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2 - Sound, Outubro 2019


ÍNDICE DEZEMBRO2019

SOUND #3

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Editorial

10 anos, 10 álbuns!

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Cidade da Lupa

Entrevista Iceage

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Mucho Flow Festival

O que é Nacional é bom?

22 Her’s

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Editorial

DEZEMBRO 2019

A

edição!

SOUND Ficha Técnica Diretores:Filipe Carvalho, João Lemos e Pedro Carvalho Chefes de redação: Filipe Carvalho e Pedro Carvalho Redação: Filipe Carvalho Marketing: João Lemos Web development: João Lemos Designer gráfico: João Lemos Revisores: Pedro Carvalho Agradecimentos: Pedro Almeida e Adalberto Rodrigues Créditos: The Garden, Her’s, Mucho Flow, BBC, Tame Impala, Frank Ocean, Iceage, Kanye West, Death Grips, Vampire Weekend, Kendrick Lamar, Brockhampton, Arctic Monkeys, Tyler The Creator, B Fachada, Interiew Em todas as imagens reproduzidas pela revista e/ou respectivo site, foram respeitados os seus devidos diretos de autor e devidamente referenciados na ficha técnica. Desta forma, não pretendemos infligir quaisquer danos aos seus respectivos autores, colocando sempre em evidência a sua justa e respeitada utilização. A SOUNDSCOUT apenas as utiliza de forma livre e referenciada não obtendo quaisquer lucros pela sua utilização. Mail: soundscoutoficial@gmail.com Telemóvel: 935946600 Instagram: soundscout_pt Facebook: Sound Scout Twitter: soundscout_pt Website: soundscoutoficial.wixsite.com/online Guimarães

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SOUND está de volta para mais uma

Nesta terceira edição, sentimos que demos mais um passo em frente para tornar esta revista cada vez melhor. A utilização da revista como espaço de partilha da cultura musical continua e podem contar sempre com a introdução de novos artistas e bandas. Este mês quisemos elevar ainda mais o nível da SOUND e foi com orgulho e satisfação que conseguimos duas “novidades” para esta edição. Nesta revista tivemos o prazer de entrevistar os dinamarqueses Iceage, que é uma das maiores bandas do panorama atual do punk. Assim, conseguimos a nossa primeira entrevista internacional, que esperamos ser a primeira de muitas. As boas novidades não vieram sozinhas. Nesta edição fizemos uma reportagem sobre a 7ª edição do Mucho Flow. Aproveitar para agradecer à Revolve pela disponibilidade com que nos “atendeu” neste evento recheado de talento musical. Com a década prestes a terminar, a SOUND não quis deixar de fazer algo especial. Por isso, fizemos questão de escolher os melhores discos nestes anos que passaram. Relembramos que esta é a opinião de quem escreve e, como é óbvio, gostaríamos de saber as vossas escolhas. Esperamos que esta revista seja do agrado de todos os nossos leitores e, mais uma vez, não se esqueçam, se tiverem alguma dúvida ou até uma história que queiram partilhar connosco, não hesitem em contactar-nos. Boa leitura!

Filipe Carvalho


10 ANOS, 10 ÁLBUNS

Com a década quase a acabar, está na hora de fazer o rescaldo dos últimos dez anos. Num período marcado pela emancipação das “novas” tecnologias, há muito a retirar daquilo que a musica deu ao mundo. Aqui estão os melhores álbuns de cada ano, nesta década repleta de excelente música.

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No início da década, Kanye West regressou aos álbuns, após dois anos de paragem, com MBDTF, disco que é considerado por muitos, o melhor de sempre produzido pelo rapper. Num LP maioritariamente produzido pelo próprio, Kanye voltou a não dispensar da ajuda de grandes nomes como RZA e Jay-Z. Em termos de colaborações, a lista de artistas com reputação mundial continua com músicos como Kid Cudi, Pusha T e Bon Iver.

2010: Kanye West My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Estamos perante um álbum composto por 13 faixas, carregado de “hits” instantâneos. A destacar a canção Runaway, com o “featuring” de Pusha T, numa música com uma duração de nove minutos, que incorpora estilos como o hip hop, o R&B e o pop. Quem poderá esquecer aquelas palavras com o reverb no máximo, que apesar de impercetíveis, permite-nos sentir aquilo que Kanye quer exprimir? O uso de elementos de trabalhos prévios continuou em MBDTF (o culminar dos quatro álbuns anteriores), tal como as influências da música soul, electro e do rock progressivo. Os temas como o excesso, riqueza, sexo e celebridade são imensamente abordados ao longo do álbum. Honorable Mentions: Arcade Fire-The Suburbs; Gorillaz-Plastic Beach

Em abril de 2011, fomos introduzidos à mixtape de estreia

da banda norte americana, Death Grips. Fomos assim apresentados ao estilo de hip hop experimental, que chamou a atenção de fãs de rap assim como de apreciadores de música mais experimental.

