Issuu on Google+

economia | Página 6

Sobrinha de Fidel combate a homofobia

BQ chega a Macaé com escritório virtual

www.viuonline.com.br

Online R$ 4,00

O tsunami Eike Batista Os dias que abalam os negócios do homem que já figurou na lista da Forbes entre os mais ricos do mundo Perdas estimadas de R$ 53 bilhões em 12 meses Fuga de investidores do Porto do Açu Crise de credibilidade nas Bolsas de Valores Pedido de socorro ao governo Página 32 a 37

N° 0 | ano I | Abril de 2013

ENTREVISTA | Página 10


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 43

O PAC avançou O Ministério das Cidades liberou mais R$ 100 milhões para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Macaé. Os recursos serão investidos na continuação das obras no bairro Nova Esperança, além de incluir mais quatro comunidades: Ajuda, Vila Badejo, Lagomar e Malvinas. O Ministério destacou que Macaé foi o primeiro município a ter o projeto técnico aprovado e incluído no PAC 2, porque “é considerado referência na execução do programa”. Nesta nova etapa, em volume de recursos liberados para as cidades do Estado do Rio, o município de Macaé só perde para Nova Iguaçu, que vai receber R$ 300 milhões. O PAC 1 incluía apenas o Nova Esperança, mas agora chega a outros bairros com perspectivas de continuar avançando para as demais áreas. Dados da Caixa Econômica Federal, instituição responsável pela fiscalização das obras, destacam que o cronograma do Nova Esperança nesta primeira etapa já está 80% concluído. Deste montante destinado às obras do PAC 1, no bairro Nova Esperança, R$ 10 milhões são do Orçamento Geral da União (OGU), enquanto que o município entrou com uma contrapartida de R$ 4 milhões. Os 64 apartamentos começaram a ser ocupados. O prefeito da cidade Dr. Aluízio (PV), acompanhado do vereador Luciano Diniz (PT), entregou, simbolicamente, as

chaves dos apartamentos que passam a ser ocupados por famílias que moravam em áreas de risco. Diniz foi o interlocutor do município junto ao governo Federal para realização do PAC no município, por conta disso. Segundo ele, os entendimentos com a União foram iniciados em 2008. No Nova Esperança, as obras incluíram, além dos apartamentos, a construção de rede de drenagem, rede de esgoto, rede de água, urbanização de, aproximadamente, 4 km de ruas, construção do centro comunitário. De acordo com o vereador petista, as obras alcançaram 1/3 do bairro da Nova Esperança, beneficiando diretamente 1.200 famílias. O vereador do PT propôs que a primeira sessão da Câmara Itinerante deste ano seja realizada na comunidade.

cidade | macaé

Ministério das Cidades libera R$ 100 milhões para obras em Macaé e permite a chegada do Programa de Aceleração do Crescimento em mais quatro bairros da cidade


Artigo * Carlos Tautz (Instituto Mais Democracia)

Royalties para quem? (Instituto Mais Democracia) Uma breve passagem por Campos dos Goytacazes e Macaé, duas das cidades fluminenses que mais recebem royalties por estarem dentro da Bacia de Campos, a maior região petrolífera de petróleo do Brasil, mostra que é muito mal amparada essa discussão sobre quais cidades devem ser recompensadas pela extração do óleo. A se deduzir pela infraestrutura social criada pelos dois municípios desde que aquela atividade econômica começou ali, há pouco mais de 30 anos, a montanha de dinheiro deveria ter tido final muito melhor. Afinal, onde foram parar os royalties pagos até hoje? Campos, reduto do esquema Garotinho – aquele ex-governador, hoje de novo candidato ao cargo, indiciado por formação de quadrilha armada – exibe os piores resultados do Estado em termos de educação pública. Se pelo menos alguma parte dos royalties serviu para alguma finalidade, em Campos se pode dizer uma coisa: esse destino final certamente não foi a educação. Em Macaé, que tem a coragem de exibir placas onde se lê “Capital nacional do petróleo”, os transportes públicos – monopolizados pela empresa 1001 – levam poucos do nada a lugar nenhum. Os transportes estão entre os piores serviços apontados pela população, que também se queixa, muito, de um tremendamente deficiente sistema de saúde pública. De tão violenta, a cidade é a única, fora a capital Rio de Janeiro, a ter uma Unidade de Polícia Pacificadora, instalada na favela Nova Holanda. Dois exemplos Campos e Macaé são apenas dois dos exemplos, certamente que os mais visíveis, mas não os únicos, de cidades que há mais de três décadas vêm recebendo quantias crescentes de dinheiro a título de royalties, mas que veem essa fortuna ser desviada ano a ano sem que saúde, educação, cultura sejam as áreas, como orienta a legislação, prioritárias no recebimento

do repasse mensal. Essa dimensão do problema dos royalties precisa vir à tona nesse momento em que o proselitismo esperto do governador Cabral, de um lado, e a volúpia interessada de Garotinho, no campo oposto, voltam suas baterias contra esse recurso público. Nem um, nem outro, têm em mente o interesse público quando defendem que o Estado do Rio continue a receber o montante atual de royalties. Alguém já os viu defender uma fiscalização efetiva sobre a aplicação desses recursos? Isso não significa, entretanto, que a injusta legislação sobre a exploração de minérios e de hidroeletricidade, que não prevê a distribuição equânime destas riquezas entre todos os entes do território brasileiro, deva também se manter. Petróleo, minérios e hidroeletricidade não pertencem aos municípios onde aparecem e/ou são explorados. São de propriedade da União e é ela quem deve distribuir as benesses advindas de sua exploração econômica. Essas são as verdadeiras questões que subjazem o debate sobre os royalties. Mas, quem está decidido a levá-las a termo?

Doe sangue

Doe Vida


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 41

Índice Online REVISTA VIUONLINE Coluna viu online

É tudo muito prático

coluna acontece

P.R. BARBOSA MÍDIA E PUBLICIDADE LTDA-ME.

página 5

página 6

página 7

CNPJ: 06.968.064/0001-67 Endereços: Campos dos Goytacazes-RJ Avenida Senador José Carlos Pereira Pinto, 569 Bairro – Calabouço CEP: 28-031-101 Macaé-RJ Rua Dr. Télio Barreto, 413 – Altos – 108 – Centro Cep: 27.910.060 Representante Comercial

“O preconceito não é coerente com os princípios da revolução”

ROBERTO BARBOSA A era Beltrame página 22

MARINS PUBLICIDADE E MARKETING LTDA - ME (MATRIZ E FILIAIS) CNPJ: 08.169.669/0001-13 Redação

página 10

Diretor-Executivo Roberto Barbosa Editor-adjunto Douglas Fernandes Periodicidade – mensal Circulação Estado do Rio de Janeiro

Suprema besteira página 26

cAPITAL REGIONAL DO ESTUPRO página 28

OS TROPEÇOS DE EIKE página 38

é a indiferença do conjunto da sociedade, na maior parte das cidades, diante do risco de perder esses recursos. A população não aderiu às manifestações promovidas pelas Prefeituras. Apenas servidores de cargos comissionados se mobilizaram. Deduz-se que a sociedade nessas cidades não se sente contemplada com o uso desses recursos a ponto de sair de casa para empunhar bandeiras. A liminar que suspendeu provisoriamente a nova lei dos royalties é da ministra Cármen Lúcia e deve reacender outro debate na Câmara: a interferência do Judiciário sobre o Legislativo. A decisão da ministra, mesmo sendo sensata sob o ponto de vista jurídico, por assegurar a normalidade econômica e administrativa nos estados e municípios produtores até o julgamento do mérito, levanta novamente a indisposição entre os dois Poderes. A incapacidade de articulação política levou os governadores, entre eles, Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a buscar amparo jurídico na corte, como mostra a sugestiva ilustração de Marco Antônio Rodrigues, aproveitando que a polêmica transcorreu exatamente no mesmo período da eleição do papa Francisco, em Roma. O Congresso está em ebulição. O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), defendeu um posicionamento público do Congresso a respeito de o Supremo anular, mesmo que provisoriamente, o resultado de uma posição majoritária do Legislativo. Na oposição, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), anunciou que, caso o plenário do Supremo não mude a posição de caráter provisório da ministra Cármen Lúcia, apresentará uma proposta de emenda constitucional para garantir a mudança na distribuição dos royalties de maneira mais equilibrada entre todos os Estados. “O que pretendemos é que uma emenda constitucional redefina a interpretação sobre os royalties para que não paire dúvidas”, disse Caiado. O líder do DEM afirmou, no entanto, que o primeiro passo é esperar que a decisão da ministra seja reformulada pelos demais ministros do Supremo. “Não vamos suprimir etapas. Se não houver a reformulação da decisão, temos de conciliar a decisão política (do Congresso) à Constituição com uma emenda para redefinir o que sejam os royalties e a maneira de redistribuição”, disse

Caiado. Independentemente de partidos governistas e de oposição, a questão dos royalties mobiliza as bancadas dos 26 Estados e do Distrito Federal. De um lado, os Estados considerados produtores e beneficiados com a situação atual, Rio de Janeiro e Espírito Santo, apoiados por São Paulo, e, do outro lado da trincheira os demais Estados. “É preciso deixar claro para o País a posição da Câmara. Se a Casa não se impõe, fica diminuída”, afirmou o líder petista. Ele lembrou que os parlamentares aprovaram por ampla maioria a mudança na distribuição dos royalties’, enfatizou o deputado do DEM. O projeto aprovado pelos deputados e senadores com a nova distribuição dos recursos do petróleo foi vetado parcialmente pela presidente Dilma Rousseff. No entanto, no dia 6 de março, os parlamentares, por ampla maioria (354 deputados e 54 senadores), derrubaram o veto, restituindo o projeto original. Os governadores do Rio, Espírito Santo e São Paulo recorreram ao Supremo, conseguindo a liminar da ministra Cármen Lúcia. “Fica todo mundo tonto e isso é péssimo para a Câmara. A Casa tem de se manifestar politicamente. A Casa tomou uma posição e o Supremo a anulou. Qual é o nosso papel nisso?”, questionou José Guimarães. O líder petista afirmou não ser o caso de criticar a ministra Cármen Lúcia, mas a permanente judicialização. “Todo mundo que perde vai ao Supremo. O Parlamento não serve para nada?”, afirmou. “Há um mal estar por essa inoperância política”, completou o líder petista. A batalha final já tem data prevista. De acordo com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, o plenário do tribunal deverá julgar ainda neste mês de abril o recurso contra a nova distribuição dos royalties. O Procurador do Estado do Rio, Luís Roberto Barroso, é o autor das ações do Estado que suspendeu a lei por meio da liminar. Ele também vai sustentar na tribuna do Supremo a defesa da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pelo Estado. “Vou expor as razões do Rio na ação contra a mudança nos royalties, que é uma clara violação de princípios constitucionais e causa um colapso nas finanças de Estados e municípios em pleno exercício fiscal”, afirmou o procurador.


40 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

O debate que não cala Supremo marca batalha final dos royalties para abril, mas nova lei que está suspensa reabre o debate sobre a dependência de cidades e Estados produtores, a uma única fonte de receita em mais de duas décadas de dinheiro farto. A bancada dos Estados produtores falhou no quesito articulação. A briga agora é jurídica e o resultado imprevisível

POLÍTICA | ROYALTIES

A recente lei de redistribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso Nacional e suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma liminar, reabre uma série de discussões, algumas delas ainda silenciosas. Discute-se a ruptura do pacto federativo, o sacrifício dos Estados Municípios produtores de petróleo que enfrentam o ônus estrutural e social desta atividade econômica, o desperdício da fortuna arrecadada com esta compensação, mas o principal tópico ficou ofuscado pela gritaria. Prefeitos lideraram manifestações para fechamento de ruas e aeroportos não apenas motivados por surtos demagógicos, mas por real desespero. Sem as receitas de royalties e Participação Especial pela produção de petróleo algumas cidades estariam literalmente falidas. Os tópicos que tentam um lugar no debate apontam que

em mais de duas décadas de dinheiro farto, alguns municípios e Estados produtores foram incapazes de gerar um programa alternativo de sobrevivência econômica pós-royalties do petróleo. Ao contrário, a maior parte das cidades aprofundou a dependência econômica e incorporou esta fonte de recursos para cobrir custeio da máquina administrativa. Despesas que deveriam consumir apenas recursos da arrecadação própria estão sugando os repasses de royalties e Participação Especial. Sem contar as obras faraônicas e milionárias, consideradas supérfluas. Campos dos Goytacazes, por exemplo, que tem todas as agremiações carnavalescas subsidiadas pela Prefeitura, deu-se ao luxo de erguer um sambódromo ,ao custo de R$ 85 milhões, para ser utilizado apenas duas vezes ao ano. Outro tema que merece ser destacado é

Online

Olho vivo

O portal Viuonline está acompanhando sistematicamente as sessões da Câmara de Vereadores de Macaé. A cobertura inclui filmagens de todas as sessões e edição dos melhores momentos. Os vídeos, posteriormente, são disponibilizados no canal da revista no Youtube e compartilhados em sua página no Facebook. O trabalho já revelou bastidores de sessões que mostram vereadores à beira de um ataque de nervos, em cenas, que até recentemente, ficavam restritas aos escaninhos de um dos parlamentos municipais mais ricos do país. Talvez, nunca antes na história de Macaé os vereadores estiveram tão expostos ao julgamento público.

Protestos na rede

A rede social é o novo palco de protesto em escala global. Uma campanha online pelo afastamento do presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB), atingiu mais de um milhão de assinaturas. Mas as vozes roucas das redes sociais não foram ouvidas pelos senadores. O pedido nem chegou a ser apreciado em plenário. O barulho mais recente das redes ecoou contra a indicação do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC), para presidir a Comissão de Direitos Humanos e das Minorias da Câmara dos Deputados. Manifestações que começam nas páginas do Facebook e do Twitter foram parar no Congresso e, até mesmo, na porta do templo de Feliciano, em São Paulo.

O barulho tem razões sensatas. Feliciano tem um histórico de comportamento homofóbico e preconceituoso. Entre suas afirmações, está a perversa frase de que “Aids é um câncer gay”. Os internautas engajados protestaram na rede, para logo em seguida organizar protestos em diferentes cidades do país. O portal Viuonline acompanhou e seus colaboradores, como Deneval Siqueira de Azevedo Filho e o Luís Eustáquio Soares, escreveram excelentes crônicas e artigos sobre o assunto. Vale conferir.

Hora do riso

O melhor do humor não está mais em programas de TVs. Reside nos canais personalizados do Youtube, como Porta dos Fundos. Com duas atualizações por semana, o canal já 1.744.982 internautas inscritos e 166.426.909 exibições.

Blogando na VIU!

Formador de opinião e assinando um dos blogs mais acessados e respeitados do Norte Fluminense, o jornalista Roberto Barbosa, editor executivo da VIU também terá sua janela no portal da revista. Seu blog vai ganhar um novo design e estará diretamente linkado em Viuonline. Dono de um estilo refinado e mordaz, o jornalista também mantém um formato do blog para o Facebook. Na página, os internautas debatem, formulam opiniões e difundem notícias. A rede social do jornalista, incluindo o blog, páginas no Facebook, Twitter e Linkedin já alcança cerca de 20 mil seguidores.


6 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

É tudo muito prático Repetindo o conceito das grandes capitais, escritórios mobiliados e com serviços chegam à Macaé oferecendo estrutura funcional para empresas que querem se instalar na cidade que é sede das empresas que operam na Bacia de Campos Abrir um novo negócio ou expandir para cidades com oportunidades crescentes, como Macaé, não é nada fácil. Mais e mais empresas querem menores custos, atendimento e localização na hora de abrir um escritório. Em busca de oportunidades de negócios nesta cidade cuja economia cresceu 600% em 10 anos, a BQ acaba de abrir uma filial para atender a esta clientela. Kiki Lessa, diretora da BQ Escritórios, também enxerga grandes oportunidades na década de ouro do Rio de Janeiro, onde funciona há 16 anos. “As empresas que chegam a Macaé precisam de um serviço moderno, inovador, com atendimento bilíngue e de primeiro mundo. É o que oferecemos em nossos escritórios mobiliados, salas para treinamento e escritórios virtuais”, explica a empresária. Trabalho com qualidade é sinônimo de crescimento. Em 2012, a BQ cresceu 62%. Cada vez mais os executivos têm percebido a importância da praticidade e da flexibilidade na hora de decidir onde fixar seu negócio. É um número bem mais expressivo do que a média nacional de 15%, segundo Paulo Karnas, diretor da Associação Nacional que regula o setor. Para Carlos Rosa, especializado em administração de custos e que, há sete anos, dirige a Strategic Advance, consultoria especializada em redesenho organizacional e planejamento estratégico “há que se colocar na ponta do lápis os custos visíveis e também os invisíveis. Hoje a equação é mais favorável ao aluguel de escritórios mobiliados em Business Centers como o da BQ”, assegura o executivo, que trabalhou durante 21 anos na área financeira da Coca-Cola. Montar um escritório convencional exige compra de mobiliário, prazo para abertura de empresa, pagamento de condomínio, IPTU, luz, recepcionista, serviço de limpeza, encargos trabalhistas, internet e compra de material de limpeza, entre outros itens, que demandam tempo

e paciência. “Existe um custo invisível que pouca gente calcula. A grande dificuldade é tornar numéricas coisas intangíveis. Colocando no papel apenas estes custos visíveis já compensam funcionar em um Centro de Negócios. Sai 20 a 30% mais barato para uma empresa como a minha. Computando os custos invisíveis, estimo 50% de economia”, informa o executivo. Os Centros de Negócios são uma tendência mais prática, ágil, flexível e econômica, em um momento de compressão de margens de lucro, na busca desenfreada de como fazer mais por menos, em um ambiente altamente competitivo em que todos ganhem. Salas para treinamento, salas de reunião e videoconferência no sistema pay per use, ajudam a otimizar custos evitando assim os espaços ociosos nas locações convencionais. A Work Force do Brasil também acaba de se instalar no município e já é cliente da BQ. Seu foco é treinamento em SMS offshore. “Estamos chegando, então me instalei na BQ Escritórios porque lá atendem minhas ligações, anotam os recados e me passam imediatamente”, declara Marcos Martins, Diretor Comercial, que tem em seu plano de negócios a internacionalização da empresa. Há menos de dois meses no local, o que mais gosta é da praticidade de chegar, plugar seu notebook e estar pronto para trabalhar. “A BQ funciona como uma incubadora e o que mais gosto é desta praticidade. Já usei até a videoconferência para uma reunião”, comenta. Marcos Romero, Diretor da KLA Educação Empresarial, estabeleceu uma filial da KLA na BQ de Macaé. “Precisávamos de uma estrutura rápida e lá eles têm todo o kit de documentação fiscal. Foi a atitude mais acertada. O que mais gosto é da organização e do bom atendimento”, informa.

