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ÍNDICE

De Campina Grande até Palmares Editorial PERFIL: Tuanny Lôbo Rolê de Mesa Em Foco: Willkommen in Essen CHECK IN: Com uma pegada “Spatácular” MESTRES DO SPA: Daniel Portugal e Tendson Silva EDITOR CHEFE: Luiz Grimuza BG VIEWS: O Nordeste que ver mesa HOME PAGE: Fora da curva GUIA SPATÓTIPO Caçadores de Artefatos Circulando Daisu Origami Eleições 20XX Meeplenautas Monges Agitaídô Nibiru Manace Oktober Theonorem Mondriam Crestomatia

Cangaceiros Futreta Resgate Mestres de Harhena Invocadores Vulcânea Luna Maris Toetihuacã Teotihuacãzinho Wolflore

CRIATIVIDADE UP: Caixinhas de Surpresa Arena Colors Hora Certa KCT Fight

Náufragos Regicida Tany Mano Mini Pixel Tenores & Sopranos

ILUSTRADORES: Com aroma de café ESPECIAL: Jack Explica CLOSED BOX: Amaro Braga

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DE CAMPINA GRANDE ATÉ PALMARES

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qui estamos novamente juntos para mais uma edição do SPA dos Jogos. Desta vez, chegamos ao estado de Alagoas, com a histórica cidade de União dos Palmares como nossa sede. Quem esteve nas duas últimas edições realizadas em Campina Grande, na Paraíba e Natal, no Rio Grande do Norte, sabe bem o quanto o evento evoluiu e principalmente o quanto ele ainda pode evoluir. Nesta edição, o futuro do SPA possivelmente será um dos principais temas para debate dos coordenadores atuais e da próxima sede escolhida. Se até então havia um caráter regional, este perfil começou a perder força com o interesse de hobbistas de outras partes do Brasil interessados em vivenciar o encontro. Está aí um grande fator positivo que precisa ser considerado, pois este interesse é um reflexo real da divulgação crescente promovida pelos próprios frequentadores do SPA. Crescimento que se converte em números contabilizados no aumento da participação de lojistas, na expansão do evento para dois hotéis, na participação de editores e editoras de jogos, na adição, cada vez maior de jogos publicados disponíveis para os jogadores, na necessidade de um dia extra, para se jogar, e no volume de jogos experimentais que estarão presentes para testes durante o Spatótipo. E ainda, contar com presença de youtubers como Marcelo Pegado (Jack Explicador). Ora, sejamos francos se isto não for evolução eu não saberia explicar o que seja. O SPA dos Jogos deixou de ser “apenas” um encontro de jogadores e desenvolvedores, ele tornou-se uma sementeira de mudanças em relação ao Board Game no Nordeste. Sua maneira itinerante vem promovendo a reflexão entre seus participantes que retornam aos seus estados de origem determinados a mudar o foco de seus encontros habituais de jogos. Quem passa pelo evento, volta motivado a agir, a transformar e realizar ações em beneficio dos jogos de tabuleiro na região. Assim surgiu o Spatótipo, o Gamebook, a Revista Vempramesa, a publicação independente de jogos, alguns eventos pré-SPA e jogatinas voltadas ao prototipismo. Então, vivamos esse encontro com carinho, zelo e acima de tudo alegria, pois aqui somos todos uma grande família!

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Foto: Patricia Santos

Editorial

Julio Cesar Editor

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nfim, aqui está a mais nova edição do Gamebook do Spatótipo Alagoas 2017. E devo confessar para você caro leitor, não foi fácil não! Mesmo assim, suamos a camisa para poder entregar para você uma publicação diferenciada em relação à publicada para o SPA de Natal. Desta vez, a revista chegou aos extremos e vem bastante recheada nas suas 82 páginas de informações, reportagens, entrevistas, artigos e claro, o aguardado Guia de jogos experimentais. Ufa! Bem, tudo fluiu certinho e agora você poderá degustar de nossas páginas que começa com a coluna Rolê de Mesa, onde passamos um pente fino nos eventos e fatos que aconteceram antes da realização do SPA Dos Jogos de Alagoas. Por falar no SPA, trouxemos a seção MESTRES DO SPA, onde destacamos nomes que se dedicam ou contribuem com a realização e consolidação do encontro. O evento também ganhou destaque na seção CHECK-IN. Também batemos um super papo com Luiz Grimuza, editor chefe da Papaya editora que nos falou sobre mercado, jogos no Brasil e também sobre o concurso que mexeu os desenvolvedores do país. Por falar em desenvolvedores, não poderíamos deixar de abrir espaço amplo para este segmento que atualmente cresce de forma acelerada na região Nordeste. Afinal, o Gamebook é do Spatótipo, e spatótipo é incentivar o desenvolvimento de jogos na região. Então, nossas páginas estão recheadas com as tradicionais sinopses dos protótipos que estarão presentes ao evento, tudo para despertar no jogador do SPA, a importância de contribuir nos testes para o aperfeiçoamento dos jogos de tabuleiro em desenvolvimento por aqui. Quem também ganha destaque é o DESAFIO DA CAIXINHA, que recebeu seu guia de jogos especial destinado a divulgar o resultado do desafio lançado ainda no SPA de Natal. Opa! Já falei demais, então acho melhor parar e deixar você descobrir sozinho o que preparamos para esta edição. Boa leitura!

SPA dos Jogos

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Perfil

Coordenadora SPA Alagoas 2017 GAMEBOOK SPATÓTIPO Edição SPA dos Jogos Alagoas 31 de outubro de 2017 Publicação digital spatotipo@gmail.com

EDITOR Julio Cesar Cesar Gomes de Oliveira DRT-PB 5580/99

COLABORAÇÃO

Tuanny Lôbo Apaixonada por jogos de tabuleiros modernos, a maceioense Tuanny Lôbo, 29, é casada com o também amante e hobista de jogos Daniel Conde. Afirma que o amor pelos jogos entrou na sua vida em 2013 e não parou mais. Atualmente a dupla é reconhecida pela dedicação de promover a prática dos jogos na capital alagoana. Em Natal, durante o SPA dos Jogos realizado, assumiu a responsabilidade de gerenciar a edição do encontro no estado de Alagoas, missão efetuada com êxito e reconhecimento dos participantes. Para Tuanny a expectativa é de sucesso e ela espera que todos possam vir e voltarem com a certeza de terem aprendido e principalmente se divertido muito.

Amaro Braga, Bruno Carvalho, Julio Cesar, Luiz Reis, Daniel Portugal, Tendeson Silva, Roberto Pinheiro, Rodrigo Sampaio e Rômulo Jardim

REVISÃO Daniel Portugal, Givaldo Cavalcanti, Patricia Santos, Tatiana Brandão e Tendeson Silva

FOTOGRAFIAS Alex Souto, Amaro Braga, Ascende Jogos, Daniel Portugal, Eduardo Guerra, Espaço Criativo, Felipe Hardley, Geraldo Melo, Guiseppe Lúcio, Hélio Cruz, Juba Morais, Julio Cesar, Legião Jogos, Luiz Grimuza, Luiz Reis, Marcelo Pegado, Mario Silva, MorningBird Photo, Papay Editora, Patricia Santos, QImais4, Quilombo Park Hotel, Ricardo Amaral, Roberto Pinheiro, Rômulo Jardim, Tendson Silva, The Andras Barta, Tuanny Lôbo e Vempramesa,

PROJETO GRÁFICO

Stand Box Entretenimento

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Rua Miguel Seabra Fagundes 94. Dinamérica II Campina Grande-PB Brasil CEP: 58.432-335 caixapostal713@yahoo.com.br

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ROLÊDEMESA

Um roteiro do que aconteceu no Hobbismo até a realização do SPA dos Jogos Foto: Espaço Criativo

Espaço Criativo

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6 Pandora no Natal

Foto: QI+4

Ocorrido no dia 16 de setembro, em João Pessoa, o encontro reuniu jogadores de RPG e Board Games da capital paraibana, além da presença dos jogos experimentais desenvolvidos pelos designers do Nordeste, ocorreram palestras e oficinas ministradas por game designers e profissionais de outros segmentos associados à produção de jogos. O evento contou com a participação de desenvolvedores dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte que apresentaram e debateram seus projetos, interagindo com o público presente. O sucesso do evento possibilitou a organização de uma versão Mini, que será realizada em dezembro, porém, a proposta dos organizadores é que o Espaço Criativo seja mais amplo e que se torne um evento anual.

A game designer Flávia Barreto em parceria com a empresa potiguar QI+4 deverá está lançando em dezembro o 6 Pandora. O party game que chamava-se Jockey é o primeiro projeto do estúdio de desenvolvimento de jogos voltado ao público de board games. A agência que produz jogos infanto-juvenis pretende ampliar suas atividades para outros nichos de mercado em 2018.

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Foto: Ascende Jogos

Desprotótipando

Prototipando É como se chama a coluna do game designer pernambucano, Roberto Pinheiro, no youtube. Nos videos o desenvolvedor explica como criar de forma simples e acessível os componentes para que você possa criar seu próprio protótipo de jogo de tabuleiro. Tanto os videos quanto dicas sobre BGs podem ser acessados no blog do gamer bastando digitar pinheirobg.com

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Foto: Pinheirobg.com

Fortaleza também começou a abrir espaço para a apresentação de jogos experimentais offline (Jogos de Tabuleiro). O evento, que contou com o apoio da Ascende Jogos, reuniu no dia 3 de agosto desenvolvedores do estado que apresentaram 6 projetos de Board Games. A proposta do evento foi apresentar e debater o desenvolvimento de jogos digitais e analógicos na região Nordeste. A ideia é que a ação torne-se cada vez mais frequente na capital cearense.

Oficina Lúdica O tradicional encontro de jogadores que se realiza na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN decidiu abrir espaço para uma versão exclusiva do evento destinada aos protótipos que estão em desenvolvimento no estado. O evento ocorreu no dia 30 de julho e trouxe no total a apresentação de oito projetos que estiveram nas mesas para a avalição dos jogadores.

Playtest Pernambuco No mês de outubro aconteceu o 4º Playtest Pernambuco. O evento voltado aos jogos de tabuleiro e aos protótipos foi realizado na loja Geek Pit e foi organizado pelo A Taverna que é um clube de jogadores de RPG e board game do Recife.

Blitz de Mesa no câmpus I da UEPB Nos dias 28 de setembro, 3 e 5 de outubro, o designer paraibano Julio Cesar, promoveu no Hall principal da Central de Integração Acadêmica de Aulas da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), uma demonstração dos projetos Futreta, Mestres de Harhena, KCT Figth e Resgate, além do Azellij, do designer baiano Rodrigo Sampaio. A intervenção chamou a atenção do público universitário que aproveitou para conhecer e jogar os projetos. Além dos jogos, Cesar, também palestrou sobre o crescimento dos board games e suas utilizações como ferramenta didática. A receptividade positiva dos alunos despertou o interesse da coordenadoria do CIAc, que estudará a possibilidade de realizar novas ações do tipo com o desenvolvedor.

Uga-Uga Brasília A K&M jogos, selo do desenvolvedor independente Mario Silva, andou com êxito nas mesas da Ludoteca de Brasília. A futura editora, apresentou o Uga-Uga Bufapum ao brasilienses rendendo um convite para ser exposto na ACDC, evento destacado de board games que acontece na capital federal.


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Concurso Nogall O selo paraibano Estallo Jogos, inscreveu dois de seus projetos no concurso da Nogall.fun. Tratam-se dos jogos Mondrian do Geraldo Melo e do Meeplenautas de Felipe Hadley. A organização tem como lema “nosso jogo é investir em bons jogos” e o objetivo é apostar no desenvolvimento de jogos criados no Brasil para o mercado brasileiro. O projeto vencedor receberá um investimento entre R$ 5 a 10 mil como contribuição para Financiamento Coletivo.

Foto: Revista Vem Pra Mesa

Agora você Vem Pra Mesa

Vem Pra Mesa é um reconhecido grupo de jogos de Salvador-BA que acabou de lançar sua revista informativa. A publicação digital conta com a participação de membros de vários estados do Nordeste e de Minas Gerais. A proposta, segundo o editor José Medeiros (Magarem), é garantir um espaço para a divulgação e expansão do hobby no país. A Vem Pra Mesa chega a sua terceira edição neste mês de novembro com ampla matéria sobre o SPA. Para acessar todas as edições basta digitar o endereço https://issuu.com/revistavempramesa e curtir uma boa leitura.

No dia 27 de Setembro foi realizado em Campina Grande-PB, o Tio Tarta Games. O evento foi uma parceria entre a Tio Gêra Brinquedos e Geek, com a rede de lanchonete a Tartarugas Burguer. Na ocasião foi realizado um disputado torneio de Survive que chamou a atenção dos clientes e dos admiradores dos Board Games modernos.

O designer Geraldo Melo, autor das logomarcas do SPA de Campina Grande e Natal, novamente assumiu a responsabilidade da logo para a edição de Alagoas. Nesta versão, a proposta foi associar cartas de board game com às belezas naturais do estado. Foto: Eduardo Guerra

Torneio do Tio Tarta

Logo do SPA

Foto: Legião Jogos

Legião em alta Por falar na Legião Jogos a editora que produz o card game Sccipio, recebeu elogios pelo jogo em dois canais de youtubers especializados em Board Game. Os reviews foram produzidos pela equipe do Tabula Quadrada e por Alan Farias do Direto ao ponto. A editora também marcou presença em três eventos no Sudeste e Centro-Oeste, que foram o Diversão Offline no Rio de Janeiro e o 40º Além do Muro, realizado em Jundiaí, no interior de São Paulo. Enquanto em Brasília estiveram no ACDC.

Crop Rotation O jogo idealizado pelo desenvolvedor brasileiro Eduardo Guerra foi à atração no dia 4 de setembro da loja Tio Gêra Geek, em Campina Grande. O Stúdio Teia de Jogos que cuida do projeto e a Legião Jogos fecharam parceria para a publicação do board game é aguardar essa novidade para 2018.

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EM FOCO

Willkommen in

ESSEN Como a mais aguardada feira de jogos de tabuleiro e brinquedos do mundo novamente surpreendeu seus visitantes

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ais uma vez os aficionados pelos jogos de tabuleiro voltaram suas atenções para mais uma edição da Internationale Spieltage – Spiel’17. A feira anual de jogos, brinquedos e Histórias em Quadrinhos que há 34 anos acontece na cidade de Essen, na região do Ruhr, no oeste da Alemanha. A cidade de pouco mais de meio milhão de habitantes tornou-se um dos principais polos de produção de jogos na Europa, transformando-se em referência para vários investidores do seguimento de manufatura lúdica. Nesta edição, a feira reuniu um total de 1.021 produtos inscritos de representantes de mais de 50 países, curiosamente para o mercado do Brasil o ponto positivo foi a presença de muitos brasileiros admiradores, fãs dos jogos e consumidores que se mostraram dispostos e ansiosos pelas novidades do mercado. Porém, lamentavelmente apesar da participação de brasileiros, Essen deixou como ponto negativo a forte ausência de fabricantes “mede in Brazil”, mesmo o país detendo a marca de sétimo maior fabricante de brinquedos e jogos do mundo. A feira aconteceu no reconhecido centro de eventos Messe-Essen e ocupou nove dos doze pavilhões disponíveis no local. Internacionalizada há poucos anos, ela atualmen-

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Salões lotados no Messe-Essen com fãs de jogos de todas as partes do mundo. Já o Azellij do designer brasileiro Rodrigo Sampaio também esteve nas mesas da Spiel’17

Fotos: Juba Morais

te é considerada a mais importante do setor de jogos de tabuleiro e de histórias em quadrinhos na Europa por leitores, jogadores, colecionadores, produtores e fabricantes de varias partes do mundo, superando inclusive as também tradicionais Gen-Con e UK Games Expor, realizadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, respectivamente. A SPIEL’17 ocorreu com êxito entre os dias 26 a 29 de outubro e a expectativa dos organizadores é que ela tenha superado a marca da edição de 2016 com a presença estimada acima de 174 mil visitantes. Número que ainda será computado mais que já é comemorado pelo índice de turistas que circulou por Essen e o esgotamento das vagas do setor de hoteleira durante os 4 dias de feira. O evento, hoje, vem servindo para que empresas especializadas em brinquedos e jogos tenham a oportunidade de apresentar ao público seus lançamentos e as novidades que

174 mil

visitantes é a marca a ser superada em 2017 deverão está nas prateleiras das grandes lojas do gênero a partir de 2018. No entanto, Essen não se limita apenas as novidades do mercado de jogos, ela se propõe a aproximar o público de desenvolvedores consagrados e ilustradores conceituados de quadrinhos fortalecendo a expansão da cultura Nerd como subconsequência da própria cultura Pop. Entre os destaques, além dos Quadrinhos e das premiações foi certamente o espaço dedicado a editoras e produtoras independentes, demonstrando a forte tendência de crescimento do mercado, além das áreas dedicadas a atividades e oficinas voltadas ao jogos de tabuleiro. Estar presente em Essen tornou-se obrigatório para o amadurecimento de qualquer mercado de desenvolvimento ou consumo de jogos, além de um aprendizado para seus frequentadores.

