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Índice 1. PONTOS E PONTÕES DE CULTURA: UMA PARCERIA ENTRE ESTADO E SOCIEDADE CIVIL ...............................................................................................................5 2. CONHECENDO O PONTÃO DE CULTURA KUAI TEMA...................................................6 3. KIT DE FERRAMENTAS KUAI TEMA.................................................................................7 3.1. Política de uso do kit de ferramentas Kuai Tema ..........................................................7 3.2. Portal ............................................................................................................................8 3.3. Web Rádio ....................................................................................................................8 3.4. Web TV ........................................................................................................................9 4. ATIVIDADES QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER ..............................................................10 4.1. Ciclo Paranaense de Cultura Digital ...........................................................................10 4.2. Festival de Cultura do Paraná .....................................................................................11 4.3. Cartilha de Cultura do Paraná.....................................................................................12 5. POLÍTICAS CULTURAIS E CULTURA DIGITAL...............................................................13 5.1. Cultura digital, cibercultura e cultura das redes ..........................................................14 5.2. A diversidade é a essência da cibercultura .................................................................14 5.3. Diversidade é recombinante .......................................................................................14 5.4. A defesa do acesso para assegurar as possibilidades de digitalização das expressões culturais....................................................................................................15 5.5. Realidades alternativas, simulações e multíplas identidades .....................................15 5.6. Assegurar a liberdade dos fluxos, do conhecimento e da criação ..............................16 5.7. A economia da cibercultura é baseada no relacionamento e não na propriedade .....16 5.8. Cultura digital e ciberespaço: as fronteiras com os estados-nação............................17 5.9. Como apoiar a cultura digital na perspectiva da diversidade? Quais os parâmetros para políticas públicas adequadas? ................................................18 5.10. Como garantir a expansão da pesquisa da cibercultura?.........................................18 5.11. Por um pacto pela liberdade para o conhecimento e a criação ................................19 6. GESTÃO DE PROJETOS ..................................................................................................20 6.1. Definindo o que é gestão ............................................................................................20 6.2. Planejamento ..............................................................................................................21 6.2.1. Coleta de dados ..................................................................................................21 6.2.2.Estudo de viabilidade ...........................................................................................22 6.2.3. Identificação dos recursos disponíveis e necessários.........................................22 6.2.4. Identificação do público alvo ...............................................................................22 6.2.5. Definição dos objetivos e metas..........................................................................22 6.2.6. A confecção do projeto ........................................................................................22 6.3. Leis de incentivo à cultura...........................................................................................23 6.3.1. Principio da renúncia fiscal..................................................................................24 6.3.2. Como funcionam as leis de incentivo ..................................................................24 6.3.3. Breve Histórico da Lei Rouanet e do Audiovisual................................................24 6.3.4. O que é a Lei Rouanet ........................................................................................25 6.3.5. Como funciona o mecenato na Lei Rouanet .......................................................25 6.4. Captação de recursos .................................................................................................27 6.5. Para saber mais ..........................................................................................................32


7. SOFTWARE LIVRE, WORDPRESS E GESTÃO DE BLOGS E SÍTIOS ..............33 7.1. O que é software livre .....................................................................................33 7.2. Por que usar software livre .............................................................................34 7.3. Manual WordPress: gerenciamento de blogs e sítios .....................................34 7.3.1. Iniciando o uso do WordPress .................................................................35 7.3.2. Blog..........................................................................................................35 7.3.3. Posts e Páginas .......................................................................................36 7.3.4. Categorias ...............................................................................................36 7.3.5. Tags ........................................................................................................36 7.3.6. Comentários ............................................................................................36 7.3.7. Painel de Controle ...................................................................................37 7.3.8. Criando um Post ......................................................................................37 7.3.9. Inserindo conteúdo multimídia no post ....................................................38 7.3.10. Copiando textos do Word ou outros editores.........................................42 7.3.11. Criando e editando páginas, categorias, tags e links.............................43 7.4. Para saber mais ..............................................................................................45 7.5. Glossário .........................................................................................................45 8. PRODUÇÃO EM VÍDEO ........................................................................................47 8.1. Roteiro.............................................................................................................47 8.2. Decupagem .....................................................................................................47 8.3. Fases de desenvolvimento de um audiovisual ...............................................47 8.3.1. Pré-produção ...........................................................................................47 8.3.2. Produção..................................................................................................47 8.3.3. Pós-produção...........................................................................................48 8.4. Gravação e outros aspectos técnicos .............................................................48 8.5. Linguagem ......................................................................................................49 8.6. Imagem ...........................................................................................................52 8.7. Timecode (código de tempo)...........................................................................55 8.8. Áudio ...............................................................................................................55 8.9 Para saber mais ...............................................................................................56 9. PRODUÇÃO EM ÁUDIO........................................................................................57 9.1. Gestão.............................................................................................................57 9.2. Programação...................................................................................................57 9.3. Redação ..........................................................................................................59 9.4. Software de áudio: Audacity ...........................................................................59 9.4.1. Gravação .................................................................................................62 9.4.2. Edição ......................................................................................................63 9.4.3. Criação de canal para música. ................................................................65 9.4.4. Finalização...............................................................................................66 9.5. Disponibilização na internet ............................................................................66 9.6. Relacionando o blog à web rádio ....................................................................67 9.7. Para saber mais ..............................................................................................67


1. PONTOS E PONTÕES DE CULTURA: UMA PARCERIA ENTRE ESTADO E SOCIEDADE CIVIL “Quem produz cultura é a sociedade. Cabe aos governos identificar e fomentar tais iniciativas” É a partir dessa perspectiva que o Governo Federal e o Ministério da Cultura (Minc) lançaram em 2007 um programa de incentivo à produção cultural brasileira: o Mais Cultura. De acordo com o Minc, “o programa marca o reconhecimento da cultura como necessidade básica, direito de todos os brasileiros, tanto quanto a alimentação, a saúde, a moradia, a educação e o voto”. A cultura é então incorporada como importante fator para o desenvolvimento do país, sendo que três premissas passam a ser observadas: a democratização do acesso e do direito de produzir cultura; o olhar atento ao mundo das tecnologias que promovem mudanças sociais e o potencial econômico da cultura. Nesse sentido, uma das principais ações, que já vinha sendo executada desde 2004, é a criação dos pontos de cultura - iniciativas desenvolvidas pela sociedade civil que, por meio de seleção por editais públicos, firmam convênio com o Minc e ficam responsáveis por impulsionar experiências culturais que já existem nas comunidades. Atualmente, são mais de 800 pontos de cultura espalhados pelo país. E é diante do sucesso e ampliação do programa que o Minc decide criar mecanismos de articulação entre os diversos pontos, compreendendo que é fundamental realizar trocas de experiências entre as iniciativas. Assim surgem as Redes de Pontos de Cultura e os Pontões de Cultura, sendo que os Pontões são os entes de integração dentro da Rede de Pontos de Cultura.

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2. CONHECENDO O PONTÃO DE CULTURA KUAI TEMA Articular os pontos de cultura do Paraná, documentar sua atuação, capacitá-los e integrá-los por meio de ferramentas de comunicação baseadas em software livre. Esses são os propósitos centrais do Pontão de Cultura Kuai Tema, iniciativa do Coletivo Soylocoporti em conjunto com o Ministério da Cultura. O projeto teve início em janeiro de 2009 e deve ser concluído até janeiro de 2010, podendo ser renovado por mais um ano. É dividido em seis fases que incluem desde a implantação física e planejamento até a execução de seminários de capacitação, confecção da Cartilha da Cultura e realização do Festival de Cultura do Paraná. Entende-se que a Rede de Pontos de Cultura presente hoje no estado deve ser potencializada, de modo a ampliar o alcance e o impacto de suas ações sobre as comunidades envolvidas. Dessa forma, é papel do Kuai Tema facilitar a integração e permitir que os pontos de cultura alcancem visibilidade e tornem públicas suas ações, possibilitando, assim, o acesso de outras pessoas às iniciativas. Após os trabalhos do Pontão, pretende-se deixar uma rede de comunicação articulada entre os pontos de cultura, sendo estes capazes de avaliar a sua atuação na sociedade e criar espaços de articulação própria, reconhecendo a integração como importante para sua sobrevivência. Além disso, os instrumentos de comunicação criados no período de execução do Pontão terão um regimento público para o seu uso e mantenimento, não sendo desfeitos ao final do projeto Kuai Tema. Os pontos terão, portanto, ferramentas de comunicação a seu dispor e pessoal treinado para seguir produzindo conteúdo ganhando, assim, soberania e garantindo sua auto-organização por meio da rede. Portanto, para dar conta desses objetivos, a estratégia está em realizar visitas aos pontos de cultura e coletar suas percepções, desafios e potencialidades. Após essa etapa, serão desenvolvidos instrumentos de comunicação em rede e promovidos seminários com oficinas sobre as ferramentas. Será realizado ainda o Festival de Cultura do Paraná, de forma a dar visibilidade aos mais diversos produtos culturais de nosso estado. Por fim, publicaremos a Cartilha da Cultura, mapeando os pontos visitados e expondo questões pertinentes à gestão cultural, e diversos vídeos, tanto institucionais sobre os pontos, como documentários do projeto e de ações específicas, como o Festival de Cultura. Para entrar em contato conosco, ligue (41) 3092-0463 ou escreva para contato@kuaitema.org.br

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3. KIT DE FERRAMENTAS KUAI TEMA Além das atividades de formação e de eventos, o trabalho do Pontão de Cultura Kuai Tema se consolidará e se tornará concreto em algumas ferramentas de comunicação, que deverão ser livremente utilizadas pelos pontos e organizações culturais. O objetivo é que, com tais instrumentos, os pontos ganhem mais soberania e que sua sobrevivência, após o término do convênio, seja facilitada pela apropriação destes. Dessa forma, o kit foi pensado de modo a suscitar visibilidade para as iniciativas desenvolvidas pela rede de cultura no Paraná. Sabe-se que as diversas organizações têm carências distintas e que a comunicação, tanto entre elas como com a sociedade e o Estado, pode colaborar na construção de soluções coletivas para os desafios que se colocam. O kit é composto, portanto, por ferramentas de comunicação, como o portal, web rádio e web tv. Nesse sentido, é importante destacar que os instrumentos de comunicação são o cerne do trabalho do Kuai Tema e funcionam como facilitadores da implementação das demais atividades. Só por meio desses instrumentos e, em especial, com a adesão dos pontos e utilização desses mecanismos de comunicação, é que poderemos garantir o desenvolvimento de uma fértil rede de conhecimento e de trocas. Pretende-se então que experiências isoladas no tempo e no espaço alcancem impactos maiores em suas comunidades, possibilitando uma relação distinta entre gestores, produtores e consumidores culturais – talvez, até mesmo a quebra dessa lógica e o surgimento de uma nova economia da cultura. A partir de agora você vai conhecer um pouco desse kit de ferramentas e entender como ele pode ser útil para você, sua entidade e ponto de cultura. Inicialmente, você terá acesso aos princípios e objetivos para o uso dessas ferramentas de comunicação, sejam informações escritas, em vídeo ou áudio. 3.1. Política de uso do kit de ferramentas Kuai Tema As ferramentas de comunicação e, portanto, a Rede Kuai Tema são instrumentos de criação colaborativa e que devem servir aos pontos, grupos e entidades que têm iniciativas na área da cultura. Nesse sentido, frisa-se que a rede deve estimular a participação dos membros da comunidade e difundir notícias de interesse da rede. Deve respeitar os valores éticos e sociais e oferecer espaço de participação às diversas partes envolvidas em qualquer assunto. Além disso, é vetada a publicação de conteúdo que atente contra os direitos humanos e que faça discriminação de raça, credo, sexo, convicções político-partidárias e condições sociais. As publicações devem priorizar conteúdo próprio, isto é, produzido pelos mantenedores da Rede Kuai Tema – pontos, entidades e grupos. Dessa forma, tendo em vista o compartilhamento e a produção de conhecimento, indica-se a utilização de licenças do tipo Creative Commons, que apóiam a flexibilização dos direitos autorais e as políticas de copyleft (para obter mais informações sobre os tipos de licença CC ou para conhecer suas versões jurídicas, na íntegra, visite www.creativecommons.org.br). Destaca-se, ainda, que outros tipos de licenciamento devem ser obedecidos. Havendo reprodução de conteúdo de terceiros (em qualquer formato), deve ser citada a fonte e a responsabilidade da publicação de tais conteúdos é da organização ou ponto que mantém o blog. Indica-se ainda que as idéias contidas nas publicações, próprias ou de terceiros, seja material escrito ou áudiovisual, estejam em consonância com os seguintes princípios e objetivos: - lutar pela pluralidade da comunicação e da cultura em contraposição às práticas de massificação e o pensamento único, disputando valores e criando formas para difundir e potencializar princípios humanistas; - defender a liberdade e democratização do conhecimento por meio da colaboração e de tecnologias livres; - tornar a cultura um instrumento de emancipação dos povos; - contribuir para a soberania em todas as suas vertentes: política, econômica, social, cultural, territorial, alimentar, energética; - construir bases e ferramentas para a democracia participativa, a justiça social, a afirmação dos direitos humanos e do respeito à diversidade; - contribuir para o fortalecimento da esfera pública em detrimento da lógica privatista do capital.

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3.2. Portal Nós da Rede A criação do Portal Nós da Rede deriva do entendimento que a disputa entre os grandes e os pequenos veículos de comunicação é extremamente desigual. Boa parte da mídia é controlada por poucos grupos, constituindo um verdadeiro oligopólio. Na busca do equilíbrio de forças, é preciso estimular instrumentos de mídia livre. Assumir as conseqüências das diferenças econômicas e interferir nesse processo é o primeiro passo para combater a desigualdade. Não se pode democratizar a sociedade sem democratizar a palavra. Por isso entendemos que é fundamental interligar a comunicação das organizações sociais e culturais para divulgar informações e compartilhar experiências entre si, com ações efetivas que estimulem e capacitem as organizações sociais e culturais a expandirem o pensamento crítico dos cidadãos. É com esse intuito que nasce o Portal Nós da Rede, para fortalecer a cultura, a democratização da comunicação e propiciar a organização em rede das iniciativas e entidades paranaenses. Além disso, parte da leitura de que apenas atuando coletivamente conseguimos avançar e alcançar visibilidade e impacto social. De modo concreto, a proposta é que o Portal seja um espaço para que os pontos, grupos e agentes culturais divulguem suas opiniões e notícias, tanto em vídeo, áudio ou texto. É formado por uma rede de blogs, mantidos por cada ponto, entidade e iniciativa cultural que pretendam construir, juntas, uma ferramenta de comunicação efetiva e plural. Basta um cadastro e o compromisso com os princípios e objetivos para receber um blog. Dentro dele, será possível postar conteúdos textuais e também audiovisuais. Cada blog poderá ser customizado, tendo a cara da entidade e do ponto que o mantém. Temos o entendimento que a articulação em rede é a base desta ferramenta e, por isso, outros blogs, sítios e portais poderão ser integrados. Dessa forma, o Portal Nós da Rede deve contribuir com iniciativas como o Portal do Fórum da Cultura Digital Brasileira e outras frentes de construção colaborativa e debate de idéias. Destaca-se, ainda, que o Portal Nós da Rede foi desenvolvido utilizando o software livre WordPress. Este gerenciador de blogs e sítios pode ser usado para a construção de redes de conteúdo e possibilita a integração com diversas outras redes sociais e de informação. É um software simples de operar e, por estar na internet, pode ser acessado de qualquer computador com acesso à internet, facilitando, portanto a sua alimentação. Visite o Portal no endereço nosdarede.org.br, crie o blog de seu ponto/entidade e comece a produzir conteúdo. Vamos juntos mostrar a diversidade da cultura paranaense também na internet. 3.3. Web Rádio Nós da Rede A Web Rádio Kuai Tema é uma ferramenta de comunicação livre: É um espaço de luta contra o monopólio e controle dos meios de comunicação de massa atuais. É um espaço de trabalho conjunto, democrático, igualitário, colaborativo, autogestionado. Visa estimular a diversidade cultural por meio da arte radiofônica. É um espaço aberto para a troca de conhecimentos, bem como a articulação em rede dos pontos e entidades culturais do Paraná. (Manifesto da Web Rádio Nós da Rede) A Web Rádio Nós da Rede (WRNR) é um instrumento de articulação e promoção conjunta de diversos pontos e entidades culturais do Paraná. Neste sentido, é um espaço aberto à interação e difusão cultural e artística promovida por estes mesmos agentes. Ela faz parte e está integrada ao Portal Nós da Rede, não tem fins lucrativos e sua duração é ilimitada – permanecendo na internet enquanto os pontos e entidades a alimentarem e a mantiverem viva. Entende-se que a WRNR é uma rede de produtores de mídia autônomos e voluntários, com o objetivo de construir uma ferramenta livre, igualitária e que respeite a diversidade cultural. Qualquer grupo, entidade ou movimento social – que estejam em sintonia e tenham acordo com a “Política de uso do kit de ferramentas Kuai Tema” – poderão publicar sua própria versão da realidade.

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É, portanto, um espaço para rompermos com a lógica da mídia tradicional, permitindo que saiamos do papel de espectador(a) passivo para nos tornarmos produtores/emissores de conteúdo. Assim, pretende-se que a WRNR seja um contraponto ao atual oligopólio da comunicação, adotando práticas de gestão horizontal e estando aberta às propostas de programação e inclusão de novos membros. Espera-se que cada vez mais agentes culturais se envolvam na gestão e programação da WRNR, proponham programas e participem dos debates promovidos. Ocupar o espaço criado pelo Kuai Tema é primordial para que a rádio tenha amplitude e legitimidade junto a seus públicos mais variados. Para tanto, é importante que os interessados em participar estejam atentos para os princípios e formas de produção da mesma. Sendo assim, para os programas irem ao ar durante a programação, os responsáveis deverão passar uma descrição básica, contendo as seguintes informações: (a) data e hora; (b) duração; (c) nome do programa; (d) nome da série; (e) descrição curta; (f) cobertura espacial; (g) cobertura temporal; (h) playlist; (i) produtor; (j) equipe. Visite o portal kuaitema.org.br, crie o blog de seu ponto/entidade e comece a produzir o seu conteúdo. Vamos juntos mostrar a diversidade da cultura paranaense nas ondas do rádio. 3.4. Web TV Nós da Rede Assim como a rádio, a Web TV Nós da Rede (WTVNR) destina-se à produção audiovisual dos pontos e entidades culturais. Seu propósito é, por meio dos vídeos, refletir sobre a cultura local, propiciar a interconexão entre as iniciativas e elaborar novos formatos e conteúdos audiovisuais. Está também integrada ao Portal Nós da Rede, não tem fins lucrativos e sua duração é ilimitada – permanecendo na internet enquanto os pontos e entidades a alimentarem e a mantiverem viva. Dessa forma, na WTVNR estará agrupado o conteúdo audiovisual produzido pela rede Kuai Tema. Servirá para que os produtores de conteúdo difundam seus vídeos, permitindo que os pontos e organizações se conheçam e reconheçam dentro da diversidade da cultura estadual. Inicialmente a WTVNR não oferecerá o serviço de "broadcasting", sendo aconselhado o uso do portal ITEIA para o carregamento do conteúdo audiovisual na internet. A partir de mecanismos de busca e RSS, serão captados os materiais postados nos blogs e sítos de pontos de cultura e parceiros da rede. Os vídeos serão divididos em três categorias: todos os vídeos da rede, vídeos dos pontos de cultura e vídeos produzidos por parceiros. Visite o portal nosdarede.org.br, crie o blog de seu ponto/entidade e comece a produzir o seu conteúdo. Vamos juntos mostrar a diversidade da cultura paranaense na Web TV Nós da Rede.

