião em “Sampa”

Multicolecionismo As cidades de Campina Grande e Natal, sediaram nos dia 10 e 17 de março, dois movimentados encontros de multicolecionismo. Na Paraíba, o evento foi realizado no Shopping Luiza Motta, no Catolé, enquanto no Rio Grande do Norte, aconteceu no Espaço América, no bairro do Tirol. Na ocasião os visitantes tiveram a oportunidade de adquirir

quadrinhos, cédulas, moedas, selos e miniaturas diversas. Na edição de Campina Grande, além das relíquias de antiquários, também foram negociados alguns jogos de mesa clássicos como Xadrez, dominós e Banco Imobiliário. A proposta dos idealizadores é realizar novos encontros no segundo semestre.

Nos dias 11 e 12 de março, a equipe da Legião Jogos, esteve em São Paulo participando de mais uma edição do Diversão Offline (DOFF). A editora que tem sede em Teresina-PI, tornou-se a primeira editora do Nordeste a estabelecer stand no evento para apresentar seus projetos ao publico presente. Os editores Bruno Carvalho e Pablo Lopes, aproveitaram a ocasião para lançar o jogo Croop Rotation do designer mineiro Eduardo Guerra, que esteve presente para reforçar a divulgação do jogo e dos projetos da editora. A Legião, também a aproveitou a oportunidade para anunciar seus planos para publicar o jogo Eleições 20XX. Quem também esteve presente ao Stand foi o reconhecido lojista Geraldo Marinho (Tio Gêra).

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Depois de uma década promovendo o encontro de board game MCplay, numa rede de lanchonetes da cidade de Natal. O Mestre de jogos, Tendson Silva, encarou um novo desafio, como entusiasta dos jogos de mesa na sua cidade, ao realizar com sucesso a primeira edição do Trampolim da Aventura. O evento entra para o calendário dos encontros de BG no Nordeste, com a marca reconhecida do trabalho e da dedicação de um dos maiores adeptos do Hobby em nosso meio. As edições do Trampolim acontecerão na Avenida Romualdo Galvão, 817, no bairro de Lagoa Seca na capital potiguar. Trampolim da Aventura

Star Wars Destiny na Paraíba A Tio Gêra Geek, do conceituado lojista Geraldo Marinho, foi sede, no dia 24 de março em Campina Grande, da regional Nordeste de Star Wars Destiny. O torneio contou com a participação de 36 jogadores dos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. As premiações foram oferecidas pelas editoras Fantasy Fight Game e Galápagos Jogos, valendo para a disputa todas as coleções do carde game lançadas no Brasil. Além de Campina, as regionais foram realizadas nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Joinville, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.

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/ Spatótipo

Tio Gêra Geek

Trampolim da Vitória


Cada dia mais forte Dentro do contexto dos jogos Role-Playing Game (RPG), os autores nordestinos também estão em plana atividade com propostas interessantes e promissoras. O escritor norte-rio-grandense, Raphael Lima, lançou em versão digital para download, o RPG “Potiguares: Os moradores do Rio Grande do Norte”. Nesta obra, o autor diz ter focado no cotidiano de uma tribo da região, onde as soluções das situações vivenciadas pelos indígenas são resolvidas de forma coletiva. Segundo o autor, é um minijogo (mínimo simples) para utilizar em aulas de culturas e tradições indígenas. Raphael, também é autor das obras Afro Rangens, com temática Afro-futurista e que se passa num período pós-apocalíptico no século 22, Sobreviventes e Cruzados - Jornada à Terra Santa. A publicação pode ser encontrada no site de literatura de RPG www.dungeonist. com pelo valor simbólico de R$ 3,00 e a versão em inglês pode ser baixada pelo site www.drivethrurpg.com por U$ 1,00.

Wolflore no Desconecte

Rômulo Jardim

facebook.com/Raphael Lima/

ROLÊDEMESA

O game designer cearense Rômulo Jardim, participou da 2ª edição do encontro de Board Game Desconecte. Realizado no dia 25 de março, no Shopping Benfica, na cidade de Fortaleza. O evento tem a organização da equipe do Covil do RPG e contou com a presença de um bom publico que pode não somente, jogar vários estilos de jogos de mesa, como também testou os protótipos do card game Wolflore de autoria do Rômulo e do jogo Lutas Simbolicas, do designer Daniel Valentin. Além destas atrações, houve a presença da editora independente Self Publish BE Happy, autora do card game Reinos e Relíquias – Entre a Luz e as Trevas. A editora possibilitou que os participantes do encontro pudessem jogar ao lado de Bruno Teixeira, um dos autores do jogo.

Fim do Spatótipo? A exposição que semestralmente está inserida na programação do SPA, pode não acontecer em novembro. Após Alagoas, foram debatidos com os desenvolvedores da região alguns pontos referentes à qualificação da mostra. A proposta de realizá-lo anualmente foi a mais discutida e a ideia, é possibilitar que os criadores de jogos tenham mais tempo para amadurecer projetos e também desenvolver novos. O martelo ainda não foi batido, mas o assunto voltará a pauta após o SPA dos Jogos de Pernambuco.

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GRAFSET

O kit educacional Esquadrão da Saúde: Batalha permanente contra o Monstro Aedes de autoria de Jorge Molina, que fala sobre prevenção ao mosquito da Dengue, Zika e Chikungunya, esta sendo negociado pela editora GRAFSET para Honduras e Panamá. O kit é composto por cartilha de orientação pedagogica, um livro de ensino fundamental, um CD com joguinho, Quiz educativo e checklist. Também possui um jogo de tabuleiro criado pelo designer paraibano Felipe Headley. Além da possibilidade do kit ser produzido para estes países da América Central, ele poderá também ser exportado para Cabo Verde na África. A expectativa inicial de produção é de 13 mil exemplares para estes países, nas versões em português e espanhol. O kit foi editado inicialmente para a secretaria de saúde da cidade de João Pessoa e graças a sua ótima aceitação pelos estudantes, tornou-se reconhecido pelo Ministério da Saúde brasileiro como ferramenta de orientação no auxilio a prevenção contra o Aedes Aegypti. No Brasil ele pode ser adquirido por R$ 105,00 no site da editora.

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J.Cesar

Tipo Exportação

De Droops em Droops No dia 24 de fevereiro, o Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, sediou mais uma edição do Espaço Criativo Droops. Esta versão novamente foi uma ação conjunta das equipes Estallo Estúdio/ Mago Cinzento em parceria com a Fundação Espaço Cultural (FUNESC). O evento de cultura geek, reuniu curiosos, colecionadores, jogadores e desenvolvedores de Board Games da capital paraibana e cidades próximas, numa prévia do Espaço Criativo Geek que acontecerá em setembro. A proposta dos organizadores é promover as versões Droops a cada dois meses como um “esquenta” para

o evento principal. A ideia é fomentar um evento que possa em poucos anos, consolidar a cidade como pólo de cultura geek na região Nordeste, tendo como planos fortalecer conceitos que possam abrigar e promover a geração de um publico apaixonado por jogos de tabuleiro, jogos digitais, quadrinhos e outros gêneros pop. Na edição Droops a editora K&M, jogos do editor Mario Sérgio, esteve presente apresentando para testes alguns protótipos de seus próximos jogos. A editora é a produtora do party game Uga-Uga Bufapum. O jogo produzido na região vem colhendo muitos elogios dos consumudores.


ROLÊDEMESA

K&M Jogos

SUPER Convenção

Uga-Uga em destaque Lançado no inicio deste ano pela K&M Jogos, o party game Uga-Uga Bufapum, continua colhendo pontos positivos dos consumidores. O jogo está com média acima de 8,3 na avaliação dos jogadores do site Ludopédia e após passar pelas mesas dos eventos ACDC, em Brasília e Espaço Criativo Droops, em João Pessoa, teve suas vendas esgotadas durante o Diversão Offiline em São Paulo. Para não perder o ritmo, ainda na capital paulista, esteve nas mesas do encontro BoardGame São Paulo, realizado em março. Dentro do projeto de socialização da CIA OFF, o jogo acabou nas mãos da humorista brasileira Dani Calabresa, dentro de um kit de jogos, que a atriz se comprometeu a conhecer todos. Segundo Mario Sérgio, editor da K&M, o Uga-Uga Bufapum está quase esgotado e a editora prepara novidades para 2018.

Animes, shows, jogos digitais e de mesa, cosplay, feira de colecionismo, youtubers consagrados no país e outros segmentos estiveram presentes, nos dias 7 e 8 de abril, em João Pessoa, na Paraíba. Na ocasião foi realizado mais uma edição da Super Conversão (Super Com). O evento ocupou o setor principal do Espaço Cultural José Lins do Rego e novamente o publico lotou as dependências do local.

Nova Autoria Após Geraldo Melo, ter estado há três edições a frente da marca do SPA dos Jogos, para o SPA de Pernambuco, assumiu a missão o pernambucano Joelton Silva. Graduado em Marketing pela Faculdade FAMA e em Ciências da Computação pela PUC-PE é Designer da empresa Unitybox Games que esta na co-organização do encontro. Joelton, trouxe a nova logo o conceito dos elementos culturais de Pernambuco, como os ritmos musicais frevo e forró, dentro das cores da bandeira do estado associado aos elementos dos jogos de mesa.

Ano do Eleições Após participar como protótipo de duas edições do Spatótipo, os designers Bruno Carvalho e Pablo Lopes, através da Legião Jogos, decidiram iniciar em maio o financiamento coletivo para a produção do board game Eleições 20XX. O jogo remete os participantes para uma campanha eleitoral visando o cargo de presidente da república e os jogadores poderão, não somente articular sua bases politicas, como participarem de debates e situações recorrentes ao processo eleitoral brasileiro. Chegou a hora de apoiar mais um projeto nordestino!

Assumiu O Game designer baiano Fabrício Caixeta, assumiu a organização da parte destinada aos protótipos do evento de cultura geek Gamepólitan, que acontece em Salvador -BA. O desenvolvedor busca dar a protótipagem na Bahia um espaço de destaque.

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CHECK IN

“SPAÇO” PARA

FELICIDADE

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Hotel Fazenda Monte Castelo

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pós nossa estadia no estado de Alagoas, desembarcamos na turística cidade de Gravatá, em Pernambuco, para mais um SPA dos Jogos. Distante 85 km de Recife, esta cidade se caracteriza por ser um dos principais polos turísticos e de hotelaria do Nordeste. Além destas referencias, Gravatá é reconhecida pela força de sua agropecuária, fato que faz dela, uma das mais importantes para a economia do estado. Dotada de boa infraestrutura rodoviária (com acesso por estrada duplicada), tem atualmente uma população de 85 mil habitantes e um comercio bastante desenvolvido e voltado boa parte para o turismo. Entre as atrações, estão algumas edificações que remontam a cidade para a década entre 1920 a 1930, considerado um dos períodos áureos de prosperidade local. Tem ainda, o clima peculiar da Serra das Russas, que chama a atenção por suas encostas com o bioma transitório entre a Caatinga e a floresta Atlântica. É neste cenário que o SPA será realizado, entre os dias 3 a 6 de maio, no reconhecido Hotel Fazenda Monte Castelo. O Encontro chegou a sua quarta edição, qualificada pelas versões anteriores e sua pre-

Piscinas, playground para crianças e uma excelente área verde tornam o local ideal para relaxar em família


Gravatá vem do idioma indígena

tupi (Karawatã) que traduzido quer dizer arbusto que fura e se refere a uma pequena planta da família das produtoras do sisal (Agave). Também é conhecida em algumas localidades do Nordeste brasileiro como Caroá. Foi da abundancia desta planta que na região as margens do Rio Ipojuca, por volta de 1808, o senhor José Justino Carneiro de Miranda constituiu sua fazenda. Terras de boas pastagens, esta fazenda e seus arredores serviam de entre posto de hospedagem para comerciantes que percorriam os interiores da antiga província de Pernambuco e Paraíba. O fluxo crescente de visitantes possibilitou em 1810 a construção de uma igreja a Santa Ana e com ela, gradualmente um povoado. Em 1881, Gravatá que pertencia as terras da cidade de São José dos Bezerros (Atual Bezerros), foi elevada a condição de vila devido a sua importância econômica no vale do Ipojuca e em 1884, tornou-se cidade. Manteve seu desenvolvimento atrelado durante décadas aos di-

versos setores da agropecuária e ao mesmo tempo, já apresentava fortes tendências econômicas para o setor hoteleiro. Em 1889, recebeu um trecho da ferrovia Great Western Railways que ligou a capital de Pernambuco ao restante das cidades do interior. Com a linha férrea, teve o escoamento de sua produção facilitada fazendo a cidade ter um grande impulso de desenvolvimento. Em 1950 o governo federal construiu a rodovia BR-232, passando seu trecho por Gravatá. Com mais esta melhoria na infraestrutura a cidade fortaleceu consideravelmente seu polo agropecuário e consequentemente este progresso deu o suporte necessário para a atividade hoteleira torna-se um setor de serviço significante. Contribuiu para isto ainda as belezas naturais da Serra das Russas, portal de entrada da região do Planalto da Borborema. Atualmente, Gravatá é um dos destinos turísticos mais procurados na região Nordeste do Brasil, graças a qualidade de sua rede hoteleira.

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Salões, restaurantes e quartos estão entre os destaques de conforto para quem visita o Hotel Monte Castelo

sença nas terras pernambucanas de certa forma, acalenta o anseio de muitos jogadores da região que encontram no estado sua moradia. Não há como negar, que o SPA alcançou seu reconhecimento como principal evento de jogos de mesa itinerante do Nordeste e a cada versão, ele torna-se mais exigente no compromisso da organização de levar, em critério, a capacidade estrutural para promovê-lo. A estrutura dos locais de realização passou a ter imensa prioridade, refletindo sua expansão no meio do BG nacional. Melhorias significativas, já a partir das instalações do hotel, que obrigatoriamente, devem possuir seus salões de recepções aptos para um mínimo conforto dos jogadores. Este foi um dos principais fatores para a escolha do Monte Castelo. O local agradou a coordenação do SPA Pernambuco e certamente agradará seus visitantes pela ótima estrutura disponível. Destaque para os dois salões de

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eventos que ficarão abertos 24 horas por dia, exclusivamente por causa do Encontro, será a primeira vez, que a área de jogos do SPA terá espaço duplicado, facilitando a elaboração de ações tanto para as mesas dos jogadores, quanto para a exposição e testes dos protótipos dos desenvolvedores. Já os lojistas, terão a possibilidade de realizar melhores negociações, pois terá a disposição um setor com trânsito amplo que facilitará o fluxo de consumidores interessados na aquisição de itens. As áreas destinadas ao lazer, refeições e acomodações é outro destaque positivo. Nesta edição, além dos salões, atividades da programação como o Spatótipo (SPA dos Protótipos), vão ter áreas exclusivas. Com isto, desenvolvedores devem não somente expor seus projetos para o publico realizar testes, como ter uma área cômoda para debater assuntos relacionados ao mercado, bem como apresentar

lançamentos de jogos de própria autoria, ou por editoras locais. Quanto às novidades, vamos contar com uma seletiva de Carcassonne, com premiação e vaga para o Campeonato Brasileiro que acontece em São Paulo. Enquanto, leilões, vendas e sorteios de jogos continuam a fazer parte do roteiro tradicional do SPA. O grande ponto positivo gerado pelo encontro vem sendo a integração, cada dia mais assídua entre os jogadores, possibilitando a expansão do hobby através da motivação para a realização de outros encontros. Já para os desenvolvedores regionais, o SPA vem contribuído para o amadurecimento de projetos elaborados por criadores de jogos, resultando numa evolução bastante acentuada nos últimos anos. Para a comissão organizadora do encontro, a perspectiva é das melhores e o objetivo é dar a edição realizada em Pernambuco qualidade, conforto e especialmente a satisfação aos participantes.


