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edição 34 agosto 2013

urtidas Divulgação

“Quantos gostariam de estar no Rio para a JMJ, mas não podem! Que se sintam bemvindos entre nós, por meio da oração”. P.09

Produção laboratorial do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba - Unimep

Divulgação

Primos piracicabanos criam game para iPhone e iPad André Rossi

Metrô de SP expõe caricaturas do Salão de Humor de Piracicaba P.13

Brasil vai fechar quase 3 mil lixões até 2014 Municípios serão responsáveis pela destinação correta dos resíduos urbanos, perigosos e industriais; irregularidades serão passíveis de multa. P.05 Divulgação

Luiz e Henrique lançaram, em maio deste ano , game para a plataforma iOS

Azaração 2.0

Jogo desenvolvido em pouco mais de um ano ganha destaque no mercado de games pela simplicidade e por não cobrar por atualizações O que para a maioria dos jovens é apenas diversão, para Luiz Rodrigo Zangelmi, 23, e Henrique Lorenzi, 18, também virou um negócio lucrativo. Com formações em Jogos Digitais e Design de Games, a dupla colhe bons resultados do primeiro produto lançado no mercado ainda pouco explorado pelos brasileiros. P.11 Junior Cardoso

Fan pages com fotos e recados de estudantes da Unimep turbinam paquera nas redes sociais

Igreja em Americana é elevada a santuário História e beleza arquitetônica garantem elevação da Igreja Matriz de Santo Antônio. P.07

Lançada há três meses, duas fan pages vêm chamando a atenção dos estudantes da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). As páginas Te Vi na Unimep e Beldades Unimep foram criadas por um grupo de amigos que prefere o anonimato, o que desperta ainda mais a curiosidade pelos corredores da universidade. P.14

Criada por anônimos, página Te Vi na Unimep tem mais de 3 mil fãs


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editorial

Agosto/2013 • edição 34

Redes de superexposição

Q

uando citamos frases e postamos fotos estamos nos colocando ou colocando alguém em evidência em um universo sem limites e muita das vezes sem volta. Por isso a preocupação em entender os anseios dessa nova geração interligada nessa imensa rede de computadores fixos e móveis, denominada internet. Desde a pré-história, o homem já se preocupava em registrar os fatos, e se autorregistrar, através da escrita, pinturas, desenhos em paredes, depois o papel foi criado e facilitou a maneira de se arquivar informações. Nos anos 90 a internet começou a chegar à população em geral, e, desde então, essa tecnologia vem se modificando a cada geração. Uma coisa é certa, o homem sempre teve a necessidade de contar como vivia o que comia o que prezava e qual era a sua rotina. O que mudou da pré-história pra cá foram os meios de se registrar, a forma com que o fazemos e distribuímos essas informações. O conceito de rede social é referido à Antropologia e Sociologia, matérias que estudam o comportamento da sociedade. Essas redes relacionam empresas e grupos de pessoas que normalmente

EXPEDIENTE Jornal Laboratorial dos alunos do 5º semestre de Jornalismo da Unimep

têm os mesmos interesses. O que chama a atenção é que essa ferramenta é usada para enfatizar marcas e pessoas. Os jovens desta geração demonstram-se preocupados em fazer com que suas frases e fotos recebam cada vez mais curtidas e comentários nas redes sociais. Gerando assim uma disputa mundial de exaltação de egos por toda a parte. Nesse mundo virtual, as pessoas se modelam para serem vistas de acordo com os moldes prontos e impostos, sobretudo, pela publicidade. A identidade de cada um ali é manipulada por programas de editoração eletrônica. E o que as pessoas realmente são acaba camuflado pelo desejo de se tornar aceitas nessa sociedade desigual. A esperança é que o avanço da tecnologia não impeça as pessoas de entender o valor da verdadeira identidade. Que esse mundo de fantasias não atrapalhe o desenvolvimento da vida real. E que assim possamos crescer socialmente e não regredir. A publicação de fotos e comentários nas redes sociais voltados à paquera é abordada em reportagem publicada na página 14 desta edição. Boa leitura!

Reitor Prof. Dr. Gustavo Jacques Dias Alvim Diretor da Faculdade de Comunicação Belarmino César Guimarães da Costa Coordenador do Curso de Jornalismo Paulo Roberto Botão Edição João Turquiai Junior MTB 39.938 Editor-assistente Romeu Neto Fotografia Editor-assistente: Adriel Arvolea Colaboração: Profᵃ. Joyce Guadagnuci Editora de web Camila Chames Redatores Airan Prada Camila Chames Repórteres: André Medolago, André Rossi, Cris Daniele Yamamoto, Guilherme Pires, Gustavo Belofardi, Júnior Cardoso, Luís Henrique Capucci, Mariana Spezotto, Marina Coltro, Marina Maimone, Matheus de Souza, Pedro Henrique Franco, Renato Evangelista, Ricardo Gonçalves. Arte Gráfica Sérgio Silveira Campos (Lab. Plan. Gráfico/Unimep) Contato napratica@outlook.com Veja fotos e vídeos em: facebook.com/jornalnapratica

Por um ‘reset’ moral: deu pane na placa mãe! Claudia Assencio

C

om o computador, quando não conseguimos mais controlar o mouse porque a máquina parou, travou, não responde mais aos comandos, uma das estratégias (talvez não mais indicada) é darmos um “reset” e pronto! Reiniciamos tudo. Na tecnologia é assim! Que bom seria se na vida não virtual também fosse. Como seria bom se pudéssemos dar um “backspace” e apagar as barbaridades que já não nos deixam mais estupefatos: o ciclista que teve o braço arrancado e jogado em um córrego de São Paulo pelo motorista embriagado, a morte de um jovem universitário por um assaltante mais jovem ainda e que, até onde se sabe, dificilmente, tenha vislumbrado frequentar qualquer faculdade, apesar da proximidade de seus 18 anos; o tráfico em mãos tão pequeninas, mas que já suportam o peso de uma arma, entre tantos outros casos.

Um dos assuntos mais comentados nos meios de comunicação no mês do descobrimento do Brasil foi a queda dos índices de assassinatos entre jovens na última década. Seria positivo, senão foi fosse triste o fato noticiado não ser mais o assassinato “X” ou “Y”. Matar é tão comum que quando não acontece é que vira notícia. Melhor ainda seria se nossa indignação, na vida real, fosse a mesma de quando, inutilmente, temos vontade de quebrar o computador, quando o sistema já não funciona da mesma forma que antes, porque já está desatualizado, incompatível a novos programas, ou com a bateria “viciada”. Que pena, não é! Deu pane na placa mãe, os programas não funcionam bem, a escola que era para ensinar, agora deixou de resolver seus problemas na sala da direção, leva para delegacia porque o “Joãozinho” atirou na “Mariazinha” (e não era bala de borracha!). Na lista da chamada da turma

“Educação”, estão presentes a falta de respeito e a desvalorização do profissional da educação. Nada mais previsível em um país onde o técnico de futebol é chamado de “professor” e o professor de “tio”. Talvez faltem tios, pais, mães para serem chamados. Não seria a escola, como espaço ideológico e institucional, e a educação de qualidade como caminho direto para o conhecimento, as principais estratégias para promover a cidadania? Eliane Brum, em seu artigo para a Revista Época do dia 22 de abril, questiona se não seria demagogia fazer relação entre educação e violência quando reflete sobre a polêmica em torno da redução da maioridade penal. No mesmo dia da publicação do artigo de Eliane Brum, os professores do Estado de São Paulo estavam nas ruas, em protesto e reivindicações por melhores salários e condições de trabalho. Está na hora do “reset”, não na ação do professores, mas para reinventar o Brasil!


segurança

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Pequena, mas violenta Com pouco mais de 20 mil habitantes, Iracemápolis sofre com os casos de violência não considerados graves pelas autoridades; cidade conta com efetivo de apenas 12 policiais militares

Renato Evangelista

rfevangeli@unimep.br

Fotos: SXC

N

No período noturno são apenas dois policiais para atender toda a cidade”

