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Revista da Federação das Unimeds do Estado de Minas Gerais Ano 2 - Edição 09 Abril / Maio / Junho de 2013

Conheça os novos aplicativos que ajudam a monitorar a saúde

Jazz com sotaque mineiro

MEDICINA NA TELA


EDITORIAL

Cart a ao Médico A arte imita a vida. Mas e a vida? Imita a arte? No que diz respeito à nossa área de atuação, não é de hoje que a medicina inspira o cinema. Nosso universo profissional, bem como suas conquistas, dramas, dificuldades e alegrias, já ganharam, há algum tempo, as grandes telas da indústria do entretenimento e da cultura e continuam a render inúmeras obras cinematográficas. No Brasil, inclusive, percebo a sétima arte como um caminho para humanizar a prática médica e o relacionamento entre os profissionais de saúde e os pacientes. A matéria de capa desta edição da revista Conexão Unimed mostra as iniciativas de médicos cooperados que descobriram nos filmes uma forma de promover a socialização na comunidade onde vivem e contribuir para o bem-estar e a melhoria de vida de pacientes. Além disso, a sétima arte ajuda a complementar a formação de novos profissionais da área nas instituições de ensino ou, simplesmente, traz para seu cotidiano as lições aprendidas nas salas de cinema. De uma forma ou de outra, a emoção que vem embutida no simples hábito de assistir a um filme só traz benefícios à saúde e às relações humanas. Assim como a Unimed, que tem vocação para cuidar das pessoas. Esse é o posicionamento oficial do Sistema Unimed do Brasil e a imagem que colaboradores, clientes, parceiros e mercado têm de nossa organização (veja na página 8). Ainda nesta seção, confira sobre o Selo Nacional Unimed de Governança Cooperativa, uma iniciativa da Unimed do Brasil para as boas práticas de gestão de nosso Sistema. De médicos artistas plásticos às atividades realizadas por eles no tempo livre, da agenda regulatória da Agência Nacional de Saúde (ANS) aos novos aplicativos voltados para o monitoramento da saúde, dos sotaques do jazz e de seus festivais em Minas à gestão do conhecimento na área médica. A nova edição da revista Conexão Unimed está recheada de boas histórias. Então, prepare a pipoca, ajeite-se na poltrona e boa leitura!

Marcelo Mergh Monteiro Presidente Executivo

Revista Conexão - Abril / Maio / Junho de 2013 - Edição 09

Unimed Federação Minas

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Universo Unimed

Suplemento Saúde

Entrevista

Selo Nacional Unimed vai reconhecer federações e cooperativas do Sistema que valorizam e exercitam os princípios e as boas práticas da Governança Cooperativa

ANS apresenta a sua Agenda Regulatória 2013/2014, que propõe às operadoras de saúde 36 ações, divididas em sete eixos temáticos

O professor Rivadávia Drummond mostra como e porque o conhecimento, considerado o principal capital das organizações, deve ser bem gerido e compartilhado na área médica

Capa

No cinema, a medicina já serviu de inspiração para muitos filmes. Hoje, a sétima

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arte também se mostra como um caminho para humanizar a prática médica e o relacionamento com os pacientes

Expediente: Revista Conexão - Publicação da Federação das Unimeds de Minas Gerais  Diretoria Execut iva: Marcelo Mergh Monteiro - Presidente Executivo / Cláudio Laudares Moreira - Diretor de Integração e Mercado / Paulo César de Araújo Rangel - Diretor de Controle  Con selho Federativo: Helton Freitas - Intrafederativa Inconfidência Mineira / Cássio Costa - Norte de Minas / Sérgio Leal Aidar - Intrafederativa Triângulo Mineiro/ Hugo Campos Borges - Intrafederativa Zona da Mata / Dilson Lamaita Miranda - Intrafederativa Sul de Minas / Delio Pereira dos Santos - Intrafederativa Leste Nordeste  Conselho Fiscal: Jorge Henrique Moreira Agostinho - Unimed Araguari / Marcos Aurelio Siqueira Magalhães - Unimed Pirapora / Eduardo Pereira - Unimed Santos Dumond / Marcos Machado Issa - Unimed Pedro Leopoldo / Gabriel Dias Pereira Filho - Unimed São Lourenço / Luiz Antônio Hooper de Souza - Unimed Vale do Aço  Junta Eleitoral: Heitor Sette Filho - Unimed Sudoeste de Minas/ Cássio Costa - Unimed Norte de Minas / Célio Marcos de Oliveira - Unimed Caratinga  Conselho Editorial: Luiz Otávio Andrade - Assessor de Regulação e Saúde Integral / Sheyla Bertholasce Leite – Superintendente de Desenvolvimento e Relacionamento / Cristiano Silva Rocha - Superintendente de Negócios / Rony Hudson Flôres - Gerente de Comunicação e Marketing / Soraya Fernandes - Analista de Comunicação e Marketing  Jornalistas Responsáveis: Soraya Fernandes MG 07511JP / Flávia Rios MT 06013  Produção Editorial: Rede Comunicação de Resultado - Tel. (31) 2555-5050 - Coordenação de produção: Beatriz Debien, Jeane Mesquita e Licia Linhares  Redação: Beatriz Debien, Bárbara Fonseca, Elissama Assis, Glória Paiva, João Luís Chagas, Orozimbo Júnior  Edição: Rony Hudson Flôres e Soraya Fernandes  R ev isão: Liza Ayub  Fotos: Shutterstock, Divulgação Unimed do Brasil, Divulgação Unimed Federação Minas, Divulgação ANS, Isabela Carrari, Arquivo Pessoal Eugênio Noujeimi, Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG, Ronaldo Lopes, Divulgação Hospital do Coração de São Paulo, Arquivo Pessoal José Ribamar Moreno, Fernando de Aratanha e Maura Carvalho, Studio Foto Aluízo, Leandro Couri / Refinaria da Imagem, Glênio Campregher, Arquivo Pessoal João Carlos França, Divulgação Libbs, Leonardo Costa / Tribuna de Minas, Arquivo Pessoal Hilma Gaio, Arquivo Pessoal Márcio de Melo Morais, Arquivo Pessoal Ana Beatriz Nogueira, Arquivo Pessoal Nilson Albuquerque Junior  Programação visu al e editoração: Arte Grafia Comunicação - Tel.: (31) 3487-4499 - artgrafia@uol.com.br  Pré-impressão e im pressão: Gráfica Formato  Tira gem: 16.800 exemplares Fale conosco: (31) 3277-2584  E-mail: comunicacao@unimedmg.coop.br  Endereço: Av. Brasil, 491, Santa Efigênia, CEP: 30140-001 - Belo Horizonte - MG - www.unimedmg.coop.br  É permit ida a reprodução de qualqu er matéria desde que citada a fonte. As opiniões dos art igos assinados são de responsabilidade dos au tores.

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Aqui tem Unimed O movimento de músicos, organizadores e produtores culturais e a mobilização de público transformam Minas Gerais em um grande palco para festivais de Jazz

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Inovação e Tecnologia Novos aplicativos para computador e aparelhos móveis surgem como alternativas para ajudar médicos e usuários no controle e na melhoria da saúde

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Comportamento Por traz dos jalecos brancos, médicas cooperadas mineiras contam suas histórias e trajetórias paralelas como artistas plásticas e mostram como o hobby complementa o exercício da profissão

UNIVERSO UNI MED Reconhecida pela vocação para cuidar das pessoas, e por outros diferenciais de mercado, a Unimed promove a revitalização de sua marca e de seu posicionamento, a ser estendida em todo o Sistema no Brasil ARTIGO O urologista Paulo Rodarte mostra que sonhar faz parte da vida. Para ele, o peso dos desejos depende da força de vontade que se tem de realizá-los e dos sentimentos que eles podem provocar através da imaginação ESTETOSCÓPIO Consumo de carnes processadas aumenta riscos de doenças; única mutação genética pode desencadear a diabetes tipo 1 e outras enfermidades autoimunes; Sociedade Brasileira de Pediatria cria o portal Conversando com o Pediatra. O dia a dia da saúde e as frases que marcaram o setor nos últimos meses TEMPO LIVRE Acelerando nos kartódromos mineiros, ao som de Beatles e dos Rolling Stones, ou no ritmo eletrizante do heavy metal em família. O lado B dos médicos além dos consultórios, clínicas e hospitais

Credenciado

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UNIVERSO UNIMED

BOAS PRÁTICAS

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Unimed Divulgação

Federações e cooperativas que exercitam os princípios de Governança Cooperativa poderão ser premiadas com Selo Nacional Unimed

Minas Federação

RECONHECIDAS

Conceitualmente, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) define o termo Governança Corporativa como “o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de governança convertem princípios em recomendações objetivas,, alinhando interesses, com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando o acesso ao capital e contribuindo para sua longevidade”. Na análise de gestão das cooperativas médicas no Brasil, seguramente, a Governança Cooperativista não é um modismo a mais. Seu desenvolvimento tem fortes razões para se disseminar. A Organização das Nações Unidas (ONU), diversas instituições mundiais, bem como o IBGC, veem as boas práticas de Governança Corporativa, inclusive aquela aplicada à doutrina cooperativista, como pilares da arquitetura econômica global e um dos instru-


dicas para promover a transparência, a prestação de contas e a divulgação do relatório de gestão anual e de informações sobre governança para os cooperados”, explica Jeanine Barbosa, gestora de Qualidade e Serviços da Unimed. Em abril de 2013, a gestora esteve na Unimed Federação Minas para ministrar um treinamento sobre o Selo Nacional Unimed. “O objetivo foi apresentá-lo às unidades, estimular a participação e premiação na 2ª edição, que será realizada em setembro, na Convenção Nacional Unimed, em Belo Horizonte, e a prática dos quesitos avaliados, como uma forma de unificar e padronizar a Governança Corporativa em todo o Sistema.” A cooperativa que atingir 70% da meta receberá o Selo Prata; 80%, ganhará o Ouro; e a que tiver pontuação máxima, o Diamante. Em Minas Gerais, cinco já receberam a certificação: as Unimeds BH e Circuito das Águas, congratuladas com o Selo Ouro, e as Juiz de Fora, Poços de Caldas e Federação Minas, com o Prata.