GAMEBOX

Bruno Carvalho

Colaborador: Bruno Carvalho de Paula

@gmail.com

formado em Administração de Empresas com MBA em Gerenciamento de Projetos. Editor da Legião Jogos

SOB UM OLHAR LEGIONÁRIO Uma observação da editora sobre a realidade de seu surgimento e entendimento de sua contribuição dentro do mercado atual e futuro

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m dia você se conecta com a cloud da inspiração humana e tem a ideia de um jogo. Até aqui, nada demais! Eu sei que você leitor ou já tem uma bela ideia de um jogo, ou já teve vontade de fazer um jogo. Quem sabe, até tem um protótipo rodando em algum evento por aí. Mas chega a hora de publicar e surge uma interrogação... E agora? Nascida em 2016, dessa mesma interrogação a Legião Jogos se posicionou como uma editora genuinamente nordestina e brasileira. Com a missão de trazer à tona a criatividade dos designers nacionais e apresentar no mercado jogos de qualidade made in Brazil. Claro que isso não seria fácil. O mercado brasileiro é pequeno e disputado (board game moderno no Brasil é um hobby caro e inacessível à maioria da população). Porém, a todo o momento, uma enxurrada de novos títulos disputa a atenção dos consumidores e para completar, estando no Nordeste, ainda há a dificuldade ampliada de estar longe dos principais eventos e ter que encarar os elevados custos logísticos de mandar um produto físico para os quatro cantos desse país continental. Esses desafios só ajudaram no ama-

durecimento da editora a se profissionalizar mais rapidamente. E sentir-se parte integrante dessa indústria de jogos que está ressurgindo no Brasil. Ver que há, hoje, uma rede de editoras, gráficas, lojistas, ludotecas, imprensa,

“board game moderno no Brasil é um hobby caro e inacessível à maioria da população” mecanismos de financiamento, organizadores de eventos e sites especializados se organizando no entorno dos jogos de tabuleiro, dedicados a trazer produtos de qualidade ao público final, bem como a expandir o hobby. Ora, não passava perto da nossa

imaginação mais febril crer que um dia um representante da COPAG, empresa que vende para 120 países e tem capacidade de produzir mais de 30 milhões de baralhos por ano (isto somente na fábrica da cidade de Manaus), um dia iria nos procurar e perguntar honestamente; Quer fazer um orçamento de produção conosco? Assim, trabalhando devagar e aproveitando as oportunidades de mercado para crescer à sombra dos grandes players (como Grow, Galápagos, Devir e Mandala, etc), vamos conquistando nosso lugar. É, para nós, motivo de muito orgulho seguir o rastro de pioneiros que trilharam o caminho do self-publish, como o jogo Reinos & Relíquias – Entre a Luz e as Trevas, oriundo de Fortaleza no Ceará, para conseguir ter no mercado o primeiro jogo publicado por uma editora nordestina. É, para nós, motivo de muito orgulho ter servido de inspiração para que colegas tirassem suas ideias do papel, montassem suas pequenas editoras e também começassem a publicar seus jogos. É, vai ser, e sempre será, para nós, motivo de muito orgulho apoiar e desenvolver o board game nacional e especialmente o nordestino!

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Eu acredito que desenvolver e expandir o mercado local pode ser uma boa alternativa. Também acho que a região Nordeste tem um imenso leque de opções para temas de jogos baseados em sua rica cultura

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Foto: Marcos Macri acervo pessoal

Marcos

MACRI

EDITOR CHEFE


MARCOS ULISSES MACRI Nasceu em São Paulo, em 28 de outubro de 1970. Seu interesse por jogos de tabuleiro foi despertado ainda na infância, quando para se divertir com os amigos e familiares, buscava criar seus próprios jogos. Na adolescencia, descobriu o RPG passando a se dedicar a este novo hobby, inclusive criando suas próprias aventuras, enquanto paralelo a isto despertava também o interesse pelas arte cênicas. Formado na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo ( USP), atuou como ator por 12 anos nos parques tématicos da Maurício de Souza Produções, período em que afastou-se do hobby para dedicar-se a carreira de ator e também ser mágico. Em 2004, deixou a atuação para dedicar-se exclusivamente a magia e isto novamente apróximou-lhe do universo lúdico. Com maior disponibilidade de tempo, passou a frequentar locais e eventos ligados aos jogos de mesa, redescobrindo sua vocação através dos jogos modernos. Assim, em 2008 voltou a criar jogos, conseguindo suas primeiras publicações em 2011. Um ano depois, fundou em parceria com amigos a MS Jogos do qual é atualmente responsável.

Atualmente Marcos Macri tornou-se uma referência entres os desenvolvedores de jogos no Brasil. Como você enxerga esse momento de sua vida. Por quê?

entretenimento do público de alguma forma, seja através de uma obra de ficção, show de mágica ou jogo de tabuleiro.

Sinceramente, não me considero referência. Sou um Game Designer que erra e acerta e que se esforça para alcançar bons resultados, como muitos outros colegas nessa profissão. Me tornei relativamente conhecido dentro do nicho, talvez, devido ao volume de lançamentos da MS Jogos, desde agosto de 2012. Entre títulos inéditos e reedições foram dezesseis no total. Além disso, recebi o prêmio Ludopedia 2015 de Melhor Jogo Design Nacional com Jester e publiquei Dogs no exterior em 2017, mas tudo isso veio em decorrência de muito esforço e muito trabalho.

Existe um estilo de jogo que caracterize o perfil do desenvolvedor Marcos Macri, ou o criador não determina a criatura?

Sua trajetória é bastante curiosa. O garoto criador de jogos que se torna ator e se transforma em mágico. Seria esta a mistura certa para o sucesso, há uma receita?

Sim, eu me arrisquei a criar jogos ainda criança, muito antes de pensar em ser ator e mágico profissional. Mas creio que estas profissões se complementam de alguma forma e funcionam, todas elas, embasadas da criatividade. Claro, o processo de trabalho de um ator para a construção de um personagem ou de um mágico para a construção de uma rotina de efeitos, é diferente do processo de trabalho utilizado pelo Game Designer. Mas se observarmos com clareza, no fundo, tudo converge na mesma direção, ou seja, o

Sem dúvida, gosto dos jogos de estilo europeu, com fator sorte moderado e o máximo possível de estratégia. Esse estilo de jogo, que se revelou para mim em 2007 com Descobridores de Catan e Ticket to Ride, me apontou um universo lúdico totalmente novo e fascinante. Desse ponto em diante adquiri dezenas de jogos importados para minha coleção pessoal e fui de certa forma, influenciado pelo estilo e pelas mecânicas que passei a apreciar. Hoje o mercado nacional recebe com entusiasmo cada projeto com sua assinatura, porém, o que foi mais difícil acatar antes da publicação do seu primeiro jogo?

Eu tive dois jogos publicados na fase pré-MS Jogos: Pássaros e O Vale dos Monstros. Ou seja, antes de acumular as funções de autor e editor, eu era apenas um autor, e sem nenhuma experiência. Além disso, naquela época, estamos falando de 2010/2011, o mercado estava muito diferente. Retraído, tímido, com poucas opções de editoras, eventos e mídias para divulgação. Tudo era mais difícil, para um aspirante a Game Designer. Assim, passei por alguns aborrecimentos e frustrações

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que prefiro nem comentar. Mas em decorrência disso, acabei arregaçando as mangas e assumi a responsabilidade de produzir, divulgar e publicar meus próprios jogos, num modelo bastante peculiar sobre o qual a MS opera hoje. Afirma-se que nos últimos dois anos, estamos vivenciando um “boom criativo” no mercado nacional de jogos. Existe este boom. E como você enxerga esse momento? Penso que ocorre o seguinte. Hoje, é mais fácil divulgar um projeto do que há cinco anos. Há mais espaço nas redes sociais. Há mais blogs, sites e canais de produção de conteúdo. Há grupos e mais grupos no facebook, há concursos para projetos de autores nacionais, eventos com áreas reservadas a protótipos, enfim, uma série de elementos que viabilizam a divulgação dos projetos de um modo geral. Somando a isso o fato de que a cada dez gamers, sete possuem ideias para criar e desenvolver jogos, é natural que ocorra esta percepção do “boom criativo”. Naturalmente, com o tempo, o próprio mercado irá filtrar todos esses projetos, e a partir daí ficarão aqueles que estão realmente amadurecidos e que reúnem as condições necessárias para uma possível publicação. Qual é o maior erro, em sua opinião, que um desenvolvedor de jogos pode cometer durante um projeto. E o maior erro perante uma editora de jogos?

Eu destacaria dois erros que podem comprometer a publicação

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de um jogo. (1º) Alto custo de produção. Isso implica, por exemplo, numa quantidade absurda de cartas e/ou miniaturas, ou em componentes tridimensionais complexos, como mobílias ou veículos, ou até mesmo tabuleiros gigantes. Componentes assim podem eventualmente assustar e afastar possíveis editores. Muitas vezes, e isso percebemos com o tempo, as soluções mais simples são as mais eficientes. (2º) Jogo desbalanceado. Apresentar um jogo assim para um editor irá forçá-lo a retrabalhar o jogo para buscar o balanceamento matemático necessário, e nem sempre há tempo ou disponibilidade para isso. Essa é uma tarefa do Designer. Como desenvolvedor conhecedor do mercado atual, o que um desenvolvedor iniciante deve atentar para conquistar um lugar neste cenário dos Board Games?

O princípio da originalidade é fundamental. Note entretanto, que estamos em 2018, e com mais de 97.000 jogos cadastrados no site americano boardgamegeek, seria muita presunção achar que seu jogo será cem por cento original, único e inovador. É mais do que natural para um jovem designer se inspirar em algo que já existe. Mas é muito importante que, mesmo usando referências em seu trabalho, o resultado final apresente elementos originais, criativos, de tema e mecânicas, que definam o estilo próprio do autor e sua assinatura.


O que é mais interessante neste mercado. Partir para entender a produção e lançar seus projetos de maneira independente ou criar o projeto e deixar que uma editora publique da forma que ela achar conveniente?

Os dois caminhos apresentados na pergunta são completamente diferentes e dependem do seu perfil. Se você tem espírito empreendedor, algum capital para investir ou até mesmo deseja se arriscar num financiamento coletivo, a auto publicação pode funcionar. Porém, será necessário planejar cuidadosamente todas as etapas do processo, minuciosamente de preferência, contando sempre com eventuais imprevistos. Porém, se o Designer não se sente preparado para empreender ou não desejar se aventurar, ele pode simplesmente trabalhar seu projeto, deixando-o bem consolidado, e a partir daí investir em contatos com editoras visando uma publicação de médio e longo prazo. Digo isso porque os prazos de publicação geralmente costumam demorar e é necessário ter boa dose de paciência antes de ver seu jogo efetivamente exposto na prateleira de uma loja.

“Um jogo caro ou monster game, é justamente um jogo de alto custo de produção , fora dos parâmetros inerentes à situação financeira do editor.”

Tempo de maturação e playtests são fundamentais ou neste caso a presa é aliada da perfeição. Há uma regra de tempo para um bom jogo?

Tempo de maturação e playtests são dois elementos muito importantes. Quanto mais tempo o Designer consegue dedicar ao desenvolvimento e quanto mais sessões de playtest ele realiza, maior é a chance dele alcançar um bom resultado final. Mas não há uma regra nesse sentido. Ou seja, costumo dizer que o tempo de desenvolvimento necessário para um determinado jogo é proporcional ao seu nível de complexidade. Muitos desenvolvedores de outras regiões do Brasil afirmam que o mercado editorial brasileiro é na verdade bastante restrito a apoiar iniciativas apenas oriundas do eixo sul/sudeste, tornando o mercado quase um cenário de “apadrinhamento”. Esta afirmação é uma realidade ou um equivoco de mau entendimento?

Veja, eu não sei se esse “apadrinhamento” realmente existe. Não tenho essa percepção. O que ocorre a meu ver é que o Brasil é um país muito grande, continental. Hoje, as principais editoras de jogos estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. Diversos eventos ocorrem nessas regiões e muitos autores aproveitam esta chance para fazer contatos e expôr seu trabalho, presencialmente. Talvez essa aproximação crie um cenário que favoreça determinadas publicações. Mas o fato é que há, em todo o país, um grande número de Designers talentosos, criativos e esforçados, à espera, apenas, de uma boa oportunidade.

O surgimento da MS Jogos com Diego Santos, veio da necessidade de ter uma garantia de onde poder publicar. Explique?

A MS surgiu num momento do nosso mercado, em 2012, em que as opções de editoras para jogos analógicos não completavam os dedos de uma das mãos, por incrível que pareça. Eu tinha vários jogos finalizados e não tinha como publicá-los. Então essa limitação foi o gatilho que me levou a assumir o papel de editor do meu próprio trabalho. A MS Jogos é uma iniciativa para os jogos de Macri, ou existe um pensamento futuro de agregar outros projetos não próprios?

Por enquanto ela é a ferramenta através da qual pretendo colocar outros títulos de minha autoria no mercado, a curto e médio prazo. Mas nada impede que num futuro breve nós não possamos abrir o catálogo para projetos de outros autores nacionais. A MS é um projeto bem sucedido que partiu da decisão de ter sua própria editora. Quando é o momento que você considera que um designer deve parar de correr atrás de editora e iniciar uma produção independente?

Antes de buscar uma editora ou se aventurar em um modelo de auto publicação, é fundamental que o Designer perceba se o seu jogo está pronto ou não. Isso poderá ser constatado através de eventos e sessões de playtest. O público naturalmente se encarrega de nos dar um feedback. Esse processo terá uma duração variável, como já dissemos anteriormente. Ao notar que o jogo está finalizado, a próxima etapa será buscar a publicação, pelo caminho que o Designer considerar mais adequado.