POPULAÇÃO: 188.977 INQUERITOS POLICIAIS: 566

Imagem: Google Maps

os últimos anos, os moradores de Iracemápolis têm sido vítimas do crescimento substancial da violência. Com 20 mil habitantes, a cidade que há poucos anos se orgulhava de ser considerada calma e tranquila, abriga agora uma população assustada e apreensiva. As autoridades locais são unânimes em dizer que algo rápido precisa ser feito para minimizar o sentimento de “cidade sitiada”. O prefeito Valmir Gonçalves de Almeida (PT) aponta dois motivos principais para essa mudança no quadro de violência da cidade. “Iracemápolis geograficamente é prejudicada por estar localizada no meio, e numa distância muito pequena, de grandes centros urbanos como Limeira, Piracicaba, Rio Claro, Santa Bárbara d’ Oeste e Americana, de onde vêm os bandidos para cometer os delitos em nossa cidade. Outro problema é a falta de apoio na esfera do governo estadual, que em detrimento das estatísticas da SSP (Secretaria de Segurança Pública) não aumenta o efetivo policial do município”, completa. O prefeito ainda aponta que em muitos casos, a população não procura a delegacia para registrar boletim de ocorrência, isso por descrença nas autoridades de segurança ou medo de retaliação. Em consequência desse comportamento, as estatísticas ficam comprometidas. Para o presidente do Conseg (Conselho Municipal de Segurança), Ubiratã Renor Bertolo, o efetivo da Polícia Militar não condiz com a demanda necessária para o controle da violência. “O efetivo conta hoje com 12 policiais que se revezam em turnos. No período noturno são apenas dois policiais para atender toda a cidade”. O Estado usa como critério para distribuição de efetivo nos municípios a quantidade populacional. “Antes tínhamos aqui o pelotão policial, com um maior número de policiais, mas devido ao baixo número populacional, o mesmo foi rebaixado a agrupamento, diminuindo o efetivo”, explica Ubiratã. Questionada pela reportagem sobre essa mudança, a Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou. É difícil encontrar um cidadão Iracemapolense que não foi vítima ou não

conhece algum caso de violência envolvendo algum parente ou conhecido. José Ricardo de Mello, dono de uma sorveteria no Centro da cidade, conta sua experiência: “A minha residência foi invadida e assaltada três vezes e também assisti um cliente dentro do meu estabelecimento comercial ser abordado por um bandido com arma em punho, que anunciou o assalto e fugiu com o carro”. Jorge Antônio Gonçalves é outro Iracemapolense vítima da violência. Proprietário de uma oficina mecânica de carros, ele conta como foi o assalto em que levaram sua caminhonete Hilux. “Por volta de sete da noite eu estava em frente à minha oficina, quando dois homens armados me abordaram e anunciaram o assalto”. Para agravar a situação, Iracemápolis está sem delegado a cerca de um ano. A SSP informou, por meio de nota enviada por sua assessoria, que a Delegacia

POPULAÇÃO: 20.047 INQUERITOS POLICIAIS: 73

POPULAÇÃO: 367.289 INQUERITOS POLICIAIS: 825

Dados populacionais: Fonte IBGE Dados Inquéritos (Jan-Mar/2013): Fonte SSP (Secretaria Segurança Pública)

POPULAÇÃO: 276.022 INQUERITOS POLICIAIS: 892

POPULAÇÃO: 212.971 INQUERITOS POLICIAIS: 540

Geral é responsável pelo remanejamento dos policiais civis de acordo com as necessidades de cada distrito policial do Estado. A distribuição é feita de acordo com análise técnica das necessidades de cada região. Ainda conforme a nota, não há município paulista que não tenha um delegado que responda pela cidade. «Há delegados responsáveis por mais de um município, mas, em geral, com baixos índices de criminalidade, como é o caso de Iracemápolis, que não registrou homicídio em 2010 e 2011, e apenas um caso em todo o ano de 2012, e pelo qual o delegado William Marchi, titular da delegacia de Cordeirópolis, responde. Além disso, o município não registrou nenhum caso de latrocínio (roubo seguido de morte), roubo a banco ou roubo de carga nos últimos três anos”, finaliza a nota, indicando que somente a ocorrência desses tipos de crime indicariam que a cidade precisa de reforço na segurança pública.


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saúde

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SXC

SERVIÇO MÓVEL

Ministério da Saúde aumenta repasse para rede SAMU

Usados como atrativos para apresentar o fumo aos jovens, cigarros com aditivos sairão do mercado no próximo mês O impacto da proibição dos cigarros com sabor será pequeno no volume total de vendas, diz indústria

Sabor com os dias contados Mariana Spezzoto

meforleviz@unimep.br

A

partir de setembro, as empresas fabricantes de cigarros estão proibidas de vender o produto com sabor. A medida é resultado de decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que em março de 2012 concedeu prazo limite de 18 meses para que os cigarros com aditivos como mentol e cravo fossem retirados do mercado. Para outros derivados do tabaco, como charutos e cigarrilhas, o prazo para a saída de circulação vence em março de 2014. O Brasil será o primeiro país no mundo a banir a adição de mentol em produtos derivados do tabaco. Os representantes da indústria de tabaco se colocaram a favor da proibição dos aditivos com sabor de frutas ou adocicados com sabores diferentes do tabaco, tais como chocolate, morango e cereja. Mas discordam da proibição para mentol e cravo, porque, segundo eles, não há comprovação científica de que essas substâncias tornem o cigarro mais palatável ou mais nocivo. Para a Anvisa, mesmo que haja pesquisas científicas que comprovem que os aditivos de sabor não fazem mais mal ao organismo que um cigarro sem eles, o sabor é usado para “atrair” novos fumantes, principalmente os mais jovens. O estudante Tiago Faria afirma que começou

Os aditivos de sabor na indústria de tabaco são o fator principal para atrair consumidores” a fumar cigarros mentolados porque eles amenizam o sabor forte do convencional. “Acredito que os aditivos de sabor na indústria de tabaco são o fator principal para chamar novos consumidores”, avalia. Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo

Cruz, feito com mais 17 mil estudantes em 13 capitais do Brasil, entre 2005 e 2009, mostra que 30,4% dos meninos e 36,5% das meninas entrevistados já haviam experimentado cigarro alguma vez na vida. Desse grupo, 58,2% dos meninos e 52,9% das meninas informaram que preferem cigarro com sabor. Mas a retirada do mercado dos cigarros com sabor não deve provocar grandes prejuízos à indústria do tabaco. De acordo com a Anvisa, das 219 marcas de cigarros registradas em seu sistema, apenas 40 tem sabor. Além disso, os fabricantes indicam que hoje o cigarro mentolado corresponde por apenas 3% do mercado nacional.

O Ministério da Saúde ampliou os recursos para manutenção e investimento da rede de assistência SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A verba de custeio do serviço, que é repassada atualmente pelo Ministério da Saúde a estados e municípios, terá um acréscimo de 19%. No estado de São Paulo, o recurso para custeio da rede, que hoje é R$ 161,2 milhões, passa para 188 milhões. O incremento de R$ 26,7 milhões representa 17% de reajuste na verba, que é destinada à capacitação de profissionais e à manutenção das equipes e equipamentos das unidades móveis. LIMEIRA

Jd. Odécio Degan contará com Programa Saúde da Família Por meio de uma parceria com a escola Senai de Limeira, a Prefeitura vai construir uma sede para o PSF (Programa Saúde da Família) no Jd. Odécio Degan. Pelo acordo, o Senai fornecerá a mão de obra dos alunos matriculados nos cursos de pedreiro e pintor. A administração municipal ficará responsável pela compra dos materiais necessários. As obras começam este mês e o cronograma acompanhará a programação dos cursos do Senai. A sede do PSF será construída no local onde havia uma casa que funcionava como Centro Comunitário do bairro.

