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N° 16 | Ano 2 | Maio de 2014

o escândalo da Vagina No país da impunidade, o teatro que virou caso de polícia páginaS 6

Online

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milhões de

escravos Em pleno século 21, o comércio de seres humanos ainda gera lucro de U$S 150 bilhões por ano páginaS 26 e 27

Tecnologia no canteiro Construtora usa robô e drone para monitorar obras públicas páginaS 10 e 11 1


É BOM INVESTIR NUMA CIDADE QUE ACREDITA EM VOCÊ. Investir em Campos é fazer parte de um momento de grande desenvolvimento. Nos últimos anos, o município se tornou um exemplo para o país. A Prefeitura de Campos realizou importantes projetos em diversos setores, como habitação, saneamento, saúde, transporte, educação, cultura, promoção social, infraestrutura, agricultura e geração de empregos. O resultado é um ambiente mais favorável aos investimentos, seja para o pequeno empreendedor, seja para o grande empresário.

É muito bom crescer. Melhor ainda quando o crescimento é para todos.

BAIRRO LEGAL Obras de saneamento e urbanização em 18 bairros

MORAR FELIZ 5.426 casas entregues, 4.574 em construção

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ESCOLAS E CRECHES MODELO

Um novo conceito em educação


www.campos.rj.gov.br

REVITALIZAÇÃO DO CENTRO

FUNDECAM

Milhares de empregos gerados com o incentivo a empresas

Benefício para os comerciantes e toda a população

VACINAS

Campos tem o maior programa de imunização do país

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ÍNDICE

Expediente

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desafios históricos

Juventude trangressora

Páginas 5

Páginas 6

REVISTA VIUONLINE P.R. BARBOSA MÍDIA E PUBLICIDADE LTDA-ME. CNPJ: 06.968.064/0001-67 Endereços Campos dos Goytacazes-RJ Avenida Senador José Carlos Pereira Pinto, 569 Bairro – Calabouço CEP: 28-031-101 Macaé-RJ Rua Dr. Télio Barreto, 413 – Altos – 108 – Centro Cep: 27.910.060

coluna roberto barbosa Páginas 8 e 9

Redação Diretor-Executivo Roberto Barbosa Periodicidade – mensal Circulação Estado do Rio de Janeiro Norte, Noroeste Fluminense e Região dos Lagos São Fidélis, Cambuci, Itaocara, Miracema, Natividade, Santo Antônio de Pádua, Aperibé, Varre-Sai,

rOBÔS, DRONES E TATUZÃO Páginas 10 e 11

São José de Ubá, Cardoso Moreira, Italva, Itaperuna, Lage do Muriaé, Campos dos Goytacazes, São João da Barra, Quissamã, Conceição de Macabu, Carapebus, Macaé, Rio das Ostras

é FESTA NO INTERIOR Páginas 12 e 13

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Artigo

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Ranulfo Vidigal

*Ranulfo Vidigal

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Desafios históricos

ara diversos estudiosos, nossa sociedade é produto da expansão europeia e organizada para suprir de matérias primas, o mercado mundial. Assim tivemos os ciclos do açúcar, da borracha, do ouro, do café, da soja, do minério de ferro e no futuro teremos o do petróleo. Gilberto Freire, no clássico “Casa Grande e Senzala” identificou a família patrimonial, o latifúndio e o regime escravagista. O autor, contudo, destacou que o caráter alegre da personalidade de nosso povo devemos, ao comportamento dos índios e negros, nunca completamente moralizados pelo cristianismo, em sua missão evangelizadora. No período agroexportador vigente entre 1850 e 1930, segundo estudo do professor Reinaldo Gonçalves da UFRJ, nossa economia teria conseguido crescer cerca de 3% a.a., em média. Sérgio Buarque de Holanda, em outro clássico da literatura brasileira – “Raízes do Brasil”, buscando interpretar a modernização que se iniciou em 1930 em nosso país afirma que seríamos uma sociedade transplantada, mas nacional e com características próprias. O autor realça em sua obra seminal, uma característica presente até os dias atuais em nossa sociedade, qual seja, a dimensão privada e afetiva da vida, se sobrepondo à impessoalidade burocrática, associada ao quadro geral de ausência de direitos formais de fato, forçando um espírito aventureiro e de forte improvisação das classes desfavorecidas de nossa nação. As mesmas que ainda enfrentam forte precarização em suas relações trabalhistas. A era desenvolvimentista de forte industrialização substitutiva, que vigorou entre 1931 e 1979, apresentou um crescimento médio anual extraordinário de 6,4% a.a. Este desempenho foi influenciado por expressivo incremento dos investimentos, mas hipotecado por grande endividamento externo. O pesquisador César Benjamim, em artigo recente afirma que neste período nosso país percebeu-se portador de potencialidades insuspeitas. Vieram então, as crises do petróleo e financeira internacional. Isto nos influenciou negativamente, de modo tal, que entre 1980 e 1994 o Brasil presenciou instabilidade

inflacionária, baixo crescimento (2,3%a.a.), mas trilhou uma transição rumo à democracia. Da chegada do Plano Real, em 1994 até os dias atuais vivemos tempos que autores progressistas denominam de um modelo liberal periférico, onde o crescimento médio da economia foi de apenas 3% a.a. Resumo da ópera, se até 1930 predominou o café para gerar divisas, na atualidade dependemos da soja, do minério de ferro e futuramente dependeremos da exportação de petróleo para equilibrar nossas contas externas deficitárias. Nesse contexto, a empresa-Brasil sempre deu certo: propiciou bons negócios e gerou altíssimos lucros. Nos séculos XVI e XVII exportou açúcar. No século XIX, com o negócio do ouro ajudou a Inglaterra a criar o primeiro padrão monetário mundial. A partir de 1840 entrou no negócio do café, tão bem estudado por Celso Furtado que nos seus livros nos ensinou que, recorrentemente, a opção de nossas elites atrofiou nosso mercado interno, ao permitir permanente vazamento de riqueza, em grande escala para o exterior. O produto final deste conjunto de fatores é uma economia sofisticada, mediante uma sociedade que ainda protesta nas ruas e clama por um novo pacto político, que priorize um poder público com serviços essenciais de melhor qualidade. Contudo, sem uma base econômica sólida, melhor estruturada, focada na industrialização, na articulação das cadeias produtivas com inovação e investimentos em infraestrutura, dificilmente poderemos superar este modelo ainda muito excludente e concentrador de riqueza e renda. Darcy Ribeiro, autor do clássico ”O povo brasileiro” reafirmando seu otimismo na nação brasileira dizia, com sabedoria, que nossa cultura une o senso estético e a harmonia com a natureza oriunda dos indígenas, a musicalidade e sincretismo dos africanos e o senso prático da herança portuguesa. Com extensa base territorial, dotação de água, variedade de biomas e extraordinária biodiversidade, se unirmos criatividade com planejamento construiremos o nosso futuro. * Economista,

mestre e doutorando em

Políticas públicas, Economia

estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de da

UFRJ.