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Algumas pessoas creem que você não gosta de apostar em financiamento coletivo ou fazer pré-venda é uma decisão? Eu nada tenho contra o financiamento coletivo, muito pelo contrário. Inclusive, a MS Jogos licenciou Dogs para uma editora americana que realizou uma campanha muito bem sucedida no Kickstarter em fevereiro de 2017. Mas aqui no Brasil eu acabei optando por outro sistema e tem funcionado. Também é uma característica nossa só iniciar a venda com o produto fabricado e em estoque. Assim, o cliente compra sabendo que irá receber em alguns dias, de acordo com o prazo estipulado pelos correios. Numa enquete recente entre colecionadores de BGs da região Nordeste, o jogo Dogs se coloca em primeiro lugar entre os jogos nacionais. O que faz o Dogs ser tão especial para o público? Já me fiz essa pergunta várias vezes. Creio que tive a felicidade de encontrar um tema que agrada um grande número de pessoas, de idades e perfis diferentes. Além disso, a mecânica do jogo, de um modo geral, funciona bem com crianças e jogadores casuais, e também com jogadores mais experientes (gamers). Esses dois elementos, combinados entre si, dão versatilidade ao jogo e o tornam atraente para o público. O Dogs entrou no mercado dos Estados Unidos, isto é um indicativo que o designer de jogos Brasileiro está começando a despertar o interesse no exterior, ou é uma vitória de articulação da MS? Qualquer Designer, de qualquer país, pode despertar a atenção do mercado americano e até mesmo europeu, desde que ele tenha um bom jogo nas mãos. Mas por outro lado, isso não

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acontece da noite para o dia. Lá fora há mais editoras mas também há mais designers, e portanto a concorrência também é grande. O mercado é exigente e seletivo. Nós trabalhamos o Dogs durante três anos em nosso país, antes que ele chamasse a atenção do mercado internacional. Foram idas e vindas, encontros e desencontros, até que a editora certa apareceu e viabilizou o projeto. A tiragem dos seus jogos, sempre abaixo das 500 unidades é uma consciência do tamanho do seu público alvo, ou uma margem de segurança de mercado de sua editora. E qual é a magia de produzir baixas tiragens com custo em conta? Realmente as tiragens da MS não ultrapassam 500 unidades. Muitos sabem disso. Mas se você levar em conta que todos os jogos da Coleção já foram reeditados, todos passaram dessa quantidade. Dogs por exemplo, nosso carro chefe, recebeu três adições que somadas alcançam 1.000 und. Em tudo há vantagens e desvantagens. Tiragens menores podem ter custos mais altos, porém esgotam mais rápido e movem seu capital de giro. Quanto ao valor competitivo dos jogos MS no varejo, não há nenhum truque de mágico, apenas margem de lucro reduzida, somente isso. Existe algum jogo criado por você que tem um carinho especial, porém, não teve a receptividade esperada pelo público? Já mencionei em outras ocasiões, e repito sem constrangimento. Cada jogo é um filho para mim. Eu me apego, não tem jeito. É minha personalidade. Mas depois de publicados, são filhos que ganham o mundo e você não tem mais controle sobre eles. Sem dúvida, eu esperava um pouco mais de receptividade para dois jogos da


Fotos: MS Jogos

cultura. Seria maravilhoso experimentar jogos focados nisso, criados e desenvolvidos por autores locais.

Que conselho Marcos Macri daria para os desenvolvedores que surgem no Nordeste?

SOBRE...

O mesmo conselho que poderia dar para desenvolvedores de outras regiões: estudar, jogar e conhecer o maior número possível de jogos antigos e modernos, para aumentar a cultura lúdica do designer e suas referências. E por que não, investir em temas regionais, desconhecidos do grande público, buscando sempre sua marca pessoal em cada projeto.

DOGS Chega aos Estados Unidos após sucesso de critíca e vendas no Brasil

Coleção MS, mas prefiro não dizer quais para não influenciar ninguém. O que aprendi nessa trajetória é que todo jogo, independente de seu estilo, tema ou mecânicas, irá encontrar rejeição e aceitação. Isso é natural. Impossível agradar a todos, e jamais desejei isso. No Nordeste surgem núcleos de criação de jogos. Afinal, qual caminho seguir, focar em desenvolver nosso mercado, ou acreditar na possibilidade ganhar mercado no sudeste? Eu acredito que desenvolver e expandir o mercado local pode ser uma boa alternativa. Também acho que a região Nordeste tem um imenso leque de opções para temas de jogos baseados em sua rica

Sobre Macri e a MS Jogos para os próximos anos? Bem, fazer uma previsão de longo prazo sempre é um risco, num país instável como o nosso, mas posso compartilhar com vocês as novidades para 2018. Acabamos de lançar a Expansão do Chaparral. Em seguida, com previsão para final de maio, iremos reimprimir o DOGS, veja só... ele novamente, ehehe... para atender a uma parcela do mercado que conheceu o jogo quando ele estava esgotado. Na sequência, final de julho início de agosto provavelmente, vamos iniciar a Coleção MS Card Game e o título de estreia será a versão card game do Viagem no Tempo, totalmente diferente da versão tabuleiro. Ele poderá ser jogado por até seis pessoas com duração de 30/40min. E posteriormente, em novembro, traremos outro título inédito, o nº 9 da Coleção grande, que será o Xingú. Agradeço a vocês pela oportunidade de falar um pouco sobre o meu trabalho nesta entrevista e desejo a todos os leitores momentos agradáveis com seus familiares e amigos em muitas e muitas jogatinas. Um grande abraço!

Xingú foi configurado para 2 a 6

jogadores, possui mecânica principal de alocação de trabalhadores e seleção de personagens. A história do jogo se passa no final do século XIX, quando o Marechal Cândido Rondon é contratado pelo governo brasileiro para construir linhas telegráficas na região central do Brasil, e se depara com várias tribos indígenas hostis, até então desconhecidas. Os jogadores controlam essas tribos e devem usar a estratégia para sobreviver a esse contato inesperado com o Homem Branco.

SERVIÇO Para saber um pouco mais sobre a Marcos Macri e seus jogos acesse; www.msjogos.com.br facebook/msjogos.com

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MERCADO

JOGOS DA FRONTEIRA Como nossos vizinhos na América Latina vivenciam e encontram saídas para seus mercados de jogos de mesa

N

os últimos anos, o Brasil vem vivenciando um retorno gradativo ao consumo de jogos de mesa, em especial, jogos que não se limitam aos consagrados War ou Banco Imobiliário (Risk e Monopoly), sucessos de vendas das duas principais produtoras de jogos do país. O aparecimento de novos conceitos que abrem mão de mecânicas de uso exclusivos de dados ou “a sorte está lançada”, ganham cada vez mais adeptos, numa geração que afirma prezar pela imersão no jogo durante as partidas. Atualmente há uma preocupação quanto a fatores como duração, balanceamento, número de jogadores, grau de complexidade, tema e especialmente o controle da sorte nos jogos. Acompanhando este interesse, o mercado do Brasil, vem sofrendo um “boom criativo” com o aparecimento de designers, desenvolvedores, criadores de jogos, estúdios e editoras que estão contribuindo para o fortalecimento de uma produção nacional que visa lucrar com este mercado nos próximos anos. Este ciclo produtivo segue o mesmo roteiro que transformou a Europa e os Estados Unidos em referencias no

segmento e que agora desembarca na América Latina reformulando mercados antes paralisados por protecionismos comerciais. Fabian Martinez Torre, é especialista em jogos de mesa direcionado à adolescentes, jovens e adultos, na Argentina. Para ele, a produção e desenvolvimento de jogos de mesa no país ficaram estagnados por quase 40 anos, impossibilitando o público argentino de ter conhecimento do que acontecia nos jogos de tabuleiro pelo mundo, realidade que somente a partir de 2013, passou a sofrer alguma mudança. Barreiras impostas nas politicas de importações do país seriam os grandes vilões deste atraso. Afinal, mais do que os brasileiros, os argentinos tendem a ter mais jogos nacionais em suas coleções por causa deste fator, tão prejudicial, que também afetou, até mesmo a modernização e os conceitos da indústria de componentes para jogos, inclusive em relação ao Brasil. O resultado é que embora muitos jogadores considerem os jogos desenvolvidos e produzidos no país um avanço, grande parte, coloca o jogo nacional para um patamar

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Ilustração: J.Cesar/Brasil

“Normalmente, O mercado aceita muito bem a ideia dos jogos argentinos”


SOBRE O BRASIL

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Milhões É o atual cenário de faturamento do mercado dos jogos de mesa por ano. Desde 1980, não havia números tão positivos no segmento.

R$ 5,3 Milhões é a estimativa que corresponde a fatia atual dos board games neste montante.

Aquele 1% Foi o indice de crescimento anual do mercado de BGs nos últimos 3 anos. Em 2018 se espera um salto anual para 2% Fonte: ABRINQ (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos ) para as empresas afiliadas do setor até setembro de 2017.

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Associadas, as editoras Chilenas realizam eventos para avaliar seus projetos e buscar novidades para o mercado

entre regular ou abaixo dos padrões europeus em termos de qualidade. “Normalmente, o mercado aceita muito bem a ideia dos jogos argentinos. Só que ele não conhece a mecânica que hoje se usa nos jogos, então eles ficam surpresos ao descobri-los e se é com um jogo argentino, mais. Agora, se falamos sobre jogadores como pessoas que já sabem sobre jogos, eles vêem muita diferença na qualidade dos componentes e isso obviamente não ajuda”, ressalta Torre. Mesmo assim, apesar de todas estas circunstancias e comparações, o mercado para os jogos argentinos fica mais expansivo a cada ano, mesmo o mercado de certa maneira parecer mais tímido em relação aos países vizinhos, muito talvez pelo custo, cada dia mais elevado, dos jogos importados, o que faz do produto nacional uma opção viável nas mesas

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Fabian Martinez Torre Especialista em Jogos de Mesa e organizador da Zapada Lúdica. Professor da UNPAZ Universidad Nacional José Clemente Paz na Argentina. Foto: Fabian Torres /Argentina

em curto prazo. Tudo isto, no entanto, tem seu lado positivo, pois vem possibilitando destacar nomes como Luis Marcatoni autor de Mundo Novo, Alejandro Maio Sasso e o seu Días de Radio, além de Sebastián Koziner, criador de ONI, primeiro jogo argentino publicado por uma editora estrangeira. Além do mais, se faz necessário entender que esta cobrança pela qualidade dos componentes é sintomática em praticamente todos os mercados nacionais da América Latina e não somente uma obsessão do cenário brasileiro ou argentino. Segundo Victor Cisternas, da editora chilena Ludoísmo e autor de Los Tesoros del Rey Pirata, o público está muito acostumado a edições de qualidade internacional com arte e componentes de primeira linha. Isso sempre tornou difícil para os editores fabricarem jogos em grá-


ficas chilenas que não conhecem os materiais ou processos adequados. Porém, uma saída encontrada por algumas editoras do país, obrigadas a melhorar seus produtos para competir no mercado interno, foi nos últimos anos produzir jogos em gráficas estrangeiras, principalmente na China e até mesmo na Alemanha e assim, atingindo níveis de produção que lhes permitem competir como iguais à títulos estrangeiros, abrindo com isso a perspectiva de vendas no exterior. O conceito de produção fora do país de origem, também é visto como uma saída por muitos mercados da América Latina e também é compartilhada pela Aether Tower, uma editora de jogos e consultoria em Crowdfunding, que auxilia no financiamento de projetos em massa no México. Fundada em 2014, pelos amigos Juan Ramos, Hugo Huesca e William Burgos, e atualmente administrada apenas por Juan e Hugo, a editora tem parceria com a incubadora de jogos Detestable Games e viabilizou jogos como o Cooks & Crooks e Seat Wars. A Detestable tem como proposta capacitar o designer/desenvolvedor de jogos, através de cursos e também fomentar eventos voltados ao board game. A experiência mexicana possibilita fazer o contraponto, assim, enquanto uma desenvolve os criadores, a outra busca tornar realidade, nos sites de financiamento coletivo, as criaturas.

Há mercados que buscam no cooperativismo formas de superar as deficiências e as restrições técnicas sofridas pelos jogos nacionais, exemplos claros são as Associações de jogos de mesa que foram criadas na Argentina e no Chile. No caso argentino, as iniciativas formam grupos de pequenas editoras independentes onde cada editor produz como você quer, onde quiser. Em seguida, eles se juntam para comercializar todos os produtos e desta maneira, podem oferecer nas lojas de revenda jogos com valores, bem mais em conta, do que poderiam oferecer se negociassem individualmente. No exemplo chileno, a Associação presta uma assessoria técnica, onde a editora filiada recebe consultoria com a finalidade de estabelecer laços de trabalho colaborativo e que possam permitir a indústria de edição no país e desta maneira tornar os jogos de mesa uma atividade econômica. Cansados de tentar encontrar soluções que possibilitassem a melhoria da manufatura de componentes no Chile, as editoras se uniram e produzem seus jogos na China, por causa da alta qualidade, o que trás aos jogos chilenos uma diferença notável. O jogo D50 Las Redes del Reich da editora Cuatro Quesos, é um destes resultados de notabilidade de criação no país e produção no exterior. Diego Aravena é um dos responsáveis pela editora e afirma que os chineses já se

Luis Muñoz e Andrés Novelo com o jogo Cooks & Crooks. Projeto bem sucedido da Detestable Games para o mercado do México. Já Andrée Ayala apresenta o Seat Wars.

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tornaram especialistas em produção de jogos de mesa, com qualidade e custo baixo, o que torna a iniciativa compensadora, especialmente em países sem muitas barreiras comerciais com a China. No entanto, não é uma linha de produção para pequenas tiragens, já que as indústrias do país asiático somente trabalham com faixa superior a 1.000 unidades do produto, informa. Tantas unidades, soam como um número excessivo para muitas editoras do mercado brasileiro, acostumada com tiragens pontuais, porém, para o mercado latino-americano é um montante que pode ser escoado graças ao idioma. Afinal, com o espanhol é possível publicar um jogo no Chile e encontrar consumidores em outros países, inclusive nos Estados Unidos e Europa. Já o português, isola o mercado brasileiro em relação aos seus vizinhos, tornando-o muito restrito ao seu próprio eixo. Neste caso, o idioma funciona como um protecionismo parcial e frágil.

“os chineses já se tornaram especialistas em produção de jogos de mesa, com qualidade e custo baixo”

Nos demais países, o cenário dos jogos de mesa nacionais, ainda estão no âmbito, muito mais do consumo, do que de produção, embora comecem a surgir iniciativas bem sucedidas de desenvolvedores e editoras na Bolívia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Perú, Uruguai e Venezuela, mesmo este ultimo, sofrendo restrições econômicas e politicas. De acordo com a mexicana Aether Tower, o mercado latino americano esta crescendo mais e mais, o que reforça a necessidade de procurar parceiros de outros países para ajudar uns aos outros. A In’Sanity Games da Costa Rica, é um deles. A editora costariquenha produz o Voodoo Madness e o Animator vs Animation, jogos com boa aceitação no mercado do país e que podem ser aproveitados em outros mercados. Apenas para ilustrar como exemplos. Mesmo assim, ao observar o panorama latino-americano percebe-se que os núcleos mais engajados no desenvolvi-

Foto: Ludoísmo/ Chile

Victor Cisternas e Pablo Cespedes, editores e produtores da Chilena Ludoísmo apresantam seus jogos.

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Foto: Cuatro Quesos/ Chile

Equipe da Cuatro Quesos, Wladimir Gárate, Isadora Cárdenas e Diego Aravena, publicadores do jogo D50 en Las Redes deu Reich

mento de jogos nacionais estão justamente no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México e que na maioria dos mercados, o processo de produção de jogos nacionais se inicia a partir do único setor de fomentação de board game disponível e tecnicamente viável nestes países, no caso, nos referimos ao setor de impressos e cartonados. Daí, uma abundancia de jogos nacionais no formato de card games, ponta pé inicial de muitas editoras, para somente depois, partir para um patamar mais complexo e que exige qualidade de itens. Na Colômbia, o ritmo de produção de jogos nacionais é bastante ativo e tornou-se mais intenso nos últimos anos, ao ponto de algumas editoras de jogos do país estarem participando da feira internacional de jogos, que se realiza em Essen, na Alemanha. O foco dos colombianos já se direciona para a apresentação de seus produtos ao mercado europeu, enquanto a visão para a América Latina, ainda

Carlos Alberto Reyes Rincon Engenheiro de sistemas e criador de jogos de mesa já publicados com êxito na Colômbia Foto: Carlos Reyes /Colômbia

é pouco priorizada e em referencia ao mercado brasileiro, é quase que inexistente, muito devido à barreira linguística entre os países. Um fator, que deve ser levado em conta no país é o aumento do numero de criadores de jogos e de criadoras, já que muitos preferem formar estúdios, objetivando a venda de projetos para editoras como a Devir. Outros, no entanto, buscam apostar em suas próprias produções como a editora Azhar ou a Creo Mi Juegos. Esta última, é uma empresa sediada em Bogotá, que edita projetos como o Bloody Sands, Flynn Scape e o Pyramidice, todos do reconhecido editor de jogos Carlos Alberto Reyes Rincon, mas que também presta serviços de consultoria em balanceamento de jogos e criação, venda de componentes e produção de protótipos para apresentação em eventos. Este norral também atraiu o interesse dos criadores do Perú, que se tornam cada dia mais frequentes nos eventos de jogos que se realizam na Colômbia, como o SOFA (Salon del Ocio y la Fantasia), que se assemelha a Comic Com e chega a ter a presença de 180 mil visitantes. Reyes, afirma que a perspectiva para o mercado colombiano é bastante positiva, especialmente com o interesse da própria Devir em apostar em títulos do país. Para os mercados vizinhos, o Brasil é um mercado que gradualmente se mostrará promissor e lucrativo, podendo apresentar gratas surpresas na produção de jogos, à medida que experimenta seu “boom criativo” e expande o interesse pelos jogos de tabuleiro. Este mercado não esta imune aos olhares de editoras latino americanas, muito pelo contrario, o que se aguarda é um melhor amadurecimento de fatores comerciais que possibilitem integrar o mercado brasileiro ao restante dos mercados latinos.