previna-se

Faixa etária de vacinação contra hepatite B é ampliada Seguindo recomendações do Ministério da Saúde, as unidades municipais de saúde estão ampliando a faixa etária para vacinação contra a hepatite B. No ano passado, a idade limite para vacinação passou de 24 para 29 anos. Agora, homens e mulheres com idade até 49 anos poderão receber a vacina gratuitamente e de forma permanente. A vacina contra a hepatite B é destinada também

aos grupos mais vulneráveis, independentes de faixa etária, como gestantes, manicures, pedicures, podólogos, caminhoneiros, bombeiros, policiais civis, militares e rodoviários, doadores de sangue e coletores de lixo domiciliar e hospitalar. A proteção é garantida quando a pessoa recebe três doses da vacina. A segunda dose deve ser aplicada 30 dias após a primeira e, a terceira, seis

meses após a primeira. A hepatite B é uma infecção do fígado que nem sempre apresenta sintomas e pode tornar-se crônica. Quando aparecem, podem provocar cansaço, tontura ou ânsia de vômito. O diagnóstico e o tratamento precoce podem evitar a evolução da doença para cirrose ou câncer de fígado, por exemplo. Informe-se na unidade de saúde mais próxima.


meio ambiente

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Brasil vai fechar quase 3 mil lixões até 2014 Fotos: Ricardo Gonçalves

Ricardo Gonçalves

ribgoncalv@unimep.br

A

pós quase 20 anos de discussão, o governo federal aprovou, em 2010, a Lei n° 12.305 que instituiu a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Pelo projeto, os municípios têm até agosto de 2014 para acabar de vez com os 2.906 lixões que existem a céu aberto em todo o Brasil. Entre os problemas encontrados nestes ambientes estão a falta de tratamento dos efluentes líquidos (chorume), risco de contaminação dos lençóis freáticos e acúmulo de material orgânico. “É um desafio muito grande para o Brasil criar uma tecnologia que seja economicamente viável e que atenda a todas as necessidades. Mas, até 2014, os lixões terão que ser encerrados”, afirma o engenheiro agrônomo Valdemir Ravagnani, superintendente do Consimares (Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos). O consórcio é formado por Americana, Capivari, Elias Fausto, Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa e Sumaré. O objetivo é encontrar a melhor tecnologia para a destinação final de resíduos sólidos urbanos produzido pelas oito cidades. Ravagnani ressalta que se trata de um problema social, econômico e ambiental. “A política estabelece a ‘responsabilidade compartilhada’ entre governo, indústria, comércio e o consumidor final no gerenciamento e na gestão dos resíduos sólidos”, explica. Das oito cidades, apenas Santa Bárbara d’Oeste conta com aterro sanitário que recebe mensalmente cerca de 3.400 toneladas de lixo. A Prefeitura informou que está ampliando a coleta seletiva e trabalhando no licenciamento de área para resíduos inertes. Americana e Nova Odessa destinam seus resíduos sólidos à empresa da iniciativa privada especializada, com custo de R$ 68 mil e R$ 300 mil mensais, respectivamente. Segundo o biólogo Dirceu Pierro, cada brasileiro gera 378 quilos de lixo por ano. No Brasil, os lixões correspondem a 18% dos locais para destinação dos resíduos, mas esse valor não é o mais alarmante, pois 24% são considerados aterros impróprios e somente 58% são aterros sanitários que atendem as normas exigidas. Apesar de faltar pouco mais de um ano para o prazo se encerrar e as oito cidades já terem dado o pontapé inicial, atualmente muitas delas

Municípios serão responsáveis pela destinação correta dos resíduos urbanos, perigosos e industriais; irregularidades serão passíveis de multa

Material recolhido na coleta seletiva é separado e enviado para reciclagem; prática concilia necessidades econômicas, sociais e ambientais

A política estabelece a responsabilidade compartilhada entre governo, indústria, comércio e o consumidor”

não contam com aterro sanitário e acabam buscando na iniciativa privada a alternativa para o descarte dos resíduos sólidos. É o caso de Nova Odessa, que envia cerca de 1.100 toneladas de lixo doméstico por mês para a Estre Ambiental, em Paulínia, com custo de cerca de R$ 68 mil mensais. Em Americana, de acordo com dados da Secretaria de Serviços Urbanos, são coletadas cerca de 5.040 toneladas de lixo doméstico por mês, despesa de R$ 322 mil. A Prefeitura de Piracicaba não informou quanto é gasto com o serviço e nem quais são as políticas públicas para atender as exigências da PNRS. De acordo com a Política Nacional, somente poderão ser descartados em aterros sanitários os rejeitos, ou seja, a

parte do material coletado que não pode ser reciclada. Além de ser uma alternativa sustentável e gerar emprego e renda, uma das opções para serem colocadas em prática com a PNRS é a coleta seletiva. De acordo com o superintendente, 35% do lixo produzido pode ser reciclado. “Precisamos fazer o procedimento para o material voltar à cadeia produtiva. A coleta seletiva é uma importante engrenagem que possibilitará melhores condições para os processos de reciclagem e de logística reversa”, explicou. Segundo ele, apenas 15% são rejeitos e os outros 50% é material orgânico e pode ser utilizado para compostagem e adubo. Saiba mais sobre a PNRS em: bit.ly/czACVI


tecnlogia

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Fotos: Daniel Ale xsandro Turch

etti/EPT V

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Tela de cinema: sinal digital oferece imagens com riqueza de detalhes e som com qualidade semelhante a alcançada com a reprodução de um CD

Apenas dois canais transmitem

em alta definição Falta de autorização e alto custo para implantação do sistema de transmissão impedem que sinal digital seja oferecido por mais emissoras em Piracicaba

Cris Daniele Yamamoto da Silva csdsilva@unimep.com.br

A

tualmente na região de Piracicaba, apenas duas das 12 emissoras que oferecem sinal para 375 mil habitantes transmitem em HDTV (TV em alta definição), a tecnologia lançada no Brasil em 2007. O nome “alta definição” significa ver mais detalhes nas imagens, como, por exemplo, as que são exibidas nas telas de cinema. Com esse sinal, as distorções e ruídos característicos da transmissão analógica (convencional) desaparecem, ou seja, temos uma imagem limpa, com riqueza de detalhes e som com qualidade de CD. A estudante de publicidade Camila Senna revela as impressões que teve ao assistir televisão com sinal digital. “Realmente me sinto como se estivesse em um cinema na minha casa. Dá para ver cada detalhes dos rostos de atores, cantores, repórteres e apresentadores, como uma espinha, por exemplo. Tem mais iluminação, já na imagem analógica não dá para perceber isso”, observa.

Uma das únicas a oferecer esse sinal em Piracicaba é a afiliada da emissora Rede Globo, a EPTV Campinas, que transmite parte da programação gerada em HDTV para cerca de 375 mil habitantes através do canal 12.1. O outro canal é o 31.1 da Rede Vida. As demais emissoras ainda não têm a autorização do Ministério das Comunicações para a transmissão e alegam dificuldades financeiras para a implantação do sistema, uma vez que o custo é alto e envolve a troca de antenas e transmissores.

“Em relação ao custo de implantação do sinal digital da EPTV em Piracicaba, como a cidade é de grande importância para a região, foi um caso mais específico, com essa nova tecnologia, a empresa resolveu investir e melhorar toda nossa estrutura em Piracicaba. A EPTV está trabalhando em projetos de outras cidades visando aumentar a expansão do sinal digital em nossa área”, explica o engenheiro de projetos de telecomunicações da emissora, Daniel Turchetti.

Sinto-me como se estivesse em um cinema na minha casa. Dá para ver todos os detalhes dos rostos de atores, cantores...” Para receber e conseguir fazer uso do sinal digital gratuitamente é necessário ter antena - isso pode implicar a substituição de receptores de VHF (canais 2 a 13) pelas de UHF - e o aparelho de tevê precisa estar adaptado. No caso dos aparelhos fabricados antes de 2008, é necessária a utilização do equipamento que converte o sinal para o televisor. O Ministério das Comunicações e a Anatel preveem que o desligamento do sinal convencional de tevê comece em 2015 nas grandes cidades e chegue ao final em 2018.