Exmilitary é um álbum caótico, carregado de sons eletrónicos abrasivos e samples incomuns. Interstelar Overdrive dos Pink Floyd e Rumble do Link Wray, são exemplos de músicas que os produtores, Zach Hill e Flatlander, decidiram usar. A agressividade da música é complementada pelos vocais quase punk de Mc Ride, que grita letras sobre temáticas pesadas como as drogas e a morte.

2011: Death Grips Exmilitary

Este álbum, composto por seis faixas, presenteou-nos com aquilo a que, atualmente, chamamos de clássicos do catálogo dos Death Grips com músicas como Beware, Guillotine e Spread Eagle Cross the Block. E assim, uma vez que entrou na vida de várias pessoas pelo mundo fora, dificilmente saiu, com a criação de um “cult following” de fãs esfomeados por música semelhante, que serviram de base de apoio para a música espetacular que os Death Grips lançaram nos anos posteriores. Honorable Mentions: Harvey-Let England Shake; Bon Iver-Bon Iver 6 - Sound, Outubro 2019

Texto de Pedro Almeida 6


Em outubro de 2012, os Tame Impala decidem lançar Lonerism, o segundo álbum da banda, gravado no estúdio caseiro de Kevin Parker com a ajuda de Jay Watson, “live member” do grupo. Chegava-nos às mãos um álbum diferente do anterior Innerspeaker, onde a guitarra era predominante. Desta vez, o uso de sintetizadores é claramente maior e, em algumas músicas, o instrumento de cordas é relegado para segundo plano.

2012: Tame Impala Lonerism

O amor, desamor e a solidão continuaram a ser os temas abordados por Parker, num álbum onde o psicadélico se reúne com algumas nuances pop. Algumas das músicas neste álbum tornaram-se obrigatórias para quem é fã da banda, com destaque para Feels Like We Only Go Backwards e Elephant, que serviram de catapulta da banda para o sucesso. Honorable Mentions: Frank Ocean-Channel Orange; Kendrick Lamar-good kid, m.A.A.d city

A opinião era consensual. Repetir o sucesso de Contra (2010)

seria muito difícil para a banda nova-iorquina. O grupo provou o contrário e brindou-nos com Modern Vampires of the City.

Este álbum serviu como um distanciamento da sonoridade que tinham alcançado com os dois trabalhos anteriores. Para isso acontecer, muito mudou. A produção foi diferente do anterior, com recurso a uma menor variação de instrumentos (a banda quis afastar-se do som eletrónico de Contra). As letras tornaram-se, também, mais pessoais por parte de Rostam e Koenig, sendo que este último canta sobre os mais variados temas como a juventude, maturidade, religião, descontentamento com a política do país (E.U.A) e até sobre a sua relação amorosa.

2013: Vampire Weekend Modern Vampires of the City

Se em Contra, tínhamos “acesso” a músicas com variantes eletrónicas, em Modern Vampires of the City vemos um lado mais “clássico” da banda, que usa apenas instrumentos como o piano e a guitarra como grande alavanca do disco. Step, Diane Young e Ya Hey, são alguns dos maiores êxitos da banda, que fazem deste álbum um enorme sucesso de vendas. Honorable Mentions: The National-Trouble Will Find Me; King Krule-6 Feet Beneath The Moon 7 7 - Sound, Outubro 2019


A banda dinamarquesa voltou, em 2014, para o seu terceiro LP de estúdio, Plowing Into the Field of Love, depois de ter lançado You’re Nothing no ano anterior. Num álbum diferente dos dois antecessores, o grupo tornase mais abrangente, com os instrumentos a ser os grandes “companheiros” de Elias Bender Rønnenfelt, vocalista da banda. A melodia encontrada é mais arrojada e as “chord progressions” tornam-se mais harmoniosas mas, não deixou de ser o que era, com o típico som pesado e noise punk, proveniente da guitarra e da bateria. Contudo, a experimentação de novos elementos como o piano e o violino deram um novo rumo aos dinamarqueses. Como cereja no topo do bolo, encontramos a habitual poesia de Elias (o inglês é a segunda língua dele!), que como um grande poeta, a declama com a habilidade de partir qualquer coração.

2014: Iceage Plowing Into the Field of Love

O que podemos constatar é que deste álbum, saíram algumas músicas que viriam a tornar-se importantíssimas na discografia dos Iceage, não só pela qualidade (propagada por todo o disco), mas também pelo que significou na evolução da banda. The Lord’s Favorite, How Many e Forever são exemplos disso mesmo. Honorable Mentions: Mac Demarco-Salad Days; Swans-To Be Kind

Depois de ter perdido, injustamente, o Grammy de melhor álbum rap, em 2014, para Macklemore, Kendrick Lamar conseguiu finalmente o tal desejado prémio, em 2016, com To Pimp a Butterfly (apesar de ter perdido o de melhor álbum do ano mais uma vez, injustamente, para Taylor Swift). To Pimp a Butterfly é provavelmente o melhor álbum da discografia de Kendrick Lamar, e isso é difícil, porque tudo o que lançou até ao momento roça a perfeição.