Quem é Essen Situada na região do Ruhr, no oeste da Alemanha conta atualmente com uma população estimada em 602 mil habitantes e já foi considerado um dos maiores polos produtores de carvão mineral da Europa, até sua economia entrar em colapso com a queda da produção mineral nas últimas décadas do século XX. A crise, contudo, foi o estopim para uma mudança de ares e comportamento na cidade, principalmente após a unificação alemã ocorrida em 1989. Cercada por um núcleo urbano composto por cidades influentes, não somente na Alemanha, mas também Bélgica e Holanda. Essen organizou-se convertendo os últimos recursos do ciclo mineral em investimentos voltados ao desenvolvimento de um mercado de produção gráfica e no turismo de eventos e exposições. Criou-se então, uma infraestrutura que possibilitasse a cidade receber feiras, mostras, exposições e shows de grande porte. As mudanças se refletiram na melhoria da capacidade hoteleira, nos transportes, no atendimento e nas prestações de serviços, acessibilidade e principalmente na construção de espaços como o Messe-Essen. Um centro de convenções composto por 12 pavilhões capazes de abrigar os mais variados tipos de eventos. Tantas adaptações e mudanças surtiram efeito e gradualmente a cidade foi tornando-se o principal destino dos grandes eventos na Europa. Em 2010, Essen foi agraciada com o titulo de capital europeia da cultura e atualmente abriga vários eventos dos mais variados gêneros culturais.

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CHECK IN

COM UMA PEGADA

“Spatácular”

Quilombo Park Hotel é um dos melhores hoteis fazendas do estado de Alagoas

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Fotos: Quilombo Park Hotel

nfim, chegamos a Terra da Liberdade, conhecida também como Terra de Zumbi e Gangazuma. Aqui estamos às margens do Quilombo mais famoso do Brasil, aos pés da Serra da Barriga, distante 75 Km de Maceió. Estamos nos referindo a União dos Palmares, a cidade sede da terceira edição SPA dos Jogos. Na Zona da Mata alagoana, a cidade esta situada dentro do perímetro de cidades que compõe o chamado vale produtor de açúcar e álcool. Também se destaca na produção de milho e banana, além da área de agropecuária, piscicultura e olaria. Traçada pelo histórico rio Mundaú, União dos Palmares é uma das cidades mais antigas do interior do Nordeste e atualmente tem uma população estimada em 65 mil habitantes. Seu comércio é fortemente voltado ao agronegócio açucareiro e agropecuário, com seu setor fabril fortemente voltado a indústria de lacticínios e plásticos. Nos últimos anos, projetos tentam direcionar a cidade para a formação e con-

solidação de um polo têxtil, bem como o aprimoramento do setor turístico. Investimentos na área de hotelaria buscam aproveitar o potencial ecológico da região. Neste roll, se destacam pousadas e hotéis fazendas como o Quilombo Park Hotel, que abrigará durante os dias 23 a 26 de novembro o SPA dos Jogos. Além do Park, há também o Hotel Santa Maria Madalena, utilizado para o Day Use do encontro. O hotel, conta com 330 mil m² de área, piscina, salão de jogos e atividades de lazer para quem desejar algumas horas de descanso antes de voltar à jogatina. Em relação aos eventos anteriores, a atual edição do SPA traz consigo, a marca do crescimento e principalmente a forte expansão. Nesta edição foi acrescentado de maneira opcional, mais um dia ao encontro e pela primeira vez, hobbistas dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo se integrarão aos membros dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. Dentro da programação, além do salão de jogos, dos serviços e lazeres oferecidos pelo hotel, acontecerá mais um Spatótipo, que nesta versão, além da interação entre os desenvolvedores de jogos e apresentação de protótipos, ocorrerá mesa redonda e o resultado final do Desafio da Caixinha. Outra novidade foi o aumento no número de lojas dedicadas a venda de Board Games e artigos geek. Além da “Jogos ao Quadrado” e da Tio Gêra Geek, o SPA contará com a BG Quest e a Loja D6. Na área de desenvolvimento de jogos, estarão presentes representantes de três editoras, a Legião Jogos, Djion Jogos e o estúdio Gigantes Games, representado pelo youtuber Marcelo Pegado (Jack Explicador). Tudo recheado com os já tradicionais sorteios e leilões de jogos.

Aldeia africana no parque nacional

PALMARES é um dos povoamentos mais antigos do estado de Alagoas, supostamente iniciado por volta de 1580, recebendo esta denominação pela intensa mata de Palmeiras que junto com a Mata Atlantica, fazia do local uma área de difícil acesso para os desbravadores desavisados. A região pertencia a capitania de Pernambuco, sendo desmembrada para a formação da província de Alagoas em 1817, após o fracasso da Revolução Pernambucana, passando a integrar o município de Atalaia. Após uma visita da Imperatriz Leopoldina, em 1831, o povoado passou a condição de Vila Nova da Imperatriz, sendo elevada a cidade apenas em 1889 com o nome de União. Em 1944, alterou sua denominação para União dos Palmares. Embora sua história seja de lutas, nada caracteriza mais a importância de União dos Palmares no Brasil do que o período compreendido entre 1655 a 1695, fase dos principais conflitos envolvendo o Quilombo de Palmares com o governo de Pernambuco. Estima-se que o local tenha sido habitado por mais de 20 mil quilombolas que protagonizaram combates sangrentos na região. Somente em 1695, sob o comando de Domingos Jorge Velho o local foi “apaziguado”, porém, o Quilombo manteve-se ativo até o final do século XIX.

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DANIEL Portugal

MESTRES DO SPA

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onhecer um pouco de Daniel Portugal é participar de um capítulo recente da trajetória dos jogos de tabuleiro na região Nordeste. Nascido em 1978, no Rio de Janeiro, este carioca de coração potiguar se estabeleceu em Natal em 1998, decidido a buscar novos horizontes para a sua vida. Já no ano seguinte iniciou o curso superior em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba, ano que também o marcou com felicidades pelo nascimento do filho Pablo. A garra de vencer e a determinação pelos seus objetivos possibilitaram Daniel fazer uma Pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, trabalhando com estudos relacionados à Literatura Comparada. Em 2007, casou-se com Janaína Raso, exímia jogadora de board game e em 2011, nasce sua filha Sofia Portugal. A família aumenta e só com o pessoal de casa a mesa já fica cheia. Assim, se constituiu a famosa Família Portugal, reconhecida pelas participações no SPA dos Jogos. Hoje, Daniel Portugal é professor de Literatura e criador da Jogos ao Quadrado. Apaixonado por jogos de tabuleiro é um dos grandes apoiadores de sua prática no Rio Grande do Norte, além de grande incentivador da expansão do hobby pelo Nordeste. Paixão nutrida desde a infância quando costumeiramente, nas festas de aniversário, ganhava jogos de tabuleiro de presente, além dos

jogos comprados pelos pais. Com o passar dos anos a coleção foi crescendo, mas também se perdendo com as mudanças constantes de moradia. Porém, já adulto, foi possível recomeçar a coleção passando por todos os clássicos que sempre foram motivos de diversão para a grande maioria dos marmanjos. Perfil, Imagem em Ação, War, Supremacia, Banco Imobiliário, Jogo da Vida e tantos outros que voltaram à mesa, reconquistando jogadores em potencial. War era um dos favoritos, chegou a criar uma própria versão. Começava a busca por esses jogos de outrora e com isso descobriu novas empresas que começavam a aparecer no cenário nacional de jogos de tabuleiro, bem como o primeiro contato com “os jogos modernos”. Os primeiros jogos importados começavam a aparecer ainda de modo escasso e valor elevado. O deslumbre estava completo. Sempre que possível comprava novos jogos, chegando a comprar cerca de 10 jogos por mês. Por volta de 2013, já possuía uma coleção com mais de 300 jogos. Estava sempre à procura de novos jogadores. Tudo ainda era terreno baldio. Poucos sabiam que existia vida além do War. Foi no site Ilha do Tabuleiro que encontrou os primeiros amigos para formar um grupo (Os Umpa Lumpas), que só aumentou e já teve diversos protagonistas. Depois, também através da Ilha


Fotos: Daniel Portugal

Ao lado de Marcelo Pegado (Jack Explicador), durante o CCXP realizado em Recife. Proprietário da Jogos ao Quadrado, Daniel Portugal é um dos maiores apoiadores do Board Game no Nordeste brasileiro.

Texto: J.Cesar Colaboração: Tendson Silva, Janaína Riso e Givaldo Cavalcanti

passou a realizar trocas, vendas, compras e tradução de muitas regras de jogos, uma vez que os vídeos explicativos não eram tão difundidos como hoje em dia. Receber os amigos e familiares sempre foi uma experiência incrível. Muitos entraram de vez nesse mundo e se tornaram jogadores assíduos e colecionadores. Ainda em 2013, junto com outros dois amigos, lançou a loja virtual e física Dunas Jogos. Loja que teve seu relativo sucesso e pode firmá-lo no mercado das vendas. Um pouco mais à frente, outro ambiente virtual passa a ter destaque, trata-se da ludopedia que também colabora imensamente para difundir o hobbie e proporcionar novos encontros e descobertas de jogos/jogadores. O Dunas se encerra em 2015, mesmo ano que lança a Jogos ao Quadrado, uma loja virtual que trabalha, sobretudo com encomendas. Jogar passou a ser uma necessidade, um lazer fantástico que sempre que possível aplica e estimula em sala de aula. Já organizou/participou de vários eventos em Natal e outras cidades entre estes eventos pode-se destacar o Cidade da Criança, Saga, Yujo, SPA de Jogos, Joga Vita, Rolezinho Jogos, etc. Apesar de ter um gosto bem eclético, a preferência é pelos jogos euros. Não colocando numa ordem de preferência, destacam-se: Troyes, Trajan, Caylus, Eclipse, Castles of Burgundy, Bora Bora, Puerto Rico, Madeira, Vinhos, Brass, Stone Age, Union Pacific, Vasco da Gama, Eketorp, O Nome da Rosa. Alguns party/family games que fazem sucesso: Avalon, Bang, City of Horror, River Dragons, Saboteur, Jamaica, Marrakech, King of Tokyo. No final das contas, é preciso que tudo seja uma grande brincadeira, o principal é se divertir. Algo que ultrapasse isso e que possa gerar desarmonia deve ficar de fora. Vamos jogar!

Amante da cultura Geek, Daniel não perdeu a oportunidade de está no Trono de Ferro que foi montado durante o CCXP e também de visitar a Loja do Tio Gêra no evento

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TENDSON Silva

MESTRES DO SPA

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estre Tendson, assim mesmo, como quem se refere aos grandes mestres orientais é como muitos jogadores de jogos de tabuleiro se referem à Tendson Artur Ribeiro da Silva, 47. Atualmente um dos maiores colecionadores de jogos deste gênero na região Nordeste, residente em Parnamirim-RN, este técnico Judiciário, dedica-se ao hobby promovendo e participando de eventos que estimulem a inclusão de novos ao universo dos jogos analógicos. Tendson administra numa rede social, a página Trampolin da Aventura, onde aborda temas ligados a chamada cultura nerd. Mas, quem conhece este mestre e houve seus conselhos, pouco conhece os desafios enfrentados na vida até chegar o patamar de respeito que se encontra. Nascido de uma família com poucos recursos vivenciou suas histórias fantásticas e divertidas nos contos de sua tia avó Ana, histórias que preenchiam seu coração de sonhos e que hoje, são muitas vezes encontrados nos temas adotados pelos jogos modernos de tabuleiro. Foi este o berço familiar que lhe auxiliou no aprendizado de valorizar a convivência em grupo e a compartilhar e ajudar um ao outro. Mas, a figura humanizada também necessitou lutar e se consolidar na vida, estudou

eletrotécnica na Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, porém, antes de concluir o curso, desviou sua carreira para a Computação, em especial linguagem de programação de banco de dados. Este caminho lhe direcionou para o curso de Engenharia Elétrica na UFRN, não concluso, pois necessitou fazer um trabalho de proselitismo (missionário da igreja, no qual faz parte) no Rio Grande do Sul. Após retornar, não conseguiu mais conciliar o trabalho e o estudo, optando em seguir outro rumo. Para manter-se e manter a família passou a lecionar ocupando praticamente 100% de seu tempo para isto. Novamente, houve necessidade de redefinir seu caminho e em 1999 iniciou o curso de Tecnologia em informática no Instituto Federal do Rio Grande do Norte, abandonando novamente por não conciliação entre estudo e trabalho. Encontrou-se no serviço público estadual onde trabalha e divide suas atenções para as funções do trabalho e o hobby. Seu contato com os jogos se deu na infância, conta ele, que não conviveu com os jogos eletrônicos e as brincadeiras eram mais sociais e interativas. Seu primeiro contato com jogos de tabuleiro foi na escola ao ver colegas jogando Ludo, daí para frente,


Fotos: Tendson Silva Ao lado de amigos, Tendson Silva é atualmente um dos maiores divulgadores da pratica do Board Game na região Nordeste do Brasil. Residente na área metropolitana de Natal, sempre que possivel se desloca de seus dominíos para prestigiar eventos que promovam a expansão e a cultura do BG.

Texto: J.Cesar Colaboração: Daniel Portugal

todo um leque de jogos foram sendo exploradas por sua curiosidade como pega varetas, dominó, damas até alcançar o Xadrez. Aquisições conquistadas com muito sacrifício inicialmente por sua mãe e em seguida com seu esforço. Passando a conciliar duas paixões, a leitura através das histórias em quadrinhos e o divertimento por meio dos tabuleiros. Paixão que logo migrou para jogos mais exigentes como Interpol, War e Supremacia, todos clássicos dos anos 80/90, Antes dos jogos de tabuleiro modernos, conheceu

em 2007 Tendson decidiu tirar seus jogos da estante e passou a levá-los para os eventos o RPG com o Tagmar, Gurps e Dragons & Dungeons foi então que em 2005 esbarrou com o jogo Puerto Rico e Settlers of Catan, ponta pé inicial dos seus mais de 600 títulos da coleção. Em 2007, Tendson decidiu tirar seus jogos da estante e passou a levá-los para eventos e exposições, não parando mais. Apesar da decisão difícil para quem é hobbista, este passo, possibilitou difundir o hobby na cidade de Natal-RN, o que impactou significativamente na sua vida. Segundo o próprio Tendson, se considera um amante dos jogos e tem o prazer e a alegria de compartilha o que lhe faz bem, afirma que os jogos são ferramentas que ajudam a se entender e testá -lo, torna-lo melhor e tudo isto interagindo com outras pessoas. Por isto se considera, com bom humor, um Homo Ludens!

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Editor Chefe

LUIZ

Grimuza “O concurso veio naturalmente como uma forma de incentivo para os autores nacionais e uma forma de minerar algumas joias que tenho certeza que existem no Brasil.”

Foto: Luiz Grimuza acervo pessoal

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Luiz Fernando Cerdeira Grimuza Nasceu em São Paulo e atualmente reside na cidade de Curitiba-PR, de onde administra a Papaya Editora. Empresa de jogos de tabuleiro, publicadora dos jogos Butim, Quem Vai e Drillit para o mercado nacional. Este cientista da computação, formado pela PUCPR em 2002, tinha em mente o sonho de desenvolver e publicar jogos de tabuleiro no Brasil, numa época onde as dificuldades para isto eram imensas. No entanto, aguardou com paciência a melhoria do mercado e ao longo de sua trajetória manteve-se focado e dedicado a transformar o sonho em realidade. Uma década depois, decidiu pôr em prática seus projetos e lançar, com sucesso, o party game Butim, destaque no Nerd Expo de Blumenau -SC e primeiro projeto financiado pela Papaya em 2013. Daí para frente, nada mais segurou a ousadia deste paulistano determinado a consegui alcançar seus objetivos. Grimuza nos fala um pouco sobre o mercado editorial, desenvolvimento de jogos, sua editora e o concurso que mexeu com os game designers de norte a sul no Brasil.

Como surgiu e quem é a Papaya Editora?

A ideia da Papaya Editora veio por volta de 2003. Acabamos esperando uns 10 anos para iniciarmos por questões diversas. A ideia era produzir jogos de qualidade brasileiros. Ainda lutamos fortemente para produzir jogos nacionais. O mercado editorial de jogos de tabuleiro está em crescimento, como vocês estão inseridos neste mercado e como vocês o visualizam num cenário de curto prazo?

O cenário de curto prazo que vemos é uma retração da quantidade de editoras. O mercado está em crescimento, mas a oferta está crescendo muito mais rapidamente do que a demanda. As editoras pequenas estão sofrendo e acredito que muitas vão fechar as portas nos próximos 2 anos ou mudar a forma de negócios, deixando de ser editora e passando a ser estúdios de jogos como é o caso da ACE Estúdios, Arcano Games e algumas outras. No meio dos hobbistas de boardgames, há um conceito que toda boa editora precisa investir primeiramente num título de sucesso no exterior, antes de apostar na prata da casa. Isto é uma regra entre as editoras, por quê?

Porque custa muito caro transformar uma ideia em produto e é muito mais complicado vender jogos desconhecidos. Jogos consagrados são desejados, enquanto jogos desconhecidos são vistos com desconfiança.

Expor o jogo em eventos e submetê-lo a testes é a alma do negócio, ou o desenvolvedor deve ignorar essa teoria e somente revelar seu projeto quando obter um registro?

Eventos e testes... eventos e testes... Registro não existe. Você pode registrar o nome do jogo mas não a mecânica. O importante é registrar o desenvolvimento do jogo nas redes sociais com fotos, posts e talvez uma página do jogo. Isso já basta como prova de autoria.