Divulgação Unimed do Brasil

mentos do desenvolvimento, em suas três dimensões – econômica, social e ambiental. A aplicabilidade das boas práticas da governança no Sistema Cooperativista Unimed é um tema que ganhou maior evidência há muito pouco tempo. Em 2012, a Unimed do Brasil instituiu um selo para premiar as Federações e Singulares Unimed que obtiverem a pontuação mínima necessária para obtenção do selo. Na prática, a Unimed do Brasil deseja estimular a adoção da Governança Cooperativa como um diferencial que demonstre, além das exigências legais, especialmente as exigências da Lei nº 5.764/71, que define a política nacional de cooperativismo, e que assegure o bom funcionamento das cooperativas. A premissa estratégica fundamental está na valorização do trabalho do médico cooperado por meio de resultados apresentados pelas federações e singulares. “As entidades são avaliadas de acordo com os padrões e critérios da Unimed do Brasil, como a ocorrência de reuniões perió-

Para Jeanine Barbosa o Selo é uma forma de unificar e padronizar a Governança Corporativa no Sistema

OS QUATRO PRINCÍPIOS DA BOA GOVERNANÇA CORPORATIVA 

Transparência: mais do que o desejo de informar, é o de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse, e não apenas impostas por disposições de leis ou regulamentos. A adequada transparência resulta em um clima de confiança, tanto internamente quanto nas relações da empresa com terceiros. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-financeiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que conduzem à criação de valor.



Equidade: caracteriza-se pelo tratamento justo dos sócios e das partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis.



Prestação de Contas: os agentes de Governança – que são os sócios, administradores (conselheiros de administração e executivos/gestores), conselheiros fiscais e auditores – devem prestar contas de sua atuação, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões.



Responsabi lidade Corporativa: Os agentes de Governança devem zelar pela sustentabilidade das organizações, visando a sua longevidade, incorporando considerações de ordem social e ambiental na definição dos negócios e operações.

Fonte: IBGC, 2009, p.19

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Entre os objetivos do modelo de Governança do Sistema Unimed, Sheyla Bertholasce Leite destaca o reposicionamento na trajetória do relacionamento e melhoria da comunicação com as partes interessadas

Reflexão e prática “O Selo de Governança Cooperativa Unimed propõe uma reflexão sobre a teoria em que se baseou e sobre as perspectivas para ampliar a consciência do Sistema Cooperativista Unimed, na busca de práticas eficientes que influenciem a percepção e o gerenciamento de risco, a sustentabilidade e a perenidade do negócio. Além disso, a obtenção do Selo certifica e habilita proativamente as cooperativas Unimed para os

propósitos da Governança Regulatória, pela Agência Nacional de Saúde (ANS)”, afirma a superintendente de Relacionamento e Desenvolvimento da Federação das Unimeds de Minas Gerais, Sheyla Bertholasce Leite. “Fundamentada em princípios como transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa, o modelo tem como desafio, além da mudança cultural, a ampliação do processo de comunicação entre os stakeholders. O obje-

tivo é reposicionar sua trajetória de relacionamento com seus cooperados de maneira corretiva, aumentar o valor de sua sociedade e facilitar seu acesso ao capital, contribuindo para a sua perenidade”, ressalta Sheyla Bertholasce Leite. A Unimed Federação Minas tem um papel fundamental neste processo, pois estimula a adoção das boas práticas de governança nas 67 cooperativas que integra, fortalecendo a marca Unimed. 

IBGC No Brasil, o IBGC, fundado em 1995, é a instituição que desenvolve e fomenta os conceitos e práticas de Governança. Possui mais de 1.500 associados e edita o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. O conteúdo do documento abrange práticas relacionadas aos sócios, conselho de administra-

ção, gestão, auditoria independente, conselho fiscal, conduta e conflito de agência ou de interesses. O IBGC promove, além de palestras e publicações, os trabalhos das Comissões Setoriais, como, por exemplo, Governança em Cooperativas e Governança em Saúde, com membros do Sistema Unimed.

Saiba mais Para se informar sobre a Governança Cooperativa na Unimed e como aplicá-la, acesse o Manual do Sistema no portal Unimed (www.unimed.coop.br).

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VOCAÇÃO PARA CUIDAR DAS PESSOAS Novo posicionamento da marca Unimed reafirma a preocupação do Sistema em atuar em benefício de seus clientes, cooperados e colaboradores Para reforçar a sua posição no mercado, o Sistema Unimed está passando por um importante processo de revitalização da marca, coordenado pela Unimed do Brasil, que será estendido para todas as cooperativas e federações do país. “Essa readequação é fundamental para que nossos valores possam ser transmitidos de forma linear e uniforme. Assim, esperamos reforçar o compromisso com nossos clientes e cooperados”, afirma o diretor de Integração e Mercado da Unimed Federação Minas, Cláudio Laudares. Na opinião do diretor de Marketing e Desenvolvimento da Unimed, Edevard José de Araújo, este trabalho é importante para que a sociedade perceba uma marca única, líder de mercado e com presença em todo território nacional. “A mensagem usada pelas federações e cooperativas deve ser a mesma. Assim, realinharemos nosso posicionamento, reforçaremos nossos atributos, mantendo viva nossa essência”, completa. Para alcançar esse objetivo, foi feita uma grande imersão no universo da marca, que concluiu que a essência da Unimed é “cuidar”. No novo posicionamento, quatro atributos serão fortemente reforçados na co-

municação e na relação da Unimed com seus públicos estratégicos. Almir Gentil, consultor de Marketing da Unimed do Brasil e do projeto, explica quais são eles. “O primeiro é cooperativismo, por a Unimed ser o único grande player de mercado que nasceu e cresceu dentro da filosofia cooperativista. A instituição também se apresenta como especialista, pois é doutora em saúde e líder de mercado, com cerca de 110 mil médicos atuando no país. Há também a questão da proximidade, já que a marca está presente em todo o Brasil, nos principais eventos culturais e esportivos, e as cooperativas locais adotam o nome das cidades ou regiões em que atuam na marca. E, por fim, a Unimed é

humana, já que a lógica da essência 'cuidar' está na humanização da medicina.” Assim, a Unimed se apresenta ao mercado como uma cooperativa próxima das comunidades onde atua, especialista em saúde e que busca uma medicina humanizada. A soma da essência da marca – o verbo ”cuidar”–, razão de ser da Unimed, com os seus atributos tem como resultado o novo posicionamento da instituição: vocação para cuidar das pessoas. “Avançamos no posicionamento anterior – que era voltado para a qualidade de vida e bemestar –, ampliando a ideia do ‘cuidar’ (cuidar de si, do próximo e do planeta)”, esclarece Almir Gentil. 

IDENTIDADE REVITALIZADA A identidade visual da marca está sendo readequada ao novo conceito. Para isso, foram ampliadas as paletas de cores secundárias, criadas regras de proporção dessas cores e novos grafismos. Outras mudanças são a substituição do box retangular por um novo selo e a criação de uma nova papelaria com uma tipografia

própria Unimed. Esse conteúdo fará parte da nova Central da Marca, que terá, ainda, um outro capítulo, com elementos de padronização e recursos próprios. A nova identidade visual será aplicada em hospitais, clínicas, pronto atendimentos, laboratórios, ambulâncias, escritórios e núcleos de atendimento do Sistema Unimed.

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SUPLEMENTO SAÚDE

Sete eixos temáticos propõem 36 ações para as operadoras em 2013 e 2014. Governança Corporativa é uma das novidades A expansão vivida pelas classes A, B e C nos últimos sete anos no Brasil – justificativa pelo aumento do poder aquisitivo das famílias - alterou o perfil de consumidores dos planos privados de saúde. O número de beneficiários do chamado Sistema de Saúde Suplementar passou de 31 milhões de pessoas, no ano 2000, para quase 49 milhões, em 2012, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com um mercado quase duas vezes maior, os desafios das operadoras cresceram na mesma proporção, e um nível mais elevado de qualidade é necessário para a sustentabilidade do setor. Para acompanhar essas rápidas transformações, a ANS criou, em 2011, a Agenda Regulatória, um instrumento de planejamento com os temas prioritários para o segmento. A segunda agenda, referente ao biênio 2013/2014, já está definida e dá continuidade ao trabalho do documento de 2011/2012, que encerrou o ano

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passado com 24 ações finalizadas e quatro parcialmente concluídas, dentre as 28 propostas iniciais. Para este ano e o próximo, está programado o estudo de sete eixos temáticos, com 36 projetos voltados para a regulação do setor. “O objetivo da Agenda Regulatória é estabelecer cronogramas de atividades prioritárias de forma a garantir transparência e previsibilidade na atuação da Agência e, assim, promover o desenvolvimento saudável e sustentável do setor regulado”, explica a chefe da Assessoria da Presidência da ANS, Angélica Carvalho. De acordo com ela, os temas da agenda atual foram selecionados após debates internos e por meio de consulta pública e de apresentações na Câmara de Saúde Suplementar, com a presença de representantes de diversos segmentos da sociedade. A consulta pública trouxe contribuições significativas para a definição

dos eixos de trabalho da ANS, além de proporcionar um grau ainda maior de legitimidade no processo de construção da Agenda Regulatória. “Recebemos contribuições importantes, especialmente dos Órgãos de Defesa do Consumidor. Um exemplo foi a proposta de criação de uma ferramenta que possibilite ao consumidor consultar a rede de cobertura de uma determinada operadora e compará-la com a rede das concorrentes”, relata. Além de revisitar os eixos anteriores, a agenda de 2013/2014 inclui uma nova diretriz chamada Governança Regulatória, que permite à ANS desenvolver o cumprimento de sua missão institucional. “Acredito que a ANS, ao eleger este eixo, deixa uma mensagem importante para o ente regulado, que é a necessidade de se profissionalizar cada vez mais, sobretudo diante dos desafios que temos no setor. Nesse sentido, a Governança Corporativa poderá contribuir de forma relevante