Investimentos “Não existe base sólida nos investimentos da incógnita do Grupo X, cujos projetos e ações se desmancham no ar, nem ele soube operar com seriedade os recursos levantados no mercado ou tomados de fundos de pensão, agências e bancos oficiais. Mineração é um empreendimento de risco perigoso para aventureiros. O cidadão comum ou pequeno empresário, para conseguir um empréstimo, é obrigado a apresentar garantias reais, aos bancos que fazem um acurado levantamento do passado e presente da pessoa física e jurídica, inclusive com previsões e os impactos ambientais e ações que possam colocar em risco os projetos. O X-Eike, com seus projetos, enganou todo mundo, inclusive analistas competentes, ou então é caso de corrupção. A situação de indefinição do Porto do Açu é gravíssima. Desde o início, até no nome é uma megalomania, pois Açu, em indígena, significa “grande”, e não deveria ter sido chamada de Super Porto Grande, ou seja, Eikelândia.” Naufrágio “Gorou o Porto Biguaçu, em Santa Catarina e também o de Peruíbe, em São Paulo. No Rio de Janeiro, o porto de Itaguaí, corre o risco de faltar minério e o do Açu, o X da questão é tão grande, que a equação de terceira geração não fecha. O projeto original do porto privado do Açu, aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), n° 814, de 20 de junho de 1997, era modesto obtido em nome da Mineração Pesquisa e Comércio Ltda. – MPC, exclusivo para embarcar minério de ferro de minas marginais, na região da Serra do Cipó – MG. Num passe de mágica, foi outorgado à MMX, em 11 de junho de 2008, pela resolução n° 1.059 da ANTAQ”

Mudança de rota 1 “O projeto do Açu é miraculoso: para exportar minério, faz-se o porto; aproveita-se e constroemse logo duas usinas siderúrgicas, cujo carvão trará das suas minas da Colômbia e vai poder aproveitar para fazer usinas térmicas. Como por aqui vai tirar gás, ótimo, instala outra usina. As siderúrgicas vão gerar escória e com ela, simples, implantam-se duas fábricas de cimento. Do aço, fabricam-se tubos que servirão para os dutos de petróleo e gás. E, com a chapa de aço, instala-se uma fábrica de carros, que o Brasil precisa tanto para gastar mais do farto petróleo da OGX. Em novembro de 2012, a situação complicou com a desistência, do grupo chinês Whuan Iron and Steel – WISCO, de implantar a siderurgia. Com isso, o negócio da China, com a cadeia produtiva do aço gorou. Então, qual biruta, Eike muda conforme o vento dos seus papéis, pois, uma vez que a EBX vai produzir muito petróleo, o Açu vira porto pivô do pré-sal! Porém, não há ferrovia, rodovia, nem terminal pronto e o porto deveria ter entrado em operação em 2011, passou para 2012, 2013 e 2014 e já não se sabe se vai operar, ao menos no TS1.”

Mudança de rota 2 “De volta ao porto inseguro, vejam como é simples: faz-se um segundo porto onshore (em terra), já que o offshore foi mal projetado. Está lá abandonada uma ponte de 3 kms. para atender profundidade de 18 metros, que implica em dragagem perene de um longo canal, para poder receber navios de calado de 26 m e capacidade de até 380 mil toneladas. Mas, não foi feito ainda o quebra-mar, com 2.230 m; as peças de concreto de ajuste do enrocamento (coreloc) estão deteriorando ainda no pátio; os pilares da ponte estão balançando; não sabe se o minério vai chegar e ainda, falta mais de um bilhão de reais Porto do Açu para acabar o porto TS1. Então, a propalada da “No início, o magnata conseguiu um terreninho na vantagem de um porto offshore, que opera em alto praia e restingas (70 hectares), depois comprou outras mar qualquer navio, para minério de ferro e petróleo, áreas e o Governo do Estado do Rio desapropriou muda para o “puxadinho” onshore. Este precisa 5.700 hectares de terras de usineiros falidos, em de dragagem da cota do nível do mar até o calado Campos e São João da Barra, e de humildes desejado e quebra-mar, com caixões de areia, para agricultores ou caiçaras. O Estado não tem dinheiro garantir o canal e a dragagem contínua no mar, que para pagar as terras e a LLX empresta e recebe as recebe os sedimentos do Rio Paraíba. Trabalho de áreas livres para negociar por preços que variam de Sísifo! Nunca termina, em porto particular, que jamais R$ 3,98 até R$ 30,00/m²/ano. A faixa marinha da poderá receber dinheiro público para tal limpeza, que União é uma benesse ou coisa pior, pois, conforme implica custo elevado de operação do porto, que será está lá na dívida, de longo prazo no balanço da LLX, rateado por todos os usuários. Acabou com a orla de é de R$ 25.000,00. Isso mesmo: pelo arrendamento São João da Barra - RJ, pois abriu um canal de 300 da Secretaria do Patrimônio da União – SPU, Eike m. dividindo a praia pública. E, para preparar a área paga R$ 780,00/mês, por 25 anos. Comparem o do retroporto do Açu, em cima das restingas, teve valor que os proprietários de casa de praia, pé na de entulhar com areia marinha, cuja água salgada areia, recolhem aos cofres públicos.” contaminou o lençol freático”


Os tropeços de

Eike

Em recente artigo publicado no portal Brasail 247, o geólogo e jornalista Everaldo Gonçalves traçou um verdadeiro raio x das atividades do empresário Eike Batista. Ex-professor da USP e da UFMG; ex-diretor da Eletropaulo e ex-presidente da CPFL, Gonçalves questiona vários investimentos do empresário, principalmente, o Porto do Açu.

ColunaAcontece Pornografia no trabalho dá justa causa

Demitido por usar e-mail da empresa para troca de mensagens com conteúdo pornográfico, um funcionário da empresa Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A., no Rio de Janeiro, teve recurso negado pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Ela pleiteava reverter, por meio de um agravo de instrumento, decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região do Rio de Janeiro, que considerou correta sua demissão por justa causa. O Regional, ao negar o seguimento do recurso ao TST, declarou que, diante dos depoimentos do autor da ação e de testemunhas, não restava dúvida de que ele, mesmo sabendo que a sua conduta era proibida na empresa, assim participava da troca de e-mails com conteúdo inadequado entre um grupo de empregados da Roche. A decisão acrescenta que ficou comprovado também que o funcionário trabalhador dispensado não apenas recebeu mensagens de outros colegas como também as enviou, “participando inclusive de um grupo que trocava entre si e-mails com conteúdo pornográfico”. O relator, ministro Augusto César Leite de Carvalho, constatou que a justa causa foi aplicada em decorrência de “incontinência de conduta e ato de indisciplina ou insubordinação, devidamente comprovados”.

O concurso melou

A prefeitura de Rio das Ostras realizou concurso público no ano passado. O resultado foi homologado em dezembro. Mas o resultado melou, porque o prefeito Alcebíades Sabino (PSC), que assumiu mandato em janeiro, não reconhece o certame. Ele assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de Tutela Coletiva, Núcleo de Macaé, cancelando tudo. Melou de vez e se compromete a devolver o dinheiro referente às inscrições até o dia 30 de maio. No mesmo acordo, assume o compromisso de convocar um novo concurso até o dia 30 de julho. Até lá, a prefeitura ficou à vontade. Está promovendo um festival de contratações temporárias.

Amor gay

A cantora Daniela Mercury e a jornalista baiana Malu Verçosa estão casadas. Isso mesmo. O furacão baiano saiu do armário e assumiu tudo por meio de sua página do Instagram. “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar”, escreveu. Os boatos sobre a bissexualidade de Daniela Mercury alimentam fuxicos desde a última década - quando começaram a surgir rumores sobre relacionamentos da cantora com outras mulheres. Ganharam ainda mais força no início deste ano, quando ela anunciou a separação do publicitário italiano Marco Scabia. O casal tem dois filhos com idades de 2 e 3 anos. “Daniela Mercury ousa dizer o nome: AMOR GAY”, festejou o cronista de VIU!, Deneval Siqueira de Azevedo Filho, numa crônica publicada no portal da revista no mesmo dia em que a cantora oficializou sua união com a nova companheira. No mesmo dia, por coincidência, a Justiça paranaense autorizou a união entre pessoas do mesmo sexo no estado. O corregedor de Justiça, desembargador Eugênio Achille Grandinetti, se baseou em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça para permitir a união civil de casais homoafetivos. A decisão, via instrução normativa, deverá ser observada por juízes e os titulares de cartórios do Paraná.

Só na fila

A delegacia Regional do Trabalho de Macaé é a casa dos desesperados. Para serem atendidos pelo órgão, centenas de trabalhadores disputam senhas diariamente, dormindo em filas ou comprando no mercado negro. Muitos chegam a levar cadeira de praia para improvisar como cama. Macaé é base de operações da exploração de Petróleo na Bacia de Campos. Problemas trabalhistas entre patrões e empregados são recorrentes, o que eleva a demanda junto à Delegacia do Trabalho. O órgão, no entanto, não consegue atender à demanda. Nas primeiras horas da manhã, de segunda a sexta-feira, filas na sede da delegacia, no bairro de Imbetiba, circulam quarteirões.


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 37

deslegitimar as ações da ASPRIM, as diferentes ações que foram realizadas contribuíram para diminuir o ritmo das remoções em 2012. Coincidência ou não, ao longo do último ano, o Grupo EBX começou a enfrentar uma série de problemas em função da perda de credibilidade de Eike Batista, na passagem da fase da planificação para a entrada em funcionamento de vários de seus projetos. A situação ficou ainda pior quando a OGX, empresa petrolífera do Grupo EBX, teve de reconhecer que suas estimativas de produção de petróleo no Pré-Sal foram superestimadas de forma grosseira. Além disso, a persistência da crise econômica mundial contribuiu para a desistência dos principais parceiros de Eike Batista na construção do CIPA; ainda que as perdas mais sentidas tenham sido as da chinesa Wuhan e da ítalo-argentina Ternium, que iriam construir as duas siderúrgicas planejadas para o CIPA. A montadora japonesa Nissan e a empresa norueguesa SubSea 7, que constrói dutos para exploração de petróleo em grandes profundidades, também anunciaram sua desistência de se instalar. É importante notar que a perda de parceiros foi atribuída, inicialmente, à incapacidade de se estabelecer a infraestrutura necessária para a operação do CIPA. Entretanto, nos últimos meses, um elemento de natureza ambiental se tornou um complicador ainda maior para os planos de Eike Batista em São João da Barra, já que a partir de

denúncias de agricultores que ainda permanecem em suas terras, pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense confirmaram a ocorrência de um grave processo de salinização das águas superficiais na área do entorno do CIPA. Apesar das negativas, há algumas semanas, o Grupo EBX foi multado pelo governo do Rio de Janeiro, que ainda determinou uma série de medidas visando uma reparação do dano ambiental e das perdas financeiras sofridas pelos agricultores do quinto distrito. Ainda que muitos avaliem as penas impostas pelo governo estadual como excessivamente brandas, o principal custo é o aumento da perda da credibilidade de Eike Batista no mundo corporativo, o que, por si só, poderá ter desdobramentos avassaladores sobre o Grupo EBX e todas as empresas da franquia “X”. Quando analisadas em seus mais variados aspectos, as chances do CIPA sair do papel estão se tornando cada vez mais exíguas, assim como a realização da fabulosa promessa de empregos. Isto levanta algumas questões sérias sobre o modelo de desenvolvimento que o megaempreendimento representa, a começar pela aposta na aglomeração de vários empreendimentos numa área ecologicamente sensível e tradicionalmente ocupada por comunidades que, anteriormente viviam e trabalhavam em relativo equilíbrio com a Natureza. E aqui não se trata apenas de contar os custos sociais e ambientais mais imediatos, mas de estimar os que ainda estão por vir. O pior é que, se a débâcle de Eike Batista não for revertida, os custos aumentarão exponencialmente, e poderão atingir características catastróficas. A principal lição que podemos tirar das desventuras do Complexo Logístico Portuário do Açu é que não há porque aceitar, sem os devidos questionamentos, certas propostas mirabolantes que prometem mundos e fundos, mas que só são viáveis com a generosa intervenção do Estado e que, por tabela, concentram os ganhos nas mãos de poucos, enquanto socializam coletivamente as eventuais perdas. * Marcos A. Pedlowski é professor do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Phd em Environmental Design and Planning pela Virginia Polytechnic Institute and State University.


36 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

canteiro de obras do Porto do Açu, o CIPA deveria abrigar um porto, duas siderúrgicas, um polo metalmecânico, unidades de armazenamento e tratamento de petróleo, um estaleiro, plantas de pelotização e cimenteiras, e duas termoelétricas. Apesar de atualmente Eike Batista enfrentar dificuldades para manter a fama de ser uma versão tupiniquim do “Rei Midas”, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava, até bem pouco tempo qualquer um que se atrevesse a questionar as projeções otimistas em torno do CIPA era logo taxado de inimigo do desenvolvimento regional. Além disso, qualquer menção de crítica aos aspectos sociais, econômicos e ambientais associados à instalação do CIPA era prontamente justificada com o número de empregos que seriam gerados, bem como por um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico que causaria. Por exemplo: em um seminário público realizado no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) em 2010, o Grupo EBX anunciou a criação de 39.500 empregos na fase de instalação e outros 47.290 quando o CIPA passasse para sua fase operacional. Além disso, Eike Batista iniciou um verdadeiro desfile de marcas famosas que viriam para São João da Barra para ajudá-lo a transformar a realidade econômica do Norte Fluminense. Por outro lado, o empresário conseguiu aliados importantes nas diferentes esferas de governo desde a então prefeita Carla Machado (PMDB), passando pelo governador Sérgio Cabral, e alcançando também o planalto central, onde desfrutava das melhores relações com o então presidente Lula e sua ministra da Casa Civil, a hoje presidente, Dilma Rousseff. Com base nessa rede de forças, Eike Batista conseguiu ainda obter, em tempo recorde, todas as licenças ambientais necessárias para iniciar a implantação do Porto do Açu e a construção do estaleiro naval da OSX. Mas a ajuda estatal não parou por aí, se estendendo à edição de quatro decretos pelo governo do Rio de Janeiro que implicaram a desapropriação de mais de 7.000 hectares de terras no quinto distrito de São João da Barra, afetando um número indeterminado de pequenos proprietários rurais e pescadores. A partir da edição desses decretos, supostamente em nome do interesse público, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) foi mobilizada para realizar uma série de remoções forçadas de agricultores e pescadores

do interior de propriedades que eram ocupadas por suas famílias há várias gerações, e um grande número de remoções foi realizado em 2011. Nestas ações, o que se viu foi a repetida utilização de um forte contingente policial que retirava à força famílias inteiras, muitas delas não tendo para onde ir, momento em que muitos acabaram saindo de suas propriedades apenas com a roupa do corpo. As condições para questionar a aura de infalibilidade que cercava a implantação do CIPA começaram a ser viabilizadas com a criação da Associação de Produtores Rurais e Imóveis de São João da Barra (ASPRIM), no mês de setembro de 2010. A partir desta criação, os agricultores que não queriam ceder suas terras para a CODIN, passaram a atrair a solidariedade de movimentos sociais, sindicatos urbanos, e pesquisadores. Com base nessa rede de apoiadores, a ASPRIM começou a realizar uma série de ações marcadas pela variedade de instrumentos de luta, indo desde o fechamento das estradas de acesso às obras do CIPA até a contratação do mesmo escritório de advocacia que havia representado comunidades que se opuseram a um empreendimento portuário de Eike Batista em Santa Catarina. A ASPRIM logrou ainda realizar uma série de seminários para informar aos moradores das diferentes localidades afetadas pelo CIPA sobre seus direitos. Apesar das várias tentativas de descaracterizar e


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 35

Entrevista/ Mariela Castro Espín - Por Renata Giraldi

“O preconceito não é coerente Se no Brasil a cantora baiana Daniela Mercury tornou-se um símbolo do amor gay ao declarar seu casamento com a jornalista Malu Verçosa, em Cuba, Mariela Castro Espín, de 50 anos, é a principal referência na luta contra o preconceito e a homofobia no país. “Dois iguais também têm direito a ser casal” e “Reconhecimento dos direitos sexuais como direitos humanos”, disse durante entrevista à repórte Renata Giraldi, da ABr. Filha do presidente Raúl Castro e sobrinha de Fidel Castro, Mariela que dirige o Centro Nacional de Educação. Contra o preconceito no país comunista, lança mão do próprio movimento que levou Fidel Castro ao poder em 1959: “O preconceito não é coerente com os princípios da revolução”. Recentemente, Mariela visitou o Brasil para participar de dois seminários sobre o tema, na cidade de Porto Alegre. Seguem abaixo os principais trechos da sua entrevista.

A nossa principal ênfase é na estratégia educativa

Como é o trabalho no Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba? Mariela Castro Espín – A nossa principal ênfase é na estratégia educativa. Trabalhamos com mensagens informativas e que consideramos fundamentais. Promovemos cursos de formação, na área jurídica, de educação e de saúde, incentivamos debates e muitas conversas. Minha mãe (Vilma Espín, que casou com Raúl Castro, atual presidente cubano) era uma feminista e sempre teve ideias de liberdade e de direitos igualitários. Ela lutou por isso desde os anos de 1970. A senhora fala muito em educação, então esse é o caminho quando se refere a informar sobre questões sexuais? Mariela – Sim, sem dúvida. O começo de tudo é a estratégia da educação. Não vamos impor a hegemonia, por exemplo, não gosto da ideia do macho-gay ou do macho-heterossexual. Isso é

um tombo espetacular: os papéis da LLX (logística) preconceituoso também. É preciso trabalhar a sociedade para compreender e conviver bem com caíram 11%, os da OGX (petróleo), 9% e as ações as MMX diferentes orientações sexuais da (mineração) perderam 8%. que Esta existem. semana Só as leis não bastam: a lei sozinha não muda a serão divulgados os balanços de OGX e LLX, eo sociedade. É sobre freneticamente, isso que trabalhamos, que mercado especulou alegandoo uma inclui também ações de combate à violência contra suposta impaciência dos investidores com a demora mulheres e meninas. A educação de resultados da parceria entre Eike ée tudo. BTG. A mídia também é muito importante. “Não temos nenhuma bala de prata, nem queremos ter uma visão sebastianista do Como lidar com as resistências quando assunto. Não vai ser duas semanas que a se fala de temas tão em delicados e até mesmo parceria vai dar resultado”, afirma o banqueiro. polêmicos? Apesar do -cenário sombrio, Esteves diz que Eike Mariela A discriminação de qualquer ordem vai recuperar.com “Eleoscontinua sendo um dos não se é coerente princípios da revolução empresários mais bemquando capitalizados do País. É (Revolução Cubana, os irmãos Castro jovem, empreendedor, acredita no Brasiloe poder ainda e guerrilheiros, em 1959, assumiram em construir Cuba instaurando governo vai muita coisa.um Sua situaçãosocialista). financeira É é preciso superar preconceitos. Trabalhamos com o facilmente equacionável.” apoio das igrejas e da sociedade civil,éassim como A missão de Esteves e sua equipe reorganizar com várias organizações. A diversidade é uma o grupo EBX, buscando parceiros estratégicos característica ou financeiroshumana. para as empresas e priorizando os investimentos de acordo com a nova realidade. Nos últimos anos, o centro que a senhora Sobre a OGX, que era a estrela da coleção de dirige se preocupa bastante com a questão da empresas criadas por Eike, o banqueiro deixou homofobia. Por quê? claro que não a ambição de levarinicialmente a petroleira Mariela – Naexiste universidade, trabalhei

ao patamarcom de apreços que já inclusive esteve. “Uma e cuidados saúde em masculina, sobre potência sexual. coisa não temos capacidade de fazer: tirar mais petróleo dos poços que estão lá. Se as ações vão NosR$ últimos anos, a senhora dado valer 5 ou R$ 2, não tem nadatem a ver comênfase nossa aos transgêneros. Há uma razão especial? capacidade.” Mariela – Sim,para não tirar tratamos o transgênero A operação as empresas de como Eike um sufoco doente. será É uma pessoa sofre para e queomerece do um teste que e tanto jovem ter atenção e receber o tratamento adequado. No banqueiro de 44 anos. Sua ambição é colocar o caso dos que querem ser submetidos à cirurgia para BTG na liderança dos bancos de investimento da a reversão de sexo, há uma fila de espera. Mas o América Com US$ 15 bilhõesenvolve de valor de processo Latina. é todo gratuito. O tratamento o uso mercado, a instituição administra U$ 120 bilhões de hormônios para a cirurgia, o acompanhamento da entre próprios terceiros. famíliarecursos e a inserção socialeede laboral. Um dos motivos de orgulho no banco é a nova sede, com 13omil metros quadrados de área num No Brasil, que a senhora observa quanto dos endereços mais nobres edatransgêneros? Avenida Faria aos temas de homossexuais Mariela – [Infelizmente] o Brasil e o México Lima, o novo centro financeiro de São Paulo. Lá apresentam índices elevados de violência contra dentro, Esteves e seus sócios sentam lado a lado homossexuais e transgêneros. No privacidade Brasil, os com os operadores - quando querem números são ainda mais preocupantes. Isso chama procuram uma das muitas salas de reunião. É a atenção. Essa não é uma realidade em Cuba. Lá uma forma de mostrar aos mais novos que quem não identificamos a violência homossexuais trabalhar duro pode chegar contra ao topo como eles. e transgêneros. O que percebemos é que as “O que queremos aqui são Pl.Ds”, diz Esteves. violações estão relacionadas com questões [de “Poor, hungry and desperate to get rich (pobre, preconceito no] trabalho e [na] família. esfomeado e desesperado para ficar rico).”

com educação sexual para crianças e adolescentes. Mas, com o passar do tempo, fui procurada por homossexuais e transgêneros que pediam ajuda. O tema me interessou. Mas tudo começou lá atrás quando acompanhava minha mãe que era uma defensora dos direitos humanos. A preocupação está em trabalhar pela preservação dos direitos dos homossexuais, o que envolve, principalmente, o local de trabalho e a família.