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4. ATIVIDADES QUE VOCÊ NÃO PODE PERDER O Coletivo Soylocoporti, por meio do Pontão de Cultura Kuai Tema, está promovendo uma série de atividades que você não pode perder. São eventos interligados e inter-relacionados e que pretendem propiciar uma expansão, afirmação e organização em rede das iniciativas, pontos e entidades de cultura paranaenses. Há várias formas de participar e contribuir com essas atividades. Abaixo você vai entender os objetivos de cada uma delas e como se inserir. Não perca! 4.1. Ciclo Paranaense de Cultura Digital O objetivo do Ciclo Paranaense de Cultura Digital é proporcionar espaços de interação entre os pontos e entidades culturais de forma crescente, fomentando o debate da cultura digital e da necessidade de fortalecimento da mídia livre como alternativa aos meios tradicionais. Para tanto, serão realizados seminários macro-regionais de cultura digital, como este que você está participando, durante os meses de agosto e setembro, em várias regiões do estado. Já no mês de novembro, o Pontão de Cultura Kuai Tema realizará o Seminário Estadual de Cultura Digital, envolvendo os pontos e entidades de todo o Paraná. O principal objetivo é concluir os trabalhos de capacitação iniciados nas etapas regionais, fortalecendo a integração e a comunicação em rede e compartilhada. Portanto, durante esta etapa final, além de um dia de cursos e debates dedicado à complementação da formação, ocorrerá também um Laboratório Prático de Cobertura Compartilhada, durante os três dias do Festival de Cultura do Paraná. Tal atividade permitirá aos participantes exercitar os conteúdos apropriados durante os seminários, trocar experiências e desenvolver um trabalho conjunto. Nesse sentido, serão montados três laboratórios e um estúdio de gravação e divididas equipes para produzir a cobertura compartilhada de conteúdos a respeito do Festival, sejam textos, áudios ou vídeos. O material que resultar será postado no Portal Nós da Rede, nos blogs dos pontos que os produziram, alimentando a rede e dando visibilidade à cultura local. Então agende-se, pois o Seminário Estadual de Cultura Digital acontecerá no dia 18 de novembro de 2009 e o Laboratório Prático de Cobertura Compartilhada, nos dias 19, 20 e 21 de novembro, durante o Festival de Cultura do Paraná. Ambas as atividades serão realizadas em Curitiba, sendo disponibilizado transporte, hospedagem e alimentação para até três representantes de cada ponto de cultura do Paraná (com limite máximo de 63 participantes custiados). Confira a programação e participe das atividades planejadas para vocês: Seminário Estadual de Cultura Digital

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Laboratório de Cobertura Compartilhada

4.2. Festival de Cultura do Paraná O Festival de Cultura do Paraná pretende integrar os grupos, pontos e entidades culturais por meio de mostras, shows, debates e oficinas artísticas dos mais variados gêneros. O objetivo é ser mais que um festival de apenas apresentações culturais, buscando fortalecer as articulações entre as iniciativas culturais de todo o estado, a sua organização colaborativa por meio de rede e o amadurecimento de posicionamentos políticos em questões referentes à cultura. Realizado anualmente há três anos, o Festival é fruto da parceria entre o Coletivo Soylocoporti, a Universidade Federal do Paraná e seus centros e diretórios acadêmicos. Nas edições de 2006, 2007 e 2008, o festival tornou-se um evento ideal para apreciação das manifestações étnico-culturais paranaenses e nacionais. A diversidade de participantes demonstrou a possibilidade de diálogo e interculturalidade entre as várias formas de expressão cultural presentes no Festival. Em 2009, com o Festival chegando a sua quarta edição, a proposta é expandí-lo para além dos limites da universidade, inserindo grupos culturais de todo o estado e o debate sobre a cultura exatamente com que faz cultura no Paraná. Pretende, ainda, ser um espaço propício para a integração entre os pontos de cultura do Paraná, sendo que estes poderão mostrar seus trabalhos e conhecer outras iniciativas. Dessa forma, a participação de todos é fundamental. Mais do que ser espectador do Festival, queremos que você seja um formulador, um produtor dessa atividade. Para a participação dos grupos serão abertos dois editais de seleção artística, um voltado para as mostras culturais (artesanato, pintura, fotografia, teatro, dança, escultura, poesia ou grupo musical) e outro para atividades auto-gestionadas (oficinas artísticas, exposições, debates e vídeo-debate). As inscrições para os dois editais iniciam no dia 20 de agosto e se estendem até o dia 28 de setembro. Para consultar os formulários e maiores informações acesse o sitio http://festivaldecultura.art.br ou o http://nosdarede.org.br. Além da participação por meio da proposição de atividades culturais, será possível, como colocado na seção anterior, participar do Festival também por meio da cobertura compartilhada do evento (vide seção 4.1.). Desta forma, convidamos todos os pontos e entidades culturais a participarem da construção do Festival de Cultura do Paraná 2009, mostrando seus trabalhos artísticos, debatendo a cultura e contribuindo para a construção de um evento que espelhe a diversidade cultural existente em nosso estado. Confira a programaçãobase do Festival e ajude-nos a construí-lo!

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4.3. Cartilha de Cultura do Paraná Como consequência dos trabalhos desenvolvidos pela equipe Kuai Tema ao longo de 2009, teremos uma gama de informações sobre os pontos de cultura estaduais, possibilitando uma reflexão a respeito dos avanços, dificuldades e questões referentes às políticas culturais em curso. O resultado dessa experiência irá se consolidar em um publicação, a Cartilha da Cultura do Paraná, a ser lançada em 2010. Parte da Cartilha será construída de modo colaborativo, tendo o objetivo de divulgar as experiências, vocações e atividades dos pontos de cultura, assim como sugestões e críticas às políticas públicas. Dentro do Portal Nós da Rede, na seção “Participe”, você poderá se somar à força-tarefa que irá redigir este documento. A proposta é que ele seja dividido em três partes, sendo possível encontrar informações básicas sobre os pontos de cultura (como nome, contatos, endereços, tipo de atividade realizada); um resumo das atividades desenvolvidas pelo Kuai Tema, contendo os conteúdos formativos dos seminários e manuais da web TV, web rádio e portal Nós da Rede e um debate sobre as condições para o desenvolvimento de iniciativas culturais no Paraná. No entanto, até mesmo esse formato poderá ser discutido e debatido entre os participantes, podendo sofrer alterações durante o processo de redação. Além disso, junto à Cartilha será disponibilizado um vídeo documentário com o panorama da cultura nos dias atuais, suas questões, dificuldades e as distintas perspectivas sobre a arte e a cultura. Entrevistas com pesquisadores e fazedores de cultura farão parte desse material. Portanto, por meio da Cartilha da Cultura do Paraná, os pontos poderão reconhecer as entidades que fazem parte da rede, usá-la para criar novas articulações e debater temas pertinentes levantados pelos próprios pontos durante os atividades do Kuai Tema em 2009.

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5. POLÍTICAS CULTURAIS E CULTURA DIGITAL Este texto é de autoria de Sérgio Amadeu e associados e foi escrito para o "Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural: práticas e perspectivas", organizado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Organização dos Estados Americanos. Seu título original é “Diversidade Digital e Cultura”. A convenção da Unesco reconheceu a necessidade de adotar medidas para proteger a diversidade das expressões culturais e enfatizou também a relação estratégica entre cultura e desenvolvimento sustentável. As manifestações e expressões livres e libertadoras da cultura digital constituem recursos indispensáveis e essenciais para assegurar a diversidade geral das expressões culturais de nossas sociedades. Reunindo ciência e cultura, antes separadas pela dinâmica das sociedades industriais, centrada na digitalização crescente de toda a produção simbólica da humanidade, forjada na relação ambivalente entre o espaço e o ciberespaço, na alta velocidade das redes informacionais, no ideal de interatividade e de liberdade recombinante, nas práticas de simulação, na obra inacabada e em inteligências coletivas, a cultura digital é uma realidade de uma mudança de era. Como toda mudança, seu sentido está em disputa, sua aparência caótica não pode esconder seu sistema, mas seus processos, cada vez mais auto-organizados e emergentes, horizontalizados, formados como descontinuídades articuladas, podem ser assumidos pelas comunidades locais, em seu caminho de virtualização, para ampliar sua fala, seus costumes e seus interesses. A cultura digital é a cultura da contemporaneidade. Como bem lembrou o ministro-hacker Gilberto Gil, em 2004, em uma aula magna na USP, “cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte.” 5.1. Cultura digital, cibercultura e cultura das redes A maior construção da cultura digital é a internet que “nasceu da improvável intersecção da big science, da pesquisa militar e da cultura libertária.” (CASTELLS), deixando evidente que desde o início, “o remix é a verdadeira natureza do digital” (GIBSON). O digital é a meta-linguagem da cultura pós-industrial que avança no interior das redes informacionais e para fora delas, do ciberespaço para a atualização em novas sociabilidades. Por isso, a cultura digital é também a cibercultura e representa o novo estágio da cultura de rede. A cibercultura então pode ser compreendida como “a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70.” (LEMOS) Ela também é “o movimento histórico, a conexão dialética, entre sujeito humano e suas expressões tecnológicas, através da qual transformamos o mundo e, assim, o nosso próprio modo de ser interior e material em dada direção (cibernética)”. (RÜDIGER). A Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais (Convenção da Diversidade) definiu que “expressões culturais são aquelas que resultam da criatividade de indivíduos, grupos e sociedades e que possuem conteúdo cultural”. Assim, pensaremos neste texto as expressões culturais da cibercultura e sua relação com a diversidade em geral. Todos os nove objetivos da Convenção da Diversidade, relatados a seguir, têm relação direta com o desenvolvimento atual da cultura digital. São objetivos definidos pela Convenção: a) proteger e promover a diversidade das expressões culturais; b) criar condições para que as culturas floresçam e interajam livremente em benefício mútuo; c) encorajar o diálogo entre culturas a fim de assegurar intercâmbios culturais mais amplos e equilibrados no mundo em favor do respeito intercultural e de uma cultura da paz; d) fomentar a interculturalidade de forma a desenvolver a interação cultural, no espírito de construir pontes entre os povos; e) promover o respeito pela diversidade das expressões culturais e a conscientização de seu valor nos planos local, nacional e internacional; f) reafirmar a importância do vínculo entre cultura e desenvolvimento para todos os países, especialmente para países em desenvolvimento, e encorajar as ações empreendidas no plano nacional e internacional para que se reconheça o autêntico valor desse vínculo; g) reconhecer a natureza específica das

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atividades, bens e serviços culturais enquanto portadores de identidades, valores e significados; h) reafirmar o direito soberano dos Estados de conservar, adotar e implementar as políticas e medidas que considerem apropriadas para a proteção e promoção da diversidade das expressões culturais em seu território; i) fortalecer a cooperação e a solidariedade internacionais em um espírito de parceria visando, especialmente, o aprimoramento das capacidades dos países em desenvolvimento de protegerem e de promoverem a diversidade das expressões culturais. 5.2. A diversidade é a essência da cibercultura Uma das principais hipóteses de Pierre Lévy é que a cibercultura expressa o surgimento de um novo universal, diferente das formas culturais que vieram antes dele, já que ele se constrói sobre a indeterminação de um sentido global qualquer. Ou seja, a cibercultura abriga pequenas totalidades, “mas sem nenhuma pretenção ao universal”. Podemos dizer que seu fundamento é a própria diversidade. Uma diversidade em contínua construção. Entre as maiores expressões do ativismo cibercultural está o movimento conhecido como Metareciclagem. Avesso a qualquer totalização, o Metareciclagem constrói vínculos entre tecnologia e arte sem modelos predeterminados, de modo distribuído, sem imposições. Outro exemplo é o Estúdio Livre que trabalha um conceito de ambiente colaborativo, em constante desenvolvimento, que busca formar espaços reais e virtuais que estimulem e permitam a produção, a distribuição e o desenvolvimento de mídias livres. Todas as ferramentas deste ambiente são baseadas nos conceitos de software livre, conhecimento livre e apropriação tecnológica pelas comunidades de usuários. Segundo a Convenção da Unesco, “diversidade cultural refere-se à multiplicidade de formas pelas quais as culturas dos grupos e sociedades encontram sua expressão. Tais expressões são transmitidas entre e dentro dos grupos e sociedades. A diversidade cultural se manifesta não apenas nas variadas formas pelas quais se expressa, se enriquece e se transmite o patrimônio cultural da humanidade mediante a variedade das expressões culturais, mas também através dos diversos modos de criação, produção, difusão, distribuição e fruição das expressões culturais, quaisquer que sejam os meios e tecnologias empregados.” A expansão da cultura digital confunde-se com a expansão da internet. Mas a internet foi construída sob forte influência da cultura hacker e, por isso, guarda seus traços, nos quais devemos destacar a liberdade de criação e a idéia de compartilhamento. Este espírito aberto permitiu construir o maior repositório de informações que a humanidade jamais viu. A cultura hacker gerou uma rede das redes e não uma rede única, uma rede absoluta. A diversidade dentro da colaboração foi e é um enorme feito dos arquitetos da internet. Mas a internet ganhou importância econômica e política e agora está sob constante ataque. Grupos e corporações gigantescas do mundo industrial querem conter a expansão da rede como um espaço de liberdade para o conhecimento e para a criação e recombinação digital da cultura. As tecnologias da informação são ambíguas. Servem ao controle e à liberdade, ao aberto e ao opaco. A cibercultura se realiza dentro deste terreno em disputa. De um lado, as operadoras de telecom querendo controlar a voz sobre IP, de outro o movimento Save the internet, articulando a defesa da neutralidade dos protocolos da rede. As indústrias do entretenimento querendo impor o DRM e organizações como a Eletronic Frontier Foundation lutando pela liberdade de expressão e pelos inalienáveis direitos humanos na rede. Defender a diversidade cultural na rede passa pela defesa de uma cidadania digital, transnacional, e baseada na garantia dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. 5.3. Diversidade é recombinante O coletivo de mídia tática Critical Art Ensemble tem trabalhado desde o final do século XX com sua crítica profunda aos limites à criatividade impostos pelo sistema. Se Vannevar Bush havia nos alertado de que as nossas mentes pensam por associação, não seria estranho supor que nossa cultura realiza-se também por conexão, por constantes recombinações. De modo suficientemente claro, no texto Distúrbio Eletrônico, o Critical Art Emsemble conclama: “Deixemos que as noções românticas de originalidade, genialidade e autoria permaneçam, mas como elementos para a produção cultural sem nenhum privilégio especial acima dos outros elementos igualmente úteis. Está na hora de usarmos a metodologia da recombinação para melhor enfrentarmos a tecnologia do nosso tempo”. A diversidade depende da liberdade dos fluxos e a criatividade precisa estar desimpedida para adotar todo o potencial da interatividade que é o devir da hipertextualidade e está presente em toda a expansão da web. Uma web que caminha cada vez mais para constituir-se de múltiplas práticas colaborativas. Alex Primo, ao analisar o aspecto relacional das interações na Web 2.0, esclareceu que “a interação social é

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caracterizada não apenas pelas mensagens trocadas (o conteúdo) e pelos interagentes que se encontram em um dado contexto (geográfico, social, político,temporal), mas também pelo relacionamento que existe entre eles. Portanto, para estudar um processo de comunicação em uma interação social não basta olhar para um lado (eu) e para o outro (tu, por exemplo). É preciso atentar para o “entre”: o relacionamento. Trata-se de uma construção coletiva, inventada pelos interagentes durante o processo, não podendo ser manipulado unilateralmente nem previsto ou determinado”. O relacionamento recombinante é conflituoso e seu sentido é imprevisível, pois a linkagem aberta ou a colinkagem garante a liberdade e a infinita disputa de caminhos e trilhas. Mas isso é vital para a diversidade. O princípio da Convenção da Unesco de igual dignidade e respeito por todas as culturas precisa incorporar o mesmo tratamento para as culturas recombinantes, para as ciberculturas. Nunca é demais lembrar das idéias de George P. Landow, um dos grandes estudiosos do hipertexto: “Las concepciones de autoría guardam uma estrecha relación com la forma de tecnología de la información que prevalece em un momento dado, y, cuando esta cambia o comparte su dominio com otra, también se modifican, para bien y para mal, las interpretaciones culturales de autoria.” 5.4. A defesa do acesso para assegurar as possibilidades de digitalização das expressões culturais Alejandro Piscitelli argumenta que a “internet fue el primer medio masivo de la historia que permitió uma horizontalización de las comunicaciones, uma simetria casi perfecta entre producción y recepción, alterando em forma indeleble la ecologia de los medios.” Este enorme feito democratizante não conseguiu ainda reverter as tendências concentradoras que se ampliam com as assimetrias sócio-econômicas. Javier Bustamante Donas, ao discutir a relação entre a cibercultura e a ecologia da comunicação, afirmou que “el acceso a internet y su uso como vehículo de transmisión de ideas y de comunicación personal va sin duda a establecer nuevos criterios de diferenciación social entre los ciudadanos de la nueva cibercultura. Individuos, empresas, colectivos sociales que no tengan acceso por razones económicas, técnicas o de rechazo psicológico, se encontrarán en una posición precaria a la hora de definir su presente y su futuro”. Não podemos privar as comunidades locais, tradicionais ou não, bem como os artistas e produtores culturais da possibilidade de migração de sua produção simbólica para o interior da redes, para o ciberespaço. Para assegurar que a expressão das idéias e manifestações artísticas possam ganhar formatos digitais e, também, para garantir que os grupos e indivíduos possam criar, inovar e re-criar peças e obras a partir do próprio ciberespaço, são necessárias ações públicas de garantia de acesso universal à rede mundial de computadores. Sem inclusão digital de todos os segmentos da sociedade, a cibercultura não estará contemplando plenamente a diversidade de visões, de expressões, de comportamentos e perspectivas. Bem alertou-nos Javier Bustamante que “sin una pluralidad de fuentes no se puede hablar de libertad de pensamiento, conciencia o religión. Sin acceso a medios de alcance internacional no tiene sentido hablar de libertad de opinión y de difusión de las mismas sin limitación de fronteras”. Por isso, a cultura da diversidade digital é ampliada pelas práticas de compartilhamento de conhecimento, de tecnologias abertas, de expansão de telecentros, de oficinas de metareciclagem, de pontos de cultura. Essas iniciativas precisam ser amplificadas, uma vez que executam o princípio do acesso eqüitativo presente na Declaração da Unesco: “O acesso eqüitativo a uma rica e diversificada gama de expressões culturais provenientes de todo o mundo e o acesso das culturas aos meios de expressão e de difusão constituem importantes elementos para a valorização da diversidade cultural e o incentivo ao entendimento mútuo”. Quanto maior a inclusão digital da sociedade, maiores serão as possibilidades da diversidade cultural. Quanto maior a liberdade para as práticas colaborativas na rede, wikis, softwares livres, ações P2P, blogs, espectro aberto, mais extensa será sua inteligência coletiva criativa. 5.5. Realidades alternativas, simulações e multíplas identidades A cultura digital envolve a simulação, as realidades virtuais e as realidades alternativas. Ciborgues não são somente metáforas, como nos ensinou Donna Haraway. A crise das identidades que ocorria já nas sociedades industriais evoluiu para um cotidiano pendular entre identidades ausentes e anonimato, de um lado, e múltiplas identidades, de outro. Jogos em rede envolvem milhões de pessoas, avatares se enfrentam e se articulam em um cenário virtual onde também estão inseridas as diversas comunidades virtuais de relacionamento, e que criam caminhos de mão dupla virtual-atual e presencial-ciberespacial. Nesse cenário, de ausentes e múltiplos, de choque de sociabilidades, é que também devemos enfatizar o papel

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das identidades únicas e das identidades étnicas. A riqueza da diversidade dependerá do fortalecimento de diversos elementos constitutivos das identidades coletivas que compõem uma cultura. A Convenção da Unesco recordou “que a diversidade lingüística constitui elemento fundamental da diversidade cultural”. Então, a diversidade digital exige a produção de conteúdo em diversas línguas e dialetos em sítios, portais, na blogosfera, na videosfera e nos ambientes de realidade alternativa. 5.6. Assegurar a liberdade dos fluxos, do conhecimento e da criação Eugenio Trivinho nos alertou que “ao mesmo tempo que a miniaturização das tecnologias comunicacionais permite o maior poder de movimentação nas cidades reais, materiais, gera também um maior efeito de ilusão de liberdade. Para evitar confusão: um contexto histórico que confere mobilidade corporal assistida pela potência da comunicação à distância nem por isso concede maior liberdade aos indivíduos, ou uma liberdade genuína, isenta de constrangimentos, coações e controles”. No cenário da cibercultura, a liberdade exige arquiteturas abertas aos fluxos de conhecimento. Nunca foi tão possível compartilhar conhecimento quanto na era das redes informacionais. Nunca foi tão rápido, barato e fácil trocar informações. Os economistas da informação sabem que o principal insumo da informação é a própria informação. A matéria-prima do conhecimento é a própria informação codificada ou conhecimento. A informação não possuí as restrições limitadoras dos bens materiais. Informações, desconhecem a escassez e o desgaste no uso. Podem ser usadas de modo ilimitado e reproduzidas a custo zero. Exatamente estas características inerentes aos bens informacionais é que são combatidas pelos gigantes da era industrial. Buscam realizar uma cruzada pelo enrijecimento das leis de propriedade das idéias, para criminalizar o compartilhamento de idéias, de algoritmos e de criações artísticas. Invadem centros acadêmicos à procura de cópias xerox de livros e retrocedem na interpretação do uso justo do conhecimento. Esses guerreiros da propriedade privada das idéias, esquecem que, ao contrário dos bens materiais, o conhecimento cresce quando é compartilhado. Provavelmente desconsideram a brilhante explicação de George Bernard Shaw, dramaturgo e crítico literário irlandês: “Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã e trocarmos estas maçãs, então eu e você teremos ainda apenas uma maçã. Mas se eu tenho uma idéia e você tem uma idéia, e trocarmos nossas idéias, então cada um de nós terá duas idéias”. A cibercultura para avançar precisa derrubar as barreiras da liberdade de conhecimento. As redes não podem ser malhas de uma “informática da dominação”, termo bem cunhado por Donna Haraway. A biotecnologia não deveria construir seu caminho baseando-se na modelo de negócios dos alimentos transgênicos, que buscam controlar, por meio de patentes, o conhecimento sobre as formas de reprodução da vida. A opacidade dos códigos (softwares, protocolos e padrões) é grave. Como bem alertou-nos o jurista Lawrence Lessig, “no ciberespaço o código é a lei”. Lessig ao analisar como a grande mídia usa a tecnologia e a lei para bloquear a cultura e controlar a criatividade, escreveu que a “oportunidade para criar e transformar está enfraquecida em um mundo no qual a criação depende de permissão judicial, e a criatividade precisa sempre consultar um advogado.” Para evitar uma anemia cultural generalizada promovida pelas tentativas de controlar privadamente o conhecimento e a cultura é que crescem mobilizações como o Creative Commons, um movimento de licenciamento que busca reequilibrar o cenário de propriedade intelectual, dando maior espaço às características básicas da cultura digital, entre elas a recombinação, o sampling, a liberdade de cópia. 5.7. A economia da cibercultura é baseada no relacionamento e não na propriedade John Perry Barlow, letrista, músico, ciberativista, autor do Manifesto de Independência do Ciberespaço, fundador da Eletronic Frontier Foundation, escreveu os princípios da economia de uma cultura digital, de uma cibercultura. Barlow captou a tendência da economia se basear cada vez mais em serviços. Nela, o valor da propriedade perde força diante dos valores do relacionamento. Ele escreveu que “a maioria de nós vive hoje graças à inteligência, produzindo ‘verbos’, isto é, idéias, em vez de ’substantivos’, como automóveis e torradeiras.(…) Médicos, arquitetos, executivos, consultores, advogados: todos sobrevivem economicamente sem serem ‘proprietários’ de seu conhecimento [...] É um consolo saber que a espécie humana conseguiu produzir um trabalho criativo decente durante os 5.000 anos que precederam 1710, quando o Estatuto de Anne, a primeira lei moderna de direitos autorais, foi aprovada pelo Parlamento Britânico. Sófocles, Dante, Da Vinci, Botticelli, Michelangelo, Shakespeare, Newton, Cervantes, Bach - todos encontraram motivos para sair da cama pela manhã, sem esperar pela propriedade das obras que criaram”.