Divulgação ANS

Segundo Angélica Carvalho a Agenda Regulatória irá promover maior transparência e o desenvolvimento sustentável do setor

para a sustentabilidade que perseguimos”, observa Angélica. Os demais eixos temáticos da ANS para os próximos dois anos são Sustentabilidade, Garantia de Acesso e Qualidade Assistencial, Relacionamento entre Operadoras e Prestadores, Incentivo à Concorrência, Garantia de Acesso à Informação e Integração da Saúde Suplementar com o SUS. Sustentabilidade como fio condu tor Com o recente crescimento da economia brasileira e do setor de planos de saúde privados, além de fatores como a maior longevidade da população, a incorporação tecnológica na gestão, o modelo de pagamento que privilegia o consumo – em detrimento da remuneração do trabalho médico – e a crescente concorrência em todos os segmentos, a sustentabilidade passa a ser o grande desafio do ponto de vista da ANS e, não por acaso,

um dos eixos de atuação do órgão para os próximos dois anos. Nesse sentido, a Agenda Regulatória 2013/2014 contribui com a proposição de ações que estimulem o fortalecimento e a qualificação da gestão das operadoras, como estudos sobre a implantação de princípios de Governança Corporativa, visando ao aumento de eficiência, à adoção de melhores práticas e ao incentivo da cultura avaliativa nos estabelecimentos de saúde – apenas para mencionar algumas das 36 iniciativas sugeridas. “Para concretizar essas e outras ideias, nosso empenho é o de trabalhar pensando tanto no presente quanto no futuro, estabelecer novos conceitos e modernizar o setor”, planeja Angélica. Em sua opinião, para acompanhar a nova Agenda Regulatória, as operadoras devem se capacitar internamente para

promover um melhor relacionamento com a Agência e apresentar as informações solicitadas, sempre com a preocupação da qualidade e transparência, de modo que o órgão possa utilizar dados fidedignos em suas atividades. “Outra ação importante é participar de forma ativa nas Câmaras de Saúde Suplementar, por intermédio dos seus representantes, nas Câmaras Técnicas e nas Consultas Públicas”, acrescenta a chefe da Assessoria da Presidência da ANS. Ao incorporar novas práticas sustentáveis de gestão e de relacionamento com os beneficiários e prestadores de serviços, as operadoras irão não somente acompanhar com tranquilidade as exigências do processo regulatório, mas também traçar o próprio caminho para se destacar diante da concorrência e garantir seu espaço no mercado. 

PROGRAMAÇÃO Garantia de Acesso e Qualidade Assistencial Projetos relativos à adequação das redes de prestadores Sustentabilidade do Setor Fortalecimento e qualificação da gestão das operadoras de planos de saúde Relacionamento entre operadoras e prestadores Estudos sobre os contratos entre operadoras e prestadores e a remuneração dos hospitais Incentivo à concorrência Foco na estrutura concorrencial e produtiva da Saúde Suplementar Garantia de Acesso à Informação Informações aos beneficiários sobre saúde, direitos assistenciais, contratos e documentos. Relacionamento entre operadoras e consumidores Integração da Saúde Suplementar com o SUS Projetos que visam ao aprimoramento do Ressarcimento ao SUS Governança Regulatória Ações de aperfeiçoamento da atividade regulatória da ANS

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ENTREVISTA

INVESTIR NO CAPITAL INTELECTUAL

O conhecimento é visto como importante ativo de produção nas organizações atuais, elevando a performance e a competitividade do negócio 12

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Isabela Carrari

É cada vez mais perceptível que, no lugar de práticas seculares – como trabalhos manuais –, ganha espaço o investimento no que muitos empresários consideram o principal capital organizacional: o conhecimento dos profissionais. Na visão do professor Rivadávia Drummond, pós-doutor e autor de diversos estudos publicados no Brasil e no exterior acerca de gestão do conhecimento, trata-se de uma mudança de paradigma nas corporações modernas. Alguns pesquisadores do tema definem o capital intelectual como a soma das sabedorias e habilidades dos membros de uma organização. A união de pessoas com diferentes níveis de conhecimento, em torno de um mesmo propósito, pode proporcionar, entre outros benefícios, grande vantagem competitiva. Inserido nessa realidade, o campo da medicina – que engloba profissionais da saúde, cooperativas médicas, hospitais, consultórios e entidades de classe - precisa estar atento à gestão e ao compartilhamento de inovações, visto que o segmento é marcado por constantes novidades. Saber como gerenciá-las é essencial para quem quer se manter no mercado e elevar sua performance. Nesta entrevista exclusiva à Conexão Unimed, Rivadávia Drummond destaca as vantagens e os desafios desta nova realidade.

Quando as organizações começaram a perceber o valor do conhecimento? O conhecimento foi sempre valorizado, visto como vantagem para um povo, um país e uma organização. Mas, a partir da década de 70, passou a se falar em gestão. Nesse contexto, também começa a se mencionar a “inteligência artificial”, e o tema entra na agenda de grandes corporações. Já nos anos de 1990, nos Estados Unidos, a gestão da informação passa a ser intensificada para reduzir custos e tempo de execução de processos.

urológica que atende 24 horas por dia, inaugurada em Belo Horizonte. Achei uma ideia genial. Imagine os benefícios para quem sofre de cálculo renal, mesmo que o problema não seja resolvido na hora. Traz um grande alívio saber que há um atendimento especializado.

Há um modelo definido de gestão do conhecimento que poderia ser adotado por qualquer segmento, como a área de saúde? A organização deve estudar seu campo, modelar o que quer e buscar reduzir a complexidade de suas atividades. Apesar de haver uma linguagem comum, não há regras pré-estabelecidas, mas sim um cardápio para o gestor modelar a gestão do conhecimento de acordo com seus interesses.

Em pequenas organizações de saúde, como os médicos devem trabalhar a gestão do conhecimento? Eles devem saber atuar dentro de limites e estabelecer regras, melhorar a informação e buscar conhecer seus atuais e futuros clientes. O pequeno empreendedor pode ter uma única ferramenta, mas precisa pensar um modelo de gestão de conhecimento. Isso vale também para o profissional que atende sozinho. Cito o exemplo de um médico que trabalhava durante o dia, mas que tinha tempo disponível à noite, que acreditava não ser bem-aproveitado. Ele passou a atender, no período noturno, um público que só tinha esse horário para se consultar.

Existe um modelo de negócios vigente na medicina? Hospitais, clínicas, consultórios e planos de saúde podem se beneficiar de modelos inovadores. Um bom exemplo é uma clínica

É possível haver empreendedorismo na área de saúde? A medicina é um negócio como outro qualquer. Não se pode ter uma visão romântica do trabalho. Hospitais, consultórios,

clínicas e médicos têm seus custos, os profissionais investem na carreira e precisam de retorno. É justo que um médico que se especializou cobre um valor mais alto por seus serviços. Mesmo hospitais filantrópicos têm de ter retorno de seus trabalhos. Todavia, não se pode confundir negócio profissional com infração a condutas éticas. Mesmo que se busque lucro para arcar com os custos e ter retorno do que foi investido, a ética deve ser respeitada. Como conciliar os perfis de gestor e de médico? É preciso sair da “zona de conforto”, esforçar-se pela execução e reunir pessoas capazes de pensar e fazer, superando o hiato entre quem sabe e quem faz. É necessário sair da cadeira, aprender algo novo e colocar em prática. O êxito de uma organização depende da ação construt iva conjunta de seus componentes e da vontade colet iva. Como fazer isso acontecer no modelo cooperativista? A cooperativa é uma organização como outra qualquer, as regras funcionam para todos e é preciso se adaptar. O problema é que as entidades querem “receita de bolo”. Gestão não é ciência exata, é ciência social aplicada.  Unimed Federação Minas

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Isabela Carrari

ENTREVISTA

"É preciso sair da 'zona de conforto', esforçar-se pela execução e reunir pessoas capazes de pensar e fazer, superando o hiato entre quem sabe e quem faz"

O senhor destaca t rês verbos que devem ser conjugados por todo profissional: saber, fazer e ser. Como esse modelo é importante dentro da organização? A conjugação desses verbos desenvolve pessoas - elas aprendem e se organizam. Em primeiro lugar, saber diz respeito às teorias e pensamentos; em seguida, vem o “fazimento” (parafraseando Guimarães Rosa), que consiste em colocar em prática as teorias; por fim, o ser questiona o sujeito, sua ética e seus valores. O que o senhor chama de “miopia empresarial” se alinha ao fato de muitas pessoas serem resistentes quanto a inovações e preferirem perpetuar ant igas práticas organizacionais? Miopia é a falta de capacidade e desenvolvimento do executivo, ou seja, falta de oxigenação. A pessoa produz e trabalha tanto, que deixa de pensar, de ver o mundo. É preciso ter um tempo para o aprendizado, pois as ideias envelhecem. É necessário rejuvenescer ideias. Exi ste di ferença e ntre empreende r e inovar? Sim. Empreender é o desejo de ter um negócio, um projeto de vida. Já inovar é criar novos produtos e serviços, definir como competir e ter um modelo de negócios. Inovar é difícil, tem riscos, não deixa de ser uma aposta.