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Na Estante 30

Conheça um pouco sobre todos os jogos editados que foram citados em nossa edição. Os valores citados tem como referência a cotação da moeda americana em relação as moedas dos países citados a partir do dia 14/04/2018.

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D50: LAS REDES DEL REICH Autores: Diego Aravena, Wladimir Gárate e Isadora Cárdenas

É um belissímo jogo da editora chilena Cuatro Quesos. Semi-cooperativo é para 3 até 4 jogadores, onde a trama se baseia numa história real ocorrida no Chile durante a II Guerra Mundial. No jogo, um jogador assume o papel de um espião nazista e os demais se tornam agentes do governo que tentam encontrá-lo.

Quanto custa? CLP 35.000

R$ 200,00

Pesos Chilenos

Reais

Informações: www.cuatroquesos.cl


NA ESTANTE

COOKS & CROOKS Autores: Luis Muñoz e Andrés Novelo Trata-se do mais recente trabalho da Detestable Games do México. O Jogo é um card game bastante divertido, onde o jogador tem a missão de preparar os melhores pratos e lanches para uma clientela bastante exigente.

Quanto custa? MXN 460,00 Pesos Mexicanos

R$ 85,00 Reais

PIRAMIDICE

Informações:

Autor: Carlos Alberto Reyes Rincón Pyramidice es un juego abstracto Colombiano para cuatro jugadores en el que deben crear pirámides en orden descendente comenzando en 6 y terminando en uno. Cada color determina un jugador e indica quién domina una pirámide, el jugador que domina dos pirámides vence automáticamente el juego.

Quanto custa? COP 45.000 Pesos Colombianos

R$ 65,00 Reais

Informações: creomijuego.com

facebook.com/detestablegames/

SEAT WARS Autor: Andrée Ayala Neste engraçado party game mexicano, os jogadores tem que disputarem entre si, um assento vago dentro de um ônibus urbano lotado. Para marcar pontos, o jogador tem que manter seu personagem no assento por uma rodada inteira e para isto contará com habilidades especiais para ficar no lugar.

Quanto custa? MXN 460,00 Pesos Mexicanos

R$ 85,00 Reais

Informações: facebook.com/detestablegames/

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VOODOO MADNESS Autores: Yoanán Leiten e Alejo Batista Neste party game da Costa Rica, cada jogador é um boneco de vodu tentando descobrir a identidade de seus oponentes ou derrotá-los. Para isto, usa as fraquezas dos monstros para atacar e bloquear ataques de inimigos. O objetivo é sobreviver até o termino do jogo. Podem jogar de 2 a 6 jogadores.

Quanto custa? CRC 120.00 Colons

BLOODY SANDS DICE Autor: Carlos Alberto Reyes Rincón É um card game com uso de dados, onde o jogador assume a condição de um guerreiro gladiador que deverá superar seus oponentes e em troca ganhar o reconhecimento do tribuno. O objetivo é cumprir uma sequência certa dos simbolos nos dados e de acordo com a missão contida nas cartas. Jogam de 2 até 8 participantes.

Quanto custa? COP 55.000

R$ 65,00 Reais

Informações: facebook.com/theinsanitygames/

AZZELIJ Autor: Rodrigo Sampaio Neste jogo abstrato, cada jogador é um operario responsável para colocar um piso cerâmico na sala do trono do palácio de um sultão. O objetivo é somar o maior número de pontos em relação aos seus oponentes durante o processo de colocação dos azuleijos. Este criativo jogo brasileiro pode ser jogado de 2 até 4 jogadores.

Pesos colombianos

R$ 70,00 Reais

Quanto custa? R$ 85,00

Informações:

Reais

creomijuego.com

U$ 25,00 Dolares

Informações: www.facebook.com/azzelij/

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NA ESTANTE

SCIPPIO Autores: Bruno Carvalho e Pablo Lopes

Neste jogo os jogadores representarão os generais cartagineses Aníbal e Asdrúbal e os cônsules romanos Fabius e Espurius que lutam por seu povo. Este card game é jogado por 4 participantes que precisarão realizar ações combinadas para obter recursos e assim vencer a guerra.

Quanto custa?

LOS TESOROS DEL REY PIRATA Autore: Pablo Céspedes, Víctor Hugo Cisternas e Dan Rodriguez

Neste family game, os jogadores são piratas que buscam o espólio de um famoso pirata desaparecido. Nele os jogadores colecionam cartas de tesouro que concedem pontos. O pirata que obtiver mais pontos ganha o jogo e é nomeado o novo Rei ou Rainha Pirata. Podem jogar de 2 a 4 jogadores

Quanto custa? CLP 15.000 Pesos Chilenos

R$ 65,00 Reais

R$ 65.00 Reais

U$ 20,00 Dolares

Informações:

facebook.com/legiaojogos/

6 PANDORA Autor: Flávia Barreto e Rubens Lopes Trata-se de um belo jogo de blefe, onde os jogadores observam seus dados dentro da caixa de Pandora precisam saber enganar ou não seu oponente. A cada acerto, você obtem cubos e aquele que cumprir primeiro sequência estabelecida na sua carta de missão vence.

Quanto custa? R$ 40.00 Pesos Chilenos

U$ 12,00 Dolares

Informações: www.4touche.com.br

Informações: www.ludoismo.cl

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ANIMATOR VS ANIMATION Autor: Yoanán Leiten

CROOP ROTATION

Um jogo de cartas costarriquenho baseado na Animation vs Animator Series de Alan Becker, Neste card game você é um animador e usa suas habilidades como mover, arrastar, girar e outras para equipar e direcionar sua animação para atacar outras pessoas e ganhar pontos.

Autor: Eduardo Guerra e Jonatas Bermudes

Neste family game estratégico os jogadores precisarão administrar a rotação de plantio de feijão, milho e soja de uma fazenda. Também precisa ficar atento as pragas que põe em risco a colheita. Vence o jogador que conseguir colher mais do que os demais. De 2 até 4 jogadores podem participar.

Quanto custa? R$ 120.00 Reais

R$ 35,00 Dólares

Informações: facebook.com/legiaojogos/

Quanto custa? CRC 120.00

FLYNN’S SCAPE Autor: Carlos Alberto Reyes Rincón Este jogo de corrida nos traz muitas emoções, nele os jogadores que estão presos no ciberespaço a procura de qualquer maneira de um local de saída e para isso precisam ser mais rápidos do que seus oponentes. Cada piloto tem suas próprias habilidades que ele deve usar da melhor maneira possível para vencer esta competição.

Quanto custa? COP 60.000 Pesos colombianos

R$ 75,00 Reais

Informações: creomijuego.com

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Colons

R$ 65,00 Reais

Informações: facebook.com/theinsanitygames/


NA ESTANTE

ONI Autores: Sebastián Koziner e Rocio Ogñenovich

No Japão feudal, a primavera é uma época de festas, mas enquanto todos estão distraídos olhando a beleza da natureza, os Oni, criaturas pequenas e lendárias, observam das florestas os humanos e juntas articulam maneiras de realizar grandes travessuras

UGA-UGA BUFAPUM Autor: Mário Sérgio Na pré-história uma tribo acreditava que o principal critério para estabelecer seu lider era que ele pudesse soltar fartos e mal cheirosos gases. Com a aposentadoria do seu atual líder, outros candidadatos se habilitaram a soltar os gases mais violentos. Neste party game podem jogar entre 2 a 4 pessoas.

Quanto custa? R$ 125.00 Reais

R$ 40,00 Dólares

Informações: www.kemjogos.com

Quanto custa? $ 200 Pesos Argentinos

R$ 35,00 Reais

Informações:

www.okediciones.com

CHAPARRAL Autor: Marcos Macri No velho Oeste americano, cada jogador torna-se um investidor em busca de furtuna, prestigio e prosperidade. Neste eurogame sua ações precisam ser extremamente bem planejadas e vence quem primeiro alcançar seus objetivos.

Quanto custa? R$ 220.00 Pesos Chilenos

U$ 65,00 Dolares

Informações: www.msjogos.com.br

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DÍAS DE RADIO Autor: Alejandro Maio Sanso É um jogo de cartas cooperativo narrativo em tempo real para 2 a 4 jogadores assumem o papel de locutores de uma radio. Os jogadores escolhem cartas e precisam narrar uma história com base no que esta escrito nelas dentro de um tempo determinado.

Quanto custa?

PEGA OSSOS

$ 500,00

Autor: Mário Sérgio

R$ 100,00

Na pré-historia eles praticavam um esporte chamado pega ossos, numa arena com terrenos diferentes onde o objetivo é pegar os ossos que estão no centro do tabuleiro e deixar no lado oposto de seu oponente. O jogo é confeccionado em madeira e seu tabuleiro em cerâmica podendo ser jogado por 2 ou 4 jogadores.

Quanto custa? R$ 40.00 Reais

R$ 12,00 Dólares

Informações: www.kemjogos.com

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Pesos Argentinos

Reais

Informações: www.bisonte.com.ar

POTIGUARES: Os moradores do Rio Grande do Norte (RPG) Autor: Raphael Lima Trata-se de um RPG (minimo simples), ambientado no Rio Grande do Norte na época do Brasil colonizado por Portugal. Nele, os jogadores precisam resolver cooperativamente os dilemas vividos por uma tribo potiguar.

Quanto custa? R$ 3.00 Pesos Chilenos

U$ 1,00 Dolares

Informações: www.mundoscolidem.com.br


NA ESTANTE REINOS & RELÍQUIAS Entre a luz e as trevas

CARRERA DE MENTE

Autores: Bruno Teixeira Maia, Filipe Romualdo

Autores: Jaime Poniachik

e Ulisses de Sousa

e Daniel Samoilovich

Neste party game divertido os jogadores são Chibis Japonenses que usam suas magias para adquirir relíquias que valem pontos para seus times em situações inusitadas. Pode ser jogado por 2 a 9 jogadores

Neste jogo todos são convidados a disputar uma acirrada disputa de conhecimento. Nele os jogadores usam cartas com perguntas e a cada resposta bem sucedida avançam pelo tabuleiro somando pontos. Quem obtiver melhor pontuação vence o jogo. Pode ser jogado com 2 até 20 participantes. Jogo similar ao Perfil.

Quanto custa? R$ 60,00 Reais

R$ 18,00

Quanto custa?

Reais

$ 700,00 Pesos Argentinos

R$ 125,00 Reais

Informações: www.ruibalgames.com

CRUZADOS Jornada à Terra Santa (RPG) Autor: Raphael Lima Neste RPG (minimo simples) ambientado na idade média, autor propõe levar os jogadores a condição de cruzados que deverão enfrentam aventuras diversas em suas jornadas rumo à Terra Santa.

Quanto custa? R$ 3,00 Pesos Mexicanos

U$ 1,00 Reais

www. mundoscolidem.com.br

/ SPA dos Jogos

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Board Game Views

NO ROTEIRO

DAS MESAS Quais são e o que se propõe os encontros de board game que estão em atividade atualmente no Nordeste

C

onsiderado o principal evento itinerante de jogos de mesa do Nordeste, o SPA dos Jogos, vem tornando-se uma inspiração para o surgimento futuro de outros encontros de importância para a expansão do hobby em varias cidades da região. Mas, além do SPA, há eventos que começam a quebrar barreiras do isolamento e se prenunciam tornarem-se roteiros constantes para jogadores e desenvolvedores de jogos no Brasil. Muitos se consolidam na mesma medida que aumenta a curiosidade e interesse do publico pelos jogos de tabuleiro modernos. Junto a eles, também se desenvolve toda uma estrutura que começa a ganhar destaque nos meios educacionais, sócio/culturais e comerciais.

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/ Spatótipo

João Pessoa, na Paraíba, é uma das cidades que vivencia esta fase, ela é uma das poucas cidades do Nordeste que tem a disposição uma estrutura publica coberta e exclusiva para eventos. Trata-se do Espaço Cultural José Lins do Rego, com capacidade máxima para 20 mil pessoas. É neste local, que se realizam as versões do Espaço Criativo Droops e Espaço Criativo, ambos organizados pelas equipes da Estallo Jogos e Mago Cinzento, formada por Bruno Elias, Felipe Headley, Geraldo Melo e Matheus Medvedeff. O evento nas duas versões tem características distintas, a versão Droops acontece a cada dois meses e busca manter ativa as atividades de jogos digitais e analógicos como RPG, jogos de


mesa e prototipagem. Enquanto a versão Espaço Criativo, possibilita ao visitante uma gama maior de atividades, que vão além dos jogos, englobando toda a atividade de cultura geek da capital paraibana. Para 2018, ocorrerá uma parceria com a equipe organizadora do HQPB e juntos possibilitarão ao visitante, além das palestras as oficinas didáticas, o universo dos quadrinhos. Tudo objetivando a capacitação e o empreendedorismo dos segmentos criativos locais. A proposta é gradualmente, e dentro de um planejamento organizado, assumir perfil de uma Comic Com regional e transformar João Pessoa em ponto de convergência dos segmentos geeks do Nordeste. Na Paraíba se observa um engajamento nestes gêneros pop. De certa maneira o próprio aspecto cultural jovem do estado se volta a uma geração constante de pessoas adeptas ao segmento criativo. É um dos estados brasileiros com forte formação de ilustradores o que lhe garantiu uma escola de quadrinistas reconhecidos pela qualidade internacional dos trabalhos e neste rastro histórico seguem os jogos de mesa. Grande parte deste espirito de vanguarda teve em Campina Grande, segunda cidade mais importante da Paraíba, seu embrião articulador. Nela acontece o Encontro Campinense de Jogadores de RPG que há 18 anos fomenta a

cultura geek na cidade, inclusive com a inserção dos jogos de tabuleiro e a disseminação de jogadores que auxiliaram a propagar para a capital e outras cidades o interesse pelos jogos. Sua importância ainda é relevante, tanto que o primeiro SPA dos Jogos foi articulado e sediado em Campina Grande. Se os paraibanos mantém, o evento geek mais antigo em atividade na região, coube a Recife, em Pernambuco organizar o mais veterano encontro de protótipos de jogos do Nordeste. Trata-se do Playtest Pernambuco, promovido anualmente se encontrando na sua 6ª edição este ano. Ele tem a organização da equipe A Taverna e acontece numa luderia conceituada na capital pernambucana. Embora seja o pioneiro em eventos dedicados exclusivamente aos projetos de jogos de tabuleiro, somente ano passado é que o encontro contou com a participação de jogos elaborados por desenvolvedores de outro estado. Para esta edição do SPA dos Jogos e do Spatótipo a coordenação ficou a cargo da equipe d’A taverna e a Unitybox Games. Após o SPA, os coordenadores voltarão suas atenções ao Playtest. Previsto para setembro o encontro novamente contará com a presença de jogos de outros estados, esta abertura pretende retira o evento do patamar caseiro para fazê-lo, nas edições seguintes, torna-se mais procurado pelos desenvol-