Observando o futuro, a sensação que a senhora tem é que há ainda muito a fazer? Mariela – Ah...[Olha para cima como quem para para pensar] há muito o que fazer ainda. É uma estratégia permanente, temos de continuar a luta para superar toda forma de discriminação, incluindo a identidade de gênero. O esforço agora é para aprovar mudanças no Código de Família tornando legal a união entre pessoas do mesmo sexo. Em Cuba, não falamos em casamento porque no país o casamento formal e o informal são tratados da mesma forma. Se heterossexuais podem se unir como um casal, por que os homossexuais não têm o mesmo direito? Estamos em um bom caminho, pois estamos avançando.

* Por Marcos A. Pedlowski O que a senhora observa de mudanças determinados a naEm sociedade cubanacontextos depois dohistóricos, trabalho de busca de soluções para cenários marcados por educação sexual? graves dificuldades sociaismudanças, e econômicas acaba Mariela - Percebo muitas não apenas gerando expectativas torno de nos últimos anos, masexageradas de 50 anosem para cá. As mudanças de comportamento podem ser observadas determinados empreendimentos. Isto se dá mesmo desde a seus infância, passando pela e até a quando idealizadores nãojuventude fazem nenhum vida adulta. Os casos de discriminação são tratados esforço para aumentar seu poder de atração para basicamente por meioou, detampouco, medidas administrativas eventuais parceiros para ganhar e não na esfera judiciária. Promovemos a primeira legitimidades em ações que, eventualmente, se Jornadaimpopulares. contra a Homofobia, em 2008, já fizemos tornam 20 cirurgias para reversão de sexo [masculino e Entretanto, também existem casos em que há feminino], há orientações sobre o combate de aids

um deliberado para gerar expectativas *Noesforço portal www.viuonline.com.br você confere a exageradas que acabam servindo, não só ampliar entrevista de Mariela em vídeo à Helena Rostrosa, a gama de parceiros, mas também para neutralizar do canal RT. e deslegitimar as eventuais vozes dissonantes. Neste segundo cenário é que se insere a construção do chamado Complexo Industrial-Portuário do Açu (CIPA), um mega-empreendimento que vem sendo tocado pelo Grupo EBX do bilionário Eike Batista, no município de São João da Barra, no Norte Fluminense. Em sua versão mais otimista, e que ainda é mostrada aos que fazem as visitas dirigidas no

Nem tudo que reluz é ouro

Depois de brilhar nos noticiários, como maior porto da América Latina, Complexo Industrial Portuário de Eike Batista Parece que João a senhora temBarra, sido bem-sucedida em São da o Porto do Açu, esbarra em danos nos seus esforços... ambientais, resistência da toca população, ações na justiça e Mariela - Trabalhamos com tudo o que o coração e a sensibilidade, isso surte efeitos. As artes, desistência de investidores em geral, estão presentes nas nossas atividades.


34 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 11

Missão resgate

Entrevista/ Mariela Castro Espín - Por Renata Giraldi ECONOMIA | PORTO DO AÇU

Com perda de R$ 53 bilhões nas Bolsas de Valores, empresário Eike Batista provoca calafrios no mercado. Seus investidores já torram milhões em suas aventuras. Até seu badalado Porto do Açu, em São João da Barra, está à beira do fracasso. Banqueiro André Esteves está à frente de uma missão resgate O Midas Eike Batista está em queda livre. avaliação do banqueiro, a participação que Seus negócios, incluindo o Porto do Açu, em o empresário possui hoje, nos negócios que São João da Barra, enfrentam ameaças de criou, na casa dos 60% a 70%, tende a diminuir. naufragar como um Titanic. O mercado está “O natural deveria ser o Eike ter participações em apuros, porque um eventual fracasso de menores, de 20% a 30%. Mas ele não perde o Se arrastaria no Brasilinvestidores a cantora que baiana Daniela Mercury um símbolo doprimeira amor Eike já apostaram controle”, tornou-se afirma o banqueiro, em sua bilhões sua aventura, e, por isso, com lançouaOjornalista entrevista sobre a parceriaem fechada noMariela começo gay ao em declarar seu casamento Malu Verçosa, Cuba, mercadoEspín, lançou de uma do mês entre o BTG Pactual e o grupo EBX. Castro 50operação anos, éresgate. a principal referência na luta contra o preconceito ea A frente desta operação lançada contertêmAdireito situação de casal” Eike, até outro dia apontado homofobia no país. “Dois iguaispara também a ser e “Reconhecimento a crise de confiança que vem demolindo o valor como o homem mais rico do Brasil e o sétimo dos direitos sexuais como direitos humanos”, disse durante entrevista à repórte das empresas do grupo X, está o banqueiro do mundo, é dramática. Nos últimos 12 meses, Renata Giraldi, da ABr. André Esteves. Ele, no entanto, tenta aliviar o suas empresas perderam R$ 53 bilhões de valor Filha doapontando presidente Raúl Castro sobrinha de FidelNa Castro, Mariela que dirigeas o mercado, caminhos para oefuturo de mercado. última sexta-feira de março, Centro de Educação. Contraempresas o preconceito país do grupoNacional EBX. Na ações das principais sofreramno mais

comunista, lança mão do próprio movimento que levou Fidel Castro ao poder em 1959: “O preconceito não é coerente com os princípios da revolução”. Recentemente, Mariela visitou o Brasil para participar de dois seminários sobre o tema, na cidade de Porto Alegre. Seguem abaixo os principais trechos da sua entrevista.

A nossa principal ênfase é na estratégia educativa

Como é o trabalho no Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba? Mariela Castro Espín – A nossa principal ênfase é na estratégia educativa. Trabalhamos com mensagens informativas e que consideramos fundamentais. Promovemos cursos de formação, na área jurídica, de educação e de saúde, incentivamos debates e muitas conversas. Minha mãe (Vilma Espín, que casou com Raúl Castro, atual presidente cubano) era uma feminista e sempre teve ideias de liberdade e de direitos igualitários. Ela lutou por isso desde os anos de 1970. A senhora fala muito em educação, então esse é o caminho quando se refere a informar sobre questões sexuais? Mariela – Sim, sem dúvida. O começo de tudo é a estratégia da educação. Não vamos impor a hegemonia, por exemplo, não gosto da ideia do macho-gay ou do macho-heterossexual. Isso é

preconceituoso também. É preciso trabalhar a sociedade para compreender e conviver bem com as diferentes orientações sexuais que existem. Só as leis não bastam: a lei sozinha não muda a sociedade. É sobre isso que trabalhamos, o que inclui também ações de combate à violência contra mulheres e meninas. A educação é tudo. A mídia também é muito importante. Como lidar com as resistências quando se fala de temas tão delicados e até mesmo polêmicos? Mariela - A discriminação de qualquer ordem não é coerente com os princípios da revolução (Revolução Cubana, quando os irmãos Castro

basicamente por meio de medidas administrativas e não na esfera judiciária. Promovemos a primeira Jornada contra a Homofobia, em 2008, já fizemos 20 cirurgias para reversão de sexo [masculino e feminino], há orientações sobre o combate de aids e cuidados com a saúde masculina, inclusive sobre potência sexual. Nos últimos anos, a senhora tem dado ênfase aos transgêneros. Há uma razão especial? Mariela – Sim, não tratamos o transgênero como um doente. É uma pessoa que sofre e que merece ter atenção e receber o tratamento adequado. No caso dos que querem ser submetidos à cirurgia para a reversão de sexo, há uma fila de espera. Mas o

com os princípios da revolução” e guerrilheiros, em 1959, assumiram o poder em Cuba instaurando um governo socialista). É preciso superar preconceitos. Trabalhamos com o apoio das igrejas e da sociedade civil, assim como com várias organizações. A diversidade é uma característica humana. Nos últimos anos, o centro que a senhora dirige se preocupa bastante com a questão da homofobia. Por quê? Mariela – Na universidade, trabalhei inicialmente com educação sexual para crianças e adolescentes. Mas, com o passar do tempo, fui procurada por homossexuais e transgêneros que pediam ajuda. O tema me interessou. Mas tudo começou lá atrás quando acompanhava minha mãe que era uma defensora dos direitos humanos. A preocupação está em trabalhar pela preservação dos direitos dos homossexuais, o que envolve, principalmente, o local de trabalho e a família.

processo é todo gratuito. O tratamento envolve o uso de hormônios para a cirurgia, o acompanhamento da família e a inserção social e laboral. No Brasil, o que a senhora observa quanto aos temas de homossexuais e transgêneros? Mariela – [Infelizmente] o Brasil e o México apresentam índices elevados de violência contra homossexuais e transgêneros. No Brasil, os números são ainda mais preocupantes. Isso chama a atenção. Essa não é uma realidade em Cuba. Lá não identificamos a violência contra homossexuais e transgêneros. O que percebemos é que as violações estão relacionadas com questões [de preconceito no] trabalho e [na] família.

Observando o futuro, a sensação que a senhora tem é que há ainda muito a fazer? Mariela – Ah...[Olha para cima como quem para para pensar] há muito o que fazer ainda. É uma estratégia permanente, temos de continuar a luta Parece que a senhora tem sido bem-sucedida para superar toda forma de discriminação, incluindo nos seus esforços... a identidade de gênero. O esforço agora é para Mariela - Trabalhamos com tudo o que toca o aprovar mudanças no Código de Família tornando coração e a sensibilidade, isso surte efeitos. As artes, legal a união entre pessoas do mesmo sexo. Em em geral, estão presentes nas nossas atividades. Cuba, não falamos em casamento porque no país o casamento formal e o informal são tratados da O que a senhora observa de mudanças mesma forma. Se heterossexuais podem se unir na sociedade cubana depois do trabalho de como um casal, por que os homossexuais não têm educação sexual? o mesmo direito? Estamos em um bom caminho, Mariela - Percebo muitas mudanças, não apenas pois estamos avançando. nos últimos anos, mas de 50 anos para cá. As mudanças de comportamento podem ser observadas *No portal www.viuonline.com.br você confere a desde a infância, passando pela juventude e até a entrevista de Mariela em vídeo à Helena Rostrosa, vida adulta. Os casos de discriminação são tratados do canal RT.


12 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 33

O estadista que revolucionou o ensino

LITERATURA

Novo livro do jornalista Winston Churchill Rangel resgata a trajetória do presidente Nilo Peçanha, o homem que criou as escolas de ensino técnico no Brasil e que continua ignorado pelos historiadores Presidente da República por um ano e meio (junho de 1909 a novembro de 1910), por ocasião da morte de Afonso Pena (14-06-1909), Nilo Peçanha é o estadista brasileiro mais ignorado na história do país. Com a sua posse na presidência, um mulato chegou ao topo de nossa República muito antes do que o negro Barack Obama, nos Estados Unidos. Nilo foi vice numa época em que o cargo também era eletivo. O eleitor podia votar no candidato à Presidência de um partido e no vice de outra legenda. Portanto, vice não era arremedo de cabeça de chapa. Com o Presidente mulato, que tinha o pai de Cartola como cozinheiro, o país vivenciou uma revolução no ensino a partir da criação das Escolas de Aprendizes e Artífices, que deram origem posteriormente as Escolas Técnicas Federais, atualmente transformadas em Instituto Federal de Educação (IFE). Foi o embrião para que Getúlio Vargas, duas décadas depois, iniciasse a industrialização do país. Sem a mão de obra formada nas Escolas construídas por Nilo Peçanha, a revolução industrial de Getúlio se esbarraria num apagão de mão de obra técnica. O modelo permitiu que a mesma estrutura formasse trabalhadores para atuar na indústria do petróleo a partir da década de 70. Os atos demonstram que o Presidente estava à frente do seu tempo e conseguiu antever o futuro de um país ainda agrário que, dali a algumas

décadas, buscaria o caminho de um novo modelo econômico. Visão de futuro é algo que não acontece entre a classe política conterrânea de Nilo, que ainda professa a pedagogia do populismo e do ressentimento. “Ele, na época, revolucionou o ensino público com a criação das Escolas de Aprendízes e Artífices”, lembra Churchill. Nascido na cidade de Campos dos Goytacazes e formado em Direito na cidade de Recife, Nilo Peçanha foi um estadista distinto e agora emerge como um guerreiro contra a ignorância no livro A Peleja de Dr. Nilo Peçanha Contra o Dragão da Ignorância (123 pág., produção independente) de Winston Churchill Rangel, jornalista e cronista da VIU!. A obra foi escrita em forma de romance, versejado a partir das cantorias da literatura de cordel. Os textos são ilustrados com belíssimas xilogravuras de Ana Péres, esposa do escritor falecida no ano passado. São cerca de 200 poemas e 60 ilustrações. O prefácio é do professor Doutor Deneval Siqueira de Azevedo Filho, também cronista da VIU!, e a apresentação é do presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva. O escritor lançou inicialmente, 100 exemplares históricos, numerados, autenticados e produzidos de forma artesanal, com papel reciclado. O livro reúne criatividade, boa escrita, belas ilustrações e uma verdadeira aula sobre a história de um dos maiores estadistas do Brasil Republicano.

FICHA TÉCNICA Livro: A Peleja do Dr. Nilo Peçanha Contra o Dragão da Ignorância Autor: Winston Churchill Rangel Editora: Produção independente para os primeiros 100 exemplares

mundo. Com sede em Londres, o Grupo HSBC atua em 83 países das Américas, Europa, Ásia, Hong Kong, Oriente Médio e Oceania. Em 31 de dezembro de 2012 registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão. Patrocínios - O apoio global do HSBC com o golfe abrange todos os níveis do esporte, da base à elite. Na Ásia, o HSBC lançou eventos de golfe de classe mundial, como o WGC-HSBC Champions em Xangai e o HSBC Women’s Champions em Singapura. O WGC-HSBC Champions é reconhecido como o ‘Asia’s Major’ e já foi descrito por Tiger Woods, vencedor de 14 Majors e ex-campeão mundial, como “a joia do golfe asiático”.

Reino Unido - No Reino Unido, o HSBC é patrocinador do HSBC Golf Roots - programa de desenvolvimento nacional do The Golf Foundation, que promove o esporte em escolas, ajuda jovens a entrar em clubes e usa o golfe para ensinar valores importantes como a honestidade e o respeito.

Confederação Brasileira de Golfe - Entidade máxima do golfe no Brasil, a Confederação Brasileira de Golfe foi criada em 1957 com o nome de Associação Brasileira de Golfe, mudando para o nome atual em 1976. Hoje a CBG agrega oito federações e 117 campos afiliados. Em um cenário especial para o esporte no país, a entidade trabalha em conjunto com seus associados para incentivar a formação de Meta - Por trás desses eventos está o objetivo novos talentos, assim como para desenvolver e de longo prazo de criar um legado de torneios suportar atletas de alto rendimento e fomentar a globais do HSBC por meio do patrocínio de jovens maturidade técnica da modalidade. e programas de base. Além do compromisso com o jogo profissional, o HSBC pretende construir IMX - Com sede no Rio de Janeiro e conexões um legado por meio do patrocínio de jovens e internacionais, a IMX, Joint-venture entre os programas de base ao redor do mundo. Grupos EBX e IMG Worldwide, tem como objetivo ser uma das principais empresas Brasil - O HSBC também patrocina o do setor na América do Sul. As áreas de Abu Dhabi HSBC Golf Championship que, atuação dividem-se em quatro pilares: Eventos rapidamente, se tornou um dos maiores (criação, produção e promoção de eventos eventos do PGA Tour europeu, e, neste esportivos e entretenimento ao vivo), Serviços momento em que o golfe está voltando a ser (gerenciamento de talentos, consultoria em um esporte olímpico no Rio 2016, também marketing esportivo e Hospitality), Digital (venda patrocina o Brasil Classic, que é uma etapa de ingresso e distribuição de conteúdo) e Venues do Web.com PGA Tour, um evento de golfe (gestão e operação de estádios, arenas e outros internacional genuinamente brasileiro. espaços para eventos). Por meio do braço IMX Recentemente, o HSBC tornou-se Patrono Live firmou sociedade com a empresa Rock do The Open Championship. Esta parceria World S.A, do empresário Roberto Medina, com o The Royal & Ancient é um importante para expansão da marca Rock in Rio, em uma componente do portfólio global de golfe. das maiores operações até então realizadas na indústria do entretenimento no Brasil. China - Na China, o HSBC apoia o programa HSBC China Junior Golf - uma estrutura Parcerias - A sociedade com o Cirque du sustentável de longo prazo, sobre a qual o futuro Soleil marcou a criação da IMX Arts, trazendo do golfe está sendo construído na China e que o melhor do conteúdo ao vivo do Espetáculo e inclui o China National Junior Team, patrocinado potencializando o valor agregado da marca no pelo HSBC, pelo HSBC China Junior Open e o Brasil e na América do Sul. Na área de esportes, HSBC National Junior Golf Championship. Esta o portfólio da IMX inclui eventos como o ATP 500 série de torneios, com duração de um ano foi (Tenis), UFC (MMA), Volvo Ocean Race (vela), concebida para oferecer aos golfistas da elite Megarampa (skate), Brasil Classic (golfe), junior da China uma plataforma competitiva para Mundial de Futevôlei 4x4, Vert Jam (esportes desenvolver o esporte. radicais), FMX (motocross), entre outros.


