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Sim, sou um macho!

O genoma aperfeiçoado, p. 56

INDICE 44 Tem visto esta rapariga? Tânia Saraiva farta-se de entrar em nossas casas através da publicidade e nunca se tinha apresentado. Tivemos de ser nós a ir conhecê-la. Foi um prazer.

52 Queremos respostas!

Não avancem mais que ele espirra! p. 52

Victor Hugo Cardinali Perguntámos a este empresário do circo como é viver numa rulote de quase 40 mil contos e ele, claro, respondeu. Eis um homem que nunca se queixa.

56 Capa

A redacção da Maxim, p. 92

Yamila Nem só de Maradona vivem os homens como comprova esta argentina, quase sem dizer nada. Também não é preciso; basta olhar para ela.

64 Futebol

Perigos ao volante Há cada vez mais jogadores de futebol com azar na estrada. Excessos de juventude, instintos autodestrutivos ou falta de mãos para domar os bólides? História das tragédias portuguesas fora das quatro linhas.

72 Maria João Bastos

Prestes a brilhar numa telenovela, uma das mais bonitas actrizes portuguesas da nova geração revela porque é que há quem lhe chame Bão.

78 New York, New York

O genoma ao sol p. 102

Como de um momento para o outro, a Máfia da Big Apple deixou de ser o que era com a queda do império de John Gotti.

86 Atirámo-nos ao Atlântico!

Aly Landry Esta americana tem as medidas certas. E não é que aqui já ninguém consegue trabalhar?

92 Aviso à navegação

Você já sabia, mas tem aqui a prova: nem sempre tudo corre bem a bordo de um avião. E alguns só param no chão. Uma visita aos voos mais azarados de sempre. Não são Bruno Magli e nota-se! p. 26

26 Crónicas

Margarida Rebelo Pinto arrasa as roupinhas que os homens usam achando que fazem um figurão Sim, foi terrível! na discoteca às quatro da manhã. p. 64

Importa-se de não empurrar? p. 44

João Pereira Coutinho começa o seu dicionário cultural, levando-nos de Woody Allen ao pescocinho de Júlia Pinheiro. António Tadeia compara Figo a Eusébio e não tem problemas em fazer com que o "madridista" saia por cima. MAXIM Março 2001

5


E nós aqui tão sozinhos p. 72

INDICE 10 Circus Maximus

Passo já aí a buscar-te, barba p. 132

Destinos realmente perigosos (para homens de rija); tudo o que o primeiro-ministro tem de saber para se casar; uma almofada para quem não controla o ar interior; um top-model chamado Urânio e um guia para não ser apanhado outra vez nos mitos urbanos (embora possamos garantir a pés juntos que há um jacaré a viver nos túneis do Metro do Porto).

18 Perguntas e Respostas

Há quem queira saber porque é que os furacões têm nomes de mulher. E nós (que remédio) respondemos.

19 Anedotas

Para brilhar em sociedade ou para enviar por e-mail aos amigos.

20 Como Fazer

E depois do adeus! p. 136

... tudo melhor. Exemplos? Divorciar-se e ficar com a massa; cantar o yodle (nunca se sabe se não arranja uma namorada nos Alpes); levitar; escapar de um elevador encravado; livrar-se dos convidados que nunca mais vão embora.

38 Dr. Maxim Para a próxima, tragam o bife a horas! p. 78

Ainda estás de camisola? p. 30

Nunca mais vá ao médico que não é preciso.

42 Especialista Instantâneo

A Ferrari ganhou no ano passado, mas vai começar tudo outra vez. A Fórmula 1 em duas páginas, mas com uma grande fotografia.

100 Moda Maxim

O que vestir, quando vestir, como vestir e como fica vestido. Confusos? É de roupa que se fala, com especial destaque para camisas e gravatas, aquilo que faz o homem.

121 Guia Maxim Aperta, aperta que vais ver, p. 118

Tonturas? Com este frio? p. 39

Chica, que guapa es! p. 142

Os filmes, os discos, os livros, os jogos e os sites; mas também os melhores brinquedos para estoirar devidamente o seu dinheiro. Em seguida, acalme a pele e fique bem cheiroso porque é preciso voltar à vida real e convém ir preparado. Já agora, vá sonhado com o Maserati 3200 GT.

146 Última

Nunca ninguém disse que mudar de casa era fácil, mas se calhar não imaginava que seria assim tão difícil.

Objectos, p. 136


Carta do Director

Eis aqui os escravos das senhoras...

Domingos Amaral O director

(p. 72), para a pele de Aly Landry (p. 86) ou para a boca de Tânia Saraiva (p. 44) e vão perceber do que estou a falar. Sendo uma revista para homens, é natural que a Maxim mostre muitas mulheres. Afinal, nós homens somos mesmo assim. É a nossa natureza. Mas, não somos só assim. No mundo dos homens não há só mulheres. A Maxim não se esquece do resto das nossas vidas: do futebol (p. 30 e p. 64) aos carros (p. 132), passando por aquilo onde gastamos o nosso dinheiro (p. 99 e seguintes); dos crimes da Máfia (p. 78) aos acidentes de avião (p. 92), de tudo um pouco existirá na Maxim. No entanto, a Maxim não seria a Maxim se não fosse divertida. Os homens gostam de rir, de contar anedotas, de dar umas boas gargalhadas com os amigos. É esse o nosso espírito: na dúvida, em vez de nos preocuparmos, divertimonos. Espero que isso se sinta, tanto neste primeiro número da Maxim, como nos que se seguirão. E espero que todos se divirtam tanto a ler a Maxim como nós nos divertimos a fazê-la.

Há uns anos, viajei até à Argentina com dois amigos. Uma noite, numa praia a mais de 100 quilómetros de Buenos Aires, entrámos numa “boite”, a Ku. O que vimos deixou-nos deslumbrados. As argentinas (essa noite confirmou-o) são as mulheres mais bonitas do mundo. Orgulhosas e até distantes, não ligam nada às conversas dos homens, mas são lindas de morrer. Como a Yamila, a modelo da primeira capa da Maxim portuguesa. A última descoberta da marca de lingerie feminina que todos os homens conhecem, a Victoria´s Secret, é uma rapariga deslumbrante. Admirá-la e colocá-la na capa, é um tributo que lhe prestamos com alegria. Vai ser assim a Maxim: uma vassalagem permanente à beleza das mulheres. Aqui, admiramos muito a beleza delas e, em vez de a guardarmos só para nós, mostramo-la ao mundo. Como dizia o outro: o que é bom é para ser ver. Por isso, esperem ver mulheres, muitas mulheres bonitas na Maxim. Sofisticadas, espantosas ou inesquecíveis, mas sobretudo belas. Olhem para os olhos da Maria João Bastos

Neste número da Maxim Os números frios e duros por trás desta edição Número de computadores estragados

4

Número de vezes que alguém exclamou “quero conhecê-la!”

133

Número de pessoas que escreveram Maxim com “e” no fim

3

Número de homens com pouca ou nenhuma auto-estima

0

MacDonald´s consumidos durante esta edição Peso global da redacção da Maxim

0

700 kg

Número de quilos perdidos este número

6 kg

Mulheres dominadoras dispensadas depois deste número Voluntários para o casting das modelos

1

44

Valor, em escudos, das comidas mexicanas consumidas

9400$

Bocados de comida mexicana apodrecida ainda escondidos na secretária do director Número de cigarros fumados pelo director

420

Número de paquetes que se perderam à procura de agências de modelos

YAMILA Fotografada por Michael Zepetello

8

Março 2001 MAXIM

12

7

Tempo, em minutos, que passou entre o fim do seminário de assédio sexual e a primeira grande festa da Maxim

34

Telefonemas para amigos presos que querem assinar a Maxim

22

Número de homens que prometeram mudar de hábitos

0


Estás a ver aquela desavorgonhada?

CIRCUS MAXIMUS

VAI UM PROGRAMINHA?

Calendário Maxim Dez razões para se

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31

Março 20 01

embebedar este mês Dia 2 Em Guam, uma minúscula ilha do Pacífico, os locais elegem as mulheres mais feias da terra, vestemnas com roupas de pele e desafiamnas a beber até à morte. Nome da brincadeirinha? Janis Joplin Day. Dia 8 Os albaneses passam um dia inteiro com uma maçã na boca e a roupa interior vestida ao contrário. Segundo eles, só assim conseguem atrair a atenção de S. Bibyk´s, o patrono local. Sim, são loucos.

MELHORIA BESTIAL DE IMAGEM

Vaì chamar vaca a outro A BSE, mais conhecida como doença das vacas loucas, tem uma fama terrível, mas injusta. Por exemplo, bem podia ser uma banda de música. O potencial é quase infinito. Senão vejamos: 1. os elementos do grupo podiam aparecer sempre de cabedal e dizer piadas do tipo: "Esta era maluca e agora é colete, ha, ha, ha", ou "como não funcionava bem da mioleira, fiz dela umas botas".

ainda levas uma tosa" (cantada ao som de "Losing my Religion" dos REM). Outros títulos para músicas: "Esplendor na Relva", "O.K. Currais"; "Manadas à Força", "Olho-de-Boi", e as baladas "Louca por Ti" ("ando louca, ando louca, louca por ti" (d’aprés João Pedro Pais). 5. Se a tigreza é moda, porque não os padrões de vaca? Toda uma linha de merchandising pode ser desenvolvida em função disso, com a vantagem de ser mais barata.

2. O guitarrista pode ter uma guitarra com a forma 6. Algumas "covers" são imediatas "Oh dos arcos do McDonald’s, Carol, I Am But a Fool", "Mad, Mad e a pele dos bombos do World" ou "Madness", já para não falar de baterista deve ter o "Milk and Honey" ou de "Even Cowgirls malhado preto e branco Get the Blues". Ó vaca, ó que linda vaca, bem visível, com um letreiro ó vaca sem mioleira! a dizer "aqui jaz uma gran7. O nome BSE também dá azo a grande de vaca". Já o vocalista podia atirar bifes para títulos na imprensa: "somos cornudos com muito o público, grelhados, fritos, ou simplesmente orgulho"; "loucos mas talentosos"; "avacalhados crus. com talento"; "a minha mãe não era uma vaca, 3. Os elementos dos BSE seriam, por direito próprio, os verdadeiros "cowboys".

mas não me importava" são tudo frases que atrairiam as atenções pela certa (com a vantagem de serem verdadeiras).

4. Grande parte das canções já estão escritas. Por exemplo, "a linda vaca da vizinha /ó minha querida mimosa/ não saias da caminha / que

8. A tournée podia chamar-se "Bifes com Batatas Fritas", no caso de a banda BSE ter umas raparigas jeitosas a fazer os coros.

Dia 9 Os judeus de todo o mundo celebram este dia como o único em que ninguém os quis varrer do mapa. Convide um para almoçar e celebre até à, ooops, é melhor ter calma. Dia 11 Nauticampo. Ou gasta tudo o que tem em barcos, tendas e esquis aquáticos, ou vai flutuar sobre os Gin Tónicos do Peter´s Cafe, no Parque das Nações. Dia 15 Os japoneses convidam-no para a Festa da Fertilidade, que eles denominam carinhosamente de Festival do Pénis. A atracção é um destes "rapazes" em madeira com mais de três metros de comprimento. Dia 18 Porto e Sporting jogam nas Antas para o campeonato. Concentram-se em Paulinho Santos, que tentará novamente fazer a vida negra a João Pinto para felicidade de todos os benfiquistas. Isto é que é desporto. Dia 25 Noite de Óscares. Como irá aparecer Jennifer Lopez? Dia 26 O "Best of" de Ricky Martin já deve estar à venda. Cantado em espanhol (Dios mio...) é excelente para oferecer aos seus inimigos.

TRÊS RAZÕES PARA ODIAR... GANDHI

Santo, oh Santo 1 2 Era um péssimo marido. Até pode ter amado todo a humanidade, mas deixou de amar a mulher, Kasturba. Não só lhe negava sexo, como terá tentado expulsá-la de casa num acesso de fúria.

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Era um pai mau como as cobras. Esperava dos filhos que seguissem o seu modelo. Gandhi era tão severo que o seu filho mais velho, Harilal, o renegou, converteu-se ao islamismo e, conta-se, morreu alcoólico.

3

Era um fraco exemplo. As suas greves de fome e corpo de resgatado do Biafra tornaram-se exemplos muito difíceis de seguir para outros activistas da paz. Basta pensarmos em Martin Luther King.

1

O número de concorrentes que em Portugal já venceu o “Quem quer ser Milionário”

Tive de separá-los! Estavam enrolados um no outro...


CIRCUS MAXIMUS

UM NÓ DOS GRANDES

Sim, Senhor Primeiro-Ministro António, pensa bem no que vais fazer. Olha que a boda custa caro

Esperam-se duzentos convidados na Quinta da noiva. A Maxim já fez as contas: 43 contos por conviva, uma óptima desculpa para não convidar Carrilho ou Gomes. Vá pelos seus dedos

Cheias radicais

Farto da chuva? Nesse caso o melhor é saltar para a água, e tentar aproveitar. Canoagem, "rafting" e windsurf são hipóteses em tempo de calamidades. Este ano foram os rios Mondego e Tejo que transbordaram. Nada mau. Em pleno Fevereiro, Portugal ofereceu-lhe, de mão beijada, um "oceano" gigante entre Coimbra e a Figueira da Foz e o já habitual lago que se forma, anos após ano, sobre o Vale de Santarém. E, no entanto, nessas águas lamacentas flutuavam apenas semirígidos dos bombeiros ou as barcaças de locais que defendiam os seus haveres. Não se percebe. A oportunidade de se lançar à água e ser um salva-vidas estava ali. Se não a aproveitou, da próxima cheia já sabe: tudo para a água. Passo 1 Escolha uma embarcação de jeito. Os especialistas indicamlhe o barco mais adequado para atacar leitos de rio. Canoa insuflável. A escolha Maxim – modelo Outside, marca Grabner. Luís Oliveira, da Econauta, aconselha esta espécie de canoa para dois (existe versão monolugar) porque se guarda num saco, onde cabe também a bomba, é muito manobrável, resistente e suficientemente rápido para radicalizar nas suas manobras. Pode andar na mala do carro à espera que chova. Caiaque. Em plástico. A maior desvantagem é o transporte. De resto, é resistente, manobrável e tão rápido como o Outside. Econauta "dixit". Bote de rafting. Em águas pouco rápidas, torna-se pesado e vai exigir muito dos seus braços. Windsurf. Vento não faltará. O resto é consigo. Se não é especialista, não se esqueça que pode não saber virar a tempo quando

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estiver apontado ao atrelado de um camião. Lancha. Semi-rígidos ou "jetboats". É esta a opinião de João Ricardo, do Centro Náutico. "Também se poderia usar um bote de borracha vulgar. Basta recorrer a um motor de coluna curta." O "jetboat", com motor de turbina (como as motos de água) é outra opção. E este dá para levar a família bem sentada. Passo 2 Evite Bombeiros e Protecção Civil Eles estão a fazer o trabalho deles, etc, etc, mas não se deixe iludir: eles não querem é que você fique com os louros dos salvamentos. Por isso, se vir semi-rígidos deles, fuga e esconda-se. Passo 3 Grande Slalom É o grande momento! É agora que vai mostrar o que vale! Depois de escolhida a embarcação e evitados os bombeiros, saiba quantos pontos marca por executar salvamentos, ou por evitar obstáculos que boiam nos rios.

Salvamentos Por cada habitante  10 pontos Por cada cabeça de gado  9 pontos Por cada peça de mobília de quarto  7 pontos Por cada Presunto  3 pontos Por cada Candeeiro ou "bibelots" de sala  1 ponto Obstáculos Evitar automóvel  8 pontos Evitar árvore  6 pontos Evitar máquina da roupa  5 pontos Evitar mesa de sala de jantar  4 pontos Evitar Tronco  2 pontos

1. Tendas para o jantar, missa campal cozinha: 3.300.000$ (a da missa é pequena que os socialistas não são papahóstias) 2. Uma vez que a transparência é valor querido a Guterres, pede-se luz: 350.000$ (a EDP pode ajudar que é para isso que existe uma “golden-share”). 3. Aparelhagens e colunas: 80.000$ (Jorge Coelho está proibido de se aproximar dos microfones). 4. Flores por todo o lado: 500.000$ (as rosas são com desconto). 5. Gerador (há que dar atenção aos pequenos detalhes): 175.000$ 6. Exterminação de mosquitos, baratas e outros animais: 190.000$ (Não inclui os paparrazzi). 7. Um coro de igreja bem-comportado e afinado: 220.000$ (não se aceitam autarcas do Norte, por mais religiosos que sejam) 8. DJ: 200.000$ (Atenção à idade dos convidados. Algumas tias podem explodir). 9. Fotógrafo (se o Homem Cardoso estiver disponível, talvez não leve nada): 250.000$ 10. Vídeo: 150.000$ (O custo pode ser recuperado depois de vender as imagens ao Contra-Informação). 11. Padre: estamos convencidos que o Melícias dá uma borla 12. Vestidos das criancinhas que acompanham a noiva (cor-de-rosa ou amarelo): 15.000$ cada 13. Comes e bebes: 3.000.000$ (carne assada e batatas fritas, o prato habitual em jantares de socialistas, estão terminantemente proibidos).

E a seguir, meu, Tahiti!


CIRCUS MAXIMUS

CURSO RÁPIDO E isto aqui é o quê, uma bexiga?

Mitos Urbanos

Crocodilos no esgoto e miúdos raptados em centros comerciais? Bem-vindo às maiores tangas dos tempos modernos. O que é um mito urbano? São narrativas que se transmitem oralmente ou por e-mail a uma velocidade semelhante à da luz. Têm sempre como base situações terríveis, humorísticas, humilhantes ou sobrenaturais e, muito importante, aconteceram sempre a alguém que não nós! Em 99% dos casos, são mentira.

quer coisa que imponha medo (radiações de telemóveis, águas contaminadas...). Tem de se passar no presente e tem de ter ocorrido num sítio reconhecível por toda a gente (no Colombo, no Aeroporto, no Hospital de Santa Maria) e tem ainda de ter acontecido a alguém normal, nunca a uma figura pública (a cunhada/o de um colega do escritório nunca falha).

Criar o seu próprio Mito Urbano É muito mais fácil do que parece. Primeiro, tem de estar relacionada com o quotidiano, de preferência com qual-

Como desmascarar um Mito Urbano Facílimo. Se a história soar vagamente familiar, é de certeza falsa. Se por acaso for original, mas cheirar mal, verifique se os

O telefonema do Urânio Aqui na Maxim decidimos lançar um novo rapaz numa profissão de futuro, como por exemplo modelo. Daí que tenhamos tentado promovê-lo através de um telefonema. Eis como tudo se passou: - Boa tarde, somos uma empresa que está a tentar colocar um modelo novo no mercado, e gostaríamos de saber se estão interessados. - É homem ou mulher? - É homem. - Como é que se chama? - Urânio. É o apelido, claro. O primeiro nome em joguslavo é difícil de pronunciar. - Hum...De que país vem ele? - Da antiga Jugoslávia. É eslavo. Tem um ar frio, distante. Não é muito comum este tipo de cara por cá. - E quais são as características dele? - É assim para o pesado. Forte. Parece frio. Mas pode modificar-se. Depende da roupa Não, a esse talk show não vou!

que usamos. Pode assumir um ar nobre, rico. Ou pode vestir coisas mais pobres. - E tem personalidade? - Sem dúvida. É daqueles tipos que ficam a pairar sobre a realidade, a sobrevoá-la. Emite uma espécie de electricidade. Como se tivesse um magnetismo que entra por nós adentro. - Excelente. E ele já trabalhou lá fora? - Já. Médio Oriente. Ásia Menor. Antiga Rússia. E claro, perto de casa, nos Balcãs. - E anúncios, entrou em alguns? - Sim. Na maioria roupa para homem, para usar em programas de aventura. E de jipes todo o terreno, daqueles tipo tropa. - Óptimo. Será que ele pode vir cá mostrar o portfolio? - Sim. O Urânio pode passar por aí amanhã. Às quatro, pode ser? - Ok, Combinado. Até amanhã.

jornais ou as televisões falam do assunto. Ao conQueriam-me convencer que trário da crença popular, os podia usar isto como rim. media raramente mentem. O mesmo não podemos dizer do seu colega de trabalho. Clássicos O Rim Voador: “um amigo do amigo" estava calmamente numa discoteca e que a última coisa de que se lembra é ter aparecido horas depois, num baldio em Chelas com uma costura nas costas. Mandado para o Hospital, descobriu-se que não tinha um rim! Há múltiplas variantes, mas o rim mantém-se por motivos desconhecidos. A carecada no shopping: A "cunhada de uma colega minha" foi às compras, quando, de repente, o filho (que tem sempre entre 6 e 11 anos) desapareceu. Os seguranças fecharam o centro e duas horas depois a criança sai de uma das casas de banhos, drogada e com o cabelo rapado. Bill Gates diabólico: Tudo porque o seu nome oficial, Bill Gates III, quando traduzido no código ASCII (um protocolo entendido por todos os computadores) dá o número 666. Num melhoramento, Gates aparece a dar 100 dólares a cada um que reenviasse os mails. Ou seja , o Diabo em pessoa fazia de anjo e dava 100 dólares a quem quisesse. Crocodilos no esgoto. Há um gigantesco crocodilo à solta nos esgotos de... (praticamente todas as cidades do mundo, consoante a versão). E porquê? Porque alguém comprou um crocodilo bebé e o deitou nos esgotos quando o bicho cresceu a ponto de não caber na banheira.

IDEIAS GENIAIS

Almofada Antigases Até que enfim que alguém se lembrou disto! O "Flatulence Filter" é o primeiro filtro de ar de carbono activado e anuncia-se como sendo a única solução não-química para os gases intestinais. Inventado pelo americano Frank Lathrop (sim, tinha problemas desses) o "FF" apresenta-se disfarçado de almofada. O sistema funciona da seguinte forma: escondido sob um tecido de tweed cinzento, um sistema de tratamento de ar patenteado – o Odor Eat’N Foam – emprega um filtro de carbono para impedir que os gases inadiáveis (e malcheirosos) cheguem à atmosfera do escritório e assim afastar a loura em que estávamos de olho. Já mandámos vir dez. Se quiser encomendar vá a www.flatulence-filter.com


CIRCUS MAXIMUS

p o n h a tu d o e m q u e stão E de repente, alguém gritou: “Hambúrger!”

Perguntas disparatadas com respostas geniais Há questões que o atormentam há anos? Respostas inexistentes nas enciclopédias? Venha até nós, que lhe tiramos as dúvidas P: Fala-se em lágrimas de crocodilo, mas será que eles choram mesmo? R: Embora o bicharoco prestes a ser transformado numa carteira para a Giselle Bündchen possa ter mil e uma razões para chorar, na realidade, os crocodilos não derramam uma única lágrima, simplesmente porque não têm glândulas lacrimais. No entanto, estes animais produzem, de facto, uma espécie de fluído que lhes humedece os olhos. Sendo assim, não é impossível derramar lágrimas de crocodilo, como não é impossível rir como uma hiena. Nestes casos, a

intenção é que conta. P: Por que é que em Londres ou Nova Iorque, os preços acabam sempre em .99? R: A explicação é muito simples: primeiro, porque os lojistas são gananciosos e depois, porque não passamos de uns tolos. Somos incapazes de perceber que qualquer coisa marcada com o preço $11.99 está muito mais perto de custar $12, do que $11. A chave deste enigma está no valor que antecede os tais 99 cêntimos, que iludem, dando a impressão de que se está a pagar um valor inferior ao real. Mas esta t r a d i ç ã o pode ter tido origem noutro raciocínio, bem mais manhoso como a

P: Por que é que os furacões têm sempre nome de gente? R: Durante séculos, as tempestades

Manuel, açoreano entretanto fugido para a América

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falta de escrúpulos dos empregados. Com preços em centavos, os engenhosos lojistas tinham de abrir as registradoras em todas as operações para darem o respectivo troco. Mas aproveitavam também para desviar algum para o seu bolso! P: É verdade que, se ligarmos o telemóvel num avião, ele despenha-se? R: Se é perfeitamente aceitável não ligar aos procedimentos de segurança que as hospedeiras gostam de fazer antes do avião descolar (para quê?), já quando nos pedem para desligar computadores portáteis, "headphones" e telemóveis, convém ouvir. E a razão é simples. A altitudes inferiores a 10.000 pés, estes brinquedos trabalham com frequências que oscilam entre os 190 quilohertz e os 2.5 gigahertz, precisamente a mesma banda em que os aviões operam durante a descolagem e a aterragem. Nesta coincidência de bandas, mesmo o mais pequeno dos Gameboys pode interromper as comunicações com a torre de controlo. Mas os telemóveis são os mais perigosos porque podem avariar os comandos do avião. Seja como for, nunca nenhum caiu por causa de um maroto que insistisse em ouvir George Michael durante a descolagem ou aterragem, pelo menos que se saiba. Assim, e de um determinado ponto de vista, a escolha é sua. M

zonas. Como diz Frank Lepore, do National Hurricane Center, em Miami: "No Pacífico, os nomes têm origem polinésia, enquanto no violentas eram identificadas para a Atlântico podemos escolher entre posteridade pelas suas coordenadas nomes espanhóis, ingleses, franceses – uma chatice – ou baptizadas com ou holandeses." Portanto, um furacão nomes de santos – uma blasfémia e Guterres está fora de questão. O uma estupidez (quem medo de um mesmo já não se passa com um furacão chamado S. Bernardo?). Em Chamaram-lhe Catarina? furacão António. 1953, o governo americano começa também por utilizar nomes de homens. Hoje em PERGUNTAR NÃO OFENDE dia, a World Metereological Organization Escreva para Maxim Perguntas Disparatadas, mantém o esquema e tem mesmo listas com Rua António Pedro, 111, r/c, 1169-010 Lisboa nomes disponíveis, cada um à espera do seu E-mail: maxim@maxim.iol.pt furacão. Mas o método difere em função das


Anedotas Maxim

E a noiva ainda ri... E se tiver uma anedota novinha e hilariante, o que é que lhe faz? Envia-a para a Maxim, pois então! A morada é Maxim, Anedotas, Rua António Pedro, 111, r/c, 1169 Lisboa e zás, correios. Ou então, envie-a por fax para o 213 118 505

Passeios de ida e volta

Dois excêntricos fazem um passeio de bicicleta quando, de repente, um deles pára e esvazia o ar dos pneus. "Por que é que fizeste isso?" pergunta o outro. "Não consigo chegar aos pedais, e pensei que assim seria mais fácil", responde o primeiro. O segundo abana a cabeça, desmonta da bicicleta e vira o banco e o guiador ao contrário. "E agora, por que é que fizeste isso?" pergunta o amigo. "Se vais ser estúpido", diz o segundo, "eu vou para casa".

A doença do Papa

O Papa estava muito doente e ninguém o conseguia curar. Então, os cardeais chamaram um médico velho, mas bastante recomendado. Depois de examinar o Papa, durante mais de duas horas, o médico encontrou uma solução: "Tenho uma boa e uma má notícia. A má notícia é que o Papa tem uma disfunção muito rara nos testículos. A boa é que pode ser curada. Com sexo." Os cardeais, nada satisfeitos com a cura, explicaram a situação ao Papa. "Estou de acordo", disse o Papa. "Mas imponho quatro condições." Os cardeais ficaram muito chocados. "E quais são as quatro condições?" perguntou um deles. "Primeiro, a rapariga terá de ser cega, para não poder ver nada. Segundo, terá de ser surda, para não poder ouvir nada. E terceiro, terá de ser muda, para, no caso de conseguir perceber com quem está, não poder contar a ninguém." Depois de uma longa pausa, um cardeal perguntou: "E qual é a

quarta condição?" "Tem de ter as mamas grandes."

E se começam a raspar, nem sabem...

Depois do nascimento do seu primeiro filho, o pai japonês decidiu falar com o obstetra. "Doutor, estou um pouco desiludido. A minha filha nasceu com o cabelo vermelho e não pode ser minha." "Nada disso", disse o médico. "Apesar de ambos terem o cabelo preto, algum dos vossos antepassados pode ter contribuído para a cor de cabelo da bebé." "Isso é impossível. As nossas famílias são completamente orientais", insistiu o japonês. "Então, quantas vezes é que tiveram relações sexuais este ano?" perguntou o médico. O japonês, um pouco envergonhado, respondeu: "Sabe, este último ano trabalhei muito, por isso só tivemos uma ou duas vezes por mês." "Então, está a ver, é mesmo isso. É só ferrugem", respondeu.

Alguém tem moedas?

Um casal encontrou um poço dos desejos. O homem inclinou-se e atirou uma moeda. A mulher decidiu fazer o mesmo, mas inclinou-se muito, caindo para dentro do poço. O homem ficou espantado e sorriu: "E não é que funciona?"

