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~ ´ Mande para a Libido suas criticas e sugestoes: submit@libido.org

Editorial

CONSELHO EDITORIAL ´ Ana Starling, Artur Rangel, Flavio Samelo, Glauco Diogenes, Luciano Cian, Mario Fontes e Tati Tacla

COLABORADORES Adolfo serra, Adrianna Chamas, Andre Luiz Bortolanza, Antonio Mangia Bokel, Amazin Walter, Catarina Gushiken, Danilo Rodrigues Silva, Erkut Terliksiz, Fernado G. Brittar, Fernando Vieira, Frida Freak, Gabriel Barros, Gabriel Silva, Gisele Prata Real, Greg Tocchini, Henrique Russi Alves ~ Luci Parrillo, Luiza dos Reis, Jorge Galvao, Pape Fortes, Marcelo Daldoce Gomes, Marcelo Krause, Marcos Lopez, Mateus Bailon, Michael Knapp, Ninhol, Pabllo De La Cruz, Paulo Flatau, Paulo Henrique Messias Quirino, Rafael Nobre.

AGRADECIMENTOS Eduardo Gayotto, Carol Pinkus, Chechu DISTMAG ~ Brasil Distribuicao , ESKENAZI ´ Grafica ASSINE A REVISTA www.libido.com.br/assinatura +55 11 3269 8883 ENDERECO , Av. Domingos Ferreira, 297 Boa Viagem - 45062-061 Recife - PE - Brasil

Out 2011 ~ mensal Publicacao , 15.000 exemplares issn: 1809-5534 ~ de Os artigos assinados sao ~ responsabilidade dos autores e nao ~ refletem necessariamente a opiniao da ~ total ou revista, E´ proibida a reproducao , ~ parcial de textos, fotos e ilustracoes, por , ~ dos ´ qualquer meio, sem previa autorizacao , artistas ou do editor da revista. Libido e marca registrada ® Todos os direitos reservados.

A revista Libido foi criada com o intuito de ´ desmistificar varios assuntos relacionados ao ´ sexo, desde aspectos mais intrinsecos ao ato ate´ sutilezas de sua presenca , nas mais ´ diversas producoes artisticas. ~ nao ~ so´ sobre sexo, Procuramos falar, entao, ´ sobre todo um universo que gira mas tambem em torno desse tema. As abordagens prezam ~ de preconceitos ou sempre, pela isencao , ~ universais. determinacoes , Para conseguirmos abordar de forma mais ´ organizada, as mais diversas tematicas, ^ ´ decidimos dividir nosso conteudo em tres ~ ~ baseadas numa definicao ~ sessoes, que sao , de Santo Agostinho sobre os tipos de libido. ^ Segundo ele, este se divide em tres tipos:

Libido Sciendi: que esta´ relacionado ao desejo de conhecimento; Libido Sentiendi: que e´ o desejo sensual em um sentido mais amplo; Libido Dominiendi: que e´ o libido relacionado ao desejo de dominar. ~ previa, ´ A partir dessa divisao escrevemos ´ nossas materias de acordo com o conceito de cada libido.

Esperamos que a Libido possa oferecer a voce^ ~ mais livre, bela e prazerosa de como uma visao o sexo pode ser.

Os editores


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Filosofia do Design Sexo e Design Texto e ilustração: Marcos Beccari

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ara mim, Design é igual a prostituição: uma profissão digna e respeitável (sem ironias) que exerce, antes de qualquer coisa, uma das mais belas atividades humanas. E não há nada de errado em cobrar por isso. O que me parece errado é transar com quem você ama e continuar acreditando que existe um propósito “funcional” para tudo. No entanto, assim como o Design, o sexo também pode ser pragmático: pode haver uma função ou utilidade (como procriação), sanar uma necessidade específica (carência ou stress), cumprir com determinados requisitos e métodos (anticoncepcionais, coito interrompido, ciclo menstrual) e até ser sustentável (sexo tântrico). E o que dizer sobre a masturbação ou a pornografia?