32 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Brasil Classic é do Chile

Esporte | Golfe

Chileno Benjamin Alvarado vence seu primeiro título no Web.com Tour. Philippe Gasnier e Odair Lima, os melhores brasileiros, ganham vaga para etapa nos EUA. Torneio atraiu sete mil pessoas ao São Paulo Golf Club O golfista chileno Benjamin Alvarado conquistou o título do Brasil Classic apresentado pelo HSBC, realizado no São Paulo Golf Club, em São Paulo, no último dia 7. Além do prêmio de US$ 121,5 mil, o atleta conquistou, também, uma vaga no Web.com Tour, que é o circuito de acesso ao PGA Tour, a elite do golfe mundial. A etapa brasileira distribuiu um total de US$ 675 mil em prêmios. Alvarado somou 265 tacadas (-19 em relação ao par), contra 266 (-18) do vicecampeão, o sul-africano Dawie van der Walt, que quase embocou um birdie no buraco 18 para forçar o playoff, mas errou por poucos centímetros. “Só consegui uma vaga quatro dias antes do torneio e não quis perder a oportunidade. Estou muito feliz. Minha meta agora é chegar ao PGA Tour e jogar as Olimpíadas pelo meu país”, disse o campeão, de 27 anos. Ele participou do Web.com Tour como convidado, e agora ganhou uma vaga no circuito, onde já entra em segundo lugar do ranking anual que classifica os 25 primeiros para o PGA Tour. Alvarado teve uma performance muito regular para conquistar o título. Nos quatro dias de torneio, fez 22 birdies (uma tacada abaixo do par do buraco) e apenas 3 bogeys (uma tacada acima do par). Os brasileiros mais bem classificados foram o carioca Philippe Gasnier, empatado em 15º lugar com 274 tacadas (-10), e Odair Lima, empatado em 17º lugar com 275 tacadas (-9). Como terminaram entre os 25 primeiros colocados, ambos ganharam o direito de disputar a próxima etapa do Web.com Tour, nesta semana no Texas, nos EUA, que

distribui US$ 600 mil em prêmios. “Eu queria ganhar, é claro, mas minha meta também era obter uma vaga para o torneio seguinte”, afirmou Gasnier. O amador paulista Rafael Becker surpreendeu e terminou empatado em 26º lugar, com 276 tacadas (-8), à frente do também paulista Alexandre Rocha, que ficou na 29ª posição, com 277 tacadas. “Foi o torneio mais importante da minha carreira”, comemorou Becker. “Não tive um bom final de semana. Joguei muito bem no início, mas depois não fiquei feliz com o meu jogo”, justificou Rocha, que viaja direto para o Texas para disputar a etapa seguinte do circuito. Os outros brasileiros que chegaram às finais foram Fernando Mechereffe (47º lugar, com 279 tacadas), Erik Andersson (72º, com 287 tacadas) e Rafael Barcellos (73º, com 288). Participaram, desde quinta-feira (4), 144 golfistas de 16 países, sendo 11 brasileiros. Torneio de golfe mais importante do ano, o Brasil Classic apresentado pelo HSBC levou mais de 7 mil pessoas ao São Paulo Golf Club, 2,5 mil delas para assistir à final. O Brasil Classic foi apresentado pelo HSBC e também teve como patrocinadores a Embrase Segurança e Serviços, a Sportv, a Rolex, a Nespresso e a YKP, além de apoio da Klabin, TAM Viagens e São Paulo Golf Club. O campeonato teve a chancela do PGA Tour, organização da IMX e realização da Confederação Brasileira de Golfe (CBG). O evento contou com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte. Sobre o HSBC HSBC - Bank Brasil é uma subsidiária integral da HSBC Holdings, um dos maiores conglomerados financeiros do


30 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 15

A ocorrência dos dois estupros também mostrou a diferença de tratamento dado às investigações conduzidas por duas delegacias especializadas. Em 14 horas, a Deat, onde a turista estrangeira prestou queixa, localizou e prendeu Jonathan Foudakis de Souza, de 20 anos, e Wallace Aparecido Souza Silva, de 22, e chegou ao terceiro suspeito, Carlos Armando Costa dos Santos, 21, pouco tempo depois. Já a inércia da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói (região metropolitana), onde a vítima brasileira prestou queixa no dia 23, levou a chefe da Polícia Civil do Rio, Marta Rocha, a exonerar a titular da Deam, Marta Dominguez, e a perita Martha Pereira, diretora do Posto Regional de Polícia Técnico-Científica de São Gonçalo. “Um crime contra turista hoje no Rio tem

uma sensibilidade muito grande, portanto vai receber uma atenção também muito elevada. Um crime sério contra o turista compromete, digamos, o projeto da cidade, e portanto vai receber mais atenção”, avalia Cano. “O que não justifica que as pessoas em condições normais não recebam um tratamento digno, rápido e eficiente”. Para a socióloga Jacqueline Pitanguy, diretora da ONG Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), tais falhas colocam a mulher e o cidadão brasileiro em uma situação muito vulnerável. “O caso da brasileira é dramático. É muito difícil fazer gradações do horror, porque os dois são horríveis, mas a brasileira denunciou imediatamente, ela foi a uma delegacia, e não foi acolhida. Isso triplica a sensação de vulnerabilidade”.

Da esquerda para a direita: Jonathan, Carlos Armando e Wallace

Dá-lhe Miojo

Depois de aprovar aluno que fez redação ensinando receita de como preparar macarrão instantâneo, Enem deve mudar edital para punir candidatos que coloquem brincadeiras nas avaliações. Decisão, no entanto, não abafa os constrangimentos do Mec O Enem 2012 já vai longe, mas insiste em permanecer no noticiário gerando polêmica. Na última edição do exame, um candidato escreveu na redação como preparar um macarrão instantâneo no meio de um texto, que deveria atender ao tema “Movimento imigratório para o Brasil no século 21”. Mesmo assim, ele recebeu a nota 560, de um total de 1.000 pontos. Outro caso que ganhou o noticiário, logo em seguida, foi o de outro aluno que no meio de se sua redação enfiou em trecho do hino do Palmeiras, mas o Miojo ganhou a melhor nota em temos de notoriedade. Os dois fatos geraram desconforto para o Ministério da Educação e Cultura e um tremendo debate entre professores. O colaborador da VIU! e professor do departamento de Línguas e Literatura da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Deneval Siqueira de Azevedo Filho, foi um dos que alfinetaram o critério de avaliação do Mec. O professor escreveu o artigo intitulado “Enem, Mec e Miojo: uma receita que deu certo?”, publicado no portal Viuonline e reproduzido nesta versão impressa. Nos dois primeiros parágrafos da redação, o vestibulando que escreveu a receita do Miojo até chega a tratar do tema proposto na redação. No trecho seguinte, no entanto, o candidato começa a escrever sobre a receita. “Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml’s de água em uma panela, quando estiver

fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva” (sic). No parágrafo final, o aluno retorna ao tema proposto. Das 24 linhas escritas, quatro são dedicadas à receita. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a presença da receita foi detectada pelos corretores e considerada “inoportuna” e “inadequada”, o que provocou uma “forte penalização” ao autor do texto. O Ministério afirma que as competências mais prejudicadas foram as de número 3 e 5, que, entre outros aspectos, mediam o poder que o candidato tinha para selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista e também elaborar uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos e considerando a diversidade sociocultural.

EDUCAÇÃO

Diferença de tratamento


16 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Cada uma das cinco competências avaliadas pelo MEC recebe a pontuação máxima de 200 pontos. Nas citadas, o candidato obteve 100 e 40 pontos, respectivamente. O MEC diz ainda que, em sua totalidade, o candidato não fugiu ao tema e não feriu os direitos humanos. Segundo a pasta, é preciso considerar que a análise de texto é feita sobre o todo, com foco no conjunto do texto, e não em cada uma de suas partes. Para Rogério Chociay, professor aposentado do Departamento de Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em redação de vestibular, a análise do conjunto foi justamente o que faltou para que o texto fosse mais penalizado. “No momento em que o estudante opta por inserir a receita no meio do seu texto, ele quebra o processo argumentativo e o princípio da dissertação e não configura um texto como um todo”, diz. Segundo o professor, se o mesmo ocorresse nos vestibulares das principais universidades públicas no País, o aluno teria seu texto severamente punido ou então reprovado. Depois que os dois episódios ganharam os noticiários e viraram galhofa nas redes sociais, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) anunciou que vai mudar o edital do Enem para punir candidatos que coloquem brincadeiras na redação. O Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), defende a anulação dos textos para esses casos. De acordo com o Inep, as regras atuais para a redação não contemplam punições a casos como o da receita do Miojo. No entanto, um dos critérios para que uma redação seja zerada é a fuga ao tema.

Artigo *Por Denevel Siqueira de Azevedo Filho

Enem, Mec e Miojo: uma receita que deu certo? O que acontece com o ENEM, hein? Parece coisa de curimba, macumba ou sei lá o quê. Mas infelizmente não é. É realidade! Há algum tempo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vem enfrentando as mais bizarras adversidades, da quebra de sigilo a questionamentos sobre sua eficiência. Veio à baila, na segunda-feira, dia 18, e está n’O Globo On Line desta terça-feira (dia 19) alguns sérios problemas relacionados à correção das provas de redação do Enem/2013, cujo tema sobre movimentos imigratórios para o Brasil suscitou no artigo do jornal o seguinte questionamento: “O que culinária tem a ver com movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI, tema da redação da última edição do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem)? À primeira vista, nada. No entanto, dois corretores da prova entenderam como “adequada” a abordagem temática por parte de um candidato que descreveu como preparar um Miojo no meio de seu texto. Enquanto estudantes tiraram nota 1000 cometendo erros como ‘trousse’, ‘enchergar’ e ‘rasoavel’. Há que se considerar que a teoria do texto, em Charaudeau (1992), defende que a função de cada parágrafo forma a base de estudo de como o enunciador vai-se posicionando, e assim construindo o seu discurso por meio de marcas consagradas. Algumas destas, tais como uso da polifonia, o jogo dos implícitos, a adjetivação subjetiva, os operadores argumentativos e as marcas de pressupostos. Portanto, os participantes do ato comunicativo podem ser descritos como o EU comunicante (o sujeito que está no processo de aprendizagem das habilidades para desenvolver o discurso escrito); o TU destinatário, a professora (o avaliador – leitor e escritor experiente com vasto conhecimento genérico e linguístico, além de alta competência comunicativa) e os seres do discurso: o EU enunciador e o Tu interpretante, sujeitos que interagem para a coconstrução do significado do discurso.

sociais, já evoluiu para encontros periódicos. Cerca de 60 pessoas participaram do primeiro encontro do movimento riostrense contra o estupro. A próxima reunião está marcada para o dia 20 de fevereiro. O movimento é ancorado numa página do Facebook e vai ganhando adesões gradativas de uma população alarmada e de vítimas atormentadas, que não encontram o mínimo apoio institucional. Enquanto isso, os noticiários regionais estão concentrados na difusão de press releases e agendas de espetáculos. Rio das Ostras é mais uma prova de que a mídia regional está longe de alcançar os verdadeiros problemas da comunidade. A imprensa deixou de ser os olhos da nação, como dizia Rui Barbosa, para se transformar na voz oficial de governos inertes.

Rio das Ostras População: 105.757 mil habitantes Domicílios: 8.077 Evolução populacional: 190% em dez anos Moradores: 90% da população são constituídas de pessoas que vieram de outras cidades Vocação econômica: Turismo e petróleo Prefeito: Alcebíades Sabino (PSC) Cidades próximas: Macaé, Casimiro de Abreu e municípios da Região dos Lagos

Dois pesos e uma medida O caso da turista estuprada dentro de uma van, no Rio de Janeiro e a prisão dos três criminosos evidencia a diferença com que as autoridades tratam os casos relacionados a estrangeiros e brasileiros O Estado do Rio registrou um aumento de 23% no número de ocorrências de estupros denunciadas à polícia. Foram 6.029 casos registrados em 2012 (uma média de 16 por dia), ante 4.871 no ano anterior, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). Os casos de estupros, inclusive de uma estrangeira ocorrido dentro de uma van, reabriram o debate sobre a segurança na cidade que já neste ano se prepara para receber grandes eventos, como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações. “Apesar de pontual, um episódio como este representa um sinal amarelo, uma ameaça de retrocesso a um trabalho de reposicionamento arduamente desenvolvido nos últimos anos”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih-RJ), Alfredo Lopes. “O fato de ser em Copacabana, bairro mais famoso do Rio, aumenta ainda mais a repercussão negativa”. Para o sociólogo Ignacio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LavUerj), trata-se de um caso entre muitos. “Nem a

gente tinha a cidade plenamente segura antes, nem agora a gente vive num caos por conta desse caso. Há um excesso na cobertura, como se isso representasse uma crise na segurança, e também é resultado de que, justamente antes, a cobertura era excessivamente otimista”.


28 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

A capital regional do estupro

Cidades | Estupro

Com uma das maiores estatísticas de violência sexual contra mulheres no Estado, Rio das Ostras desampara vítimas e vê sua imagem de cidade turística maculada pela criminalidade e omissão do poder público. Os criminosos continuam soltos estupros contra mulheres no Estado do Rio de Janeiro. Bairros enfrentam falta de transportes públicos e saneamento. A agenda positiva alimentada com verbas publicitárias sufoca a imagem que emerge do cotidiano local. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão ligado a Secretaria de Segurança Pública, até novembro do ano passado, 49 casos de estupros foram registrados na cidade. Fora os casos que não chegam a ser notificados às autoridades devido à falta de órgãos oficiais especializados ao combate a este crime na região. Faltam delegacias especializadas no atendimento a Mulher. O único núcleo regional funciona na cidade de Campos dos Goytacazes * Por Douglas Fernandes que fica a mais de 100 quilômetros. No mês de O calçadão vistoso com pedra de porcelanato setembro de 2012 as estatísticas oficiais sobre na orla de uma das praias de Rio das Ostras, na violência foram assustadoras. Aconteceu um Região dos Lagos, que custou R$ 12 milhões caso de estupro (dia sim, dia não) na cidade. Os casos se sucedem em meio ao imobilismo de recursos dos royalties do petróleo, em do poder público. A prefeitura local não tem 2004, criou um cartão postal para os turistas e inaugurou um símbolo da gastança para os um só programa de amparo às vítimas. Não moradores. O calçadão luxuoso não contém a moveu uma palha para sensibilizar a secretaria insatisfação de conviver com a falta de serviços de Segurança Pública do Estado. Estupros entraram na rotina dos moradores básicos. nos últimos dez anos, período em que a A ponte de vigas estaiadas, iluminadas por mais de 200 lâmpadas no prolongamento da população cresceu turbinada pela indústria rodovia Amaral Peixoto, que liga a cidade aos do petróleo, que tem sua base de operação demais municípios da Região dos Lagos, e na vizinha Macaé. Segundo o último censo do que custou R$ 15 milhões aos cofres públicos, IBGE, atualmente são 105.757 mil habitantes também está lá fincada e reluzindo como marca morando em 8.077 domicílios. Um crescimento desta era de pujança econômica iniciada com de 190% em dez anos. Estima-se que pelo o ciclo do petróleo na Bacia de Campos. A menos 90% da população sejam de pessoas que vieram de outras cidades. cidade está na faixa produtora. Contra a incidência do crime e a omissão A Rio das Ostras que bilha na mídia regional do poder público, surge um levante nas redes como sede de um festival de gastronomia, jazz e encontro de motociclistas está distante da sociais. Professores do curso de Serviço Rio das Ostras do cotidiano dos moradores. Social da Universidade Federal Fluminense A cidade ostenta um dos maiores índices de organizaram um movimento, que das redes

Quanto ao contexto sócio-histórico, o EU comunicante e o TU destinatário pertencem a uma comunidade que tem como crença partilhada a noção de que o ensino público dos segmentos fundamental e médio é muito deficiente e que seus usuários são, geralmente, pessoas de baixa renda, na maioria das vezes descritas como afro-brasileiros. Com relação ao contexto de produção, é válido ressaltar que, por se tratar de um contexto de ensino-aprendizagem, o EU comunicante ainda está aprendendo a escrever textos argumentativos e, por isso, não tem como hábito definir em sua mente uma figura de um leitor-alvo. Por conseguinte, o sujeitoaprendiz tende a escrever para si mesmo e, por isso, muitas vezes não considera as variáveis que são postas em ação durante a enunciação, tais como determinar o seu objetivo comunicativo, pensar no contexto de produção e recepção do discurso, ou selecionar argumentos que sirvam de real suporte para a tese. É natural que todo texto apresente áreas que necessitam ser trabalhadas, tais como o provimento do suporte necessário para levar o interpretante a aderir à tese proposta. Como esse ponto e a questão da determinação do foco na argumentação são problemas comuns para os alunos-escritores, são também problemas de ortografia, regência e concordância nominal e verbal. Essas relações seriam o todo do texto argumentativo. O Objetivo Geral do Enem tem particularidades, inclusive a de avaliar o próprio ensino. Alguns professores são mais condescendentes com essa macrovisão do Concurso. Outros não. Para a Profa. Ms. Rosi Meireles “O ENEM não é um vestibular. A avaliação feita por ele tem algumas funções, dentre elas, possibilitar ao aluno o ingresso em uma faculdade, certificar o ensino médio e avaliar a qualidade do ensino. Logo, não se espera que uma prova como essa seja radical, uma vez que não tem por objetivo eliminar o estudante. Logo, justificam-se as notas dadas principalmente nas redações. É claro que as notas não estão de acordo com o que pensam o Jornal Nacional, a Veja e outros mais, uma vez que eles defendem os interesses de uma elite econômica que não gosta nada do fim do vestibular porque quer continuar a “massacrar” o povo.” Nesse sentido, o aspecto socioeconômico da prova está diretamente associado ao que o Prof. Dr. Orlando Lopes, docente do Departamento de

Línguas e Letras e Coordenador de Comunicação e Cultura Universidade Federal do Espírito Santo, pensa em relação ao assunto: “Bom, em relação à qualificação dos textos em si, sou dos que acreditam que erros superficiais não necessariamente comprometem instâncias importantes da produção de texto e de sentido. Contudo, numa situação de seleção, os critérios devem ser muito claros.” Como vamos saber se são claros os critérios de correção das redações no Enem? Quais são as competências exigidas e a pontuação atribuída a cada uma delas? Competência I: demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita;Competência II: compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativoargumentativo; Competência III: selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;Competência IV: demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e Competência V: elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos. Muito claro, parece. Mas são de critérios que dão brechas para correções subjetivas. Além dos fatores extratextuais que, conforme nos coloca o Prof. Dr. Orlando Lopes, “há uma polarização que aflora, as teorias parecem responder a dois apelos ideológicos que tensionam esse mundo das políticas públicas. No caso do processo seletivo, elas concorrem: a defesa da “qualidade” da expressão encampa o viés social da educação no Brasil; a defesa da “quantidade” da expressão “válida” encampa o viés econômico.” Está ai. O problema muito bem colocado. Ainda temos um sistema educacional que polariza essa discussão. A educação pública e a privada. Muitos alunos são privados dos conhecimentos e das competências necessárias para o desempenho linguístico exigido no exame Enem. Porém, a receita não é o miojo instantâneo. Este parece ser uma metáfora (quem sabe os professores que corrigiram não ‘viajaram’?) muito bem construída do próprio Enem, que, a médio ou longo prazo, deve vir a ser o passaporte para as IES, doa a quem doer! Aliás, já se entra em muitas universidades públicas somente com a nota do Enem. Dá-lhe, miojo!


Artigo * Por Luís Eustáquio Soares

O pastor Marco Feliciano e as guerras humanitárias do Ocidente O que nos torna impotentes na atualidade é a relação tragicamente dissimétrica entre, de um lado os grandes desafios da humanidade, afundada em guerras de pilhagens, em destruição quase irreversível dos ecossistemas ditos naturais, no abandono de bilhões de pessoas à sua imprópria sorte e; de outro lado, na reificação generalizada de todos os âmbitos do mundo social, a ciência, a arte e vida, entendendo-se, vale destacar, por reificação, a aparentemente inocente insistência nossa diária em descontextualizar a tudo isolando dados, fatos, personagens, da trama geral, sistêmica, que nos apanha e nos rouba, condenando-nos a reduzir tudo ao particular, ao imediato, ao caso x ou y, na suposição de que surgem por eles mesmos, como uma espécie de retorno religioso planetário à geração espontânea, agora articulada em escala social, planetária. Vê-se, assim, o beco sem saída em que nos metemos. Todos os desafios da humanidade, sem exceção, exigem a produção de perspectivas teóricas, analíticas e práticas planetárias, razão pela qual a premissa fundamental de nossa época está diretamente vinculada à necessidade irrecusável de contextualizar sempre, mais e mais, a fim de entender realmente como o sistema-mundo funciona e, a partir de então, ter condições de criar respostas ousadas, coletivas (nunca descontextualizadas, nunca reificadas e reificantes), realmente capazes de destronar os bárbaros preconceitos patriarcais do atual modelo civilizatório, que vive – e mata -, parasitariamente, de sanguessugar alteridades econômicas, étnicas, de gênero, condenando-as ao abandono mais vil. Reificar, nesse sentido, é sempre a escolha pelo beco sem saída; é fazer o jogo de todos os preconceitos e exclusões. Resulta daí a necessidade da seguinte pergunta: que relação tem o pastor, Marco Feliciano (PSC), um racista e homofóbico confesso, sua recente nomeação precisamente para presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a Guerra de Quarta Geração, cuja doutrina, conhecida como guerra de espectro completo, foi redigida por William Lind - e mais três membros das forças armadas dos Estados Unidos - e publicada na Marine Corps Gazete, em 1989? Que relação tem o pastor Marco Feliciano com as bandas ou bandos mais fundamentalistas do islamismo, como os salafistas e yahadistas, ambas criadas por Estados Unidos e a Arábia Saudita,

a partir dos abandonados da Terra do Oriente Médio, para serem usadas, com seus acúmulos de preconceitos, contra a soberania de países e povos, como ocorreu recentemente na Líbia e está ocorrendo agora na Síria? Que relação tem o uso imperialista do fundamentalismo religioso contra seu eleito pior inimigo: os governos, instituições e pessoas laicas? Por fim, que relação tem o Pastor Marco Feliciano, um fundamentalista religioso, contra a livre expressão laica das subjetividades? Não foram os fundamentalistas yahadistas e salafistas, apresentados para o mundo, pelos comprados meios de comunicação do Ocidente, como liberadores da tirania de Muammar ALKaddafi, precisamente aqueles que massacraram a população negra da Líbia? Não são eles, após a morte de Kaddafi, que estão cassando, como se fossem bichos, em nome de Alá, as mulheres emancipadas, homossexuais femininos e masculinos das caóticas e barbarizadas cidades da Líbia pós-Kaddafi? Minha questão, portanto, neste pequeno artigo, é a seguinte: o deputado federal Marco Feliciano não constitui um isolado caso inaceitável de preconceito ético e de gênero justificado pelo mais patriarcal e primário fundamentalismo religioso, que parte da premissa de que o homem (leia-se todos os humanos) é a imagem e semelhança de Deus e, sendo Deus homem (leia-se, masculino, heterossexual, macho) qualquer diferença em relação a esse transcendental e despótico padrão avassalador é considerada uma aberração que é preciso combater como se participasse de uma cruzada divina. Não é, pois, circunstancial que o pastor Marco Feliciano tenha se apresentado, e sido eleito, para ocupar precisamente a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pois, sem contradição alguma, ele acredita fundamentalmente que está a serviço de divinas justiças, as quais são inseparáveis, considerando o fundamentalismo vigente, da caça às bruxas laicas, sob o nome comum de alteridades. Para terminar, uma última pergunta: que relação tem a presidência de uma Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Brasil, ocupada por um pastor fundamentalista, com as guerras humanitárias do imperialismo ocidental? * Luís Eustáquio Soares (46 anos) é poeta, escritor, ensaísta e professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes.