Proibido fumar, queridos

Um homossexual começa no seu novo emprego como ascensorista, quando entra um homem com um charuto acesso. Diz o homossexual muito delicadamente: "Desculpe, não é permitido fumar no elevador,

”Ainda agora casei e já comecei a levar na cabeça”

A S M E LH O R E S D A M A X I M

Manual de bom comportamento Uma noiva muito nervosa zangou-se com o marido, porque, na noite de núpcias, este se atirou a ela de uma forma demasiado devassa. "Exijo maneiras na cama. Tal como à mesa", disse a rapariga. "Está bem", acedeu o marido, deitando-se na cama e sorrindo para ela. "Está melhor assim?" perguntou. "Sim", respondeu a mulher. "Óptimo", disse o marido. "Então, não te importas de me passar a vagina, se faz favor?"

É agora ou ainda demora? Acabado o banquete, a noiva segreda ao noivo: "Vem comigo ao quarto. Já não posso mais." Chegados lá, ele abraça-a e diz: "Há tanto tempo que esperava por este momento!" "Também compraste sapatos novos e estás doido para tirá-los?"

não pode subir no elevador assim." "Ouça lá, não é a primeira vez que fumo aqui, e não vai ser uma ‘bicha’ que me vai proibir." "Lamento imenso, mas não pode subir com o charuto acesso." "Olha lá, meu imbecil, se não subir agora, sabes onde vou enfiar este charuto?" "Não adianta tentar agradar-me. Regras são regras." M MAXIM Março 2001

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SaibaComo FAZER TUDO MELHOR

Olha o que umas velinhas podem fazer

SAIBA COMO

“Feng Shuizar” o seu quarto “Dos quadros pendurados nas paredes, à cor dos lençóis, tudo nos afecta e reflecte aquilo que somos”, afirma Karen Rauch Carter, autora do livro “Mude as suas tralhas, Mude a sua vida”. Embora a arte chinesa do feng shui pareça ser o equivalente a um concurso de Miss t-shirt molhada em Vinhais – ou seja, um disparate total –, existe a possibilidade de a sua namorada o adoptar como a melhor coisa do mundo desde a invenção da Epilady

Faça o teste da “snifadela” Leve as meias e os calções suados e sujos para a lavandaria e abra a janela para arejar o quarto. Terá de passar algum tempo a limpar, inclusive todos aqueles lugarejos escondidos para onde, varre o pó. “Desordem debaixo da cama sugere a existência de desordem na cama”, confirma Carter. “E uma porta que não se abre completamente significa que você está perdido no seu caminho.” (Vê como tudo é lógico? E os chineses tiveram de fumar ópio para perceber isto!) Pulverize o quarto com um aroma citrino. Roube algumas flores do jardim do seu vizinho, e coloque-as num jarro, em cima da estante.

Livre-se das imagens negativas Se quer que o seu quarto seja confortável e convidativo, diminua a intensidade luminosa. As luzes fluorescentes agressivas dão ao seu

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encontro sexual a aura romântica de um exame ginecológico. Um computador ou uma televisão no quarto fazem-no passar por um viciado em trabalho ou por um vegetal de pantufas. Tire-os do quarto. Deite fora todas as fotografias de mulheres (especialmente as da mãezinha), bem como quaisquer imagens de erupções vulcânicas (demasiado violentas), cenas de Inverno (frígidas) e figuras desportivas (juvenis). Substitua-as por posters com paisagens de pores-do-sol ou campos verdes.

Material de relacionamento Chegou a altura de concentrar todas as atenções na zona do quarto onde a acção decorrerá. Empurre a cabeceira da cama contra a parede para que ambos consigam entrar sem lutas – ocupar a cama toda sugere que é um parvalhão egoísta. “Troque as duas camas por uma única

cama maior”, aconselha Carter. “Se não tiver dinheiro para fazer este ‘upgrade’, ao menos invista em duas almofadas.”

O canto caloroso Coloque estrategicamente duas velas verme­ lhas – simbolizando o par – no canto direito oposto à porta. Segundo o feng shui, este é o canto do sexo e do relacionamento. “Se aquecer este canto, aquecerá a sua vida sexual”, certifica Carter. Uma vez que o vermelho é a cor do amor e um estimulante de energia, ela ficará muito impressionada com a sua preocupação com o pormenor. Alusões ao Benfica são previsíveis, mas mude logo de assunto. Tenha sempre alimentos sensuais, como champanhe e chocolate, à mão de semar. Agora que ela está mais quente do que o Inferno em Agosto, ponha de lado a Maxim e dedique-se ao que interessa.


FAZER TUDO MELHOR SAIBA COMO

Livrar-se de convidados indesejados

Vai para o terceiro ou para o quarto?

Não seja hostil com o seu hóspede

SAIBA COMO

Escapar de um elevador encravado Acha que não é possível? Pense me­lhor. "Se costuma andar de elevador, é provável que fique trancado pelo menos uma vez na vida", afirma Ray Lapierre, vice-director da Associação Americana para a Segurança dos Elevadores e Escadas Rolantes. Tenha cuidado porque se alguma vez ficar encravado num elevador, os seus actos terão consequências irreversíveis.

Não abra as portas Parece ser o mais lógico, certo? Mas foi o que o porteiro do Hotel Dallas, Thomas Foley, de 26 anos fez quando o elevador onde estava ficou suspenso entre o décimo nono e o vigésimo andar. A equipa de salvação encontrou o seu corpo sem vida suspenso num cabo no décimo sétimo andar. Moral da história: mesmo se cair apenas alguns andares antes de chegar a um ponto de paragem, permaneça dentro do elevador. Os elevadores modernos são puxados por, pelo menos, oito cabos. Cada um é capaz de segurar um elevador, além de obedecer aos travões de emergência.

Baixe-se! As hipóteses de se magoar num elevador que cai são cerca de uma em 12 milhões, mas pode ainda minimizar esse risco. Se está a cair, baixe-se para suavizar o

Julgou que um antigo colega de faculdade ia passar apenas aquele fimde-semana em sua casa, mas dois meses depois ainda tem de olhar para a sua carantonha horrorosa, antes de sair para o trabalho? Quando a sanguessuga já lhe deu cabo da paciência, use as nossas dicas para livrar-se dele ou descubra outro parvalhão com as palavras "otário de serrviço" a piscar na testa e transfira para lá o encargo.

impacto improvável. Quando chegar a um ponto de paragem, carregue no alarme. Pegue no telefone de emergência e espere até que alguém responda. Em princípio, alguém ouvirá um toque de chamada.

Não perca a cabeça Pôr a cabeça de fora é também muito perigoso. Um operário de 27 anos, de Chicago, ficou parcialmente decapitado – e completamente morto – por espreitar no preciso momento em que outro elevador chegava ao andar onde se encontrava preso.

Cubra a cabeça "Tirámos os sapatos e ficámos atentas", conta Sharon Stone quando esta e a criada ficaram trancadas num elevador descontrolado. Isso não é absolutamente necessário, excepto se estiver com saltos altos, mas deve sim procurar objectos que o poderão proteger no caso de uma pa­ragem súbita o projectar para o tecto. (Sharon abrigou-se por baixo do carrinho de serviço da criada – é uma esperta­ lhona!). Esteja preparado para uma descida forçada para o chão. Se não existe nenhum objecto disponível para se proteger, imagine que está trancado com a Sharon e mantenha um sorriso nos lábios até a ajuda aparecer.

"Zangar-se com um convidado indesejado é sinónimo de perda do controlo dos seus próprios limites", avisa a psicote­rapeuta nova-iorquina Debra Burrell. Recuperar esse controlo deverá ser o seu objectivo. Tal como as carteiras vazias, os penetras vêm equipados com uma pele muito grossa, e os seus gritos constantes torná-la-ão ainda mais grossa.

Mate-o de fome Não esqueça que todos os parasitas têm de se alimentar, assim sendo não tenha, em circunstância alguma, comida em casa. Guarde as compras da mercearia e a cerveja no frigorífico do escritório. Quando o convidado indesejado se fartar de se alimentar a pasta de dentes, deixá-lo-á em paz.

Jogue a carta da fobia A época de desespero exige medidas desesperadas, por isso não exclua o suicídio como táctica de sobrevivência. Quando aqueles catálogos de vídeo porno com animais começarem a chegar, o seu hóspede depressa procurará um abrigo antes de se atrever a pedir-lhe sequer um cigarro. Esta é por teres comido o fiambre todo


FAZER TUDO MELHOR SAIBA COMO

Ó Vitor, és tu que tens a chave do cacifo?

Cantar o Yodl-eiiuuuuu O quê? O yodle consiste numa frase musical cantada, onde o tom ou registo vocal alterna entre um tom grave e um falsete muito agudo.

Onde? O yodle é popular onde existem montanhas, florestas ou qualquer terreno em que a comunicação visual é difícil. O tom agudo e oscilante do yodle chega a distâncias a que os registos normais de voz nunca chegariam. Assim, o yodle pode ser encontrado na Nova Guiné, México, China, Noruega, Canadá e na sua banheira, quando a água não está muito quente (e claro na Roda dos Milhões sempre que lá vai aquele José Figueiras). Mas o lar verdadeiro do yodle encontra-se nos Alpes – Áustria, Suíça, Sul da Alemanha –, onde foi inventado por pastores como forma de chamar o gado no meio de nevoeiro. Ou de impressionar a Julie Andrews.

Como? Tranque as portas, avise os vizinhos, dê um Valium ao gato. Respire fundo e cante, "yodle-ei-uh-uh. Depois respire uma vez mais e cante "yodle-ei-ih-ih". Agora cante as duas frases mais uma vez, mas sempre que cantar o "uh" e o "ih" tente subir bastante o tom. Como se estivesse com soluços. Agora só precisa de uns calções de pele e um relógio de cuco.

Porquê? Porque não? O yodle dá-lhe um ar idiota, mas pode ser muito lucrativo. Yodle-ei-ih-ih. E foi assim que o José Figueiras pagou o tapete de Arraiolos que tem na sala. Vá lá Zé, agora és tu! pensa na Teresa Guilherme

SAIBA COMO

Evitar ser tramado por traficantes de droga A trama

Se deixou a sua mochila fora do seu alcance visual, então parta do princípio que a encheram de drogas. Verifique o seu interior antes de fazer o check-in. Caso esteja a ser usado como isco para apanhar o verdadeiro traficante, as drogas serão escondidas num sítio onde a segurança do aeroporto poderá facilmente descobri-las. Se o chefão quiser que passe pelos controlos de segurança tentará escondê-las em algum objecto de uso pessoal, como um tubo de pasta de dentes. Nestes casos, a sua mochila será roubada pelo sócio do traficante quando chegar ao seu destino.

O suborno Se o resto falhar, será feito um apelo desesperado à sua ganância. Mesmo os funcionários da alfândega já foram subornados. Tudo o que terá de fazer será engolir alguns preservativos cheios de heroína. Esqueça. Provavelmente, está a ser usado como isco. Os seus novos amigos chamarão a polícia no momento em que engolir o seu pequeno-almoço exótico.

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O Buda

Ficou grande amigo do dono do hotel tailandês simpático onde ficou hospedado. Este pede-lhe que leve um presente de aniversário, uma estátua do Buda, ao seu irmão na Malásia, o seu próximo destino. Sem surpresas, a estátua é oca e está recheada com drogas. Se o tailandês tiver um espírito aventureiro, enviá-lo-á no seu caminho com um elefante de cerâmica. Este também terá um interior oco e um recheio de narcóticos. E o seu destino final será o Hilton de Banguecoque.

O apelo à consciência Pedem-lhe que entregue roupas aos refugiados do outro lado da fronteira. Recuse. Estão embebidas numa solução líquida estupefaciente.

Bilhetes à borla Apresentam-no a um tipo que precisa que alguém leve alguns documentos importantes para outro país. Como recompensa, ser-lhe-ão dados bilhetes de avião. Então? Por que é que ele não vai à DHL? Diga-lhe que meta os documentos onde o sol não brilha.


FAZER TUDO MELHOR A mim, o Ferro Rodrigues não apanha

SAIBA COMO

Divorciar-se e ainda ficar com o dinheiro Esqueça o trauma emocional

O pior do divórcio é o seu efeito devastador nas economias. Quando os advogados receberem o seu quinhão, será um sortudo se ficar com uns meros 3 mil contos. Se as coisas piorarem e acabar por se ver envolvido numa batalha judicial, a conta pode atingir valores inimagináveis. Os melhores advogados levam cerca de 50 contos por hora pelos seus serviços. Depois, há o custo dos peritos, contabilistas e avaliadores. "Num caso importante, onde há muito dinheiro e acções no valor de algumas centenas de milhares de contos em jogo, e passamos alguns dias no tribunal, cobramos um adicional de uns milhares", refere um famoso advogado que prefere não dizer quem é. Felizmente, a maioria dos homens são poupados a este tipo de dor por não serem milionários. E por fazerem acordos à margem do tribunal. Mas há formas certas de o tornarem menos doloroso.

Fuja antes que seja tarde

Liberte-se antes de ter filhos ou comprar uma casa em conjunto. Isso só encarece as negociações.

Utilize um serviço intermediário

Conheça os seus direitos. Sites na Internet como divorce.co.uk e divorceuk. com constituem bons pontos de partida. Claro que a legislação cá é outra, mas é um bom princípio.

Use os amigos

Tente saber junto dos amigos que já tiveram a sorte de se terem divorciado, que erros cometeram e procure sair um pouco menos depenado. É o máximo que vai conseguir.

SAIBA COMO

Passar por doente

Desculpe sr. doutor, a minha avó acabou de morrer. Outra vez. Telefone O telefonema será muito mais credível se for você próprio a fazê-lo. Utilizar familiares, namoradas e amigos levanta suspeitas e pode levar a futuras inexactidões factuais. Lembre-se que poucas pessoas estão tão doentes que não possam chegar ao telefone.

Técnica Não deixe de tossir um pouco antes de falar, mas não exagere. Não hesite em parecer um pouco confuso. Peça desculpas por não ter telefonado antes dizendo, "Não consegui a ligação." Isso é incompreensível, mas tem o efeito desejado – parece doente e sincero. Não peça desculpas. Lembre-se de que está doente.

Esteja bem coberto O que é que ela vai fazer com a faca?

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Telefone sempre do seu número de casa. Fazer de conta que está a convalescer na cama quando o número do telefone do qual telefonou corresponde ao do Sushi Bar na Bica do Sapato, não jogará a seu favor. Evite os risinhos de fundo.

Escolha uma doença Aplique a fórmula habitual: comeu marisco na noite passada e agora não consegue manter nada no estômago. A intoxicação alimentar é a doença de eleição da maioria. Mas não deixe de lado a hipótese "dores de costas". Os regulamentos descrevem este mal como "uma condição temporária que dispensa atestado médico" – a situação ideal. As constipações e dores de cabeça são para os fracos de imaginação.

"Follow-up" A maioria dos médicos passa atestados com a maior das facilidades. "A capacidade de trabalho é uma zona obscura. Já considerei pessoas doentes apesar de provavelmente estarem aptas a trabalhar", refere um médico honesto. De qualquer forma, está em boa companhia. Uma elevada percentagem das baixas não são verdadeiras, e é por isso que Ferro Rodrigues anda em campanhas desesperadas. Mesmo assim, todos precisamos de uma mentirinha caseira.


FAZER TUDO MELHOR SAIBA COMO

Manda lá entrar o médico

Muito melhor que o Luís de Matos

Levitar A verdade Seja místico. Ao tornar-se conhecedor das tradições orientais do hinduísmo, budismo e do ninja japonês, poderá aprender a arte da levitação através de "técnicas secretas de respiração, visua­lização e transe". Segundo Alan Hefner, autor de "The Mystica", uma enciclopédia on-line do oculto, a levitação genuína "está ligada ao ‘akasha’, a teoria oriental da manifestação de uma força universal subconsciente no mundo material". É canja.

A descolagem Quando dominar a técnica, começará a divertir-se. O especialista britânico Douglas Daniel Home fê-lo durante 40 anos, embora não continuamente. Em 1968, foi visto a levitar à altura de um terceiro andar, quando flutuava para dentro de um edifício através de uma janela. O médium italiano Amedee Zuccarini foi fotografado a levitar com os pés a cinco metros da mesa – um comportamento que com certeza fará com que seja expulso da maior parte dos restaurantes.

Ligado pela electricidade Uma vez, Home afirmou ter "uma carga eléctrica nos pés". Os braços tornavam-se rígidos e eram dispostos sobre a cabeça, como se quisesse a agarrar um poder oculto que o levantava. Santa Teresa de Ávila descreveu o fenómeno como "uma grande força por baixo dos pés".

Má publicidade Não ganhará mais amigos com este número. Na Idade Média, a levitação era considerada um fenómeno de bruxaria, fantasmas ou demónios. Assim, se quiser ser respeitado mantenha os pés no chão.

SAIBA COMO

Arranjar uma perna partida O seu companheiro já caiu várias vezes, quase sempre num bar. Agora está esparramado no meio da vida selvagem, com a perna mais torcida do que o casamento dos Clinton. No caso de não ser socorrido rapidamente, o seu nome possivelmente mudará para "O Perneta" ou "O Falecido". Felizmente, sabe como resolver a situação.

Avaliação A menos que traga na mochila o adaptador de raio-X do PalmPilot, terá de fazer de detective. Uma fractura superficial provocará dor e inchaço. Se o osso está completamente fracturado, o seu companheiro terá um grande inchaço e muitas dores e ainda um alinhamento deficiente. Num caso extremo – fractura grave – o osso perfurará a pele. Steve Raiten estava a fazer uma caminhada em Pine Barrens, em New Jersey, quando viu o seu companheiro "deitado no chão com uma poça de sangue nas calças. Depois reparei que tinha a coxa dobrada como um boomerang".

sanguíneos, os músculos – estava tudo misturado. Agarrei no calcanhar com uma mão e no pé com a outra, puxando-os na minha direcção e torcendo-os, e senti as extremidades fragmentadas do fémur partido a roçar-se uma na outra. Nesta altura, o meu amigo gritou como um bezerro. Nada que uma boa partida de ténis não resolva."

Estabilizar Já resolveu o problema mais premente; agora prepare a perna para receber uma tala. A perna partida bamboleia, por isso terá de ficar bem apoiada até que a tala seja ligada. Coloque as mochilas ou algumas pedras em ambos os lados da perna enquanto recolhe material para fazer a tala.

"Entalar"

Uma boa tala manterá a perna direita e imobilizará os ligamentos em torno da zona lesionada. Coloque ramos de árvores ou os ferros da mochila à volta da perna e Puxar a tracção envolva a perna e os suportes com tiras O verdadeiro perigo não está no osso, mas de pano (ligaduras, cintos, t-shirts, etc.), sim no prejuízo que os fragmentos ósseos apertando bastante em cima e em baixo. podem causar no tecido mole. Terá de "puxar Sossegue o seu amigo, dizendo-lhe que a tracção". Ou seja, terá de mover a perna os ursos normalmente não comem para trás do seu alinhamento normal. Isto caminhantes imobilizados e corra não foi fácil para Steve. "Os nervos, os vasos para buscar ajuda.

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DIZ ELA

Quem te deu as meias? Margarida Rebelo Pinto escreve na Maxim para lhe salvar a vida. Depois de mergulhar neste texto, ficará a perceber como as mulheres avaliam aquilo que veste

Vais trabalhar com isto nos pés?

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unca se deve confiar num homem que não saiba comprar roupa sozinho. Das duas uma: ou tem uma mãe castradora, que sempre lhe escolheu a roupa, ou é um engenheiro de pontes e estradas que não distingue uma camisa de smoking de umas calças de montar. Um homem tem de saber vestir-se sozinho, mesmo que goste de ser despido por uma mulher. Eu gosto daqueles que, embora saibam onde comprar a gravata ideal para o jantar perfeito, fingem que precisam da ajuda das mulheres para comprar um fato. São homens que conhecem profundamente

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a natureza feminina e sabem que nós, fêmeas dedicadas e protectoras, adoramos sentir que somos imprescindíveis. As mulheres vivem na doce miragem de mudar os homens e, quando eles são suficientemente espertos para lhes alimentar a ilusão, por que não entrar no jogo? Algumas de nós até já percebemos que ninguém muda ninguém, mas que, mesmo assim, há pormenores onde se pode dar um jeitinho. E como as mulheres adoram pormenores, mais vale condescender em mudar a marca das meias, do que deixar de ir à futebolada das terças-feiras.

Os homens têm uma relação fácil com a roupa, como aliás com a maior parte das coisas na vida; na dúvida, simplificam. Já nós temos aquele dom feminino de complicar as coisas simples. Os homens não. Quando abrem o roupeiro não perdem mais de meio segundo a pensar no que é que vão vestir, a não ser que a ocasião os obrigue a ponderar. A ocasião pode ser uma entrevista para um novo emprego, um engate de primeira linha ou a primeira e sempre penosa vez em que se vai jantar a casa dos pais da namorada. E com o habitual espírito prático, para a primeira situação vão discretos, para a segunda adoptam o estilo que lhe parece agradar à vítima e no terceiro seguem à risca as sugestões da filha dos ditos senhores. Mas não perdem tempo, têm mais que fazer e em que pensar. Pipis, deslumbradinhos e “négligés”

Imagine um ser insuportável que se leva muito a sério em tudo, indumentária incluída. Isso é um Pipi, aquele tipo que combina criteriosamente a cor dos boxers com o da camisa; que tem um ataque de fúria se não encontra no roupeiro aquela camisa, porque naquele


DIZ ELA

PERIGO

Erros imperdoáveis

1. Misturar riscas com quadrados 2. Calças curtas 3. Sapatos claros 4. Gravatas castanhas com padrão de interferências televisivas 5. Fatos assertoados 6. Gravatas fininhas ou com padrões infantis 7. “Look” futebolista: camisa preta, gravata preta, etc. 8. Meias que não sejam pretas ou azuis-escuras 9. Blazers com botões dourados 10. Calças encarnadas à tio próspero

exactamente que tipo de compromissos pedem uma camisa de ganga ou uma elegante camisola de gola alta com blazer de veludo cotelé, sobretudo se partir para a coisa com a sensação de saber que, horas mais tarde, estará no estado em que o Criador nos pôs cá em baixo. Moderninhos, alérgicos e distraídos da silva

Ama-me ou odeia-me, diz o Moderninho, que é inconfundível e está em todo o lado, sobretudo na noite e nas profissões artísticas. Tem um barbeiro especial que lhe corta

o cabelo de uma forma temos o Alérgico e o Distraído ligeiramente original, dá-lhe no da Silva. O DS está mais ou gel, usa óculos escuros no alto menos em vias de extinção, da pinha e veste-se quase encontrando-se com maior sempre de preto. Nem que facilidade entre os tios e os sejam uns “shorts” subidos que avós. É o que se está lhe vincam a cintura marca simplesmente a borrifar para o Abanderado. É provável que tal que veste, desde que seja estilo se faça acompanhar de confortável. Tanto lhe faz que uma tatuagem, sempre com os sapatos sejam Sebago ou dos múltiplos e surpreendentes Armazéns do Calçado significados, entre o místico Guimarães. É do género que fácil e o esotérico indecifrável. acha normal pôr uma gravata Reconhece-se ainda pela de riscas com uma camisa aos veneração a sapatos modelo quadradinhos e uma camisola “carrinho de choque” e uma de losangos. Este género pode enfadonha colecção de camisas acumular com o Alérgico, o pretas todas iguais. desgraçado que tem sempre Também adora frio, calor, a pele irritada por marcas, mas detesta causa da fazenda das calças e os betos tradicionais e desata a espirrar assim gosta de ser que deita a cabeça no imaginativo, de se colo solícito da sentir diferente. namorada, que gosta Não percebe que de lhe acariciar as não é bem aí que orelhas. Mas as mulheres atenção, o DS pode procuram também ser um criatividade, preguiçoso egoísta, originalidade e a sem paciência para dita imaginação, tratar de assuntos trimas, se for viais esperto, aprende e, neste caso, prefere depressa. mulheres com elevado Homem absolutamente foleiro, antes de ser Finalmente, sentido estético. M desintegrado

AS DEZ REGRAS DE UM GUARDA-ROUPA FELIZ Ideias irrecusáveis para não sair de casa com ar de tanso.

1. Usarás chinos Às dúzias. Confortáveis e “sexy”, podem ser usados um ou dois números acima. 2. Colocarás t-shirts brancas Em igual quantidade.

5. Calçarás sapatos de atacadores Tem as mesmas qualidades do blazer. As cores escuras resultam sempre melhor.

3. Despirás jeans Clássicos ou modernos escolha entre Levis, CK e Dolce & Gabbana. Ideias para quem tem bom rabo.

6. Enfiarás camisolas de decote redondo Esqueça os losangos, as riscas e outras fantasias. No liso é que está o ganho. Se tem olhos azuis, abuse dos verdes e azuisclaros. Dá um resultadão.

4. Vestirás blazer de bombazina É mais ou menos como a massa de vidraceiro, dá para tudo. Cor de mel ou azul-escuro.

7. Abrirás chapéus-de-chuva Enormes, escuros e com ar fiável. As mulheres adoram sentir-se protegidas.

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8. Usarás sobretudo de pêlo de camelo ou caxemira Absolutamente indispensável. Comece a poupar. 9. Colocarás blusão de inverno Ideal para sair à noite. Pode ser de fazenda, forrado a escocês ou de cabedal para uma onda mais radical. Gola de pele opcional. 10. Vestirás camisas lisas Brancas, nunca são de mais. De cores claras para o Inverno e vivas para o Verão. Os morenos ficam a matar de cor-de-rosa ou salmão.

Hoje à noite vou de fraque


futebol

Figo já é melhor que Eusébio? António Tadeia, editor do Record, lança a discussão: quem é o nosso melhor futebolista de sempre? Uma comparação entre Figo e Eusébio, com vantagem para o primeiro

Nunca vi ninguém abrir tanto o ângulo formado pelas duas pernas no acto do remate como Eusébio 30

urante anos, o mito de Eusébio alimentou-se de uma fotografia. Era uma fotografia de Nuno Ferrari, que mostrava o Rei com pressa, a tirar a bola do fundo da baliza da Coreia do Norte. Finalmente para alegria de todos aqueles que não tinham nascido em 1966 e se julgavam vítimas por não terem visto Eusébio jogar, a história teve um segundo episódio. E uma segunda fotografia. Foi no Europeu do ano passado onde, após um golo "à Eusébio", Figo foi ao fundo da baliza da Inglaterra buscar a bola que permitiu a Portugal mais uma recuperação épica. As histórias são seme­ lhantes e ambas sublimam a tendência da selecção nacional

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para brincar com a morte. Há três décadas, no auge da Guerra Fria, a equipa esteve moribunda, a perder por 3-0 contra um adversário antipático, uma equipa que corria, corria, corria depressa e corria muito, mas nunca se cansava. Empurrado por Eusébio, Portugal acabou por virar o resultado e ganhou por 5-3, dando um passo importantíssimo para o terceiro lugar no Mundial de 66. Os tempos eram outros, a e pouco se sabia acerca do que se passava para lá da Cortina de Ferro. Bond ainda lutava contra a misteriosa Spectre, Blake e Mortimer combatiam a "ameaça amarela", mas Eusébio fez dois em um e derrotou, com quatro golos de rajada, um opositor que era ao mesmo tempo enigmático – porque pleno de jogadores com

nomes totalmente impronunciáveis – e asiático. Trinta e quatro anos depois, o herói foi Figo. Portugal estreava-se no Euro 2000 contra a Inglaterra e perdia por 2-0 ao quarto de hora de jogo. A linha que assinalava a batida cardíaca da selecção estava completamente plana, já se fazia o enterro à "geração de ouro", mas, de desfribrilhador em punho, Figo arrancou do seu meio-campo e deu uma descarga eléctrica nos companheiros, chutando a bola com violência e fazendo-a passar por debaixo das pernas de Adams até entrar junto ao ângulo superior esquerdo da baliza de Seaman. Ainda não tinha passado um minuto sobre o segundo golo inglês, a pulsação foi norma­ lizando e, tal como contra 


futebol FUTEBOL a Coreia, o jogo acabou com a vitória portuguesa. Tal como Eusébio, Figo tinha pressa, porque tinha um compro­ misso com o destino. Como não podia chegar atrasado, foi bus­ car a bola ao fundo da baliza para que o jogo recomeçasse mais depressa. Entre os "flatli­ ners" que os rodeavam, Eusébio e Figo suportaram a responsabi­ lidade da reanimação. Sem eles, não teria havido terceiro lugar no Mundial de 66 nem presen­ ças nas meias-finais do Europeu 2000. Desde o Verão passado, a polémica é, por isso, possível: Figo é melhor do que foi Eusébio? Aquilo que alguns de nós, terminado o jogo, discutimos podia ter-se tornado, seis meses depois, um debate nacional. Só não o é porque Eusébio é um mito e nos mitos não se mexe. Figo ganhou a Bola de Ouro da "France-Football" e foi votado o melhor jogador do Mundo pelos leitores da "World Soccer". Para igualar Eusébio, falta-lhe a Bota de Ouro, mas não é um avança­ do, um goleador. Aliás, a Eusébio falta a escolha da FIFA como segundo melhor jogador

do Mundo, porque no seu tempo este prémio não existia. É muito difícil comparar jogadores de eras tão diferentes como os "roaring sixties" e os "speeding nineties". A compa­ ração começa por ser muito complicada se quisermos colo­ car frente a frente as proezas colectivas conseguidas pela selecção no Mundial de 66 e no Euro 2000. Eusébio e Figo lide­ raram a respectiva equipa a um terceiro lugar e ambos foram fundamentais naqueles momen­ tos em que tudo parecia perdi­ do. No fim, ambos saíram tris­ tes: Eusébio chorando de impo­ tência, limpando as lágrimas à camisola após a derrota contra a Inglaterra de Bobby Charlton, Figo fulminando toda a gente com o olhar, já de camisola aos ombros, depois de um penalti assassino contra a França de Zidane. E em que é que se encontra mais mérito: numa recuperação de 0-3 para 5-3 contra a Coreia de 66 ou noutra, de 0-2 para 3-2 contra a Inglaterra da viragem do milénio? O que é mais difícil: marcar quatro golos à Coreia ou um à Inglaterra? À partida, a proeza de Eusébio parece mais impressionante, mas para ajudar a equilibrar a balança basta lembrar que um treinador pôs uma vez a sua equipa frente a dois televisores e dois vídeos mostrando dois

Figo é mais excessivo que Eusébio, porque o futebol é hoje mais excessivo

jogos separados por várias décadas. Já os jogadores de hoje tinham ido às duas balizas e ainda os de há 40 anos não tinham chegado a ne­nhuma das áreas. É que hoje é mais difícil jogar. Porque, em­bora os adversários fossem à mesma onze e a bola redonda, há menos tempo, menos espaço e há mais pressão. Os limites estão mais próximos. Apesar de tudo, Eusébio tinha de se haver com fre­ quência com dois ou três adver­ sários ao mesmo tempo. E davase bem, se exceptuarmos as marcas que ainda hoje traz nos joelhos. Eusébio não era um fino estilista; era quase mais um metalúrgico vindo de um 

Será que Figo alguma vez vai conseguir tanto? O impressionante palmarés de Eusébio, carregado de golos   Eusébio começou no Benfica em 1960, vindo do Sporting de Lourenço Marques, e escondido do Sporting, que o queria contratar.   Pelo Benfica, foi dez vezes Campeão Nacional, nos anos de 1963, 64, 65, 67, 68, 69, 71, 72, 73 e 75. De águia ao peito, venceu 5 Taças de Portugal, nos anos de 1962, 64, 69, 70 e 72. Foi Campeão Europeu, pelo Benfica, nos anos de 61 e 62, tendo ainda perdido três finais. Foi 7 vezes o Melhor Marcador do Campeonato Nacional, nos anos de 64, 65, 66, 67, 68, 70 e 73. Marcou 317 golos em jogos da Primeira Divisão, 97 em

jogos da Taça, 57 nas provas Europeias e ainda 41 golos ao serviço da Selecção Nacional.   Foi considerado o Melhor Jogador da Europa (Bola de Ouro do France Football) no ano de 1965.   Foi o Melhor Marcador da Europa nos anos de 68 e 73.   Com a Selecção, só esteve no Mundial de 66 em Inglaterra, quando Portugal foi terceiro e ele o melhor marcador.   Nunca foi transferido de Portugal, porque Salazar não deixou.   Só no final da carreira saiu do Benfica, tendo ainda jogado no Boston Minuteman, Toronto Metros, Las Vegas Quicksilver, Beira-Mar e União de Tomar, o último clube pelo qual jogou.