BAHIA

Cidade: Teixeira de Freitas Sobre: O encontro é mensal e acontece no último final de semana de cada mês. Foco: RPG e Board Games Organizadores: Equipe Joga Texas www.facebook. com/jogatexas

CEARÁ

Cidade: Fortaleza Sobre: Encontro bimestral de jogos de mesa. Foco: RPG, Board Game e Protótipos Organizadores: Equipe Covil do RPG www.facebook.com/covilrpg www.covildorpg.com.br

/ SPA dos Jogos

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Cidade: Juazeiro do Norte Sobre: O evento é exclusivo para os jogos de tabuleiro. Acontece todos os meses no Hotel Santa Luzia Foco: Board game Organizadores: Equipe Joga Cariri www.facebook. com/jogacariri

MARANHÃO

Cidade: São Luiz Sobre: Acontece anualmente em um hotel da capital maranhense Foco: Board Game e protótipos Organizadores: Equipe Ilha meeple www.facebook.com/ ilhameeple/

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/ Spatótipo

O Joga Texas começou na UFSBA, porém já teve duas edições no principal Shopping Center de Teixeira de Freitas.

vedores da região, segundo José Emerson, um dos membros d’A taverna. Em 2013, jogadores aficionados por board Game decidiram promover o Joga Fortal, este evento, ganhou repercussão em Fortaleza e impulsionou a pratica dos jogos de mesa na capital cearense. Paralelo a isto, em 2015 um movimento de RPG também ganhou projeção no meio geek, tratava-se da comunidade Covil do RPG, realizadora do Soul+RPG, considerado um dos maiores eventos deste gênero de jogo analógico no país e que sempre abriu espaço para jogos de tabuleiro. Com o encerramento do Joga Fortal, a capital cearense ficou com uma lacuna em relação aos encontros, passando meses

com espaço para jogos apenas disponíveis nas luderias da cidade. Depois de dois anos de existência, a comunidade Covil tornouse uma associação voltada a propagar as atividades lúdicas em Fortaleza, possibilitando a criação dos eventos Covil Delas e do Desconecte, aonde um é voltado ao RPG para mulheres e o outro para o jogo de mesa. Fernando Machado é o atual presidente da Associação e afirma que o estimulo para o retorno destes movimentos com o Covil, foram gerados pela ausência deixada pelo fim dos encontros públicos em Fortaleza. A proposta do retorno é fortalecer esses movimentos, porém com planejamento, assim, o Soul+RPG e o Covil Delas passaram a ser realizados semestralmente, enquanto o


Desconecte tem periodicidade bimestral. Machado entende que apesar do RPG ser sua paixão original, não ser pode fechar os olhos para crescimento dos jogos de mesa. A ideia é manter a força que o RPG tem em Fortaleza e ao mesmo tempo ir gradualmente apostando nos BGs, inclusive dando mais espaço para card games e posteriormente aos protótipos de jogos. No interior do estado, o destaque fica por conta do Joga Cariri que acontece mensalmente na cidade de Juazeiro do Norte, distante 495 km da capital. O encontro surgiu da iniciativa de grupos de colecionadores e jogadores que se reuniam em suas residências para joga e decidiram que era o momento de ampliar e trazer novas pessoas para o universo dos novos conceitos dos jogos modernos. Atualmente o encontro tornou-se o mais antigo em atividade no Ceará e não somente vem difundido a cultura lúdica na cidade e região, como se tornou objeto de estudo para alunos do projeto de extensão do laboratório interdisciplinar de jogos cooperativos da Universidade Federal do Cariri (UFCA). O projeto pesquisa qual é a importância dos jogos atuais nas metodologias educativas, ensino cooperativo e comunicação social. Este despertar gradual da área acadêmica em acompanhar alguns eventos do gênero é um reflexo que busca analisar o fator de aproveitamento educacional e o impacto sociológico que os jogos de mesa vêm promovendo no Brasil. O Joga Texas Festival é outro exemplo desta proximidade. O encontro originou-se nos grupos de RPG da região de Teixeira de Freitas na Bahia e em pouco tempo, abriu

Nas dependências da UFRN o Oficina Lúdica foi fundamental para movimentar os jogos experimentais em Natal

espaço para os tabuleiros. O professor João Batista Lopes da Silva usa o fator sociabilidade como gancho para um projeto de extensão na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSBA). João Batista compõe o grupo de organizadores do evento e juntos discutem democraticamente ações que visam expandir a pratica dos jogos como ferramenta de ensino e lazer. “Já realizamos varias oficinas onde apresentamos aos nossos alunos, vários estilos de jogos. Depois, debatemos com eles quais foram as experiências vivenciadas ao jogar determinado estilo e seus fatores de interatividade. Estas ações levaram o Joga Texas a ser realizado num dos

principais shoppings da cidade” explica o professor. Em Natal-RN, o evento Oficina Lúdica, acontecia dentro das dependências da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) sob a coordenação do professor Igor Oliveira, membro do Instituto Metrópole Digital (IMD) da instituição. No Oficina, além da divulgação do hobby houve também a participação de criadores de jogos da cidade e seus protótipos. Segundo Igor, o encontro fazia os criadores se sentirem a vontade para colocar seus jogos “à prova” e receberem sugestões. O evento surgiu após uma palestra de Tendson Silva, considerado um dos

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PARAÍBA

Cidade: João Pessoa Sobre: Na versão Droops acontece a cada dois meses. Já a versão completa ocorre anualmente. É um evento voltado a cultura Geek Organizadores: Equipe Estallo/Mago www.facebook.com/ espacocriativo/

Cidade: Campina Grande Sobre: Encontro Campinense de Jogadores de RPG é o evento de jogos de tabuleiro e RPG mais antigo em atividade no Nordeste. Acontece anualmente há 18 anos. Foco: RPG, Board Game e Protótipo Organizadores: Equipe Confraria RPG www.facebook.com/ confraria.rpg.3

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/ Spatótipo

maiores colecionadores de jogos de mesa do Nordeste, nos fazendo enxergar a importância de estabelecer uma ponte entre o analógico e o digital, já que no bacharelado em tecnologia da Informação há disciplinas direcionadas aos jogos digitais. Em contra partida, mesmo a Oficina não estando diretamente ligada as disciplinas iniciais desta área, houve professor que levou seus alunos para testar jogos de mesa desenvolvidos no estado. Embora fosse realizado mensalmente, a partir de 2017, optamos em reduzir um pouco o ritmo, pois incorporamos o evento ao EPoGames (Encontro Potiguar de Games) encontro de jogos promovido pelo IMD e nele, ficamos responsáveis pelas ações voltadas aos jogos de mesa. Enquanto estados como Alagoas e Sergipe ainda não promovem eventos oficiais, Piauí e Maranhão se destacam pelo Cajuína Meeple e o Encontro Ilha Meeple. No caso piauiense, o Cajuina segue o roteiro de ter surgido a partir de jogadores de Teresina-PI que decidiram realizar um evento para jogar e principalmente promover o board game local. Além dos jogos, também há espaço para a participação dos protótipos desenvolvidos no estado e com o lema “fuja do virtual e divirta-se” tornou-se outro evento a ocupar seu lugar num dos principais shoppings da capital.

Já em São Luiz-MA, o Ilha Meeple che a sua 3ª edição buscando consolidação no cenário dos jogos na capital maranhense, enquanto em paralelo os jogos de mesa e seus jogadores vão encontrando refúgio diário na luderia Ludorama. O estabelecimento partiu do empreendedorismo da dupla Diogo Ribeiro e Caio Serra, que além de oferecer a venda de itens geek buscam manter ativa a essência da pratica dos jogos, promovendo no local, vários tipos de torneios com intensa frequência, que vão do X-Wing à Yu-gi-oh! Já que na capital maranhense os movimentos ainda estão caminhando, inclusive no sentido de criação de protótipos criados no estado. Em todos os casos, a fomentação dos eventos espelham o crescimento continuo do hobby na região Nordeste, tanto do ponto de vista de lazer e diversão, quanto no intuito de estudo acadêmico em relação as questões sócio/culturais que os jogos de tabuleiro se dispõe a promover como ferramenta de ensino e especialmente de ressocialização em pleno auge do consumo de redes sociais. Há curto prazo, existe a tendência natural para o surgimento de outros encontros, já em longo prazo, o que visualizamos são as consolidações dos atuais eventos e suas respectivas ampliações como parte fundamental da força da cultura geek que apenas se cresce no Brasil.

“A fomentação dos eventos espelham o crescimento continuo do hobby na região Nordeste”


PERNAMBUCO

Cidade: Recife Sobre: A taverna é um evento que acontece mensalmente na Luderia Geek Pit. Porém, anualmente eles realizam o Playtest PE. Foco: RPG, Board Game e Protótipo Organizadores: Equipe A Taverna www.facebook.com/groups/ tavernarpgeboardgame

PIAUÍ

Cidade: Teresina Sobre: É um dos principais encontros do BGs da região e acontece a cada seis meses. Foco: RPG, Board Game e Protótipo

Fernando Machado e o Desconecte tenta trazer de volta um espaço lúdico para os Board Game em Fortaleza. O Espaço Criativo quer transformar João Pessoa na capital Nordestina da Cultura Geek . Caio Serra e Diogo Ribeiro fazem da Ludorama o ponto de expansão dos jogos em São Luiz.

Organizadores: Equipe Cajuína Meeple www.facebook.com/ pg/cajuinameeple

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SANDBOX Nielison Brito

nielison@gmail.com

Colaborador: Nielison Andrade de Brito Graduado em Física pela Universidade Federal de Pernambuco e Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Paraíba. Trabalha na PSA na Infraero.

NÃO DEIXE O SEU DESIGNER INTERIOR SUMIR! Dedico esse texto a todo o pessoal do grupo “BG Designers NE”, que, além de nos trazer mais jogos, empenham-se diariamente em incentivar nosso designer interior.

A

lguns dias atrás eu li uma entrevista com o Eric Lang (designer do Blood Rage e Rising Sun), em razão de sua vinda ao Brasil para o Diversão Offline que aconteceu em março desse ano, onde foi perguntado sobre como começou sua carreira de criador de jogos e o início desse desejo que se tornou uma vocação, no que ele respondeu que a origem de tudo provavelmente se deu quando ele ainda era uma criança e adorava fazer modificações ou inventar novas regras para os jogos que jogava na época. E então pensei que essa era a resposta que a grande maioria dos desenvolvedores de boardgames dão para tais perguntas. Lembrei-me da minha infância, sempre jogando, quando eu modificava ou inventava regras para meu Banco Imobiliário (me incomodava tanto espaço vazio no meio do tabuleiro) ou para o Dungeons & Dragons que eu tinha na época (aquele da Grow, com um dragão vermelho na capa da caixa), com o manual todo riscado porque eu achava que as regras eram incompletas. Com o tempo, cheguei até a criar os meus próprios boardgames (tudo roll & move, claro) e um sistema próprio de RPG (que se chamava Mana). Porém, com o tempo, assim como aconteceu com muitos gamers no país, os jogos

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/ Spatótipo

foram sumindo e, junto com eles, aquele pequeno designer que existia dentro de mim. Que não chegou a sumir de fato, pois logo que conheci os boardgames modernos, o desejo de criar voltou com tudo e inúmeras ideias e projetos começaram a nascer e tomar forma. Mas esse designer interior agora era um adulto, precisava trabalhar, pagar as contas da casa, fazer feira e cuidar de filho. Sumiu de novo... Até que comecei a ter contato com um pessoal do Nordeste que também tinha ânsia por criar e acompanhei o nascimento e desenvolvimento de muitos jogos, incluindo alguns já publicados (Azzelij e Uga Uga Bufapum, por exemplo). Mais importante ainda, passei a conviver com um grupo de desenvolvedores muito unido e que estava sempre disposto a incentivar uns aos outros. Isso tudo fez o designer interior reaparecer novamente, mesmo que ali parado, tirando um cochilo. Mas sempre do meu lado. Graças a essa galera. Mas esse texto não é sobre mim. Aliás, como dito, essa poderia até ser a história de qualquer outro designer já consagrado. Mas o texto também não é sobre eles. Talvez sobre você, que, da mesma forma, teve um pequeno criador de jogos dentro de si, que sumiu e ainda não reapareceu. Sei que chega uma fase em que a vida começa a ficar muito atribulada. As

prioridades se tornam tantas que temos até que priorizar as prioridades. Isso tudo nos enche de cansaço, estresse e pequenas frustrações, e acaba faltando a energia para manter o designer interior por perto. Mas, se ainda existe essa ânsia de criar em algum lugar dentro de você, pergunte-se se parte desse estresse e dessas frustrações não vêm justamente pelo fato dessa ânsia estar sendo constantemente reprimida. Quero dizer que talvez valha a pena arrumar uma energia extra para se dedicar à criação, nem que seja somente no campo das ideias, porque no fim isso pode tornar sua vida mais leve e prazerosa. Quem sabe, até, um pontapé inicial seja justamente a fonte de energia que esteja faltando e, como num efeito dominó, isso desencadeie outros projetos e acabe resultando num novo Eric Lang. Porém, mesmo que não resulte, esse pontapé poderá, no mínimo, trazer mais alegria em meio a tantos estresses. No fim, esse texto é para dizer que, se for o seu caso, não deixe o designer que te acompanha desde sua infância, e que anda sumido, desaparecer por completo. Arrume um pouquinho de tempo e coragem, junte-se a outras pessoas que também foram pequenos criadores e comece a colocar suas ideias para voar. Vale a pena.


Conheça os designers e os de jogos de mesa que estarão no SPA dos Jogos de Pernambuco 2018

/ SPA dos Jogos

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JOGOS

GERALDO MELO

Imagens: Geraldo Melo

MONDRIAN

CORREIO ELEGANTE NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

90 minutos

Na floresta a diversidade de animais acaba gerando um sério problema de comunicação e isto torna a convivencia entre todos os seres extremamente complicado. Para estabelecer uma troca de mensagens que possa manter as criaturas da floresta em perfeita harmonia, os bichos decidiram criar um sistema de entrega de correspondência que possibilite o entendimento e a harmonia entre as criaturas. Vence quem for o entregador mais ágil entre os animais da floresta.

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// Spatótipo Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

90 minutos

Homenagear o artista Piet Mondrian, considerado um dos mais renomados pintores modernos e seus trabalhos abstratos, foi o principio do jogo. O Artista que influenciou não somente nas artes e na arquitetura, mas também no design como poucos conseguiram fazer na história. Neste jogo, os jogadores são convidados a conhecer e construir obras de arte inspiradas no estilo de Mondrian. Para isto, precisam ocupar áreas e assim formarem belos painéis modernos. No jogo, as áreas em branco fazem pontos para a aquisição de tiles, enquanto as áreas em cores contabilizam os pontos importantes para a vitória.