Existe um conceito de que o desenvolvedor de jogos nacional ainda está imaturo, em se tratando de qualidade dos jogos. Concorda? Acredito que a única diferença é que os jogos (modernos) vem sendo feitos e jogados em grande quantidade na Europa e Estados Unidos desde o início dos anos 90, enquanto no Brasil, eles chegaram 10 anos depois e ainda são pouco jogados. Não acredito que o desenvolvedor nacional deixe a desejar. O que acredito é que há uma seleção dos melhores jogos/protótipos para que se encontre os jogos que chegam a ser produzidos. No caso do Brasil, a oferta de jogos é bem menor do que na Europa e EUA. Dessa forma sobram

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menos jogos “vencedores” e com isso a qualidade geral fica um pouquinho inferior. Escolher entre 100 é diferente de escolher entre 2.000. Muitos desenvolvedores ainda apostam nos financiamentos coletivos como solução para ver seu jogo na mesa. Em tese, editoras são de difícil acesso. Onde está a verdade e o mito sobre tudo isto?

Poucas editoras investem em jogos nacionais. As que investem normalmente trabalham com títulos da casa. Não sei se as editoras são de difícil acesso. Acredito que o que acontece é que as editoras tem poucos funcionários/sócios e estão sempre com muito trabalho e pouco tempo para avaliar novos jogos. Além disso, o dinheiro necessário para se investir em novos jogos é escasso ou muitas vezes simplesmente não existe. Financiamentos coletivos ainda são importantes para se levantar fundos para o lançamento, mesmo entre as editoras. No Brasil, hoje, deve ter umas 4 ou 6 editoras que tem condições de lançar algum jogo com dinheiro próprio. Todas as outras ainda tem que se virar nos 30 com empréstimos e financiamentos coletivos. Todos afirmam, que a Papaya Editora quebrou paradigmas ao promover um concurso de Jogos de Tabuleiro. Como surgiu essa ideia e sua principal motivação? A Papaya é uma empresa de um homem só. Eu sempre respondi e-mails de autores e muita gente

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Spatótipo

sempre veio me procurar, sempre tentei dar atenção, mas sempre foi muito difícil, por falta de tempo. Mas, o pior sempre foi o nível de desenvolvimento dos jogos que eram enviados, a maioria ainda no início do desenvolvimento.

A ideia inicial era uma série de vídeos esclarecendo os detalhes de produção, desenvolvimento e comercialização de um jogo para ajudar aqueles que querem seguir por conta própria através de financiamento coletivo ou para ajudar os autores que tinham interesse em entrar em contato com as editoras. Alguma luz para que os autores pudessem fazer melhor a parte deles e assim terem mais chances de serem publicados. O concurso veio naturalmente como uma forma de incentivo para os autores nacionais e uma forma de minerar algumas joias que tenho certeza que existem no Brasil.

Em sua opinião, a repercussão já era esperada e causou surpresa o número de participantes. Deste número, quantos eram oriundos da região Nordeste do país? Foram 77 jogos inscritos e 11 deles foram do Nordeste. Eu esperava chegar

“O Mercado está começando a se profissionalizar e isso ficou muito evidente nos últimos 2 anos”


perto dos 50 jogos inscritos e fiquei feliz em ver que conseguimos passar 50% do imaginado. Isso mostra que temos mais autores do que eu imaginava. Espero que o próximo concurso seja melhor. Haverá cinco propostas finalistas, porém, uma receberá como premiação a publicação do jogo sob selo da Papaya. No entanto, as 4 propostas não vencedoras apresentam potencial para publicação, a Papaya manterá o interesse nestes projetos? A Papaya manterá o interesse nesses projetos sim. Nada é garantido, mas vou estudar com calma e carinho os custos e potencial de cada projeto. Você acredita que outras editoras se espelharão em vocês e também promoverão concursos, que vocês iniciaram uma tendência? A própria Papaya Editora pretende realizar futuramente outros concursos?

Foto: Luiz Grimuza acervo pessoal

Eu não acredito que outras editoras farão algo parecido tão cedo... mas seria legal ver algo assim. A ideia é ter um segundo concurso da Papaya em 2018, mas ainda é cedo para dar alguma previsão concreta. O que faz uma editora enxergar potencial numa proposta de jogo de tabuleiro?

A qualidade do jogo, o apelo do jogo, custos e valor de mercado. As editoras (e lojas, eventos, etc) também são empresas criadas por jogadores apaixonados e por ser tudo muito novo no Brasil, isso significa que tudo ainda é feito de forma

amadora. Poucas empresas tem uma boa estrutura (como o caso da Galápagos) e a paixão pelo hobby não é suficiente para se manter um negócio sadio. Por isso, ainda veremos muitas editoras e lojas quebrando. O mercado está começando a se profissionalizar e isso ficou muito evidente nos últimos 2 anos. Acredito que nos próximos 5 anos muita coisa vai se solidificar em todas as áreas: desenvolvimento, edição, produção, marketing e venda.   No Nordeste, a cada seis meses, é realizado o SPA dos Jogos. Evento que reúne hobbistas e lojistas de board games dos estados da região. Nele, também há o Spatótipo, que agrega e integra desenvolvedores locais, para que eles possam expor, sugerir, debater e testar seus jogos. Como vocês analisam movimentos e ações como estas? Nós vemos (editoras em geral) os eventos de board games como uma das frentes mais importante para a divulgação e solidificação do hobby, porém, assim como as lojas e editoras, os eventos também são iniciativas feitas com amor por hobbistas. Sentimos que os eventos em geral também são ainda muito amadores. O que mais sentimos falta nesses eventos é de pessoas novas que estão conhecendo o hobby e o que geralmente vemos é sempre o mesmo público recorrente. Em geral, todas as áreas do desenvolvimento de jogos no Brasil precisam se profissionalizar. Eventos, monitoria, criação de jogos, edição e publicação, marketing, distribuição, vendas, etc... Aos poucos estamos trilhando este caminho para termos um mercado sólido. Hoje, as coisas ainda são muito instáveis, mas é muito visível a mudança positiva dos últimos anos. Acredito que o Brasil ainda será uma potência dos jogos de tabuleiro daqui a uns 10 anos.

DRILLIT é um dos principais jogos editados pela Papaya. A editora dever lançar em pouco tempo o cardgame Akigam e o Meeple Heist, além do jogo vencedor do concurso.

SERVIÇO Para saber um pouco mais sobre a Papaya Editora e seus produtos www.papayaeditora.com.br www.facebook.com/PapayaEditora

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Spatรณtipo


BG Views

O NORDESTE

Desenvolvedor de carteirinha, Roberto Pinheiro aposta num futuro promissor para os jogos de tabuleiro desenvolvidos no Brasil.

QUER VER MESA

Foto: Roberto Pinheiro

S

e você é daqueles que não dispensava uma boa partida de jogo de tabuleiro na infância, chegou a hora de reencontrar seu o passado. Afinal, os jogos se modernizaram ganhando uma quantidade cada dia maior de adeptos em todo o país. Recentemente, o Brasil vem vivenciando a redescoberta deste divertimento, graças à chamada expansão da cultura nerd e também às novas propostas de desafios que os jogos vêm oferecendo para pessoas com estilos diversificados e que conseguem encontrar neles um atrativo para um lazer interativo e, especialmente, fomentador de ciclos de amizades. A cada ano são lançados novos títulos pelas editoras especializadas no gênero e interessadas em se consolidar neste crescente mercado. No rastro deste crescimento, se torna cada vez mais frequente o número de pessoas dedicadas a desenvolver jogos experimentais, com o intuito de também ser inserido e reconhecido dentro deste ciclo produtivo. A região Nordeste vem se tornando um celeiro para o aparecimento destes desenvolvedores (game designers) que, juntos, se mobilizam e trocam ideias objetivando tornar possível fazer da região um polo empreendedor.

Muitos motivados pela empolgação e outros pelo puro prazer de criar um jogo. Formado em Comunicação, voltado à propaganda, Rodrigo Sampaio (Zuzu) é um desenvolvedor de jogos residente em Salvador e defensor de que a criação de jogos é uma extensão natural de quem gosta do hobby. Para ele, a região está evoluindo e muitos projetos legais estão sendo desenvolvidos por designers dedicados e que certamente irão “emplacar”. Sampaio acredita que estamos ainda bastante atrelados a um certo “complexo de vira -latas”, em relação aos jogos criados fora do Brasil e editados no país pelas editoras nacionais. Ele afirma que iniciativas como concursos de editoras seriam uma das saídas interessantes para a valorização de projetos locais e ressalta a iniciativa da Papaya Editora, promotora de um concurso que mobilizou desenvolvedores de todas as regiões brasileiras. Publicar seu projeto é, atualmente, o grande desafio que os designers nordestinos enfrentam. Para muitos, como o designer pernambucano Roberto Pinheiro, o maior desafio para um desenvolvedor na região é a falta de oportunidade. “É difícil estabelecer contato com as editoras, pois fora algumas poucas ex-

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Spatótipo

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Jogos experimentais estão em andamento no Nordeste. 6 deles foram editados este ano e outros 90% estão buscando condições para chegar as mesas do Brasil. Apenas nos estados de Alagoas e Sergipe não foram catalogados a produção de jogos.

PROJETOS

} BA

Anões da Mina Azzelij* Daisu Origami E Agora? Escalada Filho dos Orixás Memoê Oktuber Rei do Anzol Robot Arena Terror em Salvador

PROJETOS

} CE

Invocadores Lutas Simbólicas Petroleum Vila Jardim Wolflore

PROJETOS

Foto: Legião Jogos

ceções todas ficam no eixo Sul/Sudeste”, esclarece. Pesa também o entendimento de que o mercado brasileiro ainda não está preparado para o board game nacional. Mas, segundo Pinheiro, a resistência e o preconceito serão vencidos. A mesma linha de raciocínio é compartilhada por Rômulo Jardim, game designer cearense, que conheceu os jogos de tabuleiro enquanto cursava sua graduação em jogos eletrônicos. Rômulo cita que após conhecer os jogos modernos, durante um evento, acabou ficando fascinado ao se deparar com uma vasta e infinita possibilidade de variedades de jogos e, naquele momento, percebeu que gostaria de ampliar seus conhecimentos sobre o assunto, tornando-se assim um desenvolvedor. No seu entendimento, o maior desafio para o criador de jogos, principalmente no Nordeste, é conseguir desenvolver uma maneira melhor de apresentar o produto e fidelizar o cliente final, principalmente no mercado brasileiro, que é um grande consumidor de jogos internacionais. Porém, ele acredita que com o passar dos anos, na proporção que vão surgindo eventos e oportunidades de expor os projetos, os jogos nacionais ganharão mais espaço. Um levantamento preliminar sobre desenvolvimento de jogos feito na comunidade Board Game Nordeste e BG Designers do Nordeste, na rede social WattsApp, em julho, apontou um total de 62 projetos em andamento e em fase de testes na região, em uma clara evidência da forte produção regional. Um fator curioso é a interatividade cada vez mais intensa entre os desenvolvedores, através destas redes sociais que fomentam não somente o debate, como também a avaliação crítica/técnica dos trabalhos desenvolvidos. Grande parte desta realidade deve-se ao SPA dos Jogos, um encontro que reuniu pela primeira vez, em Campina Grande-PB, hobbistas de Board Games de cinco estados nordestinos e do Amapá. O evento conseguiu promover a integração dos jogadores, permitindo as condições

} MA

Jogo do Cazumbá Escape From Roshan*

Eleições 20XX do designer Bruno Carvalho é a aposta da Legião Jogos para o futuro. O protótipo do jogo está em fase avançada de testes e logo deverá está no mercado.

necessárias para o surgimento do Spatótipo (SPA dos Protótipos) na programação da edição seguinte, realizado de 19 a 21 maio de 2017, em Natal-RN. O Spatótipo possibilitou, pela primeira vez, reunir desenvolvedores de várias partes do Nordeste para apresentar, testar e discutir seus projetos em equipe. A repercussão deste evento pode ter dado início ao processo de discussões mais amplas sobre o tema dos jogos experimentais na região, já que antes não existia uma aproximação concreta e todos os desenvolvedores se limitavam a apresentar seus projetos dentro de seus estados, em eventos de jogadores não exclusivos para protótipos. Posterior ao SPA, ocorreu em João Pessoa-PB, durante o evento mensal Espaço dos Jogos, uma proporção maior de protótipos que


} PB

Bufunfa Cangaceiros Crestomantia Futreta

Foto: Geraldo Melo

PROJETOS

Ladrão que Rouba Ladrão

Meeplenautas Mestres de Harhena Mondrian Monges Agi-tai-dô O Espantalho Os Vigilantes de Helicity

Patricius Resgate Space Delivery Theonoren Transmutações PROJETOS

} PE

Arkmago A Vontade do Rei Ciberguerrilha Circulando Distrito 6 Espadas e Punhais Lines of Hope Locus Pocus Luna Maris Manguetown Mataru Okara Sticks e Stones Terriveis Piratas Teotihuaca Uga-Uga Bufapum* Vikings Vulcânia

PROJETOS

} PI

Caçadores de Artefatos Eleições 20XX Nibiru Mecane Tratado Lunar

Em Julho, desenvolvedores e ilustradores paraibanos se reuniram no Espaço Cultural durante o evento Espaço dos Jogos, em João Pessoa para debaterem a criação de jogos no estado

a cada encontro vem tornando-se mais frequente ao ponto que o público visitante passou a dividir seu interesse entre o jogo editado e o experimental e, surpreendentemente, em uma edição realizada em 15 de julho, a jogatina com os projetos superou a procura pelos jogos publicados por editoras. Não é à toa que a Paraíba aparece entre os estados com maior número de projetos em andamento, com temas e propostas bem diversificadas. Seguindo a linha dos paraibanos, porém já buscando promover eventos exclusivos para protótipos, os estados do Rio Grande do Norte e Ceará já começam a apresentar projetos. Mesmo assim, para o designer Bruno Carvalho, diretor da Legião Jogos, em Teresina-PI, há muito que andar ainda, principalmente na logística com fornecedores, materiais e componentes. Para Carvalho, pesa financeiramente o desenvolvimento e expansão da produção de BGs “Made In Nordeste” e ele crê que a

saída em longo prazo seria a união dos desenvolvedores, editoras e segmentos relacionados em uma estrutura centrada em polos como Recife ou Fortaleza. Quanto aos jogos desenvolvidos ou em desenvolvimento, Mário Silva, criador de jogos em Pernambuco, aposta que jogos leves, como os chamados “party games”, ou considerados médios, sem muita complicação de componentes, são os mais viáveis e com maiores chances de serem publicados, graças a atual conjuntura da região. Admirador do trabalho consagrado do desenvolvedor paulista Marcos Macri, ele adota sua linha de pensamento, pois entende que um jogo deve ter o objetivo de levar diversão para a casa das famílias, com valor o mais barato possível. Apesar de todas as questões levantadas, todos os desenvolvedores são unânimes quanto a não se deixarem abater pelos problemas e defendem que ninguém deve desistir de seus pro-

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Foto: Tendson Silva

}38 Designers na mesa Classificados por estados, eles estão pondo a mão na massa e criando jogos Nordeste afora.

Bahia Fabricío Caixeta e Rodrigo Sampaio Ceará Luiz Reis, Rômulo Jardim e Igor Campos Maranhão Claudia Gaspar, Carolina Sattie e Rômulo Pacheco

Merovingeos, do norteriograndese Tiago Luna, foi um dos projetos desenvolvidos no Nordeste que recebeu atenção no Concurso da Papaya Editora

PROJETOS

} RN

Aventuras Ancetrais Empreendedorama* Futebol Jogos da Fábulas* Merovingeos 6 Pandora* Sentinelas & Invasores

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Spatótipo

jetos em detrimento das barreiras que vão surgir. Se há uma ideia na cabeça, não tenha receio, ponha no papel, faça do seu jeito, assim aconselham todos. O fundamental é saber que a região está ativa, desenvolvendo jogos, gerando desenvolvedores, buscando qualificação e confiante que em pouco tempo estará oferecendo ao mercado nacional jogos tão interessantes quanto os oferecidos pelo mercado externo, um sinal visível de que em pouco tempo estaremos testemunhando um “boom” produtivo regional, justamente no aumento do esforço de dar ao protótipo o seu devido valor. O que acontece no Brasil e na região Nordeste, em especial, é o mesmo caminho trilhado por desenvolvedores em países como Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, que passaram por um reflexo semelhante antes de alcançar o amadurecimento final. O que se presencia na verdade é o princípio do amadurecimento do jogo de tabuleiro nacional para que ele possa, enfim, ter seu lugar na estante.

Paraíba Bruno Elias, Felipe Hadley, Geraldo Melo, Hélio Cruz, Julio Cesar, Juliana Galindo, Matheus Andrade e Nielison Brito Pernambuco Andre Nascimento, Álvaro Botelho, Caio Lima, Cristiano Marques, Danilo Borges, Esdras Moura, Eurick Dimitri, Igo Colares, Pablo Colares, Pablo Henrique, Ricardo Amaral, Roberto Pinheiro e Otávio Sousa Piauí Bruno Carvalho, Pablo Ribeiro e Francisco Dourado Rio Grande do Norte Diego Azevedo, Diogo Cordeiro, Flávia Barreto, Hélio Farias, Rubens Lage eTiago Luna


Home page Contrariando tudo e todos, eles decidiram que era a hora de apostar nos seus projetos e virar a mesa numa ação...