Ia a fugir, mas o Salazar apanhou-me


futebol

Ah, fico doido, doido a correr atrás de ti

Doze milhões de razões Foi a transferência mais cara do mundo e também marca golos decisivos

Figo estreou-se no Sporting com apenas 17 anos.   Foi Campeão do Mundo de Sub-21 em 91.   Venceu uma Taça de Portugal pelo Sporting.   Fez 129 jogos com a camisola dos leões, tendo marcado 16 golos.   Foi contratado para fazer parte do "dream team" do Barcelona, treinado por Johan Cruiff.   Não incluindo o campeonato espanhol deste ano, realizou 172 jogos na Liga Espanhola, marcando 30 golos.   Fez 44 jogos nas provas europeias, não incluindo as desta época, tendo marcado 11 golos.   Pelo Barça, foi duas vezes Campeão de Espanha, nos anos de 98 e 99.   Pelo mesmo clube, venceu duas Taças do Rei, em 97 e 98.   Venceu uma Taça das Taças, em 97, ainda pelo Barça.   Em 2000, foi protagonista da mais cara transferência de sempre do futebol mundial, trocando o Barcelona pelo Real de Madrid por 12 milhões de contos.   Faz campanhas da Nike para todo o mundo.   Foi considerado o Melhor Jogador da Europa (Bola de Ouro) no ano 2000.   Com a Selecção, chegou às meias-finais do Euro 2000, onde marcou o melhor golo da prova.   Na célebre meia-final contra a França, igualou o número de internacionalizações de Eusébio: 64.

Dá cá um grande abraço, ó José Veiga

estaleiro da margem Sul que um artesão especializado em filigrana. Impressionava pela força com que sabia romper entre os defesas, pela forma como os ultrapassava sem ser um mago da finta, servindo-se apenas da sua potência e da sua velocidade. De Eusébio dizia o escritor uruguaio Eduardo Galeano que "chegou aos relvados correndo como só pode correr alguém que foge da polícia ou da miséria que lhe morde os calcanhares". Mas Eusébio impressionava, sobretudo, pelo modo como rematava. Nunca vi ninguém abrir tanto o ângulo formado pelas duas pernas no acto do remate como Eusébio. A bola saía com força e colocação tamanha dos seus pés que nisso tem de haver alguma influência da forma como esticava as pernas como se de só um membro se tratasse, deixando-as quase paralelas ao relvado no momento do remate, e assemelhando-se a um boneco de borracha de pernas longas e olhar triste. Figo é diferente. Marca menos golos, mas dá mais a marcar. Tem perfume, o seu futebol tem uma ginga que é quase africana pela forma como consegue inclinar o corpo para a esquerda antes de passar pela direita. Tem um ar menos Pinta desta já simpático e bonanão se fabrica cheirão do que Eusébio, parece mesmo que faz gala em entrar carrancudo e mal barbeado no campo, como se para ser competitivo não pudesse fazer concessões à simpatia, mas também se ri. Riu-se antes daquele golo mo­numental a Schmeichel em Leiria, quando viu o gigante ali sentado no chão, à mercê da estocada final. Quase parece que se riu quando regressou a Barcelona com a camisola do

Real Madrid e tapou os ouvidos como se quisesse evitar perceber o que dele diziam nas bancadas. Dele, da sua mãe e da esposa sueca. Porque, enquanto Eusébio era um herói para os benfi­quistas e um mal necessário para os adeptos do Sporting, Figo concita ódios, não conseguimos ficar-lhe indiferentes. Saiu de Alvalade sem dar satisfações quando acabou o seu contrato, e quase ficou pendurado na lança que segura a bandeira da sala de imprensa do estádio, quando um energúmeno mais zangado a empunhou e ameaçou mostrar-lhe as suas aptidões para o lançamento do dardo. Saiu de Barcelona sem dar satisfações, accionando uma cláusula prevista no contrato, e o clube até se ofereceu para tirar o seu nome das muitas camisolas número sete que tinha vendido. Figo é mais excessivo que Eusébio, porque o futebol é hoje mais excessivo que há 30 anos. Pesados todos estes argumentos, a pergunta continua sem resposta. Figo já é melhor que Eusébio? Faltam-lhe golos. Ainda lhe faltam as duas Taças dos Campeões. Nunca foi a um Mundial. Mesmo assim, sinto-me inclinado para dizer que sim, tal como votei em Maradona na eleição que a FIFA fez recentemente para consagrar o futebolista do século. Por uma razão muito simples: vi Figo e Maradona, nunca vi Eusébio e Pele, a não ser na televisão. Como justificação é, se calhar, curto. Mas como não me senti chocado quando, apesar da votação maciça no argentino através da Internet, a FIFA deu o prémio "ex-aequo" a Maradona e Pelé, também não me aborrece que este trono seja partilhado. M


DICIONÁRIO CRÓNICO

Já viram estes tipos? Só gostam de mulheres, álcool, cigarros. É uma pouca vergonha... Se eu mandasse... fechava a Maxim

O calor, o sexo e os vampiros João Pereira Coutinho ao ritmo do abecedário, entre a biografia de Woody Allen, o ódio de Hitler ao tabaco, e o amor assolapado por Júlia Pinheiro BIOGRAFIAS

Leio "The Unruly Life of Woody Allen" de Marion Meade (Scribner, 2000). Biografia de lençol, nenhum Sonasol. Costumam ser as melhores. Quando ouço falar de uma biografia não auto­ rizada, compro logo. Como são as biografias sobre Woody Allen. Mas esta é fraca, fraca e macaca. Marion Meade tem asco a Woody Allen e tudo o 34

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resto é viciado pelo asco que ela lhe tem. Análise dos filmes pobre. Nenhum comentário sobre "Hannah and Her Sisters", o melhor filme dos anos 80. Perdoa-se? Não. E as passagens sobre o caso Soon-Yi são levianas. Meade não perce­ be a geografia sentimental dos escritores, a terrível solidão deles, condenados a amar aqui­ lo que está mais perto. A mito­ logia Hemingway, a ideia do

escritor como Tarzan das sel­ vas, é uma fraude que tem ali­ mentado confusões a despropó­ sito. Escritor é bicho de casa. Soon-Yi também era. Ponto final. Asiáticas não são o meu género, mas compreendo o soli­ tário Woody. As acusações de que ele teria abusado de Dylan, filha pequena de Mia Farrow, acusações lançadas pela própria Farrow, são atro­ zes. Farrow é caso psiquiátrico


DICIONÁRIO CRÓNICO e actriz menor. Não fosse Woody Allen e ela seria uma versão pobre de Maureen O'Sullivan, a mãe (e mesmo essa, ponto final, parágrafo). Para os fanáticos do homem, aconselho "Woody Allen: A Biography", de John Baxter (HarperCollins, 1999). Há uma versão "paperback", baratinha, a circular por aí. A tese de Baxter é boa: Allan Konigsberg, nome verdadeiro de Woody, teve o insofismável mérito de construir uma "persona" – "Woody Allen" – tão completa e complexa como o "Vagabundo" de Chaplin. Um intelectual neurótico, tipicamente Upper East Side, que veste Ralph Lauren e lê Ernst Becker. Notáveis as páginas sobre "Annie Hall", o filme que estourou em 77 e lançou Allen para a estratosfera. Segundo Baxter, o filme é uma homenagem – a mais competente homenagem dos anos 70 – ao amor heterossexual. Nem mais.

tória do homem que mata sem saber por que mata: há apenas um raio intenso de sol a queimar-lhe a vista, a queimar-lhe a vida, a queimar-lhe a alma – e ele comete o crime num segundo de vertigem. Lembrei-me destes cenários quando lia R. W. Johnson, afamado histo­riador que descreve (com detalhes) as horrendas mortandades em África. Johnson encontra um continente moribundo, afogado no seu próprio sangue, e vislumbra para ele duas soluções drásticas: o regresso do colonialismo ou o definitivo abandono ocidental. Eu acho, com a devida vénia, que nem uma coisa nem outra. O problema de África é um problema de clima. Montesquieu sabia. Os africanos matam? Roubam? Espancam? Excesso de calor. Os sarilhos não se resolvem com cimeiras, sanções ou doses maciças de democracia sobre as palhotas. A salvação de África está no ar-condicionado.

CABELO

Cai leve, levemente, como quem foge de mim. Será caspa? Será pente? Pente não é certamente e a caspa não rouba assim. CALOR

Eu sou capaz de matar com o calor. Quando o termómetro excede o razoável (coloquemos o razoável nos 22º), eu começo seriamente a pensar em armas de fogo e em todo o género de objectos pontiagudos e cortantes. Spike Lee, usualmente um vagabundo e um miserável, acertou em "Do The Right Thing", quando filmou um bairro de pretos a explodir de ódio racial no dia mais quente de Nova Iorque. Entendo a matulagem. Como entendo o "Estrangeiro" de Camus, a his-

PORTO

Falo do Porto para criticar. Acusam-me disso. Com verdade. Não posso olhar para os "intelectuais" da cidade sem um arrepio de horror pela espinha abaixo. Mário Cláudio, Eugénio de Andrade, Pedro Abrunhosa: só à bomba. Iliteracia funcional respeitada pela crítica e tolerada pelos críticos. Comigo, não. E os políticos do Norte, peço desculpa, sempre me pareceram vagabundos de esquina, assaltantes de carteiras sem o charme de Martin LaSalle no filme de Bresson. Divago. Mas a cidade? Ah, a cidade é outra história. Sei hoje, e sei bem, que não funciono fora do Porto. Um problema de memória. É a minha cida-

BORBOLETAS

António Mega Ferreira escreve sobre Vladimir Nabokov, meu escritor de iniciação, com a subtileza de um elefante. Roubou o nome do autor para o título do livro – "A Borboleta de Nabokov" (Editorial Notícias, 2000) – e de­dica-lhe oito miseráveis páginas de fabulosa iliteracia. Para Mega, "Lolita" é "o romance em que um autor (Humbert ou Nabokov, tanto faz) inventa o corpo e a voz de uma personagem, a de Humbert, que se revela e oculta enquanto o pequeno ‘top’ da adolescente sobe ou desce, para deixar ver a perturbante mancha do seu umbigo juvenil". Lixo. Puro lixo. Se Mega Ferreira tivesse duas ou três ideias a circular pelos neurónios – mais: se algum dia tivesse lido Nabokov com cabeça e tino, saberia que "Lolita" é um livro sobre a inevitabilidade da morte. Direi mais: se Mega Ferreira algum dia entendesse alguma coisa sobre Nabokov – tirando meia dúzia de truísmos biográficos, lidos à pressa entre duas reuniões da Administração Expo – saberia que o fascínio de Nabokov pelas borboletas é a chave para entender a sua borboleta maior, Dolores 'Lolita' Haze. As borboletas duram o espaço de um dia, morrem ao entardecer – e "Lolita" é a história desse crepúsculo. É a história de um homem, esse trágico Humbert Humbert, condenado a amar "nymphets", pequenas borboletas que apenas existem entre os nove e os catorze anos, e que desaparecem com o cair da noite, com o cair dos anos, com o cair da vida. "Lolita" é a história de um homem condenado a amar aquilo que morre com uma velocidade desumana. É a história de um homem condenado a amar a morte. Sempre a morte. Só a morte. Mas não. Mega acha que o romance é a invenção de um país, de uma língua e dos Três Porquinhos a dançar o Vira. Por Deus: não há nenhuma lei que impeça os boçais de deitar a mão no pudim?

Lisboa não é o meu género. Não gosto de provincianos

de. Nasci, estudei e trabalhei lá. Fui pianista nos melhores hotéis e bares da cidade. O meu coração foi incendiado, rasgado e embalado de todas as formas possíveis e impossíveis. Tentei. Juro que tentei. Mudei para Lisboa e passei longas temporadas em Londres. Lisboa não é o meu género – não gosto de provincianos – e em Londres, claro, não se fala português. Faltava o resto. O clima. Adoro chuva e frio e as coisas verdadeiras que vêm com o verdadeiro Outono. O meu reumatismo é tão precioso como o 

Não parece, mas acabou-se o prozac MAXIM Março 2001

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DICIONÁRIO CRÓNICO

TABACO dade); mas os seus inimigos, que eram igualmente inimigos da raça ariana, esses deleit­ avam-se no prazer demoníaco do fumo (farpa para os alia­ dos Estaline, Roosevelt e, claro, o charuteiro Churchill). Delirante, o tio Adolfo. Escusado será dizer que as campanhas iniciadas por Hitler são aquelas que hoje prevalecem no mundo oci­ dental, apoiadas por instituições respeitáveis e por legiões infindáveis de médicos literalmente fascis­ tas que foram catar a linguagem antitabagista ao latão do lixo da Alemanha nazi.

Leio "The Nazi War on Cancer" de Robert Proctor (Princeton University Press, 2000). Leitura densa, sobretudo para hipocondríacos como eu. Mas tudo bem. A tese de Proctor é interessante e devia ser lida pelos inumeráveis fanáticos do tempo: os nazis lançaram a primeira grande campanha antitaba­ gista do mundo. Subiram ao poder, aliás, porque ali­ mentaram uma vigorosa propaganda contra as "impurezas" da raça – sobretudo contra o "cancro", palavra feia que perseguiu e consumiu a classe médica alemã. Para Proctor, há na ascensão do Terceiro Reich a busca incessante de uma «utopia» sanitária – "utopia»" que só seria atingível pela luta feroz contra as sementes do tabagismo. Hitler, esse famoso demente, dava exemplos curiosos quando debatia o assunto, vendo no cigarro a marca insofismável da corrupção e da fraqueza: ele não fumava (nem ele, nem Mussolini, nem Franco: três abstémios que a Humanidade relembra com sau­

Os nazis lançaram a primeira campanha antitabaco

retrato gasto do meu avô. E o nevoeiro é melhor do que qualquer poema. Detesto Lisboa por causa disso: o sol. O sol vem, cobre e tudo devassa. É inoportuno. Aparece sempre nas piores alturas. Só o Porto é íntimo como a ternura. VENEZA

Essa Júlia Pinheiro vai ser castigada!

O que são as cidades sem banda sonora? Foi o meu amigo Hugo Vieira da Silva quem partilhou o segredo. Concordo com ele. Quando visito uma cidade, transporto sempre

alguns discos que vou passando, à medida que passo também. Paris sempre foi Harry James ("You Made Me Love You", sobretudo se descermos os Campos Elísios). Veneza é o "Intermezzo" da «Cavalleria Rusticana». Entro no Grande Canal, vindo da Praça de Espanha, e tenho as notas de Pietro Mascagni a soar na alma. Por que amamos Veneza? Não é a arquitectura, não é S. Marcos, as gôndolas ou as pinturas de Tintoretto, que aliás adoro.

Amo Veneza porque paira sobre ela uma névoa de desgraça. Regresso, com o passar dos anos, e todos os anos penso que, talvez um dia, onde hoje vejo colunatas e pórticos, já só exista água. As minhas memórias estarão depositadas no fundo e serão apenas destroços de um barco imóvel. As pessoas que amei e que me amaram, a imagem que delas tenho, aquele dia de Outono, o café junto à catedral, o sol limpo e imenso sobre as minhas costas, a voz do meu pai quando o levei comigo, o voo das aves quando nos aproximamos delas, os sinos que ressoam, o som das águas contra as margens – serão fantasmas num território frio e interdito. Amamos Veneza porque amamos aquilo que não podemos salvar. Amamos Veneza porque vivemos na eminência de a perder – e a proximidade da perda torna-nos mais ternos, mais prudentes, infinitamente mais apaixonados. Regresso a Veneza para me despedir dela. Como se fosse a última vez.

VAMPIROS

Não vale a pena. Tento ler alguns artigos sobre a herança do presidente Clinton mas a sra. Júlia Pinheiro está a passar na televisão. A dis­ tribuir dinheiro pelos idosos de Portugal. Então eu levanto a cabeça, olho para Júlia Pinheiro e per­ gunto, sem saber por que pergunto: será esta a mulher mais bela de Portugal? Temo bem que sim. Não estamos a falar de uma beleza vulgar, feita de olhos azuis e cabelos louros, ao jeito da imaginação masculina. Júlia Pinheiro é uma ima­ gem de elegância. Não é a roupa, a altura ou a pose. Também. Mas não só. É o pescoço. Sem querer ser redundante, Júlia Pinheiro é um pescoço. Ela sorri e o pescoço já está a sorrir por ela. O pescoço de Júlia Pinheiro é mais rápido do que a própria Júlia. Ela não precisa de abrir a boca – oh!, Deus, a boca – para sabermos ao que vem. Júlia Pinheiro vem para nos humilhar – mas é uma humilhação doce, que nós consentimos,

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sem ladrar ou piar. Ela olha-nos do alto do seu pescoço e nós sorrimos como condena­ dos. Ninguém consegue argumentar com um pescoço daqueles. O pescoço de Júlia Pinheiro merecia ser farejado. Não: tocado. Não: beijado. Nada disso. Merecia ser ferra­ do. É um pescoço vampírico. O pescoço de Júlia Pinheiro seria a loucura de Bela Lugosi. Imagino: as cortinas do quarto a ondularem com o vento. O Conde a entrar, a capa a encobrir o rosto. Os caninos do Conde, afia­ dos como duas lâminas de marfim. Mas Júlia não grita. Pelo contrário: avança para o Conde e oferece o seu próprio pescoço, com um orgulho ofensivo. E apenas pergunta: - De quanto é a sua reforma, Conde? Puf. O Conde estremece, uma nuvem devora-o em morcego e ele desaparece na noite sem deixar rasto.

Ai, lá se vai o PPR!


DR. MAXIM

Cromos da Bola Os seus amigos desafiam-no para um jogo de futebol, mas você não está em forma. Vai, não vai? Claro que vai. Dez infalíveis truques Maxim para não passar vergonhas em campo Quando for para começar o aquecimento é só dizer

arroz) três horas antes da actividade desportiva (percebe agora o problema de jogar de manhã?). Uma hora antes, engula qualquer coisa com alto teor glicémico, ou energia instantânea. Tradução? Uma banana ou uma mão cheia de passas servem. Daí em diante, nem uma pevide. Depois não diga que não avisámos (o estômago cheio tira-lhe energia). 5. Não tome banho

1. Escolha a hora certa

A temperatura do corpo (boa para os músculos) e o metabolismo (bom para o consumo de energia) atingem o seu máximo ao fim da tarde ou ao princípio da noite. Se os seus amigos vierem com absurdas ideias matinais, não aceite. Disso dependerá a sua prestação em campo. Jogar, sim, mas depois das seis da tarde. 2. Verifique o tempo

A exigência será a alma do seu negócio. Conforme-se – para vencer, terá de jogar com outros argumentos. Consulte o boletim meteorológico e recuse o desafio se souber que vai chover. Muitos jogos decisivos de campeonatos domingueiros foram perdidos com avançados a patinar em campos 38

Março 2001 MAXIM

Duche antes do jogo é uma facada na sua preparação

ensopados. Se os seus amigos não cederem, resta-lhe uma única alternativa: a baliza.

Pode julgar que um banho o ajudará a aquecer, mas o calor acelerará o batimento cardíaco e reduzirá a tensão arterial, resultando numa oxigenação menor dos músculos. Por outras palavras, vai ficar ainda pior do que estava. De resto, o “dirty look” em campo dá sempre bons resultados. 6. Pense como um vencedor

3. Sexo antes do jogo?

Tudo depende da sua posição em campo. Um estudo com futebolistas israelitas concluiu que os avançados têm um desempenho melhor quando se abstêm de sexo nos seis dias anteriores ao jogo; os jogadores de meio campo durante quatro dias (ouviste, Dani?) e os defesas durante três. Se não conseguir mesmo resistir, pense que a relação sexual corresponde à quantidade de energia gasta em 20 minutos de futebol. 4. Encha o depósito

Está quase na hora. Faça uma refeição decente de carbohidratos (batatas, cereais ou

Antes de competir, imaginese a marcar o golo da vitória e repita várias vezes frases de auto-incentivo: “Hoje arrasei com o tio Olavo ao Monopólio”. Às vezes funciona. Afinal, uma experiência em Inglaterra demonstrou que os doentes que visualizaram a vitória sobre as células cancerígenas conseguiram melhorias substanciais no sistema imunitário. 7. Calce as meias certas

Se gastou uma fortuna em sapatos, não estrague agora tudo usando as meias erradas. Os pés são usados de formas diferentes consoante o tipo de actividade desportiva, por isso


DR. MAXIM A l ime n to d o mê s

deixe-se de poupanças e dê dois contos por umas boas meias de futebol.

actividade física. Vá, toca a espremer laranjas.

Tangerinas japonesas

Descubra-as em qualquer mercearia oriental do Martim Moniz, Lisboa. Reforçam o sistema imunitário, têm vitamina C, E (e outros antioxidantes que minimizam os riscos de cancro) e baixam o colesterol. São ainda uma fonte rica em potássio, que contribui para regular a tensão arterial.

9. Aqueça bem 8. Vicie-se nos líquidos

Assim que recebe o desafio, corte com as Coca-Colas e cervejas com que afoga os seus almoços. Compre uma garrafa de água e coloque-a sobre a secretária. Beba como se disso dependesse a sua vida (um litro e meio por dia chega, está bem?) e mantenha o hábito durante o jogo. Beba um litro por cada hora de exercício e não espere até começar a suar. Beba também muitos líquidos com o seu “alimento de préexercício”. O sumo de laranja é uma bebida barata para antes, durante e depois da

Mesmo que faça calor no exterior, esta é uma regra de ouro que muito pode fazer pelas suas pernas enfraquecidas. Se o dia estiver frio, então, mantenha os músculos quentes com um fato de treino e prolongue o aquecimento. Isso diminuirá riscos de lesão e permitirá que inicie o jogo logo a abrir. Já viu se marca um golo nos primeiros cinco minutos? 10. Faça batota

É o jogo de homens favorito da Maxim: certifique-se de que conhece as regras de trás para

a frente e provoque uma situação, logo no início do jogo, onde demonstra o seu conhecimento superior. Um sentimento de ignorância abater-se-á sobre o adversário, levando a uma quebra de confiança e desempenho. Um conselhozito: não tente fazer o mesmo com as mulheres. Elas estão-se nas tintas para as regras.

Entre que o Sô Doutor vai vê-lo agora

Pergunte e os nossos especialistas do estetoscópio respondem. O que quiser, sem hesitações puritanas nem a habitual moderação nacional Basta que alguém ocupe um urinol ao meu lado numa casa de banho pública que sou incapaz de continuar. Fico intimidado, paro a meio e saio com a mesma vontade com que entrei. Digam-me, por favor, que não sou o único com este problema. Claro que não é o único na terra a queixar-se do mesmo. Aliás, um dos prazeres da equipa Maxim é correr todas as casas de banho públicas de Lisboa – para já, porque estamos a preparar delegações de “mijoterroristas” por esse país fora – intimidando as pessoas. É mais forte que nós. Quanto a conselhos, eis o que o nosso especialista tem a dizer: o seu problema está na cabecinha, e não em qualquer outro órgão do seu corpo. Daí ser tão comum. Por isso, sugerimos-lhe duas maneiras de lidar com o problema. A primeira, menos aconselhável, consiste em gastar todo o seu dinheiro em psiquiatras, velas terapêuticas e incenso oriental para relaxar os músculos sexuais. A segunda, que leva o selo de garantia Maxim, pede-lhe que use a casa de banho de sua casa como banco de ensaio. É muito simples: sempre que estiver a olhar de cima para a retrete, vá imaginando rios de águas rápidas, cascatas violentas ou ondas de seis metros. Durante duas, três semanas, mantenha o exercício. Depois disso, lance-se em qualquer casa de banho

pública e desafie quem quiser para se pôr ao seu lado. Feche os olhos, regresse às águas turbulentas da sua casa de banho e deixe-se ir. Vá, coragem. Escreva-nos a contar como foi. Por que é que as minhas mãos suam quando estou nervoso? Suar é uma reacção natural à ansiedade, ó “acquaman”, e fique a saber que está directamente ligado ao instinto de sobrevivência – aquela descarga de adrenalina que aparece sempre que estamos em perigo, sabe? Nós explicamos. O seu corpo tem uma panela de pressão interna e, quando a descarga de adrenalina faz subir a temperatura interna do seu corpo, é libertado vapor – o seu suor. Incomoda, nós sabemos, mas há bem pior. É que muito mais gente do que pensa sofre de uma estranha doença que consiste em suar “non stop” das mais variadas partes do corpo. Está a imaginar a suas mãos transformadas num regador? Mas se acha que aquilo que sua já é suficientemente mau, há produtos que actuam sobre o corpo para controlar a sua “torneira” interna. Um médico poderá falar-lhe dos comprimidos e a farmácia da esquina tem obrigação de conhecer os cremes de aplicação local. Toca a virar de barriguinha para cima


Especialista Instantâneo

Fórmula 1 O Campeonato de Fórmula 1 está prestes a começar e temos de estar preparados para discutir o tema. Leia este resumo rápido e acelere a fundo

Pole-Position

Texto de Domingos Amaral

O primeiro lugar da grelha de partida. É sabido na véspera, nos chamados treinos cronometrados, onde todos têm uma hora para andar a acelerar que nem desalmados pela pista. Partir à frente é muitas vezes uma vantagem, especialmente nos circuitos onde é difícil ultrapassar. Ou seja, quase todos. Daí que partir à frente seja bom. Excepto no caso de David Coulthard que, mesmo que parta à frente, raramente se aguenta até ao fim.

Circuitos O Mundial inclui 17 corridas, disputadas entre 4 de Março e 16 de Outubro, normalmente com 15 dias de intervalo entre cada duas corridas. Este ano, a novidade é a Malásia (ninguém sabe explicar porquê, excepto Bernie), mas tudo o resto são pistas conhecidas. A decisão de retirar a Bélgica e o seu circuito de Spa, um dos mais espectaculares do mundo, foi adiada para o próximo ano, graças a Deus (leia-se Bernie). Quanto ao eterno Mónaco, toda a gente continua a achá-lo muito carismático e importante, talvez na secreta esperança de um dia ver a Stephanie nua a acenar à janela do palácio, ou qualquer coisa idiota no género...