2015: Kendrick Lama To Pimp a Butterfly

O uso da música jazz como instrumental é uma arma que poucos usam. Pelo menos da maneira que Kendrick o faz. Temos For Free? como grande exemplo. Uma música, que claramente podia fazer parte do filme de Damien Chazelle, Whiplash. Por cima destes instrumentais, quem mais do que a voz de Kendrick para falar sobre assuntos como a discriminação da raça negra nos Estados Unidos, algo a que o artista responde dizendo “We gon’ be alright”. Para servir de contraste, Kendrick mostrase confiante em King Kunta, ao reivindicar o trono do hip hop. Honorable Mentions: Tame Impala-Currents; Vince StaplesSummertime ‘06

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Depois de Channel Orange em 2012, muitas foram aqueles que começaram (e continuaram) a acompanhar o trabalho de Frank Ocean. No entanto, o tempo de espera pelo segundo álbum, Blonde, foi longo (quatro anos!). Podemos dizer que valeu a pena. Comecemos pela capa. Bem… a capa serve de aviso prévio para aquilo que nos vai acontecer depois da audição do álbum na íntegra.

2016: Frank Ocean Blonde

Logo em Nikes, temos a prova viva de que Frank Ocean soa sempre bem, seja em pitch elevado ou normal. Apercebemonos, também, que este álbum vai ser duro a nível emocional quando Frank tem letras como “He don’t care for me, but he cares for me/And that’s good enough”. Ao longo do LP, Ocean aborda temas como o amor, solidão e depressão. O ponto mais alto acontece em Solo, onde Frank canta sobre todos os temas de uma forma inexplicável, ao longo de um instrumental abstrato e avant garde (algo que acontece em todo o álbum composto por 17 faixas). Honorable Mentions: Danny Brown- Atrocity Exhibition; David Bowie-Blackstar

2017 ficou marcado por muitos acontecimentos. Mas ficou tudo bem à medida que os Brockhampton divulgavam novos álbuns. Não houve melhor banda nesse ano que este coletivo de hip hop alternativo e isso temos de admitir. Quem consegue lançar três álbuns num ano com tanta qualidade? Só estes miúdos (e talvez os King Gizzard and The Lizzard Wizard). A verdade é que o fizeram sozinhos. Tudo foi feito na casa deles. Músicas, “art”, vídeos, merch… tudo elaborado no mesmo local.

2017: BROCKHAMPTO SATURATION TRILOGY (I, II, III)

A autointitulada boyband, começou a fazer furor no mundo da música hip hop com o lançamento de músicas todas a semanas, um mês antes do lançamento do primeiro Saturation. Toda a gente os comparava com os Odd Future de Tyler The Creator, só que rapidamente percebemos existiam diferenças. Estes rapazes só queriam ser estrelas pop, com o objetivo de se tornarem na melhor boyband desde os One Direction. Alcançaram esses objetivos rapidamente e ninguém ficou indiferente à banda. Na trilogia houve lugar para tudo. “Hype songs”, baladas e até canções indie (as últimas de Bearface) fizeram com que não haja ninguém que ouça Brockhampton e não goste. Honorable Mentions: Father John Misty-Pure Comedy; Tyler The Creator-Flower Boy

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Mais um álbum, mais uma grande evolução de Alex Turner e companhia. Desta vez, a banda deu uma volta de 360 graus e esqueceu as guitarras e as canções sobre amor e desamor. O grupo teve como principal foco uma sonoridade baseada em pianos e sintetizadores, com letras relacionadas com tecnologia e ficção científica. Pela primeira vez, um álbum dos Arctic Monkeys tem uma temática forte, com a totalidade do disco a “girar” à volta de um hotel na lua (que teve uma “review” de quatro em cinco). Em Tranquility Base Hotel Casino, o dono do hotel apenas queria fazer parte dos The Strokes (Sim, é Alex Turner).

2018: Arctic Monkeys Tranquility Base Hotel Casino

Estas canções, que até poderiam sair da cabeça de um David Bowie francês, trazem-nos letras incrivelmente carregadas de metáforas (habituais em Alex Turner) até aos típicos riffs de Jamie Cook, o resultado acabou por ser uma experiência bem conseguida. A verdade é que a qualidade das faixas é incrível e conseguimos verificar que os Arctic Monkeys estão em grande forma. Honorable Mentions: Marlon Williams-Make Way For Love; Blood Orange-Negro Swan

Depois da habitual pausa de dois anos, Tyler The Creator regressou para o seu quinto álbum, IGOR. Tyler fez questão de anunciar que IGOR não era como qualquer um dos seus outros discos e, principalmente, fez questão de afirmar que não seria um “rap album”. Nesse aspeto, é notório que isso veio a acontecer. Tyler The Creator continuou a diminuir os versos “excessivos” que, segundo ele, estavam a mais e deixou só o que importa, que são os sentimentos e os instrumentais.