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Rio das Ostras

Juventude transgressora Em protesto contra alto índice de estupro em Rio das Ostras, mulheres costuram a vagina, mas ato é interpretado como ritual satânico e vira caso de polícia

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ara questionar a liberdade ao próprio corpo e denunciar o alto índice de estupro, uma mulher teve sua vagina costurada durante uma festa no dia 29 de maio. A confraternização integrava a programação de um evento realizado no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) de Rio das Ostras, na Região dos Lagos. A performance, no entanto, ultrapassou as paredes do prédio onde foi realizada e ganhou destaque em sites de notícias e redes sociais como “ritual satânico”. A deturpação foi decorrência do nome do evento, “Xereca Satanik”, que foi nada mais, nada menos do que uma provocação. O evento promovido por alunos do curso de Produção Cultural como parte da disciplina “Corpo e resistência” ganhou a esfera criminal depois que a Polícia Federal anunciou abertura de um inquérito para investigar a festa, devido ao suposto consumo de drogas, álcool, orgias e rituais satânicos. A PF, neste caso, teve uma postura mais ágil do que nos casos de indícios de corrupção que assolam alguns municípios da Região. Todavia, o chefe de departamento em que o evento foi promovido, Daniel Caetano, contestou as acusações. “Embora não tenham sido feitos ‘rituais satânicos’ e o título do evento fosse essencialmente provocativo (ao contrário do que o jornalismo marrom afirmou), precisamos dizer que não haverá de nossa parte qualquer censura a atos do gênero”, afirmou em uma publicação do Facebook. Daniel apoia a performance realizada por um coletivo de Minas Gerais, que foi à Rio das Ostras apenas para participar do evento. “É um coletivo que está habituado a fazer

performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites”, explicou. O principal objetivo da performance era denunciar os altos índices de violência contra a mulher na cidade. Por isso, ele desafia: “Qualquer pessoa em cargo público que porventura se posicionar contra a performance será por nós inquirida acerca de suas atitudes prévias contra os estupros em Rio das Ostras”. Autoras do Blogueiras Feministas, um blog ativista, divulgaram um texto em apoio ao evento. “Todos os dias violam nossos corpos, mutilam nossas expressões despadronizadas, todos os dias querem que nossas xerecas sejam santificadas. Lamentamos informar a todos que continuaremos a produzir e construir formas antagônicas de valores e sociabilidade num mundo que caminha pela via da robotização das expressões do humano. Pedimos desculpas se incomodamos, mas somos humanos, demasiadamente humanos”, diz um trecho da postagem. As imagens do evento impressionam, mas estão longe de ser mais chocantes do que as estatísticas. Rio das Ostras lidera o ranking de estupros no Estado do Rio e as autoridades locais ignoram, conforme relata reportagem publicada pela revista VIU em maio do ano passado. Se as estatísticas despertassem o mesmo grau de estupefação do evento promovido na UFF, a realidade de Rio das Ostras poderia ser diferente. É possível que o ato de uma jovem costurar a própria vagina desperte, pelo menos, um debate sobre um tema que não deveria sair de pauta.

Festa de jovens no campus da UFF em Rio das Ostras: mulheres costuram a vagina em protesto contra estupros e ato é divulgado como ritual satânico. No episódio a mídia embarcou no sensacionalismo barato e a Polícia Federal deu relevância prometendo abrir inquérito para apurar

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Notícias da Tv

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Produção tapa buraco

TV paga no Brasil é de ‘baixa qualidade’, diz vencedor do prêmio Emmy Kids *Por Daniel Castro

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mpulsionada por uma lei que impôs cotas de programação, a recente produção brasileira de conteúdo para a TV paga é “na média de baixa qualidade”. A afirmação é do diretor de cinema e TV Cao Hamburger, criador de Castelo Rá-Tim-Bum (Cultura, 1994) e vencedor do Emmy Kids de 2013 com a série Pedro e Bianca, também exibida pela Cultura. Hamburger participou do painel A TV que Queremos na abertura do Fórum Brasil 2014, evento voltado para programação e mercado independente, em São Paulo. Para o diretor, a Lei 12.485, de 2011, instituiu um clima de “tem que fazer, tem que fazer”, por causa da obrigatoriedade de três horas e meia semanais de conteúdo nacional no horário nobre dos canais de entretenimento, e o resultado está deixando muito a desejar. A TV por assinatura, de acordo com Hamburger, está ignorando a referência que o público tem da TV aberta. “Eu sinto que a TV aberta brasileira é muito boa e não está sendo aproveitada pelo cabo”, disse, referindo-se à dramaturgia de

diretores como Daniel Filho, Guel Arraes e Jorge Furtado. O diretor Cao Hamburger criticou Hamburger no especificamente a imlançamento posição de formatos do filme estrangeiros, por parXingu (2012), te dos canais, para as transformado produções brasileiras. em “Eu vejo docudramas microssérie apelativos, com uma pela Globo música forçada”, falou, dando exemplo de produto nacional de baixa qualidade. A recente produção nacional de TV por assinatura também foi alvo de críticas de Rogério Gallo, vice-presidente de programação dos canais Turner, colega de Hamburger no painel sobre a “TV que queremos”. “O que acontece é um problema de performance. Os produtos nacionais não performam na grade dos canais de TV por assinatura”, afirmou.

Uma biblioteca e Um parqUe no coração do rio. e os dois são o mesmo lUgar. A Biblioteca Parque Estadual, que o Governo do Rio acaba de inaugurar no Centro, tem muito mais do que estantes repletas de livros. Ela é um espaço público, acessível e sustentável que abre um mundo de possibilidades para você. 200 mil livros, 20 mil filmes, 3 milhões de músicas, teatro, auditório, estúdios de gravação, exposições, salas multiuso, jardim suspenso, espreguiçadeiras, área infantil... Um lugar tão diferente que visitar é a única maneira de entender. A Biblioteca Parque Estadual fica na Avenida Presidente Vargas, 1.261. Outras Bibliotecas Parque já existem em Manguinhos, Niterói e Rocinha.

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Roberto Barbosa robertobarbosa@viuonline.com.br

Dividindo para reinar 1

Não há informação de que o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio Júnior (PV), saiba jogar xadrez, mas no tabuleiro político ele move as pedras. Nesta temporada pré-eleitoral joga pesado para fragmentar os votos da oposição. Trabalha para ter o máximo de candidaturas à Alerj e à Câmara Federal. Desta forma a cidade não elege ninguém e a oposição esfria os ânimos para a sucessão municipal de 2016.

Dividindo para reinar 2

Dr. Aluízio será candidato à reeleição. Por isso tenta erguer antecipadamente as barricadas e reduzir a quantidade de obstáculos. A estratégia é matar alguns filhotes no ninho. O cenário com uma oposição enfraquecida é o melhor dos mundos para o governo.

Dr. Aluízio: o prefeito joga xadrez no tabuleiro eleitoral

É o caos

É grave a situação na área de saúde de Quissamã, a cidade que detém uma das maiores rendas per captas do país: R$ 260 milhões para pouco mais de 20 mil habitantes. Contudo, pacientes estão morrendo por falta de insumos no hospital da cidade e nos postos de saúde. Falta até agulha para aplicar injeção.