Sobre a TV digital: • Começou a ser implantada no Brasil em 2007; • Em 2010 chegou a 457 cidades, de acordo com o IBGE; • Em Piracicaba, as transmissões digitais da EPTV iniciaram-se no dia 26 de maio de 2010; • Na região de Piracicaba, o sinal da EPTV é oferecido em Iracemápolis, Rio Claro, Rio das Pedras, Limeira, Ipeúna, Saltinho e Cordeirópolis; • O sinal analógico (convencional) será oferecido no Brasil até 2018.


turismo religioso

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Matriz é elevada a santuário mncoltro@unimep.br

A

elevação da Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua, em Americana, a Santuário de Santo Antônio de Pádua - o primeiro da Diocese de Limeira, e o 9° dedicado ao santo no Brasil -, deve atrair ainda mais turistas para um dos cartões-postais da cidade. A igreja construída na década de 50 é o maior templo católico em estilo neoclássico no Brasil. O processo para o reconhecimento do local como santuário teve início este ano e faz parte de uma das etapas do projeto, em andamento no Vaticano, para que o templo do santo que é padroeiro das cidades de Americana e Piracicaba seja reconhecido como basílica menor, título concedido pelo Papa a igrejas consideradas importantes por fatores como veneração dos cristãos, importância histórica e beleza artística de sua arquitetura e decoração. De acordo com o padre Pedro Leandro Ricardo, responsável pelo santuário, a elevação exigiu mudanças no sistema viário da cidade. “Houve uma ampliação do nosso estacionamento, a prefeitura também está atenta, e todas as placas que indicam a Matriz Nova serão substituídas”, afirma o padre. Nas rodovias que passam pela cidade, tanto na Anhangüera (SP-330) quanto na Luiz de Queiroz (SP-304), também foram colocadas placas indicativas para facilitar a chegada dos visitantes ao Santuário de Santo Antônio de Pádua. Com a elevação, o local passa a ter três missas diárias, de segunda a sexta-feira, três momentos de devoção a Santo Antônio, o atendimento para os sacerdotes e confessionário será durante todo o dia, e aos sábados e domingos foram acrescentados mais horários de missas. A igreja criou também uma parceria com a Secretaria de Cultura de Americana, que rea-

JUNHO 1950 Jubileu de Ouro da paróquia de Santo Antônio, em Americana, e colocação da 1ª estaca do alicerce da Matriz Nova.

ricanenses frequentavam a pequena Matriz Velha. A obra do grandioso templo foi idealizada pelo monsenhor Nazareno Maggi, que também foi responsável pela criação de mais sete igrejas na cidade de Americana. Maggi administrou quase todas as grandes obras religiosas e educacionais de Americana. Nas paredes do santuário, pintadas pelos irmãos italianos Pedro e Uldorico Gentilli, os visitantes encontram obras que retratam passagens bíblicas. Em cada

Fotos: Marina Coltro

Marina Coltro

História e beleza arquitetônica garantem elevação da Igreja Matriz de Santo Antônio, em Americana; intenção da Diocese de Limeira é transformar o local em basílica menor

Fachada do Santuário de Santo Antônio de Pádua; placas de sinalização foram instaladas na cidade para facilitar a chegada dos visitantes

lizará passeios pela cidade com os visitantes que chegarem em romarias. “Com essa transformação para santuário, esta igreja que já é um referencial para toda a região será ainda mais acolhedora, com ações pastorais que possam acolher mais as pessoas”, explica o padre. Para ocupar o posto de santuário foram analisados três critérios: histórico de 113 anos da primeira construção de uma

igreja em homenagem ao santo na cidade (conhecida como Matriz Velha, também localizada no Centro), caráter artístico e o caráter pastoral. O Santuário O templo recém-transformado em santuário católico começou a ser construído na década de 50, mas foi finalizado somente 27 anos depois. Até então, os ame-

JUNHO 1977 Consagração da Nova Matriz pelo padre Constantino Gardinali. Nesta data é que a igreja deu-se como concluída.

A igreja que já é um referencial para toda a região será ainda mais acolhedora” janela há um vitral com um dos dez mandamentos, feitos por diversos artistas, seguindo as imagens bíblicas. Os vidros foram trazidos da Alemanha. A igreja mede 22 metros de altura e 80 metros de comprimento, com 30 metros de largura. Sua cúpula tem 50 metros de circunferência, e seu piso se estende por 42 metros. Foram utilizados 3 milhões de tijolos na construção. A igreja tem forma de cruz latina e a fachada é formada por seis colunas sustentando sua torre. Serviço O Santuário de Santo Antônio fica na Praça Pio XII, Centro de Americana. Contatos: secretaria@matrizsantoantonio.com.br (19) 3461.5126

JUNHO 2013 Pe. Pedro Leandro Ricardo assume como pároco e torna-se o primeiro Reitor do Santuário Santo Antônio de Pádua. Inicia-se o processo para transformar o santuário em basílica menor.


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transporte

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SXC

é uma falta de respeito comigo e torna a viagem um risco”, conta. Apesar de algumas dificuldades encontradas neste tipo de transporte, Marcos (nome fictício), estudante de Direito, de 21 anos, não troca a forma de se locomover diariamente até a faculdade. “Sim, ainda prefiro ser pego na porta de casa e chegar mais rápido a faculdade”, responde o aluno.

Cada aluno tem seu próprio assento. Do contrário, nós nem poderíamos trabalhar”

Estudantes da Unimep relatam que os motoristas de vans ultrapassam facilmente o limite de velocidade estabelecido nas rodovias que cortam a região

Alunos reclamam do transporte por

vans

Excesso de velocidade, superlotação e problemas de conservação são algumas das insatisfações relatadas pelos estudantes

Guilherme Pires

gubpires@unimep.br

A

Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) recebe todos os dias vans que transportam alunos de suas casas para a faculdade. Atualmente, elas acabam sendo um meio de transporte viável para esse tipo de deslocamento. Além do benefício financeiro, comparado com outros veículos utilizados individualmente, o conforto é um fator decisivo para escolha do aluno por elas, porém, muitos estudantes acabam se decepcionando com o serviço recebido. O maior número de reclamações fica por conta da falta de espaço no veículo, além de cintos de segurança obsoletos, inflexibilidade de horários, superlotação e excesso de velocidade na rodovia. Por outro lado, os motoristas de vans dizem que os veículos estão em perfeitas condições de uso e que cada aluno tem seu assento em perfeitas condições. Ricardo (nome fictício), 22, aluno de Educação Física, queixa-se sobre o serviço recebido. “Muitas vezes tive que sentar no colo de outros alunos, não que isso me incomodasse. Sou amigo de todos os passageiros, mas acredito que isso

Por outro lado, Adriano, ex-motorista de vans há mais de 3 anos discorda, diz que “cada aluno tem seu próprio assento. Do contrário nós nem poderíamos trabalhar, já que seríamos multados”. De acordo com a Lei de Nº 11.258/02 da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), todos os condutores que realizam o serviço de transporte intermunicipais de estudantes devem possuir o atestado de matrícula do estabelecimento onde os alunos são deixados, além de o período de fabricação do veículo não poder ultrapassar 5 anos. Entretanto, a aluna Luíza (nome fictício), 19, diz que nunca precisou entregar nenhum comprovante de matrícula ao motorista, e que sua antiga van estava em uso há mais de 7 anos. A alta velocidade na pista também tem sido alvo de reclamações por parte dos alunos. Alguns afirmam que os motoristas das vans ultrapassam facilmente 120 km/h. As punições para condutores que atuam de maneira irregular vão desde a retenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) até o recolhimento do veículo. Por motivos legislativos, a Artesp apenas pode realizar fiscalizações em rodovias estaduais, a responsabilidade pelo bem-estar dos passageiros fora delas fica por conta das prefeituras das cidades onde os alunos embarcam e desembarcam. As vans de Piracicaba são vistoriadas semestralmente pela Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte) e Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito). Durante a vistoria são verificados freios, assentos, condições gerais do veículo, pneus e outro qualquer tipo de peça que possa comprometer a viagem dos alunos.


urtidas

edição 34 • Agosto/2013

Divulgação

Divulgação

“Eu & @davidluiz_4. Separados na maternidade. A maior concentração de cabelos e nariz do hemisfério sul. Hehehe...gente fina”. Apresentador Luciano Huck, em facebook.com.br/LucianoHuck, sobre a brincadeira feita com o zagueiro da seleção brasileira, David Luiz.