2019: Tyler The Creator IGOR

Para quem é conhecedor do trabalho do artista há algum tempo, sabe-se o quanto Tyler é fã de tudo e mais alguma coisa no que toca a música. Sendo o soul a sua grande paixão, voltamos a encontrar grandes influências desse género musical nas “chord progressions” e nos samples, utilizados maravilhosamente. Nesta ocasião, influências da música produzida nos anos 80 no Reino Unido também tiveram grande preponderância. O álbum composto por doze faixas, conta a história de amor/ ódio entre Tyler e uma pessoa por quem ele está apaixonado. Se em EARFQUAKE e I THINK, Tyler se está a apaixonar por essa pessoa (“I think I’m falling in love”), em GONE GONE/ THANK YOU e I DON’T LOVE ANYMORE esse amor que o artista sente já está prestes a ir embora (“My love is gone”), tal como a própria pessoa. No final, Tyler ainda se questiona se continuam amigos, em ARE WE STILL FRIENDS? Honorable Mentions: Weyes Blood-Titanic Rising; Julia JacklinCrushing 10 - Sound, Outubro 2019

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Já com oito anos de existência, The Garden, duo composto pelos irmãos gémeos Wyatt e Fletcher Shears, tem vindo a mudar o panorama punk (e não só) norte-americano. O nome simples - é descrito pela banda como uma comparação entre o crescimento da relva de um jardim e a evolução da banda, a nível musical. O duo já fez questão de explicar e classificar a sonoridade que produzem. Resume-se à expressão “vada vada”, que segundo Wyatt significa “uma ideia que representa uma expressão criativa pura, que desvaloriza qualquer outro estilo e ideais da música antes feitos”. Entretanto, Vada Vada tornou-se

cerca de sete meses depois, chega à internet Everything Is Perfect e, nesta ocasião, quase todas as músicas tem pelo menos um minuto. Neste trabalho, destaque curioso para uma faixa com nome retirado da língua de Em 2012, lançaram o primeiro EP – Camões, Estamos Aqui. anteriormente chamado The Garden Mas desengane-se quem pense - com o nome Burguer Records Tape, inspirado na editora que os que os gémeos estiveram sempre representava naquela época. A juntos. Ambos criaram o seu projeto banda “levou” o termo curta duração a solo, mas sempre “presos” ao a sério, visto que num total de 12 cunho experimental e ao “vada faixas, apenas uma transcende a vada” proveniente da banda. Em marca de um minuto. Serviu, mesmo conjunto, os projetos Enjoy (Wyatt) assim, para nos introduzir o som punk e Puzzle (Fletcher) já deram ao (com nuances eletrónicas) da dupla, mundo um total de 20 álbuns – 8 e ou seja, o tal “vada vada”. A espera 12 respetivamente. pelo segundo EP foi escassa, visto que até nome de um canal de Youtube da banda, que funciona como uma editora discográfica para outros artistas, para além dos projetos paralelos dos dois irmãos.

CIDADE DA LUPA 11


O ÁLBUM DE ESTREIA O ano de 2013 foi marcante para os irmãos, com o lançamento do álbum de estreia. The Life and Times of a Paperclip é o nome que a banda deu ao conjunto de 16 faixas que apresentam no LP. Neste disco, encontramos o som a que já fomos habituados. O instrumental punk e no wave, complementado com gritos, berros e sussurros dos irmãos. Com a ironia quase sempre presente nas letras, músicas como Vada Vada (homenagem ao próprio estilo) e I’m A Woman foram os principais destaques do primeiro trabalho.

A fonte de inspiração do duo norteamericano estava a transbordar e não foi preciso esperar muito para mais um lançamento de um EP. Desta vez, Rules não veio trazer nada de novo, visto que no total de seis faixas, duas são retiradas do segundo EP da banda (Estamos Aqui e Spirit Chant).

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Após um período de quatro anos sempre “atarefado”, a banda decidiu parar e só voltou em 2015. O regresso foi tão surpreendente que para “festejar”, nada melhor do que intitular um 7’’ com o título Surprise, acompanhado por This Could Build Us a Home como B-side. As novidades não estavam “solteiras” e, para além dos singles, a banda assinou com a Epitaph Records, editora conhecida por apostar forte no hardcorepunk. Não demorou muito até que as críticas dos aficionados do punk começassem a surgir para ambos os lados, alegando que a banda e a editora não seriam o “casamento perfeito”. Com isto, o grupo quis responder e anunciou haha, segundo LP do grupo, que teve All Smiles Over Here como primeiro single. Desta vez, por contrassenso que possa parecer, encontramos uns The Garden iguais com mudanças.