É o cúmulo

A saúde de Quissamã tem um orçamento generoso, só que no topo da montanha de recursos tem uma Oscip operando com prorrogação de contratos e um festival de terceirização milionário. O dinheiro público na cidade tem asas. Enquanto isso, a Polícia Federal de Macaé está preocupada com as jovens que estão costurando vagina em festa no campus da UFF de Rio das Ostras.

Ele está conectado em tempo real Analisando os bastidores do poder Sem medo de opinar

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Roberto Barbosa O prefeito viajante

A indústria turística faz de Armação de Búzios uma cidade feliz. O balneário é a porta de entrada para os turistas estrangeiros que chegam a Região dos Lagos. Mas a classe política local é uma fonte de tristeza. O atual prefeito André Granado (PSC), que foi eleito a partir de uma insatisfação do eleitorado com o governo do antecessor Mirinho Braga (PDT) é uma decepção. A última dele foi montar um gabinete em Cannes na França, onde despachou por quase André Granado: o prefeito de Búzios é duas semanas. sofisticado. Gosta de despachar na França

CPI do BO

O governo de Granado é uma fábrica de agenda negativa. Uma delas é o Boletim Oficial - o diário oficial do município -, alvo de uma CPI na Câmara de Vereadores. Existem fortes indícios de que a prefeitura manipulava as publicações para dificultar o acesso a determinados editais. Existem suspeitas de envolvimento de uma empresa de Macaé, que imprimia as publicações.

A chapa de Cabral

O ex-governador Sérgio Cabral já fechou a chapa para o senado. Além do exdeputado Ronaldo Cézar Coelho (PSDB) como primeiro suplente, terá o ex-prefeito de Itaperuna, Péricles Olivier (PP) como segundo suplente. O nome de Péricles foi indicado pelo senador Francisco Dornelles.

Missão

O ex-prefeito de São Fidélis, Davi Loureiro (PR), não será mais candidato à Alerj. Ele está escalado para coordenar a campanha do pré-candidato do PR à sucessão estadual, Anthony Garotinho, no Noroeste Fluminense e Região dos Lagos.

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Agnaldinho: prefeito produziu uma crise na saúde e dificulta entendimento

Cambuci em chamas 1

A crise na saúde de Cambuci, no Noroeste Fluminense, caminha para um desfecho imprevisível. O hospital Moacyr Gomes da Azevedo, o único da cidade, já não aceita mais internações. Faltam insumos e recursos para pagamento de salários dos funcionários, que até recentemente estavam no segundo mês de atraso.

Cambuci em chamas 2

O Hospital é administrado por uma associação que tem a posse do prédio por meio de um contrato de comodato. Há dois anos a unidade era uma referência do SUS, mas mergulhou numa espiral de turbulência depois que o prefeito Agnaldinho Mello (PMDB), passou a segurar os recursos do SUS. É uma espécie de asfixia financeira. Ele estaria agindo por motivações políticas. Um dos médicos que integram a diretoria da associação foi adversário do prefeito na última eleição.

Cambuci em chamas 3

Recentemente a secretaria de Estado de Saúde tentou serenar os ânimos numa reunião realizada no Rio de Janeiro. Só que o cachimbo da paz apagou depois que o prefeito Agnaldinho chamou o advogado do Hospital, Francisco Lins, de palhaço. Ouviu uma resposta indigesta. Palavras de Francisco: “É melhor ser palhaço do que ser ladrão”.

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Cidade/Campos

Robôs, drones e A tecnologia que chegou para turbinar as obras públicas

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oncentrado na tela de seu notebook instalado num carro de passeio estacionado numa das ruas de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, o técnico em automação industrial João Leone analisa detidamente as imagens captadas no subsolo. Elas mostram com exatidão as condições de uma malha de dutos por onde devem fluir as águas de chuvas, fornecendo a localização de pontos obstruídos pela sujeira e o tipo de material que serão retirados com ajuda de equipamento de sucção numa etapa posterior ao levantamento. Será a fase de desentupimento. As imagens chegam por meio do Robô de Vídeo Inspeção (VOR), uma pequena máquina de 50 centímetros importada da Alemanha e que serve como ferramenta a Hidrolumem Construtora, que atua no trabalho de recuperação da rede de saneamento da cidade. “A tecnologia é pioneira no Brasil”, destaca o empresário Maurício Videira Macedo. O robô já percorreu toda a malha da Beira Valão, na área Central, e terá a missão de percorrer todas as demais regiões do município que estão cobertas por rede de saneamento. O trabalho vai permitir a eliminação gradativa dos pontos de alagamentos em períodos de chuvas, porque com as galerias desobstruídas, a água terá condições de fluir. As primeiras imagens revelaram um grande acúmulo de areia e sujeira em vários pontos. O robô é apenas um elemento auxiliar no longo trabalho de eliminação desses alagamentos. A tarefa inclui ainda a substituição de bombas nos piscinões localizados em pontos críticos. A prefeitura já mapeou 20 pontos críticos que necessitam de intervenções. A chegada do VOR é um indicativo de que a tecnologia será uma ferramenta cada vez mais presente na Construção Civil. A mesma Hidrolumem já conta com ajuda de um drone, - um veículo áereo não tripulado -, para monitorar obras em execução. O equipamento monitorou, por exemplo, os trabalhos no bairro Estância da Penha, uma área que era degradada na periferia, que ganhou saneamento básico, asfalto, sinalização e acessibilidade. A obra foi inaugurada em maio pela prefeita Rosinha Garotinho. Com o drone, a Hidrolumem filmou e fotografou todas as etapas da obra, evitando atrasos no cronograma de execução. Os canteiros de obras se transformaram em Big Brother. Nunca antes na história da construção civil, a tecnologia foi tão necessária como ferramenta auxiliar.

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Cidade/Campos

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e Tatuzão Robô VOR utilizado pela Hidrolumem para vistoriar as manilhas e bueiros na cidade de Campos, já o drone serve para monitorar obras tocadas pela empresa. No Rio de Janeiro, o Tatuzão está perfurando o solo para abrir novas linhas de metrô ANTES

DEPOIS

Uma engenhoca chamada Tatuzão No Rio de Janeiro, o equipamento que manda nas obras do metrô é o Tatuzão (Tunel Boring Machine), um gigante com 2.700 toneladas, pesando mais do que um Boeing 747. Comprado por R$ 100 milhões pelo consórcio formado por Odebrecht, Queiroz Galvão e Carioca Engenharia, a engenhoca, fabricada pela empresa alemã Herrenknecht, foi feita sob medida para ampliar as linhas do metrô carioca. É a única com capacidade simultânea de deglutir terrenos rochosos (Copacabana e Morro Dois Irmãos) e arenosos (Ipanema e Leblon). “O Tatuzão vai escavar entre oito e 15 metros abaixo do asfalto”, explica o engenheiro Aluísio Coutinho, de 51 anos, gerente de produção do consórcio Linha 4 Sul.