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Para o psicólogo James Hillman (1989, p. 22), trata-se de uma “anestesia, como um tranquilizante enquanto você assiste TV”. Isso porque, se outrora a indústria pornográfica já esteve associada com as ideias de culpa, vergonha e fantasia, atualmente ela tem se tornado cada vez mais explícita, cotidiana e efêmera. Mas como isso se reflete em nosso comportamento e no design contemporâneo? Desde pequenos, somos treinados a saber, a alcançar e a fazer o que queremos fazer. Somos “independentes”, estimulados a caminhar com nossas próprias pernas e saber para onde estamos indo. Toda essa exigência, se não estiver relacionada diretamente com a pornografia e a masturbação, certamente favorece a famosa teoria freudiana da repressão do desejo sexual. Leia “O mal-estar na civilização” de Freud e sinta-se um maníaco. De fato, a tradição cristã-ocidental está enraizada em nossa cultura e ainda é predominante em nossa forma de encarar moralmente o sexo – por mais que possa manifestar amor ou paixão, o sexo é censurado o tempo todo, sobretudo na área do Design (como mostra este post da Janara). Mas ao contrário de Freud, creio que o sexo em si mesmo, simultaneamente afeto e pecado, parece algo místico, algo que não deve ser dito: dizer “eu te amo” é mais fácil do que “quero transar com

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você”. O sexo faz com que o amor seja tão obsessivamente concreto que sua inibição reforça o prazer e, ao mesmo tempo, faz dele um fantasma, uma ilusão, uma ficção. Pois há também um aspecto prazeroso na impossibilidade. E há quase um êxtase na vergonha na medida em que nos tornamos mais sensíveis. Vejo que o sexo está muito mais relacionado a nossas fantasias, nossos medos e confissões do que àquilo que conscientemente necessitamos ou desejamos. No velho mito de Eros e Psiquê, a psique (alma) está sempre buscando pelo amor, enquanto eros (deus do amor) está sempre tentando encontrar a alma. Na verdade, “eros já está dentro da psique, pronto para pegar fogo. A psique é um material altamente inflamável” (HILLMAN, 1989, p. 194). Portanto, o sexo é onde o amor se esconde e vice-versa, ambos atrás de um muro feito de puro medo. Este disfarce é também uma revelação, pois cada pessoa tem seu jeito particular de se esconder. Quem sabe seja este o denominador comum entre sexo e Design: esconder é apenas uma outra forma de revelar. Significa que uma pessoa que nunca escondeu nada em um projeto ou em uma relação sexual, não tem nada a revelar. Talvez por isso a homo/bissexualidade poligâmica, visivelmente crescente entre os designers, parece


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muitas vezes confundir-se com fantasias, nossos medos e confissões do que àquilo que conscientemente necessitamos ou desejamos. No velho mito de Eros e Psiquê, a psique (alma) está sempre buscando pelo amor, enquanto eros (deus do amor) está sempre tentando encontrar a alma. Na verdade, “eros já está dentro da psique, pronto para pegar fogo. A psique é um material altamente inflamável” (HILLMAN, 1989, p. 194). Portanto, o sexo é onde o amor se esconde e vice-versa, ambos atrás de um muro feito de puro medo. Este disfarce é também uma revelação, pois cada pessoa tem seu jeito particular de se esconder. Quem sabe seja este o denominador comum entre sexo e Design: esconder é apenas uma outra forma de revelar. Significa que uma pessoa que nunca escondeu nada em um projeto ou em uma relação sexual, não tem nada a revelar. Talvez por isso a homo/bissexualidade poligâmica, visivelmente crescente entre os designers, parece muitas vezes confundir-se com uma auto exposição ou uma autoafirmação sem, no entanto, valorizar a intensidade e a beleza que há no escondido, naquilo que não está à vista de quem não quer ver – e isso também vale, igual e democraticamente, aos hetero-monogâmicos remanescentes. Tudo isso porque eu acredito que qualquer projeto de design exige muito mais do que compreender a necessidade do usuário. É preciso uma constante abertura, que você se permita receber e se entregar ao seu

usuário, deixar sua imaginação seduzir-se por ele, seduzindo-o e surpreendendo-o com sentimentos que estremeçam qualquer tipo de voto de castidade. Afinal, conforme Hillman (1989, p. 192), “o amor não é um fenômeno da pessoa, o amor é um fenômeno do espírito que agita a alma e gera imaginação”. E o sexo, assim como o Design, é uma forma de amar, ou pelo menos uma forma de imaginar um amor sem o qual nossos medos e angústias (ou projetos de Design) não teriam sentido de existir.