Apesar de continuarem fiéis ao som que traziam dos lançamentos anteriores, vemos uma banda mais madura e conseguimos, em haha, ver músicas que têm cabeça, tronco e membros. Os melhores exemplos para provar isso são Vexation e Egg. Para os The Garden, o ano de 2016 foi marcado pelo apresentação de inúmeros singles como Play Your Cards Right, Call This # Now e California Here We Go, que acabam por ser as “malhas” mais conhecidas do duo, embora não façam parte de nenhum trabalho discográfico. Pouco tempo depois, em 2017, lançam U Want The Scoop? Neste quarto EP, a banda continua com a inclusão de sonoridades eletrónicas que tinha vindo a implementar em lançamentos mais recentes.


PARCERIA COM MAC DEMARCO O duo, já com algum reconhecimento da parte do “público punk”, voltou em 2018 aos álbuns. Como avanço de Mirror Might Steal Your Charm, saiu o videoclipe de No Destination - uma das músicas mais bonitas do LP - e do single Stallion. Aqui estava a resposta (mais concreta) para os críticos que achavam que a banda não sabia fazer música punk. As letras, estruturadas e bastante ricas, complementam instrumentais que ultrapassam sempre os dois minutos, algo que não era habitual nos trabalhos iniciais.

Este ano, a banda libertou o single que os transportou para a ribalta. Apesar de já terem uma “fan base” razoavelmente grande, foi através de Thy Mission que os The Garden chegaram às bocas do mundo, muito provavelmente graças à participação de Mac Demarco na música. Atualmente, a banda está em tour a apresentar Mirror Might Steal Your Charm. Resta-nos acompanhar aquilo que os irmãos Shears tem para oferecer nos próximos tempos.

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ENTREVISTA ICEAGE No passado mês de novembro, os Iceage regressaram a Portugal e a SOUND aproveitou para estar à conversa com uma das maiores bandas do punk atual. O grupo, formado por Elias Rønnenfelt (vocalista), Dan Nielsen (bateria), Jakob Pless (baixo), Johan Wieth (guitarra) e Casper Morilla (guitarra), falou sobre os dez anos de existência da banda e perspetivou o futuro do próximo álbum, que será gravado em Lisboa.

não tínhamos mais nada a acontecer, decidimos arrancar para a estrada. Sound: Como descreveriam o vosso som? Elias: Não sei. Jakob: O som? Não sei. Nós deixamos isso para as pessoas que ouvem. Sound: Como é o vosso processo? Primeiro a letra, a melodia…?

Sound: Para começar, gostaria de Jakob: Varia. saber qual é a origem do nome Iceage? Dan: Normalmente vem a música acho eu e depois tudo vem junto. Jakob: Para ser sincero, nós tínhamos de arranjar um nome Jakob (para Elias): E eu acho que porque saímos de um concerto e… às vezes quando tu escreves, não acabamos por ficar com esse nome, sei…, às vezes tu escreves as letras não há nenhuma razão em especial. primeiro.

Sound: Acham que para escrever músicas tristes é preciso estar/ter momentos tristes?

Elias: Não necessariamente, acho que há muitos tipos de tristeza. Desejo ou melancolia não precisa de ser uma coisa má. Penso que isso faz parte de nós e é algo que podemos Elias: Uma grande “tempestade” de Elias: Às vezes, não há uma fórmula estimar também. palavras na verdade… fixa. Jakob: Não, às vezes nós juntamos- Dan:Eu penso que ao experienciar Dan: Nós estávamos a passar por mos e trabalhamos a partir daí. isso no passado, tu provavelmente várias sugestões e decidimos essa. vais lembrar-te desse tipo de Sound: Elias, tu escreves as letras, sentimento quando estás a tentar “Não tínhamos nenhuns só tu? expressá-lo. A música nunca é

sonhos e ambições em viver da música. De repente, o mundo abriu-se com a possibilidade de fazer tours e decidimos arrancar para a estrada.”

Elias: Sim.

sempre só triste ou solitária e feliz.

Sound: Quando é que decidiram que queriam fazer da música como forma de viver? Elias: Nós nunca decidimos na verdade. Até “tropeçamos” nela. Nós estávamos a fazê-lo para passar o tempo e porque parecia ser a única coisa sensata a fazer. Não tínhamos nenhuns sonhos e ambições nisso. De repente, o mundo abriu-se com a possibilidade de fazer tours e como 14


“Desejo ou melancolia não precisa de ser uma coisa má. Penso que isso faz parte de nós e é algo que podemos estimar também.”

Elias: Tanto quanto nós mudamos e crescemos como pessoas, a música cresceu connosco. Começamos como uns inúteis adolescentes anti sociais e arruinados e agora somos uma cambada de adultos inúteis (risos).

novas camadas. Neste momento, há cerca de um ano, que acrescentamos uma guitarra extra ao vivo. Isso é ótimo. Elias: Sim, optamos por experimentar mais instrumentação.

Jakob: Isso é complexo sabes, as pessoas são complexas. Sound: Ao longo do tempo vocês incorporaram novos instrumentos Sound: Acham que as influências Sound: Vocês já existem há algum como o saxofone. No início o vosso que tinham no início já não são as tempo. Quais são as diferenças entre som era mais “punchy”, mais “dark” mesmas? o início e agora? O que mudou? e agora juntaram novos elementos… Jakob: Muito mudou.