FORA

DA CURVA

Foto: Mario Silva

V Mario Silva , criador do divertido Uga-Uga Bufapum, acabou conhecendo a ferro e fogo os trâmites da produção e afirma que não pensa em parar.

amos trabalhar com a imaginação. Imagine que você gosta de jogos de tabuleiro. Porém, em algum momento, olhando aquele jogo que você curte bastante, você já tenha pensado... Ah se eu tivesse criado esse jogo! De repente, as ideias fluem na mente e como uma paixão a primeira vista, você se depara colocando suas ideias num papel e não demora seus rabiscos logo se tornam um protótipo. Ora, neste momento você acaba de torna-se um desenvolvedor de jogos e com ele, está à determinação de transformar o fato em feito. Empreender e ousar são com certeza as palavras mais usadas pelos desenvolvedores que migraram do fato e decidiram encarrar os processos de produção, e pelo feito, pôr seus jogos de forma independente na mesa. O Pernambucano Mario Silva, idealizador por jogo Uga-Uga Bufapum saiu da teoria para a prática e de imediato sentiu a dificuldade de entender o mercado. A experiência de publicação independente esbarrou no desconhecimento dos custos de produção. Encarar essa realidade surpreendeu, principalmente pelos valores, bem acima do que se imagina e também pelas cobranças em torno da qualidade do produto final. No entendimento do desenvolvedor, é exigida uma qualificação idêntica, aos

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Spatótipo

Foto: Qi mais 4

produtos produzidos no exterior para só depois se analisar o conteúdo, apegandose muitas vezes a preciosismos de certa maneira até fúteis. Porém, o decepcionante é alcançar o padrão material esperado e não receber o reconhecimento do esforço empenhado. Tudo que foi vivenciado durante o processo de produção do Uga-Uga acabou servindo de aprendizado e amadurecimento para Mario, que não pensa em parar, já que agora conhece os caminhos a serem seguidos. O jogo também ajudou a despertar a compreensão que o objetivo não é fazer um jogo para agradar um grupo especifico, mas fazê-lo para ser uma fonte de lazer, interação e diversão. “Na minha opinião e na opinião de quem joga o Bufapum, todos estes requisitos são atendidos e vejo que ele encontra seu público naturalmente e na grande parte não é o adepto do board game, mas o jogador que quer diversão. São eles quem mais reconhecem o valor do jogo”, concluiu Mario. Partir para sua própria editora, foi à saída encontrada por Bruno Carvalho, Camila Sampaio e Pablo Lopes. Juntos, fundaram a Legião Jogos, em Teresina -PI. A editora publica o Scippio, um card game de set collection e blafe que recebeu elogios, pela beleza das ilustrações e jogabilidade nos canais de internet Direto ao Ponto e Tabula Quadrada, especializados em board game. A proposta de criar a Legião partiu da dificuldade sentida em entrar no mercado e de quebrar a barreira entre editoras em relação aos desenvolvedores pouco conhecidos. Principalmente para quem esta no chamado “fora do eixo” do mercado, que envolve os estados onde a produção de BG’s já tem certa estrutura. “A ideia inicial era tentar produzir outro projeto, porém, desde o inicio eu tinha noção que não conseguiria faze-lo

Sócios na empresa QI+4, os desenvolvedores Flávia Barreto e Rubens Lages, já produzem jogos reconhecidos no Rio Grande do Norte. Agora eles focam em outra faixa de público com o lançamento do party game 6 Pandora.

com recursos próprios. Então havia dois caminhos, procurar as editoras e tentar vender o jogo, daí a barreira, ou fazer um financiamento coletivo, mas logo estudei as possibilidades e entendi que quem vende o financiamento é o autor e não o jogo. Um cara desconhecido se aparecesse com um financiamento coletivo do nada, teria grande chance de fracassar. A decisão, então, foi elaborar um jogo menor, que antecedesse o projeto principal, para inicialmente projetar-me e a editora. Foi então que veio o Scippio, um jogo que coube no meu orçamento e foi

100% bancado com recursos próprios”. Afirmou Bruno Carvalho. A questão relacionada à projeção do nome é defendida por outros desenvolvedores, como um dos caminhos necessários para chamar a atenção de editoras consagradas em relação ao autor nacional de jogos. Azellij é um jogo abstrato, idealizado por Rodrigo Sampaio e que também recebeu elogios pela qualidade e a jogabilidade que se propõe. O jogo é produzido de forma artesanal e comercializado sob encomenda pelo selo experimental ZUZU Board Game. Segundo Sampaio, a produção inde-


NO CARRINHO // Uga-Uga Bufapum

Empresa: K&M Jogos Contato: (81) 97937.7162 Valor: R$ 130,00

Empreendedorama

Empresa: QI+4 Contato: (84) 98845.8448 Valor: R$ 100,00

Foto: Pablo Lopes

Azzelij

Bruno, Camila e Pablo decidiram fundar, em Teresina-PI, a Legião Jogos e com ela lançaram card game Sccipion. Agora a editora quer alçar voos mais ousados com a produção de dois board games, um deles, o Eleições 20XX.

O baiano Rodrigo Sampaio produz sob encomenda o seu Azzelij

pendente não deve ser encarada como um custo, mas um investimento que no momento certo dará o resultado esperado. “É um caminho longo e tem que está disposto a fazê-lo e enquanto se caminha vai se colhendo os pequenos frutos do que se plantou”, disse. Empreender e colher os resultados é com certeza a ideologia adotada pela dupla Flávia Barreto e Rubens Lages, ambos, residentes em Natal-RN e desenvolvedores dos jogos Empreededorama, Jogo das Fábulas e o 6 Pandora. Trabalhos publicados pela empresa desenvolvedora QI+4. Decidido a mudar

Empresa: Zuzu Board Game Contato: (71) 98213 - 1319 Valor: R$ 85,00

SCCIPIO

Empresa: Legião Jogos Contato: (86) 99999.5869 Valor: R$ 65,00

Jogos da Fábulas

Empresa: QI+4 Contato: (84) 98845.8448 Valor: R$ 20,00

de rumo, o engenheiro civil, Rubens ingressou no projeto Empretec do Sebrae que visa desenvolver as habilidades empreendedoras e fomentar o surgimento de iniciativas de negócio. Durante o curso teve que idealizar um produto para vender e não estava disposto a partir para as iniciativas de vendas de salgados ou doces, como a maioria dos colegas. Foi durante um final de semana com o irmão de 9 anos que ele decidiu comprar um joguinho de cartas e percebeu que o jogo auxiliou bastante o irmão a trocar os cálculos feitos com os dedos por cálculos de cabeça.

Foto: Rodrigo Sampaio

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INDEPENDENTES // Alta ou baixa tiragem, não importa. Os selos independentes estão buscando seu lugar ao sol e se caraterizam pelo pioneirismo de suas ações.

Sediada em Recife-PE Fundada em 2016 por Mario Silva e Karine

Sediada em Teresina-PI Fundada em 2016 Por Bruno Carvalho Camila Sampaio e Pablo Lopes

Sediada em Natal-RN Fundada em 2017 por Rubens Lages

Sediada em Salvador-BA Fundada em 2016 por Rodrigo Sampaio

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Spatótipo

“A versatilidade do jogo ficou martelando na minha cabeça e isto me fez decidir criar um jogo. Estudei mecânicas, contratei um ilustrador e em pouco tempo estava com o trabalho pronto, assim nasceu o Jogo das Fábulas, voltado para crianças e que tem a matemática como ferramenta lúdica. Logo emplacou nas escolas e motivou a criar outro, o Empreendedorama, voltado para um publico infanto-juvenil e adultos empreendedores, ambos publicados com recursos próprios”, afirmou Rubens. Pouco tempo depois, veio a parceria com a amiga Flávia Barreto, administradora que trabalhou em varias atividades, parte delas na educação infantil, o que facilitou o afinamento de ideias com a QI+4. A inclusão da Flávia na empresa

Grow e Estrela começaram a perder terreno para novas como a Galápagos Rubens Lages

aconteceu em 2016 e ampliou as propostas de criação de outros projetos de jogos. A principio, o foco da empresa é desenvolver jogos voltados à diversão e que possa atingir qualquer público, não somente quem joga board game, mas inserir pessoas que não tinham contato algum com jogos de tabuleiro. Esta aproximação com os jogos serviu para atentar para os board games e assim, começaram a participar de eventos ligados ao hobby. Os jogos não empolgaram por serem simples demais e não ter o perfil dos jogadores, porém, o fato de conhecer este universo fez perceber o crescimento deste tipo de jogo e o tamanho

do mercado a ser desbravado, foi então que Flávia veio com a proposta do 6 Pandora, um party game produzido com recursos próprios e que pouco depende do fator sorte. Onde o objetivo é buscar cativar o publico através da estratégia e do blefe, com partidas que duram no máximo vinte minutos. “Percebemos através de testes, que o jogo se ajustou bem ao perfil dos jogadores de board game e decidimos publicá -lo sem nenhum financiamento externo, com tudo saindo do nosso bolso e muito trabalho para que possamos cobrir os gastos que não é fácil. Recentemente conseguimos ter o apoio de consultoria, porque somos encubados no ITNC do IFRN e eles nos apoiam em cursos e até na procura de designers”. Ressalta Flávia. O que a QI+4 entende é que há um aumento visível pelos jogos de tabuleiro no Brasil, principalmente nos últimos 2 anos, tanto que produtoras tradicionais como a Grow e a Estrela começaram a perder terreno para novas como a Galápagos. E isto, no pensamento da empresa potiguar, está obrigando-as a expandirem para outros títulos, além dos tradicionais, já explorados. Na visão de Rubens, em longo prazo é bom para os jogadores e poderá abrir portas para novos autores. Para a dupla, lançar um jogo por conta própria pode parecer inicialmente desvantajoso devido às dificuldades, principalmente de desconhecimento do público, no entanto, o que deve ser levando em conta como ponto positivo, é o fato de estarmos chegando à frente dos concorrentes nesse mercado. Atualmente, mesmo já comercializando seus jogos em Natal e Mossoró, eles estudam a possibilidade ir além e planejam lançar outros projetos, todos direcionados a uma fatia do público mais adulto, dois deles em RPG e um jogo com uma trama bem “Dark”.


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Foto: Pixabay.com/MorningbirdPhoto

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Foto: Bruno Carvalho

Bruno Carvalho

PI

DESENVOLVEDOR

P

ernambucano, filho de maranhense, casado com uma cearense e morando no Piauí, essa miscigenação de estados e culturas foram os ingredientes que moldaram a personalidade criativa de Bruno Carvalho de Paula, 32 anos e formado em Administração de Empresas com MBA em Gerenciamento de Projetos. Servidor público do Estado do Piauí é um boardgamer relativamente recente, tendo começado sua história nos jogos analógicos por meio do RPG. Seu interesse por game design nasceu nos sistemas de interpretação, e foi somente no segundo semestre de 2016 que ele decidiu começar a criar jogos de tabuleiro. Seu gosto transita entre euros e ameritrashes, e apesar de já ter se divertido muito com partidas daqueles jogos de 6-8 horas, hoje prefere jogar jogos mais rápidos e leves. Os três jogos que compõem seu portfólio criativo de sua nascente empresa, a Legião Jogos, variam entre o levíssimo filler e o nível médio de complexidade.

Contatos: www.legiaojogos.com.br facebook/legiaojogos 55 (86) 98843-1595

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Fotos: Bruno Carvalho

BRUNO CARVALHO

Trama: Ficção

Estilo: Card Game

Na mesa: 3 - 5 jogadores

Tempo médio: 15 - 30 min.

Mecânicas: Deck Building, coop, push your luck e secret unit placement

Nibiru Menace Em um futuro próximo, o planeta Nibiru, que se pensava ser apenas uma lenda, foi descoberto. Pior ainda, ele está em rota direta de colisão contra a Terra! As maiores potências do mundo se unem para construir uma bomba nuclear forte o suficiente para desviar a órbita do planeta e salvar a Terra. Porém, entre as potências pode haver alguma que resolva abandonar seus pares e construir naves-colônia para fugir deste planeta e tentar sobreviver colonizando outro mundo. Você ajudará a salvar a terra ou a abandonará?

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Bruno Carvalho

Trama: Politica Tempo médio: 70 - 90 min.

Estilo: American game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Card Drafting, Take That, Manipulação de Sorte

Eleições 20XX Eleições 20XX é um boardgame competitivo onde cada jogador controla um candidato disputando uma eleição fictícia. O jogo imerge os participantes no clima eleitoral, trazendo a tona todos as situações de uma campanha politica. No dia da eleição, o candidato que possuir mais votos ganha a disputa. Ao contrário das disputas eleitorais na vida real, aqui os candidatos vão usar todas as armas possíveis: calúnia, compra de votos, coação, abuso de poder... mas vão negar tudo, obviamente. Não fique fora desta disputa!

Trama: Aventura

Estilo: American Game

Na mesa: 4 - 8 jogadores

Tempo médio: 90 - 100 min.

Mecânicas: Gestão de mão, tabuleiro modular, force sua sorte

Caçadores de Artefatos Os Caçadores dos Artefatos é um board game competitivo para 4 a 8 pessoas. Cada jogador representa um arqueólogo viajando pelo mundo em busca de pistas para encontrar artefatos de civilizações antigas. Durante o jogo, você pode tentar agir sozinho ou pedir a ajuda dos outros jogadores, mas com o cuidado de não ajudar demais ou o outro arqueólogo poderá encontrar os artefatos graças à sua pesquisa!

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Foto: Felipe Hadley

Felipe Hadley

PB

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Spatótipo

DESENVOLVEDOR

G

raduado em Design Gráfico na faculdade Estácio Idez, atualmente exercendo a função de Designer Gráfico e Game Designer na Editora Grafset. Eu entrei no mundo dos jogos analógicos aos 14 anos, jogando RPG, até conhecer os board game em 2012 Estimulado pela novidade desenvolveu pela Editora Grafset o jogo Esquadrão da Saúde – Jogo de Tabuleiro que tornou-se ferramenta educativa lúdica na luta contra o mosquito da Dengue. Após a publicação deste jogo, voltei minhas atenções no desenvolvimento de novos projetos, como Theonorem que trata-se de um jogo de estratégia e combate, o Heróicos RPG, um Role-playing Game de super-heróis e o party game, Monges Agitaídô e mais recentemente o Meeplenautas, todos desenvolvidos para o selo Estallo Jogos, o estúdio de desenvolvimento de jogos analógicos no qual sou fundador, designer gráfico e game designer.

Contatos: www.legiaojogos.com.br facebook/legiaojogos 55 (86) 98843-1595


Fotos: J.Cesar

FELIPE HADLEY

Trama: Ficção

Estilo: American Game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Tempo médio: 45 - 60 min.

Mecânicas: Tileplacement, workplacement, gerenciamento de recursos e pickup delivery

Meeplenautas Meeplenautas é um jogo de exploração espacial, onde diversas missões interestelares vão à procura de novos planetas em nossa galáxia e trazer informações sobre eles. Cada jogador irá comandar uma tripulação com uma nave e seus astronautas e seu objetivo é encontrar novos planetas e quem conseguir mais Dados, Amostras e Visitar mais planetas em 12 meses vencem o jogo, porém eles terão de enfrentar inúmeras adversidades no espaço durante essa jornada incrível desbravando nosso cosmos.

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Felipe Hadley

Trama: Ficção Tempo médio: 60 - 80 min.

Estilo: American game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Movimentação, aquisição de cartas e itens.

Theonorem Trama: Aventura

Estilo: Party Game

Na mesa: 2 - 6 jogadores

Tempo médio: 30 - 40 min.

Mecânicas: Mimica, atuação e deckbuiling

Monges Agitaídô Num templo místico chamado Agi-tai-dô, pupilos de monges orientais se concentram num Dojô, para aprender os conhecimentos milenares das artes marciais. Após um longo período de estudos, eles são apresentados ao mestre superior do templo e deverão mostrar que agora são capazes de dominar o poder dos golpes secretos. Somente aquele que provar suas habilidades e o poder do golpe supremo Agi-tai-dô poderá ser tornar um dos mestres do templo.

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Spatótipo

No início dos tempos havia apenas um ser Supremo, ele era o único. Ele decidiu criar a existência e nela duas raças destintas a Caelest e a Noctu. Estes desceram a terra e geraram descendentes que tornaram-se reinos. Quando da criação, o ser supremo deixou para todos uma árvore e seus frutos eram repartidos para gerar prosperidade para todos. A busca pelo poder resultou em guerras e para evitar destruição o ser Supremo ergueu uma montanha, deixando no topo a árvore. Agora a cada ano cada reino envia seus melhores guerreiros que lutam para pegar o fruto e receber dele a prosperidade.


Foto: Geraldo Melo

Geraldo Melo

PB

DESENVOLVEDOR

P

rofessor e Designer do Instituto de Educação Superior da Paraíba (IESP) e formado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Geraldo Melo, iniciou sua dedicação aos jogos em 1992, após conhecer jogos de RPG, em Campina. Natural da cidade, foi a partir deste contato que passou a dedicar-se ao hobby, sempre com intuito de expandi-lo e socializá-lo, buscando adeptos para sua prática. Em 1998, já reconhecido como um dos propulsores do jogo narrativo em Campina Grande assumiu a coordenação do Encontro de jogadores RPG da cidade. Em 2006, mudou-se para João Pessoa (PB). Na capital paraibana, iniciou as articulações para a promoção do RPG e dos board games como cultura de entretenimento e interação social. Durante esta fase, movimentou o universo dos adeptos pessoenses organizando eventos como Table Day e Top Day. Atualmente é membro do conselho organizador do SPA dos Jogos.