GAME DESIGNER

GERALDO MELO Business Card facebook/estallojogos/ 55 (83) 99312-1493 João Pessoa, Paraíba

CRESTOMATIA NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

90 minutos

Crestomatia se origina do Grego khrestos ‘’útil’’ com a palavra mathein ‘’saber’’ e refere-se a uma coletânea de trechos literários escolhidos de uma obra de um ou mais autores. Este é um jogo de formação de palavras, que se orienta por uma estrutura building. Nele cada jogador deve obter cartas de livro, onde cada carta somente pode ser obtida se o jogador conseguir escrever uma palavra da lista especifica de 10 palavras contida naquele obra literária. Para poder escrever as palavras os jogadores precisam conquistar novas letras, porém, para conquistar letras os jogadores precisam escrever palavras e pontuar convertendo esta pontuação em novas letras.

P

rofessor e Designer do Instituto de Educação Superior da Paraíba (IESP). Geraldo Melo atualmente é um dos principais game designers de jogos da Paraíba. Nesta edição do Spatótipo participa novamente apresentando aos jogadores os ajustes e modificações realizadas nos projetos Mondrian e Crestomatia. E como novidade apresentará aos jogadores o Correio Elegante fruto da parceria com o também game designer paraibano Matheus Medmedeff. Formado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), dedica-se aos jogos de mesa há 26 anos, iniciando seu interesse após conhecer o RPG, em Campina Grande. Na cidade passou a dedicar-se ao hobby, sempre com intuito de expandi-lo buscando promover encontros que gerassem novos adeptos para os jogos. Em 2006, veio fixar residência na cidade de João Pessoa (PB), onde na capital paraibana, iniciou as articulações para a promoção do RPG e dos board games como cultura de entretenimento e interação social. Durante esta fase, movimentou os adeptos pessoenses, organizando eventos como Table Day e Top Day, fase em que descobriu o universo dos jogos de tabuleiro modernos. Atualmente é membro do conselho organizador do SPA dos Jogos e participa da organização do evento geek Espaço Criativo.

// SPA SPA dos dos Jogos Jogos

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JOGOS

JULIO CESAR

RESGATE MISSÃO GENÊSIS NA MESA:

1 a 5 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

60 minutos

Após capturar uma criatura alienígena, o exército convenceu o alto comando a construir um complexo secreto para a realização de experimentos visando colocar o país no topo das armas químicas para o século 21. No entanto, uma sabotagem obrigou a uma evacuação emergencial, porém, o que ninguém esperava que o cientista responsável pelo projeto e os componentes capazes de deter uma infestação de monstros ficasse no local junto com um grupo de remanescentes. Agora eles precisam unir forças para escapar e ainda auxiliar os militares no resgate do cientista. Derrote os monstros neste tenso dungeon crawler e recupere os componentes. O mundo depende desta equipe! Imagens: Patrícia Santos

FUTRETA

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/ /Spatótipo Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

30 minutos

Estádio lotado, torcidas em festa... Trila o apito, começa o espetáculo! Assim é Futreta. Um divertido jogo de futebol, onde o participante assume a função de treinador de uma equipe de futebol com o objetivo de obter a vitória. Para isto, precisar escalar bem seus jogadores e elaborar os melhores lances que possam resultar em jogadas decisivas para seu time. Vibre e surpreenda seu adversário articulando suas ações em campo. Fique atento as decisões da arbitragem, conquiste lances especiais e tome cuidado com o fator extracampo que possa influenciar no desenrolar da partida. Afinal, a vitória de sua equipe depende de sua astucia no gramado!


GAME DESIGNER

JULIO CESAR Business Card caixapostal713@yahoo.com.br

55 (83) 99629-9522 Campina Grande, Paraíba

J

ornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e especialista em designer de impressos pela FIP. Julio Cesar trabalhou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas do Brasil. Atualmente atua na coordenadoria de Comunicação da Universidade. Como artista plástico e artesão, costumava fabricar brinquedos artesanais para crianças e entre eles, jogos clássicos de mesa como Xadrez e Monopolys personalizados, isto apenas para seu ciclo de amizades. Em 2014, acabou desafiado por um amigo a criar um jogo a partir do zero, elaborando regras e tornando o jogo uma realidade, desta maneira surgiu Mestres de Harhena, seu primeiro projeto, e com ele veio também a aproximação com o universo dos jogos de tabuleiro modernos. Desde então, tem como hobby desenvolver e promover a cultura dos jogos experimentais de mesa na região Nordeste. Cesar chega a mais uma edição do Spatótipo reapresentando seus projetos Resgate e Futreta, ambos com reformulações baseadas nos últimos testes realizados nos eventos que participou.

UM DEPOIMENTO A ideia do Spatótipo surgiu após o SPA de Campina Grande. Naquela edição havia levado meu primeiro projeto para ser avaliado por jogadores experientes e um convidado especial de uma editora. Durante o encontro ficava na expectativa de ver meu jogo avaliado e também na frustração da dificuldade que sentia para convencer os participantes a joga-lo. Percebi este mesmo problema na avaliação de outros protótipos levados. Lamentavelmente o meu projeto não chegou a ser avaliado pelo convidado da editora e isto me decepcionou um pouco. Foi então, que ainda no retorno para casa, já dentro do carro, me veio à ideia de criar algo que na edição seguinte do SPA pudesse dar aos projetos e seus criadores uma oportunidade para mostrar nossa capacidade de criar jogos de mesa. Daí para frente, busquei usar meu conhecimento de comunicação e designer para torná-lo uma realidade.

SPA dos dos Jogos Jogos // SPA

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JOGOS

MARIO SÉRGIO

Imagens: Mário Sério

TRÊTA DO ANZOL

VULCÂNEA NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

80 minutos

Estamos numa ilha estranha e com gente esquisita que mais parece um gigantesco continente composto terrenos ricos em ouro, florestas, montanhas e no centro de tudo um imenso e terrível vulcão. Neste local, há quatro aldeias onde cada uma possui um tipo de pedra mágica diferente. Elas representam fogo, água, floresta e ouro. Essas pedras juntas conseguem impedir que a Deusa adormecida do vulcão desperte e numa erupção avassaladora destrua toda a ilha e seus moradores. Agora se aproxima o termino do descanso da Deusa e se fará necessário que novas pedras sejam oferecidas e assim evitar o tão temido fim. Toda a harmonia é quebrada e surge uma disputa pelo controle da ilha, pois a aldeia que conseguir levar sua pedra mágica juntamente com as das outras aldeias para o vulcão, comandará a ilha até o próximo despertar.

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/ /Spatótipo Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

30 minutos

Uma divertida competição de pesca onde os jogadores fazem de tudo para pegar a maior quantidade peixes possível. Ganha quem trouxer mais peixes durante um período de 20 rodadas, o que faz com que a corrida por cardumes ou por um peixão seja emocionante! Os jogadores executam sua ações podendo usar truques em seu benefício ou contra os adversários. No caniço ou na rede você precisa ter habilidade para “fisgar” e em seguida puxar para dentro do barco pontuando de acordo com a qualidade do que foi pescado. Trêta do Anzol é um jogo simples que surpreende criatividade, recheada de muita interação entre jogadores e reviravoltas o tempo todo.


GAME DESIGNER

MARIO SÉRGIO Business Card www.kemjogos.com.br 55 (81) 99793-7162 Recife, Pernambuco

P

ela terceira edição consecutiva do Spatótipo, Mario Sérgio, volta às mesas para apresentar seus projetos, com destaque para o Vulcânea e o Trêta do Anzol, e projetos que estão sob observação da editora K&M jogos. De criador de jogos há pouco mais de dois anos, este militar nascido em Brasília e residente no Recife, decidiu criar um selo editorial para publicar jogos e gerar oportunidades de publicação para outros desenvolvedores de nossa região. Mário é um adepto apaixonado por board games e agora devolta suas atenções observando os jogos experimentais com uma visão de mercado, mas também sem se descuidar do carinho que tem pelo hobby. Idealizador e considerado um curioso nato, sempre desejou arriscar criar seu próprio jogo de mesa, fator que apenas tornou-se uma realidade após o SPA dos Jogos de Campina Grande, quando verificou a participação de alguns protótipos no evento. Encorajado apresentou na primeira edição do Spatótipo em 2017, o party game Uga-Uga Bufapum, obtendo uma ótima aceitação pelos jogadores do SPA. A boa repercussão fez Mario transformar o jogo no primeiro projeto publicado pela K&M Jogos. Hoje, Mario Silva afirma que pretende se empenhar no fortalecimento da marca e se diz preparar novidades para o mercado de jogos de tabuleiro regional nos próximos meses.

UM DEPOIMENTO O Spatótipo foi o principal motivo de ter continuado na criação do jogo Uga-Uga Bufapum. Foi nele que acreditei que tudo poderia dar certo. Considero ele é uma ferramenta de divulgação importante, que fez o jogo ficar conhecido não somente no Nordeste, como no Brasil todo. A exposição é uma porta aberta para desenvolvedores que se dedicam a criar e buscam divulgar seus jogos, mas infelizmente não encontram um bom espaço para isto. O Spatótipo era o que faltava para os desenvolvedores de jogos do Nordeste!

/ SPA dos Jogos

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JOGO

RICARDO AMARAL

Imagens: Ricardo Amaral

LUNA MARIS

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/ Spatótipo / Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

90 minutos

Num futuro próximo com o desenvolvimento de tecnologias mais modernas e o esgotamento dos recursos minerais do planeta terra, vário países uniram forças para criar uma força-tarefa com o objetivo de enviar equipes de cientistas à Lua. A missão é iniciar a exploração do satélite buscando minérios com alto grau de pureza e ricos em elementos químicos que possibilitem fornecer a Terra energia e suprimentos para a indústria. Em Luna Maris, cada jogador é o comandante de uma das colônias de exploração e precisará mantê-la sustentável e ao mesmo tempo desenvolver pesquisas, extrai minérios e construir equipamentos tecnológicos avançados. Ao final de 112 dias na Lua, a colônia que obtiver maior lucro será a grande vencedora.


GAME DESIGNER

RICARDO AMARAL Business Card www.rpgnaescola.com.br

UM DEPOIMENTO

amaral_rr@yahoo.com.br

55 (81) 9211-7606 Recife, Pernambuco

P

rofessor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ricardo é um admirador da ciência e fascinado pelos mistérios do cosmos. Com formação em Física, tem mestrado Ensino das Ciências e coordena o site RPG na Escola no qual apresenta seus estudos sobre o uso do RPG e dos jogos de mesa com ferramentas aplicadas à Educação. Este pernambucano de Recife é autor do livro RPG na Escola: aventuras pedagógicas e conheceu os board games modernos em 2010 com sua primeira aquisição, Colonizadores de Catan. A partir de então passou a dividir suas atenções ao RPG e aos Jogos de tabuleiro frequentando comunidades de jogadores como a antiga ilha do Tabuleiro e posteriormente, a atual Ludopedia e neste Spatótipo volta com o eurogamer Luna Maris. O jogo recebeu algumas reformulações em relação ao último SPA que otimizaram o tempo de partida, além de ganhar também ajustes no visual gráfico que visam cativar a atenção dos jogadores. A proposta do game designer é ocupar o espaço de jogos euros voltados ao mercado nacional.

O spatotipo é um espaço excelente para o game designer, pois podemos apresentar nossos protótipos, receber avaliações e, principalmente trocar experiências. O SPA de jogos é uma oportunidade de unir o lazer para toda a família com nosso hobby. Ter pessoas, jogos e mesas disponíveis num período tão longo é excepcional. Você pode jogar tranquilamente sem precisar se preocupar de que horas ou como chegará em sua casa!!

// SPA SPA dos dos Jogos Jogos

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JOGOS

ROBERTO PINHEIRO

Imagens: Roberto Pinheiro

CIBERGUERRILHA

STICKS & STONES NA MESA:

2 a 6 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

20 minutos

Neste jogo os participantes usam de toda sua habilidade manual para montar uma estrutura composta de oito pedras utilizando apenas dois palitinhos para manipulá-las. A estrutura é elaborada pelos próprios jogadores à cada turno, sendo tão simples ou complexa quanto a vontade dos jogadores na mesa. Os jogadores ganham pontos de acordo com a similaridade da estrutura montada com a do modelo em questão. A partida dura uma quantidade de turnos pré-definida de acordo com o número de jogadores e vence o jogador com mais pontos ao final da partida.

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/ Spatótipo / Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

40 minutos

Em Ciberguerrilha, cada jogador é engenheiro do acampamento rebelde da Área Proibida. O objetivo de cada jogador é construir os melhores robôs para enfrentar as corporações da Mega-Cidade. Os melhores robôs serão aqueles que tiverem todas as peças e conseguirem ter o máximo de peças de mesmo tipo. A partida se divide em rodadas, nas quais os jogadores alternam o papel de Líder da expedição para coletar os materiais necessários para as construções dos robôs. A partida encerra quando não houver mais Cartas de Peças Básicas disponíveis para fabricação e cada jogador for Líder de expedição a mesma quantidade de vezes.


JOGOS

DISTRITO 6

DR. PINE TEST NA MESA:

2 a 6 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

25 minutos

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

60 minutos

Cada jogador representa uma construtora com o objetivo de construir Dadópolis, preferencialmente seguindo o planejamento, ganhando pontos durante a partida e cumprindo seus objetivos secretos, ganhando pontos ao final da partida. O jogador inicia com 10 trabalhadores, representado pelos dados e esses trabalhadores também servirão para representar as construções no tabuleiro de modo que a quantidade de trabalhadores disponíveis vai sendo reduzida. A partida é dividida em rodadas, composta de 4 fases: rolagem, alocação, construção e limpeza. Na rolagem, todos os jogadores rolam seus dados; na alocação os jogadores irão alocar seus dados nas ações; na construção os jogadores irão construir seus dados na cidade; e na limpeza tudo é organizado para a nova rodada.

Dr. Pine criou um teste para verificar se um indivíduo possui ou não múltiplas identidades. O teste tornou-se mundialmente famoso e tem sido aplicado nos mais diversos locais do planeta. Esse teste utiliza, como parte do processo, o Teste de Rorschach, sendo aplicado em diferentes momentos para verificar a influência de possíveis identidades diferentes em um mesmo indivíduo no decorrer de determinado período. Neste jogo cooperativo, cada jogador representa uma das múltiplas identidades de um único indivíduo e está tentando, por meio de organização e cooperação com as demais identidades, passar no teste e ser liberado do hospital.

/ SPA dos Jogos / SPA dos Jogos

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JOGOS

ROBERTO PINHEIRO

TEOTHIUACÃ O BERÇO DOS DEUSES

MATARU OKARA NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

45 minutos

Aqui o jogador representa um líder de um Clã Ninja com o objetivo de reunir três Cartas de Amuleto de um mesmo tipo. Grande parte da dinâmica do jogo é resolvida com lançamento de cartas sobre um alvo circular. Os Amuletos podem ser coletados ao furtar outros líderes ou no Corpo do homem de negócios. A partida se desenrola por diversas rodadas, até alguém conseguir três Cartas de Amuletos do mesmo tipo. As Engenhocas trazidas pelo homem de negócios são Cartas de Amuleto coringa, isto é, pode ser utilizada em conjunto com duas Cartas de Amuleto do mesmo tipo para formar as três partes necessárias e vencer o jogo.

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// Spatótipo Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

60 minutos

Todos ficaram quietos; depois decidiram morrer para assim dar a vida ao Sol e à Lua. Foi o Vento que os matou e que em seguida começou a soprar, fazendo deslocar primeiro o Sol e mais tarde a Lua. Por tudo isto é que o Sol nasce durante o dia e a Lua mais tarde, durante a noite. Esta é Teotihuacã, o berço dos Deuses.” Neste jogo cada jogador é um arquiteto de uma civilização pré-colombiana construindo sua própria Pirâmide. O objetivo é se tornar-se o maior mestre construtor e erguer a grande Pirâmide da Lua, satisfazendo desta maneira os anceios dos Deuses.