E q u i pa s Ferrari, McLaren, Williams, Benetton, BAR, Jordan, Arrows, Sauber, Jaguar, Minardi e Prost.

Podium Depois da corrida, os três primeiros classificados são chamados aqui, onde se encharcam em champanhe Moët & Chandon, a marca que lhes paga esta brincadeira de miúdos, onde têm oportunidade de mostrar quão jovens ainda são. Por vezes, uns mais engraçadinhos tentam molhar os engravatados que lhes dão os prémios – umas taças de vidro horríveis, ou umas enormes taças prateadas que os laureados escondem nas suas arrecadações em Monte Carlo – mas isso é cada vez mais raro, pois toda a gente foge a tempo. Infelizmente, ainda nenhum piloto partiu uma garrafa na cabeça do outro.

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Patrocinadores Há imensos, com autocolantes em todos os carros, sendo cada vez mais difícil ver quais são, especialmente devido à velocidade a que os carros andam. Contudo, os patrocinadores ficam muito contentes por se saber que são patrocinadores, e toda a gente vive feliz. No entanto, existem alguns problemas, principalmente com as tabaqueiras que em muitos países (especialmente europeus) estão proibidas de aparecer. Mas como toda a gente já sabe que eles são patrocinadores, ninguém repara e ninguém se preocupa com o assunto.

Penalizações De vez em quando, um concorrente atrasado é chamado à boxe, sofrendo uma penalização de dez segundos. Isto acontece normalmente porque este não se deixou ultrapassar por Michael Schumacher, que levanta várias vezes o punho no ar, mostrando irritação, um código secreto que só a direcção da corrida percebe, penalizando imediatamente o infractor. Um concorrente que dê uma falsa partida, também pode ser penalizado, mas isso é raro e só acontece ao David Coulthard.


N o m e s a nã o e s q u e c e r

Vencedores

Tácticas

Ver Ferrari ou McLaren. Todas as outras equipas só ganham uma corrida no caso de terem muita sorte, num daqueles dias em que até no casino ganhavam. A diferença entre estas duas marcas e todas as outras é muito grande, e raramente os quatro pilotos (Schumacher e Barrichello da Ferrari, Hakkinen e Coulthard da McLaren), têm todos problemas na mesma corrida.

Há cálculos matemáticos apuradíssimos para saber quando tempo se perde numa ida à boxe, ou quantos segundos se perdem devido à lentidão relativa de um carro com o tanque de gasolina cheio. As equipas têm engenheiros especializados em tácticas, e controlam obsessivamente os tempos. Numa corrida normal, há a táctica de “uma paragem”, ou de “duas paragens”, ou até de “três e quatro paragens”, no caso do carro ser um Prost.

Ecclestone – Chamam-lhe Bernie, é um minorca de um metro e meio e toda a gente tem um medo pavoroso dele, uma vez que é o patrão da Fórmula 1 e nada se faz sem ser segundo as suas ordens. Dizem as más-línguas que está podre de rico e que nunca ninguém conseguirá saber quanto ganhou por ser o único no mundo autorizado a organizar um campeonato. As finanças da Fórmula 1 cheiram a esturro, mais do que as da FIFA. Mas não há quem lhe faça frente. Talvez aqueles óculos horríveis que usa sejam uma explicação para esse facto. Michael Schumacher – É o campeão em título e o mais odiado piloto de sempre da Fórmula 1, porque é malcriado e tem a mania de empurrar os outros pilotos para fora da pista quando não consegue andar mais depressa do que eles. Já foi campeão duas vezes pela Benetton e uma pela Ferrari, e é provável que venha a ser mais vezes, pois é o melhor piloto da actualidade. Este ano, chegou a chorar numa conferência de imprensa, o que levou toda a gente a pensar que talvez esteja a ficar velho. Rubens Barrichello – O brasileiro que a Ferrari contratou o ano passado conseguiu vencer um Grande Prémio na Alemanha, mas ainda não convenceu os cépticos. E depois com Schumacher na equipa, só em sonhos poderá o brasileiro lutar por ser o melhor.

Pace-Car É um Mercedes último modelo que aparece às vezes quando há algum desastre, o que leva toda a gente a formar uma fila indiana atrás do Mercedes, durante várias voltas onde estão proibidas as ultrapassagens. O “pace-car” dá muito jeito aos que estão atrasados, mas é injusto para os que vão à frente, uma vez que a distância desaparece. De qualquer forma, por vezes, é a única forma de animar uma corrida monótona. Enquanto o Mercedes estiver com as luzes acesas, pode ir buscar uma cerveja ou à casa de banho, que não acontece nada.

Reabastecimentos

Desclassificação

Quando ninguém consegue ultrapassar na pista, toda a gente tenta fazê-lo nas boxes. Os reabastecimentos, com troca de pneus incluída, são cada vez mais rápidos e mais “tácticos”. Um reabastecimento rápido demora entre sete a oito segundos. É nessa altura que os fãs das equipas contrárias rezam para que haja problemas num pneu ou no tampão da gasolina. Às vezes, a vontade de voltar à pista é tal, que os próprios mecânicos da equipa são atropelados, como aconteceu o ano passado na Ferrari.

Decisão incompreensível tomada por um colégio de desconhecidos comissários que se reúnem no final das corridas numa cave debaixo das boxes. O peso dos carros, a distância entre os eixos ou o tamanho do nariz do piloto podem levar a uma desclassificação, o que provoca muita celeuma e queixinhas para um Tribunal de Apelo, que se reúne à grande num hotel de Paris, para decidir ninguém já se lembra bem o quê. (É claro que o nariz do piloto não é razão para desclassificar ninguém, seus incultos.)

Mika Hakkinen – Finlandês, já foi campeão duas vezes, mas continua com a mesma cara enregelada do princípio. É bom piloto, muito rápido, muito bom nas partidas, mas talvez a verdadeira razão do seu talento seja o carro que guia, um McLaren, um dos melhores monolugares de sempre da história da Fórmula 1. Durante as corridas, as televisões mostram sempre a sua mulher, de pescoço esticado, a olhar para outra televisão, o que lhe dá um ar amoroso. David Coulthard – O inglês da McLaren espantou o mundo, não por ter ganho um campeo­nato nem por ter feito uma ultrapassagem que fique para a história, mas apenas porque sobreviveu a um desastre de avião no ano passado. De resto, na pista, dificilmente consegue convencer-nos que tem pinta de campeão, e limita-se a apanhar os restos deixados por Hakkinen ou Schumacher. Jacques Villeneuve – Sem dúvida nenhuma, um dos mais talentosos pilotos actuais, talvez o único com tantas qualidades como Schumacher. Foi campeão do mundo pela Williams, mas depois lançouse numa aventura um pouco disparatada, tentando tornar a BAR numa equipa competitiva. Ninguém sabe se este ano o conseguirá. Conseguindo ou não, este filho de uma grande glória da Ferrari, Gilles Villeneuve, tem uma atitude nem sempre compreen­sível e pinta o cabelo de várias cores, como roxo, amarelo ou cor de laranja. A razão é desconhecida e, na verdade, irrelevante. Juan Pablo Montoya – É a única novidade digna de registo este ano. O colombiano vem das Américas, onde foi campeão de Fórmula Indy, ou Kart, ou lá que raio chamam este ano. Entrou para a Williams, tirando o lugar a uma das grandes revelações do ano passado, o inglês Jenson Button, que foi emprestado à Benetton. Montoya é bom piloto, mas há dúvidas se será mais um dos muitos que brilham nas Américas e não saem da obscuridade na Fórmula 1. Construtores – É o nome que das equipas na Fórmula 1, ninguém sabe explicar bem porquê. Assim, diz-se que a Ferrari vence o Mundial de Construtores quando a marca termina com mais pontos que as outras. Os pontos das marcas são naturalmente a soma dos pontos individuais dos dois pilotos da marca. Tal como no caso do título individual de pilotos, apenas duas marcas, sim essas duas, podem aspirar a ser campeãs de construtores. Aparentemente, isso não desmotiva em nada todas as outras marcas.


“Omeugatochama-se

Adonay” Fotografias de Luís de Barros


TÂNIA SARAIVA

Está nas paragens de autocarros e impressa em páginas de revistas e, de repente, ficou muito calor aqui dentro. Fez o anúncio de “lingerie” para a Triumph. Agora faz isto tudo para si, aqui na Maxim


A “lingerie” para esta rapariguinha sem saias – deve usarse preta. É assim mesmo! Pelo menos do nosso ponto de vista, que gostamos das coisas preto no branco. Tânia Saraiva nasceu na cidade de Torres Vedras, num dia em que os deuses se juntaram à sua porta (já lá vão 20 anos) e, desde então, já fez mais pelas paragens de autocarros desta cidade do que o mais antigo dos urbanistas municipais. A vergonha impede-a de dizer qual é a parte do seu próprio corpo de que mais gosta – nós temos uma ideia sobre o assunto – mas lá vai reconhecendo que os homens talvez prefiram as suas pernas. Não é bem isso, mas está bem. Modelo há cinco anos (candidatou-se ao concurso “Models of the Year”), abstencionista nas últimas eleições presidenciais, dorme sempre de camisa de noite, pela-se por comida chinesa – “Pato à Pequim é o que mais gosto” – multiplica-se em viagens a locais distantes e admite que tem dificuldades em eleger o homem mais bonito do mundo: “Só se for aquele que parece um índio e faz o anúncio de uma marca de perfume.” Palhaç... De resto, tem um gato que se chama Adonay (Deus, em hebraico), um namorado dj rendido ao Goa Trance, embirra com homens ciumentos e tem um pesadelo recorrente: “Imaginar que o meu namorado me vai trair.” Tu vê lá isso, ó rapaz!


TÂNIA SARAIVA

Estatísticas vitais Nome: Tânia Vanessa Moreira Saraiva. A irmã chama-lhe “Caqueu”, porque era a que saía à noite quando ainda mal sabia falar Idade: 20 anos Medidas: 88-62-88 À mesa: Pato à Pequim No leitor de CDs: Goa Trance Na cama: Camisa de noite Herói: Super-homem


TÂNIA SARAIVA

“Gosto do meu corpo todo. Talvez os homens prefiram as pernas, não sei”


Queremos Respostas

Victor Hugo Cardinali O circo dá dinheiro? Este homem diz que sim. E explica como factura 40 mil contos num mês e pode pagar mais de 700 contos por dia a um empregado

Contratei uma companhia russa para o Circo no Gelo. Foram seis mil contos só em camiões, e eles ganhavam quase 800 contos por dia 52

O circo Victor Hugo Cardinali esteve todo o mês de Dezembro no Parque das Nações, em Lisboa. Correu bem? Fizemos 40 mil contos. Para a chuva que caiu, não foi nada mau. Em 30 dias? Em 30 dias. Estamos a falar, então, de um negócio milionário? Não. Tudo o que ganho ponho no circo. Só este ano foi uma tenda nova, que me custou 40 mil contos, e as bilheteiras, que foram mais 12 mil. Em cabos e lâmpadas gastei outros quatro mil. Se quisesse ser rico tinha de parar de investir. Mas todo esse dinheiro vem do circo? Não, vem do banco. Quando não tenho, peço emprestado. Comecei o meu circo em 1987, com um empréstimo de 1.500 contos. Foi preciso dar dois camiões como garantia. Era a única saída. Queria fazer em Portugal os circos que via em Itália, e sabia que, para ganhar mais, para melhorar, era preciso investir. Em 1998, voltei a pedir dinheiro para comprar leões – mais 1.500 contos. Antes de mim, nunca ninguém se tinha endividado. Vamos a contas. Quanto é que é preciso para colocar um circo na estrada? Na estrada é mais barato do que na altura do Natal. O circo tem de ser mais pequeno, para se movimentar com mais facilidade. As despesas andam na casa dos 250 contos por dia, portanto preciso de cerca de 400 de facturação. Para isso, basta ter entre 200 a 300 espectadores por sessão. Mas não significa que não tenha já pago o camião de feno [500 contos] com cheques pré-datados. Qual é o artista mais bem pago do circo? Os trapezistas voadores. Ganham muito mais do que qualquer outro. Este Natal paguei 40 contos por dia [1200 contos por mês]. Não é

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muito, mas foram eles que me vieram pedir trabalho. Isso quer dizer que já teve gente a ganhar mais? Muito mais. No próximo Natal vou trazer uma companhia cubana que custa cerca de 700 contos por dia. Ainda não está tudo negociado, mas em 33 dias de espectáculo terei de lhes pagar uns 23 mil contos, mais viagens de avião e estadia em hotel. Em 1997, quando contratei uma companhia russa para o Circo no Gelo, foram seis mil contos só em camiões, e eles ganhavam quase 800 contos por dia. Também se diz que os números com animais são comprados a peso de ouro? Sobretudo aqueles que já vêm treinados. A última compra que fiz, por exemplo, foi o que apresentei no Natal passado: um número em conjunto de tigres e leões que comprei ao circo Ringler, um dos maiores da América. Custou sete mil contos porque vinha semipreparado. Acabado teria sido mais caro. Não vinham ensinados, é isso? O número não estava completo. Tanto que o contrato implicava que o domador que mos vendeu viesse também, para me ensinar. Os números de animais são preparados por especialistas, gente que não faz mais nada. O domador que os compra tem depois de aprender a lidar com aqueles animais na língua em que foram ensinados. Até pode ser russo. Só temos de aprender as palavras-chave e repeti-las na pista. O pior é que desta vez o americano o domador teve de voltar para casa mais cedo. Acabei a treinar os animais sozinho. O número deles nem era igual ao que acabei por apresentar. Estamos a falar de uma grande empresa, portanto? Estamos. O circo deve ser entendido assim, muito embora prefira que olhem para mim como

domador e não como empresário. Mas isto é um negócio. Há que apostar no marketing, ter ideias novas. Nesse caso, que atributos considera essenciais para ter um grande circo? O circo começa cá fora, é disso que muita gente do meio se esquece. O ambiente que se cria no exterior tem de mexer com as pessoas. Quando vêem os meus camiões todos, o aparato, dizem: “Olha o dinheiro que está aqui enterrado”. Provoca espanto. Depois, quando entram, têm de ver um bom espectáculo. Animais bem tratados, um “chapitô” bonito e atracções que entusiasmem. Há ainda um detalhe muito importante: andar sozinho. Os outros são famílias, dividem lucros e responsabilidades. Dá sempre mau resultado. Se um quer comprar elefantes, o outro prefere leões e ninguém se entende. Já estive associado à minha irmã Soledad, mas resolvi seguir sozinho. Se lhe pedir para contabilizar os activos da sua empresa... É fácil. Está tudo na minha cabeça. Tenho sete elefantes africanos (sou o único domador do mundo que os têm, todos os outros são indianos), 30 cavalos, 12 leões e tigres, três vacas, três porcos e outras tantas cabras. Para além disso, tenho 25 camiões, quatro “chapitôs” e 35 pessoas em “tournée”. No Natal são 60. Este ano contratei um inglês só para me tratar dos animais. Um especialista. Pagava-lhe 105 contos por semana. E tudo isto depende de mim. Na agricultura, o Estado entra quando há um ano mau. No circo, nada. Tenho pena. Não quero esmolas. Gostava apenas que se aplicasse por cá o sistema que vigora em Itália e Espanha, onde o Estado subsidia a estrutura. Ou seja, não dá dinheiro, mas paga a renovação de “chapitôs”, camiões, cabos eléctricos. 


“Prefiro que olhem para mim como domador, não como empresário”


Queremos Respostas “Há já uns anos que a mulher me pedia para trocar de caravana. Foi agora.”

Isto é como uma mercearia. Pago ao dia e faço as contas todas da minha cabeça. E só faço investimentos em Dezembro 54

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É a primeira vez que o oiço reclamar por subsídios. Sou contra essa postura. Se tenho apenas 500, prefiro dizer que tenho mil. Quero transformar o circo num grande espectáculo. Lembro-me ainda que, quando acompanhava o meu pai no circo Cardinali, o povo escondia as galinhas quando chegávamos a uma terra. Olhavam-nos com desdém. Um pouco como ciganos, por andarmos de terra em terra. Isso marcou-me. Sempre quis combater essa imagem de coitadinho. E comecei a ir – com ainda vou hoje – ao estrangeiro. Ver como eles fazem. Em Portugal, por exemplo, ninguém tinha elefantes. Pedi quatro mil contos e

importei-os da Namíbia depois da declaração da independência. Mas o circo tem sempre o mesmo esquema: animais, palhaços, malabaristas... Claro, por isso é que eu digo que se ganha também cá fora, no aparato, e insisto na necessidade de existir uma boa gestão. Como os animais e os palhaços são da minha companhia, não preciso de contratar artistas a peso de ouro para ter esses números. Por isso, contacto agentes e escolho o que falta. Neste Natal tinha um número de motos de “cross” dentro de uma esfera. São atracções que provocam espanto. Quando fala em gestão, está a dizer que é tudo feito por si?


A cozinha fica logo à entrada da caravana. Vem tudo de fábrica, menos a fruta

A suite de Victor Hugo. Cada filho tem também o seu quarto

Sobre rodas

Palácio Cardinali

A caravana de Victor Hugo é um luxo. Quase quarenta mil contos que seguem o homem para todo o lado Isto é como uma mercearia. Pago ao dia e faço as contas todas da minha cabeça. Normalmente, sentome na sala e antecipo aquilo que imagino vir a ganhar, sabendo as despesas que espero ter. E só faço investimentos em Dezembro, porque é a época em que entra mais dinheiro. O dono do circo tem ordenado? Eu não tenho. Gasto o que for preciso. Mas não sou esbanjador, não vou ao casino, não tenho vícios. E aplicações financeiras? Isso sim. Comprei umas acções e tenho um

PPR. Não quero acabar sem nada, como aconteceu aos meus pais. Mas não invisto muito. A rulote que comprou é um investimento, ou não? É a minha casa. Não tenho outra. Custou 38.500 contos. É aqui que vivo. Se toda a gente compra casa em “leasing”, porque é que eu não posso? Mas tudo isto também pode ser visto como investimento, de facto. O meu carro é um Audi A4, a minha casa é esta, e isso enche o olho. Quando chego a uma terra, quando peço para conversar com alguém, as pessoas respeitam-me. Temos de dar imagem de riqueza para combater a do coitadinho.

Texto de Martim Avillez Figueiredo Fotos de Nacho Dolce

A entrada é um bom exemplo do que se passa no resto da caravana. A porta abre-se para um cubículo com menos de 30 centímetros, mas o espelho de quase dois metros, recortado por um painel de mármore cinzento que se prolonga do chão ao tecto, dá-lhe outra dimensão. Victor Hugo comprou esta casa de quase 100 metros quadrados em Espanha, naquela que considera a “maior fábrica da Europa destas coisas”. Os limites do luxo e do conforto são definidos pela carteira. Onde ela pode ir, a fábrica também vai. Victor Hugo deixou 38.500 contos,, mas trouxe cinco assoalhadas, duas casas de banho, um “jacuzzi”, ar condicionado em todos os quartos e uma cozinha em que todas as máquinas – e são mesmo todas – estão encastradas em móveis de madeira. “É tudo feito à nossa maneira”, recorda Cardinali. Com um gerador próprio, a caravana funciona com a ajuda de elevadores hidráulicos. Ou seja, na estrada recolhe, mas quando está estacionada aumenta para os lados. No interior, tudo está feito para que os móveis vão e venham à vontade do freguês – o chão desce e as paredes recolhem uma em direcção à outra. E não há móveis para arrastar, uma vez que todos eles fazem parte da caravana. “A operação faz-se em 15 minutos”, contabiliza o domador.

MAXIM Março 2001

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CAPA

Yamila

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Como é que se derrete um quarto de aço frio e duro? Basta juntar esta belíssima exportação argentina Fotografias de Michael Zeppetello


YAMILA

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YAMILA Esta beleza estonteante vem de Buenos Aires, na Argentina, o que só por si parece ser suficientemente exótico; não interessa se os avós foram lá parar oriundos de Espanha e do Líbano. Apesar de não sabermos ao certo como se pronuncia o seu nome oriental, saiba isto: Yamila significa “linda”.“Pelo menos, é o que me diz a minha mãe”,hesita Yamila.“Não tenho a certeza. Talvez me tenha mentido.” Momento da descoberta: Estava numa praia no Uruguai – sim, no Uruguai – quando foi descoberta por um representante astuto de uma agência de modelos. Licenciada em Economia, Yamila sabia o que a esperava:“Se não fosse a minha carreira de modelo, estaria a trabalhar numa empresa a tratar dos seus investimentos. Isto é melhor.” Vestida com Victoria’s Secret:“Sabia que o catálogo era muito falado e visto, mas julgava que era só para mulheres. Depois, os homens começaram a abordá-la na rua e a dizer:‘Ah, és a modelo da Victoria’s Secret.’ Uma loucura!” Ossos do ofício:“Quando Yamila estava numa sessão fotográfica num mercado confuso em Marrocos, um espectador mais excitado quis fazer negócio com o fotógrafo:“Tentou comprarme”,ri-se.“Queria trocar-me por alguns camelos. Não tenho a certeza quantos eram, mas eram muitos!”

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TEM VISTO ESTA MIรšDA?

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YAMILA

“Queriam trocar-me por alguns camelos. Não tenho a certeza quantos eram, mas eram muitos!” 60

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YAMILA

Yamila significa linda em libanês 62

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JOGO

As tragédias no volante dos nossos jogadores de futebol

PERIGOSO Dinheiro e fama levam à catástrofe. Apesar de ser uma análise sintética e básica, este poderia ser o ponto de partida para a história dos jogadores de futebol que se viram envolvidos em acidentes de automóvel em Portugal. Zé Beto, Rui Filipe, Yuran, Cherbakov, Hugo Leal e Pedro Lavoura são apenas alguns dos intérpretes da triste história que liga o futebol à estrada. Jovens ou mais velhos, em clubes grandes ou pequenos, a cultura futebolística – se é que ela existe

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Texto de Ricardo Santos

– prepara os praticantes do desporto mais aplaudido pelo público para uma vida de excessos. Excesso de ordenados, de fama e de responsabilidades. Aos 17 anos, uma futura estrela de um qualquer clube grande, vê-se com um contrato chorudo entre mãos, uma imagem para cuidar e a procura dos e das fãs. Por vezes, não sabem lidar com isso e as suas viagens com carros potentes e caros, acabam em tragédias, como as que aqui contamos.


ACIDENTADOS

Passar os vermelhos Cherbakov ficou sem poder jogar futebol

Bobby Robson tinha sido dispensado e os jogadores do Sporting quiseram despedir-se do treinador inglês. Juntaram-se num jantar de agrado ao “mister” e para conviver com a equipa técnica que o presidente Sousa Cintra tinha despedido. Até aqui tudo bem, mas nessa madrugada de 15 de Dezembro de 1995, o jogador de Alvalade Cherbakov ficou-se pela Avenida da Liberdade. Às 5h30 da madrugada, o jovem médio do Sporting não quis esperar que os semáforos passassem para verde. Sem hesitar e não mostrando quaisquer indícios que pudessem prever uma travagem, o Renault 21 conduzido pelo futebolista russo chocou com outro veículo no cruzamento da Avenida da Liberdade com a Rua Alexandre Herculano. Resultado: está até hoje confinado a uma cadeira de rodas. Após o embate, Cherbakov foi transferido de imediato para o Hospital de São José. Aí ficou nos Cuidados Intensivos durante semanas, na esperança de uma recuperação que até agora não surgiu. O diagnóstico, de início reservado, não deixou margem para dúvidas: Cherbakov

ficou paraplégico na sequência da fractura da oitava e nona vértebras dorsais e da destruição de uma secção da medula. Gerou-se de imediato um movimento de solidariedade em favor do infortunado jogador: contas bancárias, jogos de solidariedade e a promessa do presidente leonino, Sousa Cintra, de que cumpriria o contrato com o atleta até à data final do acordo. Depois de algumas imprecisões relativamente a pagamentos e verbas angariadas, Cherbakov foi para Espanha para fazer fisioterapia e tentar alcançar o seu desejo sempre manifestado: voltar a jogar e, de preferência, pelo Sporting. O caso abalou profundamente a equipa verde e branca, que dificilmente se recompôs da ausência de um dos mais criativos médios que passaram pelo futebol português. Cherbakov foi internacional pela Rússia e no Sporting era peça fundamental na tentativa leonina de chegar ao título de campeão nacional – que lhes fugiria até à época passada.

Sem experiência

Hugo Leal destruiu um BMW novo e escapou ileso

Hugo Leal é a imagem do jovem jogador que, de repente, se vê a braços com uma nova vida. De um momento para o outro, foi titular da equipa principal do Benfica e estrela junto dos adeptos. A imagem e o ordenado levam-no a satisfazer o desejo dos jogadores mais novos – comprar um carrão. Com pouca experiência de condutor, como na altura se afirmou, Hugo Leal optou por um BMW M3. E o pior podia ter acontecido.

A 17 de Janeiro de 1999, o Benfica tinha jogado na Amadora e o médio encarnado fora considerado o melhor jogador em campo. Uma hora e dez minutos depois do jogo ter terminado, e quando voltava a casa, deu-se o despiste. Na A5 em direcção a Cascais e junto à curva do Estádio Nacional, Hugo Leal deixou fugir a traseira da sua máquina indo embater no separador murado da auto-estrada, pouco antes da saída para Linda-a-Velha. Resultado: um automóvel de 15 mil contos destruído. Alguns arranhões foram a recordação para o agora jogador do Atlético de Madrid. Explicações para o facto não foram muitas. Na altura, Hugo Leal adiantou o facto de haver óleo na estrada para o carro ter derrapado, mas a hipótese do automóvel, que atinge os 250 km/h, ir em excesso de velocidade foi colocada sobre a mesa. A inexperiência, um carro topo de gama ou os vícios caros dos jogadores de futebol, um aviso para todos os que se iniciam no mundo do futebol.

MAXIM Março 2001

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ACIDENTADOS

Suspenso para sempre

Uma semana antes do acidente que o vitimou, Rui Filipe jogava no Estádio da Luz frente aos benfiquistas rivais. O encontro ficou marcado pela cotovelada de Paulinho Santos a João Pinto, mas também pela indisciplina. O jogo acabou empatado e Rui Filipe foi castigado com um jogo de suspensão, após ter marcado o último golo para o FC Porto – e que golo. Devido à expulsão, não estava com a equipa em Aveiro, no jogo com o Beira-Mar, no dia 29 de Agosto de 1994. Tudo aconteceu ao quilómetro 18,5 da EN 223. Eram 6h30 da manhã quando Rui Filipe voltava para casa depois de uma noite de diversão com a namorada e um casal de amigos. Aos 26 anos, uma ultrapassagem mal calculada e o excesso de velocidade puseram um ponto final parágrafo na sua carreira. Ao Hospital de São João da Madeira, chegou já sem vida. Desde esse dia, o seu clube de sempre e de preferência tem aproveitado as vitórias para recordar o seu valor. Cinco campeonatos conquistados de uma assentada foram o símbolo de uma justa homenagem.

Pedro Lavoura e dois amigos não sobreviveram ao acidente

Ceifado Rui Filipe morreu depois de uma ultrapassagem mal calculada

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Porsche 911 Carrera. A designação é sinónimo de alta velocidade, potência e estilo e foi ao volante deste bólide que Pedro Lavoura morreu. Estávamos a 13 de Agosto de 2000 e, na noite anterior, o lateral esquerdo do Sporting de Braga tinha feito o seu último jogo contra o União de Leiria. Depois vinha o dia de folga e Lavoura foi a uma festa de aniversário com dois amigos. No regresso a casa, às 7h15 da manhã, chocou violentamente com um muro na berma da faixa de rodagem. Os três tiveram morte imediata. Pedro Lavoura tinha 26 anos e sua vida acabou no quilómetro 19 da EN 235 no sentido Aveiro-Coimbra, à entrada de Oliveira do Bairro. O excesso de velocidade foi a razão apontada para o acidente, como na maior parte dos casos que envolvem acidentes de viação, sejam os condutores futebolistas ou não. O choque não deixou espaço para grandes análises: a violência do embate partiu o carro

em dois e projectou os bancos, os passageiros e o motor para fora do habitáculo. Na zona do desastre – com um limite de velocidade de 50 km/h – não foram detectadas quaisquer marcas de travagem e as casas das redondezas apresentaram, nos dias posteriores, os sinais dos estragos – bancos, pedras e peças do automóvel voaram em todas as direcções mostrando o espectáculo macabro de mais uma catástrofe nas estradas portuguesas. Já em 1997, Pedro Lavoura sofrera um outro acidente. Na altura ficou sem poder jogar futebol por uma época. Durante esse período teve de recuperar de queimaduras graves, fracturas várias e lesões na cervical. A sua carreira de futebolista esteve em risco, mas Pedro voltou aos relvados. Três anos depois deu-se o golpe final do jogador português nascido na Venezuela, que também representou a Académica de Coimbra.