“Quantos gostariam de estar no Rio para a JMJ, mas não podem! Que se sintam bem-vindos entre nós, por meio da oração”. Papa Francisco, em @Pontifex_PT

“Região de Piracicaba recebe R$ 6,3 milhões da União para saúde básica”.

“Meu, mó palco pro Francisco nas areias de Copacabana, O Papa é punk e Sampa de casa ñ faz milagre”. Cantora Rita Lee comenta, em @LitaRee_real, a estrutura montada para receber o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro.

Em @sp_piracicaba, twitter oficial da cidade.

“Na festa de 15 anos das minhas filhas, tocou uma música de Rei Leão, acho. Phill Collins. A batida é igual à do Pavão Misteryoso, do Ednardo”. Atribuída ao jornalista e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, em @realwbonner

Mário Miranda/Agência Foto

Arquivo pessoal

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música

Agosto/2013 • edição 34

O retorno do LP Praticamente extinto na década de 90, discos de vinil voltam a ganhar mercado entre os amantes da música; empresas apostam no formato para evitar a pirataria

Luis Capucci

lhcapucci@unimep.br

Luís Capucci

Q

uatro mil LPs, três mil CDs e 800 compactos. Essa é a coleção que o empresário Alexandre Neves mantém desde os anos 70, quando teve seu primeiro contato com a música na casa do tio. Da coleção, o que ele mais gosta são os discos de vinil. “A qualidade de som do vinil é superior a do CD, e também o formato maior do LP nos permite apreciar melhor a arte da capa” explica Neves. A história do empresário está diretamente relacionada ao vinil. Ao ser demitido de uma multinacional na qual trabalhou por anos, Neves e a esposa decidiram montar uma loja virtual para vender discos. Nasceu a Neves Records (www.nevesrecords.com.br), e a loja tornou-se um sucesso. Assim como Alexandre Neves, Wilton Christiano transformou o amor pela música (e especialmente pelo vinil) em um negócio. Christiano é dono da Heavy Metal Rock, loja em Americana que vende CDs, LPs, camisetas e acessórios relacionados ao rock. Mas ao contrário do dono da Neves Records, Christiano abandonou sua coleção de discos de vinil (mantida desde os anos 80) no inicio da década de 90, quando a trocou completamente por CDs. Mas há dois anos, os LPs voltaram para vida (e também para a loja) do comerciante, que cansado dos formatos digitais e dos CDs, voltou ao antigo formato. Para ele, “o bom do LP, além do som e da capa, é que tem uma duração menor que o CD, o que facilita na hora de escutá-lo”. Os donos das duas lojas relatam que a venda de discos de vinil aumentou bastante no último ano. Alexandre Neves diz que a maior responsável por isso é a

Demitido de empresa multinacional, colecionador apostou na criação de loja virtual de discos de vinil

cantora Adele. A versão em LP do álbum “21” da cantora vendeu 25 milhões de cópias no mundo. Assim como a cantora, artistas nacionais também têm apostado no formato. A banda Los Hermanos e a cantora Pitty foram alguns dos que lançaram álbuns em LP recentemente. Isso ocorre principalmente como uma tentativa de impedir a pirataria. Outra pessoa que teve a vida mudada pelo disco de vinil foi Bruno Scaramal, músico e estudante de Filosofia na Unimep (Universidade Metodista de Piraci-

A qualidade de som do vinil é superior a do CD, e também o formato nos permite apreciar melhor a arte da capa”

caba). “Na minha infância, eu nunca fiz uma pipa, não brinquei de bolinha de gude, não tinha amigos, mas a música sempre esteve comigo” conta Scaramal. A música lhe foi apresentada nos anos 80 através dos discos das tias, e o levou a aprender a tocar violão, o que mudaria sua vida para sempre. Hoje, o músico faz parte (ao lado de Alexandre Neves) do grupo Feira de Vinil e Afins, que vende, troca e apresenta os LPs nas cidades do interior de São Paulo. Para Scaramal, a diferença do vinil para o CD é a experiência que o primeiro proporciona. “Você coloca um LP em um momento adequado para ouvir com os amigos, analisando com eles cada música e cada chiado do disco”, explica o músico. Oportunidade Feira de Vinil e Afins é o nome de um grupo que passa por várias cidades do interior de São Paulo vendendo e trocando LPs (que custam de R$ 15 a R$ 130), CDs, livros, camisetas etc. Eles também vendem vitrolas e fazem reparos nos equipamentos antigos. O grupo se formou ano passado em Rio Claro e já passou por cidades como São Carlos, Americana e Santa Bárbara d’Oeste. O F.V.A. (como os membros apelidaram o grupo) é formado por 15 expositores e liderado por Rogério Jazz. Além da função comercial, o grupo busca que uma nova geração conheça os discos e entendam que eles são um “documento-histórico-artístico-cultural”. “Sendo ele uma peça artística, o vinil é um reflexo da época em que foi gravado, trazendo assim todos os ideais políticos ideológicos de sua época”, explica Jazz. A próxima edição da feira deve ocorrer em Rio Claro no mês de novembro, mas não tem dia nem local confirmados ainda.

O vinil no tempo 1948

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2009

2012

O disco de vinil é inventado pelo engenheiro húngaro Peter Carl Goldmark. Até os anos 70, o vinil viria a substituir completamente os discos goma-laca de 78 rotações.

É lançado “The Freewheelin’” de Bob Dylan, um dos discos mais raros de todos os tempos.

Lançamento de “Pâebirú” de Lula Côrtes e Zé Ramalho, o LP mais raro do Brasil. Poucas copias sobraram depois que aconteceu um incêndio na gravadora que produziu o disco.

O CD (Compact Disc) é inventado. Ele viria quase a extinguir o disco de vinil anos depois.

É lançado “Double Fantasy” de John Lennon e Yoko Ono. A cópia que Lennon autografou para Mark Chapman, algumas horas antes do último assassiná-lo é o disco mais raro de todos os tempos.

É lançado “Thriller” de Michael Jackson, o LP mais vendido de todos os tempos. Até 2006, 104 milhões de pessoas do mundo todo possuíam o disco.

O número de CDs vendidos no mundo já supera o de LPs.

Artistas param quase que completamente de lançar suas músicas em LP.

A empresa Polysom volta a apostar em discos de vinil.

O álbum “21”, da cantora britânica Adele, vende 25 milhões de cópias em LP no mundo.


inovação

edição 34 • Agosto/2013

Talento gamer no DNA Em pouco mais de um ano e trabalhando a distância, primos piracicabanos desenvolvem game para iOS André Rossi

Fotos: André Rossi

aulsantos@unimep.br

A

diferença de cinco anos de idade entre os primos Luiz Rodrigo Zangelmi, 23, e Henrique Lorenzi, 18, não permitiu que os dois jogassem videogames juntos na infância. Quando a diferença começou a se equilibrar, em 2008, Luiz Rodrigo se mudou de Piracicaba (cidade natal de ambos) para São Paulo para cursar a faculdade de Design de Games na Universidade Anhembi Morumbi. Entretanto, foi durante esse período (e à distância) que os primos começaram a esboçar o projeto do que viria a se tornar “Ninjin”, game lançado pela Pocket Trap (selo criado pelos piracicabanos) no dia 16 de maio de 2013 para a plataforma mobile iOS (iPhone e iPad). O desenvolvimento do game começou em 2011, quando Luiz Rodrigo terminou a faculdade. Antes disso, Henrique já estava programando sistemas de jogos sem fazer nenhum curso. A ideia do jogo surgiu depois que Henrique jogou “Jetpack Joyride” e teve vontade de fazer um game em que o personagem “corresse para sempre”. Essa foi a base do projeto, que recebeu novos elementos na medida em que os primos iam discutindo ideias, fosse pela internet ou quando Luiz Rodrigo voltava para Piracicaba. “O mais difícil foi ter que trabalhar no ‘Ninjin’ depois do meu trabalho normal. Ao invés de chegar em casa e ficar de bobeira, eu ia para ‘etapa 2’ do dia. Com o

Os primos piracicabanos Luiz Rodrigo Zangelmi e Henrique Lorenzi trabalharam durante um ano no desenvolvimento do jogo “Ninjin”, game lançado em maio deste ano para plataforma iOS

Diferente de outros games mobiles, “Ninjin” não cobra nada dos jogadores por atualizações ou armas especiais; criadores prometem lançar melhorias periodicamente no produto que serviu como teste

Henrique era o contrário: ele programava de dia e ia pra faculdade à noite (Tecnólogo em Jogos Digitais, na Fatec Americana)”, conta Luiz Rodrigo.