Dan: É sempre benéfico acrescentar Elias: Claramente. Sim, nós estamos sempre a absorver música e vida, impressões de toda a parte e de alguma maneira isso é processado, através de um “moedor de carne”. Depois, sai como o produto que é. Mas sim, tu estás sempre a variar por diferentes obsessões, fases da tua vida e a tua música reflete isso. Sound: Quais são as obsessões neste momento?

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Jakob: É sempre difícil de dizer, sabes? Se por exemplo estiveres a ler um livro, podes nem saber que estás a ser inspirado por ele. Eu acho que muitas vezes tu percebes depois “okay eu fui inspirado por isto”. É difícil dizer.


Sound: Vocês trabalharam com a Sky Elias: Nós não o fizemos muito… Ela Ferreira em Pain Killer. Sabiam que foi a única. ela é de ascendência portuguesa? Sound: Há alguma voz que acham que possa estar em mais canções? Elias: Sim. Sound: Como foi trabalhar com ela? Elias: Há, mas eu prefiro não dizer. Elias: Ela é incrível. Durante a fase da escrita dessa música, nós sentimos que ter outra voz como complemento da canção iria mudar ainda mais o significado dela, iria elevá-lo. Ela fez a cena dela e tem uma personalidade tão forte como pessoa que ficamos muito contentes por ela ter participado.

“Vamos gravar um álbum em Lisboa.” Sound: Qual é o futuro no caminho Jakob: Lugar incrível. dos Iceage? Dan: Sim, lindo. Elias: Gravar um álbum em Lisboa no mês que vem. Elias: Eu adoro. Desde o segundo em que saí do carro, fui para as ruas de Sound: A sério? Porquê aqui? Lisboa.

Sound: Para o próximo álbum, estão a pensar em mais colaborações? Elias: Porque gostamos. Encontramos um homem em Lisboa e gostamos “Na Dinamarca começam a Elias: Vamos ver. bastante do estúdio. Simplesmente aparecer novas bandas” faz sentido. Jakob: Vamos ver, não decidimos. Sound: O que acham de Portugal? Sound: Existem muitas diferenças Sound: Gostariam de colaborar com entre a Dinamarca e Portugal? mais alguém?

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Jakob: A Dinamarca é escura e fria durante oito meses num ano… Não estou aqui para falar mal do meu país, mas a culinária não é muito boa, a meteorologia é má e é um país caro. Sound: Gostam de Portugal? Dan: Sim, gosto do aspeto daquilo que há para ver e dos monumentos que foram mantidos. Elias: Eu fico sempre ansioso para comer peixe frito com meio limão. Jakob: Lugar incrível. Sound: Sobre o panorama musical na Dinamarca. Existem novas bandas a aparecer? Jakob: Sim, existem novas bandas a “arrebentar”. Nós não passamos lá muito tempo por isso ainda não consegui apanhar muito bem o que se está a fazer lá. Sound: Qual é o principal estilo? Elias: Tudo. Jakob: Tudo, está a aparecer muita musica eletrónica. Sim, estão muitas bandas a começar agora.

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MUCHO FLOW FESTIVAL No início do mês de novembro, Guimarães acolheu uma vez mais o Mucho Flow. O festival, que voltou para a sétima edição, serviu de note para o aniversário da Revolve, organizadora do evento, que celebrou 10 anos de existência. Como “prenda de anos”, o festival decidiu fazer uma versão alargada, visto que foi a primeira vez que teve a duração de dois dias. Para além disso, o evento teve como palco três espaços da cidade: o CIAJG (Plataforma das Artes de Guimarães), o antigo edifício dos CTT e o São Mamede CAE. O festival, que ano após ano aposta em bandas/artistas emergentes de todos os estilos, teve na 7ª edição os Iceage como grande cabeça de cartaz. Para além da banda dinamarquesa, a Revolve brindou-nos com imensos artistas em ascensão como os Heavy Lungs (punk), Bbymutha (hip hop), Croatian Amor (electro) e o português Chinaskee (pop rock). No primeiro dia do festival, Dada Garbeck, também conhecido por Rui Souza, teve a honra de inaugurar as hostes do Mucho Flow. No Palco Revolve (CIAJG), o músico natural da cidade berço apresentou-se em formato “big band” e apresentou o seu trabalho de estreia The Ever Coming. De seguida, a dinamarquesa CTM exibiu o mais recente álbum, Red Dragon. Num concerto intimista, que fez parte do showcase 10 anos da editora Posh Isolation, Caecilie Trier explorou as cordas acústicas e efemeridades digitais combinadas com a sua voz. Para fechar o primeiro dia no Palco Revolve, Hiro Kone com o techno de Pure Espenditure.