Yuran foi acusado de homicídio involuntário, mas nunca apareceu no tribunal

As preferências

As grandes máquinas dos jogadores No Benfica, o carro que mais se destaca é o Ferrari de Paulo Madeira, o defesa central da Luz. É um daqueles carros tão rente ao chão, que para aceder à garagem, só de marchaatrás. Veículos com o cavalinho no capot, só o do homem de cabelo comprido que Artur Jorge mandou treinar para a praia. Nos últimos tempos, a procura de carros tem sido outra: os de família. Monovolumes, como a carrinha BMW de João Tomás, e jipes são a grande aposta dos jogadores encarnados. Os que estão com muita saída são os Grand Cherokees – que o diga Ronaldo – e as Sharan. Até há bem pouco tempo, o Porsche Carrera de Poborsky era presença

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constante na garagem do Benfica, bem como os vários BMW topo de gama dos quais os meninos da Luz – e não só – não prescindem. O ex-capitão de equipa, José Calado, é um homem de bom gosto – dizem os entendidos – daí ter escolhido um Porsche Boxster para passear pela cidade. Quem gosta muito de jogadores de futebol amantes de carros são os Stands instalados nas imediações e no interior dos estádios. Que o diga a LuzEuropa, “fornecedor” oficial dos craques encarnados. Não só vende os topos de gama, como também “empresta” as últimas novidades para os meninos experimentarem. De saída do Benfica para o outro lado da Segunda Circular, João Pinto não se esqueceu de levar o Porsche Carrera e a Sharan. Não que fizesse falta ao parque automóvel do Sporting. O Ferrari de

O czar O mais conturbado caso relacionado com os futebolistas acidentados ocorreu com Serguei Yuran, o futebolista russo que chegou a Portugal como jogador do Benfica e que de cá saiu com a camisola do FC Porto – uma mudança que também trouxe bastante polémica. E foi enquanto residia na cidade do Porto que se deu a tragédia. O cenário é em tudo semelhante a tantos outros acidentes de madrugada. A 24 de Novembro de 1994, pelas 5h30 da manhã, Yuran seguia no seu Mercedes topo de gama, acabadinho de trazer da Alemanha, acompanhado de uma ou duas senhoras (algo que até hoje não ficou totalmente provado). Na Avenida da Boavista, junto ao Centro Comercial Dallas,  e segundo testemunhas oculares, o atacante russo fez com que o carro atingisse cerca de 150 km/h. Uma inversão de marcha foi o suficiente para causar o embate que se provaria mortal para Ângelo Jesus Oliveira, condutor do outro veículo envolvido no acidente. Antigo praticante de basquetebol do

FC Porto, o sinistrado acabou por ser dado como morto no Hospital de São João. Quanto ao futebolista, imediatamente após o acidente, entregou a chave e os documentos do veículo a um amigo e apanhou um táxi para casa. A história foi amplamente contada pela comunicação social, acabando Yuran por ser levado a tribunal sob a acusação de homicídio involuntário. A sua defesa alegou o facto de o outro condutor não estar a utilizar o cinto de segurança como atenuante para o processo, num julgamento que se tornou caricato. Yuran não compareceu em tribunal por se desconhecer o seu paradeiro. Nesse momento, o jogador estava a ser entrevistado por um dos canais nacionais de televisão. A equipa em que jogava na altura da entrevista, estava em estágio no Algarve! Paulo Barbosa, afirma que “nunca ficou provado que ele fosse culpado do acidente, mas qualquer pessoa é livre de levar o seu caso a tribunal”.


ACIDENTADOS

Sem defesa

Zé Beto. Faltavam 16 dias para Zé Beto fazer 30 anos. Ao volante do seu Volkswagen Golf Cabriolet, o antigo guardaredes do FC Porto e da selecção nacional chocou com os separadores centrais da auto-estrada que liga Lisboa ao Porto. O resultado foi claro: a morte. Consigo seguiam a mulher e o filho, feridos sem gravidade em resultado do embate. A década de 90 começava mal para o desporto português. De todos os quadrantes chegou a consternação e o pesar pelo desaparecimento do homem que queria ser o melhor guarda-redes do mundo. Não teve tempo para isso, já que às 20h30 do dia 4 de Fevereiro de 1990, perecia o carismático homem que, por vezes, fazia defesas impossíveis – como rezam as crónicas futebolísticas da época. O FC Porto estava no auge dos seus êxitos desportivos, dos quais Zé Beto tinha feito parte desde o primeiro momento em que entrou na equipa principal do clube presidido por Pinto da Costa. O carácter do homem que defendia a baliza azul e branca era conhecido de todos os seus companheiros e adversários. Na altura do último adeus, muitos foram os que quiseram prestar-lhe a devida homenagem. Para a História fica o que fez em campo, os títulos conquistados e as reacções vividas em momentos de adversidade. O acidente não ocorreu a altas horas da madrugada. Zé Beto não vinha de uma qualquer discoteca ou de uma saída com amigos num dia de folga ou após um desafio de futebol – o guardião estava acompanhado da sua família naquilo que acabou por tornar-se a sua última jogada. Sem defesa possível.

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FILMES TRISTES Um “aquaplaning” na auto-estrada do Norte resultou num acidente com consequências graves para a coluna do benfiquista Sérgio Nunes

Mais ou menos tristes, com um final feliz ou uma sorte dos diabos, não são poucos os casos de acidentes de automóveis com futebolistas, em Portugal. E não é preciso recuarmos muito no tempo, basta irmos até aos primórdios da profissionalização dos jogadores para percebermos que, afinal, o velho sonho de comprar carro está sempre presente. Morte, comas, fracturas, mazelas, sustos e baixas forçadas são resultado de velocidade excessiva ou de excesso de confiança. Como foi o caso de Ovchinikov. O actual guardaredes do FC Porto não ganhou para o susto quando, ainda em representação do Alverca, se despistou na CREL. Mais um carro topo de gama, excesso de velocidade e mais um russo envolvido num acidente. Transportado para o hospital, tudo acabou por revelar-se de pouca gravidade, mas o internacional russo viu-se obrigado a uma recuperação que o afastou da sua actividade durante cinco semanas. Outro caso foi o de Sérgio Nunes, defesa do Benfica. A semana de trabalho terminou, o jogo fora disputado e Sérgio Nunes decidiu reservar o resto do fim-de-semana para a família. No regresso a Lisboa, vindo do centro do País, um “aquaplaning” pregou-lhe um susto de morte. Lesões na coluna cervical atiraram-no para uma cuidada e lenta recuperação. E o rol de situações vai aumentando, à

medida que as épocas vão ficando para trás. Artur, ex-jogador do Boavista e do FC Porto, ou Tahar, antigo jogador do Benfica agora em Inglaterra foram outros dos acidentados com sorte. Um outro acontecimento menos badalado foi o julgamento de Chainho, em Almada. O médio portista foi apanhado num “auto-stop” com excesso de álcool no sangue, durante o período de defeso da I Liga 2000-2001. Quase em sigilo, o processo foi a tribunal e mais um mau exemplo dos jogadores figuras públicas veio à tona. “É uma situação muito desagradável”, refere Octávio Machado, treinador de futebol, quando confrontado com o elevado número de acidentes de automóvel com profissionais do futebol envolvidos. “Em nada ajuda a imagem dos jogadores”, lamenta o antigo técnico do FC Porto e do Sporting, ao mesmo tempo que refere as causas para tão trágicos fins de noite: “Estado de euforia após resultados bastante satisfatórios e vontade de aproveitar o fim-de-semana para atenuar a tensão.” As causas do problema não são apontadas por Octávio Machado, que refere a existência de um problema conjuntural, “resultado da cultura profissional”. Já para Paulo Barbosa, representante de jogadores como Yuran, Cherbakov e Ovchinikov, “a questão não é assim tão linear. Os jogadores são jovens, têm cerca de 20 anos e, tal como todos os outros, gostam de sair à noite, ter namoradas e beber uns copos. No entanto, são figuras públicas, por isso estão mais expostos.” E o empresário continua: “Com certeza há noutras profissões muito mais acidentes de automóvel, como por exemplo, com escritores, advogados e jornalistas.” “Os jogadores de futebol não são nenhuns santos. É a velha questão dos vícios privados, públicas virtudes”, conclui.


Que querida

professora... É uma das caras mais bonitas do país e já não sabemos viver sem ela. Maria João Bastos, modelo e actriz, vai aparecer na primeira novela portugesa da SIC Fotografias de Rui Moreno


MARIA JOテグ BASTOS


MARIA JOÃO BASTOS

Espetada de lulas com gambas sim, futebol não. Pontualidade sim, filas de trânsito não. O herói é o pai e o homem mais bonito do mundo também. Esta rapariga, aparentemente sem defeitos, é afinal humana: Sade está no topo das suas preferências (por outro lado, é romântica e, se calhar, não há mal nenhum nisso). Na casa de Benavente, onde nasceu e cresceu, espera-a sempre o mimo dos pais e a cadela Lassie (que não é uma Collie como a outra) que, com 18 anos, é um dos amores da vida da Bão, uma rapariga que medita e relaxa em privado e para quem os sonhos são fundamentais. Por isso, o melhor é ir sonhando. Ela e nós.

Era uma vez

Como é que uma menina de Benavente, que fez ginástica a vida inteira e que em família se chama Bão, vai conseguir fazer um filme com Quentin Tarantino, o realizador dos seus

sonhos? Infelizmente para ela, aqui não fazemos a mínima ideia. Mas se Maria João Bastos, modelo e actriz, por acaso nos perguntasse, dir-lhe-íamos que continuasse como está que vai muito bem. Aliás, aqueles olhos e aquela cara de quem nunca dá ponto sem nó serão meio caminho andado para Tarantino repetir uma actriz portuguesa num filme seu. Chega-te para lá Maria de Medeiros, "come here" Maria João. Talvez interesse ter a informação que a Maria João calça o 38. Nunca se sabe se não será útil no futuro. Porquê? Pois, porque os pés são a única parte do corpo de que não gosta tanto. Quanto ao resto, a relação é pacífica.

Em alta Com os telefilmes a SIC inovou, desbravou terreno e deu oportunidade a muitos actores e actrizes de darem nas vistas. Em "Alta Fidelidade", uma história trágica de dois homens e uma mulher, Maria João Bastos brilhou bem alto. No filme, a personagem dela morre, mas João viveu tudo intensamente, sobretudo quando, já com o filme terminado, assistiu à sua própria morte (salvo seja). São memórias que ficam, mas o filme deu-lhe sobretudo muito gozo a fazer, fama e reconhecimento do público. O único pequeno problema foi o facto de a SIC o ter transmitido na altura do Natal. Resultado, entre a azáfama das compras e as confusões habituais da época, a João teve de se haver com os contactos dos fãs. E depois a coisa continuou, porque Maria João Bastos é a professora de ginástica Catarina na série "Querido Professor", o que faz com que as crianças que a interpelam na rua lhe digam de tudo, a começar pela pergunta a que ela nunca poderá responder: "Catarina, por que é que a minha professora não é como tu?" A Maria João Bastos não sabe, mas recorda a D. Matilde, uma excelente pessoa e professora. Conclusão imediata: as outras professoras não são assim, porque não foram alunas da professora Matilde.

New York, New York Modelo há seis anos, aos 25 anos, Maria João David da Silva Bastos é hoje mais actriz que "habituée" da passerelle. Óptimo, ela prefere assim. Por isso não se queixa do ritmo diabólico das gravações e filmagens e está ansiosa por entrar na primeira telenovela que a SIC vai fazer, onde será relações públicas de um discoteca, a simpática e afável (ou tenebrosa e maléfica?) Joana. Pouco mais diz, porque o segredo é alma destes negócios, mas esta "Joana" fará parte do elenco principal e, em breve será convidada habitual em nossas casas. A seguir, regressa a Nova Iorque onde já esteve a estudar representação. Ficar por cá? Em absoluto não, excepto se houver "uma superproposta". Como qualquer mulher bonita (e ela é muito bonita), esta actriz adora "mimos, flores, chocolates e essas coisas" e tem tamanho historial de momentos românticos que, cautelosamente, prefere não destacar nenhum. Não, ela não diz se tem o coração ocupado, mas não tem problemas em afirmar que adora "lingerie". "Tenho muita, especialmente preta ou branca.” Se no Inverno dorme de pijama, quando está mais quente não usa porque faz calor (claro, pergunta estúpida).

Styling Michele Santos Maquilhagem e Cabelos Cristina Gomes Assistente de Moda Rita Rosa

A melhor amiga da mulher


TEM VISTO ESTA MIÚDA?

“Tenho muita ‘lingerie’ preta. E branca“


“No Inverno, durmo de pijama”

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CRIME

ELES MATARAM

A MÁFIA As guerras da Máfia de Nova Iorque revisitadas. O desmoronar do império de Gotti, o Don com estilo

N

ova Iorque, Natal de 1985. O carro de Don Paul Castellano estaciona em frente ao Sparks Steak House. O Don abre a porta rapidamente, antecipando a primeira dentada num bife mal-passado e sumarento. Mal podia esperar... Mas para os dois “mafiosi” sentados num Lincoln Continental a poucos metros de distância, Castellano seria o menu. O patrão da família Gambino durante uma década vira o seu poder diminuir e perdera o controlo da família sanguinária de idosos discretos e homens violentos disfarçados de cordeiros. Castellano saiu do automóvel e quatro capangas vestidos como cossacos, com chapéus de pêlo pretos e

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longos sobretudos brancos receberam-no bem. Mas a saudação natalícia foi interrompida por uma rajada de balas. Castellano fora atingido na cara e no peito e caíra na sarjeta. Uma poça de sangue escuro alastrou-se no alcatroado. A maioria dos transeuntes não emitiu um único som, passando pela cena agarrados aos sacos das compras. Apenas alguns gritaram quando os absurdos cossacos desapareceram no meio da multidão. Depois, o misterioso Lincoln avançou pela estrada fora e os dois homens abanaram a cabeça em sinal de aprovação, antes do seu regresso a Brooklyn e a casa. Com Castellano fora do caminho, o vice-patrão Neil Dellacroce, doente de cancro em fase terminal, e o


Paul Castellano foi abatido com uma rajada de balas

John Gotti adorava ser o centro das atenções

velho e fraco “consigliere” Joe Gallo, um vazio ocupava o topo da família Gambino; precisamente o que os dois “mafiosi” do Lincoln haviam planeado. Matar um Don significava quebrar um código da Máfia; era um acto de traição à Cosa Nostra, mas tanto John Gotti, um ladrão de carros empertigado com um ego desmedido, como Sammy ‘the Bull’ Gravano, assassino confesso e homem de negócios astuto, ansiavam pelo poder absoluto. Nada pessoal; tratava-se de um mero negócio. No entanto, a morte de Castellano provocou uma dramática reacção em cadeia, abalando a Máfia no seu âmago. O egotismo desmesurado de Gotti quebrara o código de descrição da Máfia, levando o Bull, o seu anjo da morte, a desertar e a regressar para o atormen- 

A MORTE DE PAUL CASTELLANO ABALOU PROFUNDAMENTE A MÁFIA DE NOVA IORQUE MAXIM Março 2001

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CRIME LISTA NEGRA

Olhe para trás É fácil acabar morto com a Máfia de Nova Iorque

Jimmy Hoffa, um líder sindical poderoso, sabia de mais sobre o assassínio de J. F. Kennedy para o gosto da Máfia. Desapareceu em 1975 e diz-se que está enterrado no estádio dos Giants de Nova Iorque.

numa sepultura em Queens, uma semana depois de ter desaparecido, com uma bala na cabeça e mutilado. Fahy foi morto por causa da amizade com uma amiga de um homem ligado à família Lucchese.

Em 1992, Michael Levine, proprietário de um clube nocturno em Staten Island, foi acusado de estar a “flirtar” com a mulher de um membro da família colombiana. Foi morto pela sua indiscrição.

John ‘Johnny Boy’ Borelli era um conhecido ladrão de automóveis e sócio dos irmãos Colombo. Em 1996, começou a sair com uma ex-namorada de um membro da Máfia, uma infelicidade que provocou a sua morte.

Paul ‘Paulie’ Gulino era um traficante de droga e associado da família Bonnano. Mas, em 1993, cometeu o erro de surrar o “consigliere” da família. Um erro que acabou por lhe ser fatal. Louis Balancio estava a beber num bar nova-iorquino, em 1994, e acabou por se envolver numa briga. Os atacantes tinham ligações com a família Lucchese, que não hesitou em espancá-lo até à morte. Em 1996, o empregado de bar Patrick Fahy foi encontrado

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Em 1996, o designer de moda Roy Ogden foi detido por membros da família Lucchese, pensando que este podia ter droga. Ogden não sobreviveu à busca. Jonathon Segal e Michael Greco trabalhavam no restaurante Scores como empregado de mesa e segurança, respectivamente. Em 1996, envolveram-se numa briga com um cliente. Este era membro da família Gambino e matou-os.

tar. No princípio, tudo correu às mil maravilhas. Don Gotti regia-se por um desejo paranóico de mandar, tornando-se assim o patrão da Máfia mais infame desde Capone. Adorava ser o centro das atenções e cultivava a imagem do Don “estiloso”. O Bull, pelo contrário, regia-se por um sentido de lealdade errado e uma amoralidade perversa. A Máfia simbolizava uma entidade romântica. A Cosa Nostra era sinónimo de honra e não a exibição de um homem só; a “omertà” – o voto de silêncio feito pelos membros da Máfia – e o assassínio eram medidas adequadas, que protegiam os seus empreendimentos. Sammy começou por desprezar a postura vaidosa de Gotti e o seu estilo de liderança que impôs um comportamento novo e grosseiro da Máfia. Este germe reproduziu-se e putrefez-se. Quatro anos depois, quando os dois homens foram acusados no seguimento de uma forte campanha do FBI contra as actividades de organizações criminosas e corruptas (RICO), assassínio e tentativas de assassínio, o Bull tomou a decisão mais corajosa da sua vida e virou-se contra Gotti. Gotti e dezenas de outros nomes sonantes da Máfia foram condenados. A Cosa Nostra ainda está cambaleante e os dias de “glamour” de “O Padrinho” chegaram ao fim. A imagem distinta de homens envergando sobretudos escuros, e respondendo a nomes como “Queixo”, “Tubo de Gás” e Don “estiloso”, está a ser substituída por uma paródia foleira de assassinos penteadinhos com fatos brilhantes. Esta é uma história triste de poder e corrupção, de sonhos transformados em pesadelos, que começa em 1940, quando John Gotti nasceu. É difícil criticar o seu desejo de fugir à extrema pobreza do Sul do Bronx, onde passou a sua infância. O pai era um trabalhador subalterno, cuja única fuga era o jogo. Assim, não é de admirar que Gotti tenha atacado as ruas com todo o veneno; não tinha nada a perder. A apenas uma bola de DiMaggio de distância do estádio dos Yankees, no Bronx ao Harlem italiano, Gotti encontrou os dólares e as roupas vistosas da Máfia. Para um rapaz com os bolsos vazios, tratava-se de uma imagem atractiva. Quando a família se mudou para East New York, Brooklyn – outro centro nevrálgico da Máfia – Gotti dedicou-se ao crime de rua como modo de vida. Aos 14 anos, era um ladrão experiente e tentou roubar uma misturadora de cimento para a Máfia. A máquina tombou e esmagou-lhe os dedos dos pés, deixando-lhe um andar característico. Gotti riu-se da situação – o seu comportamento e carisma destacavamno. Era um líder nato. Outros rapazes entravam nos eixos antes de serem esmurrados. Muitos dos membros devotos do seu gang acompanharam-no fielmente durante décadas, incluindo um rapaz estranho de nome


Angelo Ruggiero, que se tornou um soldado de confiança da família Gambino. Quase com trinta anos, Gotti tornara-se cúmplice da família Gambino e fazia parte de uma equipa que roubava carrinhas estacionadas no aeroporto internacional de JFK. Em 1968, após ter escapado a uma longa lista de acusações, foi condenado quando um plano demasiado arriscado correu mal – vestiu-se de camionista, entrou na zona de carga do aeroporto e roubou uma série de peças de roupa de senhora, precisamente na altura em que o FBI fazia uma investigação de rotina. Depois de sair da prisão, em 1972, voltou a juntar-se à equipa de assaltos de automóveis. Mas estes ladrõezecos de segunda categoria não eram respeitados pela família – o grupo era considerado um bando de delinquentes exaltados. Gotti não respeitava as convenções, mas estava impressionado com a filosofia de liderança de Gambino, adaptada das palavras de OS ASSASSINOS SELECCIONADOS Maquiavel, político italiano do século XVI. ERAM CRIMINOSOS DISPENSÁVEIS Era implacável; um líder pode fazer tudo para manter o controlo. Simples, mas eficaz; QUE TENTAVAM FAZER NOME Gotti acreditava nessa política. O percurso de Salvatore Gravano foi truir os miúdos.” muito diferente. Nasceu em 1945, em “É a minha bicicleta. Roubaram-ma e eu Bensonhurst, um subúrbio pequeno e convim buscá-la.” fortável de Brooklyn com ar de pequena “Já viram este Sammy?” disse o homem cidade; os amigos a conversarem às esquiaos amigos. “Parece um pequeno touro.” nas, em “delis” e em cafés italianos. Mas as Sammy era entroncado. Tinha apenas aparências enganam – o bairro funcionava um metro e sessenta, mas era forte e descomo um quartel-general da Cosa Nostra e o temido. Os homens da Máfia fizeram-no miúdo angelical a quem chamavam Sammy sentir bem consigo próprio e assim tinha um enorme potencial. Dezenas de “mafiosi” foram começou a compreender o valor da violênApesar dos esforços dos pais empreen- apanhados por causa do cia. testemunho de um arrependido dedores, que lutaram para cortar todas as Quando dois capangas irlandeses entrarelações com a Máfia, a Cosa Nostra parecia ser o seu ram na fábrica do pai e tentaram extorquir-lhe dinheiro, destino. A mãe e o pai do Bull queriam escapar ao esti- Sammy, com apenas treze anos na altura, ficou tão furiolo de vida do emigrante e construir um futuro. Falavam so que foi buscar uma arma e esperou pelo regresso dos inglês em casa e puseram o nome de Sammy ao seu capangas. Mas não precisou da arma. A atenção dos filho. Mas no caminho para a igreja, Sammy ficava intri- extorsionários em potência fora despertada para o facto gado pelos homens de fato nas esquinas das ruas, com do pai Gravano ter um amigo chamado Zuvito. Quando os anéis de diamante a brilhar a lançarem os dados e a os extorsionários voltaram, o duo beijou o pai de Sammy, contarem os maços de notas. tratando-o com muito respeito. Sammy ficou boquiaberSammy esforçou-se muito na escola, não porque fosse to. “Zuvito é o meu ‘campare’ de Itália”, explicou o pai. atrasado mental, como sugeriram os seus professores, “Zuvito é um dos maus rapazes.” mas porque sofria de uma dislexia grave. Os companheiFoi aí que Sammy se decidiu: ia ser um mau rapaz. ros atormentavam-no, mas os homens de fato nas esquiEstamos em 1977 e, enquanto os Bee Gees pergunnas não. Estes haviam já identificado o talento de tam à América, quão profundo é o seu amor (“How deep Sammy. Quando descobriu quem eram os dois ladrões is your love”), Gotti e Gravano gozam o seu momento de da sua bicicleta nova, atacou-os sem dó nem piedade, glória ao “serem admitidos” como membros da família embora estes fossem mais velhos e mais altos do que Gambino. Esta era a honra suprema, o sinal máximo de ele. Os homens de fato aprovaram. “Sammy, porque é aprovação, a subida de um degrau para a riqueza e uma que estás a chorar?” perguntou um deles. “Estás a des- licença para matar com a cobertura de uma série de 

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DEPOIS DA PRISÃO DE GOTTI, CHEGARAM AO FIM OS DIAS DE GLAMOUR DE “O PADRINHO” a correr bem para o duo assassino, até Gotti ser aprisionado em Junho de 1986. Aguardando as acusações do RICO, Gotti deixou Sammy a governar a família. E Gotti comportou-se com uma enorme confiança e charme durante o caso – o Bull subornara um dos jurados. Quando o Don “estiloso” foi absolvido e os média o abordaadvogados. “Ser admitido” como membro significava ram nos degraus do tribunal, estar ligado para sempre às regras da Cosa Nostra; este mostrou ser um homem regras como a “omertà” – o voto do silêncio – que calmo e de princípios. A vida ajudavam a proteger os tentáculos da Máfia. A Máfia funcionaria desde sorria-lhe. Ambos passaram pela cerimónia de iniciação que ninguém quebrasse Mas depressa o Bull foi conquase medieval. Primeiro, Don Paul Castellano, na o voto de silêncio frontado com o seu primeiro companhia de outros membros “admitidos”, fez-lhes teste. O seu estilo impressionara Robert DiBernardo, algumas perguntas. “Nesta sociedade existe apenas uma um homem rico com investimentos na pornografia e entrada e uma saída. Chegamos pelos pés e saímos num controlo das secções importantes do sindicato de trabalcaixão. Vocês matariam por nós? Com que dedo carregaho, que sugeriu que o Bull se tornasse o vice-patrão da riam no gatilho?” Finalmente, os membros admitidos família Gambino. Os dois homens eram rivais – DB, deram as mãos aos novos recrutas. A lealdade para com como lhe chamavam, não era um homem violento – mas o Don é tudo. Castellano acrescentou: “Se o teu filho depressa tornaram-se grandes amigos. está a morrer e tem apenas vinte minutos de vida e o teu “Tens a inteligência e os tomates”, disse. patrão chama-te, tens de deixar a criança. Se recusares, “Mas há outros também. O Angelo está mortinho por serás morto.” isso”, respondeu o Bull. “Eu só estou a ajudar a tomar A fórmula secreta da Máfia de domínio do mundo do conta da loja enquanto o John decide o que quer.” crime teve o seu início em 1931, quando facções adver“O John adora-te”, confirmou o DB. “Antes de ir de sárias, especialmente da Sicília e de Nápoles, uniram cana disse que só gostava de ter cinco Sammys.” forças numa aliança perturbadora intitulada Cosa Nostra. Mas o DB era um fala-barato e Angelo, amigo de Depressa se espalhou. No final da II Guerra Mundial, 24 infância de Gotti, soube do plano. Sammy disse que era famílias controlavam cidades do outro lado do continensó conversa. Esquece. O DB é um bom homem. Mas te. Todas as disputas eram decididas por uma Comissão Angelo estava lívido e contou a Gotti uma história exaNacional constituída pelos 11 Dons principais. gerada, incluindo a acusação de que DB dissera que Estas não eram famílias do tipo Corleone, embora os Gotti não deveria ser o Don. A ordem para matar DB laços de sangue fossem fortes, mas sim uma hierarquia chegou. Sammy ficou horrorizado, especialmente porde grupos de homens que prestavam homenagem ao seu que tinha de engendrar o assassínio. líder, tendo como chefe principal o Don. De modo a Uma noite, DB chegou ao escritório de Bensonhurst assegurar que a matança fosse feita de maneira eficaz, e do Bull e foi informado de que Sammy estava a beber com o mínimo risco, os assassinos eram seleccionados a café com o seu grupo na cave. Quando DiBernardo partir dos homens não “admitidos”, criminosos dispenentrou na cave, o assassino leal do Bull, Joseph Paruta, sáveis que tentavam fazer nome. levantou-se, aparentemente para ir buscar um café. Se a guerra rebentasse entre as famílias, o assunto Pegou num revólver de calibre 38 e num silenciador de seria resolvido pela Comissão. Ao FBI restava-lhe aprium compartimento secreto e disparou duas vezes na sionar a arraia-miúda no fundo da pirâmide e lutar nuca de DB. contra advogados da Máfia, testemunhas e jurados Os métodos “limpos” do Bull cimentaram a sua repusubornados. A Máfia funcionava, desde que ninguém, tação. Depressa Gotti o nomeou seu “consigliere” ofiprincipalmente um oficial superior, quebrasse o voto do cial. “Fazemos uma grande equipa”, declarou. Estamos silêncio. na Primavera de 1991 e os dedos de Gotti tambori-  Depois da morte de Castellano, as coisas começaram 82

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FOTODEPILAÇÃO MÉDICA – A MELHOR OPÇÃO PARA ELIMINAR OS PÊLOS Desde sempre que as mulheres utilizaram diversos métodos para eliminar os inestéticos pêlos. Com o tempo estas técnicas aperfeiçoaram-se e hoje a medicina estética dispõe de uma inovadora forma para os eliminar permanentemente: a Fotodepilação Médica. Até há bem pouco tempo só os atletas se depilavam, tanto por questões de higiene como de comodidade, mas hoje são cada vez mais os homens que querem ver-se livres dos pêlos por motivos puramente estéticos. E com razão!!! As máquinas eléctricas e a cera aterrorizam qualquer um, além de que são métodos muito limitados na duração dos seus resultados e em muitos casos provocam irritações e inflamações. Os homens também querem resultados rápidos, eficazes e com comodidade.

A SOLUÇÃO A Fotodepilação é uma técnica que se realiza com aplicações de Luz Pulsada Intensa (IPL). A luz aplicada é absorvida selectivamente pelos folículos pilosos destruindo a sua capacidade de crescimento. De sessão para sessão os resultados podem observar-se: o pêlo renasce cada vez menos e com menos força. Para que o tratamento seja totalmente efectivo e a zona tratada fique completamente livre de pêlos, são necessárias em média cinco sessões, pois cada pêlo tem o seu ritmo de crescimento e a efectividade do tratamento, depende em grande parte da fase de crescimento em que este se encontra. Os resultados têm uma duração tão longa que medicamente são considerados resultados definitivos.