Na trama do game, o jogador controla Ninjin, um coelho ninja que deve recuperar as cenouras roubadas de sua vila. A estética visual pixelada tem inspirações

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no Japão feudal e se assemelha a do game “Castle Crashers”. O jogo custa US$ 0,99 e não exige mais nenhum gasto financeiro dentro da jogatina; itens novos e atualizações/melhorias são disponibilizados gratuitamente. “Ninjin” foi lançado há pouco mais de dois mês e já despertou a atenção da imprensa especializada. O crítico Henrique Sampaio, do portal de games “Arena IG” (um dos principais do gênero no país), classificou o game como “a antítese da maioria dos clones caça-níqueis disponíveis na AppStore atualmente: uma fórmula simples e original, ainda que calçada em mecânicas estabelecidas, que se recusa a se render aos modelos de monetização abusivos, a fim de preservar o espírito dos jogos tradicionais”.

Foi um teste para ver o que conseguíamos fazer. Tudo o que importava era fazer um jogo legal” “Nós estávamos fazendo o game praticamente isolados e quase nunca mostrávamos para as pessoas. Depois de um ano olhando para o mesmo projeto sem parar, ele vira a coisa mais comum do mundo. Então os elogios foram uma surpresa”, diz Henrique. Os primos estão trabalhando na possibilidade de levar o game para outras plataformas, como PC e a plataforma mobile Android. “’Ninjin’ foi um teste para ver o que conseguíamos fazer. Era para ele ter sido bem mais simples, mas quanto mais tempo gastávamos nele, mais queríamos melhorá-lo. No fim, tudo o que importava era fazer um jogo legal”, afirma Luiz Rodrigo.

Distribuição digital é o caminho para os designers brasileiros, aponta professor As empresas brasileiras de games têm dificuldades em atender o mercado de jogos para console e PC, mas têm potencial na distribuição digital de games mobiles (tablets e smarthhones). Pelo menos, é o que acredita o coordenador do curso de Design de Games da Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo), Delmar Galisi Domingues.

“O mercado de jogos para console e PC é um modelo de negócio relativamente impenetrável, dominado por publicadores internacionais que contratam estúdios específicos. O caminho é tentar penetrar no mercado através da distribuição digital, principalmente para tablets e smartphones”, explica Domingues.

A ausência de empregos formais é uma das dificuldades da profissão para os recém-formados, o que faz com que muitos profissionais montem suas próprias empresas. “Quem se forma geralmente vai trabalhar em estúdios relativamente pequenos. São mais informais, totalmente tecnológicas e com horários mais

flexíveis. Não há regulamentação salarial, nem pesquisas a respeito, mesmo porque boa parte dos profissionais é composta por empreendedores, não por assalariados”, diz Domingues. “O ideal é estagiar num pequeno estúdio, para, posteriormente, montar a sua própria empresa de games”.


pelo Brasil

Agosto/2013 • edição 34

VIOLÊNCIA

COMUNICAÇÃO TV FOCO

JUSTIÇA

Homicídios de jovens crescem 326,1% no Brasil, mostra Mapa da Violência

Divulgação

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SXC

Carolina Sarres Agência Brasil

Campanha estimula acesso ao rádio e à TV por celular Jorge Wamburg Agência Brasil

  Com o slogan “Rádio e TV ao alcance da sua mão”, a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) lançou nas redes sociais uma campanha para estimular o acesso das pessoas à programação do rádio e da TV aberta pelo celular. “Em grandes eventos, as redes de telefonia não suportam a sobrecarga de dados e a comunicação via celular fica difícil”, disse o presidente da Abert, Daniel Slaviero. “Por isso, o rádio e a TV tornam-se os maiores aliados de quem precisa de informação instantânea, graças a essa possibilidade. Daí, nossa intenção de estimular o acesso ao conteúdo da programação de rádio e TV, aproveitando a funcionalidade do celular”, acrescenta Slaviero. Segundo dados da Anatel, existem no Brasil 265,7 milhões de celulares, o que corresponde a 134,35 aparelhos para cada 100 habitantes. De acordo com Slaviero, estima-se que 60% dos aparelhos tenham rádio FM e mais de 5%, TV digital, o que torna possível o acesso à programação das emissoras, “apenas com ajuste no menu”. A campanha é a primeira de uma série que a entidade promoverá aproveitando grandes eventos, como a Copa do Mundo, as eleições e os Jogos Olímpicos, como forma de incentivar as pessoas a usar o celular para ter acesso ao rádio e a TV. “Assim, soma-se a mobilidade à informação rápida e de qualidade, sem pagar nada por isso”, resumiu Slaviero.

A violência contra os jovens brasileiros aumentou nas últimas três décadas de acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%. Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%. Do total de 46.920 mortes na faixa etária de 14 a 25 anos, em 2011, 63,4% tiveram causas violentas (acidentes de trânsito, homicídio ou suicídio). Na década de 1980, o percentual era 30,2%. Nos estados e capitais em que eram registrados os índices mais altos de homicídios, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve redução significativa de

casos, devido aos investimentos na área. São Paulo, atualmente, é a capital com a maior queda nos índices de homicídios de jovens nos últimos 15 anos (-86,3%). A região Sudeste é a que tem o menor percentual de morte de jovens por causas não naturais e violentas (57%). Em contraponto, Natal (RN), considerado um novo polo de violência, é a capital que registrou o maior crescimento de homicídios de pessoas entre 15 e 24 anos – 267,3%. A região com os piores índices é a Centro-Oeste, com 69,8% das pessoas nessa faixa etária mortas por homicídio.

ECONOMIA

Número de participantes em consórcios cresce 10% no primeiro semestre SXC

Elaine Patricia Cruz Agência Brasil

O número de participantes no sistema de consórcios cresceu 9,6% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados divulgados pela Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), quase 1,3 milhão de pessoas aderiram aos consórcios no período. Entre janeiro e junho deste ano, os negócios em consórcios somaram R$ 40,8 bilhões, valor 6,8% maior que os R$ 38,2 bilhões contabilizados no mesmo período do ano passado. Para a associação, o crescimento demonstra que o brasileiro está planejando suas compras futuras. “Os consórcios consolidam-se mais e mais apoiados na maturidade do comportamento do consumidor, ciente que planejar é mais que

economizar. Todavia, se observa que a forte confiança depositada pelo brasileiro no sistema de consórcios não tem a mesma intensidade para com a economia do país. A insegurança do consumidor está indicada nas retrações setoriais, ocorridas basicamente por adiamento de decisão em assumir compromisso de médio e longo prazos”, disse o presidente da entidade, Paulo Roberto Rossi.

Correios são condenados a pagar mais de R$ 20 milhões por discriminar funcionária com deficiência Luciano Nascimento Agência Brasil

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos foi condenada a pagar mais de R$ 20 milhões em indenização por discriminar e demitir uma funcionária com deficiência visual aprovada em concurso público, em 2011. A decisão é do juiz Alcir Kenupp Cunha, da Vara do Trabalho de Gurupi (TO), que determinou o pagamento de R$ 188.550,00 a título de danos morais para a autora da ação, R$ 10 milhões de dano social em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador e mais R$ 10 milhões por dano moral coletivo à entidade filantrópica Associação dos Portadores de Deficiência do Estado do Tocantins. Em sua defesa, a empresa alegou que a funcionária não teria condições de exercer as atribuições do cargo de agente de correios/atendente comercial para o qual foi aprovada. Vânia de Souza, autora da reclamação trabalhista, concorreu a uma vaga destinada a pessoas com deficiência, e foi aprovada em todas as fases do concurso público. Exames e perícia médica realizados para avaliar a qualificação e compatibilidade entre as atribuições da vaga e a deficiência da funcionária consideraram-na apta para a função. A assessoria dos Correios no Tocantins informou que a funcionária foi reintegrada ao quadro de servidores, e que a empresa vai recorrer da decisão judicial.