Contatos: facebook/estallojogos/ 55 (83) 99312-1493

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Geraldo Melo Trama: Artes Na mesa: 2 - 4 jogadores

Estilo: Abstrato Tempo médio: 60 - 90 min.

Mecânicas: Aquisição de itens

Mondrian Piet Mondrian foi um dos mais renomados pintores modernos e seus trabalhos abstratos influenciaram a arquitetura e o design, como poucos artistas conseguiram fazer na história. Neste jogo, os jogadores são convidados a construir obras de arte inspiradas nele, homenageando um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos. Para isto, precisam criar áreas retangulares com alguns azulejos e assim formarem belos paineis modernos. No jogo, as áreas brancas fazem pontos para a aquisição de mais azulejos, enquanto as áreas coloridas contabilizam os pontos de vitória

Trama: Educação Tempo médio: 60- 80 min.

Estilo: Deck building

Na mesa: 2 - 5 jogadores

Mecânicas: Aquisição e descarte de cartas

Crestomatia Crestomatia se origina do Grego khrestos ‘’útil’’ com a palavra mathein ‘’saber’’ e refere-se a uma coletânea de trechos literários escolhidos de uma obra de um ou mais autores. Este é um jogo de formação de palavras, que se orienta por uma estrutura building. Neste jogo, cada jogador deve obter 4 cartas de livro, onde cada carta de livro somente pode ser obtida se o jogador conseguir escrever uma palavra da lista especifica de 10 palavras contida naquele livro. Para poder escrever as palavras os jogadores precisam conquistar novas letras, porém, para conquistar letras os jogadores precisam escrever palavras e pontuar convertendo esta pontuação em novas letras

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Spatótipo


Foto: Helio Cruz

Helio Cruz

PB

DESENVOLVEDOR

C

ursou história até o sétimo período e desistindo da graduação para ser dedicar ao curso de publicidade e propaganda no qual se diz apaixonado e identificado. Embora não tenha concluído história, este paraibano de Campina Grande, recenhece que foi fundamental para suas criações de jogos temáticos. Conheceu os jogos de tabuleiro através de eventos destinados aos amantes do RPG. Foi nestes encontros de jogadores de RPG que acabaram lhe influenciando na construção de conceitos e ideias para o desenvolvimento de boardgames. Deste 1999 trabalho Helio Cruz trabalha com ilustração e como profissional desta área já chegou a produzir inclusive desenhos animados para o segmento publicitário televisivo, além de trabalhos pessoais em concursos destinado a esta arte. Helio se considera um desenhista e animador, decidindo conciliar sua profissão ao hobby que mais gosta partiu para o desenvolvimento do seu primeiro jogo e acredita que em curto prazo estará dando andamento a outros projetos.

Contatos: heliocruzdesenhos@gmail.com 55 (83) 9 8640-8581

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HELIO CRUZ 42

Spatótipo

Trama: Aventura Tempo médio: 30 - 45 min.

Estilo: Eurogame

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Aquisição de itens e cartas, movimentação de peças

Cangaceiros Um jogo que tem como temática a vida criminosa dos bandos de cangaceiros que assolavam os sertões nordestinos onde saquear e ficar com fama de bando mais procurado é os objetivos para se tornar o rei do cangaço. O jogo tenda também mostrar avida sofrida que tais bando levavam com falta de agua munição e homem para se unir a causa do cangaço. Um jogo cheio de emoção e perigos onde a todo tempo outros bando tendam roubar suas conquistas e uma volante (policia) que esta sempre querendo acabar com seu bando que pode a qualquer momento deixar de existir. Os Cangaceiros: Heroís e Vilões é um jogo para quem gosta de muita emoção e aventura, Sentir a todo momento o perigo na veio de um cangaceiro, a coragem será seu sobrenome neste jogo.


Foto: Patricia Santos

Julio Cesar

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DESENVOLVEDOR

J

ornalista formado pela UEPB e especialista em designer de impressos pela FIP. Foi ilustrador e cartunista com publicações em vários jornais como os Diários da Borborema-PB, Natal-RN e Pernambuco-PE, além de O Norte e A Palavra, ambos da Paraíba, O Poty-RN, Imparcial-MA e Jornal do Commércio-RJ, Revista Imprensa-SP e Resenha Esportiva-PE. Atualmente compõe a coordenadoria de Comunicação da UEPB. Como artista plástico e artesão costumava fabricar brinquedos artesanais e entre eles jogos clássicos de tabuleiros como Xadrez e Bancos Imobiliários personalizados apenas para seu ciclo de amizades. Em 2014, foi desafiado por um amigo a criar um jogo a partir do zero, elaborando regras e tornando o jogo uma realidade, assim, surgiu Mestres de Harhena, seu primeiro projeto e com ele veio também a aproximação com o universo dos jogos de tabuleiro modernos. Desde então, tem como hobby, desenvolver e promover a cultura dos jogos experimentais de tabuleiro no Nordeste.

Contatos: www.caixapostal713@yahoo.com.br 55 (83) 99629-9522 98671-0904

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JULIO CESAR 44

Spatótipo

Trama: Esporte

Estilo: Party Game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Tempo médio: 15 - 30 min.

Mecânicas: Gestão de mão, dedução, forçe sua sorte e movimentação de tiles

Futreta Estádio lotado, torcidas em festa... Trila o apito, começa o espetáculo! Assim é Futreta. Um divertido jogo de futebol, onde o participante assume a função de treinador de uma equipe de futebol com o objetivo de obter a vitória. Para isto, precisar escalar bem seus jogadores e elaborar os melhores lances que possam resultar em jogadas decisivas para seu time. Vibre e surpreenda seu adversário articulando suas ações em campo. Fique atento as decisões da arbitragem, conquiste lances especiais e tome cuidado com o fator extra-campo que possa influenciar no desenrolar da partida. Acumule pontos para balançar as redes e fazer a alegria de sua torcida, grite “Treta!” quando desconfiar da atitude maliciosa de seu adversário acompanhe minuto a minuto o avanço do cronômetro e deixe o estádio com a certeza da vitória. Afinal, a vitória de sua equipe depende de sua astucia no gramado!


Julio Cesar Trama: Aventura Tempo médio: 40 - 45 min.

Estilo: Cooperativo

Na mesa: 2 - 3 jogadores

Mecânicas: Manipulação de dados, uso de cartas e aquisição de itens

Resgate Após capturar uma estranha criatura alienígena, o Exército Brasileiro, convenceu o alto comando e o governo a construir um complexo militar secreto para a realização de experimentos biológicos visando colocar o Brasil no topo das armas químicas do século 21. No entanto, uma sabotagem no complexo obrigou a uma evacuação emergencial, porém, o que ninguém esperava era que o cientista responsável pelo projeto e os componentes capazes de deter uma infestação de monstros ficasse preso no local junto com um grupo de remanescentes. Agora eles precisam unir forças para escapar e ainda auxiliar os militares no resgate do cientista. Derrote os monstros e recupere os componentes O mundo depende desta equipe!

Trama: Ficção

Estilo: American Game

Na mesa: 2 - 6 jogadores

Tempo médio: 45 - 80 min.

Mecânicas: Gestão de mão, tabuleiro modular, force sua sorte

Mestre de Harhena Após um cataclisma ecologico, seres do planeta Harhena decidiram investir em conhecimento e após um logo tempo de entendimento sobre os misterios da vida e da morte. Decidiram deixar seus conhecimentos numa amuleto onde realização um torneio mortal para que guerreiros de varias civilizações possam obter todo o conhecimento dos harenatos adquiriram ao longo de sua evolução como raça.

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Foto: Luiz Reis

Luiz Reis

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DESENVOLVEDOR

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ame Designer por profissão, formado em Jogos Digitais e Especialista em Animação Gráfica e Jogos Eletrônicos. Luis Reis, atua a 5 anos lecionando sobre o desenvolvimento de jogos em diversos setores públicos e privados para os mais diversos fins. Organizador dos mais diversos eventos voltados tanto ao desenvolvimento de jogos, quanto por pura diversão, sejam eles analógicos ou digitais na cidade de Fortaleza. Em 2009, após uma fase de jogos digitais, voltou aos board games quando se associou ao Joga Fortal (grupo de jogadores de jogos de tabuleiro). Seguindo então a integrar diversos outros grupos na capital cearense, de lá pra cá, somente foi aprimorando os conhecimentos dentro dos outros segmentos que não somente o game design voltado aos jogos. Tem como foco os “serious games”. Porém, gradualmente inicia sua aventura no meio dos jogos lúdicos.

Contatos: luperepi@hotmail.com 55 (85) 85 98551-6625


LUIZ REIS

Trama: Aventura Tempo médio: 30 - 45 min.

Estilo: Take That

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Aquisição e descarte de cartas

Invocadores Em um universo em que as pessoas aprenderam a invocar seres mitológicos, você passa a disputar aliados para formar a equipe de maior poder antes que seus oponentes o façam. Podendo utilizar-se das mais diversas artimanhas para atrasa-los e facilitar as suas combinações. O jogo em si é um “take that” com “set collection”, em que todo o jogador tem o mesmo acesso a todas as ações e possibilidades de cartas do jogo fazendo com que o fluxo do jogo, se dê com os próprios jogadores debatendo formas de impedir os outros a completar seus objetivos. Inicialmente para fazer parte do universo do jogo as mitologias nórdica, grega e egípcia, estão inseridas, por serem as de maior conhecimento popular, porém, o jogo permite abertura para as mais diversas mitologias existentes nas culturas do mundo.

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Foto: Mario Silva

Mario Silva

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DESENVOLVEDOR

M

ario Sérgio R. da Silva, 42 anos, militar, nascido em Brasília, mas, radicado há 6 anos em Recife (PE). É um adepto apaixonado pelo universo dos board games, entretenimento que somente conheceu e passou a ter como hobby justamente quando decidiu residir na capital pernambucana. Participante do SPA dos Jogos de 2016, realizado em Campina Grande. Mário Silva teve a oportunidade de apreciar a exposição e testes dos jogos experimentais apresentados durante o evento. Idealizador e considerado um curioso nato, já desenvolvia sua proposta de jogo de tabuleiro, mas, foi somente após o SPA que se tornou determinado a confecciona-lo. Atualmente é um dos proprietários da K&M Jogos, no qual vem se dedicando para o fortalecimento da marca. A editora lançou o Uga-Uga Bufapum e planeja alçar novos voos a partir de 2018.

Contatos: facebook.com/kmmarios/ 55 (81) 99793-7162


MARIO SILVA

Trama: Aventura Tempo médio: 40 - 60 min.

Estilo: American Game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Aquisição de itens e rolagem de dados

Vulcânea Planet Estamos há 60 anos-luz do planeta Terra em um exoplaneta totalmente coberto por mares e um gigantesco continente composto terrenos ricos em ouro, florestas, montanhas e no centro de tudo um imenso vulcão. Nele, há quatro aldeias, onde cada uma possui um tipo de pedra mágica diferente. Elas representam fogo, água, floresta e ouro. Essas pedras, além de ter o poder de ressurreição, juntas, impedem também que a Deusa adormecida do vulcão desperte e numa erupção destrua toda a ilha e seus moradores. Agora se aproxima o termino do descanso da Deusa, logo, se faz necessário que novas pedras sejam oferecidas na área do vulcão para que o tão temido fim seja evitado. Assim, toda a harmonia é quebrada e surge uma disputa pelo controle da ilha. Pois a aldeia que conseguir levar sua pedra mágica juntamente com as das outras aldeias para o vulcão, comandará a ilha até o próximo despertar. Que comecem a disputa, pois o tempo está acabando!!!

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Foto: Ricardo Amaral

Ricardo Amaral

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DESENVOLVEDOR

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rofessor da UFPE, licenciado em Física e Mestre em Ensino das Ciências, Ricardo Ribeiro do Amaral, 42 anos, é pernambucano e reside em Recife. Coordena o site “RPG na Escola”, no qual apresenta seus estudos sobre o uso do RPG e dos board games aplicados à Educação, inclusive com um livro já publicado com o título de “RPG na Escola: aventuras pedagógicas”. Conheceu os board games modernos em 2010 com sua primeira aquisição, Colonizadores de Catan. A partir de então, apaixonou-se cada vez mais por esse hobby, frequentando a antiga “ilha do Tabuleiro” e, posteriormente, a Ludopedia. Recentemente, tem buscado espaço como designer de jogos com o desenvolvimento do seu primeiro jogo, motivado pela inexistência de jogos euros mais pesados desenvolvidos por e para o mercado nacional. A sua intenção, enquanto designer, é que seus jogos possam ensinar alguma coisa enquanto se joga.

Contatos: www.rpgnaescola.com.br amaral_rr@yahoo.com.br 55 (81) 9211-7606 9899.3176


RICARDO AMARAL

Trama: Ficção Tempo médio: 120 - 180 min.

Estilo: Eurogame

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: Aquisição de itens, alocação de unidades, rolagem de dados, obtenção de cartas

Luna Maris Num futuro próximo, com o desenvolvimento de tecnologias mais modernas e o esgotamento dos recursos minerais da Terra, vário países criaram uma força-tarefa com o objetivo de enviar equipes de cientistas à Lua. Sua missão: iniciar a exploração de minérios com alto grau de pureza e ricos em elementos químicos devido à alta exposição aos raios solares. Em Luna Maris, cada jogador é o chefe de uma das colônias desenvolvidas, precisando mantê-la sustentável e ao mesmo tempo desenvolver pesquisas, extrai minérios e construir equipamentos tecnológicos avançados. Ao final de 112 dias na Lua, divididos em oito rodadas, a colônia que obtiver maior lucro é a grande vencedora.

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Foto: Roberto Pinheiro

Roberto Pinheiro

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DESENVOLVEDOR

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ascido e criado em Recife, Roberto Pinheiro, 31, é Doutor em Ciência da Computação pela UFPE. Apesar de jogar RPG desde 1998, Roberto conheceu os jogos de tabuleiros modernos apenas em 2010. A empolgação com o mundo dos tabuleiros modernos era tanta que tentou criar seu primeiro jogo em 2011. Sua inexperiência foi seu maior inimigo e terminou abandonando o projeto. Retomou seu espírito de game designer apenas em 2013. Desde então, tem investido parte do seu tempo na criação de seus jogos. Mais recentemente, em Fevereiro de 2017, iniciou seu blog chamado PinheiroBG com enfoque em game design. O blog conta com mais de 70 postagens sobre diversos tópicos, desde lições aprendidas à elaboração de protótipos. Atualmente, Roberto possui 7 jogos finalizados, alguns projetos engavetados e vários outros em diferentes estágios de desenvolvimento.

Contatos: roberto@pinheirobg.com www.pinheirobg.com 55 (81) 99672-4923


ROBERTO PINHEIRO

Trama: Aventura

Estilo: Eurogame

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Tempo médio: 60 - 90 min.

Mecânicas: Rolagem de dados, eu separo e você escolhe, gerenciamento de recursos e coleção de componentes

Teotihuacã Todos ficaram quietos; depois decidiram morrer para assim dar a vida ao Sol e à Lua. Foi o Vento que os matou e que em seguida começou a soprar, fazendo deslocar primeiro o Sol e mais tarde a Lua. Por tudo isto é que o Sol nasce durante o dia e a Lua mais tarde, durante a noite. Esta é Teotihuacã, o berço dos Deuses.” Em Teotihuacã, cada jogador é um arquiteto construindo sua própria Pirâmide. O objetivo é se tornar um mestre construtor e erguer a Pirâmide da Lua. No jogo cada jogador ficará responsável pela sacola de dados. Durante uma rodada, o jogador com a sacola deverá pegar três dados por jogador da sacola, rolar todos estes dados e dividi-los em grupos igual à quantidade de jogadores. Assim, começando pelo jogador à direita de quem dividiu, e seguindo sentido horário, cada jogador escolhe um grupo de dados. Deste modo, o último grupo ficará para o jogador que separou os dados. Cada jogador usa cada um dos dados selecionados como ação ou como bloco para sua Pirâmide. Quando a sacola esvaziar, todos os dados descartados até o momento são colocados novamente na sacola e um evento ocorre. O jogo termina quando algum jogador finalizar sua Pirâmide ou a sacola esvaziar quatro vezes.

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Roberto Pinheiro

Trama: Aventura Na mesa: 1+ jogadores

Estilo: Eurogame Tempo médio: 60 - 90 min.

Mecânicas: Rolagem de Dados, Gerenciamento de Recursos,

Coleção de Componentes, Papel e Caneta.

Teotihuacãzinho Cada jogador é um arquiteto construindo uma pequena Pirâmide em Teotihuacã. Seu objetivo é fazer a melhor Pirâmide. O jogo termina quando qualquer jogador finaliza sua Pirâmide ou ao final da décima quarta rodada. Vence o jogador com mais pontos nos objetivos cumpridos que estejam marcados em sua ficha, Eventos vencidos durante a partida e conjuntos de números na sua Pirâmide. Durante uma rodada, são rolados oito dados e cada jogador escolhe três dados para utilizar. Cada dado pode ser usado como Ação, que depende da cor do dado, ou como Bloco, para construção da sua Pirâmide.