26 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 19

PAÍS | Direitos Humanos

aparece em vídeo dizendo que Deus mandou matar John Lennon e Mamonas Assassinas. Nesta visão teológica, o Construtor do Universo seria mandante de assassinato. O pior é que ele insiste em se manter na presidência da Comissão de Direitos Humanos

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) é uma espécie de taleban neopentecostal. De suas pregações ecoam os maiores preconceitos e barbaridades. Ele já disse, por exemplo, que Aids é “um câncer gay”. São palavras homofóbicas de um inimigo declarado do ativismo gay. O taleban, no entanto, continua na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e a cada dia os vídeos de suas pregações inundam as redes sociais, despertando revolta coletiva que já resultou na campanha que colheu quase 500 mil assinaturas pedindo mudanças na presidência da Comissão, que tem, entre suas atribuições a defesa das garantias constitucionais das minorias que Feliciano ataca. O vídeo mais recente que repercute na internet, é uma pregação do pastor “justificando” a morte de artistas, como John Lennon e dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. “Ninguém afronta Deus e sobrevive pra debochar!”, disse Feliciano sobre o ex-integrante dos Beatles, morto a tiros em 1980. Os vídeos foram postados no Domingo dia 7 de abril, mas as imagens de um culto religioso são mais antigas. Não é possível identificar a data da gravação. Durante sua fala, o pastor lembrou a polêmica frase de Lennon, dita na década de 1960, em uma entrevista, de que a banda era mais famosa que Jesus Cristo. “Passou algum tempo depois dessa declaração, está ele [John Lennon] dentro do apartamento, quando abre a porta e escuta alguém chamar pelo nome. Ele vira e é alvejado com 3 tiros no peito”, disse Feliciano. A reportagem tentou sem sucesso contato com o gabinete e com

a assessoria do deputado para comentar as imagens. A declaração de Lennon rendeu críticas aos músicos na época. Tempos depois Lennon se desculpou e disse ter sido mal interpretado. No vídeo, já com quase 61 mil visualizações, o pastor concluiu: “Eu queria estar lá no dia em que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: ‘Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo’”. Em outro vídeo, provavelmente no mesmo culto, Feliciano também relaciona a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas à vontade divina. A banda, que morreu num acidente aéreo em 1996, ficou conhecida por letras cômicas. O conteúdo das músicas, para o pastor, era inadequado. “Ao invés de virar pra um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças.” Desde que o deputado assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos, diversas frases polêmicas atribuídas a ele ganharam destaque. Algumas delas são usadas por ativistas como argumento para pedir sua renúncia do cargo por serem consideradas racistas e homofóbicas. Em declarações recentes, Feliciano afirmou que não pretende deixar o comando da comissão. O deputado, sem suas pregações, além de agredir cria uma nova imagem e semelhança de Deus. Prega uma divindade vingativa e “mandante de crime” de crime, como o de John Lennon. Este deus, obviamente, é o de Feliciano, que não corresponde a imagem e semelhança do Deus extraído da Bíblia.

Tribuna da Imprensa Em 1961, no Egito, conheci Saddam Hussein, um jovem socialista “de previsível e provável sucesso”. 47 anos depois, já ditador cruel e sanguinário, era enforcado pelos americanos, cuja invasão completa 10 anos. Os socialistas não resistem ao Poder, destroçados por ele? *Por Helio Fernandes Em 1961, portanto há 52 anos (eu estava completando 40) fiz minha primeira viagem ao Egito, Líbano e Síria. Paulo Sampaio, notável figura, presidente da Panair (a mais romântica e brasileira empresa de aviação), convidou 15 jornalistas para uma viagem a esses três países. Ficamos 12 dias, a Condessa Pereira Carneiro, Maneco Muller. Moacir Werneck de Castro, João Calmon, Gilberto Chateaubriand, João Dantas e mais e mais. Nosso hotel no Cairo era à beira do Nilo, um prazer acordar e olhar aquele rio histórico. Fizemos o roteiro obrigatório: visitar as pirâmides, andar de elefantes pelo deserto à meia-noite, mas o que interessa nessa lembrança: ser recebido pelo Presidente Nasser, que já era chamado de “terceira força” pelo mundo. Infelizmente morreria nove anos depois. Desaparecia a esperança (ou outra ilusão?) do nascente “nasserismo”. Nos recebeu duas vezes, demoradamente. Nas duas, sentado, conversando animadamente. Em pé, ao lado dele, um jovem (tinha 23 anos) elegante, bem apessoado, às vezes se inclinava, dizia alguma coisa ao Presidente. Perguntei quem era a um assessor. Resposta: “É um jovem socialista, considerado de extraordinário futuro. Seu nome é Saddam Hussein”. Agora que se completam 10 anos da invasão do Iraque pelos EUA, não posso esquecer como acabou o “jovem socialista” de 1961, já um ditador cruel. Seu previsto ou previsível futuro acabou com a condenação à morte, sem herdeiros ou alguém que chorasse por ele. Uma pergunta que não posso deixar de fazer, até a mim mesmo: nenhum socialista resiste ao Poder, é destruído e destroçado por esse Poder? Exceção para Mitterrand. Governou a França por

7 anos, de 1981 a 1988, novos 7, de 1988 a 1985. Quando se preparava para outros 7, teve que desistir. o adversário era invencível politicamente, e fisicamente desapareceria com ele. Um ano depois, logicamente já fora do poder.

POLÍTICA | Hélio Fernandes

Suprema besteira Pastor deputado que ataca os gays, agora


20 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 25

Dona Dilma não levou Lula ao Vaticano No velório de Chávez, o ex-quase entrou no seu antigo avião, sem pedir autorização. Ela ficou constrangida, mas levou-o. Lá, Lula foi a grande atração. Chavistas e oposicionistas só queriam falar com ele, Dona Dilma ficou praticamente abandonada. Ela viu, anotou, não esqueceu. Para a entronização do Papa, ele queria

repetir a viagem. Dona Dilma não negou, mas do alto dos 79 por cento de aprovação na pesquisa, candidatíssima, apenas observou: “Só vão presidentes e primeiros-ministros, você vai ficar quase escondido”. Ele não gostou, compreendeu, aceitou. Pesquisa é pesquisa, Lula sabe como é.

O papa “Hermano”

Recebeu Dona Kirchner duas vezes. Uma, em público, durante 20 minutos, incluindo um beijo na Presidente. O que levou a que ela dissesse (de brincadeira?) “é a primeira vez que sou beijada por um Papa”. Depois, almoçaram juntos, durante 4 horas. Com o Brasil foi diferente. A própria Dilma alardeou que seria recebida por Francisco, e diria a ele, textualmente: “Não basta falar em pobre, é preciso acabar com a pobreza”. Nao teve tempo nem de sentar, quanto mais de falar. O Papa Francisco recebeu Dona Dilma em pé, ela foi apresentando alguns membros de sua comitiva, não dava para muito, foram 54 os seus acompanhantes. Ele confirmou que virá ao Brasil no Congresso da Juventude. Só faltava desmarcar, será a sua primeira viagem ao exterior. Já estava estabelecida. E se não estivesse? De qualquer maneira, desconsideração à Presidente e ao Brasil.

Em família 1

O reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Silvério Freitas, foi bem receptivo ao filho Ismael Freitas, novo presidente da Associação de PósGraduandos da instituição. Papai Silvério, em solenidade festiva, repassou às mãos do herdeiro as chaves de uma sala no campus que vai abrigar a sede da associação. Uma sala novinha, todinha para o filho chamar de sua.

Em família 2

Na mesma instituição, Silvério tem um filho, Silvio de Jesus Freitas que conseguiu ingressar no quadro de professores da instituição. Rapaz de sorte. Entrou na vaga de professor associado deixada pelo pai, quando Silvério conquistou uma vaga de professor titular. A esposa do reitor, Inês Helena de Jesus Freitas, não ficou desamparada. Teve sorte e conquistou uma generosa bolsa de estudos na pró-reitoria de extensão. Só com diárias do MEC, em três meses do ano passado (fora salário), ela ganhou mais de R$ 7 mil.

Filão 1 As atenções do mercado de transporte de passageiros do país estão todas voltadas para cidade de Campos. No dia 14 de maio a prefeitura vai promover licitação para exploração de todas as linhas urbanas e distritais. Um negócio da China para o setor. Só de subsídio de passagem a R$ 1, a prefeitura repassa, mensalmente, R$ 16 milhões as empresas. Filão 2 Dezenas de empresas de diferentes regiões do país já compraram edital para participar do certame. Entre as exigências constam coletivos com ar condicionado, televisão e acessibilidade. A licitação é uma exigência da justiça, que manteve a decisão mesmo diante de vários recursos apresentados pelas empresas que atualmente exploram as linhas herdadas de uma permissão de uso transformada em concessão. Esta travessura foi considera uma bofetada na lei de licitações.

Filão 3 A decisão de Campos abre um precedente para Macaé, onde a 1001, por meio do Sistema Integrado de Transportes (SIT), explora um verdadeiro monopólio. O contrato, caso a justiça não cancele antes, termina em outubro.


24 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Nova etapa

É improvável que o ex-prefeito de Macaé, Riverton Mussi permaneça no PMDB. Candidato a uma vaga na Alerj, ele já conversa com outras legendas. Será pragmático na escolha. Admite compor até com o deputado Anthony Garotinho (PR).

Joaquim Barbosa contestado

Sossego

O ex-vereador de Macaé, Carlos Emir Mussi (PDT), sumiu das redes sociais. É uma sumidinha provisória. Deu uma pausa para visitar a Disneylândia com a família. Ele continua um ativista compulsivo nas redes, a ponto de já ter levado vários puxões de orelha de dona patroa.

Vai fundo

O grupo Folha da Manhã vai sacudir a rádio Globo de Macaé, Continental de Campos e a Plena TV. Contratou o jornalista Marco Antônio Rodrigues, que atuou pela ESPN nos Estados Unidos.

Fala Joaquim!

Por falar em santo, o presidente do Conselho Nacional de Justiça, Joaquim Barbosa (foto), deveria ser canonizado como intercessor da sociedade brasileira. Sobre os “bandidos de toga”, ele fala exatamente tudo que o brasileiro gostaria de dizer, mas que se resolvesse falar, sairia preso ou vítima de perseguição nos tribunais. E por essas e outras que nós gritamos: “mete bronca, Joaquim!”.

O ditado popular se repete na alta cúpula da Justiça: “Quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Depois do mensalão, o Presidente do Supremo vem se equivocando publicamente. Mandou um jornalista respeitado de Brasília “chafurdar no lixo”. E acrescentou: “É o que você sempre faz, palhaço”. Agora criticou a ligação de juízes com advogados, cometendo o grave erro de quem se manifesta: a generalização. Foi criticadíssimo por associações de magistrados, que apelaram até para a vida particular do Ministro. Não quero usar desse recurso, ninguém jamais escreverá sobre Joaquim Barbosa quanto esse repórter em 1º de dezembro de 2008. Acusações com provas e enorme repercussão. Agora, Barbosa indefensável: se reúne com Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves. Isso pode?


Roberto Barbosa Só love

A era Beltrame

O prefeito de Salvador-BA, ACM Neto (DEM), está cruzando os céus entre sua cidade e o Rio de Janeiro com certa frequência. Não é campanha eleitoral e muito menos devoção ao Cristo Redentor. O motivo é um só: a deputada Clarissa Garotinho (PR). Os dois estão namorando. Ou melhor, se conhecendo. A deputada também tem viajado com frequência à Bahia para encontrar o “love”. Por sinal, a canção da dupla Claudinho e Bochecha, Só love, nunca fez tanto sucesso nesta ponte aérea.

Curtas

Nunca houve no Estado do Rio de Janeiro um secretário de segurança tão bem avaliado como José Mariano Beltrame (foto). Não é para menos. Ele comanda o projeto Unidade de Polícia Pacificadora, UPP, responsável pela pacificação de comunidades antes mantidas como territórios de traficantes. O projeto retomou esses territórios para seus moradores e garante a presença efetiva do Estado onde anteriormente prevalecia o império do crime. A era Beltrame parece ter sepultado os tempos em que milicianos e bandidos desfilavam com desenvoltura pelos Palácios oficiais. Delegado de carreira da polícia Federal, este gaúcho que adotou o Rio de Janeiro tem como virtude o equilíbrio emocional. Atua com discrição. Sucessão estadual? Ele quer distância deste debate e jura que nem pensa em ser companheiro de chapa de Luiz Fernando Pezão. O ônus da guerra Em Macaé o bicho continua comendo mariola. Os vereadores petistas Igor Sardinha e Maxwell Vaz juntaram-se ao peemedebista Chico Machado (PMDB) para fritar o secretário de governo Léo Gomes. Quebraram os dentes. Perderam a queda de braço e de sobra ouviram 13 vereadores se revezarem na tribuna na sessão de do dia 20 de março em rasgados elogios ao secretário. Pirou O trio caiu em desgraça na corte. Esta semana, como efeito dominó, nomeações de pessoas ligadas aos parlamentares começaram a despencar no Diário Oficial. Pelo que tudo indica, os infiéis serão tratados a pão e água. Igor Sardinha pulou. Ele esbravejou na tribuna que agora é assumidamente oposição.

Carga Explosiva

Não é surpresa para a coluna o conteúdo explosivo do inquérito do STF contra o senador Lindbergh Farias (PT), revelado em recente reportagem da revista Época. Esta foi a mais barulhenta e não a única abordagem sobre o tema. Mas debaixo do angu tem mais carne. Outro grande pesadelo reside na Caixa de Previdência dos servidores de Nova Iguaçu, herança maldita do período em que Lindbergh foi prefeito.Certa vez, ao comentar o comportamento “lindinho” num depoimento à Polícia Federal, o ex-deputado José Maurício Linhares ficou apavorado. “O rapaz chorou copiosamente”, chegou a dizer o ex-deputado. Macaé, antes da moral e do interesse público, vem o estômago e os cargos. Padroeiro Alguns infiéis vão apelando aos santos que podem. Recentemente, o senador Lindbergh Faria ligou para o prefeito Dr. Aluízio tentando salvar a pele de Maxwell Vaz. Grande negócio O vereador macaense Paulo Antunes (PMDB) já não é mais o proprietário da Água Mineral Vale do Sol. A Nestlé comprou o negócio por R$ 50 milhões.

Hélio, o grande Aos 92 anos, o jornalista Hélio Fernandes é dono de uma memória privilegiada. Acompanhou como repórter os principais acontecimentos do país e do mundo. Conheceu, por exemplo, o exBrechet explica presidente do Iraque, Saddan Hussein quando O discurso de Sardinha é revelador, porque este tinha 23 anos. Cobriu e enfrentou a ditadura traça a diferença entre passado e presente. militar com destemor admirável. Ex-proprietário Antigamente oposição neste país se fazia por do jornal Tribuna da Imprensa, ele agora escreve divergência ideológica ou administrativa. Agora no site que jornalistas remanescentes da é tudo por cargo. Como dizia Bertold Brechet, publicação alimentam na internet com ajuda de dramaturgo que os companheiros mais cultos colaboradores. Textos também são publicados adoram, “antes da moral” vem o estômago. Em aqui na VIU e no portal da revista.

Gato

O ex-governador Leonel Brizola costumava se referir ao deputado Moreira Franco (foto) como “gato angorá”. O apelido era uma herança das disputas políticas regionais, quando Brizola com estilo mordaz, gostava de marcar os adversários. O tempo de disputa entre os dois personagens passou, mas o apelido na seara brizolista sobreviveu.

Vida longa

Felino tem fama de ter sete vidas. Se Moreira é mesmo um gato, já provou a fama de vida longa: desfilou com desenvoltura no governo Fernando Henrique Cardoso, sobreviveu no governo Lula, mantém-se ativo no governo Dilma e acaba de trocar a secretaria de Assuntos Estratégicos, cargo inexpressivo, pela mais robusta Secretaria de Aviação Civil.

Time

Entre as maiores virtudes apontadas para o “felino” é a paciência. Moreira tem uma capacidade invejável de esperar a hora certa.

Magia

Ex-funcionário do Ibope, o estatístico Érick Ulrich, é o novo mago do PR no Estado do Rio. Sua nova empresa, o Instituto Ulrick, está fazendo pesquisas de intenção de votos para o partido no Estado. As principais sondagens são com vistas à sucessão estadual. Os resultados devem ser amplamente divulgados, mas o tópico índice de rejeição é proibido dizer o nome. No Norte Fluminense, no entanto, o trabalho deverá ser realizado por outro instituto, o Precisão, que também atende ao partido.


Só love

O prefeito de Salvador-BA, ACM Neto (DEM), está cruzando os céus entre sua cidade e o Rio de Janeiro com certa frequência. Não é campanha eleitoral e muito menos devoção ao Cristo Redentor. O motivo é um só: a deputada Clarissa Garotinho (PR). Os dois estão namorando. Ou melhor, se conhecendo. A deputada também tem viajado com frequência à Bahia para encontrar o “love”. Por sinal, a canção da dupla Claudinho e Bochecha, Só love, nunca fez tanto sucesso nesta ponte aérea.

Carga Explosiva

Não é surpresa para a coluna o conteúdo explosivo do inquérito do STF contra o senador Lindbergh Farias (PT), revelado em recente reportagem da revista Época. Esta foi a mais barulhenta e não a única abordagem sobre o tema. Mas debaixo do angu tem mais carne. Outro grande pesadelo reside na Caixa de Previdência dos servidores de Nova Iguaçu, herança maldita do período em que Lindbergh foi prefeito.Certa vez, ao comentar o comportamento “lindinho” num depoimento à Polícia Federal, o ex-deputado José Maurício Linhares ficou apavorado. “O rapaz chorou copiosamente”, chegou a dizer o ex-deputado.

Gato

O ex-governador Leonel Brizola costumava se referir ao deputado Moreira Franco (foto) como “gato angorá”. O apelido era uma herança das disputas políticas regionais, quando Brizola com estilo mordaz, gostava de marcar os adversários. O tempo de disputa entre os dois personagens passou, mas o apelido na seara brizolista sobreviveu.

Vida longa

Felino tem fama de ter sete vidas. Se Moreira é mesmo um gato, já provou a fama de vida longa: desfilou com desenvoltura no governo Fernando Henrique Cardoso, sobreviveu no governo Lula, mantém-se ativo no governo Dilma e acaba de trocar a secretaria de Assuntos Estratégicos, cargo inexpressivo, pela mais robusta Secretaria de Aviação Civil.