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´ O amor tambem machuca Infográfico mostra contusões mais comuns – e até engraçadas – sofridas pelos casais durante o sexo

Fazer sexo em lugares ou posições diferentes pode ser muito gostoso e saudável para casais que desejam apimentar a relação. Mas a criatividade ou a afobação podem trazer, além de prazer, lesões musculares e ortopédicas. As contusões são mais frequentes do que se imagina, segundo Osvandré Lech, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Ele diz que é preciso tomar cuidado para evitar dores e complicações até mais sérias no futuro. “É um problema comum no nosso dia a dia, quando fazemos um gesto brusco ou forçamos determinadas posições. Mas pode ser evitado”, diz. Uma pesquisa britânica indica que cerca de 18 milhões de ingleses se machucaram durante o sexo em 2009. O levantamento, conduzido pela empresa OnePoll, mostra que estiramentos musculares são as queixas mais comuns, seguidos de dores nas costas, esfolados por atrito com o carpete e problemas no pescoço. E isso pode ficar mais sério: 2% dos entrevistados relataram até ossos quebrados em função da empolgação na cama. Muitos machucados acontecem durante manobras fora do quarto. A mesma pesquisa mostrou que o sofá é o local mais propenso a causar acidentes, seguido da escada, carro e chuveiro. Segundo Lech, não há estatísticas no Brasil que mensurem o número de acidentes sexuais ou a origem deles. O tema, ele explica, ainda é tabu entre os brasileiros. “Esse tipo de caso acaba sendo tratado em atendimentos de urgência, sem muita privacidade entre médico e paciente. Ninguém vai contar que se machucou durante o ato sexual nesse ambiente”, comenta. Para o especialista, a largura estreita dos sofás leva os amantes a forçar muito a coluna, o que provoca estiramentos e contraturas musculares. No chuveiro e na escada, os casos mais relatados são de fraturas. “São geralmente no punho, ao cair e tentar se apoiar”, explica. Como dica ele reforça que o conforto e o comodismo da cama ainda são imbatíveis. Difícil é explicar isso para os casais quando o clima esquenta.

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Pulso Torções no pulso acontecem principalmente ao tentar sustentar o peso do corpo com as mãos. Os braços podem ficar doloridos principalmente para os homens, que empregam mais força na performance.

Pescoço O torcicolo pode ter origem em um sexo feito de mau jeito. Apoiar a cabeça ou não torcê-la demais ajuda a prevenir aquela dorzinha no dia seguinte. Cuidado especial com os puxões de cabelo muito selvagens.


Joelhos As posições que exigem apoio sobre os joelhos podem ocasionar torções ou hematomas nessa parte do corpo. Queimaduras por atrito também são comuns quando tapetes ou carpetes fazem parte do cenário.

Tornozelos Tornozelos torcidos também são comuns. O problema ocorre em função de apoio estável, como ficar em pé na cama ou sofá, por exemplo.

Coluna

Musculatura Para quem não tem muito alongamento ou condicionamento físico, e recomendável maneirar nas ousadias sexuais. Dependendo do ritmo é possível distender algum músculo. O ortopedista Osvandré Lech aponta que tentar se equilibrar em um sofá estreito, por exemplo, pode provocar estiramentos e contraturas.

Na empolgação, alguns casais escolhem posições que sobrecarregam a coluna, em especial a região lombar. Vale tomar cuidado com os movimentos, qualidade do colchão e postura. Sexo no capô do carro ou no chão também costuma causar estragos.

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Amarrada com prazer Bondage é um tipo específico de fetiche, geralmente relacionado com sadomasoquismo, onde a principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar seu parceiro ou pessoa envolvida Texto: Thais Pontes

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ão é só com lingerie sexy, striptease e pole dance que se tira uma vida sexual da rotina. As diversas prática que ajudam a descobrir novas sensações, fontes diferentes de prazer ou meios mais interessante para se excitar são incontáveis. O bondage é uma prática muito famosa, porém pouco difundida no Brasil. Bondage é uma palavra francesa que significa escravidão, servidão. Os adeptos do bondage buscam um prazer sexual que dizem encontrar apenas quando o controle está totalmente com o parceiro. Conversamos com a publicitária Thaisa Fernandes, que tem o bondage como seu principal hobby há mais de um ano, para entender melhor sobre o assunto.