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São João da Barra

Carroças ornamentadas e ruas decoradas em São João da Barra animam o circuito junino, que também conta com uma vasta programação de shows

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Concurso de carroças ornamentadas em São Joã Fluminense é parte da animação que toma co

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inverno chega oficialmente a partir do dia 21 de junho, no mês em que os santos aquecem o calendário de festas no interior. No mês de Santo Antônio, São João, São Pedro e São Paulo, poucas cidades são tão festivas como São João da Barra, no Norte Fluminense. A partir do dia 13, a cidade mergulha no circuito junino com shows, programação religiosa, esportiva e o tradicional concurso de carroças ornamentadas, marcado para o dia 20, na Praça São João Batista. O clima festivo vai até o final do mês com ruas decoradas e a comunidade vivenciando uma tradição que sobrevive aos tempos modernos e contagia os moradores que chegaram à cidade para trabalhar no Complexo Industrial Portuário do Açu. No concurso de carraças, as três melhores ornamentações receberão prêmios simbólicos da prefeitura. O primeiro lugar levará R$ 850, o segundo colocado R$ 800 e o terceiro colocado R$ 600. O julgamento ficará sob a responsabilidade da uma comissão julgadora que vai observar os quesitos criatividade, animação e originalidade. As máquinas possantes e modernas passam longe de

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Frecheiras, 5° distrito de Cambuci, no Noroeste Fluminense, durante os festejos de Santa Rita de Cássia, a padroeira das causas impossíveis. Ainda que trafegassem nesta zona rural exerceria pouco fascínio sobre a multidão que acompanha os festejos que acontece no mês de maio. No Noroeste Fluminense, no mês de maio, a grande atração nas festas religiosas foi o desfile de carros de boi ornamentados na comunidade de Funil, em Cambuci e Raposo, distrito de Itaperuna. Os desfiles ocorreram durante as festas de celebração a Santa Rita de Cássia, padroeira das causas impossíveis. Na festa de São João da Batista, no mês de junho, e Nossa Senhora Aparecida, em outubro, os carros voltam as ser decorados nessas cidades. Os desfiles são tradicionais nos últimos 170 anos e atraem turistas de diferentes regiões do país. Antes da chegada da Ferrovia, os carros de boi serviram como meio de transporte nas cidades do Noroeste. “É um meio de transporte que está ligado a história da colonização dessas cidades”, destaca o diretor da casa de Cultura de Aperibé, Marcelo Hungria, um estudioso da história regional e que todo ano acompanha os desfiles.


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São João da Barra

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o interior

ão da Barra e desfile de carros de boi no Noroeste onta do calendário nos meses de maio e junho

Em Funil, distrito de Cambuci, no Noroeste Fluminense, os carros de boi ornamentados é atração nos meses de maio e junho

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Reforma agrária

Série de assassinato

No último ano e meio, o assentamento Zumbi d 510 famílias, em Campos dos Goytacazes, pa *Por Maurício Thuswohl

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undado em 1997 após a desapropriação da Fazenda São José no município de Campos dos Goytacazes, o Assentamento Zumbi dos Palmares foi a primeira conquista do MST na região Norte do Rio de Janeiro. No último ano e meio, no entanto, o assentamento de 8,5 mil hectares, onde vivem 510 famílias, parece ter se tornado um lugar assombrado. Desde janeiro de 2013, quando foi assassinado Cícero Guedes dos Santos, coordenador do MST na região, quatro outros moradores locais já foram mortos em crimes que, em sua maior parte, restam sem punição. Alguns casos podem não ter ligação direta com a disputa de terra, mas ainda assim a situação deixa polícia, governo, ativistas dos direitos humanos e militantes do movimento sem-terra em estado de alerta frente à possibilidade de uma retomada do conflito agrário em uma região até recentemente marcada pelo mandonismo dos grandes criadores de gado e usineiros de açúcar. O último episódio de violência extrema no Assentamento Zumbi dos Palmares aconteceu em 15 de maio, com as mortes de Gilcilene Paes Pereira, de 44 anos, e sua filha Isabelle Paes Laurindo, de apenas onze anos, por motivos aparentemente passionais. Antes delas, foram assinados os assentados Regina dos Santos Pinho, de 56 anos, em fevereiro de 2013, e Carlos Eduardo Cabral Francisco, de 41 anos, em fevereiro deste ano, em crimes nos quais as investigações apontam ligações diretas ou indiretas com a disputa pela terra. Mulher de um militante do MST e moradora do Zumbi dos Palmares desde que a Fazenda São José foi ocupada, Gilcilene foi espancada e esfaqueada até a morte dentro de sua própria casa. O corpo de sua filha Isabelle foi encontrado quatro dias depois, em avançado estado de decomposição, dentro de um tanque de água para animais, localizado no terreno do assentamento. Segundo o laudo da autópsia, a menina foi morta a pauladas ou pedradas, além de possivelmente ter sido estuprada (o estado do corpo não permitiu uma conclusão). O principal suspeito do crime é Adriano da Conceição Lima, de 23 anos, que já teve um mandado de prisão temporária expedido em seu nome, mas está foragido. Ele teria recebido a ajuda de Gelson Câmara Barreto, de 63 anos, que já foi preso. Barreto tem passagem pela polícia por suspeita de ter assassinado a própria esposa em 1984. Nas casas dos dois suspeitos, a polícia apreendeu três armas, uma moto que teria sido utilizada no dia do

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crime e roupas sujas de sangue. Segundo o delegado adjunto da 146ª DP (Guarus), Pedro Braga, existem duas hipóteses para o crime. A primeira é uma mistura de vingança e crime sexual, já que Gilcilene e Adriano teriam se desentendido recentemente porque o suspeito estaria assediando Isabelle, por quem se dizia apaixonado. Ainda assim, devido ao histórico do lugar, a hipótese de crime por disputa de terra ainda não foi descartada: “Existe a possibilidade de os dois suspeitos serem apenas os executores. Há muitas coisas para serem esclarecidas ainda, e a investigação prossegue. Estamos realizando diligências e ouvindo as pessoas”, diz o delegado. Disputa pela terra Se a principal linha de investigação sobre a morte de mãe e filha indica que a motivação do crime tenha sido passional, os casos anteriores têm ligação com disputa agrária. Militante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a assentada Regina dos Santos Pinho foi encontrada por vizinhos no dia 5 de fevereiro de 2013, já morta, ajoelhada ao pé de sua cama e com um lenço vermelho amarrado no pescoço. Ela, que trabalhava como feirante e morava sozinha, foi espancada e morta por asfixia mecânica. Inicialmente, a polícia trabalhou com a hipótese de motivação meramente sexual, mas as investigações mostraram que o crime aconteceu após Regina ter sido testemunha de um roubo de gado por pessoas que seriam próximas ao grupo também suspeito pela morte de Cícero Guedes alguns dias antes. Em junho do mesmo ano, a polícia prendeu três pessoas de uma mesma família como suspeitos do assassinato de Regina. Os irmãos Marcos Luiz Peixoto de Souza e Anísio Antonio Peixoto de Souza e o filho de Marcos, Maicon


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Reforma agrária

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o deixa MST em alerta

dos Palmares, de 8,5 mil hectares, onde vivem arece ter se tornado um lugar assombrado

Coordenador do MST em Campos dos Goytacazes, Cícero Guedes e Regina dos Santos Pinho: duas vítimas do conflito agrário na cidade do Norte Fluminense