Time

Entre as maiores virtudes apontadas para o “felino” é a paciência. Moreira tem uma capacidade invejável de esperar a hora certa.

Magia

Ex-funcionário do Ibope, o estatístico Érick Ulrich, é o novo mago do PR no Estado do Rio. Sua nova empresa, o Instituto Ulrick, está fazendo pesquisas de intenção de votos para o partido no Estado. As principais sondagens são com vistas à sucessão estadual. Os resultados devem ser amplamente divulgados, mas o tópico índice de rejeição é proibido dizer o nome. No Norte Fluminense, no entanto, o trabalho deverá ser realizado por outro instituto, o Precisão, que também atende ao partido.


24 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Nova etapa

É improvável que o ex-prefeito de Macaé, Riverton Mussi permaneça no PMDB. Candidato a uma vaga na Alerj, ele já conversa com outras legendas. Será pragmático na escolha. Admite compor até com o deputado Anthony Garotinho (PR).

Sossego

O ex-vereador de Macaé, Carlos Emir Mussi (PDT), sumiu das redes sociais. É uma sumidinha provisória. Deu uma pausa para visitar a Disneylândia com a família. Ele continua um ativista compulsivo nas redes, a ponto de já ter levado vários puxões de orelha de dona patroa.

Vai fundo

O grupo Folha da Manhã vai sacudir a rádio Globo de Macaé, Continental de Campos e a Plena TV. Contratou o jornalista Marco Antônio Rodrigues, que atuou pela ESPN nos Estados Unidos.

Fala Joaquim!

Por falar em santo, o presidente do Conselho Nacional de Justiça, Joaquim Barbosa (foto), deveria ser canonizado como intercessor da sociedade brasileira. Sobre os “bandidos de toga”, ele fala exatamente tudo que o brasileiro gostaria de dizer, mas que se resolvesse falar, sairia preso ou vítima de perseguição nos tribunais. E por essas e outras que nós gritamos: “mete bronca, Joaquim!”.


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 25

Em família 1

O reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Silvério Freitas, foi bem receptivo ao filho Ismael Freitas, novo presidente da Associação de PósGraduandos da instituição. Papai Silvério, em solenidade festiva, repassou às mãos do herdeiro as chaves de uma sala no campus que vai abrigar a sede da associação. Uma sala novinha, todinha para o filho chamar de sua.

Em família 2

Na mesma instituição, Silvério tem um filho, Silvio de Jesus Freitas que conseguiu ingressar no quadro de professores da instituição. Rapaz de sorte. Entrou na vaga de professor associado deixada pelo pai, quando Silvério conquistou uma vaga de professor titular. A esposa do reitor, Inês Helena de Jesus Freitas, não ficou desamparada. Teve sorte e conquistou uma generosa bolsa de estudos na pró-reitoria de extensão. Só com diárias do MEC, em três meses do ano passado (fora salário), ela ganhou mais de R$ 7 mil.

Filão 1 As atenções do mercado de transporte de passageiros do país estão todas voltadas para cidade de Campos. No dia 14 de maio a prefeitura vai promover licitação para exploração de todas as linhas urbanas e distritais. Um negócio da China para o setor. Só de subsídio de passagem a R$ 1, a prefeitura repassa, mensalmente, R$ 16 milhões as empresas. Filão 2 Dezenas de empresas de diferentes regiões do país já compraram edital para participar do certame. Entre as exigências constam coletivos com ar condicionado, televisão e acessibilidade. A licitação é uma exigência da justiça, que manteve a decisão mesmo diante de vários recursos apresentados pelas empresas que atualmente exploram as linhas herdadas de uma permissão de uso transformada em concessão. Esta travessura foi considera uma bofetada na lei de licitações.

Filão 3 A decisão de Campos abre um precedente para Macaé, onde a 1001, por meio do Sistema Integrado de Transportes (SIT), explora um verdadeiro monopólio. O contrato, caso a justiça não cancele antes, termina em outubro.


26 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Suprema besteira Pastor deputado que ataca os gays, agora

PAÍS | Direitos Humanos

aparece em vídeo dizendo que Deus mandou matar John Lennon e Mamonas Assassinas. Nesta visão teológica, o Construtor do Universo seria mandante de assassinato. O pior é que ele insiste em se manter na presidência da Comissão de Direitos Humanos

O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) é uma espécie de taleban neopentecostal. De suas pregações ecoam os maiores preconceitos e barbaridades. Ele já disse, por exemplo, que Aids é “um câncer gay”. São palavras homofóbicas de um inimigo declarado do ativismo gay. O taleban, no entanto, continua na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e a cada dia os vídeos de suas pregações inundam as redes sociais, despertando revolta coletiva que já resultou na campanha que colheu quase 500 mil assinaturas pedindo mudanças na presidência da Comissão, que tem, entre suas atribuições a defesa das garantias constitucionais das minorias que Feliciano ataca. O vídeo mais recente que repercute na internet, é uma pregação do pastor “justificando” a morte de artistas, como John Lennon e dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas. “Ninguém afronta Deus e sobrevive pra debochar!”, disse Feliciano sobre o ex-integrante dos Beatles, morto a tiros em 1980. Os vídeos foram postados no Domingo dia 7 de abril, mas as imagens de um culto religioso são mais antigas. Não é possível identificar a data da gravação. Durante sua fala, o pastor lembrou a polêmica frase de Lennon, dita na década de 1960, em uma entrevista, de que a banda era mais famosa que Jesus Cristo. “Passou algum tempo depois dessa declaração, está ele [John Lennon] dentro do apartamento, quando abre a porta e escuta alguém chamar pelo nome. Ele vira e é alvejado com 3 tiros no peito”, disse Feliciano. A reportagem tentou sem sucesso contato com o gabinete e com

a assessoria do deputado para comentar as imagens. A declaração de Lennon rendeu críticas aos músicos na época. Tempos depois Lennon se desculpou e disse ter sido mal interpretado. No vídeo, já com quase 61 mil visualizações, o pastor concluiu: “Eu queria estar lá no dia em que descobriram o corpo dele. Ia tirar o pano de cima e dizer: ‘Me perdoe John, mas esse primeiro tiro é em nome do Pai, esse é em nome do Filho e esse em nome do Espírito Santo’”. Em outro vídeo, provavelmente no mesmo culto, Feliciano também relaciona a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas à vontade divina. A banda, que morreu num acidente aéreo em 1996, ficou conhecida por letras cômicas. O conteúdo das músicas, para o pastor, era inadequado. “Ao invés de virar pra um lado, o manche tocou pra outro. Um anjo pôs o dedo no manche e Deus fulminou aqueles que tentaram colocar palavras torpes na boca das nossas crianças.” Desde que o deputado assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos, diversas frases polêmicas atribuídas a ele ganharam destaque. Algumas delas são usadas por ativistas como argumento para pedir sua renúncia do cargo por serem consideradas racistas e homofóbicas. Em declarações recentes, Feliciano afirmou que não pretende deixar o comando da comissão. O deputado, sem suas pregações, além de agredir cria uma nova imagem e semelhança de Deus. Prega uma divindade vingativa e “mandante de crime” de crime, como o de John Lennon. Este deus, obviamente, é o de Feliciano, que não corresponde a imagem e semelhança do Deus extraído da Bíblia.


Artigo * Por Luís Eustáquio Soares

O pastor Marco Feliciano e as guerras humanitárias do Ocidente O que nos torna impotentes na atualidade é a relação tragicamente dissimétrica entre, de um lado os grandes desafios da humanidade, afundada em guerras de pilhagens, em destruição quase irreversível dos ecossistemas ditos naturais, no abandono de bilhões de pessoas à sua imprópria sorte e; de outro lado, na reificação generalizada de todos os âmbitos do mundo social, a ciência, a arte e vida, entendendo-se, vale destacar, por reificação, a aparentemente inocente insistência nossa diária em descontextualizar a tudo isolando dados, fatos, personagens, da trama geral, sistêmica, que nos apanha e nos rouba, condenando-nos a reduzir tudo ao particular, ao imediato, ao caso x ou y, na suposição de que surgem por eles mesmos, como uma espécie de retorno religioso planetário à geração espontânea, agora articulada em escala social, planetária. Vê-se, assim, o beco sem saída em que nos metemos. Todos os desafios da humanidade, sem exceção, exigem a produção de perspectivas teóricas, analíticas e práticas planetárias, razão pela qual a premissa fundamental de nossa época está diretamente vinculada à necessidade irrecusável de contextualizar sempre, mais e mais, a fim de entender realmente como o sistema-mundo funciona e, a partir de então, ter condições de criar respostas ousadas, coletivas (nunca descontextualizadas, nunca reificadas e reificantes), realmente capazes de destronar os bárbaros preconceitos patriarcais do atual modelo civilizatório, que vive – e mata -, parasitariamente, de sanguessugar alteridades econômicas, étnicas, de gênero, condenando-as ao abandono mais vil. Reificar, nesse sentido, é sempre a escolha pelo beco sem saída; é fazer o jogo de todos os preconceitos e exclusões. Resulta daí a necessidade da seguinte pergunta: que relação tem o pastor, Marco Feliciano (PSC), um racista e homofóbico confesso, sua recente nomeação precisamente para presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com a Guerra de Quarta Geração, cuja doutrina, conhecida como guerra de espectro completo, foi redigida por William Lind - e mais três membros das forças armadas dos Estados Unidos - e publicada na Marine Corps Gazete, em 1989? Que relação tem o pastor Marco Feliciano com as bandas ou bandos mais fundamentalistas do islamismo, como os salafistas e yahadistas, ambas criadas por Estados Unidos e a Arábia Saudita,

a partir dos abandonados da Terra do Oriente Médio, para serem usadas, com seus acúmulos de preconceitos, contra a soberania de países e povos, como ocorreu recentemente na Líbia e está ocorrendo agora na Síria? Que relação tem o uso imperialista do fundamentalismo religioso contra seu eleito pior inimigo: os governos, instituições e pessoas laicas? Por fim, que relação tem o Pastor Marco Feliciano, um fundamentalista religioso, contra a livre expressão laica das subjetividades? Não foram os fundamentalistas yahadistas e salafistas, apresentados para o mundo, pelos comprados meios de comunicação do Ocidente, como liberadores da tirania de Muammar ALKaddafi, precisamente aqueles que massacraram a população negra da Líbia? Não são eles, após a morte de Kaddafi, que estão cassando, como se fossem bichos, em nome de Alá, as mulheres emancipadas, homossexuais femininos e masculinos das caóticas e barbarizadas cidades da Líbia pós-Kaddafi? Minha questão, portanto, neste pequeno artigo, é a seguinte: o deputado federal Marco Feliciano não constitui um isolado caso inaceitável de preconceito ético e de gênero justificado pelo mais patriarcal e primário fundamentalismo religioso, que parte da premissa de que o homem (leia-se todos os humanos) é a imagem e semelhança de Deus e, sendo Deus homem (leia-se, masculino, heterossexual, macho) qualquer diferença em relação a esse transcendental e despótico padrão avassalador é considerada uma aberração que é preciso combater como se participasse de uma cruzada divina. Não é, pois, circunstancial que o pastor Marco Feliciano tenha se apresentado, e sido eleito, para ocupar precisamente a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, pois, sem contradição alguma, ele acredita fundamentalmente que está a serviço de divinas justiças, as quais são inseparáveis, considerando o fundamentalismo vigente, da caça às bruxas laicas, sob o nome comum de alteridades. Para terminar, uma última pergunta: que relação tem a presidência de uma Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Brasil, ocupada por um pastor fundamentalista, com as guerras humanitárias do imperialismo ocidental? * Luís Eustáquio Soares (46 anos) é poeta, escritor, ensaísta e professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal do Espírito Santo – Ufes.


28 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

A capital regional do estupro

Cidades | Estupro

Com uma das maiores estatísticas de violência sexual contra mulheres no Estado, Rio das Ostras desampara vítimas e vê sua imagem de cidade turística maculada pela criminalidade e omissão do poder público. Os criminosos continuam soltos estupros contra mulheres no Estado do Rio de Janeiro. Bairros enfrentam falta de transportes públicos e saneamento. A agenda positiva alimentada com verbas publicitárias sufoca a imagem que emerge do cotidiano local. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão ligado a Secretaria de Segurança Pública, até novembro do ano passado, 49 casos de estupros foram registrados na cidade. Fora os casos que não chegam a ser notificados às autoridades devido à falta de órgãos oficiais especializados ao combate a este crime na região. Faltam delegacias especializadas no atendimento a Mulher. O único núcleo regional funciona na cidade de Campos dos Goytacazes * Por Douglas Fernandes que fica a mais de 100 quilômetros. No mês de O calçadão vistoso com pedra de porcelanato setembro de 2012 as estatísticas oficiais sobre na orla de uma das praias de Rio das Ostras, na violência foram assustadoras. Aconteceu um Região dos Lagos, que custou R$ 12 milhões caso de estupro (dia sim, dia não) na cidade. Os casos se sucedem em meio ao imobilismo de recursos dos royalties do petróleo, em 2004, criou um cartão postal para os turistas do poder público. A prefeitura local não tem e inaugurou um símbolo da gastança para os um só programa de amparo às vítimas. Não moradores. O calçadão luxuoso não contém a moveu uma palha para sensibilizar a secretaria insatisfação de conviver com a falta de serviços de Segurança Pública do Estado. Estupros entraram na rotina dos moradores básicos. A ponte de vigas estaiadas, iluminadas por nos últimos dez anos, período em que a mais de 200 lâmpadas no prolongamento da população cresceu turbinada pela indústria rodovia Amaral Peixoto, que liga a cidade aos do petróleo, que tem sua base de operação demais municípios da Região dos Lagos, e na vizinha Macaé. Segundo o último censo do que custou R$ 15 milhões aos cofres públicos, IBGE, atualmente são 105.757 mil habitantes também está lá fincada e reluzindo como marca morando em 8.077 domicílios. Um crescimento desta era de pujança econômica iniciada com de 190% em dez anos. Estima-se que pelo o ciclo do petróleo na Bacia de Campos. A menos 90% da população sejam de pessoas que vieram de outras cidades. cidade está na faixa produtora. Contra a incidência do crime e a omissão A Rio das Ostras que bilha na mídia regional como sede de um festival de gastronomia, jazz do poder público, surge um levante nas redes e encontro de motociclistas está distante da sociais. Professores do curso de Serviço Rio das Ostras do cotidiano dos moradores. Social da Universidade Federal Fluminense A cidade ostenta um dos maiores índices de organizaram um movimento, que das redes


sociais, já evoluiu para encontros periódicos. Cerca de 60 pessoas participaram do primeiro encontro do movimento riostrense contra o estupro. A próxima reunião está marcada para o dia 20 de fevereiro. O movimento é ancorado numa página do Facebook e vai ganhando adesões gradativas de uma população alarmada e de vítimas atormentadas, que não encontram o mínimo apoio institucional. Enquanto isso, os noticiários regionais estão concentrados na difusão de press releases e agendas de espetáculos. Rio das Ostras é mais uma prova de que a mídia regional está longe de alcançar os verdadeiros problemas da comunidade. A imprensa deixou de ser os olhos da nação, como dizia Rui Barbosa, para se transformar na voz oficial de governos inertes.

Rio das Ostras População: 105.757 mil habitantes Domicílios: 8.077 Evolução populacional: 190% em dez anos Moradores: 90% da população são constituídas de pessoas que vieram de outras cidades Vocação econômica: Turismo e petróleo Prefeito: Alcebíades Sabino (PSC) Cidades próximas: Macaé, Casimiro de Abreu e municípios da Região dos Lagos

Dois pesos e uma medida O caso da turista estuprada dentro de uma van, no Rio de Janeiro e a prisão dos três criminosos evidencia a diferença com que as autoridades tratam os casos relacionados a estrangeiros e brasileiros O Estado do Rio registrou um aumento de 23% no número de ocorrências de estupros denunciadas à polícia. Foram 6.029 casos registrados em 2012 (uma média de 16 por dia), ante 4.871 no ano anterior, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). Os casos de estupros, inclusive de uma estrangeira ocorrido dentro de uma van, reabriram o debate sobre a segurança na cidade que já neste ano se prepara para receber grandes eventos, como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa das Confederações. “Apesar de pontual, um episódio como este representa um sinal amarelo, uma ameaça de retrocesso a um trabalho de reposicionamento arduamente desenvolvido nos últimos anos”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih-RJ), Alfredo Lopes. “O fato de ser em Copacabana, bairro mais famoso do Rio, aumenta ainda mais a repercussão negativa”. Para o sociólogo Ignacio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LavUerj), trata-se de um caso entre muitos. “Nem a

gente tinha a cidade plenamente segura antes, nem agora a gente vive num caos por conta desse caso. Há um excesso na cobertura, como se isso representasse uma crise na segurança, e também é resultado de que, justamente antes, a cobertura era excessivamente otimista”.


30 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Diferença de tratamento A ocorrência dos dois estupros também mostrou a diferença de tratamento dado às investigações conduzidas por duas delegacias especializadas. Em 14 horas, a Deat, onde a turista estrangeira prestou queixa, localizou e prendeu Jonathan Foudakis de Souza, de 20 anos, e Wallace Aparecido Souza Silva, de 22, e chegou ao terceiro suspeito, Carlos Armando Costa dos Santos, 21, pouco tempo depois. Já a inércia da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói (região metropolitana), onde a vítima brasileira prestou queixa no dia 23, levou a chefe da Polícia Civil do Rio, Marta Rocha, a exonerar a titular da Deam, Marta Dominguez, e a perita Martha Pereira, diretora do Posto Regional de Polícia Técnico-Científica de São Gonçalo. “Um crime contra turista hoje no Rio tem

uma sensibilidade muito grande, portanto vai receber uma atenção também muito elevada. Um crime sério contra o turista compromete, digamos, o projeto da cidade, e portanto vai receber mais atenção”, avalia Cano. “O que não justifica que as pessoas em condições normais não recebam um tratamento digno, rápido e eficiente”. Para a socióloga Jacqueline Pitanguy, diretora da ONG Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), tais falhas colocam a mulher e o cidadão brasileiro em uma situação muito vulnerável. “O caso da brasileira é dramático. É muito difícil fazer gradações do horror, porque os dois são horríveis, mas a brasileira denunciou imediatamente, ela foi a uma delegacia, e não foi acolhida. Isso triplica a sensação de vulnerabilidade”.