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Como est imular a criat ividade na área de saúde? Existem empresas que pagam por novas ideias; outras não recompensam financeiramente, mas dão reconhecimento àquele funcionário inovador, que se sente valorizado. Pode-se usar as duas formas como estímulo. Recompensar a criat ividade do colaborador, para que ele se sinta mot ivado, é uma solução para aumentar a participação? Sim, mas é necessário criar condições para favorecer, estimular e premiar o conhecimento. Há que se tolerar pequenos erros e recompensar o erro honesto. Compartilhar não é natural, pois a sabedoria é um fator diferencial para uma pessoa. O compartilhamento é um grande e complexo processo. Quais seriam os instrumentos e ficientes para se compart ilhar o conhecimento? Podem ser criados bancos de melhores práticas, formas de capturar ideias, computação em nuvens, redes de conhecimento, bem como softwares específicos para esse fim. Cito ainda o site (www.innocentive.com), no qual empresas postam problemas com os quais convivem e pagam para quem apresentar soluções. Qual o papel do contato pessoal na transferência da informação e como incentivar a interação em um mundo cada vez mais individualista?

Não vejo o mundo mais individualista. Tive uma experiência – por incrível que pareça, no Japão – que comprova isso. Durante as várias vezes em que me vi perdido nas estações de metrô, muitas pessoas se ofereciam para ajudar, mesmo elas falando um inglês que não era o mais claro. Mesmo aqui no Brasil há exemplos, como quando você pede informação sobre como chegar a determinado endereço. O que normalmente ocorre é a pessoa se esforçar ao máximo para indicar o caminho que você deve pegar. Na minha opinião, o que é necessário é saber balancear o tempo que se passa no mundo virtual com o mundo real. Há muitas coisas feitas via internet (como grande parte dos serviços bancários), mas ir ao supermercado ainda não tem uma solução tecnológica definitiva. É preciso equilibrar os dois mundos, pois afeto emocional é bom. Diante da chamada “explosão da informação” dos dias atuais, como selecionar o que de fato é relevante? Existe uma ansiedade de informação, e as pessoas devem aprender a lidar com ela. A “explosão de informação” é objeto de estudo, e o futuro da gestão do conhecimento está na internet. O campo da saúde aprenderá com isso, pois o jovem de hoje, aquele que passa horas diante de um computador, será o cliente do médico daqui a 20 anos. É preciso saber lidar com essa realidade. 


ARTIGO

O PESO DOS SONHOS Um quilo pesa um quilograma. Ou mil gramas? Ou estaria enganado? De peso entendo de letras. De números entendo como o padeiro de fazer computadores. Nunca vi alguém colocar sonho em balança. Sonho doce pode ser exequível. Mas sonhos, pensamentos que nos assaltam durante a noite, ideias coloridas ou não tanto, passagens da nossa vida, passado, lembranças de quando crianças, ardilosos meninos moleques, endiabrados montados em nossa patinete. Éramos o terror dos nossos pais que, depois da morte, passaram a fazer parte dos sonhos, e não são reais. Sonhos, não os sonhos doces, e sim os doces sonhos de quando meninos, hoje, talvez, para muitos, viraram pesadelos. Ainda me lembro de quando meu menino, hoje menino apenas pra sua mãe, pra ela filhos adultos nunca deixarão de ser meninos, ao empreender uma longa viagem, onde ficaria tempos distantes, ao lado da sua esposinha, ao vê-lo de malas prontas, grandes malonas, perguntei-lhe: “Quanto pesam suas malas?” Ele me respondeu num olhar distante: “Pai, quando se sonha muito, quando se deseja muito, o peso não conta.”

Hoje em dia, não sonho dormindo. Durmo mal. Acordo bem. Acontece que, quando acordo, acordo sonhando. Pois quem escreve como eu, sonha demasiado. Pois escrever é viajar. Além das nuvens, além do mar. Por sobre as estrelas. Saindo da terra, sem sair do lugar. Não sei quanto pesam meus sonhos. Talvez pesem tanto quanto as malas do meu filho. Pouco, pois, segundo ele disse – “quando a gente deseja muito, as malas cheias de sonhos pesam peso pluma.” Nos dias de hoje, tenho sonhado nadinha de nada. Acordo bem. Levanto-me da mesma forma. Exercito-me. “Enchuveiro-me” um pouco. Alongo não apenas meu corpo. Como alongo as ideias. Saio de casa deixando os sonhos pra outrem. Outros, como os jovens, talvez sonhem mais que eu. Meus sonhos têm vida curta. Como eu. O dono dos sonhos que não foram sonhados. Ontem não foi diferente. Depois do expediente, deixando o branco fazer companhia às nuvens, ou melhor, estava escuro, não se viam nuvens, e sim estrelas e um naco da lua, depois do consultório, fui ao clube onde me exercito. Estou viciado num santo vício. As endorfinas carecem de suor. Por falar em suor, depois de malhar na esteira, aquela

coisa que inebria, ao seu fim mais parece o desfecho de um orgasmo, suando pelas ventas, pensei com meus senões: “Suor nada mais é que uma lágrima de cansaço.” Subi a rua com minha de sempre mochilinha engravatada ao pescoço. Era por volta das oito da noite. Uma noite fria. No céu, poucas estrelas se viam. Era uma noite escura. Ainda sob o impacto do cansaço, motivado pelo riso agudo das endorfinas, quase na boca de onde moro, no mesmo passeio estreito, ia um rapaz. De aparência cansada. Amochilado às costas por uma mochila preta. O moço de aspecto fatigado ia numa velocidade tal que, mesmo parado, o alcancei. Sem esforço, o ultrapassei. Ficamos emparelhados numa fração de segundos. Olhei pro seu lado e cutuquei: “Você leva sonhos na sua mochila?” Ele, vergado sob o peso pesado da sua mochila preta, me olhou com olhos cansados, de dentro de sua barba escura, e me respondeu: “Levo livros, cadernos. Sonhos, mesmo sonhos de não mais menino, não deveriam pesar tanto quanto meu duro ofício. Sou professor de meninos.” Paulo Expedito Rodarte de Abreu Urologista da Unimed Lavras Unimed Federação Minas

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CAPA

MUITO FILME PARA C Arquivo Pessoal

Em cartaz: cinema e medicina. Qualquer semelhança entre a sétima arte e a arte da cura não é mera coincidência. Ao longo da história cinematográfica, a vida é reproduzida em cenas de filmes, marcando esse grande encontro. Com sua força comunicativa, o cinema consegue alcançar voos fora das telas ao retratar, de forma peculiar e com emoção, a verdadeira experiência humana. Não é à toa que os filmes que tratam de interesses médicos, e mostram situações relacionadas aos problemas de saúde, estão em voga desde o surgimento da indústria do entretenimento e despertam a atenção de todos os espectadores. Se a medicina inspira o cinema, a cultura em movimento também é bastante utilizada no meio científico. Uma troca de experiências que une o útil ao agradável e que tem aju-

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Para José Eugênio, criador do Cinema Comentado, os filmes afloram a sensibilidade das pessoas Revista Conexão - Abril / Maio / Junho de 2013 - Edição 09

dado tanto na recuperação de doenças quanto na melhoria da relação médicopaciente. Uma história que, muitas vezes, começa dentro de casa por influência dos próprios pais. Afinal, quem não tem muito filme para contar? Que o digam os médicos cinéfilos. Inspiração que cuida Era década de 60. Dentro de uma tradicional sala de cinema na pequena cidade de Conselheiro Pena, no Vale do Rio Doce, havia uma tela e um projetor de filmes a carvão e cadeiras. Lá fora, o burburinho dos moradores à espera da próxima sessão. A exibição da película era o principal acontecimento local. Como cenas de um filme inesquecível, a memória do psiquiatra José Eugênio Noujeimi, hoje cooperado da Unimed São João del-Rei, guarda cada detalhe de seus 7 a 15 anos de idade, passados dentro do cinema da cidade natal. Filho do dono da sala, José Eugênio era o vendedor de


CONTAR balas. Assim que o filme começava, ele deixava o seu posto de trabalho e ficava em pé, à espreita, acompanhando cada sessão. A matinê aos domingos era a de que ele mais gostava. “A gente vibrava, gritava e se emocionava junto. Era um clima contagiante, um encontro de amigos”, relembra. A história da sétima arte de Conselheiro Pena se confunde com a vida do psiquiatra, recheada de cenas de filmes daquela época, como Ben-Hur e Tarzan, além das obras de Mazzaropi. “Eu praticamente nasci no cinema. De alguma maneira, ele está dentro de mim.” No entanto, de lá para cá, a vida mudou muito. “A modernidade isolou as pessoas, que se tornaram mais individualistas”, enfatiza. Para resgatar a socialização que o cinema permite e promover uma reflexão acerca da busca da saúde emocional e mental de seus pacientes, o médico criou o projeto Cinema Comentado em São João del-Rei. Atualmente, durante dois meses do

Na vida e nas telas, a medicina inspira produções cinematográficas, e o fascínio do cinema humaniza a relação médico-paciente ano, são exibidos, no espaço da Unimed da cidade, filmes escolhidos por ele. “O cinema aflora a sensibilidade das pessoas. É uma catarse. Elas se identificam com as situações apresentadas e se sentem aliviadas de alguma forma, verbalizando os seus sentimentos sobre aquilo a que estão assistindo”, explica o médico. Também cinéfilo desde a infância, o hematologista Gilberto Ramos, cooperado da Unimed-BH, já perdeu as contas de quantos filmes assistiu ao longo dos seus 64 anos de idade, mas faz questão de relembrar sua própria trajetória, que inclui a experiência de um casamento de quase quatro décadas e três filhos. Como um filme, a vida de Gilberto acumula riqueza cultural: amigos cineastas e muitas histórias para contar. Durante a adolescência, ele frequentava - três vezes por semana - as antigas salas de projeção do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. Hoje em dia, já morando na capital mi-

neira, vai ao cinema pelo menos uma vez a cada sete dias. “Conheci todas as antigas salas de BH também. Gosto muito do Belas Artes, pois lá passam filmes que estão fora do eixo comercial. O cinema nunca vai sair da minha vida”, diz com convicção. Além de ser um amante da sétima arte e admirador dos trabalhos de diretores consagrados, como Almodóvar, Fellini e Tarantino, Gilberto transporta todo o fascínio e o encantamento das telas para a relação médicopaciente. “Cada momento emocionante a que eu assisto na grande tela acaba sendo moldado no meu cotidiano. Tenho uma forma muito afetiva de lidar com os pacientes. Já atendi uma senhora que ia toda semana ao meu consultório. Ao perceber que ela estava triste, eu emprestava e indicava filmes leves para ela assistir. Mais animada, ela sempre me dizia que o filme tinha sido bom, pois havia se distraído, mesmo por um momento, tirando do foco os problemas de saúde.”  Unimed Federação Minas