Este método pode ser utilizado qualquer zona do corpo ou rosto: zona peitoral, pernas, axilas, braços, abdómen, costas e ombros. As sessões devem ser espaçadas entre si entre 20 a 30 dias. Os cuidados necessários para obter resultados eficazes são fáceis de cumprir: não expor-se ao sol nem a raios U.V.A., e para a sessão de Fotodepilação o pêlo deve ter uma longitude de 1 a 2 mm, pelo que não deve depilar-se com outros métodos enquanto realiza o tratamento. AS VANTAGENS Em poucos meses os pêlos são eliminados, de forma segura e com toda a comodidade. Este método tem muitas vantagens sobre todos os outros. Os resultados são mais duradouros, o tratamento não é doloroso, sendo até bastante mais cómodo e rápido que os métodos tradicionais e a longo prazo torna-se um tratamento barato.

LISBOA • PORTO • BRAGA • AVEIRO • COIMBRA • 707 25 25 25


Vai uma bala? Mortes em Nova Iorque na década de 90 Porquê

Nº de vítimas

Lutas entre famílias/Guerra da Máfia

22

Disputas de dinheiro

12

Disputas de drogas

12

Estar com membros da Máfia quando estes são atacados

10

Suspeitas de informadores

9

Vingança

8

Lutas de poder

6

Histórias antigas ou querelas pessoais

5

Sítio errado, hora errada: transeuntes

5

lam no banco dos réus na sala de madeira e mármore do tribunal. O Don empertigado está cabisbaixo e abatido. Sammy ‘the Bull’ Gravano, preso por acusações semelhantes, incluindo jogo ilegal, obstrução à justiça, intenção de assassínio e assassínio, tornou-se o desertor mais qualificado da Máfia. O seu testemunho seria arrasador. Mas isto nunca teria acontecido se Gotti não tivesse traído o Bull durante anos e anos. O seu destino foi traçado a 12 de Dezembro de 1990, quando uma gravação foi ouvida numa audiência. A questão não foi o que Gotti disse, na conversa gravada com Frank Locascio, sobre as suas actividades criminosas, mas sim o que disse sobre Sammy. Gotti era muito crítico em relação ao Bull e muito maldizente por este ter tantos negócios e não partilhar os lucros. Mas o pior estava para vir. Gotti foi ouvido a dizer: “E o DB? Alguma vez se mostrou subversivo?” “Nunca”, respondeu Locascio. “Ele nunca falou com o Angelo. Acreditei nas pala­ vras de Sammy quando me contou que o DB falava de 84

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mim nas minhas costas.” Deste modo, Gotti dera a impressão de que fora ideia de Sammy assassinar Robert DiBernardo, quando, na verdade, o Bull se manifestara a favor de poupar a sua vida. Gotti contou que Sammy queria assassinar Louie Milito, um velho amigo de Sammy. As acusações eram muitas. Sammy ficou destruído e enraivecido – as mentiras faziam dele um assassino descontrolado e asseguravam-lhe um futuro atrás das grades. Mas pensou depressa. As traições de Gotti não se resumiam à inveja. Devia ser uma espécie de paranóia que Sammy queria ser o patrão, por isso Gotti decidira arruinar a sua reputação na família. Gotti podia utilizar as gravações como um plano de defesa – podia apresentar-se como o Don “estiloso” a tentar controlar um dos soldados enraivecidos no meio do alvoroço. Os dois homens acabaram por arranjar tempo para conversar. As cartas foram dadas a favor de Gotti. “Tudo tem de ser feito para salvar a Cosa Nostra”, explicou, “e isso significa John Gotti. Tens algum problema?” A ausência de um pedido de desculpas de Gotti traçou o seu destino. Sammy tomou a decisão mais difícil da sua vida e quebrou o voto de silêncio. A mulher recusou o programa de protecção de testemunhas. Sammy sofreu muito, mas sabia que, pela primeira vez na sua vida, estava a fazer a coisa certa. Numa entrevista com o advogado de acusação disse o seguinte: “A Cosa Nostra está a morrer. Temos estas regras estúpidas e tudo o que fazemos é quebrá-las...” Testemunhar contra velhos companheiros e mandálos para a cadeia era uma tarefa pesada, mas enfrentou a situação com o mesmo controlo do que quando usava uma arma. No final, John sabia que estava perdido. Depois de apenas 13 horas de deliberação, Gotti foi considerado culpado de todas as acusações e condenado a prisão perpétua sem hipóteses de obtenção de liberdade condicional. A sua nova casa passaria a ser a prisão federal de segurança máxima em Marion, Illinois. Dezenas de “mafiosi” foram apanhados por causa do testemunho do Bull que apanhou uns insignificantes cinco anos de prisão. Quando mais tarde saiu da prisão, o Bull sujeitou-se a uma cirurgia plástica e foi-lhe atribuída uma nova identidade. Mas regressou à vida do crime em Phoenix. Actualmente detidos por tráfico de droga, o Bull, a mulher, o filho, a filha e mais 42 pessoas respondem por um total de 181 acusações. Entretanto, John Gotti vive uma vida solitária. Desde que foi preso, passa 23 horas por dia sozinho numa cela. Em Setembro de 1998, foi-lhe diagnosticado um cancro na garganta, que depois se alastraria. Um final triste para o outrora arrojado e estiloso Don. M

Tradução de Carla Hilário de Almeida

CRIME


TEM VISTO ESTA MIรšDA?

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Marรงo 2001 MAXIM


Aly Landry E n達o apetece mesmo que o Ver達o chegue depressa? Aly Landry, modelo americana, tenta cortar-nos a respira巽達o

Fotografias de Michael Biondo

MAXIM Janeiro 2000

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ALY LANDRY


As fotografias Fizemos a sessão fotográfica numa zona da praia mais deserta, mas mesmo assim havia alguns curiosos em volta. Ainda por cima, não havia sítio para a modelo despir e vestir os bikinis. A belíssima Aly esteve em Malibu e recorda ter sido obrigada a usar um "sarong" muito pequeno, que não cobria quase nada. "Foi a minha primeira cena de nudez."


ALY LANDRY

As filmagens Diz Aly que, durante as gravações teve de gritar "palavrões que nem sabia que existiam". O que ela não fez foi aparecer nua, e confessou o seguinte:"Foi usado um duplo, pois ainda não me sinto confortável nas cenas de nudez." Aliás, continua Aly: "O filme é uma comédia e não me pareceu necessário despir-me."

A vida em geral Aly é americana e diz que o homem que mais gostava de conhecer era o príncipe William de Inglaterra. Quanto à sua vida privada prefere não revelar o nome do namorado, mas conclui que "para as relações serem saudáveis e as pessoas felizes, é preciso mais sexo".


TURBULÊNCIA! apertem os cintos

de segurança!

Sogras malditas, miúdos aos comandos do avião, armas de caça submarina, porcos com gases. Mas também terroristas a bordo, faltas de gasolina, aviões cabriolet e passageiros endoidecidos – uma viagem aos voos mais azarados de sempre


VOOS PERIGOSOS

Graças a Deus, estavam todos escondidos debaixo da palha

N

o ano passado, um elemento da equipa da Maxim viajou até Nova Iorque numa das melhores companhias aéreas do mundo. Meia hora depois de uma típica refeição a bordo para encher o estômago, a Mãe-Natureza sussurroulhe ao ouvido e o rapaz caminhou pelo corredor, tomando o seu ligar na fila para os lavabos. Enquanto esperava, ouviu duas hospedeiras a falar no compartimento ao lado. “Bem”, dizia uma delas, encolhendo os ombros, “suponho que vamos finalmente descobrir se estes coletes salva-vidas afinal funcionam”. Depressa imaginou o anúncio do comandante: “Daqui fala o vosso comandante. Por favor, não façam planos para o Natal.” Petrificado, o nosso enviado passou os quarenta minutos seguintes na casa de banho a escrevinhar bilhetinhos de despedida aos amigos e à família convencido de que estava destinado a uma sepultura aquática. Como continua entre nós, podemos acreditar que foi simplesmente uma vítima do sentido de humor alucinado da tripulação. Mas pelo menos redireccionou o “cordon bleu” de galinha. Mas será este medo de estar condenado a uma morte quase certa realmente tão irracional? E mais: será que viajar de avião é assim tão perigoso? Bem, as estatísticas dizem que não. Há 30 anos, ocorria um acidente aéreo fatal em 140 milhões de milhas voadas. Hoje em dia, o número aumentou para 1.4 biliões

de milhas. De facto, os melhoramentos na segurança foram tão radicais que, mesmo o contabilista da esquina, aceita apostas de três milhões para um para o possível envolvimento num acidente aéreo fatal. Resultam mais mortes de acidentes de viação em apenas um mês do que de toda a história da aviação civil. Então, por que é que nos preocupamos? Pensemos nisto: Estamos numa máquina que pesa quase quatrocentas toneladas e por baixo de nós não existe nada a não ser um conceito demoníaco chamado gravidade. Não existe nenhuma rede de segurança, nenhuma pilha gigantesca de almofadas, nenhum castelo de espuma para suavizar a nossa queda. Apenas terra firme, fria, dura e implacável. Mas o que acontecerá se os nossos próximos voos incluírem aquela milha extra que nos leva para lá dos 1.4 biliões de milhas perfeitamente seguras? Quem nos assegura que o nosso próximo voo não será o número 3 milhões e um? E será mesmo quatro vezes menos provável a hipótese de ganharmos a lotaria nacional do que sobrevivermos a um acidente aéreo? Tal como dissemos, pensemos nisto. Se estatísticas como esta simplesmente aumentam os medos de uma vida das viagens de avião, então aceite as nossas desculpas. Mas tente não preocupar-se. Se mergulhar nestas histórias de dor e sofrimento, depressa perceberá que, mesmo que as coisas corram horrível, inconcebível e 

MAXIM Março 2001

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SERÁ MESMO QUATRO VEZES MENOS PROVÁVEL GANHARMOS A LOTARIA DO QUE O NOSSO AVIÃO CAIR? insuportavelmente mal aos 35 mil pés, isso não significa que o seu destino é a morte... Ou significa?

A palavra Mãe

O conceito de sogra já deu azo a material infindável para tipos como Herman José, mas a existência de uma a bordo de um avião da Royal Jordanian Airlines em Novembro de 1996 significou para a tripulação e os passageiros o susto das suas vidas. A caminho de Chicago, o Comandante foi informado de uma ameaça de bomba e forçado a aterrar de emergência na Islândia. A autora da ameaça era uma mulher de Chicago, desesperada, que tentava evitar que a sua sogra, uma passageira do avião, fosse visitá-la.

Coreografia aérea

Uma característica da maioria dos terroristas do ar é o facto de – embora sejam doidos – compreenderem, pelo menos, a necessidade do piloto. Infelizmente, Yuji Nishizawa foi a excepção. Em Julho de 1999, o terrorista exigiu tomar os controlos de um voo da All Nippon Airways, ameaçando a tripulação com uma faca. Quando o comandante se recusou a ceder às suas exigências, Nishizawa esfaqueouo até à morte. Os passageiros testemu94

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nharam depois a luta entre a tripulação e o terrorista até recuperarem o controlo do avião. Quando mais tarde foi interrogado pela polícia, Nishizawa, fanático de jogos de simulação de voo, afirmou que queria dar uma pirueta na Ponte do Arco-Íris, na Baía de Tóquio.

Porco selvagem

Valendo quase 20 milhões de dólares, o novo caça F-16 era o orgulho da Força Aérea paquistanesa. Apesar do equipamento de radar sofisticadíssimo, o aparelho não conseguiu evitar um dos inimigos mais antigos do Islão: o porco. Quando o avião deslizou em chamas na pista de aterragem, colidiu com um javali selvagem suicida, que atacara às cegas as rodas do aparelho, fazendo com que este escorregasse na pista, entre um festival de faíscas. Felizmente, os pilotos ejectaram-se segundos antes do fogo destruir o avião.

Um pequenino problema

Em Março de 1991, o piloto da Força Aérea Americana, Craig Fisher, perdeu um caça F-16 de 19 milhões de dólares quando não conseguiu manusear os controlos e a sua “bolsa de mijo”, Companhias aéreas PERIGOSAS uma bolsa esponjosa onde o piloto urina durante o voo. Ao tentar levanVoe connosco... tar-se um pouco de forma a conseguir bem, não obrigadinho uma posição me­lhor para urinar, o pé 1. Cubana Cuba fugiu e pisou o pedal errado. Três anos Oito acidentes fatais 330.000 voos e meio mais tarde, oficiais da Força 2. Aero Peru Peru Aérea anunciaram a perda de um Dois acidentes fatais 120.000 voos segundo F-16 devido a problemas 3. Air Zimbabwe Zimbabué com a dita bolsa. Ambos os pilotos Dois acidentes fatais 160.000 voos sobreviveram. 4. China Airlines China Nove acidentes fatais 900.000 voos 5. Royal Jordanian Jordânia Três acidentes fatais 340.000 voos


VOOS PERIGOSOS Em Portugal, morre-se muito mais de desastres de carro.

“Paizinho, posso pilotar este avião?

Posso? Por favoooooooooor.”

Falta de gasolina!

Se pensa que está seguro em terra, então pense bem. Em Março do ano passado, um avião da Southwest Airlines que transportava 142 pessoas, aproximou-se da pista de aterragem no aeroporto de Burbank com uma maior inclinação e a 335 quilómetros à hora, a uma velocidade muito superior à recomendada. O avião saiu da pista de aterragem, embatendo contra uma cerca, dirigindo-se para a auto-estrada de seis faixas em direcção a Hollywood. Depois de colidir com um Ford Taurus, o aparelho parou numa estação de gasolina. Mesmo a jeito para reabastecer.

O novo Boeing 737... cabriolet

Dezanove anos: boa idade para uma namorada, mas não tão boa para um avião. Em Abril de 1998, quase assistimos à última grande onda quando um Boeing 737, a 24 mil pés de terra havaiana, subitamente perdeu cerca de seis metros de fuselagem. Sem aviso, o telhado desapareceu, sugando uma hospedeira com ele. Segundo um passageiro, “o avião estava a desintegrar-se. Era apenas uma questão de tempo até que ficasse em pedaços.” Enquanto as pessoas a bordo cantavam hinos, agachados e abraçando os joelhos, o piloto Robert Shornstheimer conseguiu aterrar em segurança. A FAA (Administração Federal de Aviação) depressa ordenou que todos os 737 fossem inspeccionados e instituiu uma série de regras para controlar a fadiga do metal.

Jovens por dentro

O problema que os entusiastas de veículos antigos normalmente preferem ignorar consiste na razão porque os seus carros, bicicletas ou aviões têm a designação de “antigo”, ou seja, porque são extremamente velhos, com uma tendência natural a avariar-se. Bob Martin é um des- 

Levar os filhos para o trabalho pode ser bem visto, se trabalhar num escritório. O mesmo não aconselhamos se for comandante numa companhia aérea. Em Março de 1994, o comandante Yaroslav Kudrinsky do voo SU 593 da Aeroflot levou a filha de 12 anos, Yana, e o filho de 15, Eldar, para o cockpit e passou-lhes o controlo do avião. Pouco depois do júnior ter desligado o piloto automático, o aparelho embateu contra uma montanha na Sibéria, matando todas as 75 pessoas a bordo. Aqui está a história tal como foi captada pelo gravador de voz do cockpit: 20h45 Yana: Papá, levanta o banco. Comandante: Bem, vais pilotar ou não? Yana: Não. Comandante: Segura no volante – segura! Mas não toques nos botões. Este botão, o botão vermelho do piloto automático, não lhe toques. 20h51 Eldar: (sentado no lugar do comandante) Posso virar isto? Comandante: O quê? Eldar: O volante. Comandante: Sim. Se o virares para a esquerda, para onde vai o avião? Eldar: Para a esquerda. Comandante: Vira-o! Olha para baixo enquanto viras. Vamos para a esquerda. Vira à esquerda! (pausa) O avião está a virar? Eldar: Que giro! Comandante: Está a virar? O avião está a virar à esquerda? Eldar: Sim, está. Co-piloto: Reajusta o nível do horizonte. 20h55 Eldar: Por que é que se está a virar? Comandante: Está a virar-se sozinho? Eldar: Sim! Co-piloto: Venham cá! Comandante: Tem calma – segura o volante – segura-o! (voz suave seguida de um berro)

Comandante: Para a esquerda! Para a esquerda! Para a direita! Co-piloto: Para o outro lado! Comandante: (para Eldar) Sai daí! (parece que Eldar não consegue sair rapidamente do avião. Há uma parede à sua esquerda e o painel dos instrumentos encontra-se à sua direita. O barulho continua.) Co-piloto: O chão está ali! Comandante: Esgueirem-se até à parte de trás! Saiam! Saiam! Saiam! Saiam! Saiam! Saiam! Saiam! 20h56 (som do piloto automático a desligar-se) Co-piloto: Velocidade máxima! Velocidade máxima! Comandante: (sentado no seu lugar) Velocidade máxima! Co-piloto: Velocidade máxima! Comandante: Consegui. 20h57.22 Comandante: Qual é a velocidade? Co-piloto: Não vejo o mostrador. 20h57.53 Co-piloto: A sair, a sair, para a direita! Demasiada velocidade. Reduzir a velocidade. Comandante: Conseguimos. Co-piloto: Agora com calma. Comandante: Mais velocidade. Com calma, vamos sair disto agora... está tudo bem... para trás um pouco... com calma... com calma! 20h58.01 (colisão)

MAXIM Março 2001

95


VOOS PERIGOSOS

Agache-se!

O comandante estava a brincar, não estava?

As palavras que teme ouvir. Mas qual é a situação num voo com maiores probabilidades de pôr um fim prematuro à sua vida? Piratas do ar Desde 1991, mais de 140 aviões foram desviados da sua rota por terroristas do ar. Por exemplo, em 1996, um Boeing 767 da Ethiopian Airlines, voou uma nova rota nas mãos de piratas etíopes embriagados. Sem um destino definido, forçaram o piloto a planar até o avião ficar sem combustível e cair no Oceano Índico, matando 125 passageiros.

Possibilidade de acidente     

Bombas Se julga que alguém foi salvo por aquela pergunta aparentemente estúpida “pediram-lhe para transportar alguma coisa”, a resposta é sim. Em 1998, uma mulher grávida estava em Heathrow “en route” para o seu próprio casamento. As suspeitas das autoridades recaíram sobre um presente do seu noivo. O pacote continha explosivos suficientes para matar todas as pessoas a bordo. Limpinho. As bombas estiveram muito em voga nos anos 80, matando cerca de 1300 pessoas.

Possibilidade de acidente     

Condições atmosféricas desfavoráveis De 1987 a 1996, 33 por cento dos acidentes fatais aconteciam devido ao mau tempo. Um estudo revelou que 90 por cento dos pilotos, que se depararam com grandes tempestades a 30 quilómetros do aeroporto, voaram na sua direcção. Os pilotos acreditavam que isso era seguro. Em tempestades, fortes correntes de ar (160 km/h) pode fazer com que um avião de toneladas caia como um grande pedaço de metal. Com asas. Nos últimos 15 anos, as correntes de ar fortes foram responsáveis por dois grandes acidentes, matando 172 pessoas.

Possibilidade de acidente     

Descolagem e aterragem Provavelmente, está mais nervoso quando um avião descola, mas apenas 13 por cento dos acidentes ocorrem durante a descolagem, enquanto metade acontece na aterragem. Os pilotos têm uma maior dificuldade em lidar com factores como as mudanças na direcção do vento, porque é mais difícil manobrar um avião a baixa velocidade.

Possibilidade de acidente     

O piloto não repara na montanha O Voo Controlado Contra o Solo (CFIT) é a causa principal de acidentes de aviação fatais em todo o mundo, registando mais de 2000 mortes desde 1990. O Voo Controlado Contra o Solo é uma forma irrelevante de dizer que o piloto acabou de voar contra qualquer coisa. Jim Burin, da Flight Safety Foundation, explica: “O CFIT ocorre quando um piloto interpreta mal o painel de controlo e 85 a 95 por cento dos acidentes acontecem por falha humana.” Por isso, nunca voe com humanos.

Possibilidade de acidente



Piloto suicida Fique muito preocupado se o piloto anunciar. “Daqui fala o vosso comandante. Agora, se olhar sobre a sua direita, verá que nos estamos rapidamente a aproximar da casa da vaca que me deixou.” Apesar de ser estranho, os pilotos “kamikaze” não são assim tão raros. Suspeita-se que o acidente com o jacto da Silk Air, em 1997, o avião de passageiros da Air Morocco, em 1994 e o voo da Japan Airlines, em 1982, serem devido a casos de pilotos suicidas.

Possibilidade de acidente     

tes casos. Em 1994, Bob levou o seu querido bimotor da época da II Guerra Mundial aos céus de Chino, na Califórnia, mas depressa testemunhou um problema com o motor. No entanto, milagrosamente, Martin conseguiu aterrar o seu avião num terreno mais ou menos profundo de estrume numa quinta a cerca de meio quilómetro da pista de aterragem, sofrendo apenas alguns ferimentos ligeiros.

Brisas

Em Abril de 1995, um jumbo da South African Airways teve de regressar ao aeroporto de Heathrow quando o alarme de fogo a bordo dispararou. Investigadores confusos acabaram por concluir que os alarmes tinham sido accionados pelo calor – e muito provavelmente pela flatulência extraordinária – produzido pelos 72 suínos reprodutores premiados no compartimento de carga.

O banqueiro porcalhão

Em Outubro de 1995, a firma de investimento TCW Americas orgulhou-se da publicidade conseguida pelo seu presidente Gerard Finneran. Quando viajava para o aeroporto de JFK, Finneran, de 59 anos, levantou-se para ir buscar uma bebida. Quando lhe foi pedido que não o fizesse respondeu, “parto-te toda!”, batendo numa hospedeira de bordo. Depois de mais palavras duras e um aviso do comandante, Finneran baixou as calças e urinou para o carrinho do serviço de primeira classe. Terminou por limpar o rabo aos guardanapos de linho. Um final em beleza.

Despidela

Em Agosto de 1991, uma mulher de meia-idade a bordo de um voo de Berlim para Telavive, despiu o vestido no corredor e começou a gritar: “Tragam-me Shamir (o primeiro-ministro israelita da altura Yitzak Shamir). Quero Shamir.” Depois mordeu num elemento da tripulação enquanto era conduzida para fora do avião com a sua bagagem – uma mala de mão de plástico contendo cerca de 30 000 dólares em notas.


Ligações por correo

É reconfortante saber que não são só os funcionários dos correios britânicos que são miseráveis. Vejamos o exemplo do engenheiro de voo da FedEx, Auburn Calloway. Num avião da FedEx, em Abril de 1994, atacou os seus colegas com um martelo e uma arma de caça submarina. Todo ensanguentado, o piloto virou o avião de forma a desequilibrar Calloway e a fazer com que dois elementos da tripulação o conseguissem dominar. Curiosamente, ninguém se lembrara de perguntar porque é que Calloway tinha vindo para o trabalho com uma arma de caça submarina.

Autoclismo, granada e queda

Beber e conduzir

Em Junho de 1994, o voo da American Airlines 901 para Buenos Aires planava quando uma hospedeira levou um tabuleiro com bebidas ao cockpit. O único problema era que não sabia onde pô-lo. Ansioso por ajudar, o primeiro comissário pôs o lugar do co-piloto para a frente fazendo com que as pernas deste atingissem a coluna dos controlos e desligassem o piloto automático, levando o avião a um mergulho assustador. As refeições dos passageiros e alguns dos próprios passageiros embateram contra o tecto, enquanto a tri-

APENAS TREZE POR CENTO DOS ACIDENTES ACONTECEM DURANTE A DESCOLAGEM pulação tentava recuperar o controlo do avião, coisa que conseguiriam cerca de dezasseis segundos mais tarde. Um dos passageiros teve uma crise de fígado, muitos deram consigo em partes diferentes do avião e muitos outros perderam o apetite. Ah, e as bebidas entornaram-se.

Estes neo-zelandeses são loucos

Em Junho de 1996, a Air New Zealand anunciou que autorizaria as tripulações de cockpit em voos internacionais a fazerem sestas durante os períodos de menor actividade desde que um dos seus elementos permanecesse acordado. A companhia aérea disse que esperava assim acabar com as sestas “não oficiais e não controladas”, que todos os pilotos em todas as companhias de aviação fazem. A Air New Zealand também deu instruções sobre o modo como se deve acordar um piloto: deve ser feito “num tom normal de voz para não surpreender o elemento da tripulação que está a dormir”. M

eles sobreviveram

Quatro celebridades salvas pelos deuses... Patrick Swayze – Em Junho do ano passado, a estrela de “Dirty Dancing” teve um acidente num Cessna 414A, quando tentava uma aterragem de emergência num caminho de lama, no Arizona. Felizmente, os médicos conseguiram salvar-lhe o cabelo.

Bono – Quando o vocalista dos U2 viajou no

David Coulthard – O escocês de queixo

O Leeds United – Depois da derrota por 3 a

quadrado e respectiva noiva saíram ilesos de um Learjet depois de este se ter despenhado durante uma aterragem de emergência em Lyon, França. Os dois pilotos morreram.

0 em West Ham, em Março de 1998, o avião da equipa do Leeds United quase não chegou a casa. Momentos antes de chegar a Yorkshire, um dos motores explodiu, obrigando o avião de 48 lugares a fazer uma aterragem de emergência.

jacto do seu amigo Jimmy Buffet, nas Caraíbas, em 1996, as autoridades jamaicanas dispararam sobre o mesmo, pensando tratar-se do avião de um conhecido traficante de droga. Bono sobreviveu ao ataque inesquecível.

David Coulthard acabou de sair daqui vivo MAXIM Março 2001

97

Tradução de Carla Hilário de Almeida

Apesar das fracas condições do autoclismo a bordo poderem resultar numa espécie de explosão nos sanitários, este nem sempre é culpado dos acidentes nos lavabos. Em Outubro de 1986, o voo 602 da Thai Airways foi forçado a fazer uma aterragem de emergência em Osaka, no Japão, depois de uma explosão ter aberto um buraco no chão de uma das casas de banho. Com o avião seguro no chão, os funcionários começaram a investigar e descobriram uma das casa de banho totalmente desfeita por uma granada, um gangster Yakuza de cabeça para baixo metido no buraco e dois companheiros a puxá-lo pelas pernas. O gangster mais tarde confessou que tentara atirar a granada para o vácuo da casa de banho para evitar a sua detecção no aeroporto.


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Como é que nos vamos vestir hoje? Fevereiro 2001

ModaMaxim Gravatas e camisas. p. 124

Sapatinho novo. p. 132 É só cabedais e peles. p. 116

15 páginas de ideias para o visual melhorar


É SÓ CABEDAL

Salvar a Pele O cabedal não faz o homem, mas ajuda

Fotografia de Luís de Barros Styling de Michele Santos

Camisa cor de laranja de manga curta, tipo quimono, 15.000$, João Tomé/Francisco Pontes; calças de pele castanhas, 101.000$, Ana Salazar; sapatos castanhos em pele, 21.000$, Ana Salazar.


É SÓ CABEDAL

Às vezes, um homem tem de levar as coisas a sério. Olhar de frente. Fazer voz grossa. Coisas da vida Blusão de camurça castanha, 295.000$, Alfred Dunhill; camisa azul aos quadrados, 9.400$, West Eleven/Pepe Jeans; calças bege de algodão e caxemira, 35.700$, Wesley; cinto de pele castanha, 8.700$, Wesley; botas pretas, 25.000$ Ana Salazar; óculos, 19.950$ Ray-Ban na Sun Planet.

102

Março 2001 MAXIM


Em dias normais, tenho uma chave de casa no bolso, e algumas ideias sobre o futuro. Mas nem todos os dias sรฃo assim T-shirt de camurรงa azul, 54.300$, Ana Salazar; calรงas cinza, 16.300$, Tommy Hilfiger na Loja das Meias; cinto preto entranรงado, 9.000$, Wesley; รณculos, 19.950$, Ray-Ban na Sun Planet.


É SÓ CABEDAL

Mais tarde, muito mais tarde, teria de tirar o casaco. Pousá-lo. E depois recebê-la com um sorriso, mandar-lhe um piropo Casaco de pele castanha, 95.200$, Loja das Meias; camisola de malha bege, 10.900$, Pepe Jeans; calças bege, 11.600$, Khaki Deluxe.

104

;Março 2001 MAXIM


É SÓ CABEDAL

Éramos uns cinco ou seis. Marcámos encontro para o final da manhã. Levei umas coisas... Pólo de camurça perfurada com fechos, 86.500$, Ana Salazar; t-shirt preta com decote em bico, 3.550$, Massimo Dutti; calças enceradas verdes, 12.900$, Khaki Deluxe; mala de feltro preta, 19.000$, Polo Ralph Lauren na Loja das Meias.