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ntrevista O que é e para que serve o bondage? Bondage é uma forma de se amarrar, ou amarrar alguém, com foco no prazer. O controle total da pessoa imobilizada fica com o parceiro. Há também quem pratique com fins estéticos. Você pratica sempre com foco sexual? Nem sempre. O bondage também é uma manifestação artística. Adoro pensar em diferentes formas de amarração, gosto de aperfeiçoar as que já conheço, sempre deixando o trabalho visualmente bonito e, na medida do possível, confortável. Como o meu namorado é fotógrafo, a gente já fez diversos trabalhos focados em bondage. Qual a relação entre o bondage e o sadomasoquismo? São coisas completamente dissociadas. O leigo costuma achar que é a mesma coisa, que SEMPRE haverá dor e humilhação, quando o bondage, na verdade, exige respeito mútuo e consenso. Qual o limite entre o bondage e a tortura? O bondage não envolve tortura, embora possa tornar-se uma se for feito de forma inadequada ou se o participante assim desejar. Algumas suspensões e poses difíceis podem ser dolorosas por si só. Exceto nesses casos, é errado dizer que existe um limite entre um e outro, já que não existe essa evolução linear do bondage a tortura. A amarração que se torna torturante ou é consentida ou está sendo feita de forma errada e deve ser abandonada o quanto antes. Convém citar um dos lemas das práticas do BDSM (Bondage, Dominação, Sadismo, Masoquismo): “São, seguro e consensual”. São necessárias cordas especiais pra não machucar? Todas as cordas podem machucar em maior ou menor grau, dependendo do que está sendo proposto. As cordas de poliéster normais, que você encontra em qualquer loja de materiais para construção, são muito boas e baratas para se iniciar a prática. Não recomendo cordas de fibras como cânhamo, que podem arranhar a pele. Além disso, até hoje não encontrei no Brasil nenhuma loja que vendesse corda especial para a prática, então a corda de poliéster é a alternativa mais viável. As cordas mais grossas, entre 5 e 10 mm de diâmetro, são melhores por não marcarem muito profundamente a pele. Uma dica legal: queime as pontas da corda antes de usá-la, pra que não desfiem. Jamais usem barbantes, linhas ou fios, pois eles cortam a pele. São necessários nós especiais pra conseguir desatar depois? Quanto menor a quantidade de nós prendendo a pessoa, melhor. E isso não só por razões de segurança, como também de estética. Esta busca por uma quantidade menor de nós é um exercício difícil e que re44 | Libido | Outubro 2011


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quer muita prática. Eu costumo me desafiar e tentar fazer certos tipos de amarrações sem dar nós. Quando os nós são necessários, é bom não fazer aqueles tradicionais, que são mais difíceis de soltar. Uma boa dica é enrolar a ponta da corda em volta de uma parte já esticada, dessa forma a pressão segura a ponta no lugar, mas fica fácil de soltar. Um exemplo bom de como usar poucos nós prendendo a pessoa é o Karada, uma amarração do Shibari (que é um método oriental de bondage). que pode ser usado como base para produções maiores. No bondage, geralmente, quem é amarrada é a mulher. Os homens também podem ser amarrados? Sim, há várias maneiras de amarrar o homem. Das mais tranquilas às mais hardcore. As diferenças estão, obviamente, nos métodos de passar a corda pelos genitais. Quais as principais dicas e cuidados pra quem quer começar a praticar? Comprar cordas exclusivamente para a prática é a principal dica. Quem não possuir a corda ou não quiser comprá-la logo de cara, pode começar usando meias-calças, cintos ou até gravatas. Há regras de segurança que devem ser seguidas: corda ou não quiser comprá-la logo de cara, pode começar usando meias-calças, cintos ou até gravatas. Há regras de segurança que devem ser seguidas: • Mudar o parceiro de posição a cada 30 minutos e nunca apertar muito as cordas (colocar pelo menos dois dedos de folga entre elas e a pele) para evitar problemas de circulação ou nos nervos; • Ter uma palavra ou gesto de segurança facilmente notável (safeword) pré-combinado para que a atividade seja interrompida caso haja problemas, dor ou desconforto; • Nunca deixar a pessoa presa sozinha; • Tomar cuidado com posições que dificultem a respiração, • Ter certeza que pessoa presa pode ser solta rapidamente em casos de emergência e, sempre que possível, ter uma tesoura por perto; • Conferir periodicamente como a pessoa presa se sente e se ela está com as extremidades frias, sem sensibilidade ou azuladas (o que indica que a circulação está sendo prejudicada); • Nunca ultrapassar seu limite para a dor, fazer tudo de forma consentida e, se possível, alongar-se antes de uma sessão, para reduzir um possível desconforto; • Lembre-se: o objetivo é que tudo seja divertido e prazeroso para ambos.