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Trama: Arte Tempo médio: 10 -20 min.

Estilo: Abstrato

Na mesa: 2 jogadores

Mecânicas: Colocação de Peças, Movimento em Grades, Pontos de Ações e Reconhecimento de Padrões

Circulando Em circulando os jogadores jogam Peças com semicírculos para compor um tabuleiro modular composto por vários círculos. Cada Peça jogada garante Pontos de Movimento ao jogador, que poderá mover suas Peças entre círculos adjacentes, visando atingir seu objetivo. O objetivo de Circulando é conseguir ter três círculos da sua cor formando uma linha ou coluna e cada uma de suas peças sobre cada um desses círculos. Entretanto, é mais difícil do que parece, pois o jogador só recebe Pontos de Movimento jogando Peças que beneficiem o oponente, isto é, formem círculos da cor adversária. Durante um turno de Circulando, o jogador simplesmente joga uma das duas Peças que possui na mão, realiza seus movimentos com suas Peças e saca uma nova Peça para permanecer com duas Peças na mão. Circulando é um jogo rápido e que requer bastante atenção, pois qualquer jogada mal executada poderá causar sua derrota.


Foto: Juba Morais

Rodrigo Sampaio

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odrigo Sampaio Rodriguez é formado em Comunicação Social com MBA em Gestão e atua como Gerente de Planejamento de Logística. Iniciou as atividades de design de jogos como uma extensão natural do seu interesse por board games modernos, desde o início de 2015. Como boardgamer suas preferências claras são os jogos de estilo Europeu de média complexidade, com duração de até 2 horas. No entanto, a sua preferência de jogos não limita seu desenvolvimento para um estilo apenas, tanto que lançou de maneira independente Azellij, um jogo abstrato onde a atenção é estratégia é o principal ingrediente. Seu principal lema como desenvolvedor é “Se a experiência de jogo que você planejou for percebida pelos jogadores com um grau satisfatório de imersão no jogo e no tema, seu objetivo de design foi atendido, seja em um jogo pesado e demorado, seja num party game festivo”.

Contatos: rodrigo@sampaiorodriguez.com.br 55 (71) 8213-1319

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Rodrigo Sampaio

Trama: Aventura Tempo médio: 60 - 90 min.

Estilo: Eurogame

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Mecânicas: leilão e gerenciamento de recursos.

Oktober Trama: Arte

Estilo: Abstrato

Na mesa: 2 jogadores

Tempo médio: 30 - 40 min.

Mecânicas: Rolagem de dados, alocação e movimentação

Daisu Origami Em Daisu Origami os dados de cada jogador representam dobraduras, espalhadas pelo papel base de origami que é o tabuleiro central. Ao conseguir completar todas as dobras de um Origami. O jogador pontua conforme dificuldade de execução da dobradura. Há diferenciais nas movimentações: dobras mais simples (menores números) podem “cobrir” (pular) dobras mais marcadas (maiores números), para se posicionar melhor e fechar o Origami. Já as dobras mais marcadas podem “empurrar” conjuntos de dobras menores para melhorar seu trabalho. Cabe a cada jogador planejar bem suas movimentações para bloquear o adversário e pontuar!

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Em Oktober cada jogador controla um Mosteiro produtor de cervejas na Alemanha Medieval, tentando ser o mais bem sucedido produtor ao final da Oktoberfest agradando aos anseios dos Nobres e do Rei! A jornada de produção e venda começa em Dezembro e ocorre até fechar o ano. Os produtores disputam as melhores receitas de cerveja produzidas pela Abadia local e precisam planejar muito bem seus lances e recursos comuns para conseguir produzir as bebidas com melhores margens. É um jogo que exige bastante planejamento, conhecido como “frita mentes” pelos praticantes do hobby.


Fotos: Rômulo Jardim

Rômulo Jardim

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DESENVOLVEDOR

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ecnólogo em jogos digitais (Estácio) Especialista em Programação e Desenvolvimento de Games (Unichristus) Produtor de conteúdo web (o divulgador, heróis tunado) Professor de criação de jogos (UTD/ secitece) Game designer pelo estúdio de criação Me’nU e apoiador da cultura do desenvolvimento indie. E já são mais de 8 anos envolvidos no desenvolvimento de jogos tanto eletrônico quanto de tabuleiro, em 2009 enquanto cursava jogos digitais recebeu um convite para participar de um encontro de board games, onde a proposta era passar 48h seguidas jogando direto, e ao entrar em contato com os milhares de jogos e mecânicas variadas, fizeram com que uma paixão desperta-se tanto para jogar quanto para à criação e o desenvolvimento dos mesmos.

Contatos: romimrjc@gmail.com facebook/menuce/ 55 (85) 98898-5143

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RÔMULO JARDIM 58

Spatótipo

Trama: Aventura

Estilo: Card Game

Na mesa: 2 - 4 jogadores

Tempo médio: 30 - 45 min.

Mecânicas: Aquisição de cartas e gerenciamento de recursos

Wolflore Wolflore é um cardgame, com a temática sobre lobisomens e suas tribos, que tiveram sua história perdida ao longo dos tempos, massacrados pelos avanços da humanidade. Os jogadores encarnam o papel de descendentes deste povo antigo e com todas as suas habilidades irão disputar para reaver um poderoso artefato. Neste jogo, você irá ser responsável por unir guardiões e arautos das tribos, com o propósito de recriar o Totem da Sabedoria e, quem sabe, restaurar a glória dos Lobos. Com mecânica simples e fácil de ser aprendida, Wolflore é um excelente entretenimento para você e sua matilha. O jogo foi concebido na Game Chef game jam 2014, por Rômulo Jardim, Erika Sampaio e ítalo furtado que compunham o estúdio da Me’nU. Testado em diversos eventos em faculdades e escolas, e em encontros profissionais no FIND - Fortaleza Indie Games. O Wolflore é bem aceito, principalmente por jogadores casuais ou iniciantes no mundo do tabletop. Esperamos em 2017 realizar um financiamento coletivo para que as pessoas que realmente gostaram tenha mais esse jogo.


Foto: Pixabay.com/TheAndrasBarta

SPA dos Jogos

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Criatividade up

Caixinhas de

surpresas

O designer cearense Luiz Reis encarou o desafio de desenvolver um mini jogo de tabuleiro e apresentรก-lo no SPA. Tem como proposta o pocket Arena.

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Spatรณtipo


U

m desafio curioso motivou os desensurgindo inspirados no Desafio da Caixinha, volvedores de jogos que participaram numa prova concreta da aceitação por parte do Spatótipo, ocorrido na 2ª edição do dos designers da proposta. No total, houve SPA dos Jogos, realizado em Natal-RN. Ideaa proposta de produção de 15 projetos que lizado pelo designer Paraibano, Geraldo Melo, tiveram até o dia 20 de julho para ser confiro desafio lançado propôs que os designes promados, deste total, 50% já foi concluído, o que duzissem um jogo de tabuleiro que coubesse mostra o excelente resultado. numa caixa com tamanho de 8 cm² por 1,5 No geral são jogos simples, 75% deles cm de altura (4x4x15 cm). visavam crianças de 8 anos ou menos, com esO jogo deveria caber completo com comtimativa de tempo máximo de 30 minutos de ponentes e manual de regras, e ser apresenpartida. “O curioso é que alguns destes jogos tando na edição do encontro que ocorrerá nos foram produzidos em versões mais complexas dias 23 a 26 de novembro, em Alagoas. A ideia, e de forma independente e inclusive vendiexplica Geraldo, surgiu após observar uma dos. A produção é com certeza o maior desejo caixa de um doce chamado de quem desenvolve um Cocadinha da Bahia, que se jogo e isto ainda esbarra O Desafio foi encontrava sobre uma caixa em varias dificuldade Board Game. Conta ele, des, como domínio de fazer o pessoal que a cortesia açucarada foi técnicas e tecnologias por a massa levada por algum membro da direcionadas para este cinzenta para cidade de Salvador, para o SPA gênero de lazer. e após ser distribuída, restou Apesar de termos funcionar essa pequena caixa entre as um parque editorial grandes caixas de jogos,o que forte, ainda estamos dislhe chamou atenção. tante quando o assunto é produção de jogos Inicialmente, pelo fato de não gostar de de tabuleiro, no Nordeste, esta realidade é ter visto o item sobre os jogos. Porém, logo em mais dura. O aspecto positivo é que o desafio seguida, percebeu que também nunca havia fez com que muitas pessoas descobrissem visto uma caixa de jogos com tais dimensões. como produzir protótipos e até gerar pequeFoi então que decidiu sair pelo evento proponnas linhas de produção, isto é um passo imdo aos demais designers um desafio. portante para futuramente elaboramos jogos “O objetivo prático de criar o desafio foi totalmente nossos”comenta. fazer o pessoal por a massa cinzenta para funMelo, afirma que o desafio não consecionar e desta forma integrar mais os desenguiu traçar um perfil para o desenvolvedor da volvedores” citou. Ele admite que o ideal teria região, mas, possibilitou reconhecer que uma sido uma maior participação colaborativa, das mecânicas mais utilizadas foi a Press Your onde todo mundo pudesse opinar sobre o jogo Luck (force sua sorte), seguida por atuação de do outro, mas, crer que numa próxima oporrolar e mover. “Com exceção de uma de intunidade possa alcançar isto. terpretação, as demais são bem presentes em No entanto, ressalta que houve a produção jogos tradicionais. Talvez exista aí um resgate de vários jogos e que outros jogos acabaram com os jogos de infância.

Criatividade up SPA dos Jogos

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Fotos: Amaro Braga

DESAFIO DA CAIXINHA NÁUFRAGOS Trama: Aventura Estilo: Pocket Game Mesa: 1 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Rolagem e seleção de dados

AMARO BRAGA

U

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Nascido em Recife, Amaro Braga, 38, é sociológo formado pela Universidade Federal de Pernambuco em 2005. Amante e colecionador dos jogos de tabuleiro modernos é considerado uma das maiores referências regionais no estudo dos Board Games. Pesquisador dedicado e trabalha sua tese de pós-doutorado visando correlacionar o papel lúdico dos jogos no contexto social humano. Atualmente leciona na Universidade Federal de Alagoas e está sempre presente nos eventos que possam promover a consolidação e expansão dos Board Games no Nordeste.

Spatótipo

m navio naufragou e diversos grupos de pessoas cairam no mar. Conseguindo se socorrer em algumas boias, porém, avistando jangadas rústicas que se formaram com os destroços dos navios...Perceberam se elas mais seguras e muitos decidirem ir para cima delas, pois as boias não garantem que as pessoas não se afoguem ou morram por hipotermia. No entanto, aos tentam subir nas jandadas nem sempre são bem recebidos. Os sobreviventes estão deseperados e podem agir expulsando as pessoas que estão com as boias, Pior, quem esta no mar ainda pode sofre ataque dos terriveis tubarões famintos...E agora? Qual grupo conseguirá sobreviver? Não basta salvar mais gente, mas salvar os melhores.


Fotos: Giuseppe Lúcio

COLORS

GIUSEPPE LÚCIO

Trama: Abstrato Estilo: Pocket Game Mesa: 2 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Movimentação de fichas

E Giuseppe Lúcio, mais conhecido por PEPE é Administrador de Empresas, pai de 5 filhos e é o quarto filho de 12 irmãos, atualmente diretor da escola MapleBear João Pessoa. Sempre tivemos jogos em casa, do Gamão (sempre jogado pelos pais) ao War (versão caseira utilizando botões como peças), passando pelo Jogo do Dicionário (depois “publicado” pela GROW como enciclopédia). Em 1980 (então com 15 anos) colecionou a todos os jogos da Editora Abril, onde você montava uma biblioteca jogável de vários jogos de tabuleiro, além de jogos de baralhos, história dos jogos, etc. Assim, seu interesse por jogos foi aumentando. Retornou sua “coleção” com a antiga Ilha do Tabuleiro, ficando parado por uns 5 anos antes de retornar ao Hobby. Pensava em “se aposentar” para começar a produzir um jogo próprio, porém, soube do desafio da caixinha e resolveu “de brincadeira” participar.

m colors os jogadores são aprendizes de pintores que foram escolhidos por grandes mestres da pintura como Michelangelo, Rafael Sanzio, Leonardo da Vinci e Botticeli e agora todos tem como objetivo pesquisar as cores descobrindo como aplicá-las nas suas futuras obras de arte. Usando suas percepções estes aprendizes precisam impressionar seus tutores mostrando que conhecem bem os segredos das cores que usam. O melhor aprendiz receberá prestigio junto aos grandes reis da Europa renascentista se tornando um novo mestre que também deverá no futuro escolher um aprendiz para dar continuidade ao ciclo de grandes artistas clássicos do mundo.

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Foto: Bruno Elias

DESAFIO DA CAIXINHA HORA CERTA Trama: Ação Estilo: Pocket Game Mesa: 1 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Manuseio de cartas

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Geraldo Melo é formado em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande e atualmente é designer e professor do Instituto de Educação Superior da Paraíba. É um dos grandes ativistas pela expansão do Board Game e RPG na cidade de João Pessoa e recentemente fez parte da organização do evento Espaço Criativo , que levou a capital paraibana desenvolvedores de jogos de vários estados do Nordeste. Geraldo, também compõe o conselho de coordenadores do SPA dos Jogos. Durante a realização do evento em Natal, idealizou o Desafio da Caixinha, objetivando estimular os desenvolvedores da região a criarem projetos de pocket games para serem apresentados na edição do SPA em Alagoas.

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Foto: Geraldo Melo

GERALDO MELO

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anhã apressada e chuvosa numa das grandes cidades do país. Habitualmente seus moradores são acostumados a cumprir criteriosamente seus horários de trabalho, estudo e lazer, numa mecânica racional impressionante. Embora cada morador tenha seu próprio relógio no pulso, tornou-se uma tradição quase secular parar na praça central e observar o famoso e histórico relógio da torre da matriz para acertar a hora. No entanto, ao fazerem seu ritual cotidiano os moradores se deparam com o relógio da matriz parado. Este fato muda completamente o comportamento das pessoas que agora terão conseguir estabelecer a hora certa nos seus relógios de pulso.


KCT FIGHT Trama: Luta Estilo: Pocket Game Mesa: 1 - 4 Jogadores Tempo: 10 min. Mecânicas: Manuseio de cartas

Julio Cesar é jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba e durante 12 anos atuou em algumas publicações pelo Brasil, tanto como repórter, quanto repórter fotográfico e também ilustrador/ Chargista. Atualmente atua na assessoria de impresa da UEPB como designer de impressos. Em 2014 conheceu os jogos modernos de tabuleiro e decidiu ingressar no hobby na linha de desenvolvimento de jogos. Porém, foi em 2016 após participar do SPA dos Jogos que abraçou a causa de buscar promover e valorizar a produção de jogos na região Nordeste criando na edição do SPA dos Jogos de Natal, o Spatótipo, uma exposição destinada a apresentar jogos experimentais e integrar desenvolvedores na região.

Foto: Julio Cesar

JULIO CESAR

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ua hora chegou, após meses de treinamento e dedicação finalmente você vai disputar o concorrido Kombat Championship Table Fight, ou simplesmente KCT FIGHT. Este torneio reúne os maiores lutadores de rua da cidade que vão brigar pelo cinturão de grande campeão do bairro. Use suas habilidades, seja durão, aplique golpes especiais e surpreenda para derrotar seu oponente. Toda a comunidade acredita em você, fique ligado, não baixe a guarda use os melhores golpes para alcançar a vitória e conquistar o cinturão campeão dos campeões.

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Fotos: Luiz Reis

DESAFIO DA CAIXINHA ARENA Trama: Luta Estilo: Pocket Game Mesa: 1 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Manuseio de cartas

LUIZ REIS

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Luiz Pedro Reis Pinheiro é formado em Jogos Digitais e especialista em animação e jogos eletrônicos. Residente em Fortaleza, atua lecionando sobre desenvolvimento de jogos para os mais diversos públicos mostrando a importância didatica do entretenimento lúdico no aprendizado. Atualmente Luiz Reis participa de projetos na área de jogos online e durante o SPA dos Jogos de Natal, topou não somente aceitar o desafio da caixinha como também ficou incentivado a dar andamento ao seu projeto de jogo offline. Dedicado, Reis vem tornando-se um dos incentivadores da prática do desenvolvimento de jogos de tabuleiro na capital cearense.

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uerreiros de mundos distintos foram sequestrados de seus planetas de origem e levados por outra civilização para uma grande arena de lutas em alguma dimensão insólita. Agora, seus destinos estão lançados no tempo, pois necessitarão batalhar até a morte, se utilizando de suas habilidades, armamentos e tudo a mais que estiverem aos seus alcances para conseguirem sobreviver. Ao vencedor, caberão os atributos ofertados ao campeão, porém, muito mais importante do que o poder e a glória, estará em jogo a possibilidade de retomar seu direito a liberdade.