Da esquerda para a direita: Jonathan, Carlos Armando e Wallace


32 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Brasil Classic é do Chile

Esporte | Golfe

Chileno Benjamin Alvarado vence seu primeiro título no Web.com Tour. Philippe Gasnier e Odair Lima, os melhores brasileiros, ganham vaga para etapa nos EUA. Torneio atraiu sete mil pessoas ao São Paulo Golf Club O golfista chileno Benjamin Alvarado conquistou o título do Brasil Classic apresentado pelo HSBC, realizado no São Paulo Golf Club, em São Paulo, no último dia 7. Além do prêmio de US$ 121,5 mil, o atleta conquistou, também, uma vaga no Web.com Tour, que é o circuito de acesso ao PGA Tour, a elite do golfe mundial. A etapa brasileira distribuiu um total de US$ 675 mil em prêmios. Alvarado somou 265 tacadas (-19 em relação ao par), contra 266 (-18) do vicecampeão, o sul-africano Dawie van der Walt, que quase embocou um birdie no buraco 18 para forçar o playoff, mas errou por poucos centímetros. “Só consegui uma vaga quatro dias antes do torneio e não quis perder a oportunidade. Estou muito feliz. Minha meta agora é chegar ao PGA Tour e jogar as Olimpíadas pelo meu país”, disse o campeão, de 27 anos. Ele participou do Web.com Tour como convidado, e agora ganhou uma vaga no circuito, onde já entra em segundo lugar do ranking anual que classifica os 25 primeiros para o PGA Tour. Alvarado teve uma performance muito regular para conquistar o título. Nos quatro dias de torneio, fez 22 birdies (uma tacada abaixo do par do buraco) e apenas 3 bogeys (uma tacada acima do par). Os brasileiros mais bem classificados foram o carioca Philippe Gasnier, empatado em 15º lugar com 274 tacadas (-10), e Odair Lima, empatado em 17º lugar com 275 tacadas (-9). Como terminaram entre os 25 primeiros colocados, ambos ganharam o direito de disputar a próxima etapa do Web.com Tour, nesta semana no Texas, nos EUA, que

distribui US$ 600 mil em prêmios. “Eu queria ganhar, é claro, mas minha meta também era obter uma vaga para o torneio seguinte”, afirmou Gasnier. O amador paulista Rafael Becker surpreendeu e terminou empatado em 26º lugar, com 276 tacadas (-8), à frente do também paulista Alexandre Rocha, que ficou na 29ª posição, com 277 tacadas. “Foi o torneio mais importante da minha carreira”, comemorou Becker. “Não tive um bom final de semana. Joguei muito bem no início, mas depois não fiquei feliz com o meu jogo”, justificou Rocha, que viaja direto para o Texas para disputar a etapa seguinte do circuito. Os outros brasileiros que chegaram às finais foram Fernando Mechereffe (47º lugar, com 279 tacadas), Erik Andersson (72º, com 287 tacadas) e Rafael Barcellos (73º, com 288). Participaram, desde quinta-feira (4), 144 golfistas de 16 países, sendo 11 brasileiros. Torneio de golfe mais importante do ano, o Brasil Classic apresentado pelo HSBC levou mais de 7 mil pessoas ao São Paulo Golf Club, 2,5 mil delas para assistir à final. O Brasil Classic foi apresentado pelo HSBC e também teve como patrocinadores a Embrase Segurança e Serviços, a Sportv, a Rolex, a Nespresso e a YKP, além de apoio da Klabin, TAM Viagens e São Paulo Golf Club. O campeonato teve a chancela do PGA Tour, organização da IMX e realização da Confederação Brasileira de Golfe (CBG). O evento contou com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte. Sobre o HSBC HSBC - Bank Brasil é uma subsidiária integral da HSBC Holdings, um dos maiores conglomerados financeiros do


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 33

mundo. Com sede em Londres, o Grupo HSBC atua em 83 países das Américas, Europa, Ásia, Hong Kong, Oriente Médio e Oceania. Em 31 de dezembro de 2012 registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão. Patrocínios - O apoio global do HSBC com o golfe abrange todos os níveis do esporte, da base à elite. Na Ásia, o HSBC lançou eventos de golfe de classe mundial, como o WGC-HSBC Champions em Xangai e o HSBC Women’s Champions em Singapura. O WGC-HSBC Champions é reconhecido como o ‘Asia’s Major’ e já foi descrito por Tiger Woods, vencedor de 14 Majors e ex-campeão mundial, como “a joia do golfe asiático”.

Reino Unido - No Reino Unido, o HSBC é patrocinador do HSBC Golf Roots - programa de desenvolvimento nacional do The Golf Foundation, que promove o esporte em escolas, ajuda jovens a entrar em clubes e usa o golfe para ensinar valores importantes como a honestidade e o respeito.

Confederação Brasileira de Golfe - Entidade máxima do golfe no Brasil, a Confederação Brasileira de Golfe foi criada em 1957 com o nome de Associação Brasileira de Golfe, mudando para o nome atual em 1976. Hoje a CBG agrega oito federações e 117 campos afiliados. Em um cenário especial para o esporte no país, a entidade trabalha em conjunto com seus associados para incentivar a formação de Meta - Por trás desses eventos está o objetivo novos talentos, assim como para desenvolver e de longo prazo de criar um legado de torneios suportar atletas de alto rendimento e fomentar a globais do HSBC por meio do patrocínio de jovens maturidade técnica da modalidade. e programas de base. Além do compromisso com o jogo profissional, o HSBC pretende construir IMX - Com sede no Rio de Janeiro e conexões um legado por meio do patrocínio de jovens e internacionais, a IMX, Joint-venture entre os programas de base ao redor do mundo. Grupos EBX e IMG Worldwide, tem como objetivo ser uma das principais empresas Brasil - O HSBC também patrocina o do setor na América do Sul. As áreas de Abu Dhabi HSBC Golf Championship que, atuação dividem-se em quatro pilares: Eventos rapidamente, se tornou um dos maiores (criação, produção e promoção de eventos eventos do PGA Tour europeu, e, neste esportivos e entretenimento ao vivo), Serviços momento em que o golfe está voltando a ser (gerenciamento de talentos, consultoria em um esporte olímpico no Rio 2016, também marketing esportivo e Hospitality), Digital (venda patrocina o Brasil Classic, que é uma etapa de ingresso e distribuição de conteúdo) e Venues do Web.com PGA Tour, um evento de golfe (gestão e operação de estádios, arenas e outros internacional genuinamente brasileiro. espaços para eventos). Por meio do braço IMX Recentemente, o HSBC tornou-se Patrono Live firmou sociedade com a empresa Rock do The Open Championship. Esta parceria World S.A, do empresário Roberto Medina, com o The Royal & Ancient é um importante para expansão da marca Rock in Rio, em uma componente do portfólio global de golfe. das maiores operações até então realizadas na indústria do entretenimento no Brasil. China - Na China, o HSBC apoia o programa HSBC China Junior Golf - uma estrutura Parcerias - A sociedade com o Cirque du sustentável de longo prazo, sobre a qual o futuro Soleil marcou a criação da IMX Arts, trazendo do golfe está sendo construído na China e que o melhor do conteúdo ao vivo do Espetáculo e inclui o China National Junior Team, patrocinado potencializando o valor agregado da marca no pelo HSBC, pelo HSBC China Junior Open e o Brasil e na América do Sul. Na área de esportes, HSBC National Junior Golf Championship. Esta o portfólio da IMX inclui eventos como o ATP 500 série de torneios, com duração de um ano foi (Tenis), UFC (MMA), Volvo Ocean Race (vela), concebida para oferecer aos golfistas da elite Megarampa (skate), Brasil Classic (golfe), junior da China uma plataforma competitiva para Mundial de Futevôlei 4x4, Vert Jam (esportes desenvolver o esporte. radicais), FMX (motocross), entre outros.


34 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

Missão resgate

Entrevista/ Mariela Castro Espín - Por Renata Giraldi ECONOMIA | PORTO DO AÇU

Com perda de R$ 53 bilhões nas Bolsas de Valores, empresário Eike Batista provoca calafrios no mercado. Seus investidores já torram milhões em suas aventuras. Até seu badalado Porto do Açu, em São João da Barra, está à beira do fracasso. Banqueiro André Esteves está à frente de uma missão resgate O Midas Eike Batista está em queda livre. avaliação do banqueiro, a participação que Seus negócios, incluindo o Porto do Açu, em o empresário possui hoje, nos negócios que São João da Barra, enfrentam ameaças de criou, na casa dos 60% a 70%, tende a diminuir. naufragar como um Titanic. O mercado está “O natural deveria ser o Eike ter participações em apuros, porque um eventual fracasso de menores, de 20% a 30%. Mas ele não perde o Se arrastaria no Brasilinvestidores a cantora que baiana Daniela Mercury um símbolo doprimeira amor Eike já apostaram controle”, tornou-se afirma o banqueiro, em sua bilhões sua aventura, e, por isso, com lançouaOjornalista entrevista sobre a parceriaem fechada noMariela começo gay ao em declarar seu casamento Malu Verçosa, Cuba, mercadoEspín, lançou de uma do mês entre o BTG Pactual e o grupo EBX. Castro 50operação anos, éresgate. a principal referência na luta contra o preconceito ea A frente desta operação lançada para conter A situação de Eike, até outro dia apontado homofobia no país. “Dois iguais também têm direito a ser casal” e “Reconhecimento a crise de confiança que vem demolindo o valor como o homem mais rico do Brasil e o sétimo dos direitos sexuais como direitos humanos”, disse durante entrevista à repórte das empresas do grupo X, está o banqueiro do mundo, é dramática. Nos últimos 12 meses, Renata Giraldi, da ABr. André Esteves. Ele, no entanto, tenta aliviar o suas empresas perderam R$ 53 bilhões de valor Filha doapontando presidente Raúl Castro sobrinha de FidelNa Castro, Mariela que dirigeas o mercado, caminhos para oefuturo de mercado. última sexta-feira de março, Centro de Educação. Contraempresas o preconceito país do grupoNacional EBX. Na ações das principais sofreramno mais

comunista, lança mão do próprio movimento que levou Fidel Castro ao poder em 1959: “O preconceito não é coerente com os princípios da revolução”. Recentemente, Mariela visitou o Brasil para participar de dois seminários sobre o tema, na cidade de Porto Alegre. Seguem abaixo os principais trechos da sua entrevista.

A nossa principal ênfase é na estratégia educativa

Como é o trabalho no Centro Nacional de Educação Sexual de Cuba? Mariela Castro Espín – A nossa principal ênfase é na estratégia educativa. Trabalhamos com mensagens informativas e que consideramos fundamentais. Promovemos cursos de formação, na área jurídica, de educação e de saúde, incentivamos debates e muitas conversas. Minha mãe (Vilma Espín, que casou com Raúl Castro, atual presidente cubano) era uma feminista e sempre teve ideias de liberdade e de direitos igualitários. Ela lutou por isso desde os anos de 1970. A senhora fala muito em educação, então esse é o caminho quando se refere a informar sobre questões sexuais? Mariela – Sim, sem dúvida. O começo de tudo é a estratégia da educação. Não vamos impor a hegemonia, por exemplo, não gosto da ideia do macho-gay ou do macho-heterossexual. Isso é


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 35

um tombo espetacular: os papéis da LLX (logística) preconceituoso também. É preciso trabalhar a sociedade para compreender e conviver com caíram 11%, os da OGX (petróleo), 9% e bem as ações as MMX diferentes orientações sexuais da (mineração) perderam 8%. que Esta existem. semana Só as leis não bastam: a lei sozinha não muda a serão divulgados os balanços de OGX e LLX, eo sociedade. É sobre freneticamente, isso que trabalhamos, que mercado especulou alegandoo uma inclui também ações de combate à violência contra suposta impaciência dos investidores com a demora mulheres e meninas. A educação de resultados da parceria entre Eike ée tudo. BTG. A mídia também é muito importante. “Não temos nenhuma bala de prata, nem queremos ter uma visão sebastianista do Como lidar com as resistências quando assunto. Não vai ser duas semanas que a se fala de temas tão em delicados e até mesmo parceria vai dar resultado”, afirma o banqueiro. polêmicos? Apesar do -cenário sombrio, Esteves diz que Eike Mariela A discriminação de qualquer ordem vai recuperar.com “Eleoscontinua sendo um dos não se é coerente princípios da revolução empresários mais bem capitalizados do É (Revolução Cubana, quando os irmãos País. Castro jovem, empreendedor, acredita no Brasiloe poder ainda e guerrilheiros, em 1959, assumiram em construir Cuba instaurando governo vai muita coisa.um Sua situaçãosocialista). financeira É é preciso superar preconceitos. Trabalhamos com o facilmente equacionável.” apoio das igrejas e da sociedade civil,éassim como A missão de Esteves e sua equipe reorganizar com várias organizações. A diversidade é uma o grupo EBX, buscando parceiros estratégicos característica ou financeiroshumana. para as empresas e priorizando os investimentos de acordo com a nova realidade. Nos últimos anos, o centro que a senhora Sobre a OGX, que era a estrela da coleção de dirige se preocupa bastante com a questão da empresas criadas por Eike, o banqueiro deixou homofobia. Por quê? claro que não a ambição de levarinicialmente a petroleira Mariela – Naexiste universidade, trabalhei

ao patamarcom de apreços que já inclusive esteve. “Uma e cuidados saúde em masculina, sobre potência sexual. coisa não temos capacidade de fazer: tirar mais petróleo dos poços que estão lá. Se as ações vão NosR$ últimos anos, a senhora dado valer 5 ou R$ 2, não tem nadatem a ver comênfase nossa aos transgêneros. Há uma razão especial? capacidade.” Mariela – Sim,para não tirar tratamos o transgênero A operação as empresas de como Eike um doente. É uma pessoa que sofre e que merece do sufoco será um teste e tanto para o jovem ter atenção e receber o tratamento adequado. No banqueiro de 44 anos. Sua ambição é colocar o caso dos que querem ser submetidos à cirurgia para BTG na liderança dos bancos de investimento da a reversão de sexo, há uma fila de espera. Mas o América Com US$ 15 bilhõesenvolve de valor de processo Latina. é todo gratuito. O tratamento o uso mercado, a instituição administra U$ 120 bilhões de hormônios para a cirurgia, o acompanhamento da entre recursos próprios e de terceiros. família e a inserção social e laboral. Um dos motivos de orgulho no banco é a nova sede, com 13omil metros quadrados de área num No Brasil, que a senhora observa quanto dos endereços mais nobres edatransgêneros? Avenida Faria aos temas de homossexuais Mariela – [Infelizmente] o Brasil e o México Lima, o novo centro financeiro de São Paulo. Lá apresentam índices elevados de violência contra dentro, Esteves e seus sócios sentam lado a lado homossexuais e transgêneros. No privacidade Brasil, os com os operadores - quando querem números são ainda mais preocupantes. Isso chama procuram uma das muitas salas de reunião. É a atenção. Essa não é uma realidade em Cuba. Lá uma forma de mostrar aos mais novos que quem não identificamos a violência homossexuais trabalhar duro pode chegar contra ao topo como eles. e transgêneros. O que percebemos é que as “O que queremos aqui são Pl.Ds”, diz Esteves. violações estão relacionadas com questões [de “Poor, hungry and desperate to get rich (pobre, preconceito no] trabalho e [na] família. esfomeado e desesperado para ficar rico).”

com educação sexual para crianças e adolescentes. Mas, com o passar do tempo, fui procurada por homossexuais e transgêneros que pediam ajuda. O tema me interessou. Mas tudo começou lá atrás quando acompanhava minha mãe que era uma defensora dos direitos humanos. A preocupação está em trabalhar pela preservação dos direitos dos homossexuais, o que envolve, principalmente, o local de trabalho e a família.

Observando o futuro, a sensação que a senhora tem é que há ainda muito a fazer? Mariela – Ah...[Olha para cima como quem para para pensar] há muito o que fazer ainda. É uma estratégia permanente, temos de continuar a luta para superar toda forma de discriminação, incluindo a identidade de gênero. O esforço agora é para aprovar mudanças no Código de Família tornando legal a união entre pessoas do mesmo sexo. Em Cuba, não falamos em casamento porque no país Parece que a senhora tem sido bem-sucedida o casamento formal e o informal são tratados da nos seus esforços... mesma forma. Se heterossexuais podem se unir Mariela - Trabalhamos com tudo o que toca o como um casal, por que os homossexuais não têm coração e a sensibilidade, isso surte efeitos. As artes, o mesmo direito? Estamos em um bom caminho, em geral, estão presentes nas nossas atividades. pois estamos avançando.

Nem tudo que reluz é ouro

Depois de brilhar nos noticiários, como maior porto da América Latina, Complexo Industrial Portuário de Eike Batista em São João da Barra, o Porto do Açu, esbarra em danos ambientais, resistência da população, ações na justiça e desistência de investidores * Por Marcos A. Pedlowski O que a senhora observa de mudanças Em determinados a na sociedade cubanacontextos depois dohistóricos, trabalho de busca de soluções educação sexual? para cenários marcados por graves dificuldades sociaismudanças, e econômicas acaba Mariela - Percebo muitas não apenas gerando expectativas torno de nos últimos anos, masexageradas de 50 anosem para cá. As mudanças de comportamento podem determinados empreendimentos. Istoser seobservadas dá mesmo desde a seus infância, passando pela e até a quando idealizadores nãojuventude fazem nenhum vida adulta. Os casos de discriminação são tratados esforço para aumentar seu poder de atração para basicamente por meioou, detampouco, medidas administrativas eventuais parceiros para ganhar e não na esfera judiciária. Promovemos a primeira legitimidades em ações que, eventualmente, se Jornada contra a Homofobia, em 2008, já fizemos tornam impopulares. 20 cirurgias para reversão de sexo [masculino e Entretanto, também existem casos em que há feminino], há orientações sobre o combate de aids

um deliberado para gerar expectativas *Noesforço portal www.viuonline.com.br você confere a exageradas que acabam servindo, não ampliar entrevista de Mariela em vídeo à Helenasó Rostrosa, a parceiros, mas também para neutralizar dogama canalde RT. e deslegitimar as eventuais vozes dissonantes. Neste segundo cenário é que se insere a construção do chamado Complexo Industrial-Portuário do Açu (CIPA), um mega-empreendimento que vem sendo tocado pelo Grupo EBX do bilionário Eike Batista, no município de São João da Barra, no Norte Fluminense. Em sua versão mais otimista, e que ainda é mostrada aos que fazem as visitas dirigidas no


36 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

canteiro de obras do Porto do Açu, o CIPA deveria abrigar um porto, duas siderúrgicas, um polo metalmecânico, unidades de armazenamento e tratamento de petróleo, um estaleiro, plantas de pelotização e cimenteiras, e duas termoelétricas. Apesar de atualmente Eike Batista enfrentar dificuldades para manter a fama de ser uma versão tupiniquim do “Rei Midas”, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava, até bem pouco tempo qualquer um que se atrevesse a questionar as projeções otimistas em torno do CIPA era logo taxado de inimigo do desenvolvimento regional. Além disso, qualquer menção de crítica aos aspectos sociais, econômicos e ambientais associados à instalação do CIPA era prontamente justificada com o número de empregos que seriam gerados, bem como por um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico que causaria. Por exemplo: em um seminário público realizado no campus da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) em 2010, o Grupo EBX anunciou a criação de 39.500 empregos na fase de instalação e outros 47.290 quando o CIPA passasse para sua fase operacional. Além disso, Eike Batista iniciou um verdadeiro desfile de marcas famosas que viriam para São João da Barra para ajudá-lo a transformar a realidade econômica do Norte Fluminense. Por outro lado, o empresário conseguiu aliados importantes nas diferentes esferas de governo desde a então prefeita Carla Machado (PMDB), passando pelo governador Sérgio Cabral, e alcançando também o planalto central, onde desfrutava das melhores relações com o então presidente Lula e sua ministra da Casa Civil, a hoje presidente, Dilma Rousseff. Com base nessa rede de forças, Eike Batista conseguiu ainda obter, em tempo recorde, todas as licenças ambientais necessárias para iniciar a implantação do Porto do Açu e a construção do estaleiro naval da OSX. Mas a ajuda estatal não parou por aí, se estendendo à edição de quatro decretos pelo governo do Rio de Janeiro que implicaram a desapropriação de mais de 7.000 hectares de terras no quinto distrito de São João da Barra, afetando um número indeterminado de pequenos proprietários rurais e pescadores. A partir da edição desses decretos, supostamente em nome do interesse público, a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) foi mobilizada para realizar uma série de remoções forçadas de agricultores e pescadores

do interior de propriedades que eram ocupadas por suas famílias há várias gerações, e um grande número de remoções foi realizado em 2011. Nestas ações, o que se viu foi a repetida utilização de um forte contingente policial que retirava à força famílias inteiras, muitas delas não tendo para onde ir, momento em que muitos acabaram saindo de suas propriedades apenas com a roupa do corpo. As condições para questionar a aura de infalibilidade que cercava a implantação do CIPA começaram a ser viabilizadas com a criação da Associação de Produtores Rurais e Imóveis de São João da Barra (ASPRIM), no mês de setembro de 2010. A partir desta criação, os agricultores que não queriam ceder suas terras para a CODIN, passaram a atrair a solidariedade de movimentos sociais, sindicatos urbanos, e pesquisadores. Com base nessa rede de apoiadores, a ASPRIM começou a realizar uma série de ações marcadas pela variedade de instrumentos de luta, indo desde o fechamento das estradas de acesso às obras do CIPA até a contratação do mesmo escritório de advocacia que havia representado comunidades que se opuseram a um empreendimento portuário de Eike Batista em Santa Catarina. A ASPRIM logrou ainda realizar uma série de seminários para informar aos moradores das diferentes localidades afetadas pelo CIPA sobre seus direitos. Apesar das várias tentativas de descaracterizar e