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HOTFAIR Feira erótica no Rio traz novidades apimentadas Texto: Priscila Bessa

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HotFair é a melhor feira erótica do Brasil, a mais organizada divertida e inovadora e não possui nenhum tipo de pornografia. Visitando a HotFair você tem acesso às novidades do mercado erótico; compra produtos com excelentes preços; assiste palestras dos melhores profissionais com temas super interessantes; se diverte nas diversas atrações e assiste a muitos shows, desfiles, performances e concursos. De lingerie a vibradores exóticos e de última geração. De géis térmicos a inovações mundiais do segmento. O sucesso de público, de venda e de mídia, fizeram da HotFair a feira erótica mais conceituada da América Latina.

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Espaço dedicado ao voyeurismo, vibradores em formato de patinhos de borracha, calcinhas com aroma de frutas, gel que “estala” no corpo, simulador de sexo oral com línguas rotativas, shows de strippers, aulas de pole dance e lap dance. Essas são apenas algumas das novidades e atividades que estão presentes na segunda edição da feira erótica Hot Fair, que começou na quinta-feira (26) e termina no domingo (29), no pavilhão 2 do Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro. A expectativa é que mais de 30 mil pessoas compareçam durante os quatro dias, das 16h à meia-noite, para conferir as novidades dos mais de 70 expositores. Para quem fica receoso e pensa que o evento é dedicado a um público específico, a feira pode ser uma grande surpresa. O que se vê após a abertura dos portões no primeiro dia é, no mínimo, um público bastante eclético. Casais, grupos de amigos e homens e mulheres na faixa dos 18 aos 60 anos se divertiram e saíram com sacolas carregadas de acessórios e a cabeça cheia de novas ideias. Logo na entrada, em um dos primeiros stands, a expositora Monique Tavares, de 25 anos, apresenta um produto sexy e

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“seguro”, a Oral Sex. “Estou vestindo uma calcinha que foi a primeira desenvolvida no mundo para que o homem faça sexo oral seguro na mulher”, diz a moça, vestindo a peça que é feita de látex transparente na parte da frente. “Não é nem um pouco desconfortável e o prazer é o mesmo. O material deixa passar calor. É a mesma sensação”, garante Monique, que afirma já ter experimentado a calcinha com um parceiro. Os preços da feira são competitivos. Enquanto nas sex shops o produto poderá ser encontrado por até R$30, na feira é possível adquiri-lo por R$19. Coelhos de pelúcia gigantes chamam a atenção do outro lado. Trata-se do espaço da loja Sexy Delícia, de Érica Rambalde, a empresária que inspirou a personagem de Ingrid Guimarães no filme “De Pernas Para o Ar”. Com desenvoltura Érica explica para a estudante Paulane Figueiredo, de 20 anos, como funciona o Sqweel, um simulador de sexo oral com línguas rotativas que giram em três velocidades. “Sabe quando o namorado está viajando ou então resfriado? É nessa hora que você usa”, diz a empresária. Paulane, que está visitando uma feira erótica pela primeira vez com