HEAVY LUNGS FORAM O “WARM UP” PERFEITO PARA OS ICEAGE A música seguiu para o Palco Super Bock (Antigos CTT), onde Croatian Amor abriu com a sua eletrónica pop. A grande expectativa do primeiro dia estava para o que viria a seguir. Heavy Lungs, banda de Bristol e liderados pelo estro dos IDLES, Danny Nedelko, vieram a Guimarães apresentar o novo EP Measure. Donos de um punk rock pujante, a banda inglesa abriu (e bem!) o palco para os Iceage. Num concerto que durou mais de uma hora, a banda dinamarquesa explanou em palco tudo aquilo que já se esperava. A mistura do post punk, hardcore e pop gótico, apresentado nos quatro álbuns do grupo, serviram de mote para um concerto repleto de energia. Para terminar o primeiro “round” do Mucho Flow, a festa passou para o São Mamede (Palco Mucho), onde a música eletrónica tomou conta a noite dentro. Damien Dubrovnik, dupla formada por Christian Stadsgaard e Loke Rahbek, abriram o palco com a combinação de música eletrónica e sons de instrumentos clássicos como o violoncelo e o órgão. Seguiu-se Shapednoise, que trouxe as experiências carregadas de sonoridades da música noise e hardcore. Já depois das 3h00, JASSS continuou a festa que iria terminar com a atuação de Tendency. 18 18 - Sound, Outubro 2019


O segundo dia do Mucho Flow, que tal como o primeiro foi repleto de chuva, começou com Gabriel Ferrandini e as suas combinações acústicas e amplificadas. De seguida, tivemos Marco Franco, um elemento dos Montanhas Azuis, que iriam atuar mais tarde. Num concerto minimalista apenas com um piano, Marco transportou-nos para o seu universo numa das salas de exposições da Plataforma das Artes. Para “fechar” o Palco Revolve tivemos Holocausto Canibal, que nos apresentou o death metal que nos têm habituado desde 1997. Foi a primeira presença do estilo no festival.

Mais uma vez, o início da noite estava reservada para os antigos CTT. Chinaskee, acompanhado pela sua banda, foi quem aqueceu a plateia do palco Super Bock. O português fez uma amostra do seu novo álbum Bochechas que será lançado em 2020 pelas mãos da Revolve. O talento português continuou em alta com o concerto de Montanhas Azuis, liderados por Bruno Pernadas. O trio apresentou o “dreamy” analógico de Ilha de Plástico. Para fechar o palco Super Bock, tivemos a única presença hip hop deste ano no Mucho Flow. Trata-se de Bbymutha, que veio acompanhada por Born In Flamez (que iria atuar mais tarde no São Mamede). A rapper norte-americana, que já captou a atenção de artistas como SZA e Kehlani, trouxe a Guimarães letras que invocam o “girl power”.

A ARTE VISUAL DE AMNESIA SCANNER Para terminar o festival, nada melhor do que centrar atenções na pista do São Mamede. O som experimental e eletrónico de Die Von Brau foi o “warm-up” para Amnesia Scanner. A dupla finlandesa estreou-se em Portugal (continental) e trouxe o impactante espetáculo audiovisual. Seguiu-se Born In Flamez, que tinha atuado anteriormente com Bbymutha. A combinação de géneros como o pop, lofi e grime não desiludiu ninguém. A noite continuou com o português Djrum, que contagiou a pista do São Mamede com o seu dubstep. O artista apresentou o álbum Portrait With Firewood, com os dançáveis singles Hard To Say/ Tournesol. Para terminar o festival, as honras estavam destinadas para DJ Lynce, mas o mesmo teve de cancelar por motivos de saúde. A Revolve não demorou a encontrar substituto e trouxe de volta Tendency, que tinha fechado a noite anterior e acabou por concluir aquela que foi a edição mais ambiciosa do Mucho Flow.

MUCHO FLOW FESTIVAL

O EFEITO “HIPNOSE” DE MONTANHAS AZUIS

19 19 - Sound, Outubro 2019


B FACHADA

O que é nacional é bom

continuo a andar, porque geralmente vou atrasado para todo o lado. Sigo à risca os conselhos do meu pai: Devagar se vai ao longe! O problema é que eu longe, de facto, chego. Chego é sempre atrasado, mas isso são outros quinhentos!). Em todo o caso, quem quiser relembrar os tempos de infância, inclusivamente voltar às inquietações da altura, é ouvir “B Fachada é pra meninos” (diga-se o que se disser, é também uma ótima oportunidade para mamar dois chupas e colar o resto dos cromos da caderneta da liga 2006/2007!).

B Fachada deixa-se levar pelo charro? B Fachada. B Fachada. B Fachada. B Fachada. B Fachada. B Fachada. B Fachada. Agora que já sabem de quem estamos a falar, vamos dar início a esta alocução, que já se faz tarde e eu tenho de ir ver a novela.