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Reforma agrária

Gomes da Silva de Souza atuariam como “pistoleiros” na região e, segundo as investigações, poderiam ter sido “liberados” para matar a militante da CPT e ficar com sua terra: “Temos a informação de Regina teria testemunhado o roubo de cabeças de gado pelos autores e também de que o grupo aproveitaria a morte de pessoas cujas famílias não podem reivindicar as terras, para se apossar delas”, disse na época o delegado titular da 146ª DP, Carlos Augusto Guimarães. A ligação com a disputa pela terra, no entanto, ainda não foi totalmente comprovada. Carlos Eduardo Cabral Francisco, de 41 anos, foi encontrado morto no dia 22 de fevereiro de 2014 em um matagal próximo ao assentamento. Segundo as investigações, ele foi morto quando trabalhava no roçado de um sítio, e seu corpo tinha os olhos e os cabelos arrancados. Umas das hipóteses levantadas pela polícia é que Francisco, morador do Assentamento Zumbi dos Palmares desde sua fundação e amigo de Cícero Guedes, “saberia demais” sobre a morte do líder do MST. Outra hipótese é latrocínio (assalto seguido de morte), já que no mesmo dia um outro assentado foi roubado em R$ 400,00 por três homens armados. O requinte de crueldade empregado no assassinato, no entanto, faz com que não seja descartada a hipótese de execução. Cícero A morte de Cícero Guedes, de 49 anos, foi o estopim da série de assassinatos de trabalhadores sem-terra no Norte Fluminense. Integrante da direção estadual do MST, fundador e morador do Assentamento Zumbi dos Palmares, Cícero foi emboscado por pistoleiros na madrugada de 25 de janeiro de 2013 e baleado com dez tiros na cabeça quando voltava de bicicleta para sua casa após uma reunião no Acampamento Luiz Maranhão, do qual era coordenador. Principal liderança sem-terra na região e responsável pela organização dos pequenos produtores que integram o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Cícero sempre seguiu militando e estimulando novas ocupações, o que acabou motivando sua morte. Localizado dentro do parque industrial da Usina Cambahyba, também em Campos, com terras consideras improdutivas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há 14 anos, o Acampamento Luiz Maranhão é atualmente o maior foco de tensão entre latifundiários e o MST na região. Ligado à disputa de terra na Usina Cambahyba, José Renato Gomes de Abreu foi preso e indiciado como mandante da morte de Cícero. Já os três executores apontados pelas investigações foram liberados pela Justiça por falta de provas: “Uma pessoa que estava no acampamento e fazia disputa de território com o MST é o mandante do crime e está preso, mas a juíza infelizmente declarou que, em relação aos três executores que foram identificados, não havia indícios suficientes. Eles estão na rua e amedrontando outros assentados. A polícia tem notícia que um deles já foi visto no próprio assentamento”, diz José Otávio Fernandes, delegado federal do MDA no Rio de Janeiro. Fernandes, que acompanhou as investigações sobre

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as mortes de Cícero e Regina, qualifica como “extremamente grave” a situação hoje no Assentamento Zumbi dos Palmares: “Temos certeza que, dos cinco assassinatos, dois estavam diretamente ligados à questão fundiária. O assentamento tem uma série de problemas como a proximidade da área urbana, a presença do tráfico de drogas e a venda de lotes de terra”. “Em última análise, o que acontece no Zumbi dos Palmares é um retrato do que é o município de Campos dos Goytacazes em relação à estrutura agrária”, diz. O delegado do MDA sugere uma ação coletiva do poder público: “Para que tenhamos a possibilidade de sanar algum desses problemas, temos que fazer uma operação conjunta, com a presença da Polícia Militar, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Incra, que é o órgão responsável pelo assentamento”, diz. Testemunhas Aliado do MST, o deputado estadual Robson Leite (PT-RJ) também acompanha as investigações e visitou o assentamento no dia em que foi encontrado o corpo de menina Isabelle. Ele afirma estar preocupado com a segurança de outros assentados que eventualmente tenham testemunhado algum desses crimes: “Não há preocupação com as pessoas que possam vir a ser testemunhas, o que facilita muito a ação dos grupos criminosos que se organizam em torno dos interesses do grande latifúndio. São interesses contrários aos do MST, que é sistematicamente criminalizado, inclusive pelo Governo do Estado. Há omissão e falta de preocupação com as testemunhas, como demonstram as ‘mortes anunciadas’ a partir da morte do Cícero. O governo não teve uma atuação preventiva, o que era fundamental para proteger as testemunhas”, diz. O governo, segundo Leite, precisa transformar sua atuação frente aos conflitos pela posse de terra: “É necessário maior independência no processo de investigação e de ação da Subsecretaria de Direitos Humanos, sobretudo no que diz respeito à proteção das testemunhas. O Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita) está sucateado no Estado e, como conseqüência, nós temos pessoas morrendo, violações sistemáticas dos direitos humanos e o aprofundamento da violência na disputa pela terra”. Após as mortes de Gilcilene e Isabelle, as organizações MST, CPT, Via Campesina, Pastoral da Juventude Rural e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), além do Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos da Universidade Federal Fluminense (Neru/UFF), divulgaram nota para exigir providências do poder público: “Esperamos que as autoridades policiais e judiciais não meçam esforços para encontrar, julgar e penalizar os assassinos e responsáveis por tal barbárie. Assim também como reivindicamos mais uma vez a ação investigadora e protetora do Estado brasileiro para com as famílias que vivem nas áreas de assentamento na região, pois não podemos permitir que os territórios dos trabalhadores e das trabalhadoras sejam espaços de atuação da bandidagem”, diz o documento. *Carta Maior


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Culinária

Casca també

Livro do projeto Ecobuffet reúne receitas criativas com

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ue tal um crepe preparado com talos verdes e beterraba ou nhoque feito de abóbora com casca e tudo? Ou pão de maçã orgânico e torradinha de espinafre orgânico? Estas e outras receitas, que aproveitam as partes dos alimentos, normalmente, jogadas na lata do lixo, estão reunidas no livro Receitas Culinárias de Aproveitamento Total, lançado pelo Ecobuffet, uma iniciativa que fomenta a Culinária Sustentável em comunidades carentes do Rio de Janeiro. A publicação, que reúne 23 tipos de receitas, ensina a utilizar integralmente os alimentos, como talos, cascas, sementes e até raízes, contribuindo para reduzir o lixo orgânico produzido nas residências. O projeto é desenvolvido com base em quatro pilares: aproveitamento total de alimentos, geração de renda, redução de resíduos orgânicos e educação ambiental. O projeto é da secretaria Estadual do Meio Ambiente. “Essas receitas mostram que é possível fazer comida bonita e saborosa. Além dos alunos aprenderem a evitar o desperdício, eles são capacitados para o mercado de trabalho e alguns saem daqui, querendo até abrir o seu próprio negócio”, destaca o secretário Carlos Portinho. Aluna do EcoBuffet, Edna de Medeiros Mariz, 60 anos, diz que aprendeu a não desperdiçar nada dos alimentos. “Tudo pode ser aproveitado. O curso é muito positivo e a gente aprende a fazer pratos sensacionais, aproveitando essas partes dos alimentos que a gente costuma jogar

Alunas do curso de Culinária Sustentável: O livro do projeto EcoBuffet tem edição limitada, mas o conteúdo está disponível em versão digital e pode ser baixado por meio de download