um grupo de amigas, aprovou a novidade. “É bem macio, parece ser confortável e não machuca mesmo. Como a embalagem é discreta, se carregar na bolsa ninguém vai perceber nada de incomum”, comenta ela. Leonardo Gonçalves, de 32 anos, e a assistente administrativa, Cristina da Rosa, de 33 anos, aproveitaram a ocasião para comemorar o aniversário de três anos de namoro. “Estou tentando trazer a minha namorada para este mundo e ela está gostando. Vamos comprar algumas coisinhas. Acho que tudo é válido para sair um pouco da rotina”, disse Leonardo. Cristina, que nunca havia entrado em uma feira erótica, logo venceu a timidez. “No final de semana pretendemos voltar com calma para ver a palestra sobre swing. Nunca fui e quero conhecer. Quero abrir a cabeça um pouco”, contou ela. As atrações preferidas do casal foram o Espaço Voyeur e o Espaço Sensation. “Às vezes você não se sente à vontade de entrar numa loja, mas aqui não. E isso é legal porque somos um casal e faz parte da vida a dois”. Existe uma programação fixa da feira que inclui o Castelo do Fetiche, espaço onde é possível ser amarrado em uma mesa de bondage entre outras técnicas sadomasoquistas. Outras opções de diversão são o Espaço Voyeur, área onde os visitantes podem entrar e interagir com performistas enquanto são assistidos pelo público; Espaço Sensation, local onde homens e mulheres são vendados e exploram com as mãos o corpo de um profissional do sexo oposto; Strip Lounge, onde acontecem shows de strip tease masculino e feminino alternados a cada meia-hora, entre outras surpresas O Strip Lounge, por sinal, é o espaço responsável pela resposta mais eufórica do público. Constantemente é possível ouvir os gritos das mulheres que assistem as


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performances masculinas. A representante comercial Adriana Nascimento, de 31 anos, era felicitada pelas mulheres que presenciaram a apresentação masculina de um striper vestido de marinheiro no mesmo horário que ela. “Ele me puxou para o palco e, como sou solteira, nem hesitei. Minha perna está tremendo até agora”, diz ela. E completa: “O que achei legal é que a feira não tem pornografia. Vim com a minha mãe e com a minha irmã, então você pode vir com a família que não vai ficar constrangida com nada”. Num palco na lateral do pavilhão acontecem palestras, concursos e performances como as aulas de pole dance e lap dance comandadas pela escola de Vanessa Costa, de 30 anos, Presidente da Federação Brasileira de Pole Dance. Dentre as muitas novidades o produto mais vendido, no primeiro dia, foi a calcinha da marca mineira Delírius. Com aromas variados como morango, canela, pêssego, tutti frutti, menta e uva, as calcinhas praticamente desapareceram do stand. “Tivemos que encerrar as vendas por hoje, duas horas antes de acabar a feira, senão não tenho material para expor amanhã. Já mandei trazer mais”, explica Petrônio Costa, dono da marca, que cobrou R$3 pelo produto e ficou surpreso com a procura.

Érica Rambaldi mostra o detalhe das “linguinhas” de silicone do Sqweel.

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Amazonas Fotos: Esther Haase e Jackie Hardt Modelo: Uta Melle

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palavra Amazonas vem de a mazos, sem seios, portanto, sugere significar “mulheres sem seios”. Diz a lenda que as Amazonas extirpavam o seio direito para melhor manusear suas armas durante as batalhas. As guerreiras de hoje também tiveram um ou os dois seios removidos, mas por outra causa: a sobrevivência. A batalha contra o cancêr de mama continua para resgatar a beleza e a femilidade dessas mulheres guerreiras que renasceram para vida

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Araki Nobuyoshi A

raki Nobuyoshi estudou fotografia durante seus anos na faculdade e depois foi trabalhar na agência de publicidade Dentsu, no Japão, onde conheceria sua futura esposa Yoko Araki. Depois de se casarem, Araki publicou um livro de fotos de sua esposa tiradas durante a lua-de-mel deles intitulado Sentimental Journey (Jornada Sentimental). Ela faleceu em 1990. Fotografias tiradas durante os últimos dias dela foram publicadas em um livro intitulado Winter Journey (Jornada de Inverno). Tendo publicado mais de 350 livros (continua publicando ativamente) Araki é considerado um dos artistas mais produtivos vivos ou mortos no Japão e ao redor do mundo. Muitas de suas fotografias são eróticas; algumas chamadas de pornográficas. Alguns de seus mais populares livros de fotografia são Sentimental Journey Tokyo Lucky Hole e Shino. A cantora islandesa Björk é admiradora do trabalho de Araki e já serviu como uma de suas modelos. Araki foi fotógrafo do encarte do CD de remixes dela de 1997, Telegram. A vida e o trabalho de Araki são o assunto do documentário de 2005 Arakimentari de Travis Klose.

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Revista Libido N01