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Ronaldo Lopes

CAPA

Aloísio Silva, realizador do Cinema e Filosofia, defende que sétima arte pode ajudar na saúde emocional

Cinema universitário “Além do entretenimento, o filme faz pensar, refletir, o que é importante para a saúde emocional.” Essa é a visão do pediatra Aloísio Silva, cooperado da Unimed Conselheiro Lafaiete. Amante da sétima arte, ele também aproveita o seu deslumbramento pelo cinema para promover discussões que permeiam a vida das pessoas fora da telona. O médico está à frente do projeto Cinema e Filosofia na cidade, em parceria com a Associação Médica e Unimed Conselheiro Lafaeiete, que consiste na exibição de filmes à população local. Ao término de cada sessão, a professora de Filosofia e palestrante de Belo Horizonte, Maria de Lourdes Caldas Gouveia, apresenta uma série de questiona-

mentos para a discussão. “Pedimos doação de alimentos em troca da entrada e, na última edição, conseguimos arrecadar 73 quilos, que foram entregues ao asilo de Conselheiro Lafaiete”, conta Aloísio. A iniciativa faz tanto sucesso que foi transformada em um curso de extensão na Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) de Conselheiro Lafaiete. Já na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há o Medcine, um projeto educativo-cultural desenvolvido desde 2005. Aberto ao público, a iniciativa se caracteriza pela projeção de um filme, seguido de um debate com o público. A atividade ocorre toda última quarta-feira de cada mês, às 18 horas, na Faculdade de

Medicina. Neste ano, a iniciativa foi aprovada pela Pró-Reitoria de Extensão da UFMG. “A proposta é discutir aspectos referentes às relações humanas, utilizando a obra de arte, contribuindo com a formação humanística dos estudantes”, explica o coordenador do Medcine e psiquiatra, Marco Túlio de Aquino, que também é cooperado e membro do Comitê de Especialidade de Psiquiatria da Unimed-BH. Outros objetivos específicos do Medcine são a discussão dos vários aspectos das relações humanas e daqueles ligados às diversas fases da vida, do nascimento à morte. Também são abordados temas sobre ética, sociedade contemporânea e sua repercussão no processo saúde e doença e a relação profissional de saúde e paciente. 

Ascom - Medicina UFMG

Cinema e psiquiatria

Na opinião de Marco Túlio, do Medcine, qualquer forma de expressão artística traz um benefício emocional

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Ao abordar vários aspectos, como relações humanas, doenças terminais, processo de envelhecimento, relações amorosas, perdas, entre outros, o cinema retrata praticamente as patologias mentais. Nos primórdios do cinema, em 1919, o filme alemão O gabinete do Dr. Caligari já fazia referência à psiquiatria. De acordo com o psiquiatra Marco Túlio de Aquino, durante todo o século XX, as teorias psicológicas, psicanalíticas e o conhecimento psicopatológico foram utilizados para teorizar e criticar as artes em geral. “O psiquiatra, de alguma forma, sem-

pre foi requisitado para dar sua opinião sobre a relação da cultura com os transtornos mentais”, pontua. Assim, graças ao seu caráter lúdico, as artes em geral sempre foram de interesse da psiquiatria e dos médicos que procuram um diálogo com as ciências humanas. “Qualquer forma de expressão artística autêntica nos traz um benefício emocional, um crescimento ou, no mínimo, uma reflexão, principalmente ao profissional de saúde que lida, durante seu trabalho, com as dimensões das vivências e do sofrimento das pessoas”, comenta o médico.


Para todos os gostos

O cardápio de filmes é variado. A medicina como a arte de cura, do bem-estar e da saúde física e mental está relacionada praticamente a todos os filmes que envolvam questões das relações humanas, mortes, perdas, dores, doenças, deficiências, envelhecimento, entre outras vivências. E são muitas (e excelentes) as dicas dos entrevistados. Deleite-se!



Fale com Ela: obra do Almodóvar sobre relacionamentos. As mulheres que protagonizam o filme estão em estado de coma, na cama de um hospital.  Bicho de 7 Cabeças: filme brasileiro que conta o drama de Neto, internado em um hospital psiquiátrico por seu pai, que o julga e o rejeita pelo seu possível vício em maconha.  Um go lpe d o dest in o : Jack é um médico completo, bemsucedido, rico e sem problemas na vida, até receber o diagnóstico de que está com câncer na garganta. Agora ele passa a ver a medicina, os hospitais e os médicos sob a perspectiva do paciente.



O Quarteto : produção inglesa de 2012 sobre uma casa de repouso para músicos idosos.  Amor: filme austríaco vencedor do Oscar 2013 de melhor filme estrangeiro, retrata a vida de um casal na terceira idade.  E se Vivêssemos Todos Juntos? : comédia francesa de 2011 que mostra um grupo de amigos vivendo juntos depois dos 75 anos.  O Milagre de Anne Sulivan : filme de 1962 que mostra a incansável tarefa de uma professora ao tentar fazer com que uma garota deficiente se adapte e entenda as coisas que a cercam.



Amarcord: do diretor italiano Fellini, o filme, de 1973, retrata a vida familiar, a religião, a educação e a política dos anos 30, quando o fascismo era a ordem dominante.  Óleo de Lourenzo: o filme retrata a história real de um casal de historiadores que descobrem uma doença rara e degenerativa em seu filho.  Cinema Paradiso: de 1988, trata do fascínio pelo cinema.  Qua se Deu ses: conta a história emocionante de dois homens que desafiaram as regras em sua época para iniciar uma revolução médica.



A Part ida: o filme japonês (2008) questiona a morte por outro ângulo, a do preparador de cadáveres.  H an ami - Cerej e iras em Flo r: Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e o convence a fazer uma última viagem ao Japão, na época do festival das cerejeiras.  Viver: filme japonês de 1952 sobre um burocrata que descobre que está com câncer. Decide, então, construir um playground em seu bairro, tentando descobrir um sentido para a sua vida.

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ESTETOSCÓPIO

Fator monogenético é identificado

Consuma com moderação As carnes processadas, que incluem, entre outros, salsicha, salame e bacon, se consumidas em grande quantidade, aumentam o risco de morte prematura em 18%. Foi o que apontou o estudo realizado com dados da Investigação Europeia de Perspectivas de Câncer e Nutrição da Universidade de Zurique, na Suíça. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam 448.568 pessoas, de 10 países europeus, por 13 anos. A pesquisa, publicada no periódico BMC Medicine, revelou que, a cada aumento de 50 gramas no consumo diário de carnes processadas, os riscos de morte por câncer e doenças cardiovasculares crescem em 11% e 30%, respectivamente. Se o consumo fosse reduzido para até 20 gramas diárias, 3% das mortes prematuras poderiam ser evitadas. Os pesquisadores traçaram ainda a relação entre a ingestão de carnes processadas e outros hábitos prejudiciais à saúde e concluíram que os consumidores destes produtos, geralmente, fumam e comem menos frutas e verduras no dia a dia. Em relação aos homens, o consumo elevado de embutidos está relacionado à maior ingestão de bebidas alcoólicas. As possíveis consequências do consumo excessivo de carne vermelha fresca e aves também foram observadas, porém os pesquisadores consideraram os resultados inconclusivos.

Uma única mutação genética pode desencadear a diabetes tipo 1 e outras doenças autoimunes. Essa é a conclusão do pesquisador e endocrinologista suíço, Marc Donath, que verificou, após quatro anos de estudos, um padrão de doenças autoimunes nos familiares de um paciente. O pai, a irmã e alguns primos paternos tinham diabetes tipo 1 e colite ulcerosa, outra enfermidade autoimune. O pesquisador usou quatro técnicas diferentes de sequenciamento de genoma para averiguar a presença de anomalias no código genético do paciente. O mapeamento indicou uma mutação no gene SIRT1 – que cumpre um importante papel na regulação do metabolismo, além de proteger o organismo das doenças relacionadas à velhice –, que seria a causadora das doenças. Para confirmar a hipótese, ele fez uma série de testes em camundongos com diabetes tipo 1 e percebeu que, nas cobaias que expressavam o gene modificado, as células produziam mais mediadores químicos nocivos a elas próprias, causando o diabetes tipo 1.

Pais bem-orientados Informar os pais sobre a saúde de seus filhos. Esse é o objetivo do portal Conversando com o Pediatra, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que reúne informações sobre os cuidados com o bem-estar e a qualidade de vida de crianças e adolescentes. As informações disponíveis tratam de assuntos diversos. Há textos sobre a prevenção de doenças respiratórias, uso de medicamentos, aleitamento materno, dicas de segurança doméstica, campanha de vacinação, entre outros temas. Para facilitar a navegação, as orientações estão organizadas por faixas etárias – dos recém-nascidos aos adolescentes –, além de apresentar seções dedicadas ao pré-natal e ao parto. Até abril deste ano, o portal havia contabilizado 440 mil acessos, uma média de 32 mil por mês. Acesse: www.conversandocomopediatra.com.br.