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Sua conclusão é empiricamente consistente: “Mesmo durante o auge do direito autoral, conseguimos algo bastante útil de Benoit Mandelbrot, Vint Cerf, Tim Benners-Lee, Marc Andreessen e Linus Torvalds. Nenhum deles fez seu trabalho pensando nos royalties. E há ainda aqueles grandes músicos dos últimos cinqüenta anos que continuaram fazendo música mesmo depois de descobrir que as empresas fonográficas ficavam com todo o dinheiro [...] relacionamento, junto com serviço, é o centro daquilo que suporta todo tipo de “trabalhador moderno do conhecimento”. Na economia digital colaborar é mais eficiente que simplesmente competir. Um número crescente de empresas está percebendo as enormes vantagens das práticas colaborativas para a inovação e a manutenção de seus negócios. As redes informacionais viabilizam novas práticas sociais e de geração de riquezas que eram difíceis e até impossíveis de se implementar na chamada era industrial. O professor de direito da Universidade de Yale, Yochai Benkler, no livro The Wealth of Network, disponível na web, demonstrou que uma série de mudanças nas tecnologias, na organização econômica e na produção social estão criando novas oportunidades e possibilidades de produzir informação, conhecimento e cultura. Essas mudanças, segundo Benkler, estão ampliando o papel da produção não-proprietária e colaborativa, realizada por indivíduos isolados e por esforços cooperativos de milhares de pessoas. É o caso, por exemplo, do desenvolvimento de software livre, uma típica criação da cultura digital. O modelo de desenvolvimento e uso de software livre se baseia na colaboração. Programas de computador extremamente complexos são criados e mantidos por comunidades de interessados. Um dos seus maiores exemplos, o GNU/Linux, é um sistema operacional livre, mantido por aproximadamente 150 mil pessoas espalhadas pelo planeta. Como todo e qualquer software, o GNU/Linux precisa ser atualizado constantemente para acompanhar a evolução dos computadores e demais softwares. Antes que uma nova versão do GNU/Linux seja considerada estável, ela é testada e corrigida por uma comunidade gigantesca de apoiadores. As chances de ter suas falhas mais rapidamente encontradas e superadas é bem maior do que no modelo proprietário e fechado. A qualidade das versões está diretamente vinculada à quantidade da inteligência coletiva agregada na rede mundial de computadores. Sem dúvida, a coordenação do processo é o elemento mais sensível e complexo das práticas colaborativas em rede. O que cada colaborador doa, em tempo de trabalho, para o desenvolvimento do GNU/Linux é bem menor do que obtém de retorno. Essa lógica levou ao antigo Big Blue, a IBM, e outras grandes corporações a apostarem no desenvolvimento colaborativo. Apache é um dos maiores sucessos mundiais do software livre. Ele serve para hospedar páginas da web e está presente em mais de dois terços dos servidores web do planeta. Imbatível. Obteve esta posição sem gastar um centavo em propaganda. Nunca precisou, ele é desenvolvido colaborativamente e sua estabilidade é incomparavelmente superior ao do concorrente proprietário. 5.8. Cultura digital e ciberespaço: as fronteiras com os estados-nação A internet carrega e conecta os fluxos da cultura digital, transitando pelas diversas infra-estruturas dos países controlados por Estados nacionais. Todavia, a rede é transnacional. Construída sob forte influência da cultura hacker para ser livre, conectada por protocolos de comunicação que buscam manter liberadas as vias de compartilhamento de dados e interação de informações. A internet é o corpo do ciberespaço. Mas os tempos de globalização, de auge das tentativas de desmonte geral do que é público, de prevalência do privado, de expansão do consumismo totalitário, do desrespeito ao local e às culturas tradicionais, gerou fortes reações, algumas de reprodução em larga escala da intolerância. Reforçou-se o cenário de ambivalências. Estados nacionais poderosos e megacorporações tentam criar condições para controlar os fluxos das redes, a internet. Totalitários de plantão reúnem argumentos para interferir nos protocolos, na independência de cada uma das camadas que compõem a rede, para vigiar os pacotes de informação, para manter ditaduras ou níveis de lucratividade. O ciberespaço precisa ser livre. O acesso precisa ser livre. A navegação precisa ser livre. A governança da internet é também a governança do ciberespaço. Ela não pode representar um retrocesso nas liberdades conquistadas, do contrário, teremos ataques à criatividade, ao compartilhamento de informações, à diversidade de manifestações e expressões da cultura digital. A defesa da diversidade digital passa pela defesa de um modelo de governança da rede que seja multistakeholder, que garanta o peso devido às organizações da sociedade civil mundial de interesse público, que assegure uma cidadania digital global, que mantenha as liberdades fundamentais do homem. O importante princípio da soberania nacional inserido na Convenção da Unesco não pode ser usado para anular o

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princípio da abertura e do equilíbrio, segundo o qual “ao adotarem medidas para favorecer a diversidade das expressões culturais, os Estados buscarão promover, de modo apropriado, a abertura a outras culturas do mundo e garantir que tais medidas estejam em conformidade com os objetivos perseguidos pela presente Convenção”. 5.9. Como apoiar a cultura digital na perspectiva da diversidade? Quais os parâmetros para políticas públicas adequadas? É necessário estruturar políticas públicas que incentivem a cultura digital. Os fundos de tecnologia e telecomunicação devem assegurar linhas especiais de pesquisa e de produção de tecno-arte, de tecnologias abertas e livres. Devem estudar formas jurídicas adequadas para o financiamento de projetos de coletivos tecnológicos, tais como para as comunidades de software livre, de metareciclagem, de midia-ativismo e cibercultura, bem como, os coletivos de conexão cooperativa. É preciso assegurar a capacitação e autonomia teconológica de indivvíduos e comunidades para que tenham recursos para portar seus conteúdos para a rede informacional. Daí a importância decisiva dos estúdios livres de cibercultura. É fundamental construir uma política de convergência digital para o que é comum, para a sociedade civil, para digitalizar as rádios e TVs comunitárias, para garantir experimentos comunitários de conexão aberta. É preciso estimular produção de mídias colaborativas em instituições de educação e cultura no sentido de ampliar a prática de expressão escrita, audiovisual e multimídia da cultura, como ainda produzir relacionamentos e redes sociais. É essencial a infra-estrutura de acesso universal e gratuito à internet via banda larga como política pública. Isso para ampliar que novos produtores de cultura possam disponibilizar suas criações no universo das redes digitais. É importante incentivar a expansão das cidades digitais. É vital garantir que sejam expandidas as faixas de frequência do espectro radioelétrico para uso comum, para rádios e TVs locais autônomas conectadas em rede. A sociedade precisa discutir o destino das faixas de freqüência que estão sendo utilizadas atualmente pelas emissoras de TV para transmissão analógica. Quando a implantação da TV digital estiver completa, estas faixas poderão ser transformadas em espectro aberto, em via de uso comum, com o uso de rádios transmissores, receptores inteligentes e outras tecnologias digitais. É preciso incentivar a produção de conteúdos digitais para a mobilidade, para o cenário de realidades alternativas, jogos em rede e digitalização crescente do broadcasting, bem como, para a expansão das web TVs distribuídas.É preciso incentivar o crescimento do domínio público, bem como, garantir a liberdade para o conhecimento e a cultura. É necessário estimular a produção de ambientes agregadores da diversidade da cultura digital, mas que sejam criados e administrados pelos próprios usuários. É importante estabelecer encontros (na forma de seminário, barcamp, wordshop, etc) para ocupar a cidade com conteúdos e linguagens provenientes da cultura digital, compreender e discutir a cultura livre e, ao mesmo tempo, para reforçar a participação social nos espaços públicos da cidade. 5.10. Como garantir a expansão da pesquisa da cibercultura? O Ministro da Cultura Gilberto Gil, na aula inaugural que realizou na USP, no dia 10 de agosto de 2004, afirmou que “é hora de a pesquisa científica acerca da cultura conquistar novos vôos, ganhar maior consistência, rigor e autonomia. É preciso pensar a universidade também como um ‘locus’ da cultura, seja das expressões artísticas, seja da difusão, ou reflexão, ou da preservação”. Nesse sentido, é preciso pensar propostas que garantam a ampliação da pesquisa da cultura digital. É preciso articular mais pesquisas básicas e experimentais, multidisciplinares, que ampliem a compreensão das tecnologias de informação e comunicação em um contexto de redes e da cultura digital. É preciso criar nós e articulações mais freqüentes entre os vários atores e pesquisadores de cibercultura.É preciso incentivar redes de pesquisa da cultura digital. É preciso criar encontros, desconferências, festivais, prêmios e incentivos à pesquisa da cibercultura e sua relação múltipla com diversos contextos.

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5.11. Por um pacto pela liberdade para o conhecimento e a criação A cultura digital é a cultura que trabalha com a plena criatividade. Não está limitada ao ideal romântico de originalidade exclusiva, espalha-se pela idéia de recombinação, remixagem, fusão, derivação, destruição de todos os entraves à criação, obra contínua, ilimitada, fundamentalmente aberta. Trata da novidade e da reconfiguração. Cultiva a colaboração e o compartilhamento tal como o antigo ideal científico. A ciência pouco avançaria se não fosse ela própria cumulativa e recombinante. A cultura digital é a aproximação da ciência e da cultura, mediada pelas tecnologias informacionais. A liberdade para o conhecimento, a transparência para os códigos que intermedeiam a comunicação humana, a criação sem entraves, a superação da mercantilização totalitária da cultura, as possibilidades simuladoras e emancipadoras do ciberespaço são fundamentos que devemos defender se quisermos um mundo de riqueza da diversidade. Cultura digital, anti-totalitária, depende da liberdade para o conhecimento e para a criação.

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6. GESTÃO DE PROJETOS Esta seção é resultado da edição da Cartilha de Gestão Cultural produzida pela Quixote Art & Eventos. Não existe quem esteja fora da cultura, pois é por meio dela que as pessoas encontram a sua identidade e exercitam o estado de pertencimento a um povo ou a um grupo social. A cultura é, portanto, um instrumento fundamental na construção da cidadania e das relações sociais. Ela integra, dignifica, identifica, valoriza, resgata, exprime, experimenta, inventa e reinventa formas de manifestação e conjugação. Formas de comunicação. De ação e reação. Formas de expressão. Artísticas ou não. A cultura estimula e serve de apoio para o processo de aprendizagem, impulsiona a economia, estabelece relações políticas, gera emponderamento para os indivíduos e para as comunidades, atua de forma transversal na construção da sociedade e no desenvolvimento do espírito e da matéria. Refletir sobre a cultura é uma forma de refletir sobre o ser humano. É refletir sobre o que é ser humano. O que é feito pelo bicho homem. Pelo indivíduo. Por um grupo de indivíduos. O que é feito por vários grupos. É refletir sobre seu comportamento. Refletir sobre a cultura é pensar sobre a sociedade. Sobre quem a compõe. Pensar de que forma ela é constituída. Gerir o processo cultural de forma satisfatória e plena é uma forma de conhecer melhor o homem. De nos tornarmos mais humanos. De nos conhecermos e reconhecermos melhor. Por isso a gestão da cultura necessita de uma reflexão, de uma preparação, de uma ação capaz de reencontrar em nós o que é de todos nós, para que em todos exista cada um de nós, sem desrespeitar a individualidade, o individuo, o individual, o único que somos nós. Nossas igualdades e diferenças. A gestão da cultura é o instrumento transformador, a base e o apoio da ação cultural, do projeto e até da arte. Entender este processo é compreender as possibilidades de mudanças e de construção de uma sociedade melhor através da arte e da cultura. Aqueles que atuam no segmento da produção cultural são pessoas que devem e que podem orbitar em todos os campos. Fazer cultura é muito mais do que produzir arte, entretenimento ou lazer. Se preocupar com a cultura é muto mais do que se preocupar com questões relativas a uma elite ou a um nicho específico. Todos estão interligados pela cultura. Nós, que somos produtores e gestores culturais, falamos do homem, da educação, da saúde, do esporte, do lazer, do meio-ambiente, da economia, do turismo, da comunicação, falamos do modo de ser, de pensar, de andar, de comer, de vestr, falamos do modo de falar. Nós, que somos produtores e gestores culturais, falamos da vida e atuamos em defesa dela, mesmo quando para alguns, nós apenas estejamos falando deste pequeno universo chamado CULTURA. 6.1. Definindo o que é gestão Antes de qualquer coisa, é fundamental tentarmos compreender ou, pelo menos, pontuarmos o que vem a ser gestão. Muitas vezes, as pessoas associam o termo gestão aos velhos conceitos de “administração” e reduzem o papel do gestor a um mero “controlador” ou “técnico administrativo”. O velho guarda livros, ou mesmo, o contador. É bem verdade que para exercer uma boa gestão é necessário, no mínimo, conhecer algumas técnicas e princípios administrativos. No entanto, é importante destacar que quando falamos em gestão estamos mencionando algo que vai além das questões administrativas e burocráticas de gerência. Gerir um projeto não significa apenas controlar o livro caixa ou os parcos recursos para uma ação cultural.A gestão implica num conjunto de necessidades. Envolve uma série de conhecimentos. Um bom gestor deve exercer o controle e a administração mas deve também saber conduzir as relações e os recursos para realização de uma ação. Ele deve ser um psicólogo e um político neste processo. Não basta ser um “gerente”, pois o gestor é responsável também pela construção da cadeia de relacionamento do projeto e das pessoas envolvidas. Para isso só o conhecimento técnico administrativo não basta. È preciso entender um pouco de psicologia e política como já foi mencionado, mas também ter noções de comunicação e direito.

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Para atuar como gestor no segmento cultural é preciso ainda ter afinidade com a arte e com a cultura e, principalmente, estar familiarizado com sua área de atuação. Um gestor cultural deve manter sua equipe e colaboradores motivados, deve saber administrar o tempo do projeto, o seu tempo e o tempo das pessoas envolvidas na produção. Um gestor deve zelar pelos princípios básicos da boa convivência, evitar centralizar informações e tarefas, construir uma rede de relacionamentos, e principalmene, deve tornar seu projeto acessível a toda a comunidade. Um bom gestor deve constantemente estar se preparando para os desafios, se reciclando, se organizando e principalmente, transformando o planejamento em seu mais importante aliado. 6.2. Planejamento Planejar é uma prática inerente ao ser humano e comum no dia-a-dia. Ele está incorporado em nossas pequenas atividades diárias, na definição de nossos sonhos e metas pessoais, como também na gestão das grandes empresas. No entanto, para grande parte das pessoas o ato de planejar acontece de forma instintiva e não incorporada ao seu processo racional e organizacional. Com a produção cultural não é diferente. Muitos produtores e gestores ainda não incorporaram esta prática no seu repertório. É comum encontrarmos produtores culturais que iniciam um projeto antes mesmo de pensar detalhadamente nas suas perspectivas e necessidades, sem uma preparação adequada. Sem pensar nas estratégias que serão adotadas no transcorrer do trabalho. Existe uma grande diferença entre uma idéia e um projeto cultural. O que transforma uma idéia em um projeto é justamente o planejamento. Quando o produtor pensa detalhatamente em como executar, nas ações necessárias, em quando desenvolver as etapas, aí sim ele tem um projeto. Mas o que é planejamento? Segundo Lacombe, o processo de planejar é a determinação consciente da direção a ser seguida para alcançar os resultados desejados. É o estabelecimento das metas, recursos e esforços requeridos para atingir os objetivos num prazo estabelecido. Quando planejamos estamos buscando entender os recursos necessários que deverão ser empregados em determinadas ações para evitar o desperdício e obter maior eficiência e eficácia. São algumas vantagens do planejamento: reduzir o impacto de mudanças; dar direção às ações; fixar padrões que facilitam o controle. Mas como planejar? Quais as etapas de um planejamento? Veremos isso abaixo. 6.2.1. Coleta de dados Durante a fase de planejamento, o produtor cultural deve colher o maior número de informações e dados possíveis a respeito da proposta que será executada. Ele deve estar receptivo às idéias, opiniões e principalmente, às informações e números que contribuam com o direcionamento e a construção da argumentação para a proposta. O ideal é sempre iniciar um projeto realizando uma pesquisa de mercado que irá fornecer subsídios para a definição das estratégias e das metas do projeto cultural. Quanto mais informações o produtor tiver, melhores resultados ele terá no desenvolvimento do seu projeto e maiores serão suas chances de sucesso. Basicamente as informações a serem procuradas dizem respeito a: (1) informações sobre o segmento cultural e artístico ao qual pertence o projeto; (2) informações sobre o tema proposto pelo projeto; (3) informações sobre a região onde o projeto será executado; (4) dados sobre o público alvo que se pretende atingir com este projeto. Um detalhe importante é que hoje a internet é um poderoso instrumento na hora de se organizar uma pesquisa e iniciar o trabalho de planejamento, mas devemos tomar cuidado. É importante também ir buscar a opinião e a impressão das pessoas sobre a proposta principal. Procure também questionar algumas pessoas a respeito do que elas acham da sua proposta. A partir das respostas e da sua ampliação do trabalho, busque entender a estrutura que você vai necessitar para realizar o trabalho, e por fim, busque com muito cuidado e detalhes o perfil do seu público alvo.