É SÓ CABEDAL

Todos temos de ir um dia. Naquela noite, decidi que ia viajar. Gosto de estradas, quilómetros, roupa no saco. Destinos Parca de camurça verde 149.500$, Hugo Boss; t-shirt verde, 6.250$, Massimo Dutti; calças cinza, 26.500$, Ana Salazar; saco de viagem de pele martelada castanha, 158.200$, Mulberry na Wesley; botas pretas, 125.000$ Ana Salazar.

60

Janeiro 2000 MAXIM

GRANDE CABEDAL


Talvez fosse a maneira como ela fumava. Talvez fosse a tarde que convidava à companhia. Não sei. Mas divertimo-nos Blusão de ganga, 15.600$, Pepe Jeans; t-shirt de camurça azul manchada, 57.500$ Ana Salazar.

Maquilhagem e cabelos Naná Benjamim Manequim Henrique (Central Models) Assistente de Produção Rita Rosa Assistente de fotografia Rodrigo Cardoso


ModaMaxim Gravatas

Dê o Nó

É de manhã e há que sair para a rua com categoria. Fotografia de Paulo Andrade, Produção de Michele Santos, Assistente de Produção Rita Rosa

Camisa lilás, 16.500$, Polo Ralph Lauren; gravata azul com fantasia, 15.600$, Alfred Dunhill.


Tom sobre Tom Camisa em popeline verde, 16.200$, e gravata verde com quadrados, 10.500$, Hugo Boss.

Camisa de algodĂŁo azul mesclado, 23.400$, Giorgio Armani; gravata azul escura em seda, 15.600$, Alfred Dunhill.

Camisa em popeline cinza, 16.200$, e gravata em seda, 10.500$, Hugo Boss. MAXIM Março 2001

111


ModaMaxim Gravatas

Camisa em algodĂŁo preta, 13.990$00, Miguel Vieira; gravata em seda com riscas, 10.500$, Hugo Boss.

Camisa em popeline preta, 6.950$, Massimo Dutti; gravata em seda, 8.800$,Ralph Lauren.

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Março 2001 MAXIM

Camisa bourdeux, 6.950$, e gravata no mesmo tom, 5.550$, tudo Massimo Dutti.

Camisa em popeline, 16.200$, Hugo Boss; gravata em seda com fantasia, 12.000$,Ralph Lauren.


Clássicas

ModaMaxim Gravatas

Camisa branca em piquê de algodão, 42.000$, Alfred Dunhill; gravata com fantasia em seda, 5.550$, Massimo Dutti.

Camisa azul com riscas, 16.400$, e gravata com riscas verdes, 11.800$, Wesley.

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Março 2001 MAXIM

Camisa popeline branca, 17.650$, Christian Dior; gravata em seda com bolas, 16.900$, Wesley.

Camisa azul em algodão, 8.450$, Massimo Dutti; gravata com pespontos amarelos, 12.900$, Wesley.


Riscas e Quadrados

ModaMaxim Gravatas

Camisa azul de quadrados pequenos, 15.900$, Loja das Meias; gravata em seda com bolas, 10.500$, Hugo Boss.

Camisa de riscas, 19.100$, Hugo Boss; gravata de seda com losangos, 12.800$, Wesley.

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Marรงo 2001 MAXIM

Camisas azul de riscas largas, 16.800$, Wesley; gravata azul, 16.000$, Vicri.

Camisa de quadrados azuis, 22.500$, Vicri; gravata azul de seda, 15.600$, Alfred Dunhill.


Maxim Tenis bege de camurça, 13.950$, Puma. Na Maior.

Mochila preta em nylon, 7.950$, Nike à venda na Na Maior. Camisa de algodão aos quadrados, 9.400$, Khaki Deluxe.

Poupe umas Coroas

Guarde o resto e gaste num fim-de-semana de aventura!

Cinto verde de nylon, 7.000$, Polo Jeans à venda na Loja das Meias.

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Março 2001 MAXIM

Impermeável branco com capuz, 10.900$, Pepe Jeans.

Fotografia Paulo Andrade Produção Michele Santos Assistente de produção Rita Rosa

Boné de fazenda, 4.800$, Hugo Boss.


Já pensou em começar a

Março 2001

GuiaMaxim Maserati

O 3200 GT acelera p. 132

Brinquedos Filmes

Hannibal contra-ataca. p. 122

Jogos

Colin Mcrae ganha sempre. p. 131

A nova Playstation Câmaras digitais Gravadores MP3 p. 136


Filmes

The Mexican

Ai que belo lombinho!

VA M O S A V E R

O Exorcista Director’r curt

Quase 30 anos após a sua realização, “O Exorcista” ainda provoca emoções fortes. Às salas chegará uma nova versão, remontada, cujo trailer causou polémica nos EUA. Não que tenha sexo ou actos de violência. É só por ser muito intenso… Obra inspiradora para o género do horror, e também para o da acção, mantém intacta a sugestão desprovida dos habituais efeitos visuais ou estilísticos. Explora também as emoções mais básicas do espectador em vez de investir nos habituais sustos. A fragilidade e a impotência da mãe e da jovem possessa, como dos exorcistas desta – quer o Padre Karras em crise de fé, quer o confiante mas debilitado Padre Merrin – são o espelho em que o espectador se revê e a chave da tal intensidade que ainda assusta os americanos da direcção de espectáculos. “O Exorcista” não é uma mera ficção de horror, mas terror em estado puro, do qual o espectador não se liberta com o acender das luzes. William Friedkin documentou com simplicidade o medo, a ansiedade e o desespero que William Peter Blatty criou no livro homónimo. O elenco, excelente e encabeçado pelo carismático Max Von Sydow, não se fez rogado e entregou-se, de corpo e alma, a este exercício terrível. O “novo” filme tem mais 11 minutos – trata-se de material inédito – que o original, e suprime algumas imagens previamente existentes. Obrigatório levar a namorada a ver.

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Sobre a obra protagonizada pela dupla que mais suspiros deve arrancar dos jovens casais, pouco se sabe. Tratase de um filme acabadinho de rodar por Gore Verbinski, com Julia Roberts de cabelo mais curto e Brad Pitt a manter uma aparência extraordinária para os seus 37 anos. “The Mexican” é uma pistola, antiguidade sem preço, que o líder de um gang de criminosos cobiça. Jerry Welbach recebe um ultimato do patrão para apoderar-se dela e outro da namorada, Samantha, para regenerar-se. Como o amor à vida pesa mais que o gosto pela rapariga, Jerry faz-se à estrada, consegue a pistola e arca com a maldição que esta carrega. A combinação Pitt/ Roberts deve funcionar, até porque protagonizam juntos mais dois projectos. A ver vamos se afinal se cumpre a promessa de muita acção alardeada por Pitt, que fez ele próprio algumas das cenas de luta. M.C.P.

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D E O LH O N E L A S

Quills – As Penas do Desejo

“Quills”, abordagem pós-moderna à biografia de Sade, é esmagada pelo insustentável peso da intelectualização com que Kaufman quis tornar séria a obra. Descrita na “Time” como «softgore porn», o filme recria livremente a vida do Marquês e explora o paradoxo de este ter sido… uma vítima de sadismo. Acto I: Sade tem uma boa vida no asilo para loucos de Charenton, onde beneficia dos favores (variados) da criada que lhe encaminha os livros para o editor. Acto II: ofende Napoleão que ordena a Michael Caine que cure, ou então mate o filósofo. Primeiro, tiram-lhe os instrumentos de escrita (os tais “quills” do título) e passa a escrever a sangue, usando a roupa como papel. Descamisado, escreve com excrementos nas paredes da cela. Uma pérola dramática, assinada por Doug Wright, que adaptou a própria peça. À estilização sensual que popularizou “A Insustentável Leveza do Ser” contrapõe-se agora a exploração do abjecto; coisa muito em voga. Um oportunista, este Kaufman. M.C.P.

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Abril 2001 MAXIM

Traffic

Traffic é o épico do desespero americano quanto ao consumo de drogas, no topo das dependências da população que policia o mundo. Alterna três histórias – esse é o maior problema – que visam retratar a complexidade do problema. O ex-dependente de sexo, Michael Douglas é um juiz nomeado, czar da luta contra a droga, mas acaba por não ter mãos a medir com o vício da própria filha. A nova droga de Douglas, Zeta-Jones, é uma dondoca grávida que, quando o marido é preso, o substitui no tráfico. Finalmente, o soberbo Benicio Del Toro é um polícia mexicano honesto enredado nos esquemas dos cartéis de droga. Soderbergh pegou na câmara e filmou para garantir um registo documental, mas não conseguiu evitar a esquizofrenia do argumento nem o conservadorismo do desfecho, bem ao jeito do tio Sam. M.C.P.

     Lá vem ela com a mania de bater no porco doce


DVD

Foi assim que comecei a cortar a vaca

O Gladiador

Foi a pensar nos saudosos péplum (aqueles filmes meios chunga, onde as espadas eram de cartolina) que a Columbia encomendou a Ridley Scott – o realizador do mítico "Blade Runner" – a apologia da guerra e da vingança que é "O Gladiador", onde os romanos são heróis à americana e civilizadores dos bárbaros. Russell Crowe, a nova sensação australiana, interpreta o papel de Maximo, supergeneral das Legiões Romanas, cuja popularidade lhe é fatal. Quando o imperador Marco Aurélio se prepara para torná-lo seu sucessor, Comodo, o filho deste, executa uma vingança bem à romana (ou à siciliana). Ou seja, sangrenta e traiçoeira q.b. No entanto, Maximo ilude a morte e transforma-se num poderoso gladiador (num circuito com um "star system" como o do "wrestling", embora sem as lycras). No fim, adivinhem quem sai por cima, numa vitória que se pode estender aos óscares. O primeiro disco deste DVD duplo inclui a versão estreada em cinema com comentários opcionais de Ridley Scott, John Mathieson e Pietro Scalia. O segundo inclui uma enorme oferta de extras: além do "making off", 20 minutos de cenas inéditas, "Jogo de Gladiadores", um documentário sobre os desportos de sangue em Roma, comentários de Hanz Zimmer acerca da composição da música do filme, uma montagem, por Pietro Sacalia, dos planos que não foram usados; "O meu diário de Gladiador" (com mais de 100 fotografias), por Spencer Treat; comparação com os "storyboards" originais e arte conceptual; galeria de fotografias; "trailers" internacionais; notas de produção e perfil do elenco. Está lá tudo. Maria do Carmo Piçarra

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Tempestade

M.C.P.

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Ghost Dog – O Método do Samurai

Filme de gangsters inspirado na "Arte da Guerra" dos Samurais, em "Ghost Dog" o papel principal é de Forrest Whitaker, e o filme tem a estética minimalista que caracteriza o trabalho de Jim Jarmusch. Também tem – e esse é o único problema – uns maneirismos "a la Wim Wenders", mas a intriga e os desempenhos compensam o resto. Ghost Dog é um samurai moderno que, desde que

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Março 2001 MAXIM

Os Sopranos

Já estão disponíveis no mercado português, em DVD, os primeiros episódios daquela que é já uma série televisiva de culto. Sublinhamos o "já" porque só no final de Março é que os ingleses poderão comprá-la (sem ser de importação, claro). Para quem não conhece (dá na RTP 2), trata-se de uma divertida abordagem ao universo da Máfia numa época em que as coisas já não são o que eram. Agora há escutas do FBI até nas casas de banho e qualquer emigrante quer ser mafioso. Além disso, o Padrinho está na prisão e os italianos prestes a perder o bom humor. Toni Soprano é quem tem mais problemas. Além de uma mulher e dois filho, tem uma mãe senil que o quer matar e um tio que o considera uma ameaça. E – é claro! - como todos os latinos, Toni tem uma reputação a manter. Além do "trailer", inclui comentários dos actores. M.C.P.

Filme de efeitos especiais esmagadores e bem dramatizado, inspira-se na tragédia que se abateu sobre pescadores americanos em pleno Pacífico. Em 1991, no fim de uma má temporada de pescas, o Andrea Gail fez-se ao mar com uma tripulação de aventureiros. A má fortuna perseguiu-os numa zona perigosa precisamente quando três sistemas frontais – entre os quais o Furacão Grace – se uniram, criando uma tempestade com vagas de 30 metros. Clooney deixou o "Serviço de Urgências" para capitanear o barco, e Walhberg juntou-se a ele numa "surfada" para a morte, onde as vagas são mais terríveis que o napalm (bom, talvez não, mas a comparação é útil). Inclui comentário do realizador e do escritor Sebastian Jünger; um documentário sobre a concepção dos efeitos; entrevistas fotos. Se estiver prestes a fazer-se ao mar, convém ver depois.

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foi salvo por Louie (membro de uma sucursal decadente da Máfia) se move como um fantasma durante as execuções para que é contratado. Mas um dia, o trabalho corre mal. Quando vai assassinar o mafioso que dorme com a filha do Padrinho, é surpreendido pela presença da mesma. A caçada transforma-se num banho de sangue e, no final, é a mocinha que leva a melhor (como sempre, aliás). M.C.P.


Discos Sim, estive preso, mas não em Pinheiro da Cruz

Sunna

St Germain

A história da música que não é contada às criancinhas está cheia de bandas que nunca o serão. Normalmente aparecem debaixo das pedras sempre que há novo estilo em voga, mas vê-se logo que tipo de gente é. Os Sunna estreiamse em 2001, com um começo que pode dar para os dois lados. São “rockalhudos”, ouviram muito Soundgarden, Pearl Jam e Metallica, e são ingleses, o que no estilo escolhido não é uma vantagem. Uma proporção 50/50 para atingirem o estrelato, num disco que se compra com risco.     

A França é pátria da melhor música moderninha dos tempos que correm. Veja-se St Germain! Nascido Ludovic Navarre, mas compreensivelmente escondido por trás do pseudónimo St Germain, começou por ser homem de bastidores, antes de se assumir como artista. “Sure Thing” é o segundo single de “Tourist”, uma música onde Miles Davis e John Lee Hooker aparecem como convidados num sample de “Harry’s Philoshopy”. Vale por si só e pelas versões de “Sure Thing” e especialmente de “Rose Rouge”.

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Kings of Convenience

Alice In Chains

Se o bacalhau da Noruega é bom, essa não é a única exportação de qualidade daquele país nórdico. Vejam-se os Kings of Convenience, o nome escolhido por dois jovens de Bergen para fa­zerem a estreia no mundo da música com um disco notável. Calminhos, a modos que armados em Simon & Garfunkel versão século XXI, são fortíssimos candidatos a arreba­nharem uma série de prémios para "melhor nova banda". E não parece que venham a inchar em demasia.

Um dos melhores grupos da fornalha vinda de Seattle, a mesma onde se formaram os Pearl Jam e os Nirvana. Com o pequeno detalhe de os Alice In Chains já existirem antes do "boom" que tornou moda o "grunge". O único problema é que esse pormenor nunca lhes deu a calma de espírito para erguer uma carreira à altura do seu potencial. Este "Live" combina os maiores êxitos captados em diversos locais. Para matar saudades e para nos fazer pensar no que seria se não tivesse havido o “grunge”.

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One Minute Science

Merle Haggard

Sure Thing

If I Could Only Fly

Em todas as lojas de discos, no meio dos “best of” dos Dire Straits, da enésima compilação dos Supertramp e do último de Sting, há música que nunca ouviremos. A culpa nem sempre é nossa, porque os CDs são caros e preferimos comprar o que conhecemos, a arriscarmos num completo anónimo. Ora bem, apresentamo-vos Merle Haggard, um dos mais elogiados, aclamados e incógnitos músicos americanos de sempre. Haggard nem sempre foi um rapazinho bem comportado – esteve preso várias vezes – mas, artisticamente, sempre foi de uma honestidade a toda a prova. A meio caminho entre o Country e o "songwriting" intimista, este “If I Could Only Fly” é à prova de bala e vale cada tostão que pagámos por ele. É a primeira vez que Haggard gravou um disco fora de uma editora Country - no caso numa “label” Punk! - e essa circunstância teve a sua importância. Longe do gemido típico do Country, Haggard mostra que sempre foi mais inspirado pelo Rock ’N Roll ou pelo Blues que pelo rótulo que sempre lhe puseram- até porque na base o próprio Country pouco tinha a ver com as baladas amorosas e melosas. E como Merle é mestre, a sua história é rica. Aos 63 anos pode ser que esteja a começar uma nova fase da carreira. Esperamos bem que sim. P.B.M.

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Quiet is The New Loud

Live


Livros Último Acto em Lisboa Robert Wilson, Gradiva

Será este livro uma saga? Será um ensaio sobre a história de Portugal? Será apenas um policial? Não é fácil reduzi-lo a um rótulo. "Último Acto em Lisboa" é tudo isso, e é uma obra notável. Primeiro, leva-nos até aos anos 40, à II Guerra Mundial, quando Lisboa era uma cidade de passagem, onde se misturavam os refugiados da guerra, os espiões e os nazis. Um alemão das SS, Klaus Felsen de seu nome, é enviado para Portugal para comprar o volfrâmio sem o qual Hitler não podia continuar a sua guerra. Depois, nos anos 90, conhecemos um inspector da PJ, Zé Coelho, que descobre uma rapariga morta na praia de Paço de Arcos e inicia uma tenebrosa e perigosa investigação, que o levará desde as pensões de Lisboa, onde rapazes e raparigas se perdem no sexo, até às moradias ricas de Cascais, onde advogados célebres e bem relacionados com o poder político planeiam vinganças sinistras e privadas. O que têm as duas histórias a ver uma com a outra? Muito. Ao longo deste livro, escrito por um inglês que vive algures num monte do Alentejo, vemos como o passado – o ouro nazi, a fundação de um banco, a Pide, os comunistas perseguidos pela ditadura de Salazar – pode pesar como uma cruz sobre o presente de muitos, determinando-o de forma implacável. Tudo o que aconteceu na história política e económica de Portugal nos últimos 50 anos tem aqui uma referência, construindo uma envolvente histórica perfeita para justificar um presente criminal.

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Anos de Eclipse Jorge Seabra, Campo das Letras

Um médico, cirurgião reputado. Uma mesa de operações. Uma mulher às portas da morte, a ser operada. "Tinha de afastar o pulmão com as válvulas e aspirar, aspirar sempre, procurando visualizar o foco da hemorragia. Parecia sangue arterial e ainda bem. Se fosse uma grande veia, as coisas seriam mais negras". Ela é Luísa. Ele, o médico, é Pedro Matias Salgado. Num passado longínquo foram namorados. No presente, ele tenta evitar o fim dela no meio de anestesistas apressados e pulmões trespassados. Ela levou um tiro. É esse o crime, o ponto de partida para o livro. Em casa dela, alguém entrou e disparou, matando de caminho outro homem, um advogado que podia ou não ser o amante dela. Uma viagem aos tempos de estudante, aos anos 60, à época das causas que emocionavam os novos, na luta contra a ditadura. Ele e ela, o encontro, o princípio do namoro, um tempo de felicidade. Mas também o retrato de uma geração, das suas aspirações e desilusões. Com o passar dos anos, todos se "aburguesaram", mesmo que a contragosto. Quiseram carros, casas, uma vida melhor. Esqueceram o que os unia, e as vidas separaram-se. O retrato também do "cavaquismo", das lutas de poder para se ser alguém nos anos 90. E para além de tudo isto, o crime. "Anos de Eclipse" é um policial carregado de nostalgia por um tempo que já não volta; um policial estilo anos 60. Mas é um policial cativante, daqueles que não apetece parar de ler. Espera-se que Jorge Seabra regresse em breve.

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O Violador

Minette Walters, Editorial Presença Mais um excelente livro da autora inglesa. Um “thriller” psicológico, como sempre. Tortuoso, perturbador até, passado no Sul da Inglaterra, "O Violador" arranca com um corpo nu de uma mulher encontrado numa praia por dois rapazes que pensam tratar-se de uma nudista. Ao mesmo tempo, uma criança de três anos é encontrada a vários quilómetros dali, passeando perdida. A criança é filha da mulher, e a mulher está morta. Violada e com os dedos da mão partidos. No seu estilo inconfundível, Minette Walters não nos deixa respirar e obriga-nos à leitura; obriganos a estarmos atentos aos pormenores, obriga-nos ao envolvimento na obra. Naquelas praias, naqueles penhascos do Sul de Inglaterra, algo de profundamente errado se passava – e se passa – com uma família, com vários homens, com várias mulheres. Todos têm segredos, taras sexuais, vícios perigosos, tendências sujas que podem não merecer o perdão. A polícia tem de investigar o que parece óbvio mas não é, e de descobrir algo muito difícil: o rasto de um barco no mar. "O Violador" não é apenas um puzzle magnífico, cujo recorte das peças e o seu encaixe, nos desafia. É também um pequeno tratado sobre a psicologia criminal e a psicologia dos desvios e das taras sexuais. Ao ponto de não sabermos o que mais nos prende, se a vontade de saber quem é o criminoso ou a vontade de sabermos mais sobre as vidas daquelas complicadas, mas humanas, personagens. D.A.

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Internet F I C H E I R O S S E C R ETO S

Navegar à vista Pegue no rato, e diga que vai da nossa parte

Estupidez compensa

Mosquinha morta

A raça humana é capaz da maior estupidez. E não propriamente do tipo que estão a pensar. Já lhe ocorreu que se vendem rebuçados de chocolate enrolados numas fraldas (simulando precisamente aquilo que os bebés lá deixam)? Ou que existem canetas com massajadores incluídos, para quando as dores de pescoço são insuportáveis? Ou mesmo comida de cão para seres humanos (guloseimas para os donos?). Em www.stupid.com celebra-se a estupidez humana e oferece-se um mostruário dessas proezas. Para ver e, se for picado pelo bichinho da estupidez, para comprar. Como diria o taxista que me trouxe hoje: "Você é que sabe".

O que é que a Internet tem de bom? Fácil, explica tudo e mais alguma coisa. Por falar nisso, o que é uma planta carnívora? Resposta: uma planta carnívora atrai, captura, come e digere animais. Um sapo é habitualmente o máximo que conseguem papar, mas insectos pequenos, aranhas ou moscas costumam ser o prato do dia. O tema não é dos mais fascinantes, mas nunca se sabe se não será preciso saber algo mais sobre estas criaturas Por exemplo, se somos alérgicos a pesticidas e a casa estiver cheia de formigas.

www.stupid.com

www.sarracenia.com

Uns minutos depois, alguém lhe deu uns discos do Bob Marley

Última ceia

www.tdcj.state.tx.us/stat/finalmeals

O país da liberdade da informação pode ser também o país do exagero, havendo mesmo circunstâncias onde até esse exagero pode ser exagerado. Como é o caso desta página alojada convenientemente no site do Departamento de Justiça do Estado do Texas, governado até há bem pouco tempo pelo nosso conhecido George W. Bush. O sapo está Aqui, fala-se de um lá dentro tipo muito especial de

refeições. Trata-se de uma listagem das famosas "last meals" a que têm direito os condenados à morte. Já se sabia (pelo cinema) que a última refeição podia ser tão decente quanto o condenado desejasse, mas aqui a informação é concreta e bem real. Entre os mais de 200 homens que o Estado do Texas executou desde 1987, se calhar, o mais curioso é que muitos dispensaram esse benefício extra de forrar o estômago antes de ir desta para melhor.

d esenr a s q u e-se me l hor

10 Mandamentos da rede Como melhorar as horas que passa na Internet

Não volto a repetir: não passáras a vida a ver sites pornográficos

1. Veja mais que uma página de cada vez. Basta fazer CTRL e N ao mesmo tempo que o browser abre a outra página. 2. Em navegações rápidas, é preferível facilitar as coisas para aumentar a velocidade. Vá a Tools, seleccione Internet Options e vá a Advanced. Em Multimedia, desligue as opções de som e imagem. 3. Para certos sites, não é preciso digitar o endereço completo. Basta escrever o nome Yahoo no Address Book que o browser ou o leva lá automaticamente, ou a um atalho. 4. Melhor ainda, no Explorer, escreva apenas o nome (Yahoo, Amazon, etc.) e depois faça CTRL e Enter que o browser põe o www antes e o .com a seguir. Só dá para domínios .com. 5. Quanto mais cedo for à Net melhor. Assim que

os americanos acordam, a rede fica mais lenta. 6. Não é preciso esperar que uma página carregue por completo para clicar num link. Pode fazer logo a pesquisa que quiser sem esperar que carregue tudo. 7. Se um site tem a boa ideia de propor versões sem Flash ou Shockwave, vá na conversa. 8. Verifique se tem a última versão do browser e, claro, se tem capacidade na máquina para isso. 9. O Opera, em www.opera.com, é o terceiro browser mais popular. É também conhecido pela sua rapidez. 10. Não "limpe" os ficheiros temporários da Internet. Cada novo site que visita envia "cookies" para o seu computador, de forma a tornar mais fáceis as visitas seguintes.


Jogos Direita, 180, esquerda longa Esquerda rápida...

Giants

Final Fantasy IX

Soldados tecnologicamente avançados e cheios de truques têm como inimigos uma deusa sem piedade e um robot gigante esfomeado (e um pouco confuso quanto à sua missão de proteger a "ilha"). As paisagens desde jogo só por si são já um espectáculo, mas não se fique por aí, porque pode fazer um "zoom" até à cara do adversário, recuar para a nossa posição distante e depois darlhe um tiro bem no meio dos olhos, como convém nestas coisas. “Giants” é mesmo para

gigantes: só de disco, precisa de 850 a 1150 megas e, de resto, também é indispensável ter uma máquina cheia de "power". Mas vale a pena, porque o “Giants Citizen Kabuto” é fabuloso. Criado pela mesma equipa do MDK, agora com o nome Planet Moon Studios, este último sucesso é para comprar e usar no momento. Só não é para qualquer um, como poderá perceber em www. gamespot.co.uk/pc.gamespot/ strategy/gian_uk.

O “Final Fantasy IX” é o último lançamento Playstation da Infogames em Portugal e já deve estar à venda. Se é um fanático das sagas anteriores, do género que se identifica com Squall Leonheart ao ponto de ter um sabre japonês pendurado na parede e acha que a história do José Rabadán (o espanhol que decepou a família) foi um exagero dos media, então conte com 70 minutos de sequências cinemáticas, 60 horas de jogo linear, sem minijogos nem explorações e mais de 100 horas com minijogos para satisfazer a sua ânsia de matar os seus opressores autocratas, os virtuais, claro (digam o que disserem é muita hora). É bom não esquecer que a versão VIII, vendeu dois milhões de cópias, antes mesmo de chegar às lojas. A Square é uma empresa japonesa, igualmente responsável por “Parasite Eve”, outro jogo que deixou marcas na nossa memória. Informações em www.square-europe.com.

P.V.

P.V.

PC/ CD-ROM

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Playstation

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Faust

PC/ CD-ROM

Arranjo-lhe uma Pamela Anderson deste tamanho!

Pela terceira vez, a Arxel Tribe cria um produto de qualidade, com o título “Faust”, produzido e editado pela Cryo Interactive Entertainment. Baseado no mito com o mesmo nome, trata-se de uma interpretação livre do negócio entre o nosso velho conhecido Mefistófeles e Fausto, o arquétipo do homem que procura o conhecimento e a verdade (em resumo, aquele

d e d o n o j oysti c k

Colin McRae Rally 2.0 Playstation

Considerado pela indústria como um momento definitivo para os jogos de rali em computador ou consola, o “Colin McRae Rally” é um dos mais bem conseguidos e aclamados jogos de desportos motorizados de sempre (e olhem que não é nada comum receber tanto elogio). Completamente reconstruído e programado para ser o jogo de rali mais emocionante e rápido de todos os tempos, criou imensas expectativas junto dos jogadores. Um deles, João Barros, informático de profissão e grande fanático de jogos em geral e de automóveis em particular, diz que o produto não lhe gajo que lhe vendeu a alma). O jogo é um sucessor à altura do clássico "The 7th Guest", reforçando o conceito e desenvolvimento narrativo. “Faust” é extremamente lúdico e chega mesmo a ter momentos de humor corrosivo. Grande design, uma excelente tecnologia que permite movimentos de 360° e sobretudo gráficos espantosos. Para saber mais sobre este negócio com o Diabo, e caso queira seguir as pisadas do bom do

encheu as medidas, sobretudo nos gráficos. "Esperava melhor", diz com sotaque do Porto, "mas ao menos podemos acelerar em rede, o que é fantástico". Este João, como outros, passa metade do seu tempo em frente ao monitor e algumas dessas horas são dedicadas aos jogos. Muitas delas a jogar o “Colin McRae”. A última vez que o vi, estava entusiasmado e, pelo ar concentrado com que fazia as curvas, não me pareceu que estivesse muito atento ao aspecto gráfico do jogo. Para tirar teimas em www.colinmcrae.com. Pedro Vasconcelos

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Fausto, clique em www.arxel. com. P.V.

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Carros

vá s o n h a n d o

Forza Italia

Em boa hora, a Ferrari deu a mão à Maserati. De outra forma, não teríamos o 3200 GT, o que seria uma pena Este até pode ser um daqueles males que vêm por bem. Os problemas da Maserati, uma das mais emblemáticas e exclusivos fabricantes italianos de automóveis, levaram a que a Ferrari tomasse o controlo da marca do tridente, há poucos anos. E se há fusões e aquisições que correm mal, esta pode ser um exemplo de como fazer bem as coisas. A prová-lo está o requinte do fabuloso Maserati 3200GT, um coupé que restabeleceu a marca no patamar de onde nunca devia ter saído: carros com classe, distintos e só para alguns. Saído de um projecto de Giugiaro, estes oito cilindros atrai os olhares por onde passa e sai sempre por cima. Um pequeno aviso: Se preferir, entregamos-lhe o carro em casa.