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no lixo. Eu até já estou com encomendas para a festa de São Cosme e Damião, em setembro, e outra para uma festa de 15 anos. Estou muito satisfeita e pretendo, ao me formar, abrir o meu próprio negócio”, disse. Com edição limitada, os exemplares do livro de receita serão destinados, em um primeiro momento, aos alunos e monitores do projeto Ecobuffet, mas a versão digital está disponível no site www.rj.gov.br/web/sea. Coordenador do projeto EcoBuffet na comunidade da Chacrinha, na Tijuca, o nutricionista Cleber Santo, explica que as receitas normais foram trazidas pelos alunos e desenvolvidas de forma sustentável, aproveitando cascas, talos e sementes. “A partir daí, fazemos testes sucessivos, agregando qualidade e sabor. Algumas dessas receitas estão no livro”, afirmou Cleber, destacando que o curso tem duração de cinco meses e que, nesse período, os alunos recebem ajuda de custo no valor de R$ 120,00. Lançado em 2013, o projeto EcoBuffet reúne alunos das comunidades do Turano, Formiga e da Chacrinha, na Tijuca; em São João de Meriti, na Baixada Fluminense; em Anchieta e no Jacarezinho, na Zona Norte da cidade; e no Tabajaras, em Copabacana. Até o momento, o projeto já capacitou 132 pessoas. São parceiros da iniciativa O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Agência Estadual de Fomento (AgeRio), que disponibiliza financiamento para a abertura de micronegócios.


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Culinária

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ém alimenta

m produtos que nossas avós jogavam no lixo Algumas Receitas

Sanduíche de Pepino Ingredientes » 20 fatias de pão de forma integral sem casca » 1 xícara (chá) de maionese » 2 pepinos japoneses ralados » ½ colher (chá) de hortelã picada » 2 colheres (sopa) de suco de limão » Pimenta-do-reino branca e sal a gosto » Folhas de hortelã para decorar Modo de Preparo Cortar as fatias de pão ao meio. Numa tigela, misturar a maionese com o pepino ralado, a hortelã e o suco de limão. Temperar com pimenta e sal. Rechear as metades das fatias de pão com a mistura de pepino e montar os sanduíches. Se desejar, deixar na geladeira por uma hora e, no momento de servir, decorar com as folhas da hortelã. *Fonte: Projeto Ecobuffet Canapé de Banana da Terra com Casca Ingredientes: » 8 fatias de pão de forma sem casca cortadas em 4 pedaços » 3 unidades de banana-da-terra com casca cortadas em rodelas » Mel a gosto » Azeite aromatizado com alecrim a gosto » 300 g de queijo coalho » Ramos de alecrim ou tomilho para decorar Modo de Preparo Lavar e higienizar as bananas, o alecrim e o tomilho em solução de hipoclorito de sódio, seguindo as instruções de rotulagem. Temperar as fatias cortadas de pão de forma com azeite aromatizado com alecrim e levar ao forno pré -aquecido (180º C), por aproximadamente 8 minutos. Em seguida, adicionar um pedaço de queijo coalho equivalente ao tamanho da torrada e uma fatia de banana-da-terra com casca. Cobrir com mel e levar novamente ao forno até que o queijo comece a derreter. Decorar com pequenos ramos de alecrim ou tomilho. Dica: A banana-da-terra pode ser substituída por outro tipo de banana de sua preferência.

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inusit Um ambiente

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Comportamento

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Terra de Baden Powell e do vinho da Jabuticaba, Varre-Sai tem um bar decorado com 777 calçados

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erra do vinho de Jabuticaba e que teve no músico Baden Powell seu habitante mais ilustre, VarreSai, no Noroeste Fluminense, tem como grande atração atualmente um ambiente para lá de curioso: um bar todo decorado com calçados. É o Bettu´s Bar, que foi tema de uma recente reportagem no jornal O Globo. No fim da década de 1990, Maria Elmira de Oliveira Rosa Corrêa, de 65 anos, resolveu homenagear um andarilho muito famoso na região, que havia morrido na década de 1970, beirando os cem anos de idade. Como perambulava sempre sem sapatos, ela criou o bar num sobrado completamente decorado com calçados, com a ajuda de um artista plástico local. Hoje, são 777 unidades, doações de frequentadores. “Tem gente que não entra no bar achando que tem chei-

ro de chulé, mas se tem algum cheiro aqui é o do óleo que eu uso para preservar o piso de madeira do sobrado”, garante a dona do Bettu’s Bar. Além do inusitado bar, o próprio nome da cidade tem uma origem curiosa: vem do século XIX, da história da sitiante Dona Inácia, proprietária de um rancho no percurso de uma trilha de tropeiros por onde passava o café colhido da Zona da Mata mineira em direção ao Rio. Ela emprestava o local para as tropas pernoitarem, apenas com um pedido: manterem o rancho limpo. No rancho havia uma placa que dizia “varre e sai”. Criada depois se emancipar de Natividade, a cidade acabou adotando o nome do rancho. Varre-Sai está se preparando para o festival anual do vinho de jabuticaba, que acontece na última semana do mês de julho. São três dias de festa, geralmente, uma sexta-feira, sábado e domingo.

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fotos: valter fabricante

Sapatos decorando o Bettu´s Bar, em Varre-Sai, no Noroeste Fluminense e no detalhe a foto do andarilho que inspirou a iniciativa da comerciante Maria Elmira de Oliveira Corrêa

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REDES SOCIAIS

Conselho Chinês Há apenas duas coisas com que você deve se preocupar: se você está bem ou se você está doente. Se você está bem, não há nada com que se preocupar. Se você está doente, há duas coisas com que se preocupar: se você vai se curar ou se vai morrer. Se você vai se curar, não há nada com que se preocupar. Se você vai morrer, há duas coisas com que se preocupar: se você vai para o céu ou vai para o inferno. Se você vai para o céu, não há nada com que se preocupar. Agora se você for para o inferno, estará tão ocupado cumprimentando os velhos amigos, que nem terá tempo de se preocupar. Então, pra que se preocupar?

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REDES SOCIAIS

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Mauricio Savarese @MSavarese A cada matéria sobre filas para comprar ingressos, como se as pessoas merecessem uma cerimônia de boas vindas, morre um índio na Amazônia.

Soninha Francine @SoninhaFrancine É sempre verdadeiramente impressionante como os movimentos sociais são mais pacientes e compreensivos com a prefeitura quando é do PT.