Para quem diz que sim, engana-se! Em última análise, o que se pode dizer é que quem leva o charro é B Fachada (o que até é bom, porque se formos fumar os dois, sobra-me mais dinheiro para o lanche!). Assim à cabeça, só me ocorre Quem quer fumar com o B Fachada e Está na hora da passa. O que é que isto diz sobre B Fachada? Que é drogado? Não! Diz três coisas de absoluta importância. Primeira: Que faz muito boa música. Segunda: Que é uma pessoa de hábitos. Terceira: É altruísta! Eu tenho amigos que fumam e não convidam!

Quando se fala em B Fachada, vem-me logo à cabeça o meu primo B Nâncio. Não que ele também seja músico, mas está sempre a tocar o “pifarinho” (diz ele que é a sua música favorita, vá-se lá perceber). Contudo, o nome surge na minha cabeça porque, numa ocasião, o meu primo também “levou” música de duas ucranianas que conheceu numa danceteria na baixa. Disse-me ele que, Devemos estar à espera, ou procurar? parecer até parecia, mas só lhes faltava ser mulher! Em todo o caso, foi como calhou e ele até gostou. Vai Eu, na condição de conselheiro amoroso, digo: não da sorte de cada um! sei! O que sei é que B Fachada (2009) é o memorial do desencontro amoroso. Quem nunca? Desde que deixei E quando me dizem que B Fachada é de sair com a Margarida, nunca mais consegui ouvir o para meninos? álbum de fio a pavio sem verter uma lágrima. Mesmo assim, estando à espera ou procurando, o Bom, aí nada posso fazer. Passo o atestado de melhor é começares a escrever umas músicas porque “atentado à intelectualidade” e continuo a andar (Sim, tempo para cantar não te vai faltar (assim como temas 20


para as letras). Mais tarde ou mais cedo, vai aparecer alguma coisa que te faça feliz, não te consumas! (Se puder escolher, que seja uma francesinha gratuita, que depois do charro que acabei de mandar vou ficar com muita fome!)

O que é nacional é bom? Não restam dúvidas. Só restam dúvidas sobre o que aconteceu em 98. Quer dizer?! Será que tem a ver com a récita de Carlos T? (olha eu a alimentar a intriga!). Será que Carlos T também é nacional? Carlos T não tenho a certeza, mas B Fachada é certamente nacional e bom! Não falemos das suas letras poético fenomenais, não falemos do desamor nem do futuro. Falemos antes do kit de prestidigitação com que B Fachada compõe as suas canções! Pelo que parece, conseguiu mantê-lo consigo e ainda bem!

Será que isto foi escrito como calha?

Quando se trata de B Fachada, claramente não é tudo como calha. Mesmo assim, ficamos por aqui porque já vai começar a novela e ainda tenho de responder a quem, por direito, me dá tendinite só de pensar. Lembrem-se: Fachada? Só não B quem não quer!

Adalberto Rodrigues

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Her’s Gone Too Soon A história dos Her’s é daquelas que podia estar retratada num filme. O duo, formado em 2015, teve apenas quatro anos de existência devido a um trágico acontecimento. Com apenas um ano de existência, em 2016, Stephen Fitzpatrick (24 anos) e Audun Laading (25 anos), lançaram Dorothy, o single de estreia. A divulgação desta canção despertou logo a atenção e o reconhecimento da crítica.

Songs of Her’s Em 2017, lançam Songs of Her’s, uma compilação que tem nove músicas. Aqui viríamos a conhecer uma banda versátil – nunca rotulada por um determinado estilo - mas fiel à sua sonoridade. Se em Dorothy tínhamos um lo-fi pop power, em Cool With You encontramos uma balada rock à la Mac Demarco. 22 22 - Sound, Outubro 2019

Invitation to Her’s A banda não ficou por aqui e, para aproveitar o sucesso/ reconhecimento arrecadado em Songs of Her’s, lançou o álbum de estreia, Invitation to Her’s. Neste “convite” para o mundo da banda de Liverpool, fazemos viagens para caminhos bastante diferentes. Num total de 11 faixas, onde Fitzpatrick canta sobre temas que fazem parte do dia-a-dia de cada um – temas “relatable” como o amor, “heartbreaks”, solidão, entre outros - encontramos “uplifting songs” como Low Beam e Love on the Line (Call Now) e baladas propícias para verter lágrimas, como Breathing Easy, She Needs Him e Under Wraps. Independentemente da lírica das canções, todas tem em comum: a guitarra, o baixo e sintetizadores utilizados de forma incrível por parte de Fitzpatrick e Laading.


Final inglório para um duo promissor Quando tudo corria às mil maravilhas, com a banda a fazer um tremendo sucesso por todo o mundo, tudo viria a acabar abruptamente no dia 27 de março de 2019. A caminho de um concerto na Califórnia, um acidente aviação acabou por tirar a vida ao duo e a Trevor Engelbrektson, tour manager do grupo.

Her’s

2015-2019

23 23 - Sound, Outubro 2019


24 - Sound, Outubro 2019

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Sound #3  

A revista SOUND, nasce da inquietação de querer partilhar e introduzir às pessoas, artistas do passado, presente e futuro da história da mús...

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