ROBERTO PINHEIRO

Fotos: Roberto Pinheiro

REGICIDA Trama: Medieval Estilo: Pocket Game Mesa: 3 - 6 Jogadores Tempo: 20 min. Mecânicas: Movimentação de fichas e Blefe

E Considerado atualmente o mais ativo desenvolvedor de jogos do Nordeste. Roberto Pinheiro, trabalha com 10 projetos experimentais, como os jogos Destrito 6 e ArtMago entre seus projetos mais conhecidos. Além das atividades em pról do desenvolvimento e expansão do hobby na região, Pinheiro administra um blog voltado ao game designer onde apresenta maneiras práticas de criar componentes para a fabricação de protótipos. Doutor em Ciência da Computação pela UFPE, participou do SPA dos Jogos de Natal, onde topou participar do Desafio da Caixinha. Roberto elaborou o jogo Regicida que após alguns aprimoramentos tornou-se o atual ArtMago.

m Regicida, cada jogador representa uma das seis grandes casas de Westeros com o objetivo de ascender ao Trono de Ferro. Entretanto, nenhum dos jogadores sabe a Casa dos seus oponentes. Isso dificulta alcançar o cobiçado Trono de Ferro, pois os jogadores precisam realizar suas ações sem que os seus oponentes percebam suas intensões. Ao final da partida, a Casa detentora do Trono de Ferro poderá sofrer um regicídio, se os jogadores conseguirem deduzir qual o jogador é o Rei.

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Fotos: Rodrigo Rodrigues

DESAFIO DA CAIXINHA TINY MANO PIXEL

RODRIGO SAMPAIO

Trama: Abstrato Estilo: Pocket Game Mesa: 2 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Movimentação de peças

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E O baiano, Rodrigo Sampaio Rodrigues é comunicólogo e atualmente exerce função na XPRESS logística em Salvador. Apaixonado pelos jogos de tabuleiro moderno, Rodrigo decidiu participar do Desafio da Caixinha proposto no SPA dos Jogos realizado em Natal-RN. Como desenvolvedor vem se destacando não somente na criação de jogos, como também na produção independente de seus projetos e almeja ter sua própria editora no futuro.

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mbora os seres humanos não consigam enxergar, no universo dos monitores de video há um mundo habitado pelos pixels. O que a ciência chama de pulso eletromagnético de cor, na dimensão das imagens são seres luminosos que juntos são responsáveis por tudo que observamos na TV. Porém, para uma imagem tornar-se realidade na visão humana, são necessários rituais que fomentam as conexões entre os vários tipos de pixels e elas precisam ser exatas. Em Tany Mano Mini Pixel cada jogador torna-se um guia responsável por conduzir estes seres a estabelecerem coerentemente suas conexões de cores luminosas e assim, possibilitar que a imagem torne-se uma realidade visível para os humanos que observam seus monitores de vídeo. Estabeleça as melhores combinações e transforme seu mundo em imagem.


Fotos: Rômulo Jardim

TENORES & SOPRANOS Trama: Arte e música Estilo: Pocket Game Mesa: 1 - 4 Jogadores Tempo: 15 min. Mecânicas: Manuseio de cartas, dado e mimica

RÔMULO JARDIM

U Rômulo Jardim é tecnólogo e designer de jogos eletrônicos da empresa estúdio Me’nU. Estudioso de jogos online acabou se interessando pelos chamados jogos off-line (Tabuleiro) e não parou mais. Atualmente busca incentivar a prática dos Board Games em Fortaleza como ferramenta de auxilio ao aprendizado de jovens. Topou participar do Desafio da Caixinha durante a edição do SPA dos Jogos de Natal-RN e acredita que iniciativas regionais voltadas a expansão e desenvolvimento de jogos é o caminho para a formação de um mercado nacional forte.

ma grande companhia de música chegou numa cidade para se apresentar o teatro. No entanto, parte de seus músicos não chegarão a tempo para a apresentação. Coube então ao maestro caçar talentos entre os músicos da própria região promovendo uma competição para saber quem poderá se tornar a grande revelação para compor a cia. Em Tenores e Sopranos, os jogadores estão representando estes músicos numa prova no qual o melhor dentre eles ou quem for mais colaborativo para construção de uma orquestra perfeita terá direito de participar do show.

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Ilustradores

COM AROMA

DE CAFÉ

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riatividade expressada em tons de café, como quem segue uma receita criativa, assim é o ilustrador paraibano Alex Souto, criador do HQ Sertão, um dos principais eventos voltados a promoção e expansão da produção de Quadrinhos na Paraíba. Residindo em Patos, ele esta atualmente entre os principais desenvolvedores desta arte no estado e trás consigo um traço refinado e marcante, já reconhecido no mercado editorial local, destacando-se por usar o café como aquarela para seus trabalhos ilustrativos e sua marca registrada. Alex é um amante do desenho, que resume sua atividade como uma forma de explicar seu cotidiano e seu imaginário. Segundo ele próprio define ser mais fácil explicar que é um desenhista, mas que seu trabalho na verdade é mexer em computador. Bem humorado e atento ao mercado de ilustrações, ele nos fala sobre sua função e sobre sua visão em relação ao universo dos jogos de tabuleiro, expondo sua experiência, como designer gráfico e publicitário, para facilitar o entendimento do papel do desenhista na elaboração de jogos. Ele ressalta que sua paixão é a técnica da aquarela, mas gosta de vários estilos, independente da plataforma criativa, seja ela elaborada no computador ou manual, no bit ou grafite, o importante é conhecer novas formas de ilustrar e transformar tudo num aprendizado constante. Especialmente no

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cenário do Nordeste, onde considera ser um mercado promissor para quem puder produzir material diferenciado. “Aqui no nordeste temos uma cultura muito rica e é uma pena que muitos artistas nordestinos esqueçam este detalhe. É comum os ilustradores mais novos ignorarem a cultura regional nos seus portfolios e isso deveria ser mais pesquisado até no trabalho de ilustração conceitual para jogos, por exemplo” comenta. No seu entendimento, um fato que caracteriza uma boa ilustração é a arte ser original e existir por trás de tudo um conceito, mesmo que a arte já tenha algum tema pré-definido, independente da técnica o desenho deve ser adaptar ao tema proposto, pois é o trabalho que determina qual técnica se encaixa melhor e o ilustrador tem que saber disto antes de tudo. Segundo Alex, o processo de criação deve ser livre, mas dentro do proposto e afirma ser normal o ilustrador sugerir e até impor algum conceito, entendendo que isto também depende da liberdade que foi dada a ele. “Nos estúdios, o mais comum são as restrições de público e estilo e o ilustrador sempre deve se adaptar” disse. Hoje no Brasil, o cenário geral de mercado está sempre precisando de novas ideias e criadores, sendo este um dos fatores que mantém uma demanda sempre alta, a necessidade de aquisição de um ilustrador acaba gerando custos

e muitas vezes não há compreensão deste cenário até que se esbarrar nele. O ilustrador não esta exclusivo para uma área, é comum, dada sua necessidade, ele ser abrangente à vários segmentos que necessitam de seu trabalho e isto financeiramente é o que mais pesa quando se contrata um serviço de ilustração tanto que, para Alex, é o tempo e os prazos que sempre definem o valor de um serviço, para depois vir a técnica usada. “Sempre que é um trabalho de criação, então não tem como apressar ou ter atalhos. É preciso sempre ter em mente que a qualidade é importantíssima, mas ela vive casada ao prazo. Lembrando que muitas empresas impõem prazos apertados aos ilustradores e eles aceitam, seja pelo valor ou pela oportunidade, mas isso é ruim para o mercado, pois no final todos acham que é normal ter prazo apertado” afirmou. Para o artista, hoje a maior dificuldade para quem deseja ser um bom ilustrador é manter o foco e não deixar as distrações do mundo atrapalharem o seu trabalho, onde as redes sociais são ótimas para divulgar a arte, mas podem consumir um tempo enorme e tempo, dedicação e concentração é o segredo do oficio. Atualmente Alex Souto se dedica a sua empresa a ASWEB Comunicação que está aberta ao desenvolvimento de trabalhos ilustrativos voltados aos jogos de tabuleiro para os interessados em qualificar seus projetos. E por falar em board game, Alex nos respondeu algumas questões curiosas.

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Alex Souto Você concorda que os Jogos de tabuleiro ainda é um mercado pouco comum para os ilustradores do Nordeste, explique?

É um mercado diferente e pouco comum não só nordeste, mas a carência de material explicativo ou de divulgação para esses jogos está chamando a atenção de muitos designers e ilustradores. É um mercado novo e acredito que a participação e abertura para os criadores exibirem seus projetos em convenções e feiras, vai atrair mais gente interessada, tanto em consumir quanto em trabalhar na área.

Até onde o contrato disser. Todo artista tem a obrigação de definir um contrato com seu cliente para deixar bem claro os detalhes de criação e, principalmente, o direito de uso das imagens criadas. A parte administrativa é importantíssima em qualquer projeto, mesmo na camaradagem eu aconselho fazer um documento que explique a todos os envolvidos no processo, os direitos e deveres de cada um. Há quem afirme que o EGO é o que mais prejudica uma relação entre o ilustrador e o cliente, você concorda, opine?

Ego é bom até o ponto que o artista, seja ele de qualquer área, não queira se tornar uma autoridade autoproclamada. Na relação de cliente e artista é garantia de que o projeto não vai dar certo se um interferir na tarefa do outro. E como já disse, tudo se resolve no contrato. O que mais caracteriza seu estilo ilustrativo?

Desenho tudo que o trabalho pedir. Como trabalhei muito tempo com publicidade tenho a característica de desenhar vários estilos, sem se prender a nenhum. Posso

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Foto: Alex Souto

Até onde o cliente de um serviço de ilustração tem razão?

fazer mangá, cartum, estilo americano, xilogravura e experimentar novas técnicas, que vão do digital ao trabalho com aquarela de café, que é uma técnica que tenho explorado bastante e todos se assustam quando veem ilustrações pintadas com esse tipo de “tinta”. Então o que mais caracteriza meu estilo de ilustrar é a experimentação. Você é um dos entusiastas dos Hq,s na Paraíba e já visualiza expandir a cultura dos jogos de tabuleiro para a sua cidade. Como você enxergar esses movimentos?

Sim, os quadrinhos estão na minha vida desde sempre. Aprendi a ler com

quadrinhos e nunca mais parei, seja fazendo ou incentivando quem gosta ou quer produzir. Por morar no interior da Paraíba, na cidade de Patos, o acesso a alguns tipos de arte e culturas é mais restrito, por isso resolvi criar o evento chamado “Sertão HQ – Encontro de quadrinhos no sertão da Paraíba”. O evento serviu para reunir amigos artistas, ilustradores e quadrinistas e descobrir pessoas interessadas nessa cultura. Tivemos um grande retorno do público, inclusive na área de jogos de tabuleiro, com grupos na cidade que jogavam dezenas de títulos de jogos que nem mesmo eu conhecia. Foi gratificante


descobrir também essa cultura e já está inserido na programação do próximo ano a participação de criadores de jogos para despertar e estimular cada vez mais esse interesse. Para quem não tem o apoio de um ilustrador para seus projetos gráficos, que conselho você daria?

Contrate urgentemente alguém criativo! Se um criador de jogos quer chamar a atenção para o seu projeto, não há maneira melhor. Não caia na tentação de você mesmo criar o material de divulgação, como artes, design gráfico e ilustração se não souber fazer direito. Faça parcerias, consiga patrocínio e veja sempre como investimento, nunca como custo. Ter uma boa ilustração em mãos, significar ter um bom projeto no bolso?

Nem sempre, se a ideia não for boa, o conceito não vai se segurar apenas com lindos desenhos. Invista em redação e narrativa, pois no final tudo se completa. Um não vive sem o outro. Um projeto pode definir um tipo de ilustração melhor do que a sugerida pelo cliente, ou, o ideal é realizar o desejo do cliente e na melhor das hipóteses sugerir. Comente o porque?

SERVIÇO Para saber um pouco mais sobre a Alex Souto e sua arte acesse; www.alexsouto.com alexsouto.blogspot.com.br Facebook: @alexsoutopb Instagram: alexsouto.art

Acredito sempre que o conceito dita o estilo de ilustração, claro que existem as intervenções e o gosto pessoal do dono do projeto vai pesar nas decisões, mas um ilustrador experiente saberá dirigir e sugerir quando necessário. Claro eu no meio do processo podem existir mudanças que levem a outro caminho e isso deve ser explorado como forma de melhorar cada vez mais a ideia até o projeto final. O que é pior numa ilustração mal feita, há ilustração mal feita, ou isto é um conceito bastante relativo. O que você acha?

A ilustração mal feita nem sempre é a feia,

sempre fazemos algum desenho ruim que alguém acaba gostando e isso pode ser relativo. Na questão de técnica artística o feio é bem relativo e o gosto pessoal é quem manda. Já ilustrei coisas que não gostava esteticamente, mas era o que o projeto pedia e no final deu certo. Aquela questão do ego se encaixa perfeitamente aqui, se o artista não deixar ele de lado, pode dar problemas. Qual dica você daria para quem está começando a produzir Jogos de Tabuleiro e precisa contratar um ilustrador?

Faça parcerias sempre. Seja honesto sobre o projeto e o orçamento disponível. Ofereça oportunidades de crescimento em conjunto, caso a verba seja pequena. O mais importante é sempre usar o conhecimento de um profissional para melhorar o seu projeto da melhor maneira deixando-o livre para opinar e ser criativo. Que conselho seria adequado para quem deseja entrar neste universo dos ilustradores?

Divulgue seu trabalho nas redes sociais mais direcionadas para arte como o Deviant art, Behance, Talenthouse, entre outras. Facebook e Instagram também são obrigatórios, mas não foque só neles. Mantenha um portfolio atualizado com seus trabalhos, seja num blog ou site próprio e não pare de desenhar nunca. Hoje existem muitas convenções e encontros de quadrinhos repletos de ilustradores, então vá e converse com todos, a maioria é bem receptiva para quem está iniciando e tem humildade de perguntar e tirar dúvidas. Outro conselho importante é aprender inglês, pelo menos para leitura, pois existem revistas, livros e muito material disponível na internet em inglês e se o artista iniciante realmente quer aprender mais, com certeza vai ter que aprender outra língua, então comece a estudar para se comunicar bem, não esquecendo claro, a nossa língua.

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Foto: Marecelo Pegado

Apaixonado por jogos de tabuleiro e RPG o apresentador e produtor carioca, Marcelo Pegado, nos descreve um pouco sobre mercado, hobbismo e de sua trajetรณria como Jack Explicador

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Marcelo Pegado É formando em cinema e atua como apresentador e diretor de fotografia. Antes, contudo, encontrou na gastronomia seus primeiros passos como profissional e paralelo a tudo, a paixão pelo RPG e os jogos de tabuleiro. Antes de destaca-se como youtuber na internet, apresentou por dois anos, um programa gastronômico chamado Chef Acidental, numa TV do Rio de Janeiro. Oriundo de uma família proprietária de restaurante, Marcelo sempre conseguia conciliar as atividades familiares com o amor pelo hobby. Foi assim, que se tornou o popular Jack Explicador. Atualmente administra o canal Meeple Maniacs, considerado um dos mais acessados do gênero Board Game no Brasil, atividade em que divide o tempo com a administração de seu restaurante em Cabo Frio, além dos eventos de jogos de tabuleiro em que é convidado por todo o país. Este carioca de 47 anos se orgulha de sua família e do amor que nutre pelo hobby que transformou sua carreira em sucesso. Presente na 3ª edição do SPA dos Jogos, em Alagoas, marca sua estreia no evento, considerado atualmente como o melhor encontro de hobbistas e desenvolvedores da região Nordeste.

HISTÓRIAS Você se considera bastante família? Qual foi à influência da relação família/ jogos de tabuleiro no garoto Marcelo?

Eu não sabia nada disso na época, não tinha noção dessas definições, mas algo me cativou ali.

Venho de uma família de onde todos sempre tiveram a cultura de receber os amigos em casa. Nessas ocasiões, sempre havia jogos e brincadeiras. Eu ficava ansioso pelos finais de semana. Infelizmente, no Brasil houve um hiato de pelo menos 30 anos, em que os jogos de tabuleiro evoluíram, principalmente na Europa, e que nosso mercado ficou estagnado. Uma mudança cultural que afastou as famílias das mesas de jogos. Felizmente, minha infância foi diferente e estou tentando compartilhar as mesmas experiências com meus filhos.

Na adolescência você descobriu o RPG, é nesta fase que o Jack Explicador surge. Como foi esse surgimento? Isto gerou algum desapego ao jogo de tabuleiro?

Recorda de um jogo de tabuleiro que foi muito marcante nesta fase inicial e também por que ele marcou tanto?

Os primeiros jogos eram bem simplórios, com mecânicas de roll and move como Banco Imobiliário ou Detetive, mas tinha um jogo mais estratégico e pouco conhecido na época que se chamava Truste do Petróleo. Era algo um pouco mais complexo e me apresentou outras mecânicas de gerência de mão e controle de área.

Sim, comecei com os RPGs muito cedo. Com 14 anos já mestrava D&D para meus amigos. Sempre tive muita facilidade com idiomas e os RPGs acabaram transferindo para mim a responsabilidade de ensinar. Virei uma espécie de mestre de cerimônias mirim, organizava tudo, desde comida e bebidas até as xerox das fichas dos personagens, passando por “props” como mapas ou pergaminhos mágicos. Nesta época, não sobrava tempo para mais nada e me vi afastado das rotinas de infância em família. Foi quando percebi que não podia ser tão específico e que precisava retomar os jogos familiares. Aventuras com heróis e monstros eram fantásticas, mas não atraíam a atenção das meninas. Eu não podia ficar preso neste universo “nerd friendly”. Os jogos de tabuleiro eram mais ecléticos e democráticos, além de exigirem menos comprometimento dos meus convidados. Até hoje, sempre navego nesses dois mundos sem problema.