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6.2.2.Estudo de viabilidade Esta fase é o momento em que deverão ser analisadas as informações obtidas na coleta de dados e respondidas as primeiras questões a respeito do projeto que está sendo proposto. Deve-se, portanto, ler as informações obtidas e colocá-las no papel, construindo gráficos. Dessa forma, será mais fácil visualizar e tabular as informações. Após isso, devem ser respondidas algumas perguntas. A primeira e mais importante das perguntas é: o projeto é viável? É realmente possível realizá-lo? Enquanto não chegar a conclusão que o projeto é possível de ser executado, o produtor não deve se aventurar e seguir adiante nesse processo. Se houver qualquer dúvida, é recomendável começar novamente. Passada esta fase, a segunda pergunta é: o que exatamente é o projeto? Qual é a proposta? Em seguida, analise e responda todas as demais questões: porque esse projeto deve ser realizado? Qual sua importância? Como ele será executado? Onde e quando será executado? Quem fará parte do projeto e que tipo de público será atingido ou beneficiado? Finalmente, a ultima : Qual o custo para realizar este projeto? O estudo de viabilidade nada mais é que a análise das informações obtidas no planejamento. É o momento de reflexão dos dados e das possibilidades do projeto. Podera-se que, nesta etapa, não é necessário ter o valor detalhado dos gastos, porém, é preciso ter uma base se os custos serão altos ou baixos e qual a faixa de gastos de um projeto desta natureza. 6.2.3. Identificação dos recursos disponíveis e necessários Seguindo o último raciocínio apresentado, quanto aos custos, o produtor agora irá identificar os recursos que dispõe e aqueles que necessita para realizar o projeto. Para isso, identifique os recursos existentes se perguntando: qual a estrutura material disponível para a realização deste projeto especificamente? Existe um local já definido? Quem está participando do projeto? Com quanto recurso financeiro o projeto pode contar? O que existe para auxiliar a realização do projeto ? Algum equipamento necessário à execução está disponível? Além de responder a todas estas perguntas o importante para o produtor é listar e quantificar tudo o que for possível. Estas questões auxiliam na identificação dos recursos, sendo que, depois de aferido o que dispõe, devese levantar o que será necessário, ou seja, o que ainda falta em termos de estrutura material para a realização da proposta. Da mesma forma, de posse dessas informações é possível começar a definir custos, mas também os objetivos, metas e as estratégias a serem adotadas. 6.2.4. Identificação do público alvo A identificação do público alvo de forma mais detalhada, bem como das relações afetivas, políticas e de comunicação existentes entre os grupos identificados se constitui no quarto passo do planejamento. Cabe aqui frisar que entende-se como público alvo aqueles que poderão estar envolvidos na produção do projeto, os futuros consumidores ou os atingidos de forma indireta pelo trabalho. Na hora de definir o perfil deste público procure sempre detalhar sua região geográfica, sexo, idade, ocupação e estratificação social. Estes são os principais fatores que auxiliam na identificação deste público. Ao definir esses ítens, teremos o que se chama de diagnóstico: um quadro da realidade e das próximas ações para construir o projeto. 6.2.5. Definição dos objetivos e metas Aqui a prioridade é definir os objetivos e metas a serem atingidas pelo projeto. O que se pretende? Qual sua dimensão? Quando? Estas são as informações que devem ser transformadas em objetivos e metas. Portanto, é fundamental que o produtor identifique um objetivo principal e, em seguida, enumere os objetivos gerais. Procure fazer com que os objetivos sejam ações concretas, realizações práticas e não subjetivas. Busque quantificar estes objetivos, pois assim serão estabelecidas metas, que podem auxiliar a vislumbrar uma maneira mais clara de como atingir os objetivos. 6.2.6. A confecção do projeto De posse dos dados pesquisados e dos levantamentos feitos, a elaboração do projeto deve sempre considerar a função e o objetivo da materialização do projeto. Ou seja, por que estou colocando esta proposta no papel? A

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quem se destina a confecção deste projeto? Quem irá ler o projeto que estou escrevendo? Quais as intenções que tenho com a realização deste projeto? Um projeto cultural colocado no papel pode ter inúmeras funções: consolidar parcerias, captar recursos junto à iniciativa privada, conseguir apoios de órgãos públicos, benefícios das leis de incentivo à cultura. Muitas vezes, elaboramos formatações diferenciadas do mesmo projeto cultural, da mesma proposta, conforme os objetivos e destinações dados ao projeto. No caso dos projetos que são encaminhados para obter os benefícios das leis de incentivo, devemos sempre seguir as orientações básicas referente a cada uma destas leis. No caso da Lei Rouanet existe um formulário próprio que deve ser preenchido e enviado. A anexação de um projeto mais detalhado junto ao formulário pode auxiliar na compreensão das propostas do projeto desde que este seja bem redigido. Não é necessário, mas pode ser útil. Em resumo, lembre-se sempre que você deve direcionar o seu projeto e principalmente personalizá-lo. Nâo adianta confeccionar um projeto, tirar cópias xerox e sair por aí distribuindo a mesma proposta para todos. Para cada situação você necessitará organizar as informações de forma diferente, por isso procure dar um toque de pessoalidade ao que está escrevendo. Você deve entender quais são as informações que aquela pessoa para quem você está direcionando o projeto quer saber. Qual é a linguagem e o modo dela se expressar. 6.3. Leis de incentivo à cultura Apesar de uma série de deficiências e problemas na sua utilização, as leis de incentivo à cultura constituem uma importante ferramenta de apoio e fomento à produção cultural no Brasil. Em boa parte dos casos, é a única alternativa para a viabilização de projetos e ações culturais. Por isso, antes de tratarmos do funcionamento destas leis, vamos levantar aqui algumas críticas a sua existência. Para muitos produtores e dirigentes culturais, este mecanismo de incentivo é uma mera transferência da responsabilidade do poder público para a iniciativa privada. O que poderia servir como um instrumento de apoio e complemento às políticas públicas de cultura, se transforma, na maioria dos casos, na única alternativa de viabilização dos projetos. No entanto, para muitos dos críticos, o mercado cultural no país passa a sofrer uma grande ingerência e a ser regulado pela iniciativa privada, uma vez que são as empresas e os empresários que passam a definir quais os setores e as atividades que deverão receber os benefícios dos investimentos. O interesse privado acaba prevalecendo em detrimento ao interesse público, enquanto os recursos continuam saindo dos cofres públicos. Portanto, as leis de incentivo à cultura injetam recurso público nas atividades culturais que o interesse privado determina. Disso deriva que artistas e produtores com uma maior visibilidade na grande mídia e apelo junto ao público são beneficiados com muito mais facilidade por estas leis, enquanto os iniciantes ou aqueles que detêm projetos com menor visibilidade sofrem mais para serem contemplados. Nos últimos anos o Ministério da Cultura tem tentado corrigir estes problemas na aplicação das leis federais, buscando uma descentralização e a criação de mecanismos que propiciem um apoio mais substancial para os que não têm acesso ao “mercado” ou visibilidade. Outra questão que por vezes é levantada diz respeito à burocracia no processo de utilização destas leis. Em algumas leis municipais, como é o caso da Lei de Incentivo de Curitiba, o processo de aprovação chegou ao absurdo de registrar projetos que aguardaram cinco anos para serem aprovados. Mas cabe lembrar ainda que esta burocracia garante a lisura do processo e evita, como aconteceu no início da já extinta Lei Sarney, desvios dos objetivos e dos recursos. Por trás deste quadro existe ainda uma discussão ideológica, um embate entre aqueles que acreditam que o Estado deve gerir e manter toda a atividade artística e cultural e os que defendem que o mercado deve se encarregar de suprir as necessidades deste setor, bem como determinar seus rumos, cabendo ao Estado somente um papel de supervisão. O resumo desta controvérsia está na visão de alguns que tratam a produção cultural como mera atividade econômica, ao passo que outros percebem na arte e na cultura uma importante função social no processo de desenvolvimento da sociedade.

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Mas, independentemente destas divergências, as leis de incentivo à cultura seguem sendo um instrumento de apoio à atividade artística e cultural, em que pese suas falhas e deficiências. Para o seu bom funcionamento, é fundamental que sejam tratadas como um complemento a um processo mais amplo de política cultural, norteando-se por princípios e critérios públicos, e não ficar a mercê do mercado e da iniciativa privada, como se constatada no Brasil. Recentemente, ocorreram uma série de debates e reformas dessas leis e elas deverão sofrer ainda grandes transformações nos próximos anos. A tendência é de que o mecanismo do mecenato dê lugar para o surgimento de fundos de incentivo, distribuídos de forma direcionada e para o atendimento de setores e regiões menos privilegiadas. Esta tem sido a sinalização dada pelo Ministério da Cultura em sua última gestão. 6.3.1. Principio da renúncia fiscal As leis de incentivo à cultura no Brasil baseiam-se no principio da renúncia fiscal, isto é, por meio de uma legislação criada especialmente pelo poder público, a iniciativa privada é estimulada a investir nas atividades culturais, recebendo como recompensa descontos no pagamento de impostos e de taxas públicas, além de conquistar outros benefícios. Para a grande maioria, a renúncia fiscal é o fator determinante da lei de incentivo, havendo, inclusive, quem defenda uma isenção maior de impostos do que o valor dado a título de contribuição. Atualmente, na maioria das leis, tem-se um abatimento que chega a 100% do valor investido. No caso da lei do audiovisual, o patrocinador pode obter 125% de abatimento no seu imposto de renda, conquistando assim um pequeno “lucro” dentro dessa operação. Porém, nem todas as leis oferecem esta possibilidade. A própria Lei Rouanet passou a conceder abatimentos de 100% somente após as reformas de 1995, 1999 e em 2001. As principais leis de incentivo à cultura no Brasil e seus respectivos benefícios são: (1) na esfera federal, a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual, que concedem descontos de imposto de renda aos investidores/patrocinadores; (2) na esfera estadual, as leis estaduais de incentivo à cultura, que concedem descontos de ICMS aos investidores/patrocinadores; (3) na esfera municipal, as leis municipais, que concedem descontos de IPTU, ISS, ISSQN e IVV aos investidores/patrocinadores. No Brasil são, aproximadamente, 165 leis de incentivo à cultura, sendo duas federais, dezessete estaduais e 146 municipais. Entre as existentes, destacamos a Lei Mendonça em São Paulo, a Lei Municipal de Londrina e a FAZ Cultura da Bahia, por apresentarem avanços em sua utilização e pela história de cada uma delas. 6.3.2. Como funcionam as leis de incentivo Com raras exceções, praticamente todos os modelos de leis de incentivo à cultura no Brasil criam no seu corpo um programa de apoio à cultura. Basicamente, estes programas utilizam-se de dois mecanismos. O primeiro é chamado de mecenato subsidiado e o segundo de fundo de apoio à cultura. Por mais que algumas leis adotem outra nomenclatura, o mecanismo de funcionamento é praticamente o mesmo. Em ambas as situações encontramos a renúncia fiscal estimulando os investimentos culturais. Entretanto, no primeiro caso, a captação de recursos é feita de forma direta junto à iniciativa privada após a aprovação de um projeto por uma determinada comissão de análise ou similar. Já no caso dos fundos, os recursos são transferidos diretamente para os projetos aprovados, uma vez que é o poder público quem recolhe os incentivos diretamente dos contribuintes. Trocando em miúdos, no caso do mecenato, o proponente do projeto tem que sair atrás dos patrocinadores e apoiadores após conseguir a devida autorização e aprovação do projeto pelo poder público. No caso do fundo, o gestor deste, que geralmente é o poder público ou entidades sem fins lucrativos, repassa os recursos aprovados diretamente para o proponente do projeto cultural sem a necessidade do trabalho de captação. Outras características e particularidades nestas leis são quanto à responsabilidade da análise e aprovação dos projetos. Em geral, é formada uma comissão especial para este fim, mas a mecânica adotada para o recebimento, análise e avaliação apresentam sempre variações. 6.3.3. Breve Histórico da Lei Rouanet e do Audiovisual No ano de 1986, o então Presidente José Sarney sancionou a Lei nº. 7.505/86, conhecida como Lei Sarney ou Lei de Incentivo à Cultura. Esta legislação serviu como base para a Lei Rouanet como a temos hoje. Na época, a então

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Lei Sarney oferecia descontos no imposto de renda para os patrocinadores de atividades culturais. Bastava que os produtores culturais beneficiados por esta lei estivessem previamente cadastrados no Ministério da Cultura. Não havia sequer a necessidade de apresentar uma proposta ou definição de cotas ou tetos de incentivos. Com toda essa liberdade, muitos abusos e o uso indevido dos incentivos fiscais foi registrado, o que levou o governo federal a tomar medidas de contenção e a extinção da Lei Sarney. Neste período, já sob o comando do então presidente Fernando Collor de Melo, uma série de outras medidas impopulares foram adotadas, tais como a extinção da Embrafilme e do próprio Ministério da Cultura, bem como a redução de investimentos públicos no setor cultural. Nesse clima de total descontentamento da classe artística, tentando acalmar a pressão e os ânimos, o governo federal teve de recompor o Ministério da Cultura e resolveu criar uma nova fórmula de controle e aplicação dos recursos públicos, com a implantação de uma nova Lei de Incentivo à Cultura. Assim, em 23 de dezembro de 1991, o então ministro da Cultura, Sérgio Rouanet, sancionou o Programa Nacional de Apoio à Cultura - PRONAC, através da Lei Nº. 8.313/91, a chamada Lei Rouanet. Ainda no ano de 1993, como forma de compensar cineastas e outros profissionais do cinema e impulsionando um setor que estava em franca decadência desde o governo Collor, foi criada a Lei do Audiovisual nos mesmos moldes da Lei Rouanet, contando com algumas vantagens adicionais. No entanto, a Lei do Audiovisual nasceu com data certa para sua extinção: seria em 2003. Esta data já foi prorrogada, mas a possibilidade de sua extinção ainda paira sobre a produção cinematográfica. 6.3.4. O que é a Lei Rouanet A Lei nº. 8.313, cria o PRONAC - Programa Nacional de Apoio à Cultura, que por sua vez formula três mecanismos de apoio a projetos e ações culturais, conforme seu artigo 2º nos incisos I, II e III. Estes mecanismos são: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (FICART) e o incentivo a projetos culturais (mecenato subsidiado). Portanto, iremos aqui abordar e aprofundar a discussão a respeito do funcionamento do mecenato, uma vez que esta é a forma mais acessível e utilizada pelos artistas, agentes e produtores culturais de maneira geral. Em 1995, através do decreto nº. 1.494, o Governo Federal realizou algumas alterações na Lei Rouanet, e foi, a partir desta data, que ela ganhou impulso e se tornou um importante instrumento de apoio à atividade cultural. Outra reformulação ocorreu em novembro de 1999, através da Lei nº. 9874, que ampliou os incentivos fiscais no mecanismo do mecenato, visando beneficiar em até 100% os seguintes setores da cultura: artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita ou instrumental; circulação de exposições de artes visuais; doação de acervos para bibliotecas pública e para museus, arquivos públicos e cinematecas, bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos. Mais tarde, no ano de 2001, através da medida provisória nº. 2.228, foram incluídas como atividades com isenção integral os projetos enquadrados nas seguintes áreas: produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem; preservação e difusão do acervo audiovisual e preservação do patrimônio cultural material e imaterial. Recentemente, em abril de 2006, foi publicado o Decreto Lei nº. 5.761, que traz também novas alterações nos procedimentos para apresentação de projetos, sem mudar de forma substancial a própria lei ou definir outras medidas. O decreto ainda aguarda algumas resoluções normativas para que seja mais bem compreendido. 6.3.5. Como funciona o mecenato na Lei Rouanet Quem pode apresentar o projeto cultural? Conforme o artigo 18, pode apresentar o projeto cultural qualquer pessoa física ou jurídica, seja uma empresa, instituição privada ou pública, da administração indireta, tais como fundações, autarquias e institutos, desde que dotados de personalidade jurídica própria e de natureza cultural. Podem ter ou não fins lucrativos, mas os projetos precisam atender os critérios estabelecidos no artigo 1º da Lei e estar enquadrados nas seguintes áreas: (1) teatro, dança, circo, ópera, mímica e congênere; (2) produção cinematográfica, videográfica, fotográfica, discográfica e congêneres; (3) literatura, inclusive obras de referência; (4) música; (5) artes plásticas, artes gráficas, gravuras, cartazes, filatelia e outras congêneres; (6) folclore e artesanato; (7) mpatrimônio cultural, inclusive histórico, arquitetônico, arqueológico, bibliotecas, museus, arquivos e demais acervos; (8) humanidades e (9) rádio e televisão, educativas e culturais, de caráter nãocomercial.

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Aqueles que enviarem projetos culturais visando obtenção dos benefícios da Lei Rouanet, são chamados de proponentes. São os responsáveis perante o Ministério da Cultura pela gestão do projeto e responderão por todas as suas conseqüências. Cabe ressaltar que apenas as pessoas jurídicas de direito público da administração indireta podem usar este mecanismo, não cabendo às prefeituras, governos estaduais e federal esta possibilidade, pois eles podem utilizar o Fundo Nacional de Cultura. Para as pessoas físicas, além de gozarem de capacidade jurídica, é necessário que comprovem experiência na área cultural do projeto e que não tenham restrições na receita federal, uma vez que será exigida uma certidão nagativa de tributos federais (CQTF). Para enviar projetos, o proponente deve preencher o formulário padrão (disponível no sítio do Ministério da Cultura ou nas delegacias regionais do MEC), anexar a documentação solicitada e remeter pelo correio para o respectivo endereço em Brasília. É importante não esquecer de assinar o termo de responsabilidade e preencher com exatidão o orçamento físico-financeiro, que para cada área apresenta um modelo diferenciado. Lembramos também que, após a aprovação, um novo termo de compromisso será solicitado, no qual o proponente se comprometerá junto ao MinC a cumprir as determinações legais. Neste termo também será informado o valor que o proponente tem autorizado para a captação junto à iniciativa privada ou às pessoas físicas. Além do preenchimento do formulário, todo projeto deve ser acompanhado do plano básico de divulgação, elaborado de acordo com o Manual de Identidade Visual do Ministério da Cultura, especificando todas as formas, lugares e quantidades de reprodução das logomarcas dos apoiadores, patrocinadores e do próprio MinC. Deve-se também juntar à documentação, no caso do proponente ser pessoa física, uma cópia do CPF e o currículo. No caso de pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, os documentos extras solicitados são o contrato social e o relatório de atividades da empresa. No caso de pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, deverá ser anexado ao formulário, o estatuto ou regimento da entidade, a ata de constituição e o relatório de atividades desta. Para cada área específica de atuação cultural existe uma exigência diferenciada de outros documentos e informações que também precisam ser inclusas. Recentemente, nas últimas alterações dos procedimentos, passou a ser solicitado de forma mais detalhada um plano de distribuição dos produtos culturais resultantes. Além disso, é solicitado também um plano de acessibilidade, informando quais os benefícios e facilidades que a comunidade terá com a realização do projeto. Na etapa seguinte, os projetos são analisados pela Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que poderá aprovar ou rejeitar as propostas conforme os critérios e normas internas estabelecidas por seus integrantes. Em média, o prazo de tramitação dos projetos dura de cinquente a noventa dias e, caso haja a necessidade, esta Comissão solicita ao proponente o envio de documentação ou informações complementares. Em caso de rejeição da proposta, é facultado ao proponente recorrer da decisão. O prazo para impetrar recurso é de trinta dias a contar do recebimento da comunicação oficial da recusa da proposta. O recurso deve ser encaminhado à própria CNIC. O projeto cultural aprovado pode ser patrocinado por qualquer pessoa física ou jurídica, contribuinte do Imposto de Renda, desde que observadas as restrições do art. 27 e as limitações do art. 26. Este, por sua vez, assumirá o papel de incentivador e poderá fazer uma doação ou patrocínio ao proponente do projeto cultural que esteja devidamente habilitado para tal. Esta distinção entre doação e patrocínio só existe para os projetos enquadrados no artigo 26. Para os projetos enquadrados no artigo 18, que oferecem isenção integral (100% de desconto) não é necessário fazer esta diferenciação entre doação e patrocínio. A doação é a transferência gratuita em caráter definitivo a pessoa física ou jurídica de natureza cultural, sem fins lucrativos, de numerário, bens ou serviços para a realização de projetos culturais, vedado o uso de publicidade para divulgação deste ato. Já o patrocínio é a transferência gratuita, em caráter definitivo, a pessoa física ou jurídica de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos, de numerário para a realização de projetos culturais com finalidade promocional e/ou institucional de publicidade. Também pode ser considerado como patrocínio a cobertura de gastos ou utilização de bens móveis e imóveis, do patrimônio do patrocinador, sem a transferência de domínio também com finalidade promocional e/ou institucional de publicidade. O valor total a ser abatido do imposto devido não pode ultrapassar a 4% do valor total no caso das pessoas jurídicas e 6% do valor total do imposto no caso das pessoas físicas. Este limite é com base no imposto DEVIDO pelo patrocinador.

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O valor a ser incentivado do projeto, neste caso e nesta lei, é de 100% do valor apresentado ou solicitado. O projeto pode ter um custo maior do que o solicitado, no entanto, o proponente por dispor de outras fontes vai solicitar apenas o necessário. Deste valor, 100% poderão ser concedidos a título de incentivo. A Medida Provisória n° 1.589/97 veio permitir o abatimento do valor integral do valor investido pelo incentivador no projeto cultural, desde que o projeto esteja enquadrado no artigo 18, observando os limites estabelecidos em relação ao imposto devido, para projetos nas áreas de artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita ou instrumental; circulação de exposições de artes plásticas; e doação de acervos para bibliotecas públicas e para museus. Para as outras áreas, projetos enquadrados no artigo 26 observam a seguinte regra: no caso das pessoas físicas, a dedução fiscal é de 80% das doações e 60% dos patrocínios; no caso das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, esta dedução cai para 40% das doações e 30% dos patrocínios. Estes incentivadores poderão incluir o valor total das doações e patrocínios como despesa operacional, diminuindo, assim, o lucro real da empresa no exercício, com conseqüências na redução do valor do imposto a ser pago. Além das vantagens tributárias e deduções fiscais, desconto no imposto de renda e abatimento destes investimentos como despesas operacionais, o incentivador poderá, dependendo do projeto que apoiar obter retorno em produtos (como livros, discos, gravuras, etc.) para utilização como brinde ou obtenção de mídia espontânea. O recebimento de produto artístico gerado pelo projeto estava limitado a 25% do total produzido até o surgimento do último novo decreto que reduziu este número para 10% do total. O patrocinador também recebe o retorno através de valor agregado, valor institucional, promocional e publicidade. A participação em projetos culturais melhora a relação de patrocinadores com seu público alvo, cria a possibilidade de cooptação e formação de um novo público alvo, melhora o posicionamento e cria novos canais de diálogo com a comunidade. 6.4. Captação de recursos Para partir para a etapa de captação de recursos será necessário, portanto, estabelecer estratégias. De forma geral existem cinco grupos de alternativas para se tentar estes recursos: (1) realização do projeto com recursos próprios; (2) obtenção de recursos junto ao poder público; (3) obtenção de recursos junto a iniciativa privada; (4) financiamentos para projetos e ações culturais; (5) ação híbrida de recursos públicos e privados através das leis de incentivo. Evidentemente o produtor pode tentar tantas alternativas quanto julgar interessante. A questão é verificar se haverá tempo e estrutura para tudo. Por isso, o mais aconselhável é sempre iniciar seu trabalho fazendo contato com as fontes com as quais terá maiores chances. Afinal de contas, mesmo para se tentar apenas uma destas opções, por exemplo, busca de patrocínio direto junto à iniciativa privada, o produtor irá certamente dispor de muito tempo se não criar filtros e uma metodologia de trabalho. A primeira questão para captar recursos é definir quem será o captador, se uma pessoa ou um grupo. Atente-se para que o trabalho em grupo é sempre mais produtivo que o isolado, mas certamente exigirá um maior investimento. Além disso, não existe captação de recursos sem investimentos. Como qualquer outra atividade, a captação necessitará de gastos para o seu desenvolvimento e, por vezes, este trabalho recompensará estes investimentos, já em outras não. Para definir o captador, devemos sempre pensar no seguinte perfil e condições: primeiramente, o captador deve sempre alguém que tenha ligação com o projeto ou com o conceito do projeto. É fundamental ele conheça a proposta, os envolvidos a história do projeto. Deve também ser alguém atencioso, organizado e que transmita credibilidade, uma vez que ele será o representante do projeto perante dezenas de pessoas. A sua imagem será a que empresários, dirigentes e outras personalidades terão a respeito do projeto. É fundamental, ainda, que seja alguém vibrante e apaixonado pela proposta e que saiba transmitir essa emoção na hora de apresentar e falar sobre o projeto.