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cultura

edição 34 • Agosto/2013 Divulgação

Exposição em Campinas revela detalhes do corpo humano Até o dia 1º de setembro, a exposição “O Fantástico Corpo Humano” pode ser visitada no Parque D. Pedro Shopping, em Campinas. Pela primeira vez em uma cidade do interior, o evento leva pessoas de todas as idades, da escola primária à faculdade de medicina, a uma jornada através do corpo. A mostra foi desenhada para mudar essa percepção e tem o propósito de que as pessoas conheçam o corpo por dentro e possam, assim, cuidar melhor da saúde, bem como optar por estilos de vida mais saudáveis. Os corpos e órgãos são de chineses que optaram por doá-los para propósito científico e foram preservados para fins educativos por um processo de conservação permanente chamado de plastinação, que consiste no preparo do corpo com uso de polímero de silicone. Serviço: Exposição: “O Fantástico Corpo Humano” Local: Parque D. Pedro Shoping, Entrada das Águas, próximo ao Pet Center. Av. Guilherme Campos, 500, bairro Santa Genebra Data: até 1º de setembro Horários de funcionamento: De segunda a sábado: das 14 às 21 horas. Domingos e feriados: das 12 às 19 horas Telefone para informações: Campinforma: (19) 2122-2444 e www.fantasticocorpohumano.com.br  Venda de ingressos: na bilheteria da exposição. Segunda a sexta-feira: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia). Sábados, domingos e feriados: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia)

Metrô abriga caricaturas do Salão de Humor de Piracicaba Uma brecha para o riso na correria do cotidiano é o que as pessoas que circulam diariamente pela Estação Corinthians-Itaquera (Linha 3 – Vermelha) do metrô de São Paulo encontrarão, a partir de sábado,10 de agosto, na exposição Caricaturas do Salão Internacional de Humor. A mostra traz 30 obras do acervo do CEDHU Piracicaba (Centro Nacional de Humor Gráfico), a maioria de brasileiros consagrados que tiveram seu talento reconhecido no tradicional evento das artes gráficas realizado no interior paulista, que chega aos 40 anos em 2013. As caricaturas selecionadas retratam personalidades famosas do cenário nacional, como Maguila, Raul Cortez, Zé do Caixão, Gilberto Gil, Oscar Niemeyer, Tim Maia, Chico Buarque, Dercy Gonçalves e Dunga; e internacional, como papa Bento 16, Frida Kahlo, Mike Tyson, Louis Armstrong, Madre Teresa de Calcutá, Winston Churchill, Hugo Chávez e tantos outros. A mostra permanece na Estação Corinthians-Itaquera até o dia 31 de agosto e reabre de 10 a 31 de setembro na Estação Luz (Linha 1 – Azul).

Divulgação

Serviço: Exposição: Caricaturas do Salão Internacional de Humor Data: de 10 a 31 de agosto Local: Estação Corinthians-Itaquera (Linha 3 - Vermelha). Entrada franca. Mais informações: (19) 3403-2615 ou www.salaodehumor.piracicaba.sp.gov.br.

Projeto que limita meia-entrada divide opiniões André Medolago

acmedolago@unimep.br

O projeto que limita a meia-entrada a 40% do total de ingressos disponíveis em eventos culturais e esportivos - aprovado no início do mês pela Câmara dos Deputados – divide opiniões entre frequentadores, produtores e artistas. A medida faz parte do Estatuto da Juventude e se aprovada pela presidente Dilma Rousseff (PT) entrará em vigor até o final deste ano. O estudante universitário Ricardo Carneiro, 22, acredita que a medida favorece os organizadores de eventos e afasta o público jovem das apresentações culturais. “Infelizmente, essa redução de oferta de ingressos favorece somente aqueles que

estão lucrando com os eventos. Sei que o custo de estrutura de um show, por exemplo, não é barato, mas esse preço já é influência dos impostos abusivos em geral no país”, acredita Carneiro. A afirmação do jovem é contrariada por especialistas no assunto, que afirmam que ao limitar o número de meias-entradas, a tendência é que os preços dos ingressos diminuam. Hoje, muitos produtores alegam que o valor das entradas é elevado por não se saber qual será a demanda por meia-entrada. A expectativa é que o valor inteiro dos ingressos sofra redução média de 25%. O professor e produtor teatral Valdir Cesar afirma que as mudanças tendem a ajudar os profissionais da área. “O custo de uma produção cultural como o teatro

não é algo baixo. Esse incentivo se faz necessário para o crescimento da cultura no Brasil, muita gente tem a ideia ainda de que ir a uma peça de teatro é algo que só é possível tendo um padrão de vida elevado”, avalia. Hoje, a legislação brasileira determina que estudantes do ensino fundamental, médio e superior, idosos com ou acima de 60 anos, professores da rede pública estadual e das redes municipais, aposentados e portadores de deficiência têm direito à meia-entrada em espetáculos culturais. Com a nova lei, a meia-entrada será restrita a estudantes entre 15 e 29 anos mediante apresentação da Carteira de Identificação Estudantil, que terá um modelo único no Brasil.


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comportamento

Agosto/2013 • edição 34

Azaração 2.0

Fan pages com fotos e recados de estudantes da Unimep turbinam paquera nas redes sociais Junior Cardoso

Junior Cardoso

joccardoso@unimep.br

L

ançada há três meses, duas fan pages no Facebook vêm chamando a atenção dos universitários dos campi Taquaral, Centro e Santa Bárbara d´Oeste da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). As páginas intituladas Te Vi na Unimep e Beldades Unimep foram criadas por um grupo de amigos que pretende se manter no anonimato, o que desperta ainda mais a curiosidade e alimenta as conversas dos estudantes pelos corredores das três unidades. Em entrevista ao jornal Na Prática, o grupo conta o motivo de não revelar a identidade. “Nós acreditamos que revelar a identidade iria inibir pessoas conhecidas de mandarem mensagens para nós. Desde cantada, busca por outra pessoa, foto para postagem etc.”, revela. A criação da primeira página, Te Vi na Unimep, foi inspirada na ideia americana conhecida como Spotted – marcado em inglês –, que chegou ao Brasil em 2012 e tornou-se popular em várias faculdades, inclusive nas públicas. Na Unimep, a primeira página foi criada no final de abril e teve repercussão imediata. “Nós não imaginávamos que iria se expandir em tão pouco tempo. Em menos de um dia, a página teve cerca de 1.000 likes”, conta o grupo. Até o fechamento desta reportagem, a página somava 3.182 curtidas. Na fan page, estudantes buscam informações sobre pessoas que chamaram a atenção pelos corredores da Unimep, e aproveita para saber idade, nome, endereço do perfil no Facebook, se está solteiro, namorando, casado e por aí vai. Em alguns posts da página há verdadeiras declarações de amor. “Eu sei o teu nome, eu sei o teu curso, sei o teu estado civil e sei também que você tem o sorriso mais lindo do mundo. Queria eu ser o motivo do teu sorriso encantador, mas isso eu não posso ser, alguém já faz isso em você. Só sei que você me encanta toda vez que entra na sala, e que me faz derreter quando vem me abraçar sem saber das sensações que me causa. Só posso dizer

Criada por um grupo de estudantes no fim de abril, página Te Vi na Unimep tem mais de 3 mil fãs; troca de informações impulsiona relacionamentos

Gerou em mim e nas pessoas que saíram uma grande felicidade” que você é perfeita e que sempre estarei perto de você.” diz o post publicado no dia 6 de maio. Alunos homossexuais e bissexuais também usam a página, como mostra um outro post do dia 23 de maio. “Hoje, meu amigo viu um menino andando pelo bloco 9. Blusa branca, barba por fazer e alargador preto. Ele quer saber se esse menino joga no mesmo time que ele e se está solteiro... ”, diz parte da mensagem.