GAME DESIGNER

ROBERTO PINHEIRO Business Card www.pinheirobg.com roberto@pinheirobg.com

PALAVRÃO NA MESA:

2 a 10 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

25 minutos

O quão rápido você consegue formar palavras longas? Em Palavrão, os jogadores devem formar as maiores palavras possíveis usando as letras dispostas nas mesas e na sua mão. Antes de iniciar a partida, os jogadores realizam um Draft de cartas para definir as 5 cartas que usarão no decorrer da partida e uma carta que ficará na mesa para uso público. A partida dura 5 rodadas e em cada rodada os jogadores deverão formar palavras, o mais rápido possível, usando exatamente uma das cartas na sua mão e as cartas disponíveis na mesa. A palavra formada vale pontos iguais ao seu tamanho somado aos bônus vindos das letras mais raramente utilizadas. Vence o jogador com mais pontos ao final da partida.

55 (88) 99980-2673 Juazeiro do Norte, Ceará

C

om doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Roberto Pinheiro é um dos grandes criadores de jogos da região Nordeste. Atualmente, este pernambucano de Recife, esta radicado na cidade de Juazeiro do Norte no Ceará e chega para mais uma edição do Spatótipo com oito projetos. As novidades são o Dr. Pine test, Stick & Stone, Palavrão e o ArkMago, jogo que tem previsão de publicação para o segundo semestre deste ano. Além deles, Roberto volta com a reformulação dos jogos Mataru Okara, Distrito 6, Ciberguerrilha e Teothiuacã. Jogador oriundo do RPG desde 1998, Roberto conheceu os jogos de tabuleiros modernos apenas em 2010. A empolgação com o mundo dos tabuleiros modernos era tanta que tentou criar seu primeiro jogo já em 2011. Sua inexperiência foi seu maior inimigo e terminou abandonando o projeto. Retomou seu espírito de game designer apenas em 2013. A partir de então, tem investido parte do seu tempo na criação de seus jogos e na condução do seu blog sobre desenvolvimento com enfoque didático para game design. O blog conta com mais de 100 postagens sobre diversos tópicos que narram as lições aprendidas durante a elaboração de seus protótipos.

// SPA SPA dos dos Jogos Jogos

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JOGOS

SILVANIR SOUSA

HEMO

OS JARDINS DE MENDEL NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

40 minutos

Durante sete anos Gregor Mendel trabalhou com seus experimentos nos jardins do mosteiro agostiniano, em Brunn. O que a história não revela é que ele contou com a ajuda daquele não nomeado, a terceira pessoa depois de ninguém: o estagiário. Coletando e identificando milhares de sementes ervilhas, os estagiários apoiaram o cientista Mendel a cuidar dos seus bebês (como ele as chamava). Além de registrar a aparência das plantas de cada geração, o estagiário ajudou Mendel a selecionar e contar o número exato de ervilhas que mostravam determinada característica, o que permitiu ao pesquisador descrever as bases da hereditariedade. Depois de tanta dedicação qual estagiário foi considerado braço direito de Mendel, aquele que deixou sua contribuição aos primórdios da Genética Clássica?

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Spatótipo // Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

40 minutos

A missão de um hemocentro é armazenar e processar amostras de sangue de um doador que serão dirigidos aos pacientes que necessitam de transfusão sanguínea. Vocês foram contratos para compor uma equipe de técnicos de laboratório, cuja função é auxiliar a equipe médica nos atendimentos adequados aos pacientes que necessitam de transfusões sanguíneas. Nesse jogo o objetivo é encontrar e realizar o maior número de transfusões adequadas, ciente das condições de segurança e da compatibilidade sanguínea. Vence o técnico que prestar o melhor serviço.


GAME DESIGNER

SILVANIR SOUZA Business Card facebook.com/silvanir.souza1

55 (71) 99701-5392 Salvador, Bahia

DESTRONA DENGUE NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

30 minutos

A mais temida das rainhas das terras Tropicais é Aedes aegypti IV. A rainha tem sede de poder e quer estender seu reinado por toda parte. Seus súditos tramam destroná-la, mas ela esta escondida e protegida pela eficiência de seus aliados. Delatores já localizaram o esconderijo da rainha e identificaram seus aliados - Ovo, Larva, Pupa e Mosquito. Além de destruir seu esconderijo, os súditos rebeldes precisam reconhecer e prender os aliados da rainha. Os súditos mais eficientes nessa batalha irá garantir o retorno da paz aos domínios das Terras Tropicais e vencerá o jogo!

P

rofessora de Biologia do Ensino Médio em Salvador (Bahia) possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Diversidade Animal. Participou de projetos de pesquisa com animais peçonhentos e dedicou-se ao estudo das aranhas viúvas negras durante oito anos. Iniciou seu interesse por desenvolvimento de jogos durante a graduação, quando participou de projetos de extensão que desenvolveram jogos que desmitificam os animais peçonhentos. Por isso, foi inevitável não levar essa experiência para seu fazer docente. Realizou algumas atividades pontuais, estimulando os estudantes a desenvolverem jogos sobre organelas e bioquímica celular. Em 2014 orientou uma equipe de estudantes no desenvolvimento do jogo chamado “Sobreviva”. O jogo foi apresentado no Encontro de Jovens Cientistas (evento da Universidade Federal da Bahia) e recebeu o 1º lugar na Modalidade: Ciência Lúdica - Jogos de Tabuleiro, Categoria: Ensino Médio. Em 2017 desenvolveu com seus estudantes do ensino médio o projeto “Fitness Criativo: Oficina de jogos para treinar o cérebro”. O projeto buscou estimular a criatividade e o raciocínio no desenvolvimento de jogos de tabuleiro. Recentemente se tornou membro da equipe do “Oficinas Lúdicas” cuja missão é levar a diversão dos jogos de tabuleiro para as escolas, trabalhando saberes em um ambiente cultural e oferecendo alternativas em lazer junto à comunidade.

/ SPA dos Jogos / SPA dos Jogos

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JOGO

VICENTE COSTA

Imagens: Vicente Costa

ARQUÉTIPO

60 60

/ Spatótipo / Spatótipo

NA MESA:

2 a 4 Jogadores

TEMPO MÉDIO:

90 minutos

Muito pouco sobrou da próspera e tecnológica civilização dos Pruden Ferro, aos que sobreviveram, restou apenas unirem-se em grupos ou cidades menores que lutam diariamente pela sobrevivência, buscando os escassos recursos que ainda sobram pelo planeta. Existem os conhecidos como farejadores, Prudens que vagam pelas ruínas das antigas cidades em busca dos escassos recursos que sobraram enfrentando outros Pruden na busca pela sobrevivência. Todos que quiserem podem ser voluntários: pistoleiros, guerreiros, médicos, engenheiros e até mesmo hackers são importantes. O objetivo primário é sobreviver e para isso é preciso coletar recursos sejam eles físicos ou não. Quão mais, sejam armas, equipamentos ou até mesmo conhecimentos encontrados, maiores são as chances de sobreviver nessa terra de conflitos onde você tanto é o caçador como a caça, e onde a sobrevivência resulta da estratégia aliada aos recursos e conhecimentos disponíveis. Cada momento pode ser seu último caso não dê os passos certos.


GAME DESIGNER

VICENTE COSTA Business Card engprovicente@gmail.com

55 (81) 99834-2071 Recife, Pernambuco

N

ascido em Pernambuco, dedica parte de suas horas vagas desenvolvendo roteiros e contos de ficção, até um dia ser apresentado ao universo dos board games o qual o impressionou pela dimensão e possibilidades criativas, uma vez que sua experiência com eles nunca foi muito além de war, banco imobiliário e scotland yard. Desde a infância sempre teve um interesse especial por card games, tendo como preferência o clássico Magic the Gathering, que sempre despertou seu interesse devido a sua complexidade e rejogabilidade aliado a imensa variedade de possíveis combinações. Seu interesse por essa mecânica de jogo o levou a experimentar inclusive as plataformas eletrônicas como HEX e HearthStone. Decidiu tentar desenvolver projetos pessoais que combinassem um pouco de suas maiores paixões criativas: Universos pós apocalípticos, cultura cyberpunk e guerreiros de diversas culturas e seus costumes. Sempre teve um fascínio especial pela tecnologia e o seu avanço, buscando explorar e imaginar as possibilidades do mundo em futuros onde ela consegue atingir seu limiar.

UM DEPOIMENTO Eu considero antes de mais nada um evento como o Spa dos Jogos uma exemplo da força que os board/card games possuem no cenário nacional. Com todo o apelo dos jogos eletrônicos e videogames de alta geração, os board games de uma forma geral tem garantido seu espaço de mercado, com jogadores, empresas envolvidas e inclusive novos designers surgindo no cenário. Para mim é uma oportunidade ímpar poder mostrar um projeto em desenvolvimento e entender a importância de mostrá-lo num evento como o Spatótipo, não só sou marinheiro de primeira viagem em algo assim, como também sou marinheiro de primeira viagem visitando esse tipo de evento. Todo apoio e suporte dos envolvidos antes de mais nada também é muito importante, a paixão das pessoas que desenvolvem e jogam board games é extremamente contagiante e me motiva a buscar cada vez mais novos projetos. Espero atender as expectativas dos visitantes da feira e que meu projeto consiga entreter e contagiar os visitantes.

SPA dos dos Jogos Jogos // SPA

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Ilustradores

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/ Spatรณtipo


Nada será como

DAN’TES

Dan Ramos Ilustrações

U

m traço que transita pelo Old School, aquele estilo nanquim com hachuras e a pintura digital contemporânea. Daniel Ramos, ou Dan, atualmente é ilustrador e diretor de arte da Red Box Editora e como ele mesmo definiu-se, um nordestino apaixonado por ilustrações, fantasia, cultura pop e jogos. Nascido em João Pessoa, na Paraíba, aos 34 anos se diz um influenciado por histórias em Quadrinhos, desenhos animados, cinema e videogame, e graças a esta influencia, sempre se considerou meio autodidata para tudo. Com uma infância sem muitos recursos, precisou da criatividade para auxiliar seus pais e correr a procura de seus sonhos ao lado do irmão, o também ilustrador Rafael Ramos. Achou no desenho o seu caminho mais promissor, onde colheu os primeiros reconhecimentos no incentivo dos amigos e nos estudos no Centro Federal de Educação Tecnológica (antigo CEFET), atual Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Iniciou sua formação em Relações Públicas na Universidade Federal da Paraíba, porém, além da necessidade de buscar garantir sustento para as despesas do dia a dia, não conseguiu se identificar com o curso. A partir de 2006, começou a trabalhar em agencias de publicidade na capital paraibana, onde passou conhecer um pouco mais sobre o setor e o mercado de ilustração no Brasil. “Aprendi o que faço na unha mesmo, com minhas influências, amigos e uns poucos cursos, incluindo um excelente com Serge Birault, que meio que me encorajou a entrar de cabeça na pintura digital” Afirma. Quando adolescente, Dan, já jogava RPG e foi através deste lazer que nos idos de 2008, começou uma amizade com os atuais sócios na Red box Editora. Do RPG para os jogos de tabuleiro foi uma conciliação relativamente natural e após 8 anos de aprendizagem e produções freelance nas agencias, decidiu largar a vida de publicitário e apostar forte na carreira de ilustrador e produtor de jogos de mesa. Conversamos um pouco para saber quem é, como pensa e enxergar Dan Ramos, sobre ilustração e este mercado crescente de jogos no Brasil.

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Dan Ramos Todo desenhista é admirado pelo fator de dar forma ao traço, então, como funciona o seu processo criativo de “criar algo do nada”? Depende. Quando é pra mim a vontade surge na cabeça e me cutuca por dias, até que eu finalmente a ponha no papel. Para outras pessoas (mesmo pra amigos) eu

faço uma boa pesquisa no escopo do que o cliente deseja e começo. Pra mim não funciona ficar olhando para o papel (ou para a tela da tablet) pra coisa sair, tem que ter um planejamento prévio. Uma característica minha é que meus rascunhos são “sujos” demais. Eu erro muito, refaço muita coisa e por isso raramente posto WIPs (work in progress) como a maioria dos artistas. Sei lá, acho feios. Talvez, desenhe pouco no papel hoje em dia pra evitar gastar tantas folhas. Consciência ecológica? Quando a coisa finalmente começa a engrenar, eu acho tudo uma porcaria durante todo o processo. Mudo bastante, brigo com a peça, a ansiedade bate forte, “ponho para dormir” (tipo, quando você dá uma parada no processo pra voltar depois com a cabeça mais fria e ter outra visão), mas eventualmente a peça vai ficando satisfatória, até que eu me obrigo a finalizar, porque sou desses que se deixar fica lapidando o desenho para sempre. Como você enxerga o mercado de trabalho para o ilustrador no Brasil? Olha, é... selvagem, pra dizer o mínimo. Um ilustrador (exceto quando trabalha fixo numa empresa) é um empreendedor, um prestador de serviços terceirizado. Por isso muitos acabam montando estúdios (eu montei uma publisher de jogos, mas ainda penso em ter um estúdio de ilustração). E nós sabemos

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/ Spatótipo

como é difícil empreender no Brasil. Além de tudo, o trabalho do ilustrador (assim como quadrinhos) é pouco valorizado. As pessoas acham que você nasceu com um dom e é superfácil desenhar, tanto que todo mundo conhece as piadas de gente pedindo desenho de graça, trocando por divulgação... A internet ajudou demais, ao menos no meu caso, porque consigo trabalhar com mercados que pagam mais e um pouco mais de reconhecimento, mas pense no pessoal que ainda está galgando seus primeiros passos... é dureza! Existe diferença quando regionalizamos essa função, quais? Espero que o mercado de jogos cresça bastante aqui no Nordeste de verdade. E quanto mais cresce um segmento mais oportunidades aparecem. Pelo que conheço da movimentação, essa regionalização já está acontecendo, com novos jogos surgindo e contratando artistas locais. Gente boa não falta na nossa região, e espero que todo mundo estoure e se expanda! Já existiu algum momento em que você pensou em desistir e partir para outro segmento? Como sofro de ansiedade crônica e sou duplamente empreendedor (além de ter a Red Box, tento ser ilustrador freelancer, o que é uma forma de empreender), acontece o tempo todo. Na verdade, a maioria dos ilustradores pensa em desistir muitas vezes durante a carreira. A gente pensa que é muito menos danoso para a saúde mental ter um emprego fixo, salário certinho e tal. Nessas horas, o apoio da família, amigos e até de


clientes e pessoas que te conhecem pelo seu trabalho é crucial. Por isso crianças, lembrem; apóiem os artistas da sua quebrada. Não esperem eles ficarem famosos! Qual é a maior dificuldade para quem ingressa neste mercado de trabalho no Brasil? Com certeza a desvalorização! Pra cada crítica agressiva ou empregador engraçadinho, querendo te tapear, pra você trabalhar de graça (muitos de nós já fizemos isso e às vezes é realmente benéfica a divulgação, mas é errado; mesmo empresas grandes pagam, ainda que pouco), ou empresa, dizendo que arte não é importante para seu produto, é uma pedrada que impede ou atrasa a carreira de futuros grandes ilustradores. Além disso, paga-se muito pouco e a vida é muito cara, então a gente acaba nunca conseguindo viver da nossa arte, o que é bem frustrante. Quando consegue é o nirvana, mas é raro. Eu estou começando a conseguir, mas já passei por poucas e boas nessa vida. Falaremos de Jogos de Tabuleiro, quando eles ingressaram na sua vida? Se considerarmos o RPG, comecei em 94, com 10 anos de idade, na escola. D&D da caixa vermelha (sim, esse jogo foi muito importante pra gente... hehe). Passei um tempo sem jogar e ao chegar no ensino médio, um amigo nos apresentou o AD&D, aí foi amor à primeira vista. Lá pelo começo da “nova onda dos board games moder-

nos”, amigos traziam jogos de fora e a coisa acabou acontecendo organicamente. O primeiro board game desses que joguei foi Battlestar Galactica. Outros amigos me apresentaram BANG!, Merchants & Marauders e outros jogos. Com o tempo fui me apaixonando. Hoje, não me desfaço por nada do meu Concordia! Já pensou em criar seu próprio jogo. E o qual é a sua opinião para quem cria jogos de tabuleiro? Com certeza e tenho uma ideia de jogo! Mas nunca vou ter cabeça pra criar... respeito demais como os designers conseguem fazer coisas engenhosas com os jogos. E espero que todo mundo que tenha inclinação e vontade nunca desista! Façam jogos ruins em cima de jogos ruins, até aperfeiçoar a prática ao ponto de surgir AQUELE jogão. O desenvolvimento de jogos de tabuleiro no Brasil é crescente, como você enxerga esse momento, há um equilibro entre consumo e demanda? Como todo mercado de nicho, no Brasil o de jogos de tabuleiro cresce devagar. Mas cresce, mais rápido e melhor que o normal. Nunca tivemos tanta coisa boa sendo feita e estamos exportando! O interessante é que particularmente board games e card games, por ser um segmento com exemplares mais casuais, tem puxado todo o resto pra cima. Basta ver o crescimento de eventos do gênero, da importância de convenções como a Diversão Offline e o espaço dos jogos de tabuleiro em outros tipos de eventos, como na GGRF e na CCXP. Infelizmente somos um país de baixo poder de compra, então a demanda acaba superando um pouco o consumo... mas