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Captar recursos não é um trabalho de vendas. Na captação, devemos criar condições para ter a oportunidade de apresentar nosso projeto na hora certa, para pessoa certa e de forma certa. Se o trabalho é bom, fatalmente essas pessoas terão interesse em participar e apoiar, portanto, captar recursos não significa vendar nada. Significa empolgar as pessoas, envolve-las no projeto. Definido o captador, o próximo passo será a montagem de um novo planejamento voltado apenas à captação de recursos. Nesta etapa, muitas das informações obtidas no planejamento estratégico geral do projeto serão reutilizadas, mas novas informações necessitarão ser coletadas. Nesse sentido, é fundamental que o captador busque as informações corretas sobre: o que é o meu projeto? Quais são as suas características? Qual o seu valor agregado? Quais são as empresas/patrocinadores em potencial? Como funcionam estas empresas? Como anda a saúde financeira destas empresas? Quem são as pessoas que liberam os recursos dessas empresas? Qual é a melhor maneira de fazer a abordagem? Quais são as dificuldades? Quais os argumentos que disponho? O que tenho para oferecer para esta empresa? O ponto de partida será se indagar sobre a mensagem positiva que está contida no projeto e seu valor agregado, analisando as empresas e potenciais patrocinadores. O segundo passo será a elaboração de uma lista de empresas ou patrocinadores que teriam interesse. Essa relação é aleatória e intuitiva num primeiro momento. Em seguida, elaborada a lista, deve-se então pesquisar empresa por empresa. Detalhe por detalhe (como as empresas funcionam? Qual a estrutura hierárquica? Quais suas principais preocupações? Qual a política institucional? Qual o público-alvo destas empresas?). Feita então esta pesquisa inicial, deverá ser identificado em cada empresa uma pessoa chave, ou seja, o funcionário responsável pela liberação dos recursos e definição dos patrocínios e apoios. É com esta pessoa que devemos dialogar. Nesse sentido, evite enviar o projeto pelo correio, por e-mail ou agendar um contato por telefone, pois desta forma, provavelmente, terá uma reunião com assistentes e assessores que não tem poder de decisão. Feita a pesquisa sobre as empresas, o captador de recursos deverá então fazer um reordenamento, retirando da lista aquelas empresas sobre as quais não obteve informações satisfatórias. Em seguida, coloque as empresas em ordem de prioridade, estabelecendo uma hierarquia de possibilidades. Novamente, uma nova rodada de pesquisa será realizada. Na seqüência, cabe ao captador construir a melhor estratégia para apresentar o projeto. Além da tradicional opção de reunião marcada, o captador poderá organizar coquetéis ou jantares para apresentação do projeto cultural, convidando os diretores e empresários que seriam eventuais patrocinadores. Esta hipótese requer algum investimento, no entanto, o fato de você conseguir retirar o empresário de seu habitat natural, significa que ele está mais suscetível a sua proposta. Na fase de abordagem, marcado o encontro com o futuro patrocinador, prepare-se para uma boa apresentação, realizando um ensaio sobre os pontos e a forma de apresentação. Uma última consulta a um advogado também é recomendada para esclarecer as dúvidas quanto às formalidades legais e os benefícios fiscais que você poderá oferecer ao seu patrocinador. É importante ainda compreender os motivos que podem levar uma empresa a investir na área cultural. De uma maneira rápida e superficial podemos identificar algumas destas razões: valor agregado, isenção fiscal, contrapartidas, endomarketing, ações promocionais, marketing direto, lucro social, banco de dados, mídia espontânea, publicidade e propaganda, lucro financeiro. Destaca-se que, quando uma empresa faz a opção de adotar o marketing cultural como uma estratégia de comunicação, em geral ela busca os seguintes objetivos: inserir-se da melhor maneira possível na sociedade em que atua, buscando notoriedade; comunicar-se com seus consumidores atuais e potenciais de uma maneira sutil e distinta; dar à empresa uma dimensão social e cultural responsável e criar, assim, um clima de confiança; incentivar e fazer com que seus funcionários sintam orgulho da empresa; tirar proveito de incentivos fiscais; trabalhar a marca de seus produtos; acelerar o desenvolvimento regional de uma empresa. Almeida (1994) enfatiza o conceito de “mídia a custo zero” como um dos objetivos do Marketing Cultural. Mídia a custo zero, segundo o autor, é o retorno espontâneo que o evento gera na imprensa. Pois bem, estudada a melhor forma de se a abordagem, é o momento do captador se preparar para apresentar seu projeto. No processo de apresentação será fundamental se preocupar com a aparência pessoal do captador

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e com a apresentação do projeto (que mídia utilizar, que tipo de informações destacar, que linguagem adotar). Lembre-se de não passar a impressão de que sua reunião será algo rápido. Deixe claro que você necessita de certo tempo para apresentar sua proposta e que isso é importante. Não aceite uma reunião onde o empresário diz que tem apenas um minuto para falar com você, pois isso demonstra uma pré-disposição dele em não valorizar a sua proposta. Destaque ainda a relação entre seu projeto e a empresa. Envolva o empresário na idéia central e peça sugestões a ele. Quanto mais ele sugerir, mais indicativo você terá de que ele está se envolvendo no projeto. Também identifique quais os benefícios que ele irá receber com o apoio ao projeto (dedução de impostos, publicidade, fortalecimento da imagem institucional, contrapartidas como ingressos, CDs, livros, etc.) e apresente quadros e pesquisas com números e dados concretos, quantificando o público alvo. Procure apresentar um elenco de apoios e personalidades que participam do seu projeto, indicando mensagens positivas que o projeto evidenciará. Dessa formar, procure mostrar evidências palpáveis que o projeto vai dar certo. Explore exemplos de propostas semelhantes bem-sucedidas ou suas experiências anteriores. Utilize também recursos audiovisuais para sua apresentação e demonstre que você é uma pessoa familiarizada com novas tecnologias. Faça um material de boa qualidade, mas ostente ou demonstre que gastou em demasia. Você pode passar a imagem de um gastador. Se você gasta demais na apresentação do projeto, não irá saber administrar o dinheiro para realizar o projeto. Além disso, demonstre entusiasmo e capacidade em realizar o projeto, despertando a sensibilidade das pessoas e utilizando o lado emocional do empresário para envolve-lo no projeto. Apele para as motivações básicas: orgulho em realizar, simpatia pela causa, valorização do regionalismo, obrigação com a comunidade, gratificação aos seus clientes, etc. Ao terminar a primeira reunião, estabeleça a data de um novo contato ou um prazo para uma resposta. Firme compromisso ou defina ações concretas. Se possível marque uma visita do representante da empresa para o seu espaço ou para o local de realização do projeto. Aém do mais, o ideal é que você vá a reunião com todos os contratos e formulários já preenchidos, deixando apenas os espaços para os dados e valores. Não perca tempo. Se por acaso numa reunião o empresário afirmar o interesse em patrocinar seu projeto, se você marcar outra reunião ou for formalizar outro contrato ele poderá mudar de idéia. Nenhum patrocínio será conquistado para o seu projeto sem uma negociação frente a frente entre os interessados. Enquanto o captador não perceber por parte do possível patrocinador o interesse na conversa, de nada adiantará solicitar apoio ou falar em valores. Por isso, a primeira missão será fazer com este possível patrocinador queira conversar ou ouvir a proposta. Ultrapassada esta fase, o captador deverá se esforçar para apresentar sua proposta, falar do seu projeto, mas ainda sem mencionar valores ou as palavras patrocínio ou apoio. Todo o esforço deve ser concentrado no entendimento do projeto. Na conversação com o alvo o captador deverá após a explanação principal, iniciar questionamentos e perguntas para verificar se o empresário entendeu a proposta, e mais, para avaliar se ele esta gostando delas. A partir do momento em que ele começar a responder e iniciar novas proposições, é sinal de que ele está realmente interessado no projeto e aí sim, o captador ultrapassou a barreira do ser entendido e se encaminha para ser querido. Somente após perceber que houve um interesse pelo projeto, que se gostou do projeto, é que o captador poderá estabelecer os valores. Apresentar a proposta de patrocínio realmente. Não se fala em valores até este momento. Por fim, deixamos algumas dicas para a captação de recusos (Fisher, 1979). Acompanhe: 1. Prepare suas propostas de acordo com a personalidade, interesses e exigências do patrocinador potencial; 2. Indique os benefícios do patrocínio: dedução de impostos, publicidade, etc; 3. Se a doação pura e simples não despertar interesse, proponha um tipo de “competição” ou “desafio”. 4. Pesquise doações “em espécie” (serviços, suprimentos, equipamentos); 5. As propostas devem ser bem organizadas, digitadas com perfeição e apresentando orçamentos razoáveis;

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6. A proposta deve indicar as qualificações de um grupo gerencial competente; 7. Os projetos devem ser originais, únicos, inovadores, criativos e viáveis; 8. Demonstre sua dedicação e envolvimento com os objetivos do projeto; 9. Use estatísticas ou pesquisas para evidenciar a importância do projeto, assim como o número de pessoas serão beneficiadas; 10. Estabeleça uma larga base de apoio com a comunidade; 11. Faça contato pessoal direto com a pessoa responsável pela decisão final sobre o patrocínio; 12. Indique outras fontes de recursos; 13. Apresente sua proposta com bastante antecedência das datas finais; 14. Obedeça explicitamente as indicações de aplicação da doação, quando estas forem fornecidas; 15. Considere um programa de marketing para vendas dos produtos ou serviços relacionados; 16. Crie um tema para cada evento dos projetos de arrecadação de fundos; 17. Não deixe de enviar notas de agradecimento aos doadores; 18. Mantenha registros detalhados e precisos de receitas e despesas e analise cada projeto ao seu final, para poder efetuar reduções/economias subsequentes e aumentar a produtividade de outros programas; 19. Cada evento deve ter uma finalidade específica - valor a ser arrecadado e no que serão utilizados os fundos recolhidos; 20. Obtenha doações de comerciantes ou industriais da área para os seus programas de vendas; 21. Procure associar-se a organizações já bem estabelecidas para projetos conjuntos de arrecadação de fundos; 22. Consiga economizar grandes somas nos programas de arrecadação utilizando-se das vantagens da “mídia livre”, apoiado em mandatos legais dos serviços públicos de rádio e televisão; 23. Procure programar as datas de cada evento com antecedência, eliminando acontecimentos conflitantes, que aumentam a competitividade reduzindo os valores dos patrocínios; 24. Estabeleça um programa de cooperação para o uso de equipamentos e serviços com outras organizações na sua área; 25. Recorra ao “expertise” gratuito disponível através de agências governamentais e organizações sem fins lucrativos; 26. Esteja preparado para receber respostas negativas na maioria das solicitações que fizer a patrocinadores em potencial; 27. Prepare perfis dos patrocinadores potenciais procurando descobrir qual a melhor forma de obter desses patrocinadores as suas contribuições; 28. Prepare um calendário global e um calendário de eventos para cada campanha; 29. Prepare uma descrição de cargo para cada função que deverá ser desempenhada durante a campanha e procure preencher os cargos com voluntários e membros;

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30. Mobilize apoio para sua campanha através de políticos, homens de negócios proeminentes, especialistas de sua área; 31. Procure “recrutar” um elemento chave para a sua campanha, que possua grande visão, respeito comunitário geral, habilidade de organização e um interesse genuíno pela sua organização; 32. Procure mostrar que o seu projeto provocará impacto nacional ou regional; 33. Se a arrecadação de fundos não mostrar resultados imediatos, considere a possibilidade de obter empréstimos, algumas vezes sendo possível prover ao financiador benefícios fiscais; 34. Prepare um relatório anual relacionando as atividades de sua organização, passadas e futuras e circule-o pela mídia, agências governamentais, patrocinadores em potencial, etc; 35. Dê seu apoio a qualquer tipo de arrecadação comunitária, através de cópias de cartas de intenção anexadas à sua proposta de arrecadação; 36. Considere a possibilidade de obter contratos governamentais para sua organização, através de suas qualificações específicas; 37. Não repita aqueles projetos que tiveram êxito com muita freqüência; 38. Mantenha sempre em mente os níveis de custos de cada campanha, comparando-os aos níveis de arrecadação, de acordo com legislação governamental, regulamentos ou práticas comunitárias; 39. Considere a possibilidade de contratar profissionais qualificados como conselheiros para suas campanhas, após verificação das recomendações e exame das credenciais; 40. Analise a possibilidade de trocar suas listagens de possíveis doadores com as de outras organizações semelhantes; 41. No caso de propostas rejeitadas, determine as razões específicas e verifique se é possível corrigi-las e reapresentá-la; 42. Dê nomes aos seus projetos de arrecadação; 43. Verifique se você está cumprindo com todas as formalidades legais; 44. Mostre ao seu doador potencial que outras pessoas, em posições semelhantes, já contribuíram; 45. Seja realista no estabelecimento de seus objetivos de curto e longo prazos; 46. Inicialmente, procure assessoria profissional para estabelecer um sistema contábil; 47. Considere uma equipe de apoio e voluntários para lidar com os fundos da campanha; 48. Periodicamente, faça uma reavaliação de objetivos de longo prazo e instrumentos de vendas; 49. Prepare-se exaustivamente para as reuniões com os doadores potenciais, até mesmo ensaiando antes;

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6.5. Para saber mais Ministério da Cultura www.cultura.gov.br Cultura e Mercado www.culturaemercado.com.br/index.php Revista Eletrônica Marketing Cultural www.marketingcultural.com.br Banco Cultural www.bancocultural.com.br Overmundo www.overmundo.com.br Rede de Informação para o Terceiro Setor www.rits.org.br/index.html Brasil Cultura www.brasilcultura.com.br Digestivo Cultural www.digestivocultural.com.br LS Nogueira - Investimentos para o audiovisual www.lsnogueira.com.br Imprensa Oficial portal.in.gov.br/imprensa SATED - Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos www.satedsp.org.br Quixote Art & Eventos wwwquixoteart.com.br Associação Brasileira de Captadores de Recursos www.abcr.com.br

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07. SOFTWARE LIVRE, WORDPRESS E GESTÃO DE BLOGS E SÍTIOS A introdução desta seção foi feita por Marco Antonio Konopacki. Já o Manual WordPress é obra da Ethymos - Soluções em Web Muito provavelmente, a história do século XX não poderá ser escrita sem levar em conta os diversos avanços e invenções tecnológicas no campo das telecomunicações e o impacto dessas descobertas sobre a sociedade contemporânea. De modo geral, a difusão das tecnologias de comunicação – telefone, rádio, televisão, vídeocassete – deu-se em passo acelerado durante o século passado, transformando o modo de relacionamento entre indivíduos e sociedade. Para se ter em mente a amplitude do avanço ocorrido no século XX, especialmente na sua segunda metade, podese comparar o advento do telefone, que levou cerca de 75 anos para chegar a 50 milhões de usuários no mundo, enquanto a televisão demorou treze anos e a internet apenas quatro para alcançar a mesma marca (NORRIS, 2001). Para além do crescimento do número de usuários, o meio também evoluiu muito rapidamente. Se no início era usado para troca de arquivos e mensagens de e-mail, hoje é possível utilizá-lo de modo multimídia, isto é, para a comunicação interpessoal ou massiva por voz, assistir vídeos, ouvir sons e compartilhar conhecimento. Particularmente, não é apenas o fato de uma informação poder ser distribuída facilmente pela rede que interessa e sim como o meio possibilita uma nova forma de geração de informação, na qual o usuário não é mais um recipiente passivo, mas, sobretudo, um participante ativo. Por conta de toda essa potencialidade que a internet encerra em si, é importante refletir sobre os usos que podemos e pretendemos fazer dela. Queremos que o meio se torne mais um canal para venda publicitária ou que nos sirva para transformar a comunicação? Esperamos que seja usado como uma ferramenta de controle das populações ou que amplie a democracia e o acesso dos cidadãos ao debate político? Portanto, embora a internet mude a relação da comunicação de um modo sem precedente, ela não é um meio “fixo” e seu desenvolvimento e rumos não estão dados. A depender das escolhas e formas de uso do meio teremos um desenvolvimento da tecnologia que privilegiará determinados setores e modos de apropriação. A internet está em disputa. A escolha por uma ou outra forma de uso depende da adoção destas por agentes de diversas naturezas. Fazendo uma analogia, pode-se citar um bom exemplo disso: “muitos associam a liberdade e individualidade da cultura americana com o automóvel e a tecnologia por trás dele, o motor a combustão. Mas este mesmo motor foi também usado para desenvolver os motores a diesel e o transporte público na Europa. A decisão em investir em transportes públicos ou privados, entre sistemas de trem e sistemas de automóveis, foi uma decisão política, não técnica, e a tecnologia disponível servia a ambos os lados do debate político” (Barber, 2000). Nesse sentido, um dos campos de disputa da “forma de uso” da internet é o desenvolvimento de softwares. Enquanto grandes corporações dedicam-se à criação de mecanismos fechados e registrados, profissionais, amadores e empresas associam-se por meio da rede mundial de computadores para desenvolver, de modo colaborativo, ferramentas que dêem conta das demandas e que possam ser atualizadas e revistas por qualquer um. São os chamados softwares livres – os filhos legítimos da contra-cultura digital. 7.1. O que é software livre Um software é considerado livre quando atende a alguns critérios definidos pela Free Software Foundation: (1) liberdade para executar o programa, para qualquer propósito; (2) liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades – o acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade; (3) liberdade de redistribuir e inclusive vender cópias; (4) liberdade de modificar o programa e liberar estas modificações – o acesso ao código-fonte é um pré-requisito também para esta liberdade. A liberdade de executar o programa significa que qualquer pessoa física ou jurídica pode utilizar o software em quantas máquinas quiser, em qualquer tipo de sistema computacional, para qualquer tipo de trabalho ou atividade, sem nenhuma restrição imposta pelo fornecedor.