VIU no Marcelo Santana – São Fidélis-RJ Um rapaz de 28 anos morreu nesta terça feira (03) após entrar em um colégio em Trindade (27 km de Goiânia) para furtar uma televisão. Segundo informações da polícia ele arrombou uma das portas e ao sair optou em pular a janela e foi aí que ele acabou morrendo entalado (foto) quebrou o pescoço. Curtir - Comentar - Compartilhar

Marcelo Imbetiba – Macaé-RJ O Globo mais uma vez tentando explorar a sensibilidade de boa parte da população distorce a verdade em matéria hj publicada ao dizer que Dilma defende aborto. A legislação atual que é anterior a presidente Dilma admite a prática em situações apenas excepcionais. Curtir - Comentar - Compartilhar

Carta Maior – Sobre Joaquim Barbosa Barbosa deixou o STF para não descer do pedestal. Sem o mensalão, sua vida na Suprema Corte acabou. Não tem mais razão de ser. É ladeira abaixo. Curtir - Comentar - Compartilhar

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VIU! - Couro cabeludo Como a pele do seu rosto, o couro cabeludo também tem muitas bactérias. “E, quando combinadas à oleosidade, elas podem pesar e impedir o crescimento saudável dos fios ao longo do tempo”, diz a cosmetóloga Sônia Corazza. Para manter a área saudável, é importante usar um xampu esfoliante uma vez por mês ou fazer um tratamento específico para o couro cabeludo. Ativos como alecrim, sálvia, aloe vera e gengibre são muito importantes para manter o equilíbrio da pele da região. Curtir - Comentar - Compartilhar

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Cultura

Um senho

Uma das maiores expressões do Cinema Novo, “Deu

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eus e o Diabo na Terra do Sol”, uma das maiores expressões do Cinema Novo, brilhou numa curta temporada – entre 23 de maio e 01 de junho –, na Arena do Espaço do Sesc, em Copacabana. Saiu das telas para o palco. O espetáculo – um musical – é uma leitura teatral do filme homônimo de Glauber Rocha, que mudou os rumos do cinema brasileiro na década de 1960. A montagem chegou ao espaço arena depois ser premiada Festa Internacional do Teatro de Angra (Fita) e em outros festivais pelo Brasil. A montagem é recheada de referências culturais e históricas. Retrata vidas marcadas pela pobreza e tangidas pela força da religiosidade, pelo constante conflito entre o bem e o mal – Deus e Diabo – e pela luta por sobrevivência. No centro da trama está o vaqueiro Manuel que, em defesa de seu orgulho, dignidade, ou qualquer coisa que o valha, mata um coronel que tenta lhe extorquir. Perseguido pelos homens do coronel, Manuel foge com sua mulher, Rosa, e, no desespero, se une ao grupo liderado pelo religioso Santo Sebastião. A partir daí, tem início uma jornada épica em busca de uma possibilidade de viver para além das necessidades físicas; uma caçada sofrida em busca de um indivíduo potente e consciente do seu lugar e da sua função no mundo. Deste mote é urdida a teia de acontecimentos (pessoais e políticos) que findam por elaborar uma fotografia panorâmica de um período da história do país por meio da “dramática aventura de um homem que se perde entre um deus negro e um diabo louro, guiado por uma testemunha cega e perseguido pela morte”, em palavras do próprio Glauber. O diretor Jefferson Almeida diz que a montagem representou um grande desafio para o grupo, que tem como foco estudar o papel da música na cena teatral: “Tivemos

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que transportar para o teatro uma obra criada para a linguagem cinematográfica, para tanto, além de uma cena que desse conta dos diversos ambientes e situações, precisamos elaborar uma cena em que a música composta pelo Sérgio Ricardo para a trilha do filme estivesse plena, cumprindo suas funções musicais, mas aliada à ação dramática; aqui, a música é parte do texto do espetáculo”, explica. A motivação para a realização do projeto, em princípio, foi a continuidade do trabalho de pesquisa cênica iniciado pela Cia. com a montagem de “Calabar, o elogio da traição”, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Abrigada pela UNIRIO desde sua fundação, em 2008, a então Cia. Provisória, se dedicou a elaboração de um espetáculo no qual pudesse investigar ainda mais a fundo a relação da música com a cena, o universo épico e com o qual pudesse, ainda, discutir questões pertinentes da historia e da cultura brasileiras. Em outubro de 2011, “Deus e o diabo na terra do sol” estreou no âmbito universitário; agora, depois de se apresentar em uma dezena de festivais pelo país, faz a sua estreia no circuito profissional carioca, deixando de ser provisória e transformando-se na Definitiva Cia. de Teatro. Ator, diretor e dramaturgo, Sérgio Fonta elogia a adaptação do longa para o teatro. “Quando Glauber Rocha, nos anos 1960, fez este filme que entrou para a história do cinema brasileiro, talvez não imaginasse que sua obra um dia saltaria da tela para o palco. É o que acontece através do diretor Jefferson Almeida nessa montagem. Estão no espetáculo a secura e a violência de um nordeste árido, com seus personagens fortes ou desvalidos, mas todos carismáticos. Estão lá com toda a força de que o teatro é capaz. Estão lá Deus, o diabo e Dionysos na terra do sol. Brilhando”, conclui Sérgio. No elenco e na produção do espetáculo está a campista Tamires Nascimento.


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us e o diabo na terra do sol” agora brilha nos palcos Elenco Betho Guedes como Cego Júlio Eduardo Bastos como Antônio Das Mortes Guga Almeida como Manuel Hector Gomes como Sebastião Jefferson Almeida como Corisco João Vítor Novaes como Coronel e Figura Paula Sholl como Mãe e Dadá Raphael Marins como Coronel Morais e Padre Tamires Nascimento como Rosa FICHA TÉCNICA

Cenas do musical “Deus e o diabo na terra do sol”, espetáculo elogiadíssimo por Othon Bastos, ator que atuou no filme de Glauber Rocha e assistiu a montagem na arena do Sesc de Copacabana. No elenco, interpretando Rosa e na produção, a campista Tamires Nascimento

“Deus e o Diabo na Terra do Sol” Argumento - Glauber Rocha Diálogos - Glauber Rocha e Paulo Gil Soares Música - Glauber Rocha | letra Sérgio Ricardo | música Direção - Jefferson Almeida Assistência de direção - Tamires Nascimento Direção musical - Renato Frazão Elenco - Betho Guedes, Eduardo Bastos, Guga Almeida, Hector Gomes, Jefferson Almeida, João Vítor Novaes, Paula Sholl, Raphael Marins e Tamires Nascimento. Stand-in – Marcelo de Paula. Preparação vocal - Laura Lagub Treinamento de ator – Daniel Chagas Cenário - Lia Farah e Rodrigo Norões Figurinos e adereços - Arlete Rua e Thaís Boulanger Confecção de bonecos – Carlos Alberto Nunes Visagismo - Rodrigo Reinoso Iluminação - Yuri Cherem e Lívia Ataíde Operação de luz - Lívia Ataíde Músicos - Renato Frazão e Diogo Brandão Assistente de Produção – Nicholas Bastos Produção - Jefferson Almeida e Tamires Nascimento Direção de produção - Sandro Rabello e Neila de Lucena Realização - Definitiva Cia. de Teatro e Diga Sim! Produções Duração: 75 min Classificação: 16 anos Gênero: Drama/Épico/Musical

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Escravos no sécul Dados da OIT revelam a existência de 27 milhões de escravos