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No inicio dos anos 90, você foi surpreendido pelos jogos de tabuleiros modernos, o que marcou nesta redescoberta? Na verdade, conheci jogos como Cosmic Encouter e Wiz Wars ainda nos meados dos anos 80. Tenho até hoje a edição da Grow de Contatos Cósmicos de 78 (risos). Sempre joguei Acquire (1964 - Sid Sackson) com meu avô. Quando os jogos modernos começaram a surgir na Alemanha, fiquei fascinado pela simplicidade das regras e pela variedade de temas, como isso poderia facilitar minha vida de “provedor de jogos”.

MEEPLE MANIACS Em 2013, você lançou o canal Meeple Maniacs. Quando você sentiu que era o momento de dar este pontapé inicial, houve muitas dificuldades? Na verdade, iniciei o canal sozinho. Aproveitei um apelido da minha juventude e lancei o Jack Explicador. Sempre joguei, desde criança meu avô trazia jogos de tabuleiro todo final de semana para jogarmos. Mas senti que o mercado brasileiro estava prestes a acontecer. Zombicide havia sido um dos primeiros grandes sucessos de financiamento coletivo e era questão de tempo para essa febre chegar por aqui. Para minha surpresa, assim que montei o canal e estava ensaiando algumas vinhetas e produ-

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Em 2013, Marcelo Pegado apresentou ao Brasil Jack Explicador

ções, a Galápagos anunciou que iria trazer o jogo. Foi um momento bastante oportuno e resolvi iniciar o canal com este título.

Atualmente, você é um dos youtubers mais conhecidos do Brasil, isto às vezes lhe tira o sono? Pesa alguma responsabilidade ou cobrança?

Quando postou seu primeiro vídeo, chegou a imaginar tanta receptividade do internauta, o que lhe surpreendeu logo de imediato?

Nunca me vejo como uma dessas “subcelebridades” do Youtube. Continuo minhas rotinas para conhecer novos jogos a cada dia e aproveitando apenas a parte boa da “fama”, conhecendo pessoas fantásticas. É lógico que à medida em que o canal cresce, as responsabilidades aumentam proporcionalmente. São novas parcerias com editoras e lojas que precisam ser honradas e isso eleva muito meu comprometimento com o canal.

Eu já conhecia bastante gente no hobby, mas era um grupo bastante fechado ainda. Fiquei surpreso com receptividade de pessoas de fora do nicho, que estavam descobrindo o hobby através dos meus vídeos. Isso foi especial e muito gratificante.


Foto: Meeple Maniacs TV

O que agrada, incomoda e o que ainda lhe surpreende, no público do canal? Sempre me surpreendo com as demonstrações de afeto e companheirismo que a maioria das pessoas neste nicho compartilham. Somos como uma grande família, afinal de contas, somos todos Meeple Maníacos (risos). Temos uma paixão em comum, muitas vezes incompreendida por outros segmentos da sociedade. Essa cumplicidade pode acabar com sua intimidade se você não souber lidar com o público. Mas no geral, são todos muito queridos. Essa é a maior conquista do canal: mais amigos a cada dia. O Lucas Andrade, hoje, divide contigo a bancada do Canal, como é esta convivência com ele, rola muita treta nos bastidores? Há três anos, decidi que queria expandir as expectativas criativas do canal. Durante meses, busquei por alguém que já estivesse comprometido com o hobby da mesma forma que eu, que tivesse capricho e dedicação no que fazia. Lucas havia lançado um blog fantástico com bastante produção textual, o ONBoard. Primeiramente, fiz um convite para testarmos um podcast em conjunto com outros convidados, criei então o Meeple Maniacs. A ideia era uma espécie de revista em áudio, com diversas opiniões e colunistas diferentes. A realidade é que poucas pessoas têm o comprometimento de dar constância de propósito aos projetos e a ideia era fazer produções semanais. Nesta ocasião, o Lucas se destacou

brilhantemente. Ele trouxe sugestões criativas e topava qualquer loucura que eu sugerisse. Não demorou muito tempo para convidá-lo definitivamente para fazer parte do canal. Surgia assim o Meeple Maniacs. Hoje, não poderia ter um sócio e amigo melhor. Já pensou na possibilidade de receber um convite para apresentar algum programa do gênero na TV Brasileira. Como se sentiria? Venho do ramo de TV e Cinema, sou diretor de fotografia e estou sempre envolvido em alguns projetos. Em 2002, apresentava e produzia um programa de gastronomia na tv a cabo chamado Chef Acidental. Era muito divertido. Venho de uma família de chefs de cozinha e sempre tive restaurantes. Era uma grande brincadeira. Recentemente, tive a oportunidade de montar um projeto para um programa sobre Jogos de Tabuleiro para a Play Tv, mas os editais nunca aconteceram. Quem sabe um dia.

HOBBY BRASIL Muita gente cita que vivenciamos um reencontro com os jogos de tabuleiro, após uma overdose de videogame. Em sua opinião, você crê nisto? Essa foi um comportamento cultural que copiamos da América. Felizmente, em alguns países como Alemanha, França, Bélgica e

Foto: Marcelo Pegado

Áustria, a cultura de receber os amigos em sua casa foi mantida e as atividades em família preservadas. Nicho é como nos referimos ao mercado brasileiro de jogos deste gênero, você concorda? O momento favorece a expansão no Brasil? Os jogos de tabuleiro são um mercado em expansão no mundo inteiro. O Brasil chegou um pouco tarde na festa, mas está crescendo rapidamente. Todo movimento cultural começou assim. É questão de tempo e investimento para deixar de ser apenas um nicho e se tornar parte de nossa cultura, assim como literatura ou cinema fazem parte hoje em dia.

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Foto: Marcelo Pegado

Há certo receio do desenvolvedor de jogos em expor sua criação ao público, principalmente em eventos. É compreensível agir assim? Por que tanto temor?

Apresentando o Hobby para o público visitante da Tio Gêra Geek no CCXP em Recife

O que ainda falta para que possamos ter jogos de tabuleiros modernos na esquina de casa? O brasileiro tem pouco acesso à cultura em geral, o que é uma pena. Existem tantas salas de cinema no Brasil inteiro quanto existem em Paris. Pouquíssimas pessoas têm o habito da leitura e a arte da narrativa está sendo esquecida. Os jogos de tabuleiro estão muito ligados à apreciação dessas virtudes. Mas acredito ser questão de tempo, porque o trabalho está sendo feito pelas editoras e pelos grupos de jogadores em todo o Brasil. Qual a sua opinião sobre o desenvolvimento de jogos no Brasil? Vejo muitos novos jogadores tentando criar e desenvolver projetos. Isso é impressionante, metade das pessoas que vão ao

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cinema ou ao teatro, não pensam em atuar ou produzir uma peça, mas metade dos jogadores brasileiros tem a intenção de criar e fazer parte do mercado. Acho que ainda falta conhecimento e maturidade na maioria dos designers novos. O que também é normal. As pessoas não sabem o trabalho que dá para produzir uma peça de teatro, por exemplo. Os jogos, apesar de parecerem ser um processo mais artesanal, também exigem muito trabalho e etapas complexas. Vejo muitos jogos sendo lançados sem terem sidos avaliados ou devidamente testados, produções que ficam meia bomba, por falta de experiência editorial. Jogos que nunca conseguem acessar uma rede de distribuição eficiente e morrem na praia. O cenário já esteve pior. É questão de maturidade do mercado como um todo. O público está ficando mais exigente e os designers, assim como as editoras, precisam melhorar a qualidade do que fazem. A meta é ser competitivo com o mercado internacional.

Acho que é mais por insegurança mesmo ou falta de conhecimento. Toda ideia pode ser registrada através de sua propriedade intelectual em qualquer biblioteca nacional. E hoje em dia, com as redes sociais, todos os eventos são registrados e compartilhados. Poucos designers sabem aproveitar os feedbacks de eventos e críticas específicas. Essa insegurança está muito baseada na falta de experiência mesmo. Você cita que o financiamento coletivo, hoje, precisar ser mais encarado com parcerias do que sozinho. Porém, muitos desenvolvedores atribuem que o caminho entre as editoras e o desenvolvedor é distante. Por que não vale mais a pena o financiamento coletivo só? E qual é o caminho que um desenvolvedor deve ter para chegar até uma editora? Imagine que sou um diretor, roteirista, produtor e ator do meu filme. Com certeza irei falhar em alguma dessas funções. A falta de um parque gráfico especializado, as escassas linhas de distribuição para o nicho, o conhecimento técnico necessário para se criar e desenvolver um jogo são muito mais complexos do que se imagina. Muitas vezes, um grande chef de cozinha não consegue administrar seu próprio restaurante e quebra. Aqui não é diferente. O self-publisher é um cavaleiro solitário, que não tem com quem compartilhar suas ideias. E por se tratar de um processo, por muito criativo, os jogos dependem dessa


sinergia e cooperação de diversos artistas e técnicos. O mercado está crescendo e as editoras estão desesperadas por novos projetos autorais, principalmente os que estiverem maduros o suficiente para serem comercializados no exterior, onde o mercado também cresce exponencialmente. As editoras estão sempre abrindo pitching para novos projetos e participando dos principais eventos do Brasil. É só bater na porta delas (risos).

SPA DOS JOGOS Este será seu primeiro SPA, como conheceu o evento? Desde o primeiro SPA, Tio Gêra me convida para participar. Ele é um grande amigo e peça muito importante para o desenvolvimento do hobby em todo o nordeste. A cada ano aumenta o número de eventos voltados ao hobby, o SPA dos Jogos é um exemplo, como você enxerga esse movimento? Além de ser um movimento cultural, o mercado está necessitando de novos jogadores. O importante é aumentar o aquário e trazer novos consumidores que sustentem o mercado. Os eventos são a ponta inicial para o hobby crescer. Fazíamos eventos e reuníamos centenas de pessoas aqui no Rio, muito antes das editoras chegarem. Mas agora, o mercado precisa dessas injeções de público para se sustentar.

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No mesmo momento, eventos voltados aos protótipos, como o Spatótipo, começam a ganhar força. A que você atribui isto e a que ponto isto influencia no mercado nacional? São ações importantíssimas. Como disse, as editoras precisam de novas ideias, são o principal combustível para que o mercado cresça. O mercado de jogos localizados é bastante complexo e competitivo. Jogos autorais são muito bem aceitos em qualquer parte do mundo.

PAPO SOBRE... Para você, o brasileiro é competitivo, isto quer dizer que jogos cooperativos são menos atraentes? E o fato de competir faz com que o brasileiro tenha um perfil para determinado tipo de jogo? O ser humano é competitivo por natureza. Os jogos cooperativos surgiram através de experiências narrativas, como os RPGs que necessitavam de uma diretriz de fácil condução e de jogos empresariais que queriam testar a capacidade de cooperação de uma equipe. É lógico que hoje em dia, existem diversos títulos cooperativos excelentes e bem mais complexos no mercado. Mas ainda é um conceito pouco compreendido para o grande público. O brasileiro cresceu competindo no futebol, na escola, na vida social, em praticamente tudo. Somos maus perdedores, a verdade é essa, não gostamos de levar desaforo e nos sentimos humilhados quando

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Spatótipo

perdemos. É um papo bem mais complexo e filosófico do que parece (risos). Quando falamos em jogar com a galera, estamos afirmando que o jogo de tabuleiro no Brasil é machista. Por isto a participação feminina é pequena? Discordo. Os grupos não são machistas, simplesmente não se esforçam para atrair a atenção de outras pessoas (independente do gênero). Lógico que algumas posturas culturais que envolvem um hobby que já foi underground e discriminado por ser introspectivo e “esquisito” para os padrões culturais de um país tropical, podem afastar ou parecer indiferente aos olhos alheios. Lugares de encontros escondidos, sujos e barulhentos não atraem as mulheres, por exemplo. Até recentemente, quase todas as lojas de RPGs e Magic no Brasil eram assim. Esses redutos eram uma forma de santuário, mas agora, os lojistas e jogadores estão aprendendo que o potencial do mercado é muito mais abrangente e vejo que este estigma está mudando em todo o Brasil. O homem subestima a capacidade competitiva da mulher e isto assusta. Ou é uma questão cultural que agregamos durante a infância? As mulheres são, por natureza, mais competitivas do que os homens. São mais organizadas e prestam atenção em diversas coisas ao mesmo tempo, um handicap que alguns homens estão aprendendo a aceitar. Particularmente, prefiro jogar sempre com as meninas, são bem mais desafiadoras.

Como Jack Explicador definiria o Marcelo Pegado? E como o Marcelo Pegado encara o Jack Explicador? Estão se tornando a mesma pessoa. Workaholic que não para de buscar novos pontos de vista e que está em constante evolução. Minha rotina tem sido adaptada a cada dia, se tornando muito mais voltada ao conhecimento dos jogos e mercado, mas trago junto toda experiência de anos em restaurantes e estúdios de cinema. Uma mistura que costuma afirmar ser multimídia, mas que na verdade estou adorando. Muita gente fica na expectativa daquelas palavras finais, mas, que palavra inicial de incentivo você daria para quem está a fim de entrar neste mundo dos jogos de tabuleiro. Nunca se esqueça que as pessoas são as peças mais importantes em qualquer jogo e que todos estão juntos nesta aventura, mesmo que não seja cooperativa, todos ganham com a experiência. Se você é um aspirante à designer e tem alguma ideia, por mais simplória que pareça, invista nela. Invista tempo e dedicação, mas não esqueça de envolver os amigos no processo.

SERVIÇO Para saber um pouco mais sobre a Jack Explicador e sua arte acesse;

www.youtube.com/c/jackexplicador www.facebook.com/JackoExplicador Twitter: @jackexplicador


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Foto: Marcelo Pegado

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Amaro Braga

amaro@ics.ufal.br | axbraga.blogspot.com.br

Prof. Dr. Amaro X. Braga Jr. Doutor e Mestre em Sociologia. Esp. Em Artes Visuais, História da Arte, História das Religiões, EAD e Gestão de Ensino. Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais. Professor Adjunto do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas

PARA QUEM É O JOGO?

T

odas as pessoas que intentam se envolver com o Realmente para ser um bom jogo tem que ter uma duração mundo das jogatinas com algo mais além de jogar, curta? Regras simples? Miniaturas? Materiais em madeira sabe da complexidade e imersão que exigirá do ou espaço no insert para as cartas com sleeves? Muitos corpo e da mente. Nestas breves palavras, os convido a redesenvolvedores estão tão preocupados em serem aceitos fletir sobre algumas questões vitais para se compreender o pela comunidade de gamers, que terminam direcionando jogo, o jogar e as pessoas que jogam. seus jogos para um perfil generalista baseado em comenA primeira questão que deveria aparecer na mente tários padronizados que circulam entre os intelectuais de um desenvolvedor de jogos, no momento em que cibernéticos e os críticos de facebook ou adotando uma se prepara para criar um jogo, deveria ser: pra quem é ou outra opinião com base nas apreciações dos reviews este jogo? Não é o tema, os materiais, as mecânicas ou de youtubers. E esquecem de responder ao principal: pra quem vai ilustrar... mas saber, claramenquem é seu jogo? te, a quem se dirige seu material. ObviaSe um jogo é chamado mente, para saber disso, o desenvolvedor Para entender de Family Game ele terá a precisa entender qual a natureza do jogo. para quem é o jogo, mesma duração, formato E, por conseguinte, o que faz as pessoas e materiais de um War é necessário saber jogarem. Um jogo não é apenas um objeto Game? Vocês sabem que de entretenimento, um objeto colecio- que são os jogadores... a resposta é não. E sabem nável ou uma forma de ganhar dinheiro dizer o porquê? Bem, proe impressionar os colegas (bem... uma vavelmente, porque são certa medida disso faz parte), mas não encerra o que é o pessoas diferentes que o jogam. Idades, necessidades jogo e o impacto que pode provocar nos jogadores. e gostos diferentes. Logo, o jogo precisa se adequar ao Para entender para quem é o jogo, é necessário saber público que o jogará e não aos padrões universais e abquem são os jogadores que jogarão o jogo e, para tanto, solutos de um boardgame moderno, como às vezes se intuir um dos elementos mais importantes: o que faz as propaga entre as comunidades de gamers. pessoas jogarem um jogo? E, o pior: o que as fazem se E, por fim, como saber unificar o que você – enquan(des)agradar dele? to desenvolvedor ou design de jogo – quer fazer e o tipo O jogo é um bom jogo se atender às expectativas do de público ao qual o jogo se refere? Eu preciso apresenjogador. Há um só tipo de jogador? Há um jogador ideal? tar para você um personagem muito importante nesta Vocês sabem que não. Então como saber? Vemos uma equação: O Homo Ludens. Quem é ele? Como pensa? moda contaminar desenvolvedores com base em segQual o impacto dele no design dos jogos? São resposmentos específicos que visam mapear e estruturar jogos tas que precisariam de um novo encontro... pois agora a com esquemas que não especificam pra quem é o jogo. rodada terminou. Quem sabe na próxima...

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A Revista Gamebook do Spatótipo foi desenvolvida com a finalidade de divulgar ações e projetos de desenvolvedores de jogos de tabuleiro na r...

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