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Para que seja possível estudar ou modificar o software (para uso particular ou para distribuir) é necessário ter acesso ao código-fonte. Por isso, a disponibilidade desses arquivos é pré-requisito para a liberdade do software. Cada licença determina como será feito o fornecimento do código fonte para distribuições típicas, como é o caso de distribuições em mídia portátil somente com os códigos binários já finalizados (sem o fonte). No caso da licença GPL, a fonte deve ser disponibilizada em local de onde possa ser acessado ou deve ser entregue ao usuário, se solicitado, sem custos adicionais (exceto transporte e mídia). Já a liberdade de redistribuir o programa compilado, isto é, em formato binário, necessariamente inclui a obrigatoriedade de disponibilizar seus códigos-fonte. Caso o software venha a ser modificado e o autor da modificação queira distribuí-lo, gratuitamente ou não, será também obrigatória a distribuição do código fonte das modificações, desde que elas venham a integrar o programa. Não é necessária a autorização do autor ou do distribuidor do software para que ele possa ser redistribuído, já que as licenças de software livre assim o permitem. Para que essas liberdades sejam reais, elas devem ser irrevogáveis. Caso o desenvolvedor do software tenha o poder de revogar a licença, o software não é livre. Nesse sentido, a maioria dos softwares livres é licenciada através de uma licença de software livre, como a GNU GPL, a mais conhecida. Licenças como essa possuem um conceito adicional, conhecido como copyleft, que se baseia na propagação dos direitos. Um software livre sem copyleft pode ser tornado não-livre por um usuário, caso assim ele deseje. Já um software livre protegido por uma licença que ofereça copyleft, se distribuído, deverá ser sob a mesma licença, ou seja, repassando os direitos. Dessa forma, associando os conceitos de copyleft e software livre, programas e serviços derivados de um código livre devem obrigatoriamente permanecer com uma licença livre. O usuário, porém, permanece com a possibilidade de não distribuir o programa e manter as modificações ou serviços utilizados para si próprio. O amadurecimento desse debate fez com que, mais recentemente, não apenas softwares possam ser licenciados utilizando licenças livres ou copyleft. Livros, filmes, músicas e outros produtos começam a adotar essas licenças como forma de ampliar a distribuição ou compartilhar sua concepção e amadurecer sua proposta. 7.2. Por que usar software livre Passar a ser um usuário de software livre não é apenas uma decisão técnica ou de mérito, mas também política. Os altos valores investidos em melhorias de interface, aliados à receita publicitária bilionária das empresas de software, procuram mostrar que os programas ou sistemas operacionais proprietários são muito melhores que os outros. As grandes corporações conduzem hábitos e determinam como usar os sistemas operacionais. Contudo, estes anúncios camuflam o custo indireto de ser um usuário de software proprietário. Além da falta de liberdade de saber para onde vamos, o oligopólio do software, aliados aos interesses da indústria fonográfica, restrige direitos fundamentais e que a internet ajudou a aflorar. O caso mais recente é o DRM (Digital Rights Management) - padrão de software estabelecido para verificar restrições de direitos autorais, fazendo com que o usuário que comprou um CD original e que queira transformá-lo em MP3 para ser ouvido no computador seja considerado criminoso. Richard Stallman, fundador do movimento software livre, afirma que “não se deve usar um produto que procura restrigir a sua liberdade”. De fato, as novas técnicas de controle da informação tem como objetivo manter os mercados e estruturas de poder já estabelecidos. Iniciativas comunitárias e/ou colaborativas são avaliadas como ameaças, uma vez que podem ser libertadoras ao propiciar reflexões constantes sobre nossas ações e valores. A partir do momento que buscamos no compartilhamento a valorização do nosso próximo e reconhecemos a troca como salutar para a afirmação da diversidade, reconhecemos nossa liberdade como direito fundamental e inalienável, não só no que tange ao software, mas ao patrimônio imaterial a que temos acesso e que estamos constantemente formulando. 7.3. Manual WordPress: gerenciamento de blogs e sítios A ferramenta de publicação e gerenciamento de conteúdo online denominada WordPress vem destacando-se por sua facilidade e versatilidade, tanto para o usuário avançado quanto para os iniciantes na ferramenta. Tendo em vista que a grande gama de recursos disponíveis pode tornar confuso, à primeira vista, o processo produtivo, este manual foi criado para responder às dúvidas.

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Aqui você terá um breve histórico do WordPress, suas origens, vantagens e facilidades, assim como uma introdução à lógica da ferramenta, passando pelos principais elementos presentes nela. Descobrirá, ainda, a estrutura do WordPress: como criar e publicar textos, imagens, sons e vídeos e como gerenciar todos os elementos que compõe o sítio. 7.3.1. Iniciando o uso do WordPress O WordPress teve seu início em 2001, mas só nasceu oficialmente em 2003, fruto do desejo de criar um sistema de publicação elegante e bem arquitetado. Foi criado em PHP/MySQL e licenciado sob a GPL, sendo o sucessor oficial do b2/cafelog, outra ferramenta de gerenciamento de conteúdo. Esclarece-se que existem dois sítios diferentes sobre o WordPress. O primeiro, www.wordpress.org, é da comunidade de desenvolvimento WordPress, onde é possível fazer o download da ferramenta. Para utilizá-la, o usuário deve atender à alguns requisitos, como ter um servidor disponível que suporte a linguagem PHP e o banco de dados MySQL. Já no segundo endereço, www.wordpress.com, o usuário pode criar um blog em poucos segundos, ainda que a customização seja radicalmente afetada, pois quem gerencia esta comunidade é uma empresa privada, chamada Automattic, e que é a principal contribuidora para a ferramenta WordPress. Para customizações mais avançadas no domínio wordpress.com, é necessário comprar pacotes de atualização. Entretanto, para a utilização de seu blog WordPress no Portal Nós da Rede você não precisará acessar nenhum desses sítios. Para entrar na área de administração, preencha os dados na área correspondente na capa do portal Nós da Rede, ou então através do seguinte endereço: http://<seu blog>.nosdarede.org.br/wp-admin. A palavra wp-admin depois da barra indica a área de administração do seu blog. Ao acessar esse endereço, você verá a tela de login abaixo. Preencha e entre.

Assim que entrar, você verá que o WordPress é composto por alguns elementos básicos. Nas pŕoximas seçoes, trataremos de cada um deles. 7.3.2. Blog Blog é o termo utilizado para sítios que possuem seu conteúdo apresentado em ordem cronológica. Além disso, os blogs sao caracterizados pela forma com que sao alterados: ao contrário de sítios comuns, seu conteúdo é atualizado com mais freqüencia e, justamente por este motivo, torna-se uma ferramenta muito útil quando é preciso difundir a informaçao de forma rápida. Diferente dos demais sítios, nos quais é necessario ter conhecimento técnico até para se fazer simples alteraçoes, os blogs se assemelham muito a um editor de texto comum.

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Nesse sentido, os conceitos de blog, sítio e portal muitas vezes se confudem entre si, pois todos oferecem um resultado final na internet: uma área em que sao expostas informaçoes e/ou conteúdos (textos, imagens, vídeos, etc). Tecnicamente falando, isto é simples para o WordPress, pois tudo para ele é informaçao. Logo, o WordPress nao serve apenas para gerenciar blogs, mas todo tipo de publicaçao de informaçoes, o que inclui sítios e portais. 7.3.3. Posts e Páginas Os posts sao os principais elementos de um blog. Através deles, notícias, idéias, imagens, vídeos e comentários serao apresentados no sítio. Já as páginas, ao contrário dos posts, nao dependem do dia ou hora em que foram escritas. Elas sao usadas pra gerar conteúdos que nao necessitam de ordem cronológica, mas que mesmo assim sao essenciais para o sítio. “Sobre o Ponto de Cultura”, “Sobre o proponente” e “Contato” sao exemplos de conteúdos estáticos e, por este motivo, podem – e devem - ser apresentados como páginas. Por nao serem dependentes do fator tempo, as páginas nao se misturam com o conteúdo dinâmico do sítio (“Últimas Notícias”, por exemplo) – elas geralmente sao listadas no menu de navegaçao a fim de facilitar a sua localizaçao. 7.3.4. Categorias A utilizaçao de categorias é outra das funçoes do WordPress. Elas permitem que posts com conteúdos parecidos sejam agrupados a fim de garantir a organizaçao do blog. Dessa forma, todos os posts sobre educaçao podem ser relacionados com a categoria “Educaçao”, por exemplo. Categorias também podem fazer parte de uma “categoria-pai”. Assim, todos os posts sobre educaçao fazem parte da categoria “Educaçao”, e esta, por sua vez, faz parte da categoria “Cidade”, de maior hierarquia. Outras subcategorias como “Saúde”, “Alimentaçao” e “Transporte” podem ser criadas, e todas elas também seriam filhas da categoria “Cidade”. É o assunto principal do post geralmente. Leitores podem selecionar para visualisar posts de uma categoria somente. 7.3.5. Tags Tags nada mais sao do que palavras-chave que definem um post. Geralmente confundidas com as categorias, elas se diferenciam ao especificar os assuntos mais relevantes dentro do texto escrito, sendo possível haver uma ou mais tags para cada post. Seguindo o exemplo, um post incluído dentro da subcategoria “Educaçao” pode tratar de uniforme escolar. O uniforme escolar, neste caso, é considerado uma palavra-chave do post ou, em outras palavras, uma tag. 7.3.6. Comentários Por meio deste recurso é possível responder aos posts do blog. Se esta funcionalidade estiver habilitada, os leitores poderao discutir o assunto tratado, enviar alguma informaçao que tenha relaçao com o post ou até mesmo apenas parabenizar o autor pelo texto. Como editor do blog, é possivel moderar os comentários .

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7.3.7. Painel de Controle

A partir da sua versao 2.7, o WordPress passou a ter uma nova estrutura de organizaçao de conteúdo. Ao entrar na administraçao do seu blog, voce verá um painel de controle com diversas opçoes e totalmente personalizável. Ao lado direito, estao os controles de Posts, Mídia, Links, Páginas, Comentários, Aparencia e Configuraçoes do seu Blog. Dentro do menu Posts, existe uma série de opçoes: Editar, Adicionar novo, tags (palavras-chave) e categorias. A grande facilidade do WordPress é a forma com que é possível criar e publicar páginas online, como se fosse um editor de texto comum. No entanto, algumas coisas devem ser destacadas, já que, por exemplo, inserir diferentes tipos de mídia e padronizar a formataçao de um texto devem estar de acordo com o restante do blog para uma apresentaçao correta e de qualidade. 7.3.8. Criando um Post Um post simples pode conter só texto, sendo um título e o conteúdo propriamente dito. Além de texto comum, com links e outros recursos como itálico, negrito, listas, alinhamento, entre outros, que podem ser encontrados na barra de acessórios, muito similar aos editores de texto. Para adicionar um Post, vá no menu da direita Posts e clique em adicionar novo. A seguinte tela se abrirá:

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Insira o título no primeiro campo e o texto do seu post no segundo. Voce possuí diversos recursos de formataçao, presentes na barra destacada na imagem acima. Voce pode trocar o alinhamento, criar listas, negritar palavras entre outras funçoes. Só cuidado para nao desformatar o seu blog carregando com muita formataçao os seus posts. 7.3.9. Inserindo conteúdo multimídia no post Para inserir uma imagem em um post, clique no ícone Adicionar mídia. Ao clicar no ícone, a seguinte tela irá aparecer, na qual voce poderá selecionar uma foto do seu computador para ser enviada ou um endereço web onde a imagem está hospedada.

Após o upload da imagem, é possível alinhá-la com o texto das formas apresentadas na seçao 'Alinhamento'. Também é possível ajustar o tamanho que a imagem terá no sítio.

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Para inserir a imagem no post, basta clicar 'Inserir no Post' (caso a imagem nao apareça da forma como voce a alinhou, a formataçao será feita na hora em que o post for publicado). Todas as fotos inseridas poderao ser encontradas na aba 'Galeria', nao sendo necessário o reenvio da imagem para futuros posts. Dentro dos posts existe também o recurso de inserir outras mídias (vídeo e música, por exemplo). Este recurso segue os mesmos passos da inserçao de fotos. Vamos recaptular os passos e ensinar como subir um áudio produzido por voce e também para que ele tenha o formato de podcast, já inserindo um tocador automaticamente no seu post. Clique em Adicionar mídia. Selecione o arquivo de áudio (preferencialmente ogg ou mp3) e aguarde o carregamento. A seguinte tela aparecerá:

Clique no botao URL do arquivo. Uma URL vai ser gerada. Se voce clicar em Inserir no Post nesse momento, o texto do título da música vai ser inserido com um link para o arquivo de música e o usuário poderá baixar o áudio postado. Contudo, se voce quer que ele fique com um tocador automático para o usuário visualizar, copie a URL

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gerada e feche a tela. Vá no campo de conteúdo do post e digite [audio:<url do arquivo gerado>]. Veja o exemplo abaixo:

O resultado do seu post deve ficar assim:

Para inserir um vídeo em um post, aconselhamos que você use um sítio que permita disponibilizar vídeos, como é o caso do iTeia (www.iteia.com.br), do YouTube (www.youtube.com) ou o Vimeo (www.vimeo.com). O WordPress até suporta que você suba vídeos pela própria ferramenta dele (as que já demonstramos para imagem e som), mas como geralmente os arquivos de vídeo são bastante grandes, é preferível que se utilize um servidor externo para gerenciar esse recurso. Em nosso exemplo, vamos demonstrar rapidamente como subir um vídeo no sítio do iTeia (www.iteia.com.br).

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Esta é a capa do iTeia. Se você ainda não é cadastrado, clique em cadastrar-se no canto direito da barra de conteúdo colorida. Ao realizar o cadastro, você será orientado a entrar no gerenciador do iTeia. Acesse com sua senha. O gerenciador tem esse aspecto:

Clique no botão vídeo (no centro da página). Logo em seguida, ele vai pedir para escolher um autor. Caso você ainda não tenha cadastrado um autor do trabalho, clique em cadastrar um novo autor e prossiga. Preencha todos os campos de informação do vídeo e aguarde a publicação do vídeo. No iTeia, seu vídeo publicado deve ficar assim:

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Para integrar esse vídeo ao seu blog WordPress na rede Nós da Rede, basta você clicar com o botão direito no botão “download”, que está logo abaixo da tela do vídeo, e depois clique em copiar linque. Cole na caixa de criação do seu post no WordPress no portal Nós da Rede:

Apague a parte que está em cinza e você terá o código do vídeo. Neste caso, é o código 485. Feito isso, adicione o código [iteia <códigodo vídeo>]. Neste caso, o código ficou, [iteia 485]. Não esqueça do espaço antes do código. Pronto, publique seu post e você terá o vídeo vindo do iTeia integrado ao seu blog. Caso você queira trazer um vídeo doYouTube para integrar ao seu blog, basta você usar o código [youtube<codigo do youtube>]. O código do YouTube é tudo que está depois do sinal de “v=” no endereço do vídeo. Por exemplo, na URL http://www.youtube.com/watch?v=Uddi8L3AMO8, o código do YouTube é o Uddi8L3AMO8. 7.3.10. Copiando textos do Word ou outros editores Algo fundamental para a publicação de textos importados da internet, do Word ou de outros editores é a reformatação do texto. Ao simplesmente copiar e colar um trecho ou um artigo você importa junto as formatações do documento original, como a fonte utilizada, o tamanho desta e até os espaçamentos entre caracteres. Consequentemente, o WordPress manterá essa formatação, a qual pode prejudicar o layout. É imprescindível, então, que o seguintes passos sejam seguidos: 1. Clique no botão colorido, o último da esquerda para a direita, da barra de formatação, de modo a habilitar as opções avançadas.

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2. Clique no botão “Colar como Texto Simples”:

3. Uma janela abrirá (figura abaixo) para a inserção do texto. Após inseri-lo, clique em “Inserir Texto”. Desta forma o texto estará de acordo com a formatação pré-definida.

7.3.11. Criando e editando páginas, categorias, tags e links Quando escrevemos posts, estes são publicados em ordem cronológica. Se quisermos inserir uma área de conteúdo estático, é necessário que utilizemos a função páginas. Por exemplo; em um sítio de uma entidade é muito comum a inserção de uma área que descreva as atividades da mesma. Ainda que esta página seja estática (ela não necessitará de atualizações constantes ou de ordem cronológica), ela pode ser editada a qualquer momento através da opção Páginas →Editar. Poderão ser criadas novas páginas também, por meio da opção Páginas

→ Adicionar nova. As funções e recursos de edição de conteúdo são as mesmas que o post.

O que são páginas? Páginas são para conteúdos que não dependem de ordem cronológicas. O não são páginas? Páginas não são posts, nem são feitas para textos extensos. Não podem ser relacionadas com Tags ou Categorias, fazendo referência somente as outras páginas dentro de sua hierarquia. Já as categorias, como descritas anteriormente, são recursos que servem para organizar o conteúdo dos posts dentro de uma área adequada. Para criar uma categoria, basta clicar em Posts → Categorias. Ao lado esquerdo da tela, estarão as opções para incluir uma categoria. Do lado direito, as opções de edição das categorias existentes.

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As categorias são importantes para organizar o conteúdo do seu blog/sítio. Por exemplo, se você criou uma área só sobre notícias do seu ponto de cultura, identifique-a como a categoria Notícias. Para isso, ao escrever um novo post, você pode determinar que o post seja alocado na categoria notícias. Você também pode aninhar categorias através das categorias pais. Por exemplo, você pode ter a categoria cultura, cuja categoria pai é notícias. Presume-se, desta forma, que posts de notícias de cultura serão alocados nesta categoria. Por sua vez, as tags são etiquetas para seus posts, ou seja, marcações que lincam posts relacionados, que tenham um assunto em comum. Para atribuir uma tag, durante a criação/edição de um post, vá até a caixa chamada “Post Tags”, logo ao lado do espaço para escrever o post. Preencha este campo com palavras relacionadas ao post. Portanto, uma notícia que tenha como assunto a educação, escolas e professores, ficaria assim:

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Logo após escrever as tags, é só clicar em Adicionar e pronto! Seu post foi etiquetado. Em relação aos links, eles são muito interessantes para fortalecer a sua rede de atuação. Quando você troca links com outros sítios, você gera mais trânsito, tanto no seu blog, quanto no sítio que você está referenciando.

Nesta mesma área de links, você pode gerenciar os links, postar e criar categorias para eles, assim como você faz com os posts. 7.4. Para saber mais: Free Software Foundation http://www.fsf.org Fundação Software Livre América Latina http://www.fsfla.org/svnwiki Open Source Iniciative http://www.opensource.org WordPress Codex http://codex.wordpress.org/Main_Page WordPress TV http://wordpress.tv 7.5. Glossário Blog - Sítio de conteúdo atualizado frequentemente em ordem cronológica. Categoria - Serve para agrupar conteúdos com os mesmos temas, sob a mesma categorias. Comentário - Forma de interação entre o responsável pelo sítio e seus leitores. Gerenciar - Recurso utilizado para editar conteúdos ja escritos previamente, podendo editar qualquer área anteriormente escrita. GPL - General Public License, também chamada de GNU, é uma licença criada por Richard Stallman, em 1980, para designar o software livre. Ela permite que os programas sejam distribuídos e reaproveitados mantendo sempre os direitos do autor.

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Links - Direcionamento à outras paginas, internas ou externas ao sítio. MySQL - Sistema de gerenciamento de banco de dados que utiliza a linguagem SQL (Structured Query Language). É usado para guardar os textos e outras informações importantes do sítio. Página - É usada para conteúdo estático. As páginas não dependem da ordem cronológica. PHP - Linguagem de programação na qual o WordPress é baseado. É utilizada para gerar conteúdo dinâmico. Post - Principal recurso de um blog. É utilizado para inserir conteúdo cronológico no sítio. Além de textos, imagens, vídeos e outros ítens podem ser apresentados à medida em que são publicados. Plugin - Pequeno recurso inerente ao WordPress que pode adicionar recursos não disponíveis inicialmente. Servidor - Computador central em que ficam os sítios. Tag - Palavra-chave que especifica um post. Cada post pode conter mais de uma palavra-chave para assim caracterizar seu assunto. Upload - Transferência de dados de um computador local para um servidor. No WordPress, é exemplificado ao enviar uma imagem para o sítio. URL - Uniform Resource Locator, ou seja, o endereço de uma página na internet. WordPress - Ferramenta de gerenciamento de conteúdo.

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8. PRODUÇÃO EM VÍDEO Esta seção foi elaborada pelo Pontão de Cultura Focu, a partir de manuais da TV OVO e TV Brasil, especialmente para o Ciclo Paranaense de Cultura Digital. 8.1. Roteiro A importância de se pesquisar, analisar e conhecer o que vai ser filmado é indispensável. Portanto, elaborar um pré-roteiro é uma das primeiras etapas do projeto. Para isso, se faz necessário a pesquisa, o que possibilitará a construção de um roteiro que mostre e relate de forma completa uma visão sobre determinado fato ou acontecimento. Abaixo estão descritos dois tipos de roteiros, o literário e o técnico. Roteiro literário: é aquele em que se descreve uma história ou um acontecimento. Nele, você escreverá sobre a história que quer contar e traçará uma forma de contar esta história. Por exemplo: a minha idéia é filmar a Festa do Divino Espírito Santo e, por ser uma manifestação popular e religiosa, opto por contar a história através da manifestação de fé da comunidade e uso uma voz em off para explicar a origem da festa e demais dados, como situar o local, a importância desta manifestação e outras informações sobre a cidade. Mesmo sendo um roteiro literário, é necessário escrever as intenções em relação ao filme, momentos indispensáveis e outras coisas que se façam necessárias. Roteiro técnico: este é o instrumento final usado durante as filmagens. Nele, teremos informações técnicas, como: divisão de seqüências, cenas, referência a ambientes internos e externos e descrição dos planos (enquadramentos, movimentos de câmera, etc). Assim, toda a equipe pode executar o que for necessário para a filmagem de forma descentralizada. Com o roteiro técnico em mãos, o produtor executivo pode, junto com o diretor, criar um plano de filmagem, no qual serão divididas as seqüências em diferentes dias de filmagem, possibilitando um cronograma de trabalho e uma listagem de equipamentos e pessoas necessários para determinado dia de filmagem, assim como o que devrá ser pré-produzido. Dessa forma, será viável repassar tarefas para o produtor de base, o diretor de fotografia, o assistente de direção e demais pessoas envolvidas e determinar o número de dias para executar o projeto, custos e prazos. 8.2. Decupagem Antes de se iniciar a produção de um audiovisual, é necessário ter clareza do que se quer realizar. Para isso, é preciso pesquisa, trabalho e dedicação, mas, acima de tudo, o roteiro, que é a idéia transcrita para o papel. O roteiro é o todo. Comparando-o a um livro, que é divididos em capítulos, parágrafos, frases e palavras, devemos também dividir o roteiro em diversas partes – isso chamamos de decupagem. Os elementos usados para essa divisão são o corte, a tomada (ou take), o plano, a cena e a seqüência. A decupagem é, na verdade, a descrição do que temos que gravar ou filmar a cada momento. Para isso, devemos ter ciência de elementos que auxiliam na composição das pequenas partes. 8.3. Fases de desenvolvimento de um audiovisual 8.3.1. Pré-produção Fase essencial na construção de um trabalho audiovisual, é neste momento que são feitos os levantamentos das necessidades gerais para a realização do produto. Com uma pré-produção bem feita, é possível executar o vídeo dentro dos prazos e do orçamento estipulado. Quando não é feita uma boa pré-produção os riscos são certos. Cabe a etapa de pré-produção organizar as filmagens, ou seja: fazer a decupagem do roteiro (definir planos, entrevistados e locais); estabelecer um cronograma de gravações, datas para as filmagens, aproveitamento dos melhores horários de luz; marcar entrevistas; providenciar autorizações de filmagem, sejam elas direitos de imagem ou autorizações para filmar em lugares públicos e privados; compor a equipe; reservar passagens, hotel e transporte terrestre, no caso de viagens; fazer o orçamento. 8.3.2. Produção Após a criação, decupagem do roteiro e todo o trabalho de pré-produção, chegou a hora de realizar as gravações propriamente ditas. Nesta etapa, o cuidado será com a parte técnica e o conteúdo do vídeo.