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tenho certeza que no futuro seremos um mercado realmente grande. Até porque já estamos interessando bastante a outros mercados no mundo. A cada dia surgem novos criadores de jogos com novos projetos, quais são os pontos positivos e negativos deste cenário? Quanto ao fenômeno em si, eu só vejo pontos positivos. Quanto mais gente criando, mais o mercado é fomentado e temos chances de sair coisa boa. A questão, onde pode haver pontos negativos é as pessoas entenderem que é um mercado, então obviamente vai haver bastante rejeição, nem todo mundo vai fazer sucesso, os primeiros jogos dificilmente vão ser lançados, você vai tropeçar em muitas dificuldades no caminho (como por exemplo o problema que é produzir jogos sozinho no Brasil, desde a logística até o trabalho com gráficas, impostos, etc.). E sobre os jogos de tabuleiro que surgem em nossa região? Tenho visto bastante coisa boa sendo criada no Nordeste. Obviamente não tenho como me desvencilhar do olhar de empresa quanto a isto, então, desde 2016 estamos de olho. A gente aqui no Nordeste, além dos velhos problemas de não receber muita atenção do centro comercial do país (com aqueles obstáculos territoriais), esbarra com fatores que deixam tudo mais difícil. Mas as coisas tendem a melhorar e a maioria das editoras trabalha para ajudar esse cenário a crescer mais rapidamente.

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/ Spatótipo

RAMOS

RED BOX Em 2008, pleno lançamento do D&D 4E no Brasil, eu e dois outros blogueiros, Antonio “Mr. Pop” Neto e Fabiano Neme, estávamos cansados daquela edição do RPG mais jogado do mundo. Nós queríamos um jogo que emulasse o jeito antigo de jogar do D&Dzinho da caixa vermelha. O Antonio já tinha a ideia de qual jogo seria e a gente embarcou. Daí nasceu o Old Dragon, em plena Old School Renaissance (OSR), um movimento que já estava em alta. Em 2011, depois de alguns livros, eventos e aventuras, estávamos prontos para nos tornar uma editora e lançar outros produtos. Nascia a Red Box, em homenagem ao produto mais emblemático da história do D&D! No nosso primeiro evento como editora, o RPGCON 2011, não imaginávamos que hoje teríamos mais de 50 produtos no nosso catálogo - só em 2018, estamos trabalhando em 32 projetos.


Dan Ramos Quando foi que rolou o primeiro trabalho profissional na carreira e como foi? Meu primeiro trabalho profissional como ilustrador (da captação até o pós) foi ironicamente pela internet. Um mascote para o hemocentro de Uberlândia, em 2005. Na época, minha maior plataforma de divulgação de “ilustras” era o DeviantArt, que também é uma rede social e comunidade (hoje em dia tudo é, mas na época não). Era muito diferente fazer todo o contato com o cliente e ter poucos passos no processo. Demorou um pouco até aparecer outros, mas quando apareceram não pararam mais.

Dan Ramos Ilustrações

Qual foi o primeiro trabalho para a editora e onde podemos encontrar o traço de Dan Ramos em outros trabalhos de jogos de mesa? Old Dragon! Cores da primeira capa, projeto gráfico e tudo mais. Desde então, tudo que saiu da Red Box tem ao menos a minha direção de arte. O Tsukiji tem todo o projeto gráfico produzido por mim, em dupla com Alex Mamedes nas ilustrações. O ICONS, RPG de Supers da Green Ronin, foi todo ilustrado por mim, bem como alguns produtos de Old Dragon. Como freelancer, assino o projeto gráfico atual do Tormenta RPG e tenho trabalhos para New Order e outras editoras. Este ano, vou assinar a arte completa do Cangaço, jogo premiado de Sanderson Virgolino. E estou aberto para mais trampos como freela!

E projeto mais exigente e aquele que lhe deu prazer em produzir?

é a Red Box para o mercado de ilustração e para os ilustradores?

No geral, sem sombra de dúvidas, o Tsukiji. É um jogo que temos muito orgulho, e ao mesmo tempo que nos deixou muitas noites sem dormir (tanto minhas quanto do Pop e do Mamedes), nos dá bastante orgulho, o nosso “tijuquinha”. Como ilustrador, o ICONS. Mais de 60 imagens, e a capa que é a ilustra que mais gosto de ter feito, embora tenham outras no meu portifa que me deram bastante prazer.

É um pouco difícil responder essa pergunta sendo dono da editora, hehe. Uma coisa que a gente faz é respeitar e valorizar o trabalho. Sabemos que não podemos pagar o que a categoria merece (eu estou dos dois lados, sei disso), na verdade poucas editoras conseguem... mas como disse lá em cima, somos honestos e trabalhamos em dupla com o ilustrador, como se todo mundo fosse da mesma empresa. Ao menos os que trabalham com a gente sempre voltam, vestem a camisa e fazem propaganda! Como também sou ilustrador, acabo ficando amigo do pessoal. O mais engraçado são as ilustrações que eu faço para a editora. Fazemos tudo certinho, como prestação de serviços, mas meus sócios brincam que eu barganho comigo mesmo o preço.

Quando o criador observa a criatura, qual é o sentimento? Depende do momento. Quando é uma demanda, ansiedade. Uma ideia, deleite. Um rascunho, alegria. Ao longo do processo e quando o prazo se aproxima, horror. Quando ela nasce, realização! Seu trabalho para a editora é de exclusividade ou possível para as demais editoras? Tem Dan Ramos pra todo mundo! Excetuando-se alguns casos de concorrência direta em que seria anti-ético (por exemplo, ilustrar um RPG old school que não o Old Dragon), meus sócios são tranquilos comigo pegando trampos pra outros desenvolvedores, e pessoas físicas. Claro que a gente sempre conversa antes, mas somos tranquilos quanto a isso. Atualmente você tem trabalhos publicados pela Red Box. O que

Como Dan Ramos enxerga ele mesmo e seu futuro? Dan Ramos se enxerga com uns 60 anos, depois de entregar muitas ilustras bacanas e jogos bonitos de qualidade para os queridos clientes em todo o planeta (e nas colônias em Marte), com os filhos criados, com sua esposa Elisa em uma varanda tranquila bebendo algo gelado e mostrando sua última pintura numa tela qualquer, jogando nosso RPGzinho, acenando pra os sócios e amigos e conversando sobre a última partida de Seven Wonders 123ª edição!

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Dan Ramos acervo

Dan Ramos

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/ Spatรณtipo


DANDO DICAS Muitos criadores de jogos observam o ilustrador como algo financeiramente inacessível. A reciproca é verdadeira? É o que eu falei sobre valorização. Ilustrar é trabalhoso, especialmente para atingir o nível de exigência que os clientes merecem. Leva tempo, considera anos de prática e estudo... Infelizmente, a gente precisa cobrar um valor que nem todo mundo acha justo, inviabilizando alguns projetos mesmo. Se eu pudesse, chamava vários designers pra fazer jogos ou melhorar materiais visuais por valores baixo ou até de graça... mas aí quem compra o leite da criança? Acima de tudo, quando procurar um ilustrador, não desapareça ao ver o preço. Converse, negocie, seja sincero em dizer o quanto pode pagar. A maioria dos profissionais, especialmente aqueles que estão começando, é aberta à conversa. Barganhar um preço achando caro é desvalorizar o trabalho, mas quando a pessoa sabe que você tem um orçamento limitado, ela pode considerar entrar no projeto e crescer junto. No mínimo vai respeitar sua honestidade. No caso, qual é o melhor momento de apostar no trabalho de um ilustrador? Depende de quem você é, e de quem é o ilustrador, hehe. Se for

um criador iniciante, certamente conhece alguém que conhece alguém que não é famoso, mas trabalha bem. Essa é a hora boa de apoiar. Editoras estão constantemente procurando gente boa, mas também estão de olho em gente promissora pra dar oportunidades. Para quem não desenha ou não tem ainda condições de contratar um ilustrador, que caminhos poderiam seguir, há atalhos? O que eu recomendo é: buscar pessoas interessadas em sociedade, como muita gente faz (conheço vários projetos assim). Tentar fazer FCs para seus projetos, em parceria com ilustradores que assumirão o risco com você. Buscar uma editora, caso você não se importe de fazer concessões no seu jogo. Que dica você daria para quem esta iniciando essa carreira? Vai parecer piegas, mas tenho que dizer: pratique. Quando achar que está bom, pratique mais. É chato. É irritante. É tedioso. Mas a única forma de você acertar e pegar naturalidade com seus traços ou pinceladas, é refazendo as coisas centenas de vezes. Entenda que você evoluirá com o tempo enquanto pratica. Seu trabalho de amanhã será melhor que o de hoje se você continuar tentando. É como uma arte marcial. Não existe dom,

nem talento. Só aperfeiçoamento. Aceite que você vai ter dor de cabeça com clientes, com desvalorização, com críticas ácidas, com gente querendo que você não dê certo. Busque apoio das pessoas certas, mas fique de olho nas críticas - se você filtrar, dá pra tirar algo de qualquer porrada. E pratique. Que conselho você daria para quem esta criando um jogo de tabuleiro? O mesmo. Criar um jogo é ciência, mas também é arte. Criação é assim mesmo - você precisa se aperfeiçoar, entender que vai fazer um monte de coisa ruim ou imperfeita, aprender com seus erros, dar muito murro em ponta de faca, mas aprenda a levantar depois das porradas, que nem disse o Rocky. Parece piegas, mas é isso aí.

SERVIÇO Para saber um pouco mais sobre a Dan Ramos e sua arte acesse; www.redboxeditora.com.br www.artstation.com/danramos Facebook: facebook.com/danrammos

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CLOSED BOX

Rodrigo Sampaio

Colaborador: Rodrigo Sampaio Rodrigues

rodrigo@sampaiorodriguez.com.br

Graduado em Gestão, atua como gerente de logistica e planejamento, fundador da editora experimental Zuzu Board Game, colunista e sub-editor da Revista VemPraMesa

SIM, AQUI TAMBÉM TEM JOGO! Um relato sobre a cena nordestina de desenvolvimento de jogos de tabuleiro

S

e você chegou até o final desta publicação, pode perceber o capricho e empenho dos desenvolvedores de jogos do Nordeste. É uma cena que brilha aos olhos de quem vê e que passou de ser algo apreciado só dentro de casa: assim como nossa música e culinária, nossos jogos superaram as barreiras regionais e estão brilhando por todo o país. Não dá para falar do momento que estamos passando sem olhar para o passado: o advento do SPATÓTIPO criou algo único em nossa região: uma oficina colaborativa onde todos os desenvolvedores que participam se juntam em uma espécie de irmandade fraternal, onde cada um ajuda de sua maneira no projeto do colega, seja testando, divulgando ou contribuindo com a produção. É um exemplo de organização que não é visto em outras regiões do país, com um nível de colaboração fora da curva elogiado inclusive por profissionais do meio que estão no eixo Sudeste e que ficaram, de certa forma, impressionados com o que fazemos aqui. Sim, aqui nós também fazemos jogos, e acima de tudo com muita qualidade. Estando longe dos holofotes, das grandes mídias e eventos, vemos vários desenvolvedores, cada um de sua forma, ganharem corpo e serem lembrados quase

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sempre nos principais eventos ligados ao hobby. Seria difícil achar um exemplo a alguns anos atrás, mas hoje é até deselegante enumerar porque a chance de deixar alguém fora da lista é enorme. Partindo deste panorama, temos sim muito do que nos orgulhar. Nossa produção cresce na mesma proporção do cres-

“Sim, aqui nós também fazemos jogos, e acima de tudo com muita qualidade” cimento do mercado nacional, mas uma coisa não muda: nosso jeito de ser e nossa forma colaborativa e de contribuição mútua com interesse genuíno em ajudar ao próximo. Não somos iguais em estilo, no nosso caldeirão criativo há amantes de euros, abstratos, party games, american games, card games e tudo mais. Não é um estilo que nos define, nem mesmo a arte ou o modo de produção: o que nos define, como nordestinos criadores de

jogos de tabuleiro, é a nossa vontade de crescer JUNTOS, apoiando e ajudando os colegas nesta empreitada sem fim. Enquanto nossa filosofia criativa avança, ainda sentimos falta em outras searas: há muito o que se fomentar em relação à mídia (escrita e digital) e eventos. O suporte e apoio deles é fundamental para consolidar nossos projetos e atrair ainda mais os olhos de todo o país para nossas produções. Acredito que estamos muito próximos de “contagiar” o mercado e não seria surpresa ver novas iniciativas com o teor do SPATÓTIPO surgirem em nossa região. Afinal, estamos no caminho certo e é natural que os bons ventos tragam boas colheitas. Falo estas palavras com um misto de orgulho e saudades: orgulho por em algum breve momento ter sido parte integrante deste movimento bacana construído em nossas terras e saudoso por não estar mais presente no dia a dia, já que me mudei para o sudeste a trabalho. Embora longe, trago no peito o carinho dos amigos e a consideração e respeito por tudo que está sendo feito na terrinha. É muito gratificante ver o que fizemos e o que está por vir. Não poderia finalizar sem resumir a emoção que sentimos e gritar do fundo do peito meu mais sincero desejo de sucesso: “Vida longa ao SPATÓTIPO!”


Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível. Charles Chaplin

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/ Spatรณtipo

Gamebook Spatótipo Pernambuco 2018  

Gamebook Spatótipo é uma publicação direcionada aos amantes dos jogos de mesa modernos que participam do SPA dos Jogos. Este encontro reúne...

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