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Arquivo Pessoal

“Talvez a divulgação da existência de exames pelos quais se pode ver a imagem do corpo junto com a função microscópica do que ocorre no cérebro dê mais credibilidade ao sintoma de dor e faça com que os médicos acreditem no sofrimento do paciente.” José Ribamar Moreno

“Pensamentos indesejados e rituais todo mundo tem. A pessoa pode até achar estranho, mas para por aí. A questão é como eles interferem no cotidiano e quanto sofrimento trazem.”

“Não pode haver o desejo de ter o filho para curar o irmão. A criança não pode se sentir usada dessa maneira. Os pais que atendo me dizem que, se não for possível fazer a seleção, vão querer ter o filho de qualquer jeito.” Ciro Martinhago Geneticista, responsável pela seleção dos embriões para o tratamento de fertilização in vitro que gerou Maria Clara, de 1 ano, irmã de Maria Vitória, 6, que recebeu a doação de células-tronco da mais nova para se curar de talassemia. Do portal Folha de S. Paulo, editoria Equilíbrio e Saúde, dia 19/04/13.

Divulgação Hospital do Coração de São Paulo

Fernando de Aratanha e Maura Carvalho

Médico e coordenador do Centro de Tratamento Intensivo da Dor, do Rio de Janeiro, sobre o método desenvolvido por cientistas das universidades americanas de Colorado, Nova York, Michigan e Johns Hopkins, capaz de identificar a dor física por meio de um padrão de reações cerebrais captadas por exames de imagens. Do portal Istoé, editoria Medicina e Bem-Estar, dia 19/04/13.

“Os resultados mostraram que o aparelho é eficaz em identificar, de forma precoce, quando um paciente apresenta algum risco cardíaco e quando necessita de atendimento emergencial. Além disso, as conclusões do estudo cumpriram todos os requisitos impostos pela Anvisa.” Enrique Pachón Cardiologista do Serviço de Arritmias Cardíacas e da Central de Telemedicina do Hospital do Coração de São Paulo, um dos médicos envolvidos nos testes do primeiro monitor cardíaco portátil inteligente do mundo, desenvolvido pelo Flextronics Instituto de Tecnologia (FIT) e Corcam. Do portal Veja, editoria Saúde, dia 23/04/13.

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AQUI TEM UNIMED

Leandro Couri - Refinaria da Imagem

É JAZZ, UAI! Reconhecida como “celeiro” de grandes talentos da música instrumental, Minas Gerais se destaca como palco de importantes festivais desse gênero musical

“Jazz é a arte de improvisar, de inovar nas harmonias, nas melodias e nos ritmos. É liberdade criativa.” A reflexão do pianista, arranjador, compositor e cardiologista da Unimed Juiz de Fora, Márcio Hallack, sobre o estilo musical vai ao encontro do sentimento vivenciado por músicos, compositores, estudiosos, amantes e admiradores da música instrumental. “Jazz é um jeito autoral e diferente de expressar a personalidade por meio da música”, declara o médico, que

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começou a gostar do gênero musical escutando músicas de Bill Evans e Gray Miller e já fez parcerias com nomes como Raul de Souza, Hermeto Pascoal, Toninho Horta, entre outros. Desde os tempos do Clube da Esquina, Minas Gerais é terra fértil para a música instrumental e tem se tornado, cada vez mais, palco para grandes encontros. “A vontade de nossos músicos em tocar, mostrar sua performance, além da interação natural entre os

que estão começando e os que já estão na estrada, fortalece o movimento. Essa troca é a força da música”, avalia Hallack. Este ano, não vai ser diferente. O Savassi Festival, em Belo Horizonte, e o Tudo é Jazz, em Ouro Preto, chegam à 11ª e 12ª edições, respectivamente, revelando novos talentos, apresentando shows de artistas nacionais e internacionais e motivando o intercâmbio musical (veja o calendário dos principais eventos na pág. 24).


Fotos: Glênio Campregher

O Festival Tudo é Jazz, de Ouro Preto, chega a sua 12ª edição e está entre os eventos de destaque da cena jazzística mineira

músicos e compositores com grande domínio dos instrumentos. “Consigo identificar o artista pela forma como ele toca. Meus preferidos são Joe Pass, Bill Rivers, Miles Davis e Stanley Jordan. Entre os brasileiros, destaco Nelson Farias e os mineiros Toninho Horta, Juarez e Celso Moreira e Chico Amaral”, lista Eduardo Hermeto, que, há dez anos, estuda violão e guitarra com Celso Moreira e acompanha os shows dos jazzistas pelas cidades mineiras. Entre suas melhores lembranças está o dueto entre a americana Madeleine Peyroux e a brasileira Mart’nália, filha do sambista Martinho da Vila. “O encontro aconteceu na 8ª edição do Tudo é Jazz de Ouro Preto, em 2009, quando elas fizeram um tributo à diva do jazz, Billie Holiday”, recorda. Os sotaques do jazz Toda esta liberdade de criação e improvisação só poderia dar em muitas misturas finas, principalmente no Brasil. “Junto com Raul de Souza, toquei o samba Juízo Final, de Nelson Cavaquinho, no formato instrumental. O jazz absorve tudo - instrumentos e composições - e está aberto à diversidade musical. Esse intercâmbio permite releituras maravilhosas”, defende Márcio Hallack. O exemplo mais conhecido de fusão entre o jazz e a música brasileira foi o namoro entre os americanos e a Bossa Nova, eternizado por parcerias como a de Frank Si-

natra e Tom Jobim e de Stan Getz e João Gilberto. “Era uma rua de mão dupla. Enquanto o cool jazz de Chet Baker, Barney Kessel, Gary Mulligan e Stan Getz influenciou músicos e cantores brasileiros, Tom Jobim, João Gilberto e Sérgio Mendes imprimiram sua marca no jazz americano”, diz Wilson Garzon. Em Minas Gerais, as influências do gênero musical apareceram de forma mais sutil, a partir de composições e da trajetória dos “garotos” do Clube da Esquina. “O movimento contou com instrumentistas cuja formação musical apresentava forte presença do jazz”, observa Wilson Garzon, citando nomes como Wagner Tiso, Nivaldo Ornelas, Robertinho Silva e Pascoal Meirelles. “No entanto, não me arrisco a dizer que o Clube da Esquina é jazz por excelência. Existe uma influência, mas prefiro definir como música mineira, pois carrega esse ar das montanhas e uma identidade muito própria”, acredita. Para ele, músicos como Toninho Horta, Nivaldo Ornelas e Juarez Moreira tocam como jazzmen, imprimindo um jeito mineiro ao gênero. “A música mineira, assim como a Bossa, também é universal e vem sendo descoberta por jazzistas estrangeiros.”Ele cita a grande revelação do momento, a contrabaixista e cantora americana Esperanza Spalding, que gravou músicas de Milton Nascimento e dividiu o palco com o compositor e cantor mineiro.

Studio Foto Aluizo

Globali zação de um est ilo Para o jazzófilo e fundador do portal Clube de Jazz, Wilson Garzon, a constatação deste movimento se deve – e muito – à globalização do jazz, que não está mais preso aos clássicos conceitos do gênero musical, que surgiu em New Orleans (Estados Unidos), pouco antes da Primeira Guerra Mundial. “Para saber se a música tem elementos jazzísticos, os instrumentos têm que sair da melodia”, explica, parafraseando o poeta modernista Manoel de Barros. “Improvisar é viajar fora da melodia, é ter um estilo próprio, um jeito original de tocar e compor.” O cardiologista e acupunturista cooperado da Unimed-BH, Eduardo Ribeiro Hermeto, reforça o coro. “Os bares intimistas de ‘Beagá’, somados ao hábito dos mineiros de se reunir em volta de uma mesa para celebrar e tocar música, criam um clima propício ao jazz, que é espontâneo, como esse tipo de ocasião”, diz. Além disso, os cenários mineiros ajudam a desenhar um ambiente para os festivais, pois muitos deles acontecem ao ar livre. “No Tudo é Jazz de Ouro Preto, por exemplo, os palcos são montados nos largos, e os artistas se apresentam nas ruas. A boa música, tendo como pano de fundo a arquitetura colonial, cria um ambiente mágico.” Outro trunfo do jazz é apresentar uma harmonia sofisticada, criada e tocada por

Na opinião de Hallack, a vontade dos músicos mineiros em tocar, a interação entre os artistas novos e pioneiros fortalece o movimento de festivais em Minas

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Leandro Couri - Refinaria da Imagem

AQUI TEM UNIMED

Outro evento de peso em Minas é o Savassi Festival, que conta com o apoio do Instituto Unimed-BH, que montou um palco para receber nomes como Hermeto Pascoal, em 2012

Programa Cultural Unimed-BH Há 13 anos, o Programa Cultural Unimed-BH mobiliza cooperados e colaboradores na captação de recursos para a cultura, a partir da destinação de parte do Imposto de Renda. Reconhecido pelo Ministério da Cultura como a principal iniciativa com esse perfil no país, em valor per capita doado, o Programa registrou, em 2012, seu recorde de investimento - R$ 6,7 milhões, que serão direcionados a 23 projetos culturais em 2013. Em 2012, o Instituto Unimed-BH também apoiou eventos que tiveram o jazz

como destaque. No Savassi Festival, o Palco Instituto Unimed-BH – Quarteirão das Artes contou com uma programação com shows de Hermeto Pascoal, Luis Leite 4teto, Rafael Martini e Kenny Werner Trio. A 6ª edição da Festa da Música, realizada em agosto e setembro de 2012, também foi prestigiada pela entidade. O público presente pôde conferir 86 apresentações, em 15 espaços diferentes, e atrações de renome, como Dominguinhos, Yamandu Costa e Jazz Mineiro Orquestra. 