‘Gatas’ e ‘gatos’ da Unimep ganham destaque na rede Depois do sucesso do Te Vi na Unimep, o mesmo grupo lançou o Beldades Unimep, que traz em seus posts fotos dos estudantes mais bonitos da faculdade, homens e mulheres. Robson Marques, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unimep de Santa Barbara d´Oeste, foi um dos que tiveram a foto indicada publicada pelo grupo. “Fiquei mais conhecido e minha autoestima foi lá em cima, uma coisa tão simples, mas que gerou em mim e nas pessoas que ali saíram uma grande felicidade”, diz o rapaz, que tem uma amiga que sofreu problemas com o ci-

úmes do namorado após ter uma foto publicada na página. Segundo o grupo, as únicas reclamações que receberam até hoje foi de namorados ciumentos. “Nós já recebemos várias reclamações de namorados(as) ciumentos(as) pedindo para que as fotos fossem retiradas. Nesse caso, nós não apagamos. Isso só acontece se a própria pessoa da foto pedir”, explica. Visite: Te Vi na Unimep www.facebook.com/TeViNaUnimep Beldades Unimep www.facebook.com/BeldadesUnimep


esporte

edição 34 • Agosto/2013

Arte marcial

a serviço do bem-estar

Projeto social oferece aulas gratuitas de Muay Thai em Piracicaba

Fotos :

Pedro

Franc o

Fábio e Patrícia Ferraz sentiram benefícios para o corpo e a mente depois que começaram a frequentar as aulas de Muay Thai no Central Clube

Pedro Henrique Franco phfranco@unimep.br

A

Selam (Secretária de Esportes, Lazer e Atividades Motoras) de Piracicaba oferece, por meio do PDB (Projeto Desporto de Base), aulas gratuitas de Muay Thai, a arte marcial originária da Tailândia, que combina o uso de punhos, cotovelos, joelhos, canelas e pés. O objetivo é promover a prática esportiva, além de revelar e formar atletas de médio e alto nível. As aulas de Muay Thai são comandadas pelos professores Ronaldo Lucentini e Marcolino Malosso, sob orientação do mestre Wilson Teodoro. O projeto tem como base o Central Clube (antigo Palmeirão), no Bairro Alto, e conta atualmente com cerca de 100 alunos.

A faixa etária é acima de 7 anos, visando os iniciantes. Podem participar tanto homens quanto mulheres. “O que fazemos nessas aulas é a formação da base. É um projeto social voltado para os Jogos Abertos. Somos os atuais campeões no masculino e no feminino, e os que se destacam eu levo para minha academia. Já tenho três alunos que originaram do PDB”, afirma Teodoro. Os treinos geralmente começam com um aquecimento de corrida, polichinelos, saltos, alongamentos, flexões de braços, abdominais e agachamentos. O Muay Thai traz benefícios para o corpo, não só físicos, mas mentais também. “Apresentamos a filosofia das artes marciais aos alunos, que precisam conhecer de onde vem tudo isso. Na parte física ocorre a transformação que deixa a pessoa como um atleta. Aqui ajudamos a todos promovendo essas atividades” destaca Wilson. As atividades ajudam a aproximar a relação de uma família. Fábio Ferraz, 35, e Patrícia Ferraz, 35, são casados e começaram juntos a praticar Muay Thai. “As aulas me ajudam muito. Minha bronquite melhorou depois que comecei”, acredita Fábio. Sob recomendação médica, Patrícia Ferraz também foi beneficiada pelo Muay Thai. “Eu precisava fazer exercício. Estava sempre estressada, e hoje não uso mais nenhum remédio”, ressalta. Kelly Colleti, 20, já disputou um Campeonato Paulista e conquistou uma medalha de prata. Ela afirma que o Muay Thai envolve muita disciplina e dedicação. “Depois que você começa a praticar, torna-se uma filosofia de vida”, avalia a aluna.

Depois que você começa a praticar, torna-se uma filosofia de vida”

Sobre o Muay Thai • 17 milhões de praticantes no mundo • É conhecido como boxe tailandês • Muay Thai significa arte livre • O símbolo do esporte é a cobra naja, pois assim como ela, os lutadores devem ter um bote preciso, velocidade e bom reflexo

Serviço: Aulas gratuitas de Muay Thai – Central Clube (antigo Palmeirão) Local: Bairro Alto, Rua Bernardino de Campos, 835 Data e horário: Às terças e quintasfeiras das 18h às 19h30

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entrevista

Agosto/2013 • edição 34

As jogadas de

Zanon

Marcamos em cima e descobrimos os lances que consagram o técnico da seleção brasileira feminina de basquete

: Fotos

elo Ju Zaram

nior

Luiz Augusto Zanon assumiu o comando da seleção feminina em março deste ano; treinador coleciona títulos nas passagens por equipes da região

Gustavo Belofardi

grbelofard@unimep.br

J

ogando como ala-armador, posição que consagrou nomes como Michael Jordan e Kobe Bryant, ele já enfrentou o mito Oscar. Anos mais tarde, já como treinador, trocou o basquete masculino pelo feminino. Tem em seu 1,90 metro muitas manias dentro de quadra, mas é capaz de deixar a vida profissional de lado, e até realizar trabalhos domésticos. Apaixonado por filé à parmegiana e macarronada, o são-carlense Luiz Augusto Zanon, 50, revela ao jornal Na Prática um pouco dos dois lados da sua vida: profissional e o dia a dia fora de quadra. Depois de conquistar vários títulos como técnico de equipes da região, ele vive hoje o desafio de treinar a seleção feminina de basquete. Em quadra ele admite que comete alguns erros. “A gente comete injustiça todos os dias. Eu tento manter a coerência. Agora saber se eu fui injusto, a pessoa precisa estar convivendo todos os dias, saber o que está acontecendo, vivenciar as situações, para a gente saber se a gente fez certo ou errado”, avalia. O lado “paizão” em quadra reflete nos resultados das equipes que ele treinou e pelo que viveu até conseguir o reconhecimento profissional. Ele conta que na época em que atuou como atleta, a relação com o treinador era maior. “Antigamente o jogador passava mais tempo nos clubes. No meu caso, passei dez anos atuando em Rio Claro. Isso acaba criando laços familiares entre atletas e treinador. Hoje a situação está mais dinâmica pela globalização e pela situação que está o mercado. O jogador passa períodos curtos, então não há tanta intimidade de convívio. Mas a minha relação com as atletas é boa, mas com grau de exigência”, pondera. Em casa, o treinador tem o hábito de assistir a outras modalidades. “Eu acompanho o esporte quase sempre, mas eu procuro a análise de alta referência. Eu gosto dessas situações porque é ali que a gente pode retirar algum aprendizado

Com certeza, raça, dedicação e empenho não faltará na seleção”

Os títulos do treinador nas equipes da região Limeira: • Campeão Paulista: 2008 • Campeão Brasileiro: 2006 • Pentacampeão dos Jogos Regionais 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 • Bicampeão dos Jogos Abertos: 2006 e 2007 Americana: • Bicampeão Jogos Regionais: 2011 e 2012 • Bicampeão dos Jogos Abertos: 2011 e 2012 • Campeão dos Jogos Abertos Brasileiros: 2012 • Bicampeão Paulista: 2010 e 2012 • Campeão Brasileiro: 2012 • Campeão Sul-Americano: 2012

em qualquer modalidade, tanto na parte técnica, emocional, física, supremacia e dedicação”, explica. E na falta da esposa Érika, o treinador não foge dos trabalhos domésticos. “Não sou nenhum chefe de família, mas tenho o costume de arrumar a cama, lavar a louça, também faço uma comidinha etc.”, revela. O treinador vive agora a árdua missão de treinar a seleção brasileira feminina de basquete. Com o tempo, Zanon descobrirá as reais chances de a seleção fazer uma boa campanha nas principais competições. “Tudo no esporte é difícil, desde o mais fraco vencer um campeonato, desde o mais forte não chegar, a gente tem que ter um cronograma e um planejamento, e também saber a real limitação de cada equipe. Assim iremos buscar o máximo do grupo que tivermos em mão para saber até aonde podemos chegar” explica. “Com certeza, raça, dedicação e empenho não faltará na seleção”, finaliza.


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