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sta é uma reportagem sobre escravos. Não sobre gente que vive em condições de escravidão, que trabalha muito e ganha bem pouco; não de gente que viveu há 200 anos. Trata de 27 milhões de pessoas que são compradas e vendidas, mantidas em cativeiro, agredidas e exploradas. Fala dos escravos do século 21. O Castelo de Sherwood, base de Milorad Milakovic, um ex-ferroviário que se transformou em famoso traficante de escravos, parece um gigante à espreita, perto da cidade de Prijedor, no noroeste da Bósnia. Sob as muralhas de estuque, rapazes musculosos e cobertos de tatuagens vigiam a entrada. Ao lado, os três tigres siberianos de estimação de Milakovic andam de um lado para o outro em seu cativeiro cercado por grades. Cheguei ali sozinho, em uma manhã cinzenta de primavera – nenhum guia local ou tradutor ousou me acompanhar –, e encontrei meu anfitrião robusto, de 54 anos, a minha espera em uma mesa posta para o almoço, ao lado de uma piscina coberta, com a água bem azul e límpida. O senhor de Sherwood nunca teve vergonha de seu negócio. Certa vez disse a uma defensora dos direitos humanos que havia esmiuçado publicamente seus registros de compra de mulheres para atender aos prostíbulos que possui em Prijedor. “É crime vender mulheres? Mas e os jogadores de futebol? Eles são vendidos, não são?” Milakovic ameaçou matar a ativista por sua ousadia, mas comigo foi bem mais brando. Enquanto saboreávamos salada de frutos do mar e filés, falamos sobre a multidão de moças que fogem de países economicamente arrasados da ex-União Soviética. Milakovic estava ansioso para divulgar seu plano para legalizar a prostituição na Bósnia, “para acabar com a venda de pessoas, porque cada uma dessas moças é filha de alguém”. Uma dessas jovens chama-se Victoria. Ela é loura, míope, fuma sem parar e, aos 20 anos, já é veterana no mercado da escravidão. Durante três anos, fez parte dos

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estimados 27 milhões de homens, mulheres e crianças que vivem como escravos no mundo todo – confinados ou presos e forçados a trabalhar, controlados por meio de violência ou tratados como propriedade. A odisséia de Victoria começou quando tinha 17 anos e acabara de terminar seus estudos em Chisinau, a capital decadente da ex-república soviética da Moldávia. “Lá não havia trabalho”, explica. Então, quando um conhecido sugeriu que poderia ajudá-la a conseguir um emprego em uma fábrica na Turquia, ela aceitou a proposta dele de levá-la, de carro, até lá, atravessando a Romênia. “Mas, quando percebi que seguíamos para o oeste, em direção à fronteira com a Sérvia, notei que alguma coisa estava errada.” Tarde demais. Na fronteira, foi entregue a um grupo de sérvios que lhe deram um passaporte novo, segundo o qual ela tinha 18 anos. Eles a estupraram, dizendo-lhe que morreria se resistisse. Então, foi enviada sob guarda até a Bósnia, a república balcânica que estava sendo reconstruída, graças à ajuda humanitária internacional, depois de anos de genocídio de uma guerra civil. Negócio sujo e lucrativo De acordo com estudo realizado recentemente pela Organização Internacional do Trabalho, cada vítima de trabalho forçado nas economias desenvolvidas, as quais incluem Estados Unidos, União Europeia e Japão, por exemplo, gera um lucro de US$ 34,8 mil por ano. No Oriente Médio, onde há o segundo maior lucro, são US$ 15 mil. Na América Latina, os ganhos com a escravidão são de US$ 12 bilhões por ano, com lucro de US$ 7,5 mil produzidos por cada vítima, anualmente. A África e a região da Ásia e do Pacífico são os lugares em que os lucros são os mais baixos por pessoa: US$ 3,9 mil e US$ 5 mil, respectivamente. “Essa é a primeira vez em que uma agência analisa es-


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em todo o mundo

ses dados [sobre trabalho forçado] de uma perspectiva econômica e quais são os fatores sociais que colocam as pessoas em risco de exploração de mão de obra”, destacou a estatística da OIT, Michaëlle de Cock, coordenadora levantamento realizado pela organização. O estudo aponta a relação direta entre a falta de educação, o analfabetismo e a falta de capacitação profissional dos pais e a vulnerabilidade de crianças à exploração. Essa vulnerabilidade aumenta ainda mais quando as famílias são chefiadas por mulheres, que são particularmente afetadas pela exploração sexual forçada. Apesar de a maioria das pessoas exploradas serem mulheres, sobretudo por causa do peso da prostituição, os homens são mais propensos ao trabalho forçado. “As mulheres são menos enganadas, elas checam mais as informações, estão acompanhadas de pessoas em quem confiam ou que as protegem”, explicou Cock. A OIT constatou que a pobreza e os choques econômicos causados por fatores externos, políticos, econômicos, sociais ou ambientais evidenciam a carência de proteção social às populações, o acaba que colocando toda uma família em risco. Outro fator que contribui para a tendência ao uso de mão de obra forçada é a falta de políticas de migração, porque 44% das pessoas exploradas no mundo são migrantes, internos ou externos. “Não sabemos bem quem se beneficia com essa exploração, quem são essas pessoas. Há grande necessidade por dados sólidos”, apontou a estatística da OIT, Michaële de Cock. Leis mais rígidas Para enfrentar esse problema, entre as recomendações feitas pela organização para o combate ao trabalho forçado, está o aumento da base de dados dos países. De acordo com o oficial sênior da OIT, Houtan Homayounpour, é necessário que sejam feitas pesquisas nos países para que uma maior quantidade de informações seja reunida, possibilitando a formação de uma série histórica e a comparação da eficácia dos programas de combate ao trabalho forçado.

Outras recomendações são a implementação de leis e políticas fortes o suficiente para punir os responsáveis pela exploração; o aumento do acesso à educação e à capacitação profissional; a inclusão social e o acesso ao mercado de trabalho formal, especialmente por parte das mulheres; a formação de uma governança de migração; e a cooperação entre autoridades, como governos, ministérios, agências das Nações Unidas (ONU), e organizações não governamentais (ONGs). “US$ 150 bilhões é um negócio enorme. Esse lucro é gerado por atividades criminosas que não beneficiam os governos, porque não recebem impostos, nem as vítimas, por razões óbvias, nem as demais empresas que respeitam a lei, que são colocadas em desvantagem e não podem competir com isso. No fim das contas, não é bom para ninguém”, destaca o oficial Homayounpour. Lei no Brasil é branda Ele também aponta a necessidade de revisão das penas para exploradores dessa mão de obra, pois em muitos países as penas são brandas, como o pagamento de multa. No Brasil, por exemplo, a pena atual para empregadores condenados por exploração de trabalho forçado é a reclusão de dois a oito anos, com pagamento de multa de R$ 380 por trabalhador em situação irregular. O Código Penal brasileiro considera trabalho análogo ao escravo aquele que submete a pessoa a atividades forçadas ou jornada exaustiva, sujeitando-a a condições degradantes, com restrição de locomoção por razões físicas ou por dívida, mantendo vigilância ostensiva no local de trabalho ou tendo documentos ou objetos pessoais apropriados pelo empregador, com o objetivo de reter a pessoa em situação de exploração. Tramitam, no Congresso Nacional, projetos para enfrentar a situação, como o projeto de lei que aumenta a pena e a multa ao empregador e a proposta de emenda à constituição (PEC) que prevê a expropriação da terra onde for constatado o uso de mão de obra escrava. As propostas, contudo, enfrentam resistências.

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