UNIMED-BH Ab rangência: Belo Horizonte, Contagem, Betim, Nova Lima, Ibirité, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Santa Luzia, Lagoa Santa, Sabará e mais 34 municípios da região Central de Minas. Cooperados: 5.300 Clientes: 1,15 milhão Nº de hospitais: 3 Nº de clínicas: - 3 Núcleos de Atenção à Saúde - 3 Centros de Promoção da Saúde Unidade de Pronto Atendimento: 1 Nº de Centros Diagnósticos: 2 Nº de laboratórios: 2 Endereço da sede: Av. do Contorno, 4.265, Funcionários - Belo Horizonte Telefones: - 0800-030 30 03 (Unidisk) - 4020-4020 (Alô Saúde) Funcionamento: das 8 às 17h Mais informações: www.unimedbh.com.br UNIMED INCONFIDENTES

PROGRAME-SE FE ST IVAI S E M MI NA S 2 01 3 

7ª Festa da Música (BH): 14 a 23/06  11º Savassi Festival (BH): 10 a 21/07  14º Ibitipoca Jazz Festival (Conceição de Ibitipoca): 26 e 27/07  5º I Love Jazz (BH): 9 a 11/08  12º Tudo é Jazz (Ouro Preto): 12 a 15/09



15º Valadares Jazz Festival (Governador Valadares): 18 a 21/09  14º Ipatinga Live Jazz: 19 a 21/09  6º Tiradentes Jazz Festival (Tiradentes): 14 a 17/11

CLUBE DE JAZZ O site (www.clubedejazz.com.br) tem grande acervo de informações sobre jazz, história, conceitos, agenda de eventos e festivais no Brasil e na Argentina, notícias de lançamentos, entrevistas e matérias de colunistas e especialistas.

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Abrangência: Ouro Preto, Mariana e Itabirito Cooperados: 165 Clientes: 19 mil Nº Hospitais: 3 Nº Clínicas: 39 Unidades de Pronto Atendimento: 3 Nº Centros Diagnósticos: 8 Nº Laboratórios: 11 Endereço da sede e contatos: Praça Barão de Saramenha, 01, Saramenha, Ouro Preto Telefone: (31) 3559 7200 Funcionamento: das 8 às 18h Mais informações: www.unimedinconfidentes.coop.br


INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

SAÚDE AO ALCANCE DOS DEDOS Aplicativos para computador, tablets e smartphones podem contribuir para uma vida com mais qualidade Controlar o peso, sugerir cardápios saudáveis, combater o tabagismo, acompanhar o ciclo menstrual e monitorar as crises de enxaqueca. Essas são apenas algumas das funções dos muitos aplicativos disponíveis para download em smartphones, tablets e computadores. Longe de serem substitutos dos profissionais da saúde, tais programas podem ser fortes aliados ao tratamento médico nas mais diversas áreas. Com a meta de perder 30 quilos, o nefrologista e cooperado de Conselheiro La-

faiete, João Carlos França, faz uso de três aplicativos relacionados à redução de medida e qualidade de vida. Contudo, o profissional sabe que somente a tecnologia não vai fazêlo alcançar seus objetivos. “Mantenho o acompanhamento com personal trainer e nutricionista. Os aplicativos são apenas estímulos diários para que eu não desanime”, diz. Um dos programas usados por João Carlos é o Medida Certa, disponível para download gratuito em Iphones, Ipads e Androids. O aplicativo se baseia na série apre-

sentada pelo programa Fantástico, da Rede Globo, que propôs o desafio da perda de peso, com a mudança de hábitos, aos apresentadores Zeca Camargo e Renata Ceribelli, além do ex-jogador de futebol Ronaldo. Após baixar o aplicativo, a pessoa fornece informações pessoais, como peso e hábitos alimentares, e seus objetivos. A partir daí, ela recebe um programa de treinos e alimentação para os próximos 90 dias. Na página do aplicativo, o usuário ainda pode gravar vídeos, acessar receitas e compartilhar seus resultaUnimed Federação Minas

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Libbs Divulgação

INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

Arquivo Pessoal

dos por meio das redes sociais. “Tenho gostado bastante deste aplicativo, principalmente por me lembrar de me alimentar a cada três horas. Na correria do dia a dia, esquecemos esse hábito”, conta o nefrologista. Focado na mudança de hábitos à mesa, o aplicativo Meu Prato Saudável, iniciativa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto do Coração (Incor), mostra valores nutricionais dos alimentos consumidos diariamente, desde o café da manhã até o jantar, e permite o compartilhamento de fotos das refeições.

João Carlos faz uso de três aplicativos relacionados à redução de medida e qualidade de vida

Essas funções também podem ser acessadas pelo computador, por meio do portal do programa, que ainda disponibiliza receitas práticas para serem adotadas. “O usuário pode fazer uma busca de diferentes refeições, conhecer as suas propriedades nutricionais e a sua classificação por grupo de alimentos. Isso permite que ele faça um acompanhamento mais personalizado”, afirma Elisabete Almeida, coordenadora do aplicativo. Em diferentes pontos Embora mais populares, os aplicativos ligados à perda de peso não são os únicos disponíveis no mercado. Com o intuito de auxiliar pacientes e especialistas no tratamento da enxaqueca, a Libbs Farmacêutica desenvolveu o Diário de Cefaleia, programa gratuito aprovado pela Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), que, por meio do celular, monitora a intensidade da dor, além dos fatores desencadeantes para a crise - alimentar, físico e sensorial. Em seguida, é gerado um relatório automático que pode ser enviado por e-mail e em tempo real ao neurologista do paciente. “O usuário pode cadastrar o endereço eletrônico de seu médico ou apresentar o relatório no dia da consulta. É uma prestação de serviço à população. O objetivo desta ferramenta em prol da saúde é facilitar a vida do médico e do paciente no diagnóstico e tratamento das dores de cabeça”, explica Roberta Calvoso, gerente de produtos da Libbs Farmacêutica.

Segundo Roberta, o aplicativo Diário da Cefaleia visa facilitar o diagnóstico e tratamento de dores de cabeça

Outro aplicativo que funciona como se fosse uma agenda é o Meu Diário Mensal, voltado especificamente para as mulheres. Substituindo as antigas tabelinhas e outros métodos de controle do ciclo menstrual, a ferramenta permite às usuárias armazenar diversas informações, como intensidade da dor, impactos na rotina diária e padrão de sangramento. De acordo com Fernando Caron, médico ginecologista e diretor da Unidade de Negócios de Saúde Feminina da Bayer HealthCare Pharmaceuticals, desenvolvedora do aplicativo, o armazenamento dessas informações pode ser útil para orientar conversas com o médico durante a consulta, principalmente se a mulher estiver preocupada com algum fator relacionado ao seu ciclo. 

APLICATIVOS DE BEM-ESTAR Para facilitar o encontro de aplicativos relacionados à saúde e ao bem-estar, o site www.aplicativosdesaude.com.br organiza e classifica, com critérios de médicos, os melhores aplicativos desta área em diferentes plataformas operacionais - iOS (iPhone/iPad/iPod), Android, Windows Phone e BlackBerry.

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D O S E U J E I TO Saiba como fazer download destes e outros aplicativos e ter uma vida mais saudável: Medida Certa: gratuito, disponível para Ipad, Iphone e celulares com o sistema operacional Android na App Store e no Android Market. Saiba mais em: http://g1.globo.com/fantastico/quadros/medida-certa/platb. Meu prato saudável: gratuito, disponível para Ipad e Iphone em www.meupratosaudavel.com.br. Diário de Cefaleia: gratuito, disponível para Ipads, Iphones, celulares com o sistema operacional Android e computador no site www.enxaquecanao.com.br. Meu diário mensal: gratuito para Ipad e Iphone, disponível na App Store. Brasil sem cigarro: desenvolvido a partir da série homônima apresentada pelo médico Drauzio Varella no programa Fantástico, da Rede Globo. Assim como na TV, o especialista orienta como os fumantes podem lutar contra o vício da nicotina, contando com a ajuda do celular ou tablet. Disponível para download gratuito na App Store e Android Market. Hora da Pílula: Disponível para iPhone e iPad no App Store e para Android no Google Play, o aplicativo gratuito desenvolvido pela Bayer ajuda as mulheres a lembrar de tomar o anticoncepcional no horário certo. Após instalar o aplicativo, a mulher coloca dia e horário em que começou a tomada da cartela de pílulas. A cada dia, no mesmo horário, ela recebe um alerta para não se esquecer de tomar o medicamento. Junto com o alerta, aparece a animação de um passarinho que retira uma pílula da cartela virtual. Glico Care: gratuito, disponível para iPhone, iPod e iPad na App Store, é voltado para o acompanhamento do diabetes. A ferramenta facilita o controle das medições de glicose diárias, oferece dicas para uma vida saudável, registro das refeições diárias, programa lembretes e anotações do dia a dia. My Fitness Pal: gratuito, disponível para Android, iPhone e Ipad, além de um site, o aplicativo ajuda a perder peso e adquirir hábitos mais saudáveis. Ele possui um contador de calorias fácil de usar, que já conta com centenas de receitas em seu banco de dados. O aplicativo e o site oferecem uma aba em que é possível registrar e acompanhar seu progresso. Além disso, funciona como uma rede social, em que seus amigos podem comentar suas atividades e dar aquele incentivo. No site, é possível, ainda, montar o próprio blog.

Meu Prato Saudável e Meu Diário Mensal estão entre os aplicativos gratuitos, disponíveis no mercado, que ajudam pacientes e médicos a agregar mais saúde, bem-estar e qualidade de vida aos usuários

INCENTIVO À INOVAÇÃO A Organização das Nações Unidas (ONU) apostou em uma iniciativa para estimular a criação de aplicativos de celular em diversas áreas, entre elas a saúde. Aliada a diversos parceiros, a entidade promove uma premiação bienal, a World Summit Award Mobile (WSA-Mo-

bile), para as melhores inovações na área de conteúdos e aplicativos móveis. Entre os vencedores da edição de 2012, a área da saúde se destacou com cinco iniciativas premiadas, como o Life with Cancer, desenvolvido na Dinamarca, que orienta pacientes, familiares e ami-

gos a lidar com o câncer, além de promover a troca de experiência entre os doentes. O Social Diabetes, da Espanha, também ganhou visibilidade ao monitorar os pacientes com diabetes tipo 1 e promover a troca de experiências entre eles.