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quem quiser meter-lhe as mãos em cima, tem de estar muito bem preparado para os desafios que um carro destes encerra. Se na estrada ou no meio do trânsito, o 3200 GT é imperial, na autoestrada a fera solta-se e, enfim, seja o que Deus quiser. Na construção do carro o alumínio abunda, com o design e o luxo italianos a serem levados ao máximo. Lá dentro, a pele está omnipresente, mesmo naquelas zonas onde não se chega facilmente, como debaixo dos bancos. Tecnologicamente, o Maserati beneficia da experiência da Ferrari na


Carros mão s n e le

a vida é bela

Duas pessoas à frente e duas atrás com o mesmo conforto, mas quem goza mesmo é quem vai ao volante

Esta é a última vez que me meto num parapente

O carro usa o sistema “drive-by-wire” de acelerador electrónico utilizado na Fórmula 1, o que diminui drasticamente o tempo de resposta. Se comprar um, conte com um dia ou dois para se habituar. Desde que tenha paciência para esperar dois a três meses, o interior do seu Maserati pode ser todo feito ao seu gosto. A escolha é vasta e variada. A aerodinâmica precisa do modelo não é alterada com as diferenças de peso dos passageiros ou da carga.

Fórmula 1, o que diz tudo sobre o elevado grau de engenharia e sofisticação do automóvel. Ou quase tudo. Como constata José Ribeiro Filipe da Viauto, a empresa que em Portugal comercializa a Ferrari e a Maserati “quem tem um carro destes é forçosamente uma pessoa com bom gosto”, e menciona três palavras que definem o 3200GT no segmento dos coupés desportivos: “Exclusividade, habitabilidade e assistência permanente.” O significado disto é muito simples. Quem levar este Maserati sabe que é um carro feito para muito poucos; sabe que lá dentro cabem confortavelmente quatro pessoas e sabe que, se for preciso, a assistência em viagem lhe vai mudar um pneu, 24 horas por dia, 365 dias por ano. E serão sempre de uma simpatia a toda a prova. Num ano, o Maserati 3200GT fez 27 portugueses extremamente felizes. A entrega é rápida, e saiba que pode personalizar o modelo até ao mais ínfimo pormenor. A partir de 20.705 contos com caixa manual e 21.328 contos para a caixa automática. Informações: Viauto, tel. 213 932 900.

O depósito leva 90 litros, o que dá sempre jeito quando se pisa a fundo. O 3200 GT demora 13,3 segundos a fazer 400 metros e 24,2 a fazer 1000 metros. A Maserati foi a marca que mais cresceu na Austrália, em 2000. Por causa deste 3200GT, a Maserati cresceu 150%, passando de 22 carros vendidos em 1999 para 55.

Não, não tenho cavalos para a troca

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Maserati 3200GT V8 Bi-turbo, 3.271 cc 370 cv de potência Velocidade máxima 280 km/h MAXIM Janeiro

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Carros Pa r a c o nta r n o empre g o

Viva o gasóleo

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Aquela máquina

A Porsche fez o impossível e melhorou o 911, metendo-lhe mais 42 cavalos Avisa-se já: só vem com tracção traseira e só está à venda em Maio. Também se faz notar que ainda não há preços no mercado. Acrescenta-se ainda que chega aos 100 km/h em 4,1 segundos e que não é preciso muito esforço para chegar à velocidade máxima, 315 km/h. Feitas as devidas apresentações, saibase então que o novo topo de gama da Porsche, o 911 GT2, tem como base o 911 Turbo, com mais 42 cv (um total de 462 cv), menos dois centímetros de altura e menos 100 quilos. Aerodinâmica

optimizada, aileron traseiro com novo desenho manualmente ajustável e duas entradas de ar muito maiores na parte da frente são os outros pontos de diferença. Mas quando falamos do 911, falamos do superdesportivo dos superdesportivos, pelo que o melhor será mesmo experimentá-lo quando cá chegar. Lembramos ainda que, por cá, o 911 Turbo custa mais de 50.000 contos e, para aumentar a depressão, em Espanha o novíssimo 911 GT2 custará 32 milhões de pesetas.

Nem mais um triângulo para Espanha Esta não é propriamente nova, mas têmnos chegado várias cartas e telefonemas referentes à coisa mais importante que há para saber sobre Espanha: afinal é ou não preciso levar dois triângulos quando se vai para o esqui para a Serra Nevada ou para a noite de Sevilha? Não. Sosseguem

os espíritos que a União Europeia fez vergar os espanhóis, e assim sendo, a DGV lá do sítio informou que para carros com matrícula estrangeira basta um triângulo. A vingançazinha de Castela está noutro extra: em estrada espanhola só transita legalmente quem tiver um kit com lâmpadas sobresselentes.

Dantes os carros a gasóleo cheiravam mal e não andavam nada, mas a evolução da tecnologia colocou-os a par dos carros a gasolina na “performance” e com consumos inferiores. Só mesmo o preço é ainda mais alto. Isto já toda a gente sabia, mas para se ter uma ideia de como o diesel de hoje nada tem a ver com o barulhento e fumarento passado, a Associação Europeia de Construtores de Automóveis revelou que, entre 1985 e 2000, a procura deste tipo de motores duplicou, atingindo já 32% dos carros que andam pela Europa. Só a Volkswagen está a produzir três milhões de motores, e o grupo PSA .. (Citroen Peugoet para quem não sabe ou não se lembra) anunciou a produção de um milhão deles, todos com tecnologia Hdi. E com chave.

A justiça à Michelin

Tem de se fazer justiça a estes franceses: a Michelin comemora o seu vigésimo título de campeão do mundo em motos na mais exigente categoria, a de 500 cm3. Nove desses títulos são consecutivos e há 38 Grandes Prémios que ninguém papa a Michelin. Nos últimos 27 anos a marca francesa venceu 80 mundiais de motos nas várias categorias. O último a subir ao primeiro lugar com a ajuda da Michelin foi Kenny Roberts Jr, campeão em 500 cm3 em 2000.

V I VA A U N IÃO E U R O P E I A

O CARRO ERA DE UM VELHINHo

Bombas em segunda mão, baratos e como novos? Secção de importações sff

Quem ficou com o meu Mercedes ficou bem servido

Os carros que se compravam em segunda mão pertenciam sempre a uma velhinho que o utilizava só para ir à missa, sem esquecer que a igreja era a 800 metros de sua casa. Pelo menos, é esta conversa que fazemos por cá depois de darmos 1500 contos por um Fiat UNO de 1988. Quem ganha é o tipo do stand, mas preferimos achar que fizemos o negócio das nossas vidas. E melhores ainda são as pechinchas que se conseguem com os carros importados, especialmente com os Mercedes e BMWs que chegam baratu-

chos da Alemanha ou da Bélgica, embora não conste que tenham pertencido a ne­nhum velho. Certo mesmo, é que as importações de usados diminuem de ano para ano, em Portugal, e que até Novembro último tinham entrado pela porta do cavalo, Mercedes VW Audi Opel BMW Renault Ford

6606 5459 2873 2312 2291 870 860 Fonte: ACAP

27 mil carros não cobiçados pelos estrangeiros, compa­ rando com 35.692 importados durante o ano de 1999. O que não muda muito é o top de preferências, com a Mercedes, a VW e a Audi na frente, que é como quem diz: o português pode importar carros, mas sabe o que quer. Mas esta tendência deve mudar. Agora que os jipes pagam “full-price” no imposto automóvel, é de prever que Pajeros, Land Rovers, Cherokees e Fronteras ve­nham a ser muito mais importados do que até agora.


Gadegts BEOCOM 6000 Bang & Olufsen. Se está a pensar em abrir uma pequena empresa dot.com ou se chama Roberto Carneiro e tem, pela última contagem, 27 filhos e mais 45 adoptados, então este é o telefone mais útil da sua vida. O BeoCom 6000 é um sistema equipado com seis telefones sem fios para uso familiar ou de escritório. É claro que pode meter na memória de cada um dos aparelhos 200 números, o que significa que, por mais que invente, o número dos seus pais vai lá estar de certeza. O BeoCom existe em várias cores, com controlo de som à distância e possibilidade de ligar às "hi-fis" e televisões da B&O. Muito útil para quando a família está toda a ver a Roda dos Milhões na televisão. Preço: 90.000$00 Onde comprar: Revendedores da Bang & Olufsen Informações: 213 826 820

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Acorrentado? Está fechado em casa? Sente-se estúpido? Sem nada para fazer? Quer impressionar a miúda? Esqueça o limite do cartão de crédito e revolucione o dia Por Ricardo Lopes Fotografias de Paulo Andrade

HIP ZIP DIGITAL AUDIO PLAYER Iomega. Este leitor de música digital suporta os formatos MP3 e Windows Media (WMA), permitindo ainda armazenar outros ficheiros digitais como fotos e documentos, com a muito relevante diferença de utilizar "PocketZip" de baixo custo (ou "Clik!" de 40 Mb) e o equivalente a 70 minutos de música, como forma de armazenar dados. A transferência de dados é processada por cabo USB e é compatível com Mac e PC. A sua estrutura é à prova de choque e vem com pilhas recarregáveis com uma autonomia de 12 horas. Ou seja, é a possibilidade de transportar os seus ficheiros num sistema muito mais barato. Adeus disquetes, adeus CDs, adeus chips mais caros, dêem notícias. Preço: 83.900$00 Onde comprar: Revendedores da Solbi Informações: 214 249 500


LEITOR DE MP3 Rio 600. Tem 32Mb, expansível até 376 Mb, cabe na palma da mão, mas tem capacidade para dez horas de música convenientemente sacadas da Internet. O Rio 600 suporta os formatos mais famosos de música na Net: MP3 e WMA. Para já é chinês, mas como descobrirá em breve, será muito útil quando lhe perceber o jeito. Este leitor de MP3 funciona com uma pilha standard alcalina AA e tem interface USB (em português: liga-se a qualquer computador). Preço: 56.500$00 Onde comprar: Revendedores da Solbi Informações: 214 249 500

QUICKCAM WEB Logitech. Farto de ouvir falar em webcams (são câmaras que ligam à Internet, meus caros) e gostava de ter uma? Passe já para o número de telefone no fim deste texto. Se ainda está por aqui, saiba que esta QuickCam possui um microfone integrado e um excelente sortido de software fácil de utilizar. Pode captar vídeo, criar páginas da Web, fazer vídeo-chamadas pela Internet ou utilizar o software de detecção de movimento para monitorização de vídeo. Mas há mais: esta webcam deixa adicionar imagens ou vídeos ao seu e-mail. Pode ainda fazer emissões em vídeo em directo pela Net. Inclui o SmartClip para fixar a câmara a um portátil ou a um ecrã plano. O único problema é que terá de desligar o brinquedo nas horas mais íntimas, que você não se chama Marco... Preço: 15.500$00 Onde comprar: Revendedores da Solbi Informações: 214 249 500

REVO PLUS Palmtop da Sion. Duzentas gramas é quanto pesa a organização total e absoluta da sua vida. Embora sejam precisas algumas horas a partir a cabeça para entrar no ritmo, este Palmtop só não lhe paga as dívidas porque não pode. Acesso WAP, ligação a computador, e-mail sincronizado com o Outlook, Lotus Organizer, acesso à Net (com telemóvel ao lado, obviamente), base de dados, calculadora, bloco de notas, agenda e – muito importante – jogos, são algumas, repetimos algumas, das coisas com que se pode entreter. Como diriam os publicitários mais preguiçosos, este Palm é leve, compacto e facílimo de utilizar. Com a diferença que, neste caso, é tudo verdade. Preço: 99.900$00 Onde comprar: Datacomp Informações: 217 916 600; www.datacomp.pt MAXIM Março 2001

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Guia Gadgets GRAVADOR AUDIO DE PULSO Casio wmp-1. É o primeiro relógio onde se podem introduzir ficheiros MP3 para serem ouvidos. O circuito digital produz estabilidade, mesmo que o gravador áudio de pulso esteja sujeito a vibrações fortes ou impacto. É também à prova de água, permitindo assim gravar a ópera das baleias ou os gemidos dos golfinhos. Tem capacidade para gravar 33 minutos de som com qualidade de CD, 44 minutos de som com qualidade média ou 66 minutos de som com qualidade FM. O título da música e o nome do artista passam no mostrador quando está a tocar, assim como um gráfico animado que caracteriza cada estilo de música. Inclui cabo de USB para transferência de dados com grande rapidez (quatro segundos por cada quatro minutos de música). Quando a bateria de lítio está carregada ao máximo, produz aproximadamente quatro horas de música contínua. Espantosamente, o relógio inclui as horas, alarme e cronómetro. Preço: 89.990$00 Onde comprar: Revendedores SIIL Informações: 213 425 269

CREATIVE D.A.P. Jukebox. Mais ou menos do tamanho de um CD portátil, este leitor gravador de formato MP3 guarda – tchan, tchan, tchan! – 150 CDs na sua memória, ou, dito de outra forma, mais de 1500 músicas (e sim, pode lá meter os Abba que há espaço). Quatrocentos gramas de peso, gravação directa através da entrada de linha ou microfone, possibilidade de ligação USB a PC ou Mac para velocidade de armazenamento e recolha. O seu disco duro de 6 Gb aguenta 100 horas de áudio com qualidade digital e pode guardar música digital no formato MP3, MWA, WAV e noutros formatos futuros, criar listas próprias de reprodução e categorizar os CDs. Pode ser usado como parte do sistema de áudio em casa, no carro ou em movimento, necessitando apenas de um conjunto de colunas portáteis ou auscultadores. Preço: 119.900$00 Onde comprar: Revendedores da Solbi Informações: 214 249 500

NETBOOK Psion. Para brilhar em sociedade é preciso algum esforço. Mas felizmente há ajudas. E não, não estamos a falar do Prozac. Por exemplo, este minicomputador portátil da Psion é um verdadeiro salva-vidas para todos os que têm a sua existência dentro de um disco rígido. Para já, é mais pequeno e bem mais leve que os portáteis normais, depois já vem com software (JAVA, HTML, C/C++ e OPL) e sistema operativo próprio, que, se fosse mais fácil de utilizar, deixava de ter piada. Outra das fantásticas características do NetBook é o seu modo de funcionamento "instant-on". Sempre que se liga, permite um acesso instantâneo a qualquer aplicação. Permite comunicações por infravermelhos com PCs e outros periféricos e ainda vem com uma caneta para utilizar no Touch Screen, com todas as funções de um Palmtop. Isto tudo pesando apenas um quilinho, incluindo bateria com dez horas de autonomia. Especialmente indicado para quem tem profissões que obrigam a viagens, como os ex-residentes do Big Brother. Preço: 298.900$00 Onde comprar: Datacomp Informações: 217 916 600; www.datacomp.pt


PLAYSTATION 2 Sony. O mundo já mudou e chama-se PS2, a segunda vida da PlayStation, a rainha das consolas. Se for à procura, terá alguma dificuldade em encontrá-la – são sete cães a um osso –, mas a espera compensa. Tecnicamente, a PS2 é um sistema de entretenimento computorizado que inclui um "emotion engine", um modem e vídeo DVD com som digital Dolby Surround e DTS. Com 128 bits de gráficos, um número médio de polígonos por jogo surpreendente e um design inovador, a consola assemelha-se a um "deck" de um sistema de alta-fidelidade, podendo ser colocada na horizontal ou vertical. Menos tecnicamente falando, a PS2 é a consola das consolas (até chegarem as outras). Preço: 89.900$00 Onde comprar: Revendedores Lusomundo Informações: 213 187 300; www.playstation-europe.com

RELÓGIO CÂMARA LEITOR DE DVD Panasonic DVD-LV 75. A solução para ver os filmes que a sua namorada proibiu lá em casa. Este DVD tem um ecrã próprio, bateria de quatro horas, colunas estéreo incorporadas. Estupidamente portátil e funcional, de design elegante, incrível qualidade de som e imagem, só lê DVDs da zona dois (não se pode ter tudo). Preço: 499.990$00 Onde comprar: Revendedores Sonicel Informações: 214 245 300; e-mail: sonicel.sa@mail.telepac.pt

Casio WQV-1. Se ainda não superou o complexo James Bond, e continua a insistir que a sua namorada o trate por 007, aqui tem a primeira câmara digital fotográfica de pulso do mundo que funciona mesmo. Aparentemente, é apenas um relógio grandalhão, mas o Casio WQV é o ideal para o espião de trazer por casa. Ainda por cima, depois de gravar uma imagem, pode introduzir até 24 caracteres, o que será útil para não esquecer a cara e o telefone daquela loira que conheceu às quatro da manhã; isto é, depois de sete uísques. Mais versátil não podia ser. Preço: 58.000$00 Onde comprar: Revendedores SIIL Informações: 213 425 269

CÂMARA MINI DV Panasonic NV -MX7. Câmara de vídeo digital de formato Mini Dv (são aquelas cassetes pequeninas), mega pixel (superimagem), sistema de dupla densidade com 1/4" CCD de 1.020.000 pixéis / CCD (pelo nome deve ser bom), som estéreo digital PCM 16/12-bit, ecrã LCD de 3", zoom digital x24 / x120, superestabilizador de imagem, variados efeitos digitais incluindo fotografia, funções manuais estilo profis­sional, terminal Dv in/out (i.link), gravação Sp-Lp, cartão multimédia incluido de oito Mb. Ufa! Em resumo, é pequena, fácil de operar e excelente. Preço: 399.990$00 Onde comprar: Revendedores Sonicel Informações: 214 245 300; e-mail: sonicel.sa@mail.telepac.pt

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Cosmética 2

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Trabalhos matinais

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Cremes para que a sua cara fique como nova, perfumes para mudar o cheiro natural, e ainda, uma limpezazita para o cabelo 1 ❙ Lab Series Eye Rescue, Aramis

As olheiras podem ser causadas por cansaço, falta de sono, muito "stress" e várias outras razões. A única coisa que interessa é que a solução está aqui. Preço: 5.000$00

2 ❙ Lab Series Clay Mask, Aramis

Pois, nunca pensou fazer uma máscara de argila na cara. Nós também não, mas desde que experimentámos não queremos outra coisa para limpar a pele. Preço: 4.600$00

3 ❙ Lab Series Oily Skin, Aramis

Para um dos males mais terríveis dos tempos modernos, a pele oleosa. Seja homem e desfaça a gordura em excesso, que ninguém tem pena. Muito menos elas. Preço: 4.000$00

4 ❙ Hydra-Detox Yeux, Biotherm

Para proteger os olhos e a zona à volta é preciso muito mais do que uns bons óculos escuros. E nem imagina o que para aí vai! Felizmente, o Hydra-Detox sabe. Preço: 5.000$00

5 ❙ D-Stress, Biotherm

Da próxima vez que se queixar do “stress”, lembre-se também da desgraçada da sua pele que se farta de sofrer e não tem direito a mimos. Corra a comprar este creme e vai ver o resultado Preço: 7.000$00

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Por Ricardo Lopes


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1 1 ❙ Must de Cartier Pour Homme

Formoso e bem cheiroso é o que pretende a Cartier do homem com este novo perfume. Mas também elegante e esteta, como se pode perceber olhando para o frasco. Preço: 8.900$00 (50ml)

2 ❙ Montecristo

Na era das “extensões de produtos”, até os (fabulosos) charutos Montecristo viraram perfume . Passado o espanto, verá que não cheira a tabaco, antes recupera os aromas clássicos da masculinidade. Até que enfim! Preço: 4.900$00 (50 ml)

3 ❙ Gucci Rush for Men

A embalagem arrojada transmite modernismo e vanguarda, e a fragrância corresponde, porque é directa e não está com meias medidas. Nós também não. Preço: 8.000$00 (50 ml)

4 ❙ Redken Solve Purifying

Não foi ainda encontrado o homem que goste de ter o cabelo oleoso, embora já tenham sido encontrados biliões deles com o cabelo assim. Se tem o problema e procura a solução, páre , olhe para a direita e peça-o no barbeiro. Preço: 2.750$00 (venda exclusiva em cabeleireiros)

5 ❙ Redken Solve Dandruff

Desta vez a caspa. Aplicando o mesmo raciocínio do produto anterior, olhe para baixo e exija-o no seu barbeiro. Se quiser, diga que vai da nossa parte. Preço: 2.750$00 (venda exclusiva em cabeleireiros)

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Tortura Comidas

Estás a chamar burrito a quem?

Falaram do México. Estão muito orgulhosos de si

Uma sugestão para um jantar de amigos, preparado em dois tempos, em dia de futebol e cervejas, muitas cervejas Imagine que está em casa com um grupo de amigos a ver um belo jogo de futebol e que, de repente, a sua equipa começa a perder à grande, o jogo parece já não ter graça nenhuma e há que fazer uma manobra desesperada e salvar a noite. Bom, uma das maneiras é ir jantar fora e beber um tonel de cerveja. A outra é beber o mesmo tonel, mas entretanto cozinhar algum repasto enquanto ainda há pelo menos uma pessoa sóbria. E nada me lhor que uma escolha étnica inatacável. O México. E como pode o México salvar as nossas vidas? É simples, são apenas cinco passos para a satisfação geral.

1º Passo – Comer pacotes de "Nachips" com "Salsa com Queso". O que são "Nachips"? São rodelas de milho fritas, da marca Old El Paso, cuja forma é redonda, e por isso apropriada para substituir nas nossas cabeças as bolas de futebol que se tornaram desinteressantes. Mas, atenção: as "Nachips" por si só não valem muito, sendo mesmo um pouco insonsas. Por isso, é fundamental juntar-lhes o excelente "Salsa Com Queso", da Old El Paso, um molho de queijo, pimento picante e tomate, verdadeiramente saboroso, que ressuscita qualquer adepto destroçado. O molho é tão bom que, se as "Nachips" acabarem, também pode comer com batatas fritas de pacote, que vale a pena na mesma.

     2º Passo – Aquecer os feijões estufados. Abra a lata de "Refried Beans", da Old El Paso (não, não temos um contrato com eles) e deite o conteúdo numa frigideira. Apesar do aspecto ser um pouco ameaçador, o que está lá dentro são feijões estufados, esmigalhados, que quentes constituem um acompanhamento essencial para meter dentro das "fajitas" ou dos "burritos".

     3º Passo – Aquecer as tortilhas. As tortilhas da Old El Paso vêm numas embalagens de oito e servem para preparar as "fajitas", os "burritos" ou as "enchiladas". Uma "fajita" é uma tortilha com frango e carne. Um "burrito" é uma tortilha com recheio de carne picada (seja frango ou vitela), além de alface, tomate e queijo. Uma "enchilada" é um "burrito" sem estas três últimas coisas. Bom, mas para preparar a tortilha pode usar o forno ou o microondas, embora a melhor maneira seja mesmo aquecê-las no lume do fogão (nós tentámos e não queimámos nenhuma).

     4º Passo – Aquecer o molho "Fajitas". O "Fajitas", da Old El Paso, é o molho para cozinhar. É um molho excelente com pimentos verdes e pimentos vermelhos, cebolas e imensas outras coisas que poderá descobrir se ler onde diz ingredientes, e que é, sem dúvida, o melhor do jantar. Extremamente saboroso, deve ser cozinhado entre cinco a dez minutos numa frigideira, ao mesmo tempo que a carne.

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5º Passo – Comer. Bem, como já deve saber, convém juntar a carne, o molho e o feijão estufado em cima da tortilha e depois dobrá-la, tendo cuidado nos cantos para o molho não cair e depois comer à vontade. O acompanhamento indicado, em dia de futebol, é talvez a cerveja. Mexicana.


Acabou-se a conversa

Sim, querida As estatísticas mostram que mudar de casa afecta o casal. Martim Avillez Figueiredo diz que isso não aconteceria se os homens percebessem que, no lar, mandam elas Tá bem, amorzinho, eu nao volto a mexer no fogão

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Em casa, sonhamos com o sofá. Está-nos no sangue. E devíamos fazer tudo para deixar as coisas desse modo 146

escobri numa revista estrangeira que as maio­ res causas de conflito en­tre marido e mulher surgem du­rante a mudança de casa, ou sem­­pre que um deles se decide por uma nova decoração. Fiquei preocupado. Será que os homens­ainda não perceberam que em casa mandam elas? Eu não percebi logo, é certo, mas esta verdade absoluta foime revelada de forma admirá­vel: estava justamente a mudar de casa quando dei por mim a discutir com a minha mulher se a cama que o senhor Artur acabara de montar deveria ter pés. Eu achava que não, ela tinha a certeza que sim. O se­nhor Artur, atento, chamou-me ao corredor: “Não se meta nisso. Só contrariei a minha mulher uma vez por causa da decoração, e não há um único dia em que ela não fale no disparate que fez por me ter dado ouvidos. Já lá vão 30

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anos. A gente tem de se preocupar com o carro onde as leva a passear, o resto é com elas.” É claro que me calei para sempre. Em casa, é com ela. E é essa certeza que me permite interpretar de outra forma aquelas estatísticas: os números seriam outros se os homens percebessem que a guerra dos sexos não se trava entre quatro paredes. Não é machismo, é a constatação de um facto. Elas levam a sério tudo aquilo em que se envolvem. No trabalho, em casa, aplicam-se com igual empenho. São melhores do que nós, para quem a responsabilidade se resume ao escritório. Em casa, sonhamos com o sofá e a próxima futebolada na televisão. Está-nos no sangue, e devíamos fazer tudo o que estivesse ao nosso alcance para deixar as coisas desse modo. Mas não. Parece que queremos disputarlhes o poder. Quando convenci a minha

mulher a deixar-me coordenar a operação da mudança na casa que deixámos, pedindo-lhe que se encarregasse de gerir a chegada dos móveis no novo apartamento, estava a pensar no que me daria a mim menos trabalho. Essa é a nossa grande preocupação. Somos assim. Imaginem que me cabia decidir o lugar mais apropriado para colocar a mesa de jogo que a avó dela nos ofereceu. Nem pensar! Esse direito pertence-lhe, e seria absurdo imaginar que o facto de ela, como tantas outras, ter conquistado o mercado de trabalho significaria que estava disposta a abrir mão desse privilégio. Nós também não o faríamos. É uma lei elementar: mais poder sim, mas nunca à custa de deixar fugir o que se têm. Restanos respeitar um direito adquirido. É que elas sabem o que fazem, e qualquer um de nós teria de se esforçar para lhes chegar aos calcanhares em assuntos domésticos. Não sei se é sensibilidade feminina. O que sei é que em casa elas têm certezas enquanto nós temos apenas uma vaga ideia. E pouco me importa que digam que esta é uma visão arcaica da vida a dois. Os números provam que estou certo. Por isso, meus amigos, acredito que a inteligência de um homem se mede pela capacidade que revela em ceder o poder à mulher. Só assim garantimos o nosso sossego. Só assim perpetuamos uma regra que o meu bisavô não se cansava de repetir: o nosso lugar, em casa, é no sofá.


MARÇO 2001 Director Domingos Amaral Director-adjunto Martim Avillez Figueiredo Editor-geral Pedro Boucherie Mendes  Assistente de Redacção Inês Serpa Pimentel Tradução e Revisão Carla Hilário de Almeida AR TE Editor Jorge Santos Designer Eduardo Cordeiro FOTOGR AFIA Coordenador Rui Moreno MODA Produtora Michele Santos Assistente Rita Rosa OPINIÃO Margarida Rebelo Pinto, António Tadeia e João Pereira Coutinho COL ABOR ADORES Textos Maria do Carmo Piçarra, Pedro Vasconcelos, Ricardo Lopes e Ricardo Santos Fotografia Nacho Dulce e Luís de Barros

P UB L I C I D A D E Director Comercial Tomás Alpoim Contactos Rita Cunha, Miguel Ribeiro M A R KET I N G Director de Marketing e Circulação Alexandre Vieira de Almeida Contacto Inês Melo P R OD U Ç Ã O Director Rogério Carrilho Assistentes Francisco Rosa, Rui Silva I N F OR M Á T I C A Director Ricardo Silvestre Assistente Rui Maia PREPRESS Feira das Vaidades R ED AC Ç Ã O Rua António Pedro, nº111, r/c – 1169-010 Lisboa – Tel: 21 3196820 maxim@maxim.iol.pt P R OP R I ED A D E Feira das Vaidades – Publicações Lda. (Grupo Soci) Rua António Pedro, nº111, r/c – 1169-010 Lisboa IM PR ESS ÃO Lisgráfica – Casal de Santa Leopoldina, Queluz de Baixo D I S T R I B UI Ç Ã O Midesa – Rua da República da Coreia, 34, Ranholas, 2710-460 Sintra TIRAGEM 60 mil exemplares

Créditos FOTOGRAFIAS

Pág. 14 Pág. 18 Pág. 19 Pág. 26 Pág. 27 Pág. 28 Pag. 38 Págs. 64, 65, 66, 68, 70 Págs. 78, 79, 80 Pág. 93 Pág. 94, 95 Pág. 97 Pág. 130 Pág. 142

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