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Portanto, por mais que um roteiro esteja perfeito, ele sempre estará sujeito a alterações de última hora. Quando se trata de produção de documentários, em que os fatos podem acontecer de forma inesperada, a experiência do diretor é fundamental, sendo que o roteiro e o cronograma de produção podem ser alterados em função de algo relevante para o vídeo. Mas muita atenção para não se deslumbrar por algo e perder a linha, gastando tempo ao gravar material desnecessário. Destaca-se que alguns diretores preferem gravar o máximo possível, gerando infinitas horas de gravação e tendo opções no momento de editar. Já outros, gravam somente o necessário e focam no cumprimento do roteiro à risca. É importante lembrar que as duas opções ficam a critério da equipe, mas deve-se levar em conta o orçamento e o tempo de entrega do vídeo. Outro elemento são as questões técnicas, que podem condenar um bom trabalho. Não adianta ter um roteiro redondo e um bom trabalho de pré-produção se a equipe técnica não opera com eficiência o equipamento. No momento da gravação, não importa ter um entrevistado que está falando com desenvoltura ou o registro de um belo momento de espontaneidade caso o câmera-man não consiga fazer foco ou enquadrar a cena de forma correta. Durante a etapa de produção, cabe ao produtor marcar e conciliar horários dos ensaios, gravações, entrada da equipe, almoço, descanso, levantar e definir locais, transporte dos participantes e equipe, autorizações dos participantes e locais, providenciar fitas, anotar o seu conteúdo, preparar material de edição (relatório de gravação, roteiro, decupagem) para o editor. Nesse sentido, os passos a serem tomados são: 1. acompanhamento da decupagem do roteiro com a direção do vídeo; 2. contatar equipe e participantes (atores, apresentadores, repórteres); 3. fazer o levantamento de estúdio ou locação (externa). Peça sempre o auxílio do cenógrafo, eletricista ou iluminador para conhecer as condições do local (espaço, condições elétricas, posição do sol para cenas ao ar livre). Confirme se o local tem fácil acesso para a circulação da equipe e do equipamento. Leve uma máquina fotográfica para auxiliar posteriormente à direção, cenografia, operadores de câmeras e iluminadores; 4. verificar se há ruídos externos que prejudiquem a captação do som; 5. providenciar as autorizações necessárias para uso do local e dos participantes; 6. fazer um mapa dos horários para que a equipe e os participantes estejam na hora e local designados; 7. providenciar transporte para a equipe, equipamento e participantes, assim como hospedagem, água e alimentação. 8. durante as gravações, anotar o conteúdo de cada fita; 9. reunir todo material necessário para a edição (relatório, roteiro, número de fitas) e entregar ao editor; 10. anotar o número da fita e duração do programa pronto, ou seja, do programa editado. 8.3.3. Pós-produção Depois das gravações, vem a parte da montagem e edição do material captado. Edição de vídeo é o processo de corte e montagem de filmes em meio analógico ou digital, linear ou não-linear. A edição de vídeo consiste em decidir que tomadas usar, quais são as melhores e uní-las na seqüência desejada. Pode-se, inclusive, montar as seqüências fora da ordem cronológica de gravação ou do próprio tempo do filme. Editar, portanto, não se limita a escolher as melhores cenas. É nessa etapa em que são inseridos recursos como trilhas sonoras, efeitos gráficos, locução, legendas, etc. Quanto aos tipos de edição, a linear é feita seguindo a ordem cronológica do filme e inicia-se com as primeiras cenas do vídeo/quadro. Pode ser analógica ou digital. Já a não-linear é feita segundo os critérios do próprio editor, que decide se edita primeiro as últimas cenas, as do início do vídeo/quadro, ou as do meio. 8.4. Gravação e outros aspectos técnicos Quanto ao tipo de captação das imagens, as câmeras classificam-se em dois grupos. A primeira é a monocromática, que reconhece e registra apenas o sinal de luminância. Luminância ou sinal Y é correspondente à intensidade ou brilho da imagem, captando, dessa forma, a imagem em preto e branco. A outra é a policromática, que reconhece e registra a luminância e a crominância ou croma. A cromância ou sinal C contém as informações relacionadas com a cor, isto é, matiz e saturação. Matiz é a própria cor e saturação é a intensidade da cor. Capta, portanto, a imagem colorida. Além disso, uma câmera divide-se em três partes distintas: (1) mecânica externa: parte em que estão incluídos os

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dispositivos a serem tocados pelo seu operador; (2) ótica: parte de captação das imagens composta por objetivas, lentes e um sistema de prismas; (3) eletrônica: parte de processamento dos dados (imagens e sons), composta por resistências, condensadores, transistores, circuitos integrados, diodos, bobinas, chips, etc. São equipamentos básicos de produção: câmera, iluminadores, microfone, tripé, monitor. Em relação ao material utilizado para filmagem, temos, inicialmente, a película – utilizada em cinema para registrar as imagens filmadas. É composta de uma emulsão distribuída sobre uma fita de acetato-celulose transparente, coberta com diversas camadas de nitrato de prata. As imagens são obtidas através de projeção de luz. Existem diversos tipos de película: 8mm e super-8, usadas em filmes considerados amadores, têm equivalência com sistema VHS do vídeo; 16mm e super-16, são normalmente adotadas em documentários e filmes didáticos; 35mm são as mais utilizadas profissionalmente no mundo todo; 70mm, usadas durante algum tempo no Brasil, tem aplicação restrita atualmente, destinando-se a superproduções. Já com o surgimento da TV colorida, aparecem três diferentes sistemas de cores: (1) NTSC (National Television System Committee) – criado nos Estados Unidos, apresenta problemas de instabilidade na reprodução do matiz; (2) SECAM (Sequentielle à Mérmoire) – desenvolvido na França, resolveu o problema da reprodução das cores, porém apresenta maior tendência a interferências; (3) PAL (Phase Alternation Line) – sistema alemão que não apresenta problemas na reprodução das cores e nem interferências na transmissão do sinal. Destaca-se que os sistemas são incompatíveis entre si. No Brasil, foi incorporado ao sistema PAL a cores o padrão M da TV preto e branco. Isso resultou no sistema PAL-M, que, na época em que foi criado, era de utilização exclusiva do Brasil. Este sistema é incompatível com o sistema Pal utilizado em diversos países do mundo. 8.5. Linguagem Todo meio de comunicação possui características próprias, que o diferenciam dos demais. Não é apenas uma questão tecnológica, mas também de linguagem. O vídeo, portanto, possui formas própria de ser criado, realizado e finalizado. A partir de agora, veremos algumas destas formas que são utilizadas para a realização de um audiovisual. A primeira diz respeito ao ângulo da câmera, que pode ser dividido cinco categorias: (1) câmera normal – posicionada na altura dos olhos, é o tipo de ângulo usado para a maioria das gravações, pois imita a altura de uma pessoa; (2) câmera baixa – valoriza a cena, pois a pessoa ou objeto gravado por este ângulo parece maior, superior, forte, ou fica com aspecto ameaçador; (3) câmera alta – inferioriza a cena, já que a pessoa ou objeto gravado fica reduzido, menor, inferior, fraco, oprimido; (4) câmera vertical – tipo de câmera alta só que colocada no sentido vertical sobre a cena, num ângulo de 90º em relação ao chão. Um exemplo deste tipo de ângulo é a imagem de uma rua gravada do alto de um edifício; (5) câmera subjetiva – a cena é vista como se fosse pelos olhos do personagem. Há ainda a questão dos planos, que engloba os seguintes tipos:

(1) grande plano geral (GPG) – imagem de grande extensão, sem nenhum elemento de destaque. Serve para ambientar o discurso;

(2) plano geral (PG) – situa o local da ação e o espectador, mostrando o máximo possível do sujeito ou objeto;

(3) plano conjunto (PC) – identifica os atores no local da ação;

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(4) plano americano (PA) – corta abaixo da cintura, revelando expressões, mas sem enfocar um tema;

(5) plano médio (PM) – corte acima da cintura (muito usado na televisão – novelas);

(6) primeiro plano (PP) – enquadramento do busto para cima, como numa foto 3x4;

(7) primeiríssimo plano (PPP) ou close up – isola o rosto, sendo uma forma de compensação para tela pequena. Não se usa à toa;

(8) plano detalhe (PD) – mais limitado que o close, pois enquadra pequenos detalhes do corpo do ator ou pequenos objetos. Uma dica que vale a pena observar é evitar cortes nas juntas naturais (joelho, pescoço, etc), pois isso caracteriza a amputação e dá uma má impressão ao espectador.

Frisa-se, ainda que a câmera não é como o olho humano, não devendo confundí-la com nossos olhos. Precisamos nos acostumar a ver o mundo por meio da objetiva da câmera para realizarmos bons filmes. Dessa forma, assim como nós piscamos para ajustar o foco ou enquadramento do nosso olhar, de modo a registrar corretamente a imagem pelo nosso cérebro, isso também é necessário com câmera. A cada mudança de imagem, devemos fazer um corte, parando de gravar para focalizar e enquadrar, retornando então à gravação.

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Além disso, temos condições de fazer alguns movimentos de câmera que dão mais agilidade ao vídeo. O primeiro deles é a panorâmica ou pan, no qual a cena se move sobre a própria base da câmera. Ou seja, a câmera move-se na horizontal sobre um eixo fixo. Esse movimento é utilizado em imagens que descrevem o ambiente ou para acompanhar os movimentos que estão acontecendo dentro da própria cena. Como orientação, podemos dizer que a pan é realizada tanto da direita para esquerda como da esquerda para a direita, porém esta última é mais agradável. Deve-se começar por uma imagem fixa e terminar do mesmo jeito.

Outro movimento é o tilt, em que a câmera também se movimenta num eixo fixo, só que no sentido vertical. Pode ser realizado de baixo para cima e também de cima para baixo. Normalmente é um movimento mais suave e curto do que a pan. De modo geral, o tilt é utilizado para correção de enquadramentos. Mas serve também para acompanhar movimentos verticais e para a descrição de objetos ou elementos, como edifícios e pessoas. A tomada de reação ou chicote é um movimento de câmera brusco, em que a imagem geralmente fica borrada. É usado quando algo chama à atenção do personagem ou quando se quer transmitir uma passagem de tempo.

Há também o travelling, em que a câmera se desloca acompanhando o personagem, podendo ser um movimento vertical ou horizontal.

Já o dolly é um movimento completo de câmera se aproximando (dolly in) ou se afastando do objeto (dolly out). O zoom, por sua vez, é um movimento de lente da câmera que dá a sensação de aproximação (zoom in) ou de afastamento (zoom out). Deve ser usado quando não se pode movimentar a câmera. Existe ainda o pião de câmera, movimento de 360 graus em torno do objeto. Um movimento importante é o chamado de ângulo invertido ou contra-plano. Nele a câmera enquadra no primeiro plano uma pessoa de costas e em segundo plano uma pessoa de frente ou, simplesmente, uma pessoa olhando para um lado e outra olhando para outro. Usa-se normalmente quando é necessário uma seqüência de planos de duas pessoas conversando – no caso de diálogos. Esclarece-se que existem alguns equipamentos que auxiliam os movimentos de câmera. A grua, parecida com um guindaste, permite movimentos amplos, para filmar multidões ou captar a imagem de cima. Há também o stedcam, que fixa a câmera junto ao corpo do operador.

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Lembre-se da regra dos 180°, na qual nunca devemos inverter os planos no caso de cortes. A câmera deve trabalhar em um dos lados de uma linha imaginária que une os dois sujeitos, movendo-se somente de um lado da linha. Isso garante que a pessoa que está olhando ou se deslocando para um lado da cena não esteja, na tomada seguinte, indo ou olhando para o lado contrário. Se isso ocorrer, vai confundir o espectador.

Nesse sentido, é importante estar atento a certas regras de corte e continuidade. Quando estamos presentes no local de um acontecimento temos o poder de concentrar a nossa visão no que queremos observar. Já em um audiovisual, é necessário que o seu realizador determine o foco de atenção ao espectador. Para isso, utilizamos a técnica do corte, pois este é o método mais rápido de mostrar o que o espectador quer ou deve ver. Sendo assim, o momento correto de cortar depende do tipo de narrativa, do ritmo do audiovisual ou da ação em desenvolvimento. Quando cortamos, é necessário que tenhamos cuidado. Geralmente, um corte mal feito ou inútil dá a sensação de pulo. Isso acontece quando se faz um corte e utliza-se na cena seguinte imagens do mesmo sujeito com o mesmo enquadramento e mesma visão ou ângulo. Por isso, prefira cortar para ângulos e planos diferentes. Além disso, se o corte for mal feito, pode-se cair em erro de continuidade, fazendo com que a tomada não complete a anterior, interrompendo a ação e dando a impressão de um pulo ou mudança drástica. Em filmes, é comum acontecerem erros de continuidade, como o personagem aparecer com um penteado diferente ou haver uma mudança no figurino, cenário ou figurantes. Tome cuidado. Outra questão a se observar é a pontuação, isto é, as mudanças que ocorrem em um vídeo, programa de TV ou cinema. São tipos de pontuação: (1) take ou tomada – gravação feita em um determinado tempo, desde o início da gravação até o seu final (de um rec ao outro); (2) passagem – mudança de um take a outro; (3) corte seco – passagem sem efeitos, geralmente usada para dar uma rápida mudança no ângulo da câmera no plano, aumentando o ritmo ou a atenção para a cena; (4) seqüência – série de takes que dão continuidade ao assunto abordado ou à ação; (5) fusão – sobreposição de duas tomadas, quando a primeira desaparece e a segunda aparece (não deve ser usada em demasia). Serve para mostrar uma passagem de tempo ou um flash back (técnica descritiva em cinema e televisão de contar uma história a partir do que aconteceu antes do tempo presente). Se usada incorretamente, causa descontinuidade, devendo ser observado o tamanho do objeto para evitar o efeito de deslocamento e determinar o tempo de fusão; (6) fade – a tela escurece gradualmente, sendo este um efeito dramático, a depender da velocidade; (7) freeze ou parado – a imagem congela por alguns instantes de modo a enfatizar determinado momento; (8) foque e desfoque - entrada e saída de foco de uma imagem para outra. Fique ligado nas seguintes dicas: tenha sempre uma idéia clara do que você deseja em cada tomada, antes de começar a gravar; planeje a tomada cuidadosamente, de maneira que tenha início e fim claros e deixe que os movimentos aconteçam dentro do quadro da imagem. 8.6. Imagem Com o novo formato de TV Digital e as telas em modo wide screen, o enquadramento da imagem dará preferência à visão horizontal. Sendo assim, no enquadramento da imagem deve-se observar a importância que têm os objetos em primeiro plano, para acentuar as perspectivas e enquadrar no espaço correto, de modo que os objetos não fiquem nem muito apertados nem se percam na imagem.

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Não esqueça das regras de fotografia, deixando o horizonte paralelo às bordas do quadro e acima ou abaixo da linha média do mesmo, nunca na metade. Utilize-se de certas regras básicas da linguagem cinematográfica para efetuar uma seqüência de imagens, possibilitando cortes na edição do vídeo: 1. quando for necessário, faça uma imagem geral seguida de um plano americano ou um plano médio seguido de um close ou ângulo mais fechado, isto proporcionará um efeito dinâmico na montagem; 2. evite uma diversidade exagerada na combinação das cores, pois o excesso de elementos pode desviar a atenção do verdadeiro foco. Em caso de entrevistas, procure uma cor mais viva em contraposição a outra apagada ou uma combinação que apresente harmonia entre si. Destaca-se, ainda, que entender e dominar a luz é um dos maiores desafios para um audiovisual. Até mesmo profissionais “apanham” em condições críticas. Em fotografia a luz é tudo, e como audiovisual é também fotografia, temos que estar atentos para isso. Observe, portanto, que, nas primeiras horas da manhã e à tarde, a luz natural tem algumas características que são muito interessantes para a captação de uma boa imagem. Isto porque, nesses horários, a luz tem uma coloração amarelada, chamada de “cor quente”. As imagens ficam com um tom muito agradável para paisagens. Além disso, ela é menos intensa, chamada de “luz suave”, permitindo a captação de imagens com boa definição de detalhes, sem exagerar no contraste. Some a isso, o fato da luz incidir nesses períodos de forma lateral, iluminando diretamente os objetos filmados, criando sombras que dão volume e realçam as formas dos elementos da imagem. Resulta disso que nesses horários a luz é mais suave, mais fraca e melhor direcionada.

A Luz natural

A coloração

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A iluminação natural durante o resto do dia tem intensidade mais forte, produzindo sombras densas e podendo “estourar” a imagem, ou seja, fazendo com que as áreas claras percam definição, podendo ficar totalmente brancas. Esta luz é chamada de “luz dura”. Portanto, evite imagens de pessoas ao ar livre nos horários em que o sol é mais forte, pois além da iluminação dura, a direção do sol a pino causa sombras fortes embaixo dos olhos e pescoço.

A intensidade

A Direção

Uma boa dica quando precisamos registrar uma pessoa ao ar livre, é colocá-la embaixo de uma sombra. Você pode utilizar uma árvore, uma varanda, um toldo, ou qualquer outro local onde a luz não incida diretamente. Nestes locais, a iluminação é mais suave, indireta. As imagens terão melhor definição e realçarão os contornos e detalhes do personagem. Dias nublados também fornecem uma iluminação suave. As nuvens funcionam como um difusor, suavizando os raios solares e tornando a luz mais fraca. Isto resulta em uma iluminação que por igual elimina as sombras fortes e produz uma imagem com detalhes bem definidos e coloração forte. Nestes casos o ideal é eliminar o céu da composição, pois ele ficará com uma coloração esbranquiçada e sem vida.

Luz dura

Luz suave

Além da luz natural, podemos utilizar outras fontes luminosas para as imagens. Na maioria das vezes usamos uma luz artificial quando a luz natural não é suficiente para iluminar a cena, como dentro de um ambiente fechado ou em fotos noturnas. Qualquer outra fonte de luz pode ser usada: o farol de um carro, um holofote, a luz das lâmpadas alógenas ou incandescentes e fluorescentes dos ambientes, a iluminação das ruas e avenidas, a luz de uma vela, etc. São as chamadas fontes de luz contínua. Um detalhe importante que se deve observar ao usar iluminação artificial é a temperatura de cor desta luz. Ela é medida em graus Kelvin, sendo a temperatura da luz associada à coloração relativa dessa luz, indicando, assim, a "cor" emitida por determinada fonte luminosa.