Unimed Federação Minas

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MEDICINA

É UMA ARTE

Kátia trabalha com arte em cerâmica e, hoje, mantém um ateliê de 200 metros quadrados, onde cria e expõe suas peças, que foram parar em diversas partes do mundo e conquistaram admiradores

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Uma é otorrinolaringologista em Juiz de Fora, na Zona da Mata; a outra, proctologista, em Belo Horizonte. Além da paixão pela medicina, as cooperadas Kátia Lopes e Hilma Gaio têm em comum o talento para as artes plásticas, desenvolvido por elas desde a infância. Embora a atividade possa parecer distante de suas profissões, ambas mostram como a sen-

sibilidade exigida pela arte faz toda a diferença no atendimento aos seus pacientes. Com 35 anos de graduação em medicina, Kátia Lopes conta que sempre gostou de desenhar, mas não chegou a cogitar viver de arte pela desvalorização do ofício no país. “Quando pequena, já desenhava com bico de pena, mas nunca pensei em me profisLeonardo Costa / Tribuna de Minas

Artistas dentro e fora dos consultórios, profissionais da saúde mostram como o hobby complementa o exercício da profissão


Arquivo Pessoal

Motivada pelo filho, Hilma voltou para as telas e pinceis. Seus quadros levam, em média, 20 dias para ficarem prontos e são inspirados no universo feminino e nas memórias afetivas da infância

sionalizar”, recorda. Dessa época, ela guarda a forte lembrança de certo amigo arquiteto de seu pai, que lhe falava a respeito da Escola Guignard (Escola de Artes de Belo Horizonte, da Universidade Estadual de Minas Gerais). “Ficava imaginando como era a instituição e como seria estudar lá.” A oportunidade de aprender as técnicas de desenho surgiu quando a médica mudou-se para o Rio de Janeiro, para fazer residência. “Frequentava cursos livres de desenho e pude conhecer mais este universo.” Por 14 anos, Kátia viveu na capital fluminense e, de volta a Juiz de Fora, recebeu o impulso que faltava para consolidar-se como artista. “Ao operar um paciente que é ceramista, ele me convidou para fazer um curso com ele. Achava que não iria gostar dessa modalidade. Mas participei de quatro módulos e me encontrei no mundo da arte.” Hoje, Kátia mantém um ateliê de 200 metros quadrados, onde cria e expõe suas peças de cerâmica, especialmente utilitários. Seus trabalhos já foram parar em diversas partes do mundo – Estados Unidos, Venezuela e França – e, sem precisar fazer propaganda, se popularizou entre os apreciadores da arte. Sobre a relação entre as artes plásticas e a medicina, ela não tem dúvidas de que uma complementa a outra. “Ainda sou da medicina que chamo de artesanal. Gosto de manter uma troca com o paciente e com sua família; é uma questão de sensibilidade. Além disso, é muito importante para qualquer profissional ter uma atividade fora de sua área, para tranquilizar a mente.”

Arte sobre a tela Nascida em uma família com tradição na medicina, Hilma Gaio recebeu grande influência dentro de casa para seguir a profissão. No momento da escolha, contudo, a proctologista confessa que ficou dividida entre o sonho de ser artista – alimentado desde a infância - e o de dar continuidade à tradição familiar. “Acabei descobrindo que gostava muito da área de saúde e, hoje, percebo que não daria conta de viver somente de arte”, afirma. Durante a faculdade, no Rio de Janeiro, Hilma frequentava cursos de pintura, mas, com o passar do tempo, tornou-se impossível conciliar as duas atividades. Já formada, e com o tempo cada vez mais escasso, a médica abandonou os pincéis e as telas, mas, graças a um importante incentivo recebido em casa, decidiu retomar a pintura. “Um dia, meu filho de 12 anos perguntou por que eu não voltava a pintar. Ele estava com um pijama azul que ele adorava e resolvi pintá-lo. Foi um marco para eu continuar a me dedicar à arte.” Sua primeira exposição foi em 2008, na sede da Associação Médica de Minas Gerais,

na capital mineira. E isso foi apenas um pouco do que ela era capaz. Ela já está planejando uma próxima mostra, para o ano que vem. “A pintura exige muita dedicação, principalmente no meu caso, que só tenho os finais de semana para trabalhar em minhas produções.” Hilma conta que o processo de criação de cada quadro leva, em média, 20 dias. Como inspiração para os trabalhos em óleo sobre tela, a médica e artista busca temas relacionados ao universo feminino e familiar, valendo-se, também, das memórias afetivas da infância. Atualmente, o seu consultório é a principal vitrine para expor os trabalhos. “Sempre tem algum paciente que pergunta de quem são os quadros. Quando digo que são meus, eles ficam surpresos.” Em suas palavras, a pintura é uma fonte de equilíbrio para a sua vida, além de ter grande influência no exercício da profissão. “Vejo a cirurgia como um ato artístico. Não a encaro como um ato mecânico e, por isso, acredito que a pintura seja importante para que eu fique mais relaxada e equilibrada para trabalhar com os meus pacientes, em especial.”  Unimed Federação Minas

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TEMPO LIVRE

ESPORTE

Márcio de Melo Morais Neurocirurgião cooperado e presidente da Unimed Centro-Oeste, em Pará de Minas

Competições automobilísticas como a Fórmula 1 sempre me fascinaram. Na década de 90, fiz parte da equipe médica em uma corrida de kart e, a partir daí, passei a ser um dos pilotos. Há tempos queria participar de uma corrida e, por ser a categoria de acesso ao esporte, o kart foi a oportunidade de me realizar. Assim, quando não estava de plantão nos finais de semana, participava de campeonatos regionais, muitos no Kartódromo Internacional de Betim. Fui campeão da Copa Minas Gerais de Kart, em 2003 e 2005, e vice da Fórmula Minas de Kart, em 2006. Atualmente, não estou competindo mais e corro somente por hobby. Quem compete é o meu caçula, Marcus Augusto, de 15 anos, para desespero da minha esposa. O kart ajuda a desenvolver o senso de responsabilidade, o raciocínio, a concentração e a atitude de tomar decisões rápidas, sob uma boa dose de adrenalina, afinal, tudo acontece em alta velocidade. No entanto, é preciso seriedade, atenção e disciplina, pois é um esporte que envolve muitos riscos.

´ MÚSICA

Família heavy metal

Foi na adolescência, aos 13 anos, que comecei a tocar violão e, aos 15, montei uma banda. Sou carioca, cresci em Copacabana e, neste cenário, eu e meus colegas respiramos música. Veio a idade adulta, os garotos seguiram seu rumo e, a partir de 1970, entrei na faculdade de medicina e passei a estudar violão clássico. Nessa época, também ministrava aulas de música, inglês e de reforço para alunos do Ensino Médio. A partir de 1974, faltou tempo, e parei com o violão clássico. Concentreime na faculdade e, após a residência, vim trabalhar em Teófilo Otoni. Continuei tocando violão como uma terapia. Em 2000, criei uma banda com outros médicos, a Beatles and Friends, que se mantém até hoje e toca sucessos do Quarteto de Liverpool, Rolling Stones, Pink Floyd, The Birds, entre outros grupos de rock dos anos de 1960 e 1970. Da formação original, continuamos eu, no contrabaixo, e o baterista, o cirurgião Antônio Abdala Cury. Temos ainda dois guitarristas, o Agostinho e o Jean, e um estúdio montado onde ensaiamos todas as segundas-feiras. Minha esposa, Ana Beatriz, nos acompanha como fotógrafa. Nós nos apresentamos em eventos da região, como o show de Natal de Teófilo Otoni, em Nanuque e em Belo Horizonte.

Aqueles jovens de caras pintadas, cabelos compridos, roupas de couro e mandando ver nas guitarras me conquistaram para sempre. Aos 14 anos, o Kiss ativou minha veia hard rock. Em 1983, lá estava eu no Mineirão, em “Beagá”, no histórico show do Kiss. Que me desculpem os mais ecléticos, mas gosto mesmo é do bom e velho rock and roll metal. Hoje, coleciono na memória, e na prateleira, shows, LPs, CDs e DVDs do ACDC, Rush, Pink Floyd, Aerosmith, Iron Maiden, Deep Purple, entre outras bandas deste gênero musical. E não penso em me aposentar tão cedo do rock. Já estou de olho no próximo show histórico do Black Sabbath no Brasil, na sua formação original, com o lendário Ozzy Osbourne. Nesta paixão, tenho companhia de amigos, dos irmãos e de Vânia, minha esposa há 12 anos, que vai às apresentações comigo. Para completar esse clube do rock em família, meu filho Saulo, de 4 anos, não nega o DNA e já se mostra um roqueiro de carteirinha. Ele já tem camisetas de bandas preferidas e sempre pede: “Papai, coloca rock! Toca ACDC!” Tem também o Heitor, 2 anos, que, apesar de ser ainda muito novo para manifestar suas preferências musicais, com certeza, no futuro, vai se integrar à caravana do rock da família Albuquerque.

Ana Beatriz Nogueira

Um pé no rock, outro no erudito

José Eduardo Regadas Nogueira Cardiologista, cooperado e um dos fundadores da Unimed Três Vales, em Teófilo Otoni

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Acelerando nas pistas

Ni lson Albuquerque Junior Cirurgião geral e cooperado da Unimed Conselheiro Lafeiete

Nesta seção, os leitores poderão acompanhar dicas e sugestões sobre cultura, lazer e diversão. Você tem uma dica? Escreva para: comunicacao@unimedmg.coop.br

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Revista Conexão Unimed - Edição 09  

Revista direcionada aos 16 mil médicos da Unimed em Minas Gerais.

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