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 37

deslegitimar as ações da ASPRIM, as diferentes ações que foram realizadas contribuíram para diminuir o ritmo das remoções em 2012. Coincidência ou não, ao longo do último ano, o Grupo EBX começou a enfrentar uma série de problemas em função da perda de credibilidade de Eike Batista, na passagem da fase da planificação para a entrada em funcionamento de vários de seus projetos. A situação ficou ainda pior quando a OGX, empresa petrolífera do Grupo EBX, teve de reconhecer que suas estimativas de produção de petróleo no Pré-Sal foram superestimadas de forma grosseira. Além disso, a persistência da crise econômica mundial contribuiu para a desistência dos principais parceiros de Eike Batista na construção do CIPA; ainda que as perdas mais sentidas tenham sido as da chinesa Wuhan e da ítalo-argentina Ternium, que iriam construir as duas siderúrgicas planejadas para o CIPA. A montadora japonesa Nissan e a empresa norueguesa SubSea 7, que constrói dutos para exploração de petróleo em grandes profundidades, também anunciaram sua desistência de se instalar. É importante notar que a perda de parceiros foi atribuída, inicialmente, à incapacidade de se estabelecer a infraestrutura necessária para a operação do CIPA. Entretanto, nos últimos meses, um elemento de natureza ambiental se tornou um complicador ainda maior para os planos de Eike Batista em São João da Barra, já que a partir de

denúncias de agricultores que ainda permanecem em suas terras, pesquisadores do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense confirmaram a ocorrência de um grave processo de salinização das águas superficiais na área do entorno do CIPA. Apesar das negativas, há algumas semanas, o Grupo EBX foi multado pelo governo do Rio de Janeiro, que ainda determinou uma série de medidas visando uma reparação do dano ambiental e das perdas financeiras sofridas pelos agricultores do quinto distrito. Ainda que muitos avaliem as penas impostas pelo governo estadual como excessivamente brandas, o principal custo é o aumento da perda da credibilidade de Eike Batista no mundo corporativo, o que, por si só, poderá ter desdobramentos avassaladores sobre o Grupo EBX e todas as empresas da franquia “X”. Quando analisadas em seus mais variados aspectos, as chances do CIPA sair do papel estão se tornando cada vez mais exíguas, assim como a realização da fabulosa promessa de empregos. Isto levanta algumas questões sérias sobre o modelo de desenvolvimento que o megaempreendimento representa, a começar pela aposta na aglomeração de vários empreendimentos numa área ecologicamente sensível e tradicionalmente ocupada por comunidades que, anteriormente viviam e trabalhavam em relativo equilíbrio com a Natureza. E aqui não se trata apenas de contar os custos sociais e ambientais mais imediatos, mas de estimar os que ainda estão por vir. O pior é que, se a débâcle de Eike Batista não for revertida, os custos aumentarão exponencialmente, e poderão atingir características catastróficas. A principal lição que podemos tirar das desventuras do Complexo Logístico Portuário do Açu é que não há porque aceitar, sem os devidos questionamentos, certas propostas mirabolantes que prometem mundos e fundos, mas que só são viáveis com a generosa intervenção do Estado e que, por tabela, concentram os ganhos nas mãos de poucos, enquanto socializam coletivamente as eventuais perdas. * Marcos A. Pedlowski é professor do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Phd em Environmental Design and Planning pela Virginia Polytechnic Institute and State University.


Os tropeços de

Eike

Em recente artigo publicado no portal Brasail 247, o geólogo e jornalista Everaldo Gonçalves traçou um verdadeiro raio x das atividades do empresário Eike Batista. Ex-professor da USP e da UFMG; ex-diretor da Eletropaulo e ex-presidente da CPFL, Gonçalves questiona vários investimentos do empresário, principalmente, o Porto do Açu.


Investimentos “Não existe base sólida nos investimentos da incógnita do Grupo X, cujos projetos e ações se desmancham no ar, nem ele soube operar com seriedade os recursos levantados no mercado ou tomados de fundos de pensão, agências e bancos oficiais. Mineração é um empreendimento de risco perigoso para aventureiros. O cidadão comum ou pequeno empresário, para conseguir um empréstimo, é obrigado a apresentar garantias reais, aos bancos que fazem um acurado levantamento do passado e presente da pessoa física e jurídica, inclusive com previsões e os impactos ambientais e ações que possam colocar em risco os projetos. O X-Eike, com seus projetos, enganou todo mundo, inclusive analistas competentes, ou então é caso de corrupção. A situação de indefinição do Porto do Açu é gravíssima. Desde o início, até no nome é uma megalomania, pois Açu, em indígena, significa “grande”, e não deveria ter sido chamada de Super Porto Grande, ou seja, Eikelândia.” Naufrágio “Gorou o Porto Biguaçu, em Santa Catarina e também o de Peruíbe, em São Paulo. No Rio de Janeiro, o porto de Itaguaí, corre o risco de faltar minério e o do Açu, o X da questão é tão grande, que a equação de terceira geração não fecha. O projeto original do porto privado do Açu, aprovado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), n° 814, de 20 de junho de 1997, era modesto obtido em nome da Mineração Pesquisa e Comércio Ltda. – MPC, exclusivo para embarcar minério de ferro de minas marginais, na região da Serra do Cipó – MG. Num passe de mágica, foi outorgado à MMX, em 11 de junho de 2008, pela resolução n° 1.059 da ANTAQ” Porto do Açu “No início, o magnata conseguiu um terreninho na praia e restingas (70 hectares), depois comprou outras áreas e o Governo do Estado do Rio desapropriou 5.700 hectares de terras de usineiros falidos, em Campos e São João da Barra, e de humildes agricultores ou caiçaras. O Estado não tem dinheiro para pagar as terras e a LLX empresta e recebe as áreas livres para negociar por preços que variam de R$ 3,98 até R$ 30,00/m²/ano. A faixa marinha da União é uma benesse ou coisa pior, pois, conforme está lá na dívida, de longo prazo no balanço da LLX, é de R$ 25.000,00. Isso mesmo: pelo arrendamento da Secretaria do Patrimônio da União – SPU, Eike paga R$ 780,00/mês, por 25 anos. Comparem o valor que os proprietários de casa de praia, pé na areia, recolhem aos cofres públicos.”

Mudança de rota 1 “O projeto do Açu é miraculoso: para exportar minério, faz-se o porto; aproveita-se e constroemse logo duas usinas siderúrgicas, cujo carvão trará das suas minas da Colômbia e vai poder aproveitar para fazer usinas térmicas. Como por aqui vai tirar gás, ótimo, instala outra usina. As siderúrgicas vão gerar escória e com ela, simples, implantam-se duas fábricas de cimento. Do aço, fabricam-se tubos que servirão para os dutos de petróleo e gás. E, com a chapa de aço, instala-se uma fábrica de carros, que o Brasil precisa tanto para gastar mais do farto petróleo da OGX. Em novembro de 2012, a situação complicou com a desistência, do grupo chinês Whuan Iron and Steel – WISCO, de implantar a siderurgia. Com isso, o negócio da China, com a cadeia produtiva do aço gorou. Então, qual biruta, Eike muda conforme o vento dos seus papéis, pois, uma vez que a EBX vai produzir muito petróleo, o Açu vira porto pivô do pré-sal! Porém, não há ferrovia, rodovia, nem terminal pronto e o porto deveria ter entrado em operação em 2011, passou para 2012, 2013 e 2014 e já não se sabe se vai operar, ao menos no TS1.” Mudança de rota 2 “De volta ao porto inseguro, vejam como é simples: faz-se um segundo porto onshore (em terra), já que o offshore foi mal projetado. Está lá abandonada uma ponte de 3 kms. para atender profundidade de 18 metros, que implica em dragagem perene de um longo canal, para poder receber navios de calado de 26 m e capacidade de até 380 mil toneladas. Mas, não foi feito ainda o quebra-mar, com 2.230 m; as peças de concreto de ajuste do enrocamento (coreloc) estão deteriorando ainda no pátio; os pilares da ponte estão balançando; não sabe se o minério vai chegar e ainda, falta mais de um bilhão de reais para acabar o porto TS1. Então, a propalada da vantagem de um porto offshore, que opera em alto mar qualquer navio, para minério de ferro e petróleo, muda para o “puxadinho” onshore. Este precisa de dragagem da cota do nível do mar até o calado desejado e quebra-mar, com caixões de areia, para garantir o canal e a dragagem contínua no mar, que recebe os sedimentos do Rio Paraíba. Trabalho de Sísifo! Nunca termina, em porto particular, que jamais poderá receber dinheiro público para tal limpeza, que implica custo elevado de operação do porto, que será rateado por todos os usuários. Acabou com a orla de São João da Barra - RJ, pois abriu um canal de 300 m. dividindo a praia pública. E, para preparar a área do retroporto do Açu, em cima das restingas, teve de entulhar com areia marinha, cuja água salgada contaminou o lençol freático”


40 | REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013

O debate que não cala Supremo marca batalha final dos royalties para abril, mas nova lei que está suspensa reabre o debate sobre a dependência de cidades e Estados produtores, a uma única fonte de receita em mais de duas décadas de dinheiro farto. A bancada dos Estados produtores falhou no quesito articulação. A briga agora é jurídica e o resultado imprevisível

POLÍTICA | ROYALTIES

A recente lei de redistribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso Nacional e suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma liminar, reabre uma série de discussões, algumas delas ainda silenciosas. Discute-se a ruptura do pacto federativo, o sacrifício dos Estados Municípios produtores de petróleo que enfrentam o ônus estrutural e social desta atividade econômica, o desperdício da fortuna arrecadada com esta compensação, mas o principal tópico ficou ofuscado pela gritaria. Prefeitos lideraram manifestações para fechamento de ruas e aeroportos não apenas motivados por surtos demagógicos, mas por real desespero. Sem as receitas de royalties e Participação Especial pela produção de petróleo algumas cidades estariam literalmente falidas. Os tópicos que tentam um lugar no debate apontam que

em mais de duas décadas de dinheiro farto, alguns municípios e Estados produtores foram incapazes de gerar um programa alternativo de sobrevivência econômica pós-royalties do petróleo. Ao contrário, a maior parte das cidades aprofundou a dependência econômica e incorporou esta fonte de recursos para cobrir custeio da máquina administrativa. Despesas que deveriam consumir apenas recursos da arrecadação própria estão sugando os repasses de royalties e Participação Especial. Sem contar as obras faraônicas e milionárias, consideradas supérfluas. Campos dos Goytacazes, por exemplo, que tem todas as agremiações carnavalescas subsidiadas pela Prefeitura, deu-se ao luxo de erguer um sambódromo ,ao custo de R$ 85 milhões, para ser utilizado apenas duas vezes ao ano. Outro tema que merece ser destacado é


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 41

é a indiferença do conjunto da sociedade, na maior parte das cidades, diante do risco de perder esses recursos. A população não aderiu às manifestações promovidas pelas Prefeituras. Apenas servidores de cargos comissionados se mobilizaram. Deduz-se que a sociedade nessas cidades não se sente contemplada com o uso desses recursos a ponto de sair de casa para empunhar bandeiras. A liminar que suspendeu provisoriamente a nova lei dos royalties é da ministra Cármen Lúcia e deve reacender outro debate na Câmara: a interferência do Judiciário sobre o Legislativo. A decisão da ministra, mesmo sendo sensata sob o ponto de vista jurídico, por assegurar a normalidade econômica e administrativa nos estados e municípios produtores até o julgamento do mérito, levanta novamente a indisposição entre os dois Poderes. A incapacidade de articulação política levou os governadores, entre eles, Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a buscar amparo jurídico na corte, como mostra a sugestiva ilustração de Marco Antônio Rodrigues, aproveitando que a polêmica transcorreu exatamente no mesmo período da eleição do papa Francisco, em Roma. O Congresso está em ebulição. O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), defendeu um posicionamento público do Congresso a respeito de o Supremo anular, mesmo que provisoriamente, o resultado de uma posição majoritária do Legislativo. Na oposição, o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), anunciou que, caso o plenário do Supremo não mude a posição de caráter provisório da ministra Cármen Lúcia, apresentará uma proposta de emenda constitucional para garantir a mudança na distribuição dos royalties de maneira mais equilibrada entre todos os Estados. “O que pretendemos é que uma emenda constitucional redefina a interpretação sobre os royalties para que não paire dúvidas”, disse Caiado. O líder do DEM afirmou, no entanto, que o primeiro passo é esperar que a decisão da ministra seja reformulada pelos demais ministros do Supremo. “Não vamos suprimir etapas. Se não houver a reformulação da decisão, temos de conciliar a decisão política (do Congresso) à Constituição com uma emenda para redefinir o que sejam os royalties e a maneira de redistribuição”, disse

Caiado. Independentemente de partidos governistas e de oposição, a questão dos royalties mobiliza as bancadas dos 26 Estados e do Distrito Federal. De um lado, os Estados considerados produtores e beneficiados com a situação atual, Rio de Janeiro e Espírito Santo, apoiados por São Paulo, e, do outro lado da trincheira os demais Estados. “É preciso deixar claro para o País a posição da Câmara. Se a Casa não se impõe, fica diminuída”, afirmou o líder petista. Ele lembrou que os parlamentares aprovaram por ampla maioria a mudança na distribuição dos royalties’, enfatizou o deputado do DEM. O projeto aprovado pelos deputados e senadores com a nova distribuição dos recursos do petróleo foi vetado parcialmente pela presidente Dilma Rousseff. No entanto, no dia 6 de março, os parlamentares, por ampla maioria (354 deputados e 54 senadores), derrubaram o veto, restituindo o projeto original. Os governadores do Rio, Espírito Santo e São Paulo recorreram ao Supremo, conseguindo a liminar da ministra Cármen Lúcia. “Fica todo mundo tonto e isso é péssimo para a Câmara. A Casa tem de se manifestar politicamente. A Casa tomou uma posição e o Supremo a anulou. Qual é o nosso papel nisso?”, questionou José Guimarães. O líder petista afirmou não ser o caso de criticar a ministra Cármen Lúcia, mas a permanente judicialização. “Todo mundo que perde vai ao Supremo. O Parlamento não serve para nada?”, afirmou. “Há um mal estar por essa inoperância política”, completou o líder petista. A batalha final já tem data prevista. De acordo com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, o plenário do tribunal deverá julgar ainda neste mês de abril o recurso contra a nova distribuição dos royalties. O Procurador do Estado do Rio, Luís Roberto Barroso, é o autor das ações do Estado que suspendeu a lei por meio da liminar. Ele também vai sustentar na tribuna do Supremo a defesa da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) impetrada pelo Estado. “Vou expor as razões do Rio na ação contra a mudança nos royalties, que é uma clara violação de princípios constitucionais e causa um colapso nas finanças de Estados e municípios em pleno exercício fiscal”, afirmou o procurador.


Artigo * Carlos Tautz (Instituto Mais Democracia)

Royalties para quem? (Instituto Mais Democracia) Uma breve passagem por Campos dos Goytacazes e Macaé, duas das cidades fluminenses que mais recebem royalties por estarem dentro da Bacia de Campos, a maior região petrolífera de petróleo do Brasil, mostra que é muito mal amparada essa discussão sobre quais cidades devem ser recompensadas pela extração do óleo. A se deduzir pela infraestrutura social criada pelos dois municípios desde que aquela atividade econômica começou ali, há pouco mais de 30 anos, a montanha de dinheiro deveria ter tido final muito melhor. Afinal, onde foram parar os royalties pagos até hoje? Campos, reduto do esquema Garotinho – aquele ex-governador, hoje de novo candidato ao cargo, indiciado por formação de quadrilha armada – exibe os piores resultados do Estado em termos de educação pública. Se pelo menos alguma parte dos royalties serviu para alguma finalidade, em Campos se pode dizer uma coisa: esse destino final certamente não foi a educação. Em Macaé, que tem a coragem de exibir placas onde se lê “Capital nacional do petróleo”, os transportes públicos – monopolizados pela empresa 1001 – levam poucos do nada a lugar nenhum. Os transportes estão entre os piores serviços apontados pela população, que também se queixa, muito, de um tremendamente deficiente sistema de saúde pública. De tão violenta, a cidade é a única, fora a capital Rio de Janeiro, a ter uma Unidade de Polícia Pacificadora, instalada na favela Nova Holanda. Dois exemplos Campos e Macaé são apenas dois dos exemplos, certamente que os mais visíveis, mas não os únicos, de cidades que há mais de três décadas vêm recebendo quantias crescentes de dinheiro a título de royalties, mas que veem essa fortuna ser desviada ano a ano sem que saúde, educação, cultura sejam as áreas, como orienta a legislação, prioritárias no recebimento

do repasse mensal. Essa dimensão do problema dos royalties precisa vir à tona nesse momento em que o proselitismo esperto do governador Cabral, de um lado, e a volúpia interessada de Garotinho, no campo oposto, voltam suas baterias contra esse recurso público. Nem um, nem outro, têm em mente o interesse público quando defendem que o Estado do Rio continue a receber o montante atual de royalties. Alguém já os viu defender uma fiscalização efetiva sobre a aplicação desses recursos? Isso não significa, entretanto, que a injusta legislação sobre a exploração de minérios e de hidroeletricidade, que não prevê a distribuição equânime destas riquezas entre todos os entes do território brasileiro, deva também se manter. Petróleo, minérios e hidroeletricidade não pertencem aos municípios onde aparecem e/ou são explorados. São de propriedade da União e é ela quem deve distribuir as benesses advindas de sua exploração econômica. Essas são as verdadeiras questões que subjazem o debate sobre os royalties. Mas, quem está decidido a levá-las a termo?


REVISTA VIU ONLINE - ABRIL/2013 | 43

O PAC avançou O Ministério das Cidades liberou mais R$ 100 milhões para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Macaé. Os recursos serão investidos na continuação das obras no bairro Nova Esperança, além de incluir mais quatro comunidades: Ajuda, Vila Badejo, Lagomar e Malvinas. O Ministério destacou que Macaé foi o primeiro município a ter o projeto técnico aprovado e incluído no PAC 2, porque “é considerado referência na execução do programa”. Nesta nova etapa, em volume de recursos liberados para as cidades do Estado do Rio, o município de Macaé só perde para Nova Iguaçu, que vai receber R$ 300 milhões. O PAC 1 incluía apenas o Nova Esperança, mas agora chega a outros bairros com perspectivas de continuar avançando para as demais áreas. Dados da Caixa Econômica Federal, instituição responsável pela fiscalização das obras, destacam que o cronograma do Nova Esperança nesta primeira etapa já está 80% concluído. Deste montante destinado às obras do PAC 1, no bairro Nova Esperança, R$ 10 milhões são do Orçamento Geral da União (OGU), enquanto que o município entrou com uma contrapartida de R$ 4 milhões. Os 64 apartamentos começaram a ser ocupados. O prefeito da cidade Dr. Aluízio (PV), acompanhado do vereador Luciano Diniz (PT), entregou, simbolicamente, as

chaves dos apartamentos que passam a ser ocupados por famílias que moravam em áreas de risco. Diniz foi o interlocutor do município junto ao governo Federal para realização do PAC no município, por conta disso. Segundo ele, os entendimentos com a União foram iniciados em 2008. No Nova Esperança, as obras incluíram, além dos apartamentos, a construção de rede de drenagem, rede de esgoto, rede de água, urbanização de, aproximadamente, 4 km de ruas, construção do centro comunitário. De acordo com o vereador petista, as obras alcançaram 1/3 do bairro da Nova Esperança, beneficiando diretamente 1.200 famílias. O vereador do PT propôs que a primeira sessão da Câmara Itinerante deste ano seja realizada na comunidade.

cidade | macaé

Ministério das Cidades libera R$ 100 milhões para obras em Macaé e permite a chegada do Programa de Aceleração do Crescimento em mais quatro bairros da cidade



Revista Viu