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Fontes de luz artificiais, com temperaturas de cor mais baixas, como a iluminação de um holofote, de uma lâmpada comum ou de uma vela, produzem uma coloração amarelada, chamada de luz "quente", sendo muito apreciada por profissionais para dar um toque especial a suas imagens. Por outro lado, a luz "fria" de uma lâmpada fluorescente e de alguns tipos de iluminação urbana, por exemplo, tem temperatura de cor de aproximadamente 3000 graus Kelvin, produzindo uma coloração esverdeada nas imagens. Dessa forma, o conhecimento da temperatura de cor das diversas fontes de luz articial é indispensável para um registro de uma imagem de forma profissional. Veja o quadro abaixo: Fontes de Luz

Temperatura de cor

Luz natural (ao meio dia)...........5.600 graus Kelvin Luz artificial...............................3.200 graus Kelvin Luar / lâmpada fluorescente.......4.500 graus Kelvin Lâmpada de 60 Watts.................3.000 graus Kelvin 8.7. Timecode (código de tempo) O timecode é uma designação técnica da Society of Motion Picture and Television Engineers (SMPTE) para o sistema de referência numérica de vídeo e áudio. A primeira versão de timecode desenvolvida foi o formato “nondrop-frame timecode”, que representa um valor numérico para cada fotograma de imagem, com 30 fotogramas por segundo. São quatro campos de dois dígitos sendo o primeiro campo representado pela “hora”, de 0 a 24, seguido dos “minutos”, de 0 a 59, os “segundos”, também de 0 a 59, e, finalmente, os “frames”, de 0 a 29. É um sistema preciso para rastrear os fotogramas individualmente ou posicionar edições. Para sincronizar o tempo real dos relógios com o lapso de tempo marcado pelo timecode, os engenheiros desenvolveram o “drop-frame timecode” onde dois números de fotogramas são eliminados a cada minuto, exceto quando o tempo do minuto termina em zero: 10, 20, 30, 40, e assim por diante, lembrando que os fotogramas não são fisicamente eliminados, somente a sua representação numérica. Este tipo de contagem é usado em emissoras de televisão, quando há transmissão, enquanto o non-drop-frame timecode é adotado para audiovisuais que serão distribuídos e não transmitidos. O timecode permite o registro da contagem numérica na fita e, portanto, que se faça uma pré-decupagem do material durante a gravação. Além disso, os sistemas de edição não-linear reconhecem a fita e localizam seus pontos de captura por meio do timecode. Dessa forma, não devemos permitir quebras no código, pois os números ficam repetidos e ocorrem lapsos na fita (intervalos de frames sem registro algum de imagens), impossibilitando a captura das imagens pela ilha de edição não-linear. A programação do timecode varia com o equipamento, mas quase todas as câmeras são equipadas com a função End Search (busca do final), sendo que para seu uso a fita deve estar posicionada no último take gravado. Este procedimento deve ser feito toda vez que a câmera for desligada. 8.8. Áudio A captação de áudio é parte fundamental de uma produção. O som direto (áudio captado durante as gravações) é importante para o conjunto da obra, pois não adianta ter conteúdo e uma bela imagem se o som não tiver a qualidade técnica mínima para a sua apreensão. Imagine o registro de uma manifestação musical onde o cenário é deslumbrante, a imagem é perfeita, mas o som captado pela câmera ficou ruim. O resultado é um material de registro que fica impossibilitado para a edição. Assim sendo, é preciso obedecer algumas regras básicas neste sentido. O ser humano ouve muitas freqüências médias e poucas altas e baixas. As baixas não entram no ouvido por causa do tamanho das suas ondas, mas é possível senti-las batendo no corpo. Já as altas necessitam de amplificações e correções em equalizadores para serem percebidas. Dessa forma, como ouvimos e sentimos sons de frequências entre 20Hz e 20000Hz (ou 20kHz), sendo a de 20Hz baixa e praticamente inaudível, assim como a de 20000Hz ( 20kHz ), que é alta e também inaudível, muitos equalizadores mostram em seus gráficos uma espectro de 16Hz à 16000Hz (16kHz).

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Nesse sentido, os microfones fazem o papel do ouvido, primeiramente simulando o tímpano com um diafragma que, ao receber uma onda sonora, vibra pela compressão e descompressão. Ligado a ele, está uma bobina que transforma essa vibração (corrente mecânica) em eletricidade, passando por um pré que a amplifica. Os microfones são projetados com as seguintes especificações: (1) microfone dinâmico com a captação cardióide – é eficiente quando postado próximo à fonte sonora, sendo adequado para situações em que se deseja captar apenas a fonte sonora próxima ao microfone sem os sons ao redor; (2) microfone condensador omnidirecional – com captação ampla e em todas as direções, é usado quando se tem a intenção de captar os sons de um ambiente; (3) microfone condensador shot gun ou direcional – captação semelhante ao foco de uma lanterna de pilhas, isto é, para onde se aponta o microfone, obtém-se uma captação eficiente a uma distância consideravelmente longa. Daí o nome shot gun - “tiro de arma” em inglês. Todos os microfones vêm com suas especificações técnicas, isto é, o seu tipo e faixa de frequência dentro que capta. Esclarece-se que os microfones condensadores necessitam de uma alimentação de 48 volts por meio do fio para ativar sua bobina de captação. Esta corrente de 48 volts é acionada no Phantom Power da câmera ou da mesa de som. Além disso, alguns vêm com cortes de freqûencia, como o Low Cut (corta baixas frequências). Em uma situação de ruídos de sons graves, como ar condicionado, por meio do seu uso é possível evitar a captação. Já no caso de captação de áudio utilizando apenas o microfone da câmera, que se trata de um microfone omnidirecional (captação aberta do som), evite gravar entrevistas com distância da câmera e do entrevistado superior a 1,5 metro.Neste caso é aconselhado buscar um ambiente sem ruídos externos e que não gere reverberação do som (ecos). Se a situação técnica de sua produção permitir o uso de um microfone direcional do tipo Shot-Gun ou mesmo um microfone de lapela, é importante lembrar que alguns cuidados. Utilizando um microfone direcional, não aparecerá microfone algum na tela e há a possibilidade de gravar o mesmo som em dois canais diferentes de áudio, ajustando diferentes volumes de captação para os canais, sendo que o canal 2 deve estar um pouco mais alto que o canal 1. Assim, quando o som captado pelo canal 1 estiver muito baixo, o canal 2 poderá suprir essa necessidade e vice-versa. Já com a utilização de um microfone de lapela, esteja atento com o posicionamento, pois ele não deve estar muito distante do busto do entrevistado. E se optar por escondê-lo, cuide para que o mesmo não fique em atrito com a roupa. Em uma entrevista, o ideal seria utilizar dois tipos de microfones, registrando o áudio em diferentes canais e possibilitando uma melhor mixagem final. O microfone direcional capta um som mais agudo e o de lapela capta um som mais grave. Set-up de áudio para câmeras digitais: Áudio > 48Khz 16 Bits VU (modulador de áudio) > ajustar a captação entre o limite de -20db / -12db Observação: O áudio digital captado na modulação de -12 db permite uma ampliação posterior do som no momento da mixagem final do áudio. Mas não adianta gravar um áudio na modulação correta, se o mesmo tiver ruídos excessivos, pois no momento da mixagem, quando o som tiver que ser ampliado, os ruídos também serão. 8.9 Para saber mais Para saber mais sobre audiovisual, visite os sítios: www.mnemocine.com.br www.ctav.gov.br www.fazendovideo.com.br

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9. PRODUÇÃO EM ÁUDIO Esta seção foi desenvolvida por Roberta Schwambach e Emanuel Fraga e editada por Rachel Callai Bragatto. A evolução dos meios de comunicação tem gerado impacto tanto no conteúdo quanto no formato das mensagens. As rádios que, no começo do século podiam ser definidas com clareza e simplicidade, hoje são extremamente complexas e diversas, diferindo em questões legais, conceituais, práticas e políticas. A comparação entre os formatos existentes demonstra como a rádio pode ter naturezas e vocações distintas. Porém, mais diverso ainda se torna o meio quando ocorre a mistura da rádio com a internet. São duas ferramentas de comunicação que se transformam em uma. E como isso acontece? A rádio, quando está associada à internet, passa a oferecer serviços que unem som, elementos escritos e visuais – respondendo às solicitações do consumidor multimídia. A interação é feita de maneira mais ampla e complexa, uma vez que, com ouvinte conectado a página da web rádio, ele pode dar opiniões por meio de chats, e-mails e fóruns de debates, além de se tornar associado de uma rede de contatos. Junte a isso o fato da programação de áudio da rádio poder ser armazenada no sítio e ouvida a qualquer momento, não tendo a linearidade dos meios tradicionais. Outra vantagem é que, na internet, a rádio pode alcançar públicos variados, distantes geograficamente, mas que tenham interesses semelhantes. 9.1. Gestão A organização social e comunitária é uma das formas de articulação e combate ao monopólio da informação em direção à mudança social que almejamos. Para tanto, a gestão da rádio deve ser pensada de forma horizontal – um trabalho que deve ser feito em equipes, discutido entre seus membros, transformado em ferramenta de mobilização e articulação em prol de benefícios para a comunidade, para os grupos culturais, para a difusão de uma outra forma de sociedade. Destaca-se que, dentro da estrutura de uma rádio, são necessárias algumas pessoas para desempenhar as funções de programador, editor, narrador. Todos esses personagens são importantes para que a rádio funcione, sendo necessário um amplo diálogo entre eles, já que de nada adianta o narrador gravar uma fala que não condiz com o que o editor precisa pra montar o programa. Dessa forma, um dos pontos fundamentais para que a rádio seja diferente das rádios comerciais é pensar em formatos de difusão de arte e cultura, evidenciando a pluralidade e diversidade presente na sociedade. Para isso, devemos fazer um exercício que mine a simplificação que vemos no meio radiofônico hoje. Não são somente de programas de música que fazem uma rádio. Ela pode contemplar conteúdos e formatos diversos: poesia, contos, debates, rádio-novela, música, receitas culinárias, jogos esportivos, convites para eventos. Na próxima seção, veremos então alguns passos pra começar a planejar seu programa e nossa web rádio: 9.2. Programação É importante que se tenha bem definido o tipo de programa a ser feito. Sabendo o que se quer transmitir, é mais fácil visualizar como produzir uma mensagem clara aos seus ouvintes. Para tanto, tente escrever dois ou três parágrafos descrevendo quais são os objetivos do programa, como você pensa em atingi-los (Leituras? Debates? Entrevistas?) e com quais recursos o fará (Sonoras na rua? Músicas intercaladas?). Também é importante pensar a periodicidade e sua duração, os atores envolvidos e o publico alvo.

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Estas idéias devem se concretizar em um script, a estrutura base de todo programa. Define-se uma vinheta de entrada, para ser sempre transmitida no começo do programa, e sonoras de saída para intercalar na programação (chamadas bases que informem, por exemplo, o sítio e informações a respeito do ponto de cultura). Fazendo isso, você terá a visão geral do programa, quais as sonoras a serem gravadas, quanto tempo durarão, quais músicas ou efeitos sonoros são necessários. Veja um modelo:

Seguindo este modelo, pode-se elaborar qualquer tipo de programa, pois visualiza-se com clareza as sonoras necessárias, os atores a serem procurados, os tipos de arquivos a serem buscados para a edição. Outra importante ferramenta de planejamento é pensar na continuidade dos trabalhos. Quando realiza-se um programa de rádio, deve-se estar ciente de quantos programas serão feitos, a seqüência dos acontecimentos, o tempo para juntar as informações necessárias e editar o conteúdo. Veja um breve planejamento:

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9.3. Redação Você deve se lembrar que na rádio é por meio do som que se constrói a imagem do que se passa para o ouvinte. Portanto, deve-se primar pela clareza, objetividade e construção direta. Veja abaixo algumas sugestões de redação: Colocar-se no lugar do ouvinte; Escrever com simplicidade; Não esquecer o verbo; Não usar o gerúndio (“Vai estar fazendo” x Fará) Usar sempre a ordem direta: sujeito,verbo, complemento; Ler e entender o que escreveu; Usar a palavra certa no lugar exato (“O estádio sofreu reformas” - o estádio não sofre); Evitar estrangeirismos (play-off, delivery etc); Escrever na forma positiva, evitando o “não”; Fazer um texto limpo; Não iniciar uma transmissão com palavras “entre aspas”. O ouvinte entenderá que a afirmação é sua; Não começar frase com “vale lembrar”; Não usar “ontem” na primeira frase. Envelhece a notícia; Não começar texto com “E”. Por exemplo: “E o Papa João Paulo II disse hoje...”; Não classificar a notícia de boa, má, triste, alegre, engraçada, etc; Ser conciso, economizar palavras; Usar números redondos; Escrever números por extenso; Não cometer erros de informação; Responder: o texto interessa ao ouvinte? 9.4. Software de áudio: Audacity Agora é hora de colocar em prática todas essas etapas. Você conhecerá um pouco sobre gravação e edição de material sonoro, por meio da utilização de um software livre, o Audacity. Para tal, são necessários alguns equipamentos básicos, como computador e microfone. Recomendamos a utilização de um computador que tenha a seguinte configuração mínima: processador de 1.4 Ghz; 512 Mb – RAM; kit multimídia (Microfone + Cxs de som ou fones); placa de som; software de edição de áudio (Audacity ou semelhante) instalado; conexão com a internet.

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Caso você não tenha nenhum software de edição de áudio instalado em seu computador, pode ir até a página do Audacity, que é o software utilizado aqui (no seminário, utilizaremos a versão estável: 1.2 - para todos os usuários). O endereço é: http://audacity.sourceforge.net/download/. Logo abaixo escolha também qual versão quer instalar na sua máquina, de acordo com o sistema operacional (Windows, Linux ou Mac ). Se você utiliza o Linux, provavelmente o programa já está instalado em sua máquina. No caso de utilizar o Windows ou Mac, clique na opção escolhida e você será redirecionado para a página de download. Clique onde estiver escrito Instalador do Audacity 1.2.6 e baixe o instalador do programa:

Selecione em qual pasta do computador você quer instalar o software e execute o arquivo. Siga todas as etapas até concluir a instalação. Após isto, abra o programa (através do menu >Iniciar – Programas, por exemplo). Porém, antes de começar a explorar o programa, é necessário conferir alguns detalhes importantes, como se a placa de som que você está utilizando está selecionada corretamente. Para isso, vá até >Editar – Preferências:

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Você deve informar a placa de som que está utilizando. Neste caso, escolheremos a Realtek AC97 Áudio, que é a placa OnBoard do computador, tanto para gravação como para reprodução. Também é interessante marcar a opção gravar e reproduzir faixas simultaneamente, assim será possível produzir e ouvir o que está fazendo ao mesmo tempo.

Depois, você pode se certificar se a opção de Exportar em Mp3 está configurada corretamente. Para tal, vá até >Formatos de arquivo e confira, em >Configurações de exportação em Mp3, a versão do plug-in. Neste caso, o plug-in está corretamente instalado e sua taxa de bits está em 128 Kbps. Você pode aumentar esta taxa, aumentando a qualidade do arquivo, mas em, contrapartida, aumentando também o seu tamanho. A taxa mínima recomendada é a de 128 kbps.

Se o plug-in não estiver instalado em seu computador, você pode baixá-lo gratuitamente da internet (procure pelo arquivo lame_enc.dll) e indicar ao programa em que pasta se encontra. Para isso clique em >Encontrar Plug-in.

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9.4.1. Gravação Para realizar uma gravação de voz (como uma locução), você precisa ter um microfone conectado à placa de som do computador. Após conectar o microfone, certifique-se de que a opção Microfone está selecionada, assim como se o volume está em um nível audível. Para tanto, observe a barra de ferramentas do programa:

Agora o programa está pronto para gravar. Se possível, escolha um local silencioso e tome cuidado para não falar muito perto do microfone ou esbarrar no mesmo, evitando assim a saturação do som. Também tome o cuidado de utilizar fones de ouvido, para que não ocorra microfonia. Quando estiver pronto, clique no botão REC.

O programa automaticamente criará um novo canal de áudio e passará a registrar os sons, exibindo-os através de uma representação gráfica azul, desta forma:

Neste momento aproveite para observar se a onda não está saturando. Faça o teste falando ao microfone (enquanto grava) e observe a barra de volume localizada na parte superior da tela:

O nível apresentado pela barra vermelha não deve estar muito próximo ao canto direito, pois dessa forma o som satura e se torna difícil de escutar (a melhor forma de saber se o som está saturado ou não é ouvindo). Ao terminar a gravação aperte o botão Stop.

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É interessante você renomear o canal que acabou de gravar, para identificá-lo facilmente e não se perder depois. Vá até o lado esquerdo da tela, onde se encontram os canais, e clique em Áudio:

Então aponte e clique em Nome...

Altere então o nome para qual desejar. Aqui renomeei como Voz 1. Como o programa cria um novo canal toda vez que grava um som, pode acontecer de o som gravado anteriormente, durante a nova gravação, se misturar e te atrapalhar. Para resolver este problema, antes de gravar clique em Mudo, em cima do canal que deseja que permaneça mudo (você pode ouvir o áudio desta faixa novamente depois re-selecionando esta opção). Grave quantos sons você quiser, podendo variar os instrumentos musicais, diferentes falas, ruídos ou qualquer som que precise para o seu programa. 9.4.2. Edição Após gravado, o som precisa ser editado ao menos em suas extremidades, ou seja, ter seu começo e final bem definidos. Para cortar trechos indesejados das faixas de áudio (do começo e/ou do final do seu programa, ou mesmo do meio), utilize a Ferramenta de Seleção, localizada na parte superior esquerda da tela:

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A seguir, selecione o trecho desejado, como no exemplo abaixo:

e aperte a tecla Delete. O trecho selecionado será excluído. Você também pode mover a onda de lugar, evitando que os sons se toquem ao mesmo tempo e criando assim a seqüência do seu programa. Para isso, selecione a ferramenta Deslizar:

Clique e segure em cima da onda desejada, arrastando-a para onde quiser (perceba que a onda do canal inteiro se move junto).

Se desejar arrastar somente um trecho, escolha a Ferramenta de Seleção, selecione o trecho e, a seguir, selecione a ferramenta Deslizar, arrastando o trecho para onde quiser. Você também pode selecionar o pedaço do som que deseja utilizar, copiá-lo (ctrl+C), criar um novo canal em branco (indo em Projeto – nova faixa de áudio) e colá-la (ctrl+V) neste espaço. Assim você pode selecionar apenas o que deseja de cada gravação.

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9.4.3. Criação de canal para música. Para inserir músicas de fundo ou outros sons em seu programa, basta apontar para Projeto - Importar áudio:

A seguir, selecione a pasta onde se encontram os sons em seu computador, escolha o desejado e clique em Abrir. O Audacity criará um novo canal de áudio, contendo o som que você importou. Para colocar a música na posição desejada, utilize a ferramenta Deslizar e arraste a onda para onde quiser. Quando for utilizar uma música de fundo para uma locução, preste atenção ao volume geral dos sons (se a música não está mais alta que a voz por exemplo). Se tiver este tipo de problema você pode regular o volume dos canais:

E atenção, tome cuidado pára não utilizar músicas que possuem direitos autorais. Se você não sabe se a música tem ou não esses direitos, prefira outras que sejam livres ou flexíveis e condizentes com sua utilização no programa. Existem sítios na internet que disponibilizam músicas para download liberadas pelos artistas, como o www.jamendo.com, por exemplo.

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9.4.4. Finalização Após montar a seqüência do programa e conferir tudo, você precisa exportá-lo para Mp3, que no caso é um formato mais leve de arquivo sonoro. Vá até Arquivo - Exportar como Mp3.

Depois, selecione a pasta onde deseja salvar o programa que você criou e nomeie seu programa da seguinte forma: Nomedoprograma_Número (por exemplo: ExpediçãoKuaiTema_Num04) e clique em Salvar. Agora seu programa está pronto para ser lançado na internet. 9.5. Disponibilização na internet Para que possamos receber o seu programa e colocá-lo no ar, é necessário que você realize o Upload daquele arquivo em Mp3 que gerou. Para isso é necessário um servidor. Aqui utilizaremos, mais uma vez, um serviço gratuito. Vá até a página do MegaUpload: www.megaupload.com, por exemplo, e clique em Browse:

Vá até a pasta onde exportou seu programa, selecione o arquivo Mp3 e clique em Abrir. Digite logo abaixo, em Descrição, a data referente a quando o programa foi gravado:

Aperte então o botão Send. O sítio irá carregar seu arquivo no servidor. Este processo pode demorar um pouco dependendo de sua conexão com a internet. Aguarde o término e copie então o link fornecido:

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Este link é o endereço de onde pode ser feito o download de seu programa, copie-o e nos envie através do e-mail: radio@nosdarede.org.br. 9.6. Relacionando o blog à web rádio O conteúdo do seu blog e da sua rádio podem estar conectados. Isto pode ser interessante para o seu público e reforça as ações do seu ponto e entidade cultural. Conheça algumas idéias: - Se vocês estão fazendo algum tipo de programa de debates, pode ser interessante fazer um fórum de discussões aberto ao público no blog, assim as opiniões podem ser usadas no programa e você garante interatividade com seu público; -Se vocês apresentam um novo grupo musical, seria interessante fazer um artigo no portal com links de pesquisa referentes a esse grupo, como comunidades virtuais (MYSPACE, Orkut, etc), páginas onde se possam baixar músicas do grupo, sítio/blog próprio do grupo; -Se vocês declamam poesias, podem escrever referencias do autor(a) e disponibilizar mais obras para que as pessoas possam conhecer mais do seu trabalho; É importante, portanto, pensar na interatividade com o público. Procurem refletir sobre formas de passar mais informações a respeito do programa, maneiras de facilitar a troca de informações e a interação com o conteúdo. 9.7. Para saber mais Agência Pulsar http://www.brasil.agenciapulsar.org Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) www.abraconacional.hpg.ig.com.br/formacao.htm Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) http://brasil.amarc.org Central de Mídia Independente (CMI) www.midiaindependente.org Manual Rádio Livre http://www.youtube.com/watch?v=D54SacPPYyQ e http://www.youtube.com/watch?v=eVn0kx6mvW4&feature=related Portal rádios livres www.radiolivre.org Portal rádios web www.brasilwebradio.com Para baixar conteúdo livre: http://webradio.utopia.com.br

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Textos: Equipe Kuai Tema, Ethymos, Quixote Art, Pontão Focu, Emanuel Fraga, Júlia Basso, Marco Antonio Konopacki, Rachel Callai Bragatto, Roberta Schwambach e Sérgio Amadeu. Edição e revisão: Rachel Callai Bragatto Projeto gráfico e diagramação: Cristiano Suguimati Tiragem: 60 cópias 1a Edição Curitiba, julho de 2009 Realização:

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Licenciado em:

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